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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As ONG como fontes de informação nos media - um olhar sobre o discurso jornalístico não governamental na RTP, TSF, Público e agência Lusa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Non Governmental Organisations (NGOs) usually represents a civil society voice, and media should project their work. Every day there is a relatively regular presence of non-governmental voices in the media. We believe that NGOs contribute to the stimulation of public debate on social issues through the media. This paper presents some of the main results of a research that analysed 462 news. The themes, communication strategies, the main voices present and the tone of information mouthpieces are some of the issues on which we look back and give us clues about the dynamics of these entities as information sources. From the data collected we understand the use of these organizations as information sources in the context of news today. The supremacy of the short news, and little contextualized, approaching these sources of a current news space, more follow the daily news agenda.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>As ONG como fontes de informa&ccedil;&atilde;o nos media - um olhar sobre o discurso jornal&iacute;stico n&atilde;o governamental na RTP, TSF, P&uacute;blico e ag&ecirc;ncia Lusa</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>S&oacute;nia Lamy*</b></p>     <p>* Instituto Polit&eacute;cnico de Portalegre, Portugal (<a href="mailto:sonialamy@esep.pt">sonialamy@esep.pt</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o Governamentais (ONG) representativas de uma voz da sociedade civil v&ecirc;m nos media a proje&ccedil;&atilde;o do trabalho desenvolvido. Diariamente h&aacute; uma presen&ccedil;a relativamente regular de vozes n&atilde;o governamentais nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social. Consideramos que as ONG contribuem para o est&iacute;mulo do debate p&uacute;blico sobre quest&otilde;es sociais, atrav&eacute;s dos media. Este texto apresenta alguns dos principais resultados de uma investiga&ccedil;&atilde;o em que foram analisadas 462 not&iacute;cias. Os temas, as estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o, as principais vozes presentes e o tom dos porta-vozes da informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o algumas das quest&otilde;es sobre as quais nos debru&ccedil;amos e que nos d&atilde;o pistas sobre as din&acirc;micas destas entidades como fontes de informa&ccedil;&atilde;o. A partir dos dados recolhidos compreendemos o recurso a estas organiza&ccedil;&otilde;es como fontes de informa&ccedil;&atilde;o no contexto da atualidade noticiosa. A supremacia da not&iacute;cia curta, e pouco contextualizada, aproxima estas fontes de um espa&ccedil;o de not&iacute;cias de atualidade, que acompanham mais a agenda di&aacute;ria.</p>     <p><b>Palavras chave</b>: Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o Governamentais; Jornalismo, Fontes de Informa&ccedil;&atilde;o; discurso jornal&iacute;stico</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Non Governmental Organisations (NGOs) usually represents a civil society voice, and media should project their work. Every day there is a relatively regular presence of non-governmental voices in the media. We believe that NGOs contribute to the stimulation of public debate on social issues through the media.</p>     <p>This paper presents some of the main results of a research that analysed 462 news. The themes, communication strategies, the main voices present and the tone of information mouthpieces are some of the issues on which we look back and give us clues about the dynamics of these entities as information sources. From the data collected we understand the use of these organizations as information sources in the context of news today. The supremacy of the short news, and little contextualized, approaching these sources of a current news space, more follow the daily news agenda.</p>     <p><b> Keywords</b>: Non Governmental Organizations; Journalism; News sources; News discourse</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O espa&ccedil;o social das ONG</b></p>     <p>As Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o Governamentais s&atilde;o resultado dos movimentos associativos, e configuram um sistema de rela&ccedil;&otilde;es que se regem por bases diferentes de outras institui&ccedil;&otilde;es. Os movimentos sociais &ldquo;proporcionam linhas de orienta&ccedil;&atilde;o significativas para potenciais transforma&ccedil;&otilde;es futuras&rdquo; (Giddens, 1991:131).</p>     <p>Jeff Atkinson e Martin Scurrah (2009), numa obra sobre o papel das organiza&ccedil;&otilde;es na mudan&ccedil;a social &agrave; escala global, distinguem tr&ecirc;s tipos de estruturas sociais cuja g&eacute;nese &eacute; semelhante. Por um lado, os autores destacam as &ldquo;organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil&rdquo; que t&ecirc;m por base a reuni&atilde;o de cidad&atilde;os comuns, em prol de um interesse ou preocupa&ccedil;&atilde;o comum e sobre o qual se sentem particularmente sensibilizados. As caracter&iacute;sticas independentes e que excluem organiza&ccedil;&otilde;es governamentais e econ&oacute;micas aproximam estas entidades das que conhecemos por determinadas como ONG. Estas &uacute;ltimas, j&aacute; formalmente organizadas e constitu&iacute;das, s&atilde;o habitualmente privadas, autogovernadas, n&atilde;o t&ecirc;m fins lucrativos e a sua agenda est&aacute; particularmente dirigida para as quest&otilde;es de justi&ccedil;a social &ndash; pobreza, promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e prote&ccedil;&atilde;o ambiental.</p>     <p>Os milhares de ONG existentes no mundo n&atilde;o se seguem todas pelos mesmos objetivos, nem t&ecirc;m programas de a&ccedil;&atilde;o e m&eacute;todos iguais. Todas t&ecirc;m objetivos definidos pelo contexto social em que est&atilde;o inseridas ou de acordo com o que pretendem corresponder. No decorrer das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas o conceito pol&iacute;tico de sociedade civil tornou-se parte do discurso relacionado com as pol&iacute;ticas de desenvolvimento.</p>     <p>Lewis e Kanji (2009) referem que este conceito de sociedade civil &eacute; habitualmente usado para um &ldquo;espa&ccedil;o&rdquo; que n&atilde;o faz parte nem do estado nem do mercado, grupo do qual fazem parte as ONG. Estes autores defendem que o conceito de sociedade civil s&oacute; por si n&atilde;o existe. &Eacute; a partir dos anos 1980 que a ideia de sociedade civil come&ccedil;a a ser invocada enquanto parte de um debate democr&aacute;tico mais desenvolvido, e de uma maior participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. &ldquo;A ideia de sociedade civil est&aacute; fortemente relacionada com as ra&iacute;zes do conceito de ONG&rdquo; (Lewis e Kanj, 2009:123).</p>     <p>Os meios da sociedade civil, e ent&atilde;o ONG, dependem dos recursos existentes, da experi&ecirc;ncia alcan&ccedil;ada e da capacidade de resposta das organiza&ccedil;&otilde;es &agrave;s necessidades detetadas por esta mesma entidade. Assim, o discurso da sociedade civil &eacute; duplamente um meio e o resultado das suas pr&aacute;ticas. (Hilhorst, 2003).