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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A visão de jornalistas brasileiros sobre o potencial de influência dos editoriais políticos no debate público atual]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The journalistic editorial has already exerted great influence in the political debate. However, with technological changes and recent cultural changes, is it still possible to affirm that this genre is politically influential today? This is the main issue discussed in the text. For that, 120 Brazilian journalists were interviewed who work in the political area, in order to capture their perceptions. The research was conducted in March 2017. The main conclusions show that journalists who work in the political field are regular readers of the subject and consider that this journalistic genre is still relatively influential in the political field and in public debate in general, Although the portion that considers such influence is decreasing is significant. The diversity of opinion channels today, especially with digital media, and the decline of print media are singled out as the main reasons for the growing loss of editorial influence in the political arena and in public opinion.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>A vis&atilde;o de jornalistas brasileiros sobre o potencial de influ&ecirc;ncia dos editoriais pol&iacute;ticos no debate p&uacute;blico atual</B></p>     <p><B>The view of Brazilian journalists on the potential influence of political editorials in the current public debate</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Ant&ocirc;nio Teixeira de Barros*</B></p>     <p>*Professor, Centro de Forma&ccedil;&atilde;o e Treinamento da C&acirc;mara dos Deputados (CEFOR)</p>     <p><B>&nbsp;</B></p>     <p><B>RESUMO</B></p>     <p>O editorial jornal&iacute;stico j&aacute; exerceu grande influ&ecirc;ncia no debate pol&iacute;tico. Entretanto, com as transforma&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas e as mudan&ccedil;as culturais recentes, ainda &eacute; poss&iacute;vel afirmar que esse g&ecirc;nero &eacute; influente politicamente na atualidade? Essa &eacute; a principal quest&atilde;o discutida no texto. Para tanto, foram entrevistados 120 jornalistas brasileiros que atuam na &aacute;rea pol&iacute;tica, a fim de captar suas percep&ccedil;&otilde;es. A pesquisa foi realizada em mar&ccedil;o de 2017. As principais conclus&otilde;es mostram que os jornalistas que atuam na &aacute;rea pol&iacute;tica s&atilde;o leitores de editoriais sobre o tema com regularidade e consideram que este g&ecirc;nero jornal&iacute;stico ainda &eacute; relativamente influente no campo pol&iacute;tico e no debate p&uacute;blico de modo geral, embora seja expressiva a parcela que considera que tal influ&ecirc;ncia &eacute; cada vez menor. A diversidade de canais de opini&atilde;o na atualidade, especialmente com as m&iacute;dias digitais, e o decl&iacute;nio da m&iacute;dia impressa s&atilde;o apontadas como as principais raz&otilde;es para a crescente perda da influ&ecirc;ncia dos editoriais na arena pol&iacute;tica e na opini&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p><B>Palavras-chave</B>: Jornalismo pol&iacute;tico; Debates p&uacute;blicos; Editorial jornal&iacute;stico; Esfera p&uacute;blica; Jornalismo e pol&iacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>ABSTRACT</B></p>     <p>The journalistic editorial has already exerted great influence in the political debate. However, with technological changes and recent cultural changes, is it still possible to affirm that this genre is politically influential today? This is the main issue discussed in the text. For that, 120 Brazilian journalists were interviewed who work in the political area, in order to capture their perceptions. The research was conducted in March 2017. The main conclusions show that journalists who work in the political field are regular readers of the subject and consider that this journalistic genre is still relatively influential in the political field and in public debate in general, Although the portion that considers such influence is decreasing is significant. The diversity of opinion channels today, especially with digital media, and the decline of print media are singled out as the main reasons for the growing loss of editorial influence in the political arena and in public opinion.</p>     <p><B>Keywords</B>: Political journalism; Public debates; Editorial journalistic; Public sphere; Journalism and politics.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></p>     <p>H&aacute; estudos sociol&oacute;gicos que ressaltam a import&acirc;ncia pol&iacute;tica do jornalismo, em fun&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter institucional dessa atividade e do potencial dos jornalistas para atuarem como <i>estratos condutores</i>, ou seja, como atores sociais capazes de transportar ideias ou valores para a sociedade, como j&aacute; argumentava Max Weber em 1910, ao propor um programa de pesquisa sobre sociologia da imprensa (Weber, 2005 [1910]; 1999). Weber ressaltava o fato espec&iacute;fico de que a imprensa tem o poder de tornar p&uacute;blicos certos temas, quest&otilde;es e agendas, com a particularidade de envolver variados atores pol&iacute;ticos, como os partidos, as grandes empresas e &ldquo;os inumer&aacute;veis grupos e pessoas que influem na vida p&uacute;blica e s&atilde;o influenciados por ela&rdquo; (Weber, 2005 [1910], p.15). De forma similar Cook (1998) argumenta que a imprensa exerce uma atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de natureza tipicamente institucional, pois al&eacute;m de influir na vida social, econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e cultural, tamb&eacute;m interfere no ato de governar. Isso porque a imprensa se tornou indispens&aacute;vel &agrave; democracia no contexto contempor&acirc;neo, em uma conjuntura em que os p&uacute;blicos teriam dificuldade de funcionar sem a coparticipa&ccedil;&atilde;o dos atores do campo midi&aacute;tico.</p>     <p>Al&eacute;m de informar, o jornalismo tem a fun&ccedil;&atilde;o de promover o debate p&uacute;blico de forma pluralista e apartid&aacute;ria, permitindo a livre express&atilde;o das v&aacute;rias tend&ecirc;ncias de pensamento da sociedade. Essa fun&ccedil;&atilde;o &eacute; exercida pelo chamado jornalismo opinativo, entendido como um g&ecirc;nero que resultou da especializa&ccedil;&atilde;o profissional, conforme explica Wahl-Jorgensen (2008). Apesar das ressalvas &agrave; dif&iacute;cil separa&ccedil;&atilde;o entre informa&ccedil;&atilde;o e opini&atilde;o, cujas fronteiras s&atilde;o amb&iacute;guas e nem sempre facilmente demarc&aacute;veis (Chaparro, 1994), o fato &eacute; que a taxionomia se estabeleceu na literatura e na pr&aacute;tica profissional (Beltr&atilde;o, 1980; Marques de Melo, 1985), com destaque para o editorial, espa&ccedil;o em que &ldquo;a opini&atilde;o aparece bem mais expl&iacute;cita do que na not&iacute;cia do dia a dia&rdquo; (Guerreiro Neto, 2016, p. 94). Beltr&atilde;o argumenta que a opini&atilde;o &ldquo;valoriza e engrandece a atividade do jornalista&rdquo;, pois quando expressa com honestidade e dignidade, &ldquo;com a reta inten&ccedil;&atilde;o de orientar o leitor, sem tergiversar ou violentar a sacralidade das ocorr&ecirc;ncias, se torna fator importante na op&ccedil;&atilde;o da comunidade pelo mais seguro caminho &agrave; obten&ccedil;&atilde;o do bem-estar e da harmonia social&rdquo; (Beltr&atilde;o, 1980, p.14).</p>     <p>Mesmo se tratando de uma opini&atilde;o privada, visto que o editorial expressa a opini&atilde;o do editor e dos propriet&aacute;rios do jornal ou dos ve&iacute;culos digitais, os editorialistas dialogam preferencialmente com as autoridades p&uacute;blicas, pois tratam de assuntos da agenda p&uacute;blica, especialmente de temas pol&iacute;ticos. Nesse sentido, cabe lembrar o argumento de Robert Park (2008) de que o editorial jornal&iacute;stico &eacute; destinado a p&uacute;blico-alvo diferenciado, formado por leitores mais intelectualizados, autoridades p&uacute;blicas e dirigentes de institui&ccedil;&otilde;es que transacionam com o Estado. Firmstone (2008) argumenta ainda que os editoriais expressam a percep&ccedil;&atilde;o dos jornais sobre o suposto interesse pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico de seus leitores, al&eacute;m de levarem em conta a postura de outros ve&iacute;culos, seus concorrentes.</p>     <p>Por se tratar de um g&ecirc;nero opinativo, o editorial aborda temas controversos e tamb&eacute;m gera pol&ecirc;micas. Controv&eacute;rsias ocorrem nas din&acirc;micas alimentadas pelo debate p&uacute;blico, o qual pressup&otilde;e pluralismo, ou seja, a pluraliza&ccedil;&atilde;o de universos divergentes de discurso (Habermas, 1999; 2002). As m&uacute;ltiplas vis&otilde;es sobre uma mesma quest&atilde;o discutida na esfera p&uacute;blica devem-se se pautar, segundo a abordagem habermasiana, pela racionalidade comunicativa, ou seja, as controv&eacute;rsias devem ser tratadas sem coer&ccedil;&atilde;o moral, em um ambiente comunicativo capaz de instituir um consenso racionalmente constru&iacute;do. Isso implica um clima de debate no qual os participantes superam suas concep&ccedil;&otilde;es inicialmente subjetivas e parciais em favor de um acordo racionalmente motivado (Habermas, 2002).</p>     <p>Em suma, nessa perspectiva, quanto mais livres e seguros os editorialistas e os jornais/ve&iacute;culos se sentirem, no que se refere &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o de seus argumentos, mais as controv&eacute;rsias prosperam, levando ao que Bauman (2010, p.177) denomina de &ldquo;exacerba&ccedil;&atilde;o das controv&eacute;rsias&rdquo; ou &ldquo;a pluralidade hist&oacute;rica das verdades&rdquo;. Afinal, complementa: &ldquo;em um mundo pluralista, n&atilde;o h&aacute; nenhum sistema inconteste de defini&ccedil;&atilde;o da realidade&rdquo; (p.178). Por outro lado, o autor alerta para o risco de o pluralismo se transformar em absolutismo m&uacute;ltiplo, ou seja, quando as controv&eacute;rsias s&atilde;o regidas por l&oacute;gicas autorit&aacute;rias de argumenta&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de consensos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para que efetivamente haja pluralismo, segundo Bauman (2010, p.178) n&atilde;o basta a coexist&ecirc;ncia de vis&otilde;es diferentes e um relativo clima de liberdade de opini&atilde;o. O pluralismo, em sua vis&atilde;o, deve ir al&eacute;m disso e permitir a salutar coexist&ecirc;ncia de &ldquo;posi&ccedil;&otilde;es compar&aacute;veis e rivais que n&atilde;o se podem conciliar&rdquo;. Afinal, pluralismo &ldquo;&eacute; o reconhecimento de que diferentes pessoas e diferentes grupos vivem, literalmente, em mundos diferentes&rdquo;.</p>     <p>Cada vez mais a esfera p&uacute;blica assume papel relevante nas din&acirc;micas de visibilidade e discutibilidade das den&uacute;ncias e causas p&uacute;blicas, inserindo os diversos atores na constru&ccedil;&atilde;o argumentativa em torno das quest&otilde;es suscitadas pela repercuss&atilde;o das controv&eacute;rsias. Isso favorece a forma&ccedil;&atilde;o de diversos tipos de <i>comunidades discursivas </i>e <i>comunidades de interesse</i>, que passam a mobilizar diferentes modalidades de recursos cr&iacute;ticos em seus modos de apresentar suas cr&iacute;ticas e justifica&ccedil;&otilde;es, nas diferentes cadeias de media&ccedil;&atilde;o proporcionadas pela atua&ccedil;&atilde;o cada vez mais ramificada das m&iacute;dias digitais, que permitem a circula&ccedil;&atilde;o de variados pontos de vista.</p>     <p>A prop&oacute;sito, Guerreiro Neto (2016, p.92) argumenta que, apesar da crise dos jornais impressos e da popularidade da Internet, os editoriais migram para o ambiente online e ocupam ainda um lugar significativo no cen&aacute;rio midi&aacute;tico, considerando o modelo tradicional e as novas formas de jornalismo opinativo na Web. &ldquo;N&atilde;o mant&ecirc;m, no entanto, a mesma for&ccedil;a de influ&ecirc;ncia sobre a opini&atilde;o p&uacute;blica, na medida em que h&aacute; uma rede de discursos que se imbricam e interagem no ambiente digital, para al&eacute;m de um sujeito institucional-discursivo agregador como o jornal impresso&rdquo;.