<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1646-740X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Medievalista]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Med_on]]></abbrev-journal-title>
<issn>1646-740X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Estudos Medievais, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1646-740X2016000100008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Recensão: Élites et Ordres Militaires au Moyen Âge. Rencontre autour d&#8217;Alain Demurger]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paula Pinto]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Letras ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Porto ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>19</numero>
<fpage>1</fpage>
<lpage>11</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-740X2016000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-740X2016000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-740X2016000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>     <p><b>Recens&atilde;o: JOSSERAND, Philippe; OLIVEIRA, Lu&iacute;s Filipe; CARRAZ, Damien (&Eacute;tudes r&eacute;unies par) &ndash; &Eacute;lites et Ordres Militaires au Moyen &Acirc;ge. Rencontre autour d&rsquo;Alain Demurger. Madrid: Casa de Vel&aacute;zquez, 2015 (465 p&aacute;ginas).</b></p>     <p><b>Paula Pinto Costa<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Universidade do Porto, Faculdade de Letras e Centro de Estudos da Popula&ccedil;&atilde;o, Economia e Sociedade, 4150-564  Porto, Portugal.<i> E-mail</i>: <a href="mailto:ppinto@letras.up.pt">ppinto@letras.up.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O livro intitulado <i>&Eacute;lites et Ordres Militaires au Moyen &Acirc;ge</i> resultou de um encontro em homenagem a Alain Demurger, pela ocasi&atilde;o da celebra&ccedil;&atilde;o dos 70 anos de idade deste historiador e professor na Universidade de Paris I Panth&eacute;on-Sorbonne. O homenageado &eacute; um dos investigadores envolvidos no estudo sobre as Ordens Militares, desde os anos 80 do s&eacute;c. XX, momento de renova&ccedil;&atilde;o e de intensifica&ccedil;&atilde;o desta tem&aacute;tica, sendo autor de algumas obras de grande divulga&ccedil;&atilde;o, algumas das quais traduzidas para outras l&iacute;nguas. O livro conta com 26 autores, provenientes de meios acad&eacute;micos muito distintos, de Fran&ccedil;a a Portugal, passando por Espanha, Hungria, Inglaterra, Alemanha e It&aacute;lia e com percursos de investiga&ccedil;&atilde;o incidentes em tem&aacute;ticas diversas. Assim, enquanto uns t&ecirc;m curr&iacute;culos muito voltados para as Ordens Militares, outros s&oacute; esporadicamente abordaram estas institui&ccedil;&otilde;es, embora a Hist&oacute;ria, em geral, e a Idade M&eacute;dia, em particular, beneficiem desta participa&ccedil;&atilde;o alargada que modera os perigos da grande especializa&ccedil;&atilde;o. De resto, uma das formas de avan&ccedil;o do conhecimento nestas &aacute;reas passar&aacute; certamente pela renova&ccedil;&atilde;o das abordagens e pelo question&aacute;rio motivado por d&uacute;vidas e olhares vindos de &aacute;reas afins. A dimens&atilde;o comparativa, certamente bastante sugestiva, n&atilde;o &eacute;, por&eacute;m, escolhida como argumento central da reflex&atilde;o e, como tal, s&oacute; ser&aacute; ensaiada em resultado da leitura do conjunto dos textos.</p>     <p>O tema do livro &eacute; atual e pertinente. Decorridas cerca de quatro d&eacute;cadas sobre a realiza&ccedil;&atilde;o de investiaga&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica sobre Ordens Militares, h&aacute; ainda temas que necessitam de grandes aprofundamentos, como &eacute; o caso do que nos congrega. O livro estrutura-se em tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es, precedidas de uma introdu&ccedil;&atilde;o e de uma abertura e termina com uma conclus&atilde;o, um apartado de fontes, onde se encontra a refer&ecirc;ncia a 285 fontes ou colect&acirc;neas documentais de natureza muito diversa, uma lista bibliogr&aacute;fica e um &iacute;ndice dos nomes pr&oacute;prios das figuras hist&oacute;ricas de algum modo abordadas nesta obra.