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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Dia em que a Presidente caiu: uma Análise do Jornal Nacional]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[On May 12, 2016, the Brazilian Senate approved the opening of the impeachment proceedings against the president Dilma Rousseff. Journalists who were covering the political crisis reported these historic moment from the capital of the country, Brasília. This article analyzes the Jornal Nacional, the main TV newscast in Brazil, produced by Rede Globo. The overall objective is to interpret how the impeachment was reported. The study used concepts from Traquina (2005), Beltrão (1969, 1976, 1980) e Bucci (2004).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O Dia em que a Presidente caiu: uma An&aacute;lise do Jornal Nacional</b></p>     <p><b>The Day the President fell: An Analysis of the <i>Jornal Nacional</i></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Mariana Corsetti Oselame*</b></p>     <p>* Centro Universit&aacute;rio Ritter dos Reis &ndash; UNIRITTER, Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>No dia 12 de maio de 2016 o Senado Federal brasileiro aprovou a abertura do processo de impeachment contra a presidente da Rep&uacute;blica, Dilma Rousseff. Os programas jornal&iacute;sticos, que h&aacute; meses faziam a cobertura da crise pol&iacute;tica, noticiaram os desdobramentos da hist&oacute;rica vota&ccedil;&atilde;o. Este artigo, que tem como objeto um desses programas &ndash; o Jornal Nacional, da Rede Globo &ndash; faz uma an&aacute;lise de conte&uacute;do (Bardin, 1977) da edi&ccedil;&atilde;o apresentada no dia em que a presidente caiu. O objetivo geral &eacute; interpretar como o afastamento foi noticiado. O objetivo particular &eacute; analisar o telejornal &agrave; luz dos conceitos de jornalismo (Traquina, 2005), g&ecirc;neros jornal&iacute;sticos (Beltr&atilde;o, 1969, 1976, 1980) e &eacute;tica (Bucci, 2004).</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Telejornalismo; Jornal Nacional; Impeachment; Dilma Rousseff; &Eacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>On May 12, 2016, the Brazilian Senate approved the opening of the impeachment proceedings against the president Dilma Rousseff. Journalists who were covering the political crisis reported these historic moment from the capital of the country, Bras&iacute;lia. This article analyzes the Jornal Nacional, the main TV newscast in Brazil, produced by Rede Globo. The overall objective is to interpret how the impeachment was reported. The study used concepts from Traquina (2005), Beltr&atilde;o (1969, 1976, 1980) e Bucci (2004).</p>     <p><b>Keywords:</b> Television journalism; Jornal Nacional; Impeachment; Dilma Rousseff; Ethic.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Refletir sobre o Jornal Nacional talvez seja &ldquo;chover no molhado&rdquo;, visto que ele &eacute; um objeto de estudo recorrente em disserta&ccedil;&otilde;es de Mestrado e teses de Doutorado produzidas Brasil afora em Programas de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Ciente disso, esta pesquisa pretende assumir como inova&ccedil;&atilde;o a proximidade temporal entre o objeto escolhido &ndash; a edi&ccedil;&atilde;o do telejornal do dia 12 de maio de 2016 &ndash; e a realiza&ccedil;&atilde;o de uma an&aacute;lise sobre o seu conte&uacute;do, meses ap&oacute;s sua veicula&ccedil;&atilde;o, com vistas a problematizar a presen&ccedil;a (ou aus&ecirc;ncia) da &eacute;tica jornal&iacute;stica.</p>     <p>A an&aacute;lise se deu, ainda, em meio ao contexto de polariza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que marcou o Brasil nos primeiros seis meses de 2016. Se fosse poss&iacute;vel adotar uma &uacute;nica imagem para ilustrar o clima pol&iacute;tico &agrave; &eacute;poca, essa imagem teria as cores de um pa&iacute;s dividido. De um lado o vermelho, de outro o verde e amarelo. De um lado os setores ligados &agrave; base eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) clamando pelo respeito &agrave; democracia; de outro os contr&aacute;rios ao ide&aacute;rio petista se apropriando das cores da bandeira e de figuras como o juiz da Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, S&eacute;rgio Moro, para pedir o fim do governo Dilma Rousseff. Ambos os grupos<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, igualmente afetados pela crise econ&ocirc;mica que atingiu o pa&iacute;s a partir de 2015, apresentavam, no plano dos discursos e da produ&ccedil;&atilde;o de sentidos, um mesmo objetivo: lutar por um Brasil mais justo e democr&aacute;tico.</p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel marcar as elei&ccedil;&otilde;es de 2104 &ndash; definidas com uma apertada vit&oacute;ria de Dilma sobre o tucano A&eacute;cio Neves por tr&ecirc;s milh&otilde;es de votos &ndash; como o ponto de partida para uma s&eacute;rie de fatos que, em 12 de maio de 2016, resultaram na admissibilidade do pedido de impeachment pelo Senado Federal e, consequentemente, provocaram o afastamento da presidente da Rep&uacute;blica e a ascens&atilde;o ao poder do seu vice, o peemedebista Michel Temer. O que ocorreu ap&oacute;s a elei&ccedil;&atilde;o &ndash; a falta de di&aacute;logo entre o Executivo e o Legislativo, o mau desempenho da economia e os desdobramentos da Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato &ndash; foi determinante para agravar a crise pol&iacute;tica e levar milhares de pessoas &agrave;s ruas em manifesta&ccedil;&otilde;es pelo pa&iacute;s.</p>     <p>Os ve&iacute;culos de imprensa deram ampla cobertura aos fatos. Mas como foi essa cobertura? Ela seguiu os princ&iacute;pios estabelecidos pela &eacute;tica jornal&iacute;stica? Para investigar essa quest&atilde;o de pesquisa, o presente estudo elenca tr&ecirc;s categorias <i>a priori</i> &ndash; jornalismo, g&ecirc;neros jornal&iacute;sticos e &eacute;tica &ndash; que servir&atilde;o de base para an&aacute;lise.