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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um olhar sobre as mobilidades de profissionais qualificados portugueses nos media estrangeiros]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims at problematizing how some international newspapers with global impact cover the phenomenon of Portuguese high skilled mobility in recent times. In this sense, the article is grounded in the literature about history, motivations and impacts of high skilled professionals as well as in studies concerning media coverage of migration phenomena. Assuming that high skilled mobility is a phenomenon of political and ideological relevance, the article presents the results provided by the analysis of a sample of international newspapers contents. The conclusions emphasise that media tend to describe the current mobility flows from Portugal, following a line or argumentation which is deep-rooted in colonial and imperialistic frames of representation through which mobility to countries such as Brazil and Angola, are presented as negative and depreciative.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Um olhar sobre as mobilidades de profissionais qualificados portugueses nos media estrangeiros</b></p>     <p><b>A look into the way foreign media cover Portuguese high skilled mobility</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Em&iacute;lia Ara&uacute;jo*, Filipe Ferreira**</b></p>     <p>*Professora Auxiliar da Universidade do Minho. Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais -Gualtar-4710-057 Braga, Portugal. (<a href="mailto:emiliararaujo@gmail.com">emiliararaujo@gmail.com</a> / <a href="mailto:era@ics.uminho.pt">era@ics.uminho.pt</a>)</p>     <p>**Mestre. Universidade do Minho,&nbsp;Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais -Gualtar-4710-057 Braga, Portugal. (<a href="mailto:filipevonnordeck@gmail.com">filipevonnordeck@gmail.com</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo versa sobre o modo como alguns jornais internacionais abordam o fen&oacute;meno da mobilidade de portugueses qualificados. Assente numa an&aacute;lise da literatura sobre a hist&oacute;ria, as motiva&ccedil;&otilde;es e os impactos da mobilidade de qualificados, assim como nos estudos sobre a cobertura medi&aacute;tica dos fen&oacute;menos migrat&oacute;rios, assume-se que a mobilidade dos profissionais qualificados constitui um fen&oacute;meno de relev&acirc;ncia politica e ideol&oacute;gica suscept&iacute;vel de v&aacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es. Nessa linha, e na base de um estudo dos conte&uacute;dos de v&aacute;rios jornais internacionais, conclui-se que o tratamento medi&aacute;tico do fen&oacute;meno da mobilidade de portugueses assenta em referenciais coloniais e imperialistas atrav&eacute;s dos quais as mobilidades para pa&iacute;ses como o Brasil e Angola s&atilde;o apresentadas como negativas e depreciativas.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: mobilidade, discurso, profissionais qualificados</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article aims at problematizing how some international newspapers with global impact cover the phenomenon of Portuguese high skilled mobility in recent times. In this sense, the article is grounded in the literature about history, motivations and impacts of high skilled professionals as well as in studies concerning media coverage of migration phenomena. Assuming that high skilled mobility is a phenomenon of political and ideological relevance, the article presents the results provided by the analysis of a sample of international newspapers contents. The conclusions emphasise that media tend to describe the current mobility flows from Portugal, following a line or argumentation which is deep-rooted in colonial and imperialistic frames of representation through which mobility to countries such as Brazil and Angola, are presented as negative and depreciative.</p>     <p><b>Keywords: </b>mobility, speech, skilled professionals</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A mobilidade de profissionais qualificados constitui um dos assuntos de relevo para o debate sobre a geopol&iacute;tica da ci&ecirc;ncia e da tecnologia no mundo (Ara&uacute;jo et al, 2013). Assistimos, em particular a partir da segunda guerra mundial, a v&aacute;rias discuss&otilde;es sobre a orienta&ccedil;&atilde;o dos fluxos migrat&oacute;rios e de mobilidade de profissionais qualificados realizados dos pa&iacute;ses &ldquo;colonizados&rdquo;, rumo aos &ldquo;colonizadores&rdquo;. Tamb&eacute;m no dom&iacute;nio da an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;ficas, o termo &ldquo;coloniza&ccedil;&atilde;o&rdquo; adquiriu v&aacute;rios sentidos, sendo apropriado como modo de significa&ccedil;&atilde;o dos processos de difus&atilde;o e expans&atilde;o dos resultados cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos.</p>     <p>Do ponto de vista econ&oacute;mico e, dir-se-ia, macroecon&oacute;mico, a mobilidade de qualificados sugere an&aacute;lises muito centradas sobre o tipo de capital que circula atrav&eacute;s da desloca&ccedil;&atilde;o pessoal e/ou virtual. Mas, tal como extensa literatura tem notado (entre outros, Salt, 1992; Peixoto, 1999), a mobilidade, enquanto desloca&ccedil;&atilde;o efetiva, resulta, na grande maioria das vezes, de processos de socializa&ccedil;&atilde;o e de &ldquo;canaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; das op&ccedil;&otilde;es e das tomadas de decis&atilde;o individuais, nos quais interv&ecirc;m fatores de ordem cultural, associados aos modos de relacionamento hist&oacute;rico entre pa&iacute;ses. Os primeiros estudos sobre a mobilidade de qualificados enfatizam a interfer&ecirc;ncia desta vari&aacute;vel hist&oacute;rica na formula&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es de partida de um pa&iacute;s em rela&ccedil;&atilde;o a outro. E enfatizam-na descrevendo, designadamente, dois pontos relativos aos movimentos de desloca&ccedil;&atilde;o de pessoas: que estas saem para &ldquo;ajudar&rdquo; o pa&iacute;s e a si mesmas; e que saem para ajudar os outros pa&iacute;ses optando, em primeira escolha, por pa&iacute;ses com os quais existe afinidade hist&oacute;rica materializada na partilha de uma l&iacute;ngua e de uma mem&oacute;ria comum.</p>     <p>Alguns estudos (Uriccio, 2008; Cogo e Badet, 2013; Ara&uacute;jo e Novordeck, 2013) t&ecirc;m indicado como os media podem ser meios poderosos no processo de constru&ccedil;&atilde;o de identidade a diversas escalas (individuais, nacionais e transnacionais). Este poder &eacute; ainda mais cicl&oacute;pico &agrave; medida que os seus conte&uacute;dos se tornam cada vez mais acess&iacute;veis a todo o mundo de forma din&acirc;mica e interativa, atrav&eacute;s de universos digitais que favorecem o surgimento e a co-presen&ccedil;a de uma pluralidade de significados e de interpreta&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Assim, este texto tem como objetivo problematizar como os discursos sobre os fluxos de mobilidade de altamente qualificados contribui para o debate sobre os territ&oacute;rios de significa&ccedil;&atilde;o e de constru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s colonial, estabelecendo algumas das principais caracter&iacute;sticas distintivas dos discursos cient&iacute;ficos, pol&iacute;ticos e medi&aacute;ticos que, de forma direta ou indireta, retomam os quadros de perce&ccedil;&atilde;o col&oacute;nias e imperialistas, criando alguns contextos de conflito identi&aacute;rio. Temos em aten&ccedil;&atilde;o, em particular, os contextos de relacionamento entre Portugal, Brasil e Angola. Confere-se especial aten&ccedil;&atilde;o ao papel dos media na constru&ccedil;&atilde;o de imagens e de representa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o unicamente sobre quem se move, mas, sobretudo, sobre os pa&iacute;ses de origem e de destino dessa mobilidade. Nessa linha, o artigo constitui uma produ&ccedil;&atilde;o reflexiva realizada com base na an&aacute;lise de resultados cient&iacute;ficos publicados acerca dos fluxos de mobilidade de altamente qualificados, incluindo, paralelamente, a an&aacute;lise dos principais eixos discursivos do tempo pol&iacute;tico presente acerca das mobilidades mais recentes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise de discurso contribui para a compreens&atilde;o da tem&aacute;tica proposta, ao permitir aceder &aacute;s macro-estruturas que sustentam as pr&aacute;ticas sociais dos atores, ao ponto de as apresentarem como naturais e espont&acirc;nea (Orlandi, 2005; P&ecirc;cheux, 2002; Van Dijk, 2005). Permite, nomeadamente, perceber como o fen&oacute;meno da mobilidade de qualificados aparece tratado como uma narrativa, n&atilde;o s&oacute; porque respeita uma cronologia, como introduz v&aacute;rios elementos &ldquo;dram&aacute;ticos&rdquo; na pr&oacute;pria &ldquo;hist&oacute;ria&rdquo;. Com efeito, como afirma Carvalho (2000: 146), a &ldquo;narrativa pode ser pensada como envolvendo uma ac&ccedil;&atilde;o, uma conclus&atilde;o ou resultado, personagens, e um palco ou quadro de ac&ccedil;&atilde;o&rdquo;.