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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Twitter: de espaço de mobilização a espaço de comentário: O caso do meet do Vasco da Gama]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Twitter: from platform for mobilization to platform for commentary. The 2014 meet in Lisbon]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This interdisciplinary article aims to analyze the role of Twitter in the &#8220;meet&#8221; at the shopping center Vasco da Gama, in 20 August 2014, which had particularly high media coverage, bringing this type of events to debate on the public sphere. For this purpose, we start by reflecting on the multiplicity of uses of Twitter, its uses by the younger population and also about the phenomenon of &#8220;meets&#8221; and its purpose. Then, we analyze the content of 1976 tweets posted between 14 and 24 August, which were filtered automatically by a method called Fuzzy Fingerprints using hashtags and relevant keywords on the topic. This empirical analysis shows, on the one hand, Twitter as a platform for mobilization and commentary, enabler of online/offline interactions and used by young people as a source of social distinction. On the other hand, the tweets related to the &#8220;meet&#8221; expressively illustrate the cultural, linguistic and social processes underlying this phenomenon.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Twitter: de espa&ccedil;o de mobiliza&ccedil;&atilde;o a espa&ccedil;o de coment&aacute;rio:&nbsp;O caso do <i>meet</i> do Vasco da Gama</b></p>     <p><b>Twitter: from platform for mobilization to platform for commentary. The 2014 <i>meet</i> in Lisbon</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Catarina Rebelo*, Ines Pereira**, Hugo Rosa***, Fernando Batista****, Jo&atilde;o P. Carvalho*****</b></p>     <p>* Centre for Research and Studies in Sociology,University Institute of Lisbon CIES- IUL</p>     <p>** Centre for Research and Studies in Sociology,University Institute of Lisbon CIES- IUL</p>     <p>*** INESC-ID: Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investiga&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento</p>     <p>**** INESC-ID: Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investiga&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento</p>     <p>***** INESC-ID: Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investiga&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo interdisciplinar tem por objetivo analisar o papel do Twitter no <i>meet</i> do centro comercial Vasco da Gama de 20 de agosto de 2014, o qual se tornou particularmente medi&aacute;tico, trazendo para a opini&atilde;o p&uacute;blica o debate sobre este tipo de eventos. Para tal, come&ccedil;amos por refletir sobre a multiplicidade dos usos do Twitter, pela sua utiliza&ccedil;&atilde;o pela popula&ccedil;&atilde;o mais jovem e tamb&eacute;m sobre o fen&oacute;meno dos <i>meets</i> e a sua finalidade. Em seguida analisamos o conte&uacute;do de 1976 tweets publicados entre os dias 14 e 24 de agosto, que foram filtrados de forma autom&aacute;tica recorrendo a um m&eacute;todo de classifica&ccedil;&atilde;o designado por <i>Fuzzy Fingerprints</i> (Impress&otilde;es Digitais Difusas) com base em hashtags e palavras-chave relevantes sobre o tema.</p>     <p>Esta an&aacute;lise emp&iacute;rica mostra-nos, por um lado, o Twitter como plataforma de mobiliza&ccedil;&atilde;o e coment&aacute;rio, potencializadora de intera&ccedil;&otilde;es <i>online/offline</i> e que &eacute; utilizada pelos jovens como fonte de distin&ccedil;&atilde;o social. Por outro lado, os <i>tweets </i>partilhados em torno do <i>meet</i> ilustram de modo expressivo os processos culturais, lingu&iacute;sticos e sociais que est&atilde;o por detr&aacute;s deste fen&oacute;meno.</p>     <p><b>Palavas Chave</b>: redes sociais, jovens, <i>meet, </i>mobiliza&ccedil;&atilde;o coletiva, Twitter</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This interdisciplinary article aims to analyze the role of Twitter in the &ldquo;meet&rdquo; at the shopping center Vasco da Gama, in 20 August 2014, which had particularly high media coverage, bringing this type of events to debate on the public sphere. For this purpose, we start by reflecting on the multiplicity of uses of Twitter, its uses by the younger population and also about the phenomenon of &ldquo;meets&rdquo; and its purpose. Then, we analyze the content of 1976 <i>tweets</i> posted between 14 and 24 August, which were filtered automatically by a method called Fuzzy Fingerprints using hashtags and relevant keywords on the topic.</p>     <p>This empirical analysis shows, on the one hand, Twitter as a platform for mobilization and commentary, enabler of online/offline interactions and used by young people as a source of social distinction. On the other hand, the <i>tweets</i> related to the &ldquo;meet&rdquo; expressively illustrate the cultural, linguistic and social processes underlying this phenomenon.</p>     <p><b>Keywords</b>: online social networks, young people, <i>meet, </i>collective mobilization, Twitter</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O <i>meet</i> do Vasco da Gama e o Twitter</b></p>     <p>No dia 20 de agosto de 2014, um encontro de jovens convocado para o Parque das Na&ccedil;&otilde;es em Lisboa atinge repercuss&otilde;es assinal&aacute;veis dos m&eacute;dia e na opini&atilde;o p&uacute;blica. Tratava-se de um <i>meet</i>, um encontro convocado atrav&eacute;s das redes sociais online, que se tornou not&iacute;cia devido a alegados desacatos no centro comercial Vasco da Gama, pr&oacute;ximo do ponto de encontro combinado, o que levou a uma interven&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia, que deteve alguns jovens e barrou a entrada no centro comercial a outros. Nos dias que se seguiram, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social acompanharam entusiasticamente o fen&oacute;meno dos <i>meets</i>, discutindo a potencial viol&ecirc;ncia a estes associada. Simultaneamente, vis&otilde;es mais cr&iacute;ticas contestaram a exist&ecirc;ncia de racismo e descrimina&ccedil;&atilde;o social na atua&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia. Os <i>meets</i> tornaram-se subitamente e durante um certo per&iacute;odo de tempo, um foco de aten&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, medi&aacute;tica e pol&iacute;tica.</p>     <p>A discuss&atilde;o p&uacute;blica decorrida em torno desta quest&atilde;o desenvolveu-se, como n&atilde;o &eacute; de estranhar, em diferentes esferas. Uma parte desta discuss&atilde;o decorreu nas redes sociais como o Facebook ou o Twitter. Estava assim cumprido um movimento circular entre o espa&ccedil;o &lsquo;real&rsquo;, urbano, e o espa&ccedil;o &lsquo;virtual&rsquo; das redes sociais. O <i>meet</i>, convocado nas redes sociais, propunha-se a juntar cara-a-cara um conjunto de jovens que apenas se conhecia virtualmente. Os acontecimentos sucessivos do dia 20 de agosto no centro comercial Vasco da Gama foram depois, e em tempo real, discutidos e comentados nas mesmas redes virtuais de onde o projeto deste encontro tinha emergido.</p>     <p>O presente artigo prop&otilde;e-se a discutir este tema a partir do prisma das redes sociais e, particularmente, do Twitter. Insere-se num projeto em curso, intitulado <i>MISNIS &ndash; Extra&ccedil;&atilde;o inteligente de Informa&ccedil;&atilde;o de Redes Sociais P&uacute;blicas para An&aacute;lise da sua Influ&ecirc;ncia na Sociedade</i>, coordenado pelo INESC-ID, com a parceria do CIES-IUL (Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos de Sociologia/Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. O objetivo deste projeto interdisciplinar era, por um lado, o desenvolvimento e a implementa&ccedil;&atilde;o de uma plataforma inteligente que permitisse a recolha e armazenamento de uma elevada percentagem dos <i>tweets</i> produzidos no espa&ccedil;o geográfico portugu&ecirc;s e, por outro, a an&aacute;lise de conte&uacute;do desses mesmos <i>tweets</i>, a partir da sua an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica. Os <i>tweets</i> surgem aqui como um espelho da realidade social e, simultaneamente, como parte constituinte dessa mesma realidade. O potencial sociol&oacute;gico da an&aacute;lise dos <i>tweets</i> &eacute; enorme, permitindo perceber, de forma particularmente interessante, uma sucess&atilde;o de eventos desde a sua prepara&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave;s suas repercuss&otilde;es, juntando dados factuais sobre as pr&aacute;ticas dos atores com informa&ccedil;&atilde;o preciosa sobre o sentido que conferem &agrave;s suas a&ccedil;&otilde;es e sobre o modo como interpretam a realidade.</p>     <p>Come&ccedil;aremos por discutir mais atentamente o papel do Twitter na sociedade atual e enquanto foco da an&aacute;lise sociol&oacute;gica, prestando uma aten&ccedil;&atilde;o particular ao papel dos jovens enquanto utilizadores desta ferramenta. O enquadramento te&oacute;rico complementa-se com uma discuss&atilde;o sobre os <i>meets</i> enquanto um fen&oacute;meno &lsquo;novo&rsquo; mas n&atilde;o necessariamente inovador, e particularmente interessante na ilustra&ccedil;&atilde;o da interpenetra&ccedil;&atilde;o das esferas &lsquo;real&rsquo; e &lsquo;virtual&rsquo;.</p>     <p>Ap&oacute;s uma breve discuss&atilde;o metodol&oacute;gica necess&aacute;ria para perceber o trabalho que foi realizado e as suas potenciais vantagens e limita&ccedil;&otilde;es, a an&aacute;lise de dados decorrer&aacute; em duas partes, por um lado, ser&aacute; apresentada a <i>timeline</i> de <i>tweets</i> ligados ao <i>meet</i> do Vasco da Gama (percebendo-se assim o fluxo de <i>tweets</i> sobre esta mat&eacute;ria ao longo dos dias em torno do evento), por outro lado, ser&aacute; feita uma an&aacute;lise de conte&uacute;do aos pr&oacute;prios <i>tweets</i>, em torno de algumas das dimens&otilde;es fundamentais, ilustrando-se desta forma quais os usos que s&atilde;o dados a esta ferramenta online e qual a perce&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&otilde;es constru&iacute;dos em torno do <i>meet</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O Twitter e os seus usos</b></p>     <blockquote>&ldquo;In this system, as information producers, people post tweets for a variety of purposes, including daily chatter, conversations, sharing information/URL&rsquo;s and reporting news, defining a continuous real-time status stream about every argument&rdquo;</blockquote>     <p>(Cataldi, Di Caro &amp; Schifanella, 2010, p.1)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A popular plataforma online de <i>microblogging</i> Twitter, lan&ccedil;ada em 2006<i>,</i> permite aos utilizadores enviar e ler curtas mensagens de no m&aacute;ximo 140 caracteres, conhecidos como <i>tweets. </i>A ferramenta teve desde o seu lan&ccedil;amento uma r&aacute;pida ades&atilde;o e crescimento e, no in&iacute;cio de 2015, contava com 284 milh&otilde;es de utilizadores mensais e com 200 milh&otilde;es de <i>tweets</i> enviados por dia, de acordo com dados disponibilizados pelo pr&oacute;prio Twitter<<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Em Portugal, segundo um estudo do OberCom<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, apenas 9% dos utilizadores da Internet tinha perfil criado no Twitter em 2013.</p>     <p>Ao contr&aacute;rio de outras redes sociais, o Twitter n&atilde;o foi inicialmente desenhado com o objetivo de ser uma plataforma para constru&ccedil;&atilde;o de comunidades, mas como uma ferramenta de dissemina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o (Gruzd, Wellman, &amp; Takhteyev, 2011).</p>     <p>Boyd e Ellison (2007) definem sites de redes sociais como um servi&ccedil;o online que permitem aos utilizadores construir o seu perfil p&uacute;blico ou semi-p&uacute;blico, gerir uma lista de outros utilizadores com os quais partilham uma conex&atilde;o e ver a lista de utilizadores a quem est&atilde;o conectados e as conex&otilde;es de outros utilizadores.