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As ONG v&ecirc;m preencher espa&ccedil;os deixados em aberto pelos governos nacionais, internacionais e supranacionais. No fundo, o que come&ccedil;a a acontecer &eacute; que as organiza&ccedil;&otilde;es come&ccedil;am gradualmente a preencher pap&eacute;is que o estado tradicional costumava adotar como da sua responsabilidade. &ldquo;O facto &eacute; que assumem pap&eacute;is semelhantes, e t&ecirc;m de assumir certo tipo de pr&eacute;-requisitos no sentido de preservar a sua legitimidade&rdquo; (Vedder, 2007:14). Ali&aacute;s, as organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m conseguido crescer e sustentar o seu poder de atua&ccedil;&atilde;o muito pela legitimidade que t&ecirc;m conquistado atrav&eacute;s da responsabilidade e do cumprimento dos deveres que t&ecirc;m vindo corresponder. Vedder (2007) sugere que o papel assumido por estas institui&ccedil;&otilde;es &eacute; j&aacute; dado como adquirido destas entidades em debates mais globais, paralelamente &agrave;s for&ccedil;as pol&iacute;ticas. Apesar da terminologia usada &ndash; ONG &ndash; devemos estar cientes da import&acirc;ncia de um trabalho que exige muitas vezes uma articula&ccedil;&atilde;o conjunta.</p>     <p>Tsetsura (2013) refere mesmo, num artigo sobre trabalho de uma ONG de igualdade de g&eacute;nero russa, que o que acontece muitas vezes &eacute; uma esp&eacute;cie de efeito boomerang. Isto &eacute;, perante a incapacidade de atuar os pr&oacute;prios estados, as ONG viram-se muitas vezes para outros pa&iacute;ses no sentido de exercer mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas. Ali&aacute;s, este &eacute; um modelo aplicado por algumas ONG internacionais, mas s&oacute; funciona quando h&aacute; uma rede bem estabelecida de ONG (Tsetsura, 2013:409).</p>     <p>O nome n&atilde;o pretende referir-se a um corte total com a entidade governamental. A denomina&ccedil;&atilde;o pretende sim associar estes movimentos a uma entidade civil, a um movimento social apol&iacute;tico que faz o exerc&iacute;cio do seu direito a participar ativamente na sociedade. Este car&aacute;cter civil e c&iacute;vico das ONG e ONGD, hoje consolidado por uma pr&aacute;tica regularmente avaliada e sustentada por um acervo jur&iacute;dico cada vez mais rico e exigente, faz com que se lhes possam atribuir direitos e deveres que n&atilde;o se conformam com amadorismos diletantes nem as deixam &agrave; merc&ecirc; dos interesses e estrat&eacute;gias de qualquer poder econ&oacute;mico, pol&iacute;tico ou religioso (ONGD, 2005).</p>     <p>Apesar de terem necessariamente de ser sustent&aacute;veis, como j&aacute; foi referido anteriormente, as ONG s&atilde;o caracterizadas pelo seu estatuto n&atilde;o lucrativo, mas tamb&eacute;m pela orienta&ccedil;&atilde;o de trabalho <i>bottom-up</i> (hierarquicamente, de baixo para cima) com as comunidades locais, integrando por vezes uma forte componente de voluntariado. A a&ccedil;&atilde;o internacional solid&aacute;ria, habitualmente designada como &ldquo;coopera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, tem como fim &uacute;ltimo a cria&ccedil;&atilde;o de uma ordem internacional mais justa que possibilite o desenvolvimento sustent&aacute;vel e equitativo de todos e cada um dos povos.</p>     <p>O desenvolvimento, tal como objetivado pelas ONG, &eacute; o resultado da participa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es na defini&ccedil;&atilde;o, planifica&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio futuro e do seu <i>empowerment</i> &ndash; processo pelo qual as pessoas e comunidades reduzem as suas vulnerabilidades e aumentam as suas capacidades de interven&ccedil;&atilde;o num mundo cada vez mais globalizado e interdependente. Neste processo, as ONG surgem n&atilde;o como &ldquo;agentes do desenvolvimento&rdquo;, mas como &ldquo;parceiros para o desenvolvimento&rdquo;. O seu papel n&atilde;o &eacute; o de atores principais mas, t&atilde;o somente, o de &ldquo;agentes catalisadores&rdquo; ou &ldquo;facilitadores&rdquo;, que cooperam com as comunidades locais no refor&ccedil;o do tecido associativo, no incentivo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o, na ajuda aos sectores mais vulner&aacute;veis da popula&ccedil;&atilde;o, no melhoramento do acesso aos recursos financeiros e t&eacute;cnicos e na procura e refor&ccedil;o das estrat&eacute;gias de preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. Elementos fundamentais para a sustentabilidade dos processos de desenvolvimento (ONGD, 2005).</p>     <p>Neste processo, um fator de fundamental import&acirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o das associa&ccedil;&otilde;es com o meio e com a comunidade internacional &eacute; a comunica&ccedil;&atilde;o com a sociedade civil. Ponte esta feita em grande medida pelos media. Salientando aqui a import&acirc;ncia do desbloqueamento governamental em determinadas situa&ccedil;&otilde;es de crise, &eacute; fundamental que, apesar de se sustentarem na independ&ecirc;ncia, as ONG mantenham boas rela&ccedil;&otilde;es com os &oacute;rg&atilde;os de poder. Um exemplo interessante da import&acirc;ncia de um trabalho articulado entre os diversos organismos &eacute; a associa&ccedil;&atilde;o ambientalista internacional Greenpeace. &ldquo;Apesar da sua intransig&ecirc;ncia a Greenpeace ainda se consegue tornar um parceiro das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais (Comiss&atilde;o Europeia, Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de, etc.) Apela para muitos cientistas &eacute; considerada uma autoridade moral e cient&iacute;fica. Al&eacute;m disso, a independ&ecirc;ncia financeira face ao Estado e &agrave;s multinacionais aumenta a sua credibilidade com a opini&atilde;o p&uacute;blica internacional&rdquo; (Dacheux, 1997:193). Este sucesso deve-se muito &agrave; efici&ecirc;ncia e credibilidade da institui&ccedil;&atilde;o. Dacheux (1997) aponta a globaliza&ccedil;&atilde;o dos sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o cuidadosamente projetados e tamb&eacute;m a legitima&ccedil;&atilde;o desta institui&ccedil;&atilde;o por outras organiza&ccedil;&otilde;es internacionais como a ONU ou a Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O desenvolvimento das ONG em Portugal</b></p>     <p>Em Portugal o grande <i>boom</i> do aparecimento de institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais d&aacute;-se nos anos 1980, mas o aparecimento das primeiras organiza&ccedil;&otilde;es come&ccedil;a a desenhar-se no decorrer dos anos 1950. De acordo com M&aacute;rio Ribeiro num texto publicado pela &ldquo;Plataforma portuguesa das Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> em Portugal<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>&rdquo;, a partir dos anos 50, o contexto que tinha influenciado o &ldquo;fen&oacute;meno ONG&rdquo; altera-se. As dimens&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas e internacionais acentuam-se, assim como o interesse estrat&eacute;gico dos Estados Unidos na Europa, dando origem ao aparecimento de novas organiza&ccedil;&otilde;es ou &agrave; instrumentaliza&ccedil;&atilde;o de algumas j&aacute; existentes. Em Portugal, j&aacute; na d&eacute;cada de 70 aparecem v&aacute;rios grupos de apoio social que tentam reintegrar os retornados que chegam de &Aacute;frica, que acabam por ser for&ccedil;as paralelas &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es do Estado e por isso podemos identificar como &ldquo;tubos de ensaio&rdquo; para as Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais em Portugal.</p>     <p>Como j&aacute; foi referido, &ldquo;o conceito de movimento social remete-nos para um processo (uma din&acirc;mica social espec&iacute;fica) atrav&eacute;s do qual diversos atores (indiv&iacute;duos, grupos informais e organiza&ccedil;&otilde;es) constroem uma autodefini&ccedil;&atilde;o, a fa&ccedil;&atilde;o que est&aacute; do mesmo lado num conflito social (Diani, 1992). Susana Cruz Martins (2004), soci&oacute;loga que investiga as din&acirc;micas dos movimentos sociais, cola este conceito ao desenvolvimento das ONG em Portugal. Segundo a autora devem distinguir-se os movimentos sociais (enquanto fen&oacute;meno coletivo de classe social) de outros tipos de a&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Os primeiros operam a um n&iacute;vel sist&eacute;mico, os segundos, embora tenham presente uma identidade coletiva e um conflito, podem n&atilde;o quebrar os limites de compatibilidade com o sistema&rdquo; (Cruz, 2009:86).