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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[D. Dinis del Portogallo e Isabel d’Aragona in vita e in morte. Creazione e trasmissione della memoria nel contesto storico e artistico europeo: Tese de Doutoramento em História da Arte]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>APRESENTAÇÃO DE TESES</b></p>     <p><b>D. Dinis del Portogallo e Isabel d&rsquo;Aragona <i>in vita</i> e <i>in morte</i>. Creazione e trasmissione della memoria nel contesto storico e artistico europeo. Tese de Doutoramento em História da Arte, especialidade em História da Arte Medieval, apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Novembro de 2014. Orientação do Professor Doutor José Custódio Vieira da Silva (FCSH-UNL)</b></p>     <p><b>Giulia Rossi Vairo<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Universidade Nova de Lisboa, Instituto de Estudos Medievais, 1069-061 Lisboa, Portugal.<i> E-mail</i>: <a href="mailto:g.rossivairo@tiscali.it">g.rossivairo@tiscali.it</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O tema</b></p>     <p>A Tese gira &agrave; volta das vidas e das personalidades de um rei e de uma rainha, D. Dinis e D. Isabel, soberanos de Portugal entre os finais do s&eacute;culo XIII e o primeiro quartel do XIV, figuras m&iacute;ticas da Hist&oacute;ria e da Cultura portuguesas. Em particular, este trabalho incide sobre o processo de cria&ccedil;&atilde;o e de transmiss&atilde;o da mem&oacute;ria, elaborado e posto em pr&aacute;tica pelos reis ao longo da sua exist&ecirc;ncia. O acto final deste processo foi a realiza&ccedil;&atilde;o dos seus monumentos f&uacute;nebres criados para serem conservados o t&uacute;mulo do rei, na igreja do mosteiro cisterciense de S. Dinis e S. Bernardo de Odivelas (<a href="#f1">Figura 1</a>), e o t&uacute;mulo da rainha, na igreja do mosteiro de Sta. Clara e Sta. Isabel de Coimbra (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/med/n19/n19a09f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/med/n19/n19a09f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Para al&eacute;m do fasc&iacute;nio que estas duas ilustres personagens exerceram sobre mim, numa leitura retrospetiva deste estudo, poderia afirmar que esta investiga&ccedil;&atilde;o teve o seu ponto de partida na observa&ccedil;&atilde;o e na constata&ccedil;&atilde;o das numerosas diferen&ccedil;as existentes entre os dois sepulcros r&eacute;gios a partir do seu actual estado de conserva&ccedil;&atilde;o, mas sobretudo a n&iacute;vel de fei&ccedil;&atilde;o. Efectivamente, os dois sarc&oacute;fagos apresentam programas iconogr&aacute;ficos diversos, foram realizados por mestres diferentes e destinaram-se a dois mosteiros de observ&acirc;ncia distinta e geograficamente distantes, circunst&acirc;ncias totalmente in&eacute;ditas em Portugal at&eacute; &agrave;quele momento. Portanto, os c&ocirc;njuges decidiram separar-se <i>in morte</i> e, de certo modo, assim permanecer&atilde;o na recorda&ccedil;&atilde;o dos vindouros, sendo a primeira vez que isto se verificava no reino. Relativamente &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o anterior, outro facto in&eacute;dito foi o de D. Dinis e D. Isabel terem encomendado e terem visto terminados <i>in vita</i> os monumentos que deveriam eternizar a sua mem&oacute;ria <i>in morte</i>. Por outro lado, como se tornou evidente ao longo da investiga&ccedil;&atilde;o, os sepulcros foram concebidos <i>a priori</i> como parte integrante do projecto monumental mais vasto constitu&iacute;do pelos edif&iacute;cios mon&aacute;sticos que os teriam custodiado e cuja funda&ccedil;&atilde;o, em ambos os casos, foi da responsabilidade dos soberanos.