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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A representação feminina na mídia esportiva: o caso Fernanda Colombo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Based on the theoretical-methodological approach in cultural studies and gender studies, we intend to discuss the representation of women in football in Pernambuco. One of the little-known aspects of soccer history refers to the inclusion of women in this universe "naturalized" male. The objective is to understand the media representation of women in soccer turf pitches. It is intended, therefore, to analyze the forms of integration allowed and forbidden to women, and especially the means closed in that permissions and prohibitions. The object of analysis focuses on media coverage of the arrival of Santa Catarina assistente referee Fernanda Colombo in Recife. Indeed, we will analyze the pieces produced in two main state newspapers: Jornal do Commercio and Diário de Pernambuco. The methodological approach was made through the discourse analysis technique in the light of theories of Maingueneau, which allowed us to understand the explicit and implicit intentions of the statements.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A representa&ccedil;&atilde;o feminina na m&iacute;dia esportiva: o caso Fernanda Colombo.</b><sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a></p>     <p>&nbsp;<b>Women's representation in the sports media: case Fernanda Colombo</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Soraya Barreto*</b></p>     <p><b>*</b> Professora Adjunta e Pesquisadora, Departamento Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, Recife , Brasil (<a href="mailto:soraya.barreto@ufpe.br">soraya.barreto@ufpe.br</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Fundamentada na abordagem te&oacute;rico-metodol&oacute;gica nos estudos culturais e nos estudos de g&ecirc;nero, pretendemos discutir a representa&ccedil;&atilde;o da mulher no futebol em Pernambuco. Um dos aspectos pouco conhecidos da hist&oacute;ria do futebol remete &agrave; inser&ccedil;&atilde;o da mulher nesse universo &ldquo;naturalizado&rdquo; masculino. Objetiva-se compreender a representa&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica da mulher nos gramados. Pretende-se, dessa forma, analisar as formas de integra&ccedil;&atilde;o permitidas e proibidas &agrave;s mulheres, e, sobretudo, os significados encerrados em tais permiss&otilde;es e proibi&ccedil;&otilde;es. O objeto de an&aacute;lise se centra na cobertura midi&aacute;tica da chegada da bandeirinha catarinense Fernanda Colombo ao Recife. Com efeito, analisaremos as pe&ccedil;as produzidas nos dois principais jornais do estado: Jornal do Commercio e Di&aacute;rio de Pernambuco. O recorte metodol&oacute;gico se deu atrav&eacute;s da t&eacute;cnica da an&aacute;lise de discurso &agrave; luz das teoriza&ccedil;&otilde;es de Pecheux e Maingueneau, que nos possibilitou decifrar as inten&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas e impl&iacute;citas dos enunciados.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Mulher, Futebol, M&iacute;dia, Representa&ccedil;&atilde;o, Discurso.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Based on the theoretical-methodological approach in cultural studies and gender studies, we intend to discuss the representation of women in football in Pernambuco. One of the little-known aspects of soccer history refers to the inclusion of women in this universe "naturalized" male. The objective is to understand the media representation of women in soccer turf pitches. It is intended, therefore, to analyze the forms of integration allowed and forbidden to women, and especially the means closed in that permissions and prohibitions. The object of analysis focuses on media coverage of the arrival of Santa Catarina assistente referee Fernanda Colombo in Recife. Indeed, we will analyze the pieces produced in two main state newspapers: Jornal do Commercio and Di&aacute;rio de Pernambuco. The methodological approach was made through the discourse analysis technique in the light of theories of Maingueneau, which allowed us to understand the explicit and implicit intentions of the statements.</p>     <p><b>Key-words:</b> Woman, Football, Media, Representation, Speech</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Futebol, mulher e exclus&atilde;o</b></p>     <p>O futebol pode ser percebido hoje como um dos grandes fen&ocirc;menos socioculturais do s&eacute;culo XXI, &eacute; capaz de influenciar diversos segmentos da sociedade que v&atilde;o do cultural ao econ&ocirc;mico, se pensarmos em sua imensa capacidade de fomentar consumo. &Eacute; entendido pela Sociologia e Antropologia como um fen&ocirc;meno sociocultural de grande import&acirc;ncia para o povo brasileiro e sua identidade nacional (DaMatta,1982). O estudo deste fen&ocirc;meno vem ganhando relev&acirc;ncia no meio acad&ecirc;mico nacional nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Com efeito, abarca uma gama de elementos subjetivos nas pessoas, tais como: paix&atilde;o, emo&ccedil;&atilde;o, medo, frustra&ccedil;&atilde;o, esperan&ccedil;a etc. Tais caracter&iacute;sticas subjetivas imp&otilde;em ao tema uma dif&iacute;cil tarefa de an&aacute;lise e mensura&ccedil;&atilde;o fiel. &nbsp;Segundo Reis (2006), o futebol tem uma fun&ccedil;&atilde;o significativa nas sociedades modernas devido ao seu car&aacute;ter afetivo e de enorme poder influenciador em seus adeptos. Para Werthein (2004), o futebol, al&eacute;m de mobilizador das massas, &eacute; modelador de comportamentos e formador de opini&atilde;o, com forte influ&ecirc;ncia em seus torcedores. Segundo Janet Lever (1983), as sensa&ccedil;&otilde;es vivenciadas pelo esporte s&atilde;o indicativas da sua import&acirc;ncia na vida dos indiv&iacute;duos, e esse fator fomenta ao futebol um importante papel enquanto fen&ocirc;meno social e na representa&ccedil;&atilde;o de identidades.</p>     <p>A paix&atilde;o pelo futebol enquanto pr&aacute;tica desportiva no Brasil vem sendo apontada por diversos autores, jornalistas e cronistas brasileiros, como uma paix&atilde;o nacional (DaMatta, 1982; Salles et al, 1996; Goellner, 2005; Knijnik, 2006;). Roberto DaMatta, organizador da obra &ldquo;O universo do futebol&rdquo; (1982), argumentou que o futebol, as festas e o carnaval seriam algumas das fontes da identidade nacional brasileira. O futebol permitiria aproximar o Estado nacional e a sociedade. O antrop&oacute;logo, discorreu sobre os prim&oacute;rdios do futebol no Brasil, relata que o esporte &eacute; um fen&ocirc;meno que re&uacute;ne ao mesmo tempo caracter&iacute;sticas de jogo, esporte, ritual e espet&aacute;culo, e conseguiu penetrar no seio de uma sociedade ainda marcada por uma r&iacute;gida hierarquia e por resqu&iacute;cios de um regime escravocrata. Witter (1990) argumentou que quando o futebol come&ccedil;ou a fazer parte do cotidiano da popula&ccedil;&atilde;o negra e classes populares, a presen&ccedil;a feminina foi descartada com a justificativa de que &ldquo;Filhas de boa fam&iacute;lia n&atilde;o devem se misturar com jogadores de futebol&rdquo; (Witter, 1990, p.58).</p>     <p>Dessa forma, a mulher foi sendo exclu&iacute;da dos espa&ccedil;os esportivos e de suas pr&aacute;ticas. &Eacute; pertinente ressaltar que a inser&ccedil;&atilde;o da mulher em certos esportes possui um long&iacute;nquo hist&oacute;rico de restri&ccedil;&otilde;es e proibi&ccedil;&otilde;es. Desde os prim&oacute;rdios da hist&oacute;ria do esporte e do movimento ol&iacute;mpico, as mulheres eram proibidas de participarem, e portanto, cabia-lhes apenas a entrega dos louros aos vencedores. Esse ato de entrega das premia&ccedil;&otilde;es se estendem at&eacute; hoje com belas corpos objetificados como parte do pr&ecirc;mio (Barreto Janu&aacute;rio, 2013). Na hist&oacute;ria do esporte &eacute; poss&iacute;vel resgatar, inclusive, aspectos jur&iacute;dicos proibitivos. Em 1941 foi promulgado o decreto-lei n&ordm;. 