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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This analytical and reflective text discusses the role and potentiality of Environmental Journalism while transforming conception of modern and hegemonic thinking - in which man and nature appear separated - given the perspective that contemporary society is surrounded by risks arising from the intensification of the relationship between capitalism and technological development. It seeks to understand how the Environmental Journalism, committed to the sustainability of life, can assist in overcoming such risks from a brief analysis of news about landslides published without regard to the precepts of an engaged journalism nor the precautionary principle - the latter seen as crucial when dealing with uncertainties.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Jornalismo Ambiental]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Reflex&otilde;es sobre o papel do Jornalismo Ambiental diante dos riscos da sociedade contempor&acirc;nea</b></p>     <p><b>Reflections on the role of Environmental Journalism in face of the risks of contemporary society</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Eloisa Beling Loose*, &Acirc;ngela Camana**</b></p>     <p>* Doutoranda do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR) e bolsista CNPq. Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental CNPq/UFRGS e do Grupo de Pesquisa Interfaces: Comunica&ccedil;&atilde;o, Educa&ccedil;&atilde;o e Meio Ambiente da UFPR. Rua XV de Novembro, 1299 - Centro, Curitiba - PR, 80060-000, Brasil. (<a href="mailto:eloisa.loose@gmail.com">eloisa.loose@gmail.com</a>)</p>     <p>** Mestranda no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o na UFRGS, com bolsa CAPES. Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental CNPq/UFRGS. Av. Paulo Gama, 110 - 7&ordm; andar - Porto Alegre/RS - CEP: 90040-060 (<a href="mailto:angela.camana@hotmail.com">angela.camana@hotmail.com</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este texto de car&aacute;ter anal&iacute;tico-reflexivo pretende discutir o papel e as potencialidades do Jornalismo Ambiental, enquanto concep&ccedil;&atilde;o transformadora do pensamento moderno e hegem&ocirc;nico &ndash; no qual homem e natureza aparecem separadas &ndash;, diante da perspectiva que a sociedade contempor&acirc;nea est&aacute; cercada por riscos advindos da intensifica&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre o capitalismo e o desenvolvimento tecnol&oacute;gico. Busca-se compreender como o Jornalismo Ambiental, comprometido com a sustentabilidade da vida, pode auxiliar no enfrentamento de tais riscos a partir de uma breve an&aacute;lise de not&iacute;cias sobre deslizamentos publicadas sem levar em conta os preceitos de um jornalismo engajado nem o princ&iacute;pio de precau&ccedil;&atilde;o &ndash; este &uacute;ltimo visto como fundamental quando se lida com incertezas.<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Jornalismo Ambiental; Riscos; Enfrentamento; Problemas ambientais; Princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This analytical and reflective text discusses the role and potentiality of Environmental Journalism while transforming conception of modern and hegemonic thinking - in which man and nature appear separated - given the perspective that contemporary society is surrounded by risks arising from the intensification of the relationship between capitalism and technological development. It seeks to understand how the Environmental Journalism, committed to the sustainability of life, can assist in overcoming such risks from a brief analysis of news about landslides published without regard to the precepts of an engaged journalism nor the precautionary principle - the latter seen as crucial when dealing with uncertainties.</p>     <p><b>Keywords:</b> Risks; Confrontation; Environmental Problems; Precautionary Principle.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas introdut&oacute;rias</b></p>     <p>Tornaram-se frequentes as not&iacute;cias sobre enchentes, tornados, deslizamentos, derramamentos de subst&acirc;ncias t&oacute;xicas, dentre outros problemas ambientais, e isto &eacute; reflexo n&atilde;o apenas do maior alcance e das facilidades de acesso e transmiss&atilde;o derivadas das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m do fato de que nunca antes tivemos uma popula&ccedil;&atilde;o de sete bilh&otilde;es de habitantes na Terra e, consequentemente, que sua sobreviv&ecirc;ncia dentro de uma l&oacute;gica capitalista n&atilde;o passa despercebida. Soma-se a isso o intenso processo de globaliza&ccedil;&atilde;o que nos envolve, especialmente a partir da d&eacute;cada de 1970, que, segundo Porto-Gon&ccedil;alves (p.25), &ldquo;traz em si mesmo a globaliza&ccedil;&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o da natureza com proveitos e rejeitos distribu&iacute;dos desigualmente&rdquo;. Vale lembrar, por&eacute;m, que os efeitos desta mudan&ccedil;a em termos de costumes e organiza&ccedil;&atilde;o social emergiram a partir do s&eacute;culo XVII na Europa e passaram a influenciar, em graus diferentes, toda a escala global de forma crescente. Tal per&iacute;odo &eacute; chamado por Giddens (1991) de modernidade<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> .</p>     <p>H&aacute; autores que analisam o momento atual, resultado da modernidade, como de crise civilizacional, como Boff (2012), e outros que denominam o per&iacute;odo como de desafio ambiental<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> , como Porto-Gon&ccedil;alves (2006), por&eacute;m eles t&ecirc;m em comum a preocupa&ccedil;&atilde;o em revelar que o tipo de rela&ccedil;&atilde;o que a sociedade teve com a natureza at&eacute; os dias atuais n&atilde;o deve ser perpetuado, considerando que o homem tenha preocupa&ccedil;&atilde;o em sobreviver e dar continuidade a sua esp&eacute;cie. Neste texto, opta-se por seguir a perspectiva de Beck (2010) que verifica na contemporaneidade uma sociedade de risco, que, ao mesmo tempo, produz riquezas e contribui para a produ&ccedil;&atilde;o social de riscos, e est&aacute; afinada com as abordagens j&aacute; citadas sobre o per&iacute;odo de tens&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es sociedade-natureza.</p>     <p>Esta escolha justifica-se pelo interesse das autoras em verificar como os riscos &ndash; que hoje parecem estar em todas as partes &ndash; s&atilde;o noticiados e como podem ser incorporados na cobertura ambiental. Concorda-se com Porto-Gon&ccedil;alves (2006) quando ele relaciona a expans&atilde;o da sensa&ccedil;&atilde;o de risco ao modelo de desenvolvimento adotado que n&atilde;o considera os limites da a&ccedil;&atilde;o humana na natureza. Para ele:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>A caracteriza&ccedil;&atilde;o da sociedade como &ldquo;sociedade de risco&rdquo; traz um componente interessante para o debate acerca do desafio ambiental, na medida em que aponta para o fato de que os riscos que a sociedade corre s&atilde;o, em grande parte, derivados da pr&oacute;pria interven&ccedil;&atilde;o da sociedade humana no planeta (reflexividade), particularmente derivada das interven&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas. Assim, sofremos, reflexivamente, os efeitos da pr&oacute;pria interven&ccedil;&atilde;o que a a&ccedil;&atilde;o humana provoca por meio do poderoso sistema t&eacute;cnico que moderno-colonialmente se imp&otilde;e (Porto-Gon&ccedil;alves, 2006, p.69).</blockquote>     <p></p>     <p>Diante disso, o autor afirma que as lutas n&atilde;o s&atilde;o mais contra as din&acirc;micas da natureza, e sim contra as consequ&ecirc;ncias da pr&oacute;pria interfer&ecirc;ncia humana (derivada de uma racionalidade instrumental) no meio no qual vive e do qual depende. Compreender a complexidade das rela&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o envoltas nas problem&aacute;ticas ambientais, assim como revelar a possibilidade de outros caminhos, a partir de outra racionalidade que seja integradora e n&atilde;o dominadora, abarcam a concep&ccedil;&atilde;o de um jornalismo comprometido e engajado com a sustentabilidade da vida.