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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Onde está o Wally? (In)visibilidades sobre mulheres e política nas práticas de receção jornalística]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper examines the way in which young audiences understand, interpret and position themselves in relation to media representations of women politicians. Based on the analysis of focus group data, this paper shows that the existence of gender asymmetries in the news media is not considered by (young) audiences as a relevant issue. Most participants adopted reassuring attitudes towards qualitative representation of women politicians, having shown a lack of critical awareness about the consequences of the maintenance of unequal power relations in the media context. Moreover, in an attempt to explain the causes of the representational paradigms identified, participants rarely questioned the economic, socio-cultural and political factors that exert influence on the news production. Informed by a feminist perspective, this study therefore asserts the ned to promote critical media literacy projects to deconstruct hegemonic gender assumptions, as well as to reflect about the impact of the media representations on the (re)configuration of the political/public sphere.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Onde est&aacute; o Wally? (In)visibilidades sobre mulheres e pol&iacute;tica nas pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica</b></p>      <p><b>Where&rsquo;s Wally? (In)visibilities about women and politics in journalistic reception practices</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Anabela Santos*, Rosa Cabecinhas**, Carla Cerqueira**</b></p>      <p>* Bolseira de investiga&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia, Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057, Braga. (<a href="mailto:amsantos86@gmail.com">amsantos86@gmail.com</a>)</p>      <p>** Professora Associada Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057, Braga. (<a href="mailto:cabecinhas@ics.uminho.pt">cabecinhas@ics.uminho.pt</a>)</p>      <p>*** Investigadora de p&oacute;s-doutoramento da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia, Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057, Braga. (<a href="mailto:carlaprec3@gmail.com">carlaprec3@gmail.com</a>)&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Este artigo analisa o modo como os p&uacute;blicos jovens compreendem, interpretam e se posicionam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas de mulheres que desempenham cargos pol&iacute;ticos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com base na an&aacute;lise do material que resultou da realiza&ccedil;&atilde;o de grupos focais, este artigo mostra que a exist&ecirc;ncia de assimetrias de g&eacute;nero nos m&eacute;dia informativos n&atilde;o &eacute; considerada pelos p&uacute;blicos (jovens) como uma quest&atilde;o relevante. A maioria das/os participantes adotou posicionamentos tranquilizadores relativamente &agrave; representa&ccedil;&atilde;o qualitativa de mulheres que exercem cargos pol&iacute;ticos, tendo revelado a falta de consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica sobre as consequ&ecirc;ncias da manuten&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de poder desiguais no contexto medi&aacute;tico. Al&eacute;m disso, procurando explicar as causas subjacentes aos paradigmas representacionais identificados, as/os participantes raramente questionaram os fatores econ&oacute;micos, socioculturais e pol&iacute;ticos que influem na produ&ccedil;&atilde;o noticiosa.&nbsp;&nbsp;</p>      <p>Enformado por uma perspetiva feminista, este estudo sublinha, assim, a necessidade de promover a literacia cr&iacute;tica medi&aacute;tica juntos dos p&uacute;blicos com vista &agrave; desconstru&ccedil;&atilde;o de assun&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero hegem&oacute;nicas, bem como de se refletir sobre os eventuais impactos das representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas ao n&iacute;vel da (re)configura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pol&iacute;tico/p&uacute;blico.</p>      <p><b>Palavras-chave</b>: estudos de rece&ccedil;&atilde;o, mulheres e pol&iacute;tica, representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas, estudos feministas dos m&eacute;dia.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>This paper examines the way in which young audiences understand, interpret and position themselves in relation to media representations of women politicians.</p>      <p>Based on the analysis of focus group data, this paper shows that the existence of gender asymmetries in the news media is not considered by (young) audiences as a relevant issue. Most participants adopted reassuring attitudes towards qualitative representation of women politicians, having shown a lack of critical awareness about the consequences of the maintenance of unequal power relations in the media context. Moreover, in an attempt to explain the causes of the representational paradigms identified, participants rarely questioned the economic, socio-cultural and political factors that exert influence on the news production.</p>      <p>Informed by a feminist perspective, this study therefore asserts the ned to promote critical media literacy projects to deconstruct hegemonic gender assumptions, as well as to reflect about the impact of the media representations on the (re)configuration of the political/public sphere.</p>      <p><b>Keywords: </b>reception studies, women and politics, media representations, feminist media studies.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>No &acirc;mbito dos Estudos Feministas dos M&eacute;dia, as pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m constitu&iacute;do um importante objeto de reflex&atilde;o cr&iacute;tica (Watkins &amp; Emerson, 2000:156; Byerly &amp; Ross, 2006:56), a par da an&aacute;lise das representa&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero (Ross, 2010; Silveirinha, 2004) e do papel das/os profissionais dos m&eacute;dia na perpetua&ccedil;&atilde;o de assimetrias sociais (Mendes &amp; Carter, 2008:1701).</p>      <p>Desde a d&eacute;cada de 1980, a investiga&ccedil;&atilde;o feminista tem procurado estudar a rece&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos veiculados por diferentes m&eacute;dia, tais como a televis&atilde;o (Ross, 1995; Kim, 2006; Ferin-Cunha, 2007; Lobo &amp; Cabecinhas, 2010) e as revistas femininas (Winship, 1987; Mota-Ribeiro, 2010). Recentemente, os videojogos (Walkerdine, 2006), as novas tecnologias m&oacute;veis e a Internet (Kim, 2007; Cerqueira, Ribeiro &amp; Cabecinhas, 2009) t&ecirc;m emergido como novos campos de an&aacute;lise.</p>      <p>Embora se encontrem em crescente afirma&ccedil;&atilde;o nas academias ocidentais (Watkins &amp; Emerson, 2000:156), os estudos de rece&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m dedicado uma aten&ccedil;&atilde;o reduzida ao modo como os p&uacute;blicos negoceiam e se apropriam dos conte&uacute;dos noticiosos, descurando o papel importante que os m&eacute;dia informativos (impressos) adquirem na (re)constru&ccedil;&atilde;o de significados e na manuten&ccedil;&atilde;o da ideologia (tradicional) de g&eacute;nero (van Zoonen, 1994:125).</p>      <p>Reconhecendo a margem de autonomia e independ&ecirc;ncia dos indiv&iacute;duos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mensagens medi&aacute;ticas (Hall, 1980; Van Dijk, 2005), prop&otilde;e-se neste estudo analisar as pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos veiculados por newsmagazines portuguesas. Em particular, pretende-se explorar o modo como os p&uacute;blicos jovens compreendem, interpretam e se posicionam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es de mulheres que exercem cargos pol&iacute;ticos, auscultando a influ&ecirc;ncia das suas concetualiza&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero na produ&ccedil;&atilde;o discursiva. Neste sentido, realizou-se uma sequ&ecirc;ncia de onze grupos focais com 101 estudantes universit&aacute;rias/os, cujos dados textuais e respetivas inscri&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas foram problematizados no quadro da An&aacute;lise Tem&aacute;tica (Braun &amp; Clarke, 2006) a partir de uma perspetiva feminista.</p>      <p>Ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, os m&eacute;dia informativos t&ecirc;m constitu&iacute;do uma arena privilegiada para a (re)configura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pol&iacute;tico e a media&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o da classe pol&iacute;tica com o eleitorado (Croteau, Hoynes &amp; Milan, 2012:221). Embora diferentes tipos de m&eacute;dia produzam efeitos distintos, in&uacute;meros estudos mostram que a imprensa est&aacute; mais fortemente relacionada com a aquisi&ccedil;&atilde;o e a reten&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (Ross, 2003:108). Em particular, abordando preferencialmente os apelidados &ldquo;hard issues&rdquo; (Cardoso, 2009:4342), as newsmagazines encerram um papel crucial na edifica&ccedil;&atilde;o dos modelos cognitivos e na forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o p&uacute;blica sobre assuntos pol&iacute;ticos (Neuman, Just &amp; Crigler, 1992:78). Al&eacute;m disso, mediando &ldquo;quem&rdquo; adquire import&acirc;ncia, &ldquo;como&rdquo; se expressa e representa publicamente, e &ldquo;o que&rdquo; &eacute; aceite, naturalizado ou contestado, este tipo de medium colabora na (re)constru&ccedil;&atilde;o dos lugares de express&atilde;o p&uacute;blica e interc&acirc;mbio imaterial, podendo influir no exerc&iacute;cio da cidadania e na configura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero no campo pol&iacute;tico.</p>      <p>Em Portugal, a proibi&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o com base no sexo (na esfera pol&iacute;tica) ficou consagrada, em 1976, no artigo 13&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa. Mais tarde, impulsionado pela ratifica&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o Internacional para a Elimina&ccedil;&atilde;o de Todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o Contra as Mulheres (CEDAW)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, em 1980, o Estado Portugu&ecirc;s reconheceu na IV revis&atilde;o constitucional de 1997 a import&acirc;ncia das medidas de a&ccedil;&atilde;o positiva como uma resposta sociopol&iacute;tica &agrave; preval&ecirc;ncia de desigualdades de g&eacute;nero em diferentes &aacute;reas de atividade humana. A introdu&ccedil;&atilde;o deste tipo de medidas no campo pol&iacute;tico aconteceu com a ado&ccedil;&atilde;o da Lei da Paridade (Lei Org&acirc;nica n&ordm;. 3/2006)<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, em 2006, a qual se refletiu numa maior visibiliza&ccedil;&atilde;o das mulheres que j&aacute; integravam os aparelhos partid&aacute;rios, especialmente no caso dos partidos de direita (Santos &amp; Am&acirc;ncio, 2012:87).</p>      <p>N&atilde;o obstante o aumento da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres na &uacute;ltima d&eacute;cada<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica tem demostrado que os m&eacute;dia (informativos) apoiam uma media&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero na cobertura de assuntos pol&iacute;ticos, que poder&aacute; afetar as perce&ccedil;&otilde;es dos p&uacute;blicos/eleitorado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; performance pol&iacute;tica das mulheres, contribuindo para a reifica&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica como um espa&ccedil;o masculino (Ross, Evans, Harrison, Shears &amp; Wadia, 2013:7); a amea&ccedil;a &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o eficiente do sistema democr&aacute;tico (Adcock, 2010:151); e a perpetua&ccedil;&atilde;o de assimetrias sociais (Gallego, 2009:45).</p>      <p>Deste modo, importa analisar a capacidade de ag&ecirc;ncia dos p&uacute;blicos face &agrave;s assun&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero veiculadas pelos m&eacute;dia informativos, pensar os eventuais impactos das representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas ao n&iacute;vel da (re)configura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pol&iacute;tico/p&uacute;blico, bem como ancorar um conjunto de medidas necess&aacute;rias para potenciar a literacia medi&aacute;tica e o exerc&iacute;cio pleno da cidadania (pol&iacute;tica). O presente estudo erige-se, assim, da necessidade de se estabelecer no &acirc;mbito da cr&iacute;tica feminista uma articula&ccedil;&atilde;o entre os p&uacute;blicos, as mulheres e a pol&iacute;tica, procurando colmatar a escassez de estudos de rece&ccedil;&atilde;o &ndash; quer a n&iacute;vel nacional, quer a n&iacute;vel internacional &ndash; que transcendem os &ldquo;women&rsquo;s media/genres&rdquo; e incidem sobre os m&eacute;dia informativos (impressos).</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Newsmagazines, g&eacute;nero e pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>N&atilde;o obstante a maior presen&ccedil;a das mulheres nas empresas de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; incluindo nas reda&ccedil;&otilde;es das newsmagazines portuguesas &ndash;, v&aacute;rios estudos t&ecirc;m identificado a exist&ecirc;ncia de uma media&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero nos processos de produ&ccedil;&atilde;o noticiosa (Sreberny-Mohammadi &amp; Ross, 1996; Gidengil &amp; Everitt, 2003a), que tende a consagrar a pol&iacute;tica como o espa&ccedil;o &ldquo;natural&rdquo; dos homens e o de exce&ccedil;&atilde;o para as mulheres (Ross et al., 2013:7).</p>      <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a de outros meios de comunica&ccedil;&atilde;o social (van Zoonen, 1994; Gallego, 2009; Gill, 2007; Martins, 2013), as newsmagazines sustentam o predom&iacute;nio da &ldquo;narrativa do masculino&rdquo;, fomentando a masculiniza&ccedil;&atilde;o da atividade pol&iacute;tica atrav&eacute;s da manuten&ccedil;&atilde;o de um jarg&atilde;o espec&iacute;fico, da menor visibilidade das mulheres pol&iacute;ticas nos m&eacute;dia, da transmiss&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero essencialistas, e da genderiza&ccedil;&atilde;o dos contextos tem&aacute;ticos.</p>      <p>A imbrica&ccedil;&atilde;o &ldquo;globalizada&rdquo; das assun&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero nos m&eacute;dia informativos (Ross, 2010:118) pode promover junto dos p&uacute;blicos a apropria&ccedil;&atilde;o de significados apolog&eacute;ticos de rela&ccedil;&otilde;es de poder desiguais e de assimetrias sociais. Intervindo em conson&acirc;ncia com os interesses dos grupos sociais dominantes (Mendes &amp; Carter, 2008:1705), as ind&uacute;strias medi&aacute;ticas promovem representa&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m maiores probabilidades de serem aceites e pensadas como &ldquo;espelhos da realidade&rdquo; (Carter &amp; Steiner, 2004:20).