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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uma outra representação da Rua Nova dos Mercadores, em Lisboa: a tábua do &#8220;martírio de S. Sebastião&#8221;, de Gregório Lopes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[From the empirical recognition of the connection between two urban representations - the depiction of the Rua Nova dos Mercadores (New Street of Merchants), in Lisbon, belonging to the Kelmscott Manor Collection (c. 1570) and the background architecture of the Martyrdom of St. Sebastian, painted by Gregório Lopes for the Convent of Christ in Tomar (1530s) - and its subsequent conclusions, this paper revisits some of the most iconic iconographic representations of the city, the arguments that supports their identification and their importance for the knowledge of the central areas of the 16th century Lisbon, city so often described and yet so poorly imagined]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Uma outra representa&ccedil;&atilde;o da Rua Nova dos Mercadores, em Lisboa: a t&aacute;bua do &ldquo;mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o&rdquo;, de Greg&oacute;rio Lopes<a name="top0"></a><sup><a href="#0">*</a></sup></b></font></p>     <p><font size="3"><b>Another representation of the <i>Rua Nova dos Mercadores</i>, in Lisbon: the Martyrdom of St. Sebastian by Greg&oacute;rio Lopes</b></font></p>     <p><b>Lu&iacute;sa Trindade<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras, Departamento de Hist&oacute;ria, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes / Centro de Estudos Sociais, 3004-530 Coimbra, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:luisa.trindade@fl.uc.pt">luisa.trindade@fl.uc.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A partir da constata&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica da proximidade entre duas representa&ccedil;&otilde;es urbanas &ndash; a pintura da Rua Nova dos Mercadores, de Lisboa, pertencente &agrave; Kelmscott Manor Collection (c. 1570) e a arquitetura de fundo do Mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o, pintado por Greg&oacute;rio Lopes para a Charola do Convento de Cristo em Tomar (d&eacute;cada de 1530) &ndash; e das conclus&otilde;es que da&iacute; decorrem, revisitam-se algumas das mais emblem&aacute;ticas representa&ccedil;&otilde;es iconogr&aacute;ficas da cidade, as teses que suportam a sua identifica&ccedil;&atilde;o e a import&acirc;ncia de que se revestem para o conhecimento dos espa&ccedil;os centrais da Lisboa quinhentista e, assim, da sua imagem, t&atilde;o descrita quanto ainda deficientemente imaginada.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Rua Nova dos Mercadores, Lisboa, urbanismo quinhentista, D. Manuel I, Greg&oacute;rio Lopes</p> <hr/>    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>From the empirical recognition of the connection between two urban representations &ndash; the depiction of the <i>Rua Nova dos Mercadores</i> (New Street of Merchants), in Lisbon, belonging to the Kelmscott Manor Collection (c. 1570) and the background architecture of the Martyrdom of St. Sebastian, painted by Greg&oacute;rio Lopes for the Convent of Christ in Tomar (1530s) &ndash; and its subsequent conclusions, this paper revisits some of the most iconic iconographic representations of the city, the arguments that supports their identification and their importance for the knowledge of the central areas of the 16th century Lisbon, city so often described and yet so poorly imagined.</p>     <p><b>Keywords:</b> <i>Rua Nova dos Mercadores</i>, Lisbon, 16th century urbanism, King Manuel I, Greg&oacute;rio Lopes</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Entre 1536 e 1539, o pintor r&eacute;gio Greg&oacute;rio Lopes realizava para a Charola do Convento de Cristo, em Tomar, uma t&aacute;bua representando o mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>. Integrada no &acirc;mbito da ampla reforma espiritual e material da casa religiosa, iniciada por D. Manuel e continuada por D. Jo&atilde;o III, a escolha do tema, de ra&iacute;zes profundas na tradi&ccedil;&atilde;o do ocidente medieval, ter&aacute;, porventura, obedecido igualmente a raz&otilde;es de car&aacute;cter circunstancial: em primeiro lugar, a proximidade espiritual &agrave; principal voca&ccedil;&atilde;o do Santo, militar e &quot;defensor da igreja&quot;, particularmente adequada a uma ordem mon&aacute;stico-militar como a de Cristo, sobretudo num momento em que se revia a regra &agrave; luz dos princ&iacute;pios fundacionais do cristianismo; em segundo lugar, a renovada import&acirc;ncia que a figura de S. Sebasti&atilde;o despertava na d&eacute;cada de trinta do s&eacute;culo XVI. Efetivamente, a devo&ccedil;&atilde;o j&aacute; longa a este m&aacute;rtir romano como protetor contra a peste, flagelo que por esses mesmos anos assolava o reino e, com especial viol&ecirc;ncia, a capital, ganhava um novo alento com a chegada de uma importante rel&iacute;quia: o bra&ccedil;o de S. Sebasti&atilde;o que, supostamente saqueado a uma igreja milanesa, fora trazido de Roma para Lisboa em 1531. Do seu sucesso contra as epidemias, d&aacute; conta Francisco de Holanda quando, em 1571, refere os 40 anos que a cidade gozou de imunidade gra&ccedil;as ao poder propiciat&oacute;rio da referida rel&iacute;quia<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>. &Eacute; ali&aacute;s a sua extrema relev&acirc;ncia que, porventura, explica a lenda posta a circular logo no s&eacute;culo XVII de que fora oferecida a D. Jo&atilde;o III pelo imperador Carlos V, seu cunhado<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>     <p>Desta t&aacute;bua (<a href="#f1">Figura 1</a>), j&aacute; exaustivamente estudada no &acirc;mbito do universo pict&oacute;rico por diversos autores<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup>, interessa-me focar um aspeto particular do discurso formal: a arquitetura que, em plano de fundo, encerra o campo figurativo e serve de cen&aacute;rio ao mart&iacute;rio do Santo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>De acordo com a tradi&ccedil;&atilde;o iconogr&aacute;fica, o epis&oacute;dio do primeiro mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o, atado a uma coluna ou &aacute;rvore e rodeado de v&aacute;rios archeiros que sobre ele disparam uma intensa chuva de flechas, ocorre num espa&ccedil;o aberto com uma cidade por fundo. A partir do s&eacute;culo XV, e sobretudo por via italianizante, a urbe representada &eacute; usada para contextualizar espacialmente a narrativa: a cidade de Roma, palco do supl&iacute;cio do guarda pretoriano. Ru&iacute;nas cl&aacute;ssicas, p&oacute;rticos e colunatas ou edif&iacute;cios de grande porte e planta centrada, constituem um expediente comum aos pintores do renascimento que assim aliam &agrave; marca&ccedil;&atilde;o espacial a oportunidade de evocar diretamente esse mundo aberto &agrave; pesquisa que era ent&atilde;o a Antiguidade<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>. Op&ccedil;&atilde;o menos frequente no norte da Europa, onde as arquiteturas fundeiras replicam preferencialmente as cidades flamengas em que se movem os pr&oacute;prios artistas<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup> (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Por vezes conjugam-se tempos e realidades diferentes como no mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o da autoria de Luca Signorelli (<a href="#f2">Figura 2</a>)<a name="top7"></a><sup><a href="#7">7</a></sup>, onde a cidade medieval surge inconfund&iacute;vel por entre m&uacute;ltiplas e imponentes ru&iacute;nas romanas. E tal n&atilde;o se deve apenas ao &quot;princ&iacute;pio de coetaneidade&quot;<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a></sup> que t&atilde;o frequentemente caracteriza as representa&ccedil;&otilde;es da &eacute;poca, particularmente vis&iacute;vel, por exemplo, nas vestes ou cortes de cabelo das figuras. No caso do espa&ccedil;o urbano, e concretamente na representa&ccedil;&atilde;o do casario vulgar, a coetaneidade seria expect&aacute;vel se pensarmos que em 1498 o conhecimento da cidade cl&aacute;ssica se reduzia praticamente aos edif&iacute;cios de prest&iacute;gio, as grandes ru&iacute;nas ainda acess&iacute;veis, ali&aacute;s entusiasticamente estudadas pelos pr&oacute;prios artistas modernos. A cidade comum, o casario em extens&atilde;o, s&oacute; a partir dos finais do s&eacute;culo XVIII e das primeiras campanhas arqueol&oacute;gicas no Sul de It&aacute;lia, seria minimamente conhecido.