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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present international crisis, rooted in the 2007 subprime lending crisis, had a major economic impact at a global scale. For Portugal, main consequences included the increase of insecure jobs and the rise of youth unemployment. From the perspective of media studies, it was important to understand how the media covered both the phenomena and in what ways public debate around insecure jobs and youth unemployment was promoted. The methodology adopted was built-in the content analysis of two Portuguese daily newspapers, namely frequency and textual analysis. Results evidence the detachment of media in relation to the phenomena. Alternatively, media opted for a minimalist coverage characterized by an excessive institutional focus of the problem, thus avoiding a full comprehension of the complexity of the phenomena.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A invisibilidade do desemprego juvenil no discurso medi&aacute;tico da imprensa portuguesa</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bruno Carri&ccedil;o Reis*, Jo&atilde;o Carlos Sousa**</b></p>     <p>* Professor Auxiliar na Universidade Aut&oacute;noma de Lisboa, Portugal / Investigador do N&uacute;cleo de Estudos em Arte, Media e Pol&iacute;tica (PUC-SP), Brasil (<a href="mailto:reysbr@ual.pt">reysbr@ual.pt</a>)</p>     <p>** licenciado e mestre em sociologia pela Universidade da Beira Interior. Desenvolveu investiga&ccedil;&atilde;o no Labom-UBI (2010-2015). Actualmente &eacute; investigador do Obercom, Lisboa, Portugal (<a href="mailto:joaoclsousa@gmail.com">joaoclsousa@gmail.com</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A actual crise internacional, que deriva do colapso subprime de 2007, gerou um efeito econ&oacute;mico recessivo &agrave; escala global. No contexto portugu&ecirc;s uma das consequ&ecirc;ncias maiores do fen&oacute;meno &eacute; o acentuar da precariza&ccedil;&atilde;o laboral e o aumento do desemprego juvenil. Importa perceber como a imprensa di&aacute;ria constr&oacute;i a cobertura medi&aacute;tica deste fen&oacute;meno social e em que termos prop&otilde;e o debate p&uacute;blico. Para a concretiza&ccedil;&atilde;o do objectivo enunciado efectu&aacute;mos em dois jornais di&aacute;rios portugueses uma an&aacute;lise de conte&uacute;do, apurando frequ&ecirc;ncias e tem&aacute;ticas discursivas acerca do desemprego juvenil. Os resultados revelam um alheamento medi&aacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o ao fen&oacute;meno, que prima por uma cobertura minimalista e um excessivo enfoque institucional do problema, pr&aacute;tica que neutraliza a compreens&atilde;o da complexidade do fen&oacute;meno.&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: desemprego juvenil, crise, representa&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The present international crisis, rooted in the 2007 subprime lending crisis, had a major economic impact at a global scale. For Portugal, main consequences included the increase of insecure jobs and the rise of youth unemployment. From the perspective of media studies, it was important to understand how the media covered both the phenomena and in what ways public debate around insecure jobs and youth unemployment was promoted. The methodology adopted was built-in the content analysis of two Portuguese daily newspapers, namely frequency and textual analysis. Results evidence the detachment of media in relation to the phenomena. Alternatively, media opted for a minimalist coverage characterized by an excessive institutional focus of the problem, thus avoiding a full comprehension of the complexity of the phenomena.</p>     <p><b>Keywords</b>: youth unemployment, crisis, media representations.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota de abertura: a problem&aacute;tica do desemprego juvenil </b></p>     <p>Desde o in&iacute;cio deste s&eacute;culo, que podemos constatar que a quest&atilde;o do desemprego povoa recorrentemente as inquieta&ccedil;&otilde;es dos portugueses, basta para o efeito verificar o lugar cimeiro que esta tem&aacute;tica ocupa nas sondagens de opini&atilde;o que periodicamente se realizam<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Tal manifesta&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica parece andar alinhada com a taxa de desemprego, que segundo os dados do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE), tem crescido de forma acentuada desde o advento do mil&eacute;nio. A realidade laboral portuguesa passou de um cen&aacute;rio de pleno emprego (3,9% de desempregados em 2000) para actuais taxas de desemprego superiores a dois d&iacute;gitos (atingindo o seu m&aacute;ximo em 2013 com 16,2%).</p>     <p>Mas o fen&oacute;meno do desemprego n&atilde;o se regista como uma especificidade da economia portuguesa. Esta &eacute; uma tend&ecirc;ncia generalizada das sociedades p&oacute;s-industriais (Bell, 1999), assentes em novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o de trabalho e de neg&oacute;cio. Emerge dai uma renovada racionalidade capitalista que assenta num sistema intensamente comunicado e tecnol&oacute;gico, com uma elevada interdepend&ecirc;ncia entre as na&ccedil;&otilde;es, que desemboca num processo de economia-mundo. Portugal, estruturalmente um pa&iacute;s economicamente d&eacute;bil, com baixa produtividade e uma depend&ecirc;ncia significativa do exterior (Amaral, 2010), fica exposto as conting&ecirc;ncias de um modelo capitalista de enorme flexibilidade (Sennett, 1998).</p>     <p>&ldquo;O desemprego em Portugal tem in&uacute;meras causas, nomeadamente a concorr&ecirc;ncia de pa&iacute;ses produtores de bens a baixo custo, com os quais Portugal n&atilde;o consegue competir, bem como a introdu&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias que contribui para a elimina&ccedil;&atilde;o de muitos postos de trabalho. A atual crise econ&oacute;mica pela qual a economia portuguesa est&aacute; a passar tamb&eacute;m &eacute; apontada como uma causa do aumento do desemprego, afetando v&aacute;rios setores de atividade&rdquo; (S&aacute;, 2014: 36).</p>     <p>A crise a que se refere o autor, ficou conhecida como crise do <i>subprime, </i>despoletou em 2007 e afectou a economia-mundo. Um colapso financeiro bolsista ocorrido nos Estados Unidos que provocou em forma de cascata, danos profundos e generalizados no sistema capitalista. A economia portuguesa acabou por n&atilde;o resistir ao embate e o governo portugu&ecirc;s acabou por pedir ajuda externa no ano de 2011. A crise veio agravar o j&aacute; d&eacute;bil crescimento econ&oacute;mico portugu&ecirc;s, gerando uma deteriora&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho, que se traduziu num crescente aumento no n&uacute;mero de desempregados (Ribeiro, Frade, Coelho e Ferreira-Valente, 2015). Em particular e de forma muito expressiva junto dos jovens<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> (Matos, Domingos e Kumar, 2011; Pereira, 2013), que em situa&ccedil;&atilde;o de recess&atilde;o econ&oacute;mica experimentam uma dificuldade crescente no acesso ao mercado laboral (Gon&ccedil;alves, 2005), sendo que &ldquo;a taxa de desemprego jovem &eacute; quase o dobro da taxa de desemprego total&rdquo; (INE, 2014: 1).