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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[&#8220;Mulier ne debuerit habere regnum&#8221;: a regência na menoridade de D. Afonso V vista pelos juristas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The question concerning the regency during D. Afonso V minority is not an easy one to solve. During this period, D. Leonor became the Regent of the country and she was sworn in full powers for the government of the kingdom, but later her authority was questioned and she lost her cause against D. Pedro during the &#8220;Cortes de Lisboa&#8221; in 1439. The tutorial power over the kingdom and the young king was not an effortless answer to achieve, since there was no Law on the subject of the succession of Regency. Thus the lawyers might become the most accurate authorities to tackle the problem, among the many that actually did so. Two of them: Afonso Mangancha and Jean Jouffroy, dean of Vergy, took a public position on these questions. The former jurist presented his view at the time of the events and the latter a posteriori. Although they had never met, they held similar opinions and they both favoured D. Pedro's intentions: no woman should ever be in charge of the Regency. Nevertheless, when it comes to analysing and evaluating the power and propriety of their arguments, we get suspicious of their speeches for we know that, as lawyers, they were supporting the interests they represented. They were not searching the truth and the equity. Even so, it is worth knowing the arguments of each of them and finding out their strength]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Regência de D. Afonso V]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>&ldquo;Mulier ne debuerit habere regnum&rdquo;: a reg&ecirc;ncia na menoridade de D. Afonso V vista pelos juristas</b></font></p>     <p><font size="3"><b>&ldquo;Mulier ne debuerit habere regnum&rdquo;: the regency during D. Afonso V minority seen by lawyers</b></font></p>     <p><b>Manuel Francisco Ramos<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Universidade do Porto, Faculdade de Letras, Departamento de Estudos Portugueses e Rom&acirc;nicos / Instituto de Filosofia, 4150-564, Porto, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:mramos@letras.up.pt">mramos@letras.up.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A quest&atilde;o da reg&ecirc;ncia na menoridade de D. Afonso V, em que D. Leonor come&ccedil;ou por ser investida no cargo de regente e assumido plenos poderes, mas que posteriormente a sua autoridade foi posta em causa, vindo a perder nas Cortes de Lisboa [1439], em favor de D. Pedro, a tutoria do reino e do rei menor, n&atilde;o &eacute; de f&aacute;cil resolu&ccedil;&atilde;o por n&atilde;o haver uma lei da sucess&atilde;o na reg&ecirc;ncia. Assim sendo, talvez as pessoas mais autorizadas para se pronunciarem sobre este controverso caso, de entre as muitas que o fizeram, sejam os juristas. Dois deles: Afonso Mangancha e Jean Jouffroy, De&atilde;o de Vergy, tomaram posi&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas sobre a quest&atilde;o, o primeiro na altura dos acontecimentos, o segundo <i>a posteriori</i>. Ainda que n&atilde;o se conhecessem, as suas opini&otilde;es s&atilde;o concordantes e s&atilde;o favor&aacute;veis a D. Pedro: a mulher n&atilde;o deve obter a reg&ecirc;ncia. No entanto, quando se trata de indagar a fortaleza e a justeza dos seus argumentos, ficamos desconfiados do seu discurso por sabermos que, como juristas, estavam a favor da parte que representavam ou defendiam e n&atilde;o tanto a favor da verdade ou da equidade. Ainda assim, vale a pena conhecer os argumentos de que cada lado se mune e averiguar acerca da sua robustez.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Reg&ecirc;ncia de D. Afonso V, mulher regente, D. Leonor de Arag&atilde;o, D. Pedro &ndash; duque de Coimbra, Afonso Mangancha e Jean Jouffroy.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The question concerning the regency during D. Afonso V minority is not an easy one to solve. During this period, D. Leonor became the Regent of the country and she was sworn in full powers for the government of the kingdom, but later her authority was questioned and she lost her cause against D. Pedro during the &ldquo;Cortes de Lisboa&rdquo; in 1439. The tutorial power over the kingdom and the young king was not an effortless answer to achieve, since there was no Law on the subject of the succession of Regency. Thus the lawyers might become the most accurate authorities to tackle the problem, among the many that actually did so. Two of them: Afonso Mangancha and Jean Jouffroy, dean of Vergy, took a public position on these questions. The former jurist presented his view at the time of the events and the latter <i>a posteriori</i>. Although they had never met, they held similar opinions and they both favoured D. Pedro&rsquo;s intentions: no woman should ever be in charge of the Regency. Nevertheless, when it comes to analysing and evaluating the power and propriety of their arguments, we get suspicious of their speeches for we know that, as lawyers, they were supporting the interests they represented. They were not searching the truth and the equity. Even so, it is worth knowing the arguments of each of them and finding out their strength.</p>     <p><b>Keywords:</b> Regency during D. Afonso V minority, Afonso Mangancha and Jean Jouffroy, D. Leonor of Aragon, D. Pedro &ndash; duke of Coimbra.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.</b></p>     <p>Com a morte prematura de D. Duarte [9/9/1438], o herdeiro do trono, Afonso, de quase sete anos, foi <i>alevantado</i> rei, mas n&atilde;o p&ocirc;de governar por n&atilde;o ter <i>r&oacute;bora</i>, i.e., n&atilde;o ter atingido a idade da raz&atilde;o. Em Portugal, a maioridade r&eacute;gia era adquirida aos 14 anos, como preceituavam os &ldquo;foro(s) d&rsquo;Espanha&rdquo;<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">[1]</a>, e n&atilde;o aos 25 (ou ent&atilde;o aos 20 anos<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">[2]</a>), como determinava o direito justinianeu, situa&ccedil;&atilde;o que tem paralelo com as <i>Partidas</i> II, 15, 3. Assim sendo, teria de ser nomeado um regente que assegurasse a administra&ccedil;&atilde;o do reino na menoridade do rei, isto &eacute;, de 1438 a pelo menos 1446.</p>     <p>Era a quinta vez na hist&oacute;ria de Portugal que o instituto da reg&ecirc;ncia era posto em pr&aacute;tica e a terceira relativa a uma mulher: depois de D. Teresa, isto no caso de se aceitar como aut&ecirc;ntica reg&ecirc;ncia a ac&ccedil;&atilde;o governativa da m&atilde;e de D. Afonso Henriques<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">[3]</a>; de D. Afonso, conde de Bolonha, at&eacute; &agrave; morte de Sancho II [1245-1247], com o t&iacute;tulo de &ldquo;visitador, procurador e defensor do reino&rdquo;; da rainha D. Leonor Teles de Meneses, a qual entre 1383-1384, ap&oacute;s a morte de D. Fernando, exerceu nominalmente a reg&ecirc;ncia em nome de sua filha, D. Beatriz, ent&atilde;o de 10 anos e casada com o rei de Castela, D. Juan I<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title="">[4]</a>; e do Mestre de Avis, igualmente ap&oacute;s a morte de D. Fernando. Tamb&eacute;m h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es de co-reg&ecirc;ncia<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title="">[5]</a>; tamb&eacute;m h&aacute; reg&ecirc;ncias por o rei se ter ausentado do reino<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title="">[6]</a>.</p>     <p>Mas quem deveria ser o contemplado, se n&atilde;o havia legisla&ccedil;&atilde;o nacional sobre reg&ecirc;ncias dos monarcas &ndash; as Cortes de Lamego de 1143, que alegadamente regulavam a sucess&atilde;o din&aacute;stica de Portiugal, nunca existiram nem nunca foram convocadas, s&atilde;o antes uma falsifica&ccedil;&atilde;o patri&oacute;tica do s&eacute;c. XVII<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title="">[7]</a> &ndash; e os costumes do reino nenhuma resolu&ccedil;&atilde;o segura autorizavam por haver mais do que uma tradi&ccedil;&atilde;o? O melhor a fazer naquele momento era abrir o testamento do falecido rei, ver as suas cl&aacute;usulas e esperar que elas elucidassem a corte e os representantes dos tr&ecirc;s estados acerca da quest&atilde;o. Talvez D. Pedro, filho secundog&eacute;nito e, por morte de D. Duarte, o mais velho dos filhos de D. Jo&atilde;o I, tivesse grande esperan&ccedil;a em figurar no testamento, se n&atilde;o na posse plena da reg&ecirc;ncia pelo menos com uma parte substancial. Ali&aacute;s, j&aacute; no passado ele havia sido nomeado por D. Duarte curadordo herdeiro do trono, D. Afonso, juntamente com o irm&atilde;o Henrique. Foi nas cortes de Leiria-Santar&eacute;m [11 de novembro de 1433], pouco depois de D. Duarte ter sido entronizado rei, &ldquo;para receberem em seu nome os preitos, homenagens e juramentos de lealdade dos tr&ecirc;s estados&rdquo;<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title="">[8]</a>. Por isso, as expectativas deviam ser grandes.</p>     <p>Todavia, aberto o testamento do falecido rei, o qual n&atilde;o se conserva, foi nele achado que a reg&ecirc;ncia do reino ficaria a cargo da rainha D. Leonor <i>in solido</i>, juntamente com a tutela e a curatela do filho menor; tamb&eacute;m seria a herdeira dos bens m&oacute;veis de D. Duarte. Uma Carta de Cren&ccedil;a enviada pelos vencedores de Alfarrobeira a D. Jo&atilde;o II de Castela e ao ducado da Borgonha, ap&oacute;s a morte de D. Pedro, em Alfarrobeira, e que em grande parte &eacute; uma caricatura da figura do Infante, resume desta forma os eventos desse tempo<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title="">[9]</a>:</p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;por morte delrrej, meu senhor e padre [D. Duarte], que Deos haja, fiquamos de idade de sete annos. E pSorque no seu solene testamento, que logo no dia seguinte [10 de setembro de 1438], a requerimento de todolos tres estados, foy aberto e pruuicado, se continha que a rrajnha, minha senhora e madre [D. Leonor de Arag&atilde;o], de piadosa lembran&ccedil;a, como nossa titor, nos criasse e tiuesse regimento e aministra&ccedil;&atilde;o comprida de todas nossas cousas&rdquo;<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title="">[10]</a>.</p> </blockquote>     <p>Isso significava que, passados cinco anos, D. Duarte tinha mudado de ideias e que n&atilde;o queria que os seus irm&atilde;os tivessem qualquer participa&ccedil;&atilde;o na tutela do reino e na tutela e curatela do rei, mas unicamente sua mulher. E porque seria? Desconfiava das ambi&ccedil;&otilde;es desmedidas de D. Pedro e de que ele, experimentado como era, n&atilde;o devolvesse o poder ao sobrinho? Apesar de m&atilde;e de v&aacute;rias crian&ccedil;as, tinha plena confian&ccedil;a na sua mulher, acerca da qual afirma a <i>Cr&oacute;nica de D. Afonso V</i><a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title="">[11]</a> que era &ldquo;muyto honesta, virtuosa, prudente, devota e muyto amiga da vyda e honra d&rsquo;elRey seu Marido&rdquo;? Tem sido referido que o que D. Duarte pretende &eacute; que o poder fique na pessoa mais pr&oacute;xima dele e do filho primog&eacute;nito; e que &eacute; normal que se sirva da esposa para deixar algo aos filhos<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title="">[12]</a>. Poder&aacute; ser, mas importa ter presente as quest&otilde;es jur&iacute;dicas acerca desta quest&atilde;o, coisa que nos propomos fazer e que &eacute; relevante. No dia seguinte ao falecimento do rei (10/09/1438), os infantes de Avis, a nobreza, prelados e povo, parecendo aceitar as disposi&ccedil;&otilde;es testament&aacute;rias do falecido rei, juraram e prometeram executar as suas cl&aacute;usulas, at&eacute; porque, segundo os vencedores de Alfarrobeira &ndash; em que pontificava o duque de Bragan&ccedil;a, D. Afonso, e seus filhos como entidades maiores &ndash;, ele tinha sido completamente redigido de acordo com o direito. Afirma a Carta de Cren&ccedil;a, que de novo citamos:</p>     <blockquote>       <p>&ldquo;os jfantes dom Pedro e dom Amrique, meus tios, e os condes, prelados, fidalgos e pouos que presentes er&atilde;o o tiuer&atilde;o por bem, jurando e prometendo primejro os ditos meus tios, desy todos os outros de o ter e manter, porque concordaua com as leis imperiaes, que outorguar&atilde;o as titorias dos filhos as viuuas e onestas madres, e com os foros dEspanha e antiguas vsan&ccedil;as e ordena&ccedil;&otilde;es, praticadas em nossos rrejnos&rdquo;<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title="">[13]</a>.