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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The political thematic and the fiction on TV: a reflexion based on the miniserie O Brado Retumbante. The proposal of this work paper is to study the presence of the political thematic in television fictional works, with the application of semiotic concepts in the analysis of narrative threads and also in the construction of the image of Brazilian politicians through the use of characters that integrate a plot. In order to discuss these questions, it has been selected a television miniseries O Brado Retumbante presented by Rede Globo in 2012. This has been evaluated how this TV production incorporated political facts and subjects of great repercussion, as elections, corruption and political agreements,which are part of the recent story of the country, mixing fiction and reality in the narrative.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>The political thematic and the fiction on TV: A reflexion based on the miniserie O Brado Retumbante</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carla Montuori Fernandes*, Christiane Souza do Santos**, Liliana Fusco Hemzo***</b></p>     <p>* Professora de Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura das M&iacute;dias na Universidade Paulista, Brasil (<a href="mailto:carla_montuori@ig.com.br">carla_montuori@ig.com.br</a>)</p>     <p>** Mestranda do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura das M&iacute;dias na Universidade Paulista-UNIP, Brasil (<a href="mailto:chris.santos2007@outlook.com">chris.santos2007@outlook.com</a>)</p>     <p>*** Mestranda do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura das M&iacute;dias na Universidade Paulista-UNIP, Brasil (<a href="mailto:lilidesign@uol.com.br">lilidesign@uol.com.br</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A proposta deste trabalho &eacute; estudar a tem&aacute;tica pol&iacute;tica nas obras ficcionais televisivas, a partir da aplica&ccedil;&atilde;o de conceitos semi&oacute;ticos da an&aacute;lise dos percursos narrativos e tamb&eacute;m da constru&ccedil;&atilde;o da imagem dos pol&iacute;ticos brasileiros por meio dos personagens que integram uma trama. Para discutir estas quest&otilde;es, a s&eacute;rie televisiva selecionada foi a miniss&eacute;rie <i>O Brado Retumbante</i>, exibida pela Globo em 2012. Avaliamos como esta produ&ccedil;&atilde;o incorporou fatos pol&iacute;ticos e assuntos de grande repercuss&atilde;o, como elei&ccedil;&otilde;es, corrup&ccedil;&atilde;o e acordos pol&iacute;ticos, que fazem parte da recente hist&oacute;ria do pa&iacute;s, mesclando fic&ccedil;&atilde;o e realidade na narrativa.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> miniss&eacute;rie, pol&iacute;tica, produ&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica, cultura</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The political thematic and the fiction on TV: a reflexion based on the miniserie <i>O Brad</i><i>o Retumbante</i>. The proposal of this work paper is to study the presence of the political thematic in television fictional works, with the application of semiotic concepts in the analysis of narrative threads and also in the construction of the image of Brazilian politicians through the use of characters that integrate a plot. In order to discuss these questions, it has been selected a television miniseries <i>O Brado Retumbante </i>presented by Rede Globo in 2012. This has been evaluated how this TV production incorporated political facts and subjects of great repercussion, as elections, corruption and political agreements,which are part of the recent story of the country, mixing fiction and reality in the narrative.</p>     <p><b>Keywords:</b> miniseries, politics, mediatic production, culture</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Este artigo tem por objetivo analisar a miniss&eacute;rie <i>O Brado Retumbante</i>&cedil; composta por 8 cap&iacute;tulos e exibida pela Rede Globo de Televis&atilde;o em 2012. Trata-se de uma obra ficcional, de roteiro original, que exp&otilde;e o lado sombrio da pol&iacute;tica nacional e destaca as pr&aacute;ticas de desvio dos recursos p&uacute;blicos, a corrup&ccedil;&atilde;o e o comportamento irregular de membros do Legislativo, do Judici&aacute;rio e do Executivo. O enredo aborda os percal&ccedil;os de um <b>pol&iacute;tico</b> que, pelas for&ccedil;as da &ldquo;manipula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, ou seja, da articula&ccedil;&atilde;o promovida por lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas e por acontecimentos tr&aacute;gicos n&atilde;o esperados se viu no cargo de Presidente da Rep&uacute;blica. A miniss&eacute;rie o <i>Brado Retumbante</i> tece atrav&eacute;s de sua trama e personagens uma alus&atilde;o a v&aacute;rios aspectos da realidade da pol&iacute;tica brasileira, principalmente no que tange &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o na m&aacute;quina p&uacute;blica, tem&aacute;tica bastante recorrente no cen&aacute;rio pol&iacute;tico no Brasil em diferentes per&iacute;odos e tamb&eacute;m na hist&oacute;ria recente da redemocratiza&ccedil;&atilde;o, processo iniciado com as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais diretas ocorridas em 1989.</p>     <p>No site Mem&oacute;ria Globo, a pr&oacute;pria emissora chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de a miniss&eacute;rie ter sido escrita por autores pessoalmente familiarizados com o universo da pol&iacute;tica, j&aacute; que a roteirista Denise Bandeira foi nora de Miguel Arraes, deputado e governador de Pernambuco por tr&ecirc;s vezes; e de que o autor Euclydes Marinho foi casado com Lilibeth Monteiro de Carvalho, primeira esposa do ex-presidente Fernando Collor (o presidente eleito em 1989 e que sofreu um processo de <i>impeachment</i>). J&aacute; Guilherme Fiuza &eacute; autor do livro &ldquo;3.000 Dias no Bunker&rdquo;, sobre os bastidores do Plano Real <sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, al&eacute;m de colunista de pol&iacute;tica da revista &Eacute;poca e articulista do jornal O Globo. Guilherme chegou a declarar em entrevista que os autores buscaram refer&ecirc;ncias em &ldquo;pessoas que j&aacute; passaram pela presid&ecirc;ncia, como o Fernando Henrique, o Lula e o JK&rdquo; (Juscelino Kubitschek)<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>O tema da corrup&ccedil;&atilde;o em importantes institui&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas no Brasil, e todo o esfor&ccedil;o para dirimi-la, est&aacute; presente na hist&oacute;ria da teledramaturgia da Globo, tanto em novelas quanto em diferentes g&ecirc;neros de seriados e miniss&eacute;ries. Neste sentido, podemos citar algumas produ&ccedil;&otilde;es recentes: o seriado de a&ccedil;&atilde;o policial <i>For&ccedil;a Tarefa</i> (2009-2011), cujo enredo apresenta policiais da Corregedoria da Pol&iacute;cia Militar do Rio de Janeiro, &oacute;rg&atilde;o que investiga os desvios de conduta na pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o; e <i>Na Forma da Lei</i>, miniss&eacute;rie de 2010, na qual cinco amigos formados em Direito e com cargos prioritariamente ligados ao Sistema Judici&aacute;rio<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, se comprometem a fazer as leis e a Justi&ccedil;a prevalecerem, combatendo pol&iacute;ticos, policiais e cidad&atilde;os envolvidos em crimes e corrup&ccedil;&atilde;o, como homenagem &agrave; mem&oacute;ria de um amigo morto covardemente e cujo assassino saiu impune do crime, por causa de suas rela&ccedil;&otilde;es com poderosos.