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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Papel do suporte transfusional na endarterectomia carotídea: uma mudança no protocolo de atuação]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Role of transfusion in carotid endarterectomy: A need of change in the protocol]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-706X2014000300004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-706X2014000300004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-706X2014000300004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A endarterectomia carotídea é um procedimento cirúrgico de elevada diferenciação cujo benefício é inegável, mas que apresenta riscos importantes, nomeadamente o risco trombótico e possível precipitação de um acidente vascular cerebral. O risco hemorrágico perioperatório é baixo. O protocolo de atuação do nosso serviço contempla a reserva perioperatória de 2 unidades de glóbulos rubros, o que na maioria dos casos parece excessivo. Se, por um lado, as perdas hemáticas durante este procedimento podem justificar o suporte transfusional deste hemoderivado, por outro, a crescente necessidade de poupança que o Sistema Nacional de Saúde vive remete-nos a refietir acerca de possíveis gastos desnecessários. Métodos: Avaliaram-se retrospetivamente os casos de endarterectomia carotídea no nosso serviço no período de 2010-2012. Procedeu-se à quantificação do número de transfusões de glóbulos rubros efetuadas perioperatoriamente. Foram avaliados os possíveis fatores de risco para a eventual necessidade de suporte transfusional como a hipocoagulação, coagulopatia, anemia e trombocitopenia. Procedeu-se à avaliação dos parâmetros técnicos da cirurgia como a técnica utilizada (angioplastia com patch de dacron ou eversão), a necessidade de uso de shunt, o tempo operatório e de outros fatores relevantes como as perdas hemáticas intraoperatórias, a presença de hematoma cervical ou outras complicações perioperatórias. Resultados e conclusões: Foram submetidos a endarterectomia carotídea 66 doentes, dos quais apenas 2 (3%) necessitaram de suporte transfusional no período pós-operatório (2 unidades de glóbulos rubros). Um caso ocorreu em contexto de hemorragia incisional e hematemeses (lesões de Mallory-Weiss) num doente hipocoagulado cronicamente por uma fibrilação auricular. O outro caso ocorreu em contexto de hemorragia incisional numa doente com anemia prévia e cardiopatia isquémica (no pós-operatório imediato apresentava hemoglobina de 8,1 g/dL). O valor médio das perdas intraoperatórias foi de 138,70 ± 78,82 ml. Apenas um (1,5%) necessitou de drenagem cirúrgica por hematoma cervical. Estes resultados sugerem que o protocolo de atuação, no que se refere ao suporte transfusional na cirurgia carotídea eletiva, merece ser revisto. Perante estes resultados haverá razões para presumir que neste procedimento não será necessária a reserva de glóbulos rubros de forma rotineira, podendo esta ser protocolada apenas para casos específicos identificados como de maior risco. © 2014 Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. Publicado por Elsevier España, S.L.U. Todos os direitos reservados.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introdution: The carotid endarterectomy is a highly differentiated procedure, with a clear known benefit, although it envolves the risk of stroke. The bleeding risk related to the surgery is low. In our departpment we routinely ask for two red blood cell units, which seems excessive. In one hand there is the risk of bleeding related to any surgery, on the other, there is a growing need to review and end unnecessary expenses because of the socio-economic crisis we live in. Methods: We retrospectively reviewed our experience in carotid endarterectomy between January 2010 and December 2012. We noted the number of red blood cell transfusions were made perioperatively. We characterized the population, as well as a number