</p>     <p>Pressup&otilde;e-se, assim, que o Jornalismo Ambiental pode contribuir para o enfrentamento e compreens&atilde;o dos riscos inerentes &agrave; sociedade contempor&acirc;nea. A reflex&atilde;o que segue busca articular a constru&ccedil;&atilde;o social dos riscos com as contribui&ccedil;&otilde;es que o jornalismo pode dar para disseminar outras ideias, compat&iacute;veis com o cuidado e o saber ambiental. O princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o &eacute; lembrado como ponto priorit&aacute;rio no fazer jornal&iacute;stico respons&aacute;vel. A estrutura&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica do artigo leva em conta tr&ecirc;s aspectos: a constru&ccedil;&atilde;o dos riscos, a discuss&atilde;o sobre a percep&ccedil;&atilde;o da vulnerabilidade na sociedade contempor&acirc;nea e as possibilidades do Jornalismo Ambiental diante deste cen&aacute;rio. Em seguida, uma breve an&aacute;lise sobre not&iacute;cias e artigos jornal&iacute;sticos referentes a deslizamentos (que pode ser considerado um risco frequente na &eacute;poca de chuvas em certas regi&otilde;es do Brasil) &eacute; realizada com o objetivo de verificar se aspectos do Jornalismo Ambiental s&atilde;o incorporados e quais os enfoques dados pela imprensa de refer&ecirc;ncia sobre estes riscos (por meio da verifica&ccedil;&atilde;o de fontes e abordagens). As considera&ccedil;&otilde;es finais revelam a fragilidade de not&iacute;cias pouco contextualizadas, calcadas predominantemente em fontes oficias e descoladas dos pressupostos de um jornalismo comprometido com o interesse p&uacute;blico, e apontam para formas de melhor informar e contribuir para o enfrentamento dos riscos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O que s&atilde;o riscos?</b></p>     <p>Os riscos, que podem ser vistos como a percep&ccedil;&atilde;o do perigo ou da amea&ccedil;a, n&atilde;o surgem com a modernidade; eles j&aacute; eram percebidos e definidos h&aacute; muito tempo, desde a Renascen&ccedil;a na It&aacute;lia (Veyret, 2007). Contudo, a preocupa&ccedil;&atilde;o pela seguran&ccedil;a m&aacute;xima, originada pela eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de vida nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, especialmente das sociedades ocidentais, e apoiada na cren&ccedil;a que o desenvolvimento cient&iacute;fico e suas t&eacute;cnicas sofisticadas seriam capazes de conter poss&iacute;veis amea&ccedil;as, fez com que emergisse uma recusa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; incerteza<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> e ao risco.</p>     <p>Tamb&eacute;m &eacute; preciso dizer que os riscos do passado n&atilde;o eram necessariamente os riscos que se percebem hoje, em raz&atilde;o de esta categoria ser uma percep&ccedil;&atilde;o da potencialidade de acidente ou cat&aacute;strofe que existe apenas em rela&ccedil;&atilde;o a um grupo de indiv&iacute;duos que o apreende e com ele convive. Como constru&ccedil;&atilde;o social, o risco n&atilde;o depende somente de processos objetivos e, por isso, diferentes culturas percebem a mesma situa&ccedil;&atilde;o com variados ou at&eacute; mesmo opostos graus de risco.</p>     <p>Veyret (2007) destaca o papel do contexto hist&oacute;rico na constru&ccedil;&atilde;o dos riscos, assim como do territ&oacute;rio e das rela&ccedil;&otilde;es sociais ali estabelecidas e lembra que as percep&ccedil;&otilde;es de risco podem ser individuais ou coletivas. Ela aponta como primeira etapa fundamental da gest&atilde;o dos riscos a rela&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com o acontecimento poss&iacute;vel e com a representa&ccedil;&atilde;o dele. A autora exemplifica: &ldquo;nas sociedades em que o perigo &eacute; considerado fatalidade ou puni&ccedil;&atilde;o divina, as popula&ccedil;&otilde;es permanecem passivas e t&ecirc;m muita dificuldade em admitir que podem gerir o perigo&rdquo; (Veyret, 2007, p.48). Aqui se ressalta o papel do jornalismo como construtor e legitimador de discursos, que contribui para disseminar representa&ccedil;&otilde;es (n&atilde;o apenas sobre riscos, mas tamb&eacute;m a respeito deles).</p>     <p>O risco pode tamb&eacute;m ser compreendido como um perigo calcul&aacute;vel ou, de outro modo, como um acontecimento previs&iacute;vel (seja devido a sinais pr&eacute;vios, seja devido &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o do processo que permite o estabelecimento de uma frequ&ecirc;ncia). Deste modo, um acontecimento totalmente imprevis&iacute;vel n&atilde;o pode ser visto como risco, j&aacute; que est&aacute; no dom&iacute;nio da incerteza.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ligado a este conceito est&aacute; a vulnerabilidade ou fatores de vulnerabilidade, que s&atilde;o as fragilidades de um sistema ou conjunto (que podem estar vinculadas &agrave; alta densidade humana, &agrave; precariedade nas estruturas de moradia, a &aacute;reas vulc&acirc;nicas ou de cheias, etc.). A vulnerabilidade pode ser mensurada e &eacute; posta como um fundamento do risco.</p>     <p>Veyret (2007, p.63) apresenta uma tipologia de riscos presentes na contemporaneidade, mas neste texto det&ecirc;m-se nos ambientais - aqueles que &ldquo;resultam da associa&ccedil;&atilde;o entre os riscos naturais e os riscos decorrentes de processos naturais agravados pela atividade humana e pela ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio&rdquo;. Os primeiros referem-se aos riscos percebidos decorrentes de um acontecimento poss&iacute;vel atrelado a um processo f&iacute;sico, como terremotos, desmoronamentos de solo e erup&ccedil;&otilde;es vulc&acirc;nicas. J&aacute; os segundos possuem a interfer&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o humana, o que pode intensificar determinados processos f&iacute;sicos pass&iacute;veis de perigo, como inc&ecirc;ndios, enchentes, polui&ccedil;&otilde;es e desertifica&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Sobre os riscos ambientais pode-se afirmar, a partir de Hannigan (2009), que eles est&atilde;o muito ligados &agrave;s descobertas cient&iacute;ficas, tais como aquecimento global ou contamina&ccedil;&atilde;o por pesticidas. Baseado em Yearley (1992), Hannigan trata da constru&ccedil;&atilde;o social dos problemas ambientais e destaca que estes se originam frequentemente na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia, justamente porque as pessoas comuns n&atilde;o t&ecirc;m a expertise e os conhecimentos necess&aacute;rios para verificar problemas novos. Ainda que existam situa&ccedil;&otilde;es mais relacionadas com as experi&ecirc;ncias cotidianas, como &eacute; o caso dos res&iacute;duos t&oacute;xicos, que provocam problemas vis&iacute;veis no dia a dia das popula&ccedil;&otilde;es que convivem com eles, as pesquisas cient&iacute;ficas tendem a ser a forma mais comum de legitimar o que, de fato, &eacute; um risco ambiental.</p>     <p>Entretanto, a suposta validade do risco apontada pelos cientistas (a valida&ccedil;&atilde;o dos argumentos do problema ambiental) nem sempre significa que medidas para combat&ecirc;-lo ser&atilde;o tomadas, visto que a conjuntura social e demais fatores pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos tamb&eacute;m est&atilde;o atrelados aos interesses de evidenciar ou n&atilde;o um risco ambiental. Tamb&eacute;m &eacute; preciso lembrar que os cientistas divergem e nem sempre conseguem dar conta da complexidade de situa&ccedil;&otilde;es e subst&acirc;ncias que est&atilde;o presentes hoje no ambiente. Douglas e Wildavsky (2012, p.61) pontuam esse aspecto:</p>     <p>     <blockquote>Os cientistas discordam com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de problemas, qual solu&ccedil;&atilde;o propor e se uma interven&ccedil;&atilde;o promoveria melhora ou piora na situa&ccedil;&atilde;o. Um cientista visualiza a M&atilde;e Natureza secretando uma saud&aacute;vel quantidade de sujeira, enquanto outro o imagina sendo for&ccedil;ada a ingerir poluentes letais. N&atilde;o admira que o leigo comum tenha dificuldade em acompanhar a discuss&atilde;o, nem que para os cientistas seja dif&iacute;cil apresentar-se em p&uacute;blico.