</p>     <p>Conv&eacute;m ressaltar que o editorial jornal&iacute;stico j&aacute; exerceu grande influ&ecirc;ncia no debate pol&iacute;tico e na constru&ccedil;&atilde;o e resolu&ccedil;&atilde;o de controv&eacute;rsias pol&iacute;ticas. Entretanto, com as transforma&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas e as mudan&ccedil;as culturais recentes, ainda &eacute; poss&iacute;vel afirmar que esse g&ecirc;nero &eacute; influente politicamente na atualidade? Essa &eacute; a principal quest&atilde;o discutida no texto, com o objetivo de proporcionar uma avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica sob a perspectiva dos pr&oacute;prios jornalistas. O detalhamento das estrat&eacute;gias metodol&oacute;gicas ser&aacute; feito antes da an&aacute;lise das entrevistas. Na se&ccedil;&atilde;o a seguir tratamos da rela&ccedil;&atilde;o entre editoriais jornal&iacute;sticos, pol&iacute;tica e seu potencial de influ&ecirc;ncia no debate p&uacute;blico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Editoriais jornal&iacute;sticos, pol&iacute;tica e debate p&uacute;blico</B></p>     <p>O editorial jornal&iacute;stico constitui um discurso, em forma de texto argumentativo, que expressa a opini&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o editor acerca de quest&otilde;es relacionadas aos acontecimentos considerados mais importantes, que o jornal noticia ou noticiou recentemente (Barros, 2013). Diferentemente dos textos informativos, o editorial constr&oacute;i uma interpreta&ccedil;&atilde;o ou um julgamento, com o objetivo de "explicitar o sentido subjacente ao que &eacute; apenas noticiado" (Krieger, 1990, p. 159).</p>     <p>O objeto mais comum da interpreta&ccedil;&atilde;o ou julgamento editorial s&atilde;o os fatos ligados &agrave;s esferas pol&iacute;tica, administrativa e econ&ocirc;mica do pa&iacute;s. Assim, os editoriais "cumprem a fun&ccedil;&atilde;o comunicativa de fazer saber e de fazer compreender ao p&uacute;blico leitor os jogos de conduta dos governantes, as implica&ccedil;&otilde;es, para a vida do pa&iacute;s, das atitudes e decis&otilde;es governamentais" (Krieger, 1990, p. 159). Com isso, os editoriais expressam seu ponto de vista (privado), sua abordagem (particular) sobre a condu&ccedil;&atilde;o da vida p&uacute;blica (Barros, 2013).</p>     <p>Essa concep&ccedil;&atilde;o de editorial jornal&iacute;stico remete a algumas ideias da teoria liberal da livre imprensa, formulada pelos primeiros pensadores liberais, como Jeremy Benthan, James Mill e John Stuart Mill, entre outros. Segundo essa teoria, a imprensa &eacute; concebida como "um fiscal cr&iacute;tico e independente com respeito ao Estado" (Thompson, 1995, p. 323). A express&atilde;o livre da opini&atilde;o, por meio da imprensa - e pela pr&oacute;pria - como o meio mais importante para a manifesta&ccedil;&atilde;o de uma diversidade de opini&otilde;es &eacute; condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel para a forma&ccedil;&atilde;o de uma opini&atilde;o p&uacute;blica esclarecida, sem a interven&ccedil;&atilde;o e abuso de poder por parte do Estado e governos tir&acirc;nicos e corruptos. Uma imprensa livre e independente funcionaria como uma salvaguarda vital contra o uso desp&oacute;tico do poder pol&iacute;tico. Assim, a imprensa desempenharia ainda o papel de um vigilante cr&iacute;tico e atento (Barros, 2013). Al&eacute;m de enriquecer o debate pol&iacute;tico e a esfera do conhecimento, o jornalismo "exporia e criticaria as atividades daqueles que governam e os princ&iacute;pios nos quais baseiam suas decis&otilde;es" (Thompson, 1995, p. 324).</p>     <p>Conforme Barros (2013, p.67),</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>editoriais s&atilde;o entendidos como produtos jornal&iacute;sticos que resultam da media&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es privadas. S&oacute; que essas opini&otilde;es s&atilde;o apresentadas pelos jornais como manifesta&ccedil;&atilde;o de ideias de dom&iacute;nio p&uacute;blico, uma vez que resultam da interpreta&ccedil;&atilde;o e julgamento de fatos e acontecimentos que s&atilde;o publicamente mediados, n&atilde;o s&oacute; pelos pr&oacute;prios jornais que emitem essas opini&otilde;es, mas por outros ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Diante do exposto, &eacute; oportuno discutir o sentido de media&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es privadas que o editorial assume no contexto atual, conforme mencionado na cita&ccedil;&atilde;o acima, especialmente no caso das m&iacute;dias digitais, que ampliam a circula&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o jornal&iacute;stica. H&aacute; tr&ecirc;s aspectos que gostar&iacute;amos de salientar. O primeiro diz respeito ao maior alcance do editorial enquanto opini&atilde;o privada (de uma empresa jornal&iacute;stica). O segundo refere-se &agrave; ades&atilde;o em maior escala de leitores que podem aceitar tal opini&atilde;o como sendo expressiva do ponto de vista do dom&iacute;nio p&uacute;blico. O terceiro compreende as arenas de refuta&ccedil;&atilde;o que se formam como rea&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave;s opini&otilde;es manifestas pelos editoriais. Esses tr&ecirc;s aspectos considerados conjuntamente aumentam o potencial de influ&ecirc;ncia dos editoriais nas controv&eacute;rsias p&uacute;blicas nos dias atuais.</p>     <p>Segundo a an&aacute;lise de Dowling (2016), os editoriais jornal&iacute;sticos, especialmente os que tratavam de pol&iacute;tica consolidaram-se como g&ecirc;nero jornal&iacute;stico a partir do s&eacute;culo XIX quando se emanciparam da imprensa partid&aacute;ria e passaram a representar um prolongamento da liberdade de express&atilde;o, tendo como protagonistas os propriet&aacute;rios dos jornais de opini&atilde;o. A inser&ccedil;&atilde;o dos editoriais no contexto da imprensa comercial significou uma mudan&ccedil;a expressiva:</p>     <p>     <blockquote>O editorial passou a contribuir para o aumento do p&uacute;blico leitor (ou pelo menos buscou evitar a perda a audi&ecirc;ncia), buscando atrair outros leitores que n&atilde;o partilhavam necessariamente da opini&atilde;o do dono do jornal. Na era da m&iacute;dia de massa &ndash; incluindo situa&ccedil;&otilde;es de monop&oacute;lio do espa&ccedil;o p&uacute;blico &ndash; o editorial ser&aacute; marcado pela tens&atilde;o entre duas grandes orienta&ccedil;&otilde;es: defender uma opini&atilde;o sect&aacute;ria e atingir potencialmente a todos. No tempo dos oligop&oacute;lios, ele passou a autoneutralizar o seu poder ret&oacute;rico de fomentar controv&eacute;rsias, de forma a n&atilde;o se indispor com ningu&eacute;m. Atualmente, em um movimento pendular, o aumento da m&iacute;dia segmentada e a preocupa&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria n&atilde;o poderiam libertar o editorial dessa obriga&ccedil;&atilde;o de agradar a todos e conduzi-lo novamente &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o de uma marca e de uma opini&atilde;o bem delimitada?&rdquo; (Demers, 2016, p.90).</blockquote>     <p></p>     <p>O editorial &eacute; analisado na perspectiva funcionalista da m&iacute;dia<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> (Barros, 2015), como mecanismo de interpreta&ccedil;&atilde;o dos eventos noticiados. Essa interpreta&ccedil;&atilde;o ajudaria a esclarecer o p&uacute;blico interessado no tema, al&eacute;m de (re)afirmar o pr&oacute;prio <i>status</i> positivo dos emissores perante a sociedade,&nbsp; conquistando legitimidade social e prest&iacute;gio pol&iacute;tico. Guerreiro Neto (2016, p.92) chama aten&ccedil;&atilde;o para a fun&ccedil;&atilde;o do editorial no que se refere &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o da identidade dos jornais, ou seja, &ldquo;a identidade forjada a partir dessa produ&ccedil;&atilde;o opinativa&rdquo;. Para o autor,</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>A discuss&atilde;o sobre a identidade dos jornais costuma seguir por caminhos que levam &agrave; forma, ao conte&uacute;do ou &agrave; intera&ccedil;&atilde;o entre ambos. Ou seja, a partir da materialidade do peri&oacute;dico, emergem as marcas de identifica&ccedil;&atilde;o. A proposta aqui &eacute;, sem desconsiderar o jornal como produto, investigar esses tra&ccedil;os indicadores da identidade nos processos de produ&ccedil;&atilde;o. O processo produtivo do jornalismo, enquanto pr&aacute;ticas institucionais e discursivas organizadas, atua como um terceiro elemento gerador e reprodutor de identidade&rdquo; (Guerreiro Neto, 2016, p.92).</blockquote>     <p></p>     <p>&Eacute; cab&iacute;vel aqui um questionamento sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre o editorial e a identidade dos jornais e dos demais ve&iacute;culos midi&aacute;ticos, posto que nem sempre tais ve&iacute;culos assumem uma postura pol&iacute;tica definida e duradoura na atualidade. Cada vez mais &eacute; comum que a opini&atilde;o expressa nos editoriais seja motivada por interesses pol&iacute;ticos moment&acirc;neos e flex&iacute;veis, sem necessidade de um compromisso opinativo de longo prazo, como ocorria no passado, quando era poss&iacute;vel identificar claramente &ndash; a partir da leitura dos editoriais pol&iacute;ticos &ndash; o perfil dos jornais como sendo de direita, centro ou esquerda. No atual contexto, acreditamos que seja cada vez mais dif&iacute;cil deduzir a identidade dos ve&iacute;culos com base nos editoriais.</p>     <p>Segundo a avalia&ccedil;&atilde;o de Demers (2016, p.88), &ldquo;o editorial &ndash; uma pr&aacute;tica quase exclusiva &agrave; imprensa escrita &ndash; perdeu muito do seu <i>glamour</i> nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas&rdquo;. O autor apresenta as principais raz&otilde;es para o decl&iacute;nio da relev&acirc;ncia dos editoriais jornal&iacute;sticos no debate pol&iacute;tico. A primeira estaria relacionada &ldquo;&agrave; decad&ecirc;ncia da m&iacute;dia tradicional, sobretudo os jornais, com a reorganiza&ccedil;&atilde;o do panorama midi&aacute;tico e do debate p&uacute;blico ap&oacute;s a introdu&ccedil;&atilde;o das m&iacute;dias digitais&rdquo; (p.88). A segunda se deve ao&nbsp; decl&iacute;nio do poder de palavra dos jornais no cen&aacute;rio contempor&acirc;neo, especialmente &ldquo;como um indicativo da incapacidade dessas organiza&ccedil;&otilde;es de assumirem um posicionamento discursivo ou opinativo no contexto atual&rdquo; (p.88). Por fim, destaca-se uma nova caracter&iacute;stica que os jornais assumiram na atualidade, ou seja, seu foco principal &eacute; a informa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o mais a opini&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o da concorr&ecirc;ncia com os demais ve&iacute;culos informativos.</p>     <p>Para Miguel e Coutinho (2007) os editoriais sobre pol&iacute;tica revelam a opini&atilde;o de uma parcela influente da elite, que tende a atuar como &ldquo;controladores&rdquo; da imprensa. Azevedo e Chaia (2008, p.180) lembram que o g&ecirc;nero editorial est&aacute; associado &agrave; pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de uma imprensa livre, &ldquo;que vigia o poder e defende o cidad&atilde;o e, por extens&atilde;o, a democracia&rdquo;. Foi tal perspectiva que &ldquo;inspirou a analogia da imprensa como o &lsquo;Quarto Poder&rsquo;, express&atilde;o cunhada na Inglaterra no s&eacute;culo XIX&rdquo;. Para os autores,</p>     <p>     <blockquote>a ideia da imprensa como um atento &lsquo;c&atilde;o de guarda&rsquo; (e &agrave;s vezes, motivado pelo jornalismo investigativo, como um verdadeiro &lsquo;c&atilde;o de ataque&rsquo;) se materializa por excel&ecirc;ncia nas p&aacute;ginas de opini&atilde;o dos jornais, onde os artigos e as colunas assinadas debatem os temas mais candentes do momento e o editorial define a posi&ccedil;&atilde;o do jornal diante das quest&otilde;es p&uacute;blicas. Deste modo, as p&aacute;ginas opinativas constituem fontes importantes para se apreender e analisar o interesse tem&aacute;tico e as formas de enquadramento adotadas pelos jornais em suas abordagens sobre o funcionamento das institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. O jornalismo opinativo pressup&otilde;e expressar a opini&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Este g&ecirc;nero significa que o discurso editorial &eacute; baseado em coment&aacute;rios, avalia&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es sobre determinada tem&aacute;tica&rdquo; (Azevedo e Chaia, 2008, p.181).