<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1646-740X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Medievalista]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Med_on]]></abbrev-journal-title>
<issn>1646-740X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Estudos Medievais, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1646-740X2018000100007</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Erat simplicis ingenii: A deposição de Garcia da Galiza vista pelos cronistas dos séculos XII e XIII]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Erat simplicis ingenii: The deposition of Garcia of Galiza in the 12th and 13th century Iberian chronicles]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gomes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Joana]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Instituto de Filosofia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Porto ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<numero>23</numero>
<fpage>1</fpage>
<lpage>30</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-740X2018000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-740X2018000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-740X2018000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Garcia, filho mais novo de Fernando I (1038-1065) e de Sancha de Leão (1038-1067), foi contemplado com o reino da Galiza na divisão dos reinos promovida pelo pai. Ao fim de cinco anos de reinado, em 1071, foi preso pelo seu irmão Afonso, rei de Leão, que se torna rei da Galiza. Garcia passa o resto da sua vida encarcerado, acabando por morrer na prisão em 1090. A prisão e deposição de Garcia foram assuntos abundantemente revisitados pelas crónicas leonesas e castelhanas medievais desde o século XII. Contudo, é sobretudo no século XIII que os cronistas ibéricos começam a tecer justificações mais sólidas para os eventos ocorridos em torno desta transmissão de poder anómala. Este artigo pretende analisar os argumentos evocados pelos cronistas do século XII de forma a justificar a deposição de Garcia da Galiza, para depois avançar para o estudo do mesmo tema nas mais importantes crónicas ibéricas em latim do século XIII, o Chronicon Mundi, de Lucas de Tui, e De Rebus Hispaniae, de Rodrigo de Rada. Partindo do estudo dos argumentos aduzidos pelos dois cronistas tentar-se-á perceber as implicações ideológicas que a construção discursiva deste episódio tem no sistema de valores políticos que caracteriza os textos mencionados]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Garcia, the youngest son of Ferdinand of Castile (1038-1065) and Sancha of León (1038-1067), was given the kingdom of Galicia by his parents, when they splited their kingdom by their sons. Five years into his reign, he was captured and imprisoned by one of his elder brothers, Alfonso, king of León, who becomes king of Galicia in its brother's place. The former king spent the rest of his life in prison until his death in 1090. The circumstances which led to Garcia's arrest and captivity were frequently debated among the 12th medieval Iberian Latin historiographers. However, it is in the 13th century that historians elaborate more solid justifications to make sense, not only Garcia's fate but also the anoumalous power transmission that took place. This paper analyses the arguments brought up by the works of several 12th and 13th century historiographers of western Iberia - conceeding special attention to Lucas de Tuy's Chronicon Mundi and Rodrigo de Rada's De rebus Hispaniae - to justify the fall of Garcia of Galicia. It aims at understanding the relation between the discursive mutations of this episode and the writers' political and ideological conceptionst.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Chronicon Mundi]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[De rebus hispaniae]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Garcia da Galiza]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[realeza medieval]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[século XIII]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Chronicon Mundi]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[De rebus hispaniae]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Garcia of Galicia]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[medieval kingship]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[13th century]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Erat simplicis ingenii: A deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia da Galiza vista pelos cronistas dos s&eacute;culos XII e XIII</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Erat simplicis ingenii: The deposition of Garcia of Galiza in the 12th and 13th century Iberian chronicles</b></font></p>     <p><b>Maria Joana Gomes<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Universidade do Porto, Instituto de Filosofia, Semin&aacute;rio Medieval de Literatura, Pensamento e Sociedade, 4150-654, Porto, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:yseutz@gmail.com">yseutz@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Garcia, filho mais novo de Fernando I (1038-1065) e de Sancha de Le&atilde;o (1038-1067), foi contemplado com o reino da Galiza na divis&atilde;o dos reinos promovida pelo pai. Ao fim de cinco anos de reinado, em 1071, foi preso pelo seu irm&atilde;o Afonso, rei de Le&atilde;o, que se torna rei da Galiza. Garcia passa o resto da sua vida encarcerado, acabando por morrer na pris&atilde;o em 1090. A pris&atilde;o e deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia foram assuntos abundantemente revisitados pelas cr&oacute;nicas leonesas e castelhanas medievais desde o s&eacute;culo XII. Contudo, &eacute; sobretudo no s&eacute;culo XIII que os cronistas ib&eacute;ricos come&ccedil;am a tecer justifica&ccedil;&otilde;es mais s&oacute;lidas para os eventos ocorridos em torno desta transmiss&atilde;o de poder an&oacute;mala. Este artigo pretende analisar os argumentos evocados pelos cronistas do s&eacute;culo XII de forma a justificar a deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia da Galiza, para depois avan&ccedil;ar para o estudo do mesmo tema nas mais importantes cr&oacute;nicas ib&eacute;ricas em latim do s&eacute;culo XIII, o <i>Chronicon Mundi</i>, de Lucas de Tui, e <i>De Rebus Hispaniae</i>, de Rodrigo de Rada. Partindo do estudo dos argumentos aduzidos pelos dois cronistas tentar-se-&aacute; perceber as implica&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas que a constru&ccedil;&atilde;o discursiva deste epis&oacute;dio tem no sistema de valores pol&iacute;ticos que caracteriza os textos mencionados.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> <i>Chronicon Mundi</i>, <i>De rebus hispaniae</i>, Garcia da Galiza, realeza medieval, s&eacute;culo XIII.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Garcia, the youngest son of Ferdinand of Castile (1038-1065) and Sancha of Le&oacute;n (1038-1067), was given the kingdom of Galicia by his parents, when they splited their kingdom by their sons. Five years into his reign, he was captured and imprisoned by one of his elder brothers, Alfonso, king of Le&oacute;n, who becomes king of Galicia in its brother&rsquo;s place. The former king spent the rest of his life in prison until his death in 1090. The circumstances which led to Garcia's arrest and captivity were frequently debated among the 12th medieval Iberian Latin historiographers. However, it is in the 13th century that historians elaborate more solid justifications to make sense, not only Garcia's fate but also the anoumalous power transmission that took place. This paper analyses the arguments brought up by the works of several 12th and 13th century historiographers of western Iberia &ndash; conceeding special attention to Lucas de Tuy&rsquo;s <i>Chronicon Mundi</i> and Rodrigo de Rada&rsquo;s <i>De rebus Hispaniae</i> &ndash; to justify the fall of Garcia of Galicia. It aims at understanding the relation between the discursive mutations of this episode and the writers&rsquo; political and ideological conceptionst.</p>     <p><b>Keywords:</b> <i>Chronicon Mundi</i>, <i>De rebus hispaniae</i>, Garcia of Galicia; medieval kingship, 13th century.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Quando pensamos em deposi&ccedil;&otilde;es r&eacute;gias durante a Idade M&eacute;dia do ocidente peninsular, &eacute; a deposi&ccedil;&atilde;o de Sancho II, que teve lugar em 1245, que imediatamente nos ocorre<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">[1]</a>. A recorda&ccedil;&atilde;o deste evento perdurou na mem&oacute;ria por se tratar da primeira not&iacute;cia de destronamento r&eacute;gio no qual se confrontaram v&aacute;rios sectores e figuras da sociedade do reino de Portugal e do vizinho reino de Castela, pelo papel que o Papa Inoc&ecirc;ncio III teve na valida&ccedil;&atilde;o do processo, mas tamb&eacute;m porque o evento encontrou eco e perenidade em v&aacute;rias obras escritas coevas e posteriores, nas quais as perspectivas sobre o sucedido apresentam vers&otilde;es contrastantes. Se nas cantigas de esc&aacute;rnio e mal dizer &eacute; vis&iacute;vel uma cr&iacute;tica acirrada aos alcaides que entregam os castelos de Sancho II ao seu irm&atilde;o, na historiografia r&eacute;gia portuguesa dos s&eacute;culos subsequentes nota-se o esgrimir de argumentos em favor do destronamento de Sancho II.</p>     <p>Neste caso em concreto, a produ&ccedil;&atilde;o de discursos antag&oacute;nicos ou multivariados prende-se directamente com quest&otilde;es de natureza pol&iacute;tica fundamentais que evocam necessariamente um debate em torno do que define a legitimidade da sucess&atilde;o r&eacute;gia, das caracter&iacute;sticas e qualidades que moldam o conceito de realeza numa determinada &eacute;poca, e do que pode representar quer uma viola&ccedil;&atilde;o dos limites do poder leg&iacute;timo do monarca, quer uma insufici&ecirc;ncia no cumprimento dos seus deveres. Existe, pois, uma rela&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca entre a deposi&ccedil;&atilde;o de um rei e a constru&ccedil;&atilde;o de um duplo discurso: por um lado, apolog&eacute;tico, procurando sublinhar as qualidades daquele que vem ocupar o lugar do rei deposto; por outro, condenat&oacute;rio, pondo em manifesto os defeitos e procedimentos negativos do rei ca&iacute;do. Poder&iacute;amos dizer que, tal como qualquer evento hist&oacute;rico tido como problem&aacute;tico, o destronamento r&eacute;gio &eacute; quase indissoci&aacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o de discurso justificativo desse mesmo evento<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">[2]</a>.</p>     <p>Se a deposi&ccedil;&atilde;o de Sancho II de Portugal &eacute; sobejamente conhecida, h&aacute;, no entanto, outros casos documentados na historiografia medieval peninsular que, muito embora n&atilde;o sigam os moldes protocolares aplicados ao destronamento de Sancho II, acabam por ter igual desfecho: o afastamento de um rei do trono e do governo do reino. Um exemplo paradigm&aacute;tico que se tratar&aacute; neste artigo &eacute; o de Garcia II, rei da Galiza entre 1067 e 1072, ano em que foi feito prisioneiro por um dos seus irm&atilde;os, Afonso VI de Le&atilde;o ou Sancho II de Castela, consoante as vers&otilde;es. Os eventos que conduziram a este desenlace s&atilde;o sobejamente conhecidos. Sabe-se que o filho mais novo de Fernando I e de Sancha de Le&atilde;o, senhores de um vasto territ&oacute;rio que compreendia Le&atilde;o, Castela e as Ast&uacute;rias, e ainda a Galiza e o futuro condado portucalense, veio a ser contemplado com estes dois territ&oacute;rios na famosa divis&atilde;o dos reinos executada por Fernando I<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">[3]</a>. Aos seus irm&atilde;os mais velhos, Sancho e Afonso, os progenitores atribu&iacute;ram Castela e Le&atilde;o, respectivamente. Ap&oacute;s a morte de Fernando, em 1065, e de Sancha, em 1067, os tr&ecirc;s irm&atilde;os envolvem-se num conflito que originou a morte a Sancho II &agrave;s portas de Zamora e a captura e pris&atilde;o de Garcia. O irm&atilde;o vitorioso, Afonso, acabou por congregar em si a autoridade sobre os tr&ecirc;s reinos previamente divididos, repondo a unidade territorial do tempo dos seus pais<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title="">[4]</a>.</p>     <p>Na senda do que se tem vindo a expor, faremos um estudo dos argumentos evocados para justificar (ou n&atilde;o) o destronamento de Garcia da Galiza nos textos historiogr&aacute;ficos redigidos no ocidente peninsular nos s&eacute;culos XII e XIII. N&atilde;o pretendemos, portanto, chegar a uma reconstru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e fidedigna dos eventos que conduziram &agrave; deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title="">[5]</a>. Nem procuramos t&atilde;o pouco, como fez quase h&aacute; um s&eacute;culo George Tyler Northup, investigar a potencial origem &eacute;pica e oral desta <i>est&oacute;ria</i> e a sua rela&ccedil;&atilde;o com os textos historiogr&aacute;ficos<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title="">[6]</a>. Partindo do princ&iacute;pio de que a deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia constitui o que Angus Ward chamou &ldquo;a <i>locus</i> of historiographical intervention&rdquo;<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title="">[7]</a>, isto &eacute;, um epis&oacute;dio que, pelo seu potencial problem&aacute;tico, &eacute; objecto de altera&ccedil;&otilde;es sucessivas por parte dos cronistas, centraremos a nossa aten&ccedil;&atilde;o na an&aacute;lise ideol&oacute;gica das semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as da <i>est&oacute;ria</i> de Garcia nos textos historiogr&aacute;ficos produzidos no ocidente peninsular durante os s&eacute;culos XII e XIII para tentarmos perceber de que modo a constru&ccedil;&atilde;o discursiva do epis&oacute;dio se relaciona com o sistema de valores pol&iacute;ticos que caracteriza estas cr&oacute;nicas, sobretudo no que diz respeito ao exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title="">[8]</a>. Pese embora o facto de esta quest&atilde;o estar intimamente ligada a todo o relato da parti&ccedil;&atilde;o dos reinos, vamos restringir a nossa reflex&atilde;o &agrave; argumenta&ccedil;&atilde;o e &agrave;s estrat&eacute;gias discursivas utilizadas por cada texto para construir a sua vers&atilde;o da deposi&ccedil;&atilde;o do filho mais novo de Fernando I e Sancha de Le&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A figura de Garcia da Galiza nos textos do s&eacute;culo XII</b></p>     <p>Os textos historiogr&aacute;ficos medievais que abordaram a sucess&atilde;o dos tr&ecirc;s filhos de Fernando I e Sancha de Le&atilde;o, Sancho II de Castela, Afonso VI de Le&atilde;o e Garcia II da Galiza, deixaram-nos sobre esta &uacute;ltima figura muito pouca informa&ccedil;&atilde;o. Como bem apontou Ermelindo Portela, a verdade &eacute; que a constru&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica do destronamento de Garcia &eacute; feita de contradi&ccedil;&otilde;es e omiss&otilde;es, oscilando sempre entre um sil&ecirc;ncio eloquente e uma condena&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita do seu comportamento enquanto rei<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title="">[9]</a>. Paradoxalmente, a aus&ecirc;ncia de um discurso sobre o destino tr&aacute;gico deste rei neste per&iacute;odo, faz-se sentir com maior intensidade nas terras que teriam estado sob a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o: a Galiza e Portugal. De facto, &eacute; revelador o sil&ecirc;ncio de alguns dos textos produzidos no<i> scriptorium</i> eclesi&aacute;stico mais importante do territ&oacute;rio galego &ndash; a diocese de Santiago de Compostela &ndash; fazem relativamente a esta mat&eacute;ria. Esta diocese galega, respaldada pela tutela do t&uacute;mulo de Santiago e por uma s&eacute;rie de privil&eacute;gios papais, torna-se, ao longo do s&eacute;culo XII, numa das mais importantes da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica; e os textos nela produzidos, quer se tratem de cartul&aacute;rios ou de textos historiogr&aacute;ficos, mostram a rela&ccedil;&atilde;o de proximidade que esta mantinha com realeza astur-leonesa, ainda que essa rela&ccedil;&atilde;o nem sempre tenha sido cordial<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title="">[10]</a>. Contudo, Garcia n&atilde;o parece ter colhido grande simpatia junto dos cl&eacute;rigos compostelanos, j&aacute; que apesar de ser mencionado no <i>Chronicon Compostellanum, </i>nunca o &eacute; na <i>Historia Compostellana</i> nem no cartul&aacute;rio conhecido como <i>Tumbo A</i><a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title="">[11]</a>. No territ&oacute;rio portugu&ecirc;s, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; algo similar. Encontramos uma alus&atilde;o isolada ao rei Garcia na tradi&ccedil;&atilde;o anal&iacute;stica no <i>Chronicon Lusitanum</i>: aqui &eacute; referida a sua vit&oacute;ria sobre o conde de <i>Portucale</i>, Nuno Mendes<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title="">[12]</a>. Mas, no que diz respeito ao final do seu reinado, os textos redigidos em territ&oacute;rio portugu&ecirc;s s&atilde;o omissos<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title="">[13]</a>.