</p>     <p>A Introdu&ccedil;&atilde;o &eacute; da autoria de Philippe Josserand e procura lan&ccedil;ar as linhas orientadoras da discuss&atilde;o tida no encontro que serviu de base ao livro e plasmada no pr&oacute;prio livro. Trata-se, como &eacute; dito, de <i>reencontrar </i>as Ordens Militares, atrav&eacute;s da perspetiva central da obra &ndash; as elites. A origem e aplica&ccedil;&atilde;o deste conceito, a sua polissemia e ambiguidades, bem como a sua evolu&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o objeto de esclarecimentos interessantes neste texto introdut&oacute;rio.</p>     <p>&Agrave; introdu&ccedil;&atilde;o seguem-se dois textos de abertura &ndash; um de Michel Balard e um outro do pr&oacute;prio Alain Demurger, amigos e colegas de Universidade de longa data. Balard apresenta a carreira e o curr&iacute;culo de Demurger, feito nas suas palavras &ldquo;<i>&agrave; l&rsquo;ombre des Ordres Militaires</i>&rdquo;, destacando, n&atilde;o s&oacute; as suas publica&ccedil;&otilde;es sobre estas institui&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m os textos que preparou em torno da hist&oacute;ria pol&iacute;tica da Fran&ccedil;a medieval. No dom&iacute;nio das Ordens Militares sublinha a sua dedica&ccedil;&atilde;o &agrave; Ordem do Templo, abrangendo um amplo leque de campos de interesse, desde uma dimens&atilde;o mais institucional e patrimonial a uma vertente mais centrada na vida conventual e espiritual, passando pelo g&eacute;nero biogr&aacute;fico e pelos contributos no dom&iacute;nio das cruzadas e das Ordens Militares fora de Fran&ccedil;a. Por sua vez, o texto de Alain Demurger intitula-se &ldquo;<i>&Eacute;l&eacute;ments pour une prosopographie du &laquo;peuple templier&raquo;</i>&rdquo;, partindo da compar&ecirc;ncia dos Templ&aacute;rios perante a comiss&atilde;o pontif&iacute;cia de Paris entre fevereiro e maio de 1310. Depois de comparar diversas fontes, identifica os Templ&aacute;rios, lan&ccedil;a um inqu&eacute;rito prosopogr&aacute;fico que, com mestria, ter&aacute; desenvolvimentos futuros e apresenta quatro anexos marcados por grande rigor. De facto, o homenageado que tem feito abordagens de largo espectro, neste livro publica um artigo de prosopografia, onde apresenta as bases de um projeto mais amplo centrado nos freires do Templo e o qual tem anunciada a divulga&ccedil;&atilde;o digital.</p>     <p>Como dissemos, o livro organiza-se em tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es que versam as Ordens Militares e as elites, tanto sociais, como de poder, bem como as hierarquias e as elites no contexto destas organiza&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Sec&ccedil;&atilde;o I, intitulada as Ordens Militares e as elites sociais, tem contribui&ccedil;&otilde;es baseadas tanto em reflex&otilde;es sobre conceitos mais globais, como em casos mais particulares, destacando-se a quest&atilde;o do recrutamento. Abre com o cap&iacute;tulo de Damien Carraz sobre o monaquismo militar, enquanto uma esp&eacute;cie de laborat&oacute;rio da sociog&eacute;nese das elites laicas no ocidente medieval, pretendendo o autor apurar se este modo de vida era elistista em si mesmo. Considerando a atra&ccedil;&atilde;o das elites para as Ordens Militares e as redes sociais em que os freires estavam inseridos, conclui que, nos s&eacute;cs. XII e XIII, estas institui&ccedil;&otilde;es eram mais abertas &agrave; pequena e m&eacute;dia nobreza e que, a partir da segunda metade do s&eacute;c. XIV, participaram na renova&ccedil;&atilde;o das elites e desenvolveram elites internas, impregnadas de valores nobili&aacute;rquicos, consagrados no processo de oligarquiza&ccedil;&atilde;o que teve lugar j&aacute; no s&eacute;c. XV.