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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A imagem do outro na Crónica da Tomada de Ceuta pelo Rei D. João I de Gomes Eanes de Zurara]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The representation of the Other is as old as the cultural history of humanity and the image that is portrayed of that Other depends entirely on the I that describes and builds it. Thus, based on the theoretical assumptions of imagology, we aim at analysing the image of the moors as depicted on the Chronicle of the Conquest of Ceuta, seeking to track the topos of the Portuguese praise, cornerstone of the construction of national identity]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>A imagem do outro na <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta pelo Rei D. Jo&atilde;o I</i> de Gomes Eanes de Zurara</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The image of the Other in Gomes Eanes de Zuraraâ€™s <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta pelo Rei D. Jo&atilde;o I</i></b></font></p>     <p><b>Nat&aacute;lia Albino Pires<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Instituto Polit&eacute;cnico de Coimbra, Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o de Coimbra / Instituto de Estudos de Literarura e Tradi&ccedil;&atilde;o (FCSH/NOVA), 3030-329 Coimbra, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:npires@esec.pt">npires@esec.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A representa&ccedil;&atilde;o do <i>outro</i> &eacute; t&atilde;o antiga como a hist&oacute;ria cultural da humanidade e a imagem que desse <i>outro</i> se veicula depende integralmente do <i>eu</i> que a descreve e constr&oacute;i. Assim, tendo por base os pressupostos te&oacute;ricos da imagologia, propomo-nos analisar a imagem do mouro transmitida na <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>, procurando rastrear o <i>topos</i> do enaltecimento dos portugueses, basilar da constru&ccedil;&atilde;o da identidade nacional.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Mouro, Portugueses, alteridade, Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta, Zurara</p> <hr/>    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The representation of the <i>Other</i> is as old as the cultural history of humanity and the image that is portrayed of that <i>Other</i> depends entirely on the <i>I</i> that describes and builds it. Thus, based on the theoretical assumptions of imagology, we aim at analysing the image of the moors as depicted on the <i>Chronicle of the Conquest of Ceuta</i>, seeking to track the <i>topos</i> of the Portuguese praise, cornerstone of the construction of national identity.</p>     <p><b>Keywords:</b> Moor, Portuguese, Otherness, <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>, Zurara</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b>1</b></p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A imagem do outro depende integralmente do &quot;eu&quot; que a descreve e que a constr&oacute;i e &eacute; uma tem&aacute;tica t&atilde;o antiga como a hist&oacute;ria da humanidade. Das primeiras imagens ic&oacute;nicas do outro nas pinturas rupestres ou na arte paleol&iacute;tica &agrave; imagem do outro no texto liter&aacute;rio ao longo dos mil&eacute;nios, evidencia-se um longo processo (re)construtivo. As descri&ccedil;&otilde;es do outro, ao longo da hist&oacute;ria cultural da Humanidade, v&atilde;o, com todas as dificuldades definit&oacute;rias subjacentes a estes adjectivos, do grotesco ao belo e est&atilde;o presentes em diversos &acirc;mbitos desde o liter&aacute;rio ao filos&oacute;fico (ao sociol&oacute;gico ou antropol&oacute;gico) da antiguidade at&eacute; ao presente.</p>     <p>Do ponto de vista cultural, a no&ccedil;&atilde;o do outro tem sido quase sempre constru&iacute;da a partir da perspectiva do ocidental, quer estejamos a reportar-nos a textos da antiguidade cl&aacute;ssica ou do s&eacute;culo XX, sendo de destacar as descri&ccedil;&otilde;es do outro que se julgava existirem nos territ&oacute;rios inabitados para l&aacute; do mundo conhecido<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>; as ris&iacute;veis descri&ccedil;&otilde;es do outro patentes na literatura de viagens, tanto portuguesa como espanhola, inerentes &agrave; descoberta do Novo Mundo<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup> e, ainda, as teoriza&ccedil;&otilde;es iluministas francesas sobre o outro, em especial a teoria do &quot;bom selvagem&quot;, que contribu&iacute;ram para evitar por algum tempo a escravatura dos &iacute;ndios no Brasil. Por outras palavras e pese embora a personagem referir-se &agrave;s diferen&ccedil;as sociais entre homens e mulheres, a perspectiva&ccedil;&atilde;o do outro e a sua descri&ccedil;&atilde;o s&atilde;o feitas &quot;por aquele que possui o poder da escrita&quot; tal como lembra a burguesa de Bath na obra de Chaucer<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup> ou tal como lembra o pr&oacute;prio Zurara a prop&oacute;sito da mem&oacute;ria hist&oacute;rica na obra que ora analisamos:</p>     <p>&quot;E quall he mais segura sepulltura pera quallquer prim&ccedil;ipe ou baram uirtuoso, que a escpritura que rrepresemta o claro conhe&ccedil;imento de suas obras passadas. Certo toda a nobreza dos home&#7869;s fora destroida, sse as penas dos escpriua&atilde;es a nom poseram em fim&quot;<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup>.</p>     <p>Na Literatura, o percurso da constru&ccedil;&atilde;o da imagem do outro seria imposs&iacute;vel de descrever no &acirc;mbito de um breve estudo porquanto se trata de um <i>topos</i> desenvolvido ao largo de s&eacute;culos e, exactamente pelos mesmos motivos, tamb&eacute;m ser&aacute; inexequ&iacute;vel tra&ccedil;ar a sua presen&ccedil;a no &acirc;mbito restrito de uma qualquer cultura particular.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, tendo em conta o seu contexto de redac&ccedil;&atilde;o, as peculiaridades liter&aacute;rias e culturais subjacentes &agrave;s primeiras cr&oacute;nicas da segunda dinastia e as rela&ccedil;&otilde;es mouro/crist&atilde;o durante os s&eacute;culos XV e XVI, procuraremos analisar a imagem do outro, particularmente, a imagem do mouro<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup> veiculada na <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>, de Gomes Eanes de Zurara.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1. Contexto de redac&ccedil;&atilde;o da <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i></b></p>     <p>Nascido entre 1410 e 1420, Gomes Eanes de Zurara &eacute;, na hist&oacute;ria da cron&iacute;stica portuguesa, o segundo cronista mor do Reino e substitui Fern&atilde;o Lopes no of&iacute;cio de guarda das escrituras da Torre do Tombo em 1454. Por encargo de D. Afonso V, escreve a <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta por el Rei D. Jo&atilde;o I</i>; a <i>Cr&oacute;nica dos Feitos da Guin&eacute;</i>; a <i>Cr&oacute;nica do Conde D. Pedro de Meneses</i> e, finalmente, a <i>Cr&oacute;nica do Conde D. Duarte de Meneses</i>.</p>     <p>Sem pretens&atilde;o de aprofundar quest&otilde;es relativas ao contexto social, pol&iacute;tico e cultural da &eacute;poca em que a Cr&oacute;nica que analisamos foi escrita, importa, por&eacute;m, ter presentes as palavras de Bertoli<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup> ou de Michelan<a name="top7"></a><sup><a href="#7">7</a></sup>. Com efeito, Bertoli<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a></sup> lembra que &quot;as obras de Zurara fazem parte de um projecto de escrita para legitimar o poder r&eacute;gio e de parte da nobreza, bem como justificar suas a&ccedil;&otilde;es. Este projecto est&aacute; expl&iacute;cito nas tr&ecirc;s cr&ocirc;nicas marroquinas que, por vezes, t&ecirc;m extens&otilde;es de textos em comum&quot;. E Michelan refor&ccedil;a as suas palavras ao afirmar que:</p>     <p>&quot;o papel das cr&ocirc;nicas, produzidas sob a &eacute;gide da dinastia de Avis, foi, fundamentalmente, de lan&ccedil;ar as bases para a constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem din&aacute;stica a ser fixada e transmitida para a posteridade, a partir, em grande parte, da exalta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de tal dinastia, em que as figuras passadas serviam de alicerce para sustentar as a&ccedil;&otilde;es presentes, al&eacute;m de criarem a ideia de continuidade pol&iacute;tica, mesmo com a mudan&ccedil;a din&aacute;stica&quot;<a name="top9"></a><sup><a href="#9">9</a></sup>.