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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ali se mudou a aventura&#8230; O imaginário mítico no pensamento de Luís Krus]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[From &#8220;A morte das fadas&#8221; (1985) to the study of &#8220;uma variante peninsular do mito de Melusina&#8221; (1994), through the reflections on &#8220;As origens lendárias dos condes de Trastâmara&#8221; (1992), the myth - as a dynamic structure which creates and organizes an unified vision of the world - echoes repeatedly and obsessively in the thought of Luís Krus. Recognizing the rhetorical, anthropological and ideological importance of the fictional narrative for the legitimization of the lineage and the construction of a discourse on the past, Luís Krus has devoted not only his work to an important renewal of the traditional viewpoints of Portuguese Medieval Historiography. He has deeply reinvented the dialogue among Literature, History and Studies on the Imaginary (as, for example, &#8220;A cidade no imaginário medieval&#8221; [1983] or &#8220;O imaginário português e os medos do mar&#8221; [1998]) creating bridges through people, disciplines, knowledge, languages and methodologies that are still largely lacking today.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Ali se mudou a aventura&hellip; O imagin&aacute;rio m&iacute;tico no pensamento de Lu&iacute;s Krus</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Ali se mudou a aventura&hellip; The mythical imaginary in Lu&iacute;s Krus&rsquo; thought</b></font></p>     <p><b>Carlos F. Clamote Carreto<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Universidade Nova de Lisboa, Departamento de L&iacute;nguas, Culturas e Literaturas Modernas / Instituto de Estudos de Literatura e Tradi&ccedil;&atilde;o, 1069-061, Lisboa, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:ccarreto@fcsh.unl.pt">ccarreto@fcsh.unl.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>De &#8220;A morte das fadas&#8221; (1985) ao estudo de &#8220;uma variante peninsular do mito de Melusina&#8221; (1994), passando pelas reflexões sobre &#8220;As origens lendárias dos condes de Trastâmara&#8221; (1992), o mito ecoa, de forma regular e lancinante, no pensamento de Luís Krus enquanto estrutura dinâmica à volta da qual se cria e organiza uma visão coesa do mundo. Ao reconhecer a importância retórica, antropológica e ideológica da narrativa ficcional para a legitimação da linhagem e a construção de um discurso sobre o passado, Luís Krus não se limitou a renovar profundamente o olhar da historiografia tradicional sobre a cultura e as mentalidades medievais. Reinventou o diálogo, tantas vezes interrompido, entre literatura, história e estudos sobre o imaginário (vejam-se &#8220;A cidade no imaginário medieval&#8221; de 1983 ou &#8220;O imaginário português e os medos do mar&#8221; de 1998), criando pontes entre pessoas, disciplinas, saberes, linguagens e metodologias que ainda hoje falta, em grande medida, cumprir.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Literatura Portuguesa Medieval, Hist&oacute;ria e Mito, Livros de Linhagem, Lu&iacute;s Krus.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>From &ldquo;A morte das fadas&rdquo; (1985) to the study of &ldquo;uma variante peninsular do mito de Melusina&rdquo; (1994), through the reflections on &ldquo;As origens lend&aacute;rias dos condes de Trast&acirc;mara&rdquo; (1992), the myth &ndash; as a dynamic structure which creates and organizes an unified vision of the world &ndash; echoes repeatedly and obsessively in the thought of Lu&iacute;s Krus. Recognizing the rhetorical, anthropological and ideological importance of the fictional narrative for the legitimization of the lineage and the construction of a discourse on the past, Lu&iacute;s Krus has devoted not only his work to an important renewal of the traditional viewpoints of Portuguese Medieval Historiography. He has deeply reinvented the dialogue among Literature, History and Studies on the Imaginary (as, for example, &ldquo;A cidade no imagin&aacute;rio medieval&rdquo; [1983] or &ldquo;O imagin&aacute;rio portugu&ecirc;s e os medos do mar&rdquo; [1998]) creating bridges through people, disciplines, knowledge, languages and methodologies that are still largely lacking today.</p>     <p><b>Keywords:</b> Portuguese Medieval Literature, Myth and Literature, Royal Iberian Genealogy, Lu&iacute;s Krus.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Historiography is an especially good ground on which to consider the nature of narration and narrativity because it is here that our desire for the imaginary, the possible, must contest with the imperatives of the real, the actual. If we view narration and narrativity as the instruments by which the conflicting claims of the imaginary and the real are mediated, arbitrated, or resolved in a discourse, we begin to comprehend both the appeal of narrative and the grounds for refusing it. If putatively real events are represented in a non-narrative form, what kind of reality is it that offers itself, or is conceived to offer itself, to perception? What would a non-narrative representation of historical reality look like?</i>    <br>   Hayden White<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">[1]</a>.</p>     <p align="right"><i>Ali se mudou a aventura, que estava de choro e de lagrimas e de gram lastima e amargura a toda a cristaidade, e torn&ocirc;-se em toda ledice e em, todo goivo.</i>    <br>     <i>Livro de Linhagens</i><a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">[2]</a>.</p>     <p><b>Mito e identidade narrativa</b></p>     <p>De &ldquo;A viv&ecirc;ncia medieval do tempo&rdquo; (1982) a &ldquo;Leituras profanas da festa sagrada&rdquo; (1999), passando pela &ldquo;morte das fadas: a lenda geneal&oacute;gica da Dama do P&eacute; de Cabra&rdquo; (1985) &ndash; artigo retomado e ampliado em 1999 com o t&iacute;tulo &ldquo;Uma variante peninsular do mito de Melusina: a origem dos Haros nos <i>Livro de </i>Linhagens do conde Barcelos&rdquo; &ndash; e por estudos como &ldquo;Celeiro e rel&iacute;quias: o culto quatrocentista dos m&aacute;rtires de Marrocos e a devo&ccedil;&atilde;o dos nus&rdquo; (1984), &ldquo;Os her&oacute;is da <i>Reconquista</i> a realeza sagrada medieval peninsular&rdquo; (1989) ou &ldquo;As origens lend&aacute;rias dos condes de Trast&acirc;mara&rdquo; (1992)<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">[3]</a> sem esquecer naturalmente o lugar estruturante ocupado pelas reflex&otilde;es desenvolvidas na sua tese doutoramento, nomeadamente nos cap&iacute;tulos consagrados ao <i>Livro de Linhagens</i> (<i>LL</i>)como &ldquo;teoriza&ccedil;&atilde;o do destino ib&eacute;rico&rdquo; (p. 113-142<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title="">[4]</a>) e &agrave; heran&ccedil;a troiana e bret&atilde; na forma&ccedil;&atilde;o da cristandade ib&eacute;rica (p. 143-170), o mito ecoa, regular e lancinante, no pensamento de Lu&iacute;s Krus<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title="">[5]</a>. N&atilde;o o mito entendido como simples narrativa modelar, ou exemplar, relativamente estanque e cristalizada, sujeita apenas a expect&aacute;veis varia&ccedil;&otilde;es no decorrer de uma complexa transmiss&atilde;o oral e manuscrita, e muito menos como mera f&aacute;bula destinada a deleitar os homens e situando-se assim (na tradi&ccedil;&atilde;o veiculada, nomeadamente, pelas <i>Etimologias</i> de Isidoro de Sevilha) nos ant&iacute;podas do discurso hist&oacute;rico, esse sim inteiramente orientado para a <i>narratio rei gestae </i>(<i>Etym.</i> I, 40), mas sim o mito considerado simultaneamente como narrativa cultural atrav&eacute;s da qual uma determinada comunidade d&aacute; forma e sentido &agrave;s suas viv&ecirc;ncias e aspira&ccedil;&otilde;es<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title="">[6]</a> e enquanto sistema din&acirc;mico &agrave; volta do qual se cria e organiza uma vis&atilde;o coesa do mundo. Uma forma ao mesmo tempo simples e infinitamente pl&aacute;stica, sempre dispon&iacute;vel, que nessa sua capacidade de reconfigurar a rela&ccedil;&atilde;o com o real, atrav&eacute;s de um discurso constantemente investido e mediado por s&iacute;mbolos, arqu&eacute;tipos e imagens, &eacute; suscet&iacute;vel de integrar tens&otilde;es e conflitos &ndash; sem, no entanto, os apagar ou denegar &ndash; e de redefinir, numa geometria infinitamente vari&aacute;vel do desejo, a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as o seio da sociedade<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title="">[7]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atrav&eacute;s da sua &ldquo;pregn&acirc;ncia simb&oacute;lica&rdquo; (Ernst Cassirer) e das liga&ccedil;&otilde;es, ou conex&otilde;es, subliminares &ndash; e tantas vezes paradoxais &ndash; que permite estabelecer, a narrativiza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia atrav&eacute;s do mito (ou, melhor dizendo, o mito enquanto forma narrativa privilegiada que confere sentido &agrave; exist&ecirc;ncia nas suas mais variadas e secretas dimens&otilde;es) permite igualmente estruturar e dar consist&ecirc;ncia ao tempo, tornando a experi&ecirc;ncia do mundo leg&iacute;vel ou compreens&iacute;vel, logo comunic&aacute;vel (ou partilh&aacute;vel) e objeto de uma hermen&ecirc;utica. Apesar das cr&iacute;ticas que possamos formular &agrave; conce&ccedil;&atilde;o &eacute;tica e ontol&oacute;gica da narrativa que percorre tanto a hermen&ecirc;utica ric&oelig;uriana<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title="">[8]</a> como algumas tend&ecirc;ncias importantes da psicologia construtivista (Bruner, Sarbin ou &Oacute;scar Gon&ccedil;alves que fala de um &ldquo;ser narrativo&rdquo; que vive narrativamente<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title="">[9]</a>) ou, mais recentemente, das neuroci&ecirc;ncias<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title="">[10]</a>, e na condi&ccedil;&atilde;o de reconhecermos que existem diferen&ccedil;as substantivas entre a experi&ecirc;ncia e a narrativa, entre o real e a linguagem que o reconfigura, &eacute; hoje indesment&iacute;vel o potencial epistemologicamente agregador ou reunificador que desempenha a narrativa no &acirc;mbito das ci&ecirc;ncias sociais e humanas (e n&atilde;o s&oacute;) e sua import&acirc;ncia na constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade individual e coletiva de cuja transmiss&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o depende, em grande parte, a constru&ccedil;&atilde;o de uma mem&oacute;ria pessoal ou cultural<a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title="">[11]</a>.