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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>     <p><b>CAMPOS, Maria Am&eacute;lia &Aacute;lvaro de &#8211; <i>Santa Justa de Coimbra na Idade M&eacute;dia: o espa&ccedil;o urbano, religioso e socio-econ&oacute;mico</i>. Coimbra: 2012. </b></p>     <p><b>Maria Leonor Botelho<sup>*</sup></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>*</sup>DCTP/FLUP, Porto, Portugal. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:leonorbotelho@gmail.com">leonorbotelho@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, a 19 de Dezembro de 2012, foram realizadas as Provas P&uacute;blicas que aprovaram por unanimidade com <i>Distin&ccedil;&atilde;o e Louvor</i> a ent&atilde;o candidata, Maria Am&eacute;lia &Aacute;lvaro Campos. O aturado estudo consagrado &agrave; colegiada de <i>Santa Justa de Coimbra na Idade M&eacute;dia,</i> centrou-se sobre a an&aacute;lise do <i>espa&ccedil;o urbano</i> no qual a colegiada e par&oacute;quia de Santa Justa se firmou e expandiu entre os s&eacute;culos XI e XV, mas tamb&eacute;m n&atilde;o olvidou a an&aacute;lise dos seus <i>espa&ccedil;os religiosos e socio-econ&oacute;micos. </i>A tese de Doutoramento que agora analisamos contou com a orienta&ccedil;&atilde;o da Professora Doutora Maria Helena da Cruz Coelho e com a Professoras Doutoras Herm&iacute;nia Vasconcelos Vilar e Maria Jos&eacute; Azevedo Santos como arguentes. O j&uacute;ri das provas foi ainda integrado pela Professora Doutora Maria Alegria Fernandes Marques, pela Professora Doutora Ana Maria Rodrigues e pelo Professor Doutor Saul Ant&oacute;nio Gomes.</p>     <p>Em primeiro lugar gostar&iacute;amos de salientar a pertin&ecirc;ncia deste estudo nas suas mais diversas perspectivas. Como se sabe, Santa Justa de Coimbra foi um dos primeiros institutos eclesi&aacute;sticos da cidade do Mondego, filiado, desde os in&iacute;cios do s&eacute;culo XII, tal como S&atilde;o Pedro de Rates (P&oacute;voa de Varzim), no priorado de Sainte Marie de la Charit&egrave;-sur-Loire (Fran&ccedil;a), ficando assim directamente ligado a uma das principais casas da Ordem de Cluny. Todavia, as constantes cheias do leito deste rio obrigaram, a determinada altura, ao abandono da igreja medieva (que se julga rom&acirc;nica) e &agrave; edifica&ccedil;&atilde;o de uma nova, cuja primeira pedra foi lan&ccedil;ada em 1710. O facto da autora se centrar sobre a hist&oacute;ria de uma colegiada, cujos testemunhos materiais da &eacute;poca em estudo s&atilde;o hoje praticamente desconhecidos, torna este trabalho bastante audaz.</p>     <p>Este aspecto foi, ali&aacute;s, facilmente contornado por Maria Am&eacute;lia Campos por ter procedido ao cotejo de um imenso fundo documental cujo aro cronol&oacute;gico se estende entre 1098 e 1451. Na sua maioria de natureza econ&oacute;mica, as informa&ccedil;&otilde;es cruzadas pela autora procedem de documentos escritos entre os s&eacute;culos XII e XV. Partindo da mais antiga refer&ecirc;ncia documental sobre a igreja de Santa Justa, a autora escolheu o priorado de Jo&atilde;o Afonso (1441-1451) como <i>terminus</i>. T&atilde;o ampla cronologia permitiu realizar abordagens m&uacute;ltiplas em torno desta colegiada, sede de uma das nove par&oacute;quias da cidade de Coimbra, como ainda construir um grande n&uacute;mero de anexos que, compilados no segundo volume do estudo, nos d&atilde;o a conhecer a colegiada atrav&eacute;s dos n&uacute;meros e dos documentos propriamente ditos. O tratamento gr&aacute;fico dado a esta informa&ccedil;&atilde;o, vis&iacute;vel atrav&eacute;s de tabelas, gr&aacute;ficos e imagens &eacute; de louvar.