of risk factos that would be related to increased bleeding and thus transfusion risk as in hypocoagulation, known coagulophy, anemia or thombocytemia. We characterized the procedure it self as in used technique, the need for shunt, operative time, the bleeding ocurred perioperatively as in other procedural complications as cervical hematoma. Results and Conclusions: Sixty six patients were submited to carotid endarterectomy during the time of study. Two patients (3%) did need a red blood cell transfusion (two units). One case of bleeding throught the incision plus Mallory-Weiss lesions with bleeding in a hypocogulated patient. The other case of bleeding throught the incision in a already anemic patient with a coronary artery disease (postoperatively with hemoglobin of 8.1 g/dL). The mean value of bleeding was 138.70 ± 78.82 ml. Only one patient did need reinterverntion because of a cervical hematoma. These results suggest that there could be changes to make in our way of preparing for bleeding risk perioperatively in carotid endarterectomy. We can conclude that there is no need for routinely asking for two red blood cell units and can do that in selected cases. Asking for a Type and Screen routine may be enough for most situations. © 2014 Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. Published by Elsevier España, S.L.U. All rights reserved.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Endarterectomia carotídea]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Transfusão eritrocitária]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Redução de custos revisto]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Carotid endarterectomy]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Cost savings]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p><b>Papel do suporte transfusional na endarterectomia carot&iacute;dea: uma mudan&ccedil;a no protocolo de atua&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>Role of transfusion in carotid endarterectomy: A need of change in the protocol </b></p>     <p><b>Ricardo Gouveia<sup>*a</sup>, Pedro Brand&atilde;o<sup>a</sup>, Paulo Barreto<sup>a</sup>, Pedro Sousa<sup>a</sup>, Jacinta Campos<sup>a</sup>, Andreia Coelho<sup>a</sup> e Alexandra Canedo<sup>a</sup></p></b>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>a </sup>Servi&ccedil;o de Angiologia e Cirurgia Vascular, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>*</sup><a href="#c0">Autor para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Introdu&ccedil;&atilde;o: A endarterectomia carot&iacute;dea &eacute; um procedimento cir&uacute;rgico de elevada diferencia&ccedil;&atilde;o cujo benef&iacute;cio &eacute; ineg&aacute;vel, mas que apresenta riscos importantes, nomeadamente o risco tromb&oacute;tico e poss&iacute;vel precipita&ccedil;&atilde;o de um acidente vascular cerebral. O risco hemorr&aacute;gico perioperat&oacute;rio &eacute; baixo. O protocolo de atua&ccedil;&atilde;o do nosso servi&ccedil;o contempla a reserva perioperat&oacute;ria de 2 unidades de gl&oacute;bulos rubros, o que na maioria dos casos parece excessivo. Se, por um lado, as perdas hem&aacute;ticas durante este procedimento podem justificar o suporte transfusional deste hemoderivado, por outro, a crescente necessidade de poupan&ccedil;a que o Sistema Nacional de Sa&uacute;de vive remete-nos a refietir acerca de poss&iacute;veis gastos desnecess&aacute;rios.</p>     <p><i>M&eacute;todos: </i>Avaliaram-se retrospetivamente os casos de endarterectomia carot&iacute;dea no nosso servi&ccedil;o no per&iacute;odo de 2010-2012. Procedeu-se &agrave; quantifica&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de transfus&otilde;es de gl&oacute;bulos rubros efetuadas perioperatoriamente. Foram avaliados os poss&iacute;veis fatores de risco para a eventual necessidade de suporte transfusional como a hipocoagula&ccedil;&atilde;o, coagulopatia, anemia e trombocitopenia. Procedeu-se &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o dos par&acirc;metros t&eacute;cnicos da cirurgia como a t&eacute;cnica utilizada (angioplastia com patch de dacron ou evers&atilde;o), a necessidade de uso de <i>shunt</i>, o tempo operat&oacute;rio e de outros fatores relevantes como as perdas hem&aacute;ticas intraoperat&oacute;rias, a presen&ccedil;a de hematoma cervical ou outras complica&ccedil;&otilde;es perioperat&oacute;rias.