</p>      <p>Tamb&eacute;m Greg&oacute;rio Lopes combina as duas tend&ecirc;ncias na sua t&aacute;bua, a flamenga e a italiana, ou, de forma mais precisa, a cidade coeva e a cidade antiga. A estrutura narrativa divide-se em v&aacute;rios registos justapostos: tr&ecirc;s em profundidade, tr&ecirc;s outros em superf&iacute;cie. A cena principal ocupa o primeiro plano, com o Santo ao centro da composi&ccedil;&atilde;o, ladeado pelos seus algozes; Santo e coluna constituem um eixo vertical que divide a t&aacute;bua em duas partes: &agrave; direita, toda uma estrutura formal que convoca a Roma das persegui&ccedil;&otilde;es de Diocleciano, materializada na grande rotunda diretamente inspirada, como bem viu Paulo Pereira<a name="top9"></a><sup><a href="#9">9</a></sup>, na edi&ccedil;&atilde;o de 1521 de C&eacute;sar Cesariano do tratado de Vitr&uacute;vio, mas tamb&eacute;m pela vis&atilde;o long&iacute;nqua de outros mart&iacute;rios que a coluna de fumo n&atilde;o deixa passar despercebidos<a name="top10"></a><sup><a href="#10">10</a></sup>; na metade contr&aacute;ria, preenchendo todo o lado esquerdo do campo figurativo e despida de qualquer nota clacissizante, surge a cidade corrente ou do quotidiano, onde a vida parece decorrer indiferente ao drama que, simultaneamente, ocorre em primeiro plano.</p>     <p>Ora &eacute; justamente essa cidade, aparentemente feita de casario an&oacute;nimo e indiferenciado, que me parece justificar uma nova aten&ccedil;&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o da recente identifica&ccedil;&atilde;o de uma outra pintura igualmente quinhentista. Refiro-me ao quadro pertencente &agrave; <i>Kelmscott Manor Collection</i>(<a href="#f3">Figura 3</a>) que, em Novembro de 2010, integrou uma exposi&ccedil;&atilde;o dedicada a marfins cingaleses do s&eacute;culo XVI realizada no Museu Rietberg de Zurique, entre cujos curadores se encontrava Annemarie Jordan Gschwend, respons&aacute;vel pelo seu reconhecimento tem&aacute;tico<a name="top11"></a><sup><a href="#11">11</a></sup>. Dat&aacute;vel das &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XVI e de autor desconhecido, mas ao que tudo indica de origem flamenga, o quadro, hoje cortado em duas telas, representa a Rua Nova dos Mercadores, em Lisboa. Se d&uacute;vidas restassem, a famosa grade que no s&eacute;culo XVI separava a &aacute;rea dos cambistas e que, por t&atilde;o marcante, viria a justificar o outro top&oacute;nimo por que ficou conhecida &ndash; Rua Nova dos Ferros<a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup> &ndash; seria suficiente para garantir o reconhecimento daquela importante art&eacute;ria de Lisboa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Rasgada no reinado de D. Afonso III e reformulada algumas d&eacute;cadas depois por D.&nbsp;Dinis<a name="top13"></a><sup><a href="#13">13</a></sup>, que nela concentrou o grosso do seu investimento imobili&aacute;rio, a Rua Nova, invulgarmente ampla e rectil&iacute;nea, sobretudo no contexto de uma cidade onde a marca isl&acirc;mica seria ent&atilde;o ainda vincadamente presente<a name="top14"></a><sup><a href="#14">14</a></sup>, foi, durante toda a Idade M&eacute;dia, a &quot;milhor e mais prin&ccedil;ipall da dicta &ccedil;idade&quot;<i>,</i> para usarmos o testemunho de D. Afonso V. O seu calcetamento, ato ent&atilde;o ainda muito circunscrito e pouco comum, foi ordenado por D. Jo&atilde;o II que seguiu a obra com particular interesse, n&atilde;o s&oacute; mandando fazer uma planta &quot;pyntada em papell&quot; de 6 metros de comprimento, a partir da qual ele e os seus colaboradores mais pr&oacute;ximos discutiam o andamento da obra, como tamb&eacute;m encomendando a pedra na regi&atilde;o do Porto, seguindo o modelo que D. Jo&atilde;o I usara na Rua Formosa, acr&eacute;scimo imenso de esfor&ccedil;o e de custo s&oacute; justific&aacute;veis pela excepcionalidade da rua no panorama urbano de ent&atilde;o<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hieronymus M&uuml;nzer<a name="top16"></a><sup><a href="#16">16</a></sup>, Jo&atilde;o Brand&atilde;o de Buarcos<a name="top17"></a><sup><a href="#17">17</a></sup> ou Dami&atilde;o de G&oacute;is s&atilde;o apenas alguns dos que a enalteceram por motivos diversos: pela largura &iacute;mpar, atingindo quase 9 metros; por ser ornada de ambos os lados de altos edif&iacute;cios, todos de tr&ecirc;s e quatro sobrados, ou por nela se juntarem &quot;todos os dias, comerciantes de todas as partes e povos do mundo&quot;<a name="top18"></a><sup><a href="#18">18</a></sup>. Era, efetivamente, o nervo comercial de Lisboa, nela se concentrando lojas de panos e sedas de todas as sortes, tendas de especiarias de todo o g&eacute;nero, boticas ou livreiros. Nos sobrados de cima, continuando a seguir Jo&atilde;o Brand&atilde;o, viviam in&uacute;meros mercadores, &quot;homens muito abastados e de gross&iacute;ssimas fazendas, dinheiro e trato&quot;<a name="top19"></a><sup><a href="#19">19</a></sup>. O elevado n&uacute;mero de escravos &ndash; que levou Baccio da Filicaia a caracterizar Lisboa como &quot;um jogo de xadrez, tantos os brancos quantos os negros&quot;<a name="top20"></a><sup><a href="#20">20</a></sup>&ndash;, as chamadas &quot;negras de canastra&quot; que, transportando os despejos dom&eacute;sticos &agrave; cabe&ccedil;a, espantavam os visitantes, ou a forma como os portugueses de bem trajavam, com longas capas negras que lhes deixavam apenas os bra&ccedil;os de fora, como relata Jan Taccoen<a name="top21"></a><sup><a href="#21">21</a></sup> em 1514, s&atilde;o uma nota dominante nesta, como noutras representa&ccedil;&otilde;es<a name="top22"></a><sup><a href="#22">22</a></sup> das zonas centrais e ribeirinhas da cidade de Lisboa (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f4"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Todavia, mais do que uma an&aacute;lise detalhada da obra ou do ambiente cosmopolita que evoca, importa aqui referir como o &acirc;ngulo representado, uma vista frontal do casario, permite, pela primeira vez, observar em toda a sua especificidade a famosa Rua Nova dos Mercadores. Os edif&iacute;cios de quatro e cinco pisos &ndash; ou de tr&ecirc;s e quatro sobrados para usar a terminologia da &eacute;poca &ndash; com lojas e sobrelojas na galeria t&eacute;rrea formada por esteios de pedra e madeira, mais de cento e quarenta e nove de acordo com contagem do s&eacute;culo XVIII<a name="top23"></a><sup><a href="#23">23</a></sup>; o revestimento parcial das frontarias com madeira, os chamados &quot;fromtaes de tavoado&quot;<a name="top24"></a><sup><a href="#24">24</a></sup> ou os ressaltos das fachadas, solu&ccedil;&otilde;es construtivas tipicamente medievais; a diferente altura dos edif&iacute;cios ou a tipologia das janelas, cerradas por portadas de madeira basculantes, muitas delas dotadas de pequenas aberturas centrais, destinadas a deixar passar alguma luz &ndash; s&atilde;o caracter&iacute;sticas que, em conjunto, descrevem uma realidade concreta, documentam o espa&ccedil;o e o tornam reconhec&iacute;vel.