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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As fontes de informação digitais sobre política: estudo exploratório com jovens adultos portugueses]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper is an exploratory quantitative study that aims to assess which digital information sources about politics are used by the Portuguese young adults, aged 18 to 34 years old. The survey results indicate the preference for media as sources of information about politics, given the low level of trust in social networking websites.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>As fontes de informa&ccedil;&atilde;o digitais sobre pol&iacute;tica: estudo explorat&oacute;rio com jovens adultos portugueses</b></p>     <p><b>The web sources of information about politics: an exploratory study among Portuguese adults</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>S&oacute;nia Pedro Sebasti&atilde;o*, Joana Louren&ccedil;o**</b></p>     <p>* Professora Auxiliar no Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas, Universidade de Lisboa; Investigadora Integrada do Centro de Administra&ccedil;&atilde;o e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas, Universidade de Lisboa, P&oacute;lo Universit&aacute;rio da Ajuda, Rua Almerindo Lessa, 1300-663 Lisboa (<a href="mailto:ssebastiao@iscsp.ulisboa.pt">ssebastiao@iscsp.ulisboa.pt</a>)</p>     <p>** Mestranda em Comunica&ccedil;&atilde;o Social, na vertente de Comunica&ccedil;&atilde;o Estrat&eacute;gica, Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas, Universidade de Lisboa (<a href="mailto:joanalourenco.91@gmail.com">joanalourenco.91@gmail.com</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo &eacute; um estudo explorat&oacute;rio quantitativo que visa aferir que fontes informativas digitais sobre pol&iacute;tica s&atilde;o utilizadas pelos jovens adultos portugueses dos 18 aos 34 anos. Os resultados do inqu&eacute;rito utilizado apontam para a prefer&ecirc;ncia por &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social como fontes de informa&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica, dado o baixo n&iacute;vel de confian&ccedil;a nos <i>websites</i> de redes sociais.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Pol&iacute;tica, fontes informativas, jovens adultos, inqu&eacute;rito</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper is an exploratory quantitative study that aims to assess which digital information sources about politics are used by the Portuguese young adults, aged 18 to 34 years old. The survey results indicate the preference for media as sources of information about politics, given the low level of trust in social networking websites.</p>     <p><b>Keywords:</b> Politics, sources of information, young adults, survey</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A perspectiva normativa dos estudos de comunica&ccedil;&atilde;o e ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica advoga, desde as suas origens, a import&acirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o cred&iacute;vel sobre os assuntos e a actividade pol&iacute;tica, permitindo ao cidad&atilde;o tomar decis&otilde;es sustentadas e racionais. Contudo, a pr&aacute;tica democr&aacute;tica tem mostrado que, ao inv&eacute;s de racionais, as decis&otilde;es dos cidad&atilde;os s&atilde;o baseadas na ignor&acirc;ncia e no preconceito face &agrave; op&ccedil;&atilde;o pela n&atilde;o informa&ccedil;&atilde;o, pela utiliza&ccedil;&atilde;o de fontes pouco cred&iacute;veis ou pela mediatiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que acaba por transformar a informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em conte&uacute;dos personalizados e <i>faits divers</i> (McNair, 2009).</p>     <p>A altera&ccedil;&atilde;o do espectro medi&aacute;tico provocada pela evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e pelo surgimento da internet e de numerosas plataformas digitais multiplicou exponencialmente o n&uacute;mero de fontes de informa&ccedil;&atilde;o e as possibilidades de eco de informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o controladas pelas estruturas dominantes da sociedade (Gurevitch, Coleman &amp; Blumler, 2009). Mas estar&atilde;o os cidad&atilde;os interessados nestas fontes aparentemente &ldquo;n&atilde;o controladas&rdquo;?