</p>     <p>Contrariamente &agrave;s cr&oacute;nicas redigidas no extremo ocidente da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, os textos produzidos em Le&atilde;o e Castela no per&iacute;odo em causa centram-se quase exclusivamente na narra&ccedil;&atilde;o dos eventos que conduziram &agrave; pris&atilde;o e afastamento de Garcia do trono da Galiza. Todos os textos que mencionam a deposi&ccedil;&atilde;o situam-na na sequ&ecirc;ncia narrativa que ficou conhecida como a Parti&ccedil;&atilde;o dos Reinos, e que descrevemos sucintamente algumas linhas acima. Este epis&oacute;dio da divis&atilde;o territorial empreendida por Fernando I apresenta varia&ccedil;&otilde;es significativas na tradi&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica medieval e tardo-medieval que permitem entrever as posi&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas dos seus redactores n&atilde;o s&oacute; relativamente &agrave; sucess&atilde;o de Fernando I, mas tamb&eacute;m &agrave; quest&atilde;o da sucess&atilde;o r&eacute;gia em geral<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title="">[14]</a>. Sobre o final abrupto do reinado de Garcia em 1072, verifica-se o mesmo tipo de fen&oacute;meno: o c&acirc;mbio din&aacute;stico an&oacute;malo que ocorre na sequ&ecirc;ncia da captura e pris&atilde;o de Garcia &eacute; usado pelos redactores dos textos que o mencionam como exemplo ideal para tecer considera&ccedil;&otilde;es sobre o contexto e invocar argumentos que possam justificar satisfatoriamente o ocorrido.</p>     <p>A primeira refer&ecirc;ncia textual &agrave; pris&atilde;o do mais novo dos filhos de Fernando I e Sancha tem origem em Castela. Trata-se de uma curta apostilha inserida no <i>Liber Commicus</i>, um lecion&aacute;rio pertencente ao mosteiro de S&atilde;o Domingo de Silos, pr&oacute;ximo de Burgos, e elaborado antes de 1067<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title="">[15]</a>. Neste pequeno relato, narra-se a <i>est&oacute;ria</i> dos conflitos entre os irm&atilde;os Sancho, Afonso e Garcia. Este &eacute; expulso da Galiza por Sancho II, sendo por ele aprisionado em Burgos. Esta ac&ccedil;&atilde;o de Sancho contra o seu irm&atilde;o mais novo ocorre na sequ&ecirc;ncia de um engano ou de uma ofensa que Garcia teria perpetrado contra o rei de Castela<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title="">[16]</a>. O mesmo procedimento &eacute; repetido em rela&ccedil;&atilde;o a Afonso, que &eacute; aprisionado e enviado para o ex&iacute;lio.</p>     <p>Se deixarmos de lado as informa&ccedil;&otilde;es que a <i>Postilha An&oacute;nima de Silos</i> nos d&aacute; a respeito de Afonso VI, que v&atilde;o tamb&eacute;m no sentido de justificar a guerra que Sancho II move contra ele<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title="">[17]</a>, pode dizer-se que, neste sint&eacute;tico relato, se destacam dois elementos que constituem o n&uacute;cleo do enredo: por um lado, Sancho &eacute; apresentado como a figura que d&aacute; in&iacute;cio aos conflitos armados que terminam com a expuls&atilde;o e aprisionamento dos seus irm&atilde;os, Afonso e Garcia. Por outro, se &eacute; verdade que a agress&atilde;o militar &eacute; imputada a Sancho, esse acto &eacute; justificado pela pr&eacute;-exist&ecirc;ncia de uma ofensa ou engano (<i>ob fraudem</i>) de Garcia contra o seu irm&atilde;o mais velho<a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title="">[18]</a>. A <i>Historia Legionensis, </i>escritano mosteiro de Santo Isidoro de Le&atilde;o<a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title="">[19]</a>, provavelmente entre os anos de1120 e 1135<a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title="">[20]</a><i>, </i>apresenta importantes diferen&ccedil;as relativamente ao texto que acabamos de mencionar. Concebida com o prop&oacute;sito de louvar os feitos de Afonso VI, esta cr&oacute;nica constr&oacute;i um enredo elaborado dos conflitos em que se envolveram os filhos de Fernando I, entrecruzando a narra&ccedil;&atilde;o dos eventos com coment&aacute;rios pontuais do autor sobre a inevitabilidade dos conflitos entre reis que partilham a fun&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia<a href="#_ftn21" name="_ftnref21" title="">[21]</a>.</p>     <p>Neste texto leon&ecirc;s &eacute; introduzida uma variante sobre o ex&iacute;lio dos dois irm&atilde;os derrotados por Sancho II, ao revelar-se o local para onde Afonso foi enviado: Toledo. E, discrep&acirc;ncia ainda mais importante, a <i>Historia Legionensis</i> imputa a captura e pris&atilde;o de Garcia n&atilde;o a Sancho II, mas a Afonso VI, que segue o conselho da sua irm&atilde; Urraca nesta mat&eacute;ria. &Agrave; primeira vista, a op&ccedil;&atilde;o do redactor da <i>Legionensis</i> pode parecer paradoxal, j&aacute; que, sendo Afonso VI objecto de louvor incondicional, torn&aacute;-lo o captor do seu irm&atilde;o parece manchar a constru&ccedil;&atilde;o idealizada do protagonista do relato. Contudo, apesar de referir este acto, o texto evoca raz&otilde;es de monta para desculpabilizar o comportamento do rei de Le&atilde;o: a seguran&ccedil;a pessoal de ambos e a protec&ccedil;&atilde;o do reino<a href="#_ftn22" name="_ftnref22" title="">[22]</a>. Para al&eacute;m disso, e de forma a refor&ccedil;a ainda mais a benignidade das op&ccedil;&otilde;es de Afonso VI, a <i>Historia Legionensis</i> avan&ccedil;a a ideia de que Garcia n&atilde;o perde o seu estatuto r&eacute;gio, sendo at&eacute; confirmado como potencial herdeiro do irm&atilde;o<a href="#_ftn23" name="_ftnref23" title="">[23]</a>. Toda esta argumenta&ccedil;&atilde;o faz sentido se tivermos presente que a rejei&ccedil;&atilde;o da divis&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia e da divis&atilde;o territorial &eacute; uma das preocupa&ccedil;&otilde;es centrais do texto, como tivemos ocasi&atilde;o de mostrar recentemente<a href="#_ftn24" name="_ftnref24" title="">[24]</a>. Ainda assim, a alus&atilde;o &agrave; pris&atilde;o de Garcia por Afonso s&oacute; se compreende se admitirmos a exist&ecirc;ncia de outras vers&otilde;es do mesmo evento nas quais as ac&ccedil;&otilde;es de Afonso VI n&atilde;o estariam t&atilde;o bem defendidas, ou seriam mesmo atacadas. &Eacute; desta linha que se aproxima o <i>Chronicon Compostellanum</i><a href="#_ftn25" name="_ftnref25" title="">[25]</a><i>. </i>Redigido, entre 1126 e 1135<a href="#_ftn26" name="_ftnref26" title="">[26]</a>, provavelmente em contexto compostelano, este breve relato &eacute; sobretudo conhecido pelo car&aacute;cter anti-goticista (o que tem levado os investigadores a entend&ecirc;-lo como um libelo em defesa dos interesses da diocese de Compostela<a href="#_ftn27" name="_ftnref27" title="">[27]</a>) e pelas acusa&ccedil;&otilde;es que faz contra a rainha Urraca, filha de Afonso VI.</p>     <p>Tal como faz a <i>Historia Legionensis</i>, o <i>Chronicon Compostellanum </i>aceita a responsabilidade de Sancho no in&iacute;cio dos conflitos e no subsequente ex&iacute;lio de Afonso VI e Garcia<a href="#_ftn28" name="_ftnref28" title="">[28]</a>. Da mesma forma, atribui a Afonso, guiado pelo conselho de Urraca, a captura e pris&atilde;o de Garcia, que tamb&eacute;m coloca j&aacute; depois da morte de Sancho II em Zamora e logo ap&oacute;s o regresso de Afonso do ex&iacute;lio. Ao contr&aacute;rio da <i>Apostilha de Silos</i> e da <i>Historia Legionensis</i>, o <i>Chronicon</i> n&atilde;o elabora nenhuma justifica&ccedil;&atilde;o para a ac&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn29" name="_ftnref29" title="">[29]</a>. Dado que faz um elogio rasgado a Afonso VI um pouco mais adiante na narrativa<a href="#_ftn30" name="_ftnref30" title="">[30]</a>, n&atilde;o parece plaus&iacute;vel que o <i>Chronicon Compostellanum</i> pretendesse tra&ccedil;ar um negro retrato do rei de Le&atilde;o ao incluir esta informa&ccedil;&atilde;o sobre o destino de Garcia. No entanto, &eacute; poss&iacute;vel que esta alus&atilde;o tenha sido assim entendida: tendo em conta que o <i>Chronicon Compostellanum</i> parece dialogar muito de perto com a <i>Historia Legionensis</i><a href="#_ftn31" name="_ftnref31" title="">[31]</a>, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil aceitar que a vers&atilde;o do <i>Chronicon</i> possa ter contribu&iacute;do para que a <i>Legionensis </i>se visse na necessidade de arquitectar uma argumenta&ccedil;&atilde;o com vista a desculpabilizar o procedimento de Afonso VI para com o seu irm&atilde;o mais novo.</p>     <p>A vers&atilde;o do epis&oacute;dio proposta pela <i>Chronica Pelagiana</i><a href="#_ftn32" name="_ftnref32" title="">[32]</a>, uma cr&oacute;nica din&aacute;stica redigida por Pelaio, bispo de Oviedo, depois de 1130<a href="#_ftn33" name="_ftnref33" title="">[33]</a>, &eacute; algo diferente. Aqui, o epis&oacute;dio da pris&atilde;o de Garcia apresenta uma combina&ccedil;&atilde;o dos motivos presentes nos textos j&aacute; mencionados: na senda da <i>Historia Legionensis </i>e do<i> Chronicon Compostellanum</i>, a captura de Garcia &eacute; apresentada como obra de Afonso. Contudo, a <i>Chronica Pelagiana</i> introduz neste ponto o motivo do engano/engodo, de forma a aclarar as circunst&acirc;ncias em que essa captura se torna poss&iacute;vel: Afonso consegue o seu intento <i>graue ingenium sine pugna</i><a href="#_ftn34" name="_ftnref34" title="">[34]</a>.</p>     <p>Entre os textos latinos do s&eacute;culo XII, importa ainda ter em conta a <i>Chronica Naierensis</i><a href="#_ftn35" name="_ftnref35" title="">[35]</a>. Redigida no mosteiro de Santa Maria la Real de N&aacute;jera entre 1173 e 1190<a href="#_ftn36" name="_ftnref36" title="">[36]</a>, esta cr&oacute;nica tem a particularidade de propor uma <i>translatio</i> dos preceitos pol&iacute;ticos do goticismo legitimador da dinastia astur-leonesa para a dinastia castelhana<a href="#_ftn37" name="_ftnref37" title="">[37]</a>. No epis&oacute;dio da deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia, a <i>Chronica Naierensis</i> vai, tal como a <i>Apostilha An&oacute;nima de Silos</i>, atribuir a pris&atilde;o de Garcia a Sancho, uma figura que o texto denigre ao longo de todo o relato<a href="#_ftn38" name="_ftnref38" title="">[38]</a>. Na senda do <i>Chronicon Compostellanum</i> e da <i>Chronica Pelagiana</i>, tamb&eacute;m recorre ao motivo do engano, mas exprime-o atrav&eacute;s de outro voc&aacute;bulo (<i>dolus</i>)<a href="#_ftn39" name="_ftnref39" title="">[39]</a> e ao qual adiciona a alus&atilde;o ao desconhecimento de Garcia do estratagema planeado pelo irm&atilde;o (<i>doli nescius</i>). Acorre assim por obriga&ccedil;&atilde;o (<i>obsequiosus</i>) ao encontro do irm&atilde;o em Santar&eacute;m (<i>Sanctum Yreneum</i>), acabando por ser preso e levado para Castela, onde vem a falecer mais tarde<a href="#_ftn40" name="_ftnref40" title="">[40]</a>.</p>     <p>Como mostrou Francisco Bautista, o autor da <i>Naierensis</i> inova relativamente aos textos que conhecia e que forneciam vers&otilde;es distintas sobre este evento: estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o entre o motivo do engano e a figura de Sancho II, ao mesmo tempo que absolve Afonso VI, figura que interessa exaltar, desse comportamento<a href="#_ftn41" name="_ftnref41" title="">[41]</a>. Para al&eacute;m disso, refere-se a Garcia como &ldquo;<i>obsequiosus</i>&rdquo;. Este adjectivo pode ter o sentido geral de deferente<a href="#_ftn42" name="_ftnref42" title="">[42]</a>, mas est&aacute; relacionado com <i>obsequium</i>, um termo multifacetado, ligado a modos de subordina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social, como o servi&ccedil;o feudo-vass&aacute;lico<a href="#_ftn43" name="_ftnref43" title="">[43]</a>. Deve pressupor-se que a introdu&ccedil;&atilde;o de tal adjectivo na <i>Chronica Naierensis</i> significa que Garcia estaria politicamente subordinado ao irm&atilde;o? Ou que apenas indica a vontade de Garcia em cumprir a sua parte no encontro combinado? Por raz&otilde;es que abordaremos mais adiante<a href="#_ftn44" name="_ftnref44" title="">[44]</a>, inclinamo-nos para a primeira interpreta&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, as cr&oacute;nicas do s&eacute;culo XII relatam a pris&atilde;o e consequente deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia com alguma heterogeneidade. Contudo, &eacute; poss&iacute;vel agrupar os relatos mencionados em dois tipos: 1) um, mais vinculado ao espa&ccedil;o castelhano, atribui a Sancho a autoria da pris&atilde;o (<i>Postilha An&oacute;nima de Silos</i> e <i>Chronica Naierensis</i>): 2) o outro, presente em textos de proced&ecirc;ncia leonesa, apresenta este acto como tendo sido praticado por Afonso, com ou sem conselho da irm&atilde; de ambos, Urraca (<i>Historia Legionensis</i>, <i>Chronica Pelagiana</i> e <i>Chronicon Compostellanum</i>). Al&eacute;m disso, os textos empregam estrat&eacute;gias para contextualizar ou explicar o evento. Uma, gira em torno do motivo &ndash; oscilante, &eacute; certo &ndash; do engodo: <i>ingenium </i>(no sentido de estratagema), <i>fraus </i>(fraude, logro), <i>dolus </i>(armadilha, engano)<a href="#_ftn45" name="_ftnref45" title="">[45]</a>. Este motivo surge em todos os textos castelhanos e tamb&eacute;m na <i>Chronica Pelagiana</i>, redigida em Oviedo. A outra justifica&ccedil;&atilde;o, que apenas surge na <i>Historia Legionensis</i>, tem um car&aacute;cter &ldquo;pol&iacute;tico&rdquo; mais acentuado (aquilo que poder&iacute;amos designar anacronicamente como &ldquo;raz&atilde;o de estado&rdquo;): a pris&atilde;o de Garcia &eacute; acompanhada por considera&ccedil;&otilde;es sobre formas de sucess&atilde;o r&eacute;gia (sucess&atilde;o horizontal na aus&ecirc;ncia de descendentes directos) e pela alus&atilde;o &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o do seu estatuto r&eacute;gio. Pode, ent&atilde;o, dizer-se que, com excep&ccedil;&atilde;o da <i>Historia Legionensis</i>, que debate a quest&atilde;o a partir de um ponto de vista mais institucional, estas cr&oacute;nicas apresentam uma vers&atilde;o do epis&oacute;dio em que a captura e pris&atilde;o de Garcia &eacute; obtida atrav&eacute;s de uma ac&ccedil;&atilde;o dissimulada (<a href="#f1">Fig. 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/med/n23/n23a07f01.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>A historiografia do s&eacute;culo XIII</b></p>     <p>Passemos agora aos textos que mais directamente nos interessam. O primeiro deles, o <i>Chronicon Mundi</i><a href="#_ftn46" name="_ftnref46" title="">[46]</a>, foi redigido entre os anos de 1230 e 1236<a href="#_ftn47" name="_ftnref47" title="">[47]</a>. O seu autor, Lucas, tamb&eacute;m conhecido como <i>Tudense,</i> foi monge do mosteiro de Santo Isidoro de Le&atilde;o e, posteriormente, bispo de Tui<a href="#_ftn48" name="_ftnref48" title="">[48]</a>. Para al&eacute;m desta obra historiogr&aacute;fica, deixou outros textos, nomeadamente uma colec&ccedil;&atilde;o hagiogr&aacute;fica conhecida como <i>Miracula Sancti Isidori </i>e uma obra teol&oacute;gica denominada<i> De altera vita</i><a href="#_ftn49" name="_ftnref49" title="">[49]</a>.