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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article discusses the changes taking place on television, accentuated by the increased supply of on-demand content. Such content is made available primarily by pay-TV providers, allowing a non-linear TV experience. To frame the international scene offering non-linear TV content, a survey was conducted in 62 countries, where the offered services were catalogued. In addition, a detailed review of the relevant literature was made, being possible to realize the lack of similar surveys. In this scope, one can note the growing supply of non-linear TV services, with two effects: 1. a migration of the audience to these services, with structural changes, even if incipient, in the organization of programs and narratives; 2. A reinforcement of live television in the traditional linear TV. The present article provides an empirical basis for in-depth theoretical analysis, discussing a still incipient topic in communication sciences and related areas.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>O desenvolvimento da TV n&atilde;o linear e a desprograma&ccedil;&atilde;o da grelha</B> </p>     <p><B>The development of non-linear TV and schedule deprogramming</B> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Valdecir Becker*, Jorge Abreu**, Jo&atilde;o Nogueira***, Bernardo Cardoso***</B> </p>     <p>* Universidade Federal da Para&iacute;ba, Brasil</p>     <p>** Universidade de Aveiro, DigiMedia, Portugal</p>     <p>*** Altice Labs, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>RESUMO</B> </p>     <p>Este artigo discute as mudan&ccedil;as em curso na televis&atilde;o, acentuadas pelo aumento da oferta de conte&uacute;dos fornecidos <i> on-demand</i> . Tais conte&uacute;dos s&atilde;o disponibilizados, principalmente, por operadores de TV por assinatura, possibilitando uma experi&ecirc;ncia de TV n&atilde;o linear. Para caracterizar o cen&aacute;rio internacional da oferta de conte&uacute;dos de TV n&atilde;o linear, realizou-se uma pesquisa em 62 pa&iacute;ses que permitiu catalogar as diversas tipologias de servi&ccedil;os oferecidos. Complementarmente, foi feita uma revis&atilde;o detalhada da literatura referente ao tema que evidenciou a inexist&ecirc;ncia de levantamentos similares. Desta forma, pode-se constatar a crescente oferta de servi&ccedil;os de TV n&atilde;o linear, comportando dois efeitos: 1. uma migra&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia televisiva para estes servi&ccedil;os, com mudan&ccedil;as estruturais, ainda que incipientes, na organiza&ccedil;&atilde;o dos programas e das narrativas; 2. um fortalecimento da televis&atilde;o em direto (ao vivo) na TV tradicional, linear. Neste enquadramento, o presente artigo fornece bases emp&iacute;ricas para an&aacute;lises te&oacute;ricas aprofundadas, discutindo um tema ainda incipiente nas ci&ecirc;ncias da comunica&ccedil;&atilde;o e &aacute;reas correlacionadas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras chave</B> : Catch-up TV, grelha de programa&ccedil;&atilde;o, v&iacute;deo <i> on-demand,</i> TV em direto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>ABSTRACT</B> </p>     <p>This article discusses the changes taking place on television, accentuated by the increased supply of on-demand content. Such content is made available primarily by pay-TV providers, allowing a non-linear TV experience. To frame the international scene offering non-linear TV content, a survey was conducted in 62 countries, where the offered services were catalogued. In addition, a detailed review of the relevant literature was made, being possible to realize the lack of similar surveys. In this scope, one can note the growing supply of non-linear TV services, with two effects: 1. a migration of the audience to these services, with structural changes, even if incipient, in the organization of programs and narratives; 2. A reinforcement of live television in the traditional linear TV. The present article provides an empirical basis for in-depth theoretical analysis, discussing a still incipient topic in communication sciences and related areas.</p>     <p><B>Keywords:</B> Catch-up TV, programming schedule, video on-demand, live TV.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B> </p>     <p>A televis&atilde;o tem sido objeto de estudo em in&uacute;meras &aacute;reas. Cientistas e investigadores t&ecirc;m-se dedicado a estudar a televis&atilde;o em &aacute;reas como a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos, tecnologias de transmiss&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o, a forma como as pessoas consomem o conte&uacute;do, o impacto da programa&ccedil;&atilde;o na sociedade, formas de publicidade, modelos de neg&oacute;cio, opini&atilde;o p&uacute;blica, psicologia, sociologia, entre outras.</p>     <p>Uma &aacute;rea que, de forma direta ou indireta afeta todas as restantes, centra-se no desenvolvimento e na introdu&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias, especialmente do lado do cliente. &Eacute; amplamente reconhecido que as novas tecnologias afetam especialmente o consumo e o modelo de neg&oacute;cios. Por exemplo, o surgimento dos gravadores digitais, e a inerente possibilidade de saltar os intervalos publicit&aacute;rios, mudou o perfil da programa&ccedil;&atilde;o (Autor, 2011; Medina, Herrero, &amp; Etayo, 2015; Williams, 2003).</p>     <p>Historicamente, a televis&atilde;o &eacute; considerada um meio de comunica&ccedil;&atilde;o unidirecional, sendo o conte&uacute;do transmitido num fluxo cont&iacute;nuo e planeado, no qual cada unidade de programa&ccedil;&atilde;o transita suavemente para a pr&oacute;xima unidade. Neste contexto, Raymond Williams explica que as caracter&iacute;sticas mais importantes de televis&atilde;o s&atilde;o: 1. o conte&uacute;do ser organizado em canais, que procuram identifica&ccedil;&atilde;o e reconhecimento por parte dos telespectadores. Cada canal est&aacute; associado a um nome, uma identidade visual e um perfil de programa&ccedil;&atilde;o organizado para manter os telespectadores &agrave; frente da TV; 2. os canais organizam o conte&uacute;do em unidades de tempo, caracterizadas pelos programas de televis&atilde;o e pela publicidade, com o objetivo de prender a aten&ccedil;&atilde;o do espectador pelo maior tempo poss&iacute;vel. Diferentes perfis de programas s&atilde;o intercalados, visando impedir que o espectador fique entediado ou cansado; 3. Os programas s&atilde;o apresentados aos visitantes extensivamente atrav&eacute;s de promo&ccedil;&otilde;es. Destas, destacam-se as autopromo&ccedil;&otilde;es &ndash; &shy;&shy;&shy;&shy;&shy;&shy;proje&ccedil;&atilde;o de autorrefer&ecirc;ncias positivas &ndash; nas quais o pr&oacute;ximo epis&oacute;dio, ou programa, &eacute; divulgado como sendo ainda melhor do que o anterior. Raymond Williams chamou este recurso de &ldquo;eterno por vir&rdquo; (Williams, 2003).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todos estes aspectos, que at&eacute; h&aacute; pouco tempo definiam a televis&atilde;o, s&atilde;o afetados pela introdu&ccedil;&atilde;o de tecnologias digitais de grava&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o de programas de televis&atilde;o. O fluxo tradicional deixa de existir assim que estas unidades de tempo se tornam dispon&iacute;veis de forma independente, atrav&eacute;s de gravadores digitais ou de armazenamentos na nuvem. A organiza&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o da TV passa a ser estruturada pelo espectador, n&atilde;o s&oacute; selecionando o canal, mas tamb&eacute;m o momento e o tempo de visualiza&ccedil;&atilde;o. O &ldquo;eterno por vir&rdquo; e as estrat&eacute;gias comerciais tradicionais s&atilde;o substitu&iacute;dos por pesquisas nos conte&uacute;dos dispon&iacute;veis, atrav&eacute;s de algoritmos de busca e recupera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos audiovisuais.</p>     <p>Este cen&aacute;rio tem despertado a iniciativa de investiga&ccedil;&otilde;es em diferentes partes do mundo. Nos &uacute;ltimos anos, tem sido dada uma aten&ccedil;&atilde;o significativa ao desenvolvimento e introdu&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias na TV (Bury &amp; Li, 2015; Netflix, 2015); a mudan&ccedil;as no comportamento da audi&ecirc;ncia (Beauvisage &amp; Beuscart, 2012; Jennes, Pierson, &amp; Van den Broeck, 2014; Vanattenhoven &amp; Geerts, 2015); e aos impactos sobre os mercados e modelos de neg&oacute;cios (Kalia, 2014; Medina et al., 2015; Mohan, 2014). T&ecirc;m, igualmente, sido realizados estudos sobre os impactos da grava&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos em diferentes pa&iacute;ses (Kalia, 2014; Medina et al., 2015). No entanto, apesar de muitos estudos terem relatado um aumento do uso de TV n&atilde;o linear, a investiga&ccedil;&atilde;o focada em an&aacute;lises abrangentes sobre a oferta e impactos de conte&uacute;dos televisivos, independentes da grelha de programa&ccedil;&atilde;o, &eacute; ainda incipiente. As an&aacute;lises encontradas s&atilde;o, geralmente, focadas em investiga&ccedil;&otilde;es locais, com implica&ccedil;&otilde;es e conclus&otilde;es limitadas &agrave;s ofertas internacionais de TV n&atilde;o linear, v&iacute;deo <i> on-demand</i> e oferta de servi&ccedil;os <i> Over-The-Top</i> (OTT).