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<publisher-name><![CDATA[Instituto de Estudos Medievais, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O casamento de Leonor e Frederico III (1451-1452) e as relações entre Portugal e o Sacro Império nos finais da Idade Média]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The marriage of Leonor and Frederick III (1451-1452) and the relations between Portugal and the Holy Empire in the late Middle Ages]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the late Middle Ages, the young dynasty of Avis, after linked by kinship to England, Aragon and Burgundy, attempts to create in the space of Christianity a connection at the highest level: the Holy Roman Empire. With the marriage of the princess Leonor and Frederick III, arranged between 1451 and 1452, king Afonso V played not only with a process of affirmation of his Crown but also with the legitimation of his lineage, granting the Rex Romanorum the right bride to establish the Habsburg House on the imperial throne. The development of the historiography of medieval international relations in the last decades has given the pretext to observe the political approximation of those two kingdoms, geographically distant, based on an important royal marriage that has given us a considerable set of primary sources (chronicles, documents and iconography). Initially, we will try to analyze the dynamics of the alliances that have resulted in that matrimonial interest; in a second phase, considering the progress of diplomacy, we will follow the negotiation process between the Crowns; finally, we will observe the different phases of royal marriage (from Portugal to Italy), which foresee a new cycle of relations between the Avis and Habsburg dynasties.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[História das Relações Internacionais]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>O casamento de Leonor e Frederico III (1451-1452) e as rela&ccedil;&otilde;es    entre Portugal e o Sacro Imp&eacute;rio nos finais da Idade M&eacute;dia</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The marriage of Leonor and Frederick III (1451-1452) and    the relations between Portugal and the Holy Empire in the late Middle Ages</b></font></p>     <p><b>Ant&oacute;nio Martins Costa<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras / Centro de Hist&oacute;ria    da Universidade de Lisboa, 3004-530, Coimbra, Portugal.<a href="mailto:antonio_martinscosta@hotmail.com">antonio_martinscosta@hotmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Nos finais da Idade M&eacute;dia, a jovem dinastia de Avis, depois de se unir    por la&ccedil;os de sangue &agrave; Inglaterra, a Arag&atilde;o e &agrave; Borgonha,    aposta no tabuleiro da Cristandade numa liga&ccedil;&atilde;o ao mais alto n&iacute;vel:    o Sacro Imp&eacute;rio Romano-Germ&acirc;nico. Afinal, ao concretizar-se o casamento    da infanta D. Leonor com Frederico III, entre 1451 e 1452, D. Afonso V joga    n&atilde;o s&oacute; um processo de afirma&ccedil;&atilde;o da sua Coroa como    de legitima&ccedil;&atilde;o da sua linhagem, garantindo ao <i>Rex Romanorum</i>    a indispens&aacute;vel noiva para estabelecer a Casa dos Habsburgo no trono    imperial. O desenvolvimento da historiografia das rela&ccedil;&otilde;es internacionais    medievas, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, deu o mote para observarmos a aproxima&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica daqueles dois reinos, geograficamente distantes, a partir de    um importante casamento r&eacute;gio, que nos legou um consider&aacute;vel conjunto    de fontes (narrativas, documentais e iconogr&aacute;ficas). Assim, num primeiro    momento, procuraremos analisar as din&acirc;micas das alian&ccedil;as que, numa    Cristandade em mudan&ccedil;a, resultaram naquele interesse matrimonial; numa    segunda fase, considerando os progressos da diplomacia &agrave;quele tempo,    seguiremos o processo negocial do enlace entre as Coroas; por &uacute;ltimo,    observaremos as distintas fases do casamento r&eacute;gio, de Portugal &agrave;    Pen&iacute;nsula It&aacute;lica, perspectivando um novo ciclo de rela&ccedil;&otilde;es    entre as dinastias de Avis e de Habsburgo.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Hist&oacute;ria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais,    Diplomacia Medieval, Casamentos Reais, infanta D. Leonor de Portugal, imperador    Frederico III.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In the late Middle Ages, the young dynasty of Avis, after linked by kinship    to England, Aragon and Burgundy, attempts to create in the space of Christianity    a connection at the highest level: the Holy Roman Empire. With the marriage    of the princess Leonor and Frederick III, arranged between 1451 and 1452, king    Afonso V played not only with a process of affirmation of his Crown but also    with the legitimation of his lineage, granting the <i>Rex Romanorum</i> the    right bride to establish the Habsburg House on the imperial throne. The development    of the historiography of medieval international relations in the last decades    has given the pretext to observe the political approximation of those two kingdoms,    geographically distant, based on an important royal marriage that has given    us a considerable set of primary sources (chronicles, documents and iconography).    Initially, we will try to analyze the dynamics of the alliances that have resulted    in that matrimonial interest; in a second phase, considering the progress of    diplomacy, we will follow the negotiation process between the Crowns; finally,    we will observe the different phases of royal marriage (from Portugal to Italy),    which foresee a new cycle of relations between the Avis and Habsburg dynasties.</p>     <p><b>Keywords:</b> History of International Relations, Medieval Diplomacy, Royal    Weddings, Princess Leonor of Portugal, Emperor Frederick III.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Cabendo ao casamento um decisivo papel na funda&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es    de alian&ccedil;a, era atrav&eacute;s dele que se materializavam e refor&ccedil;avam    as associa&ccedil;&otilde;es e compromissos entre fam&iacute;lias.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">[1]</a></p>     <p><b>Introdução.</b></p>     <p>O casamento do imperador Frederico III e da infanta D. Leonor, celebrado entre    1451 e 1452, chegou aos nossos dias documentado por uma invulgar diversidade    de fontes, entre documentos, cr&oacute;nicas e iconografia. Se por um lado a    riqueza de registos &eacute; reveladora da import&acirc;ncia daquele enlace    tardo-medieval, por outro explica a aten&ccedil;&atilde;o que a historiografia    lhe tem vindo a dedicar na contemporaneidade. Permitimo-nos destacar trabalhos    como os do visconde de Santar&eacute;m (1842)<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">[2]</a>    e de Sousa Viterbo (1894)<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">[3]</a>,    que no s&eacute;culo XIX lograram um importante esfor&ccedil;o ao n&iacute;vel    da pesquisa e da transcri&ccedil;&atilde;o de fontes; num segundo momento, em    plena Segunda Guerra Mundial, salientou-se o estudo de Alfredo Gama e E. A.    Strasen (1944)<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title="">[4]</a>, que, ao procurarem    demonstrar a antiguidade das rela&ccedil;&otilde;es luso-alem&atilde;s, deram    a conhecer a princesa lusa que se sentou no trono do distante Imp&eacute;rio;    mais recentemente, trabalhos como os de Antonia Hanreich (1985)<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title="">[5]</a>,    de Maria Helena Coelho (2003)<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title="">[6]</a>    e de Adriana Almeida (2007)<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title="">[7]</a>,    merc&ecirc; da valoriza&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais nos &uacute;ltimos trinta anos<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title="">[8]</a>,    vieram abrir caminho na &oacute;ptica da pol&iacute;tica das dinastias de Avis    e de Habsburgo.