</p>     <p>Entre as motiva&ccedil;&otilde;es na base da escolha deste n&atilde;o f&aacute;cil tema, considerando a tradi&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica e a complexidade das figuras dos dois protagonistas, esteve o prop&oacute;sito de restituir ao reino de Portugal <i>dionisino</i> a sua &ldquo;dimens&atilde;o europeia&rdquo;, querendo contribuir para fazer dissipar de vez o preconceito historiogr&aacute;fico que ainda hoje interpreta o reino de Portugal medievo como uma realidade perif&eacute;rica, recolhida sobre si mesma &ldquo;entre as fronteiras nacionais mais antigas da Europa&rdquo;. De facto, n&atilde;o obstante um dif&iacute;cil ex&oacute;rdio, o Portugal de D. Dinis tornou-se numa monarquia est&aacute;vel, uma pot&ecirc;ncia entre as pot&ecirc;ncias da &eacute;poca, uma realidade geopol&iacute;tica definida, economicamente s&oacute;lida, culturalmente diversificada e vivaz, aberta &agrave; recep&ccedil;&atilde;o de influ&ecirc;ncias e de est&iacute;mulos provenientes do exterior. Nesta perspectiva, os sepulcros r&eacute;gios d&atilde;o testemunho desta conjuntura favor&aacute;vel podendo ser classificados justamente como obras-primas da escultura medieval europeia, n&atilde;o s&oacute; portuguesa, da primeira metade do s&eacute;culo XIV.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A estrutura</b></p>     <p>Os limites cronol&oacute;gicos deste estudo coincidem <i>grosso modo</i> com o reinado de D. Dinis (1279-1325), embora, nalguns cap&iacute;tulos, ao narrar a vida da rainha e as decis&otilde;es tomadas por ela ap&oacute;s a morte do consorte, a cronologia se estenda por mais alguns anos.</p>     <p>A Tese estrutura-se em tr&ecirc;s partes que correspondem a tr&ecirc;s diversas fases da vida dos protagonistas, entendida em sentido lato: <i>In vita</i>, A crise, <i>In morte</i>.</p>     <p>A I&ordf; Parte serve de introdu&ccedil;&atilde;o e de premissa fundamental, de tipo hist&oacute;rico mas tamb&eacute;m metodol&oacute;gico, para a abordagem dos temas desenvolvidos. De facto, inicia-se com uma an&aacute;lise das problem&aacute;ticas rela&ccedil;&otilde;es entre a Monarquia portuguesa e a S&eacute; Apost&oacute;lica no momento da subida ao trono do herdeiro de Afonso III, bem mais condicionantes das din&acirc;micas internas do reino, quer antes, quer depois da ascens&atilde;o de D. Dinis, e com uma import&acirc;ncia maior do que a que at&eacute; hoje lhes tem sido atribu&iacute;da. A seguir, foram abordadas a <i>pietas,</i> a religiosidade e a espiritualidade de D. Dinis e D. Isabel e as iniciativas empreendidas, em conjunto ou separadamente, a favor das diversas comunidades religiosas do reino. Entre estas, esteve a funda&ccedil;&atilde;o do mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo de Odivelas, institu&iacute;do no fim do s&eacute;culo XIII e confiado ao ramo feminino da ordem cisterciense, resultado de uma ideal converg&ecirc;ncia de interesses e de uma partilha de intentos entre o poder r&eacute;gio, o mon&aacute;stico e o episcopal. A I&ordf; Parte encerra com uma reflex&atilde;o sobre a reconquista do espa&ccedil;o sagrado por parte dos soberanos Dinis e Isabel, primeiros expoentes da Coroa portuguesa a ultrapassarem o limiar do templo mais de um s&eacute;culo depois do nascimento da Monarquia, cumpridas que foram as condi&ccedil;&otilde;es para que isso acontecesse.</p>     <p>A II&ordf; Parte intitula-se de maneira significativa de &ldquo;A crise&rdquo; e abrange o arco cronol&oacute;gico da guerra civil durante a qual se assistiu &agrave;s desaven&ccedil;as entre D. Dinis e o infante D. Afonso, inicialmente apoiado pela m&atilde;e, a rainha consorte D. Isabel, no seu acto de rebeli&atilde;o para com o rei. A necessidade de tratar o tema da guerra civil deriva do facto de, a meu ver, ter existido uma rela&ccedil;&atilde;o de causa-efeito entre o conflito e o processo de cria&ccedil;&atilde;o, constru&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o da mem&oacute;ria do casal r&eacute;gio. Ap&oacute;s um <i>status quaestionis</i> da