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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O jornalismo convergente e a reconfiguração do trabalho nas redações da imprensa portuguesa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Over the last years, the content production for multiple platforms became a new reality in different newsrooms introducing new work methods and practices related to the digital environment. In this article, we intend to understand how this is being operationalized in Portuguese newsrooms that produce printed editions, focusing on the changes observed in production routines and on journalists' adaptation to those transformations. This research intends to shed light on how the journalistic community perceives the current changes and the need to produce content for different media. To achieve these aims a survey was conducted among newspaper journalists in managerial positions in the local and national press. Results show that there is still a strong print culture in Portuguese newsrooms. Nevertheless, the shift towards convergence is visible in the strategic implementation of editorial routines and practices. Reporters are also encouraged to join digitalisation and convergence.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O jornalismo convergente e a reconfigura&ccedil;&atilde;o do trabalho nas reda&ccedil;&otilde;es da imprensa portuguesa</b></p>     <p><b>The convergent journalism and the reconfiguration of work in portuguese newspaper newsrooms</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nelson Costa Ribeiro*, Filipe Resende**</b></p>     <p>* Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Portugal</p>     <p>** Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para m&uacute;ltiplas plataformas passou a ser uma realidade na maioria das reda&ccedil;&otilde;es, estabelecendo novos m&eacute;todos e pr&aacute;ticas de trabalho. No presente artigo, procura-se perceber como esta moderniza&ccedil;&atilde;o est&aacute; a ser operacionalizada nas reda&ccedil;&otilde;es de imprensa portuguesa, focando as altera&ccedil;&otilde;es verificadas nas rotinas de produ&ccedil;&atilde;o e o modo como os jornalistas se adaptam a estas mesmas transforma&ccedil;&otilde;es. A investiga&ccedil;&atilde;o pretendeu compreender qual a perce&ccedil;&atilde;o da comunidade jornal&iacute;stica sobre as mudan&ccedil;as em curso e o modo como estas est&atilde;o a ser incorporadas no seu trabalho di&aacute;rio. Atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o de um inqu&eacute;rito por question&aacute;rio foram inquiridos diretores e editores da imprensa generalista e especializada de &acirc;mbito nacional e regional com o intuito de compreender o modo como estes avaliam as pr&aacute;ticas de jornalismo convergente no interior das reda&ccedil;&otilde;es. Os resultados mostram que continua a existir uma maior valoriza&ccedil;&atilde;o da edi&ccedil;&atilde;o impressa por compara&ccedil;&atilde;o com as edi&ccedil;&otilde;es produzidas para suportes digitais. Por&eacute;m, &eacute; j&aacute; evidente o relevo de novas rotinas e pr&aacute;ticas editoriais, bem como o encorajamento que &eacute; feito junto dos jornalistas para aderirem a novos h&aacute;bitos relacionados com o jornalismo de converg&ecirc;ncia.&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-Chave:</b> Converg&ecirc;ncia; Rotinas Editoriais; Crossmedia; Imprensa; Plataformas digitais</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Over the last years, the content production for multiple platforms became a new reality in different newsrooms introducing new work methods and practices related to the digital environment. In this article, we intend to understand how this is being operationalized in Portuguese newsrooms that produce printed editions, focusing on the changes observed in production routines and on journalists&rsquo; adaptation to those transformations. This research intends to shed light on how the journalistic community perceives the current changes and the need to produce content for different media. To achieve these aims a survey was conducted among newspaper journalists in managerial positions in the local and national press. Results show that there is still a strong print culture in Portuguese newsrooms. Nevertheless, the shift towards convergence is visible in the strategic implementation of editorial routines and practices. Reporters are also encouraged to join digitalisation and convergence.</p>     <p><b>Keywords</b>: Convergent journalism; Editorial routines; Crossmedia; Newspapers; Digital platforms</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, a imprensa tem vindo a adaptar-se ao ambiente digital com a introdu&ccedil;&atilde;o de novas rotinas produtivas nas reda&ccedil;&otilde;es. A par das acentuadas quebras das receitas publicit&aacute;rias e da circula&ccedil;&atilde;o paga (OBERCOM, 2016), os h&aacute;bitos de consumo dos leitores sofreram igualmente muta&ccedil;&otilde;es de relevo com os p&uacute;blicos a consumirem cada vez mais conte&uacute;dos informativos em ambiente digital (ERC, 2016). Num contexto de incerteza sobre qual ser&aacute; o modelo de neg&oacute;cio do futuro, os jornais t&ecirc;m vindo a adequar os seus conte&uacute;dos e formatos aos desafios tecnol&oacute;gicos, bem como &agrave;s v&aacute;rias exig&ecirc;ncias do mercado, modificando pr&aacute;ticas anteriormente institu&iacute;das. As altera&ccedil;&otilde;es verificadas na imprensa ao longo da &uacute;ltima d&eacute;cada passaram pela imposi&ccedil;&atilde;o de novas estrat&eacute;gias produtivas que procuram adaptar os <i>timings</i> de produ&ccedil;&atilde;o ao ambiente digital (Franklin, 2011), o que nem sempre reserva tempo para a confirma&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o junto de fontes cred&iacute;veis antes da sua publica&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, a imprensa, cujas receitas provinham das vendas em banca e da publicidade inserida nas suas p&aacute;ginas, tem procurado implementar novos modelos de neg&oacute;cio que conjuguem receitas das edi&ccedil;&otilde;es em papel e do digital. Tal tem-se revelado bastante complexo dada a necessidade de encontrar um equil&iacute;brio entre as audi&ecirc;ncias que pagam pela edi&ccedil;&atilde;o impressa, as que subscrevem ou acedem gratuitamente a edi&ccedil;&otilde;es online e os anunciantes que pagam para estar nessas tanto no impresso como no digital (Picard, 2015: 156). A conjuga&ccedil;&atilde;o dos interesses de todos estes <i>stakeholders </i>tem-se revelado dif&iacute;cil, com os anunciantes a n&atilde;o reagirem positivamente a modelos que implicam que os conte&uacute;dos estejam apenas acess&iacute;veis a leitores pagantes.