</blockquote>     <p></p>     <p>Ao discorrer sobre o jornalismo opinativo, Campo (2009, p.130) afirma que &ldquo;o jornalismo n&atilde;o tem apenas o dever de informar e divertir &ndash; mesmo quando educa. Tamb&eacute;m tem o direito e o dever de opinar&rdquo;. Para o autor, &ldquo;&eacute; com a opini&atilde;o segura, abalizada, bem fundamentada, que o ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o cumpre seu papel social a servi&ccedil;o do receptor, agindo com transpar&ecirc;ncia, passando seriedade e credibilidade&rdquo;. O autor ressalva que todo g&ecirc;nero jornal&iacute;stico pode ser opinativo, pois &ldquo;a opini&atilde;o, no sentido ideol&oacute;gico, perpassa, na verdade, todo o processo jornal&iacute;stico&rdquo; (Campo, 2001, sem pagina&ccedil;&atilde;o). Para ilustrar seu argumento, o analista exemplifica que era opinativo (e denotava protesto) o espa&ccedil;o em que o&nbsp;<i>Estad&atilde;o</i>&nbsp;publicava receitas de bolo ou versos dos&nbsp;<i>Lus&iacute;adas</i>&nbsp;em substitui&ccedil;&atilde;o a textos proibidos pela censura durante a ditadura militar.</p>     <p>O autor complementa que</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>opina-se, ent&atilde;o, nos editoriais, nas colunas, nas cr&ocirc;nicas, nos artigos, nas cartas dos leitores e, tamb&eacute;m, no modo de apresentar a mat&eacute;ria, no corte de uma foto, no destaque escolhido para cada parte da mat&eacute;ria, afinal, emitem-se opini&otilde;es de mil e uma maneiras&rdquo; (sem pagina&ccedil;&atilde;o).</blockquote>     <p></p>     <p>Erbolato (2002) considera positiva essa caracter&iacute;stica opinativa da imprensa. Ele explica que, mesmo sendo um discurso institucional o editorial pode contribuir para o esclarecimento do leitor, pois constitui uma esp&eacute;cie de &ldquo;not&iacute;cia interpretativa&rdquo;. No entanto, Luiz Amaral (1997) adverte que o editorial deve evitar o estilo panflet&aacute;rio, al&eacute;m de evitar inj&uacute;rias, ofensas e agress&otilde;es. Brito (1994) salienta que n&atilde;o se trata de apenas discutir se o jornalismo &eacute; opinativo ou n&atilde;o. Para a autora, a finalidade do editorial &eacute; dirigir a opini&atilde;o p&uacute;blica, persuadindo atrav&eacute;s de exorta&ccedil;&atilde;o, apelo, aviso, palavra de ordem ou constata&ccedil;&atilde;o dos fatos. Segundo sua vis&atilde;o, o editorial moderno n&atilde;o &eacute; apenas opini&atilde;o. A tend&ecirc;ncia atual &eacute; cada vez mais incluir an&aacute;lise, coment&aacute;rio, cr&iacute;tica e clarifica&ccedil;&atilde;o. Por essa raz&atilde;o, o editorial n&atilde;o apenas opina pura e simplesmente, mas tamb&eacute;m exp&otilde;e, interpreta, esclarece, analisa padr&otilde;es e significados da complexa mistura de acontecimentos di&aacute;rios.</p>     <p>Na avalia&ccedil;&atilde;o de Pedro Celso Campo (01/05/2002), &ldquo;Os editoriais podem, legitimamente, esclarecer, ilustrar opini&otilde;es, induzir a a&ccedil;&otilde;es e at&eacute; entreter. O editorial &eacute; institucional. &Eacute; o pensamento oficial do jornal (...) O p&uacute;blico ao qual se dirige &eacute; o definidor do estilo do editorial, mas n&atilde;o do seu conte&uacute;do. Acredita-se que apenas 5% do universo de leitores de um jornal leiam o editorial do dia. &Eacute; um p&uacute;blico pequeno, mas exigente&rdquo;.</p>     <p>Baccaro e Nascimento (2007, sem pagina&ccedil;&atilde;o) ressaltam que o editorial &ldquo;&eacute; um dos textos jornal&iacute;sticos mais intrincados, pois &eacute; atrav&eacute;s dele que o jornal se coloca &agrave; frente dos fatos que noticia. Isso se d&aacute;, no entanto, de maneira sutil, para que se possa passar a impress&atilde;o de equil&iacute;brio e solidez&rdquo;. Segundo Faria (1996), o editorial &eacute; ancorado em ideias, que se expressam por meio de argumentos e cr&iacute;tica, com o intuito claro de demarcar a posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do jornal sobre o tema editorializado. Para o autor, &ldquo;a aus&ecirc;ncia de um autor no editorial se justificaria como maneira de manipular o leitor, fazendo-o acreditar nas &lsquo;verdades&rsquo; do jornal, j&aacute; que representaria uma vis&atilde;o neutra e equilibrada dos fatos&rdquo; (sem pagina&ccedil;&atilde;o). &nbsp;Assim, nos editoriais, os ve&iacute;culos atuam como int&eacute;rpretes da hist&oacute;ria atual, ao mesmo tempo que tentam ocultar seu papel enquanto parte interessada nessa mesma hist&oacute;ria (Silva, 2009). Para Lemos e Barros (2016, p.722),</p>     <p>     <blockquote>No espa&ccedil;o discursivo de um jornal, o editorial cumpre ainda a fun&ccedil;&atilde;o de demarcador tem&aacute;tico da relev&acirc;ncia pol&iacute;tica, social, econ&ocirc;mica ou cultural de um fato, uma vez que se trata de um texto argumentativo, com a chancela opinativa do ve&iacute;culo, cuja fun&ccedil;&atilde;o &eacute; expressar perante os leitores e anunciantes a opini&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o editor sobre os temas em exame&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Quanto ao papel de int&eacute;rpretes da hist&oacute;ria do tempo presente, apontado acima, consideramos necess&aacute;rio enfatizar a rela&ccedil;&atilde;o dos editoriais tradicionais publicados pelos jornais impressos e sua circula&ccedil;&atilde;o comentada no ambiente midi&aacute;tico digital. Isso ocorre especialmente nas redes sociais, em que outros atores interpretam os editoriais, aumentando seu poder de inser&ccedil;&atilde;o social, com o alcance de novos segmentos de p&uacute;blicos. Entre esses novos atores opinantes temos al&eacute;m de jornalistas, intelectuais, pol&iacute;ticos, especialistas e leitores leigos, interessados nos temas discutidos. Forma-se, assim, uma esfera alargada de opini&atilde;o pol&iacute;tica, em que a objetividade da not&iacute;cia se associa &agrave; an&aacute;lise t&iacute;pica do editorial. A nosso ver, isso torna o editorial nos dias atuais menos um elemento delimitador do g&ecirc;nero opinativo em rela&ccedil;&atilde;o ao g&ecirc;nero informativo e mais um articulador entre os dois g&ecirc;neros mencionados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><B>Emerg&ecirc;ncia e consolida&ccedil;&atilde;o dos editoriais na imprensa</B></p>     <p>Os editoriais s&atilde;o reconhecidos na literatura como heran&ccedil;a do jornalismo liter&aacute;rio, um g&ecirc;nero tipicamente opinativo identificado por Habermas (1984) como elemento fundador da imprensa na fase liter&aacute;ria da esfera p&uacute;blica burguesa, cuja origem est&aacute; nas cartas-jornais. Essas cartas eram escritas pelos integrantes da alta burguesia europeia e trocadas entre si para compartilhar ideias e opini&otilde;es sobre literatura, artes e ci&ecirc;ncias, algo similar &agrave;s redes sociais online da atualidade, salvaguardadas as devidas propor&ccedil;&otilde;es. O avan&ccedil;o do com&eacute;rcio, atividade econ&ocirc;mica pr&oacute;pria dos burgueses, tornou as cartas-jornais um empreendimento comercial, com vistas &agrave; venda de informa&ccedil;&otilde;es de interesse de comerciantes de outras regi&otilde;es. Esse processo constitui o ber&ccedil;o da imprensa. &ldquo;&Eacute; expans&atilde;o da economia de mercado, ainda em sua forma mercantil, que condiciona o aparecimento do jornal nos centros urbanos mais desenvolvidos da &eacute;poca, como Antu&eacute;rpia, Praga, Estrasburgo e outros&rdquo; (Barros, 1993, p.267).&nbsp;</p>     <p>A sua pr&oacute;pria manifesta&ccedil;&atilde;o inicial, as cartas-jornais, extens&atilde;o do sistema de correspond&ecirc;ncia privada da alta burguesia, demonstra que essa &ldquo;imprensa&rdquo; surge como elemento interno de uma classe e apresenta uma finalidade espec&iacute;fica: servir de suporte ao capitalismo comercial e financeiro produzido a partir da atua&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica dessa mesma classe. Com a expans&atilde;o das atividades econ&ocirc;micas, a difus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es torna-se uma necessidade do com&eacute;rcio local e ultramarino. &ldquo;O c&aacute;lculo capitalista necessita de um fluxo de informa&ccedil;&otilde;es control&aacute;veis, regulares e, em geral, acess&iacute;veis&rdquo; (Geyhrofer, 1984, p.63).</p>     <p>As cartas-jornais, como registra Habermas (1984) exerceram uma relevante fun&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o da esfera p&uacute;blica burguesa, a qual evoluiria com a publica&ccedil;&atilde;o dos folhetins nos jornais que come&ccedil;aram a surgir, com grande aceita&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico. &Eacute; o per&iacute;odo do jornalismo liter&aacute;rio e sua correspondente fase da esfera p&uacute;blica burguesa liter&aacute;ria. Mas a burguesia exige cada vez mais compet&ecirc;ncia cr&iacute;tica dos produtores culturais, para que eles se tornem multiplicadores dos ideais da classe. A imprensa, ent&atilde;o, deixa de ser simples transmissora de not&iacute;cias e se torna condutora da &ldquo;opini&atilde;o p&uacute;blica&rdquo; burguesa. Para Habermas, 1984, p.142,</p>     <p>     <blockquote>A verdadeira transforma&ccedil;&atilde;o ocorreu, em verdade, somente com a autonomiza&ccedil;&atilde;o da reda&ccedil;&atilde;o, ela iniciou-se com os &lsquo;jornais eruditos&rsquo; no continente, as revistas semanais moralistas e as pol&iacute;ticas na Inglaterra, logo que escritores, individualmente, utilizam-se do novo instrumento da imprensa peri&oacute;dica para obter seus argumentos, movidos com inten&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas e efeitos propagand&iacute;sticos&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Esta &eacute; a transi&ccedil;&atilde;o da imprensa liter&aacute;ria para a imprensa de opini&atilde;o, segundo a periodiza&ccedil;&atilde;o habermasiana. Como a produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica da &eacute;poca se imp&otilde;e como empreendimento de baixo custo, dado o seu car&aacute;ter artesanal, os burgueses ilustrados passam a utiliz&aacute;-la como meio difusor de suas opini&otilde;es. O contexto cultural da &eacute;poca favorecia esse tipo de iniciativa, uma vez que a leitura constitu&iacute;a a principal forma de passatempo burgu&ecirc;s. As reuni&otilde;es nos caf&eacute;s e sal&otilde;es serviam de eco e resson&acirc;ncia para os conte&uacute;dos dessas leituras, por meio de debates acalorados. A imprensa de opini&atilde;o constitui, portanto, a g&ecirc;nese da esfera p&uacute;blica burguesa, definida por Habermas como a esfera das pessoas privadas reunidas em um p&uacute;blico.</p>     <p>A esfera p&uacute;blica burguesa liter&aacute;ria consiste em ampliar a autoconscientiza&ccedil;&atilde;o da burguesia enquanto classe, promovendo ampla reflex&atilde;o sobre sua vida social, a partir da esfera &iacute;ntima da fam&iacute;lia. A leitura de textos opinativos, de car&aacute;ter liter&aacute;rio, de romances de cunho psicol&oacute;gico constitui uma introdu&ccedil;&atilde;o a esse processo de emancipa&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica. A esfera p&uacute;blica burguesa liter&aacute;ria n&atilde;o possui ainda conota&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Como afirma Habermas (1984, p.84), ela &eacute; o campo de manobras de um racioc&iacute;nio p&uacute;blico que ainda gira em torno de si mesma &ndash; &ldquo;um processo de autocompreens&atilde;o das pessoas privadas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s genu&iacute;nas experi&ecirc;ncias de sua nova privacidade&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O amadurecimento dessa experi&ecirc;ncia resultaria da segunda da fase da esfera p&uacute;blica denominada por Habermas de esfera p&uacute;blica burguesa pol&iacute;tica, que tem como finalidade afirmar a criticidade do p&uacute;blico, problematizando a legitimidade do Estado, o uso p&uacute;blico da raz&atilde;o, a regulamenta&ccedil;&atilde;o da sociedade, a defesa das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas etc. Seu desdobramento &eacute; o jornalismo pol&iacute;tico-liter&aacute;rio, que contribui para o exerc&iacute;cio da opini&atilde;o pol&iacute;tica nos debates p&uacute;blicos da &eacute;poca, questionando as formas de poder e a autoridade absolutista</p>     <p>Essas for&ccedil;as, segundo Habermas, reivindicavam uma esfera p&uacute;blica regulamentada pela autoridade, &ldquo;mas diretamente contra a pr&oacute;pria autoridade&rdquo;, a fim de discutir com ela as leis gerais da troca na esfera p&uacute;blica fundamentalmente privada, mas publicamente relevante, as leis do interc&acirc;mbio de mercadorias e do trabalho social (Habermas, 1984, p.42).