</p>     <p>Nesta perspetiva &ndash; e Lu&iacute;s Krus teve claramente esta intui&ccedil;&atilde;o &ndash;, deixa de fazer sentido operar uma distin&ccedil;&atilde;o radical entre grandes e pequenas mitologias<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title="">[12]</a>, entre modelos cl&aacute;ssicos, possuidores de uma tradi&ccedil;&atilde;o manuscrita relativamente control&aacute;vel, e uma tradi&ccedil;&atilde;o oral sujeita a constantes metamorfoses, entre cultura erudita e cultura popular. No dom&iacute;nio da Hist&oacute;ria &ndash; da filosofia da hist&oacute;ria, mais precisamente &ndash;, um dos mais ac&eacute;rrimos defensor do paradigma narrativo foi certamente Hayden Whyte que, num c&eacute;lebre artigo publicado em 1980 na revista americana <i>Critical Inquiry</i><a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title="">[13]</a>, &ldquo;The value of Narrativity in the Representation of Reality&rdquo;, afirma, depois de definir a narrativa como uma metac&oacute;digo (tal como Claude L&eacute;vi-Strauss j&aacute; tivera definido o mito como uma metalinguagem em cuja gram&aacute;tica se inscreve a pr&oacute;pria gram&aacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es sociais assentes, em larga medida, nas estruturas de parentesco, refor&ccedil;ando assim a rela&ccedil;&atilde;o de isomorfismo que une constantemente entre linguagem e linhagem amplamente estudada por um antrop&oacute;logo da literatura como Howard Bloch em finais dos anos 80<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title="">[14]</a>) que &eacute; atrav&eacute;s da sua narrativiza&ccedil;&atilde;o que o real adquire um valor hist&oacute;rica e ideologicamente orientado, uma narrativa sendo tanto mais verdadeira quanto mais coesa se apresentar e tanto mais coesa quanto mais eficaz for a estrat&eacute;gia ret&oacute;rica conduzindo a um refor&ccedil;o das marcas autorais reunificadoras do discurso. Nos artigos h&aacute; pouco citados, Lu&iacute;s Krus nunca refere Hayden White nem Paul Ric&oelig;ur. No entanto, &eacute; manifesta a sua sensibilidade antropol&oacute;gica<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title="">[15]</a> e a aten&ccedil;&atilde;o permanente ao discurso como constru&ccedil;&atilde;o ret&oacute;rica visando legitimar um nome, uma linhagem ou as aspira&ccedil;&otilde;es de um grupo social (como a nobreza de Entre Douro e Minho, por exemplo), ou seja, visando construir uma mem&oacute;ria atrav&eacute;s da reconfigura&ccedil;&atilde;o narrativa do tempo e dos factos num processo hermen&ecirc;utico que transcende a falsa dial&eacute;tica entre o fic&ccedil;&atilde;o e o real e uma ainda mais problem&aacute;tica hierarquiza&ccedil;&atilde;o das fontes artificialmente separadas entre fontes po&eacute;tico-liter&aacute;rias e documentos hist&oacute;ricos<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title="">[16]</a>. Desde a sua tese de doutoramento que todo o esfor&ccedil;o historiogr&aacute;fico de Lu&iacute;s Krus se concentra precisamente em demonstrar que a um discurso aparentemente fragment&aacute;rio e heterog&eacute;neo que v&ecirc; sucederem-se, ao logo de cont&iacute;nuas refundi&ccedil;&otilde;es, mais de 4.000 nomes oriundos de 776 fam&iacute;lias fidalgas, corresponde, na realidade, uma narrativa extremamente coesa, tanto do ponto de vista da tradi&ccedil;&atilde;o textual na qual se insere, como do ponto de vista simb&oacute;lico e ideol&oacute;gico, erguendo assim &agrave; dimens&atilde;o de <i>mythos</i> os <i>Livros de Linhagem</i>, a fun&ccedil;&atilde;o que neles desempenham os v&aacute;rios mitos cl&aacute;ssicos (voltaremos a esta quest&atilde;o) funcionando especularmente como um dispositivo ficcional que refor&ccedil;a esta dimens&atilde;o textual. A natureza da fonte analisada convidava, &eacute; certo, a uma abordagem deste tipo, Lu&iacute;s Krus prolongando e aprofundando, atrav&eacute;s da sua exegese, a l&oacute;gica subjacente &agrave; escrita do <i>LL</i>: com efeito, subordinando a <i>inventio</i> textual &agrave; pr&aacute;tica da compila&ccedil;&atilde;o (segundo o pr&oacute;logo, dom Pedro comp&ocirc;s o seu livro depois de &ldquo;catar por gram trabalho, por muitas terras, escrituras que falavam dos linguagees&rdquo;), n&atilde;o pretendia j&aacute; o conde de Barcelos dar uma configura&ccedil;&atilde;o narrativa a testemunhos d&iacute;spares e dispersos (nos espa&ccedil;o como no tempo) na qual a nobreza se pudesse re-conhecer e reunir em torno de uma mem&oacute;ria e de um destino comuns?</p>     <p>As suas fecundas reflex&otilde;es sobre os min&uacute;sculos <i>Anais de Lorv&atilde;o</i>, nos quais v&ecirc; a &ldquo;mem&oacute;ria legitimadora da comunidade mon&aacute;stica onde foram escritos e uma defesa dos seus direitos na situa&ccedil;&atilde;o conflitual em que os monges se viram no princ&iacute;pio do s&eacute;culo XII&rdquo;<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title="">[17]</a> convergem metodologicamente com as de Hayden White quando, a prop&oacute;sito dos <i>Anais de s&atilde;o Galo</i> mostra que o aparente grau zero de narratividade caracter&iacute;stico deste g&eacute;nero historiogr&aacute;fico marcado por uma conce&ccedil;&atilde;o parat&aacute;tica do tempo (por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; constru&ccedil;&atilde;o hipot&aacute;tica da cr&oacute;nica ou dos escritos geneal&oacute;gicos que procuram inscrever &ldquo;nos logares u convem &ldquo; o nome numa vaste sintaxe do mundo que remonta &agrave; Cria&ccedil;&atilde;o) traduz, na verdade, a presen&ccedil;a de uma comunidade textual capaz de preencher os hiatos e a exist&ecirc;ncia de um princ&iacute;pio de narratividade onde o n&atilde;o-dito (a lacuna, as elipses) &eacute; t&atilde;o ou mais eloquente do que os factos assinalados, e onde a aus&ecirc;ncia de marcas autorais reflete a exist&ecirc;ncia de uma <i>auctoritas</i> imanente &agrave; pr&oacute;pria escrita que se dissolve ao longo da Idade M&eacute;dia, implicando, como testemunha frequentemente o pr&oacute;prio <i>LL</i>, o refor&ccedil;o dos dispositivos gramaticais que conferem uma articula&ccedil;&atilde;o temporal e l&oacute;gica ao discurso acompanhado de uma refor&ccedil;o da presen&ccedil;a autoral<a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title="">[18]</a>.</p>     <p>Lu&iacute;s Krus n&atilde;o deixa de insistir neste aspeto crucial: positivo ou negativo, apol&oacute;gico ou cr&iacute;tico, a narrativa n&atilde;o s&oacute; veicula valores como cria valores e modelos &ndash; muitas vezes ficcionais &ndash; de comportamento<a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title="">[19]</a>.</p>     <p><b><i>Apenas veredas e ilumina&ccedil;&otilde;es pontuais&hellip;</i></b><a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title="">[20]</a></p>     <p>Ao reconhecer a import&acirc;ncia ret&oacute;rica, antropol&oacute;gica e ideol&oacute;gica da narrativa (seja ela ficcional ou n&atilde;o) para a legitima&ccedil;&atilde;o da linhagem e a constru&ccedil;&atilde;o de um discurso sobre o passado, Lu&iacute;s Krus n&atilde;o se limitou a renovar profundamente o olhar da historiografia tradicional sobre a cultura e as mentalidades medievais. Reinventou o di&aacute;logo, tantas vezes interrompido, entre literatura, hist&oacute;ria e estudos sobre o imagin&aacute;rio, criando pontes entre pessoas, disciplinas, saberes, linguagens e metodologias que ainda hoje falta, em grande medida, cumprir. O alerta e o desafio que nos lan&ccedil;a no in&iacute;cio do seu artigo &ldquo;Uma variante peninsular do mito de Melusina&rdquo; &eacute; bastante eloquente ao evocar nomeadamente &ldquo;a exist&ecirc;ncia de certos preconceitos epistemol&oacute;gicos-metodol&oacute;gicos que, relegando as fontes liter&aacute;rias para os dom&iacute;nios da fantasia e da curiosidade, n&atilde;o estimulam a [&hellip;] abordagem hist&oacute;rica&rdquo; (p. 151) de certas narrativas como a Dama do P&eacute; de Cabra. N&atilde;o admira, neste sentido, que Lu&iacute;s Krus tenha dado particular import&acirc;ncia aos modelos ficcionais na constru&ccedil;&atilde;o ou reconfigura&ccedil;&atilde;o da identidade linhag&iacute;stica: a par do modelo teol&oacute;gico subjacente &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o cronogr&aacute;fica na esteira de Eus&eacute;bio de Cesareia e Or&oacute;sio de Braga<a href="#_ftn21" name="_ftnref21" title="">[21]</a> enquanto macroestrutura temporal que preside &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do nobili&aacute;rio, reconhece ainda a pregn&acirc;ncia de dois modelos narrativos concorrenciais na legitima&ccedil;&atilde;o das aspira&ccedil;&otilde;es da nobreza: o modelo &eacute;pico e o modelo romanesco. Na esteira de medievalistas como Dominique Boutet ou Armand Strubel<a href="#_ftn22" name="_ftnref22" title="">[22]</a>, por exemplo, reconhece implicitamente a rela&ccedil;&atilde;o de consubstancialidade &ndash; e n&atilde;o de simples mimese especular &ndash; que une consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica e forma liter&aacute;ria, a can&ccedil;&atilde;o de gesta insinuando-se, por exemplo, como uma matriz narrativa que envolve uma vis&atilde;o do mundo alternativa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quela que oferece o romance antigo ou arturiano, por exemplo<a href="#_ftn23" name="_ftnref23" title="">[23]</a>. A fic&ccedil;&atilde;o surge ent&atilde;o como um poderoso dispositivo capaz de criar uma imagem homog&eacute;nea das aspira&ccedil;&otilde;es de determinados grupos sociais (a velha nobreza, a burguesia ou a categoria dos <i>juvenes</i> em busca de uma terra long&iacute;nqua e de &ldquo;um espa&ccedil;o de aventura&rdquo;<a href="#_ftn24" name="_ftnref24" title="">[24]</a> onde possam construir a sua gl&oacute;ria e afirmar a sua identidade, como refere insistentemente Lu&iacute;s Krus a prop&oacute;sito da elabora&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria de Bretanha nas cortes principescas do s&eacute;culo XII seguindo, neste ponto, as teses sociol&oacute;gicas defendidas por Erich K&ouml;hler nos anos 70<a href="#_ftn25" name="_ftnref25" title="">[25]</a>), embora incessantemente percorrida pela tens&atilde;o entre o real e o ideal, entre o tempo das coisas e o tempo da representa&ccedil;&atilde;o. Na sua brev&iacute;ssima introdu&ccedil;&atilde;o (em jeito de roteiro) &agrave; sua tese de doutoramento, assenta, de resto, a sua interpreta&ccedil;&atilde;o do <i>Livro de Linhagens </i>numa constato simples mas que acaba por moldar decisivamente tanto a sua leitura da obra como a metodologia utilizada. Com efeito, afirmar que o esquema narrativo que preside &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do <i>LL </i>(esquema ampliado nos anos 1380-1383 pelo &uacute;ltimo dos refundidores) consiste em atribuir &ldquo;&agrave; fidalguia de Portugal a qualidade de aristocracia guerreira peninsular&rdquo;, a filia&ccedil;&atilde;o simultaneamente visig&oacute;tica e ad&acirc;mica da nobreza