</p>     <p>Nesta fase de adapta&ccedil;&atilde;o dos jornais ao ambiente digital e aos desafios por este colocado, as altera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se restringem apenas aos novos h&aacute;bitos de consumo e aos modelos de neg&oacute;cio, existindo igualmente uma transforma&ccedil;&atilde;o da cultura das reda&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s da implementa&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas de converg&ecirc;ncia. Para Franklin (2008), as tecnologias permitem que os jornalistas se tornem mais aut&oacute;nomos, atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de novas ferramentas digitais que lhes permitem executar tarefas outrora entregues a outros profissionais. Ao produzirem informa&ccedil;&atilde;o para v&aacute;rios canais e suportes, os jornalistas ampliam a sua capacidade de cria&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias em formatos alternativos. Neste processo, existe uma clara integra&ccedil;&atilde;o de ferramentas, espa&ccedil;os, m&eacute;todos de trabalho e linguagens, de modo a produzir conte&uacute;dos que sejam distribu&iacute;dos atrav&eacute;s de m&uacute;ltiplas plataformas (Salaverr&iacute;a &amp; Negredo, 2009).</p>     <p>No presente artigo, procuramos perceber como o processo de converg&ecirc;ncia est&aacute; a ser operacionalizado nas reda&ccedil;&otilde;es de imprensa portuguesa, focando as altera&ccedil;&otilde;es verificadas nas rotinas de produ&ccedil;&atilde;o e o modo como os jornalistas se adaptam a estas mesmas transforma&ccedil;&otilde;es. Procuramos igualmente compreender qual a perce&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios profissionais sobre as mudan&ccedil;as em curso e o modo como estas est&atilde;o a ser incorporadas no seu trabalho di&aacute;rio. Partindo de uma abordagem quantitativa, a nossa estrat&eacute;gia metodol&oacute;gica passou pela aplica&ccedil;&atilde;o de um inqu&eacute;rito por question&aacute;rio, junto de quadros diretivos editoriais de diversos meios de imprensa generalista e especializada de &acirc;mbito nacional e regional, tendo o trabalho de campo decorrido no &uacute;ltimo trimestre de 2015.</p>     <p>O artigo est&aacute; dividido em quatro partes. Na primeira, &eacute; feita a revis&atilde;o da literatura sobre a converg&ecirc;ncia no jornalismo, seguindo-se a apresenta&ccedil;&atilde;o das op&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas e dos instrumentos utilizados para a recolha e tratamento de dados. Num terceiro momento s&atilde;o apresentados os resultados emp&iacute;ricos do estudo, que ser&atilde;o discutidos na quarta e &uacute;ltima parte.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>A implementa&ccedil;&atilde;o da converg&ecirc;ncia no jornalismo </b></p>     <p>A partir da d&eacute;cada de 90, com o aparecimento da internet ocorreram diversas transforma&ccedil;&otilde;es nos media. O jornalismo passou a adaptar-se a um ambiente cada vez mais digital, marcado pela implementa&ccedil;&atilde;o da converg&ecirc;ncia, atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias (Siapera &amp; Veglis, 2012). Segundo Deuze (2010), este processo convergente na comunica&ccedil;&atilde;o social &eacute; concretizado atrav&eacute;s de dois movimentos interdependentes. Por um lado, atrav&eacute;s de mudan&ccedil;as ocorridas no interior das reda&ccedil;&otilde;es, em que s&atilde;o delineadas novas pr&aacute;ticas editoriais, fruto da fus&atilde;o de diferentes tipos de conte&uacute;dos (Infotedencias, 2012). Por outro, num cen&aacute;rio marcado pela web 2.0 em que passou a existir um maior envolvimento dos cidad&atilde;os que podem agora interagir com os meios de comunica&ccedil;&atilde;o e com os pr&oacute;prios jornalistas.</p>     <p>Quando s&atilde;o analisadas as transforma&ccedil;&otilde;es resultantes da converg&ecirc;ncia, existe uma tend&ecirc;ncia para investigar as pr&aacute;ticas jornal&iacute;sticas e o modo como estas foram alteradas em sequ&ecirc;ncia das potencialidades abertas pela produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o digitais (Boczkowski &amp; Ferris, 2005). Erdal (2009) considera que os elementos t&eacute;cnicos influenciam o conte&uacute;do noticioso, enquanto um instrumento que auxilia o trabalho do rep&oacute;rter. Contudo, o autor salienta como central o papel do jornalista que produz essa mesma mensagem, bem como as rotinas estabelecidas que s&atilde;o essenciais para garantir a qualidade da informa&ccedil;&atilde;o que &eacute; produzida e disseminada.</p>     <p>O atual cen&aacute;rio de moderniza&ccedil;&atilde;o trouxe novos desafios &agrave; produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica ao ter induzido altera&ccedil;&otilde;es na no&ccedil;&atilde;o de tempo e de espa&ccedil;o. Para Becker e Vlad (2009), o jornalismo digital passou a obedecer &agrave; conven&ccedil;&atilde;o de que ser eficaz significa fazer chegar a not&iacute;cia ao p&uacute;blico de modo quase instant&acirc;neo, o que altera de modo significativo as pr&aacute;ticas de produ&ccedil;&atilde;o noticiosa, reduzindo o tempo que medeia entre o acontecimento e a sua transmiss&atilde;o. Deste modo, a converg&ecirc;ncia, longe de significar apenas a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos jornal&iacute;sticos para diferentes plataformas, levou &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o de novos h&aacute;bitos e rotinas de produ&ccedil;&atilde;o. Tal ocorreu na esmagadora maioria das reda&ccedil;&otilde;es do mundo ocidental, onde a distribui&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias deixou de ser realizada atrav&eacute;s de um &uacute;nico meio, assumindo uma natureza multimeios. Embora tal tenha trazido consigo um conjunto de novos desafios (Erdal, 2009), a converg&ecirc;ncia tem tamb&eacute;m sido entendida como algo positivo e sedutor por parte de muitos editores e diretores de v&aacute;rios meios, dado que supostamente permite satisfazer, de modo mais pleno, as necessidades dos leitores, alargando a cobertura dos v&aacute;rios meios (Quinn, 2005).</p>     <p>Segundo Singer (2004), existe uma boa rece&ccedil;&atilde;o por parte dos jornalistas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o da converg&ecirc;ncia. Erdal (2009) salienta a igual coes&atilde;o das reda&ccedil;&otilde;es em torno deste progresso tecnol&oacute;gico. No entanto, Franklin (2011) explica que nem sempre existe uma grande motiva&ccedil;&atilde;o por parte dos jornalistas em participar neste processo de moderniza&ccedil;&atilde;o. Segundo o mesmo autor, tal explica-se pelo facto do espa&ccedil;o digital ainda n&atilde;o ser rent&aacute;vel.