</p>      <p>Com efeito, os m&eacute;dia informativos &ndash; como as newsmagazines &ndash; possuem um incomensur&aacute;vel poder simb&oacute;lico e persuasivo, detendo a capacidade de influenciar as cogni&ccedil;&otilde;es sociais dos p&uacute;blicos (Van Dijk, 2005:73) e determinar os limites do conhecimento da realidade social (Ross &amp; Sreberny-Mohammadi, 1997:106). N&atilde;o encerrando neutralidade &ndash; particularmente no que diz respeito &agrave;s quest&otilde;es de g&eacute;nero (Sreberny-Mohammadi &amp; Ross, 1996:112) &ndash;, os m&eacute;dia influem no modo como os p&uacute;blicos percecionam o universo pol&iacute;tico, avaliam os acontecimentos e efetuam as suas escolhas eleitorais (Kahn &amp; Goldenberg, 1991:105; Kahn, 1994:154). Uma vez que a maioria dos indiv&iacute;duos n&atilde;o tem experi&ecirc;ncia direta com a pol&iacute;tica, a sua opini&atilde;o sobre este dom&iacute;nio &eacute; significativamente formada a partir dos produtos medi&aacute;ticos (Kahn, 1994:154; Ross, 2003:97). Os p&uacute;blicos podem, por conseguinte, assimilar os conte&uacute;dos veiculados pelos m&eacute;dia sem perceberem a influ&ecirc;ncia que estes poder&atilde;o exercer na modelagem dos acontecimentos (pol&iacute;ticos): &ldquo;o texto e a fala persuasivos passam a n&atilde;o ser vistos como ideol&oacute;gicos, mas como verdades autoevidentes&rdquo; (Van Dijk, 2005:82).</p>      <p>No entanto, importa sublinhar que os indiv&iacute;duos n&atilde;o s&atilde;o marionetas ou agentes passivos (Hall, 1980; Kimmel, 2000; Van Dijk, 2005). Corroborando as teorias desenvolvidas a partir da d&eacute;cada de 1980 &ndash; as quais privilegiam a an&aacute;lise do modo como os p&uacute;blicos usam os m&eacute;dia e exploram a sua capacidade de ag&ecirc;ncia (Hall, 1980; Ross, 2003:76) &ndash;, sustenta-se que as/os leitoras/es apenas se deixam influenciar pelos conte&uacute;dos medi&aacute;ticos at&eacute; certa medida (Croteau et al., 2012:22).</p>      <p>Embora as ideologias dominantes tendam a constituir a leitura preferida (Hall, 1980; Van Zoonen, 1994:42; Mendes &amp; Carter, 2008:1705), os p&uacute;blicos podem envolver-se &ndash; de forma ativa, aut&oacute;noma e independente &ndash; na utiliza&ccedil;&atilde;o dos produtos medi&aacute;ticos e na (re)constru&ccedil;&atilde;o dos seus significado(s): negociando, contestando e/ou resistindo (Van Dijk, 2005:74). A rece&ccedil;&atilde;o constitui, de resto, uma pr&aacute;tica genderizada que pode ser &ldquo;enabling rather than constracting, empowering rather than oppressive, and active rather than passive&rdquo; (Watckins &amp; Emerson, 2000:158). Al&eacute;m disso, influindo na (re)configura&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas pol&iacute;ticas (Hall, 1980:28), os m&eacute;dia podem desempenhar um papel muito positivo na manuten&ccedil;&atilde;o da democracia nas sociedades contempor&acirc;neas &ldquo;by empowering publics to take up their rights to political participation&rdquo; (Ross, 2003:119).</p>      <p>A variabilidade nas pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos medi&aacute;ticos &ndash; nomeadamente daqueles de &acirc;mago pol&iacute;tico (Ross, 2003:118) &ndash; tem rela&ccedil;&atilde;o direta com fatores estruturais, socioculturais e individuais (Croteau et al., 2012:284; van Zoonen, 1994:41), tais como o contexto no qual o/a receptor/a se encontra, o sexo, a idade, o estatuto social e as suas experi&ecirc;ncias anteriores (Gamson, Croteau, Hoynes &amp; Sasson, 1992; Ross, 2003). Por isso, a realidade constru&iacute;da pelos m&eacute;dia pode ser aceite ou refutada, podendo ou n&atilde;o influenciar, de forma determinante, a sua interpreta&ccedil;&atilde;o acerca de determinado acontecimento (Hall, 1980; Gamson et al.,1992:388).</p>      <p>Em suma, concordando com Silveirinha (1998:9), &eacute; necess&aacute;rio auscultar o &ldquo;papel da comunica&ccedil;&atilde;o na vida pol&iacute;tica e do espa&ccedil;o em que se trocam os discursos discrepantes dos atores que, em democracia, t&ecirc;m oportunidade de se expressar publicamente&rdquo;. Por outro lado, importa apurar os mecanismos atrav&eacute;s dos quais os p&uacute;blicos compreendem as assun&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero imbricadas nos conte&uacute;dos sobre figuras pol&iacute;ticas. Investiga&ccedil;&otilde;es neste &acirc;mbito permitir&atilde;o destrin&ccedil;ar o papel dos m&eacute;dia na constitui&ccedil;&atilde;o de mulheres e homens enquanto sujeitos pol&iacute;ticos, interrogando eventuais diferen&ccedil;as, impactos, mudan&ccedil;as e desafios.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3. Metodologia</b></p>      <p>O presente estudo qualitativo foi conduzido durante o m&ecirc;s de outubro de 2012 com o objetivo de analisar as pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos veiculados pelas newsmagazines portuguesas com maior tiragem no contexto nacional (Marktest, 2009): as revistas Vis<i>&atilde;</i>o e S<i>&aacute;</i>bado. Em particular, procurou-se explorar as interpreta&ccedil;&otilde;es e os posicionamentos dos p&uacute;blicos (jovens) face &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas de mulheres que exercem cargos pol&iacute;ticos.</p>      <p>Em termos metodol&oacute;gicos, optou-se pela realiza&ccedil;&atilde;o de grupos focais, j&aacute; que estes comportam in&uacute;meras vantagens para a investiga&ccedil;&atilde;o feminista, constituindo, ali&aacute;s, um m&eacute;todo recorrente no &acirc;mbito dos estudos de rece&ccedil;&atilde;o (Mendes &amp; Carter, 2008:1705). No conjunto das suas principais potencialidades, destacam-se a mitiga&ccedil;&atilde;o dos problemas &eacute;ticos relacionados com o poder exercido pelo/a investigador/a aquando da recolha de dados, e a possibilidade de analisar as co-constru&ccedil;&otilde;es do significado nas pr&aacute;ticas de intera&ccedil;&atilde;o social (Wilkinson, 1998).</p>      <p>Nos grupos focais realizados, que decorreram nas instala&ccedil;&otilde;es da Universidade do Minho, participaram 101 estudantes universit&aacute;rias/os, dos quais 77 elementos eram do sexo feminino (76,2%) e 24 do sexo masculino (23,8%), com uma m&eacute;dia de idades de 20 anos. As/os participantes foram distribu&iacute;das/os por onze grupos focais: tr&ecirc;s grupos com estudantes do sexo feminino, um grupo com elementos do sexo masculino, e sete grupos mistos.</p>      <p>O gui&atilde;o foi desenvolvido de acordo com quest&otilde;es semiestruturadas, previamente elaboradas, que se centraram em dois temas principais: a) usos sociais das newsmagazines (nacionais e estrangeiras); b) perce&ccedil;&otilde;es acerca das representa&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero nas newsmagazines portuguesas.</p>      <p>Numa fase interm&eacute;dia da prossecu&ccedil;&atilde;o dos grupos focais, foram distribu&iacute;das pelas/os participantes como material-est&iacute;mulo duas reportagens remissivas para quest&otilde;es pol&iacute;ticas, a saber: &ldquo;As rebeldias da protegida de Portas&rdquo;, publicada na revista S&aacute;bado (n.&ordm; 372, 16 de junho de 2011), e &ldquo;Agora &eacute; que s&atilde;o elas&rdquo;, publicada na revista Vis&atilde;o (n.&ordm; 957, 7 de julho de 2011). Posteriormente, foi solicitado &agrave;s/aos participantes que analisassem ambos os trabalhos jornal&iacute;sticos, tendo em conta as representa&ccedil;&otilde;es de mulheres e homens com interven&ccedil;&atilde;o na esfera pol&iacute;tica/p&uacute;blica.</p>      <p>O material obtido atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o dos grupos focais foi, num momento subsequente, tratado com recurso ao software NVivo 8.0. Aquando da ausculta&ccedil;&atilde;o do material, a an&aacute;lise tem&aacute;tica (Braun &amp; Clarke, 2006) surgiu como a abordagem mais adequada, j&aacute; que permite &ldquo;identificar, analisar e relatar padr&otilde;es (temas) nos dados&rdquo;, potenciando a compreens&atilde;o dos significados expl&iacute;citos e impl&iacute;citos associados a dados textuais (Guest, Macqueen &amp; Namey, 2012).</p>      <p>Sob a esteira da cr&iacute;tica feminista dos m&eacute;dia, o presente estudo contemplou a ausculta&ccedil;&atilde;o dos paradigmas representacionais identificados e as causas que lhes foram atribu&iacute;das pelas/os participantes durante os grupos de discuss&atilde;o. A an&aacute;lise destes requereu a constitui&ccedil;&atilde;o de narrativas tem&aacute;ticas que &ndash; agregando os temas (in)diretamente relacionados &ndash; permitiram interpelar a fluidez, as ambiguidades e as titubea&ccedil;&otilde;es discursivas, numa recusa do pensamento bin&aacute;rio que obsta a compreens&atilde;o da heterogeneidade das pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Deste modo, recorrendo &agrave; analise tem&aacute;tica (Braun &amp; Clarke, 2006), a leitura cr&iacute;tica do material inicia-se com a identifica&ccedil;&atilde;o dos paradigmas representacionais, com vista a apurar as interpreta&ccedil;&otilde;es e os posicionamentos das/os participantes, e, num momento posterior, centra-se na explana&ccedil;&atilde;o das causas atribu&iacute;das durante os grupos de discuss&atilde;o.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. An&aacute;lise e discuss&atilde;o</b></p>      <p>Nos grupos de discuss&atilde;o<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>, a maioria das/os participantes reconheceu que as desigualdades de g&eacute;nero continuam a existir em Portugal, nomeadamente na esfera pol&iacute;tica. Contudo, n&atilde;o atribuiu particular relev&acirc;ncia &agrave; sua dimens&atilde;o, manifesta&ccedil;&otilde;es e corol&aacute;rios pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos e socioculturais. Dando &ecirc;nfase &agrave;s consecu&ccedil;&otilde;es verificadas na arena dos direitos das mulheres nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, as/os participantes enformaram as desigualdades de g&eacute;nero sobretudo a partir de um prisma otimista e n&atilde;o-problematizante.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;... Acho que agora j&aacute; n&atilde;o h&aacute; aquela discrimina&ccedil;&atilde;o mesmo inicial das mulheres n&atilde;o poderem fazer mais nada&rdquo;. (Rita Mendes, 18 anos)</blockquote></p>      <p>Quando questionadas/os sobre as causas da manuten&ccedil;&atilde;o das desigualdades de g&eacute;nero na esfera p&uacute;blica/pol&iacute;tica, as/os participantes apresentaram principalmente aspetos de natureza hist&oacute;rica e sociocultural. Contudo, surgiram ainda discursos que destacaram a possibilidade de as mulheres n&atilde;o possu&iacute;rem as caracter&iacute;sticas necess&aacute;rias para a interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;... Os g&eacute;neros t&ecirc;m diferen&ccedil;as entre si, ent&atilde;o talvez (a capacidade de liderar e a idoneidade para exercer cargos pol&iacute;ticos) sejam caracter&iacute;sticas mais encontradas em homens do que em mulheres...&rdquo;. (Ant&oacute;nio Pereira, 25 anos)</blockquote></p>      <p>Algumas/uns participantes atribu&iacute;ram a responsabilidade &agrave;s pr&oacute;prias mulheres, tendo-lhes imputando coniv&ecirc;ncia com pr&aacute;ticas de desigualdade exercidas contra si, assim como o desinteresse e o medo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; interven&ccedil;&atilde;o destas em &aacute;reas convencionalmente dominadas por homens.&nbsp;</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;... O problema tamb&eacute;m j&aacute; &eacute; das mulheres que aceitam e que levam a carga toda dos homens...&rdquo;. (Luciana Ventura, 35 anos)</blockquote></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>    <blockquote>&nbsp;&ldquo;Eu acho que tamb&eacute;m antes, como antes eram privadas disso, se calhar agora t&ecirc;m um bocado de medo de arriscar...&rdquo;. (Leonor Pedrosa, 18 anos)</blockquote></p>      <p>Enquanto a escassez de mulheres nas esferas de express&atilde;o p&uacute;blica foi mormente atribu&iacute;da &agrave;s suas atitudes e comportamentos individuais &ndash; sem ter em considera&ccedil;&atilde;o a influ&ecirc;ncia de fatores estruturais &ndash;, a sub-participa&ccedil;&atilde;o dos homens na esfera privada (assumida como &aacute;rea convencionalmente associada &agrave;s mulheres) foi justificada como sendo consequ&ecirc;ncia da atua&ccedil;&atilde;o de agentes ideol&oacute;gicos, como a fam&iacute;lia e a educa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, contrariamente aos das mulheres, os esfor&ccedil;os dos homens para igualar os pap&eacute;is de g&eacute;nero foram significativamente valorizados.</p>      <p>Embora a maioria das/os participantes tenha apontado a preval&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es de desigualdade de g&eacute;nero na sociedade portuguesa, quando o foco da discuss&atilde;o se dirigiu sobre as ind&uacute;strias medi&aacute;ticas, estes posicionamentos tenderam a alterar-se. Na verdade, os discursos produzidos manifestaram uma certa relut&acirc;ncia em reconhecer a manuten&ccedil;&atilde;o de assimetrias de g&eacute;nero nos m&eacute;dia informativos, tendo favorecido a ideia de que a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos se pauta exclusivamente por princ&iacute;pios de imparcialidade e de objetividade (Byerly &amp; Ross, 2006).&nbsp;&nbsp;</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;Eu acho que apesar de haver alguma discrimina&ccedil;&atilde;o contra as mulheres em Portugal, isso n&atilde;o se deve ao papel dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Acho que eles tentam manter a imparcialidade que lhes &eacute; exigida...&rdquo;. (Patr&iacute;cia Castro, 18 anos)</blockquote></p>      <p>Houve, por&eacute;m, discursos pontuais que consideraram a discrimina&ccedil;&atilde;o com base no sexo menos grave do que outras formas de discrimina&ccedil;&atilde;o, como aquela baseada na etnia/&ldquo;ra&ccedil;a&rdquo;. Esta hierarquiza&ccedil;&atilde;o de diferentes tipos de discrimina&ccedil;&atilde;o &ndash; que, ali&aacute;s, foi abordada em estudos anteriores (e.g. Cabecinhas, 2007) &ndash; revela a escassez de conhecimento e a aus&ecirc;ncia de consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica sobre a amplitude das assimetrias simb&oacute;licas no contexto medi&aacute;tico portugu&ecirc;s.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;... Acho que se nota mais (discrimina&ccedil;&atilde;o nos m&eacute;dia) em termos de etnia e de ra&ccedil;a do que propriamente em termos de sexo&rdquo;. (C&eacute;sar Pinto, 19 anos)</blockquote></p>      <p>Em termos gerais, as assimetrias de g&eacute;nero nos m&eacute;dia foram eminentemente assumidas como uma n&atilde;o-quest&atilde;o, n&atilde;o tendo sido consideradas como um poss&iacute;vel crit&eacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade jornal&iacute;stica. Excetuando algumas observa&ccedil;&otilde;es acerca das diferen&ccedil;as entre mulheres e homens ao n&iacute;vel da representa&ccedil;&atilde;o qualitativa &ndash; as quais, de resto, podem ter sido influenciadas pelo material-est&iacute;mulo e pelos exemplos avan&ccedil;ados pela equipa de investiga&ccedil;&atilde;o aquando dos grupos de discuss&atilde;o &ndash;, as desigualdades de g&eacute;nero n&atilde;o constitu&iacute;ram objeto de especial interesse, preocupa&ccedil;&atilde;o e/ou reflex&atilde;o cr&iacute;tica.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>4.1. Paradigmas representacionais identificados </b></p>      <p>Numa din&acirc;mica transversal aos grupos de discuss&atilde;o, as/os participantes identificaram e exploraram os paradigmas nos quais as mulheres com incumb&ecirc;ncias pol&iacute;ticas s&atilde;o representadas nos m&eacute;dia informativos, a saber: imprepara&ccedil;&atilde;o e necessidade de mentoria (35,6%), vida privada e domesticidade (22,9%), instrumentaliza&ccedil;&atilde;o como trunfos pol&iacute;ticos (13,4%), participa&ccedil;&atilde;o crescente na esfera pol&iacute;tica (10,2%), concilia&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-trabalho (8,8%), excecionalidade (7,0%) e fisicalidade (2,1%).