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Susana Cruz Martins (2009:84) aponta para uma evolu&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica de organiza&ccedil;&otilde;es de quase mais do triplo. Referindo-se ao levantamento realizado sobre o n&uacute;mero de organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos que h&aacute; em Portugal entre 1986 e 2000, verifica um crescimento gradual, e de 11 950 passam para 36 281.</p>     <p>Apesar de haver ainda uma pesquisa escassa, e pouca reconstru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica sobre este sector, a sua exist&ecirc;ncia pode ser observada no j&aacute; longo percurso hist&oacute;rico do associativismo de base presente desde o s&eacute;culo XIX, prolongando-se por todo o s&eacute;culo XX com intensidades diversas nas suas diferentes variantes, com predomin&acirc;ncia para as dimens&otilde;es recreativo-cultural e de prote&ccedil;&atilde;o social (Andrade, 2006). De modo generalizado, nos anos 80 as ONG assumiram um crescente papel no panorama do desenvolvimento. Lewis sublinha o facto de estas serem vistas como uma &ldquo;lufada de ar fresco&rdquo; nas solu&ccedil;&otilde;es apresentadas para alguns problemas. Estas organiza&ccedil;&otilde;es representaram de certa forma um desenvolvimento na forma como se pensava e como se agia perante determinadas situa&ccedil;&otilde;es, gerando como consequ&ecirc;ncia um novo interesse em conceitos alternativos de participa&ccedil;&atilde;o, poder, g&eacute;nero e assuntos centrados na sociedade civil. &ldquo;As ONG apresentaram novos atores, atrav&eacute;s de uma realidade que elas descobriram, mais do que inventaram. A aten&ccedil;&atilde;o foi que as ONG come&ccedil;aram a receber e o r&aacute;pido aumento dos recursos que seguiram foram certamente novos e constitu&iacute;ram uma fratura com o passado&rdquo; (Lewis e Kanji, 2009:25).</p>     <p>A integra&ccedil;&atilde;o europeia e das ideias pol&iacute;ticas com consequ&ecirc;ncias internacionais colocaram &ldquo;Portugal perante uma realidade pol&iacute;tica internacional nova, a qual resultava da necessidade estrat&eacute;gica de aceitar o desafio estrutural colocado pela integra&ccedil;&atilde;o de Portugal nas ent&atilde;o Comunidades Econ&oacute;micas Europeias/CEE&rdquo; (Andrade e Franco, 2007a:322).</p>     <p>Estas duas realidades encadeadas, como refere Andrade e Franco (2007), consubstanciaram um processo que era desafiador para o pa&iacute;s, dado que era o processo de moderniza&ccedil;&atilde;o social e desenvolvimento pol&iacute;tico que estava em causa, o qual s&oacute; se tornaria mais competitivo se a sua d&eacute;bil e incipiente sociedade civil se organizasse e estruturasse de modo a assegurar um duplo objetivo: por um lado fazer a transi&ccedil;&atilde;o do regime liquidando o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o e, por outro, j&aacute; que estava ultrapassada a ideia e l&oacute;gica do imp&eacute;rio, construir uma sociedade civil suficientemente forte e din&acirc;mica capaz de conceber desenvolver e implementar projetos de coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento cujo &acirc;mbito preferencial de atua&ccedil;&atilde;o tinha as ex-col&oacute;nias portuguesas em &Aacute;frica como pa&iacute;ses de destino.</p>     <p>Al&eacute;m destas quest&otilde;es hist&oacute;ricas, os contextos parecem tamb&eacute;m evidenciar as mudan&ccedil;as no seio das din&acirc;micas e intera&ccedil;&otilde;es sociais, tamb&eacute;m a pr&oacute;pria sociedade civil serve aqui de motor para o desenvolvimento de um padr&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o assente no desenvolvimento destas institui&ccedil;&otilde;es &ndash;ONG.</p>     <p>Como refere Raquel Andrade (2007) a primeira Organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-Governamental, ou pelo menos a mais pr&oacute;xima do conceito, surge em 1977 e a sua designa&ccedil;&atilde;o ainda hoje se mant&eacute;m &ndash; CIDAC (Centro de Informa&ccedil;&atilde;o e Documenta&ccedil;&atilde;o Am&iacute;lcar Cabral). Trata-se de uma ONG que abre o processo hist&oacute;rico de dinamiza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil. Este visava servir o desenvolvimento atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o em particular na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento e coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica.</p>     <p>Este centro pretendia dar corpo a uma fase de apregoada solidariedade pol&iacute;tica com os pa&iacute;ses recentemente independentes e que procuravam reconstruir as suas infraestruturas com os escassos recursos de que dispunham. &ldquo;S&oacute; na d&eacute;cada de 80 &eacute; que o CIDAC v&ecirc; a sua coopera&ccedil;&atilde;o alargada a outros dom&iacute;nios, em particular no &acirc;mbito da forma&ccedil;&atilde;o de quadros para servir a economia nacional dos cinco (pa&iacute;ses africanos &ndash; Angola, Mo&ccedil;ambique, Guin&eacute;, Cabo-Verde e S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe) que o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o veio interromper&rdquo; (Andrade e Franco, 2007b:326).</p>     <p>Outro momento marcante para a hist&oacute;ria das ONG em Portugal &eacute; a reuni&atilde;o pioneira em 1985 da Plataforma Nacional das ONGD portuguesas, na qual participaram 20 organiza&ccedil;&otilde;es portuguesas e onde houve oportunidade para esse fen&oacute;meno da sociedade civil nacional revelar a necessidade e vontade de institucionalizar estas organiza&ccedil;&otilde;es, clarificar objetivos, e conce&ccedil;&otilde;es, e marcar um momento hist&oacute;rico importante: &ldquo;Estavam lan&ccedil;ados os dados que iriam, logo depois, consubstanciar o movimento comunit&aacute;rio das ONG portuguesas e, uma vez institucionalmente integradas, passariam a beneficiar dos financiamentos provenientes da ent&atilde;o CEE e que j&aacute; era, ali&aacute;s pr&aacute;tica corrente nas ONG dos outros pa&iacute;ses membros das comunidades&rdquo; (Andrade e Franco, 2007a:327)</p>     <p>Numa obra mais recente (2015) Raquel Campos Franco identifica os anos 1980 como muito marcantes no contexto do desenvolvimento das ONG. &ldquo;At&eacute; meados dos anos 1980, o movimento ambientalista portugu&ecirc;s encontra s&eacute;rias dificuldades para se impor no espa&ccedil;o nacional, dado que a opini&atilde;o p&uacute;blica estava ainda muito centrada noutras prioridades (consolida&ccedil;&atilde;o da democracia e combate &agrave; pobreza)&rdquo; (Franco, 2015:19). &Eacute; durante os anos 1990, apesar do desaparecimento de um conjunto de estruturas nascidas na d&eacute;cada anterior, algumas ONG portuguesas (Quercus, Liga para a Prote&ccedil;&atilde;o da Natureza, GEOTA) come&ccedil;am a ganhar uma maior influencia na agenda ambiental nacional, muito gra&ccedil;as &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos respons&aacute;veis pelas mesmas. Parece-nos importante esclarecer que conceptualmente, as ONGD nacionais s&atilde;o as que se aproximam do conceito de ONG ao n&iacute;vel internacional. Mas como podemos compreender pela defini&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita, esta sigla refere-se apenas a uma parte do terceiro sector.</p>     <p>Estas terminologias est&atilde;o enquadradas legalmente no contexto nacional. Os conceitos aqui brevemente decompostos t&ecirc;m uma transposi&ccedil;&atilde;o legal na lei nacional. Apesar de se mediatizarem muitas vezes outros conceitos, a Lei n.&ordm; 66/98, de 14 de outubro, aprova o Estatuto das Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais de Coopera&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento, e sugere que se consideram ONGD todas as pessoas coletivas de car&aacute;cter privado que n&atilde;o prossigam fins lucrativos, pol&iacute;ticos, sindicais ou religiosos ou que, independentemente da sua natureza, desenvolvam atividades de coopera&ccedil;&atilde;o militar. E constam no Artigo 6.