</p>     <p>O <i>opus magnum</i> do bispo de Tui constitui um relato global da hist&oacute;ria do mundo que come&ccedil;a com o in&iacute;cio da cria&ccedil;&atilde;o e se estende at&eacute; aos acontecimentos coevos de escrita, terminando com a conquista de C&oacute;rdova por Fernando III, ocorrida em 1236. Como ami&uacute;de sucedia com as obras historiogr&aacute;ficas medievais, tamb&eacute;m &eacute; moldado por um pr&iacute;ncipio did&aacute;tico e exemplar&iacute;stico. No entanto, a componente pedag&oacute;gica nesta obra do Tudense &eacute; particularmente acentuada j&aacute; que, de acordo com o seu pr&oacute;prio pref&aacute;cio, foi concebida a mando da rainha Bereng&aacute;ria como um instrumento para a educa&ccedil;&atilde;o dos seus filhos, sobretudo de Fernando III<a href="#_ftn50" name="_ftnref50" title="">[50]</a>. O epis&oacute;dio da pris&atilde;o de Garcia ocorre no quarto e &uacute;ltimo livro do <i>Chronicon</i>, onde se relatam os acontecimentos compreendidos entre o reinado de Pelaio e a conquista de C&oacute;rdova, e onde se inscreve a mat&eacute;ria relativa &agrave; Parti&ccedil;&atilde;o dos reinos. Para a constru&ccedil;&atilde;o deste segmento do seu texto, o <i>Tudense</i> usou como fonte estrutural a <i>Historia Legionensis</i>, cujo conte&uacute;do enriqueceu com informa&ccedil;&otilde;es provenientes de outros relatos<a href="#_ftn51" name="_ftnref51" title="">[51]</a>.</p>     <p>Contudo, Lucas de Tui n&atilde;o se limita a copiar a informa&ccedil;&atilde;o contida nesses escritos, procedendo a uma reescrita que inclui remodela&ccedil;&otilde;es, altera&ccedil;&otilde;es, cortes, e outro tipo de interven&ccedil;&otilde;es<a href="#_ftn52" name="_ftnref52" title="">[52]</a>. Pode dizer-se que, de um modo geral, as narrativas do bispo de Tui se tornam mais complexas e prolixas do que as que conheceu. Tal deve-se ao facto de o autor combinar v&aacute;rias fontes que apresentam, muitas vezes, vers&otilde;es distintas do mesmo evento, mas tamb&eacute;m a uma leitura pr&oacute;pria dos textos que recebe. &Eacute; o que sucede na sua vers&atilde;o da deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia. Segundo a <i>Legionensis</i>, a pris&atilde;o do rei da Galiza tinha sido ordenada por Afonso VI<a href="#_ftn53" name="_ftnref53" title="">[53]</a>. Mas na <i>Chronica Naierensis</i>, que o bispo de Tui tamb&eacute;m conheceu<a href="#_ftn54" name="_ftnref54" title="">[54]</a>, Garcia era primeiro exilado por Sancho, tendo depois sido enganado e preso por ele<a href="#_ftn55" name="_ftnref55" title="">[55]</a>. O <i>Chronicon Mundi</i> combina estes dois relatos: aceita que Garcia &eacute; primeiro capturado por Sancho e interpreta o adjectivo <i>obsequiosus</i> da <i>Chronica Naierensis</i> na sua dimens&atilde;o feudo-vass&aacute;lica, pois diz que o rei da Galiza acaba por ser libertado pelo irm&atilde;o mais velho depois de lhe prestar juramento de fidelidade<a href="#_ftn56" name="_ftnref56" title="">[56]</a>.</p>     <p>A partir daqui, e sem deixar de fazer algumas inova&ccedil;&otilde;es, o <i>Chronicon Mundi</i> retoma a estrutura narrativa da <i>Historia Legionensis</i>, relatando o epis&oacute;dio da morte de Sancho em Zamora, o regresso de Afonso VI do ex&iacute;lio toledano e a nova pris&atilde;o de Garcia, desta feita por Afonso VI<a href="#_ftn57" name="_ftnref57" title="">[57]</a>. Neste ponto, o <i>Chronicon Mundi</i> volta a afastar-se da <i>Historia Legionensis</i>, preferindo fornecer uma explica&ccedil;&atilde;o para a pris&atilde;o de Garcia diferente da proposta por esta cr&oacute;nica leonesa. O <i>Tudense </i>opta por justificar o sucedido associando a captura de Garcia a dois tra&ccedil;os do seu car&aacute;cter: a ira, que o assalta ao ver-se preterido pelos seus cavaleiros em favor de Afonso VI, e o <i>simplex ingenium</i>, que o impede de se precaver devidamente antes de ir ao encontro do seu irm&atilde;o para celebrarem a paz<a href="#_ftn58" name="_ftnref58" title="">[58]</a>.</p>     <p>Como interpretar as altera&ccedil;&otilde;es efectuadas pelo <i>Tudense</i> a este epis&oacute;dio? No que diz respeito &agrave; t&eacute;cnica narrativa em quest&atilde;o, podemos p&ocirc;r a hip&oacute;tese de se tratar de um caso de recep&ccedil;&atilde;o activa, em que o autor ressemantiza um dado colhido noutros textos, neste caso em particular, a <i>Chronica Naierensis</i>. Recordamos que este texto atribu&iacute;a o destino infeliz de Garcia a um desconhecimento do logro concebido pelo seu irm&atilde;o Afonso (<i>dolo nescius</i>). Ora &eacute; poss&iacute;vel pensar que Lucas de Tui, conhecendo a vers&atilde;o <i>naierensis</i>, faz j&aacute; dela uma interpreta&ccedil;&atilde;o que acarreta um ju&iacute;zo de valor negativo relativamente &agrave; informa&ccedil;&atilde;o que recebe do cronista asturiano a prop&oacute;sito do encontro de Garcia com Afonso. Se o primeiro, movido pela raiva e ignorando o perigo que o espreita ao encontrar-se com o irm&atilde;o, n&atilde;o toma precau&ccedil;&otilde;es antes desse encontro, ent&atilde;o Garcia &eacute; dotado de uma pobre capacidade de discernimento, <i>simplex ingenium</i><a href="#_ftn59" name="_ftnref59" title="">[59]</a>. A reescrita deste epis&oacute;dio por Lucas de Tui assenta num subtil processo de releitura de voc&aacute;bulos que se prestam a m&uacute;ltiplas interpreta&ccedil;&otilde;es, resultando na transfer&ecirc;ncia da responsabilidade do evento relatado de Afonso VI para Garcia. Atrav&eacute;s desta subtileza, o cronista desvia a aten&ccedil;&atilde;o do acto de deslealdade cometido por Afonso VI (<i>dolus</i>) para a imprevid&ecirc;ncia e ignor&acirc;ncia de Garcia (<i>simplex ingenium</i>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute;, portanto, evidente que, face &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica que tem a montante, Lucas de Tui aposta num tipo diferente de argumenta&ccedil;&atilde;o para explicar a deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia. Contudo, essas altera&ccedil;&otilde;es s&oacute; podem ser cabalmente entendidas quando contextualizadas no &acirc;mbito mais alargado das concep&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-sociais que enformam a obra do cronista de Santo Isidoro, e que est&atilde;o intimamente ligadas quer ao modelo de realeza que defende, quer &agrave; sua inequ&iacute;voca parcialidade a favor de Le&atilde;o e dos seus monarcas<a href="#_ftn60" name="_ftnref60" title="">[60]</a>. O prol&oacute;go do <i>Chronicon Mundi</i> permite entrever algumas dessas concep&ccedil;&otilde;es. Amplamente influenciado por Isidoro de Sevilha<a href="#_ftn61" name="_ftnref61" title="">[61]</a>, a cujas obras recorreu ami&uacute;de, Lucas de Tui manifesta uma vis&atilde;o da realeza onde se valoriza a import&acirc;ncia da f&eacute; crist&atilde;, da justi&ccedil;a e da miseric&oacute;rdia para a boa governa&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn62" name="_ftnref62" title="">[62]</a>, deplorando, ao mesmo tempo, a viol&ecirc;ncia e o belicismo desenfreados, caracter&iacute;sticas que, na sua &oacute;ptica, acabam por ser prejudiciais para o reino por gerarem conflitos desnecess&aacute;rios e desviarem energias do combate ao inimigo da f&eacute;<a href="#_ftn63" name="_ftnref63" title="">[63]</a>. Assim, o <i>Tudense</i> louva, acima de tudo, as virtudes pr&oacute;prias de uma vis&atilde;o clerical e crist&atilde; do exerc&iacute;cio do poder, concedendo ainda uma import&acirc;ncia basilar &agrave; sabedoria (<i>sapientia</i>) e &agrave; temperan&ccedil;a (<i>temperantia</i>)<a href="#_ftn64" name="_ftnref64" title="">[64]</a>, ao mesmo tempo que censura a viol&ecirc;ncia desmesurada, que considera pr&oacute;pria de um grupo social espec&iacute;fico: a aristocracia<a href="#_ftn65" name="_ftnref65" title="">[65]</a>. Ora Garcia &eacute; precisamente apresentado como um rei que exibe a falta destas duas qualidades: movido pela ira, &eacute; incapaz de assegurar a fidelidade dos seus s&uacute;bditos; pouco inteligente, n&atilde;o sabe sequer guardar a sua pessoa do perigo. Em franco contraste com esta figura cheia de defeitos, est&aacute; Afonso VI, descrito como um rei prudente e s&aacute;bio, que sabe manter a paz entre todos<a href="#_ftn66" name="_ftnref66" title="">[66]</a>.</p>     <p>A reescrita deste epis&oacute;dio por Lucas de Tui tem, sem d&uacute;vida, o objectivo imediato de desresponsabilizar Afonso VI do acto cometido contra o seu irm&atilde;o mais novo. Contudo, tendo em conta os prop&oacute;sitos did&aacute;ticos do <i>Chronicon Mundi</i> j&aacute; referidos, podemos assumir que Afonso e Garcia transcendem a sua individualidade e representam, antes de mais, dois modelos antag&oacute;nicos de realeza: Afonso &eacute; apresentado como um rei ideal; Garcia &eacute; caracterizado com defeitos que o tornam pass&iacute;vel de ser encaixado no prot&oacute;tipo do <i>rex inutilis</i><a href="#_ftn67" name="_ftnref67" title="">[67]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>De Rebus Hispaniae</i></b></p>     <p>Poucos anos depois de Lucas de Tui terminar o <i>Chronicon Mundi</i>, mais concretamente em 1243, uma nova cr&oacute;nica foi completada. Sugestivamente intitulada <i>De Rebus Hispaniae</i><a href="#_ftn68" name="_ftnref68" title="">[68]</a>, este texto j&aacute; n&atilde;o tem o perfil de uma cr&oacute;nica universal como o <i>Chronicon </i>de Lucas de Tui, mas sim o da hist&oacute;ria de um territ&oacute;rio, a Espanha, e daqueles que o dominaram<a href="#_ftn69" name="_ftnref69" title="">[69]</a>. O seu autor foi Rodrigo Xim&eacute;nez de Rada<a href="#_ftn70" name="_ftnref70" title="">[70]</a>, magnata de origem navarra e arcebispo de Toledo.</p>     <p>Este texto, que tem como objectivo central a exalta&ccedil;&atilde;o Castela (e a defesa da primazia de Toledo sobre as restantes dioceses peninsulares), mant&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o textual pr&oacute;xima com o <i>Chronicon Mundi</i> de Lucas de Tui, que usou como fonte<a href="#_ftn71" name="_ftnref71" title="">[71]</a>. Apesar disso, as duas obras espelham as diferen&ccedil;as de posi&ccedil;&atilde;o dos seus autores no que concerne &agrave;s respectivas concep&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-sociais<a href="#_ftn72" name="_ftnref72" title="">[72]</a>. Essas diverg&ecirc;ncias est&atilde;o tamb&eacute;m patentes no epis&oacute;dio aqui nos ocupa, a deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia. O afastamento de posi&ccedil;&otilde;es dos dois cronistas &eacute; logo vis&iacute;vel nos pr&oacute;logos que antecedem a mat&eacute;ria narrativa de cada uma das cr&oacute;nicas. Do princ&iacute;pio did&aacute;tico expl&iacute;cito formulado pelo <i>Tudense</i>, o <i>Toledano</i> passa ao louvor exemplar&iacute;stico dos feitos dos homens do passado<a href="#_ftn73" name="_ftnref73" title="">[73]</a>: o <i>Tudense</i> pretendia ensinar o rei a agir, Rodrigo de Rada pretende celebrar um rei que age de acordo com determinados preceitos.</p>     <p>Rodrigo de Rada concebe o exerc&iacute;cio do poder na sociedade como o resultado de uma rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica entre grupos sociais, destacando a aristocracia, cujo papel pol&iacute;tico, embora diferente do do monarca, considera igualmente importante<a href="#_ftn74" name="_ftnref74" title="">[74]</a>. Nesta rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica que se estabelece entre o monarca e os aristocratas, cada parte det&eacute;m os seus direitos e deveres, e &eacute; sobre o compromisso pessoal de cumprimento das obriga&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas que assenta o edif&iacute;cio pol&iacute;tico arquitectado pelo Toledano<a href="#_ftn75" name="_ftnref75" title="">[75]</a>. Associadas ao cumprimento (ou n&atilde;o) deste pressuposto est&atilde;o certo tipo de qualidades, simultaneamente individuais (porque se materializam ou n&atilde;o num indiv&iacute;duo) e colectivas (comuns a todo o grupo social). Assim, a import&acirc;ncia que o grupo nobili&aacute;rquico (sobretudo o castelhano) adquire no Toledano vai reflectir-se no modo como este cronista modela a figura idealizada do monarca. Do mesmo modo, o apre&ccedil;o que Rodrigo de Rada manifesta por este grupo social implica uma defini&ccedil;&atilde;o das qualidades paradigm&aacute;ticas dos seus membros. Vejamos em que termos s&atilde;o definidos um e outros.</p>     <p>O monarca ideal dever&aacute; possuir v&aacute;rias virtudes. Se no <i>Tudense</i> se destacavam a sapi&ecirc;ncia, o <i>Toledano</i> considera como virtude essencial ao exerc&iacute;cio do poder soberano a <i>larguitas</i>, isto &eacute;, a capacidade de reconhecer e recompensar o contributo da aristocracia para a exist&ecirc;ncia e prosperidade do reino, e ainda a <i>strenuitas</i>e<i>justitia</i>, qualidades que permitem o estabelecimento e a manuten&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o social harmoniosa<a href="#_ftn76" name="_ftnref76" title="">[76]</a>. Por seu lado, na aristocracia, Rodrigo de Rada valoriza a lealdade (<i>fidelitas</i>)<a href="#_ftn77" name="_ftnref77" title="">[77]</a>. Neste particular, a quest&atilde;o da territorialidade adquire no <i>Toledano</i> uma dimens&atilde;o importante pois acarreta o reconhecimento da aristocracia como elemento mediador entre o rei e um determinado territ&oacute;rio. Essa concep&ccedil;&atilde;o implica um desdobramento do objecto da <i>fidelitas</i> aristocr&aacute;tica: ela pode resultar do estabelecimento de um v&iacute;nculo pessoal e volitivo com um monarca ou outra figura que representa uma autoridade (<i>fidelitas</i>contratual), ou ent&atilde;o ser parte integrante da rela&ccedil;&atilde;o de um determinado homem com a terra de onde &eacute; natural e, consequentemente, do senhor que a governa (<i>fidelitas</i>natural). N&atilde;o raras vezes, estes dois tipos de fidelidade entram em conflito<a href="#_ftn78" name="_ftnref78" title="">[78]</a>. Ora, a nosso ver, a vers&atilde;o da deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia da Galiza contada no <i>De Rebus Hispaniae</i> n&atilde;o s&oacute; est&aacute; moldada pelos princ&iacute;pios que acab&aacute;mos de elencar, como parece constituir-se como uma <i>est&oacute;ria </i>exemplar que concretiza &ndash; confirmando, por isso, o prop&oacute;sito did&aacute;tico da hist&oacute;ria &ndash; os princ&iacute;pios te&oacute;ricos enunciados pelo arcebispo de Toledo.</p>     <p>O <i>Chronicon Mundi</i> leva a narrativa da deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia por um caminho diferente do dos textos do s&eacute;culo XII. Reformula de tal forma o motivo do engodo de que Garcia fora v&iacute;tima que, de estratagema para o afastamento do rei da Galiza do trono, acaba por ser transformado n&atilde;o numa armadilha, mas num defeito do pr&oacute;prio Garcia, que denotava a sua incapacidade para a governa&ccedil;&atilde;o e que, portanto, fazia cair o rei da Galiza no paradigma do <i>rex inutilis</i><a href="#_ftn79" name="_ftnref79" title="">[79]</a>. J&aacute; no <i>De Rebus Hispaniae,</i> a correla&ccedil;&atilde;o entre a deposi&ccedil;&atilde;o do filho mais novo de Fernando I e Sancha de Le&atilde;o e sua incompatibilidade com o regimento do reino vai ser veiculada de outro modo: atrav&eacute;s da acusa&ccedil;&atilde;o de tirania. Na sequ&ecirc;ncia da partida de Afonso para o ex&iacute;lio e da tomada de Le&atilde;o por Sancho, o <i>De Rebus Hispaniae</i> d&aacute; conta da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no reino da Galiza. Garcia, confrontado com a proximidade de Sancho, tenta atac&aacute;-lo ao mesmo tempo que se envolve em persegui&ccedil;&otilde;es contra os seus s&uacute;bditos, que o <i>De Rebus</i> considera serem tir&acirc;nicas (<i>tirannide</i>)<a href="#_ftn80" name="_ftnref80" title="">[80]</a>. Essa terr&iacute;vel acusa&ccedil;&atilde;o &eacute; seguida por um epis&oacute;dio novo onde o Toledano mostra o comportamento do rei da Galiza com os aristocratas que senhoreia.