</p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos passaram a existir estrat&eacute;gias de difus&atilde;o e partilha de diferentes conte&uacute;dos pelos v&aacute;rios espa&ccedil;os digitais. Uma dessas configura&ccedil;&otilde;es &eacute; a comunica&ccedil;&atilde;o crossmedia, aludindo a uma produ&ccedil;&atilde;o integrada do mesmo conte&uacute;do para distribui&ccedil;&atilde;o em duas ou mais plataformas digitais. Tal leva &agrave; exist&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia cruzada nas atuais estruturas noticiosas. Contudo, em muitos casos, a defini&ccedil;&atilde;o de crossmedia &eacute; confundida com o conceito de multiplataforma, sendo que este &uacute;ltimo se refere &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias plataformas, com o intuito de difundir o mesmo conte&uacute;do, mas sem rela&ccedil;&atilde;o entre diferentes espa&ccedil;os (Erdal, 2012) e sem que se tire partido das caracter&iacute;sticas de cada um dos diferentes meios em que a not&iacute;cia &eacute; exibida. J&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o crossmedia envolve uma constante adapta&ccedil;&atilde;o das diferentes linguagens, para cada um dos canais em uso. Os editores e coordenadores avaliam cada not&iacute;cia de forma a adequar o conte&uacute;do da melhor maneira poss&iacute;vel a uma determinada plataforma concreta. Os jornalistas encarregues por esta gest&atilde;o trabalham juntos, planeando uma narrativa que se encaixe nos v&aacute;rios canais em simult&acirc;neo (Quinn, 2005; Erdal, 2007; Infotedencias, 2012).</p>     <p>Por&eacute;m, esta adapta&ccedil;&atilde;o exige uma cobertura coordenada de forma a ser planificada a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos distintos para os diferentes meios. No caso dos acontecimentos com maior relev&acirc;ncia noticiosa, existe uma organiza&ccedil;&atilde;o editorial, explorando o potencial de cada plataforma. Bastos et al. (2013) referem que esta prepara&ccedil;&atilde;o possibilita que os diferentes grupos de comunica&ccedil;&atilde;o coordenem as coberturas com meios impressos, audiovisuais e digitais, potenciando uma alargada colabora&ccedil;&atilde;o entre diferentes equipas das reda&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Apesar da coordena&ccedil;&atilde;o editorial, este tipo de produ&ccedil;&atilde;o noticiosa nas diferentes reda&ccedil;&otilde;es exige que os jornalistas envolvidos neste processo dominem diversas ferramentas e t&eacute;cnicas. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, as dire&ccedil;&otilde;es editorais de v&aacute;rios meios t&ecirc;m apostado em a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o e esclarecimento dos seus profissionais, de forma a prepar&aacute;-los para o ambiente convergente (Quandt &amp; Singer, 2009). Trata-se, contudo, de um treino dispendioso, requerendo algum amadurecimento para ser adequadamente integrado e conseguir chegar ao todo da organiza&ccedil;&atilde;o (Singer, 2004; Quinn, 2005).&nbsp;</p>     <p>No caso portugu&ecirc;s, Bastos et al. (2013) referem que alguns meios nacionais organizam forma&ccedil;&otilde;es em novas tecnologias para os seus profissionais. Por outro lado, as empresas exigem cada vez mais um novo perfil de profissional, com compet&ecirc;ncias imersivas (Infotedencias, 2012). Para Bastos et al. (2013), passaram a ser requisitadas novas aptid&otilde;es e diferentes formas de organiza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sentido, pode-se falar de uma crescente polival&ecirc;ncia, em que aos rep&oacute;rteres &eacute; exigido que dominem um conjunto de tarefas, como editar v&iacute;deo ou &aacute;udio. Numa observa&ccedil;&atilde;o etnogr&aacute;fica realizada no <i>The New York Times</i>, Usher (2014) refere que os jornalistas que t&ecirc;m compet&ecirc;ncias nas &aacute;reas do webdesign, programa&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deo e edi&ccedil;&atilde;o de fotografia s&atilde;o muito valorizados no interior desta reda&ccedil;&atilde;o. Assim, s&atilde;o procurados rep&oacute;rteres que possam assumir diferentes tipos de tarefas, e que demonstrarem ter a versatilidade para gerir diferentes conte&uacute;dos para distintos meios e plataformas (Infotedencias, 2012). Apesar deste potencial, Bastos et al. (2013) referem que em Portugal existe uma reduzida quantidade de profissionais polivalentes. Para estes autores, h&aacute; muito a fazer se os diferentes meios nacionais ambicionam aumentar o n&uacute;mero de profissionais multifacetados.</p>     <p>O facto de existirem poucos jornalistas com compet&ecirc;ncias adequadas ao processo de produ&ccedil;&atilde;o de jornalismo convergente, pode justificar algumas dificuldades observadas em diferentes reda&ccedil;&otilde;es. Num estudo em torno do servi&ccedil;o p&uacute;blico noruegu&ecirc;s, Erdal (2012) refere que ainda h&aacute; muitos jornalistas com dificuldades em se adaptarem ao ambiente de moderniza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Para Klinenberg (2005), os jornalistas passam por situa&ccedil;&otilde;es adversas pelo facto de terem agora um maior n&uacute;mero de responsabilidades, al&eacute;m das tarefas relativas &agrave;s edi&ccedil;&otilde;es tradicionais. Num ambiente de constante atualiza&ccedil;&atilde;o, os rep&oacute;rteres s&atilde;o obrigados a tornarem-se mais flex&iacute;veis (Siapera &amp; Veglis, 2012), o que levou Singer (2004) a defender que nalguns casos &eacute; necess&aacute;ria a revis&atilde;o das pol&iacute;ticas de gest&atilde;o editorial.</p>     <p>Outra dificuldade identificada cruza-se com as limita&ccedil;&otilde;es temporais, pois os jornalistas que gerem as edi&ccedil;&otilde;es online trabalham em ciclos de prepara&ccedil;&atilde;o consideravelmente mais curtos que os seus outros colegas, estando sujeitos a uma press&atilde;o constante (Quandt &amp; Singer, 2009). Bastos (2015) refere que &eacute; muitas vezes dif&iacute;cil produzir de forma cont&iacute;nua os sites com manchetes de &uacute;ltima hora, enquanto se cumprirem v&aacute;rias outras tarefas em simult&acirc;neo. Na pr&aacute;tica, tal leva a que reste pouco tempo para a investiga&ccedil;&atilde;o ou a pesquisa que s&atilde;o o cerne do jornalismo.