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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Utilização da Internet e do Facebook pelos mais velhos em Portugal: estudo exploratório]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The use of the Internet and Facebook by the elders in Portugal: an exploratory study]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article is focused on the interests and motivations of Portuguese older people to use the Internet and Facebook. Although the increasing mediation of society through the use of technology and the aging of the population are two main society trends, few studies have been analyzing the use of information and communication technologies by senior citizens. We reflect about the digital divide, the network society and the aging of the population while also trying to understand how literacy issues, age related biological limitations and motivations keep older people away from using the Internet. This article is an exploratory and qualitative study, conducted with four senior citizens living in the Lisbon area and being users of the Internet and Facebook. More than information, the elders that go online seem to seek access to their personal contacts and memories. There seems to be also some lack of interest in the contents and the lines of technology probably related to certain generational values and preferences (Arnoldi & Colombo, 2007) that are not represented on the Internet, which is shaped by generations with more digital literacies.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet e do Facebook pelos mais velhos em Portugal: estudo explorat&oacute;rio</b></p>     <p><b>The use of the Internet and Facebook by the elders in Portugal: an exploratory study</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Catarina Rebelo*</b></p>     <p>*Catarina Rebelo, Assistente de Investiga&ccedil;&atilde;o, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos de Sociologia &ndash; Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (ISCTE-IUL), 1649-026, Lisboa, Portugal. (<a href="mailto:catarina.c.rebelo@gmail.com">catarina.c.rebelo@gmail.com</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Embora a crescente centraliza&ccedil;&atilde;o nas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o e o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o sejam duas das principais tend&ecirc;ncias sociais, poucos estudos se t&ecirc;m dedicado a analisar a rela&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o mais velha com a Internet.</p>     <p>Este artigo foca-se nos utilizadores seniores portugueses da Internet e do Facebook e nos seus interesses e motiva&ccedil;&otilde;es para a utiliza&ccedil;&atilde;o destas ferramentas.</p>     <p>Refletindo sobre os fen&oacute;menos de exclus&atilde;o digital, da sociedade em rede e do envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o este artigo analisa de que forma as quest&otilde;es de literacia, limita&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas associadas &agrave; idade e a motiva&ccedil;&atilde;o contribuem para o afastamento dos mais velhos da Internet.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo &eacute; um estudo explorat&oacute;rio de abordagem qualitativa, realizado com quatro seniores residentes da &aacute;rea da grande Lisboa utilizadores da Internet e do Facebook.</p>     <p>Mais do que informa&ccedil;&atilde;o, os mais velhos parecem procurar online acesso a contactos pessoais e &agrave;s suas mem&oacute;rias. Parece tamb&eacute;m existir algum desinteresse pelos conte&uacute;dos e contornos da tecnologia provavelmente relacionado com a partilha geracional de determinados valores e prefer&ecirc;ncias (Arnoldi &amp; Colombo 2007) que n&atilde;o est&atilde;o representados na Internet, moldada por gera&ccedil;&otilde;es com mais literacias digitais.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior; exclus&atilde;o digital; Internet; Facebook; sociedade em rede.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article is focused on the interests and motivations of Portuguese older people to use the Internet and Facebook.</p>     <p>Although the increasing mediation of society through the use of technology and the aging of the population are two main society trends, few studies have been analyzing the use of information and communication technologies by senior citizens.</p>     <p>We reflect about the digital divide, the network society and the aging of the population while also trying to understand how literacy issues, age related biological limitations and motivations keep older people away from using the Internet.</p>     <p>This article is an exploratory and qualitative study, conducted with four senior citizens living in the Lisbon area and being users of the Internet and Facebook.</p>     <p>More than information, the elders that go online seem to seek access to their personal contacts and memories. There seems to be also some lack of interest in the contents and the lines of technology probably related to certain generational values and preferences (Arnoldi &amp; Colombo, 2007) that are not represented on the Internet, which is shaped by generations with more digital literacies.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Key-words:</b> old people; digital divide; Internet; Facebook; network society.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A sociedade em rede, em que vivemos, &eacute; tamb&eacute;m uma sociedade envelhecida. Os dois fen&oacute;menos s&atilde;o as principais tend&ecirc;ncias que as sociedades enfrentam. No entanto, em Portugal, a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior apresenta fortes n&uacute;meros de exclus&atilde;o digital. H&aacute; um evidente <i>digital divide </i>baseado na idade. Tal afastamento, dada a centralidade que a Internet tem hoje em todas as esferas sociais, constitui uma grande desvantagem para esta fatia da popula&ccedil;&atilde;o, que tende a ser cada vez maior e cujo papel na sociedade precisa de ser repensado.</p>     <p>Interessa-nos perceber quais as poss&iacute;veis raz&otilde;es que poder&atilde;o manter os mais velhos afastados das novas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o assim como perceber como decorre a sua aproxima&ccedil;&atilde;o, que tipo de uso fazem.</p>     <p>Alguns estudos t&ecirc;m apontado, al&eacute;m de outros factores, a falta de interesse como uma das raz&otilde;es para a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet pela popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior (Dias, 2012; Morris, Goodman, &amp; Brading, 2007; Selwyn, Gorard, &amp; Furlong, 2003). Julgamos por isso ser importante aumentar o campo de conhecimento sobre a tem&aacute;tica do ponto de vista dos idosos.</p>     <p>&Eacute; prop&oacute;sito deste artigo reflectir sobre o fen&oacute;meno da exclus&atilde;o digital baseada na idade assim como fazer um estudo explorat&oacute;rio sobre a rela&ccedil;&atilde;o que os mais velhos estabelecem com a Internet e a rede social mais abrangente, o Facebook, do ponto de vista dos mais velhos, isto &eacute;, das suas motiva&ccedil;&otilde;es interesses e usos.</p>     <p>Come&ccedil;amos por analisar a forma como se entrecruzam os fen&oacute;menos do envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o e da sociedade em rede com a exclus&atilde;o digital, tentando reflectir sobre os seus impactos na sociedade.</p>     <p>Debru&ccedil;amo-nos depois na an&aacute;lise de estudos j&aacute; realizados sobre a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior e a Internet e o Facebook.</p>     <p>Por fim entrevist&aacute;mos quatro seniores sobre que usos fazem e o que os motiva e interessa na Internet e atrav&eacute;s deles tentaremos obter pistas para inspirar futuros estudos sobre como melhorar as abordagens com vista &agrave; inclus&atilde;o digital dos mais velhos. Este artigo visa levantar hip&oacute;teses e sugerir explica&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o pretende ser representativo da popula&ccedil;&atilde;o mais velha ou a generaliza&ccedil;&atilde;o dos seus resultados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Envelhecimento, sociedade em rede e exclus&atilde;o digital</b></p>     <p><b><i>Exclus&atilde;o digital</i></b></p>     <p>A comunica&ccedil;&atilde;o e a informa&ccedil;&atilde;o mediadas por tecnologia s&atilde;o uma realidade central em todas as esferas sociais do mundo em que vivemos. A Internet tem provocado altera&ccedil;&otilde;es profundas nas din&acirc;micas econ&oacute;micas sociais e culturais e &eacute; hoje &ldquo;muito mais do que uma tecnologia, um meio de comunica&ccedil;&atilde;o, de interac&ccedil;&atilde;o e de organiza&ccedil;&atilde;o social&rdquo; (Castells, 2004, p. 205). A Internet &eacute; a base tecnol&oacute;gica da rede, e a rede a forma organizacional que caracteriza a Era da Informa&ccedil;&atilde;o (Castells, 2001).</p>     <p>Himanen (2001) apresenta o &ldquo;Informacionalismo&rdquo; como o novo paradigma tecnol&oacute;gico, que substitui o industrialismo. Mas o que &eacute; novo no Informacionalismo n&atilde;o &eacute; o papel central que o conhecimento e a informa&ccedil;&atilde;o desempenham na sociedade, mas sim o impacto que a tecnologia tem nas formas de gerar e aplicar conhecimento. (Himanen, 2001).</p>     <p>As novas formas tecnol&oacute;gicas de gerar e aplicar conhecimento t&ecirc;m grande impacto quer a n&iacute;vel individual quer colectivo. A sociedade em rede caracteriza-se por um aumento substancial da autonomia e reflexividade tanto dos indiv&iacute;duos como da sociedade civil. (Cardoso, Costa, Concei&ccedil;&atilde;o, &amp; Gomes, 2005). Por exemplo, a n&iacute;vel colectivo v&aacute;rias novas hip&oacute;teses se abrem a n&iacute;vel do aumento das possibilidades de participa&ccedil;&atilde;o e de fortalecimento da democracia, a n&iacute;vel individual abrem-se novas possibilidades de atomiza&ccedil;&atilde;o dos contextos locais e familiares dos indiv&iacute;duos. As tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o &ldquo;fornecem possibilidades de autonomia para os indiv&iacute;duos em rela&ccedil;&atilde;o aos seus contextos, sociais e individuais favorecendo a propens&atilde;o para a fuga ao controlo tradicional e cada vez mais aptos para enfrentar as contradi&ccedil;&otilde;es das sociedades modernas&rdquo; (Espanha, 2009, p. 2).</p>     <p>Viver numa sociedade mediada por tecnologia a n&iacute;vel cultural, econ&oacute;mico e social, significa que as pessoas atingidas pela exclus&atilde;o digital t&ecirc;m a sua capacidade de participar na sociedade e conduzir os seus destinos reduzida.</p>     <p>A exclus&atilde;o digital pode ser analisada atrav&eacute;s de dois grandes eixos, um eixo macro que se refere &agrave;s desigualdades estre pa&iacute;ses e que acompanha o debate acerca das suas assimetrias no crescimento e desenvolvimento e um n&iacute;vel de an&aacute;lise micro que se debru&ccedil;a sobre as assimetrias da inclus&atilde;o digital dos indiv&iacute;duos nas suas sociedades e sobre o qual recai a maior parte do debate cient&iacute;fico acerca da info-exclus&atilde;o (Roberto, Fidalgo &amp; Buckingham, 2015).</p>     <p>Inicialmente ancorado a uma vis&atilde;o dicot&oacute;mica de ter ou n&atilde;o ter acesso f&iacute;sico &agrave; tecnologia (van Dijk, 1999) o conceito de exclus&atilde;o digital - <i>digital divide</i>, <i>e-exclusion </i>ou info-exclus&atilde;o - tem-se desenvolvido e ponderado outras vari&aacute;veis, nomeadamente a capacidade de utilizar e de tirar benef&iacute;cios da utiliza&ccedil;&atilde;o da tecnologia (Castells, 2001), remetendo para problem&aacute;ticas como a da literacia digital. Apesar de em Portugal a quest&atilde;o do acesso ainda n&atilde;o estar ultrapassada, uma vez que 38,3% da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa nunca utilizou a Internet (Obercom, 2014), o acesso &agrave;s tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, por si, n&atilde;o promove a inclus&atilde;o das pessoas que est&atilde;o exclu&iacute;das das compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas, marcas de status e estruturas de conte&uacute;dos que se est&atilde;o a tornar caracter&iacute;sticas institucionais da sociedade da Internet (Witte &amp; Mannon, 2010).