3.199, que at&eacute; o ano de 1975 estabeleceu as bases de Organiza&ccedil;&atilde;o dos esportes em todo o pa&iacute;s. No artigo 54, haviam refer&ecirc;ncias &agrave; pr&aacute;tica do esporte pelas mulheres que comungava de permiss&otilde;es e proibi&ccedil;&otilde;es &ldquo;[...] &agrave;s mulheres n&atilde;o se permitir&aacute; a pr&aacute;tica dos esportes incompat&iacute;veis com as condi&ccedil;&otilde;es de sua natureza, devendo para este efeito, o Conselho Nacional dos Desportos baixar as necess&aacute;rias instru&ccedil;&otilde;es &agrave;s entidades desportivas do pa&iacute;s.&rdquo;</p>     <p>J&aacute; em 1965, a Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional Desportiva publicou instru&ccedil;&otilde;es &agrave;s entidades desportivas do pa&iacute;s na delibera&ccedil;&atilde;o N&ordm; 7 sobre a pr&aacute;tica esportiva que poderia ou n&atilde;o ser desempenhada pelas mulheres. Para a nossa pesquisa interessa especialmente o ponto 2, no qual dizia: &ldquo;N&atilde;o &eacute; permitida a pr&aacute;tica de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de sal&atilde;o, futebol de praia, p&oacute;lo, halterofilismo e baseball [...]&rdquo; (Devide, 2003). S&oacute; em meados dos anos 80 a CND concedeu o direito &agrave; pr&aacute;tica de diversas modalidades esportivas pelas mulheres, incluindo o futebol (Castellani, 1991).</p>     <p>Salles, Silva e Costa (1996) advogaram que &ldquo;Havia ent&atilde;o uma ordem impl&iacute;cita inibidora da presen&ccedil;a da mulher neste espa&ccedil;o, ditando c&oacute;digos excludentes para o sexo feminino&rdquo; (1996, p.80). Com efeito, fica evidenciado a estereotipia associada ao &ldquo;sexo&rdquo; e a biologia feminina. Torna-se evidente que certos preconceitos versavam sobre a suposta fragilidade e incapacidade do corpo feminino em praticar diversas modalidades esportivas. Este pensamento social demonstra o quanto a quest&atilde;o do g&ecirc;nero &eacute; central na reflex&atilde;o sobre o esporte no Brasil. O pr&oacute;prio termo &ldquo;Futebol feminino&rdquo; &eacute; uma forma de exclus&atilde;o, ao nosso ver, s&oacute; h&aacute; um futebol que &eacute; jogado pelos diferentes g&ecirc;neros, onze jogadores contra onze.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O recorte de g&ecirc;nero acaba sendo uma categoria conceitual crucial para entendermos a hist&oacute;ria do futebol e a sua rela&ccedil;&atilde;o com a sociedade. Abarcados nas teoriza&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-estruturalistas, &eacute; necess&aacute;rio um olhar relacional sobre os g&ecirc;neros, inaugurado pela historiadora norte-americana Joan Scott (1995). A autora definiu g&ecirc;nero como &ldquo;um elemento constitutivo de rela&ccedil;&otilde;es sociais baseadas nas diferen&ccedil;as percebidas entre os sexos (...) uma forma prim&aacute;ria de dar significado &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de poder&rdquo; (1995, p. 86). Louro (1997) e Butler (2003) complementaram que g&ecirc;nero &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o cultural e n&atilde;o natural e biol&oacute;gica. Scott (1995) argumentou tamb&eacute;m que n&atilde;o existe um &uacute;nico jeito de vivenciar a masculinidade ou feminilidade, e que tais comportamentos excludentes em rela&ccedil;&atilde;o a mulher est&atilde;o abarcados por rela&ccedil;&otilde;es de poder e coer&ccedil;&atilde;o. Sobre isso Jeffrey Weeks colocou que:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;O g&ecirc;nero n&atilde;o &eacute; uma simples categoria anal&iacute;tica, ele &eacute; [...] uma rela&ccedil;&atilde;o de poder. Assim, padr&otilde;es de sexualidade feminina s&atilde;o, inescapavelmente, um produto do poder dos homens para definir o que &eacute; necess&aacute;rio e desej&aacute;vel &ndash; um poder historicamente enraizado&rdquo; (Weeks, 1999, p.56).</blockquote>     <p></p>     <p>Nesse sentido, al&eacute;m da pr&aacute;tica esportiva do futebol enquanto jogadora a mulher foi exclu&iacute;da enquanto profissional do esporte. At&eacute; pouco tempo n&atilde;o se ouvia falar de mulher &aacute;rbitras, bandeirinhas ou assistentes. Era dado ao homem o poder do entendimento t&aacute;tico e t&eacute;cnico do esporte. &Eacute; nesse &acirc;mbito que se centra a nossa an&aacute;lise. Devide (2008) ao pesquisar as mudan&ccedil;as na visibilidade das mulheres atletas na m&iacute;dia esportiva no Brasil, constatou que mais de 70% das mat&eacute;rias do caderno de esportes do jornal &ldquo;O Globo&rdquo;, abordavam o futebol. O tema possui grande abrang&ecirc;ncia no cen&aacute;rio midi&aacute;tico esportivo nacional, na pesquisa realizado por Devide (2008), a porcentagem se referia ainda &agrave; pr&aacute;tica por atletas do sexo masculino. No entanto, &eacute; exponencial o crescimento da presen&ccedil;a feminina nos gramados, seja como atleta, torcedora ou mesmo como &aacute;rbitra e bandeirinha. As pesquisas brasileiras que se centram nas mulheres no esporte v&ecirc;m gradativamente crescendo na tentativa de fomentar a visibilidade da mulher no esporte e na tentativa de resgatar e construir a hist&oacute;ria das mulheres no cen&aacute;rio esportivo brasileiro, entre os quais: Goellner (2004); Knijnik (2003); Romero (2004); Devide (2003; 2005).</p>     <p>Entretanto, Altmann (2002) argumenta que na pr&aacute;tica esportiva, ainda no processo de aprendizagem escolar na denominada &ldquo;Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica&rdquo;, tanto em aulas mistas quanto separadas por sexo, &eacute; poss&iacute;vel verificar que as exclus&otilde;es n&atilde;o ocorrem somente pelo g&ecirc;nero, mas tamb&eacute;m pela a habilidade motora, a for&ccedil;a e a faixa et&aacute;ria. Contudo, Damo (2006) ressaltou que os meninos n&atilde;o excluem meninas do futebol por simplesmente pertencerem ao sexo feminino, o autor vai mais &agrave; fundo e justifica a exclus&atilde;o feminina por ser percebida enquanto uma amea&ccedil;a, um estranhamento considerando que sua participa&ccedil;&atilde;o em massa pode vir a desconfigurar c&oacute;digos que foram historicamente e culturalmente embutidos nos ditos pap&eacute;is&nbsp;sexuais, podendo desconstruir a associa&ccedil;&atilde;o do futebol com o arqu&eacute;tipo de masculinidade (Franzini, 2005: Connell, 2005). Com efeito, no pensamento social h&aacute; rituais nos quais meninos e meninas s&atilde;o socializados para constru&iacute;rem suas identidades de g&ecirc;nero. Dessa forma, jogar futebol &eacute; um esporte para os homens com o intuito de agu&ccedil;ar a competitividade, a for&ccedil;a e a agilidade. Neste sentido, o futebol &eacute; percebido enquanto espa&ccedil;o para a constru&ccedil;&atilde;o da masculinidade por apresentar a agressividade, for&ccedil;a e competitividade como caracter&iacute;stica motriz, tais aspectos culturalmente percebidos como componentes da corporeidade masculina (Messner, 1992; Barreto Janu&aacute;rio, 2013). Com a desconstru&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea de um ideal de ser homem, nomeada por Connell (2005) de &ldquo;masculinidade hegem&ocirc;nica&rdquo;, vemos ruir tais justificativas para a exclus&atilde;o feminina no futebol. Mas a resist&ecirc;ncia e preconceito se enraiza numa long&iacute;nqua hist&oacute;ria abarcada por estere&oacute;tipos de g&ecirc;nero e de uma cultura patriarcal arraigada com resqu&iacute;cios at&eacute; os dias atuais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Do patriarcado a conquista