</p>     <p>A miniss&eacute;rie <i>O Brado Retumbante</i> (2012) passa a integrar este extenso rol de obras da teledramaturgia cuja tem&aacute;tica &eacute; a pol&iacute;tica e diversas quest&otilde;es vinculadas &agrave; conturbada realidade brasileira. Conforme observa Rondini (apud FERNANDES, 2014, p. 32) as miniss&eacute;ries &ldquo;t&ecirc;m maior liberdade para aprofundar tem&aacute;ticas que, com frequ&ecirc;ncia, incorporam momentos hist&oacute;ricos de grande envergadura, eventos pol&iacute;ticos, nacionais e regionais e partes constitutivas do <i>ethos</i> brasileiro&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O papel das miniss&eacute;ries &eacute; diverso, mas n&atilde;o menos importante, j&aacute; que trazem para o p&uacute;blico, segundo assinala Balogh (2004, p. 99), &ldquo;retratos decerto ainda mais sutis, mais aprofundados e multifacetados da cultura brasileira em suas produ&ccedil;&otilde;es do que &eacute; permitido &agrave;s novelas, dado o seu ritmo de produ&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Na esfera da teledramaturgia, Motter (2002) indica que ao abordar temas pol&iacute;ticos, os g&ecirc;neros ficcionais aumentam o car&aacute;ter de verossimilhan&ccedil;a das narrativas, ao recuperar elementos da pol&iacute;tica nacional, dialogando com a realidade n&atilde;o s&oacute; no cen&aacute;rio, mas com a a&ccedil;&atilde;o que se desenvolve em simultaneidade temporal, fazendo ressoar na trama os acontecimentos que abalam o Planalto Central brasileiro, suas institui&ccedil;&otilde;es e os representantes da democracia.</p>     <p>Ao assistir a esta miniss&eacute;rie, v&aacute;rios fatos da conjuntura pol&iacute;tica s&atilde;o resgatados. Os brasileiros podem fazer associa&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es retratadas no enredo com o &ldquo;Mensal&atilde;o&rdquo;, por exemplo, um dos esc&acirc;ndalos pol&iacute;ticos que envolveu o primeiro mandato do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (PT), com den&uacute;ncias apresentadas em 2005 pelo ent&atilde;o deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que tiveram as primeiras condena&ccedil;&otilde;es em 2012, descrito como &ldquo;um esquema de pagamento de propina a parlamentares para que votassem a favor de projetos do governo&rdquo;<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Lembramos ainda das acusa&ccedil;&otilde;es que levaram ao afastamento de ministros deste governo citados em processos judiciais relatados diariamente nos notici&aacute;rios.</p>     <p>A miniss&eacute;rie tamb&eacute;m remete &agrave;s den&uacute;ncias contra membros do Partido dos Trabalhadores (PT), que foram presos em 2006 pela Pol&iacute;cia Federal, durante uma tentativa de compra de um dossi&ecirc; falso, que prejudicaria o candidato do PSDB ao governo de S&atilde;o Paulo, Jos&eacute; Serra. &Eacute; poss&iacute;vel resgatar tamb&eacute;m situa&ccedil;&otilde;es que remetem ao afastamento de ministros no primeiro governo de Dilma Rousseff (PT), em 2011, tamb&eacute;m por causa de esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Podemos inferir que O Brado Retumbante em sua narrativa ficcional retrata o jogo pol&iacute;tico de disputas e acordos dos bastidores e, conforme j&aacute; ponderou Porto (apud MARQUES, 2015, p. 322), &ldquo;nos melodramas televisivos brasileiros, a pol&iacute;tica &eacute; sempre representada como uma atividade suja e os pol&iacute;ticos como pregui&ccedil;osos, parasitas, mentirosos, corruptos ou incompetentes&rdquo; (2003, p.106), contribuindo com a desqualifica&ccedil;&atilde;o&nbsp;do&nbsp;Estado&nbsp;e&nbsp;do&nbsp;governo.</p>     <p>A dramaturgia intenta retratar o que, de acordo com Batista (2013, p. 93), se constitui um governo baseado em alian&ccedil;as pol&iacute;ticas de conveni&ecirc;ncia, ou seja, estruturadas por coaliz&otilde;es onde os v&aacute;rios partidos que est&atilde;o no poder abrem brechas para uma maior incid&ecirc;ncia de corrup&ccedil;&atilde;o ao dizer que:</p>     <p>O presidencialismo de coaliz&atilde;o brasileiro em muito vem chamando a aten&ccedil;&atilde;o da literatura especializada. Argumento que um governo de coaliz&atilde;o deve ser entendido como um governo com v&aacute;rios partidos no poder. Nesse sentido, v&aacute;rios partidos com controle de rendas e oportunidade de extra&ccedil;&atilde;o de forma corrupta. Dessa forma, coaliz&otilde;es com muitos partidos podem significar maior incid&ecirc;ncia de corrup&ccedil;&atilde;o. (BATISTA, 2013, p.100).</p>     <p>Assim sendo, com o intuito de responder como esta miniss&eacute;rie buscou reproduzir em car&aacute;ter de verossimilhan&ccedil;a o jogo e as articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, o artigo apresentar&aacute; os personagens, as situa&ccedil;&otilde;es retratadas, os relacionamentos e as significa&ccedil;&otilde;es presentes na obra ficcional <i>O Brado Retumbante. </i></p>     <p>Para elencar os elementos do n&iacute;vel narrativo do percurso gerativo de sentido, o estudo se apoiar&aacute; no referencial te&oacute;rico da semi&oacute;tica greimasiana. Localizado no paradigma estruturalista, o modelo proposto por Algirdas Julius Greimas buscou elementos que permitem a realiza&ccedil;&atilde;o de uma descri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise da narrativa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Descri&ccedil;&atilde;o do objeto</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>O Brado Retumbante</i> ocupou a faixa hor&aacute;ria das 23 horas, na programa&ccedil;&atilde;o da TV Globo, de 17 a 27 de janeiro de 2012, um hor&aacute;rio reservado para tramas curtas e mais ousadas, com possibilidade aprofundamento das tem&aacute;ticas e nas quais as situa&ccedil;&otilde;es ficcionais se confundem com a realidade. O t&iacute;tulo da trama foi extra&iacute;do da letra do Hino Nacional Brasileiro, que traz o verso &ldquo;de um povo heroico o brado retumbante&rdquo;. Sua abertura funde elementos que remetem ao escudo da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil, as cores das c&eacute;dulas da moeda brasileira e elementos da bandeira nacional. J&aacute; a trilha sonora da abertura lembra o som de bandas militares, com suas batidas pesadas, como se fosse uma mensagem para os telespectadores n&atilde;o esquecerem a ditadura militar, que faz parte da hist&oacute;ria recente do Pa&iacute;s.