predestinando-a a ser &ldquo;mil&iacute;cia de Cristo a quem estaria reservada a prote&ccedil;&atilde;o e salva&ccedil;&atilde;o de toda a Cristandade&rdquo; (p. 16), equivale a reconhecer a pregn&acirc;ncia do modelo &eacute;pico (com o seu fundo hagiogr&aacute;fico<a href="#_ftn26" name="_ftnref26" title="">[26]</a>) na representa&ccedil;&atilde;o deste grupo social. E reconhecer a pregn&acirc;ncia do modelo &eacute;pico implica, por sua vez, reconhecer &ndash; aspeto hoje consensual entre os medievistas &ndash; a pregn&acirc;ncia de um imagin&aacute;rio m&iacute;tico ancestral (frequentemente um mito fundador associado &agrave; batalha como momento que inaugura uma nova ordem)<a href="#_ftn27" name="_ftnref27" title="">[27]</a>que simultaneamente estrutura e desestrutura o discurso ideologicamente orientado da Hist&oacute;ria. Na esteira da heran&ccedil;a assumida por Georges Duby e por Jacques Le Goff, transparecem na an&aacute;lise que Lu&iacute;s Krus faz de v&aacute;rias narrativas do <i>LL</i> os contributos da mitologia comparada, nomeadamente atrav&eacute;s do papel din&acirc;mico desempenhado pela matriz indo-europeia na constru&ccedil;&atilde;o narrativa do destino &eacute;pico-heroico dos guerreiros peninsulares. Dos muitos exemplos poss&iacute;veis, citemos apenas a influ&ecirc;ncia dos estudos de Jo&euml;l Grisward (<i>Arch&eacute;ologie de l'&eacute;pop&eacute;e m&eacute;di&eacute;vale</i> de 1981<a href="#_ftn28" name="_ftnref28" title="">[28]</a>) e de Georges Dum&eacute;zil (<i>L&rsquo;Id&eacute;ologie tripartite des Indo-Europ&eacute;ens </i>de 1958, <i>Mythe et &eacute;pop&eacute;e II </i>de 1971) cujas reflex&otilde;es e metodologia &ndash; a par dos contributos da antropologia estrutural (Mauss, Levi-Strauss, Polanyi) atrav&eacute;s da qual demonstra, por exemplo, que a destrui&ccedil;&atilde;o de Troia radica na rutura simb&oacute;lica implicada na quebra dos la&ccedil;os de hospitalidade (p. 145) &ndash; marcam indelevelmente o seu cap&iacute;tulo sobre a <i>translatio imperii et studii</i> da mitologia troaina e bret&atilde; para o espa&ccedil;o peninsular em torno desse novo e paradoxal &Eacute;dipo que se perfila sob o rosto de Brutus (p. 149-152). Como tamb&eacute;m marcam a sua minuciosa interpreta&ccedil;&atilde;o das aventuras hisp&acirc;nicas de H&eacute;rcules no artigo sobre &ldquo;Os her&oacute;is da Reconquista e a realeza sagrada medieval peninsular&rdquo; na <i>Primeira Cr&oacute;nica Geral de Espanha</i> onde a rela&ccedil;&atilde;o entre mito, constru&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e legitima&ccedil;&atilde;o do poder desagua numa perspicaz reflex&atilde;o sobre o imagin&aacute;rio mitopo&eacute;tico da cidade na Idade M&eacute;dia<a href="#_ftn29" name="_ftnref29" title="">[29]</a> em que a posse da terra e a funda&ccedil;&atilde;o da urbe fazem ecoar &ndash; mesmo que sob a forma eufem&iacute;stica de um sonho m&acir    c;ntico &ndash; mitos arcaicos ligado &agrave; uni&atilde;o incestuosa e hierog&acirc;mica com a Deusa-M&atilde;e<a href="#_ftn30" name="_ftnref30" title="">[30]</a>, e em que vemos a rivalidade pol&iacute;tica (entre o Papa Greg&oacute;rio X e Afonso X, nomeadamente) assumir claramente os tra&ccedil;o de uma rivalidade entre modelos m&iacute;ticos em constante tens&atilde;o. Finalmente, &eacute; ainda e sempre a perspetiva dumeziliana da mitologia comparada (<i>Le Probl&egrave;me des centaures</i>,de 1929, citado na p&aacute;gina 157, ou <i>Heurs et malheurs du guerrier. Aspects de la fonction guerri&egrave;re chez les Indoeurop&eacute;ens</i>, de 1970, citado na pagina 159)que orienta, no seu estudo sobre &ldquo;Uma variante peninsular do mito de Melusina: a origem dos Haros no <i>Livro de Linhagens </i>do conde de Barcelos&rdquo;, a sua particularmente h&aacute;bil leitura das tr&ecirc;s narrativas do <i>LL</i> (<i>A independ&ecirc;ncia da Biscaia</i>, a <i>Dama do P&eacute; de Cabra</i> e a <i>Hist&oacute;ria do Cavalo Pardalo</i>) centradas em torno do motivo da fada ao qual voltaremos.</p>     <p>Esta postura metodol&oacute;gica e epistemol&oacute;gica de extrema abertura interdisciplinar perante as fontes conduzem naturalmente Lu&iacute;s Krus a apontar sub-repticiamente para as diversas camadas ou fragmentos m&iacute;ticos que estruturam, em profundidade, a narrativa geneal&oacute;gica. O seu intuito n&atilde;o consiste em analis&aacute;-las pormenorizadamente &ndash; aspetos que poria for&ccedil;osamente em causa a pr&oacute;pria coes&atilde;o e homogeneidade do seu discurso. Mas aponta para preciosos, e em larga medida ainda inexplorados, caminhos para a cr&iacute;tica liter&aacute;ria. No seu conjunto, estas valiosas pistas s&atilde;o decerto &ndash; como ele pr&oacute;prio humildemente dizia no pref&aacute;cio &agrave; colet&acirc;nea de artigos intitulada <i>Passado, mem&oacute;ria e poder na sociedade medieval</i> &ndash; &ldquo;apenas veredas e ilumina&ccedil;&otilde;es pontuais de uma paisagem ainda mal percorrida e desvendada nos seus diversos contornos e elementos constituintes&rdquo; (p. 20). N&atilde;o deixam, no entanto, de revelar perspic&aacute;cia, admir&aacute;vel intui&ccedil;&atilde;o e partilha generosa por parte um esp&iacute;rito intelectualmente fecundo, inquieto e metodologicamente rigoroso embora inconformado. Na sua tese de doutoramento, Lu&iacute;s Krus sugere assim uma interessante analogia entre o destino do Rei Rodrigo (pp. 113-114), que foi &ldquo;perdudo [&hellip;] e nom o acharom mais&rdquo; (<i>LL</i> 3D1, 3C15, 3D3, 3D36, 3E1) e o do rei Artur da Bretanha, morto &agrave; trai&ccedil;&atilde;o por Mordech, filho do pecado secreto (o incesto cometido com a irm&atilde; ou meia-irm&atilde;, segundo as variantes), e transportado para Islavalom, esse Outro-Mundo da mitologia celta governado pelas Fadas do qual n&atilde;o h&aacute; v&ecirc;m not&iacute;cias &ldquo;se &eacute; vivo, se &eacute; morto&rdquo; (<i>LL</i> 2E3). Atrav&eacute;s desta mitema do rei ferido e oculto, o simbolismo arcaico da altern&acirc;ncia c&iacute;clica conflui agora com o sentido escatol&oacute;gico e messi&acirc;nico que as narrativas de linhagem procuram dar &agrave; realeza heroica. Por sua vez, a condena&ccedil;&atilde;o, pelo conte dom Pedro, da morte de Lopo Dias, um dos chefe mais proeminentes da prestigiada linhagem dos Haros, pelo seu soberano, D. Sancho de Castela, em Alfarro, &eacute; sagazmente interpretada por Lu&iacute;s Krus como uma rea&ccedil;&atilde;o &agrave;quilo que configura, no <i>ethos</i> &eacute;pico, uma verdadeira &ldquo;desordem dos tempos&rdquo; (p. 119), uma viola&ccedil;&atilde;o do pacto feudal de solidariedade entre a realeza e os <i>bellatores</i> que introduz uma rutura na sintaxe linhag&iacute;stica representando uma aut&ecirc;ntica agress&atilde;o simb&oacute;lica &agrave; Ordem do Mundo. E &eacute; novamente esta mesma ordem do mundo que volta a estar implicada na sua bel&iacute;ssima an&aacute;lise da Batalha do Salado, nomeadamente no contraste entre a exorta&ccedil;&atilde;o &agrave; vit&oacute;ria dos cavaleiros crist&atilde;os (exemplarmente constru&iacute;da do ponto de vista ret&oacute;rico)<a href="#_ftn31" name="_ftnref31" title="">[31]</a> e o <i>planctus</i> do derrotado rei de Marrocos, figura&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica do Rei Velho cujo nome parece n&atilde;o mais ter lugar na gram&aacute;tica do universo, dando lugar a uma nova gera&ccedil;&atilde;o de her&oacute;is solares: &ldquo;Ai velho, hoje perdiste o teu nome que havia em toda Eiropa, em toda Africa, e em Asia.&rdquo;(<i>LL</i> 21G15). Do outro lado do espelho ideol&oacute;gico e textual, este lamento, que denuncia uma falha profunda na fun&ccedil;&atilde;o soberana, n&atilde;o deixa de relembrar o estranho cansa&ccedil;o que Carlos Magno (figura convenientemente apagada dos <i>LL</i>) manifesta no final da <i>Chanson de Roland</i> quendo &eacute; impelido, pela voz do arcanjo Gabriel, a travar uma nova batalha em prol da Cristandade. Mas n&atilde;o &eacute; este o &uacute;nico ind&iacute;cio intertextual a que as passagens narrativas pertinentemente seleccionadas por Lu&iacute;s Krus nos convidam a explorar. Ainda no epis&oacute;dio do Salado, numa altura em que as for&ccedil;as dos cavaleiros desfalecem nos limiares de uma morte anunciada, eis que surge em todo o seu esplendor por entre o hostil ex&eacute;rcito dos Mouros, um cavaleiro transportando a Vera Cruz:</p>     <p>Ali se mudou a Aventura, que estava de choro e de lagrimas e de gram lastima e amargura a toda a cristaidade, e torn&ocirc;-se em toda ledice e em, todo goivo. (<i>LL</i> 21G15)</p>     <p>Importa salientar que o Santo Lenho, que &ldquo;lan&ccedil;ava de si raios de fogo&rdquo;, &ldquo;esprandecia como o sol&rdquo;, a mil&iacute;cia de Cristo surgindo, aos olhos dos Mouros, sob os tra&ccedil;os de &ldquo;grandes gigantes&rdquo; dos mitos de funda&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn32" name="_ftnref32" title="">[32]</a> que &ldquo;semalhavam diaboos do inferno&rdquo; (<i>LL</i> 21G15). Nesta valoriza&ccedil;&atilde;o hiperb&oacute;lica do guerreiro crist&atilde;o, que passa por uma reiterada e sempre amb&iacute;gua invers&atilde;o da polaridade sem&acirc;ntica das imagens, ecoa novamente o modelo rolandiano, a regenera&ccedil;&atilde;o solar das for&ccedil;as her&oacute;icas assemelhando-se ao milagre do sol que se imobiliza na <i>Chanson de Roland</i> permitindo a vit&oacute;ria dos Crist&atilde;os sobre as hostes do rei Baligant e na qual Jo&euml;l Grisward<a href="#_ftn33" name="_ftnref33" title="">[33]</a> vira a manifesta&ccedil;&atilde;o de um subestrutura m&iacute;tica de contornos claramente c&oacute;smicos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O Mito e o Tempo</b></p>     <p>A sensibilidade liter&aacute;ria de Lu&iacute;s Krus torna-o, de resto, particularmente atento ao mais &iacute;nfimo motivo, entendido n&atilde;o como imagem estereotipa ou cristalizada na e pela tradi&ccedil;&atilde;o, mas como micronarrativa saturada de sentido: aspeto que se destaca nas suas breves, embora extremamente sugestivas, digress&otilde;es sobre o besti&aacute;rio fant&aacute;stico do <i>Livro de Linhagens</i> (a serpente que irrompe no meio do combate entre Artur e Mordech [<i>LL</i>, 2E3], os le&otilde;es e os camelos aos quais s&atilde;o comparados respetivamente os m&aacute;rtires crist&atilde;os da Batalha do Salado e os seus cavalos) ou de alguns objetos maravilhosos, como essa espada empunhada por Gon&ccedil;alo Mendes da Maia (pp. 116-117) e cujos golpes eram t&atilde;o devastadores que &ldquo;nom podiam seer dados por homees&rdquo; (<i>LL</i>, 21G6). Pela sua natureza e estatuto singulares, encarnando a presen&ccedil;a divina na tessitura da pr&oacute;pria linguagem, a Vera Cruz ocupa expectavelmente um lugar de destaque por entre estes objetos com poderes m&aacute;gicos e legitimadores. A este prop&oacute;sito, Lu&iacute;s