de espa&ccedil;os p&uacute;blicos</b></p>     <p>Desde as c&eacute;lebres palavras de Beauvoir &ldquo;n&atilde;o se nasce mulher, torna-se&rdquo; (1986) entendeu-se que o g&ecirc;nero seria um processo amb&iacute;guo de autoconstru&ccedil;&atilde;o, onde a distin&ccedil;&atilde;o entre sexo e g&ecirc;nero, converte-se no &ldquo;variado modo de acultura&ccedil;&atilde;o corp&oacute;rea, para al&eacute;m de um destino crivado na anatomia&rdquo; (Butler, 1986, p.35). Para a autora, o verbo &lsquo;tornar-se&rsquo;, apresentado no presente, abarca a inten&ccedil;&atilde;o de um ato intencional, isto &eacute;, o de se assumir atrav&eacute;s de estilo corp&oacute;reo de significados. Entretanto, Butler (1986) refletiu tamb&eacute;m sobre o car&aacute;ter de passividade do verbo no sentido de constru&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nero por &ldquo;um sistema personificado de linguagem patriarcal e faloc&ecirc;ntrica&rdquo; (1986, p.36), o que impele uma an&aacute;lise sobre os mecanismos dessa constru&ccedil;&atilde;o. Mesmo que o corpo biol&oacute;gico seja de mulher, o ato de tornar-se numa Mulher pressup&otilde;e para a fil&oacute;sofa um processo de apropria&ccedil;&atilde;o e reinterpreta&ccedil;&atilde;o que adv&eacute;m de possibilidades culturais. Para Butler (1986), na assertiva de Beauvoir reconhece-se que, para se assumir as caracter&iacute;sticas de g&ecirc;nero, h&aacute; que se submeter a uma condi&ccedil;&atilde;o cultural, que incita a participa&ccedil;&atilde;o no ato de cria&ccedil;&atilde;o dessa mesma condi&ccedil;&atilde;o. Nessa perspectiva, a afirma&ccedil;&atilde;o de Beauvoir considera o compromisso e o envolvimento nos moldes existenciais, que se assegura por um movimento dial&eacute;tico, isto &eacute;, como algo que sofre influ&ecirc;ncia da cultura, mas que, tamb&eacute;m as imp&otilde;e suas determina&ccedil;&otilde;es. A hist&oacute;ria nos conta que no Brasil at&eacute; a chamada Belle-&Eacute;poque, per&iacute;odo compreendido entre o final do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, os homens e mulheres da aristocracia brasileira tinham seus pap&eacute;is e espa&ccedil;os estritamente delimitados entre o privado e o p&uacute;blico.</p>     <p>Essa foi uma das discuss&otilde;es centrais do feminismo liberal, sobre as distin&ccedil;&otilde;es entre p&uacute;blico e privado, em que &ldquo;o privado&rdquo; &eacute; usado para referir-se a uma esfera ou esferas da individualidade, enquanto &ldquo;o p&uacute;blico&rdquo; se reporta a uma esfera ou esferas vistas como pol&iacute;ticas e de coletividades. Muito frequentemente, os termos &ldquo;p&uacute;blico&rdquo; e &ldquo;privado&rdquo; s&atilde;o usados sem que haja uma preocupa&ccedil;&atilde;o com a sua clareza e defini&ccedil;&atilde;o precisas; como se todos soubessem o seu significado independentemente do contexto em que os investigadores os empregam. No entanto, os estudos feministas t&ecirc;m tornado cada vez mais claras as duas principais utiliza&ccedil;&otilde;es envolvidas na maioria das discuss&otilde;es sobre o p&uacute;blico e o privado. Segundo Okin (2008), a primeira refere-se &agrave; distin&ccedil;&atilde;o entre Estado e sociedade (tal como propriedade p&uacute;blica versus privada), enquanto isso, a segunda diz respeito &agrave; distin&ccedil;&atilde;o entre vida n&atilde;o dom&eacute;stica e vida dom&eacute;stica. A diferen&ccedil;a entre estes dois usos, apontou Okin (2008:307), consiste no fato de a sociedade civil (Hegel como citado em Engels, 2000) na primeira dicotomia ser entendida como pertencente ao &ldquo;privado&rdquo; e na segunda como integrante do mundo &ldquo;p&uacute;blico&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Wendy Weinstein (como citado em Okin, 2008) desenvolveu uma analogia entre o conceito de p&uacute;blico/privado e as camadas de uma cebola. Estes est&atilde;o um para o outro tal como numa cebola, uma camada se sobrep&otilde;e a outra, que por sua vez estar&aacute; dentro de outra camada e assim sucessivamente. E explica o fato de algo, tido como p&uacute;blico em rela&ccedil;&atilde;o a uma determinada esfera, poder ser considerado privado em rela&ccedil;&atilde;o a uma outra. Existem assim m&uacute;ltiplos significados e n&atilde;o o dualismo associado ao conceito. Nesse sentido, d&aacute;-se lugar &agrave;s dicotomias de Estado/sociedade e n&atilde;o-dom&eacute;stico/dom&eacute;stico (Okin, 2008, p.307). Nessa perspectiva, Okin (2008) optou por utilizar a segunda separa&ccedil;&atilde;o, &ldquo;p&uacute;blico-dom&eacute;stico&rdquo;, j&aacute; que acreditava que &eacute; a perman&ecirc;ncia desta dicotomia que torna poss&iacute;vel aos te&oacute;ricos ignorarem a natureza pol&iacute;tica da fam&iacute;lia e a relev&acirc;ncia da justi&ccedil;a na vida pessoal e, por conseguinte, grande parte das desigualdades de g&ecirc;nero (Okin, 2008).</p>     <p>Para as feministas liberais, a distin&ccedil;&atilde;o existente entre p&uacute;blico e dom&eacute;stico &eacute; ideol&oacute;gica no sentido em que apresenta a sociedade a partir de uma perspectiva masculina tradicional, baseada em pressupostos sobre diferentes naturezas e pap&eacute;is naturais de homens e mulheres. As investigadoras feministas t&ecirc;m argumentado que a divis&atilde;o dom&eacute;stica do trabalho, e especialmente a preval&ecirc;ncia da mulher na cria&ccedil;&atilde;o dos filhos, s&atilde;o socialmente constru&iacute;das, e portanto s&atilde;o quest&otilde;es de relev&acirc;ncia pol&iacute;tica.</p>     <p>A m&aacute;xima feminista &ldquo;o pessoal &eacute; pol&iacute;tico&rdquo;, est&aacute; na raiz das cr&iacute;ticas feministas &agrave; convencional dicotomia liberal p&uacute;blico/dom&eacute;stico. Nicholson (1986) destacou como a quest&atilde;o &ldquo;o quanto o pessoal &eacute; pol&iacute;tico?&rdquo; constitui uma importante fonte de tens&atilde;o no interior tanto do feminismo liberal quanto do socialista (Nicholson, 1986, p.19). O que acontece na vida pessoal, particularmente nas rela&ccedil;&otilde;es entre os sexos, n&atilde;o &eacute; imune &agrave; din&acirc;mica de poder, que tem tipicamente sido vista como a face distintiva do pol&iacute;tico. Stuart Hall (2005), referiu que a frase se tornou o <i>slogan</i> do feminismo porque as teorias feministas colocaram em xeque o sujeito cartesiano<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> e questionaram as fronteiras entre o particular e o universal. Ou seja, o feminismo &ldquo;politizou a subjetividade&rdquo; (Hall, 2005, p.45). &Eacute; pertinente destacar que os dom&iacute;nios da vida dom&eacute;stica e n&atilde;o-dom&eacute;stica, econ&oacute;mica e pol&iacute;tica, n&atilde;o podem ser interpretados isolados um do outro.</p>     <p>Com os efeitos da Revolu&ccedil;&atilde;o industrial e a urbaniza&ccedil;&atilde;o, a mulher, aos poucos foi ocupando o espa&ccedil;o p&uacute;blico (Sevcenko, 1992; De Souza <i>et al</i>, 2000). Nesse tempo de nascimento da modernidade e de rompimento com alguns aspectos conservadores do cogito social permitiu, segundo Mour&atilde;o (2000), que a mulher no Brasil iniciasse o seu processo de inser&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o p&uacute;blico, buscando o conhecimento e reconhecimento dos seus direitos. &Eacute; sabido que foi no &acirc;mbito da discuss&atilde;o social e nos movimentos sociais que discutiam desde classes, etnias e quest&otilde;es sociais que nasceu o feminismo.