</p>     <p>O texto de G&eacute;rard D&eacute;d&eacute;yan sobre o combatente nobre arm&eacute;nio e a sua eventual equipara&ccedil;&atilde;o a um <i>miles Christi</i> foca-se numa cronologia muito recuada (alta idade m&eacute;dia) e discute a aplica&ccedil;&atilde;o do conceito de guerra santa ao papel desenvolvido pelos arm&eacute;nios numa esp&eacute;cie de pr&eacute;-cruzada. &Eacute; um contributo muito &uacute;til, tanto pela discuss&atilde;o conceptual, como pela sua incid&ecirc;ncia cronol&oacute;gica numa &eacute;poca raramente estudada nesta vertente.</p>     <p>Sylvain Gouguenheim estuda o recrutamento da Ordem Teut&oacute;nica na Pr&uacute;ssia de 1230 a 1309. O objetivo primordial &eacute; clarificar a interven&ccedil;&atilde;o destes homens na conquista da Pr&uacute;ssia e as implica&ccedil;&otilde;es que daqui surgiram. Como principais conclus&otilde;es aponta o baixo n&uacute;mero de pessoas envolvidas neste processo, sublinhando a sua proveni&ecirc;ncia alem&atilde;, e a participa&ccedil;&atilde;o da pequena aristocracia alem&atilde; como fator de promo&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O texto de Zsolt Hunyadi, sob o mote do contributo do ingresso no Hospital como um meio para a atingir a elite no s&eacute;c. XV, desenrola-se em torno do esclarecimento do papel dos priores e dos principais oficiais do priorado hungaro-eslav&oacute;nio na baixa idade m&eacute;dia, ao n&iacute;vel da sua representa&ccedil;&atilde;o religiosa e militar e da sua rela&ccedil;&atilde;o com a corte r&eacute;gia.</p>     <p>Carlos de Ayala Mart&iacute;nez procura esclarecer certas formas de associa&ccedil;&atilde;o laica detetadas nas Ordens Militares hisp&acirc;nicas, usando os reinos de Castela e Le&atilde;o, nos s&eacute;cs. XII e XIII, como campo de observa&ccedil;&atilde;o privilegiado. Come&ccedil;a por sistematizar determinadas posi&ccedil;&otilde;es conciliares sobre a defini&ccedil;&atilde;o do conceito de &ldquo;familiaridade&rdquo;, isto &eacute;, uma parentela espiritual, com manifesta&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas e can&oacute;nicas dif&iacute;ceis de captar, para depois analisar a complexidade deste fen&oacute;meno no contexto das Ordens Militares hisp&acirc;nicas. Nas suas conclus&otilde;es, faz a distin&ccedil;&atilde;o entre as manifesta&ccedil;&otilde;es da familiaridade, apontando uma vertente mais identificada com a prote&ccedil;&atilde;o espiritual e uma outra mais constru&iacute;da em torno de f&oacute;rmulas prestimoniais. Este modo de ades&atilde;o &agrave; espiritualidade militar, embora tivesse tido uma express&atilde;o mais residual, poderia favorecer o ingresso de pleno direito nas Ordens.</p>     <p>Philippe Contamine tem em considera&ccedil;&atilde;o o exemplo da Ordem da Paix&atilde;o de Jesus Cristo de Philippe de M&eacute;zi&egrave;res, figura que nos legou um verdadeiro modelo de conce&ccedil;&atilde;o e de viv&ecirc;ncia de cavaleiro, embora de cunho ut&oacute;pico. Philippe de M&eacute;zi&egrave;res, chanceler de Pedro I de Lusignan, rei de Chipre e rei titular de Jerus&aacute;lem, fundou a mencionada Ordem, na segunda metade do s&eacute;c. XIV. O autor deste estudo prop&otilde;e uma reflex&atilde;o em torno desta dimens&atilde;o ut&oacute;pica, por um lado, tendo em linha de conta o recrutamento para esta nova Ordem no &acirc;mbito do contexto econ&oacute;mico, demogr&aacute;fico, social e mental da &eacute;poca e, por outro lado, questionando o seu papel enquanto elemento reformador da Cristandade.