</p>     <p>Mas como assinalam Berlingieri, Bonin e Sprietsma (2014: 3) &ldquo;o desemprego jovem n&atilde;o &eacute; um fen&oacute;meno recente, que possa ser atribu&iacute;do apenas &agrave; &uacute;ltima forte recess&atilde;o econ&oacute;mica. H&aacute; muitos anos que a maioria dos pa&iacute;ses europeus tem dificuldades em integrar os jovens no mercado de trabalho. O desemprego entre os jovens &eacute;, em geral, significativamente maior do que entre os adultos&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A natureza estrutural do fen&oacute;meno consubstancia-se na enorme dificuldade de iniciarem um trajecto profissional (Lopes, 2013), pese serem gera&ccedil;&otilde;es, manifestamente mais escolarizadas e qualificadas que as anteriores<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> (INE, 2014). &Eacute; not&oacute;ria a subida do desemprego entre os jovens dotados de credenciais escolares de n&iacute;vel superior. Este acr&eacute;scimo, poder&aacute; em parte ser explicado por estrat&eacute;gias de resist&ecirc;ncia a empregos prec&aacute;rios ou desqualificados, fazendo uso do apoio familiar por parte destes jovens diplomados, que apostam e investem na educa&ccedil;&atilde;o com expectativas partilhadas de ascens&atilde;o (ou reprodu&ccedil;&atilde;o) social &ndash; &ldquo;desemprego juvenil de prospec&ccedil;&atilde;o&rdquo; como apelida Vieira (2006:110). Mas a complexidade do fen&oacute;meno traduz outros dois comportamentos juvenis t&iacute;picos perante as dificuldades laborais. Por um lado, &ldquo;agarram-se a quaisquer possibilidades de inser&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Wickert, 2006: 269), sujeitando-se a condi&ccedil;&otilde;es que lhes s&atilde;o impostas. Por outro lado, o descompasso existente entre forma&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho tem contribu&iacute;do para um gorar das expectativas juvenis, que perante as dificuldades de entrarem no mercado de trabalho abdicam, tanto de estudar, como de procurarem ocupa&ccedil;&otilde;es profissionais. Os sociol&oacute;gicos caracterizaram estes jovens como estando numa situa&ccedil;&atilde;o NEEF, fen&oacute;meno que regista em Portugal uma incid&ecirc;ncia de 14% entre os indiv&iacute;duos com uma idade compreendida entre os 15 e os 24 anos (Rowland, Ferreira, Vieira e Papp&aacute;mikail (2014).</p>     <p>Constatamos de igual forma, na literatura que se debru&ccedil;a sobre o assunto, abordagens que vincam uma crescente precariza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos jovens (Oliveira e Carvalho, 2010), maioritariamente em situa&ccedil;&atilde;o de desprotec&ccedil;&atilde;o laboral (Vilas, 2013) e desigualdade em rela&ccedil;&atilde;o a outros trabalhadores que desempenham fun&ccedil;&otilde;es similares, j&aacute; que &ldquo;os jovens dos 15 aos 29 anos t&ecirc;m rendimentos do trabalho inferiores &agrave; m&eacute;dia nacional e essa diferen&ccedil;a tem aumentado&rdquo; (INE, 2014: 1). Como salientam Alves, Po&ccedil;as e Tom&eacute; (2013), tal sucede, pois os mecanismos de protec&ccedil;&atilde;o laboral, mesmo os de natureza corporativa, est&atilde;o mais focados nos trabalhadores permanentes que nos jovens precarizados.</p>     <p>Perante um cen&aacute;rio adverso, a transi&ccedil;&atilde;o para a idade adulta fica substancialmente comprometida, &ldquo;estas dificuldades condicionam e adiam a decis&atilde;o dos jovens em constituir fam&iacute;lia e sair de casa dos pais&rdquo; (INE, 2014: 1). A precariza&ccedil;&atilde;o da vida destes jovens n&atilde;o obedece somente a uma dimens&atilde;o de natureza econ&oacute;mica, conforma-se na multidimensionalidade afectiva, an&iacute;mica, existencial (Alves, Cantante, Baptista e Carmo, 2011). Pese a que nem todos os jovens reagem de igual forma perante a adversidade (Pa&iacute;s, 1991 e 2003), &eacute; preciso fazer notar, que uma situa&ccedil;&atilde;o de desemprego prolongado nos prim&oacute;rdios da vida activa, ou de uma manifesta precariza&ccedil;&atilde;o laboral, parece contribuir fortemente para que se registem efeitos traum&aacute;ticos nos jovens (Hughes e Borb&eacute;ly-Pecze, 2014). Atendendo pois &agrave; centralidade que a quest&atilde;o do emprego/desemprego ocupa na sociedade portuguesa, faz para n&oacute;s todo o sentido perceber em que moldes se prop&otilde;e o debate p&uacute;blico acerca do tema. Estamos particularmente interessados em perceber, que enquadramento jornal&iacute;stico se oferece para a problem&aacute;tica do desemprego juvenil, fen&oacute;meno que se intensificou de forma severa com o eclodir da crise <i>subprime</i> e com a posterior entrada em 2011 da <i>troika</i> em Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Proposta de estudo da cobertura da imprensa em rela&ccedil;&atilde;o ao desemprego juvenil</b></p>     <p>O presente texto tem como finalidade compreender os enunciados jornal&iacute;sticos produzidos acerca do desemprego juvenil em dois di&aacute;rios portugueses; no <i>Correio da Manh&atilde; </i>(CM), por ser actualmente o impresso com maior tiragem di&aacute;ria, e no jornal <i>P&uacute;blico</i>, que se caracteriza por ser um t&iacute;tulo de refer&ecirc;ncia no espa&ccedil;o medi&aacute;tico portugu&ecirc;s. Estes dois t&iacute;tulos apresentam uma assinal&aacute;vel penetra&ccedil;&atilde;o no quotidiano dos portugueses. Atendendo aos dados dispon&iacute;veis (Marktest, 2012), <i>o Correio da Manh&atilde;</i> liderou os generalistas com 14.2% de audi&ecirc;ncia anual m&eacute;dia e o jornal <i>P&uacute;blico</i> com 5.1% veio em terceiro lugar, depois do <i>Jornal de Not&iacute;cias</i> com 11.4%. A nossa escolha recaiu nos dois primeiros, descartamos o <i>Jornal de Not&iacute;cias</i> por ser um t&iacute;tulo com um pendor &ldquo;regionalista&rdquo; nortenho.</p>     <p>Ao optarmos pelo <i>P&uacute;blico</i> e pelo <i>Correio da Manh&atilde;</i> procurou-se garantir um efeito contrastante na cobertura medi&aacute;tica, contemplando jornalismo de refer&ecirc;ncia (<i>P&uacute;blico</i>) e jornalismo popular (<i>Correio da Manh&atilde;</i>). Atendemos a esta caracteriza&ccedil;&atilde;o, tomando como crit&eacute;rio trabalhos anteriores, que estudaram as identidades jornal&iacute;sticas dos peri&oacute;dicos em quest&atilde;o. No <i>Correio da Manh&atilde;</i> foi observada uma cobertura medi&aacute;tica assente numa l&oacute;gica de dramatiza&ccedil;&atilde;o, onde prima um tom de espectaculariza&ccedil;&atilde;o, constru&iacute;do com recurso a uma abordagem de teor escandaloso (Fragoso, 2010; Lima e Reis, 2014). No caso do jornal <i>P&uacute;blico</i>, Cardoso (2007: 244) discute de forma detalhada os crit&eacute;rios para se categorizar o peri&oacute;dico na denominada imprensa de refer&ecirc;ncia. O argumento de fundo, para se atender a esta classifica&ccedil;&atilde;o, recai numa pr&aacute;tica jornal&iacute;stica reconhecida como modelar e orientadora do debate p&uacute;blico, &ldquo;produzindo um efeito de arrasto&rdquo; para os restantes meios de comunica&ccedil;&atilde;o (Reig, 1998: 154).</p>     <p>O crit&eacute;rio de escolha tentou contemplar propostas jornal&iacute;sticas que representam modelos medi&aacute;ticos divergentes, o intuito &eacute; o de percebermos como respondem em termos de agendamento e cobertura tem&aacute;tica as aproxima&ccedil;&otilde;es mais populares do <i>Correio da Manh&atilde;</i> e em que moldes se estabelece a cobertura de refer&ecirc;ncia que caracteriza o <i>P&uacute;blico</i>. Daqui resulta uma quest&atilde;o central; O tratamento medi&aacute;tico do desemprego juvenil recebe aten&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica diferenciada dependendo das publica&ccedil;&otilde;es? Tentamos assim analisar em que medida os jornais, como meios de comunica&ccedil;&atilde;o de caracter&iacute;sticas mais reflexivas, abordam a tem&aacute;tica do (des)emprego e lhe conferem dimens&atilde;o explicativa, j&aacute; que o desemprego se converteu em assunto priorit&aacute;rio da agenda pol&iacute;tica<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>No contexto portugu&ecirc;s, o despoletar da crise <i>subprime</i> intensificou uma crescente espiral recessiva. Os efeitos sociais que derivam da retrac&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica assumem uma relev&acirc;ncia emp&iacute;rica maior a partir de 2009, com a crescente destrui&ccedil;&atilde;o do tecido produtivo<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> e o consequente aumento do desemprego e em particular na sua variante jovem<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Atendendo a este facto, o nosso <i>corpus</i> anal&iacute;tico teve inicio a Janeiro de 2009 at&eacute; ao m&ecirc;s de Dezembro de 2013. Para o efeito procedemos &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o nas edi&ccedil;&otilde;es em formato papel dos jornais <i>P&uacute;blico</i> e <i>Correio da Manh&atilde;</i>, das chamadas de capa que fizessem refer&ecirc;ncia ao tema do desemprego. Utiliz&aacute;mos este atalho de selec&ccedil;&atilde;o levando em linha de conta a transversalidade da tem&aacute;tica na vida p&uacute;blica nacional, o que suporia tratamento priorit&aacute;rio na cobertura informativa. Para o efeito, determin&aacute;mos todo um l&eacute;xico associado que permitiria ampliar a complexa dimens&atilde;o da quest&atilde;o social em an&aacute;lise. Assim, a selec&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as analisadas foi realizada a partir dos termos &ldquo;desemprego juvenil&rdquo;, complementada pela fam&iacute;lia de palavras que aludem de forma directa ao imagin&aacute;rio sem&acirc;ntico em escrut&iacute;nio, como sejam; &ldquo;despedimento&rdquo;, &ldquo;fal&ecirc;ncia&rdquo;, &ldquo;rescis&atilde;o&rdquo; &ldquo;subs&iacute;dio desemprego&rdquo;, &ldquo;centro de emprego&rdquo;, &ldquo;precariedade&rdquo;, &ldquo;crise&rdquo;, etc.