</p>     <p>&Eacute; importante reconhecer que foi atrav&eacute;s do discurso feminista que as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero puderam obter relev&acirc;ncia no debate acad&ecirc;mico, j&aacute; que, atrav&eacute;s de tal discurso, a problem&aacute;tica (e derrocada) do dualismo masculino/feminino tomou uma posi&ccedil;&atilde;o de destaque no &acirc;mbito do debate sobre o g&ecirc;nero. O feminismo foi citado por Stuart Hall (2005) como um dos cinco grandes avan&ccedil;os na teoria social e nas ci&ecirc;ncias humanas ocorridos na segunda metade do s&eacute;culo XX, denominada pelo autor como &lsquo;modernidade tardia&rsquo;. Hall (2005) afirma que o feminismo teve impacto tanto enquanto cr&iacute;tica te&oacute;rica como movimento social, questionando no&ccedil;&otilde;es que eram tidas como universais e trazendo &agrave; discuss&atilde;o assuntos como a fam&iacute;lia, a sexualidade, o trabalho dom&eacute;stico, al&eacute;m de outros. Nesse sentido &eacute; poss&iacute;vel afirmar que o discurso feminista teve um importante papel para a altera&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais em diversos contextos, por exemplo, o &lsquo;papel&rsquo; e a identidade masculina mediante tais altera&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Nessa perspectiva, e relativamente ao feminismo na contemporaneidade, torna-se necess&aacute;rio refor&ccedil;ar o ideal feminista enquanto movimento produtor de ideias e pr&aacute;ticas inovadoras, como formador de teorias e respons&aacute;vel por debates de import&acirc;ncia social que questionam a estrutura social vigente. &Eacute; pertinente destacar que para n&oacute;s n&atilde;o h&aacute; morte do feminismo, mas sim (re)de&#64257;ni&ccedil;&atilde;o de novos rumos e focos. O cen&aacute;rio social atual suscita uma atualiza&ccedil;&atilde;o de pensamento sobre o alcance do feminismo, as suas influ&ecirc;ncias para a sociedade, as suas inser&ccedil;&otilde;es institucionais e tantas outras quest&otilde;es do quotidiano das a&ccedil;&otilde;es coletivas das mulheres que, conscientemente ou n&atilde;o s&atilde;o feministas.</p>     <p>Isso exige-nos cada vez mais a capacidade de conviver com a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas na sociedade e com a institucionaliza&ccedil;&atilde;o desse feminismo, mas sem esquecer princ&iacute;pios e autonomia do movimento. Neste sentido, sente-se uma necessidade emergente de ocupa&ccedil;&atilde;o de mais espa&ccedil;os de poder que possam ser assumidos individualmente pelas mulheres e tamb&eacute;m por seus grupos e organiza&ccedil;&otilde;es. Isto aliado &agrave; visibilidade do movimento feminista como um movimento libert&aacute;rio de contesta&ccedil;&atilde;o que sai &agrave;s ruas, demarcando suas posi&ccedil;&otilde;es na constru&ccedil;&atilde;o de uma justi&ccedil;a social.</p>     <p>A crescente presen&ccedil;a das mulheres nos campos de futebol seja como jogadora, &aacute;rbitra, bandeirinha ou torcedora sugerem uma crescente incorpora&ccedil;&atilde;o da mulher na esfera do futebol. No entanto, alguns obst&aacute;culos s&atilde;o claros nessa inclus&atilde;o, e o principal deles refere-se &agrave; legitima&ccedil;&atilde;o da mulher como pessoa que n&atilde;o apenas compreende e gosta do esporte, como tamb&eacute;m, &eacute; capaz de nutrir sentimentos de pertencimento a um determinado clube sem a pr&eacute;via legitima&ccedil;&atilde;o masculina. Ou seja, para agradar o namorado, marido, pai, etc. A legitima&ccedil;&atilde;o de seu real interesse pelo jogo de futebol, compreendendo seus aspectos t&eacute;cnicos e t&aacute;ticos e n&atilde;o apenas emocionais. Essa necessidade de legitima&ccedil;&atilde;o se configura justamente por essa falta de credibilidade na compreens&atilde;o do esporte ou por tentativas de associar caracter&iacute;sticas que teriam por finalidades piadas jocosas e a inten&ccedil;&atilde;o de denegrir a imagem feminina como argumentou Goellner (2005):</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;A masculiniza&ccedil;&atilde;o da mulher e naturaliza&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o de feminilidade que estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o linear e imperativa entre mulher, feminilidade e beleza. Por estarem profundamente entrela&ccedil;ados, esses argumentos acabam por refor&ccedil;ar alguns discursos direcionados para a priva&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o das mulheres em algumas modalidades esportivas tais como o futebol e o as lutas.&rdquo; (Goellner, 2005, p.143)</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Outro ponto de discuss&atilde;o seria o &ldquo;ambiente&rdquo; no est&aacute;dio de futebol. Repleto por linguagem pornof&ocirc;nica, gestos e rituais, ao longo dos anos, se configurou como espa&ccedil;o simb&oacute;lico e concreto de exalta&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;atributos masculinos de pot&ecirc;ncia, virilidade&rdquo; (Toledo 1996, p. 65). Valores esses atribu&iacute;dos aos arqu&eacute;tipos de masculinidade. Vale ressaltar que tanto a masculinidade quanto a feminilidade s&atilde;o constru&iacute;dos num contexto social, cultural e pol&iacute;tico e a sua forma de manifesta&ccedil;&atilde;o, assim como os seus rituais de inicia&ccedil;&atilde;o, devem ser compreendidos dentro dos suportes simb&oacute;licos, do masculino e do feminino, pr&oacute;prios a cada sociedade.</p>     <p>Delimitar certos ambientes impr&oacute;prios para as mulheres s&atilde;o claros mecanismos de disciplina, coer&ccedil;&atilde;o e poder. Tal abordagem encontra-se nas investiga&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-estruturalistas de Foucault sobre o poder e as rela&ccedil;&otilde;es de poder entre homens e mulheres, que se relaciona com a produ&ccedil;&atilde;o social da verdade, e com as teorias feministas que seguindo a linha de pensamento foucaultiana formularam o conceito de g&ecirc;nero como categoria anal&iacute;tica. Reafirmando a historicidade das rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero, e sua import&acirc;ncia enquanto pressuposto estruturante da experi&ecirc;ncia e das rela&ccedil;&otilde;es sociais. As masculinidades e as feminilidades s&atilde;o constru&iacute;das simultaneamente em dois campos relativos &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de poder, nas rela&ccedil;&otilde;es de homem com mulheres, desigualdade de g&ecirc;nero (Bourdieu, 2005), e tamb&eacute;m nas rela&ccedil;&otilde;es dos homens com outros homens, isto &eacute;, desigualdades baseadas em ra&ccedil;a, etnicidade, sexualidade. E por esses fatores, as caracter&iacute;sticas impostas ao feminino estiveram t&atilde;o distantes de arenas esportivas como a do futebol.</p>     <p>Sublinhe-se que o desporto foi socialmente associado a crit&eacute;rios naturalizados nas quest&otilde;es de g&ecirc;nero. E tendo como componente dominante a for&ccedil;a, agilidade e rapidez, e como atividades secund&aacute;rias a gra&ccedil;a, leveza e precis&atilde;o. Desta forma, foram concebidas as atividades ligadas aos desportos masculinos e desportos femininos (Gon&ccedil;alves, 1998). No imagin&aacute;rio social coletivo a ideia de conquistas e sucesso est&atilde;o habitualmente associadas &agrave; velocidade, agilidade, for&ccedil;a e resist&ecirc;ncia e, por conseguinte, ao homem. A mulher ficou enquadrada em marcas como a gra&ccedil;a, a leveza ou a beleza. Nesta perspectiva, o desporto assim definido veio a favorecer a domina&ccedil;&atilde;o dos homens e colaborou para a constru&ccedil;&atilde;o social de uma hegemonia masculina. E justamente por isso n&atilde;o raro &eacute; encontrar a associa&ccedil;&atilde;o da masculinidade patriarcal a celebridades desportivas ou encena&ccedil;&otilde;es nesse &acirc;mbito da atividade f&iacute;sica. Dessa forma, o intuito deste artigo &eacute; compreender a representa&ccedil;&atilde;o e visibilidade feminina no espa&ccedil;o esportivo, especialmente no futebol em Pernambuco.