</p>     <p>O presente estudo foi projetado para examinar a oferta internacional de servi&ccedil;os de TV n&atilde;o linear e analisar os impactos sobre a programa&ccedil;&atilde;o. Os autores realizaram um estudo em 62 pa&iacute;ses, procurando identificar e quantificar a disponibilidade de conte&uacute;dos n&atilde;o lineares oferecidos em redes de TV por assinatura, tradicionalmente as primeiras a incorporar novas tecnologias e a oferecer novos servi&ccedil;os. Atrav&eacute;s desta an&aacute;lise evidencia-se um aumento da oferta de servi&ccedil;os de TV n&atilde;o linear, apoiadas em tecnologias de grava&ccedil;&atilde;o em <i> cloud</i> . Os primeiros lan&ccedil;amentos comerciais foram h&aacute; dez anos (2007) e representam atualmente um recurso importante num n&uacute;mero significativo de pa&iacute;ses. Foram identificados 73 operadores em 34 pa&iacute;ses nos quais este tipo de servi&ccedil;o &eacute; oferecido diretamente na televis&atilde;o.</p>     <p>A pesquisa partiu de um trabalho anterior, onde foi desenvolvida uma proposta de taxonomia para servi&ccedil;os de TV n&atilde;o linear (Autor, 2015a). Nesse trabalho, os servi&ccedil;os de TV n&atilde;o linear foram classificados em:</p>     <p><i> Pause-TV</i> : funcionalidade que permite pausar a programa&ccedil;&atilde;o e retomar do ponto onde esta foi suspensa;</p>     <p><i> Start-Over TV</i> : funcionalidade que permite assistir do in&iacute;cio programas j&aacute; em curso. Em alguns casos, &eacute; poss&iacute;vel assistir programas que j&aacute; terminaram.</p>     <p>PVR: funcionalidade que permite a grava&ccedil;&atilde;o de programas por parte do utilizador, seja localmente ou na nuvem.</p>     <p><i> Catch-up TV</i> : funcionalidade mais avan&ccedil;ada dispon&iacute;vel, atualmente, pelos operadores de TV por assinatura que oferecem servi&ccedil;os de grava&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica dos canais. A disponibilidade dos canais pode variar entre algumas horas at&eacute; 30 dias. Por outras palavras, ao ligar a televis&atilde;o, a programa&ccedil;&atilde;o est&aacute; automaticamente gravada e dispon&iacute;vel para ser visualizada, sem a necessidade de qualquer a&ccedil;&atilde;o por parte do telespectador. Por exemplo, em Portugal, a modalidade mais comum &eacute; a oferta de <i> Catch-up TV</i> dos &uacute;ltimos sete dias. Desta forma, &eacute; poss&iacute;vel assistir a todos os programas transmitidos neste per&iacute;odo, bastando, para tanto, navegar na programa&ccedil;&atilde;o das grava&ccedil;&otilde;es autom&aacute;ticas com o telecomando.</p>     <p>O presente trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o aponta para uma reorganiza&ccedil;&atilde;o do mercado de televis&atilde;o, com a migra&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico da televis&atilde;o linear para os programas gravados, manual ou automaticamente, nas <i> Set-Top-Boxes</i> (STB) do pr&oacute;prio telespectador ou na nuvem. Al&eacute;m disso, apesar de parecer contradit&oacute;rio, um fortalecimento da import&acirc;ncia da televis&atilde;o em direto tamb&eacute;m foi identificado, no qual os criadores de conte&uacute;do procuram produzir programas mais interessantes, que estimulem a visualiza&ccedil;&atilde;o durante a sua transmiss&atilde;o e n&atilde;o em diferido, depois de terem sido gravados.</p>     <p>O artigo est&aacute; estruturado da seguinte forma: na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o &eacute; apresentada a revis&atilde;o aprofundada da literatura e o m&eacute;todo utilizado na investiga&ccedil;&atilde;o; nas se&ccedil;&otilde;es tr&ecirc;s e quatro s&atilde;o apresentados os resultados e a discuss&atilde;o dos mesmos, respectivamente; finalmente, na se&ccedil;&atilde;o cinco conclui-se o trabalho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><B>Revis&atilde;o Aprofundada da Literatura</B> </p>     <p>V&aacute;rios estudos indicam uma revolu&ccedil;&atilde;o no ecossistema de televis&atilde;o devido &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o de grava&ccedil;&otilde;es autom&aacute;ticas, recomenda&ccedil;&otilde;es e tecnologias de recupera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos. Como consequ&ecirc;ncia da utiliza&ccedil;&atilde;o generalizada destas tecnologias, uma an&aacute;lise objetiva dos conte&uacute;dos, e mudan&ccedil;as nos h&aacute;bitos de audi&ecirc;ncia, &eacute; finalmente poss&iacute;vel. Com o objectivo de enquadrar a relev&acirc;ncia deste trabalho, foi realizada uma revis&atilde;o aprofundada da literatura, a partir de fontes e indexadores como ACM, IEEE, Scopus, Springer, al&eacute;m de <i> Conference Proceedings</i> , relacionados com novas pr&aacute;ticas de visualiza&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do de TV n&atilde;o linear e os seus impactos no ecossistema televisivo. Foram analisados 104 artigos, com base em palavras-chave relacionadas com a TV (<i> free-to-air</i> , <i> pay-TV</i> , <i> IPTV</i> ), novos m&eacute;dia, migra&ccedil;&atilde;o e medi&ccedil;&atilde;o de audi&ecirc;ncias, modelos de neg&oacute;cio de televis&atilde;o, novas tecnologias de TV, <i> time-shift</i> e <i> Catch-up TV</i> , sistemas de grava&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o. Em resumo, o foco da literatura concentra-se em tr&ecirc;s temas importantes: o desenvolvimento e a introdu&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias; mudan&ccedil;as no comportamento das audi&ecirc;ncias; e os seus impactos sobre modelos de mercado e de neg&oacute;cios. Uma an&aacute;lise dos artigos mais relevantes a partir desta revis&atilde;o em profundidade &eacute; feita em seguida.</p>     <p>Do ponto de vista tecnol&oacute;gico, os estudos t&ecirc;m analisado a introdu&ccedil;&atilde;o de gravadores digitais, as tecnologias de grava&ccedil;&atilde;o (local e na <i> cloud</i> ) e requisitos de rede para suportar novos servi&ccedil;os. Uma das primeiras consequ&ecirc;ncias do aumento da oferta de servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> , com armazenamento na <i> cloud</i> , &eacute; um aumento de tr&aacute;fego na rede (Danny De Vleeschauwer, Avramova, Wittevrongel, &amp; Bruneel, 2009). Para minimizar esse problema, &eacute; poss&iacute;vel a utiliza&ccedil;&atilde;o de armazenamento descentralizado, onde n&atilde;o h&aacute; necessidade de liga&ccedil;&atilde;o a um servidor principal (Baggio &amp; van Steen, 2005; Rabinovich &amp; Spatscheck, 2002). O projeto deste armazenamento foi estudado para as redes de televis&atilde;o por cabo (Wauters et al., 2007), para os servi&ccedil;os baseados na Internet (Ho, Poon, &amp; Lo, 2007) e para os servi&ccedil;os de IPTV (D. De Vleeschauwer &amp; Laevens, 2009; Krogfoss, Sofman, &amp; Agrawal, 2008; Verhoeyen, De Vleeschauwer, &amp; Robinson, 2008). Outras investiga&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m desenvolveram algoritmos para prever qual o conte&uacute;do mais procurado e definir onde cada tipo de programa deve ser gravado (Danny De Vleeschauwer et al., 2009). Assim, o conte&uacute;do mais procurado &eacute; gravado localmente, nos receptores, enquanto o conte&uacute;do menos popular &eacute; armazenado na <i> cloud</i> .</p>     <p>Essas tecnologias t&ecirc;m um impacto significativo na gest&atilde;o de rede e infraestruturas. No entanto, &eacute; necess&aacute;rio sublinhar que, para o telespectador, os aspectos mais importantes s&atilde;o a disponibilidade de conte&uacute;dos e o seu custo &ndash; gratuito ou pago. As tecnologias de suporte s&atilde;o transparentes para o utilizador final.</p>     <p>De um ponto de vista comportamental e de prefer&ecirc;ncias do p&uacute;blico, um dos estudos mais completos foi realizado por Bury e Li, que apresentam uma an&aacute;lise estat&iacute;stica descritiva e inferencial de pr&aacute;ticas de visualiza&ccedil;&atilde;o (<i> time-shifted</i> , <i> online</i> e m&oacute;veis), com base em dados recolhidos ao longo de um per&iacute;odo de seis meses, entre 2010-2011 (Bury &amp; Li, 2015). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; visualiza&ccedil;&atilde;o <i> time-shifted</i> , ou seja, deslocada da grelha de programa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o obstante os seus n&uacute;meros significativos (por exemplo, 46,9% das mulheres e 34,5% dos homens assistiram conte&uacute;do de drama <i> time-shifted</i> durante a temporada 2011-2012 da televis&atilde;o americana), os autores consideram que ela n&atilde;o altera o conceito tradicional da televis&atilde;o como meio de transmiss&atilde;o, considerando-a como parte de uma categoria mais ampla de televis&atilde;o. No entanto, os autores n&atilde;o fazem uma clara diferencia&ccedil;&atilde;o entre os v&aacute;rios servi&ccedil;os de TV que suportam o conte&uacute;do <i> time-shifted</i> (<i> Pause-TV, Start-Over</i> TV, DVR e <i> Catch-up TV</i> ), (Autor, 2015). Quanto &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o que impulsiona os entrevistados para assistir ao conte&uacute;do nos seus computadores em vez de nos equipamentos de TV, a &uacute;nica raz&atilde;o que se destacou foi a falta de disponibilidade de alguma programa&ccedil;&atilde;o na transmiss&atilde;o televisiva (42,5%). Finalmente, apresentam a visualiza&ccedil;&atilde;o m&oacute;vel, principalmente suportada em aplica&ccedil;&otilde;es dedicadas, como o terceiro e mais recente modelo a surgir como resultado da converg&ecirc;ncia digital. Apesar das poss&iacute;veis evolu&ccedil;&otilde;es registadas desde 2010-11 at&eacute; agora, o documento d&aacute; ind&iacute;cios consistentes sobre as diferen&ccedil;as entre tr&ecirc;s vari&aacute;veis demogr&aacute;ficas: sexo, idade e regi&atilde;o de resid&ecirc;ncia.</p>     <p>Outro trabalho relevante que analisa o comportamento dos telespectadores perante os novos recursos de grava&ccedil;&atilde;o foi realizado por Vanattenhoven e Geerts, que compararam a audi&ecirc;ncia da TV linear com v&aacute;rios tipos de conte&uacute;do <i> on-demand</i> (servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> , servi&ccedil;os de <i> streaming</i> de v&iacute;deo, grava&ccedil;&otilde;es manuais e <i> downloads</i> ) (Vanattenhoven &amp; Geerts, 2015). Ao tentar relacionar o per&iacute;odo do dia e o conte&uacute;do de TV com as v&aacute;rias formas de consumo, os autores descobriram que as s&eacute;ries e os filmes s&atilde;o consumidos principalmente <i> on-demand</i> . Os autores tamb&eacute;m descobriram que as pessoas prestam mais aten&ccedil;&atilde;o quando assistem a conte&uacute;dos <i> on-demand</i> do que a conte&uacute;dos de TV linear. Al&eacute;m disso, a visualiza&ccedil;&atilde;o da TV linear, especialmente em programas de not&iacute;cias, <i> talk shows</i> e outros g&eacute;neros de televis&atilde;o mais leves, &eacute; frequentemente combinada com outras atividades. Finalmente, os autores tamb&eacute;m ilustram que o aborrecimento de lidar com os v&aacute;rios servi&ccedil;os fragmentados, no que diz respeito &agrave; qualidade diferente da imagem, pre&ccedil;o e configura&ccedil;&atilde;o de dispositivos, &eacute; um empecilho para uma boa experi&ecirc;ncia de televis&atilde;o. Esta fus&atilde;o de dispositivos de media dom&eacute;sticos e sistemas de distribui&ccedil;&atilde;o j&aacute; foi apontada por Jenkins, aquando da sua refer&ecirc;ncia &agrave; fal&aacute;cia da caixa preta (Jenkins, 2006).</p>     <p>Estas duas pesquisas s&atilde;o consistentes com outros estudos que encontraram resultados semelhantes. Entre outras conclus&otilde;es, autores franceses afirmam que o consumo de conte&uacute;do online &eacute; mais concentrado no tempo e na quantidade em rela&ccedil;&atilde;o aos conte&uacute;dos offline, como os transmitidos pela TV (Beauvisage &amp; Beuscart, 2012). Dessa forma, os autores contradizem a hip&oacute;tese de um efeito de cauda longa (<i> longtail</i> ) nos servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> . Os investigadores afirmam que 69% dos v&iacute;deos t&ecirc;m o mesmo sucesso online e offline; 16% dos v&iacute;deos n&atilde;o s&atilde;o bem-sucedidos em qualquer plataforma e apenas 15% beneficiam de estarem dispon&iacute;veis <i> online</i> . Analisando quando o conte&uacute;do gravado da TV &eacute; assistido, a pesquisa conclui que a visualiza&ccedil;&atilde;o ocorre em per&iacute;odos pr&oacute;ximos ao momento da transmiss&atilde;o, suavizando, ao inv&eacute;s de quebrar, a sincronia da TV tradicional. O maior consumo de v&iacute;deos <i> online</i> acontece nos primeiros tr&ecirc;s dias, com 58% da audi&ecirc;ncia. Resultados semelhantes foram obtidos por investigadores italianos (Nencioni et al., 2013), que acrescentam que os utilizadores preferem conte&uacute;dos em s&eacute;rie, de curta dura&ccedil;&atilde;o, com 30 ou 60 minutos, e que t&ecirc;m um gosto para certos g&eacute;neros espec&iacute;ficos, como com&eacute;dia, drama e programa&ccedil;&atilde;o infantil.</p>     <p>Outros estudos importantes sobre as mudan&ccedil;as de comportamento analisam como os telespectadores podem ganhar mais controlo ou poder (<i> empowerment</i> ) sobre suas experi&ecirc;ncias de m&eacute;dia (Jennes et al., 2014), diferentes formas de assistir TV (Hess et al., 2012; Tsekleves, Whitham, Kondo, &amp; Hill, 2011), como as tecnologias digitais afetam os padr&otilde;es e rotinas das audi&ecirc;ncias e como os comportamentos mudam de acordo com diferentes perfis de audi&ecirc;ncia (Autor, 2013; Chaney et al., 2014; Saxbe, Graesch, &amp; Alvik, 2011). Finalmente, essas mudan&ccedil;as podem ser consideras como uma evolu&ccedil;&atilde;o natural do ecossistema, uma vez que introdu&ccedil;&atilde;o de tecnologias de grava&ccedil;&atilde;o tende a mudar substancialmente a forma como as pessoas assistem TV (Wahlstr&ouml;m &amp; Kankainen, 2011). Como consequ&ecirc;ncia, novos produtos de televis&atilde;o devem surgir naturalmente nos pr&oacute;ximos anos.</p>     <p>Analisando os recentes impactos e as mudan&ccedil;as nos modelos de neg&oacute;cios, Mohan (2014) resumiu os seguintes aspectos-chave: crescimento de servi&ccedil;os &ldquo;sobre o conte&uacute;do&rdquo; (OTC &ndash; &ldquo;<i> Over the Content</i> &rdquo;) para melhor ligar as pessoas aos conte&uacute;dos <i> on-demand</i> ; crescimento de novas tecnologias de medi&ccedil;&atilde;o de consumo de v&iacute;deo <i> online</i> ; press&atilde;o cont&iacute;nua contra a agrega&ccedil;&atilde;o, resultando em ofertas de conte&uacute;do mais at&oacute;micas; aumento da integra&ccedil;&atilde;o das atividades industriais, por parte das empresas de distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos; potencial diminui&ccedil;&atilde;o das ofertas OTT pelas redes de TV e; risco de decl&iacute;nio no n&uacute;mero de assinantes da TV por assinatura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Da mesma forma, Kalia (2014) e Medina et al., (2015) estudaram os impactos da digitaliza&ccedil;&atilde;o e uso de gravadores digitais no mercado de TV, concluindo que a experi&ecirc;ncia de ver televis&atilde;o foi completamente revolucionada com o advento do digital, com impactos no mercado e nos neg&oacute;cios semelhantes aos identificados em Mohan (2014). Wirtz (2014) faz uma an&aacute;lise mais abrangente, com foco numa perspetiva de gest&atilde;o integrada em modelos de neg&oacute;cios, cadeias de valor e compet&ecirc;ncias. Segundo o autor, estas tr&ecirc;s abordagens s&atilde;o complementares em rela&ccedil;&atilde;o aos objetivos principais de gera&ccedil;&atilde;o de vantagens competitivas em empresas de comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Apesar do potencial cient&iacute;fico e do impacto das investiga&ccedil;&otilde;es existentes, estas est&atilde;o focadas em an&aacute;lises pontuais, dificultando a identifica&ccedil;&atilde;o de tend&ecirc;ncias globais no mercado televisivo. Dessa forma, torna-se pertinente uma abordagem hol&iacute;stica, como a proposta neste artigo. O presente trabalho identifica e quantifica a oferta de servi&ccedil;os de TV n&atilde;o linear em 62 pa&iacute;ses, em quatro continentes. A partir dessa pesquisa, uma an&aacute;lise consistente e aprofundada &eacute; feita em rela&ccedil;&atilde;o aos impactos na grelha de programa&ccedil;&atilde;o e perfil da oferta de conte&uacute;dos, permitindo identificar tend&ecirc;ncias para os pr&oacute;ximos anos. Com estas contribui&ccedil;&otilde;es, &eacute; fornecida uma nova vis&atilde;o sobre o impacto dos modernos paradigmas de consumo de TV, compreendendo tanto o consumo e a procura por novos servi&ccedil;os, quanto a necessidade de um fortalecimento dos conte&uacute;dos em direto (ao vivo) para a TV linear.