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<publisher-name><![CDATA[Instituto de Estudos Medievais, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Similibus simile cognoscitur: O pensamento analógico medieval]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Although insufficiently considered by historiography, the analogical thought was the prevalent intellectual instrument in all sociocultural categories in medieval Europe. It was decisive for many forms of relation between the human ones and of those with nature. Taking into account this kind of reasoning based on homologies, symmetries, contiguities, correspondences and oppositions it is possible understand various aspects of knowledge, behaviors and emotions of medieval man. This is exemplified in the present article by the frequent use that the Middle Age made of analogies in mathematics, cartography, medicine, theology, biblical exegesis, liturgy, etymology, and literature, among other fields of human activity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DESTAQUE</b></p>     <p><b><i>Similibus simile cognoscitur</i>. O pensamento anal&oacute;gico medieval</b></p>      <p><b>Hil&aacute;rio Franco J&uacute;nior<sup>*</sup></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>* </sup>Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, Brasil. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:hilario.franco-jr@wanadoo.fr">hilario.franco-jr@wanadoo.fr</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo </b></p>     <p>Embora insuficientemente considerado pela historiografia, o pensamento anal&oacute;gico foi o instrumento intelectual predominante em todas as categorias s&oacute;cioculturais na Europa medieval. Ele &eacute; que determinou muitas das formas de rela&ccedil;&atilde;o entre os humanos e destes com a natureza. Levar em conta esta modalidade de racioc&iacute;nio fundada em homologias, simetrias, contiguidades, correspond&ecirc;ncias e oposi&ccedil;&otilde;es permite compreender diversas facetas dos conhecimentos, comportamentos e sentimentos do homem medieval. Isto &eacute; exemplificado no presente artigo pela frequente utiliza&ccedil;&atilde;o que a Idade M&eacute;dia fazia de analogias na matem&aacute;tica, cartografia, medicina, teologia, exegese b&iacute;blica, liturgia, etimologia e literatura, dentre outros campos da atividade humana.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: analogia; pensamento reticulado; saber; agir; sentir.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b></p>     <p>Although insufficiently considered by historiography, the analogical thought was the prevalent intellectual instrument in all sociocultural categories in medieval Europe. It was decisive for many forms of relation between the human ones and of those with nature. Taking into account this kind of reasoning based on homologies, symmetries, contiguities, correspondences and oppositions it is possible understand various aspects of knowledge, behaviors and emotions of medieval man. This is exemplified in the present article by the frequent use that the Middle Age made of analogies in mathematics, cartography, medicine, theology, biblical exegesis, liturgy, etymology, and literature, among other fields of human activity.</p>     <p><b>Keywords</b>: analogy; crosslinked thought; knowledge; activity; feeling.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>H&aacute; alguns anos tentamos mostrar que a ferramenta intelectual predominantemente utilizada no cotidiano da sociedade medieval, qualquer que fosse a instru&ccedil;&atilde;o formal do indiv&iacute;duo, foi o pensamento anal&oacute;gico. Isto n&atilde;o significa, &eacute; claro, endossar a velha tese de que na longa hist&oacute;ria do pensamento humano teria havido uma etapa &#8220;pr&eacute;-l&oacute;gica&#8221;, o que o pr&oacute;prio Lucien L&eacute;vy-Brul nega no fim da vida depois de t&ecirc;-la anteriormente proposto. Entretanto, tampouco nos parece pertinente falar em &#8220;pensamento selvagem&#8221; e &#8220;pensamento domesticado&#8221;, como faz Claude L&eacute;vi-Strauss, pois embora ele aceite a coexist&ecirc;ncia das duas modalidades, tais r&oacute;tulos de grande atra&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria deformam o conte&uacute;do do que pretendem esclarecer. &#8220;Selvagem&#8221; n&atilde;o &eacute; pensamento violento ou desordenado, tampouco &#8220;domesticado&#8221; &eacute; pensamento submisso. Preferimos por isso ressaltar o modo de funcionamento do aparelho ps&iacute;quico humano falando em pensamento anal&oacute;gico e pensamento l&oacute;gico.<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>  </p>     <p>Ao se propor a refletir sobre o pensamento selvagem outro grande antrop&oacute;logo incorre em estranha deforma&ccedil;&atilde;o de perspectiva: &#8220;a ilus&atilde;o &eacute; filha da analogia&#8221; j&aacute; que por meio desta um elemento objetivo presente na experi&ecirc;ncia humana &eacute; transmutada em &#8220;re-presenta&ccedil;&atilde;o ilus&oacute;ria, portanto subjetiva, do real&#8221;, ou seja, na qual se &#8220;representa as for&ccedil;as e as realidades invis&iacute;veis da natureza como seres an&aacute;logos aos homens&#8221;, diz Maurice Godelier. Mas tais experi&ecirc;ncias s&atilde;o objetivas e subjetivas para quem? N&atilde;o &eacute; ao rotul&aacute;-las que o observador constr&oacute;i uma representa&ccedil;&atilde;o subjetiva da realidade observada ao compar&aacute;-la com a sua pr&oacute;pria, que lhe parece a &uacute;nica objetiva? A rigor, contudo, ele implicitamente reconhece, n&atilde;o existe tal objetividade porque &#8220;o pensamento selvagem est&aacute; presente hoje em dia no cora&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria e continua o mesmo que ele era no come&ccedil;o da hist&oacute;ria&#8221;. E cita L&eacute;vi-Strauss: &#8220;mesmo a pura reflex&atilde;o se resume a uma interioriza&ccedil;&atilde;o do cosmos&#8221;. Ademais, Godelier percebe que o pensamento selvagem &#8220;opera em todas as &eacute;pocas e sobre todos os materiais que lhe fornece a hist&oacute;ria&#8221;.<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>    </p>     <p>E n&atilde;o somente o pensamento anal&oacute;gico: tanto ele como o pensamento l&oacute;gico s&atilde;o de todas as &eacute;pocas. Ambos s&atilde;o atestados pelo menos desde o come&ccedil;o do Paleol&iacute;tico superior, h&aacute; 40 mil anos, quando a representa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica mostra que o esp&iacute;rito humano j&aacute; estabelecia rela&ccedil;&otilde;es anal&oacute;gicas, por exemplo, entre o bisonte pintado no fundo de uma caverna e o animal que se conhecia e ca&ccedil;ava, ou entre uma pequena estatueta de mulher de formas generosas (as &#8220;V&eacute;nus esteatop&iacute;gias&#8221; dos paleo-arque&oacute;logos) e as f&ecirc;meas humanas cuja fecundidade provocava respeito e admira&ccedil;&atilde;o. Todas estas figuras s&atilde;o estereotipadas, n&atilde;o remetem a indiv&iacute;duos concretos e particulares (um bisonte, uma mulher) e sim a g&ecirc;neros (o bisonte, a mulher) e ideias gerais (a ca&ccedil;a, a reprodu&ccedil;&atilde;o), tra&ccedil;o t&iacute;pico do pensamento anal&oacute;gico. Ao mesmo tempo, tais representa&ccedil;&otilde;es revelam &#8220;evid&ecirc;ncias geom&eacute;tricas incontest&aacute;veis&#8221; como a consci&ecirc;ncia e a utiliza&ccedil;&atilde;o da bidimensionalidade e da tridimensionalidade, a compara&ccedil;&atilde;o de grandezas, o senso de proporcionalidade. Ou seja, tais figura&ccedil;&otilde;es s&atilde;o materializadas por meio do pensamento l&oacute;gico. No trabalho paleol&iacute;tico, conclui Olivier Keller, &#8220;&eacute; o pensamento, a reflex&atilde;o, que guia a m&atilde;o&#8221;, os resultados decorrem do &#8220;pensamento geom&eacute;trico impl&iacute;cito, e n&atilde;o de uma simples habilidade manual&#8221;.<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a></p>     <p>As duas modalidades de pensamento convivem, portanto, todavia n&atilde;o deixam de apresentar predomin&acirc;ncias diferentes conforme as idades do homem<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> e as &eacute;pocas da hist&oacute;ria. No Ocidente, o olhar l&oacute;gico sobre o mundo demoraria a se impor, apesar dos ineg&aacute;veis progressos conhecidos a partir do s&eacute;culo XII e analisados por Alexander Murray.<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> Mas, filha de seu tempo, a erudi&ccedil;&atilde;o dos s&eacute;culos XIX-XX, fundada na abstra&ccedil;&atilde;o, resistiu a reconhecer o papel central desempenhado pelo pensamento anal&oacute;gico pelo menos at&eacute; o s&eacute;culo XVII. &Eacute; o que ilustra a dupla explica&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da descoberta da gravita&ccedil;&atilde;o universal. A vers&atilde;o erudita reporta-se ao trabalho de Newton sobre as equa&ccedil;&otilde;es de Kepler, enquanto a vers&atilde;o popular fala na queda de uma ma&ccedil;&atilde; sobre a cabe&ccedil;a do cientista &#8211; ou seja, a primeira exegese daquela descoberta cient&iacute;fica &eacute; cumulativa, l&oacute;gica, a segunda intuitiva, anal&oacute;gica. A ma&ccedil;&atilde; caiu por ter sido atra&iacute;da, da mesma forma que todo corpo material cai em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Terra, observa&ccedil;&atilde;o e conclus&atilde;o derivadas do interesse de Newton pela alquimia, cuja hip&oacute;tese b&aacute;sica &eacute; anal&oacute;gica, a de que a mat&eacute;ria se atrai e repulsa mesmo &agrave; dist&acirc;ncia.</p>     <p>O caso do estudo justamente c&eacute;lebre de Erich Auerbach sobre o conceito de <i>figura</i>, central para a Europa crist&atilde; medieval, tamb&eacute;m &eacute; bastante ilustrativo. Nas palavras daquele autor, &#8220;a interpreta&ccedil;&atilde;o figural estabelece entre dois acontecimentos ou duas pessoas uma conex&atilde;o na qual um deles n&atilde;o atribui significado tanto a si mesmo quanto ao outro, enquanto este abrange ou preenche o primeiro.&#8221; Ele reconhece, assim, que ao colocar uma coisa no lugar de outra a interpreta&ccedil;&atilde;o figural &#8220;faz parte das formas aleg&oacute;ricas na sua acep&ccedil;&atilde;o mais larga&#8221;, e percebe que &#8220;o analogismo [...] da Idade M&eacute;dia est&aacute; estreitamente ligado &agrave; estrutura figural&#8221;, por&eacute;m restringe seu alcance naquela &eacute;poca aos &#8220;campos da atividade espiritual&#8221;. Mais discut&iacute;vel ainda &eacute; a afirmativa do grande erudito alem&atilde;o de que uma civiliza&ccedil;&atilde;o precisa estar na sua fase descendente &#8220;para poder produzir um fen&ocirc;meno como a interpreta&ccedil;&atilde;o figural&#8221;,<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> o que significa propor uma inaceit&aacute;vel lei hist&oacute;rica e desconsiderar o car&aacute;ter transhist&oacute;rico da abordagem anal&oacute;gica da realidade material e espiritual.</p>     <p>Contudo, desde meados do s&eacute;culo XX passou-se a reconhecer a grande efic&aacute;cia epistemol&oacute;gica do pensamento anal&oacute;gico. Nas Ci&ecirc;ncias Exatas, para pensar a natureza ondulat&oacute;ria da luz o fisico James Maxwell estabelece uma analogia com a natureza ondulat&oacute;ria do som, que se difunde no ar, e que por sua vez tinha sido imaginada a partir de analogia com as ondas que se propagam na &aacute;gua de um lago quando ali se joga uma pedra. Nas Ci&ecirc;ncias Cognitivas, prop&otilde;e Max Turner, &eacute; a imagina&ccedil;&atilde;o criativa, baseada no recurso espont&acirc;neo &agrave; analogia, que permite captar a estrutura oculta entre duas coisas ou situa&ccedil;&otilde;es aparentemente afastadas e assim construir o conhecimento. Nas Ci&ecirc;ncias Sociais, Fernand Braudel defende que a pesquisa das similitudes &eacute; a &#8220;verdadeira condi&ccedil;&atilde;o de toda ci&ecirc;ncia social&#8221;, o que seria posteriormente aceito por v&aacute;rios estudiosos.<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enfim, como demonstra Michel Foucault, o saber n&atilde;o se constituiu ao termo de um processo racional, e sim de uma arqueologia por meio da qual os sistemas de invari&acirc;ncia t&iacute;picos do conhecimento cient&iacute;fico fundam-se sobre semelhan&ccedil;as: o pensamento anal&oacute;gico desempenhou &#8220;um papel construtor no saber da cultura ocidental&#8221; at&eacute; fins do s&eacute;culo XVI, diz ele;<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> at&eacute; meados, talvez fins, do s&eacute;culo XVII, pensamos n&oacute;s.</p>     <p>Limitando-nos &agrave;quilo que agora interessa, o racioc&iacute;nio anal&oacute;gico prevaleceu na Europa crist&atilde; medieval sem com isso dispensar procedimentos l&oacute;gicos. A t&iacute;tulo de ilustra&ccedil;&atilde;o, se o g&ecirc;nero liter&aacute;rio do <i>exemplum</i> para bem cumprir sua fun&ccedil;&atilde;o moralizante fundava-se em analogias entre fatos e personagens profanos e fatos e personagens sagrados, as colet&acirc;neas de <i>exempla</i> a partir de meados do s&eacute;culo XIII introduzem elementos de organiza&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica para facilitar sua utiliza&ccedil;&atilde;o pelos pregadores: numera&ccedil;&atilde;o dos relatos, agrupamento deles por assuntos classificados em ordem alfab&eacute;tica, &iacute;ndice pelos t&iacute;tulos dos <i>exempla</i>,a partir de 1300 &iacute;ndices remissivos (<i>alphabetum narrationum</i>). O cristianismo, ali&aacute;s, n&atilde;o &eacute; refrat&aacute;rio ao pensamento l&oacute;gico, pelo contr&aacute;rio, j&aacute; que aceita um ponto de partida ou causa primeira, Deus, da qual decorrem as outras. Mais do que isto, assinala Alexandre Koj&egrave;ve, a ci&ecirc;ncia moderna &eacute; produto do cristianismo cujo dogma da Encarna&ccedil;&atilde;o possibilita projetar a Terra no C&eacute;u e assim estabelecer uma identidade cient&iacute;fica essencialentre eles.