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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Palmela. O espaço e as gentes (séculos XII-XVI): Tese de Doutoramento em História apresentada à FCSH-NOVA, Julho de 2016. Orientação dos Professores Doutores Bernardo Vasconcelos e Sousa e Luís Filipe Oliveira]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O DE TESE</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Palmela. O espa&ccedil;o e as gentes (s&eacute;culos XII-XVI). Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria apresentada &agrave; FCSH-NOVA, Julho de 2016. Orienta&ccedil;&atilde;o dos Professores Doutores Bernardo Vasconcelos e Sousa e Lu&iacute;s Filipe Oliveira</b></font></p>     <p><b>Jo&atilde;o Costa<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;nciais Sociais e Humanas, Instituto de Estudos Medievais / Centro de Estudos Hist&oacute;ricos, 1069-061 Lisboa, Portugal. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:jtscosta86@gmail.com">jtscosta86@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O objecto</b><a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">[1]</a></p>     <p>A considera&ccedil;&atilde;o de que estamos perante uma vila fundamental no contexto da <i>reconquista</i> portuguesa e fulcral no estudo e no entendimento da pr&oacute;pria hist&oacute;ria da Ordem de Santiago em territ&oacute;rio portugu&ecirc;s, tendo constitu&iacute;do uma das suas sedes, conjugava-se para tornar atractiva e desafiante a an&aacute;lise deste objecto.</p>     <p>Tendo como intento aprior&iacute;stico estudar as rela&ccedil;&otilde;es de poder em Palmela na Idade M&eacute;dia, era absolutamente necess&aacute;rio definir os limites do territ&oacute;rio em estudo e perceber se concelho e comenda eram, fisicamente, realidades diferentes &ndash; tendo, obviamente, no&ccedil;&atilde;o de que se trata de conceitos distintos, relativos a entidades institucionais diversas, embora com interac&ccedil;&atilde;o entre si. A investiga&ccedil;&atilde;o que conduzimos veio, efectivamente, comprovar a sobreposi&ccedil;&atilde;o das duas circunscri&ccedil;&otilde;es, raz&atilde;o pela qual opt&aacute;mos por considerar o uso do conceito &nbsp;de &ldquo;territ&oacute;rio&rdquo; ao inv&eacute;s dos de &ldquo;concelho&rdquo; ou &ldquo;comenda&rdquo; de modo a n&atilde;o ferir a conceptualidade das duas express&otilde;es.</p>     <p>Depois, foi necess&aacute;rio definir a cronologia de abordagem. Neste sentido, h&aacute;, desde logo, um problema na considera&ccedil;&atilde;o do que &eacute; a Idade M&eacute;dia. Assim, decidimos estender a nossa an&aacute;lise &agrave; longa dura&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, enquadrar o estudo entre 1147, data da primeira conquista crist&atilde; de Palmela e 1551, momento da incorpora&ccedil;&atilde;o do Mestrado da Ordem de Santiago na Coroa Portuguesa, o que teve como consequ&ecirc;ncia a tomada de posse do convento pela Coroa.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Objectivos</b></p>     <p>Definidos o objecto e a cronologia, determin&aacute;mos desde logo que o principal objectivo passaria pela an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es institucionais ocorridas neste territ&oacute;rio, porque dessa leitura resultaria quer a capacidade de estudarmos o enquadramento social e institucional em Palmela, quer o seu reflexo na constru&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o em que esses mesmos poderes se moviam.