Krus desenha subtilmente os contornos de duas personagens antit&eacute;ticas, o imperador Constantino e Cosdroe, o rei mago, atrav&eacute;s das quais se vislumbram as diferen&ccedil;as &ndash; ou tens&otilde;es &ndash; entre dois modelos de conhecimento (a ci&ecirc;ncia de origem divina por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia pag&atilde; da nigromancia), dois modelos de representa&ccedil;&atilde;o e duas vis&otilde;es do mundo que d&atilde;o conta, em &uacute;ltima an&aacute;lise, das progressivas muta&ccedil;&otilde;es culturais e epistemol&oacute;gicas que acompanham os &uacute;ltimos s&eacute;culos da Idade M&eacute;dia. Com efeito, nos ant&iacute;podas do reino crist&atilde;o legitimado por Deus, a fonte (<i>LL</i>, 3C20) situa o soberano persa &ndash; cuja presen&ccedil;a &eacute; recorrente na can&ccedil;&atilde;o de gesta francesa, nomeadamente no microciclo narrativo em torno de Vivien, o sobrinho do famoso guerreiro carol&iacute;ngio Guilherme de Orange &ndash; nos confins geogr&aacute;ficos do universo conhecido, ou seja, nos limiares entre dois mundos. Em posse da Vera Cruz, eis que Cosdroe manda construir &ldquo;um c&eacute;u d&rsquo;arame e sol e lua e estrelas, e fazia chover per encantamento&rdquo;. Por detr&aacute;s do fasc&iacute;nio discreto que exercem sobre os autores medievais as maravilhas do Oriente repleto de aut&oacute;matos, exemplarmente analisada por Lu&iacute;s Krus na sua geografia contrastiva do imagin&aacute;rio da Europa, &Aacute;frica e &Aacute;sia no <i>Livro de Linhagens</i> que segue, nesta mat&eacute;ria, o modelo liter&aacute;rio da chamada Mat&eacute;ria Antiga (ou de Roma) inaugurada pela vers&atilde;o anglo-normanda do <i>Romance de Alexandre</i> (pp. 143-170) &ndash; mat&eacute;ria que Lu&iacute;s Krus demonstra conhecer na perfei&ccedil;&atilde;o &ndash;, vislumbra-se aqui toda a diferen&ccedil;a entre o Milagre e o Simulacro, entre a &ldquo;presen&ccedil;a relic&aacute;ria das coisas nas palavras&rdquo; na qual se funda, segundo Howard Bloch<a href="#_ftn34" name="_ftnref34" title="">[34]</a>, a natureza idealmente performativa da linguagem no paradigma &eacute;pico e da qual depende a coes&atilde;o da comunidade textual<a href="#_ftn35" name="_ftnref35" title="">[35]</a> a que se destina, e um maravilho profano, totalmente mecanizado e ineficaz que procura em v&atilde;o dominar os ciclos c&oacute;smicos, entre o tempo da Cria&ccedil;&atilde;o e o tempo do artif&iacute;cio<a href="#_ftn36" name="_ftnref36" title="">[36]</a>. A diferen&ccedil;a abismal, em suma, entre o poder do imagin&aacute;rio simb&oacute;lico que reivindica e no qual se re-conhece a nobreza medieval dos <i>LL</i> e o falso poder demi&uacute;rgico, infinitamente manipul&aacute;vel e instrumentaliz&aacute;vel, mas profundamente ilus&oacute;rio, dos signos.</p>     <p>Esta evolu&ccedil;&atilde;o semiol&oacute;gica, cultural e antropol&oacute;gica est&aacute; de resto, a meu ver, no centro do pensamento de Lu&iacute;s Krus. A come&ccedil;ar pelos seus trabalhos sobre as <i>Inquiri&ccedil;&otilde;es Gerais</i> de Afonso III ao concluir que, &ldquo;em contraste com as origens m&iacute;ticas e intemporais que se atribu&iacute;am &agrave; nobreza, e que fundamentavam, em parte, aos olhos dos camponeses dependentes, o seu real poder, os inquiridores, ao querem saber qual o rei que beneficiou tais fam&iacute;lias, contribuem para uma diminui&ccedil;&atilde;o do seu poder simb&oacute;lico&rdquo;<a href="#_ftn37" name="_ftnref37" title="">[37]</a>. Face a uma mem&oacute;ria constru&iacute;da, enraizada e constantemente legitimada nesse vasto reservat&oacute;rio simb&oacute;lico da tradi&ccedil;&atilde;o m&iacute;tica cuja dimens&atilde;o predominantemente oral &eacute; hoje unanimemente (re)conhecida, emerge assim, atrav&eacute;s das inquiri&ccedil;&otilde;es, o poder centralizador e totalizante de uma cultura urbana alicer&ccedil;ada na escrita, na for&ccedil;a auto-legitimadora da prova documental que lan&ccedil;a progressivamente uma sombra de desconfian&ccedil;a sobre uma transmiss&atilde;o puramente oral<a href="#_ftn38" name="_ftnref38" title="">[38]</a>.</p>     <p>Um outro estudo extremamente revelador a este prop&oacute;sito, no qual Lu&iacute;s Krus volta, de resto, a evidenciar plenamente a sua d&iacute;vida intelectual para com a abordagem antropol&oacute;gica, consiste na sua original an&aacute;lise da prociss&atilde;o dos nus entre o s&eacute;culo XIII e a altura da sua proibi&ccedil;&atilde;o formal no s&eacute;culo XVIII<a href="#_ftn39" name="_ftnref39" title="">[39]</a> atrav&eacute;s da qual p&otilde;e claramente em evid&ecirc;ncia a rela&ccedil;&atilde;o de isomorfismo entre um contexto marcado pela seca, a forme e a peste e a ressurg&ecirc;ncia de um culto arcaico, de natureza agr&aacute;ria, onde a exibi&ccedil;&atilde;o da nudez se liga ao rituais da virilidade e da fecundidade associados frequentemente ao solst&iacute;cio de Inverno. Neste contexto, a sua interdi&ccedil;&atilde;o em 1798 pelo bispo-conde de Coimbra D. Francisco de Lemos Pereira Coutinho, n&atilde;o revela apenas uma muta&ccedil;&atilde;o profunda na sensibilidade social em contexto claramente urbano. Traduz, num espa&ccedil;o-tempo marcado pelo paradigma da raz&atilde;o, do progresso (p. 148) e da l&oacute;gica discursiva, um profundo distanciamento face &agrave; mem&oacute;ria e ao sentido primitivos de um mito &ndash; agora obscuro e ileg&iacute;vel &ndash; no qual se inscrevia a inextric&aacute;vel alian&ccedil;a entre os ciclos da natureza e a vida social.</p>     <p>A tens&atilde;o ou rivalidade entre imagin&aacute;rio m&iacute;tico-simb&oacute;lico e ideologia do signo que promovem conce&ccedil;&otilde;es distintas do mundo e do poder, inscreve-se finalmente no centro das reflex&otilde;es de Lu&iacute;s Krus sobre a origem m&iacute;tica dos Haros no <i>Livro de Linhagens</i> do conde de Barcelos, o estudo, a meu ver, o mais representativo da sua extrema abertura epistemol&oacute;gica. Na sua minuciosa e audaz explora&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s narrativas que configuram, a montante como a jusante da tradi&ccedil;&atilde;o textual, o mito melusiniano da Dama do P&eacute; de Cabra reivindica simultaneamente os contributos da historiografia nas suas diversas correntes, sensibilidades e op&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas (Jos&eacute; Mattoso, Jacques Le Goff, Emmanuel Ladurie, Georges Duby), da etnografia espanhola (Julio Caro Baroja, Jos&eacute; Miguel de Barandiar&aacute;n), da mitologia comparada (Georges Dum&eacute;zil, Claude Lecouteux), dos estudos liter&aacute;rios (Mart&iacute;n de Riquer, Menendez-Pidal, Carlos Alvar e os trabalhos de Laurence Harf-Lancner sobre as fadas na Idade M&eacute;dia) e dos estudos sobre o imagin&aacute;rio (Gilbert Durand) para tentar trazer alguma luz sobre os meandros de uma lenda particularmente rica e complexa do ponto de vista simb&oacute;lico, explicar as raz&otilde;es que presidiram &agrave; sua inscri&ccedil;&atilde;o num contexto textual e ideol&oacute;gico preciso, e compreender os motivos que levaram &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o e ao desaparecimento da figura da fada em vers&otilde;es mais tardias (s&eacute;culo XV). De forma inovadora para a &eacute;poca (as primeiras vers&otilde;es do artigo datam de 1985), pelo menos entre n&oacute;s, Lu&iacute;s Krus procede assim a uma verdadeira antropologia hist&oacute;rica do maravilhoso<a href="#_ftn40" name="_ftnref40" title="">[40]</a> atrav&eacute;s de uma metodologia muito pr&oacute;xima da que &eacute; seguida pela mitocr&iacute;tica. Destaque-se, por exemplo e sem entrar em todos os pormenores, a an&aacute;lise do vasto complexo simb&oacute;lico ligado a ritos sacrificiais (o tributo da vaca, do boi e do cavalo brancos na narrativa da <i>Independ&ecirc;ncia da Biscaia</i>; a funda&ccedil;&atilde;o da linhagem associada &agrave; fecunda&ccedil;&atilde;o da terra pelo sangue; o ritual propiciat&oacute;rio da refei&ccedil;&atilde;o noturna em honra das fadas); a dial&eacute;tica entre o interdito e sua transgress&atilde;o em torno da qual se organiza o mito melusiniano e onde a Dama do P&eacute; de Cabra, figura emblem&aacute;tica ligada &agrave; fecundidade, &eacute; providencialmente encontrada na sequ&ecirc;ncia de persegui&ccedil;&atilde;o inici&aacute;tica a um animal psicopompo que prefigura, em in&uacute;meras narrativas de fundo indo-europeu, o acesso &agrave; soberania (o javali)<a href="#_ftn41" name="_ftnref41" title="">[41]</a>; o culto cavalar que estrutura a narrativa do <i>Cavalo Pardalo</i> associada aos ritos da &ldquo;Deusa-M&atilde;e pr&eacute;-hist&oacute;rica, com a qual os reis celtas se acasalavam uma vez por ano em troca de prosperidade para o seu povo&rdquo;<a href="#_ftn42" name="_ftnref42" title="">[42]</a> e &agrave; mitologia do ferro que Luis Krus relaciona, na esteira de Georges Dum&eacute;zil e Gilbert Durand<a href="#_ftn43" name="_ftnref43" title="">[43]</a>, com a fun&ccedil;&atilde;o guerreira, mas que estudos recentes<a href="#_ftn44" name="_ftnref44" title="">[44]</a> ligam primordialmente a ritos nupciais e, por conseguinte, &agrave; terceira fun&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Ao comparar a vers&atilde;o da genealogia dos Haros recolhida pelo conde de Barcelos &ndash; vers&atilde;o na qual ainda se refletem, nomeadamente atrav&eacute;s das anamorfoses da fada, as influ&ecirc;ncias da mat&eacute;ria da Bretanha cultivada na corte de Henrique II Plantageneta e Eleonor da Aquit&acirc;nia &ndash; com a vers&atilde;o consagrada na <i>Cr&oacute;nica de Vizcaya</i> de Lope Garc&iacute;a de Salazar (1454), Lu&iacute;s Krus d&aacute; ainda conta de v&aacute;rios fen&oacute;menos importantes. Em primeiro lugar, uma tend&ecirc;ncia &agrave; domestica&ccedil;&atilde;o do mundo fe&eacute;rico, as narrativas tendendo, com o passar dos anos, a exorcizar o que de amea&ccedil;ador (porque tornadas parcialmente inintelig&iacute;vel) tinham essas figuras evocando divindades silvestres e aqu&aacute;ticas primitivas, &iacute;ncubos e s&uacute;cubos, comportavam para os letrados de trezentos. Na vers&atilde;o transmitida por Garc&iacute;a de Salazar, a fada desaparece, pura e simplesmente, do horizonte da narrativa, sendo substitu&iacute;da por uma in&oacute;cua e estereotipada princesa de Gales que troca confortavelmente a floresta pelo solar. A duas vers&otilde;es representam assim, segundo a bela express&atilde;o de Lu&iacute;s Krus, &ldquo;dois cap&iacute;tulos de uma gram&aacute;tica do poder&rdquo; (p. 162) no centro da qual o mito, a sua apropria&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o, desempenha sempre um papel crucial.