</p> </blockquote>     <p>Nesse mesmo dia 10 de setembro, D. Pedro dirigiu a sess&atilde;o do <i>alevantamento</i> do rei e, no decorrer dela, sugeriu que D. Fernando, filho secundog&eacute;nito de D. Duarte (tal como D. Pedro &eacute; filho secundog&eacute;nito de D. Jo&atilde;o I), de cinco anos, fosse imediatamente jurado herdeiro e sucessor do trono, o qual passou a intitular-se &ldquo;pr&iacute;ncipe&rdquo;, ali&aacute;s o primeiro, porque todos os anteriores filhos segundos foram &ldquo;infantes&rdquo;. Por conseguinte, a sucess&atilde;o de D. Afonso V nunca foi posta em causa, nem que D. Fernando seria o herdeiro em caso de morte de Afonso; nem que D. Pedro seria o rei em caso de morte dos dois irm&atilde;os; o problema, como a seguir se ver&aacute;, &eacute; de reg&ecirc;ncia, por n&atilde;o haver uma lei da sucess&atilde;o e da reg&ecirc;ncia que esclarecesse a situa&ccedil;&atilde;o, mas apenas ideias nascentes, ideias em crise e ideias em conflito.</p>     <p>Nessa altura, v&aacute;rios conselheiros do reino &ndash; &eacute; Rui de Pina que o lembra<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title="">[14]</a> &ndash; alertaram a rainha vi&uacute;va para a dificuldade da tarefa, quer por ser trabalho exigente, quer por ter a seu cargo v&aacute;rios filhos: Afonso, Fernando, Leonor, Catarina e no ventre Joana, que viria a nascer nos finais de mar&ccedil;o de 1439. Tamb&eacute;m a alertaram para o facto de os pr&iacute;ncipes de Avis terem uma palavra a dizer em mat&eacute;ria de governa&ccedil;&atilde;o e ainda para a avers&atilde;o que havia no reino &agrave;s rainhas estrangeiras, sobretudo quando assumiam fun&ccedil;&otilde;es governativas. Al&eacute;m disso, cinco anos antes, Pedro e Henrique tinham sido nomeados temporariamente curadores e era prov&aacute;vel que agora quisessem ser mais do que isso. Ela deve ter percebido bem a dificuldade da miss&atilde;o, mas n&atilde;o anuiu aos conselhos, come&ccedil;ando &ldquo;logo a husar do Regimento ynteiramente sem alguma pubryca contrady&ccedil;am&rdquo;<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title="">[15]</a>, n&atilde;o s&oacute; porque julgasse que a lei estava do seu lado, mas tamb&eacute;m porque era essa a vontade do seu falecido esposo e ainda porque, gozando do apoio da nobreza senhorial, se sentisse confiante no desempenho do cargo de regente.</p>     <p>Pouco depois de iniciada a reg&ecirc;ncia e assumido a tutoria do rei menor, apoiada na legalidade do testamento de D. Duarte, a sua autoridade &ndash; tal como havia sido previsto pelos conselheiros &ndash; foi contestada por D. Pedro e partid&aacute;rios, que a <i>Cr&oacute;nica</i> resume assim: &ldquo;agora pellas pra&ccedil;as se solta, que ElRey nosso Senhor, vosso Marido, que Santa Gloria aja, vos nam podia leixar este cargo de reger: c&aacute; este poder demleger Regedor do Reino era somente ao Reino, e aos tres Estados dele resservado&rdquo;<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title="">[16]</a>; mas que a Carta de Cren&ccedil;a atribui &agrave; &ldquo;desordenada cobi&ccedil;a&rdquo; de D. Pedro, a qual, por ser patol&oacute;gica, o destr&oacute;i moralmente: &ldquo;hum mujto agudo e desordenado dezejo de reger estes rrejnos, por qualquer arte ou industria que podesce, o qual dezejo trazia escondido sob aquellas fal&ccedil;as cerimonias de fengida obedien&ccedil;ia, do que os auizados homens, dando lugar aos tempos, usar soem&rdquo;<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title="">[17]</a>. A partir da&iacute; teve lugar uma feroz luta partid&aacute;ria, a qual s&oacute; terminou quando a &ldquo;incessa cobi&ccedil;a&rdquo; do Infante foi plenamente satisfeita.</p>     <p>Nas Cortes de Torres Novas [1438], as quais tanto serviram para os procuradores dos estados reconhecerem e prestarem obedi&ecirc;ncia solene ao novo monarca, como para aclarar a quest&atilde;o pol&iacute;tica da reg&ecirc;ncia, viria a ser encontrada uma solu&ccedil;&atilde;o duunviral, que consistia na partilha da reg&ecirc;ncia pelo Infante D. Pedro e D. Leonor<a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title="">[18]</a>. Segundo a Carta de Cren&ccedil;a, o recurso a esta solu&ccedil;&atilde;o de partilha foi unicamente para satisfazer a cobi&ccedil;a de D. Pedro<a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title="">[19]</a>. Tal solu&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, acabou por fracassar por duas raz&otilde;es: (1) D. Leonor n&atilde;o ter&aacute; sido eficaz no despacho, muito devido ao facto de estar gr&aacute;vida de Joana e aquele trabalho ser laborioso; (2) ter&aacute; havido descoordena&ccedil;&atilde;o entre ela e o cunhado, talvez porque as antigas inimizades entre o pai de D. Leonor de Arag&atilde;o e o sogro do Infante, ambos pretendentes ao trono de Arag&atilde;o em que, por fim, o primeiro acabou por reinar, n&atilde;o tivessem sido esquecidas<a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title="">[20]</a>. Estando D. Leonor, por assim dizer, sob vigil&acirc;ncia da fac&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria, tal fraqueza n&atilde;o passou despercebida aos partid&aacute;rios de D. Pedro, que n&atilde;o perderam a oportunidade de a criticar e acusar de inaptid&atilde;o; parecia-lhes que estava a&iacute; a prova de que a rainha carecia de personalidade para o cargo. Por isso, vive-se um ambiente revolucion&aacute;rio em Lisboa<a href="#_ftn21" name="_ftnref21" title="">[21]</a>, por isso D. Pedro rompeu o contrato de reg&ecirc;ncia com D. Leonor e o conflito acerca da reg&ecirc;ncia do reino permaneceu.</p>     <p>Para o dirimir (melhor, para ser consumada a entrega do poder unicamente a Pedro), foram marcadas as Cortes de Lisboa [1439]. A forma excessiva como D. Pedro a&iacute; se apresentou: &agrave; frente do seu ex&eacute;rcito ducal (parte do qual dispensou &agrave; entrada de Lisboa), para intimidar e desmoralizar os advers&aacute;rios<a href="#_ftn22" name="_ftnref22" title="">[22]</a>, levou mais tarde os vencedores de Alfarrobeira, na Carta de Cren&ccedil;a, a afirmar, com ou sem raz&atilde;o, que nas Cortes de Lisboa ele, ambicioso como era, assaltou o poder: </p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;iuntou gentes darmas<a href="#_ftn23" name="_ftnref23" title="">[23]</a> e uejo assj poderoso com ellas as cortes [&hellip;] que os grandes, com re&ccedil;eo, e os pequenos, com medo, lhe nom ousascem nem podescem contradizer o que ligeiramente acabou; porque alguns, pello recebido, outros, por hi prometidos beneficios, inclinados, e mujtos por auitar majores escandalos e conhecendo que o seu contradizer nom prestaria, lhe outroguar&atilde;o todos, ascj a desuairadas fins, o regimento de nossos rrejnos com a tjtoria&rdquo;<a href="#_ftn24" name="_ftnref24" title="">[24]</a>.</p> </blockquote>     <p>Por conseguinte, a solu&ccedil;&atilde;o a&iacute; encontrada passou pela entrega dos dois institutos: o da tutoria do reino e o da tutoria do rei, ao Infante D. Pedro <i>in solido</i>, quer por ser reconhecido como a pessoa mais capaz, quer pelo respeito &agrave; hierarquia familiar dos pr&iacute;ncipes de Avis, quer ainda pela avers&atilde;o que havia no reino ao governo de uma mulher e para mais estrangeira. No apoio recebido nessas cortes, D. Pedro contou sempre com o aux&iacute;lio dos procuradores dos munic&iacute;pios; tamb&eacute;m o irm&atilde;o D. Jo&atilde;o se revelou um incondicional partid&aacute;rio seu em toda a conjuntura. Como a solu&ccedil;&atilde;o encontrada nas Cortes de Lisboa fosse definitiva e n&atilde;o agradasse &agrave; rainha e partid&aacute;rios, o ex&eacute;rcito real moveu-lhes dura e excessiva luta armada [Almeirim, Crato&hellip;]<a href="#_ftn25" name="_ftnref25" title="">[25]</a> com a finalidade de a expulsar do pa&iacute;s e, sem oposi&ccedil;&atilde;o, D. Pedro pudesse governar <i>in solido</i>, o que viria a acontecer.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.</b></p>     <p>No fundo temos dois partidos &ndash; como assevera Martim de Albuquerque<a href="#_ftn26" name="_ftnref26" title="">[26]</a> &ndash; , um encabe&ccedil;ado por D. Leonor e o outro por D. Pedro, advogando cada um sua teoria pol&iacute;tico-jur&iacute;dica: uma, por assim dizer, de cariz popular, que contestou a for&ccedil;a do testamento de D. Duarte, alegando que a sucess&atilde;o da coroa estabelecida pelos reis em testamento n&atilde;o tinha validade e que, em caso de extin&ccedil;&atilde;o da dinastia, pertencia &agrave;s cortes a elei&ccedil;&atilde;o do rei<a href="#_ftn27" name="_ftnref27" title="">[27]</a>, tal como tinha ocorrido com a elei&ccedil;&atilde;o de D. Jo&atilde;o I nas Cortes de Coimbra; outra, de cariz nobre, que defendia o cumprimento integral do testamento de D. Duarte e, por isso, a outorga do regimento e da tutela do rei menor unicamente a D. Leonor. Al&eacute;m de duas teorias pol&iacute;tico-jur&iacute;dicas e de dois cabe&ccedil;as de partido que familiarmente eram cunhados, tamb&eacute;m temos duas quest&otilde;es vistas <i>a posteriori</i>: uma de direito privado: tutela e curatela do rei menor, e outra de direito p&uacute;blico: tutela do reino ou reg&ecirc;ncia.</p>     <p>Cada partido fixa-se nos argumentos mais fortes e apresenta-os como melhores. D. Leonor e os seus partid&aacute;rios escudam-se num &uacute;nico e imponente argumento que julgam inatac&aacute;vel: que a rainha vi&uacute;va &eacute; a contemplada no testamento, o qual &ldquo;concordaua com as leis imperiaes, que outorguar&atilde;o as titorias dos filhos as viuuas e onestas madres, e com os foros dEspanha e antiguas vsan&ccedil;as e ordena&ccedil;&otilde;es, praticadas em nossos rrejnos&rdquo;. Esta forma de argumentar, por recorrer ao argumento jur&iacute;dico, revela que por tr&aacute;s de quem a defende h&aacute; juristas, mas n&atilde;o sabemos quem s&atilde;o. D. Pedro e os seus partid&aacute;rios, em que pontificam os juristas Diogo Afonso Mangancha e Jean Jouffroy, defendem: (1) que em caso de extin&ccedil;&atilde;o da dinastia, pertence &agrave;s cortes a elei&ccedil;&atilde;o do regente; (2) que o filho secundog&eacute;nito de D. Jo&atilde;o I n&atilde;o podia ser exclu&iacute;do da reg&ecirc;ncia at&eacute; porque se morressem os dois filhos var&otilde;es de D. Duarte seria ele o rei; (3) e que D. Pedro &eacute; a pessoa mais capaz, tanto pela nobreza intelectual como pelo facto de ser homem e, por isso, poder comandar o ex&eacute;rcito em caso de guerra.</p>     <p>Vejamos cada uma das posi&ccedil;&otilde;es em particular. A primeira quest&atilde;o que se nos coloca &eacute; a seguinte: testamento do rei ou cortes na escolha do regente? A rainha vi&uacute;va e os seus partid&aacute;rios, entre os quais se contam membros da alta nobreza e juristas an&oacute;nimos, fixam-se exclusivamente neste &uacute;nico argumento, que consideram inatac&aacute;vel sob o ponto de vista jur&iacute;dico: ela &eacute; a &uacute;nica contemplada no testamento do falecido rei e isso &eacute; concordante com o direito imperial, o direito hisp&acirc;nico e o direito nacional; e que D. Leonor n&atilde;o pode ser desprovida das duas tutelas &ldquo;sem manifesta injuria e offensa sua&rdquo;, isto &eacute;, sem haver raz&otilde;es penais para a poder privar desse benef&iacute;cio. Al&eacute;m disso, argumentam que, quando o testamento foi revelado, todos o aceitaram sem contesta&ccedil;&atilde;o e juraram faz&ecirc;-lo cumprir: &ldquo;prometido e yurado de ter e manter o testamento do dito senhor rrey&rdquo;<a href="#_ftn28" name="_ftnref28" title="">[28]</a>. Mais ainda: nas Cortes de Torres Novas, o testamento foi de novo examinado pelos juristas e de novo foi declarado legal: </p>     <blockquote>       <p>&ldquo;E, sendo os principaes prelados, fidalguos e pouos aiuntados em cortes, foy uisto e examinado o dito testamento; e porque, segundo as for&ccedil;as e clausulas delle, nom podi&atilde;o tolher aa dita senhora minha madre a nossa titoria com o regimento de nossos rrejnos sem manifesta injuria e offensa sua, foy determinado, em as ditas cortes, com acordo de meus tjos, que a dita senhora rrajnha fosse nossa titor&rdquo;<a href="#_ftn29" name="_ftnref29" title="">[29]</a>.