</blockquote>     <p></p>     <p>Tendo em vista estas considera&ccedil;&otilde;es, fica claro que &eacute; bastante dif&iacute;cil conhecer os riscos que enfrentamos agora e que nos afetar&atilde;o no futuro, seja pelos diferentes contextos sociais, seja pela dificuldade de se obter um consenso entre cientistas e/ou ainda uma aproxima&ccedil;&atilde;o de ideias entre cientistas e os demais setores da sociedade.&nbsp; Entretanto, ainda que eles n&atilde;o sejam evidentes, a op&ccedil;&atilde;o mais sensata &eacute; agir com precau&ccedil;&atilde;o. Como os riscos s&atilde;o incontrol&aacute;veis, em termos conceituais, n&atilde;o h&aacute; como saber se a forma como os combatemos &eacute; suficiente, por&eacute;m, adota-se a postura de que &ldquo;&eacute; preciso agir, mesmo sem saber o que nos espera ao longo do caminho que escolhemos tomar&rdquo; (Douglas e Wildavsky, 2012, p.4).</p>     <p>Vale esclarecer tamb&eacute;m a diferen&ccedil;a de perspectivas existentes entre Beck e o c&iacute;rculo de pesquisa de Douglas-Wildavsky, encontrado na obra de Hannigan (2009): ainda que estes trabalhem com o risco em uma perspectiva social de constru&ccedil;&atilde;o, os autores diferem na compreens&atilde;o da realidade sobre os riscos que est&atilde;o presentes hoje. Beck apresenta uma vis&atilde;o apocal&iacute;ptica do futuro, enquanto os demais autores relativizam o alarmismo posto no cen&aacute;rio atual. Neste texto, aproxima-se do pensamento de Beck (2010), justamente por se compreender a contemporaneidade como um momento de crise, de desafio ambiental.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Percebendo os riscos</b></p>     <p>A percep&ccedil;&atilde;o de riscos &eacute; um processo social, vinculado a combina&ccedil;&otilde;es de confian&ccedil;a e medo, no qual quest&otilde;es culturais afetam o julgamento sobre quais perigos e riscos devem ou n&atilde;o ser temidos (Douglas e Wildavsky, 2012). Est&aacute; relacionada tamb&eacute;m ao poder e, consequentemente, &agrave;s maneiras pelas quais os riscos s&atilde;o emoldurados pelo Estado, grupos econ&ocirc;micos e ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o social. Muitas vezes o conhecimento sobre riscos e at&eacute; as formas de enfrent&aacute;-los s&atilde;o difundidos pela m&iacute;dia, em especial pelo jornalismo, fazendo com que este espa&ccedil;o torne-se um meio importante para o surgimento (ou n&atilde;o) da percep&ccedil;&atilde;o de determinado risco.</p>     <p>As mudan&ccedil;as causadas pelas novas tecnologias da comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o tornaram o ritmo da difus&atilde;o dos fatos ainda mais acentuado. A partir disso, fen&ocirc;menos podem ser divulgados em tempo real, ampliando ainda mais a percep&ccedil;&atilde;o de que o planeta sofre, cada vez mais, mudan&ccedil;as maiores e/ou em intervalos de tempo menores. Del Vecchio de Lima <i>et al</i>. (2013, p.156), em cap&iacute;tulo sobre a percep&ccedil;&atilde;o da amplitude das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, consideram que:</p>     <p>     <blockquote>Esta aparente intensifica&ccedil;&atilde;o de eventos extremos, em geral associados pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais, estabelece um imagin&aacute;rio comum na sociedade, que se percebe cada vez mais fr&aacute;gil e vulner&aacute;vel a todos os tipos de riscos socioambientais.</blockquote>     <p></p>     <p>Esta sensa&ccedil;&atilde;o ou interpreta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; constru&iacute;da simbolicamente a partir de um discurso global (muitas vezes mediado pelo jornalismo), poss&iacute;vel em fun&ccedil;&atilde;o do grande alcance dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Sobre a percep&ccedil;&atilde;o do risco, Bouzon (2009) afirma que ela &eacute; eminentemente subjetiva e que, muitas vezes, n&atilde;o corresponde &agrave; verdadeira amplitude da potencial amea&ccedil;a. Al&eacute;m disso, a autora coloca que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; indissoci&aacute;vel do processo da gest&atilde;o da incerteza, podendo ser fonte de gera&ccedil;&atilde;o de riscos ou meio de atenu&aacute;-los.</p>     <p>Os discursos hegem&ocirc;nicos adentram com facilidade no nosso cotidiano em fun&ccedil;&atilde;o da alta conectividade da informa&ccedil;&atilde;o em uma sociedade que se transformou sedenta por novidades, na qual n&atilde;o apenas grandes conglomerados alimentam o sistema, mas tamb&eacute;m pessoas comuns registram fatos pr&oacute;ximos e divulgam na rede global. Ressalta-se, todavia, que a circula&ccedil;&atilde;o da pluralidade da produ&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; muito limitada: &ldquo;os meios de comunica&ccedil;&atilde;o dominantes s&atilde;o controlados por um pequeno n&uacute;mero de poderosos que t&ecirc;m o poder de se dirigir a um grande n&uacute;mero de cidad&atilde;os atrav&eacute;s do planeta&rdquo; (Galeano, 2006, p.146) e, consequentemente, em fun&ccedil;&atilde;o de seus interesses (n&atilde;o apenas) editoriais, existe a restri&ccedil;&atilde;o ou o silenciamento de muitas vozes. O resultado disso, muitas vezes, &eacute; o discurso un&iacute;ssono, que importa somente a uma elite em detrimento de bilh&otilde;es de pessoas, e que, por ser repetido e legitimado atrav&eacute;s dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, passa a ser compreendido como &lsquo;verdade&rsquo; (ou como afirma&ccedil;&otilde;es indiscut&iacute;veis).</p>     <p>O grande volume de informa&ccedil;&otilde;es faz com que, de maneira constante, os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o busquem dar voz aos especialistas consagrados, os quais det&ecirc;m o reconhecimento dado pela ci&ecirc;ncia, com o objetivo de se diferenciar dos outros tipos de informa&ccedil;&atilde;o (sem fontes consideradas leg&iacute;timas). &Eacute; esse discurso, calcado nas mesmas institui&ccedil;&otilde;es e fontes j&aacute; possuidoras de prest&iacute;gio, que ser&aacute; distribu&iacute;do em escala planet&aacute;ria e auxiliar&aacute; na sustenta&ccedil;&atilde;o de dadas percep&ccedil;&otilde;es em p&uacute;blicos dos mais diversos meios sociais e culturais.</p>     <p>No caso espec&iacute;fico de riscos, as fontes com expertise dominam as vozes das not&iacute;cias que envolvem amea&ccedil;as ou incertezas. Estes indiv&iacute;duos foram legitimados na modernidade como aqueles capazes de gerenciar todos os problemas poss&iacute;veis, ainda que a verdade n&atilde;o seja esta.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Giddens (1991) fala dos sistemas peritos para se referir &agrave; confian&ccedil;a<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> que as pessoas t&ecirc;m no conhecimento cient&iacute;fico nas dimens&otilde;es atuais. Estes sistemas, centrados na ci&ecirc;ncia, &ldquo;geralmente funcionam como se espera que eles fa&ccedil;am&rdquo; (Giddens, p.39) e, por isso, recebem a confian&ccedil;a das pessoas que possuem menos conhecimento sobre dado assunto. Segundo o autor, o fato de que apenas alguns poucos conseguem estudar para compreender a ci&ecirc;ncia &eacute; uma raz&atilde;o pela qual grande parte da sociedade n&atilde;o tem consci&ecirc;ncia da falibilidade potencial do fazer cient&iacute;fico.</p>     <p>Apontando para o in&iacute;cio de uma mudan&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; confian&ccedil;a na ci&ecirc;ncia, Beck (2010) afirma que a partir da modernidade reflexiva a ci&ecirc;ncia passa a ser observada &ldquo;como produto e produtora da realidade e de problemas que cabe a ela analisar e superar&rdquo; (Beck, p.236), mudando a imagem que tem de si mesma e contribuindo para a desmistifica&ccedil;&atilde;o do campo, que passa a demonstrar n&iacute;veis inseguran&ccedil;a a respeito de seus fundamentos e consequ&ecirc;ncias. Este autor sublinha que o desenvolvimento t&eacute;cnico-cient&iacute;fico tornou-se contradit&oacute;rio na medida em que ele se torna cada vez mais necess&aacute;rio e, ao mesmo tempo, &ldquo;menos suficiente para a defini&ccedil;&atilde;o socialmente vinculante de verdade&rdquo; (Ibid., p.237), pois a previsibilidade de seus efeitos &eacute; cada vez menos certa e mais exposta, e os embates entre as explica&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas de cada superespecializa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o evidentes.