</p>     <p>Com recurso a fontes portuguesas, alem&atilde;s e aragonesas, o nosso estudo,    focado no matrim&oacute;nio do rei dos romanos e da infanta lusa, pretende dar    (mais) um contributo para o conhecimento das rela&ccedil;&otilde;es entre duas    monarquias que, apesar de geograficamente distantes, se aproximaram politicamente    nos finais da Idade M&eacute;dia. Assim, em jeito de enquadramento, procuraremos    descortinar como, sobre o pano de fundo da velha Cristandade em transforma&ccedil;&atilde;o,    se urdiram as estrat&eacute;gias de alian&ccedil;a que conduziram ao interesse    de um matrim&oacute;nio real entre Portugal e o Sacro Imp&eacute;rio Romano-Germ&acirc;nico.    De seguida, acompanharemos o processo negocial do enlace entre ambas as monarquias,    mediado pelo reino de N&aacute;poles, num per&iacute;odo em que se registam    francos progressos na pr&aacute;tica da diplomacia. Por fim, observaremos as    etapas da prepara&ccedil;&atilde;o e da celebra&ccedil;&atilde;o do casamento    r&eacute;gio, acontecimento simultaneamente religioso e pol&iacute;tico, concluindo    com os impactos trazidos pela nova era de rela&ccedil;&otilde;es entre a dinastia    de Avis e os Habsburgo &agrave;s portas da Modernidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Os jogos das alian&ccedil;as na Europa tardo-medieval</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sob o signo da guerra, da fome e da peste, o final da Idade M&eacute;dia correspondeu    a um per&iacute;odo de grandes transforma&ccedil;&otilde;es na Europa. Na primeira    metade do s&eacute;culo XV, como notou Jorge Borges de Macedo<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title="">[9]</a>,    as mais diversas unidades pol&iacute;ticas direccionaram-se num processo de    centraliza&ccedil;&atilde;o de poder no interior dos territ&oacute;rios e num    alargamento das suas fronteiras, sob a vigil&acirc;ncia de um Papado que, logrando    a unidade da Igreja no Conc&iacute;lio de Constan&ccedil;a (1414-1418), procurou    manter o seu papel arbitral. No cora&ccedil;&atilde;o da Cristandade, a Fran&ccedil;a    e a Inglaterra, na frente das respectivas alian&ccedil;as, prolongavam a Guerra    dos Cem Anos (1337-1453); a leste, somando vit&oacute;rias sucessivas, os turcos    otomanos avan&ccedil;avam sobre Biz&acirc;ncio e a Hungria, amea&ccedil;ando    as pr&oacute;prias rep&uacute;blicas italianas; a oeste, na Pen&iacute;nsula    Ib&eacute;rica, Castela, que ali exercia uma for&ccedil;a centr&iacute;peta,    apostava na conquista de Granada, enquanto Arag&atilde;o e Portugal encontravam    sa&iacute;da no mar, respectivamente, o Mediterr&acirc;neo e o Atl&acirc;ntico<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title="">[10]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/med/n24/n24a05f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A dimens&atilde;o destes conflitos na Cristandade obrigava, pois, a uma ac&ccedil;&atilde;o    diplom&aacute;tica cada vez mais regular e cuidada, capaz de, atrav&eacute;s    de diversos meios e agentes, fazer e desfazer acordos nas mais vol&aacute;teis    circunst&acirc;ncias. Sobre um xadrez pol&iacute;tico maioritariamente mon&aacute;rquico,    os matrim&oacute;nios entre casas reinantes revelavam-se pe&ccedil;as-chave    no jogo das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Afinal, conforme afirmou    Ana Maria Rodrigues<a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title="">[11]</a>, os    casamentos r&eacute;gios tardo-medievais eram fundamentais para evitar a extin&ccedil;&atilde;o    biol&oacute;gica, assegurar a continuidade da linhagem, preservar o poder, ampliar    o patrim&oacute;nio e, claro, selar alian&ccedil;as.</p>     <p>Em Portugal, a dinastia de Avis, institu&iacute;da no final do s&eacute;culo    XIV atrav&eacute;s da escolha em Cortes de um filho natural, n&atilde;o esqueceu    a import&acirc;ncia dos enlaces r&eacute;gios no seu multifacetado processo    de afirma&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title="">[12]</a>.    Pela m&atilde;o do fundador, conseguimos vislumbrar logo ap&oacute;s a Crise    de 1383-1385 o desenvolvimento de uma ampla estrat&eacute;gia matrimonial, que    podemos agrupar em etapas. Em primeiro plano, tirando partido da Guerra dos    Cem Anos, podemos situar uma &ldquo;etapa inglesa&rdquo;, com os casamentos    do pr&oacute;prio D. Jo&atilde;o I com D. Filipa de Lencastre, em 1386, e de    D. Beatriz, filha natural do rei de <i>Boa Mem&oacute;ria</i>, com Thomas Fitzalen,    conde de Arundel, em 1405<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title="">[13]</a>.    Depois, aquando do diss&iacute;dio de Castela com o seu vizinho oriental por    causa das perturba&ccedil;&otilde;es senhoriais provocadas pelos &ldquo;infantes    de Arag&atilde;o&rdquo;, podemos considerar uma &ldquo;etapa aragonesa&rdquo;    com os casamentos, em 1428, do infante herdeiro D. Duarte com D. Leonor, irm&atilde;    do rei de Arag&atilde;o D. Afonso V, e do infante D. Pedro com D. Isabel, filha    do conde de Urgel, D. Jaime (derrotado e aprisionado na luta pelo trono aragon&ecirc;s    por D. Fernando I, pai da referida D. Leonor). Por &uacute;ltimo, podemos ainda    aceitar um &ldquo;etapa borgonhesa&rdquo; com o casamento, celebrado em 1430,    da infanta D. Isabel com Filipe, <i>o Bom</i>, duque da Borgonha, uni&atilde;o    que, de alguma forma, vinha exercer press&atilde;o sobre a Coroa francesa e,    mais uma vez, sobre a monarquia castelhana, tendencialmente aliada da Fran&ccedil;a    no grande conflito. Um ano volvido, a 30 de Outubro de 1431, a assinatura da    paz perp&eacute;tua em Medina del Campo veio afastar definitivamente as reivindica&ccedil;&otilde;es    castelhanas sobre a coroa do velho D. Jo&atilde;o I<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title="">[14]</a>.    Por&eacute;m, a dinastia de Avis n&atilde;o cessaria o processo do seu reconhecimento    como casa reinante na esfera da Cristandade. </p>     <p>O sucessor do monarca de <i>Boa Mem&oacute;ria</i>, D. Duarte, houve do casamento    com D. Leonor de Arag&atilde;o dois filhos e tr&ecirc;s filhas que chegariam    &agrave; idade adulta, dos quais alguns se iriam revelar da maior import&acirc;ncia    para a diplomacia portuguesa. Subido ao trono em 1433, <i>o Eloquente</i> morreu    subitamente ao cabo de cinco anos de reinado, em Tomar, v&iacute;tima de um    surto de peste<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title="">[15]</a>. Teve ent&atilde;o    lugar uma acicatada disputa entre a rainha vi&uacute;va e o cunhado mais velho,    D. Pedro, pela reg&ecirc;ncia do reino e pela tutoria do herdeiro, o pequeno    D. Afonso, conflito esse que viria a culminar na vit&oacute;ria do partido do    duque de Coimbra e no ex&iacute;lio castelhano de D. Leonor em 1441. Nos anos    que mediaram at&eacute; &agrave; sua morte, ocorrida em 1445, esta alimentou    a recupera&ccedil;&atilde;o do que considerava seu por direito em Portugal,    procurando apoio junto dos irm&atilde;os, os ditos &ldquo;infantes de Arag&atilde;o&rdquo;,    insistindo sobretudo com aqueles que se sentavam nos restantes tronos crist&atilde;os    peninsulares: D. Maria, rainha consorte de Castela; D. Jo&atilde;o, monarca    consorte de Navarra; e D. Afonso V, rei de Arag&atilde;o, que por esses anos    se empenhava na conquista da monarquia napolitana. Mas no reino castelhano a    conjuntura n&atilde;o corria de fei&ccedil;&atilde;o &agrave; vi&uacute;va de    D. Duarte, na medida em que os seus irm&atilde;os, que a&iacute; possu&iacute;am    vastos senhorios, combatiam o governo centralizador do rei D. Jo&atilde;o II,    coadjuvado pelo condest&aacute;vel D. &Aacute;lvaro de Luna, que depressa beneficiou    de apoio militar do regente portugu&ecirc;s para a Batalha de Olmedo de 1445,    onde bateu os seus opositores. Contando os &ldquo;infantes de Arag&atilde;o&rdquo;    como inimigos comuns, o rei de Castela, enviuvando nesse ano, refor&ccedil;ou    os la&ccedil;os de amizade com Portugal ao aceitar em casamento a jovem D. Isabel,    filha do falecido infante D. Jo&atilde;o<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title="">[16]</a>.    Mas a estrat&eacute;gia matrimonial do regente n&atilde;o se esgotou nesta sua    sobrinha. </p>     <p>O infante D. Pedro tinha desde cedo compreendido a import&acirc;ncia pol&iacute;tica    dos enlaces matrimoniais. Logo ap&oacute;s a morte do irm&atilde;o, e antes    da ruptura com D. Leonor, tinha concertado o casamento do rei menino, D. Afonso    V, com a sua filha D. Isabel. Agora que combatia os &ldquo;infantes de Arag&atilde;o&rdquo;,    procurava alternativas ao equil&iacute;brio peninsular al&eacute;m-Piren&eacute;us    oferecendo em matrim&oacute;nio a m&atilde;o das infantas D. Leonor e D. Joana.    