&ordm;, da mesma lei, os seus objetivos que s&atilde;o os seguintes: &ldquo;a conce&ccedil;&atilde;o, a execu&ccedil;&atilde;o e o apoio a programas e projetos de cariz social, cultural, ambiental, c&iacute;vico e econ&oacute;mico, designadamente atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es nos pa&iacute;ses em vias de desenvolvimento: a) De coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento; b) De assist&ecirc;ncia humanit&aacute;ria; c) De ajuda de emerg&ecirc;ncia; d) De prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos. [&hellip;]&rdquo;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas o enquadramento legal destas institui&ccedil;&otilde;es recua a 1977, com o decreto-Lei n.&ordm; 460, que estabelece as normas do processo de reconhecimento de utilidade p&uacute;blica das pessoas coletivas. A instaura&ccedil;&atilde;o da democracia criou um ambiente prop&iacute;cio ao desenvolvimento do associativismo e recente legisla&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o s&oacute; garante o livre exerc&iacute;cio do direito de associa&ccedil;&atilde;o como simplifica o processo da aquisi&ccedil;&atilde;o pelas associa&ccedil;&otilde;es de personalidade jur&iacute;dica (Barroco, 2000). F&aacute;tima Barroco (2000) uma autora que se debru&ccedil;a sobre o estudo da hist&oacute;ria das ONG em Portugal, refere que a preocupa&ccedil;&atilde;o de incentivar o associativismo, a necessidade de dotar as coletividades de alguns meios para valoriza&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o da sua atividade e a falta de legisla&ccedil;&atilde;o sobre o processo de reconhecimento da utilidade p&uacute;blica est&atilde;o na origem deste diploma.</p>     <p>A compet&ecirc;ncia da declara&ccedil;&atilde;o da utilidade p&uacute;blica &eacute; do Governo, e podemos encontrar na lei nacional regulamenta&ccedil;&atilde;o que enquadra as Institui&ccedil;&otilde;es Particulares de Solidariedade Socialmente, as ONG de fam&iacute;lia, ONG de mulheres, ONG de cultura, al&eacute;m das j&aacute; supracitadas ONGD, no Decreto-Lei 119/83, de 25 de Fevereiro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>As ONG como fontes de informa&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>Os media servem frequentemente este fim &ndash; chegar ao p&uacute;blico. As organiza&ccedil;&otilde;es precisam dos media para chegar &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico mas tamb&eacute;m para educarem as pessoas sobre os temas que defendem. Por outro lado, as ONG necessitam da participa&ccedil;&atilde;o dos media para se distinguirem e apresentarem a sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o (Esparcia, 2008). O autor refere precisamente a &ldquo;noticiabilidade&rdquo; de alguns temas em fun&ccedil;&atilde;o de outros, por respeitarem alguns valores not&iacute;cias.</p>     <p>Mas estes meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, antes fechados ou de dif&iacute;cil acesso ao grande p&uacute;blico, t&ecirc;m vindo a sofrer fortes altera&ccedil;&otilde;es. Hoje as capacidades dos meios alteram-se e os seus efeitos tamb&eacute;m. &Eacute; dif&iacute;cil fugir aos media alternativos, como refere Dagron (2009) identificando os novos m&eacute;todos e tecnologias mais acess&iacute;veis. &ldquo;Indiv&iacute;duos, grupos, comunidades, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e movimentos sociais est&atilde;o dispon&iacute;veis localmente, e possuem e controlam os novos media e a comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Dagron, 2009: 445).</p>     <p>As not&iacute;cias, a atualidade, e o agendamento dos acontecimentos determinam a hierarquia da relev&acirc;ncia p&uacute;blica dos acontecimentos. Os valores not&iacute;cia, mas tamb&eacute;m as rotinas dos jornalistas, determinam a presen&ccedil;a das fontes de informa&ccedil;&atilde;o. Apesar de os jornalistas privilegiarem um contacto mais regular com as fontes de informa&ccedil;&atilde;o oficiais (Sigal, 1973, Manning, 1998, Deacon, 1999) e darem prefer&ecirc;ncia clara a fontes burocr&aacute;ticas, governamentais e corporativas, as ONG t&ecirc;m vindo a fundamentar uma maior presen&ccedil;a medi&aacute;tica. De facto, &ldquo;o processo cria uma hierarquia de fontes estabelecidas, o Governo e a maior parte dos partidos pol&iacute;ticos garantem a aten&ccedil;&atilde;o dos media, seguidos das organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e de grandes uni&otilde;es.&rdquo; (Jong, 2005:112).</p>     <p>A nossa reflex&atilde;o debru&ccedil;a-se sobre um conjunto de abordagens que estudam as not&iacute;cias, as rotinas e mais especificamente as fontes de informa&ccedil;&atilde;o e a sua interven&ccedil;&atilde;o junto dos jornalistas. Autores de refer&ecirc;ncia como Galtung e Mari Ruge (1965/1993), Golding e Elliot (1979), Stuart Hall <i>et al. </i>(1993), Molotoch e Lester (1974/1993), Gaye Tuchman (1978), Paul Manning (2001) e alguns autores nacionais como Nelson Traquina (2001; 2002; 2004), Rog&eacute;rio Santos (1997) ou Vasco Ribeiro (2006) tamb&eacute;m se centraram na discuss&atilde;o das din&acirc;micas das fontes de informa&ccedil;&atilde;o, identificando a preval&ecirc;ncia das fontes de informa&ccedil;&atilde;o oficiais, institucionais e governamentais no contexto das not&iacute;cias. Mais recentemente, Susana Sampaio Dias (2013) veio identificar a respeito das not&iacute;cias focadas nas quest&otilde;es dos direitos humanos, que &ldquo;os pol&iacute;ticos / l&iacute;deres s&atilde;o a fonte mais proeminente de not&iacute;cias, apresentando 24,6% do tempo como a primeira fonte citada em uma not&iacute;cia&rdquo;, o que confirma que os jornalistas parecem confiar mais nas fontes de informa&ccedil;&atilde;o institucionais (Dias, 2013: 113).</p>     <p>A not&iacute;cia &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o alicer&ccedil;ada em fatores culturais, sociais, econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos. Nesta constru&ccedil;&atilde;o pesam de forma fulcral os interesses das v&aacute;rias partes e a negocia&ccedil;&atilde;o entre as fontes e os jornalistas. Os grupos mais poderosos, como os governos e grandes empresas, jogam em vantagem, j&aacute; que, apesar de n&atilde;o controlarem diretamente tudo o que &eacute; publicado, t&ecirc;m m&aacute;quinas vigorosas que lhes permite estar em contacto permanente com os profissionais e um peso social que fomenta nos jornalistas a procura constante destes agentes.</p>     <p>Ihlen (2007:269), investigador noruegu&ecirc;s da Universidade de Oslo, refere-se mesmo &agrave; influ&ecirc;ncia da m&aacute;quina de comunica&ccedil;&atilde;o no peso de determinados pa&iacute;ses nas not&iacute;cias. O autor estabelece que a rela&ccedil;&atilde;o entre o esfor&ccedil;o das rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas dos governos dos pa&iacute;ses pode explicar o impacto e poder de determinados estados. O seu estudo, que se debru&ccedil;a sobre as not&iacute;cias publicadas nos EUA, considera a relev&acirc;ncia dos pa&iacute;ses nas not&iacute;cias e compara-a com a m&aacute;quina da comunica&ccedil;&atilde;o. Para ele, a atividade das rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas devia ser considerada de modo relevante no que diz respeito ao relevo internacional dos pa&iacute;ses. O autor acredita que as rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas fazem diferen&ccedil;a, pelo menos na proemin&ecirc;ncia da cobertura feita pelos <i>media</i> norte-americanos, mas n&atilde;o desconsidera totalmente outras quest&otilde;es econ&oacute;micas, culturais ou pol&iacute;ticas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar destes fatores, que influenciam a informa&ccedil;&atilde;o nos <i>media</i>, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&atilde;o fechados &agrave;s vozes alternativas. Contudo h&aacute; dificuldades claras impostas pelas caracter&iacute;sticas destas mesmas entidades. Como refere Manning (2001), apesar das limita&ccedil;&otilde;es, h&aacute; vozes de agentes menos poderosos que investem em recursos alternativos e materiais na rela&ccedil;&atilde;o que mant&ecirc;m com os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. E por vezes conseguem chegar &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica e motivar o contacto dos jornalistas.