</p>     <p>A trama, de autoria de Euclydes Marinho, Denise Bandeira e Nelson Mota, contou com oito epis&oacute;dios<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, exibidos de segunda a sexta. A trama apresentou um conjunto formado por oito papeis atuacionais, destinados a combater a corrup&ccedil;&atilde;o, que nomearemos de sujeito da a&ccedil;&atilde;o, e seis atores em disputa pelo mesmo objeto de valor que o her&oacute;i, que denominaremos de antissujeito da a&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>Do esquema de V. Propp, Greimas (2002) constatou que as narrativas inventariadas se constituem a partir de uma estrutura pol&ecirc;mica, fundada em dois percursos narrativos opostos: o sujeito e o antissujeito, ambos em disputa pelo objeto de valor, o qual seria o combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e a defesa da &eacute;tica na pol&iacute;tica. Abaixo, segue descri&ccedil;&atilde;o do sujeito da a&ccedil;&atilde;o da miniss&eacute;rie:</p> <ul>       <li>Paulo Ventura (Domingos Montagner): mineiro de classe m&eacute;dia, politicamente &iacute;ntegro, eleito ao cargo de Deputado Federal. Seus principais deslizes est&atilde;o na vida familiar, relacionados &agrave;s trai&ccedil;&otilde;es &agrave; esposa e problemas com o filho. N&atilde;o tolera o mau uso dos recursos p&uacute;blicos. O protagonista chegou a ser comparado por alguns ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o e sites com o pol&iacute;tico mineiro A&eacute;cio Neves (PSDB), porque o personagem adotaria tamb&eacute;m um discurso de &eacute;tica na vida p&uacute;blica e colecionaria casos amorosos na esfera privada<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</li>       <li>Ant&ocirc;nia (Maria Fernanda C&acirc;ndido): ex-esposa de Paulo Ventura, que aceita retomar o casamento, a fim de ajud&aacute;-lo a governar o pa&iacute;s, apesar de n&atilde;o gostar da pol&iacute;tica.</li>       <li>Marta Ventura (Juliana Schalch): filha de Paulo Ventura e Ant&ocirc;nia, mulher de Tony Abra&atilde;o. Uma jovem deslumbrada com a ascens&atilde;o do pai e f&uacute;til.</li>       <li>Saulo Aires Saldanha (Cac&aacute; Amaral): homem de confian&ccedil;a de Paulo Ventura. Ocupar&aacute; o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil. Discreto, pensa a estrat&eacute;gia pol&iacute;tica e estimula Paulo a n&atilde;o desistir de sua miss&atilde;o. Este personagem tamb&eacute;m de destaca, pois em fatos pol&iacute;ticos recentes no Brasil este cargo foi colocado sob os holofotes, seja pelo afastamento de Jos&eacute; Dirceu (PT), ministro de Lula envolvido com o Mensal&atilde;o, ou pela ascens&atilde;o de Dilma Rousseff (PT), que ocupou o cargo na Casa Civil logo ap&oacute;s Dirceu, foi considerada bra&ccedil;o direito de Lula e, posteriormente, indicada e eleita presidente do Brasil, em 2010.</li>       <li>Ot&aacute;vio Werneck (Valter Santos): chefe do gabinete de seguran&ccedil;a institucional na presid&ecirc;ncia de Ventura. Conduz as investiga&ccedil;&otilde;es para desvendar os esquemas de corrup&ccedil;&atilde;o.</li>       <li>Fernanda Dummont (Mariana Lima): deputada federal e, depois, assessora de Paulo Ventura, al&eacute;m de admiradora e apaixonada por ele.</li>       <li>Alcides Barata (Paulo Ivo): porta-voz e secret&aacute;rio de comunica&ccedil;&atilde;o do governo de Paulo Ventura. &Eacute; respons&aacute;vel por intermediar os contatos com a imprensa.</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Otac&iacute;lio J&uacute;nior (Jui Huang): especialista em seguran&ccedil;a de dados, g&ecirc;nio <i>hacker</i> a servi&ccedil;o da equipe de confian&ccedil;a do presidente.</li>     </ul>     <p>Identificou-se, durante esta reflex&atilde;o, outro conjunto formado por mais seis atores, que comp&otilde;em o antissujeito ou grupo de antagonistas, que tentam impedir que o desejo do protagonista seja alcan&ccedil;ado.</p> <ul>       <li>Floriano Pedreira (Jos&eacute; Wilker): Ministro da Justi&ccedil;a, que Paulo Ventura &ldquo;herda&rdquo; do antecessor. Antigo companheiro de milit&acirc;ncia de Ventura, ele seguiu o caminho da corrup&ccedil;&atilde;o. Floriano &eacute; demagogo. Disfar&ccedil;a seus desvios com discurso moralista e declara&ccedil;&otilde;es de inoc&ecirc;ncia. Principal l&iacute;der das tramoias para derrubar Ventura. Traz consigo o paradoxo de ser o respons&aacute;vel pelo cumprimento de normas e leis judiciais e de n&atilde;o se importar com elas.</li>       <li>Nicodemo Cabral (Luiz Carlos Miele): senador corrupto, com mais poderes no Congresso do que seus cargos formais. Participa das articula&ccedil;&otilde;es de bastidores que levam Paulo Ventura &agrave; presid&ecirc;ncia da C&acirc;mara, al&eacute;m de integrar o grupo que tentar&aacute; destitu&iacute;-lo do cargo.</li>       <li>Josivan (Chico Expedito Solon): deputado federal e um dos conspiradores contra o presidente Paulo Ventura.</li>       <li><b>Pachequinho (Fabio Esp&oacute;sito) </b><b>e </b><b>Bodel&eacute;r Sampaio (Francisco Carvalho)</b> &ndash; Deputados corruptos e comparsas do Senador Nicodemo e de Floriano Pedreira.</li>       <li>Tony Abra&atilde;o (Leopoldo Pacheco): empres&aacute;rio casado com Marta, filha de Ventura. &Eacute; ligado ao grupo corrupto e ser&aacute; manipulado para forjar provas contra o presidente em um processo de Essa tentativa tamb&eacute;m faz alus&atilde;o ao <i>impeachment</i> de Fernando Collor de Mello, afastado do cargo de presidente da rep&uacute;blica em outubro de 1992</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Programa narrativo e esquema atuacional</b></p>     <p>A estrutura narrativa desenvolvida por Greimas e retomada por Court&eacute;s (1983 apud BARBOSA, 2010, p. 40), abarca todo programa narrativo que cada Sujeito deve realizar para conquistar seu Objeto de Valor. Nesse contexto, aliam-se o Programa Narrativo Principal (PNp) e os Programas Narrativos auxiliares (PNas). Conforme aponta Greimas e Court&eacute;s (1983 apud BARBOSA, 2010, p. 40) &ldquo;[...] a forma geral da sintaxe narrativa &eacute; uma manipula&ccedil;&atilde;o de enunciados. Cada enunciado se caracteriza pela rela&ccedil;&atilde;o-fun&ccedil;&atilde;o entre o sujeito e o seu objeto de valor&rdquo;. Assim, &ldquo;a sintaxe narrativa se organiza em torno do desempenho de um Sujeito que realiza um percurso em busca de um Objeto de Valor, sendo instigado por um Destinador que &eacute; o idealizador da narrativa e ajudado por um Adjuvante ou prejudicado por um Oponente&rdquo; (BATISTA, 2001, p. 150).</p>     <p>A partir destas considera&ccedil;&otilde;es, buscamos em Balogh (2002) as bases para elabora&ccedil;&atilde;o do Esquema Atuacional, conforme o abaixo:</p> <ul>       <li>Sujeito: Paulo Ventura.</li>       <li>Objeto: pol&iacute;tica transparente e honesta = Brasil sem corrup&ccedil;&atilde;o.</li>       <li>Destinador: Presidente da Rep&uacute;blica.</li>       <li>Destinat&aacute;rio: Povo brasileiro, pol&iacute;ticos, membros dos tr&ecirc;s poderes e da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</li>       <li>Oponente (S): pol&iacute;ticos, servidores e empres&aacute;rios corruptos.</li>       <li>Ajudante (S): pol&iacute;ticos honestos, equipe de assessores do presidente Ventura, imprensa e a popula&ccedil;&atilde;o brasileira.