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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os físicos e a medicina da alma no Orto do Esposo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In Orto do Esposo, a book from the end of the XIVth century or from the beginning of the XVth century, that explores monastic spirituality,one can find several physicians, all of them having a special role,in part due to the close relation between the spheres of profane and sacred. Nevertheless, the priority is taking care of the ill soul, instead of worrying too much about body. Health is synoym of salvation, so there is no secular science that could stand such noble project. Christ, the caelestis medicus, and the holy Bible, are the protagonists of a soul’s medicine that Orto do Esposo prescribes in detail. In these matter, the portuguese text reflects the lesson of St. Bernard's sermons on the Canticle of Canticles. Through the respect to the monastic model, it will be possible to find recipes to promote soul therapy and restauratio post mortem.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>Os f&iacute;sicos e a medicina da alma no <i>Orto do Esposo</i></b></p>     <p><b>Marisa das Neves Henriques<sup>*</sup></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>*</sup>Universidade de Coimbra, Sec&ccedil;&atilde;o de Filosofia do Departamento de Filosofia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Letras de Coimbra, 3004-530 Coimbra, Portugal. <i>Email</i>: <a href="mailto:marisaneves.henriques@gmail.com">marisaneves.henriques@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>No <i>Orto do Esposo</i>, obra de espiritualidade mon&aacute;stica de finais do s&eacute;culo XIV ou do in&iacute;cio do s&eacute;culo XV, &eacute; poss&iacute;vel notar a presen&ccedil;a de alguns f&iacute;sicos, todos eles com um estatuto especial, que decorre da estreita rela&ccedil;&atilde;o entre sagrado e profano.</p>     <p>Mas, mais do que cuidar do corpo, importa interceder pela alma enferma. A sa&uacute;de reside na salva&ccedil;&atilde;o, por isso n&atilde;o h&aacute; ci&ecirc;ncia secular que possa dedicar-se a t&atilde;o nobre designio. Da&iacute; que Cristo, <i>caelestis medicus</i>, e a B&iacute;blia sejam os protagonistas de uma medicina da alma que a obra prescreve com min&uacute;cia, revelando afinidades com os <i>In Cantica</i> de Bernardo de Claraval. &Eacute; no seio deste modelo mon&aacute;stico que se encontrar&atilde;o as receitas para promover a terapia da alma e o seu resgate <i>post mortem</i>.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Bernardo de Claraval, corpo, f&iacute;sicos,<i> medicina da alma, Orto do Esposo</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>In<i> Orto do Esposo, a </i>book from the end of the XIV<sup>th</sup> century or from the beginning of the XV<sup>th </sup>century, that explores monastic spirituality,one can find several physicians, all of them having a special role,in part due to the close relation between the spheres of profane and sacred.</p>     <p>Nevertheless, the priority is taking care of the ill soul, instead of worrying too much about body. Health is synoym of salvation, so there is no secular science that could stand such noble project.</p>     <p>Christ, the <i>caelestis medicus</i>, and the holy Bible, are the protagonists of a soul&#8217;s medicine that <i>Orto do Esposo</i> prescribes in detail. In these matter, the portuguese text reflects the lesson of St. <i>Bernard's</i> sermons on the <i>Canticle</i> of Canticles. Through the respect to the monastic model, it will be possible to find recipes to promote soul therapy and <i>restauratio post mortem.</i></p>     <p><b><i>Keywords</i></b>: Bernard of Clairvaux, body, physicians, soul&#8217;s medicine, <i>Orto do Esposo</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Apesar de todas as suas virtudes, aquele prodigioso f&iacute;sico do cap&iacute;tulo I do Livro III do <i>Orto do Esposo</i><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> n&atilde;o teria suspeitado vir a renascer pelo punho imaginativo de Jorge de Sena no s&eacute;culo XX. Na categoria actancial em que surge, no interior da obra medieva de an&oacute;nimo autor, ele &eacute; o mais not&aacute;vel, porque, ao derramar o seu sangue virgem,<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> salva a vida a uma nobre dama e ao seu ex&eacute;rcito, constitu&iacute;do por 500 cavaleiros. Por sete vezes ser&aacute; imersa a senhora do castelo no casto l&iacute;quido que correra nas veias do pr&iacute;ncipe, recuperando nesse banho a sua <i>qu??tura natural.</i><sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> Depois de varios f&iacute;sicos terem tentado, em v&atilde;o, cur&aacute;-la &eacute; o pr&oacute;digo viandante que traz o revigoramento &agrave; castel&atilde; e ressuscita os soldados mortos.Dom de excecionalidade &agrave; parte (que tr&ecirc;s prebendas fortalecem), o jovem f&iacute;sico n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico a assomar ao longo dos quatro Livros da obra quatrocentista com capacidade de dirimir afe&ccedil;&otilde;es e de inverter o curso da morte, como veremos.