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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Margens de silêncio nas notícias de saúde: o caso dos enfermeiros]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Being a social construction of reality, news reproduce power structures and promote both visibility and shadow areas. In this study, we proposed to look into the nurses' (in)visibility within the media public space promoted by the Portuguese press in their health news. Hence, we analyzed almost 7000 health news published in 2012 and 2013 in six National newspapers. We noticed that nurses rarely become health news sources, while doctors are the most wanted specialists. Journalists' choices do not reflect the country's reality, since nurses are a bigger professional group than doctors.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Margens de sil&ecirc;ncio nas not&iacute;cias de sa&uacute;de: o caso dos enfermeiros</b></p>     <p><b>Silent margins in health news: looking at the nurses case</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rita Ara&uacute;jo*, Felisbela Lopes**</b></p>     <p>*Investigadora no Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Universidade do Minho. Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal. (<a href="mailto:rita.manso.araujo@gmail.com">rita.manso.araujo@gmail.com</a>)</p>     <p>**Professora associada com agrega&ccedil;&atilde;o no Departamento de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o/ Investigadora no Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Universidade do Minho. Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal. (<a href="mailto:felisbela@ics.uminho.pt">felisbela@ics.uminho.pt</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Enquanto constru&ccedil;&atilde;o social da realidade, as not&iacute;cias reproduzem estruturas de poder e promovem zonas de visibilidade e de sombra. Quisemos, neste trabalho, situar a (in)visibilidade dos enfermeiros no espa&ccedil;o p&uacute;blico medi&aacute;tico que a imprensa portuguesa estrutura na mediatiza&ccedil;&atilde;o que faz do campo da sa&uacute;de. Para isso, analis&aacute;mos quase 7000 not&iacute;cias de sa&uacute;de publicadas entre 2012 e 2013 em seis jornais nacionais, sobressaindo das nossas conclus&otilde;es o facto de os enfermeiros raramente se constitu&iacute;rem como fonte de sa&uacute;de. Contrariamente, os m&eacute;dicos s&atilde;o os especialistas mais procurados, sendo que as escolhas dos jornalistas n&atilde;o refletem a realidade nacional &ndash; onde o grupo dos enfermeiros &eacute; bastante maior do que o dos m&eacute;dicos.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Comunica&ccedil;&atilde;o; Jornalismo; Sa&uacute;de; Enfermeiros; Constru&ccedil;&atilde;o Social</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Being a social construction of reality, news reproduce power structures and promote both visibility and shadow areas. In this study, we proposed to look into the nurses&rsquo; (in)visibility within the media public space promoted by the Portuguese press in their health news. Hence, we analyzed almost 7000 health news published in 2012 and 2013 in six National newspapers. We noticed that nurses rarely become health news sources, while doctors are the most wanted specialists. Journalists&rsquo; choices do not reflect the country&rsquo;s reality, since nurses are a bigger professional group than doctors.</p>     <p><b>Keywords</b>: Communication; Journalism; Health; Nurses; Social Construction</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Uma an&aacute;lise extensiva das not&iacute;cias de sa&uacute;de publicadas durante os anos de 2012 e 2013 nos jornais di&aacute;rios <i>P&uacute;blico, Di&aacute;rio de Not&iacute;cias, Jornal de Not&iacute;cias </i>e<i> Correio da Manh&atilde;, </i>e nos seman&aacute;rios<i> Expresso </i>e<i> Sol</i> revela que os enfermeiros representam menos de 2% das fontes de informa&ccedil;&atilde;o. Comparativamente, os m&eacute;dicos representam 15% das fontes de informa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de citadas. O grupo profissional dos enfermeiros n&atilde;o tem, assim, grande representatividade nas not&iacute;cias de sa&uacute;de publicadas nos jornais nacionais. Os enfermeiros s&atilde;o atirados para as margens de sil&ecirc;ncio, sendo que raras vezes se constituem como fonte de informa&ccedil;&atilde;o na sa&uacute;de.</p>     <p>Enquanto constru&ccedil;&atilde;o social da realidade, as not&iacute;cias reproduzem estruturas de poder e marcam as agendas p&uacute;blica e pol&iacute;tica. As escolhas dos jornalistas, n&atilde;o sendo aleat&oacute;rias, estabelecem zonas de visibilidade e, por conseguinte, de obscuridade. As representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas dos enfermeiros s&atilde;o, assim, uma reprodu&ccedil;&atilde;o da realidade social e das diferen&ccedil;as de poder existentes entre profiss&otilde;es ligadas &agrave; sa&uacute;de. No entanto, uma r&aacute;pida an&aacute;lise dos dados dos &uacute;ltimos Censos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, em 2011, permite-nos perceber que o n&uacute;mero de enfermeiros a exercer (mais de 65 mil) &eacute; bastante superior ao n&uacute;mero de m&eacute;dicos (cerca de 43 mil), ou seja, as fontes citadas n&atilde;o refletem a realidade social existente.</p>     <p>A sa&uacute;de &eacute; uma &aacute;rea transversal &agrave; sociedade, afetando todos os cidad&atilde;os de forma direta ou indireta. Assim, consideramos que o estudo da cobertura noticiosa da sa&uacute;de reveste-se de extrema import&acirc;ncia, nomeadamente para pensar as rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre jornalistas e fontes &ndash; e que contribuem para perceber quem &eacute; chamado a falar sobre sa&uacute;de e que tipo de temas se torna not&iacute;cia. No entanto, &eacute; igualmente importante olhar para o sil&ecirc;ncio gerado pelos <i>media</i> e para aqueles que raramente se tornam not&iacute;cia.