</p>     <p>Com a consolida&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica do Estado de Direito Burgu&ecirc;s e o desenvolvimento da sociedade industrial, a imprensa evolui para a fase denominada pelo autor de imprensa de neg&oacute;cios, ou seja, a imprensa comercial, que passa a conceber a not&iacute;cia como mercadoria e a opini&atilde;o como uma forma de capital simb&oacute;lico para atuar no mercado das trocas simb&oacute;licas, nos termos de Bourdieu (1989). O editorial jornal&iacute;stico, nesse contexto, passa a exercer a fun&ccedil;&atilde;o de media&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre as elites civis e as elites pol&iacute;ticas. Para legitimar-se perante a opini&atilde;o p&uacute;blica, nessa fase da imprensa de neg&oacute;cio, os jornais passaram a investir em informa&ccedil;&otilde;es com a conota&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos (Chau&iacute;, 1986).</p>     <p>Como foi abordado antes, em tese, o efeito do editorial seria fomentar o debate p&uacute;blico, sem impor uma vis&atilde;o unilateral. Entretanto, cabe questionar como se d&aacute; esse potencial de influ&ecirc;ncia na atualidade. Nessa etapa do estudo, o prop&oacute;sito &eacute; questionar diretamente os atores mais pr&oacute;ximos da atividade editorial, ou seja, os pr&oacute;prios jornalistas, conforme ser&aacute; detalhado a seguir.<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Estrat&eacute;gias metodol&oacute;gicas</B></p>     <p>Para a consecu&ccedil;&atilde;o dos objetivos propostos, foram realizadas 120 entrevistas com profissionais que atuam na &aacute;rea pol&iacute;tica, nas cinco regi&otilde;es geogr&aacute;ficas do Pa&iacute;s, a fim de captar suas percep&ccedil;&otilde;es sobre o papel do editorial pol&iacute;tico no contexto atual e seu potencial de influ&ecirc;ncia no debate p&uacute;blico.</p>     <p>Optamos pelo tipo de entrevista diretiva, com perguntas fechadas e abertas, cujo roteiro foi formatado com o recurso do <i>Google Forms</i>. Tamb&eacute;m conhecida como entrevista estruturada, centrada ou focada (<i>focused interview</i>), esse instrumento de coleta de dados caracteriza-se pelo seu car&aacute;ter direcionado, ou seja, voltado para quest&otilde;es espec&iacute;ficas. Tais quest&otilde;es constam em um roteiro estruturado, com uma sequ&ecirc;ncia l&oacute;gica, as quais exigem respostas focadas e mais objetivas dos entrevistados, sem perder o car&aacute;ter de an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o que &eacute; pr&oacute;prio da entrevista como t&eacute;cnica de pesquisa qualitativa (Quivy e Campenhoudt, 2005).</p>     <p>Foram realizadas as seguintes perguntas: (1) Voc&ecirc; l&ecirc; editoriais sobre pol&iacute;tica? (2) Explique porque voc&ecirc; l&ecirc; ou n&atilde;o l&ecirc; editoriais sobre pol&iacute;tica. (3) Na sua opini&atilde;o, quais s&atilde;o as principais fun&ccedil;&otilde;es dos editoriais sobre pol&iacute;tica na atualidade? (4) Como voc&ecirc; avalia o potencial de influ&ecirc;ncia dos editoriais sobre pol&iacute;tica no debate p&uacute;blico na atualidade? Ap&oacute;s cada quest&atilde;o deixou-se um espa&ccedil;o livre para coment&aacute;rios e opini&otilde;es dos informantes, a fim de permitir a capta&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios argumentativos para refor&ccedil;ar a an&aacute;lise qualitativa.</p>     <p>Ap&oacute;s a formata&ccedil;&atilde;o do roteiro de entrevista e o pr&eacute;-teste, o <i>link</i> do roteiro foi enviado por <i>e-mail</i> e divulgado por meio das redes sociais, como <i>Facebook</i> e <i>Twitter,</i> as redes digitais mais utilizadas pelos jornalistas brasileiros na atualidade (Cavalcanti; Rocha Neto, 2014). Esse tipo de recurso &eacute; cada vez mais utilizado, devido &agrave; facilidade de alcance das pessoas a serem inquiridas. Tal procedimento j&aacute; &eacute; reconhecido na literatura como um instrumento importante para o acesso a pessoas distantes, como no caso da pesquisa em quest&atilde;o, com o mesmo potencial de respostas que o antigo modelo de contato feito por telefone ou carta para acesso aos entrevistados (Manfreda; Vehovar, 2008).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O pr&eacute;-teste foi realizado com 15 sujeitos, um m&ecirc;s antes da coleta de dados definitiva, cujas respostas foram descartadas. Uma das vantagens dos pr&eacute;-teste foi aumentar a oferta de espa&ccedil;os para a livre express&atilde;o dos entrevistados, pois no primeiro roteiro de entrevista havia sido planejado uma &uacute;nica quest&atilde;o aberta, ao final. Os sujeitos do pr&eacute;-teste, entretanto, mostraram-se motivados a comentar todas as quest&otilde;es.</p>     <p>Para acesso direto aos jornalistas que atuam na &aacute;rea de pol&iacute;tica, em jornais impressos e m&iacute;dias digitais, contamos com a colabora&ccedil;&atilde;o das seguintes entidades: Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Jornalismo Pol&iacute;tico (Abrajorp), Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e o Comit&ecirc; de Imprensa do Congresso Nacional. A colabora&ccedil;&atilde;o dessas entidades foi no fornecimento do <i>mailing</i> de seus associados ou no encaminhamento da carta de apresenta&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores com o <i>link</i> para o roteiro de entrevista. Solicitamos tamb&eacute;m a permiss&atilde;o para a divulga&ccedil;&atilde;o do referido link no perfil dessas entidades nas redes sociais digitais. Na carta, enfatizava-se que o primeiro requisito para participar da pesquisa era atuar na cobertura sobre pol&iacute;tica. Como se trata de um p&uacute;blico que usa internet diariamente, como ferramenta profissional, acreditamos que a pesquisa n&atilde;o pode ser considerada seletiva ou excludente, visto que os jornalistas brasileiros acessam a web diariamente, como instrumento de trabalho.</p>     <p>Al&eacute;m do uso de recursos da estat&iacute;stica descritiva para agrupar as repostas, a an&aacute;lise qualitativa das entrevistas contou com o aux&iacute;lio da an&aacute;lise de conte&uacute;do, que consiste na categoriza&ccedil;&atilde;o dos temas a partir de seus significados manifestos (Bardin, 2010), o que, no caso das entrevistas, resultou na categoriza&ccedil;&atilde;o dos argumentos por afinidade de sentido. Isso implica a sistematiza&ccedil;&atilde;o de enunciados de diferentes entrevistados sobre um mesmo assunto, a partir do enfeixamento sem&acirc;ntico das respostas, entendendo os depoimentos como express&atilde;o de um pensamento coletivo, ou seja, o ponto de vista de uma categoria profissional - no caso os jornalistas. Esse recurso &eacute; endossada por Lef&egrave;vre e Lef&egrave;vre (2003), para os quais essa a t&eacute;cnica &eacute; de grande valia para o exame e a compreens&atilde;o do pensamento das coletividades, com o prop&oacute;sito de mapear, descrever e&nbsp; interpretar a opini&atilde;o de certos grupos e categorias sociais ou profissionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>An&aacute;lise de dados</B></p>     <p>A an&aacute;lise dos dados tem in&iacute;cio com a descri&ccedil;&atilde;o do perfil dos entrevistados, a fim de termos uma no&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas dos jornalistas que participaram da pesquisa. Em rela&ccedil;&atilde;o ao sexo, h&aacute; uma relativa paridade, com um leve predom&iacute;nio de mulheres (52,5%). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; faixa et&aacute;ria predominam os entrevistados entre 31 e 60 anos. A maioria trabalha no setor privado (54,2%), especialmente em m&iacute;dias digitais (29,4%) e impressos (28,6%). O registro &ldquo;outros&rdquo; (24,1%) refere-se a jornalistas que atuam em assessorias de imprensa, marketing pol&iacute;tico, gest&atilde;o de imagem e reputa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, etc. O tempo de profiss&atilde;o mais expressivo est&aacute; na faixa de 11 a 20 anos. Acerca da regi&atilde;o geogr&aacute;fica, h&aacute; mais entrevistados das regi&otilde;es Sudeste e Centro-Oeste, como mostra a <a href="#t1">Tabela 1</a>. No primeiro caso, justifica-se pela grande quantidade de profissionais que residem no eixo S&atilde;o Paulo-Rio de Janeiro e no segundo caso, cabe lembrar a alta concentra&ccedil;&atilde;o de jornalistas que trabalham na &aacute;rea pol&iacute;tica em Bras&iacute;lia.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/obs/v12n2/12n2a13t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para os objetivos da pesquisa consideramos o grupo de respondentes adequado, tanto pela abrang&ecirc;ncia geogr&aacute;fica, como pela diversidade em termos de faixa et&aacute;ria, tempo de profiss&atilde;o, setor de atua&ccedil;&atilde;o e &aacute;rea de exerc&iacute;cio do jornalismo.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Leitura de editoriais pelos entrevistados</B></p>     <p>A leitura de editoriais sobre pol&iacute;tica &eacute; bastante expressiva entre os entrevistados. Como se v&ecirc; na <a href="#t2">Tabela 2</a> apenas um respondeu que n&atilde;o tem o h&aacute;bito de ler, justificando da seguinte forma: &ldquo;n&atilde;o leio porque, em geral, os editoriais n&atilde;o acrescentam nada de bom ao que voc&ecirc; j&aacute; sabe; apenas ecoam vis&otilde;es e interesses dos grupos sociais mais privilegiados - &eacute; muito senso comum disfar&ccedil;ado de ret&oacute;rica argumentativa&rdquo;. O percentual dos que responderam que leem com frequ&ecirc;ncia &eacute; de 60,8%, os que leem &agrave;s vezes &eacute; de 18,3%, enquanto os entrevistados que leem com grande frequ&ecirc;ncia &eacute; de 15,8 e os aqueles que l&ecirc;em raramente &eacute; de 4,2% (<a href="#t2">Tabela 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/obs/v12n2/12n2a13t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os argumentos que justificam as op&ccedil;&otilde;es de leitura frequente e muito frequente s&atilde;o variados, conforme agrupados na <a href="#t3">Tabela 3</a>, com predomin&acirc;ncia do acompanhamento das tend&ecirc;ncias de opini&atilde;o, h&aacute;bito de leitura, interesse pessoal e atualiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/obs/v12n2/12n2a13t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O acompanhamento das tend&ecirc;ncias de opini&atilde;o &eacute; justificado por diferentes argumentos. Um dos entrevistados escreveu que,</p>     <p>     <blockquote>Tenho interesse em reconhecer o posicionamento pol&iacute;tico dos jornais, pois tendemos a achar que seja algo j&aacute; definido, mas como empresas que s&atilde;o os jornais s&atilde;o din&acirc;micos e, embora tenham posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas aparentemente definidas, h&aacute; nuances que mudam com o tempo e a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, de acordo com os interesses circunstanciais e as tend&ecirc;ncias do jogo de poder&rdquo;.</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Outro entrevistado ressalta que &ldquo;engana-se quem pensa que editorial &eacute; mesmice&rdquo;, ao argumentar que &ldquo;s&oacute; aqueles que n&atilde;o acompanham os editoriais de jornais &eacute; que acham que esse g&ecirc;nero textual n&atilde;o se renova, n&atilde;o evolui&rdquo;. Na opini&atilde;o desse informante, um aspecto relevante &eacute; que &ldquo;os editoriais acabam trazendo quest&otilde;es que nem sempre s&atilde;o exploradas na cobertura noticiosa e isso &eacute; um diferencial, inclusive sob o aspecto pol&iacute;tico&rdquo;. Seguindo seu racioc&iacute;nio o jornalista complementa que &ldquo;se acompanharmos o desenrolar de uma pauta pol&iacute;tica pela perspectiva dos editoriais, podemos perceber at&eacute; mudan&ccedil;as de posi&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios jornais quanto ao assunto, &agrave;s vezes em um per&iacute;odo mais extenso de tempo, mas isso tamb&eacute;m pode ocorrer em intervalos mais curtos&rdquo;.