</p>     <p><i>Resultados e conclus&otilde;es: </i>Foram submetidos a endarterectomia carot&iacute;dea 66 doentes, dos quais apenas 2 (3%) necessitaram de suporte transfusional no per&iacute;odo p&oacute;s-operat&oacute;rio (2 unidades de gl&oacute;bulos rubros). Um caso ocorreu em contexto de hemorragia incisional e hematemeses  (les&otilde;es de Mallory-Weiss) num doente hipocoagulado cronicamente por uma fibrila&ccedil;&atilde;o auricular. O outro caso ocorreu em contexto de hemorragia incisional numa doente com anemia pr&eacute;via e cardiopatia isqu&eacute;mica (no p&oacute;s-operat&oacute;rio imediato apresentava hemoglobina de 8,1 g/dL). O valor m&eacute;dio das perdas intraoperat&oacute;rias foi de 138,70 &plusmn; 78,82 ml. Apenas um (1,5%) necessitou de drenagem cir&uacute;rgica por hematoma cervical. Estes resultados sugerem que o protocolo de atua&ccedil;&atilde;o, no que se refere ao suporte transfusional na cirurgia carot&iacute;dea eletiva, merece ser revisto. Perante estes resultados haver&aacute; raz&otilde;es para presumir que neste procedimento n&atilde;o ser&aacute; necess&aacute;ria a reserva de gl&oacute;bulos rubros de forma rotineira, podendo esta ser protocolada apenas para casos espec&iacute;ficos identificados como de maior risco. &copy; 2014 Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. Publicado por Elsevier Espa&ntilde;a, S.L.U. Todos os direitos reservados.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Endarterectomia carot&iacute;dea; Transfus&atilde;o eritrocit&aacute;ria; Redu&ccedil;&atilde;o de custos revisto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>Introdution<i>: </i>The carotid endarterectomy is a highly differentiated procedure, with a clear known benefit, although it envolves the risk of stroke. The bleeding risk related to the surgery is low. In our departpment we routinely ask for two red blood cell units, which seems excessive. In one hand there is the risk of bleeding related to any surgery, on the other, there is a growing need to review and end unnecessary expenses because of the socio-economic crisis we live in.</p>     <p><i>Methods: </i>We retrospectively reviewed our experience in carotid endarterectomy between January 2010 and December 2012. We noted the number of red blood cell transfusions were made perioperatively. We characterized the population, as well as a number of risk factos that would be related to increased bleeding and thus transfusion risk as in hypocoagulation, known coagulophy, anemia or thombocytemia. We characterized the procedure it self as in used technique, the need for shunt, operative time, the bleeding ocurred perioperatively as in other procedural complications as cervical hematoma.</p>     <p><i>Results and Conclusions: </i>Sixty six patients were submited to carotid endarterectomy during the time of study. Two patients (3%) did need a red blood cell transfusion (two units). One case of bleeding throught the incision plus Mallory-Weiss lesions with bleeding in a hypocogulated patient. The other case of bleeding throught the incision in a already anemic patient with a coronary artery disease (postoperatively with hemoglobin of 8.1 g/dL). The mean value of bleeding was 138.70 &plusmn; 78.82 ml. Only one patient did need reinterverntion because of a cervical hematoma. These results suggest that there could be changes to make in our way of preparing for bleeding risk perioperatively in carotid endarterectomy. We can conclude that there is no need for routinely asking for two red blood cell units and can do that in selected cases. Asking for a Type and Screen routine may be enough for most situations. &copy; 2014 Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. Published by Elsevier Espa&ntilde;a, S.L.U. All rights reserved.