</p>     <p>Se do tipo de informa&ccedil;&atilde;o consumida depende o interesse e a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos cidad&atilde;os, torna-se fundamental compreender que fontes de informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o usadas pelos cidad&atilde;os e a sua opini&atilde;o sobre as mesmas, especialmente sobre as fontes digitais que &ldquo;invadem&rdquo; o quotidiano dos jovens cidad&atilde;os. Consequentemente, o objectivo deste estudo explorat&oacute;rio &eacute; a aferi&ccedil;&atilde;o do uso de plataformas digitais como fontes de informa&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica por parte dos jovens adultos portugueses. A op&ccedil;&atilde;o pela faixa et&aacute;ria dos 18 aos 34 anos relaciona-se com a maior utiliza&ccedil;&atilde;o feita por este estrato et&aacute;rio da web e, particularmente, das redes sociais digitais.</p>     <p>Na elabora&ccedil;&atilde;o deste estudo realizou-se uma pesquisa bibliogr&aacute;fica para a elabora&ccedil;&atilde;o da revis&atilde;o da literatura sobre cidadania, fontes de informa&ccedil;&atilde;o e da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica; um inqu&eacute;rito por question&aacute;rio <i>online</i> com quest&otilde;es fechadas, semiabertas e abertas sobre fontes informativas sobre pol&iacute;tica utilizadas pelos jovens adultos portugueses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Cidadania e Fontes de Informa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Por cidadania entende-se, vulgarmente, os direitos e deveres atribu&iacute;dos aos indiv&iacute;duos que est&atilde;o inseridos numa determinada comunidade de um Estado-na&ccedil;&atilde;o (Marshall, 2008). A rela&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com a comunidade deve ser entendida como sendo rec&iacute;proca e dependente, ou seja, implica legitimidade, integra&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m participa&ccedil;&atilde;o activa (Giddens, 1984).</p>     <p>A conjuntura tecnol&oacute;gica e pol&iacute;tica influencia a redefini&ccedil;&atilde;o do Estado, o que implica, igualmente, a redefini&ccedil;&atilde;o do conceito de cidadania, uma vez que este conceito &eacute; centrado no Estado. Para Isin e Turner, a cidadania compreende quatro dimens&otilde;es: (1) legal - consagrada na Constitui&ccedil;&atilde;o; (2) pol&iacute;tica - direito e dever de participar na <i>polis</i>; (3) econ&oacute;mica - direitos e deveres do cidad&atilde;o enquanto consumidor e trabalhador; e (4) c&iacute;vica - participa&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o nos assuntos c&iacute;vicos (2003, p. 2). Durante e ap&oacute;s a educa&ccedil;&atilde;o para a participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, o cidad&atilde;o tem a liberdade de usar os meios dispon&iacute;veis para complementar essa educa&ccedil;&atilde;o. Pode faz&ecirc;-lo a partir dos h&aacute;bitos de leitura e pesquisa que os <i>media</i>, tradicionais ou digitais, disponibilizam. Consequentemente, a cidadania digital, utilizando as ferramentas oferecidas pelas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TIC), n&atilde;o &eacute; mais do que a extens&atilde;o da dimens&atilde;o c&iacute;vica da cidadania (Sebasti&atilde;o, 2012). Ser-se cidad&atilde;o, idealmente, &eacute; ser-se participativo e activo na sociedade. Mas para isso &eacute; necess&aacute;rio que os indiv&iacute;duos estejam educados nesse sentido, ou seja, sejam estimulados por uma &ldquo;boa&rdquo; cultura pol&iacute;tica: uma cultura participativa. A reestrutura&ccedil;&atilde;o educacional, proposta por Barber (1999), vem no sentido da participa&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo, nos assuntos pol&iacute;ticos, como algo que fa&ccedil;a parte da sua educa&ccedil;&atilde;o desde cedo.</p>     <p>Para al&eacute;m da educa&ccedil;&atilde;o ser uma das limita&ccedil;&otilde;es da cidadania digital (Barber, 1999), com a quest&atilde;o da literacia digital, tamb&eacute;m se deve ter atentar no acesso &agrave;s TIC, que pode ser condicionado por quest&otilde;es educacionais, lingu&iacute;sticas, &eacute;tnicas e raciais (e.g. Barber, 1999; Shelley, Thrane, Shulman, Lang, Beisser, Larson, &amp; Mutiti, 2004); por quest&otilde;es econ&oacute;micas, sociais e pol&iacute;ticas (e.g. Mossberger, Tolbert, &amp; McNeal, 2008; e Martins, 2010). Este &uacute;ltimo autor frisa que o interesse do cidad&atilde;o em participar &eacute; um factor muito importante, que adv&eacute;m da educa&ccedil;&atilde;o, e &eacute; estimulado, ou n&atilde;o, por motivos psicol&oacute;gicos, atitudes e motiva&ccedil;&otilde;es (Martins, 2010, p. 279).</p>     <p>Verifica-se, portanto, que a educa&ccedil;&atilde;o e o acesso aos meios tecnol&oacute;gicos condicionam o cidad&atilde;o na sua procura por informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, isto &eacute;, limitam o tipo de fontes de informa&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica que o cidad&atilde;o escolhe para participar e o conhecimento sobre o que acontece na <i>polis</i>.