</p>     <p>Ao revisitarmos algumas destas teorias &eacute; poss&iacute;vel detetar, analisar e refletir sobre os elementos que est&atilde;o na base do desenvolvimento das not&iacute;cias. &Eacute; um facto que os meios noticiosos conferem notoriedade p&uacute;blica ao que &eacute; reproduzido nos <i>media</i>. A a&ccedil;&atilde;o dos meios jornal&iacute;sticos integra representa&ccedil;&otilde;es de determinadas ocorr&ecirc;ncias, ideias e tem&aacute;ticas, e essas ganham notoriedade e maior impacto junto do p&uacute;blico. Passam a ser publicamente conhecidas. Cada vez mais os meios est&atilde;o tamb&eacute;m dotados de artefactos que facilitam o espa&ccedil;o de debate e participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica. A entrada no mundo on-line dos jornais facilita desde os anos 90 um acesso dos cidad&atilde;os &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica democr&aacute;tica. H&aacute; um certo car&aacute;cter vigilante neste processo de participa&ccedil;&atilde;o ativa, ou pelo menos no potencial que estes meios proporcionam.</p>     <p>As not&iacute;cias representam uma parte importante do que &eacute; comunicado nos <i>media</i>. Por isso nos parece t&atilde;o importante refletir sobre as teorias desenvolvidas que se apoiam na ideia de que os meios jornal&iacute;sticos podem tamb&eacute;m ser usados em prol de interesses de determinados poderes dominantes. Tamb&eacute;m por influ&ecirc;ncia destes poderes dominantes e ativos do ponto de vista da &ldquo;autopromo&ccedil;&atilde;o&rdquo;, os pr&oacute;prios jornalistas podem, por um lado, recorrer a fontes com quem partilham pontos de vista ou, por outro, com que as empresas jornal&iacute;sticas mais se identificam.</p>     <p>Parece-nos relevante o estudo destas entidades, dada a sua representatividade na sociedade, quando verificamos a sua evolu&ccedil;&atilde;o quantitativa e relativa ao n&uacute;mero de pessoas que envolvem. Taj Hamad (2003) considera mesmo que o mundo est&aacute; a viver uma revolu&ccedil;&atilde;o, cujo impacto se sente de forma mais significativa nas &aacute;reas dos direitos humanos, educa&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;tica, meio ambiente, neg&oacute;cios, e mesmo na guerra contra o terrorismo. &ldquo;Esta revolu&ccedil;&atilde;o &eacute; a explos&atilde;o do n&uacute;mero, import&acirc;ncia e diversidade de Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais (ONG). Eles forjaram um eficaz meio-termo entre as esferas governamentais e empresariais, e agora est&atilde;o a influenciar pol&iacute;ticas, prestando servi&ccedil;os, orientando agendas com as iniciativas que promovem, um espa&ccedil;o que antes era quase exclusivamente a arena do estado e das empresas&rdquo; (Hamad, 2003:16).</p>     <p>No sentido de contribuir para a reflex&atilde;o propomos partir de uma an&aacute;lise das not&iacute;cias da Ag&ecirc;ncia Lusa, do jornal P&uacute;blico, da RTP e da TSF de modo a compreender de que forma as ONG se posicionam enquanto fontes de informa&ccedil;&atilde;o. A partir do estudo da presen&ccedil;a das ONG nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, tentamos compreender as principais tend&ecirc;ncias da cobertura dos temas reproduzidos pelas ONG e assim contribuir para a reflex&atilde;o sobre o modo como os jornalistas se relacionam com as ONG.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Neste estudo observamos estas fontes de informa&ccedil;&atilde;o no contexto da atualidade. Tentamos caracterizar as Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais como fontes de informa&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social nacionais.</p>     <p>O que se pretende observar s&atilde;o as organiza&ccedil;&otilde;es sem objetivos partid&aacute;rios e constitu&iacute;das, na sua ess&ecirc;ncia, por cidad&atilde;os &ndash; ou seja organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. Por isso observaremos as institui&ccedil;&otilde;es desta natureza, ou cujos objetivos de funcionamento sejam estes, partindo da sua participa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica.</p>     <p>Passam j&aacute; cerca de trinta anos desde que se come&ccedil;ou a falar de ONG em Portugal. E certo &eacute; que uma d&eacute;cada foi suficiente para se impor uma realidade e uma designa&ccedil;&atilde;o, assim como imprecis&otilde;es nos seus contornos e sobretudo na dimens&atilde;o do seu significado, mas todas portadoras de novas formas de a&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas do desenvolvimento e da coopera&ccedil;&atilde;o internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um relat&oacute;rio recente, de meados de 2012 (Salamon et al.,2012), sobre a realidade nacional do terceiro sector portugu&ecirc;s, apresenta um leque mais vasto do que o que consideramos ser a amostra de ONG. Este relat&oacute;rio refere-se a todas as institui&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos como associa&ccedil;&otilde;es, funda&ccedil;&otilde;es, associa&ccedil;&otilde;es mutualistas, institui&ccedil;&otilde;es de solidariedade miseric&oacute;rdias, ordens religiosas, universidades, institui&ccedil;&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o. Na nossa opini&atilde;o, este relat&oacute;rio entende o objeto de estudo a uma &aacute;rea de atividade que vai mais al&eacute;m do que consideramos enquadrar-se no que outros autores definem como ONG. Mas parece-nos relevante considerar alguns dados que se referem a terceiro sector &ndash; o sector sem fins lucrativos. De facto, de acordo com os dados avan&ccedil;ados neste relat&oacute;rio, h&aacute; 185 mil trabalhadores empregados nestas institui&ccedil;&otilde;es (Salamon et al.,2012:4), o que representa 4,3 por cento dos empregados em Portugal.</p>     <p>Neste estudo consideramos as Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais, hoje vulgarmente conhecidas como ONG e geralmente definidas como institui&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos, independentes do Estado, ou seja, com trabalho feito &agrave; margem dos governos. E muitas destas organiza&ccedil;&otilde;es desenvolvem uma atividade de solidariedade e coopera&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses mais pobres do mundo, promovendo a&ccedil;&otilde;es e projetos com as organiza&ccedil;&otilde;es locais e contribuindo, desse modo, para que esses pa&iacute;ses sejam atores do seu pr&oacute;prio desenvolvimento.</p>     <p>Para um levantamento completo pareceu-nos relevante a escolha de um leque variado de meios de informa&ccedil;&atilde;o, da&iacute; que a pesquisa se centre sobre a imprensa escrita (&ldquo;P&uacute;blico&rdquo;), blocos de informa&ccedil;&atilde;o televisiva (RTP), radiof&oacute;nica (TSF) e ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias (Lusa), no decorrer de tr&ecirc;s anos, entre 2009 e 2011. S&oacute; ent&atilde;o se torna poss&iacute;vel interpretar os dados &agrave; luz da informa&ccedil;&atilde;o recolhida e ent&atilde;o apontar algumas conclus&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre estes dois polos &ndash; institui&ccedil;&otilde;es provenientes da sociedade civil e <i>media</i>.</p>     <p>Um dos fatores que motivou a escolha por estes meios de comunica&ccedil;&atilde;o foi, por um lado a relev&acirc;ncia dos &oacute;rg&atilde;os no panorama medi&aacute;tico, mas tamb&eacute;m a possibilidade de acesso aos materiais que faziam parte do <i>corpus</i>.