</p>     <p>Garcia mant&eacute;m junto a si um conselheiro de baixo n&iacute;vel social (<i>vermulus</i>) que difama constantemente os magnates da sua corte. Apesar dos reiterados pedidos dos senhores lesados para que afaste de si este mau conselheiro, Garcia recusa livrar-se dele<a href="#_ftn81" name="_ftnref81" title="">[81]</a>. Confrontados com esta resposta insatisfat&oacute;ria, os cavaleiros decidem agir e matam o conselheiro na presen&ccedil;a do rei. Indignado, Garcia come&ccedil;a a perseguir indiscriminadamente os seus vassalos que, perante a atitude do seu senhor, transferem a sua lealdade para Sancho de Castela<a href="#_ftn82" name="_ftnref82" title="">[82]</a>. O abandono dos cavaleiros acaba por ser um factor decisivo para a derrota de Garcia em Santar&eacute;m e para o seu aprisionamento pelo irm&atilde;o mais velho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na senda do <i>Tudense</i>, mas de forma muito mais expl&iacute;cita, o <i>De Rebus Hispaniae</i> estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o entre a deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia e o (mau) tratamento que este d&aacute; aos seus <i>milites e barones</i><a href="#_ftn83" name="_ftnref83" title="">[83]</a>. Ao mesmo tempo, e diferentemente de Lucas de Tui, insere o t&oacute;pico do mau conselheiro como elemento catalisador da crescente espiral de viol&ecirc;ncia. Noutros autores, este t&oacute;pico surge em conjuga&ccedil;&atilde;o com a constru&ccedil;&atilde;o da figura do <i>rex inutilis</i><a href="#_ftn84" name="_ftnref84" title="">[84]</a>. Contudo, aqui Garcia n&atilde;o parece ser retratado como um <i>rex inutilis</i>, estando mais pr&oacute;ximo do perfil do tirano. Por preferir o conselho de um homem com estatuto social inferior, Garcia acaba por perseguir indiscriminadamente (<i>indistincte</i>)<a href="#_ftn85" name="_ftnref85" title="">[85]</a> todos os s&uacute;bditos, independentemente do seu envolvimento na morte desse conselheiro predilecto. Precisamente por isso, Garcia demonstra ser um rei injusto, n&atilde;o sabe quem recompensar e quem castigar. Ora um rei incapaz de aplicar convenientemente a justi&ccedil;a nos seus reinos n&atilde;o &eacute; tanto um rei incapaz<i>,</i> mas um rei que governa de forma tir&acirc;nica<a href="#_ftn86" name="_ftnref86" title="">[86]</a>.</p>     <p>O epis&oacute;dio do conselheiro implica, como vimos, a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova perspectiva sobre a deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia, que se enquadra de forma clara no programa pol&iacute;tico do Toledano. A deposi&ccedil;&atilde;o do rei da Galiza &eacute; avaliada e validada a partir de uma correla&ccedil;&atilde;o entre a tirania e injusti&ccedil;a do rei para com o grupo nobili&aacute;rquico, que ganha assim legitimidade para a quebra da fidelidade natural e para a sua substitui&ccedil;&atilde;o pela fidelidade contratual a um novo senhor, como ali&aacute;s sucede noutros pontos da narrativa<a href="#_ftn87" name="_ftnref87" title="">[87]</a>. Portanto, o <i>De Rebus Hispaniae</i> reescreve o epis&oacute;dio da deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia &agrave; luz da problem&aacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es entre realeza e aristocracia, uma das preocupa&ccedil;&otilde;es fundamentais de Rodrigo de Rada.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A an&aacute;lise das estrat&eacute;gias argumentativas dos textos dos cronistas dos s&eacute;culos XII e XIII usadas para justificar a deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia da Galiza permitiu entrever a complexidade e a riqueza dos motivos narrativos e dos pressupostos pol&iacute;ticos que se cruzam neste pequeno epis&oacute;dio. Pode dizer-se que ficou patente que a constru&ccedil;&atilde;o argumentativa proposta por cada texto &eacute; feita sempre a partir de um di&aacute;logo intenso com a tradi&ccedil;&atilde;o textual coeva ou mais antiga. Partindo de uma leitura motivada / tendenciosa de voc&aacute;bulos espec&iacute;ficos, os redactores dos textos reconfiguram determinados motivos de forma a dar-lhe um sentido que se enquadre com a sua vis&atilde;o do mundo e no seu entendimento do poder pol&iacute;tico e da fun&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia. De acordo com estes preceitos, a responsabilidade da captura e deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia oscila, consoante o aproveitamento e ensinamento pol&iacute;tico pretendido, entre Sancho e Afonso, entre um castelhano e um leon&ecirc;s.</p>     <p>Encontramos algumas diferen&ccedil;as entre a tradi&ccedil;&atilde;o textual dos s&eacute;culos XII e XIII no que toca &agrave; abordagem deste problema. &Agrave; excep&ccedil;&atilde;o da <i>Historia Legionensis</i>, que opta por uma argumenta&ccedil;&atilde;o j&aacute; marcadamente pol&iacute;tica, os textos do s&eacute;culo XII mencionam sem grande detalhe o tipo de acto que propiciou a queda de Garcia. Neste aspecto, todos os textos recordam, atrav&eacute;s de uma terminologia reveladora, o motivo do engano, o que pode sugerir que a est&oacute;ria veiculada absorveu outras tradi&ccedil;&otilde;es mais arcaicas, uma hip&oacute;tese que n&atilde;o nos foi poss&iacute;vel explorar.</p>     <p>A constru&ccedil;&atilde;o do mesmo epis&oacute;dio pelos cronistas do s&eacute;culo XIII reveste-se de outros processos. Quer o Tudense quer o Toledano procuram encontrar para a deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia da Galiza uma explica&ccedil;&atilde;o que v&aacute; para al&eacute;m da mera desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o do seu irm&atilde;o, Afonso VI. O destronamento do filho mais novo de Fernando I e Sancha de Le&atilde;o &eacute; aproveitado pelos dois cronistas para tecer, dentro do seu quadro ideol&oacute;gico e da sua vis&atilde;o do poder, um exemplo negativo de realeza. O Tudense, prezando virtudes como a <i>sapientia</i>, f&aacute;-lo imputando a Garcia uma candura ou uma falta de intelig&ecirc;ncia que o desqualifica como bom rei. Por seu lado, o Toledano, recuperando o tema dos maus conselheiros, condena em Garcia a incapacidade de fazer justi&ccedil;a e de exercer a boa governa&ccedil;&atilde;o com o <i>consilium</i> dos nobres. Assim, os cronistas do s&eacute;culo XIII utilizam este epis&oacute;dio para fornecer um exemplo concreto e negativo das suas teorias pol&iacute;ticas sobre a fun&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia. Lucas de Tui constr&oacute;i uma imagem de Garcia mais pr&oacute;xima do paradigma do <i>rex inutilis</i>. Rodrigo de Toledo, encena-o como um tirano. Num caso como no outro, o destino historiogr&aacute;fico de Garcia da Galiza n&atilde;o foi mais misericordioso do que a sua vida.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p><b>Fontes</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><i>CARMEN Campidoctoris</i>. Ed. Emma Falque Rey, Juan Gil y Antonio Maya, <i>Historia Roderici vel gesta Roderici Campidocti</i>. <i>Corpus Christianorum Continuatio Medievalis (Chronica Hispana saeculi XII. Pars I)</i>, vol. 71. Turnhout: Brepols, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492616&pid=S1646-740X201800010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>CHRONICA Legionensis</i> (<i>olim silensis</i>). Ed. Justo P&eacute;rez de Urbel y Atilano Gonz&aacute;lez Ruiz-Zorrilla. Madrid: Ruiz-Zorrilla, 1959.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492618&pid=S1646-740X201800010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>CHRONICA Naierensis</i>. Ed. Juan Est&eacute;vez Sola. <i>Corpus Christianorum Continuatio Medievalis</i> (<i>Chronica Hispana saeculi XII, Pars II</i>), vol. 71A. Turnhout: Brepols, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492620&pid=S1646-740X201800010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>CHRONICA Najerense</i>. Ed. e trad. espanhola Juan A. Est&eacute;vez Sola. Madrid: Akal, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492622&pid=S1646-740X201800010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>CHRONICON Compostellanum</i>. Ed. Emma Falque. <i>Habis</i> 14. Sevilla: Publicaciones de la Universidad de Sevilla, 1983, pp. 73-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492624&pid=S1646-740X201800010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>CHRONICON Lusitanum </i>(<i>Chronica Gothorum</i>). &ldquo;<i>Annales Portucalenses Veteres</i>&rdquo;. Ed. Pierre David. in: DAVID, Pierre &ndash;<i> &Eacute;tudes Historiques sur La Galice et le Portugal du VIe au XIIe si&egrave;cle</i>. Coimbra: Instituto de Estudos Hist&oacute;ricos Dr. Ant&oacute;nio de Vasconcelos, 1947, pp. 291-302.</p>     <!-- ref --><p><i>HISTORIA Roderici vel gesta Roderici Campidocti</i>. Ed. Emma Falque Rey, Juan Gil y Antonio Maya. <i>Corpus Christianorum Continuatio Medievalis</i>, vol. 71(<i>Chronica Hispana saeculi XII. Pars I</i>). Turnhout: Brepols, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1492627&pid=S1646-740X201800010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>JUAN DE OSMA &ndash; <i>Cr&oacute;nica latina de los reyes de Castilla</i>. Ed. e trad. espanhola Luis Charlo Brea. Madrid: Akal, 1999.</p>     <p>LUCAS DE TUI &ndash; <i>Chronicon Mundi</i>. Ed. Emma Falque. <i>Corpus Christianorum Continuatio Medievalis, </i>vol. 74. Turnholt: Brepols, 2003.</p>     <p>PELAIO DE OVIEDO &ndash;<i> Cr&oacute;nica del Obispo don Pelayo</i>. Ed. Benito S&aacute;nchez Alonso. Madrid: Centro de Estudios Hist&oacute;ricos, Imprenta de los sucesores de Hernando, 1924.</p>     <p>RODRIGO XIM&Eacute;NEZ de RADA, arcebispo de Toledo &ndash; <i>Historia de rebus hispaniae sive historia gotica</i>. Ed. Juan Valverde. <i>Corpus Christianorum Continuatio Mediaevalis, </i>vol. 72. Turnhout: Brepols, 1989.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Estudos</b></p>     <p>BARTON, Simon; FLETCHER, Richard &ndash; <i>The world of el Cid: chronicles of the Spanish reconquest</i>. Manchester: Manchester University Press, 2000.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BAUTISTA, Francisco &ndash; &ldquo;Breve historiograf&iacute;a: Listas regias y Anales en la Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica (siglos VII-XII)&rdquo;. <i>Talia dixit</i> 4 (2009), pp. 113-190.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Sancho II y Rodrigo Campeador en <i>la Chronica Naierensis</i>&rdquo;. <i>e-Spania</i> [em linha] 7 (2009) [Consultado a 20-01-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://e-spania.revues.org/18101" target="_blank">http://e-spania.revues.org/18101</a>. DOI: 10.4000/e-spania.18101.</p>     <p>ECKEL, Auguste &ndash; <i>Charles le Simple</i>. Paris: &Eacute;d. Bouillon, 1899.</p>     <p>EST&Eacute;VEZ SOLA, Juan &ndash; &ldquo;Introducci&oacute;n&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nica Najerense</i>. Ed. e tradu&ccedil;&atilde;o espanhola de Juan Est&eacute;vez Sola, Madrid: Akal, 2004.</p>     <p>FALQUE, Emma &ndash; &ldquo;Introduction&rdquo;. in LUCAS DE TUI<i> &ndash; Chronicon Mundi</i>, Ed. Emma Falque. <i>Corpus Christianorum Continuatio </i>Medievalis, vol. 74. Turnhout: Brepols, 2003, pp. i-lxxxvii.</p>     <p>GLARE, P. G. &ndash; <i>Oxford Latin Dictionary.</i> Oxford: Clarendon Press, 1968.</p>     <p>GOMES, Maria Joana &ndash; <i>O rei na escrita: as m&uacute;ltiplas faces de Afonso VI (s&eacute;cs. XI-XII)</i>. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2017. Tese de Doutoramento.</p>     <p>HENRIET, Patrick &ndash; &ldquo;<i>Sanctissima patria</i>. Points communs entre les trois &oelig;uvres de Lucas&rdquo;. in HENRIET, Patrick &ndash; <i>Actes du colloque: Chroniqueur, hagiographe, th&eacute;ologien. Lucas de T&uacute;y (&dagger;1249) dans ses &oelig;uvres</i> (Sorbonne-Coll&egrave;ge d'Espagne, 10 d&eacute;cembre 1999). <i>Cahiers de linguistique et de civilisation hispaniques m&eacute;di&eacute;vales</i> 24 (2001), pp. 249-278.</p>     <p>JEREZ CABRERO, Enrique <i>&ndash; El </i>Chronicon Mundi<i> de Lucas de Tuy (C. 1238): T&eacute;cnicas compositivas y motivaciones ideol&oacute;gicas</i>. Madrid: Facultad de Letras y Filosof&iacute;a de la Universidad Aut&oacute;noma de Madrid, 2006. Tese de Doutoramento.</p>     <p>LINEHAN, Peter &ndash; &ldquo;De Lucas de Tui a Alfonso X&rdquo;. in FERN&Aacute;NDEZ-ORD&Oacute;NEZ, In&eacute;s (org.) &ndash; <i>Alfonso X el sabio y la Cr&oacute;nicas de Espa&ntilde;a</i>, Valladolid: Universidad de Valladolid-Centro de Estudios para la Edici&oacute;n de Cl&aacute;sicos Espa&ntilde;oles, 2000, pp. 19-36.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MARTIN, Georges &ndash; <i>Les Juges de Castile: mentalit&eacute;s et discours historique dans l'Espagne m&eacute;di&eacute;vale</i>. Paris: S&eacute;minaire d' &Eacute;tudes M&eacute;di&eacute;vales Hispaniques, 1992.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Nobleza y realeza en el <i>De rebus Hispaniae</i> (Libros 4 a 9)&rdquo;. in MOLINIE, Annie; ZIMMERMANN, Marie-Claire; RALLE, Michel (pres.) &ndash; <i>Hommage &agrave; Carlos Serrano</i>. Paris: &Eacute;ditions hispaniques, 2 vols., 2005, pp. 1-23.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Ordo&ntilde;o Sisn&aacute;ndez, autor de la <i>Historia Legionensis</i> (llamada <i>silensis</i>). Notas hist&oacute;rico-filol&oacute;gicas sobre un ego fundador&rdquo;. <i>e-Spania</i> [em linha] 14 (2012) [Consultado a 22-01-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://espania.revues.org/21711" target="_blank">http://espania.revues.org/21711. DOI: 10.4000/e-spania.21711</a>.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Toponimia y avidez de los reyes: doble lexicalizaci&oacute;n de los territorios hispanos en la <i>Historia Legionesis</i>&rdquo; (llamada <i>Silensis</i>). <i>e-Spania </i>[em linha] 13 (2012) [Consultado a 22-01-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://espania.revues.org/21070" target="_blank">http://espania.revues.org/21070. DOI: 10.4000/e-spania.17990</a>.</p>     <p>MONTANER, Alberto &ndash; &ldquo;Presencia y ausencia de Alfonso VI en la <i>Historia Legionensis</i> (<i>hactenus Silensis nuncupata</i>)&rdquo;. <i>e-Spania </i>[em linha] 14 (2012) [Consultado a 26-02-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://e-spania.revues.org/21750" target="_blank">http://e-spania.revues.org/21750. DOI: 10.4000/e-spania.21750</a>.</p>     <p>NIEDERMEYER, J. L. &ndash; <i>Mediae Latinitaties Lexicon Minus</i>. Leiden: Brill, 1975.</p>     <p>NORTHUP, George Tyler &ndash; &ldquo;The Imprisionment of King Garc&iacute;a&rdquo;. Modern Philology 17 (1919), pp. 393-412.</p>     <p>P&Eacute;REZ DE URBEL, Justo &ndash; &ldquo;Introducci&oacute;n&rdquo;. in <i>Liber Commicus</i>. <i>Edici&oacute;n cr&iacute;tica</i>. Madrid: CSIC, 1955.</p>     <p>P&Eacute;REZ RODR&Iacute;GUEZ, Estella &ndash; &ldquo;La Historia Roderici en su aspecto l&eacute;xico: Estudio comparativo en relaci&oacute;n con la Chronica Adefonsi Imperatoris y las cr&oacute;nicas hispanolatinas anteriores al siglo XIII&rdquo;. e-Spania [em linha] 15 2013. [Consultado a 25-02-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://e-spania.revues.org/22341" target="_blank">http://e-spania.revues.org/22341</a>. DOI: 10.4000/e-spania.22341.</p>     <p>PETERS, Edward &ndash; <i>The Shadow King: the </i>rex inutilis<i> in Law and literature</i>. New Haven: Yale University Press, 1970.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PORTELA, Ermelindo &ndash; <i>Garc&iacute;a II de Galicia, el rey y el reino (1065-1090)</i>. Burgos: La Olmeda, 2001.</p>     <p>RAMOS Y LOSCERTALES, Jos&eacute; Mar&iacute;a &ndash; &ldquo;El reino de Arag&oacute;n bajo la dinast&iacute;a pamplonesa&rdquo;. <i>Acta Salmanticensia</i> tomo XV, 2, 1961.</p>     <p>REGLERO DE LA FUENTE, Carlos &ndash; &ldquo;<i>Omnia totius regni sui monasteria</i>: la <i>Historia Legionense</i>, <i>llamada Silense</i>, y los monasterios de las infantas&rdquo;. <i>e-Spania </i>[em linha] 14 (2012) [Consultado a 25-02-2017]. Dispon&iacute;vel: <a href="http://espania.revues.org/21775#ftn3" target="_blank">http://espania.revues.org/21775#ftn3</a>. DOI: 10.4000/e-spania.21775.