</p>     <p>Esta op&ccedil;&atilde;o permitiu-nos, pois, observar a organiza&ccedil;&atilde;o da hierarquia local, partindo do topo para a base, discernindo-se nesta leitura processos de ascens&atilde;o social. Do mesmo modo, da interac&ccedil;&atilde;o entre as diversas institui&ccedil;&otilde;es foi poss&iacute;vel entender os v&aacute;rios momentos da vida deste territ&oacute;rio, explicando, por vezes, o seu pr&oacute;prio desenvolvimento e/ou contrac&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Relativamente ao espa&ccedil;o, a op&ccedil;&atilde;o passava substancialmente por tentar demonstrar uma convic&ccedil;&atilde;o, fundamentada em fontes outrora j&aacute; consultadas, de que tamb&eacute;m em Palmela encontramos testemunho da imposi&ccedil;&atilde;o de um urbanismo religioso-militar; n&atilde;o pautado pelo tra&ccedil;ado regular que encontramos em Sines, Set&uacute;bal, Tomar ou &Eacute;vora, mas pela constru&ccedil;&atilde;o de uma igreja que reordena em seu redor todo o crescimento da vila baixa de Palmela.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Metodologia</b></p>     <p>Para tudo isto concorreu a aplica&ccedil;&atilde;o de uma metodologia espec&iacute;fica com vista a atingirmos os objectivos definidos <i>a priori</i>.</p>     <p>Logo &agrave; partida, a pesquisa arquiv&iacute;stica revelava-se um desafio. Estudar quatrocentos anos de hist&oacute;ria de um territ&oacute;rio t&atilde;o vasto e com ramifica&ccedil;&otilde;es institucionais t&atilde;o variadas n&atilde;o se afigurava uma tarefa f&aacute;cil, sobretudo quando definimos como regra o levantamento sistem&aacute;tico e completo de toda a informa&ccedil;&atilde;o relativa a todos os indiv&iacute;duos que demonstraram ter uma rela&ccedil;&atilde;o directa com Palmela, quer habitando no seu territ&oacute;rio quer explorando propriedades no mesmo. Daqui resultou o levantamento de cerca de tr&ecirc;s milhares de documentos, entre simples e compostos, que enquadr&aacute;mos numa base de dados, constru&iacute;da para o efeito, por forma a organizarmos devidamente toda a informa&ccedil;&atilde;o recolhida.</p>     <p>Se consideramos que o levantamento documental foi o mais completo poss&iacute;vel, a verdade &eacute; que deveria t&ecirc;-lo sido ainda mais. Foi demasiada a documenta&ccedil;&atilde;o &agrave; qual n&atilde;o tivemos acesso, quase exclusivamente na Torre do Tombo. Trata-se sobretudo de documentos que sendo relativos a capelanias conventuais, outros de cronologias situadas nos s&eacute;culos XIII-XIV (onde a documenta&ccedil;&atilde;o escasseia), ou a documenta&ccedil;&atilde;o relativa ao cart&oacute;rio da mil&iacute;cia, que permitiria a resolu&ccedil;&atilde;o de muitas quest&otilde;es deixadas em aberto, e ajudaria a completar o mapa dos temas que tratamos nesta tese. Aproveitamos, portanto, para deixar aqui uma cr&iacute;tica dura ao que consideramos ser um fen&oacute;meno de apropria&ccedil;&atilde;o e de patrimonializa&ccedil;&atilde;o dos documentos por parte da Torre do Tombo e que a todos n&oacute;s deveria preocupar.</p>     <p>Problemas &agrave; parte, opt&aacute;mos por aplicar o m&eacute;todo prosopogr&aacute;fico &agrave; an&aacute;lise deste territ&oacute;rio. Daqui resultou o segundo volume apenso a esta tese, extenso em virtude de considerarmos todos os indiv&iacute;duos com rela&ccedil;&atilde;o comprovada com Palmela. Este volume, ali&aacute;s, constituiu a base de quase todo o trabalho desenvolvido, uma vez que o cruzamento da informa&ccedil;&atilde;o nele contida permitiu-nos abordar todas as quest&otilde;es que relev&aacute;ramos inicialmente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Enquadramentos</b></p>     <p>Este estudo encontra-se organizado em tr&ecirc;s partes: enquadramentos, conjunturas e estruturas.</p>     <p>No primeiro, procur&aacute;mos sobretudo enquadrar Palmela em termos geogr&aacute;ficos, abordando os seus per&iacute;metros jurisdicionais, as vias de comunica&ccedil;&atilde;o que estabelecia com o exterior do territ&oacute;rio e a an&aacute;lise dos dados demogr&aacute;ficos de que dispomos para o seu estudo.</p>     <p>Em termos geogr&aacute;ficos e jurisdicionais, importa perceber que o papel geoestrat&eacute;gico de Palmela foi absolutamente crucial em alguns momentos da Hist&oacute;ria Portuguesa, nomeadamente nos s&eacute;culos XII-XIII, durante o avan&ccedil;o crist&atilde;o rumo ao Algarve. Palmela constituiu um posto avan&ccedil;ado quer de vanguarda da ofensiva, quer de atalaia na defesa da retaguarda do futuro reino portugu&ecirc;s, e tamb&eacute;m durante as investidas castelhanas dos s&eacute;culos XIV-XV, tomando sempre este territ&oacute;rio voz pelo monarca portugu&ecirc;s.