<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1646-706X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Angiologia e Cirurgia Vascular]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Angiol Cir Vasc]]></abbrev-journal-title>
<issn>1646-706X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1646-706X2017000100009</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fístula aorto-entérica secundária: uma solução incomum para um caso complexo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Secondary aortoenteric fistula: an uncommon solution for a complex case]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Tiago]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ministro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Augusto]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedro]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Evangelista]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moutinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mariana]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fernandes]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Fernandes e]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar de Lisboa Central Hospital de Santa Maria Clínica Universitária de Cirurgia Vascular]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Faculdade de Medicina Centro Académico de Medicina de Lisboa]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<volume>13</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>46</fpage>
<lpage>49</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-706X2017000100009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-706X2017000100009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-706X2017000100009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A fístula aorto-entérica secundária é uma temível complicação da cirurgia aórtica que comporta uma elevada morbi-mortalidade. O seu tratamento é complexo e em grande parte determinado pela possibilidade de infecção protésica. Caso clínico: Os autores apresentam o caso de um doente do sexo masculino de 55 anos, com antecedentes de ressecção parcial de aneurisma da aorta abdominal justa-renal e interposição de prótese aorto-aórtica. Aos 3 meses de pós-operatório foi diagnosticado enfarte renal esquerdo durante investigação de quadro de lombalgia persistente. É internado 14 meses após a cirurgia por febre, sudorese nocturna e perda ponderal. Para esclarecimeno do quadro realizou angioTC que revelou densificação dos tecidos peri-aórticos e colecção na vertente anterior do psoas-ilíaco esquerdo. O estudo por PET-scan mostrou foco de hipercaptação ao nível da prótese aórtica, admitindo-se o diagnóstico de infecção protésica. No mesmo tempo cirúrgico foi submetido a revascularização dos membros inferiores através de bypass axilo-bifemoral, revascularização do rim direito por intermédio de bypass hepato-renal com veia grande safena invertida e remoção da prótese aórtica com laqueação da aorta para-renal. Intra-operatoriamente constatou-se orifício fistuloso na 3ª porção do duodeno, pelo que se procedeu a duodenectomia com gastro-jejunostomia em Y de Roux. Cumpriu três semanas de terapêutica tripla antibiótica e anti-fúngica e uma semana de antibioterapia dupla com melhoria clínica e laboratorial, tendo alta ao 30º dia de internamento. A angioTC de controlo às seis semanas documentou a permeabilidade das revascularizações e a ausência de complicações intra-abdominais. Conclusão: A cirurgia aberta permanece como a abordagem mais eficaz em doentes de bom risco. A adopção de soluções cirúrgicas alternativas é uma necessidade para fazer face às particularidades anatómicas em casos mais complexos.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Secondary aortoenteric fistula is a fearsome complication of aortic surgery due to its high morbidity and mortality. Therapeutic decision-making is mostly determined by the possibility of concomitant prosthetic infection. Case report: We present the case of a 55 year old male patient with previous juxta-renal aortic aneurysm resection and tube graft interposition. A left kidney infarction was detected at the third post-operative month during investigation for persistent lumbar pain. The patient was admitted 14 months after the surgery with a four-month history of fever, night sweats and weightloss and. A CT angiogram revealed thickening ofperi-aortic tissues and a fluid collection anteriorly to the left iliopsoas muscle. A PET scan showed increased uptake around the graft, indicating the presence of infection. The patient underwent axillobifemoral bypass and removal of the infected graft with ligation of the