</p>     <p>RODR&Iacute;GUEZ DE LA PE&Ntilde;A, Manuel Alejandro &ndash; &ldquo;<i>Rex institutor scholarum:</i> la dimensi&oacute;n sapiencial de la realeza en la cron&iacute;stica de Le&oacute;n-Castilla y los or&iacute;genes de la Universidad de Palencia&rdquo;. <i>Hispania Sacra</i> 126 (2010), pp. 491-512.</p>     <p>WARD, Aengus &ndash; <i>History and Chronicles in Late Medieval Iberia: Representations of Wamba in late medieval narrative histories</i>. Leiden: Brill, 2011.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>GOMES, Maria Joana &ndash; &ldquo;<i>Erat simplicis ingenii</i>: A deposi&ccedil;&atilde;o de Garcia da Galiza vista pelos os cronistas dos s&eacute;culos XII e XIII&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm; 23 (Janeiro &ndash; Junho 2018). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA23/gomes2307.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA23/gomes2307.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 16 de Mar&ccedil;o de 2017</p>     <p>Data aceita&ccedil;&atilde;o do artigo: 20 de Outubro de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a> Sobre a deposi&ccedil;&atilde;o de Sancho II podem ser consultados os seguintes t&iacute;tulos: VARANDAS, Jos&eacute; &ndash; <i>Bonus Rex ou Rex inutilis: as periferias e o centro (redes de Poder no reinando de D. Sancho II (1223-1248)</i>. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2003. Tese de Doutoramento. FERNANDES, Hermenegildo &ndash; <i>Sancho II</i>. Colec&ccedil;&atilde;o dos Reis de Portugal. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2006; MOREIRA, Filipe &ndash; &ldquo;&lsquo;E des ally foi pera mall&rsquo; &ndash; o reinado de D. Sancho II na cron&iacute;stica medieval portuguesa&rdquo;, <i>Revista Di&aacute;logos Mediterr&acirc;nicos</i> 3 (2012), pp. 160-171; MATTOSO, Jos&eacute; &ndash; &ldquo;A crise de 1245&rdquo;. in MATTOSO, Jos&eacute; &ndash; <i>Portugal medieval: novas interpreta&ccedil;&otilde;es</i>. Obras Completas, 12 vols. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2002, vol. 8, pp. 47-60; PETERS, Edward &ndash; <i>The Shadow King, the </i>Rex inutilis<i> in medieval law and literature (751-1327)</i>. New Haven and London: Yale University Press, 1970, pp. 135-170; SANTOS, Herlander Gon&ccedil;alves dos &ndash; <i>D. Sancho II: da deposi&ccedil;&atilde;o &agrave; composi&ccedil;&atilde;o das fontes liter&aacute;rias dos s&eacute;culos XIII e XIV</i>. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2009. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/20092/2/mestherlandersantossanchoII000084373.pdf" target="_blank">https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/20092/2/mestherlandersantos sanchoII000084373.pdf</a></p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a> PETERS, Edward&ndash; <i>The Shadow King</i>, p. 23.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a> Sobre o epis&oacute;dio conhecido como Parti&ccedil;&atilde;o dos reinos h&aacute; uma profusa bibliografia. Saliento alguns t&iacute;tulos que se centram estritamente o epis&oacute;dio: MEN&Eacute;NDEZ PIDAL, Ram&oacute;n &ndash; <i>La Espa&ntilde;a del Cid</i>. 2 vols. Madrid: Espasa-Calpe, 1929; POWELL, Brian &ndash; &ldquo;The &quot;Partici&oacute;n de los reinos&quot; in the &quot;Cr&oacute;nica de veinte reyes&quot;&rdquo;. <i>Bulletin of Hispanic Studies</i> LXI (1984), pp. 459-471; VAQUERO, Mercedes &ndash; &ldquo;El rey don Alfonso, el que dixieron el Bravo e el de las parti&ccedil;iones&rdquo;. <i>Bolet&iacute;n de la Real Academia Espa&ntilde;ola</i> 70 (1990), pp. 265-288; CATAL&Aacute;N, Diego &ndash; <i>La &eacute;pica espa&ntilde;ola: nueva documentaci&oacute;n y nueva evaluaci&oacute;n</i>. Madrid: Fundaci&oacute;n Ram&oacute;n Men&eacute;ndez Pidal; JARDIN, Jean-Pierre &ndash; &ldquo;La partici&oacute;n de los reinos de Fernando I en la Chronica Naiarensis&rdquo;. e-Spania [em linha] 7 (2009) [Consultado a 20-01-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://e-spania.revues.org/17991" target="_blank">http://e-spania.revues.org/17991</a></p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a> Para uma perspectiva hist&oacute;rica sobre estes acontecimentos veja-se: GAMBRA, Andr&eacute;s &ndash; <i>Canciller&iacute;a, Curia e Imperio: Diplomatario de Afonso VI</i>. Le&oacute;n: Centro de Estudios San Isidoro, 1998, vol. 1, pp. 77-100; LINAGE CONDE, Antonio &ndash; <i>Alfonso VI: El rey hispano y europeo de las tres religiones</i>. Burgos: La Olmeda, 1994 (reed. 2006); PORTELA, Ermelindo &ndash;<i> Garc&iacute;a II de Galicia, el rey y el reino (1065-1090). </i>Burgos: La Olmeda, 2001; GONZ&Aacute;LEZ M&Iacute;NGUEZ, C&eacute;sar &ndash; <i>El proyecto pol&iacute;tico de Sancho de Castilla (1065-1072)</i>. Palencia: ITTM, 2002, pp. 77-99; M&Iacute;NGUEZ, Jos&eacute; Mar&iacute;a &ndash; <i>Alfonso VI: poder, expansi&oacute;n territorial y reorganizaci&oacute;n interior</i>. Donostia/San Sebasti&aacute;n: Nerea, 2003; FERN&Aacute;NDEZ GONZ&Aacute;LEZ, Etelvina &ndash; <i>Alfonso VI y su &eacute;poca. Los horizontes de Europa (1065-1109)</i>. Le&oacute;n: Instituto Leon&eacute;s de Cultura, 2009. Para a constru&ccedil;&atilde;o da sua identidade textual veja-se a minha recentemente defendida Tese de Doutoramento: GOMES, Maria Joana &ndash; <i>O rei na escrita: As m&uacute;ltiplas faces de Afonso VI (s&eacute;cs. XI-XII)</i>. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2017. Tese de Doutoramento.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a> Remeto para o estudo biogr&aacute;fico de Ermelindo Portela acima citado e que aborda esta quest&atilde;o.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a> NORTHUP, George Tyler &ndash; &ldquo;The Imprisionment of King Garc&iacute;a&rdquo;. Modern Philology 17 (1919), pp. 393-412.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a> WARD, Aengus &ndash; <i>History and Chronicles in Late Medieval Iberia: Representations of Wamba in late medieval narrative histories</i>. Leiden: Brill, p. 174.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a> Deixamos de fora de uma abordagem mais exaustiva outro texto historiogr&aacute;fico fundamental redigido no s&eacute;culo XIII, a <i>Chronica Regum Castellae</i>. Este texto, escrito pelo chanceler de Fernando III, Juan de Osma entre 1223 e 1239 n&atilde;o faz qualquer refer&ecirc;ncia &agrave; captura e pris&atilde;o de Garcia no contexto dos conflitos entre os filhos de Fernando I, limitando-se a dizer quais as terras recebidas pelo filho mais novo de Fernando e Sancha na divis&atilde;o dos reinos, atribuindo-lhe erradamente a tutela de Najera e de Navarra e n&atilde;o da Galiza (ver JUAN DE OSMA &ndash;<i> Cr&oacute;nica Latina dos reis de Castela</i>. Ed. e trad. Espanhola: Charles Brea, Madrid: Akal, 1999, p. 26). Trata-se de uma confus&atilde;o entre dois Garcias: o filho de Sancha de Le&atilde;o e de Fernando I, e o irm&atilde;o de Fernando I, rei de Navarra e conhecido como &ldquo;el de N&aacute;jera&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a> PORTELA, Ermelindo &ndash; <i>Garc&iacute;a II, </i>pp. 7-14. A escassez de fontes sobre este rei &eacute; transversal &agrave; sua colec&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica. Ainda segundo PORTELA, Ermelindo &ndash; <i>Garc&iacute;a II</i>, p. 176, apenas sete documentos sobrevivem em que Garcia cumpre uma fun&ccedil;&atilde;o relevante. &Eacute; interessante ressalvar que n&atilde;o encontramos qualquer refer&ecirc;ncia a este rei, quer na historiografia, quer na documenta&ccedil;&atilde;o produzidas e/ou conservadas na catedral de Santiago de Compostela no s&eacute;culo XII. A documenta&ccedil;&atilde;o de Sancho e Afonso assim como a de Fernando I e das infantas Elvira e Urraca poder&atilde;o prestar alguns esclarecimentos adicionais sobre a forma como se ter&aacute; desenrolado o afastamento de Garcia do trono da Galiza.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">[10]</a> Ver GOMES, Maria Joana &ndash; <i>O rei na escrita</i>, sobretudo pp. 151-167 e bibliografia citada.</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">[11]</a> PORTELA, Ermelindo &ndash; <i>Garc&iacute;a II</i>, p. 174, relaciona este sil&ecirc;ncio com a restaura&ccedil;&atilde;o da diocese de Braga em 1071. H&aacute;, no entanto, alguns documentos de Garcia referidos e editados por Ermelindo Portela que est&atilde;o vinculados a outras institui&ccedil;&otilde;es eclesi&aacute;sticas galegas: Lugo (1), Mondonhedo (1), e mosteiro de Toques (1).</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">[12]</a> <i>CHRONICON Lusitanum </i>(<i>Chronica Gothorum</i>). &ldquo;<i>Annales Portucalenses Veteres</i>&rdquo;. Ed. Pierre David. in: DAVID, Pierre &ndash;<i> &Eacute;tudes Historiques sur La Galice et le Portugal du VIe au XIIe si&egrave;cle</i>. Coimbra: Instituto de Estudos Hist&oacute;ricos Dr. Ant&oacute;nio de Vasconcelos, 1947, pp. 291-302, p. 298. Dos documentos citados por Ermelindo Portela, a antiga abadia de Pendorada, situada actualmente no concelho de Marco de Canaveses, &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o &agrave; qual est&aacute; associado um maior n&uacute;mero de documentos de Garcia hoje editados (tr&ecirc;s), o que leva o investigador galego a afirmar que a mem&oacute;ria &ldquo;portuguesa&rdquo; de Garcia est&aacute; preferencialmente vinculada ao territ&oacute;rio situado entre Douro e Minho (PORTELA, Ermelindo &ndash; <i>Garc&iacute;a II</i>, p. 174), enquanto a zona a sul do Douro parece pautar-se por um sil&ecirc;ncio semelhante ao que encontramos nas fontes galegas.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">[13]</a> S&eacute;culos mais tarde, a narrativa da captura e pris&atilde;o de Garcia ser&aacute; recontada pela <i>Cr&oacute;nica de 1344</i> de Pedro de Barcelos, que reconfigura e reescreve o epis&oacute;dio tal como o recebera da tradi&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica afonsina. O tratamento do epis&oacute;dio pelos v&aacute;rios textos e as respectivas interpreta&ccedil;&otilde;es foram j&aacute; estudadas em DIAS, Isabel de Barros &ndash; &ldquo;Os imposs&iacute;veis grilh&otilde;es do futuro&rdquo;. <i>6&ordm; Congresso da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Lusitanistas </i>[em linha]. 2001 (texto consultado pela &uacute;ltima vez a 18-10-2009, actualmente indispon&iacute;vel).</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">[14]</a> GOMES, Maria Joana &ndash; <i>O rei na escrita</i>, pp. 281-289.</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">[15]</a> P&Eacute;REZ DE URBEL, Justo &ndash; &ldquo;Introducci&oacute;n&rdquo;. in <i>Liber Commicus</i>. Edici&oacute;n cr&iacute;tica, Madrid: CSIC, 1955, p. XLV.</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">[16]</a> <i>POSTILLA An&oacute;nima de Silos</i>. Ed. Ram&oacute;n Men&eacute;ndez Pidal in <i>La Espa&ntilde;a del Cid</i>, vol. II, p. 709: &ldquo;<i>Rex Sancius prolix Ferdinando, ob fraudem sui fratri Garseani, ira comotus, eum, de Gallecia expulsum et captum in opidum Burgos in exilium trusit</i>&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">[17]</a> Na mesma linha, o ataque de Sancho contra Afonso VI &eacute; justificado pela inveja sentida por este em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro (<i>causa invidia</i>). Esta qualidade, juntamente com a ira, &eacute; tamb&eacute;m evocada em outros textos, como forma de explicar um determinado comportamento menos aceit&aacute;vel. Por exemplo, nos textos cidianos, a ira e inveja de Afonso VI s&atilde;o tidas como justifica&ccedil;&atilde;o para a expuls&atilde;o do Cid do reino: No <i>Carmen Campidoctoris</i>, a tentativa de inimizar o rei com o Cid deriva da inveja sentida por um grupo an&oacute;nimo de cavaleiros relativamente ao prest&iacute;gio do Campeador. A interfer&ecirc;ncia deste grupo de cavaleiros na rela&ccedil;&atilde;o entre o rei e o Cid acaba por despertar a ira do rei que exila o cavaleiro castelhano no <i>Carmen Campidoctoris</i>. A associa&ccedil;&atilde;o entre a inveja e o conflito est&aacute; tamb&eacute;m patente noutros textos historiogr&aacute;ficos peninsulares: existe o epis&oacute;dio em que Fruela I mata o seu irm&atilde;o V&iacute;mara &ldquo;<i>ob inuidia</i>&rdquo; (<i>Chronica Albeldensia</i> e tamb&eacute;m na <i>Historia Legionensis</i>). Na <i>Historia Legionensis,</i> a inveja &eacute; tamb&eacute;m apresentada como o motivo que mobiliza Garcia III de Navarra contra o seu irm&atilde;o, Fernando. Esse sentimento &eacute; motivado, segundo a cr&oacute;nica, pela magnific&ecirc;ncia e opul&ecirc;ncia que rodeiam Fernando I, agora rei de Le&atilde;o. Apesar de o texto n&atilde;o estabelecer essa liga&ccedil;&atilde;o, a verdade &eacute; que pode perceber-se que a inveja de Garcia &eacute; motivada pela subida de Fernando I ao trono leon&ecirc;s, acabando por ultrapassar em estatuto o seu irm&atilde;o mais velho e primog&eacute;nito. Se a divis&atilde;o dos reinos de Sancho III implicava, como se pensa uma preval&ecirc;ncia do primog&eacute;nito sobre os irm&atilde;os mais novos, como prop&otilde;e RAMOS Y LOSCERTALES, Jos&eacute; Mar&iacute;a &ndash; &ldquo;El reino de Arag&oacute;n bajo la dinast&iacute;a pamplonesa&rdquo;. <i>Acta Salmanticensia </i>tomo XV, 2 (1961), pp. 56-58, ent&atilde;o a subida ao trono leon&ecirc;s de Fernando I poderia constituir uma amea&ccedil;a a essa posi&ccedil;&atilde;o de superioridade do seu irm&atilde;o. Recordemos tamb&eacute;m que a inveja foi o motivo apresentado por Caim para o assassinato de Abel.</p>     <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">[18]</a> O texto n&atilde;o esclarece qual o tipo de engano cometido. A polissemia da palavra remete, num sentido lato para um engano ou ofensa, e, num sentido mais espec&iacute;fico, para o dom&iacute;nio do direito contratual. &Eacute; poss&iacute;vel que o autor an&oacute;nimo do texto estivesse consciente dessa polissemia. Para al&eacute;m disso, tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio dar import&acirc;ncia &agrave; refer&ecirc;ncia ao ex&iacute;lio presente neste texto, n&atilde;o s&oacute; pela sua import&acirc;ncia simb&oacute;lica relacionada com a perda da terra, tem&aacute;tica que, como sabemos, tinha ampla resson&acirc;ncia na historiografia medieval peninsular, mas tamb&eacute;m porque esta alus&atilde;o ao duplo ex&iacute;lio de Garcia e Afonso &eacute; mat&eacute;ria narrativa que encontra eco em todos textos historiogr&aacute;ficos posteriores, sendo especialmente desenvolvida pela historiografia afonsina e p&oacute;s-afonsina (<i>Vers&atilde;o Sanchina </i>da<i> Est&oacute;ria de Espanna</i> e <i>Cr&oacute;nica de 1344</i>).</p>     <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">[19]</a> A proveni&ecirc;ncia deste texto foi e &eacute; mat&eacute;ria para amplo debate entre os investigadores. Actualmente, as posi&ccedil;&otilde;es dividem-se entre aqueles que se inclinam para o mosteiro de Santo Isidoro de Le&atilde;o (G&oacute;mez Moreno, Simon Barton e Richard Fletcher, George Martin, H&eacute;lene Thieulin-Pardo, Gaelle le Morvan) e os que relacionam a redac&ccedil;&atilde;o desta cr&oacute;nica com o mosteiro de Sahag&uacute;n (Benito S&aacute;nchez-Alonso, Canal S&aacute;nchez-Pag&iacute;n, Peter Linehan e Patrick Henriet). Posta de lado est&aacute; a hip&oacute;tese de esta cr&oacute;nica proceder do mosteiro de S&atilde;o Domingos de Silos, como defendiam Ram&oacute;n Men&eacute;ndez Pidal, Francisco Santos Coco e Justo P&eacute;rez de Urbel.