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Do conceito de jornalismo &agrave; &eacute;tica nas reda&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>Na tentativa de definir jornalismo, Traquina (2005) apresenta tr&ecirc;s ideias que representam condi&ccedil;&otilde;es <i>sine qua non</i> para o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o. A primeira: jornalismo &eacute; uma atividade intelectual, realizada em um contexto de liberdade de express&atilde;o e de liberdade de imprensa. A segunda: s&oacute; pode haver jornalismo em um regime democr&aacute;tico. E, a terceira: em regimes democr&aacute;ticos e imprensa livre as not&iacute;cias se tornam, n&atilde;o raro, mercadoria &ndash; por isso, o jornalismo &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a tens&atilde;o entre o polo econ&ocirc;mico, que v&ecirc; as not&iacute;cias como mercadoria, e o &ldquo;ideol&oacute;gico<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>&rdquo;, que as define como servi&ccedil;o p&uacute;blico. Enquanto o primeiro est&aacute; relacionado a como as empresas lidam com a not&iacute;cia, o segundo tem a ver com o modo como os profissionais percebem o papel que exercem na sociedade.</p>     <p>     <blockquote>As liberdades s&atilde;o reais, mais seria uma vis&atilde;o rom&acirc;ntica da profiss&atilde;o imaginar que o jornalismo &eacute; a soma de todos os jornalistas a agir em plena liberdade. Uma pergunta permanente &eacute; precisamente at&eacute; que ponto um jornalista &eacute; livre e s&atilde;o livres os jornalistas. A resposta te&oacute;rica deste livro reconhece uma &ldquo;autonomia relativa&rdquo; do jornalismo, mas reconhece tamb&eacute;m que a atividade jornal&iacute;stica &eacute; altamente condicionada (TRAQUINA, 2005, p. 25).</blockquote>     <p></p>     <p>Primeira categoria <i>a priori</i> deste artigo, o conceito de jornalismo se relaciona com o objeto de estudo na medida em que o Jornal Nacional apresenta os pressupostos citados por Traquina: &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o intelectual/criativa da realidade, est&aacute; inserido no contexto de uma democracia e sofre a influ&ecirc;ncia direta da tens&atilde;o entre os polos econ&ocirc;mico e &ldquo;ideol&oacute;gico&rdquo;.</p>     <p>A defini&ccedil;&atilde;o de jornalismo, no entanto, n&atilde;o &eacute; suficiente para uma an&aacute;lise da edi&ccedil;&atilde;o apresentada em 12 de maio de 2016. &Eacute; preciso observar, tamb&eacute;m, aspectos como o processo de sele&ccedil;&atilde;o das not&iacute;cias que ser&atilde;o veiculadas em um determinado produto jornal&iacute;stico. Entre a discuss&atilde;o inicial da pauta e a edi&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias h&aacute; muitas escolhas a serem feitas. Uma delas, ainda nas primeiras etapas de constru&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do, refere-se ao g&ecirc;nero e ao formato em que a pauta ser&aacute; apresentada.</p>     <p>Pioneiro dos estudos de jornalismo no Brasil, Luiz Beltr&atilde;o publicou, entre os anos 70 e 80, a trilogia Imprensa Informativa (1969), Jornalismo Interpretativo (1976) e Jornalismo Opinativo (1980). Ainda que nunca tenha se referido &agrave; express&atilde;o &ldquo;g&ecirc;nero jornal&iacute;stico&rdquo;, nessas tr&ecirc;s obras ele lan&ccedil;ou as bases dos estudos sobre o tema no pa&iacute;s. Para Beltr&atilde;o, o jornalismo est&aacute; baseado em tr&ecirc;s categorias: a informativa (not&iacute;cia, reportagem, hist&oacute;ria de interesse humano ou informa&ccedil;&atilde;o pela imagem), a interpretativa (reportagem em profundidade) e a opinativa (editoriais, artigos, cr&ocirc;nicas, opini&atilde;o ilustrada e opini&atilde;o do leitor). Essa divis&atilde;o, de acordo com o jornalista, professor e pesquisador, &eacute; feita a partir da fun&ccedil;&atilde;o de cada categoria: informar (informativo), explicar (interpretativo) e orientar (opinativo) &ndash; fun&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o, para Beltr&atilde;o, as tr&ecirc;s principais atribui&ccedil;&otilde;es do jornalismo.</p>     <p>Em Imprensa Informativa (1969) o autor d&aacute; &ecirc;nfase &agrave; primeira categoria elencando os aspectos que envolvem a produ&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia, discutindo a noticiabilidade e ressaltando as caracter&iacute;sticas da linguagem jornal&iacute;stica. Entre elas&nbsp;est&aacute; a impessoalidade, que equivale, nesse contexto, &agrave; &ldquo;objetividade jornal&iacute;stica&rdquo; ou, simplesmente, &agrave; &ldquo;neutralidade&rdquo;. Beltr&atilde;o &eacute; muito claro: para ele, o jornalista deve se restringir a contar os fatos, sem emitir os seus julgamentos, deixando a opini&atilde;o para aqueles profissionais que s&atilde;o, de fato, comentaristas.</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>O jornalista (...) narra os fatos. N&atilde;o d&aacute; opini&atilde;o, n&atilde;o torna p&uacute;blicas as suas rea&ccedil;&otilde;es pessoais. Procura atingir o m&aacute;ximo de imparcialidade porque (...) os fatos s&atilde;o sagrados; s&oacute; o coment&aacute;rio &eacute; que &eacute; livre. (...) o noticiarista comum (...) deve cuidar de que a not&iacute;cia reflita o acontecimento tal como sucedeu, deixando a outrem e ao leitor a tarefa de chegar, por sua conta e risco, &agrave;s pr&oacute;prias conclus&otilde;es (BELTR&Atilde;O, 1969, p.107).</blockquote>     <p></p>     <p>A segunda categoria citada por Beltr&atilde;o &eacute; a interpretativa. Para ele, se o jornalismo informativo visa apurar, redigir e transmitir as informa&ccedil;&otilde;es, o interpretativo precisa ir al&eacute;m, com reportagens em profundidade, contextualizando, apurando e interpretando os fatos. Beltr&atilde;o (1976, p. 51) argumenta que &ldquo;&eacute; necess&aacute;rio esquadrinhar sua entranha, procurando seus antecedentes melhores, e projetar uma vis&atilde;o futura, formulando um progn&oacute;stico atilado, s&oacute;brio e inteligente, para n&atilde;o cair em demasias subjetivas&rdquo;. Segundo Luiz Beltr&atilde;o:</p>     <p>     <blockquote>O produto distribu&iacute;do &agrave; massa &eacute; a informa&ccedil;&atilde;o em toda a sua integridade, captada, analisada e selecionada pelo jornalista, ao qual n&atilde;o cabe o diagn&oacute;stico, do mesmo modo que no corpo de uma mat&eacute;ria redacional n&atilde;o cabe a propaganda de um produto, bem ou servi&ccedil;o determinado. O diagn&oacute;stico do jornalista ou do grupo empresarial, ser&aacute; l&iacute;cito quando, a exemplo do an&uacute;ncio publicit&aacute;rio, for exposto na se&ccedil;&atilde;o ou no programa competente, de editoriais e colabora&ccedil;&atilde;o dos jornais ou dos coment&aacute;rios e aprecia&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas em hor&aacute;rios e ocasi&otilde;es pr&eacute;-determinados no r&aacute;dio e na televis&atilde;o (BELTR&Atilde;O, 1976, p. 52).