</p> </blockquote>     <p>Para mais, excluem a possibilidade de que D. Pedro possa partilhar o regimento do reino por n&atilde;o ser contemplado no testamento e acham que as cortes n&atilde;o t&ecirc;m poder para dirimir o conflito, nem h&aacute; tradi&ccedil;&atilde;o em se imiscu&iacute;rem nos assuntos da reg&ecirc;ncia. No fundo, a quest&atilde;o principal radica na legalidade do testamento de D. Duarte. N&atilde;o &eacute; de estranhar que este rei, pouco antes da sua morte por peste, tenha tomado precau&ccedil;&otilde;es no seu testamento acerca da sua sucess&atilde;o, j&aacute; que quase todos os reis at&eacute; ao seu tempo tomaram iguais provid&ecirc;ncias, contemplando uns a sucess&atilde;o e outros, al&eacute;m da sucess&atilde;o, a situa&ccedil;&atilde;o da reg&ecirc;ncia. Mas comecemos pelo princ&iacute;pio, j&aacute; que a posse da coroa tem um longo historial e &eacute; oportuno referi-lo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre os visigodos da pen&iacute;nsula, a posse da coroa concretizava-se por elei&ccedil;&atilde;o geral entre magnates e sacerdotes, por rebeli&atilde;o, ou o rei nomeava o seu sucessor. O princ&iacute;pio electivo (que muito mais tarde foi posto em pr&aacute;tica em Portugal, nas Cortes de Coimbra de 1385) foi sancionado pelos Conc&iacute;lios de Toledo e era o preferido da nobreza que se opunha ao princ&iacute;pio da hereditariedade<a href="#_ftn30" name="_ftnref30" title="">[30]</a>. Na Reconquista, a transmiss&atilde;o da coroa foi quase sempre de pais a filhos, ainda que o princ&iacute;pio eletivo n&atilde;o lhe seja estranho. No entanto, a hereditariedade prevaleceu no costume, porque os reinos da Pen&iacute;nsula principiaram por ser considerados patrim&oacute;nio dos monarcas, raz&atilde;o pela qual alguns reis dividiram o reino pelos filhos<a href="#_ftn31" name="_ftnref31" title="">[31]</a>. Ali&aacute;s, foi tal divis&atilde;o que proporcionou a Portugal a separa&ccedil;&atilde;o do reino de Castela e de Le&atilde;o e, portanto, a sua independ&ecirc;ncia.</p>     <p>Quando Portugal se tornou independente pela separa&ccedil;&atilde;o do reino de Castela e de Le&atilde;o, a hereditariedade em linha direta estava j&aacute; consagrada por longo uso mantendo-se, passando o trono de pais para filhos<a href="#_ftn32" name="_ftnref32" title="">[32]</a>. No entanto, o princ&iacute;pio da hereditariedade n&atilde;o era um direito escrito pelo que n&atilde;o podia ainda ter ra&iacute;zes profundas<a href="#_ftn33" name="_ftnref33" title="">[33]</a> e, por conseguinte, podia ser questionado, como veio a ser.</p>     <p>Observando o testamento dos primeiros monarcas, Sancho I, Afonso II e Sancho II, onde se estabelece a sucess&atilde;o da coroa, constata-se que quem herda o trono &eacute; o filho primog&eacute;nito da mulher leg&iacute;tima e a sua descend&ecirc;ncia; depois os outros filhos do testador pela ordem de nascimento; na falta de herdeiro masculino, s&atilde;o chamadas &agrave; sucess&atilde;o as filhas leg&iacute;timas pela mesma ordem; n&atilde;o havendo, s&atilde;o chamados os irm&atilde;os do rei pela ordem do nascimento (foi assim que <i>O Bolonh&ecirc;s</i> herdou o trono); depois os filhos ou filhas do irm&atilde;o que reinar (foi assim que D. Dinis herdou o trono); n&atilde;o havendo, a sucess&atilde;o regressa &agrave; linha colateral. &Eacute;, pois, esta a ordem que se institui em Portugal e Castela: a hereditariedade na linha de sucess&atilde;o, sem que haja oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; sucess&atilde;o na linha feminina, se a masculina faltar (contrariamente &agrave; Lei s&aacute;lica, vigente em Fran&ccedil;a). &ldquo;A hereditariedade nos fins do s&eacute;culo XIV, conclui Gama Barros<a href="#_ftn34" name="_ftnref34" title="">[34]</a>, era a &uacute;nica doutrina que se reputava jur&iacute;dica e que tinha voga&rdquo;. D. Afonso II e Sancho II tamb&eacute;m contemplaram no seu testamento a possibilidade de o[a] herdeiro[a] da coroa n&atilde;o ter chegado &agrave; maioridade; nesse caso, ditam vagamente, que o[a] herdeiro[a] menor e o reino fiquem em poder dos vassalos at&eacute; que o sucessor tenha <i>r&oacute;bora</i>; n&atilde;o surge aqui a possibilidade de a rainha ser a regente, como no testamento de D. Duarte.</p>     <p>Com a morte de D. Fernando [Outubro de 1383], s&oacute; sobrevive a filha Beatriz, casada com D. Juan I de Castela, e havia o perigo de uni&atilde;o das duas coroas. Ficou como regente do reino a rainha vi&uacute;va, usando de toda a jurisdi&ccedil;&atilde;o e senhorio, mas foi de curta dura&ccedil;&atilde;o porque representava a sujei&ccedil;&atilde;o &agrave; coroa de Castela e a perda da independ&ecirc;ncia. Por isso, o amor da independ&ecirc;ncia reagiu contra o jugo estranho, e o Mestre de Avis, dirigindo o movimento nacional, assumiu o governo do reino em Dezembro de 1383, por elei&ccedil;&atilde;o do povo de Lisboa, com o t&iacute;tulo de defensor, que conservou at&eacute; ser aclamado rei nas Cortes de Coimbra de 1385<a href="#_ftn35" name="_ftnref35" title="">[35]</a>. Argumentaram que, n&atilde;o havendo ningu&eacute;m que pudesse invocar legitimamente o direito de sucess&atilde;o, o trono foi declarado vago. Assim sendo, os tr&ecirc;s estados exerceram a soberania, elegendo o Mestre de Avis, mas n&atilde;o estabelecem disposi&ccedil;&atilde;o alguma quanto &agrave; sucess&atilde;o futura<a href="#_ftn36" name="_ftnref36" title="">[36]</a>.</p>     <p>D. Jo&atilde;o I, no seu testamento, declara sucessor o seu filho D. Duarte, primog&eacute;nito, ou a sua descend&ecirc;ncia por linha direta; depois os outros filhos seus segundo a ordem de nascimento [Pedro, Henrique, ...], precisamente como tinham feito os reis da Dinastia de Borgonha. D. Duarte, quando j&aacute; estava atacado de febres mortais, declarou herdeiro seu filho Afonso, mas, por n&atilde;o ter <i>r&oacute;bora</i>, instituiu como tutora do reino e do rei menor a rainha D. Leonor, sua mulher. Mas pouco depois de ter iniciado fun&ccedil;&otilde;es, as disposi&ccedil;&otilde;es testament&aacute;rias foram contestadas e impugnadas, o que n&atilde;o deixa de ser espantoso porque nunca antes o tinham sido, sobretudo pelas raz&otilde;es que os contestat&aacute;rios invocavam: D. Leonor &eacute; mulher, &eacute; estrangeira, n&atilde;o tem personalidade para o cargo, h&aacute; tr&ecirc;s irm&atilde;os do rei falecido que t&ecirc;m uma palavra a dizer... Segundo a Carta de Cren&ccedil;a, isso foi devido &agrave;s intrigas de D. Pedro e de seus partid&aacute;rios e n&atilde;o a raz&otilde;es de direito ou de tradi&ccedil;&atilde;o. No fundo, o que D. Pedro e os procuradores dos concelhos procuraram fazer foi o mesmo que fora feito em 1385. A recorda&ccedil;&atilde;o desse feito, que conduzira ao per&iacute;odo mais extraordin&aacute;rio da hist&oacute;ria de Portugal, estava ainda bem presente na mente de todos (nacionais e estrangeiros), como J. Jouffroy recorda v&aacute;rias vezes e com nostalgia<a href="#_ftn37" name="_ftnref37" title="">[37]</a>. Todavia, as situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o bem a mesma coisa porque se em 1385 h&aacute; extin&ccedil;&atilde;o da coroa, o trono fica vago e h&aacute; risco de perda de independ&ecirc;ncia, em 1449 n&atilde;o se verifica o mesmo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.</b></p>     <p>Ao procederem desta forma os reis (i.e., ao pronunciarem-se em testamento acerca da sucess&atilde;o ou da reg&ecirc;ncia, tal como D. Duarte fez), eles t&ecirc;m em vista a <i>Partida Segunda</i> t. 15, l. 3 &ndash; teoria da patrimonalidade e o instituto da tutela testament&aacute;ria em geral como figurava no direito romano &ndash;, que afirma, dado ser habitual o conflito acerca das tutelas do reino e do rei menor, estabelece-se como lei geral que, no caso de haver testamento ou indica&ccedil;&otilde;es, que as tutelas fossem dadas &agrave;(s) pessoa(s) indicada(s) pelo rei; se n&atilde;o houver, que o(s) tutor(es) fosse(m) escolhido(s) em cortes:</p>     <blockquote>       <p>&ldquo;T&Iacute;TULO 15: Cu&aacute;l debe ser el pueblo en guardar al rey de sus hijos     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Ley 3: &ldquo;Ocurre muchas veces que cuando el rey muere, queda ni&ntilde;o el hijo mayor que ha de heredar, y los mayores del reino contienden sobre qui&eacute;n lo guardar&aacute; hasta que sea de edad; y de esto nacen muchos males. Y por ello los sabios antiguos de Espa&ntilde;a, que consideraron todas las cosas muy lentamente y las supieron guardar, por quitar todos estos males que hemos dicho establecieron que cuando el rey fuese ni&ntilde;o, si el padre hubiese dejado hombres se&ntilde;alados que le guardasen mand&aacute;ndolo por palabra o por carta, que aquellos hubiesen la guarda de &eacute;l, y que el rey lo hubiese mandado; mas si el rey finado de esto no hubiese hecho mandamiento ninguno, entonces d&eacute;bense juntar all&iacute; donde el rey fuere todos los mayores del reino, as&iacute; como los prelados y los ricos-hombres y otros hombres buenos y honrados de las villas; y desde que fueren adjuntados, deben jurar sobre los santos Evangelios que anden primeramente en servicio de Dios y en honra y en guarda del se&ntilde;or que tengan y en pro comunal de la tierra y del reino; y seg&uacute;n esto, que escojan tales hombres en cuyo poder lo metan, que lo guarden bien y lealmente&rdquo;<a href="#_ftn38" name="_ftnref38" title="">[38]</a>.</p> </blockquote>     <p>Tal lei que regula a reg&ecirc;ncia do reino n&atilde;o figura no direito p&aacute;trio portugu&ecirc;s. Figura, no entanto, a disposi&ccedil;&atilde;o de que os &ldquo;padres podem dar tetores, e curadores a seus filhos em testamento&rdquo;, que foi acolhida pelo direito p&aacute;trio no tempo de D. Jo&atilde;o I &ndash; como afirma Martim de Albuquerque<a href="#_ftn39" name="_ftnref39" title="">[39]</a> &ndash;, desembargada em cortes gerais e introduzida mais tarde nas <i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas,</i> liv. 4, t. 85 &sect;7: &ldquo;Segundo direito os Padres podem dar tutores, e curadores a seus filhos em testamentos&hellip; que honde o Padre leixar com quem seu filho viva, e com quem more, ou officio que aja, que assy se cumpra, poendo pena a quem o contrairo fezer&rdquo;<a href="#_ftn40" name="_ftnref40" title="">[40]</a>.</p>     <p>As <i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas</i> liv. 4, t. 82 tamb&eacute;m distinguem os tr&ecirc;s tipos de tutores que a tutela admite<a href="#_ftn41" name="_ftnref41" title="">[41]</a>: (1) tutor testamenteiro: os tutores que s&atilde;o deixados pelos pais em testamento e devem ser tidos por bem escolhidos; (2) quando n&atilde;o h&aacute; testamento, ou indica&ccedil;&otilde;es em testamento, que seja tutor do &oacute;rf&atilde;o o parente mais chegado [tutor lidimo]; (3) quando n&atilde;o h&aacute; testamento, ou indica&ccedil;&otilde;es em testamento, ou n&atilde;o h&aacute; parente chegado, ou se h&aacute; n&atilde;o pode ou n&atilde;o quer ser, que o juiz do lugar d&ecirc; ao &oacute;rf&atilde;o um homem bom [tutor dativo].</p>     <p>Ora, no caso de Afonso V, h&aacute; testamento e tutor testamenteiro nomeado pelo rei: &eacute; D. Leonor, m&atilde;e, e &eacute; ela que tem de assumir a tutela do rei &agrave; luz da lei. E segundo a mesma lei (<i>O.A.</i> liv. 4, t. 83 &sect;1), o tutor que o pai escolher ser&aacute; tido como bem escolhido, e a justi&ccedil;a n&atilde;o dever&aacute; interferir com a escolha. De igual forma, a justi&ccedil;a n&atilde;o poder&aacute; retirar ao tutor testamenteiro a tutoria do &oacute;rf&atilde;o at&eacute; que ele atinja a maioridade, excepto se o tutor administrar mal a tutoria ou os bens do tutor (<i>O.A.</i> liv. 4, t. 83 &sect;3), tal como os partid&aacute;rios de D. Leonor asseveram<a href="#_ftn42" name="_ftnref42" title="">[42]</a>.</p>     <p>Por&eacute;m, uma coisa &eacute; a tutela particular, acerca da qual n&atilde;o parece haver d&uacute;vida, e outra coisa &eacute; a tutela p&uacute;blica do reino. Se D. Leonor tamb&eacute;m pode assumir a tutela do reino, &eacute; outra quest&atilde;o e bem mais dif&iacute;cil de dirimir do que a tutela privada. Contudo, certo &eacute; que a vontade do testador D. Duarte e a dos seus juristas era a de que D. Leonor herdasse as duas tutelas &ndash; a do rei e a do reino. Na base do seu desejo, do rei e dos seus juristas, talvez estivesse a convic&ccedil;&atilde;o de que:    <br>   (i) se a mulher, &agrave; luz da legisla&ccedil;&atilde;o nacional, n&atilde;o pode ser afastada da sucess&atilde;o, tamb&eacute;m n&atilde;o dever&aacute; ser afastada da reg&ecirc;ncia do reino;     <br>   (ii) ao D. Leonor ser tutora do rei, devia ser igualmente tutora do reino por na Pen&iacute;nsula se considerar, desde o in&iacute;cio, que o patrim&oacute;nio do rei &eacute; o pr&oacute;prio reino;     <br>   (iii) tal como nas tutelas privadas o pupilo herda os bens dos pais, assim na tutela p&uacute;blica o pupilo real herda o reino, que &eacute; o seu patrim&oacute;nio<a href="#_ftn43" name="_ftnref43" title="">[43]</a>.     <br> &Eacute; um argumento poderoso a favor da legalidade das cl&aacute;usulas testament&aacute;rias do testamento de D. Duarte e, por conseguinte, da legitimidade de D. Leonor; e ser&aacute; a principal raz&atilde;o que explica porque D. Leonor e partid&aacute;rios pugnar&atilde;o pela reg&ecirc;ncia <i>in solido</i> e porque, em Lisboa, aceitaram contrariados a partilha da reg&ecirc;ncia com o Infante.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4.</b></p>     <p>Apesar de a lei ser clara, apesar de as instru&ccedil;&otilde;es deixadas por D. Duarte acerca da sucess&atilde;o e da tutoria do filho var&atilde;o terem pleno enquadramento dentro da tradi&ccedil;&atilde;o da casa real portuguesa, do direito comum, do peninsular e das ordena&ccedil;&otilde;es do reino, &ldquo;o suprimento da menoridade r&eacute;gia n&atilde;o tardaria a ser posto em crise&rdquo;<a href="#_ftn44" name="_ftnref44" title="">[44]</a> pelos partid&aacute;rios do duque de Coimbra e juristas pr&oacute;-D. Pedro. As primeiras vozes do descontentamento s&atilde;o atribu&iacute;das pela <i>Cr&oacute;nica de D. Afonso V </i>&agrave;s pessoas an&oacute;nimas e numerosas da capital, partid&aacute;rias do duque de Coimbra: &ldquo;agora pellas pra&ccedil;as se solta, que ElRey nosso Senhor, vosso Marido, que Santa Gloria aja, vos nam podia leixar este cargo de reger&rdquo;, cujo argumento &eacute; que pertencia &agrave;s cortes a escolha: &ldquo;c&aacute; este poder demleger Regedor do Reino era somente ao Reino, e aos tres Estados dele resservado&rdquo;<a href="#_ftn45" name="_ftnref45" title="">[45]</a>.</p>     <p>Depois vir&atilde;o os juristas pr&oacute;-Infante com a sua bateria de argumentos, os quais tanto retomam o argumento das Cortes, que foi posto em pr&aacute;tica em 1385, mas que n&atilde;o &eacute; bem o mesmo, como advogam novos argumentos de v&aacute;ria ordem. O primeiro deles foi o Doutor Diogo Afonso Mangancha, ligado ao conselho e desembargo de D. Duarte e apoiante do duque de Coimbra, a quem representou nas Cortes de 1446, na passagem do poder a D. Afonso V; o segundo foi Jean Jouffroy, de&atilde;o de Vergy, referend&aacute;rio papal, conselheiro de Filipe, <i>o Bom</i>, e embaixador experimentado, tendo sido o cabe&ccedil;a da pequena embaixada borguinh&atilde; que D. Isabel de Portugal enviou em 1449-1450, &agrave; corte de D. Afonso V, defender a mem&oacute;ria do duque de Coimbra e a de seus filhos infamados e espoliados dos bens<a href="#_ftn46" name="_ftnref46" title="">[46]</a>. Ambos eram juristas <i>in utroque iure</i> e famosos pelas suas bibliotecas particulares, mas enquanto a do portugu&ecirc;s n&atilde;o sobreviveu, a do borguinh&atilde;o ainda hoje se conserva praticamente intacta! </p>     <p>Jean Jouffroy, ainda que n&atilde;o negue que a mulher possa assumir as tutelas do reino e do rei, argumenta aos vencedores de Alfarrobeira que a tutela deixada por D. Duarte a D. Leonor &eacute; inv&aacute;lida por raz&otilde;es de ordem legal e que nos reinos em que excepcionalmente acontece n&atilde;o s&atilde;o constitu&iacute;dos direitos. Em primeiro lugar, s&atilde;o v&aacute;rias as leis gerais e <i>regulae</i> <i>iuris</i> que excluem as mulheres de todos os cargos civis ou p&uacute;blicos: &ldquo;As mulheres foram afastadas de todos os cargos civis ou p&uacute;blicos. Por isso, nem podem ser ju&iacute;zes, nem exercer a magistratura, nem requerer judicialmente, nem intervir a favor de algu&eacute;m, nem ser procuradores&rdquo;<a href="#_ftn47" name="_ftnref47" title="">[47]</a>; e tamb&eacute;m foram exclu&iacute;das das tutelas por ser um cargo masculino: &ldquo;&Agrave;s mulheres n&atilde;o podem ser dadas tutores, porque isso &eacute; um cargo masculino, salvo se elas fizerem ao governador um pedido especial para terem a tutela dos filhos&rdquo;<a href="#_ftn48" name="_ftnref48" title="">[48]</a>.</p>     <p>&Eacute; certo que em determinadas situa&ccedil;&otilde;es (tutela privada) &eacute; l&iacute;cito que a m&atilde;e execute a tutela; tamb&eacute;m &eacute; l&iacute;cito que o testador possa prescrever que a tutela seja regida com o conselho da m&atilde;e, mas n&atilde;o &eacute; a regra geral, nem tem aplica&ccedil;&atilde;o no instituto da tutela dos reis. A regra geral, verificada em muitos reinos e corroborada pelas leis imperiais, &eacute; que a tutela dos filhos confiada em testamento do pai &agrave; m&atilde;e &eacute; nula: &ldquo;Segundo o nosso direito, declara-se que a tutela dos filhos comuns, confiada em testamento do pai &agrave; m&atilde;e, seja nula; e se o governador da prov&iacute;ncia, ca&iacute;do em erro, tiver decretado a vontade do pai, que o sucessor n&atilde;o siga a determina&ccedil;&atilde;o do governador por as nossas leis n&atilde;o a admitirem&rdquo;<a href="#_ftn49" name="_ftnref49" title="">[49]</a>. E &eacute; essa a regra que deve ser observada na tutela dos reis &ndash; continua Jean Jouffroy, abordando o instituto da tutela do reino, o qual diferencia das tutelas particulares: que o rei n&atilde;o passe o poder para a rainha, at&eacute; porque, como assevera Greg&oacute;rio Magno nos seus <i>Morais</i>, &ldquo;O costume da vida de outros tempos determinou que as mulheres n&atilde;o obtenham em heran&ccedil;a a administra&ccedil;&atilde;o dos reinos, porque a dire&ccedil;&atilde;o dos reinos necessita do que &eacute; forte e menospreza o que &eacute; fraco, elege o bem preparado e repele o que &eacute; inconstante&rdquo;<a href="#_ftn50" name="_ftnref50" title="">[50]</a>.</p>     <p>&Eacute; certo, continua o orador, que nalguns reinos as mulheres t&ecirc;m o direito de sucess&atilde;o e dirigem a administra&ccedil;&atilde;o (i. e., s&atilde;o rainhas), mas, al&eacute;m de casos excepcionais, n&atilde;o s&atilde;o constitu&iacute;dos direitos: &ldquo;N&atilde;o s&atilde;o constitu&iacute;dos direitos nos casos em que, eventualmente, possam ter acontecido num ou noutro caso&rdquo;<a href="#_ftn51" name="_ftnref51" title="">[51]</a>. Al&eacute;m disso, conv&eacute;m distinguir nas tutelas do reino dois graus de direito: o da mulher que, n&atilde;o havendo filhos var&otilde;es, sobe ao trono por direito de sucess&atilde;o (mulher herdeira; de autoridade maior por provir de si pr&oacute;prio e que n&atilde;o se verifica no caso de D. Leonor) e o direito da mulher que o administra como regente (mulher regente; mais fraco por provir de outrem, como &eacute; o caso de D. Leonor)<a href="#_ftn52" name="_ftnref52" title="">[52]</a>.</p>     <p>Apesar de toda a s&eacute;rie de argumentos extra&iacute;dos do &ldquo;bom&rdquo; direito, n&atilde;o ficamos impressionados com o jurista da Borgonha por sabermos as transforma&ccedil;&otilde;es que o direito justinianeu sofreu na sua adapta&ccedil;&atilde;o ao direito p&aacute;trio, como j&aacute; vimos anteriormente. Por isso, o que conta &ndash; &eacute; essa a nossa opini&atilde;o &ndash;, &eacute; a legisla&ccedil;&atilde;o nacional, pouco depois transformada em <i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas</i>, quer tenha sido bem ou mal adaptada pelos juristas da corte; e o direito imperial, direito can&oacute;nico e as glosas de Ac&uacute;rsio e de B&aacute;rtolo n&atilde;o passavam de direito subsidi&aacute;rio neste tempo. Por isso, a legalidade do testamento de D. Duarte e da ascens&atilde;o de D. Leonor &agrave; reg&ecirc;ncia permanecem firmes. Jouffroy sabe disso, por isso tem necessidade de recorrer a novos argumentos para destronar D. Leonor do estado de legalidade e dar raz&atilde;o a D. Pedro. Se conseguir, livrar&aacute; o antigo regente do crime de lesa-majestade e os seus filhos da infama&ccedil;&atilde;o em que incorreram por culpa paterna; e atr&aacute;s da comuta&ccedil;&atilde;o da pena, vir&aacute; a devolu&ccedil;&atilde;o dos bens copiosos, h&aacute; pouco confiscados.</p>     <p>D. Pedro &ndash; assevera o embaixador borguinh&atilde;o &ndash; n&atilde;o podia ser exclu&iacute;do da partilha do poder, devendo, por isso, ter sido contemplado no testamento de D. Duarte, por v&aacute;rias raz&otilde;es. O direito comum permite constituir como herdeiro um estranho; tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel privar da heran&ccedil;a um irm&atilde;o, desde que n&atilde;o se institua uma indigna pessoa, todavia os reis t&ecirc;m estatuto especial, por n&atilde;o poderem no seu testamento (ao contr&aacute;rio das tutelas particulares) privar da sucess&atilde;o do reino os que descendem de linha paterna<a href="#_ftn53" name="_ftnref53" title="">[53]</a>. E como o que &eacute; v&aacute;lido para a tutela testament&aacute;ria &eacute; v&aacute;lido para a sucess&atilde;o, pois s&atilde;o institutos insepar&aacute;veis (&eacute; a unidade dos institutos sucess&oacute;rios e da tutela)<a href="#_ftn54" name="_ftnref54" title="">[54]</a>, D. Pedro, como filho secundog&eacute;nito de D. Jo&atilde;o I e, depois da morte de D. Duarte, filho mais velho, nem podia ser privado da tutela do rei menor, nem da sucess&atilde;o do reino (em caso de morte de D. Duarte sem filhos ou dos filhos de D. Duarte: Afonso e Fernando) por ele ser o leg&iacute;timo tutor<a href="#_ftn55" name="_ftnref55" title="">[55]</a>. Estes institutos s&oacute; a ele, como agnado (parente pela linha masculina) mais pr&oacute;ximo, podiam ser confiados e deles n&atilde;o podia ser privado por D. Duarte em testamento. Por conseguinte, D. Pedro poderia estar confiante que a tutela do reino lhe seria entregue por direito pr&oacute;prio. Como ele conhecia este direito, reivindicou-o com alguma veem&ecirc;ncia, quer apresentando-se nas Cortes de Lisboa com o seu ex&eacute;rcito ducal; quer, depois destas Cortes, movendo dura luta &agrave; rainha e partid&aacute;rios, empecilhos, com a finalidade de os expulsar do pa&iacute;s.</p>     <p>De novo o orador da Borgonha recorreu ao direito justinianeu e sem contemplar as transforma&ccedil;&otilde;es que ele sofreu no momento em que foi adaptado bem ou mal para o direito p&aacute;trio e que os conselheiros de D. Afonso V lhe lembram. Da&iacute; a sua animosidade contra o direito p&aacute;trio, a que chama &ldquo;n&atilde;o direito, mas a dissolu&ccedil;&atilde;o do direito&rdquo;<a href="#_ftn56" name="_ftnref56" title="">[56]</a>. Num tempo de evolu&ccedil;&atilde;o do quadro legislativo e em que o direito justinianeu (tamb&eacute;m chamado comum ou imperial) vinha a ser substitu&iacute;do pela legisla&ccedil;&atilde;o e ordena&ccedil;&otilde;es nacionais, talvez Jouffroy tenha sido a primeira pessoa a insurgir-se contra as <i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas</i>, publicadas havia muito pouco tempo, precisamente no final da reg&ecirc;ncia de D. Pedro. Assim sendo, a quest&atilde;o da legalidade de D. Leonor permanece.</p>     <p>O partido de D. Pedro tem em grande considera&ccedil;&atilde;o a escolha do regente em Cortes, n&atilde;o s&oacute; porque isso lhe &eacute; favor&aacute;vel, mas tamb&eacute;m porque estava na mem&oacute;ria de todos as felizes Cortes de Coimbra de 1385, em que o Mestre de Avis foi al&ccedil;ado rei e que daria origem, qui&ccedil;&aacute;, ao melhor per&iacute;odo da hist&oacute;ria de Portugal. Jean Jouffroy sabe disso, eis porque n&atilde;o se esquece de explorar este campo, preocupado como est&aacute; em ver atendidos na corte de Portugal os rogos de D. Isabel da Borgonha. Da&iacute; a quest&atilde;o: qual o poder das cortes na escolha do(s) tutor(es) do reino e do rei menor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O partido de D. Leonor argumenta que as cortes n&atilde;o t&ecirc;m poder nenhum, o qual reside unicamente no testamento do rei; por seu lado, o partido do Infante, fortemente apoiado na media&ccedil;&atilde;o popular, argumenta &ndash; comparando esta situa&ccedil;&atilde;o com a que ocorreu em 1383, mas as duas situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o iguais &ndash; que em caso de extin&ccedil;&atilde;o da dinastia pertence &agrave;s cortes a escolha do monarca<a href="#_ftn57" name="_ftnref57" title="">[57]</a>. Esta &eacute; naturalmente tamb&eacute;m a opini&atilde;o do embaixador da Borgonha, empenhado como est&aacute; em defender na corte de &Eacute;vora, onde foi recebido em 1449, os interesses de D. Isabel. A governa&ccedil;&atilde;o do reino e os bens do reino &ndash; argumenta Jean Jouffroy &ndash; s&atilde;o de todos os cidad&atilde;os, e estes deliberaram em Cortes que tais cargos (quer a tutela do reino, quer a tutela do rei) conviessem a D. Pedro, e o que a maior parte do reino decidir pelo direito subsiste: </p>     <blockquote>       <p>&ldquo;Ora, se se diz que a governa&ccedil;&atilde;o do reino e os bens do reino s&atilde;o de toda a gente, &eacute; por isso que, segundo Inoc&ecirc;ncio, no c&acirc;non <i>Quarto</i>, t&iacute;tulo <i>De Iureiurando </i>[liber <i>Extra.