</p>     <p>Outro motivo para a leitura de editoriais segundo esse vi&eacute;s de acompanhamento de tend&ecirc;ncias de opini&atilde;o diz respeito &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de discursos sobre pol&iacute;tica:</p>     <p>     <blockquote>O editorial &eacute; uma forma de discurso pol&iacute;tico que envolve diferentes atores, como as empresas jornal&iacute;sticas, os editorialistas, os agentes econ&ocirc;micos, os pr&oacute;prios pol&iacute;ticos e os leitores interessados na opini&atilde;o dos jornais. Portanto, eu tenho grande interesse em acompanhar essas tend&ecirc;ncias discursivas, pois os editoriais s&atilde;o muito ricos em termos de estrat&eacute;gias ret&oacute;ricas, formas de argumenta&ccedil;&atilde;o e principalmente como os jornais tentam interpelar os leitores e os que tomam as decis&otilde;es pol&iacute;ticas. &Eacute; um tipo de discurso que &eacute; dirigido a v&aacute;rios segmentos da pol&iacute;tica, cada um com seu olhar&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Quanto ao h&aacute;bito de leitura, os argumentos s&atilde;o poucos, resumindo-se a atribuir a leitura ao h&aacute;bito adquirido ao longo da profiss&atilde;o. Apesar disso, o h&aacute;bito ainda est&aacute; arraigado em um expressivo segmento dos entrevistados, com 22,83%. &ldquo;N&atilde;o consigo abrir um jornal e passar batido pelo editorial, pois sempre tenho curiosidade,&nbsp; devido ao longo tempo em que me acostumei a ler jornal dessa maneira&rdquo;. Outro entrevistado avalia como &ldquo;um bom h&aacute;bito que adquiri e fa&ccedil;o quest&atilde;o de manter, pois me permite acompanhar a cobertura e ver como os jornais est&atilde;o pensando a pol&iacute;tica&rdquo;.</p>     <p>Apesar de se tratar de justificativas que n&atilde;o trazem elementos expressivos em termos de aprofundamento anal&iacute;tico, s&atilde;o relevantes no que se refere &agrave; cultura profissional, visto que um h&aacute;bito &eacute; sustentado por uma concep&ccedil;&atilde;o valorativa. Afinal, os valores s&atilde;o considerados ativos simb&oacute;licos que operam como guias para orientar tanto os comportamentos individuais como os coletivos, interferindo diretamente nas atitudes (Cantril e Allport, 1993).</p>     <p>O interesse pessoal tamb&eacute;m &eacute; parte dessa cultura profissional, o que se depreende de declara&ccedil;&otilde;es como a seguinte:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Tenho grande interesse pessoal nos editoriais. Por leio sempre que posso. O meu interesse se deve a um pouco de curiosidade para observar a postura dos jornais em rela&ccedil;&atilde;o a determinados assuntos e tamb&eacute;m em fun&ccedil;&atilde;o de quem os editorialistas escolhem como interlocutores preferenciais, ou seja, pelo tom do texto, &eacute; poss&iacute;vel perceber se os jornais se dirigem aos empres&aacute;rios, aos governantes, aos parlamentares, aos magistrados, etc&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>A leitura dos editoriais por necessidade profissional &eacute; justificada como um &ldquo;importante instrumento para termos acesso a interpreta&ccedil;&otilde;es e an&aacute;lises sobre o mundo da pol&iacute;tica, saindo do campo do notici&aacute;rio&rdquo;. Para o mesmo entrevistado, &ldquo;como rep&oacute;rter da &aacute;rea pol&iacute;tica eu sinto muita necessidade de informa&ccedil;&atilde;o, mas isso n&atilde;o &eacute; suficiente, pois quando estamos inteirados tamb&eacute;m sobre o campo da opini&atilde;o, temos mais elementos para nosso trabalho di&aacute;rio&rdquo;. Outro entrevistado justificou da seguinte forma: &ldquo;no local onde eu trabalho recebemos muitas pessoas e autoridades, como por exemplo, prefeitos, vereadores, deputados estaduais, etc. e assuntos pol&iacute;ticos sempre entram em pauta. Muitas vezes os editoriais s&atilde;o temas dessas conversas&rdquo;. A leitura motivada pela necessidade de atualiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e pelo gosto pela pol&iacute;tica s&atilde;o justificadas praticamente pelas motiva&ccedil;&otilde;es associadas ao interesse e &agrave;s raz&otilde;es profissionais.</p>     <p>As raz&otilde;es profissionais enquadram-se no campo denominado por Bourdieu de <i>raz&otilde;es pr&aacute;ticas</i> (Bourdieu, 1996), conceito que faz parte de uma teoria da a&ccedil;&atilde;o focada nas din&acirc;micas cotidianas e nos mecanismos das pr&aacute;ticas rotineiras dos agentes sociais, como no caso dos jornalistas. Tais pr&aacute;ticas ocorrem no <i>espa&ccedil;o relacional</i>, entendido pelo autor como &ldquo;um conjunto de posi&ccedil;&otilde;es distintas e coexistentes&rdquo;, marcadas por &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es de proximidade, vizinhan&ccedil;a ou de distanciamento e, tamb&eacute;m, por rela&ccedil;&otilde;es de ordem, como acima, abaixo e entre&rdquo; (p. 18). As <i>raz&otilde;es pr&aacute;ticas</i> s&atilde;o consideradas por Bourdieu como de grande relev&acirc;ncia para a compreens&atilde;o de argumentos acionados pelos agentes sociais quando se referem &agrave; sua atividade profissional, por exemplo, como no caso em estudo.</p>     <p>Os entrevistados que afirmaram ler editoriais &agrave;s vezes ou raramente apresentam como argumentos principais o interesse circunstancial (44,44%), a satura&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica (25,93%), a prefer&ecirc;ncia pelo notici&aacute;rio (14,81%), a monotonia argumentativa e a falta de tempo, com 7,41% respectivamente, como se l&ecirc; na <a href="#t4">Tabela 4</a>. Da mesma forma que no caso anterior, s&atilde;o argumentos que tamb&eacute;m se enquadram na perspectiva das <i>raz&otilde;es pr&aacute;ticas</i>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/obs/v12n2/12n2a13t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O interesse circunstancial &eacute; entendido pelos entrevistados como moment&acirc;neo, ou seja, n&atilde;o se trata de interesse espec&iacute;fico pelo g&ecirc;nero editorial em si, ao contr&aacute;rio do que foi apresentado anteriormente, mas pelos editoriais que tratam de certos temas, dependendo do contexto pol&iacute;tico e das circunst&acirc;ncias, conforme exposto abaixo:</p>     <p>- Leio quando uma quest&atilde;o diz respeito aos meus interesses;</p>     <p>- Nem sempre os editoriais s&atilde;o convidativos &agrave; leitura, o que leva a ler eventualmente, quando se trata de um assunto que estou cobrindo ou simplesmente me desperta interesse e curiosidade;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- S&oacute; leio quando &eacute; um assunto que tenho muito interesse, para saber como o jornal conduz o debate.</p>     <p>Quanto &agrave; satura&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica, os entrevistados alegam que os editoriais passaram a explorar muito determinados assuntos pol&iacute;ticos, de forma repetida e exaustiva:</p>     <p>- Os editoriais costumam bater na mesma tecla, tratando dos mesmos temas e das mesmas quest&otilde;es pol&iacute;ticas, o que torna a leitura cansativa e desinteressante;</p>     <p>- Atualmente me encontro sob uma satura&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias e opini&otilde;es pol&iacute;ticas. Os editoriais sobre corrup&ccedil;&atilde;o, por exemplo, j&aacute; est&atilde;o saturados. Por isso deixei de ler ou leio esporadicamente.</p>     <p>- Confesso que, cada vez mais, leio menos editoriais sobre pol&iacute;tica. Isto porque a tem&aacute;tica se repete incessantemente em torno da Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato a tal ponto que &eacute; dif&iacute;cil acompanhar as nuan&ccedil;as de pontos de vista dos jornais.</p>     <p>Os entrevistados que responderam que leem editoriais &agrave;s vezes ou raramente porque preferem o notici&aacute;rio, explicam que &ldquo;os editoriais est&atilde;o cada vez mais vazios de argumentos efetivamente relevantes, por isso vou direto nas not&iacute;cias porque consigo ter uma vis&atilde;o do notici&aacute;rio, sem o enviesamento argumentativo dos editoriais&rdquo;. Outro informante explica que &ldquo;preciso ter uma vis&atilde;o abrangente da pol&iacute;tica e os editoriais se det&ecirc;m a uma quest&atilde;o ou outra, com uma vis&atilde;o mais restrita e limitada, o que me leva direto para as manchetes&rdquo;.</p>     <p>A monotonia argumentativa se diferencia da satura&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica n&atilde;o vis&atilde;o dos jornalistas que usaram essa justificativa. &ldquo;Os jornais s&atilde;o pouco criativos quando se trata de opini&atilde;o. Os argumentos usados s&atilde;o estreitos, repetidos e mon&oacute;tonos, sem criatividade e sem ousadia&rdquo;. Outro entrevistado argumenta que &ldquo;a monotonia argumentativa chega ao ponto de editoriais de jornais diferentes usarem os mesmos argumentos sobre temas pol&iacute;ticos, empobrecendo o espectro da an&aacute;lise e da interpreta&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica&rdquo;. Outro informante complementa que &ldquo;quando se trata de editorial pol&iacute;tico &eacute; uma mesmice s&oacute;, uma monotonia opinativa&rdquo;. A falta de tempo para a leitura, na realidade significa desinteresse pelos editoriais, embora isso n&atilde;o tenha sido usado explicitamente pelos entrevistados.&nbsp;</p>     <p>O desinteresse dos jornalistas pelos editoriais tamb&eacute;m pode ser analisado &agrave; luz do conceito de <i>raz&otilde;es pr&aacute;ticas</i> de Bourdieu (1996). A quest&atilde;o do interesse e do desinteresse dos agentes sociais por determinados assuntos &eacute; analisada pelo autor a partir do conceito de <i>illusio</i>, no &acirc;mbito de sua sociologia das pr&aacute;ticas sociais, na qual se insere a no&ccedil;&atilde;o de raz&otilde;es pr&aacute;ticas. <i>Illusio, </i>nesse contexto<i>, </i>significa envolvimento no jogo social que legitima ou n&atilde;o determinadas vis&otilde;es pr&aacute;ticas dos sujeitos de um mesmo campo social. Assim, quanto maior o interesse, maior o envolvimento dos sujeitos no jogo, o que significa compartilhar os valores, os quais funcionam como suporte simb&oacute;lico para a a&ccedil;&atilde;o socialmente legitimada e valorizada por um grupo ou coletividade.</p>     <p>O desinteresse, ao contr&aacute;rio, significa baixo engajamento cognitivo no jogo, o que faz o sujeito se sentir fora do campo e alheio &agrave;s raz&otilde;es pr&aacute;ticas valorizadas no interior desse mesmo campo, isto &eacute; o indiv&iacute;duo est&aacute; desprovido de <i>illusio. </i>Em suma, os jornalistas que revelam pouco interesse pelos editoriais certamente n&atilde;o est&atilde;o envolvidos no jogo di&aacute;rio da cobertura pol&iacute;tica ou fazem seu trabalho sem a necessidade premente de recorrer aos recursos de opini&atilde;o, an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o fornecidos pelos editoriais.</p>     <p><B>&nbsp;</B></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Fun&ccedil;&otilde;es dos editoriais</B></p>     <p>Os entrevistados destacam como principal fun&ccedil;&atilde;o dos editoriais &ldquo;tentar influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica&rdquo; (93,3%). A segunda alternativa aparece com 43,7%,&nbsp; &eacute; a de refor&ccedil;ar&nbsp; a opini&atilde;o das elites, como mostra a <a href="#t5">Tabela 5</a>. Em seguida aparecem &ldquo;refor&ccedil;ar a opini&atilde;o de grupos de interesse&rdquo; (33,6%), &ldquo;esclarecer o leitor sobre a opini&atilde;o do jornal&rdquo; (15,1%), &ldquo;alinhar-se aos grupos de interesse&rdquo; (15,1%), &ldquo;alinhar-se aos interesses dos anunciantes&rdquo; (15,1%), &ldquo;contrapor-se &agrave; vis&atilde;o dominante das elites pol&iacute;ticas&rdquo; (1,7%).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/obs/v12n2/12n2a13t5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tentar influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica, embora seja a fun&ccedil;&atilde;o mais relevante na opini&atilde;o dos entrevistados, apresenta diferentes vis&otilde;es e perspectivas.&nbsp; Uma delas &eacute; a de &ldquo;manipula&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica&rdquo;, express&atilde;o repetida em v&aacute;rias entrevistas, conforme transcrito abaixo:&nbsp;</p>     <p>- Financiados pelas grandes corpora&ccedil;&otilde;es, os principais meios de comunica&ccedil;&atilde;o funcionam como importantes <B>instrumentos de manipula&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica</B>. Hoje isso se d&aacute; de maneira efetiva por meio dos editoriais.</p>     <p>- Como um desservi&ccedil;o &agrave; liberdade de imprensa, um empobrecimento do debate sociopol&iacute;tico na sociedade e uma <B>tentativa de manipula&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica</B> a favor do <i>status quo</i>.</p>     <p>- Posicionamento ideol&oacute;gico e tentativa de <B>manipula&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es</B>.</p>     <p>- H&aacute; mais uma tentativa de <B>manipula&ccedil;&atilde;o</B>&nbsp; do que de esclarecimento sobre determinada pauta (grifos acrescentados).