</p>     <p>O texto organiza-se tendo por base dois pontos centrais. Primeiro, uma apresenta&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica sobre a mobilidade de qualificados e sua relev&acirc;ncia na afirma&ccedil;&atilde;o das identidades nacionais. Num segundo ponto incide-se sobre as vias de desconstru&ccedil;&atilde;o dos discursos coloniais e a pertin&ecirc;ncia de criar novos contextos de relacionamento e de representa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A mobilidade de qualificados </b></p>     <p>A mobilidade efetiva de pessoas qualificadas entre pa&iacute;ses cujas rela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas passaram pelo fen&oacute;meno da coloniza&ccedil;&atilde;o est&aacute; envolta em v&aacute;rias considera&ccedil;&otilde;es de ordem classificativa e, pelo menos na segunda metade do s&eacute;culo XX, foi interpretada &aacute; luz dos processos etnoc&ecirc;ntricos que caracterizaram o modo como as sociedades foram sendo posicionadas numa escala temporal de tipo evolucionista e ao qual est&atilde;o ligadas as classifica&ccedil;&otilde;es centro/periferia e norte/sul. Deste ponto de vista, ali&aacute;s, a mobilidade dos qualificados seria entendida como algo que se justifica &agrave; luz da necessidade de os pa&iacute;ses centrais &ndash; implicitamente definidos como mais competitivos &ndash; expandirem a procura dos seus recursos em dire&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses mais perif&eacute;ricos e, em resultado, assumirem um papel pedag&oacute;gico sobre estes, especialmente oferecendo-se como centros de forma&ccedil;&atilde;o e de educa&ccedil;&atilde;o de excel&ecirc;ncia, podendo, assim, expandir tamb&eacute;m as suas vis&otilde;es pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas. Mantendo a terminologia, &eacute; nesse sentido que se entende que este debate centro/periferia englobe muito mais do que a divis&atilde;o imp&eacute;rios / colonizados e se estenda dentro dos pr&oacute;prios &ldquo;colonizadores&rdquo;. Algo que &eacute; evidente no contexto Europeu, marcado pela perman&ecirc;ncia de fluxos mais densos historicamente, dos pa&iacute;ses do sul, em rela&ccedil;&atilde;o aos do norte. Estes, identificados como pa&iacute;ses que revelam maior capacidade atrativa, n&atilde;o s&oacute; ao n&iacute;vel das ofertas de emprego, como ao n&iacute;vel da oferta de melhores possibilidades de desenvolvimento de carreiras e, assim, n&iacute;veis de vida superiores.</p>     <p>Expliquemos, a prop&oacute;sito, uma varia&ccedil;&atilde;o de enorme relev&acirc;ncia para a problem&aacute;tica.</p>     <p>Em muitos casos, os fluxos de mobilidade (e, por vezes, de emigra&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o predominantemente compostos de pessoas que procuram desenvolver n&iacute;veis superiores de aprendizagem noutros pa&iacute;ses. Portanto, a ideia subjacente &eacute; a de que, noutro pa&iacute;s, se podem desenvolver compet&ecirc;ncias e obter credenciais valorizadas nos pa&iacute;ses de origem, ainda que parte destes profissionais que se movem n&atilde;o tenha em vista regressar, pelo menos temporariamente. Estes movimentos classificam, sem d&uacute;vida, as rela&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses, sendo poss&iacute;vel destacar, ao longo da hist&oacute;ria, grandes fluxos de mobilidade entre pa&iacute;ses como China e Estados Unidos, M&eacute;xico e Estados Unidos, Pol&oacute;nia e Estados Unidos, Brasil e Portugal, ou mesmo, Portugal e Fran&ccedil;a e /ou Alemanha &ndash; neste caso, particularmente ao n&iacute;vel do ensino p&oacute;s-graduado &ndash; doutoramento e p&oacute;s-doutoramento. Alguns autores (Van Mol, 2008) apontam, justamente, a l&iacute;ngua e as afinidades culturais como duas grandes vari&aacute;veis explicativas dos destinos destas mobilidades. Trata-se, n&atilde;o obstante, de movimentos que tamb&eacute;m caraterizam diferentes atitudes dos indiv&iacute;duos e das fam&iacute;lias no quadro do seu posicionamento social, pois a mobilidade acad&eacute;mica &ndash; esta que acontece predominantemente em raz&atilde;o do ensino &ndash; &eacute;, na maior parte dos pa&iacute;ses, uma condi&ccedil;&atilde;o de sucesso pessoal e de acesso e/ou manuten&ccedil;&atilde;o do lugar nas elites dominantes, nos v&aacute;rios campos.</p>     <p>Mas, noutros casos, os fluxos de mobilidade dizem respeito a pessoas que j&aacute; possuem graus de ensino elevado e ou n&atilde;o conseguem obter emprego no seu pa&iacute;s de origem, ou tem conhecimento de melhores perspectivas noutros pa&iacute;ses, reconhecendo terem compet&ecirc;ncias capazes de serem valorizadas nesses contextos. Existem m&uacute;ltiplas varia&ccedil;&otilde;es no que se refere a este tipo de perfil, mas importa destacar, no seguimento dos objetivos deste texto, que este tipo de mobilidade implica, por norma, uma conota&ccedil;&atilde;o mais negativa para os pa&iacute;ses de origem, nomeadamente para dos seus governantes, considerados incapazes de prover condi&ccedil;&otilde;es de vida aos seus cidad&atilde;os, percebidos sendo obrigados a sair, sem que se considere, com efeito, as vari&aacute;veis sist&eacute;micas que contribuem para que a disposi&ccedil;&atilde;o do emprego e dos recursos no espa&ccedil;o f&iacute;sico adquira a forma que tem, normalmente desigual &ndash; com zonas centrais e atrativas e zonas em maior decl&iacute;nio.</p>     <p>De alguma forma, a cada fase de discuss&atilde;o p&uacute;blica da mobilidade dos qualificados &ndash; a que correspondem an&aacute;lises, reflex&otilde;es e cr&iacute;ticas sobre quem se move e por que motivo o faz e para onde &ndash; est&atilde;o impl&iacute;citas, pelo menos, duas discuss&otilde;es. Primeiro, acerca dos motivos por que os indiv&iacute;duos, sendo qualificados, saem de um pa&iacute;s para outro. Parte-se da hip&oacute;tese de que a mobilidade s&oacute; se desencadeia em virtude desses motivos que podendo ser de ordem religiosa, pol&iacute;tica ou social, s&atilde;o, principalmente, de ordem econ&oacute;mica. Segundo, acerca dos destinos geogr&aacute;ficos e pol&iacute;ticos escolhidos para onde esses indiv&iacute;duos se movem, na medida em que podem configurar territ&oacute;rios mais ou menos imaginados, mais ou menos conhecidos e sobre os quais recaem representa&ccedil;&otilde;es e ideias preconcebidas que carregam imagens de poder/subordina&ccedil;&atilde;o. V&aacute;rias composi&ccedil;&otilde;es cinematogr&aacute;ficas revisitam continuamente este padr&atilde;o representacional que dirige a escolha dos lugares, assim como o modo de os encarar.</p>     <p>&Eacute; pertinente destacar que, embora os motivos que tendem a explicar a mobilidade tenham sido o grande foco de aten&ccedil;&atilde;o da maior parte dos estudos, resulta importante identificar e explicitar os destinos para &ldquo;onde&rdquo; se faz a mobilidade, neles descortinando o espa&ccedil;o ocupado pelas representa&ccedil;&otilde;es e pelas mem&oacute;rias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A di&aacute;spora migrat&oacute;ria dos qualificados de um pa&iacute;s inscreve-se sempre em discursos de cr&iacute;tica e de frustra&ccedil;&atilde;o pela sa&iacute;da, entendida como &ldquo;obrigat&oacute;ria&rdquo;, mas tamb&eacute;m inscreve bastantes expetativas por parte de quem fica, relativamente &aacute; capacidade desses quadros qualificados serem agentes de constru&ccedil;&atilde;o da imagem externa desse pa&iacute;s, contribu&iacute;do para a sua afirma&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria. Isto partindo do princ&iacute;pio de que estes que saem e se movem para o estrangeiro, sendo qualificados e altamente qualificados, s&atilde;o portadores de conhecimentos e de saberes, n&atilde;o s&oacute; valorizados nesse espa&ccedil;o &ldquo;estranho&rdquo;, mas tamb&eacute;m sinalizadores das qualidades das institui&ccedil;&otilde;es e das pr&aacute;ticas dos pa&iacute;ses de origem.