para-renal aorta. Revascularization of the right kidney was achieved via hepatorenal bypass with inverted great saphenous vein. A fistulous tract in the third portion of the duodenum was noted, mandating duodenectomy and Roux-en-Y gastrojejunostomy. The patient completed a three-week course of triple antibiotic and anti-fungal therapy and a further week of double antibiotic therapy, being discharged after 30 days. A CT angiogram at six weeks showed continued patency of the revascularization procedures and no intra-abdominal complications. Conclusion: Open surgery remains the most effective treatment in good-risk patients. The adoption of alternative solutions is a necessity to cope with the anatomic singularities of more complex cases.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Fístula aorto-entérica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[infecção protésica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[bypass axilo-bifemoral]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[bypass hepato-renal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[revascularização renal]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Aortoenteric fistula]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[graft infection]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[axillobifemoral bypass]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[hepatorenal bypass]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[renal revascularization]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>CASO CLÍNICO</b></p>     <p><b>Fístula aorto-entérica secundária &#8212; uma solução incomum para um caso complexo</b></p>     <p><b>Secondary aortoenteric fistula &#8212; an uncommon solution for a complex case</b></p>     <p><b>Tiago Ferreira <sup>1</sup>; Augusto Ministro; Pedro Martins; Ana Evangelista; Mariana Moutinho e José Fernandes e Fernandes</b></p>     <p><sup>1</sup>Clínica Universitária de Cirurgia Vascular; Hospital de Santa Maria &#8211; CHLN; Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; Centro Académico de Medicina de Lisboa</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>*</sup><a href="#c0"> Autor para correspondência</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Introdução: A fístula aorto-entérica secundária é uma temível complicação da cirurgia aórtica que comporta uma elevada morbi-mortalidade. O seu tratamento é complexo e em grande parte determinado pela possibilidade de infecção protésica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Caso clínico: Os autores apresentam o caso de um doente do sexo masculino de 55 anos, com antecedentes de ressecção parcial de aneurisma da aorta abdominal justa-renal e interposição de prótese aorto-aórtica. Aos 3 meses de pós-operatório foi diagnosticado enfarte renal esquerdo durante investigação de quadro de lombalgia persistente. É internado 14 meses após a cirurgia por febre, sudorese nocturna e perda ponderal. Para esclarecimeno do quadro realizou angioTC que revelou densificação dos tecidos peri-aórticos e colecção na vertente anterior do psoas-ilíaco esquerdo. O estudo por PET-scan mostrou foco de hipercaptação ao nível da prótese aórtica, admitindo-se o diagnóstico de infecção protésica.</p>     <p>No mesmo tempo cirúrgico foi submetido a revascularização dos membros inferiores através de bypass axilo-bifemoral, revascularização do rim direito por intermédio de bypass hepato-renal com veia grande safena invertida e remoção da prótese aórtica com laqueação da aorta para-renal. Intra-operatoriamente constatou-se orifício fistuloso na 3ª porção do duodeno, pelo que se procedeu a duodenectomia com gastro-jejunostomia em Y de Roux. Cumpriu três semanas de terapêutica tripla antibiótica e anti-fúngica e uma semana de antibioterapia dupla com melhoria clínica e laboratorial, tendo alta ao 30º dia de internamento. A angioTC de controlo às seis semanas documentou a permeabilidade das revascularizações e a ausência de complicações intra-abdominais.</p>     <p>Conclusão: A cirurgia aberta permanece como a abordagem mais eficaz em doentes de bom risco. A adopção de soluções cirúrgicas alternativas é uma necessidade para fazer face às particularidades anatómicas em casos mais complexos.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Fístula aorto-entérica; infecção protésica; bypass axilo-bifemoral; bypass hepato-renal; revascularização renal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Introduction: Secondary aortoenteric fistula is a fearsome complication of aortic surgery due to its high morbidity and mortality. Therapeutic decision-making is mostly determined by the possibility of concomitant prosthetic infection.