Sensivelmente a partir de 1445, segundo Luciano Cordeiro<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title="">[17]</a>,    o regente portugu&ecirc;s projectava os casamentos destas sobrinhas, respectivamente,    com o delfim de Fran&ccedil;a, Lu&iacute;s, e com o neto do falecido imperador    Segismundo III<a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title="">[18]</a>, Ladislau,    contando para o efeito com a cumplicidade da irm&atilde;, D. Isabel da Borgonha,    que procurava capitalizar estes enlaces para aproximar o seu ducado das duas    monarquias que conhecia por suseranas: se por um lado lhe era conveniente regularizar    as boas rela&ccedil;&otilde;es com a Fran&ccedil;a, uma vez que se adivinhava    a sua vit&oacute;ria na Guerra dos Cem Anos, por outro urgia reparar os preju&iacute;zos    infligidos aos Habsburgo, a quem recentemente Filipe, <i>o Bom</i>, havia anexado    o Luxemburgo. S&oacute; que a roda da fortuna levaria a que neste xadrez as    pe&ccedil;as fossem jogadas noutra direc&ccedil;&atilde;o, assim como pela m&atilde;o    de outra fac&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em Portugal, no m&ecirc;s de Julho de 1448, o infante D. Pedro abandonou definitivamente    a reg&ecirc;ncia do reino e retirou-se para o ducado de Coimbra<a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title="">[19]</a>.    Mau grado a omiss&atilde;o do cronista Rui de Pina<a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title="">[20]</a>,    mais preocupado em narrar a agudiza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    entre o ex-regente e o duque de Bragan&ccedil;a que se seguiu, sabemos por cartas    da rainha de Arag&atilde;o, datadas de 14 de Outubro daquele ano, do interesse    do pr&oacute;prio imperador, Frederico III, em contrair matrim&oacute;nio com    uma infanta portuguesa<a href="#_ftn21" name="_ftnref21" title="">[21]</a>.    Nesses documentos, dirigidos &agrave;s cortes de Castela, de Navarra e de Portugal,    recomendava-se o acolhimento a uma embaixada imperial com destino a este &uacute;ltimo    reino, a qual seria encabe&ccedil;ada pelo bar&atilde;o austr&iacute;aco Jorge    de Volrestorf e pelo c&oacute;nego de Augsburg Ulderico Riedrer &ndash; atente-se,    nos finais da medievalidade, &agrave; corrente complementaridade de um nobre    e de um eclesi&aacute;stico nas miss&otilde;es diplom&aacute;ticas, tendo em    vista a honra e o saber que a representa&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia exigia<a href="#_ftn22" name="_ftnref22" title="">[22]</a>.</p>     <p>Ent&atilde;o, Frederico de Habsburgo, filho dos duques Ernesto e Cimburga da    &Aacute;ustria, contava j&aacute; trinta e tr&ecirc;s anos de idade, e havia    nove que fora eleito rei dos romanos. Encontrava-se empenhado em consolidar    o seu dom&iacute;nio sobre o territ&oacute;rio imperial, um fragmentado mosaico    de cidades e principados aut&oacute;nomos que se espraiava do norte da Pen&iacute;nsula    It&aacute;lica ao Mar B&aacute;ltico<a href="#_ftn23" name="_ftnref23" title="">[23]</a>.    Mas, para o efeito, urgia selar matrim&oacute;nio e garantir descend&ecirc;ncia.    Ap&oacute;s v&aacute;rias tentativas de casamento falhadas na Europa central<a href="#_ftn24" name="_ftnref24" title="">[24]</a>,    Frederico parece ter colocado todo o empenho na prepara&ccedil;&atilde;o da    embaixada que visitou a Corte lusa na viragem de 1448 para 1449, muito provavelmente    incluindo nela um pintor, de nome desconhecido, para captar as caracter&iacute;sticas    f&iacute;sicas das infantas de Avis<a href="#_ftn25" name="_ftnref25" title="">[25]</a>.    Afinal, embora distante, Portugal n&atilde;o era uma alian&ccedil;a a desconsiderar,    visto afamar-se por esses anos com a expans&atilde;o em Marrocos, a coloniza&ccedil;&atilde;o    de algumas ilhas atl&acirc;nticas e a explora&ccedil;&atilde;o da costa africana    at&eacute; &agrave; zona dos negros, de onde come&ccedil;avam a afluir as primeiras    riquezas<a href="#_ftn26" name="_ftnref26" title="">[26]</a>. Havia, pois, que    aproveitar a media&ccedil;&atilde;o do soberano <i>Magn&acirc;nimo</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De facto, o projecto matrimonial chegava agora pela m&atilde;o de D. Afonso    V de Arag&atilde;o e N&aacute;poles, rival do infante D. Pedro, que procurava    concertar-se com o jovem rei de Portugal, seu sobrinho e hom&oacute;nimo. Para    a protec&ccedil;&atilde;o das suas possess&otilde;es italianas, constantemente    amea&ccedil;adas pela Fran&ccedil;a e pelo Papado, convinha ao monarca aragon&ecirc;s    uma aproxima&ccedil;&atilde;o ao Sacro Imp&eacute;rio. Sem descend&ecirc;ncia    leg&iacute;tima para oferecer em casamento, n&atilde;o admira o seu esfor&ccedil;o    de apadrinhamento de um enlace luso, ao ponto de se vir a assumir, por carta,    como tutor dos filhos da sua falecida irm&atilde;, em especial da infanta D.    Leonor, a quem afirmou amar n&atilde;o como sobrinha, mas como &ldquo;propria    fija&rdquo;<a href="#_ftn27" name="_ftnref27" title="">[27]</a>. Nascida em    Torres Vedras a 18 de Setembro de 1434, esta infanta<a href="#_ftn28" name="_ftnref28" title="">[28]</a>    contaria catorze anos aquando da vinda da embaixada de Frederico III a Portugal,    sendo, pela idade n&uacute;bil, a que desde logo mais interesse ter&aacute;    despertado para o enlace, uma vez que D. Catarina e D. Joana eram, respectivamente,    dois e cinco anos mais novas<a href="#_ftn29" name="_ftnref29" title="">[29]</a>    . O rei portugu&ecirc;s, seu irm&atilde;o, por muito que preferisse uma uni&atilde;o    com o delfim da poderosa Fran&ccedil;a, n&atilde;o escamotearia a oportunidade    de um casamento imperial. Por ora, Frederico III dera um primeiro passo; as    circunst&acirc;ncias em Portugal trariam D. Afonso V ao seu encontro.</p>     <p>Entre o final de 1448 e os primeiros meses do ano seguinte extremam-se os partidos    do infante D. Pedro e do duque D. Afonso de Bragan&ccedil;a, seu meio-irm&atilde;o,    que manobra profundamente na corte em torno do rei. A tens&atilde;o culmina    a 20 de Maio de 1449 na Batalha de Alfarrobeira, da qual a hoste r&eacute;gia    sai vitoriosa sobre a do ex-regente, que acaba morto e insepulto no campo<a href="#_ftn30" name="_ftnref30" title="">[30]</a>.    No reino, sucedem-se as confisca&ccedil;&otilde;es e as persegui&ccedil;&otilde;es    aos seguidores do duque de Coimbra, resultando na pris&atilde;o dos seus pr&oacute;prios    filhos D. Jo&atilde;o e D. Jaime; no estrangeiro, agitam-se algumas cortes,    como foi o caso da Borgonha, cujos duques censuram o rei portugu&ecirc;s pelo    tratamento indigno dos restos mortais de D. Pedro e pelo encarceramento dos    seus descendentes, chegando mesmo a apelar para o Papado<a href="#_ftn31" name="_ftnref31" title="">[31]</a>.    &Eacute; o momento de D. Afonso V responder interna e externamente com a afirma&ccedil;&atilde;o    da sua realeza. Ent&atilde;o, que mais conveniente do que fortalecer o prest&iacute;gio    da sua estirpe alcandorando-a ao mais alto patamar da Cristandade?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. As cuidadas negocia&ccedil;&otilde;es da diplomacia luso-alem&atilde;</b></p>     <p>Quando D. Afonso V come&ccedil;ou a governar, como notou A. H. de Oliveira    Marques, Portugal mantinha rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com catorze    ou quinze unidades pol&iacute;ticas, sendo boa parte dessas liga&ccedil;&otilde;es    refor&ccedil;ada por v&iacute;nculos de parentesco mais ou menos pr&oacute;ximo    com as respectivas casas, o que se verificava em rela&ccedil;&atilde;o a Castela,    Arag&atilde;o, Navarra, Borgonha, Bretanha, Inglaterra e Esc&oacute;cia<a href="#_ftn32" name="_ftnref32" title="">[32]</a>.    Escapava a este universo o long&iacute;nquo Sacro Imp&eacute;rio, cujos contactos    com a monarquia portuguesa n&atilde;o tinham ido muito al&eacute;m da passagem    de cruzados durante a Reconquista, do estabelecimento de com&eacute;rcio com    algumas cidades hanse&aacute;ticas nos finais de Trezentos e, mais recentemente,    da participa&ccedil;&atilde;o de bar&otilde;es germ&acirc;nicos na conquista    de Ceuta<a href="#_ftn33" name="_ftnref33" title="">[33]</a>. Lograr tirar partido    do interesse matrimonial do <i>Rex Romanorum</i> representaria, pois, um passo    de gigante da diplomacia lusa, n&atilde;o tanto pelo seu poderio, mas pelo prest&iacute;gio    da sua Coroa &ndash; assumindo-se sucessor dos c&eacute;sares romanos, &aacute;rbitro    da Cristandade e protector do Papado, o imperador continuava a ser reconhecido,    em teoria, como a primeira autoridade temporal da Europa medieva<a href="#_ftn34" name="_ftnref34" title="">[34]</a>.    