</p>      <p>Curiosamente, todas essas caracter&iacute;sticas, sem exce&ccedil;&atilde;o, marcam presen&ccedil;a na t&aacute;bua do Convento de Cristo, realizada cerca de quarenta anos antes. O cotejo entre ambas as pinturas (<a href="#f5">Figura 5</a>) permite-nos abandonar a ideia de Greg&oacute;rio Lopes ter representado uma cidade an&oacute;nima, identificando, pelo contr&aacute;rio, a representa&ccedil;&atilde;o da cidade habitada pelo pr&oacute;prio pintor, &ndash; recorde-se que residia em Lisboa, junto ao mosteiro de S.&nbsp;Domingos, a escassas centenas de metros da Rua Nova dos Mercadores<a name="top25"></a><sup><a href="#25">25</a></sup>. Identifica&ccedil;&atilde;o que me parece ter passado at&eacute; agora despercebida<a name="top26"></a><sup><a href="#26">26</a></sup> mas que, verdadeiramente, s&oacute; seria poss&iacute;vel a partir da descoberta da tela flamenga, ocorrida h&aacute; cerca de cinco anos atr&aacute;s. Lisboa quinhentista, portanto. Essa cidade que, sobretudo entre o Rossio e a rec&eacute;m renovada frente ribeirinha<a name="top27"></a><sup><a href="#27">27</a></sup>, com passagem obrigat&oacute;ria pelas ruas Nova d'El Rei e Nova dos Mercadores corporizava, na d&eacute;cada de 1530, um dos principais entrepostos comerciais de toda a Europa, onde diariamente fundeavam caravelas e carracas vindas de todas as partes do mundo conhecido (<a href="#f6">Figura 6</a>). Lisboa, cabe&ccedil;a do Imp&eacute;rio, podia certamente repartir o espa&ccedil;o narrativo da t&aacute;bua com Roma, essa outra <i>caput mundi</i>. S&iacute;ntese de dois espa&ccedil;os que, simultaneamente, figuravam de forma particularmente leg&iacute;vel o percurso da famosa rel&iacute;quia de S. Sebasti&atilde;o: de Roma a Lisboa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f5"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f5.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f6"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f6.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A representa&ccedil;&atilde;o da Rua Nova dos Mercadores, todavia, n&atilde;o ter&aacute; pretendido ser um retrato fiel do espa&ccedil;o a que alude j&aacute; que os edif&iacute;cios, fugindo ao plano linear, conformam uma ampla pra&ccedil;a em U, ou, de forma mais precisa, um terreiro, cujo especial alongamento persp&eacute;tico foi j&aacute; cabalmente explicado por Joaquim Caetano<a name="top28"></a><sup><a href="#28">28</a></sup>, como fazendo parte da solu&ccedil;&atilde;o encontrada por Greg&oacute;rio Lopes para corrigir os efeitos da forma enviesada como, no corredor estreito e curvo da Charola, o observador acedia ao quadro. A composi&ccedil;&atilde;o do Mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o seria assim o resultado da utiliza&ccedil;&atilde;o livre de um conjunto de refer&ecirc;ncias, algumas long&iacute;nquas, outras coevas e familiares ao pintor, no que n&atilde;o seria, ali&aacute;s, um recurso invulgar na obra de Greg&oacute;rio Lopes, como foi sublinhado por Joaquim Caetano ou Paulo Pereira: na Degola&ccedil;&atilde;o de S.&nbsp;Jo&atilde;o Baptista, de cerca de 1536 (<a href="#f7">Figura 7</a>), fica bem patente a colagem de refer&ecirc;ncias v&aacute;rias<a name="top29"></a><sup><a href="#29">29</a></sup>: a igreja do Santo Sepulcro, na sua iconografia gen&eacute;rica de j&aacute; longa tradi&ccedil;&atilde;o &ndash; planta centrada, corpo superior rasgado por duas janelas &ndash; surge &quot;contaminada&quot; por dois edif&iacute;cios portugueses de manifesto impacto &agrave; &eacute;poca: a Galeria do Pa&ccedil;o da Ribeira, em Lisboa, e a parte superior da fachada da igreja da Gra&ccedil;a, erguida por Nicolau Chanterene apenas um ano antes, em &Eacute;vora, cidade onde a corte permaneceria no decorrer de quase toda essa d&eacute;cada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f7"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f7.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>S&atilde;o cita&ccedil;&otilde;es livres e abreviadas, frequentes no grupo de pintores lisboetas de Quinhentos. Espa&ccedil;os e arquiteturas que se manipulam, sujeitando-os &agrave; composi&ccedil;&atilde;o geral e &agrave; m&aacute;xima efic&aacute;cia narrativa. Por vezes subtis e discretas. Veja-se como, no grupo de pinturas dedicadas aos SantosM&aacute;rtires de Lisboa<a name="top30"></a><sup><a href="#30">30</a></sup> onde pormenores do Pa&ccedil;o da Ribeira (<a href="#f8">Figura 8</a>) s&atilde;o por diversas vezes replicados, a orienta&ccedil;&atilde;o da escada do Pa&ccedil;o, na t&aacute;bua do <i>Arrastamento pelas ruas,</i> surge invertida ou espelhada<a name="top31"></a><sup><a href="#31">31</a></sup>; j&aacute; na Chegada das Rel&iacute;quias de Santa Auta ao Mosteiro da Madre de Deus, a veracidade da portada da igreja tem por contraponto a localiza&ccedil;&atilde;o fict&iacute;cia do Tejo, n&atilde;o &agrave; frente como verdadeiramente acontece, mas atr&aacute;s, &uacute;nica forma de tornar vis&iacute;vel essa proximidade ao rio, deixando simultaneamente livre o primeiro plano para a Santa e o cortejo processional<a name="top32"></a><sup><a href="#32">32</a></sup> (<a href="#f9">Figura 9</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f8"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f8.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f9"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f9.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Mais sugestivo, por constituir justamente um estratagema id&ecirc;ntico ao que Greg&oacute;rio Lopes adopta, se bem que pela forma inversa, &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o do Pa&ccedil;o da Ribeira no f&oacute;lio 25 do <i>Livro de Horas dito de D. Manuel</i> (<a href="#f10">Figura 10</a>)<a name="top33"></a><sup><a href="#33">33</a></sup>, de Ant&oacute;nio de Holanda, certamente ajudado por outros pintores, porventura at&eacute; o pr&oacute;prio Greg&oacute;rio Lopes, como foi j&aacute; aventado<a name="top34"></a><sup><a href="#34">34</a></sup>. A figura&ccedil;&atilde;o de toda a estrutura monumental do Pa&ccedil;o, desde o torre&atilde;o ao corpo norte onde se concentrava o grosso dos aposentos da corte, passando pela longa varanda, obrigou a um rebatimento horizontal, ou planifica&ccedil;&atilde;o das frentes constru&iacute;das em &acirc;ngulo recto<a name="top35"></a><sup><a href="#35">35</a></sup>. No mart&iacute;rio, ao contr&aacute;rio, um s&oacute; plano surge dobrado duas vezes, assim configurando as tr&ecirc;s frentes do terreiro em U.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f10"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f10.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Mas voltemos &agrave;s duas pinturas, a portuguesa e a flamenga: a similitude entre ambas funciona como confirma&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca, sobretudo porque nada parece lig&aacute;-las entre si, cronologia, autoria ou comitente. O &uacute;nico elo &eacute; o tema: ambas remetem, ainda que uma com total protagonismo, outra de forma discreta, para um espa&ccedil;o real e concreto: a Rua Nova dos Mercadores, em Lisboa, nos finais da d&eacute;cada de 30 e ao findar do s&eacute;culo XVI. Esta nova face da Rua Nova dos Mercadores levanta, por&eacute;m, uma outra quest&atilde;o, pois desde a <i>Exposi&ccedil;&atilde;o da Arte Sacra Ornamental</i><a name="top36"></a><sup><a href="#36">36</a></sup>, realizada em Lisboa em 1895, que a referida art&eacute;ria tinha rosto: a representa&ccedil;&atilde;o do f&oacute;lio 130 do <i>Livro de Horas dito de D.