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>M&eacute;todo da recolha e an&aacute;lise das informa&ccedil;&otilde;es</B> </p>     <p>Como o foco deste trabalho est&aacute; fortemente relacionado com a explora&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas de visualiza&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do de TV n&atilde;o linear, suportado em redes de TV por assinatura, foi realizado um levantamento da oferta mundial destes servi&ccedil;os. Na pesquisa predominam os servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> , que geram impactos sobre todo o ecossistema televisivo. Quando oferecidos atrav&eacute;s do aparelho de TV, os servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> contribuem significativamente para manter uma experi&ecirc;ncia de utilizador pr&oacute;xima &agrave; tradicional, com a diferen&ccedil;a da independ&ecirc;ncia da grelha de programa&ccedil;&atilde;o. A oferta e penetra&ccedil;&atilde;o desses servi&ccedil;os tem aumentado em todo mundo desde 2007 (Alcatel-Lucent, 2015; Danny De Vleeschauwer et al., 2009), apesar dos custos significativos de entrega pela rede.</p>     <p>A fim de quantificar a oferta desses servi&ccedil;os, fez-se um mapeamento para verificar a exist&ecirc;ncia da oferta em operadores de televis&atilde;o por assinatura. Foram considerados servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> , incluindo servi&ccedil;os suplementares ao conte&uacute;do de TV n&atilde;o linear: <i> Pause-TV</i> , <i> Start-Over TV</i> , PVR (considerando tanto o armazenamento local e o baseado na <i> cloud</i> ) e VoD (v&iacute;deo <i> on-demand</i> ). Importa refor&ccedil;ar que todos os servi&ccedil;os mapeados s&atilde;o oferecidos por operadores de TV por assinatura e acess&iacute;veis nos pr&oacute;prios televisores, sem a necessidade de dispositivos ou liga&ccedil;&otilde;es suplementares.</p>     <p>Para gerar uma vis&atilde;o completa dos operadores de televis&atilde;o por assinatura (na Europa, Am&eacute;rica, &Aacute;sia e Oce&acirc;nia), oferecendo servi&ccedil;os de TV n&atilde;o linear, foi utilizada uma metodologia sistem&aacute;tica: i) usando uma lista mundial de operadores de televis&atilde;o por assinatura (Wikipedia, 2015), o site de cada operador foi visitado &ndash; num total de 62 pa&iacute;ses; ii) quando aplic&aacute;vel (em outros idiomas al&eacute;m do Ingl&ecirc;s, Portugu&ecirc;s, Espanhol e Franc&ecirc;s) o recurso &agrave; tradu&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica do Google foi utilizado; iii) devido ao interesse especial sobre o estado atual de servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> , os operadores que oferecem o servi&ccedil;o foram listados numa folha de c&aacute;lculo com os seguintes campos: pa&iacute;s; operador; nome do produto <i> Catch-up TV</i> ; URL correspondente; e intervalo de tempo de programas anteriormente transmitidos (foram considerados os seguintes intervalos de tempo: at&eacute; 3 dias; entre 3 e 7 dias; mais de 7 dias; e n&uacute;mero vari&aacute;vel de dias em que o intervalo de tempo &eacute; dependente dos acordos com cada emissora afiliada); iv) al&eacute;m do <i> Catch-up TV</i> , a folha de c&aacute;lculo inclui tamb&eacute;m servi&ccedil;os adicionais de <i> time-shift</i> TV (<i> Pause-TV</i> , <i> Start-Over TV</i> e PVR - considerando armazenamento tanto local &ndash; HD, como baseado em <i> cloud </i> - NS); v) finalmente, os servi&ccedil;os de VoD s&atilde;o tamb&eacute;m reportados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Panorama mundial da oferta de servi&ccedil;os de TV n&atilde;o linear</B> </p>     <p>Como mostrado na <a href="#t1">tabela 1</a>, a partir dos 62 pa&iacute;ses analisados<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, encontramos um total de 34 com um ou mais operadores oferecendo servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> . Nos 28 pa&iacute;ses restantes h&aacute; uma aus&ecirc;ncia deste servi&ccedil;o. Na mesma tabela, apresentamos tamb&eacute;m o total de operadores encontrados em cada continente que oferecem os diversos servi&ccedil;os aqui reportados. &Eacute; poss&iacute;vel observar que a maioria dos operadores que oferecem servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> tamb&eacute;m fornecem <i> Pause-TV</i> ,<i> Start-Over TV</i> , PVR-HD e servi&ccedil;os de VoD.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v12n1/12n1a12t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Uma infografia foi produzido a partir destes dados, como mostrado na <a href="#f1">figura 1</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v12n1/12n1a12f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>N&atilde;o obstante a distribui&ccedil;&atilde;o mundial bastante irregular destes servi&ccedil;os, pode-se observar que os pa&iacute;ses americanos (especialmente no Norte), pa&iacute;ses europeus (principalmente no lado oeste) e alguns outros na &Aacute;sia e Oce&acirc;nia, j&aacute; t&ecirc;m uma presen&ccedil;a significativa de operadores que oferecem <i> Catch-up TV</i> e servi&ccedil;os adicionais (<i> time-shift</i> e VoD) que suportam conte&uacute;do de TV n&atilde;o linear. A Am&eacute;rica Latina ainda carece de boas infraestruturas de acesso &agrave; internet, o que dificulta a oferta deste tipo de servi&ccedil;os.</p>     <p>&Agrave; medida que a implementa&ccedil;&atilde;o deste tipo de servi&ccedil;os vai aumentando, pode-se perceber que este quadro j&aacute; reflete uma procura significativa de servi&ccedil;os de televis&atilde;o interativa que apoiam o consumo de conte&uacute;do de TV n&atilde;o linear. Isso representa n&atilde;o s&oacute; uma modifica&ccedil;&atilde;o do ecossistema televisivo, mas tamb&eacute;m uma &aacute;rea proeminente de investiga&ccedil;&atilde;o no que diz respeito ao comportamento dos telespectadores e impactos de uma aparente redu&ccedil;&atilde;o do consumo de televis&atilde;o linear.</p>     <p>Uma an&aacute;lise completa do panorama mundial de servi&ccedil;os que oferecem conte&uacute;do de TV n&atilde;o linear sobre redes de TV por assinatura &eacute; apresentada nas se&ccedil;&otilde;es seguintes.</p>     <p><i> Europa</i> </p>     <p>Na Europa, dos 30 pa&iacute;ses analisados, 20 j&aacute; oferecem servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> . Analisando os principais operadores de televis&atilde;o por assinatura, encontramos um total de 37 operadores de TV que oferecem <i> Catch-up TV</i> . No que diz respeito aos pa&iacute;ses onde n&atilde;o encontramos qualquer operador de televis&atilde;o por assinatura que oferecem um servi&ccedil;o de <i> Catch-up TV</i> , em muitos casos, as quest&otilde;es legais ainda s&atilde;o um obst&aacute;culo. O intervalo de tempo mais frequente (n&uacute;mero dos dias em que os utilizadores podem recuperar um programa de TV depois da transmiss&atilde;o) &eacute; de 3 a 7 dias (56%), seguido pelo menor intervalo considerado de at&eacute; 3 dias (28%).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estes 37 operadores disp&otilde;em tamb&eacute;m de servi&ccedil;os de <i> Pause-TV</i> , <i> Start-Over TV</i> , al&eacute;m de PVR, presentes em grande escala. No entanto, apenas 6 dos operadores considerados oferecem uma funcionalidade PVR baseado em armazenamento em <i> cloud</i> .</p>     <p><i> Am&eacute;rica</i> </p>     <p>No continente americano foram analisados um total de 15 pa&iacute;ses (do Norte e Sul) e um total de 23 operadores. Os servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> existem em quase metade destes pa&iacute;ses - Argentina, Brasil, Canad&aacute;, Chile, M&eacute;xico, Uruguai e EUA. Vale a pena mencionar que, na maioria dos operadores considerados neste continente (83%), os servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> s&atilde;o oferecidos como uma sele&ccedil;&atilde;o de canais / programas integrados como uma se&ccedil;&atilde;o especial do servi&ccedil;o de VoD.</p>     <p>Essa constata&ccedil;&atilde;o contrasta com a situa&ccedil;&atilde;o identificada na Europa, onde duas diferen&ccedil;as se destacam: a quantidade de programas de TV dispon&iacute;veis para acesso n&atilde;o linear (em <i> Catch-up TV,</i> os utilizadores europeus podem ter acesso a quase todos os programas dos canais subscritos) e a interface do servi&ccedil;o &eacute; um pouco diferente (normalmente os utilizadores do servi&ccedil;o de <i> Catch-up TV</i> tem &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o uma interface dedicada que permite a visualiza&ccedil;&atilde;o de programas transmitidos por dia da semana, canal, g&eacute;nero, etc.). Nestes casos, o intervalo de tempo de programas previamente transmitidos depende de acordos com cada emissora afiliada.</p>     <p>Quanto &agrave; situa&ccedil;&atilde;o dos restantes servi&ccedil;os de <i> time-shift</i> , todos os 23 operadores considerados fornecem <i> Pause-TV</i> , <i> Start-Over TV</i> e PVR, enquanto que apenas 3 fornecem um PVR baseado em armazenamento na <i> cloud</i> .