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Enquadramento te&oacute;rico</b></p>     <p><i>Jornalismo na sa&uacute;de e fontes de informa&ccedil;&atilde;o</i></p>     <p>Num relat&oacute;rio de aula que intitul&aacute;mos &ldquo;<i>As Fontes de Informa&ccedil;&atilde;o: os constrangimentos e os campos de autonomia dos jornalistas</i>&rdquo;, feito no &acirc;mbito das provas de aptid&atilde;o pedag&oacute;gica e capacidade cient&iacute;fica, procur&aacute;mos a defini&ccedil;&atilde;o de fonte no respetivo &eacute;timo latino, descobrindo que deste voc&aacute;bulo emergem significados como os de um lugar onde nasce perenemente &aacute;gua ou de algo onde tudo come&ccedil;a. Tamb&eacute;m busc&aacute;mos aqui a heran&ccedil;a mitol&oacute;gica que o conceito encerra, sublinhando que <i>Fonte </i>&eacute; o deus das nascentes, parecendo assegurar, deste modo, uma realidade cristalina em tudo o que se abriga sob esta raiz etimol&oacute;gica. Puro equ&iacute;voco, percecionado de imediato quando se percorre a &aacute;rvore geneal&oacute;gica da mitologia. <i>Fonte </i>&eacute; filho de <i>Jano</i>, o deus das portas e das passagens, representado simbolicamente com dois rostos que vigiam a entrada e a sa&iacute;da, cujo templo se encontrava encerrado em tempo de paz e aberto em tempo de guerra. Afinal, aquilo que parecia correr sem entraves, a &aacute;gua que se imaginava passar livremente da fonte para qualquer destinat&aacute;rio, tem subjacente a si comportas que podem neutralizar o seu normal fluir. Assim acontece com as fontes de informa&ccedil;&atilde;o - neste texto consideramos <i>fonte de informa&ccedil;&atilde;o</i> como sin&oacute;nimo de <i>fonte jornal&iacute;stica</i> -, uma inst&acirc;ncia incontorn&aacute;vel do processo informativo que imp&otilde;e quotidianamente aos jornalistas renovados obst&aacute;culos (Lopes, 1998).</p>     <p>Percorrendo a literatura do campo do jornalismo, multiplicam-se as defini&ccedil;&otilde;es de fonte de informa&ccedil;&atilde;o. Autor de um importante estudo publicado no livro <i>Deciding what&rsquo;s news: a study of CBS evening news, NBC nightly news, Newsweek and Time</i>, que transportou os estudos sobre o relacionamento entre fontes e jornalistas para terrenos emp&iacute;ricos, Herbert Gans (1979: 80) define assim as fontes de informa&ccedil;&atilde;o:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;<i>Atores que os jornalistas observam ou entrevistam, incluindo entrevistados que aparecem na televis&atilde;o ou s&atilde;o citados em artigos de revistas, e aqueles que apenas fornecem informa&ccedil;&atilde;o de base ou sugest&otilde;es de hist&oacute;rias. Para o meu objetivo, contudo, a carater&iacute;stica mais saliente das fontes &eacute; o facto de estas proporcionarem informa&ccedil;&atilde;o enquanto membros ou representantes de grupos de interesse organizados ou de setores ainda mais amplos da na&ccedil;&atilde;o e da sociedade</i>.&rdquo;</blockquote>     <p></p>     <p>No caso da sa&uacute;de, falamos de um campo que se preenche sobretudo com fontes especializadas (m&eacute;dicos, enfermeiros, psic&oacute;logos, farmac&ecirc;uticos, nutricionistas, investigadores em ci&ecirc;ncias m&eacute;dicas...), cujo discurso nem sempre &eacute; f&aacute;cil de descodificar. H&aacute; diversos trabalhos que salientam a import&acirc;ncia das compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas destas fontes: McAllister (1992); Tanner (2004); Alb&aelig;k (2011). Rog&eacute;rio Santos (2006: 81) diz que esses interlocutores &ldquo;possuem um conhecimento espec&iacute;fico de uma &aacute;rea do saber e uma rela&ccedil;&atilde;o com os jornalistas que assenta em base cient&iacute;fica&rdquo;. Segundo Elyse Amend e David Secko (2012: 260), os jornalistas de sa&uacute;de procuram especialistas para descodificar aquilo de que se fala e para dotarem o trabalho jornal&iacute;stico de credibilidade. Tendo o poder de moldar as not&iacute;cias e influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica (Soleu, 1994 <i>in</i> Kruvand, 2012: 567), este tipo de fontes desempenha um papel crucial na constru&ccedil;&atilde;o noticiosa, adicionando novas perspetivas e dotando as &lsquo;est&oacute;rias&rsquo; de algum equil&iacute;brio. No entanto, dentro destas fontes especializadas h&aacute; fontes que valem mais do que outras: os m&eacute;dicos valem mais; os enfermeiros valem pouco (Lopes <i>et al.</i>, 2013: 72).</p>     <p>Devido &agrave; especificidade da informa&ccedil;&atilde;o que transmitem e, por vezes, &agrave; proximidade que t&ecirc;m com os jornalistas que trabalham a este n&iacute;vel, as fontes com mais conhecimentos cient&iacute;ficos, com mais prest&iacute;gio social ou com maior notoriedade p&uacute;blica podem facilmente influenciar o conte&uacute;do das not&iacute;cias. Apesar dos atores ligados ao campo da sa&uacute;de estarem mais dispon&iacute;veis para falar com os jornalistas, nomeadamente os m&eacute;dicos, e de as institui&ccedil;&otilde;es deste campo revelarem uma preocupa&ccedil;&atilde;o crescente com a comunica&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica, nem sempre os jornalistas t&ecirc;m facilidade em estabelecer contacto. Porque as fontes de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seguem os ritmos (velozes) dos <i>media</i> (Moreno Espinosa, 2010); porque os jornalistas nem sempre dominam os temas que reportam com a profundidade necess&aacute;ria que lhes permita desenvolver inesperados &acirc;ngulos noticiosos, levantar pertinentes quest&otilde;es, multiplicar fontes; porque os jornalistas podem n&atilde;o ter uma agenda alargada de contactos que lhes permita conhecer a pessoa mais habilitada para falar do assunto a tratar&hellip; Encontrar as fontes certas pode constituir uma tarefa &aacute;rdua, como refere Hodgetts <i>et al.</i> (2008). &Eacute; devido &agrave; dificuldade em alargar a agenda, nomeadamente em assuntos especializados, que encontramos no jornalismo uma tend&ecirc;ncia em recorrer sempre &agrave;s mesmas fontes de informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Na verdade, falamos aqui de um campo nem sempre f&aacute;cil de dominar por parte dos jornalistas. A dificuldade pode come&ccedil;ar logo por criar confian&ccedil;a dentro da comunidade cient&iacute;fica (Saari <i>et al.,</i> 1998: 76 <i>in</i> Amend &amp; Secko, 2012: 260). Por outro lado, ao especializar-se neste dom&iacute;nio, com regras pr&oacute;prias, com fontes muito espec&iacute;ficas e com uma agenda muito particular, o jornalista que cobre permanentemente assuntos de sa&uacute;de pode ajudar o &oacute;rg&atilde;o onde trabalha a apresentar uma tematiza&ccedil;&atilde;o diferente dos <i>media</i> concorrentes num campo que suscita interesse do p&uacute;blico. No entanto, essa necess&aacute;ria especializa&ccedil;&atilde;o nem sempre &eacute; f&aacute;cil de entender por parte das reda&ccedil;&otilde;es devido aos custos acrescidos que isso representa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estamos aqui perante um duplo desafio: o dos jornalistas saberem escolher as melhores fontes para tratarem o acontecimento que t&ecirc;m em m&atilde;os; o das fontes em se mostrarem dispon&iacute;veis para falar com os jornalistas.