</p>     <p>Esta localiza&ccedil;&atilde;o privilegiada, num territ&oacute;rio composto por cerca de dois ter&ccedil;os da pen&iacute;nsula de Set&uacute;bal, atesta-se na prolifera&ccedil;&atilde;o de vias de comunica&ccedil;&atilde;o terrestes que ligavam o n&uacute;cleo urbano ao seu alfoz, vias estas coadjuvadas pela possibilidade de navega&ccedil;&atilde;o pelo canal da ribeira de Corva e do Livramento que desaguavam no rio Sado. Igualmente, a liga&ccedil;&atilde;o de Palmela ao mar, sobretudo junto do Out&atilde;o e atrav&eacute;s do estu&aacute;rio do Sado, e ao estu&aacute;rio do Tejo, a Norte, at&eacute; meados do s&eacute;culo XIV, conferiam &agrave; vila e ao seu territ&oacute;rio uma din&acirc;mica comercial e econ&oacute;mica consider&aacute;vel que tem, at&eacute; hoje, sido esquecida pela historiografia.</p>     <p>Relativamente aos per&iacute;metros jurisdicionais, importa destacar dois momentos: um primeiro, desde 1186, quando D. Afonso I doa Palmela &agrave; Ordem de Santiago, at&eacute; meados do s&eacute;culo XIV, e onde a referida din&acirc;mica econ&oacute;mica seria significativa; e um outro, da&iacute; em diante, onde a liga&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima e estuarina se dilui com a autonomiza&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios a Norte e a Sul da pen&iacute;nsula, e que constitui o momento do decl&iacute;nio e da perda relativa de import&acirc;ncia de Palmela face a Set&uacute;bal.</p>     <p>Quanto aos aspectos demogr&aacute;ficos, os dados recolhidos at&eacute; finais do s&eacute;culo XV s&atilde;o poucos e adv&ecirc;m, sobretudo, da considera&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a de igrejas, r&oacute;is de besteiros, exist&ecirc;ncia de tabeli&atilde;es, e de outros dados indirectos. S&oacute; no s&eacute;culo XVI ganhamos uma mais exacta no&ccedil;&atilde;o da realidade demogr&aacute;fica em Palmela. Podemos considerar, tamb&eacute;m aqui, v&aacute;rios per&iacute;odos. Um primeiro, at&eacute; finais da d&eacute;cada de 1520, onde os quantitativos se mant&ecirc;m mais ou menos est&aacute;veis, seguindo-se um segundo per&iacute;odo de quebra acentuada da popula&ccedil;&atilde;o em virtude de cataclismos s&iacute;smicos e de surtos pest&iacute;feros. Os dados que podemos ler para 1532 e 1534 s&atilde;o, a nosso ver, err&oacute;neos. &Eacute; nossa convic&ccedil;&atilde;o que o levantamento do <i>Numeramento</i> &eacute; anterior &agrave; quebra demogr&aacute;fica, sendo depois repetido na visita&ccedil;&atilde;o da Ordem de Santiago. A informa&ccedil;&atilde;o dada pela visita da Ordem de 1552, mais completa e organizada, permite, sim, pelo modelo escolhido pelos oficiais da mil&iacute;cia, disponibilizar uma vis&atilde;o mais fidedigna da realidade demogr&aacute;fica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Conjunturas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa segunda parte, procur&aacute;mos localizar o objecto &ldquo;Palmela&rdquo; na Hist&oacute;ria Portuguesa, considerando para o efeito quatro per&iacute;odos. O primeiro, respeitante aos dados pr&eacute;-hist&oacute;ricos, discorrendo at&eacute; ao controlo crist&atilde;o da pra&ccedil;a em 1147, destina-se, sobretudo, a percebermos as raz&otilde;es do assentamento, na longa cronologia, de comunidades humanas neste territ&oacute;rio, ajudando a sua an&aacute;lise na leitura da pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o f&iacute;sico de Palmela.