</p>     <p>Neste trabalho, as fontes de informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o consideradas como redes de indiv&iacute;duos, grupos ou institui&ccedil;&otilde;es que fornecem dados e recursos sobre quest&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais que podem influenciar, e as atitudes e comportamentos dos cidad&atilde;os. Estas fontes s&atilde;o estruturas de comunica&ccedil;&atilde;o, canais de media&ccedil;&atilde;o informativa que englobam redes interpessoais, organizacionais e de <i>media</i> com um papel no processo de forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o pol&iacute;tica.</p>     <p>A fonte de informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica pode ter duas bases: uma pessoal (fam&iacute;lia e colegas originalmente estudados por Katz &amp; Lazarsfeld, 1955) decorrente de rela&ccedil;&otilde;es prim&aacute;rias, marcada por la&ccedil;os fortes e estreitos, e caracterizada pela confian&ccedil;a, credibilidade e proximidade (e.g. McNair, 2000; Barber, 2003); e uma impessoal (Mutz, 1998) que emana de rela&ccedil;&otilde;es formais e mediadas, principalmente estabelecidas entre o indiv&iacute;duo e os <i>media</i> ou outras organiza&ccedil;&otilde;es que respondam &agrave; necessidade ampla de informa&ccedil;&otilde;es. Fontes impessoais de informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica s&atilde;o caracterizadas por la&ccedil;os fracos e dominados por especialistas (Blumler &amp; Gurevitch, 1995; Entman, Matthes &amp; Pellicano, 2009, p. 179).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Fontes de Informa&ccedil;&atilde;o Digitais e Participa&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a sociedade da informa&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel identificar uma terceira fonte de informa&ccedil;&atilde;o que pode ser definida como h&iacute;brida, uma vez que re&uacute;ne la&ccedil;os fracos e fortes e pode surgir a partir de fontes prim&aacute;rias e organizacionais. Esta fonte h&iacute;brida &eacute; a <i>web</i>, usada em campanhas pol&iacute;ticas e no dia-a-dia para informar e mobilizar os cidad&atilde;os para as causas e quest&otilde;es p&uacute;blicas. De acordo com Gurevitch, Coleman, &amp; Blumler (2009), a evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e tecnol&oacute;gica tornou os profissionais da informa&ccedil;&atilde;o mais c&eacute;pticos e intervencionistas, levando-os a assumir um papel de construtores e &aacute;rbitros da vida pol&iacute;tica, ao mesmo tempo que se assiste &agrave; fragmenta&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias e expans&atilde;o do n&uacute;mero de canais de informa&ccedil;&atilde;o. Os <i>media</i> despolitizaram a pol&iacute;tica, criando hist&oacute;rias, personalizando e mundanizando os assuntos pol&iacute;ticos.</p>     <p>Com o crescimento do acesso &agrave; internet, as plataformas <i>web</i> tornam-se igualmente instrumento de mediatiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, disponibilizando mais informa&ccedil;&atilde;o ou canais para a disseminar de forma r&aacute;pida. V&aacute;rios estudos t&ecirc;m procurado enfatizar as virtudes da <i>web</i> para a emancipa&ccedil;&atilde;o do eleitor/consumidor anteriormente subjugado ao modelo unidireccional (<i>broadcast</i>) e controlado (<i>gatekeeper</i>) da televis&atilde;o - e dos <i>media</i> ditos tradicionais - para se informar sobre pol&iacute;tica (e.g. Dahlgren, 2001; Shane, 2004; Chadwick, 2006). N&atilde;o obstante, e apesar de todas as possibilidades tecnol&oacute;gicas exploradas pelas correntes &ldquo;ciberoptimistas&rdquo;, estudos conduzidos em v&aacute;rias democracias ocidentais (e.g. Hindman, 2008; Chadwick, 2009; Karlsson, Clerwall, &amp; Buskqvist, 2013; Sebasti&atilde;o &amp; Trindade, 2014), mostram a fraca utiliza&ccedil;&atilde;o destes instrumentos numa perspectiva multidireccional, interactiva ou participativa. Isto &eacute;, existem tr&ecirc;s n&iacute;veis a considerar na rela&ccedil;&atilde;o entre o indiv&iacute;duo e a tecnologia: o acesso, muitas vezes condicionado por quest&otilde;es econ&oacute;micas e de disponibilidade de infra-estruturas, para al&eacute;m da motiva&ccedil;&atilde;o e interesse (visto anteriormente); a utiliza&ccedil;&atilde;o que implica a pesquisa e selec&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, a interac&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com outros indiv&iacute;duos em ambiente digital e a participa&ccedil;&atilde;o que pressup&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos, a sua partilha e o envolvimento no debate (Mossberger, Tolbert, &amp; McNeal, 2008, p. 140).