</p>     <p>O tema da exclus&atilde;o digital tem sido amplamente debatido e os aspectos que o comp&otilde;em sistematizados de diferentes formas por v&aacute;rios autores. Pippa Norris (2001) v&ecirc; a exclus&atilde;o digital como um fen&oacute;meno multidimensional e aponta tr&ecirc;s dimens&otilde;es do conceito: exclus&atilde;o digital global, exclus&atilde;o social e exclus&atilde;o democr&aacute;tica. Jan van Dijk e Keneth Hacker (2003) distinguem quatro barreiras ao acesso, para al&eacute;m do &ldquo;acesso material&rdquo; e do &ldquo;acesso &agrave;s compet&ecirc;ncias&rdquo; apontam tamb&eacute;m a falta de experi&ecirc;ncia digital elementar e a falta de oportunidades de utiliza&ccedil;&atilde;o significativa (frequ&ecirc;ncia) como causas da exclus&atilde;o digital. Para Wilson (2004), al&eacute;m do acesso f&iacute;sico e compet&ecirc;ncias, comp&otilde;em o <i>digital divide</i> aspectos como o acesso financeiro, acesso &agrave; usabilidade, acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, aplica&ccedil;&otilde;es relevantes dispon&iacute;veis, a capacidade de produzir conte&uacute;do, a exist&ecirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es de permitam o acesso e o acesso &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es governativas. Para o autor, as vari&aacute;veis demogr&aacute;ficas mais determinantes no acesso &agrave; Internet s&atilde;o rendimento, educa&ccedil;&atilde;o, idade, sexo e uma localiza&ccedil;&atilde;o rural ou urbana.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para Fuchs (2008) os padr&otilde;es de estratifica&ccedil;&atilde;o da exclus&atilde;o digital s&atilde;o, por um lado, hierarquias sociais como idade, status familiar, habilidade, sexo, origem, etnia, l&iacute;ngua e geografia (rural/urbano). Por outro lado, padr&otilde;es desiguais de acesso material, como capacidade de utiliza&ccedil;&atilde;o, benef&iacute;cios e participa&ccedil;&atilde;o nas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. Estes s&atilde;o tamb&eacute;m resultado da distribui&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica de capital econ&oacute;mico, pol&iacute;tico e cultural (Fuchs, 2008).</p>     <p>Transversal &agrave;s v&aacute;rias explica&ccedil;&otilde;es para a exclus&atilde;o digital, seja ao n&iacute;vel do acesso, das compet&ecirc;ncias ou da frequ&ecirc;ncia do acesso, &eacute; o papel fundamental que a dimens&atilde;o socio-econ&oacute;mica e a escolaridade parecem desempenhar neste problema (Roberto et al., 2015, p. 45).</p>     <p>Apesar do potencial de igualdade da Internet fomentar o objectivo do acesso universal (Witte &amp; Mannon, 2010) e da ideologia de liberdade ser muito generalizada no mundo da Internet (Castells, 2011) a estrutura da Internet desenvolveu-se em di&aacute;logo com as desigualdades econ&oacute;micas e sociais existentes. (Witte &amp; Mannon, 2010). Desta forma, n&atilde;o s&oacute; reproduz essas desigualdades como as agrava (Castells, 2001; Shelley et al., 2004; Witte &amp; Mannon, 2010).</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Literacias digitais</b></p>     <p>As literacias e a literacia digital em particular s&atilde;o centrais quando falamos de exclus&atilde;o digital. Com o aumento do acesso &agrave; Internet, a possibilidade de retirar vantagens desse acesso depende em grande medida do n&iacute;vel da literacia digital dos cidad&atilde;os (Shelley et al., 2004).</p>     <p>Ao longo da hist&oacute;ria, a tecnologia teve frequentemente um papel preponderante na defini&ccedil;&atilde;o de quais as compet&ecirc;ncias consideradas importantes (Deursen, 2012). Hoje, quando falamos de literacia, n&atilde;o falamos das mesmas compet&ecirc;ncias que fal&aacute;vamos antes das TIC terem ocupado um papel central no dia-a-dia das sociedades. Para ser um utilizador proficiente dos novos meios de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rias novas literacias para al&eacute;m das que s&atilde;o requeridas para os media tradicionais. A literacia para os novos m&eacute;dia n&atilde;o est&aacute; centrada apenas no utilizador, ela depende tamb&eacute;m do meio que se utiliza, da tecnologia (Livingstone, 2003). &Eacute; por isso que Livingstone defende que o conceito complexificou-se e que j&aacute; n&atilde;o falamos tanto de literacia mas sim de literacias.</p>     <p>A capacidade de aceder, analisar, avaliar e criar menagens atrav&eacute;s de uma variedade de contextos &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o de literacia para os media utilizada por S&oacute;nia Livingstone (2004).</p>     <p>O conceito de &ldquo;flu&ecirc;ncia digital&rdquo;, introduzido pelo 1999 National Research Council (NRC) Report, vai mais al&eacute;m e sublinha a import&acirc;ncia da capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o e de auto-aprendizagem ao longo da vida quando se fala de literacia dos novos media. Ao invocar flu&ecirc;ncia em vez de literacia o relat&oacute;rio considerou redutora a no&ccedil;&atilde;o de literacia inform&aacute;tica baseada em compet&ecirc;ncias e apelou a um n&iacute;vel base de compet&ecirc;ncias digitais mais elevado, que crie a capacidade para uma aprendizagem e adapta&ccedil;&atilde;o independentes ao longo da vida e que alargue o alcance do desenvolvimento cognitivo. (Shelley et al., 2004).</p>     <p>A capacidade de utiliza&ccedil;&atilde;o instrumental da tecnologia deixa de estar no centro da defini&ccedil;&atilde;o do conceito de literacias digitais que, assim, reflecte mais quest&otilde;es relacionadas com a capacidade de compreender e dominar a linguagem codificada e a cultura subjacente &agrave;s novas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o (Roberto et al., 2015).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na realidade portuguesa o acesso f&iacute;sico e a capacidade de utiliza&ccedil;&atilde;o instrumental do computador ainda n&atilde;o s&atilde;o uma realidade para uma percentagem consider&aacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o, ainda assim, a capacidade de tirar vantagem da utiliza&ccedil;&atilde;o do computador e da Internet e de compreender e influir na cultura codificada que opera em contexto tecnol&oacute;gico parecem ser dos maiores problemas que as pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o digital enfrentam nos dias que correm e enfrentar&atilde;o no futuro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior, internet e redes sociais</b></p>     <p><i><b>Envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o</b></i></p>     <p>O envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos fen&oacute;menos demogr&aacute;ficos mais preocupantes das sociedades modernas. E a sociedade portuguesa segue de forma clara esta tend&ecirc;ncia. O aumento do envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa tem vindo a agravar-se de forma generalizada em todo o territ&oacute;rio e deixou de ser um fen&oacute;meno localizado apenas no interior do pa&iacute;s. Em 2011, o &iacute;ndice de envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o agravou-se para 128 idosos por cada 100 jovens. (INE, 2012).</p>     <p>Em Portugal este processo tem sido especialmente r&aacute;pido. &ldquo;Em 1980, Portugal apresentava uma popula&ccedil;&atilde;o menos envelhecida do que a maioria dos actuais pa&iacute;ses da UE. Hoje, &eacute; um dos pa&iacute;ses mais envelhecidos do espa&ccedil;o europeu e, como tal, do mundo.&rdquo; (Rosa, 2012, p. 16).</p>     <p>As causas do envelhecimento populacional est&atilde;o genericamente relacionadas com aumento das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, melhoramento das condi&ccedil;&otilde;es de vida, assim como como o decl&iacute;nio das taxas de mortalidade e de natalidade. (Neves &amp; Amaro, 2012).</p>     <p>N&atilde;o existe uma ideia consensual e universal da idade concreta a partir da qual passamos a definir uma pessoa como idosa. A maioria dos pa&iacute;ses europeus utiliza 65 anos e mais, enquanto que a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de e as Na&ccedil;&otilde;es Unidas usam os 60 anos como a idade a partir da qual se define a categoria idosos (Neves &amp; Amaro, 2012).</p>     <p>O processo de envelhecimento &eacute; tamb&eacute;m um processo subjectivo e bastante vari&aacute;vel. Indiv&iacute;duos com a mesma idade cronol&oacute;gica podem estar a passar por diferentes estados mentais e ps&iacute;quicos (Neves &amp; Amaro, 2012). Para lidar com esta heterogeneidade associada &agrave; idade cronol&oacute;gica surgiram outros indicadores, como a idade funcional (capacidades f&iacute;sicas e cognitivas); a idade percebida (pelos outros e pelo mesmo); idade social (experi&ecirc;ncias: reforma/trabalho) e idade cognitiva (Neves &amp; Amaro, 2012).</p>     <p>Rosa (2012) distingue dois conceitos de envelhecimento: o envelhecimento individual e o envelhecimento colectivo. No envelhecimento colectivo inclui as no&ccedil;&otilde;es de envelhecimento demogr&aacute;fico, ou da popula&ccedil;&atilde;o, e envelhecimento societal, ou da sociedade. Para a autora &ldquo;a marca vis&iacute;vel do envelhecimento societal &eacute; a de uma sociedade deprimida, que se sente &ldquo;amea&ccedil;ada&rdquo; com a sua pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria e com as mudan&ccedil;as que em si acontecem.&rdquo; (Rosa, 2012, p. 24).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A velhice &eacute; cada vez mais uma fase normal da vida, uma nova fase do ciclo de vida que, para muitos, come&ccedil;a com a entrada na inactividade (Mauritti, 2004).</p>     <p>Para Dias (2012) os discursos negativos sobre a velhice duraram pelo menos at&eacute; aos anos 80 e foram alimentados pela teoria da moderniza&ccedil;&atilde;o. Estes discursos real&ccedil;avam a falta de literacia cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica dos mais velhos assim como as situa&ccedil;&otilde;es de pobreza, isolamento social, doen&ccedil;a e depend&ecirc;ncia em que muitos se encontram.</p>     <p>Mauritti (2004) identifica dois tipos de discursos dominantes sobre a velhice alimentados nas sociedade actuais, por um lado os discursos da velhice negativa que sublinham essencialmente situa&ccedil;&otilde;es de pobreza, isolamento social, solid&atilde;o, doen&ccedil;a e depend&ecirc;ncia mas tamb&eacute;m, em oposi&ccedil;&atilde;o a este, um discurso onde os idosos s&atilde;o projectados como segmentos espec&iacute;ficos de consumos, associando a velhice a um tempo de lazer, de liberdade e de auto-aprefei&ccedil;oamento. A par destas representa&ccedil;&otilde;es surge o conceito de envelhecimento activo. &ldquo;Nestas representa&ccedil;&otilde;es, que se consolidam ao longo da d&eacute;cada de 1990 e que se v&ecirc;em refor&ccedil;adas na 2&ordf; Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, promovida pela ONU (...) procura-se promover a integra&ccedil;&atilde;o social e laboral dos idosos.&rdquo; (Mauritti, 2004, p. 341).</p>     <p>Para Rosa (2012) o principal problema das sociedades n&atilde;o &eacute; tanto o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o, mas a dificuldade que estas t&ecirc;m de se ajustarem a esta mudan&ccedil;a demogr&aacute;fica. Para a autora h&aacute; uma efectiva discrimina&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o mais velha no &ldquo;mundo produtivo em geral e no mercado de trabalho em particular&rdquo; (Rosa, 2012, p. 42), que se deve especialmente &agrave; desactualiza&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos, em particular associada &agrave;s novas tecnologias. Tamb&eacute;m Dias (2012, p. 54) considera que o &ldquo;progresso cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico veio despojar as pessoas idosas dos seus pap&eacute;is e do prest&iacute;gio social que as rodeava nas sociedades ditas tradicionais&rdquo;.</p>     <p>Rosa (2012, p. 42) defende que &eacute; preciso mudar essa postura em rela&ccedil;&atilde;o aos idosos e perceber que o problema maior da sociedade portuguesa n&atilde;o &eacute; o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o em si, mas a incapacidade de pensar de modo diferente perante uma sociedade que mudou, porque a estrutura populacional &eacute; mais envelhecida.