</p>     <p>Este cen&aacute;rio tem levado a um debate intenso sobre a qualidade do jornalismo convergente ou a falta dela. Apesar de muitos rep&oacute;rteres acreditarem que a qualidade deve ser mantida em qualquer processo noticioso, existe uma grande discuss&atilde;o sobre este assunto. Para Erdal (2009), n&atilde;o existe um consenso em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fraquezas atuais do ambiente noticioso digital. A jornalista B&aacute;rbara Reis (2015) refere que o ambiente convergente, principalmente com a implementa&ccedil;&atilde;o da internet, melhorou o jornalismo, referindo que este &eacute; mais ambicioso e transparente, dando novas possibilidades de reunir e explorar informa&ccedil;&atilde;o do que no passado. No entanto, de la Piscina et al. (2014), numa an&aacute;lise comparativa entre a edi&ccedil;&atilde;o impressa e online de v&aacute;rias publica&ccedil;&otilde;es europeias, mostram que a primeira edi&ccedil;&atilde;o tem maior qualidade que o formato web. Por outro lado, um estudo realizado por Kalogeropoulos e Nielsen (2017) na Alemanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos demonstrou que os jornais t&ecirc;m investido na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos de v&iacute;deo, sobretudo por considerarem que tal &eacute; valorizado pelas audi&ecirc;ncias e pelos anunciantes e n&atilde;o por tal representar uma mais valia do ponto de vista editorial.</p>     <p>As falhas t&ecirc;m sido debatidas com base na observa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias utilizadas pelos media em republicar online pe&ccedil;as originalmente criadas para os meios tradicionais. Com base na sua an&aacute;lise do caso canadiano, Goyette-C&ocirc;t&eacute;, Carbasse e George (2012) concluem que a converg&ecirc;ncia &eacute; adotada sobretudo para reutilizar conte&uacute;dos para outras plataformas, reduzindo os custos de produ&ccedil;&atilde;o. Klinenberg (2005) considera que estrat&eacute;gias como estas abrem caminho para o fim da edi&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica, levando o jornalismo para um caminho em que &eacute; colocada em causa a pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia da profiss&atilde;o e o modo como esta &eacute; entendida nas sociedades liberais modernas.</p>     <p>Deste modo, existe a perce&ccedil;&atilde;o de que o jornalismo na web &eacute; pouco independente. Bastos (2015) considera mesmo que nunca foi dado espa&ccedil;o aos ciberjornalistas para desenvolverem uma identidade pr&oacute;pria. Para Canavilhas (2012), o processo de converg&ecirc;ncia &eacute; inexistente em grande parte das reda&ccedil;&otilde;es. O autor refere que o processo de moderniza&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo de remedia&ccedil;&atilde;o, pois este implica sobretudo a reutiliza&ccedil;&atilde;o de velhos conte&uacute;dos pelos novos meios. As novas plataformas &ldquo;renovam os conte&uacute;dos dos anteriores, permanecendo desta forma uma liga&ccedil;&atilde;o entre novos e velhos meios&rdquo; (Canavilhas, 2012: 9). No caso da imprensa, observa-se uma conflu&ecirc;ncia de conte&uacute;dos, em que a informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel na web acaba por ser sobretudo uma mera c&oacute;pia das edi&ccedil;&otilde;es em papel.</p>     <p>Estas conclus&otilde;es est&atilde;o em linha com as de Bastos et al. (2013) que referem que a converg&ecirc;ncia jornal&iacute;stica nos principais meios de comunica&ccedil;&atilde;o social portugueses se encontra ainda num estado embrion&aacute;rio. O trajeto a percorrer neste processo de converg&ecirc;ncia passa pela incorpora&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos que possam apostar na &ldquo;hipermultimedialidade por integra&ccedil;&atilde;o, com v&aacute;rios n&iacute;veis de interatividade e possibilidade de personaliza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Canavilhas, 2012: 18), nomeadamente com o aparecimento de novos g&eacute;neros jornal&iacute;sticos nativos da web. Alguns destes exemplos totalmente convergentes s&atilde;o as infografias multim&eacute;dia ou as reportagens interativas que apostem na complementaridade de texto, fotografia, v&iacute;deo ou &aacute;udio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia </b></p>     <p>Tendo em conta o modo como o jornalismo convergente tem induzido altera&ccedil;&otilde;es nas rotinas de produ&ccedil;&atilde;o noticiosa em vigor nas reda&ccedil;&otilde;es, o presente estudo visa fornecer um retrato da situa&ccedil;&atilde;o nas reda&ccedil;&otilde;es da imprensa portuguesa. Deste modo, a investiga&ccedil;&atilde;o realizada procurou responder &agrave;s seguintes quest&otilde;es investiga&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Que prioridades estrat&eacute;gicas orientam as pr&aacute;ticas de converg&ecirc;ncia nas reda&ccedil;&otilde;es da imprensa portuguesa? Que mecanismos s&atilde;o implementados para coordenar a distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nos diferentes canais? Os jornalistas sentem que possuem as compet&ecirc;ncias adequadas para o jornalismo de converg&ecirc;ncia?&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com o intuito de responder &agrave;s quest&otilde;es acima enunciadas, foi aplicado um inqu&eacute;rito por question&aacute;rio junto das chefias editoriais, nomeadamente diretores, diretores-adjuntos, chefes de reda&ccedil;&atilde;o e editores, em reda&ccedil;&otilde;es de publica&ccedil;&otilde;es impressas onde s&atilde;o produzidas simultaneamente edi&ccedil;&otilde;es em papel e conte&uacute;dos digitais.</p>     <p>O question&aacute;rio foi enviado, via e-mail, a quadros de todas as reda&ccedil;&otilde;es da imprensa generalista e especializada de &acirc;mbito nacional ou regional. No caso dos jornais com distribui&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel nacional, o question&aacute;rio foi enviado a jornalistas com fun&ccedil;&otilde;es de chefia em jornais di&aacute;rios ou seman&aacute;rios e revistas de informa&ccedil;&atilde;o geral. No caso da imprensa regional, foram apenas inquiridos respons&aacute;veis editoriais de jornais generalistas e que t&ecirc;m circula&ccedil;&atilde;o em mais do que um concelho, tendo, por isso, sido exclu&iacute;da deste estudo a imprensa confessional e aquela que tem um car&aacute;cter meramente local. Tratando-se de uma amostra n&atilde;o probabil&iacute;stica por conveni&ecirc;ncia, uma as limita&ccedil;&otilde;es do presente estudo &eacute; o facto de os seus resultados n&atilde;o poderem ser extrapolados para compreender a realidade global das reda&ccedil;&otilde;es de imprensa em Portugal.</p>     <p>O inqu&eacute;rito focou &aacute;reas centrais da converg&ecirc;ncia nas reda&ccedil;&otilde;es de publica&ccedil;&otilde;es impressas: (1) as prioridades estrat&eacute;gicas que orientam as pr&aacute;ticas de converg&ecirc;ncia e o tempo di&aacute;rio despendido por canal; (2) a coordena&ccedil;&atilde;o, as pol&iacute;ticas e as rotinas editoriais; (3) as estrat&eacute;gias e a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos; (4) e as compet&ecirc;ncias e motiva&ccedil;&otilde;es dos jornalistas para a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para diferentes plataformas. As quest&otilde;es foram respondidas utilizando a escala de Likert com 6 n&iacute;veis, em que 1 significa &ldquo;discordo totalmente&rdquo; e 6 &ldquo;concordo totalmente&rdquo;. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o foi a quest&atilde;o na qual foi solicitado aos inquiridos que indicassem a percentagem de tempo despendida na produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o para cada um dos canais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>O question&aacute;rio obteve um total 50 respostas v&aacute;lidas. Quanto &agrave;s carater&iacute;sticas da amostra, a grande maioria dos inquiridos exerce fun&ccedil;&otilde;es de dire&ccedil;&atilde;o editorial, sendo 18 diretores, 15 chefes de reda&ccedil;&atilde;o, 14 diretores-adjuntos e 3 editores. Trata-se, por isso, de um conjunto de respondentes que tem um posicionamento hier&aacute;rquico relevante, levando a que sejam conhecedores das estrat&eacute;gias editoriais em vigor nos &oacute;rg&atilde;os de informa&ccedil;&atilde;o em que trabalham. 46% dos jornalistas exercem fun&ccedil;&otilde;es na imprensa nacional e 54% na imprensa regional (<a href="#t1">tabela 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Prioridades Estrat&eacute;gicas das reda&ccedil;&otilde;es </b></p>     <p>Relativamente &agrave;s prioridades estrat&eacute;gicas (<a href="#t2">tabela 2</a>) nas reda&ccedil;&otilde;es de publica&ccedil;&otilde;es impressas, os inquiridos consideram a edi&ccedil;&atilde;o impressa (5.18) como aquela que tem maior valor e que constitui a prioridade da reda&ccedil;&atilde;o. Ainda assim, &eacute; curioso observar que os jornalistas inquiridos discordam que o website (2.53), a edi&ccedil;&atilde;o m&oacute;vel (2.39) e a edi&ccedil;&atilde;o para iPad (2.67) sejam meros subprodutos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quanto ao tempo di&aacute;rio despendido pelos jornalistas a trabalhar para cada canal (<a href="#g1">gráfico 1</a>), os respondentes consideram que 64% do seu trabalho di&aacute;rio continua a ser alocado &agrave; edi&ccedil;&atilde;o impressa, seguido pelo website com 29%. Apesar da import&acirc;ncia que tem vindo a ser adquirida pelos canais de distribui&ccedil;&atilde;o digitais, apenas 3% do trabalho di&aacute;rio &eacute; dedicado &agrave; edi&ccedil;&atilde;o m&oacute;vel, enquanto na edi&ccedil;&atilde;o tablet e noutras tarefas &eacute; investido apenas 2% do tempo de trabalho.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08g1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Coordena&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;ticas e rotinas editoriais </b></p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; coordena&ccedil;&atilde;o editorial (<a href="#t3">tabela 3</a>), os jornalistas revelam que as suas reda&ccedil;&otilde;es est&atilde;o focadas nas novas plataformas digitais. Assim, a maioria dos inquiridos afirma existir uma pessoa encarregue de coordenar o lan&ccedil;amento de conte&uacute;dos em todos os canais (m&eacute;dia de 4.42). A maioria dos inquiridos refere que a distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos crossmedia &eacute; organizada nas reuni&otilde;es editoriais (m&eacute;dia de 4.25). A amostra revela que existe uma estrat&eacute;gia clara (m&eacute;dia de 4.76) para o lan&ccedil;amento de conte&uacute;dos em cada canal. Os respondentes consideram ainda que h&aacute; uma sequencia&ccedil;&atilde;o adequada (m&eacute;dia de 4.84) do lan&ccedil;amento de conte&uacute;dos em cada plataforma consoante o tema.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quanto &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o dos media sociais e do Twitter como canais de distribui&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias, (<a href="#t4">tabela 4</a>), resulta claro que n&atilde;o existe uma pol&iacute;tica clara para a utiliza&ccedil;&atilde;o do Twitter (m&eacute;dia de 3.48), o que pode ser explicado por uma menor penetra&ccedil;&atilde;o deste servi&ccedil;o de <i>microblogging</i> em Portugal quando comparado com outros pa&iacute;ses. Ainda assim, o valor do desvio padr&atilde;o indica que a realidade existente nas reda&ccedil;&otilde;es portuguesas tende a ser algo heterog&eacute;nea neste particular. Pelo contr&aacute;rio, a amostra concorda com a afirma&ccedil;&atilde;o de que existe uma pol&iacute;tica editorial em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o dos diferentes media sociais e sites de redes sociais, embora o valor m&eacute;dio obtido seja de apenas 4.43 indicando que estas pol&iacute;ticas ainda n&atilde;o se encontram totalmente sedimentadas nas reda&ccedil;&otilde;es de publica&ccedil;&otilde;es impressas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Questionados sobre as rotinas editoriais (<a href="#t5">tabela 5</a>), a maioria dos jornalistas referiu que existe uma distribui&ccedil;&atilde;o cruzada de temas, atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios canais (m&eacute;dia de 4.96). Do mesmo modo, dizem existir publica&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos em todos os canais dispon&iacute;veis (m&eacute;dia de 5.06). Segundo os respondentes, existe tamb&eacute;m uma cobertura cruzada de acontecimentos especiais (m&eacute;dia de 4.76).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08t5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Estrat&eacute;gias de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos </b></p>     <p>Quanto &agrave;s estrat&eacute;gias editoriais de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos (<a href="#t5">tabela 5</a>), &eacute; vis&iacute;vel que as equipas editoriais se esfor&ccedil;am em fornecer conte&uacute;dos que possam ser otimizados em todos os canais (com uma m&eacute;dia de 5.02). A n&iacute;vel de conte&uacute;do, os inquiridos revelaram que t&ecirc;m em considera&ccedil;&atilde;o a incorpora&ccedil;&atilde;o do v&iacute;deo (4.54 na escala) nos conte&uacute;dos que produzem. No entanto, os jornalistas inquiridos referem que nem sempre &eacute; considerada a utiliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;udio (3.33) e de gráficos interativos (3.27).</p>     <p>Relativamente ao planeamento de uma narrativa para diferentes canais (<a href="#t6">tabela 6</a>), a maioria dos respondentes considera que n&atilde;o se procura construir uma narrativa atrav&eacute;s dos v&aacute;rios canais de distribui&ccedil;&atilde;o (2.88 na escala apresentada), ainda que exista uma dispers&atilde;o significativa nas respostas obtidas. De igual modo, os inquiridos consideram que as diferentes hist&oacute;rias nem sempre s&atilde;o concebidas tendo por base da complementaridade entre conte&uacute;dos de texto, imagens, v&iacute;deo e &aacute;udio (m&eacute;dia de 3.20).