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>An&aacute;lise de Discurso na m&iacute;dia pernambucana</b></p>     <p>Produzir not&iacute;cias &eacute; um ato de linguagem que transmite significados, a partir de signos e significantes por meio de seus enunciados sobre diversas tem&aacute;ticas. Entretanto, tais significados nem sempre s&atilde;o decodificados em uma leitura r&aacute;pida e desatenta da informa&ccedil;&atilde;o noticiosa. Com efeito, para compreend&ecirc;-las se faz necess&aacute;rio buscar um m&eacute;todo de an&aacute;lise que permita entender as &ldquo;Condi&ccedil;&otilde;es de Produ&ccedil;&atilde;o&rdquo; e os Crit&eacute;rios de Import&acirc;ncia e Noticiabilidade (Wolf, 1985) do fato noticioso. A an&aacute;lise possibilita-nos a compreens&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de sentidos em um determinado discurso que influencia a percep&ccedil;&atilde;o que as pessoas t&ecirc;m de uma realidade mediada pelos <i>Mass Media</i>. Uma das formas que pode ser utilizada para esse entendimento &eacute; a An&aacute;lise do Discurso (AD), na linha de estudos composta por autores como P&ecirc;cheux(1988) e Maingueneau (2007).</p>     <p>Ao entendermos a not&iacute;cia enquanto um ato de linguagem produzido a partir de certas condi&ccedil;&otilde;es possibilitada por diversos fatores propiciada pela atividade jornal&iacute;stica, que fazem a not&iacute;cia ser produzida de uma determinada maneira, decorrente de tais crit&eacute;rios de noticiabilidade apontados por Wolf (1985). O jornalismo &eacute; regido por um conjunto de valores e normas profissionais como a honestidade, verdade, liberdade, o rigor, a exatid&atilde;o e a objetividade (Traquina, 2005). Tais valores fortalecem a rela&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico com as pe&ccedil;as jornal&iacute;sticas e a percep&ccedil;&atilde;o que o p&uacute;blico ter&aacute; de determinadas not&iacute;cias. Nesse sentido, ao aplicarmos os princ&iacute;pios da An&aacute;lise do Discurso, no recorte proposto por P&ecirc;cheux (1988), pretendemos verificar esses valores associados aos significados na compreens&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de sentidos. O m&eacute;todo pretende compreender as Condi&ccedil;&otilde;es de Produ&ccedil;&atilde;o (CPs) de um ato de linguagem para compreender a produ&ccedil;&atilde;o de sentidos. Ao compreender como as Condi&ccedil;&otilde;es de Produ&ccedil;&atilde;o de um enunciado ajudam a determinar o posicionamento de um indiv&iacute;duo na sociedade que influencia em sua produ&ccedil;&atilde;o discursiva e, dessa forma, produz determinados sentidos sobre um determinado tema. Dessa forma, escolhemos esse m&eacute;todo para analisar a produ&ccedil;&atilde;o de sentidos dos enunciados veiculados nos jornais pernambucanos, Di&aacute;rio de Pernambuco e Jornal do Commercio, sobre a chegada da assistente de bandeirinha Fernanda Colombo ao Recife e o modo como s&atilde;o constru&iacute;dos os enunciados da tem&aacute;tica da mulher no futebol. P&ecirc;cheux (1988) mostrou que a exterioridade da linguagem influencia na constru&ccedil;&atilde;o de significados. Essa linha de estudos passou a verificar como a significa&ccedil;&atilde;o ocorre no discurso por meio de sua an&aacute;lise.</p>     <p>Compreendemos que a AD estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o entre l&iacute;ngua-discurso-ideologia, e dessa forma, reconhece que a terceira depende da segunda que depende da primeira para se concretizar e produzir sentidos (Orlandi, 2003). A concretude de sentidos &eacute; desempenhada pelo sujeito, elo entre esses tr&ecirc;s elementos, o indiv&iacute;duo &eacute; interpelado em sujeito pela ideologia e faz a l&iacute;ngua produzir sentidos.</p>     <p>Dessa forma, a AD estabeleceu a rela&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua com o seu contexto social e hist&oacute;rico (Brand&atilde;o, 1996). Os conceitos de ideologia e discurso nos estudos da linguagem s&atilde;o centrais na compreens&atilde;o do m&eacute;todo Pecheutiano. O conceito de ideologia &eacute; encontrado nas reflex&otilde;es de Althusser (1985) sobre a &ldquo;forma&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica&rdquo;. Em Foucault (2009), na sua afamada obra <i>Arqueologia do Saber</i>, P&ecirc;cheux usou a express&atilde;o &ldquo;forma&ccedil;&atilde;o discursiva&rdquo; para um emprego espec&iacute;fico nos estudos do discurso. O interesse de Foucault centra-se no discurso real como materialidade. A defini&ccedil;&atilde;o de todo seu m&eacute;todo se construiu na defini&ccedil;&atilde;o dos principais objetos: o discurso, o enunciado e o saber (Foucault, 2009)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A AD entende que o sujeito ocupa um determinado lugar no contexto social, e portanto, enxerga a realidade de uma forma espec&iacute;fica, denominada pela a AD como a Forma&ccedil;&atilde;o Ideol&oacute;gica (FI), que influencia a produ&ccedil;&atilde;o discursiva, a FI &eacute; a forma como a ideologia se materializa. J&aacute; a Forma&ccedil;&atilde;o Discursiva (FD) produz sentidos sobre determinado tema. Com base nessas reflex&otilde;es, procuramos identificar as Forma&ccedil;&otilde;es Discursivas nas pe&ccedil;as noticiosas selecionadas. O jornal do Commercio e Di&aacute;rio de Pernambuco s&atilde;o ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia em Pernambuco. As not&iacute;cias: &ldquo;Fernanda Colombo &eacute; apresentada como nova assistente da FPF&rdquo; publicada no Jornal do Commercio em 03 de Novembro de 2014 e &ldquo;Em estreia no Recife, bandeirinha Fernanda Colombo vira atra&ccedil;&atilde;o e sofre com "elogios"&rdquo; publicada no Di&aacute;rio de Pernambuco em 11 de Dezembro de 2014. As mat&eacute;rias abordam a chegada da assistente de bandeirinha Fernanda Colombo ao Recife.</p>     <p>Dessa forma, a nossa inten&ccedil;&atilde;o &eacute; perceber os sentidos impl&iacute;citos e expl&iacute;citos no enunciado, buscando compreender as forma&ccedil;&otilde;es discursivas propostas pelos jornais. Na an&aacute;lise percebemos duas forma&ccedil;&otilde;es discursivas predominantes em ambas mat&eacute;rias e que fomentam discuss&otilde;es mais amplas. Torna-se pertinente ressaltar que as condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias desportivas est&atilde;o envoltas por uma cortina de preconceito e um ambiente tamb&eacute;m &ldquo;naturalizado&rdquo; como masculino, as reda&ccedil;&otilde;es de esporte. Apesar da crescente participa&ccedil;&atilde;o feminina na cobertura esportiva, o meio ainda &eacute; massivamente masculino.</p>     <p><i>FD1:Conhecimento t&aacute;tico e t&eacute;cnico do Futebol pelas mulheres</i></p>     <p>Verificamos em ambas as not&iacute;cias um intuito de refor&ccedil;ar a constru&ccedil;&atilde;o cultural brasileira que concebe o futebol como um espa&ccedil;o de pr&aacute;ticas sociais masculinas. Como uma pr&aacute;tica esportiva percebida na constru&ccedil;&atilde;o da masculinidade e que possui ainda uma resist&ecirc;ncia, maior do que os outros esportes, &agrave; pr&aacute;tica feminina. Verificamos que o jornal do Commercio apresenta alguns enunciados sobre as falhas e erros de arbitragem de Fernanda Colombo fundamentados nas representa&ccedil;&otilde;es negativas que destacamos ao longo do texto. &Eacute; destacado um erro de marca&ccedil;&atilde;o de um impedimento da assistente que culminaria em outro resultado da partida. Falha essa bastante recorrente na arbitragem independente de g&ecirc;nero. Esta Forma&ccedil;&atilde;o Discursiva apresenta regularidades discursivas que concebem a mulher com um comportamento diferente dos homens em campo e parecem questionar o conhecimento t&aacute;tico e t&eacute;cnico do esporte. O pensamento social propaga uma percep&ccedil;&atilde;o de que a mulher n&atilde;o compreende o futebol, nesse caso parece haver uma necessidade de ressaltar o erro de Fernanda. E ainda, relembrar que a assistente precisou voltar as bases (na s&eacute;rie C e D) para compreender o jogo e &ldquo;ganhar experi&ecirc;ncia&rdquo;. O enunciado parece sugerir que n&atilde;o seria &ldquo;natural&rdquo; uma mulher compreender a quest&atilde;o t&aacute;tica e t&eacute;cnica e para isso precisaria de maior estudo sobre tais quest&otilde;es. Essas percep&ccedil;&otilde;es s&oacute; refor&ccedil;am a estereotipia relacionada a mulher no campo esportivo, e especialmente no futebol.