</p>     <p>No Pr&oacute;logo da obra, o autor acredita que a leitura do <i>OE</i> pode revelar-se proveitosa para um p&uacute;blico abrangente que contempla, entre outros, alguns filhos da vulnerabilidade. Relembremos o passo:</p>     <p>&#8220;&#8230; asy em este liuro som conteudas mujtas cousas pera m&atilde;tim?to e deleita&ccedil;om e meezinha e c&otilde;sola&ccedil;&otilde; das almas (&#8230;) ca em este liuro achara (&#8230;) o tybo c&otilde; que sse accenda e o fraco con que se conforte e o  o ?fermo c&otilde; que seia s&atilde;&atilde;o e o s&atilde;&atilde;o c&otilde; que seia guardado em sua saude e o cansado c&otilde; que seia recriado&#8230;&#8221;.<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conforto moral e restabelecimento corporal parecem dimanar de uma medicina da alma que a <i>lectio</i> divina integra e aprofunda, pois &#8220;as palavras de Deus (&#8230;) som leytoayro e meezinha pera saude e consola&ccedil;om da alma&#8221;.<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a></p>     <p>Pela leitura integral do escrito asc&eacute;tico portugu&ecirc;s, constata-se que os f&iacute;sicos<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> surgem no interior dos <i>exempla</i>, ora como praticantes da ci&ecirc;ncia m&eacute;dica, ora assumindo pap&eacute;is mais <i>sui generis</i> &#8211; confirmando atos de f&eacute;<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> e lutando contra for&ccedil;as demon&iacute;acas<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> que se apossam dos corpos. Esta &uacute;ltima faceta aproxima tais personagens da tradi&ccedil;&atilde;o dos antigos <i>magi, </i>familiarizados com o sobrenatural e com a presci&ecirc;ncia, dimens&otilde;es que Thorndike harmoniza na sua obra de refer&ecirc;ncia sobre o assunto.<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> A rela&ccedil;&atilde;o entre a ci&ecirc;ncia e a religi&atilde;o atesta-se, por exemplo, na recria&ccedil;&atilde;o do desafio que Dinis lan&ccedil;a a S. Paulo de curar um cego, n&atilde;o sem uma advert&ecirc;ncia preliminar: &#8220;Mais n&otilde; huses de palauras magicas, qua per u?tura sabes tu taaes palauras que am este poderio.&#8221;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> Na senda desta contamina&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m comparecem na obra, um &#8220;escollar nigromateco&#8221;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> e um encantador.<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a></p>     <p>Apesar de tudo, a <i>physica </i>mant&eacute;m-sena ala das ci&ecirc;ncias seculares, cuidando daquilo que menos interessa (aparentemente) &agrave; medicina da alma. A esta importa a dissipa&ccedil;&atilde;o da &#8220;pestelen&ccedil;a do peccado&#8221;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> e a <i>restauratio post mortem</i>, pelo que o sofrimento da carne, encarado com naturalidade, faz parte do trajeto de liberta&ccedil;&atilde;o salv&iacute;fica. N&atilde;o admira, por isso, que o vocabul&aacute;rio usado para descrever as doen&ccedil;as f&iacute;sicas seja aplicado na an&aacute;lise das afe&ccedil;&otilde;es da alma,<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> que vive em permanente luta contra o visco mundanal. Escusado ser&aacute; tamb&eacute;m dizer que neste artigo fazemos um uso provocat&oacute;rio da express&atilde;o <i>medicina da alma</i>, na medida em que ela radica em correntes da filosofia antiga, cuja influ&ecirc;ncia o cristianismo nem sempre reconhece, mas que s&atilde;o prova das afinidades entre saber cl&aacute;ssico e religi&atilde;o crist&atilde;. Basta para isso ler as reflex&otilde;es de Volke sobre o epicurismo,<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> que mostram a tend&ecirc;ncia para colocar, lado a lado, &#8220;le philosophe et le m&eacute;decin&#8221;, &#8220;l&#8217;ignorance du non-philosophe et la maladie&#8221;, &#8220;apprentissage de la philosophie&#8221; / &#8220;gu&eacute;rison&#8221;.<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a></p>     <p>Naquele que &eacute; um acrisolado convite &agrave; ren&uacute;ncia do corpo e das suas sedu&ccedil;&otilde;es, o papel do f&iacute;sico &eacute; disputado por outros agentes, tais como os simples e puros de cora&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o s&atilde;o apenas os eleitos do Senhor, como concentram qualidades para se salvaren a si mesmos,<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> e os santos.<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> Por&eacute;m, o supremo &#8220;buticayro e huguentayro&#8221;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> &eacute;  Deus, cujo nome tem propriedades medicinais ex&iacute;mias. Na verdade, estabelecendo uma grande afinidade com os <i>In Cantica </i>de S. Bernardo, os cap&iacute;tulos dos Livro I do <i>OE</i> enfatizam o poder bals&acirc;mico e reparador do nome de Deus, sin&oacute;nimo de sa&uacute;de, &#8220;m&atilde;yar e meezinha&#8221;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a> contra &#8220;todalas ?firmidades e chagas da alma e do corpo&#8221;.