</p>     <p><i> &Aacute;sia</i> </p>     <p>Dos 15 pa&iacute;ses asi&aacute;ticos analisados, encontramos um total de 12 operadores que oferecem servi&ccedil;os <i> Catch-up TV</i> , em pa&iacute;ses como &Iacute;ndia, Jap&atilde;o, Indon&eacute;sia, Mal&aacute;sia, Singapura e Coreia do Sul. A extens&atilde;o, mais frequente, de programas dispon&iacute;veis nestes servi&ccedil;os &eacute; a de 3 a 7 dias (50%). Tal como no continente americano, uma parte significativa (50%) dos servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> da &Aacute;sia &eacute; baseada numa sele&ccedil;&atilde;o de canais/programas integrados como uma se&ccedil;&atilde;o especial do servi&ccedil;o de VoD.</p>     <p>Os 12 operadores oferecem VoD e <i> Pause-TV</i> , enquanto <i> Start-Over TV</i> e PVR est&atilde;o presentes em menor escala. Apenas um fornece uma solu&ccedil;&atilde;o baseada na <i> cloud</i> .</p>     <p><i> Oce&acirc;nia</i> </p>     <p>Austr&aacute;lia e Nova Zel&acirc;ndia foram os pa&iacute;ses analisados no continente da Oce&acirc;nia. Os operadores considerados de ambos os pa&iacute;ses (respetivamente Foxtel e Freeview) oferecem um servi&ccedil;o de <i> Catch-up TV</i> com um intervalo de tempo de programas anteriormente emitidos h&aacute; 7 ou mais dias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esses operadores tamb&eacute;m disponibilizam <i> Pause-TV</i> , PVR e VoD, embora nenhum ofere&ccedil;a um PVR baseado em armazenamento na <i> cloud</i> .</p>     <p><i> An&aacute;lise de dados</i> </p>     <p>Esta pesquisa deixa claro que a oferta internacional de TV n&atilde;o linear &eacute; bastante expressiva, sendo que al&eacute;m dos servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> , outras ofertas comp&otilde;em os pacotes de servi&ccedil;os dos operadores. A partir dos dados recolhidos, &eacute; poss&iacute;vel observar que o intervalo de tempo de programas anteriormente transmitidos varia significativamente entre os pa&iacute;ses. Acredita-se que esse efeito &eacute; o resultado de um <i> trade-off</i> entre os modelos de neg&oacute;cios, quest&otilde;es jur&iacute;dicas, armazenamento e custos de transmiss&atilde;o.</p>     <p>Outro aspecto que se destaca &eacute; o fato de que outros servi&ccedil;os de <i> time-shift TV</i> (<i> Pause-TV, Start-Over TV</i> e PVR - local e baseado na <i> cloud</i> ) e VoD s&atilde;o quase uma constante nas ofertas de televis&atilde;o por assinatura. A presen&ccedil;a de todos estes servi&ccedil;os indica que os utilizadores realmente valorizam a possibilidade de consumir conte&uacute;do de televis&atilde;o no seu pr&oacute;prio ritmo, de uma forma n&atilde;o linear. Este fato aparenta acentuar-se com a possibilidade de desfrutarem facilmente de um servi&ccedil;o como o <i> Catch-up TV</i> , que grava automaticamente o conte&uacute;do e o permite visualizar de forma simples. No entanto, &eacute; necess&aacute;rio prever e levar em considera&ccedil;&atilde;o os impactos t&eacute;cnico-comerciais de adicionar um servi&ccedil;o em cada interveniente da cadeia de valor da TV por assinatura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Os potenciais impactos de uma oferta integrada de conte&uacute;dos televisivos gravados</B> </p>     <p>O <i> Catch-up TV</i> &eacute; o reflexo de novos paradigmas comunicacionais centrados em conte&uacute;do que obscurecem a linha entre o conte&uacute;do <i> on-demand</i> e o consumo de TV linear. Sob a &oacute;tica do telespectador, o aumento da disponibilidade de programas &eacute; um fator positivo que aumenta a percep&ccedil;&atilde;o de valor da televis&atilde;o como um todo. O fato do programa estar gravado ou ser transmitido no exato momento da visualiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; muito relevante, exceto em programa&ccedil;&otilde;es ao vivo ou que incentivam e exijam intera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Um estudo realizado pela Accenture (Venturini, 2008) indica que as caracter&iacute;sticas prim&aacute;rias que geram interesse na TV via Internet est&atilde;o associadas a visualiza&ccedil;&otilde;es <i> on-demand</i> e deslocadas da grelha de programa&ccedil;&atilde;o dos canais que transmitiram os programas. Estas conclus&otilde;es sugerem que os utilizadores querem assumir o controlo sobre a forma como assistem TV, sem v&iacute;nculos com conte&uacute;do pr&eacute;-programado.</p>     <p>O principal valor da oferta de servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> est&aacute; na gera&ccedil;&atilde;o de maior autonomia para os consumidores. O controlo do que assistir, e quando, &eacute; transferido dos organismos de radiodifus&atilde;o para os consumidores, e destr&oacute;i o modelo editorial estabelecido que obriga os utilizadores a consumir o que est&aacute; a ser transmitido num determinado momento, gerando um maior poder de escolha para o consumidor.</p>     <p><i> Impacto sobre Fornecedores de conte&uacute;do</i> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos principais mercados internacionais, os fornecedores de conte&uacute;do conseguem definir o pre&ccedil;o do conte&uacute;do e, portanto, t&ecirc;m um alto poder de negocia&ccedil;&atilde;o na cadeia produtiva da TV paga, podendo exigir micro-pagamentos (<i> pay-per-view</i> ), ou a cobran&ccedil;a de taxas adicionais de assinatura. No entanto, essa l&oacute;gica n&atilde;o se aplica aos servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> , por serem, maioritariamente, oferecidos sem custo adicional.</p>     <p>Dependendo do modelo de neg&oacute;cios individual das produtoras de conte&uacute;do e emissoras de TV, limitar a disponibilidade destes servi&ccedil;os pode ser contra-produtivo. Para os canais de TV <i> premium</i> , onde as receitas de publicidade s&atilde;o residuais e a principal receita adv&eacute;m das assinaturas, n&atilde;o oferecer servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> pode diminuir a percep&ccedil;&atilde;o de valor por parte dos consumidores.</p>     <p>Para os canais de TV n&atilde;o-<i> premium</i> , cujo principal fluxo de receita prov&eacute;m da publicidade, a oferta de servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> n&atilde;o deixa de ser relevante. V&aacute;rios estudos t&ecirc;m demonstrado que, apesar de uma redu&ccedil;&atilde;o na visualiza&ccedil;&atilde;o de TV linear, a favor de visualiza&ccedil;&atilde;o deslocada no tempo, o consumo global de televis&atilde;o aumentou nos anos recentes (Belo, Godinho de Matos, &amp; Ferreira, 2013; Nielsen, 2014; ThinkTV, 2015). Este aumento pode ser atribu&iacute;do aos servi&ccedil;os de oferta de conte&uacute;dos <i> timeshifted</i> . Em v&aacute;rios casos a audi&ecirc;ncia dos servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> &eacute; maior do que a das emissoras l&iacute;deres, inclusive no hor&aacute;rio nobre (Moulding, 2014).</p>     <p>Em &uacute;ltima an&aacute;lise, o fato dos servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> aumentarem a audi&ecirc;ncia geral da televis&atilde;o, gera um aumento da exposi&ccedil;&atilde;o dos programas e an&uacute;ncios. Esse cen&aacute;rio motivou o Instituto Nielsen, dos EUA, a criar os "C3" <i> ratings</i> , que englobam as publicidades assistidas ao vivo e na janela de 3 dias em <i> Catch-up TV</i> . Os dados mostram que o impacto da oferta de <i> Catch-up TV</i> &eacute; pequeno sobre eventos ao vivo, como competi&ccedil;&otilde;es desportivas e programas jornal&iacute;sticos. No entanto, representa um grande impulso para programas de TV em s&eacute;rie, podendo inclusive ter audi&ecirc;ncia superior &agrave; da TV linear (Nielsen, 2009). Mais recentemente, uma nova m&eacute;trica foi disponibilizada pelo Instituto, considerando o aumento da janela de tempo para 7 dias (C7).</p>     <p><i> Impacto sobre a TV linear</i> </p>     <p>Os estudos sobre os impactos da oferta de servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> na TV linear ainda s&atilde;o incipientes, o que traz &agrave; tona in&uacute;meras previs&otilde;es sobre o futuro da televis&atilde;o por assinatura. Estudos t&ecirc;m demonstrado que o impacto da audi&ecirc;ncia de servi&ccedil;os <i> Catch-up TV</i> &eacute; pequeno na TV linear, com diminui&ccedil;&atilde;o de apenas 2% ao longo de um per&iacute;odo de dois anos (Nielsen, 2014). No entanto, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, ainda, a partir destes dados, apontar uma tend&ecirc;ncia concreta neste sentido.</p>     <p>Mesmo que exista uma redu&ccedil;&atilde;o na audi&ecirc;ncia linear, os programas ainda s&atilde;o assistidos de forma n&atilde;o linear. As pesquisas mostram que os programas mais populares em <i> Catch-up TV</i> s&atilde;o os mesmos de maior audi&ecirc;ncia na TV linear. Dessa forma, pode-se concluir que conte&uacute;dos bons t&ecirc;m maior audi&ecirc;ncia, independente da modalidade de oferta (Belo et al., 2013). Trata-se, assim, de uma oportunidade para aumentar a audi&ecirc;ncia geral da programa&ccedil;&atilde;o, independente se oferecida na grelha ou de forma n&atilde;o linear.