</p>     <p>Em segundo lugar, demonstra &ndash; e este &eacute; um aspeto metodologicamente relevante &ndash; que a rela&ccedil;&atilde;o entre o Mito e discurso do poder n&atilde;o conta necessariamente a hist&oacute;ria de uma rela&ccedil;&atilde;o un&iacute;voca e pac&iacute;fica de apropria&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica do material mitol&oacute;gico ou lend&aacute;rio. A associa&ccedil;&atilde;o entre Brutus e &Eacute;dipo, a assimila&ccedil;&atilde;o do bret&atilde;o Balduc, <i>o Voador</i>, a &Iacute;caro (<i>LL</i>, 2C9), bem como os excessos e a desmesura apontados a figura tais como Membriz ou Morpidus, passando pelos j&aacute; referidos pecados segredos do rei Artur, mostravam claramente que, por oposi&ccedil;&atilde;o ao hipervalorizado modelo &eacute;pico, o modelo romanesco funciona simultaneamente como a matriz positiva (&eacute; a partir dela, constata Lu&iacute;s Krus na sua tese de doutoramento, que o <i>Livro de Linhagens</i> desenha a geografia europeia, nomeadamente<a href="#_ftn45" name="_ftnref45" title="">[45]</a>) e negativa, a Mat&eacute;ria de Roma e o romance de cavalaria espelhando, de certo modo, a imagem de uma realeza franca (os Plantageneta) que &ldquo;constitu&iacute;a para a narrativa a grande for&ccedil;a pol&iacute;tica interessada na quebra da unidade hisp&acirc;nica&rdquo; (p. 170); um espelho perante a narrativa do conde Barcelos e dos seus refundidores tinha, por conseguinte, de manter alguma dist&acirc;ncia cr&iacute;tica e protetora. Da mesma forma, verificamos que tanto a vers&atilde;o da lenda da Dama do P&eacute; de Cabra transmitida pelo nobili&aacute;rio, como a narrativa que explica, na mesma fonte, as origens m&iacute;ticas dos condes de Trast&acirc;mara atrav&eacute;s da figura de D. Fro&atilde;o que casara com uma <i>molher marinha</i><a href="#_ftn46" name="_ftnref46" title="">[46]</a>,ou as vers&otilde;es francesas transmitidas por Jean d&rsquo;Arras (<i>Le Roman de M&eacute;lusine</i>, <i>circa</i> 1393) e Coudrette (in&iacute;cios do s&eacute;culo XV), exibem uma constante tens&atilde;o entre o mundo fe&eacute;rico e o mundo do her&oacute;i, entre o tempo do mito e o tempo da narrativa, a ordem social e a ordem c&oacute;smica, cujo equil&iacute;brio depende sempre de ced&ecirc;ncias m&uacute;tuas e de uma delicada e fr&aacute;gil gest&atilde;o dos limites.</p>     <p>Em terceiro e &uacute;ltimo lugar, a forma como Lu&iacute;s Krus aborda a quest&atilde;o do <i>imagin&aacute;rio</i> (um conceito operativo que, na esteira de G. Durand e de G. Duby<a href="#_ftn47" name="_ftnref47" title="">[47]</a>, n&atilde;o repudia utilizar para designar esse espesso filtro imag&eacute;tico e cultural que preside aos fen&oacute;menos de representa&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn48" name="_ftnref48" title="">[48]</a>) reveste-se de uma particular import&acirc;ncia para o estudo dos mitos. Com efeito, embora reconhe&ccedil;a a exist&ecirc;ncia de um &ldquo;<i>illo tempore</i> m&iacute;tico&rdquo;<a href="#_ftn49" name="_ftnref49" title="">[49]</a>, ou seja, a pregn&acirc;ncia de mitemas que se transmitem, com poucas varia&ccedil;&otilde;es, ao longo da tradi&ccedil;&atilde;o, o principal contributo de Lu&iacute;s Krus (que deveria ser tamb&eacute;m, de resto, o principal objetivo de uma an&aacute;lise mitocr&iacute;tica rigorosa) reside em mostrar que o mito, enquanto forma narrativa que encarna no tempo, &eacute;, antes de mais, um &ldquo;molde ficcional [&hellip;] historiciz&aacute;vel&rdquo;<a href="#_ftn50" name="_ftnref50" title="">[50]</a> cujo sentido depende de um contexto de inscri&ccedil;&atilde;o. Para se tornar verdadeiramente narrativa identit&aacute;ria eficaz suscet&iacute;vel de construir, mesmo que ficcionalmente, a mem&oacute;ria de uma determinada comunidade textual, o mito tem de insinuar-se como lugar de conflu&ecirc;ncia privilegiado &ndash; sen&atilde;o &uacute;nico &ndash; entre o real (a inscri&ccedil;&atilde;o de nomes pr&oacute;prios ou topon&iacute;micos concretos numa sintaxe temporal e vivencial), o imagin&aacute;rio e a linguagem. Assim se desenha uma &ldquo;geografia imperfeita&rdquo;<a href="#_ftn51" name="_ftnref51" title="">[51]</a> em que a constru&ccedil;&atilde;o territorial e social do poder assenta igualmente numa transformadora po&eacute;tica da linhagem. Da&iacute; a constante aten&ccedil;&atilde;o de Lu&iacute;s Krus aos mais &iacute;nfimos pormenores lexicais atrav&eacute;s dos quais se mede, por exemplo, a dist&acirc;ncia que separa uma identidade coletiva idealizada da imagem negativizada do Outro: veja-se, explica Lu&iacute;s Krus na sua tese de doutoramento, a radical diferen&ccedil;a entre a terminologia que caracteriza a entrada violenta, usurpadora e destruidora dos romanos na pen&iacute;nsula, face ao l&eacute;xico que descreve a presen&ccedil;a dos godos (&ldquo;entrar&rdquo;, &ldquo;andar&rdquo;, &ldquo;estar&rdquo;) como se estes fossem parte integrante do territ&oacute;rio hisp&acirc;nico. Neste sentido, se o mito &eacute; um imenso reservat&oacute;rio de sentido, um significante do desejo ou uma forma simples, na terminologia de Andr&eacute; Jolles<a href="#_ftn52" name="_ftnref52" title="">[52]</a>, sempre dispon&iacute;vel, este sentido s&oacute; &eacute; libertado e s&oacute; se torna verdadeiramente intelig&iacute;vel quando &eacute; reinvestido, com finalidades identit&aacute;rias ou pol&iacute;ticos concretas, por sujeitos igualmente concretos, num determinado momento hist&oacute;rico, ideol&oacute;gico e cultural. S&oacute; assim se evitam generaliza&ccedil;&otilde;es metodologicamente duvidosas ou olhares redutores igualmente duvidosos. S&oacute; assim se pode compreender, por outro lado, por que raz&atilde;o um narrativa m&iacute;tica &eacute; reivindicada por um autor ou uma comunidade social e rejeitado por outra e, por outro lado, por que motivo um dado mito ressurge num determinado contexto temporal e geogr&aacute;fico para desaparecer num contexto diferente que vir&aacute; a exumar outras matrizes ficcionais consideradas, consciente ou inconscientemente, como mais aptas a traduzir os seus anseios, sonhos ou aspira&ccedil;&otilde;es. S&oacute; assim se explica finalmente a l&oacute;gica secreta que leva autores, compiladores ou refundidores da Idade M&eacute;dia a reunirem, numa mesma narrativa, fragmentos m&iacute;ticos d&iacute;spares e oriundos de tradi&ccedil;&otilde;es distintas em detrimento de outros num complexo jogo po&eacute;tico, simb&oacute;lico e ideol&oacute;gico tecido de op&ccedil;&otilde;es mais ou menos secretas ou discretas, de sil&ecirc;ncios c&uacute;mplices e de rivalidades latentes, de lacunas, hiatos e rasuras sobre os quais apenas nos &eacute; permitido formular conjeturas. Uma coisa &eacute;, no entanto, certa: nos aventurosos e incertos caminhos que ligam a voz do mito &agrave; li&ccedil;&atilde;o do texto, Lu&iacute;s Krus soube desbravar fronteiras, sugerir sentidos, inspirar leituras e iluminar veredas que, na conflu&ecirc;ncia de v&aacute;rios saberes e metodologias, muito t&ecirc;m ainda por explorar e desvendar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Fontes impressas</b></p>     <p>AGOSTINHO DE HIPONA &ndash; <i>Confiss&otilde;es</i>. Ed. bilingue (Latim/Portugu&ecirc;s) Arnaldo do Esp&iacute;rito Santo; Jo&atilde;o Beato; Maria Cristina de Castro-Maia de Sousa Pimentel e introdu&ccedil;&atilde;o de Manuel Barbosa da Costa Freitas. Lisboa: INCM, 2000.</p>     <p>ISIDORO DE SEVILHA &ndash; <i>Etimologias</i>. 2 vols. Ed. bilingue (Latim/Espanhol) J. Oroz Reta; M. A. Marcos Casquero. Madrid: BAC, 1982.</p>     <p>JACQUES DE VITRY &ndash; <i>Histoire de l&rsquo;Occident </i>(<i>Historia occidentalis)</i>. Trad. Francesa de G. Duchet-Suchaux, com introdu&ccedil;&atilde;o e notas de J. Long&egrave;re. Paris: les &Eacute;ditions du Cerf, 1997.</p>     <!-- ref --><p><i>LIVRO DE LINHAGENS DO CONDE D. PEDRO</i>. Ed.cr&iacute;tica J. Mattoso. <i>Portugaliae Monumenta Historica</i>. Nova S&eacute;rie, vol. II/1. Lisboa: Academia de Ci&ecirc;ncias de Lisboa, 1980.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1491009&pid=S1646-740X201700020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><b>Estudos</b></p>     <p>BAUMGARTNER, E. &ndash; &ldquo;Le temps des automates&rdquo;. in <i>Le Nombre du temps. En Hommage &agrave; Paul Zumthor</i>. Paris: Champion, 1988, pp. 15-21.</p>     <p>BAUMGARTNER, E.; HARF-LANCNER, L. (dir.) &ndash; <i>Entre fiction et histoire: Troie et Rome au Moyen &Acirc;ge</i>. Paris: Presses de la Sorbonne Nouvelle, 1997.</p>     <p>BOUTET, D. &ndash; &ldquo;Mythe, litt&eacute;rature et soci&eacute;t&eacute;&rdquo;. in HARF-LANCNER, L.; BOUTET, D. (dir.) &ndash; <i>Pour une mythologie du Moyen &Acirc;ge</i>. Paris: &Eacute;cole normale sup&eacute;rieure des jeunes filles, 1988, pp. 89-97.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ndash; <i>La Chanson de geste. Forme et signification d&rsquo;une &eacute;criture &eacute;pique au Moyen &Acirc;ge</i>. Paris: PUF, 1993.</p>     <!-- ref --><p>&ndash; <i>Formes litt&eacute;raires et conscience historique. Aux origines de la litt&eacute;rature fran&ccedil;aise 1100-1250.</i> Paris: PUF, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1491016&pid=S1646-740X201700020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&ndash; ; STRUBEL, A. &ndash; <i>Litt&eacute;rature, politique et soci&eacute;t&eacute; dans la France du Moyen &Acirc;ge.</i> Paris: PUF, 1979.</p>     <p>BOYER, R. &ndash; &ldquo;Petite mythologie, qu&rsquo;est &agrave; dire?&rdquo;. in BAYARD, F.; GUILLAUME, A. (dir.) &ndash; <i>Formes et difformit&eacute;s m&eacute;di&eacute;vales. Hommage &agrave; Claude Lecouteux</i>. Paris: PUPS, 2010, pp. 63-74.</p>     <p>BLOCH, H. &ndash; <i>Etymologie et g&eacute;n&eacute;alogie: une anthropologie litt&eacute;raire du Moyen &Acirc;ge fran&ccedil;ais</i>. Paris: Seuil, 1989.</p>     <p>CROIZY-NAQUET, C. &ndash; <i>Th&egrave;bes, Troie et Carthage. Po&eacute;tique de la ville dans le roman antique au XIIe si&egrave;cle.</i> Paris: Honor&eacute; Champion, 1994.</p>     <p>DACOSTA, A. &ndash; &ldquo;Geograf&iacute;as imperfectas: linaje y poder en la obra de Lu&iacute;s Krus&rdquo;. <i>Medievalista </i>[Em linha] 20 (Julho&ndash;Dezembro 2016). [Consultado a 27 de abril de 2017]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA20/dacosta2002.html" target="_blank">www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA20/dacosta2002.html</a>. ISSN 1646-740X</p>     <p>DAM&Aacute;SIO, A. &ndash; <i>O sentimento de si. O corpo, a emo&ccedil;&atilde;o e a neurobiologia da consci&ecirc;ncia</i>. Lisboa: Europa-Am&eacute;rica, 2000.</p>     <p>DUMEZIL, G. &ndash; <i>L&rsquo;Id&eacute;ologie tripartite des Indo-Europ&eacute;ens</i>. Latomus, 1958.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>&ndash; <i>Mythe et &eacute;pop&eacute;e</i>. Paris: Gallimard, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1491025&pid=S1646-740X201700020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>DURAND, G. &ndash; <i>L</i><i>es Structures anthopologiques de l&rsquo;imaginaire</i>. Paris: Dunot, 1992.