</p>     <p>Para Rogers (2013) o Twitter n&atilde;o tem as caracter&iacute;sticas de uma rede social, especialmente pela baixa reciprocidade entre &ldquo;seguidores&rdquo; (Rogers, 2013, p.15). H&aacute;, no entanto, tr&ecirc;s tipos de possibilidade de intera&ccedil;&atilde;o interpessoal entre utilizadores: &ldquo;seguir&rdquo; outros utilizadores, de forma a receber os <i>tweets</i> destes perfis; partilhar <i>tweets</i> de outros perfis com os seus seguidores (tamb&eacute;m conhecido com <i>retweet</i>); e responder ou comentar <i>tweets</i> de outras pessoas (tamb&eacute;m conhecido como &ldquo;mentioning&rdquo;). (Cha, Haddadi, Benevenuto &amp; Gummadi, 2010, p.12).</p>     <p>Stephansen e Couldry (2014) identificam um solido corpo de literatura que explora as possibilidades de forma&ccedil;&atilde;o de comunidades no Twitter, nomeadamente as suas particulares caracter&iacute;sticas que permitem que seja um meio propenso &agrave; conversa&ccedil;&atilde;o, a forma como induz &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de identidade e de auto-apresenta&ccedil;&atilde;o, e as formas como pode estar na base da constru&ccedil;&atilde;o de valores e significados partilhados.</p>     <p>Os usos feitos da plataforma foram-se modificando ao longo dos anos, assim como a vis&atilde;o sobre a sua import&acirc;ncia social e o foco dos estudos que sobre ela se foram debru&ccedil;ando. Estas transforma&ccedil;&otilde;es aconteceram devido a um processo complexo onde influ&iacute;ram v&aacute;rios fatores, entre eles est&atilde;o ajustamentos t&eacute;cnicos e de conte&uacute;do que foram sendo feitos por parte dos criadores do Twitter (ex: possibilidade de criar listas de utilizadores, altera&ccedil;&atilde;o da pergunta de status), e a &ldquo;domestica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Silverstone, Hirsch &amp; Morley, 1999) da tecnologia que foi sendo feita no dia-a-dia pelos utilizadores (ex: <i>replies</i>, <i>retweets</i>, <i>hashtags</i> e url&rsquo;s encurtadas).</p>     <p>Para Rogers (2013) os estudos sobre o Twitter podem ser sistematizados em tr&ecirc;s per&iacute;odos: Uma primeira fase em que &eacute; visto como uma m&aacute;quina de &ldquo;ambiente intimacy&rdquo;, uma segunda abordagem que v&ecirc; a plataforma como uma fonte noticiosa e uma terceira fase, que se estaria agora a desenhar, em que se v&ecirc; o Twitter como uma m&aacute;quina fornecedora de dados e de antecipa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>De acordo com esta an&aacute;lise, durante a primeira fase do Twitter, os estudos baseavam-se nos conte&uacute;dos dos <i>tweets</i> e focavam-se na sua banalidade. &ldquo;As became the norm in Twitter research, they conceived of a series of tweet types, beginning with the senseless&rdquo; (Rogers, 2013, p.12). Os tipos de <i>tweets</i> acentavam nas seguintes categorias: &ldquo;I&acute;m eating a sandwich&rdquo; type; &ldquo;Conversional&rdquo;; &ldquo;Pass-along value&rdquo;; &ldquo;Self-promotional&rdquo;; &ldquo;Spam&rdquo; (Rogers, 2013, p.13).</p>     <p>Ainda durante este per&iacute;odo, a relev&acirc;ncia do Twitter passou a ser analisada para al&eacute;m do interesse ou falta de interesse dos conte&uacute;dos publicados pelos seus utilizadores. Para Miller (2008, p.388), a comunica&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do Twitter (e outros m&eacute;dia digitais) n&atilde;o &eacute; dial&oacute;gica ou informacional. Nesse sentido, Miller (2008) sublinha a relev&acirc;ncia do Twitter como potenciador da &ldquo;cultura p&aacute;tica&rdquo; onde &ldquo;the maintenance of a network itself has become the primary focus.&rdquo; (Miller, 2008, p. 398). Assim, n&atilde;o &eacute; o conte&uacute;do o mais relevante: &ldquo;content is not king, but &ldquo;keeping in touch&rdquo; is&rdquo; (Miller, 2008, p.395). No mesmo sentido, os conceitos de &ldquo;digital intimacy&rdquo; e &ldquo;connected presence&rdquo; mostram o Twitter como ferramenta para se manter conectado digitalmente com amigos pr&eacute;-existentes e manter uma presen&ccedil;a e disponibilidade digital constante. O que est&aacute;, segundo Rogers, nos objetivos para os quais a ferramenta foi originalmente criada: &ldquo;Twitter in that sense was conceived to and used also as an ambient, friend-following tool&rdquo; (Rogers, 2013, p.11).</p>     <blockquote>&ldquo;Such users imagined their audience as people they already knew, conceptualizing Twitter as a social space where they could communicate with pre-existing friends. This follows the argument that Twitter&rsquo;s strength is in its encouragement of &ldquo;digital intimacy&rdquo; (Thompson, 2008). Many tweets are phatic in nature (Miller, 2008) and serve a social function, reinforcing connections and maintaining social bonds (Crawford, 2009)&rdquo; (Marwick &amp; boyd, 2011, p.5).</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Dezembro de 2009, o Twitter altera a pergunta que coloca aos utilizadores, que at&eacute; a&iacute; tinha sido &ldquo;What are you doing?&rdquo; para &ldquo;What&rsquo;s happening?&rdquo;, mostrando o pr&oacute;prio Twitter a inten&ccedil;&atilde;o de se assumir como uma esp&eacute;cie de fonte noticiosa, uma plataforma para descobrir o que se est&aacute; a passar no momento. Este evento marca a segunda fase do Twitter, que &eacute; ent&atilde;o maioritariamente visto como uma fonte noticiosa para seguir eventos.</p>     <blockquote>&ldquo;Dorsey (um dos fundadores do Twitter), whose vision for Twitter usage always appeared to be more in the area of ambient intimacy, did aver that the service did &ldquo;well at: natural disasters, man-made disasters, events, conferences, presidential elections&rdquo; or what he calls &ldquo;massive shared experiences&rdquo; (Sarno, 2009 citado por Rogers, 2013, p. 16).</blockquote>     <p>Os estudos sobre o Twitter nesta fase focam-se onde o Twitter correu bem: Eventos, desastres e elei&ccedil;&otilde;es, dando novos focos &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o sobre tipos de <i>tweets</i> e seus objetivos.</p>     <p>O sucesso do Twitter nestes eventos leva, por um lado, a um entusiasmo com a nova possibilidade de cada cidad&atilde;o ser um jornalista, por outro, levanta v&aacute;rias quest&otilde;es sobre a qualidade do seguimento noticioso amador que pode ser feito atrav&eacute;s da plataforma, especialmente perante o concomitante enfraquecimento do jornalismo profissional, fruto dos baixos recursos que resultam de uma fal&ecirc;ncia do modelo de neg&oacute;cio da imprensa tradicional, precipitada pelo novo paradigma trazido pela Internet. Neste sentido, Andrew Keen (2007) argumenta que a Internet incentiva o &ldquo;culto do amador&rdquo; e que &eacute; respons&aacute;vel pelo decl&iacute;nio de qualidade do Jornalismo (Keen estende o argumentos a v&aacute;rios outros setores da sociedade).</p>     <blockquote>&ldquo;Twitter increasingly has come to be studied as an emergency communication channel in times of disasters and other major events, as well as an event-following and aid machine for revolution and uprising in the Middle East and beyond&rdquo; (Rogers, 2013, p. 21).</blockquote>     <p>De facto, o papel do Twitter nas revolu&ccedil;&otilde;es que ficaram conhecidas por &ldquo;primavera &aacute;rabe&rdquo; foi particularmente estudado e a sua maior ou menor relev&acirc;ncia na revolu&ccedil;&atilde;o bastante discutida. &ldquo;It was Sullivan (<i>blogger</i> pol&iacute;tico americano) who famously proclaimed &ldquo;The Revolution Will Be Twittered&rdquo; and called Twitter &ldquo;the critical tool for organizing the resistance in Iran.&rdquo; (Morozov, 2009, p.10). Outras vozes, como a de Morozov, acham que o papel do Twitter nestas revolu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; assim t&atilde;o central, lembrando que &ldquo;Twitter revolution is only possible in a regime where the state apparatus is completely ignorant of the Internet and has no virtual presence of its own.&rdquo; (2009, p.12).</p>     <p>O Twitter &eacute; hoje alvo de diferentes tipos de an&aacute;lise, ancoradas em v&aacute;rias componentes das suas caracter&iacute;sticas: Para a an&aacute;lise de <i>tweets</i> relevantes recorrem-se aos <i>retweets</i> (rt); para a categoriza&ccedil;&atilde;o de temas importantes analisam-se as <i>hashtags</i> (#); para an&aacute;lise de rede utilizam-se os <i>replies</i> e tamb&eacute;m a rela&ccedil;&atilde;o entre utilizadores que segue e por quem &eacute; seguido; para an&aacute;lise de refer&ecirc;ncias utilizam-se as url&rsquo;s encurtadas (Rogers, 2013, p.21).</p>     <p>Das inova&ccedil;&otilde;es criadas pelos utilizadores elencadas em cima, sublinhamos as <i>hashtags</i> que s&atilde;o provavelmente as mais recentes e cuja utiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; menos linear. As hastags s&atilde;o palavras-chave precedidas pelo s&iacute;mbolo &lsquo;#&rsquo;. S&atilde;o geralmente utilizadas com o objetivo de marcar um tweet como especialmente relevante para um tema ou t&oacute;pico conhecido, proporcionando a possibilidade de comunicar com uma &ldquo;comunidade de interesses&rdquo; (Bruns &amp; Burgess, 2014, p.1) sem ser necess&aacute;rio a rela&ccedil;&atilde;o seguido-seguidor por nenhum dos participantes. &ldquo;In fact, it is even possible to follow the stream of messages containing a given <i>hashtag</i> without becoming a registered Twitter user.&rdquo; (Bruns &amp; Burgess, 2014, p.1). As <i>hashtags</i> s&atilde;o criadas por qualquer pessoa, conforme a necessidade e sem qualquer tipo de supervis&atilde;o, estas caracter&iacute;sticas fazem com que diferentes <i>hashtags</i> surjam sobre o mesmo tema em diferentes regi&otilde;es da Twitosfera &ldquo;or that the same <i>hashtag</i> may be used for vastly different events taking place simultaneously&rdquo; (Bruns &amp; Burgess, 2014, p.3). As <i>hashtags</i> s&atilde;o tamb&eacute;m utilizadas muitas vezes como forma de obter mais visibilidade para um tweet, nesses casos, v&aacute;rias <i>hashtags</i> s&atilde;o colocadas num tweet que pode n&atilde;o estar totalmente relacionado com o tema a que se refere em hashtag. Outro caso muito comum &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o das <i>hashtags</i> para expressar sarcasmo, emo&ccedil;&otilde;es, ou um coment&aacute;rio &agrave; parte do tweet (Halavais, 2014, p. 37; Bruns &amp; Burgess, 2014, p.5). Esta fun&ccedil;&atilde;o, completamente diferente do seu prop&oacute;sito inicial, configura uma nova apropria&ccedil;&atilde;o desta ferramenta. &ldquo;(Hashtags) are used to convey extratextual meaning, in a Twitter-specific style&rdquo; (Bruns &amp; Burgess, 2014, p.5).</p>     <p>Rogers (2013) define uma terceira fase do Twitter, na qual se destacam dois novos usos e fun&ccedil;&otilde;es para a plataforma: o Twitter analisado como conjunto de dados, que, nos Estados Unidos, a Livraria do Congresso vai transformar em arquivo; e como meio antecipat&oacute;rio.</p>     <p>A potencialidade do Twitter como meio antecipat&oacute;rio (por exemplo no rastreamento de epidemias de gripe, ou na previs&atilde;o de oscila&ccedil;&otilde;es na bolsa de valores) &eacute; uma das raz&otilde;es apresentadas para o seu arquivo, nos E.U.A. (Rogers, 2013). Esta decis&atilde;o da Livraria do Congresso demonstra sobretudo a perce&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia do Twitter como fonte de dados para an&aacute;lise social (por exemplo de eventos como elei&ccedil;&otilde;es, desastres naturais ou provocados pelo homem). Para Risse, Peters, Senellart, e Maynard (2013), &ldquo;Twitter documents contemporary society in rich detail. Tweets give valuable insights into individuals, groups, and organisations, and enable an understanding of the public perception of events, people, products, or companies, including the flow of information.&rdquo;&nbsp; (2013, p. 208).