historiografia sobre o argumento, foram indagados os antecedentes (1316-1318) e o desenvolvimento da guerra, sobretudo da primeira fase (1319-1322) com base no estudo aprofundado das fontes narrativas e arquiv&iacute;sticas, evidenciando as lacunas e as omiss&otilde;es na reconstru&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos at&eacute; hoje proporcionada pelos historiadores. O fulcro desta II&ordf; Parte &eacute; a breve vida do pante&atilde;o r&eacute;gio de Odivelas (1318-1322), institu&iacute;do na tentativa de aplacar a disc&oacute;rdia surgida nos anos anteriores entre os diversos componentes da fam&iacute;lia real e o projecto monumental que este originariamente contemplava (<a href="#f3">Figura 3</a>). Este previa a realiza&ccedil;&atilde;o de um mausol&eacute;u duplo para celebrar a mem&oacute;ria dos c&ocirc;njuges, sendo destinado a ser colocado no centro da igreja, entre o coro e o altar mor. O novo pante&atilde;o da Coroa foi inaugurado pelo t&uacute;mulo do infante D. Dinis, filho dos pr&iacute;ncipes Afonso e Beatriz e herdeiro do reino, falecido em 1318, que hoje se encontra no mesmo edif&iacute;cio, na capela da Ep&iacute;stola.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/med/n19/n19a09f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Entre as outras consequ&ecirc;ncias da guerra, para al&eacute;m da frustra&ccedil;&atilde;o do pante&atilde;o de Odivelas, deve salientar-se a decis&atilde;o da rainha consorte Isabel de legar a sua mem&oacute;ria individual ao mosteiro de Sta. Clara e Sta. Isabel de Coimbra, escolhido como sua &uacute;ltima morada.</p>     <p>A III&ordf; e &uacute;ltima Parte apresenta, primeiro, uma reflex&atilde;o sobre os espa&ccedil;os que acolheram os corpos dos reis, isto &eacute;: a igreja-mausol&eacute;u de S. Dinis e S. Bernardo de Odivelas, no caso de D. Dinis, a capela funer&aacute;ria na igreja de Sta. Clara e Sta. Isabel de Coimbra, no caso de D. Isabel. A este prop&oacute;sito, mereceu particular aten&ccedil;&atilde;o o complexo processo de amadurecimento espiritual da rainha, influenciado tamb&eacute;m pelas experi&ecirc;ncias vividas, que culminou, nos &uacute;ltimos anos da sua exist&ecirc;ncia, na disposi&ccedil;&atilde;o de ser sepultada no interior do coro da igreja do mosteiro das clarissas, vontade que n&atilde;o foi respeitada pelos seus executores testamenteiros. Segue a an&aacute;lise monogr&aacute;fica dos sepulcros r&eacute;gios em que foram lidos e interpretados os programas iconogr&aacute;ficos que ornamentam os sarc&oacute;fagos, desde os suportes at&eacute; os jacentes, pondo em confronto as diferentes op&ccedil;&otilde;es dos c&ocirc;njuges. Nomeadamente, deteve-se no processo de concep&ccedil;&atilde;o e cronologia das obras, nos mestres envolvidos e nos destinat&aacute;rios, para al&eacute;m dos defuntos e nas mensagens de que os monumentos f&uacute;nebres foram investidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>As fontes</b></p>     <p>Ao longo dos anos da  investiga&ccedil;&atilde;o foram examinadas fontes materiais e iconogr&aacute;ficas, para al&eacute;m das  liter&aacute;rias e arquiv&iacute;sticas,   consideradas com valor de &ldquo;documentos&rdquo; e cuja observa&ccedil;&atilde;o, leitura e interpreta&ccedil;&atilde;o se revelaram de fundamental import&acirc;ncia para a reda&ccedil;&atilde;o final da Tese. Os pr&oacute;prios monumentos f&uacute;nebres n&atilde;o representaram somente o objecto de estudo, constituindo os instrumentos privilegiados para a comemora&ccedil;&atilde;o dos defuntos e, portanto, para a transmiss&atilde;o da sua mem&oacute;ria, mas tamb&eacute;m fontes materiais, aut&ecirc;nticos &ldquo;documentos e testemunhos&rdquo; e portadores de uma mensagem precisa. Nesta mesma perspectiva, foram estudadas as arquitecturas, os espa&ccedil;os e as estruturas, consciente de que, em aus&ecirc;ncia de documentos mais