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t6"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08t6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Compet&ecirc;ncias e motiva&ccedil;&atilde;o dos jornalistas </b></p>     <p>No que se refere &agrave;s compet&ecirc;ncias dos jornalistas (<a href="#t7">tabela 7</a>), os inquiridos revelam que o departamento editorial est&aacute; qualificado para produzir conte&uacute;dos de alta qualidade para os diferentes canais, com a m&eacute;dia das respostas a ser de 4.24. Este resultado &eacute;, contudo, revelador de que os pr&oacute;prios jornalistas consideram n&atilde;o ter sido ainda atingida uma situa&ccedil;&atilde;o de grande qualifica&ccedil;&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para diferentes plataformas. Tal &eacute;, ali&aacute;s, consistente com o facto de os respondentes considerarem ser necess&aacute;ria mais forma&ccedil;&atilde;o (4.58 na escala) de forma a garantir a maior qualidade dos conte&uacute;dos. Ainda assim, reconhecem que &eacute; dada forma&ccedil;&atilde;o aos membros da equipa que julgam n&atilde;o conseguir lidar com a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para novos media (4.23).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t7"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08t7.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es dos jornalistas (<a href="#t8">tabela 8</a>), a maioria dos inquiridos sente que a reda&ccedil;&atilde;o onde trabalha &eacute; moderadamente recetiva a inova&ccedil;&otilde;es (4.04). Esta tend&ecirc;ncia est&aacute; sintonizada com o encorajamento feito junto dos v&aacute;rios jornalistas para se envolverem com os novos media (4.78). Tal como os departamentos editoriais, os editores s&atilde;o algo entusiastas das novas tecnologias (4.47). Por&eacute;m, os inquiridos revelam que alguns editores mais velhos n&atilde;o se envolvem com a produ&ccedil;&atilde;o para diferentes plataformas (3.19).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t8"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08t8.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="t9"></a> <img src="/img/revistas/obs/v11n4/11n4a08t9.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></p>     <p>O objetivo desta investiga&ccedil;&atilde;o era analisar a forma como o processo de converg&ecirc;ncia est&aacute; a ser implementado na imprensa portuguesa. Neste sentido, foram inquiridos quadros diretivos de jornais com distribui&ccedil;&atilde;o nacional e regional, com o objetivo de conhecer pr&aacute;ticas, estrat&eacute;gias, compet&ecirc;ncias e as motiva&ccedil;&otilde;es dos jornalistas para a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para diferentes canais, bem como a sua perce&ccedil;&atilde;o sobre a implementa&ccedil;&atilde;o de novas rotinas editoriais no contexto do jornalismo convergente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s prioridades estrat&eacute;gicas, os inquiridos consideram que a edi&ccedil;&atilde;o impressa &eacute; aquela que continua a ter maior relev&acirc;ncia. Estes resultados est&atilde;o em linha com o tempo despendido pelos jornalistas a trabalhar em cada um dos canais, em que o formato tradicional continua a ser aquele com o qual os jornalistas despendem a maior parte do seu tempo de trabalho di&aacute;rio. Por&eacute;m, existe uma valoriza&ccedil;&atilde;o, ainda que n&atilde;o muito expressiva, dos formatos digitais. Conforme &eacute; observado por Erdal (2009), podemos falar numa altera&ccedil;&atilde;o da tradicional cultura hier&aacute;rquica da imprensa nacional, que passou a expandir os seus conte&uacute;dos para as novas plataformas digitais, mas que continua a manter a centralidade da edi&ccedil;&atilde;o impressa.</p>     <p>O estudo revela a exist&ecirc;ncia de uma coordena&ccedil;&atilde;o editorial sobre a distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos nas diferentes plataformas, com a maioria dos inquiridos a referir a exist&ecirc;ncia de uma pessoa respons&aacute;vel pelo lan&ccedil;amento de conte&uacute;dos nos v&aacute;rios canais. Em diversos casos, tem existido um desenvolvimento de equipas respons&aacute;veis pelas inova&ccedil;&otilde;es nas diferentes reda&ccedil;&otilde;es de imprensa, com a introdu&ccedil;&atilde;o de quadros diretivos ligados aos novos media, como &eacute; vis&iacute;vel nos meios que se envolvem no processo de converg&ecirc;ncia (Singer, 2004; Infotedencias, 2012).</p>     <p>&Eacute; tamb&eacute;m poss&iacute;vel de ser observada uma coordena&ccedil;&atilde;o nas reuni&otilde;es editoriais, a n&iacute;vel da distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos crossmedia, com a utiliza&ccedil;&atilde;o do mesmo conte&uacute;do em duas ou mais plataformas. Tal aproxima-se do definido por Erdal (2007; 2009; 2012) quando descreve o modo como os editores da imprensa ponderam cada not&iacute;cia, definido os moldes da sua difus&atilde;o cruzada de modo a tirarem partido das potencialidades das v&aacute;rias plataformas.</p>     <p>A n&iacute;vel de pol&iacute;ticas editoriais, apesar da exist&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia em torno dos sites de redes sociais, ainda n&atilde;o &eacute; totalmente clara a utiliza&ccedil;&atilde;o do Twitter. A reduzida utiliza&ccedil;&atilde;o deste microblogue pode estar relacionada com a sua diminu&iacute;da utiliza&ccedil;&atilde;o por parte dos leitores no contexto nacional. Num relat&oacute;rio da Reuters Institute for the Study of Journalism, apenas 7% dos leitores de not&iacute;cias em Portugal utiliza o Twitter como fonte de informa&ccedil;&atilde;o (Fletcher &amp; Radcliffe, 2015). Neste sentido, a imprensa portuguesa aposta na adequa&ccedil;&atilde;o da sua estrat&eacute;gia de utiliza&ccedil;&atilde;o das plataformas digitais &agrave;s necessidades e interesses dos seus leitores, investindo noutros sites de redes sociais, nomeadamente no Facebook.