</p>     <p><b>Keywords:</b> Carotid endarterectomy; Erythrocyte transfusion; Cost savings</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>A endarterectomia carot&iacute;dea &eacute; uma cirurgia com risco hemorr&aacute;gico baixo em que a hemorragia n&atilde;o controlada ou hematoma cervical grave s&atilde;o complica&ccedil;&otilde;es raras (0,7-3%). Quando esta complica&ccedil;&atilde;o &eacute; verificada, parece estar relacionada com uma hemorragia em toalha de baixo d&eacute;bito (80%), sendo que menos frequentemente (20%) se verifica associada a um defeito na sutura da arteriotomia ou de fixa&ccedil;&atilde;o do patch<sup>1,2</sup>.</p>     <p>O suporte transfusional perioperat&oacute;rio na endarterectomia carot&iacute;dea raramente &eacute; necess&aacute;rio (at&eacute; 4%). Existe tamb&eacute;m uma tend&ecirc;ncia progressiva para tentar diminuir o limiar de hemoglobina para o qual se dever&atilde;o iniciar transfus&otilde;es de gl&oacute;bulos rubros, sem que se verifique um aumento de taxa de complica&ccedil;&otilde;es<sup>1,3</sup>.</p>     <p>Por sua vez, o hematoma cervical, neste contexto cir&uacute;rgico, pode corresponder a uma emerg&ecirc;ncia m&eacute;dica e cursar com r&aacute;pido compromisso de estruturas cervicais vitais, como a compress&atilde;o da via a&eacute;rea e/ou dos pr&oacute;prios eixos vasculares. Para al&eacute;m disto, surge descrito na literatura associado a um aumento de taxa de complica&ccedil;&otilde;es e a maior morbimortalidade, nomeadamente do foro cardio e cerebrovascular isqu&eacute;mico<sup>4</sup>.</p>     <p>Desta forma, faz sentido refietir acerca das perturba&ccedil;&otilde;es de hem&oacute;stase relacionadas com a endarterectomia carot&iacute;dea, n&atilde;o s&oacute; para antever as situa&ccedil;&otilde;es que poder&atilde;o cursar com maior taxa de complica&ccedil;&otilde;es hemorr&aacute;gicas ou isqu&eacute;micas, como tamb&eacute;m para antever aquelas em poder&aacute; ser necess&aacute;rio intervir e corrigir qualquer desequil&iacute;brio na hem&oacute;stase ou de par&acirc;metros do sangue.</p>     <p>Este trabalho pretende rever a experi&ecirc;ncia do nosso servi&ccedil;o relativamente &agrave; necessidade de suporte transfusional no &acirc;mbito da endarterectomia carot&iacute;dea. Adicionalmente pretendemos estudar poss&iacute;veis fatores de risco que estejam relacionados com aumento de complica&ccedil;&otilde;es hemorr&aacute;gicas.</p>     <p>O nosso protocolo contempla o pedido pr&eacute;-operat&oacute;rio de 2 unidades de gl&oacute;bulos rubros, como reserva para a cirurgia. Tal facto parece estar associado a um consumo desnecess&aacute;rio de m&uacute;ltiplos recursos, sejam estes monet&aacute;rios, humanos ou mesmo das reservas de gl&oacute;bulos rubros que, como sabemos, trata-se de um recurso limitado. Desta forma justifica-se uma revis&atilde;o e poss&iacute;vel mudan&ccedil;a do protocolo de atua&ccedil;&atilde;o, assim como uma procura de alternativas vi&aacute;veis que garantam a seguran&ccedil;a na nossa pr&aacute;tica, com diminui&ccedil;&atilde;o dos recursos utilizados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todos </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Procedeu-se a uma an&aacute;lise retrospetiva dos casos de endarterectomia carot&iacute;dea no nosso servi&ccedil;o, entre 2010-2012. Procedeu-se &agrave; quantifica&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de transfus&otilde;es de gl&oacute;bulos rubros efetuadas perioperatoriamente e, adicionalmente, &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o submetida a este procedimento cir&uacute;rgico, de acordo com fatores de risco cardiovascular, como tamb&eacute;m poss&iacute;veis fatores de risco hemorr&aacute;gico e, consequentemente, para a