<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a></p>     <p>O entendimento l&oacute;gico das coisas sagradas &eacute; contudo limitado, levando Ricardo de Saint-Victor (c.1123-1173) a justificar o mecanismo intelectual anal&oacute;gico: &#8220;por causa de nossa fraqueza (<i>infirmitati</i>), que n&atilde;o pode compreender o alto pelo baixo, o espiritual pelo corporal, &eacute; necess&aacute;rio n&atilde;o tentar compreender o desconhecido pelo desconhecido, e sim pelo que &eacute; conhecido&#8221;. Foi o que fez em meados do s&eacute;culo XIII o arcebispo de G&ecirc;nova ao tentar explicar o abstrato e complexo conceito da Trindade: as tr&ecirc;s pessoas divinas t&ecirc;m uma s&oacute; ess&ecirc;ncia assim como a videira &eacute; composta de madeira, folhas e fruto. Em um serm&atilde;o de meados de 1495,o dominicanoSavonarola afirmou que se as raz&otilde;es de Deus s&atilde;o impenetr&aacute;veis &eacute; por estarem fundadas em vis&atilde;o sincr&ocirc;nica do universo.<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> Como resume um estudioso moderno, Robert Javelet, por toda Idade M&eacute;dia &#8220;n&atilde;o existe verdadeiro conhecimento se n&atilde;o existe semelhan&ccedil;a entre o sujeito e o objeto&#8221;, o que se estende ao s&eacute;culo XVI de que fala Foucault: &#8220;procurar o sentido &eacute; trazer &agrave; luz o que se assemelha&#8221;.<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a></p>     <p>J&aacute; se chamou aten&ccedil;&atilde;o, com raz&atilde;o, que se ricas civiliza&ccedil;&otilde;es como a chinesa antiga e a mu&ccedil;ulmana medieval n&atilde;o realizaram uma revolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica semelhante &agrave; ocidental do s&eacute;culo XVII, &eacute; porque n&atilde;o contaram com a forma de racioc&iacute;nio proposta pela escol&aacute;stica crist&atilde;. De fato, mais do que um sistema de ideias esta foi um m&eacute;todo de investiga&ccedil;&atilde;o que procurava harmonizar o contradit&oacute;rio, basicamente a l&oacute;gica aristot&eacute;lica e a revela&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Procedimento poss&iacute;vel n&atilde;o apenas pela redescoberta em meados do s&eacute;culo XIII das obras completas de Arist&oacute;teles, mas sobretudo porque tal postura estava contida na pr&oacute;pria religi&atilde;o: &#8220;sou devedor a gregos e a b&aacute;rbaros, a s&aacute;bios e a ignorantes&#8221;, tinha afirmado S&atilde;o Paulo. Mais importante, &#8220;as perfei&ccedil;&otilde;es invis&iacute;veis de Deus tornaram-se vis&iacute;veis desde a cria&ccedil;&atilde;o do mundo&#8221;. Ou seja, porque o Logos se encarnou a divindade manifesta-se pela sua Palavra e pela sua Obra, diferentemente do juda&iacute;smo e do islamismo que ao valorizarem apenas a Palavra &#8211; &#8220;o Cor&atilde;o ocupa no islamismo quase a mesma posi&ccedil;&atilde;o que a pessoa de Cristo ocupa no cristianismo&#8221;, avalia Francis Oakley &#8211; n&atilde;o procuram Deus no livro intelig&iacute;vel da natureza.<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> </p>     <p>Bem entendido, a plenitude das conseq&uuml;&ecirc;ncias desta postura teol&oacute;gico-filos&oacute;fica (que n&atilde;o foi, claro, linear e un&acirc;nime) seria alcan&ccedil;ada apenas mais tarde e ainda assim sem isentar o cristianismo de rela&ccedil;&otilde;es anal&oacute;gicas que n&atilde;o lhe s&atilde;o secund&aacute;rias, e sim constitutivas. A rela&ccedil;&atilde;o entre Deus e tudo &eacute; de causalidade, afirma Tom&aacute;s de Aquino, mas como Ele n&atilde;o gera iguais a si (como faz o homem, causa un&iacute;voca) &eacute; <i>agens analogicum</i>, &eacute;causa an&aacute;loga do mundo. Da&iacute; porque &#8220;&eacute; conveniente que na Santa Escritura as coisas espirituais nos sejam comunicadas por meio de met&aacute;foras corporais&#8221;, ou seja, toda Revela&ccedil;&atilde;o se d&aacute; por analogia.<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> Assim, quando Guilherme de Auvergne (c.1185-1249) critica os fil&oacute;sofos que identificam as nove ordens angelicais &agrave;s nove intelig&ecirc;ncias do sistema cosmol&oacute;gico de Arist&oacute;teles,<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> ele n&atilde;o contesta o procedimento anal&oacute;gico em si, mas, pelo contr&aacute;rio, a pretens&atilde;o daqueles pensadores em restringirem a quest&atilde;o a um plano puramente l&oacute;gico recorrendo ao Estagirita.</p>     <p>&Eacute; por &#8220;imagem e semelhan&ccedil;a&#8221;, portanto analogicamente, que se definem o Criador e a criatura, embora a percep&ccedil;&atilde;o que se tem deles no mundo terreno seja assim&eacute;trica: &#8220;agora vemos obscuramente atrav&eacute;s de um espelho, depois veremos face a face&#8221; explica o texto paulino.<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> Porque a criatura est&aacute; contida no Criador e este n&atilde;o est&aacute; ausente daquela, havia todo um jogo especular entre microcosmo e macrocosmo.<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/med/n14/n14a02f1.jpg"></p>      
<p>&nbsp;</p>      <p>N&atilde;o &eacute; casual, pois, que na Europa medieval at&eacute; os s&eacute;culos X-XI o cristianismo oficial n&atilde;o tenha conseguido encobrir o paganismo e sua profunda rela&ccedil;&atilde;o anal&oacute;gica com o mundo. Se a partir do s&eacute;culo XII (e depois, em novo patamar, do XVII) o pensamento l&oacute;gico ganhou for&ccedil;a, n&atilde;o poderia, pelas raz&otilde;es explicadas, excluir o anal&oacute;gico. Por exemplo, as catedrais g&oacute;ticas atestam na sua constru&ccedil;&atilde;o um bom dom&iacute;nio da l&oacute;gica geom&eacute;trica e ao mesmo tempo apresentam uma decora&ccedil;&atilde;o escult&oacute;rica, pict&oacute;rica e de vitral plena de rela&ccedil;&otilde;es anal&oacute;gicas. Ou seja, aquilo que a erudi&ccedil;&atilde;o moderna chama de simbolismo, entendido como leitura m&iacute;stica do universo, nada mais &eacute; que um procedimento anal&oacute;gico. Se s?&micro;&szlig;????, <i>sumbolum</i>, &eacute; uma senha dividida em partes que ao serem reagrupadas permitem a identifica&ccedil;&atilde;o de uma pessoa ou um objeto, este reagrupamento ocorre por semelhan&ccedil;a do material, por complementaridade da forma, por reconhecimento do significado.</p>     <p>Para lembrar um &uacute;nico caso, &eacute; o que acontece com a difundida imagem dos Tetramorfos.S&atilde;o Jo&atilde;o dizno <i>Apocalipse </i>ter visto&agrave; volta do trono do Todo-Poderoso quatro criaturas aladas, um homem, um touro, um le&atilde;o e uma &aacute;guia,<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> o que os primeiros pensadores crist&atilde;os submeteram a uma exegese seguida desde ent&atilde;o. Santo Ireneu por analogia num&eacute;rica viu neles os quatro evangelistas. S&atilde;o Jer&ocirc;nimo por analogia formal especificou que o homem &eacute; imagem de Mateus cujo Evangelho come&ccedil;a com a genealogia do Encarnado, o touro &eacute; Lucas que inicia seu relato pelo sacrificador Zacarias, o le&atilde;o &eacute; Marcos que &agrave; partida fala em Jo&atilde;o Batista, o le&atilde;o do deserto, a &aacute;guia &eacute; Jo&atilde;o que logo &agrave; entrada de seu texto se eleva em dire&ccedil;&atilde;o das verdades eternas. Greg&oacute;rio Magno por analogia de sentido estabeleceu correspond&ecirc;ncias entre cada uma daquelas criaturas e os atributos de Cristo, que &eacute; homem no seu nascimento, touro na sua morte, le&atilde;o na sua ressurrei&ccedil;&atilde;o (de acordo com os besti&aacute;rios, animal natimorto e ressuscitado pelo sopro do pai sobre ele)<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> e &aacute;guia na sua ascens&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portanto, pensamento anal&oacute;gico &eacute; aquele centrado mais nas rela&ccedil;&otilde;es entre as coisas que nas coisas em si mesmas. &Eacute; mais sint&aacute;tico que sem&acirc;ntico. Isto implica dizer que o mundo &eacute; constitu&iacute;do de elementos heterog&ecirc;neos que fazem parte de um todo coerente, uma rede de homologias, simetrias, contiguidades, correspond&ecirc;ncias, compara&ccedil;&otilde;es, oposi&ccedil;&otilde;es. Embora cada elemento esteja investido de significado pr&oacute;prio, apenas no interior da rede ele ganha todo seu sentido e exerce todas suas possibilidades funcionais. Devido a este fundamento o pensamento anal&oacute;gico &eacute; indutivo, ou seja, conforme a cl&aacute;ssica defini&ccedil;&atilde;o de C&iacute;cero, &eacute; racioc&iacute;nio que extrai as conclus&otilde;es de elementos exteriores &agrave; coisa examinada enquanto o racioc&iacute;nio dedutivo o faz a partir da pr&oacute;pria coisa observada.<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a></p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es anal&oacute;gicas eram favorecidas pela cultura oral da maior parte da popula&ccedil;&atilde;o medieval. Com efeito, todo idioma funciona de maneira essencialmente anal&oacute;gica, sua aprendizagem se d&aacute; por emula&ccedil;&atilde;o. A forma&ccedil;&atilde;o do vocabul&aacute;rio, aquilo que a lingu&iacute;stica moderna chama de &#8220;arbitr&aacute;rio do signo&#8221;, ocorre por meio de processo anal&oacute;gico, como demonstra em qualquer l&iacute;ngua a simples consulta aos dicion&aacute;rios ditos, justamente, anal&oacute;gicos. A linguagem gestual dos monges tamb&eacute;m recorria a analogias &#8211; se exprimir um ato concreto n&atilde;o era dif&iacute;cil (para &#8220;calar&#8221;, colocava-se o indicador sobre os l&aacute;bios fechados, como fazemos ainda hoje), abstra&ccedil;&otilde;es pediam procedimentos anal&oacute;gicos: o conceito de &#8220;pobreza&#8221; era indicado pela fric&ccedil;&atilde;o das unhas dos polegares, como que a esmagar uma pulga ou piolho,<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a> isto &eacute;, por meio da descri&ccedil;&atilde;o gestual de uma m&aacute; condi&ccedil;&atilde;o de higiene derivava-se para a id&eacute;ia de car&ecirc;ncia, de pobreza.</p>     <p>O car&aacute;ter fortemente anal&oacute;gico das l&iacute;nguas era refor&ccedil;ado pelo agrafismo, pois ler e escrever implica tamb&eacute;m um mecanismo l&oacute;gico, linear, de organiza&ccedil;&atilde;o das letras e linhas (seja da direita para a esquerda como no hebraico e no &aacute;rabe, ou o inverso no grego, no latim e nas suas deriva&ccedil;&otilde;es) e do conjunto textual com pontua&ccedil;&atilde;o, paragrafa&ccedil;&atilde;o e &iacute;ndices (instrumentos intelectuais desenvolvidos a partir do s&eacute;culo XII). &Eacute; essa superioridade da escrita e do pensamento l&oacute;gico que transparece com for&ccedil;a na bela f&oacute;rmula de Pedro Lombardo, em meados do s&eacute;culo XII: &#8220;<i>nam cum oramus, cum Deus ipsi loquimur; cum vero legimus, Deus nobiscum loquitur</i>&#8221; (quando oramos falamos com Deus, quando lemos &eacute; Deus que fala conosco).<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a></p>     <p>Mas tanto na fala quanto na escrita est&atilde;o sempre presentes as figuras de linguagem, procedimentos anal&oacute;gicos (ainda que de tipos diversos) de uso t&atilde;o frequente no cotidiano que geralmente n&atilde;o nos damos conta delas, sobretudo a met&aacute;fora, a meton&iacute;mia e a sin&eacute;doque. A primeira &eacute; analogia de propens&atilde;o que estabelece la&ccedil;os entre termos de dom&iacute;nios diferentes (transposi&ccedil;&atilde;o do significado de uma palavra a outra), a segunda &eacute; analogia de atribui&ccedil;&atilde;o extr&iacute;nseca que constr&oacute;i elos no interior de um mesmo dom&iacute;nio (causa pelo efeito, efeito pela causa, continente pelo conte&uacute;do), a terceira &eacute; analogia de atribui&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca (o todo pela parte, a parte pelo todo, a esp&eacute;cie pelo g&ecirc;nero, o g&ecirc;nero pela esp&eacute;cie, etc.). Mais do que isso, desde a an&aacute;lise aristot&eacute;lica sabe-se que a met&aacute;fora &eacute; instrumento de conhecimento. Consciente disso, um professor de ret&oacute;rica da importante Universidade de Bolonha afirmou em 1235 que a met&aacute;fora (<i>transumptio</i>) &#8220;sem d&uacute;vida foi inventada no Para&iacute;so terreno&#8221;, e pelo pr&oacute;prio Deus (<i>ipse plasmator</i>).<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a></p>      <p>Nas sociedades arcaicas, inclusive a da Europa crist&atilde; medieval, o pensamento anal&oacute;gico al&eacute;m de instrumento cognitivo exerce importante fun&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica acalmando a ang&uacute;stia diante de um mundo percebido como extremamente fragmentado e ao qual d&aacute; certa ordena&ccedil;&atilde;o. Humanos de variadas apar&ecirc;ncias e costumes, animais e plantas de caracter&iacute;sticas bem diversas, terras de clima, solo, fauna e flora muito distintos, mundo sobrenatural for&ccedil;osamente misterioso e com frequ&ecirc;ncia assustador, tudo ganha inteligibilidade por meio do pensamento anal&oacute;gico, &#8220;um dos instrumentos mais vers&aacute;teis da cogni&ccedil;&atilde;o humana&#8221;.<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> Da&iacute; porque no Ocidente medieval ele esteve presente em todos os n&iacute;veis s&oacute;cioculturais, sendo aplicado a campos de reflex&atilde;o que nos parecem hoje estritamente l&oacute;gicos, dedutivos.</p>     <p>&Eacute; o caso da aritm&eacute;tica. Isidoro de Sevilha concebia no come&ccedil;o do s&eacute;culo VII a exist&ecirc;ncia do n&uacute;mero circular, aquele que multiplicado por outro igual (<i>similiter</i>) &#8220;come&ccedil;a e volta para si mesmo&#8221; (<i>ase inchoans ad se convertitur</i>), como o ser humano feito da terra e destinado a voltar a ela, segundo o texto b&iacute;blico.<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> Sendo o cinco o primeiro n&uacute;mero circular, entende-se que o mundo estivesse dividido em cinco partes (c&eacute;u, mar, &Aacute;sia, Europa e &Aacute;frica), o ser humano em cinco sentidos (vis&atilde;o, audi&ccedil;&atilde;o, olfato, paladar, tato), os animais em cinco tipos (quadr&uacute;pedes, r&eacute;pteis, vermes, peixes, aves). A abadessa Hildegarda de Bingen confirmaria, em texto de 1163-1173, que o homem &eacute; como o globo terrestre, constitu&iacute;do por cinco zonas, nele correspondentes aos cinco sentidos, mesmo porque, ela j&aacute; dissera em 1141-1151, o homem na origem tinha sido o n&uacute;mero dez, perfeito, mas acabou diminu&iacute;do pelo pecado e recuperado pelas cinco feridas de Cristo.