</p>     <p>Neste trabalho, procura-se perceber a atitude de jovens portugueses em rela&ccedil;&atilde;o a esta fonte de informa&ccedil;&atilde;o h&iacute;brida sobre pol&iacute;tica, procurando colmatar uma lacuna existente nos estudos sobre fontes de informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em Portugal, com foco em jovens cidad&atilde;os. Com uma pesquisa sistematizada em report&oacute;rios digitais, identific&aacute;mos: o estudo <i>Os Jovens e a Pol&iacute;tica</i> (Magalh&atilde;es &amp; Moral, 2008) que conclui que o consumo de not&iacute;cias e informa&ccedil;&otilde;es sobre pol&iacute;tica, pelos jovens portugueses, &eacute; muito baixo e que o meio favorito &eacute; a televis&atilde;o; e a tese de mestrado de Jorge (2013) que, com um inqu&eacute;rito digital aplicado a uma amostra de conveni&ecirc;ncia constru&iacute;da em bola de neve, conclui que, em termos pol&iacute;ticos e apesar de pouco motivados, os jovens inquiridos usam mais a internet como fonte de informa&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica do que como plataforma de envolvimento e participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise de resultados </b></p>     <p>Como referido, o principal objectivo desta investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; a aferi&ccedil;&atilde;o do uso de plataformas digitais como fontes de informa&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica por parte dos jovens adultos portugueses. Recorreu-se a um inqu&eacute;rito digital utilizando o <i>Google Docs</i> e divulgado atrav&eacute;s de <i>e-mail</i> e do <i>website</i> da rede social <i>facebook,</i> entre os dias 7 e 17 de Novembro de 2012. A amostra dos respondentes &eacute; constitu&iacute;da por 100 inquiridos com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos; 48% do sexo feminino e 52% do sexo masculino.</p>     <p>Os resultados do inqu&eacute;rito revelam que quase metade dos indiv&iacute;duos (44%) costuma informar-se todos os dias sobre pol&iacute;tica portuguesa. Menos de 9% da amostra informa-se apenas entre uma vez por semana ou menos. Em per&iacute;odos de campanha eleitoral os resultados s&atilde;o muito semelhantes: verifica-se apenas um ligeiro aumento da frequ&ecirc;ncia com que os indiv&iacute;duos se informam sobre pol&iacute;tica, que poder&aacute; ser associada ao aumento do n&uacute;mero e da frequ&ecirc;ncia de not&iacute;cias sobre o tema.</p>     <p>A primeira escolha dos inquiridos para se informarem sobre pol&iacute;tica portuguesa &eacute; a televis&atilde;o (33%), as not&iacute;cias veiculadas pelos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social tradicionais no geral (televis&atilde;o, jornais e r&aacute;dio) (29%) e os jornais (26%). Contudo, verifica-se que mais de metade dos inquiridos utilizam diariamente ou v&aacute;rias vezes por semana os <i>websites</i> de redes sociais para se informarem sobre pol&iacute;tica. O mesmo se passa com a imprensa <i>online</i> que tem uma grande percentagem de utiliza&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria e semanal frequente como fonte informativa sobre pol&iacute;tica. Desta forma se constata a supremacia da imprensa <i>online</i>, apenas ultrapassada pela televis&atilde;o tradicional em termos de prefer&ecirc;ncia dos inquiridos. Neste cen&aacute;rio, os jornais (ou imprensa tradicional) s&atilde;o o meio menos preferido dos inquiridos.</p>     <p>Os motores de busca tamb&eacute;m t&ecirc;m uma percentagem consider&aacute;vel de utiliza&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria ou semanal, por&eacute;m quase 40% dos indiv&iacute;duos ainda n&atilde;o os utiliza para este fim. Os <i>weblogs</i> e <i>fora</i> n&atilde;o s&atilde;o utilizados por grande parte dos indiv&iacute;duos (entre 70% a 85%) e os que os utilizam fazem-no com pouca frequ&ecirc;ncia. De sublinhar a elevada percentagem (mais de 60%) dos inquiridos que afirma n&atilde;o utilizar os <i>websites</i> das institui&ccedil;&otilde;es oficiais (ver <a href="#f1">figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v10n1/10n1a07f1.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Constata-se, por conseguinte, um baixo interesse dos inquiridos se manterem informados sobre pol&iacute;tica. Contudo, quem tem interesse no tema, informa-se com frequ&ecirc;ncia di&aacute;ria. Apesar de n&atilde;o serem questionados sobre o porqu&ecirc; de se informarem ou n&atilde;o sobre pol&iacute;tica, na frequ&ecirc;ncia indicada, arriscamos a atribuir o &oacute;nus deste comportamento ao interesse nos assuntos pol&iacute;ticos mas igualmente ao tipo de apresenta&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica feita pelas fontes de informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, classificada por Gurevitch, Coleman e Blumler (2009) como despolitizada e mundanizada. Verifica-se, ainda, uma utiliza&ccedil;&atilde;o significativa das plataformas digitais, isto &eacute;, das fontes de informa&ccedil;&atilde;o que anteriormente classific&aacute;mos como h&iacute;bridas. De sublinhar, no entanto, a prefer&ecirc;ncia pelas fontes secund&aacute;rias e controladas (profissionais identificados, especialistas), isto &eacute;, pelos <i>websites</i> dos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social (Blumler &amp; Gurevitz, 1995; Mutz, 1998; Entman, Matthes &amp; Pellicano, 2009).