Assim sendo, no contexto da crispada crise p&oacute;s-Alfarrobeira, decerto    que o rei de Portugal se encontrava t&atilde;o interessado quanto preparado    para dar sequ&ecirc;ncia a um segundo contacto imperial.</p>     <p>De acordo com a <i>Cr&oacute;nica do Senhor Rey D. Affonso V</i>, encontrando-se    a corte r&eacute;gia em &Eacute;vora &ldquo;na entrada do ano de myl e quatrocentos    e cinquoenta, ouve cartas do Emperador d&rsquo;Allemanha Frederico, que entam    se chamava Rey dos Romaa&otilde;s&rdquo; pois, explicita o cronista, &ldquo;lhe    prazia casar com a Ifante Dona Lionor sua Irma&atilde;&rdquo;<a href="#_ftn35" name="_ftnref35" title="">[35]</a>.    Certamente convencido pelas descri&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas e morais    transmitidas pela sua embaixada<a href="#_ftn36" name="_ftnref36" title="">[36]</a>,    al&eacute;m de animado &ldquo;per ElRey Dom Affonso Rey de Napolles e d&rsquo;Aragam&rdquo;<a href="#_ftn37" name="_ftnref37" title="">[37]</a>,    o imperador declarava expressamente o desejo de casar com a mais velha das infantas    de Avis, tal como seria expect&aacute;vel.</p>     <p>O repto era irresist&iacute;vel. Abandonando definitivamente a hip&oacute;tese    do matrim&oacute;nio franc&ecirc;s, como havia preconizado o seu tio e ex-regente,    D. Afonso V prontamente avaliou a proposta de Frederico III e preparou-se para    encetar negocia&ccedil;&otilde;es. Contudo, estas n&atilde;o teriam lugar, como    era comum, no territ&oacute;rio de uma ou de outra monarquia, mas num lugar    aparentemente neutro: a corte de N&aacute;poles. Sabemos que assim o desejava    o imperador, talvez pela quase inexist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es    com Portugal, e certamente o rei aragon&ecirc;s, mais seguro de os trabalhos    chegarem a bom porto sob o seu patroc&iacute;nio<a href="#_ftn38" name="_ftnref38" title="">[38]</a>.</p>     <p>Urgia agora instruir e mandatar as embaixadas, criteriosamente escolhidas pelos    respectivos soberanos tendo em conta as garantias de prepara&ccedil;&atilde;o    e de lealdade ao seu servi&ccedil;o. Temos not&iacute;cia de que a 27 de Junho    daquele ano, por carta dada em Lisboa, D. Afonso V investiu com &ldquo;inteiro    poder&rdquo; de procurador &ldquo;o nobre fidalgo Jo&atilde;o Fernandes da Silveira,    egr&eacute;gio doutor em Leis&rdquo;<a href="#_ftn39" name="_ftnref39" title="">[39]</a>,    atestando a import&acirc;ncia da dedicada aristocracia de toga numa diplomacia    que se alicer&ccedil;ava no direito<a href="#_ftn40" name="_ftnref40" title="">[40]</a>.    Tr&ecirc;s meses depois, a 25 de Setembro, foi a vez de Frederico, por procura&ccedil;&atilde;o    passada em Neustadt, creditar os seus conselheiros D. Eneias, bispo de Trieste    (e futuro Papa Pio II), e D. Jorge de Vollesdorf, bar&atilde;o austr&iacute;aco,    bem como o secret&aacute;rio Miguel de Phullendorf, para tratar com os delegados    do rei de Portugal um matrim&oacute;nio, conforme se afirmava detalhadamente,    &ldquo;segundo rito e costume da Santa Madre Egreja&rdquo;<a href="#_ftn41" name="_ftnref41" title="">[41]</a>.    Afinal, os espons&oacute;rios a estabelecer em N&aacute;poles deveriam ser modelares    segundo os c&acirc;nones civis e eclesi&aacute;sticos para, no dizer de Maria    Helena Coelho, &ldquo;servirem de <i>exemplum</i> legitimador&rdquo;<a href="#_ftn42" name="_ftnref42" title="">[42]</a>    do rei de Portugal e do Algarve e senhor de Ceuta e do imperador, rei dos romanos.</p>     <p>As embaixadas re&uacute;nem-se em Outubro diante do rei<i> Magn&acirc;nimo</i>.    Entre praxes e formalismos, apresentam as respectivas credenciais &agrave; corte    napolitana, reconhecendo a media&ccedil;&atilde;o do monarca aragon&ecirc;s    e anunciando a legitimidade jur&iacute;dica dos procuradores para tratar, concluir    e contrair o acordo matrimonial<a href="#_ftn43" name="_ftnref43" title="">[43]</a>.    Tem ent&atilde;o lugar a ronda negocial pr&eacute;via das capitula&ccedil;&otilde;es,    que, ao arrastar-se por quarenta dias, deixa perceber como aquelas ter&atilde;o    sido bastante ponderadas<a href="#_ftn44" name="_ftnref44" title="">[44]</a>.    De facto, a parada era elevada. Ao cabo de v&aacute;rias sess&otilde;es de an&aacute;lise    e discuss&atilde;o, e sempre na presen&ccedil;a de conselheiros do rei de N&aacute;poles,    os embaixadores foram tecendo o contrato de casamento, que se veio a assinar    com todo o aparato a 10 de Dezembro, uma quinta-feira, no chamado castelo de    C&aacute;pua, na capital do reino<a href="#_ftn45" name="_ftnref45" title="">[45]</a>.</p>     <p>Redigido em latim e selado pelo not&aacute;rio e secret&aacute;rio r&eacute;gio    aragon&ecirc;s Jo&atilde;o Olzina, o extenso clausulado abria com um pre&acirc;mbulo    relativo &agrave; sintonia entre as embaixadas, ao acordo do rei de Arag&atilde;o    e &agrave;s assinaturas de ilustres testemunhas, como Fernando, duque da Cal&aacute;bria,    Jo&atilde;o, duque de Cl&eacute;ves, al&eacute;m de representantes das rep&uacute;blicas    de Veneza e de Floren&ccedil;a. De seguida, nas disposi&ccedil;&otilde;es nupciais,    come&ccedil;ava-se por estipular as etapas do casamento: naquela circunst&acirc;ncia    ficava ajustado por palavras de futuro para no espa&ccedil;o de seis meses se    efectivar por palavras de presente, conforme ditavam &ldquo;os preceitos can&oacute;nicos    e disciplina da religi&atilde;o crist&atilde;&rdquo;<a href="#_ftn46" name="_ftnref46" title="">[46]</a>,    devendo esse acto ser cumprido na corte portuguesa atrav&eacute;s de uma embaixada    imperial mandatada para o efeito. Seguia-se o estabelecimento do dote da noiva,    formalmente fixado em 60.000 florins de ouro de c&acirc;mara segundo o valor    da c&uacute;ria romana, que deveria ser dobrado segundo os usos alem&atilde;es,    traduzindo-se numa pesad&iacute;ssima soma que o rei de Portugal ficava obrigado    a pagar no prazo de quinze meses ap&oacute;s a consuma&ccedil;&atilde;o do matrim&oacute;nio    &ndash; o dinheiro deveria ser depositado em Bruges, na Flandres, ou em Floren&ccedil;a,    na Pen&iacute;nsula It&aacute;lica, conforme viesse a determinar o imperador,    embora se descontassem desse montante 10.000 florins, que se alocavam &agrave;s    despesas da viagem da infanta e do seu s&eacute;quito<a href="#_ftn47" name="_ftnref47" title="">[47]</a>.    As arras a receber por D. Leonor eram fixadas no mesmo valor do dote, como tamb&eacute;m    era costume no Sacro Imp&eacute;rio, ficando ao crit&eacute;rio de Frederico    III o pagamento do complemento pela aquisi&ccedil;&atilde;o da virgindade da    nubente, a <i>donationem matutinam </i>(doa&ccedil;&atilde;o da manh&atilde;)    &ndash; assim chamado por normalmente ser paga ap&oacute;s a noite de n&uacute;pcias.    Comprometido ficava o rei dos romanos a indicar no espa&ccedil;o de quatro meses    o patrim&oacute;nio que asseguraria os r&eacute;ditos anuais de D. Leonor, no    valor de 120.000 florins, indispens&aacute;veis para sustento da sua casa &ndash;    Frederico cumpri-lo-ia por carta de 16 de Mar&ccedil;o de 1451, ao afectar-lhe,    no ducado de Carn&iacute;ola, o vice-dom&iacute;nio de Laibach, no ducado de    Car&iacute;ntia, o castelo de Bliburgo e, no ducado de &Aacute;ustria, a fortaleza    de Stuchenstein<a href="#_ftn48" name="_ftnref48" title="">[48]</a>. Por&eacute;m,    na fase que mediaria at&eacute; &agrave; doa&ccedil;&atilde;o, o imperador colocava    &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da infanta uma soma igual &agrave; dos seus    r&eacute;ditos para manuten&ccedil;&atilde;o da sua honra e estado. Pensando    no transporte de D. Leonor, estabelecia-se a sua chegada &agrave; Pen&iacute;nsula    It&aacute;lica at&eacute; in&iacute;cios de Novembro, ap&oacute;s viagem mar&iacute;tima,    devendo desembarcar num porto que Frederico III determinasse, entre N&aacute;poles    e Pisa. Consigo, a infanta poderia levar um s&eacute;quito, masculino e feminino,    para seu servi&ccedil;o e acompanhamento, embora se reservasse ao imperador    o direito de aprova&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero e qualidade dos membros    que seguiriam para o Sacro Imp&eacute;rio. Por fim, o acordo era meticulosamente    encerrado com a descri&ccedil;&atilde;o do juramento dos procuradores, sob palavra    de honra e com as m&atilde;os nos Evangelhos, comprometendo assim a dignidade    e a alma dos respectivos soberanos<a href="#_ftn49" name="_ftnref49" title="">[49]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As not&iacute;cias do acordo ter&atilde;o animado em Portugal o jovem D. Afonso    V, mas traziam-lhe responsabilidades para dar sequ&ecirc;ncia &agrave; diplomacia.    