eventual necessidade de suporte transfusional, como a hipocoagula&ccedil;&atilde;o, coagulopatia, anemia e/ou trombocitopenia previamente conhecidas. Procedeu-se &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o dos par&acirc;metros t&eacute;cnicos da cirurgia como a t&eacute;cnica utilizada (angioplastia com patch de dacron ou evers&atilde;o), a necessidade de uso de <i>shunt</i>, o tempo operat&oacute;rio e de outros fatores relevantes como as perdas hem&aacute;ticas intraoperat&oacute;rias, a presen&ccedil;a de hematoma cervical ou outras complica&ccedil;&otilde;es perioperat&oacute;rias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados </b></p>     <p>Sessenta e seis doentes foram submetidos a endarterectomia carot&iacute;dea no nosso servi&ccedil;o, no per&iacute;odo de 2010-2012. A maioria do sexo masculino (56 doentes, ou seja 84,8%). A m&eacute;dia de idades &eacute; de 68,85 &plusmn; 8,52 anos (<a href="#f1">fig. 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/ang/v10n3/10n3a04f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A distribui&ccedil;&atilde;o dos fatores de risco cardiovascular encontra-se apresentada na <a href="/img/revistas/ang/v10n3/10n3a04t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>. Nesta popula&ccedil;&atilde;o &eacute; de referir a elevada preval&ecirc;ncia de fatores de risco como dislipidemia e hipertens&atilde;o arterial.</p>     
<p>Trinta e oito doentes (57,6%) tinham na sua hist&oacute;ria um evento cerebrovascular isqu&eacute;mico correspondente ao lado a ser submetido a endarterectomia carot&iacute;dea, dos quais 11 (16,7%) haviam apresentado um evento h&aacute; menos de 15 dias.</p>     <p>Relativamente a poss&iacute;veis fatores de risco para hemorragia verificou-se que apenas 2 doentes (3%) apresentavam trombocitopenia pr&eacute;via, um (1,5%) anemia cr&oacute;nica e 6 (9,1%) encontravam-se hipocoagulados com anticoagulante oral.</p>     <p>De acordo com a t&eacute;cnica cir&uacute;rgica utilizada verificou-se que a maioria dos doentes foi submetida a encerramento da arteriotomia com patch sint&eacute;tico (93,9%), sendo que apenas 4 (6,1%) foram submetidos a cirurgia por t&eacute;cnica de evers&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O tempo m&eacute;dio de cirurgia foi de 102,33 &plusmn; 33,97 minutos.</p>     <p>O valor m&eacute;dio de perdas hem&aacute;ticas intraoperat&oacute;rias (quantific&aacute;veis) foi de 138,70 &plusmn; 78,82 ml.</p>     <p>Apenas um doente necessitou de drenagem cir&uacute;rgica de um hematoma cervical.</p>     <p>Relativamente &agrave; repercuss&atilde;o das perdas hem&aacute;ticas a n&iacute;vel do valor de hemoglobina, constata-se que existe uma descida m&eacute;dia deste valor em cerca de 2 g/dL e que n&atilde;o existe diferen&ccedil;a numa an&aacute;lise por anos de trabalho. Estes dados encontram-se apresentados na <a href="/img/revistas/ang/v10n3/10n3a04t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a>.</p>     
<p>De acordo com o protocolo do servi&ccedil;o todos os doentes encontravam-se sob terap&ecirc;utica com antiagregante (aspirina em baixa dose) e estatina. Todos os doentes foram submetidos a hepariniza&ccedil;&atilde;o intraoperat&oacute;ria pr&eacute;-clampagem (cerca de 70 U/Kg), sendo que apenas em casos selecionados foi efetuada revers&atilde;o com protamina no fim do procedimento cir&uacute;rgico. Relativamente &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de dextrano no contexto perioperat&oacute;rio, uma vez que os seus registos n&atilde;o foram realizados de forma consistente, nomeadamente no que se refere ao in&iacute;cio e tempo de sua utiliza&ccedil;&atilde;o, a an&aacute;lise deste par&acirc;metro n&atilde;o foi efetuada neste trabalho.