</p>     <p>A partir da emerg&ecirc;ncia dos riscos da moderniza&ccedil;&atilde;o, as diversas &aacute;reas cient&iacute;ficas s&atilde;o obrigadas a repensar suas formas de atua&ccedil;&atilde;o e de argumenta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, acarretando uma cr&iacute;tica do seu pr&oacute;prio fazer. A cientificiza&ccedil;&atilde;o reflexiva coloca em xeque a ci&ecirc;ncia e seu monop&oacute;lio de pretens&otilde;es, buscando atrel&aacute;-las diretamente com as pr&aacute;ticas sociais.&nbsp; Assim, os usu&aacute;rios dos resultados cient&iacute;ficos e seus divulgadores (de um modo geral, a m&iacute;dia) se veem mais dependentes de argumentos cient&iacute;ficos e mais independentes de descobertas espec&iacute;ficas ou do ju&iacute;zo da ci&ecirc;ncia sobre a verdade ou falsidade de suas declara&ccedil;&otilde;es.&nbsp; Por outro lado, a clarifica&ccedil;&atilde;o da incerteza cient&iacute;fica &ldquo;abre a porta para a cria&ccedil;&atilde;o e a contesta&ccedil;&atilde;o dos problemas ambientais&rdquo; (Hannigan, 2009, p.145), promovendo discuss&otilde;es sobre a busca de certezas e a real necessidade de assumir medidas preventivas ou ser guiado por um princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Potencialidades do Jornalismo Ambiental</b></p>     <p>Em uma sociedade cada vez mais interligada e interdependente, a comunica&ccedil;&atilde;o ocupa lugar central no cotidiano dos indiv&iacute;duos, os quais se apropriam do conte&uacute;do de diversas maneiras (n&atilde;o se considera apenas a sua fun&ccedil;&atilde;o informativa, mas tamb&eacute;m seu potencial para o entretenimento e para auxiliar em processos educativos, por exemplo). No labirinto da comunica&ccedil;&atilde;o, destaca-se a posi&ccedil;&atilde;o do jornalismo, o qual passa por processos de crises e de reconfigura&ccedil;&otilde;es nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, situa&ccedil;&atilde;o acelerada pelo advento das novas tecnologias (Neveu, 2006).</p>     <p>As renova&ccedil;&otilde;es experimentadas permitem retomar a discuss&atilde;o sobre os valores e as fun&ccedil;&otilde;es fundamentais ao exerc&iacute;cio jornal&iacute;stico, que est&atilde;o em constante disputa devido &agrave;s press&otilde;es econ&ocirc;micas do mercado e &agrave; ideologia da profiss&atilde;o. Assim, cabe ressaltar que &ldquo;[...] o maior valor de um ve&iacute;culo &eacute; a informa&ccedil;&atilde;o de interesse p&uacute;blico &ndash; temas, fatos, declara&ccedil;&otilde;es, revela&ccedil;&otilde;es que todo dia interessam a todos em um mundo inter-relacionado, pois podem benefici&aacute;-los ou prejudica-los&rdquo; (Karam, 2004, p. 91).</p>     <p>Neste contexto de reestrutura&ccedil;&atilde;o, o Jornalismo Ambiental<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> cumpre papel importante, pois suas premissas envolvem atentar para a vis&atilde;o complexa, sem a qual n&atilde;o se pode compreender o todo social. Este jornalismo, comprometido com o meio ambiente, assume tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es primordiais: a informativa, a pol&iacute;tica e a pedag&oacute;gica (Bueno, 2007) A fun&ccedil;&atilde;o informativa &eacute; inerente ao jornalismo enquanto campo e diz respeito ao compromisso com a informa&ccedil;&atilde;o de interesse p&uacute;blico e engajada com a verdade; a fun&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica n&atilde;o se d&aacute; no sentido partid&aacute;rio ou institucional, mas sim quando da compreens&atilde;o de que o jornalismo capacita o sujeito para o exerc&iacute;cio da cidadania; a educativa &eacute; explicada por Girardi <i>et al.,</i> (2011, p.49):</p>     <p>     <blockquote>Para contemplar a fun&ccedil;&atilde;o educativa, &eacute; necess&aacute;rio que os jornalistas se percebam como agentes de transforma&ccedil;&atilde;o social e coloquem sua profiss&atilde;o a servi&ccedil;o da melhoria da qualidade de vida. [...] Dessa forma, o leitor, ouvinte, telespectador ou internauta poder&aacute; compreender as inter-rela&ccedil;&otilde;es dos fatos e, inclusive, a rela&ccedil;&atilde;o de suas pr&aacute;ticas cotidianas com a crise ambiental.</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Nesse sentido, a proposta do Jornalismo Ambiental pode auxiliar na compreens&atilde;o dos interesses que envolvem a constru&ccedil;&atilde;o dos riscos (e as percep&ccedil;&otilde;es correspondentes a estes), j&aacute; que possui uma leitura ampla e complexa dos fatos. Faz-se importante notar sua potencialidade especialmente na divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es que requeiram a&ccedil;&otilde;es, mesmo quando as evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas n&atilde;o forem certas ou totalmente verific&aacute;veis, tendo em vista sua perspectiva mobilizadora.</p>     <p>Logo, frente aos desafios impostos pela contemporaneidade, o Jornalismo Ambiental une a vis&atilde;o complexa &agrave; pluralidade de fontes e vozes na constru&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cia, revelando-se engajado com o meio ambiente e com todos os cidad&atilde;os. Para este tipo de jornalismo especializado, a elabora&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia ou da reportagem n&atilde;o passa apenas por fontes de car&aacute;ter oficial &ndash; sejam estas dos campos pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico ou cient&iacute;fico &ndash;, mas atravessa diversos campos de conhecimento e incorpora os saberes populares na busca da informa&ccedil;&atilde;o. A contextualiza&ccedil;&atilde;o profunda e a busca por evidenciar as conex&otilde;es presentes no fato, que costumam extrapolar os limites das editorias, tamb&eacute;m s&atilde;o caracter&iacute;sticas do jornalismo que leva em conta o car&aacute;ter h&iacute;brido e interdisciplinar das quest&otilde;es ambientais.</p>     <p>Por ser comprometido com a natureza e com a sociedade, e por ter como prerrogativa a promo&ccedil;&atilde;o da cidadania, o Jornalismo Ambiental se localiza em uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada no que se refere &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o sobre os riscos. Isto porque mais que informar sobre o risco, objetiva atentar para as raz&otilde;es e efeitos deste, empoderando os p&uacute;blicos para a&ccedil;&otilde;es mais efetivas junto aos causadores dos riscos e, em outros casos, possibilitando que o exerc&iacute;cio da cidadania ocorra e que mudan&ccedil;as de atitude se disseminem.</p>     <p>Al&eacute;m disso, assinala-se que o princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o, que desde os anos 1980 constitui uma resposta &agrave; incerteza e aos riscos, n&atilde;o deve ser esquecido no fazer do Jornalismo Ambiental. Toda vez que o conhecimento cient&iacute;fico ou t&eacute;cnico n&atilde;o permitir eliminar d&uacute;vidas ou apontar certezas, deve-se optar pela precau&ccedil;&atilde;o, tendo em vista a possibilidade da irreversibilidade dos efeitos causados. Hannigan (2009, p.145) ratifica que &ldquo;a racionalidade atr&aacute;s desta vis&atilde;o &eacute; que vai ser tarde demais para responder efetivamente, se n&oacute;s esperarmos por uma resolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica final, anos a fio&rdquo;.