</p>     <p>Grande parte dos profissionais qualificados, incluindo os que se movem dentro de estruturas e/ou institui&ccedil;&otilde;es, tais como diplomatas, adidos, gestores em multinacionais, bancos, <i>lobing</i> e outras elites - recolhem a classifica&ccedil;&atilde;o de &ldquo;estrangeiros&rdquo; e, portanto, na ace&ccedil;&atilde;o de Rundell (2004), s&atilde;o as personagens principais do cosmopolitismo que se afirma discursivamente como eixo principal de pol&iacute;tica num futuro pr&oacute;ximo. Um eixo de &aacute;rdua operacionaliza&ccedil;&atilde;o, principalmente se considerarmos que grande parte da mobilidade que envolve qualificados &eacute; ainda explicada em fun&ccedil;&atilde;o da mobilidade do capital (Harvey,2007; Castree, 2007). Wallerstein (2004;2006), por exemplo, encara a &ldquo;fuga de c&eacute;rebros&rdquo; como uma consequ&ecirc;ncia da estrutura do mundo capitalista, que cria condi&ccedil;&otilde;es de crescimento econ&oacute;mico para alguns pa&iacute;ses e de subdesenvolvimento para outros, ao favorecer a aplica&ccedil;&atilde;o de diferentes formas de controlo de trabalho e de distribui&ccedil;&atilde;o do poder pol&iacute;tico. Afirma ainda que tal acontece porque o sistema capitalista assenta numa divis&atilde;o internacional do trabalho que determina as rela&ccedil;&otilde;es entre diferentes regi&otilde;es, bem como as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dentro de cada regi&atilde;o. Num outro estudo recente sobre o mesmo assunto, os fluxos de mobilidade s&atilde;o analisados em termos de &ldquo;centro&rdquo; e de &ldquo;periferia&rdquo;, sendo veiculada a ideia de que o centro (core) funciona sempre como atrator dos qualificados da periferia (Migu&eacute;lez e Moreno, 2013:4).</p>     <p>Assim, importa frisar que a mobilidade de qualificados tem sido um importante ve&iacute;culo de critica social acerca da pol&iacute;tica nacional e europeia na maioria dos pa&iacute;ses. Em Portugal, desde os exerc&iacute;cios de <i>hapenning</i>, encetados pelos jovens bolseiros de investiga&ccedil;&atilde;o no aeroporto de Lisboa, v&aacute;rios atores sociais tem vindo a protagonizar v&aacute;rias modalidades de cr&iacute;tica &agrave;s pol&iacute;ticas socioecon&oacute;micas atrav&eacute;s da exposi&ccedil;&atilde;o dos fen&oacute;menos de mobilidade dos qualificados. Exemplos dessa cr&iacute;tica constituem as mais recentes letras de m&uacute;sicas que dinamizam algumas comunidades online, de Pedro Abrunhosa e de Rui Unas. A primeira, apontando as dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses de acolhimento e a vontade de regressar a Portugal e aos &ldquo;bra&ccedil;os da m&atilde;e&rdquo;; a segunda, enfatizando a vertente &ldquo;obrigat&oacute;ria&rdquo; da mobilidade, de quem &ldquo;j&aacute; (n&atilde;o) quer voltar&rdquo;, face &aacute; impossibilidade de ter emprego em Portugal adequado &ldquo;as qualifica&ccedil;&otilde;es&rdquo;.</p>     <p>Enquanto esta discuss&atilde;o se vislumbra como um contexto privilegiado para a gera&ccedil;&atilde;o de significa&ccedil;&otilde;es diversas e, por vezes, contradit&oacute;rias, sobre o papel das pol&iacute;ticas e, tamb&eacute;m, sobre a tipologia das racionalidades individuais e motiva&ccedil;&otilde;es, surgem quest&otilde;es de enorme relev&acirc;ncia que importa desconstruir, no que respeita &aacute; imagem dos pa&iacute;ses mais sinalizados como receptores ou como centro de origem de qualificados.</p>     <p>Mesmo em contextos em que o paradigma da circula&ccedil;&atilde;o de c&eacute;rebros prevalece como forma de explica&ccedil;&atilde;o oficial atrav&eacute;s do qual a mobilidade surge retrata como foco de ganhos rec&iacute;procos para os pa&iacute;ses e indiv&iacute;duos envolvidos e diferentemente do que ocorre com outros pa&iacute;ses, os novos fluxos migrat&oacute;rios representam para os pa&iacute;ses outrora classificados como &ldquo;imp&eacute;rios&rdquo;, ou &ldquo;metr&oacute;poles&rdquo; e/ou &ldquo;col&oacute;nias&rdquo;, um enorme desafio no contexto da competi&ccedil;&atilde;o intensa por recursos que caracteriza a circula&ccedil;&atilde;o de capital humano, cientifico e tecnol&oacute;gico no mundo. Primeiro, um desafio pol&iacute;tico que se relaciona com o espa&ccedil;o conferido ao legado hist&oacute;rico e &aacute; forma e ao grau em que este interfere na articula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e medidas com impacto sobre a pr&oacute;pria mobilidade (reconhecimento de diplomas, atribui&ccedil;&atilde;o de visto, etc.). Segundo, um desafio cultural que se associa aos modos de constru&ccedil;&atilde;o e de reconstru&ccedil;&atilde;o das imagens e representa&ccedil;&otilde;es dos pr&oacute;prios pa&iacute;ses e povos e no qual est&atilde;o implicados tanto atores individuais (os que se movem e os residentes), como institui&ccedil;&otilde;es, governos e media.</p>     <p>A literatura sobre a mobilidade e qualificados esteve durante bastante tempo encerrada no debate acerca da drenagem de c&eacute;rebros e os fen&oacute;menos de desigualdade social e econ&oacute;mica com ela relacionados (Peixoto, 1999; G&oacute;is e Marques, 2007). Tal como Brandi (2001) explicita, esta literatura, com grande influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica, enfatizou durante bastante tempo a ideia da perda para o pa&iacute;s de origem que representa a mobilidade pessoas com qualifica&ccedil;&atilde;o, ou que buscam qualifica&ccedil;&otilde;es nos pa&iacute;ses de rece&ccedil;&atilde;o. Uma parte consider&aacute;vel destes estudos versam sobre a &aacute;rea da sa&uacute;de, uma das que mais implica&ccedil;&otilde;es e marcas vis&iacute;veis deixa nos pa&iacute;ses de origem (Shah, 2006).</p>     <p>Mais do que a &ldquo;perda&rdquo;, para os pa&iacute;ses de origem, a sa&iacute;da de profissionais chegou a ser classificada como mecanismo de dom&iacute;nio, por parte dos pa&iacute;ses mais desenvolvidos. Esta foi a linha de an&aacute;lise desenvolvida por v&aacute;rios autores, a partir do quadro gen&eacute;rico de Patkins (1968), um autor que recolhe ao r&oacute;tulo de &ldquo;nacionalista&rdquo;, ao argumentar em favor da necessidade de os estados imporem medidas que favore&ccedil;am a fixa&ccedil;&atilde;o de pessoas nacionais nos seus territ&oacute;rios e atraiam o regresso dos que sa&iacute;ram.</p>     <p>&Eacute; esta a linha de racioc&iacute;nio que tamb&eacute;m atravessa as reflex&otilde;es sobre a internacionaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e do ensino superior (Veiga, 2012: Amaral, 2013; Ara&uacute;jo e Silva, 2015). Alguns estudos mais espec&iacute;ficos para o contexto das rela&ccedil;&otilde;es entre os Estados Unidos da Am&eacute;rica e o resto do mundo enfatizaram, inclusive, que a pr&oacute;pria mobilidade oferece contextos de aprendizagem ideol&oacute;gica adaptada a sustentar a conforma&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses de origem e, principalmente, a estandardiza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas que levam &aacute; hegemonia de certos paradigmas com implica&ccedil;&otilde;es sobre a economia, a sociedade e a pol&iacute;tica. O alinhamento destes estudos carateriza-se por dar primazia &aacute; ideia de que, no contexto da afirma&ccedil;&atilde;o global e na luta pela obten&ccedil;&atilde;o de recursos, a n&iacute;vel mundial, a &ldquo;nacionalidade&rdquo; dos conhecimentos, dos capitais e dos produtos, &eacute; essencial. A prop&oacute;sito da ci&ecirc;ncia, Stoer e outros (2001) explicitam a complexidade que envolve as redes de depend&ecirc;ncia entre pa&iacute;ses, nas quais os indiv&iacute;duos e fam&iacute;lias s&atilde;o envolvidos:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;Situado numa encruzilhada de for&ccedil;as que o transcendem, o campo educativo surge com caracter&iacute;sticas afectadas por percursos hist&oacute;ricos do contexto em que tem lugar, surge influenciado por interesses e poderes econ&oacute;micos, pelas rela&ccedil;&otilde;es Estado/mercado, por orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas, por localiza&ccedil;&otilde;es mais ou menos centrais, e &eacute; ainda marcado por influ&ecirc;ncias do global e do local que nele conflituam&rdquo; (Stoer et al., 2001: 14).