</p>      <p>De seguida, analisam-se os modos de representa&ccedil;&atilde;o identificados pelas/os participantes a partir da sua inclus&atilde;o em tr&ecirc;s narrativas tem&aacute;ticas: a-) participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica, b-) vida privada e domesticidade, e c-) fisicalidade, corpo e apar&ecirc;ncia f&iacute;sica.</p>      <p><i>a) Participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica</i></p>      <p>In&uacute;meras/os participantes consideraram que as mulheres que interv&ecirc;m na esfera pol&iacute;tica &ndash; na qualidade de chefes de Estado, membros do Governo, deputadas da Assembleia da Rep&uacute;blica, etc. &ndash; tendem a acolher caracter&iacute;sticas como a incompet&ecirc;ncia profissional, a indefini&ccedil;&atilde;o de interesses e a aus&ecirc;ncia de convic&ccedil;&otilde;es (pol&iacute;ticas) independentes. S&atilde;o representadas como indiv&iacute;duos cuja atua&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o p&uacute;blico/pol&iacute;tico se deve e depende da mentoria dos seus cong&eacute;neres homens.</p>      <p>Para a maioria das/os participantes, foi justamente esta a ideia que atravessou uma das pe&ccedil;as apresentadas para discuss&atilde;o em grupo, na qual a atual ministra da Agricultura e do Mar, Assun&ccedil;&atilde;o Cristas, e o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, figuravam como protagonistas (Vis&atilde;o, n.&ordm; 957). Enquanto a primeira surgiu como desprovida da prepara&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para exercer o cargo pol&iacute;tico que lhe fora atribu&iacute;do, o segundo emergiu como a figura que define o percurso da ministra, assegura prote&ccedil;&atilde;o e confere mentoria pol&iacute;tica.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (...) Mais do que uma figura na qual ela (Assun&ccedil;&atilde;o Cristas) pode olhar-se, (Paulo Portas) &eacute; algu&eacute;m que est&aacute; por tr&aacute;s a mexer as marionetas&rdquo;. (Joana Silva, 21 anos)</p>      <p>&ldquo; (&hellip;) D&aacute; a ideia de que ela (Assun&ccedil;&atilde;o Cristas) &eacute; uma menina e que ele (Paulo Portas) s&oacute; est&aacute; ali para a proteger porque coitadinha... Est&aacute; ali um bocadinho perdida&rdquo;. (Lu&iacute;s Fonseca, 19 anos)</blockquote></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m do texto, tamb&eacute;m os elementos visuais foram objeto de an&aacute;lise por parte das/os participantes. A imagem da pe&ccedil;a &ndash; na qual Assun&ccedil;&atilde;o Cristas aparece com a cabe&ccedil;a no ombro de Paulo Portas, que a acaricia &ndash; foi tendencialmente interpretada como uma alus&atilde;o a uma rela&ccedil;&atilde;o de pai e filha.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (&hellip;) Ela (Assun&ccedil;&atilde;o Cristas) parece a filha querida do pap&aacute;&rdquo;. (Miguel Ribeiro, 20 anos)</blockquote></p>      <p>Embora n&atilde;o se baseie numa cr&iacute;tica sustentada, a posi&ccedil;&atilde;o das/os participantes aponta, na linha dos estudos feministas, para a imbrica&ccedil;&atilde;o nos m&eacute;dia informativos de abordagens essencialistas (Gidengil &amp; Everitt, 2003a; Ross, 2004; Gill, 2007) e do paternalismo protetivo/sexismo benevolente (Glick &amp; Fiske, 1996:493).</p>      <p>N&atilde;o raras vezes, a autonomia e a idoneidade (pol&iacute;tica) das mulheres s&atilde;o inquiridas e colocadas em causa, numa legitima&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es hier&aacute;rquicas: os homens como mentores, as mulheres como mentoreadas. Enquanto os primeiros s&atilde;o (a priori) considerados id&oacute;neos para o exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas/p&uacute;blicas, as mulheres s&atilde;o colocadas sob perscruta&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica, tendo de empreender esfor&ccedil;os redobrados para legitimar o seu estatuto.</p>      <p>Historicamente, as mulheres t&ecirc;m permanecido como &ldquo;cidad&atilde;s de segunda classe&rdquo;: a (progressiva) conquista dos seus direitos de cidadania tem sido acompanhada por processos r&iacute;gidos de binariza&ccedil;&atilde;o e de alteriza&ccedil;&atilde;o porque s&atilde;o consideradas indiv&iacute;duos com caracter&iacute;sticas divergentes das do modelo &lsquo;universal&rsquo; de pessoa adulta: aut&oacute;noma, racional e independente (Am&acirc;ncio, 1998) A redu&ccedil;&atilde;o da diversidade de subjetividades, identidades e experi&ecirc;ncias a um &uacute;nico modelo de cidadania encerra, para Lister (1997), um prop&oacute;sito principal: a reifica&ccedil;&atilde;o de valores androc&ecirc;ntricos nas estruturas sociopol&iacute;ticas, ou seja, a institui&ccedil;&atilde;o como principais caracter&iacute;sticas do indiv&iacute;duo-cidad&atilde;o de normas que s&atilde;o convencionalmente definidas como masculinas (e.g. imparcialidade, independ&ecirc;ncia, ag&ecirc;ncia pol&iacute;tica, etc.). Estas configura&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas manifestam, de resto, a manuten&ccedil;&atilde;o da &ldquo;l&oacute;gica da identidade&rdquo; que &ndash; radicada no &acirc;mago da ret&oacute;rica universalista &ndash; reprime e anula a(s) diferen&ccedil;a(s) (Young, 1990), favorecendo a alteriza&ccedil;&atilde;o e, por vezes, a exclus&atilde;o das mulheres da esfera pol&iacute;tica. Por isso, ainda hoje, uma mulher com responsabilidades pol&iacute;ticas &ldquo;is not simply a politician (male norm) but a special kind of deviant professional, a woman politician&rdquo; (Ross &amp; Sreberny-Mohammadi, 1997:104).</p>      <p>Intersetando e coexistindo com a representa&ccedil;&atilde;o das mulheres como impreparadas e com necessidade de mentoria (pol&iacute;tica), v&aacute;rias/os participantes indicaram a exist&ecirc;ncia de um outro paradigma representacional: o das mulheres como trunfos pol&iacute;ticos. De forma assinal&aacute;vel, as/os participantes apontaram para o facto de as newsmagazines portuguesas terem representado a entrada e a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica como uma estrat&eacute;gia dirigida ao fortalecimento da imagem do partido junto do eleitorado, sobretudo em per&iacute;odos eleitorais.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (...) Ele (Paulo Portas) aposta nas mulheres e usa-as talvez como um trunfo eleitoral para a posteridade&rdquo;. (Jo&atilde;o Almeida, 21 anos)</blockquote></p>      <p>Para algumas/uns participantes, as mulheres emergiram especialmente como manobras pol&iacute;ticas que os partidos utilizam para granjear o apoio das mulheres (eleitoras).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>    <blockquote>&nbsp;&ldquo;Eles fazem dela (Assun&ccedil;&atilde;o Cristas) como se fosse um esquema para arranjar mais votos, sobretudo por parte das mulheres&hellip;&rdquo;. (Margarida Oliveira, 20 anos)</blockquote></p>      <p>Esta observa&ccedil;&atilde;o &eacute;, de resto, consonante com a investiga&ccedil;&atilde;o feminista desenvolvida sobre as din&acirc;micas, as rela&ccedil;&otilde;es e as (inter)depend&ecirc;ncias que caracterizam o campo pol&iacute;tico. Veja-se, por exemplo, o estudo de Heldman, Oliver e Conroy (2009): analisando a cobertura medi&aacute;tica de Geraldine Ferraro e Sarah Palin, as autoras conclu&iacute;ram que as mulheres candidatas a posi&ccedil;&otilde;es de relev&acirc;ncia pol&iacute;tica &ndash; como a vice-presid&ecirc;ncia &ndash; s&atilde;o escolhidas com o objetivo primeiro de conquistar o apoio das mulheres (votantes) e, por conseguinte, aumentar as hip&oacute;teses eleitorais dos respetivos partidos.</p>      <p>Numa exposi&ccedil;&atilde;o tendencialmente corroborante, um n&uacute;mero consider&aacute;vel de participantes destacou que a este paradigma representacional subjazem dois postulados essenciais: o de que existe uma identifica&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero, segundo a qual as mulheres tender&atilde;o a votar em mulheres-candidatas; e o de que as mulheres &ndash; enquanto grupo social &ndash; possuem um menor interesse em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;tica e, nessa medida, necessitam de ser conquistadas.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (...) Ao chamar tantas mulheres para colaborarem com ele, (Paulo Portas) est&aacute; a atingir a popula&ccedil;&atilde;o feminina que, por norma, est&aacute; mais desligada do mundo da pol&iacute;tica&rdquo;. (Rute Santos, 19 anos)</blockquote></p>      <p>Por&eacute;m, h&aacute; estudos que t&ecirc;m demonstrado que a identifica&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero n&atilde;o constitui per se um factor explicativo das prefer&ecirc;ncias partid&aacute;rias do eleitorado, nomeadamente das mulheres (e.g. Dolan, 2004:103). Embora estas manifestem uma maior propens&atilde;o para votar em candidatas, esta correla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; linear nem aplic&aacute;vel a todas as circunst&acirc;ncias eleitorais: interv&ecirc;m, igualmente, vari&aacute;veis como a identifica&ccedil;&atilde;o com o partido pol&iacute;tico (Dolan, 2004:105). Al&eacute;m disso, as inten&ccedil;&otilde;es de voto podem ainda ser influenciadas por estere&oacute;tipos de g&eacute;nero. Em regra, as eleitoras n&atilde;o reconhecem em candidatas a capacidade de lideran&ccedil;a pol&iacute;tica, pois n&atilde;o associam este tra&ccedil;o de personalidade &agrave;s dimens&otilde;es do estere&oacute;tipo feminino (Am&acirc;ncio, 1998:68).</p>      <p>Al&eacute;m disso, as mulheres figuram como indiv&iacute;duos debutantes na esfera pol&iacute;tica: a sua interven&ccedil;&atilde;o pertence ao tempo recente &ndash; ao de &ldquo;agora&rdquo;. &Eacute;, justamente, este paradigma que v&aacute;rias/os participantes apontaram nas newsmagazines portuguesas e &ndash; inclusive &ndash; corroboraram, refor&ccedil;ando a invisibilidade hist&oacute;rica e pol&iacute;tica das mulheres.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (...) O que d&aacute; mais para retirar &eacute; mesmo a subida das mulheres para a pol&iacute;tica...&rdquo;. (Pedro Rodrigues, 20 anos)</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo; (...) Fala do facto de, agora, virem muitas mulheres para a pol&iacute;tica...&rdquo;. (Rita Mendes, 18 anos)</blockquote></p>      <p>In&uacute;meras/os acad&eacute;micas/os sustentam que a representa&ccedil;&atilde;o das mulheres como &ldquo;novidades&rdquo; coloca os seus discursos e a&ccedil;&otilde;es sob especial escrut&iacute;nio (e.g. Ross, 2004; Lobo &amp; Cabecinhas, 2010). De forma recorrente, a atribui&ccedil;&atilde;o de um car&aacute;cter debutante &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica decorre da manuten&ccedil;&atilde;o do paradigma da &ldquo;primeira mulher&rdquo;, que &eacute; utilizado para descrever, por exemplo, a integra&ccedil;&atilde;o de mulheres (nas posi&ccedil;&otilde;es cimeiras) de listas eleitorais, da apresenta&ccedil;&atilde;o de candidaturas a cargos de relev&acirc;ncia pol&iacute;tica, entre outros (Heldman, Oliver &amp; Conroy, 2009). Este tipo de abordagens poder&aacute; limitar as consecu&ccedil;&otilde;es (eleitorais) das mulheres na arena pol&iacute;tica e reificar imagin&aacute;rios androc&ecirc;ntricos (Gigengil &amp; Everitt, 2003:228). Figurando eminentemente como indiv&iacute;duos estreantes no campo pol&iacute;tico, as mulheres tender&atilde;o a ser vistas como for&ccedil;as ocupantes num territ&oacute;rio de &ldquo;natural&rdquo; perten&ccedil;a aos homens, e n&atilde;o como parte integral do corpo pol&iacute;tico (Braden, 1996:2; Cabrera, Flores &amp; Mata, 2012:77).</p>      <p>Numa aparente corrobora&ccedil;&atilde;o da ideologia meritocr&aacute;tica, as/os participantes mencionaram ainda o facto de as mulheres figurarem nas newsmagazines portuguesas como indiv&iacute;duos excecionais que, atrav&eacute;s de esfor&ccedil;os pessoais, conseguiram singrar num campo dominado tradicionalmente por homens &ndash; a pol&iacute;tica.&nbsp;</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;Eu acho que eles (jornalistas) querem dar a imagem de supermulher...&rdquo;. (Eduarda Martins, 20 anos)</blockquote></p>      <p>    <blockquote>&ldquo;Acho que &eacute; para mostrar que ela (Assun&ccedil;&atilde;o Cristas) teve coragem e fibra. E que assumiu um cargo que, se calhar, n&atilde;o era bem aquilo que ela queria e aquilo que ela dominava, mas que o assumiu com coragem...&rdquo;. (C&eacute;sar Pinto, 19 anos)</blockquote></p>      <p>Com efeito, os m&eacute;dia informativos privilegiam, in&uacute;meras vezes, o modelo de mulheres-exce&ccedil;&atilde;o (Cerqueira, 2012), que se estrutura frequentemente em disson&acirc;ncia com as caracter&iacute;sticas atribu&iacute;das &agrave; feminilidade normativa. Nos grupos de discuss&atilde;o &ndash; embora alguns discursos tenham apontado, de forma espor&aacute;dica, a fus&atilde;o entre os tra&ccedil;os de feminilidade e de masculinidade (hegem&oacute;nicas) &ndash;, v&aacute;rias/os participantes destacaram, justamente, o facto de as mulheres terem sido caracterizadas com base em atributos associados ao estere&oacute;tipo masculino, tais como a capacidade de lideran&ccedil;a, o controlo e a supervis&atilde;o (Am&acirc;ncio, 1998:68).</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;... Fala dela (Assun&ccedil;&atilde;o Cristas) como um exemplo: &ldquo;&eacute; este o exemplo das pessoas que v&atilde;o dirigir&rdquo;&rdquo;. (Catarina Lemos, 20 anos)</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;A ideia que se tem de uma mulher quando est&aacute; com um problema &eacute; a de que fica por casa... Quem vai para o campo de batalha mesmo assim s&atilde;o, supostamente, os homens... A bicicleta (com a qual Assun&ccedil;&atilde;o Cristas aparece numa fotografia) pressup&otilde;e um esp&iacute;rito aventureiro enquanto que a ideia do feminino &eacute; o contr&aacute;rio...&rdquo;. (Jorge Peixoto, 22 anos)</blockquote></p>      <p>Uma vez que as dimens&otilde;es do estere&oacute;tipo masculino coincidem, por conven&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, com aquelas associadas ao paradigma universalista da cidadania (pol&iacute;tica), a atribui&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres de tra&ccedil;os da masculinidade hegem&oacute;nica pode indiciar que estas apenas adquirem relev&acirc;ncia (medi&aacute;tica) e excecionalidade quando correspondem ao modelo masculino/normativo. Tais abordagens conferem materialidade ao posicionamento de Young (1990): os grupos sociais cujos atributos s&atilde;o considerados a priori como divergentes daqueles que foram institu&iacute;dos como norma s&atilde;o comummente objeto de estrat&eacute;gias de assimila&ccedil;&atilde;o. Esta coa&ccedil;&atilde;o assimilacionista tender&aacute; a anular a diversidade de identidades, favorecendo a universaliza&ccedil;&atilde;o e a neutraliza&ccedil;&atilde;o dos interesses, necessidades e experi&ecirc;ncias dos grupos dominantes e a sua consagra&ccedil;&atilde;o como o referente simb&oacute;lico. Por outras palavras, redundar&aacute; na legitima&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es hier&aacute;rquicas, no exerc&iacute;cio desigual do poder e, sobretudo, na reifica&ccedil;&atilde;o da opress&atilde;o social (dos membros) de determinados grupos sociais.