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Deste modo, o Twitter &eacute; atualmente visto como uma prof&iacute;cua fonte de dados para a an&aacute;lise de v&aacute;rias quest&otilde;es sociais, alicer&ccedil;adas em diversas metodologias, continuando, no entanto, ele pr&oacute;prio a ser alvo de an&aacute;lise.</p>     <p>Apesar de determinados usos e objetivos na utiliza&ccedil;&atilde;o do Twitter serem especialmente marcantes de uma das fases, todas estas formas de utiliza&ccedil;&atilde;o do Twitter coexistem atualmente, e o mesmo utilizador pode usar o Twitter para v&aacute;rios fins (p&aacute;ticos, partilha e seguimento de informa&ccedil;&atilde;o, etc) ao mesmo tempo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Adolescentes e jovens no Twitter</b></p>     <p>As redes sociais e plataformas como o Twitter s&atilde;o hoje parte do dia-a-dia de muitas pessoas. Especialmente do dia-a-dia dos adolescentes e jovens, que s&atilde;o a faixa et&aacute;ria na qual h&aacute; maior n&uacute;mero de utilizadores das redes sociais.</p>     <p>Em Portugal, 94,1% das pessoas entre os 15 e os 24 anos utiliza a Internet, enquanto que no escal&atilde;o et&aacute;rio 25-24, h&aacute; 85,8% de utilizadores (Obercom, 2014). Em 2010, 50% dos portugueses que diziam utilizar o Twitter tinham entre 15 e 24 anos (Taborda, Cardoso &amp; Espanha, 2010).</p>     <p>Um estudo de 2015 do Pew Research Centre (PRC) enfatiza a popularidade das redes sociais <i>online</i> entre os adolescentes americanos, e mostra que mais de 71% dos adolescentes usam mais do que uma rede social, surgindo o Twitter em quarto lugar das redes mais utilizadas, a seguir ao Facebook, Instagram e Snapchat.<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> Em 2012<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> aproximadamente um ter&ccedil;o dos utilizadores de Internet americanos neste grupo et&aacute;rio usava o Twitter. Outro estudo do Pew Research Center, publicado em 2013<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, diz que, por norma (64%), os perfis dos adolescentes no Twitter s&atilde;o p&uacute;blicos.</p>     <p>Enquanto que o Facebook &eacute; uma rede social transversal a v&aacute;rios grupos demográficos (PRC, 2013<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>), outras redes sociais e plataformas como o Twitter t&ecirc;m tend&ecirc;ncia a ser utilizados especialmente por determinados grupos demográficos, sendo o Twitter e o Instagram especialmente usados por jovens adultos, urbanos e n&atilde;o-brancos.</p>     <p>As quest&otilde;es da privacidade, identidade e auto-express&atilde;o&nbsp; s&atilde;o alguns dos principais focos nos estudos sobre adolescentes e redes sociais (Marwick, Fontaine &amp; boyd, 2017; Hodkinson, 2015; Livingstone, 2008). Os estudos que se focam no Twitter, seguem a tend&ecirc;ncia geral dos estudos sobre esta plataforma e debru&ccedil;am-se especialmente na capacidade da plataforma digital de, pelas suas caracter&iacute;sticas, potencializar a participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e pol&iacute;tica entre os mais novos, assim como no seu potencial para a organiza&ccedil;&atilde;o coletiva de a&ccedil;&otilde;es e protestos motivados por causas c&iacute;vicas ou pol&iacute;ticas (Loader, Vromen &amp; Xenos, 2015; Vromen, Xenos &amp; Loader, 2015).</p>     <p>Mas a socializa&ccedil;&atilde;o, conhecer novos amigos e conhecerem-se melhor estre si s&atilde;o fortes motiva&ccedil;&otilde;es para os adolescentes usares as redes sociais <i>online</i> em geral (Antheunis, Schouten &amp; Krahmer, 2014; Hinduja &amp; Patchin, 2008; Valkenburg, Schouten, &amp; Peter, 2005).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estes servi&ccedil;os <i>online</i> permitem aos adolescentes rodearem-se dos seus amigos em qualquer momento e espa&ccedil;o, permitindo que se sintam imediatamente perto destes e, de acordo com Antheunis, Schouten e Krahmer (2014), a utiliza&ccedil;&atilde;o das redes sociais parece ajudar nos processos de socializa&ccedil;&atilde;o dos mais jovens.</p>     <p>A utiliza&ccedil;&atilde;o das redes sociais, e da Internet em geral, por parte dos mais novos foi, desde o seu in&iacute;cio, fonte quer de grandes preocupa&ccedil;&otilde;es e medos, quer de grandes expectativas e, talvez por isso, tema de v&aacute;rios estudos.</p>     <p>A cultura dos media serviu assim para hiperbolizar esta din&acirc;mica de preocupa&ccedil;&otilde;es relacionadas com a adolesc&ecirc;ncia e a juventude, amplificando ansiedades e medos (Boyd, 2014, p.16). Hoje, as redes sociais est&atilde;o no centro da cultura contempor&acirc;nea e a sua utiliza&ccedil;&atilde;o pelos mais novos &eacute; vista como normativa (Boyd, 2014).</p>     <p>A influ&ecirc;ncia dos m&eacute;dia nos processos de constru&ccedil;&atilde;o de identidade s&atilde;o desde h&aacute; muito reconhecidas: &ldquo;the media often serve as the very currency through which identities are constructed, social relations negotiated and peer culture generated&rdquo; (Ziehe, 1994, citado por Livingstone &amp; Bovill, 1999, p.10).</p>     <p>Para Boyd (2014, p.8) a grande diferen&ccedil;a trazida pelos m&eacute;dia sociais &eacute; que esses processos de constru&ccedil;&atilde;o de identidade, o desejo de autonomia e perten&ccedil;a social s&atilde;o hoje expressos num espa&ccedil;o que a autora apelida de &ldquo;networked publics&rdquo;. &ldquo;Networked publics are publics that are restructured by networked technologies. As such, they are simultaneously (1) the space constructed through networked technologies and (2) the imagined community that emerges as a result of the intersection of people, technology, and practice.&rdquo; (Boyd, 2014).</p>     <p>Assim, se as identidades s&atilde;o constru&iacute;das atrav&eacute;s da intera&ccedil;&atilde;o com os outros, para os adolescentes de hoje implica um atento balanceamento entre as oportunidades constru&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o de identidade, intimidade e socializa&ccedil;&atilde;o, e os riscos relacionados com a privacidade, os mal-entendidos e o abuso proporcionados pela comunica&ccedil;&atilde;o mediada por estas plataformas digitais (Livingstone, 2008)</p>     <p>Uma quest&atilde;o que se coloca frequentemente &eacute; porque &eacute; que os adolescentes e jovens recorrem &agrave;s plataformas tecnol&oacute;gicas para este tipo de conv&iacute;vio, em vez dos encontros f&iacute;sicos, cara a cara.</p>     <p>Boyd (2014, p.21) explica que os adolescentes argumentam que prefeririam encontrar-se pessoalmente, mas que os seus hor&aacute;rios carregados, a sua falta de mobilidade aut&oacute;noma e os medos que os pais t&ecirc;m em rela&ccedil;&atilde;o a intera&ccedil;&otilde;es cara-a-cara, tornam estes encontros imposs&iacute;veis. &ldquo;Facebook, Twitter, and MySpace are not only new public spaces: they are in many cases the only &ldquo;public&rdquo; spaces in which teens can easily congregate with large groups of their peers.&rdquo; (Boyd, 2014, p.21).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Meets: </i>inova&ccedil;&atilde;o ou reinven&ccedil;&atilde;o?</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A palavra <i>meet</i> foi introduzida na esfera p&uacute;blica portuguesa para descrever um encontro massivo de jovens convocado pelas redes sociais, tal como o que foi convocado para perto do Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa, no dia 20 de agosto de 2014. O encontro tornou-se not&iacute;cia devido &agrave; interven&ccedil;&atilde;o policial que acabou por originar.</p>     <p>Na sequ&ecirc;ncia deste evento, o tema <i>meet</i> teve durante v&aacute;rios dias um forte foco de aten&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Os m&eacute;dia dedicaram uma intensiva aten&ccedil;&atilde;o ao fen&oacute;meno tentando interpret&aacute;-lo, perceber o seu potencial de viol&ecirc;ncia e antecipando outras poss&iacute;veis datas para eventos do g&eacute;nero<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Na esfera p&uacute;blica questionava-se sobretudo o que s&atilde;o os <i>meets</i> e quais os objetivos destes encontros.</p>     <p>Apesar de terem surgido na esfera p&uacute;blica como um fen&oacute;meno novo, os <i>meets</i> partilham caracter&iacute;sticas estruturais com outras manifesta&ccedil;&otilde;es sociais, cuja an&aacute;lise se torna importante para contextualizar e refletir sobre estes novos encontros. Uma delas, mais recente, &eacute; o fen&oacute;meno &ldquo;rolezinhos&rdquo;, acontecimentos que tiveram lugar no Brasil no final de 2013, com epicentro em S&atilde;o Paulo, em que um grande n&uacute;mero de jovens da periferia se deslocavam para pequenos passeios (&ldquo;rolezinhos&rdquo;) em centros comerciais da cidade. Estes passeios coletivos de jovens da periferia foram recebidos com sentimentos de inseguran&ccedil;a e resultaram em interven&ccedil;&atilde;o policial.</p>     <p>Outro fen&oacute;meno, mais antigo, &eacute; o <i>flash mob</i>. Quer os rolezinhos, quer os <i>flash mobs</i> caracterizam-se pela concentra&ccedil;&atilde;o de um grande n&uacute;mero de pessoas num local p&uacute;blico, convocada atrav&eacute;s de comunica&ccedil;&atilde;o mediada por tecnologia. Os <i>flash mobs</i> foram j&aacute; alvo de v&aacute;rios estudos com importantes contribui&ccedil;&otilde;es para a reflec&ccedil;&atilde;o sobre o fen&oacute;meno dos <i>meets</i>.</p>     <p>Um <i>flash mob</i> &eacute; uma forma de a&ccedil;&atilde;o coletiva que tem sido organizada sobretudo via redes sociais e dispositivos de comunica&ccedil;&atilde;o m&oacute;vel e define-se pela reuni&atilde;o de um conjunto de pessoas que surgem num local p&uacute;blico, desempenham uma breve performance p&uacute;blica pr&eacute;-determinada e em seguida dispersam rapidamente. (Seo, Houston, Knight, Kennedy &amp; Inglish 2013, p.8). Os <i>flash mobs</i> podem assumir v&aacute;rias configura&ccedil;&otilde;es, desde n&atilde;o terem nenhum objetivo al&eacute;m de serem divertidos e originais, at&eacute; servirem prop&oacute;sitos de intera&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o p&uacute;blico, art&iacute;sticos, pol&iacute;ticos ou publicit&aacute;rios. (Molnar, 2009, citado por Seo et al, 2013, p.8). Diferenciam-se do conceito de smart mobs, de Rheingold (2007) por n&atilde;o terem como condi&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca veicular uma mensagem pol&iacute;tica ou uma cr&iacute;tica &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica ou ao consumo.</p>     <blockquote>&ldquo;As with other forms of collective action, flash mobs occasionally have taken a violent turn.&rdquo; (Seo et al, 2013, p. 3). O potencial de viol&ecirc;ncia tamb&eacute;m foi discutido em rela&ccedil;&atilde;o aos <i>flash mobs</i> na sequ&ecirc;ncia de eventos desta natureza que envolveram epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia. O estudo de Seo e colegas (2013, p.15) conclui que esses epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia n&atilde;o definem a vis&atilde;o que os adolescentes t&ecirc;m dos <i>flash mobs</i>:</blockquote>     <blockquote>&ldquo;Despite the recent episodes of violence in youth gatherings that were sometimes labeled as <i>flash mobs</i> by the media, this study found that teens knowledgeable about <i>flash mobs</i> generally view them as fun and entertaining gatherings that provide an outlet for self-expression&rdquo;.</blockquote>     <p>Refletindo sobre a mensagem inerente aos <i>flash mobs</i>, Brejzek (2010, p.118) conclui que &ldquo;intrinsically, the mob has no other message than its sheer and unexpected physicality&rdquo;.</p>     <p>Rheingold (2007, p. 172) real&ccedil;a a perce&ccedil;&atilde;o de Kortuem et al., de que n&atilde;o existe a incorpora&ccedil;&atilde;o total de &ldquo;momentos humanos&rdquo; nos mundos &ldquo;puramente virtuais&rdquo;, concentrados em formas de aumentar a mais b&aacute;sica esfera do comportamento social humano, os encontros cara-a-cara do dia-a-dia. E acrescenta: &ldquo;Indeed, the primary question asked by the Oregon researchers is the primary question regarding smart mobs: What can communities of wearable computer users do in their face-to-face encounters?