</p>     <p>&Eacute; por isso importante pensar de forma aprofundada os impactos nos indiv&iacute;duos e na sociedade desta fase da vida, cada vez mais longa e expressiva a n&iacute;vel populacional, e analisar os discursos que associam os mais velhos &agrave; inabilidade de acompanhar os progressos tecnol&oacute;gicos.</p>     <p><b><i>A idade como factor de exclus&atilde;o digital?</i></b></p>     <p>Observando dados apenas referentes &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet em Portugal podemos desde logo dizer que a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior em Portugal &eacute; fortemente atingida pela exclus&atilde;o digital. H&aacute; um claro fosso digital entre as faixas et&aacute;rias mais jovens e as faixas et&aacute;rias mais velhas.</p>     <p>De acordo com dados disponibilizados pelo Obercom (2014), em 2013, 94,1 % da popula&ccedil;&atilde;o com idades, entre os 15 e os 24 anos eram utilizadores da Internet, em compara&ccedil;&atilde;o com os utilizadores com 65 anos ou mais, que s&atilde;o apenas 11.8%. Na faixa et&aacute;rias entre os 55 e os 64 anos apenas 31% da popula&ccedil;&atilde;o utilizava Internet.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v9n3/9n3a08f1.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Por um lado &eacute; evidente que as categorias demogr&aacute;ficas s&atilde;o dominantes nos debates sobre a exclus&atilde;o digital, por outro &eacute; question&aacute;vel que estas categorias sejam a melhor forma de monitorizar a utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet (Ito, O'Day, Adler, Linde, &amp; Mynatt, 2001).</p>     <p>A quest&atilde;o que se coloca &eacute; se a idade &eacute;, por si, um factor de exclus&atilde;o digital.</p>     <p>De acordo com Selwyn et al, (2003), para alguns autores, mesmo depois de controladas vari&aacute;veis com potencial de confundir, como rendimento, ocupa&ccedil;&atilde;o ou educa&ccedil;&atilde;o, parece que a idade assume uma importante influ&ecirc;ncia na adop&ccedil;&atilde;o da tecnologia.</p>     <p>Loos (2012), baseando-se num estudo sobre a sociedade holandesa, defende que os cidad&atilde;os, novos e velhos, mais do que enfrentarem um fosso digital baseado na idade, est&atilde;o espalhados num &ldquo;digital spectrum&rdquo; e que o problema &eacute; principalmente de literacias. Existem limita&ccedil;&otilde;es relacionadas com a idade que podem afastar os mais velhos da utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet, mas estas s&atilde;o principalmente limita&ccedil;&otilde;es funcionais, como a perda de vis&atilde;o, etc.. Destaca, por isso, a import&acirc;ncia de ter em mente estas poss&iacute;veis limita&ccedil;&otilde;es funcionais na altura de pensar o design das novas tecnologias, introduzindo o conceito de &ldquo;dinamic diversity&rdquo;, o design para a diversidade (Loos, 2012).</p>     <p>De forma a compreender o acesso e uso desigual da Internet deve-se, para Loos (2012), prestar sobretudo aten&ccedil;&atilde;o a vari&aacute;veis como as literacias, o sexo e a frequ&ecirc;ncia de uso da Internet.</p>     <p>Em Portugal as literacias poder&atilde;o ser um dos factores centrais no problema da exclus&atilde;o digital s&eacute;nior. As gera&ccedil;&otilde;es mais velhas est&atilde;o fortemente associadas a um baixo n&iacute;vel de literacias: &ldquo;Portugal tem, no contexto europeu, e tamb&eacute;m por refer&ecirc;ncia aos pa&iacute;ses da OCDE, uma das mais elevadas taxas da popula&ccedil;&atilde;o adulta com n&iacute;veis de escolaridade abaixo do ensino secund&aacute;rio&rdquo; (&Aacute;vila, 2008, p. 307).</p>     <p>Mais do que a idade, ou para al&eacute;m da idade, a raz&atilde;o do afastamento dos mais velhos da Internet dever&aacute;, por isso, ser relacionada quer com o n&iacute;vel de escolaridade quer com outras vari&aacute;veis ou discrimina&ccedil;&otilde;es. Nenhum grupo et&aacute;rio &eacute; um grupo homog&eacute;neo, os seniores particularmente, uma vez que as diferen&ccedil;as individuais aumentam com a idade (Loos, 2012), logo, os indiv&iacute;duos que os integram s&atilde;o afectados por mais que um tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o (Alonso, 2010). Por isso, a melhor forma de problematizar a exclus&atilde;o digital baseada na idade &eacute; provavelmente do ponto de vista da &ldquo;interseccionalidade&rdquo;. O conceito, cunhado por Kimberl&eacute; Crenshaw em 1989 e usado sobretudo em estudos feministas (Phoenix &amp; Pattynama, 2006) refere-se &agrave; an&aacute;lise relacional de v&aacute;rios eixos de desigualdade, sublinhando a natureza interdependente destas categorias e como elas podem fortalecer-se ou enfraquecer-se mutuamente (Winker &amp; Degele, 2011). Assim, seria interessante perceber que rela&ccedil;&atilde;o a vari&aacute;vel idade tem com as vari&aacute;veis literacias, rendimentos, sexo e localiza&ccedil;&atilde;o rural ou urbana na utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet.</p>     <p>&Eacute; tamb&eacute;m importante questionar a vis&atilde;o generalizada e estereotipada dos mais novos como utilizadores aut&oacute;nomos e dos mais velhos como incapazes de utilizar a tecnologia at&eacute; porque, de acordo com alguns autores (Loos, Haddon, &amp; Mante-Meijer, 2012; Deursen, 2012; Roberto et al., 2015) n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas de que os mais novos n&atilde;o apresentam qualquer problema na utiliza&ccedil;&atilde;o da tecnologia, e, por outro lado, no que se refere a compet&ecirc;ncias relacionadas com o conte&uacute;do da Internet, elas tendem a aumentar em utilizadores mais velhos, pelo menos em estudos realizados sobre a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior Holandesa e Finlandesa (Loos, Haddon &amp; Mante-Meijer, 2012; Deursen, 2012).</p>     <p>Apesar das vari&aacute;veis que poder&atilde;o dificultar o acesso da popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior &agrave; Internet &ndash; sejam aquelas que por efeitos de gera&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m maior incid&ecirc;ncia na popula&ccedil;&atilde;o mais velha, como &eacute; o caso, em Portugal, do n&iacute;vel de escolaridade, ou vari&aacute;veis biol&oacute;gicas intr&iacute;nsecas ao processo de envelhecimento, como a perda de vis&atilde;o, de mem&oacute;ria, etc &ndash; s&atilde;o muitos os benef&iacute;cios apontados ao uso da Internet pelos mais velhos. No entanto h&aacute; outros factores que parecem influenciar fortemente este processo: a motiva&ccedil;&atilde;o e o interesse para utilizar a Internet e as novas tecnologias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;<i>Motiva&ccedil;&atilde;o e interesse</i></b></p>     <p>Apesar de v&aacute;rios autores salientarem as vantagens que a utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet pelas pessoas mais velhas pode ter na melhoria das suas condi&ccedil;&otilde;es de vida (Dias, 2012; Morris et al., 2007; Neves &amp; Amaro, 2012), a falta de interesse &eacute;, para al&eacute;m do acesso e das literacias &ndash; mas intrinsecamente relacionada com elas -, uma das raz&otilde;es mais apontadas para a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o, nos estudos sobre o uso da Internet pela popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior.</p>     <p>Neves, Amaro, &amp; Fonseca (2013) destacam os benef&iacute;cios s&oacute;cio-econ&oacute;micos do acesso &agrave; Internet pelos mais velhos, como a redu&ccedil;&atilde;o do isolamento social e o melhoramento da vida quotidiana atrav&eacute;s de acesso facilitado a servi&ccedil;os como o de pesquisa, banco e compras.</p>     <p>O acesso a informa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de atrav&eacute;s da Internet tamb&eacute;m seria um potencial de melhoramento da qualidade de vida dos idosos, uma vez que apresenta &ldquo;diversas vantagens em termos de comunica&ccedil;&atilde;o efectiva sobre sa&uacute;de&rdquo; (Espanha, 2009, p. 78), se comparada com os media tradicionais. &ldquo;Essas vantagens incluem, entre outros, o acesso melhorado a informa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de personalizada, acesso a informa&ccedil;&atilde;o e aconselhamento on demand, conte&uacute;dos mais facilmente actualizados e um maior leque de escolha para o utilizador&rdquo; (Espanha, 2009, p. 78). No entanto a popula&ccedil;&atilde;o idosa apresenta uma baixa utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet tamb&eacute;m para pesquisa sobre conte&uacute;dos de sa&uacute;de. &ldquo;Os escal&otilde;es et&aacute;rios onde a propor&ccedil;&atilde;o deste tipo de pr&aacute;tica &eacute; mais elevada n&atilde;o s&atilde;o exactamente os que em princ&iacute;pio teriam mais problemas de sa&uacute;de mas antes os que det&ecirc;m compet&ecirc;ncias na utiliza&ccedil;&atilde;o deste tipo de ferramentas tecnol&oacute;gicas.&rdquo; (Espanha, 2009, p. 78).</p>     <p>Dias (2012, p. 64) aponta a possibilidade de acesso a actividades culturais e recreativas, sobretudo pelos segmentos mais vulner&aacute;veis, e tamb&eacute;m o fomento das solidariedades intergeracionais &ldquo;tanto na fam&iacute;lia como nos diversos contextos sociais&rdquo;.</p>     <p>Apesar de todas estas possibilidades e benef&iacute;cios, v&aacute;rios estudos mostram uma baixa predisposi&ccedil;&atilde;o e interesse entre os mais velhos para o uso da Internet (Dias, 2012; Morris et al., 2007; Selwyn et al., 2003). Lugano e Peltonen (2012) argumentam que a motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; mesmo o principal factor de diferencia&ccedil;&atilde;o entre nativos e emigrantes digitais.</p>     <p>A tecnologia &eacute; moldada e determinada socialmente e o conte&uacute;do das novas tecnologias tamb&eacute;m pode constituir uma barreira a n&iacute;vel de interesse para a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior. &ldquo;Assim, &eacute; poss&iacute;vel que os primeiros utilizadores tenham modelado a Internet para aqueles que se incorporaram depois, tanto em termos de conte&uacute;do como de tecnologia.&rdquo; (Castells, 2001, p. 296). O facto da utiliza&ccedil;&atilde;o dos novos media feita por esta faixa da popula&ccedil;&atilde;o ser reduzido ou, muitas vezes, situar-se a um n&iacute;vel de utiliza&ccedil;&atilde;o b&aacute;sico - geralmente s&atilde;o receptores do conte&uacute;do das tecnologias e raramente est&atilde;o envolvidos na produ&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos - tamb&eacute;m pode explicar a dificuldade que as pessoas mais velhas t&ecirc;m em encontrar interesse na tecnologia, em partilhar os seus valores e a sua cultura.</p>     <p>As tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o moldam e s&atilde;o moldadas pela sociedade (Silverstone, Hirsch, &amp; Morley, 1992), num processo domestica&ccedil;&atilde;o da tecnologia. &ldquo;Consumption is a transformative and transcendent process of appropriation and conversion of meaning.&rdquo; (Silverstone et al., 1992, p. 4).</p>     <p>O conceito de domestica&ccedil;&atilde;o refere-se aos processos de aceita&ccedil;&atilde;o, rejei&ccedil;&atilde;o e uso da tecnologia (Lee, Smith-Jackson, &amp; Kwon, 2009). De acordo com Silverstone (1999) o processo de domestica&ccedil;&atilde;o estabelece-se em quatro fases: apropria&ccedil;&atilde;o, objectifica&ccedil;&atilde;o, incorpora&ccedil;&atilde;o e convers&atilde;o. Isto &eacute;, o consumo/uso de uma tecnologia n&atilde;o &eacute; apenas determinado pelas caracter&iacute;sticas da pr&oacute;pria tecnologia. Essas caracter&iacute;sticas s&atilde;o tamb&eacute;m apropriadas, objectificadas, incorporadas e convertidas pelo uso que delas &eacute; feito no dia-a-dia. &ldquo;Technologies are both shaped and shaping&rdquo; (Silverstone et al., 1992, p. 26). De facto, a Internet n&atilde;o &eacute; uma experi&ecirc;ncia distinta do resto da vida e n&atilde;o &eacute; ela que determina a natureza da comunica&ccedil;&atilde;o (Wellman &amp; Hogan, 2004).</p>     <p>A identidade geracional pode tamb&eacute;m influenciar a rela&ccedil;&atilde;o que um indiv&iacute;duo estabelece com os media. Ali&aacute;s, uma das dificuldades cient&iacute;ficas b&aacute;sicas na tentativa de compreender o que significa ser idoso &eacute;, como observa Hagberg (2012), ser capaz de distinguir entre as consequ&ecirc;ncias da pr&oacute;pria idade e da perten&ccedil;a a uma determinada gera&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Arnoldi e Colombo (2007) defendem que a perten&ccedil;a geracional pode ser uma vari&aacute;vel condicionante da identidade e que pode funcionar quase como uma subcultura na forma de consumo dos media, ou no caso dos novos media, nas formas de produ&ccedil;&atilde;o e consumo.