Anfitri&atilde;o para o casamento por palavras de presente, encarregado dos    custos da comitiva que transportaria a irm&atilde; e, sobretudo, obrigado ao    pagamento do dote, o rei portugu&ecirc;s precisava de reunir os estados do reino    para cobrir as pesadas despesas que lhe caberiam em breve. Sabemos que convocou    Cortes nos finais de Fevereiro de 1451, marcando-as para Santar&eacute;m, com    in&iacute;cio dos trabalhos previsto para o dia 30 do m&ecirc;s seguinte<a href="#_ftn50" name="_ftnref50" title="">[50]</a>.    No entanto, devido a alguns atrasos, a assembleia s&oacute; come&ccedil;ou a    3 de Abril. Nas duas semanas em que reuniu, ao contr&aacute;rio do clima de    sintonia e concord&acirc;ncia plena sugerido por Rui de Pina<a href="#_ftn51" name="_ftnref51" title="">[51]</a>,    sabemos que se fizeram ouvir queixas relacionadas com as exig&ecirc;ncias financeiras.    Os procuradores do concelho de Braga foram rosto desses protestos, argumentando    com a dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica do povo, sujeito    a uma pesada carga fiscal que vinha do tempo do infante D. Pedro, o qual, segundo    afirmaram ao rei, &ldquo;lan&ccedil;ou mujtos pedidos aos vossos poboos&rdquo;<a href="#_ftn52" name="_ftnref52" title="">[52]</a>.    Ainda assim, D. Afonso V viu satisfeitas as suas pretens&otilde;es para o matrim&oacute;nio    da irm&atilde; ao serem outorgados dois pedidos e meio a lan&ccedil;ar sobre    o povo e uma d&iacute;zima e meia a expensas do clero<a href="#_ftn53" name="_ftnref53" title="">[53]</a>.</p>     <p>Por esta altura j&aacute; Frederico III constitu&iacute;ra a embaixada com    destino a Portugal, procurando cumprir o prazo estipulado no acordo de N&aacute;poles.    Por carta de 14 de Mar&ccedil;o, dada em Neustadt, o imperador dirige-se ao    monarca portugu&ecirc;s, a quem trata agora por &ldquo;irm&atilde;o car&iacute;ssimo&rdquo;,    oficializando a credita&ccedil;&atilde;o dos capel&atilde;es Tiago de Motz,    bacharel em Teologia, e Nicolau Lanckman de Valckenstein<a href="#_ftn54" name="_ftnref54" title="">[54]</a>,    ambos investidos de poderes para que a D. Leonor &ldquo;desposem como esposa    leg&iacute;tima e aceitem como mulher&rdquo;. Com estes representantes segue    a solicita&ccedil;&atilde;o do desembarque da infanta no porto de Siena e a    documenta&ccedil;&atilde;o que ratifica o tratado nupcial por parte do imperador,    o qual meticulosamente solicita id&ecirc;nticos of&iacute;cios da parte de D.    Afonso V. Ainda naquele m&ecirc;s, conforme nos relata Lanckman no seu <i>Di&aacute;rio</i>,    aut&ecirc;ntica narrativa de viagem, deixam Neustadt em direc&ccedil;&atilde;o    ao ducado de Sab&oacute;ia os dois representantes imperiais, sem com eles seguirem    quaisquer outros dignit&aacute;rios<a href="#_ftn55" name="_ftnref55" title="">[55]</a>.    Inicia assim a marcha para Portugal uma embaixada deveras pequena &ndash; decerto    reveladora do car&aacute;cter parcimonioso de Frederico III, que astutamente    faz justificar a simplicidade da delega&ccedil;&atilde;o com o estatuto eclesi&aacute;stico    dos seus representantes<a href="#_ftn56" name="_ftnref56" title="">[56]</a>    &ndash;, pouco concordante com a condi&ccedil;&atilde;o imperial e muito contrastante    com o investimento que D. Afonso V prepara no seu reino.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Com pompa e circunst&acirc;ncia: o casamento imperial</b></p>     <p>O primeiro casamento de uma princesa portuguesa com um sacro imperador havia    que ser celebrado ao mais alto n&iacute;vel. A solenidade das cerim&oacute;nias,    o aparato dos festejos e a opul&ecirc;ncia dos banquetes assumiam, num mundo    do gesto e da palavra, um significado pol&iacute;tico que n&atilde;o podia ser    descurado. Assim parecia apostar D. Afonso V que, segundo Rui de Pina, deixou    Santar&eacute;m e &ldquo;se foy com sua Corte a Lixboa&rdquo; em Junho de 1451,    por altura do Corpo de Deus, elegendo a maior cidade do reino para acolher os    embaixadores imperiais. Como atesta o cronista, pretendia que o &ldquo;recebimento    e entrega [de sua irm&atilde;] se fyzesse com grandes e Reaaes festas, pera    que fez grandes provimentos e deu muyta pressa&rdquo;<a href="#_ftn57" name="_ftnref57" title="">[57]</a>.</p>     <p>Por&eacute;m, a embaixada de Frederico III tardava em chegar. Ap&oacute;s uma    viagem, que conhecemos bem, pelo sul de Fran&ccedil;a e pelo norte da Pen&iacute;nsula    Ib&eacute;rica &ndash; atrav&eacute;s de Arag&atilde;o, Navarra, Castela e Le&atilde;o    &ndash;, os capel&atilde;es foram assaltados na Galiza, chegando com s&eacute;rias    dificuldades a Portugal, por Valen&ccedil;a do Minho, disfar&ccedil;ados de    peregrinos<a href="#_ftn58" name="_ftnref58" title="">[58]</a>. Itineraram pelo    Porto, Coimbra e Vila Franca, onde foram recebidos &ldquo;com feestas e muy    manyfycamente&rdquo; pelo velho infante D. Henrique, que os ter&aacute; encaminhado    para o Lumiar a 30 de Julho<a href="#_ftn59" name="_ftnref59" title="">[59]</a>.</p>     <p>A entrada dos embaixadores em Lisboa s&oacute; se fez, de acordo com o <i>Di&aacute;rio</i>    de Lanckman, quando D. Afonso V os mandou chamar<a href="#_ftn60" name="_ftnref60" title="">[60]</a>.    Tudo obedecia a uma cuidada pondera&ccedil;&atilde;o. Segundo Rui de Pina, era    o dia 31 de Julho quando os capel&atilde;es imperiais pisaram a cidade, sendo    recebidos por uma delega&ccedil;&atilde;o de prelados, nobres e cidad&atilde;os    e, de imediato, conduzidos ao pa&ccedil;o real da alc&aacute;&ccedil;ova<a href="#_ftn61" name="_ftnref61" title="">[61]</a>.    A&iacute; chegados, foram levados com toda a solenidade &agrave; presen&ccedil;a    do rei, que os aguardava entre os seus cortes&atilde;os, majestaticamente sentado    no trono, de ceptro na m&atilde;o e coroa na cabe&ccedil;a. O monarca apresentava-se,    pois, na express&atilde;o m&aacute;xima da sua realeza neste primeiro encontro,    uma imponente recep&ccedil;&atilde;o pormenorizadamente descrita no <i>Di&aacute;rio</i><a href="#_ftn62" name="_ftnref62" title="">[62]</a>.    Sabemos que nela, como bom anfitri&atilde;o, D. Afonso V deu mostras de amizade    e magnanimidade ao perguntar pela sa&uacute;de do imperador, ao interessar-se    pelas perip&eacute;cias da viagem e, por fim, ao ceder aos embaixadores os confort&aacute;veis    pa&ccedil;os dos estaus, no Rossio.</p>     <p>Segundo Lanckman, o casamento foi cuidadosamente precedido de protocolo e formalidade.    Logo a 1 de Agosto, o pr&oacute;prio rei come&ccedil;ou por apresentar os capel&atilde;es    &agrave; rainha, &agrave;s infantas e aos principais cortes&atilde;os, com os    quais conviveram. Depois, numa audi&ecirc;ncia r&eacute;gia que contou com destacados    nobres e eclesi&aacute;sticos, os embaixadores exibiram as credenciais e verbalizaram    a vontade do seu senhor em desposar D. Leonor por palavras de presente<a href="#_ftn63" name="_ftnref63" title="">[63]</a>.    A cerim&oacute;nia ter&aacute; ocorrido no dia seguinte, de acordo com o <i>Di&aacute;rio</i><a href="#_ftn64" name="_ftnref64" title="">[64]</a>,    embora Rui de Pina<a href="#_ftn65" name="_ftnref65" title="">[65]</a> a date    de dia 9, nos pa&ccedil;os de S. Crist&oacute;v&atilde;o. A corte marcou presen&ccedil;a    ao mais alto n&iacute;vel atrav&eacute;s do casal r&eacute;gio, do infante D.    Fernando e das infantas D. Catarina e D. Joana, irm&atilde;os da nubente, do    velho infante D. Henrique, tio da anterior, a par de muitos prelados, senhores    e damas &ldquo;de grande condi&ccedil;am&rdquo;<a href="#_ftn66" name="_ftnref66" title="">[66]</a>.    Lado a lado, D. Leonor e o capel&atilde;o Tiago Motz, em representa&ccedil;&atilde;o    do noivo, escutaram a arenga <i>Adorna thalamum</i>, ap&oacute;s o que teve    lugar o simb&oacute;lico &oacute;sculo na face e a entrega do anel, seguidos    do an&uacute;ncio da garantia do cumprimento das arras por parte do imperador.    