</p>     <p><i>A not&iacute;cia como constru&ccedil;&atilde;o social da realidade</i></p>     <p>A not&iacute;cia como uma constru&ccedil;&atilde;o social da realidade resulta de uma conjuga&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios agentes, pelo que Nisbet (2008) considera que a &ldquo;cobertura medi&aacute;tica n&atilde;o &eacute; um reflexo da realidade, mas sim um produto fabricado, determinado por uma hierarquia de influ&ecirc;ncias sociais&rdquo;. H&aacute; v&aacute;rios fatores que influenciam o processo de <i>agenda building</i> ou constru&ccedil;&atilde;o da agenda medi&aacute;tica, desde as vari&aacute;veis econ&oacute;micas e culturais &agrave;s pr&oacute;prias perce&ccedil;&otilde;es e preconceitos do jornalista relativamente ao mundo que o rodeia. A norte-americana Rita Colistra define o <i>agenda building</i> como o processo de influenciar as escolhas dos <i>media</i> (Colistra, 2012: 90). Estas escolhas feitas pelos jornalistas n&atilde;o s&atilde;o aleat&oacute;rias, relacionando-se com os conhecimentos pr&eacute;vios de cada um, da sua cultura, do seu <i>background.</i> Podemos dizer que o jornalista &eacute; influenciado por tudo o que o rodeia, seja o c&iacute;rculo de amigos, as suas condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas ou at&eacute; as orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Por este motivo, o mesmo assunto ou evento pode ser trabalhado de forma diferente por v&aacute;rios jornalistas. O &acirc;ngulo escolhido, as fontes a quem se d&aacute; voz, e as pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas do jornalista que conta a est&oacute;ria influenciam o processo de constru&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia. Tamb&eacute;m Shoemaker e Reese (1996 <i>in</i> Wallington <i>et al</i>., 2010: 76) referem v&aacute;rios fatores que contribuem para a constru&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia, como as normas sociais e os valores dos jornalistas; os constrangimentos das organiza&ccedil;&otilde;es, como os prazos e limites de tempo e espa&ccedil;o; as press&otilde;es das organiza&ccedil;&otilde;es e grupos de interesse; e a confian&ccedil;a nos l&iacute;deres governamentais e da comunidade pelos jornalistas especializados, que geralmente estabelecem hierarquias para o uso de fontes e de recursos no processo de constru&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia.</p>     <p>A soci&oacute;loga americana Gaye Tuchman (1978) tamb&eacute;m n&atilde;o se rev&ecirc; na teoria de que as not&iacute;cias s&atilde;o um espelho da sociedade. Para ela, as not&iacute;cias &ldquo;ajudam a constituir um fen&oacute;meno social partilhado, dado que, no processo de descri&ccedil;&atilde;o de um acontecimento, as not&iacute;cias o definem e lhe d&atilde;o forma&rdquo; (1978: 184). &Eacute; atrav&eacute;s de uma analogia que Gaye Tuchman apresenta a sua teoria de que as not&iacute;cias s&atilde;o uma constru&ccedil;&atilde;o social da realidade. &ldquo;A not&iacute;cia &eacute; uma janela sobre o mundo&rdquo;, diz a autora (Tuchman, 1978: 1). Est&aacute; aqui bem presente a teoria do <i>news framing</i>, que nos diz que a forma como um assunto &eacute; explorado pelos <i>media</i> influencia a forma como o p&uacute;blico pensa sobre esse assunto, ou seja, a cobertura medi&aacute;tica afeta a import&acirc;ncia desse assunto na agenda p&uacute;blica. Dito de outra forma, a teoria do <i>framing</i> lida com o impacto que os <i>frames</i> (ou &acirc;ngulos) das not&iacute;cias t&ecirc;m na agenda p&uacute;blica (Ghanem, 1997: 5). A vis&atilde;o que temos sobre o mundo atrav&eacute;s de uma janela &eacute; influenciada por v&aacute;rios fatores, &ldquo;depende da janela ser grande ou pequena&rdquo; ou do facto &ldquo;de os vidros serem opacos ou transparentes, da janela estar voltada para uma rua ou para um beco&rdquo; (1978: 1). Continuando na analogia da janela, o mundo que vemos pela janela &eacute; diferente consoante o lugar onde nos posicionamos, se estamos de frente para a janela ou a uma grande dist&acirc;ncia, por exemplo. Gaye Tuchman explora, assim, os processos atrav&eacute;s dos quais as not&iacute;cias s&atilde;o socialmente constru&iacute;das, partindo do pressuposto de que a not&iacute;cia &eacute; o produto de uma institui&ccedil;&atilde;o social e depende das rela&ccedil;&otilde;es com outras institui&ccedil;&otilde;es (1978: 5). A autora introduz tamb&eacute;m o conceito de rede noticiosa, ou seja, &ldquo;um sistema hier&aacute;rquico de recolha de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (1978: 24). A rede de not&iacute;cias d&aacute; destaque a certos assuntos em detrimento de outros, dependendo, por exemplo, do lugar geogr&aacute;fico onde est&atilde;o posicionados os correspondentes de determinada organiza&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica. A forma como as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o social escolhem organizar-se determina tamb&eacute;m aquilo que &eacute; not&iacute;cia, tornando lugares, institui&ccedil;&otilde;es, e pessoas mais acess&iacute;veis aos <i>media.</i></p>     <p>A not&iacute;cia como constru&ccedil;&atilde;o social da realidade tem como ponto de partida as fontes de informa&ccedil;&atilde;o. Tuchman considera que &eacute; a carteira de contactos de um jornalista que aumenta a sua capacidade de apresentar uma est&oacute;ria nova todos os dias. Na mesma linha de pensamento, quanto mais elevado for o estatuto das fontes, maior ser&aacute; o estatuto dos jornalistas (1978: 69). A autora nota, no entanto, que h&aacute; exce&ccedil;&otilde;es. Vejamos o exemplo de uma secret&aacute;ria de um ministro, que apesar do seu baixo estatuto social, em compara&ccedil;&atilde;o com o ministro, tem acesso privilegiado &agrave;quilo que se passa naquele minist&eacute;rio e pode constituir-se como uma boa fonte de informa&ccedil;&atilde;o. Embora as fontes de informa&ccedil;&atilde;o sejam essenciais ao jornalista, &eacute; preciso notar que as fontes n&atilde;o t&ecirc;m todas o mesmo valor, nem sequer o mesmo tipo de acesso aos <i>media.