</p>     <p>Outra quest&atilde;o evidente nessa rela&ccedil;&atilde;o Mulher-futebol &eacute; a constante lembran&ccedil;a de que aquele espa&ccedil;o n&atilde;o &eacute; prop&iacute;cio para mulheres. Sugerem uma n&atilde;o perten&ccedil;a aquele ambiente e espa&ccedil;o p&uacute;blico. O Di&aacute;rio de Pernambuco afirmou que:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;Assim que subiu para o aquecimento, Fernanda foi recebida com gritos bem ousados e alguns at&eacute; desrespeitosos, de tom machista. Mais uma prova de como o futebol &eacute; um ambiente arredio para mulheres.&rdquo;</blockquote>     <p></p>     <p>Al&eacute;m de relatar um fato cotidiano na vida de mulheres que frequentam o espa&ccedil;o club&iacute;stico e dos esportes, o enunciado reafirma que aquele n&atilde;o &eacute; um ambiente &ldquo;natural&rdquo; para as mulheres. Esta forma&ccedil;&atilde;o discursiva est&aacute; relacionada a regularidades discursivas que valorizam a naturaliza&ccedil;&atilde;o e desvalorizam o que &eacute; novo, no caso a presen&ccedil;a massiva feminina. O que est&aacute; naturalizado &eacute; conhecido e concebido a partir de valores de uma determinada comunidade, j&aacute; o que &eacute; novo e desconhecido, &eacute; visto como algo estranho. Nos sugere uma forma&ccedil;&atilde;o discursiva de coer&ccedil;&atilde;o e disciplina social sobre o comportamento e a presen&ccedil;a da mulher em determinados espa&ccedil;os p&uacute;blicos, o estranhamento por sua inser&ccedil;&atilde;o neste esporte naturalizado.</p>     <p><i>FD2:O mito da beleza feminina no futebol</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos enunciados das not&iacute;cias o tema mais evidente &eacute; certamente sobre a beleza da bandeirinha. O Jornal do Commercio apresenta o subt&iacute;tulo &ldquo;Musa do futebol nacional far&aacute; sua estreia no Campeonato Pernambucano de 2015&rdquo;, t&iacute;tulo recorrente na imprensa nacional para se referir a Fernanda. No decorrer do texto para se referir a assistente os adjetivos de &ldquo;a bela&rdquo;, a beldade&rdquo; e &ldquo;musa&rdquo; s&atilde;o recorrentes, seja para descrever os atributos f&iacute;sicos, seja para falar de sua performance em campo. Sobre isso Goellner (2005), ao debater sobre o tema beleza relacionado as jogadoras de futebol, ressaltou que &ldquo;O apelo &agrave; beleza das jogadoras e a erotiza&ccedil;&atilde;o de seus corpos tem como um dos pilares de sustenta&ccedil;&atilde;o o argumento de que, se as mo&ccedil;as forem atraente, atrair&atilde;o p&uacute;blico aos est&aacute;dios [...] (2005, p. 147). Apesar da autora se referir &agrave;s jogadoras de futebol, a assertiva pode ser facilmente transposta para o caso &ldquo;Fernanda Colombo&rdquo;. A pr&oacute;pria mat&eacute;ria noticiosa ressalta a bandeirinha como atrativo. Goellner (2003) argumentou tamb&eacute;m os benef&iacute;cios da pr&aacute;tica esportiva para as mulheres, foram sendo relacionadas ao desenvolvimento da beleza, feminilidade e maternidade (Goellner, 2003), como a dan&ccedil;a e a gin&aacute;stica por exemplo (Devide, 2004). Apesar dos avan&ccedil;os hist&oacute;ricos em termos de participa&ccedil;&atilde;o, restaram os preconceitos culturais sobre a inser&ccedil;&atilde;o de mulheres em algumas modalidades esportivas consideradas masculinas, como &eacute; o caso do futebol.</p>     <p>Naomi Wolf (2009), no seu afamado <i>The beauty mith</i>, argumentou que a beleza enquanto valor normativo foi constru&iacute;da socialmente. Para a autora tal constru&ccedil;&atilde;o decorre de valores patriarcais, cujos seus conte&uacute;dos, tanto discursivos como imag&eacute;ticos, tinham o intuito de reproduzir a sua pr&oacute;pria hegemonia.</p>     <p>A objetifica&ccedil;&atilde;o, erotiza&ccedil;&atilde;o e espetaculariza&ccedil;&atilde;o do corpo feminino &eacute; aceita e, muitas vezes, incentivada em determinados locais e esferas sociais, especialmente, aqueles que valorizam uma representa&ccedil;&atilde;o de feminilidade constru&iacute;da em padr&otilde;es de beleza e da sensualidade. J&aacute; nos gramados essa espetaculariza&ccedil;&atilde;o &eacute; vista com estranhamento a estes corpos femininos performativos (Butler, 2003). O mito da beleza &eacute; constru&iacute;do numa rela&ccedil;&atilde;o com a feminilidade e graciosidade feminina. O culto ao corpo magro e belo &eacute; reflexo dos padr&otilde;es dominantes (Wolf, 2009) engaja-se nos discursos contempor&acirc;neos de disciplina e controle dos corpos, como forma de reafirma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de poder (Foucault, 1979). Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o e as atuais ideologias sociais produzem, distribuem e fomentam imagens que sugerem o belo, isto na medida em que existe um elo entre beleza e poder (Louro, 2003).</p>     <p>Segundo Ribeiro, &eacute; tradicional pensar que &ldquo;o grande valor social dos homens &eacute; o &ecirc;xito (social), como o &eacute; para as mulheres a beleza (corporal): dois sinais distintivos, afinal, de adequa&ccedil;&atilde;o aos respetivos pap&eacute;is socialmente prescritos&rdquo; (2003, 96&shy;97). &Eacute; preciso lembrar tamb&eacute;m a dimens&atilde;o do poder associado &agrave; beleza e &agrave; est&eacute;tica e que ganhou for&ccedil;a na contemporaneidade (WOLF, 2009). Fica evidente nos enunciados a necessidade de reconhecer Fernanda enquanto &ldquo;mulher bela&rdquo; e n&atilde;o por seus atributos profissionais ou pelo fato de ser aspirante da FIFA, ou mesmo, por ter vindo para Pernambuco fazer um doutorado na Universidade Federal do estado. E ainda, por ser considerada uma promessa da arbitragem nacional. Tais caracteriza&ccedil;&otilde;es s&oacute; refor&ccedil;am os discursos de &ldquo;senso comum&rdquo; que colocam a mulher num lugar de invisibilidade e desrespeitado na seara esportiva.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Buscamos apresentar neste artigo informa&ccedil;&otilde;es que nos permitem identificar o &aacute;rduo caminho percorrido pelas mulheres desde sua inser&ccedil;&atilde;o, participa&ccedil;&atilde;o e perman&ecirc;ncia no cen&aacute;rio esportivo futebol&iacute;stico no pa&iacute;s, especialmente em Pernambuco. A conjuntura de uma sociedade com uma normativa patriarcal e a falta de conhecimento sobre o corpo feminino nos s&eacute;culos XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, foram possivelmente, a motiva&ccedil;&atilde;o de se constru&iacute;rem discursos fomentados em bases biol&oacute;gicas que normatizavam a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres no esporte, inclusive sob o formato de decretos-lei como destacamos anteriormente.</p>     <p>Ao acreditar que algumas pr&aacute;ticas esportivas poderiam masculinizar as mulheres, afetar o sistema reprodutivo feminino e que o destino das mulheres se concentrava apenas no papel social de m&atilde;e, esposa e cuidadora. Os argumentos biol&oacute;gicos, o discurso sobre a masculiniza&ccedil;&atilde;o e a suposta falta de certos atributos como: agressividade, competitividade e for&ccedil;a tamb&eacute;m se tornaram uma barreira para a sua inser&ccedil;&atilde;o no esporte, numa sociedade sexista e patriarcal. At&eacute; os dias de hoje &eacute; not&oacute;ria essa forma de exclus&atilde;o, sobretudo em &aacute;reas de reserva masculina, como o futebol, vinculado aos estere&oacute;tipos de g&ecirc;nero, que atribuem aos indiv&iacute;duos r&oacute;tulos de &ldquo;ser&rdquo; homem ou mulher.