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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper analyses the interactions between journalists and the public in Brazilian and French online newsrooms. It discusses the new modalities of audience participation in journalism. Thus, it aims to understand the possible changes in this relation. The role of national contexts on structuring the practices of journalism and the public is also considered. This comparative and qualitative research is focused on in-depth interviews with ten journalists from each country and used a common guide. The results reveal resemblances on how journalists enunciate their interactions with public from both countries: their representations are stereotyped and audiences are perceived through a quantitative bias. These findings reinforce other studies that minimize the ability of online newsrooms to integrate the public. From the viewpoint of comparative studies, our hypothesis of a transnational identity of online journalists is strengthened. This hypothesis is mainly based on the circulation of structured discourses related to this practice.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A compara&ccedil;&atilde;o da identidade dos jornalistas online em suas rela&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos no Brasil e na Fran&ccedil;a</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Florence Le Cam*, F&aacute;bio Henrique Pereira**</b></p>     <p>* PhD, professor, Chair of Journalism, Department of Information and Communication Sciences, Universit&eacute; Libre de Bruxelles (Brussels), Belgium (<a href="mailto:flecam@ulb.ac.be">flecam@ulb.ac.be</a>)</p>     <p>** PhD, professor, Department of Journalism, University of Brasilia, Brazil (<a href="mailto:fabiop@gmail.com">fabiop@gmail.com</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O artigo analisa as intera&ccedil;&otilde;es entre jornalistas e p&uacute;blicos de reda&ccedil;&otilde;es on-line no Brasil e na Fran&ccedil;a. Discute as novas modalidades de participa&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias no jornalismo. Nesse sentido, busca-se entender as poss&iacute;veis mudan&ccedil;as nessa rela&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m o papel dos contextos nacionais na estrutura&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de jornalistas e p&uacute;blicos nos dois pa&iacute;ses. Esta pesquisa comparativa e qualitativa utilizou entrevistas em profundidade com dez jornalistas brasileiros e dez franceses a partir de um roteiro padr&atilde;o. Os resultados revelaram similitudes na forma como os jornalistas enunciaram suas intera&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos dos dois pa&iacute;ses: as representa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o geralmente estereotipadas e as audi&ecirc;ncias s&atilde;o apreendidas a partir de uma vis&atilde;o quantitativa. Essas constata&ccedil;&otilde;es se juntam a outros estudos sobre o tema e que relativizam a capacidade de integra&ccedil;&atilde;o dos leitores nas reda&ccedil;&otilde;es on-line. Do ponto de vista dos estudos comparativos, elas permitem refor&ccedil;ar a nossa hip&oacute;tese de uma identidade transnacional dos jornalista on-line, baseadas sobretudo na circula&ccedil;&atilde;o de discursos estruturantes em rela&ccedil;&atilde;o a essas pr&aacute;tica. </p>     <p><b> Palavras-chave:</b> jornalistas on-line, p&uacute;blicos, identidade, entrevistas, estudos comparativos.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper analyses the interactions between journalists and the public in Brazilian and French online newsrooms. It discusses the new modalities of audience participation in journalism. Thus, it aims to understand the possible changes in this relation. The role of national contexts on structuring the practices of journalism and the public is also considered. This comparative and qualitative research is focused on in-depth interviews with ten journalists from each country and used a common guide. The results reveal resemblances on how journalists enunciate their interactions with public from both countries: their representations are stereotyped and audiences are perceived through a quantitative bias. These findings reinforce other studies that minimize the ability of online newsrooms to integrate the public. From the viewpoint of comparative studies, our hypothesis of a transnational identity of online journalists is strengthened. This hypothesis is mainly based on the circulation of structured discourses related to this practice.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>     <p><b>Keywords</b> : online journalists, public, identity, interviews, comparative studies.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Este artigo analisa as intera&ccedil;&otilde;es entre jornalistas e p&uacute;blicos de reda&ccedil;&otilde;es on-line no Brasil e na Fran&ccedil;a. O objetivo &eacute; investigar as representa&ccedil;&otilde;es que os jornalistas fazem dos p&uacute;blicos e como eles lidam com os mecanismos de gest&atilde;o das intera&ccedil;&otilde;es com esses atores. Este trabalho centra seu foco nos <i>discursos sobre as pr&aacute;ticas e identidades </i>do jornalismo on-line, particularmente na forma como eles engendram modalidades de regula&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos, ao mesmo tempo em que permitem aos jornalistas reposicionarem suas identidades em fun&ccedil;&atilde;o dos contextos socio-hist&oacute;ricos (Ruellan, 2011).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>     <p>Trata-se ainda de um estudo com ambi&ccedil;&otilde;es de compara&ccedil;&atilde;o transnacional entre dois pa&iacute;ses que constitu&iacute;ram sistemas midi&aacute;ticos diferentes e, sobretudo, onde se observam processos distintos de profissionaliza&ccedil;&atilde;o dos jornalistas (Le Cam e Ruellan, 2004). Por isso, o artigo trabalha simultaneamente duas dimens&otilde;es: as representa&ccedil;&otilde;es sobre o p&uacute;blico e as similitudes e diferen&ccedil;as observadas nos discursos dos jornalistas franceses e brasileiros. Para isso, ser&atilde;o analisadas 20 entrevistas feitas com webjornalistas, dez de cada pa&iacute;s. A amostragem n&atilde;o tem perfil estat&iacute;stico, mas obedece crit&eacute;rios de representatividade social (F&iacute;garo, 2013). Ela parte da escolha de conjunto de perfis equivalentes nos dois pa&iacute;ses (como um espelho) de forma a dar conta da diversidade do grupo profissional em termos de g&ecirc;nero, idade, estatuto, tipo de m&iacute;dia, abrang&ecirc;ncia. A escolha desses entrevistados, feita em comum acordo entre os autores deste artigo, buscou trabalhar com um conjunto de equival&ecirc;ncias que permitissem promover uma compara&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Nossa proposta toma como ponto de partida o contexto de discuss&atilde;o sobre as poss&iacute;veis transforma&ccedil;&otilde;es das formas de participa&ccedil;&atilde;o do leitor a partir da introdu&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dias digitais. V&aacute;rios discursos &ndash; oriundos de espa&ccedil;os acad&ecirc;micos, profissionais e empresariais &ndash; tendem a ressaltar pr&aacute;ticas de colabora&ccedil;&atilde;o dos p&uacute;blicos no jornalismo, por meio de coment&aacute;rios, do contato com a reda&ccedil;&atilde;o ou de coprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Embora n&atilde;o se trate de um fen&ocirc;meno necessariamente recente<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, a ideia da participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico no jornalismo (particularmente com internet) tem sido tomada como ponto de partida para discutir mudan&ccedil;as ou adapta&ccedil;&otilde;es da identidade do jornalista e na forma como ele se posiciona face ao seu leitor. Esses estudos apontam tanto para cen&aacute;rios mais conservadores de reafirma&ccedil;&atilde;o do estatuto profissional e de manuten&ccedil;&atilde;o das rotinas jornal&iacute;sticas como situa&ccedil;&otilde;es de readequa&ccedil;&atilde;o dessa pr&aacute;tica, de mudan&ccedil;as na autopercep&ccedil;&atilde;o dos papeis e da ideologia profissional dos jornalistas (Cf. Aubert, 2009; Calabrese, 2014; Pereira e Freitas, 2012, entre outros). Esta constata&ccedil;&atilde;o sugere, portanto, uma esp&eacute;cie de dualidade na forma como a rela&ccedil;&atilde;o entre jornalistas e p&uacute;blicos &eacute; reconstru&iacute;da discursivamente e que remete &agrave; met&aacute;fora de Robinson (2010) sobre os &ldquo;Tradicionalistas&rdquo;, &ldquo;aqueles que querem manter um relacionamento hier&aacute;rquico entre jornalistas e audi&ecirc;ncias&rdquo; e os &ldquo;Convergentes&rdquo;, &ldquo;aqueles que acreditam que os usu&aacute;rios deveriam ter mais liberdade em rela&ccedil;&atilde;o aos sites noticiosos<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>&rdquo; (p. 126). Assim, um caminho a ser explorado neste artigo consiste justamente em descrever e explicar os contextos em que essas duas posi&ccedil;&otilde;es emergem no interior das reda&ccedil;&otilde;es investigadas.</p>     <p>Apesar da profus&atilde;o de estudos sobre a participa&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia no jornalismo on-line, poucos trabalhos situam esses debates a partir de uma perspectiva comparativa (excess&atilde;o feita aos trabalhos de: Boczkowski, Mitchelstein, Walter, 2011; Domingo et. al., 2008). Por isso, entender a forma como os jornalistas on-line representam os p&uacute;blicos no Brasil e na Fran&ccedil;a pode ser revelador do processo de gest&atilde;o da identidade profissional dos jornalistas nesses pa&iacute;ses, na forma como eles buscariam estabelecer modalidades espec&iacute;ficas (ou n&atilde;o) de se posicionarem frente aos p&uacute;blicos. Ao mesmo tempo, a revis&atilde;o da bibliografia internacional sobre o jornalismo on-line parece apontar para uma relativa estandardiza&ccedil;&atilde;o dos discursos identit&aacute;rios e que assumem uma dimens&atilde;o quase normativa a estruturante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; representa&ccedil;&atilde;o do perfil do webjornalista no mundo. Tais discursos refor&ccedil;ariam aspectos transnacionais dessa pr&aacute;tica, como a produ&ccedil;&atilde;o multim&iacute;dia e multitarefas, a sedentariza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, a converg&ecirc;ncia nas reda&ccedil;&otilde;es, a introdu&ccedil;&atilde;o das redes sociais e de outras ferramentas de intera&ccedil;&atilde;o com os p&uacute;blicos no jornalismo.</p>     <p>Essas constata&ccedil;&otilde;es servem como ponto de partida para este trabalho de compara&ccedil;&atilde;o, centrado na forma como processo de gest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos &eacute; simultaneamente condicionado por duas modalidades de discursos: aqueles relacionadas &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o do profissionalismo jornal&iacute;stico nos diferentes espa&ccedil;os nacionais e a forma como ele define as rela&ccedil;&otilde;es com outros atores (particularmente os leitores); e o modo como os discursos transnacionais sobre o jornalismo on-line buscam promover uma valoriza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias na pr&aacute;tica jornal&iacute;stica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta compara&ccedil;&atilde;o trabalha com dois casos protot&iacute;picos (&ldquo;protypical cases&rdquo;) (Hirschl, 2005) em que a escolha dos objetos serve como ponto de partida para discutir uma explica&ccedil;&atilde;o de ordem mais geral: o papel do discurso na constru&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es sobre as&nbsp; pr&aacute;ticas e as identidades profissionais do jornalismo &ndash;&nbsp; hip&oacute;tese j&aacute; explorada por Le Cam em diferentes ocasi&otilde;es (Le Cam, 2009; 2012; 2013). Tr&ecirc;s ordens de quest&atilde;o parecem emergir dessa proposta de an&aacute;lise: Como os p&uacute;blicos s&atilde;o representados pelos jornalistas on-line dos dois pa&iacute;ses? Como esses jornalistas se posicionam frente as modalidades de intera&ccedil;&atilde;o com os p&uacute;blicos no Brasil e na Fran&ccedil;a? Que discursos identit&aacute;rios emergem dessas rela&ccedil;&otilde;es E como eles se relacionam com os contextos nacionais/internacionais sobre o jornalismo on-line?