</p>     <p>Como a qualidade do conte&uacute;do, no panorama atual, mant&eacute;m a mesma relev&acirc;ncia na TV linear e n&atilde;o linear, surge um cen&aacute;rio onde o planeamento da programa&ccedil;&atilde;o e dos conte&uacute;dos leva em conta tanto o momento da transmiss&atilde;o, quanto o consumo posterior, <i> on-demand</i> . Ao contr&aacute;rio dos sistemas de VoD, que disponibilizam a programa&ccedil;&atilde;o num determinado momento, a primeira transmiss&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o televisiva continua a ocorrer em direto. A disponibilidade deste conte&uacute;do na forma de <i> Catch-up TV</i> gera uma desprograma&ccedil;&atilde;o para o telespectador, que pode optar por assistir o programa em direto ou em momentos futuros.</p>     <p>Desta forma, dois recursos narrativos passam a conviver com a mesma import&acirc;ncia. Por um lado, o encadeamento de conte&uacute;dos atrav&eacute;s dos ganchos na programa&ccedil;&atilde;o, que visam manter a curiosidade e atrair o telespectador nos pr&oacute;ximos epis&oacute;dios, mantem-se. No final de um epis&oacute;dio de telenovela ou s&eacute;rie o recurso narrativo do gancho &eacute; utilizado para gerar expectativa pela continuidade do enredo e, com isso, o telespectador tende a esperar pelos epis&oacute;dios seguintes. O mesmo acontece com promo&ccedil;&otilde;es na programa&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica, que apresentam as not&iacute;cias que ser&atilde;o abordadas no pr&oacute;ximo telejornal.</p>     <p><i> A audi&ecirc;ncia compulsiva</i> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, um recurso novo, t&iacute;pico do mercado de VoD, ganha relev&acirc;ncia: o <i> binge watching</i> , ou em tradu&ccedil;&atilde;o livre, &ldquo;assistir compulsivamente&rdquo;. O fen&oacute;meno popularizou-se com os sistemas de VoD por assinatura, que disponibilizam temporadas inteiras de s&eacute;ries, e pode ser definido de duas formas (Conviva, 2015):</p> <ol>       <li>Assistir a uma temporada inteira, ou v&aacute;rias temporadas, de uma &uacute;nica s&eacute;rie e ver os epis&oacute;dios num curto per&iacute;odo de tempo. Por exemplo, assistir a todos os 10 epis&oacute;dios da 1&ordf; temporada de <i> Game of Thrones</i> durante um voo de S&atilde;o Francisco para a Europa;</li>       <li>Acompanhar ativamente um programa, de forma a assistir os epis&oacute;dios assim que poss&iacute;vel, logo que forem lan&ccedil;ados. Por exemplo, assistir o final da temporada de <i> Homeland</i> no dia seguinte ao lan&ccedil;amento.</li>     </ol>     <p>Um exemplo da import&acirc;ncia do <i> binge watching</i> pode ser constatado pelos dados apresentados em 2014 pela Netflix, atualmente a maior empresa fornecedora de VoD por subscri&ccedil;&atilde;o: 61% dos assinantes assistem programas de forma compulsiva. Considerando que na &eacute;poca o Netflix possu&iacute;a 190 milh&otilde;es de assinantes em todo o mundo, essa percentagem corresponde a 115 milh&otilde;es de assinantes (Conviva, 2015).</p>     <p>Apesar de ainda incipiente, o <i> binge watching</i> j&aacute; afeta a estrutura e a narrativa dos programas em s&eacute;rie. Neste aspecto, duas mudan&ccedil;as importantes precisam ser analisadas. A primeira refere-se &agrave; sequ&ecirc;ncia entre os epis&oacute;dios, onde deixa de existir a espera pela transmiss&atilde;o do epis&oacute;dio seguinte, enquanto que a segunda est&aacute; relacionada com a aus&ecirc;ncia dos intervalos publicit&aacute;rios.</p>     <p>A TV &eacute;, tradicionalmente, baseada nos intervalos publicit&aacute;rios (Williams, 2003). Mesmo em mercados onde predomina a TV p&uacute;blica, onde em tese n&atilde;o h&aacute; necessidade de intervalos publicit&aacute;rios, as pausas na programa&ccedil;&atilde;o existem, por&eacute;m com outro objetivo para os telespectadores: possibilitar momentos de reflex&atilde;o, descanso e oportunidades para pequenas tarefas quotidianas.</p>     <p>A partir dessa organiza&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o, uma estrat&eacute;gia amplamente utilizada &eacute; a da recapitular, no bloco seguinte, os assuntos em discuss&atilde;o no bloco anterior. Uma ou duas frases s&atilde;o ditas pelos personagens para contextualizar o telespectador. Nas s&eacute;ries, e principalmente em telenovelas, s&atilde;o comuns di&aacute;logos onde um personagem repete no bloco seguinte a frase que outro disse no bloco anterior.</p>     <p>Algo semelhante ocorre no in&iacute;cio dos epis&oacute;dios de s&eacute;ries, onde os assuntos mais pertinentes &agrave; trama s&atilde;o recapitulados e normalmente identificados com &ldquo;Anteriormente em&hellip;&rdquo;. Desta forma, o telespectador &eacute; lembrado do que viu em epis&oacute;dios anteriores. Al&eacute;m disso, quem perdeu um ou mais epis&oacute;dios tem uma contextualiza&ccedil;&atilde;o sobre o que &eacute; necess&aacute;rio para compreender a sequ&ecirc;ncia da narrativa.</p>     <p>Na oferta de s&eacute;ries produzidas para TV e fornecidos em VoD, as recapitula&ccedil;&otilde;es do tipo &ldquo;Anteriormente em&hellip;&rdquo; s&atilde;o normalmente cortadas. Isso deixa o encadeamento das s&eacute;ries mais flu&iacute;do, sem interrup&ccedil;&otilde;es desnecess&aacute;rias no racioc&iacute;nio do telespectador.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, as repeti&ccedil;&otilde;es depois dos intervalos s&atilde;o de dif&iacute;cil corte, por estarem inseridas numa narrativa que pode perder a continuidade se os elementos forem suprimidos. Isso torna as s&eacute;ries desenvolvidas para a TV linear mais limitadas na TV n&atilde;o linear. O tradicional intervalo, no qual a TV linear se baseia desde a d&eacute;cada de 1930, &eacute; substitu&iacute;do por um <i> fade out</i> r&aacute;pido para preto e um <i> fade in</i> de volta para a imagem, com uma repeti&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o faz sentido na mente do telespectador.</p>     <p>Essas diferen&ccedil;as ficam evidentes se comparadas com as produ&ccedil;&otilde;es orientadas para VoD. Por exemplo, nas s&eacute;ries produzidas especificamente para lan&ccedil;amento em VoD, n&atilde;o h&aacute; nenhum mecanismo planeado para interrup&ccedil;&otilde;es durante os epis&oacute;dios. As pausas, ou as pequenas atividades dom&eacute;sticas, podem ser realizados simplesmente clicando no <i> pause</i> do controlo remoto. Dessa forma, a s&eacute;rie fica pausada pelo tempo que o telespectador desejar.</p>     <p>J&aacute; as recapitula&ccedil;&otilde;es entre epis&oacute;dios s&atilde;o substitu&iacute;das por ganchos que procuram levar o espectador imediatamente para o pr&oacute;ximo epis&oacute;dio, mantendo a audi&ecirc;ncia pelo m&aacute;ximo de tempo poss&iacute;vel &agrave; frente da TV.</p>     <p>Se, por um lado, as mudan&ccedil;as estruturais nos produtos televisivos j&aacute; podem ser observadas, ainda &eacute; cedo para analisar o impacto do <i> binge watching</i> sobre as emissoras. Apesar disso, uma hip&oacute;tese prov&aacute;vel &eacute; que o fen&oacute;meno cria uma liga&ccedil;&atilde;o e fideliza&ccedil;&atilde;o do consumidor com o conte&uacute;do, e, consequentemente, com as emissoras. Para os operadores de TV paga, a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de produtos adequados ao <i> binge watching </i> representa uma alternativa competitiva para enfrentar a concorr&ecirc;ncia de servi&ccedil;os OTT baseados em subscri&ccedil;&atilde;o, como o Netflix e Amazon, por exemplo.&nbsp;</p>     <p>Por outras palavras, trata-se de um modelo de neg&oacute;cios que pode combater os <i> cord-cutters</i> (Digital TV Research, 2015; Tice, 2014). Por&eacute;m, para tal, h&aacute; uma necessidade de narrativas condizentes com o modelo de neg&oacute;cios e de oferta dos conte&uacute;dos.</p>     <p><i> A instantaneidade na programa&ccedil;&atilde;o</i> </p>     <p>O fen&oacute;meno do <i> binge watching</i> j&aacute; acontecia, em menor escala, no consumo de DVDs e v&iacute;deos online. A migra&ccedil;&atilde;o dessa forma de audi&ecirc;ncia para os servi&ccedil;os de VoD pode ser considerada como uma evolu&ccedil;&atilde;o natural que acompanha a evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Da mesma forma, alguns autores afirmam que a audi&ecirc;ncia da <i> Catch-up TV</i> &eacute; uma consequ&ecirc;ncia natural da evolu&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o (Wahlstr&ouml;m &amp; Kankainen, 2011). Com a digitaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o, a cadeia de valor da televis&atilde;o torna-se mais flex&iacute;vel, permitindo a oferta de novos produtos e servi&ccedil;os. Assim, dois cen&aacute;rios de consumo de televis&atilde;o surgem: por um lado, os servi&ccedil;os <i> Catch-up TV</i> e a audi&ecirc;ncia de programas gravados s&atilde;o consolidados; por outro, a TV linear centra-se em programas que exigem imediatismo.