</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A miniss&eacute;rie tem como personagem principal o Deputado Federal Paulo Ventura, que foi eleito para o Congresso Nacional gra&ccedil;as a seu trabalho em defesa da transpar&ecirc;ncia nos neg&oacute;cios p&uacute;blicos, mas que &eacute; visto como um &ldquo;pol&iacute;tico inofensivo&rdquo; pelos demais parlamentares. Ele &eacute; al&ccedil;ado, por um grupo formado pelos l&iacute;deres dos tr&ecirc;s principais partidos, encabe&ccedil;ado pelo Senador Nicodemo Cabral, &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de presidente da C&acirc;mara dos Deputados, apesar dele atuar contra os esquemas il&iacute;citos. Vale ressaltar que, no n&iacute;vel fundamental, onde a significa&ccedil;&atilde;o do texto aparece determinada pela rela&ccedil;&atilde;o de oposi&ccedil;&atilde;o entre dois termos que possuem um tra&ccedil;o sem&acirc;ntico comum (BARROS, 2000), a honestidade na pol&iacute;tica <i>versus</i> a corrup&ccedil;&atilde;o comp&otilde;e a inst&acirc;ncia central da trama.</p>     <p>Tal tra&ccedil;o fica evidenciado numa cena de articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e de evidente manipula&ccedil;&atilde;o para escolha de Ventura para presidente da C&acirc;mara dos Deputados. A indica&ccedil;&atilde;o de Ventura atende, inicialmente, aos interesses do Senador Amaral, que aponta: &ldquo;Paulo Ventura a gente conhece e, como esta m&aacute;fia, ele n&atilde;o existe. E como n&atilde;o existe, ele &eacute; o homem ideal para presidir a C&acirc;mara&rdquo;. Entretanto, apenas tr&ecirc;s semanas depois deste epis&oacute;dio, o presidente Aur&eacute;lio Monte Santo e o vice-presidente H&eacute;lio Cardoso de Morais morrem em um acidente, fato que altera os rumos pol&iacute;ticos do Brasil: Paulo Ventura assume a Presid&ecirc;ncia, conforme a legisla&ccedil;&atilde;o, apesar de nunca ter almejado o cargo. Em sua hist&oacute;ria recente, o Brasil passou uma tens&atilde;o semelhante e surpreendente, com ajustes na rota, quando o primeiro presidente civil eleito por via indireta ap&oacute;s a ditadura militar em 1985, Tancredo Neves (PMDB), foi internado e veio a falecer, deixando em seu lugar o vice, Jos&eacute; Sarney, ex-presidente do PDS, partido que conferia apoio &agrave; ditadura.</p>     <p>A partir destas mortes, a trama deslancha no Programa Narrativo Guerra &agrave; Corrup&ccedil;&atilde;o (PNGC), o programa narrativo principal, na qual o her&oacute;i, representado por Ventura e seus aliados fi&eacute;is, necessita aprender, em meio a diferentes percal&ccedil;os e manobras il&iacute;citas de seus oponentes, a governar o Brasil e guerrear contra os corruptos. Conforme ressalta Balogh (2002, p. 201) &ldquo;cada programa narrativo gera, como num espelho, o seu programa narrativo contr&aacute;rio&rdquo;, encontraremos o anti-Programa Narrativo Guerra &agrave; Corrup&ccedil;&atilde;o (anti-PNGC), formado pelos l&iacute;deres dos partidos, senadores e deputados, que esperam manter o <i>status quo</i> caracterizado por desvios de verbas e favorecimentos.</p>     <p>Enquanto defende a &eacute;tica na pol&iacute;tica no PNGC, o personagem de Paulo Ventura tem rela&ccedil;&otilde;es familiares conturbadas, que integram o que denominaremos de Programa Narrativo Fam&iacute;lia (PNF) e que n&atilde;o ser&aacute; focado nesta an&aacute;lise.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Percurso gerativo de sentido da narrativa</b></p>     <p>No &acirc;mbito da semi&oacute;tica discursiva, o percurso gerador de sentido contempla o plano de conte&uacute;do de um texto e a forma como seu sentido &eacute; constru&iacute;do. Para an&aacute;lise do percurso gerativo de sentido, Fiorin (2001, p. 22) destaca que:</p>     <p>os textos n&atilde;o s&atilde;o narrativas m&iacute;nimas. Ao contr&aacute;rio, s&atilde;o narrativas complexas, em que uma s&eacute;rie de enunciados de fazer e de ser (de estado) est&atilde;o organizados hierarquicamente. Uma narrativa complexa estrutura-se numa sequ&ecirc;ncia can&ocirc;nica, que compreende quatro fases: a manipula&ccedil;&atilde;o, a compet&ecirc;ncia, a performance e a san&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Manipula&ccedil;&atilde;o, compet&ecirc;ncia, performance e san&ccedil;&atilde;o integram o n&iacute;vel narrativo do texto, cujas fases nem sempre seguem uma &ldquo;sequ&ecirc;ncia can&ocirc;nica&rdquo;, conforme pontua Fiorin (2001). Quem analisa a narrativa deve fazer um esfor&ccedil;o para recuper&aacute;-las.</p>     <p>Especificamente na an&aacute;lise de <i>O Brado Retumbante</i> distinguimos que a hist&oacute;ria come&ccedil;a numa manipula&ccedil;&atilde;o do personagem de Paulo Ventura, que se tornou Presidente da C&acirc;mara, uma posi&ccedil;&atilde;o que lhe foi atribu&iacute;da pelos l&iacute;deres pol&iacute;ticos corruptos, como j&aacute; sinalizamos. Entretanto, os manipuladores jamais esperavam que ele representasse problemas aos projetos desonestos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao saber de sua indica&ccedil;&atilde;o, Ventura conversa com a mulher Ant&ocirc;nia, que diz: &ldquo;Voc&ecirc;? Presidente da C&acirc;mara dos Deputados. Fala s&eacute;rio! (...) Voc&ecirc; n&atilde;o vive dizendo que n&atilde;o acredita mais em pol&iacute;tica? (...) Estes sujeitos s&oacute; querem te usar, Paulo&rdquo;. Ele responde com as seguintes considera&ccedil;&otilde;es: &ldquo;Pode ser a minha &uacute;ltima oportunidade de ser &uacute;til. As lideran&ccedil;as me escolheram pela minha independ&ecirc;ncia e integridade. Presidindo a C&acirc;mara eu vou poder contribuir&rdquo;. De um lado, a consci&ecirc;ncia da manipula&ccedil;&atilde;o se manifesta pela voz de Antonia, que o alerta para a conjuntura complicada, enquanto ele se encontra seduzido pela chance de ocupar este importante posto e imbu&iacute;do da miss&atilde;o de cobrar padr&otilde;es morais e &eacute;ticos na pol&iacute;tica brasileiro.</p>     <p>Se o cargo na C&acirc;mara poderia n&atilde;o lhe atribuir os poderes necess&aacute;rios para restaurar a honestidade dos parlamentares, a narrativa introduziu um fato imprevis&iacute;vel: um acidente a&eacute;reo que vitimou o presidente e o vice-presidente. Assim, Ventura &eacute; dotado de condi&ccedil;&otilde;es legais para fazer sua batalha contra a corrup&ccedil;&atilde;o. Em seu discurso de posse, Ventura reitera a miss&atilde;o que lhe compete:</p>     <p>N&atilde;o me candidatei e nunca ambicionei este cargo. N&atilde;o tenho compromissos partid&aacute;rios. O crime organizado se espalha como um c&acirc;ncer em nossa sociedade. E os criminosos n&atilde;o est&atilde;o s&oacute; nos morros e nas periferias. Est&atilde;o de palet&oacute; e gravata, est&atilde;o onde tem dinheiro p&uacute;blico para ser desviado. Eu n&atilde;o sei se vou conseguir acabar com eles nestes 15 meses. Talvez eles acabem comigo antes disso, mas eu vou enfrent&aacute;-los.</p>     <p>Nas reuni&otilde;es nos gabinetes, os antagonistas que comp&otilde;em o anti-PNGC declaram que v&atilde;o atrapalhar a performance de Ventura em seu trabalho de &ldquo;limpar o pa&iacute;s&rdquo;, num esfor&ccedil;o claro de negar o padr&atilde;o de comportamento esperado de membros do Congresso Nacional. J&aacute; o discurso do sujeito evidencia a dura tarefa de transformar a pol&iacute;tica nacional, ponto central da narrativa, projeto assumido junto com seus assessores, chamados pela imprensa de <i>&ldquo;</i>homens e mulheres de ouro do presidente&rdquo;.