</p>     <p>&ldquo;To this generational identity belong values, ideals, configurations of taste and sensibility, constellations of preferences that we could probably call, with Bourdieu (1979), <i>habitus</i>, that is a system of durable dispositions to act and choose, not strictly prescribed by formal rules, for exemple in the field of civic participation, of material or cultural consuption, of leisure&rdquo; (Arnoldi, 2011, p. 55).</p>     <p>Para Arnoldi e Colombo (2007), esta identidade geracional forma-se na converg&ecirc;ncia de factores objectivos &ndash; como acontecimentos hist&oacute;ricos, condi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-culturais, sistemas e conte&uacute;dos educacionais, fases de desenvolvimento do sistema dos media e panorama cultural &ndash; com factores subjectivos &ndash; como a sua experi&ecirc;ncia em determinado contexto durante a fase da adolesc&ecirc;ncia, ter a mesma idade, a sedimenta&ccedil;&atilde;o de uma mem&oacute;ria colectiva e um sentimento comum de perten&ccedil;a. Assim, os gostos, sensibilidades, valores, ideais e prefer&ecirc;ncias das gera&ccedil;&otilde;es mais velhas podem n&atilde;o estar reflectidas quer nos conte&uacute;dos quer na tecnologia presente na Internet levando ao seu desinteresse pela tecnologia.</p>     <p>No entanto, a falta de interesse ou motiva&ccedil;&atilde;o mostrada por uma grande parte da popula&ccedil;&atilde;o idosa face &agrave; Internet pode relacionar-se tamb&eacute;m com uma fraca capacidade de domestica&ccedil;&atilde;o, de adapta&ccedil;&atilde;o da tecnologia ao seu dia-a-dia, &agrave;s suas necessidades, aos seus h&aacute;bitos.</p>     <p>Logo, &ldquo;incluir, tecnologicamente, significa apreender o discurso da tecnologia, n&atilde;o apenas na &oacute;ptica de execu&ccedil;&atilde;o e de qualifica&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m na perspectiva de os sujeitos serem capazes de influir sobre a import&acirc;ncia e finalidades da pr&oacute;pria tecnologia digital.&rdquo; (Dias, 2012, p. 59).</p>     <p><b><i>O Facebook &ndash; o uso dos Idosos</i></b></p>     <p>Debru&ccedil;ando-se sobre as quest&otilde;es relacionadas com as comunidades virtuais, Castells (2001, p. 151) conclu&iacute; que &ldquo;a Internet parece ter um efeito positivo na interac&ccedil;&atilde;o social e tende a aumentar o grau de exposi&ccedil;&atilde;o a outras fontes de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Wellman (citado por Castells, 2001, p. 157) define comunidades como &ldquo;redes de la&ccedil;os interpessoais que proporcionam sociabilidade, apoio, informa&ccedil;&atilde;o, um sentimento de perten&ccedil;a e uma identidade social&rdquo;. E defende que as comunidades virtuais &ldquo;s&atilde;o tamb&eacute;m comunidades, isto &eacute;, geram sociabilidades, rela&ccedil;&otilde;es e redes de rela&ccedil;&otilde;es humanas, n&atilde;o sendo, por&eacute;m id&ecirc;nticas &agrave;s comunidades f&iacute;sicas&rdquo;. (Castells, 2004, p. 216).</p>     <p>Em contraponto com Loos (2012) que analisa a rela&ccedil;&atilde;o dos idosos com a Internet centrada na quest&atilde;o do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, Ito et al. (2001) fazem uma an&aacute;lise da exclus&atilde;o digital dos idosos a partir da quest&atilde;o da filia&ccedil;&atilde;o social, do sentimento de perten&ccedil;a. &ldquo;Social affiliation is increasingly recognized as a relevant feature of Internet access, but the digital divide debate is anchored in a model of information access as one of the primary goals and benefits of being online.&rdquo;(Ito et al, 2001, p. 2).</p>     <p>Um estudo realizado por Erickson (2011), sobre a forma como os mais velhos utilizam a rede social Facebook, conclui que esta facilita a conex&atilde;o dos seniores &agrave;s pessoas mais queridas, e pode indirectamente facilitar o v&iacute;nculo de capital social. A chamada de aten&ccedil;&atilde;o gerada via Facebook leva muitas vezes &agrave; partilha e &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de suporte emocional atrav&eacute;s de outros canais (Erickson, 2011).</p>     <p>Erickson (2011) aponta a falta de confian&ccedil;a como a raz&atilde;o mais forte para as pessoas mais velhas n&atilde;o usarem o Facebook. Falta de confian&ccedil;a n&atilde;o nas pessoas com quem poderiam contactar mas na natureza p&uacute;blica do Facebook.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A confian&ccedil;a parece ser bastante relevante no relacionamento dos mais velhos com a Internet. O que &eacute; a confian&ccedil;a nas sociedades actuais e como &eacute; produzida? &ldquo;Trust seems to be something that is produced individually by experience and over time and cannot be immediately and with propose be produced&rdquo; (Powell, 2008, p. 5). Para Beck (1992), a confian&ccedil;a &eacute; cada vez mais produzida activamente pelos indiv&iacute;duos do que garantida institucionalmente, num contexto de eros&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es tradicionais e de relativiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico. Giddens (1991) v&ecirc; o risco como a principal caracter&iacute;stica de uma sociedade que perde o foco da sua confian&ccedil;a nos la&ccedil;os tradicionais e valores sociais. &ldquo;A confian&ccedil;a &eacute;, portanto, conquistada e sustentada pela ordinariedade da vida de todo o dia e pelas consist&ecirc;ncias da linguagem e da experi&ecirc;ncia.&rdquo; (Silverstone, 1999).</p>     <p>O estudo de Erickson (2011) mostra que as pessoas mais velhas n&atilde;o v&ecirc;em esta rede social como um local apropriado para conversas particulares. O Facebook &eacute; visto pelos idosos deste estudo como uma plataforma para ficar a par das novidades (geralmente de forma passiva), para se manterem em contacto e monitorizarem a situa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Portanto, mesmo os idosos que usam o Facebook, usam-no com algum receio e de uma forma algo passiva.</p>     <p>Erickson (2011) recomenda que as comunidades online que tenham interesse em aumentar a participa&ccedil;&atilde;o dos seniores, dever&atilde;o prestar especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es de privacidade.</p>     <p>Alguns dos entrevistados num estudo realizado por Selwyn et al. (2003), explicaram a sua adop&ccedil;&atilde;o das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o pela simples vontade de se manter em contacto com o computador, reflectindo a sua percep&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em muitos casos, a adop&ccedil;&atilde;o do computador e da Internet resultou do encorajamento por parte dos filhos que queriam que os seus pais utilizassem o computador. As rela&ccedil;&otilde;es intergeracionais n&atilde;o s&oacute; s&atilde;o fortalecidas atrav&eacute;s do uso das novas tecnologias como s&atilde;o fomentadoras do uso da Internet pelos mais velhos (Selwyn et al., 2003).</p>     <p>Estes estudos mostram que a quest&atilde;o da exclus&atilde;o digital dos mais velhos n&atilde;o fica resolvida com o acesso. Mesmo a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior que utiliza a Internet e redes sociais online tem uma utiliza&ccedil;&atilde;o d&eacute;bil destas ferramentas e n&atilde;o consegue usufruir de muitas das vantagens destas tecnologias.</p>     <p>&Eacute; por isso que Selwyn et al (2003) defendem que em vez de tentar mudar os mais velhos, a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior deveria ser envolvida na mudan&ccedil;a das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, para que estas se tornem mais atractivas, interessante e &uacute;teis para muitos seniores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Entretenimento, mem&oacute;rias e reencontros: os usos da internet e do Facebook pelos seniores</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Conhecer os interesses dos mais velhos online: quest&otilde;es metodol&oacute;gicas</i></b></p>     <p>Apesar de ser a formula&ccedil;&atilde;o mais evidente da exclus&atilde;o digital em Portugal, a exclus&atilde;o digital da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa mais velha &eacute; um tema ainda muito pouco estudado.</p>     <p>Parece-nos por isso relevante fazer um estudo descritivo e explorat&oacute;rio sobre a rela&ccedil;&atilde;o dos mais velhos com a Internet em Portugal com vista a obter algumas informa&ccedil;&otilde;es que possam servir para identificar poss&iacute;veis hip&oacute;teses e direcionar futuros estudos sobre a tem&aacute;tica. Como estudo explorat&oacute;rio, n&atilde;o visa de nenhuma forma ser representativo da popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior portuguesa ou a generaliza&ccedil;&atilde;o das suas conclus&otilde;es.</p>     <p>Nesse sentido, o objectivo deste estudo &eacute; levantar hip&oacute;teses e sugerir explica&ccedil;&otilde;es sobre as motiva&ccedil;&otilde;es que levam alguns indiv&iacute;duos mais velhos a utilizar a Internet e o Facebook e o impacto que esta utiliza&ccedil;&atilde;o tem no seu dia-a-dia. Ao abordarmos especificamente o Facebook &ndash; a rede social actualmente mais abrangente &ndash; pretendemos perceber qual a import&acirc;ncia que as redes sociais online podem ter no fortalecimento de la&ccedil;os pessoais dos mais velhos na rede.</p>     <p>Compartilhando da vis&atilde;o de Loos (2012) de que os seniores n&atilde;o s&atilde;o um grupo homog&eacute;neo baseamos este estudo em factores a que estes est&atilde;o sujeitos em grande medida como quest&otilde;es geracionais e condi&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas associadas ao envelhecimento, nunca perdendo de vista a complexidade e heterogeneidade do nosso objecto de estudo.</p>     <p>A prov&aacute;vel pouca representatividade online da cultura e valores geracionais partilhados pela popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior encaminha-nos para a necessidade de obter respostas o menos espartilhadas poss&iacute;vel sobre o que realmente interessa e motiva a popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior na Internet e nas redes sociais, como est&atilde;o e o que os faz estar online, sempre do ponto de vista dos mais velhos.</p>     <p>A estrat&eacute;gia ao nosso alcance mais apropriada para cumprir os nossos objectivos &eacute;, por isso, uma estrat&eacute;gia indutiva, utilizando metodologia qualitativa atrav&eacute;s de entrevistas semi-estruturadas.</p>     <p>O conceito de idoso em Portugal &eacute;, em muitos estudos, principalmente nos do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE), estabelecido a partir dos 65 anos, &ldquo;idade a partir da qual o peso de inactivos-reformados ultrapassa o conjunto de indiv&iacute;duos inseridos na actividade&rdquo; (Muritti, 2004, p. 343). No entanto, tal como Mauritti (2004), inclu&iacute;mos nesta abordagem indiv&iacute;duos com idade inferior, neste caso, a partir dos 60 anos, desde que estejam reformados ou em inactividade. &ldquo;Localiza-se nesta faixa et&aacute;ria (55-65) uma propor&ccedil;&atilde;o expressiva de indiv&iacute;duos j&aacute; em situa&ccedil;&atilde;o de inactividade, seja na sequ&ecirc;ncia de uma antecipa&ccedil;&atilde;o da reforma, seja, no caso sobretudo das mulheres, pelo peso de dom&eacute;sticas&rdquo; (Mauritti, 2004, p. 343).</p>     <p>Decidimos entrevistar quatro indiv&iacute;duos com mais de 60 anos, em inactividade, utilizadores da Internet e do Facebook, dois do sexo feminino e dois do masculino. Revelou-se dif&iacute;cil encontrar testemunhos com n&iacute;veis de escolaridade baixo. O n&iacute;vel de escolaridade nos nossos entrevistados varia, por isso, entre o 5&ordm; ano antigo (9&ordm; ano actual) e o 3&ordm; ano da Licenciatura de Direito.