<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> E que chaga vem a ser esta sen&atilde;o a do pecado original, que a falta de f&eacute; e a entrega &agrave;s tenta&ccedil;&otilde;es minam? </p>     <p>No seu Coment&aacute;rio ao <i>C&acirc;ntico dos C&acirc;nticos</i>, Bernardo de Claraval fala do &#8220;caelestis medicus&#8221;,<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> e, pela repeti&ccedil;&atilde;o da laudat&oacute;ria frase <i>Oleum effusum nomem tuum</i>,  reflete sobre as propriedades curativas dos sagrados unguentos,<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> anunciando ainda que</p>     <p> </p>     <p>&#8220;Unus idemque cibus et aegrotis est medicina, et aegratativis dieta; porro et d&eacute;biles confortat, et delectat valentes. Unus idemque cibus et languorem sanatm et servat sanitatem, et corpus nutrit, et palato sapit.&#8221;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a></p>      <p>Achaques, des&acirc;nimos e d&uacute;vidas, de &iacute;ndole an&iacute;mica e moral, encontram no Senhor a indefect&iacute;vel fonte de cura e lenitivo. Repara&ccedil;&atilde;o para os sentidos cansados<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> e mezinha que resgata a alma do &#8220;la&ccedil;o da morte",<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> o nome de Jesus &eacute; vaso medicinal que encerra o testemunho de Lucas 7, 21 (E na mesma hora curou muitos de enfermidades, e males, e esp&iacute;ritos maus, e deu vista a muitos cegos). Da&iacute; que salva&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de sejam as promessas apresentadas em un&iacute;ssono para coroar o bom crist&atilde;o, sarando todas as feridas que o aguilh&atilde;o terreno lhe pode infligir.</p>     <p>&Eacute; ainda S&atilde;o Bernardo que nos ilumina quanto &agrave; impossibilidade de o f&iacute;sico medir for&ccedil;as com o <i>caelestis medicus</i>: &#8220;Haec omnia mihi sonat, cum insonuerint Iesus. Sumo itaque mihi exempla de homine, et auxilium a potente: illa tamquam pigmentarias species, hoc tamquam unde acuam eas; et facio confectionem, cui similem medicorum nemo facere possit.&#8221;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a></p>     <p>Por conseguinte, na fidelidade a esta tradi&ccedil;&atilde;o exeg&eacute;tica revela-se igualmente discreta a compar&ecirc;ncia dos f&iacute;sicos no <i>OE.</i> Na obra de espiritualidade mon&aacute;stica portuguesa o bem-estar do corpo &eacute; de somenos import&acirc;ncia, j&aacute; para n&atilde;o mencionar (em contexto extra-verbal) certa animosidade hist&oacute;rica da Igreja com uma ci&ecirc;ncia que passar&aacute; a ser monopolizada por bra&ccedil;o laico<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a> e a transpor os hortos medicinais dos mosteiros. Os homens ligados &agrave; arte de curar que aqui surgem parecem, assim, migrar de <i>catenae</i> e de compila&ccedil;&otilde;es de <i>exempla</i> onde supersti&ccedil;&atilde;o e pseudoci&ecirc;ncia, bem e mal andam de m&atilde;os dadas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bem diferentes dos expedientes dos f&iacute;sicos s&atilde;o os recursos usados pelo Senhor no socorro dos penitentes.<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> No horto m&iacute;stico n&atilde;o podem faltar as &#8220;especias aromaticas&#8221;,<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a> a partir das quais se fazem santos rem&eacute;dios. S&atilde;o as &#8220;heruas virtuosas do orto da Sancta Scriptura&#8221; que ajudam a dispor contra as &#8220;?firmidades spirituaes&#8221;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a> e os frutos da cultura mon&aacute;stica que prescreve um <i>modus vivendi</i> beato, com lugar para o &#8220;prazer spiritual&#8221;.<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> &Eacute; exatamente neste fil&atilde;o que se encaixa uma poss&iacute;vel identifica&ccedil;&atilde;o entre algumas correntes da filosofia antiga e a <i>medicina da alma</i> crist&atilde;, aspeto supracitado. Verifica-se, por exemplo, alguma harmonia entre est&oacute;icos, epicuristas e autores crist&atilde;os quanto &agrave; necessidade de fugir aos bens ef&eacute;meros para evitar perturba&ccedil;&otilde;es da alma. Transversal ainda &eacute; a proclama&ccedil;&atilde;o do dom&iacute;nio do esp&iacute;rito sobre o corpo,<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> que deve ser dominado com &#8220;panos vis&#8221;.<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a></p>     <p>Ossatura digna, porque simb&oacute;lica, s&oacute; existe mesmo uma &#8211; a da <i>ecclesia</i> que acolhe todos os fi&eacute;is. Contudo, tamb&eacute;m ela sucumbe &agrave; enfermidade se a Igreja militante for negligente. A imagem apresentada num dos <i>exempla</i> do <i>OE</i> fala por si.<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a></p>     <p>As almas corrompidas e relaxadas colocam em perigo a integridade da morada crist&atilde;. Todavia, embora existam maus servi&ccedil;ais, a miseric&oacute;rdia de Deus &eacute; infinita e as suas palavras atuam como rem&eacute;dios eficazes para quem revelar vontade em obter a salva&ccedil;&atilde;o. Assim, no <i>OE</i>, n&atilde;o se prescinde dos conselhos de leitura da <i>Sacra pagina</i>,<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a> cuja <i>ruminatio</i> integra um processo de purifica&ccedil;&atilde;o interior e de conhecimento: &#8220;este liuro deue hom? tomar da m&atilde;o de Jhesu Christo, rogando-o muy humildosamente e receb?do-o c&otilde; grande deseyo e mastig&atilde;do-o c&otilde; grande sabor e corpor&atilde;do-o ?na sua alma&#8221;.