</i>&nbsp;<i>Manuel</i> (<a href="#f11">Figura 11</a>), j&aacute; aqui referido a prop&oacute;sito do Pa&ccedil;o da Ribeira. A imagem integra o conjunto que ilumina o <i>Of&iacute;cio dos Mortos</i>, de h&aacute; muito tido como iconograficamente complexo, mais ainda ap&oacute;s a profunda revis&atilde;o operada por Vasco Gra&ccedil;a Moura<a name="top37"></a><sup><a href="#37">37</a></sup> ao identificar, no conjunto, epis&oacute;dios de duas ex&eacute;quias distintas: a traslada&ccedil;&atilde;o do corpo de D. Jo&atilde;o II de Silves para a Batalha, em 1499, e as de D.&nbsp;Manuel, ocorridas em Dezembro de 1521. Apesar das controv&eacute;rsias geradas, um aspeto &eacute; consensual: os espa&ccedil;os urbanos que preenchem as tarjas representam arruamentos e edif&iacute;cios de Lisboa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f11"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f11.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na iluminura do f&oacute;lio 129, o cortejo f&uacute;nebre de D. Manuel abandona o Pa&ccedil;o da Ribeira pelas escadas que no &acirc;ngulo davam acesso &agrave; sala grande e, desenhando uma curva de 180 graus, passa debaixo do Arco dos Pa&ccedil;os, situado no extremo norte da extensa varanda (<a href="#f12">Figura 12</a>)<a name="top38"></a><sup><a href="#38">38</a></sup>. Da&iacute;, a prociss&atilde;o noturna seguiria em dire&ccedil;&atilde;o ao Mosteiro dos Jer&oacute;nimos onde, de acordo com a vontade expressa do monarca, o seu corpo seria sepultado. Tamb&eacute;m no f&oacute;lio 130, onde surge representado o ritual da <i>Quebra dos Escudos</i>, prociss&atilde;o diurna realizada quatro dias ap&oacute;s a morte do monarca, se torna claro que o pintor utilizou um cen&aacute;rio aut&ecirc;ntico: o das ruas da Baixa lisboeta no tempo de D.&nbsp;Jo&atilde;o III. Socorrendo-se de um arrojado jogo persp&eacute;tico, o iluminador acentua a monumentalidade desta parte da cidade, at&eacute; h&aacute; muito pouco tempo consensualmente identificada com a Rua Nova dos Mercadores. A rua paralela a esta, por seu lado, era sistematicamente remetida para o anonimato, n&atilde;o parecendo relevante na composi&ccedil;&atilde;o geral.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f12"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f12.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em contracorrente com a opini&atilde;o generalizada que identifica &ndash; quase sem questionamento &ndash; esta representa&ccedil;&atilde;o com a Rua Nova dos Mercadores, Pedro Cid<a name="top39"></a><sup><a href="#39">39</a></sup>, num breve mas incisivo artigo escrito em 2000, avan&ccedil;ou a hip&oacute;tese de se tratar, afinal, de uma outra Rua Nova que, perpendicular &agrave; anterior, estabelecia a liga&ccedil;&atilde;o direta entre o Rossio e a Ribeira: a Rua Nova d'El Rei. N&atilde;o &eacute; este o lugar para dirimir detalhadamente os argumentos que sustentam o debate, mas &eacute; certamente o lugar para tentar perceber as implica&ccedil;&otilde;es que as duas outras pinturas da Rua Nova dos Mercadores &ndash; a flamenga e a de Greg&oacute;rio Lopes &ndash; aportam a este debate em torno do f&oacute;lio 130 e, por elas, tomar posi&ccedil;&atilde;o, com novos fundamentos, na esteira da proposta de Pedro Cid.</p>     <p>Vale a pena olhar de novo para a t&atilde;o conhecida iluminura. A vista &eacute; captada a partir de um largo, tendo o observador &agrave; sua frente o topo de um quarteir&atilde;o com uma rua de cada lado. Embora da art&eacute;ria &agrave; esquerda apenas se entreveja a entrada, fica claramente evidenciada a altura dos edif&iacute;cios, bem como a dos que por tr&aacute;s parecem subir uma encosta; quanto &agrave; art&eacute;ria do lado direito, surge representada numa grande extens&atilde;o, perdendo-se o seu remate num tra&ccedil;o progressivamente mais difuso e esfumado. A rua &eacute; acentuadamente larga, sendo a dist&acirc;ncia entre os edif&iacute;cios id&ecirc;ntica e regular em toda a extens&atilde;o. De cada lado, erguem-se de forma ininterrupta pr&eacute;dios de quatro pisos, o t&eacute;rreo aberto em galeria. Tal como a frente dos edif&iacute;cios, tamb&eacute;m a sua altura ou c&eacute;rcea corre uniformemente em toda a extens&atilde;o. Os v&atilde;os possuem portadas basculantes e os telhados, representados numa vertente &uacute;nica e regular, s&atilde;o coroados massivamente por chamin&eacute;s e o que parecem ser &aacute;guas furtadas.</p>     <p>Atenhamo-nos apenas em dois argumentos, um de l&oacute;gica processual; outro de ordem formal. No que toca ao primeiro, e seguindo o esquema posto em pr&aacute;tica no f&oacute;lio 129, parece indiscut&iacute;vel a vontade do pintor em retratar o percurso do cortejo f&uacute;nebre realizado em mem&oacute;ria do rei, a 17 de Dezembro. Como destacou Vasco Gra&ccedil;a Moura, todas as representa&ccedil;&otilde;es deste <i>Of&iacute;cio dos Mortos</i> indiciam a forma como o iluminador ter&aacute; recebido instru&ccedil;&otilde;es minuciosas para seguir determinados textos<a name="top40"></a><sup><a href="#40">40</a></sup>. O mesmo ter&aacute; acontecido neste caso sendo a cena retratada diretamente vertida da <i>Mem&oacute;ria da doen&ccedil;a e enterro de el rei D. Manuel</i>, publicada por Ant&oacute;nio Caetano de Sousa, nas <i>Provas da Hist&oacute;ria Geneal&oacute;gica da casa Real Portuguesa</i><a name="top41"></a><sup><a href="#41">41</a></sup>: </p>     <p>&quot;Sa&iacute;ram os vereadores da cidade ao p&eacute; da casa da C&acirc;mara com as suas varas pretas nas m&atilde;os e a cavalo vinha um alferes o qual vinha coberto em um cavalo &agrave; brida todo coberto de d&oacute; de pano de linho preto e trazia a bandeira preta do dito pano de linho derribada ao ombro e a ponta dela arrastava pelo ch&atilde;o e vinham com ele muitos senhores e fidalgos e &agrave; porta da S&eacute; quebraram um escudo negro; na Rua Nova quebraram outro escudo e no Rossio, na metade dele, outro. Ent&atilde;o se tornaram pela rua da Pra&ccedil;a da Palha e pela Correaria a p&eacute; e vindo o dito alferes assim com a bandeira a cavalo como foi &agrave; ida o alferes se foi &agrave; C&acirc;mara e os vereadores, senhores e fidalgos &agrave; S&eacute; onde se disse missa cantada de requiem&quot;.</p>     <p>A ter sido seguido o relato, como tudo indica, a quebra de escudo que ocupa toda a parte inferior da tarja s&oacute; pode corresponder, como bem viu Pedro Cid, &agrave; terceira e &uacute;ltima, realizada no Rossio. De facto, a S&eacute; n&atilde;o est&aacute; retratada e a rua aqui figurada ficou j&aacute; claramente para tr&aacute;s e quase integralmente esvaziada da multid&atilde;o que d&aacute; corpo ao cortejo. A ter de escolher um dos tr&ecirc;s espa&ccedil;os onde, segundo Caetano de Sousa, ocorreu a <i>Quebra dos Escudos</i>, este ser&aacute; certamente o topo sul do Rossio, percorrido momentos antes de o cortejo enveredar pelas ruas que, de novo, o levariam &agrave; S&eacute;. Tudo ganha sentido quando mapeado na baixa da Lisboa quinhentista: o percurso, a altura dos edif&iacute;cios, a subida destes pela encosta<a name="top42"></a><sup><a href="#42">42</a></sup>. O mesmo n&atilde;o se verifica se partirmos do princ&iacute;pio de que a rua de onde sai a prociss&atilde;o &eacute; a Nova dos Mercadores.