</p>     <p>Ao longo da descri&ccedil;&atilde;o, contata-se que em cada epis&oacute;dio ocorrem embates que representam etapas da performance do sujeito em sua jornada de her&oacute;i para derrubar os corruptos. Ventura e sua equipe conseguem impetrar pequenas derrotas ao inimigo, como a demiss&atilde;o de ministros envolvidos em esc&acirc;ndalos, conforme se via no governo na realidade nacional, mas nunca os vence definitivamente.</p>     <p>Cabe destacar um momento relevante que reitera a dificuldade desta trajet&oacute;ria representada por uma conversa que Ventura tem com o Ministro da Justi&ccedil;a, Floriano Pedreira, num banheiro do Pal&aacute;cio Presidencial. Trata-se de um duelo ret&oacute;rico e revelador do modo de ser e pensar dos antagonistas. As c&acirc;meras s&atilde;o os olhos dos telespectadores nesta luta realizada num local de intimidade e que simboliza um espa&ccedil;o para descarte de sujeiras. Os telespectadores assistem uma guerra verbal, entre quatro paredes e que n&atilde;o foi presenciada por outros personagens. Pedreira ataca Ventura num tenso di&aacute;logo, em um claro esfor&ccedil;o de desqualific&aacute;-lo, e expressa a vis&atilde;o negativa que tem do povo brasileiro:</p>     <p>Voc&ecirc; acha que vai ser f&aacute;cil cumprir as promessas que fez em seu discurso de posse? N&atilde;o seja ing&ecirc;nuo Ventura. Voc&ecirc; n&atilde;o vai conseguir nada, nada, nada. Voc&ecirc; n&atilde;o tem nenhum apoio no Congresso. N&atilde;o tente bancar o her&oacute;i, Ventura. Este n&atilde;o &eacute; um pa&iacute;s para principiantes. N&oacute;s somos um pa&iacute;s mulato, cheio de ginga, informal, sem regras. Este &eacute; um pa&iacute;s de analfabetos. O pessoal aqui s&oacute; tem opini&atilde;o sobre futebol e escola de samba. E n&atilde;o precisa de nenhum salvador da p&aacute;tria<i>.</i></p>     <p>Das respostas dadas por Ventura neste embate, a &uacute;ltima delas ressalta sua principal &ldquo;arma&rdquo; na guerra contra a corrup&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Eu n&atilde;o sou o Salvador de porra nenhuma, mas eu sei onde moram os parasitas deste pa&iacute;s&rdquo;, numa evidente alus&atilde;o ao Congresso Nacional.</p>     <p>O presidente e sua equipe conseguem reagir a cada tentativa dos inimigos de causar danos morais ou f&iacute;sicos, como na situa&ccedil;&atilde;o na qual, por meio de grava&ccedil;&otilde;es telef&ocirc;nicas autorizadas, eles obt&ecirc;m provas que for&ccedil;am a ren&uacute;ncia do Ministro Pedreira. Conforme vemos na realidade da pol&iacute;tica nacional, entretanto, Pedreira, mesmo algemado, alega aos jornalistas que o esperam na porta de casa: &ldquo;Antes de ser ministro, eu sou um deputado eleito pelo povo e tenho a mais absoluta certeza da minha inoc&ecirc;ncia&rdquo;.</p>     <p>Outro esfor&ccedil;o deste embate &eacute; o projeto de lei de responsabilidade p&uacute;blica enviada por Ventura ao Congresso, que prev&ecirc; puni&ccedil;&atilde;o severa para crimes cometidos por autoridades, como ju&iacute;zes e senadores. Conforme declara o presidente em seu discurso: &ldquo;A lei de responsabilidade p&uacute;blica ser&aacute; uma guerra contra a corrup&ccedil;&atilde;o e o malfeito neste pa&iacute;s&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como previsto pela assessora Fernanda em cena anterior, numa fala que expressa a descren&ccedil;a na Justi&ccedil;a, Pedreira foi liberado da cadeia, com a anu&ecirc;ncia de um juiz que foi &ldquo;comprado&rdquo;, conforme sugere uma conversa no gabinete do senador Cabral. O deputado declara que foi injusti&ccedil;ado e, gra&ccedil;as aos acordos no Congresso, ele consegue ser eleito &agrave; Presid&ecirc;ncia da C&acirc;mara, mesmo com as acusa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Reunidos, os personagens que comp&otilde;em o antissujeito da trama lembram que, agora, o ex-ministro &eacute; o primeiro na linha sucess&oacute;ria. &ldquo;Alguma coisa me diz que esse Ventura n&atilde;o termina o mandato&rdquo;, diz um deles. Uma declara&ccedil;&atilde;o que poderia parecer casual, mas &eacute; ind&iacute;cio de um novo golpe contra o sujeito: um atentado &agrave; vida de Ventura, na sa&iacute;da do teatro municipal, na frente de jornalistas. Uma evidente tentativa de causar dano f&iacute;sico ao her&oacute;i, que o colocou &agrave; beira da morte, mas n&atilde;o alcan&ccedil;ou o objetivo final.</p>     <p>Com o rumo das investiga&ccedil;&otilde;es e, diante da possibilidade de descobrirem que estavam envolvidos no tiroteio, os inimigos eliminam um dos seus membros: o deputado federal Josivan, que esteve &agrave; frente da contrata&ccedil;&atilde;o do pistoleiro, uma a&ccedil;&atilde;o que confirma a falta de escr&uacute;pulos destes personagens.</p>     <p>Se o grupo anti_PNGC n&atilde;o &eacute; bem-sucedido no assassinato do presidente, eles conseguem derrubar, por meio de uma manobra pol&iacute;tica, a lei de responsabilidade p&uacute;blica, durante uma vota&ccedil;&atilde;o secreta, apesar da forte campanha popular de moraliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica.</p>     <p>No epis&oacute;dio &ldquo;Fora Ventura&rdquo;, o presidente &eacute; surpreendido ao ver, na capa de uma revista, a seguinte manchete: &ldquo;Por que Paulo Ventura tem 10 milh&otilde;es de d&oacute;lares no Uruguai?&rdquo;e se v&ecirc; diante do pedido de um processo de <i>impeachment </i>contra ele, realizado por Pedreira, sustentado por um falso dossi&ecirc;<i>. </i></p>     <p>Nesta situa&ccedil;&atilde;o, Ventura &eacute; favorecido pelas circunst&acirc;ncias e pela sorte. Sua filha Marta localiza um documento no bolso do palet&oacute; do marido, Tony Abra&atilde;o, pois desconfia que ele tem uma amante. Ela pede ajuda ao ministro-chefe da Casa Civil, que logo percebe algo errado. Ansiosa, Marta entrega tamb&eacute;m o computador do marido para que eles investiguem e Jui Huang, especialista em dados, consegue localizar os documentos que forjaram a conta uruguaia. A san&ccedil;&atilde;o ser&aacute; deflagrada no epis&oacute;dio &ldquo;Fora Ventura - parte 2&rdquo;, quando o grupo do presidente divulga o esquema armado por Tony a pedido do senador Nicodemo Amaral.</p>     <p>Mesmo com mais uma jogada desvendada, a oposi&ccedil;&atilde;o do anti-PNGC continua incans&aacute;vel em sua batalha. Floriano Pedreira se lan&ccedil;a candidato &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e tenta construir uma imagem de pol&iacute;tico honesto. Por seu lado, Ventura deixa os problemas de relacionamento interferirem em sua vida pol&iacute;tica, porque Antonia o abandona. Ele praticamente desiste de governar e s&oacute; os apelos de sua assessora Fernanda, que destaca as transforma&ccedil;&otilde;es positivas promovidas no pa&iacute;s, reacendem seu &acirc;nimo e o envolvem num clima de romance plat&ocirc;nico.