</p>     <p>Antes de entrarmos na an&aacute;lise da imagem do mouro veiculada na <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>, parece-nos, tamb&eacute;m, relevante recordar que, &agrave; &eacute;poca da conquista de Ceuta, e at&eacute; bem tarde na hist&oacute;ria moderna europeia, a guerra contra os mouros foi considerada justa e santa, procurando-se recuperar as antigas terras da cristandade (nomeadamente aquelas que haviam pertencido aos visigodos de quem os reis ib&eacute;ricos se consideravam descendentes directos) e ancorando-se todos os actos de conquista nos baluartes teol&oacute;gicos da Igreja cat&oacute;lica, isto &eacute;, na teoriza&ccedil;&atilde;o de Santo Agostinho e na de S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino. Nesta medida e tal como lembra Michelan, as diferentes cr&oacute;nicas retomam sucessivamente t&oacute;picos utilizados pelos antecessores, nomeadamente:</p>     <p>&quot;a hist&oacute;ria como mestra da vida, a refer&ecirc;ncia e/ou a analogia &agrave;s personagens antigas e b&iacute;blicas, a defesa do combate aos cism&aacute;ticos e sarracenos, as men&ccedil;&otilde;es &agrave;s profecias, a constante refer&ecirc;ncia &agrave; interven&ccedil;&atilde;o da provid&ecirc;ncia divina, a &ecirc;nfase sobre a lamenta&ccedil;&atilde;o dos mouros ap&oacute;s as vit&oacute;rias crist&atilde;s e a narrativa centrada nos monarcas&quot;<a name="top10"></a><sup><a href="#10">10</a></sup>.</p>     <p>De facto, e tal como lembram diversos autores a prop&oacute;sito de outros textos cron&iacute;sticos ib&eacute;ricos<a name="top11"></a><sup><a href="#11">11</a></sup>, todos estes t&oacute;picos, em particular o t&oacute;pico da guerra santa, est&atilde;o patentes nas Cr&oacute;nicas que descrevem a progress&atilde;o da (re)conquista crist&atilde; a partir do epis&oacute;dio dos m&aacute;rtires de C&oacute;rdova<a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1.2. A imagem do <i>outro</i></b></p>     <p>O estudo das representa&ccedil;&otilde;es do <i>outro</i> tem-se desenvolvido sob a &eacute;gide da imagologia, cujo objectivo principal &quot;es el de revelar el valor ideol&oacute;gico y pol&iacute;tico que puedan tener ciertos aspectos de una obra literaria precisamente porque en ellos se condensan las ideas que un autor comparte con el medio social y cultural en que vive&quot;<a name="top13"></a><sup><a href="#13">13</a></sup>. Por conseguinte, a imagologia &quot;studies the origin and function of characteristics of other countries and people, as expressed textually, particularly in the way in which they are presented in works of literature, plays, poems, travel books and essays&quot;<a name="top14"></a><sup><a href="#14">14</a></sup>.</p>     <p>Com efeito, a cron&iacute;stica de Zurara, ainda que estudada maioritariamente como fonte da faceta expansionista portuguesa<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>, faculta-nos um conjunto de constructos imag&iacute;sticos ora baseado nas &quot;representa&ccedil;&otilde;es tradicionais do <i>outro </i>vigentes no imagin&aacute;rio colectivo da &eacute;poca, [ora] resultantes de uma am&aacute;lgama n&atilde;o muito bem definida de mem&oacute;rias orais dos tempos da Reconquista&quot;<a name="top16"></a><sup><a href="#16">16</a></sup>. Nesta sequ&ecirc;ncia, Blackmore considera que nas cr&oacute;nicas de Zurara &quot;the <i>mouro</i> responds to different textual and political exigencies and is refashioned according to the incipient culture of imperial textuality&quot;<a name="top17"></a><sup><a href="#17">17</a></sup> e afirma que tanto a <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i> como a <i>Cr&oacute;nica da Guin&eacute;</i> marcam &quot;a transition between representations of the Moor as the Arabic-speaking Muslim familiar to Iberian history as a new and strange occupant of unexplored regions of Africa&quot;<a name="top18"></a><sup><a href="#18">18</a></sup>.</p>     <p>A imagem do mouro e as rela&ccedil;&otilde;es Mouro/Crist&atilde;o t&ecirc;m sido particularmente evidenciadas nas cr&oacute;nicas dos Menezes, destacando-se as parcas refer&ecirc;ncias &agrave; imagem do mouro veiculadas na <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i><a name="top19"></a><sup><a href="#19">19</a></sup>. Centraremos, por isso, a nossa aten&ccedil;&atilde;o exclusivamente nesta Cr&oacute;nica e procederemos ao levantamento e an&aacute;lise da imagem do mouro enquanto <i>outro</i> nela veiculada, subjazendo, &agrave; nossa proposta anal&iacute;tica, os pressupostos te&oacute;ricos da imagologia e, tamb&eacute;m, as defini&ccedil;&otilde;es do &quot;eu&quot; e do &quot;outro&quot; propostas por Todorov<a name="top20"></a><sup><a href="#20">20</a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b>2</b></p>     <p><b>A imagem do mouro na <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i></b></p>     <p>O cronista, ao longo da obra, valida reiteradamente as suas afirma&ccedil;&otilde;es com a filosofia aristot&eacute;lica, com as bases teol&oacute;gicas da Igreja Cat&oacute;lica (sobretudo Santo Agostinho e S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino) e com cita&ccedil;&otilde;es dos Evangelhos (de S. Lucas, de S. Mateus e de S. Jo&atilde;o), afirmando, desde o cap&iacute;tulo primeiro, que h&aacute; povos eleitos de Deus a quem Este ajuda a cumprir os seus desideratos. Nesta medida, o cronista expressa, desde as primeiras linhas da obra, a grandeza de car&aacute;cter e a absoluta devo&ccedil;&atilde;o religiosa do rei D. Jo&atilde;o I e centra-se na descri&ccedil;&atilde;o dos seus feitos e ac&ccedil;&otilde;es num per&iacute;odo de tempo espec&iacute;fico (desde o surgimento e matura&ccedil;&atilde;o da ideia de conquistar a cidade de Ceuta ao momento em que a empresa da sua tomada se d&aacute; por terminada), dando com este texto continuidade &agrave;s duas primeiras partes da cr&oacute;nica deste rei escritas por Fern&atilde;o Lopes.</p>     <p>Cumprindo uma especificidade discursiva da cron&iacute;stica medieval e &agrave; semelhan&ccedil;a do seu antecessor, Fern&atilde;o Lopes<a name="top21"></a><sup><a href="#21">21</a></sup>, o cronista adverte para o poder da ora&ccedil;&atilde;o e da invoca&ccedil;&atilde;o dos Santos, em especial da Virgem Santa Maria, como intermedi&aacute;rios entre Deus e o Homem para a outorga de gra&ccedil;as. Consequentemente, ele pr&oacute;prio, deixando patente a sua &quot;rrudeza e fraco engenho&quot;<a name="top22"></a><sup><a href="#22">22</a></sup>, invoca num largo trecho a inspira&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para a escrita dos feitos do rei D. Jo&atilde;o I e reconhece que sem essa interven&ccedil;&atilde;o divina n&atilde;o ser&aacute; capaz de tal empresa:</p>     <p>&quot;digo com toda humildade e rreverencia em aquesta guisa. Aquelle cuja gra&ccedil;a per diuinal rresplendor enframou os cora&ccedil;&otilde;es dos seus santos apostolos da perfeita sabedoria com espritual eloquen&ccedil;ia. mande sobre mim algu&#361;a parte dos atomos daquella gra&ccedil;a. que per minha rrudeza e fraco engenho possa falar da franqueza e marauilhosos feitos deste virtuoso e nunqua ven&ccedil;ido prin&ccedil;ipe senhor Rey Dom Joham [&hellip;] conhe&ccedil;endo que per mim nenhu&#361;a cousa posso sem sua gra&ccedil;a e ajuda&quot;<a name="top23"></a><sup><a href="#23">23</a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A primeira refer&ecirc;ncia &agrave; &quot;tam nobre e tam grande &ccedil;idade como he Cepta&quot;, for&ccedil;osamente conquistada por armas e ao servi&ccedil;o de Deus, surge logo no cap&iacute;tulo segundo e, neste mesmo cap&iacute;tulo, o cronista introduz-nos a lenda, reiteradamente veiculada por fontes escritas anteriores<a name="top24"></a><sup><a href="#24">24</a></sup>, da trai&ccedil;&atilde;o de D. Juli&atilde;o que, por vingan&ccedil;a para com o rei D. Rodrigo, entrega a cidade aos mouros<a name="top25"></a><sup><a href="#25">25</a></sup>. A seguinte descri&ccedil;&atilde;o da cidade ocorre no cap&iacute;tulo nono e &eacute; posta na boca de Joham Affonso, vedor da fazenda, que dela fala aos Infantes, arrazoando-lhes os intentos de se tornarem cavaleiros na sequ&ecirc;ncia de um feito valoroso, pr&oacute;prio da sua condi&ccedil;&atilde;o nobre excepcional: </p>     <p>&quot;Vossos pensamentos disse elle sam assaz de grandes e bo&otilde;s. e pois que vos taal vontade tendes eu vos posso assinar hu&#361;a cousa em que o podees bem e honrradamente executar. E esto he a &ccedil;idade de Cepta que he em terra dAffrica que he hu&#361;a muy notauel &ccedil;idade e muy azada pera se tomar. e esto sey eu principalmente per hum meu criado que la mandey tirar algu&#361;s catiuos de que tinha encarrego. ele me contou como he hu&#361;a muy grande &ccedil;idade rriqua e muy fermosa. e como de todallas partes a &ccedil;erqua o mar afora hu&#361;a muy pequena parte por que am sayda pera a terra&quot;<a name="top26"></a><sup><a href="#26">26</a></sup>.