</p>     <p>Veja-se agora o argumento formal: quase sem exce&ccedil;&atilde;o, os principais arruamentos da Baixa tinham sido intervencionados escassos anos antes por D. Manuel, no &acirc;mbito do vasto programa de reordena&ccedil;&atilde;o urbana pensado entre 1498 e 1499 e concretizado em 1502, detalhadamente estudados, no seu conjunto, por H&eacute;lder Carita. A Rua dos Ferreiros, as ruas das Tanoarias, a Sapataria e, claro, a Rua Nova dos Mercadores. O conjunto de interven&ccedil;&otilde;es, realizadas em paralelo pelo rei e pela c&acirc;mara, tinha como principais objectivos a regulariza&ccedil;&atilde;o dos al&ccedil;ados, a amplia&ccedil;&atilde;o e o enobrecimento do espa&ccedil;o. Assim, obrigar os propriet&aacute;rios, no prazo de um ano, a substituir os frontais em madeira por novas fachadas em tijolo e pedra; demolir antigos balc&otilde;es ou ressaltos nas frontarias e, em seu lugar, erguer &quot;parede direita&quot;; alinhar os al&ccedil;ados, sobre esteios ou arcos, para que todas as casas fiquem &quot;iguays e por cordel e que hua n&atilde;o saya mais que outra&quot;, s&atilde;o as medidas-chave para alcan&ccedil;ar o que H&eacute;lder Carita caracterizou como a uniformidade formal pretendida por D. Manuel, segundo ele, bem patente na iluminura do Livro de Horas<a name="top43"></a><sup><a href="#43">43</a></sup>. E aqui surge de novo uma incongru&ecirc;ncia. Recorde-se o alinhamento cronol&oacute;gico das tr&ecirc;s imagens: a de Greg&oacute;rio Lopes de 1536-39; as duas iluminuras do <i>Of&iacute;cio dos Mortos,</i> hoje globalmente aceites como posteriores a 1545<a name="top44"></a><sup><a href="#44">44</a></sup>, data da publica&ccedil;&atilde;o do texto que serviu de base ao respetivo programa iconogr&aacute;fico; a da tela londrina, posterior a 1570.</p>     <p>Repare-se agora como as representa&ccedil;&otilde;es de Greg&oacute;rio Lopes e do pintor flamengo parecem provar algo que, de resto, j&aacute; se suspeitava: o alcance relativo das reformas manuelinas<a name="top45"></a><sup><a href="#45">45</a></sup>. C&eacute;rceas irregulares, frontarias revestidas a madeira, ressaltos nas fachadas, casas que avan&ccedil;am umas sobre as outras, s&atilde;o elementos presentes em ambas as representa&ccedil;&otilde;es, a primeira de 1536 a segunda de 1570. O que prova isto? que a rua representada no <i>Livro de Horas</i>, em meados do s&eacute;culo XVI, em toda a sua efetiva uniformidade, dificilmente pode ser a Rua Nova dos Mercadores. Nada obsta, todavia, a que seja a Rua Nova d'El Rei.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De facto, ao contr&aacute;rio da Rua Nova dos Mercadores, a Rua Nova d'El Rei era muito recente, certamente da iniciativa de D. Afonso V que, em 1466, encanou o rego que corria na zona, criando a nova art&eacute;ria tamb&eacute;m por isso designada como &quot;rua do cano nova&quot;<a name="top46"></a><sup><a href="#46">46</a></sup>. A metade norte da rua, todavia, seria ainda mais recente: embora j&aacute; referida no auto de aclama&ccedil;&atilde;o de D. Jo&atilde;o II, de 1481<a name="top47"></a><sup><a href="#47">47</a></sup>, a prop&oacute;sito do caminho percorrido at&eacute; ao Rossio, a verdade &eacute; que ainda em pleno reinado manuelino se procedia ao seu &quot;abrimento&quot;, para usar o termo que consta na documenta&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia. Em 1501, escambam-se propriedades onde o rei &quot;manda abrir a rua&quot;, o mesmo que ordena &quot;ao dicto afonse annes que abra a dicta rua cumprindo inteiramente o que sobre esto lhe tem mandado&quot;<a name="top48"></a><sup><a href="#48">48</a></sup>. Rua recente e que, pelo menos em parte do seu percurso, no mais pr&oacute;ximo do Rossio, &eacute; aberta por des&iacute;gnio do pr&oacute;prio D. Manuel<a name="top49"></a><sup><a href="#49">49</a></sup>, de acordo com princ&iacute;pios e regras bem definidas <i>ab initio</i>, sistem&aacute;tica e detalhadamente transmitidas aos que, no terreno, cumpriam a vontade r&eacute;gia (<a href="#f13">Figura 13</a>). N&atilde;o admira por isso que nesta, ao contr&aacute;rio da velha Rua Nova dos Mercadores, os princ&iacute;pios urban&iacute;sticos manuelinos pudessem ser facilmente postos em pr&aacute;tica. O que explica que possa ver-se nesta iluminura uma estrutura larga e rectil&iacute;nea, de fachadas claramente disciplinadas, uniformes em altura e perfil. Um elemento, todavia, fragiliza este racioc&iacute;nio. Os ferros! O gradeamento longitudinal que, como referimos j&aacute;, existia no lado oriental da Rua Nova dos Mercadores, desde o Arco dos Barretes at&eacute; ao Pelourinho, e que resguardava a &aacute;rea dedicada &agrave; banca e &agrave; finan&ccedil;a. Como conjugar os dois aspetos? Os que sustentam a identifica&ccedil;&atilde;o da art&eacute;ria representada como a Rua Nova d'El Rei, formais e processuais, e aquele que constitui indiscutivelmente um elemento identit&aacute;rio da Rua Nova dos Mercadores?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f13"></a><img src="/img/revistas/med/n20/n20a04f13.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No campo conjectural, &eacute; poss&iacute;vel estar-se, uma vez mais, perante a estrat&eacute;gia de composi&ccedil;&atilde;o a partir de refer&ecirc;ncias m&uacute;ltiplas, j&aacute; anteriormente detectada em obras de Greg&oacute;rio Lopes ou de outros pintores seus contempor&acirc;neos. Composi&ccedil;&atilde;o a partir de refer&ecirc;ncias m&uacute;ltiplas, que resulta numa s&iacute;ntese elucidativa e t&atilde;o genericamente verdadeira quanto detalhadamente falsa. Somam-se partes de realidades distintas que se comp&otilde;em livremente e constr&oacute;i-se um todo novo, uma realidade outra e que, embora falsa, evoca como nenhuma outra a realidade conhecida: o cora&ccedil;&atilde;o da Lisboa quinhentista, aqui apresentado pela jun&ccedil;&atilde;o das suas duas mais emblem&aacute;ticas ruas.</p>     <p>Repare-se como, neste mesmo contexto, uma manipula&ccedil;&atilde;o aproximada pode ser detectada no f&oacute;lio 129, justamente aquele que antecede o que agora discutimos: por entre os arcos da varanda do pa&ccedil;o manuelino v&ecirc;-se, a perder de vista, o Rio Tejo. Rio esse que estava efetivamente muito perto, envolvendo ali&aacute;s o torre&atilde;o de remate, erguido por Diogo de Arruda. Mas o Tejo corria perpendicular &agrave; varanda, n&atilde;o por detr&aacute;s dela, a n&atilde;o ser a uma dist&acirc;ncia consider&aacute;vel quando a costa desenhava uma reentr&acirc;ncia. Assim, entre o topo norte da varanda, cujos arcos s&atilde;o representados na iluminura e a vista do rio interpunham-se, criando necessariamente barreiras visuais, o jardim do Pa&ccedil;o, a Ribeira das Naus e os quarteir&otilde;es erguidos por D. Manuel em Cataquefar&aacute;s. Como na t&aacute;bua da Chegada das Rel&iacute;quias de Santa Auta &agrave; Madre de Deus, j&aacute; anteriormente referida, o que verdadeiramente importava era a refer&ecirc;ncia imediata ao <i>topos</i>, marcado em ambos os casos pela proximidade ao Tejo, rio que era em Quinhentos uma quase meton&iacute;mia de Lisboa.</p>     <p>Concluindo, a identifica&ccedil;&atilde;o de uma pintura at&eacute; agora desconhecida permite hoje rever as arquiteturas pintadas por Greg&oacute;rio Lopes na t&aacute;bua que realizou para o Convento de Cristo em Tomar. Atrav&eacute;s de ambas, a famosa Rua Nova dos Mercadores, em Lisboa, ganha um novo rosto. Mas tal vem colocar necessariamente em causa o que at&eacute; agora, quase sem exce&ccedil;&atilde;o, se acreditava ser a sua &uacute;nica e fiel representa&ccedil;&atilde;o, integrada no <i>Livro de Horas dito de D. Manuel</i>. Representa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o perde com isso qualquer import&acirc;ncia j&aacute; que, pelo mesmo racioc&iacute;nio, passa a ser a &uacute;nica vista conhecida da Rua Nova d'El Rei. E nessa conquista v&atilde; por um qualquer primeiro lugar, cabe agora a Greg&oacute;rio Lopes, na t&aacute;bua que pintou para o Convento de Cristo, o estatuto de autor da mais antiga &ndash; pelo menos conhecida &ndash; representa&ccedil;&atilde;o da Rua Nova dos Mercadores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p><b>Fontes</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BRAND&Atilde;O (de Buarcos), Jo&atilde;o &ndash; <i>Grandeza e abastan&ccedil;a de Lisboa em 1552. </i>Ed. Jos&eacute; da Felicidade Alves (manuscrito de 1552, 1&ordf; ed. 1923). Lisboa, Livros Horizonte, 1990.