</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>H&aacute; uns anos a esta parte, e com a amplifica&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo, tem-se verificado a imposi&ccedil;&atilde;o de um alinhamento discursivo marcado pela preval&ecirc;ncia da tese atrav&eacute;s da qual surge vincada a necess&aacute;ria circula&ccedil;&atilde;o de capitais e, portanto, de pessoas e qualifica&ccedil;&otilde;es (Gaillard e Gaillard,1998; Moguer&eacute;u, 2006). Aliada a uma intensa valoriza&ccedil;&atilde;o do p&oacute;s-nacional e do transnacional, o discurso cient&iacute;fico tem-se combinado com o discurso pol&iacute;tico na express&atilde;o da mobilidade como condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria e essencial para a satisfa&ccedil;&atilde;o dos interesses e escolhas individuais, n&atilde;o realiz&aacute;veis nos contextos de origem. A marca dominante deste discurso considera os aspectos mais negativos apontados pela tese da &ldquo;fuga de c&eacute;rebros&rdquo; e desloca-os num sentido positivo e necess&aacute;rio. Trata-se de um complexo de argumentos gerados pela pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o da economia no mundo actual: tendencialmente desmaterializada e tendencialmente desenraizada em termos esp&aacute;cio-temporais, e no contexto da qual a mobilidade de pessoas surge como condi&ccedil;&atilde;o inerente e, portanto, quase n&atilde;o question&aacute;vel. Desde logo, o argumento principal &eacute; o de que a mobilidade de talentos n&atilde;o &eacute; uni, mas bi ou multidireccional, uma vez que conduz a uma partilha de benef&iacute;cios entre pa&iacute;ses de envio e de acolhimento (Solimano, 2008), al&eacute;m de tudo, porque se admite que os profissionais com sucesso no exterior acabam por contribuir para o desenvolvimento dos seus pr&oacute;prios pa&iacute;ses, na gera&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de redes de liga&ccedil;&atilde;o e de suporte &aacute; circula&ccedil;&atilde;o de ideias, produtos e servi&ccedil;os. Um vasto conjunto de literatura tem apostado nesta tese, procurando salientar os ganhos existentes nos recursos mobilidade para todas as partes.</p>     <p>S&atilde;o conhecidas algumas iniciativas de melhoria dos modos de relacionamento entre pa&iacute;ses no que respeita &aacute; gest&atilde;o da mobilidade de qualificados. No contexto europeu, a principal &eacute; a carta azul, a qual define algumas orienta&ccedil;&otilde;es gerais sobre o modo como os diferentes estados devem tratar a mobilidade dos qualificados (entrada e sa&iacute;da). Nos&iacute;tio oficial (europa.eu) l&ecirc;-se:</p>     <p>&ldquo;The EU Blue Card scheme helps attract highly qualified migrants to Europe, supporting Member States&#39; and EU companies&#39; efforts to fill gaps in their labour markets that cannot be filled by their own nationals, other EU nationals or legally resident non-EU nationals. It provides a common and simplified procedure applicable in the EU Member States bound by the Directive and ensures that potential migrants know what they need to do, whichever Member State they are planning to go to, rather than having to face 24 different systems&rdquo;.</p>     <p>Trata-se de uma legisla&ccedil;&atilde;o que fica atr&aacute;s da carta verde norte americana. Esta estipula condi&ccedil;&otilde;es de uso muito mais exequ&iacute;veis do que a europeia, facilitando a entrada de estrangeiros qualificados (Mosneaga, 2012:181), embora com uma diferen&ccedil;a significativa: enquanto na Europa, depois de cinco anos no pa&iacute;s se obt&eacute;m automaticamente a autoriza&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncia permanente, nos EUA esta obedece a um pedido expresso.</p>     <p>E, n&atilde;o obstante os objetivos protagonizados na carta, num dos &uacute;ltimos relat&oacute;rios sobre a Europa menciona-se, para o caso dos profissionais altamente qualificados, de xenofobia e de atitudes negativas face &agrave;queles:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;As for the Blue Card, it is at the moment an optimistic theoretical perspective rather than accessible reality. There are in fact many bureaucratic elements within this scheme that make it no much different from regular national work permits. There is not enough transparency and appropriate infrastructure for the legal regime around the Blue Card in the EU. The Blue Card scheme&rsquo;s implementation takes place at national labour markets and is at the discretion of national legislatures, institutions and bureaucrats. Different member states have different needs of high skill migrants and even when facing such needs may show a more (like Sweden) or less (like Germany) extrovert attitude for filling these needs. In addition the continuing uneasiness of the public opinion related to the crisis which fuels xenophobic discourses and an overall negative attitude towards immigrants makes a proactive implementation of high-skill migration policies in general and of the Blue Card scheme in particular rather unlikely in the current context&rdquo; (Isaakyan e&nbsp; Triandafyllidou, 2013:9).</blockquote>     <p></p>     <p>Diz-se ainda no referido relat&oacute;rio que:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&ldquo;Thus migrants are often perceived to be &ldquo;stealing jobs&rdquo; and high skill is being frequently confused in the public eye, with low skill migration. While high-skilled immigrants are much better accepted than low-skilled immigrants, their general rejection is still rapidly progressing throughout the EU.&rdquo; (Isaakyan e Triandafyllidou, 2013:4).</blockquote>     <p></p>     <p>Apesar da forte express&atilde;o destes discursos acerca da circula&ccedil;&atilde;o de pessoas qualificadas, v&aacute;rias an&aacute;lises realizadas em diversos contextos nacionais t&ecirc;m sublinhado a clara perda para os pa&iacute;ses de origem desencadeada pela mobilidade de qualificados. &Eacute; o caso do Ir&atilde;o, com forte mobilidade para os Estados Unidos da Am&eacute;rica e Canad&aacute; e, tamb&eacute;m, o caso de Israel que apresenta um perfil id&ecirc;ntico. Podem estender-se as cita&ccedil;&otilde;es, igualmente, a grande parte dos pa&iacute;ses africanos, asi&aacute;ticos e latino-americanos, especialmente M&eacute;xico, Equador e Argentina, isto apesar de serem cada vez mais conhecidos esfor&ccedil;os no sentido de dinamizar economicamente certas regi&otilde;es, como forma fixar as suas popula&ccedil;&otilde;es, como &eacute; o caso de algumas iniciativas em &Aacute;frica (Mohamoud, 2005).</p>     <p>Portugal foi continuamente caracterizado como um pa&iacute;s com dificuldade de atrac&atilde;o de quadros qualificados, muito particularmente de investigadores (Fontes, 2007; Ara&uacute;jo, 2007; Delicado, 2008,). Embora se identifiquem fluxos de chegada, sobretudo de pa&iacute;ses de express&atilde;o portuguesa, esta tend&ecirc;ncia tem-se mantido nos &uacute;ltimos anos, ao par do aumento da sa&iacute;da de jovens j&aacute; formados, ou em forma&ccedil;&atilde;o superior.</p>     <p>Neste texto pretende-se relacionar os fluxos de mobilidade e as suas explica&ccedil;&otilde;es com a sua apresenta&ccedil;&atilde;o nos media. Entende-se que estes s&atilde;o inst&acirc;ncias que interferem na constru&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es sobre os pa&iacute;ses e os profissionais envolvidos. Com efeito, Cogo e Badet (2013) problematizam a constru&ccedil;&atilde;o discursiva dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o brasileiros em rela&ccedil;&atilde;o a imigra&ccedil;&atilde;o de quadros qualificados que chegam ao Brasil, concluindo que as &ldquo;representa&ccedil;&otilde;es&rdquo; sobre esses profissionais os separam sobretudo, em fun&ccedil;&atilde;o do valor da sua qualifica&ccedil;&atilde;o profissional no pa&iacute;s de rece&ccedil;&atilde;o &ndash; neste caso, o Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota metodol&oacute;gica</b></p>     <p>A pesquisa realizada compreendeu o per&iacute;odo entre 2008 e 2014 e implicou quatro meios de comunica&ccedil;&atilde;o <i>on line</i>: a <i>BBC News, o Financial Times</i>, a <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i> e o <i>Jornal de Angola</i>. Os dois primeiros s&atilde;o reconhecidos pela reputa&ccedil;&atilde;o internacional, recolhendo um leque muito alargado de audi&ecirc;ncias. Os dois &uacute;ltimos foram escolhidos por serem tamb&eacute;m dois dos mais reputados jornais a circular em dois territ&oacute;rios - Brasil e Angola. Na procura de conte&uacute;dos na BBC<i> News</i> e no <i>Financial Times</i> foram usadas duas categorias - &ldquo;portuguese skilled migration&rdquo; e &ldquo;brain drain in Portugal&rdquo;. Na <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i> a pesquisa foi realizada mediante as seguintes categorias: &ldquo;portugueses qualificados no Brasil&rdquo; e &ldquo;fuga de c&eacute;rebros em Portugal&rdquo;. No <i>Jornal de Angola</i>, apenas se alterou a categoria anterior para &ldquo;portugueses qualificados em Angola&rdquo;. Em detalhe, foram recolhidos 36 conte&uacute;dos: 6 artigos da <i>BBC News </i>e 5 do <i>Financial Times</i>. Consideramos ainda 1 artigo da <i>France 24</i> e 1 no jornal norte-americano <i>San Francisco Gate</i>. Na base da pesquisa realizada atrav&eacute;s da rede de difus&atilde;o <i>Angonoticias</i>, foi considerado 1 artigo do <i>Jornal de Angola</i> e 1 do <i>Novo Jornal</i>. Do jornal brasileiro <i>O Globo</i> recolheram-se 14 artigos e 7 da <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>.