</p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">[20]</a> Os investigadores n&atilde;o t&ecirc;m uma posi&ccedil;&atilde;o un&acirc;nime relativamente &agrave; data&ccedil;&atilde;o do texto. Para Simon Barton e Richard Fletcher a obra foi escrita entre 1109 e 1120 (BARTON, Simon; FLETCHER, Richard &ndash; <i>The world of El Cid. Chronicles of the Spanish Reconquest</i>. Manchester: Manchester University Press, 2000, p. 12. Alberto Montaner prop&otilde;e que o texto tenha sido redigido antes de 1135, data em que Afonso VII passa a reivindicar para si o uso do t&iacute;tulo imperial (MONTANER, Alberto &ndash; &ldquo;Presencia y ausencia de Alfonso VI en la <i>Historia Legionensis</i> (<i>hactenus Silensis nuncupata</i>)<i>&rdquo;, e-Spania</i> [em linha] 14 (2012), &sect; 21 [consultado a 22-01-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://e-spania.revues.org/21750" target="_blank">http://e-spania.revues.org/21750</a>. Georges Martin p&otilde;e a hip&oacute;tese de o texto ter sido redigido entre os anos de 1121 e 1133, &eacute;poca em que Ordo&ntilde;o Sisn&aacute;ndez, que o investigador franc&ecirc;s considera como autor do texto, permaneceu em San Isidoro, mas sugerindo tamb&eacute;m que o <i>terminus ante quem</i> seja o ano de 1153 (MARTIN, George &ndash; &ldquo;Ordo&ntilde;o Sisn&aacute;ndez, autor de la <i>Historia Legionensis</i> (llamada <i>Silensis</i>). Notas hist&oacute;rico-filol&oacute;gicas sobre un ego fundador&rdquo;. <i>e-Spania </i>[em linha] 14 (2012), &sect; 24 [Consultado a 22-01-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://espania.revues.org/21711" target="_blank">http://espania.revues.org/21711</a></p>     <p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title="">[21]</a> Para a quest&atilde;o da estrutura da <i>Historia Legionensis</i> ver MONTANER, Alberto &ndash; &ldquo;Presencia y ausencia de Alfonso VI&rdquo;. Para uma interpreta&ccedil;&atilde;o e funcionalidade dos coment&aacute;rios do narrador em geral ver MARTIN, Georges &ndash; &ldquo;Ordo&ntilde;o Sisn&aacute;ndez&rdquo;. Para a sua funcionalidade no epis&oacute;dio da parti&ccedil;&atilde;o dos reinos ver GOMES, Maria Joana &ndash; <i>O rei na escrita</i>,sobretudopp. 278-288.</p>     <p><a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title="">[22]</a> <i>HISTORIA Legionensis</i>. Ed. Justo P&eacute;rez de Urbel, p. 123: &ldquo;<i>Huius itaque Adefonsum acepto consilio [de Urraca] hac scilicet necessitudine anxius, ne rursus uel sua dolose uel fratris morte regnum corrumperetur, Garsiam minimum fratrem cepit</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title="">[23]</a> <i>HISTORIA Legionensis</i>. Ed. P&eacute;rez de Urbel, p. 125: <i>&ldquo;[...] cui in vincula presto posito, preter licentiam inperitandi, omnis regis honor exhibebatur. Considerabat namque Adefonsus hunc interim salua pace post se regnaturum sed inperatrix natura que homini ineuitabilem mortis metam infixit, interueniens, sub eadem custoria, multo post febre correptus, obiit</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title="">[24]</a> GOMES, Maria Joana &ndash; <i>O rei na escrita, </i>pp.278-288.</p>     <p><a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title="">[25]</a> <i>CHRONICON Compostellanum</i>. Ed. Emma Falque. <i>Habis</i> 14. Sevilla: Publicaciones de la Universidad de Sevilla, 1983, pp. 73-83.</p>     <p><a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title="">[26]</a> A data&ccedil;&atilde;o proposta baseia-se na refer&ecirc;ncia &agrave; morte de Urraca (1126) e &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de Afonso Raimundes como rei e n&atilde;o imperador (MARTIN, Georges &ndash;<i> Les Juges de Castille: mentalit&eacute;s et discours historique dans l'Espagne m&eacute;di&eacute;vale</i>. Paris: S&eacute;minaire d' Etudes M&eacute;di&eacute;vales Hispaniques, 1992, pp. 96-97). Francisco Bautista prop&ocirc;s recentemente uma data&ccedil;&atilde;o mais tardia (BAUTISTA, Francisco &ndash; &ldquo;Breve historiograf&iacute;a: Listas regias y Anales en la Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica (siglos VII-XII)&rdquo;. <i>Talia dixit</i> 4 (2009), pp. 113-190, p. 139).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title="">[27]</a> BAUTISTA, Francisco &ndash; &ldquo;Listas Regias&rdquo;, p. 141. Para outra vis&atilde;o dos objectivos deste texto veja-se GOMES, Maria Joana &ndash; <i>O rei na escrita</i>, pp. 321-323.</p>     <p><a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title="">[28]</a> <i>CHRONICON Compostellanum</i>, p. 80: <i>&ldquo;[...] Sancius primogenitus frater cum duobus fratribus singulis uicibus pugnauit et bello captos alterm, scilicet Adefonsum, Toletum, alterum uero, scilicet Garseam, Ispalim cum omnibus suis militibus in exilium abire permisit</i>&rdquo;. De salientar que esta informa&ccedil;&atilde;o sobre a partida de Garcia para Sevilha ser&aacute; apenas retomada mais tarde pela historiografia afonsina e p&oacute;s-afonsina.</p>     <p><a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title="">[29]</a> <i>CHRONICON Compostellanum</i>, p. 81: &ldquo;<i>Ipse enim Adefonsus sue sororis Urrache consilio eum [Garcia] captum feria IIII idus Februarii era ICXI in carcere retrusit et usque ad mortem eum ibi tenuit</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref30" name="_ftn30" title="">[30]</a> <i>CHRONICON Compostellanum</i>, p. 81.</p>     <p><a href="#_ftnref31" name="_ftn31" title="">[31]</a> REGLERO DE LA FUENTE, Carlos &ndash; &ldquo;<i>Omnia totius regni sui monasteria</i>: la <i>Historia Legionensis</i>, <i>llamada Silense</i>, y los monasterios de las infantas&rdquo;. <i>e-Spania </i>[em linha] 14 (2012), &sect; 71 [Consultado a 25-02-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://espania.revues.org/21775#ftn3" target="_blank">http://espania.revues.org/21775#ftn3</a></p>     <p><a href="#_ftnref32" name="_ftn32" title="">[32]</a> PELAIO DE OVIEDO &ndash; <i>Cr&oacute;nica del Obispo don Pelayo</i>. Ed. Benito S&aacute;nchez Alonso, Madrid: Centro de Estudios Historicos, Imprenta de los sucesores de Hernando, 1924. Utilizo a designa&ccedil;&atilde;o <i>Chronica Pelagiana</i> proposta por Enrique Jerez.</p>     <p><a href="#_ftnref33" name="_ftn33" title="">[33]</a> A <i>Chronica Pelagiana</i> integra o conjunto de escritos compilados e redigidos por Pelaio de Oviedo de forma a promover os direitos e a autoridade da sua diocese e a que se convencionou chamar <i>Corpus Pelagianum.</i> Como mostrou Enrique Jerez (JEREZ, Enrique &ndash; <i>El Chronicon Mundi de Lucas de Tui</i>, pp. 94-95) a elabora&ccedil;&atilde;o deste <i>corpus </i>tem tr&ecirc;s fases distintas. Perdida a mais antiga, temos hoje testemunhos manuscritos da <i>Compila&ccedil;&atilde;o A</i> e da <i>Compila&ccedil;&atilde;o B</i>. A edi&ccedil;&atilde;o da <i>Chronica Pelagiana</i>, elaborada por Benito S&aacute;nchez-Alonso em 1924, baseia-se na <i>Compila&ccedil;&atilde;o B</i>, mas d&aacute; conta das adi&ccedil;&otilde;es integradas nesta terceira fase. Relativamente &agrave; data&ccedil;&atilde;o, tem sido proposta a data de 1130 para a <i>Compila&ccedil;&atilde;o A</i> e uma data&ccedil;&atilde;o posterior a 1153 para a <i>Compila&ccedil;&atilde;o B</i> (e, portanto, elaborada j&aacute; depois da morte de Pelaio de Oviedo. Para uma posi&ccedil;&atilde;o diferente relativamente &agrave; data&ccedil;&atilde;o da <i>Compila&ccedil;&atilde;o B</i>, veja-se ALONSO, Raquel &ndash; &ldquo;El rey Alfonso VI (m. 1109) en la obra del obispo Pelayo de Oviedo (m. 1153)&rdquo;. in <i>Im&aacute;genes del poder en la Edad Media. Estudios in Memoriam del Prof. Dr. Fernando Galv&aacute;n Freile</i>. Le&oacute;n: Universidad de Le&oacute;n e Instituto de estudios medievales, 2011, pp. 13-32, p. 16.</p>     <p><a href="#_ftnref34" name="_ftn34" title="">[34]</a> PELAIO DE OVIEDO &ndash; <i>Cr&oacute;nica del Obispo don Pelayo</i>, p. 79: &ldquo;<i>Post non multos uero dies uoluit capere regnum fratris sui Garseani, et per ingenium graue sine pugna captus est Garseanus rex et missus in uinculis per XX annos [...]</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref35" name="_ftn35" title="">[35]</a> <i>CHRONICA Naierensis</i>. Ed. Juan Est&eacute;vez Sola. <i>Corpus Christianorum Continuatio Medievalis </i>(<i>Chronica Hispana saeculi XII, Pars II</i>)<i>, </i>vol. 71A. Turnhout: Brepols, 1995.</p>     <p><a href="#_ftnref36" name="_ftn36" title="">[36]</a> EST&Eacute;VEZ SOLA, Juan &ndash; &ldquo;Introducci&oacute;n&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nica Najerense</i>. Ed. e trad. espanhola Juan A. Est&eacute;vez Sola. Madrid: Akal, 2003, pp. 8-9.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref37" name="_ftn37" title="">[37]</a> Para os princ&iacute;pios pol&iacute;ticos postulados pelo texto pode consultar-se, entre outros trabalhos: BAUTISTA, Francisco &ndash; &ldquo;Sancho II y Rodrigo Campeador en la <i>Chronica Naierensis</i>&rdquo;. <i>e-Spania </i>[em linha] 7 (2009), &sect;&nbsp;2 [Consultado a 20-01-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://e-spania.revues.org/18101" target="_blank">http://e-spania.revues.org/18101</a> KLINKA, Emmanu&egrave;lle &ndash; &ldquo;<i>Chronica naiarensis</i>: de la traici&oacute;n a la exaltaci&oacute;n&rdquo;. <i>e-Spania </i>[em linha] 7 (2009) [Consultado a 22-10-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://e-spania.revues.org/18934" target="_blank">http://e-spania.revues.org/18934</a> MARTIN, Georges &ndash; &ldquo;Mujeres de la <i>Najerense</i>&rdquo;. <i>e-Spania </i>[em linha] 7 (2009) [Consultado a 22-10-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://espania.revues.org/17990" target="_blank">http://espania.revues.org/17990</a></p>     <p><a href="#_ftnref38" name="_ftn38" title="">[38]</a> BAUTISTA, Francisco &ndash; &ldquo;Sancho II y Rodrigo Campeador&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref39" name="_ftn39" title="">[39]</a> Segundo GLARE, P.G. &ndash; <i>Oxford Latin dictionary</i>. Oxford: Oxford University Press, 1968, p. 570, &ldquo;<i>dolus&rdquo;</i> pode ter o sentido de uma armadilha concreta ou tamb&eacute;m, de forma mais abrangente, trai&ccedil;&atilde;o ou embuste. Para NIERMEYER, J.F. &ndash; <i>Mediae latinitatis lexicon minus</i>. 2 vols. Leiden: Brill, 1975, p. 347, &ldquo;<i>dolus&rdquo;</i> significa engano.</p>     <p><a href="#_ftnref40" name="_ftn40" title="">[40]</a> <i>CHRONICA Naierensis</i>, p. 172: &ldquo;<i>Set cum Garsias illi apud Sanctum Yreneum doli nescius et obsequiosus occurreret, mox captus et uinculis mancipatus Castellam per extra caminum ducitur et in graui custodia per XXIIII annos usque ad obitum detinetur</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref41" name="_ftn41" title="">[41]</a> BAUTISTA, Francisco &ndash; <i>Sancho II y Rodrigo Campeador</i>, &sect; 10-11.</p>     <p><a href="#_ftnref42" name="_ftn42" title="">[42]</a> GLARE, P. G. &ndash; <i>Oxford Latin Dictionary</i>, p. 1221.</p>     <p><a href="#_ftnref43" name="_ftn43" title="">[43]</a> NIERMEYER, J.F. &ndash; <i>Mediae Latinitatis</i>, pp. 729-730. O adjectivo <i>obsequiosus</i> n&atilde;o vem listado.</p>     <p><a href="#_ftnref44" name="_ftn44" title="">[44]</a> Veja-se nota 56.</p>     <p><a href="#_ftnref45" name="_ftn45" title="">[45]</a> O emprego de <i>ingenium</i> e de <i>fraus</i> com o sentido de &ldquo;engano&rdquo; tamb&eacute;m ocorre na <i>Historia Roderici</i>, outra cr&oacute;nica redigida no s&eacute;culo XII, sinal de que o uso de tais lexemas como sin&oacute;nimos n&atilde;o se limitava ao caso que temos vindo a relatar. Ver P&Eacute;REZ RODR&Iacute;GUEZ, Estella &ndash; &ldquo;La Historia Roderici en su aspecto l&eacute;xico: Estudio comparativo en relaci&oacute;n con la Chronica Adefonsi Imperatoris y las cr&oacute;nicas hispanolatinas anteriores al siglo XIII&rdquo;. e-Spania [em linha] 15 (2013), &sect; 66 [Consultado a 25-02-2017]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://e-spania.revues.org/22341" target="_blank">http://e-spania.revues.org/22341</a></p>     <p><a href="#_ftnref46" name="_ftn46" title="">[46]</a> LUCAS DE TUI <i>&ndash; Chronicon Mundi</i>. Ed. Emma Falque. <i>Corpus Christianorum Continuatio Medievalis</i>, vol. 74. Turnholt: Brepols, 2003. Apesar de uma abundante tradi&ccedil;&atilde;o manuscrita (existem actualmente dezanove manuscritos (dois truncados), sendo o mais antigo do s&eacute;culo XIII e o mais recente do s&eacute;culo XVII) teve parca fortuna editorial: depois da edi&ccedil;&atilde;o realizada pelo padre Mariana para a obra de Andreas Schott no s&eacute;culo XVII (mais concretamente em 1608), foi s&oacute; no final do s&eacute;culo XX que o texto de Lucas de Tui conheceu nova edi&ccedil;&atilde;o e estudo, tendo sido o tema da tese de doutoramento de Olga Vald&eacute;s Garc&iacute;a. J&aacute; no s&eacute;culo XXI, elaborada por Emma Falque e publicada na colec&ccedil;&atilde;o do <i>Corpus Christianorum</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref47" name="_ftn47" title="">[47]</a> Esta data&ccedil;&atilde;o &eacute; proposta por FALQUE, Emma &ndash; &ldquo;Introduction&rdquo;. in LUCAS DE TUI<i> &ndash; Chronicon Mundi</i>, Ed. Emma Falque. <i>Corpus Christianorum Continuatio Medievalis,</i> vol. 74, Turholt: Brepols, 2003, p. xix. JEREZ, Enrique &ndash; <i>El Chronicon Mundi</i>, pp. 351-354, prop&otilde;e como <i>terminus ante quem</i> o ano de 1238.</p>     <p><a href="#_ftnref48" name="_ftn48" title="">[48]</a> Para os aspectos biogr&aacute;ficos de Lucas de Tui ver sobretudo: JEREZ, Enrique &ndash; <i>El Chronicon Mundi</i>, pp. 180-182; FALQUE, Emma &ndash; &ldquo;Introduction&rdquo;, pp. vii-xii e LINEHAN, Peter &ndash; &ldquo;Fechas y sospechas sobre Lucas de Tuy&rdquo;. <i>Anuario de Estudios Medievales</i> 32/1 (2002), pp. 18-38. Mais recentemente HENRIET, Patrick &ndash; &ldquo;Lucas de Tuy&rdquo;. in THOMAS, D.; MALLETT, A. (dir.) &ndash; <i>Christian-Muslim Relations. A Bibliographical History, 4: 1200-1350</i>. Leyden/New-York: Brill, 2012, pp. 271-279.</p>     <p><a href="#_ftnref49" name="_ftn49" title="">[49]</a> Sobre estas obras ver JEREZ, Enrique &ndash; <i>El Chronicon</i>, pp. 182-183 e respectivas notas.</p>     <p><a href="#_ftnref50" name="_ftn50" title="">[50]</a> LUCAS DE TUI &ndash; <i>Chronicon Mundi</i>, Praef., p. 4): &ldquo;<i>Astrictus preceptis gloriosissimae ac prudentissimae Hispaniarum reginae dominae Berengariae, [...] hanc praemisi praefactionem ut prima fronte voluminis discant Principes praeclaro negotio sanguine generosi non minus sapienter et clementer quam in manu valida regna sibi subdita gubernare</i>&rdquo;. Sobre os prop&oacute;sitos did&aacute;ticos do <i>Chronicon Mundi</i>, ver MARTIN, George &ndash; <i>Les Juges,</i> p. 233 e LINEHAN, Peter &ndash;<i> &ldquo;</i>De Lucas de Tui a Alfonso X&rdquo;. in FERN&Aacute;NDEZ-ORD&Oacute;NEZ, In&eacute;s (org.) &ndash; <i>Alfonso X el sabio y la Cronicas de Espa&ntilde;a</i>. Valladolid: Universidad de Valladolid, 2000, pp. 19-36, pp. 23-24.</p>     <p><a href="#_ftnref51" name="_ftn51" title="">[51]</a> O estudo mais complete e rigoroso das fontes historiogr&aacute;ficas usadas por Lucas de Tui &eacute; a tese de doutoramento de Enrique Jerez, j&aacute; citada. Para as cita&ccedil;&otilde;es e refer&ecirc;ncias b&iacute;blicas e patr&iacute;sticas veja-se a edi&ccedil;&atilde;o do texto preparada por Emma Falque. Sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre o <i>Chronicon Mundi</i> e outras obras do Tudense veja-se HENRIET, Patrick &ndash; &ldquo;<i>Sanctissima patria</i>. Points communs entre les trois &oelig;uvres de Lucas&rdquo;. in HENRIET, Patrick (dir.) &ndash; <i>Actes du colloque:</i> <i>Chroniqueur, hagiographe, th&eacute;ologien. Lucas de T&uacute;y (&dagger; 1249) dans ses &oelig;uvres</i>, Sorbonne-Coll&egrave;ge d'Espagne, 10 d&eacute;cembre 1999). <i>Cahiers de linguistique et de civilisation hispaniques m&eacute;di&eacute;vales</i> 24 (2001), pp. 249-278; REILLY, Bernard &ndash; &ldquo;Sources of the fourth book of Lucas of T&uacute;y&rsquo;s<i> Chronicon mundi</i>&rdquo;. <i>Classical Folia</i> 30 (1976), pp. 127-137, considera que algumas partes apresentam semelhan&ccedil;as lingu&iacute;sticas com a <i>Chronica Naierensis</i>, e com a <i>Historia Regum Castellae</i>, mas atribui essa proximidade ao uso de fontes comuns, hoje desconhecidas.</p>     <p><a href="#_ftnref52" name="_ftn52" title="">[52]</a> Para a t&eacute;cnica compositiva de Lucas de Tui ver JEREZ, Enrique &ndash; <i>El Chronicon Mundi</i>, pp. 164-179.</p>     <p><a href="#_ftnref53" name="_ftn53" title="">[53]</a> Veja-se acima, pp. 9-10.