</p>     <p>G&Oacute;IS, Dami&atilde;o de &ndash; <i>Descri&ccedil;&atilde;o da cidade de Lisboa</i>. Ed. Jos&eacute; da Felicidade Alves (1&ordf; ed. 1554). Lisboa: Livros Horizonte, 1988.</p>     <p>HOLANDA, Francisco de &ndash; <i>Da F&aacute;brica que falece &agrave; cidade de Lisboa</i>. Ed. Jos&eacute; da Felicidade Alves. (manuscrito de 1571, 1&ordf; ed. de 1879). Lisboa: Livros Horizonte, 1984.</p>     <p>M&Uuml;NZER, Jer&oacute;nimo &ndash; &quot;Viaje por Espa&ntilde;a y Portugal en los a&ntilde;os 1494 y 1495 (Conclusi&oacute;n), versi&oacute;n del lat&iacute;n por Julio Puyol&quot;.<i>Bolet&iacute;n de la Real Academia de la Historia. </i>Madrid<i>.</i>&nbsp;Tomo 84 (1924), pp. 197-279.</p>     <p>&quot;MEM&Oacute;RIA da doen&ccedil;a e enterro del Rei D. Manuel&quot;. in SOUSA, Ant&oacute;nio Caetano de &ndash; <i>Historia genealogica da Casa Real Portuguesa. Provas </i>(1&ordf; ed. 1735-1748). Tomo II. Coimbra: 1947.</p>     <p>VITERBO, Francisco Sousa &ndash; <i>Dicion&aacute;rio hist&oacute;rico e documental dos arquitectos, Engenheiros e construtores portugueses</i>. (Fac-s&iacute;mile da ed. de 1922). Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1988.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Estudos</b></p>     <p>BATOR&Eacute;O, Manuel &ndash; &quot;A iconografia dos Santos M&aacute;rtires de Lisboa em quatro pinturas do s&eacute;culo XVI: linguagem e significados&quot;.&nbsp;<i>Cultura</i>, Vol. 27 (2010), pp. 187-199.</p>     <p>CAETANO, Carlos &ndash;&nbsp;<i>A Ribeira de Lisboa na &Eacute;poca da Expans&atilde;o Portuguesa&nbsp;(S&eacute;culos XV a XVIII)</i>. Lisboa: Pandora, 2004.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CAETANO, Joaquim Oliveira &ndash; <i>O que Janus Via. Rumos e cen&aacute;rios da pintura portuguesa (1535-1570)</i>. Lisboa: Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 1996. Tese de Mestrado.</p>     <p>CARITA, H&eacute;lder &ndash; <i>Lisboa Manuelina e a forma&ccedil;&atilde;o de modelos urban&iacute;sticos da &Eacute;poca Moderna (1495-1521)</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1999.</p>     <p>CARVALHO, Jos&eacute; Adriano de Freitas &ndash; &quot;Os recebimentos de rel&iacute;quias em S. Roque (Lisboa 1588) e em Santa Cruz (Coimbra 1595). Rel&iacute;quias e espiritualidade. E alguma ideologia&quot;. <i>Via spiritus, </i>n. 8 (2001), pp. 95-156.</p>     <p>CARVALHO, Jos&eacute; Alberto Seabra de &ndash; <i>Greg&oacute;rio Lopes. Pintura Portuguesa do s&eacute;culo XVI</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Inapa, 1999.</p>     <!-- ref --><p><i>Cat&aacute;logo da Sala de Sua Majestade El-Rei</i>. <i>Exposi&ccedil;&atilde;o de Arte Sacra Ornamental</i>. Lisboa:&nbsp;Typographia Castro Irm&atilde;o,&nbsp;1895.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1486297&pid=S1646-740X201600020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CID, Pedro de Aboim Inglez &ndash; &quot;O Livro de Horas dito de D. Manuel. Algumas precis&otilde;es&quot;. <i>Hist&oacute;ria</i>, Ano XXII, n. 26, (Jun. 2000) pp. 46-55.</p>     <p>FONSECA, Jorge &ndash; &quot;Lisboa de D. Manuel no relato de Jan Taccoen&quot;. in FONSECA, Jorge (coord.) &ndash; <i>Lisboa em 1514: O Relato de Jan Taccoen van Zillebeke</i>. Lisboa: Centro de Hist&oacute;ria da Cultura da Universidade Nova de Lisboa e Edi&ccedil;&otilde;es H&uacute;mus, 2014, pp. 91-113.</p>     <p>FRAN&Ccedil;A, Jos&eacute; Augusto &ndash; <i>Lisboa Pombalina e o Iluminismo</i>. Lisboa: Bertrand, 1987.</p>     <p>GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &quot;Uma realiza&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica medieval: o calcetamento da Rua Nova de Lisboa&quot;. in GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; <i>Um olhar sobre a cidade medieval</i>. Cascais: Patrimonia, 1996, pp. 117-137.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>JORDAN GSCHWEND, Annemarie Jordan; LOWE, K.J.P. (eds) &ndash; <i>The Global City. On the streets of the Renaissance Lisbon</i>. London: Paul Hoberton, 2015.</p>     <p>MARKL, Dagoberto &ndash; <i>Livro de Horas de D. Manuel, Estudo Introdut&oacute;rio</i>. Lisboa: Cr&eacute;dito Predial Portugu&ecirc;s e Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1983.</p>     <p>MATOS, Jos&eacute; Sarmentos de; PAULO, Jorge Ferreira &ndash; <i>Um s&iacute;tio na Baixa. A sede do Banco de Portugal</i>. Lisboa: Banco de Portugal, 2013.</p>     <p>MOURA, Vasco Gra&ccedil;a &ndash; &quot;Dami&atilde;o de G&oacute;is e o Livro de Horas dito de D. Manuel&quot;. <i>Arte Ib&eacute;rica</i>, Ano 3, n. 24 (Maio 1999) (Separata Arte Ib&eacute;rica).</p>     <p>PEREIRA, Paulo &ndash; <i>A F&aacute;brica Medieval. Concep&ccedil;&atilde;o e Constru&ccedil;&atilde;o da Arquitectura Portuguesa (1150-1550). </i>Lisboa: Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, 2011. Tese de Doutoramento, 3 vols.</p>     <p>SENOS, Nuno &ndash; <i>O Pa&ccedil;o da Ribeira 1501 - 1581</i>. Lisboa: Editorial Not&iacute;cias, 2002.</p>     <p>SILVA, A. Vieira da &ndash; <i>As muralhas da Ribeira de Lisboa</i> (1&ordf; ed. 1900). Lisboa: C&acirc;mara Municipal, 1987.</p>     <p>SILVA, Carlos Guardado da &ndash; <i>Lisboa Medieval: a organiza&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano</i>. Lisboa: Colibri, 2008.</p>     <p>TRINDADE, Lu&iacute;sa &ndash; &quot;Desenho: discurso e instrumento&quot;. in ROSSA, Walter; RIBEIRO, Margarida Calafate (coord.) &ndash; <i>Patrim&oacute;nios de Influ&ecirc;ncia Portuguesa: modos de olhar</i>. Coimbra, Lisboa, Niter&oacute;i: Imprensa da Universidade de Coimbra, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian e Editora da Universidade Federal Fluminenese, 2015, pp. 401-452.</p>     <p>TRINDADE, Lu&iacute;sa &ndash; <i>A casa corrente em Coimbra. Dos finais da Idade M&eacute;dia aos in&iacute;cios da &Eacute;poca Moderna</i>. Coimbra: C&acirc;mara Municipal, 2002.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>&ndash; <i>Urbanismo na composi&ccedil;&atilde;o de Portugal</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1486313&pid=S1646-740X201600020000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>TRINDADE, Lu&iacute;sa &ndash; &ldquo;Uma outra representa&ccedil;&atilde;o da Rua Nova dos Mercadores, em Lisboa: a t&aacute;bua do &ldquo;mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o&rdquo;, de Greg&oacute;rio Lopes&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm; 20 (Julho &ndash; Dezembro 2016). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA20/trindade2004.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA20/trindade2004.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 15 de Janeiro de 2016</p>     <p>Data aceita&ccedil;&atilde;o do artigo: 21 de Abril de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>     <p><sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></sup> O texto que agora se publica corresponde integralmente &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o apresentada &agrave; 1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o dos <i>Col&oacute;quios do Convento de Cristo [CCC]: Arquitetura e ornamento em Tomar. Fixa&ccedil;&atilde;o e mobilidade,</i> realizada a 30 de Outubro de 2015, sob o t&iacute;tulo &quot;Representa&ccedil;&otilde;es de Lisboa na Charola de Tomar: entre o real e o imagin&aacute;rio&quot;.