</p>     <p>&ldquo;O Ex-presidente&rdquo; &eacute; o &uacute;ltimo epis&oacute;dio de <i>O Brado Retumbante</i>, no qual o principal assunto &eacute; a elei&ccedil;&atilde;o presidencial. Ventura est&aacute; disposto a n&atilde;o disputar o pleito e a apoiar Alaor, um candidato honesto e inexpressivo. Com medo de que Alaor suba nas pesquisas, Pedreira e seu grupo avaliam o que poderia ser feito para anul&aacute;-lo definitivamente. Mas, uma nova situa&ccedil;&atilde;o inesperada os favorece: Alaor &eacute; internado para uma pequena cirurgia. Entretanto, ap&oacute;s uma visita de &ldquo;cortesia&rdquo; realizada por Pedreira ao candidato e de uma conversa dele com um m&eacute;dico, nas sombras e na calada da noite, Alaor sofre uma parada cardiorrespirat&oacute;ria, que afeta sua capacidade cerebral.</p>     <p>Diante do imprevisto, a trama chega ao ponto no qual Pedreira se transforma no &uacute;nico pol&iacute;tico com chances de se tornar Presidente da Rep&uacute;blica. Esta perspectiva amea&ccedil;a o projeto de guerra &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o de Ventura, que est&aacute; indeciso e diante da possibilidade de sua luta ter sido em v&atilde;o.</p>     <p>No curso dos acontecimentos da fic&ccedil;&atilde;o, Ventura conversa com Jorge Mour&atilde;o, um ex-presidente corrupto, que assume seus erros de gest&atilde;o e diz que somente nosso her&oacute;i &eacute; capaz de &ldquo;promover as reformas que o pa&iacute;s precisa&rdquo;. Finalmente, Ventura manifesta sua flexibilidade pol&iacute;tica em prol da popula&ccedil;&atilde;o, aceitando ser candidato &agrave; presid&ecirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A miniss&eacute;rie termina com mais um duelo entre Pedreira e Ventura, num debate eleitoral televisionado, em outro momento simb&oacute;lico da vida pol&iacute;tica. No sorteio, coube a Ventura fazer o pronunciamento inicial.</p>     <p>Todos sabem que eu me tornei presidente por um tr&aacute;gico acidente. Eu n&atilde;o estava preparado e nem queria ser presidente. Nestes 15 meses de governo, vi que os nossos desafios eram muito maiores do que pod&iacute;amos supor. Mas aprendi a enfrent&aacute;-los. E nosso governo conquistou importantes vit&oacute;rias, mas para que essas vit&oacute;rias se multipliquem eu fui obrigado a rever minha decis&atilde;o de abandonar a pol&iacute;tica ao final deste mandato. N&atilde;o me envergonho de ter dito a coragem de mudar (...) Eu conto com a sua indigna&ccedil;&atilde;o contra a epidemia de corrup&ccedil;&atilde;o de assola este pa&iacute;s. Eu conto com seu voto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>An&aacute;lise discursiva: espacializa&ccedil;&atilde;o, temporaliza&ccedil;&atilde;o e figuratiza&ccedil;&atilde;o da corrup&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Para complementar o percurso gerador de sentido da narrativa ficcional e compreender o processo de discursiviza&ccedil;&atilde;o, buscou-se a an&aacute;lise das categorias da temporaliza&ccedil;&atilde;o, espacializa&ccedil;&atilde;o e figurativiza&ccedil;&atilde;o presentes na trama.</p>     <p>A semi&oacute;tica greimasiana considera a espacializa&ccedil;&atilde;o uma categoria importante para an&aacute;lise narrativa e a classifica segundo a sua relev&acirc;ncia. Trata-se dos locais, ricos em detalhes e materiais, que conferem realidade &agrave; obra e nos quais os personagens circulam e atuam.</p>     <p>Nesse sentido, para Greimas e Court&egrave;s (1979), o espa&ccedil;o t&oacute;pico &eacute; o espa&ccedil;o de refer&ecirc;ncia, lugar das performances e compet&ecirc;ncias. Ele abarca dois subcomponentes: o espa&ccedil;o ut&oacute;pico, lugar onde se efetuam as performances do sujeito, no qual acontecem as a&ccedil;&otilde;es e confrontos; e o espa&ccedil;o parat&oacute;pico, lugar reservado &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias do sujeito, que podemos entender como a obten&ccedil;&atilde;o de conhecimento e defini&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias. Existem, ainda, os espa&ccedil;os de alhures, do outro lugar, nominado de heterot&oacute;pico.</p>     <p><i>O Brado Retumbante</i> &eacute; um drama, com v&aacute;rias reuni&otilde;es secretas entre os personagens para definirem as estrat&eacute;gias de ataque do sujeito e do antissujeito. Por isso, a representa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o acontece, preferencialmente, em ambientes interiores, como a C&acirc;mara dos Deputados, o gabinete do presidente, as salas de reuni&otilde;es do Pal&aacute;cio Presidencial. &Eacute; uma trama urbana, que ocorre em duas cidades: Bras&iacute;lia, onde se localiza o Congresso Nacional; e Rio de Janeiro, que na hist&oacute;ria se transformou na sede administrativa do Governo Federal.</p>     <p>No exerc&iacute;cio de aplicar a classifica&ccedil;&atilde;o greimasiana dos espa&ccedil;os (BALOGH, 2002, p. 73), consideramos que nesta miniss&eacute;rie, o PNGC n&atilde;o tem espa&ccedil;os muito variados:</p>     <p>Espa&ccedil;os t&oacute;picos: 1) o espa&ccedil;o ut&oacute;pico na qual ocorre a principal performance do sujeito &eacute; o Pal&aacute;cio Presidencial, seja o gabinete ou a ala residencial. 2) Este local tamb&eacute;m ser&aacute; o principal espa&ccedil;o parat&oacute;pico, pois l&aacute; tamb&eacute;m ocorrer&aacute; a aquisi&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias e san&ccedil;&atilde;o &agrave;s arma&ccedil;&otilde;es dos inimigos que tentam tir&aacute;-lo do pode; 3) Espa&ccedil;os heterot&oacute;picos: os est&uacute;dios dos telejornais, cuja apresentadora L&uacute;cia Wolf tem um papel de narradora da hist&oacute;ria e est&aacute; presente em todos os epis&oacute;dios; o consult&oacute;rio da psic&oacute;loga, da qual a primeira-dama &eacute; paciente; as ruas e pr&eacute;dios p&uacute;blicos do Rio de Janeiro; os apartamentos de Antonia, da filha Marta, da m&atilde;e de Ventura, entre outros locais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>J&aacute; o conceito de temporaliza&ccedil;&atilde;o consiste em &ldquo;produzir o efeito do sentido temporalidade e em transformar, assim, uma organiza&ccedil;&atilde;o narrativa em hist&oacute;ria&rdquo; (GREIMAS e COURT&Eacute;S, 1979, p. 455). E, conforme explica Balogh, a temporaliza&ccedil;&atilde;o inclui &ldquo;a representa&ccedil;&atilde;o do dia, da noite, do crep&uacute;sculo e das esta&ccedil;&otilde;es do ano como demarcadores temporais&rdquo; (2002, p. 74) e tamb&eacute;m as temporalidades b&aacute;sicas de presente, passado e futuro.&nbsp;</p>     <p>Nesta miniss&eacute;rie, a narrativa se passa no presente, com pouco uso de <i>flashbacks</i> ou recorda&ccedil;&otilde;es de personagens. &Eacute; poss&iacute;vel perceber que a hist&oacute;ria dura, aproximadamente, 15 meses que &eacute; o tempo entre o acidente e o in&iacute;cio da campanha, sendo que a cena de debate eleitoral encerra a trama. Os epis&oacute;dios n&atilde;o trazem refer&ecirc;ncias a marcadores de tempo, de esta&ccedil;&otilde;es do ano ou de festas sazonais, como Natal e Carnaval, que indiquem mimese com os ciclos do mundo real.