</i>], o que a maior parte do reino decidir pelo direito subsiste<a href="#_ftn58" name="_ftnref58" title="">[58]</a>. Importa lembrar que os legados de todas as cidades e de todos os concelhos, que todos os nobres de teus reinos e todos os prelados intercederam para que o infante Pedro assumisse a tutela da tua majestade. Negar isto n&atilde;o podem os teus conselheiros, porque se podem mostrar as cartas e as assinaturas deles nelas firmadas. Al&eacute;m disso, eu poderia mostrar o consentimento da tua ilustr&iacute;sssima m&atilde;e, somente o qual bastaria&rdquo;<a href="#_ftn59" name="_ftnref59" title="">[59]</a>.</p> </blockquote>     <p>De facto, nas Cortes de Torres Novas [1438] foi-lhe outorgado a partilha do poder e nas Cortes de Lisboa [1439] os procuradores das cidades e vilas do reino, muitos nobres e prelados (mas n&atilde;o tantos quanto o embaixador, exagerando, afirma terem sido) intercederam para que o Infante assumisse <i>in solido</i> a reg&ecirc;ncia e a tutela do rei; intercederam porque reconheceram que o filho mais velho de D. Jo&atilde;o I era a pessoa mais competente, como a seguir veremos. Baquero Moreno<a href="#_ftn60" name="_ftnref60" title="">[60]</a>, no seguimento da <i>Cr&oacute;nica de D. Afonso V</i>, destaca o papel relevante dos procuradores das cidades e vilas do reino, que conseguiram para D. Pedro a outorga do regimento, em vez de se cumprirem as disposi&ccedil;&otilde;es testament&aacute;rias de D. Duarte, tendo sido repetido nas Cortes de Lisboa [1439] aquilo que o povo fizera algumas d&eacute;cadas antes nas Cortes de Coimbra [1385]<a href="#_ftn61" name="_ftnref61" title="">[61]</a>. Sancho II foi derrubado pelo poder do clero, coadjuvado pela nobreza, mas aqui revelou-se a for&ccedil;a das institui&ccedil;&otilde;es municipais que, em peso, intercederam em favor do Infante.</p>     <p>O argumento das Cortes, em que &ldquo;a maior parte do reino&rdquo; (&ldquo;<i>regni maior pars</i>&rdquo;) decidiu os destinos nacionais, &eacute; um bom argumento, at&eacute; por, &agrave; dist&acirc;ncia de muitos anos, conhecermos a feliz escolha em cortes do Mestre de Avis para rei. Al&eacute;m disso, j&aacute; em 1450, quando o embaixador borguinh&atilde;o esteve na corte de D. Afonso V, em &Eacute;vora, era evidente que tinha sido uma boa escolha, como se depreende das palavras elogiosas que tece ao fundador da dinastia de Avis. Mas a quest&atilde;o de fundo permanece: infelizmente a elei&ccedil;&atilde;o do regente em cortes pela maioria dos membros presentes n&atilde;o est&aacute; contemplada no direito p&aacute;trio, antes estivesse! N&atilde;o h&aacute; lei do reino que reserve &agrave;s Cortes a escolha do sucessor ou do regente como na monarquia visig&oacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.</b></p>     <p>Segunda quest&atilde;o que se coloca: &ldquo;A direc&ccedil;&atilde;o dos reinos necessita do que &eacute; forte e menospreza o que &eacute; fraco, elege o bem preparado e repele o que &eacute; inconstante&rdquo;<a href="#_ftn62" name="_ftnref62" title="">[62]</a>. Esta cita&ccedil;&atilde;o a partir dos <i>Moralia</i> de Greg&oacute;rio Magno foi apresentada pelo embaixador &agrave; Corte como argumento e significa que a reg&ecirc;ncia atribu&iacute;da a D. Pedro n&atilde;o pode ser acusada porque ele &eacute; mais capaz do que a cunhada para o cargo de regente do reino, ali&aacute;s, ele &eacute; o melhor de todos. O tema da maior compet&ecirc;ncia de D. Pedro quando comparada com as capacidades de D. Leonor &eacute; f&aacute;cil de dirimir, tal a dist&acirc;ncia que os separa, e &eacute; at&eacute; das coisas mais certas nesta conjuntura. Ainda que haja na quest&atilde;o da compet&ecirc;ncia alguma subjectividade, e toda a gente seja capaz de fornecer exemplos de pessoas competentes que desiludiram e de candidatos medianos que surpreenderam, a verdade &eacute; que o vulto de D. Pedro, quando comparado, d&aacute; outras garantias que D. Leonor n&atilde;o pode dar. &Eacute; claramente dito pelo orador da Borgonha e pelos historiadores que dos dois um &eacute; incomparavelmente melhor do que o outro e toda a gente sabe quem &eacute;. &Eacute; aqui que as qualidades dos dois cabe&ccedil;as de partido mais discrepam<a href="#_ftn63" name="_ftnref63" title="">[63]</a>.</p>     <p>Acerca das capacidades pol&iacute;ticas de D. Leonor, pouco sabemos. A <i>Cr&oacute;nica de D. Afonso V</i><a href="#_ftn64" name="_ftnref64" title="">[64]</a> diz que era &ldquo;muyto honesta, virtuosa, prudente, devota e muyto amiga da vyda e honra d&rsquo;elRey seu Marido&rdquo;, mas isso n&atilde;o &eacute; um atestado de compet&ecirc;ncia pol&iacute;tica e, mesmo assim, pode nem sequer ser verdade por fazer parte de uma t&oacute;pica &ldquo;a persona&rdquo;, como muitas vezes acontece nas Cr&oacute;nicas. Ana Maria Rodrigues, que estudou a pessoa de D. Leonor, fala da educa&ccedil;&atilde;o nobre da rainha<a href="#_ftn65" name="_ftnref65" title="">[65]</a>, mas que de forma alguma &eacute; igual &agrave; educa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dada aos filhos var&otilde;es. Al&eacute;m disso, enquanto rainha, pouco contacto teve com a administra&ccedil;&atilde;o do reino por D. Duarte ser muito dedicado ao despacho e consagrar-lhe grande parte do dia, reservando para D. Leonor uma participa&ccedil;&atilde;o muito restrita<a href="#_ftn66" name="_ftnref66" title="">[66]</a>. Al&eacute;m disso, ainda que exercesse influ&ecirc;ncia sobre o rei<a href="#_ftn67" name="_ftnref67" title="">[67]</a>, n&atilde;o deixa de ser uma figura politicamente apagada e de fraca experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica, quando comparada, por exemplo, com a condessa D. Teresa.</p>     <p>J&aacute; quanto a D. Pedro o caso &eacute; diferente, pois conhecemos as suas qualidades pol&iacute;ticas, intelectuais e militares. Basta citar a carta acerca da realeza que ele enviou a D. Duarte, depois de ter sido <i>alevantado</i> rei<a href="#_ftn68" name="_ftnref68" title="">[68]</a>; ou ent&atilde;o a Carta de Bruges<a href="#_ftn69" name="_ftnref69" title="">[69]</a>: um extenso memorando de teor pol&iacute;tico remetida ao irm&atilde;o Duarte sobre o que deve ser a sua ac&ccedil;&atilde;o governativa, para revelar como o duque de Coimbra nutre paix&atilde;o pela pol&iacute;tica e tem uma ideia para o pa&iacute;s, al&eacute;m de D. Duarte lhe pedir conselhos. Al&eacute;m disso, D. Pedro era pessoa viajada, a ponto de Veiga Sim&otilde;es dizer hiperbolicamente que &ldquo;partiu um homem medieval e voltou um homem moderno&rdquo;<a href="#_ftn70" name="_ftnref70" title="">[70]</a>; e era pessoa culta, fama que ganhou na tradi&ccedil;&atilde;o cultural como (entre outros m&eacute;ritos)<a href="#_ftn71" name="_ftnref71" title="">[71]</a> autor do <i>Livro dos Of&iacute;cios</i><a href="#_ftn72" name="_ftnref72" title="">[72]</a>, tradutor<a href="#_ftn73" name="_ftnref73" title="">[73]</a> e promotor de tradu&ccedil;&otilde;es<a href="#_ftn74" name="_ftnref74" title="">[74]</a>, facto que levou Rui de Pina a afirmar que era pr&iacute;ncipe &ldquo;bem latinado, e assaz mistyco<a href="#_ftn75" name="_ftnref75" title="">[75]</a> em ciencias e doutrinas de letras, e dado muyto ao estudo&rdquo;<a href="#_ftn76" name="_ftnref76" title="">[76]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Jean Jouffroy tra&ccedil;ou desta forma o seu perfil de estadista e viajante: &ldquo;Um Infante valente, justo, s&eacute;rio, ben&eacute;fico, liberal, magn&acirc;nimo, que espalhou quase por todo o mundo excelentes virtudes&rdquo;<a href="#_ftn77" name="_ftnref77" title="">[77]</a>, o qual, em parte, deve ser entendido por ele ser o advogado do Infante na Corte; mas se o louvor est&aacute; ferido de exagero, est&aacute; longe da negatividade e dos ju&iacute;zos de desvalor com que a Carta de Cren&ccedil;a o trata ao classific&aacute;-lo de ambicioso sem limite, de &ldquo;perigoso traidor&rdquo; e de se ter locupletado durante a reg&ecirc;ncia. Apesar de as qualidades de D. Pedro, quando comparadas com as de D. Leonor, parecerem superiores &ndash; o que n&atilde;o quer dizer que ela fosse pior regente do que o Infante &#8209;, ainda assim isso n&atilde;o serve de argumento, porque o direito p&aacute;trio n&atilde;o contempla a quest&atilde;o da compet&ecirc;ncia. Antes contemplasse, como nas modernas sociedades meritocr&aacute;ticas ou mesmo como nas Cortes de Coimbra de 1385! </p>     <p>Quanto &agrave; quest&atilde;o de g&eacute;nero: se uma mulher pode ou n&atilde;o assumir a reg&ecirc;ncia, &eacute; claro hoje e comumente aceite, mas n&atilde;o na Idade M&eacute;dia com a mesma clarivid&ecirc;ncia. A cita&ccedil;&atilde;o anterior dos <i>Moralia</i> e muitas outras que poderiam ser feitas revelam os preconceitos &ldquo;antifeministas&rdquo; (para usar um conceito que hoje &eacute; familiar, mas que n&atilde;o existia na Idade M&eacute;dia) alimentados por via erudita e popular e as reservas colocadas &agrave;s capacidades femininas. Ainda assim, os testamentos dos reis, como j&aacute; vimos, n&atilde;o excluem a mulher da sucess&atilde;o, colocando-a, todavia, depois do homem, e da reg&ecirc;ncia. Entre as limita&ccedil;&otilde;es da &ldquo;fragilidade da natureza feminina&rdquo; ou da &ldquo;fraqueza do sexo feminino&rdquo; est&aacute; a <i>potestas militaris</i>: a inabilidade da mulher para executar servi&ccedil;os militares ou comandar o ex&eacute;rcito em caso de guerra<a href="#_ftn78" name="_ftnref78" title="">[78]</a>. Jouffroy lembra isso e &eacute; mais um argumento para impressionar, at&eacute; porque as capacidades militares de D. Pedro eram bem conhecidas: combateu contra os turcos na Hungria, fazendo-se comunicar em latim, e contra os mouros no norte de &Aacute;frica.</p>     <p>Se ao que fica dito juntarmos a itiner&acirc;ncia da corte durante a Idade M&eacute;dia por motivos pol&iacute;ticos (os juristas n&atilde;o falam nisso, mas n&atilde;o deixa de ser uma quest&atilde;o pertinente); e o facto de D. Leonor ser m&atilde;e de v&aacute;rios filhos, ainda que andasse sempre acompanhada de aias; e ainda a sua m&aacute; presta&ccedil;&atilde;o depois das Cortes de Torres Novas, muito devido ao facto de estar gr&aacute;vida, mas que os seus inimigos pol&iacute;ticos n&atilde;o desculparam; e, mais do que ser mulher, ser &ldquo;aquela mulher&rdquo;, que &eacute; estrangeira e irm&atilde; dos infantes de Arag&atilde;o e de fam&iacute;lia rival da de D. Pedro, s&atilde;o tudo desvantagens e formas de enfraquecer a sua posi&ccedil;&atilde;o quando comparada com a figura masculina de D. Pedro, pr&iacute;ncipe de Avis, ali&aacute;s, o mais velho depois da morte de D. Duarte. Diogo Afonso de Mangancha, outro jurista que se pronunciou sobre o conflito, destacou sobretudo o m&eacute;rito da pessoa de D. Pedro, a qual, quando confrontada com a figura d&eacute;bil de D. Leonor, mais se agiganta. Pouco antes do in&iacute;cio das Cortes de Lisboa, numa sess&atilde;o de esclarecimento e de apoio ao Infante na C&acirc;mara de Lisboa, foi-lhe pedido uma p&uacute;blica declara&ccedil;&atilde;o sobre o caso. Depois de ter apontado os erros de o regimento ter sido repartido em Torres Novas, continua a <i>Cr&oacute;nica de D. Afonso V</i><a href="#_ftn79" name="_ftnref79" title="">[79]</a>:</p>     <blockquote>       <p>&ldquo;com determina&ccedil;oo&#7869;s do Dereito Canonyco e Civel, e com autorydades do Testamento Novo e Velho<a href="#_ftn80" name="_ftnref80" title="">[80]</a>, e com emxemplos d&rsquo;estoreas antygas reprovou Regimento p&uacute;blico ser dado a molher, perque excludio a Raynha; e com outras de nom menos rezam e autoridade, provou que devia ser dado a homem baram, em que ouvesse as virtudes e calidades, que todas achou com verdade no Yfante Dom Pedro&rdquo;.</p> </blockquote>     <p>Portanto, Afonso Mangancha n&atilde;o nega, como outros membros da fa&ccedil;&atilde;o popular negaram, que, legalmente, a mulher n&atilde;o possa herdar o regimento do reino. Ele sabe que j&aacute; no passado D. Teresa o herdou (se &eacute; que podemos falar desta forma t&atilde;o ligeira) e como D. Leonor Teles o herdou <i>de facto</i>, ainda que por pouco tempo. O que ele diz &eacute; que &ldquo;n&atilde;o deve&rdquo; porque h&aacute; alternativa melhor; perante dois candidatos &agrave; reg&ecirc;ncia, eventualmente t&atilde;o legal um como o outro, D. Pedro &eacute; francamente melhor e mais popular, e &eacute; o melhor que deve ser escolhido.