<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>Acreditando, como muitos pensadores medievais, que &#8211; defini&ccedil;&atilde;o de fundo anal&oacute;gico &#8211; todo n&uacute;mero par &eacute; feminino e todo &iacute;mpar masculino (dos quais se exclui o 1, a unidade criadora, fora da escala propriamente quantitativa dos n&uacute;meros), Thibaut de Langres em fins do s&eacute;culo XII tamb&eacute;m identificava o n&uacute;mero cinco ao mundo e ao homem, ambos constitu&iacute;dos pelo primeiro par (2) e pelo primeiro &iacute;mpar (3), ou seja, pelo feminino e pelo masculino.<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a></p>     <p> &Eacute; o caso, igualmente, daquilo que a erudi&ccedil;&atilde;o moderna chama de cartografia e que mais exatamente era representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica do mundo. Seu tipo mais difundido a partir do s&eacute;culo VIII, herdado das concep&ccedil;&otilde;es gregas cl&aacute;ssica e pr&eacute;-ptolomaica, &eacute; conhecido por OT (<i>orbis terrarum</i>), no qual O &eacute; o c&iacute;rculo do mundo habitado em que est&aacute; inscrito o T cujo bra&ccedil;o vertical &eacute; o Mediterr&acirc;neo que divide a Europa (abaixo e &agrave; esquerda) da &Aacute;frica (abaixo e &agrave; direita) e cujo bra&ccedil;o horizontal representa os rios Tanais (hoje Don) e Nilo acima dos quais se localiza a &Aacute;sia, que ocupa ent&atilde;o a metade superior do c&iacute;rculo (<a href="#f2">Figura 2</a>):  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/med/n14/n14a02f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ora, mais do que localizar os acidentes geogr&aacute;ficos, muito esquematizados, este tipo de &#8220;mapa&#8221; figura a divindade por meio da perfei&ccedil;&atilde;o do c&iacute;rculo (o &#8220;O&#8221;) e nela inscreve a pr&oacute;pria divindade humanizada e crucificada (o &#8220;T&#8221;). Em certos casos, como no c&eacute;lebre mapa de Ebstorf, esta ideia ficava explicitada gra&ccedil;as ao desenho das extremidades antropom&oacute;rficas de Deus, cujo corpo &eacute; o pr&oacute;prio c&iacute;rculo (Figura 3). Ademais, a triparti&ccedil;&atilde;o do ec&uacute;meno estava desde Isidoro de Sevilha associada &agrave; divis&atilde;o da Terra entre os filhos de No&eacute;, cujos nomes est&atilde;o escritos dentro de cada continente (Sem na &Aacute;sia, Cam na &Aacute;frica, Jaf&eacute; na Europa) em um mapa do s&eacute;culo VIII inclu&iacute;do num manuscrito daquele texto.<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> Ou, mais minuciosamente, como acontece em um mapa-m&uacute;ndi ingl&ecirc;s dos arredores de 1300, cada parte do mundo assinala as prov&iacute;ncias povoadas pelos descendentes de No&eacute;.<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/med/n14/n14a02f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Se na hist&oacute;ria da medicina h&aacute; duas grandes tend&ecirc;ncias, uma que busca a cura pelo semelhante, outra pelo contr&aacute;rio, sem d&uacute;vida na maior parte do tempo prevaleceu a do <i>similia similibus curantur</i> (base ainda hoje da medicina homeop&aacute;tica), adapta&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica do princ&iacute;pio-base do pensamento anal&oacute;gico &#8211; &#8220;o semelhante vai com o semelhante&#8221; (?? ?&micro;???? p??? t? ?&micro;????) na formula&ccedil;&atilde;o de P&iacute;ndaro, Arist&oacute;teles e Teofrasto, &#8220;somente o semelhante conhece o semelhante&#8221; (<i>similibus simile cognoscitur</i>) na de Agostinho. Da&iacute; a pr&aacute;tica popular de tratar uma crian&ccedil;a febril colocando-a tr&ecirc;s vezes no forno, conforme relata Burchard de Worms no come&ccedil;o do s&eacute;culo XI e <i>Les livres du roy Modus et de la royne Ratio</i> no s&eacute;culo XIV.<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> Porque o semelhante pede o semelhante, a ingest&atilde;o de elemento contr&aacute;rio pode se revelar perigosa: para o c&eacute;rebro humano, sede da alma, faz mal comer c&eacute;rebro de animais, excepto de c&atilde;o e raposa,<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a> mais inteligentes que os outros animais.</p>     <p>Explorando as supostas propriedades curativas das pedras, consideradas seres vivos e atuantes, sexuados e reprodutores, tratados de litoterapia foram por muitos s&eacute;culos ensinados nas faculdades de medicina de Salerno e Montpellier, as mais importantes da &eacute;poca. A efic&aacute;cia que se lhes atribu&iacute;a ocorria por simpatia, ou seja, pela rela&ccedil;&atilde;o que existe entre sua forma, sua cor, seu sexo e a afec&ccedil;&atilde;o que se pretendia curar. Por exemplo, o berilo pela sua cor amarela tratava de icter&iacute;cia e todas as doen&ccedil;as do f&iacute;gado, enquanto a cornalina, a sard&ocirc;nia e as pedras vermelhas em geral cuidavam de doen&ccedil;as ligadas ao sangue.<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a></p>     <p>&Eacute; a mesma no&ccedil;&atilde;o anal&oacute;gica de medicina que se encontra, para ficarmos com duas obras de tempos e espa&ccedil;os diferentes, no <i>Causae et curae</i> da alem&atilde; Hildegarda de Bingen, dos arredores de 1155, e no <i>Liber de conservanda sanitate </i>do portugu&ecirc;s Pedro Hispano, de meados do s&eacute;culo XIII. Para a abadessa, seguindo longa tradi&ccedil;&atilde;o, os elementos dos quais Ad&atilde;o foi formado (do fogo procede seu calor, do ar sua respira&ccedil;&atilde;o, da &aacute;gua seu sangue, da terra sua carne) transformaram-se, por causa do Pecado Original, em fleumas prejudiciais.<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> Se estes n&atilde;o conseguem subir at&eacute; ao c&eacute;rebro do homem que tem bons pensamentos, eles podem ficar na garganta e da&iacute; se espalhar pelos pulm&otilde;es, provocando doen&ccedil;as nestes &oacute;rg&atilde;os. Ou ent&atilde;o, se o homem foi concebido no signo de C&acirc;ncer, quando o sol est&aacute; no seu apogeu, ter&aacute; o f&iacute;gado s&atilde;o, o que encaminha os <i>mali humores </i>para o cora&ccedil;&atilde;o.<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> Esta concep&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as determinava a dos rem&eacute;dios, como mostram as f&oacute;rmulas e os tratamentos que Hildegarda prop&otilde;e. </p>     <p>De seu lado, o te&oacute;logo e professor de medicina na Universidade de Siena (1246-1252), depois pont&iacute;fice sob o nome de Jo&atilde;o XXI (1276-1277), recolheu centenas de receitas de rem&eacute;dios, pr&oacute;prias e de outros, essencialmente fundadas em analogias. Algumas vezes estas decorriam, ao menos em parte, da forma do &oacute;rg&atilde;o doente. Contra doen&ccedil;as de ouvido ele prescreve: &#8220;ponha-se numa <i>cebola oca</i> azeite e suco de alhos porros, losna [absinto]e leite de mulher; coza-se nas brasas, esprema-se e ponha-se uma gota no ouvido [&#8230;]. &Eacute; uma receita excelente.&#8221;<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a> Para resolver a esterilidade, a mulher deve comer uma vulva de lebre.<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a> Outras vezes a cura pretendida se d&aacute; por cont&aacute;gio: contra dor de dente &eacute; preciso tocar o dente doente com um dente de homem morto (portanto indolor); para expelir um c&aacute;lculo renal, deve-se em jejum engolir um c&aacute;lculo humano que quebra o j&aacute; existente e arrasta-o para fora.<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a> O efeito desejado tamb&eacute;m pode ocorrer pela fun&ccedil;&atilde;o an&aacute;loga do rem&eacute;dio: como afrodis&iacute;aco, comer test&iacute;culos de raposo; como anticoncepcional, untar-se com sangue menstrual de outra mulher.<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a></p>     <p>O direito medieval, por sua vez, tanto o costumeiro como o can&ocirc;nico, aceitou por muito tempo uma pr&aacute;tica de fundamento anal&oacute;gico, o ord&aacute;lio. O pressuposto era que atitudes recrimin&aacute;veis de um s&oacute; indiv&iacute;duo podem afetar a ordem universal e prejudicar assim todo o grupo social, sendo ent&atilde;o preciso descobri-las e puni-las para acalmar a c&oacute;lera divina, j&aacute; que para as sociedades arcaicas &#8220;causas iguais produzem fen&ocirc;menos jur&iacute;dicos e sociais iguais&#8221;.<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a> De fato, o ord&aacute;lio era justificado pela lei da similitude, segundo a qual o mal atrai o mal e revela o culpado, ou bem e mal se repelem e indicam o inocente. Embora certos pensadores tenham condenado tal pr&aacute;tica &#8211; mas apenas por raz&otilde;es religiosas, acreditando que ela atentava contra a imperscrutabilidade da justi&ccedil;a divina &#8211; caso de Greg&oacute;rio Magno, R&aacute;bano Mauro e Agobardo de Lyon, no s&eacute;culo VIII ela foi introduzida no direito eclesi&aacute;stico e tornou-se de uso quase geral at&eacute; fins do s&eacute;culo XI. A pr&oacute;pria Igreja recorria a ela em certos casos, sobretudo quando de suspei&ccedil;&atilde;o de heresia, e em meados do s&eacute;culo XII a grande suma de Graciano acabou por incorporar o ord&aacute;lio. Este procedimento judici&aacute;rio recuaria no s&eacute;culo XIII quando, decorr&ecirc;ncia do avan&ccedil;o do pensamento l&oacute;gico, a Igreja proibiu que os cl&eacute;rigos benzessem os instrumentos utilizados no ord&aacute;lio, rompendo assim o cont&aacute;gio divino que criava condi&ccedil;&otilde;es para a verdade se revelar por meio daquele m&eacute;todo processual.     </p>     <p>Se a analogia ocupava lugar importante em dom&iacute;nios do conhecimento considerados objetivos do ponto de vista atual, n&atilde;o seria diferente em campos de maior subjetividade, j&aacute; que para o pensamento anal&oacute;gico o conhecimento n&atilde;o decorre da observa&ccedil;&atilde;o ou da demonstra&ccedil;&atilde;o, e sim da interpreta&ccedil;&atilde;o. Logo, o campo do saber no qual a Europa medieval mais investiu seus recursos intelectuais n&atilde;o poderia escapar &agrave; vis&atilde;o anal&oacute;gica do mundo. Como reconhece Jean-Arthur Chollet, a analogia &eacute; &#8220;um dos procedimentos mais freq&uuml;entes de conhecimento, linguagem e argumenta&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gicos&#8221;.<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> Que o caminho anal&oacute;gico se impunha com naturalidade na explica&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica fica ilustrado pela proposi&ccedil;&atilde;o de Santo Agostinho examinar por meio da raz&atilde;o a Assun&ccedil;&atilde;o da Virgem, sobre a qual a B&iacute;blianada fala. E com efeito, ele come&ccedil;a a empreitada utilizando a raz&atilde;o l&oacute;gica ao partir da premissa da condi&ccedil;&atilde;o humana de Maria para concluir que ela conheceu a morte temporal. Mas a seguir o tipo de racioc&iacute;nio muda. Porque a determina&ccedil;&atilde;o divina de toda mulher dar &agrave; luz com dor n&atilde;o se aplicou a Maria (pressuposto il&oacute;gico, fundado na f&eacute;), Agostinho argumenta que seria impiedade pensar que o corpo dela esteve submetido &agrave; regra de todo ser humano, que formado do p&oacute; com a morte voltar&aacute; ao p&oacute;. E ent&atilde;o conclui, por meio da raz&atilde;o anal&oacute;gica, que se a podrid&atilde;o corporal n&atilde;o atingiu a carne de Jesus, n&atilde;o poderia atingir a de Maria, da qual tinha sido formada.<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a> Procedimento deste tipo n&atilde;o era, claro est&aacute;, exclusivo de um ou outro autor. S&eacute;culos depois de Agostinho, em linhagem teol&oacute;gica bem diferente, Pedro Abelardo continuou tribut&aacute;rio da abordagem anal&oacute;gica<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a> </p>     <p>Como sempre ocorreu com a exegese b&iacute;blica, realizada por meio daquilo que a erudi&ccedil;&atilde;o moderna chama de silogismo tipol&oacute;gico, ou seja, da compara&ccedil;&atilde;o entre Antigo e Novo Testamento teorizada por Santo Agostinho e praticada por toda a Idade M&eacute;dia: cada evento e cada personagem veterotestament&aacute;rio antecipam eventos e personagens neotestament&aacute;rios, estes concretizam aqueles.<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>Por exemplo, os quatro rios do Para&iacute;so terreno prefiguram os quatro Evangelhos que irrigariam o mundo; o Dil&uacute;vio, esp&eacute;cie de batismo universal, significa, assim como o batismo individual, o fim de uma situa&ccedil;&atilde;o de pecado e um novo nascimento. Aproxima&ccedil;&otilde;es deste tipo n&atilde;o resultavam apenas de exerc&iacute;cios hermen&ecirc;uticos de especialistas. Elas estavam explicitadas pela pr&oacute;pria B&iacute;blia, inclusive em rela&ccedil;&atilde;o ao seu personagem central, que inverte a fun&ccedil;&atilde;o do primeiro &#8211; assim como em Ad&atilde;o todos morrem, em Cristo todos ser&atilde;o vivificados.<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a> Tertuliano no come&ccedil;o do s&eacute;culo III ampliou o alcance desta rela&ccedil;&atilde;o propondo que &#8220;se Ad&atilde;o era figura de Cristo, o sono de Ad&atilde;o era a morte de Cristo, que tinha adormecido no sono de morte porque da ferida de seu flanco estava figurada a Igreja, a verdadeira m&atilde;e de todos os vivos&#8221;,<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a> o que significa estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o anal&oacute;gica do tipo A est&aacute; para B assim como C para D e E para F.</p>     <p>Na mesma linha argumentativa, Agostinho explica a virgindade intacta de Maria em serm&atilde;o pronunciado nos primeiros anos do s&eacute;culo V: &#8220;de onde vem Maria? De Ad&atilde;o. De onde vem Ad&atilde;o? Da terra [...], portanto Maria &eacute; terra.