Finda a solenidade, soaram as tubas e a infanta &ldquo;foi por todos declarada    e proclamada rainha dos Romanos&rdquo;<a href="#_ftn67" name="_ftnref67" title="">[67]</a>.</p>     <p>As fontes mostram-nos Lisboa a comemorar amplamente o casamento: no pa&ccedil;o    real celebrou-se com &ldquo;suntuosos banquetes&rdquo;, acompanhados de &ldquo;muytas    dan&ccedil;as e festas&rdquo;<a href="#_ftn68" name="_ftnref68" title="">[68]</a>;    nas igrejas e mosteiros deram-se gra&ccedil;as atrav&eacute;s de cerim&oacute;nias,    prociss&otilde;es e oferendas; nas pra&ccedil;as, o povo soltou vivas &agrave;    imperatriz, &ldquo;a senhora desposada, Dona Leonor&rdquo;<a href="#_ftn69" name="_ftnref69" title="">[69]</a>.    Mas a alegria do enlace ia contagiando todo um reino e, aos poucos, revelou-se    um b&aacute;lsamo para as feridas abertas pelo enfrentamento civil, registando-se    por esse tempo v&aacute;rias cartas de perd&atilde;o que o monarca, a rogo da    irm&atilde; desposada, concedeu a ex-partid&aacute;rios de D. Pedro<a href="#_ftn70" name="_ftnref70" title="">[70]</a>    &ndash; note-se que, em 1451, a mem&oacute;ria do infante D. Pedro era ainda    assunto &ldquo;interdito&rdquo;, sendo ainda recente a tens&atilde;o, no ano    anterior, com a embaixada borgonhesa encabe&ccedil;ada pelo De&atilde;o de Vergy,    Jean Jouffroy, que procurou, sem sucesso, reparar a honra do infante e interceder    pelos seus filhos e partid&aacute;rios<a href="#_ftn71" name="_ftnref71" title="">[71]</a>.    Nada melhor do que um magno acontecimento para o rei, senhor da justi&ccedil;a,    exibir a virtude da gra&ccedil;a.</p>     <p>Durante dois meses aprestou-se afincadamente a viagem de D. Leonor, que deveria    ter lugar antes do Inverno. Segundo estudos biogr&aacute;ficos da infanta, todo    o cuidado material se centrou no enxoval, com um imenso investimento na indument&aacute;ria,    cal&ccedil;ado, j&oacute;ias, servi&ccedil;os de mesa, m&oacute;veis, c&oacute;dices,    livros e jogos<a href="#_ftn72" name="_ftnref72" title="">[72]</a>. Nessa espera,    tamb&eacute;m por vontade r&eacute;gia, eram dadas a conhecer aos embaixadores    v&aacute;rias cidades do reino, com a companhia de D. Leonor<a href="#_ftn73" name="_ftnref73" title="">[73]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No in&iacute;cio de Outubro de 1451 aproximava-se a partida da imperatriz.    N&atilde;o sem antes, em sua honra, a Coroa organizar em Lisboa espectaculares    e prolongadas festas, segundo Maria Helena Coelho, &ldquo;ombreando com as mais    requintadas da Cristandade&rdquo;<a href="#_ftn74" name="_ftnref74" title="">[74]</a>.    Entre os dias 13 e 24, desfilou na cidade o escol da hoste real; exibiram-se    reis de armas e arautos em representa&ccedil;&atilde;o dos reis europeus; organizaram-se    pe&ccedil;as teatrais acerca de Frederico III e D. Leonor; justaram, tourearam    e ca&ccedil;aram os fidalgos; cantaram e dan&ccedil;aram os populares, crist&atilde;os,    judeus e mouros, al&eacute;m de selvagens, acompanhados de um elefante, s&iacute;mbolo    do exotismo das descobertas. A 24 daquele m&ecirc;s, num pa&ccedil;o de madeira,    ornamentado com tape&ccedil;arias, um faustoso banquete de corte encerrou as    festividades, acendendo-se lumin&aacute;rias por toda a Lisboa<a href="#_ftn75" name="_ftnref75" title="">[75]</a>.    No dia seguinte, ap&oacute;s missa solene na S&eacute;, celebrada pelo bispo    de Ceuta, D. Leonor foi acompanhada em prociss&atilde;o pela fam&iacute;lia    real, senhores e muito povo at&eacute; ao porto, onde se despediu e embarcou    na luxuosa carraca <i>Doria</i>, ent&atilde;o mandada vir de It&aacute;lia<a href="#_ftn76" name="_ftnref76" title="">[76]</a>.</p>     <p>Acompanhava a imperatriz, al&eacute;m da embaixada alem&atilde;, uma impressionante    comitiva. D. Afonso V atribu&iacute;ra a sua chefia a um primo, o var&atilde;o    e hom&oacute;nimo do duque de Bragan&ccedil;a, D. Afonso, que atendendo &agrave;s    suas fun&ccedil;&otilde;es de representa&ccedil;&atilde;o fora elevado por carta    r&eacute;gia, havia treze dias, a marqu&ecirc;s de Valen&ccedil;a &ndash; note-se    que foi a primeira vez que este t&iacute;tulo nobili&aacute;rquico se concedeu    em Portugal<a href="#_ftn77" name="_ftnref77" title="">[77]</a>. Seguiam-no    o bispo de Coimbra D. Lu&iacute;s Coutinho, o vedor da fazenda e conselheiro    r&eacute;gio D. Lopo de Almeida, o mordomo-mor &Aacute;lvaro de Sousa, o regedor    da Casa do C&iacute;vel P&ecirc;ro Vaz de Melo, entre muitos senhores, oficiais    e criados. J&aacute; o s&eacute;quito feminino, encabe&ccedil;ado pela aia de    D. Leonor, D. Brites de Meneses, era constitu&iacute;do por tr&ecirc;s condessas,    vinte e quatro aias e muitas servi&ccedil;ais. No total, embarcavam quase 3.000    pessoas, distribu&iacute;das por duas carracas, cinco ou seis naus, duas caravelas    e oito barcas<a href="#_ftn78" name="_ftnref78" title="">[78]</a>.</p>     <p>Fosse por falta de vento, como afirma Lanckman, fosse por tardarem as vitualhas    e o armamento, segundo Rui de Pina, certo &eacute; que a frota s&oacute; veio    a levantar ferro pr&oacute;ximo de 20 de Novembro. Ao cabo de uma semana, sabemos    que aportou por tr&ecirc;s dias em Ceuta, talvez por vontade de D. Afonso V    em dar a conhecer a c&eacute;lebre pra&ccedil;a norte-africana aos embaixadores    de Frederico III. Fazendo-se novamente ao mar, a armada navegou pela costa levantina    rumo a Marselha, onde reabasteceu, n&atilde;o sem enfrentar piratas e tempestades.    Atracando depois em Grimaud, no leste da Proven&ccedil;a, onde se deteve boa    parte do m&ecirc;s de Janeiro de 1452 &agrave; espera de vento, alcan&ccedil;aria    a 1 de Fevereiro o cais de Livorno, um dos principais portos pisanos<a href="#_ftn79" name="_ftnref79" title="">[79]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/med/n24/n24a05f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Uma vez que Livorno n&atilde;o era o ancoradouro acordado com Frederico III,    ningu&eacute;m desembarcou. Por&eacute;m, logo o mau tempo levou a que muitos    adoecessem a bordo, vindo a terra Nicolau Lanckman informar o imperador, ent&atilde;o    em Siena, o qual pronto consentiu o desembarque da comitiva de D. Leonor e enviou    uma numerosa delega&ccedil;&atilde;o de 500 senhores para a acompanhar a Pisa,    onde a princesa entretanto chegaria para se recompor da viagem<a href="#_ftn80" name="_ftnref80" title="">[80]</a>.</p>     <p>Entre 19 e 21 de Fevereiro, D. Leonor partiu com o s&eacute;quito luso-imperial    em direc&ccedil;&atilde;o a Siena para se reunir ao esposo. Na cidade preparava-se    meticulosamente o encontro, cujo ritual ficaria descrito inclusivamente na primeira    de um conjunto de cartas enviadas por D. Lopo de Almeida a D. Afonso V<a href="#_ftn81" name="_ftnref81" title="">[81]</a>,    que tudo fazia quest&atilde;o de acompanhar &agrave; dist&acirc;ncia, al&eacute;m    de ter sido imortalizado pela pintura de Pinturicchio<a href="#_ftn82" name="_ftnref82" title="">[82]</a>,    que se conserva na Catedral de Siena. Temos not&iacute;cia de que D. Leonor    chegou aos arredores dessa cidade no dia 24, sendo recebida pelo pr&oacute;prio    rei da Bo&eacute;mia e da Hungria, Ladislau, e pelo irm&atilde;o do imperador    e duque da &Aacute;ustria, Alberto, juntamente com muitos nobres do Sacro Imp&eacute;rio,    senhores das rep&uacute;blicas de Veneza, Bolonha e Floren&ccedil;a e cardeais    legados da Santa S&eacute;. Cumprindo a hierarquia, acompanharam a imperatriz    at&eacute; &agrave;s portas da urbe, de onde um grupo de cidad&atilde;os com    um p&aacute;lio, no qual figuravam as armas portuguesas e imperiais, a transportaram    at&eacute; ao Rei dos Romanos, que aguardava no interior. Avistando-se, Frederico    III e D. Leonor apearam-se das montadas e, com toda a cortesia, trocaram-se    sauda&ccedil;&otilde;es. Apregoado um solene discurso, o arcebispo da cidade,    Eneas S&iacute;lvio Piccolomini (futuro Papa Pio II), deu a cruz a beijar, ap&oacute;s    o que o casal se dirigiu &agrave; s&eacute;, onde rezou por instantes. As fontes    referem cuidadosamente que D. Leonor, salvo um momento em que folgou com o esposo    no dia ap&oacute;s o encontro, estanciou num pa&ccedil;o &ldquo;soo, sem o Emperador&rdquo;<a href="#_ftn83" name="_ftnref83" title="">[83]</a>.    