</p>     <p>Case report: We present the case of a 55 year old male patient with previous juxta-renal aortic aneurysm resection and tube graft interposition. A left kidney infarction was detected at the third post-operative month during investigation for persistent lumbar pain. The patient was admitted 14 months after the surgery with a four-month history of fever, night sweats and weightloss and. A CT angiogram revealed thickening ofperi-aortic tissues and a fluid collection anteriorly to the left iliopsoas muscle. A PET scan showed increased uptake around the graft, indicating the presence of infection.</p>     <p>The patient underwent axillobifemoral bypass and removal of the infected graft with ligation of the para-renal aorta. Revascularization of the right kidney was achieved via hepatorenal bypass with inverted great saphenous vein. A fistulous tract in the third portion of the duodenum was noted, mandating duodenectomy and Roux-en-Y gastrojejunostomy. The patient completed a three-week course of triple antibiotic and anti-fungal therapy and a further week of double antibiotic therapy, being discharged after 30 days. A CT angiogram at six weeks showed continued patency of the revascularization procedures and no intra-abdominal complications.</p>     <p>Conclusion: Open surgery remains the most effective treatment in good-risk patients. The adoption of alternative solutions is a necessity to cope with the anatomic singularities of more complex cases.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords: </b>Aortoenteric fistula; graft infection; axillobifemoral bypass; hepatorenal bypass; renal revascularization</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>INTRODUÇÃO</p>     <p>A fístula aorto-entérica secundária é uma das mais temidas complicações tardias da cirurgia aórtica convencional, pois apesar de ocorrer em menos de 1% dos casos comporta uma taxa de mortalidade que varia entre os 15 e os 50% e uma taxa de amputação em torno dos 10%[1&#8211;3]. A expressão clínica de maior gravidade desta patologia é a hemorragia digestiva; porém mesmo na ausência de uma verdadeira comunicação entre o tubo digestivo e o lúmen aórtico (situação designada por fístula para-protésica), a problemática da infecção protésica está subjacente a toda a decisão e planeamento terapêutico. Neste contexto, a solução mais frequentemente utilizada passa pela remoção da prótese com laqueação do coto aórtico e revascularização dos membros inferiores por via extra-anatómica. Embora seja um procedimento incomum neste contexto, a revascularização visceral pode ser necessária quando se verifiquem complicações infecciosas locais após tratamento cirúrgico de aneurismas de maior complexidade (justaou para-renais).</p>     <p>Os autores apresentam um caso de fístula para-protésica num doente com antecedentes de ressecção de aneurisma da aorta justa-renal que, pelas suas particularidades anatómicas, obrigou à adopção de uma solução inusual para preservação da vascularização renal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>CASO CLÍNICO</p>     <p>Doente do sexo masculino de 55 anos com antecedentes de tabagismo, úlcera péptica e esplenectomia pós-traumatismo abdominal. Em Fevereiro de 2014 foi submetido electivamente a ressecção parcial de aneurisma degenerativo justa-renal (que se verificou intra-operatoriamente encontrar-se em rotura contida posterior), com interposição de prótese de Dacron em posição aorto-aórtica e reconstrução termino-terminal da veia renal esquerda (<a href="#f1">Fig. 1</a>). Cerca de três meses após a intervenção desenvolveu quadro de dor lombar persistente, com episódios frequentes de agudização. Na sequência de uma dessas agudizações efectuou TC abdomino-pélvica onde foi visível atrofia do rim esquerdo, o qual apresentava áreas de enfarte (<a href="#f2">Fig. 2</a>). Aos 14 meses de pós-operatório foi internado por quadro com quatro meses de evolução de astenia, anorexia, febre e sudorese nocturnas e perda ponderal de 10 Kg. Referia igualmente persistência da dor lombar prévia. Analiticamente apresentava leucocitose com neutrofilia e elevação da velocidade de sedimentação, estando a creatinina sérica dentro da normalidade. O ecocardiograma mostrou função sistólica global conservada, sem sinais de endocardite. Realizou angioTC que revelou densificação dos tecidos peri-aórticos (<a href="#f3">Fig. 3</a>) e colecção na vertente anterior do psoas-ilíaco esquerdo. O estudo por PET-scan mostrou foco de hipercaptação ao nível da prótese aórtica, admitindo-se o diagnóstico de infecção protésica. Como avaliação preliminar foram realizadas hemoculturas e serologias para VIH, hepatite B e C, sífilis, brucelose e Salmonella (todas negativas).