</p>     <p>Apenas em 2 casos houve necessidade de proceder &agrave; transfus&atilde;o de gl&oacute;bulos rubros. Em ambos os casos foram transfundidas 2 unidades e apenas no contexto p&oacute;s-operat&oacute;rio. Por um lado temos um doente de sexo masculino, cronicamente hipocoagulado por uma fibrila&ccedil;&atilde;o auricular, que apresentou um quadro de hematemeses por les&otilde;es de Mallory-Weiss e hemorragia incisional, e que se encontrava em tratamento com enoxaparina em dose terap&ecirc;utica; por outro lado temos uma doente de sexo feminino, com antecedentes de anemia cr&oacute;nica e cardiopatia isqu&eacute;mica que no contexto p&oacute;s-operat&oacute;rio apresentou uma descida de hemoglobina de 10,7 para 8,1 g/dL tendo-se optado por iniciar suporte transfusional.</p>     <p>N&atilde;o foram identificados fatores de risco para complica&ccedil;&otilde;es hemorr&aacute;gicas com associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa.</p>     <p>A mortalidade perioperat&oacute;ria neste grupo de doentes foi de 3% (2 doentes). Um doente faleceu em contexto de oclus&atilde;o carot&iacute;dea nas primeiras 24 horas do p&oacute;s-operat&oacute;rio; o outro doente faleceu ao 9.<sup>&ordm; </sup>dia de p&oacute;s-operat&oacute;rio no contexto de um quadro de s&eacute;psis com foco respirat&oacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando analisamos a necessidade de suporte transfusional no contexto cir&uacute;rgico temos que ter em conta v&aacute;rios aspetos importantes. Existem m&uacute;ltiplas cirurgias em que as perdas hem&aacute;ticas (na maioria das vezes expect&aacute;veis) s&atilde;o de tal forma importantes que obrigam ao recurso de transfus&otilde;es de hemoderivados para garantir a sobrevida a curto prazo<sup>5</sup>. A endarterectomia carot&iacute;dea &eacute; um desses exemplos<sup>1,3-</sup><sup>5 </sup>e este trabalho parece refor&ccedil;ar esta no&ccedil;&atilde;o aplicada &agrave; da nossa experi&ecirc;ncia.</p>     <p>Nas guidelines as recomenda&ccedil;&otilde;es para o suporte transfusional n&atilde;o t&ecirc;m sofrido grandes altera&ccedil;&otilde;es para a generalidade dos procedimentos cir&uacute;rgicos (recomendam quase sempre transfus&atilde;o de gl&oacute;bulos rubros quando a hemoglobina se encontra abaixo de 7 g/dL e quase nunca quase se encontra acima de 10 g/dL). No entanto, estudos demons-tram, e podemos falar tamb&eacute;m de estudos na &aacute;rea da cirurgia carot&iacute;dea, que estamos a utilizar um limiar progressivamente mais baixo para iniciarmos o suporte transfusional (considerando o chamado &laquo;grupo duvidoso&raquo; com valores de hemoglobina entre os7eos10 g/dL). Desta forma submetemos os nossos doentes a cada vez menos transfus&otilde;es de gl&oacute;bulos rubros, sem que se verifique um aumento do n&uacute;mero de complica&ccedil;&otilde;es associado, nomeadamente do foro cardio e cerebrovascular isqu&eacute;mico<sup>3,5,6</sup>.</p>     <p>Relativamente ao estudo de poss&iacute;veis fatores de risco para complica&ccedil;&otilde;es hemorr&aacute;gicas, verificou-se que, e tal facto estar&aacute; seguramente relacionado com a baixa incid&ecirc;ncia destas complica&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o existiu nenhum fator de risco com associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa. M&uacute;ltiplos estudos tentam caracterizar os fatores de risco hemorr&aacute;gico. S&atilde;o habitualmente estudos de pequenas dimens&otilde;es e tiram conclus&otilde;es contradit&oacute;rias ou n&atilde;o s&atilde;o capazes de tirar conclus&otilde;es com significado estat&iacute;stico<sup>4,7</sup>. Essa limita&ccedil;&atilde;o parece ter existido neste estudo. Portanto, se a estat&iacute;stica n&atilde;o &eacute; capaz de predizer os fatores de risco que v&atilde;o estar associados a um risco hemorr&aacute;gico, o senso cl&iacute;nico &eacute; fundamental nesse papel.