</p>     <p>A primeira caracteriza&ccedil;&atilde;o do mouro surge conjuntamente com a primeira refer&ecirc;ncia a Ceuta. Numa prolepse, o cronista afirma: &quot;Eras tu primeiramente de na&ccedil;am barbara mais baxa de todallas na&ccedil;&otilde;es&quot;, estando, agora, afastadas da cidade &quot;as en&ccedil;uguentadas &ccedil;erimonias do abominauel Mafamede&quot;<a name="top27"></a><sup><a href="#27">27</a></sup>. Ao longo da obra, as refer&ecirc;ncias ao mouro, quer se trate do mouro forro, do mouro granadino ou do habitante de Ceuta, ocorrem em momentos chave da narra&ccedil;&atilde;o, denotando um objectivo discursivo por parte do cronista. Enquanto a ledice dos portugueses contrasta com a tristeza dos habitantes de Ceuta, a imagem amb&iacute;gua que o cronista veicula do mouro amplifica a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos portugueses como corajosos e valerosos homens, mas mostra tamb&eacute;m que a tomada de Ceuta fora predestinada e, por conseguinte, os mouros nada poderiam ter feito para a manter em seu poder.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.1. O mouro: do infiel ao traidor</b></p>     <p>Em geral, as macro-refer&ecirc;ncias ao mouro adjectivam-no sempre como infiel e b&aacute;rbaro. Embora nem sempre estas refer&ecirc;ncias sejam pejorativas, atestamos diversos momentos em que o mouro nos &eacute; apresentado como ign&oacute;bil. Do encontro da embaixada granadina com a rainha, o cronista assevera que, sendo esta uma mulher &quot;muito amiga de Deus&quot; e origin&aacute;ria de Inglaterra, &quot;cuja na&ccedil;am amtre as do mumdo naturallmente desamam todollos jmfiees&quot;, muito dificilmente aceitaria favores de um infiel<a name="top28"></a><sup><a href="#28">28</a></sup>. Com efeito, os seguidores do &quot;abomin&aacute;vel Mafamede&quot;, isto &eacute;, os infi&eacute;is surgem quase sempre por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; devo&ccedil;&atilde;o religiosa dos portugueses: os primeiros ser&atilde;o castigados por n&atilde;o terem escolhido a verdadeira F&eacute; e os segundos agraciados com vit&oacute;rias, dada a sua F&eacute; verdadeira.</p>     <p>Imediatamente antes da entrada dos portugueses em Ceuta, alguns velhos dirigem-se &agrave;s mesquitas e fervorosamente tecem preces ao profeta Mafamede para que n&atilde;o os abandone<a name="top29"></a><sup><a href="#29">29</a></sup>. Concomitantemente, Martim Paaez, o capel&atilde;o do Infante D. Henrique, que no cap&iacute;tulo septuag&eacute;simo primeiro incita os homens a um fervoroso servi&ccedil;o de Deus, refere-se aos seguidores de Mafamede como m&aacute; semente que deve ser arrancada pelos fi&eacute;is porquanto em breve aquela &quot;amortificaria toda a bo&otilde;a semente&quot;<a name="top30"></a><sup><a href="#30">30</a></sup>.</p>     <p>Antes da tomada da cidade pela armada, salientam-se dois epis&oacute;dios de contacto com os mouros dos quais sobressai a sua caracteriza&ccedil;&atilde;o: o encontro dos embaixadores do rei de Granada com D. Jo&atilde;o I na corte portuguesa e o encontro dos navegadores/ conquistadores com os mouros de Algeciras. Nestes epis&oacute;dios, contrasta, em primeiro lugar, a rudeza de D. Jo&atilde;o I, sempre descrito como homem de temperan&ccedil;a, de bondade e pureza, com a mod&eacute;stia das personagens mouras. De salientar &eacute; tamb&eacute;m o facto de, destes e de outros breves epis&oacute;dios, se evidenciar a caracteriza&ccedil;&atilde;o do mouro como potencial traidor e como homem de quem h&aacute; que desconfiar.</p>     <p>No cap&iacute;tulo trig&eacute;simo quarto, antes da chegada dos embaixadores de Granada ao Reino portugu&ecirc;s, o cronista relata a az&aacute;fama da prepara&ccedil;&atilde;o das embarca&ccedil;&otilde;es e a questiona&ccedil;&atilde;o geral da popula&ccedil;&atilde;o sobre os motivos para a prepara&ccedil;&atilde;o de tal armada, enfatizando a questiona&ccedil;&atilde;o por parte dos mouros forros que considera como potenciais traidores por serem homens &quot;que nom perderam aquella amizade com todollos outros mouros que a sua seita rrequeria&quot;<a name="top31"></a><sup><a href="#31">31</a></sup>. Nesta sequ&ecirc;ncia, a fala do rei, no encontro com os embaixadores de Granada, deixa subentendida a suspei&ccedil;&atilde;o de terem sido os mouros a passar ao Reino vizinho a informa&ccedil;&atilde;o sobre a prepara&ccedil;&atilde;o de uma armada, n&atilde;o havendo outra explica&ccedil;&atilde;o para a presen&ccedil;a dos embaixadores granadinos no Reino. Do epis&oacute;dio do enforcamento do almog&aacute;var (no cap&iacute;tulo quinquag&eacute;simo sexto) por Pero Fernandez, filho de Martim Fernandez Portocarreiro, subentende-se que a sua morte evita a quebra do secretismo da miss&atilde;o, muito embora nada nos seja narrado a este respeito. A partir dos epis&oacute;dios citados, parece-nos, portanto, l&iacute;cita a infer&ecirc;ncia da caracteriza&ccedil;&atilde;o do mouro como traidor.</p>     <p>Outra perspectiva negativa sobre o car&aacute;cter do mouro surge-nos aquando do epis&oacute;dio em que &Ccedil;alla bem &Ccedil;alla, inexplicavelmente, manda os mouros for&acirc;neos embora e aquando da prepara&ccedil;&atilde;o da defesa da cidade pelos mouros mais jovens. No primeiro epis&oacute;dio, o cronista deixa claro que os mouros n&atilde;o respeitam sequer outros mouros: &quot;ca elles per natureza sam grandes estragadores de cousas alheas&quot;<a name="top32"></a><sup><a href="#32">32</a></sup>. Por seu turno, no segundo epis&oacute;dio, o cronista ressalta a avareza de alguns velhos que &quot;amdauam escomdemdo seus aueres&quot;<a name="top33"></a><sup><a href="#33">33</a></sup> enquanto outros velhos rezam nas mesquitas e os jovens preparavam a defesa da cidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2.2. O mouro: entre a cobardia e a impot&ecirc;ncia</b></p>     <p>Das refer&ecirc;ncias expl&iacute;citas e impl&iacute;citas ao mouro, a caracter&iacute;stica mais evidenciada pelo cronista em diversos momentos ao longo da obra diz respeito &agrave; sua cobardia, aos seus pavores e &agrave; falsa postura servil. Consequentemente, o cronista apresenta-nos, em diversos epis&oacute;dios, uma pusil&acirc;nime popula&ccedil;&atilde;o moura.</p>     <p>Nos cap&iacute;tulos quinquag&eacute;simo quinto e quinquag&eacute;simo sexto, &agrave; chegada dos portugueses a Algeciras, fecham-se portas e janelas<a name="top34"></a><sup><a href="#34">34</a></sup> e encerram-se os jovens mancebos para evitar escaramu&ccedil;as que incitem &agrave; ira dos portugueses<a name="top35"></a><sup><a href="#35">35</a></sup>. O cen&aacute;rio repete-se com a chegada da armada a M&aacute;laga: &quot;lan&ccedil;aram toda a frota das naaos caminho de Malega [&hellip;] forom em aquelle mesmo dia ante a &ccedil;idade, onde a torua&ccedil;am era antre os mouros por semelhante chegada [&hellip;] porem fecharom suas portas, e puseromse per &ccedil;ima mais por veer ca por se defender&quot;<a name="top36"></a><sup><a href="#36">36</a></sup>. E &quot;depois que os mouros virom de todo as gallees ancoradas sobre o seu porto, forom ja algum tanto perdendo de sua primeira seguran&ccedil;a&quot;<a name="top37"></a><sup><a href="#37">37</a></sup>: instala-se o medo e avisam a restante mourama.