</p>     <p>Determinados os &oacute;rg&atilde;os de informa&ccedil;&atilde;o, analis&aacute;mos ent&atilde;o as pe&ccedil;as jornal&iacute;sticas recolhidas. Entre 2009 e 2011 selecion&aacute;mos quatro semanas por ano, de quatro meses por ano. A escolha dos meses em causa pretendia abranger todo o ano, evitando per&iacute;odos festivos, em particular o Natal e o Ano Novo, &eacute;pocas que poderiam contaminar os dados recolhidos. O per&iacute;odo do ver&atilde;o &eacute; at&iacute;pico em termos de not&iacute;cias nos <i>media</i> e por isso exclu&iacute;mos a &eacute;poca cujo fluxo e caracter&iacute;sticas das not&iacute;cias publicadas sofrem mais altera&ccedil;&otilde;es &ndash; julho e agosto.</p>     <p>Assim, selecion&aacute;mos a segunda e terceira semanas dos meses de mar&ccedil;o, junho, setembro e dezembro, de 12 em 12 semanas, optando assim pela recolha de material informativo publicado em dois semestres diferentes do ano. Pretendemos assim recolher a informa&ccedil;&atilde;o de &eacute;pocas cuja agenda n&atilde;o determinasse previamente alguma adultera&ccedil;&atilde;o no contacto com fontes n&atilde;o governamentais que modificasse a quantidade de contactos verificados.</p>     <p>No total recolhemos o material produzido pelos quatro meios de comunica&ccedil;&atilde;o em 84 dias. No caso do jornal &ldquo;P&uacute;blico&rdquo; recolhemos toda a edi&ccedil;&atilde;o do jornal, na ag&ecirc;ncia Lusa fizemos uma an&aacute;lise intensiva de todo o material produzido entre as zero horas e as 23h59. No caso da televis&atilde;o opt&aacute;mos por analisar o espa&ccedil;o de emiss&atilde;o do &ldquo;Jornal da Noite&rdquo;, ou seja, o telejornal das 20 horas, e no caso da TSF analis&aacute;mos os notici&aacute;rios das 9 horas.</p>     <p>Ap&oacute;s a recolha do material informativo produzido pelos quatro meios de informa&ccedil;&atilde;o selecion&aacute;mos para an&aacute;lise apenas as pe&ccedil;as de informa&ccedil;&atilde;o cuja fonte de informa&ccedil;&atilde;o principal ou secund&aacute;ria fosse uma entidade sem fins governamentais. S&oacute; ent&atilde;o se torna poss&iacute;vel interpretar os dados &agrave; luz da informa&ccedil;&atilde;o recolhida e ent&atilde;o apontar algumas conclus&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre estes dois polos &ndash; institui&ccedil;&otilde;es provenientes da sociedade civil e media.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Imprensa escrita procura mais as ONG</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>H&aacute; ONG que aparecem frequentemente nos media em geral. A Amnistia Internacional e a Quercus aparecem nos media de forma muito mais frequente do que outras institui&ccedil;&otilde;es. A Amnistia &eacute; contactada 40 vezes como fonte de informa&ccedil;&atilde;o e a Quercus 54. Por outro lado, no decorrer do per&iacute;odo em an&aacute;lise, verifica-se que uma grande parte das ONG aparecem apenas uma vez nas not&iacute;cias analisadas. O que nos parece ser indicador de que muitas das ONG que nos surgem nas not&iacute;cias s&atilde;o contactadas pelos jornalistas de forma muito pouco frequente. No total da nossa amostra, foram identificadas 265 ONG, entre institui&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais. Em algumas pe&ccedil;as o jornalista contacta com mais do que uma ONG. Em algumas pe&ccedil;as, o jornalista chega a falar com quatro ONG. Por isso mesmo, nas 462 pe&ccedil;as analisadas, encontramos um total de 506 contactos com organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos em todas as pe&ccedil;as produzidas.</p>     <p>Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m todos eles diferentes caracter&iacute;sticas e possibilidades de publica&ccedil;&atilde;o definidas por espa&ccedil;os e/ou tempo. Nesta comunica&ccedil;&atilde;o pretendemos observar as principais caracter&iacute;sticas e din&acirc;micas destas fontes de informa&ccedil;&atilde;o representativas da sociedade civil.</p>     <p>Como podemos verificar na <a href="#t1">tabela 1</a>, encontr&aacute;mos 462 pe&ccedil;as em que pelo menos uma fonte de informa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma ONG. A ag&ecirc;ncia Lusa recorre &agrave;s ONG frequentemente, em 231 casos, ou seja, 50 por cento (<a href="#g1">gráfico 1</a>) das not&iacute;cias que encontramos no nosso corpus foram publicadas pela ag&ecirc;ncia. Em 40 por cento das not&iacute;cias &eacute; o &ldquo;P&uacute;blico&rdquo; que recorre a fontes de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamentais.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v10n4/10n4a07t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="g1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v10n4/10n4a07g1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na televis&atilde;o encontr&aacute;mos 32 pe&ccedil;as em que h&aacute; um contacto com uma ONG, e no caso da TSF apenas acontece isso em 16 casos. Na RTP, a an&aacute;lise foi feita tendo como base o espa&ccedil;o do hor&aacute;rio nobre da informa&ccedil;&atilde;o, ou seja, o &ldquo;Telejornal&rdquo;. E no caso da TSF esta escolha foi feita com base no hor&aacute;rio que se considera tamb&eacute;m nobre em r&aacute;dio, como ali&aacute;s explic&aacute;mos na metodologia.</p>     <p>N&atilde;o nos surpreende o facto de ser a ag&ecirc;ncia Lusa que tem um maior n&uacute;mero de pe&ccedil;as produzidas com recursos a fontes de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamentais. Nos textos da ag&ecirc;ncia n&atilde;o h&aacute; limita&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o que as not&iacute;cias ocupam, como acontece nos outros meios &ndash; imprensa, r&aacute;dio e televis&atilde;o. Isto permite um menor constrangimento na diversifica&ccedil;&atilde;o das fontes de informa&ccedil;&atilde;o. E, como se pode ler na defini&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os prestados da Lusa, a ag&ecirc;ncia deve &ldquo;produzir um servi&ccedil;o de not&iacute;cias global, sobre os mais relevantes factos da atualidade nacional e internacional, nomeadamente nas &aacute;reas pol&iacute;tica, diplom&aacute;tica, social, econ&oacute;mica, do desenvolvimento regional e local, cultural e desportiva, suscet&iacute;vel de contribuir para a informa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os e o exerc&iacute;cio da cidadania e para a promo&ccedil;&atilde;o da coes&atilde;o.&rdquo;<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero jornal&iacute;stico </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A maior parte das pe&ccedil;as publicadas pela ag&ecirc;ncia s&atilde;o not&iacute;cias de atualidade, com entre tr&ecirc;s e cinco par&aacute;grafos, mas tamb&eacute;m com mais de sete par&aacute;grafos. Assim, podemos considerar que mais de 80 por cento das pe&ccedil;as publicadas s&atilde;o not&iacute;cias relativamente desenvolvidas, mas correspondem apenas &agrave; atualidade sobretudo pautada pela agenda de not&iacute;cias di&aacute;rias. Identific&aacute;mos que apenas 11,7 por cento das pe&ccedil;as s&atilde;o breves, e cinco por cento s&atilde;o reportagens, um n&uacute;mero que nos parece reduzido. O &ldquo;P&uacute;blico&rdquo; &eacute; o meio que mais aposta na reportagem, com fontes de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamentais. Neste caso assistimos a algum interesse dos jornalistas deste &oacute;rg&atilde;o pelo desenvolvimento de not&iacute;cias mais contextualizadas e aprofundadas, n&atilde;o necessariamente presentes na &ldquo;agenda&rdquo;. Apenas o &ldquo;P&uacute;blico&rdquo; e a Lusa o fazem, mas o jornal destaca-se pela quantidade. Quase 23 por cento do que publica envolvendo ONG s&atilde;o reportagens. E 20,8 por cento das not&iacute;cias cuja fonte &eacute; uma ONG s&atilde;o breves. Por outro lado, as pe&ccedil;as que t&ecirc;m entre tr&ecirc;s e mais de sete par&aacute;grafos aparecem em 28 e 27 por cento dos casos, como observamos na <a href="#t2">tabela 2</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/obs/v10n4/10n4a07t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>J&aacute; a TSF valoriza as ONG no contexto das pe&ccedil;as com declara&ccedil;&otilde;es. 62,5 por cento das pe&ccedil;as que v&atilde;o para o ar s&atilde;o not&iacute;cias nas quais as ONG s&atilde;o fonte direta &ndash; not&iacute;cias simples com declara&ccedil;&otilde;es. Apenas faz quatro pe&ccedil;as (de um total de 16) sem declara&ccedil;&otilde;es diretas da fonte n&atilde;o-governamental.