</p>     <p>Por outro lado &eacute; fundamental relembrar que complica&ccedil;&otilde;es deste tipo estar&atilde;o diretamente relacionadas com os cuidados intraoperat&oacute;rios dif&iacute;ceis de quantifica&ccedil;&atilde;o, como s&atilde;o os cuidados de hem&oacute;stase ou as varia&ccedil;&otilde;es tensionais intraoperat&oacute;rias. Um estudo do Jobst Institute (Toledo, Ohio, EUA) publicado em 2012 e que tinha em vista a avalia&ccedil;&atilde;o retrospetiva da necessidade de suporte transfusional e complica&ccedil;&otilde;es hemorr&aacute;gicas na cirurgia carot&iacute;dea demonstra que, embora devam existir fatores de risco hemorr&aacute;gico neste contexto cir&uacute;rgico (neste estudo foi a utiliza&ccedil;&atilde;o concomitante de dextrano e antiagregante plaquet&aacute;rio), verifica-se que quando um cirurgi&atilde;o se encontra alerta para uma elevada incid&ecirc;ncia de uma complica&ccedil;&atilde;o deste tipo, este tende a refor&ccedil;ar os cuidados de hem&oacute;stase e dessa forma &eacute; verificada uma invers&atilde;o dessa tend&ecirc;ncia com uma incid&ecirc;ncia inferior de complica&ccedil;&otilde;es como hematoma cervical perioperat&oacute;rio<sup>4</sup>.Por sua vez, Dalton, et al., numa avalia&ccedil;&atilde;o retrospetiva definiu como fatores de risco major para a forma&ccedil;&atilde;o de hematoma cervical no p&oacute;s-endarectomia carot&iacute;dea a n&atilde;o revers&atilde;o de hepariniza&ccedil;&atilde;o intraoperat&oacute;ria, a hipotens&atilde;o intraoperat&oacute;ria e a necessidade de recurso ao shunt<sup>7</sup>.</p>     <p>S&atilde;o m&uacute;ltiplos os testes realizados durante a prepara&ccedil;&atilde;o de uma unidade de gl&oacute;bulos rubros (<a href="/img/revistas/ang/v10n3/10n3a04t3.jpg" target="_blank">Tabela 3</a>). O tempo m&eacute;dio da sua prepara&ccedil;&atilde;o &eacute; de 45 minutos e o seu custo total &eacute; de 218,75 euros sendo que a maior parte deste &eacute; atribu&iacute;da &agrave; unidade de concentrado de gl&oacute;bulos rubros (186 euros).</p>     
<p>Ap&oacute;s a discuss&atilde;o destes par&acirc;metros com o servi&ccedil;o de imuno-hemoterapia do nosso hospital concluiu-se que uma alternativa vi&aacute;vel para o atual protocolo do servi&ccedil;o seria o &laquo;Type and Screen&raquo;. Este novo protocolo consiste na realiza&ccedil;&atilde;o de fenotipagem ABO RhD e pesquisa de anticorpos irregulares, que representam grupos de sangue raros que podem corresponder a unidades de gl&oacute;bulos rubros que n&atilde;o existem no nosso servi&ccedil;o de imuno-hemoterapia e que tenham de ser requisitados a outros centros hospitalares. O m&eacute;dico do doente &eacute; alertado para a presen&ccedil;a destes anticorpos e o mesmo pede a reserva das unidades. Desta forma no dia da cirurgia garantimos que at&eacute; um m&aacute;ximo de 45 minutos temos unidades de gl&oacute;bulos rubros dispon&iacute;veis para transfus&atilde;o (sem necessidade de recorrer a sangue &laquo;n&atilde;o tipado&raquo;). No caso dos &laquo;grupos raros&raquo; estes estar&atilde;o imediatamente dispon&iacute;veis.</p>     <p>Se, por um lado, sempre que pedimos uma unidade de reserva tem de ser efetuada uma fenotipagem, o que acrescenta um custo adicional de 14,05 euros ao processo, por outro, na maioria das situa&ccedil;&otilde;es iremos poupar 186 euros por unidade n&atilde;o pedida (totalizando 372 por 2 unidades de gl&oacute;bulos rubros), assim como o valor dos restantes testes confirmat&oacute;rios (o Coombs direto, o de compatibilidade e o confirmat&oacute;rio do grupo da unidade 18,7 euros). Da mesma forma evitamos que uma unidade de gl&oacute;bulos rubros fique alocada a determinado doente impedindo a sua utiliza&ccedil;&atilde;o durante o per&iacute;odo em que est&atilde;o de reserva (at&eacute; 72 horas).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es </b></p>     <p>Face a um risco hemorr&aacute;gico baixo e &agrave; possibilidade de minimizar os custos associados ao procedimento justifica-se a mudan&ccedil;a do protocolo do nosso servi&ccedil;o no que diz respeito &agrave; reserva de unidades de gl&oacute;bulos rubros em prepara&ccedil;&atilde;o para a endarterectomia carot&iacute;dea.