</p>     <p>A incerteza cient&iacute;fica n&atilde;o pode servir de argumento para que se reduzam os esfor&ccedil;os de preven&ccedil;&atilde;o diante do desconhecimento do perigo. Ao contr&aacute;rio, a n&atilde;o certeza das consequ&ecirc;ncias de dado produto ou situa&ccedil;&atilde;o exigem que a sociedade pense nas gera&ccedil;&otilde;es futuras e n&atilde;o exclua ou dificulte sua sobreviv&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Pensando os riscos ambientais sob a &oacute;tica do Jornalismo Ambiental</b></p>     <p>Quando se pensa na gest&atilde;o dos riscos, a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; chamada &agrave; tona, j&aacute; que acompanha os processos e medidas de negocia&ccedil;&atilde;o entre t&eacute;cnicos, administradores e a sociedade civil como um todo. Neste sentido, Veyret (2007, p.16) faz alguns questionamentos: &ldquo;Como informar? O que deve ser privilegiado, precis&atilde;o t&eacute;cnica e cient&iacute;fica ou a compreens&atilde;o pelo grande p&uacute;blico? Como apresentar as d&uacute;vidas e as incertezas, sabendo que certas campanhas de informa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias negativas e que conduzem ao oposto do que era desejado?&rdquo;. A partir destas coloca&ccedil;&otilde;es e dos pressupostos do Jornalismo Ambiental, analisam-se fontes, enfoque e contextos das not&iacute;cias e artigos sobre os deslizamentos, atentando para como o risco &eacute; posto para o p&uacute;blico nos jornais brasileiros conhecidos como de refer&ecirc;ncia<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> .</p>     <p>Veyret (2007) coloca que entre os dois grupos de atores principais em situa&ccedil;&otilde;es de risco &ndash; sociedade civil e gestores &ndash; est&atilde;o as m&iacute;dias, &ldquo;que desempenham um papel importante e ativo para construir o risco uma vez que delas dependem, em larga medida, certas percep&ccedil;&otilde;es tais como a amplitude das mobiliza&ccedil;&otilde;es e dos alertas&rdquo; (Veyret, p.17). Assim, objetiva-se aqui observar como as not&iacute;cias sobre riscos s&atilde;o constru&iacute;das e que tipo de percep&ccedil;&atilde;o revelam. Para a an&aacute;lise, foram selecionados artigos, not&iacute;cias e reportagens<i> online</i> sobre os riscos de deslizamentos publicados pelos principais jornais do Brasil, enquadrados como aqueles de refer&ecirc;ncia &ndash; <i>O Globo</i>, <i>Folha de S. Paulo</i> e <i>O Estado de S&atilde;o Paulo</i>. O<i> corpus</i> foi selecionado por meio de busca realizada nos portais <i>online</i> dos citados jornais a partir das palavras-chave &ldquo;risco&rdquo; e &ldquo;deslizamento&rdquo;<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, entre os meses de dezembro de 2012 e mar&ccedil;o de 2013, per&iacute;odo de chuvas que tradicionalmente registra a maior incid&ecirc;ncia destes eventos na regi&atilde;o serrana dos estados do Sul e Sudeste do Brasil. Foram encontradas 220 not&iacute;cias e artigos jornal&iacute;sticos ao total, sendo 67 da <i>Folha de S. Paulo</i>, 91 de <i>O Globo</i> e 62 do<i> O</i> <i>Estado de S&atilde;o Paulo <sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora deslizamentos de terra sejam fen&ocirc;menos observ&aacute;veis na natureza, a intensa atividade e ocupa&ccedil;&atilde;o humana agravam e multiplicam os riscos de desabamento em regi&otilde;es serranas. Quando a vegeta&ccedil;&atilde;o que cobre topos e encostas dos morros &eacute; retirada e em seu lugar constroem-se resid&ecirc;ncias e outras edifica&ccedil;&otilde;es, a &aacute;gua da chuva n&atilde;o &eacute; drenada de forma adequada, pode colapsar o solo e, por vezes, arrastar rochas, casas e carros com sua for&ccedil;a.</p>     <p>Nos textos encontrados verificaram-se diferentes abordagens quanto aos riscos de deslizamentos e suas consequ&ecirc;ncias. Para dar conta de uma an&aacute;lise qualitativa sobre os textos que enfocam riscos e deslizamentos para este artigo, fez-se uma categoriza&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica e priorizaram-se os textos com enfoque mais amplo e com poss&iacute;vel rela&ccedil;&atilde;o com o Jornalismo Ambiental. Assim, os textos foram agrupados em cinco categorias: 1&ordf;) textos que tratam a quest&atilde;o a partir da cobran&ccedil;a de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e verbas; 2&ordf;) textos que t&ecirc;m um car&aacute;ter de servi&ccedil;o, por informar as condi&ccedil;&otilde;es de rodovias e a previs&atilde;o do tempo, por exemplo; 3&ordf;) textos que atualizam n&uacute;mero de mortos, desalojados e danos materiais em decorr&ecirc;ncia de deslizamentos; 4&ordf;) textos que n&atilde;o abordam riscos de deslizamentos e/ou suas consequ&ecirc;ncias<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>; e 5&ordf;) textos que prop&otilde;em uma abordagem que pode ser considerada mais ampla e reflexiva &ndash; os quais foram observados com mais cuidado na segunda etapa deste trabalho.</p>     <p>No total de textos verificou-se a preponder&acirc;ncia de not&iacute;cias de servi&ccedil;o (como previs&atilde;o do tempo ou situa&ccedil;&atilde;o de bloqueios de estradas) e sobre mortos, desalojados e preju&iacute;zos materiais. Juntas, estas duas abordagens s&atilde;o respons&aacute;veis por mais da metade dos textos encontrados: s&atilde;o 136 textos, sendo 70 sobre mortes e/ou danos e 66 com car&aacute;ter de servi&ccedil;o. Averigua-se tamb&eacute;m a preval&ecirc;ncia dos aspectos econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos na abordagem dos riscos de deslizamento: 34 das 220 not&iacute;cias e artigos deixam a situa&ccedil;&atilde;o ambiental e social em segundo plano diante de uma discuss&atilde;o sobre verbas e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a preven&ccedil;&atilde;o de desastres e recupera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas atingidas. Embora a fiscaliza&ccedil;&atilde;o das atitudes governamentais e do dinheiro empregado nestas &aacute;reas perten&ccedil;a ao jornalismo, tamb&eacute;m &eacute; sua fun&ccedil;&atilde;o &ndash; segundo os princ&iacute;pios do Jornalismo Ambiental &ndash; promover a educa&ccedil;&atilde;o e afirma&ccedil;&atilde;o social dos cidad&atilde;os, papel este que n&atilde;o &eacute; considerado quando se pratica um jornalismo apenas de tom acusat&oacute;rio.</p>     <p>A pluralidade de vozes, presente nas premissas do Jornalismo Ambiental, pouco pode ser percebida nas mat&eacute;rias encontradas n&rsquo;<i>O Globo</i>, <i>Folha de S. Paulo </i>e <i>O Estado de S&atilde;o Paulo</i>. Em todas as not&iacute;cias s&atilde;o privilegiadas as fontes oficiais: membros da Defesa Civil, integrantes do Governo do Estado ou Prefeitura; al&eacute;m de especialistas, como ge&oacute;logos e ge&oacute;grafos. Isto aponta para o que Bueno (2007) acredita ser um problema persistente e um desafio para a pr&aacute;tica do Jornalismo Ambiental: a s&iacute;ndrome da <i>latteliza&ccedil;&atilde;o</i> das fontes. Esta acontece quando os ve&iacute;culos d&atilde;o prioridade &agrave;s vozes ditas especializadas em detrimento dos saberes populares, sem considerar que:</p>     <p>     <blockquote>O protagonismo no jornalismo ambiental, como de resto em qualquer campo do jornalismo, n&atilde;o se limita ao pesquisador ou ao cientista, mas inclui, obrigatoriamente, os que est&atilde;o fora dos muros da Academia (muitas vezes exclu&iacute;dos em virtude de uma situa&ccedil;&atilde;o social injusta), como o povo da floresta, o agricultor familiar, o cidad&atilde;o da rua. (BUENO, 2007, p. 37).</blockquote>     <p></p>     <p>S&atilde;o apenas oito os textos encontrados que prop&otilde;em uma abordagem mais ampla acerca da situa&ccedil;&atilde;o dos riscos de deslizamentos: tr&ecirc;s na <i>Folha de S. Paulo, </i>tr&ecirc;s no <i>O Globo</i> e duas em <i>O Estado de S&atilde;o Paulo. </i>Nos textos sobre riscos de deslizamentos da <i>Folha de S. Paulo</i>, embora care&ccedil;am de uma abordagem mais profunda e complexa, h&aacute; aspectos que evidenciam a tentativa de ampliar o entendimento dos riscos e atentar para medidas preventivas. Na not&iacute;cia &lsquo;Volume de chuvas &eacute; apenas parte da receita da trag&eacute;dia&rsquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, publicada em 20/03/13, discute-se sobre a quest&atilde;o dos estragos na regi&atilde;o de Petr&oacute;polis (RJ). No texto, evidencia-se o volume das chuvas como um evento clim&aacute;tico extremo a partir da compara&ccedil;&atilde;o com o Reino Unido (onde o mesmo volume de chuva &eacute; registrado), e questionam-se os danos observados, atentando para a explora&ccedil;&atilde;o do homem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; natureza e as consequ&ecirc;ncias disto:</p>     <p>     <blockquote>Outro dado provavelmente relevante: Petr&oacute;polis tem hoje menos de 30% da sua cobertura florestal original, ligada ao bioma da Mata Atl&acirc;ntica. Era essa cobertura original a respons&aacute;vel, em grande parte, por &quot;segurar&quot; a estrutura do solo e evitar o assoreamento de rios - portanto, prevenindo enchentes.