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n1/13n1a09f1.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n1/13n1a09f2.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n1/13n1a09f3.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Fístula aorto-entérica secundária &#8212; uma solução incomum para um caso complexo</p>     <p>No mesmo tempo operatório foi efectuada a revascularização extra-anatómica dos membros inferiores através de bypass axilo-bifemoral com PTFE 8 mm, a revascularização do rim direito por intermédio de bypass hepato-renal com veia grande safena invertida (<a href="#f4">Fig. 4</a>) e a remoção da prótese aórtica com laqueação da aorta para-renal. Para o efeito foi necessário proceder a laqueação da veia renal esquerda e clampagem supra-renal. A artéria hepática foi abordada a nível do pequeno epíploon e a artéria renal direita acedida a nível do hilo após manobra de Kocher. Intra-operatoriamente constatou-se a contaminação da prótese com conteúdo entérico proveniente de orifício fistulosona 3ª porção doduodeno(<a href="#f5">Fig. 5</a>). Comoapoio da Cirurgia Geral procedeu-se a duodenectomia e gastro-jejunostomia em Y de Roux. Após lavagem do leito aórtico este foi colocado sob drenagem passiva e o retroperitoneu encerrado sob o coto aórtico. O pós-operatório não teve intercorrências de relevo, verificando-se remissão da dorlombare ausência de novos picos febris. A creatinina sérica não sofreu alterações e ocorreu normalização dos parâmetros inflamatórios. O exame bacteriológico da parede aórtica e do exsudado peri-protésico foi negativo. De acordo com indicação da Infecciologia, cumpriu duas semanas de terapêutica tripla com meropenem, daptomicina e fluconazol e uma semana adicional de terapêutica antibiótica dupla (meropenem + daptomicina), tendo alta ao 30º dia de internamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n1/13n1a09f4.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n1/13n1a09f5.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Em ambulatório manteve-se apirético e sem dor abdominal ou lombar. A angioTC de controlo às seis semanas de pós-operatório documentou a permeabilidade das revascularizações e a ausência de complicações intra-abdominais (<a href="#f6">fig. 6 </a>e<a href="#f7">7</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n1/13n1a09f6.jpg">      
<p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n1/13n1a09f7.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>DISCUSSÃO</p>     <p>O tratamento de escolha na fístula aorto-entérica secundária está longe de ser consensual, dada a multiplicidade de opções e a elevada morbi-mortalidade que lhes está associada. A classificação proposta por Vollmar e Kogel divide as fístulas aorto-entéricas entre aquelas onde existe uma efectiva comunicação entre o tubo digestivo e o lúmen aórtico (tipo I) e aquelas em que existe perda da integridade da parede do tubo digestivo, sem compromisso da parede vascular ou da prótese, tal como no caso clínico descrito (tipo II oufístulas para-protésicas)[4].</p>     <p>Na ausência de hemorragia digestiva, a contaminação protésica por contacto com o conteúdo entérico é o factor que norteia toda a abordagem terapêutica desta patologia. Decorre desse princípio a noção geralmente aceite de que o tratamento definitivo passa pela remoção do material protésico infectado. A revascularização dos membros inferiores constitui assim o principal ponto de divergência de práticas. A estratégia mais largamente utilizada pela sua rapidez é a revascularização extra-anatómica dos membros inferiores, seguida da remoção da prótese infectada e laqueação do coto aórtico. Uma abordagem faseada, com a revascularização extra-anatómica a preceder a ressecção da prótese infectada em 24&#8211;72h, está associada a menor taxa de mortalidade e de amputação[5]. A sua aplicação depende da estabilidade do doente e abre a possibilidade de deterioração clínica no período entre cirurgias. Na presença de um doente jovem e com bom risco cirúrgico, a opção tomada foi a de proceder à revascularização dos membros inferiores e remoção da prótese no mesmo tempo operatório. A principal desvantagem é o risco de reinfecção do material protésico, que pode atingir os 40% aos dois anos[1].