</p>      <p>Al&eacute;m disso, descentrando a aten&ccedil;&atilde;o das assimetrias que atravessam o campo pol&iacute;tico para enfatizar as conquistas individuais das mulheres, os m&eacute;dia (informativos) tendem a perpetuar o &ldquo;discurso essencialista-individualista&rdquo; (Nogueira, 2006:64). Como foi referido pontualmente pelas/os participantes, as mulheres surgem como detentoras de um &ldquo;token status&rdquo; (Kanter, 1977) que &ndash; n&atilde;o obstante os obst&aacute;culos de natureza diversa e atrav&eacute;s do seu esfor&ccedil;o individual &ndash; obtiveram sucesso nas suas investidas profissionais/pol&iacute;ticas.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;... Vemos a Assun&ccedil;&atilde;o Cristas como uma esp&eacute;cie de supermulher, que conseguiu chegar ao Governo, que fez um monte de coisas importantes e foi bem-sucedida...&rdquo;. (Patr&iacute;cia Castro, 18 anos)</blockquote></p>      <p>Este tipo de paradigma representacional n&atilde;o s&oacute; contribui para a manuten&ccedil;&atilde;o das categorias dicot&oacute;micas &ldquo;feminino&rdquo; e &ldquo;masculino&rdquo;, refor&ccedil;ando rela&ccedil;&otilde;es de poder desiguais, como tamb&eacute;m apoia uma ret&oacute;rica individualista (Nogueira, 2006:70) que ofusca os obst&aacute;culos socioculturais e institucionais que limitam a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres e fomentam contextos de opress&atilde;o e de injusti&ccedil;a social (Young, 1990).</p>      <p><i>b) Vida privada e domesticidade</i></p>      <p>Para al&eacute;m da participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica, a vida privada e a domesticidade constitu&iacute;ram igualmente uma importante narrativa tem&aacute;tica, compilando assun&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas muito pertinentes do ponto de vista feminista.</p>      <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a de estudos anteriores (e.g. Kahn &amp; Goldenberg, 1991; Kahn, 1994; Norris, 1997; Ross, 2010), in&uacute;meras/os participantes afirmaram que as newsmagazines portuguesas tendem a explorar aspetos relacionados com a vida privada das mulheres pol&iacute;ticas &ndash; como as suas rela&ccedil;&otilde;es familiares e a viv&ecirc;ncia da conjugalidade &ndash; e a remet&ecirc;-las para o espa&ccedil;o dom&eacute;stico, esbo&ccedil;ando frequentes men&ccedil;&otilde;es ao exerc&iacute;cio da maternidade e &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de cuidados na fam&iacute;lia.</p>      <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&ldquo;... Aqui mostra uma mulher mais human&iacute;stica, uma mulher que vai &agrave; igreja, uma mulher que quer passar tempo com a fam&iacute;lia, uma mulher que tem o hor&aacute;rio de trabalho de x a x horas e, a partir da&iacute;, vai ter com a fam&iacute;lia. O trabalho n&atilde;o &eacute; priorit&aacute;rio. Acho que d&aacute; a ideia da mulher como dona de casa&rdquo;. (Carlos Neves, 18 anos)</blockquote></p>      <p>Por outro lado, como foi mencionado durante os grupos de discuss&atilde;o, os homens pol&iacute;ticos n&atilde;o s&atilde;o, em regra, auscultados a respeito da sua atua&ccedil;&atilde;o na vida privada/dom&eacute;stica &ndash; particularmente acerca do exerc&iacute;cio da paternidade e das suas rela&ccedil;&otilde;es de parentesco (Braden, 1996:6) &ndash;, bem como sobre o modo como fazem a concilia&ccedil;&atilde;o da vida familiar com as responsabilidades profissionais.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (...) Se fosse um homem, n&atilde;o estavam aqui a falar dos filhos...&rdquo;. (Filipa Cunha, 20 anos)</p>      <p>&ldquo; (&hellip;) Nunca se viu falarem da vida privada de um homem pol&iacute;tico, dizerem que ele pediu para anteciparem as reuni&otilde;es para o almo&ccedil;o porque tinha de jantar com a fam&iacute;lia &hellip;&rdquo;. (Catarina Lemos, 20 anos)</blockquote></p>      <p>A descredibiliza&ccedil;&atilde;o das mulheres enquanto sujeitos de a&ccedil;&atilde;o/interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &ndash; que &eacute; potenciada pela explora&ccedil;&atilde;o da sua vida privada &ndash; reflete-se especialmente na genderiza&ccedil;&atilde;o dos contextos tem&aacute;ticos nos quais s&atilde;o representadas pelos m&eacute;dia (Kahn &amp; Goldenberg, 1991; Kahn, 1994).</p>      <p>Independentemente da posi&ccedil;&atilde;o que ocupem no campo pol&iacute;tico (e.g. chefes de Estado, membros do Governo, deputadas da Assembleia da Rep&uacute;blica, etc.), as mulheres tendem a surgir como fontes de informa&ccedil;&atilde;o em tem&aacute;ticas que est&atilde;o relacionadas ou constituem uma extens&atilde;o das atividades ligadas convencionalmente &agrave; esfera dom&eacute;stica/privada. Em regra, aparecem nos m&eacute;dia informativos para opinar sobre as ditas &ldquo;soft issues&rdquo;, tais como a educa&ccedil;&atilde;o e o meio ambiente (Kahn &amp; Goldenberg, 1991:110; Kahn, 1994:156), a sa&uacute;de (Gill, 2007:114) e as quest&otilde;es de g&eacute;nero (Ross et al., 2013:3). Por outro lado, os homens surgem representados predominantemente em &aacute;reas como a economia e finan&ccedil;as, a defesa nacional, a diplomacia, entre outros (Kahn, 1994:156). E, emergindo como os atores &ldquo;naturais&rdquo; nestas esferas, s&atilde;o-lhes atribu&iacute;dos tra&ccedil;os de personalidade relevantes no contexto profissional, incluindo a exig&ecirc;ncia, a seriedade, o esp&iacute;rito cr&iacute;tico e o dinamismo (Ross &amp; Sreberny-Mohammadi, 1997; Gidengil &amp; Everitt, 2003a).</p>      <p>Decorrendo da atua&ccedil;&atilde;o da ideologia de g&eacute;nero e da manuten&ccedil;&atilde;o da assimetria simb&oacute;lica (Am&acirc;ncio &amp; Oliveira, 2006:38) &ndash; que radica na cultura jornal&iacute;stica e nas ind&uacute;strias medi&aacute;ticas &ndash;, a &ecirc;nfase na vida privada/dom&eacute;stica das mulheres (pol&iacute;ticas) refor&ccedil;a a n&atilde;o-perten&ccedil;a destas ao espa&ccedil;o p&uacute;blico e a sua inabilidade para o exerc&iacute;cio s&eacute;rio de fun&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas (Kahn &amp; Goldenberg, 1991; Ross, 2010), bem como garante e valida os pap&eacute;is tradicionais de g&eacute;nero (Braden, 1996), podendo afetar negativamente a sua repercuss&atilde;o pol&iacute;tica junto do eleitorado.</p>      <p><i>c) Fisicalidade, corpo e apar&ecirc;ncia f&iacute;sica</i></p>      <p>Numa converg&ecirc;ncia com a investiga&ccedil;&atilde;o feminista (e.g. Gallagher, 2001; Gidengil &amp; Everitt, 2003a; Ross, 2010), algumas/uns participantes sustentaram que as mulheres pol&iacute;ticas foram, de forma significativa, representadas a partir da sua fisicalidade, corpo e apar&ecirc;ncia f&iacute;sica nas newsmagazines portuguesas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>    <blockquote>&ldquo; (...) Na quest&atilde;o da imagem, a mulher &eacute; muito mais cobrada, a ela &eacute; exigida muito mais do que aos homens...&rdquo;. (Ant&oacute;nio Pereira, 25 anos)</p>      <p>&ldquo; (...) Eu lembro-me de quando a ... Ministra da Agricultura foi fazer uma palestra com um vestido curto e houve logo espa&ccedil;o para muitas discuss&otilde;es&rdquo;. (Carolina Torres, 18 anos)</blockquote></p>      <p>Os m&eacute;dia informativos tendem, de facto, a secundarizar o que as mulheres &ldquo;pensam&rdquo; e &ldquo;dizem&rdquo;, privilegiando, ao inv&eacute;s, aspetos relacionados com a sua apar&ecirc;ncia f&iacute;sica, indument&aacute;ria, sentido de moda, etc. Esta t&oacute;nica na fisicalidade (que, n&atilde;o raras vezes, tangencia a sexualiza&ccedil;&atilde;o) aplica-se &agrave;s mulheres enquanto grupo social, independentemente do seu background, profiss&atilde;o e &acirc;mbitos de atua&ccedil;&atilde;o (Ross, 2004:68).</p>      <p>Embora exer&ccedil;am cargos de (assumida) relev&acirc;ncia p&uacute;blica, as mulheres pol&iacute;ticas est&atilde;o sujeitas, em igual grau e frequ&ecirc;ncia que as demais, a processos de sexualiza&ccedil;&atilde;o/objetifica&ccedil;&atilde;o (Ross &amp; Sreberny-Mohammadi, 1997:107). Desde o uso da linguagem aos conte&uacute;dos fotogr&aacute;ficos, os m&eacute;dia recorrem a diferentes estrat&eacute;gias para instituir a feminilidade normativa e constituir as mulheres como heraldos da beleza ocidentalmente padronizada. Como refere Gill (2007:117), as abordagens sexualizadoras das mulheres encerram objetivos espec&iacute;ficos: &ldquo;they are part of the operation of power which trivializes women&rsquo;s perspectives and keeps them &lsquo;in their place&rsquo;&rdquo;.</p>      <p>Por outro lado, diferentemente das suas cong&eacute;neres, os homens pol&iacute;ticos raramente aparecem referidos a partir dos seus atributos f&iacute;sicos. Para as/os participantes, os homens surgiram sobretudo referenciados pelas suas opini&otilde;es, a&ccedil;&otilde;es e comportamentos, ainda que estes possam despoletar controv&eacute;rsia.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (...) A mulher tem muito mais obriga&ccedil;&atilde;o de ser bonita do que o homem... Retrataram o Lula porque ele gostava de beber cacha&ccedil;a. Agora, no caso da Dilma, &eacute; porque ela &eacute; feia... Essa coisa de ser feia acho que cai muito mais na mulher&rdquo;. (Paula Barbosa, 21 anos)</blockquote></p>      <p>Secundando Baudrillard (1970/2010) e Wolf (1992), a correspond&ecirc;ncia aos padr&otilde;es de beleza constitui um imperativo apenas para as mulheres, n&atilde;o se impondo com igual prem&ecirc;ncia aos homens. Convergindo com as dimens&otilde;es do estere&oacute;tipo feminino (Am&acirc;ncio, 1998:64), este tipo de representa&ccedil;&atilde;o confirma, de resto, as asser&ccedil;&otilde;es de Gallego (2009:45): &ldquo;Elas (as mulheres) s&atilde;o o objeto observado, que n&atilde;o fazem parte do centro a partir do qual se observa e se narra. Da&iacute; que as mulheres sejam apresentadas pelo que s&atilde;o, n&atilde;o pelo que fazem&rdquo;. Pelo contr&aacute;rio, os &ldquo;homens s&atilde;o o verbo, e o verbo &eacute; a&ccedil;&atilde;o&rdquo;: s&atilde;o os sujeitos que agem e protagonizam os acontecimentos, a partir dos quais tudo &eacute; narrado.</p>      <p>A import&acirc;ncia atribu&iacute;da &agrave; apar&ecirc;ncia f&iacute;sica das mulheres tem subjacente assun&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas (de g&eacute;nero) mais amplamente institu&iacute;das, isto &eacute;, a associa&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es espec&iacute;ficos de beleza &agrave; feminilidade normativa. Encerrando a fun&ccedil;&atilde;o de &ldquo;coer&ccedil;&atilde;o social&rdquo;, o mito da beleza constitui per se a express&atilde;o &uacute;ltima da domina&ccedil;&atilde;o masculina: colabora na manuten&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de poder desiguais, movido pelo prop&oacute;sito de &ldquo;destruir psicologicamente e &agrave;s ocultas tudo de positivo que o feminismo proporcionou &agrave;s mulheres material e publicamente&rdquo; (Wolf, 1992:13-15).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estribada numa conota&ccedil;&atilde;o valorativa diferenciada, onde o sexo masculino ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o dominante e o feminino surge numa posi&ccedil;&atilde;o subordinada (Am&acirc;ncio, 1998:68), este tipo de paradigma representacional contribui para o descr&eacute;dito das opini&otilde;es, experi&ecirc;ncias e performances profissionais das mulheres, limitando as suas potencialidades e consecu&ccedil;&otilde;es na esfera pol&iacute;tica (Ross, 2010:98).</p>      <p>Numa abordagem global, as/os participantes identificaram nas newsmagazines portuguesas paradigmas representacionais que s&atilde;o enquadr&aacute;veis em tr&ecirc;s narrativas tem&aacute;ticas, a saber: a-) participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica, b-) vida privada e domesticidade, e c-) fisicalidade, corpo e apar&ecirc;ncia f&iacute;sica.</p>      <p>Embora tenham surgido pontualmente posi&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas, a maioria das/os participantes n&atilde;o questionou o car&aacute;ter ideol&oacute;gico das representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas das mulheres pol&iacute;ticas, nomeadamente daquelas que as enformam como impreparadas e com necessidade de mentoria (por parte dos seus cong&eacute;neres homens), trunfos partid&aacute;rios e indiv&iacute;duos debutantes na esfera pol&iacute;tica. Al&eacute;m disso, apesar de terem apontando o paradigma que atribuiu excecionalidade &agrave;s mulheres, as/os participantes tenderam a secundar a ret&oacute;rica individualista que &ndash; sustentada pela ideologia meritocr&aacute;tica &ndash; ofusca os obst&aacute;culos institucionais e socioculturais &agrave; participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres. Parte significativa das/os participantes n&atilde;o auscultou, de forma aprofundada, as assun&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o impl&iacute;citas aos paradigmas representacionais identificados, isto &eacute;, a descredibiliza&ccedil;&atilde;o da idoneidade pol&iacute;tica e da autonomia profissional das mulheres, o paternalismo protetivo/sexismo benevolente, bem como a legitima&ccedil;&atilde;o social de rela&ccedil;&otilde;es hier&aacute;rquicas na esfera pol&iacute;tica.</p>      <p>Importa, contudo, relevar a exist&ecirc;ncia de discursos contestat&oacute;rios das refer&ecirc;ncias que as newsmagazines portuguesas endere&ccedil;aram &agrave; vida privada e a aspetos da esfera dom&eacute;stica das mulheres pol&iacute;ticas, bem como &agrave; sua fisicalidade, corpo e apar&ecirc;ncia f&iacute;sica. In&uacute;meras/os participantes destacaram, a esse respeito, a preval&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as entre mulheres e homens no que concerne &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas, sublinhando que &ndash; contrariamente aos seus cong&eacute;neres &ndash;, as mulheres pol&iacute;ticas s&atilde;o perscrutadas ao n&iacute;vel da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados a outrem, exerc&iacute;cio da maternidade, conjuga&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia com as responsabilidades profissionais, indument&aacute;ria, entre outros.</p>      <p>Em conclus&atilde;o, n&atilde;o obstante a coexist&ecirc;ncia espor&aacute;dica de posi&ccedil;&otilde;es tranquilizadoras com outras mais cr&iacute;ticas, a maioria das/os participantes n&atilde;o problematizou, de forma sustentada, o papel dos m&eacute;dia informativos na (re)constru&ccedil;&atilde;o (genderizada) da realidade social, manifestando uma propens&atilde;o para reiterar discursos hegem&oacute;nicos (acerca das mulheres que exercem cargos pol&iacute;ticos).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>4.2. Causas atribu&iacute;das aos paradigmas representacionais</b></p>      <p>Procurando atribuir as (eventuais) causas dos paradigmas representacionais identificados, as/os participantes apresentaram os seguintes t&oacute;picos: sexo da/o jornalista (24,6%), estere&oacute;tipos de g&eacute;nero (19,5%), perten&ccedil;a partid&aacute;ria (15,2%), prefer&ecirc;ncias dos p&uacute;blicos (14,4%), iniciativa da/o entrevistada/o (10,2%), fatores hist&oacute;ricos e socioculturais (6,8%), pol&iacute;tica editorial (5,9%) e n&atilde;o-conformidade com as normas de g&eacute;nero (3,4%). No presente estudo, as causas atribu&iacute;das foram enquadradas em duas narrativas principais: a-) produ&ccedil;&atilde;o e rece&ccedil;&atilde;o: din&acirc;micas e rela&ccedil;&otilde;es nas/das ind&uacute;strias medi&aacute;ticas e b-) g&eacute;nero, estere&oacute;tipos e sociedade.