</p>     <p>GAUCHER, E. &ndash; &ldquo;Historiographie&rdquo;. in VALETTE, J.-R. (dir.) &ndash; <i>Perspectives m&eacute;di&eacute;vales. Trente ans de recherches en langues et en litt&eacute;ratures m&eacute;di&eacute;vales</i>. Paris: Soci&eacute;t&eacute; de Langues et de Litt&eacute;ratures M&eacute;di&eacute;vales d'Oc et d'O&iuml;l, 2005, pp. 191-211.</p>     <p>GON&Ccedil;ALVES, O. &ndash; <i>Viver narrativamente. A psicologia como adjectiva&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia</i>. Coimbra: Quarteto, 2000.</p>     <p>GRISWARD, J. &ndash; <i>Arch&eacute;ologie de l&rsquo;&eacute;pop&eacute;e m&eacute;di&eacute;vale</i>. Paris: Payot, 1981.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Le &quot;soleil arr&ecirc;t&eacute;&quot; de la <i>Chanson de Roland</i>&nbsp;et le &quot;soleil trestorn&eacute;&quot; de <i>Hervis de Mes</i> (Histoires de Soleils II)&rdquo;. in GUILLOT, C.; HEIDEN, S.; PR&Eacute;VOST, S. (dir.) &ndash;<i> &Agrave; la qu&ecirc;te du sens. &Eacute;tudes litt&eacute;raires, historiques et linguistiques en hommage &agrave; Christiane Marchello-Nizia</i>. Lyon: ENS &Eacute;ditions (Langages), 2006, pp. 303-312.</p>     <p>GUYENOT, L. &ndash; <i>La Mort f&eacute;&eacute;rique. Anthropologie du merveilleux &ndash; XIIe-XVe si&egrave;cle</i>. Paris: NRF-Gallimard, 2011.</p>     <p>JOLLES, A. &ndash; <i>Formes simples</i>. Paris: Seuil, 1972.</p>     <p>K&Ouml;HLER, E. &ndash; <i>L'Aventure chevaleresque. Id&eacute;al et r&eacute;alit&eacute; dans le roman courtois. &Eacute;tudes sur la forme des plus anciens po&egrave;mes d'Arthur et du Graal</i>. Paris: NRF-Gallimard, 1974.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KRUS, L. &ndash; &ldquo;A cidade no imagin&aacute;rio medieval&rdquo;. <i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, Suplemento Hist&oacute;ria, Lisboa, 29 de Mar&ccedil;o de 1983.</p>     <!-- ref --><p>&ndash; <i>A </i><i>concep&ccedil;&atilde;o nobili&aacute;rquica do espa&ccedil;o ib&eacute;rico. Geografia dos Livros de Linhagens portugueses (1280-1380)</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1491036&pid=S1646-740X201700020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&ndash; &ldquo;O imagin&aacute;rio portugu&ecirc;s e os medos do mar&rdquo;. in NOVAES, Adauto (org.) &ndash; <i>A descoberta do homem e do mundo</i>, S&atilde;o Paulo, Minist&eacute;rio da Cultura &ndash; Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Arte &ndash; Companhia das Letras, 1998, pp. 95-105.</p>     <!-- ref --><p>&ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o do passado medieval. Textos in&eacute;ditos e publicados.</i> Lisboa: INCM, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1491039&pid=S1646-740X201700020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Le Goff, J. &ndash; <i>Les Trois ordres ou l'imaginaire du f&eacute;odalisme.</i> Paris: Gallimard, 1978.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Babylone ou J&eacute;rusalem: la ville dans l'imaginaire collectif au Moyen &Acirc;ge&rdquo;. <i>Critique</i> 373-374 (1978), pp. 554-559.</p>     <p>LEGROS, H. &ndash; &ldquo;Connaissance, R&eacute;ception et perceptions des automates orientaux au XIIe si&egrave;cle&rdquo;. in CHAND&Egrave;S, G. (dir.) &ndash; <i>Le Merveilleux et la magie dans la litt&eacute;rature.</i> Amsterdam/Atlanta: 1992, pp. 103-136.</p>     <p>MATTOSO, Jos&eacute; &ndash; &ldquo;Pref&aacute;cio&rdquo;. in KRUS, L. &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o do passado medieval. Textos in&eacute;ditos e publicados.</i> Lisboa: INCM, 2011.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MERETOJA, F. &ndash; &ldquo;Narrative and Human Experience: Ontology, Epistemology, and Ethics&rdquo;. <i>New Literary Review</i> 45, 1 (2014), pp. 89-109.</p>     <p>Ric&oelig;ur, P. &ndash; <i>Temps et r&eacute;cit I. </i>Paris: Seuil, 1983.</p>     <!-- ref --><p>&ndash; <i>Soi-m&ecirc;me comme un Autre</i>. Paris: Seuil, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1491047&pid=S1646-740X201700020000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>STOCK, B. &ndash; <i>The Implications of Literacy. Written Language and Models of Interpretation in the Eleventh and Twelfth Centuries</i>. Princeton: Princeton University, 1983.</p>     <p>TOURNIER, M. &ndash; <i>Le Vent paraclet. </i>Paris: Folio, 1978.</p>     <p>VASCONCELOS E SOUSA, B.; BECEIRO PITA, I. &ndash; &ldquo;Lu&iacute;s Krus (1954-2005). In Memoriam&rdquo;. <i>Hispania. Revista Espa&ntilde;ola de Historia</i> [Em linha] 222, vol. 66 (janeiro&ndash;abril de 2006), pp. 321-324 [Consultado a 27 de abril de 2017]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://hispania.revistas.csic.es/index.php/hispania/article/view/10/10" target="_blank">http://hispania.revistas.csic.es/index.php/hispania/article/view/10/10</a>. ISSN: 0018-2141.</p>     <p>VINCENSINI, J.-J. &ndash; &ldquo;M&eacute;di&eacute;vistique et anthopologie&rdquo;. in VALETTE, J.-R. (dir.) &ndash; <i>Perspectives m&eacute;di&eacute;vales. Trente ans de recherches en langues et en litt&eacute;ratures m&eacute;di&eacute;vales</i>. Paris: Soci&eacute;t&eacute; de Langues et de Litt&eacute;ratures M&eacute;di&eacute;vales d'Oc et d'O&iuml;l, 2005, pp. 447-467.</p>     <p>WALTER, Ph. &ndash; <i>Naissances de la litt&eacute;rature fran&ccedil;aise: IXe-XVe si&egrave;cle: anthologie</i>. Grenoble: ELLUG, 1998.</p>     <p>&ndash; (dir.) &ndash; <i>Mythologies du porc</i> (Actes du colloque de Saint-Antoine l'Abbaye, Is&egrave;re, 4-5 avril 1998). Grenoble: &Eacute;ditions J&eacute;r&ocirc;me Million, 1999.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>&ndash; <i>Gauvain, le chevalier solaire. </i>Paris: Imago, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1491055&pid=S1646-740X201700020000800043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&ndash; &ldquo;Le pied de la lettre et les pieds de l&rsquo;incube: sur une le&ccedil;on du manuscrit de Bonn&rdquo;. in GODINHO, H.; ALPALH&Atilde;O, M.; CARRETO, C.; BARROS DIAS, I. (dir.) &ndash; <i>Da Letra ao Imagin&aacute;rio. Homenagem &agrave; Professora Irene Freire Nunes</i>. Lisboa: FCSH/CEIL, 2013, pp. 39-54.</p>     <p>WHITE, H. &ndash; &ldquo;The Value of Narrativity in the Representation of Reality&rdquo;. <i>Critical Inquery</i> 7, 1 (1980), pp. 5-27.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><strong>COMO CITAR ESTE ARTIGO</strong></b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>CARRETO, Carlos F. Clamote &ndash; &ldquo;Ali se mudou a aventura&hellip; O imagin&aacute;rio m&iacute;tico no pensamento de Lu&iacute;s Krus&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm; 22 (Julho &ndash; Dezembro 2017). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA22/carreto2208.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA22/carreto2208.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 24 de Janeiro de 2017</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Data aceita&ccedil;&atilde;o do artigo: 11 de Maio de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a> WHITE, Hayden &ndash; &ldquo;The Value of Narrativity in the Representation of Reality&rdquo;. <i>Critical Inquiry</i> 7, 1 (1980), pp. 8-9.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a> <i>LIVRO DE LINHAGENS DO CONDE D. PEDRO</i> &ndash; Ed.cr&iacute;tica J. Mattoso. <i>Portugaliae Monumenta Historica</i>. Nova S&eacute;rie, vol. II/1. Lisboa: Academia de Ci&ecirc;ncias de Lisboa, 1980, 21G15, daqui em diante indicado como <i>LL</i>.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a> Os artigos referidos est&atilde;o compilados em KRUS, L. &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o do passado medieval. Textos in&eacute;ditos e publicados</i>. Lisboa: IEM, 2011.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a> Reportamo-nos &agrave; vers&atilde;o editada em 1994 pela Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian na colec&ccedil;&atilde;o &ldquo;Textos Universit&aacute;rios de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas&rdquo; infelizmente esgotada: <i>A concep&ccedil;&atilde;o nobili&aacute;rquica do espa&ccedil;o ib&eacute;rico. Geografia dos livros de linhagens portugueses (1280-1380)</i>.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a> Esta centralidade do mito, associada a uma reflex&atilde;o singular e globalizante sobre a ideologia do poder na Idade M&eacute;dia, &eacute; receonhecida e destacada por Bernardo Vasconcelos e Sousa e Isabel Beceiro Pita na sua homenagem conjunta a L. Krus: &ldquo;Lu&iacute;s Krus (1954-2005). In Memoriam&rdquo;. <i>Hispania. Revista Espa&ntilde;ola de Historia</i> [Em linha] 222, vol. 66 (janeiro&ndash;abril de 2006), pp. 321-324 [Consultado a 27 de abril de 2017]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://hispania.revistas.csic.es/index.php/hispania/article/view/10/10" target="_blank">http://hispania.revistas.csic.es/index.php/hispania/article/view/10/10</a>. ISSN: 0018-2141. As reflex&otilde;es desenvolvidas neste artigo aprofundam as observa&ccedil;&otilde;es apresentadas no Col&oacute;quio <i>Poder, mitos e mem&oacute;rias na sociedade medieval: contributos de Lu&iacute;s Krus</i> (Torre do Tombo/Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas/NOVA, 1-2 de outubro de 2015).</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a> Esta conce&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica do mito como necessidade inerente &agrave; experi&ecirc;ncia humana est&aacute; patente tanto em Nietzsche (<i>O nascimento da trag&eacute;dia</i>) como em autores como Michel Tournier (<i>Le Vent paraclet</i>. Paris: Folio, 1978, pp. 183-184), Paul Ric&oelig;ur, Charles Taylor ou Alasdair MacIntire, entre outros.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a> Esta abordagem profana do mito enquanto estrutura din&acirc;mica &eacute; partilhada &ndash; embora com pressupostos te&oacute;ricos e epistemol&oacute;gicos muito distintos &ndash; tanto por Ric&oelig;ur atrav&eacute;s da sua interpreta&ccedil;&atilde;o do conceito de <i>mimese </i>em Arist&oacute;teles (ver <i>Temps et </i>r&eacute;cit <i>I</i>, por exemplo) como por Gilbert Durand (<i>Les Structures anthropologiques de l&rsquo;imaginaire</i>. Paris: Dunot, 1992, p. 64) e muito dos seus disc&iacute;pulos nos dom&iacute;nios dos estudos sobre o imagin&aacute;rio (J. J. Wunenburger, Ph. Walter, J. Thomas, H. Godinho, etc.).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a> RICOEUR, P. &ndash; <i>Temps et r&eacute;cit I. </i>Paris: Seuil, 1983; RICOEUR, P. &ndash; <i>Soi-m&ecirc;me comme un Autre</i>. Paris: Seuil, 1996.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a> GON&Ccedil;ALVES, &Oacute;scar &ndash; <i>Viver narrativamente. A psicologia como adjectiva&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia.</i> Coimbra: Quarteto, 2000.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">[10]</a> No seu mais recente ensaio, Ant&oacute;nio Dam&aacute;sio aponta para a import&acirc;ncia da din&acirc;mica narrativa na constru&ccedil;&atilde;o das mem&oacute;rias e na constitui&ccedil;&atilde;o dos mapas cerebrais que organizam a nossa experi&ecirc;ncia, falando ainda de uma &ldquo;aut&ecirc;ntica obsess&atilde;o&rdquo; do c&eacute;rebro em contar hist&oacute;rias (DAM&Aacute;SIO, A. &ndash; <i>O sentimento de si. O corpo, a emo&ccedil;&atilde;o e a neurobiologia da consci&ecirc;ncia</i>. Lisboa: Europa-Am&eacute;rica, 2000, p. 221).</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">[11]</a> Ver o recente artigo da investigadora finlandesa MERETOJA, Fianna &ndash; &ldquo;Narrative and Human Experience: Ontology, Epistemology, and Ethics&rdquo;. <i>New Literary Review</i> 45, 1 (2014) pp. 89-109.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">[12]</a> A este prop&oacute;sito, ver as pertinentes reflex&otilde;es de BOYER, R&eacute;gis &ndash; &ldquo;Petite mythologie: qu&rsquo;est-ce &agrave; dire&rdquo;, in BAYARD, F.; GUILLAUME, A. (dir.) &ndash; <i>Formes et difformit&eacute;s m&eacute;di&eacute;vales</i>. <i>Hommage &agrave; Claude Lecouteux</i>. Paris: PUPS, 2010, pp. 63-74.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">[13]</a> Vol. 7, 1, pp. 5-27.</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">[14]</a> BLOCH, H. &ndash; <i>Etymologie et g&eacute;n&eacute;alogie: une anthropologie litt&eacute;raire du Moyen &Acirc;ge fran&ccedil;ais</i>. Paris: Seuil, 1989 (a edi&ccedil;&atilde;o americana data de 1983).</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">[15]</a> Como sublinha Jean-Jacques Vincensini (&ldquo;M&eacute;di&eacute;vistique et anthopologie&rdquo;. in VALETTE, J.-R. (dir.) &ndash; <i>Perspectives m&eacute;di&eacute;vales. Trente ans de recherches en langues et en litt&eacute;ratures m&eacute;di&eacute;vales</i>. Paris: Soci&eacute;t&eacute; de Langues et de Litt&eacute;ratures M&eacute;di&eacute;vales d'Oc et d'O&iuml;l, 2005, pp. 447-467), o s&eacute;culo XXI, por raz&otilde;es hist&oacute;ricas e culturais, convida-nos cada vez mais a reconhecermos a import&acirc;ncia de uma abordagem verdadeiramente antropol&oacute;gica para perscrutarmos e melhor compreendermos a alteridade constitutiva do per&iacute;odo medieval. Entre n&oacute;s, os estudos de L. Krus constituem certamente um marco determinante mo aprofundamento deste necess&aacute;rio e fecundo estreitamento de rela&ccedil;&otilde;es entre Hist&oacute;ria, Literatura e Antropologia.</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">[16]</a> &ldquo;D&eacute;sormais, [l&rsquo;historiographie] doit &ecirc;tre envisag&eacute;e non seulement dans son contenu mais comme le miroir des mentalit&eacute;s, refl&eacute;tant l&rsquo;homme en repr&eacute;sentation, pris dans les contradictions de son Moi et de son si&egrave;cle. Les recherches men&eacute;es [&hellip;] peuvent donc se r&eacute;partir en deux grands axes. Les uns ont privil&eacute;gi&eacute; l&rsquo;examen des formes qu&rsquo;adopte l&rsquo;historiographie pour s&rsquo;adapter aux diff&eacute;rents modes de pens&eacute;e. Les autres ont consid&eacute;r&eacute; les textes comme un syst&egrave;me herm&eacute;neutique qui touche &agrave; la fois des questions philosophiques, anthropologiques et id&eacute;ologiques&rdquo; (GAUCHER, E. &ndash; &ldquo;Historiographie&rdquo;. in VALETTE, J.-R. (dir.) &ndash; <i>Perspectives m&eacute;di&eacute;vales. Trente ans de recherches en langues et en litt&eacute;ratures m&eacute;di&eacute;vales</i>. Paris: Soci&eacute;t&eacute; de Langues et de Litt&eacute;ratures M&eacute;di&eacute;vales d'Oc et d'O&iuml;l, 2005, pp. 191-211, p. 191). Pela sua abrang&ecirc;ncia e abertura, o pensamento de L. Krus situar-se-ia certamente neste segundo eixo da investiga&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica.</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">[17]</a> MATTOSO, Jos&eacute; &ndash; &ldquo;Pref&aacute;cio&rdquo;. in KRUS, L. &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o do passado medieval</i>, p. 13.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">[18]</a> Transforma&ccedil;&atilde;o que se manifesta exemplarmente na passagem do verso &agrave; prosa nas fic&ccedil;&otilde;es em torno do Graal a partir do s&eacute;culo XIII.</p>     <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">[19]</a> Pela sua natureza cronogr&aacute;fica, e n&atilde;o s&oacute;, vislumbra-se no <i>Livro de Linhagens </i>uma conce&ccedil;&atilde;o agostiniana do tempo e da representa&ccedil;&atilde;o onde a narrativa como <i>textum</i> a decifrar volta a assumir um papel central. Recordemos, com efeito, que na sua leitura do mito genes&iacute;aco, Santo Agostinho joga constantemente com a homon&iacute;mia que une as vestes que cobrem o corpo do casal primordial e o pergaminho das Sagradas Escrituras, ambos designados pelo voc&aacute;bulo <i>pellis</i>; pele essa que simultaneamente nos afasta da plena Presen&ccedil;a de Deus e que dela nos aproxima atrav&eacute;s da exegese das <i>syllabas temporum</i> da linguagem humana (AGOSTINHO DE HIPONA &ndash;<i> Confiss&otilde;es</i>. Ed. bilingue (Latim/Portugu&ecirc;s) Arnaldo do Esp&iacute;rito Santo; Jo&atilde;o Beato; Maria Cristina de Castro-Maia de Sousa Pimentel e introdu&ccedil;&atilde;o de Manuel Barbosa da Costa Freitas. Lisboa: INCM, 2000, XXX). Numa outra passagem (AGOSTINHO DE HIPONA &ndash; <i>Confiss&otilde;es</i>, XIII, 24), estabelece claramente a rela&ccedil;&atilde;o de isomorfismo entre dispers&atilde;o genealogia e dispers&atilde;o sem&acirc;ntica (com as ambiguidades inerentes &agrave; palavra humana) que parecem traduzir um mesmo ex&iacute;lio semiol&oacute;gico e simb&oacute;lico, sendo o caminho do regresso apontando tanto pelo trabalho exeg&eacute;tico do bispo de Hipona como pelo ambicioso projeto de reunifica&ccedil;&atilde;o das linhagens nobres proposto pelo conde D. Pedro de Barcelos: &ldquo;Por meio desta b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, concedei-nos o poder e a licen&ccedil;a de enunciar de diversos modos o que o nosso esp&iacute;rito concebe duma maneira simples, e de perceber sob v&aacute;rias formas o que nos Vossos Livros lemos enunciado, obscuramente, duma s&oacute; maneira. &Eacute; assim que se povoam &ldquo;as &aacute;guas do mar&rdquo;, que n&atilde;o se moveriam sem estas diversas interpreta&ccedil;&otilde;es. &Eacute; assim que as v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es dos homens enchem a terra, cuja aridez se fertiliza pela paix&atilde;o da verdade, sob o dom&iacute;nio da raz&atilde;o&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">[20]</a> KRUS, L. &ndash; &ldquo;Apresenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;. in <i>Passado, Mem&oacute;ria e Poder na Sociedade Medieval Portuguesa. Estudos.</i> Redondo: Patrimomia, 1994, p. 20.</p>     <p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title="">[21]</a> No espa&ccedil;o peninsular, este modelo continua a transparecer no <i>Liber Regum</i> (ou <i>Chronicon Villarense</i>), composto em Navarra por volta do ano 1200 e no <i>Libro de las Generaciones</i>, materiais que serviram &agrave; composi&ccedil;&atilde;o do <i>Nobili&aacute;rio</i> do Conde D. Pedro cujo projeto se demarca assim do enunciado nos pr&oacute;logos do <i>Livro Velho de Linhagens</i> e do <i>Livro de De&atilde;o</i> que limitavam os seus respetivos universos aos &ldquo;bons homens filhos d&rsquo;algo do reino de Portugal&rdquo;. O <i>LL</i> integra-se ent&atilde;o plenamente no paradigma lingu&iacute;stico-geneal&oacute;gico e temporal que temos vindo a esbo&ccedil;ar. Note-se, de resto, que subjacente a esta conce&ccedil;&atilde;o corresponde necessariamente, n&atilde;o uma obra fechada, mas uma escrita em constante devir, uma verdadeira est&eacute;tica do inacabamento que faz da cont&iacute;nua recria&ccedil;&atilde;o um processo consubstancial &agrave; composi&ccedil;&atilde;o do livro: &ldquo;E rogo aaqueles que depois de mim veerem e vontade houverem de saber os linhagees, que acrecentem em estes titolos deste livro aqueles que adiante decenderem dos nobres fidalgos da Espanha, e os ponham e escrevam nos logares u convem&rdquo; (&ldquo;Pr&oacute;logo&rdquo;. in <i>LIVRO DE LINHAGENS DO CONDE D. PEDRO</i>).</p>     <p><a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title="">[22]</a> BOUTET, D.; STRUBEL, A. &ndash; <i>Litt&eacute;rature, politique et soci&eacute;t&eacute; dans la France du Moyen &Acirc;ge.</i> Paris: PUF, 1979. (com pref&aacute;cio de J. le Goff); BOUTET, D. &ndash; &ldquo;Mythe, litt&eacute;rature et soci&eacute;t&eacute;&rdquo;. in HARF-LANCNER, L.; BOUTET, D. (dir.) &ndash; <i>Pour une mythologie du Moyen &Acirc;ge</i>. Paris: &Eacute;cole normale sup&eacute;rieure des jeunes filles, 1988, pp. 89-97; BOUTET, D. &ndash; <i>Formes litt&eacute;raires et conscience historique. Aux origines de la litt&eacute;rature fran&ccedil;aise 1100-1250.</i> Paris: PUF, 1999.</p>     <p><a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title="">[23]</a> Sem falarmos, claro est&aacute;, das outras importantes formas narrativas de cunho mais par&oacute;dico ou sat&iacute;rico como o <i>Roman de Renart </i>ou os <i>fabliaux</i> que alargam consideravelmente a geografia do poder da corte &agrave;s ordens mon&aacute;sticas, passando pelos novos atores da civiliza&ccedil;&atilde;o mercantil e urbana (burgueses, comerciantes, etc.). Contudo, estas formas narrativas, fortemente imbu&iacute;das de um imagin&aacute;rio carnavalesco, n&atilde;o poderiam naturalmente servir de modelo num projeto de registo grave e austero como o que preside os <i>LL</i>.</p>     <p><a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title="">[24]</a> KRUS, L. &ndash; <i>A concep&ccedil;&atilde;o nobili&aacute;rquica do espa&ccedil;o ib&eacute;rico</i>, p. 153.</p>     <p><a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title="">[25]</a>E K&Ouml;HLER, E. &ndash; <i>L'Aventure chevaleresque. Id&eacute;al et r&eacute;alit&eacute; dans le roman courtois. &Eacute;tudes sur la forme des plus anciens po&egrave;mes d'Arthur et du Graal</i>. Paris: NRF-Gallimard, 1974 (a tradu&ccedil;&atilde;o francesa foi, tamb&eacute;m ela, prefaciada por Jacques Le Goff).</p>     <p><a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title="">[26]</a> Ver BOUTET, D. &ndash; <i>La Chanson de geste. Forme et signification d&rsquo;une &eacute;criture &eacute;pique au Moyen &Acirc;ge</i>. Paris: PUF, 1993, pp. 34-64.