</p>     <p>Uma vez identificado o desemprego juvenil como estandarte de primeira p&aacute;gina, codific&aacute;mos as pe&ccedil;as que no interior dos jornais lhe faziam refer&ecirc;ncia. Regist&aacute;mos a respectiva sec&ccedil;&atilde;o onde esta se encontrava e o g&eacute;nero informativo noticioso que lhe correspondia (not&iacute;cia/breve/entrevista/reportagem). Seguidamente, afer&iacute;amos se as informa&ccedil;&otilde;es possu&iacute;am ou n&atilde;o enquadramento visual e quem eram os actores presentes no discurso medi&aacute;tico (Jovens/Institui&ccedil;&atilde;o/Outros). Para complementarmos a recolha de dados, procedemos posteriormente &agrave; categoriza&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica das not&iacute;cias, construindo etiquetas capazes de agrupar as similitudes da cobertura jornal&iacute;stica das duas publica&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise. Este procedimento teve como intuito facilitar-nos a tarefa interpretativa, no sentido de melhor descodificarmos as tend&ecirc;ncias dos respectivos jornais no enunciar do tema do desemprego e em concreto do enfoque posto na abordagem juvenil do desemprego.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Propomos ent&atilde;o uma dupla leitura medi&aacute;tica do desemprego. Numa primeira parte incidiremos na sua formula&ccedil;&atilde;o mais abrangente e posteriormente, num segundo momento, na sua especificidade juvenil.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Resultados iniciais; o tratamento jornal&iacute;stico do desemprego </b></p>     <p>Procedemos neste apartado ao tratamento dos dados obtidos na recolha emp&iacute;rica, em que cada tabela apresentada e analisada expressa a categoriza&ccedil;&atilde;o por n&oacute;s efectuada. Mas antes de nos adentrarmos na descodifica&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do jornal&iacute;stico, comecemos por comparar a preponder&acirc;ncia da quest&atilde;o do desemprego, de 2009 a 2013, em cada um dos peri&oacute;dicos escrutinados.</p>     <p>Um ponto que importa frisar, &eacute; que comparando a cobertura dada por cada um dos di&aacute;rios, verificamos uma gritante desproporcionalidade no n&uacute;mero de pe&ccedil;as colectadas em cada um deles. Enquanto no <i>P&uacute;blico </i>recolhemos 156 unidades (o que traduz um 80.4% do total de informa&ccedil;&otilde;es recolhidas), no <i>Correio da Manh&atilde; </i>obtivemos 38 unidades, do total de 194 unidades analisadas. O manifesto desequil&iacute;brio entre as duas publica&ccedil;&otilde;es parece poder ser explicado por modelos de produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica diferenciados. A agenda e o discurso s&atilde;o editorializados no sentido de responderem a um dado crit&eacute;rio jornal&iacute;stico, reconhecido pelos leitores das publica&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n1/11n1a09f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Comecemos pelo <i>Correio da Manh&atilde;</i>, em que o crit&eacute;rio de noticiabilidade tem como matriz uma cobertura emocional com uma forte dramatiza&ccedil;&atilde;o do acontecimento reportado (Agee e Traquina, 1984). Uma abordagem que privilegia um enquadramento servido de <i>soft news</i>, informa&ccedil;&otilde;es relacionadas com as &ldquo;debilidades humanas&rdquo; (Tuchman, 1978) e leituras jornal&iacute;sticas simplificadas em rela&ccedil;&atilde;o aos fen&oacute;menos sociais em an&aacute;lise. Este enfoque jornal&iacute;stico parece atender ao perfil do leitor do <i>Correio da Manh&atilde;</i>; com escolariza&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do ensino b&aacute;sico/secund&aacute;rio e pertencente a classe m&eacute;dia/m&eacute;dia baixa (OBERCOM, 2006; Marktest, 2016).</p>     <p>&nbsp;O tema do desemprego parece n&atilde;o ter as &ldquo;qualidades intr&iacute;nsecas&rdquo;, enunciadas acima, para ser alvo de tratamento informativo privilegiado. As pr&oacute;prias tem&aacute;ticas prop&otilde;em um determinado jornalismo e um modo de v&iacute;nculo com os leitores, o que Schlesinger (1978) apelidou de &ldquo;quadro de expectativas est&aacute;veis&rdquo;. O desemprego n&atilde;o se estabelece como abordagem priorit&aacute;ria do jornal, factor que condiciona fortemente a chamada &agrave; primeira p&aacute;gina, pois existe uma hierarquiza&ccedil;&atilde;o da realidade a retratar. De forma complementar ao trabalho enunciado constatamos uma tend&ecirc;ncia no enquadramento tipo das chamadas de manchete, que pela regularidade detectada<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> pressup&otilde;em uma clara orienta&ccedil;&atilde;o editorial que assenta em quatro elementos tipificadores:</p>     <p>a) Um discurso fortemente hostil para com a classe pol&iacute;tica e governativa, com um pendor de escrut&iacute;nio denunciador que se apresenta ideologicamente transversal para com os agentes pol&iacute;ticos, visando sublinhar o sentido de independ&ecirc;ncia da publica&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s esferas de poder. O tom assertivo utilizado prop&otilde;e um discurso de contundente autoridade moral, que intensifica claramente o aparato discursivo do senso comum, penalizando o exerc&iacute;cio dos agentes pol&iacute;ticos independentemente do quadrante que estes representam;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;Paulo Campos ganhou 8 mil por m&ecirc;s. Rendimento m&eacute;dio dos &uacute;ltimos onze anos&rdquo; (CM, 22/10/2012)</p>     <p>&ldquo;Relvas tem reforma de 2880 euros por m&ecirc;s. Subven&ccedil;&atilde;o vital&iacute;cia por 12 anos de actividade pol&iacute;tica&rdquo; (CM,14/07/2012)</p>     <p>&ldquo;S&oacute;crates gasta 15000 por m&ecirc;s&rdquo; (CM, 16/03/2012)</p>     <p>&ldquo;Pol&iacute;ticos ganham mais 81 euros por m&ecirc;s. Revelamos dados oficiais das finan&ccedil;as (CM, 28/08/2012)</p>     <p>b) Uma cobertura medi&aacute;tica justicialista, que tem como pedra de toque as marcadas assimetrias sociais existentes no pa&iacute;s. Os enunciados prop&otilde;em a discuss&atilde;o de um &ldquo;sentido da ordem&rdquo; social (Gans, 1979), que assumindo os desequil&iacute;brios decorrentes da estratifica&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e um empoderamento do p&uacute;blico indefeso;</p>     <p>&ldquo;Fisco lan&ccedil;a `ca&ccedil;a &agrave; bomba&acute;. PSP e GNR d&atilde;o m&atilde;o a m&aacute;quina dos impostos&rdquo; (CM, 06/06/2012)</p>     <p>&ldquo;Patr&otilde;es defendem fim de subs&iacute;dios. 13&ordm; e 14&ordm; m&ecirc;s pagos em duod&eacute;cimos&rdquo; (CM, 29/12/2012)</p>     <p>&ldquo;Patr&otilde;es ricos lucram 100 milh&otilde;es. Grandes empresas ganham com austeridade atrav&eacute;s da baixa da TSU&rdquo; (CM, 11/09/2012)</p>     <p>&ldquo;Patr&otilde;es ganham 4,5 mil milh&otilde;es com novas leis. Cavaco promulga c&oacute;digo laboral&rdquo; (CM, 19/06/2012)</p>     <p>c) Uma cobertura jornal&iacute;stica paternalista que refor&ccedil;a os valores dominantes, consensuais e estendidos da sociedade portuguesa, como sejam a defesa intransigente da fam&iacute;lia e do funcionalismo p&uacute;blico. O compromisso gerado refor&ccedil;a la&ccedil;os de solidariedade (capitalizados em fideliza&ccedil;&atilde;o de leitura/consumo) e de sintonia social, o jornal funciona como porta-voz dos anseios dos leitores/consumidores;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;Novos cortes na fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Sal&aacute;rios e pens&otilde;es penalizados&rdquo; (CM, 09/10/2012)</p>     <p>&ldquo;Novos cortes nas reformas e fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Mais 300 mil penalizados. Rendimentos entre 600 e 1350 brutos castigados&rdquo; (CM, 30/11/2012).