</p>     <p>A par da transcri&ccedil;&atilde;o de 24 documentos, a autora d&aacute;-nos 147 not&iacute;cias biogr&aacute;ficas. Atentemos a este aspecto que cremos fundamental. A Hist&oacute;ria n&atilde;o se faz sem pessoas e, naturalmente, Santa Justa de Coimbra n&atilde;o se fez sem elas. A dimens&atilde;o humana assume neste estudo contornos importantes, n&atilde;o s&oacute; pela preocupa&ccedil;&atilde;o em se conhecer quem foram as figuras que fizeram desta colegiada urbana uma das mais ricas institui&ccedil;&otilde;es eclesi&aacute;sticas de Coimbra durante a Idade M&eacute;dia, como tamb&eacute;m pelo facto da autora procurar compreender a constitui&ccedil;&atilde;o da comunidade eclesi&aacute;stica de Santa Justa a partir de 1175, data em que reconhece, pela primeira vez, a exist&ecirc;ncia de um cabido. Na entrada de Trezentos contava j&aacute; a Colegiada com os seus pr&oacute;prios estatutos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Simultaneamente, a autora procurou descrever a sociotopografia de Santa Justa. Partindo da metodologia apresentada por Concei&ccedil;&atilde;o Falc&atilde;o Ferreira para a Guimar&atilde;es medieval<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, Maria Am&eacute;lia Campos procurou caracterizar uma freguesia plural na ocupa&ccedil;&atilde;o dos seus habitantes laicos, inserindo-os no espa&ccedil;o que habitavam. O recurso a um m&eacute;todo de abordagem de um micro-espa&ccedil;o urbano anteriormente experimentado mostra da parte da autora o conhecimento de estudos similares, como ainda o reconhecimento da sua potencialidade pr&aacute;tica.</p>     <p>A dimens&atilde;o urbana de Santa Justa &eacute; por demais evidente. Se primeiramente se identifica com os arrabaldes de Coimbra, o aturado estudo documental mostrou aqui que rapidamente a freguesia se expandiu territorialmente. O estudo da par&oacute;quia medieval conheceu em Carlos Alberto Ferreira de Almeida (1934-1996) uma primeira abordagem<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Partindo de uma perspectiva antropol&oacute;gica, este autor procurou sobretudo integrar a par&oacute;quia rom&acirc;nica na sua territorialidade, ent&atilde;o maioritariamente de car&aacute;cter rural. Propomos agora a Maria Am&eacute;lia Campos que, num estudo futuro, fa&ccedil;a uma abordagem cr&iacute;tica e estabele&ccedil;a um contraponto entre os conceitos, viv&ecirc;ncias e espa&ccedil;o da par&oacute;quia urbana e da par&oacute;quia rural no Portugal medievo ou, se assim o entender por quest&otilde;es metodol&oacute;gicas, no termo de Coimbra. Creio que esta abordagem facilmente teria sido integrada no estudo que agora abordamos mas tamb&eacute;m o sabemos que as op&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas encetadas nem sempre nos permitem abarcar tudo, fazendo das Teses de Doutoramento levadas a Provas P&uacute;blicas uma <i>caixa de Pandora</i>. Neste sentido, consideramos antes que estas n&atilde;o devem constituir em si uma investiga&ccedil;&atilde;o fechada, mas antes um processo que se abre a projetos futuros pelas pistas e bases que s&atilde;o criadas.</p>     <p>Maria Am&eacute;lia Campos procura constantemente justificar as op&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas seguidas, quer ao n&iacute;vel da constru&ccedil;&atilde;o dos anexos que apoiaram a argumenta&ccedil;&atilde;o, quer ainda ao longo desta &uacute;ltima. Em termos bibliogr&aacute;ficos foi op&ccedil;&atilde;o da autora apenas arrolar os <i>Estudos Citados</i> (vol. 2, p. 317 e ss.), muito embora sejamos da opini&atilde;o de que as suas leituras foram mais al&eacute;m dos mesmos. Metodologicamente defendemos a cria&ccedil;&atilde;o de bibliografias mais completas, embora acreditemos que tal facto n&atilde;o ter&aacute; interferido na qualidade do estudo. Trata-se apenas de uma op&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica. Neste campo, gostar&iacute;amos ainda de salientar a variedade de <i>&Iacute;ndices</i> que comp&otilde;em este estudo e que em muito facilitam a sua leitura integrada: <i>Quadros</i> (vol. 2, p. 354-355), <i>Gr&aacute;ficos</i> (355-361), <i>Imagens</i> (vol. 2, p. 361-362), <i>Ap&ecirc;ndice de Documentos</i> (vol. 2, p. 362-368) e <i>Not&iacute;cias Biogr&aacute;ficas dos Eclesi&aacute;sticos de Santa Justa</i> (vol. 2, p. 368).