</p>     <p>Para discutir esse conjunto de quest&otilde;es, o texto est&aacute; estruturado em quatro partes. Na revis&atilde;o de conceitos, vamos priorizar discuss&otilde;es sobre compara&ccedil;&atilde;o em jornalismo e uma breve descri&ccedil;&atilde;o dos dois contextos nacionais analisados. Em seguida, ser&atilde;o apresentadas a metodologia e a an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es entre jornalistas on-line e p&uacute;blicos no Brasil e na Fran&ccedil;a. A partir dos resultados da pesquisa, ser&atilde;o propostas algumas explica&ccedil;&otilde;es sobre as semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as observadas nas entrevistas com os jornalistas dos dois pa&iacute;ses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Compara&ccedil;&atilde;o e jornalismo &nbsp;</b></p>     <p>A proposta do artigo se ancora nas possibilidades abertas pela compara&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de jornalismo on-line no Brasil e na Fran&ccedil;a. Nossa escolha implica na necessidade de se considerar os contextos hist&oacute;ricos e as especificidades locais no que se refere &agrave; reconstitui&ccedil;&atilde;o dos sistemas midi&aacute;ticos e os contextos socioecon&ocirc;micos e pol&iacute;ticos que ser&atilde;o comparados. Contextualizar n&atilde;o significa apenas descrever um cen&aacute;rio nacional, mas levar em considera&ccedil;&atilde;o as especificidades desses contextos na pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o das categorias de an&aacute;lise utilizadas e que, como explica Reese (2008), n&atilde;o s&atilde;o necessariamente autoevidentes em diferentes pa&iacute;ses.</p>     <p>De modo geral, os estudos comparativos sobre o jornalismo t&ecirc;m como ponto de partida uma abordagem dedutiva em que um conjunto de vari&aacute;veis a serem comparadas s&atilde;o derivadas de uma leitura estrutural dos sistemas midi&aacute;ticos nacionais. &Eacute; o que prop&otilde;em, por exemplo, as pesquisas que se utilizam do trabalho seminal de Hallin e Mancini (2004; e depois 2011), <i>Comparing media systems</i> e que &ldquo;buscam identificar as varia&ccedil;&otilde;es de larga escala que se desenvolveram nas democracias Ocidentais em termos e de estrutura e papel pol&iacute;tica para a m&iacute;dia de informa&ccedil;&atilde;o, e explorar algumas ideias sobre como levar em considera&ccedil;&atilde;o essas varia&ccedil;&otilde;es e pensar sobre suas consequ&ecirc;ncias para a democracia pol&iacute;tica<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>&rdquo; (2004, p.1). Para se distanciar de uma abordagem etnoc&ecirc;ntrica sobre o tema, os autores v&atilde;o se interessar pelas intera&ccedil;&otilde;es entre os diferentes fen&ocirc;menos sociais que servem como base para os sistemas midi&aacute;ticos de espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos distintos e &ldquo;como eles est&atilde;o estrutural e historicamente ligados ao desenvolvimento do sistema pol&iacute;tico<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>&rdquo; (2004, p.5). O foco da an&aacute;lise, nesse sentido, s&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas que a m&iacute;dia estabelece com o sistema pol&iacute;tico e que permite distinguir, mas tamb&eacute;m aprofundar, as particularidades e similitudes das configura&ccedil;&otilde;es midi&aacute;ticas nacionais. Essa ambi&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica, bastante pertinente para pesquisas que tratam das especificidades nacionais, parece menos apropriada para este estudo, na medida em que buscamos entender as rela&ccedil;&otilde;es que emergem na pesquisa de campo entre as imagens e as pr&aacute;ticas dos jornalistas on-line que integram a nossa amostra.</p>     <p>O contexto nacional, sua dimens&atilde;o pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e cultural continua sendo fundamental para qualquer tipo de abordagem comparativa, sobretudo no caso de pa&iacute;ses (como o Brasil e a Fran&ccedil;a) que a princ&iacute;pio pertenceriam a sistemas midi&aacute;ticos completamente distintos. Contudo, n&atilde;o buscamos aqui comparar sistemas midi&aacute;ticos, mas as <i>representa&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias</i> que emergem nos discursos dos jornalistas&nbsp; brasileiros e franceses ao refer&ecirc;ncia &agrave;s suas rela&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos. Nesse caso, o n&iacute;vel de an&aacute;lise n&atilde;o &eacute; o mesmo e nos pautamos aqui pela observa&ccedil;&atilde;o feita por T. Hanitzsch (2008): &ldquo;O que &eacute; tratado como similaridade em um n&iacute;vel de an&aacute;lise pode revelar uma mir&iacute;ade de diferen&ccedil;as em n&iacute;veis mais minuciosos de an&aacute;lise<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>&rdquo; (2008, p. 96). Ou seja, o n&iacute;vel da na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a unidade de an&aacute;lise de nossa pesquisa, trabalhamos aqui com a unidade conceitual da identidade profissional.</p>     <p>Al&eacute;m disso, da mesma forma que este estudo n&atilde;o se utiliza da abordagem de Hallin e Mancini, ele tamb&eacute;m n&atilde;o compartilha dos pressupostos de outros estudos internacionais sobre jornalismo e que refor&ccedil;am uma abordagem normativa da profiss&atilde;o, baseada sobretudo no contexto norte-americano. Essas investiga&ccedil;&otilde;es, de modo geral, questionam jornalistas de v&aacute;rios pa&iacute;ses em rela&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel de profissionalismo (Cf. McLeod e Hawley, 1964), os conte&uacute;dos que eles produzem, o papel que eles pensem desempenhar, suas considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas (Hanitzsch et al, 2011), a sua rela&ccedil;&atilde;o com a objetividade&nbsp; (Skovsgaard et al, 2012). Como explica &Ouml;rnebring (2012), v&aacute;rios estudos comparativos dessa tradi&ccedil;&atilde;o centrados no n&iacute;vel individual de an&aacute;lise consistem geralmente na r&eacute;plica em diferentes pa&iacute;ses de uma enqu&ecirc;te originalmente desenvolvida em um contexto nacional espec&iacute;fico, geralmente em pa&iacute;ses do Norte. Por conta disso, os estudos comparativos internacionais dos &uacute;ltimos anos permitiram a coleta de uma massa consider&aacute;vel de dados, mas que expressam uma tend&ecirc;ncia ao universalismo te&oacute;rico e metodol&oacute;gico ao produzirem &ldquo;quantifica&ccedil;&otilde;es descontextualizadas&rdquo; (Livingstone, 2003, p.482).&nbsp;&nbsp;</p>     <p>Em contraposi&ccedil;&atilde;o a essas tradi&ccedil;&otilde;es, adotamos aqui a proposta de Josephi (2009) que sugere a necessidade de pesquisas qualitativas de pretens&atilde;o comparativa<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Por outro lado, buscamos evitar uma postura excessivamente relativista &ndash; e que vai buscar nos contextos nacionais e nas especificidades do objeto emp&iacute;rico a explica&ccedil;&atilde;o para os resultados encontrados. Na verdade, essas especificidades, ilustradas pelas din&acirc;micas microssociol&oacute;gicas impl&iacute;citas nas trajet&oacute;rias e nas intera&ccedil;&otilde;es cotidianas empreendidas pelos jornalistas, devem ser confrontadas com explica&ccedil;&otilde;es de ordem &ldquo;estrutural&rdquo;, como a pr&oacute;pria compreens&atilde;o dos processos de circula&ccedil;&atilde;o de discursos transnacionais sobre o jornalismo on-line e de (re)configura&ccedil;&atilde;o de sistemas midi&aacute;ticos nacionais nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. A aplica&ccedil;&atilde;o dessa proposta de an&aacute;lise se operacionaliza por meio de uma perspectiva indutiva que busca, a partir da an&aacute;lise de entrevistas biogr&aacute;ficas, compreender os sentidos atribu&iacute;dos pelos atores &agrave;s suas identidade e pr&aacute;ticas (e como elas se situam em contextos nacionais e transnacionais de produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica/midi&aacute;tica). A compara&ccedil;&atilde;o e a confronta&ccedil;&atilde;o desses sentidos e das representa&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias que eles engendram nos permite, em seguida, produzir uma reinterpreta&ccedil;&atilde;o do quadro das rela&ccedil;&otilde;es entre jornalistas e p&uacute;blicos no Brasil e na Fran&ccedil;a.</p>     <p>Tais procedimentos de an&aacute;lise ser&atilde;o precedidos por uma breve apresenta&ccedil;&atilde;o dos contextos midi&aacute;ticos nacionais e do o perfil dos do jornalismo on-line nos dois pa&iacute;ses, tema da pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Os contextos nacionais </b></p>     <p><b>A paisagem midi&aacute;tica </b></p>     <p>Esquematicamente, a organiza&ccedil;&atilde;o da paisagem midi&aacute;tica do jornalismo on-line &eacute; relativamente similar no Brasil e na Fran&ccedil;a. Ela se caracteriza pela presen&ccedil;a de dois grupos de atores: os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o tradicional (impressos e audiovisuais) que criaram novas opera&ccedil;&otilde;es para atuar na internet e os sites exclusivamente on-line (tamb&eacute;m denominados <i>pure players</i> no caso franc&ecirc;s). &Eacute; preciso ressaltar que essa divis&atilde;o, utilizada para fins de contextualiza&ccedil;&atilde;o nacional, n&atilde;o d&aacute; conta da diversidade das estrat&eacute;gias adotadas por esses ve&iacute;culos e o modo como sua inser&ccedil;&atilde;o no mercado do jornalismo on-line tem se consolidado no Brasil e na Fran&ccedil;a.</p>     <p>Nos dois pa&iacute;ses, a cria&ccedil;&atilde;o de sites e portais &eacute; vista pela m&iacute;dia como uma oportunidade de inser&ccedil;&atilde;o do grupo em um mercado considerado &ldquo;estrat&eacute;gico&rdquo; (Possebon, 2002; Gestin et al, 2009) &ndash; mesmo que a gest&atilde;o do jornal on-line seja deficit&aacute;ria no in&iacute;cio. Essa percep&ccedil;&atilde;o evolui, mais tarde, para um discurso de &ldquo;sobreviv&ecirc;ncia&rdquo; das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o por conta da queda do n&uacute;mero de leitores e pela necessidade de se manter no mercado em meio &agrave;s mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas (Basile, 2009; Muller, 2011). Assim, apesar das consider&aacute;veis dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor de m&iacute;dia, as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o dos dois pa&iacute;ses continuam a desenvolver estrat&eacute;gias para o meio on-line. Alguns jornais tradicionais (<i>France Soir</i>, <i>Jornal do Brasil</i>) migraram totalmente para esse meio. V&aacute;rios conglomerados desenvolveram modalidades de produ&ccedil;&atilde;o multissuporte ao mesmo tempo em que buscaram novas formas de financiamento das opera&ccedil;&otilde;es na web (publicidade, conte&uacute;do aberto, conte&uacute;do parcialmente aberto, conte&uacute;do pago). Tamb&eacute;m criaram projetos de integra&ccedil;&atilde;o dos sites &agrave; estrutura da empresa: como servi&ccedil;os aut&ocirc;nomos ou por meio das diferentes modalidades de reda&ccedil;&atilde;o convergente ou multim&iacute;dia. De fato, apesar do contexto de crise, as organiza&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia continuam ativas nos dois pa&iacute;ses, criando estrat&eacute;gias de publica&ccedil;&atilde;o para dispositivos m&oacute;veis, como <i>tablets</i>, <i>smartphones</i>, <i>e-papers&hellip;</i></p>     <p>A internet deu origem, nos dois pa&iacute;ses, a novas reda&ccedil;&otilde;es <i>pure players</i>. Tais atores conhecem conheceram um sucesso r&aacute;pido na Fran&ccedil;a gra&ccedil;as a duas iniciativas: <i>Rue 89</i> e <i>M&eacute;diapart</i>. Os dois novos sites se estabelecem a partir da colabora&ccedil;&atilde;o entre jornalistas e cidad&atilde;os, ao mesmo tempo em que se ancoraram em uma vis&atilde;o &ldquo;profissional&rdquo; do jornalismo &ndash; sobretudo no que diz respeito ao tratamento da informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o. Ao revelarem esc&acirc;ndalos, furos, os dois sites v&atilde;o rapidamente atribuir uma &ldquo;carta de nobreza&rdquo; a um tipo de jornalismo on-line dito independente (dos grandes conglomerados midi&aacute;ticos). Eles estarariam na linha de frente em defesa da cria&ccedil;&atilde;o de um estatuto espec&iacute;fico para os &ldquo;editores da imprensa on-line&rdquo;. Esse reconhecimento estatut&aacute;rio permitiu, nesse caso, que os sites se beneficiassem da ajuda que o Estado franc&ecirc;s concede &agrave; imprensa (Charon e Le Floch, 2011). No caso brasileiro, fora algumas experi&ecirc;ncias de pequenos sites locais/regionais, os principais ve&iacute;culos <i>pure players</i> se enquadram na categoria de portais de conte&uacute;do misto, operados principalmente por empresas de telefonia &ndash; cujo servi&ccedil;o tornou-se privado no Brasil a partir de 1998. Para essas empresas, o fornecimento de conte&uacute;do jornal&iacute;stico &eacute; visto como um atrativo para atrair consumidores para as demais opera&ccedil;&otilde;es do grupo e que s&atilde;o efetivamente rent&aacute;veis, como os servi&ccedil;os de telefonia, acesso &agrave; internet banda larga e de TV por assinatura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quem s&atilde;o esses jornalistas?