</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Na <i>Folha </i>tamb&eacute;m h&aacute; um artigo de opini&atilde;o, assinado pelo pr&oacute;prio jornal, publicado em 13/12/12. No editorial &lsquo;Riscos demais&rsquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>, apresentam-se os dados sobre &aacute;reas de risco de deslizamento e os habitantes destas, bem como um breve retrospecto das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de desocupa&ccedil;&atilde;o destas localidades. O texto atenta para o in&iacute;cio do per&iacute;odo de chuvas e cobra atitudes do poder p&uacute;blico: &ldquo;Em que pesem as dificuldades - os pr&oacute;prios moradores costumam resistir &agrave; mudan&ccedil;a-- e os custos envolvidos - estimados em R$ 10,5 bilh&otilde;es, cerca de um quarto do or&ccedil;amento anual do munic&iacute;pio--, a tarefa n&atilde;o pode demorar tanto&rdquo;.&nbsp; Apesar do teor pol&iacute;tico do editorial, mencionam-se estimativas oficiais e lembra-se que o mais importante neste cen&aacute;rio &eacute; a seguran&ccedil;a das popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis, embora nenhum habitante seja ouvido.</p>     <p>Em 11/12/12, a <i>Folha </i>publicou a not&iacute;cia &lsquo;SP tem 98 mil vivendo em &aacute;rea de alto risco&rsquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.&nbsp; O texto apresenta dados do Instituto de Pesquisas Tecnol&oacute;gicas (IPT) sobre &aacute;reas vulner&aacute;veis e faz um balan&ccedil;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas necess&aacute;rias para atenuar a situa&ccedil;&atilde;o. Mesmo que se detenha em fontes da &aacute;rea cient&iacute;fica (uma ge&oacute;loga da prefeitura e um professor da Universidade de S&atilde;o Paulo -USP), a not&iacute;cia alerta que, embora 15% da popula&ccedil;&atilde;o que vivia em &aacute;rea de risco em 2011 tenha sa&iacute;do dessa situa&ccedil;&atilde;o, o cen&aacute;rio ainda &eacute; prec&aacute;rio.</p>     <p>No jornal <i>O Globo </i>tamb&eacute;m s&atilde;o tr&ecirc;s os textos encontrados. Na not&iacute;cia publicada em 31/03/13, &lsquo;Niter&oacute;i tem 8.904 pessoas vivendo em &aacute;rea de risco&rsquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>, o jornal aborda a quest&atilde;o dos riscos de deslizamento a partir da hist&oacute;ria da cearense No&ecirc;mia de Souza, que junto com o marido aluga uma resid&ecirc;ncia em &aacute;rea de risco, na qual tr&ecirc;s pessoas j&aacute; morreram em desabamento. O texto traz dados do Departamento de Recursos Minerais sobre locais em situa&ccedil;&atilde;o vulner&aacute;vel, al&eacute;m de entrevistar o presidente do Departamento sobre este estudo. S&atilde;o ouvidos tamb&eacute;m um professor de Engenharia Civil da Universidade Federal Fluminense, que critica medidas emergenciais, as quais n&atilde;o substituem as medidas preventivas; o vice-prefeito de Niter&oacute;i, que aborda as a&ccedil;&otilde;es do munic&iacute;pio para reverter a situa&ccedil;&atilde;o; e d&aacute; destaque a moradores de &aacute;reas de risco j&aacute; atingidos por deslizamentos, que criticam a situa&ccedil;&atilde;o e cobram medidas mais efetivas. Luanda Ferreira Gomes, dona de casa, perdeu seu marido em um deslizamento em 2010, preso em escombros, e relatou as dificuldades para, at&eacute; mesmo, conseguir seu atestado de &oacute;bito:</p>     <p>     <blockquote>Hoje, Luanda mora no conjunto habitacional constru&iacute;do na Estrada do Vi&ccedil;oso Jardim, a poucos metros do Morro do Bumba, mas as lembran&ccedil;as ainda a atormentam. &mdash; Se pudesse, morava longe do Bumba. Passo ali todo dia e me culpo por ter morado em local de risco. E culpo mais ainda o governo por ter incentivado tudo aquilo &mdash; diz.</blockquote>     <p></p>     <p>Nesta not&iacute;cia h&aacute; uma pluralidade maior de fontes e uma cr&iacute;tica ao descaso do problema causador de deslizamentos por parte do Governo, al&eacute;m do alerta sobre a necessidade de preven&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o apenas de medidas compensat&oacute;rias e/ou emergenciais. Esta &eacute; uma das poucas not&iacute;cias analisadas que parece estar afinada com a perspectiva ideal do Jornalismo Ambiental.</p>     <p>Tamb&eacute;m sobre as dificuldades enfrentadas por moradores de &aacute;reas de risco &eacute; a not&iacute;cia &lsquo;Moradores dizem n&atilde;o ter op&ccedil;&atilde;o&rsquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>, publicada pelo <i>O Globo </i>em 07/01/13. Ainda que n&atilde;o problematize a ocupa&ccedil;&atilde;o irregular de &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o, o texto n&atilde;o &eacute; baseado somente em fontes oficiais ou cientistas, mas sim nos protestos dos cidad&atilde;os que de fato vivenciam o risco, como &eacute; o caso da aposentada Rosa Maria Borges. Ela vive em uma &aacute;rea de encosta considerada de alto risco e conta: &ldquo;E n&atilde;o posso abandonar meu patrim&ocirc;nio. N&atilde;o recebemos aluguel social e n&atilde;o temos para onde ir &mdash; diz Rosa, afirmando j&aacute; ter uma estrat&eacute;gia para dias de chuva. &mdash; Deixo a bolsa arrumada com os documentos e a porta aberta para pular fora&rdquo;.</p>     <p>Ainda em <i>O Globo</i>, a not&iacute;cia &lsquo;Chuvas podem provocar trag&eacute;dias mesmo que n&atilde;o caia um volume grande de &aacute;gua&rsquo;, publicada em 07/01/13, com base em estudos e em declara&ccedil;&otilde;es de fontes oficiais, chama aten&ccedil;&atilde;o para os riscos com deslizamentos e enchentes, relacionando-os com as trag&eacute;dias j&aacute; ocorridas na regi&atilde;o serrana do Rio de Janeiro. As ocupa&ccedil;&otilde;es desordenadas s&atilde;o citadas, mas a &ecirc;nfase (que ocupa grande parte da not&iacute;cia) s&atilde;o os estudos de mapeamento que est&atilde;o sendo feitos a fim de orientar as a&ccedil;&otilde;es da Defesa Civil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em <i>O Estado de S. Paulo</i>, foi publicada em 07/01/13 uma entrevista com a pesquisadora e professora titular de Arquitetura e Urbanismo da USP sobre os desafios do governo Haddad, &lsquo;&#39;Melhorar a cidade n&atilde;o &eacute; um processo revolucion&aacute;rio&#39;, diz Regina Meyer&rsquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Mesmo que a entrevista n&atilde;o seja especificamente sobre riscos de deslizamento, a primeira pergunta apresentada &eacute; sobre o an&uacute;ncio do prefeito sobre o monitoramento di&aacute;rio de &aacute;reas de riscos. A resposta dada pela professora n&atilde;o se prende ao plano pol&iacute;tico:</p>     <p>     <blockquote>O monitoramento &eacute; apenas uma medida de emerg&ecirc;ncia. A meta n&uacute;mero zero do novo governo deve ser tirar as pessoas dessas &aacute;reas e oferecer alternativa de moradia. &Eacute; inadmiss&iacute;vel desabar o morro na cabe&ccedil;a das pessoas quando chove. &Eacute; inconceb&iacute;vel fazer qualquer obra gigantesca na cidade se ainda existirem pessoas morando em &aacute;reas de risco.