expl&iacute;citos, <i>as pedras falam</i>. </p>     <p>Tratando-se de uma Tese de hist&oacute;ria da arte, obrigat&oacute;rio foi o recurso &agrave;s fontes iconogr&aacute;ficas, desde as iluminuras, as gravuras, os desenhos at&eacute; aos selos e as fotografias antigas. Al&eacute;m disso, tendo em conta os protagonistas e a necessidade de reconstruir o contexto hist&oacute;rico de refer&ecirc;ncia, recorreu-se a fontes narrativas e liter&aacute;rias, cronologicamente dat&aacute;veis do s&eacute;c. XIV ao s&eacute;c. XIX, entre as quais se destacam as cr&oacute;nicas dos s&eacute;culos XIV-XVI &ndash; <i>Cr&oacute;nica Geral de Espanha de 1344</i>, <i>Cr&oacute;nica de Portugal de 1419</i> e <i>Cr&oacute;nica de D. Dinis,</i> inserida na <i>Cr&oacute;nica dos sete primeiros reis de Portugal</i> de Rui de Pina &ndash; e tamb&eacute;m o <i>Livro que fala da boa vida que fez a Raynha de Portugal Dona Isabel e dos seus b&otilde;ons feitos e milagres em sa vida e depoys sa morte, </i>popularmente conhecido como a<i> Lenda da Rainha Santa</i>.</p>     <p>Por fim, fundamental foi o estudo das fontes arquiv&iacute;sticas coligidas durante a pesquisa levada a cabo no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, no Arquivo Secreto Vaticano e no Archivo General de la Corona de Arag&oacute;n. Embora o recurso &agrave; documenta&ccedil;&atilde;o de arquivo esteja presente ao longo de todo o texto no aparato cr&iacute;tico, contemplando as mais variadas tipologias de documento &ndash; registos, instrumentos notariais, autos de natureza econ&oacute;mica (doa&ccedil;&otilde;es, escambos, compras etc.), cartas r&eacute;gias, breves apost&oacute;licos &ndash; integra a Tese um Ap&ecirc;ndice documental que apresenta uma sele&ccedil;&atilde;o restrita dos documentos estudados (64) abrangendo um arco cronol&oacute;gico que vai de 1289 a 1325. Os documentos, redigidos em latim e em portugu&ecirc;s, foram coligidos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (17), na Biblioteca Nacional de Portugal (1) e sobretudo no Arquivo Secreto Vaticano (46). Trata-se na maioria de fontes in&eacute;ditas ou nunca transcritas na &iacute;ntegra, cuja leitura e interpreta&ccedil;&atilde;o se tornou determinante para a constru&ccedil;&atilde;o do racioc&iacute;nio e, por consequ&ecirc;ncia, do texto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>A metodologia</b></p>     <p>A metodologia adoptada nesta Tese resulta de uma abordagem inter e pluridisciplinar que passa pela Hist&oacute;ria, a Hist&oacute;ria da Arte, a Hist&oacute;ria das Mentalidades, a Hist&oacute;ria da Espiritualidade, a Hist&oacute;ria da Santidade medieval, at&eacute; &agrave; Teologia, utilizando-se ainda diversas disciplinas auxiliares como a Arquiv&iacute;stica, a Paleografia, a Diplom&aacute;tica e a Sigilografia. No caso espec&iacute;fico, o estudo da espiritualidade e da religiosidade dos soberanos que, pelo menos at&eacute; uma certa data, caminharam a par e passo para depois tomarem caminhos distintos, revelou-se como uma das poss&iacute;veis chaves de leitura para a interpreta&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e arquitect&oacute;nica ligada &agrave; encomenda r&eacute;gia.</p>     <p>Para al&eacute;m disso, o trabalho inscreve-se numa perspectiva internacional e transnacional, tendo por diversas ocasi&otilde;es ultrapassado os confins do reino de Portugal e estabelecido analogias e confrontos pontuais com outros contextos din&aacute;sticos europeus, com o objectivo de considerar o que acontecia na realidade portuguesa no &acirc;mbito do quadro mais vasto da Europa medieval. Em particular, pressuposto metodol&oacute;gico deste estudo foi o ter considerado o reino de Portugal do fim do s&eacute;c. XIII &ndash; primeira metade do XIV, perfeitamente reentrante no &acirc;mbito de influ&ecirc;ncia mediterr&acirc;nica. Localizado na periferia do mundo