</b></p>     <p>Desconhecemos a exist&ecirc;ncia de um estudo qualitativo nacional sobre o perfil dos webjornalistas brasileiros. Partindo de estudos de caso de car&aacute;ter etnogr&aacute;ficos em reda&ccedil;&otilde;es on-line, produzidos em per&iacute;odos distintos (Cf. Adghirni, 2002; Pereira, 2004; Jorge, 2007; Maia &amp; Agnez, 2015) podemos inferir que o jornalismo na internet &eacute; produzido a partir de estruturas pequenas, composta por rep&oacute;rteres e subeditores jovens e chefiadas por jornalistas mais velhos, oriundos de reda&ccedil;&otilde;es tradicionais. Essas constata&ccedil;&otilde;es s&atilde;o refor&ccedil;adas pelos dados quantitativos da pesquisa <i>Perfil do Jornalista Brasileiro</i> (Mick e Lima, 2013) e extraficados para o setor do jornalismo on-line<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. O estudo mostra que pouco mais de 63% dos respondentes t&ecirc;m menos de trinta anos, 28% possui mais de um emprego e pouco mais da metade trabalha mais de oito horas por dia (o que seriam indicativos da juveniza&ccedil;&atilde;o e da precariza&ccedil;&atilde;o desse estatuto). Do ponto de vista da forma&ccedil;&atilde;o, 91,5% estudaram jornalismo.</p>     <p>A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; relativamente id&ecirc;ntica na Fran&ccedil;a. Os primeiros jornalistas come&ccedil;aram a atuar ainda em 1995 em sites ligados &agrave; m&iacute;dia tradicional e tornaram-se os atuais diretores de reda&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos on-line. Atualmente, o perfil dos jornalistas contratados nas reda&ccedil;&otilde;es parisienses s&atilde;o bastante similares. A maioria possui forma&ccedil;&atilde;o em jornalismo e terminou recentemente os estudos. Os jornalistas contratados tiveram, em sua grande maioria, experi&ecirc;ncias, pr&eacute;-profissionais (em jornais universit&aacute;rios, est&aacute;gios e programas de <i>trainee</i>, cargos de correspondentes locais na imprensa francesa e contratos de qualifica&ccedil;&atilde;o ou de altern&acirc;ncia<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>), bem como um conhecimento te&oacute;rico avan&ccedil;ado sobre as princ&iacute;pios e t&eacute;cnicas b&aacute;sicas do jornalismo (como o trabalho de edi&ccedil;&atilde;o). Poucos deles tiveram forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em jornalismo on-line. A maior parte dos entrevistados franceses j&aacute; atuou como rep&oacute;rter em sites da m&iacute;dia regional, ligados a jornais impressos, r&aacute;dio ou televis&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que se refere &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, praticamente todos os sites ligados a m&iacute;dias tradicionais desenvolveram iniciativas de clonagem de conte&uacute;dos, de distribui&ccedil;&atilde;o multiplataformas ou de integra&ccedil;&atilde;o de reda&ccedil;&otilde;es. A alimenta&ccedil;&atilde;o dos sites nos dois pa&iacute;ses, nesse caso, &eacute; geralmente feita por jornalistas &ldquo;sentados&rdquo;, que reescrevem os despachos das ag&ecirc;ncias de not&iacute;cia, assegurando o fluxo de informa&ccedil;&otilde;es e o fornecimento de not&iacute;cias em tempo real (Pereira, 2004; Dagiral &amp; Parasie, 2010). O cen&aacute;rio &eacute; diferente no caso dos <i>pure players</i>, que buscaram constituir equipes pr&oacute;prias para a produ&ccedil;&atilde;o do notici&aacute;rio on-line, tanto na Fran&ccedil;a como no Brasil. No caso da Fran&ccedil;a, os jornalistas que trabalham em alguns ve&iacute;culos <i>pure players</i>, como <i>Mediapart </i>ou <i>Rue89</i>, praticam ainda o jornalismo investigativo e sobretudo a pr&aacute;tica de apura&ccedil;&atilde;o. A ideia &eacute; afirmar uma identidade editorial distinta das reda&ccedil;&otilde;es on-line vinculadas &agrave; m&iacute;dia tradicional (Canu &amp; Datchary, 2010; Aubert, 2009).</p>     <p>Assim, o trabalho dos webjornalistas nos dois pa&iacute;ses costuma ser associado a discuss&otilde;es mais gerais sobre o processo de precariaza&ccedil;&atilde;o no jornalismo e que descrevem situa&ccedil;&otilde;es de aumento das jornadas de trabalho &ndash; as &ldquo;rotinas infernais&rdquo;, descritas por Adghirni (2002) &ndash;, aumento das compet&ecirc;ncias exigidas dos profissionais, baixos sal&aacute;rios, juveniza&ccedil;&atilde;o das reda&ccedil;&otilde;es etc. A intensifica&ccedil;&atilde;o desse debate por volta de 2009-2010 n&atilde;o revela uma situa&ccedil;&atilde;o nova no &acirc;mbito dos discursos profissionais, mas uma esp&eacute;cie de sequ&ecirc;ncia (no sentido foucaultiano) (Cf. Le Cam, 2014) de discursos sobre a emerg&ecirc;ncia, estrutura&ccedil;&atilde;o e garantia de visibilidade de um novo estatuto de jornalista: o jornalismo on-line, o webjornalismo ou ainda o jornalismo multim&iacute;dia (Jorge &amp; Pereira, 2009; Pereira, 2004; Ruellan, 1998)<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia </b></p>     <p>O estudo adota um desenho metodol&oacute;gico qualitatiyo e comparativo. Segundo Hirschl (2005, p.126), esse tipo de abordagem &ldquo;visa a gera&ccedil;&atilde;o de &lsquo;thick concepts&rsquo; e de ferramentas de reflex&atilde;o por meio de descri&ccedil;&otilde;es multifacetadas<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>&rdquo;. Dessa forma, &ldquo;a constru&ccedil;&atilde;o de conceito por meio de descri&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas &eacute; a abordagem metodol&oacute;gica na qual esse tipo de estudo comparativo adere com frequ&ecirc;ncia<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>&rdquo; (Hirschl, 2005, p. 129). Ela busca, num segundo momento, integrar os &ldquo;estudos que se baseiam em princ&iacute;pios de sele&ccedil;&atilde;o dos casos em compara&ccedil;&atilde;o controlada e de infer&ecirc;ncia orientanda, com o objetivo de avaliar mudan&ccedil;as, explicar din&acirc;micas, e produzir infer&ecirc;ncias sobre causa e efeito por meio da sele&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de casos e a an&aacute;lise dos dados<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>&rdquo; (Hirschl, 2005, p.126).</p>     <p>Nossa an&aacute;lise se focalizou, em um primeiro momento, nas similitudes e diferen&ccedil;as na forma como os jornalistas enunciaram suas rela&ccedil;&otilde;es com o p&uacute;blico. Nesse sentido, esta pesquisa buscou cruzar dois n&iacute;veis de an&aacute;lise comparativa: o do indiv&iacute;duo e o da organiza&ccedil;&atilde;o (&Ouml;rnebring, 2012), visando fazer emergir, no &acirc;mbito de uma abordagem indutiva, um conjunto de tem&aacute;ticas capazes de originar conceitos. Mas ela n&atilde;o faz uma an&aacute;lise estrita dos indicadores de trabalho, das pr&aacute;ticas jornal&iacute;sticas em seu contexto de trabalho ou do contexto organizacional do jornalismo on-line. Trata-se, na verdade do cruzamento de <i>discursos</i> gerados por meio de entrevistas qualitativas. Esse procedimento revela uma polifonia discursiva tanto em termos das diferen&ccedil;as na constru&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com o p&uacute;blico, como nas similitudes.</p>     <p>Al&eacute;m disso, esta abordagem busca propor elementos de reflex&atilde;o sobre as explica&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para os fen&ocirc;menos observados, particularmente as congru&ecirc;ncias ou n&atilde;o entre discursos. Por isso, a ambi&ccedil;&atilde;o deste estudo comparativo sobre os jornalistas on-line de dois pa&iacute;ses n&atilde;o pode se limitar a uma descri&ccedil;&atilde;o &ndash; por mais precisa e detalhada que ela seja &ndash; do que foi enunciado pelos sujeitos respondentes. Comparar os jornalistas no Brasil e na Fran&ccedil;a consistiu em uma escolha que deveria permitir, inicialmente, realizamos uma an&aacute;lise de casos extremamente diferentes do ponto de vista pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico, cultural e social. Ora, os primeiros trabalhos sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do mercado do jornalismo on-line e realiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas tiveram o efeito de atenuar a percep&ccedil;&atilde;o em torno dessas diferen&ccedil;as iniciais. A solu&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica adotada foi a de transpor as similitudes observada no que se refere aos mercados laborais nacionais ao nosso campo de pesquisa. Primeiro, na escolha de dois espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos mais ou menos equivalentes: as capitais nacionais. Segundo, na sele&ccedil;&atilde;o de um conjunto de entrevistados nos dois pa&iacute;ses que tivessem caracter&iacute;sticas profissionais e sociodemogr&aacute;ficas equivalentes. A partir desses elementos compar&aacute;veis do ponto de vista individual e organizacional avan&ccedil;amos na confronta&ccedil;&atilde;o de um certo n&uacute;mero de discursos tendo como base um problema de pesquisa comum: questionar a forma como os jornalistas buscaramm ressentir, construir ou se distanciar dos seus p&uacute;blicos. Essa tem&aacute;tica, reconstru&iacute;da por meio da leitura das entrevistas, permitiu vincular na an&aacute;lise din&acirc;micas organizacionais, as representa&ccedil;&otilde;es das pr&aacute;ticas, das identidades e das rela&ccedil;&otilde;es dos jornalistas com os p&uacute;blicos nos dois pa&iacute;ses.&nbsp;&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Constitui&ccedil;&atilde;o do campo e procedimentos de an&aacute;lise</b></p>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa, realizamos entrevistas semiestruturadas com 20 jornalistas (dez de cada pa&iacute;s) a partir de um roteiro padr&atilde;o. Foram entrevistados webjornalistas em Bras&iacute;lia e Paris nos anos de 2011 e 2012. A escolha dos entrevistados buscou dar conta dos seguintes crit&eacute;rios de representatividade: tipo ve&iacute;culo (nacional ou regional; generalista ou especializado, <i>pure player</i> ou ligado a um grupo tradicional), cargo ou fun&ccedil;&atilde;o desempenhada pelo respondente (estagi&aacute;rio, rep&oacute;rter, editor de &aacute;rea/subedidor, editor), g&ecirc;nero e idade do jornalista (Ver Anexo 01).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As entrevistas foram feitas com base em uma abordagem compreensiva da pesquisa em que buscamos a gera&ccedil;&atilde;o de uma narrativa biogr&aacute;fica pelos respondentes. O objetivo n&atilde;o era ilustrar hip&oacute;teses pr&eacute;-estabelecidas, mas buscar significa&ccedil;&otilde;es origin&aacute;rias dos pr&oacute;prios entrevistados. Os respondentes, &eacute; claro, pertencem a contextos nacionais distintos, a hist&oacute;rias coletivas particulares, s&atilde;o fruto de trajet&oacute;rias individuais que se distinguem entre si. E as formas narrativas analisadas aqui s&atilde;o tamb&eacute;m &ldquo;ilus&otilde;es retrospectivas&rdquo; por meio das quais os respondentes reconstroem o que viveram, ou a forma como gostariam de recontar suas pr&oacute;prias hist&oacute;rias. Tais narrativas s&atilde;o ainda tra&ccedil;os de hist&oacute;rias coletivas e, ao mesmo tempo, a constru&ccedil;&atilde;o de uma singularidade individual (Dubar, 2001). &Eacute; a partir dessa dualidade &ndash; e, &eacute; claro, imersos no &acirc;mago dessa dificuldade metodol&oacute;gica &ndash; que realizamos uma compara&ccedil;&atilde;o binacional sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre as representa&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico e os discursos sobre a identidade no jornalismo on-line.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A gest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos e os discursos identit&aacute;rios</b></p>     <p>As opera&ccedil;&otilde;es de constru&ccedil;&atilde;o da amostragem buscaram, de certa forma, &ldquo;controlar&rdquo; as condi&ccedil;&otilde;es de enuncia&ccedil;&atilde;o dos discursos sobre o jornalismo on-line e os p&uacute;blicos, produzindo duas amostras &ldquo;espelhadas&rdquo; nos n&iacute;veis dos perfis individuais e dos pertencimentos organizacionais. Essa constru&ccedil;&atilde;o nos permitiu explorar as semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as encontradas tanto nas representa&ccedil;&otilde;es dos p&uacute;blicos como nas modalidades de gest&atilde;o dessas rela&ccedil;&otilde;es observadas nos discursos dos jornalistas. Essas duas categorias foram geradas indutivamente a partir da confronta&ccedil;&atilde;o dos narrativas dos entrevistados. Uma terceira camada de an&aacute;lise emerge quando tentamos situar esses resultados na rela&ccedil;&atilde;o entre os processo nacionais de constru&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o e de circula&ccedil;&atilde;o transnacional dos discursos sobre o jornalismo on-line.