&rdquo; De facto, &ldquo;the &lsquo;viral&rsquo; culture or the &lsquo;contagious media&rsquo; in Wasik&acute;s words&rdquo;, foi capaz de se espalhar rapidamente e desenvolver um culto sem, no entanto, ter ainda desenvolvido uma agenda que v&aacute; para al&eacute;m das ideias de participa&ccedil;&atilde;o e entretenimento numa intera&ccedil;&atilde;o entre vida <i>online</i> e real (Brejzek 2010, p.116).</p>     <p>Desta forma, os <i>flash mobs</i>, tal como os <i>meets</i> s&atilde;o iniciativas que implicam intera&ccedil;&otilde;es no mundo virtual e real. Para Brejzek os <i>flash mobs</i> s&atilde;o uma forma de tornar f&iacute;sica a &ldquo;cultura viral&rdquo; Wasik (2009, citado por Brejzek, 2010, p.117): &ldquo;the flash mob is seen to operate as the physical articulation of a social network. It transgresses the virtual community by moving into the real&rdquo;. (Brejzek, 2010, p.117). As suas caracter&iacute;sticas partilham uma &ldquo;gram&aacute;tica&rdquo; das comunidades virtuais, quer na sua estrutura din&acirc;mica, quer na habilidade para aparecer de repente e depois desaparecer. (idem, p.118). Torna-se assim poss&iacute;vel analisar este tipo de fen&oacute;menos como parte do um ciclo virtual/real, que, no caso em an&aacute;lise, apresenta caracter&iacute;sticas particularmente interessantes como a convocat&oacute;ria <i>online</i> para o encontro &ndash; que pode ser feita pelo Facebook, Twitter, Instagram ou Youtube correspondendo estas diferentes redes sociais a diferentes identidades, como veremos mais adiante &ndash; &agrave; qual se segue o encontro no espa&ccedil;o urbano com consequ&ecirc;ncias que ser&atilde;o, posteriormente, amplamente debatidas no pr&oacute;prio espa&ccedil;o virtual onde o evento foi congeminado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota metodol&oacute;gica</b></p>     <p>A an&aacute;lise de eventos no Twitter est&aacute; dependente da capacidade de conseguir recolher, filtrar e selecionar os dados relevantes para os eventos em quest&atilde;o. Estima-se que atualmente sejam produzidos 500 milh&otilde;es de <i>tweets</i> por dia. O Twitter disponibiliza atrav&eacute;s de diversas API&rsquo;s<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> a capacidade de recolher gratuitamente e de forma aleat&oacute;ria, at&eacute; 1% desses <i>tweets</i>. Qualquer tipo de procura ou filtragem ao universo dos <i>tweets</i>, seja por &aacute;rea geogr&aacute;fica ou por #<i>hashtag</i>, &eacute; sempre feita dentro desses 1% do total de <i>tweets</i> produzidos. Neste projeto, procur&aacute;mos contornar essas limita&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s do desenvolvimento de uma plataforma que permite a recolha e armazenamento de uma elevada percentagem dos <i>tweets</i> produzidos no espa&ccedil;o geográfico portugu&ecirc;s (estima-se perto de 80%) (Brogueira, Carvalho &amp; Batista, 2015; Brogueira, Batista, Carvalho &amp; Moniz, 2014; Brogueira, Batista &amp; Carvalho, 2015).</p>     <p>Assumindo que &eacute; poss&iacute;vel ter acesso &agrave; totalidade dos <i>tweets</i> produzidos, in&uacute;meras dificuldades se colocam relativamente &agrave; sua an&aacute;lise devido ao elevado volume de informa&ccedil;&atilde;o a tratar, pelo que um dos outros objetivos do projeto MISNIS foi o desenvolvimento de ferramentas que permitam lidar com toda essa informa&ccedil;&atilde;o, extraindo de forma <i>quasi-</i>autom&aacute;tica os <i>tweets</i> que s&atilde;o relevantes para um determinado t&oacute;pico e disponibilizando uma s&eacute;rie de ferramentas que t&ecirc;m em vista auxiliar a sua posterior an&aacute;lise sociol&oacute;gica.</p>     <p>Neste caso particular, ap&oacute;s os acontecimentos do <i>meet</i> de 20 de agosto de 2014, verificou-se que tinham sido extra&iacute;dos pela plataforma MISNIS, atrav&eacute;s da API do Twitter, 673682 <i>tweets</i> de 18732 utilizadores que publicaram <i>tweets</i> em Portugal entre os dias 2014-08-14 (00:00:00) e 2014-08-24 (23:59:59). Desse conjunto de 18732 utilizadores, a plataforma tinha dispon&iacute;vel, na altura, a <i>timeline</i><sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> de&nbsp;6345&nbsp;utilizadores<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.. Atrav&eacute;s da <i>timeline</i> obtiveram-se 593918 <i>tweets</i> adicionais referentes ao per&iacute;odo em estudo.</p>     <p>Ficou-se assim com um universo com mais de 1,2 milh&otilde;es de <i>tweets</i> produzidos no espa&ccedil;o geográfico portugu&ecirc;s e em l&iacute;ngua portuguesa, durante o per&iacute;odo mais relevante para o acontecimento do <i>meet</i> do Vasco da Gama.</p>     <p>De entre os 1,2 milh&otilde;es de <i>tweets</i> dispon&iacute;veis, s&oacute; uma pequena percentagem tem conte&uacute;do de interesse para o estudo em quest&atilde;o. Dada a dificuldade e o custo de procurar manualmente os <i>tweets</i> relevantes dentro deste universo, foi realizada uma filtragem autom&aacute;tica recorrendo ao mecanismo das <i>Fuzzy Fingerprints</i> (Impress&otilde;es Digitais Difusas), um sistema de classifica&ccedil;&atilde;o baseado em texto que permite identificar t&oacute;picos dentro de grandes cole&ccedil;&otilde;es de <i>tweets</i> com elevada precis&atilde;o e baixo custo computacional (Rosa, Batista e Carvalho, 2014; Rosa, Carvalho e Batista, 2014).</p>     <p>Verificou-se que no universo de 1,2 milh&otilde;es de <i>tweets</i>, apenas 38 continham #<i>hashtags</i> indicativas de estarem relacionadas com o <i>meet</i> do Vasco da Gama: #meet, #meet2014, #meetvdgcarapodreenoizz, #meetvasco e #meetfacebook.</p>     <p>A &ldquo;Fuzzy Fingerprint&rdquo; do <i>meet </i>foi constru&iacute;da a partir desses 38 <i>tweets</i> e ainda de quatro artigos de jornal publicados no dia 21 de agosto que detalham os acontecimentos em causa. Os artigos foram retirados da edi&ccedil;&atilde;o <i>online</i> do Expresso, P&uacute;blico, Correio da Manh&atilde; e RTP Not&iacute;cias.</p>     <p>A impress&atilde;o digital obtida &eacute; composta pelas seguintes palavras-chave, ordenadas por ordem de import&acirc;ncia: 'jovens', 'meet', 'racismo', 'vasco', 'gama', 'negros', 'pol&iacute;cia', 'encontro', 'comercial', '@Winnydahpooh', '@BusStopMineTV', '#meet21', '@rickpeidete', 'arrast&atilde;o', 'meets', 'est&atilde;o', 'centro', 'brancos', 'comerciais'</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com base na &ldquo;fuzzifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; da impress&atilde;o digital, calculou-se a semelhan&ccedil;a da mesma com os <i>tweets</i> da base de dados e identificaram-se 1976 <i>tweets</i> relacionados com os <i>meets</i>, a partir do qual o estudo sociol&oacute;gico foi realizado.</p>     <p>Note-se que os <i>tweets </i>considerados s&atilde;o <i>tweets</i> escritos em portugu&ecirc;s e em Portugal, tendo sido recolhidos primordialmente <i>tweets</i> geolocalizados (enviados principalmente a partir de telem&oacute;veis ou <i>tablets</i>). A percentagem de <i>tweets</i> geolocalizados em Portugal (e no mundo) tem vindo a crescer gradualmente &agrave; medida que se generaliza o acesso a dados em dispositivos m&oacute;veis, no entanto, em 2014 menos de 10% dos <i>tweets</i> de cada utilizador foram geolocalizados. Na plataforma MISNIS a pouca preval&ecirc;ncia dos <i>tweets</i> geolocalizados &eacute; compensada pelo facto de bastar ser encontrado um <i>tweet</i> geolocalizado de um utilizador para que se consiga recuperar posteriormente a maioria dos seus <i>tweets</i>, incluindo os que n&atilde;o s&atilde;o geolocaliz&aacute;veis. No caso em estudo, esta limita&ccedil;&atilde;o &ndash; necess&aacute;ria &ndash; significa que os <i>tweets</i> de utilizadores sem acesso a dispositivos m&oacute;veis n&atilde;o foram considerados. Por outro lado, tendo a base de dados sido fechada cinco dias ap&oacute;s o acontecimento, &eacute; poss&iacute;vel que nem todas as <i>timelines</i> de utilizadores que emitiram apenas alguns <i>tweets</i> geolocalizados tenham sido integralmente recuperadas. Assim, &eacute; poss&iacute;vel que alguns utilizadores &ndash; nomeadamente os institucionais n&atilde;o geolocalizados &ndash; tenham ficado de fora da amostra.</p>     <p>Uma vez terminada a recolha, foi feita uma an&aacute;lise de conte&uacute;do a este 1976 <i>tweets</i>, tornando qualitativa uma an&aacute;lise que, na sua g&eacute;nese, era quantitativa. Esta an&aacute;lise de conte&uacute;do permitiu destacar alguns pontos particularmente interessantes e recorrentes, reconstruindo a hist&oacute;ria do debate suscitado pelo evento na twittosfera. Nas p&aacute;ginas que se seguem, procuraremos dar conta dessa an&aacute;lise destacando as conclus&otilde;es mais relevantes, n&atilde;o sem antes analisarmos globalmente o conjunto de <i>tweets</i> relacionados com o tema.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>An&aacute;lise de conte&uacute;do dos <i>tweets</i> </b></p>     <p>Como referido, foram analisados 1976 <i>tweets</i> relacionados ou potencialmente relacionados com o <i>meet</i> do Vasco da Gama, selecionados atrav&eacute;s do sistema de recolha previamente apresentado. No gráfico que se segue, podemos ver a distribui&ccedil;&atilde;o dos <i>tweets</i> ao longo dos dias em que incidiu a nossa an&aacute;lise, com &oacute;bvio destaque para os dias 20, 21 e 22 de agosto.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a02g1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>No dia com mais <i>tweets</i>, o dia 21 de agosto, a distribui&ccedil;&atilde;o hor&aacute;ria foi a seguinte:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g2"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a02g2.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Os <i>tweets</i> recolhidos para an&aacute;lise, produzidos sobre o <i>meet</i> e publicados entre o dia 14 e 24 de agosto de 2014 s&atilde;o geralmente caracterizados por uma linguagem muito informal, com recurso a cal&atilde;o e jarg&otilde;es tipicamente atribu&iacute;dos a faixas et&aacute;rias jovens e muitas vezes contendo o uso de palavr&otilde;es. S&atilde;o tamb&eacute;m em geral publicados por pessoas que participaram ou gostariam de participar num <i>meet</i>, ou ainda que seria expect&aacute;vel que participassem mas que dizem n&atilde;o estar interessados. Ou seja, por utilizadores pertencentes ao p&uacute;blico-alvo destes encontros, logo, provavelmente pertencendo a um grupo et&aacute;rio muito jovem, que j&aacute; sabia o que era um <i>meet</i> antes de eles se terem tornado objeto medi&aacute;tico na sequ&ecirc;ncia dos acontecimentos do dia 20 de agosto. Por outro lado, s&atilde;o praticamente inexistentes os <i>tweets</i> de coment&aacute;rio a not&iacute;cias por parte de pessoas que n&atilde;o conheciam o fen&oacute;meno dos <i>meets</i>, ou que n&atilde;o s&atilde;o o seu p&uacute;blico-alvo.</p>     <p>Partindo destas premissas, verificamos que apesar de tudo, a diversidade de tipos de <i>tweets</i> &eacute; grande, o que deixa adivinhar uma diversidade de usos e apropria&ccedil;&otilde;es desta ferramenta, como &eacute;, de resto, sugerido pela literatura sobre o tema. O conte&uacute;do dos <i>tweets</i> varia a n&iacute;vel da sua inten&ccedil;&atilde;o (encontrando-se textos instrumentais, de prepara&ccedil;&atilde;o e antecipa&ccedil;&atilde;o do evento, mas tamb&eacute;m textos de coment&aacute;rio ou reflex&atilde;o); varia tamb&eacute;m o grau de envolvimento e implica&ccedil;&atilde;o (nalguns casos encontramos afirma&ccedil;&otilde;es puramente pessoais e at&eacute; intimas sobre a rela&ccedil;&atilde;o dos seus emissores com os <i>meets</i>, noutros casos encontramos coment&aacute;rios menos pessoais, de indiv&iacute;duos que se assumem mais como relatores ou comentadores da realidade; noutros ainda encontramos uma identifica&ccedil;&atilde;o coletiva que deixa adivinhar processos em rede de partilha identit&aacute;ria). Finalmente, a pr&oacute;pria express&atilde;o escrita &eacute; extremamente diversa, bem como o grau de codifica&ccedil;&atilde;o das mensagens.