</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A reconstrução in situ procura atingir no mesmo acto cirúrgico a remoção da prótese infectada e a revascularização aorto-ilíaca directa, obviando a necessidade de laqueação aórtica e o risco de blowout do coto. Clagett descreveu uma forma de reconstrução aorto-ilíaca utilizando a veia femoral[6]. A revascularização imediata dos membros inferiores e a utilização de um conduto autólogo associou-se a taxas de amputação e de reinfecção mais reduzidas. A utilização de material protésico ou a preservação da prótese previamente implantada podem ser consideradas nas seguintes situações: infecções de enxertos de PTFE, pouco extensas e sem envolvimento das anastomoses, com manifestações precoces (inferiores a 4 meses), extra-cavitárias e provocadas por micro-organismos Gram-positivos (por oposição a infecções polimicrobianas ou por micro-organismos Gram-negativos, particularmente Pseudomonas aeruginosa). No caso em apreço, tratando-se de infecção de uma prótese de Dacron com manifestações tardias e conspurcação intra-abdominal por flora previsivelmente polimicrobiana, a revascularização extra-anatómica afigurou-se como a estratégia mais adequada. O desenvolvimento de próteses revestidas por antibiótico pode modificar o paradigma da reconstrução aorto-ilíaca in situ no contexto de infecção protésica.</p>     <p>A realização de um procedimento de revascularização do rim direito foi ditada pela necessidade de laquear com segurança a aorta nativa, uma vez que a anastomose da prótese aorto-aórti-cafora efectuada imediatamente após a emergência das artérias renais. A opção pelo bypass hepato-renal configurou-se como a mais natural dada a impossibilidade de obter influxo a partir da aorta infra-renal e das artérias ilíacas. Esta técnica apresenta resultados satisfatórios no âmbito do tratamento da doença renovascular aterosclerótica, particularmente em doentes de alto risco ou com calcificação aorto-ilíaca extensa[7&#8211;9]. Lerussi e colaboradores descreveram a utilização do bypass hepato-renal como procedimento de debranching no tratamento híbrido de um aneurisma juxta-renal[10]. Contudo, não existem na literatura descrições da aplicação desta técnica como adjuvante no tratamento de fístula aorto-entérica ouinfecçãode prótese aórtica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>CONCLUSÃO</p>     <p>Em doentes com bom perfil de risco, uma estratégia cirúrgica agressiva envolvendo a remoção da prótese infectada e a revascularização extra-anatómica oferece as melhores hipóteses de tratamento eficaz. Situações de particular complexidade requerem uma abordagem adaptada às especificidades de cada caso e a capacidade de pôr em prática soluções alternativas. A revascularização renal a partir das artérias viscerais é uma opção a ter em conta sempre que haja necessidade de sacrificar a aorta para-renal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>BIBLIOGRAFIA</p>     <!-- ref --><p>Batt M, Jean-Baptiste E, O'Connor S, et al: Early and late results of contemporary management of 37 secondary aortoenteric fistulae. Eur J Vasc Endovasc Surg 2011; 41:748-57&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=890463&pid=S1646-706X201700010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Seeger JM, Back MR, Albright JL, et al: Influence of patient characteristics and treatment options on outcome of patients with prosthetic aortic graft infection. Ann Vasc Surg 1999; 13:413&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=890464&pid=S1646-706X201700010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>*</sup><a href="#topc0">Autor para correspondência</a><a name="c0"></a></p>     <p>Correio eletrónico: <a href="mailto:tiagojpferreira@gmail.com">tiagojpferreira@gmail.com</a> (T. Ferreira).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 07 de junho de 2016;</p>     <p>Aceite a 11 de dezembro de 2016.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Batt]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Jean-Baptiste]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[O'Connor]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Early and late results of contemporary management of 37 secondary aortoenteric fistulae]]></article-title>
<source><![CDATA[Eur J Vasc Endovasc Surg]]></source>
<year>2011</year>
<volume>41</volume>
<page-range>748-57</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Seeger]]></surname>
<given-names><![CDATA[JM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Back]]></surname>
<given-names><![CDATA[MR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Albright]]></surname>
<given-names><![CDATA[JL]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Influence of patient characteristics and treatment options on outcome of patients with prosthetic aortic graft infection]]></article-title>
<source><![CDATA[Ann Vasc Surg]]></source>
<year>1999</year>
<volume>13</volume>
<numero>413</numero>
<issue>413</issue>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