</p>      <p><i>a) Produ&ccedil;&atilde;o e rece&ccedil;&atilde;o: din&acirc;micas e rela&ccedil;&otilde;es nas/das ind&uacute;strias medi&aacute;ticas</i></p>      <p>A maioria das/os participantes apresentou causas relacionadas com a produ&ccedil;&atilde;o e a rece&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos noticiosos, n&atilde;o desenvolvendo, por&eacute;m, uma ausculta&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica dos aspetos econ&oacute;micos, institucionais e pol&iacute;ticos que influem nas configura&ccedil;&otilde;es das/nas ind&uacute;strias medi&aacute;ticas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De forma assinal&aacute;vel, as/os participantes consideraram que o sexo da/o jornalista influencia e enforma &ndash; de forma direta, imediata e est&aacute;tica &ndash; a performance profissional. Para al&eacute;m da genderiza&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio do jornalismo (a qual ser&aacute; analisada no pr&oacute;ximo t&oacute;pico), os discursos produzidos tiveram subjacente a ideia de que os profissionais do jornalismo det&ecirc;m autonomia suficiente para implementar as suas pr&oacute;prias estrat&eacute;gias e m&eacute;todos de trabalho.</p>      <p>Enquanto detentoras/es do monop&oacute;lio sobre os instrumentos de produ&ccedil;&atilde;o e de difus&atilde;o a grande escala da informa&ccedil;&atilde;o (Bourdieu, 1997:48), as/os jornalistas possuem, com efeito, a capacidade de controlar a (re)constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento e de representar grupos sociais (Van Dijk, 2005:61). Contudo, embora possam efetuar escolhas individuais pass&iacute;veis de promover novas representa&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero e quebrar conven&ccedil;&otilde;es estereotipadas (Gallagher, 2001:172), a sua autonomia para enquadrar os acontecimentos &eacute; limitada devido a constrangimentos inerentes &agrave; org&acirc;nica das ind&uacute;strias medi&aacute;ticas (Harrison, 2006:100; van Zoonen, 1994:64-65). Uma vez que s&atilde;o submetidos/as a um processo de socializa&ccedil;&atilde;o profissional &ndash; atrav&eacute;s do qual conhecem, apreendem e aceitam os valores profissionais, as pol&iacute;ticas editoriais e as rotinas organizacionais (Harrison, 2006:107) &ndash;, as/os jornalistas adotam as regras da empresa de comunica&ccedil;&atilde;o para a qual trabalham (Harrison, 2006:118), reiterando as assun&ccedil;&otilde;es da cultura dominante (Gill, 2007:126). Podem manifestar os seus interesses e preocupa&ccedil;&otilde;es sociais, desde que estes correspondam aos interesses das ind&uacute;strias medi&aacute;ticas e se inscrevam nos valores (androc&ecirc;ntricos) que definem a cultura jornal&iacute;stica (Gallego, 2009:52).</p>      <p>In&uacute;meras/os participantes atribu&iacute;ram, igualmente, uma rela&ccedil;&atilde;o de causalidade entre as prefer&ecirc;ncias dos p&uacute;blicos medi&aacute;ticos e os paradigmas representacionais, nomeadamente aqueles que enformam as mulheres pol&iacute;ticas no &acirc;mbito da sua vida privada.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (...) As pessoas gostam de saber que estas pessoas fazem o mesmo que n&oacute;s, que a sociedade&rdquo;. (Tiago Moreira, 18 anos)</blockquote></p>      <p>A assun&ccedil;&atilde;o primordial de que os conte&uacute;dos medi&aacute;ticos refletem as prefer&ecirc;ncias dos p&uacute;blicos &ndash; &agrave;s quais as/os jornalistas se limitam a responder passiva e meramente &ndash; encerra dois problemas essenciais: a-) oblitera e ofusca os interesses econ&oacute;micos, institucionais e pol&iacute;ticos das ind&uacute;strias medi&aacute;ticas; b-) assume a irrelev&acirc;ncia/inexist&ecirc;ncia entre os p&uacute;blicos de posi&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas dos conte&uacute;dos veiculados pelos m&eacute;dia (informativos).</p>      <p>No sentido de empreender uma ausculta&ccedil;&atilde;o da signific&acirc;ncia dos produtos medi&aacute;ticos, importa, ao inv&eacute;s, relacionar os conte&uacute;dos veiculados n&atilde;o s&oacute; com as prefer&ecirc;ncias dos p&uacute;blicos (que tendem a ser situadas geogr&aacute;fica e cronologicamente), mas tamb&eacute;m com os espa&ccedil;os/processos de produ&ccedil;&atilde;o (que (re)produzem desigualdades sociais, como o sexismo, o racismo, o age&iacute;smo e o heterossexismo), os modelos de propriedade dos m&eacute;dia (que determinam a diversidade tem&aacute;tica, o exerc&iacute;cio do poder e o acesso aos m&eacute;dia), o contexto sociocultural (no qual prevalecem rela&ccedil;&otilde;es de poder desiguais), e os efeitos dos m&eacute;dia sobre os p&uacute;blicos (que s&atilde;o determinados por eixos de identidade social v&aacute;rios). Os m&eacute;dia (informativos) e o mundo social estabelecem, assim, uma rela&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica e complexa: se, por um lado, os primeiros podem influenciar a compreens&atilde;o dos indiv&iacute;duos acerca do mundo social; o segundo, por outro, poder&aacute; exercer influ&ecirc;ncia sobre as/os produtores e os produtos medi&aacute;ticos (Croteau et al., 2012:215).</p>      <p>Os discursos das/os participantes sustentaram, igualmente, que a perten&ccedil;a partid&aacute;ria das fontes de informa&ccedil;&atilde;o pode constituir uma causa para justificar os paradigmas representacionais explorados no t&oacute;pico anterior. Para algumas/uns participantes, os m&eacute;dia informativos tendem a dar mais destaque a espetos da vida privada das mulheres de fa&ccedil;&otilde;es de direita:</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (&hellip;) Como o CDS &eacute; um partido de direita, eles (jornalistas) exploram muito essa parte pessoal dela (de Assun&ccedil;&atilde;o Cristas)&rdquo;. (Margarida Oliveira, 20 anos)</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;... Seria (diferente) a representa&ccedil;&atilde;o de mulheres no Bloco de Esquerda e nos Verdes, s&atilde;o os partidos onde se veem mais mulheres e v&ecirc;-se que s&atilde;o pessoas mais liberais...&rdquo;. (Jo&atilde;o Almeida, 21 anos)</blockquote></p>      <p>Todavia, a ausculta&ccedil;&atilde;o da vida privada aplica-se &agrave;s mulheres enquanto grupo social, independentemente da sua perten&ccedil;a partid&aacute;ria. Esta mostra-se, ao inv&eacute;s, relacionada com as din&acirc;micas socioecon&oacute;micas que t&ecirc;m lugar nas empresas de comunica&ccedil;&atilde;o (Ross, 2002).</p>      <p>Num estudo sobre a cobertura televisiva das elei&ccedil;&otilde;es federais de 1993 e 1997, no Canad&aacute;, Gidengil e Everitt (2003b) mostraram que os discursos produzidos por Kim Campbell (Progressive Conservative Party), Audrey McLaughlin e Alexa McDonough (New Democratic Party) foram sujeitos a uma maior interpreta&ccedil;&atilde;o por parte dos m&eacute;dia (informativos) e relatados atrav&eacute;s de uma linguagem negativa e agressiva. Esta investiga&ccedil;&atilde;o comprovou que &ndash; independentemente das ideologias pol&iacute;ticas que perfilham e das estruturas partid&aacute;rias a que pertencem &ndash; as mulheres foram, de forma recorrente, representadas a partir de abordagens essencialistas resultantes da &ldquo;media&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero&rdquo; (Sreberny-Mohammadi &amp; Ross, 1996).</p>      <p>Al&eacute;m disso, na an&aacute;lise da cobertura medi&aacute;tica das candidatas &agrave; vice-presid&ecirc;ncia dos Estados Unidos entre 1984 e 2008, Heldman, Oliver e Conroy (2009) retiraram ila&ccedil;&otilde;es semelhantes, tendo identificado men&ccedil;&otilde;es ass&iacute;duas &agrave; indument&aacute;ria e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de parentesco de Geraldine Ferraro (Democratic Party) e de Sarah Palin (Republican Party). Embora pertencessem a partidos pol&iacute;ticos diferentes, ambas as candidatas foram objeto de enquadramentos sexistas nos m&eacute;dia informativos estado-unidenses, que as colocaram em desvantagem nos processos eleitorais.</p>      <p>A perten&ccedil;a partid&aacute;ria pode, pois, afetar a cobertura medi&aacute;tica das mulheres pol&iacute;ticas em termos quantitativos &ndash; j&aacute; que aquelas que pertencem a partidos mais pequenos t&ecirc;m menos probabilidades de despertar a aten&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dia &ndash;, mas n&atilde;o &eacute; (substancialmente) impactante no que concerne &agrave; dimens&atilde;o qualitativa (Ross, 2004).</p>      <p>A iniciativa da/o entrevistada/o foi tamb&eacute;m apontada como uma causa explicativa dos paradigmas representacionais nos quais as mulheres com incumb&ecirc;ncias pol&iacute;ticas aparecem nas newsmagazines portuguesas. De acordo com as/os participantes, as mulheres tendem a destacar aquando das entrevistas aspetos da sua vida privada e da esfera dom&eacute;stica, pelo que &eacute; expect&aacute;vel a incid&ecirc;ncia jornal&iacute;stica nestas quest&otilde;es.</p>      <p>    <blockquote>&nbsp;&ldquo; (...) A Cec&iacute;lia Meireles tamb&eacute;m n&atilde;o fala muito dela e, por isso, desconhece-se o lado (pessoal) dela ... Portanto, as outras (mulheres pol&iacute;ticas) devem falar&rdquo;. (Susana Gon&ccedil;alves, 18 anos)</p>      <p>&ldquo;Aqui tamb&eacute;m n&atilde;o fala disso (da vida privada) das outras mulheres. Est&aacute; a falar desta porque esta exigiu, eles (jornalistas) est&atilde;o a dar um exemplo. S&atilde;o casos espec&iacute;ficos&rdquo;. (Artur Guimar&atilde;es, 22 anos)</blockquote></p>      <p>A investiga&ccedil;&atilde;o feminista tem, por&eacute;m, demonstrado a exist&ecirc;ncia de din&acirc;micas diferentes na rela&ccedil;&atilde;o entre as mulheres pol&iacute;ticas, as/os jornalistas e as ind&uacute;strias medi&aacute;ticas. Por exemplo, num estudo transnacional &ndash; que envolveu parlamentares da &Aacute;frica do Sul, Austr&aacute;lia, Irlanda do Norte e Reino Unido &ndash;, Ross (2002) mostrou que as mulheres pol&iacute;ticas surgem, primordialmente, na esfera de interesse das/os jornalista enquanto &ldquo;seres genderizados&rdquo; (Ross, 2003:7). Na opini&atilde;o das pr&oacute;prias mulheres, o discurso jornal&iacute;stico encerra assun&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero que se manifestam na cobertura de eventos pol&iacute;ticos, em per&iacute;odos eleitorais e/ou em epis&oacute;dios do quotidiano. Ainda que as mulheres n&atilde;o abordem aspetos atinentes &agrave; sua vida privada e fisicalidade, os m&eacute;dia tender&atilde;o a faz&ecirc;-lo (Braden, 1996:63). Reconhecendo a import&acirc;ncia de cultivar rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas com a classe jornal&iacute;stica, as mulheres que exercem cargos pol&iacute;ticos t&ecirc;m adquirido compet&ecirc;ncias v&aacute;rias a fim de controlar, com maior efici&ecirc;ncia, as suas crescentes intera&ccedil;&otilde;es com os m&eacute;dia (Ross, 2003:10).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora as/os participantes n&atilde;o tenham tendencialmente auscultado os fatores econ&oacute;micos, institucionais e pol&iacute;ticos que influenciam as configura&ccedil;&otilde;es das/nas ind&uacute;strias medi&aacute;ticas, verificou-se, por&eacute;m, uma exce&ccedil;&atilde;o: a atribui&ccedil;&atilde;o causal da pol&iacute;tica editorial aos paradigmas representacionais nos quais as mulheres pol&iacute;ticas aparecem nas newsmagazines portuguesas.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (...) Tem que ver com a pol&iacute;tica da pr&oacute;pria revista ou do pr&oacute;prio jornal&rdquo;. (Maria Barros, 18 anos)</blockquote></p>      <p>Esta perspetiva &eacute;, de resto, secundada pela cr&iacute;tica feminista dos m&eacute;dia (e.g. van Zoonen, 1994; Gallego, 2009; Silveirinha, 2004b): a produ&ccedil;&atilde;o noticiosa &eacute; influenciada por vari&aacute;veis como as idiossincrasias pessoais das/os jornalistas, a cultura jornal&iacute;stica, os constrangimentos organizacionais, o contexto regulat&oacute;rio, os modelos de propriedade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, entre outros (Carter &amp; Steiner, 2004:16).</p>      <p><i>b) G&eacute;nero, estere&oacute;tipos e sociedade</i></p>      <p>Durante os grupos de discuss&atilde;o, as/os participantes mencionaram tamb&eacute;m causas relacionadas com as quest&otilde;es de g&eacute;nero e outras de natureza societal, n&atilde;o inquirindo, contudo, as interse&ccedil;&otilde;es e a coniv&ecirc;ncia das ideologias hegem&oacute;nicas com as pr&aacute;ticas e os discursos que t&ecirc;m lugar nas ind&uacute;strias medi&aacute;ticas.</p>      <p>Para a maioria das/os participantes, o sexo da/o jornalista poder&aacute; explicar as representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas (genderizadas), nomeadamente o enfoque na vida privada. &Agrave;s mulheres atribu&iacute;ram eminentemente tra&ccedil;os de expectatividade (e.g. sensibilidade, emotividade, pormenoriza&ccedil;&atilde;o, maternalidade, etc.). Os homens surgiram, por outro lado, caracterizados como indiv&iacute;duos que possuem mais rigor, objetividade e &ldquo;rudeza&rdquo; no exerc&iacute;cio da atividade jornal&iacute;stica.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;Mas acho que a mulher tamb&eacute;m vai mais ao pormenor, tenta sempre... Tenta mais procurar...&rdquo;. (Leonor Pedrosa, 18 anos)</p>      <p>&nbsp;&ldquo;Um homem cinge-se mais aos factos, enquanto que uma mulher... Tem mais aquele lado maternal e tudo o mais&rdquo;. (Artur Guimar&atilde;es, 22 anos)</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;... Quando e&acute; um homem a escrever, h&aacute; uma sensibilidade diferente. Nota-se que ali n&atilde;o foi escrito por uma mulher, foi por um homem. H&aacute; mais rudeza, se me &eacute; permitida a express&atilde;o, na escrita (do homem) do que na da mulher, do que... na da mulher. &Eacute; diferente.&rdquo; (Cristina Novais, 50 anos)</blockquote></p>      <p>De acordo com investiga&ccedil;&otilde;es anteriores, o sexo da/o jornalista n&atilde;o determina as din&acirc;micas, performance e pr&aacute;ticas profissionais. Excetuando as escolhas das fontes de informa&ccedil;&atilde;o e a rela&ccedil;&atilde;o com os p&uacute;blicos, n&atilde;o se encontram diferen&ccedil;as assinal&aacute;veis entre mulheres e homens no exerc&iacute;cio da atividade jornal&iacute;stica (van Zoonen, 1998; Cerqueira, 2012).</p>      <p>Para al&eacute;m da presun&ccedil;&atilde;o de que as/os jornalistas det&ecirc;m autonomia suficiente nas reda&ccedil;&otilde;es (como fora j&aacute; contestado anteriormente), os discursos das/os participantes assumiram que as mulheres constituem um grupo homog&eacute;neo, partilham perspetivas, abordagens e estilos profissionais semelhantes, e se distinguem especialmente dos seus cong&eacute;neres homens pela feminilidade (van Zoonen, 1994:63; Gill, 2007:125). Estas perspetivas &ndash; que se encontram em estudos como o de Christmas (1997) &ndash; tendem, de resto, a promover/consolidar a ideia de que a maior presen&ccedil;a das mulheres no campo jornal&iacute;stico poder&aacute; beneficiar a cria&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;projeto feminista ou emancipat&oacute;rio&rdquo; (van Zoonen, 1994:63). T&ecirc;m subjacente uma concetualiza&ccedil;&atilde;o dicot&oacute;mica e essencialista, segundo a qual o g&eacute;nero constitui uma propriedade est&aacute;tica, imut&aacute;vel e previs&iacute;vel em todos os contextos sociais, incluindo no mercado de trabalho (van Zoonen, 1994:64). Estabelecendo fronteiras indel&eacute;veis entre as categorias feminino/masculino e mulher/homem, o pensamento bin&aacute;rio corrobora, pois, a divis&atilde;o sexual do trabalho e a genderiza&ccedil;&atilde;o das profiss&otilde;es.