&nbsp;</p>     <p>&ldquo;Fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e reformados perdem 10 mil euros&rdquo; (CM, 01/05/2012)</p>     <p>&ldquo;Passos tira 8500 euros a cada funcion&aacute;rio p&uacute;blico&rdquo; (CM, 07/04/2012)</p>     <p>&ldquo;Ter filhos custa 10 mil por ano, contas INE. Fam&iacute;lias com crian&ccedil;as gastam mais 31 por cento&rdquo; (CM, 21/06/2012)</p>     <p>&ldquo;Corte de 154 milh&otilde;es nos benef&iacute;cios de filhos e deficientes&rdquo; (CM, 29/08/2012).&nbsp;</p>     <p>d) O recurso &agrave; espectaculariza&ccedil;&atilde;o do &ldquo;mundo da vida&rdquo;, onde a viol&ecirc;ncia e o macabro, desvelam a realidade que se constitui para al&eacute;m das agendas formais da vida p&uacute;blica. A dramatiza&ccedil;&atilde;o do quotidiano refor&ccedil;a a fun&ccedil;&atilde;o social do jornal, que revela e exp&otilde;e a vida em todo o seu esplendor;</p>     <p>&ldquo;GNR sem dinheiro reduz policiamento&rdquo; (CM, 16/11/2012)</p>     <p>&ldquo;Assaltos a casas disparam 330%. Crime sobe na zona de Lisboa&rdquo; (CM, 05/06/2012)</p>     <p>&ldquo;Disparam casos de bebes abandonados. Sobem de 12 para 25 no Amadora-Sintra&rdquo; (CM, 20/11/2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Podemos constatar que a primeira p&aacute;gina do jornal assenta numa modeliza&ccedil;&atilde;o, que se poderia resumir em tr&ecirc;s t&oacute;picos; 1) O acentuar do valor da not&iacute;cia por via de um processo de <i>personaliza&ccedil;&atilde;o</i>, que estabelece n&iacute;veis de empatia maior com o leitor, comparativamente com os mecanismos explicativos da generaliza&ccedil;&atilde;o. 2) Decorrente do ponto anterior, os actores sociais s&atilde;o representados desde a sua dimens&atilde;o privada, sempre justificada por um necess&aacute;rio interesse p&uacute;blico; seja no escrut&iacute;nio da vida dos famosos, na avalia&ccedil;&atilde;o de desempenho dos pol&iacute;ticos (sublinhado nomes e apelidos) ou na forma ostensiva como estigmatizam prevaricadores. 3) Por fim, constatamos um enfoque jornal&iacute;stico que assume um papel reparador de uma realidade entendida como desestruturada (Galtung e Ruge, 1981). O jornalismo &eacute; elevado a uma dimens&atilde;o moral, construindo quadros de refer&ecirc;ncia para o seu p&uacute;blico.</p>     <p>Todas as caracter&iacute;sticas evidenciadas, s&atilde;o alimentadas por uma forte componente visual, que responde a uma necessidade de exposi&ccedil;&atilde;o declarada e emotiva. Basta para o efeito registar que todas as pe&ccedil;as analisadas no <i>Correio da Manh&atilde;</i> acerca do desemprego eram acompanhadas de fotografias. O elemento visual operava invariavelmente como moldura de atalho para o discurso informativo, operando como recurso emocional que tentava sublinhar o aspecto central mais dram&aacute;tico a reter da pe&ccedil;a. Metade dessas pe&ccedil;as possu&iacute;am informa&ccedil;&atilde;o infogr&aacute;fica (Gráficos e quadros), com o objectivo not&oacute;rio de produzirem um efeito de resumo com dados categ&oacute;ricos para o &ldquo;convencimento&rdquo; dos p&uacute;blicos.</p>     <p>Se procedermos a estabelecer comparativamente a utiliza&ccedil;&atilde;o do acompanhamento visual por parte do <i>P&uacute;blico</i>, percebemos uma dilui&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica como necessidade ilustrativa (63,5% das pe&ccedil;as tinham fotografia) e do recurso a infografia com menor regularidade (em um ter&ccedil;o das pe&ccedil;as). Os recursos eram utilizados desde um prisma de apresenta&ccedil;&atilde;o de dados de forma mais aberta, para potenciarem uma reflex&atilde;o dial&oacute;gica com a informa&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio texto jornal&iacute;stico.</p>     <p>o que concerne ao tratamento da tem&aacute;tica por parte do jornal <i>P&uacute;blico</i>, pese o tema do desemprego ter um enfoque de car&aacute;cter limitado, opera num quadro de refer&ecirc;ncias mais lato, em particular no tocante &agrave;s tem&aacute;ticas abordadas. A explica&ccedil;&atilde;o para uma maior expans&atilde;o da cobertura est&aacute; na pr&oacute;pria g&eacute;nese do jornalismo de refer&ecirc;ncia que representa o peri&oacute;dico. N&atilde;o ser&aacute; alheio a este facto o perfil dos seus leitores; tendencialmente escolarizados ao n&iacute;vel do ensino universit&aacute;rio (OBERCOM, 2006; Marktest, 2016). Um jornalismo mais reflexivo dita um conjunto maior de &acirc;ngulos e perspectivas de entendimento da tem&aacute;tica em an&aacute;lise, como elucida a <a href="#f2">tabela 2</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n1/11n1a09f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Numa categoriza&ccedil;&atilde;o que atendeu a uma etiquetagem &uacute;nica por pe&ccedil;a, em que o crit&eacute;rio assumido era o identificar o argumento central da informa&ccedil;&atilde;o, podemos verificar logo &agrave; partida a diferen&ccedil;a de amplitudes tem&aacute;ticas entre os dois jornais. Contudo, olhando para as frequ&ecirc;ncias mais determinantes, percebemos de forma declarada no <i>P&uacute;blico</i> (e de forma indirecta no <i>Correio da Manh&atilde;</i>), como as not&iacute;cias de desemprego est&atilde;o ancoradas aos relat&oacute;rios do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE), do Instituto do Emprego e Forma&ccedil;&atilde;o Profissional (IEFP) ou de entidades estrangeiras como o <i>EUROSTAT</i>. O que determina um n&uacute;mero elevado de not&iacute;cias no <i>P&uacute;blico</i> acerca de &ldquo;estat&iacute;stica do desemprego&rdquo;, e por sua vez, um consider&aacute;vel n&uacute;mero de not&iacute;cias &ldquo;econ&oacute;micas&rdquo; no <i>Correio da Manh&atilde;</i>, que se produzem depois das peri&oacute;dicas actualiza&ccedil;&otilde;es das estat&iacute;sticas do desemprego.</p>     <p>O discurso medi&aacute;tico do desemprego destes dois jornais &eacute; fortemente dependente das fontes oficiais. O tratamento informativo &eacute; condicionado por este facto, optando por uma t&oacute;nica eminentemente descritiva, mais enunciadora que propriamente interrogante para as causas dos n&uacute;meros evidenciados. Contudo &eacute; importante referir que o tratamento dado pelo <i>P&uacute;blico</i> prop&otilde;e abordagens hist&oacute;rico/comparativas que permitem uma melhor contextualiza&ccedil;&atilde;o;</p>     <p>&ldquo;Desemprego registado em Julho atinge novo pico dos &uacute;ltimos 30 anos&rdquo; (<i>P&uacute;blico</i>, Agosto 2009)</p>     <p>N&atilde;o ser&aacute; de estranhar que olhando para os dados, constatamos que s&oacute; no jornal <i>P&uacute;blico</i> existam pe&ccedil;as na sec&ccedil;&atilde;o internacional acerca do desemprego. Este facto indicia uma abordagem relacional, tomando em linha de conta a complexidade interdependente do fen&oacute;meno;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;Taxa de desemprego sobe para 13.2% e &eacute; a quinta pior da zona Euro&rdquo; (<i>P&uacute;blico</i>, Janeiro 2012)</p>     <p>Outro dado significativo, com uma diferen&ccedil;a assinal&aacute;vel em termos de cobertura, &eacute; a contund&ecirc;ncia do tratamento do desemprego por parte do jornal <i>P&uacute;blico</i>. Alertando de forma mais evidente para a gravidade social do problema, assim como, para a expectativa negativa que se vai gerando na sociedade portuguesa. Evid&ecirc;ncia expressa no desencantado t&iacute;tulo de &ldquo;um quarto dos portugueses teme perder em breve o emprego&rdquo; (Outubro, 2009), ou na chamada de aten&ccedil;&atilde;o para a transversalidade do fen&oacute;meno; &ldquo;precariedade atinge um quinto da popula&ccedil;&atilde;o activa&rdquo; (Maio, 2009). E registando o tom crescente de conflictualidade social, mesmo que optando uma vez mais por privilegiar uma aproxima&ccedil;&atilde;o mais institucionalizada do problema, dando voz &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es de luta sindical.