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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De computo de Rábano Mauro: O texto e as iluminuras do Santa Cruz 8 e do Alc. 426]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article proposes a comparative study between the work De computo of Hrabanus Maurus that takes part of two Portuguese manuscripts dated from the 13th century: Santa Cruz 8 (from the Monastery of Santa Cruz de Coimbra) and Alc. 426 (from the Monastery of Santa Maria de Alcobaça). The aim is then to reflect on the reasons of a parcelled copy of the work, accompanied by the finger reckoning images, and to determine the affinity between the two manuscripts considering not only their proximity, but also their striking differences, specially on Hrabanus’s illuminations. The study will have a concise introduction on the relevance of the computus for the high Middle Ages and a brief presentation of the general contents of Hrabanus’s treatise.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p> <b><i>De computo</i> de R&aacute;bano Mauro. O texto e as iluminuras do Santa Cruz 8 e do Alc. 426.</b></p>     <p> <b>Maria Coutinho<sup>*</sup></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>*</sup> Universidade Nova de Lisboa, Instituto de Estudos Medievais / Instituto de Hist&oacute;ria da Arte &#8211; FCSH/UNL, 1069-061 Lisboa, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:maria1coutinho@gmail.com">maria1coutinho@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Os c&oacute;dices Alcobacense 426 (Alc. 426), de Santa Maria de Alcoba&ccedil;a, e Santa Cruz 8 (Santa Cruz 8), de Santa Cruz de Coimbra, datados do s&eacute;culo XIII, al&eacute;m do <i>Vocabularium</i> de Papias, integram a obra <i>De computo</i> (tamb&eacute;m designada <i>De numeris</i>), de R&aacute;bano Mauro. Neste artigo, com o prop&oacute;sito de reflectir sobre o interesse das iluminuras e da parte do <i>De computo</i> copiada e investigar o parentesco entre ambos os manuscritos, procede-se ao estudo do texto e das imagens, n&atilde;o sem antes passar por toda a composi&ccedil;&atilde;o dos c&oacute;dices e sua ornamenta&ccedil;&atilde;o. Dar-se-&aacute; ainda conta da exist&ecirc;ncia de um trecho de um autor do s&eacute;culo VIII no Santa Cruz 8, que inicialmente pens&aacute;mos integrar a obra <i>De computo</i>, e da sua relev&acirc;ncia na reflex&atilde;o sobre as imagens. Tal estudo ser&aacute; introduzido por algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre a import&acirc;ncia do c&aacute;lculo na Alta Idade M&eacute;dia, sobre o seu uso na determina&ccedil;&atilde;o das datas pascais e sobre o conte&uacute;do do tratado de R&aacute;bano Mauro.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: C&ocirc;mputo; R&aacute;bano Mauro; Beda; Papias; Contagem pelos dedos.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>This article proposes a comparative study between the work <i>De computo</i> of Hrabanus Maurus that takes part of two Portuguese manuscripts dated from the 13th century: Santa Cruz 8 (from the Monastery of Santa Cruz de Coimbra) and Alc. 426 (from the Monastery of Santa Maria de Alcoba&ccedil;a).</p>     <p>The aim is then to reflect on the reasons of a parcelled copy of the work, accompanied by the finger reckoning images, and to determine the affinity between the two manuscripts considering not only their proximity, but also their striking differences, specially on Hrabanus&#8217;s illuminations.</p>     <p>The study will have a concise introduction on the relevance of the <i>computus</i> for the high Middle Ages and a brief presentation of the general contents of Hrabanus&#8217;s treatise.</p>     <p><b>Keywords</b>: Computus; Hrabanus Maurus; Bede; Papias; Finger reckoning</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Origem e composi&ccedil;&atilde;o do<i> De computo</i> de R&aacute;bano Mauro</b></p>     <p>O <i>De computo </i>de R&aacute;bano Mauro, o &uacute;ltimo tratado de c&aacute;lculo a ser composto com as especificidades adiante enumeradas, foi escrito em 820. E, apesar de R&aacute;bano s&oacute; se tornar Abade de Fulda em 822, teria j&aacute;, nestas e noutras mat&eacute;rias, um papel consider&aacute;vel na corte carol&iacute;ngia. Daqui se v&ecirc; que a c&oacute;pia dos dois c&oacute;dices que ocupar&atilde;o este estudo, Santa Cruz 8 e Alc. 426, dista em, aproximadamente, quatro a cinco s&eacute;culos da redac&ccedil;&atilde;o da obra<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Entendeu-se, ainda assim, que seria relevante dar conta das circunst&acirc;ncias que motivaram o aparecimento destes tratados em geral e do de R&aacute;bano em particular, das mat&eacute;rias que o constituem e, com isso, de uma defini&ccedil;&atilde;o e relev&acirc;ncia do <i>computus</i>, visto serem tais informa&ccedil;&otilde;es pertinentes para uma vis&atilde;o mais abrangente e rigorosa.</p>     <p>O que &eacute;, portanto, o <i>computus</i> e que utilidade tem um tratado desta natureza? <i>Computus</i> &eacute; um termo que se reporta a uma ideia de c&aacute;lculo alargada, que integra a aprendizagem dos numerais, a pr&aacute;tica aritm&eacute;tica, o uso de quadros de datas, o dom&iacute;nio de t&eacute;cnicas para c&aacute;lculo dessas mesmas datas, o conhecimento sobre alguns fen&oacute;menos astron&oacute;micos, a explica&ccedil;&atilde;o e fundamenta&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica de toda a informa&ccedil;&atilde;o e uma ideia de ordem do cosmos que &eacute;, simultaneamente, matem&aacute;tica e teol&oacute;gica<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Isto &eacute;, n&atilde;o obstante a concep&ccedil;&atilde;o do mundo ser tutelada ou justificada a partir da B&iacute;blia, reconfirmada em autores de refer&ecirc;ncia para o pensamento crist&atilde;o (em particular Sto. Agostinho, mas tamb&eacute;m, no caso de R&aacute;bano Mauro, Isidoro de Sevilha, Beda, entre outros), tal concep&ccedil;&atilde;o est&aacute; associada a uma procura met&oacute;dica de compreens&atilde;o da forma, composi&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o do mundo e seus fen&oacute;menos, sem prescindir de uma sucessiva acumula&ccedil;&atilde;o de saber, matem&aacute;tico, astron&oacute;mico e geom&eacute;trico que vinha desde os pitag&oacute;ricos<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. <i>Computus</i> designa, tamb&eacute;m, parte do curr&iacute;culo mon&aacute;stico, a que depois se regressar&aacute; e, por extens&atilde;o, pode reportar-se a um conjunto de <i>argumenta</i> ou reflex&otilde;es escritas sobre c&aacute;lculo, quer integre uma miscel&acirc;nea, quer n&atilde;o; neste caso pode empregar-se para designar o g&eacute;nero de c&oacute;dice<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>&Eacute; sobretudo a partir dos s&eacute;culos VI e VII que come&ccedil;am a circular no Ocidente diversos textos relativos a estas tem&aacute;ticas, embora de forma ainda fragment&aacute;ria e dispersa, consistindo em, maioritariamente, t&aacute;buas pascais, concebidas para determinar a data da P&aacute;scoa<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Estas t&aacute;buas atra&iacute;am todo um aparato t&eacute;cnico de instru&ccedil;&otilde;es para a sua leitura e uso (<i>canones</i>) e de f&oacute;rmulas (<i>argumenta</i>), e eram frequentemente contraditadas por outras com crit&eacute;rios diferentes, mas com o mesmo objectivo. Para a composi&ccedil;&atilde;o desta obra, R&aacute;bano Mauro ter&aacute; recorrido a diversas fontes, estando o <i>De temporibus</i>, o <i>De natura rerum</i> e sobretudo o <i>De temporum ratione</i> de Beda, entre as mais relevantes<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Tanto este tratado como o <i>De computo</i> de R&aacute;bano Mauro s&atilde;o em forma de di&aacute;logo entre um disc&iacute;pulo e um mestre, assim concebidos tanto para ensino como para aprendizagem<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Nenhuma das obras pretende estabelecer princ&iacute;pios universais ou apresentar considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas, mas sim fornecer instrumentos &uacute;teis para a resolu&ccedil;&atilde;o de um problema<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Que problema? Determinar a data da P&aacute;scoa atrav&eacute;s de uma f&oacute;rmula, recorrendo &agrave; astronomia e ao c&aacute;lculo, mas tamb&eacute;m &agrave; teologia moral e &agrave; exegese b&iacute;blica aplicada ao <i>tempo</i>. Ora, de acordo com F. Wallis, o problema deve ser visto no contexto da &#8220;Quest&atilde;o Pascal&#8221; que ocupou a Igreja nos seus primeiros sete s&eacute;culos, desdobrando-se, na verdade, em duas quest&otilde;es distintas: uma de voca&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica, questionando que crit&eacute;rios determinariam uma data adequada para a P&aacute;scoa; e outra de car&aacute;cter matem&aacute;tico e astron&oacute;mico, que envolvia o modo como podia essa data ser determinada de antem&atilde;o<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Portanto, resolver esta quest&atilde;o implicaria coordenar dados lunares e solares com a interpreta&ccedil;&atilde;o de textos b&iacute;blicos. H&aacute;, por isso, a partir deste autor, tr&ecirc;s aspectos que devem ser articulados na defini&ccedil;&atilde;o de uma data de P&aacute;scoa v&aacute;lida:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8220;1. A celebra&ccedil;&atilde;o anual da P&aacute;scoa &eacute; suposto coincidir com a Pessach judaica, o per&iacute;odo da hist&oacute;rica Paix&atilde;o e Ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo. Mas se os crist&atilde;os, pelo menos do s&eacute;culo II em diante, escolhessem celebrar a P&aacute;scoa s&oacute; ao Domingo mesmo apesar do 14&ordm; dia de Nissan, no calend&aacute;rio lunar judaico, poder calhar a qualquer um dos sete dias da semana, qual &eacute; o escopo de datas lunares &#8211; i.e. datas de Nissan &#8211; em que &eacute; permiss&iacute;vel celebrar a P&aacute;scoa? 2. Nissan &eacute; &#8220;o primeiro m&ecirc;s&#8221; [&Ecirc;xodo 12:2] e acontece na primavera. Mas a primavera, ao contr&aacute;rio de Nissan, &eacute; uma &eacute;poca solar. Quando come&ccedil;a a primavera, e quando deve Nissan come&ccedil;ar se &eacute; suposto que seja &#8220;o primeiro m&ecirc;s? 3. Considerando o supra mencionado, em que escopo de datas do calend&aacute;rio Juliano pode a P&aacute;scoa calhar? A P&aacute;scoa envolve, ent&atilde;o, tr&ecirc;s crit&eacute;rios interligados, ainda que distintos. Domingo &eacute; um dia da semana, que resulta de uma contagem arbitr&aacute;ria de 7 dias, desligada de qualquer fen&oacute;meno sazonal ou astron&oacute;mico. Nissan &eacute; um m&ecirc;s lunar; come&ccedil;a com o primeiro quarto crescente da primeira luna&ccedil;&atilde;o da primavera. Mas a primavera &eacute; um fen&oacute;meno produzido ou resultante da jornada anual do Sol de 365 (1/4) dias &agrave; volta do zod&iacute;aco&#8221;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>Pensando que os per&iacute;odos da Lua e do Sol s&atilde;o, <i>strictu sensu</i>, incomensur&aacute;veis, um ciclo luno-solar implicaria um ajustamento artificial do per&iacute;odo lunar ao per&iacute;odo solar, num certo n&uacute;mero de anos<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Desta forma, <i>computus</i> n&atilde;o pode ser considerado como ci&ecirc;ncia observacional ou f&iacute;sica do tempo, mas sim como um sistema que permite criar um padr&atilde;o que se replica em ciclos, submetidos a determinadas conven&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Daqui se compreende que n&atilde;o fosse poss&iacute;vel precisar a data da P&aacute;scoa atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o astron&oacute;mica directa, ano ap&oacute;s ano, pois um ciclo pascal transcende inevitavelmente os ciclos astron&oacute;micos. Um sistema projectivo funcional para a comunidade religiosa crist&atilde; era essencial, na medida em que da data da P&aacute;scoa dependia a calendariza&ccedil;&atilde;o de cerca de dois meses de observ&acirc;ncias pr&eacute;-pascais, que deveriam ser celebradas em unidade por toda a parte. Era, de resto, indispens&aacute;vel reduzir os conflitos associados &agrave; data, n&atilde;o s&oacute; com os judeus, por raz&otilde;es religiosas, mas tamb&eacute;m com Roma, dada a probabilidade de coincidir com o anivers&aacute;rio da funda&ccedil;&atilde;o da cidade<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a></Sup>.</p>     <p>A pr&aacute;tica da organiza&ccedil;&atilde;o de comp&ecirc;ndios ou de colec&ccedil;&otilde;es de c&aacute;lculo vai-se generalizando e estes c&oacute;dices depressa passam a integrar outros textos de &aacute;reas de certa forma afins, como medicina, astronomia, geometria e, por vezes, astrologia e alfabetos ent&atilde;o considerados ex&oacute;ticos<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. A jun&ccedil;&atilde;o disciplinar destas compila&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; imprevista na medida em que resulta da recupera&ccedil;&atilde;o e ou introdu&ccedil;&atilde;o das sete artes liberais nas escolas monacais, catedral&iacute;cias e presbiterais. Mesmo tendo essa tradi&ccedil;&atilde;o uma periclitante continuidade, &eacute; no s&eacute;culo VII na Espanha visigoda e no s&eacute;culo VIII, dos dois lados do Reno, que a divis&atilde;o do saber entre <i>trivium</i> e <i>quadrivium</i> (matem&aacute;tica, geometria, m&uacute;sica, astronomia), volta a assumir dimens&otilde;es program&aacute;ticas. Organiza&ccedil;&atilde;o do saber que se articular&aacute; com um novo paradigma teol&oacute;gico, cujo prop&oacute;sito &eacute; preparar os membros da comunidade para o servi&ccedil;o a Deus, <i>opus Dei</i>. O <i>computus</i>, propriamente dito, ter&aacute; sido introduzido no ensino formal por Alcu&iacute;no, autor de um conjunto de 53 problemas de aritm&eacute;tica, geometria e l&oacute;gica<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> e que viria a ser mestre de R&aacute;bano Mauro, iniciando-o neste e noutros temas.