</p>     <p>Os &ldquo;<i>media</i> tradicionais&rdquo; (imprensa, r&aacute;dio e televis&atilde;o) s&atilde;o os que apresentam maior percentagem de confian&ccedil;a por parte dos indiv&iacute;duos como fontes informativas (<a href="#f2">figura 2</a>). N&atilde;o obstante, as plataformas digitais desses mesmos <i>media</i> tamb&eacute;m s&atilde;o confi&aacute;veis aos olhos dos inquiridos: imprensa <i>online</i>, r&aacute;dio <i>online</i> e televis&atilde;o <i>online</i>. Contudo, perto de 40% dos inquiridos refere que &ldquo;n&atilde;o sabe/n&atilde;o respondo&rdquo; quando questionados sobre o n&iacute;vel de confian&ccedil;a dos <i>websites</i> de r&aacute;dio e televis&atilde;o. De notar que, embora os n&iacute;veis de confian&ccedil;a da r&aacute;dio e da televis&atilde;o &ldquo;tradicionais&rdquo; sejam superiores aos da r&aacute;dio e televis&atilde;o <i>online</i>, na imprensa os valores s&atilde;o relativamente semelhantes nos dois formatos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/obs/v10n1/10n1a07f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ainda na <a href="#f2">figura 2</a>, &eacute; evidenciado que h&aacute; maiores n&iacute;veis de desconfian&ccedil;a em plataformas digitais (<i>websites</i> de institui&ccedil;&otilde;es oficiais, <i>websites</i> de redes sociais, <i>weblogs</i>, f&oacute;rum e motores de busca) e um certo desconhecimento sobre o seu grau de confian&ccedil;a. Por&eacute;m, os <i>websites</i> das institui&ccedil;&otilde;es oficiais e os motores de busca t&ecirc;m uma percentagem de confian&ccedil;a que se aproxima dos 30%.</p>     <p>Al&eacute;m disso, o grau de confian&ccedil;a que os indiv&iacute;duos depositam nos <i>media</i> tradicionais &eacute; consideravelmente maior do que nos <i>weblogs</i>, <i>fora</i> ou <i>websites</i> que n&atilde;o perten&ccedil;am a um &oacute;rg&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o social. Esta conclus&atilde;o corrobora o estudo de Chyi e Yang (2009), que mostra a prefer&ecirc;ncia das pessoas pelos conte&uacute;dos dos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social, especialmente pelos f&iacute;sicos e n&atilde;o tanto pelos <i>online</i>; e confirma a maior utiliza&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o pelos jovens, conforme estudo de Magalh&atilde;es &amp; Moral (2008).</p>     <p>Estes dados, confirmam igualmente a classifica&ccedil;&atilde;o das fontes de informa&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica anteriormente apresentada. Isto &eacute;, as fontes ditas secund&aacute;rias, mediadas e distantes dos inquiridos, baseadas em la&ccedil;os fracos, n&atilde;o colhem elevados n&iacute;veis de confian&ccedil;a; com excep&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social que poder&atilde;o ser reconhecidos pelos inquiridos como produtores de conte&uacute;dos mais isentos politicamente e at&eacute; intervencionistas (Gurevitch, Coleman, &amp; Blumler, 2009).</p>     <p>Os 5% dos inquiridos que visitam <i>fora</i> ou <i>weblogs</i> como fontes informativas sobre pol&iacute;tica referiram os seguintes endere&ccedil;os:</p> <ul>       <li>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>31 da armada: <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/" target="_blank">http://31daarmada.blogs.sapo.pt/</a>, <i>weblog</i> colectivo com publica&ccedil;&otilde;es sobre a actualidade. No seu editorial, os autores comprometem-se a ser &ldquo;livres a pensar&rdquo;, dependentes das suas convic&ccedil;&otilde;es a opinar, sem &ldquo;ambi&ccedil;&atilde;o de ser isentos&rdquo;, mas tentando ser &ldquo;rigorosos e s&eacute;rios&rdquo;. As publica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o sobre a actualidade existindo entre os seus 22 autores militantes e simpatizantes do Partido Social Democr&aacute;tico e do Centro Democr&aacute;tico Social-Partido Popular.</p>   </li>       <li>         <p>Arrast&atilde;o: <a href="http://arrastao.org/" target="_blank">http://arrastao.org/</a>, come&ccedil;ou por ser um <i>weblog</i> individual de Daniel Oliveira, ex. deputado do Bloco de Esquerda, participante do programa da SIC Not&iacute;cias <i>Eixo do Mal </i>e colunista na plataforma digital do jornal <i>Expresso</i>. Quando o fim das publica&ccedil;&otilde;es &eacute; anunciado em Janeiro de 2014 e ap&oacute;s oito anos de exist&ecirc;ncia, contava com a colabora&ccedil;&atilde;o de mais oito autores: Pedro Sales, Pedro Vieira, Andreia Peniche, Bruno Sena Martins, Miguel Cardina, Jo&atilde;o Rodrigues, S&eacute;rgio Lavos e Ana Mafalda Nunes.