</p>     <p><a href="#_ftnref54" name="_ftn54" title="">[54]</a> JEREZ, Enrique &ndash; <i>El Chronicon Mundi</i>, p. 145.</p>     <p><a href="#_ftnref55" name="_ftn55" title="">[55]</a> Veja-se acima, p. 13.</p>     <p><a href="#_ftnref56" name="_ftn56" title="">[56]</a> LUCAS DE TUI &ndash; <i>Chronicon Mundi</i>, p. 298: &ldquo;<i>Rex etiam Sancius fratrem suum Garsiam iuniorem cepit, et ut sibi esset subditus, acceptis obsidibus et sacramento eum dimisit</i>&rdquo;. Podemos ver aqui talvez uma reinterpreta&ccedil;&atilde;o feudo-vass&aacute;lica de uma forma mais antiga de partilha do poder entre irm&atilde;os, habitual em Navarra e que preconizava a primazia do primog&eacute;nito sobre os outros irm&atilde;os. Se considerarmos o epis&oacute;dio da parti&ccedil;&atilde;o dos reinos sob esse prisma, ent&atilde;o a ac&ccedil;&atilde;o militar de Sancho contra os seus irm&atilde;os pode significar uma repres&aacute;lia justa contra um poss&iacute;vel incumprimento por parte de Afonso e de Garcia das suas obriga&ccedil;&otilde;es para com o irm&atilde;o mais velho. Veja-se sobre este tema GOMES, Maria Joana &ndash; <i>O rei na escrita</i>, p. 286, n. 1034.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref57" name="_ftn57" title="">[57]</a> LUCAS DE TUI &ndash; <i>Chronicon Mundi</i>, pp. 298-301.</p>     <p><a href="#_ftnref58" name="_ftn58" title="">[58]</a> LUCAS DE TUI &ndash; <i>Chronicon Mundi</i>, pp. 310-302: &ldquo;<i>Rex uero Garsias frater eius, ut uidit sui regni Gallecos ad regem Adefonsum prosperare, iratus est ualde, et cepit bellum inferre regi Adefonso fratri suo. Adefonsus autem habito consilio sororis Urrace et Petri Ansuri misit nuncius ut eum tractare de pacem. Garseanus autem ut nuncios fratris uidit, et erat simplicis ingenii, uenit ad regem Adefonsum nulla fide de securitate</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref59" name="_ftn59" title="">[59]</a> Segundo GLARE, P. G. &ndash; <i>Oxford Latin Dictionary</i>, p. 1765, o adjectivo <i>simplex </i>tem um sentido contradit&oacute;rio no que respeita &agrave; natureza humana: tanto pode querer dizer puro, bem-intencionado ou ing&eacute;nuo, como pode uma conota&ccedil;&atilde;o mais marcadamente negativa como ignorante ou pouco inteligente (a obra de J.F. Niermeyer n&atilde;o refere este adjectivo). O duplo sentido do &eacute;timo &eacute; palp&aacute;vel na constru&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica da figura de Carlos III, rei da Fran&ccedil;a Ocidental entre 898 e 922, cognominado o Simples. De acordo com Auguste Eckel, esse cognome foi-lhe atribu&iacute;do por cronistas posteriores &agrave; sua morte, sendo que a conota&ccedil;&atilde;o negativa de <i>simplex</i> surge j&aacute; no s&eacute;culo XI, numa cr&oacute;nica redigida no mosteiro beneditino de Montier-en-Der: &ldquo;<i>Tempora hujusmodi infelicitatis impediebantur regimine Karoli junioris, qui Simplex ferebatur</i> <i>nomine, non tam innocentia quam ignavia omnis rei civilis et militaris&rdquo;</i> (ECKEL, Auguste &ndash; <i>Charles le Simple</i>. Paris: &Eacute;d. Bouillon, 1899, pp. 142-143). Pode, portanto, assumir-se que Lucas de Tui pode usar o ep&iacute;teto <i>simplex ingenium</i> num sentido negativo. Outro dado interessante a ter em conta &eacute; semelhan&ccedil;a entre a hist&oacute;ria e pris&atilde;o de Carlos, o Simples, com a vers&atilde;o do Toledano da pris&atilde;o de Garcia. Abordaremos este aspecto um pouco mais adiante. Por outro lado, Lucas de Tui conhecia a obra de Pelaio de Oviedo para quem a captura de Garcia tinha sido obtida por via de um <i>graue ingenium</i>, no sentido de artif&iacute;cio ou estratagema. &Eacute; poss&iacute;vel que Lucas de Tui tenha interpretado <i>ingenium</i>, n&atilde;o no sentido de <i>dolus</i>, mas antes com o sentido de intelig&ecirc;ncia ou disposi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><a href="#_ftnref60" name="_ftn60" title="">[60]</a> LINEHAN, Peter &ndash; &ldquo;De Lucas de Tuy&rdquo;, p. 22.</p>     <p><a href="#_ftnref61" name="_ftn61" title="">[61]</a> Sobre a influ&ecirc;ncia de Isidoro de Sevilha em Lucas de Tui, veja-se HENRIET, Patrick &ndash; &ldquo;<i>Sanctissima patria</i>, pp. 257-264; FALQUE, Emma &ndash; &ldquo;En torno a la figura de Isidoro en el s. XIII: Lucas de Tuy&rdquo;. <i>Antiquit&eacute; Tardive</i> 23 (2015), pp. 249-260.</p>     <p><a href="#_ftnref62" name="_ftn62" title="">[62]</a> Lucas de Tui elenca cinco requisitos necess&aacute;rios ao bom governo: Reconhecer a Deus como seu rei e criador, admitir os preceitos e as palavras do catolicismo, conservar a paz do reino, guardar a justi&ccedil;a, e combater o inimigo (LUCAS DE TUI, <i>Chronicon Mundi</i>, Praef., p. 3): &ldquo;<i>Rex dicitur a regendo, quod se eta lios bene regat; cui specialius quinque sunt necessaria: primo videlicet creatorem et regem suum, Patrem et Filium et Spiritum sanctum, unum uerum Deum in unitate substancie et in trinitate personarum agnoscere; secundo fidem catholicam moribus et uerbis confiteri: tercio regnum in pace omnimode conservare; quarto sine accipetione personarum unicuique iusticiam exibere; quinto uero hostes uiriliter, contemptis cunctis laboribus, expugnare</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref63" name="_ftn63" title="">[63]</a> LUCAS DE TUI &ndash; <i>Chronicon Mundi</i>, Praef., p. 8: <i>&ldquo;(&hellip;) habent mundi sapientes inter ceteros peritos sapientissimos; habent et milites strenuos inter ceteros milites mundi precipue animosos. Quorum animositas et audacia tam feruida est ut non sollum illos, uerum etiam patriam nonnunquam in periculum ducat</i>&rdquo;. LUCAS DE TUI &ndash; <i>Chronicon Mundi</i>, Praef., pp. 8-9: &ldquo;<i>Habet etiam Yspanie princeps uiros consilii, quos natura sapientia fecit insignes; habetut dictum est, milites bellicosos, et etiam pedites agiles et animos</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref64" name="_ftn64" title="">[64]</a> A <i>sapientia</i> &eacute; uma das qualidades que possibilita o alcance dos cinco requisitos para o exerc&iacute;cio de uma boa governa&ccedil;&atilde;o. A import&acirc;ncia destas caracter&iacute;sticas vem confirmada atrav&eacute;s de cita&ccedil;&otilde;es b&iacute;blicas: &ldquo;<i>Beata terre cuius rex sapiens est et cuius principes uescuntur tempore suo</i>&rdquo;, do <i>consilium</i>: &ldquo;<i>rex qui sedet in solio iudicii, intuitu suo dissipat omne malum</i>&rdquo; (LUCAS DE TUI &ndash; <i>Chronicon Mundi</i>, Praef., p. 4). Para a import&acirc;ncia desta qualidade para Lucas de Tui (e Rodrigo de Rada) ver RODR&Iacute;GUEZ DE LA PE&Ntilde;A, Manuel Alejandro &ndash; &ldquo;<i>Rex institutor scholarum</i>: la dimensi&oacute;n sapiencial de la realeza en la cron&iacute;stica de Le&oacute;n-Castilla y los or&iacute;genes de la Universidad de Palencia&rdquo;. <i>Hispania Sacra</i> 126 (2010), pp. 491-512, sobretudo pp. 493-497.</p>     <p><a href="#_ftnref65" name="_ftn65" title="">[65]</a> O sentimento anti-nobili&aacute;rquico em Lucas de Tui foi notado por MARTIN, George &ndash; <i>Les Juges</i>, pp. 205-206 e 225-226, e denotado tamb&eacute;m por outros lexemas que pertencem ao campo sem&acirc;ntico da viol&ecirc;ncia, como a ira (<i>ira</i>), a ferocidade (<i>ferocitas</i>), belicosidade (<i>bellicosus</i>), a avareza (<i>avaritia</i>) e a cupidez (<i>cupiditas</i>).</p>     <p><a href="#_ftnref66" name="_ftn66" title="">[66]</a> LUCAS DE TUI &ndash; <i>Chronicon Mundi</i>, p. 302: <i>&ldquo;Tam sapienter rex Adefonsus regni gessit gubernacular, ut omnes potestates, nobiles diuites uel pauperes qui erant in regno, erant in quiete, ita quod non auderet unus contra alterum litem mouere nec aliquid mali facere</i>&rdquo;. Lucas de Tui prossegue na descri&ccedil;&atilde;o do retrato de Afonso VI utilizando informa&ccedil;&otilde;es retiradas da <i>Chronica Pelagiana</i>. No entanto, esta refer&ecirc;ncia a sapi&ecirc;ncia parece ser da autoria do pr&oacute;prio, aplicando assim ao conquistador de Toledo algumas das qualidades que atribui a Afonso VIII, o rei-modelo por excel&ecirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref67" name="_ftn67" title="">[67]</a> De acordo com Greg&oacute;rio Magno, h&aacute; dois tipos de reis que resvalam para a m&aacute; governa&ccedil;&atilde;o. Um &eacute; o tirano, que se caracteriza por violar deliberadamente preceitos da justi&ccedil;a, da moral e da religi&atilde;o (<i>iniquus</i>). O outro &eacute; o rei &ldquo;in&uacute;til&rdquo; que exibe caracter&iacute;sticas como a letargia, neglig&ecirc;ncia, in&eacute;pcia e ignor&acirc;ncia. No s&eacute;culo IX, &eacute; a incapacidade mental ou f&iacute;sica, a m&aacute;-gest&atilde;o administrativa ou a decad&ecirc;ncia moral que est&atilde;o associadas &agrave; figura do <i>rex inutilis</i> (PETERS, Edward &ndash; <i>The shadow king</i>, p. 43, p. 72).</p>     <p><a href="#_ftnref68" name="_ftn68" title="">[68]</a> RODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De rebus hispaniae sive historia gothica</i>. Ed. Juan Valverde. <i>Corpus Christianorum Continuatio Mediaevalis, </i>vol. 72, Turnhout: Brepols, 1989.</p>     <p><a href="#_ftnref69" name="_ftn69" title="">[69]</a> Esta cr&oacute;nica relata os acontecimentos ocorridos entre o povoamento (m&iacute;tico) da Espanha e a conquista de C&oacute;rdova por Fernando III (RODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De Rebus Hispaniae</i>, Prol., p. 7: &ldquo;<i>(...) a tempore Iaphet Noe filii usque ad tempus uestrum, gloriossissime rex Fernande (...)&rdquo;</i>).</p>     <p><a href="#_ftnref70" name="_ftn70" title="">[70]</a> Ao contr&aacute;rio do que sucede com Lucas de Tui, o percurso biogr&aacute;fico de Rodrigo de Rada &eacute; bem conhecido. V&aacute;rios autores tra&ccedil;aram a biografia do arcebispo toledano de maneira mais ou menos elaborada, como &eacute; o caso de J. Gorosterratzu, Hilda Grassotti, Mar&iacute;a Desamparados Cabanes Pecourt, Peter Linehan e Juan Valverde. Mais recentemente, MARTIN, Georges &ndash; <i>Les Juges, </i>pp. 255-258). O pr&oacute;prio epit&aacute;fio de Rodrigo de Rada descreve assim a sua vida: &ldquo;<i>MaterNavarra,nutrix Castella, Parisium studium, toletum sedes, mors rhodanus, orta mauseolum calum requies, nomen Rodericus</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref71" name="_ftn71" title="">[71]</a> VALVERDE, Juan &ndash; &ldquo;Introducci&oacute;n&rdquo;. inRODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De Rebus Hispaniae,</i> ed. Juan Valverde, 1989, pp. xxxv-xxxix. O autor da edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica n&atilde;o consegue saber com certeza se o autor utilizou ou n&atilde;o a <i>Historia Legionensis</i>, mas garante Rodrigo de Rada conheceu certamente a <i>Chronica Naierensis</i> e a <i>Chronica Pelagiana</i>. Em casos pontuais, como por exemplo assuntos que se relacionam mais de perto com a sua diocese, ter&aacute; tamb&eacute;m recorrido a materiais conservados no arquivo da catedral de Toledo. Ver tamb&eacute;m LINEHAN, Peter &ndash; &ldquo;De Lucas de Tui&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref72" name="_ftn72" title="">[72]</a> LINEHAN, Peter &ndash; &ldquo;De Lucas de Tui&rdquo;, pp. 21-22.</p>     <p><a href="#_ftnref73" name="_ftn73" title="">[73]</a> RODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De Rebus Hispaniae, </i>Praef., p. 5: &ldquo;<i>Fidelitas antiquitatis, antiquas fidelitatis primeuorum doctrix et genitrix posterorum credidit actibus minorari si sibi soli se genitam reputaret</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref74" name="_ftn74" title="">[74]</a> Tendo esse objectivo em conta, tem uma atitude conciliat&oacute;ria para com os outros grupos sociais, em especial a aristocracia. MARTIN, Georges &ndash; &ldquo;Nobleza y realeza en el <i>De rebus Hispaniae</i> (Libros 4 a 9)<i>&rdquo;.</i> inMOLINIE, Annie; ZIMMERMANN, Marie-Claire; RALLE, Michel (pres.)<i> &ndash; Hommage &agrave; Carlos Serrano. </i>Paris: &Eacute;ditions hispaniques, 2 vols., 2005, pp. 1-23, pp. 1-2.</p>     <p><a href="#_ftnref75" name="_ftn75" title="">[75]</a> MARTIN, Georges, <i>Les Juges</i>, p. 267.</p>     <p><a href="#_ftnref76" name="_ftn76" title="">[76]</a> RODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De Rebus Hispaniae</i>, Praef., pp. 5-6: <i>&ldquo;</i>[...]<i> gesta etiam principium quorum alios ignauia fecit uiles, alios sapientia, strenuitas, larguitas et iustitia futuris seculis comendauit</i>&rdquo;. Ver tamb&eacute;m a prop&oacute;sito deste assunto: MARTIN, Georges &ndash; <i>Les Juges</i>, pp. 262-263.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref77" name="_ftn77" title="">[77]</a> MARTIN, George<i> &ndash; Les juges</i>, p. 262; MARTIN, Georges &ndash; &ldquo;Nobleza y realeza&rdquo;, pp. 9-12.</p>     <p><a href="#_ftnref78" name="_ftn78" title="">[78]</a> MARTIN, George<i> &ndash; Les juges</i>, p. 263-267; MARTIN, Georges &ndash; &ldquo;Nobleza y realeza&rdquo;, pp. 12-21.</p>     <p><a href="#_ftnref79" name="_ftn79" title="">[79]</a> Veja-se acima, p. 20.</p>     <p><a href="#_ftnref80" name="_ftn80" title="">[80]</a> RODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De Rebus Hispaniae</i>, Liber iv, cap. xviii, p. 198: &ldquo;<i>Et cum rex Sancius circa huiusmodi moraretur, rex Garcias in suos tirannide grasabatur (...)</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref81" name="_ftn81" title="">[81]</a> RODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De Rebus Hispaniae</i>, Liber IV, cap. xviii, p. 198: &ldquo;<i>Habebat autem quendam vernulum causa familiaris secreti plus debito sibi carum, cuius delationibus contra milites et barones aures credulas adhibebat; et licet sepius supplicassent ut a se predictum vernulum removeret, discessum eius nullatenus voluit sustinere</i>&rdquo;. O epis&oacute;dio apresenta alguns pontos de contacto com a est&oacute;ria contada por alguns analistas e cronistas francos para justificar a rebeli&atilde;o dos <i>barones</i> da Fran&ccedil;a Ocidental contra Carlos III, o simples. Este rei cumula de bens indevidos um conselheiro chamado Hagano, um acto que os aristocratas contestam e consideram motivo suficiente para uma rebeli&atilde;o. Mais tarde, Carlos III acaba por ser deposto e passa o resto da vida encarcerado num castelo (Ver sobre este assunto ECKEL, Auguste &ndash; <i>Charles le Simple</i>, pp. 107-111, e tamb&eacute;m GEARY, Patrick &ndash; <i>Phantoms of Remeberance: memory and oblivion at the end of the first millenium</i>. Princeton: Princeton University Press, pp. 147-153.</p>     <p><a href="#_ftnref82" name="_ftn82" title="">[82]</a> RODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De Rebus Hispaniae</i>, Liber IV, cap. xviii, p. 198: &ldquo;<i>Et ipsi reputantes dedecus et iacturam quia eius delationibus ledebantur, delatorem in eius presentia occiderunt (...) In cuius morte se lesum reputans et confusum, illatum dedecus sepe obiciens omnes suos cepit affligere indistincte, districte cominans se indignationi sue nullem terminum positurum. Sui autem minarum pericula pauescentes et illatum dedecus recolentes ab eius dominio, prout poterant, discedebant</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref83" name="_ftn83" title="">[83]</a> RODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De Rebus Hispaniae</i>, Liber IV, cap. xvii, p. 198: <i>&ldquo;(...)rex Garsias in suos tirannide grassabatur et villis ab omnibus et a suis etiam habebatur et contra fratrem bella, licet segniter, intemptabat</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref84" name="_ftn84" title="">[84]</a> PETERS, Edward &ndash; <i>The Shadow king</i>, p. 103.</p>     <p><a href="#_ftnref85" name="_ftn85" title="">[85]</a> Em flagrante oposi&ccedil;&atilde;o com a descri&ccedil;&atilde;o de Afonso VI, onde nos &eacute; dito que o rei age com cada um conforme as suas necessidades (RODRIGO XIM&Eacute;NEZ DE RADA &ndash; <i>De Rebus Hispaniae</i>, Liber IV, cap. xxi, p.&nbsp;202).</p>     <p><a href="#_ftnref86" name="_ftn86" title="">[86]</a> PETERS, Edward &ndash; <i>The Shadow King</i>, p. 42.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref87" name="_ftn87" title="">[87]</a> MARTIN, George &ndash; &ldquo;Nobleza y realeza&rdquo;, p. 3: &ldquo;(...) amenazas de deposici&oacute;n blandidas por los &ldquo;<i>magnates</i>&rdquo; contra Alfonso el Casto que est&aacute; dispuesto a legar el reino de Oviedo a Carlomagno; ejecuci&oacute;n, por el &ldquo;<i>senatus</i>&rdquo;, de un Fruela Verm&uacute;dez que se comporta en tirano; asesinato del infante Garc&iacute;a por los nobles a quienes su padre, el conde Sancho, expuls&oacute; &ldquo;<i>indignanter</i>&rdquo; de Castilla; derrota y muerte en Atapuerca de un Garc&iacute;a III de Navarra que no supo ganarse el &ldquo;<i>animus</i>&rdquo; de los suyos; y, al morir sin descendencia Alfonso el Batallador, apartamiento del trono por los &ldquo;<i>nobiles</i>&rdquo; aragoneses del soberbio Pedro Atar&eacute;s en beneficio de Ramiro el Monje&rdquo;.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rey]]></surname>