</p>     <p>A passagem do tempo e as mudan&ccedil;as de cidades s&atilde;o demarcadas por imagens a&eacute;reas proporcionadas pelas c&acirc;meras, que realizam voos panor&acirc;micos por pontos tur&iacute;sticos do Rio de Janeiro, como o P&atilde;o de A&ccedil;&uacute;car e a Lagoa Rodrigo de Freitas, e a Esplanada dos Minist&eacute;rios, em Bras&iacute;lia.</p>     <p>Destacamos tamb&eacute;m a figurativiza&ccedil;&atilde;o da corrup&ccedil;&atilde;o, ou seja, os elementos concretos usados para caracterizar tempo, atores e espa&ccedil;o, que tamb&eacute;m conferem efeito de realidade &agrave; trama e aos personagens. Ressaltamos as malas que os membros do anti-PNGC, como o deputado Josivan e Tony Abr&atilde;o, carregam pelos corredores do congresso, que simbolizam o comportamento desvirtuado de pol&iacute;ticos, fazendo refer&ecirc;ncias ao imagin&aacute;rio simb&oacute;lico e esc&acirc;ndalos pol&iacute;ticos reais, nos quais o dinheiro ilegal &eacute; transportado em malas pretas.</p>     <p>Outros recursos usados que ajudam a figurativizar estes pol&iacute;ticos s&atilde;o seus ternos e ve&iacute;culos p&uacute;blicos elegantes. Listamos ainda as portas dos gabinetes com suas placas de identifica&ccedil;&atilde;o, os apertos de m&atilde;os nos corredores e os pr&oacute;prios gabinetes, nos quais cada grupo de personagens se re&uacute;ne para definir as t&aacute;ticas a serem usadas, e os discursos no plen&aacute;rio do Congresso Nacional.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Paulo Ventura n&atilde;o &eacute; o her&oacute;i tradicional dos romances. Ele apresenta qualidades e defeitos, tem uma performance de resultados positivos, eliminando uma boa parte dos seus antagonistas, mas sem conseguir concluir sua miss&atilde;o herc&uacute;lea: erradicar a corrup&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.</p>     <p>Conforme explica Balogh (2002, p. 61), &ldquo;cada narrativa nos mostra um microuniverso de valores que em geral refletem os valores da pr&oacute;pria cultura em que ela se insere&rdquo;. Neste sentido, <i>O Brado Retumbante </i>termina com um discurso moralizante, que defende os valores de honestidade, decoro parlamentar e &eacute;tica, entre outros valores que estimulam v&aacute;rios movimentos populares no Brasil, que clamam por mais honestidade e menos corrup&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica e gest&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p>Esta miniss&eacute;rie abordou temas pol&ecirc;micos em rela&ccedil;&atilde;o aos problemas sociais e pol&iacute;ticos do cotidiano brasileiro, amplificando-os nas telas da TV, evidenciando as manipula&ccedil;&otilde;es dos grupos que est&atilde;o no poder e como estes afetam negativamente a vida das pessoas. Cabe tamb&eacute;m observar a aus&ecirc;ncia de men&ccedil;&otilde;es na trama aos partidos pol&iacute;ticos, institui&ccedil;&otilde;es que no Brasil passam por uma crise de confian&ccedil;a, um fen&ocirc;meno que rende tema para outro artigo. A trama explora a personaliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica, pois os eleitores se identificam com o candidato ficcional Paulo Ventura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na obra, evidencia-se ainda a presen&ccedil;a dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o de massa na repercuss&atilde;o dos acontecimentos pol&iacute;ticos, nos pronunciamentos &agrave; na&ccedil;&atilde;o feitos presidente Ventura, na cobertura dos esc&acirc;ndalos e no papel que a imprensa brasileira vem assumindo na fiscaliza&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico.</p>     <p>Conforme aponta Batista (2013, p. 87), a corrup&ccedil;&atilde;o, nos sistemas democr&aacute;ticos, tem um estreito elo com as atividades de representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e de transmiss&atilde;o de poderes para os pol&iacute;ticos eleitos e se caracteriza pela extra&ccedil;&atilde;o praticada por participantes oficiais do patrim&ocirc;nio da gest&atilde;o p&uacute;blica, aspirando proveitos pessoais e de seu grupo pol&iacute;tico, deixando de lado o interesse p&uacute;blico.</p>     <p>A partir do exposto nesta descri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise do plano discursivo de <i>O Brado Retumbante</i> foi poss&iacute;vel constatar que a narrativa se apoiou na imbrica&ccedil;&atilde;o entre realidade e fic&ccedil;&atilde;o, percurso frequentemente utilizado pela teledramaturgia brasileira, sobretudo na reprodu&ccedil;&atilde;o de temas do cen&aacute;rio pol&iacute;tico nacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>BALOGH, A. M. (2002). <i>O discurso ficcional na TV.</i> S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=933644&pid=S1646-5954201600050001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>_____________ (2004). <i>Miniss&eacute;ries: l&aacute; cr&eacute;me de lacr&eacute;me da fic&ccedil;&atilde;o na TV.</i> S&atilde;o Paulo: Revista USP, n. 61, p. 94-101.</p>     <p>BARBOSA, A. L. (2010). <i>An&aacute;lise semi&oacute;tica de discursos discentes de Institutos Federais Nordestinos.</i> Doutorado em Ci&ecirc;ncias Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal de Jo&atilde;o Pessoa.</p>     <!-- ref --><p>BARROS, D. L. P. de. (2000). <i>Teoria semi&oacute;tica do texto</i>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=933648&pid=S1646-5954201600050001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BATISTA, M. Incentivos da din&acirc;mica pol&iacute;tica sobre a corrup&ccedil;&atilde;o: reelei&ccedil;&atilde;o, competitividade e coaliz&otilde;es nos munic&iacute;pios brasileiros. S&atilde;o Paulo: Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais. v. 28, n. 82, p. 87-106, jun. 2013.</p>     <p>BATISTA, M. F. B. M. (2001). O discurso semi&oacute;tico. In: ALVES, E. F.; BATISTA, M. de F. B. de M; CHRISTIANO, M. E. A. (Org.). <i>Linguagem em foco.</i> Jo&atilde;o Pessoa: Id&eacute;ia.</p>     <p>FERNANDES, C. M. (2014). <i>A agenda dos desacertos pol&iacute;ticos na obra ficcional A mulher do prefeito. </i>Jo&atilde;o Pessoa: Cultura midi&aacute;tica: revista do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal da Para&iacute;ba. Ano VII, n. 12, p. 30-44.</p>     <!-- ref --><p>FIORIN, J. L. (2001). <i>Elementos da an&aacute;lise de discurso.</i> S&atilde;o Paulo: Editora Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=933653&pid=S1646-5954201600050001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GREIMAS. A. J. (2002). <i>Da imperfei&ccedil;&atilde;o.</i> S&atilde;o Paulo: Hacker.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=933655&pid=S1646-5954201600050001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>_______ e COURT&Egrave;S, J. (1979). <i>Dicion&aacute;rio de semi&oacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: Cultrix.</p>     <p>MAQUES, A. C. S. (2015). <i>Telenovela e Pol&iacute;tica:</i> perspectivas e modos de abordagem. S&atilde;o Paulo: Significa&ccedil;&atilde;o: Revista de Cultura Audiovisual da Universidade de S&atilde;o Paulo. V.42, n. 44, p. 318-338.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MOTTER, M. de L. (1998). <i>Telenovela: arte do cotidiano. </i>S&atilde;o Paulo: Revista Comunica&ccedil;&atilde;o &amp;Educa&ccedil;&atilde;o n&ordm; 13, p. 89-102.