</p>     <p>A nossa amostra &eacute; composta por indiv&iacute;duos residentes na &aacute;rea de Lisboa, aos quais conseguimos chegar atrav&eacute;s de contactos pessoais, embora n&atilde;o tenha havido contacto com os indiv&iacute;duos entrevistados antes deste estudo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As entrevistas foram realizadas em Junho de 2013 aos seguintes indiv&iacute;duos: Perine, 71 anos, 5&ordm; ano antigo; Maria, 64 anos, 3&ordm; ano de Licenciatura; Manuel, 60 anos, 7&ordm; ano antigo; Paulo, 63 anos, 5&ordm; ano antigo. Foram gravadas em &aacute;udio e, depois de transcritas, submetidas a an&aacute;lise de conte&uacute;do.</p>     <p><b><i>Seniores, Internet e Facebook em Portugal</i></b></p>     <p>Apesar de lentamente, a penetra&ccedil;&atilde;o de computadores e Internet nos lares portugueses est&aacute; a crescer. O acesso &agrave; Internet em agregados dom&eacute;sticos subiu, de acordo com o INE (2014) de 48% em 2009, para 65% em 2014. O que significa, no entanto, que 35% das fam&iacute;lias em Portugal ainda n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; Internet em casa.</p>     <p>Relativamente &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet pelos portugueses, dados do Obercom (2014) mostram quem 38,3% da popula&ccedil;&atilde;o diz nunca ter utilizado a Internet. Um estudo do INE (2012) que se refere a pessoas entre os 16 aos 74 anos, revela que 60,3% das pessoas entre estas idades, utilizavam a Internet em 2012, em compara&ccedil;&atilde;o com 41,9% em 2008. O que significa que 40,7% da popula&ccedil;&atilde;o entre os 16 e os 74 anos estavam exclu&iacute;das da utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet, em Portugal.</p>     <p>Os dados mostram que, apesar de uma tend&ecirc;ncia de crescimento, existe ainda uma significativa percentagem da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa exclu&iacute;da do acesso e da utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet. Esta exclus&atilde;o afecta especialmente alguns segmentos da sociedade. Uma das divis&otilde;es mais expressivas entre utilizadores e n&atilde;o-utilizadores da Internet acontece entre os mais novos e os mais velhos. Existe um claro fosso digital baseado na idade na sociedade portuguesa.</p>     <p>A popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior constitui actualmente uma importante fatia da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, uma vez que a sociedade portuguesa &eacute; uma sociedade envelhecida. O envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; uma tend&ecirc;ncia global que em Portugal se agravou na &uacute;ltima d&eacute;cada. De acordo com dados do INE (2012), enquanto que a popula&ccedil;&atilde;o idosa cresceu de 16% em 2001 para 19% em 2011, a popula&ccedil;&atilde;o jovem registou o movimento inverso: recuou de 16% em 2001 para 15% em 2011. Em 2011, por cada 100 jovens havia 128 idosos.</p>     <p>De acordo com Maria Jo&atilde;o Valente Rosa (2012), foi especialmente a partir da segunda metade do s&eacute;culo XX que as sociedades come&ccedil;aram a confrontar-se com o fen&oacute;meno do &ldquo;duplo envelhecimento&rdquo; (quer na base, quer no topo da pir&acirc;mide et&aacute;ria). Este fen&oacute;meno, embora especialmente intensificado na Europa, &eacute; um fen&oacute;meno mundial.</p>     <p>As projec&ccedil;&otilde;es n&atilde;o prev&ecirc;em que o processo de envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o se reverta nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. &ldquo;Os resultados prospectivos do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE) n&atilde;o deixam grandes margens para d&uacute;vidas a este prop&oacute;sito. A popula&ccedil;&atilde;o de Portugal dever&aacute; continuar a envelhecer e poder&aacute; continuar a faz&ecirc;-lo de modo particularmente intenso.&rdquo; (Rosa, 2012, p. 28). Em 2060 o n&uacute;mero de pessoas com 65 e mais anos poder&aacute; ser quase o triplo do n&uacute;mero de jovens (Rosa, 2012).</p>     <p>O fen&oacute;meno da exclus&atilde;o digital baseada na idade, em Portugal, n&atilde;o pode ser dissociado das baixas taxas de escolaridade caracter&iacute;sticas das gera&ccedil;&otilde;es mais velhas. Em 2012 (PORDATA), 33,4% da popula&ccedil;&atilde;o com 65 e mais anos n&atilde;o tinha qualquer n&iacute;vel de escolaridade completo, e 46,7 por cento da popula&ccedil;&atilde;o dentro desta faixa et&aacute;ria tinha apenas o 1&ordm; ciclo de escolaridade. Logo, 80,1% da popula&ccedil;&atilde;o com 65 anos ou mais tinha apenas o primeiro ciclo ou menos escolaridade.</p>     <p>Apesar da popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior ser o grupo com maiores taxas de exclus&atilde;o digital, o uso das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o em Portugal pela popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior est&aacute; a aumentar (Neves &amp; Amaro, 2012). Por isso &eacute; importante perceber os tipos de uso, as potenciais limita&ccedil;&otilde;es e os benef&iacute;cios que os mais velhos conseguem tirar da utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet. Dias (2012, p. 74), num estudo sobre as motiva&ccedil;&otilde;es e interesses dos seniores pelas tecnologias digitais, conclu&iacute; que &ldquo;subjacentes ao uso das tecnologias digitais por parte dos seniores da nossa amostra encontram-se fun&ccedil;&otilde;es de actualiza&ccedil;&atilde;o pessoal e profissional, de comunica&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento, de pesquisa de servi&ccedil;os de lazer e entretenimento e de conv&iacute;vio com familiares e amigos. Tais tecnologias s&atilde;o, portanto, um meio de inclus&atilde;o sociodigital.&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>O Facebook e o passado: mem&oacute;rias e reencontros</i></b></p>     <p>Um dos fen&oacute;menos mais interessantes que podemos analisar dos testemunhos emp&iacute;ricos que recolhemos &eacute; o tipo de utiliza&ccedil;&atilde;o que os seniores entrevistados fazem do Facebook. Nomeadamente na rela&ccedil;&atilde;o que os mais velhos estabelecem atrav&eacute;s do Facebook com o passado. Especialmente o seu passado, a vida vivida, a sua hist&oacute;ria e percurso individual, mas tamb&eacute;m a mem&oacute;ria de locais onde cresceram, suas tradi&ccedil;&otilde;es e pessoas. Apesar de tamb&eacute;m utilizarem esta rede social para irem acompanhando os eventos mais marcantes das vidas dos familiares e amigos mais pr&oacute;ximos, e terem uma rela&ccedil;&atilde;o mais constante com estes, os nossos entrevistados mostram maior entusiasmo no uso do Facebook como uma ferramenta de reencontro com pessoas e troca de mem&oacute;rias do passado. Todos os entrevistados reencontraram nesta rede social pessoas com quem tinham perdido o contacto. Na maioria dos casos os nossos entrevistados reataram la&ccedil;os e contactos regulares com amigos ou familiares que n&atilde;o viam h&aacute; muitos anos e esses contactos n&atilde;o se ficaram pelo mundo digital, tendo motivado tamb&eacute;m reencontros pessoais, em alguns casos regulares.</p>     <p>Hist&oacute;rias de emigra&ccedil;&atilde;o, de migra&ccedil;&otilde;es e do abandono das antigas col&oacute;nias, est&atilde;o na origem da perda de contactos entre amigos, como &eacute; o caso do seguinte testemunho.</p>     <p>     <blockquote>Quando eu sa&iacute; de Mo&ccedil;ambique, o grupo e as colegas, separ&aacute;mo-nos todos. E quando aderi ao Facebook comecei a ver os nomes do tempo do Liceu, ent&atilde;o comecei a entrar em contacto com as pessoas, a saber se eram aquelas que eu pensava. E hoje, esses quase 30 amigos, contactei-os ao longo deste cinco ou seis anos e come&ccedil;ou a haver conv&iacute;vio entre n&oacute;s. (&hellip;) J&aacute; n&atilde;o os via h&aacute; 20 ou 30 anos. (Perine).</blockquote>     <p></p>     <p>Mesmo quando a quest&atilde;o n&atilde;o passa pelo afastamento f&iacute;sico proporcionado por migra&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s do Facebook os nossos entrevistados acabaram por reencontrar pessoas e estabelecer redes que os motivaram a reatar la&ccedil;os fora do mundo digital com quem por diversas raz&otilde;es tinham perdido o contacto.</p>     <p>     <blockquote>Encontrei um amigo que n&atilde;o procurava e que desapareceu. Foi um amigo de inf&acirc;ncia, a gente dava-se bastante bem e at&eacute; tivemos dificuldade em nos reconhecermos. Ainda nos encontr&aacute;mos pessoalmente, o que ainda valeu um par de l&aacute;grimas. E foi atrav&eacute;s do Facebook. E agora contactamos regularmente, atrav&eacute;s do Facebook. (&hellip;) Era um indiv&iacute;duo que eu n&atilde;o via h&aacute; mais de 40 anos. (Manuel).</blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outros testemunhos mostram que o Facebook tamb&eacute;m serve de plataforma agregadora de mem&oacute;rias do passado, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ginas ligadas &agrave; terra natal que se abandonou, da partilha de hist&oacute;rias, fotografias, m&uacute;sicas, etc.</p>     <p>     <blockquote>O Facebook foi por causa de um amigo, muito querido, que morreu e que era um excelente m&uacute;sico. (&hellip;) E os amigos juntaram interpreta&ccedil;&otilde;es dele, m&uacute;sicas, um bocadinho da vida dele, no tal Facebook. (&hellip;) E quis acompanhar e ver o que se tinha feito. E tamb&eacute;m dar o meu contributo. Depois pronto, achei giro come&ccedil;ar a encontrar amigos.(&hellip;) Tenho muitos amigos, muitos que j&aacute; n&atilde;o vejo h&aacute; muitos anos, e que agora curiosamente aparecem no Facebook. (Manuel).</blockquote>     <p></p>     <p>Criei o grupo no Facebook, Almaceda, que era a terra dos meus pais, e vamos pondo fotografias de Almaceda. A minha ideia era utilizar o grupo para o conhecimento das hist&oacute;rias antigas, que ficassem ali compactadas. Mas as pessoas &agrave;s vezes acabam por s&oacute; falar no Benfica. (Maria).</p>     <p>O seguinte testemunho aponta esse reviver o passado, o contacto com as pessoas e com as mem&oacute;rias de outros tempos como a &uacute;nica coisa que encontra de relevante no Facebook:</p>     <p>     <blockquote>No Facebook o que mais gosto &eacute; o tal reaparecer de amigos de longa data. (...) &Agrave;s vezes o que tem mais interesse &eacute; aqueles amigos da minha inf&acirc;ncia, da minha terra, esses sim. Esses inclusivamente, aquilo espremido n&atilde;o d&aacute; nada &eacute; s&oacute; o facto de a gente estar em perman&ecirc;ncia a ver pessoas que em circunst&acirc;ncias normais eu via de m&ecirc;s a m&ecirc;s, &agrave;s vezes passava anos sem ver. E de facto h&aacute; ali uma proximidade. (Manuel).</blockquote>     <p></p>     <p><b><i>Sentimento de solid&atilde;o e necessidade de perten&ccedil;a: motiva&ccedil;&otilde;es para o uso</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A vontade de pertencer, de poder participar nas conversas, de entender o que a fam&iacute;lia, amigos ou a comunica&ccedil;&atilde;o social fala s&atilde;o alguns dos motivos para o interesse em aprender a utilizar a Internet e o Facebook, como aconteceu no caso do seguinte testemunho.</p>     <p>     <blockquote>A partir de uma certa altura eu achei que tinha de saber qualquer coisa de computadores. Porque achei que os sobrinhos, os filhos, quando se juntavam, falavam de coisas que eu n&atilde;o entendia. E n&atilde;o podia participar nas conversas, nas reuni&otilde;es de fam&iacute;lia. (...) Agora quando h&aacute; reuni&otilde;es de fam&iacute;lia a gente participa na conversa. E entendo perfeitamente do que &eacute; que eles est&atilde;o a falar. H&aacute; coisas que eu n&atilde;o sei, mas estou atenta e no dia seguinte l&aacute; vou eu ver se &eacute; aquilo que eu pensei, e &eacute;. (Perine).</blockquote>     <p></p>     <p>A solid&atilde;o e a necessidade de preencher tempo livre s&atilde;o tamb&eacute;m apontadas como principais motiva&ccedil;&otilde;es para come&ccedil;ar a usar ou continuar a utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet.</p>     <p>     <blockquote>(Se tivesse de deixar de usar a Internet) depois o que &eacute; que eu ia fazer para estar entretido? Porque aquilo hoje em dia j&aacute; funciona um bocado como escape. Embora esteja reformado e tenha muitas coisas que me ocupam tempo, mesmo assim todos os dias tenho de ir ao computador e ver, e jogar um bocadinho. (Paulo).</blockquote>     <p></p>     <p>Maria e Perine recorreram a aulas de inform&aacute;tica para seniores para adquirirem compet&ecirc;ncias para come&ccedil;ar a utilizar a Internet e o computador.