</p>     <p>Por fim, nesta primeira parte do livro, Jean-Philippe Genet descreve o recrutamento da Ordem da Jarreteira em Inglaterra, criada em meados do s&eacute;c. XIV, come&ccedil;ando por esclarecer que se trata de uma institui&ccedil;&atilde;o verdadeiramente militar e de cavalaria. Partindo da observa&ccedil;&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o dos seus efetivos, este historiador define o car&aacute;ter desta Ordem, apreciando a sua presen&ccedil;a no seio das elites pol&iacute;ticas do reino e o seu contributo para a dimens&atilde;o religiosa e sagrada, essenciais ao Estado do final da Idade M&eacute;dia. As reflex&otilde;es de Philippe Contamine e de Jean-Philippe Genet s&atilde;o bastante inovadoras e proporcionam a leitura de dois textos sobre duas ordens de cavalaria muito pouco conhecidas no contexto da bibliografia sobre Ordens Militares.</p>     <p>A Sec&ccedil;&atilde;o II do livro re&uacute;ne sete textos sob a tem&aacute;tica das hierarquias e das elites no seio das Ordens Militares. Desde logo, Lu&iacute;s Filipe Oliveira advoga a necessidade de se prosseguir com o inqu&eacute;rito sobre a sociologia das Ordens Militares, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para os estudos prosopogr&aacute;ficos j&aacute; elaborados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s Ordens presentes na Proven&ccedil;a, em Castela, em Portugal e na Catalunha. Na sequ&ecirc;ncia da sua investiga&ccedil;&atilde;o, insiste na aristocratiza&ccedil;&atilde;o tardia das Ordens Militares em Portugal, a qual s&oacute; se manifestaria em pleno no s&eacute;c. XV, no quadro do controlo que a coroa exerceu sobre a elei&ccedil;&atilde;o dos mestres, circunst&acirc;ncia que gerou implica&ccedil;&otilde;es na sua composi&ccedil;&atilde;o social. At&eacute; essa cronologia, as Ordens presentes em Portugal estavam muito mais associadas ao mundo urbano, o que favoreceu algum distanciamento da nobreza em rela&ccedil;&atilde;o a estas institui&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Para identificar e analisar as categorias e as dignidades na Ordem do Templo &agrave; luz da regra, Simonetta Cerrini baseia o seu racioc&iacute;nio na regra de 1129, bem como em outros textos normativos que complementam as informa&ccedil;&otilde;es do referido documento matricial, por forma a conhecer melhor a sua estrutura hier&aacute;rquica.</p>     <p>Neste seguimento, ou seja, mais na &oacute;tica da org&acirc;nica interna das Ordens Militares, Luis Rafael Villegas D&iacute;az apresenta os crit&eacute;rios de distin&ccedil;&atilde;o interna na Ordem de Calatrava, advertindo, de antem&atilde;o, que se trata de um tema de dif&iacute;cil abordagem. De facto, se h&aacute; diferen&ccedil;as que s&atilde;o percept&iacute;veis, h&aacute; outras muito mais difusas e que carecem de mais investiga&ccedil;&atilde;o. Chama a aten&ccedil;&atilde;o para o facto de os processos de organiza&ccedil;&atilde;o territorial darem origem &agrave; altera&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios de promo&ccedil;&atilde;o dos freires, situa&ccedil;&atilde;o que resultou na forma&ccedil;&atilde;o de clientelas e de certas elites. A forma&ccedil;&atilde;o de grupos diferenciados, por exemplo, em torno da figura de um comendador, quebrou o sentido de comunidade. Em sentido semelhante, poderiam atuar os interesses linhag&iacute;sticos, o que amea&ccedil;ou as pr&oacute;prias estruturas internas destas institui&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alan J. Forey que escreveu sobre as carreiras dos Templ&aacute;rios e dos Hospital&aacute;rios titulares de cargos na Europa ocidental nos s&eacute;cs. XII e XIII come&ccedil;a por alertar para as dificuldades na identifica&ccedil;&atilde;o dos freires, explicitando algumas quest&otilde;es metodol&oacute;gicas, tamb&eacute;m referidas por outros autores deste livro. No dom&iacute;nio em apre&ccedil;o, constata que Templ&aacute;rios e Hospital&aacute;rios conheceram pr&aacute;ticas semelhantes no que toca &agrave; sua evolu&ccedil;&atilde;o no ocidente europeu. Identifica certas tend&ecirc;ncias, relativamente comuns, ao n&iacute;vel da ocupa&ccedil;&atilde;o de determinados cargos e do