</i> De facto, &ldquo;os <i>media</i> s&atilde;o mais acess&iacute;veis para determinados movimentos sociais, grupos de interesse, e atores pol&iacute;ticos do que para outros&rdquo; (Tuchman, 1978: 133). &ldquo;Aqueles cujo poder &eacute; reconhecido claramente t&ecirc;m mais acesso aos <i>media</i> do que os restantes&rdquo;, afirma a autora (1978: 133). Tamb&eacute;m Herbert Gans refere que &ldquo;embora teoricamente as fontes possam vir de qualquer lado, na pr&aacute;tica o seu acesso aos jornalistas reflete as hierarquias da sociedade&rdquo; (Gans, 1979: 119).</p>     <p>As not&iacute;cias acabam, assim, por reproduzir as estruturas de poder da sociedade em que se inserem, dando voz a determinadas fontes em detrimento de outras. Deste modo, as escolhas que os jornalistas fazem ajudam a estabelecer zonas de visibilidade &ndash; temas, assuntos e pessoas muito mediatizadas &ndash; e, consequentemente, zonas de obscuridade. Para que determinados temas ou pessoas sejam not&iacute;cia, outros h&aacute; que ficam nas zonas de sombra, seja porque t&ecirc;m um estatuto social mais baixo, porque pertencem a uma minoria, ou simplesmente porque n&atilde;o mant&ecirc;m um contacto regular com os <i>media</i>.</p>     <p>No caso dos enfermeiros, em termos de estatuto social, &ldquo;na hierarquia da sa&uacute;de est&atilde;o bastante abaixo dos m&eacute;dicos, sendo muitas vezes tratados tanto pelos m&eacute;dicos como pelos pacientes como pouco mais que serventes&rdquo; (Lupton, 2012: 123). A mesma autora refere que aos enfermeiros cabe muitas vezes o &ldquo;trabalho sujo&rdquo;, tamb&eacute;m percecionado como &ldquo;trabalho de mulher&rdquo;. As diferen&ccedil;as na representa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica entre os m&eacute;dicos e os enfermeiros, por exemplo, acabam por refletir os pr&oacute;prios pap&eacute;is sociais desempenhados por cada um dos grupos profissionais. Existe um &ldquo;diferencial de poder&rdquo;, que Deborah Lupton atribui a &ldquo;diferen&ccedil;as de g&eacute;nero, classe social, e estatuto, bem como &agrave; natureza das tarefas de cada um&rdquo; (Lupton, 2012: 123).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Desenvolvida a partir de uma tese de doutoramento sobre a mediatiza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de na imprensa portuguesa, esta investiga&ccedil;&atilde;o tem como objetivo olhar para as zonas de sil&ecirc;ncio promovidas pelos <i>media</i> e onde se inserem os enfermeiros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pretendemos, com esta investiga&ccedil;&atilde;o, fazer um estudo de mapeamento, pelo que se privilegiou a an&aacute;lise quantitativa dos dados, centrada na estat&iacute;stica descritiva univariada e recorrendo ao programa de an&aacute;lise estat&iacute;stica de dados <i>Statistics Package for Social Sciences (SPSS).</i> &nbsp;A nossa an&aacute;lise inclui os jornais generalistas nacionais <i>Expresso, Sol, P&uacute;blico, Jornal de Not&iacute;cias, Di&aacute;rio de Not&iacute;cias </i>e<i> Correio da Manh&atilde;</i> &ndash; dois seman&aacute;rios e quatro di&aacute;rios. A an&aacute;lise que lev&aacute;mos a cabo compreende o per&iacute;odo entre Janeiro de 2012 e Dezembro de 2013, sendo que os meses de Agosto n&atilde;o s&atilde;o contabilizados por serem por n&oacute;s considerados at&iacute;picos em termos noticiosos. Deste modo, o <i>corpus</i> de an&aacute;lise incorpora um total de 6936 textos.</p>     <p>No nosso estudo, a an&aacute;lise das not&iacute;cias de sa&uacute;de divide-se em dois n&iacute;veis, sendo que o primeiro nos permite caraterizar o tipo de texto que se publica na imprensa portuguesa quando se fala de sa&uacute;de; e o segundo &eacute; mais voltado para a an&aacute;lise das fontes de informa&ccedil;&atilde;o neste campo. O primeiro n&iacute;vel de an&aacute;lise &eacute; constitu&iacute;do por 12 vari&aacute;veis: <i>ano de an&aacute;lise, data, jornal, t&iacute;tulo, doen&ccedil;a, tipo de artigo, motivo de noticiabilidade, tempo da not&iacute;cia, tamanho, lugar da not&iacute;cia, presen&ccedil;a </i>e<i> n&uacute;mero de fontes de informa&ccedil;&atilde;o</i>.</p>     <p>O segundo n&iacute;vel de an&aacute;lise &eacute; referente &agrave;s fontes de informa&ccedil;&atilde;o. Queremos saber quem &eacute; chamado a falar sobre temas de sa&uacute;de na imprensa generalista, de onde vem, e que cargo ocupa, entre outros. Olhamos as fontes de informa&ccedil;&atilde;o pelo ponto de vista do leitor, uma vez que nos importa avaliar se a cita&ccedil;&atilde;o de fontes &eacute; feita de forma precisa e percet&iacute;vel ao p&uacute;blico em geral. Importa ainda referir que o investigador n&atilde;o transporta para a an&aacute;lise dos dados os conhecimentos pr&eacute;vios acerca de determinado indiv&iacute;duo, de forma a perceber as falhas existentes na identifica&ccedil;&atilde;o das fontes cometidas pelo jornalista. As fontes s&atilde;o caraterizadas quanto &agrave; sua geografia, tipo de fonte, identifica&ccedil;&atilde;o, estatuto e especialidade m&eacute;dica (quando aplic&aacute;vel). O estatuto das fontes de informa&ccedil;&atilde;o &eacute; encontrado a partir de uma tipologia por n&oacute;s criada e que nos permite saber se estamos a lidar com fontes oficiais, especializadas ou outras.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>An&aacute;lise e Discuss&atilde;o dos Resultados</b></p>     <p>Durante os anos de 2012 e 2013, analis&aacute;mos 6936 textos de sa&uacute;de. Os t&iacute;tulos analisados s&atilde;o geralmente negativos (47%) ou neutros (36%), sendo que a percentagem de textos com t&iacute;tulos positivos &eacute; de apenas 17%. Em termos de tipo de artigo, a larga maioria pertence ao g&eacute;nero not&iacute;cia (93%). Estes dados mostram uma tend&ecirc;ncia que n&atilde;o &eacute; &uacute;nica do jornalismo de sa&uacute;de, em que tanto a reportagem como a entrevista t&ecirc;m pouca representatividade. Quanto ao tempo da not&iacute;cia, parece haver boas not&iacute;cias para o jornalismo. O ponto de situa&ccedil;&atilde;o, a not&iacute;cia que faz o <i>follow-up</i> de determinado assunto, representa 36% dos textos. Quando n&atilde;o fazem pontos de situa&ccedil;&atilde;o, os jornalistas reportam-se ao dia anterior. Uma vez que estamos a analisar a imprensa, quer isto dizer que 27% dos artigos s&atilde;o sobre o pr&oacute;prio dia.