</p>     <p>Ao contr&aacute;rio do <i>Correio da Manh&atilde; </i>que constr&oacute;i invisibilidade sobre a crispa&ccedil;&atilde;o social, paradigm&aacute;tica &eacute; aus&ecirc;ncia (em toda a nossa amostra) da cobertura em primeira p&aacute;gina do dia do trabalhador (1&ordm; de Maio). Como hip&oacute;tese forte, observamos uma tend&ecirc;ncia para a &ldquo;despolitiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos acontecimentos ideologicamente beligerantes com o <i>statu quo</i> social e pol&iacute;tico. Verificamos que o <i>Correio da Manh&atilde;</i> opta por uma abordagem &ldquo;noticiosa&rdquo; de natureza mais descritiva e de car&aacute;cter mais neutro, ao inv&eacute;s do <i>P&uacute;blico</i> com uma aproxima&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica mais densa, utilizando a entrevista e a reportagem de forma mais recorrente.</p>     <p>A <a href="#f3">tabela 3</a> sublinha empiricamente o que acab&aacute;mos de enunciar. Enquanto 50.6% do total de pe&ccedil;as do jornal <i>P&uacute;blico</i> s&atilde;o &ldquo;Not&iacute;cias&rdquo;, do lado do <i>Correio da Manh&atilde;</i> essa fasquia regista os 97.4%. Por outro lado, temos o g&eacute;nero &ldquo;reportagem&rdquo;, mais complexo e que em termos informativos aprofunda e prop&otilde;e uma dimens&atilde;o mais compreensiva do assunto. Neste ponto em particular, temos um novo aprofundamento da tend&ecirc;ncia, j&aacute; anteriormente identificada, dado que 35.3% dos trabalhos do <i>P&uacute;blico</i> sobre desemprego recorrem &agrave; reportagem, em claro antagonismo com o <i>Correio da Manh&atilde;</i> (como demonstra a tabela abaixo)<i>.</i></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n1/11n1a09f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Vimos at&eacute; aqui que h&aacute; substanciais diferen&ccedil;as entre as duas publica&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise, resultado fundamentalmente do tratamento jornal&iacute;stico e dos diferentes objetivos que presidem &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de ambas as publica&ccedil;&otilde;es. Todavia, o foco desta pesquisa passa, em parte pela observa&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno do desemprego jovem &agrave; lupa jornal&iacute;stica, &eacute; nesta linha de racioc&iacute;nio que procur&aacute;mos aferir, que discurso medi&aacute;tico &eacute; produzido.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas de fecho; o apagamento medi&aacute;tico do jovem desempregado</b></p>     <p>O desemprego juvenil &eacute; um assunto de enorme transcend&ecirc;ncia social, j&aacute; que as respectivas taxas de desemprego s&atilde;o invariavelmente mais altas que nos restantes grupos et&aacute;rios. Como dado relevante registe-se que o percentual de desempregados com idade inferior a 25 anos quadruplicou em rela&ccedil;&atilde;o aos valores de 2000, passando de 8,3% para um 37,7% em 2012<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. De tal forma que a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (2012: 5), num documento dedicado em exclusivo &agrave; tem&aacute;tica do desemprego juvenil, alertou para a gravidade do fen&oacute;meno, pois &ldquo;o desemprego jovem atingiu propor&ccedil;&otilde;es alarmantes&rdquo;. Mediante este cen&aacute;rio, quer&iacute;amos perceber com especial interesse, como a imprensa postulava uma cobertura informativa para a complexidade do fen&oacute;meno em quest&atilde;o. Interessava perceber se se reproduzia essa importante conclus&atilde;o que &ldquo;o acesso activo (como protagonistas) e passivo (como refer&ecirc;ncias) dos jovens ao discurso jornal&iacute;stico &eacute; limitado&rdquo; (Coelho, 2009: 375).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados contidos na <a href="#f4">tabela 4</a> aproximam-nos de uma poss&iacute;vel resposta &agrave; constata&ccedil;&atilde;o anterior. Os jornalistas como &ldquo;comunidade interpretativa&rdquo; constroem o sentido do mundo, logo da not&iacute;cia, desde as suas idiossincrasias. A redac&ccedil;&atilde;o estabelece uma <i>praxis </i>determinada no modo de operar do jornalista, desenvolvendo sistema de procedimentos t&iacute;picos. O que ajuda a explicar em ambos os peri&oacute;dicos, uma abordagem da constru&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia assente no oficialismo das fontes. As raz&otilde;es para um jornalismo &ldquo;oficialista&rdquo; radicam numa produc&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica que opera em l&oacute;gicas de rotina (em contra-rel&oacute;gio); o argumento institucional, que se sobrep&otilde;e aos discursos &ldquo;desinstitucionalizados&rdquo; dos desempregados, &eacute; validado socialmente como um discurso de autoridade que n&atilde;o carece de explica&ccedil;&otilde;es adicionais. O enquadramento noticioso &eacute; agilizando de forma quase mec&acirc;nica. Na nossa an&aacute;lise de conte&uacute;do, observamos a rela&ccedil;&atilde;o estreita entre novas informa&ccedil;&otilde;es acerca do desemprego, na rela&ccedil;&atilde;o directa com os comunicados oficiais que actualizavam as respectivas taxas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n1/11n1a09f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O descontinuar desta estrat&eacute;gia do <i>Correio da Manh&atilde;</i> apenas se verifica aquando da utiliza&ccedil;&atilde;o do discurso directo da figura do especialista, que confere um sentido de autoridade e prop&otilde;e um dado pluralismo. O economista afecto a Confedera&ccedil;&atilde;o Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Eug&eacute;nio Rosa, aparece repetidas vezes como interlocutor da compreens&atilde;o do fen&oacute;meno e como elemento de humaniza&ccedil;&atilde;o das frias estat&iacute;sticas. Que poder&iacute;amos resumir no seguinte conjunto de afirma&ccedil;&otilde;es;</p>     <p>- Jovens v&atilde;o suportar mais precariedade devido a facilita&ccedil;&atilde;o dos despedimentos (CM, 16/12/2010)</p>     <p>- Menos emprego gera risco de exclus&atilde;o e aumento da mis&eacute;ria (CM, 02/01/2011)</p>     <p>- Situa&ccedil;&atilde;o vai piorar, pois n&atilde;o se contabiliza o emprego prec&aacute;rio e os que n&atilde;o procuram emprego (CM, 17/11/2011)</p>     <p>- Empresas aproveitam a crise para baixar sal&aacute;rios (CM, 18/05/2012)</p>     <p>&Eacute; uma abordagem jornal&iacute;stica sustentada num sistema de porta-vozes, que privilegia os aspectos de natureza formal. A leitura jornal&iacute;stica, que pouco indaga as culturas juvenis, parece estar ref&eacute;m da forma como ela &eacute; j&aacute; socialmente definida (Pais, 1990). Existe um refor&ccedil;o medi&aacute;tico de uma dada representa&ccedil;&atilde;o juvenil, que assenta numa ideia dominante de hedonismo, aliada &agrave; concep&ccedil;&atilde;o do adulto como productor e jovem como consumidor. Tal percep&ccedil;&atilde;o plasma uma ideia sobre os jovens de irresponsabilidade e despreocupa&ccedil;&atilde;o, em suma de risco (Filho e Lemos, 2008). Esta formata&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria condiciona fortemente outra possibilidade discursiva diante do mundo adulto (Filho, 2006). Por isso a argumentaria estigmatizante do conceito de juventude parece ser suficiente para o entendimento desta categoria social, em que o jovem nada teria para acrescentar &agrave; tipologia enunciada. O que inviabiliza de certa forma um discurso juvenil que possa ter espa&ccedil;o para se assumir na primeira pessoa.</p>     <p>Os meios ao produzirem um discurso tautol&oacute;gico acerca dos jovens, n&atilde;o permitem que se postule no espa&ccedil;o p&uacute;blico as complexidades da juventude. Traject&oacute;rias estas que assumem comportamentos intermitentes, fragmentados, incertos, n&atilde;o lineares e revers&iacute;veis &ndash; a juventude dos percursos <i>yo-yo</i>. Numa progressiva diversifica&ccedil;&atilde;o, marcada por per&iacute;odos de semi-depend&ecirc;ncia familiar, aliados ao figurino do trabalhador estudante, do jovem desempregado ou do biscateiro (Vieira, 2006).