exerc&iacute;cio de algumas carreiras. Assim, os freires tinham a hip&oacute;tese de progredir na hierarquia, embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel falar de um percurso r&iacute;gido e estabelecido de antem&atilde;o. Nos s&eacute;cs. XII e XIII, o of&iacute;co era visto sobretudo como uma responsabilidade e n&atilde;o como uma forma de gratifica&ccedil;&atilde;o e distin&ccedil;&atilde;o, o que pode decorrer do facto de n&atilde;o haver cargos vital&iacute;cios, embora, na transi&ccedil;&atilde;o do s&eacute;c. XIII para o XIV, esta situa&ccedil;&atilde;o se altere com o reconhecimento do conceito de <i>ancianitas</i>.</p>     <p>J&uuml;rgen Sarnowsky apresenta um texto dedicado aos presb&iacute;teros das Ordens Militares, primando por uma abordagem comparativa da sua posi&ccedil;&atilde;o e do papel que exerceram. Deste modo, vai ao encontro do grupo dos freires cl&eacute;rigos, um dos mais subestimados no contexto das Ordens Militares, embora tenham sido uma das matrizes fundadoras deste tipo de institui&ccedil;&otilde;es religiosas. O racioc&iacute;nio que expende orienta-se em quatro vertentes: a institui&ccedil;&atilde;o dos presb&iacute;teros nas Ordens Militares, o seu recrutamento e perfil social, o seu papel na organiza&ccedil;&atilde;o interna das institui&ccedil;&otilde;es e, por fim, as atividades a que estiveram associados. Para analisar esta elite espiritual e intelectual, o autor recorre aos exemplos dos Templ&aacute;rios, dos Teut&oacute;nicos e dos Hospital&aacute;rios, sendo que em rela&ccedil;&atilde;o a estes &uacute;ltimos deteta algumas singularidades, quando comparados com os dois primeiros grupos.</p>     <p>O cap&iacute;tulo da lavra de Isabel Cristina Fernandes versa os lugares de poder nas Ordens Militares em Portugal. Orienta-se, assim, para os conventos e castelos que os acolhiam. Classifica-os como constru&ccedil;&otilde;es inclu&iacute;das num quadro de afirma&ccedil;&atilde;o territorial, embu&iacute;das de um forte car&aacute;ter simb&oacute;lico. A autora disponibiliza um mapa onde assinala todas as constru&ccedil;&otilde;es de prest&iacute;gio a que se reporta e conclui, destacando o car&aacute;ter inovador deste tipo de arquitetura em Portugal, na sequ&ecirc;ncia da incorpora&ccedil;&atilde;o de influ&ecirc;ncias provenientes, tanto do oriente latino, como de mestres de obra embu&iacute;dos do gosto das elites europeias.</p>     <p>A segunda parte do livro termina com o contributo de Joan Fuguet Sans e Carme Plaza Arqu&eacute;. Subscrevem em parceria um texto dedicado &agrave; arquitetura militar do Templo na Coroa de Arag&atilde;o como s&iacute;mbolo do poder feudal. Na sua abordagem definem duas etapas cronol&oacute;gicas, que conhecem limites extremos entre 1148 e 1307 e que atingem uma diferencia&ccedil;&atilde;o na d&eacute;cada de 30 do s&eacute;c. XIII. Os castelos do Ebro s&atilde;o interpretados como o mais importante s&iacute;mbolo do poder feudal do Templo no priorado catalano-aragon&ecirc;s ao expressarem o poder territorial da Ordem. Na opini&atilde;o dos autores, e dado que a fronteira territorial vai avan&ccedil;ando, estes castelos permanencem como marcas da paisagem e como s&iacute;mbolos do dom&iacute;nio feudal que a Ordem exercia.</p>     <p>Por fim, a Sec&ccedil;&atilde;o III congrega um conjunto de textos em torno da rela&ccedil;&atilde;o das Ordens Militares com as elites de poder, tentando perscrutar os seus comportamentos face a entidades externas como as monarquias e a Santa S&eacute;. A abrir encontra-se o cap&iacute;tulo escrito por Helen Nicholson, intitulado &ldquo;<i>Nolite confidere in principibus</i>&rdquo; &ndash; a rela&ccedil;&atilde;o das Ordens Militares com os governantes da Cristandade. Desde logo, come&ccedil;a por recordar que a presen&ccedil;a das Ordens Militares na Pr&uacute;ssia e em Rodes configura dois Estados. Assim, encontra o pretexto para estudar a rela&ccedil;&atilde;o dos Templ&aacute;rios, dos Teut&oacute;nicos e dos Hospital&aacute;rios com reis e autoridades eclesi&aacute;sticas. Como afirma, as rela&ccedil;&otilde;es das Ordens Militares com as elites de poder s&atilde;o complexas. Com este enquadramento, destaca o papel dos reis e das elites eclesi&aacute;sticas, nomeadamente, do Papado, ao n&iacute;vel da entrega aos freires de determinados cargos importantes no quadro da Cristandade.