</p>     <p>Olhando para os temas em not&iacute;cia (<a href="#t1">Tabela 1</a>), vemos que os jornalistas privilegiaram as pol&iacute;ticas de sa&uacute;de, que representam 27,8% do total de not&iacute;cias publicadas. Inserem-se aqui as decis&otilde;es pol&iacute;ticas, de que s&atilde;o exemplo a publica&ccedil;&atilde;o de portarias ou diplomas governamentais; as inaugura&ccedil;&otilde;es ou cria&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os; ou o fecho, gest&atilde;o ou reorganiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, apenas para citar alguns exemplos. A pol&iacute;tica, sendo transversal &agrave; sociedade, acaba por marcar fortemente o notici&aacute;rio de sa&uacute;de &ndash; esta tend&ecirc;ncia, ali&aacute;s, j&aacute; tinha sido verificada em estudos anteriores (Ara&uacute;jo &amp; Lopes, 2014; Lopes <i>et al</i>., 2013; Lopes <i>et al.</i>, 2012). O <i>Jornal de Not&iacute;cias</i> &eacute; o jornal di&aacute;rio que mais espa&ccedil;o dedica a not&iacute;cias sobre pol&iacute;ticas de sa&uacute;de (10%), seguido do <i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i> (6,6%) e do <i>P&uacute;blico</i> (5,2%).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v9n2/9n2a04t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Destaque &eacute; dado tamb&eacute;m aos temas relacionados com Pr&aacute;ticas Cl&iacute;nicas e Tratamentos (16,8%) onde se incluem artigos noticiosos sobre atos cl&iacute;nicos, mas tamb&eacute;m sobre dificuldade de acesso a tratamentos ou a suspeita de casos de neglig&ecirc;ncia. O Correio da Manh&atilde; dedica 5,7% dos textos a estes temas, seguido do JN com 4,7%.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao darem visibilidade a determinados assuntos, os media tamb&eacute;m promovem o sil&ecirc;ncio sobre outros. E a preven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; um tema que seja muito apetec&iacute;vel para os jornalistas, representando apenas 3,4% do total de textos publicados. O DN &eacute; o jornal que mais mediatiza os temas ligados &agrave; preven&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de (1,3%). Neste sentido, pode pensar-se que os <i>media</i> ficam aqu&eacute;m do seu papel na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a. Ser&atilde;o, com certeza, v&aacute;rias as explica&ccedil;&otilde;es para esta realidade. Julgamos que o momento vivido nas reda&ccedil;&otilde;es ter&aacute; um peso significativo nestes dados, pela redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de jornalistas e pelas dificuldades financeiras sentidas pelas empresas de comunica&ccedil;&atilde;o social. As sa&iacute;das das reda&ccedil;&otilde;es s&atilde;o cada vez mais escassas e o espa&ccedil;o nos jornais tamb&eacute;m, pelo que a prioridade &eacute; dada &agrave;s chamadas <i>hard news</i>. Geralmente, a preven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; not&iacute;cia por si mesma, n&atilde;o tem valor-not&iacute;cia. O tema da preven&ccedil;&atilde;o &eacute; abordado, na maioria das vezes, em not&iacute;cias cujo tema central n&atilde;o &eacute; esse. A t&iacute;tulo de exemplo, podemos referir o caso de Angelina Jolie, atriz que foi not&iacute;cia por se ter submetido a uma dupla mastectomia preventiva, lan&ccedil;ando o debate sobre o cancro da mama e as formas de preven&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A <a href="#t2"></a><a href="#t2">Tabela 2</a> mostra-nos os lugares que s&atilde;o not&iacute;cia quando o tema &eacute; a sa&uacute;de. Metade do notici&aacute;rio de sa&uacute;de constru&iacute;do na imprensa portuguesa faz-se a n&iacute;vel nacional. Incluem-se aqui todas as not&iacute;cias que, por terem relev&acirc;ncia para o pa&iacute;s, est&atilde;o desenraizadas de um lugar espec&iacute;fico. &Eacute; o caso, por exemplo, da publica&ccedil;&atilde;o de uma portaria em Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica ou da mediatiza&ccedil;&atilde;o de uma efem&eacute;ride como o Dia Nacional de Luta Contra a Sida. Uma explica&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel para a predomin&acirc;ncia de um notici&aacute;rio de sa&uacute;de nacional prende-se com a tematiza&ccedil;&atilde;o dos textos. Um notici&aacute;rio que &eacute; fortemente marcado pelos assuntos pol&iacute;ticos, como vimos, acaba por nos remeter para o pa&iacute;s como um todo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/obs/v9n2/9n2a04t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quando n&atilde;o se referem ao todo do pa&iacute;s, as not&iacute;cias s&atilde;o geralmente referentes a Lisboa ou ao Norte do pa&iacute;s, com percentagens muito semelhantes (14,2% e 14,1%, respetivamente). A n&iacute;vel nacional, o Alentejo &eacute; a regi&atilde;o mais silenciada pelos <i>media</i> &ndash; apenas 0,6% das not&iacute;cias t&ecirc;m como pano de fundo o Alentejo. Tamb&eacute;m o Algarve (1,2%) e as Ilhas (1,1%) n&atilde;o t&ecirc;m grande expressividade nas not&iacute;cias de sa&uacute;de. Em termos internacionais, &eacute; a Europa o continente mais mediatizado &ndash; com 3,2% do total de textos publicados. As not&iacute;cias internacionais ocupam 2,4% do notici&aacute;rio: &agrave; semelhan&ccedil;a daquilo que acontece para as not&iacute;cias nacionais, n&atilde;o t&ecirc;m uma geografia espec&iacute;fica e referem-se, por exemplo, a organismos supranacionais (como a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de).</p>     <p>Ap&oacute;s analisarmos os textos, voltamo-nos agora para as fontes de informa&ccedil;&atilde;o &ndash; que constituem um dos eixos centrais deste trabalho. E o jornalismo dificilmente se faz sem recurso a fontes. Na nossa amostra, apenas 4% dos textos n&atilde;o cita qualquer fonte. A larga maioria (96%) dos artigos recorre &agrave;s fontes de informa&ccedil;&atilde;o, sendo que 85% das fontes s&atilde;o identificadas. Quer isto dizer que o leitor sabe qual o nome e o cargo ocupado pela fonte. No caso das fontes n&atilde;o identificadas, que s&atilde;o 13% na nossa amostra, n&atilde;o se conhece o nome mas sabe-se qual o cargo, ou vice-versa. As fontes an&oacute;nimas, ou seja, aquelas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quais n&atilde;o existe qualquer tipo de informa&ccedil;&atilde;o, representam 2,4% do total dos textos.