</p>     <p>Para efeitos anal&iacute;ticos, propomo-nos a apresentar a an&aacute;lise de conte&uacute;do destes <i>tweets</i> a partir de tr&ecirc;s pontos de vista, que correspondem a diferentes modos (n&atilde;o necessariamente exclusivos, de apropria&ccedil;&atilde;o do Twitter. Em primeiro lugar, observaremos como o Twitter surge como uma ferramenta virtual com uma articula&ccedil;&atilde;o particular com a realidade <i>offline</i>. Atentaremos ent&atilde;o no modo como os primeiros <i>tweets</i> preparam e antecipam o <i>meet</i> (por exemplo atrav&eacute;s da marca&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via de encontros com outros jovens) e, posteriormente, como os acontecimentos no Vasco da Gama se refletem na escrita de <i>tweets</i> de coment&aacute;rio que reproduzem e transformam em tempo real os acontecimentos decorridos no espa&ccedil;o f&iacute;sico. Nesta sec&ccedil;&atilde;o destacaremos ent&atilde;o o curioso circuito <i>online/offline</i> que marca a rela&ccedil;&atilde;o entre Twitter e <i>meets</i>.</p>     <p>Seguidamente, observaremos o Twitter como uma ferramenta para a distin&ccedil;&atilde;o social e a para a forma&ccedil;&atilde;o de identidade coletivas<i>.</i> Esta tem&aacute;tica, que se destaca particularmente, consubstancia-se de modo expressivo na identifica&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita com os <i>meets</i> convocados pelo Twitter, em contraponto aos que foram organizados no Facebook. O Twitter surge assim como causa e efeito de um processo de identifica&ccedil;&atilde;o social, refor&ccedil;ado nos coment&aacute;rios que s&atilde;o transmitidos a prop&oacute;sito dos alegados desacatos no Vasco da Gama.</p>     <p>Finalmente, atentaremos no Twitter como uma forma de express&atilde;o particular, com efeitos interessantes ao n&iacute;vel da pr&oacute;pria linguagem, altamente codificada e parcialmente fechada.</p>     <p>Do cruzamento destas tr&ecirc;s abordagens podemos perceber de que forma estes jovens usam o Twitter, construindo sobre o espa&ccedil;o virtual identidades em constante intera&ccedil;&atilde;o com o mundo <i>offline</i>, mas com manifesta&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas a este contexto comunicacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Intera&ccedil;&otilde;es <i>online/offline</i>: o Twitter como espa&ccedil;o de antecipa&ccedil;&atilde;o e coment&aacute;rio</b></p>     <p>Nos primeiros <i>tweets</i> sobre o meet do Vasco da Gama, e ainda sem a no&ccedil;&atilde;o de que este viria a ter contornos e repercuss&otilde;es diferentes dos que o antecederam, podemos observar como o Twitter &eacute; utilizado para preparar e como forma de antecipar o evento que se avizinhava. Os jovens referem com frequ&ecirc;ncia quem gostariam de encontrar no <i>meet</i> falam genericamente de quais as suas expectativas:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&ldquo;</b><i>Gostava de conhecer no meet:@sabiohorrivel @QueenHeartB @oteubabelindo @OTeuTio69 @FilipeGomes444 @pequenina69 @DanielaPalongo (+)&rdquo; (14 Ago)</i></p>     <p><i>&ldquo;Posso dizer quem gostava de conhecer no meet?&rdquo; (14 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;Nunca vou tar nas pessoas que voc&ecirc;s gostavam de conhecer num meet&rdquo; (14 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;o pr&oacute;ximo meet do twitter juro que vou tentar ir&rdquo; (14 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;Nunca fui a um meet e tamb&eacute;m n&atilde;o pretendo ir, j&aacute; ningu&eacute;m l&aacute; vai para conviver.&rdquo; (15 agosto)</i></p>     <p>Este tipo de antecipa&ccedil;&atilde;o do evento &eacute; consistente com aquilo que sabemos sobre a prepara&ccedil;&atilde;o virtual de um evento deste tipo e, particularmente, sobre os <i>meets</i>, pois sendo um dos principais objetivos deste tipo de eventos conviver e conhecer outras pessoas, a prepara&ccedil;&atilde;o antecipada dos encontros e novos conhecimentos &eacute; feita geralmente por esta via. &ldquo;The opportunity for perceived positive experiences and connectedness available through <i>online</i> communication renders social media a popular vehicle for teens to communicate, plan events, and meet new people.&rdquo; (Seo et al, 2013, p.3).</p>     <p>Neste caso, note-se que os <i>tweets</i> tendem a ser puramente pessoais, com um objetivo quer instrumental, identificar quem se pretende conhecer, quer reflexivo, sobre se se pretende ou n&atilde;o ir a um <i>meet</i>.</p>     <p>De resto, &eacute; patente na an&aacute;lise de conte&uacute;do aos <i>tweets</i> que, para estes utilizadores, conviver e conhecer pessoas novas, que participam naquela rede social, s&atilde;o as raz&otilde;es evocadas para participar nestes encontros. &ldquo;The tendency for teens to want to meet-up and hang out in groups is not new, nor is it solely the product of digital technologies. What social and mobile technologies bring to this is the possibility of broader and more effective peer-to-peer coordination among teens, which in turn may result, for example, in teens from different schools assembling together more often and more quickly than would have occurred in the past.&rdquo; (Seo et al, 2013, p.15).</p>     <p>Quer atrav&eacute;s dos <i>tweets</i> publicados antes de um <i>meet</i> se realizar, revelando quais utilizadores do Twitter gostariam de conhecer no encontro, quer na rea&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica aos dist&uacute;rbios que aconteceram no <i>meet</i> de dia 20 de agosto, verificamos que os utilizadores reclamam o conv&iacute;vio como o principal objetivo do <i>meet</i>.</p>     <p><i>&ldquo;PERCEBAM QUE MEET &Eacute; UM ENCONTRO DE PESSOAS DAS REDES SOCIAIS PARA SE CONHECEREM UNS AOS OUTROS, MAS PARA O BEM E N&Atilde;O PARA O MAL&rdquo; (24 agosto)</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta circularidade <i>online</i>/<i>offline</i>, &eacute;, ali&aacute;s, uma das componentes mais interessantes dos <i>meets</i>, pois, como diz Raposo (2014), no decurso dos pr&oacute;prios <i>meets</i>, uma das pr&aacute;ticas mais comuns &eacute; registar os <i>usernames</i> das pessoas que se conheceu, para manter o contacto via Twitter. Esse registo &eacute; geralmente feito no pr&oacute;prio corpo, algo que tamb&eacute;m encontramos em coment&aacute;rios sobre <i>meets</i> anteriores:</p>     <p><i>&ldquo;admite:tu gostas bu&eacute; do meet de t&aacute;r com as pessoas,mas quando chegas a casa tens de tomar banho durante 20 30 minutos por te escreverem kkk&rdquo; (14 agosto)</i></p>     <p>No caso em an&aacute;lise, o normal circuito de prepara&ccedil;&atilde;o <i>online</i> &ndash; <i>meet</i> &ndash; recolha de novos contactos &ndash; manuten&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es virtuais acabou por ser interrompido pelos acontecimentos &iacute;mpares no Vasco da Gama. No dia 20 de agosto e nos dias seguintes, o Twitter acabou por se tornar, acima de tudo, um meio para comentar e refletir sobre acontecimentos invulgares:</p>     <p><i>&ldquo;No meet &eacute; suposto conhecer pessoas, nao andar h&aacute; porrada e muito menos com.policias no vdg&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p>Nos coment&aacute;rios em causa, emerge fortemente a quest&atilde;o do <i>meet</i> do Vasco da Gama ter sido convocado atrav&eacute;s do Facebook, algo que sugere, desde j&aacute;, uma oposi&ccedil;&atilde;o entre o <i>meet</i> do Twitter e o do Facebook, quest&atilde;o identit&aacute;ria que desenvolveremos mais adiante:</p>     <p><i>&ldquo;Era meet do fb, VOC&Ecirc;S ESTAVAM &Aacute; ESPERA DO QUE (???)&rdquo; (20 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;Destru&iacute;ram por completo o bom conceito de "meet". Tudo gra&ccedil;as aos azeiteiros do facebook&rdquo; (22 agosto)</i></p>     <p>Surgem simultaneamente cr&iacute;ticas aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social por n&atilde;o compreenderem esta diferen&ccedil;a:</p>     <p><i>&ldquo;a tvi esqueceu-se de mencionar que o meet em que houve porrada foi no meet do facebook, s&oacute; podia claro&rdquo; ( 22 agosto)</i></p>     <p><i>&nbsp;&ldquo;A s&eacute;rio pkek o telejornal tende em dizer que os meets s&atilde;o maus? N&atilde;o falem no geral , uma coisa &eacute; o meet do Facebook outra &eacute; meet do Twitter&rdquo; (24 agosto)</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A refer&ecirc;ncia racial &eacute; tamb&eacute;m um tema padr&atilde;o do conjunto de <i>tweets</i> em an&aacute;lise. As pessoas negras s&atilde;o frequentemente referidas nos posts produzidos sobre esta tem&aacute;tica. Geralmente associando a presen&ccedil;a de pessoas negras nos <i>meets</i> a consequ&ecirc;ncias violentas e dist&uacute;rbios.</p>     <p><i>&ldquo;Nao sou racista nem nada, mas tenho de admitir que se o meet era so gente de cor, ja se sabia que ia haver merda&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="i1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a02i1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><i>&ldquo;Digam o que quiserem, mas os confrontos do meet do Facebook foram causados porque 90% das pessoas que estavam l&aacute; eram pretos.&rdquo; ( 23 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;o meu pai ja me veio falar das noticias sobre o meet,ele concorda plenamente comigo que aquilo sao s&oacute; chungas, pretalhada que n vai &agrave; escola&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p>Outras vezes simplesmente dando grande relevo ao facto de haver muitas pessoas negras nestes encontros deixando transparecer um teor pejorativo em termos como &ldquo;escurid&atilde;o&rdquo; e &ldquo;bolacha oreo&rdquo;.</p>     <p><i>&ldquo;O meet foi tipo uma bolacha OREO GIGANTE ... pensem&rdquo; (14 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;@daviiiidsanches hahahhahahhahahha &eacute; a vdd hj no meet vi cm cada :o escuridao ahha help&rdquo; (15 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;Vasco da Gama &eacute; o centro comercial que foi tornado embaixada Africana em Portugal&rdquo; (21 agosto)</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>H&aacute; ainda, embora pouco frequentes, alguns <i>tweets</i> a criticar a relev&acirc;ncia que &eacute; dada ao facto de haver muitas pessoas negras nestes eventos. Ou a criticar a atua&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia em rela&ccedil;&atilde;o a estas pessoas.</p>     <p><i>&nbsp;&ldquo;Tao a fazer ganda xena porcausa do meet porque maioria das pessoaa eram blacks</i></p>     <p><i>&ldquo; (21 Ago)</i></p>     <p><i>&ldquo;O que me d&aacute; gra&ccedil;a &eacute; que ontem no """meet"""" s&oacute; estavam a prender e a barrar entrada a pessoas de pele escura,foi m&aacute;ximo racismo mesmo.&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O Twitter como distin&ccedil;&atilde;o social: Twitter vs. Facebook</b></p>     <p>A caracter&iacute;stica mais frequente do nosso corpo de an&aacute;lise &eacute; uma constante distin&ccedil;&atilde;o entre as redes sociais Facebook e Twitter, mais evidente na diferencia&ccedil;&atilde;o entre os <i>meets do </i>Twitter<i>, </i>convocados atrav&eacute;s desta rede social, e os <i>meets</i> do Facebook, disseminados atrav&eacute;s desta plataforma.</p>     <p><i>&ldquo;@wtv_idc_idk existe uma raz&atilde;o para ser meet do Twitter&rdquo; (15 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;Infelizmente os meus pais n&atilde;o percebem a diferen&ccedil;a entre um meet do Twitter e um """meet""" do Facebook&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p><i>&nbsp;&ldquo;claro que os meet's do twitter n&atilde;o s&atilde;o como o do facebook mas pronto.