medieval, solidamente &ldquo;ancorado &agrave; terra&rdquo; para a sua inser&ccedil;&atilde;o na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, mas ao mesmo tempo aberto para o Oceano Atl&acirc;ntico, o Portugal de D. Dinis esteve cultural, econ&oacute;mica e politicamente ligado ao mundo mediterr&acirc;nico. Partindo desta premissa conceptual, estabeleceram-se rela&ccedil;&otilde;es com as monarquias da &oacute;rbita mediterr&acirc;nica pretendendo restituir ao Portugal <i>dionisino</i> a sua faceta mediterr&acirc;nica, desde sempre subvalorizada relativamente &agrave; atl&acirc;ntica, ou seja com os reinos de Castela, Arag&atilde;o, N&aacute;poles, Sic&iacute;lia, Fran&ccedil;a, mas tamb&eacute;m com a S&eacute; Apost&oacute;lica, antes e depois da sua transfer&ecirc;ncia para Avinh&atilde;o. As rela&ccedil;&otilde;es da Coroa com o Papado foram constantemente evocadas ao longo deste estudo, tamb&eacute;m porque, em circunst&acirc;ncias espec&iacute;ficas, a interven&ccedil;&atilde;o pontif&iacute;cia se revelou determinante para as din&acirc;micas e os equil&iacute;brios dentro do reino.</p>     <p>Contudo, todas as teses e as hip&oacute;teses hist&oacute;rico-art&iacute;sticas formuladas neste trabalho foram resultado do &ldquo;imperativo categ&oacute;rico&rdquo; do historiador de arte, ou seja, de uma prolongada, repetida e &ldquo;obstinada&rdquo; observa&ccedil;&atilde;o das obras de arte, t&uacute;mulo ou edif&iacute;cio que fosse, a que se seguiu a necess&aacute;ria contextualiza&ccedil;&atilde;o no tempo e no espa&ccedil;o de refer&ecirc;ncia, estando convencida de que as obras de arte s&atilde;o sempre o produto e o reflexo de um preciso momento hist&oacute;rico e da concomit&acirc;ncia de diversos factores, internos e externos ao pr&oacute;prio objecto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O objecto</b></p>     <p>Do ponto de vista estritamente hist&oacute;rico-art&iacute;stico, no centro deste trabalho esteve uma restrita sele&ccedil;&atilde;o de obras de escultura e de arquitectura directamente ligadas &agrave; encomenda r&eacute;gia. No total, examinaram-se cinco t&uacute;mulos, todos realizados entre 1318 e 1328 ca., emblem&aacute;ticos da qualidade e da variedade da produ&ccedil;&atilde;o escult&oacute;rica portuguesa da primeira metade do s&eacute;culo XIV, de que foram fornecidas leituras in&eacute;ditas dos programas iconogr&aacute;ficos e da hist&oacute;ria contextual: o monumento f&uacute;nebre do rei D. Dinis; a arca an&oacute;nima n. Inv. 75 Esc do Museu Arqueol&oacute;gico do Carmo de Lisboa, atribu&iacute;da &agrave; rainha consorte Isabel quando ainda previa a sepultura em Odivelas junto do marido (<a href="#f4">Figura 4</a>); o t&uacute;mulo do infante D. Dinis, filho do herdeiro do trono Afonso e da princesa Beatriz (1317-1318); o sepulcro da infanta D. Isabel (1324-1326), filha dos reis Afonso e Beatriz; e o mausol&eacute;u da rainha Isabel em Coimbra &ndash; amplas digress&otilde;es, quer do ponto de vista hist&oacute;rico, quer arquitect&oacute;nico, foram dedicadas aos &ldquo;contentores&rdquo; dos sepulcros analisados, o mosteiro de S. Dinis de Odivelas e o mosteiro de Sta. Clara de Coimbra.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f4"></a><img src="/img/revistas/med/n19/n19a09f4.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>No geral, consideraram-se os monumentos f&uacute;nebres em an&aacute;lise n&atilde;o s&oacute; como instrumentos privilegiados para a comemora&ccedil;&atilde;o do defunto, mas tamb&eacute;m como portadores de uma mensagem precisa (religiosa, teol&oacute;gica, simb&oacute;lica, aleg&oacute;rica, pedag&oacute;gica, social e pol&iacute;tica), dirigida a todos os que teriam gozado da sua vis&atilde;o ao frequentarem as igrejas dos mosteiros escolhidos pelos reis como &uacute;ltima morada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Os resultados </b></p>     <p>Para os monumentos f&uacute;nebres procedeu-se, assim:</p>     <p>&ndash; a novas atribui&ccedil;&otilde;es relativamente ao destinat&aacute;rio inicial, como no caso do t&uacute;mulo do infante Dinis, filho dos pr&iacute;ncipes Afonso e Beatriz, conservado em Odivelas, antigamente associado a uma filha ileg&iacute;tima de D. Dinis, mais recentemente ao infante Jo&atilde;o, filho dos reis Afonso IV e Beatriz, e no caso da arca n. 75 do MAC de Lisboa, ainda hoje ligada ao nome de Constan&ccedil;a Manuel, esposa do infante Pedro, futuro rei D. Pedro I, mas por mim considerada como a &ldquo;primeira op&ccedil;&atilde;o&rdquo; da rainha Isabel quando ainda pensava mandar-se sepultar em Odivelas, uma vez constatadas as evidentes analogias da sua iconografia com o mausol&eacute;u de D. Dinis (<a href="#f4">Figura 4</a>);</p>     <p>&ndash; a novas leituras dos programas iconogr&aacute;ficos esculpidos, como no caso do t&uacute;mulo do rei, uma esp&eacute;cie de &ldquo;serm&atilde;o por imagens&rdquo; inspirado na est&eacute;tica teol&oacute;gica de Bernardo de Claraval, que devia celebrar a mem&oacute;ria do soberano defunto e, ao mesmo tempo, servir de memorial para a comunidade cisterciense que &agrave; volta dele se teria recolhido em ora&ccedil;&atilde;o, e para o qual se avan&ccedil;ou com uma proposta de restauro e de recoloca&ccedil;&atilde;o dos dois suportes que hoje em dia sustentam a arca do infante Dinis;</p>     <p>&ndash; hip&oacute;teses relativas &agrave; cronologia, como no caso do t&uacute;mulo da rainha Isabel e da sua neta, a infanta Isabel, fruto de um estudo comparativo e contextual destas duas obras;</p>     <p>&ndash; hip&oacute;teses relativas &agrave;s personalidades art&iacute;sticas dos mestres e aos obreiros envolvidos e tamb&eacute;m ao <i>modus operandi</i> aplicado, reconhecendo nomeadamente a influ&ecirc;ncia da iluminura, quer a n&iacute;vel t&eacute;cnico quer decorativo e avaliando a possibilidade de colabora&ccedil;&atilde;o de conversos e monges activos nos laborat&oacute;rios e nos <i>scriptoria </i>cistercienses, tanto mais clara se considerarmos o facto de, tal como muitas vezes foi repetido ao longo do texto, originalmente todos os sepulcros serem policromos.</p>     <p>Contudo, para al&eacute;m das teses e das hip&oacute;teses formuladas, cuja validade ser&aacute; avaliada no tempo futuro, o que espero que possa despertar o interesse do leitor neste estudo s&atilde;o os retratos delineados dos protagonistas Dinis e Isabel, cujas extraordin&aacute;rias personalidades se aprofundaram sob aspectos menos conhecidos, ou talvez at&eacute; agora pouco indagados, e dos quais se tentou fazer sobressair a <i>Humanidade</i> com o prop&oacute;sito n&atilde;o de retirar-lhes o <i>Mito</i> ou a <i>Santidade</i>, mas simplesmente de restitu&iacute;-los &agrave; Hist&oacute;ria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>ROSSI VAIRO, Giulia  &ndash; &ldquo;Apresenta&ccedil;&atilde;o de Tese / Thesis Presentation: <i>D. Dinis del portogallo e Isabel d&rsquo;Aragona</i> in vita <i>e</i> in morte. <i>Creazione e trasmissione della memoria nel contesto storico  e artistico europeo. </i>Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria da Arte,  especialidade em Hist&oacute;ria da Arte Medieval, apresentada &agrave; Faculdade de Ci&ecirc;ncias  Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Novembro de 2014. Orienta&ccedil;&atilde;o  do Professor Doutor Jos&eacute; Cust&oacute;dio Vieira da Silva&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm; 19 (Janeiro &ndash; Junho 2016). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA19/vario1909.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA19/vario1909.html</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data do texto: 22 de Outubro de 2015</p>      ]]></body>
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