</p>   </li>       <li>         <p>5dias.net: <a href="http://blog.5dias.net/" target="_blank">http://blog.5dias.net/</a>, <i>weblog</i> colectivo com publica&ccedil;&otilde;es desde Setembro de 2006, com cerca de 37 autores. Com publica&ccedil;&otilde;es de tem&aacute;tica livre, mas sobretudo sobre a actualidade. Apesar de n&atilde;o existir uniformidade na apresenta&ccedil;&atilde;o dos diferentes colaboradores existe uma predomin&acirc;ncia de apoiantes de partidos ditos de esquerda (Partidos Socialista, Bloco de Esquerda e Coliga&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica Unit&aacute;ria).</p>   </li>       <li>         <p>O insurgente: <a href="http://oinsurgente.org/" target="_blank">http://oinsurgente.org/</a>, <i>weblog</i> colectivo com publica&ccedil;&otilde;es desde Outubro de 2006, cerca de 43 autores e uma comunidade no <i>facebook</i> com cerca de 4700 seguidores. As publica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o essencialmente sobre a actualidade econ&oacute;mica, pol&iacute;tica, internacional e nacional. N&atilde;o existe uma apresenta&ccedil;&atilde;o formal dos seus autores com indica&ccedil;&atilde;o de afilia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica ou ideol&oacute;gica.</p>   </li>       <li>         <p>Ladr&otilde;es de bicicletas: <a href="http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/" target="_blank">http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/</a><i>weblog</i> colectivo de Nuno Serra, Ricardo Paes Mamede, Jorge Bateira, Jos&eacute; Gusm&atilde;o, Alexandre Abreu, Sara Rocha, Pedro Nuno Santos, Nuno Teles, Jos&eacute; M. Castro Caldas, Jo&atilde;o Rodrigues e Jo&atilde;o Galamba. Apresentam-se como economistas com &ldquo;partidos e ideologias diferentes e divergentes&rdquo;, mas opositores do &ldquo;consenso neoliberal&rdquo; e defensores do &ldquo;pleno-emprego, servi&ccedil;os p&uacute;blicos, redistribui&ccedil;&atilde;o da riqueza e do rendimento, controlo democr&aacute;tico da economia&rdquo;.</p>   </li>     </ul> <ul>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>         <p>Momentos Econ&oacute;micos: <a href="http://momentoseconomicos.wordpress.com" target="_blank">http://momentoseconomicos.wordpress.com</a>/ de Pedro Pita Barros, Professor Catedr&aacute;tico de Economia e Vice-Reitor da Universidade Nova de Lisboa. Aborda assuntos de economia e economia pol&iacute;tica do ponto de vista t&eacute;cnico e cient&iacute;fico. N&atilde;o se afirma como apoiante de nenhum partido pol&iacute;tico nem informa sobre simpatias ideol&oacute;gicas no perfil que disponibiliza.</p>   </li>       <li>         <p>Jonasnuts: <a href="http://jonasnuts.com/" target="_blank">http://jonasnuts.com/</a> de Maria Jo&atilde;o Nogueira autodenominada como influenciadora n&atilde;o oficial, &ldquo;madrinha&rdquo;, guru, benfiquista e sem afilia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica assumida. Maria Jo&atilde;o Nogueira ganhou notoriedade em finais de 2010, in&iacute;cio de 2011, com o que ficou conhecido como o &ldquo;caso Ensitel&rdquo;. O <i>weblog</i> &eacute; de opini&atilde;o e versa essencialmente sobre o seu quotidiano e opini&otilde;es pessoais.</p>   </li>     </ul>     <p>Quando questionados sobre a forma como tomaram conhecimento dos mesmos, 30% dos inquiridos afirmam que foi atrav&eacute;s dos <i>websites</i> de redes sociais, 20% seguindo hiperliga&ccedil;&otilde;es de outros <i>websites/weblogs</i>/<i>fora</i> e 20% n&atilde;o se lembra (<a href="#f3">figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/obs/v10n1/10n1a07f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Considerando o tipo de <i>weblogs</i> identificados e a forma como chegaram ao conhecimento dos inquiridos, verifica-se a prefer&ecirc;ncia por autores com projec&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica ou profiss&otilde;es ligadas &agrave; pol&iacute;tica e/ou &agrave; vida acad&eacute;mica (deputados, antigos deputados, assessores pol&iacute;ticos, acad&eacute;micos). Desta forma, os la&ccedil;os mant&eacute;m-se fracos, contudo existe um reconhecimento social da opini&atilde;o apresentada pelos autores dos <i>weblogs</i> que, &agrave; semelhan&ccedil;a dos <i>media</i> tradicionais, criam narrativas, personalizam e mundanizam os assuntos pol&iacute;ticos.