</p>      <p>Numa dissid&ecirc;ncia assumida com o determinismo biol&oacute;gico, a cr&iacute;tica feminista sustenta que o g&eacute;nero n&atilde;o constitui uma &ldquo;expression of biology, nor a fixed dichotomy in human life and character&rdquo; (Connell, 2009:10). &Eacute;, ao inv&eacute;s, uma estrutura social, flu&iacute;da e din&acirc;mica (Connell, 2009:10). (Re)constr&oacute;i-se nas/pelas rela&ccedil;&otilde;es de poder, institui&ccedil;&otilde;es, pr&aacute;ticas e discursos (Connell, 2009:11; Kimmel, 2000:290), interagindo com outros eixos de identidade social, como a etnia, classe, idade, orienta&ccedil;&atilde;o sexual, nacionalidade, entre outros (Van Zoonen, 1994:33; Dow &amp; Condit, 2005:449). Os m&eacute;dia (informativos) surgem, por conseguinte, como espa&ccedil;os onde o g&eacute;nero e os seus significados s&atilde;o (re)constru&iacute;dos, (re)negociados e (re)contestados (Van Zoonen, 1994:43).</p>      <p>H&aacute; tamb&eacute;m participantes que remeteram a exist&ecirc;ncia de determinados paradigmas representacionais (nomeadamente daqueles que encerram um car&aacute;ter depreciativo) para a influ&ecirc;ncia de fatores hist&oacute;ricos e socioculturais, tais como os resqu&iacute;cios ideol&oacute;gicos do Estado Novo, preconceitos, o conservadorismo sociopol&iacute;tico e a prematuridade da democracia portuguesa. Todavia, enfatizando a crescente participa&ccedil;&atilde;o das mulheres nas ind&uacute;strias medi&aacute;ticas, os discursos produzidos encerraram um cariz eminentemente desculpabilizador e n&atilde;o-problematizante (e.g. Lobo &amp; Cabecinhas, 2010):</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;E isso quer dizer que ainda somos um pa&iacute;s de muitas tradi&ccedil;&otilde;es e costumes&rdquo;. (Carla Pinto, 19 anos)</p>      <p>&ldquo;... &Eacute; uma quest&atilde;o do pr&oacute;prio povo, &eacute; uma quest&atilde;o cultural...&rdquo;. (Elisabete Ponte, 18 anos)</blockquote></p>      <p>A esta posi&ccedil;&atilde;o subjaz, com frequ&ecirc;ncia, uma renit&ecirc;ncia na aceita&ccedil;&atilde;o de medidas de a&ccedil;&atilde;o positiva, mormente a aplica&ccedil;&atilde;o de quotas baseadas no sexo na esfera pol&iacute;tica. N&atilde;o obstante as potencialidades que estas possam comportar &ndash; e.g. a redefini&ccedil;&atilde;o dos conceitos de cidadania, representa&ccedil;&atilde;o e igualdade (Meier, 2008), a altera&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero no espa&ccedil;o p&uacute;blico (Meier &amp; Lombardo, 2013), e a mitiga&ccedil;&atilde;o dos obst&aacute;culos institucionais e formais que impedem a autodetermina&ccedil;&atilde;o e o autodesenvolvimento de determinados grupos (Young, 1990) &ndash;, as quotas destinadas ao empoderamento das mulheres no campo pol&iacute;tico suscitam comummente controv&eacute;rsia e opini&otilde;es detratoras.</p>      <p>A cr&iacute;tica aventada com mais frequ&ecirc;ncia &ndash; nomeadamente pela maioria das/os participantes &ndash; &eacute; a de que as quotas violam o princ&iacute;pio meritocr&aacute;tico, privilegiando a sele&ccedil;&atilde;o com base nas caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas e n&atilde;o nas compet&ecirc;ncias pessoais (Crosby, Iyer &amp; Sincharoen, 2006:593). Secundando Santos e Am&acirc;ncio (2010:45-48), tais posi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o consequ&ecirc;ncia da exist&ecirc;ncia de um conhecimento limitado acerca da import&acirc;ncia das medidas de a&ccedil;&atilde;o positiva, da subvaloriza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias, da influ&ecirc;ncia da ideologia de g&eacute;nero, bem como da pressuposi&ccedil;&atilde;o da (falsa) neutralidade do m&eacute;rito.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Encontraram-se, ainda, discursos que constitu&iacute;ram &ndash; ainda que de uma forma pouco fundamentada &ndash; os estere&oacute;tipos de g&eacute;nero como uma causa explicativa das representa&ccedil;&otilde;es das mulheres com responsabilidades pol&iacute;ticas. Para in&uacute;meras/os participantes, as newsmagazines portuguesas tenderam a associ&aacute;-las &agrave;s dimens&otilde;es do estere&oacute;tipo feminino (Am&acirc;ncio, 1998), particularmente a ideias de vulnerabilidade (f&iacute;sica), sensibilidade e incapacidade de autossufici&ecirc;ncia.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;Este homem (jornalista) estava a associar a fraqueza a ela&rdquo;. (Susana Gon&ccedil;alves, 18 anos)</p>      <p>&ldquo;H&aacute; um bocado o estere&oacute;tipo e &eacute; (...) subjugar as mulheres &agrave;s m&atilde;os dos homens, &agrave; prote&ccedil;&atilde;o deles&rdquo;. (Catarina Lemos, 20 anos)</blockquote></p>      <p>Inscritos nas ind&uacute;strias medi&aacute;ticas e nos processos de produ&ccedil;&atilde;o noticiosa (Gallego, 2009; Ross, 2010), os estere&oacute;tipos de g&eacute;nero influenciam e subjazem &agrave;s diferen&ccedil;as representacionais entre mulheres e homens nos m&eacute;dia informativos (Khan, 1994:155; Braden, 1996; Van Zoonen, 1998; Ross, 2002), podendo influenciar &ndash; at&eacute; certa medida &ndash; o eleitorado no que concerne &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es profissionais, idoneidade pol&iacute;tica, capacidade de tomada de decis&atilde;o e &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o das mulheres/candidatas na pol&iacute;tica. De forma indel&eacute;vel, a manuten&ccedil;&atilde;o de abordagens estereotipadas expressa, refor&ccedil;a e legitima o &ldquo;imperialismo cultural&rdquo;, invisibilizando a &ldquo;diferen&ccedil;a&rdquo; e reprimindo o potencial emancipat&oacute;rio desta no fomento da diversidade (Young, 1990).</p>      <p>Refira-se, por fim, que algumas/uns participantes consideraram, de forma telegr&aacute;fica, a n&atilde;o-conformidade com as normas de g&eacute;nero (i.e. a aus&ecirc;ncia de correspond&ecirc;ncia aos tra&ccedil;os e pap&eacute;is convencionados como &ldquo;femininos&rdquo; e &ldquo;masculinos&rdquo;) como um aspeto que poder&aacute; influir e determinar as representa&ccedil;&otilde;es das mulheres pol&iacute;ticas nos m&eacute;dia (informativos).</p>      <p>De facto, quando as mulheres no campo pol&iacute;tico invertem, misturam ou contestam os tra&ccedil;os e os pap&eacute;is sociais que a ideologia (tradicional) de g&eacute;nero estabelece e naturaliza, o interesse dos m&eacute;dia aumenta de forma exponencial (Gidengil &amp; Everitt, 2003a:562). Corroborando Gallego (2009:47), tudo o que &ldquo;inverte o estere&oacute;tipo ou vai contra a norma converte-se em significativo, informativamente falando&rdquo;. Todavia, a maior cobertura noticiosa n&atilde;o corresponde a um necess&aacute;rio empoderamento pol&iacute;tico das mulheres: tais abordagens s&atilde;o comummente depreciativas, relevando, de resto, o &ldquo;media&rsquo;s opprobrium against women who transgress the orthodox boundaries of what &lsquo;real&rsquo; women are and what &lsquo;real&rsquo; women do&rdquo; (Ross, 2004:67).</p>      <p>    <blockquote>&ldquo;A (Angela) Merkel, por exemplo, &eacute; gozada por todos os cantos, n&atilde;o &eacute;? Por ser uma mulher de pulso rijo. Um homem j&aacute; n&atilde;o era ... J&aacute; era visto com outros olhos&rdquo;. (Rui Teixeira, 19 anos)</p>      <p>&ldquo;(Assun&ccedil;&atilde;o Cristas) &Eacute; rebelde por n&atilde;o entrar no crit&eacute;rio de mulher&rdquo;. (Patr&iacute;cia Castro, 18 anos)</blockquote></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num estudo que incidiu sobre os debates de l&iacute;deres pol&iacute;ticos realizados aquando das elei&ccedil;&otilde;es federais de 1993, no Canad&aacute;, Gidengil e Everitt (1999:62) mostraram, justamente, que a conota&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da aos tra&ccedil;os de personalidade varia consoante o sexo do sujeito pol&iacute;tico: &ldquo;what is perceived &ndash; positively &ndash; to be combative in a man may be judged &ndash; negatively &ndash; to be aggressive in a woman&rdquo;. A representa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica das mulheres pol&iacute;ticas &eacute;, pois, afetada indelevelmente. Por um lado, se as mulheres adotam comportamentos combativos, os m&eacute;dia tender&atilde;o a exagerar e a criticar negativamente a sua (percebida) agressividade; por outro, se as mulheres n&atilde;o atuam de acordo com as normas tradicionais (masculinas) que regem o campo pol&iacute;tico, ser&atilde;o votadas &agrave; marginaliza&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica (Gidengil &amp; Everitt, 2003a:574).</p>      <p>Al&eacute;m disso, como as/os participantes assinalaram lac&oacute;nica e vagamente, as orienta&ccedil;&otilde;es sexuais n&atilde;o-normativas podem ser objeto de escrut&iacute;nio jornal&iacute;stico que, n&atilde;o raras vezes, prejudica a imagem das mulheres pol&iacute;ticas junto do eleitorado.</p>      <p>    <blockquote>&ldquo; (&hellip;) No caso da Dilma (Rousseff), quando os media brincam que ela &eacute; homossexual (n&atilde;o sei &eacute; brincadeira ou n&atilde;o)... Assume-se que as pessoas que t&ecirc;m esse preconceito contra a homossexualidade j&aacute; v&atilde;o estar contr&aacute;rias &agrave; posi&ccedil;&atilde;o dela&rdquo;. (Ant&oacute;nio Pereira, 25 anos)</blockquote></p>      <p>Reportando-se ao estudo de Chang e Hitchon (1997), Gallagher (2001:82) enfatiza, precisamente, a ideia de que os p&uacute;blicos/eleitorado manifestam uma atitude mais positiva em rela&ccedil;&atilde;o a candidatas/os que obede&ccedil;am aos tra&ccedil;os e aos pap&eacute;is tradicionais de g&eacute;nero. Por outro lado, como refere Kimmel (2000:313), as mulheres que se movem e obt&ecirc;m sucesso em &aacute;reas profissionais dominadas tradicionalmente por homens podem ser vistas &ndash; em particular, nos m&eacute;dia (informativos) &ndash; como &ldquo;insufficiently feminine, have their sexuality called into question, and risk not being taken seriously as women. If they fail, they are seen as very feminine women, demonstrating that inequality is really the result of difference, not its cause&rdquo;.</p>      <p>Numa vis&atilde;o geral, procurando atribuir e explicar as (eventuais) causas subjacentes aos paradigmas representacionais identificados anteriormente, as/os participantes tenderam a assumir posicionamentos tranquilizadores (e.g. Lobo &amp; Cabecinhas, 2010), que foram enquadrados em duas narrativas principais, a saber: a-) produ&ccedil;&atilde;o e rece&ccedil;&atilde;o: din&acirc;micas e rela&ccedil;&otilde;es nas/das ind&uacute;strias medi&aacute;ticas, e b-) g&eacute;nero, estere&oacute;tipos e sociedade.</p>      <p>Por um lado, a maioria das/os participantes referiu mormente causas relacionadas com a produ&ccedil;&atilde;o e a rece&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos noticiosos (i.e. sexo da/o jornalista, prefer&ecirc;ncias dos p&uacute;blicos medi&aacute;ticos, perten&ccedil;a partid&aacute;ria das fontes de informa&ccedil;&atilde;o e iniciativa da/o entrevistada/o).</p>      <p>O sexo da/o jornalista surgiu como um fator determinante da performance profissional, na presun&ccedil;&atilde;o de que os espa&ccedil;os/processos de produ&ccedil;&atilde;o noticiosa conferem autonomia e liberdade suficientes para que as/os jornalistas estabele&ccedil;am as suas estrat&eacute;gias laborais. A perscruta&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica sobre aspetos que transcendem a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres (como a vida privada) foi entendida como uma consequ&ecirc;ncia direta da sua perten&ccedil;a partid&aacute;ria, e n&atilde;o como um fen&oacute;meno globalizado. Os conte&uacute;dos medi&aacute;ticos apareceram como meros espelhos das prefer&ecirc;ncias dos p&uacute;blicos, numa assun&ccedil;&atilde;o de que o papel primordial das/os jornalistas consiste em responder passivamente ao que as/os recetoras/es estabelecem. A iniciativa da/o entrevistada/o emergiu, por fim, como uma causa da maior incid&ecirc;ncia jornal&iacute;stica, por exemplo, nos aspetos da vida privada e na fisicalidade das mulheres pol&iacute;ticas, favorecendo-se a ideia de que as representa&ccedil;&otilde;es essencialistas s&atilde;o localizadas e residuais. Embora a maioria das/os participantes tenha reportado os paradigmas representacionais para aspetos relacionados com a produ&ccedil;&atilde;o e a rece&ccedil;&atilde;o, importa relevar a exist&ecirc;ncia de discursos contestat&oacute;rios de um atributo end&oacute;geno das ind&uacute;strias medi&aacute;ticas: a pol&iacute;tica editorial. Algumas/uns participantes destacaram que os interesses/exig&ecirc;ncias dos &oacute;rg&atilde;os diretivos e os valores ideol&oacute;gicos das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o poder&atilde;o influir na produ&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos noticiosos.</p>      <p>Por outro lado, in&uacute;meras/os participantes apresentaram causas relacionadas com as quest&otilde;es de g&eacute;nero e outras de natureza societal (i.e. sexo da/o jornalista, fatores hist&oacute;rico e socioculturais, estere&oacute;tipos de g&eacute;nero e n&atilde;o-conformidade com as normas de g&eacute;nero).</p>      <p>Entendendo o g&eacute;nero como uma categoria fixa, a maioria das/os participantes atribuiu um car&aacute;ter genderizado ao exerc&iacute;cio da atividade jornal&iacute;stica, numa aparente legitima&ccedil;&atilde;o da divis&atilde;o sexual do trabalho. Apesar de terem reconhecido que os fatores hist&oacute;ricos e socioculturais poder&atilde;o influenciar a manuten&ccedil;&atilde;o de desigualdades de g&eacute;nero nos m&eacute;dia informativos, as/os participantes enformaram-nos a partir de uma perspetiva exonerativa e n&atilde;o-problematizante. Al&eacute;m disso, ainda que n&atilde;o tenham esbo&ccedil;ado um cr&iacute;tica sustentada, alguns discursos enfatizaram que a manuten&ccedil;&atilde;o de estere&oacute;tipos de g&eacute;nero e a n&atilde;o-conformidade com os tra&ccedil;os e pap&eacute;is convencionados como &ldquo;femininos&rdquo; e &ldquo;masculinos&rdquo; poder&atilde;o influir na produ&ccedil;&atilde;o noticiosa. N&atilde;o auscultaram, contudo, os impactos que os processos de estereotipiza&ccedil;&atilde;o e o binarismo de g&eacute;nero podem provocar na participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres, nos m&eacute;dia e na sociedade civil.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em conclus&atilde;o, as/os participantes n&atilde;o interrogaram, na sua generalidade, as micro-meso-macro configura&ccedil;&otilde;es das ind&uacute;strias medi&aacute;ticas que influem nas representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas (das mulheres pol&iacute;ticas), tais como as idiossincrasias pessoais, a cultura jornal&iacute;stica, os constrangimentos organizacionais, o contexto regulat&oacute;rio, os modelos de propriedade dos m&eacute;dia, etc. Al&eacute;m disso, manifestaram uma tend&ecirc;ncia para corroborar a manuten&ccedil;&atilde;o da ideologia tradicional de g&eacute;nero, n&atilde;o inquirindo criticamente as suas interse&ccedil;&otilde;es e a coniv&ecirc;ncia com as pr&aacute;ticas e os discursos que t&ecirc;m lugar nas ind&uacute;strias medi&aacute;ticas.