</p>     <p>Apesar de estes serem dados positivos para o jornalismo, as fontes usadas pelos jornalistas n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o diversificadas quanto seria desej&aacute;vel. As fontes masculinas dominam as not&iacute;cias, representando 45% do total de fontes citadas (<a href="#t3">Tabela 3</a>). De facto, os n&uacute;meros mostram que os homens s&atilde;o mais chamados a falar sobre sa&uacute;de do que as mulheres. Embora o jornalismo deva privilegiar a pluralidade e diversidade de vozes e de grupos sociais, h&aacute; investiga&ccedil;&otilde;es que indicam que &ldquo;a sele&ccedil;&atilde;o de fontes de informa&ccedil;&atilde;o continua a ser muito enviesada&rdquo; (De Swert &amp; Hooghe, 2010: 70), o que nos leva a questionar a forma como os <i>media</i> noticiam a realidade, sub-representando as mulheres. Sendo que os <i>media</i> s&atilde;o uma representa&ccedil;&atilde;o da realidade, os dados apontam para um enviesamento de g&eacute;nero promovido, durante este per&iacute;odo de tempo, pelos jornais analisados. Segundo os dados relativos ao &uacute;ltimo inqu&eacute;rito Censos (2011), a percentagem de mulheres na popula&ccedil;&atilde;o geral residente em Portugal era de 52.2%, o que perfaz um n&uacute;mero superior ao dos homens. No entanto, durante o per&iacute;odo em estudo, as fontes masculinas representam mais do dobro da percentagem reservada &agrave;s mulheres (que &eacute; de 16%). Tamb&eacute;m aqui, a explica&ccedil;&atilde;o encontrada remete-nos para outra das vari&aacute;veis em an&aacute;lise, neste caso a do estatuto das fontes de informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/obs/v9n2/9n2a04t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para al&eacute;m dos homens, s&atilde;o as fontes documentais as mais citadas, nomeadamente as fontes n&atilde;o pessoais individuais (25%). Incluem-se nesta categoria todas as fontes documentais, tais como notas e comunicados de imprensa, estudos, ou diplomas governamentais. O espa&ccedil;o ocupado por este tipo de fontes de informa&ccedil;&atilde;o pode indicar uma presen&ccedil;a significativa dos gabinetes de assessoria de imprensa, que geralmente enviam documentos prontos a publicar aos jornalistas. No caso espec&iacute;fico da sa&uacute;de, a falta de especializa&ccedil;&atilde;o do jornalista tamb&eacute;m concorre para este dado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Olhamos agora para o estatuto das fontes de informa&ccedil;&atilde;o, a partir de uma tipologia por n&oacute;s criada. A an&aacute;lise desta vari&aacute;vel tamb&eacute;m nos diz que h&aacute; grupos da sociedade que est&atilde;o sub-representados, por oposi&ccedil;&atilde;o a outros que s&atilde;o muito mediatizados.</p>     <p>As fontes com maior peso no notici&aacute;rio da sa&uacute;de s&atilde;o as oficiais (quer seja no campo da sa&uacute;de ou fora dele, sendo que em conjunto representam 22,2%), realidade que &eacute; transversal a outras &aacute;reas do jornalismo. No caso da sa&uacute;de, s&atilde;o os pol&iacute;ticos, os administradores de hospitais, as assessorias do minist&eacute;rio, ou organismos como a Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Sa&uacute;de as fontes privilegiadas pelos jornalistas. Uma vez que os temas em not&iacute;cia est&atilde;o geralmente ligados &agrave;s pol&iacute;ticas de sa&uacute;de, os jornalistas tendem a recorrer &agrave;queles que fazem as pol&iacute;ticas. S&atilde;o tamb&eacute;m as fontes oficiais quem tem poderosas e organizadas assessorias de comunica&ccedil;&atilde;o, que preparam informa&ccedil;&atilde;o para os <i>media</i> e tentam, de forma muito clara, marcar a agenda. Estas fontes organizadas sabem lidar com os jornalistas e conhecem as rotinas medi&aacute;ticas, tendo um acesso privilegiado junto dos<i> media. </i>Importa tamb&eacute;m referir que as fontes oficiais no campo da sa&uacute;de s&atilde;o sobretudo masculinas, o que concorre para a hegemonia do sexo masculino no notici&aacute;rio de sa&uacute;de.</p>     <p>Ainda no campo da sa&uacute;de, mas em termos de fontes especializadas, s&atilde;o os m&eacute;dicos o grupo profissional mais vis&iacute;vel nas not&iacute;cias de sa&uacute;de (15,2%). Quer seja a t&iacute;tulo individual ou em nome coletivo, os m&eacute;dicos s&atilde;o a prefer&ecirc;ncia dos jornalistas que escrevem sobre sa&uacute;de, constituindo-se como o grupo profissional mais bem representado da nossa amostra. Em segundo lugar, mas j&aacute; bastante distantes dos n&uacute;meros alcan&ccedil;ados pelos m&eacute;dicos, aparecem os investigadores, que ocupam 5,5% do espa&ccedil;o medi&aacute;tico dedicado &agrave; sa&uacute;de, seguidos dos farmac&ecirc;uticos (2%). Os enfermeiros n&atilde;o t&ecirc;m grande expressividade nas not&iacute;cias de sa&uacute;de publicadas na imprensa portuguesa, representados em apenas 1,6% dos textos. Estes dados surgem apesar de o n&uacute;mero de enfermeiros em Portugal (mais de 65.000) ser muito superior ao de m&eacute;dicos (que contabilizam cerca de 43.800), segundo o Pordata 2012.</p>     <p>Mais abaixo em termos de visibilidade medi&aacute;tica ficam os laborat&oacute;rios (0,5%), os psic&oacute;logos (0,4%) e os nutricionistas (0,2%).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/obs/v9n2/9n2a04t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Ao longo de dois anos (2012 e 2013), analis&aacute;mos perto de 7000 artigos noticiosos sobre sa&uacute;de repartidos por seis jornais nacionais. Os g&eacute;neros noticiosos de entrevista e reportagem s&atilde;o menosprezados pelos jornais, sendo que a maioria de textos publicados pertence ao g&eacute;nero not&iacute;cia e apresenta &acirc;ngulos negativos.