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>As representa&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico&nbsp; </b></p>     <p><b>Desconhecimento e estere&oacute;tipos</b></p>     <p>Como explica Ruellan (2006), &ldquo;o p&uacute;blico, de algum modo, n&atilde;o existe: &eacute; plural, assim como s&atilde;o m&uacute;ltiplos os objetos a partir dos quais se pretende alcan&ccedil;&aacute;-lo (neste caso, os produtos midi&aacute;ticos), al&eacute;m de multiformes (os leitores de um jornal n&atilde;o constituem uma unidade, mas um agregado do qual &eacute; dif&iacute;cil extrair regularidades)&rdquo; (p. 35). Por isso, em seu dia a dia, os jornalistas negociam suas identidades e pr&aacute;ticas a partir de tipifica&ccedil;&otilde;es que fazem do leitor. Essas representa&ccedil;&otilde;es da audi&ecirc;ncia permitem que os webjornalistas fundamentem suas decis&otilde;es a partir do que imaginam ser as expectativas da audi&ecirc;ncia e os desdobramentos que a rela&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico pode adquirir (Gadini, 2007)</p>     <p>A an&aacute;lise comparativa mostra que os jornalistas franceses e brasileiros possuem uma representa&ccedil;&atilde;o bastante aproximativa do p&uacute;blico. &ldquo;Talvez por falta de estudo do que o leitor gosta e do que o leitor n&atilde;o gosta. S&oacute; que quem &eacute; o leitor? Hoje em dia fica dif&iacute;cil homogeneizar as pessoas&rdquo; (B10). Eles n&atilde;o o conhecem de fato e repercutem falas generalistas como: &ldquo;Os nossos internautas fazem parte dos grupos socioprofissionais mais favorecidos<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>&rdquo; (F1, F4), e foram v&aacute;rios a mencionar os seus internautas se referindo a eles como o &ldquo;grande p&uacute;blico&rdquo; (F6, F7, F9; B1, B5). Esse <i>public cher inconnu&nbsp;!</i> (M&eacute;adel, 2004) ou <i>ilustre desconhecido</i> (Baesse, 2004) ainda &eacute; realidade nas reda&ccedil;&otilde;es on-line parisienses e brasilienses. A escolha da informa&ccedil;&atilde;o se faz frequentemente em fun&ccedil;&atilde;o do que o jornalista pensa, individualmente, sobre quais assuntos seriam de interesse dos internautas (B1, B5, B7; F6). Tamb&eacute;m parece haver uma forma de tipifica&ccedil;&atilde;o recorrente nos depoimentos&nbsp;dos entrevistados: a ideia de um &ldquo;o leitor t&iacute;pico de internet&rdquo;, que diferente das outras m&iacute;dias, seria &ldquo;desterritorializado&rdquo; (B1, B9) e se interessaria por uma informa&ccedil;&atilde;o mais curta e factual (B5, B8).</p>     <p>No caso do Brasil, muitas vezes esse estere&oacute;tipo &eacute; constru&iacute;do pelo jornalista em conson&acirc;ncia com a linha editorial do jornal ou do segmento do p&uacute;blico a qual o ve&iacute;culo ou a editoria se dirige prioritariamente. Em v&aacute;rios momentos, os jornalistas justificaram certas formas de cobrir ou narrar determinados temas fazendo refer&ecirc;ncia a um p&uacute;blico composto por &ldquo;pessoas da classe C&rdquo; (B1), &ldquo;servidores p&uacute;blicos&rdquo; (B2), &ldquo;operadores do mercado financeiro&rdquo; (B6, B9), &ldquo;professores, estudantes e diretores de escola&rdquo; (B7), &ldquo;o p&uacute;blico jovem&rdquo; (B7, B8), os &ldquo;jovens universit&aacute;rios&rdquo; (B10). Em alguns casos, a no&ccedil;&atilde;o do leitor de um site &eacute; constru&iacute;da em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; do concorrente (B1). Essa vis&atilde;o parece se apoiar na reprodu&ccedil;&atilde;o pelo jornalista do discurso das empresas, apoiado, em alguns casos, nas pesquisas de audi&ecirc;ncia ou na pr&oacute;pria imagem que as organiza&ccedil;&otilde;es constroem sobre si mesmas (como um ve&iacute;culo &ldquo;jovem&rdquo;, &ldquo;conservador&rdquo;, etc.). Um trecho do depoimento da entrevistada B9 ilustra bem esse tipo de percep&ccedil;&atilde;o&nbsp;:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&rdquo;O rep&oacute;rter do [jornal] <i>O</i> <i>Globo</i> escreve para a classe m&eacute;dia do Rio de Janeiro. A pessoa que escreve para o <i>Extra</i> escreve para a classe baixa do Rio de Janeiro. <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i> e <i>Estado de S&atilde;o Paulo</i>, cada um tem o seu p&uacute;blico. [Em] Bras&iacute;lia, o <i>Correio Brasiliense</i> escreve para o servi&ccedil;o p&uacute;blico federal e para o servi&ccedil;o p&uacute;blico do Distrito Federal. Entendeu? &Eacute; um publico X&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Parece que o jornalista escreve mais para os seus colegas ou para seguir os conselhos e orienta&ccedil;&otilde;es dos superiores hier&aacute;rquicos. Por isso, seguir ou antecipar as expectativas do p&uacute;blico n&atilde;o &eacute; prioridade. Em outro registro, um respondente franc&ecirc;s chega a aprovar a participa&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias na produ&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica, bem como o aprofundamento da rela&ccedil;&atilde;o entre o jornalista e o seu p&uacute;blico. Mas, ao final, ele prefere fazer refer&ecirc;ncia a outras pr&aacute;tica de outros jornalistas e n&atilde;o &agrave;s suas, invocando exemplos conhecidos no meio, sem aplic&aacute;-los a si pr&oacute;prio:</p>     <p>     <blockquote>&rdquo;&Eacute; tamb&eacute;m o fato de que o jornalista se apoia em seu p&uacute;blico leitor, nos internautas, para buscar a informa&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, existem sites que fazem mapas participativos sobre esse tipo de coisa, sobre uma rua bloqueada por conta da neve. Nesses casos, &eacute; a vida cotidiana das pessoas e s&atilde;o as pessoas que informam sobre o que passa nesse tipo de lugar [...]. Eu acho isso muito interessante [...]. Penso que, de qualquer forma, a gente &eacute; obrigado, se quer que o jornalismo sobreviva, a se associar ao leitor. At&eacute; porque o jornalismo conserva o seu papel que &eacute; o de verificar a informa&ccedil;&atilde;o, de transmiti-la, mas, para encontrar as informa&ccedil;&otilde;es, ele n&atilde;o pode fazer isso sozinho, isso &eacute; claro!&rdquo; (F8).</blockquote>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A vis&atilde;o quantitativa </b></p>     <p>A maioria dos sites franceses e brasileiros desenvolveram formas de conhecer o t&iacute;tulo dos artigos mais lidos, o que encorajaria uma vis&atilde;o quantitativa da produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica na internet (B2, B3, B7; F5, F7). Tamb&eacute;m disponibilizam ferramentas que relatam, em tempo real, os h&aacute;bitos dos internautas, seus locais de origem, o tempo de consulta, sua navega&ccedil;&atilde;o, ou mesmo o sexo, idade, profiss&atilde;o dos usu&aacute;rios, se s&atilde;o assinantes ou registrados no site, etc. Alguns jornalistas levam a s&eacute;rio esses n&uacute;meros (B7; F1, F5) e reconhecem que organizam o trabalho da reda&ccedil;&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o dos hor&aacute;rios em que as mat&eacute;rias s&atilde;o consultadas e os assuntos mais lidos como forma de satisfazer o p&uacute;blico potencial.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, v&aacute;rias representa&ccedil;&otilde;es contradit&oacute;rias sobre o p&uacute;blico est&atilde;o presentes nos discursos dos entrevistados. Um jornalista franc&ecirc;s que trabalhava em 2011 para uma r&aacute;dio nacional se lembra de suas experi&ecirc;ncias em sites <i>pure-players</i> e fez as seguintes considera&ccedil;&otilde;es sobre o uso de pesquisas de audi&ecirc;ncia: &ldquo;Em uma m&iacute;dia <i>pure-player</i>, n&oacute;s brigamos pelos n&uacute;meros porque sabemos que isso &eacute; importante, em uma m&iacute;dia j&aacute; estabelecida isso n&atilde;o &eacute; importante&rdquo; (F5). As entrevistas de outros respondentes em Paris mostram que esse argumento n&atilde;o &eacute; necessariamente correto, mas o jornalista emprega-o como parte de uma estrat&eacute;gia de distin&ccedil;&atilde;o entre diferentes modelos de sites.</p>     <p>Por outro lado, alguns jornalistas empregados em sites de m&iacute;dias tradicionais questionam o fato de os n&uacute;meros de acesso n&atilde;o serem divulgados na reda&ccedil;&atilde;o. &ldquo;N&oacute;s, jornalistas, pedimos constantemente para ter acesso &agrave;s estat&iacute;sticas e eles [os gestores] n&atilde;o querem divulg&aacute;-los por uma raz&atilde;o obscura&rdquo; (F9). De certa forma, isso permitiria que os respons&aacute;veis pelas reda&ccedil;&otilde;es pudessem orientar as pr&aacute;ticas dos jornalistas em fun&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios de satisfa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, a partir da avalia&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita dos produtos jornal&iacute;sticos, mas sem ter a necessidade de dar provas disso (uma pr&aacute;tica semelhante foi mencionada, por B1, no Brasil, ao fazer refer&ecirc;ncia &agrave;s exig&ecirc;ncias das chefias para que os rep&oacute;rteres agreguassem galerias de fotos a algumas reportagens, sob a alega&ccedil;&atilde;o de que o p&uacute;blico gosta desse tipo de produto).</p>     <p>Essa rela&ccedil;&atilde;o de controle por meio dos dados de audi&ecirc;ncia reaparece nas entrevistas com os brasileiros. Os tr&ecirc;s entrevistados que fizeram refer&ecirc;ncia a esse tipo de pr&aacute;tica (B2, B3, B7) afirmaram ter algums conhecimento sobre os dados de acesso ao site. Nos sites investigados, incluindo os <i>pure players</i> (B7, B8), os dados de acessos &agrave;s mat&eacute;rias publicadas ainda n&atilde;o foram integrados aos mecanismos formais de progress&atilde;o na carreira ou de avalia&ccedil;&atilde;o de um jornalista pela chefia mas, aos poucos, t&ecirc;m sido incorporados a decis&otilde;es tomadas dentro das reda&ccedil;&otilde;es. &Eacute; o caso de um trecho da entrevista com B3. Ela relata que certas pautas, como pol&iacute;tica local, nem sempre s&atilde;o cobertas pelo ve&iacute;culo porque, na vis&atilde;o da chefia, s&atilde;o consideradas &ldquo;mat&eacute;rias zero leitura&rdquo;.</p>     <p>Essa vis&atilde;o quantitativa &eacute;, finalmente, justificada em certos discursos na Fran&ccedil;a, pela necessidade de se adaptar &agrave;s normas de referenciamento do Google (F5). Nesse caso, o motor de buscas tem se tornado o mediador entre o jornalista e o seu p&uacute;blico, favorecendo, assim, o acesso de um pelo outro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A gest&atilde;o das intera&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos</b></p>     <p><b>As redes sociais</b></p>     <p>A oportunidade oferecida pelas redes sociais nem sempre &eacute; apresentada pelos entrevistados como uma modalidade de intera&ccedil;&atilde;o com os internautas (com excess&atilde;o dos discursos de F8 e B7). Nos dois pa&iacute;ses, ela &eacute;, na verdade, concebida como um espa&ccedil;o de socializa&ccedil;&atilde;o e de sociabilidade profissional entre os jornalistas. Ou ainda de amplia&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico potencial de determinadas not&iacute;cias. A utiliza&ccedil;&atilde;o do Twitter, para alguns jornalistas franceses entrevistados em 2011, &eacute;, antes de tudo, uma forma de <i>personal branding</i>:</p>     <p>     <blockquote>&rdquo;&Eacute; um pouco o princ&iacute;pio da marca. Se a gente compra aquela marca, &eacute; porque vimos a publicidade e ela nos diz alguma coisa. De alguma forma, n&oacute;s nos garantimos, simples assim. Por isso, o fato estar no Twiter, de falar com as pessoas, de criar la&ccedil;os, e de as pessoas verem voc&ecirc;s desfilar na <i>timeline</i>, de certa forma te d&aacute; alguma familiaridade com elas... Voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; aquela pessoa que sai do nada, ent&atilde;o &eacute; realmente o princ&iacute;pio da marca de publicidade, e o que eu digo n&atilde;o &eacute; muito glorioso&rdquo; (F7).</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Do lado brasileiro, B1 conta que utiliza o Twitter com frequ&ecirc;ncia para difundir junto aos leitores e aos colegas jornalistas mat&eacute;rias de sua autoria, publicadas no site. Nesse caso, a estrat&eacute;gia de constru&ccedil;&atilde;o de sua reputa&ccedil;&atilde;o no meio profissional via redes sociais &eacute; mensurada n&atilde;o pelo <i>networking</i> da jornalista, mas pelo n&uacute;mero de vezes que uma mat&eacute;ria &eacute; retuitada ou pelo fato de estar bem indexada nos motores de busca.&nbsp;</p>     <p>Para al&eacute;m dessas considera&ccedil;&otilde;es - que remetem &agrave; pr&oacute;pria estrutura&ccedil;&atilde;o das carreiras jornal&iacute;sticas nos dois pa&iacute;ses (Le Cam &amp; Pereira, 2015) - certos jovens jornalistas franceses desenvolvem um discurso bastante ideol&oacute;gico sobre o p&uacute;blicos e as redes sociais. Eles retomam, por conta pr&oacute;pria, o discurso euf&oacute;rico sobre a democratiza&ccedil;&atilde;o da circula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o gra&ccedil;as &agrave; web. Assim, as redes sociais dariam novamente &ldquo;humanidade &agrave; troca de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, elas constroem e d&atilde;o vida &agrave;s comunidades ao redor dos jornalistas, percep&ccedil;&atilde;o de F8. Esse tipo de discurso aparece de forma mais difusa nos depoimentos dos jornalistas brasileiros (sobretudo em B7), que se at&ecirc;m muito pouco &agrave; descri&ccedil;&atilde;o dos impactos das redes sociais no jornalismo.