</p>     <p>O per&iacute;odo de 1147 a 1218 &eacute; j&aacute; o primeiro em que Palmela se encontra sob dom&iacute;nio crist&atilde;o. Importa aqui perceber que a consolida&ccedil;&atilde;o deste espa&ccedil;o por parte da Ordem de Santiago foi pautada por avan&ccedil;os e recuos, merc&ecirc; das ofensivas b&eacute;licas alm&oacute;adas (1184 e 1191) que arrasaram o territ&oacute;rio. N&atilde;o obstante, datar&aacute; de finais do s&eacute;culo XII a instala&ccedil;&atilde;o na alc&aacute;&ccedil;ova do castelo da primeira sede conventual da Ordem em Portugal &ndash; apesar da viabilidade da hip&oacute;tese de Alc&aacute;cer como primeira casa da mil&iacute;cia em solo portugu&ecirc;s. O controlo efectivo da pen&iacute;nsula de Set&uacute;bal a partir da pra&ccedil;a-forte de Palmela foi fundamental no avan&ccedil;o das for&ccedil;as crist&atilde;s para Sul rumo a Alc&aacute;cer, basti&atilde;o isl&acirc;mico. A conquista desta pra&ccedil;a alentejana e a consequente mudan&ccedil;a do convento de Palmela para Alc&aacute;cer representar&aacute; o in&iacute;cio de uma nova fase na vida de Palmela.</p>     <p>Apesar de ser o maior per&iacute;odo que consider&aacute;mos na nossa an&aacute;lise, a verdade &eacute; que a documenta&ccedil;&atilde;o at&eacute; aos meados do s&eacute;culo XV escasseia, sobretudo a que diz respeito &agrave; Ordem de Santiago &ndash; exceptuam-se alguns documentos relativos ao Mosteiro de Santos. &Eacute; uma &eacute;poca em que o territ&oacute;rio passa por algumas muta&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas, sobretudo no seu castelo e na evolu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo urbano, e institucionais, com uma autonomiza&ccedil;&atilde;o face &agrave; diocese de Lisboa, que passa de uma posi&ccedil;&atilde;o de supervis&atilde;o para outra de mero recept&aacute;culo da ter&ccedil;a eclesi&aacute;stica, ou pelo surgimento de outras casas religiosas, com destaque para os homens da pobre vida de Alferrara, que a&iacute; se instalam na d&eacute;cada de 1380. Este per&iacute;odo &eacute; tamb&eacute;m marcado pelo in&iacute;cio da constru&ccedil;&atilde;o da nova casa conventual da Ordem, que perduraria, embora mais tarde j&aacute; noutros moldes, at&eacute; &agrave; extin&ccedil;&atilde;o da Ordem j&aacute; no s&eacute;culo XIX. Com constru&ccedil;&atilde;o iniciada, tudo indica, em 1443, ter&aacute; sido estreada em 1482, embora consideremos que o edif&iacute;cio continuou a ser sistematicamente alvo de obras e de melhoramentos ao longo das d&eacute;cadas seguintes.</p>     <p>O derradeiro per&iacute;odo acaba por ser marcado por uma &eacute;poca de recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e demogr&aacute;fica e tamb&eacute;m pelo seu oposto, tal como referimos anteriormente. As vicissitudes do tempo assim o ditaram. Apesar disto, o que marca fortemente esta fase &eacute; mesmo a instala&ccedil;&atilde;o conventual na medina do castelo. As rela&ccedil;&otilde;es sociais, hier&aacute;rquicas e econ&oacute;micas que estabelece com a vila s&atilde;o deveras significativas. Por outro lado, a assimila&ccedil;&atilde;o, em 1526, da comenda pelo convento, desaparecendo a figura do comendador, &eacute; sintom&aacute;tica da afirma&ccedil;&atilde;o da casa conventual no contexto da Ordem. Por esta raz&atilde;o, consider&aacute;mos 1551 como <i>terminus ad quem </i>deste estudo. A tomada de posse do Rei sobre o convento, seguida &agrave; morte do Mestre D. Jorge, marca indelevelmente uma mudan&ccedil;a paradigm&aacute;tica face ao per&iacute;odo medieval, entrando Palmela, a nosso ver, definitivamente na Era Moderna.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Estruturas</b></p>     <p>S&atilde;o os homens e as institui&ccedil;&otilde;es a que pertencem que provocam o pr&oacute;prio devir do espa&ccedil;o em que se inserem e s&atilde;o eles mesmos os motores da hist&oacute;ria. Tratando-se de um territ&oacute;rio tutelado pela Ordem de Santiago, coloc&aacute;mos &agrave; cabe&ccedil;a esse mesmo senhorio, dividindo a sua an&aacute;lise entre os aspectos relacionados com o convento e aqueles outros relativos &agrave; comenda, entendendo que se trata de duas dimens&otilde;es institucionais distintas e que s&oacute; a partir de 1526 se assumiram como uma s&oacute;.