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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tratamento endovascular de síndrome da veia cava superior por dispositivo de acesso venoso central totalmente implantável: Caso clínico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Benign superior vena cava syndrome (SVCs) is rare and may be related to a totally implantable vascular access device (TIVAD). In the past 20 years, percutaneous endovascular placement of a stent has been rising as a viable option for SVCs treatment. Case Report: We report the case of a 42-year-old woman with the diagnosis of classical Hodgkin lymphoma who present- ed a SVCs one year after placement of a TIVAD. After failure of conservative treatment, we placed an auto-expansible stent through the TIVAD with good radiologic and clinical result. Conclusion: Endovascular treatment for TIVAD-related SVCs is safe and may be considered a first line approach.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>CASO CLÍNICO</b></p>     <p><b>Tratamento endovascular de síndrome da veia cava superior por dispositivo de acesso venoso central totalmente implantável </b><b>&#8212; </b><b>Caso clínico</b></p>     <p><b><b>Endovascular treatment for totally implantable central venous access device</b><b>-</b><b>related superior vena cava syndrome </b><b>&#8212; </b><b>case report</b></b></p>     <p><b>Miguel Fróis Borges</b><sup><b>1,3</b></sup><b>, Filipa Clara Eiró</b><sup><b>1</b></sup><b>, Ana Afonso</b><sup><b>2</b></sup><b>, Hugo Rodrigues</b><sup><b>2</b></sup><b>, António Gonzalez</b><sup><b>2</b></sup><b>, </b><b>Gil Marques</b><sup><b>2</b></sup><b>, Maria José Barbas</b><sup><b>2</b></sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup>Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Garcia de Orta</p>     <p><sup>2</sup>Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Garcia de Orta</p>     <p><sup>3</sup>Clínica Universitária de Cirurgia I da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#c0">Autor para correspondência</a><a name="topc0"></a>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdução: </b>O síndrome da Veia Cava Superior (sVCS) benigno é raro e pode estar relacionado com um dispositivo de acesso venoso central totalmente implantável (DAVCTI). Nos últimos 20 anos, a dilatação com colocação de <i>stent </i>por via percutânea endovascular tem surgido como uma opção viável para a terapêutica do sVCS.</p>     <p><b>Caso</b><b>clínico: </b>Apresentamos o caso de uma mulher de 42 anos com o diagnóstico de linfoma de <i>Hodgkin </i>clássico que desenvolveu sVCS um ano após a colocação de DAVCTI e em que, após falência da terapêutica conservadora, se colocou uma endoprótese auto-expansível pelo DAVCTI com bom resultado imagiológico e clínico.</p>     <p><b>Conclusão: </b>O tratamento endovascular do sVCS usando o lúmen do DAVCTI é seguro e pode ser considerada terapêutica de primeira linha.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Síndrome da veia cava superior, Dispositivo de acesso venoso central totalmente implantável, Complicações tardias, Tratamento endovascular</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><b>ABSTRACT</b></b></p>     <p><b>Introduction: </b>Benign superior vena cava syndrome (SVCs) is rare and may be related to a totally implantable vascular access device (TIVAD). In the past 20 years, percutaneous endovascular placement of a stent has been rising as a viable option for SVCs treatment.</p>     <p><b>Case Report: </b>We report the case of a 42-year-old woman with the diagnosis of classical Hodgkin lymphoma who presented a SVCs one year after placement of a TIVAD. After failure of conservative treatment, we placed an auto-expansible stent through the TIVAD with good radiologic and clinical result.</p>     <p><b>Conclusion: </b>Endovascular treatment for TIVAD-related SVCs is safe and may be considered a first line approach.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Superior vena cava syndrome, Totally implantable vascular access device, Late complications, Endovascular treatment</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>     <p>A etiologia e terapêutica do síndrome da VCS (sVCS) tem evoluído ao longo do século XXI. O sVCS de etiologia benigna é raro e pode ser tratado com antibióticos ou anticoagulantes, em função da sua etiologia (infecciosa ou trombótica, respectivamente)1. Em cerca de 16% dos casos, está relacionado com um dispositivo de acesso venoso central totalmente implantável (DAVCTI)<sup>2</sup>. Nestes casos, permanece a questão de retirar ou não o catéter e ainda se a sua remoção é suficiente para a regressão dos sintomas, nomeadamente nos casos mais graves3. Nos últimos 20 anos, a dilatação com colocação de <i>stent </i>por via percutânea endovascular tem surgido como uma opção viável para a terapêutica do sVCS4. Reportamos um caso de revascularização endovascular de uma oclusão completa da VCS associada a um DAVCTI com fluxo invertido através do sistema ázigos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CASO CLÍNICO</b></p>     <p>Apresentamos o caso de uma mulher de 42 anos com o diagnóstico de linfoma de <i>Hodgkin </i>clássico que recorreu ao serviço de urgência por edema da face e membros superiores bilateralmente com evidência de circulação colateral na região superior do tórax e parestesias com cerca de 15 dias de evolução (<a href="#f1">Figura 1</a>). Negava dispneia. Um ano antes, tinha sido submetida a colocação guiada por ecografia de um DAVCTI por via jugular direita. A colocação decorreu sem intercorrências, tendo a ponta do catéter ficado na transição da veia cava superior com a aurícula direita (<a href="#f2">Figura 2</a>). Após exclusão de recidiva da doença com compressão extrínseca da VCS por angio-TC, a doente foi internada com o diagnóstico de sVCS trombótico em contexto de DAVCTI com um <i>score </i>de Kishi = 3 (<a href="#t1">tabela 1</a>)<sup>5</sup>. Durante o internamento, foi realizada venografia por via jugular esquerda, constatando-se oclusão segmentar da VCS em relação com o DAVCTI com colateralização para o sistema ázigos do tipo Stanford/Doty II (<a href="#t2">Tabela 2</a>)<sup>6</sup></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n4/13n4a09f1.jpg">     
<p></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n4/13n4a09f2.jpg">     
<p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n4/13n4a09t1.jpg">     
<p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n4/13n4a09t2.jpg">     
<p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Após internamento sob terapêutica anticoagulante com heparina de baixo peso molecular e sem melhoria clínica, optou-se por realizar terapêutica endovascular.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O procedimento foi realizado sob sedação endovenosa (hidroxizina), analgesia (petidina), profilaxia antibiótica cefazolina 2g) e heparina em bólus de 5000 UI (70UI/Kg).</p>     <p>Após exposição cirúrgica do DAVCTI, foi excisada a câmara subclavicular mantendo o catéter de 8,5F na veia jugular interna. O lúmen do catéter foi cateterizado usando um fio-guia hidrofílico de 0,018 que permitiu cruzar a oclusão. Procedeu-se a pré-dilatação com balão simples (POBA 4x20, 8x40, 10x40, 18x20mm) e depois a colocação de <i>stent </i>Sinus-XL da Optimed® 18x60mm e remoção do DAVCTI. A venografia final revelou um bom resultado sem refluxo significativo (<a href="#f3">Figura 3</a>), sendo que no primeiro dia de pós operatório se verificou a resolução do edema da face e mão (<a href="#f4">Figura 4</a>), com retorno quase imediato às actividades da vida diária.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n4/13n4a09f3.jpg">     
<p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/ang/v13n4/13n4a09f4.jpg">     
<p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMENTÁRIOS</b></p>     <p>Em cerca de 16% dos casos, o sVCS está relacionado com um dispositivo de acesso veno so central totalmente implantável (DAVCTI)<sup>2</sup>. Os factores de risco para sVCS após colocação de um acesso venoso</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos casos de sVCS associada a trombo sem compressão extrínseca associada, a terapêutica anticoagulante é a primeira linha de tratamento e pode ser eficaz em até 88% dos doentes se iniciada até 5 dias após a instalação do trombo<sup>9</sup>. De acordo com o algoritmo proposto por <i>Straka</i> et al.<sup>1</sup>, foi iniciada terapêutica com anticoagulante (heparina de baixo peso molecular) já que a doente não apresentava critérios para abordagem invasiva emergente(endovascularououtra), por apresentar um <i>score </i>de Kishi inferior a 41 <sup>5,10</sup></p>     <p>Descrita pela primeira vez em 1986, a colocação de um <i>stent </i>na VCS está a tornar-se no tratamento de escolha para o sVCS (em casos de eixos venosos não trombóticos ou em eixos venosos repermeabilizados por angioplastia). Vários estudos já demonstraram a sua rapidez de acção, eficácia e baixa morbilidade<sup>5</sup>. Após falência da terapêutica anticoagulante nesta doente e a avaliação imagiológica do caso, por venoTC e venografia, optou-se por porpôr a revascularização endovascular à doente, que aceitou.</p>     <p>Para além da dilatação com balão, é necessário decidir que tipo de <i>stent </i>escolher para suportar esta repermeabilização: <i>stent </i>auto-expansível ou expansível por balão11. Não há na literatura evidência sobre a superioridade de qualquer um destes tipos de <i>stent</i>. De acordo com a prática clínica de <i>Lacout </i>et al.<sup>5</sup>, optámos pela colocação de um <i>stent </i>auto-expansível com um calibre adaptado ao de uma VCS saudável, tendo o seu comprimento sido escolhido de acordo com a extensão da lesão constatada na angio-TC pré-operatória e confirmada intra-operatoriamente. Foi por isso utilizado um <i>stent </i>auto-expansível de nitinol com 18mm de calibre por 60mm de comprimento. Os <i>stents </i>de nitinol são preferíveis aos de aço inoxidável uma vez que a recorrência do síndrome está descrita ser superior com estes últimos<sup>12</sup>.</p>     <p>Após a repermeabilização da VCS, é necessário no pós-operatório imediato estar atento ao síndrome de sobrecarga cardíaca pelo retorno do líquido que estava no terceiro espaço e que, ao retornar para o espaço vascular, pode central são a realização de hemodiálise, antecedentes de múltiplos levar a hipertensão pulmonar pré-capilar e edema pulmonar<sup>13</sup>. Esta doente não desenvolveu este quadro após 2 horas de recobro, pelo que não foi necessário utilizar o cateterismos com catéteres de grande calibre, permanência longa do catéter 7 e trombose associada a catéter 8. A doente não fazia hemodiálise, não tinha antecedentes de colocação de outros acessos venosos centrais, a punção foi única, o catéter tinha <sup>8-5</sup><i>fr </i>de calibre (médio calibre), estava colocado há cerca de 12 meses e não tinha factores de risco para trombose associada a catéter (a ponta estava na transição entre a VCS e a aurícula direita, o catéter não estava infectado e tinha um único lúmen). Assim, a doente apresentava um baixo risco para a esta complicação.</p>     <p>Nos casos de sVCS associada a trombo sem compressão extrínseca associada, a terapêutica anticoagulante é a primeira linha de tratamento e pode ser eficaz em até 88% dos doentes se iniciada até 5 dias após a instalação do trombo<sup>9</sup>. De acordo com o algoritmo proposto por Straka et al.<sup>1</sup>, foi iniciada terapêutica com anticoagulante (heparina de baixo peso molecular) já que a doente não apresentava critérios para abordagem invasiva emergente (endovascular ou outra), por apresentar um score de Kishi inferior a 41,<sup>4,5</sup>. Descrita pela primeira vez em 1986, a colocação de um stent na VCS está a tornar-se no tratamento de escolha para o sVCS (em casos de eixos venosos não trombóticos ou em eixos venosos repermeabilizados por angioplastia). Vários estudos já demonstraram a sua rapidez de acção, eficácia e baixa morbilidade5. Após falência da terapêutica anticoagulante nesta doente e a avaliação imagiológica do caso, por venoTC e venografia, optou-se por porpôr a revascularização endovascular à doente, que aceitou.</p>     <p>Para além da dilatação com balão, é necessário decidir que tipo de stent escolher para suportar esta repermeabilização: stent auto-expansível ou expansível por balão<sup>11</sup>. Não há na literatura evidência sobre a superioridade de qualquer um destes tipos de stent. De acordo com a prática clínica de Lacout et al.<sup>5</sup>, optámos pela colocação de um stent auto-expansível com um calibre adaptado ao de uma VCS saudável, tendo o seu comprimento sido escolhido de acordo com a extensão da lesão constatada na angio-TC pré-operatória e confirmada intra-operatoriamente. Foi por isso utilizado um stent auto-expansível de nitinol com 18mm de calibre por 60mm de comprimento. Os stents de nitinol são preferíveis aos de aço inoxidável uma vez que a recorrência do síndrome está descrita ser superior com estes últimos<sup>12</sup>.</p>     <p>Após a repermeabilização da VCS, é necessário no pós-operatório imediato estar atento ao síndrome de sobrecarga cardíaca pelo retorno do líquido que estava no terceiro espaço e que, ao retornar para o espaço vascular, pode levar a hipertensão pulmonar pré-capilar e edema pulmonar<sup>13</sup>. Esta doente não desenvolveu este quadro após 2 horas de recobro, pelo que não foi necessário utilizar o tratamento de primeira linha desta complicação: vigilância em Unidade de Cuidados Intensivos e diuréticos.</p>     <p>Após a intervenção, e mesmo na presença de uma regressão clínica completa em menos de uma semana como foi o caso, recomendamos a utilização de terapêutica anticoagulante com heparina de baixo peso molecular durante pelo menos dois meses<sup>5</sup>, que a doente cumpriu.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUSÃO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os DAVCTI são uma causa cada vez mais comum de sVCS de etiologia benigna. A recanalização da VCS usando o lúmen do DAVCTI como via de acesso é seguro, exequível e pode representar uma terapêutica de primeira linha. No entanto, o tratamento do doente com sVCS deve ser feito caso-a-caso. A abordagem multidisciplinar melhorará a velocidade e eficácia do tratamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>1. Straka C, Ying J, Kong F-M, et al. Review of evolving etiologies, implications and treatment strategies for the superior vena cava syndrome. 2016;5:229.</p>     <p>2. Tonak J, Fetscher S, Barkhausen J, et Endovascular recanalization of a port catheter-associated superior vena cava syndrome. J Vasc Access. 2015;16(5):434&#8211;6.</p>     <!-- ref --><p>3. Crawford JD, Liem TK, Moneta Management of catheter-associated upper extremity deep venous thrombosis. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2016 Jul;4(3):375&#8211;9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=893651&pid=S1646-706X201700040000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>4. Rizvi AZ, Kalra M, Bjarnason H, et al. Benign superior vena cava syndrome: Stenting is now the first line of J Vasc Surg. 2008 Feb 1;47(2):372&#8211;80.</p>     <p>5. Lacout A, Marcy P-Y, Thariat J, et al. Radio-anatomy of the superior vena cava syndrome and therapeutic orientations. Diagn Interv 2012 Jul;93(7&#8211;8):569&#8211;77.</p>     <p>6. Stanford W, Jolles H, Ell S, et Superior vena cava obstruction: a venographic classification. AJR Am J Roentgenol. 1987 Feb;148(2):259&#8211;62.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>7. Pikwer A, Acosta S, Kölbel T, et Endovascular intervention for central venous cannulation in patients with vascular occlusion after previous catheterization. J Vasc Access. 2010 Dec;11(4):323&#8211;8.</p>     <p>8. Nakazawa Challenges in the Accurate Identification of the Ideal Catheter Tip Location. J Assoc Vasc Access. 2010 Jan 1;15(4):196&#8211;201.</p>     <p>9. Gray BH, Olin JW, Graor RA, et al. Safety and Efficacy of Thrombolytic Therapy for Superior Vena Cava Chest. 1991 Jan;99(1):54&#8211;9.</p>     <p>10. Kishi K, Sonomura T, Mitsuzane K, et Self-expandable metallic stent therapy for superior vena cava syndrome: clinical observations. Radiology. 1993 Nov 1;189(2):531&#8211;5.</p>     <p>11. Qanadli SD, El Hajjam M, Mignon F, et al. Subacute and chronic benign superior vena cava obstructions: endovascular treatment with self-expanding metallic Am J Roentgenol. 1999 Jul 1;173(1):159&#8211;64.</p>     <p>12. Fagedet D, Thony F, Timsit J-F, et Endovascular treatment of malignant superior vena cava syndrome: results and predictive factors of clinical efficacy. Cardiovasc Intervent Radiol. 2013 Feb;36(1):140&#8211;9.</p>     <!-- ref --><p>13. Yamagami T, Nakamura T, Kato T, et al. Hemodynamic changes after self-expandable metallic stent therapy for vena cava syndrome. AJR Am J 2002 Mar;178(3):635&#8211;9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=893662&pid=S1646-706X201700040000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>*</sup><a href="#topc0">Autor para correspondência</a><a name="c0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Correio eletrónico: </i><a href="mailto:mfroisborges@gmail.com">mfroisborges@gmail.com</a> (M. Borges).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 14 de maio de 2017</p>     <p>Aceite a 01 de março de 2018</p>      ]]></body><back>
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