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Decorrente de coberturas jornal&iacute;sticas simplistas, as abordagens primam por escassas e estratificadas no que toca as quest&otilde;es laborais juvenis, j&aacute; que os poucos jovens a quem os media reconhecem atributos de representa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os licenciados; &ldquo;54600 doutores sofrem no desemprego&rdquo; (CM, 13/07/2010). Ao dar voz aos jovens graduados, os jornalistas apenas procuram os discursos directos que validem as estat&iacute;sticas. A informa&ccedil;&atilde;o ilustrativa, pela utiliza&ccedil;&atilde;o recorrente de discursos fragmentados, faz primar o aned&oacute;tico sobre a complexidade informativa (Carri&ccedil;o Reis, 2009).</p>     <p>Notamos de forma reiterada esta pr&aacute;tica jornal&iacute;stica num conjunto de tem&aacute;ticas relacionadas com este grupo de jovens; percebemos um dado sentimento geral de frustra&ccedil;&atilde;o decorrente de um investimento na educa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o gera retorno laboral. Este sentimento de frustra&ccedil;&atilde;o &eacute; potenciado na edi&ccedil;&atilde;o do <i>Correio da Manh&atilde;</i> no dia 22/06/2011 na pe&ccedil;a &ldquo;mais 3 mil &lsquo;doutores&rsquo; no desemprego&rdquo; em que &ldquo;jovens com forma&ccedil;&atilde;o superior t&ecirc;m estado a ser fortemente afectados pelo desemprego. Em Novembro, eram 51796 as pessoas com habilita&ccedil;&atilde;o superior que n&atilde;o tinham trabalho&rdquo; (p&aacute;g. 26). Ouvimos ent&atilde;o o Filipe, que com 27 anos vai voltar a viver com os pais. A V&acirc;nia, que com um mestrado vai procurar emprego em f&aacute;bricas, caf&eacute;s, restaurantes. Discursos atravessados pela &ldquo;vontade de emigrar&rdquo;, que Sofia assume de forma directa. A emigra&ccedil;&atilde;o omnipresente que &eacute; tratada com lateralidade pelos jornais em causa. Um conjunto de depoimentos e tem&aacute;ticas, tratadas de forma avulsa, que n&atilde;o consubstanciam uma explica&ccedil;&atilde;o estruturada de um fen&oacute;meno multi-causal, que produz m&uacute;ltiplos efeitos.&nbsp;&nbsp;</p>     <p>A excep&ccedil;&atilde;o que constatamos, foi na abordagem a condi&ccedil;&atilde;o feminina no mercado de trabalho. Tal facto se deveu a um processo de auto-identifica&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero por parte das jornalistas. Diana Ramos sublinha a situa&ccedil;&atilde;o de maior precariedade da condi&ccedil;&atilde;o feminina, mulheres mais penalizadas pelos sal&aacute;rios mesmo entre licenciados, como refere nas edi&ccedil;&otilde;es do <i>Correio da Manh&atilde;</i> de 02/01/2011 e de 18/01/2011. De igual modo a jornalista Raquel Oliveira sublinha a debilidade da condi&ccedil;&atilde;o feminina no mercado de trabalho, dando destaque em caixa a como o desemprego atinge com maior severidade as mulheres (CM, 30/04/2011).</p>     <p>Face ao exposto e na sequ&ecirc;ncia da pergunta de partida e dos objectivos inicialmente tra&ccedil;ados verificamos; pese a constatarmos estilos jornal&iacute;sticos diferenciados no que tange a cobertura do desemprego juvenil por parte do <i>P&uacute;blico</i> e do <i>Correio da Manh&atilde;</i>, existe uma natureza substantiva da cobertura jornal&iacute;stica que atenua em dois aspectos essas diferen&ccedil;as estil&iacute;sticas (que como vimos, muito se fizeram notar na abordagem geral a quest&atilde;o do desemprego). Um primeiro aspecto, foi verificamos um padr&atilde;o de cobertura medi&aacute;tica em ambos os jornais. <i>P&uacute;blico</i> e <i>Correio da Manh&atilde;</i> primam por uma cobertura oficialista e simplista; assistimos a uma leitura institucionalizada, que privilegia as fontes oficiais em detrimento dos testemunhos juvenis. Notamos uma abordagem centrada nas dimens&otilde;es estat&iacute;sticas do problema, descaracterizando a compreens&atilde;o acerca da complexidade do fen&oacute;meno e obviando a multiplicidade de tem&aacute;ticas que acarreta a quest&atilde;o do desemprego juvenil (que detalhamos na primeira ep&iacute;grafe deste texto). Diante de enquadramentos t&atilde;o minimalistas, os jornais n&atilde;o produziram o entendimento reflexivo que caracteriza este meio de comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Num segundo aspecto, registamos um interesse residual pela tem&aacute;tica. Se atendermos que no per&iacute;odo de 2009/2013 verificamos um total de 3642 edi&ccedil;&otilde;es (<i>Correio da Manh&atilde;</i> e <i>P&uacute;blico</i>), &eacute; l&iacute;cito constactar que 194 pe&ccedil;as encontradas sobre o des&iacute;gnio da categoria desemprego s&atilde;o manifestamente residuais. Se levarmos em linha de conta que a tem&aacute;tica do desemprego &eacute; uma das preocupa&ccedil;&otilde;es prementes da sociedade portuguesa, como evidenciam os estudos de opini&atilde;o de que fal&aacute;vamos no in&iacute;cio do texto, assistimos claramente a um descompasso entre a opini&atilde;o p&uacute;blica e a opini&atilde;o publicada.</p>     <p>Se colocarmos o foco no desemprego juvenil, com um total de 26 pe&ccedil;as, ainda se intensifica de forma mais expressiva um alheamento da cobertura medi&aacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao fen&oacute;meno. Dado que o tema n&atilde;o mereceu cobertura de maior por parte dos dois peri&oacute;dicos, a explica&ccedil;&atilde;o parece radicar na forma de organiza&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio da imprensa. O modelo jornal&iacute;stico vigente, orientado para a rentabilidade, pugna por adequar tem&aacute;ticas e mensagens aos p&uacute;blicos-alvo que cirurgicamente t&ecirc;m radiografados. O desinteresse juvenil pelos t&iacute;tulos generalistas parece ditar por parte das redac&ccedil;&otilde;es dos jornais uma menoriza&ccedil;&atilde;o das tem&aacute;ticas associadas a esta faixa et&aacute;ria. J&aacute; que segundo o anu&aacute;rio de comunica&ccedil;&atilde;o da Obercom (2012), o leitor juvenil tem uma propens&atilde;o maior para o consumo de jornais desportivos e de revistas de recorte geracional (com tiragens semanais e mensais).</p>     <p>A segmenta&ccedil;&atilde;o da imprensa tem como l&oacute;gica associada a teoria do <i>espelho</i> e <i>refor&ccedil;o</i>, representa o tecido social que se reconhece a si mesmo na cobertura informativa (gerando empatia medi&aacute;tica) e acentua os rasgos dominantes, normas e valores, das identidades compradoras. Assim, as representa&ccedil;&otilde;es sociais das empresas medi&aacute;ticas obedecem ao crit&eacute;rio das &ldquo;identidades lucrativas&rdquo; (Sampedro, 2004). Constroem iminentemente discurso sobre os grupos, movimentos, agentes sociais que na troca de refor&ccedil;o simb&oacute;lico retribuam com consumo fidelizado. Em parte isso explica o desinteresse pela cobertura da tem&aacute;tica do desemprego, j&aacute; que os desempregados se constituem como identidade n&atilde;o lucrativa. Assim como os jovens desde o seu peso demogr&aacute;fico residual, de 11,1%<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> em rela&ccedil;&atilde;o a popula&ccedil;&atilde;o residente, s&atilde;o tomados como &ldquo;lucro marginal&rdquo;.</p>     <p>Outro factor determinante radica no perfil do usu&aacute;rio juvenil, que responde a padr&otilde;es de literacia medi&aacute;tica digital. Ora esta quest&atilde;o, &eacute; t&atilde;o ou mais determinante, que a quest&atilde;o dos recursos econ&oacute;micos dispon&iacute;veis, pois o processo de socializa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tico parece deslocar a modalidade de consumo tradicional para formas digitais de acesso a informa&ccedil;&atilde;o. O que coloca novos desafios &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas, no sentido da fideliza&ccedil;&atilde;o de uma gera&ccedil;&atilde;o de abund&acirc;ncia informativa em regime de gratuitidade, que busca outros f&oacute;runs onde possa apropriar-se das mensagens de auto-representa&ccedil;&atilde;o e participe no definir da sua pr&oacute;pria identidade (Gonz&aacute;lez, 2008).</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Agee, W. e Traquina, N. (1984). <i>O Quarto Poder Frustrado: Os Meio de Comunica&ccedil;&atilde;o Social no Portugal P&oacute;s-Revolucion&aacute;rio</i>. Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Veja.</p>     <p>Alves, N.; Cantante, F.; Baptista, I. e Carmo, R. (2011). <i>Jovens em Transi&ccedil;&otilde;es Prec&aacute;rias: Trabalho, quotidiano e futuro</i>. Lisboa: Mundos Sociais.</p>     <p>Alves, P.; Po&ccedil;as, L. e Tom&eacute;, R. (2013). A crise do emprego jovem em Portugal e a negocia&ccedil;&atilde;o colectiva. Universidade da Beira Interior. <i>Anais do XV Encontro Nacional de Sociologia Industrial, das Organiza&ccedil;&otilde;es e do Trabalho</i>. <i>Rela&ccedil;&otilde;es Sociais em Tempo de Crise: Trabalho, Emprego e Justi&ccedil;a Social</i>. Covilh&atilde;.</p>     <p>Amaral, L. (2010). <i>Economia Portuguesa. As &Uacute;ltimas D&eacute;cadas</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos/Rel&oacute;gio d&rsquo;&Aacute;gua.</p>     <!-- ref --><p>Bell, D. (1999). <i>The Coming of Post-Industrial Society</i>. New York: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935644&pid=S1646-5954201700010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Berlingieri, F.; Bonin, H. e Sprietsma, M. (2014). Youth Unemployment in Europe &ndash; Appraisal and Policy Options. (Relat&oacute;rio de estudo). Mannheim: Robert Bosch Stiftung.</p>     <!-- ref --><p>Cardoso, G. (2007). <i>A m&iacute;dia na sociedade em rede.</i> Rio de Janeiro: Editora FGV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935647&pid=S1646-5954201700010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Carri&ccedil;o Reis, B. (2009). <i>De la dictadura a la democracia; recuerdos y olvidos de la transici&oacute;n pol&iacute;tica espa&ntilde;ola. Medios de comunicaci&oacute;n y reconstrucci&oacute;n de la(s) memoria(s) colectiva(s) en Espa&ntilde;a</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento n&atilde;o publicada, doutoramento em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidad Rey Juan Carlos de Madrid. Madrid.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Coelho, M. (2009). Jovens no discurso da imprensa portuguesa: um estudo explorat&oacute;rio. <i>An&aacute;lise Social,</i> XLIV (191), pp. 361-377.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935650&pid=S1646-5954201700010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA (2012). <i>Combater o desemprego juvenil: utilizar os fundos estruturais da UE para ajudar os jovens. </i>Dispon&iacute;vel em <a href="http://ec.europa.eu/commission_2010-2014/president/pdf/council_dinner/youth_action_team_pt.pdf" target="_blank">http://ec.europa.eu/commission_2010-2014/president/pdf/council_dinner/youth_action_team_pt.pdf</a> (acedido a 15 de Agosto de 2013).</p>     <p>COSEC (2013). Estudo anual COSEC Insolv&ecirc;ncias 2012. Lisboa: COSEC. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.aip.pt/irj/go/km/docs/site-manager/www_aip_pt/documentos/homepage/informacao/201302_COSECInsolvencias12%20%284%29.pdf" target="_blank">http://www.aip.pt/irj/go/km/docs/site-manager/www_aip_pt/documentos/homepage/informacao/201302_COSECInsolvencias12%20%284%29.pdf</a> (acedido a 1 de Agosto de 2013).</p>     <!-- ref --><p>EUROFOUND (2014). <i>Mapping youth transitions in Europe</i>. Luxemburgo: Publications Office of the European Union.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935654&pid=S1646-5954201700010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Figueiredo, A.; Silva, C. e Ferreira, V. (1999). <i>Jovens em Portugal. An&aacute;lise longitudinal de fontes estat&iacute;sticas</i>. Oeiras, Celta.&nbsp;</p>     <p>Filho, J. e Lemos, J. (2008). Imperativos da conduta juvenil no s&eacute;culo XXI: a &lsquo;Gera&ccedil;&atilde;o Digital&rsquo; na m&iacute;dia impressa brasileira. <i>Revista Comunica&ccedil;&atilde;o, M&iacute;dia e Consumo</i>, 5 (13), pp. 11-25.</p>     <!-- ref --><p>Filho, J. (2006). Formas e normas da adolesc&ecirc;ncia e da juventude na m&iacute;dia. Em J. Filho e P. Vaz (Orgs<i>). Constru&ccedil;&otilde;es do tempo e do outro: representa&ccedil;&otilde;es e discursos midi&aacute;ticos sobre alteridade </i>(pp. 37-63). Rio de Janeiro: Mauad X.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935658&pid=S1646-5954201700010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fragoso, A. (2010). <i>Formas e express&otilde;es da comunica&ccedil;&atilde;o visual em Portugal, contributo para o estudo da cultura visual do s&eacute;culo XX, atrav&eacute;s das publica&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento n&atilde;o publicada, doutoramento em <i>Design</i>, Universidade T&eacute;cnica de Lisboa. Lisboa.</p>     <!-- ref --><p>Galtung, J. e Ruge, M. (1981). Structuring and selecting news. Em S. Cohen e J. Young (Eds.). <i>The manufacture of news </i>(pp.62-72)<i>. </i>Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935661&pid=S1646-5954201700010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Gans, H. (1979). <i>Deciding what&rsquo;s news</i>. Nova Iorque, Pantheon books.</p>     <p>Gon&ccedil;alves, C. (2005). Evolu&ccedil;&otilde;es recentes do desemprego em Portugal, <i>Sociologia, </i>15, pp. 125-163.</p>     <p>Gonz&aacute;lez, G. (2008). El consumo juvenil en la sociedad mediatica. <i>Comunica&ccedil;&atilde;o, m&iacute;dia e consumo</i>, 5 (12), pp. 57-75.</p>     <p>Hughes, D. e Borb&eacute;ly-Pecze, T. (2014). Desemprego Jovem: Uma Crise Instalada &ndash; O papel das pol&iacute;ticas de orienta&ccedil;&atilde;o ao longo da vida na resposta &agrave; oferta e procura de trabalho. (Concept Note No. 2). Lisboa: ELGPN.</p>     <p>INSTITUTO NACIONAL DE ESTAT&Iacute;STICA, [INE], (2014). <i>Dia Internacional da Juventude</i>. Lisboa: Destaque INE.</p>     <p>Lima, H., &amp; Reis, A. (2014). A hierarquiza&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias e os coment&aacute;rios do p&uacute;blico nos <i>sites </i>de quatro di&aacute;rios portugueses. Escola Superior de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. <i>Actas do 8&ordm; Congresso SOPCOM: Comunica&ccedil;&atilde;o Global, Cultura e Tecnologia</i>. Lisboa.</p>     <p>Lopes, S. (2013). <i>O desemprego de indiv&iacute;duos com forma&ccedil;&atilde;o superior: a emigra&ccedil;&atilde;o como uma poss&iacute;vel solu&ccedil;&atilde;o</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;o publicada, mestrado em Economia e Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas, Universidade do Porto. Porto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Marktest (2012). <i>Anu&aacute;rio de Media &amp; Publicidade 2011. </i>Lisboa, Grupo Marktest.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935670&pid=S1646-5954201700010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marktest (2016). <i>Anu&aacute;rio de Media &amp; Publicidade 2015</i>. Lisboa, Grupo Marktest.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935672&pid=S1646-5954201700010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Matos, J., Domingos, N. e Kumar, R. (2011). <i>Prec&aacute;rios em Portugal. </i>Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.</p>     <p>OBERCOM (2006). <i>Dietas de media em Portugal. Televis&atilde;o, imprensa, radio e internet. </i>Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.obercom.pt/client/?newsId=30&amp;fileName=wr1.pdf" target="_blank"><i>http://www.obercom.pt/client/?newsId=30&amp;fileName=wr1.pdf</i></a> (acedido a 15 de Agosto de 2013)</p>     <p>OBERCOM (2012). <i>Anu&aacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o 2011-2012. </i>Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.obercom.pt/client/?newsId=28&amp;fileName=Anuario2012.pdf" target="_blank"><i>http://www.obercom.pt/client/?newsId=28&amp;fileName=Anuario2012.pdf</i></a> (acedido a 1 de Setembro de 2013)</p>     <p>Oliveira, L. e Carvalho, H. (2010). <i>Regula&ccedil;&atilde;o e Mercado de Trabalho</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es S&iacute;labo.&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>ORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O INTERNACIONAL DO TRABALHO, [OIT], (2012).<i> The youth employment crisis: Time for action</i>. Geneva: Bureau.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935678&pid=S1646-5954201700010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pais, J. (1990). A constru&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica da juventude &ndash; alguns contributos.