<given-names><![CDATA[Emma Falque]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gil]]></surname>
<given-names><![CDATA[Juan]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Maya]]></surname>
<given-names><![CDATA[Antonio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[CARMEN Campidoctoris]]></source>
<year>1990</year>
<volume>71</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Turnhout ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brepols]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Urbel]]></surname>
<given-names><![CDATA[Justo Pérez de]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ruiz-Zorrilla]]></surname>
<given-names><![CDATA[Atilano González]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[CHRONICA Legionensis]]></source>
<year>1959</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ruiz-Zorrilla]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sola]]></surname>
<given-names><![CDATA[Juan Estévez]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[CHRONICA Naierensis]]></source>
<year>1995</year>
<volume>71A</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Turnhout ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brepols]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sola]]></surname>
<given-names><![CDATA[Juan A. Estévez]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[CHRONICA Najerense]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Akal]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Falque]]></surname>
<given-names><![CDATA[Emma]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Habis 14]]></source>
<year>1983</year>
<page-range>73-83</page-range><publisher-loc><![CDATA[Sevilla ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Publicaciones de la Universidad de Sevilla]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[David]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pierre]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="la"><![CDATA[CHRONICON Lusitanum (Chronica Gothorum): Annales Portucalenses Veteres]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[DAVID]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pierre]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Études Historiques sur La Galice et le Portugal du VIe au XIIe siècle]]></source>
<year>1947</year>
<page-range>291-302</page-range><publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Estudos Históricos Dr. António de Vasconcelos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rey]]></surname>
<given-names><![CDATA[Emma Falque]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gil]]></surname>
<given-names><![CDATA[Juan]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Maya]]></surname>
<given-names><![CDATA[Antonio]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[HISTORIA Roderici vel gesta Roderici Campidocti]]></source>
<year>1990</year>
<volume>71</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Turnhout ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brepols]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JUAN DE]]></surname>
<given-names><![CDATA[OSMA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brea]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luis Charlo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Crónica latina de los reyes de Castilla]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Akal]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LUCAS DE]]></surname>
<given-names><![CDATA[TUI]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Falque]]></surname>
<given-names><![CDATA[Emma]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Corpus Christianorum Continuatio Medievalis]]></source>
<year>2003</year>
<volume>74</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Turnholt ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brepols]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PELAIO DE]]></surname>
<given-names><![CDATA[OVIEDO]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Alonso]]></surname>
<given-names><![CDATA[Benito Sánchez]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Crónica del Obispo don Pelayo]]></source>
<year>1924</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudios Históricos, Imprenta de los sucesores de Hernando]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RODRIGO XIMÉNEZ de]]></surname>
<given-names><![CDATA[RADA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Valverde]]></surname>
<given-names><![CDATA[Juan]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Historia de rebus hispaniae sive historia gotica]]></source>
<year>1989</year>
<volume>72</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Turnhout ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brepols]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BARTON]]></surname>
<given-names><![CDATA[Simon]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[FLETCHER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Richard]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The world of el Cid: chronicles of the Spanish reconquest]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Manchester ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Manchester University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAUTISTA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Francisco]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Breve historiografía: Listas regias y Anales en la Península Ibérica (siglos VII-XII)]]></article-title>
<source><![CDATA[Talia dixit]]></source>
<year>2009</year>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>113-190</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAUTISTA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Francisco]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Sancho II y Rodrigo Campeador en la Chronica Naierensis]]></article-title>
<source><![CDATA[e-Spania]]></source>
<year>2009</year>
<numero>7</numero>
<issue>7</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ECKEL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Auguste]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Charles le Simple]]></source>
<year>1899</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Éd. Bouillon]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ESTÉVEZ SOLA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Juan]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Introducción]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Sola]]></surname>
<given-names><![CDATA[Juan Estévez]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Crónica Najerense]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Akal]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FALQUE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Emma]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Introduction]]></article-title>
<source><![CDATA[Chronicon Mundi]]></source>
<year>2003</year>
<volume>74</volume>
<page-range>i-lxxxvii</page-range><publisher-loc><![CDATA[Turnhout ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brepols]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GLARE]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Oxford Latin Dictionary]]></source>
<year>1968</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Clarendon Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GOMES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Joana]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O rei na escrita: as múltiplas faces de Afonso VI (sécs. XI-XII)]]></source>
<year>2017</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Faculdade de Letras da Universidade do Porto]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HENRIET]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrick]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Sanctissima patria: Points communs entre les trois &#339;uvres de Lucas]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[HENRIET]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrick]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Lucas de Túy (&#8224;1249) dans ses &#339;uvres (Sorbonne-Collège d'Espagne, 10 décembre 1999)]]></source>
<year>2001</year>
<volume>24</volume>
<conf-name><![CDATA[ Chroniqueur, hagiographe, théologien]]></conf-name>
<conf-loc> </conf-loc>
<page-range>249-278</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JEREZ CABRERO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Enrique]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[El Chronicon Mundi de Lucas de Tuy (C. 1238): Técnicas compositivas y motivaciones ideológicas]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Facultad de Letras y Filosofía de la Universidad Autónoma de Madrid]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LINEHAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Peter]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De Lucas de Tui a Alfonso X]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[FERNÁNDEZ-ORDÓNEZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[Inés]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Alfonso X el sabio y la Crónicas de España]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>19-36</page-range><publisher-loc><![CDATA[Valladolid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidad de Valladolid-Centro de Estudios para la Edición de Clásicos Españoles]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MARTIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Georges]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Les Juges de Castile: mentalités et discours historique dans l'Espagne médiévale]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Séminaire d' Études Médiévales Hispaniques]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MARTIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Georges]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Nobleza y realeza en el De rebus Hispaniae (Libros 4 a 9)]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[MOLINIE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Annie]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ZIMMERMANN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marie-Claire]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RALLE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Hommage à Carlos Serrano]]></source>
<year>2005</year>
<page-range>1-23</page-range><publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Éditions hispaniques]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MARTIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Georges]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Ordoño Sisnández, autor de la Historia Legionensis (llamada silensis): Notas histórico-filológicas sobre un ego fundado]]></article-title>
<source><![CDATA[e-Spania]]></source>
<year>2012</year>
<numero>14</numero>
<issue>14</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MARTIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Georges]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Toponimia y avidez de los reyes: doble lexicalización de los territorios hispanos en la Historia Legionesis]]></article-title>
<source><![CDATA[e-Spania]]></source>
<year>2012</year>
<numero>13</numero>
<issue>13</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MONTANER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alberto]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Presencia y ausencia de Alfonso VI en la Historia Legionensis (hactenus Silensis nuncupata)]]></article-title>
<source><![CDATA[e-Spania]]></source>
<year>2012</year>
<numero>14</numero>
<issue>14</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NIEDERMEYER]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mediae Latinitaties Lexicon Minus]]></source>
<year>1975</year>
<publisher-loc><![CDATA[Leiden ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brill]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NORTHUP]]></surname>
<given-names><![CDATA[George Tyler]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Imprisionment of King García]]></article-title>
<source><![CDATA[Modern Philology]]></source>
<year>1919</year>
<numero>17</numero>
<issue>17</issue>
<page-range>393-412</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PÉREZ DE URBEL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Justo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Introducción]]></article-title>
<source><![CDATA[Liber Commicus: Edición crítica]]></source>
<year>1955</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CSIC]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PÉREZ RODRÍGUEZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[Estella]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[La Historia Roderici en su aspecto léxico: Estudio comparativo en relación con la Chronica Adefonsi Imperatoris y las crónicas hispanolatinas anteriores al siglo XIII]]></article-title>
<source><![CDATA[e-Spania]]></source>
<year>2013</year>
<numero>15</numero>
<issue>15</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PETERS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Edward]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Shadow King: the rex inutilis in Law and literature]]></source>
<year>1970</year>
<publisher-loc><![CDATA[New Haven ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Yale University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PORTELA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ermelindo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[García II de Galicia, el rey y el reino (1065-1090)]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Burgos ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[La Olmeda]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RAMOS Y LOSCERTALES]]></surname>
<given-names><![CDATA[José María]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El reino de Aragón bajo la dinastía pamplonesa]]></article-title>
<source><![CDATA[Acta Salmanticensia]]></source>
<year>1961</year>
<volume>XV</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[REGLERO DE LA FUENTE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Omnia totius regni sui monasteria: la Historia Legionense, llamada Silense, y los monasterios de las infantas]]></article-title>
<source><![CDATA[e-Spania]]></source>
<year>2012</year>
<numero>14</numero>
<issue>14</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RODRÍGUEZ DE LA PEÑA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Manuel Alejandro]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Rex institutor scholarum: la dimensión sapiencial de la realeza en la cronística de León-Castilla y los orígenes de la Universidad de Palencia]]></article-title>
<source><![CDATA[Hispania Sacra]]></source>
<year>2010</year>
<numero>126</numero>
<issue>126</issue>
<page-range>491-512</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Aengus]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[History and Chronicles in Late Medieval Iberia: Representations of Wamba in late medieval narrative histories]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[Leiden ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brill]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