</p>     <p>Percebemos que os jornalistas que trabalham a sa&uacute;de nas reda&ccedil;&otilde;es portuguesas d&atilde;o prioridade &agrave;s pol&iacute;ticas de sa&uacute;de, o que n&atilde;o &eacute; alheio ao facto de haver uma predomin&acirc;ncia de fontes oficiais. Os jornalistas recorrem &agrave;queles que fazem as pol&iacute;ticas para se pronunciarem nas not&iacute;cias. De facto, as fontes mais mediatizadas nas not&iacute;cias de sa&uacute;de s&atilde;o as oficiais &ndash; e esta realidade n&atilde;o &eacute; exclusiva do jornalismo de sa&uacute;de. Outro dado que importa sublinhar &eacute; o facto de as fontes que ocupam cargos oficiais serem do sexo masculino, o que pode ajudar a explicar a predomin&acirc;ncia de vozes masculinas nas not&iacute;cias de sa&uacute;de. S&atilde;o tamb&eacute;m as fontes oficiais quem tem poderosos e organizados gabinetes de assessoria de comunica&ccedil;&atilde;o, que preparam informa&ccedil;&atilde;o para os <i>media</i> e tentam marcar a agenda atrav&eacute;s dos chamados subs&iacute;dios de informa&ccedil;&atilde;o. Estas fontes organizadas sabem lidar com os jornalistas e conhecem as rotinas medi&aacute;ticas, tendo um acesso privilegiado junto dos<i> media. </i>Deste modo, confirm&aacute;mos, neste estudo, algumas tend&ecirc;ncias que t&iacute;nhamos vindo a perceber no notici&aacute;rio de sa&uacute;de constru&iacute;do na imprensa portuguesa.</p>     <p>Neste artigo, quisemos, acima de tudo, pensar sobre os sil&ecirc;ncios promovidos pelas not&iacute;cias. Em termos de temas, a preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a fica na sombra medi&aacute;tica. Apontamos como poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o o momento que &eacute; atualmente atravessado pelas reda&ccedil;&otilde;es, que lutam com dificuldades financeiras e veem o corpo de jornalistas a diminuir. O facto de a preven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser not&iacute;cia em si mesma, carecendo de um &ldquo;gancho&rdquo; noticioso, contribui para a sua baixa visibilidade nos jornais. Quando olhamos para os lugares mais mediatizados pelos jornalistas, percebemos facilmente que h&aacute; zonas geogr&aacute;ficas que raramente s&atilde;o not&iacute;cia. &Eacute; o caso do Alentejo, que se constitui como a regi&atilde;o nacional mais silenciada pelos <i>media</i>, do Algarve, e das ilhas da Madeira e dos A&ccedil;ores. Para estes silenciamentos contribui o facto de os jornais analisados n&atilde;o terem, na sua maioria, reda&ccedil;&otilde;es ou correspondentes nestas zonas do pa&iacute;s. Importa explicar que, no caso do JN e do P&uacute;blico, &eacute; a partir do Norte que se publicam a maioria das not&iacute;cias de sa&uacute;de. De facto, as jornalistas que geralmente trabalham a sa&uacute;de nestes di&aacute;rios est&atilde;o localizadas no Porto. E este dado pode fazer a diferen&ccedil;a no momento de escolher as fontes de informa&ccedil;&atilde;o para determinada not&iacute;cia. No caso dos restantes jornais, as reda&ccedil;&otilde;es principais est&atilde;o localizadas em Lisboa &ndash; o que certamente n&atilde;o &eacute; alheio &agrave; escolha de fontes e da pr&oacute;pria not&iacute;cia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As fontes de informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tamb&eacute;m um dos eixos fundamentais do nosso trabalho, e neste aspeto h&aacute; algumas boas not&iacute;cias. O jornalismo de sa&uacute;de &eacute; constru&iacute;do com recurso a fontes de informa&ccedil;&atilde;o, sendo que a larga maioria das fontes &eacute; identificada. A percentagem de fontes an&oacute;nimas &eacute; residual, no que toca ao jornalismo de sa&uacute;de promovido pela imprensa portuguesa. No entanto, as fontes usadas pelos jornalistas n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o diversificadas quanto seria desej&aacute;vel, deixando alguns grupos da sociedade sub-representados. H&aacute;, de facto, algumas classes profissionais que s&atilde;o atiradas para as margens de sil&ecirc;ncio. &Eacute; o caso das mulheres, que n&atilde;o s&atilde;o muito procuradas pelos jornalistas, dos enfermeiros, dos psic&oacute;logos, dos nutricionistas&hellip; Destacamos aqui o grupo dos enfermeiros, que n&atilde;o tem grande representatividade no notici&aacute;rio de sa&uacute;de. Os m&eacute;dicos s&atilde;o as fontes especializadas mais procuradas pelos jornalistas, quer seja para falarem a t&iacute;tulo individual ou como representantes de um grupo. Estes dados n&atilde;o s&atilde;o condizentes com a realidade, sendo que o n&uacute;mero de enfermeiros (mais de 65.000) a exercer em Portugal &eacute; bastante superior ao dos m&eacute;dicos (cerca de 43.800).</p>     <p>Apoiamo-nos na teoria de que as not&iacute;cias s&atilde;o uma constru&ccedil;&atilde;o social da realidade, ajudando a reproduzir as estruturas de poder da sociedade em que se inserem. Os jornalistas d&atilde;o, assim, voz a determinadas fontes em detrimento de outras. As escolhas dos jornalistas, embora n&atilde;o sejam aleat&oacute;rias, ajudam a estabelecer zonas de visibilidade e de obscuridade. &Eacute; claro, pela an&aacute;lise que aqui apresentamos, que a mediatiza&ccedil;&atilde;o de determinado tema ou fonte contribui para o silenciamento de outros. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fontes, apresentamos algumas pistas para a pouca visibilidade, como o estatuto social mais baixo, o facto de pertencerem a uma minoria, ou de n&atilde;o manterem um contacto regular com os jornalistas. As fontes que t&ecirc;m acesso a gabinetes de assessoria, por exemplo, t&ecirc;m um acesso mais f&aacute;cil aos <i>media</i>. Relativamente aos enfermeiros, consideramos que contribui para a sua baixa mediatiza&ccedil;&atilde;o o facto de estarem abaixo dos m&eacute;dicos em termos de estatuto social, ou seja, s&atilde;o percecionados pela sociedade como tendo menos poder e import&acirc;ncia (Lupton, 2012). As diferen&ccedil;as encontradas na representa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica entre estas duas classes profissionais refletem tamb&eacute;m os pap&eacute;is sociais desempenhados por ambos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas:</b></p>     <!-- ref --><p>Albaek, E. (2011). The interaction between experts and journalists in news journalism. <i>Journalism, 12 </i>(3), 335-348.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S1646-5954201500020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Amend, E., &amp; Secko, D. M. (2012). In the Face of Critique: A Metasynthesis of the Experiences of Journalists Covering Health and Science. <i>Science Communication, 34</i>(2), 241-282.