</blockquote>     <p></p>     <p>O &ldquo;diagn&oacute;stico&rdquo; a que o autor se refere nada mais &eacute; do que a express&atilde;o da terceira categoria elencada por ele, a opinativa, descrita em Jornalismo Opinativo, de 1980. Na obra Beltr&atilde;o discute a opini&atilde;o p&uacute;blica e nega a passividade do receptor do conte&uacute;do jornal&iacute;stico. Ele afirma existirem tr&ecirc;s possibilidades de opini&atilde;o no jornalismo: a do editor/ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o, a do jornalista e a do leitor/receptor. Sustenta que, em muitas editorias, n&atilde;o basta apenas informar: &eacute; preciso analisar, interpretar, ajudar o leitor a formar uma opini&atilde;o.</p>     <p>Essa opini&atilde;o, por&eacute;m, n&atilde;o pode ser exposta sem base na t&eacute;cnica, na &eacute;tica e no interesse social. Conforme Beltr&atilde;o (1980), &eacute; fundamental seguir tr&ecirc;s passos: 1) dominar a informa&ccedil;&atilde;o &ndash; calcular sua extens&atilde;o e alcance, inteirar-se amplamente de suas causas, seus aspectos significativos e sua sequ&ecirc;ncia l&oacute;gica; 2) reger a informa&ccedil;&atilde;o &ndash; lev&aacute;-la ao conhecimento p&uacute;blico segundo as normas &eacute;ticas que regem o jornalismo; 3) assistir &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &ndash; acompanhar os seus efeitos imediatos e mediatos, n&atilde;o &ldquo;abandon&aacute;-la&rdquo; &agrave; pr&oacute;pria sorte. Para o pioneiro nos estudos sobre jornalismo no Brasil, a opini&atilde;o faz parte do papel da imprensa:</p>     <p>     <blockquote>(...) o jornal tem o dever de exercitar a opini&atilde;o: ela &eacute; que valoriza e engrandece a atividade profissional, pois, quando expressa com honestidade e dignidade, com a reta inten&ccedil;&atilde;o de orientar o leitor, sem tergiversar ou violentar a sacralidade das ocorr&ecirc;ncias, se torna fator importante na op&ccedil;&atilde;o da comunidade pelo caminho mais seguro &agrave; obten&ccedil;&atilde;o do bem-estar (...) (BELTR&Atilde;O, 1980, p. 14).</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Para ser expressa com honestidade e dignidade, a opini&atilde;o precisa atender aos princ&iacute;pios &eacute;ticos t&atilde;o caros ao jornalismo. Derivada do grego <i>&eacute;thos</i>, a palavra &eacute;tica abrange duas dimens&otilde;es. Uma se relaciona ao indiv&iacute;duo; a outra diz respeito &agrave; sociedade. Conforme Bucci (2004, p. 16), &ldquo;a conduta &eacute;tica &eacute; fruto da decis&atilde;o do agente &ndash; &eacute; por ter racionalidade e liberdade, ou por ter o &lsquo;livre-arb&iacute;trio&rsquo;, como prega a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, que ele &eacute; senhor de seus atos &ndash; mas essa decis&atilde;o individual tem lugar na sociedade&rdquo;. Ou seja: o sujeito tem autonomia para agir, mas n&atilde;o o faz sem a influ&ecirc;ncia dos valores da sociedade em que vive.</p>     <p>Aplicada ao jornalismo ou a qualquer outro campo profissional, a &eacute;tica s&oacute; tem sentido na pr&aacute;tica; ela n&atilde;o &eacute;, portanto, um &ldquo;receitu&aacute;rio&rdquo;, como destaca Bucci (2004, p. 15), mas, antes, &ldquo;um modo de pensar que, aplicado ao jornalismo, d&aacute; forma aos impasses que requerem decis&otilde;es individuais e sugere equa&ccedil;&otilde;es para resolv&ecirc;-los&rdquo;. Um bom ponto de partida para abordar o tema da &eacute;tica jornal&iacute;stica &eacute; situar, no cerne de qualquer uma de suas poss&iacute;veis acep&ccedil;&otilde;es, os pressupostos b&aacute;sicos da liberdade de imprensa como a defesa da verdade e da justi&ccedil;a; a pluralidade de opini&otilde;es e de pontos de vista; a constante e atenta vigil&acirc;ncia dos atos do governo. N&atilde;o h&aacute; jornalista que discorde dessas premissas &ndash; se o fizesse, iria contra a liberdade de imprensa. No entanto, nem sempre esses pressupostos s&atilde;o de f&aacute;cil aplica&ccedil;&atilde;o &ndash; ainda mais no contexto dos meios no Brasil, como argumenta Bucci:</p>     <p>     <blockquote>Como pode a imprensa fiscalizar o poder &ndash; um de seus deveres supremos &ndash; se ela se converteu num neg&oacute;cio transnacional, oligopolizado em conglomerados da m&iacute;dia que trafica influ&ecirc;ncia junto aos governos para conseguir mais concess&otilde;es de canais e mais facilidades de financiamentos p&uacute;blicos? Onde est&aacute; a independ&ecirc;ncia do jornalismo? (BUCCI, 2004, p. 12).</blockquote>     <p></p>     <p>Entre os jornalistas, essa falta de independ&ecirc;ncia diz respeito a um dilema situado em um contexto macro, referente ao modo como o profissional se relaciona com o posicionamento da empresa em que trabalha. Embora a decis&atilde;o &eacute;tica seja sempre de foro individual, ela &eacute; tomada dentro de um ambiente organizacional &ndash; o que pode gerar consequ&ecirc;ncias nem sempre agrad&aacute;veis para quem n&atilde;o segue a &ldquo;cartilha&rdquo;. Mas tamb&eacute;m existem dilemas mais rotineiros, &ldquo;de ordem mais comezinha&rdquo; (BUCCI, 2004, p. 20). S&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es em que o jornalista n&atilde;o est&aacute; optando entre fazer o certo e o errado, mas, antes, se v&ecirc; diante de duas alternativas igualmente corretas &ndash; e l&iacute;citas. Um exemplo &eacute; o caso abaixo:</p>     <p>     <blockquote>&Eacute; justo devassar a intimidade de algu&eacute;m? N&atilde;o, todo mundo sabe. Mas, de novo, n&atilde;o &eacute; com tanta simplicidade que essas d&uacute;vidas costumam aparecer. Pergunte-se outra vez: &eacute; justo investigar a intimidade de algu&eacute;m que esteja exercendo uma fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e guarda, em sua intimidade, pr&aacute;ticas suspeitas que envolvem o Estado? O dilema &eacute;tico do jornalista, por excel&ecirc;ncia, &eacute; deste tipo. N&atilde;o se trata apenas de uma hesita&ccedil;&atilde;o, portanto, entre o certo e o errado (BUCCI, 2004, p. 20).</blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bucci, longe de apontar uma sa&iacute;da pr&aacute;tica, faz algumas considera&ccedil;&otilde;es pertinentes no debate sobre a &eacute;tica jornal&iacute;stica. Pondera que n&atilde;o h&aacute; como esperar que as reda&ccedil;&otilde;es sejam &ldquo;ilhas de &eacute;tica&rdquo; dentro de empresas que realizam opera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o raro escusas; faz um paralelo afirmando que isso seria o mesmo que esperar uma boa medicina dentro de um hospital que compra rem&eacute;dios falsificados. No campo do jornalismo, diz ele, a &eacute;tica &eacute; um pacto de confian&ccedil;a entre a institui&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica &ndash; no caso a empresa de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; e o p&uacute;blico que a tem como refer&ecirc;ncia de compromisso com as fun&ccedil;&otilde;es de informar, explicar e orientar. Por fim, &ldquo;a &eacute;tica interna das reda&ccedil;&otilde;es e a &eacute;tica pessoal dos jornalistas devem ser cultivadas, aprimoradas e exigidas, mas elas s&oacute; s&atilde;o plenamente eficazes quando as premissas da liberdade de imprensa est&atilde;o asseguradas&rdquo; (BUCCI, 2004, p. 25). Em outras palavras, h&aacute; um desrespeito &agrave; &eacute;tica, por exemplo, quando um telejornal n&atilde;o contempla a pluralidade de opini&otilde;es sobre um determinado acontecimento, quando &ldquo;sugere&rdquo; e &ldquo;deixa no ar&rdquo; uma interpreta&ccedil;&atilde;o fechada de uma not&iacute;cia e, principalmente, quando n&atilde;o concede ao p&uacute;blico a oportunidade de, a partir de tudo o que foi mostrado, formar a sua pr&oacute;pria vis&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jornal Nacional: algumas considera&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>Quando estreou, em 1&deg; de setembro de 1969, o Jornal Nacional ia ao ar de segunda-feira a s&aacute;bado, tinha 15 minutos de dura&ccedil;&atilde;o e era dividido em not&iacute;cias locais, nacionais e internacionais. As manchetes eram lidas por dois apresentadores, Hilton Gomes e Cid Moreira. J&aacute; na primeira edi&ccedil;&atilde;o o telejornal inaugurou uma das marcas preservadas at&eacute; hoje: o h&aacute;bito de encerrar com uma not&iacute;cia mais leve, mais &ldquo;positiva&rdquo;. &Agrave; &eacute;poca essa foi uma ruptura relevante em rela&ccedil;&atilde;o ao que era feito pelo Rep&oacute;rter Esso, at&eacute; ent&atilde;o a principal refer&ecirc;ncia de jornalismo no r&aacute;dio e na televis&atilde;o, que encerrava as edi&ccedil;&otilde;es com a informa&ccedil;&atilde;o mais importante do dia. Outra ruptura foi a inclus&atilde;o das &ldquo;sonoras&rdquo;, ou seja, as falas dos entrevistados. &ldquo;No nosso telejornal, al&eacute;m de imagens cobertas com &aacute;udio do locutor, inser&iacute;amos depoimentos, com voz direta, da pessoa falando&rdquo;, explicou Armando Nogueira em entrevista ao Mem&oacute;ria Globo (NOGUEIRA apud MEM&Oacute;RIA GLOBO, 2005, p. 34).</p>     <p>De 1969 a 2016 o Jornal Nacional passou por in&uacute;meras transforma&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, est&eacute;ticas e editoriais. Entre as mudan&ccedil;as mais marcantes est&atilde;o a substitui&ccedil;&atilde;o dos locutores por jornalistas envolvidos na produ&ccedil;&atilde;o das not&iacute;cias; a presen&ccedil;a de apresentadoras; e o cen&aacute;rio suspenso, em um mezanino, mostrando a reda&ccedil;&atilde;o, ao fundo, em tempo real. Em 47 anos, o telejornal viu o cen&aacute;rio das m&iacute;dias &ndash; e o contexto pol&iacute;tico brasileiro &ndash; se transformar. Nesse per&iacute;odo, o Brasil foi governado por uma junta militar (em 1969, devido &agrave; doen&ccedil;a do ent&atilde;o presidente Costa e Silva), por tr&ecirc;s presidentes militares (Em&iacute;lio Garrastazu M&eacute;dici, Ernesto Geisel e Jo&atilde;o Figueiredo), por quatro presidentes eleitos democraticamente, por voto direto (Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lu&iacute;s In&aacute;cio Lula da Silva e Dilma Rousseff) e por tr&ecirc;s presidentes interinos (Jos&eacute; Sarney, que assumiu no lugar de Tancredo Neves, morto antes de tomar posse; Itamar Franco, conduzido ao cargo ap&oacute;s o impeachment de Fernando Collor; e Michel Temer, al&ccedil;ado ao posto ap&oacute;s o afastamento de Dilma Rousseff pelo Senado). O que n&atilde;o mudou, no entanto, foi o que Ramos chamou de &ldquo;os piores tra&ccedil;os do telejornalismo norte-americano&rdquo; (2005, p. 145). Segundo ele, o Jornal Nacional, desde o seu in&iacute;cio, &ldquo;comprometeu-se com o g&ecirc;nero informativo, pelo dogma do fetichismo da objetividade, para posar como neutro. A neutralidade foi o grande &aacute;libi, para escamotear os seus comprometimentos ideol&oacute;gicos&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jornal Nacional: a edi&ccedil;&atilde;o de 12 de maio de 2016</b></p>     <p>O Jornal Nacional de 12 de maio de 2016 teve 1h07min49s e foi quase integralmente dedicado &agrave; not&iacute;cia do dia: a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no Senado e seu afastamento por um prazo m&aacute;ximo de 180 dias. O telejornal levou ao ar 19 &ldquo;unidades de conte&uacute;do&rdquo;, sendo 12 mat&eacute;rias<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>, seis notas<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> e uma sonora<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. O tom dessa edi&ccedil;&atilde;o foi dado j&aacute; na escalada<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> lida por William Bonner e Renata Vasconcellos:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a06t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Roda vinheta e, depois dela, Renata chama a primeira mat&eacute;ria:</p>     <p>     <blockquote>Foram mais de 20 horas de sess&atilde;o at&eacute; o resultado final. &Agrave;s 6 e 33 da manh&atilde;, o Senado aprovou a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Com isso, ela fica afastada do cargo por at&eacute; 180 dias (neste momento a imagem fecha em Renata, que passa a falar para outra c&acirc;mera). Cinquenta e cinco senadores votaram a favor do afastamento. Isso representa um voto a mais do que dois ter&ccedil;os do Senado, o qu&oacute;rum que vai ser exigido para conden&aacute;-la em definitivo, ao fim do julgamento.