</blockquote>     <p></p>     <p>Embora se trate de uma entrevista, o texto introdut&oacute;rio traz dados do IPT sobre &aacute;reas de risco e popula&ccedil;&atilde;o afetada, cobrando a&ccedil;&otilde;es da Prefeitura para a melhoria da cidade. Em <i>O Estado de S. Paulo </i>foi encontrado ainda um artigo de opini&atilde;o assinado pelo pr&oacute;prio jornal sobre &aacute;reas de risco (publicada em 22/01/13)<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> que, apesar de politicamente favorecer uma a&ccedil;&atilde;o do prefeito Fernando Haddad (que autorizou a remo&ccedil;&atilde;o de moradores de &aacute;reas de risco, mesmo contra a sua vontade), toca em quest&otilde;es importantes como a irresponsabilidade do Estado em deixar que a ocupa&ccedil;&atilde;o irregular chegasse a esse ponto e o aviso de que a medida n&atilde;o &eacute; preventiva, como afirma o governo, mas emergencial (&ldquo;n&atilde;o &eacute; natural &eacute; uma cidade com 31 subprefeituras considerar essas &aacute;reas como sendo de risco s&oacute; quando os temporais batem &agrave; porta&rdquo;).</p>     <p>Pela pr&oacute;pria caracter&iacute;stica do jornalismo di&aacute;rio, de cobrir o factual, era esperado que <i>cases</i> e mat&eacute;rias com enfoques nas situa&ccedil;&otilde;es moment&acirc;neas fossem mais frequentes. Entretanto, acredita-se que o jornalismo de refer&ecirc;ncia, que sistematicamente precisa noticiar sobre riscos ambientais, precisa incorporar elementos do Jornalismo Ambiental a fim de contribuir com entendimento dos riscos e as possibilidades de melhor enfrent&aacute;-los. Esta an&aacute;lise revela que ainda s&atilde;o poucos os textos (8 de 220) que podem ser identificados com uma abordagem mais ampla e com poss&iacute;vel aprofundamento, atendendo algumas das premissas de um jornalismo mais qualificado e preocupado com a rela&ccedil;&atilde;o homem-natureza. Al&eacute;m disso, assinala-se que as percep&ccedil;&otilde;es sobre ricos ainda s&atilde;o difusas - at&eacute; para as pessoas diretamente afetadas por eles.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>A partir das an&aacute;lises realizadas constatou-se que, de maneira geral, as pr&aacute;ticas reivindicadas pelo Jornalismo Ambiental ainda s&atilde;o ignoradas ou desconhecidas pelo jornalismo dito de refer&ecirc;ncia, mesmo quando tratamos de mat&eacute;rias com forte rela&ccedil;&atilde;o ambiental. Nem a pluralidade das fontes, nem a preocupa&ccedil;&atilde;o com a contextualiza&ccedil;&atilde;o, permitindo que as conex&otilde;es n&atilde;o vis&iacute;veis sejam expostas, foram evidentes - mesmo tendo em vista o recorte que privilegiou o enfoque mais amplo dos textos. A maioria das not&iacute;cias e an&aacute;lises sobre riscos possuem abordagens pontuais, n&atilde;o relacionando o leitor que n&atilde;o vive no local a se preocupar com a ocupa&ccedil;&atilde;o irregular, impermeabiliza&ccedil;&atilde;o do solo, canaliza&ccedil;&atilde;o de rios, entre outras a&ccedil;&otilde;es do homem que agravam e colocam em perigo a condi&ccedil;&atilde;o de moradia dos mesmos em caso de chuvas fortes.</p>     <p>Tamb&eacute;m foi examinado que o princ&iacute;pio de precau&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aparece de forma clara, sendo convocadas medidas preventivas somente ap&oacute;s experi&ecirc;ncias reais (que deveriam ser chamadas de medidas emergenciais, a prop&oacute;sito). Os textos analisados n&atilde;o se mostram alarmistas, por&eacute;m, por outro lado, distanciam o problema do cotidiano das pessoas &ndash; o que &eacute; ratificado pela chefe do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres ao afirmar que as pessoas n&atilde;o acreditam que isso pode acontecer com elas<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Logo, a m&iacute;dia de refer&ecirc;ncia est&aacute; deixando uma lacuna na constru&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias sobre este assunto &ndash; e nas consequentes percep&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico- ao n&atilde;o informar sobre os riscos de modo que as pessoas os compreendam e tomem medidas para combat&ecirc;-los.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A reflex&atilde;o realizada antes de se observar as not&iacute;cias aponta caminhos para uma sociedade mais consciente dos riscos que provoca e daqueles a que est&aacute; sujeito a partir da informa&ccedil;&atilde;o qualificada presente na abordagem do Jornalismo Ambiental. Como indutora de percep&ccedil;&otilde;es, a m&iacute;dia, e em especial, o jornalismo, &eacute; chamado a assumir suas fun&ccedil;&otilde;es informativa, pedag&oacute;gica e pol&iacute;tica, baseadas n&atilde;o apenas em fontes oficiais e cient&iacute;ficas. Al&eacute;m disso, para o exerc&iacute;cio jornal&iacute;stico respons&aacute;vel sobre riscos, o princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o deve estar sempre presente. Se h&aacute; raz&otilde;es para suspeitar que existam situa&ccedil;&otilde;es de risco, cabe tamb&eacute;m ao jornalismo, mediador e legitimador de discursos, colocar o sentido de cautela e vigil&acirc;ncia na constru&ccedil;&atilde;o das not&iacute;cias.</p>     <p>Por fim, sublinha-se que o Jornalismo Ambiental, a partir de seu comprometimento com a natureza e com os indiv&iacute;duos, apresenta-se como uma possibilidade real para evidenciar e promover o enfrentamento dos riscos da sociedade atual. Faz-se necess&aacute;rio tamb&eacute;m que tais preceitos alcancem o jornalismo como um todo, pois os problemas ambientais e os riscos s&atilde;o assuntos h&iacute;bridos que n&atilde;o devem ser restritos a um &uacute;nico espa&ccedil;o. Reivindica-se, desse modo, que o jornalismo, de forma ampla, assuma uma vis&atilde;o complexa e plural, contribuindo para superar o desafio ambiental que est&aacute; posto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>Beck, U. (2010). <i>Sociedade de risco</i> - Rumo a uma outra modernidade. S&atilde;o Paulo: Editora 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1646-5954201500020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Boff, L. (2012). <i>Saber Cuidar</i>: &Eacute;tica do humano &ndash; compaix&atilde;o pela terra. Petr&oacute;polis &ndash; RJ: Editora Vozes.</p>     <p>Bouzon, A. (2009). A incerteza dos gestores da comunica&ccedil;&atilde;o de risco diante das inova&ccedil;&otilde;es na ind&uacute;stria. In: Kunsch, M. &amp; Oliveira, I. (2009). <i>A comunica&ccedil;&atilde;o na gest&atilde;o da sustentabilidade das organiza&ccedil;&otilde;es.</i> S&atilde;o Caetano do Sul-SP: Difus&atilde;o Editora.</p>     <!-- ref --><p>Bueno, W. (2007) Jornalismo Ambiental: explorando al&eacute;m do conceito. In: <i>Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente</i> (Editora UFPR), 15, 33-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1646-5954201500020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Del Vecchio de Lima, M., Deschamps, M., Mendon&ccedil;a, F. (2013). A cidade e as mudan&ccedil;as globais: (intensifica&ccedil;&atilde;o?) Riscos e vulnerabilidades socioambientais na RMC - Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba/PR. In: Ojima, R. &amp; Marandola JR, E. (Orgs<i>.). Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e as cidades</i>: novos e antigos debates na busca da sustentabilidade urbana e social. S&atilde;o Paulo: Blucher.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1646-5954201500020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Douglas, M. &amp; Wildavsky, A. (2012). <i>Risco e Cultura</i> &ndash; Um ensaio sobre a sele&ccedil;&atilde;o de riscos tecnol&oacute;gicos e ambientais. Rio de Janeiro: Editora Elsevier.</p>     <!-- ref --><p>Galeano, E. (2006). A caminho de uma sociedade da incomunica&ccedil;&atilde;o? In: Moraes, D. (org.). <i>Sociedade Midiatizada.</i> Rio de Janeiro: Mauad.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1646-5954201500020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Giddens, A. (1991). <i>As consequ&ecirc;ncias da modernidade.</i> S&atilde;o Paulo: Editora Unesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1646-5954201500020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Girardi, I <i>et al</i>.. (2011). Jornalismo e Sustentabilidade: as armadilhas do discurso. In: Girardi, I., Loose, E., Baumont, C., C. (2011). <i>Ecos do Planeta</i>: Estudos sobre Informa&ccedil;&atilde;o e Jornalismo Ambiental. Porto Alegre: Editora da UFRGS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1646-5954201500020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hannigan, J. (2009). <i>Sociologia Ambiental.