Faltava ainda &ldquo;fazer suas vodas&rdquo;<a href="#_ftn84" name="_ftnref84" title="">[84]</a>,    que se perspectivavam na celest&iacute;ssima Roma, onde o primeiro imperador    dos Habsburgo, num projecto de legitima&ccedil;&atilde;o plena, esperava tamb&eacute;m    ser coroado pelas m&atilde;os do Sumo Pont&iacute;fice.</p>     <p>Igualmente separados viajaram os esposos nos dias seguintes em direc&ccedil;&atilde;o    &agrave; Cidade Santa, a cujas portas se reuniram a 8 de Mar&ccedil;o para,    como era tradi&ccedil;&atilde;o, entrarem no dia seguinte com todo o aparato    de indument&aacute;ria e de m&uacute;sica. &Agrave; porta da igreja de S. Pedro,    o Papa Nicolau V aguardava Frederico III e D. Leonor, que ingressaram no templo    ao som de &oacute;rg&atilde;o e de c&acirc;nticos, para depois orarem no altar-mor    e se retirarem para as respectivas pousadas &ndash; note-se que a honra concedida    nesta e nas seguintes cerim&oacute;nias correspondia, da parte do Papa, a uma    retribui&ccedil;&atilde;o de favor ao imperador que submetera o cism&aacute;tico    F&eacute;lix V &agrave; sua autoridade havia tr&ecirc;s anos<a href="#_ftn85" name="_ftnref85" title="">[85]</a>.</p>     <p>Chegado o dia 16 de Mar&ccedil;o, quinta-feira, Frederico III e D. Leonor reunir-se-iam    de novo em S. Pedro, onde Nicolau V os esperava para, em missa solene, selar    o enlace, no dizer de Rui de Pina, com &ldquo;as ben&ccedil;&otilde;es que a    Santa Ygreja aos casamentos ordena&rdquo;<a href="#_ftn86" name="_ftnref86" title="">[86]</a>.    Sabemos, por outra carta de D. Lopo de Almeida<a href="#_ftn87" name="_ftnref87" title="">[87]</a>,    que a cerim&oacute;nia foi antecedida de um incidente protocolar levantado pela    imperatriz, que, sob influ&ecirc;ncia da comitiva portuguesa, recusou ser acompanhada    at&eacute; &agrave; igreja pelos dois duques enviados por Frederico, exigindo    algu&eacute;m com sangue real, como o rei da Hungria ou o duque da &Aacute;ustria,    parentes do imperador. Perante a intransig&ecirc;ncia do Rei dos Romanos, acabaria    por ceder, mas sem esquecer. Iniciada a eucaristia, Frederico III e D. Leonor,    de joelhos, come&ccedil;aram por beijar o p&eacute; e as m&atilde;os do Papa    em sinal de obedi&ecirc;ncia. Depois, o Pont&iacute;fice benzeu os an&eacute;is,    colocou-os nos dedos dos esposos e, ap&oacute;s ouvir o assentimento de que    casavam de livre vontade, mandou que se beijassem nas faces, posto o que os    aben&ccedil;oou. Segundo D. Lopo de Almeida, o of&iacute;cio terminaria jubilosamente    ao som de &ldquo;duas estantes de cantores&rdquo;, que &ldquo;cantavam a revezes&rdquo;<a href="#_ftn88" name="_ftnref88" title="">[88]</a>,    enquanto os agora esposos catolicamente deixavam o templo. Por&eacute;m, n&atilde;o    houve festejos nem consuma&ccedil;&atilde;o pois, recordam as fontes, era Quaresma,    e os c&ocirc;njuges &ldquo;assy tomaram por deva&ccedil;am&rdquo;<a href="#_ftn89" name="_ftnref89" title="">[89]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Agora Frederico III e D. Leonor preparavam-se para um derradeiro regresso &agrave;    igreja de S. Pedro, negociada que fora a cerim&oacute;nia de sagra&ccedil;&atilde;o    e coroa&ccedil;&atilde;o imperial, a &uacute;ltima que teve lugar em Roma sob    a autoridade papal. A 19 de Mar&ccedil;o, Domingo, Nicolau V recebeu primeiro    o imperador, a quem ajoelhou, e depois a imperatriz, ungida nas esp&aacute;duas    e no bra&ccedil;o direito. Iniciada a Missa, o Papa, ao Evangelho, coroou o    casal, entregando ao rei dos romanos, &agrave; semelhan&ccedil;a de Carlos Magno    no Natal de 800, as ins&iacute;gnias da sua majestade: a espada, o ceptro e    o globo. Por &uacute;ltimo, o casal imperial comungou pela m&atilde;o do Santo    Padre e, finalizada a cerim&oacute;nia com um majestoso <i>Te Deum</i>, desceu    &agrave; urbe com as coroas na cabe&ccedil;a<a href="#_ftn90" name="_ftnref90" title="">[90]</a>.</p>     <p>A pr&oacute;xima etapa de Frederico III e D. Leonor seria o reino de N&aacute;poles,    onde os aguardava para as n&uacute;pcias D. Afonso V de Arag&atilde;o, procurando    explorar a alian&ccedil;a daquela uni&atilde;o. Sa&iacute;da de Roma a 24 de    Mar&ccedil;o, com dois dias de diferen&ccedil;a do marido, a imperatriz ter&aacute;    alcan&ccedil;ado no fim do m&ecirc;s a capital napolitana, a meia-l&eacute;gua    da qual veio esper&aacute;-la com todas as honras o monarca seu tio. O rei n&atilde;o    olhou a despesas para, em plena quadra quaresmal, festejar a presen&ccedil;a    dos esposos com banquetes, dan&ccedil;as, pe&ccedil;as teatrais, jogos de canas,    ca&ccedil;adas e justas, al&eacute;m de desfiles de cavaleiros e donzelas. Por    fim, no Domingo de Pascoela, passado o per&iacute;odo de interdito, o imperador    anunciou o desejo de consumar o casamento<a href="#_ftn91" name="_ftnref91" title="">[91]</a>.</p>     <p>A respeito do &uacute;ltimo rito matrimonial, enquanto Lanckman, eclesi&aacute;stico,    se revela discreto<a href="#_ftn92" name="_ftnref92" title="">[92]</a>, D. Lopo    de Almeida, em carta para D. Afonso V, n&atilde;o se poupa em detalhes. Sabemos    que na noite de 16 de Abril, no castelo de C&aacute;pua, a jovem D. Leonor,    de 17 anos, foi levada ao quarto nupcial e deitada ao lado do esposo, de 36    anos, com o qual publicamente, conforme &ldquo;usan&ccedil;a d&rsquo;Alemanha&rdquo;    <a href="#_ftn93" name="_ftnref93" title="">[93]</a>, trocou um beijo. Logo    a imperatriz se dirigiu para a sua c&acirc;mara, aguardando que a fossem buscar    para a real efectiva&ccedil;&atilde;o do acto. Eis que quando surgiram dois    condes para a acompanhar ao leito de n&uacute;pcias se recusou a ser conduzida    &ndash; como que se desforrando da id&ecirc;ntica afronta de Roma &ndash;, dando    conta de que, mesmo nos contextos mais &iacute;ntimos do enlace, exigia uma    honra superior. As embaixadas sucederam-se por cinco ou seis vezes, sem lograrem    dobrar a vontade de D. Leonor. Por fim, Frederico III veio rogar a sua presen&ccedil;a,    acedendo a imperatriz, levada pela mais alta dignidade. Consumado o acto, a    j&aacute; esposa carnal do <i>Rex Romanorum</i> recebeu a renda de c&acirc;mara    prevista na manh&atilde; seguinte<a href="#_ftn94" name="_ftnref94" title="">[94]</a>.</p>     <p>O imperador partiria para Roma e D. Leonor, em N&aacute;poles at&eacute; 24    de Abril, reunir-se-lhe-ia ao cabo de algumas semanas em Veneza para, cruzado    o Mar Adri&aacute;tico, chegarem a Neustadt a 19 de Junho. A imperatriz come&ccedil;ava    ent&atilde;o a sua vida no novo reino, onde ao longo de quinze anos testemunharia    a realidade da guerra e da revolta at&eacute; falecer, a 3 de Setembro de 1467,    aos 33 anos, 26 antes do marido. Com ele, com quem se diz n&atilde;o ter sido    feliz pelas diferen&ccedil;as de costumes e de car&aacute;cter<a href="#_ftn95" name="_ftnref95" title="">[95]</a>,    cumpriu o essencial do matrim&oacute;nio ao assegurar a sucess&atilde;o em Maximiliano    &ndash; o &uacute;nico dos cinco filhos, a par de Cunegundes, a atingir a idade    adulta &ndash; e, desse modo, o estabelecimento dos Habsburgo como dinastia    imperial. &Agrave; monarquia portuguesa, que ao seu casamento somou o da infanta    D. Joana com o rei D. Henrique IV de Castela em 1455, num claro momento de internacionaliza&ccedil;&atilde;o,    o matrim&oacute;nio de D. Leonor abriu um novo ciclo de contactos com o Sacro    Imp&eacute;rio Romano-Germ&acirc;nico<a href="#_ftn96" name="_ftnref96" title="">[96]</a>.</p>     <p>O enlace de D. Leonor e Frederico III propiciou desde logo o lan&ccedil;amento    das primeiras sementes para a intensifica&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es    entre os seus reinos, como mostra a ac&ccedil;&atilde;o de D. Lopo de Almeida    a partir da comitiva matrimonial para fomentar o com&eacute;rcio sal&iacute;fero,    conforme mandatado por D. Afonso V<a href="#_ftn97" name="_ftnref97" title="">[97]</a>.    De facto, a aproxima&ccedil;&atilde;o das coroas cedo conduziu a um incremento    econ&oacute;mico, de tal modo que, por volta de 1455, como estudou Oliveira    Marques, se estabeleceu em Lisboa uma col&oacute;nia alem&atilde;<a href="#_ftn98" name="_ftnref98" title="">[98]</a>.    Em parte pela exist&ecirc;ncia dessa comunidade, que unia interesses de ambos    os reinos, a protec&ccedil;&atilde;o a s&uacute;bditos imperiais propiciou uma    circula&ccedil;&atilde;o social que, na viragem para o s&eacute;culo XVI, trouxe    a Portugal o cosm&oacute;grafo Martin Behaim, o cart&oacute;grafo Jer&oacute;nimo    M&uuml;zner ou o impressor Valentim Fernandes<a href="#_ftn99" name="_ftnref99" title="">[99]</a>.    