&#8221;<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a> Ora, sendo Cristo o &#8220;<i>novissimus Adam</i>&#8221;, Ele precisava ter a mesma origem do primeiro, por&eacute;m nascido de terra pura, Maria, que por consequ&ecirc;ncia &eacute; analogia invertida de Eva, como indica seu difundido ep&iacute;teto de &#8220;nova Eva&#8221; ou a sauda&ccedil;&atilde;o dirigida a ela, &#8220;Ave Maria!&#8221;<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a> Tratava-se, portanto, de analogia de proporcionalidade &#8211; Cristo est&aacute; para Ad&atilde;o assim como Maria est&aacute; para Eva. Como entre Ad&atilde;o e Eva existe analogia de complementaridade, a mesma rela&ccedil;&atilde;o era projetada sobre os dois outros personagens. Simetricamente, o casamento de Ad&atilde;o e Eva prefigura o de Cristo com a Igreja. Inversamente, a expuls&atilde;o dos protoplastas prefigura a Anuncia&ccedil;&atilde;o, da&iacute; a iconografia com frequ&ecirc;ncia ter associado as duas cenas, caso da c&eacute;lebre tela (1426-1428) de Fra Angelico, hoje no Museu do Prado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A trajet&oacute;ria terrena do Cristo era igualmente explicada pela analogia ad&acirc;mica, como fez, seguindo longa tradi&ccedil;&atilde;o, o mais importante hagi&oacute;grafo medieval. Pelo seu arrazoado, como o primeiro homem introduziu a morte no mundo por meio do fruto de uma &aacute;rvore, o segundo deveria destruir a morte sofrendo noutra &aacute;rvore, a Cruz; como o primeiro pecador foi formado de terra imaculada, o redentor deveria nascer de uma virgem imaculada; como o primeiro estendera a m&atilde;o para o fruto proibido, o segundo deveria estender as suas na Cruz; como o primeiro provara o sabor agrad&aacute;vel do fruto da &aacute;rvore, o segundo a caminho da sua &aacute;rvore provaria o sabor amargo do fel; como o primeiro era mortal, o segundo conferiu-lhe sua imortalidade tornando-se mortal; como o primeiro foi criado e pecou numa sexta-feira de mar&ccedil;o, o segundo quis que a Anuncia&ccedil;&atilde;o e a Paix&atilde;o ocorressem na mesma hora do mesmo dia do mesmo m&ecirc;s.<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a></p>     <p>Igualmente expressiva &eacute; a analogia entre Eva que sai do flanco de Ad&atilde;o &#8211; representa&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica, como na iluminura do <i>Hexameron</i> de Santo Ambr&oacute;sio realizada em Weissenau entre 1175-1200 &#8211; e a serpente tentadora com rosto feminino que outra iluminura, esta em manuscrito profano dos arredores de 1480, sugere despontar do corpo do primeiro homem (<a href="#f4">Figuras 4</a>-<a href="#f5">5</a>).<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/med/n14/n14a02f4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"> <img src="/img/revistas/med/n14/n14a02f5.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>N&atilde;o &eacute; casual, portanto, que desde o come&ccedil;o do s&eacute;culo III tenha surgido a analogia da Igreja com uma embarca&ccedil;&atilde;o que ajuda os fi&eacute;is a atravessarem o mar revolto da vida terrena,<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a> e a partir disso a analogia espec&iacute;fica dela com a arca de No&eacute; (Figuras 6-7), pois ambas acolhem a cria&ccedil;&atilde;o que merece ser salva e fora das quais todos os seres animados s&atilde;o atingidos pela c&oacute;lera divina.<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a> Foi com naturalidade, portanto, que a sala na qual se reunia a assembl&eacute;ia de crist&atilde;os passou pela sua forma de ret&acirc;ngulo alongado a ser chamada de &#8220;nave&#8221;, por influ&ecirc;ncia de duas palavras gregas, ?a??, <i>naos</i>, &#8220;templo&#8221;, e ????, <i>naus</i>, &#8220;navio&#8221;. Em franc&ecirc;s, <i>nef </i>&eacute; atestada em 1050 para designar &#8220;barco&#8221;, um s&eacute;culo depois j&aacute; indicava tamb&eacute;m o grande corredor central do templo crist&atilde;o. Em portugu&ecirc;s, a analogia entre a embarca&ccedil;&atilde;o e o espa&ccedil;o arquitet&ocirc;nico surgiu no s&eacute;culo XIII. De forma ampla, nas regi&otilde;es rom&acirc;nicas a palavra que designava a assembl&eacute;ia, <i>ecclesia</i>, imp&ocirc;s-se ao edif&iacute;cio, enquanto nas regi&otilde;es germ&acirc;nicas foi o nome do edif&iacute;cio, <i>Kirche</i>, que passou a designar a assembl&eacute;ia.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"> <img src="/img/revistas/med/n14/n14a02f6.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"> <img src="/img/revistas/med/n14/n14a02f7.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Sendo a liturgia crist&atilde; constru&iacute;da a partir de certos atos fundadores, entende-se porque &#8220;o conceito de sacramento &eacute; anal&oacute;gico&#8221;.<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a> Como sete foram os dias da Cria&ccedil;&atilde;o, desde Pedro Lombardo estabeleceu-se que sete s&atilde;o os sacramentos (assim como os pecados capitais e os dons do Esp&iacute;rito Santo). Lembremos somente da eucaristia, cuja celebra&ccedil;&atilde;o foi at&eacute; 1079 an&aacute;loga &agrave; partilha (<i>communio</i>)e &agrave; comunh&atilde;o (<i>communicatio</i>)da &Uacute;ltima Ceia, tornando-se a partir daquela data, resultado da crescente clericaliza&ccedil;&atilde;o da sociedade ocidental, an&aacute;loga ao sacrif&iacute;cio de Cristo, em cuja carne e sangue se transubstancia (termo de meados do s&eacute;culo XII) o p&atilde;o e o vinho quando de sua consagra&ccedil;&atilde;o pelo sacerdote. Ao altar onde ocorre tal ato, desde o s&eacute;culo VI ou VII s&atilde;o incorporadas rel&iacute;quias de santos &#8211; meton&iacute;mia por tomar a parte pelo todo &#8211; forma anal&oacute;gica de canibalismo, diz Alfonso di Nola, o que de certa maneira pode ter preparado os esp&iacute;ritos para transformar a eucaristia na maior express&atilde;o canibalesca crist&atilde;, como faz <i>Le haut livre du Graal</i> em meados do s&eacute;culo XIII.<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a> Sendo a assembl&eacute;ia de fi&eacute;is o verdadeiro templo de Deus, o rito estabelece que a igreja e o altar sejam batizados e confirmados antes de a eucaristia ser ali celebrada pela primeira vez, analogamente ao que acontece com qualquer crist&atilde;o.</p>     <p>Na heresiologia, as ideias religiosas que se afastavam das normas can&ocirc;nicas ditadas pela Igreja eram avaliadas tamb&eacute;m por contig&uuml;idade, pelo fato de serem consideradas elementos contagiosos que poderiam comprometer a sa&uacute;de espiritual de toda a sociedade crist&atilde;. O bispo de Cambrai-Arras define a heresia desta &uacute;ltima cidade, em 1025, como &#8220;veneno de uma doutrina viperina&#8221;. O cronista cluniacense Raul Glaber declara por volta de 1036 que a heresia &#8220;infecta&#8221; com seu &#8220;veneno&#8221;, &eacute; verdadeira &#8220;peste&#8221;. Escrevendo uns 60 anos depois dos acontecimentos, o monge Paulo de Chartres afirma que os hereges de Orl&eacute;ans de 1022 propagaram &#8220;<i>nefandi herroris veneno</i>&#8221;, constituiram-se numa &#8220;peste&#8221;. O bispo de Utrecht que se queixa em 1113 ao seu colega de Col&ocirc;nia das ideias de Tanchelmo, qualifica-as de &#8220;<i>venenum perfidiae</i>&#8221; e de &#8220;<i>cancer</i>&#8221;. A heresia de Clemente de Bucy e seus seguidores de Soissons &eacute; chamada pelo abade Guibert de Nogent, em 1114-1117, de &#8220;cancro&#8221;. Para Hildeberto de Lavardin, escrevendo em torno de 1125, Henrique de Le Mans &eacute; &#8220;peste&#8221; que &#8220;infecta&#8221; a diocese com o &#8220;veneno de sua doutrina&#8221;. O mesmo monge heresiarca &eacute; chamado por uma cr&ocirc;nica an&ocirc;nima de &#8220;veneno de escorpi&atilde;o&#8221;. O abade cisterciense Bernardo de Claraval emprega, cerca 1145, este mesmo termo para designar a prega&ccedil;&atilde;o dos c&aacute;taros, enquanto seu contempor&acirc;neo cluniacense, o abade Pedro Vener&aacute;vel, qualifica Pedro de Bruys e seguidores de &#8220;peste&#8221; e &#8220;veneno letal&#8221;. Mais ou menos na mesma &eacute;poca, o abade Egberto de Sch&ouml;nau chama os c&aacute;taros de &#8220;p&eacute;ssimo veneno&#8221;, &#8220;c&acirc;ncer&#8221;, &#8220;lepra&#8221;. Em fins do s&eacute;culo, Guilherme de Newburgh em curto cap&iacute;tulo de pouco mais de tr&ecirc;s p&aacute;ginas da sua cr&ocirc;nica chama nove vezes os manique&iacute;stas de seu pa&iacute;s de &#8220;peste&#8221; e &#8220;virus&#8221;, e trata Eudes da Bretanha de &#8220;<i>vir pestifer</i>&#8221;.<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a></p>     <p>No s&eacute;culo XIII o uso da met&aacute;fora nosogr&aacute;fica prosseguiu. Em 1214 a heresia amauriciana &eacute; considerada por Guilherme, o Bret&atilde;o, capel&atilde;o de Filipe Augusto, como &#8220;<i>venenosa ejus doctrina infecti</i>&#8221;. Quatro anos mais tarde Pedro des Vaux-de-Cernay, cronista cisterciense do sul franc&ecirc;s, afirma que os c&aacute;taros eram &#8220;peste de infidelidade&#8221; que com o &#8220;veneno de sua perf&iacute;dia infectaram&#8221; a prov&iacute;ncia de Narbonne. Para o mais importante cronista espanhol medieval, Rodrigo Jim&eacute;nez de Rada, arcebispo de Toledo, escrevendo talvez entre 1236 e 1242, os godos tinham aderido ao arianismo porque o imperador romano de ent&atilde;o &#8220;conseguiu introduzir esse virus contagioso em t&atilde;o ilustre povo&#8221;. Seu colega franc&ecirc;s do come&ccedil;o da segunda metade do s&eacute;culo, Guilherme de Puylaurens, fala em &#8220;<i>febris heretica</i>&#8221;. Para o conc&iacute;lio de Mog&uacute;ncia de 1259, as beguinas s&atilde;o &#8220;pest&iacute;feras&#8221;. Por volta de 1267 Jacopo de Varazze qualifica o catarismo de &#8220;peste diab&oacute;lica&#8221;. Bernardo Gui, c&eacute;lebre inquisidor do s&eacute;culo XIV, diz que Geraldo Segarelli &#8220;<i>infundens virus pestiferum</i>&#8221;.<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a></p>     <p>Tamb&eacute;m na religiosidade, tanto oficial como popular, as rela&ccedil;&otilde;es anal&oacute;gicas ocupavam lugar de destaque. O princ&iacute;pio da efic&aacute;cia simb&oacute;lica era a base tanto dos filact&eacute;rios e conjuros reprovados pelo clero crist&atilde;o, quanto das rel&iacute;quias e ora&ccedil;&otilde;es defendidas por ele. A fronteira entre a cren&ccedil;a leg&iacute;tima e aquilo que a Igreja taxou pejorativamente de supersti&ccedil;&otilde;es era apenas ideol&oacute;gica, da&iacute;, ali&aacute;s, ter flutuado ao longo da hist&oacute;ria. Como nota Jean-Claude Bologne, qualquer tentativa de estabelecer uma distin&ccedil;&atilde;o entre magia e religi&atilde;o &#8220;disfar&ccedil;a mal a semelhan&ccedil;a das concep&ccedil;&otilde;es e das t&eacute;cnicas&#8221;.<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a> Se por teoria constru&iacute;da <i>a posteriori</i> a magia busca ganhos materiais e o milagre salva&ccedil;&atilde;o espiritual, na viv&ecirc;ncia medieval v&aacute;rios atos considerados oficialmente m&aacute;gicos tentavam resgatar o indiv&iacute;duo do &acirc;mbito demon&iacute;aco e talvez a maioria dos milagres propiciasse cura, alimenta&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o terrenas mais do que bens espirituais.</p>     <p>Dos dois lados da delimita&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica todas as express&otilde;es religiosas ocorriam (e ocorrem) por mecanismos anal&oacute;gicos. O do cont&aacute;gio, por exemplo. Em abril de 1050, em Benevento, deu-se o milagre de uma paral&iacute;tica ser curada ao beber a &aacute;gua com que o papa Le&atilde;o IX, ent&atilde;o em visita &agrave; cidade, fizera as santas ablu&ccedil;&otilde;es; no come&ccedil;o do s&eacute;culo XII, um relato registra a ignor&acirc;ncia e idolatria daqueles que bebiam a &aacute;gua do banho do herege Tanchelmo de Antu&eacute;rpia pela suposta virtude dela.<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a> Duplicidade semelhante envolvia todo rec&eacute;m-nascido. Na igreja, pela liturgia do batismo ele precisava ter contato com a &aacute;gua benta e o sal, pela paraliturgia descrita por um franciscano alem&atilde;o do s&eacute;culo XIV deveria tocar com os p&eacute;s nus o altar, com a boca a corda do sino, com a m&atilde;o a B&iacute;blia, com o rosto a toalha do altar. Na casa, ocorria um rito popular cuja diferen&ccedil;a eram os objetos que garantiam boa sorte ao beb&ecirc;, envolvido pela palha com a qual se havia limpado o forno, esfregado com cinza, tocado por orelha de lebre e pata de toupeira colocadas no ber&ccedil;o.<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a></p>     <p>Embora opostos ideologicamente, o milagre pag&atilde;o que &eacute; a magia e a magia crist&atilde; que &eacute; o milagre possuem estrutura comum &#8211; o poder da palavra, no qual se deposita a esperan&ccedil;a de efic&aacute;cia seja da invoca&ccedil;&atilde;o seja da ora&ccedil;&atilde;o, como deixam entrever os pr&oacute;prios termos. O primeiro &eacute; pedido manifestado &#8220;por meio da voz&#8221; &#8211; <i>in+vocatione</i> no latim cl&aacute;ssico, <i>im+precatio </i>na l&iacute;ngua dos s&eacute;culos I-II &#8211; fosse ele positivo, <i>benedictio</i>, ou negativo, <i>maledictio</i>, ou seja, o ato de dizer alguma coisa propiciaria sua ocorr&ecirc;ncia. O segundo termo &eacute; mais interessante, pois em sentido pr&oacute;prio <i>oratione</i> n&atilde;o possu&iacute;a carga valorativa, era simplesmente &#8220;faculdade de falar&#8221;, &#8220;linguagem&#8221;, &#8220;palavra&#8221;, &#8220;discurso&#8221;, &#8220;prosa&#8221;, &#8220;estilo&#8221;, acep&ccedil;&otilde;es das quais o cristianismo derivou a de palavra dirigida a Deus, &#8220;prece&#8221;. Apesar de a erudi&ccedil;&atilde;o moderna ter v&aacute;rias vezes atribu&iacute;do &agrave; primeira uma qualidade cominat&oacute;ria e &agrave; segunda uma pleiteante, n&atilde;o se tratavam na Europa medieval de formas imperme&aacute;veis. Desde fins do s&eacute;culo I ou princ&iacute;pios do II <i>invocare</i> tinha a acep&ccedil;&atilde;o de &#8220;pedir socorro&#8221;, <i>preces </i>al&eacute;m de &#8220;s&uacute;plica&#8221; significava ainda <i>imprecatio</i>, &#8220;maldi&ccedil;&atilde;o&#8221;. Existiam invoca&ccedil;&otilde;es em tom de solicita&ccedil;&atilde;o e podia-se dirigir preces extorsivas aos santos ou &agrave; Virgem.