</p>     <p>Pierre-Vincent Claverie coloca o problema das rela&ccedil;&otilde;es da Santa S&eacute; com as Ordens Militares no pontificado de Hon&oacute;rio III (1216-1227), no sentido de contribuir para complementar a leitura da obra de Alain Demurger, a qual n&atilde;o se foca especificamente na a&ccedil;&atilde;o do referido Papa. Claverie, na sequ&ecirc;ncia do estudo que fez sobre a pol&iacute;tica oriental de Hon&oacute;rio III, apresenta neste livro as principais conclus&otilde;es que formulou. Para o efeito, organiza a sua exposi&ccedil;&atilde;o em alguns pontos chave, como o financiamento da 5&ordf; cruzada, a prote&ccedil;&atilde;o can&oacute;nica garantida pela Santa S&eacute; e a sua interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e disciplinar na vida das Ordens Militares.</p>     <p>Privilegiando tamb&eacute;m a liga&ccedil;&atilde;o com a Santa S&eacute;, Francesco Tommasi escreve a prop&oacute;sito dos Hospital&aacute;rios que estiveram ao servi&ccedil;o dos papas nos s&eacute;cs. XIII e XIV. O autor faz o levantamento das personagens pass&iacute;veis de identifica&ccedil;&atilde;o, descreve a sua a&ccedil;&atilde;o e destaca alguns dos cargos e epis&oacute;dios mais marcantes. Remata o seu trabalho com a apresenta&ccedil;&atilde;o de um ap&ecirc;ndice, onde publica quatro documentos.</p>     <p>Por sua vez, Kristjan Toomaspoeg coloca a &ecirc;nfase nas Ordens Militares ao servi&ccedil;o dos poderes mon&aacute;rquicos ocidentais. Come&ccedil;a por reconhecer que se trata de uma tem&aacute;tica vasta, importante, embora pouco estudada. Esclarece que o conceito de servi&ccedil;o aplicado a este universo deve ser entendido em sentido lato, ou seja, desde uma a&ccedil;&atilde;o mais individual, ao papel que alguns freires desempenharam ao n&iacute;vel diplom&aacute;tico, passando pelas suas compet&ecirc;ncias enquanto especialistas da guerra e protagonistas de contactos privilegiados com a Santa S&eacute;. O autor aborda tamb&eacute;m a origem dos la&ccedil;os entre as Ordens Militares e as monarquias, as modalidades em que se consubstancia esse servi&ccedil;o, bem como o padroado real. Por fim, admite que para os freires estas formas de servi&ccedil;o oferecem possibilidades de promo&ccedil;&atilde;o social.</p>     <p>Marie-Anna Chevalier coloca a quest&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o das Ordens Religioso-Militares com os poderes arm&eacute;nios no Oriente nos s&eacute;cs. XII-XIV, num texto que, de algum modo, d&aacute; sequ&ecirc;ncia &agrave; problem&aacute;tica eleita por G&eacute;rard D&eacute;d&eacute;yan no &acirc;mbito deste livro. Marie-Anna Chevalier centra-se no Estado arm&eacute;nio da Sic&iacute;lia e, partindo de cartas de doa&ccedil;&atilde;o, de correspond&ecirc;ncia com a Santa S&eacute;, de cr&oacute;nicas e de textos narrativos de autores crist&atilde;os orientais ou francos, orienta a reflex&atilde;o para os primeiros contactos destas institui&ccedil;&otilde;es com as autoridades arm&eacute;nias, para os desenvolvimentos pol&iacute;ticos que conheceram e para os fatores respons&aacute;veis pela degrada&ccedil;&atilde;o desta conviv&ecirc;ncia.