</p>     <p>Orlandi (2005:11), baseado em P&ecirc;cheaux, afirma que &ldquo;todo o enunciado toda a sequ&ecirc;ncia de enunciados &eacute; linguisticamente descrit&iacute;vel como uma s&eacute;rie (l&eacute;xico - sintaticamente determinada) de pontos de deriva poss&iacute;veis, oferecendo lugar &aacute; interpreta&ccedil;&atilde;o) Tal como afirma Carvalho (2000:143) &ldquo;n&atilde;o h&aacute;, no &acirc;mbito da an&aacute;lise de discurso, um m&eacute;todo uniforme de desconstru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o dos textos (que &eacute;, no fundo, o que se processa em qualquer an&aacute;lise). Muitas abordagens n&atilde;o especificam sequer a forma de o fazer&rdquo;. Assim, depois de sistematizar a informa&ccedil;&atilde;o recolhida, procurou-se perspectivar e elaborar uma interpreta&ccedil;&atilde;o sobre esses &ldquo;conte&uacute;dos&rdquo;, seguindo o alinhamento da an&aacute;lise de discurso. Com esta op&ccedil;&atilde;o, a an&aacute;lise passou a n&atilde;o ficar concentrada apenas no que &eacute; dito, mas aberta &agrave; opacidade do que se diz. Na linha da argumenta&ccedil;&atilde;o de Orlandi (2005:11) procurando-se a &ldquo;compreens&atilde;o do que o sujeito diz em rela&ccedil;&atilde;o a outros dizeres, ao que ele n&atilde;o diz&rdquo;. Na an&aacute;lise efetuada aos conte&uacute;dos dos artigos recolhidos, al&eacute;m da estrutura e forma do discurso, teve-se em conta principalmente, a perspetiva e representa&ccedil;&otilde;es sobre a mobilidade internacional de quadros qualificados portugueses, especialmente para pa&iacute;ses de l&iacute;ngua oficial portuguesa, incluindo as representa&ccedil;&otilde;es, sentimentos e perspetivas em rela&ccedil;&atilde;o a Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Os discursos como pr&aacute;ticas: inversos e reversos</b></p>     <p>Referindo-se a Fairclough (2001), Fred (2013) considera que o discurso da globaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; excludente. Afirma tamb&eacute;m que o sentido (<i>meaning</i>) do que se diz num certo discurso reflete vit&oacute;rias e fracassos das lutas sociais passadas (Fairclough, 2001, p.73 <i>cit in</i> Fred, 2013:7). Numa linha id&ecirc;ntica, ao analisar os fen&oacute;menos de poder, Balandier (1992: 59) afirmara que &ldquo;as apar&ecirc;ncias que emergem do imagin&aacute;rio colectivo podem destruir as que s&atilde;o produzidas pela sociedade convertendo, assim, as ilus&otilde;es que mascaram a realidade em verdades expostas sob o modo ilus&oacute;rio, atrav&eacute;s de met&aacute;foras, figuras e alegorias fantasmagorias.&rdquo;</p>     <p>As vis&otilde;es e os processos de constitui&ccedil;&atilde;o das epistemologias de conhecimento, basilares para se perceber a formula&ccedil;&atilde;o do discurso, est&atilde;o, por norma, arreigados no principio da perman&ecirc;ncia e da const&acirc;ncia dos modos de funcionamento e de relacionamento que n&atilde;o contam com as mudan&ccedil;as e os processo de autonomiza&ccedil;&atilde;o politica e econ&oacute;mica. Quer dizer, os discursos, nas suas m&uacute;ltiplas varia&ccedil;&otilde;es, como conjunto de ideias, sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o e /ou de representa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o altamente vulner&aacute;veis &aacute; reprodu&ccedil;&atilde;o e ao refor&ccedil;o, mais do que &aacute; inova&ccedil;&atilde;o e &aacute; mudan&ccedil;a, particularmente porque, desse modo, se mant&ecirc;m ordens e rela&ccedil;&otilde;es de poder.</p>     <p>No plano desta discuss&atilde;o, a mobilidade de profissionais entre pa&iacute;ses com passados marcados por rela&ccedil;&otilde;es coloniais surgiria como fen&oacute;meno revelador de contornos bastante distintos dos que marcaram a economia capitalista ocidental. Mas, alguns discursos dominantes e que espelham o modo como os pa&iacute;ses &ndash; Portugal, em especifico os representados externamente est&atilde;o ultra carregados de adjetivos que, mais do que prometerem e afirmarem uma nova realidade, repetem, de forma deliberada as normaliza&ccedil;&otilde;es do passado, apenas mudando o sentido de dire&ccedil;&atilde;o, assim constituindo o discurso numa l&oacute;gica permanente de afirma&ccedil;&atilde;o linear:</p>     <p>     <blockquote>&rdquo;Now, in a historic role reversal, these <b>onetime empire builders</b> are seeing <b>legions of frustrated young people</b> head to <b>old dominions</b> in quest of a better life&rdquo;; l&ecirc;-se no jornal <i>San Francisco Gate</i> de 16 de Abril de 2011.</blockquote>     <p></p>     <p>A express&atilde;o &ldquo;revers&atilde;o hist&oacute;rica de papel&rdquo;, de todo o modo, surge dispersa em v&aacute;rios discursos, de tipo medi&aacute;tico e/ou pol&iacute;tico e mesmo reproduzidos na linguagem e nos discursos do senso comum, transportando todos os elementos de um discurso ideol&oacute;gico, reificado, normalizador.</p>     <p>Com efeito, trata-se de posicionar os pa&iacute;ses num plano espacio temporal est&aacute;tico, &ldquo;como se&rdquo; as condi&ccedil;&otilde;es estruturais de relacionamento entre esses mesmos pa&iacute;ses se tivessem mantido inalteradas ao longo do tempo. Objectivamente &ldquo;revers&atilde;o de papel&rdquo; significa invers&atilde;o de papel que &eacute; intencionalmente marcado como &ldquo;hist&oacute;rico&rdquo;, isto &eacute;, por outras palavras, de &ldquo;imp&eacute;rio&rdquo;, Portugal passa a &ldquo;col&oacute;nia&rdquo; e de &ldquo;velhos dom&iacute;nios&rdquo; os pa&iacute;ses que recebem os qualificados passam a &ldquo;a senhores&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A frase &eacute; ainda mais forte, ao mencionar-se, n&atilde;o claramente &ldquo;Portugal&rdquo; ou Espanha, mas &ldquo;estes construtores de imp&eacute;rio&rdquo; que &ldquo;agora v&ecirc;em&rdquo;, n&atilde;o muita gente, mas &ldquo;legi&otilde;es&rdquo;, n&atilde;o de pessoas, mas de &ldquo;jovens&rdquo;, sobretudo &ldquo;frustrados&rdquo;, para territ&oacute;rios que n&atilde;o s&atilde;o &ldquo;pa&iacute;ses&rdquo;, mas permanecem nominalizados como &ldquo;antigos dom&iacute;nios&rdquo;.</p>     <p>O mesmo padr&atilde;o discursivo &eacute; encontrado <i>BBC News</i>, 1 de Setembro de 2011, no qual se afirma, no mesmo registo &eacute;pico, que:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;Thousands of young unemployed professionals are escaping Portugal&#39;s crippling economic crisis by finding jobs in former colonies, such as Brazil and Angola. The reversal of traditional migration patterns is fuelling talk of a lost generation&quot;.&nbsp;</blockquote>     <p></p>     <p>Mas, em 2013 (26 de mar&ccedil;o), a mesma fonte reafirmaria:</p>     <p>     <blockquote>&quot;<b>Tens of thousands of Portuguese</b> are <b>seeking</b> work in places like Angola and Mozambique, countries which were <b>former colonies</b>. <b>Once again</b> it is engineers and those with specialist skills who <b>are gambling on a different future</b> outside Europe.