</p>     <p>Estruturando a sua argumenta&ccedil;&atilde;o em tr&ecirc;s partes distintas &#8211; I. A Igreja e a Freguesia de Santa Justa de Coimbra; II. A estrutura capitular e colegial da igreja de Santa Justa; III. O patrim&oacute;nio im&oacute;vel da colegiada de Santa Justa &#8211;, a autora procurou desde logo organizar as abordagens tem&aacute;ticas a que se prop&ocirc;s desde in&iacute;cio: <i>o espa&ccedil;o urbano, religioso e s&oacute;cio-econ&oacute;mico. </i>Aparentemente estanques entre si, a informa&ccedil;&atilde;o relativa a estes tr&ecirc;s <i>espa&ccedil;os</i> que identifica em Santa Justa foi sempre e constantemente articulada entre si. Assim sendo, com esta tese de Doutoramento, Maria Am&eacute;lia Campos presta reais contributos pela novidade metodol&oacute;gica, multidisciplinar. Este estudo trouxe, ainda, numa escala mais ampla, novas luzes &agrave; Hist&oacute;ria Urbana da Coimbra medieva, cujo conhecimento ser&aacute; tanto maior quanto a multiplica&ccedil;&atilde;o de estudos id&ecirc;nticos &agrave;s par&oacute;quias lim&iacute;trofes, permitindo assim do particular chegar a um todo que urge conhecer mais e melhor. Por fim, cremos poder-se dizer que Santa Justa de Coimbra j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais uma institui&ccedil;&atilde;o/entidade/estrutura que se esconde na Idade M&eacute;dia. O estudo encetado por Maria Am&eacute;lia Campos trouxe a colegiada e a par&oacute;quia at&eacute; aos dias de hoje, qual pelicano renascido das cinzas&#8230; Que venham mais!</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO <br /> Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <!-- ref --><p>BOTELHO, Maria Leonor &#8211; &#8220;CAMPOS, Maria Am&eacute;lia &Aacute;lvaro de &#8211; <i>Santa Justa de Coimbra na Idade M&eacute;dia: o espa&ccedil;o urbano, religioso e socio-econ&oacute;mico</i>. Coimbra: 2012. Dissera&ccedil;&atilde;o de Doutoramento em Hist&oacute;ria da Idade M&eacute;dia, apresentada &agrave; Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, sob orienta&ccedil;&atilde;o da Professora Doutora Maria Helena da Cruz Coelho, 2 volumes (texto policopiado)&#8221;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm;14, (Julho - Dezembro 2013). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA14/botelho1409.html"target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA14/botelho1409.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000019&pid=S1646-740X201300020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> FERREIRA, Maria da Concei&ccedil;&atilde;o Falc&atilde;o &#8211; <i>Guimar&atilde;es. Duas Vilas, um s&oacute; Povo. Estudo de hist&oacute;ria urbana (1250-1389). </i>Braga: CITCEM, 2010.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de &#8211; "A Par&oacute;quia e o seu Territ&oacute;rio". In <i>Cadernos</i> <i>do</i> <i>Noroeste.</i> <i>Sociedade,</i> <i>Espa&ccedil;o,</i> <i>Cultura</i>. Braga: Universidade do Minho. Vol. I (Abril 1986), pp. 113-130; <i>Idem</i> - "Territ&oacute;rio Paroquial de Entre-Douro-e-Minho. Sua Sacraliza&ccedil;&atilde;o". In <i>Nova Renascen&ccedil;a</i>. Porto: Associa&ccedil;&atilde;o Cultural "Nova Renascen&ccedil;a". Vol. I, n&ordm; 2 (1981), pp. 202-212.</p>         ]]></body><back>
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