</blockquote>     <p></p>     <p>Bonner chama o pr&oacute;ximo conte&uacute;do: &ldquo;A presidente afastada, Dilma Rousseff, recebeu apoio de manifestantes na sa&iacute;da do Pal&aacute;cio do Planalto. Logo que foi informada oficialmente do afastamento, ela disse, em discurso, que vai lutar at&eacute; o fim&rdquo;. Dando sequ&ecirc;ncia ao telejornal, Renata l&ecirc; a cabe&ccedil;a da mat&eacute;ria que recupera o contexto pol&iacute;tico que culminou com o afastamento da presidente. &ldquo;Desde que o processo de impeachment come&ccedil;ou a tramitar na C&acirc;mara at&eacute; a manh&atilde; de hoje, quando Dilma Rousseff foi afastada temporariamente pelo Senado, foram cinco meses e dez dias de intensa batalha pol&iacute;tica&rdquo;.</p>     <p>Bonner chama o VT seguinte, sobre os argumentos que embasaram o processo:</p>     <p>     <blockquote>No pedido de impeachment, os juristas Miguel Reale J&uacute;nior, Janaina Paschoal e H&eacute;lio Bicudo denunciaram a presidente Dilma Rousseff pelas agora famosas &ldquo;pedaladas fiscais&rdquo; e por editar decretos que aumentaram gastos do governo sem a autoriza&ccedil;&atilde;o do Congresso, como exigiria a lei. (Bonner passa a falar para a c&acirc;mera da grua, a mesma em que Renata deu in&iacute;cio ao telejornal. Enquanto o apresentador l&ecirc; a cabe&ccedil;a, a c&acirc;mera vai se aproximando). Segundo a den&uacute;ncia, s&atilde;o esses os crimes de responsabilidade de Dilma.</blockquote>     <p></p>     <p>A mat&eacute;ria que aparece na sequ&ecirc;ncia &eacute; chamada por Renata:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>Na sa&uacute;de de qualquer empresa, os erros e os acertos dos administradores aparecem em n&uacute;meros. E isso vale tamb&eacute;m para os pa&iacute;ses, quando se olha os &iacute;ndices de infla&ccedil;&atilde;o, de emprego, de crescimento. O rep&oacute;rter Roberto Kovalick e o comentarista de economia, Carlos Alberto Sardenberg, mostram agora o que dizem os n&uacute;meros da economia brasileira.</blockquote>     <p></p>     <p>O VT &eacute; o pen&uacute;ltimo do primeiro bloco do telejornal. A mat&eacute;ria que encerra essa primeira parte foi chamada por Bonner: &ldquo;A presidente afastada ter&aacute; todo o per&iacute;odo de julgamento do Senado para tentar provar sua inoc&ecirc;ncia e voltar ao poder. E ela j&aacute; disse que lutar&aacute; at&eacute; o fim&rdquo;, diz o apresentador, completando em outra c&acirc;mera: &ldquo;A trajet&oacute;ria pol&iacute;tica de Dilma at&eacute; aqui foi marcada por &ecirc;xitos eleitorais, pelo comando de a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas como o PAC, por altos e baixos na popularidade e, tamb&eacute;m, por desafios e problemas&rdquo;.</p>     <p>Ap&oacute;s a mat&eacute;ria, Renata encerra o primeiro bloco: &ldquo;A seguir: o primeiro dia do presidente em exerc&iacute;cio&rdquo;. Bonner completa: &ldquo;E a carreira pol&iacute;tica de Michel Temer&rdquo;. Roda a vinheta e o telejornal vai para o intervalo. Bonner come&ccedil;a o segundo bloco:</p>     <p>     <blockquote>O presidente em exerc&iacute;cio Michel Temer, do PMDB, defendeu hoje um governo de salva&ccedil;&atilde;o nacional para combater a crise econ&ocirc;mica, no primeiro pronunciamento dele ao pa&iacute;s. Temer tamb&eacute;m pediu confian&ccedil;a nos valores do povo brasileiro, na democracia e nas institui&ccedil;&otilde;es. Temer tomou posse no fim da manh&atilde;.</blockquote>     <p></p>     <p>Corta para o est&uacute;dio e Renata chama o pr&oacute;ximo conte&uacute;do. &ldquo;Michel Temer &eacute; conhecido pelo estilo conciliador e discreto. E se mant&eacute;m fiel ao PMDB&rdquo;, diz a apresentadora. Na sequ&ecirc;ncia, Bonner chama o intervalo: &ldquo;A seguir: os pr&oacute;ximos passos do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado&rdquo;. Renata completa: &ldquo;E os dias de alta tens&atilde;o na pol&iacute;tica em Bras&iacute;lia&rdquo;. Na volta do comercial, a apresentadora chama a primeira mat&eacute;ria do terceiro bloco: &ldquo;O presidente do Supremo Tribunal Federal assumiu hoje o comando do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff&rdquo;. Ao fim do VT, Bonner segue o telejornal: &ldquo;Essa foi uma semana intensa no Brasil por causa da pol&iacute;tica. Para os cidad&atilde;os, para os pr&oacute;prios pol&iacute;ticos e tamb&eacute;m para n&oacute;s, jornalistas, encarregados de mostrar tudo o que estava acontecendo&rdquo;. Depois, Renata l&ecirc; uma nota:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Quatro jornalistas da TV Globo e da GloboNews em Bras&iacute;lia, os rep&oacute;rteres Marcelo Cosme, Zileide Silva, Roniara Castilhos e Wesley Araruna, foram agredidos, hoje, quando acompanhavam a sa&iacute;da da presidente afastada, Dilma Rousseff, do Pal&aacute;cio do Planalto. Eles foram levados pela assessoria de imprensa do Planalto para um local pr&oacute;ximo &agrave; rampa, onde Dilma Rousseff discursaria. No mesmo local, manifestantes come&ccedil;aram a gritar contra a presen&ccedil;a da imprensa. Os jornalistas foram xingados e, tr&ecirc;s deles, empurrados e chutados. Os quatro est&atilde;o bem.</blockquote>     <p></p>     <p>Ap&oacute;s a leitura da nota, Bonner l&ecirc; um comunicado da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o repudiando as agress&otilde;es, e Renata l&ecirc; a nota da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Imprensa deplorando a viol&ecirc;ncia aos jornalistas no exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o. Bonner chama o intervalo: &ldquo;A seguir a cobertura da imprensa internacional sobre a crise&rdquo;.