</i> Rio de Janeiro: Editora Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1646-5954201500020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Imbert, G., Beneyto, J., V. (1986). <i>El pais, o la referencia dominante. </i>Barcelona: Editorial Mitre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1646-5954201500020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Karam, F., J., C. (2004). <i>A &eacute;tica jornal&iacute;stica e o interesse p&uacute;blico</i>.&nbsp; S&atilde;o Paulo: Summus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1646-5954201500020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Neveu, E. (2006). <i>Sociologia do Jornalismo.</i> S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1646-5954201500020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Porto-Gon&ccedil;alves, C., W<b>. </b>(2006). <i>A globaliza&ccedil;&atilde;o da natureza e a natureza da globaliza&ccedil;&atilde;o</i>. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1646-5954201500020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Veyret, Y. (2007). <i>Os riscos:</i> o homem como agressor e v&iacute;tima do meio ambiente. S&atilde;o Paulo: Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1646-5954201500020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Yearley, S. (1992). <i>The green case</i> &ndash; a sociology of environmental issues, arguments and politics. Londres: Routledge.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Date of submission: July 22, 2014</p>     <p>Date of acceptance: February 24, 2015</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Uma primeira vers&atilde;o deste trabalho foi apresentada ao II Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental (ENPJA), realizado em Porto Alegre (RS - Brasil) em maio de 2014</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Assume-se o entendimento de Giddens (1991, p.192), no qual a &ldquo;modernidade &eacute; inerentemente globalizante, e as consequ&ecirc;ncias desestabilizadoras deste fen&ocirc;meno se combinam com a circularidade de seu car&aacute;ter reflexivo para formar um universo de eventos onde o risco e o acaso assumem um novo car&aacute;ter&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Para Porto-Gon&ccedil;alves (2006, p.61), o desafio ambiental se constitui junto com um per&iacute;odo hist&oacute;rico que se inicia nos anos 1960/70 e &ldquo;est&aacute; no centro das contradi&ccedil;&otilde;es do mundo moderno-colonial. Afinal, a ideia de progresso, e sua vers&atilde;o mais atual, desenvolvimento, &eacute;, rigorosamente, sin&ocirc;nimo de <i>domina&ccedil;&atilde;o da natureza</i>! Portanto, aquilo que o ambientalismo apresentar&aacute; como desafio &eacute;, exatamente, o que o projeto civilizat&oacute;rio, nas usas mais diferentes vis&otilde;es hegem&ocirc;nicas, acredita ser a solu&ccedil;&atilde;o: &agrave; ideia de <i>domina&ccedil;&atilde;o da natureza</i> do mundo moderno-colonial, o ambientalismo coloca-nos diante da quest&atilde;o que <i>h&aacute; limites para a domina&ccedil;&atilde;o da natureza</i>.&rdquo;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> A incerteza &eacute; definida por Veyret (2007, p.24) como &ldquo;a possibilidade de ocorrer um acontecimento perigoso sem que se conhe&ccedil;a sua probabilidade&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Giddens (1991, p.44-45) define confian&ccedil;a como &ldquo;cren&ccedil;a na credibilidade de uma pessoa ou sistema, tendo em vista um dado conjunto de resultados ou eventos, em que essa cren&ccedil;a expressa uma f&eacute; na probidade ou amor de um outro, ou na corre&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios abstratos (conhecimento t&eacute;cnico)&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Diferencia-se aqui a concep&ccedil;&atilde;o de Jornalismo Ambiental, com premissas articuladas &agrave; epistemologia ambiental, de outros tipos de jornalismo que apenas veem o meio ambiente como mais uma tem&aacute;tica a ser desenvolvida (o que se pode chamar de jornalismo de/sobre meio ambiente).</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> A ideia de jornalismo de refer&ecirc;ncia &eacute; caracterizada n&atilde;o apenas por sua tiragem e circula&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m pela sua relev&acirc;ncia na constru&ccedil;&atilde;o social da opini&atilde;o p&uacute;blica, de acordo com Imbert e Beneyto (1986).</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> A an&aacute;lise aqui feita n&atilde;o teve como preocupa&ccedil;&atilde;o a separa&ccedil;&atilde;o dos formatos e g&ecirc;neros do jornalismo por compreender o produto jornal como um difusor de dados discursos e, por isso, importante na constru&ccedil;&atilde;o social dos riscos.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Em <i>O Estado de S&atilde;o Paulo</i> a busca pelas palavras-chave resultou em 78 textos. Ap&oacute;s leitura, verificou-se que 32 deles eram id&ecirc;nticos, sendo apenas publicados em diferentes editorias. Dessa maneira, para esta an&aacute;lise optou-se por contabilizar apenas uma vez cada texto, totalizando 62 not&iacute;cias.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Ao todo, 42 dos textos encontrados n&atilde;o abordam riscos de deslizamentos, embora contenham estas palavras em outro contexto.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> <a href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1249240-analise-volume-de-chuva-e-apenas-parte-da-receita-da-tragedia-no-rj.shtml" target="blank">http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1249240-analise-volume-de-chuva-e-apenas-parte-da-receita-da-tragedia-no-rj.shtml</a></p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> <a href="http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1200532-editorial-riscos-demais.shtml" target="blank">http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1200532-editorial-riscos-demais.shtml</a></p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> <a href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1199280-sao-paulo-tem-98-mil-vivendo-em-area-de-alto-risco.shtml" target="blank">http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1199280-sao-paulo-tem-98-mil-vivendo-em-area-de-alto-risco.shtml</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> <a href="http://oglobo.globo.com/bairros/niteroi-tem-8904-pessoas-vivendo-em-area-de-risco-7980563#ixzz2Wsgnor2l" target="blank">http://oglobo.globo.com/bairros/niteroi-tem-8904-pessoas-vivendo-em-area-de-risco-7980563#ixzz2Wsgnor2l</a></p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> <a href="http://oglobo.globo.com/rio/moradores-dizem-nao-ter-opcao-7211341" target="blank">http://oglobo.globo.com/rio/moradores-dizem-nao-ter-opcao-7211341</a></p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,melhorar-a-cidade-nao-e-um-processo-revolucionario-diz-regina-meyer,981297,0.htm" target="blank">http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,melhorar-a-cidade-nao-e-um-processo-revolucionario-diz-regina-meyer,981297,0.htm</a></p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,areas-de-risco-,987276,0.htm" target="blank">http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,areas-de-risco-,987276,0.htm</a></p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Na not&iacute;cia &lsquo;Dif&iacute;cil &eacute; convencer fam&iacute;lia a sair, diz coordenador&rsquo;, publicada na <i>Folha de S. Paulo </i>em 03/12/12. <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/81573-dificil-e-convencer-familia-a-sair-diz-coordenador.shtml" target="blank">http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/81573-dificil-e-convencer-familia-a-sair-diz-coordenador.shtml</a></p>      ]]></body><back>
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<source><![CDATA[Sociedade de risco - Rumo a uma outra modernidade]]></source>
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