</p>     <p>O <i>De computo</i> de R&aacute;bano Mauro &eacute; redigido com o mesmo prop&oacute;sito de fornecer ferramentas de c&aacute;lculo para a determina&ccedil;&atilde;o de um ciclo pascal v&aacute;lido, seguindo, por isso, as fundamenta&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas das colect&acirc;neas precedentes, sobretudo do j&aacute; referido tratado de Beda, que usa mais como matriz do que como fonte. No entanto, a obra de R&aacute;bano surge numa circunst&acirc;ncia hist&oacute;rica muito distinta, pois o c&aacute;lculo integrava j&aacute; as escolas mon&aacute;sticas e era amplamente conhecido e utilizado como ferramenta de estudo e observa&ccedil;&atilde;o, depois de se ter tornado numa plataforma de reconstru&ccedil;&atilde;o do <i>quadrivium</i> cl&aacute;ssico<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>Al&eacute;m disso, esta obra n&atilde;o &eacute; alheia ao interesse que a corte carol&iacute;ngia vinha manifestando por fen&oacute;menos astron&oacute;micos e outras quest&otilde;es confinantes, que desencadeou uma significativa profus&atilde;o de textos sobre esta tem&aacute;tica<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Em 789, por exemplo, Carlos Magno, na <i>Admonitio generalis</i>, e no seguimento da exig&ecirc;ncia de aumento de escolas e respectiva qualidade de ensino, incluiu especifica&ccedil;&otilde;es concretas acerca da aprendizagem de: &#8220;psalmos, notas, cantus, compotum, grammaticum per singula monasteria uel episcopia... bene emendate&#8221;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Tal pol&iacute;tica, controlada atrav&eacute;s de in&uacute;meros inqu&eacute;ritos, perdurar&aacute; durante o reinado de Lu&iacute;s o Pio e dos seus filhos, n&atilde;o obstante as conhecidas atribula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Lu&iacute;s o Pio, &agrave; semelhan&ccedil;a do pai, expressar&aacute; longo interesse e apoio ao estudo do c&aacute;lculo e da astronomia. Contudo, a prolifera&ccedil;&atilde;o de textos h&aacute; pouco referida, circulando a par e passo com outros tratados antigos, viria a instalar alguma confus&atilde;o, nomeadamente quanto aos sistemas de t&aacute;buas pascais. &Eacute; assim que em 809 se re&uacute;ne um conjunto de calculistas para examinar as quest&otilde;es em disc&oacute;rdia e se realiza um conc&iacute;lio em Aachen. S&atilde;o, tamb&eacute;m, desta data algumas antologias de c&aacute;lculo, redigidas para dissipar a confus&atilde;o vigente. Em 814, o gram&aacute;tico irland&ecirc;s Dicuil apresenta a Lu&iacute;s o Pio o primeiro cap&iacute;tulo do seu <i>Liber de astronomia et computo</i>, assim logrando algum relevo na corte carol&iacute;ngia<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. De acordo com W. Stevens, uma carta que R&aacute;bano Mauro recebe de Mac&aacute;rio colocando uma s&eacute;rie de problemas de c&aacute;lculo, em 819<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>, bem como o livro (n&atilde;o conclu&iacute;do) de Dicuil (talvez por abalar a posi&ccedil;&atilde;o proeminente de R&aacute;bano junto de Lu&iacute;s o Pio), poder&atilde;o ter sido decisivos para o empreendimento que R&aacute;bano levaria, ent&atilde;o, a cabo em 820, beneficiando da sua experi&ecirc;ncia de ensino em Fulda<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>O <i>De computo</i> de R&aacute;bano Mauro compreende 96 cap&iacute;tulos que partem de quest&otilde;es lingu&iacute;sticas, passam pela aritm&eacute;tica elementar, pela astronomia, at&eacute; ao intrincado assunto das t&aacute;buas pascais e respectiva fundamenta&ccedil;&atilde;o. A partir do assunto de cada cap&iacute;tulo, W. Stevens prop&otilde;e uma organiza&ccedil;&atilde;o da obra em cinco sec&ccedil;&otilde;es distintas. A primeira, compreendendo os cap&iacute;tulos I a VIII; a segunda, os cap&iacute;tulos VIIII a XXXVI; a terceira, os cap&iacute;tulos XXXVII a LIII; a quarta, os cap&iacute;tulos LIIII a XCII e a &uacute;ltima, os cap&iacute;tulos XCIII a XCV<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. Seguiu-se a organiza&ccedil;&atilde;o de Stevens, dada a sua pertin&ecirc;ncia estrutural e de conte&uacute;do, com excep&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima sec&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Do Cap&iacute;tulo I ao VIII, R&aacute;bano apresenta o n&uacute;mero como essencial para compreender a composi&ccedil;&atilde;o de todas as coisas, nomeadamente a sucess&atilde;o da noite e do dia, a lua e o sol, os sinais e as esta&ccedil;&otilde;es, os dias e anos. Discute, depois, que tipo de numerais existem, o que significam e como se usam, apresentando as suas varia&ccedil;&otilde;es gramaticais, medidas, pesos e m&uacute;ltiplos.<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> Explica que os n&uacute;meros podem ser apresentados pelos numerais romanos, pelas letras gregas ou pela posi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os. Dedica o cap&iacute;tulo VI &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o sobre contagem manual, descrevendo a correspond&ecirc;ncia da flex&atilde;o dos dedos da m&atilde;o esquerda e da m&atilde;o direita aos numerais, id&ecirc;ntica &agrave; de Beda e a outra vers&atilde;o que circularia na &eacute;poca<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>Nos cap&iacute;tulos VIIII a XXXVI, R&aacute;bano introduz a no&ccedil;&atilde;o de tempo e sua terminologia fraccionada, como momento, minuto, hora, dia, partes do dia, noite, etc.  Nomenclatura que se vai tornando mais e mais complexa, para que o aluno compreenda os v&aacute;rios termos, as suas categorias e per&iacute;odos, bem como as respectivas rela&ccedil;&otilde;es proporcionais e, com isso, pratique a multiplica&ccedil;&atilde;o. Acrescenta ainda explica&ccedil;&otilde;es sobre o que s&atilde;o os meses, as designa&ccedil;&otilde;es e seus usos pelos Hebreus, Eg&iacute;pcios, Gregos e Romanos, sobre as esta&ccedil;&otilde;es do ano e sobre o pr&oacute;prio ano.</p>     <p>Apesar de os referir frequentemente, nomeadamente nas defini&ccedil;&otilde;es de m&ecirc;s, &eacute; a partir do cap&iacute;tulo XXXVII ao LIII, que falar&aacute; mais detalhadamente dos planetas e da origem dos seus nomes, explicando as devidas caracter&iacute;sticas e movimentos no c&eacute;u. Refere, tamb&eacute;m, o sol e a lua, movimentos e magnitude, as estrelas e apresenta informa&ccedil;&atilde;o sobre o zod&iacute;aco e v&aacute;rios fen&oacute;menos como eclipses, cometas, solst&iacute;cios e equin&oacute;cios, fornecendo os conceitos gerais sobre a esfera celeste e a terrena. As suas descri&ccedil;&otilde;es permitem supor que partilharia com Isidoro, Beda e outros autores medievais um conceito globular da terra e do c&eacute;u. O material fornecido sup&otilde;e a observa&ccedil;&atilde;o astron&oacute;mica directa, sendo que o uso de instrumentos e cartas estelares est&aacute; impl&iacute;cito<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. &Eacute; ainda nesta sec&ccedil;&atilde;o que R&aacute;bano refere o alinhamento planet&aacute;rio da data em que escreve, correspondendo a 9 de Julho de 820 (XLVIII, 16/19)<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>A quarta sec&ccedil;&atilde;o abrange os cap&iacute;tulos LIIII a XCII e diz respeito aos c&aacute;lculos associados &agrave;s t&aacute;buas pascais. R&aacute;bano utiliza material de Beda, simplifica-o, e acrescenta 8 das 9 direc&ccedil;&otilde;es fornecidas por Dion&iacute;sio Ex&iacute;guo, que permitiriam ao aluno determinar rapidamente se se trataria de um ano bissexto ou contar o n&uacute;mero de anos desde a incarna&ccedil;&atilde;o at&eacute; ao presente. Em muitas das explica&ccedil;&otilde;es retiradas de Beda ou de Dion&iacute;sio, R&aacute;bano acrescenta mais exemplos para a determina&ccedil;&atilde;o dos c&aacute;lculos. No entanto, o texto de R&aacute;bano, assim como o <i>De temporum ratione </i>de Beda, n&atilde;o era auto-suficiente e pressupunha que o aluno tivesse, pelo menos, acesso a uma tabela do ciclo de 19 anos de Dion&iacute;so<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Ainda assim, R&aacute;bano apresenta novas tabelas que, embora baseadas no ciclo de 19 anos, diferem na inclus&atilde;o de colunas paralelas para o nascimento da primeira lua e para a sua perman&ecirc;ncia depois da meia-noite, o que, pela pr&aacute;tica romana, marca o aparecimento de um novo dia. As suas tabelas continham ainda colunas de datas para as luas, atrav&eacute;s das quais podiam ser determinadas as observ&acirc;ncias crist&atilde;s. R&aacute;bano introduz tamb&eacute;m explica&ccedil;&otilde;es e informa&ccedil;&atilde;o relevante para aclarar equ&iacute;vocos ainda recorrentes. Todavia, segue consistentemente a tradi&ccedil;&atilde;o de Beda e Dion&iacute;sio na determina&ccedil;&atilde;o da data pascal<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos cap&iacute;tulos XCIII a XCVI, R&aacute;bano fala da significa&ccedil;&atilde;o m&iacute;stica da p&aacute;scoa, do grande ciclo pascal e das idades. De acordo com W. Stevens, corresponderia &agrave; &uacute;ltima sec&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. No entanto, dada a natureza destes cap&iacute;tulos, que prosseguem mat&eacute;ria teol&oacute;gica do grupo precedente, bem como a sua dimens&atilde;o, talvez fosse desnecess&aacute;rio diferenci&aacute;-los do grupo anterior.</p>     <p>R&aacute;bano n&atilde;o incita os seus disc&iacute;pulos a especular sobre mat&eacute;ria de c&aacute;lculo, que se perpetua pela tradi&ccedil;&atilde;o. Antes se comporta conforme a <i>norma rectitudinis</i> carol&iacute;ngia<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>, expondo como aplicar os ensinamentos que o precedem, reflectindo sobre algumas quest&otilde;es, inovando ou aclarando outras, mas sem encetar qualquer esp&eacute;cie de conflito hist&oacute;rico-religioso<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. No entanto, n&atilde;o se restringe aos conte&uacute;dos tradicionais do <i>computus</i>, incluindo outros materiais n&atilde;o s&oacute; das novas antologias carol&iacute;ngias, como tamb&eacute;m do rec&eacute;m-descoberto Aratus<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</p>     <p>Todavia, a organiza&ccedil;&atilde;o do saber vai sofrer altera&ccedil;&otilde;es progressivas. Logo por volta do ano 1000, o papa Silvestre II, que ensinava artes liberais na escola catedral&iacute;cia de Reims e que passara algum tempo na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, recuperou e alterou o antigo &aacute;baco, fabricou instrumentos de astronomia, interpretou a geometria dos agrimensores romanos e introduziu os numerais hindo-ar&aacute;bico<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. No s&eacute;culo XII, nas novas escolas urbanas, substituiu-se o estudo do c&aacute;lculo antigo pela matem&aacute;tica &aacute;rabe e pela astronomia. A crescente insatisfa&ccedil;&atilde;o com as falhas do calend&aacute;rio tradicional tornou estes autores arcaicos e o desenvolvimento do c&aacute;lculo natural, <i>naturalis computus</i>, p&ocirc;s em evid&ecirc;ncia o car&aacute;cter artificial do <i>computus ecclesiasticus</i>. O conhecimento &aacute;rabe, que dominou o s&eacute;culo XII, transformou a astronomia e c&aacute;lculo da Alta Idade M&eacute;dia, tornando-os dependentes da astronomia geom&eacute;trica ensinada nas universidades<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. No s&eacute;culo XIII, a tradi&ccedil;&atilde;o mon&aacute;stica do c&aacute;lculo do tempo tinha, ent&atilde;o, sido completamente alterada pelos novos instrumentos astron&oacute;micos<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>, repercutindo-se no interesse por este tipo de manuscritos. Apesar de continuarem a ser copiados, no caso do <i>De temporum ratione</i> de  Beda, at&eacute; ao s&eacute;culo XVI<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a> e no do <i>De computo</i>, de R&aacute;bano, at&eacute; ao XVII<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a> e, depois, impressos, o n&uacute;mero de c&oacute;pias decresceu significativamente. No conjunto dos 16 manuscritos completos do <i>De computo</i> de R&aacute;bano Mauro, num per&iacute;odo compreendido entre o s&eacute;culo IX e o XVII, apenas 5 s&atilde;o datados do XI e do XII, n&atilde;o havendo nenhum do XIII, apenas um do XIV e um do XVII<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. Sabe-se, todavia, que h&aacute; um n&uacute;mero consider&aacute;vel de fragmentos e trechos desta obra, mas permanecem por estudar de forma conjunta e relacional. Uma tal an&aacute;lise permitiria certamente obter conclus&otilde;es mais aprofundadas sobre este per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o, designadamente sobre as partes copiadas, as iluminadas e o interesse que possam ter despertado. O que nos traz de novo aos c&oacute;dices Alc. 426 e Santa Cruz 8, uma vez que o que cont&ecirc;m &eacute;, n&atilde;o a totalidade do texto, mas os cap&iacute;tulos iniciais da obra de R&aacute;bano Mauro. Desconhecem-se, at&eacute; &agrave; data, outros manuscritos que, &agrave; semelhan&ccedil;a destes, contenham deliberadamente apenas uma parcela do texto, acompanhada das figuras da contagem manual, quer integrados num vocabul&aacute;rio de Papias, como se verifica neste caso, quer noutras obras.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O excerto de R&aacute;bano e a composi&ccedil;&atilde;o do Sta Cruz 8 e do Alc. 426</b></p>     <p>Os dois manuscritos incluem, ent&atilde;o, a terceira parte do dicion&aacute;rio latino de Papias, <i>Papias Elementarium doctrinae rudimentum </i>[Q-Z]<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> (tamb&eacute;m designado <i>Vocabularium</i>), sendo que, no caso do fundo de Alcoba&ccedil;a, a primeira e a segunda parte correspondem ao Alc. 424 e Alc. 425 e, no de Santa Cruz, a terem existido outras duas partes, permanecem desconhecidas. O dicion&aacute;rio &eacute; seguido pelo <i>De arte grammatica</i>, tamb&eacute;m de Papias<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>; depois, pelo livro das interpreta&ccedil;&otilde;es dos nomes hebraicos de S. Jer&oacute;nimo, <i>Liber interpretationis hebraicorum nominum</i><sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>; pela interpreta&ccedil;&atilde;o de nomes e regi&otilde;es dos Actos dos Ap&oacute;stolos, <i>Nomina regionum atque locorum de actibus apostolorum</i>, de Beda<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a> e, por fim, pelo di&aacute;logo sobre o c&aacute;lculo de R&aacute;bano Mauro, <i>De computo</i> (tamb&eacute;m identificado como <i>De numeris</i>)<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>. Pode adiantar-se desde j&aacute; que o Santa Cruz 8, depois dos tr&ecirc;s cap&iacute;tulos do <i>De computo</i> e antes das iluminuras, inclui um cap&iacute;tulo de outra obra de um autor anterior a R&aacute;bano, cuja especificidade e pertin&ecirc;ncia se retomar&aacute; na sec&ccedil;&atilde;o sobre a ornamenta&ccedil;&atilde;o dos c&oacute;dices.