</p>     <p>Na volta do comercial, Bonner l&ecirc;: &ldquo;O afastamento da presidente Dilma Rousseff foi destaque, hoje, na imprensa mundial&rdquo;. Depois dessa mat&eacute;ria, Renata chama uma sonora do juiz S&eacute;rgio Moro, que comanda os julgamentos em primeira inst&acirc;ncia dos crimes identificados pela Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato: &ldquo;O juiz S&eacute;rgio Moro pediu firmeza no combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o. Ele falou numa palestra ontem &agrave; noite na Universidade Estadual de Maring&aacute;, onde se formou&rdquo;. Na sequ&ecirc;ncia, Bonner l&ecirc; uma nota sobre a suspens&atilde;o da coleta de provas contra o senador A&eacute;cio Neves &ndash; um dos principais l&iacute;deres da oposi&ccedil;&atilde;o ao governo petista:</p>     <p>     <blockquote>O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a coleta de provas contra o senador A&eacute;cio Neves, do PSDB, e pediu que o procurador-geral da Rep&uacute;blica, Rodrigo Janot, reavalie se quer manter o pedido de investiga&ccedil;&atilde;o sobre o suposto esquema de corrup&ccedil;&atilde;o em Furnas. Ontem, Gilmar Mendes tinha autorizado abertura de inqu&eacute;rito. Hoje, o senador A&eacute;cio Neves apresentou novos documentos, e Gilmar Mendes considerou que esses documentos podem demonstrar que o pedido para abertura de inqu&eacute;rito ocorreu sem novas provas.</blockquote>     <p></p>     <p>Ap&oacute;s a nota, Renata chama a &uacute;ltima mat&eacute;ria do quarto bloco do telejornal: &ldquo;Gilmar Mendes tomou posse hoje como presidente do Tribunal Superior Eleitoral&rdquo;. Ap&oacute;s o VT, Bonner chama o &uacute;ltimo intervalo: &ldquo;A seguir, o d&eacute;cimo dia de revezamento da tocha ol&iacute;mpica&rdquo;. O &uacute;ltimo bloco do Jornal Nacional de 12 de maio de 2016 come&ccedil;a com o registro de uma manifesta&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria ao impeachment na principal avenida de S&atilde;o Paulo.</p>     <p>     <blockquote>Um ato contra o impeachment fechou a Avenida Paulista em S&atilde;o Paulo. Os manifestantes caminharam em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; sede da Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias, que defende o impeachment. A pol&iacute;cia fez uma barreira em frente ao pr&eacute;dio da FIESP. Perto dali, os manifestantes acenderam uma fogueira e queimaram patos amarelos de pl&aacute;stico, que &eacute; s&iacute;mbolo da campanha da federa&ccedil;&atilde;o contra o aumento de impostos. Trinta mil pessoas participaram do protesto, segundo os organizadores. A pol&iacute;cia n&atilde;o divulgou nenhum n&uacute;mero.</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>O Jornal Nacional veiculado no dia 12 de maio de 2016 &ndash; sintetizado no espelho<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> abaixo &ndash; termina com Renata lendo uma nota sobre a tocha ol&iacute;mpica.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a06t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>A n&aacute;lise: a edi&ccedil;&atilde;o do dia em que a presidente caiu</b></p>     <p>Neste artigo utilizaremos a an&aacute;lise de conte&uacute;do (BARDIN, 1977) para interpretar o Jornal Nacional de 12 de maio de 2016. A t&eacute;cnica se resume &agrave; articula&ccedil;&atilde;o entre a descri&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie dos textos (o que &eacute; vis&iacute;vel) e a dedu&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica dos fatores, impl&iacute;citos, que determinam essas caracter&iacute;sticas. &ldquo;O que se busca estabelecer (...) &eacute; uma correspond&ecirc;ncia entre as estruturas sem&acirc;nticas ou lingu&iacute;sticas e as estruturas psicol&oacute;gicas e sociol&oacute;gicas&rdquo;, afirma Bardin (1977, p. 41). A an&aacute;lise de conte&uacute;do apresenta tr&ecirc;s etapas: pr&eacute;-an&aacute;lise; explora&ccedil;&atilde;o do material; e tratamento dos resultados, infer&ecirc;ncia e interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados.</p>     <p>A primeira fase, da pr&eacute;-an&aacute;lise, &eacute; um momento de organiza&ccedil;&atilde;o que prev&ecirc; a escolha dos documentos a serem submetidos &agrave; an&aacute;lise; a formula&ccedil;&atilde;o de hip&oacute;teses e objetivos; e a elabora&ccedil;&atilde;o de indicadores que fundamentem a interpreta&ccedil;&atilde;o final (BARDIN, 1977). No contexto deste artigo foi feito, na fase de pr&eacute;-an&aacute;lise, um primeiro recorte: neste estudo apenas interessam conte&uacute;dos relacionados ao afastamento da presidente. O que n&atilde;o estava em conson&acirc;ncia com esse crit&eacute;rio foi desprezado no corpus, que ficou assim distribu&iacute;do:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a06t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O presente artigo tem, como quest&otilde;es de pesquisa, tr&ecirc;s inquieta&ccedil;&otilde;es essenciais. A primeira diz respeito &agrave; categoria jornalismo (TRAQUINA, 2005): o Jornal Nacional cobriu o afastamento da presidente privilegiando o polo econ&ocirc;mico ou o polo &ldquo;ideol&oacute;gico&rdquo; do jornalismo? A segunda quest&atilde;o de pesquisa se refere aos g&ecirc;neros jornal&iacute;sticos: h&aacute; espa&ccedil;o, na edi&ccedil;&atilde;o analisada, para outro g&ecirc;nero al&eacute;m do informativo? Por fim, a terceira inquieta&ccedil;&atilde;o faz um questionamento &eacute;tico. O afastamento foi noticiado com base nos pressupostos &eacute;ticos que permeiam o jornalismo e est&atilde;o na base da liberdade de imprensa como a defesa da verdade e da justi&ccedil;a; e a pluralidade de opini&otilde;es e de pontos de vista?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bardin (1977, p. 100) afirma que a &uacute;ltima miss&atilde;o da pr&eacute;-an&aacute;lise consiste na referencia&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices e na elabora&ccedil;&atilde;o de indicadores. Neste artigo optamos por estabelecer como &iacute;ndice a presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia de elementos pass&iacute;veis de questionamentos sob a perspectiva das categorias definidas a priori &ndash; jornalismo, crit&eacute;rios de noticiabilidade, g&ecirc;neros jornal&iacute;sticos e &eacute;tica. S&atilde;o palavras, express&otilde;es, imagens ou partes das mat&eacute;rias da edi&ccedil;&atilde;o de 12 de maio que provocam questionamentos sobre a real inten&ccedil;&atilde;o do Jornal Nacional. Quanto aos indicadores, optamos por considerar cada conte&uacute;do como uma unidade e, assim, agrupar essas unidades segundo a exist&ecirc;ncia dos &iacute;ndices estabelecidos.