</p>     <p>Finalmente e de acordo com os inquiridos, a internet ou os motiva a participar mais na vida pol&iacute;tica (50%) ou n&atilde;o tem influ&ecirc;ncia nenhuma (47%). Em termos de principal contribui&ccedil;&atilde;o da <i>web</i>, 68% dos inquiridos considera que &eacute; a maior facilidade de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, 15% assinala a quantidade de informa&ccedil;&atilde;o; 9% dos inquiridos destaca a possibilidade de interac&ccedil;&atilde;o com os actores e as institui&ccedil;&otilde;es e 8% valoriza a liberdade de express&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com este estudo, aprendeu-se que a utiliza&ccedil;&atilde;o dos diferentes meios e plataformas como fontes informativas certifica a afirma&ccedil;&atilde;o de Howard (2005) que a utiliza&ccedil;&atilde;o da internet como fonte informativa sobre pol&iacute;tica &eacute; menor em <i>websites</i> oficiais e maior noutros tipos de <i>websites</i> que se dedicam a grupos de interesse. Exemplo disso s&atilde;o os <i>websites</i> de redes sociais onde os indiv&iacute;duos procuram informa&ccedil;&atilde;o sobre o que lhes interessa.</p>     <p>Pelos resultados apresentados e pela sua an&aacute;lise desenvolvida tendo em conta o enquadramento te&oacute;rico explanado anteriormente, verificamos que as fontes h&iacute;bridas dividem os inquiridos. Por um lado, as plataformas oficiais das institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas s&atilde;o pouco consultadas, eventualmente por falta de confian&ccedil;a, afilia&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica ou apresenta&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o; por outro, as redes sociais digitais enfermam do problema de falta de confian&ccedil;a e, provavelmente, de credibilidade, atributos reconhecidos aos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;<b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Com a veloz e constante evolu&ccedil;&atilde;o das sociedades, os indiv&iacute;duos e os Estados t&ecirc;m de acompanhar as transforma&ccedil;&otilde;es subjacentes a esse desenvolvimento. Se houve tempos em que a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica se materializava na participa&ccedil;&atilde;o institucional que inclu&iacute;a votar e militar em partidos pol&iacute;ticos, hoje em dia outras formas de participa&ccedil;&atilde;o se afirmam, fora da formalidade das institui&ccedil;&otilde;es e recorrendo, particularmente, &agrave;s tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o. Com o acesso facilitado a grandes quantidades de informa&ccedil;&atilde;o, o indiv&iacute;duo tem a oportunidade de se informar, envolver e participar civicamente, tanto no espa&ccedil;o f&iacute;sico como no digital. As TIC facilitam esse envolvimento, por&eacute;m, n&atilde;o se trata apenas de uma quest&atilde;o tecnol&oacute;gica. A educa&ccedil;&atilde;o, as atitudes e o interesse s&atilde;o elementos a considerar para aferir o n&iacute;vel de participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e pol&iacute;tica.</p>     <p>Para haver participa&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio cumprir um conjunto de pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es (previamente enunciadas) e existir interesse. N&atilde;o basta consultar informa&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica. As fontes informativas que os jovens adultos mais frequentemente utilizam continuam a ser os &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social, por&eacute;m tamb&eacute;m em plataformas digitais. Afere-se que a internet dever&aacute; ser encarada como um complemento dos <i>media</i> tradicionais, pois ainda n&atilde;o faz totalmente parte da rotina de consumo de not&iacute;cias da maioria do inquiridos. Al&eacute;m disso, o grau de confian&ccedil;a que os indiv&iacute;duos depositam nos <i>media</i> tradicionais &eacute; consideravelmente maior do que nos <i>weblogs</i>, <i>fora</i> ou <i>websites</i> que n&atilde;o perten&ccedil;am a um &oacute;rg&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o social.</p>     <p>Conclui-se tamb&eacute;m que os <i>media</i> digitais podem ser um incentivo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e c&iacute;vica, contudo n&atilde;o &eacute; claro que atraia mais indiv&iacute;duos para al&eacute;m dos que j&aacute; t&ecirc;m interesse no <i>offline</i>. A forma como a <i>web</i> contribui para a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica limita-se ao facilitar o acesso e &agrave; disponibiliza&ccedil;&atilde;o de grande quantidade de informa&ccedil;&atilde;o, o que tamb&eacute;m &eacute; conclu&iacute;do por Jorge (2013). Contudo, tal n&atilde;o quer dizer que potencialize a vontade de consumir essa informa&ccedil;&atilde;o nem que despolitize a vontade de participar na pol&iacute;tica. De facto, se tudo o que envolvesse o acto de participar politicamente dependesse exclusivamente da informa&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o haveria uma forte rela&ccedil;&atilde;o entre a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de tradicionais como a r&aacute;dio ou a imprensa, o que n&atilde;o se confirmou, neste estudo. Portanto, sem interesse por parte dos indiv&iacute;duos de pouco servem o acesso e a grande quantidade informa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; necess&aacute;ria uma educa&ccedil;&atilde;o de raiz onde a literacia (digital) e a cultura participativa sejam estimuladas.