Na base, as rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas entre as monarquias, unidas    por la&ccedil;os familiares, revelar-se-iam em momentos cruciais, como foi o    caso da assinatura da alian&ccedil;a militar em 1493 entre D. Jo&atilde;o II    e Maximiliano I, t&atilde;o &uacute;til no contexto das negocia&ccedil;&otilde;es    do Tratado de Tordesilhas (1494), ou quando em 1525 D. Jo&atilde;o III e Carlos    V, incompatibilizado com meia Europa, selaram um matrim&oacute;nio imperial    envolvendo a infanta D. Isabel, entrela&ccedil;ando assim com novos n&oacute;s    as rela&ccedil;&otilde;es entre Portugal e o Sacro Imp&eacute;rio no advento    da modernidade <a href="#_ftn100" name="_ftnref100" title="">[100]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>O casamento de D. Leonor e Frederico III (1451-1452) constitui, sem d&uacute;vida,    um acontecimento importante para compreender as rela&ccedil;&otilde;es luso-imperais    e, num sentido mais lato, as complexas teias diplom&aacute;ticas que as unidades    pol&iacute;ticas urdiam na Europa dos finais da Idade M&eacute;dia. Como tal,    apesar de profusamente retratado ao n&iacute;vel das fontes e de abordado por    sucessivas gera&ccedil;&otilde;es de investigadores, o enlace r&eacute;gio despertou    a nossa aten&ccedil;&atilde;o para elaborar um estudo que o perspectivasse na    &oacute;ptica das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, uma &aacute;rea que,    como dissemos, se tem vindo a desenvolver na historiografia nacional nas &uacute;ltimas    tr&ecirc;s d&eacute;cadas.</p>     <p>Num primeiro ponto, enquadrados por uma Cristandade em defini&ccedil;&atilde;o    de fronteiras, atest&aacute;mos a import&acirc;ncia dos casamentos r&eacute;gios    na estrat&eacute;gia diplom&aacute;tica promovida pelas cabe&ccedil;as coroadas,    que entendiam a uni&atilde;o das linhagens como a melhor forma de selar alian&ccedil;as.    Foi disso exemplo a dinastia de Avis durante o seu processo de legitima&ccedil;&atilde;o,    bem patente na primeira metade do s&eacute;culo XV, ao capitalizar a descend&ecirc;ncia    do rei-fundador, D. Jo&atilde;o I, para se ligar &agrave;s casas de Inglaterra,    Arag&atilde;o e Borgonha, assim como a de seu sucessor, D. Duarte, amplamente    negociada durante a reg&ecirc;ncia do infante D. Pedro. Seria, no entanto, no    in&iacute;cio da governa&ccedil;&atilde;o de D. Afonso V que se cruzariam os    destinos de Portugal e do distante Sacro Imp&eacute;rio, sob a media&ccedil;&atilde;o    do rei de Arag&atilde;o, tio e hom&oacute;nimo do monarca portugu&ecirc;s, que    demonstrou o (longo) alcance das liga&ccedil;&otilde;es geneal&oacute;gicas    nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais ao promover o casamento de Frederico    III com uma infanta lusa para, em &uacute;ltima an&aacute;lise, garantir o apoio    alem&atilde;o na seguran&ccedil;a das suas possess&otilde;es italianas. Neste    projecto matrimonial convergiriam os interesses pol&iacute;ticos por parte do    rei dos romanos, carente de descend&ecirc;ncia para firmar a dinastia Habsburgo    no trono imperial, e de D. Afonso V que, no contexto da crise de Alfarrobeira    (1449), encontraria uma oportunidade de ouro para prestigiar a sua realeza ligando-a    &agrave; mais alta esfera (temporal) da Cristandade, dando assim sequ&ecirc;ncia    ao interesse manifestado pelo imperador pela mais velha das suas irm&atilde;s,    D. Leonor.</p>     <p>Foi justamente sobre o processo negocial luso-alem&atilde;o que, num segundo    momento, nos debru&ccedil;&aacute;mos, permitindo-nos observar o desenvolvimento    da pr&aacute;tica da diplomacia por esse tempo, da organiza&ccedil;&atilde;o    aos meios, passando pela etiqueta e pelos formalismos, sintoma dos progressos    da afirma&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia. Entre Portugal e o Sacro Imp&eacute;rio,    sobretudo ao longo de 1450, assistimos &agrave; cuidada prepara&ccedil;&atilde;o    de embaixadas, sendo not&oacute;ria a pondera&ccedil;&atilde;o dos soberanos    ao fazerem-se representar, para al&eacute;m de nobres e eclesi&aacute;sticos,    por burocratas e legistas, num per&iacute;odo em que o Direito se consolidava    no funcionamento institucional das monarquias. Corol&aacute;rio desse empenho    foram as negocia&ccedil;&otilde;es que tiveram lugar em N&aacute;poles entre    Outubro e Dezembro daquele ano, sob o patroc&iacute;nio do rei de Arag&atilde;o,    que resultaram no complexo articulado jur&iacute;dico das capitula&ccedil;&otilde;es    matrimoniais, as quais estabeleceram os contornos do casamento imperial, desde    logo bastante oneroso para a coroa portuguesa, conforme comprovaram as cortes    reunidas em Santar&eacute;m em Abril de 1451.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No terceiro e &uacute;ltimo ponto pudemos analisar as etapas do casamento luso-imperial,    pleno de significado institucional e religioso, caracterizado pela magnific&ecirc;ncia    das cerim&oacute;nias, desde o enlace por palavras de presente, em Agosto de    1451, &agrave; sua pr&oacute;pria consuma&ccedil;&atilde;o, em Abril do ano    seguinte. Em Portugal, entre o Ver&atilde;o e o Outono de 1451, o investimento    da Coroa revelou-se um verdadeiro bar&oacute;metro que atestou a import&acirc;ncia    do casamento nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, bem patente na majest&aacute;tica    recep&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia por D. Afonso V aos embaixadores alem&atilde;es,    no formal&iacute;ssimo casamento por procura&ccedil;&atilde;o, nos longos e    exuberantes festejos &ndash; espirituais e profanos &ndash; em que toda a sociedade    foi chamada a tomar parte, no aparato da frota que se aprestou em Lisboa e na    grandeza &ndash; quantitativa e qualitativa &ndash; da comitiva que acompanharia    a infanta. Na sequ&ecirc;ncia de uma agitada viagem que decorreu entre Novembro    de 1451 e Fevereiro de 1452, acompanh&aacute;mos o multifacetado percurso de    D. Leonor em terras italianas, desde o ritual do encontro com o noivo, em Siena    (<a href="#f3">Figura 3</a>)<a href="#_ftn101" name="_ftnref101" title="">[101]</a>, &agrave;    efectiva&ccedil;&atilde;o carnal do matrim&oacute;nio, em N&aacute;poles, passando    pela b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o nupcial e pela coroa&ccedil;&atilde;o imperial,    em Roma, no primeir&iacute;ssimo templo e pelas m&atilde;os do principal prelado    da Cristandade. Destaque-se como estas not&iacute;cias nos chegaram essencialmente    pela documenta&ccedil;&atilde;o elaborada no seio da comitiva portuguesa que,    para al&eacute;m de acompanhar a imperatriz e de representar o seu reino de    origem, procurava a toda a hora informar D. Afonso V dos seus passos, num verdadeiro    servi&ccedil;o de informa&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;tico.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/med/n24/n24a05f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>       <p>Do casamento entre Frederico III e D. Leonor resultou claramente uma inflex&atilde;o    nas rela&ccedil;&otilde;es de duas monarquias, de que s&atilde;o exemplo o incremento    econ&oacute;mico, a circula&ccedil;&atilde;o social e uma aproxima&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica que, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XVI, se renovaria com    um novo matrimonial luso-imperial. Numa perspectiva portuguesa, muito em particular,    D. Afonso V conseguiu com o enlace imperial legitimar plenamente a dinastia    de Avis, abrindo caminho sob o seu governo para um ciclo em que Portugal, nas    palavras de Saul Ant&oacute;nio Gomes, &ldquo;viu intensificarem-se como nunca    as rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas na Cristandade&rdquo;<a href="#_ftn102" name="_ftnref102" title="">[102]</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p><b>Fontes</b></p>     <p>ALMEIDA, Lopo de &ndash; <i>Cartas de It&aacute;lia. </i>Ed. lit. Rodrigues    Lapa. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1935.</p>     <!-- ref --><p><i>Monumenta Henricina</i>. Dir., Org. e anota&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica    de Ant&oacute;nio Joaquim Dias Dinis. Vol. 9 (1445-1448); