<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1646-706X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Angiologia e Cirurgia Vascular]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Angiol Cir Vasc]]></abbrev-journal-title>
<issn>1646-706X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1646-706X2018000400010</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Colocação inadvertida de cateter central de diálise na artéria subclávia: stent coberto, uma alternativa terapêutica]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Inadverted placement of central venous catheter for dialysis in the subclávia artery: stentgraft, a therapeutic alternative]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moutinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mariana]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gomes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Miguel]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silvestre]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luís]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pedro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luís Mendes]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte Hospital Santa Maria Serviço de Cirurgia Vascular]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<volume>14</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>351</fpage>
<lpage>355</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-706X2018000400010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-706X2018000400010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-706X2018000400010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A punção arterial inadvertida na colocação de catéteres de diálise é pouco comum, ocorrendo em 4,2% - 9,3% dos casos, e pode ser difícil o reconhecimento imediato em doentes previamente instáveis e em choque. É uma situação grave que ocorre mais frequentemente na região femoral em relação à subclávia e não existe um tratamento padronizado recomendado. O objetivo deste trabalho é apresentar o método de tratamento utilizado num caso de colocação inadvertida de um cateter de diálise na artéria subclávia. Caso Clínico: Mulher de 58 anos de idade, com antecedentes de HTA e IRC em hemodiálise, internada no serviço de infeciologia com quadro de choque séptico com ponto de partida em cateter venoso central de diálise (CVCd) colocado na veia femoral esquerda e associado a endocardite. Após início de antibioterapia empírica com vancomicina e gentamicina, o CVCd da veia femoral esquerda foi removido e tentada a colocação de novo catéter na veia subclávia esquerda. Por suspeita de localização intra-arterial do cateter, realizou uma angioTC que confirmou a presença do CVCd na artéria subclávia esquerda sem extravasão de contraste ou trombose da mesma. À observação, a doente encontrava-se entubada e ventilada, com pulsos umeral, radial e cubital esquerdos amplos, sem evidência de hematoma, falso aneurisma ou frémito no local da punção. Foi submetida a colocação de um stent coberto autoexpansível Viabahn® 8 x 50 mm, na artéria subclávia esquerda, distal à emergência das artérias mamária interna e vertebral (excluindo o local da punção do CVCd). O stent coberto foi colocado no local correto e aberto imediatamente após a remoção do CVCd pelo anestesista, com controle e resolução da hemorragia. Ainda no intraoperatório foi colocado novo CVCd na veia femoral direita. Não ocorreram intercorrências vasculares e posteriormente foi isolado nas hemoculturas um Enterobacter Cloacae sensível ao ertapnem. A doente teve alta ao 24º dia com pulsos mantidos no membro superior esquerdo e sem complicações do acesso. Conclusão: A remoção e compressão imediata do CVCd, quando introduzido no sector arterial, pode resultar em hemorragia incontrolável, pseudoaneurisma ou fístula AV, sobretudo se o local de entrada for numa zona de difícil acesso à compressão, como é o caso da artéria subclávia. O posicionamento endovascular de um stent coberto no local da entrada do CVCd e a sua abertura imediatamente após a remoção do mesmo constituiu um aspeto técnico interessante, inovador e cuja divulgação pode ser útil em casos semelhantes.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The inadvertent arterial puncture in the placement of dialysis catheters is uncommon, occurring in 4.2% - 9.3% of the cases, and it may be difficult to recognize immediately in previously unstable and in shock patients. It is a serious situation that occurs more frequently in the femoral region in relation to the subclavian and there is no recommended standard treatment. The purpose of this study is to present the treatment method used in a case of inadvertent placement of a dialysis catheter in the subclavian artery. Clinical Case: A 58-year-old woman with a history of hypertension and CRF on hemodialysis, admitted in the infecciology service in septic shock clinic with a starting point in a central venous dialysis catheter (CVCd) placed in the left femoral vein and associated with endocarditis. After the beginning of empirical antibiotic therapy with vancomycin and gentamicin, the CVCd of the left femoral vein was removed and an attempt was made to place a new catheter in the left subclavian vein. On suspicion of intra-arterial localization of the catheter, the patient performed an angio-CT that confirmed the presence of CVCd in the left subclavian artery without contrast extravasation or thrombosis. On observation, the patient was intubated and ventilated, with normal humeral, radial and ulnar pulses, with no evidence of hematoma, false aneurysm or thrum at the puncture site. The patient underwent surgical treatment and a Viabahn® 8 x 50 mm self-expandable covered stent was deployed in the left subclavian artery, distal to the emergence of the vertebral and internal mammary arteries (excluding the site of the CVCd puncture). The covered stent was placed in the correct location and deployed immediately after the removal of the CVCd by the anesthesiologist, with control and resolution of the hemorrhage. Intraoperatively, a new CVCd was placed in the right femoral vein. There were no vascular intercurrences and an Enterobacter Cloacae sensitive to ertapnem was later isolated in the blood cultures. The patient was discharged on the 24th day with pulses kept in the left upper limb and without complications of the access. Conclusion: Removal and immediate compression of CVCd when introduced into the arterial sector may result in uncontrollable hemorrhage, pseudoaneurysm or AV fistula, especially if the entrance site is in a zone of difficult access to compression, as it is the case of the subclavian artery. The endovascular positioning of a covered stent at the entrance site of the CVCd and its opening immediately after the removal of the CVCd constitutes an interesting, innovative technical aspect whose disclosure may be useful in similar cases.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Tratamento de complicação vascular]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Colocação de cateter central]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Treatment of vascular complication]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Insertion of a central catheter]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>CASOS CLÍNICOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Colocação inadvertida de cateter central de diálise na artéria    subclávia: stent coberto, uma alternativa terapêutica</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Inadverted placement of central venous catheter for dialysis    in the subclávia artery: stentgraft, a therapeutic alternative</b></font></p>     <p><b>Mariana Moutinho<sup>1</sup>, Miguel Gomes<sup>1</sup>, Luís Silvestre<sup>1</sup>,    Luís Mendes Pedro<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Departamento de Coração e Vasos, Serviço de Cirurgia Vascular,    Hospital Santa Maria - Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, Portugal.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdução:</b> A punção arterial inadvertida na colocação de catéteres    de diálise é pouco comum, ocorrendo em 4,2% - 9,3% dos casos, e pode ser difícil    o reconhecimento imediato em doentes previamente instáveis e em choque. É uma    situação grave que ocorre mais frequentemente na região femoral em relação à    subclávia e não existe um tratamento padronizado recomendado. O objetivo deste    trabalho é apresentar o método de tratamento utilizado num caso de colocação    inadvertida de um cateter de diálise na artéria subclávia.</p>     <p><b>Caso Clínico:</b> Mulher de 58 anos de idade, com antecedentes de HTA e    IRC em hemodiálise, internada no serviço de infeciologia com quadro de choque    séptico com ponto de partida em cateter venoso central de diálise (CVCd) colocado    na veia femoral esquerda e associado a endocardite. Após início de antibioterapia    empírica com vancomicina e gentamicina, o CVCd da veia femoral esquerda foi    removido e tentada a colocação de novo catéter na veia subclávia esquerda. Por    suspeita de localização intra-arterial do cateter, realizou uma angioTC que    confirmou a presença do CVCd na artéria subclávia esquerda sem extravasão de    contraste ou trombose da mesma. À observação, a doente encontrava-se entubada    e ventilada, com pulsos umeral, radial e cubital esquerdos amplos, sem evidência    de hematoma, falso aneurisma ou frémito no local da punção. Foi submetida a    colocação de um stent coberto autoexpansível Viabahn® 8 x 50 mm, na artéria    subclávia esquerda, distal à emergência das artérias mamária interna e vertebral    (excluindo o local da punção do CVCd). O stent coberto foi colocado no local    correto e aberto imediatamente após a remoção do CVCd pelo anestesista, com    controle e resolução da hemorragia. Ainda no intraoperatório foi colocado novo    CVCd na veia femoral direita. Não ocorreram intercorrências vasculares e posteriormente    foi isolado nas hemoculturas um Enterobacter Cloacae sensível ao ertapnem. A    doente teve alta ao 24º dia com pulsos mantidos no membro superior esquerdo    e sem complicações do acesso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclusão:</b> A remoção e compressão imediata do CVCd, quando introduzido    no sector arterial, pode resultar em hemorragia incontrolável, pseudoaneurisma    ou fístula AV, sobretudo se o local de entrada for numa zona de difícil acesso    à compressão, como é o caso da artéria subclávia. O posicionamento endovascular    de um stent coberto no local da entrada do CVCd e a sua abertura imediatamente    após a remoção do mesmo constituiu um aspeto técnico interessante, inovador    e cuja divulgação pode ser útil em casos semelhantes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Tratamento de complicação vascular, Colocação de cateter    central</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction:</b> The inadvertent arterial puncture in the placement of    dialysis catheters is uncommon, occurring in 4.2% - 9.3% of the cases, and it    may be difficult to recognize immediately in previously unstable and in shock    patients. It is a serious situation that occurs more frequently in the femoral    region in relation to the subclavian and there is no recommended standard treatment.    The purpose of this study is to present the treatment method used in a case    of inadvertent placement of a dialysis catheter in the subclavian artery.</p>     <p><b>Clinical Case:</b> A 58-year-old woman with a history of hypertension and    CRF on hemodialysis, admitted in the infecciology service in septic shock clinic    with a starting point in a central venous dialysis catheter (CVCd) placed in    the left femoral vein and associated with endocarditis. After the beginning    of empirical antibiotic therapy with vancomycin and gentamicin, the CVCd of    the left femoral vein was removed and an attempt was made to place a new catheter    in the left subclavian vein. On suspicion of intra-arterial localization of    the catheter, the patient performed an angio-CT that confirmed the presence    of CVCd in the left subclavian artery without contrast extravasation or thrombosis.    On observation, the patient was intubated and ventilated, with normal humeral,    radial and ulnar pulses, with no evidence of hematoma, false aneurysm or thrum    at the puncture site. The patient underwent surgical treatment and a Viabahn®    8 x 50 mm self-expandable covered stent was deployed in the left subclavian    artery, distal to the emergence of the vertebral and internal mammary arteries    (excluding the site of the CVCd puncture). The covered stent was placed in the    correct location and deployed immediately after the removal of the CVCd by the    anesthesiologist, with control and resolution of the hemorrhage. Intraoperatively,    a new CVCd was placed in the right femoral vein. There were no vascular intercurrences    and an Enterobacter Cloacae sensitive to ertapnem was later isolated in the    blood cultures. The patient was discharged on the 24th day with pulses kept    in the left upper limb and without complications of the access. </p>     <p><b>Conclusion:</b> Removal and immediate compression of CVCd when introduced    into the arterial sector may result in uncontrollable hemorrhage, pseudoaneurysm    or AV fistula, especially if the entrance site is in a zone of difficult access    to compression, as it is the case of the subclavian artery. The endovascular    positioning of a covered stent at the entrance site of the CVCd and its opening    immediately after the removal of the CVCd constitutes an interesting, innovative    technical aspect whose disclosure may be useful in similar cases.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords: </b>Treatment of vascular complication, Insertion of a central    catheter</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>Aproximadamente 7 milhões de catéteres venosos centrais são colocados anualmente    nos Estados Unidos da América (EUA), sendo os locais mais comuns as veias jugular    interna, subclávia e femoral.(1) Em Portugal não há dados disponíveis até agora.</p>     <p>Embora a punção orientada por referências anatómicas seja usada frequentemente,    com uma taxa de sucesso entre 75 e 99%, ela não é isenta de complicações, onde    se inclui a punção arterial inadvertida, cuja incidência pode ser reduzida com    recurso ao uso sistemático de ecografia(2,3) A punção arterial na colocação    de catéteres de diálise é relativamente comum, tendo-se estimado que ocorra    em 4,2-9,3% dos casos, e pode ser difícil o seu reconhecimento imediato em doentes    previamente instáveis e em choque. A punção arterial pode levar, subsequentemente,    ao desenvolvimento de hemorragia, hemotórax, pseudoaneurisma, fístula arterio-venosa,    dissecção arterial e até, nos casos mais graves, obstrução da via aérea por    hematoma ou acidente vascular cerebral (AVC) por embolia (dependendo naturalmente    da artéria puncionada).(4) </p>     <p>Deste modo, trata-se de uma situação potencialmente grave, que ocorre mais    frequentemente na artéria femoral em relação à subclávia. Não existem guidelines    na literatura para o tratamento das punções acidentais arteriais com canulação    superior a 7 Fr, podendo esta condição ser tratada por cirurgia (aberta ou endovascular)    ou remoção do cateter e compressão, estando esta última associada a uma elevada    taxa de complicações. </p>     <p>O objetivo deste trabalho é apresentar um método de tratamento utilizado num    caso de colocação inadvertida de um catéter de diálise na artéria subclávia.  </p>     <p><b>Caso clínico</b></p>     <p>Mulher de 58 anos de idade, natural de Cabo Verde, raça negra, com antecedentes    de hipertensão arterial, insuficiência renal crónica em hemodiálise desde 2013,    estado pós-histerectomia e ooforectomia internada no serviço de infeciologia    com quadro de choque séptico com ponto de partida em catéter venoso central    de diálise (CVCd) colocado na veia femoral esquerda e associado a endocardite.    Após início de antibioterapia empírica com vancomicina e gentamicina, o CVCd    da veia femoral esquerda foi removido e tentada a colocação de novo catéter    na veia subclávia esquerda. Por suspeita de localização intra-arterial do catéter,    realizou uma angioTC que confirmou a sua presença na artéria subclávia esquerda,    sem extravasão de contraste ou trombose da mesma (<a href="#f1">Figura 1</a>).    À observação, a doente encontrava-se entubada e ventilada, com pulsos umeral,    radial e cubital esquerdos amplos, sem evidência de hematoma, falso aneurisma    ou frémito no local da punção.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/ang/v14n4/14n4a10f1.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A estratégia terapêutica implicava a necessidade de evitar uma hemorragia significativa    após a remoção do catéter uma vez que se tratava de uma artéria impossível de    comprimir externamente.</p>     <p>Assim, a doente foi admitida no bloco operatório onde foi submetida a anestesia    geral. Foi efectuado o isolamento cirúrgico da artéria umeral esquerda e colocado    um introdutor 9F através do qual foi introduzido um stent coberto auto-expansível    Viabahn® 8x50 mm (WLGore and Associates, Inc., Flagstaff, AZ, USA) e &ldquo;estacionado&rdquo;    ao nível da artéria subclávia esquerda, distal à emergência das artérias mamária    interna e vertebral, e na zona do local da punção do CVCd. A fixação cutânea    do catéter foi libertada no pescoço pelo anestesista o qual removeu o CVCd num    movimento combinado com a equipe cirúrgica que abriu o stent coberto imediatamente    após a saída do catéter da artéria, prevenindo qualquer hemorragia (<a href="#f2">Figuras    2</a> e <a href="#f3">3</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/ang/v14n4/14n4a10f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/ang/v14n4/14n4a10f3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ainda no mesmo tempo operatório foi colocado novo CVCd na veia femoral direita.    Não ocorreram intercorrências vasculares e posteriormente foi isolado nas hemoculturas    um Enterobacter Cloacae sensível ao ertapnem. A doente teve alta ao 24º dia    com pulsos mantidos no membro superior esquerdo e sem complicações do acesso.</p>     <p>Ao sexto mês de follow-up a doente encontra-se bem, sem queixas do ponto de    vista do membro superior esquerdo, com pulsos radial e umeral mantidos e sem    incapacidade funcional. Neste momento encontra-se proposta para transplante    renal. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discussão</b></p>     <p>As complicações após trauma por inserção de catéteres na região cérvico-torácica    podem ser devastadoras. O trauma iatrogénico das artérias carótidas ou subclávias    pode provocar hemorragia grave, dissecção arterial, embolia ou trombose. Em    determinados casos, pode acontecer obstrução da via área por hematoma cervical,    choque por hemorragia e hemotórax, AVC por trombose arterial ou embolia cerebral,    pseudoaneurisma ou fístula arterio-venosa.(5)</p>     <p>Uma vez que a punção arterial é, normalmente, reconhecida antes do catéter    ser inserido no vaso, a colocação inadvertida do cateter na artéria é pouco    comum. No entanto, existem fatores que aumentam o risco como a obesidade, o    pescoço &ldquo;curto&rdquo; e a cateterização urgente. </p>     <p>A hipovolémia (com necessidade de atuação imediata) está associada a punção    arterial mais frequente e mais difícil de detetar devido à menor pulsatilidade    arterial. Doentes com hipotensão e/ou baixa saturação devem ser considerados    particularmente em risco de punção arterial inadvertida.(3)</p>     <p>Deve-se suspeitar imediatamente de punção arterial acidental quando se observa    um backflow excessivo, pulsátil e bem oxigenado ou quando há formação de hematoma    local e ter em conta que o atraso no diagnóstico aumenta a probabilidade de    complicações graves. Em caso de dúvida, a confirmação da localização dos catéteres    deve ser efetuada angio-TC ou arteriografia pelo catéter. </p>     <p>Não existe um tratamento recomendado padronizado para este tipo de situações.    As estratégias terapêuticas após a colocação inadvertida intra-arterial do cateter    venoso incluem a sua remoção e compressão local, cirurgia aberta com reparação    direta arterial ou tratamento percutâneo endovascular. Porém, a compressão não    é uma opção em artérias como a subclávia que se encontram atrás de estruturas    ósseas que a inviabilizam.</p>     <p>Existem ainda outros fatores que influenciam o risco de complicações após a    remoção dos cateteres, aumentado o risco de complicações graves, e que são o    maior diâmetro (como é o caso dos CVCd), o tempo desde a sua inserção e o local    de punção. Cateteres com calibre superior a 7F estão associados a morbilidade    significativamente mais elevada de AVC, hematoma expansível com obstrução da    via aérea, falso aneurisma e até morte.(4)</p>     <p>Foi demonstrado que o tratamento aberto é seguro, mas apresenta uma elevada    morbilidade uma vez que, normalmente, os doentes já se encontram numa situação    clínica delicada, como no caso da doente apresentada, e a cirurgia aberta pode    ser complexa com necessidade de anestesia geral, com abordagem da artéria subclávia    num território com infiltração hemática e consequente distorção da anatomia    com aumento do risco de lesões nervosas. Por outro lado, em punções muito proximais    o controlo arterial pode necessitar de esternotomia (à direita) ou de toracotomia    (à esquerda) o que pressupõe intervenções muito invasivas. </p>     <p>O tratamento endovascular veio modificar os paradigmas terapêuticos em múltiplas    áreas vasculares e particularmente no contexto de trauma. É menos invasivo e    as abordagens para controlo arterial e tratamento das lesões pode ser efetuado    à distância. O desenvolvimento dos materiais teve também uma importância decisiva    na aplicabilidade das técnicas endovasculares ao trauma, nomeadamente com o    aparecimento de stents cobertos que permitem ocluir orifícios traumáticos por    via intra-luminal. O sucesso técnico do tratamento endovascular de lesões traumáticas    com stents cobertos tem-se mostrado elevado, embora seja necessário ter em conta    a necessidade de preservação de ramos arteriais major. No caso apresentado,    e encontrando-se a doente em choque séptico e com o cateter de diálise numa    zona de difícil acesso cirúrgico, a opção endovascular proporcionou uma solução    eficaz com baixo acréscimo de morbilidade. O caso teve ainda a particularidade,    que julgamos ser muito relevante, de &ldquo;estacionar&rdquo; a endoprótese no local correto    e promover a sua abertura de forma sincronizada com a remoção do cateter. </p>     <p>A durabilidade a longo prazo das endopróteses em posição subclávia não é muito    bem conhecida, embora estudos recentes sugiram que podem ser comparados com    a cirurgia aberta no trauma das artérias carótida e subclávia.(6)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Finalmente, em nenhuma circunstância se deve manter a inserção arterial de    catéteres venosos, pelo risco de complicações, e a sua remoção deve ser rapidamente    promovida. </p>     <p><b>Conclusão</b></p>     <p>A remoção e compressão imediata do CVCd, quando introduzido no sector arterial,    pode resultar em hemorragia incontrolável, pseudoaneurisma ou fístula AV, sobretudo    se o local de entrada for numa zona de difícil acesso à compressão, como é o    caso da artéria subclávia. </p>     <p>O posicionamento endovascular de um stent coberto no local da entrada do CVCd    e a sua abertura imediatamente após a remoção do mesmo constituiu um aspeto    técnico interessante, inovador e cuja divulgação pode ser útil face a casos    semelhantes. </p>     <p>Embora os stents possam não ser sempre a primeira opção nestes casos, este    procedimento é vantajoso especialmente em zonas incompressíveis e de difícil    acesso cirúrgico, sendo uma técnica segura e com alta taxa de sucesso.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Oncu S, Ozsut H, Yildirim A et al: Central venous catheter related infections:    risk factors and the effect of glycopeptide antibiotics. Annals of clinical    microbiology and antimicrobials 2003;2:3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=900381&pid=S1646-706X201800040001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Oliver WC, JR., Nuttall GA, Beynen FM, Raimundo HS, Abenstein JP, Arnold    JJ: The incidence of artery puncture with central venous cannulation using a    modified technique for detection and prevention of arterial cannulation. Journal    of cardiothoracic and vascular anesthesia 1997;11:851-5&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=900382&pid=S1646-706X201800040001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. Pikwer A, Acosta S, Kolbel T, Malina M, Sonesson B, Akeson J: Management    of inadvertent arterial catheterisation associated with central venous access    procedures. European journal of vascular and endovascular surgery : the official    journal of the European Society for Vascular Surgery 2009;38:707-14&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=900383&pid=S1646-706X201800040001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>4. Guilbert MC, Elkouri S, Bracco D et al: Arterial trauma during central venous    catheter insertion: Case series, review and proposed algorithm. Journal of vascular    surgery 2008;48:918-25; discussion 25&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=900384&pid=S1646-706X201800040001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>5. Sekharan J, Dennis JW, Veldenz HC, Miranda F, Frykberg ER: Continued experience    with physical examination alone for evaluation and management of penetrating    zone 2 neck injuries: results of 145 cases. Journal of vascular surgery 2000;32:483-9&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=900385&pid=S1646-706X201800040001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>6. Schonholz CJ, Uflacker R, DE Gregorio MA, Parodi JC: Stent-graft treatment    of trauma to the supra-aortic arteries. A review. The Journal of cardiovascular    surgery 2007;48:537-49&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=900386&pid=S1646-706X201800040001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n    para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Correio eletrónico: <a href="mailto:mariana_sasm@hotmail.com">mariana_sasm@hotmail.com</a>    (M. Moutinho).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 07 de dezembro de 2017</p>     <p>Aceite a 20 de maio de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oncu]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ozsut]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Yildirim]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Central venous catheter related infections: risk factors and the effect of glycopeptide antibiotics]]></article-title>
<source><![CDATA[Annals of clinical microbiology and antimicrobials]]></source>
<year>2003</year>
<volume>2</volume>
<page-range>3</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oliver]]></surname>
<given-names><![CDATA[WC JR.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nuttall]]></surname>
<given-names><![CDATA[GA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Beynen]]></surname>
<given-names><![CDATA[FM]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Raimundo]]></surname>
<given-names><![CDATA[HS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Abenstein]]></surname>
<given-names><![CDATA[JP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Arnold]]></surname>
<given-names><![CDATA[JJ]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The incidence of artery puncture with central venous cannulation using a modified technique for detection and prevention of arterial cannulation]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of cardiothoracic and vascular anesthesia]]></source>
<year>1997</year>
<volume>11</volume>
<page-range>851-5</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pikwer]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Acosta]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kolbel]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Malina]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sonesson]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Akeson]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Management of inadvertent arterial catheterisation associated with central venous access procedures]]></article-title>
<source><![CDATA[European journal of vascular and endovascular surgery]]></source>
<year>2009</year>
<volume>38</volume>
<page-range>707-14</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Guilbert]]></surname>
<given-names><![CDATA[MC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Elkouri]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bracco]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Arterial trauma during central venous catheter insertion: Case series, review and proposed algorithm]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of vascular surgery]]></source>
<year>2008</year>
<volume>48</volume>
<page-range>918-25</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sekharan]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dennis]]></surname>
<given-names><![CDATA[JW]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Veldenz]]></surname>
<given-names><![CDATA[HC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Miranda]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Frykberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[ER]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Continued experience with physical examination alone for evaluation and management of penetrating zone 2 neck injuries: results of 145 cases]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of vascular surgery]]></source>
<year>2000</year>
<volume>32</volume>
<page-range>483-9</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schonholz]]></surname>
<given-names><![CDATA[CJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Uflacker]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[De Gregorio]]></surname>
<given-names><![CDATA[MA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Parodi]]></surname>
<given-names><![CDATA[JC]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Stent-graft treatment of trauma to the supra-aortic arteries: A review]]></article-title>
<source><![CDATA[The Journal of cardiovascular surgery]]></source>
<year>2007</year>
<volume>48</volume>
<page-range>537-49</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