&quot;</blockquote>     <p></p>     <p>De novo, observa-se o uso da palavra &ldquo;revers&atilde;o&rdquo;, mantendo o registo &eacute;pico marcado pelo plural indefinido &ldquo;milhares de&rdquo; que n&atilde;o &ldquo;saem&rdquo; de Portugal, mas &ldquo;escapam&rdquo;. Ainda mais incisivo, afirma-se como condi&ccedil;&atilde;o &ldquo;verificada&rdquo; que &ldquo;encontram empregos&rdquo; n&atilde;o apenas no Brasil e em Angola, mas em pa&iacute;ses &ndash; estes &ndash; que s&atilde;o &ldquo;antigas col&oacute;nias&rdquo;. A afirma&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica insiste no uso de &ldquo;revers&atilde;o&rdquo;, imprimindo ainda mais ironia ao &ldquo;deslocamento&rdquo; da imagem de Portugal que, assim, &ldquo;perde uma gera&ccedil;&atilde;o&rdquo;. A estrutura errante da narrativa &eacute; decisiva e marcante.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A juntar &agrave; dimens&atilde;o &eacute;pica marcada pela intensa &ldquo;revers&atilde;o&rdquo; (&ldquo;once again&rdquo;), a narrativa alimenta-se da necessidade de enfatizar o &ecirc;xodo, apostando na polariza&ccedil;&atilde;o: de um lado &ndash; da Europa, dos &ldquo;antigos imp&eacute;rios&rdquo;, est&aacute; tudo o que &eacute; mau e desgra&ccedil;a (&ldquo;criplling&rdquo;) e de outro, tudo que &eacute; supostamente perspectivado como melhor, da parte de quem efetua mobilidade, mas n&atilde;o conhecido pelo enunciante do discurso, pois o quadro que apresenta &eacute; de aposta, de jogo, de algo arriscado (&ldquo;gambling&rdquo;).</p>     <p>&Eacute; ainda na BBC News que, em 4 de Abril de 2013, se afirma, com o titulo &quot;Portugal&#39;s unemployed heading to Mozambique &quot;paradise&quot;:</p>     <p>     <blockquote>&quot;The 39-year-old, who has a master&#39;s degree in tourism, left her Algarve home for a life in the coastal Mozambique town of Vilanculos four years ago after a three-month job hunt in her native country ended in failure.&quot;</blockquote>     <p></p>     <p>&Agrave; medida que passa o tempo e a narrativa se desenvolve de 2011 a 2013 observa-se uma certa converg&ecirc;ncia discurso, no sentido do car&aacute;cter b&iacute;blico da mobilidade, que surge apresentada, ainda assim, de modo ir&oacute;nico, percept&iacute;vel nas aspas que limitam a palavra &ldquo;para&iacute;so&rdquo;.</p>     <p>Usando a problematiza&ccedil;&atilde;o elaborada por Djik (1998), constata-se a exist&ecirc;ncia de uma estrutura discursiva pautada e constitu&iacute;da pelo apropria&ccedil;&atilde;o de passados hist&oacute;ricos, reconstitu&iacute;dos como guias de observa&ccedil;&atilde;o para as realidades novas, n&atilde;o apenas porque se verificam no tempo presente, mas porque acontecem sob modos de relacionamento e sobre padr&otilde;es identit&aacute;rios nacionais e coletivos efetivamente distintos. Desde logo, conv&eacute;m precisar que a express&atilde;o &ldquo;padr&otilde;es tradicionais de imigra&ccedil;&atilde;o&rdquo; refor&ccedil;a o padr&atilde;o de continuidade temporal, n&atilde;o tendo subst&acirc;ncia emp&iacute;rica condizente, dada a relatividade do adjectivo &ldquo;tradicional&rdquo;. Isto &eacute;, assume-se haver/ter havido uma &ldquo;tradi&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como refor&ccedil;o da tese do &ldquo;regresso/invers&atilde;o), mas essa tradi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; demonstrada, nem demonstr&aacute;vel (simplesmente porque n&atilde;o existe enquanto tal, isto &eacute;, houve e h&aacute; ao longo da hist&oacute;ria do relacionamento Brasil-Portugal-Angola vagas diferentes, com percursos e dire&ccedil;&otilde;es vari&aacute;veis, ao longo do tempo).</p>     <p>O mesmo padr&atilde;o de continuidade surge constatado na forma como se afirma a partilha de uma certa &ldquo;lei hist&oacute;rica&rdquo; que conduz os qualificados a moverem-se dos pa&iacute;ses que continuam a ser classificados como &ldquo;menos desenvolvidos&rdquo;, para os &ldquo;mais desenvolvidos&rdquo;. A frase que se cita a seguir, do <i>Financial Times</i>, de 18 de mar&ccedil;o de 2012, evidencia essa perman&ecirc;ncia representacional, ao afirmar que a ida de portugueses para Angola n&atilde;o se inscreve nesse alinhamento evolutivo, pois, em &ldquo;vez&rdquo; de serem os africanos a deixarem as suas na&ccedil;&otilde;es, verifica-se o que implicitamente surge classificado como o &ldquo;contr&aacute;rio&rdquo;:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;The phenomenon is in many ways <b>a reverse brain drain</b> &ndash; <b>instead</b> of qualified Africans leaving for <b>developed nations</b>, many of those <b>beginning new lives</b> in Mozambique are professionals, including dentists, lawyers, architects and engineers.&rdquo;</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>No dia 13 de maio de 2013 escreve-se num num artigo sugestivamente intitulado &ldquo;novos gringos&rdquo; vinca esta ideia de retorno da hist&oacute;ria e de ajuste de contas, n&atilde;o de Portugal, mas da Europa com o mundo, progredindo no limite temporal, indo at&eacute; ao in&iacute;cio do s&eacute;culo XX:</p>     <p>&quot;Diante do aperto no mercado de trabalho, o governo federal est&aacute; se mexendo para facilitar e incentivar a imigra&ccedil;&atilde;o de profissionais estrangeiros. Faltam m&eacute;dicos, engenheiros, t&eacute;cnicos. <b>O que faz lembrar os tempos</b> em que S&atilde;o Paulo <b>assumiu a lideran&ccedil;a</b> <b>da importa&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra europeia</b>, na passagem do s&eacute;culo 19 para o 20&quot;</p>     <p>&Eacute;, ali&aacute;s, no Folha de S.Paulo, de 8 de Setembro de 2012 aparece assim tratada a opini&atilde;o de Paulo Portas, ministro dos neg&oacute;cios estrangeiros de Portugal, a qual se situa, igualmente, no mesmo registo dual:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;O Brasil deve <b>retribuir</b> o que fizemos por dentistas, diz chanceler de Portugal&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Em Junho de 2012, o mesmo jornal apresentava um artigo escrito por um jornalista em que este apresenta a mobilidade como um meio de os sistemas em crise encontrarem pontos de equil&iacute;brio, mantendo a estrutura discursiva alinhava pela repeti&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria, &ldquo;refazendo os passos&rdquo;.</p>     <p>     <blockquote>&nbsp;&quot;But I hope that plenty of ambitious young Europeans do take up Oliveira&rsquo;s suggestion to pack their bags, at least for a while. <b>A century ago, entrepreneurial Europeans headed to the &ldquo;colonies&rdquo;</b>. <b>Retracing those steps</b>, as those ex-colonies <b>swell in might, </b>is not so odd. Migration has been a powerful force for growth in human history. Fluid flows may yet be a means for a profoundly <b>unbalanced</b> global economy to <b>rebalance </b>itself.&quot;</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>A imprensa Angolana apresenta algumas demonstra&ccedil;&otilde;es desse padr&atilde;o, evidenciado pelo uso do mesmo termo &ldquo;invers&atilde;o&rdquo;. Os media n&atilde;o exploraram em profundidade os conte&uacute;dos relativos &aacute; entrada de Portugueses em Angola que &eacute; coincidente com o crescimento daquele pa&iacute;s e tamb&eacute;m com a deslocaliza&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o de empresas estrangeiras naquele territ&oacute;rio. Tamb&eacute;m n&atilde;o deram conta da vontade de regresso a Angola por parte de muitos portugueses nascidos ali, em sessenta.</p>     <p>No caso especifico de Angola, mais do que o que acontece nos media Brasileiros, o tema da coopera&ccedil;&atilde;o surge bastante evidenciado nos artigos pesquisados, embora seja mais presente justamente nos conte&uacute;dos cujos enunciantes s&atilde;o pol&iacute;ticos. Por exemplo, a 10 de Maio de 2010, o vice-ministro da sa&uacute;de angolano era citado no jornal de Angola, por afirmar:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;Esta coopera&ccedil;&atilde;o vai fazer com que os nossos t&eacute;cnicos participem em projectos de investiga&ccedil;&atilde;o em benef&iacute;cio dos dois povos&rdquo; (&hellip;) &ldquo;Angola e Portugal precisam de incrementar a coopera&ccedil;&atilde;o no ramo da Sa&uacute;de para corresponder ao n&iacute;vel das nossas rela&ccedil;&otilde;es&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Mas &eacute; verific&aacute;vel a mesma tend&ecirc;ncia de valoriza&ccedil;&atilde;o do fluxo em dire&ccedil;&atilde;o a Angola como mecanismo de mudan&ccedil;a de posi&ccedil;&otilde;es no tabuleiro hist&oacute;rico.