</p>     <p>Atrav&eacute;s da An&aacute;lise do Discurso que realizamos das mat&eacute;rias veiculadas no Jornal do Commercio e Di&aacute;rio de Pernambuco sobre a chegada da assistente de &aacute;rbitro Fernanda Colombo para compor o quadro de arbitragem da Federa&ccedil;&atilde;o Pernambucana, pudemos identificar as forma&ccedil;&otilde;es discursivas e os sentidos apresentados. Verificamos que na FD1 &ldquo;Conhecimento t&aacute;tico e t&eacute;cnico do Futebol pelas mulheres&rdquo; se fundamentou o sentido de estranhamento na presen&ccedil;a feminina enquanto empoderada de saberes futebol&iacute;sticos. J&aacute; a FD2 &ldquo;O mito da beleza feminina no futebol&rdquo; fomentou o debate sobre a necessidade de relacionar a mulher a beleza e n&atilde;o ao seu desempenho profissional, como acontece com os homens.</p>     <p>Pelas FDs analisadas, as enuncia&ccedil;&otilde;es da not&iacute;cia nos apontam uma repeti&ccedil;&atilde;o da norma e do estranhamento da mulher enquanto part&iacute;cipe do espa&ccedil;o futebol&iacute;stico que levam &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o das mulheres nesse ambiente esportivo. Discurso que nos sugere uma &ldquo;forma&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica&rdquo; dominante (Althusser, 1985). Ao mesmo tempo que o definem como &ldquo;nova&rdquo; a inser&ccedil;&atilde;o feminina nesse espa&ccedil;o p&uacute;blico e controlado, numa tens&atilde;o permanente entre verdades universais de g&ecirc;nero secularmente preservadas e naturalizadas na constru&ccedil;&atilde;o de uma masculinidade hegem&ocirc;nica (Connell, 2005) e rupturas que buscam afirmar-se como resist&ecirc;ncia. Podes dizer que os jornais e seus <i>geetkepers</i><sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> escalonam os enunciados e constroem as narrativas visando na audi&ecirc;ncia (p&uacute;blico leitor) e por isso reproduz as mesmas pr&aacute;ticas estereotipadas na sociedade e padroniza&ccedil;&atilde;o e desigualdade de g&ecirc;nero. Ao escolherem o que &eacute; not&iacute;cia, a moldam para um p&uacute;blico geral, e dessa forma, reproduzem discursos redutores, estigmas e padroniza&ccedil;&otilde;es sociais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conclu&iacute;mos que h&aacute; necessidade da promo&ccedil;&atilde;o de uma equidade de oportunidades em todas as searas da profissionaliza&ccedil;&atilde;o do futebol para as mulheres, desde a prepara&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica at&eacute; a cobertura da m&iacute;dia nos eventos envolvendo a modalidade. Ressaltamos que ao entender o futebol enquanto fen&ocirc;meno sociocultural, e buscar por equidade no esporte para ambos os sexos &eacute; tamb&eacute;m promover uma mudan&ccedil;a na cultura e na sociedade. Ainda h&aacute; muito o que debater e aprofundar sobre a presen&ccedil;a e a profissionaliza&ccedil;&atilde;o feminina no esporte, este artigo objetiva contribuir com uma dessas lacunas e ampliar a discuss&atilde;o para novos olhares em busca da equidade de g&ecirc;nero.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b><b> Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Althusser, L. (1985). <i>Aparelhos ideol&oacute;gicos de Estado</i>. 2. ed. Trad. de Valter Jos&eacute; Evangelista e Maria Laura Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923381&pid=S1646-5954201600010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Barreto Janu&aacute;rio, S. (2013). <i>G&eacute;nero e Media: estere&oacute;tipos das masculinidades na publicidade das revistas masculinas em Portugal</i>, Tese de Doutorado, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa.</p>     <!-- ref --><p>Beauvoir, S. (1980). <i>O segundo sexo</i>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923384&pid=S1646-5954201600010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, P. (2005). <i>A domina&ccedil;&atilde;o masculina</i>. Rio de janeiro: Bertrand Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923386&pid=S1646-5954201600010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Butler, J. (1986). Varia&ccedil;&otilde;es sobre sexo e g&ecirc;nero: Beauvoir, Witting e Foucault (N. C. Caixeiro, Trans.). In S. Benhabib &amp; D. Cornell (Eds.), <i>Feminismo como cr&iacute;tica da modernidad</i>e (pp. 139-154). Rio de Janeiro: Rosa dos tempos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923388&pid=S1646-5954201600010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Connell, R. W.(2005). <i>Masculinities</i>. California: University of CaliforniaPress.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923390&pid=S1646-5954201600010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DaMatta, R. (1985). <i>A Casa e a Rua</i>. S&atilde;o Paulo, Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923392&pid=S1646-5954201600010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>De Souza, E. &amp; Baldwin, J.R.(2000) A constru&ccedil;&atilde;o social dos pap&eacute;is sexuais femininos In: <i>Psicologia: reflex&atilde;o e cr&iacute;tica</i>, v.13, n.3, p.485-496.</p>     <!-- ref --><p>Filho, M.(1964). <i>O Negro no Futebol Brasileiro</i>. Rio de Janeiro, Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923395&pid=S1646-5954201600010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M.(1979). Microf&iacute;sica do poder. Rio de Janeiro: Edi&ccedil;&otilde;es Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923397&pid=S1646-5954201600010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M.(2009). A Arqueologia do Saber. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923399&pid=S1646-5954201600010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gastaldo, E. &amp; GUEDES, S. L. (orgs.)(2006) <i>Na&ccedil;&otilde;es em Campo: Copa do Mundo e identidade nacional</i>. Niter&oacute;i: Intertexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923401&pid=S1646-5954201600010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Goellner, S.V.(2003). Bela, maternal e feminina: imagens da mulher na <i>Revista Educa&ccedil;&atilde;o Physica</i>. Iju&iacute;: Editora UNIJU&Iacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923403&pid=S1646-5954201600010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <p>Goellner, S.V.(2005). Mulher e esporte em perspectiva. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.esporte.gov.br/arquivos/mulher_esporte/esporte_mulher.pdf" target="_blank">www.esporte.gov.br/arquivos/mulher_esporte/esporte_mulher.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>Hall, S.(2005). A identidade cultural na P&oacute;s-Modernidade. Rio de Janeiro: DP&amp;A,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923406&pid=S1646-5954201600010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> 2005</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Haraway, D. (1991). "Situated Knowledges: The Science Question in Feminism and the Privilege of Partial Perspective." In: HARAWAY, Donna (ed.). <i>Symians, Cyborgs and Women: the Reinvention of Nature</i>. New York: Routledge, pp. 183-202, 1991&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923408&pid=S1646-5954201600010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Helal, R.(2010). <i>As Novas Fronteiras do &lsquo;Pa&iacute;s do Futebol</i>. Pesquisa Rio / Faperj, v. 11, pp. 37-40</p>     <!-- ref --><p>Helal, R.(1990) <i>O Que &eacute; Sociologia do Esporte</i> - S&atilde;o Paulo, Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923410&pid=S1646-5954201600010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOLBROOK, Morris B. &amp; HIRSCHMAN, Elizabeth C.