</p>     <p>Pierre Bonneaud fixa-se numa cronologia mais tardia e avalia a presen&ccedil;a dos Hospital&aacute;rios catal&atilde;es em Rodes, It&aacute;lia e Catalunha entre 1420 e 1480, altura em que se registou uma grande mobilidade e presen&ccedil;a desses freires no Mediterr&acirc;neo. Esta constata&ccedil;&atilde;o f&ecirc;-lo procurar as motiva&ccedil;&otilde;es desses Hospital&aacute;rios, bem como das fam&iacute;lias de que eram proveninetes, para aceitarem o afastamento dos seus locais de origem. Neste seguimento, conclui que os acontecimentos militares ocorridos no Mediterr&acirc;neo s&atilde;o o grande fator que est&aacute; na origem da desloca&ccedil;&atilde;o massiva dos freires. Assim, as suas motiva&ccedil;&otilde;es prendem-se com a obten&ccedil;&atilde;o de novas comendas e benef&iacute;cios e com o acesso aos grupos de poder, tanto dentro da Ordem, como em torno da monarquia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O &uacute;ltimo cap&iacute;tulo do livro &eacute; de Anthony Luttrell e recai sobre a sistematiza&ccedil;&atilde;o de algumas observa&ccedil;&otilde;es sobre a queda do Templo. Com efeito, o autor recorda que a queda desta Ordem n&atilde;o pode ser atrbu&iacute;da ao seu mestre e aos v&aacute;rios crimes de que os freires foram acusados, mas sim a m&aacute;s pr&aacute;ticas, &agrave; aus&ecirc;ncia de reformas da Ordem que sustentassem a sua adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s exig&ecirc;ncias do tempo e a uma elite ou oligarquia que, depois da queda de S. Jo&atilde;o de Acre (1291) era largamente burg&uacute;ndia e catal&atilde;, e se revelou incapaz. Apresenta alguns dados sobre a contabilidade e rendimento das propriedades do Templo, questionando o montante que a Ordem receberia anualmente das suas propriedades quando em 1307 teve in&iacute;cio o processo, bem como o rendimento que a coroa francesa obteve com a sua administra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O livro encerra com uma conclus&atilde;o, da lavra de Damien Carraz e de Nicole B&eacute;riou com o mote das Ordens Militares ao encontro das elites, retomando o prop&oacute;sito apresentado por Philippe Josserand na introdu&ccedil;&atilde;o. Em jeito de s&iacute;ntese revisitam alguns conceitos e fazem uma s&uacute;mula sobre os contributos de cada autor. A concretiza&ccedil;&atilde;o do objetivo enunciado &ndash; o reencontro das Ordens Militares por via das elites &ndash; &eacute;, por um lado, desafiante e dif&iacute;cil, dada a diversidade e a instabilidade das elites, e, por outro lado, uma perpetiva necess&aacute;ria para lograr uma abordagem renovada sobre esta institui&ccedil;&otilde;es religiosas e militares.</p>     <p>Este livro constituiu um contributo para o aprofundamento do estudo das Ordens Militares, mas tamb&eacute;m para o conhecimento das elites medievais (sejam elas sociais, econ&oacute;micas, culturais, pol&iacute;ticas ou governativas), tema tamb&eacute;m muito valorizado sobretudo na &uacute;ltima d&eacute;cada fora do contexto das referidas institui&ccedil;&otilde;es. Pelas raz&otilde;es expostas, trata-se de uma obra que deve ser lida por todos aqueles que se interessam por temas de hist&oacute;ria europeia, pelas Ordens Militares e tamb&eacute;m por todos aqueles que reconhecem nas elites um meio para reencontrar diversos temas sociais, econ&oacute;micos, culturais, pol&iacute;ticos e governativos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO </b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>    <p>COSTA, Paula Pinto &ndash; &ldquo;Recens&atilde;o: JOSSERAND, Philippe; OLIVEIRA, Lu&iacute;s Filipe; CARRAZ, Damien (&Eacute;tudes r&eacute;unies par) &ndash; <i>&Eacute;lites et Ordres Militaires au Moyen &Acirc;ge. Rencontre autour d&rsquo;Alain Demurger</i>. Madrid: Casa de Vel&aacute;zquez, 2015 (465 p&aacute;ginas)&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm; 19 (Janeiro &ndash; Junho 2016). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA19/costa1908.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA19/costa1908.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data do texto: 9 de Agosto de 2015</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
</article>