</p>     <p>Com o ambiente convergente, as rotinas editoriais foram alteradas nas reda&ccedil;&otilde;es de imprensa, sendo poss&iacute;vel verificar novos h&aacute;bitos editoriais. Assim, estas pr&aacute;ticas adquirem uma posi&ccedil;&atilde;o relevante, pois orientam os profissionais a publicar de forma adequada nas diferentes plataformas. Para Becker e Vlad (2009), estes procedimentos auxiliam o trabalho dos jornalistas, permitindo um processamento da informa&ccedil;&atilde;o de forma eficiente. Neste caso, estas normas assumem um papel que se ajusta aos diferentes desafios de converg&ecirc;ncia. No caso dos eventos ou acontecimentos especiais, os resultados do nosso estudo indicam a exist&ecirc;ncia de uma organiza&ccedil;&atilde;o editorial que explora o potencial de cada plataforma, atrav&eacute;s de uma prepara&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via. J&aacute; quanto &agrave;s estrat&eacute;gias de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos, os jornalistas inquiridos valorizam a utiliza&ccedil;&atilde;o do v&iacute;deo em complemento ao texto. Por&eacute;m, a utiliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;udio e de gráficos interativos n&atilde;o &eacute; sempre explorada nas reda&ccedil;&otilde;es de publica&ccedil;&otilde;es impressas.</p>     <p>Relativamente ao planeamento de uma narrativa para diferentes canais, esta n&atilde;o &eacute; observada, tendo os respondentes indicado que embora exista uma pol&iacute;tica para a distribui&ccedil;&atilde;o das not&iacute;cias nos diferentes canais, estes n&atilde;o s&atilde;o entendidos como complementares para o lan&ccedil;amento de diferentes tipos de informa&ccedil;&atilde;o mas antes como canais alternativos que permitem chegar ao p&uacute;blico. Assim, o presente estudo n&atilde;o est&aacute; em linha com a an&aacute;lise de Quinn (2005), que refere que os jornalistas criam um encadeamento em v&aacute;rios canais em simult&acirc;neo, atrav&eacute;s da difus&atilde;o do seu conte&uacute;do.</p>     <p>Em termos das compet&ecirc;ncias dos jornalistas, os inquiridos tendem a considerar que os seus colegas de reda&ccedil;&atilde;o est&atilde;o qualificados para produzir conte&uacute;dos para os diferentes canais. Por&eacute;m, consideram tamb&eacute;m ser necess&aacute;ria uma maior forma&ccedil;&atilde;o de forma a garantir a maior qualidade dos artigos. Os dados apresentados est&atilde;o em sintonia com o estudo de Quandt e Singer (2009), quando referem que a utiliza&ccedil;&atilde;o do equipamento tecnol&oacute;gico requer que sejam realizadas forma&ccedil;&otilde;es junto dos rep&oacute;rteres. Por&eacute;m, no caso portugu&ecirc;s os dados deste estudo mostram que &eacute; dada forma&ccedil;&atilde;o aos membros que n&atilde;o conseguem lidar com as mudan&ccedil;as da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para os novos media.</p>     <p>No que se refere &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es dos jornalistas para abra&ccedil;arem a produ&ccedil;&atilde;o para diferentes canais, os dados revelam que as reda&ccedil;&otilde;es de imprensa nacional s&atilde;o moderadamente recetivas &agrave; inova&ccedil;&atilde;o. Esta mesma tend&ecirc;ncia est&aacute; em concord&acirc;ncia com as conclus&otilde;es de Singer (2004), que refere existir uma boa rece&ccedil;&atilde;o dos jornalistas em torno das novas transforma&ccedil;&otilde;es. Existe tamb&eacute;m um encorajamento da parte dos coordenadores e editores. Por&eacute;m, os editores mais velhos n&atilde;o se envolvem neste processo convergente. Esta recusa pode ser resultado da redefini&ccedil;&atilde;o de algumas pr&aacute;ticas jornal&iacute;sticas, com os quais muitos destes editores n&atilde;o est&atilde;o familiarizados. Siapera e Veglis (2012) justificam que esta resist&ecirc;ncia &eacute; explicada pelo aumento da quantidade de tarefas que os jornalistas t&ecirc;m de realizar com uma consequente dificuldade em reservar tempo para investiga&ccedil;&atilde;o e pesquisa.</p>     <p>Respondendo &agrave; primeira quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o, conclui-se que nas reda&ccedil;&otilde;es de imprensa portuguesas existe a clara perce&ccedil;&atilde;o de que &eacute; fundamental a aposta na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos digitais, havendo tamb&eacute;m consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia de otimizar a distribui&ccedil;&atilde;o das not&iacute;cias nos diferentes canais. Por&eacute;m, a maior parte do tempo de trabalho di&aacute;rio dos jornalistas continua a ser dedicado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o da edi&ccedil;&atilde;o impressa.</p>     <p>Ainda que as edi&ccedil;&otilde;es em papel continuem a ser o principal foco das reda&ccedil;&otilde;es, verifica-se que existe j&aacute; uma institucionaliza&ccedil;&atilde;o das rotinas de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o em diferentes plataformas. Assim, respondendo &agrave; segunda quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o, existem jornalistas respons&aacute;veis pela organiza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos digitais, embora nem sempre exista uma estrat&eacute;gia claramente definida. Tal &eacute; vis&iacute;vel pelo facto de os respondentes afirmarem que a distribui&ccedil;&atilde;o nos diferentes canais &eacute; muitas vezes definida caso a caso. Deste modo, podemos concluir que as reda&ccedil;&otilde;es de imprensa em Portugal est&atilde;o a abra&ccedil;ar o desafio da converg&ecirc;ncia e da produ&ccedil;&atilde;o crossmedia, ainda que estejam longe de conseguir desenvolver rotinas capazes de lhes permitir tirar o melhor partido de cada um dos canais de distribui&ccedil;&atilde;o. Tal pode, ali&aacute;s, explicar-se pelo facto de os diferentes canais gerarem receitas diferentes, levando a que as administra&ccedil;&otilde;es continuam a apostar numa maior concentra&ccedil;&atilde;o do tempo de trabalho nos formatos e nas plataformas que melhor podem ajudar &agrave; sustenta&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica das empresas de media que, sobretudo no caso da imprensa, atravessam situa&ccedil;&otilde;es evidentes de falta de receitas, o que n&atilde;o deixar&aacute; de ter consequ&ecirc;ncia na sua capacidade de inova&ccedil;&atilde;o e na pr&oacute;pria qualidade do jornalismo produzido.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Bastos, H. (2015). Ciberjornalismo, Jornalismo e Democracia. <i>Media &amp; Jornalismo </i>(pp. 93-105). Lisboa : Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o de Media e Jornalismo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942732&pid=S1646-5954201700040000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bastos, H., Zamith, F., Reis, I., &amp; Jer&oacute;nimo, P. (2013). Converg&ecirc;ncia jornal&iacute;stica nos m&eacute;dia em Portugal: Um estudo explorat&oacute;rio. <i>Atas do III Congresso Internacional de Ciberjornalismo - A Converg&ecirc;ncia</i> (pp. 4-37). Porto: Faculdade de Letras - Universidade do Porto.</p>     <!