</p>     <p>Reconhecemos as limita&ccedil;&otilde;es deste estudo, n&atilde;o s&oacute; pelo seu car&aacute;cter explorat&oacute;rio, mas essencialmente pela sua componente quantitativa. Estudos sobre atitudes requerem uma dimens&atilde;o qualitativa que lhe confira profundidade e acima de tudo procure perceber os usos e gratifica&ccedil;&otilde;es obtidos pelos jovens portugueses da informa&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica que consomem. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia seria interessante perceber o que os jovens aprendem com a informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica consumida <i>online</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bibliografia</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Barber, B. R. (1999) Neither Leaders nor Followers: citizenship under strong democracy. B. R. Barber &amp; R. M. Battistoni (eds.) <i>Education for Democracy: citizenship, community, service</i>. Iowa: Kendall/Hunt.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923223&pid=S1646-5954201600010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barber, B. (2003). <i>Strong Democracy: Participatory Politics for a New Age</i> (20th Anniversary ed.). Berkeley: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923225&pid=S1646-5954201600010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Blumler, J. G., &amp; Gurevitch, M. (1995). <i>The Crisis of Public Communication</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923227&pid=S1646-5954201600010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chadwick, A. (2006). <i>Internet politics: states, citizens, and new communication technologies.</i> London: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923229&pid=S1646-5954201600010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chadwick, A. (2009). Web 2.0: new challenges for the study of e-Democracy in an era of informational exuberance. <i>I/S Journal of Law and Policy for the Information Society</i>, 5 pp. 9-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923231&pid=S1646-5954201600010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Chyi, H. I., &amp; Yang, M. J. (2009). Is Online News an Inferior Good? Examining the Economic Nature of Online News. <i>Journalism and Mass Communication Quarterly,</i> 86(3), pp. 594-612.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923233&pid=S1646-5954201600010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dahlgren, P. (2001). The Public Sphere and the Net: Structure, Space, and Communication. In &amp;. R. W. L. Bennett (Ed.), <i>Mediated Politics. Communication in the future of democracy</i> (pp. 33-55). New York: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923235&pid=S1646-5954201600010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Entman, R. M., Matthes, J., &amp; Pellicano, L. (2009). Nature, Sources, and Effects of News Framing. K. Wahl-Jorgensen &amp; T. Hanitzsch (eds.), <i>The Handbook of Journalism Studies</i> (pp. 175-190). London / New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923237&pid=S1646-5954201600010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Giddens, A. (1984). <i>The Constitution of Society. Outline of the Theory of Structuration</i>. Cambridge: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923239&pid=S1646-5954201600010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gurevitch, M., Coleman, S., &amp; Blumler, J. (2009). Political communication - old and new media relationships. <i>Annals, AAPSS, 625</i>, 164-181.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923241&pid=S1646-5954201600010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Hindman, M. (2008). <i>The Myth of Digital Democracy.</i> New Jersey: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923243&pid=S1646-5954201600010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Howard, P. N. (2005). Deep Democracy, Thin Citizenship: The Impact of Digital Media in Political Campaign Strategy. <i>The Annals of the American Academy of Political and Social Science</i>, 597, pp.153 -170.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923245&pid=S1646-5954201600010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Isin, E. 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