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Community management e editorias de m&iacute;dia social</b></p>     <p>Nas reda&ccedil;&otilde;es dos dois pa&iacute;ses, as intera&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico deram origem a adapta&ccedil;&otilde;es na estrutura organizacional. Assim, no figaro.fr ou no Europe1.fr, foi introduzido um servi&ccedil;o de <i>community management.</i> No caso brasileiro, o cargo de editor de m&iacute;dias sociais foi criado em v&aacute;rios ve&iacute;culos a partir em 2010, embora n&atilde;o tenha sido mencionado nas entrevistas que fizemos com os jornalistas. Ao justificar a cria&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, o quotidiano nacional <i>Folha de S. Paulo</i>, por exemplo, se apoiou em &ldquo;pesquisas&rdquo; que &ldquo;indicam que os usu&aacute;rios v&ecirc;m utilizando cada vez mais os sites de relacionamento tamb&eacute;m como fonte de not&iacute;cias para desenvolver uma estrat&eacute;gia nova na &aacute;rea&rdquo;. Al&eacute;m disso, o jornal teria se baseado nas &ldquo;iniciativas pioneiras em implanta&ccedil;&atilde;o na imprensa internacional, em especial nos EUA e no Reino Unido<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>&rdquo;.</p>     <p>No Brasil e na Fran&ccedil;a, os servi&ccedil;os de <i>community management </i>foram criados para gerir os coment&aacute;rios dos internautas e encorajar a participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico em todos os espa&ccedil;os destinados a esse tipo de intera&ccedil;&atilde;o, por meio de sondagens ou pela participa&ccedil;&atilde;o em um blog. A respons&aacute;vel por esse servi&ccedil;o no figaro.fr sempre participa da reuni&atilde;o da pauta dos jornalistas on-line. Ela extrai dali elementos da atualidade que servem em seguida para dar mais atratividade ao site e tamb&eacute;m como estrat&eacute;gia de incentivo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Coment&aacute;rios dos leitores</b></p>     <p>No Brasil, alguns jornalistas mencionaram os coment&aacute;rios e e-mails dos leitores como mecanismos importantes de intera&ccedil;&atilde;o com os p&uacute;blicos (B2, B3, B4, B7)&nbsp;: &ldquo;O bom do on-line &eacute; isso. Voc&ecirc; tem o coment&aacute;rio ali na hora&rdquo; (B2); &ldquo;Eu adoro ler os coment&aacute;rios&rdquo; (B3); &ldquo;&Eacute; uma esp&eacute;cie de term&ocirc;metro pra gente&rdquo; (B4); &ldquo;A gente recebe muito retorno de estudante [...]. &Eacute; o cara que tem mais afinidade com tecnologia, &eacute; aquele cara que vai se manifestar&rdquo; (B7). Esse tipo de interven&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia reaparece no discurso dos jornalistas como instrumentos que permitem conhecer melhor o leitor, retificar informa&ccedil;&otilde;es equivocadas e legitimar certas decis&otilde;es sob o argumento de que elas teriam correspondido &agrave;s expectativas do p&uacute;blico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>J&aacute; no caso dos respondentes franceses, somente uma jornalista afirmou tentar responder aos internautas.</p>     <p>     <blockquote>&rdquo;Existem coment&aacute;rios que a gente n&atilde;o presta aten&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o os coment&aacute;rios que comentam a mat&eacute;ria. Em seguida, tem aqueles que a gente presta aten&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o os cumprimentos ou as mensagens mais enraivecidas. Bom... os cumprimentos a gente os toma como tal. Fica contente. As mensagens mais enraivecidas, bom, no in&iacute;cio isso me balan&ccedil;ava um pouco porque at&eacute; certo ponto isso &eacute; uma forma de ser questionada. Dizemos para n&oacute;s mesmos que n&atilde;o dever&iacute;amos ter escrito isso ou aquilo... [...]. Agora que eu j&aacute; refleti um pouco sobre essa quest&atilde;o e que j&aacute; conversei com outros jornalistas, eu busco realmente responder aos leitores, explicar tudo a eles, porque, na minha opini&atilde;o, &eacute; preciso fazer isso e, sobretudo, n&atilde;o deixar que as cr&iacute;ticas caiam em uma esp&eacute;cie de limbo&rdquo; (F9).</blockquote>     <p></p>     <p>Entretanto, a maioria dos respondentes franceses demonstraram interesse pelos coment&aacute;rios. A participa&ccedil;&atilde;o do leitor n&atilde;o teria muito impacto no trabalho cotidiano, seja por causa da sua falta de pertin&ecirc;ncia e o car&aacute;ter muito emocional, quase irracional, da participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, seja por conta das consequ&ecirc;ncias pessoais que essas palavras ter&atilde;o sobre os pr&oacute;prios jornalistas. Os jornalistas franceses exprimem, em alguns casos, sentimentos opostos sobre o assunto, entre o prazer de serem comentados (o que significa serem lidos), e a apreens&atilde;o de serem criticados publicamente. De fato, como explica Calabrese (2014, on-line), o discurso do que ela chama de n&atilde;o-jornalistas busca, ao mesmo tempo, aceitar e questionar a assimetria em rela&ccedil;&atilde;o ao discurso jornal&iacute;stico. Ele exibiria, nesse caso, uma tripla compet&ecirc;ncia &ldquo;se pronunciar sobre atualidade (misturando enunciados modalizados e informativos), vigiar o discurso noticioso e reatualizar o contrato de leitura com o jornal<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>&rdquo;</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Discuss&otilde;es</b></p>     <p>A an&aacute;lise dos resultados pode ser sistematizada por meio do <a href="#q1">quadro 1</a> em que se comparam as representa&ccedil;&otilde;es dos p&uacute;blicos (R) e as modalidades de intera&ccedil;&atilde;o com esses atores (I) na forma como elas emergem nos discursos dos entrevistados brasileiros e franceses. Desse quadro, duas quest&otilde;es merecem ser exploradas. Primeiro, a forma como a participa&ccedil;&atilde;o dos p&uacute;blicos &eacute; incorporada &agrave; pr&aacute;tica do jornalismo on-line. Segundo, a grande semelhan&ccedil;a obervada no discursos dos jornalistas dos dois pa&iacute;ses.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n1/11n1a05q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Uma integra&ccedil;&atilde;o conservadora do p&uacute;blico &agrave;s reda&ccedil;&otilde;es on-line</b></p>     <p>Os resultados mostram que os p&uacute;blicos continuam sendo amplamente desconhecidos pelos jornalistas on-line. Mesmo assim s&atilde;o utilizados como suporte, como argumento, como elemento de justifica&ccedil;&atilde;o da maioria das decis&otilde;es tomadas pelos profissionais da m&iacute;dia. Os p&uacute;blicos continuam misteriosos, suas rea&ccedil;&otilde;es, coment&aacute;rios e produ&ccedil;&otilde;es, ainda aparecem distantes nos discursos dos jornalistas.</p>     <p>Estudos sobre a participa&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias no jornalismo on-line refor&ccedil;am essa duplicidade de posi&ccedil;&otilde;es. Apesar do discurso de valoriza&ccedil;&atilde;o ou mesmo de promo&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos, os jornalistas atribuem um papel limitado a esses atores (Pereira &amp; Freitas, 2012). Suas interven&ccedil;&otilde;es precisam se adequar &agrave;s pr&aacute;ticas convencionais das reda&ccedil;&otilde;es sem promover necessariamente mudan&ccedil;as na cobertura (Castro, 2011). Observamos inicialmente um discurso de reafirma&ccedil;&atilde;o da identidade jornal&iacute;stica por meio de uma demarca&ccedil;&atilde;o clara dos papeis de jornalistas e p&uacute;blicos na produ&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. Isso explica o sentimento de frustra&ccedil;&atilde;o inicial sobre as possibilidades abertas pelo jornalismo on-line, particurlamente no que diz respeito &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos leitores (Calabrese, Domingo &amp; Pereira, 2015).</p>     <p>Contudo, mesmo minimizando o impacto das novas modalidades dessa participa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o podemos negar que os p&uacute;blicos agora fazem parte da paisagem cognitiva dos produtores de not&iacute;cias (Christin, 2015). Tra&ccedil;os da presen&ccedil;a do p&uacute;blico na pr&aacute;tica jornal&iacute;stica aparecem no discurso dos entrevistados, ao mencionarem que certas mat&eacute;rias &ldquo;d&atilde;o cliques&rdquo;, que o &ldquo;leitor gosta&rdquo; (de v&iacute;deos, galerias de fotos, mat&eacute;rias longas ou curtas) ou que &eacute; necess&aacute;rio cobrir certos temas em fun&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias... Os jornalistas est&atilde;o cientes dos coment&aacute;rios e das interven&ccedil;&otilde;es dos p&uacute;blicos nas redes sociais (mesmo que eles n&atilde;o sintam a necessidade de responder, de interagir). Eles trabalham em empresas de m&iacute;dia que, em busca de leitores, introduzem plataformas de participa&ccedil;&atilde;o dos p&uacute;blicos: editorias de m&iacute;dia social, servi&ccedil;os <i>de community management</i>, espa&ccedil;os de coment&aacute;rio e de coprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do.</p>     <p>A an&aacute;lise mostra que existem recorr&ecirc;ncias bastante interessantes nas falas dos jornalistas on-line por conta da forte utiliza&ccedil;&atilde;o de argumentos gerenciais &ndash; declara&ccedil;&otilde;es que parecem tamb&eacute;m emergir de um discurso mais internacional sobre a participa&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias no jornalismo. Nossa hip&oacute;tese seria que essas constata&ccedil;&otilde;es revelariam o cruzamento de dois metadiscursos. Por um lado, os discursos recorrentes desde os anos 1980, sobre a import&acirc;ncia de seduzir e convencer os p&uacute;blicos, de escut&aacute;-los, por exemplo, por meio do <i>jornalismo p&uacute;blico</i> (Beauchamp &amp; Watine, 2003), de deix&aacute;-los falar e produzir a partir de uma pr&aacute;tica de <i>jornalismo cidad&atilde;o</i>. Esse discurso &eacute;, portanto, anterior &agrave; internet, e remete a elementos relativamente est&aacute;veis da identidade profissional dos jornalistas.<i>&nbsp;</i>Por outro lado, observamos a circula&ccedil;&atilde;o de um outro conjunto de discursos emitidos pelas organiza&ccedil;&otilde;es internacionais. &Eacute; o caso da World Association of Newspapers and News Publishers (WAN-IFRA), que prop&otilde;e h&aacute; d&eacute;cadas um discurso constru&iacute;do e pronto e que &eacute; destilado em suas diversas forma&ccedil;&otilde;es internacionais destinadas a dirigentes de empresas de m&iacute;dia<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> (Touboul, 2010). Essas duas filia&ccedil;&otilde;es discursivas parecem ter uma forte influ&ecirc;ncia sobre os argumentos de justifica&ccedil;&atilde;o que os jornalistas utilizam para explicar suas rela&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos ou as rela&ccedil;&otilde;es que eles deveriam construir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tra&ccedil;os identit&aacute;rios comuns</b></p>     <p>Do ponto de vista da compara&ccedil;&atilde;o, os dados revelam um conjunto consider&aacute;vel de tra&ccedil;os identit&aacute;rios comuns, pelo menos no que se refere &agrave;s modalidades de justifica&ccedil;&atilde;o dos pr&aacute;ticas pelos jornalistas brasileiros e franceses, bem como as maneiras de gerir a rela&ccedil;&atilde;o com seus p&uacute;blicos. Os resultados surpreendem pela semelhan&ccedil;a, pois observamos apenas uma varia&ccedil;&atilde;o no que diz respeito &agrave;s rea&ccedil;&otilde;es aos coment&aacute;rios dos leitores. Essa constata&ccedil;&atilde;o, que emerge a partir de confronta&ccedil;&atilde;o de dois casos distintos, parece refor&ccedil;ar uma hip&oacute;tese mais abrangente que explora a eventual constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade transnacional desses jornalistas.</p>     <p>Quatro elementos merecem ser levados em conta ao confrontarmos esses resultados aos contextos locais de gera&ccedil;&atilde;o dos dados:</p>     <p>O primeiro remete a uma similaridade nos perfis dos jornalistas on-line estudados e que integram as reda&ccedil;&otilde;es nos dois pa&iacute;ses. A maioria dos profissionais pesquisados s&atilde;o jovens, com boa escolaridade, formados majoritariamente em jornalismo e que apresentam interesses distintos no que se refere &agrave;s novas tecnologias. Mesmo a an&aacute;lise das carreiras profissionais desses jornalistas revela tra&ccedil;os comuns (Le Cam e Pereira, 2015). Esse elemento poderia ser revelador das dificuldades no ingresso dos jovens jornalistas no mercado de trabalho, mas tamb&eacute;m de certas concep&ccedil;&otilde;es gerenciais que prevalecem nos departamentos de recursos humanos das empresas jornal&iacute;sticas dos dois pa&iacute;ses por ocasi&atilde;o da contrata&ccedil;&atilde;o nas reda&ccedil;&otilde;es on-line.