&rdquo; (21 agosto)</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>&ldquo;Acho que os meet do Twitter s&atilde;o melhores que todos os outros&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p>Os m&eacute;dia sempre desempenharam um importante papel na constru&ccedil;&atilde;o de identidades. &ldquo;For young people especially, as they are preoccupied with making the transition from their family of origins towards a wider peer culture (and as they are not generally part of the world of work), the media often serve as the very currency through which identities are constructed, social relations negotiated and peer culture generated (Ziehe, 1994).&rdquo; (Livingstone &amp; Boville, 1999, p.10). No entanto, os processos de transforma&ccedil;&atilde;o que os m&eacute;dia v&atilde;o sofrendo, a emerg&ecirc;ncia dos chamados &ldquo;novos media&rdquo;, reconfiguram tamb&eacute;m a forma como estes influenciam a constru&ccedil;&atilde;o de identidades, a negocia&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais e a cria&ccedil;&atilde;o de uma cultura de pares.</p>     <p>Nos dias que correm, partilhar informa&ccedil;&atilde;o e estar conectado com os amigos <i>online</i> tornou-se parte do dia-a-dia para muitas pessoas, especialmente para os adolescentes (Boyd, 2014, p.7): &ldquo;Rather than being seen as a subcultural practice, participating in social media became normative.&rdquo; (Boyd, 2014). Em 2008, Livingstone constatava que &ldquo;creating and networking online content is becoming, for many, an integral means of managing one&rsquo;s identity, lifestyle and social relations&rdquo; (p.4).</p>     <p>Sendo a participa&ccedil;&atilde;o nas redes sociais <i>online</i> atualmente vista como normativa, especialmente para os adolescentes, a constru&ccedil;&atilde;o de identidades, a cria&ccedil;&atilde;o de uma cultura de pares, a distin&ccedil;&atilde;o social e a cria&ccedil;&atilde;o de subculturas assumem outras formas e mecanismos. Uma dessas formas, al&eacute;m do modo como os jovens gerem os conte&uacute;dos dos seus perfis, parece ser a escolha da rede social na qual participar. Livingstone constatava em 2008 (p.8) que &ldquo;in relation to social networking such identity development seemed to be expressed in terms of decisions regarding the style or choice of site. Nina, for example, moved from MySpace to Facebook, describing this somewhat tentatively as the transition from elaborate layouts for younger teenagers to the clean profile favoured by older teenagers.&rdquo; (Livingstone, 2008, p. 8).</p>     <p>Os <i>tweets</i> que analis&aacute;mos refletem uma distin&ccedil;&atilde;o social entre participar no Twitter e participar no Facebook. Referem frequentemente que h&aacute; uma grande diferen&ccedil;a entre os encontros convocados por uma rede social e pela outra, atribuindo caracter&iacute;sticas pejorativas aos <i>meets</i> do Facebook, e &agrave;s pessoas que nele participam.</p>     <p><i>&ldquo;Meet do facebook// azeite // mar de azeite&rdquo; (20 agosto)&rdquo;</i></p>     <p><i>&ldquo;conven&ccedil;&atilde;o de azeite - meet do fb&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;S&oacute; azeiteiros no meet de ontem, meets do facebook como n&atilde;o querem confus&atilde;o?&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;Meet Twitter: cantar, conv&iacute;vio, divers&atilde;o, piadas, mcMeet Facebook: conflitos, azeite, facadas, palavroes, continente&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p>Nas datas que antecedem o <i>meet</i> do dia 20 de agosto no Vasco da Gama as cr&iacute;ticas incidem tamb&eacute;m sobre pessoas que, em <i>meets</i> &ldquo;do Twitter&rdquo; anteriores, pediram o nome de utilizador do Facebook. E tamb&eacute;m cr&iacute;ticas ao facto de serem partilhadas fotos de encontros do Twitter no Facebook, fazendo transparecer que existe uma comunidade de utilizadores do Twitter que partilha uma ideia espec&iacute;fica de autenticidade. Essa ideia de autenticidade de utilizador do Twitter implica n&atilde;o utilizar o Facebook, nem partilhar conte&uacute;dos de encontros do Twitter no Facebook. O conceito de autenticidade n&atilde;o &eacute; universal: &ldquo;the authentic is a localized, temporally situated social construct that varies widely based on community&rdquo; (Marwick &amp; boyd, 2010, p.11). Para Grazian a ideia de autenticidade constr&oacute;i-se &ldquo;in contradiction to something else&rdquo; (2003:13, citado por Marwick &amp; boyd, 2010, p.11). Neste caso, a ideia de autenticidade do utilizador do Twitter constr&oacute;i-se em contradi&ccedil;&atilde;o com a participa&ccedil;&atilde;o no Facebook.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas cr&iacute;ticas sublinham tamb&eacute;m a conota&ccedil;&atilde;o negativa que estes utilizadores do Twitter t&ecirc;m, n&atilde;o s&oacute; dos <i>meets</i> convocados atrav&eacute;s do Facebook, mas tamb&eacute;m das pessoas que utilizam esta rede social e do Facebook em geral<b>. </b>Os utilizadores do Twitter fazem deste modo uma forte distin&ccedil;&atilde;o social entre as pessoas que utilizam uma rede social e outra.</p>     <p><i>&ldquo;Tou no meet do twitter e pediram a minha net para ir ao face. OMG OMG OMG Como reagir?&rdquo; (14 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;Pediram o meu facebook umas 100 vezes no meet, rindo&rdquo; (14 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;pk&eacute;k eu tou a ver fotos do meet do twitter no facebook? op&aacute; socorro&rdquo; (15 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;Aquelas pessoas que falam de azeiteiros do FB mas que publicam fotos do meet nele... deixem de ser ridiculos !&rdquo; (16 agosto)</i></p>     <p>No nosso corpo de an&aacute;lise &eacute; tamb&eacute;m algumas vezes repetida a ideia de que os <i>meets</i> s&atilde;o uma ideia originalmente criada no Twitter, refor&ccedil;ando a ideia de &ldquo;autenticidade&rdquo; do utilizador do Twitter. Organizar este tipo de encontros noutras redes sociais &eacute; considerado uma imita&ccedil;&atilde;o e, como tal, &eacute; bastante criticada.</p>     <p><i>&ldquo;Meet &eacute; cena de twitter , n&atilde;o de facebook , por isso parem de organizar meets do facebook seus azeiteiros d merda .-.&rdquo; (22 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;quando ps swaggers do facebook tentam imitar o twitter e criam um meet de azeite galo #TeamEnfim&rdquo; (22 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;sobre isso do meet do fb s&oacute; digo que tentarem imitar o twitter d&aacute; merda sempre,&nbsp; ainda por cima os azeiteiros do fb a imitar&rdquo; (21 agosto)</i></p>     <p><i>&ldquo;Destru&iacute;ram por completo o bom conceito de "meet". Tudo gra&ccedil;as aos azeiteiros do facebook&rdquo; (22 agosto)</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora por vezes tamb&eacute;m haja refer&ecirc;ncia a <i>meets</i> do popular canal de v&iacute;deos <i>online</i> Youtube e do Instagram, a rede social de partilha de fotografias, a distin&ccedil;&atilde;o mais constante &eacute; mesmo entre o Facebook e o Twitter. Permitindo concluir que, pelo menos para estes jovens, que utilizam o Twitter e costumam participar nos seus encontros, as redes sociais em que participam s&atilde;o uma forma de distin&ccedil;&atilde;o social e de constru&ccedil;&atilde;o de identidade na qual &eacute; partilhada uma ideia pr&oacute;pria de autenticidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Linguagem e codifica&ccedil;&atilde;o das mensagens do Twitter</b></p>     <p>Para analisar o conjunto de tweetes em quest&atilde;o, al&eacute;m do conte&uacute;do, parece-nos importante dedicarmos tamb&eacute;m alguma aten&ccedil;&atilde;o &agrave; forma como estas mensagens s&atilde;o partilhadas. A linguagem utilizada apresenta alguns padr&otilde;es espec&iacute;ficos que nos parecem ser, por um lado, palavras e g&iacute;ria t&iacute;pica de um grupo et&aacute;rio jovem, por outro, configura&ccedil;&otilde;es de linguagem normalmente atribu&iacute;das &agrave; chamada &ldquo;linguagem da Internet&rdquo;. O condicionamento imposto pela pr&oacute;pria tecnologia parece tamb&eacute;m ser um importante condicionante. Este fator &eacute; especialmente evidente tratando-se do Twitter, quem imp&otilde;e um limite muito pequeno de caratceres (140) que &eacute; poss&iacute;vel utilizar por mensagem.</p>     <blockquote>&ldquo;meet do fb s&oacute; podia dar beef&rdquo; (19 agosto)</blockquote>     <blockquote>&ldquo;nunca fui a um meet mas n&atilde;o tenho mt interesse em ir a um porque &eacute; mais um meet facebook barra beef do que meet twitter&rdquo; (22 agosto)</blockquote>     <p>&nbsp;&ldquo;quando ps swaggers do facebook tentam imitar o twitter e criam um meet de azeite galo #TeamEnfim&rdquo; (22 agosto)</p>     <p>As palavras &ldquo;beef&rdquo; e &ldquo;swaggers&rdquo;, por exemplo, s&atilde;o encontradas algumas vezes no nosso corpo de an&aacute;lise e parecem ser t&iacute;picas de uma g&iacute;ria juvenil partilhada tamb&eacute;m entre estes jovens nas suas comunica&ccedil;&otilde;es cara-a-cara. A primeira aparece geralmente para se referir a confus&otilde;es e brigas, a segunda parece referir-se a um &ldquo;estilo&rdquo; determinado a que estes jovens, utilizadores do Twitter e cr&iacute;ticos do Facebook, atribuem uma conota&ccedil;&atilde;o pejorativa.</p>     <p>A ideia de uma variante da linguagem espec&iacute;fica da Internet n&atilde;o &eacute; nova e h&aacute; v&aacute;rios estudos que se dedicaram &agrave; tem&aacute;tica. Conhecida como &ldquo;linguagem da Internet&rdquo;, &ldquo;netspeak&rdquo;, &ldquo;chatspeak&rdquo;, &ldquo;computer mediated communication (CMC)&rdquo; ou &ldquo;electronically mediated language&rdquo; a esta varia&ccedil;&atilde;o da linguagem s&atilde;o geralmente atribu&iacute;das como&nbsp; caracter&iacute;sticas t&iacute;picas as abreviaturas, mistura de palavras, escrever palavras com uma ortografia diferente, &iacute;cones para expressar emo&ccedil;&otilde;es, mai&uacute;sculas e acr&oacute;nimos. (Dahstr&ouml;m, 2013, p. 1; Merchant, 2001, p. 302; Varnhagen et al, 2010, p. 720).</p>     <blockquote>&ldquo;Tou no meet do twitter e pediram a minha net para ir ao face. OMG OMG OMG Como reagir?&rdquo; (14 agosto)</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&ldquo;pk&eacute;k eu tou a ver fotos do meet do twitter no facebook? op&aacute; socorro&rdquo; (15 agosto)</blockquote>     <p><i>&nbsp;&ldquo;Nunca vou tar nas pessoas que voc&ecirc;s gostavam de conhecer num meet&rdquo; (14 agosto)</i></p>     <blockquote>&ldquo;@nes_lol_fixolas awwwww passa mesmo fast, amanha vais ao meet?&ldquo; (14 agosto)</blockquote>     <p>Nos <i>tweets</i> acima temos alguns exemplos das caracter&iacute;sticas consideradas t&iacute;picas da &ldquo;linguagem da Internet&rdquo;: a utiliza&ccedil;&atilde;o do acr&oacute;nimo &ldquo;OMG&rdquo; para referir a express&atilde;o em Ingl&ecirc;s &ldquo;oh my god&rdquo;; a abreviatura e mistura de palavras na express&atilde;o &ldquo;pk&eacute;k&rdquo; para dizer &ldquo;por que &eacute; que&rdquo; onde tamb&eacute;m se verifica uma altera&ccedil;&atilde;o na ortografia das palavras, usando &ldquo;k&rdquo; em vez de &ldquo;q&rdquo;. Assim como o recurso a grafismos e &iacute;cones para expressar emo&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Os estudos sobre a varia&ccedil;&atilde;o da linguagem na Internet surgiram num contexto de preocupa&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;s, educadores e m&eacute;dia em rela&ccedil;&atilde;o a poss&iacute;veis efeitos de deteriora&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua causados pela linguagem utilizada na Internet (Merchant, 2001; Varnhagen et al, 2010). No entanto, alguns autores consideram que estas varia&ccedil;&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m um efeito negativo sobre a linguagem: que n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias que afetem a capacidade dos jovens escreverem corretamente (Varnhagen et al, 2010) e que, pelo contr&aacute;rio, resultam numa inova&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica que ultrapassa as tradicionais fronteiras de grupo social, cultura e na&ccedil;&atilde;o (Merchant, 2001).