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>5. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>      <p>Na linha do compromisso com a mudan&ccedil;a sociopol&iacute;tica e a promo&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais inclusiva, a ausculta&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o tem adquirido uma crescente import&acirc;ncia no &acirc;mbito dos Estudos Feministas dos M&eacute;dia (Mendes &amp; Carter, 2008:1701). Para al&eacute;m de comprovar a variabilidade interpretativa dos p&uacute;blicos em rela&ccedil;&atilde;o aos produtos medi&aacute;ticos, a cr&iacute;tica feminista da rece&ccedil;&atilde;o tem contribu&iacute;do para a desnaturaliza&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as de g&eacute;nero, mostrando o seu car&aacute;ter situado, mut&aacute;vel e din&acirc;mico (Carter &amp; Steiner, 2004:28).</p>      <p>No presente estudo, a an&aacute;lise tem&aacute;tica do material resultante da realiza&ccedil;&atilde;o de onze grupos focais &ndash; que envolveram 101 estudantes universit&aacute;rias/os &ndash; permitiu inquirir as pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos noticiosos. Em particular, possibilitou a ausculta&ccedil;&atilde;o do modo como os p&uacute;blicos interpretam e se posicionam face aos paradigmas representacionais nos quais as mulheres pol&iacute;ticas surgem nos m&eacute;dia e &agrave;s suas (eventuais) causas subjacentes.</p>      <p>No que concerne aos paradigmas representacionais, as/os participantes identificaram a exist&ecirc;ncia de tr&ecirc;s principais narrativas tem&aacute;ticas: participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica; vida privada e domesticidade; e fisicalidade, corpo e apar&ecirc;ncia f&iacute;sica. Contudo, a maioria n&atilde;o problematizou, de forma sustentada, o papel dos m&eacute;dia informativos na (re)constru&ccedil;&atilde;o (genderizada) da realidade social, manifestando uma propens&atilde;o para reiterar e apoiar a reifica&ccedil;&atilde;o das tr&iacute;ades masculino-pol&iacute;tico-p&uacute;blico e feminino-pessoal-privado.</p>      <p>Depois, procurando atribuir e explicar as causas subjacentes aos paradigmas representacionais identificados, as/os participantes referiram sobretudo aspetos relacionados com a produ&ccedil;&atilde;o e a rece&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos noticiosos, a partir de pressupostos como a autonomiza&ccedil;&atilde;o do processo produtivo, a partidariza&ccedil;&atilde;o e a essencializa&ccedil;&atilde;o das fontes de informa&ccedil;&atilde;o, bem como a supremacia e a homogeneiza&ccedil;&atilde;o dos p&uacute;blicos medi&aacute;ticos. Al&eacute;m disso, apresentaram causas relacionadas com as quest&otilde;es de g&eacute;nero e outras de natureza societal que tenderam a reiterar os postulados do determinismo biol&oacute;gico, da polariza&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero, e da exonera&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e sociocultural. Na sua generalidade, as/os participantes n&atilde;o questionaram os fatores econ&oacute;micos, socioculturais e pol&iacute;ticos que influem na produ&ccedil;&atilde;o noticiosa, assim como tenderam corroborar a manuten&ccedil;&atilde;o da ideologia tradicional de g&eacute;nero, n&atilde;o inquirindo, de forma cr&iacute;tica, os seus mecanismos, discursos e corol&aacute;rios.</p>      <p>Em conclus&atilde;o, os resultados mostram que a exist&ecirc;ncia de assimetrias de g&eacute;nero nos m&eacute;dia informativos, ao n&iacute;vel da representa&ccedil;&atilde;o qualitativa, n&atilde;o &eacute; considerada pelos p&uacute;blicos (jovens) como uma quest&atilde;o relevante. N&atilde;o obstante os momentos pontuais de negocia&ccedil;&atilde;o, contesta&ccedil;&atilde;o e resist&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos significados veiculados pelos m&eacute;dia, a maioria das/os participantes adotou posicionamentos tranquilizadores que inibiram uma consciencializa&ccedil;&atilde;o individual/social acerca das consequ&ecirc;ncias da manuten&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de poder desiguais nos m&eacute;dia, na esfera pol&iacute;tica e na sociedade. Este estudo demonstra, assim, que os p&uacute;blicos produzem sobretudo leituras congruentes com ideologias e discursos hegem&oacute;nicos, como os de g&eacute;nero, as quais, de resto, tendem a ser as abordagens privilegiadas pelos m&eacute;dia informativos (e.g. Sreberny-Mohammadi &amp; Ross, 1996; Gidengil &amp; Everitt, 2003; Ross, 2004; Lobo &amp; Cabecinhas, 2010).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>      <p>Numa aprecia&ccedil;&atilde;o global, pode afirmar-se que o principal contributo deste estudo consistiu em auscultar &ndash; com recurso &agrave; an&aacute;lise tem&aacute;tica &ndash; as (inter)rela&ccedil;&otilde;es entre os p&uacute;blicos, m&eacute;dia informativos, g&eacute;nero e representa&ccedil;&atilde;o qualitativa, sublinhando a import&acirc;ncia de se refletir sobre os eventuais impactos que as representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas t&ecirc;m ao n&iacute;vel da (re)configura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pol&iacute;tico/p&uacute;blico e no exerc&iacute;cio da cidadania.</p>      <p>N&atilde;o obstante os contributos empreendidos neste estudo, importa ressaltar que os resultados aqui apresentados n&atilde;o s&atilde;o extrapol&aacute;veis. Fornecem apenas indica&ccedil;&otilde;es preliminares acerca do modo como os p&uacute;blicos interpretam e se posicionam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas e, em particular, &agrave;s assun&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero veiculadas pelos m&eacute;dia informativos. Uma investiga&ccedil;&atilde;o mais profunda exigir&aacute; o envolvimento de um maior n&uacute;mero de participantes e maior diversidade, nomeadamente ao n&iacute;vel da idade, identidade de g&eacute;nero, n&iacute;vel socioecon&oacute;mico, habilita&ccedil;&otilde;es educacionais, &aacute;reas de forma&ccedil;&atilde;o profissional, etc. Al&eacute;m disso, &eacute; necess&aacute;rio garantir uma maior variabilidade em termos de material-est&iacute;mulo &ndash; j&aacute; que este poder&aacute; influenciar os discursos produzidos e a fundamenta&ccedil;&atilde;o dos posicionamentos ideol&oacute;gicos &ndash;, bem como potenciar o cruzamento de diferentes abordagens te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas. Ser&aacute; poss&iacute;vel, deste modo, avan&ccedil;ar com maior propriedade para o estabelecimento de compara&ccedil;&otilde;es, semelhan&ccedil;as e diverg&ecirc;ncias.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, imp&otilde;e-se a necessidade de aprofundar a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sobre pr&aacute;ticas de rece&ccedil;&atilde;o com vista ao empoderamento semi&oacute;tico dos p&uacute;blicos (jovens) relativamente aos produtos medi&aacute;ticos, aos contextos socioculturais, econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos nos quais estes s&atilde;o criados (Hobbs, 2005), bem como ao impacto destes na (re)constru&ccedil;&atilde;o da realidade social e aos mecanismos pelos quais os conte&uacute;dos podem ser contestados e/ou modificados (Gallagher, 2001; Silverblatt, 2001). Partindo de uma interven&ccedil;&atilde;o concertada na produ&ccedil;&atilde;o e na rece&ccedil;&atilde;o (Kellner, 1995), a educa&ccedil;&atilde;o feminista para os m&eacute;dia encerra particular import&acirc;ncia para a desconstru&ccedil;&atilde;o das assun&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero (Gallagher, 2001; Teurlings, 2010). Atrav&eacute;s de iniciativas como a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais dos m&eacute;dia para as quest&otilde;es da diversidade e a inclus&atilde;o de perspetivas feministas nos curr&iacute;culos universit&aacute;rios &ndash;, a literacia cr&iacute;tica medi&aacute;tica conferir&aacute; &agrave;s/aos produtoras/es e aos p&uacute;blicos uma compreens&atilde;o mais abrangente dos significados imbricados na tr&iacute;ade mulheres-pol&iacute;tica-p&uacute;blicos.</p>      <p>&nbsp;</p>       <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>      <!-- ref --><p>Adcock, Charlotte. (2010). The Politician, the Wife, the Citizen, and Her Newspaper. Feminist Media Studies, 10(2), 135-159.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S1646-5954201500010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Am&acirc;ncio, L&iacute;gia &amp; Oliveira, Jo&atilde;o Manuel. (2006). Men as Individuals, Women as a Sexed Category: Implications of Symbolic Asymmetry for Feminist Practice and Feminist Psychology. Feminism &amp; Psychology, 16(1), 35-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S1646-5954201500010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Am&acirc;ncio, L&iacute;gia. (1998). Masculino e Feminino: a construc&cedil;a~o social da diferenc&cedil;a. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S1646-5954201500010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Baudrillard, Jean. (1970/2010). A Sociedade de Consumo. Lisboa: Edic&cedil;o~es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S1646-5954201500010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Bourdieu, Pierre. (1997). Sobre a Televis&atilde;o. Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000234&pid=S1646-5954201500010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Braden, Maria. (1996). Women, Politics and the Media. Lexington: University Press of Kentucky.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000236&pid=S1646-5954201500010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Byerly, Carolyn &amp; Ross, Karen. (2006). Women and Media: A Critical Introduction. Malden, MA: Blackwell Publications.</p>      <!-- ref --><p>Cabecinhas, Rosa. (2007). Preto e Branco: a Naturaliza&ccedil;&atilde;o da Discriminiza&ccedil;&atilde;o Racial. Porto: Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000239&pid=S1646-5954201500010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Cabrera, Ana; Flores, Teresa &amp; Mata, Maria Jos&eacute;. (2012). O Feminino Como &ldquo;Intruso&rdquo; na Pol&iacute;tica: uma An&aacute;lise do Contexto Hist&oacute;rico e da Representa&ccedil;&atilde;o Fotojornal&iacute;stica das Deputadas Portuguesas no Parlamento Parit&aacute;rio e nas Discuss&otilde;es da Lei da Paridade. Media &amp; Jornalismo, 21, 77-127.</p>      <p>Cardoso, Carla. (2009). Padr&otilde;es e Identidades nas Capas de Newsmagazines: 1999/2009. In Actas Digitais IV Congresso SOPCOM &ndash; Sociedade dos Media: Comunica&ccedil;&atilde;o, Pol&iacute;tica e Hist&oacute;ria dos Media. Lisboa: ECATI - ULHT, 4331-4343.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Carter, Cynthia &amp; Steiner, Linda. (2004). Mapping the Contested Terrain of Media and Gender Research. In C. Carter &amp; L. Steiner (ed.), Critical Readings: Media and Gender (pp.11-32). Glasgow: Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000243&pid=S1646-5954201500010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Cerqueira, Carla; Ribeiro, Lu&iacute;sa &amp; Cabecinhas, Rosa. (2009). Mulheres &amp; Blogosfera: Contributo para o Estudo da Presen&ccedil;a Feminina na &lsquo;Rede&rsquo;. Ex aequo, 19: 111-128. Consultado a 23 de maio de 2014 em <a href="http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aeq/n19/n19a10.pdf" target="blank">http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aeq/n19/n19a10.pdf</a>.</p>      <p>Cerqueira, Carla. (2012). Quando Elas (N&atilde;o) S&atilde;o Not&iacute;cia: Mudan&ccedil;as, Persist&ecirc;ncias e Reconfigura&ccedil;&otilde;es na Cobertura Jornal&iacute;stica sobre o Dia Internacional da Mulher em Portugal (1975-2007). Originalmente apresentada como tese de doutoramento, Universidade do Minho.</p>      <!-- ref --><p>Chang, Chingching &amp; Hitchon, Jacqueline. (1997). Mass Media Impact on Voter Response to Women Candidates: Theoretical Development. Communication Theory, 7(1), 29-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000247&pid=S1646-5954201500010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Christmas, Linda. (1997). Chaps of Both Sexes? Women Decision-Makers in Newspapers: Do They Make a Difference?. London: BT Forum/Women in Journalism.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000249&pid=S1646-5954201500010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Connell, Raewyn. (2009). Gender: In World Perspective. Cambridge: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000251&pid=S1646-5954201500010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Crosby, Faye; Iyer, Aarti &amp; Sincharoen, Sirinda. (2006). Understanding Affirmative Action. Annual Review of Psychology, 57, 585-611.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000253&pid=S1646-5954201500010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Croteau, David; Hoynes, William &amp; Milan, Stefania. (2012). Media/Society: Industries, Images and Audiences (4&ordf; ed.). Los Angeles, London, New Delhi, Singapore, Washington DC: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000255&pid=S1646-5954201500010000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Dolan, Kathleen. (2004). Voting for Women: How the Public Evaluates Women Candidates. Boulder, CO: Westview Press.</p>      <!-- ref --><p>Dow, Bonnie &amp; Condit, Celeste. (2005). The State of the Art in Feminist Scholarship in Communication. Journal of Communication, 448-478.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000258&pid=S1646-5954201500010000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ferin-Cunha, Isabel. (2007). A Televis&atilde;o das Mulheres: Ensaios Sobre a Recep&ccedil;&atilde;o. Lisboa: Quimera.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000260&pid=S1646-5954201500010000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>      <p>Gallego, Juana. (2009). G&eacute;nero e Representa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica: Realidades e Desejos. Media &amp; Jornalismo &ndash; G&eacute;nero, Media e Espa&ccedil;o P&uacute;blico, 8 (15), 43-53.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Gamson, William; Croteau, David; Hoynes, William &amp; Sasson, Theodore. (1992). Media Images and the Social Construction of Reality. Annu. Rev. Sociol, 18, 373-393.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000263&pid=S1646-5954201500010000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gidengil, Elisabeth &amp; Everitt, Joanna. (1999). Metaphors and Misrepresentation: Gendered Mediation in News Coverage of the 1993 Canadian Leaders&#39; Debates. Harvard International Journal of Press/Politics, 4, 48-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000265&pid=S1646-5954201500010000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Gidengil, Elisabeth &amp; Everitt, Joanna. (2003a). Conventional Coverage/Unconventional Politicians: Gender and Media Coverage of Canadian Leader&rsquo;s Debates, 1993, 1997, 2000. Canadian Journal of Political Science, 36(3), 559-577.</p>      <!-- ref --><p>Gidengil, Elisabeth &amp; Everitt, Joanna. (2003b). Talking Tough: Gender and Reported Speech in Campaign News Coverage. Political Communication, 20, 209-232.