</p>     <p>A cobardia do advers&aacute;rio torna-se ainda mais evidente no epis&oacute;dio da luta entre o grotesco mouro nu e Vasco Martins de Albergaria, uma vez que, morto este destemido homem, os demais viram as costas &agrave; batalha e recolhem-se na cidade: &quot;E tamto que aquelle mouro foy morto, loguo todollos outros uiraram as costas, e acolheramsse aa &ccedil;idade&quot;<a name="top38"></a><sup><a href="#38">38</a></sup>. As palavras de &Ccedil;alla bem &Ccedil;alla, mouro nobre mais que os outros segundo o cronista, confirmam a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos mouros como cobardes porquanto, ao saber da entrada dos portugueses na cidade, incita &agrave; fuga em detrimento da manuten&ccedil;&atilde;o da honra: &quot;pois que a minha maa uemtura e a uossa assy hordena, que ajamos de perder nossa homrra e nossas casas e fazemda, trabalhaae por salluardes uossas uidas o melhor que poderdes, porque das rriquezas ja me pare&ccedil;e que mall uos podees aproveitar&quot;<a name="top39"></a><sup><a href="#39">39</a></sup>.</p>     <p>A par desta imagem de temeroso e de cobarde, o cronista oferece-nos a imagem de um mouro resignado aos des&iacute;gnios divinos, ainda que esses des&iacute;gnios n&atilde;o sejam directamente ditados pelo seu deus. Apesar dos diversos avisos e sinais de que a cidade iria ser tomada, os mouros n&atilde;o agiram em sua defesa. Assim, no cap&iacute;tulo quinquag&eacute;simo nono, os mouros que ficaram na cidade reconhecem que, mesmo sabendo da chegada dos portugueses, n&atilde;o fizeram nada para impedir a conquista porque se sentiam &quot;atados&quot;: </p>     <p>&quot;verdade he deziam elles, que nos tinhamos esse auisamento. e bem poderamos em treze dias, que elRey andou darredor de nos sem nos fazer nenhum empe&ccedil;imento, a afortalezar muito mais nossa &ccedil;idade, e fazer pera nossa guarda mil rremedios se teueramos jndustria, mas as rrodas &ccedil;elestriaaes nos tinham assi atados, que eramos feitos quasi immouibles. e por tanto nam era em nosso liure poder rre&ccedil;eber nenhum conselho nem auisamento sobre a cousa determinada&quot;<a name="top40"></a><sup><a href="#40">40</a></sup>.</p>     <p>Naturalmente, apenas explic&aacute;vel por predestina&ccedil;&atilde;o divina &eacute;, segundo o cronista, o facto de &Ccedil;alla bem &Ccedil;alla, por requerimento das gentes de Ceuta, ter mandado os mouros de fora da cidade para suas casas, desprotegendo-a<a name="top41"></a><sup><a href="#41">41</a></sup>. N&atilde;o obstante e embora os velhos soubessem que de nada valeria tal esfor&ccedil;o, quando os portugueses regressam depois da tempestade, os mouros &quot;nom &ccedil;essauam de rrepayrar todallas cousas, que semtiam que lhe poderiam prestar pera sua deffemssam. e assy amdauam corremdo per aquelles muros de hu&#361;a parte aa outra, mostramdo que nehu&#361; medo nom auia rrepouso em seus cora&ccedil;o&otilde;es&quot;<a name="top42"></a><sup><a href="#42">42</a></sup>.</p>     <p>Estando os portugueses &agrave;s portas de Ceuta, o cronista apresenta-nos com mais detalhe o governador da cidade, &Ccedil;alla bem &Ccedil;alla, &quot;hu&#361; homem quamto quer de hidade, de linhagem dos Marijs. a qual amtre todallas outras gera&ccedil;&otilde;es que ssom em Africa, he auida por melhor. e pera elle aimda acre&ccedil;emtar mais sua nobreza, era senhor daquela &ccedil;idade e doutros mujtos bo&otilde;s lugares da costa daquele mar&quot;<a name="top43"></a><sup><a href="#43">43</a></sup>, tivera um sonho premonit&oacute;rio da chegada de D. Jo&atilde;o I e da derrota da cidade &agrave;s m&atilde;os dos crist&atilde;os<a name="top44"></a><sup><a href="#44">44</a></sup>. Perante a inevitabilidade dos destinos de Ceuta e dos seus habitantes, este homem, devoto, dirige-se a Deus e questiona-o, considerando que tal des&iacute;gnio para a cidade s&oacute; poder&aacute; dever-se a um grave pecado seu. &Ccedil;alla bem &Ccedil;alla &eacute;-nos apresentado pesaroso e triste (&quot;estamdo assy em este triste cuydado&quot;<a name="top45"></a><sup><a href="#45">45</a></sup>) com a constata&ccedil;&atilde;o do cumprimento da profecia e chora quando recebe a not&iacute;cia de que os crist&atilde;os entraram na cidade (&quot;&Ccedil;alla bem &Ccedil;alla uirou o rrostro pera outra parte pera escomder a for&ccedil;a das lagrimas, que lhe corriam dos olhos&quot;<a name="top46"></a><sup><a href="#46">46</a></sup>).</p>     <p>Os diversos relatos de sonhos premonit&oacute;rios que os sobreviventes partilham entre si durante o longo lamento pela perda da cidade no cap&iacute;tulo nonag&eacute;simo terceiro comprovam, mais uma vez, que os des&iacute;gnios da cidade estavam previamente tra&ccedil;ados e reiteram a impot&ecirc;ncia dos seus habitantes face aos acontecimentos. Parece-nos, n&atilde;o obstante o cronista procurar transmitir a dor sentida pela fac&ccedil;&atilde;o perdedora, que estes epis&oacute;dios se destinam apenas a corroborar a predestina&ccedil;&atilde;o da tomada de Ceuta pelos portugueses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Retrospectivando, no cap&iacute;tulo d&eacute;cimo sexto, do ponto de vista do mouro, a tomada da cidade, o cronista afirma que eles se sentem envergonhados por n&atilde;o terem tido a sagacidade necess&aacute;ria de antever a sua derrocada aquando da visita da embaixada portuguesa e por n&atilde;o terem conseguido defender a sua cidade:</p>     <p>&quot;Algu&#361;s mouros daquella &ccedil;idade que depois do filhamento della comsijraram sobre a uimda destas gallees, mal diziam a ssy e a fraqueza de seus emtemdimentos, por que tam tarde conhe&ccedil;eram a sagazidade com que sse trautara sua destroi&ccedil;om. e emtom se acordauam como uiram o prioll hir com sua gallee ao lomgo da &ccedil;idade assy uagarosamente, como quem sse trabalhaua de a esguardar com femem&ccedil;a&quot;<a name="top47"></a><sup><a href="#47">47</a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.3. A bravura do mouro</b></p>     <p>A valentia do mouro &eacute; salientada em muito poucos trechos, por&eacute;m em momentos essenciais da narrativa, os quais permitem particularmente antever a maior bravura dos portugueses. Assim, durante a batalha que os intr&eacute;pidos Infantes, D. Duarte e D. Henrique, travam com os mouros em terra fica patente a supremacia portuguesa e, em diversos momentos, o cronista salienta o facto de os Infantes vencerem, sem a ajuda de outros soldados, um grupo de mouros.</p>     <p>Antes da entrada na cidade, enquanto os Infantes desarmam v&aacute;rios mouros, surge, de repente, uma singular figura: um mouro nu, com extremada for&ccedil;a e cujas armas s&atilde;o apenas pedras. O grotesco mouro, &quot;gramde e crespo todo nuu&quot; que &quot;auia o corpo todo negro assy como hu&#361; coruo, e os demtes muy gramdes e aluos, e os bey&ccedil;os muy grossos e rreuoltos&quot;, &quot;uirou o rrostro comtra os christa&atilde;os e dobrou o corpo, e foy dar hu&#361;a tam gramde pedrada a Vaasco Martimz dAlbergaria sobre o ba&ccedil;inete, que lhe lam&ccedil;ou a cara fora&quot;<a name="top48"></a><sup><a href="#48">48</a></sup>. O destemido mouro foi, no entanto, e antes que pudesse repetir a proeza, &quot;passado de parte a parte&quot; pela espada do portugu&ecirc;s.</p>     <p>Tal como os epis&oacute;dios de batalha entre os Infantes e os grupos de mouros dentro das muralhas da cidade, a bravura deste mouro serve apenas para demonstrar a valentia dos portugueses, neste caso particular a valentia do pr&oacute;prio Vasco Martins de Albergaria. N&atilde;o obstante, depois de tomada a cidade pelos portugueses, o cronista salienta a preserveran&ccedil;a dos mouros, mas, desta feita, com o intuito de criticar abertamente a &quot;gente do pouoo&quot; que, pela cobi&ccedil;a, n&atilde;o se precata e entra nas casas da cidade com o objectivo de pilhar: &quot;os home&#7869;s com aquelle a&ccedil;emdimento da cobij&ccedil;a que traziam, emtrauam sem nehu&#361; rresguardo, e mujtos daquelles mouros jaziam em suas casas mostramdo hu&#361;a desauisada perfia, a quall era a morte que poderam escusar&quot;<a name="top49"></a><sup><a href="#49">49</a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.4. O mouro: o velho profetizador</b></p>     <p>Das refer&ecirc;ncias expl&iacute;citas ao mouro, salienta-se a imagem do mouro profetizador, um <i>topos</i> tamb&eacute;m recorrente em diversos textos portugueses e castelhanos e que ainda hoje pulula no imagin&aacute;rio colectivo popular em lendas<a name="top50"></a><sup><a href="#50">50</a></sup>. Regressado o &quot;priol do Esprital&quot; de Ceuta, onde estivera com o prop&oacute;sito fingido (porquanto a expedi&ccedil;&atilde;o tinha como objectivo &uacute;nico fazer o levantamento de toda a cidade e arredores para a prepara&ccedil;&atilde;o da conquista), de averiguar da possibilidade de uma uni&atilde;o entre as Casas Reais, conta uma hist&oacute;ria da sua inf&acirc;ncia ao rei, reiterando, desse modo, o sucesso futuro da empresa de conquista da cidade. Aquando de uma viagem com seu pai durante a sua juventude, o prior vai a Ceuta e, depois de deambular pela cidade, junto a um chafariz encontra um velho mouro que o interroga sobre a sua origem. Ao saber que vem do Reino de Portugal, questiona-o sobre a descend&ecirc;ncia do seu rei e, depois de um detido di&aacute;logo, o mouro come&ccedil;a a chorar porque identifica o futuro regente da cidade de Ceuta:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&quot;E amdamdo assy, chegueime a hu&#361;a fomte que alli estaua com hu&#361; muy nobre chafariz, homde me eu acostey hu&#361; peda&ccedil;o tomamdo desemfadamente em ueer a fresmosura dos cauallos que alli traziam a beuer, os quaes eram mujtos e bo&otilde;s. e estamdo assy sobrechegou hi hu&#361; homem de comprida hidade, cujos auitos e barba eram manifesto sinall de sua uelhi&ccedil;e. o quall chegamdosse a mim come&ccedil;oume de oolhar pregumtamdome domde era [&hellip;]. E eu lhe rrespomdi como era naturall da &ccedil;idade de Lixboa [&hellip;]. Que aiaaes prazer disse o uelho, dizeeme quamtos filhos baro&otilde;es tem esse rrey [&hellip;]. Empero aa fim ueemdome assy aficado delle, come&ccedil;ey de comsijrar com femem&ccedil;a, ataa que me cayo no emtemdimento a uerdadeyra nembram&ccedil;a de uossa na&ccedil;em&ccedil;a. E emtom lhe disse [&hellip;]. Por jsso uos pregumtaua disse elle. e em dizemdo esta pallaura, deu hu&#361; muy gramde sospiro, e abaixou o rrostro assy choranmdo. Da quall cousa eu fui mujto espamtado. e por elle assy comtinuar em seu choro e tristeza, rrogueilhe mujto que me dissesse a causa que o a jsso mouera&quot;<a name="top51"></a><sup><a href="#51">51</a></sup>.</p>     <p>Neste epis&oacute;dio do cap&iacute;tulo d&eacute;cimo nono da <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>, Zurara reescreve um epis&oacute;dio prof&eacute;tico j&aacute; presente na Cr&oacute;nica lopiana<a name="top52"></a><sup><a href="#52">52</a></sup> e transforma Joham da Barroca num mouro, cujas barbas e &quot;avitos&quot; lhe validam a sapi&ecirc;ncia, ampliando, no entanto, a profecia anterior. D. Jo&atilde;o ser&aacute;, ent&atilde;o, o primeiro rei de Espanha a ter posses em &Aacute;frica: </p>     <p>&quot;E como quer que mo per mujtas uezes negasse, aa comclusom aficado de meus rrequerimentos disse. amigo, o meu choro nom he tamto como eu tenho rrezam, nem emtemdas que choro cousa nehu&#361;a que seia presemte, mas pello conhecimento que tenho da perda que a de uijnr a meus naturaaes e amiguos. E porque a tua uemtura te trouue aqui, nota bem o que te agora disser. Sabe que esse Rey Dom Pedro que uos agora teemdes por uosso rrey em esse rregno, nom ha mujto de uiuer, per cuja morte rregnara em su lugar o Iffamte Dom Fernamdo seu primeyro filho [&hellip;] E finallmente esse filho pequeno que tu uees menos pre&ccedil;ado em compara&ccedil;om de seus jrma&atilde;os, sera ajmda em esse rregno como hu&#361;a pequena fa&iacute;sca [&hellip;] e elle sera o primeiro rrey dEspanha que teera posse em Africa, e sera o primeiro come&ccedil;o da destrui&ccedil;om dos mouros. e ajmda elle ou os de sua geera&ccedil;om uijram a este chafariz dar de beuer a seus cauallos&quot;<a name="top53"></a><sup><a href="#53">53</a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b>3</b></p>     <p><b>Nota final</b></p>     <p>Do levantamento da caracteriza&ccedil;&atilde;o do mouro, parece ineg&aacute;vel que a imagem do outro depende, tal como afirm&aacute;mos no in&iacute;cio desta reflex&atilde;o, integralmente do &quot;eu&quot; que a descreve e constr&oacute;i. Sendo a cron&iacute;stica de Zurara um projecto de enaltecimento da Dinastia de Avis e, sobretudo, de exalta&ccedil;&atilde;o das conquistas em &Aacute;frica, parece-nos evidente que todas as descri&ccedil;&otilde;es do mouro presentes na <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i> servem o prop&oacute;sito de encomiar a imagem do <i>eu</i> e de amplificar o seu valor, de modo muito particular a imagem dos Infantes D. Duarte e D. Henrique e, por extens&atilde;o, dos portugueses que com eles partem para a conquista da cidade.</p>     <p>De facto, cremos, a partir dos epis&oacute;dios referidos, que a constante refer&ecirc;ncia ao mouro como infiel pretende justificar a supremacia do catolicismo e a conquista, reiterando que &quot;la d&eacute;finition de l&rsquo;autre se fonde sur ce qui est consid&eacute;r&eacute; comme diff&eacute;rence essentielle par rapport &agrave; soi [et], pour les portugais, cette diff&eacute;rence est en premier lieu de caract&egrave;re religieux&quot;<a name="top54"></a><sup><a href="#54">54</a></sup>. A perspectiva negativa sobre o car&aacute;cter do mouro permite desculpar a quebra de rela&ccedil;&otilde;es sociais entre mouros e crist&atilde;os. As refer&ecirc;ncias &agrave; valentia do mouro tornam mais valoroso quem o derrota. As constantes refer&ecirc;ncias &agrave; profetiza&ccedil;&atilde;o dos factos e &agrave; inac&ccedil;&atilde;o do Deus do advers&aacute;rio reiteram a predestina&ccedil;&atilde;o dos portugueses.</p> Em suma e de modo muito generalista, a <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i> recupera o <i>topos</i> de descri&ccedil;&atilde;o do <i>outro</i> com vista ao enaltecimento do <i>eu</i> e o <i>topos</i> de que os portugueses s&atilde;o um povo eleito de Deus, <i>topoi</i> j&aacute; presentes em diversos textos cron&iacute;sticos precedentes<a name="top55"></a><sup><a href="#55">55</a></sup> e que viria a funcionar como base da identidade nacional e da constru&ccedil;&atilde;o dos mitos messi&acirc;nicos at&eacute; ao presente. Consideramos, por fim, que seria interessante analisar, contrastivamente, textos &aacute;rabes coevos ou posteriores que abordem a conquista da cidade de Ceuta pelos portugueses e verificar qual a imagem do outro e de si pr&oacute;prios neles descrita.    <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Fontes</b></p>     <!-- ref --><p>ZURARA, Gomes Eanes de - <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta por el Rei D. Jo&atilde;o I composta por Gomes Eanes de Zurara</i>. Ed. Francisco Maria Esteves Pereira. Lisboa: Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, 1915.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492444&pid=S1646-740X201600020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Estudos</b></p>     <!-- ref --><p>ALVES, Carla Carvalho - <i>Figura&ccedil;&otilde;es do Mouro na Literatura Portuguesa: o lado errado do Marenostrum?</i> S&atilde;o Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas, 2010 (Tese de Doutoramento).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492448&pid=S1646-740X201600020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira; CARVALHO, Ligia Cristina - &quot;Medieval Misogyny and its echoes in the Lais of Marie de France&quot;, <i>Mirabilia</i>, Bd. 17, pp. 467-494.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492450&pid=S1646-740X201600020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BARROS, Maria Filomena - <i>Tempos e espa&ccedil;os de mouros. A minoria mu&ccedil;ulmana no reino portugu&ecirc;s (s&eacute;culos XII a XV)</i>. Lisboa: FCG/FCT, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492452&pid=S1646-740X201600020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BELLER, Manfred; LEERSSEN, Joep - <i>Imagology: the cultural construction and literary representation of national characters</i>. Amesterdam / New York: Rodopi, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492454&pid=S1646-740X201600020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BERTOLI, Andr&eacute; Lu&iacute;s - &quot;Modelos de ac&ccedil;&atilde;o b&eacute;lica na Cr&oacute;nica de D. Duarte de Meneses. Texto, contexto e representa&ccedil;&atilde;o&quot;. <i>Mirabilia</i> [Em linha]. N. 15 (2012), pp. 171-201. [Consultado em 20 Jan. 2015]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.revistamirabilia.com/sites/default/files/pdfs/2012_02_09.pdf" target="_blank">http://www.revistamirabilia.com/sites/default/files/pdfs/2012_02_09.