</p>     <p><b><i>O fasc&iacute;nio pela facilidade de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A facilidade de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da Internet parece ser o que mais fascina os entrevistados na Internet, n&atilde;o tanto em termos do uso que fazem actualmente da ferramenta, mas em termos da potencialidade de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o que lhe est&aacute; inerente. Quando interrogados sobre o que teria sido diferente se tivesse existido Internet durante todas as suas vidas, o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e ao conhecimento &eacute; o mais destacado, embora nem sempre apontem o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o como uma das actividades actualmente mais relevantes para eles na Internet. Acreditam, no entanto, que &eacute; a potencialidade de que mais teriam tirado partido e que mais teria mudado as suas vidas se existisse quando eram mais jovens.</p>     <p>     <blockquote>&Agrave;s vezes quero aprender, mas j&aacute; n&atilde;o tenho paci&ecirc;ncia. Se tivesse come&ccedil;ado a usar antes acho que tinha feito muito mais coisas. Aqui a curiosidade n&atilde;o &eacute; querer aprender. Aqui a curiosidade s&atilde;o coisas banais. (Perine).         <p></p>         <p>A informa&ccedil;&atilde;o, &agrave;s vezes havia palavras simples que eu queria ir consultar ao dicion&aacute;rio, agora vou mais facilmente &agrave; Internet. Eu sempre gostei de conhecer, tenho uma veia de autodidata. E a Internet facilitou muito. Isso parece-me que &eacute; muito importante, essa mudan&ccedil;a. O acesso r&aacute;pido ao conhecimento. (Manuel).</p>         <p>Deixei de usar dicion&aacute;rios, deixei de usar muitos livros de pesquisa. Porque ali h&aacute; tudo e mais alguma coisa. (Maria).   </blockquote>     <p></p>     <p>Os temas mais comuns de pesquisa de informa&ccedil;&atilde;o na Internet dos entrevistados s&atilde;o geralmente relacionadas com sa&uacute;de, informa&ccedil;&otilde;es para o dia-a-dia e curiosidades.</p>     <p>     <blockquote>Uso mais em termos de pesquisa de conhecimento, dos mais variados assuntos, desde a sa&uacute;de &agrave; escrita, enfim, &agrave; arte. Pouco mais do que isso fa&ccedil;o. (Manuel).         ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>         <p>O meu marido morreu de cancro no rim. Ent&atilde;o eu vou saber o que &eacute;, os sintomas. Ligadas &agrave; sa&uacute;de muito. E curiosidades. &Agrave;s vezes eu leio uma palavra - a gente agora j&aacute; n&atilde;o fixa tudo - ent&atilde;o l&aacute; vou eu. H&aacute; um pa&iacute;s - eu gosto muito de geografia - quero saber a produ&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; que faz o que &eacute; que n&atilde;o faz. (Perine).   </blockquote>     <p></p>     <p>Em geral os testemunhos recolhidos mostram um reconhecimento dos benef&iacute;cios da Internet nas suas vidas. Dizem ir todos os dias &agrave; Internet e a maioria admite que se tivesse de deixar de utilizar a Internet sentiria muita falta, principalmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; companhia que conseguem online e do tempo que n&atilde;o teriam preenchido ou n&atilde;o saberiam como preencher sem a utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet.</p>     <p><b><i>Rela&ccedil;&otilde;es intergeracionais</i></b></p>     <p>Para os seniores com quem convers&aacute;mos, a utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet e do Facebook &eacute; um fomento das rela&ccedil;&otilde;es intergeracionais. N&atilde;o s&oacute; porque est&atilde;o mais preparados para conseguir descodificar e participar nas conversas dos mais novos, mas tamb&eacute;m porque a ajuda na aprendizagem e na utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet &eacute; feita normalmente por familiares, amigos, colegas mais jovens ou membros da comunidade social em que se inserem.</p>     <p>     <blockquote>H&aacute; mais conv&iacute;vio familiar, entre os jovens e pessoas da nossa idade. Porque n&oacute;s, na nossa fam&iacute;lia somos &agrave; volta de 60, 70 pessoas, e de vez em quando juntamo-nos. A minha gera&ccedil;&atilde;o agora neste momento &eacute; a mais velha. Ent&atilde;o n&oacute;s conversamos todos, e &agrave;s vezes podemos n&atilde;o participar na conversa, mas a gente entende aquilo que eles est&atilde;o a falar (agora que s&atilde;o utilizadores da Internet). E de vez em quando dizemos qualquer coisa, mas ent&atilde;o afinal o que &eacute; que &eacute; isto, e eles l&aacute; nos explicam e ficam muito felizes porque a gente percebe. (Perine).         <p></p>         <p>O meu irm&atilde;o e o meu filho tamb&eacute;m v&atilde;o ao Facebook, portanto h&aacute; muitas coisas que eu publico e depois eles comentam, as mais variadas coisas, inclusivamente os nossos amigos pol&iacute;ticos. (Paulo).   </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Por vezes os filhos n&atilde;o s&atilde;o os familiares mais pr&oacute;ximos que apresentam maior disponibilidade para ajudar os pais na utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet.</p>     <p>     <blockquote>Quando tenho d&uacute;vidas pergunto a um amigo, aposentou-se h&aacute; mais tempo do que eu. A minha filha tamb&eacute;m, mas enfim tem uma vida extremamente ocupada, n&atilde;o tem tempo para isso. (Manuel).         <p></p>         <p>Quando eu quero saber alguma coisa, pe&ccedil;o ao meu filho. Mas o meu filho &eacute; como muitos filhos, ele em vez de me explicar vai ao computador e faz. J&aacute; est&aacute;: &ldquo;Mas p&aacute;, n&atilde;o &eacute; isso que eu quero, eu quero &eacute; que tu me expliques. (Paulo).   </blockquote>     <p></p>     <p><b><i>O interesse pelos conte&uacute;dos</i></b></p>     <p>Os entrevistados mostraram-se satisfeitos com o uso que fazem da Internet e do Facebook. E a maioria bastante motivados em rela&ccedil;&atilde;o a estas ferramentas. No entanto, podemos perceber pelos testemunhos que recolhemos que este uso &eacute; bastante espec&iacute;fico ou limitado geralmente &agrave;s quest&otilde;es do passado e das mem&oacute;rias e que os entrevistados t&ecirc;m alguma rejei&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita em geral da Internet e do Facebook. Parece-nos que as pessoas mais velhas n&atilde;o gostam do car&aacute;cter aberto, de exposi&ccedil;&atilde;o da vida privada, da falta de privacidade da rede social. Parecem tamb&eacute;m n&atilde;o se identificar com grande parte dos conte&uacute;dos que v&ecirc;em publicados. Real&ccedil;am sobretudo coment&aacute;rios desadequados e partilha de informa&ccedil;&otilde;es irrelevantes e corriqueiras.</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Aquilo que me incomoda n&atilde;o fa&ccedil;o, ou n&atilde;o vou. N&atilde;o h&aacute; nada que me incomode. Irrita-me, por exemplo, as pessoas irem para o Facebook dizer: &ldquo;agora vou fazer xixi, at&eacute; j&aacute;&rdquo;. Esse tipo de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tenho pachorra. (Maria).         <p></p>         <p>No Facebook n&atilde;o gosto de ver publicadas algumas coisas, que eu compreendo que muitas vezes &eacute; no sentido de ajudar. Mas aquelas coisas das crian&ccedil;as com cancro... Embora aceite e compreenda que &eacute; um bom ve&iacute;culo de transmiss&atilde;o. N&atilde;o gosto como entra na esfera muito pessoal das pessoas. (Paulo).</p>         <p>Eu vou pouco ao Facebook porque n&atilde;o h&aacute; muita privacidade, prefiro, por exemplo o Messenger, ou ent&atilde;o Skype. Porque &agrave;s vezes h&aacute; coment&aacute;rios um pouco desagrad&aacute;veis, n&atilde;o gosto. (Perine).</p>         <p>Neste momento contam-se 164 amigos que eu entretanto arranjei e s&atilde;o dois ou tr&ecirc;s que transmitem para ali (Facebook) aspectos interessantes e trazem quest&otilde;es, ou informa&ccedil;&otilde;es ou dicas interessantes, o resto sinceramente &eacute; muito pobre. (...) Mas como lhe digo &eacute; mais pelo facto de ter ali pessoas que foram pr&oacute;ximas, que est&atilde;o afastadas h&aacute; anos e que a gente ali, no momento, contacta, nem que seja pela fotografia. O resto dos conte&uacute;dos, sinceramente&hellip; (Manuel).   </blockquote>     <p></p>     <p><b><i>Seguran&ccedil;a e confian&ccedil;a</i></b></p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao sentimento de seguran&ccedil;a ao utilizar a Internet e o Facebook, os entrevistados, mostram &agrave; partida que n&atilde;o se sentem inseguros e que n&atilde;o t&ecirc;m cuidados especiais ao utilizar a Internet. No entanto, a maioria deles n&atilde;o faz utiliza&ccedil;&otilde;es que impliquem um maior factor de risco/confian&ccedil;a, como fazer compras ou, por exemplo, aceder &agrave; sua conta no banco.</p>     <p>     <blockquote>Tudo o que pe&ccedil;a contas banc&aacute;rias e dinheiro (online) n&atilde;o fa&ccedil;o. N&atilde;o confio muito, n&atilde;o confio nada. (Manuel).         ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>         <p>Eu nunca iria fazer uma transfer&ecirc;ncia banc&aacute;ria na Internet, nunca faria compras na Internet. Porque a gente ouve e v&ecirc; no notici&aacute;rio as coisas que acontecem. (Perine).   </blockquote>     <p></p>     <p>Apenas uma entrevistada diz utilizar os servi&ccedil;os de banco online. Teve forma&ccedil;&atilde;o para o fazer e tem indica&ccedil;&otilde;es do formador de como proceder e que cuidados ter.</p>     <p>     <blockquote>Eu fa&ccedil;o pagamentos atrav&eacute;s da Internet. N&atilde;o tenho receio, tenho um professor de multim&eacute;dia que diz para n&atilde;o ter. Normalmente tenho cuidado, se vou ao banco, n&atilde;o demorar muito tempo no site. (Maria).</blockquote>     <p></p>     <p>Ainda assim, sem utilizarem as potencialidades da Internet a estes n&iacute;veis, os entrevistados est&atilde;o satisfeitos com a utiliza&ccedil;&atilde;o que fazem da Internet, e n&atilde;o sentem necessidade de aprender mais, de fazer outro tipo de utiliza&ccedil;&otilde;es. Parecem sentir-se orgulhosos com a utiliza&ccedil;&atilde;o que j&aacute; fazem, e parece que em geral, as pessoas n&atilde;o esperam deles uma utiliza&ccedil;&atilde;o mais avan&ccedil;ada.</p>     <p>     <blockquote>Aquilo que eu sei fazer acho que me chega muito bem. (Paulo).         ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>         <p>H&aacute; muita coisa que eu n&atilde;o sei. Mas tamb&eacute;m nesta altura, n&atilde;o me estou a esfor&ccedil;ar para saber. Acho que &eacute; suficiente o que eu sei. (Perine).   </blockquote>     <p></p>     <p>Ainda que negando um sentimento de inseguran&ccedil;a na utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet, os testemunhos mostram uma utiliza&ccedil;&atilde;o muito cuidadosa, mesmo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es que exp&otilde;em ou coment&aacute;rios que fazem nas redes sociais.</p>     <p>     <blockquote>No Facebook tenho muito cuidado, quando os meus amigos me mandam coisas fa&ccedil;o um coment&aacute;rio assim alegre, n&atilde;o respondo, depois se quiser falar com eles falo no Messenger ou no Skype. Assim dizer coisas &agrave; vontade no Facebook eu n&atilde;o digo. (Perine).         <p></p>         <p>(No Facebook) meto-me sempre com as mesmas pessoas. Embora seja uma coisa aberta acaba por ser um circuito fechado. Eu sou muito cuidadoso com isso. (Paulo).   </blockquote>     <p></p>     <p><b><i>Entretenimento, hobbies</i></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m do uso para procura de informa&ccedil;&atilde;o e como forma de comunica&ccedil;&atilde;o, dois dos nossos entrevistados tamb&eacute;m utilizam o computador para entretenimento e como extens&atilde;o dos seus hobbies.</p>     <p>     <blockquote>Eu passo muito tempo no computador, mas basicamente estou viciado num jogo chamado Cityville. (Paulo).         <p></p>         <p>Na Internet, sou uma louca por fotografias. No Facebook tenho muitos &aacute;lbuns de fotografias, cada um com a sua faceta. A fam&iacute;lia, os amigos, os meus gatos, partilho escritos e aquelas imagens com que me identifico. (Maria).   </blockquote>     <p></p>     <p>No entanto, outro testemunho, apesar de utilizar a Internet, diz que esta actividade n&atilde;o se encontra entre os seus hobbies.</p>     <p>     <blockquote>Eu gosto muito de ler, tenho mais prazer na leitura do que na televis&atilde;o e no computador. (Manuel).         <p></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E at&eacute;, que se tivesse de deixar de usar a Internet ou o Facebook, n&atilde;o iria sentir falta.</p>         <p>N&atilde;o me causaria assim grande transtorno. Eu gosto muito de ler, leio tudo. E gosto muito de conversar, no m&iacute;nimo por telefone. (Manuel).   </blockquote>     <p></p>     <p>Alguns seniores conseguiram desdobrar os seus hobbies, como a fotografia, para o computador e a Internet, outros encontraram novas formas de entretenimento, de passar o tempo, como os jogos online. No entanto, outros testemunhos, apesar de usarem a Internet e de encontrarem alguns pontos de interesse na ferramenta, continuam a manter os seus hobbies fora do mundo online e mostram preferir outras actividades.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Devido &agrave; centralidade da Internet nas sociedades actuais, a exclus&atilde;o digital &eacute; cada vez mais sin&oacute;nimo de exclus&atilde;o social.</p>     <p>Em Portugal, quando tentamos perceber a exclus&atilde;o digital da popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior, n&atilde;o podemos deixar de ter em conta o baixo n&iacute;vel de escolaridade que estas faixas et&aacute;rias apresentam. A literacia parece ser, dentro das v&aacute;rias vari&aacute;veis s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas influentes, a que tem maior interfer&ecirc;ncia na capacidade de utiliza&ccedil;&atilde;o do computador e da Internet nestes grupos et&aacute;rios. No entanto, estudos anteriores (Dias, 2012; Morris et al., 2007; Selwyn et al, 2003) mostraram-nos que uma das raz&otilde;es frequentemente apontadas pelos mais velhos para a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet e do Facebook &eacute; a falta de interesse. &Eacute; por isso que nos propusemos estudar a tem&aacute;tica do ponto de vista dos idosos, analisando o que motiva, o que mais interessa e que tipos de utiliza&ccedil;&atilde;o fazem os seniores da Internet, em geral, e em particular da rede social online mais abrangente, o Facebook.</p>     <p>O estudo explorat&oacute;rio que desenvolvemos levantou algumas pistas que consideramos serem importantes para enquadrar investiga&ccedil;&otilde;es mais aprofundadas no futuro. Uma delas &eacute; aquilo que pode ser o maior foco de interesse da popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior na Internet: o acesso a rela&ccedil;&otilde;es pessoais, contactos e &agrave;s suas mem&oacute;rias. &ldquo;People on the net are not only looking for information; they are also looking for affiliation, support, and affirmation.&rdquo; (Ito et al., 2001, p. 2). S&atilde;o ali&aacute;s factores como a solid&atilde;o, a necessidade de ocupar tempo e a necessidade de compreender aquilo de que outros falam, de modo a poder participar nas conversas, integrar-se nas suas comunidades, os mais apontados no nosso estudo como motiva&ccedil;&otilde;es para come&ccedil;ar ou continuar a usar a Internet e o Facebook.</p>     <p>Uma das mais interessantes pistas que obtivemos &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o que os mais velhos estabelecem, atrav&eacute;s da Internet, com o passado e com as suas mem&oacute;rias pessoais, e da import&acirc;ncia que esta rela&ccedil;&atilde;o tem nas suas vidas. O Facebook parece poder assumir, para estes utilizadores mais velhos, um papel possibilitador de reencontros e de reatar de la&ccedil;os pessoais e contactos perdidos h&aacute; muitos anos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, al&eacute;m desta rela&ccedil;&atilde;o com o passado, os mais velhos poder&atilde;o estar desconfort&aacute;veis com o caracter p&uacute;blico do Facebook e parecem muito cuidadosos e minimalistas na sua utiliza&ccedil;&atilde;o. A rede social parece servir de agregador de contactos que depois se continuam de forma mais privada, quer online quer offline. Erikson (2011, p. 5) j&aacute; tinha real&ccedil;ado esta caracter&iacute;stica na utiliza&ccedil;&atilde;o dos mais velhos do Facebook: &ldquo;While Facebook did provide connections to love ones, it was not the forum for significant interaction&rdquo;.</p>     <p>O limitado conhecimento que os idosos apresentam da tecnologia tamb&eacute;m pode estar na origem do uso cuidadoso e minimalista do Facebook (Erikson, 2011). No entanto, num contexto em que a confian&ccedil;a &eacute; cada vez mais produzida pelos indiv&iacute;duos do que garantida institucionalmente (Giddens, 1991) parece-nos que os idosos poder&atilde;o confiar tanto mais na rede social online quanto maior n&uacute;mero de pessoas confiam e participam nela, e quanto mais as pessoas em quem confiam participam nela. Sendo assim, o que &eacute; valorizado &eacute; a confian&ccedil;a conquistada e sustentada pela &ldquo;ordinariedade da vida de todo o dia e pelas consist&ecirc;ncias da linguagem e da experi&ecirc;ncia&rdquo;. (Silverstone, 1999).</p>     <p>Os mais velhos poder&atilde;o tamb&eacute;m ter uma certa atitude de precau&ccedil;&atilde;o quando &agrave; natureza p&uacute;blica no Facebook e algum desinteresse por parte dos conte&uacute;dos que s&atilde;o publicados na rede social online. A comprovar-se, v&aacute;rios factores poder&atilde;o explicar este fen&oacute;meno: devido ao seu caracter aberto, &eacute; poss&iacute;vel que a Internet tenha sido moldada quer tecnologicamente, quer em termos de conte&uacute;dos pelos seus primeiros utilizadores (Castells, 2001). Sendo os idosos em geral utilizadores muito tardios da Internet, e estarem geralmente mais no lado da recep&ccedil;&atilde;o do que no lado da cria&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos e tecnologia, podem estar sujeitos a uma menor identifica&ccedil;&atilde;o e consequente desinteresse pelos conte&uacute;dos ou mesmo pelas caracter&iacute;sticas da tecnologia. As tecnologias ao mesmo tempo que moldam a sociedade s&atilde;o moldadas por ela (Silverstone et al., 1992). No entanto, os mais velhos parecem apresentar uma maior dificuldade em apropriar-se e converter o sentido, em domesticar a tecnologia (Silverston et al., 1992), n&atilde;o conseguido com facilidade adapt&aacute;-la ao seu dia-a-dia, aos seus h&aacute;bitos e interesses mais espec&iacute;ficos.</p>     <p>A quest&atilde;o geracional tamb&eacute;m parece ter influ&ecirc;ncia no fen&oacute;meno, uma vez que a perten&ccedil;a a uma determinada gera&ccedil;&atilde;o tende a condicionar a identidade e funciona com uma esp&eacute;cie de subcultura em rela&ccedil;&atilde;o aos tipos de consumo dos media, na constru&ccedil;&atilde;o de quadros comuns de interpreta&ccedil;&atilde;o de textos medi&aacute;ticos e na predisposi&ccedil;&atilde;o para processos de domestica&ccedil;&atilde;o das tecnologias na comunica&ccedil;&atilde;o (Arnoldi, &amp; Colombo, 2007). N&atilde;o perdendo de vista a ideia de que os idosos, ou qualquer outra faixa et&aacute;ria, n&atilde;o s&atilde;o um grupo homog&eacute;neo e n&atilde;o podem ser estudados como tal (Loos, 2012), as gera&ccedil;&otilde;es mais velhas parecem partilhar alguns valores, ideais, gostos, sensibilidades e prefer&ecirc;ncias (Arnoldi, 2011) que n&atilde;o s&atilde;o partilhados e n&atilde;o se reflectem na utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet e em especial do Facebook por outras gera&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Poder&aacute; tamb&eacute;m haver, por parte dos idosos que utilizam a Internet e independentemente do n&iacute;vel de capacidade de utiliza&ccedil;&atilde;o que demostram, uma certa satisfa&ccedil;&atilde;o pelo facto de j&aacute; utilizarem a Internet e a falta de vontade ou necessidade de saber mais e fazer uma utiliza&ccedil;&atilde;o mais proficiente. Esta situa&ccedil;&atilde;o parece-nos castrar a possibilidade de adquirir novas aprendizagens e de alcan&ccedil;ar novos benef&iacute;cios atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet. Na origem desta atitude podem estar os discursos negativos que a sociedade produziu e continua a produzir sobre os idosos, sublinhando as situa&ccedil;&otilde;es de iliteracia cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica a par de situa&ccedil;&otilde;es de pobreza, isolamento, doen&ccedil;a e depend&ecirc;ncia (Dias, 2012; Mauritti, 2004). Estes discursos reproduzem na sociedade a aceita&ccedil;&atilde;o generalizada de que os idosos n&atilde;o querem ou n&atilde;o conseguem utilizar o computador e a Internet.</p>     <p>&Eacute; atrav&eacute;s do acesso ao ensino direccionado aos mais velhos que alguns idosos do nosso estudo dizem iniciar a sua aprendizagem e utiliza&ccedil;&atilde;o do computador e da Internet, revelando que estas forma&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o desempenhar um papel importante neste processo.</p>     <p>Apesar de as rela&ccedil;&otilde;es intergeracionais serem motiva&ccedil;&atilde;o para o uso e sa&iacute;rem fortalecidas com a utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet pelos mais velhos (Selwyn et al, 2003), a verdade &eacute; que se levanta a quest&atilde;o de muitas vezes os filhos poderem n&atilde;o ter tempo ou capacidade para ensinar os mais velhos a usar esta tecnologia. Logo, apesar de recorrerem aos familiares pr&oacute;ximos, como os filhos, para esclarecer algumas d&uacute;vidas, alguns seniores do nosso estudo optaram por participar em forma&ccedil;&otilde;es que lhes s&atilde;o especialmente dirigidas para adquirirem as compet&ecirc;ncias digitais.</p>     <p>Mas a capacidade de utilizar as novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o necessita de uma actualiza&ccedil;&atilde;o constante. Ela n&atilde;o est&aacute; centrada apenas no utilizador, depende tamb&eacute;m do meio, da tecnologia que se utiliza (Livingstone, 2004). Logo, as condi&ccedil;&otilde;es de acesso evoluem e alteram-se constantemente. &Eacute; por isso que faz sentido repensar o ensino das novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. Um maior n&iacute;vel b&aacute;sico de compet&ecirc;ncias tecnol&oacute;gicas pode permitir adquirir capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o e de auto-aprendizagem ao longo da vida (Shelley et al, 2004). Nesse sentido surge a par como o conceito de literacia digital a ideia de &ldquo;flu&ecirc;ncia digital&rdquo;.</p>     <p>Para al&eacute;m das quest&otilde;es j&aacute; referidas, as limita&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas inerentes &agrave; idade n&atilde;o podem ser esquecidas como um factor de condicionamento &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o do computador e da Internet pela popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior. Para al&eacute;m de problemas mais espec&iacute;ficos &eacute; comum verificar-se, nas faixas et&aacute;rias mais velhas, o decl&iacute;nio de fun&ccedil;&otilde;es visuais, auditivas, motoras e cognitivas (Loos, 2012) que devem ser tidas em conta nos momentos de concep&ccedil;&atilde;o e design da tecnologia. S&atilde;o necess&aacute;rias pol&iacute;ticas que promovam um &ldquo;design para a diversidade&rdquo; (Loos, 2012) que tenha tamb&eacute;m em mente os idosos.</p>     <p>Uma das quest&otilde;es que podemos ver colocadas quando analisamos a dimens&atilde;o da problem&aacute;tica da exclus&atilde;o digital da popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior &eacute; se o problema n&atilde;o ficar&aacute; resolvido com a natural passagem do tempo e o desaparecimento daquelas que s&atilde;o hoje as gera&ccedil;&otilde;es mais velhas. Em resposta a esta quest&atilde;o parece-nos, em primeiro lugar, que a exclus&atilde;o digital e as suas consequ&ecirc;ncias s&atilde;o j&aacute; bastante reais e penalizadoras para a popula&ccedil;&atilde;o mais velha. Em segundo lugar, a esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida &eacute; cada vez maior de modo que a nossa sociedade ainda se confrontar&aacute; com estas gera&ccedil;&otilde;es e com este problema durante v&aacute;rios anos (Loos, 2012). Em terceiro lugar, parece-nos claro que os media e a tecnologia est&atilde;o em constante evolu&ccedil;&atilde;o (Loos, 2012). Por vezes de formas imprevis&iacute;veis. &ldquo;Today&rsquo;s new media will be obsolete by tomorrow&rdquo; (Loos, 2012) o que poder&aacute; colocar problemas &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es mais velhas futuras que n&atilde;o podemos prever. Logo, com a popula&ccedil;&atilde;o mais velha a tornar-se uma propor&ccedil;&atilde;o cada vez maior da sociedade, e com a necessidade de repensar o papel dos idosos nesta sociedade, a problem&aacute;tica da integra&ccedil;&atilde;o digital da popula&ccedil;&atilde;o s&eacute;nior parece-nos de import&acirc;ncia dos dias de hoje e no futuro pr&oacute;ximo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo explorat&oacute;rio permite identificar aquelas que poder&atilde;o ser algumas das principais quest&otilde;es para estudos mais aprofundados da rela&ccedil;&atilde;o dos mais velhos com a Internet e o Facebook em Portugal, estudos esses que ser&atilde;o de grande utilidade para a concep&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas para a integra&ccedil;&atilde;o digital dos mais velhos.