<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a> Numa leitura complementar, verifica-se que nos serm&otilde;es do Abade de Claraval &eacute; benquista a intercess&atilde;o da sabedoria na convalescen&ccedil;a dos enfermos:</p>     <p>&#8220;15. O Sapientia! Quanta arte medendi in vino et oleo animae meae sanitatem restauras, fortiter suavis et suaviter fortis! Fortis pro me, et suavis mihi. Denique attingis a fine usque ad finem fortiter er disponis omnia suaviter, propellens inimicum et infirmum fovens. Sana me Domine et sanabor &#8230;&#8221;.<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a></p>     <p>A par de Deus, tamb&eacute;m os ap&oacute;stolos s&atilde;o &#8220;nostri medici&#8221;<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>, ao passo que se desvaloriza a opini&atilde;o m&eacute;dica de outras figuras credenciadas na &eacute;poca (e ao longo de v&aacute;rios s&eacute;culos), verdadeiras <i>auctoritates</i> na literatura especializada:</p>      <p>&#8220;Num Hippocratis seu Galieni sententiam, aut certe de schola, Epsicuri, debui proponere vobis? Christi sum discipulus, Christi discipulus loquor: ego si peregrinum dogma induxero, ipse peccavi. Epicurs atque Hippocra, corporis alter voluptatem, alter bonam habitudinem praefert; meus Magister utriusque rei contemptum praedicat. Animae in corpore vitam quam summo studio iste unde sustentet, ille unde et delectet, inquirit atque inquirere docet,Salvator monet et perdere.&#8221;<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a></p>      <p>Menosprezar a materialidade e a apar&ecirc;ncia em favor da entrega despojada a Deus, numa conquista de valores eternos que ultrapassam a vaidade, a beleza e o cuidado com o <i>carneum</i> <i>animae ergastulum</i> s&atilde;o regras basilares para a eleva&ccedil;&atilde;o espiritual.<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a> A alma s&atilde; d&aacute; sa&uacute;de ao corpo, mas o contr&aacute;rio n&atilde;o parece ser verdade. Confrontado com o dilema de salvar a alma ou de sofrer pacientemente, at&eacute; ao fim dos seus dias, v&aacute;rias maleitas corporais,<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a> S. Greg&oacute;rio n&atilde;o tergiversar&aacute; na hora de escolher o castigo f&iacute;sico, com vista &agrave; reden&ccedil;&atilde;o. A sa&uacute;de espiritual justifica que se sacrifique o corpo &#8211; verdadeiro c&aacute;rcere da alma &#8211;, porque o estado de doen&ccedil;a &eacute; o que mais se adequa &agrave; obten&ccedil;&atilde;o da virtude.<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a> Tolhido fisicamente, o homem est&aacute; menos exposto &agrave;s armadilhas do dem&oacute;nio, perdendo a vontade de se divertir<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a> e de correr atr&aacute;s de bens transit&oacute;rios. O exemplo mais &agrave; m&atilde;o encontra-se em St. Petronilha,<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a> que o pai deixava jazer enferma, a fim de garantir a incorruptibilidade do seu amor a Deus.</p>     <p>Desta feita, tamb&eacute;m os m&aacute;rtires suportam corajosamente a dor durante os atos de flagela&ccedil;&atilde;o a que s&atilde;o sujeitos,<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a> encarando a desfigura&ccedil;&atilde;o como um passo libertador para alcan&ccedil;ar a cidade celeste, sob um manto de leveza. N&atilde;o deixa de ser impressiva a proclama&ccedil;&atilde;o do Papa Inoc&ecirc;ncio V no leito da morte, num misto de desencanto e de pessimismo antropol&oacute;gico:</p>      <p>&#8220;E ora vede hu som as rodas do curso da minha vida, hu he a nobreza da minha geera&ccedil;om, hu he a ciencia, hu s&otilde; as riquezas que me n&otilde; ualer&otilde; agora, e hu he a fremusura do meu corpo!</p>     <p>E, dizendo esto, discobrio-se ?nos peitos e pareceo a todos tam mesquinho e tam c&otilde;sumido que parecia Lazaro ressuscitado do moym?to, per que mostraua que a fremusura dos corpos deue seer desprezada como cousa fugidia e que dura muy pouco.&#8221;<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na mesma linha, Alexandre Magno, ao sofrer uma arremetida dos inimigos que lhe provocou uma ferida muito dolorosa, diz com ironia: &#8220;Todos me diz? que eu som filho de Jupiter, deus do ceeo, mas esta chagua braada e diz que eu som hom? mortal.&#8221;<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a> Conclui-se que tanto o sofrimento como a imin&ecirc;ncia da morte agudizam a humildade e intensificam a consci&ecirc;ncia da fragilidade humana, predisposi&ccedil;&atilde;o essencial para o salv&iacute;fico desfecho. Em coer&ecirc;ncia com a sensibilidade crist&atilde;, na representa&ccedil;&atilde;o de cenas ag&oacute;nicas que antecedem a partida deste mundo s&atilde;o os cl&eacute;rigos que permanecem &agrave; cabeceira do moribundo. &Agrave;s vezes, tamb&eacute;m assoma o dem&oacute;nio para angariar as almas que se entregam &agrave; perdi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Se para o homem medieval qualquer dist&uacute;rbio f&iacute;sico radica no pecado, &eacute; comum serem os religiosos e os s&aacute;bios a intercederem pelo paciente.<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a> A prescri&ccedil;&atilde;o da virtude<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a> e a condena&ccedil;&atilde;o da lux&uacute;ria est&atilde;o no &acirc;mago de uma <i>scientia salutaris</i> que a <i>physica</i> n&atilde;o domina, porque o seu objetivo primeiro &eacute; mitigar a dor e curar padecimentos que saltem &agrave; vista dos olhos sens&iacute;veis.