</p>     <p>Afirma-se no <i>Jornal de Not&iacute;cias</i>, de 3 de Mar&ccedil;o de 2009 (com difus&atilde;o no Angonot&iacute;cias de 10 de mar&ccedil;o) que &ldquo;Nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, registou-se uma invers&atilde;o nos fluxos migrat&oacute;rios entre Portugal e Angola. (&hellip;)&rdquo;</p>     <p>Narrativa semelhante espelha-se no jornal <i>Folha de S. Paulo</i>. A 4 de Novembro de 2011, sob o t&iacute;tulo &quot;O mundo d&aacute; voltas&quot;, a jornalista afirmava:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&ldquo;O mundo efetivamente <b>d&aacute; voltas</b>. Houve um <b>tempo long&iacute;nquo</b> em que o Brasil era um <b>o&aacute;sis para portugueses que n&atilde;o tinham onde cair mortos</b>. Houve um tempo, at&eacute; recente, em que <b>Portugal foi um o&aacute;sis para os brasileiros sem perspectiva -de renda e de vida</b>&rdquo;. Na mesma pe&ccedil;a, a jornalista explicita que &quot;E eis que, com a crise econ&ocirc;mica internacional, a dire&ccedil;&atilde;o da migra&ccedil;&atilde;o <b>volta a se inverter</b>.&quot;</blockquote>     <p></p>     <p>Estamos em presen&ccedil;a do mesmo tipo de estrutura narrativa, atrav&eacute;s da qual a hist&oacute;ria surge apresentada como um fluxo de ciclos que se repetem, que <i>regressam</i>, de onde se extraem sobretudo, &ldquo;li&ccedil;&otilde;es&rdquo; e de podem acontecer &ldquo;ajustes de contas&rdquo;. Alem disso, a narrativa, delimita-se entre posi&ccedil;&otilde;es de poder din&acirc;micas, &agrave;s quais subjaz uma ancoragem temporal centrada na imprevisibilidade do futuro: os mesmos que &ldquo;dominam&rdquo; num certo per&iacute;odo, podem ser os que precisam de ajuda, noutro, tal como se observa na Folha de S. Paulo (4 de Novembro de 2011):</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;Em vez de s&oacute; os brasileiros tentarem uma vida melhor no Primeiro Mundo, cidad&atilde;os dos pa&iacute;ses ricos e tamb&eacute;m (ou principalmente) da Am&eacute;rica Latina, da &Aacute;frica e da &Aacute;sia fazem o caminho <b>inverso</b>. Conv&eacute;m discutir seriamente a quest&atilde;o da mobilidade nesses tempos de globaliza&ccedil;&atilde;o. Hoje, <b>eles</b> &eacute; que precisam entrar aqui. Amanh&atilde;, somos <b>n&oacute;s</b> que precisaremos entrar l&aacute; de novo. Nunca se sabe&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>No mesmo jornal, do mesmo dia (4 de Novembro de 2011), &eacute;, ali&aacute;s, citado o c&ocirc;nsul do Brasil em Lisboa, cuja afirma&ccedil;&atilde;o segue o mesmo sentido, embora refor&ccedil;ado, por um lado, pela nomea&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno da mobilidade como &ldquo;fuga de c&eacute;rebros&rdquo; e, por outro, por uma certa ideia sobre a posi&ccedil;&atilde;o de privil&eacute;gio do Brasil, por receber os portugueses:</p>     <p>     <blockquote>&nbsp;&quot;S&atilde;o pessoas cada vez mais especializadas. Constitui uma de fuga de c&eacute;rebros, <b>mas desta vez</b> o destino &eacute; o Brasil. <b>N&atilde;o &eacute; uma migra&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses menos desenvolvidos</b> para os pa&iacute;ses ricos, como se dizia nos anos 60&quot;</blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta breve an&aacute;lise de alguma imprensa internacional &ndash; justamente, imprensa que tem capacidade para produzir discursos com alto potencial de performatividade no contexto dos modos de relacionamento social e pol&iacute;tico entre povos, veicula, assim, uma estrutura que se afirma ainda nos contextos de a&ccedil;&atilde;o quotidiana, da experi&ecirc;ncia de vida dos sujeitos.</p>     <p>Um estudo realizado acerca da trajet&oacute;ria de investigadores portugueses e tamb&eacute;m de estrangeiros em Portugal mostra que ficam vincadas no discurso, quando o assunto s&atilde;o as experiencias de quem vive contextos que envolvem passados coloniais, as refer&ecirc;ncias a esse passado como utens&iacute;lio de justifica&ccedil;&atilde;o, servem para um exerc&iacute;cio de constante posicionamento/auto posicionamento dos sujeitos, carregado de algumas indefini&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m de preconceitos que ora (auto) valorizam, ora (auto) inferiorizam.</p>     <p>Interessante &eacute; verificar que estes processos cont&iacute;nuos de autodefini&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o marcados por hegemonias identit&aacute;rias nas quais seja perfeitamente defin&iacute;vel quem &eacute; o &ldquo;n&oacute;s&rdquo; e quem s&atilde;o &ldquo;eles&rdquo;. S&atilde;o dispersos e variam at&eacute; de acordo com o conhecimento dos pr&oacute;prios atores sobre esse mesmo passado colonial e, sobretudo, variam dentro dos pr&oacute;prios grupos brasileiros/angolanos/portugueses, sendo observ&aacute;vel o efeito de quem, como estrangeiro, se v&ecirc; fora do grupo de portugueses (estando l&aacute;) e do grupo de estrangeiros (estando c&aacute;), muito concretamente, partir dos discursos produzidos e conduzidos pelos media.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota final</b></p>     <p>A observa&ccedil;&atilde;o da imprensa estrangeira, particularmente de pa&iacute;ses centrais que acumulam passados como pot&ecirc;ncias imperialistas, d&aacute; conta do tom reificado do discurso preso, n&atilde;o s&oacute; porque se refere &agrave; &ldquo;necess&aacute;ria&rdquo; depend&ecirc;ncia das col&oacute;nias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s metr&oacute;poles, ou seja dos &ldquo;menos&rdquo; desenvolvidos em rela&ccedil;&atilde;o aos &ldquo;mais&rdquo; desenvolvidos, mas, tamb&eacute;m e ironicamente, &aacute; ideia da depend&ecirc;ncia dos mais desenvolvidos em rela&ccedil;&atilde;o ao menos desenvolvidos, protagonizando-se o que se afirma no discurso como movimento &ldquo;inverso&rdquo;.</p>     <p>Como se observa, libertar o pensamento da sua tonalidade colonial n&atilde;o &eacute; um processo f&aacute;cil, at&eacute; porque ela se enra&iacute;za em afirma&ccedil;&otilde;es de poder altamente constitutivas dos modos de relacionamento entre sociedades. Apesar da vasta literatura que percorre os v&aacute;rios pa&iacute;ses envolvidos em passados coloniais, &eacute; evidente a necessidade de aprofundar os modos pelos quais este passado &eacute; re-atualizado e a import&acirc;ncia que representam na constru&ccedil;&atilde;o de caminhos de futuro. Neste texto, que tem um car&aacute;ter introdut&oacute;rio e explorat&oacute;rio, pretendeu-se mostrar as vulnerabilidades que assistem a alguns pa&iacute;ses com experiencias de coloniza&ccedil;&atilde;o, no que concerne ao modo como os discursos e as linguagens com poder de modela&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o global vincam a presen&ccedil;a e a perman&ecirc;ncia de classifica&ccedil;&otilde;es expressivas e/ou reivindicativas desse passado colonial e sua suposta capacidade constitutiva no presente. Incidiu-se esta reflex&atilde;o no contexto da an&aacute;lise das imagens, discursos e alguma experiencias de profissionais qualificados em mobilidade.</p>     <p>Observou-se que, de um fen&oacute;meno entend&iacute;vel na sua estrita dimens&atilde;o pessoal, como projeto que resulta da avalia&ccedil;&atilde;o dos custos e oportunidades oferecidas pelo percurso de sa&iacute;da mais ou menos tempor&aacute;ria, passamos para a sua problematiza&ccedil;&atilde;o enquanto eixo de defini&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria, enquanto n&oacute;dulo de significa&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas que ap&otilde;em os posicionamentos auto atribu&iacute;dos entre pa&iacute;ses. Nesse sentido, interessa diagnosticar o estado das representa&ccedil;&otilde;es sociais sobre o fen&oacute;meno e criar espa&ccedil;os de reflexividade global, em particular em rela&ccedil;&atilde;o aos autores e protagonistas de discursos com poder, prop&iacute;cios &aacute; inova&ccedil;&atilde;o discursiva que permita aos discursos dominantes (e massificados) sair das c&aacute;psulas coloniais e etnoc&ecirc;ntricas. Este projeto, especialmente orientado para a an&aacute;lise dos discursos medi&aacute;ticos, &eacute; ainda mais pertinente no contexto das rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem no dom&iacute;nio da ci&ecirc;ncia, ensino e investiga&ccedil;&atilde;o, &aacute;reas marcadas pelas mobilidades de curta e de longa dura&ccedil;&atilde;o e sobre as quais recaem esperan&ccedil;as futuras de constru&ccedil;&atilde;o de comunidades genuinamente comunicativas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Amaral, Alberto; Magalh&atilde;es, Ant&oacute;nio, Veiga, Am&eacute;lia e Rosa, Maria Jo&atilde;o Lu&iacute;s. Processos de internacionaliza&ccedil;&atilde;o e o ensino superior portugu&ecirc;s, in P. Teixeira (ed.) (2013). A<i> Universidade do Porto e a internacionaliza&ccedil;&atilde;o</i>, Porto:Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1646-5954201500020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ara&uacute;jo, E. (2007). Why Portuguese students go abroad to do their PhDs<i>&quot;, Higher Education in Europe</i>, 4, 32: 387 - 397.