</p>     <p>Mais do que adaptar os mais velhos &agrave; Internet, parece-nos que a aposta deveria passar por apoiar os mais velhos a domesticarem a tecnologia. Para isso, um maior conhecimento e mais estudos s&atilde;o necess&aacute;rios sobre o tema, do ponto de vista dos idosos.</p>     <p>Parece-nos especialmente pertinente analisar as utiliza&ccedil;&otilde;es da Internet dos mais velhos do ponto de vista das gera&ccedil;&otilde;es, tentando definir que gera&ccedil;&otilde;es est&atilde;o envolvidas e compreender de que modo as caracter&iacute;sticas geracionais influem no uso ou recusa da utiliza&ccedil;&atilde;o desta tecnologia.</p>     <p>Igualmente interessante seria estudar de que modo os percursos de vida - al&eacute;m das vari&aacute;veis s&oacute;cio-demograficas, quest&otilde;es de interesse e limita&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas - influem no processo de utiliza&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o, interesse e capacidade ou falta de capacidade de domesticar a tecnologia.</p>     <p>Revela-se essencial aumentar o ainda residual conhecimento sobre os usos dos seniores da Internet ou as raz&otilde;es para a sua n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o &ndash; do ponto de vista de quem est&aacute; a passar por essa fase da vida - de modo a poder construir mecanismos e pol&iacute;ticas para a sua integra&ccedil;&atilde;o digital direccionadas e eficazes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Alonso, A. (2010). A introdu&ccedil;&atilde;o da interseccionalidade em Portugal: Repensar as pol&iacute;ticas de igualdade(s). <i>Revista Cr&iacute;tica de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, (90), 25-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000260&pid=S1646-5954201500030000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Arnoldi, P. (2011) Generational belonging Between Media Audiences and ICT Users. In F. Colombo &amp; L. Fortunati (eds.) <i>Participation in Broadband Society </i>(pp.51-68). Volume 5, Frankfurt: Deutsche Nationalbibliothek.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Arnoldi, P., &amp; Colombo, F. (2007) Generational belonging and mediascape in Euope. <i>JSSE,</i> 1, 34-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000263&pid=S1646-5954201500030000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>&Aacute;vila, P. (2008) Os contextos da literacia: percursos de vida, aprendizagem e compet&ecirc;ncias-chave dos adultos pouco escolarizado. <i>Sociologia. Vol. XVII/XVIII</i>, 307-337<i>. </i>Dispon&iacute;vel em<i>: </i><a href="http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/5521.pdf" target="_blank">http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/5521.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000265&pid=S1646-5954201500030000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Beck, U. (1992) <i>Risk Society. Towards a New Modernity</i>, London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000266&pid=S1646-5954201500030000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Cardoso, G., da Costa, A. F., Concei&ccedil;&atilde;o, C. P., &amp; Gomes, M. C. (2005) <i>A Sociedade em Rede em Portugal</i>, Porto: Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000268&pid=S1646-5954201500030000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castells, M. (2001) <i>A gal&aacute;xia Internet. Reflex&otilde;es sobre Internet, neg&oacute;cios e sociedade,</i> Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000270&pid=S1646-5954201500030000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castells, M. (2004) A Internet e a Sociedade em Rede. In J. P. Oliveira, G. Cardoso, &amp; J. J. Barreiros (Eds.), <i>Comunica&ccedil;&atilde;o, Cultura e Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o </i>(pp. 205-225)<i>. </i>Lisboa: Quimera.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000272&pid=S1646-5954201500030000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castells, M. (2009) <i>Communication Power</i>. Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000274&pid=S1646-5954201500030000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Dias, I. (2012) O uso das tecnologias digitais entre os seniores. Motiva&ccedil;&otilde;es e interesses. <i>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</i>, n&ordm;68, 51-77.</p>     <p>Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.obercom.pt/client/?newsId=548&amp;fileName=internet_portugal_2014.pdf" target="_blank">http://www.obercom.pt/client/?newsId=548&amp;fileName=internet_portugal_2014.pdf</a></p>     <p>Erickson, L. B. (2011) Social media, social capital, and seniors: The impact of Facebook on bonding and bridging social capital of individuals over 65. <i>AMCIS Proceedings &ndash; All Submissions</i>. Paper 85.</p>     <p>Espanha, R. (2009) <i>Sa&uacute;de e Comunica&ccedil;&atilde;o numa Sociedade em Rede &ndash; o caso Portugu&ecirc;s.</i> Lisboa: Monitor.</p>     <!-- ref --><p>Fuchs, C. (2008) <i>Internet and Society. Social Theory in the Information Age</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000280&pid=S1646-5954201500030000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Giddens, A. (1991) <i>Modernidade e Identidade Social</i>, Oeiras: Celta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000282&pid=S1646-5954201500030000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hagberg, J.E. (2012) Being the Oldest Old in a Shifting Technology Landscape. In E. Loos, L. Haddon &amp; E. Mante-Meijer (Eds.), <i>Generational use of new media </i>(pp.89-106). Farnham: Ashgate Publishing, Ltd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000284&pid=S1646-5954201500030000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>Himanen, P. (2001) <i>The Hacker Ethic and the Spirit of the Information Age.</i> London: Vintage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000286&pid=S1646-5954201500030000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>INE (2012) <i>Censos 2011. Resultados Definitivos.</i> Lisboa: INE&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000288&pid=S1646-5954201500030000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>INE (2014) <i>Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o e do Conhecimento. Inqu&eacute;rito &agrave; Utiliza&ccedil;&atilde;o de Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e da Comunica&ccedil;&atilde;o pelas Fam&iacute;lias</i>. Lisboa: INE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000289&pid=S1646-5954201500030000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ito, M., O'Day, V. L., Adler, A., Linde, C., &amp; Mynatt, E. D. (2001) Making a place for seniors on the net: SeniorNet, senior identity, and the digital divide. <i>ACM SIGCAS Computer and Society</i>, 21 (3), 15-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000291&pid=S1646-5954201500030000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Lee, Y. S., Smith-Jackson, T. L., &amp; Kwon, G. H. (2009) Domestication of Technology Theory: Conceptual Framework of User Experience. <i>CHI.</i> 978-1-60558-247.</p>     <p>Livingstone, S. (2003) The changing nature and uses of media literacy. <i>Media@LSE.</i></p>     <!-- ref --><p>Livingstone, S. (2004) What is media literacy?.<i> Intermedia</i> 32(3), 18-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000295&pid=S1646-5954201500030000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Loos, E. (2012) Senior citizens: Digital immigrants in their own country?.<i> Observatorio (OBS*)</i>, <i>vol.6</i> &ndash; n&ordm;1, 001-023.</p>     <!-- ref --><p>Loos, E., Haddon, L., &amp; Mante-Meijer, E. (2012). <i>Generational use of new media</i>. Farnham: Ashgate Publishing, Ltd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000298&pid=S1646-5954201500030000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>Lugano, G., &amp; Peltonen, P. (2012) Building Intergerational Bridges Between Digital Natives and Digital Immigrants: Attitudes, Motivations and Appreciation for Old and New Media. In E. Loos, L. Haddon &amp; E. Mante-Meijer (Eds.), <i>Generational use of new media </i>(pp.151-170). Farnham: Ashgate Publishing, Ltd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000300&pid=S1646-5954201500030000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>Mauritti, R. (2004), Padr&otilde;es de vida na velhice. <i>An&aacute;lise Social</i>, vol.XXXIX (171), 339-363.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000302&pid=S1646-5954201500030000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Morris, A., Goodman, J., &amp; Branding, H. (2007) Internet use and non-use: views of older users. <i>Univ Access Inf Soc,</i> 6:43-57, 43-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000304&pid=S1646-5954201500030000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Neves, B. B., &amp; Amaro, F. (2012) Too old for technology? How the elderly of Lisbon use and perceive ICT. <i>The Journal of Community Informatics</i>, <i>Vol. 8</i>, N&ordm; 1, 1-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000306&pid=S1646-5954201500030000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Neves, B. B., Amaro, F., &amp; Fonseca, J. R. S. (2013) Coming of (Old) Age in Digital Age: ICT Usage and Non-Usage Among Older Adults. <i>Sociological Research Online</i>, 18 (2) 6, 1-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000308&pid=S1646-5954201500030000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Norris, P. (2001) <i>Digital divide: Civic engagement, information poverty, and the Internet worldwide</i>. New York: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000310&pid=S1646-5954201500030000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OBERCOM (2014). <i>A Internet em Portugal. Sociedade em Rede 2014.</i> Obercom.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000312&pid=S1646-5954201500030000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Phoenix, A., &amp; Pattynama, P. (2006). Intersectionality. <i>European Journal of Women's Studies</i>, 13(3), 187-192.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000314&pid=S1646-5954201500030000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PORDATA (2012) <i>Popula&ccedil;&atilde;o residente com 15 a 64 anos e 65 e mais anos: por n&iacute;vel de escolaridade completo mais elevado (%)&nbsp;</i>(Acedido a 18 de Junho de 2013).</p>     <p>Powell, J. (2008) Aging and Social Welfare: The Case of Trust and Risk. <i>Sincronia. </i>Fall 2008.</p>     <!-- ref --><p>Roberto, M. S., Fidalgo, A., &amp; Buckingham, D. (2015). De que falamos quando falamos de infoexclus&atilde;o e literacia digital? Perspetivas dos nativos digitais. <i>Observatorio (OBS*)</i>, 9(1).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000318&pid=S1646-5954201500030000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rosa, M. J. V. (2012) <i>O Envelhecimento da Sociedade Portuguesa, </i>Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000320&pid=S1646-5954201500030000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Selwyn, N., Gorard, S., &amp; Furlong, J. (2003) The information aged: Older adult&rsquo; use of information and communications technology in everyday life<i>.</i> <i>School of Social Sciences, Cardiff University, Wales, Working paper series</i>, paper 36.</p>     ]]></body>
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