<i> An&aacute;lise Social,</i> XXV (105-106), pp. 139-165.</p>     <p>Pais, J. M. (1991). Emprego juvenil e mudan&ccedil;a social: velhas teses, novos modos de vida, <i>An&aacute;lise Social</i>, vol. XXVI, 114, pp. 945-987.</p>     <!-- ref --><p>Pais, J. (2003). <i>Culturas juvenis</i>. Lisboa: INCM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935682&pid=S1646-5954201700010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pereira, J. P. (2013) <i>Cr&oacute;nicas dos d&iacute;as do lixo. </i>Lisboa: Temas &amp; Debates/Circulo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935684&pid=S1646-5954201700010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PORDATA (s/d). <i>Taxa de Desemprego Total e por grupo et&aacute;rio em Portugal. </i>Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+de+desemprego+total+e+por+grupo+etario+%28percentagem%29-553" target="_blank">http://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+de+desemprego+total+e+por+grupo+etario+%28percentagem%29-553</a> (acedido a 15 de Agosto de 2014).</p>     <p>PORDATA (s/d). <i>Popula&ccedil;&atilde;o residente com 15 a 64 anos e 65 e mais anos: por n&iacute;vel de escolaridade completo mais elevado em Portugal. </i>Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.pordata.pt/Portugal/Popula%c3%a7%c3%a3o+residente+com+15+a+64+anos+e+65+e+mais+anos+por+n%c3%advel+de+escolaridade+completo+mais+elevado-332" target="_blank">http://www.pordata.pt/Portugal/Popula%c3%a7%c3%a3o+residente+com+15+a+64+anos+e+65+e+mais+anos+por+n%c3%advel+de+escolaridade+completo+mais+elevado-332</a> (acedido a 1 de Agosto de 2014)</p>     <!-- ref --><p>Reig, R. (1998). <i>Medios de comunicaci&oacute;n y poder en Espa&ntilde;a</i>. Barcelona: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935688&pid=S1646-5954201700010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ribeiro, R.; Frade, C.; Coelho, L. e Ferreira-Valente, A. (2015). Crise Econ&oacute;mica em Portugal: Altera&ccedil;&otilde;es nas Pr&aacute;ticas Quotidianas e nas Rela&ccedil;&otilde;es Familiares. Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. <i>Livro de Atas do 1&ordm;. Congresso da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional das Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas em L&iacute;ngua Portuguesa. </i>Lisboa.</p>     <!-- ref --><p>Rowland, J.; Ferreira, V.; Vieira, M. e Papp&aacute;mikail, L.&nbsp; (2014). Nem em emprego, nem em educa&ccedil;&atilde;o ou forma&ccedil;&atilde;o: jovens <i>NEEF</i> em Portugal numa perspetiva comparada (POLICY BRIEF 2014). Lisboa: ICS/OPJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935691&pid=S1646-5954201700010000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>S&aacute;, V. (2014). <i>O Desemprego Jovem em Portugal. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;o publicada, mestrado em Economia, Universidade de Coimbra. Coimbra.</p>     <p>Sampedro, V. (2004). Identidades medi&aacute;ticas e identificaciones mediatizadas. Visibilidad y reconocimiento identitario en los medios de comunicaci&oacute;n. <i>Revista CIDOB d&rsquo;Afers Internacionals,</i> 66-67, pp. 135-149.</p>     <p>Schlesinger, P. (1978). <i>Putting &ldquo;reality&rdquo; together. </i>Londres, Constable.</p>     <!-- ref --><p>Sennett, R. (1998). <i>The Corrosion of Character. The Personal Consequences of Work in the New Capitalism.</i> New York: W. W. Norton &amp; Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935696&pid=S1646-5954201700010000900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tuchman, G. (1978). <i>Making News: A study in the construction of reality</i>. Nova Iorque, Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935698&pid=S1646-5954201700010000900031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Vieira, J. (2006). Emprego e desemprego. Em V. Ferreira (Coord.). <i>A condi&ccedil;&atilde;o juvenil portuguesa na viragem do mil&eacute;nio. Um retrato longitudinal atrav&eacute;s de fontes estat&iacute;sticas oficiais: 1990-2005 </i>(pp.90-109). Lisboa: Instituto Portugu&ecirc;s da Juventude<i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=935700&pid=S1646-5954201700010000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></p>     <p>Vilas, B. (2013<i>). Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Desemprego Jovem</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;o publicada, mestrado em Ci&ecirc;ncia Politica, Universidade da Beira Interior. Covilh&atilde;.</p>     <p>Wickert, L. (2006). Desemprego e Juventude: Jovens em Busca do Primeiro Emprego. <i>Psicologia Ci&ecirc;ncia e Profiss&atilde;o</i>, 26 (2), pp. 258-269</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> No ano de 2003, num estudo de opini&atilde;o realizado pela empresa Novadir, 47,9% dos inquiridos considerava que a quest&atilde;o do emprego/desemprego era o assunto que mais os preocupava. No ano de 2016, a Multidados, concluiu que 28% dos inquiridos tinham como principal preocupa&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e financeira, e a quest&atilde;o do desemprego apareceria em segundo lugar com 26%.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Consideramos jovens, todos aqueles indiv&iacute;duos cuja idade est&aacute; compreendida entre os 15 e os 29 anos, em sintonia com a categoriza&ccedil;&atilde;o usada pelo INE.&nbsp;&nbsp;</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Verificar tend&ecirc;ncia em: <a href="http://www.pordata.pt/Portugal/Populacao+residente+com+15+a+64+anos+e+65+e+mais+anos+por+nivel+de+escolaridade+completo+mais+elevado-332" target="_blank">http://www.pordata.pt/Portugal/Populacao+residente+com+15+a+64+anos+e+65+e+mais+anos+por+nivel+de+escolaridade+completo+mais+elevado-332</a></p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Leia-se para o efeito o relat&oacute;rio de 2014 do <i>Eurofound</i> que como eixo central aborda o agravamento&nbsp; da&nbsp; situa&ccedil;&atilde;o laboral dos jovens no contexto de crise: <a href="http://www.eurofound.europa.eu/sites/default/files/ef_files/pubdocs/2013/92/en/1/EF1392EN.pdf" target="_blank">http://www.eurofound.europa.eu/sites/default/files/ef_files/pubdocs/2013/92/en/1/EF1392EN.pdf</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Ver para o efeito o estudo elaborado pela COSEC acerca das insolv&ecirc;ncias: <a href="http://www.aip.pt/irj/go/km/docs/site-manager/www_aip_pt/documentos/homepage/informacao/201302_COSECInsolvencias12%20%284%29.pdf" target="_blank">http://www.aip.pt/irj/go/km/docs/site-manager/www_aip_pt/documentos/homepage/informacao/201302_COSECInsolvencias12%20%284%29.pdf</a></p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> O crescimento das taxas de desemprego eclodiu de forma transversal num crescente n&uacute;mero de pa&iacute;ses ocidentais. Segundo os dados do Pordata, numa d&eacute;cada, a Europa dos 27 passou de uma taxa m&eacute;dia de desemprego em 2002 de 8,9% para 10,4% em 2012. Comparativamente, no caso portugu&ecirc;s, o desemprego atingiu uma maior severidade, passamos de uma taxa de 7,6% de desempregados em 2008 para uma taxa de 9,4% em 2009<sup>[6]</sup>. Em 2013 o desemprego atingiria um marco hist&oacute;rico, 16,4% da popula&ccedil;&atilde;o activa portuguesa estava oficialmente sem emprego.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Pese a recorr&ecirc;ncia dos 4 enunciadores tipo em toda a temporalidade analisada, utilizamos de forma ilustrativa t&iacute;tulos de um ano em concreto (2012), por permitir uma coer&ecirc;ncia contextual maior dentro da unidade de amostra.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Para informa&ccedil;&otilde;es mais detalhadas consultar: <a href="http://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+de+desemprego+total+e+por+grupo+etario+%28percentagem%29-553" target="_blank">http://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+de+desemprego+total+e+por+grupo+etario+%28percentagem%29-553</a></p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Segundo os Censos de 2011.</p>      ]]></body><back>
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