</p>     <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> Destinada a um dos altares pequenos da Charola, a pintura, a &oacute;leo sobre madeira de carvalho e medindo 119 cm de altura por 244 cm de largura, pertence hoje ao acervo do Museu Nacional de Arte Antiga, com o n&uacute;mero de invent&aacute;rio 80 Pint. No local de origem encontra-se exposta uma reprodu&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica.</p>     <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> HOLANDA, Francisco de &ndash; <i>Da F&aacute;brica que falece &agrave; cidade de Lisboa</i>. Ed. Jos&eacute; da Felicidade Alves (manuscrito de 1571, 1&ordf; ed. de 1879). Lisboa: Livros Horizonte, 1984, p. 32.</p>     <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Contrariamente ao que &eacute; comum afirmar-se, a vinda da rel&iacute;quia para Lisboa n&atilde;o ter&aacute; qualquer liga&ccedil;&atilde;o a Carlos V. Na realidade, a not&iacute;cia da oferta imperial foi posta a circular por Frei Nicolau de Santa Maria, j&aacute; no s&eacute;culo XVII, sendo depois sistematicamente repetida por todos os autores. Para al&eacute;m de nada na documenta&ccedil;&atilde;o coeva o referir, se a origem fosse efetivamente essa, dificilmente se compreenderiam as comprovadas dilig&ecirc;ncias de D. Jo&atilde;o III em inquirir da sua autenticidade junto do seu agente em Roma, Dr. Br&aacute;s Neto. CARVALHO, Jos&eacute; Adriano de Freitas &ndash; &quot;Os recebimentos de rel&iacute;quias em S. Roque (Lisboa 1588) e em Santa Cruz (Coimbra 1595). Rel&iacute;quias e espiritualidade. E alguma ideologia&quot;. <i>Via spiritus</i>, n. 8 (2001), p. 105 ss.</p>     <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> Garc&ecirc;s Teixeira, V&iacute;tor Serr&atilde;o, Jos&eacute; Lu&iacute;s Porf&iacute;rio, Fernando Ant&oacute;nio Baptista Pereira, Manuel Bator&eacute;o, Jos&eacute; Alberto Seabra Carvalho e Joaquim de Oliveira Caetano s&atilde;o alguns dos autores essenciais para o conhecimento da obra de Greg&oacute;rio Lopes.</p>     <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> Veja-se, a t&iacute;tulo de exemplo, o Mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o, da autoria de Antonio del Pollaiuolo, de 1475, hoje na National Gallery, em Londres, ou o Mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o, de Andrea Mantegna, pintado em 1480 e pertencente ao acervo do Museu do Louvre, Paris.</p>     <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> Caso do Mart&iacute;rio de S. Sebasti&atilde;o, de Hans Memling, pintado em torno de 1475 e pertencente &agrave;s cole&ccedil;&otilde;es dos Mus&eacute;es Royaux des Beaux-Arts, Bruxelas.</p>     <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> Datado de 1498, pertence &agrave; Pinacoteca Comunale, Citt&agrave; di Castello.</p>     <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> PEREIRA, Paulo &ndash; <i>A F&aacute;brica Medieval. Concep&ccedil;&atilde;o e Constru&ccedil;&atilde;o da Arquitectura Portuguesa (1150-1550). </i>Lisboa: Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, 2011. Tese de Doutoramento. Vol. 1, p. 209. Sublinhe-se a import&acirc;ncia fundamental desta obra para a compreens&atilde;o das estrat&eacute;gias de representa&ccedil;&atilde;o dos pintores portugueses de Quinhentos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> PEREIRA, Paulo &ndash; <i>A F&aacute;brica Medieval</i>..., vol. I, p. 205.</p>     <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> Jos&eacute; Alberto Seabra de Carvalho coloca a hip&oacute;tese desses mart&iacute;rios distantes serem, pelo contr&aacute;rio, uma refer&ecirc;ncia direta &agrave; &quot;persegui&ccedil;&atilde;o antijudaica que varreu Lisboa em 1506 e que vivamente teria impressionado o pintor&quot;. CARVALHO, Jos&eacute; Alberto Seabra de &ndash; <i>Greg&oacute;rio Lopes. Pintura Portuguesa do s&eacute;culo XVI</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Inapa, 1999, p. 62.</p>     <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> BELTZ, Johannes;&nbsp;JORDAN GSCHWEND, Annemarie &ndash; <i>Ivories from Ceylon: luxury goods from the Renaissance.</i> Zurich: Museum Rietberg, 2010. J&aacute; depois da realiza&ccedil;&atilde;o da confer&ecirc;ncia a que este texto reporta, concretamente em Dezembro de 2015, foi lan&ccedil;ada a obra de JORDAN GSCHWEND, Annemarie; LOWE, K.J.P. (eds.) &ndash; <i>The Global City. On the streets of the Renaissance Lisbon</i>. London: Paul Hoberton, 2015, onde a pintura (e o universo para que remete) &eacute; detalhadamente apresentada e estudada por v&aacute;rios autores. Refira-se ainda que em 2013 a mesma pintura foi reproduzida, no interior e na capa da obra de MATOS, Jos&eacute; Sarmentos de; PAULO, Jorge Ferreira &ndash; <i>Um s&iacute;tio na Baixa. A sede do Banco de Portugal</i>. Lisboa: Banco de Portugal, 2013.</p>     <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> SILVA, A. Vieira da &ndash; <i>As muralhas da Ribeira de Lisboa</i>. Lisboa: C&acirc;mara Municipal, 1987 (1&ordf; ed. 1900), vol. I, p. 97.</p>     <p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> Sobre a Rua Nova veja-se, SILVA, A. Vieira da &ndash; <i>As muralhas da Ribeira de Lisboa</i>...<i>,</i> pp. 91-112; CARITA, H&eacute;lder &ndash; <i>Lisboa Manuelina e a forma&ccedil;&atilde;o de modelos urban&iacute;sticos da &Eacute;poca Moderna (1495-1521)</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1999, pp. 33-35 e 67-68; SILVA, Carlos Guardado da &ndash; <i>Lisboa Medieval: a organiza&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano</i>. Lisboa: Colibri, 2008, pp. 272 e 231.</p>     <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> Sobre o processo de &quot;cristianiza&ccedil;&atilde;o da cidade isl&acirc;mica&quot;, veja-se TRINDADE, Lu&iacute;sa &ndash; <i>Urbanismo na composi&ccedil;&atilde;o de Portugal</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 2013.</p>     <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &quot;Uma realiza&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica medieval: o calcetamento da Rua Nova de Lisboa&quot;. in <i>Um olhar sobre a cidade medieval</i>. Cascais: Patrimonia, 1996, pp. 117-137.</p>     <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> M&Uuml;NZER, Jer&oacute;nimo &ndash; &quot;Viaje por Espa&ntilde;a y Portugal en los a&ntilde;os 1494 y 1495 (Conclusi&oacute;n), versi&oacute;n del lat&iacute;n por Julio Puyol&quot;.<i>Bolet&iacute;n de la Real Academia de la Historia,</i>&nbsp;tomo 84 (1924), p. 213.</p>     <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> BRAND&Atilde;O (de Buarcos), Jo&atilde;o &ndash; <i>Grandeza e abastan&ccedil;a de Lisboa em 1552. </i>Ed. Jos&eacute; da Felicidade Alves. (manuscrito de 1552, 1&ordf; ed. 1923). Lisboa, Livros Horizonte, 1990, pp. 97-100.</p>     <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> G&Oacute;IS, Dami&atilde;o de &ndash; <i>Descri&ccedil;&atilde;o da cidade de Lisboa</i>. Ed. Jos&eacute; da Felicidade Alves. (1&ordf; ed. 1554). Lisboa: Livros Horizonte, 1988, p. 54.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> BRAND&Atilde;O (de Buarcos), Jo&atilde;o &ndash; <i>Grandeza e abastan&ccedil;a de Lisboa em 1552</i>...<i>, </i>p. 99.</p>     <p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> Citado por FONSECA, Jorge &ndash; &quot;Lisboa de D. Manuel no relato de Jan Taccoen&quot;. in FONSECA, Jorge (coord.) &ndash; <i>Lisboa em 1514: O Relato de Jan Taccoen van Zillebeke</i>. Lisboa: Centro de Hist&oacute;ria da Cultura da Universidade Nova de Lisboa e Edi&ccedil;&otilde;es H&uacute;mus, 2014, p. 100.</p>     <p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> FONSECA, Jorge &ndash; &quot;Lisboa de D. Manuel no relato de Jan Taccoen...