(1982). The Experiential Aspects of Consumption: Consumer fantasies, feelings, and fun.&nbsp;<i>Journal of Consumer Research</i>, v. 9, pp. 132-140,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923412&pid=S1646-5954201600010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Setembro.</p>     <!-- ref --><p>Lever, J.(1983). <i>A Loucura do Futebol</i>. S&atilde;o Paulo, Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923414&pid=S1646-5954201600010000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Laqueur, T.(2001). <i>Inventando o sexo: corpo e g&ecirc;nero dos gregos a Freud.</i> Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923416&pid=S1646-5954201600010000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Louro, G. (1995). <i>G&ecirc;nero, hist&oacute;ria e educa&ccedil;&atilde;o: constru&ccedil;&atilde;o e desconstru&ccedil;&atilde;o.</i> Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Realidade, Porto Alegre, v.20, pp.99-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923418&pid=S1646-5954201600010000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Loyola, H.(1940) Pode a mulher praticar o futebol. <i>Revista Educa&ccedil;&atilde;o Physica</i>, Rio de Janeiro, v.46, pp.41-45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923420&pid=S1646-5954201600010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Maingueneau, D. (2007). Forma&ccedil;&otilde;es discursivas, unidades t&oacute;picas e n&atilde;o-t&oacute;picas. In:Baronas, Roberto Leiser (org.). An&aacute;lise do Discurso: apontamentos para uma hist&oacute;ria da no&ccedil;&atilde;o-conceito de forma&ccedil;&atilde;o discursiva. S&atilde;o Paulo: Pedro &amp; Jo&atilde;o Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923422&pid=S1646-5954201600010000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Morel, M. &amp; Salles, J.G.C.(2005). Futebol feminino. In: DaCOSTA, L.P. (Ed.). <i>Atlas do esporte no Brasil</i>: atlas do esporte, educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, atividades f&iacute;sicas de sa&uacute;de e lazer no Brasil. Rio de Janeiro: Shape.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923424&pid=S1646-5954201600010000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mour&atilde;o, L. &amp; Morel, M.2005). As narrativas sobre o futebol feminino: o discurso da m&iacute;dia impressa em campo. <i>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias do Esporte</i>, v.26, pp.73-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923426&pid=S1646-5954201600010000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Nicholson, L.(2000). <i>Interpretando o g&ecirc;nero</i>. Estudos feministas, 8(2), 9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923428&pid=S1646-5954201600010000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nicholson, L. (1986).<i>Gender and History</i>. Nova Iorque: Columbia University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923430&pid=S1646-5954201600010000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Okin, S. (2008). G&ecirc;nero, o p&uacute;blico e o privado. In: <i>Revista Estudos Feministas</i>, 16(2), pp.305-332.</p>     <!-- ref --><p>P&ecirc;cheux, M.(1988). Sem&acirc;ntica e Discurso: uma cr&iacute;tica &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o do &oacute;bvio. Campinas: Editora da Unicamp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923433&pid=S1646-5954201600010000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Reis, H. H. B.(2006) <i>Futebol e viol&ecirc;ncia</i>. Campinas, SP: Autores associados.</p>     <p>Salgueiro, A. &amp; Ferraz, R.(2011). Pesquisa de mercado para o Sport Clube do Recife. Trabalho de conclus&atilde;o de curso, Universidade Cat&oacute;lica de Pernambuco, Recife.</p>     <!-- ref --><p>Scott, J.(1990) G&ecirc;nero: uma categoria &uacute;til para an&aacute;lise hist&oacute;rica (C. R. Dabat &amp; M. B. &Aacute;vila, Trans.). Nova Iorque: Columbia University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923437&pid=S1646-5954201600010000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sevcenko, Nicolau.(1992) <i>Orfeu ext&aacute;tico na metr&oacute;pole</i>. S&atilde;o Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923439&pid=S1646-5954201600010000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, M.C.P.; COSTA, M.M. &amp; SALLES, J.G.C. (1998). Representa&ccedil;&atilde;o social do futebol feminino na imprensa brasileira. In: <i>VOTRE</i>, S.; SALLES, J.G.C. (Eds.). Representa&ccedil;&atilde;o social do esporte e da atividade f&iacute;sica: ensaios etnogr&aacute;ficos. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e do Desporto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923441&pid=S1646-5954201600010000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Soares, A. J.(2001) Hist&oacute;ria e a inven&ccedil;&atilde;o de tradi&ccedil;&otilde;es no futebol brasileiro. In Helal, Ronaldo; Soares,2001 Antonio J. G. &amp; Lovisolo, H. <i>A Inven&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s do Futebol: m&iacute;dia, ra&ccedil;a e idolatria</i>. Rio de Janeiro.</p>     <p>Soares, A. J. (1998). <i>Futebol ra&ccedil;a e nacionalidade no Brasil</i>. releitura da hist&oacute;ria oficial. Tese (Doutorado) &ndash; Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica &ndash; Rio de Janeiro.</p>     <!-- ref --><p>Werthein, J. (2004). <i>Esporte e Sociedade</i>: a&ccedil;&otilde;es socioculturais para a cidadnia. S&atilde;o Paulo: IMK Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923445&pid=S1646-5954201600010000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wolf, N.(2009). <i>The beauty myth</i>. Nova Iorque: Harper Collins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=923447&pid=S1646-5954201600010000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Date of submission: March 31, 2015</p>     <p>Date of acceptance: January 26, 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>END NOTES</b></p>     <p><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup> Esta pesquisa foi produzida no &acirc;mbito do projeto de extens&atilde;o OBM&Iacute;DIA UFPE. Seus resultados parciais foram apresentados no XXXVIII Congresso Brasileiro de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, realizado de 4 &agrave; 7 de Setembro de 2015 no Rio de Janeiro.</p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> O sujeito cartesiano corresponde ao sujeito do Iluminismo &ldquo;baseado numa concep&ccedil;&atilde;o de pessoa humana como um indiv&iacute;duo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades da raz&atilde;o, de consci&ecirc;ncia e de a&ccedil;&atilde;o...&rdquo; (Hall, 2005,p.10-11).</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> O termo surgiu em 1947, no campo de estudos da psicologia, concebido pelo psic&oacute;logo Kurt Lewin. Foi aplicada ao jornalismo em 1950 por David Manning White. White estudou o fluxo de not&iacute;cias dentro de uma reda&ccedil;&atilde;o e percebeu que poucas eram as pautas escolhidas e publicadas. Ao pesquisar os crit&eacute;rios de publica&ccedil;&atilde;o White aplicou ao jornalismo a teoria do Gatekeeper que pressup&otilde;e que as not&iacute;cias s&atilde;o publicadas de determinada forma porque os jornalistas assim as determinam.</p>      ]]></body><back>
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<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Althusser]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Aparelhos ideológicos de Estado]]></source>
<year>1985</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Graal]]></publisher-name>
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