</p>     <p>Apesar da opini&atilde;o concordante destes dois juristas, a quest&atilde;o de fundo continua por resolver: D. Pedro &eacute;, em abstracto, melhor candidato, &eacute; homem, pode comandar o ex&eacute;rcito, todavia a escolha por compet&ecirc;ncia ou por g&eacute;nero (tal como o princ&iacute;pio da maioria referido pelo De&atilde;o de Vergy) n&atilde;o est&aacute; contemplada nas tutorias dos &oacute;rf&atilde;os, mas unicamente quem o testador designar como tutor testamenteiro, o qual &eacute; D. Leonor. Assim sendo, a quest&atilde;o da legalidade do testamento do falecido rei permanece, e D. Leonor s&oacute; poderia ser exclu&iacute;da das duas tutelas, como asseveram os juristas seus partid&aacute;rios na Carta de Cren&ccedil;a, se desistisse da reg&ecirc;ncia voluntariamente, ou se fosse declarada incapaz, ou ainda por &ldquo;manifesta injuria e offensa sua&rdquo;<a href="#_ftn81" name="_ftnref81" title="">[81]</a>, ou seja, pela pr&aacute;tica de um crime. Os partid&aacute;rios de D. Pedro, no seu af&atilde; de triunfar, ainda tentaram a via da incapacidade quando a acusaram, depois das Cortes de Torres Novas, de inapta pela m&aacute; presta&ccedil;&atilde;o e fracasso no despacho, ao n&atilde;o cumprir atempadamente (ao contr&aacute;rio do co-regente D. Pedro) as suas fun&ccedil;&otilde;es, esquecendo a sua desvantagem em rela&ccedil;&atilde;o ao cunhado por ser m&atilde;e de v&aacute;rios filhos de tenra idade e por estar gr&aacute;vida de Joana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6.</b></p>     <p>Portanto, a legalidade parece estar do lado de D. Leonor, tendo em conta a legisla&ccedil;&atilde;o nacional, que &eacute; essa a que conta, pois o direito romano, can&oacute;nico e as glosas de Ac&uacute;rsio e de B&aacute;rtolo, que os juristas defendem, s&atilde;o direito subsidi&aacute;rio naquele tempo. Da&iacute; as palavras de Manuel Heleno: &ldquo;A verdade por&eacute;m &eacute; que, como a legisla&ccedil;&atilde;o nada dispunha sobre reg&ecirc;ncias e os costumes nenhuma resolu&ccedil;&atilde;o segura autorizavam, como n&atilde;o havia exemplos das cortes se imiscu&iacute;rem em tais assuntos, a vontade de D. Duarte, n&atilde;o tendo nenhuma norma a limit&aacute;-la, devia ser cumprida. A legalidade estava portanto do lado da Rainha e dos seus partid&aacute;rios&rdquo;<a href="#_ftn82" name="_ftnref82" title="">[82]</a>; e noutra parte assevera que D. Pedro se apoderou revolucionariamente do poder<a href="#_ftn83" name="_ftnref83" title="">[83]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o obstante a aparente legalidade da rainha vi&uacute;va, a verdade &eacute; que acaba por ser destronada pouco a pouco de todos os poderes, incluindo o da tutoria do rei; e como se isso n&atilde;o bastasse, foi-lhe montada apertada vigil&acirc;ncia no seu pa&ccedil;o. Por fim, sentindo-se prisioneira na pr&oacute;pria casa, encetou a fuga para Almeirim e Crato, onde foi perseguida por D. Pedro com for&ccedil;a excessiva e for&ccedil;ada ao ex&iacute;lio em Castela, que era o que se pretendia. Perde o confronto partid&aacute;rio em favor do cunhado Pedro, n&atilde;o porque carecesse de raz&atilde;o, mas porque &eacute; a parte mais fraca da contenda.</p>     <p>Acerca das implica&ccedil;&otilde;es futuras que originou a luta pela tutoria de D. Afonso V, afirma Martim de Albuquerque<a href="#_ftn84" name="_ftnref84" title="">[84]</a>: o caso de Afonso V representa, a diversos t&iacute;tulos, um marco na hist&oacute;ria das reg&ecirc;ncias em Portugal. N&atilde;o apenas pelas sequelas pol&iacute;ticas que teria, mas porque deu origem a que se equacionassem os grandes problemas do instituto: direito do povo ou do rei na designa&ccedil;&atilde;o do regente do sucessor menor?; capacidade ou incapacidade das mulheres para exercerem a reg&ecirc;ncia? A estes dois problemas, acrescentou-se ent&atilde;o um outro: o termo da reg&ecirc;ncia ou o in&iacute;cio da maioridade do monarca. Finalmente, tomou-se nessa altura consci&ecirc;ncia, embora nem sempre de forma clara, de que existem duas situa&ccedil;&otilde;es distintas durante o per&iacute;odo da incapacidade do monarca: uma respeitante &agrave; sua pessoa (<i>tutela regis</i>), outra relativa ao reino (<i>tutela regni</i>), ou seja, como hoje dir&iacute;amos, uma de direito privado, de direito p&uacute;blico a outra.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>N&atilde;o havendo uma lei da sucess&atilde;o e da reg&ecirc;ncia do reino, mas apenas tradi&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil dizer a quem assiste a raz&atilde;o no confronto havido entre D. Leonor e D. Pedro, cabe&ccedil;as de partido, pela posse das tutelas do reino e do rei na menoridade de D. Afonso V. Como se trata de uma quest&atilde;o de direito privado (tutela do rei) e de direito p&uacute;blico (tutela do reino), conv&eacute;m atender nos aspectos jur&iacute;dicos da quest&atilde;o. Se se atender ao direito p&aacute;trio que estava a ser compilado e culminou no tempo da reg&ecirc;ncia de D. Pedro na publica&ccedil;&atilde;o das <i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas</i>, &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o da casa real portuguesa contemplada nos testamentos dos reis, &agrave;s reg&ecirc;ncias anteriores, especialmente as femininas, a ideia que se tira &eacute; que D. Leonor tem a primazia na reg&ecirc;ncia e s&oacute; no caso de ela desistir das duas tutorias ou de perder o direito por manifesta culpa pessoal &eacute; que o candidato a seguir, D. Pedro, pode assumir fun&ccedil;&otilde;es. &Eacute; essa a ideia que parece estar latente no testamento de D. Duarte e que, com toda a certeza, tem por tr&aacute;s a m&atilde;o de juristas da corte; &eacute; tamb&eacute;m essa a opini&atilde;o dos partid&aacute;rios de rainha vi&uacute;va, em que pontificam elementos da nobreza senhorial.</p>     <p>Pelo contr&aacute;rio, dois outros juristas, os &uacute;nicos que se pronunciaram publicamente sobre a quest&atilde;o de forma oral e escrita: Afonso Mangancha, brevemente, e Jean Jouffroy, de forma bem desenvolvida, advogam a legitimidade de D. Pedro na reg&ecirc;ncia. Apoiam-se no Direito Comum ou Justinianeu e no Direito Can&oacute;nico, o &ldquo;bom&rdquo; direito, e repelem os c&oacute;digos legislativos nacionais e as transforma&ccedil;&otilde;es e adapta&ccedil;&otilde;es que o direito imperial tinha sofrido na sua adapta&ccedil;&atilde;o ao direito p&aacute;trio. Em concreto, Jean Jouffroy cita, em primeiro lugar, o <i>Digesto</i>, o <i>Codex</i> e o <i>Decretum</i> de Graciano, mas tamb&eacute;m as <i>Glosas</i> de Ac&uacute;rsio, os <i>Conselhos </i>de B&aacute;rtolo, as <i>Decretais</i> de Greg&oacute;rio IX<i>,</i> o livro<i> Sexto</i> de Inoc&ecirc;ncio IV, a <i>Authentica</i>, os <i>Moralia in Job </i>de Greg&oacute;rio Magno,a <i>Clementina&hellip;</i><a href="#_ftn85" name="_ftnref85" title="">[85]</a> Todavia, o direito imperial era cada vez mais direito subsidi&aacute;rio devido &agrave; emerg&ecirc;ncia do <i>corpus</i> legislativo nacional que estava a ser compilado e que pouco depois seria publicado com o nome de <i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas</i>. Por isso, &eacute; l&iacute;cito pensar que o parecer destes juristas, que advogavam a legitimidade de D. Pedro na reg&ecirc;ncia, tem de ser visto mais por serem seus partid&aacute;rios e torcerem para o lado do partido que est&atilde;o a defender do que pela for&ccedil;a e atualidade dos seus argumentos.</p>     <p>Onde falha a diplomacia, entra a for&ccedil;a, e a&iacute; os argumentos est&atilde;o do lado de D. Pedro porque se apresentou em Lisboa com o seu ex&eacute;rcito para dissuadir os inimigos e tem mais gente a seu lado, sobretudo os procuradores dos concelhos e vilas do reino e ainda o povo de Lisboa, que decidiram a quest&atilde;o a seu favor, tal como tinha sido feito em 1385, nas Cortes de Coimbra. Por isso vai vencer e ser regente <i>in solido</i>, mas com a vit&oacute;ria tamb&eacute;m assinou a sua senten&ccedil;a de morte que lhe estava reservada para o dia em que abandonasse a reg&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p><b>Fontes impressas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><i>CORPUS IURIS CIVILIS</i>. Ed. Theod. Mommsen-Paulus Kr&uuml;ger. Vol. I. 18&ordf; ed. Berlim, 1965.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1494344&pid=S1646-740X201800010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>CORPUS IURIS CIVILIS. </i>Ed. Paulus Kr&uuml;ger. Vol. II. 13&ordf; ed. Berlim, 1963.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1494346&pid=S1646-740X201800010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>CORPUS IURIS CIVILIS. </i>Ed. R. Sch&ouml;ll-G. Kroll. Vol. III. 8&ordf; ed. Berlim, 1963.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1494348&pid=S1646-740X201800010001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Friedberg, E. &ndash; <i>Corpus Iuris Canonici. Pars prior: Decretum magistri Gratiani.</i> Leipzig, 1879 [reimpr. Graz, 1959].</p>     <p>&ndash; <i>Corpus Iuris Canonici. Pars secunda: Decretalium collectiones. </i>Leipzig, 1881 [reimpr. Graz, 1959].</p>     <p>Infante D. Pedro; [colab.] Frei Jo&atilde;o Verba &ndash; <i>Livro da vertuosa benfeytoria</i>. Ed. cr&iacute;tica, introdu&ccedil;&atilde;o e notas de Adelino de Almeida Calado. Coimbra: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1994.</p>     <!-- ref --><p><i>LAS SIETE partidas del Sabio Rey D. Alonso</i>, extractadas por D. Ignacio Velasco Peres. Madrid, 1843.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1494353&pid=S1646-740X201800010001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>LIVRO DOS OF&Iacute;CIOS de Marco Tullio Ciceram o qual tornou em linguagem o Infante D. </i>Pedro. Ed. Joseph M. Piel. Coimbra: Acta Universitatis Conimbrigensis, 1948.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1494355&pid=S1646-740X201800010001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>MONUMENTA HENRICINA</i>. Ed. de Dias Dinis. Vol. X. Coimbra, 1969, doc. 49, pp. 71-79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1494357&pid=S1646-740X201800010001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>ORDENA&Ccedil;&Otilde;ES AFONSINAS.</i> 4 vols. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1494359&pid=S1646-740X201800010001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, introdu&ccedil;&atilde;o e revis&atilde;o de M. Lopes de Almeida. Porto: Lello &amp; Irm&atilde;os Editores, 1977, pp. 577-881.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Estudos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ALBUQUERQUE, Martim de &ndash; &ldquo;As reg&ecirc;ncias na Hist&oacute;ria do Direito P&uacute;blico e das ideias pol&iacute;ticas em Portugal&rdquo;. in <i>Estudos de cultura portuguesa. </i>Vol. 1. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1984, pp. 11-33.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Politica, moral e direito na constru&ccedil;&atilde;o do conceito de estado em Portugal&rdquo;. in <i>Estudos de cultura portuguesa</i>. Vol 1. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1984, pp. 125-248.</p>     <p>&ndash; &ldquo;O Infante D. Pedro e as <i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas</i>&rdquo;. in <i>Estudos de cultura portuguesa</i>. 3 vols. Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1993, pp. 125-248.</p>     <p>&ndash; <i>A consci&ecirc;ncia nacional portuguesa</i>. Verbo, 2016.</p>     <p>&ndash; ; ALBUQUERQUE, Ruy de &ndash; <i>Hist&oacute;ria do Direito Portugu&ecirc;s</i>. 2 vols. Lisboa: Pedro Ferreira, 1999.</p>     <p>AMARAL, Lu&iacute;s Carlos; BARROCA, M&aacute;rio Jorge &ndash; <i>A condessa-rainha Teresa. </i>Maia: C&iacute;rculo de Leitores, 2012.</p>     <p>BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica em Portugal nos s&eacute;culos XII a XV</i>. Vol. 3. Lisboa: S&aacute; da Costa, 1946.</p>     <p>CAMPOS, Isabel Maria Garcia &ndash; <i>Leonor Teles, uma mulher no poder?</i> Vol. I. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2008. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Hist&oacute;ria Medieval.    <br>   Dispon&iacute;vel em: <a href="http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1751/1/21996_ulfl062047_tm.pdf" target="_blank">repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1751/1/21996_ulfl062047_tm.pdf</a></p>     <p>DUARTE, Lu&iacute;s Miguel &ndash; <i>D. Duarte</i>. Rio de Mouro: C&iacute;rculo de Leitores, 2005.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FREITAS, Judite Gon&ccedil;alves de &ndash; &ldquo;D. Leonor de Arag&atilde;o: imagens de contesta&ccedil;&atilde;o e de poder&rdquo;. in TOSCANO, Ana M.; GODSLAND, Chelley &ndash; <i>Percep&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&otilde;es da Mulher transgressora no mundo Luso-Hisp&acirc;nico. Mulheres M&aacute;s</i>. Vol. I, Cap. I. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Universidade Fernando Pessoa, 2004, pp. 103-122.    <br>   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.academia.edu/14253995/" target="_blank">https://www.academia.edu/14253995/</a></p>     <p>GOMES, Saul A. &ndash; <i>D. Afonso V</i>. Rio de Mouro: C&iacute;rculo de Leitores, 2006.</p>     <p>GON&Ccedil;ALVES, Jos&eacute; J&uacute;lio &ndash; <i>O Infante D. Pedro, as sete partidas e a g&eacute;nese dos Descobrimentos.</i> Lisboa: Ag&ecirc;ncia Geral do Ultramar, 1955.</p>     <p>GUTI&Eacute;RREZ-ALVIZ, Faustino &ndash; <i>Diccionario de derecho romano</i>. Madrid: Editorial Reus, 1995.</p>     <p>HELENO, Manuel &ndash; <i>Subs&iacute;dios para o estudo da reg&ecirc;ncia de D. Pedro, duque de Coimbra.</i> Lisboa. 1933.</p>     <p>MARQUES, Alfredo Pinheiro &ndash; <i>Vida e obra do Infante D. Pedro.</i> Lisboa: Gradiva Publica&ccedil;&otilde;es, 1996.</p>     <p>MER&Ecirc;A, M. Paulo &ndash; <i>Estudos de Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2006.</p>     <p>MORENO, Humberto Baquero &ndash; <i>A Batalha de Alfarrobeira. Antecedentes e significado hist&oacute;rico. </i>Louren&ccedil;o Marques, 1973.</p>     <p>PINHO, Sebasti&atilde;o &ndash; &ldquo;O Infante D. Pedro e a &ldquo;escola&rdquo; de tradutores da corte de Avis&rdquo;. <i>Biblos</i> 69 (1993), pp. 129-153.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RAMOS, Manuel &ndash; &ldquo;O impacto de Alfarrobeira nas rela&ccedil;&otilde;es com o ducado da Borgonha&rdquo;. <i>Hist&oacute;ria. Revista da FLUP</i>, IV S&eacute;rie, vol. 5 (2015), pp. 23-36.</p>     <p>&ndash; <i>Orationes de Jean Jouffroy em favor do Infante D. Pedro (1449-1450) &ndash; Ret&oacute;rica e Humanismo C&iacute;vico</i>. Porto, Faculdade de Letras, 2007.</p>     <p>RODRIGUES, Ana Maria S. A. &ndash; <i>As tristes rainhas. Leonor de Arag&atilde;o e Isabel de Coimbra</i>. C&iacute;rculo de Leitores, 2012.</p>     <p>S&Aacute;, Artur Moreira de &ndash; A &ldquo;Carta de Bruges&rdquo; do Infante D. Pedro&rdquo;. Coimbra, 1952 (Separata de <i>Biblos</i>, vol. XXVIII).</p>     <p>SARAIVA, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>O crep&uacute;sculo da Idade M&eacute;dia em Portugal</i>. Lisboa: Gradiva, 1993.</p>     <p>SILVA, J. Espinosa Gomes da &ndash; <i>Hist&oacute;ria do Direito Portugu&ecirc;s. Fontes de Direito</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1991.</p>     <p>ULLMANN, Walter &ndash; <i>Historia del pensamiento pol&iacute;tico en la Edad Media</i>. Barcelona: Editorial Ariel, 1983.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RAMOS, Manuel Francisco &ndash; &ldquo;&lsquo;Mulier ne debuerit habere regnum&rsquo;: a reg&ecirc;ncia na menoridade de D. Afonso V vista pelos juristas&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm; 23 (Janeiro &ndash; Junho 2018). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA23/ramos2313.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA23/ramos2313.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 16 de Mar&ccedil;o de 2017</p>     <p>Data aceita&ccedil;&atilde;o do artigo: 20 de Outubro de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, introdu&ccedil;&atilde;o e revis&atilde;o de M. Lopes de Almeida. Porto: Lello &amp; Irm&atilde;os Editores, 1977<i>,</i> cap. 86, p. 696: &ldquo;ydade de XIV anos (&hellip;) qualquer Pryncepe Real deve aver ynteira posse e administa&ccedil;am de seu Reyno e Senhoryo&rdquo;. Veja-se cap. 2, pp. 588-590. A prop&oacute;sito, afirma BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica em Portugal nos s&eacute;culos XII a XV,</i> vol. 3. Lisboa: S&aacute; da Costa, 1946, p. 313, que no reino de Portugal, durante este per&iacute;odo, a maioridade dos pr&iacute;ncipes n&atilde;o estava determinada por nenhum preceito especial, contudo o costume mais seguido indicava a idade de 14 anos.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a> Como assevera o <i>Codex</i> 2,45,2, ao menor em idade podia ser concedida a dispensa da idade (&ldquo;v<i>eniam aetatis</i>&rdquo;) e ver a maioridade antecipada, mas nunca antes dos 20 anos. Veja-se RAMOS, Manuel &ndash; <i>Orationes de Jean Jouffroy em favor do Infante D. Pedro (1449-1450) &ndash; Ret&oacute;rica e Humanismo C&iacute;vico</i>. Porto, Faculdade de Letras, 2007, pp. 203-206; ALBUQUERQUE, M. &ndash; &ldquo;As reg&ecirc;ncias na Hist&oacute;ria do Direito P&uacute;blico e das ideias pol&iacute;ticas em Portugal&rdquo;. <i>Estudos de cultura portuguesa. </i>Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1984, p. 31; GUTI&Eacute;RREZ-ALVIZ, Faustino &ndash; <i>Diccionario de derecho romano</i>. Madrid: Editorial Reus, 1995, p. 695.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a> Ver AMARAL, Lu&iacute;s Carlos; BARROCA, M&aacute;rio Jorge &ndash; <i>A condessa-rainha Teresa. </i>Maia: C&iacute;rculo de Leitores, 2012, p. 169 e ss. Se &eacute; duvidoso que D. Teresa fosse uma regente de plenos poderes e <i>de facto</i>, num mundo eminentemente masculino, era pelo menos uma mulher de grande poder.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a> O papel pol&iacute;tico da rainha D. Leonor Teles, antes e durante a reg&ecirc;ncia, mereceu o estudo de CAMPOS, Isabel Maria Garcia &ndash; <i>Leonor Teles, uma mulher no poder?</i> Vol. I. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2008. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Hist&oacute;ria Medieval. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1751/1/21996_ulfl062047_tm.pdf" target="_blank">repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1751/1/21996_ulfl062047_tm.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a> Aconteceu isso com D. Sancho I, que foi associado ao trono na parte final da vida do pai, depois do desastre de Badajoz (1169-1185). Tamb&eacute;m D. Duarte foi associado ao trono por seu pai (1412-1433), exercendo uma esp&eacute;cie de co-reg&ecirc;ncia. BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 309, fala tamb&eacute;m de D. Dinis associado ao trono pelo pai Afonso III; e de D. Pedro associado ao trono pelo pai Afonso IV em 1355.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a> BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 316, refere que quando D. Afonso IV foi ao Salado n&atilde;o deixou regente, mas D. Jo&atilde;o I f&ecirc;-lo quando foi a Ceuta, deixando o Mestre de Avis; e D. Afonso V f&ecirc;-lo por diversas vezes durante as suas aus&ecirc;ncias em &Aacute;frica, Castela e Fran&ccedil;a.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a> Veja-se TORGAL, L. Reis &ndash; <i>Ideologia pol&iacute;tica e teoria do Estado na Restaura&ccedil;&atilde;o</i>. Vol. I. Coimbra: Biblioteca Geral da Universidade, 1981, pp. 231-233.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a> Ver GOMES, Saul A. &ndash; <i>D. Afonso V</i>. Rio de Mouro: C&iacute;rculo de Leitores, 2006, p. 42.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a> <i>MONUMENTA HENRICINA</i>. Ed. de Dias Dinis. Vol. X. Coimbra, 1969, doc. 49, pp. 71-79; veja-se tamb&eacute;m RAMOS, Manuel &ndash; <i>Orationes de Jean Jouffroy,</i> pp. 93-101. Citaremos a primeira destas obras por ser mais acess&iacute;vel.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">[10]</a> <i>MONUMENTA HENRICINA</i>, vol. X, doc. 49, p. 71. Ver ainda <i>Cr&oacute;nica de D. Duarte</i>, cap. 44, p. 575 e <i>Afonso V</i>, cap. 3, p. 590.</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">[11]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. II, p. 590.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">[12]</a> Veja-se DUARTE, Lu&iacute;s Miguel &ndash; <i>D. Duarte</i>. Rio de Mouro: C&iacute;rculo de Leitores, 2005, p. 264.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">[13]</a> <i>MONUMENTA HENRICINA</i>, vol. X, doc. 49, p. 71.</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">[14]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. 3, pp. 590-591; veja-se GOMES, Saul A. &ndash; <i>D. Afonso V</i>, p. 45.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">[15]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. II, p. 590.</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">[16]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. 3, p. 591; veja-se cap. 14.</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">[17]</a> <i>MONUMENTA HENRICINA</i>, vol. X, doc. 49, p. 72.</p>     <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">[18]</a> D. Leonor ficava com a tutoria do filho; D. Pedro com a organiza&ccedil;&atilde;o militar e o comando do ex&eacute;rcito, e ambos repartiriam as rela&ccedil;&otilde;es externas, a concess&atilde;o de ten&ccedil;as, privil&eacute;gios e doa&ccedil;&otilde;es e o regimento da pra&ccedil;a de Ceuta (GOMES, Saul A. &ndash; <i>D. Afonso V</i>, pp. 47-48).</p>     <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">[19]</a> <i>MONUMENTA HENRICINA</i>, vol. X, doc. 49, pp. 72-73.</p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">[20]</a> Veja-se MORENO, Humberto Baquero &ndash; <i>A Batalha de Alfarrobeira, </i>p. 26 ss. Tal inimizade remonta ao dif&iacute;cil processo sucess&oacute;rio de Martinho, <i>o Humano</i>, rei de Arag&atilde;o, que culminou no compromisso de Caspe, reuni&atilde;o que designou para o trono Fernando de Antequera, pai de Leonor e dos infantes de Arag&atilde;o. O conde de Urgel, D. Jaime (sogro de D. Pedro), derrotado, n&atilde;o tendo aceitado a decis&atilde;o, liderou uma revolta militar contra o vencedor que havia de o levar, tempos depois, &agrave; morte. Da&iacute; nasceu uma inimizade profunda entre a esposa de D. Pedro (e ele pr&oacute;prio) e D. Leonor, mulher de D. Duarte (Veja-se DUARTE, Lu&iacute;s Miguel &ndash; <i>D. Duarte,</i> p. 125).</p>     <p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title="">[21]</a> MORENO, Humberto Baquero &ndash; <i>A Batalha de Alfarrobeira, </i>p. 30 ss.</p>     <p><a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title="">[22]</a> MORENO, Humberto Baquero &ndash; <i>A Batalha de Alfarrobeira, </i>p. 51 ss.</p>     <p><a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title="">[23]</a> Veio &agrave;s Cortes de Lisboa acompanhado por mil e oitocentos cavaleiros e dois mil e seiscentos pe&otilde;es. Por&eacute;m, dispensou a maioria &agrave; sua chegada a Lisboa (MORENO, Humberto Baquero &ndash; <i>A Batalha de Alfarrobeira. Antecedentes e significado hist&oacute;rico. </i>Louren&ccedil;o Marques, 1973, pp. 51-54; PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. 45.</p>     <p><a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title="">[24]</a> <i>MONUMENTA HENRICINA</i>, vol. X, doc. 49, p. 73.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title="">[25]</a> MORENO, Humberto Baquero &ndash; <i>A Batalha de Alfarrobeira, </i>p. 67 ss.</p>     <p><a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title="">[26]</a> ALBUQUERQUE, Martim de &ndash; &ldquo;As reg&ecirc;ncias na Hist&oacute;ria do Direito P&uacute;blico e das ideias pol&iacute;ticas em Portugal&rdquo;, <i>Estudos de cultura portuguesa, </i>p. 16 e ss.</p>     <p><a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title="">[27]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. 3, p. 591; veja-se cap. 14.</p>     <p><a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title="">[28]</a> <i>MONUMENTA HENRICINA</i>, vol. X, doc. 49, p. 72.</p>     <p><a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title="">[29]</a> <i>MONUMENTA HENRICINA</i>, vol. X, doc. 49, pp. 72-73.</p>     <p><a href="#_ftnref30" name="_ftn30" title="">[30]</a> Ver BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 289 ss.</p>     <p><a href="#_ftnref31" name="_ftn31" title="">[31]</a> BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 299.</p>     <p><a href="#_ftnref32" name="_ftn32" title="">[32]</a> BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 300.</p>     <p><a href="#_ftnref33" name="_ftn33" title="">[33]</a> BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 301.</p>     <p><a href="#_ftnref34" name="_ftn34" title="">[34]</a> BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 306.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref35" name="_ftn35" title="">[35]</a> BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 316.</p>     <p><a href="#_ftnref36" name="_ftn36" title="">[36]</a> BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 306.</p>     <p><a href="#_ftnref37" name="_ftn37" title="">[37]</a> &ldquo;D. Jo&atilde;o, por cuja bravura este teu reino existe&rdquo;; &ldquo;rei D. Jo&atilde;o, o melhor de todos os reis&rdquo; (RAMOS, Manuel &ndash; <i>Orationes de Jean Jouffroy</i>, pp. 179 e 215).</p>     <p><a href="#_ftnref38" name="_ftn38" title="">[38]</a> <i>LAS SIETE partidas del Sabio Rey D. Alonso</i>, extractadas por D. Ignacio Velasco Peres. Madrid, 1843, pp. 154-155.