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492456&pid=S1646-740X201600020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>BLACKMORE, Josiah - &quot;Imaging de Moor in Medieval Portugal&quot;. <i>Diacritics</i>, vol. 36, n. 3/4, 2006, pp. 27-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492457&pid=S1646-740X201600020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOISVERT, Georges - &quot;La d&eacute;nomination de l'Autre africain au XVe si&egrave;cle dans les r&eacute;cits des d&eacute;couvertes portugaises&quot;. <i>L'Homme</i> [Em linha]. N. 153 (2000), pp. 165-169. [Consultado em 30 Set. 2014]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://lhomme.revues.org/10" target="_blank">http://lhomme.revues.org/10</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492459&pid=S1646-740X201600020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> BRAGA, Isabel M. Ribeiro Mendes - &quot;As rela&ccedil;&otilde;es Mouros / Crist&atilde;os nas Cr&oacute;nicas marroquinas de Gomes Eanes de Zurara&quot;. <i>Eborensia</i>, n. 19/20 (1997), pp. 171-180.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492460&pid=S1646-740X201600020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARDOSO, Sylnier Moraes - &quot;A oposi&ccedil;&atilde;o mouro-crist&atilde;o na narrativa de Gomes Eanes de Zurara&quot;. in <i>Anais do I Congresso Nacional e II Regional de Hist&oacute;ria da UFG</i> [Em linha]. Jata&iacute;, 2008, pp. 1-12. [Consultado em 16 Out. 2014]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.congressohistoriajatai.org/2014/anais2008.htm" target="_blank">http://www.congressohistoriajatai.org/2014/anais2008.htm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492462&pid=S1646-740X201600020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>COSTA, Rodrigo Franco da - &quot;A Batalha de Aljubarrota, um debate sobre a alteridade castelhana a partir do di&aacute;logo entre Lu&iacute;s de Cam&otilde;es e Fern&atilde;o Lopes&quot;. <i>Revista Ars Historica</i> [Em linha]. N. 6 (2013), pp. 165-180. [Consultado em 13 Abr. 2014]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ars.historia.ufrj.br/images/6ed/costa%20rodrigo.%20ars%20historica.pdf" target="_blank">http://www.ars.historia.ufrj.br/images/6ed/costa%20rodrigo.%20ars%20historica.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492463&pid=S1646-740X201600020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>DIAS, Isabel Barros - &quot;A migra&ccedil;&atilde;o dos portentos&quot;. in VV.AA. - <i>Revisitar o Mito / Myths Revisited</i>. Lisboa: H&uacute;mus, 2015, pp. 749-762.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492464&pid=S1646-740X201600020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIAS, Isabel Rosa - &quot;O mouro na <i>Cr&oacute;nica da Conquista do Algarve</i>&quot;. in AMADO, Teresa - <i>A guerra antes de 1450</i>. Lisboa: Quimera, 1994, pp. 365-376.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492466&pid=S1646-740X201600020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FIGUEIREDO, Albano - &quot;Viagem, cavalaria e conquista na Cr&oacute;nica de Guin&eacute; de Gomes Eanes de Zurara&quot;. in MIRANDA, Jos&eacute; Carlos; LARANINHA, Ana Sofia (org.) - <i>Modelo. Actas do V Col&oacute;quio da Sec&ccedil;&atilde;o Portuguesa da Associa&ccedil;&atilde;o Hisp&acirc;nica de Literatura </i><i>Medieval</i>. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2005, pp. 25-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492468&pid=S1646-740X201600020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FIGUEIREDO, Fernando - &quot;Da imagem do inimigo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do her&oacute;i. O reinado de Afonso Henriques na <i>Cr&oacute;nica dos Cinco Reis de Portugal</i>&quot;. in AMADO, Teresa - <i>A guerra antes de 1450</i>. Lisboa: Quimera, 1994, pp. 377-390.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492470&pid=S1646-740X201600020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GIM&Eacute;NEZ, Jos&eacute; Carlos - &quot;As representa&ccedil;&otilde;es dos mu&ccedil;ulmanos durante a tomada de Lisboa pelos crist&atilde;os&quot;. <i>Revista Di&aacute;logos Mediterr&acirc;nicos</i> [Em linha]. N. 7 (2014), pp. 53-65. [Consultado em 5 Jun. 2015]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.dialogosmediterranicos.com.br/index.php/RevistaDM/issue/view/13/showToc" target="_blank">http://www.dialogosmediterranicos.com.br/index.php/RevistaDM/issue/view/13/showToc</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492472&pid=S1646-740X201600020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> GONZALBES GRAVIOTO, Enrique - &quot;El comes Iulianos (Conde Juli&aacute;n de Ceuta) entre la historia y la literatura&quot;. <i>Al Quantir</i> [Em linha]. N. 11 (2011), pp. 3-35. [Consultado em 4 Abr. 2016]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://s17809026.onlinehome-server.info/ojs-2.4.4-1/index.php/alqantir/article/view/185/154" target="_blank">http://s17809026.onlinehome-server.info/ojs-2.4.4-1/index.php/alqantir/article/view/185/154</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492473&pid=S1646-740X201600020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>GONZALBES GRAVIOTO, Enrique - &quot;El paso del estrecho: las fuentes&quot;. <i>Aljaranda</i> [Em linha]. n. 81 (2011), pp. 37-42. [Consultado em 4 Abr. 2016]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.aljaranda.com/index.php/aljaranda/article/view/142" target="_blank">http://www.aljaranda.com/index.php/aljaranda/article/view/142</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492474&pid=S1646-740X201600020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>GUIMAR&Atilde;ES, Jerry Santos - &quot;Mem&oacute;ria e ret&oacute;rica: mouros e negros na Cr&oacute;nica da Guin&eacute; (s&eacute;culo XV)&quot;. in <i>Anais do XXVI Simp&oacute;sio Nacional de Hist&oacute;ria - ANPUH</i> [Em linha]. S&atilde;o Paulo, 2011, pp. 1-16. [Consultado em 25 Jun. 2014]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1308163586_ARQUIVO_MemoriaeRetorica-MouroseNegrosnaCronicadeGuine%28SeculoXV%29.pdf" target="_blank">http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1308163586_ARQUIVO_MemoriaeRetorica-MouroseNegrosnaCronicadeGuine%28SeculoXV%29.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492475&pid=S1646-740X201600020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>KRUS, Lu&iacute;s - &quot;Tempo de godos e tempo de mouros: as mem&oacute;rias da reconquista&quot;. in KRUS, Lu&iacute;s - <i>A constru&ccedil;&atilde;o do passado medieval. Textos in&eacute;ditos e publicados</i>. Lisboa: IEM, 2011, pp. 93-113.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492476&pid=S1646-740X201600020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LOUREIRO, Rui Manuel; CARDOSO, Jo&atilde;o Passos; CABRITA, Maria da Gra&ccedil;a - &quot;Vis&atilde;o do mouro nas <i>Cr&oacute;nicas</i> de Zurara&quot;. in <i>Caderno Hist&oacute;rico IV. Actas do Semin&aacute;rio &quot;Os Descobrimentos Portugueses e o Algarve d'Aqu&eacute;m e d'Al&eacute;m-Mar&quot;</i>. Lagos: Comiss&atilde;o Municipal dos Descobrimentos, 1993, pp. 60-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492478&pid=S1646-740X201600020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MICHELAN, K&aacute;tia Brasilino - <i>Ceuta, para al&eacute;m da terra dos Mouros. A fabrica&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de um marco do imp&eacute;rio portugu&ecirc;s (S&eacute;culo XV e in&iacute;cio do XVI)</i>. Franca: &nbsp;Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho, 2013 (Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492480&pid=S1646-740X201600020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MOLL, Nora - &quot;Im&aacute;genes del outro&quot;. in GNISCI, Armando - <i>Introduci&oacute;n a la literatura comparada</i>. Barcelona: Cr&iacute;tica, 2002, pp. 347-389.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492482&pid=S1646-740X201600020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TODOROV, Tzvetan - <i>Nous et les autres</i>. Paris: Seuil, 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492484&pid=S1646-740X201600020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>PIRES, Nat&aacute;lia Albino - &ldquo;A imagem do outro na <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta pelo Rei D. Jo&atilde;o I</i> de Gomes Eanes de Zurara&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm; 20 (Julho - Dezembro 2016). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA20/pires2007.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA20/pires2007.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 16 de Mar&ccedil;o de 2015</p>     <p>Data aceita&ccedil;&atilde;o do artigo: 20 de Maio de 2016</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <b>NOTAS</b>     <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> DIAS, Isabel Barros - &quot;A migra&ccedil;&atilde;o dos portentos&quot;. in VV.AA. - <i>Revisitar o Mito / Myths Revisited</i>. Lisboa: H&uacute;mus, 2015, pp. 749-762.</p>     <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> Lembramos, a t&iacute;tulo de exemplo, a <i>Carta de Achamento do Brasil</i>, de Pero Vaz de Caminha, a <i>Not&iacute;cia do Brasil</i>, de Gabriel Soares de Sousa, o texto de Crist&oacute;v&atilde;o Colombo sobre as Antilhas ou a <i>Brev&iacute;sima Relaci&oacute;n de la Destrucci&oacute;n de las Indias</i> de Bartolom&eacute; de las Casas.</p>     <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Apud ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira; CARVALHO, Ligia Cristina - &quot;Medieval Misogyny and its echoes in the Lais of Marie de France&quot;. <i>Mirabilia</i>, Bd. 17, p. 469. N&atilde;o obstante, ao olhar ocidental, falta-lhe descortinar a imagem que aquele que ele considera outro tem sobre si. Nesta medida, faltam efectivamente estudos comparativos inter e multiculturais que permitam contrastar a imagem que n&oacute;s temos do outro com a que a outro tem de n&oacute;s, quer nos reportemos &agrave; rela&ccedil;&atilde;o mouro/crist&atilde;o; branco/negro; europeu/amer&iacute;ndio ou ocidental/oriental.</p>     <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> ZURARA, Gomes Eanes de - <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta por el Rei D. Jo&atilde;o I composta por Gomes Eanes de Zurara</i>. Ed. Francisco Maria Esteves Pereira. Lisboa: Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, 1915, p. 273.</p>     <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> Ao longo desta Cr&oacute;nica v&atilde;o surgindo v&aacute;rias personagens for&acirc;neas ao reino e, embora as suas descri&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o pare&ccedil;am depender da sua origem/ proced&ecirc;ncia, subentende-se nas palavras do cronista um tratamento menos valoroso para com os for&acirc;neos, como &eacute; o caso dos embaixadores espanh&oacute;is que v&ecirc;m assinar as pazes.</p>     <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> BERTOLI, Andr&eacute; Lu&iacute;s - &quot;Modelos de ac&ccedil;&atilde;o b&eacute;lica na Cr&oacute;nica de D. Duarte de Meneses. Texto, contexto e representa&ccedil;&atilde;o&quot;. <i>Mirabilia</i> [Em linha]. N. 15 (2012), pp. 171-201. [Consultado em 20 Jan.&nbsp; 2015]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.revistamirabilia.com/sites/default/files/pdfs/2012_02_09.pdf" target="_blank">http://www.revistamirabilia.com/sites/default/files/pdfs/2012_02_09.pdf</a></p>     <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> MICHELAN, K&aacute;tia Brasilino - <i>Ceuta, para al&eacute;m da terra dos Mouros. A fabrica&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de um marco do imp&eacute;rio portugu&ecirc;s (S&eacute;culo XV e in&iacute;cio do XVI)</i>. Franca: Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho, 2013. Tese de Doutoramento.</p>     <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> BERTOLI, Andr&eacute; Lu&iacute;s - &quot;Modelos de ac&ccedil;&atilde;o b&eacute;lica&quot;..., pp. 181-182.</p>     <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> MICHELAN, K&aacute;tia Brasilino - <i>Ceuta, para al&eacute;m da terra</i>..., pp. 153-154.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> MICHELAN, K&aacute;tia Brasilino - <i>Ceuta, para al&eacute;m da terra</i>..., pp. 166-167.</p>     <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> DIAS, Isabel Rosa - &quot;O mouro na <i>Cr&oacute;nica da Conquista do Algarve</i>&quot;. in AMADO, Teresa - <i>A guerra antes de 1450</i>. Lisboa: Quimera, 1994, pp. 365-376; FIGUEIREDO, Fernando - &quot;Da imagem do inimigo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do her&oacute;i. O reinado de Afonso Henriques na <i>Cr&oacute;nica dos Cinco Reis de Portugal</i>&quot;. in AMADO, Teresa - <i>A guerra antes de 1450</i>. Lisboa: Quimera, 1994, pp. 377-390; GIM&Eacute;NEZ, Jos&eacute; Carlos - &quot;As representa&ccedil;&otilde;es dos mu&ccedil;ulmanos durante a tomada de Lisboa pelos crist&atilde;os&quot;. <i>Revista Di&aacute;logos Mediterr&acirc;nicos</i> [Em linha]. N. 7 (2014), pp. 53-65. [Consultado em 5 Jun. 2015]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.dialogosmediterranicos.com.br/index.php/RevistaDM/issue/view/13/showToc" target="_blank">http://www.dialogosmediterranicos.com.br/index.php/RevistaDM/issue/view/13/showToc</a></p>     <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> KRUS, Lu&iacute;s - &quot;Tempo de godos e tempo de mouros: as mem&oacute;rias da reconquista&quot;. in KRUS, Lu&iacute;s - <i>A constru&ccedil;&atilde;o do passado medieval. Textos in&eacute;ditos e publicados</i>. Lisboa: IEM, 2011, pp. 93-113.</p>     <p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> MOLL, Nora - &quot;Im&aacute;genes del outro&quot;. in GNISCI, Armando - <i>Introduci&oacute;n a la literatura comparada</i>. Barcelona: Cr&iacute;tica, 2002, p. 349.</p>     <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> BELLER, Manfred; LEERSSEN, Joep - <i>Imagology: the cultural construction and literary representation of national characters</i>. Amesterdam / New York: Rodopi, 2007, p. 7.</p>     <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> BRAGA, Isabel M. Ribeiro Mendes - &quot;As rela&ccedil;&otilde;es Mouros / Crist&atilde;os nas Cr&oacute;nicas marroquinas de Gomes Eanes de Zurara&quot;. <i>Eborensia</i>, n. 19/20 (1997), pp. 171-180.</p>     <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> LOUREIRO, Rui Manuel;&nbsp;CARDOSO, Jo&atilde;o Passos; CABRITA,&nbsp;Maria da Gra&ccedil;a - &quot;Vis&atilde;o do mouro nas <i>Cr&oacute;nicas</i> de Zurara&quot;. in <i>Caderno Hist&oacute;rico IV. Actas do Semin&aacute;rio &quot;Os Descobrimentos Portugueses e o Algarve d'Aqu&eacute;m e d'Al&eacute;m-Mar&quot;</i>. Lagos: Comiss&atilde;o Municipal dos Descobrimentos, 1993, p. 61.</p>     <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> BLACKMORE, Josiah - &quot;Imaging de Moor in Medieval Portugal&quot;. <i>Diacritics</i>, vol. 36, n. 3/4, 2006, p. 32.</p>     <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> BLACKMORE, Josiah - &quot;Imaging de Moor&quot;..., p. 32.</p>     <p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> Para a imagem do mouro veiculada na cron&iacute;stica de Zurara, salientamos LOUREIRO, Rui Manuel <i>et alii</i>. - &quot;Vis&atilde;o do mouro&quot;...; BRAGA, Isabel M. Ribeiro Mendes - &quot;As rela&ccedil;&otilde;es Mouros / Crist&atilde;os&quot;...; BOISVERT, Georges - &quot;La d&eacute;nomination de l'Autre africain au XVe si&egrave;cle dans les r&eacute;cits des d&eacute;couvertes portugaises&quot;. <i>L'Homme</i> [Em linha]. N. 153 (2000), pp. 165-169. [Consultado em 30 Set. 2014]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://lhomme.revues.org/10" target="_blank">http://lhomme.revues.org/10</a>; BLACKMORE, Josiah - &quot;Imaging de Moor&quot;...; CARDOSO, Sylnier Moraes - &quot;A oposi&ccedil;&atilde;o mouro-crist&atilde;o na narrativa de Gomes Eanes de Zurara&quot;. in <i>Anais do I Congresso Nacional e II Regional de Hist&oacute;ria da UFG</i> [Em linha]. Jata&iacute;, 2008, pp. 1-12. [Consultado em 16 Out. 2014].Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.congressohistoriajatai.org/2014/anais2008.htm" target="_blank">http://www.congressohistoriajatai.org/2014/anais2008.htm</a>; GUIMAR&Atilde;ES, Jerry Santos - &quot;Mem&oacute;ria e ret&oacute;rica: mouros e negros na Cr&oacute;nica da Guin&eacute; (s&eacute;culo XV)&quot;. in <i>Anais do XXVI Simp&oacute;sio Nacional de Hist&oacute;ria - ANPUH</i> [Em linha]. S&atilde;o Paulo, 2011, pp. 1-16. [Consultado em 25 Jun. 2014]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1308163586_ARQUIVO_MemoriaeRetorica-MouroseNegrosnaCronicadeGuine%28SeculoXV%29.pdf" target="_blank">http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1308163586_ARQUIVO_MemoriaeRetorica-MouroseNegrosnaCronicadeGuine%28SeculoXV%29.pdf</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> TODOROV, Tzvetan - <i>Nous et les autres</i>. Paris: Seuil, 1989.