<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a> Dito de outra forma, o denominador comum entre invoca&ccedil;&atilde;o e ora&ccedil;&atilde;o &eacute; o mecanismo metaf&oacute;rico que se prop&otilde;e a interpretar e a intervir na vasta grade semi&oacute;tica que &eacute; o universo, deslocando os homens e os fen&ocirc;menos da esfera da natureza para a da sobrenatureza.</p>     <p> Isto era poss&iacute;vel gra&ccedil;as ao mecanismo da contiguidade, ilustrado pelo campo sem&acirc;ntico de <i>convenientia</i>, termo do latim cl&aacute;ssico para &#8220;afinidade natural&#8221;, &#8220;conjun&ccedil;&atilde;o&#8221;, &#8220;harmonia&#8221;, substantivo do verbo <i>convenire</i>, etimologicamente &#8220;vir junto&#8221;, em sentido figurado &#8220;assemelhar-se&#8221;. Quer dizer, as coisas <i>conveniens-entis </i>s&atilde;o semelhantes e tendem a se aproximar, a convergir, a concordar (como ocorre entre irm&atilde;os),<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a> a se harmonizar (a alma e o corpo juntam-se por <i>convenientia</i>),<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a> a se reunir (<i>conventus </i>designa uma assembl&eacute;ia de fi&eacute;is, de monges, de comerciantes, e mesmo uni&atilde;o carnal),<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a> num complexo jogo de nuan&ccedil;as, resignifica&ccedil;&otilde;es e complementa&ccedil;&otilde;es. Nas palavras de Foucault, <i>convenientia </i>&eacute; &#8220;similitude das propriedades porque neste continente natural que &eacute; o mundo, a vizinhan&ccedil;a n&atilde;o &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o exterior entre as coisas mas o sinal de um parentesco, ainda que obscuro&#8221;.<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a></p>     <p>No pensamento anal&oacute;gico a forma importa mais que o conte&uacute;do. Podia-se favorecer o parto evocando santas (sobretudo Ana, Maria e Isabel) que deram &agrave; luz de maneira feliz. Podia acontecer um milagre por imita&ccedil;&atilde;o de uma passagem b&iacute;blica: quando durante uma viagem de barco pelo Reno uma mulher pediu a interven&ccedil;&atilde;o de Hildegarda de Bingen a favor do filho cego, a santa lembrou-se das palavras do Senhor &#8220;v&aacute; &agrave; piscina de Silo&eacute; e lave-se&#8221;, ent&atilde;o com a m&atilde;o esquerda pegou um pouco de &aacute;gua do rio e jogou-a sobre os olhos do garoto enquanto com a m&atilde;o direita o benzia.<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a> Mesmo um objeto prosaico, a ferradura de cavalo cujo uso se difunde a partir do s&eacute;culo XII, derivava de seu formato &#8211; an&aacute;logo &agrave; lua crescente, s&iacute;mbolo de fertilidade, e ao C inicial do nome Cristo &#8211; a suposta capacidade de propiciar boa sorte. Esta fun&ccedil;&atilde;o passaria da forma para a mat&eacute;ria por meio de procedimento do tipo sined&oacute;quico (isto &eacute;, que desloca o significado para al&eacute;m dos limites do conte&uacute;do conceptual): o fato de algu&eacute;m encontrar qualquer pe&ccedil;a de ferro era considerado bom sinal, como testemunha um texto liter&aacute;rio de fins do s&eacute;culo XV.<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a></p>     <p>Como qualquer sociedade, a da Europa medieval estava fundada na mem&oacute;ria coletiva que reune e preserva eventos significativos para a quase totalidade de seus membros, assim justificando e legitimando os diferentes tipos de rela&ccedil;&otilde;es entre eles. Lembrar &eacute; mais que uma atividade neurobiol&oacute;gica, &eacute; ato anal&oacute;gico. Se Paul Val&eacute;ry afirmaria que &#8220;tudo que n&atilde;o &eacute; mem&oacute;ria &eacute; analogia&#8221;, Santo Agostinho parece ter mais raz&atilde;o ao fundir os dois termos em um mesmo conjunto, ao reconhecer que &#8220;te&ccedil;o&#8221; (<i>contexo</i>) experi&ecirc;ncias e cren&ccedil;as das quais por semelhan&ccedil;a (<i>similitudines</i>) extraio outras imagens do passado e do futuro, tudo como se fosse do presente.<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a> Da&iacute; porque, al&eacute;m da compreens&atilde;o, a analogia entra na preserva&ccedil;&atilde;o do conhecimento adquirido, como insistem os tratados medievais de mnem&ocirc;nica. A pr&oacute;pria mem&oacute;ria &eacute; objeto de analogia, sendo considerada lugar no qual as lembran&ccedil;as est&atilde;o organizadas espacialmente, o que as l&iacute;nguas vern&aacute;culas guardam na met&aacute;fora &#8220;aprender/saber de cor&#8221;, isto &eacute;, no cora&ccedil;&atilde;o. Por isso mesmo, o maior problema da mem&oacute;ria n&atilde;o &eacute; o esquecimento (&agrave;s vezes necess&aacute;rio, como S&atilde;o Bernardo intuiu e Freud explicar&aacute;), e sim a desordem.<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Contra a desordem na mem&oacute;ria coletiva, que poderia colocar em risco a sobreviv&ecirc;ncia de um grupo social ou mesmo da sociedade inteira, certos indiv&iacute;duos filtravam (conforme os interesses do segmento representado) e registravam (de forma oral ou escrita, dependendo do p&uacute;blico-alvo) as recorda&ccedil;&otilde;es julgadas pertinentes. E faziam-no recorrendo de maneira quase inconsciente, autom&aacute;tica, &agrave;s analogias devido &agrave; capacidade delas de n&atilde;o somente reter o transcorrido como de vislumbrar o sequente. Do ponto de vista medieval, <i>memoria</i> &eacute; o local de onde se pode a partir das coisas passadas contemplar por analogia as coisas vindouras: &#8220;<i>futura per preterita similitudinarie contemplamur</i>&#8221;.<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a> Dentre muitos outros casos, lembremos apenas dois.</p>     <p>Justificando os excessos da Cruzada enviada contra os hereges do sul franc&ecirc;s, em 1218 um cronista afirma que assim como a destrui&ccedil;&atilde;o de Jerusal&eacute;m tinha ocorrido 42 anos ap&oacute;s a paix&atilde;o do Senhor, o massacre de B&eacute;ziers (sete mil mortos na igreja da Madalena) aconteceu 42 anos depois do assassinato do visconde local.<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a> Na hagiografia composta por um cl&eacute;rigo da catedral de Lisboa, talvez entre 1175 e 1185, afirma-se que ao retirar um osso do corpo santo que ajudou a resgatar, um indiv&iacute;duo perdeu a vis&atilde;o, recobrada quando devolveu a rel&iacute;quia, quer dizer, o relato percebe certa conex&atilde;o entre coisas aparentemente distintas, uma parte do corpo do santo morto e outra parte do corpo do fiel vivo. Conex&atilde;o que n&atilde;o deve causar estranheza, pois como observa Gilson toda analogia exerce dupla fun&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo unificadora e separadora, j&aacute; que de um lado o an&aacute;logo est&aacute; sempre ligado ao seu princ&iacute;pio por ser um an&aacute;logo, e de outro lado est&aacute; separado dele por n&atilde;o ser mais do que um an&aacute;logo.<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a>   </p>     <p>O mesmo racioc&iacute;nio aplicava-se, al&eacute;m dos eventos que hoje chamar&iacute;amos de micro-hist&oacute;ria, tamb&eacute;m a uma vis&atilde;o alargada, a das idades do mundo, que se pode esbo&ccedil;ar assim:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1"> <img src="/img/revistas/med/n14/n14a02q1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Se toda literatura &eacute; estruturalmente anal&oacute;gica, a da &eacute;poca medieval desenvolveu um tipo particular, baseado na analogia especular que explicava reciprocamente o mundo celeste e o mundo terreno &#8211; &#8220;assim na Terra como no C&eacute;u&#8221;, diz a ora&ccedil;&atilde;o. E explicava igualmente o homem (que &eacute; espelho de todas as maravilhas divinas, &#8220;<i>homo speculum omnium miraculorum est dei</i>&#8221;)<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a> e seu comportamento social (no qual os semelhantes aplaudem os semelhantes, &#8220;<i>similia similibus applaudunt</i>&#8221;)<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a>. &Eacute; por isso que a esposa de Santo Aleixo considerava-o &#8220;meu espelho&#8221;.<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a> Como se acreditava que o comportamento do indiv&iacute;duo revela sua alma, pretendia-se agir sobre esta pela disciplina, pelo conhecimento, pelo exemplo, educando enfim, da&iacute; a literatura de forma&ccedil;&atilde;o adotar aquela palavra. O &#8220;espelho do pr&iacute;ncipe&#8221; pretendia fornecer orienta&ccedil;&atilde;o e passar valores considerados indispens&aacute;veis para quem ocupava postos de comando. Como espelho do espelho, educando pelo contraste, existiu ao menos um &#8220;espelho dos tolos&#8221; &#8211;redigido em fins do s&eacute;culo XII por um monge de Canterbury, Nigel de Longchamp &#8211; que insistia serem s&aacute;bios aqueles que se corrigem ao ver nos outros seus pr&oacute;prios erros, enquanto tolos s&atilde;o aqueles que n&atilde;o ret&ecirc;m tais imagens, n&atilde;o percebem que elas s&atilde;o reflexos deles mesmos, e por isso permanecem tolos.<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a></p>     <p>Apesar de ligada &agrave; cultura erudita, aquele tipo de literatura expressava um comportamento, um sistema de valores, uma vis&atilde;o de mundo, comuns a todos os segmentos da sociedade medieval. Mais do que isso, ele exteriorizava, de acordo com os instrumentos culturais ent&atilde;o dispon&iacute;veis, o fen&ocirc;meno psicossocial de todas as &eacute;pocas pelo qual o governante &eacute; definido somente em rela&ccedil;&atilde;o ao s&uacute;dito, assim como o sacerdote em rela&ccedil;&atilde;o ao leigo, o senhor ao escravo, o nativo ao estrangeiro, o homem &agrave; mulher, o adulto &agrave; crian&ccedil;a.<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a> &Eacute; fato que na tentativa de se ver, descobrir, autoconhecer, o ser humano &eacute; sempre obrigado a se considerar a partir da observa&ccedil;&atilde;o do outro. Inclusive, na civiliza&ccedil;&atilde;o medieval, de objetos ou animais. No primeiro caso estava, por exemplo, a charrua como espelho empregado para alcan&ccedil;ar a ess&ecirc;ncia existencial e social da mulher, comparada &agrave; terra cultivada por aquele instrumento e que recebe a semente do esposo (<i>&#8220;nam femina est nunc velut terra aratro arata et semen viri suscipit</i>&#8221;). No segundo caso, o difundido jogo de palavras <i>servus</i>-<i>cervus </i>era usado para atribuir a este animal car&aacute;ter cristol&oacute;gico, de animal de sacrif&iacute;cio que por amor serve aos homens.<sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a> Entre os <i>verba</i> e as <i>res </i>havia uma rela&ccedil;&atilde;o profunda, um elo invis&iacute;vel, metaf&iacute;sico. Elo explicativo e explic&aacute;vel por ser anal&oacute;gico.</p>     <p>Da&iacute; porque outro campo no qual se exercia aquele tipo de racioc&iacute;nio afetivo era a etimologia. N&atilde;o &eacute; casual que imediatamente antes do cap&iacute;tulo dedicado a ela, Isidoro de Sevilha tenha reservado um &agrave; analogia, pois esta &eacute; que permite e fundamenta aquela. Isto diz bem da import&acirc;ncia do pensamento anal&oacute;gico, na medida em que, do ponto de vista crist&atilde;o medieval, a etimologia explica tanto a origem como o sentido das coisas. A grande enciclop&eacute;dia isidoriana &#8211; significativamente intitulada <i>Etymologiae</i> &#8211; foi definida na dedicat&oacute;ria ao rei Sisebuto como &#8220;<i>misi opus de origine quarundam rerum</i>&#8221;, minha obra a respeito da origem de certas coisas. Este significado vinha desde o s&eacute;culo II a.C., pois embora o termo grego ?t?&micro;?????a tivesse forma latinizada, com Varr&atilde;o ele passou a ser traduzido por <i>origo</i>. Ou seja, o termo t&eacute;cnico gramatical foi vertido por um termo corrente derivado do verbo <i>orior</i>, &#8220;levantar&#8221;, &#8220;nascer&#8221;, aplicado &agrave; apari&ccedil;&atilde;o de uma coisa (como o sol, da&iacute; <i>oriens</i>, &#8220;oriente&#8221;) ou pessoa (como na express&atilde;o <i>solum in quo ortus es</i>, a terra na qual nasceste).</p>     <p>Contudo, foi com o crist&atilde;o Isidoro que a etimologia se tornou etiologia. Deixou-se o campo do discurso racional (<i>logos</i>) sobre a verdade (<i>&eacute;tymon</i>) pelo campo da origem das palavras &#8211; &#8220;<i>etymologia est origo</i>&#8221; &#8211;o que segundo o bispo de Sevilha permite alcan&ccedil;ar o valor essencial delas (<i>vis verbi</i>). Por exemplo, quando ele explica a denomina&ccedil;&atilde;o dada aos animais por Ad&atilde;o, afirma que este a fez seguindo a &#8220;<i>condicionem</i> <i>naturae</i>&#8221; dos nominados. Dito de outra forma, a denomina&ccedil;&atilde;o de cada animal manifesta suas caracter&iacute;sticas essenciais, inclusive no caso do homem &#8211;<i> homo</i> vem de <i>humus</i>.<sup><a href="#76">76</a></sup><a name="top76"></a> A li&ccedil;&atilde;o isidoriana faria sucesso ao longo da Idade M&eacute;dia. Dentre muitos outros autores, Marbode, bispo de Rennes em 1096-1123, afirma que &#8220;a coisa designada pelo nome determina o nome. Por isso devemos procurar a natureza das coisas para ent&atilde;o podermos saber a verdade acerca do nome&#8221;.<sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a>  </p>     <p>Sobretudo esclarecedora &eacute; a etimologia onom&aacute;stica, pois o nome &eacute; o primeiro dos atributos das pessoas,<sup><a href="#78">78</a></sup><a name="top78"></a> como se percebe no Novo Testamento (Sim&atilde;o torna-se Pedro porque &eacute; a pedra da Igreja; Saulo adota o nome Paulo porque &eacute; pouco, &eacute; o menor dos ap&oacute;stolos),<sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a> em muitos pensadores medievais,<sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a> na cultura vulgar da &eacute;poca (um prov&eacute;rbio do s&eacute;culo XV garante que &#8220;<i>au surnom cognoit-on l&#8217;homme</i>&#8221;).<sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a> A mais difundida suma hagiogr&aacute;fica medieval utiliza abundantemente a etimologia anal&oacute;gica para explicar o nome dos santos a partir de suas virtudes e, inversamente, para explicar estas em fun&ccedil;&atilde;o daquele. Nicolau vem de <i>nik&oacute;s</i>, &#8220;vit&oacute;ria&#8221; e de <i>laos</i>, &#8220;povo&#8221;, indicando assim &#8220;vit&oacute;ria do povo&#8221; ou, mais apropriadamente, &#8220;vit&oacute;ria sobre os v&iacute;cios populares e vis&#8221;. Cristina significa &#8220;ungida com crisma&#8221; por ter sido b&aacute;lsamo odor&iacute;fero nos seus atos e &oacute;leo de devo&ccedil;&atilde;o na sua alma. Bernardo correspondia bem &agrave;s caracter&iacute;sticas do santo, cujo nome deriva de <i>ber</i>, &#8220;fonte&#8221;, e <i>nardus</i>, planta humilde, ardente e perfumada. Mateus quer dizer &#8220;grande para Deus&#8221; por ser formado de <i>magnus</i>, &#8220;grande&#8221;, e <i>Theos</i>, &#8220;Deus&#8221;, ou ent&atilde;o &eacute; &#8220;m&atilde;o de Deus&#8221; por vir de <i>manus</i>, &#8220;m&atilde;o&#8221;, e <i>Theos</i>. <sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Porque o nome de cada santo revela sua verdade profunda, a Igreja, melhor institucionalizada a partir do s&eacute;culo XII, estimulou a utiliza&ccedil;&atilde;o de nomes de santos por parte dos fi&eacute;is fundando-se no antigo princ&iacute;pio do &#8220;<i>bonum nomem, bonum omem</i>&#8221;. Esta revolu&ccedil;&atilde;o antropon&iacute;mica estendeu-se por toda Europa crist&atilde;, ainda que com ritmos, intensidades e modalidades pr&oacute;prias a cada regi&atilde;o. Em Portugal ela parece ter come&ccedil;ado j&aacute; em fins do s&eacute;culo XI, na Fran&ccedil;a centro-setentrional e na Inglaterra o processo arrancou logo a seguir, na Toscana a vit&oacute;ria do novo sistema deu-se no s&eacute;culo XIII. &Agrave; medida que a antropon&iacute;mia crist&atilde; se impunha e restringia o repert&oacute;rio onom&aacute;stico geral, aumentando bastante o n&uacute;mero de pessoas com o mesmo nome, surgiu a necessidade de fatores de individua&ccedil;&atilde;o. Para tanto recorreu-se a outro mecanismo anal&oacute;gico, a contiguidade, que podia ser cria&ccedil;&atilde;o interna ou externa ao grupo interessado.</p>     <p>Por iniciativa do pr&oacute;prio indiv&iacute;duo ou de sua fam&iacute;lia adotou-se em toda parte, talvez mais frequentemente e por mais tempo na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, a solu&ccedil;&atilde;o patron&iacute;mica.<sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a> Quer dizer, ao nome pr&oacute;prio juntou-se um segundo antrop&ocirc;nimo derivado do paterno, pr&aacute;tica que ap&oacute;s algumas gera&ccedil;&otilde;es poderia transformar aquele simples referente &#8211; &#8220;Jacquard&#8221; assinalava t&atilde;o somente que se era filho ou filha de um Jacques, &#8220;Pierini&#8221; de um Piero, &#8220;Rodriguez&#8221; ou &#8220;Rodrigues&#8221; de um Rodrigo, etc &#8211; em cognato. Mas a constru&ccedil;&atilde;o daquilo que acabaria por ser o moderno nome de fam&iacute;lia ocorreu majoritariamente por atribui&ccedil;&atilde;o externa ao grupo. A Antiguidade j&aacute; tinha se servido da atividade produtiva como identifica&ccedil;&atilde;o consangu&iacute;nea: lembrando as origens agr&aacute;rias da sociedade romana, importantes fam&iacute;lias eram designadas por leguminosas, como Fabius, vindo de <i>faba</i>, &#8220;fava&#8221;; Lentulus, de <i>lenticula</i>, &#8220;lentilha&#8221;; Pisa, de <i>pisa</i>, &#8220;ervilha&#8221;; C&iacute;cero, de <i>cicer</i>, &#8220;gr&atilde;o-de-bico&#8221;.</p>     <p>Na Cristandade medieval, igualmente, o nome de fam&iacute;lia provinha com muita frequ&ecirc;ncia da identifica&ccedil;&atilde;o antonom&aacute;stica de um antepassado cujos tra&ccedil;os f&iacute;sicos ou morais tinham sido analogizados com o de ave (Loiseau, Colombo, Cuervo, Perdig&atilde;o, Swallow, Adler, etc), animal dom&eacute;stico (Cheval, Gatto, Cordero, Coelho, Bull, Kuh, etc) ou selvagem (Leloup, Orso, L&eacute;on, Raposo, Tiger, Einhorn, etc), objeto possu&iacute;do (Forge, Spada, Castillo, Machado, Bridge, M&uuml;hle, etc), atividade praticada (Boulanger, Tessitore, Guerrero, Pedreiro, Smith, Pastor, etc), condi&ccedil;&atilde;o social (Chevalier, Moro, Casado, Franco, Pilgrim, K&uuml;ster, etc), acidente geogr&aacute;fico da regi&atilde;o de origem (Dubois, Montagna, Valle, Ribeiro, Rock, Wiese, etc), a regi&atilde;o natal ou adotiva (Lebreton, Lombardo, Gallego, Couto, Irish, Wald, etc).  </p>     <p>A sabedoria paremiol&oacute;gica, t&atilde;o difundida nas sociedades tradicionais, tamb&eacute;m recorria abundantemente &agrave;s analogias, das quais parece, ali&aacute;s, ter retirado muito de seu alcance social. Basta folhear ao acaso os floril&eacute;gios e os <i>Libri proverbiorum</i>,comuns a partir do s&eacute;culo XI, para se dar conta do uso recorrente que eles faziam de met&aacute;foras, ant&iacute;teses, jogos de palavras e outras estruturas anal&oacute;gicas. Provavelmente devido a isto &eacute; que prov&eacute;rbios s&atilde;o realidade antropol&oacute;gica mais do que hist&oacute;rica. Lembremos somente dois casos, deixando de lado suas diversas variantes. O sono como irm&atilde;o/ primo/imagem da morte &eacute; atestado em autores antigos (Hes&iacute;odo, Homero, Paus&acirc;nias, Xenofontes, C&iacute;cero, Virg&iacute;lio, Ov&iacute;dio), patr&iacute;sticos (Clemente de Alexandria, Epif&acirc;nio, Greg&oacute;rio de Nissa, Greg&oacute;rio de Nazianzo, Jo&atilde;o Damasceno, Tertuliano, Ambr&oacute;sio, Agostinho) e medievais (Amal&aacute;rio, Hon&oacute;rio Augustodunense).<sup><a href="#84">84</a></sup><a name="top84"></a> Tamb&eacute;m muito difundida era a analogia que pensava a sociedade de maneira antropom&oacute;rfica, comparando o governante &agrave; cabe&ccedil;a e os s&uacute;ditos aos membros, como fizeram dentre outros Jo&atilde;o de Salisbury no s&eacute;culo XII e uma colet&acirc;nea de <i>exempla </i>no s&eacute;culo XIV (&#8220;<i>li chiefs ne puet estre sains quant li membre sont enferme par defaut de gouvernation, ne li membre ne puent estre sain dont li chiefs est mallades</i>&#8221;).<sup><a href="#85">85</a></sup><a name="top85"></a></p>     <p>Para o homem medieval o pensamento anal&oacute;gico era, por tudo que acabamos de ver, determinante no seu saber, agir, sentir. O ponto de partida e, ao mesmo tempo, a s&iacute;ntese disto estava na percep&ccedil;&atilde;o de que o universo era uma imensa rede de correspond&ecirc;ncias, de rela&ccedil;&otilde;es micro-macroc&oacute;smicas. Naquilo que chamamos atualmente de ci&ecirc;ncias naturais os homens da Europa medieval, prolongando seus antecessores da Antiguidade greco-latina, aceitavam a exist&ecirc;ncia de conex&otilde;es profundas entre pedras, metais e signos zodiacais. O papa Greg&oacute;rio Magno relacionou as pedras que formam a Jerusal&eacute;m celeste descrita no <i>Apocalipse</i> e as ordens angelicais (a sard&ocirc;nia associada aos serafins, o top&aacute;zio aos querubins, e assim por diante). O ser humano era visto como zodiacal na medida em que cada parte de seu corpo &eacute; regida por um signo do zod&iacute;aco, como mostram diversas imagens, sobretudo do s&eacute;culo XV. Na defini&ccedil;&atilde;o de Umberto Eco, o universo &eacute; um tecido rizom&aacute;tico no qual todo ser &#8220;funciona como sin&eacute;doque ou meton&iacute;mia do Uno&#8221;.<sup><a href="#86">86</a></sup><a name="top86"></a></p>     <p>Nesta cosmologia que coloca o homem no ponto central, ele &eacute; considerado uma condensa&ccedil;&atilde;o do universo &#8211; <i>minor mundus</i> &#8211; como explicam dentre outros os influentes Hon&oacute;rio Augustudonense entre 1110 e 1139 e Vicente de Beauvais em 1244.<sup><a href="#87">87</a></sup><a name="top87"></a> Hildegarda de Bingen, em 1163, leva as rela&ccedil;&otilde;es anal&oacute;gicas mais longe &#8211; o universo apresenta caracter&iacute;sticas humanas (o sol &eacute; a luz de seus olhos, o vento o som de seus ouvidos, o ar seu odor, o orvalho seu paladar), pelo menos alguns homens s&atilde;o an&aacute;logos ao universo (Abel &eacute; como a lua, No&eacute; o sol, Abra&atilde;o os planetas, Mois&eacute;s as estrelas, os profetas os quatro pontos cardinais).<sup><a href="#88">88</a></sup><a name="top88"></a> Os pontos essenciais desta vis&atilde;o estrutural e estruturante podem ser esquematizados, &agrave; guisa de conclus&atilde;o, no quadro abaixo:<sup><a href="#89">89</a></sup><a name="top89"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q2"> <img src="/img/revistas/med/n14/n14a02q2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p><b>FONTES E BIBLIOGRAFIA </b></p>     <p>As obras citadas somente uma vez no presente trabalho est&atilde;o referenciadas de forma completa nas notas correspondentes. As demais, que nas notas aparecem abreviadamente, est&atilde;o listadas a seguir.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Fontes prim&aacute;rias </b></p>     <!-- ref --><p>BONCOMPAGNO DA SIGNA - <i>Rhetorica novissima</i>. Ed. Augusto Gaudentio. Bolonha: Libreria dei Fratelli Treves di Pietro Virano,1892 (Bibliotheca Iuridica Medii Aevi, 2).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S1646-740X201300020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CICERO - <i>De l&#8217;invention</i>. Ed.-trad. Guy Achard. Paris : Les Belles Lettres, 1994. ISBN 2-251-01381-4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1646-740X201300020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><i>Epistola Trajectensis Ecclesiae ad Fridericum episcopum Coloniensem de Tanchelmo seductore</i>. Ed. Sebastian Tengnaghel. Em <i>Acta Sanctorum</i>, junii I. Bruxelas: Culture et Civilisation, reed. 1969, p.845-847.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S1646-740X201300020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HILDEGARDA DE BINGEN - <i>Causae et curae</i>. Ed. Paul Kaiser. Leipzig: Teubner, 1903.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S1646-740X201300020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HILDEGARDA DE BINGEN - <i>Liber divinorum operum</i>. Ed. Albert Derolez e Peter Dronke. Turnhout: Brepols, 1996 (Corpus Christianorum Continuatio Medievalis 92). ISBN 2-503-03921-9&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S1646-740X201300020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>ISIDORO DE SEVILHA - <i>Etimolog&iacute;as</i>. Ed. Wallace Martin Lindsay, trad. Jos&eacute; Oroz Reta e Manuel-Antonio Marcos Casquero. Madri: BAC, 1982. ISBN 84-220-1071-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1646-740X201300020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JACOPO DE VARAZZE - <i>Legenda &aacute;urea</i>. Ed. Theodor Graesse, trad. Hil&aacute;rio Franco J&uacute;nior. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2003. ISBN 85-359-0367-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1646-740X201300020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>Obras m&eacute;dicas de Pedro Hispano</i>. Ed-trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Coimbra: Universidade, 1973.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1646-740X201300020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>Patrologia Latina</i>. Ed. Jacques-Paul Migne. Paris: Migne, 1844-1865, 221 volumes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1646-740X201300020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEDRO DES VAUX-DE-CERNAY - <i>Hystoria Albigensis</i>. Ed. Pascal Gu&eacute;bin e Ernest Lyon. Paris: Honor&eacute; Champion, 1926.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1646-740X201300020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p><b>Fontes secund&aacute;rias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BOLOGNE, Jean-Claude - <i>Da chama &agrave; fogueira. Magia e supersti&ccedil;&atilde;o na Idade M&eacute;dia</i> [1993]. Trad. F&aacute;tima Gaspar e Carlos Gaspar. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote, 1998. ISBN 972-20-1524-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1646-740X201300020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DALARUN, Jacques (dir.) - <i>Le Moyen &Acirc;ge en lumi&egrave;re</i>. Paris: Fayard, 2002. ISBN 2-213-61397-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1646-740X201300020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ECO, Umberto - &#8220;Met&aacute;fora&#8221;. Em <i>Enciclop&eacute;dia Einaudi</i>. Trad. Maria Bragan&ccedil;a. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1994, vol.31, p.200-246. ISBN 972-27-0660-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1646-740X201300020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT, Michel - <i>As palavras e as coisas. Uma arqueologia das Ci&ecirc;ncias Humanas</i> [1966]. Trad. Ant&oacute;nio Ramos Rosas. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2005. ISBN 972-44-0531-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1646-740X201300020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FRANCO J&Uacute;NIOR, Hil&aacute;rio - <i>Os tr&ecirc;s dedos de Ad&atilde;o. Ensaios de mitologia medieval</i>. S&atilde;o Paulo: Edusp, 2010. ISBN 978-85-314-1140-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1646-740X201300020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GILSON, &Eacute;tienne - <i>L&#8217;esprit de la philosophie m&eacute;di&eacute;vale</i>. Paris: Vrin, 1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1646-740X201300020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <!-- ref --><p>FRANCO J&Uacute;NIOR Hil&aacute;rio &#8211; &#8220;<i>Similibus simile cognoscitur</i>. O pensamento anal&oacute;gico medieval&#8221;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm;14, (Julho - Dezembro 2013). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA14/junior1402.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA14/junior1402.html</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1646-740X201300020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> FRANCO J&Uacute;NIOR, Hil&aacute;rio - &#8220;Modelo e Imagem: o pensamento anal&oacute;gico medieval&#8221;. <i>Bulletin du Centre d&#8217;Etudes M&eacute;di&eacute;vales</i>. Hors S&eacute;rie 2 (2008). <a href="http://cem.revues.org/index9152.html"target="_blank">http://cem.revues.org/index9152.html</a> (online desde 28/2/2009), reproduzido em IDEM - <i>Os tr&ecirc;s dedos de Ad&atilde;o</i>, p.93-128; L&Eacute;VY-BRUHL - <i>La mentalit&eacute; primitive</i>. Paris : Alcan, 1922; IDEM - <i>Les carnets de Lucien L&eacute;vy-Bruhl</i>. Ed. Maurice Leenhardt. Paris: PUF, 1949; L&Eacute;VI-STRAUSS - <i>La pens&eacute;e sauvage</i>. Paris: Plon, 1962.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> GODELIER - &#8220;Mythe et histoire: refl&eacute;xions sur les fondements de la pens&eacute;e sauvage&#8221;. <i>Annales. &Eacute;conomies. Soci&eacute;t&eacute;s. Civilisations</i>. Paris. 26 (1971), p.544-545, 552, 555. A cita&ccedil;&atilde;o de L&eacute;vi-Strauss &eacute; extra&iacute;da de <i>La pens&eacute;e sauvage</i>, p. 328.</p>       <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> KELLER - <i>Aux origines de la g&eacute;om&eacute;trie. Le pal&eacute;olithique et le monde des chasseurs-cueilleurs</i>. Paris : Vuibert, 2004, p. 119.</p>       <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Jung mostrou que certos est&aacute;gios da vida ps&iacute;quica funcionam no modo anal&oacute;gico: JUNG, Carl G. - <i>A din&acirc;mica do inconsciente</i>. Petr&oacute;polis: Vozes, 1984 (Obras completas, VIII).</p>       <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> MURRAY - <i>Reason and society in the Middle Ages</i>. Oxford: OUP, 1978.</p>       <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> AUERBACH - &#8220;Figura&#8221; [1938], em IDEM - <i>Studi su Dante</i>.Mil&atilde;o: Feltrinelli, 1981, p. 174-235 (cita&ccedil;&otilde;es procedentes das p. 204, 205, 208, 211).</p>       <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> MAXWELL - <i>A treatise on electricity and magnetism</i>. Oxford: Clarendon, 1873; TURNER - <i>The artful mind: Cognitive science and the riddle of human creativity</i>. Oxford: OUP, 2006; BRAUDEL - <i>L&#8217;identit&eacute; de la France. Espace et histoire</i>. Paris: Arthaud-Flammarion, 1986, p.15; VVAA - <i>M&eacute;taphores et analogies, sch&egrave;mes argumentatifs des sciences sociales</i>, n&uacute;mero tem&aacute;tico da <i>Revue europ&eacute;enne des sciences sociales</i>. Genebra. 38, 117 (2000).</p>       <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup FOUCAULT - ><i>As palavras e as coisas</i>, p.73.</p>       <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> KOJ&Egrave;VE - &#8220;L&#8217;origine chr&eacute;tienne de la science moderne&#8221;. Em <i>M&eacute;langes Alexandre Koyr&eacute;</i>. Paris : Hermann, 1964, vol.II, p.295-306.</p>       <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> RICARDO DE SAINT-VICTOR - <i>In Apocalypsin Joannis</i>, I,1. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol. 196, col.688a; JACOPO DE VARAZZE - <i>Legenda &aacute;urea</i>, cap.5,&sect;3, p. 85; SAVONAROLA -<i>Prediche sopra i Salmi</i>, 25. Ed. Vincenzo Romano. Roma : Angelo Belardetti, 1974 (Edizione Nazionale delle Opere di Girolamo Savonarola), vol.II, p.127-151.</p>       <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> JAVELET -&#8220;Psychologie des auteurs spirituels du XII&egrave;me si&egrave;cle&#8221;. <i>Revue des sciences religieuses</i>. Estrasburgo. 33 (1959), p.215; FOUCAULT - <i>As palavras e as coisas</i>, p.85.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> <i>Romanos</i> I,14.20; OAKLEY - <i>The medieval experience. Foundations of Western cultural singularity</i> [1974]. Toronto: University of Toronto Press / Medieval Academy of America, 1988, p.154. Mesmo no interior do islamismo atual alguns concordam com esta an&aacute;lise, caso do fil&oacute;sofo Hamadi Redissi, professor da Universidade de Tunis, para quem &#8220;todos os pr&eacute;-requisitos para uma aut&ecirc;ntica abordagem cient&iacute;fica s&atilde;o inencontr&aacute;veis no Cor&atilde;o&#8221;: <i>Philosophie Magazine</i>. Paris. 65 (dez. 2012-jan. 2013), p.32.</p>       <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> <i>Summae Theologiae</i>. Ed. Leonina. Roma: Polyglotta, 1888 (Opera omnia, 4), I-I, q.13, a.5, p.147 (<i>sicut in praedicationibus omnia univoca reducuntur ad unum primum, non univocum, sed analogicum</i>); I-I, q.1, a.9, p.24 (<i>unde convenienter in sacra Scriptura traduntur nobis spiritualia sub metaphoris corporalium</i>). &#8220;A partir do momento em que se interpreta a causalidade como um dom do ser, est&aacute;-se necessariamente levado a estabelecer uma nova rela&ccedil;&atilde;o entre o efeito e sua causa, a da analogia&#8221;, pondera GILSON - <i>L&#8217;esprit de la philosophie m&eacute;di&eacute;vale</i>, p.96.</p>       <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> <i>De Universo</i>, II,2,112. Em <i>Opera omnia</i>. Frankfurt: Minerva, 1963, vol.I, p.964e.</p>      <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> &#8220;<i>Faciamus hominem ad imaginem et similitudinem nostram</i>&#8221; (<i>G&ecirc;nese</i> I,26); &#8220;<i>Videmus nunc per speculum in aenigmate, tunc autem facie ad faciem</i>&#8221; (<i>1 cor&iacute;ntios</i> XIII,12).</p>       <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Iluminura presente em HILDEGARDA DE BINGEN - <i>Liber divinorum operum.</i> Lucca: Biblioteca Statale, ms. 1942, fol.9, aqui reproduzida da edi&ccedil;&atilde;o do Corpus Christianorum Continuatio Medievalis (= CCCM), prancha 7.</p>       <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> <i>Apocalipse</i> IV-7-8.</p>       <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> <i>Physiologus latinus. Versio B</i>,I,14-17<i>.</i> Ed. Francis J. Carmody. Paris : Droz, 1939, p.10-11.</p>       <p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> CICERO - <i>De l&#8217;invention</i>,I,31-34, p.102-107.</p>       <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> <i>Como o silen&ccedil;io seia chave da Religi&atilde;o</i>.Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal, Cod. Alc. CCCL/91, fol. 20v. Embora este c&oacute;dexseja de 1547, exp&otilde;e pr&aacute;ticas bem anteriores no mundo mon&aacute;stico.</p>       <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> <i>Sententiae</i>, III,VIII,2. Quaracchi: Colegii S. Bonaventurae, 1971, p.429.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> ARIST&Oacute;TELES, 1410b - <i>Rh&eacute;torique</i>. Ed.-trad. M&eacute;d&eacute;ric Dufour e Andr&eacute; Wartelle. Paris : Les Belles Lettres, 1989, p.63;BONCOMPAGNO DA SIGNA - <i>Rhetorica novissima</i>, IX,2, p.281. &Eacute; interessante verificar que para estudiosos modernos a met&aacute;fora em certa medida define o homem. O sentido pr&oacute;prio das palavras seria vest&iacute;gio de met&aacute;foras perdidas, &#8220;mortas&#8221;, enquanto o sentido figurado seriam met&aacute;foras &#8220;vivas&#8221;, sugere RICOEUR, Paul- <i>La m&eacute;taphore vive</i>. Paris: Seuil, 1975. Todas as id&eacute;ias s&atilde;o met&aacute;foras porque o homem n&atilde;o busca nomear as coisas, e sim suas experi&ecirc;ncias diante de cada situa&ccedil;&atilde;o, avaliam LAKOFF, George e JOHNSON, Mark- <i>Metaphors we live by</i>. Chicago: University of Chicago Press, 1980. A met&aacute;fora n&atilde;o &eacute; mero dado ling&uuml;&iacute;stico, e sim semi&oacute;tico, est&aacute; presente em quase todos os sistemas de signos, estima ECO - &#8220;Met&aacute;fora&#8221;, p.201. At&eacute; mesmo um matem&aacute;tico admite que &#8220;todo conhecimento &eacute; metaf&oacute;rico&#8221;: THOM, Ren&eacute; - <i>Apologie du logos</i>. Paris: Hachette, 1990, p.641.</p>       <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> DESCOLA, Philippe - &#8220;Un monde enchev&ecirc;tr&eacute;&#8221;. Em IDEM (dir.) - <i>La fabrique des images. Visions du monde et formes de la repr&eacute;sentation</i>. Paris: Mus&eacute;e du Quai Branly / Somogy, 2010, p.165.</p>       <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> <i>Etimolog&iacute;as</i>, III,7,5, vol.I, p.432; XI,1,4, vol.II, p.12 (cf. <i>G&ecirc;nese </i>III,19).</p>       <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> <i>Liber divinorum operum</i>, II,V,2-3; <i>Scivias</i>, III,II,20-21. Ed. Adelgundis F&uuml;hrk&ouml;tter. Turnhout: Brepols, 1978 (CCCM 43A), p.366-367.</p>       <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> <i>Trait&eacute; sur le symbolisme des nombres</i>. Ed.-trad. Ren&eacute; Deleflie. Langres: Dominique Gueriot, 1978, I,C, p.144; II,A, p.146; III,A, p.159.</p>       <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> ISIDORO -<i> Etimolog&iacute;as</i>, XIV,2,1-3, vol.II, p.164-167. O manuscrito citado &eacute; <i>Etymologiae</i>, BnF, ms. lat. 7592, fol.120.</p>       <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Mapa da abadia de Reading (8,7 x 7,5 cm). Londres: Lambeth Palace Library, ms. 371, fol.9v.</p>       <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Citados por BOLOGNE - <i>Da chama &agrave; fogueira</i>, p.101 e 106.</p>       <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> <i>Liber de conservanda sanitate</i>, em <i>Obras m&eacute;dicas de Pedro Hispano</i>, p.454-457.</p>       <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> MARBODE - <i>Po&egrave;me des pierres pr&eacute;cieuses</i>, 12. Ed. John M. Riddle, trad. Pierre Monat. Grenoble : J&eacute;r&ocirc;me Millon, 1996, p.31; HILDEGARDA DE BINGEN - <i>Le livre des subtilit&eacute;s des cr&eacute;atures divines (Physique)</i>. Ed. Charles Daremberg, trad. Pierre Monat. Grenoble : J&eacute;r&ocirc;me Millon, 1996, vol.I, 7, p.217, 23, p.238; ALBERTO MAGNO - <i>Le monde min&eacute;ral. Les pierres</i>. Ed. Auguste Borgnet, trad. Michel Angel. Paris: Cerf, 1995, p.229 e 242.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> <i>Causae et curae</i>, II, p.49, linhas 35-37 (cf. tamb&eacute;m p. 43, linhas 13-14); p.50, linhas 16-18 (cf. tamb&eacute;m p.36, linhas 13-15).</p>       <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> <i>Ibidem</i>, II, p.96-97; p.98, linhas 21-28.</p>       <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> <i>Liber de conservanda sanitate</i>,IX,4, p.132-133 (grifo nosso).</p>       <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> <i>Ibidem</i>, XLV,7, p.262-263.</p>       <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> <i>Ibidem</i>, XI,17, p.142-143; XXXI,8, p.220-221.</p>       <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> <i>Ibidem</i>, XXXVII,8, p.234-235; XLIV,3, p.258-259.</p>       <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> PATETTA, Federico- <i>Le ordalie. Studio di storia del diritto e scienza del diritto comparato</i>. Turim: Fratelli Bocca, 1890, p.11.</p>       <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> CHOLLET - &#8220;Analogie&#8221;. Em <i>Dictionnaire de Th&eacute;ologie Catholique</i>. Paris : Letouz&eacute;y et An&eacute;, 1903, vol.I, col.1142.</p>      <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> <i>De Assumptione Beatae Mariae Virginis</i>. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.40, col.1141-1148.</p>       <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> &#8220;O discurso anal&oacute;gico pode constituir uma importante chave de leitura de toda teologia abelardina&#8221;, constata ALLEGRO, Giuseppe - &#8220;L&#8217;analogia nei trattati trinatari di Pietro Abelardo&#8221;, em <i>Knowledge and the sciences in medieval philosophy</i>. Helsinki: Acta philosophica fennica, 1990, p.317.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> <i>Speculum de Scriptura Sacra</i>. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol. 34, col.887-1040; LUBAC, Henri de- <i>&Eacute;x&eacute;g&egrave;se m&eacute;di&eacute;vale. Les quatre sens de l&#8217;Ecriture</i>. Paris : Cerf, 1959, vol.I, p.305-363.</p>       <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> <i>1 cor&iacute;ntios </i>XV,22.</p>       <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> <i>De anima</i>, 43,10. Ed. Jan Hendrik Waszink. Leiden: Brill, 2010 (Supplements to Vigiliae Christianae, 100), p.60, linhas 12-14.</p>       <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> AGOSTINHO - <i>Sermo</i>, 189,2. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol. 38, col.1005.  </p>       <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> <i>1 cor&iacute;ntios</i> XV,45;SANTO AMBR&Oacute;SIO, citado pela <i>Legenda &aacute;urea</i>, cap.2, &sect;8, p.63;FRANCO J&Uacute;NIOR, Hil&aacute;rio - &#8220;Ave Eva! Invers&atilde;o e complementaridade de um mito medieval&#8221; [1996]. Em IDEM - <i>Os tr&ecirc;s dedos de Ad&atilde;o</i>, p.303-329.</p>       <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> JACOPO DE VARAZZE - <i>Legenda &aacute;urea</i>, cap.2,&sect;8, p.63, cap.51, p.326.</p>       <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> A primeira imagem &eacute; do ms. Lescalopier 30, fol.10v, hoje na Biblioteca Municipal de Amiens (reproduzida por DALARUN - <i>Le Moyen &Acirc;ge en lumi&egrave;re</i>, p.270), a segunda de <i>La Qu&ecirc;te du Saint Graal</i>, BnF, ms. fr. 111, fol 260v.</p>       <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> TERTULIANO - <i>La pudicit&eacute;</i>, XIII,20. Ed.-trad. Charles Munier. Paris: Cerf, 1993 (Sources Chr&eacute;tiennes, 394), p.212-213; CIPRIANO - <i>Correspondance</i>, XXX,2. Ed.-trad. Louis Bayard. Paris: Les Belles Lettres, 1962, p.72-73.</p>       <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> Dentre muitos outros, TERTULIANO - <i>De baptismo</i>, 8. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.1, col.1317; JER&Ocirc;NIMO - <i>Dialogus contra Luciferianos</i>, 22. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.23, col.176a; AMBR&Oacute;SIO - <i>De Noe et arca</i>, XV,52. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.14, col.385; AGOSTINHO - <i>La Cit&eacute; de Dieu</i>, XV,26. Ed. Bernhard Dombart e Alfons Kalb, trad. Gustave Comb&egrave;s. Paris: Descl&eacute;e de Brouwer, 1960 (&#338;uvres de saint Augustin, 36), p.156-161; PEDRO DAMIANO - <i>Carmina et preces</i>, 153. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.145, col.961d; BRUNO DE SEGNI - <i>Sententiae</i>, I,2. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.165, col.879-882; HUGO DE SAINT-VICTOR - <i>De Arca Noe moral</i>, I,4. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.176, col.629-634; IDEM - <i>De Arca Noe mystica</i>. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.176,col.681-704.</p>       <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> CHAUVET, Louis-Marie - &#8220;Sacrament&#8221;. Em LACOSTE, Jean-Yves -<i> Dictionnaire critique de th&eacute;ologie</i> [1998]. Paris : PUF, 2002, p.1047. Mais do que isto, o conceito crist&atilde;o de mundo &eacute; sacramental devido &agrave; rela&ccedil;&atilde;o metaf&iacute;sica entre as coisas e Deus, diz GILSON, <i>L&#8217;esprit de la philosophie m&eacute;di&eacute;vale</i>, p.101 e 108.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> NOLA, Alfonso di - &#8220;Reliquie&#8221;. Em IDEM; ADRIANI, Maurilio e CHIAVACCI, Enrico (eds) - <i>Enciclopedia delle religioni</i>. Floren&ccedil;a: Vallecchi, 1973, vol.5, col.309-310; <i>Le haut livre du Graal. Perlesvaus</i>, I,19a. Ed. William A. Nitze e Jenkins T. Atkinson. Chicago: University of Chicago Press, 1932, vol.I, p.112, linhas 2244-2250.</p>       <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> Respectivamente, <i>Acta Synodi Atrebatensis</i>, 13. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.142, col.453c. GLABER - <i>Cronache dell&#8217;anno mille (Storie)</i>, III,VIII,26. Ed.-trad. Guglielmo Cavallo e Giovanni Orlandi. Mil&atilde;o: Fondazioni Lorenzo Valla / Mondadori, 1998, p.158, linhas 11-12; p.160, linha 31<i>.</i> PAULO DE CHARTRES - <i>Vetus Aganus</i>, VI,3. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.155, col.263d, 264b. <i>Epistola Trajectensis Ecclesiae ad Fridericum episcopum Coloniensem de Tanchelmo seductore</i>, &sect;2, p.845c; &sect;5, p.846a. GUIBERT DE NOGENT - <i>Autobiographie</i>, III,17. Ed.-trad. Edmond-Ren&eacute; Labande. Paris : Les Belles Lettres, 1981 (Les classiques de l&#8217;histoire de France au Moyen &Acirc;ge, 34), p.434. HILDEBERTO DE LAVARDIN - <i>Epistolae</i>, 24. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.171, col.242cd. <i>Gesta Pontificum Cenomannensium</i>. Em <i>Recueil des Historiens des Gaules et de la France</i>. Ed. Martin Bouquet e L&eacute;opold Delisle. Paris: Victor Palm&eacute;, 1877, vol.XII, p.548d, 547e. BERNARDO DE CLARAVAL - <i>Sermones in Cantica Canticorum</i>, LXXXIV,I,1. Ed. Jean Leclercq, Charles Talbot e Henri Rochais. Roma: Editiones Cistercienses, 1958 (S. Bernardi opera, 2), p.179, linha 4. PEDRO, O VENER&Aacute;VEL - <i>Contra Petrobrusianos hereticos</i>, 1. Ed. James Fearns. Turnhout: Brepols, 1968 (CCCM 10), p.3, linhas 11 e 19. EGBERTO DE SCH&Ouml;NAU - <i>Sermones contra catharos</i>, I. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.195, col.13b. GUILHERME DE NEWBURGH - <i>Historia Rerum Anglicarum</i>. Ed. Richard Howlett. Wiesbaden: Kraus, 1964 (Rerum Britannicarum Medii Aevi Scriptores, 82-I), II,13, p.131-134;I,19, p.60.</p>       <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> GUILHERME, O BRET&Atilde;O - <i>Gesta Philippi Augusti</i>, 153. Ed. Fran&ccedil;ois Delaborde. Paris : Soci&eacute;t&eacute; de l&#8217;Histoire de France, 1882, vol.I, p.231. PEDRO DES VAUX-DE-CERNAY - <i>Hystoria Albigensis</i>, I,6, p.6; I,12, p.12. RODRIGO JIM&Eacute;NEZ DE RADA - <i>Historia de rebus hispanie sive historia gothica</i>, II,1. Ed. Juan Fern&aacute;ndez Valverde. Turnhout: Brepols, 1987 (CCCM 72), p.40, linhas 31-32. GUILHERME DE PUYLAURENS - <i>Chronique</i>, 2. Ed.-trad. Jean Duvernoy. Toulouse : Le P&eacute;r&eacute;grinateur, 1996, p.36. <i>Concilium Provinciale Mongutinum</i>, em <i>Sacrorum conciliorum nova et amplissima collectio</i>. Ed. Gian Domenico Mansi. Paris: H. Welter, reed. 1903, vol.23, col.998c. JACOPO DE VARAZZE - <i>Legenda &aacute;urea</i>, cap.61, &sect;4, p.390. BERNARDO GUI - <i>Manuel de l&#8217;inquisiteur</i>. Ed.-trad. Guillaume Mollat. Paris : Les Belles Lettres, 2006 (Les classiques de l&#8217;histoire de France au Moyen Age, 44), vol.II, ap&ecirc;ndice I,1, p.66.</p>       <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> SCHMITT, Jean-Claude- <i>Hist&oacute;ria das supersti&ccedil;&otilde;es</i> [1988]. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica, 1997, p.13; BOLOGNE - <i>Da chama &agrave; fogueira</i>, p.201.</p>       <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> <i>La vie du pape L&eacute;on IX</i>, II,14. Ed. Michel Parisse, trad. Monique Goullet. Paris: Les Belles Lettres, 1997 (Les classiques de l&#8217;histoire de France au Moyen &Acirc;ge, 38), p.96-97; <i>Epistola Trajectensis Ecclesiae ad Fridericum episcopum Coloniensem de Tanchelmo seductore</i>, &sect;3, p.845e.</p>       <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> FREI RUDOLFO - <i>De Officio Cherubyn</i>. Ed. Adolf Franz. <i>Theologische Quartalschrift</i>. T&uuml;bingen.88 (1906), p.419-422, citado porBOLOGNE - <i>Da chama &agrave; fogueira</i>, p.106-107.</p>       <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> <i>Legenda &aacute;urea</i>, 3,&sect;9, p.74-75; 126,&sect;4, p.752-753.</p>       <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> <i>Vita Johannis Abbatis Reomaenses</i>, 7. Ed. Bruno Krush. Hanover: Hahniani, 1896(Monumenta Germaniae Historica. Scriptorum rerum Merovingicarum, 3), p.509, linha 27.</p>       <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> MAMERTINO - <i>De statu animae</i>, II,7. Ed. August Engelbrecht. Viena: C. Geroldi Filium, 1885 (Corpus Scriptorum Ecclesiasticorum Latinorum, 11), p.120, linha 17.</p>       <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> AMBR&Oacute;SIO - <i>Enarrationes in psalmos</i>, XXXVII,8. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.14, col. 1013a; AGOSTINHO - <i>Contra Julianum</i>, IV,8,49. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.44, col.763.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> <i>A palavra e as coisas</i>, p.74.</p>       <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> <i>Vita Sanctae Hildegardis</i>, III,18. Ed. Monica Klaes. Turnhout: Brepols, 1993 (CCCM 126), p.55.</p>       <p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> SALLES, Catherine - &#8220;Le fer &agrave; cheval donne du bonheur&#8221;, em <i>&Agrave; l&#8217;origine des superstitions</i>, n&uacute;mero tem&aacute;tico de <i>Historia Sp&eacute;cial</i>. Paris. 6 (2012), p.20; ECO, &#8220;Met&aacute;fora&#8221;, p.203; <i>Les &eacute;vangiles des quenouilles</i>. Ed. Madeleine Jeay. Paris: Vrin, 1985, p.125.</p>       <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> VAL&Eacute;RY - <i>Cahiers 1</i>. Ed. Judith Robinson-Val&eacute;ry. Paris: Gallimard, 1989 (Pl&eacute;iade, 242), vol.I, p.1217; AGOSTINHO - <i>Confessions</i>, X,8,14. Ed. Martin Skutella, trad. Eug&egrave;ne Tr&eacute;horel e Guilhen Bouissou. Paris: Descl&eacute;e de Brouwer, 1962 (&#338;uvres de saint Augustin, 14), p.166-167.  </p>       <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> CARRUTHERS, Mary - <i>The book of memory: a study of memory in medieval culture</i>. Cambridge: CUP, 1990; IDEM - <i>The craft of thought: meditation, rhetoric and the making of images, 400-1200</i>. Cambridge: CUP, 1998.</p>       <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> BONCOMPAGNO - <i>Rhetorica novissima</i>, VIII,1, p.275.</p>       <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup> PEDRO DES VAUX-DE-CERNAY - <i>Hystoria Albigensis</i>, 91, p.92-93.</p>       <p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> MESTRE EST&Ecirc;VAO - <i>Miracula S. Vincentii</i>, 1.1. Ed.-trad. Aires Augusto Nascimento e Saul Ant&oacute;nio Gomes. Lisboa: Didaskalia, 1988, p.34-35; GILSON, <i>L&#8217;esprit de la philosophie m&eacute;di&eacute;vale</i>, p.97, n.1.</p>       <p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> HILDEGARDA - <i>Causae et curae</i>, II, p.65, linhas 24-25.</p>       <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> PEDRO COMESTOR, <i>Historia scholastica</i>, Liber Genesis, col.1072;GERV&Aacute;SIO DE TILBURY - <i>Otia imperialia</i>, I,15. Ed.-trad. Shelagh E. Banks e James W. Binns. Oxford: Clarendon, 2002, p.86.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup> <i>Legenda &aacute;urea</i>, 89, p.542.</p>       <p><Sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a></Sup> NIGELLUS DE LONGCHAMP - <i>Speculum Stultorum</i>. Ed. John H. Mozley e Robert R. Raymo. Berkeley: University of California Press, 1960 (English Studies, 18).</p>       <p><Sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></Sup> Existiria mesmo uma fase da forma&ccedil;&atilde;o do ego que seria o &#8220;est&aacute;gio do espelho&#8221;, no qual a aquisi&ccedil;&atilde;o da auto-imagem se faz apenas a partir da media&ccedil;&atilde;o da imagem e do olhar do outro: LACAN, Jacques - &#8220;Le stade du miroir comme formateur de la fonction du Je&#8221;, em IDEM - <i>Ecrits</i>. Paris: Seuil, 1966, p.89-97.</p>       <p><Sup><a name="75"></a><a href="#top75">75</a></Sup> Respectivamente,HILDEGARDA - <i>Causae et curae</i>, II, p.104, linhas 33-34; DUCHET SUCHAUX, Gaston e PASTOUREAU, Michel- <i>Le bestiaire m&eacute;di&eacute;val. Dictionnaire historique et bibliographique</i>. Paris: Le L&eacute;opard d&#8217;or, 2002, p.40.</p>       <p><Sup><a name="76"></a><a href="#top76">76</a></Sup> As cita&ccedil;&otilde;es de <i>Etimolog&iacute;as</i> s&atilde;o, na sequ&ecirc;ncia : I,29,1, vol.I, p.320; XII,1,1, vol.II, p.56; I,29,3, p.322.</p>       <p><Sup><a name="77"></a><a href="#top77">77</a></Sup> MARBODE - <i>Carmina varia</i>. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol. 171, col.1671c.</p>       <p><Sup><a name="78"></a><a href="#top78">78</a></Sup> C&Iacute;CERO - <i>De l&#8217;invention</i>,I,XXIV,34, p.91.</p>       <p><Sup><a name="79"></a><a href="#top79">79</a></Sup> <i>Mateus</i> XVI,18; <i>1 cor&iacute;ntios</i> XV,9.</p>       <p><Sup><a name="80"></a><a href="#top80">80</a></Sup> CURTIUS, Ernst Robert- <i>Literatura europ&eacute;ia e Idade M&eacute;dia latina</i> [1948]. S&atilde;o Paulo: Edusp / Hucitec, 1996, p.607-611.</p>       <p><Sup><a name="81"></a><a href="#top81">81</a></Sup> LE ROUX DE LINCY, Antoine-Jean-Victor - <i>Le livre des proverbes fran&ccedil;ais</i> [1842]. Paris : Hachette, 1996, p.486.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="82"></a><a href="#top82">82</a></Sup> <i>Legenda &aacute;urea</i>, 3, p.69; 93, p.558; 115, p.682; 133, p.778.</p>       <p><Sup><a name="83"></a><a href="#top83">83</a></Sup> GON&Ccedil;ALVES, Iria - &#8220;O nome&#8221;. Em MATTOSO, Jos&eacute; (dir.) - <i>A hist&oacute;ria da vida privada em Portugal</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2011, p.208, informa que em Portugal em meados do s&eacute;culo XII tal modalidade de identifica&ccedil;&atilde;o foi empregada por 65% dos indiv&iacute;duos, propor&ccedil;&atilde;o que cresceria nos s&eacute;culos seguintes. Ademais, esta estrat&eacute;gia de identifica&ccedil;&atilde;o preponderou at&eacute; fins do s&eacute;culo XV (p.210).</p>       <p><Sup><a name="84"></a><a href="#top84">84</a></Sup> RAPALLO, Umberto - &#8220;Il sonno della morte: un problema interlinguistico&#8221;. <i>Aion</i>. N&aacute;poles. 16 (1994), p.11-32; TOSI, Renzo- <i>Dictionnaire des sentences latines et grecques </i>[1991], n&ordm;1027. Grenoble: J&eacute;r&ocirc;me Millon, 2010, p.754-756.</p>       <p><Sup><a name="85"></a><a href="#top85">85</a></Sup> JO&Atilde;O DE SALISBURY - <i>Policraticus</i>, V,2. Em <i>Patrologia Latina</i>, vol.199, col.540 bd; <i>Ci nous dit</i>, 164,9. Ed. G&eacute;rard Blangez. Paris : Picard, 1979, vol.I, p.160 (cf. tamb&eacute;m 251,17, p.219 : &#8220;<i>qui a le chief enferme, tuit li membre l&#8217;en deullent</i>&#8221;, e <i>Proverbes fran&ccedil;ais ant&eacute;rieurs au XV si&egrave;cle</i>, n&ordm;443. Ed. Joseph Morawski. Paris: Edouard Champion, 1925, &#8220;<i>cui li chies dieut, tuit li membre li falent</i>&#8221;).</p>       <p><Sup><a name="86"></a><a href="#top86">86</a></Sup> ECO, &#8220;Met&aacute;fora&#8221;, p.222.</p>       <p><Sup><a name="87"></a><a href="#top87">87</a></Sup> Respectivamente, <i>Imago Mundi</i>, I,87. Ed. Valerie Flint. <i>Archives d&#8217;histoire doctrinale et litt&eacute;raire du Moyen &Acirc;ge</i>. Paris. 57 (1982), p.80; <i>Speculum historiale</i>, I,30, em <i>Speculum quadruplex</i>. Douai: Balthazar Belleri, 1624, vol.IV, p.12a. FINCKH, Ruth. <i>Minor Mundus Homo. Studien zur Mikrokosmos-Idee in der mittelalterlichen Literatur</i>. G&ouml;ttingen: Vanderhoeck und Ruprecht, 1999, p.24-87, estabelece uma tipologia de 21 tipos de microcosmos.</p>       <p><Sup><a name="88"></a><a href="#top88">88</a></Sup> <i>Epistolarium</i>, XVR. Ed. Lieven Van Acker. Turnhout: Brepols, 1991 (CCCM 91), p.34-36.</p>       <p><Sup><a name="89"></a><a href="#top89">89</a></Sup> Como toda tentativa de s&iacute;ntese, este quadro deixa de lado informa&ccedil;&otilde;es e interpreta&ccedil;&otilde;es divergentes fornecidas por algumas fontes prim&aacute;rias, nem por isso menos importantes. &Eacute; o caso, por exemplo, de certas variantes nos atributos dos signos zodiacais, cuja coincid&ecirc;ncia com as constela&ccedil;&otilde;es que lhes deram os nomes foi se perdendo com a precess&atilde;o dos equin&oacute;cios.</p>        ]]></body><back>
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