</p>     <p>Desta forma, os programas de TV podem ser classificados em dois tipos: os de longo prazo, que t&ecirc;m uma vida &uacute;til mais longa e podem ser assistidos horas ou dias ap&oacute;s a transmiss&atilde;o; e os que necessitam de audi&ecirc;ncia instant&acirc;nea, ou seja, que perdem o significado, e o impacto, se n&atilde;o forem assistidos no momento em que s&atilde;o transmitidos.</p>     <p>O primeiro grupo &eacute; composto por filmes, s&eacute;ries, telenovelas e outros programas que n&atilde;o s&atilde;o normalmente transmitido ao vivo. Estes programas geralmente oferecem entretenimento e funcionam como um <i> hobby</i> , consumindo o tempo ocioso dos telespectadores. H&aacute; pouco impacto se o filme for assistido no momento da transmiss&atilde;o ou algumas horas, ou dias, ou meses, mais tarde. O fator mais importante neste tipo de conte&uacute;do &eacute; ocupar o tempo ocioso do telespectador, quer individualmente, quer em grupos amigos e/ou fam&iacute;lias. Nesta vertente est&aacute; inclu&iacute;da a programa&ccedil;&atilde;o infantil, que n&atilde;o exige audi&ecirc;ncias instant&acirc;neas. Trata-se de tipos de conte&uacute;dos que podem ser assistidos compulsivamente, impulsionando o fen&oacute;meno do <i> binge watching</i> .</p>     <p>O segundo grupo, composto pela audi&ecirc;ncia instant&acirc;nea, est&aacute; mais relacionado com programas desportivos, informativos e jornal&iacute;sticos &ndash; todos ao vivo. Tais programas perdem o interesse e relev&acirc;ncia ao longo do tempo. Uma not&iacute;cia deixa de o ser numa quest&atilde;o de horas, tornando a instantaneidade uma exig&ecirc;ncia fundamental do jornalismo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No limite entre as audi&ecirc;ncias instant&acirc;neas e a programa&ccedil;&atilde;o a longo prazo encontram-se os programas que combinam entretenimento com informa&ccedil;&atilde;o, bem como aqueles com potencial para gerar temas de discuss&atilde;o, como os <i> reality shows</i> , <i> shows</i> de talentos e fins de temporada de s&eacute;ries ou &uacute;ltimos epis&oacute;dios das telenovelas. Estes programas geram uma experi&ecirc;ncia melhor e mais completa se assistidos na TV linear, gerando assuntos para conversas pessoais, ou para partilha nas redes sociais. No entanto, se for imposs&iacute;vel assistir a este tipo de programa na TV linear, &eacute; perfeitamente vi&aacute;vel visualizar o conte&uacute;do em <i> Catch-up TV</i> , sem comprometer a sua relev&acirc;ncia.</p>     <p>Uma das caracter&iacute;sticas mais importantes da TV &eacute; precisamente a sua capacidade de gerar temas para discuss&atilde;o. As pessoas falam sobre o que veem na TV, pessoalmente ou atrav&eacute;s das redes sociais, pelo que a TV ajuda na sociabiliza&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O g&eacute;nero de televis&atilde;o com maior potencial para gerar assunto &eacute; o jornalismo, seguido dos eventos desportivos, s&eacute;ries e telenovelas. V&aacute;rios investigadores identificaram o surgimento de notici&aacute;rios que misturam informa&ccedil;&atilde;o com entretenimento, chamado de info-entretenimento (Autor, 2015b; Kalia, 2014; Medina et al., 2015). Este perfil de programa&ccedil;&atilde;o tender&aacute; a fortalecer-se nos pr&oacute;ximos anos. Neste contexto, espera-se que a TV linear permane&ccedil;a forte, apesar da perda de audi&ecirc;ncia para a <i> Catch-up TV</i> nos restantes perfis de programa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Conclus&otilde;es</B> </p>     <p>Este artigo investiga o impacto das novas tecnologias de grava&ccedil;&atilde;o no mercado de TV paga. Para compreender a oferta internacional, uma pesquisa global demonstra o estado da arte da <i> Catch-up TV</i> e outros servi&ccedil;os de TV <i> time-shift</i> em 62 pa&iacute;ses. Finalmente, o artigo apresenta os impactos t&eacute;cnico-comerciais na cadeia de valor da televis&atilde;o e analisa os impactos sobre a TV linear.</p>     <p>Neste ponto, &eacute; pertinente ressalvar uma limita&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o decorrente da metodologia utilizada. Como a base da pesquisa foi centrada numa lista mundial de operadores de televis&atilde;o por assinatura (Wikipedia, 2015) e a visita aos sites desses operadores foi realizada, no caso de outros idiomas al&eacute;m do Ingl&ecirc;s, Portugu&ecirc;s, Espanhol e Franc&ecirc;s, com tradu&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica do Google, algumas quest&otilde;es tornam-se relevantes: a &uacute;nica lista mundial de operadores de televis&atilde;o por assinatura (Wikipedia, 2015) identificada pelos pesquisadores est&aacute; publicada em uma plataforma colaborativa, o que impede uma certeza sobre a atualidade das informa&ccedil;&otilde;es. Alguns sites de operadores de TV por assinatura n&atilde;o estavam atualizados, e, no caso do uso da tradu&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica, pequenas distor&ccedil;&otilde;es nos dados podem ter sido geradas. Para minimizar esses problemas, as an&aacute;lises cr&iacute;ticas foram efetuadas por mais de um investigador, visando identificar eventuais dados desatualizados e problemas de tradu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Esta pesquisa traz novos elementos para analisar o processo de mudan&ccedil;a no ecossistema da televis&atilde;o. Por muitos anos, as pessoas s&oacute; podiam ver na TV o que estava a ser transmitido. Em muitos pa&iacute;ses, alguns canais abertos e gratuitos t&ecirc;m monopolizado o p&uacute;blico. A qualidade da programa&ccedil;&atilde;o era algo relegado para segundo plano, uma vez que n&atilde;o havia muita escolha nesses canais (Gruenwedel, 2015).</p>     <p>Hoje em dia, com servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> , &eacute; poss&iacute;vel escolher qualquer programa transmitido recentemente (num intervalo que varia desde algumas horas at&eacute; v&aacute;rios dias desde a transmiss&atilde;o original). Assim, independentemente do tempo de transmiss&atilde;o, o espectador tem &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o uma vasta op&ccedil;&atilde;o de programas para escolher. Isto &eacute;, com estes novos recursos tecnol&oacute;gicos, a qualidade do conte&uacute;do torna-se o diferencial, e n&atilde;o a falta de concorr&ecirc;ncia ou o momento da transmiss&atilde;o.</p>     <p>A oferta de servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> e de VoD est&aacute; a tornar-se algo natural. Ambos os servi&ccedil;os usam recursos j&aacute; dispon&iacute;veis nas redes dos operadores de TV paga e, como principal resultado, mant&ecirc;m o p&uacute;blico entretido por mais tempo no canal, se comparado com a TV linear. Dessa forma, &eacute; de se esperar que o aumento da oferta de conte&uacute;dos <i> Catch-up TV</i> e VoD tenda a aumentar o consumo, nomeadamente na forma do <i> binge watching</i> . Al&eacute;m disso, conforme salientado, essa oferta &eacute; uma arma poderosa para equiparar o modelo de neg&oacute;cios dos operadores de TV paga, baseados na oferta de TV linear, aos novos modelos dos conte&uacute;dos OTT.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Do ponto de vista tecnol&oacute;gico, deixa de existir a necessidade de uma grelha de programa&ccedil;&atilde;o. As empresas de radiodifus&atilde;o poderiam oferecer todos os programas simultaneamente na <i> cloud</i> e o espectador poderia escolher o qu&ecirc; e quando assistir, como faz com os servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> .</p>     <p>No entanto, n&atilde;o h&aacute; consenso sobre o impacto destas novas tecnologias de grava&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o. Estudos apontam para uma reestrutura&ccedil;&atilde;o completa de TV como a conhecemos (Jaffe, 2008; Kackman, Binfield, Payne, Perlman, &amp; Sebok, 2010; Turner &amp; Tay, 2009). Segundo estes autores, n&atilde;o faz sentido que um pequeno grupo de pessoas que dirigem uma esta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o tenham o poder de escolher o que milh&otilde;es de espectadores assistem. Segundo este prisma, o futuro da televis&atilde;o seria totalmente <i> on-demand</i> , online, bidirecional e programado pelo telespectador. Na sua perspectiva, o fim da televis&atilde;o linear &eacute; apenas uma quest&atilde;o de tempo (Jaffe, 2008).