</p>     <p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> V&aacute;rios autores mostram os paralelismos discursivos, do ponto de vista da constru&ccedil;&atilde;o da diegese, entre a <i>Cr&oacute;nica de D. Jo&atilde;o I</i> de Fern&atilde;o Lopes e a <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i> de Zurara (Cf. MICHELAN, K&aacute;tia Brasilino - <i>Ceuta, para al&eacute;m da terra</i>...; BERTOLI, Andr&eacute; Lu&iacute;s - &quot;Modelos de ac&ccedil;&atilde;o b&eacute;lica...&quot;; CARDOSO, Sylnier Moraes - &quot;A oposi&ccedil;&atilde;o mouro-crist&atilde;o&quot;...).</p>     <p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> ZURARA, Gomes Eanes de - <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>..., p. 7.</p>     <p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> ZURARA, Gomes Eanes de - <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>..., pp. 7 e 8.</p>     <p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> Embora o cronista valide a sua vers&atilde;o da lenda com a refer&ecirc;ncia a Abilabez, a St&ordm; Isidro, mestre Pedro e D. Lucas de Tuy, trata-se de uma lenda que foi sendo refeita e reutilizada em diversos textos portugueses, castelhanos e &aacute;rabes (Cf. GONZALBES GRAVIOTO, Enrique - &quot;El comes Iulianos (Conde Juli&aacute;n de Ceuta) entre la historia y la literatura&quot;. <i>Al Quantir</i> [Em linha]. N. 11 (2011), pp. 3-35. [Consultado em 4 Abr. 2016]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://s17809026.onlinehome-server.info/ojs-2.4.4-1/index.php/alqantir/article/view/185/154" target="_blank">http://s17809026.onlinehome-server.info/ojs-2.4.4-1/index.php/alqantir/article/view/185/154</a>; Cf. idem - &quot;El paso del estrecho: las fuentes&quot;. <i>Aljaranda</i> [Em linha]. N. 81 (2011b), pp. 37-42. [Consultado em 4 Abr. 2016]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.aljaranda.com/index.php/aljaranda/article/view/142" target="_blank">http://www.aljaranda.com/index.php/aljaranda/article/view/142</a></p>     <p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> ZURARA, Gomes Eanes de - <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>..., p. 10.</p>     <p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 27.</p>     <p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> <i>Ibidem</i>, pp. 10-11.</p>     <p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 107.</p>     <p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup> <i>Ibidem</i>, Cap. LXVIII.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> &quot;aquelle em&ccedil;ugemtado e abominauell &ccedil;ismatico Mafamede, tomou falsso nome de profeta, sob collor de uirtude e onestidade semeou pollo mundo esta sua danada seyta. a quall assy como as maas heruas ham natureza de cre&ccedil;er mujto mais, que as proueytosas e bo&otilde;as. bem assy esta maa semente dos jmfiees cre&ccedil;eo tamto na horta do Senhor, que sse nom fosse arrimcada pollos fiees e cathollicos prim&ccedil;ipes, em breue tempo cre&ccedil;eria tamto, que amortificaria toda a bo&otilde;a semente&quot;. <i>Ibidem</i>, p. 199.</p>     <p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 106.</p>     <p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 176.</p>     <p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 194.</p>     <p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup> &quot;E vos enuiam pedir por mer&ccedil;e, que nam ajaaes por mal de elles mandarem fechar suas portas e poer rrecado em sua villa&quot; <i>Ibidem</i>, p. 166.</p>     <p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> &quot;a segunda porque algu&#361;s daquelles mouros man&ccedil;ebos nam tenham liure poder pera sair fora da villa. ca poderia seer que se trauaria antre hu&#361;s e os outros tal escaramu&ccedil;a, per que vossa mer&ccedil;e aueria algu&#361;a sanha&quot; <i>Ibidem</i>.</p>     <p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 169.</p>     <p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 169.</p>     <p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 204.</p>     <p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 206.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 175.</p>     <p><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup> &quot;E mais que tanto que os mouros viram assi partir aquella frota, pensaram que se partira ja de todo [&hellip;] porem mandou &Ccedil;alaben&ccedil;ala per rrequerimento dos outros da &ccedil;idade, que se fossem muito em bo&otilde;a ora pera suas casas, porque sua presen&ccedil;a a elles ja nam era ne&ccedil;essaria&quot; <i>Ibidem</i>, p. 176.</p>     <p><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup> <i>Ibidem</i>, pp. 193-194.</p>     <p><sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 197.</p>     <p><sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></sup> <i>Ibidem</i>, cap. LVIII.</p>     <p><sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 198.</p>     <p><sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 206.</p>     <p><sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></sup> <i>Ibidem</i>, pp. 53-54.</p>     <p><sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 204.</p>     <p><sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 213.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></sup> ALVES, Carla Carvalho - <i>Figura&ccedil;&otilde;es do Mouro na Literatura Portuguesa: o lado errado do Marenostrum?</i> S&atilde;o Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas, 2010. Tese de Doutoramento.</p>     <p><sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></sup> ZURARA, Gomes Eanes de - <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>..., pp. 56-57.</p>     <p><sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></sup> Cf. MICHELAN, K&aacute;tia Brasilino - <i>Ceuta, para al&eacute;m da terra</i>..., pp. 188-189. Sobre a express&atilde;o, em diversos textos portugueses, de uma ideologia messi&acirc;nica, h&aacute; vasta bibliografia ao dispor do investigador.</p>     <p><sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></sup> ZURARA, Gomes Eanes de - <i>Cr&oacute;nica da Tomada de Ceuta</i>..., p. 57.</p>     <p><sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></sup> BOISVERT, Georges - &quot;La d&eacute;nomination de l'Autre africain au XVe si&egrave;cle dans les r&eacute;cits des d&eacute;couvertes portugaises&quot;. <i>L'Homme</i> [Em linha]. N. 153 (2000), p. 168. [Consultado em 30 Set. 2014]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://lhomme.revues.org/10" target="_blank">http://lhomme.revues.org/10</a></p>     <p><sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></sup> Cf. MICHELAN, K&aacute;tia Brasilino - <i>Ceuta, para al&eacute;m da terra</i>..., pp.146-204. Por exemplo, na <i>Cr&oacute;nica de D. Jo&atilde;o I</i>, de Fern&atilde;o Lopes, a constru&ccedil;&atilde;o da imagem do castelhano como cobarde aquando da Batalha de Aljubarrota serve o prop&oacute;sito do enaltecimento da coragem e bravura dos portugueses, destacando-se o facto de o cronista aduzir que &quot;o poder da Divina Provid&ecirc;ncia [age] em prol dos portugueses como recompensa da sua retid&atilde;o crist&atilde;, expondo que a vit&oacute;ria se deu em grande medida porque eles eram os eleitos de Deus e os verdadeiros fi&eacute;is de Cristo&quot; (COSTA, Rodrigo Franco da - &quot;A Batalha de Aljubarrota, um debate sobre a alteridade castelhana a partir do di&aacute;logo entre Lu&iacute;s de Cam&otilde;es e Fern&atilde;o Lopes&quot;. <i>Revista Ars Historica</i> [Em linha]. N. 6 (2013), p. 176. [Consultado em 13 Abr. 2014]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ars.historia.ufrj.br/images/6ed/costa%20rodrigo.%20ars%20historica.pdf" target="_blank">http://www.ars.historia.ufrj.br/images/6ed/costa%20rodrigo.%20ars%20historica.pdf</a>), porquanto &agrave; &eacute;poca dos feitos Castela apoiava o Papa de Avinh&atilde;o e n&atilde;o o de Roma.</p>      ]]></body><back>
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