</p>     <p>Uma vez definido o &iacute;ndice &ndash; a presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia de elementos pass&iacute;veis de questionamentos sob a perspectiva das categorias definidas <i>a priori</i> &ndash; e os indicadores &ndash; o agrupamento dos conte&uacute;dos enquanto unidades &ndash;, podemos submeter o corpus &agrave; categoriza&ccedil;&atilde;o. Embora n&atilde;o seja uma etapa obrigat&oacute;ria da an&aacute;lise de conte&uacute;do, essa categoriza&ccedil;&atilde;o nos proporcionar&aacute; mais um recorte: o dos conte&uacute;dos que, dentre todos os que comp&otilde;e o corpus, apresentam elementos question&aacute;veis a partir da perspectiva dos conceitos de jornalismo, crit&eacute;rios de noticiabilidade, g&ecirc;neros jornal&iacute;sticos e &eacute;tica. Nesse sentido, foram definidas duas categorias: <b>question&aacute;vel</b>, para agrupar os conte&uacute;dos que apresentam o &iacute;ndice; e <b>inquestion&aacute;vel</b>, para reunir os demais. A distribui&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos ficou assim:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a06t5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Essa categoriza&ccedil;&atilde;o permite afirmar que, das 14 mat&eacute;rias analisadas, seis est&atilde;o na categoria inquestion&aacute;vel, ou seja, n&atilde;o apresentam elementos que poderiam ser questionados do ponto de vista dos conceitos de jornalismo, crit&eacute;rios de noticiabilidade, g&ecirc;neros jornal&iacute;sticos e &eacute;tica. Essas mat&eacute;rias, portanto, ser&atilde;o descartadas nesta an&aacute;lise, que enfocar&aacute; as mat&eacute;rias que apresentaram elementos poss&iacute;veis de serem debatidos &agrave; luz dos conceitos:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t6"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a06t6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>O telejornal cobriu a vota&ccedil;&atilde;o da admissibilidade do impeachment, fazendo uma boa contextualiza&ccedil;&atilde;o de como foi a sess&atilde;o do Senado que culminou com a abertura do processo. Acompanhou o dia da presidente afastada, Dilma Rousseff, e do presidente em exerc&iacute;cio, Michel Temer, narrando todos os passos dados por eles desde que foram notificados pelo senador Vicentinho Alves. Contextualizou a crise pol&iacute;tica, pontuando, cronologicamente, como o processo se desenvolveu. Explicou o que s&atilde;o as pedaladas fiscais e a emiss&atilde;o de decretos de abertura de cr&eacute;ditos suplementares; proporcionou ao p&uacute;blico uma vis&atilde;o geral do cen&aacute;rio econ&ocirc;mico brasileiro e das possiblidades de mudan&ccedil;a em longo prazo. Al&eacute;m disso, recuperou as trajet&oacute;rias pol&iacute;ticas de Dilma e Temer, informou sobre os pr&oacute;ximos passos do processo de impeachment, mostrou os bastidores da cobertura da imprensa na semana decisiva para o governo e noticiou a agress&atilde;o a jornalistas da Globo.</p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel inferir ainda que o Jornal Nacional se preocupou em mostrar a repercuss&atilde;o do afastamento da presidente na imprensa internacional e buscou, por meio da inclus&atilde;o de uma sonora gravada na noite anterior, associar a abertura do processo de impeachment a um dos personagens frequentemente citados pelos apoiadores da sa&iacute;da de Dilma, o juiz S&eacute;rgio Moro. O telejornal ainda &ldquo;colou&rdquo; nessa edi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica a not&iacute;cia da suspens&atilde;o da coleta de provas contra o senador A&eacute;cio Neves devido &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o em Furnas e, no VT que mostrou a posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, aproveitou para refor&ccedil;ar a legitimidade do vice Michel Temer no poder, contrariando o &ldquo;discurso do golpe&rdquo; do PT.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se a cobertura do afastamento da presidente Dilma correspondeu ao dia noticioso, no entanto, n&atilde;o significa que ela tenha sido feita em concord&acirc;ncia com o conceito de jornalismo utilizado neste artigo como categoria a priori. A primeira quest&atilde;o de pesquisa aqui proposta, desta forma, referente &agrave; tens&atilde;o entre os polos econ&ocirc;mico e &ldquo;ideol&oacute;gico&rdquo; do jornalismo, pode ser respondida afirmando que o Jornal Nacional de 12 de maio de 2016, embora tenha noticiado os fatos relevantes do ponto de vista jornal&iacute;stico, n&atilde;o o fez de maneira isenta, n&atilde;o privilegiou o polo &ldquo;ideol&oacute;gico&rdquo; &ndash; no sentido de Traquina, relacionado ao servi&ccedil;o p&uacute;blico &ndash; da profiss&atilde;o. Se o tivesse feito teria primado pelo equil&iacute;brio e n&atilde;o teria, nas entrelinhas, assumido postura contr&aacute;ria &agrave; perman&ecirc;ncia da presidente e ao que nos referimos anteriormente como &ldquo;discurso do golpe&rdquo;.</p>     <p>No que diz respeito aos g&ecirc;neros jornal&iacute;sticos, uma vez identificada a posi&ccedil;&atilde;o do Jornal Nacional, &eacute; poss&iacute;vel questionar a objetividade das mat&eacute;rias apresentadas &ndash; especialmente a do VT sobre os n&uacute;meros da economia, em que os g&ecirc;neros interpretativo e opinativo se misturam e oferecem ao p&uacute;blico uma leitura &ldquo;pronta&rdquo; da situa&ccedil;&atilde;o. Dessa forma, a mat&eacute;ria contraria ideia apresentada por Beltr&atilde;o (1976), de que n&atilde;o cabe ao jornalista, no g&ecirc;nero interpretativo, fazer um &ldquo;diagn&oacute;stico&rdquo;. Esse diagn&oacute;stico deve ser feito pelo pr&oacute;prio p&uacute;blico que, munido das informa&ccedil;&otilde;es e da pluralidade de opini&otilde;es veiculadas na imprensa, tem a capacidade de formar a pr&oacute;pria vis&atilde;o. Dessa forma, comprova-se o que afirma Ramos (2005): o Jornal Nacional est&aacute;, ainda hoje, pautado pelo g&ecirc;nero informativo e pelo dogma da objetividade; a neutralidade segue sendo o seu grande &aacute;libi para escamotear comprometimentos ideol&oacute;gicos. O problema maior n&atilde;o seria nem um eventual comprometimento partid&aacute;rio &ndash; embora essa postura seja inadmiss&iacute;vel em uma emissora de TV que, por ser concess&atilde;o p&uacute;blica, deveria primar pelo direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o livre de posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de quaisquer ordens. O problema &eacute; vender-se como isento, como objetivo e imparcial e, nas entrelinhas, posicionar-se de modo a orientar o p&uacute;blico a assumir determinada posi&ccedil;&atilde;o como verdade.