</p>     <p>Ao atribuir aos editoriais o poder de &ldquo;manipular a opini&atilde;o p&uacute;blica&rdquo; parece haver um exagero na percep&ccedil;&atilde;o dos entrevistados, visto que a m&eacute;dia de leitores de jornais interessados nesse g&ecirc;nero textual &eacute; da ordem de 5% (Campo, 2009). Al&eacute;m disso, v&aacute;rios entrevistados chamam aten&ccedil;&atilde;o para a pluralidade de fontes de informa&ccedil;&atilde;o e de opini&atilde;o na &aacute;rea pol&iacute;tica, com os blogs e as m&iacute;dias digitais. Em suma, parece se tratar de uma concep&ccedil;&atilde;o extremista que n&atilde;o compartilhada pela maioria dos informantes, mas apenas por uma parcela.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outro segmento expressivo faz alus&atilde;o ao poder de influ&ecirc;ncia dos editoriais na opini&atilde;o p&uacute;blica, mas sem mencionar o termo manipula&ccedil;&atilde;o. Influ&ecirc;ncia aqui parece ser utilizada pelos informantes com outro sentido, como algo distinto de manipula&ccedil;&atilde;o. Influ&ecirc;ncia seria algo menos categ&oacute;rico e menos enf&aacute;tico do que manipula&ccedil;&atilde;o e algo mais &ldquo;naturalizado&rdquo;, isto &eacute;, como se fosse inerente &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es da imprensa, desde suas origens, conforme se observa nos trechos transcritos abaixo:</p>     <p>- No mais das vezes, exceto por publica&ccedil;&otilde;es que se declaram optantes por uma via ideol&oacute;gica/pol&iacute;tica (como a <i>The Economist</i>, por exemplo), entendo que os editoriais buscam criar um clima de consenso na popula&ccedil;&atilde;o, enviesado ao interesse do grupo editorial.</p>     <p>- Tentar a influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica &eacute; uma das mais antigas fun&ccedil;&otilde;es dos jornais / meios de comunica&ccedil;&atilde;o;</p>     <p>- Os editoriais sempre, desde o in&iacute;cio de sua exist&ecirc;ncia, tentam influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica e com a pol&iacute;tica n&atilde;o seria diferente, ainda mais em tempos turbulentos como os que vivemos no Brasil.</p>     <p>- Acredito que os editoriais, via de regra, buscam influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica e demonstram qual &eacute; o posicionamento daquele meio de comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A maioria dos entrevistados analisa como negativa a influ&ecirc;ncia dos editoriais na opini&atilde;o p&uacute;blica, &ldquo;pois &eacute; uma forma tendenciosa de opinar e tentar impor uma vis&atilde;o da pol&iacute;tica&rdquo;. Outro entrevistado explica que,</p>     <p>     <blockquote>ao opinar e tentar conduzir a opini&atilde;o p&uacute;blica, o jornal torna-se o porta-voz de certas vertentes do poder, pois, nesses casos, o editorial deixa ser um recurso interpretativo para o leitor e passa a prestar um servi&ccedil;o a alguns grupos pol&iacute;ticos, pois torna-se uma opini&atilde;o alinhada aos interesses de desses grupos&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Um dos respondentes escreveu que &ldquo;a opini&atilde;o do jornal nunca &eacute; gratuita nem inocente, mesmo quando aparentemente n&atilde;o est&aacute; a servi&ccedil;o deste ou daquele grupo pol&iacute;tico&rdquo;. Um dos informantes questionou o h&aacute;bito da imprensa de &ldquo;trabalhar no sentido de &lsquo;vender&rsquo; o que &eacute; o mais interessante para o momento, seja na forma de not&iacute;cia ou de opini&atilde;o, transformando tudo em espet&aacute;culo, nem sempre querendo influenciar politicamente o leitor, mas simplesmente em chamar a aten&ccedil;&atilde;o, na forma de espet&aacute;culo&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A vis&atilde;o dos entrevistados remete &agrave; c&eacute;lebre discuss&atilde;o sobre manipula&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia nas teorias da comunica&ccedil;&atilde;o. Conforme Wolf (1995), a discuss&atilde;o faz parte do repert&oacute;rio conceitual da <i>Communication Reserach</i>, uma das &aacute;reas de pesquisa inaugurais sobre os efeitos da comunica&ccedil;&atilde;o de massa na sociedade, conduzida por soci&oacute;logos estadunidenses no per&iacute;odo entreguerras. A manipula&ccedil;&atilde;o foi atribu&iacute;da como efeito da propaganda pol&iacute;tica baseada no modelo est&iacute;mulo-reposta da chamada <i>bullet theory</i> ou teoria hipod&eacute;rmica. Segundo esse modelo, o efeito esperado da audi&ecirc;ncia era sempre pass&iacute;vel de ser atingido (resposta), desde que o est&iacute;mulo fosse utilizado de forma adequada. Trata-se de uma perspectiva ancorada em um pressuposto de superpoderes dos m&iacute;dias de forma unilateral perante uma massa atomizada e psicologicamente vulner&aacute;vel &agrave;s mensagens divulgadas.</p>     <p>A influ&ecirc;ncia, por sua vez, resultaria de um processo mais sofisticado, no qual os efeitos esperados, ou seja, a resposta, depende n&atilde;o s&oacute; do est&iacute;mulo adequado, mas tamb&eacute;m do perfil psicol&oacute;gico da audi&ecirc;ncia e do contexto sociocultural. Nessa outra perspectiva as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais s&atilde;o vistas como fatores que poderiam limitar os poss&iacute;veis efeitos das mensagens midi&aacute;ticas, a exemplo do poder de influ&ecirc;ncia dos l&iacute;deres de opini&atilde;o e do acesso a fontes alternativas de informa&ccedil;&atilde;o e de opini&atilde;o. Nessa perspectiva, a influ&ecirc;ncia seria um efeito menos totalit&aacute;rio e unilateral da m&iacute;dia, ao se considerar a interfer&ecirc;ncia de outros fatores de ordem cognitiva, social e cultural.</p>     <p>As duas vis&otilde;es aparecem nas entrevistas, mas chama aten&ccedil;&atilde;o o argumento da &ldquo;manipula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como se os editoriais tivessem o poder de moldar a opini&atilde;o do p&uacute;blico &agrave; moda do antigo modelo est&iacute;mulo-resposta. Tal perspectiva presente nas entrevistas dos jornalistas desconsidera que os fatores intervenientes na forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o s&atilde;o cada vez mais variados e complexos. As abordagens associadas &agrave; no&ccedil;&atilde;o de influ&ecirc;ncia dos editoriais parecem ser mais adequadas para o atual contexto, pois est&atilde;o alinhadas com a atual no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;plasticidade das raz&otilde;es pr&aacute;ticas&rdquo; e de &ldquo;instancializa&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es&rdquo; e os interc&acirc;mbios entre ag&ecirc;ncia e estrutura. Apesar de essa ideia fazer parte das an&aacute;lises de Bourdieu (1996), talvez seja Giddens (1984) um dos autores de maior express&atilde;o nesse campo anal&iacute;tico. Para Giddens, a plasticidade ocorre dos dois lados, ou seja, tanto as estruturas moldam os agentes, como a os agentes mudam as estruturas. &nbsp;Isso significa de que certos editoriais at&eacute; podem influenciar a opini&atilde;o do leitor ou refor&ccedil;ar determinadas tend&ecirc;ncias e vis&otilde;es, mas n&atilde;o &ldquo;manipular&rdquo;. Al&eacute;m disso, as vis&otilde;es dos leitores tamb&eacute;m podem influir nos enquadramentos opinativos dos jornais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Refor&ccedil;o da opini&atilde;o das elites pol&iacute;ticas</B></p>     <p>Nesse quesito, um dos entrevistados afirma que &ldquo;n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o sempre se alinham aos interesses dos setores que dominam a economia e a pol&iacute;tica, especialmente quando se trata de quest&otilde;es estruturantes&rdquo;. Outro informante argumenta que &ldquo;os editoriais sempre se alinham ao grupo que domina a m&iacute;dia&rdquo; e complementa que &ldquo;os interesses pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos dos ve&iacute;culos parecem estar acima dos interesses da sociedade&rdquo;. Em um dos relatos, est&aacute; escrito que &ldquo;grupos de m&iacute;dia t&ecirc;m forte interesse na condu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica nacional, especialmente do ponto de vista econ&ocirc;mico, pois isso afeta diretamente o mercado de an&uacute;ncios&rdquo;. Por essa raz&atilde;o, geralmente pol&iacute;ticos e empres&aacute;rios &ldquo;mant&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima e usam os meios de comunica&ccedil;&atilde;o para vender seus produtos e ideias. E em um momento de crise no jornalismo, ganha quem paga mais e quem paga mais geralmente &eacute; a elite&rdquo;.</p>     <p>Outra perspectiva presente nas entrevistas &eacute; a de que &ldquo;os editoriais refletem o oportunismo pol&iacute;tico dos jornais&rdquo;, ou seja, &ldquo;refletem o que o que jornais querem destacar na agenda pol&iacute;tica do momento, devido a interesses que nem sempre s&atilde;o vis&iacute;veis para os leitores&rdquo;. Para outro entrevistado, &ldquo;a elite funciona como uma m&atilde;o invis&iacute;vel que conduz a pol&iacute;tica editorial dos jornais; quando a opini&atilde;o e os interesses das elites muda, os editoriais tamb&eacute;m mudam o tom&rdquo;. Ainda sob essa &oacute;tica, outro argumento apresentado &eacute; que &ldquo;o jornal atua de forma estrat&eacute;gica, inclusive nos editoriais, que podem refor&ccedil;ar a import&acirc;ncia de algumas agendas e apresentar demandas ao campo pol&iacute;tico&rdquo;.</p>     <p>Alguns dos entrevistados questionam a fun&ccedil;&atilde;o original dos editoriais, de provocar o debate p&uacute;blico, sem necessariamente &ldquo;conduzir o leitor a certas conclus&otilde;es&rdquo; ou &ldquo;assumir como sendo do jornal a opini&atilde;o de um grupo pol&iacute;tico com influ&ecirc;ncia nas elites respons&aacute;veis pelas grandes decis&otilde;es do pa&iacute;s&rdquo;. Para um dos entrevistados,</p>     <p>     <blockquote>ao se posicionar sobre certos temas pol&iacute;ticos simplesmente para cumprir acordos de opini&atilde;o com as elites, o jornal exacerba sua fun&ccedil;&atilde;o e sua esfera de atua&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de trair a confian&ccedil;a de seus leitores, que pensam que a opini&atilde;o expressa no editorial &eacute; realmente uma opini&atilde;o apresentada ao p&uacute;blico com a finalidade de contribuir para o debate p&uacute;blico democr&aacute;tico&rdquo;.</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Em raz&atilde;o disso, complementa outro entrevistado:</p>     <p>     <blockquote>a &nbsp;opini&atilde;o do jornal - que &eacute; leg&iacute;tima e deve ser explicitada aos leitores pelo ve&iacute;culo - muitas vezes apenas se coaduna a grupos de interesse econ&ocirc;mico ou pol&iacute;tico, como os grandes anunciantes, sem que haja uma an&aacute;lise realista dos fatos, que poderia contribuir efetivamente para a democracia. Ao se alinhar as elites e servir de porta-voz de grupelhos de interesses duvidosos, os jornais atuam contra a democracia e contra o leitor.