</p>     <p>O Alc. 426 cont&eacute;m ainda, no &uacute;ltimo caderno, um tratado sobre as partes das ora&ccedil;&otilde;es (sintaxe), <i>Ars grammatica</i>, de Donato, correspondendo ao <i>De partibus orationis ars minor</i><sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>; depois, com letra posterior, uma lista an&oacute;nima de acentua&ccedil;&atilde;o das palavras latinas, &#8220;De pronunciatione huius littere &#8220;x&#8221;<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>, e de outra m&atilde;o ainda, no f&oacute;lio final, &#8220;De psalmo[rum] usu&#8221; de Alcu&iacute;no<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>.</p>     <p>Considerando, no caso do texto de R&aacute;bano, que se trata apenas de uma pequena parte, de pouca relev&acirc;ncia tem&aacute;tica, como se ver&aacute;, porqu&ecirc; assumir que a truncagem &eacute; deliberada? Um estudo das caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas de ambos os c&oacute;dices, coordenado com a bibliografia, permite supor que os c&oacute;dices foram planificados, equacionando n&atilde;o s&oacute; a sua organiza&ccedil;&atilde;o, como a extens&atilde;o das obras. Tanto o Alc. 426, como o Santa Cruz 8 s&atilde;o compostos em pergaminho de boa qualidade, com regramento uniforme, dando assim conta, entre outros aspectos, da import&acirc;ncia do volume e do zelo na sua prepara&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, t&ecirc;m ambos a encaderna&ccedil;&atilde;o primitiva<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>, com caracter&iacute;sticas similares a outras obras coet&acirc;neas dos respectivos fundos, facto que permite supor que n&atilde;o h&aacute; altera&ccedil;&otilde;es posteriores na organiza&ccedil;&atilde;o e composi&ccedil;&atilde;o da obra, o que &eacute; confirmado pela geral regularidade dos cadernos<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>. O Alc. 426 tem um total de 33 cadernos e 259 f&oacute;lios, sup&otilde;e-se que copiados e iluminados, at&eacute; &agrave; obra de Donato, pela(s) mesma(s) m&atilde;o(s)<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>, e o Santa Cruz 8 possui 23 cadernos (22 <i>quat.</i> + 1 <i>bin.</i>), 180 f&oacute;lios, tamb&eacute;m copiados e iluminados pela(s) mesma(s) m&atilde;o(s). O que confirma, na sequ&ecirc;ncia do antes exposto, uma prepara&ccedil;&atilde;o delimitada num per&iacute;odo cronol&oacute;gico, cuidada e planeada, conduzida pelo mesmo copista e pelo mesmo iluminador. Tendo presente que a obra de R&aacute;bano Mauro ocupa, no Alc. 426, os fl. 250v at&eacute; ao 252, a truncagem n&atilde;o pode sen&atilde;o ter sido determinada ou pelo modelo que precedeu a c&oacute;pia ou decorrer de decis&atilde;o do copista, pois o volume dispunha de mais f&oacute;lios em branco e o trecho de R&aacute;bano &eacute; seguido pela <i>Ars Grammatica</i> de Donato. Considerando, tamb&eacute;m, que a obra de R&aacute;bano Mauro ocupa, no Santa Cruz 8, os fl. 178v ao 180, a conclus&atilde;o precedente &eacute; v&aacute;lida tamb&eacute;m para este caso. Pode-se, portanto, propor que as obras t&ecirc;m a ordem e extens&atilde;o calculadas e que o trecho de R&aacute;bano Mauro corresponde ao previsto.</p>     <p>H&aacute;, no entanto, uma pergunta que se imp&otilde;e. Tratando-se de um texto de c&aacute;lculo, que sentido tem a por&ccedil;&atilde;o copiada neste volume de Papias, quando h&aacute; pouco se referia que integra, quase invariavelmente, miscel&acirc;neas de c&aacute;lculo, astronomia, entre outros, e com o prop&oacute;sito de fornecer dados e ferramentas para a determina&ccedil;&atilde;o das datas pascais? &Eacute; por demais evidente que s&oacute; a muito custo se encontrar&aacute; uma resposta satisfat&oacute;ria para esta quest&atilde;o, a menos que se determine o exemplar, ou exemplares, que podem estar na origem destas c&oacute;pias. Faltando outros casos an&aacute;logos para enriquecer a reflex&atilde;o, sobretudo que contenham iluminuras com a contagem dos dedos, torna-se dif&iacute;cil, se n&atilde;o mesmo arriscado, ser conclusivo. Contudo, pode ser esclarecedor ter em perspectiva a natureza dos textos que integram os c&oacute;dices, pens&aacute;-los como conjunto e, face ao que foi apresentado sobre tratados de c&aacute;lculo, perceber em que medida o texto de R&aacute;bano converge ou diverge em assunto.</p>     <p>O <i>Elementarium</i> de Papias Lombardo &eacute; um dicion&aacute;rio monolingue, de Latim, com as entradas ordenadas alfabeticamente, a partir das tr&ecirc;s primeiras letras da palavra. N&atilde;o sendo um dicion&aacute;rio etimol&oacute;gico, fornece muita informa&ccedil;&atilde;o sobre os voc&aacute;bulos, inserindo exemplos, relacionando-os com outros, ou fornecendo excertos de glosas e de outros textos, com indica&ccedil;&atilde;o das fontes. J&aacute; a gram&aacute;tica de Papias &eacute; um dos dois novos textos introduzidos em meados do s&eacute;culo XI para o ensino do Latim, consistindo numa s&uacute;mula actualizada das regras de Prisciano, a quem deve a organiza&ccedil;&atilde;o da obra, embora trate apenas de fon&eacute;tica e de partes do discurso. Neste esfor&ccedil;o de s&iacute;ntese, omite quase todas as refer&ecirc;ncias ao grego e ao latim para ilustrar as suas li&ccedil;&otilde;es e adapta a obra &agrave;s necessidades dos aprendizes contempor&acirc;neos<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A gram&aacute;tica de Donato, embora fosse uma obra elementar<b>,</b> supunha um conhecimento pr&eacute;vio de morfologia latina<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>. A <i>Ars</i> <i>minor</i> correspondia &agrave; parte mais simples e a <i>ars maior</i> &agrave; mais complexa. O Alc. 426 inclui o correspondente ao tratado inicial sobre as partes da ora&ccedil;&atilde;o, catequ&eacute;tico, que compreenderia 8 cap&iacute;tulos: nome, pronome, verbo, adv&eacute;rbio, partic&iacute;pio, conjun&ccedil;&atilde;o, preposi&ccedil;&atilde;o e interjei&ccedil;&atilde;o. H&aacute; um segundo tratado, com os mesmos cap&iacute;tulos do anterior, mas mais detalhado e expositivo e que integra a &#8220;arte maior&#8221;. A <i>Arte Gram&aacute;tica</i> de Donato &eacute; seguida, no Alc. 426, por uma s&eacute;rie de palavras apresentadas como versos, escritas em letra mais pequena. Outra m&atilde;o ter&aacute; acrescentado marcas de acentua&ccedil;&atilde;o e o t&iacute;tulo: <i>Versus accentuales</i>.&#8221;<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a></Sup></p>     <p><i>O livro da interpreta&ccedil;&atilde;o dos nomes hebraicos</i>, de S. Jer&oacute;nimo, &eacute; um gloss&aacute;rio que explica as etimologias do hebreu, aramaico e grego dos nomes pr&oacute;prios da B&iacute;blia, escrito como prepara&ccedil;&atilde;o para a tradu&ccedil;&atilde;o do hebreu. <i>Nomina regionum atque locorum de actibus apostolorum</i>, ocupa-se da interpreta&ccedil;&atilde;o dos nomes das regi&otilde;es e locais dos Actos dos Ap&oacute;stolos e foi escrito a partir de Or&oacute;sio, Isidoro e Pl&iacute;nio, entre outros autores. <i>De psalmorum usu</i> &eacute; uma proposta de organiza&ccedil;&atilde;o dos salmos agrupados em 8 conjuntos, ajustados a ocasi&otilde;es especiais, derivados do texto de Alcu&iacute;no <i>Quia etiam prophetiae spiritus</i><sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a></Sup>.</p>     <p>O c&oacute;dice alcobacense, assim como o cr&uacute;zio, incluem apenas os tr&ecirc;s primeiros cap&iacute;tulos da obra de R&aacute;bano (como se viu, de um total de noventa e seis) e mesmo o terceiro est&aacute; truncado: <i>De numerorum potentia</i>; <i>Unde dictus sit numerus</i>; <i>De species numerorum diversis</i> (2-18)<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>. Atrav&eacute;s do estudo das partes de texto, foi poss&iacute;vel verificar que no cap&iacute;tulo destinado aos tipos de numerais (III <i>De speciebus numerorum diversis</i>), h&aacute; em ambos os c&oacute;dices um maior n&iacute;vel de especifica&ccedil;&atilde;o dos exemplos face aos restantes manuscritos completos indicados no <i>CCCM</i><sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>. &Eacute; o caso dos numerais adverbiais, dos distributivos, entre outros: &#8220;(...) aut aduerbiales ut semel, bis, ter, quater, [add. Alc. 426 ; Santa Cruz 8] quinquies, sexies, septies, octies, nouies, decies. Aut dispertiui ut singuli, binni, terni, quaterni, quini, seni, [add. Alc. 426 ; Santa Cruz 8] septeni, octoni, noni, deni (...)&#8221;.<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a></Sup></p>     <p>Quatro das oito obras, ou parte de obras (incluindo, no caso do Alc. 426, o f&oacute;lio acerca da pronuncia&ccedil;&atilde;o da letra &#8220;x&#8221;), incidem sobre quest&otilde;es gramaticais, de defini&ccedil;&atilde;o ou estudo da l&iacute;ngua latina. E os textos de S. Jer&oacute;nimo ou de Beda, embora teol&oacute;gicos, partilham do mesmo princ&iacute;pio lexicol&oacute;gico e lexicogr&aacute;fico. Por estas raz&otilde;es, tem-se proposto que se trata de um volume de estudo, de car&aacute;cter educativo, para a aprendizagem do latim mas, sobretudo, da B&iacute;blia. Este tipo de comp&ecirc;ndios prolifera a partir dos s&eacute;culos XI e XII e, embora circulando anteriormente, torna-se muito comum nos mosteiros e catedrais por ser &uacute;til para a leitura e estudo da B&iacute;blia. A pr&aacute;tica da <i>lectio</i> come&ccedil;a com a leitura e an&aacute;lise gramatical dos textos b&iacute;blicos, e a gram&aacute;tica &eacute;, por isso, fundamental para a sua interpreta&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>.</p>     <p>Os cap&iacute;tulos I a VIII do <i>De computo </i>(em particular os primeiros tr&ecirc;s), dedicam-se maioritariamente &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero e indica&ccedil;&atilde;o das suas formas gramaticais, incluindo medidas e pesos. Portanto, uma das raz&otilde;es para o interesse e c&oacute;pia deste excerto pode ser de origem lexical. Nesta medida, o trecho do R&aacute;bano Mauro seria, por assim dizer, usado como fonte para os numerais romanos. Cumpre acrescentar que esta obra, enquanto manual de aprendizagem, supunha que os exemplos pudessem ser preenchidos por cada copista (cada indiv&iacute;duo copiaria o seu pr&oacute;prio manual de trabalho), para assim praticar as defini&ccedil;&otilde;es e o c&aacute;lculo. Da&iacute; que o n&iacute;vel de explicita&ccedil;&atilde;o que encontramos no texto possa decorrer do interesse, necessidade ou conhecimento do(s) seu(s) portador(es). O manuscrito <i>De computo</i> Sankt Gallen, Stiftsbibliothek 878<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>, um exemplar copiado e anotado por Valafrido Estrab&atilde;o, inclui a gram&aacute;tica de Donato, declina&ccedil;&otilde;es dos nomes, poesia, arte m&eacute;trica de Beda e declina&ccedil;&otilde;es e, embora seja um raro exemplo deste tipo de aglomera&ccedil;&atilde;o textual (pois a maior parte inclui ou outra obra de R&aacute;bano Mauro ou outros textos de c&aacute;lculo, receitas de medicina, etc.), &eacute; suficientemente elucidativo sobre o uso que um tal volume poderia receber. A partir daqui pode sugerir-se que a dificuldade em encontrar comp&ecirc;ndios an&aacute;logos a estes talvez se deva ao facto de, tratando-se justamente de um texto truncado a acompanhar obras completas ou de maiores dimens&otilde;es, ser menos referido em invent&aacute;rios, e n&atilde;o propriamente &agrave; sua inexist&ecirc;ncia.</p>     <p>A possibilidade do trecho disponibilizado responder a conveni&ecirc;ncias lexicol&oacute;gicas &eacute;, todavia, menos segura do que se fez sup&ocirc;r, pois todo o cap&iacute;tulo &eacute; dedicado &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es e a parte copiada corresponde apenas a metade. Havendo real interesse no assunto, faria sentido apresent&aacute;-lo na &iacute;ntegra (e, porventura, os cap&iacute;tulos seguintes). O que n&atilde;o invalida, por&eacute;m, que o c&oacute;dice fosse destinado ao estudo e aprendizagem do latim, da B&iacute;blia ou mesmo de c&aacute;lculo. Pois se o texto copiado se revela pouco &uacute;til, por ser diminuto, as imagens s&atilde;o, inversamente, o bastante para a aprendizagem da contagem digital e suficientemente invulgares para despertarem, por si, interesse na c&oacute;pia. N&atilde;o &eacute; de desmerecer a singularidade pict&oacute;rica destas representa&ccedil;&otilde;es, muito menos o seu pr&eacute;stimo. Parece ter havido um prolongado interesse na forma de contagem digital, por ser proveitosa para a aprendizagem da aritm&eacute;tica e do c&aacute;lculo<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>, mesmo depois das t&aacute;buas pascais se tornarem desnecess&aacute;rias ou desactualizadas. A reuni&atilde;o destes textos, que abrange parte das artes liberais, mostra, enfim, &#8220;que, pelo menos at&eacute; ao s&eacute;culo XII, os estudos estavam predominantemente orientados para a compreens&atilde;o da B&iacute;blia, verdadeiro centro e fim de toda a aprendizagem letrada&#8221;<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>. Ali&aacute;s, J. Meirinhos refere inclusivamente que &#8220;as ci&ecirc;ncias n&atilde;o s&atilde;o sen&atilde;o uma parte do plano de forma&ccedil;&atilde;o que conduz &agrave; sabedoria e antes de mais &agrave; intelig&ecirc;ncia da <i>Sacra pagina</i>. &Eacute; o caso do direito com a compila&ccedil;&atilde;o do <i>Corpus iuris civilis</i> em cinco partes, e das tr&ecirc;s partes do <i>Decretum</i> ou <i>Concordia discordancium canonum </i>de Graciano, por exemplo. &Eacute; tamb&eacute;m o caso da lexicologia com os dicion&aacute;rios e <i>distinctiones</i> b&iacute;blicas e o grande <i>Vocabularium</i> de Papias&#8221;<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>. &Eacute; por este motivo que semelhante utilidade, a par da peculiaridade das representa&ccedil;&otilde;es, pode estar na origem da c&oacute;pia, colocando-se os cap&iacute;tulos iniciais apenas para fornecer contexto, assinalar o tema, identificar o autor, assim integrando um volume de estudo.