</p>     <p>A RTP realiza apenas um direto com uma ONG, tr&ecirc;s <i>off</i> cuja fonte &eacute; uma entidade sem fins lucrativos, e 87,5 por cento das pe&ccedil;as em que se verificam estas fontes de informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o pe&ccedil;as de atualidade com vivos (declara&ccedil;&otilde;es), com cerca de um minuto e trinta segundos. O tempo regular de uma pe&ccedil;a de telejornal.</p>     <p>Podemos observar ainda os dados gerais sobre o g&eacute;nero de not&iacute;cia publicados pelos v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os. Torna-se evidente que a reportagem &eacute; um g&eacute;nero que cada vez mais se afasta da produ&ccedil;&atilde;o quotidiana dos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social, talvez porque h&aacute; uma maior necessidade de um trabalho mais aprofundado, e em que se verifica habitualmente um contacto com um maior n&uacute;mero de fontes de informa&ccedil;&atilde;o e uma base mais rica do ponto de vista da informa&ccedil;&atilde;o (Fontcuberta, 2007) e que n&atilde;o &eacute; a pr&aacute;tica generalizada nos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social. Mais de 55 por cento das pe&ccedil;as produzidas s&atilde;o not&iacute;cias mais, ou menos extensas, mas cujo enquadramento &eacute; menos extenso e aprofundado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>De que falam </b><b>as fontes n&atilde;o governamentais</b></p>     <p>H&aacute; tr&ecirc;s temas que dominam as not&iacute;cias com vozes n&atilde;o-governamentais &ndash; ambiente, exclus&atilde;o social e viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. A tend&ecirc;ncia verificada &eacute; semelhante nos quatro &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o mas evidenciam-se algumas nuances entre eles.</p>     <p>Podemos afirmar que o ambiente &eacute; o tema forte das ONG. Ou seja, a maior parte dos contactos com ONG surgem em pe&ccedil;as cujo tema &eacute; o ambiente. Isto acontece em 25,5 por cento dos casos, de acordo com os dados da <a href="#t3">tabela 3</a>. Mas as quest&otilde;es de pobreza e exclus&atilde;o social t&ecirc;m uma forte relev&acirc;ncia no decorrer destes anos em an&aacute;lise &ndash; 15 por cento das pe&ccedil;as que encontramos s&atilde;o sobre este tema, e tamb&eacute;m sobre viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. J&aacute; a sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m as quest&otilde;es e igualdade e a pol&iacute;tica internacional s&atilde;o outros temas que motivam um contacto com uma fonte de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental, como podemos observar na <a href="#t3">tabela 3</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/obs/v10n4/10n4a07t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A TSF, o &ldquo;P&uacute;blico&rdquo; e a ag&ecirc;ncia Lusa procuram mais o contacto com fontes n&atilde;o-governamentais em pe&ccedil;as sobre ambiente. Como podemos verificar a RTP emite mais pe&ccedil;as com fontes n&atilde;o-governamentais sobre pobreza e exclus&atilde;o social. No total, 38 por cento das pe&ccedil;as s&atilde;o sobre este tema. E 25 por cento sobre sa&uacute;de. O ambiente surge, neste caso, em terceiro lugar. Apenas 16 por cento das pe&ccedil;as com fontes de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamentais s&atilde;o sobre ambiente.</p>     <p>Sofia Branco referiu em entrevista pessoal que a crise motivou a emiss&atilde;o de mais not&iacute;cias em antena sobre pobreza e exclus&atilde;o social. Na r&aacute;dio, a par da RTP que j&aacute; referimos, verifica-se que, proporcionalmente, h&aacute; um maior n&uacute;mero de pe&ccedil;as com esses temas. Mas no caso da televis&atilde;o p&uacute;blica, percebemos tamb&eacute;m que a sa&uacute;de tamb&eacute;m pesa na busca de informa&ccedil;&atilde;o junto de ONG. O ambiente &eacute; o tema que mais motiva um contacto com fontes de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamentais. No caso do &ldquo;P&uacute;blico&rdquo;, 24 por cento das pe&ccedil;as que aparecem s&atilde;o sobre temas ambientais, e a ag&ecirc;ncia Lusa dedica 29 por cento das pe&ccedil;as a este tema. Mas a viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos tamb&eacute;m apresenta algum impacto nas not&iacute;cias publicadas por estes dois &oacute;rg&atilde;os &ndash; 15 por cento das pe&ccedil;as identificadas no &ldquo;P&uacute;blico&rdquo; s&atilde;o sobre exclus&atilde;o social, como ali&aacute;s acontece na ag&ecirc;ncia Lusa em 17 por cento dos casos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A relev&acirc;ncia das not&iacute;cias</b></p>     <p>A organiza&ccedil;&atilde;o dentro do espa&ccedil;o informativo, seja o jornal impresso ou o &ldquo;Telejornal&rdquo;, pode dar-nos indica&ccedil;&otilde;es sobre as prioridades dos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o. A organiza&ccedil;&atilde;o por sec&ccedil;&otilde;es ou editorias, assim como a sua coloca&ccedil;&atilde;o no alinhamento, pode condicionar o tratamento e relev&acirc;ncia da not&iacute;cia. Mais de metade das pe&ccedil;as, 52 por cento, em que h&aacute; um contacto com fontes n&atilde;o-governamentais s&atilde;o publicadas na sec&ccedil;&atilde;o de Portugal/Nacional. 172 not&iacute;cias, que representam 37 por cento, s&atilde;o publicadas na sec&ccedil;&atilde;o de internacional, ou s&atilde;o categorizadas enquanto tal (como acontece no caso da r&aacute;dio, da televis&atilde;o). J&aacute; a sec&ccedil;&atilde;o, ou editoria, de Local acolhe 22 pe&ccedil;as.</p>     <p>Como podemos verificar na <a href="#t4">tabela 4</a>, apenas o &ldquo;P&uacute;blico&rdquo; contacta fontes n&atilde;o-governamentais em pe&ccedil;as que s&atilde;o manchete &ndash; 3,2 por cento dos casos (seis not&iacute;cias). Verific&aacute;mos que 5,4 por cento dos casos de not&iacute;cias cuja fonte s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais t&ecirc;m uma chamada de destaque. Em 3,7 por cento dos casos &eacute; feita uma chamada simples na primeira p&aacute;gina. A maioria das pe&ccedil;as &ndash; 87,4 por cento &ndash; n&atilde;o merece qualquer destaque de primeira p&aacute;gina. No caso da r&aacute;dio e da televis&atilde;o estas not&iacute;cias apenas s&atilde;o destacadas uma vez em todo o per&iacute;odo de an&aacute;lise. H&aacute; um caso, da TSF de uma abertura de programa, e no caso da televis&atilde;o encontr&aacute;mos um caso de uma pe&ccedil;a promovida no in&iacute;cio do telejornal.