</p>     <p>Ao cora&ccedil;&atilde;o do homem de f&eacute;, que tem consci&ecirc;ncia de ser feito de lodo e cinza,<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a> &eacute; grata a ideia de supliciar o corpo para recuperar a sua condi&ccedil;&atilde;o de ser &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus. N&atilde;o est&aacute;, por&eacute;m, entre as fun&ccedil;&otilde;es do f&iacute;sico exercer uma medicina da alma que purifique e reconduza os homens ao seu Criador. Mais pr&oacute;ximo desta via medicinal parece estar o fil&oacute;sofo antigo para quem as paix&otilde;es t&ecirc;m de ser extirpadas e a vida reduzida &agrave; essencialidade. Mas, por ora, n&atilde;o podemos substituir personagens, pois era a presen&ccedil;a dos f&iacute;sicos no <i>OE</i> que quer&iacute;amos assinalar ao longo destas linhas. A prof&iacute;cua rela&ccedil;&atilde;o entre filosofia e medicina da alma ter&aacute; de ficar para uma outra reflex&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p><b>Fontes impressas</b></p>     <!-- ref --><p>Bernardo (S&atilde;o) &#8211; <i>In Cantica</i>, <i>O. C</i>.. Ed. dos monges cistercienses de Espanha. Madrid: BAC, 1987, vol. V.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000049&pid=S1646-740X201400010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>Orto do Esposo</i>. Edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de Bertil Maler. Rio de Janeiro: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura, 1956.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000051&pid=S1646-740X201400010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>S&eacute;neca, <i>Cartas a Luc&iacute;lio</i>. Trad. de Segurado e Campos. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000053&pid=S1646-740X201400010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><b>Estudos</b></p>     <!-- ref --><p>Fialon, Charles-Henri &#8211; &#8220;Histoire des mots &laquo;pharmacien et &laquo;apothicaire&raquo;&#8221;. In <a href="http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/revue/pharm" target="_blank">http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/revue/pharm</a><i> Bulletin de la Soci&eacute;t&eacute; d'histoire de la pharmacie</i>. eISSN - 1775-3864, vol. 8 (1920), p. 262-269.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000056&pid=S1646-740X201400010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </a></p>     <!-- ref --><p>Fitzgerald, Allan D. <i>et alii</i> (eds.) &#8211; <i>Augustine Through the Ages: An Encyclopedia</i>.USA: Eerdmans Publishing Co, 1999. ISBN: 0-8028-3843-X&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S1646-740X201400010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Guitard, <a href="http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/author/auteur_pharm_24"target="_blank">Eug&egrave;ne-Humbert</a> &#8211; "Le physicien, et ce qu'en a dit vers 1200 le moine Guiot de Provins: contribution &agrave; l'histoire des m&#339;urs et du langage". In <i>Revue d&#8217;histoire de la pharmacie</i>. eISSN - 1775-3864.  t. 48, (1960), p. 311-321.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000059&pid=S1646-740X201400010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Leclercq, Jean &#8211; <i>L&#8217;amour des Lettres et le D&eacute;sir de Dieu</i>. 4.ed. Paris: Cerf, 2008. ISBN:978-2-204~08847-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000061&pid=S1646-740X201400010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lernould, Alain &#8211; &#8220;Le plaisir dans le n&eacute;oplatonisme&#8221;. <i>In</i> Laurence BOUL&Egrave;GUE e Carlos LEVY (&eacute;ds.) &#8211; <i>H&eacute;donismes. Penser et dire le plaisir dans l&#8217;Antiquit&eacute; et &agrave; la Renaissance</i>. Villeneuve d&#8217;Ascq: Septentrion Presses Universitaires, 2007. ISBN: 978-2-85939-919-1, p. 119-137.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S1646-740X201400010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Leven, Karl-Heinz (ed.) &#8211; <i>Antike Medizin. Ein Lexicon</i>. M&uuml;nchen: Verlag C.H. Beck, 2005. ISBN: 3406528910&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S1646-740X201400010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>MADUREIRA, Margarida &#8211; &#8220;Sangue Redentor: o <i>Orto do Esposo</i>, a <i>Queste del Saint Graal</i> e a tradi&ccedil;&atilde;o exemplar medieval&#8221;. <i>In</i> NEVES, Leonor Curado <i>et alii</i> (eds.) <i>Mat&eacute;ria da Bretanha em Portugal</i>. Lisboa: Colibri, 2002. ISBN: 972-772-331-4, p. 241-249.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S1646-740X201400010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Prioreschi, Plinio &#8211;<i>A History of Medicine: Medieval Medicine</i>. Omaha: Horatius Press, 2003, vol. V. ISBN: 1-888456-5-1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S1646-740X201400010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rema, Henrique Pinto &#8211; <i>Santo Ant&oacute;nio de Lisba. Ex-Votos</i>. Lisboa: Quetzal Editores, 2003. ISBN. 972-564-572-3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S1646-740X201400010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sousa, germano de &#8211;<i> Hist&oacute;ria da Medicina portuguesa durante a Expans&atilde;o</i>. Lisboa: Temas e Debates, 2013. ISBN. 978-989-644-219-4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S1646-740X201400010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Thorndike, Lynn &#8211; <i>A history of magic and experimental science. </i>New York: Columbia University Press, 1953-1959, 8 vols. ISBN. 0-231-08794-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S1646-740X201400010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Voelke, Andr&eacute;-Jean &#8211; <i>La philosophie comme th&eacute;rapie de l&#8217;&acirc;me</i>. Paris: Cerf, 1993. ISBN. 2-8271-0632-9&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S1646-740X201400010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO </b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <!-- ref --><p>Henriques, Marisa das Neves &#8211; &#8220;Os f&iacute;sicos e a medicina da alma no <i>Orto do Esposo</i>&#8221;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm;15, (Janeiro - Junho 2014). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA15/henriques1504.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA15/henriques1504.html</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S1646-740X201400010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 24 de Mar&ccedil;o de 2013</p>     <p>Data aceita&ccedil;&atilde;o do artigo: 7 de Novembro de 2013</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Citaremos a partir de <i>Orto do Esposo</i>. Ed. de Bertil Maler. Rio de Janeiro: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura, 1956, p. 58. (Doravante <i>OE</i>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> Sobre a rela&ccedil;&atilde;o do derramamento de sangue presente neste <i>exemplum</i> com a mat&eacute;ria da Bretanha, <i>vd</i>. Margarida MADUREIRA &#8211; &#8220;Sangue Redentor: o <i>Orto do Esposo</i>, a <i>Queste del Saint Graal</i> e a tradi&ccedil;&atilde;o exemplar medieval&#8221;. <i>In</i> Leonor Curado Neves <i>et alii</i> (coords.) &#8211; <i>Mat&eacute;ria da Bretanha em Portugal</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 2002, p. 241-249.</p>     <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> <i>OE</i>, Livro III, cap. I, p. 38.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> <i>OE</i>, Livro I, Pr&oacute;logo, p. 2.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> <i>OE</i>, Livro III, cap. III, p. 44.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Eis a sucinta defini&ccedil;&atilde;o de f&iacute;sica, apresentada no <i>OE</i>, no Livro IV, cap. XLIV, p. 254: &#8220;a fisica faz aos hom??s que a ham, fisicos&#8230;&#8221;. Sobre a longevidade do uso do nome f&iacute;sico para designar aquele que pratica a arte de curar, <i>vd</i>. Germano de SOUSA &#8211;<i> Hist&oacute;ria da Medicina portuguesa durante a Expans&atilde;o</i>. Lisboa: Temas e Debates, 2013, p. 59. O f&iacute;sico preparava os medicamentos para curar os seus doentes, mas, por vezes, tamb&eacute;m vendia as drogas que podiam ser usadas em v&aacute;rias artes mec&acirc;nicas. <i>Vd.,</i> sobre a especializa&ccedil;&atilde;o das profiss&otilde;es relacionadas com a medicina, Charles-Henri FIALON &#8211; &#8220;Histoire des mots &laquo;pharmacien&raquo; et &laquo;apothicaire&raquo; &#8221;. In <i>Bulletin de la Soci&eacute;t&eacute; d'histoire de la pharmacie</i>. Vol. 8, 1920, p. 262-269.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> &Eacute; o caso do f&iacute;sico do Livro I, cap. II, p. 8, que explica a morte de um homem m&iacute;stico nos seguintes termos: &#8220;Certam?te c&otilde; o grande prazer foy partido per meo seo cora&ccedil;&otilde;.&#8221;</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> <i>OE</i>, Livro IV, cap. LXI, p. 318.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Lynn THOMDIKE &#8211; <i>A history of magic and experimental science. </i>New York: Columbia University Press, 1953-1959, 8 vols. <i>Vd</i>. ainda Plinio PRIORESCHI &#8211; <i>A History of Medicine: Medieval Medicine. </i>Omaha: Horatius Press,2003, cap. II, especialmente p. 26 e segs.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup>, Livro I, cap. I, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> <i>OE</i>, Livro I, cap. V, p. 12.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> <i>OE</i>, Livro I, cap. V, p. 13.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> <i>OE</i>, Livro I, cap. III, p. 9. Na verdade, dar sa&uacute;de &eacute; sin&oacute;nimo de derrotar o inimigo que p&otilde;e em risco a alma (p. 11), preservando-a do fogo do pecado (p. 13).</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Mencione-se um dos voc&aacute;bulos mais marcantes (<i>compunctio</i>) que Dom Jeam Leclercq assinala em <i>L&#8217;amour des Lettres et le D&eacute;sir de Dieu</i>. 4<sup>e</sup>. &eacute;d, Paris: Cerf, 2008, p. 34-35: "le mot <i>compunctio</i> [&#8230;] d&eacute;signe les &eacute;lancements d&#8217;une douleur aigu&euml;, d&#8217;un mal physique. Mais il a surtout &eacute;t&eacute; employ&eacute; dans le vocabulaire chr&eacute;tien avec un sens qui, sans perdre contact avec ses origines, est cependant plus riche et beaucoup plus &eacute;l&eacute;ve. La componction devient une douleur de l&#8217;&acirc;me, une douleur qui a, simultan&eacute;ment, deux principes : d&#8217;une part le fait du p&eacute;ch&eacute; et de notre tendance au p&eacute;ch&eacute;&#8230;".