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000268&pid=S1646-5954201500010000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gill, Rosalind. (2007). Gender and the Media. Oxford: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000270&pid=S1646-5954201500010000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Glick, Peter &amp; Fiske, Susan. (1996). The Ambivalent Sexism Inventory. Differentiating Hostile and Benevolent Sexism. Journal of Personality and Social Psychology, 70(3), 491-512.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000272&pid=S1646-5954201500010000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Guest, Greg; Macqueen, Kathleen &amp; Namey, Emily. (2012). Applied Thematic Analysis. Thousand Oaks, SAGE Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000274&pid=S1646-5954201500010000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hall, Stuart. (1980). Encoding/Decoding. In Centre for Contemporary Cultural Studies (Ed.): Culture, Media, Language. London: Hutchinson.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000276&pid=S1646-5954201500010000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Harrison, Jackie. (2006). News. London e New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000278&pid=S1646-5954201500010000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Heldman, Caroline; Oliver, Sarah &amp; Conroy, Meredith. (2009). From Ferraro to Palin: Sexism in Media Coverage of Vice Presidential Candidates, paper apresentado na American Political Science Association, Toronto, Canad&aacute;, 3-6 setembro.</p>      <!-- ref --><p>Hobbs, Renee. (2005). The State of Media Literacy Education. The Journal of Communication, 55(4): 865-871.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000281&pid=S1646-5954201500010000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Kahn, Kim &amp; Goldenberg, Edie. (1991). Women Candidates in the News: An Examination of Gender Differences in U.S. Senate Campaign Coverage. Public Opinion Quarterly, 55(2), 180-199.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000283&pid=S1646-5954201500010000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kahn, Kim. (1994). The Distorted Mirror: Press Coverage of Women Candidates for Statewide Office. Journal of Politics, 56, 154-173.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000285&pid=S1646-5954201500010000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kanter, Moss. (1977). Some Effects of Proportions on Group Life: Skewed Sex Ratios and Responses to Token Women. The American Journal of Sociology, 82, 965-990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000287&pid=S1646-5954201500010000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Kellner, Douglas. (1995). &lsquo;Cultural Studies, Multiculturalism and Media Culture&rsquo;, In G. Dinez &amp; J. Humez (Eds.), Gender, Race and Class in Media: a Text-Reader (2&ordf; ed.), Thousand Oaks: Sage, pp. 9-20.</p>      <!-- ref --><p>Kim, Yeran. (2007). An Ethnographer Meets the Mobile Girl. Feminist Media Studies, 7, 204-209.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000290&pid=S1646-5954201500010000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kim, Youna. (2006). How TV Mediates the Husband-Wife Relationship. Feminist Media Studies, 6, 129-143.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000292&pid=S1646-5954201500010000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kimmel, Michael. (2000). The Gendered Society. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000294&pid=S1646-5954201500010000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Lei Org&acirc;nica n.&ordm; 3/2006, de 21 de agosto, Lei da Paridade, Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, 1.&ordf; s&eacute;rie, N.&ordm; 160, 5896-5897.</p>      <!-- ref --><p>Lister, Ruth. (1997). Citizenship: Feminist Perspectives. Basingstoke: Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000297&pid=S1646-5954201500010000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>      <p>Martins, Carla. (2013). Mulheres, Pol&iacute;tica e Visibilidade Medi&aacute;tica. As Lideran&ccedil;as de Maria de Lourdes Pintasilgo e de Manuela Ferreira Leite. Originalmente apresentada como tese de doutoramento, Universidade Nova de Lisboa.</p>      <!-- ref --><p>Lobo, Paula &amp; Cabecinhas, Rosa. (2010). The Negotiation of Meanings in the Evening News: Towards an Understanding of Gender Disadvantages in the Access to the Public Debate. International Communication Gazette, 72(3-4), 339-358.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000300&pid=S1646-5954201500010000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Meier, Petra &amp; Lombardo, Emanuela. (2013). Gender Quotas, Gender Mainstreaming and Gender Relations in Politics. Political Science, 65(1), 46-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000302&pid=S1646-5954201500010000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Meier, Petra. (2008). A Gender Gap Not Closed by Quotas. International Feminist Journal of Politics, 10(3), 329-347.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000304&pid=S1646-5954201500010000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mendes, Kaitlynn &amp; Carter, Cynthia. (2008). Feminist and Gender Media Studies: A Critical Overview. Sociology Compass, 2(6), 1701-1718.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000306&pid=S1646-5954201500010000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;&nbsp;</p>      <p>Mota-Ribeiro, Silvana. (2010). Do Outro Lado do Espelho: Imagens e Discursos de G&eacute;nero nos An&uacute;ncios das Revistas Femininas &ndash; uma Abordagem S&oacute;cio-semi&oacute;tica Visual Feminista. Originalmente apresentada como tese de doutoramento, Universidade do Minho.</p>      <p>Neuman, W. Russell; Just, Marion R. &amp; Crigler, Ann N. (1992). Common Knowledge &ndash; News and the Construction of Political Meaning. Chicago: University of Chicago Press.</p>      <!-- ref --><p>Nogueira, Concei&ccedil;&atilde;o. (2006). Os Discursos das Mulheres em Posi&ccedil;&otilde;es de Poder. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 9 (2), 57-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000310&pid=S1646-5954201500010000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Norris, Pippa. (1997). Women, Media, and Politics. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000312&pid=S1646-5954201500010000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Ross, Karen &amp; Sreberny-Mohammadi, Annabelle. (1997). Playing House &ndash; Gender, Politics and the News Media in Britain. Media Culture Society, 19(1), 101-109.</p>      <!-- ref --><p>Ross, Karen; Evans, Elizabeth; Harrison, Lisa; Shears, Mary &amp; Wadia, Khursheed. (2013). The Gender of News and News of Gender: A Study of Sex, Politics, and Press Coverage of the 2010 British General Election. The International Journal of Press/Politics, 18 (1), 3-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000315&pid=S1646-5954201500010000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Ross, Karen. (1995). Women and the News Agenda: Media-ted Reality and Jane Public, Discussion Papers in Mass Communication. Leicester, UK: University of Leicester.</p>      <p>Ross, Karen. (2002). Women, Politics, Media: Uneasy Relations in Comparative Perspective. Cresskill, NJ: Hampton Press.</p>      <!-- ref --><p>Ross, Karen. (2003). Women Politicians and Malestream Media: a Game of Two Sides. Center for Advancement of Women in Politics, 1-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000319&pid=S1646-5954201500010000200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Ross, Karen. (2004). Women Framed: The Gendered Turn in Mediated Politics. In Karen Ross and Carolyn.&nbsp;M. Byerly (eds.), Women and Media: International Perspectives (pp. 60&ndash;80). Malden, MA: Blackwell Publications.</p>      <!-- ref --><p>Ross, Karen. (2010). Gendered Media: Women, Men, and Identity Politics. Rowman &amp; Littlefield Publishers, Lanham,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000322&pid=S1646-5954201500010000200053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> MD.</p>      <p>Santos, Maria Helena &amp; Am&acirc;ncio, L&iacute;gia. (2010). A (In)justi&ccedil;a Relativa da Ac&ccedil;&atilde;o Positiva &ndash; A Influ&ecirc;ncia do G&eacute;nero na Controv&eacute;rsia sobre as Quotas Baseadas no Sexo. An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 1 (XXVIII), 43-57.</p>      <!-- ref --><p>Santos, Maria Helena &amp; Am&acirc;ncio, L&iacute;gia. (2012). G&eacute;nero e Pol&iacute;tica: An&aacute;lise sobre as Resist&ecirc;ncias nos Discursos e nas Pr&aacute;ticas Sociais Face &agrave; Lei da Paridade. Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas, 68, 79-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000325&pid=S1646-5954201500010000200055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Silveirinha, Maria Jo&atilde;o. (1998). O Discurso Feminista e os Estudos dos Media: em Busca da Liga&ccedil;&atilde;o Necess&aacute;ria. Consultado a 23 de fevereiro de 2014 em <u><a href="http://www.bocc.ubi.pt/pag/silveirinha-maria-joao-discurso.pdf" target="blank">http://www.bocc.ubi.pt/pag/silveirinha-maria-joao-discurso.pdf</a></u>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000327&pid=S1646-5954201500010000200056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Silveirinha, Maria Jo&atilde;o. (2004). Os Media e as Mulheres: Horizontes de Representa&ccedil;&atilde;o, de Constru&ccedil;&atilde;o e de Pr&aacute;ticas Significantes. In M. J. Silveirinha (org.), As mulheres e os media (pp.5-12). Lisboa, Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000329&pid=S1646-5954201500010000200057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Silverblatt, Art. (2001). Media Literacy: Keys to Interpreting Media Messages. Westport, CT: Praeger.</p>      <!-- ref --><p>Sreberny-Mohammadi, Annabelle &amp; Ross, Karen. (1996). Women MPs and the Media: Representing the Body Politic. Parliamentary Affairs, 49 (1), 103-115.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000332&pid=S1646-5954201500010000200059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Teurlings, Jan. (2010). Media Literacy and the Challenges of Contemporary Media Culture: On Savvy Viewers and Critical Apathy. European Journal of Cultural Studies, 13(3): 359-373.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000334&pid=S1646-5954201500010000200060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>United Nations. (1979). Convention on the Elimination of All Forms of Discrimination Against Women. Consultado a 20 de janeiro de 2014 em <u><a href="http://www.ohchr.org/en/professionalinterest/pages/cedaw.aspx" target="blank">http://www.ohchr.org/en/ProfessionalInterest/pages/cedaw.aspx</a></u>.&nbsp;&nbsp;</p>      <p>United Nations. (2010). The World&#39;s Women: Trends and Statistics. NewYork. Consultado a 26 de fevereiro de 2014 em <u><a href="https://unstats.un.org/unsd/demographic/products/worldswomen/ww2010pub.htm" target="blank">https://unstats.un.org/unsd/demographic/products/Worldswomen/WW2010pub.htm#</a></u>.</p>      <!-- ref --><p>Van Dijk, Teun. (2005). Discurso das Not&iacute;cias e Ideologias. Porto: Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000338&pid=S1646-5954201500010000200061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Van Zoonen, Liesbet. (1994). Feminist Media Sudies. Newbury Park, CA: Sage Publications.</p>      <!-- ref --><p>Van Zoonen, Liesbet. (1998). One of the Girls? The Changing Gender of Journalism. In Carter, Cynthia; Branston, Gill; Allan, Stuart (ed.). News, Gender and Power. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000341&pid=S1646-5954201500010000200063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Walkerdine, Valerie. (2006). Playing the Game: Young Girls Performing Femininity in Video Game Play. Feminist Media Studies, 6, 519-537.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000343&pid=S1646-5954201500010000200064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Watkins, Craig &amp; Emerson, Rana. M. (2000). Feminist Media Criticism and Feminist Media Practices. Annals of the American Academy of Political and Social Science, 571: Feminist Views of the Social Sciences,151-166.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000345&pid=S1646-5954201500010000200065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Wilkinson, Sue. (1998). Focus Group in Feminist Research: Power Interaction, and the Co-construction of Meaning. Women&rsquo;s Studies International Forum, 21(1), 111-125.</p>      <!-- ref --><p>Winship, Janice. (1987). Inside Women&#39;s Magazines. London: Pandora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000348&pid=S1646-5954201500010000200067&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Wolf, Naomi. (1992). O Mito da Beleza: Como as Imagens de Beleza S&atilde;o Usadas Contra as Mulheres. Rio de Janeiro: Rocco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000350&pid=S1646-5954201500010000200068&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Young, Iris. M. (1990). Justice and the Politics of Difference. Princeton: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000352&pid=S1646-5954201500010000200069&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>       <p>Date of Submission: July 22, 2014</p>      <p>Date of Acceptance: January 12, 2015</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Agradecimentos</b></p>      <p>O presente artigo foi desenvolvido no &acirc;mbito do projeto de investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;O g&eacute;nero em foco: representa&ccedil;&otilde;es sociais nas revistas portuguesas de informa&ccedil;&atilde;o generalista&rdquo; (PTDC/CCI-COM/114182/2009), financiado por Fundos FEDER atrav&eacute;s do Programa Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE) e por Fundos Nacionais atrav&eacute;s da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (FCT).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Adotada pela Assembleia-Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas no dia 18 dezembro de 1979, esta conven&ccedil;&atilde;o obriga no artigo 4&ordm; os Estados-membros a implementar medidas tempor&aacute;rias (especiais) dirigidas &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da igualdade de g&eacute;nero em diferentes esferas de interven&ccedil;&atilde;o.</p> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> A Lei da Paridade (Lei Org&acirc;nica n&ordm;. 3/2006) estipula uma representa&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de 33% de cada um dos sexos na composi&ccedil;&atilde;o das listas para a Assembleia da Rep&uacute;blica, o Parlamento Europeu e as autarquias locais, bem como estabelece que as listas n&atilde;o podem conter mais de duas/dois candidatas/os do mesmo sexo consecutivamente.</p> </p>       <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> De acordo com os dados do Inter-Parliamentary Union, a representa&ccedil;&atilde;o mundial das mulheres nos parlamentos nacionais aumentou na &uacute;ltima d&eacute;cada, passando de 15,3% em 2004 para 21,7% em 2014. Em Portugal, a representa&ccedil;&atilde;o parlamentar das mulheres &eacute; de 31,3%, ocupando a 33&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no ranking mundial.</p> </p>       <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> De modo a garantir o sigilo e a confidencialidade dos dados, os nomes das/os participantes mencionados neste artigo s&atilde;o fict&iacute;cios.</p> </p> </html>      ]]></body><back>
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