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/obs/v10n4/10n4a07t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, a fonte de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem de ser o ponto de partida do trabalho produzido. Muitas vezes o contacto com a fonte de informa&ccedil;&atilde;o pretende o esclarecimento de assuntos, contraposi&ccedil;&atilde;o de ideias ou simplesmente serve para acrescentar alguma informa&ccedil;&atilde;o &agrave; not&iacute;cia. Mas em mais de metade dos casos, quando as ONG surgem como fontes de informa&ccedil;&atilde;o, surgem tamb&eacute;m em primeiro plano. Em 66 por cento dos casos (306), as ONG s&atilde;o o ponto de partida para a not&iacute;cia e s&atilde;o focadas em primeiro plano na pe&ccedil;a. No caso da TSF, da RTP e da ag&ecirc;ncia Lusa constatamos que na maior parte dos casos a ONG surge como ponto de partida para a not&iacute;cia e fonte de informa&ccedil;&atilde;o. Em apenas dez por cento das not&iacute;cias observ&aacute;mos uma escassa refer&ecirc;ncia &agrave; institui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O &ldquo;P&uacute;blico&rdquo; &eacute; um dos meios que d&aacute; relev&acirc;ncia &agrave; ONG. Em 87 casos a institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental aparece em primeiro plano no contexto da pe&ccedil;a jornal&iacute;stica. A RTP e a TSF tamb&eacute;m partem de temas cuja ONG tem um papel mais relevante no contexto da not&iacute;cia &ndash; em 78 por cento e em 82 por cento dos casos, respetivamente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>O contacto com as ONG no contexto da atualidade &eacute; uma constante na realidade das not&iacute;cias produzidas pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. A participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil organizada no media, enquanto fonte de informa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma realidade contudo estas fontes de informa&ccedil;&atilde;o parecem ainda longe de uma frequ&ecirc;ncia pertencente a entidades dotadas de um maior poder e de uma maior capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Os temas que mais motivam o contacto com as ONG s&atilde;o os temas de pobreza e exclus&atilde;o social, viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos e ambiente. Temas na ordem do dia e que fazem parte das not&iacute;cias quotidianas, e os contactos com as fontes de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamentais parecem seguir essencialmente a &ldquo;espuma dos dias&rdquo;. De facto, as ONG s&atilde;o fontes tamb&eacute;m em situa&ccedil;&otilde;es de cat&aacute;strofe, mas estas n&atilde;o s&atilde;o significativas no contexto da nossa an&aacute;lise. A a&ccedil;&atilde;o no terreno surge em apenas 13 pe&ccedil;as. As institui&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia humanit&aacute;ria s&atilde;o sobretudo contactadas no contexto de iniciativas de solidariedade desenvolvidas pelas ONG.</p>     <p>Consideramos que a amostra de institui&ccedil;&otilde;es que aparecem nas not&iacute;cias &eacute; de facto muito variada. H&aacute; um leque vasto de ONG, com din&acirc;micas de atua&ccedil;&atilde;o muito diversas, tanto de origem nacional como internacional. Os jornalistas parecem ser muito influenciados, nas suas rotinas di&aacute;rias, pela capacidade de resposta que se depreende ter uma ONG perante um acontecimento. Se se tratar de uma fonte de informa&ccedil;&atilde;o pouco &aacute;gil o jornalista tende a exclu&iacute;-la da sua lista de contactos, como ali&aacute;s referiram em entrevista alguns dos profissionais que contact&aacute;mos. Por outro lado, as ONG que mais aparecem nos media s&atilde;o precisamente as que demonstram uma maior profissionaliza&ccedil;&atilde;o no contacto com os media, e com uma maior a&ccedil;&atilde;o nas suas din&acirc;micas de comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>Almansa, A., &amp; Esparcia, M. A. C. (2008). <i>The communication in non-governmental organizations</i>. doi:ISBN 978-84-7356-556-1</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Atkinson, J., &amp; Scurrah, M. (2009). <i>Globalizing Social Justice - The Role of Non-Government Organizations in Bringing about Social Change</i>. Hampshire: Palgrave Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=932638&pid=S1646-5954201600050000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Dagron, A. G. (2009). <i>Playing with fire: power, participation, and communication for development.</i> Development in Practice, 19(4), 453&ndash;465.</p>     <p>Dagron, J. P. J. F. S. A. G. (2009). <i>Citizens&rsquo; media and communication. Development in Practice</i>, Vol. 19(4-5).</p>     <p>Dacheux, &Eacute;. (1997). <i>GreenPeace: Entre M&eacute;dias, Espace Public et march&eacute;, quelle logique communicationnelle?</i> Herm&egrave;s, 21.</p>     <p>Dias. S. (2013). <i>Reporting Human Rights: A Study of Broadcast News Representations and Journalist Practices</i> (Doutoramento). School of Journalism Media and Cultural Studies - Cardif University, Cardif. Retrieved from&nbsp;<a href="http://orca.cf.ac.uk/59049/1/2014sampaiodiassphd.pdf" target="_blank">http://orca.cf.ac.uk/59049/1/2014sampaiodiassphd.pdf</a></p>     <p>Giddens, A. (1991). <i>Modernity and Self-identity: Self and Society in the Late Modern Age</i>. Stanford University Press.</p>     <!-- ref --><p>Hilhorst, D. (2003). <i>The Real World of NGOs: Discourses, diversity and Development</i>. Nova Iorque: Zed Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=932645&pid=S1646-5954201600050000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Ihlen. (2007). Building on Bourdieu: A sociological grasp of public relations. <i>Public Relations Review</i>, <i>33</i>(3), 269&ndash;274.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Lewis, D., &amp; Kanji, N. (2009). <i>Non-Governmental Organizations and Development</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=932648&pid=S1646-5954201600050000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Plataforma das ONGD. (2010). Plataforma das ONGD - 25 anos (Plataforma Portuguesa das ONGD.). Lisboa.</p>     <p>Ribeiro, V. (2006). <i>As fontes sofisticadas de informa&ccedil;&atilde;o</i>. Universidade do Porto Faculdade de Letras, Porto. Retrieved from&nbsp;<a href="internal-pdf://FontesSofisticadasdeInformao_tese-4186439168/FontesSofisticadasdeInformao_tese.pdf" target="_blank">internal-pdf://FontesSofisticadasdeInformao_tese-4186439168/FontesSofisticadasdeInformao_tese.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>Salamon, L., &amp; Helmut K. Anheier. (1996). <i>The international classification of nonprofit organizations&#8239;: ICNPO-revision 1, 1996</i>. Baltimore Mar.: Johns Hopkins University Institute for Policy Studies.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=932652&pid=S1646-5954201600050000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Santos, R. (2001). Jornalistas e fontes de informa&ccedil;&atilde;o - as not&iacute;cias de VIH-sida como estudo de caso. In A. C. Nelson TRAQUINA (Ed.), <i>O estudo do jornalismo portugu&ecirc;s em an&aacute;lises de caso</i>. Lisboa,: Caminho.</p>     <!-- ref --><p>Sigal, L. V. (1973). <i>Reporters and Officials: The Organization and Politics of Newsmaking. </i>Lexington, MA etc.: D C Heath &amp; Co.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=932655&pid=S1646-5954201600050000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Tsetsura, K. (2013). <i>Challenges in framing women&rsquo;s rights as human rights at the domestic level: A case study of NGOs in the post-Soviet countries</i>. Public Relations Review, 39(4), 406&ndash;416. doi:10.1016/j.pubrev.2013.07.018</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Vedder, V. C. (2007). <i>NGO Involvement in International Governance and Policy</i>. Leider: Martinus Nijhoff Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=932658&pid=S1646-5954201600050000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>White, M. (1950). &ldquo;<i>The Gatekeeper: A Case Study in the Selection of News</i>.&rdquo; In N. Traquina (Ed.), Jornalismo: Quest&otilde;es, Teorias e Est&oacute;rias (pp. 142&ndash;151). Lisboa: Vega.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> A designa&ccedil;&atilde;o ONGD est&aacute; prevista na lei 66/98 de 14 de Outubro. A designa&ccedil;&atilde;o inclui as organiza&ccedil;&otilde;es que desenvolvem a&ccedil;&otilde;es nos pa&iacute;ses em desenvolvimento nos dom&iacute;nios da ajuda humanit&aacute;ria e de emerg&ecirc;ncia, da prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e da coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Guia das ONG, editado pela &ldquo;Plataforma portuguesa das ONGD&rdquo;, Lisboa, 1997</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Defini&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o &ldquo;P&uacute;blico&rdquo;, in <a href="http://www.lusa.pt/info.aspx?page=servicopublico" target="_blank">http://www.lusa.pt/info.aspx?page=servicopublico</a></p>      ]]></body><back>
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