</p>     <p>A &uacute;ltima hip&oacute;tese que se coloca como justifica&ccedil;&atilde;o para a selec&ccedil;&atilde;o de apenas alguns cap&iacute;tulos e iluminuras desta obra n&atilde;o dispensa, antes complementa, qualquer uma das precedentes. Se se deslocar o problema para a c&oacute;pia de um modelo, qualquer uma das raz&otilde;es supra referidas pode estar na origem da integra&ccedil;&atilde;o de uma por&ccedil;&atilde;o de um manuscrito de c&aacute;lculo num volume dedicado maioritariamente ao vocabul&aacute;rio e gram&aacute;tica. Assim, nenhum dos fundos aos quais pertencem os manuscritos teria tido acesso a um manuscrito completo, mas a um outro exemplar que contemplasse o que vigora actualmente em ambos os c&oacute;dices. N&atilde;o caberia, portanto, nem a Alcoba&ccedil;a, nem a Santa Cruz, uma decis&atilde;o acerca do texto truncado ou das suas caracter&iacute;sticas. Na busca por esse poss&iacute;vel exemplar, confrontou-se o texto de cada um dos manuscritos com o texto editado em Corpus Christianorum e variantes, pensando inclusivamente que lugar poderia ocupar no <i>stemma codicum</i>. Assim, verificou-se que as variantes do c&oacute;d. Alc. 426 e do Santa Cruz 8 coincidem maioritariamente com as do ms. L e com as do ms. H<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a> (sublinhe-se, todavia, que a por&ccedil;&atilde;o de texto existente n&atilde;o &eacute; suficientemente extensa para que se possa ser conclusivo neste particular), que t&ecirc;m um antecedente comum, hoje perdido<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>. &Eacute; poss&iacute;vel que o ms. interm&eacute;dio (ou os ms. interm&eacute;dios), tenha tido acesso a este exemplar. Verifica-se tamb&eacute;m que tanto o Alc. 426 como o Santa Cruz 8 t&ecirc;m um n&uacute;mero suficiente de variantes pr&oacute;prias (algumas distintas entre si) para fortalecer a possibilidade de haver ou um, ou mais do que um, manuscrito de permeio, desta feita j&aacute; truncado.</p>     <p>Tal hip&oacute;tese &eacute; tanto mais plaus&iacute;vel quanto existe uma grande familiaridade entre os dois c&oacute;dices em estudo, n&atilde;o s&oacute; do ponto de vista estrutural (na organiza&ccedil;&atilde;o do volume), como na decora&ccedil;&atilde;o, como at&eacute; na obra de R&aacute;bano Mauro, dada a proximidade do texto e das imagens, familiaridade essa reconhecida, nomeadamente, por Adelaide Miranda e Jos&eacute; Meirinhos<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>.</p>     <p>Contudo, a sugest&atilde;o de um modelo comum &eacute; apelativa mas pode ser enganosa, pelo que deve ser pensada com cautela. N&atilde;o obstante as similitudes estruturais, textuais e ornamentativas a que se vem aludindo, h&aacute; diferen&ccedil;as suficientes e relevantes (em particular na obra de R&aacute;bano Mauro), para que se desconfie de tal solu&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o, de resto, essas mesmas diferen&ccedil;as que fazem reequacionar a tese de que o Santa Cruz 8 seja uma c&oacute;pia do Alc. 426. Prop&otilde;e-se, neste sentido, que se veja a ornamenta&ccedil;&atilde;o das iniciais, os diagramas e as iluminuras da contagem manual com mais detalhe.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A ornamenta&ccedil;&atilde;o, iniciais, diagramas e <i>loquela digitorum</i></b></p>     <p>O Alc. 426 tem iniciais a vermelho, verde e azul, destacando cap&iacute;tulos e divis&atilde;o de texto (como par&aacute;grafos), sendo mais ou menos evidente que a um in&iacute;cio de obra ou de cap&iacute;tulo est&aacute; destinada uma inicial elaborada. H&aacute;, geralmente, embora com ass&iacute;duas excep&ccedil;&otilde;es, uma preocupa&ccedil;&atilde;o na altern&acirc;ncia da cor entre verde rubricado e, ocasionalmente, azul, assim criando ritmo visual ao longo dos f&oacute;lios.</p>     <p>Existem aproximadamente 16 iniciais de maiores dimens&otilde;es, sem enquadramento, onde o contorno da letra &eacute; n&iacute;tido, monocrom&aacute;tico e completamente preenchido, terminando em palmeta e folhagem. No interior ou &aacute;reas adjacentes, a inicial &eacute; preenchida por filamentos a que acrescem caules ou palmetas, nalguns casos perfazendo padr&otilde;es. Sobre o contorno preenchido &eacute; frequente encontrar apontamentos decorativos ou simples pontilhado, a branco. Uma das iniciais, &#8220;V&#8221;, &eacute; habitada por duas criaturas aladas, havendo outros exemplos de figuras animais, drag&otilde;es decorativos, sobre, sob ou ao lado da inicial. Estas alternam entre o vermelho, verde (que mostra sinais de deteriora&ccedil;&atilde;o), azul e laranja, com tend&ecirc;ncia para os matizes, com um tratamento ornamental que, mesmo revelando influ&ecirc;ncia das casas cistercienses francesas, parece, de acordo com Adelaide Miranda, resultado de uma evolu&ccedil;&atilde;o local<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a>. H&aacute; ainda iniciais de dimens&otilde;es interm&eacute;dias, cujos caules se estendem ora na horizontal sobre a marca de regramento, ora na vertical, ocupando duas a tr&ecirc;s linhas.</p>     <p>O manuscrito de Santa Cruz, mesmo tendo menos 10 cadernos do que o Alc. 426, tem uma estrutura coincidente nas iluminuras. H&aacute;, no total, 16 grandes iniciais com caracter&iacute;sticas similares a outras obras coevas do mosteiro<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a>. Filigranadas, entremeiam vermelho e azul sem que haja grande investimento na profus&atilde;o dos filamentos, embora a disposi&ccedil;&atilde;o e desfecho da folhagem e palmetas, que as preenchem ou acompanham, varie. Adelaide Miranda classifica-as como iniciais articuladas ou quebradas, pois o corpo da letra &eacute; separado por um filamento n&atilde;o pintado<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a>.</p>     <p>A proximidade decorativa entre os dois manuscritos &eacute; posta em evid&ecirc;ncia pelo sim&eacute;trico recurso a grandes iniciais com localiza&ccedil;&atilde;o correspondente, e pela presen&ccedil;a de tr&ecirc;s diagramas. O da <i>qualitas</i> e da <i>quantitas</i><sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>de Arist&oacute;teles, traduzidos por Bo&eacute;cio, e um outro com c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a>.</p>     <p>Nos diagramas da <i>qualitas</i> e da <i>quantitas</i>, verificamos que h&aacute; ligeiras desconformidades no uso de abreviaturas, nos contornos, na distribui&ccedil;&atilde;o do texto e at&eacute; na sua parti&ccedil;&atilde;o pelo espa&ccedil;o, mas que n&atilde;o s&atilde;o, por si, relevantes. Outra diferen&ccedil;a, igualmente subtil, diz respeito ao diagrama da <i>quantitas</i>; o Santa Cruz 8 faz uma separa&ccedil;&atilde;o entre <i>corpus </i>e <i>numerus</i>, <i>oratio</i>, inexistente no Alc. 426. Mais significativo &eacute;, todavia, o talhe de uma divis&oacute;ria para a qualidade de mole, <i>molle</i>, no diagrama do Santa Cruz 8, sem correspondente no 426. O terceiro diagrama, por seu turno, encontra-se mais preenchido no alcobacense: possui 10 circunfer&ecirc;ncias a rubricado, divididas em 8 partes e numa delas pode ler-se, do exterior para o interior, <i>aries</i>, <i>saturnus</i>, <i>jupiter</i>, <i>mars</i>, <i>sol</i>, <i>venus</i>, <i>mercurius</i>, <i>luna</i>. O Santa Cruz 8 tem apenas as 10 circunfer&ecirc;ncias sem qualquer divis&oacute;ria ou preenchimento.</p>     <p>Quanto ao trecho da obra de R&aacute;bano Mauro, este &eacute; acompanhado tanto no c&oacute;dice Alc. 426 como no Santa Cruz 8 por um conjunto de iluminuras que representam a t&eacute;cnica de utiliza&ccedil;&atilde;o dos dez dedos das m&atilde;os para assinalar quantidades, que vem desde a Antiguidade. O cap&iacute;tulo I (<i>De computo vel loquela digitorum</i>) do <i>De temporum ratione</i> de Beda transcreve o modo como este sistema era utilizado e o cap&iacute;tulo 55 (<i>De reditu et computu articulari utramque epactarum</i>) &eacute; uma primeira adapta&ccedil;&atilde;o da contagem manual &agrave; determina&ccedil;&atilde;o das datas pascais<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a>. Este sistema, <i>loquela digitorum,</i> destina para as unidades e dezenas (1-99), os dedos da m&atilde;o esquerda e para as centenas e os milhares (100 &#8211; 1000), os dedos da m&atilde;o direita. Para os n&uacute;meros superiores a dez mil at&eacute; novecentos mil, combinam-se diversas posi&ccedil;&otilde;es da m&atilde;o esquerda (dezenas de milhar) ou da m&atilde;o direita (centenas de milhar), com o peito, o umbigo e o f&eacute;mur, perna. A introdu&ccedil;&atilde;o do sistema de contagem manual na obra de Beda permitir&aacute; que os tratados de c&aacute;lculo eclesi&aacute;stico posteriores o retomem, quer textualmente, quer na pr&aacute;tica de iluminura, embora tanto neste autor como em R&aacute;bano Mauro a maior parte dos manuscritos n&atilde;o seja iluminada.<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a></p>     <p>Ora, &eacute; justamente nestas representa&ccedil;&otilde;es que existe um conjunto de diferen&ccedil;as significativas, assim questionando n&atilde;o s&oacute; a exist&ecirc;ncia de um modelo &uacute;nico para ambos os c&oacute;dices, como o seu parentesco.</p>     <p>As iluminuras surgem, no Alc. 426, logo ap&oacute;s a truncagem do cap&iacute;tulo III quando, conforme acima se referiu, a contagem manual &eacute; descrita apenas no cap&iacute;tulo VI. J&aacute; o manuscrito do fundo cr&uacute;zio, truncado no cap&iacute;tulo III no mesmo local, prossegue depois com outro texto que, com excep&ccedil;&atilde;o de alguns par&aacute;grafos, poderia ser o Cap&iacute;tulo VI do <i>De computo</i>, sobre a contagem com os dedos (VI: <i>Quomodo digitis significentur</i>). Deste modo, o c&oacute;dice de Alcoba&ccedil;a apresenta menos texto, estando inclusivamente em falta aquele que forneceria dados para a elabora&ccedil;&atilde;o das imagens. &Eacute; sempre poss&iacute;vel que tenha cabido ao copista, no momento da c&oacute;pia, a decis&atilde;o de transcrever parcelarmente o texto e n&atilde;o todo aquele a que ter&aacute; tido acesso. Ainda assim, conv&eacute;m reiterar que o c&oacute;dice dispunha de mais f&oacute;lios, utilizados apenas em per&iacute;odo posterior. Se o Santa Cruz 8 for uma c&oacute;pia do Alc. 426, permanecem por explicar as diferen&ccedil;as nos diagramas e o texto remanescente. Esta conclus&atilde;o volta a sofrer novo abalo ao estudar detalhadamente as imagens.</p>     <p>O fl. 180r do Santa Cruz 8<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a> tem desenhado um quadro com a representa&ccedil;&atilde;o da contagem digital, que mostra as m&atilde;os distribuidas por pequenos rect&acirc;ngulos de fundo vermelho, encimados pela numera&ccedil;&atilde;o respectiva. O quadro apresenta a numera&ccedil;&atilde;o de 1 a 4, na primeira fila; de 5 a 9, na segunda (note-se que o 9 est&aacute; assinalado como <i>IX</i>, enquanto Alc. 426 assinalar&aacute; como <i>VIIII</i>); de 10 a 50, na terceira e de 60 a 90 na quarta fila. J&aacute; a quinta fila apresenta a numera&ccedil;&atilde;o das centenas, de 100 a 400 (a representa&ccedil;&atilde;o do 100 difere da usual nos manuscritos de Beda e do Alc. 426; tamb&eacute;m a representa&ccedil;&atilde;o do 400 ser&aacute; diferente no manuscrito alcobacense), depois de 500 a 900, de 1000 a 4000 e, na &uacute;ltima, de 5000 a 9000. O quadro est&aacute; ladeado por um conjunto de 8 figuras em grupos de dois, que fazem coincidir a posi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os e do corpo para representar as dezenas de milhar, seguindo o texto de perto. A primeira assinala 10.000 (m&atilde;o esquerda no meio do peito, com os dedos voltados para o pesco&ccedil;o); a segunda 20.000 (a m&atilde;o esquerda na mesma posi&ccedil;&atilde;o da anterior, mas com a palma voltada); a terceira 30.000 (a m&atilde;o voltada e o polegar levantado); a quarta 40.000 (a palma da m&atilde;o voltada para fora posicionada no abd&oacute;men); a quinta 50.000 (a m&atilde;o esticada com o polegar a tocar no abd&oacute;men); a sexta, provavelmente 60.000 (a m&atilde;o sobre a coxa / f&eacute;mur esquerdo, com a palma aberta). A s&eacute;tima figura levanta algumas d&uacute;vidas, uma vez que representa a m&atilde;o direita agarrando a coxa, posi&ccedil;&atilde;o que diria respeito ao 600.000, dado que as centenas de milhar seguem a l&oacute;gica das dezenas, desta feita com a m&atilde;o direita. Se se tratasse do 70.000 a posi&ccedil;&atilde;o deveria ser similar &agrave; anterior, mas com a m&atilde;o colocada ao contr&aacute;rio, com a palma para fora. A &uacute;ltima figura n&atilde;o ter&aacute; sido finalizada. Por determinar est&aacute; o sentido dos objectos que a m&atilde;o dispensada da representa&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica segura, sendo que no caso do 60.000 pode bem tratar-se do f&eacute;mur, referido no texto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/med/n15/n15a06f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O c&oacute;dice Alc. 426 apresenta a contagem digital com uma estrutura&ccedil;&atilde;o distinta, diferenciando o conjunto da m&atilde;o esquerda do da m&atilde;o direita. A organiza&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica da numera&ccedil;&atilde;o, at&eacute; &agrave; data sem termo de compara&ccedil;&atilde;o, assemelha-se ao que Adelaide Miranda, em diversas interven&ccedil;&otilde;es orais, identificou como um cadeiral visto de perfil<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a>. A representa&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os &eacute; encimada pela numera&ccedil;&atilde;o e apresenta-se sobre um fundo alternadamente vermelho e verde, intervalada por um espesso contorno a azul. Note-se que h&aacute;, em