</p>     <p>Os adolescentes e jovens est&atilde;o geralmente na vanguarda destes processos de mudan&ccedil;a, uma vez que t&ecirc;m grande flu&ecirc;ncia para explorar as possibilidades da tecnologia e fazer evoluir a literacia num diferente conjunto de novos m&eacute;dia (Merchant, 2001, p. 294).</p>     <p>&Eacute; importante sublinhar que apesar de haver um conjunto de caracter&iacute;sticas t&iacute;picas da varia&ccedil;&atilde;o da linguagem na Internet, a forma como as pessoas escrevem na Internet varia conforme o utilizador, o objetivo e a plataforma em que a comunica&ccedil;&atilde;o ocorre (Dahstr&ouml;m, 2013, p. 1).</p>     <p>As varia&ccedil;&otilde;es da linguagem que ocorrem na Internet s&atilde;o normalmente atribu&iacute;das ao facto de a escrita na Internet ter caracter&iacute;sticas da linguagem falada e &agrave; vontade de acelerar a comunica&ccedil;&atilde;o (Dahstr&ouml;m, 2013, p. 1; Varnhagen et al, 2010, p.720). &Eacute; provavelmente porque escrever &eacute; muito mais lento e propenso ao erro do que falar (Herring, 1999, 2003 citado por Varnhagen et al, 2010, p. 720) que os utilizadores da Internet desenvolveram atalhos para a escrita de palavras longas, como acr&oacute;nimos, assim como formas pragm&aacute;ticas para expressar o tom e a emo&ccedil;&atilde;o das mensagens, tal como &iacute;cones e mai&uacute;sculas, que na linguagem falada seriam expressas atrav&eacute;s de comunica&ccedil;&atilde;o paralingu&iacute;stica, atrav&eacute;s, por exemplo, de express&otilde;es faciais. (Varnhagen et al, 2010, p. 730).</p>     <p>De acordo com Squires (2010) a linguagem utilizada na Internet &eacute; predominantemente escrita, no entanto, envolve caracter&iacute;sticas quer da linguagem falada quer da escrita. O facto da linguagem da Internet ser informal, sincr&oacute;nica e ef&eacute;mera significa que esta tem caracter&iacute;sticas da linguagem falada. E o facto de ser edit&aacute;vel, baseada em texto e assincr&oacute;nica significa que inclu&iacute; caracter&iacute;sticas da linguagem falada (Herring, 2007, p.8 citado por Dahstr&ouml;m, 2013, p. 1).</p>     <blockquote>&ldquo;Research has shown that asynchronous internet language, such as blogging, holds a position closer to writing whereas synchronous internet language, such as communication in chatrooms, is closer to speech.&rdquo; (Dahstr&ouml;m, 2013, p. 1).</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso da linguagem utilizada no Twitter por estes jovens, ela parece-nos mais pr&oacute;xima de uma comunica&ccedil;&atilde;o sincr&oacute;nica, que &eacute; utilizada em grupos de conversa&ccedil;&atilde;o <i>online</i> e, por isso, mais pr&oacute;xima da linguagem falada. Numa reportagem (Raposo, 2014) que entrevista participantes de um <i>meet</i> em Lisboa uma jovem utilizadora do Twitter disse partilhar em m&eacute;dia mais de 200 mensagens por dia e que, em dias em que est&aacute; &ldquo;com criatividade&rdquo;, chega a esgotar o limite de 1500 <i>tweets</i> por dia. Apesar de o Twitter ser por conceito uma plataforma de <i>microblogging</i>, e por isso supostamente mais aproximada da linguagem dos blogues, estes jovens parecem fazer uma utiliza&ccedil;&atilde;o diferente, mais pr&oacute;xima da utiliza&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita num grupo de conversa&ccedil;&atilde;o <i>online</i>. <b>&nbsp;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>O <i>meet</i> do Vasco da Gama, e o alvoro&ccedil;o p&uacute;blico e medi&aacute;tico que criou, surgem como um acontecimento paradigm&aacute;tico, cuja an&aacute;lise se revela particularmente interessante, e bastante exemplificativa da rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre os utilizadores e o Twitter. Por um lado, o pr&oacute;prio conceito de <i>meet</i> ilustra de forma exemplar as intera&ccedil;&otilde;es <i>online</i>/<i>offline</i> que marcam o quotidiano dos jovens numa sociedade profundamente conectada. A convocat&oacute;ria destes encontros pela Internet, os esfor&ccedil;os de distin&ccedil;&atilde;o social que surgem associados &agrave;s diferentes redes sociais que est&atilde;o na origem dos <i>meets</i> e o conte&uacute;do e a forma dos coment&aacute;rios partilhados na rede social em torno do meet ilustram de modo expressivo os processos culturais, lingu&iacute;sticos e sociais que est&atilde;o por detr&aacute;s deste fen&oacute;meno.</p>     <p>Por outro lado, o car&aacute;cter &uacute;nico do <i>meet</i> do Vasco da Gama, com o seu impacto muito particular fora da esfera do p&uacute;blico-alvo dos <i>meets</i>, permite por a nu os conflitos identit&aacute;rios em torno da pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o do conceito de <i>meet</i>, exacerbando a repercuss&atilde;o do evento, uma vez terminado, na esfera do Twitter.</p>     <p>Simultaneamente, torna-se clara a multiplicidade de usos, intencionalidades e linguagens por detr&aacute;s do uso do Twitter, n&atilde;o obstante a singularidade do evento em an&aacute;lise.</p>     <p>Esta an&aacute;lise explorat&oacute;ria, circunscrita a um evento, destaca ainda a relev&acirc;ncia da colabora&ccedil;&atilde;o interdisciplinar entre os autores do artigo/projeto e o interesse em conjugar t&eacute;cnicas avan&ccedil;adas de an&aacute;lise do Twitter com um trabalho qualitativo de an&aacute;lise de conte&uacute;do que permite dar conta dos sentidos, emo&ccedil;&otilde;es e tem&aacute;ticas por detr&aacute;s do n&uacute;mero de <i>tweets</i> considerados.</p>     <p>Apesar das limita&ccedil;&otilde;es inerentes ao estudo de um s&oacute; caso, esta an&aacute;lise permite compreender de que forma as caracter&iacute;sticas particulares do Twitter, facilitadoras da organiza&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e massiva de eventos coletivos, j&aacute; exploradas na literatura em rela&ccedil;&atilde;o a protestos ou eventos c&iacute;vicos ou pol&iacute;ticos (Ogan &amp; Varol, 2017; Vromen, Xenos &amp; Loader, 2015; Segerberg &amp; Bennett, 2011), tamb&eacute;m s&atilde;o usados para um objetivo, amplamente identificado como um interesse dos adolescentes (Antheunis, Schouten &amp; Krahmer, 2014; Hinduja &amp; Patchin, 2008; Valkenburg, Schouten, &amp; Peter, 2005), de socializar e conhecer novas pessoas, neste caso, tornando f&iacute;sica uma comunidade apenas existente <i>online</i>.</p>     <p>Por outro lado, na senda desta an&aacute;lise, &eacute; poss&iacute;vel tamb&eacute;m obter pistas que permitam alargar o conhecimento sobre o uso das redes sociais pelos mais jovens, uma vez que &eacute; poss&iacute;vel identificar uma multiplicidade de usos, assim como alargar o conhecimento j&aacute; existente sobre as implica&ccedil;&otilde;es do uso das redes sociais para a auto-express&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de identidade dos adolescentes (Hodkinson, 2015; Livingstone, 2008), que parece n&atilde;o se limitar apenas atrav&eacute;s na gest&atilde;o de conte&uacute;do e das suas conex&otilde;es como atrav&eacute;s da escolha da pr&oacute;pria rede social em que participam.</p>     <p>Investiga&ccedil;&otilde;es futuras poder&atilde;o tentar compreender de forma mais aprofundada e atrav&eacute;s da compara&ccedil;&atilde;o entre v&aacute;rios fen&oacute;menos a necessidade de passar da esfera virtual para a esfera f&iacute;sica esta &ldquo;cultura da viral&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>Antheunis, M. L., Schouten, A. P., &amp; Krahmer, E. (2016). The role of social networking sites in early adolescents&rsquo; social lives. <i>The Journal of Early Adolescence</i>, 36(3), 348-371.</p>     <!-- ref --><p>Boyd, D. (2014). It's Complicated: the social lives of networked teens. Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941283&pid=S1646-5954201700040000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brejzek, T. (2010). From social network to urban intervention: On the scenographies of flash mobs and urban swarms. <i>International Journal of Performance Arts and Digital Media</i>, 6(1), 109-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941285&pid=S1646-5954201700040000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brogueira, G., Batista, F. &amp; Carvalho J. P. (2015). Arquitetura e Desenvolvimento de um Reposit&oacute;rio de Tweets em Portugu&ecirc;s Europeu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941287&pid=S1646-5954201700040000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> <i>5<sup>th</sup> Jornadas de Inform&aacute;tica da Universidade de &Eacute;vora</i>, &Eacute;vora, Portugal.</p>     <!-- ref --><p>Brogueira, G., Batista, F., Carvalho, J.P. &amp; Moniz, H. (2014). Expanding a Database of Portuguese Tweets.<i>3rd Symposium on Languages, Applications and Technologies</i> (pp. 275-282), Schloss Dagstuhl.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941289&pid=S1646-5954201700040000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brogueira, G., Carvalho, J.P. &amp; Batista, F. (2015). Sistema Inteligente de Recolha, Armazenamento e Visualiza&ccedil;&atilde;o de Informa&ccedil;&atilde;o proveniente do Twitter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941291&pid=S1646-5954201700040000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><i> 15&ordf; Confer&ecirc;ncia da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Sistemas de Informa&ccedil;&atilde;o</i>.</p>     <!-- ref --><p>Bruns, A. &amp; Burgess, J. E. (2011) The use of Twitter hashtags in the formation of ad hoc publics. In <i>6th European Consortium for Political Research General Conference</i>,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941293&pid=S1646-5954201700040000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> 25 &ndash; 27 August 2011, University of Iceland, Reykjavik.</p>     <p>Carvalho, J.P., Pedro, V. &amp; Batista, F. (2013). Towards Intelligent Mining of Public Social Networks&rsquo; Influence in Society. <i>IFSA World Congress and NAFIPS Annual Meeting</i>, (pp. 478-483), IEEE Xplore. 10.1109/IFSA-NAFIPS.2013.6608447.</p>     <p>Cataldi, M., Di Caro, L., &amp; Schifanella, C. (2010). Emerging topic detection on twitter based on temporal and social terms evaluation. In <i>Proceedings of the Tenth International Workshop on Multimedia Data Mining</i> (p. 4). ACM.</p>     <!-- ref --><p>Cha, M., Haddadi, H., Benevenuto, F., &amp; Gummadi, P. K. (2010). Measuring User Influence in Twitter: The Million Follower Fallacy. <i>ICWSM</i>, <i>10</i>, 10-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941297&pid=S1646-5954201700040000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dahlstr&ouml;m, J. (2013). Internet language in user-generated comments: Linguistic analysis of data from four commenting groups. Karlstads Universitet. Link: <a href="http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:616974/FULLTEXT01.pdf" target="_blank">http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:616974/FULLTEXT01.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941299&pid=S1646-5954201700040000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ellison, N. B. (2007). Social network sites: Definition, history, and scholarship. <i>Journal of Computer</i><i>&#8208;</i><i>Mediated Communication</i>, 13(1), 210-230.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941300&pid=S1646-5954201700040000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gruzd, A., Wellman, B., &amp; Takhteyev, Y. (2011). Imagining Twitter as an imagined community. <i>American Behavioral Scientist</i>, 55(10), 1294-1318.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941302&pid=S1646-5954201700040000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Halavais, A. (2014) &ldquo;Structure of Twitter. Social and Technical&rdquo;. In K. Weller, A. Bruns, J. Burgess, M. Mahrt &amp; C. Puschmann (Eds.), <i>Twitter and Society</i> (Digital Formations, 89) (pp. 29-41). New York: Peter Lang.