-- ref --><p>Becker, L. B., &amp; Vlad, T. (2009). News Organizations and Routines. In K. Wahl-Jorgensen, &amp; T. Hanitzsch, <i>The Handbook of Journalism Studies</i> (International Communication Association Handbook Series ed., pp. 59-71). New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942735&pid=S1646-5954201700040000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Boczkowski, P., &amp; Ferris, J. A. (2005). Multiple Media, Convergent Processes, and Divergent Products: Organizational Innovation in Digital Media Production at a European Firm. <i>The Annals of the American Academy of Political and Social, 597:32</i>, 32-47. doi:10.1177/0002716204270067&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942737&pid=S1646-5954201700040000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Canavilhas, J. (2012). From Remediation to Convergence: Looking at the Portuguese Media. <i>Brazilian Journalism Research, 8 (1)</i>, 7-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942738&pid=S1646-5954201700040000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>de la Piscina, T. R., Gorosarri, M. G., Aiestaran, A., Zabalondo, B., &amp; Agirre, A. (2014). Differences between the quality of the printed version and online editions of the European reference press. <i>Journalism</i>, 1-23. doi:10.1177/1464884914540432&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942740&pid=S1646-5954201700040000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Deuze, M. (2010). Journalism and Convergence Culture. In S. Allan, <i>The Routledge Companion, To news and Journalism</i> (pp. 267-276). London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942741&pid=S1646-5954201700040000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>ERC (2016). "Consumo de Media". Em <i>As Novas Din&acirc;micas do Consumo Audiovisual em Portugal</i>. Lisboa: ERC.</p>     <!-- ref --><p>Erdal, I. J. (2007). Researching Media Convergence and Crossmedia News Production Mapping the Field. <i>Nordicom Review, 28: 2</i>, 51-61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942744&pid=S1646-5954201700040000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Erdal, I. J. (2009). Cross-Media (Re)Production Cultures. <i>Convergence: The International Journal of Research into New Media Technologies, 15(2)</i>, 215&ndash;231. doi:10.1177/1354856508105231</p>     <!-- ref --><p>Erdal, I. J. (2012). Bridging the Gap: Toward a Typology of Cross-media News Production Processes. In E. Siapera, &amp; A. Veglis, <i>The Handkbook of Global Online Journalism </i>(pp. 179-191). Oxford: Wiley-Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942747&pid=S1646-5954201700040000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Erdal, I. J. (2011). Coming to Terms with Convergence Journalism: Cross-Media as a Theoretical and Analytical Concept, Convergence. <i>The International Journal of Research into New Media Technologies, 17(2)</i>, 213&ndash;223.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Fletcher, R., &amp; Radcliffe, D. (2015). <i>Reuters Institute Digital News Report 2015: Supplementary Report.</i> Oxford: Reuters Institute for the Study of Journalism.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942750&pid=S1646-5954201700040000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Franklin, B. (2008). <i>Pulling Newspapers Apart: Analysing Print Journalism.</i> London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942752&pid=S1646-5954201700040000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Franklin, B. (2011). <i>The Future of Journalism</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942754&pid=S1646-5954201700040000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Infotendencias Group (2012). Media Convergence. In E. Siapera, &amp; A. Veglis, <i>The Handbook of Global Online Journalism</i> (pp. 21-38). Oxford: Wiley-Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942756&pid=S1646-5954201700040000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Kalogeropoulos, A., Nielsen, R. K. (2017). Investing in Online Video News. A cross-national analysis of news organizations' enterprising approach to digital media. <i>Journalism Studies</i>, ahead of print.</p>     <!-- ref --><p>Klinenberg, E. (2005). Convergence: News Production in a Digital Age. <i>The Annals of the American Academy of Political and Social Science, 597: 1</i>, 48-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942759&pid=S1646-5954201700040000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OberCom. (2015). <i>A Imprensa em Portugal. Performances e indicadores de gest&atilde;o: consumo, procura e distribui&ccedil;&atilde;o (4&ordf; edi&ccedil;&atilde;o).</i> Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es OberCom.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942761&pid=S1646-5954201700040000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Picard, R. (2015). "Economics of Print Media". Em R. Picard &amp; S. Wildman, <i>Handbook on the Economics of the Media</i>. Cheltenham: Edward Elgar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942763&pid=S1646-5954201700040000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Quandt, T., &amp; Singer, J. B. 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Confer&ecirc;ncia apresentada na<i> International Conference on Media Business Landscapes.</i> Lisboa: Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura - Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa.</p>     <!-- ref --><p>Salaverr&iacute;a, R., &amp; Negredo, S. (2009). <i>Integrated Journalism. Media Convergence and Newsroom Organization.</i> Barcelona: Editorial Sol90 Media.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942768&pid=S1646-5954201700040000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Siapera, E., &amp; Veglis, A. (2012). 1. Introduction: The Evolution of Online Journalism. Em E. Siapera, &amp; A. Veglis, <i>The Handbook of Global Online Journalism</i> (pp. 1-18). Oxford: Wiley-Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942770&pid=S1646-5954201700040000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Singer, J. B. (2004). Strange bedfellows? The diffusion of convergence in four news organizations . <i>Journalism Studies, 5:1</i>, 3-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942772&pid=S1646-5954201700040000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> doi:10.1080/1461670032000174701</p>     <!-- ref --><p>Usher, N. (2014). <i>Making News at The New York Times.</i> Michigan: The University of Michigan Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=942774&pid=S1646-5954201700040000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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