</p>     <p>Outros autores argumentam que a TV linear, pelo contr&aacute;rio, est&aacute; a ganhar for&ccedil;a e relev&acirc;ncia (Autor, 2015b; Cannito, 2010). Este racioc&iacute;nio &eacute; baseado em tr&ecirc;s pontos centrais. Em primeiro lugar, o atraso na implementa&ccedil;&atilde;o da tecnologia dificulta o acesso universal &agrave;s novas tecnologias para consumo de v&iacute;deo n&atilde;o linear. &Eacute; poss&iacute;vel que estes servi&ccedil;os nunca tenham acesso universal, considerando a segmenta&ccedil;&atilde;o do mercado de televis&atilde;o. Em segundo lugar, para utilizar os servi&ccedil;os de TV n&atilde;o linear, o espectador necessita de estar ciente sobre o que quer assistir e que conte&uacute;dos est&atilde;o dispon&iacute;veis. Apesar da evolu&ccedil;&atilde;o dos sistemas de recomenda&ccedil;&otilde;es de conte&uacute;dos, que podem resolver o problema da consci&ecirc;ncia da disponibilidade, identificar o que &eacute; interessante assistir est&aacute; mais relacionado com as emo&ccedil;&otilde;es humanas do que com a tecnologia (Autor, 2014; Gorton, 2009). Em terceiro lugar, em muitos casos, as pessoas n&atilde;o querem assistir um programa de TV espec&iacute;fico, apenas procuram companhia ou barulho de fundo em casa, pelo que neste caso o canal e programa transmitido s&atilde;o irrelevantes.</p>     <p>Os investigadores acreditam que est&aacute; em curso uma mudan&ccedil;a no perfil da oferta de conte&uacute;dos (Medina et al., 2015). Programas populares e oferecidos na TV aberta tendem a migrar para conte&uacute;dos <i> premium</i> , ou seja, pagos por assinatura ou por visualiza&ccedil;&atilde;o. Este cen&aacute;rio j&aacute; est&aacute; em curso em muitos pa&iacute;ses, onde a TV por assinatura tem-se fortalecido, e gera expectativas para o crescimento do setor nos pr&oacute;ximos anos.</p>     <p>Embora contradit&oacute;rias, ambas as interpreta&ccedil;&otilde;es discutidas acima s&atilde;o relevantes e fact&iacute;veis. Portanto, &eacute; poss&iacute;vel concluir que a TV linear vai conviver com o consumo n&atilde;o linear nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. H&aacute; ainda uma procura para a televis&atilde;o tradicional, apesar de os servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV</i> representarem um diferencial tecnol&oacute;gico e de mercado para os operadores de televis&atilde;o por assinatura. Em &uacute;ltima an&aacute;lise, o espectador &eacute; recompensado com op&ccedil;&otilde;es adicionais para aceder a informa&ccedil;&atilde;o e entretenimento.</p>     <p>Atendendo a que esta &eacute; uma investiga&ccedil;&atilde;o que identificou um cen&aacute;rio de mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica e de consumo, a partir de uma caracteriza&ccedil;&atilde;o da oferta de servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV, </i> os autores sugerem t&oacute;picos para a continuidade da investiga&ccedil;&atilde;o, a saber: uma an&aacute;lise das din&acirc;micas internas de cada pa&iacute;s ou regi&atilde;o, visando identificar causas que expliquem as similaridades nas ofertas. Na Europa a regulamenta&ccedil;&atilde;o favorece a oferta deste tipo de servi&ccedil;os, enquanto que na Am&eacute;rica Latina h&aacute; restri&ccedil;&otilde;es legais, como a separa&ccedil;&atilde;o entre provedor de acesso e provedor de conte&uacute;do no Brasil. Al&eacute;m disso, &eacute; importante acompanhar a rea&ccedil;&atilde;o das esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; oferta de conte&uacute;dos independentes da grelha. O fortalecimento das transmiss&otilde;es ao vivo &eacute; uma tend&ecirc;ncia identificada nesta investiga&ccedil;&atilde;o, mas outras rea&ccedil;&otilde;es, e mesmo modelos de neg&oacute;cios, podem surgir a partir do aumento da oferta, e do consumo, de servi&ccedil;os de <i> Catch-up TV.</i> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Refer&ecirc;ncias</B> </p>     <p>Alcatel-Lucent. (2015). Cloud DVR. Consultado Oct 1, 2015, de <a href="https://www.alcatel-lucent.com/solutions/cloud-dvr" target="_blank">https://www.alcatel-lucent.com/solutions/cloud-dvr</a></p>     <p>Baggio, A., &amp; van Steen, M. (2005). Distributed redirection for the World-Wide Web. <i> Computer Networks</i> , <i> 49</i> (6), 743&ndash;765. doi:10.1016/j.comnet.2005.01.019</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Beauvisage, T., &amp; Beuscart, J.-S. (2012). Audience dynamics of online catch up TV. In <i> Proceedings of the 21st international conference companion on World Wide Web - WWW &rsquo;12 Companion</i> (p. 461). New York, New York, USA: ACM Press. doi:10.1145/2187980.2188077</p>     <p>Belo, R., Godinho de Matos, M., &amp; Ferreira, P. (2013). Prime-Time Any Time: The Effect of Time-Shifted TV on Media Consumption. <i> SSRN Electronic Journal</i> , 1&ndash;17.</p>     <p>Bury, R., &amp; Li, J. (2015). Is it live or is it timeshifted, streamed or downloaded? Watching television in the era of multiple screens. <i> New Media &amp; Society</i> , <i> 17</i> (4), 592&ndash;610. doi:10.1177/1461444813508368</p>     <!-- ref --><p>Cannito, N. (2010). <i> A televis&atilde;o na era digital: interatividade, converg&ecirc;ncia e novos modelos de neg&oacute;cio</i> . S&atilde;o Paulo: SUMMUS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=946460&pid=S1646-5954201800010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Chaney, A. J. B., Gartrell, M., Hofman, J. M., Guiver, J., Koenigstein, N., Kohli, P., &amp; Paquet, U. (2014). A Large-scale Exploration of Group Viewing Patterns. In <i> Proceedings of the 2014 ACM international conference on Interactive experiences for TV and online video - TVX &rsquo;14</i> . New York, New York, USA: ACM Press.</p>     <p>Conviva. (2015). Binge Watching.</p>     <p>De Vleeschauwer, D., Avramova, Z., Wittevrongel, S., &amp; Bruneel, H. (2009). Transport capacity for a catch-up television service. In <i> Proceedings of the seventh european conference on European interactive television conference - EuroITV &rsquo;09</i> (p. 161). New York, New York, USA: ACM Press. doi:10.1145/1542084.1542117</p>     <p>De Vleeschauwer, D., &amp; Laevens, K. (2009). Performance of Caching Algorithms for IPTV On-Demand Services. <i> IEEE Transactions on Broadcasting</i> , <i> 55</i> (2), 491&ndash;501. doi:10.1109/TBC.2009.2015983</p>     <p>Digital TV Research. (2015). OTT to reach nearly half the world&rsquo;s TV households by 2020.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gorton, K. (2009). <i> Media Audiences: Television, Meaning and Emotion</i> . Edinburgh University Press. Consultado de <a href="https://books.google.pt/books?id=UWEMD13YmIMC" target="_blank">https://books.google.pt/books?id=UWEMD13YmIMC</a></p>     <p>Gruenwedel, E. (2015). Comcast Controls 15% of EST Market, Other MVPDs to Enter. In <i> Home Media Magazine</i> . Consultado de <a href="http://www.homemediamagazine.com/digital-evolution/lionsgate-ceo-comcast-controls-15-est-market-other-mvpds-enter-32521" target="_blank">http://www.homemediamagazine.com/digital-evolution/lionsgate-ceo-comcast-controls-15-est-market-other-mvpds-enter-32521</a></p>     <p>Hess, J., Ley, B., Ogonowski, C., Reichling, T., Wan, L., &amp; Wulf, V. (2012). New technology@home. In <i> Proceedings of the 10th European conference on Interactive tv and video - EuroiTV &rsquo;12</i> (p. 185). New York, New York, USA: ACM Press. doi:10.1145/2325616.2325653</p>     <p>Ho, K., Poon, W., &amp; Lo, K.-T. (2007). Performance Study of Large-Scale Video Streaming Services in Highly Heterogeneous Environment. <i> IEEE Transactions on Broadcasting</i> , <i> 53</i> (4), 763&ndash;773. doi:10.1109/TBC.2007.908326</p>     <!-- ref --><p>Jaffe, J. (2008). <i> O decl&iacute;nio da m&iacute;dia de massa. Por que os comerciais de TV de 30 segundos est&atilde;o com os dias contados</i> . S&atilde;o Paulo: MBooks.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=946471&pid=S1646-5954201800010001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jenkins, H. (2006). <i> Convergence Culture: Where Old and New Media Collide</i> . <i> Click Nothing</i> . NYU Press. Consultado de <a href="https://books.google.pt/books?id=RlRVNikT06YC" target="_blank">https://books.google.pt/books?id=RlRVNikT06YC</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=946473&pid=S1646-5954201800010001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Jennes, I., Pierson, J., &amp; Van den Broeck, W. (2014). User Empowerment and Audience Commodification in a Commercial Television Context. <i> The Journal of Media Innovations</i> , <i> 1</i> (1), 71&ndash;87. doi:10.5617/jmi.v1i1.723</p>     <!-- ref --><p>Kackman, M., Binfield, M., Payne, M. T., Perlman, A., &amp; Sebok, B. (2010). <i> Flow TV: Television in the Age of Media Convergence</i> . New York: Routledge. 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