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1646-5954201500020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ara&uacute;jo, E. e Silva, S. (2015). Temos de fazer um cavalo de Troia: elementos para compreender a internacionaliza&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o e do ensino superior, <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o</i>, 60 (prelo).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1646-5954201500020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ara&uacute;jo, E., Fontes, Margarida e Bento, Sofia (2013). <i>Debater a mobilidade e a fuga de c&eacute;rebros</i>. Braga: CECS&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1646-5954201500020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Balandier, G. (1992). <i>O Poder em Cena</i>. Coimbra: Minerva Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1646-5954201500020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brandi, M. C. (2001). <i>The evolution in theories of the brain drain and the migration of skilled personnel</i>. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.irpps.cnr.it/sito/download/the%20evolution%20study.pdf" target="blank">http://www.irpps.cnr.it/sito/download/the%20evolution%20study.pdf</a>. Acesso em 20 de Novembro de 2009&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1646-5954201500020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carvalho, A. (2000). Op&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas em an&aacute;lise do discurso. <i>Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade </i>2, <i>Cadernos do Noroeste</i>, S&eacute;rie Comunica&ccedil;&atilde;o, 14, 1-2, 143-156&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1646-5954201500020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Castree, Noel (2007). <i>David Harvey: Marxism, Capitalism and the Geographical Imagination</i>: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1646-5954201500020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Cogo, D. e&nbsp; Badet, M.(2013). &ldquo;De bra&ccedil;os abertos&hellip;A constru&ccedil;&atilde;o m&iacute;diatica da imigra&ccedil;&atilde;o qualificada e do Brasil como pa&iacute;s de imigra&ccedil;&atilde;o&rdquo; <i>in: </i>Em&iacute;lia Ara&uacute;jo, Margarida Fontes, Sofia Bento (eds.),<i> Para um debate sobre a Mobilidade e Fuga de C&eacute;rebros,</i> 32-57, Braga, CECS. Dispon&iacute;vel em : <a href="http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/1577" target="blank">http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/1577</a> (Acedido a 8 de Agosto de 2013).</p>     <p>Comiss&atilde;o Europeia (2011). &#39;Blue Card&#39; &ndash; Work permits for highly qualified migrants 6 Member States fail to comply with the rules, Press Release&nbsp;&nbsp; Dispon&iacute;vel em <a href="http://europa.eu/rapid/press-release_IP-11-1247_en.htm" target="blank">http://europa.eu/rapid/press-release_IP-11-1247_en.htm</a>&nbsp;&nbsp; (Acesso a 2 de Fevereiro de 2014)</p>     <!-- ref --><p>Davenport, S. (2003). Panic and Panacea: Brain Drain and Science and Techonology Human Capital, <i>Research Policy</i>, 33, 617-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1646-5954201500020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Delicado, A. (2008). Cientistas portugueses no estrangeiro: Factores de mobilidade e rela&ccedil;&otilde;es de di&aacute;spora&#8214;. <i>Sociologia, Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</i>, 58, pp. 109-129.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1646-5954201500020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dijk, Van, T.A. (1998). <i>Ideology. </i><i>A Multidisciplinary Approach, </i>London: Sage Publication Ltd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S1646-5954201500020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fontes, M. (2007). Scientific mobility policies: how Portuguese scientists envisage the return home, <i>Science and Public Policy</i>, 34,4, 284-298.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1646-5954201500020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gaillard, A. M. e Gaillard, J. (1998). The International Circulation of Scientists and Technologists - A Win-Lose or Win-Win Situation?. <i>Science Communication</i>, 20, 1, 106-115.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1646-5954201500020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>G&oacute;is, P. e Marques, J. C. (2007). <i>Estudo Prospectivo sobre Imigrantes Qualificados em Portugal</i>, Observat&oacute;rio da Imigra&ccedil;&atilde;o &ndash; Alto-Comissariado para a Imigra&ccedil;&atilde;o e Di&aacute;logo Intercultural, Novembro 2007, Lisboa. Dispon&iacute;vel em: &nbsp;<a href="http://www.oi.acidi.gov.pt/docs/Estudos%20OI/Estudo_OI_24.pdf" target="blank">http://www.oi.acidi.gov.pt/docs/Estudos%20OI/Estudo_OI_24.pdf</a>. (Acedido a 15 de Janeiro de 2010.</p>     <!-- ref --><p>Harvey, D. (2007) <i>A Brief History of Neoliberalism</i>. Oxford: Oxfor University Press&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1646-5954201500020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Isaakyan. I. e Triandafyllidou, A. (2013).&nbsp; High-Skill Mobility: Addressing the Challenges of a&nbsp; Knowledge-Based Economy at times of Crisis . Floren&ccedil;a: Instituto Universit&aacute;rio Europeu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1646-5954201500020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Moguer&eacute;u, P. (2006). The brain drain of PhDs from Europe to the United States: What we know and what we would like to know, <i>Eui Working Papers</i>, RSCAS n&ordm; 2006/11, 1-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1646-5954201500020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mohamoud, A.A. (2005). <i>Reversing the Brain Drain in Africa</i>. NUFFIC, Amsterdam: SAHAN Wetenschappeljik&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1646-5954201500020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mosneaga, Silvia (2012). <i>Building a more attractive Europe. The Blue Card experience&nbsp;. </i>Dispon&iacute;vel &nbsp;em: <a href="http://arts.eldoc.ub.rug.nl/FILES/publications/general/Euroculture/2012/Europeans/Theme3/167SilviaMosneaga.pdf" target="blank">http://arts.eldoc.ub.rug.nl/FILES/publications/general/Euroculture/2012/Europeans/Theme3/167SilviaMosneaga.pdf</a>&nbsp; (Acedido a 13 de Janeiro de 2014).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S1646-5954201500020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Orlandi, E.(2005). Estudos da lingua(gem): Michel P&ecirc;cheux e a An&aacute;lise de Discurso, <i>Vit&oacute;ria da Conquista</i>, 1:9-13. Dispon&iacute;vel em: <a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Investigador.MOBILPIHM/Os%20meus%20documentos/orlandi.pdf" target="blank">file:///C:/Documents%20and%20Settings/Investigador.MOBILPIHM/Os%20meus%20documentos/orlandi.pdf</a></p>     <p>Pattkins, D. (1968). A &ldquo;Nationalist&rdquo; Model&rdquo; In: Walter Adams (editor), Brain Drain, New York: The Macmilan Company</p>     <!-- ref --><p>Peixoto, Jo&atilde;o (1999). <i>A mobilidade internacional dos quadros: migra&ccedil;&otilde;es internacionais, quadros e empresas transnacionais em Portugal</i>, Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S1646-5954201500020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rundell, John (2004). Strangers, Citizens and Outsiders: Otherness, Multiculturalism and the Cosmopolitan Imaginary in Mobile Societies, <i>Thesis Eleven</i>, 78:&nbsp;85-101&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1646-5954201500020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>S.A. (2009). Portugueses em Angola quadruplicaram, <i>Angonot&iacute;cias</i>, 10 de Mar&ccedil;o. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.angonoticias.com/Artigos/item/21557" target="blank">http://www.angonoticias.com/Artigos/item/21557</a> (Acedido a 5 de Dezembro de 2012).</p>     ]]></body>
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