</p>     <p>Uma vez que este esfor&ccedil;o de s&iacute;ntese a tal obriga, destacamos apenas alguns aspectos. Em primeiro lugar, a evolu&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria sede conventual, que acompanha os ritmos da <i>reconquista</i> crist&atilde; e cuja implanta&ccedil;&atilde;o local est&aacute; em boa medida por explorar em Alc&aacute;cer do Sal e, sobretudo, em M&eacute;rtola. Depois, importa perceber que a org&acirc;nica conventual interna n&atilde;o &eacute; imut&aacute;vel ao longo dos s&eacute;culos e que difere, por exemplo, de Alc&aacute;cer para Palmela &ndash; n&atilde;o obstante os dados embrion&aacute;rios de que dispomos para a vila sadina. Por outro lado, perceber tamb&eacute;m que, sobretudo durante o Mestrado de D. Jorge, h&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o em manter os quantitativos humanos est&aacute;veis, promovendo o que cham&aacute;mos de senhorializa&ccedil;&atilde;o do convento, favorecendo o Mestre a inclus&atilde;o de indiv&iacute;duos ligados &agrave; sua Casa Senhorial. Por fim, destacamos as bases geogr&aacute;ficas de extrac&ccedil;&atilde;o dos freires conventuais, onde parece privilegiar-se uma matriz local com destaque, como podemos constatar, para as vilas de Palmela e Set&uacute;bal.</p>     <p>Quanto &agrave; comenda, ao n&iacute;vel do espa&ccedil;o parece-nos existir uma inger&ecirc;ncia da Ordem na formula&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo urbano e uma monopoliza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio urbano e rural. Relativamente &agrave; sua hierarquia, assistimos j&aacute; no s&eacute;culo XV, na c&uacute;pula, a um interessante fen&oacute;meno de assimila&ccedil;&atilde;o da comenda com a alcaidaria-mor por parte, claramente, de Ant&atilde;o de Faria e de Francisco de Faria e, possivelmente, anterior a ambos, de Nuno da Cunha, todos eles cavaleiros da Casa do Rei.</p>     <p>Quanto ao concelho, destacamos, desde j&aacute; e sobretudo, a permeabilidade e, mesmo, a promiscuidade entre os oficiais do concelho e a Ordem de Santiago. Muitos deles s&atilde;o referidos como escudeiros ou cavaleiros da Casa do Mestre e, desde logo, fi&eacute;is &agrave; mil&iacute;cia. Alguns deles cumprem um verdadeiro <i>cursus honorum</i> na constru&ccedil;&atilde;o de uma carreira pol&iacute;tica alicer&ccedil;ada quer no patrim&oacute;nio que detinham, quer na efectiva liga&ccedil;&atilde;o &agrave; Ordem de Santiago.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; Coroa, parece quase omissa em Palmela ao longo destes &nbsp;quatro s&eacute;culos de Hist&oacute;ria. Salvaguardam-se as doa&ccedil;&otilde;es feitas ainda nos s&eacute;culos XII-XIII e algumas determina&ccedil;&otilde;es judiciais, sobretudo em mat&eacute;ria criminal e j&aacute; no s&eacute;culo XV. O seu papel passar&aacute; sobretudo pelo de fiel da balan&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o entre a Ordem de Santiago, o concelho e outras institui&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o neste territ&oacute;rio.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, h&aacute; toda uma s&eacute;rie de rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre Palmela, concelho, e Palmela, comenda, quer civis, como sejam os concelhos vizinhos, onde enquadramos, tamb&eacute;m, Lisboa, quer religiosos, sobretudo as casas religiosas de Santos, S. Vicente de Fora, Gafaria de Almada, Convento de S. Paulo de Alferrara e Mosteiro de Nossa Senhora da Piedade de Azeit&atilde;o e o Convento do Carmo de Set&uacute;bal. Destas &uacute;ltimas, ressaltamos sobretudo a acumula&ccedil;&atilde;o de patrim&oacute;nio que v&atilde;o conseguindo, constituindo aut&ecirc;nticos feudos em territ&oacute;rio monopolizado pela mil&iacute;cia. Das rela&ccedil;&otilde;es interconcelhias destaca-se a conflitualidade latente com Set&uacute;bal ao longo de toda a Idade M&eacute;dia e que se prolonga pelo s&eacute;culo XVII em diante, claramente advinda da autonomiza&ccedil;&atilde;o da vila sadina em 1343 e que influencia, parece-nos, a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o de cordialidade entre Palmela e Sesimbra, vila que tinha tamb&eacute;m com Set&uacute;bal v&aacute;rias contendas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>7. Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Sintetizando, no poss&iacute;vel, as conclus&otilde;es gerais desta tese, parece-nos existir um modelo urban&iacute;stico da Ordem de Santiago na vila de Palmela, modelo este que, para al&eacute;m de condicionar o desenvolvimento da tessitura urbana, permite ordenar as rela&ccedil;&otilde;es sociais, pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas e religiosas na vila.</p>     <p>Depois, percebe-se claramente uma monopoliza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio por parte de Ordem de Santiago, processo que passa pelo controlo das estruturas pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas, constrangendo os processos de ascens&atilde;o social e da&iacute; resultando um claro apagamento da ac&ccedil;&atilde;o da Coroa e da Diocese de Lisboa, e impondo condi&ccedil;&otilde;es &agrave; ac&ccedil;&atilde;o do concelho. Por outro lado, revelou-se &oacute;bvia a permeabilidade entre a oligarquia local e a mil&iacute;cia espat&aacute;ria, assim como o recurso ao recrutamento local por parte da Ordem, sobretudo para o provimento da sua comunidade conventual religiosa e leiga.</p>     <p>Por fim, &eacute; certo que v&aacute;rias quest&otilde;es foram sendo levantadas ao longo destas cerca de trezentas e cinquenta p&aacute;ginas. N&atilde;o podendo aqui indicar todas, limitamo-nos a referir algumas, nomeadamente a necessidade de estudar os processos de acumula&ccedil;&atilde;o de patrim&oacute;nio fundi&aacute;rio e da sua posterior aliena&ccedil;&atilde;o por parte da Ordem. Importa igualmente desenvolver estudos sobre a evolu&ccedil;&atilde;o morfol&oacute;gica e a percep&ccedil;&atilde;o dos usos da medina e da alc&aacute;&ccedil;ova do castelo, cujas conclus&otilde;es actuais s&atilde;o claramente deficit&aacute;rias. Neste contexto, h&aacute; que estudar a constru&ccedil;&atilde;o urbana da vila baixa de Palmela, sobretudo o seu centro vital e o novo bairro de S. Sebasti&atilde;o. Por fim, aprofundar o estudo das comunidades da Ordem em Alc&aacute;cer e M&eacute;rtola parece-nos fundamental para percebermos a mobilidade dos membros da mil&iacute;cia, sobretudo em fun&ccedil;&atilde;o do nomadismo da casa conventual. E, claro, o estudo de Set&uacute;bal, e das demais localidades do antigo termo de Palmela, designadamente se acompanhado de um ficheiro prosopogr&aacute;fico que o complemente, permitir&aacute; completar alguns dados relativos a Palmela.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>COSTA, Jo&atilde;o &ndash; &ldquo;Apresenta&ccedil;&atilde;o de Tese / Thesis Presentation: <i>Palmela. O espa&ccedil;o e as gentes (s&eacute;culos XII-XVI)</i>. Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria apresentada &agrave; FCSH-NOVA, Julho de 2016. Orienta&ccedil;&atilde;o dos Professores Doutores Bernardo Vasconcelos e Sousa e Lu&iacute;s Filipe Oliveira&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm; 21 (Janeiro &ndash; Junho 2017). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA21/costa2110.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA21/costa2110.html</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data do texto: 27 de Setembro de 2016</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a> O texto integral dos dois volumes que comp&otilde;em esta tese, na sua vers&atilde;o n&atilde;o corrigida, poder&atilde;o ser consultados em: <a href="https://www.academia.edu/27111160/Palmela_o_espa%C3%A7o_e_as_gentes_s%C3%A9culos_XII-XVI_" target="_blank">www.academia.edu/27111160/Palmela_ o_espaço_e_as_gentes_séculos_XII-XVI_</a></p>      ]]></body>
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