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, mesmo que tenhamos escolhido perfis correspondentes, n&atilde;o havia nenhuma garantia de que os discursos dos entrevistados seriam similares, sobretudo se consideramos as especificidades do processo de profissionaliza&ccedil;&atilde;o e a composi&ccedil;&atilde;o do grupo profissional nos dois pa&iacute;ses (Le Cam &amp; Ruellan, 2004). De fato, na Fran&ccedil;a o ingresso no mercado de trabalho &eacute; aberto, embora a exig&ecirc;ncia de uma forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em um das escolas reconhecidas facilite a contrata&ccedil;&atilde;o. J&aacute; no Brasil, durante 30 anos (at&eacute; 2009), o diploma superior em jornalismo era um requisito obrigat&oacute;rio para o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o, o que levou &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma no&ccedil;&atilde;o de identidade profissional fortemente associada &agrave; forma&ccedil;&atilde;o e &agrave; posse do registro de jornalista (Albuquerque, 2006). Por conta disso, era esperado, por exemplo, que jornalistas brasileiros se posicionassem de forma mais enf&aacute;tica contra a participa&ccedil;&atilde;o &ldquo;amadora&rdquo; na produ&ccedil;&atilde;o on-line, o que n&atilde;o aconteceu.</p>     <p>O segundo ponto remete aos elementos convergentes em contextos econ&ocirc;micos e emerg&ecirc;ncia de t&eacute;cnicas de produ&ccedil;&atilde;o relativamente id&ecirc;nticos. As empresas midi&aacute;ticas, confrontadas &agrave;s mesmas injun&ccedil;&otilde;es de inova&ccedil;&atilde;o, devem buscar se posicionar em um forte ambiente concorrencial, o que as impulsiona a inventar novas formas de se apresentar ao p&uacute;blico, de incentivar o consumo de seus conte&uacute;dos. Ao mesmo tempo, os jornalistas vivem em contextos de relativa semelhan&ccedil;a no que diz respeito &agrave; precariedade, &agrave; demanda generalizada por flexibilidade na produ&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, bem como nas modalidades de aprendizado e aplia&ccedil;&atilde;o de certas ferramentas t&eacute;cnicas (por exemplo, os sistemas de gerenciamento de conte&uacute;do, as redes sociais, os blogs). Eles se encontram confrontados a um aumento da demanda por um &ldquo;jornalismo sentado&rdquo;, voltado ao tratamento da informa&ccedil;&atilde;o que chega por meio de despachos de ag&ecirc;ncias de not&iacute;cias (Pereira, 2004). Esses elementos se encontram claramente presentes nos dois campos de pesquisa.</p>     <p>O terceiro elemento est&aacute; ligado ao lugar ocupado pelos sites nos sistemas midi&aacute;ticos nacionais. Diferente da m&iacute;dia imprensa e audiovisual &ndash; que tanto no Brasil como na Fran&ccedil;a est&atilde;o submetidas a uma s&eacute;rie de restri&ccedil;&otilde;es do ponto de vista da participa&ccedil;&atilde;o do capital estrangeiro<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> &ndash; as reda&ccedil;&otilde;es on-line s&atilde;o mais suscet&iacute;veis ao processo de globaliza&ccedil;&atilde;o do mercado da comunica&ccedil;&atilde;o. Assim, no caso brasileiro portais <i>pure players</i> como o Terra (propriedade da Telef&oacute;nica da Espanha) e o iG (a portuguesa Ongoing) j&aacute; fazem parte de conglomerados multinacionais. Outros, como o UOL, de propriedade do grupo Folha, investiram na aquisi&ccedil;&atilde;o de empresas estrangeiras de tecnologia. O mesmo acontece na Fran&ccedil;a. Neste caso, diferente das m&iacute;dias tradicionais em que o relativo isolamento permitiu a constru&ccedil;&atilde;o de modelos nacionais de jornalismo (Cf. Albuquerque, 2011), os sites de internet parecem definir suas pr&aacute;ticas (ou pelos menos as representa&ccedil;&otilde;es em torno delas) a partir de uma l&oacute;gica transnacional.</p>     <p>Uma quarta explica&ccedil;&atilde;o para os nossos resultados faz refer&ecirc;ncia &agrave; possibilidade de uma circula&ccedil;&atilde;o internacional dos discursos sobre o jornalismo on-line. Essa hip&oacute;tese se ampara em nossas observa&ccedil;&otilde;es preliminares em torno da exist&ecirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es e atores respons&aacute;veis pela difus&atilde;o de textos sobre as inova&ccedil;&otilde;es no jornalismo e as possibilidades abertas pelas tecnologias digitais. &Eacute; o caso de organiza&ccedil;&otilde;es como a <i>Columbia Journalism Review</i>, as publica&ccedil;&otilde;es da Wan-IFRA, blogs de figuras como Jay Rosen, Jeff Jarvis, etc. Tais discursos podem ainda ser apreendidos pela introdu&ccedil;&atilde;o de modos comuns de gest&atilde;o das reda&ccedil;&otilde;es on-line por meio da contrata&ccedil;&atilde;o de consultorias internacionais<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. E pelos pr&oacute;prios jornalistas, que geralmente acompanham as m&iacute;dias de refer&ecirc;ncia de outros pa&iacute;ses (<i>Washington Post, The Guardian, New York Times, El Pa&iacute;s, Owni, Le Monde, Folha de S&atilde;o Paulo</i>) e tendem a introduzir ou adaptar formatos externos &agrave;s suas pr&aacute;ticas. Isso aparece, na fala de alguns entrevistados, que contam terem se inspirado em outros ve&iacute;culos na hora experimentar novas formas de produzir para a web.</p>     <p>De modo geral, esses quatro elementos nos permitem testar uma explica&ccedil;&atilde;o mais geral &ndash; de que haveria um processo de constitui&ccedil;&atilde;o de um identidade transnacional dos jornalistas on-line &ndash; pela compara&ccedil;&atilde;o de dois casos protot&iacute;picos, escolhidos de forma assistem&aacute;tica (Hirschl, 2005). Essa constata&ccedil;&atilde;o ultrapassa a dimens&atilde;o da gest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre jornalistas e p&uacute;blicos e se constitui numa esp&eacute;cie de hip&oacute;tese norteadora para outros estudos transnacionais e com foco nas dimens&otilde;es individuais e organizacionais do jornalismo on-line.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Neste artigo, analisamos a forma como os webjornalistas brasileiros e franceses representam suas identidades a partir das rela&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos. O estudo, baseado em vinte entrevistas semiestruturadas trabalhou duas dimens&otilde;es: 1. A an&aacute;lise geral dos resultados, ou seja, na forma como os entrevistados enunciaram modalidades de regula&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com os leitores; 2. A dimens&atilde;o comparativa, na proposi&ccedil;&atilde;o de um conjunto de elementos capazes de explicar os resultados encontrados.</p>     <p>A despeito da prolifera&ccedil;&atilde;o discursos de promo&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias, os jornalistas on-line demonstraram um desconhecimento do p&uacute;blico e certa retic&ecirc;ncia em incorporar essas interven&ccedil;&otilde;es em suas pr&aacute;ticas. Isso n&atilde;o significa que os p&uacute;blicos n&atilde;o participem ou que n&atilde;o tenham impacto na produ&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. Mas as inova&ccedil;&otilde;es parecem ser mais conservadores do que previam os discursos normativos que apregoavam uma &ldquo;era das audi&ecirc;ncias&rdquo;. Essas constata&ccedil;&otilde;es se juntam a outros estudos sobre o tema e que relativizar a capacidade de integra&ccedil;&atilde;o dos leitores nas reda&ccedil;&otilde;es on-line.</p>     <p>Os resultados mais interessantes aparecem na abordagem comparativa. Neles percebemos uma n&uacute;mero consider&aacute;vel de similitudes na forma como os jornalistas dos dois pa&iacute;ses representam suas rela&ccedil;&otilde;es com os p&uacute;blicos. Essa constata&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a a nossa hip&oacute;tese de uma identidade transnacional dos jornalista on-line, baseada principalmente na circula&ccedil;&atilde;o de discursos estruturantes em rela&ccedil;&atilde;o a essas pr&aacute;ticas. A emerg&ecirc;ncia de v&aacute;rias semelhan&ccedil;as no que diz respeito &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, as pr&aacute;ticas profissionais, as ferramentas utilizadas, os discursos gerenciais, e as concep&ccedil;&otilde;es de p&uacute;blico formuladas pelos jornalistas parecem sustentar essa hip&oacute;tese.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, outros elementos merecem ser aprofundados em pesquisas posteriores sobre o tema:</p>     <p>- Antes de tudo, &eacute; poss&iacute;vel que os elementos de semelhan&ccedil;a e diverg&ecirc;ncia observados decorram da grelha de an&aacute;lise comum utilizada na pesquisa, aplicada pelo pesquisador local em seu contexto nacional de origem. Esse tipo de procedimento pode ter dado origem a uma naturaliza&ccedil;&atilde;o dos dados a serem posteriormente comparados. Por conta disso, a pr&oacute;xima etapa prev&ecirc; entrevistas feitas em conjunto pelos dois pesquisadores, buscando, confrontar e quetionar essass natualiza&ccedil;&otilde;es durante o processo de an&aacute;lise e compara&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>- A investiga&ccedil;&atilde;o deve tamb&eacute;m ser complementada com uma an&aacute;lise dos metadiscursos sobre o jornalismo on-line difundidos na Fran&ccedil;a e no Brasil. A&nbsp; nossa proposta &eacute; confrontar os discursos individuais dos entrevistados com os discursos coletivos, que circulam nos territ&oacute;rios nacionais analisados. Isso permitir&aacute;, em um segundo momento, avan&ccedil;ar na compreens&atilde;o dos processos de circula&ccedil;&atilde;o internacional, ou pelo menos binacional, dos discursos sobre o jornalismo on-line. Essa an&aacute;lise dos metadiscursos nos permitiria fazer emergir as diferen&ccedil;as e similitudes, as apropria&ccedil;&otilde;es ou os pontos de fratura entre as evolu&ccedil;&otilde;es discursivas e a estrutura&ccedil;&atilde;o dos discursos sobre o jornalismo on-line nos dois pa&iacute;ses.</p>     <p>- A an&aacute;lise da compara&ccedil;&atilde;o de nossos campos de pesquisa permitiria ainda aprofundar a ideia de uma identidade transnacional dos jornalistas on-line. A pesquisa deve, portanto, continuar a buscar semelhan&ccedil;as e diverg&ecirc;ncias. No entanto, n&atilde;o se pode fazer presun&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter internacional. Isso significa que as semelhan&ccedil;as ou diverg&ecirc;ncias encontradas talvez n&atilde;o estejam ligadas entre si, podem, ao contr&aacute;rio, ser resultado de processos nacionais, dos contextos locais. Nesse caso, ao mesmo tempo em que estabelecemos a hip&oacute;tese sobre a emerg&ecirc;ncia de identidades transnacionais dos jornalistas on-line (ligadas aos contextos econ&ocirc;micos, t&eacute;cnicos, gerenciais e profissionais comuns), devemos tamb&eacute;m trabalhar com o seguinte: as identidades ou os modos de fazer jornalismo poderiam emergir ou se estruturar localmente em momentos hist&oacute;ricos id&ecirc;nticos, sem uma rela&ccedil;&atilde;o direta com a circula&ccedil;&atilde;o de atores e de discursos? Em suma, as semelhan&ccedil;as encontradas s&atilde;o realmente a express&atilde;o de uma transnacionalidade ou a encarna&ccedil;&atilde;o de complexos movimentos nacionais que n&atilde;o possuem la&ccedil;os expl&iacute;citos entre si?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>Adghirni, Z, L. (2002). Informa&ccedil;&atilde;o on-line: jornalista ou produtor de conte&uacute;do? <i>Contracampo, v. 6</i>, 137-152. Doi: <a href="http://dx.doi.org/10.20505/contracampo.v0i06.470" target="_blank">http://dx.doi.org/10.20505/contracampo.v0i06.470</a></p>     <!-- ref --><p>Albuquerque, A. (2006). A obrigatoriedade do diploma e a identidade do jornalista no Brasil:&nbsp; um olhar pelas margens. <i>Contracampo</i>, 14, 71-91. Retrieved from <a href="http://www.contracampo.uff.br/index.php/revista/article/view/564/331" target="_blank">http://www.contracampo.uff.br/index.php/revista/article/view/564/331</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934720&pid=S1646-5954201700010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Albuquerque, A. (2011). On models and margins: comparative media models viewed from a Brazilian perspective. In D. Hallin &amp; P. Mancini (Eds.), <i>Comparing Media Systems Beyond the Western World</i> &nbsp;(pp. 72-95). Cambridge: Cambridge University Press&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934721&pid=S1646-5954201700010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Aubert, A. (2009). Le paradoxe du journalisme participatif. <i>Terrains &amp; travaux, 15(1)</i>, 171-190. Retrieved from <a href="https://www.cairn.info/revue-terrains-et-travaux-2009-1-page-171.htm" target="_blank">https://www.cairn.info/revue-terrains-et-travaux-2009-1-page-171.htm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934722&pid=S1646-5954201700010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Baesse, J. M. S. (2004, novembro). O leitor manifesto: perfil das cartas aos jornais<i>. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no 2&deg; Encontro Nacional da Pesquisadores em jornalismo</i> &ndash; SBPJor. Salvador: SBPJor.</p>     <p>Basile, J. (2007). <i>Adapta&ccedil;&otilde;es do Jornalismo em tempo de novas tecnologias.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita de mestrado, Programa de Comunica&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia. Bras&iacute;lia: UnB.</p>     <!-- ref --><p>Beauchamp, M., Watine, T. (2003). Le mod&egrave;le du &laquo; journalisme public &raquo;. <i>Herm&egrave;s, </i>35<i>,</i> pp. 231-239. Retrieved from <a href="https://www.cairn.info/revue-hermes-la-revue-2003-1-page-231.htm" target="_blank">https://www.cairn.info/revue-hermes-la-revue-2003-1-page-231.htm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934725&pid=S1646-5954201700010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Boczkowski, P., Mitchelstein, E., Walter, M. (2010). Convergence across divergence: Understanding the gap in the online news choices of journalists and consumers in western Europe and Latin America. <i>Communication Research, 38</i>, 376-396.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934726&pid=S1646-5954201700010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Calabrese, L. (2014). Rectifier le discours d&rsquo;information m&eacute;diatique. Quelle l&eacute;gitimit&eacute; pour le discours profane dans la presse d&rsquo;information en ligne ?. <i>Les Carnets du Cediscor</i>, <i>12, </i>21-34. Retrieved from <a href="http://cediscor.revues.org/916" target="_blank">http://cediscor.revues.org/916</a>&nbsp;&nbsp;</p>     <p>Calabrese, L., Domingo, D., Pereira, F. H. (2015). Overcoming the Normative Frustrations of Audience Participation Research. Introduction. <i>Sur le Journalism &ndash; About Journalism &ndash; Sobre Jornalismo</i>, <i>4(2)</i>, 4-11. Retrieved from&nbsp;<a href="http://surlejournalisme.com/rev/index.php/slj/article/view/212/93" target="_blank">http://surlejournalisme.com/rev/index.php/slj/article/view/212/93</a>&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Canu, R., Datchary, C. (2010). Journalistes et lecteurs-contributeurs sur Mediapart. Des r&ocirc;les n&eacute;goci&eacute;s. <i>R&eacute;seaux</i><b>, </b><i>160(2-3)</i>, 195-223.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934730&pid=S1646-5954201700010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Castro, P. C. (2011). Jornalismo participativo e midiatiza&ccedil;&atilde;o da recep&ccedil;&atilde;o: a domestica&ccedil;&atilde;o dos leitores na se&ccedil;&atilde;o "Eu-rep&oacute;rter" do Globo Online. <i>Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no 9&deg; Encontro Nacional da Pesquisadores em jornalismo</i> &ndash; SBPJor. Rio de Janeiro: SBPJor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Charon, J.-M., L.E Floch, P. (2011). <i>La presse en ligne</i>. Paris: Ed. La D&eacute;couverte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934733&pid=S1646-5954201700010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Christin, A, (2015). Sex, Scandals, and Celebrities&rdquo;? Exploring the Determinants of Popularity in Online News. <i>Sur le Journalism &ndash; About Journalism &ndash; Sobre Jornalismo</i>, <i>4(2)</i>, 28-47. Retrieved from <a href="http://surlejournalisme.com/rev/index.php/slj/article/view/215/96" target="_blank">http://surlejournalisme.com/rev/index.php/slj/article/view/215/96</a></p>     <!-- ref --><p>Dagiral, E., Parasie, S. (2010). Presse en ligne : o&ugrave; en est la recherche ? <i>R&eacute;seaux, 160-161</i>, 13-42. Retrieved from <a href="https://www.cairn.info/load_pdf.php?ID_ARTICLE=RES_160_0013" target="_blank">https://www.cairn.info/load_pdf.php?ID_ARTICLE=RES_160_0013</a>&nbsp;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934736&pid=S1646-5954201700010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Domingo, D., Quandt, T., Heinonen, A., Paulussen, S., Singer, J., Vujpovic, M. (2008). Participatory journalism practices in the media and beyond: an international comparative study of online newspapers. <i>Journalism Practice,</i> <i>2 (3)</i>, 680-704.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934738&pid=S1646-5954201700010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dubar, C. (2001). <i>La crise des identit&eacute;s: l'interpr&eacute;tation d'une mutation</i><i>.</i> Paris: Presses universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934740&pid=S1646-5954201700010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Figaro, R. (2013). Perfis e discursos de jornalistas no mundo do trabalho. In R. Figaro (Ed.), <i>As mudan&ccedil;as no mundo do trabalho do jornalista &nbsp;</i>(pp. 07-143). S&atilde;o Paulo: Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934742&pid=S1646-5954201700010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>Gadini, S. L. (2007) Em busca de uma teoria construcionista do jornalismo contempor&acirc;neo: a not&iacute;cia entre uma forma singular de conhecimento e um mecanismo de constru&ccedil;&atilde;o social da realidade. <i>Famecos, 33</i>, 79-88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934744&pid=S1646-5954201700010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gestin, P., Gimbert, C., Le Cam, F., Prodhomme-Allegre, M., Rochard, Y., Romeyer, H., Ruellan, D. (2009). La production multisupports dans les groupes m&eacute;diatiques fran&ccedil;ais: premi&egrave;res remarques. <i>Les Cahiers du journalisme, 20</i>, 84-95. Retrieved from <a href="http://cahiersdujournalisme.net/cdj/pdf/20/04_GESTIN.pdf" target="_blank">http://cahiersdujournalisme.net/cdj/pdf/20/04_GESTIN.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934746&pid=S1646-5954201700010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hallin, D. C., Mancini, P. (2004). <i>Comparing media systems: Three models of media and politics</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934747&pid=S1646-5954201700010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hallin, D. C., Mancini, P. (Eds.). (2011). <i>Comparing Media Systems Beyond the Western World</i>. Cambridge: Cambridge University Press&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934749&pid=S1646-5954201700010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hanitzsch, T. (2008). Comparing journalism across cultural boundaries: State of the art, strategies, problems, and solutions. In M. L&ouml;ffelholz, D. Weaver, <i>Global journalism research: Theories, methods, findings, future</i> (pp. 93-105). Oxford: Blackwell Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934750&pid=S1646-5954201700010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hanitzsch, T., Hanusch, F., Mellado, C., Anikina, M., Berganza, R., Cangoz, I., Virginia Moreira, S. (2011). Mapping journalism cultures across nations: A comparative study of 18 countries. <i>Journalism Studies, 12(3)</i>, 273-293&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934752&pid=S1646-5954201700010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Hirschl, R. (2005). The Question of Case Selection in Comparative Constitutional Law. <i>The American Journal of Comparative Law</i>, 53(1) (Winter),125-155</p>     <p>Jorge, T. M. (2007). <i>A not&iacute;cia em muta&ccedil;&atilde;o. Estudo sobre o relato noticioso no jornalismo digital</i>, Tese in&eacute;dita de doutorado, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia. Bras&iacute;lia: UnB.</p>     <!-- ref --><p>Jorge, T. M., Pereira, F. H. (2009). Jornalismo on-line no Brasil: reflex&otilde;es sobre perfil do profissional multim&iacute;dia. <i>Famecos, 40</i>, 57-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934755&pid=S1646-5954201700010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Josephi, B. (2008). Journalism education. In K. Wahl-Jorgensen, T, Hanitzsch (Eds.), <i>The Handbook of Journalism Studies</i> (pp. 42-58). New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934757&pid=S1646-5954201700010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Le Cam, F. (2009). <i>Le journalisme imagin&eacute;. Histoire d&rsquo;un projet professionnel au Qu&eacute;bec</i>. Montr&eacute;al: L&eacute;meac.</p>     <!-- ref --><p>Le Cam, F. (2012).&nbsp;Une identit&eacute; transnationale des journalistes en ligne&nbsp;?. In A, Degand, B Grevisse (Eds.), <i>Journalisme en ligne. Pratiques et recherches</i> &nbsp;(pp. 61-86). Bruxelles: Ed. De Boeck.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934760&pid=S1646-5954201700010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Le Cam, F. (2013). Le &lsquo;journal&rsquo; dans le discours des journalistes du Qu&eacute;bec (1880-2005). A. Levrier, A. Wrona., <i>Mati&egrave;re et esprit du journal. Du Mercure Galant &agrave; Twitter</i> (pp. 223-251). Paris: Presses universitaires Paris-Sorbonne.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Le Cam, F., Pereira, F. H. (2015). Understanding French and Brazilian journalists&rsquo; paths. A comparative study of biographic narratives from online journalists. <i>Transnational 'Worlds of Power' Proliferation of Journalism &amp; Professional Standards</i>, 1(1), 151-169.</p>     <p>Le Cam, F., Ruellan, D. (2004). Professionnalisme, professionnalisation et profession de journaliste au Br&eacute;sil, en France et au Qu&eacute;bec: un essai de comparaison. In J-B Legavre (Ed.), <i>La presse &eacute;crite: objets d&eacute;laiss&eacute;s</i> (pp. 53-69). Paris: L&rsquo;Harmattan.</p>     <!-- ref --><p>Livingstone, S. (2003). On the challenges of cross-national comparative media research. <i>European Journal of Communication</i><i>, 18 (4)</i>, 477-500.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934765&pid=S1646-5954201700010000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Maia, K. B. F., Agnez, L. F.(2015). A converg&ecirc;ncia digital na produ&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia: dois modelos de integra&ccedil;&atilde;o entre meio impresso e digital. In D. O. Moura, F. H. Pereira, Z. L. Adghirni (Eds.), <i>Mudan&ccedil;as e perman&ecirc;ncias do jornalismo</i> &nbsp;(pp. 217-233). Florian&oacute;polis: Insular.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934767&pid=S1646-5954201700010000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>McLeod J., Hawley, S. E. (1964). Professionalization Among Newsmen. <i>Journalism Quarterly, 41(3)</i>, 529-538&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934769&pid=S1646-5954201700010000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>M&eacute;adel, C. (2004). Public, cher inconnu!. <i>Le Temps des m&eacute;dias</i>, <i>3</i>, 1836-1918. Retrieved from <a href="https://www.cairn.info/revue-le-temps-des-medias-2004-2.htm" target="_blank">https://www.cairn.info/revue-le-temps-des-medias-2004-2.htm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934770&pid=S1646-5954201700010000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mick, J., Lima, S. (2013). <i>Perfil do Jornalista Brasileiro</i>. Florian&oacute;polis: Insular.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934771&pid=S1646-5954201700010000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Mic&oacute;, J., Masip, P., Barbosa, S. (2008). Models of business convergence in the information industry. A mapping of cases in Brazil and Spain. <i>Brazilian Journalism Research</i>, <i>5</i>, 123-140. Retrieved from <a href="https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/184/183" target="_blank">https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/184/183</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934773&pid=S1646-5954201700010000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>M&uuml;ller, C. A. (2011). A crise estrutural dos jornais: Uma explora&ccedil;&atilde;o comparada sobre a situa&ccedil;&atilde;o nos EUA e no Brasil. <i>Revista de Estudos e Pesquisas Sobre as Am&eacute;ricas,</i> <i>v. 5</i>, 80-109. Retrieved from <a href="https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/184/183" target="_blank">https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/184/183</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934774&pid=S1646-5954201700010000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&Ouml;rnebring, H. (2012). Comparative Journalism Research &ndash; An Overview. <i>Sociology Compass, 6/10,</i> 769&ndash;780. Doi: 10.1111/j.1751-9020.2012.00493.x</p>     <p>Pereira, F. H. (2004). O &ldquo;Jornalista Sentado&rdquo; e a produ&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia on-line no Correioweb. <i>Em Quest&atilde;o</i>, <i>10,</i> 95-108.