</p>     <p>Em suma, essas quest&otilde;es nos levam &agrave; reflex&atilde;o &eacute;tica que motivou este artigo &ndash; e que constitui a &uacute;ltima quest&atilde;o de pesquisa aqui proposta. O afastamento da presidente Dilma Rousseff foi noticiado com base nos pressupostos &eacute;ticos que permeiam a profiss&atilde;o de jornalista e que est&atilde;o na base da liberdade de imprensa como a defesa da verdade e da justi&ccedil;a; a pluralidade de opini&otilde;es e de pontos de vista; e a constante vigil&acirc;ncia dos atos do governo? Em uma palavra: n&atilde;o. A cobertura do afastamento da presidente Dilma foi noticiada conforme uma vis&atilde;o de mundo espec&iacute;fica, partindo da perspectiva de que o impeachment foi leg&iacute;timo, atribuindo &agrave; gest&atilde;o petista a culpa pela crise econ&ocirc;mica e dando um certo tom de otimismo ao novo governo, do peemedebista Michel Temer. Assim, travestindo-se de altamente profissional, isenta e &eacute;tica, foi constru&iacute;da a edi&ccedil;&atilde;o do Jornal Nacional do dia em que a presidente caiu. Os dados aqui discutidos indicam que a pluralidade de opini&otilde;es foi suprimida; e a liberdade de imprensa, pensamento e express&atilde;o, t&atilde;o cara &agrave; democracia, foi ultrajada. Moment&acirc;neas, essas considera&ccedil;&otilde;es ainda precisam ser validadas em uma perspectiva hist&oacute;rica, j&aacute; que o processo observado em maio de 2016 ainda est&aacute; em andamento &ndash; e as suas consequ&ecirc;ncias s&oacute; poder&atilde;o ser integralmente compreendidas aos olhos da Hist&oacute;ria, e n&atilde;o mais do Jornalismo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Bardin, L. An&aacute;lise de Conte&uacute;do. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 1977. 226 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942351&pid=S1646-5954201700040000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Beltr&atilde;o, L. A imprensa informativa. S&atilde;o Paulo: Americana, 1969, p. 424.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942353&pid=S1646-5954201700040000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><u> </u>. Jornalismo interpretativo: filosofia e t&eacute;cnica. Porto Alegre: Sulina, 1976. 120 p.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><u> </u>. Jornalismo opinativo. Porto Alegre, Sulina, 1980. 118 p.</p>     <!-- ref --><p>Bl&aacute;zquez, N. &Eacute;tica e Meios de Comunica&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Paulinas, 1999. 711 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942357&pid=S1646-5954201700040000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bucci, E. Sobre &eacute;tica e imprensa. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2004. 249 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942359&pid=S1646-5954201700040000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Jornal nacional. Rede Globo de Televis&atilde;o. 12 maio 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://globoplay.globo.com/v/5020592/" target="_blank">https://globoplay.globo.com/v/5020592/</a>. Acesso em: 11 jun. 2016.</p>     <!-- ref --><p>Mem&oacute;ria globo. Jornal Nacional: a not&iacute;cia faz hist&oacute;ria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005. 407 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942362&pid=S1646-5954201700040000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ramos, R. Rede Globo e a ditadura militar: atualiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e ideologia. In: Rev. Humanidades, Fortaleza, v. 20, n. 2, p. 143-148, jul./dez.2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942364&pid=S1646-5954201700040000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Traquina, N. Teorias do Jornalismo: porque as not&iacute;cias s&atilde;o como s&atilde;o. Florian&oacute;polis: Insular, 2005.p.223&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942366&pid=S1646-5954201700040000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Megaopera&ccedil;&atilde;o contra a corrup&ccedil;&atilde;o iniciada em mar&ccedil;o de 2014 no Brasil (N. A.).</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Para efeitos de contextualiza&ccedil;&atilde;o do clima pol&iacute;tico, optou-se por descrever os dois polos mais &ldquo;exaltados&rdquo; do ponto de vista da realiza&ccedil;&atilde;o de manifesta&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. &Eacute; importante reconhecer, contudo, que em uma democracia complexa como a brasileira faz-se imposs&iacute;vel mapear todos os alinhamentos pol&iacute;ticos e ideol&oacute;gicos existentes. A ado&ccedil;&atilde;o de dois polos, portanto, &eacute; uma generaliza&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para facilitar a descri&ccedil;&atilde;o do clima pol&iacute;tico &ndash; mas nem de longe d&aacute; conta de abranger a realidade complexa e multifacetada da pol&iacute;tica brasileira.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Traquina utiliza o termo &ldquo;ideologia&rdquo; no sentido de defender que o jornalismo est&aacute; calcado no interesse p&uacute;blico.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Nas reda&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o, &ldquo;mat&eacute;ria&rdquo; &eacute; chamada genericamente de &ldquo;VT&rdquo; (N.A.).</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Uma nota corresponde a uma informa&ccedil;&atilde;o breve que pode ou n&atilde;o ser ilustrada com imagens (N.A.)</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Trecho da fala de uma fonte (N.A.).</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Em televis&atilde;o, &ldquo;escalada&rdquo; &eacute; o nome que se d&aacute; &agrave;s manchetes apresentadas na abertura do telejornal. A escalada tem como objetivo chamar a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico para que ele continue assistindo &agrave;quele programa (N.A.)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Nas reda&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o, &ldquo;espelho&rdquo; &eacute; o nome que se d&aacute; &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias conforme a ordem de entrada, o tempo e o tipo de conte&uacute;do que elas representam no contexto de um telejornal (N.A.).</p>      ]]></body><back>
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