</p>     <!-- ref --><p>Hinduja, S., &amp; Patchin, J. W. (2008). Personal information of adolescents on the Internet: A quantitative content analysis of MySpace. <i>Journal of adolescence</i>, 31(1), 125-146.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941305&pid=S1646-5954201700040000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hodkinson, P., &amp; Lincoln, S. (2008). Online journals as virtual bedrooms? Young people, identity and personal space. <i>Young</i>, 16(1), 27-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941307&pid=S1646-5954201700040000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Keen, A. (2007). The Cult of the Amateur: How blogs, MySpace, YouTube, and the rest of today's user-generated media are destroying our economy, our culture, and our values. <i>Random House LLC</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Livingstone, S. (2008). Taking risky opportunities in youthful content creation: teenagers' use of social networking sites for intimacy, privacy and self-expression. <i>New media &amp; society</i>, <i>10</i>(3), 393-411.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941310&pid=S1646-5954201700040000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Livingstone, S. &amp; Bovill, M. (1999). Young people, new media: report of the research project Children Young People and the Changing Media Environment. Research report, Department of Media and Communications, London School of Economics and Political Science, London, UK. Link: <a href="http://eprints.lse.ac.uk/21177/" target="_blank">http://eprints.lse.ac.uk/21177/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941312&pid=S1646-5954201700040000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marwick, A. E., boyld, d. (2011). I tweet honestly, I tweet passionately: Twitter users, context collapse, and the imagined audience. <i>New media &amp; society</i>, <i>13</i>(1), 114-133.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941313&pid=S1646-5954201700040000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Marwick, A., Fontaine, C., &amp; boyd, D. (2017). &ldquo;Nobody Sees It, Nobody Gets Mad&rdquo;: Social Media, Privacy, and Personal Responsibility Among Low-SES Youth. <i>Social Media+ Society</i>, 3(2), 2056305117710455.</p>     <!-- ref --><p>Merchant, G. (2001). Teenagers in cyberspace: An investigation of language use and language change in internet chatrooms. <i>Journal of Research in Reading</i>, 24(3), 293-306.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941316&pid=S1646-5954201700040000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Miller, V. (2008). New media, networking and phatic culture. <i>Convergence: The International Journal of Research into New Media Technologies</i>, 14(4), 387-400.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941318&pid=S1646-5954201700040000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Morozov, E. (2009). Iran: Downside to the" twitter revolution". <i>Dissent</i>, <i>56</i>(4), 10-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941320&pid=S1646-5954201700040000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>OberCom (2014) A Internet em Portugal. Sociedade em Rede 2014 Link: <a href="http://www.obercom.pt/content/client/?newsId=548&amp;fileName=internet_portugal_2014.pdf" target="_blank">http://www.obercom.pt/content/client/?newsId=548&amp;fileName=internet_portugal_2014.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>Ogan, C., &amp; Varol, O. (2017). What is gained and what is left to be done when content analysis is added to network analysis in the study of a social movement: Twitter use during Gezi Park. <i>Information, Communication &amp; Society</i>, 20(8), 1220-1238.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941323&pid=S1646-5954201700040000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Raposo, O. (2014). Conv&iacute;vio ou viol&ecirc;ncia? Os meets e a afirma&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; cidade. Rede Angola. Link: <a href="http://www.redeangola.info/especiais/convivio-ou-violencia-os-meets-e-a-afirmacao-do-direito-a-cidade/" target="_blank">http://www.redeangola.info/especiais/convivio-ou-violencia-os-meets-e-a-afirmacao-do-direito-a-cidade/</a></p>     <!-- ref --><p>Rheingold, H. (2007). Smart mobs: The next social revolution. Basic books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941326&pid=S1646-5954201700040000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Risse, T., Peters, W., Senellart, P. &amp; Maynard, D. (2013). Documenting Contemporary Society by Preserving Relevant Information from Twitter. In K. Weller, &amp; C. Puschmann (Eds.). <i>Twitter and society </i>(pp.207-219). New York: Peter Lang.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941328&pid=S1646-5954201700040000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rogers, R. (2013). Debanalizing Twitter: The transformation of an object of study. In K. Weller, &amp; C. Puschmann (Eds.).<i>Twitter and society</i> (pp. 9-26). New York: Peter Lang.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941330&pid=S1646-5954201700040000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Rosa, H., Batista, F. &amp; Carvalho, J.P. (2014) Twitter Topic Fuzzy Fingerprints. <i>IEEE World Congress on Computational Intelligence</i>, International Conference on Fuzzy Systems (pp. 776-783), IEEE Xplorer. 10.1109/FUZZ-IEEE.2014.6891781</p>     <p>Rosa, H., Carvalho, J.P. &amp; Batista, F. (2014). Detecting a Tweet&rsquo;s Topic within a Large Number of Portuguese Twitter Trends. <i>3rd Symposium on Languages, Applications and Technologies</i> (pp. 185-199), Schloss Dagstuhl.</p>     <!-- ref --><p>Segerberg, A., &amp; Bennett, W. L. (2011). Social media and the organization of collective action: Using Twitter to explore the ecologies of two climate change protests. <i>The Communication Review</i>, 14(3), 197-215.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941334&pid=S1646-5954201700040000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Seo, H., Houston, J. B., Knight, L. A. T., Kennedy, E. J., &amp; Inglish, A. B. (2013). Teens&rsquo; social media use and collective action. <i>New Media &amp; Society</i>, 1461444813495162.</p>     <p>Silverstone, R., Hirsch, E. &amp; Morley, D. (1992). &ldquo;Information and Communication Technologies and the Moral Economy of the Household&rdquo;, in Roger Silverstone and Eric Hirsch (ed.), <i>Consuming Technologies: Media and Information in Domestic Spaces</i>, London: Routledge.</p>     <!-- ref --><p>Squires, L. (2010). Enregistering internet language. <i>Language in Society</i>, 39(04), 457-492.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941338&pid=S1646-5954201700040000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Stephansen, H. C., &amp; Couldry, N. (2014). Understanding micro-processes of community building and mutual learning on Twitter: a &lsquo;small data&rsquo;approach. <i>Information, Communication &amp; Society</i>, 17(10), 1212-1227.</p>     <!-- ref --><p>Taborda, M., Cardoso, G., &amp; Espanha, R. (2010). A utiliza&ccedil;&atilde;o da internet em Portugal 2010. LINI-Lisbon Internet and Networks International Research Programme. Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941341&pid=S1646-5954201700040000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Valkenburg, P. M., &amp; Schouten, A. P. (2005). Developing a model of adolescent friendship formation on the Internet. <i>CyberPsychology &amp; Behavior</i>, 8(5), 423-430.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941343&pid=S1646-5954201700040000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Varnhagen, C. K., McFall, G. P., Pugh, N., Routledge, L., Sumida-MacDonald, H., &amp; Kwong, T. E. (2010). Lol: New language and spelling in instant messaging. <i>Reading and Writing</i>, 23(6), 719-733.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941345&pid=S1646-5954201700040000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vromen, A., Xenos, M. A., &amp; Loader, B. (2015). Young people, social media and connective action: From organisational maintenance to everyday political talk. <i>Journal of Youth Studies</i>, 18(1), 80-100.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941347&pid=S1646-5954201700040000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vromen, A., Xenos, M. A., &amp; Loader, B. (2015). Young people, social media and connective action: From organisational maintenance to everyday political talk. <i>Journal of Youth Studies</i>, 18(1), 80-100.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=941349&pid=S1646-5954201700040000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> O projeto foi financiado por fundos nacionais, atrav&eacute;s da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (FCT), atrav&eacute;s do programa PTDC/IVC-ESCT/4919/2012 , com financiamento UID/CEC/50021/2013&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Fonte: Twitter Link: <a href="https://about.twitter.com/company" target="_blank">https://about.twitter.com/company</a> (acedido a 6 de Janeiro de 2015)</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Fonte: OberCom (2014) A Internet em Portugal. Sociedade em Rede 2014 Link: <a href="http://www.obercom.pt/content/client/?newsId=548&amp;fileName=internet_portugal_2014.pdf" target="_blank">http://www.obercom.pt/content/client/?newsId=548&amp;fileName=internet_portugal_2014.pdf</a></p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> <a href="http://www.pewinternet.org/2015/04/09/teens-social-media-technology-2015/" target="_blank">http://www.pewinternet.org/2015/04/09/teens-social-media-technology-2015/</a></p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Fonte: Pew Research Center (May 31, 2012) Twitter Use 2012. Link: <a href="http://www.pewinternet.org/files/old-media/Files/Reports/2012/PIP_Twitter_Use_2012.pdf" target="_blank">http://www.pewinternet.org/files/old-media//Files/Reports/2012/PIP_Twitter_Use_2012.pdf</a></p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Fonte: Pew Research Center (May 21, 2013) Teens, Social Media and Privacy. Link: <a href="http://www.pewinternet.org/files/2013/05/PIP_TeensSocialMediaandPrivacy_PDF.pdf" target="_blank">http://www.pewinternet.org/files/2013/05/PIP_TeensSocialMediaandPrivacy_PDF.pdf</a>&nbsp;&nbsp;</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Fonte: Pew Research Internet project (December 30, 2013) Social Media Update 2013. Link: <a href="http://www.pewinternet.org/2013/12/30/social-media-update-2013/" target="_blank">http://www.pewinternet.org/2013/12/30/social-media-update-2013/</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> No per&iacute;odo de 21 a 31 de agosto o jornal P&uacute;blico publicou online 15 artigos sobre os <i>meets</i>: 9 not&iacute;cias, 1 artigo de opini&atilde;o e 5 partilhas de v&iacute;deos no &acirc;mbito de uma parceria com o canal televisivo TVI.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> API &ndash; Application Program Interface: um conjunto de ferramentas, protocolos e rotinas que permitem a um utilizador construir ferramentas de software para interagir com um servi&ccedil;o.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> A <i>timeline</i> de um utilizador &eacute; uma cole&ccedil;&atilde;o de <i>tweets </i>que um determinado utilizador publicou ao longo do tempo.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Esse n&uacute;mero &eacute; atualmente bastante superior dado que nos meses seguintes se obteve a <i>timeline</i> de virtualmente todos os 18732 utilizadores. No entanto esses <i>tweets</i> n&atilde;o foram analisados durante o estudo aqui apresentado.&nbsp;&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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