&rdquo;</blockquote>     <p></p>     <p>Por outro lado, h&aacute; entrevistados que ressaltam que</p>     <p>     <blockquote>se um jornal &eacute; um agente pol&iacute;tico, logo &eacute; ing&ecirc;nuo idealizar suas fun&ccedil;&otilde;es, imaginar que deveria agir de forma democr&aacute;tica e coisa e tal. Como um agente inserido no jogo de poder, jamais um jornal ser&aacute; neutro, plural ou defensor de interesses de maiorias sem nenhum poder. Sendo uma pe&ccedil;a do sistema de poderes, qualquer jornal vai atuar de forma estrat&eacute;gica para tirar proveito do poder, usando todas as suas ferramentas, inclusive os editoriais. N&atilde;o podemos ser ing&ecirc;nuos, inocentes e idealistas&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Quanto &agrave; rela&ccedil;&atilde;o dos jornais com os grupos de interesses, a avalia&ccedil;&atilde;o dos entrevistados &eacute; que se diferencia em parte da rela&ccedil;&atilde;o com as elites no sentido amplo, pois &ldquo;h&aacute; grupos de interesse que s&atilde;o da elite e outros que n&atilde;o s&atilde;o&rdquo;. Um dos entrevistados resumiu que &ldquo;a rela&ccedil;&atilde;o dos jornais com a elite &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel e duradoura, enquanto a rela&ccedil;&atilde;o com os grupos de interesse &ndash; na maioria dos casos - &eacute; eventual e moment&acirc;nea&rdquo;. Isso significa que &ldquo;h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es em que os jornais se alinham a certos grupos de interesse como estrat&eacute;gia de refor&ccedil;o e do alcance de suas opini&otilde;es, mas resolvido o problema do momento, aquele grupo de interesse n&atilde;o consegue mais interferir na opini&atilde;o do jornal&rdquo;. Em resumo, &eacute; como se os grupos de interesses fossem respons&aacute;veis por causas epis&oacute;dicas que conseguem o apoio moment&acirc;neo dos jornais, mas apenas naquele momento em que &ldquo;houve converg&ecirc;ncia entre os dois lados, mas uma converg&ecirc;ncia passageira, sem necessariamente haver dura&ccedil;&atilde;o ou continuidade&rdquo;, como explica um dos entrevistados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os que acham que a fun&ccedil;&atilde;o do editorial &eacute; esclarecer o leitor sobre a opini&atilde;o do jornal (15,1%), justificam tal vi&eacute;s pela perspectiva das rela&ccedil;&otilde;es de consumo. &ldquo;J&aacute; que o jornal &eacute; uma empresa que informa&ccedil;&atilde;o e opini&atilde;o, o leitor tem o direito de saber a posi&ccedil;&atilde;o do jornal sobre os temas pol&iacute;ticos&rdquo;. Os entrevistados que pensam que a fun&ccedil;&atilde;o do editorial &eacute; &ldquo;alinhar-se aos grupos de interesse&rdquo; (15,1%), acham tal postura &ldquo;leg&iacute;tima, pois n&atilde;o existe atividade comercial sem interesse&rdquo;. Aqueles que responderam que a fun&ccedil;&atilde;o do editorial &eacute; &ldquo;alinhar-se aos interesses dos anunciantes&rdquo; (15,1%), tamb&eacute;m tratam o jornal como um neg&oacute;cio, em que &ldquo;opini&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o servem de suporte para an&uacute;ncios&rdquo;. Os dois entrevistados que concordam que a fun&ccedil;&atilde;o do editorial &eacute; &ldquo;contrapor-se &agrave; vis&atilde;o dominante das elites pol&iacute;ticas&rdquo; pensam que &ldquo;o contraponto &eacute; parte da democracia e os jornais n&atilde;o s&atilde;o necessariamente aparelhos ideol&oacute;gicos das elites e h&aacute; momentos em que os jornais atuam como agentes firmes no questionamento dos valores pol&iacute;ticos da nossa elite retr&oacute;grada&rdquo;.</p>     <p>O que se observa na an&aacute;lise dos entrevistados em rela&ccedil;&atilde;o a esse t&oacute;pico &eacute; uma variedade de perspectivas, o que &eacute; interessante em termos de contrapontos, conforme foi exposto acima. Entretanto, apesar disso, h&aacute; muitos depoimentos que se alinham &agrave; perspectiva estereotipada da &ldquo;m&iacute;dia m&aacute;&rdquo;, um tema recorrente na literatura sobre sociologia da m&iacute;dia, a exemplo dos estudos de Lemieux (2000; 2010). Com base em estudos etnoGráficos o autor contesta a tese da &ldquo;constru&ccedil;&atilde;o da realidade&rdquo; pelos m&iacute;dias. Seu principal argumento &eacute; o de a m&iacute;dia n&atilde;o atua isoladamente, mas em coopera&ccedil;&atilde;o e competi&ccedil;&atilde;o com v&aacute;rios outros atores, como os pr&oacute;prios pol&iacute;ticos e os p&uacute;blicos. Nessa perspectiva, um editorial seria uma produ&ccedil;&atilde;o coletiva. A opini&atilde;o de um jornal n&atilde;o seria, portanto, algo t&atilde;o exclusivo daquele ve&iacute;culo espec&iacute;fico, mas resultante de um conjunto de for&ccedil;as e de um jogo com v&aacute;rios atores envolvidos. Dessa forma, tanto uma not&iacute;cia como um texto opinativo seriam modos que os jornalistas usam para traduzir e expressar ideias coletivas, embora nem sempre consensuais.</p>     <p>Todos os entrevistados concordam que os editoriais exercem influ&ecirc;ncia no debate p&uacute;blico atualmente. A op&ccedil;&atilde;o &ldquo;n&atilde;o exercem nenhuma influ&ecirc;ncia&rdquo; n&atilde;o registrou nenhuma ades&atilde;o, como mostra a <a href="#t6">Tabela 6</a>. O que varia &eacute; a escala e o grau de influ&ecirc;ncia, na vis&atilde;o dos informantes. Nessa escala, 40,8% responderam que os editoriais exercem influ&ecirc;ncia cada vez menor; 37,7% que exercem influ&ecirc;ncia moderada; 10% que exercem grande influ&ecirc;ncia; 7,5% que exercem influ&ecirc;ncia muito reduzida; e 4,2% que depende do tema e do contexto.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t6"></a> <img src="/img/revistas/obs/v12n2/12n2a13t6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Entre aqueles que acham que os editoriais exercem influ&ecirc;ncia moderada ou cada vez menor destacam-se justificativas relacionadas &agrave; diversifica&ccedil;&atilde;o do campo midi&aacute;tico:</p>     <p>- J&aacute; exerceram grande influ&ecirc;ncia, mas atualmente n&atilde;o, pois os meios de informa&ccedil;&atilde;o e opini&atilde;o se diversificaram muito com a internet.</p>     <p>- As redes sociais e os blogs deram voz a uma infinidade de opini&otilde;es, reduzindo a influ&ecirc;ncia dos editoriais.</p>     <p>- H&aacute; hoje uma pluralidade de fontes de opini&atilde;o. Os jornais s&atilde;o importantes, mas j&aacute; t&ecirc;m espa&ccedil;o reduzido devido &agrave; concorr&ecirc;ncia com tantas outras fontes.</p>     <p>- Existem v&aacute;rios outros fatores importantes que influenciam a opini&atilde;o p&uacute;blica - redes sociais, hoje, s&atilde;o mais fortes que editoriais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos entrevistados mencionou que &ldquo;j&aacute; se foi o tempo em que editorias da imprensa agitavam a esfera p&uacute;blica&rdquo;. Atualmente, &ldquo;s&atilde;o meras pe&ccedil;as discursivas que repercutem quase que exclusivamente dentre as pr&oacute;prias elites para as quais s&atilde;o redigidas; quando muito, ecoam no Congresso Nacional por meio de parlamentares interessados tanto no eventual tema em quest&atilde;o quanto em bajular o ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Outro argumento &eacute; o de que &ldquo;os editoriais sempre ter&atilde;o o seu lugar e sua relev&acirc;ncia pol&iacute;tica&rdquo;. Mesmo reduzindo o n&uacute;mero de leitores, &ldquo;trata-se de um produto que tem uma &lsquo;aura&rsquo; j&aacute; consagrada, um certo ar de prest&iacute;gio, de <i>status, </i>algo quase m&iacute;tico. Falou em editorial contra ou a favor de certo tema, vai gerar interesse e discuss&atilde;o, mesmo que seja s&oacute; entre os pr&oacute;prios jornalistas ou na esfera pol&iacute;tica&rdquo;. Isso porque, segundo outro entrevistado, &ldquo;o editorial nunca foi concebido para ser um produto de massa, mas para uma parcela reduzida de leitores, por&eacute;m um segmento influente, seja a elite pol&iacute;tica, a nata do setor econ&ocirc;mico ou mesmo outro tipo de elite&rdquo;.</p>     <p>Outros entrevistados objetam que,</p>     <p>     <blockquote>os editoriais sozinhos talvez n&atilde;o exer&ccedil;am tanta influ&ecirc;ncia, mas certamente o recorte deles aparece na configura&ccedil;&atilde;o geral do jornal, o que acaba tendo maior influ&ecirc;ncia. Uma reflex&atilde;o sobre editorias n&atilde;o deve focar apenas no editorial de forma isolada, mas nas conex&otilde;es dele com o conjunto do notici&aacute;rio, especialmente com a arquitetura noticiosa que resulta na escolha das manchetes de primeira p&aacute;gina, nas fotos, no destaque a algumas declara&ccedil;&otilde;es de autoridades, entre outros fatores. &Eacute; esse conjunto que exerce influ&ecirc;ncia persuasiva e n&atilde;o apenas o editorial isoladamente&rdquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>Aqueles entrevistados que acreditam que os editoriais ainda exercem grande influ&ecirc;ncia, justificam que &ldquo;continuam sendo relevantes para o debate p&uacute;blico e lidos pela classe pol&iacute;tica&rdquo;. Outros informantes alegam que &ldquo;a influ&ecirc;ncia n&atilde;o est&aacute; associada necessariamente a uma grande quantidade de leitores, mas principalmente ao valor simb&oacute;lico que o g&ecirc;nero editorial conquistou ao longo da hist&oacute;ria do jornalismo&rdquo;. Nessa mesma linha de racioc&iacute;nio outro informante considera que &ldquo;estamos tratando de influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica, algo muito espec&iacute;fico, que n&atilde;o se aplica obrigatoriamente a grande contingente de leitores, mas a alguns segmentos, aqueles eleitores capazes de exercer influ&ecirc;ncia na pol&iacute;tica e n&atilde;o o leitor comum, que est&aacute; fora e distante das esferas decis&oacute;rias&rdquo;. Em resumo, h&aacute; praticamente um consenso entre os entrevistados desse segmento de que os editoriais permanecem como uma forma expressiva de opini&atilde;o pol&iacute;tica, consideradas as especificidades do atual contexto midi&aacute;tico.</p>     <p>Por fim est&atilde;o aqueles que acreditam que os editoriais podem ser relevantes ou n&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o do tema e do contexto. &ldquo;Acho muito dif&iacute;cil tratar o assunto de forma categ&oacute;rica, pois acredito que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel generalizar e considerar o editorial como uma entidade abstrata, descolada da realidade&rdquo;. Outro informante complementa que &ldquo;depende do jornal, do assunto que est&aacute; sendo tratado, do momento, se h&aacute; pol&ecirc;mica ou como&ccedil;&atilde;o envolvida, do n&uacute;mero de pessoas afetadas, entre outros fatores&rdquo;. Um dos entrevistados explica que &ldquo;n&atilde;o h&aacute; uma regra geral, pois h&aacute; editoriais de grande impacto no debate p&uacute;blico e outros sem grande relev&acirc;ncia, o que nos leva a pensar em diferentes escalas e n&iacute;veis de influ&ecirc;ncia dos editoriais e dos pr&oacute;prios ve&iacute;culos de m&iacute;dia&rdquo;.</p>     <p>Da mesma forma que no item anterior, observamos uma variedade de abordagens na opini&atilde;o dos entrevistados, mas a partir de uma perspectiva comum, centrada na manuten&ccedil;&atilde;o ou na altera&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas de poder do pr&oacute;prio jornalismo, como a emerg&ecirc;ncia das m&iacute;dias digitais e o contexto cultural relacionado ao novo ambiente tecnol&oacute;gico. Pouco se falou, contudo, sobre as reconfigura&ccedil;&otilde;es do debate p&uacute;blico em si e das redefini&ccedil;&otilde;es relativas aos novos modelos de esfera p&uacute;blica. Embora isso n&atilde;o tenha sido perguntado diretamente, o pressuposto era o de que tais quest&otilde;es permeariam o debate, especialmente em fun&ccedil;&atilde;o do perfil do p&uacute;blico entrevistado, visto que os jornalistas s&atilde;o agentes por excel&ecirc;ncia do debate que ocorre na esfera p&uacute;blica.</p>     <p>A pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de jornalismo opinativo e de editorial, especificamente, est&aacute; diretamente associada a essa discuss&atilde;o, conforme foi demonstrado na primeira parte do texto. O sil&ecirc;ncio dos entrevistados quanto a isso talvez seja explicado pela pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de esvaziamento de debate p&uacute;blico na atualidade, conforme registra Bauman (2010; 2015). O autor faz refer&ecirc;ncia a uma aguda crise nos debates p&uacute;blicos na atualidade, com o &ldquo;desaparecimento ou redu&ccedil;&atilde;o das arenas voltadas para a delibera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e pol&iacute;tica&rdquo; (2015, p.120), em &ldquo;um mundo saturado de opini&otilde;es que se op&otilde;em e que mutuamente corroem sua veracidade real ou suposta&rdquo; (BAUMAN, 2015, p.105). O jornalismo opinativo e os editoriais, especificamente, parecem fazer parte desse cen&aacute;rio de crise discursiva apontada pelo autor, o que se deduz do sil&ecirc;ncio dos entrevistados quanto a esse aspecto.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Conclus&otilde;es</B></p>     <p>A an&aacute;lise das entrevistas apresenta resultados inusitados, como a cren&ccedil;a dos informantes no poder de &ldquo;manipula&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos editoriais, com reflexos diretos na forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica e no refor&ccedil;o da opini&atilde;o das elites pol&iacute;ticas. Paradoxalmente, outra parte dos respondentes defende a ideia de que o editorial reduziu sua capacidade de influir no debate pol&iacute;tico, embora ainda seja um dispositivo capaz de exercer alguma influ&ecirc;ncia, a depender do tema, do capital editorial do ve&iacute;culo e do contexto. Nesse sentido, acreditamos que o estudo apresenta uma contribui&ccedil;&atilde;o significativa para o entendimento da rela&ccedil;&atilde;o entre jornalismo opinativo e debate pol&iacute;tico, a partir da perspectiva do editorial, um g&ecirc;nero muito valorizado no passado, mas que foi praticamente esquecido nos &uacute;ltimos anos, inclusive como objeto de estudo.