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S1646-5954201500020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ara&uacute;jo, R., &amp; Lopes, F. (2014). A Sa&uacute;de na imprensa portuguesa: que perfil editorial? <i>Derecom, 17</i>, 87-99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S1646-5954201500020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Colistra, R. (2012). Shaping and Cutting the Media Agenda: Television Reporters&#39; Perceptions of Agenda- and Frame-Building and Agenda-Cutting Influences. <i>Journalism &amp; Communication Monographs, 14</i>(2), 85-146.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S1646-5954201500020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gans, H. J. (1979). <i>Deciding what&#39;s news: a study of CBS evening news, NBC nightly news, Newsweek and Time</i>: Northwestern University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S1646-5954201500020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ghanem, S. (1997). Filling in the tapestry: the second level of agenda setting. In M. McCombs, D. L. Shaw &amp; D. Weaver (Eds.), <i>Communication and Democracy: exploring the intellectual frontiers in agenda setting theory</i>. New Jersey, USA: Lawrence Erlbaum Associates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1646-5954201500020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hodgetts, D., Chamberlain, K., Scammell, M., Karapu, R., &amp; Waimarie Nikora, L. (2008). Constructing health news: possibilities for a civic-oriented journalism. <i>Health (London), 12</i>(1), 43-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1646-5954201500020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Kruvand, M. (2012). &quot;Dr. Soundbite&quot;: The Making of an Expert Source in Science and Medical Stories. <i>Science Communication, 34</i>(5), 566-591.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1646-5954201500020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Lopes, F. (1998).&nbsp;<i>As fontes de informa&ccedil;&atilde;o: constrangimentos e campos de autonomia dos jornalistas</i>.&nbsp;Relat&oacute;rio de Aula, Universidade do Minho.</p>     <!-- ref --><p>Lopes, F., Marinho, S., Fernandes, L., Ara&uacute;jo, R., &amp; Gomes, S. (2013). A sa&uacute;de em not&iacute;cia na imprensa portuguesa entre setembro de 2010 e junho 2013. In F. Lopes, T. Ru&atilde;o, S. Marinho, Z. Pinto-Coelho, L. Fernandes, R. Ara&uacute;jo &amp; S. Gomes (Eds.), <i>A Sa&uacute;de em Not&iacute;cia: Repensando Pr&aacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o</i>. Braga: Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S1646-5954201500020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lopes, F., Ru&atilde;o, T., Marinho, S., &amp; Ara&uacute;jo, R. (2012). A sa&uacute;de em not&iacute;cia entre 2008 e 2010: retratos do que a imprensa portuguesa mostrou. <i>Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, N&uacute;mero Especial sobre Jornalismo de Sa&uacute;de</i>, 129-170.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1646-5954201500020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lupton, D. (2012). <i>Medicine as Culture. Illness, Disease and the Body</i>: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1646-5954201500020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>McAllister, M. (1992). &ldquo;AIDS, Medicalization and the News Media&rdquo;.&nbsp;<i>In&nbsp;</i>T. Edgar&nbsp;<i>et al.,</i>&nbsp;<i>A Communication Perspective</i>.&nbsp;New Jersey: Lawrence Erlbaum</p>     <p>Moreno Espinosa, P. (2010). &ldquo;Periodismo biom&eacute;dico, nuevos contenidos medi&aacute;ticos&rdquo;.&nbsp;<i>Estudios sobre el Mensaje Period&iacute;stico</i>, 319.</p>     <!-- ref --><p>Nisbet, M. C. (2008). Agenda Building. In W. Donsbach (Ed.), <i>International Encyclopedia of Communication</i>. New York: Blackwell Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1646-5954201500020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Santos, R. (2006). <i>A fonte n&atilde;o quis revelar &ndash; Um estudo sobre a produ&ccedil;&atilde;o das not&iacute;cias</i>. Porto.</p>     <!-- ref --><p>Swert, K. D., &amp; Hooghe, M. (2010). When Do Women Get a Voice? Explaining the Presence of Female News Sources in Belgian News Broadcasts (2003-5). <i>European Journal of Communication, 25</i>(1), 69-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S1646-5954201500020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Tanner, A. H. (2004). Agenda Building, source selection, and health news at local television stations: a nationwide survey of local television health reporters. <i>Science Communication, 25</i>(4), 350-363.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1646-5954201500020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Tuchman, G. (1978). <i>Making News. A Study in The Construction of Reality</i>. New York City: The Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S1646-5954201500020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wallington, S. F., Blake, K., Taylor-Clark, K., &amp; Viswanath, K. (2010). Antecedents to agenda setting and framing in health news: an examination of priority, angle, source, and resource usage from a national survey of U.S. health reporters and editors. <i>J Health Commun, 15</i>(1), 76-94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1646-5954201500020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&iacute;tios <i>online</i> consultados:</p>     <p><a href="http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela" target="blank">http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela</a> [consultado em 27 de Junho de 2014]</p>     <p><a href="http://www.pordata.pt/Portugal/Pessoal+de+saude+medicos++dentistas++odontologistas++enfermeiros+e+farmaceuticos-144" target="blank">http://www.pordata.pt/Portugal/Pessoal+de+saude+medicos++dentistas++odontologistas++enfermeiros+e+farmaceuticos-144</a> [consultado em 27 de Junho de 2014]</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Date of submission: November 27, 2014</p>     <p>Date of acceptance: March 12, 2015</p>      ]]></body><back>
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