&quot;, p. 98 e 110.</p>     <p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> Caso da obra O <i>Chafariz d&rsquo;el Rey,</i> pintura a &oacute;leo sobre t&aacute;bua, de autor an&oacute;nimo e dat&aacute;vel de c. 1570-80, pertencente &agrave; Cole&ccedil;&atilde;o Berardo.</p>     <p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> SILVA, A. Vieira da &ndash; <i>As muralhas da Ribeira de Lisboa</i>..., p. 93.</p>     <p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> Sobre o uso da madeira veja-se TRINDADE, Lu&iacute;sa &ndash; <i>A casa corrente em Coimbra. Dos finais da Idade M&eacute;dia aos in&iacute;cios da &Eacute;poca Moderna</i>. Coimbra: C&acirc;mara Municipal, 2002 p. 86 ss.</p>     <p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> CAETANO, Joaquim Oliveira &ndash; <i>O que Janus Via. Rumos e cen&aacute;rios da pintura portuguesa (1535-1570)</i>. Lisboa: Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 1996. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, p. 92.</p>     <p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> Not&iacute;cia originalmente publicada em TRINDADE, Lu&iacute;sa &ndash; &quot;Desenho: discurso e instrumento&quot;. in ROSSA, Walter; RIBEIRO, Margarida Calafate (coord.) &ndash; <i>Patrim&oacute;nios de Influ&ecirc;ncia Portuguesa: modos de olhar</i>. Coimbra, Lisboa, Niter&oacute;i: Imprensa da Universidade de Coimbra, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian e Editora da Universidade Federal Fluminenese, 2015, pp. 401-452.</p>     <p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> Sobre a renova&ccedil;&atilde;o da Lisboa ribeirinha ao tempo de D. Manuel veja-se, CARITA, H&eacute;lder &ndash; <i>Lisboa Manuelina e a forma&ccedil;&atilde;o de modelos urban&iacute;sticos da &Eacute;poca Moderna (1495-1521)</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1999; SENOS, Nuno &ndash; <i>O Pa&ccedil;o da Ribeira 1501 - 1581</i>. Lisboa: Editorial Not&iacute;cias, 2002; CAETANO, Carlos &ndash; <i>A Ribeira de Lisboa na &Eacute;poca da Expans&atilde;o Portuguesa (S&eacute;culos XV a XVIII)</i>. Lisboa: Pandora, 2004.</p>     <p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> CAETANO, Joaquim Oliveira &ndash; <i>O que Janus Via</i>..., pp. 99-101.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup> CAETANO, Joaquim Oliveira &ndash; <i>O que Janus Via</i>..., p. 96 e PEREIRA, Paulo &ndash; <i>A F&aacute;brica Medieval</i>..., vol 1. p. 206.</p>     <p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> Pertencentes ao esp&oacute;lio do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, as pinturas representam o&nbsp;<i>An&uacute;ncio do Mart&iacute;rio</i>, o&nbsp;<i>Desembarque em Lisboa</i>, a <i>Flagela&ccedil;&atilde;o</i>&nbsp;e o&nbsp;<i>Arrastamento pelas ruas</i>. BATOR&Eacute;O, Manuel&nbsp;&ndash; &quot;A iconografia dos Santos M&aacute;rtires de Lisboa em quatro pinturas do s&eacute;culo XVI: linguagem e significados&quot;.&nbsp;<i>Cultura</i>, Vol. 27 (2010), pp. 187-199.</p>     <p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup> PEREIRA, Paulo &ndash; <i>A F&aacute;brica Medieval</i>..., vol. II, p. 884.</p>     <p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup> <i>Ibidem</i>, vol 1. p. 181.</p>     <p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> <i>Livro de Horas dito de D. Manuel</i>, Museu Nacional de Arte Antiga, Inv. 14, fl. 25. Sobre este c&oacute;dice veja-se MARKL, Dagoberto &ndash; <i>Livro de Horas de D. Manuel, Estudo Introdut&oacute;rio</i>. Lisboa: Cr&eacute;dito Predial Portugu&ecirc;s e Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1983.</p>     <p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup> PEREIRA, Paulo &ndash; <i>A F&aacute;brica Medieval</i>..., vol 1. p. 111.</p>     <p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> <i>Ibidem</i>, vol. II, p. 885.</p>     <p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> <i>Cat&aacute;logo da Sala de Sua Majestade El-Rei</i>. <i>Exposi&ccedil;&atilde;o de Arte Sacra Ornamental</i>. Lisboa:&nbsp;Typographia Castro Irm&atilde;o,&nbsp;1895.</p>     <p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup> MOURA, Vasco Gra&ccedil;a &ndash; &quot;Dami&atilde;o de G&oacute;is e o Livro de Horas dito de D. Manuel&quot;. <i>Arte Ib&eacute;rica</i>, Ano 3, n. 24 (Maio 1999) (Separata Arte Ib&eacute;rica).</p>     <p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> Sobre o Pa&ccedil;o da Ribeira e as suas representa&ccedil;&otilde;es no <i>Livro de Horas dito de D. Manuel</i> veja-se SENOS, Nuno &ndash; <i>O Pa&ccedil;o da Ribeira</i>...<i>,</i> sobretudo pp. 90-91 e 100-101.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> CID, Pedro de Aboim Inglez &ndash; &quot;O Livro de Horas dito de D. Manuel. Algumas precis&otilde;es&quot;. <i>Hist&oacute;ria</i>, Ano XXII, n. 26, (Jun. 2000), pp. 46-55.</p>     <p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> MOURA, Vasco Gra&ccedil;a &ndash; &quot;Dami&atilde;o de G&oacute;is e o Livro de Horas dito de D. Manuel...&quot;, p. 5.</p>     <p><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup> SOUSA,Ant&oacute;nio Caetano de &ndash; &quot;Mem&oacute;ria da doen&ccedil;a e enterro del Rei D. Manuel&quot;. in SOUSA,Ant&oacute;nio Caetano de &ndash; <i>Historia genealogica da Casa Real Portuguesa. Provas. </i>(1&ordf; ed. 1735-1748). Coimbra: 1947. Tomo II. 1&ordf; parte, pp. 384-385.</p>     <p><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup> CID, Pedro de Aboim Inglez &ndash; &quot;O Livro de Horas dito de D. Manuel...&quot;, p. 48.</p>     <p><sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></sup> CARITA, H&eacute;lder &ndash; <i>Lisboa Manuelina</i>..., p. 68.</p>     <p><sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></sup> MOURA, Vasco Gra&ccedil;a &ndash; &quot;Dami&atilde;o de G&oacute;is e o Livro de Horas dito de D. Manuel...&quot;, p. 18.</p>     <p><sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></sup> A t&iacute;tulo de exemplo, ap&oacute;s o terramoto de 1755, Manuel da Maia, na sua disserta&ccedil;&atilde;o, afirmava estarem finalmente reunidas as condi&ccedil;&otilde;es para destruir os velhos e perigosos passadi&ccedil;os que atravancavam a cidade de Lisboa. Passadi&ccedil;os ou passagens cobertas que, 255 anos antes, D. Manuel colocara no topo da sua lista de elementos a destruir. FRAN&Ccedil;A, Jos&eacute; Augusto &ndash; <i>Lisboa Pombalina e o Iluminismo</i>. Lisboa: Bertrand, 1987, p. 84.</p>     <p><sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></sup> SILVA, Carlos Guardado da &ndash; <i>Lisboa Medieval</i>...,p. 173.</p>     <p><sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></sup> CID, Pedro de Aboim Inglez &ndash; &quot;O Livro de Horas dito de D. Manuel...&quot;, p. 52.</p>     <p><sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></sup> VITERBO, Francisco Sousa &ndash; <i>Dicion&aacute;rio hist&oacute;rico e documental dos arquitectos, Engenheiros e construtores portugueses</i>. (Fac-s&iacute;mile da ed. de 1922). Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1988, vol. III, pp. 312-318.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></sup> CARITA, H&eacute;lder &ndash; <i>Lisboa Manuelina</i>..., pp. 75-78.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[BRANDÃO (de Buarcos)]]></surname>
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<surname><![CDATA[Alves]]></surname>
<given-names><![CDATA[José da Felicidade]]></given-names>
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<source><![CDATA[Grandeza e abastança de Lisboa em 1552]]></source>
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