</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Andr&eacute;-Jean VOELKE &#8211; <i>La philosophie comme th&eacute;rapie de l&#8217;&acirc;me</i>. Paris : Cerf, 1993, especialmente o cap. 3 &#8211; &laquo; Sant&eacute; de l&#8217;&acirc;me et bonheur de la raison&raquo;, p. 35-57.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Andr&eacute;-Jean VOELKE &#8211; <i>op. cit</i>., p. xv.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Pense-se, por exemplo, no homem que escreveu o <i>nomen Dei</i> na &aacute;gua e que, de seguida, a ingeriu, vencendo a febre. Cf. <i>OE</i>, Livro I, cap. III, p. 9.</p>     <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> &Eacute; o caso de S&atilde;o C&iacute;riaco que devolve a sa&uacute;de &agrave; filha de Diocleciano, possu&iacute;da pelo dem&oacute;nio (<i>OE</i>, Livro I, cap. I, p. 5) ou do poder curativo do solo que alberga os t&uacute;mulos de Gamaliel, Nicodemos, St. Est&ecirc;v&atilde;o e Abibas. Dele exala um perfume m&iacute;rifico que cura &#8220;satenta hom??s de desuayradas ?firmidades.&#8221; (<i>OE</i>, Livro II, cap. V, p. 23) Registe-se ainda o caso do eremita que foi assassinado e deitado a um rio, cujas &aacute;guas passaram ent&atilde;o a ter o dom de curar os gafos. (<i>OE</i>, Livro IV, Cap. L, p. 282).</p>     <p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> <i>OE</i>, Livro II, cap. II, p. 39.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> S&atilde;o semelhantes os termos em que S. Bernardo escreve sobre esta tem&aacute;tica. Vejamos a partir de <i>In</i> <i>Cantica</i>, <i>O. C</i>.. Ed. dos monges cistercienses de Espanha. Madrid: BAC, 1987, vol. V, Sermo XV, III. 5, p. 224: &#8220;Est procul dubio inter oleum et nomen Sponsi similitudo [&#8230;] in triplici quadam qualitate olei, quod lucet, pascit, et ungit &#8230; Fovet ignem, nutrit carnem, lenit dolorem : lux cibus, medicina."</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> <i>OE</i>, Livro I, cap. I, p. 5.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> S. BERNARDO &#8211; <i>In Cantica</i>,<i> op. cit.,</i> Sermo III, I, 2, p. 100: &#8220;Caelestis medicus celerrime subvenit, quia <i>velociter currit sermo eius</i>. Numquid non potio est sermo Dei? Est utique, fortis et vehemens, et scrutans corda et renes &#8221; <i>Vd.</i> ainda S. BERNARDO &#8211; <i>op. cit</i>., Sermo XXX, III, 7, p. 460 e Sermo XXXI, II, p. 466. Sobre a identifica&ccedil;&atilde;o de Cristo com o m&eacute;dico, &eacute; incontorn&aacute;vel a tradi&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria augustinista. <i>Vd</i>., sobre este assunto, R. ARBESMANN &#8211; &#8220;The Concept of &#8216;Christus medicus&#8217; in St. Augustinus&#8221;. In <i>Traditio</i> 10 (1954), p. 1-28; &Eacute; poss&iacute;vel encontrar mais refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas em Allan D. FITAZGERALD <i>et alii</i> (eds.) &#8211; <i>Augustine Through the Ages: An Encyclopedia. </i>USA: Eerdmans Publishing Co, 1999, no verbete <i>health, sickness</i>, da autoria de Donald BURT, p. 419; e em Karl-Heinz LEVEN (ed.) &#8211; <i>Antike Medizin. Ein Lexicon</i>. M&uuml;nchen: Verlag C.H. Beck, 2005, p.128.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> S. BERNARDO &#8211; <i>In Cantica</i>, <i>op. cit</i>., Sermo XII, I, 1: &#8220;Primum siquidem pungitivum sentitur, quia movet ad compunctionem amara recordatio peccatorum, et dolorem facit, cum sequens mitigatorium sit, divinae bonitatis intuitu consolationem dante et sedante dolorem. &#8221;</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> S. BERNARDO &#8211; <i>In Cantica</i>, <i>op. cit</i>., Sermo XIV, IV, 6, p. 216.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> <i>OE</i>, Livro I, cap. II, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> <i>OE</i>, Livro I, cap. III, p. 8</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> S. BERNARDO &#8211; <i>In Cantica</i>, <i>op. cit</i>., Sermo XV, IV, p. 228.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup><i>Vd</i>., a este prop&oacute;sito, Eug&egrave;ne-Humbert GUITARD &#8211; "Le physicien, et ce qu'en a dit vers 1200 le moine Guiot de Provins: contribution &agrave; l'histoire des m&#339;urs et du langage". In <i>Revue d&#8217;histoire de la pharmacie</i>, t. 48, 1960, p. 319.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> S. BERNARDO &#8211; <i>In Cantica</i>, <i>op. cit</i>., Sermo XVI, 13, p. 246: &#8220;Et quoniam multa erant infirmitates, multa quoque providus medicus medicamina curavit afferre. Atullit spiritum scientiae et pietatis, et spiritum timoris Domini.&#8221;</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup><i>OE</i>, Livro II, cap. IV, p. 19: &#8220;o encen&ccedil;o da deua&ccedil;om e a myrra da mortifica&ccedil;om da carne e o cinamom&otilde; da ren?bran&ccedil;a da morte e o balsamo da perseveran&ccedil;a. Todas estas especias acha o hom? ?no orto da Sancta Escriptura e todalas outras especias de uirtudes que som pera saude e meezinha e c&otilde;forto das almas&#8230;&#8221;.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> <i>OE</i>, Livro II, cap. IX, p. 28.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> <i>OE</i>, Livro II, cap. VIII, p. 27. Leg&iacute;timo e desej&aacute;vel em sede de amor m&iacute;stico, a este deleite divino contrap&otilde;e-se o &#8220;prazer fingidi&ccedil;o&#8221;, &#8220;conprido de uerdadeyras doores, que os chagam [aos pecadores] muy fortem?te ?nos corpos e emnas almas.