&nbsp;</p>     <p>______________ (2002). Telenovela e campanha pol&iacute;tica: Porto dos Milagres. In: BARROS FILHO, Cl&oacute;vis de (Org.). <i>Comunica&ccedil;&atilde;o na polis: ensaios sobre m&iacute;dia e pol&iacute;tica.</i> Petr&oacute;polis: Vozes, 2002.</p>     <!-- ref --><p>RECTOR, M. (1979). <i>Para ler Greimas.</i> Rio de Janeiro: Francisco Alves.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=933661&pid=S1646-5954201600050001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><b>Sites:</b></p>     <p>Apaixonados por Series. O Brado Retumbante. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.apaixonadosporseries.com.br/series/primeiras-impressoes-o-brado-retumbante/" target="_blank">http://www.apaixonadosporseries.com.br/series/primeiras-impressoes-o-brado-retumbante/</a>. Acesso em: 30 de mai. 2014.</p>     <p>Brasil 247. &ldquo;O Brado Retumbante de Guilherme Fiuza&rdquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/37173/O-brado-retumbante-de-Guilherme-Fi%C3%BAza-brado-retumbante-guilherme-fi%C3%BAza-entrevista.htm" target="_blank">http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/37173/O-brado-retumbante-de-Guilherme-Fi%C3%BAza-brado-retumbante-guilherme-fi%C3%BAza-entrevista.htm</a>. Acesso em: 28 de mai. 2014.</p>     <p>Jornal do Brasil "O Brado Retumbante" de A&eacute;cio Neves. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.jb.com.br/informe-jb/noticias/2012/01/19/o-brado-retumbante-de-aecio-neves/" target="_blank">http://www.jb.com.br/informe-jb/noticias/2012/01/19/o-brado-retumbante-de-aecio-neves/</a>. Acesso em: 07 de jun. 2015.</p>     <p>Mem&oacute;ria Globo. O Brado Retumbante. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/minisseries/o-brado-retumbante.htm" target="_blank">http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/minisseries/o-brado-retumbante.htm</a>. Acesso em: 30 de mai. 2014.</p>     <p>R7. &ldquo;Entenda o esc&acirc;ndalo do mensal&atilde;o. Dispon&iacute;vel em <a href="http://noticias.r7.com/brasil/noticias/entenda-o-escandalo-do-mensalao-20101007.html" target="_blank">http://noticias.r7.com/brasil/noticias/entenda-o-escandalo-do-mensalao-20101007.html</a>. Acesso em 10/11/2016.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Rogerio Correia. S&oacute;sia de A&eacute;cio Neves protagoniza nova miniss&eacute;rie da Globo&rdquo;, Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.rogeriocorreia.com.br/noticia/sosia-de-aecio-neves-protagoniza-nova-minisserie-da-globo/" target="_blank">http://www.rogeriocorreia.com.br/noticia/sosia-de-aecio-neves-protagoniza-nova-minisserie-da-globo/</a>. Acesso em 10/11/2016.</p>     <p>UOL. <b>&ldquo;</b>O Brado Retumbante&rdquo; &eacute; realidade disfar&ccedil;ada de fic&ccedil;&atilde;o. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2012/01/18/o-brado-retumbante-e-realidade-disfarcada-de-ficcao/" target="_blank">http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2012/01/18/o-brado-retumbante-e-realidade-disfarcada-de-ficcao/</a>. Acesso em: 28 de mai. 2012.</p>     <p>Pragmatismo Pol&iacute;tico. Rede Globo contrata bra&ccedil;o-direito do senador A&eacute;cio Neves (PSDB-MG). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/05/rede-globo-contrata-braco-direito-do-senador-aecio-neves-psdb-mg.html" target="_blank">http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/05/rede-globo-contrata-braco-direito-do-senador-aecio-neves-psdb-mg.html</a>. Acesso em: 07 de jun. 2015.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> O Plano Real lan&ccedil;ado em junho de 1994, foi um plano econ&ocirc;mico brasileiro, do governo de Itamar Franco, que tinha como principal objetivo &agrave; redu&ccedil;&atilde;o e o controle da infla&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da conten&ccedil;&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos, entre outras metas.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Mat&eacute;ria &ldquo;O Brado Retumbante de Guilherme Fi&uacute;za&rdquo;, publicada no site Brasil 247 em 23/01/2012, dispon&iacute;vel no link: <a href="http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/37173/O-brado-retumbante-de-Guilherme-Fi%C3%BAza-brado-retumbante-guilherme-fi%C3%BAza-entrevista.htm" target="_blank">http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/37173/O-brado-retumbante-de-Guilherme-Fi%C3%BAza-brado-retumbante-guilherme-fi%C3%BAza-entrevista.htm</a>. Consulta em 10/11/2016.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Os personagens exercem a fun&ccedil;&atilde;o de promotor de justi&ccedil;a, advogado, juiz e delegada federal. Um dele &eacute; jornalista, profiss&atilde;o que tamb&eacute;m teria a fun&ccedil;&atilde;o de defender o interesse da popula&ccedil;&atilde;o, informar, investigar temas de relev&acirc;ncia para o bem p&uacute;blico e denunciar os erros.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Detalhes podem ser obtidos na mat&eacute;ria &ldquo;Entenda o esc&acirc;ndalo do mensal&atilde;o&rdquo;, publicada no portal R7 em 08/10/2009. Dispon&iacute;vel em <a href="http://noticias.r7.com/brasil/noticias/entenda-o-escandalo-do-mensalao-20101007.html" target="_blank">http://noticias.r7.com/brasil/noticias/entenda-o-escandalo-do-mensalao-20101007.html</a>. Acesso em 10/11/2016. &nbsp;</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Cada epis&oacute;dio contava com uma chamada que foi nomeado no primeiro cap&iacute;tulo com o t&iacute;tulo O Presidente Acidental e, posteriormente, exibiram-se as demais em ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o, a saber: O p&uacute;blico e o privado; O sucessor; O brado da primeira-dama; Fronteiras; Fora Ventura!; Fora Ventura! &ndash; parte 2 e O Ex-presidente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Na maior parte das obras ficcionais que abordam a tem&aacute;tica pol&iacute;tica, o sujeito, no caso, o personagem principal &eacute; corrupto, como por exemplo na novela Saramandaia e na miniss&eacute;rie A mulher do Prefeito, ambas produ&ccedil;&otilde;es brasileiras, entre outras obras, deixando para o antissujeito o papel de desvelar as tramas do enredo. Na miniss&eacute;rie "O Brado Retumbante, o sujeito &eacute; honesto e os antissujeitos s&atilde;o corruptos, o que representa uma invers&atilde;o desta ordem na esfera ficcional.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Em pesquisa na web &eacute; poss&iacute;vel encontrar mat&eacute;rias como esta &ldquo;S&oacute;sia de A&eacute;cio Neves protagoniza nova miniss&eacute;rie da Globo&rdquo;, publicada em 19/01/2012 no site do deputado estadual do PT, Rog&eacute;rio Correia, Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.rogeriocorreia.com.br/noticia/sosia-de-aecio-neves-protagoniza-nova-minisserie-da-globo/" target="_blank">http://www.rogeriocorreia.com.br/noticia/sosia-de-aecio-neves-protagoniza-nova-minisserie-da-globo/</a>. Acesso em 10/11/2016.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[BALOGH]]></surname>
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<collab>GREIMAS. A. J.</collab>
<source><![CDATA[Da imperfeição]]></source>
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