rela&ccedil;&atilde;o a Santa Cruz, n&atilde;o s&oacute; um maior cuidado na execu&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica das m&atilde;os como no investimento decorativo dos punhos. A primeira fila apresenta a numera&ccedil;&atilde;o de 1 a 4; a segunda de 5 a 8 (note-se que a representa&ccedil;&atilde;o do <i>VI</i> &eacute; erradamente igual &agrave; do <i>VIII</i>); a terceira, 9 (escrito como <i>VIIII</i>), 10, 20 e 30; a quarta vai do 40 ao 90. O segundo conjunto apresenta, de um lado, 100, 200 e 300, depois 400, 500 e 600 e, finalmente, 700, 800 e 900. Do outro, 1000, 2000, 3000; depois, 4000, 5000, 6000 e, enfim, 7000, 8000, 9000. Os quadros t&ecirc;m na base duas figuras masculinas, a primeira acompanhada do n&uacute;mero 10.000, a segunda intervala o que se sup&otilde;e ser 20.000. Note-se que, no caso da primeira, a posi&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o coincide com o descrito no texto (m&atilde;o no meio do peito, com os dedos voltados para o pesco&ccedil;o), mas seria esperada a m&atilde;o contr&aacute;ria. A segunda figura retoma a m&atilde;o esquerda com os dedos posicionados como no algarismo 2, embora apontados para o pesco&ccedil;o. O f&oacute;lio seguinte apresenta um conjunto de 8 figuras, novamente em grupos de dois<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a>. Aqui, numera&ccedil;&atilde;o escrita e posi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os n&atilde;o mais coincidir&atilde;o com Santa Cruz 8 nem, por isso, com o texto de R&aacute;bano Mauro ou com o de Beda. A primeira coluna apresenta escrito o n&uacute;mero 30.000 e a m&atilde;o na posi&ccedil;&atilde;o do algarismo 3, embora junto ao peito; a segunda o n&uacute;mero 40.000 e a m&atilde;o na posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o do 4, nem do 40 tal como mostra o quadro, mas sim do 40 tal como &eacute; representado e descrito no manuscrito de Beda. A terceira figura apresenta o 50.000 inscrito, mas a m&atilde;o esquerda est&aacute; sobre a coxa, ou f&eacute;mur, o que coincidiria no texto com 600.000, uma vez que se trata da m&atilde;o direita. A quarta mostra a inscri&ccedil;&atilde;o 60.000 e a m&atilde;o pode estar posicionada como o 6. Apesar de trocar de bra&ccedil;o, o desenho da m&atilde;o mostra-a como sendo a direita, suposi&ccedil;&atilde;o que ganha consist&ecirc;ncia depois de observada a coluna seguinte onde, ao trocar de bra&ccedil;o, a m&atilde;o &eacute; representada como sendo a esquerda. Na segunda coluna, aquela que parece ser a m&atilde;o esquerda posiciona-se como o 2000 do quadro e a segunda sust&eacute;m um quadrado com &#8220;XX&#8221;. A figura seguinte posiciona a m&atilde;o junto ao abd&oacute;men, deitada, e a outra segura um quadro com, talvez, &#8220;XXX&#8221;, tendo em conta a inscri&ccedil;&atilde;o precedente e a subsequente. A terceira figura posiciona a m&atilde;o como a j&aacute; vista no 40.000 e suportando a inscri&ccedil;&atilde;o &#8220;XC&#8221; e a &uacute;ltima, por terminar, em posi&ccedil;&atilde;o novamente sim&eacute;trica ao 50.000, posiciona a m&atilde;o sobre o f&eacute;mur e sust&eacute;m um quadro em branco.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/med/n15/n15a06f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/med/n15/n15a06f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O afastamento das figuras relativamente ao texto n&atilde;o deixa margem para d&uacute;vidas de que o copista do c&oacute;dice Alc. 426 n&atilde;o conheceria o cap&iacute;tulo VI do <i>De computo</i> de R&aacute;bano Mauro, nem o texto de Beda, tornando muito inconsistente a exist&ecirc;ncia liminar de um parentesco comum para estes dois manuscritos. No entanto, o facto de em ambos os casos o texto ter variantes comuns, ser truncado no mesmo local, permanecerem por terminar as &uacute;ltimas figuras, a sua proximidade figurativa, os objectos que guardam ou ostentam serem muito similares entre si e ainda a exist&ecirc;ncia em Santa Cruz 8 de um pequeno quadro, por terminar, semelhante aos de Alcoba&ccedil;a, n&atilde;o afasta por completo as d&uacute;vidas. Poder&atilde;o ter sido copiados de um manuscrito comum? Pode o Santa Cruz 8 partir do Alc. 426, completando-o e desenhando as figuras fi&eacute;is ao texto? Poder&aacute; o Alc. 426 ser uma c&oacute;pia do Santa Cruz 8 e o iluminador empregar, na sua sequ&ecirc;ncia num&eacute;rica, a l&oacute;gica das representa&ccedil;&otilde;es dos quadros (dezenas, etc.), por n&atilde;o ter tido o modelo em m&atilde;os tempo suficiente, terminando as imagens de mem&oacute;ria? Ou segue Alcoba&ccedil;a um outro esquema, uma outra l&oacute;gica, que incorpora tamb&eacute;m os objectos, que n&atilde;o nos &eacute; hoje [ainda] conhecida?</p>     <p>Estas quest&otilde;es tornam-se ainda mais prementes depois do estudo da por&ccedil;&atilde;o de texto que o Santa Cruz 8 possui, j&aacute; antes mencionada. Trata-se, na verdade, e de forma surpreendente, (de parte) do primeiro cap&iacute;tulo do <i>De temporum ratione</i> de Beda (<i>De computo vel loquela digitorum)</i> que, depois de alguns par&aacute;grafos, explica a contagem pelos dedos (fl. 179-180). Desta feita, o texto n&atilde;o retoma, afinal, o <i>De computo</i> de R&aacute;bano Mauro no cap&iacute;tulo VI, mas integra o primeiro cap&iacute;tulo do tratado que R&aacute;bano usou como fonte. Se, por um lado, fica explicado o rigor textual das imagens, permanece surpreendente semelhante jun&ccedil;&atilde;o (que n&atilde;o &eacute; despropositada), sem paralelo conhecido. Perduram, tamb&eacute;m, as d&uacute;vidas quanto &agrave;s imagens e ao texto em falta no Alc. 426 e &agrave;s restantes diferen&ccedil;as.</p>     <p>Pouco conclusiva &eacute;, ainda, a compara&ccedil;&atilde;o com outros c&oacute;dices, uma vez que n&atilde;o foi poss&iacute;vel ter acesso a outros trechos ou fragmentos e, do conjunto dos manuscritos completos referidos pelo <i>CCCM</i> e com imagens acess&iacute;veis, s&oacute; no ms. L de R&aacute;bano Mauro &eacute; que h&aacute; alguma similitude na forma de representar o quadro das m&atilde;os, o que poderia contribuir para a eventualidade de um parentesco verificada tamb&eacute;m, como se apontou, ao n&iacute;vel do texto. Por&eacute;m, no ms. de Leiden as iluminuras ocupam 4 folios (fl. 4 e 5) e destinam-se a iluminar o cap&iacute;tulo VI da obra de R&aacute;bano. Est&atilde;o dispostas em quadrados (fl. 4r) e c&iacute;rculos (fl. 4v e 5r), sendo 53 no total, sem cor, e as figuras humanas envergam uma toga. Al&eacute;m disso, as representa&ccedil;&otilde;es foram executadas com detalhe para poder diferenciar a <i>medium palmae </i>da<i> radix palmae</i> (distin&ccedil;&atilde;o relevante para a correcta posi&ccedil;&atilde;o dos dedos), o que n&atilde;o acontece nem no Alc. 426, nem no Santa Cruz 8. Por fim, o &uacute;ltimo f&oacute;lio apresenta tr&ecirc;s figuras, duas fecham o ciclo do f&oacute;lio precedente representando 800.000 e 900.000 e a central, de maiores dimens&otilde;es, assinala um milh&atilde;o, o mais elevado n&uacute;mero a ser representado atrav&eacute;s dos processos de contagem manual. Tamanha diverg&ecirc;ncia reduz o entusiasmo causado por uma hipot&eacute;tica familiariedade textual.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tendo-se ocupado, esta investiga&ccedil;&atilde;o, com a procura de um antecedente para o Alc. 426 e para o Santa Cruz 8 que aclarasse as diferen&ccedil;as entre ambos os c&oacute;dices, explicasse a sua rela&ccedil;&atilde;o e proximidade e contribu&iacute;sse para esclarecer as raz&otilde;es da c&oacute;pia de uma pequena parcela do <i>De computo</i>, iluminada, mas j&aacute; sem qualquer rela&ccedil;&atilde;o com as fun&ccedil;&otilde;es dos tratados de c&aacute;lculo que lhe estiveram na origem,  pode dizer-se que n&atilde;o h&aacute;, at&eacute; &agrave; data, uma resposta satisfat&oacute;ria. Por&eacute;m, talvez estas quest&otilde;es se possam complementar com outras. Isto &eacute;, h&aacute; outros manuscritos em Portugal similares? H&aacute; outros manuscritos de c&aacute;lculo, comp&ecirc;ndios ou n&atilde;o que, &agrave; semelhan&ccedil;a do que vemos acontecer noutras obras, incluam quest&otilde;es de astronomia, geometria, etc.? E que outros volumes de Papias existiram?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas finais sobre a circula&ccedil;&atilde;o de Papias e de R&aacute;bano em Portugal e as caracter&iacute;sticas cient&iacute;ficas de Santa Cruz</b></p>     <p>Foi em fun&ccedil;&atilde;o destas quest&otilde;es que se procurou, sob a orienta&ccedil;&atilde;o da bibliografia a que se vem recorrendo e de forma t&atilde;o exaustiva quanto poss&iacute;vel, alus&otilde;es a volumes de Papias, obras de R&aacute;bano Mauro ou tratados de c&aacute;lculo, na actual constitui&ccedil;&atilde;o dos fundos, em invent&aacute;rios, not&iacute;cias e testamentos. Teve-se tamb&eacute;m em considera&ccedil;&atilde;o a inscri&ccedil;&atilde;o do Alc. 426, datada do s&eacute;c. XVIII, que atribui a c&oacute;pia do c&oacute;dice a um Frei Afonso do Louri&ccedil;al, do Mosteiro de Santa Maria de Sei&ccedil;a. Aqui mantiveram-se as devidas reservas, pois Aires do Nascimento, &agrave; semelhan&ccedil;a de outros autores, ressalva que a atribui&ccedil;&atilde;o referida por Frei Manuel dos Santos, por Barbosa Machado e at&eacute; pelo <i>Index Codicum</i>, &eacute; duvidosa<sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a>. A inscri&ccedil;&atilde;o deve ser vista &agrave; luz da preocupa&ccedil;&atilde;o eclesi&aacute;stica que se fazia sentir por press&atilde;o pol&iacute;tica e que pode ter originado falsas atribui&ccedil;&otilde;es, para forjar origens portuguesas e remotas para os c&oacute;dices. Sem outros dados torna-se, pois, dif&iacute;cil assentar numa data&ccedil;&atilde;o, atribui&ccedil;&atilde;o e proveni&ecirc;ncia t&atilde;o precisas. Por&eacute;m, a inscri&ccedil;&atilde;o serviu de motiva&ccedil;&atilde;o para conhecer as caracter&iacute;sticas do fundo de Sei&ccedil;a e procurar refer&ecirc;ncias &agrave; movimenta&ccedil;&atilde;o de monges (no caso de Cister) para outros mosteiros, a fim de copiar ou adquirir c&oacute;dices.</p>     <p>Ora em Sei&ccedil;a, Bouro e nas abadias beneditinas do Norte de Portugal, ao longo dos s&eacute;culos XI e XII, praticamente n&atilde;o existem obras cient&iacute;ficas ou de autores carol&iacute;ngios. Na lista de livros inclu&iacute;da no invent&aacute;rio dos bens dos mosteiros de Sei&ccedil;a e de Bouro de 1408, e na lista de livros do mosteiro de Bouro de 1437<sup><a href="#76">76</a></sup><a name="top76"></a>, n&atilde;o encontramos nenhum tratado de c&aacute;lculo referenciado. Contudo, em Santa Maria de Sei&ccedil;a h&aacute; registo de &#8220;dous livros de defin[i]&ccedil;&otilde;oes&#8221;<sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a>. E o <i>Vocabularium</i> de Papias integra a lista de Bouro. De acordo com Jos&eacute; Mattoso, os cistercienses de ambos os mosteiros n&atilde;o conhecem nada do que se produziu durante o s&eacute;culo XI a n&atilde;o ser este <i>Vocabularium</i><sup><a href="#78">78</a></sup><a name="top78"></a>. Ignora-se, em todo o caso, qualquer rela&ccedil;&atilde;o que possa ter com os manuscritos em estudo e se possuiria o texto de R&aacute;bano no final. Mas fica a quest&atilde;o: ter&aacute; sido a rubrica de Sei&ccedil;a o ponto de partida para a inscri&ccedil;&atilde;o no fl.1 do Alc. 426? &Eacute; dif&iacute;cil assegurar e talvez n&atilde;o muito prov&aacute;vel, uma vez que refere dois, e n&atilde;o tr&ecirc;s livros de defini&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>No invent&aacute;rio de Bouro de 1437 h&aacute; 5 exemplares do Livro de Reis<sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a>, n&atilde;o se sabendo exactamente quais destes seriam coment&aacute;rios, dado o car&aacute;cter sucinto das entradas. Todavia, est&aacute; indicado que o mosteiro adquiriu um &#8220;liuro de exprana&ccedil;&atilde;o sobre hos quatro liuros dos reys&#8221; (n. 47). Segundo Jos&eacute; Mattoso, pode tratar-se do coment&aacute;rio ao Livro de Reis de R&aacute;bano Mauro, um dos mais difundidos neste per&iacute;odo<sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a>, constituindo uma excep&ccedil;&atilde;o relativamente ao acima apontado<sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a>.</p>     <p>H&aacute; um invent&aacute;rio de livros de meados do s&eacute;culo XIII feito no final de um <i>Necrol&oacute;gio</i>, relativo ao Mosteiro de S. Vicente de Fora, que descreve a livraria indicando os c&oacute;dices ausentes por empr&eacute;stimo. Na lista, consta o vocabul&aacute;rio de Papias em dois volumes, mas n&atilde;o h&aacute; novamente outras informa&ccedil;&otilde;es que permitam associ&aacute;-lo aos exemplares em estudo<sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a>.</p>     <p>No fundo de Santa Cruz de Coimbra, al&eacute;m do Santa Cruz 8, conhecemos a exist&ecirc;ncia de homilias de R&aacute;bano Mauro, datadas de 1139, e um coment&aacute;rio ao livro de Reis<sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a>. Quanto a Papias, A. da Cruz refere a c&oacute;pia do texto deste autor num c&oacute;dice de Santa Cruz de meados do s&eacute;culo XII: &#8220;Por seu turno, bem carece o gram&aacute;tico Papias, esse sim, de uma anota&ccedil;&atilde;o, a partir dos seus textos que foram transladados num c&oacute;dice de Santa Cruz. Justifica-se assazmente, em nosso entender, a particular circunst&acirc;ncia de nem sempre haver merecido a obra deste autor lombardo a observa&ccedil;&atilde;o que lhe &eacute; devida e que vem atribuir-lhe destacado lugar no enciclopedismo do seu tempo, uma vez que atrav&eacute;s dela, posto que s&oacute; em curtos excertos, alguns escritores latinos e gregos assim foram divulgados na segunda metade do s&eacute;culo XI, pois que foi entre 1053 e 1063 que Papias redigiu o seu <i>Vocabularium</i>. Decorrido um s&eacute;culo e por meio de uma c&oacute;pia do texto de Papias, esses mesmos autores entravam no conv&iacute;vio das leituras de Santa Cruz: al&eacute;m dos Santos Padres (Agostinho, Ambr&oacute;sio, Beda, Bento, Jer&oacute;nimo, etc.), um Arist&oacute;teles e um C&iacute;cero (Tullius), um Juvenal, um Lucano, um Ov&iacute;dio, um Prisciano, um Plat&atilde;o, um Ter&ecirc;ncio... Reduzido pec&uacute;lio, o dos excertos dos escritores gregos e latinos inclu&iacute;dos no <i>Vocabularium</i> de Papias? Sem d&uacute;vida. Por&eacute;m, sinal de presen&ccedil;a e logo pelos meados de duzentos, dentro da can&oacute;nica conimbrigense, de autores do Classicismo de quem geralmente s&oacute; vem a ser assinalada a sua divulga&ccedil;&atilde;o e em terra nossa nos tempos posteriores ao s&eacute;culo XII&#8221;<sup><a href="#84">84</a></sup><a name="top84"></a>.</p>     <p> A refer&ecirc;ncia &agrave; exist&ecirc;ncia de um c&oacute;dice de Papias em meados do s&eacute;culo XII n&atilde;o pode passar despercebida, pois ou se refere a um outro c&oacute;dice com data&ccedil;&atilde;o anterior, ou se recua a cronologia do Santa Cruz 8 para a primeira metade do XII, tornando-o anterior ao Alc. 426. Claro que esta data&ccedil;&atilde;o pode ser imprecisa. Contudo, tratando-se de um exemplar anterior, pode colocar-se a possibilidade de ter servido de modelo para o Alc. 426 e para o Santa Cruz 8.</p>     <p>N&atilde;o se sabendo muito sobre a circula&ccedil;&atilde;o, permuta de c&oacute;dices e recrutamento de escribas, sabemos j&aacute; o grau de contacto que Santa Cruz mantinha com S&atilde;o Mamede do Lorv&atilde;o, Santa Maria de Alcoba&ccedil;a e, at&eacute;, S. Vicente de Lisboa<sup><a href="#85">85</a></sup><a name="top85"></a>, a que acrescem, como refere Caeiro, &#8220;as rec&iacute;procas e fundas influ&ecirc;ncias exercidas entre Regrantes e Cistercienses, que a hist&oacute;ria das duas ordens confirma, o exame das respectivas espiritualidades fundamenta e a que n&atilde;o s&oacute; a tradi&ccedil;&atilde;o mon&aacute;stica portuguesa, como a comprova&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica das fontes da obra antoniana, v&ecirc;m emprestar uma for&ccedil;a singular&#8221;<sup><a href="#86">86</a></sup><a name="top86"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A informa&ccedil;&atilde;o que Caeiro adita na nota 78, a partir do trabalho de Pierre David e para corroborar a estreita liga&ccedil;&atilde;o entre os dois Mosteiros, d&aacute; conta da escassa mas preciosa informa&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave; c&oacute;pia em Alcoba&ccedil;a de pelo menos um manuscrito dos c&acirc;nones regulares. &Eacute; atrav&eacute;s de uma not&iacute;cia que descreve manuscritos cedidos a tr&ecirc;s distintos destinat&aacute;rios (Pedro Peres, Pedro Vicente e Mestre Gil) em, respectivamente, 1206, 1207 e 1218<sup><a href="#87">87</a></sup><a name="top87"></a>, identificada por Caeiro como a mais antiga resenha da biblioteca dos c&oacute;negos regrantes, que tomamos conhecimento das caracter&iacute;sticas cient&iacute;ficas da livraria de Santa Cruz, respondendo &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es esquem&aacute;ticas, no caso vertente do <i>quadrivium</i><sup><a href="#88">88</a></sup><a name="top88"></a>.</p>     <p>Este invent&aacute;rio revela-se de particular import&acirc;ncia n&atilde;o s&oacute; pelo que aclara sobre a circula&ccedil;&atilde;o, empr&eacute;stimo ou mesmo doa&ccedil;&atilde;o de livros entre mosteiros, mas tamb&eacute;m porque refere concretamente livros cient&iacute;ficos, entre os quais um de c&aacute;lculo. Sa&uacute;l A. Gomes declara inclusivamente que foi detectado &#8220;um n&uacute;mero significativo de fragmentos de c&oacute;dices de obras cient&iacute;ficas reutilizados, no <i>scriptorium </i>de Santa Cruz de Coimbra, como materiais de encaderna&ccedil;&atilde;o&#8221;. E prossegue: &#8220;N&atilde;o poderemos, naturalmente, garantir que tivessem pertencido a manuscritos do <i>armarium </i>desses c&oacute;negos, mas a sua exist&ecirc;ncia, ainda que como <i>membra disiecta</i>, neste espa&ccedil;o n&atilde;o pode deixar de assumir significado cultural.&#8221;<sup><a href="#89">89</a></sup><a name="top89"></a></p>     <p>Santa Cruz teria, portanto, no seu fundo, em pleno s&eacute;culo XII e no in&iacute;cio do XIII, o vocabul&aacute;rio de Papias e um conjunto de obras que, provavelmente, a deixam no lugar de livraria mais bem documentada sobre c&aacute;lculo, astronomia e astrologia. Ao contr&aacute;rio da biblioteca de S. Vicente ou mesmo de Santa Maria de Alcoba&ccedil;a, que teriam pouca propens&atilde;o para estas mat&eacute;rias, sendo o alcobacense de R&aacute;bano Mauro uma das poucas excep&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Jos&eacute; Mattoso associa as caracter&iacute;sticas cient&iacute;ficas da livraria da S&eacute; de Coimbra<sup><a href="#90">90</a></sup><a name="top90"></a> e do mosteiro de Santa Cruz ao facto da cidade ter sido, at&eacute; aos anos 1115 ou 1116, centro de resist&ecirc;ncia de uma comunidade mo&ccedil;&aacute;rabe. Raz&atilde;o que pode, inclusivamente, explicar a circula&ccedil;&atilde;o de c&oacute;dices de Isidoro de Sevilha, obras de gram&aacute;tica e textos cl&aacute;ssicos, j&aacute; que &#8220;os meios mo&ccedil;&aacute;rabes conservaram durante todo o per&iacute;odo de ocupa&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana um vivo interesse pela cultura cl&aacute;ssica&#8221;<sup><a href="#91">91</a></sup><a name="top91"></a>. Se se cotejar as reflex&otilde;es pregressas, testemunho das caracter&iacute;sticas cient&iacute;ficas de Santa Cruz, com a eventualidade de ter cabido ao mosteiro cr&uacute;zio a circula&ccedil;&atilde;o de outros c&oacute;dices, entre os quais obras de gram&aacute;tica, e a ser precisa a data&ccedil;&atilde;o de Papias logo de meados do s&eacute;culo XII, &eacute; ainda mais plaus&iacute;vel que daqui tenha partido o modelo para Alcoba&ccedil;a (e para outros mosteiros). Mas a hip&oacute;tese inversa n&atilde;o pode ser posta de parte. E se o Santa Cruz 8 &eacute; uma c&oacute;pia do Alc. 426, &eacute; perfeitamente admiss&iacute;vel que tenha sido confrontado e completado com o <i>De temporum ratione</i> de Beda, &#8220;corrigindo&#8221; as imagens. Aparte a quest&atilde;o de <i>quem</i> &eacute; que copiou <i>quem</i>, estranha-se que n&atilde;o haja uma sugest&atilde;o de correc&ccedil;&atilde;o para Alcoba&ccedil;a (recorde-se que os f&oacute;lios finais s&oacute; s&atilde;o preenchidos mais tarde), o que nos volta a deixar perante a possibilidade dos dois c&oacute;dices poderem ser menos relacionados do que aparentam.</p>     <p>Apesar deste caminho ir j&aacute; longo, &eacute; ainda preliminar. Faltaria trabalhar os dois c&oacute;dices em conjunto com outros que sejam comuns a ambos os mosteiros<sup><a href="#92">92</a></sup><a name="top92"></a>. Uma an&aacute;lise global das correspond&ecirc;ncias de autores, a par do estudo da ornamenta&ccedil;&atilde;o e das varia&ccedil;&otilde;es textuais, pode dar mais consist&ecirc;ncia a qualquer uma das alternativas que se sugeriram, permitindo que se prossiga com a investiga&ccedil;&atilde;o em busca das certezas poss&iacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO </b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <!-- ref --><p>COUTINHO, Maria &#8211; &#8220;<i>De computo</i> de R&aacute;bano Mauro. O texto e as iluminuras do Sta Cruz 8 e do Alc. 426&#8221;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm;15, (Janeiro - Junho 2014). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA15/coutinho1506.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA15/coutinho1506.html</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1646-740X201400010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 12 de Setembro de 2013</p>     <p>Data aceita&ccedil;&atilde;o do artigo: 7 de Novembro de 2013</p>     <p>&nbsp;</p> <b>Notas</b>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> A data&ccedil;&atilde;o destes dois manuscritos n&atilde;o parece estar completamente resolvida. A.A. Nascimento data o Alc. 426 como sendo dos finais do s&eacute;culo XII, in&iacute;cios do XIII, tendo em conta as caracter&iacute;sticas da encaderna&ccedil;&atilde;o. Adelaide Miranda, depois de um estudo da ornamenta&ccedil;&atilde;o e iluminura, data-os tamb&eacute;m do final do s&eacute;culo XII. Actualmente vigora a informa&ccedil;&atilde;o que consta no <i>Cat&aacute;logo dos C&oacute;dices da Livraria de M&atilde;o do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra na Biblioteca Municipal do Porto</i>. Porto: BPMP, 1997, pp.75-77, coord. Aires Augusto Nascimento e Jos&eacute; Meirinhos e no <i>The Fundo Alcoba&ccedil;a of the Biblioteca Nacional, Lisbon</i>. Collegeville, Minnesota: Hill Monastic Manuscript Library, 1988-1990, pp. 199-202, de Thomas Amos e Jonathan Black (co-autor).</p>     <p>Cf. NASCIMENTO, Aires Augusto do; DIOGO, Ant&oacute;nio Dias &#8211; <i>Encaderna&ccedil;&atilde;o Portuguesa Medieval: Alcoba&ccedil;a</i>. Lisboa: INCM, 1984. pp. 60-61, 84-85;</p>     <p>Cf. MIRANDA, Adelaide &#8211; <i>A iluminura rom&acirc;nica em Santa Cruz de Coimbra e Santa Maria de Alcoba&ccedil;a</i>: <i>subs&iacute;dios para o estudo da iluminura em Portugal </i>[Texto policopiado], Tese dout., Hist&oacute;ria da Arte Medieval, Univ. Nova de Lisboa, 1996, pp. 185 e 428; in SILVA MARQUES, Jo&atilde;o Martins da &#8211;  <i>Estudos de Paleografia Portuguesa</i>. Lisboa: Sociedade Industrial de Tipografia, 1938, p. 32.</p>     <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> STEVENS, Wesley &#8211; &#8220;<i>Rabani Mogontiacensis Episcopi De computo&#8221;</i>, <i>Corpus christianorum continuatio mediaevalis</i> 44, Turnhout: Brepols, 1979, p. 167.</p>     <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> &#8220;Le terme de comput ne d&eacute;signe pas seulement, au Moyen Age, l&#8217;ensemble des proc&eacute;d&eacute;s permettant de fixer &agrave; l&#8217;avance la date de P&acirc;ques; il englobe un certain nombre de conaissances qui rel&egrave;vent aujourd&#8217;hui de la science astronomique. Computus &eacute;quivailait &agrave; l&#8217;expression <i>ratio temporum&#8221; </i>(inCORDOLIANI, Alfred &#8211; <i>Trait&eacute;s de comput eccl&eacute;siastique de 525 a 990.</i> Daupeley-Gouverneur, 1942, p. 51).</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> p. 167.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Cf. Bede - <i>The reckoning of Time.</i> Ed., trad. e introd. Faith Wallis. Liverpool: Liverpool University Press, 1999. p. xvii.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Al&eacute;m das fontes citadas, a obra de R&aacute;bano Mauro inclui reflex&otilde;es do <i>De natura rerum</i> e das <i>Etymologiarum</i> <i>sive originum libri XX</i> de Isidoro de Sevilha (ou de alguma colect&acirc;nea que incluisse excertos ou par&aacute;frases destas obras) e usou <i>argumenta</i> e a t&aacute;bua de 19 anos de Dion&iacute;sio Ex&iacute;guo. Textos de autores como Ambr&oacute;sio, Agostinho, Jer&oacute;nimo, Donato, Prisciano, Virg&iacute;lio e Josefo, com que tomou contacto em diversas ocasi&otilde;es, podem, tamb&eacute;m, ter tido alguma relev&acirc;ncia. &Eacute; ainda poss&iacute;vel que R&aacute;bano conhecesse a obra <i>Arithmetica</i> de Bo&eacute;cio (citada no cap&iacute;tulo 1), a de Pl&iacute;nio Segundo, <i>Naturalis historia</i> (usada no cap&iacute;tulo XXII) e o <i>Astronomicon</i> (usada no cap. XXVIII), embora W. Stevens refira que tais passagens possam ter sido retiradas de tratados de c&aacute;lculo mais gerais. in STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> p. 177.</p>     <p>Acerca das poss&iacute;veis fontes de R&aacute;bano Mauro (ou dos manuscritos que circulariam e com que pode ter tomado contacto), veja-se pp. 177-180 e nota 59 deste autor, e RISSEL, Maria &#8211; <i>Rezeption antiker und patristischer Wissenschaft bei Hrabanus Maurus: Studien zur karolingischen Geistesgeschichte</i>. Bern [u.a.]: Lang [u.a.], 1976, pp. 30-40.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> A inspira&ccedil;&atilde;o de Beda para o seu texto sob a forma de di&aacute;logo parece ter sido um texto irland&ecirc;s, o <i>De computo dialogus</i> (PL 90.647-652). Este tratado, bem como o que o acompanha na PL, <i>De divisionibus temporum</i>, formam parte de uma obra maior composta na Irlanda no s&eacute;culo VII. Cf. WALLIS, Faith &#8211; <i>op. cit.,</i> p. xxiii e nota 18 (onde acrescenta bibliografia). A estrutura do texto de R&aacute;bano pode, ent&atilde;o, ser influ&ecirc;ncia do tratado de Beda.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> F. Wallis diz que &eacute; justamente por esta raz&atilde;o que o tema n&atilde;o tem despertado grande interesse cient&iacute;fico; n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o tem antecedente no c&acirc;none antigo das ci&ecirc;ncias, como n&atilde;o tem sucessor. Cf. WALLIS, Faith &#8211; <i>op. cit.</i> p. xviii.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Cf. WALLIS, Faith &#8211; <i>op. cit. </i>p. xxxiv.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> in WALLIS, Faith &#8211; <i>op. cit.</i> p. xxxv. Tradu&ccedil;&atilde;o da autora.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> De acordo com o que explica F. Wallis e que S. McClusluskey tamb&eacute;m refere, ao dividir 365,2422 dias por 29,5306 (em m&eacute;dia, uma vez que pode haver altera&ccedil;&otilde;es m&ecirc;s a m&ecirc;s decorrentes da for&ccedil;a gravitacional da Terra e do Sol), obt&eacute;m-se o resultado de 12,3683, que ser&aacute; o n&uacute;mero de luna&ccedil;&otilde;es num ano solar. Ora aproximadamente de tr&ecirc;s em tr&ecirc;s anos deve introduzir-se um m&ecirc;s lunar, fazendo com que o ano solar tenha 13 luna&ccedil;&otilde;es. O objectivo de um calend&aacute;rio luno-solar c&iacute;clico &eacute;, portanto, encontrar um conjunto de anos solares que consiga acomodar um conjunto de luna&ccedil;&otilde;es completo, de forma a que as datas possam ser confrontados com o calend&aacute;rio solar, em qualquer um dos seus 365 dias. Tal calend&aacute;rio &eacute; imposs&iacute;vel porque a frac&ccedil;&atilde;o decimal do excesso dos meses lunares (3683) &eacute; um n&uacute;mero irracional e n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel comutar para uma frac&ccedil;&atilde;o comum. Todavia, &eacute; poss&iacute;vel chegar a solu&ccedil;&otilde;es aproximadas, como intercalar 3 meses lunares sobre 8 anos, 4 meses lunares sobre 11 anos, 7 sobre 19 anos ou 31 sobre 84 anos. Estas s&atilde;o as bases do ciclo de 8 anos (<i>octaeteris</i>), dos v&aacute;rios ciclos de 84 anos e do ciclo de 19 anos. O que se procurava era, enfim, um sistema matem&aacute;tico que permitisse correlacionar dois artificiais ciclos astron&oacute;micos regularizados, prejudicando o m&iacute;nimo poss&iacute;vel os fen&oacute;menos naturais. Todos estes sistemas foram usados na Antiguidade, sendo que o de 19 anos &eacute; o mais preciso e o mais recorrente. in e cf. WALLIS, Faith &#8211; <i>op. cit.