&#8221; (<i>OE</i>, Livro IV, cap. XIV, p. 139.) Sobre o prazer alcan&ccedil;ado atrav&eacute;s da vida contemplativa, por via filos&oacute;fica, <i>vd.</i> Alain LERNOULD &#8211; &#8220;Le plaisir dans le n&eacute;oplatonisme&#8221;. <i>In </i>Laurence BOUL&Egrave;GUE e Carlos LEVY (&eacute;ds<i>.</i>) &#8211;<i> H&eacute;donismes. Penser et dire le plaisir dans l&#8217;Antiquit&eacute; et &agrave; la Renaissance</i>. Villeneuve d&#8217;Ascq: Septentrion Presses Universitaires, 2007, p. 119-137.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> <i>Vd</i>., por exemplo, S&Eacute;NECA &#8211; <i>Cartas a Luc&iacute;lio</i>. Trad. de Segurado e Campos. Lisboa: Fund. Calouste Gulbenkian, 2009, Carta 65, p. 235: &#8220;Eu sou algo mais, eu nasci para algo mais do que para ser escravo do meu corpo, a quem n&atilde;o tenho em maior conta que a uma cadeia em torno &agrave; minha liberdade. (&#8230;) Se algo em mim pode sofrer ataques &eacute; o corpo; mas neste desconfort&aacute;vel domic&iacute;lio habita um esp&iacute;rito livre. (&#8230;) O desprezo pelo pr&oacute;prio corpo &eacute; a certeza da liberdade.&#8221;</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> <i>OE</i>, Livro IV, cap. XIII, p. 135.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> <i>OE</i>, Livro I, cap. III, p. 18.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Sobre o poder retemperador da <i>Sacra pagina</i>, <i>vd.</i> <i>OE,</i> Livro III, cap. XII, p. 69.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> <i>OE</i>, Livro III, cap. XV, p. 77.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> S. BERNARDO &#8211; <i>In</i> <i>Cantica, op. cit</i>., Sermo XVI, 15, p. 246.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup>  S. BERNARDO &#8211; <i>In</i> <i>Cantica, op. cit</i>., Sermo XXX, V, p. 448.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> S. BERNARDO &#8211; <i>In</i> <i>Cantica, op. cit</i>., Sermo XXX, V, p. 448. Apesar deste ceticismo, o <i>OE</i> refere-se uma vez ao &#8220;fisico Galiano&#8221;. (<i>OE</i>, Livro IV, cap. LI, p. 319)</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Da&iacute; que o monge n&atilde;o deva desviar-se do caminho da contempla&ccedil;&atilde;o para enveredar por quest&otilde;es relacionadas com o bem-estar f&iacute;sico, segundo S. BERNARDO &#8211; <i>In Cantica</i>, <i>op. cit</i>., Sermo XXX, 11-12, p. 450: &#8220; Qui autem invenit dicit: <i>Super salutem et omnem pulchritudinem dilexi sapientiam</i>. Si super salutem et pulchritudinem quanto magis super voluptatem et turpitudinem? Quid vero prodest temperare a voluptatibus, et investigandis diversitatibus complexionum ciborumque varitatibus exquirendis quotidianam expendere curam? (&#8230;) Puta te, quaeso, monachum esse, non medicum, nec de complexione iudicandum, sed de professione&#8221;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> <i>OE</i>, Livro III, cap. V, p. 47: &#8220;em todo t?po da sua vida senpre padeceo ou door de febres ou gota ou door muy forte de estamago&#8230;&#8221;. Um testemunho em primeira pessoa pode ser colhido em S. GREG&Oacute;RIO MAGNO &#8211; <i>Epistolae</i>. XI, 30. [MIGNE - <i>PL</i>, <i>Registri Epistolarum</i>, vol. 77]</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> <i>OE</i>, Livro IV, cap. XXIV, p. 177: &#8220;Outrossy claram?te se demostra que a saude corporal he mayor mezquindade [que aenfirmydade] do corpo, ca a emfirmidade corporal lyura o hom? de muytos males de pena e de culpa, e segue-sse desto que o liura da pena do jnferno. Ca o hom? s&atilde;&atilde;o do corpo muytas uezes se trabalha pera buscar requezas e delecta&ccedil;&otilde;&otilde;es corporaes&#8230;&#8221;.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> <i>OE</i>, Livro IV, cap. XXIV, p. 176-177: &#8220;Outrossy, o hom? quando he s&atilde;&atilde;o ?no corpo, anda folga[n]do pellos canpos uerdes e pellos montes e pelas serras e per matas, ca&ccedil;ando o[s] ceruo[s] e os gamos e as outras bestas feras e as aves. Mas o ?fermo do corpo n&otilde; pode esto fazer.&#8221;</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> <i>OE</i>, Livro IV, cap. XXIV, p. 180.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> Veja-se, por exemplo, o caso de St. In&aacute;cio (<i>OE,</i> Livro I, cap. III, p. 9-10).</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> <i>OE</i>, Livro IV, cap. XVII, p. 148.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> <i>OE</i>, Livro IV, cap. XX, p. 163.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> Lembre-se que s&atilde;o de uma beleza extrema os ex-votos a St. Ant&oacute;nio por doen&ccedil;a.<i>Vd</i>. Henrique Pinto Rema, <i>Santo Ant&oacute;nio de Lisboa. Ex-Votos</i>, Lisboa: Quetzal Editores, 2003.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> S. Bernardo, <i>In Cantica</i>, <i>op. cit</i>., Sermo LXVI, p. 826: &#8220;Verumtamen si de regula medicorum hoc profers nobis, non reprehendimus curam carnis, quam nemo unquam odio habuit, si tamen non n&iacute;mia fuerit; si de disciplina abstinentium, id est spiritualium medicorum schola, etiam virtutem approbamus, qua carnem domas, frenas libidinem.&#8221;</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> <i>OE</i>, Livro IV, cap. III, p. 97.</p>     ]]></body>
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