</p>     <p><a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title="">[27]</a> Ver, por exemplo, as considera&ccedil;&otilde;es de Ph. Walter: &ldquo;l&rsquo;&eacute;pop&eacute;e romane raconte l&rsquo;histoire d&rsquo;un mythe ou un mythe historicis&eacute;. Il ne faut pas voir en elle l&rsquo;&eacute;cho d&rsquo;une quelconque r&eacute;alit&eacute; historique (elle vit d&rsquo;anachronismes permanents), mais un prisme d&eacute;formant o&ugrave; l&rsquo;on reconnait les reflets conjugu&eacute;s de l&rsquo;Histoire et du Mythe&rdquo; (WALTER, Ph. &ndash; <i>Naissances de la litt&eacute;rature fran&ccedil;aise: IXe-XVe si&egrave;cle: anthologie</i>. Grenoble: ELLUG, 1998, p. 55).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title="">[28]</a> Paris: Payot, 1981 (pref&aacute;cio de Georges Dum&eacute;zil).</p>     <p><a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title="">[29]</a> Provavelmente influenciadas pelos trabalhos de Jacques Le Goff (ver, por exemplo, o interessante artigo &ldquo;J&eacute;rusalem ou Babylone? L&rsquo;image de la ville dans la litt&eacute;rature fran&ccedil;aise m&eacute;di&eacute;vale&rdquo; publicado na revista <i>Critique </i>em 1978), as reflex&otilde;es de L. Krus e o destaque que nelas &eacute; dada ao papel determinante da chamada Mat&eacute;ria Antiga (ou de Roma) &ndash; <i>Roman d&rsquo;Alexandre, Roman de Th&egrave;bes, Roman d'Eneas, Roman de Troie</i> &ndash; na forma&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio medieval da cidade antecipam v&aacute;rios trabalhos que vir&atilde;o, anos mais tarde, a ser realizados neste dom&iacute;nio: BAUMGARTNER, E.; HARF-LANCNER, L. (dir.) &ndash; <i>Entre fiction et histoire: Troie et Rome au Moyen &Acirc;ge</i>. Paris: Presses de la Sorbonne Nouvelle, 1997; CROIZY-NAQUET, C. &ndash; <i>Th&egrave;bes, Troie et Carthage. Po&eacute;tique de la ville dans le roman antique au XIIe si&egrave;cle.</i> Paris: Honor&eacute; Champion, 1994.</p>     <p><a href="#_ftnref30" name="_ftn30" title="">[30]</a> Referimo-nos &agrave; passagem (<i>PCG </i>9) em J&uacute;lio C&eacute;sar, dormindo no pal&aacute;cio de Hispano, &ldquo;teve a vis&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o incestuosa mantida com a m&atilde;e, &agrave; qual, depois de interpretada pelo seu astr&oacute;logo, foi dada o seguinte sentido: a m&atilde;e era a terra, e tal como dela se apoderara assim dominaria toda a orbe e seria senhor de tudo&rdquo; (&ldquo;Os her&oacute;is da Reconquista&rdquo;, p. 122).</p>     <p><a href="#_ftnref31" name="_ftn31" title="">[31]</a> &ldquo;Senhores, este &eacute; o nosso dia, em que havemos de escarecer, e este &eacute; o dia da vitoria e da honra dos fidalgos. Este &eacute; o dia da salva&ccedil;om de nossas molheres e filhos e daqueles que de n&oacute;s decenderem. E Este &eacute; o dia em que havemos semelhar nossos avoos, que ganharoom a Espanha&rdquo; (<i>LL</i> 21G15).</p>     <p><a href="#_ftnref32" name="_ftn32" title="">[32]</a> Tal como em algumas narrativas b&iacute;blicas (<i>G&eacute;nesis</i>, 6, 4; <i>N&uacute;meros</i>, 13, 33), na tradi&ccedil;&atilde;o arturiana, o reino de Logres &eacute; primitivamente povoado por gigantes. Ser&aacute; esta compara&ccedil;&atilde;o dos cavaleiros crist&atilde;os a gigantes uma forma de erguer os feitos dos guerreiros peninsulares a um regresso regenerador &agrave;s origens dos tempos? </p>     <p><a href="#_ftnref33" name="_ftn33" title="">[33]</a> GRISWARD, J. &ndash; &ldquo;Le &quot;soleil arr&ecirc;t&eacute;&quot; de la <i>Chanson de Roland</i>&nbsp;et le &quot;soleil trestorn&eacute;&quot; de <i>Hervis de Mes</i> (Histoires de Soleils II)&rdquo;. in GUILLOT, C.; HEIDEN, S.; PR&Eacute;VOST, S. (dir.) &ndash;<i> &Agrave; la qu&ecirc;te du sens. &Eacute;tudes litt&eacute;raires, historiques et linguistiques en hommage &agrave; Christiane Marchello-Nizia</i>. Lyon: ENS &Eacute;ditions (Langages), 2006, pp. 303-312.</p>     <p><a href="#_ftnref34" name="_ftn34" title="">[34]</a> BLOCH, H. &ndash; <i>Etymologie et g&eacute;n&eacute;alogie</i>, pp. 135-136.</p>     <p><a href="#_ftnref35" name="_ftn35" title="">[35]</a> Sobre esta no&ccedil;&atilde;o, ver STOCK, B. &ndash; <i>The Implications of Literacy. Written Language and Models of Interpretation in the Eleventh and Twelfth Centuries</i>. Princeton: Princeton University, 1983, pp. 88-240.</p>     <p><a href="#_ftnref36" name="_ftn36" title="">[36]</a> Sobre os aut&oacute;matos como &ldquo;engin &agrave; suspendre le temps&rdquo; (fun&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lico e c&oacute;smica que encontramos em v&aacute;rios poemas medievais &ndash; <i>Le P&egrave;lerinage de Charlemagne &agrave; J&eacute;rusalem, Floire et Blancheflor</i>, <i>Le B&acirc;tard de Bouillon</i>, por exemplo), ver BAUMGARTNER, E. &ndash; &ldquo;Le temps des automates&rdquo;. in <i>Le Nombre du temps. En Hommage &agrave; Paul Zumthor</i>. Paris: Champion, 1988, pp. 15-21; LEGROS, H. &ndash; &ldquo;Connaissance, R&eacute;ception et perceptions des automates orientaux au XIIe si&egrave;cle&rdquo;. in CHAND&Egrave;S, G. (dir.) &ndash; <i>Le Merveilleux et la magie dans la litt&eacute;rature.</i> Amsterdam/Atlanta: 1992, pp. 103-136.</p>     <p><a href="#_ftnref37" name="_ftn37" title="">[37]</a> KRUS, L. &ndash; &ldquo;A viv&ecirc;ncia medieval do tempo&rdquo;. in <i>A constru&ccedil;&atilde;o do passado medieval</i>, p. 30.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref38" name="_ftn38" title="">[38]</a> No dom&iacute;nio ficcional, desta viragem d&atilde;o conta, por exemplo, v&aacute;rios pr&oacute;logos de romance e de can&ccedil;&atilde;o de gesta quando procuram enraizar a sua <i>auctoritas</i> na imagem (ou miragem) do livro que mant&eacute;m e consagra, inviolada, a integridade da <i>hist&oacute;ria</i> (<i>estoire</i>)face &agrave; exa&ccedil;&otilde;es dos jograis que incansavelmente a corrompem e a dispersam nos meandros da <i>f&aacute;bula</i>.</p>     <p><a href="#_ftnref39" name="_ftn39" title="">[39]</a> KRUS, L. &ndash; &ldquo;Celeiro e rel&iacute;quias: o culto quatrocentista dos m&aacute;rtires de Marrocos e a devo&ccedil;&atilde;o dos nus&rdquo;. in <i>A Constru&ccedil;&atilde;o do passado medieval</i>, pp. 133-149.</p>     <p><a href="#_ftnref40" name="_ftn40" title="">[40]</a> Ver o recente ensaio de Laurent Guy&eacute;not cujo t&iacute;tulo faz providencialmente eco ao da segunda vers&atilde;o do estudo de L. Krus (&ldquo;A morte das fadas: a lenda geneal&oacute;gica da Dama do P&eacute; de Cabra&rdquo; publicado em 1985 na revista <i>Ler Hist&oacute;ria</i>): GUYENOT, L. &ndash; <i>La Mort f&eacute;&eacute;rique. Anthropologie du merveilleux &ndash; XIIe-XVe si&egrave;cle</i>. Paris: NRF-Gallimard, 2011.</p>     <p><a href="#_ftnref41" name="_ftn41" title="">[41]</a> WALTER, Ph. (dir.) &ndash; <i>Mythologies du porc</i> (Actes du colloque de Saint-Antoine l'Abbaye, Is&egrave;re, 4-5 avril 1998). Grenoble: &Eacute;ditions J&eacute;r&ocirc;me Million, 1999.</p>     <p><a href="#_ftnref42" name="_ftn42" title="">[42]</a> KRUS, L. &ndash; &ldquo;Uma variante peninsular do mito de melusina&rdquo;, p. 158.</p>     <p><a href="#_ftnref43" name="_ftn43" title="">[43]</a> &Eacute; a prop&oacute;sito da mitologia cavalar no contexto da &eacute;pica francesa que L. Krus (&ldquo;Uma variante peninsular do mito de melusina&rdquo;, p. 161, nota 23) cita a obra pioneira de DURAND, G. &ndash; <i>Les Structures anthropologiques de l&rsquo;imaginaire</i> publicada em 1960 (DURAND, G. &ndash; <i>L</i><i>es Structures anthopologiques de l&rsquo;imaginaire</i>. Paris: Dunot, 1992).</p>     <p><a href="#_ftnref44" name="_ftn44" title="">[44]</a> Sobre as personagens equ&iacute;deas na literatura medieval, ver WALTER, Ph. &ndash; &ldquo;Le pied de la lettre et les pieds de l&rsquo;incube: sur une le&ccedil;on du manuscrit de Bonn&rdquo;. in GODINHO, H.; ALPALH&Atilde;O, M.; CARRETO, C.; BARROS DIAS, I. (dir.) &ndash; <i>Da Letra ao Imagin&aacute;rio. </i><i>Homenagem &agrave; Professora Irene Freire Nunes</i>. Lisboa: FCSH/CEIL, 2013, pp. 39-54. Sobre a mitologia do ferro ligada ao imagin&aacute;rio equestre, ver as recentes reflex&otilde;es do mesmo autor na sua recente obra sobre a figura de Gauvain: WALTER, Ph. &ndash; <i>Gauvain, le chevalier solaire. </i>Paris: Imago, 2013, pp. 182-214.</p>     <p><a href="#_ftnref45" name="_ftn45" title="">[45]</a> Sobre esta quest&atilde;o, ver o cap&iacute;tulo 6, KRUS, L. &ndash; &ldquo;Da Europa troiana e bret&atilde; &agrave; cristandade ib&eacute;rica&rdquo;. in <i>A concep&ccedil;&atilde;o nobili&aacute;rquica do espa&ccedil;o ib&eacute;rico,</i> pp. 143-170.</p>     <p><a href="#_ftnref46" name="_ftn46" title="">[46]</a> Ver o estudo de KRUS, L. &ndash; &ldquo;As origens lend&aacute;rias dos condes de Trast&acirc;mara&rdquo;. in <i>A constru&ccedil;&atilde;o do passado medieval</i>, pp. 181-278.</p>     <p><a href="#_ftnref47" name="_ftn47" title="">[47]</a> Pensamos, claro est&aacute;, na c&eacute;lebre obra<i> As tr&ecirc;s ordens ou o imagin&aacute;rio do feudalismo</i> de 1978.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref48" name="_ftn48" title="">[48]</a> KRUS, L. &ndash; &ldquo;A cidade no imagin&aacute;rio medieval&rdquo;. <i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i>, Suplemento Hist&oacute;ria, Lisboa, 29 de Mar&ccedil;o de 1983; KRUS, L. &ndash; &ldquo;O imagin&aacute;rio portugu&ecirc;s e os medos do mar&rdquo;. in NOVAES, Adauto (org.) &ndash; <i>A descoberta do homem e do mundo</i>, S&atilde;o Paulo, Minist&eacute;rio da Cultura &ndash; Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Arte &ndash; Companhia das Letras, 1998, pp. 95-105. Na sua tese de doutoramento, o conceito emerge essencialmente no espa&ccedil;o mais aberto a novas pistas e rela&ccedil;&otilde;es interdisciplinares constitu&iacute;do pelo aparato cr&iacute;tico das notas de rodap&eacute;: na p&aacute;gina 125 (nota 259), por exemplo, evoca assim o <i>imagin&aacute;rio</i> da riqueza que caracteriza a &Aacute;sia do <i>LL</i>, falando, na p&aacute;gina 146 (nota 314), de um &ldquo;imagin&aacute;rio disciplinador dos jovens da corte&rdquo; a prop&oacute;sito da reutiliza&ccedil;&atilde;o do tema da guerra de Troia.</p>     <p><a href="#_ftnref49" name="_ftn49" title="">[49]</a> KRUS, L. &ndash; &ldquo;Uma variante peninsular do mito de Melusina&rdquo;, p. 170.</p>     <p><a href="#_ftnref50" name="_ftn50" title="">[50]</a> KRUS, L. &ndash; &ldquo;Uma variante peninsular do mito de Melusina&rdquo;, p. 157.</p>     <p><a href="#_ftnref51" name="_ftn51" title="">[51]</a> DACOSTA, A. &ndash; &ldquo;Geograf&iacute;as imperfectas: linaje y poder en la obra de L. Krus&rdquo;. <i>Medievalista </i>[Em linha] 20 (Julho &ndash; Dezembro 2016). [Consultado a 27 de abril de 2017]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA20/dacosta2002.html" target="_blank">www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA20/dacosta2002.html</a>. ISSN 1646-740X</p>     <p><a href="#_ftnref52" name="_ftn52" title="">[52]</a> JOLLES, A. &ndash; <i>Formes simples</i>. Paris: Seuil, 1972.</p>      ]]></body><back>
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