</p>     <p><a href="#_ftnref39" name="_ftn39" title="">[39]</a> ALBUQUERQUE, Martim de &ndash; &ldquo;As reg&ecirc;ncias na Hist&oacute;ria do Direito...&rdquo;, p. 16 e ss.</p>     <p><a href="#_ftnref40" name="_ftn40" title="">[40]</a> <i>ORDENA&Ccedil;&Otilde;ES AFONSINAS.</i> 4 vols. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1984, p. 315.</p>     <p><a href="#_ftnref41" name="_ftn41" title="">[41]</a> <i>ORDENA&Ccedil;&Otilde;ES AFONSINAS</i>, pp. 305-306.</p>     <p><a href="#_ftnref42" name="_ftn42" title="">[42]</a> <i>ORDENA&Ccedil;&Otilde;ES AFONSINAS</i>, pp. 306-307.</p>     <p><a href="#_ftnref43" name="_ftn43" title="">[43]</a> J. Jouffroy n&atilde;o concordar&aacute; e dir&aacute; que uma coisa &eacute; a tutela privada e outra a tutela p&uacute;blica, como veremos.</p>     <p><a href="#_ftnref44" name="_ftn44" title="">[44]</a> ALBUQUERQUE, Martim de &ndash; <i>Estudos de cultura portuguesa,</i> 1 vol, p. 16.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref45" name="_ftn45" title="">[45]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. 3, p. 591; veja-se cap. 14.</p>     <p><a href="#_ftnref46" name="_ftn46" title="">[46]</a> Ver RAMOS, Manuel &ndash; &ldquo;O impacto de Alfarrobeira nas rela&ccedil;&otilde;es com o ducado da Borgonha&rdquo;. <i>Hist&oacute;ria. Revista da FLUP</i>, IV S&eacute;rie, vol. 5 (2015), pp. 23-36.</p>     <p><a href="#_ftnref47" name="_ftn47" title="">[47]</a> <i>Digesto</i> 50,17,2 &ndash; <i>Das diversas regras do direito antigo</i>: &ldquo;<i>Foeminae ab omnibus officiis ciuilibus uel publicis remotae sunt et ideo nec iudices esse possunt, nec magistratum gerere, nec postulare, nec pro alio interuenire, nec procuratores existere</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref48" name="_ftn48" title="">[48]</a> <i>Digesto</i> 26,1,18 &ndash; <i>Das tutelas</i>: &ldquo;<i>Foeminae tututores dari non possunt, quia id munus masculorum est, nisi a principe filiorum tutelam specialiter postulent</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref49" name="_ftn49" title="">[49]</a> <i>Digesto</i> 26,2,26 &ndash; <i>Da tutela testament&aacute;ria</i>: &ldquo;<i>Iure nostro tutela communium liberorum matri, testamento patris, frustra mandatur: nec, si prouinciae Praeses imperitia lapsus patris uoluntatem sequendam decreuerit, successor eius sententiam, quam leges nostrae non admittunt, recte sequetur</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref50" name="_ftn50" title="">[50]</a> Gregorius Magnus, <i>Moralia in Job, </i>lib. XXXV, cap. XIV.</p>     <p><a href="#_ftnref51" name="_ftn51" title="">[51]</a> <i>Digesto</i> 1,3,4 &ndash; <i>Das leis, das decis&otilde;es do senado e do costume antigo</i>: &ldquo;<i>Ex his, quae forte uno aliquo casu accidere possunt, iura non constituuntur</i>&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref52" name="_ftn52" title="">[52]</a> <i>Digesto</i> 40,5,33,1.</p>     <p><a href="#_ftnref53" name="_ftn53" title="">[53]</a> Diz Inoc&ecirc;ncio IV no c&acirc;n. <i>Grandi</i>, tit. <i>De supplemento negligentia prael.</i>, liv.<i> Sexto</i> (<i>Sext</i>. 1,8,2).</p>     <p><a href="#_ftnref54" name="_ftn54" title="">[54]</a> <i>Digesto</i> 50,17,73; <i>Digesto</i> 26,2,3.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref55" name="_ftn55" title="">[55]</a> Acresce o facto de ele ter sido a primeira pessoa a ser escolhida por D. Duarte para a curatela do rei menor, como j&aacute; foi referido.</p>     <p><a href="#_ftnref56" name="_ftn56" title="">[56]</a> RAMOS, Manuel &ndash; <i>Orationes de Jean Jouffroy,</i> p. 217.</p>     <p><a href="#_ftnref57" name="_ftn57" title="">[57]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. 3, p. 591;veja-se cap. 14.</p>     <p><a href="#_ftnref58" name="_ftn58" title="">[58]</a> Ideia pr&oacute;xima de algumas <i>regulae</i> <i>iuris</i>: Ulpiano, <i>Digesto</i> 50.17.160.1: &ldquo;<i>Refertur ad uniuersos, quod publice fit per maiorem partem</i>&rdquo; (Atribui-se a todos o que de maneira p&uacute;blica se faz pela maioria); Esc&eacute;vola, <i>Digesto</i> 50.1.19: &ldquo;<i>Quod maior pars curiae efficit, pro eo habetur, ac si omnes egerit</i>&rdquo; (O que fez a maior parte da c&uacute;ria tem-se como feito por todos); &ldquo;<i>Maior pars trahit minorem</i>&rdquo; (A parte maior leva consigo a menor); Paulus, <i>Digesto</i> 50.17.110pr.: &ldquo;<i>In eo quod plus sit, semper inest et minus</i>&rdquo; (No que &eacute; mais sempre est&aacute; compreendido tamb&eacute;m o menos).</p>     <p><a href="#_ftnref59" name="_ftn59" title="">[59]</a> RAMOS, Manuel &ndash; <i>Orationes de Jean Jouffroy em favor do Infante D. Pedro (1449-1450),</i> p. 203.</p>     <p><a href="#_ftnref60" name="_ftn60" title="">[60]</a> MORENO, Humberto Baquero &ndash; <i>A Batalha de Alfarrobeira</i>, p. 55 e ss.</p>     <p><a href="#_ftnref61" name="_ftn61" title="">[61]</a> BARROS, Henrique da Gama &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,</i> p. 101.</p>     <p><a href="#_ftnref62" name="_ftn62" title="">[62]</a> Gregorius Magnus, <i>Moralia in Job, </i>lib. XXXV, cap. XIV.</p>     <p><a href="#_ftnref63" name="_ftn63" title="">[63]</a> Veja-se FREITAS, Judite Gon&ccedil;alves de &ndash; &ldquo;D. Leonor de Arag&atilde;o: imagens de contesta&ccedil;&atilde;o e de poder&rdquo;. in TOSCANO, Ana M.; GODSLAND, Chelley (ed.) &ndash; <i>Percep&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&otilde;es da Mulher transgressora no mundo Luso-Hisp&acirc;nico. Mulheres M&aacute;s</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Universidade Fernando Pessoa, 2004, vol. I, cap. I, p. 111 e ss. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.academia.edu/14253995/" target="_blank">https://www.academia.edu/14253995/</a></p>     <p><a href="#_ftnref64" name="_ftn64" title="">[64]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. 2, p. 590.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref65" name="_ftn65" title="">[65]</a> RODRIGUES, Ana Maria S. A. &ndash; <i>As tristes rainhas. Leonor de Arag&atilde;o e Isabel de Coimbra.</i> C&iacute;rculo de Leitores, 2012, pp. 40-42.</p>     <p><a href="#_ftnref66" name="_ftn66" title="">[66]</a> RODRIGUES, Ana Maria S. A. &ndash; <i>As tristes rainhas</i>, p. 118 e ss.</p>     <p><a href="#_ftnref67" name="_ftn67" title="">[67]</a> RODRIGUES, Ana Maria S. A. &ndash; <i>As tristes rainhas</i>, p. 121.</p>     <p><a href="#_ftnref68" name="_ftn68" title="">[68]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Duarte</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>. Introd. e revis&atilde;o de M. Lopes de Almeida. Porto: Lello &amp; Irm&atilde;os Editores, 1977, cap. IV, pp. 495-498.</p>     <p><a href="#_ftnref69" name="_ftn69" title="">[69]</a> S&Aacute;, Artur Moreira de &ndash; &ldquo;A carta de Bruges do Infante D. Pedro&rdquo;. <i>Biblos</i> 28 (1952), pp. 33-34.</p>     <p><a href="#_ftnref70" name="_ftn70" title="">[70]</a> De acordo com MARQUES, Alfredo Pinheiro &ndash; <i>Vida e obra do Infante D. Pedro.</i> Lisboa: Gradiva Publica&ccedil;&otilde;es, 1996, p. 37.</p>     <p><a href="#_ftnref71" name="_ftn71" title="">[71]</a> Na sua &acirc;nsia de reformar a justi&ccedil;a, fez concluir as <i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas, </i>c&oacute;digo legislativo iniciado no reinado de D. Jo&atilde;o I, que &ldquo;representam, essencialmente, obra do Regente D. Pedro&rdquo; (ALBUQUERQUE, Martim de &ndash; &ldquo;O Infante D. Pedro e as <i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas</i>&rdquo;. <i>Estudos de cultura portuguesa</i>. Vol.3. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1993, p. 43). A sua preocupa&ccedil;&atilde;o com as leis e o ensino levou-o a conceber o projecto de uma nova universidade em Coimbra custeada pelas suas rendas e sob a sua protec&ccedil;&atilde;o. Foi criada em 1443, em nome de D. Afonso V, mas com a morte prematura em Alfarrobeira e a sua mem&oacute;ria danada, o projecto n&atilde;o teve continua&ccedil;&atilde;o (SARAIVA, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>O crep&uacute;sculo da Idade M&eacute;dia em Portugal</i>. Lisboa: Gradiva, 1993, p. 128; PIEL, Joseph M. (ed.) &ndash; <i>LIVRO DOS OF&Iacute;CIOS de Marco Tullio Ciceram o qual tornou em linguagem o Infante D. </i>Pedro. Ed. Joseph M. Piel. Coimbra: Acta Universitatis Conimbrigensis, 1948, p. XX.</p>     <p><a href="#_ftnref72" name="_ftn72" title="">[72]</a> Comp&ocirc;s, em 1418, em parceria com Frei Jo&atilde;o Verba, o <i>Livro da virtuosa bemfeitoria </i>(conserva-se), que tem como ponto de partida o <i>De beneficiis</i> de S&eacute;neca.</p>     <p><a href="#_ftnref73" name="_ftn73" title="">[73]</a> Al&eacute;m de autor, diz-se que traduziu o <i>De re militari</i> ou <i>Epitome rei militaris</i> de Fl&aacute;vio Veg&eacute;cio Renato (desaparecido), e o <i>De regimine principum</i> de Eg&iacute;dio Romano (desaparecido) (PINHO, Sebasti&atilde;o &ndash; &ldquo;O Infante D. Pedro e a &ldquo;escola&rdquo; de tradutores da corte de Avis&rdquo;, <i>Biblos</i> 69 (1993), p. 144). Com o <i>De officiis</i> (<i>Livro dos of&iacute;cios</i>) de C&iacute;cero (1433-1438), c&oacute;dice latino que havia sido uma oferta &ldquo;assaz dannos ha&rdquo; do Infante D. Fernando e que tamb&eacute;m constava da biblioteca de Condest&aacute;vel D. Pedro (conserva-se), foi o primeiro tradutor de um cl&aacute;ssico latino para portugu&ecirc;s.</p>     <p><a href="#_ftnref74" name="_ftn74" title="">[74]</a> Al&eacute;m de autor e tradutor, D. Pedro foi tamb&eacute;m promotor de tradu&ccedil;&otilde;es. De facto, em 1442, encomendou a Vasco Fernandes de Lucena &ldquo;que lhe tornasse em lingoagjem&rdquo; o <i>De ingenuis moribus et liberalibus studiis</i> de Pier Paolo Vergerio (desaparecido, excepto o pr&oacute;logo da tradu&ccedil;&atilde;o) (<i>LIVRO DOS OF&Iacute;CIOS, </i>pp. XLVI-XLVII), tratado pedag&oacute;gico destinado &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de D. Afonso V; o <i>De senectute </i>(<i>Livro da Velhice</i>), de C&iacute;cero (desaparecido, excepto o longo pr&oacute;logo ou carta de encomenda) (<i>LIVRO DOS OF&Iacute;CIOS, </i>pp. XLIII-XLVI) e o <i>Panegyricus Traiano Augusto</i>, de Pl&iacute;nio o Jovem (desaparecido, excepto o pr&oacute;logo ou carta de encomenda) (<i>LIVRO DOS OF&Iacute;CIOS, </i>pp. XLI-XLII).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref75" name="_ftn75" title="">[75]</a> I. e., enciclop&eacute;dico.</p>     <p><a href="#_ftnref76" name="_ftn76" title="">[76]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. 125, p. 754.</p>     <p><a href="#_ftnref77" name="_ftn77" title="">[77]</a> RAMOS, Manuel &ndash; <i>Orationes de Jean Jouffroy</i>, p. 215.</p>     <p><a href="#_ftnref78" name="_ftn78" title="">[78]</a> Que a mulher n&atilde;o comanda o ex&eacute;rcito &eacute; reiterado na paremiografia, por exemplo, o mon&oacute;stico de Menandro (157 J&auml;kel): &ldquo;&agrave; mulher a natureza n&atilde;o deu o dom de comandar&rdquo;. Nos paremi&oacute;grafos aparece como paradoxo evidente a express&atilde;o: &ldquo;a mulher comanda o ex&eacute;rcito&rdquo;, ainda que Joana d&rsquo;Arc tenha fornecido inspira&ccedil;&atilde;o e direc&ccedil;&atilde;o militar.</p>     <p><a href="#_ftnref79" name="_ftn79" title="">[79]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cronica do Senhor Rey D. Affonso V</i>&rdquo;, cap. 36, pp. 624-625; veja-se cap. 46, pp. 638-639.</p>     <p><a href="#_ftnref80" name="_ftn80" title="">[80]</a> Por exemplo, a tradi&ccedil;&atilde;o mis&oacute;gina de S. Paulo e a esposa submetida ao marido; tamb&eacute;m h&aacute; escritos patr&iacute;sticos. Por exemplo, os profetas e reis de Israel s&atilde;o homens, j&aacute; que a heran&ccedil;a do reino faz-se pela via agnat&iacute;cia (masculina). A mulher tamb&eacute;m est&aacute; exclu&iacute;da do sacerd&oacute;cio.</p>     <p><a href="#_ftnref81" name="_ftn81" title="">[81]</a> <i>MONUMENTA HENRICINA</i>, vol. X, doc. 49, p. 73.</p>     <p><a href="#_ftnref82" name="_ftn82" title="">[82]</a> HELENO, Manuel &ndash; <i>Subs&iacute;dios para o estudo da reg&ecirc;ncia de D. Pedro.</i> Lisboa, 1933, p. 17 </p>     <p><a href="#_ftnref83" name="_ftn83" title="">[83]</a> HELENO, Manuel &ndash; <i>Subs&iacute;dios,</i> p. 18.</p>     <p><a href="#_ftnref84" name="_ftn84" title="">[84]</a> ALBUQUERQUE, Martim de &ndash; &ldquo;As reg&ecirc;ncias na Hist&oacute;ria do Direito...&rdquo;, p. 23.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref85" name="_ftn85" title="">[85]</a> A lista completa encontra-se em RAMOS, Manuel &ndash; <i>Orationes de Jean Jouffroy</i>, pp. 235-250.</p>      ]]></body><back>
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