</p>     <p>Apesar de apresentar quest&otilde;es espec&iacute;ficas, o estudo aqui exposto permite relacionar tais quest&otilde;es espec&iacute;ficas com um cen&aacute;rio reflexivo mais abrangente, como a rela&ccedil;&atilde;o entre imprensa e esfera p&uacute;blica, uma das bases dos estudos hist&oacute;ricos e te&oacute;ricos sobre o assunto, como foi registrado na primeira parte do estudo, especialmente com as contribui&ccedil;&otilde;es de Habermas sobre a relev&acirc;ncia da opini&atilde;o da esfera p&uacute;blica burguesa. Apesar disso, existem estudos mais recentes que apontam uma progressiva perda da import&acirc;ncia dos editoriais como instrumento fomentador do debate p&uacute;blico (DEMERS, 2016). &Eacute; oportuno salientar que as entrevistas tamb&eacute;m apontaram esse argumento, havendo, portanto, converg&ecirc;ncia entre os estudos acad&ecirc;micos e a perspectiva dos entrevistados quanto &agrave; progressiva perda do poder de influ&ecirc;ncia dos editoriais no debate pol&iacute;tico atualmente.</p>     <p>Tal perspectiva p&otilde;e quest&otilde;es para aprofundar o debate entre imprensa e democracia no atual cen&aacute;rio midi&aacute;tico e pol&iacute;tico, uma das perspectivas mais presentes nos estudos sobre m&iacute;dia e pol&iacute;tica. Na esteira de tal problem&aacute;tica est&aacute; a an&aacute;lise da pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o entre o editorial e as reconfigura&ccedil;&otilde;es do jornalismo pol&iacute;tico, especialmente no que diz respeito a seu papel de arena discursiva na modernidade. Uma perspectiva interessante apontada pelos entrevistados refere-se a uma prov&aacute;vel &ldquo;migra&ccedil;&atilde;o&rdquo; do car&aacute;ter opinativo e interpretativo do editorial para o campo informativo, com a emerg&ecirc;ncia de formatos noticiosos que incorporam vis&otilde;es editorializadas. Tal reconfigura&ccedil;&atilde;o do jornalismo pol&iacute;tico teria mais poder de persuas&atilde;o e de influ&ecirc;ncia na esfera p&uacute;blica e nos debates pol&iacute;ticos do que o editorial isoladamente.</p>     <p>Chama aten&ccedil;&atilde;o na an&aacute;lise das entrevistas o repert&oacute;rio lingu&iacute;stico dos informantes acerca de algumas quest&otilde;es, como a no&ccedil;&otilde;es de manipula&ccedil;&atilde;o e de influ&ecirc;ncia. Ali&aacute;s, cabe o registro de que n&atilde;o apareceu o termo persuas&atilde;o em nenhum dos depoimentos. Cabe ressaltar a que a ideia de manipula&ccedil;&atilde;o faz parte de um escopo te&oacute;rico considerado ultrapassado nas teorias da comunica&ccedil;&atilde;o, conforme j&aacute; foi apontado anteriormente. A ideia de influ&ecirc;ncia &eacute; acionada de modo mais apropriado &agrave;s an&aacute;lises mais contempor&acirc;neas sobre os prov&aacute;veis efeitos sociais da atua&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. Influ&ecirc;ncia, como vimos, seria um efeito menos absoluto e mais relativo, condicionado por m&uacute;ltiplos fatores. Trata-se de uma concep&ccedil;&atilde;o mais condizente com as trilhas anal&iacute;ticas que consideram que o jornalismo &eacute; uma atividade complexa e condicionada multifatorialmente.</p>     <p>O uso do termo elites pelos entrevistados &eacute; outro ponto que merece maior aten&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m de n&atilde;o haver consenso, parece ser resultado de uma vis&atilde;o bastante estereotipada e conservadora do termo, como se as elites fossem estamentos separados e dissociados dos demais segmentos da sociedade. O que se depreende de grande parte das entrevistas &eacute; que a no&ccedil;&atilde;o de elite se limita aos grupos que det&eacute;m poder pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico, sem considerar, por exemplo, as elites culturais. Al&eacute;m disso, os informantes pensam em elites apenas no n&iacute;vel macro, como inst&acirc;ncias muito poderosas, sem considerar a possibilidade de elites intermedi&aacute;rias e tamb&eacute;m de elites que atuam e exercem poder em escalas hier&aacute;rquicas menores. O mesmo se aplica ao uso da no&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o p&uacute;blica, que aparece nos relatos como algo abstrato e generaliz&aacute;vel, como se fosse um bloco homog&ecirc;neo de pensamento.</p>     <p>Por fim, inferimos que a pesquisa revela alguns aspectos relevantes sobre <i>ethos</i> jornal&iacute;stico, com caracter&iacute;sticas expressivas da cultura profissional dessa categoria t&atilde;o importante para a democracia. As <i>raz&otilde;es pr&aacute;ticas</i>, como vimos anteriormente, orientam o <i>ethos</i> desses profissionais, com reflexos diretos na opini&atilde;o deles acerca dos editoriais, da pol&iacute;tica e do debate p&uacute;blico. Express&otilde;es desse <i>ethos</i> podem ser relacionadas com as motiva&ccedil;&otilde;es para ler ou n&atilde;o ler editoriais, para avaliar suas fun&ccedil;&otilde;es e seu maior ou menor potencial de influ&ecirc;ncia nos debates pol&iacute;ticos, como vimos anteriormente. O estudo tem ainda o potencial de apontar para outras possibilidades anal&iacute;ticas sobre a fun&ccedil;&atilde;o dos editoriais na atualidade, a partir da an&aacute;lise das perspectivas de outros grupos, como os pr&oacute;prios pol&iacute;ticos, os intelectuais e os leitores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B></p>     <!-- ref --><p>Amaral, L. (1997).&nbsp;<i>Jornalismo: mat&eacute;ria de primeira p&aacute;gina</i>. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=949397&pid=S1646-5954201800020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Azevedo, F. A.; Chaia, V. L. M. (2008). O Senado nos editoriais dos jornais paulistas (2003-2004).&nbsp;<i>Opini&atilde;o P&uacute;blica, </i>v.&nbsp;14, n. 1, p. 173-204.</p>     <p>B&aacute;ccaro, L.; Nascimento, E. L. (2007). O g&ecirc;nero editorial na perspectiva do interacionismo s&oacute;cio-discursivo: o contexto de produ&ccedil;&atilde;o. <i>Anais do V Encontro Cient&iacute;fico do Curso de Letras, </i>Londrina, 2007<i>. </i>&nbsp;Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.faccar.com.br/eventos/desletras/hist/2007_g/textos/15.htm" target="_blank">http://www.faccar.com.br/eventos/desletras/hist/2007_g/textos/15.htm</a> Acesso em 27/02/17.</p>     <!-- ref --><p>Bardin, L. (2010). <i>An&aacute;lise de Conte&uacute;do</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=949401&pid=S1646-5954201800020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Barros, A. T. (1993). A &eacute;tica de mercado na produ&ccedil;&atilde;o noticiosa do jornal Folha de S. Paulo.&nbsp;<i>Perspectivas</i>, v. 16, n. 1, p. 265-294.</p>     <p>Barros, A. T. (2013). Editoriais jornal&iacute;sticos sobre ecologia: opini&atilde;o privada como opini&atilde;o publicamente mediada.&nbsp;<i>Comunica&ccedil;&atilde;o &amp; Informa&ccedil;&atilde;o</i>, v. 3, n. 1, p. 65-79, 2013.</p>     <p>Barros, A. T. (2015). &nbsp;Sociologia da m&iacute;dia: principais perspectivas e contrapontos. <i>S&eacute;culo XXI - Revista de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, v. 5, p. 186-222, 2015.</p>     <!-- ref --><p>Beltr&atilde;o, L. (1980). <i>Jornalismo opinativo</i>, Porto Alegre, Sulina,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=949406&pid=S1646-5954201800020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->1980.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bourdieu, P. (1996).&nbsp;<i>Raz&otilde;es pr&aacute;ticas: sobre a teoria da a&ccedil;&atilde;o</i>. Papirus Editora, 1996.</p>     <p>Brito, S. de. (1994). <i>A argumenta&ccedil;&atilde;o e a perlocu&ccedil;&atilde;o no discurso jornal&iacute;stico: o editorial</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado (Po&eacute;ticas Visuais). Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho.</p>     <p>Campo, P. C. (2001). G&ecirc;nero Opinativo.&nbsp;<i>Observat&oacute;rio de Imprensa Online</i>. <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/da010520026.htm" target="_blank">http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/da010520026.htm</a> Acesso em 27/92/17</p>     <p>Campo, P. C. (2009). G&ecirc;neros do Jornalismo e t&eacute;cnicas de entrevista.&nbsp;<i>Estudos em Jornalismo e M&iacute;dia,</i>&nbsp;<i>v.</i> 6, no. 1, p. 127-141.</p>     <p>Cantril, H.; Allport, G. W. (1933). Recent applications of the Study of Values.&nbsp;<i>The Journal of Abnormal and Social Psychology</i>&nbsp;, v.28, no. 3, p. 259-267.</p>     <p>Cavalcanti, Maria Em&iacute;lia Tavares Varela; ROCHA NETO, Manoel Pereira (2014). O uso das redes sociais na pr&aacute;tica do jornalismo colaborativo.&nbsp;<i>Quipus</i>, v. 3, n. 2, p. 65-78.</p>     <!-- ref --><p>Chaparro, M. C. (1994). <i>Pragm&aacute;tica do jornalismo</i>: buscas pr&aacute;ticas para uma teoria da a&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica. S&atilde;o Paulo: Summus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=949414&pid=S1646-5954201800020001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Chau&iacute;, M. (1986). Imprensa e democracia.&nbsp;<i>Folha de S. Paulo</i>, 30/06/86, p.3.</p>     <p>Cook, T. (1998). <i>Governing with the News &ndash; The News Medias as a Political Instittion. </i>The University of Chicago Press.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Demers, F. (2016). O editorial e o debate pu&#769;blico. &nbsp;<i>Sobre jornalismo</i>, v. 5, n. 2, p. 88-91, 2016.</p>     <p>Dowling, D. (2016). The Emergence of the Progressive Editorial in the Nineteenth-Century Press. <i>Sobre jornalismo</i>, v. 5, n&deg;2, p. 106-119.</p>     <!-- ref --><p>Erbolato, M. L.&nbsp;(2002). <i>T&eacute;cnicas de codifica&ccedil;&atilde;o em jornalismo: reda&ccedil;&atilde;o, capta&ccedil;&atilde;o e edi&ccedil;&atilde;o no jornal di&aacute;rio</i>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=949420&pid=S1646-5954201800020001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Faria, M. A.&nbsp;(1996). <i>O jornal na sala de aula.&nbsp;</i>S&atilde;o Paulo: Contexto,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=949422&pid=S1646-5954201800020001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> 1996.</p>     <p>Firmstone, J., (2008). The editorial production process and editorial values as influences on the opinions of the British press towards Europe. <i>Journalism Practice</i>, v. 2, n.2, 2016, p. 212-229.</p>     <!-- ref --><p>Krieger, M. da G. (1990). Editoriais jornal&iacute;sticos: discursos de representa&ccedil;&atilde;o do interesse coletivo. <i>Revista de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o</i>. 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Educs,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=949431&pid=S1646-5954201800020001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> 2003.</p>     <p>Lemos, C. R. F.; Barros, A. T. (2016). Lutas simb&oacute;licas na arena midi&aacute;tica: o poder de ag&ecirc;ncia do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e as controv&eacute;rsias sobre a PEC 37. <i>Opini&atilde;o P&uacute;blica</i>, Campinas, v.22,n. 3,p. 702-738.</p>     <!-- ref --><p>Lemieux, C. (2000). <i>Mauvaise presse: </i>une sociologie compr&eacute;hensive du travail journalistique et de ses critiques. 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Bras&iacute;lia: EdUnB.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=949454&pid=S1646-5954201800020001300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Weber, M. 2005 [1910]. Sociologia da Imprensa: um programa de pesquisa. <i>Estudos em Jornalismo e M&iacute;dia</i>, 2, no. 1, p. 13-21.</p>     <!-- ref --><p>Wolf, M. (1995). <i>Teorias da comunica&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=949457&pid=S1646-5954201800020001300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>NOTAS</B></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Segundo a perspectiva funcionalista, os m&iacute;dias exercem quatros fun&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas que se articulam nos seguintes feixes de atividades de regula&ccedil;&atilde;o e controle social: a vigil&acirc;ncia do ambiente social, a interpreta&ccedil;&atilde;o dos eventos noticiados, a transmiss&atilde;o cultural de valores com vistas ao refor&ccedil;o de normas sociais e o entretenimento como fun&ccedil;&atilde;o de al&iacute;vio das tens&otilde;es sociais do cotidiano (Barros, 2015).</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Faz parte do escopo da pesquisa estudar a percep&ccedil;&atilde;o de outros segmentos como os pol&iacute;ticos, os intelectuais e os leitores.</p>      ]]></body><back>
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