</p>     <p>Pereira, F. H., Freitas, A. F. (2012). Les innovations technologiques et la reconfiguration des rapports entre journalistes et public dans le journal t&eacute;l&eacute;vis&eacute; local : une &eacute;tude de l &eacute;mission br&eacute;silienne DF-TV. <i>Sciences de la Soci&eacute;t&eacute;, v. 84-85</i>, 213-230.</p>     <p>Possebon, P. (2002). <i>Globo e Abril diante de um novo paradigma comunicacional: A Internet</i>, Disserta&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita de mestrado, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o Universidade de Bras&iacute;lia, Bras&iacute;lia. Bras&iacute;lia: UnB.</p>     <p>Reese, R. (2008). Theorizing a globalized journalism. In: M. Loeffelholz, D. Weaver, D. (Eds.). In M. L&ouml;ffelholz, D. Weaver, <i>Global journalism research: Theories, methods, findings, future</i> (173-187). Oxford: Blackwell Publishing.</p>     <!-- ref --><p>Robinson, S. (2010). Traditionalists vs. Convergers: Textual Privilege, Boundary Work, and the Journalist-Audience Relationship in the Commenting Policies of Online News Sites. <i>Convergence</i>, 16(1), 125-143.doi:10.1177/1354856509347719&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934780&pid=S1646-5954201700010000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ruellan, D. (1998). En ligne : un journaliste comme les autres?. <i>Les Cahiers du Journalisme,</i> 5, 82-84. Retrieved from <a href="http://www.cahiersdujournalisme.net/cdj/pdf/05/06_Ruellan.pdf" target="_blank">http://www.cahiersdujournalisme.net/cdj/pdf/05/06_Ruellan.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934781&pid=S1646-5954201700010000500041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ruellan, D. (2006). Corte e costura do jornalismo. <i>L&iacute;bero</i>, <i>18</i>, 31-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934782&pid=S1646-5954201700010000500042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ruellan, D. (2011). <i>Nous journalistes. D&eacute;ontologie et identit&eacute;</i>. Grenoble, PUG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934784&pid=S1646-5954201700010000500043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Skovsgaard, M., Alb&aelig;k, E., Bro, P., de Vreese, C. (2012). A reality check: How journalists&rsquo; role perceptions impact their implementation of the objectivity norm.<i> Journalism - Theory Practice and Criticism, 14(1)</i>, 22-42. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1177/1464884912442286" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1177/1464884912442286</a></p>     <!-- ref --><p>Sousa, J. &amp; Castro, D. (2013): The paths of reception: an analysis of the Brazilian scientific production. <i>Braziian Journalism Research, 9(2)</i>, 238-253.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=934787&pid=S1646-5954201700010000500045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Touboul, A. (2010). Journalistes et publics, l&rsquo;annonce d&rsquo;un mariage de raison. <i>Communication &amp; langages</i>,<i> 165</i>, 19-30.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Esta pesquisa foi cofinanciada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq/Brasil) e pelo Centre de Recherche em Information et Communication (ReSIC) da Univesit&eacute; Libre de Bruxelles (ULB/B&eacute;lgica). Gostar&iacute;amos tambpem de agradecer aos pareceristas da revista OBS* pelas sugest&otilde;es, que nos permitiram avan&ccedil;ar no desenho metodol&oacute;gico deste projeto de compara&ccedil;&atilde;o transnacional em jornalismo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS&nbsp;</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Existe uma produ&ccedil;&atilde;o expressiva de trabalhos sobre o tema mais abrangente da participa&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias no jornalismo (Cf. Sousa; Castro 2013). Uma revis&atilde;o das principais perspectivas sobre o assunto foi proposta por</p>     <p>Calabrese, Domingo e Pereira (2015) no texto de abertura do n&uacute;mero especial &lsquo;O jornalismo Online e seus P&uacute;blicos&rsquo; (Vol., n. 2) da revista <i>Sur le Journalisme</i> &ndash; About Journalism &ndash; Sobre Jornalismo: <a href="http://surlejournalisme.com/rev/index.php/slj/issue/view/9" target="_blank">http://surlejournalisme.com/rev/index.php/slj/issue/view/9</a></p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Ver a confer&ecirc;ncia de Florence Le Cam&nbsp; &ldquo;Penser l&rsquo;&eacute;tiquette &lsquo;journalisme citoyen&rsquo;. Premi&egrave;res analyses de l&rsquo;histoire de la nomination d&rsquo;une pratique sociale sur le web&rdquo;, apresentado no Col&oacute;quio do Resaux d&rsquo;&eacute;tudes sur le Journalisme em janeiro de 2009.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> No original: &ldquo;Traditonalists&rdquo;, &ldquo;those who want to maintain a hierarchal relationship between journalists and audiences&rdquo;, e os &ldquo;Convergers&rdquo;, &ldquo;those who felt users should be given more freedoms within the news site&rdquo;. As tradu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o de responsabilidade dos autores.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> No original: &ldquo;attempt to identify the major variations that have developed in Western democracies in the structure and political role of the news media, and to explore some ideas about how to account for these variations and think about their consequences for democratic politics&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> No original: &ldquo;how they are linked structurally and historically to the development of the political system&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> &ldquo;What we treat as a similarity at one level of analysis may reveal myriad differences at more detailed levels of analysis&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> A possibilidade de combinar essas duas metodologias foi explorada no painel &rdquo; Comparative Qualitative Studies of Journalism: Both Possible &amp; Useful?&rdquo; coordenado por Arnaud Anciaux e F&aacute;bio Pereira, durante o congresso de 2015 da IAMCR, em Montreal (Canad&aacute;).&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Os autores gostaria de agradecer a Jacques Mick e Samuel Lima por terem cedido esses dados in&eacute;ditos.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Na Fran&ccedil;a, uma forma&ccedil;&atilde;o em altern&acirc;ncia &eacute; baseada em uma sucess&atilde;o de per&iacute;odos de aprendizado na empresa e de forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica em uma institui&ccedil;&atilde;o de ensino.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Um question&aacute;rio aplicado junto a empregados de sites de internet na Fran&ccedil;a, em 2010, mostrava que estes tinham, em sua maioria, menos de 30 anos (23% deles, menos de 25, 37% entre 25 e 30), e que 60% trabalhavam, ao contr&aacute;rio da ideia amplamente difundida em torna da precariza&ccedil;&atilde;o, com contratos est&aacute;veis. 48% dos respondentes esperavam continuar trabalhando nesse dom&iacute;nio. Esse estudo, n&atilde;o cient&iacute;fico, teve como m&eacute;rito, colocar em evid&ecirc;ncia uma forte contradi&ccedil;&atilde;o entre os discursos emitidos sobre o estatuto do jornalista on-line e as suas reais condi&ccedil;&otilde;es de emprego. Assim, em 2012, v&aacute;rios diretores de reda&ccedil;&otilde;es on-line desejavam, acima de tudo, estabilizar suas equipes, se protegerem de uma forte mobilidade entre m&iacute;dias dos jovens jornalistas por meio da concess&atilde;o de contratos de trabalhos mais est&aacute;veis. De fato, uma das caracter&iacute;sticas do mercado de trabalho dos jornalistas on-line continua sendo a forte circula&ccedil;&atilde;o de jornalistas entre empresas de m&iacute;dia. Os resultados do question&aacute;rio est&atilde;o dispon&iacute;veis no endere&ccedil;o: <a href="http://www.slideshare.net/alicanth/rsultats-questionnaire-sur-les-travailleurs-du-web" target="_blank">http://www.slideshare.net/alicanth/rsultats-questionnaire-sur-les-travailleurs-du-web</a>.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> No original: &ldquo;aimed at generating &lsquo;thick&rsquo; concepts and thinking tools through multi-faced descriptions&rdquo;. Em filosofia, o termo &ldquo;thick concept&rdquo; expressa um conceito avaliativo e que tamb&eacute;m &eacute; substancialmente descritivo. Preferimos, neste caso, manter a express&atilde;o em ingl&ecirc;s, conforme a cita&ccedil;&atilde;o original. Sobre a no&ccedil;&atilde;o de <i>thick concept, </i>ver: <a href="http://www.www.iep.utm.edu/thick-co/" target="_blank">http://www.www.iep.utm.edu/thick-co/</a></p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> No original: &ldquo;concept formation through multiple description is the methodological approach this guise of comparative study often adheres to&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup>No original: &ldquo;studies that draw upon controlled comparison and inference-oriented case selection principles in order to assess change, explain dynamics, and make inferences about case and effect though systematic case selection and analysis of data&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> No original CSP+, sigla que designa na Fran&ccedil;a, sobretudo no campo do marketing, as categorias socioprofissionais mais valorizadas, o que inclui empres&aacute;rios, artistas, empreendedores, funcion&aacute;rios p&uacute;blicos e as profiss&otilde;es intelectuais superiores (m&eacute;dicos, engenheiros, professores universit&aacute;rios, etc.).</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> FOLHA DE S. PAULO. (2010). Folha passa a ter editor de m&iacute;dias sociais, 26 de Maio.</p>     <p>Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/tc2605201027.htm" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/tc2605201027.htm</a></p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> No original: &ldquo;se prononcer sur l&rsquo;actualit&eacute; (en m&ecirc;lant &eacute;nonc&eacute;s modalis&eacute;s et informationnels), surveiller le discours d&rsquo;information et r&eacute;actualiser le contrat de lecture avec le journal&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Por exemplo, em dezembro de 2010, o peri&oacute;dico bimensal <i>Jornal ANJ</i>, editado pela Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais, entidade brasileira filiada &agrave; WAN-IFRA, publicou uma reportagem de capa com o t&iacute;tulo &lsquo;&Eacute; preciso conhecer melhor o leitor&rsquo;. A mat&eacute;ria descrevia experi&ecirc;ncias realizadas por jornais brasileiros e estrangeiros com o objetivo de atrair leitores mais jovens para o consumo de jornais.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> A lei brasileira limita a 30% a &ldquo;participa&ccedil;&atilde;o de estrangeiros ou de brasileiros naturalizados h&aacute; menos de dez anos no capital social de empresas jornal&iacute;sticas e de radiodifus&atilde;o&rdquo; (Lei n&ordm; 10.610/2002): <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10610.htm" target="_blank">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10610.htm</a>. Na Fran&ccedil;a, a lei de 30 de setembro de 1986, modificada em 14 de novembro de 2016,&nbsp; limita a participa&ccedil;&atilde;o de estrangeiros a &ldquo;20% do capital social ou dos direitos a voto&rdquo;: <a href="https://www.legifrance.gouv.fr/affichTexteArticle.do;jsessionid=7CD874495EDB543B08384E3A9262C0DE.tpdila23v_2?idArticle=JORFARTI000033385385&amp;cidTexte=JORFTEXT000033385368&amp;dateTexte=20161115&amp;categorieLien=id" target="_blank">https://www.legifrance.gouv.fr/affichTexteArticle.do;jsessionid=7CD874495EDB543B08384E3A9262C0DE.tpdila23v_2?idArticle=JORFARTI000033385385&amp;cidTexte=JORFTEXT000033385368&amp;dateTexte=20161115&amp;categorieLien=id</a>. Nos dois pa&iacute;ses, as restri&ccedil;&otilde;es se aplicam apenas &agrave; radiodifus&atilde;o hertziana. N&atilde;o h&aacute; limita&ccedil;&otilde;es no caso dos opera&ccedil;&otilde;es de TV a Cabo ou por Sat&eacute;lite.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Ver os trabalhos de Jorge (2007) sobre o papel da Universidade de Navarra na constru&ccedil;&atilde;o de um modelo de &ldquo;reda&ccedil;&atilde;o integrada&rdquo; na imprensa brasileira.</p>      ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A obrigatoriedade do diploma e a identidade do jornalista no Brasil: um olhar pelas margens]]></article-title>
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<year>2006</year>
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<year>2011</year>
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