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O &laquo;Type and Screen&raquo; &eacute; uma alternativa vi&aacute;vel ao atual protocolo e garante a disponibilidade de unidades de gl&oacute;bulos rubros at&eacute; um m&aacute;ximo de 45 minutos.</p>     <p>Antever o risco hemorr&aacute;gico e os fatores com ele relacionados pode ser dif&iacute;cil. S&atilde;o necess&aacute;rios mais estudos, com maior n&uacute;mero de doentes, para que se possa proceder a uma estratifica&ccedil;&atilde;o de risco com significado estat&iacute;stico.</p>     <p>De forma a salvaguardar os casos de exce&ccedil;&atilde;o podemos pedir de reserva unidades de gl&oacute;bulos rubros quando julgamos estar perante doentes com risco hemorr&aacute;gico mais elevado e, dessa forma, garantir a sua imediata disponibilidade durante o procedimento cir&uacute;rgica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Responsabilidades &eacute;ticas </b></p>     <p><b>Prote&ccedil;&atilde;o de pessoas e animais. </b>Os autores declaram que para esta investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se realizaram experi&ecirc;ncias em seres humanos e/ou animais.</p>     <p><b>Confidencialidade dos dados. </b>Os autores declaram ter seguido os protocolos do seu centro de trabalho acerca da publica&ccedil;&atilde;o dos dados de pacientes.</p>     <p><b>Direito &agrave; privacidade e consentimento escrito. </b>Os auto-res declaram que n&atilde;o aparecem dados de pacientes neste artigo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bibliografia </b></p>     <!-- ref --><p>1. Couture DE, Ellegala DB, Dumont AS, et al. Blood use in cerebrovascular neurosurgery. Stroke J Cereb Circ. 2002;33:994---7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S1646-706X201400030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Kunkel JM, Gomez ER, Spebar MJ, et al. Wound hematomas after carotid endarterectomy. Am J Surg. 1984;148:844---7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S1646-706X201400030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Waggoner 3rd JR, Wass CT, Polis TZ, et al. The effect of changing transfusion practice on rates of perioperative stroke and myocardial infarction in patients undergoing carotid endarterectomy: A retrospective analysis of 1114 Mayo Clinic patients. Mayo Perioperative Outcomes Group. Mayo Clin Proc Mayo Clin. 2001;76:376---83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S1646-706X201400030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Comerota AJ, Difiore R, Tzilinis A, et al. Cervical hematoma following carotid endarterectomy is morbid and preventable: A 12-year case-controlled review. Vasc Endovascular Surg. 2012;46:610---6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S1646-706X201400030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Shander A. Optimizing transfusion in vascular surgery: Is bloodless surgery an option? Vascular. 2008;1 16 Suppl:S37---47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S1646-706X201400030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Shander A, Gross I, Hill S, et al. A new perspective on best transfusion practices. Blood Transfus Trasfus Sangue. 2013;11:193---202.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S1646-706X201400030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Self DD, Bryson GL, Sullivan PJ. Risk factors for post-carotid endarterectomy hematoma formation. Can J Anaesth J Can Anesth&eacute;sie. 1999;46:635---40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S1646-706X201400030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>*</sup><a href="#topc0">Autor para correspond&ecirc;ncia: </a><a name="c0"></a></p>     <p><i>Correio eletr&oacute;nico: </i><a href="mailto:ricardogfagouveia@gmail.com">ricardogfagouveia@gmail.com</a> (R. Gouveia).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 30 de junho de 2014;</p>     <p>Aceite a 13 de agosto de 2014</p>     <p>Dispon&iacute;vel na Internet a 11 de outubro de 2014</p>       ]]></body><back>
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