</i> pp. xli-xliii e cf. MCCLUSKEY, Stephen - <i>Astronomies and Cultures in Early Medieval Europe</i>. USA: Cambridge University Press, 1998, pp. 80-84.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Cf. WALLIS, Faith &#8211; <i>op. cit.</i> p. xx.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Veja-se WALLIS, Faith &#8211; <i>op. cit.</i> nota 62, pp. xxxviii-xxxix. Nesta p&aacute;gina, tal como na anterior, d&aacute; conta das datas espec&iacute;ficas da celebra&ccedil;&atilde;o, dos processos para determinar o equin&oacute;cio, dos limites definidos por Roma e da preocupa&ccedil;&atilde;o em evitar que a P&aacute;scoa coincidisse com a festa da funda&ccedil;&atilde;o da cidade, a 21 de Abril. Na nota 49 (p. xxxv), F. Wallis refere duas antologias de textos patr&iacute;sticos sobre o tema e respectivas controv&eacute;rsias, &uacute;teis para o estudo da quest&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> &#8220;These combinations (e.g. easter tables and tracts of computistical calculation) very shortly attracted to themselves works on arithmetic, astronomy, geography, chemistry and medicine. Moreover they gave rise to two of the most popular mediaeval literary forms, the annal and the martyrology&#8221;. in JONES, Charles W. &#8211; <i>Opera de temporibus</i>, Cambridge, Mass.: Mediaeval Academy of America, 1943 (pp. 2-122),  p. 76. Citado a partir de RISSEL, Maria &#8211; <i>op. cit</i>. p. 22.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> GRANT, Hardy &#8211; "Mathematics and the Liberal Arts". in<i> The College Mathematics Journa</i>l. Vol. 30, N&ordm; 2 (Mar&ccedil;o 1999), (pp. 96-105), p. 102.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> A este respeito, veja-se a nota 1 da p. 21 de M. Rissel (<i>op. cit.</i>) que refere a exist&ecirc;ncia, no per&iacute;odo entre os s&eacute;culos VIII e XII, de mais de 100 manuscritos de c&aacute;lculo. Na nota fornece bibliografia relevante sobre o tema. Vejam-se, tamb&eacute;m, as observa&ccedil;&otilde;es iniciais de A. Cordoliani em &#8220;Une encyclop&eacute;die carolingienne de comput: les "Sententiae in laude compoti", in <i>Biblioth&egrave;que de l'&eacute;cole des chartes</i>. 1943, tome 104. (pp. 237-243), p. 237.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Consulte-se, a t&iacute;tulo de exemplo, a troca de correspond&ecirc;ncia entre Carlos Magno e Alcu&iacute;no ou a resposta de Dungal a Carlos Magno, sobre os eclipses do sol, em 810 (PL CV 447-458). Cf. MCCLUSKEY, Stephen &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 132-133.</p>     <p>Para uma perspectiva sobre tratados, ou outros, sobre c&aacute;lculo produzidos neste per&iacute;odo, veja-se STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 171-175.</p>     <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> Citado a partir de STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> p. 174.</p>     <p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 174-176.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Sobre a ep&iacute;stola de Mac&aacute;rio e a respectiva resposta de R&aacute;bano, confira-se RISSEL, Maria &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 19-21.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> p. 176.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Stevens prop&otilde;e esta divis&atilde;o discutindo a triparti&ccedil;&atilde;o proposta por M. Rissel, bem como as fontes que atribui a cada cap&iacute;tulo. Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> p.178. e RISSEL, Maria &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 30-40.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 178-179.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Stevens refere que o tratado da contagem manual pode ser encontrado em v&aacute;rios manuscritos do in&iacute;cio do s&eacute;c. IX. Diz na nota 58: &#8220;The tract with which Hraban begins his discussion of finger-reckoning (VI, 4/15), inc: <i>Tres digiti in sinistra manu...</i>, is found in many manuscripts of the early ninth century; see Jones Bedae Ps 54 and TKr 1583. There are several versions and a large bibliography. (...)&#8221; in STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> p. 179 nota 58. Ver tamb&eacute;m p. 179 e nota 59.</p>     <p>Para a descri&ccedil;&atilde;o dos cap&iacute;tulos, cf. pp. 179-180.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> De resto, sobrevivem de Fulda desenhos de planisf&eacute;rios e outros instrumentos de observa&ccedil;&atilde;o estelar. Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 182-183, nota 9 e nota 64. Acerca da percep&ccedil;&atilde;o globular da terra veja-se a nota 63 do autor.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit. </i>pp. 180-187.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> in e Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 183-187.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> in e Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> <i>ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> <i>Ibidem</i> cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit. </i>pp. 187-188.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Sobre <i>norma rectitudinis</i> ver STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i>, p. 187 e  nota 78.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Cordoliani refere que o tratado <i>De computo </i>de R&aacute;bano, assim como o de Alcu&iacute;no <i>De bissexto</i> <i>e De cursu et saltu lunae</i>, s&atilde;o simples adapta&ccedil;&otilde;es do <i>De temporum ratione</i> de Beda: &#8220;La Renaissance carolingienne a &eacute;t&eacute; une p&eacute;riode de diffusion des conaissances scientifiques bien plus que d&#8217;elaboration de th&eacute;ories nouvelles. Dans chacun des arts lib&eacute;raux, on a vu appara&icirc;tre des trait&eacute;s g&eacute;n&eacute;raux, des encyclop&eacute;dies, ayant pour but de permettre aux clercs et aux la&iuml;ques d&#8217;acqu&eacute;rir un ensemble suffisant de conaissances. C&#8217;est la pens&eacute;e &agrave; laquelle ont ob&eacute;i Alcuin et Raban Maur en composant leurs trait&eacute;s de comput, simples adaptations du <i>De temporum ratione</i> de B&eacute;de.&#8221; in CORDOLIANI, A. &#8211; &#8220;Une encyclop&eacute;die carolingienne de comput: les "Sententiae in laude compoti", in <i>Biblioth&egrave;que de l'&eacute;cole des chartes</i>. 1943, tome 104. (pp. 237-243). p. 237.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o obstante ser vis&iacute;vel a proximidade entre estes textos e o reconhecido o interesse da corte carol&iacute;ngia mais em aclarar d&uacute;vidas e uniformizar as pr&aacute;ticas, no caso as observ&acirc;ncias pascais, do que propriamente inovar nesta mat&eacute;ria, a obra de Weasley Stevens a que se tem vindo a recorrer, bem como a de M. Rissel, questionam sem esfor&ccedil;o a putativa falta de originalidade compositiva de R&aacute;bano Mauro.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> MCCLUSKEY, Stephen &#8211; <i>op. cit.</i> p. 150.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> GRANT, Hardy &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 102-103.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> MCCLUSKEY, Stephen &#8211; <i>op. cit.</i> p. 207.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> MCCLUSKEY, Stephen &#8211; <i>op. cit. ibidem.</i></p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Cf. WALLIS, Faith &#8211; <i>op. cit.</i> p. xcvii e nota 277.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Ms. B London, British Library, Additional 10801 (s&eacute;c. XVII), transcrito de um exemplar de Fulda, f. 1-59v. Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> p. 190.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Manuscritos do s&eacute;culo XII A: Avranches, Biblioth&egrave;que municipale 114 (s&eacute;c. XII, Normandia?), f. 98-132; O: M&uuml;nchen, Bayerische Staatsbibliothek, Codex lat. 17145 (s&eacute;c. XII 12, Sch&auml;ftlarn/Baviera), f. 41-56v; V: London, British Library, Cotton Vitellius A. (s&eacute;c. XI ou XII, Sul de Inglaterra), f. 10v-40v; H: London, British Library, Harley 3092 (s&eacute;c. XI, 1&ordf; metade do s&eacute;culo XII?, Fulda?) ff. 29r-39v; L: Leiden, Bibliothek der Rijksuniversiteit, B.P.L. 191 BD (s&eacute;c. XII, zona central do Reno), f. 1-26v. Cf. WALLIS, Faith &#8211; <i>op. cit. </i>pp. 190-194.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> C&oacute;d. Alc. 426 fl. 1v-155v; Santa Cruz 8 fl. 1-105v.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> C&oacute;d. Alc. 426 fl. 155v-220; Santa Cruz 8 fl. 105v-155.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> C&oacute;d. Alc. 426 fl. 220-249; Santa Cruz 8 fl. 155-177.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> C&oacute;d. Alc. 426 fl. 249-250v; Santa Cruz 8 fl. 177-178v.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> C&oacute;d. Alc. 426 fl. 250v-252; Santa Cruz 8 fl. 178v-180.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> C&oacute;d. Alc. 426 fl. 252v-258.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> C&oacute;d. Alc. 426 fl. 258v.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> C&oacute;d. Alc. 426 fl. 259.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> O Alc. 426 apresenta encaderna&ccedil;&atilde;o primitiva, de camisa com dupla cobertura em pele e fecho no plano posterior. N&atilde;o sendo regra, &eacute; tradi&ccedil;&atilde;o mediterr&acirc;nica. Aires do Nascimento classifica-a como sendo de articula&ccedil;&atilde;o por nervo sigm&aacute;tico tipo B (tal como o 424 e o 425, por exemplo), com um furo vertical junto &agrave; margem do dorso. Cf. NASCIMENTO, A. A.; DIOGO, Ant&oacute;nio Dias &#8211; <i>op. cit.</i>, pp. 60-61, 84-85. Quanto ao Santa Cruz 8, a encaderna&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada do <i>tipo Santa Cruz</i>, com planos em t&aacute;bua e cobertura em pele. Cf. <i>Cat&aacute;logo dos C&oacute;dices...</i>,pp. 75-77.</p> <Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> Com excep&ccedil;&atilde;o, no Alc. 426, do caderno 19, que apresenta uma irregularidade, pois h&aacute; um folio com anota&ccedil;&otilde;es cortado e um outro fixo no tal&atilde;o, provavelmente resultado de algum erro na c&oacute;pia, e embora haja pequenas altera&ccedil;&otilde;es face aos f&oacute;lios precedentes (os anteriores empregam pequenas iniciais rubricadas, a verde e azul e este tem apenas rubricadas), n&atilde;o s&atilde;o em n&uacute;mero suficiente para que se suponha um corte e acrescento, posterior &agrave; data da c&oacute;pia do manuscrito.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup>Cf. AMOS, Thomas; BLACK, Jonathan (co-autor) &#8211; <i>op. cit.</i>, pp. 199-202.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> Cf. WITT, Ronald G. &#8211; <i>The two latin cultures and the foundation of renaissance humanism in medieval italy.</i> Cambridge: Cambridge University Press, 2012, pp. 259-261.</p>     <p>Um dos aspectos particulares desta obra, segundo Marinoni, ser&aacute; o facto de haver cada vez mais pessoas de categorias sociais distintas (ligadas ao com&eacute;rcio, &agrave; vida p&uacute;blica, pol&iacute;tica) a querer aprender latim, o que estar&aacute; na origem do esp&iacute;rito de s&iacute;ntese desta gram&aacute;tica, que dispensa alguma da erudi&ccedil;&atilde;o das anteriores, tornando a sua utiliza&ccedil;&atilde;o mais pr&aacute;tica. Cf. MARINONI, Augusto - "Du glossaire au vocabulaire", in <i>Quadrivium</i> 9, 1968, pp. 127-141.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> <i>Ibidem.</i></p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> Sobre este acrescento codicol&oacute;gico na <i>Gram&aacute;tica</i> de Donato veja-se: AMOS, Thomas; BLACK, Jonathan &#8211; <i>op. cit.</i> p. 201.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> Cf. <i>ibidem</i> p. 202.</p>     <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> &#8220;<i>Rabani Mogotiacensis Episcopi De computo&#8221;</i>. In <i>Corpus christianorum continuatio mediaevalis</i> 44, Turnhout: Brepols, 1979, pp. 205-208.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> Cf. STEVENS, Wesley &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 196-197.</p>     <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> &#8220;<i>Rabani Mogotiacensis Episcopi De computo&#8221;</i>... p. 207, III 7-9.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> Cf. MIRANDA, Adelaide &#8211; <i>op. cit</i>. p. 184.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> Manuscrito G: Rabanus Maurus <i>De Computo</i>. Sankt Gallen, Stiftsbibliothek 878 (c. 825, Reichenau), fl. 178-240. Consultado em linha em: <a href="http://www.e-codices.unifr.ch/en/description/csg/0878" target="_blank">http://www.e-codices.unifr.ch/en/description/csg/0878</a></p>     <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> Cf. MEIRINHOS, Jos&eacute; (org. com Agostinho Figueiredo Frias e Jorge Costa) &#8211; <i> Santa Cruz de Coimbra: A cultura portuguesa aberta &agrave; Europa na Idade M&eacute;dia/ The Portuguese Culture Opened to Europe in the Middle Ages</i>. Porto: Biblioteca P&uacute;blica Municipal, Porto 2001, p. 264.</p>     <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> Cf. MEIRINHOS, Jos&eacute; &#8211; <i>op. cit. ibidem.</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> In MEIRINHOS, Jos&eacute; &#8211; &#8220;A Filosofia no S&eacute;culo XII, Renascimento e resist&ecirc;ncias, continuidade e renova&ccedil;&atilde;o&#8221; in <i>Mirandum : estudos e semin&aacute;rios, </i>vol. 4, n.&ordm; 9, Jan./Jun. 2000, pp. 51-74. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.hottopos.com.br/mirand9/meirin.htm" target="_blank">http://www.hottopos.com.br/mirand9/meirin.htm</a></p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> H&aacute; 17 variantes que coincidem com as do ms. L; 14 que coincidem com o ms. H e cerca de 17 pr&oacute;prias.</p>     <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> Cf. Stevens &#8211; <i>op. cit.</i> p. 192</p>     <p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> Cf. MEIRINHOS, Jos&eacute; &#8211; <i>op. cit. ibidem.</i></p>     <p>MIRANDA, Adelaide &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 184-186; MIRANDA, Adelaide &#8211; <i>A iluminura de Santa Cruz no tempo de Santo Ant&oacute;nio</i>. Porto: Biblioteca P&uacute;blica Municipal do Porto, 1996, p. 52.</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> Cf. MIRANDA, Adelaide &#8211; <i>A iluminura rom&acirc;nica em...</i> pp. 60-61 e p. 85. e MIRANDA, Adelaide &#8211; <i>A Inicial Iluminada Rom&acirc;nica nos Manuscritos Alcobacenses</i>. Dis. de Mestrado, Lisboa: F.C.S.H., 1984. <br /> p. 77 e 188.</p>     <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> A. Miranda refere, a prop&oacute;sito da iluminura do fundo de Santa Cruz de Coimbra, que, no final do s&eacute;culo. XII, se cria um tipo de inicial que far&aacute; escola no <i>scriptorium</i>:&#8220;letras articuladas em torno de espa&ccedil;os n&atilde;o pintados, que utilizam como cores o vermelho, azul e mais raramente aguadas laranja nos fundos de ornamenta&ccedil;&atilde;o&#8221;. Os manuscritos Santa Cruz 5, 8, 34 e 40, partilham estas caracter&iacute;sticas. in MIRANDA, Adelaide &#8211;  <i>A iuminura rom&acirc;nica em...</i> p.  428, mas tamb&eacute;m na p. 388 e nota 755. Ver ainda p. 185.</p>     <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> Cf. MIRANDA, Adelaide &#8211;  <i>op. cit.</i> p. 185.</p>     <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup>  C&oacute;d. Alc. 426 fl. 3; Santa Cruz 8 fl. 1v.</p>     <p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> C&oacute;d. Alc. 426 fl. 83v; Santa Cruz 8 fl. 53.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> CORDOLIANI, A &#8211; &#8220;A propos du chapitre premier du <i>De temporum ratione</i>, de Bede&#8221;, in <i>Le Moyen Age</i>. <i>Revue D&#8217;Histoire et de Philologie</i>, n&ordm;3-4, 1948, pp. 209-223.</p>     <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> H&aacute;, no entanto, alguns manuscritos de Beda e de R&aacute;bano que s&atilde;o iluminados, mais raro no &uacute;ltimo do que no primeiro. De Beda h&aacute;, por exemplo, o ms. Paris, BNF, Latin 7418, do s&eacute;c. XIV, Beda <i>De temporum ratione</i>. N&atilde;o est&aacute; digitalizado, a ficha na BNF &eacute; muito sum&aacute;ria e n&atilde;o descreve a decora&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o existem imagens dispon&iacute;veis em cat&aacute;logos online, mas h&aacute; imagens a preto e branco em CORDOLIANI, A. &#8211; &#8220;&Eacute;tudes de comput&#8221; in <i>Biblioth&egrave;que de l&#8217;&eacute;cole des chartes</i>, tome 103, 1942, pp. 61-68. Assim, neste ms., encontram-se, nos f&oacute;lios 3, 4 e 5r, cinquenta e cinco figuras de c&aacute;lculo manual que acompanham o cap&iacute;tulo primeiro do tratado de Beda: <i>De computo vel loquela digitorum</i>. De acordo com Cordoliani, cada uma dessas figuras representa um homem que, no meio dos dedos da m&atilde;o, mostra os n&uacute;meros do c&aacute;lculo decimal. Cordoliani acrescenta que este tipo de representa&ccedil;&atilde;o &eacute; raro. Cf. CORDOLIANI, A. &#8211; &#8220;&Eacute;tudes de comput...&#8221; p. 62 e nota 2.</p>     <p>Outros manuscritos que recorrem &agrave; contagem dos dedos: Paris, BNF, Latin 7418; Vaticano, BAV, Palat. latin. 1447; Palat. latin. 247; Palat. latin. 299, Palat. latin. 642 e London, British Library, Cotton Vit. A (XII), ou as figuras dos f&oacute;lios de guarda do Paris, BNF, Latin 3352 B (XIV). Cf. CORDOLIANI, A. &#8211; &#8220;Un manuscrit de comput ecclesiastique mal connu de la Bibliotheque Nationale de Madrid&#8221; in <i>Revista de Archivos, Bibliotecas y Museos</i>, Tomo LVII, 1, Madrid, 1951, pp. 8 e 9.</p>     <p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup> Veja-se fig. 1.</p>     <p><Sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a></Sup> Veja-se fig. 2.</p>     <p><Sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></Sup> Veja-se fig. 3.</p>     <p><Sup><a name="75"></a><a href="#top75">75</a></Sup> Frei Manuel dos Santos &#8211; <i>Descri&ccedil;&atilde;o do Real Mosteiro de Alcoba&ccedil;a</i>. BN. Alc. 307, Fls. 1-35. Leitura, introdu&ccedil;&atilde;o e notas por Aires Augusto do Nascimento. <i>Alcobaciana 3, </i>s.d.</p>     <p><Sup><a name="76"></a><a href="#top76">76</a></Sup> Respectivamente: TT, Mosteiro de Alcoba&ccedil;a (sala 25) ma&ccedil;o 19, doc. 453; ibid., ma&ccedil;o 23, doc. 539; ibid. livro 4, f&ordm; 124r-126r. &Eacute; a Iria Gon&ccedil;alves que se deve a descoberta destes tr&ecirc;s documentos (1408, 1408 e 1437), depois referidos por Virg&iacute;nia Rau, assim permitindo conhecer a composi&ccedil;&atilde;o das bibliotecas. Em &#8220;Leituras Cistercienses do s&eacute;culo XV&#8221;, Jos&eacute; Mattoso apresenta uma leitura de conjunto relacionando e interpretando os tr&ecirc;s fundos. cf. MATTOSO, Jos&eacute; &#8211; &#8220;Leituras Cistercienses do s&eacute;culo XV&#8221;, in <i>Religi&atilde;o e Cultura na Idade M&eacute;dia portuguesa</i>. Lisboa: INCM, 1997, pp. 475-514. Sobre as listas de livros, ver p. 475, nota 4, 5 e 6. Ver tamb&eacute;m: MARQUES, Maria Alegria &#8211; <i>Estudos sobre a Ordem de Cister em Portugal</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 1998, pp. 239-272.</p>     <p><Sup><a name="77"></a><a href="#top77">77</a></Sup> Cf. MARQUES, Maria Alegria &#8211; <i>op. cit.</i> p. 269 e MATTOSO, Jos&eacute; &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 510-511.</p>     <p><Sup><a name="78"></a><a href="#top78">78</a></Sup> Cf. MATTOSO, Jos&eacute; &#8211; &#8220;A cultura mon&aacute;stica em Portugal (875-1200)&#8221; in <i>op. cit.</i> p. 493.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="79"></a><a href="#top79">79</a></Sup> &#8220;Outro livro grande dos reis (n.42); outro livro dos reis (n.48); outro livro muito grande que fala dos reis e dos Evangelhos (n. 61); um livro grande com os cinco livros dos reis (n.39); outro livro grande com os cinco livros dos reis (n. 58)&#8221; in MATTOSO, Jos&eacute; &#8211; &#8220;Leituras Cistercienses do s&eacute;culo XV&#8221;, in <i>Religi&atilde;o e Cultura na Idade M&eacute;dia portuguesa</i>. Lisboa: INCM, 1997, p. 482 e pp. 513-514.</p>     <p><Sup><a name="80"></a><a href="#top80">80</a></Sup> Cf. MATTOSO, Jos&eacute; &#8211; <i>op. cit.</i> p. 482.</p>     <p><Sup><a name="81"></a><a href="#top81">81</a></Sup> Al&eacute;m disso, atestando a parca, mas existente, circula&ccedil;&atilde;o de obras de R&aacute;bano em Portugal, Jos&eacute; Mattoso refere que o autor que redigiu a Vida de Santa Senhorinha, talvez monge de Refojos de Basto, pode ter baseado a sua refer&ecirc;ncia &agrave;s r&atilde;s como s&iacute;mbolo do diabo em R&aacute;bano Mauro, a partir de <i>De universo libri viginti duo </i>VIII 2. N&atilde;o h&aacute;, por&eacute;m, qualquer registo sobre a circula&ccedil;&atilde;o ou exist&ecirc;ncia desta obra em fundos portugueses. Cf. MATTOSO, Jos&eacute; &#8211; &#8220;A cultura mon&aacute;stica em Portugal (875-1200)&#8221; in <i>op. cit</i>. pp. 387-388, nota 77 e p. 492, nota 41.</p>     <p>Outros documentos consultados onde n&atilde;o se encontraram quaisquer registos considerados relevantes: Testamento de D. Mumadona (de 959) ao Mosteiro de Guimar&atilde;es; Primeira Livraria de Santa Cruz de Coimbra: &#8220;Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, recebeu o seguinte presente de livros do Mosteiro de Sani Rufo&#8221;; Livraria do Bispo do Porto, D. Vaco (1331); Biblioteca do cabido do Porto (1331); Livraria do Bispo D. Vicente (1334); Livraria de Vasco de Sousa (1359); Livraria da corte do rei D. Dinis; Constitui&ccedil;&atilde;o da Biblioteca do Santo Contest&aacute;vel. Verifica-se queo item 41 corresponde, provavelmente, ao <i>Coment&aacute;rio ao Livro de Reis</i> de R&aacute;bano Mauro iluminado e com uma &uacute;til descri&ccedil;&atilde;o das suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas, nomeadamente a encaderna&ccedil;&atilde;o de ent&atilde;o. Cf. - <i>Trag&eacute;dia de la insigne Reina Do&ntilde;a Isabel.</i> Publica&ccedil;&atilde;o e pref&aacute;cio de Carolina Michaelis de Vasconcelos. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1922, pp.130-131.</p>     <p><Sup><a name="82"></a><a href="#top82">82</a></Sup> &#8220;Hij sunt libri Monasterii Sancti Vicencii&#8221; c&oacute;d. 707, f&ordm; 92, BPMP. Cf. CAEIRO &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 31-34 e notas.</p>     <p><Sup><a name="83"></a><a href="#top83">83</a></Sup> in <i>Cat&aacute;logo dos C&oacute;dices... </i>p. 28 e 67.</p>     <p><Sup><a name="84"></a><a href="#top84">84</a></Sup> In CRUZ, A. &#8211; <i>Santa Cruz de Coimbra na Cultura Portuguesa da Idade M&eacute;dia</i>. Porto, 1964, pp. 184-185.</p>     <p><Sup><a name="85"></a><a href="#top85">85</a></Sup> Cf. CAEIRO &#8211; <i>op. cit.</i> p. 83 que refere os estudos de Pierre David e A. Cruz.</p>     <p><Sup><a name="86"></a><a href="#top86">86</a></Sup> in CAEIRO &#8211; <i>op. cit.</i> p. 84.</p>     <p><Sup><a name="87"></a><a href="#top87">87</a></Sup> Santa Cruz 34 BPMP, no verso do &uacute;ltimo f&oacute;lio. Veja-se CAEIRO, &#8211; <i>op. cit.</i> p. 35, nota 62 (onde menciona concretamente a alus&atilde;o de Diogo Kopke e a transcri&ccedil;&atilde;o e estudo por CRUZ, A. &#8211; <i>Santa Cruz</i>, pp. 192-209.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="88"></a><a href="#top88">88</a></Sup> Lista de livros entregues a Mestre Gil: &#8220;CC.XVIIJ. in mense Julij Presbiter [...] Iohan- / nes Cancellarius iussu domnj Prioris d. Didacj / dedit magistro Egidio tridecjm libros quorum / 1us nonus ab Almanzor. / Ysidorus ad regem Siburtum De Naturis / Alcabitius obtimus liber de Astrolomia / Macer cum Lapidario et cum suis apendicijs / et cum Mapa Clauicula ad aurum faciendum et / cum [...] ad plantandas arbores et cum multjs / experimentis. / Liber circulj celestis spere. / Libri Fiscales duo optimj. / Duo libri de Geometria magnj / Duo libri de Retorjca &lt;scilicet&gt; Tulij. / Liber Compotj &lt;scilicet&gt; / Liber de Astronomia (...)&#8221;. Cf. CAEIRO &#8211; <i>op. cit.</i> p. 35; MATTOSO, Jos&eacute; &#8211; <i>Obras Completas. Portugal Medieval. Novas interpreta&ccedil;&otilde;es.</i> Vol. 8, Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2002, p. 173; GOMES, Sa&uacute;l Ant&oacute;nio &#8211; &#8220;Livros de ci&ecirc;ncia em bibliotecas medievais portuguesas&#8221; in <i>&Aacute;gora. Estudos Cl&aacute;ssicos em Debate </i>14.1 (2012), p. 16.</p>     <p>Sobre os c&oacute;dices, ver  CRUZ &#8211; <i>op. cit.</i> pp. 201-207 e notas.</p>     <p><Sup><a name="89"></a><a href="#top89">89</a></Sup> In GOMES &#8211; <i>op. cit.</i> p. 17.</p>     <p><Sup><a name="90"></a><a href="#top90">90</a></Sup> Igualmente bem documentada em mat&eacute;ria cient&iacute;fica (matem&aacute;tica, astronomia e medicina) estava a S&eacute; de Coimbra; refere a este prop&oacute;sito Sa&uacute;l A. Gomes: &#8220;Nesta biblioteca catedral&iacute;cia, entre os Livros ditos de <i>Magister Parisius</i>, cerca de 1175, encontravam-se os seguintes volumes: <i>Abaco Librum arismetice Librum de astronomia Philosophiam magistri Vilielmi [Philosophia mundi, de </i>Guilherme de Conches (+1145)] <i>Praticam de medicini Dietas particulares, alias Dietas Librum Constantini (Breviarium Constantini dictum Viaticum)</i>&#8221; in GOMES &#8211; <i>op. cit.</i> p. 18.</p>     <p><Sup><a name="91"></a><a href="#top91">91</a></Sup> MATTOSO, Jos&eacute; &#8211; <i>Obras Completas... </i>pp. 173-174.</p>     <p><Sup><a name="92"></a><a href="#top92">92</a></Sup> Para tal, e s&oacute; a t&iacute;tulo de exemplo, poder-se-ia recuperar os estudos de Aires do Nascimento sobre a encaderna&ccedil;&atilde;o do fundo de Alcoba&ccedil;a. Assumindo uma certa contemporaneidade no recurso a uma mesma t&eacute;cnica, teria interesse comparar os v&aacute;rios c&oacute;dices que apresentam o mesmo sistema de encaderna&ccedil;&atilde;o e afinidades decorativas com os do fundo cr&uacute;zio, nas obras coincidentes, e como um todo. Como referido na nota 1, A. A. do Nascimento data os manuscritos 424 a 426 do s&eacute;culo XII e integra-os no conjunto sigm&aacute;tico B, que incorpora 19 c&oacute;dices. A sua leitura interpretativa do conjunto sai refor&ccedil;ada pelo facto do grupo B se caracterizar por uma grande homogeneidade formal, compreendendo autores e obras, assim insistindo na ideia de um <i>corpus</i> cujas caracter&iacute;sticas seriam complementares ao grupo A, de <i>sistema de articula&ccedil;&atilde;o por la&ccedil;o de volta inteira</i>. N&atilde;o encontrando obras repetidas entre os dois grupos, pode pensar-se em circunst&acirc;ncias distintas (sequenciais ou n&atilde;o) de produ&ccedil;&atilde;o, de uma comunidade organizada que planeia e acrescenta paulatinamente a sua biblioteca. Cf. NASCIMENTO, Aires Augusto do; DIOGO, Ant&oacute;nio Dias &#8211; <i>op. cit</i>. pp. 86-88.</p>     <p>Tamb&eacute;m os trabalhos de Adelaide Miranda sobre a inicial iluminada de Santa Maria de Alcoba&ccedil;a e de Santa Cruz de Coimbra, aqui recorrentemente citados, e que provam afinidades ornamentais entre c&oacute;dices, nalguns casos com clara correspond&ecirc;ncia com os conjuntos de encaderna&ccedil;&atilde;o propostos por A. A. Nascimento, orientados para estas quest&otilde;es, analisando o texto e a imagem em conjunto, podem trazer mais pistas &agrave;s hip&oacute;teses que aqui se foram levantando.</p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[COUTINHO]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De computo de Rábano Mauro: O texto e as iluminuras do Sta Cruz 8 e do Alc. 426]]></article-title>
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<numero>15^sJaneiro - Junho 2014</numero>
<issue>15^sJaneiro - Junho 2014</issue>
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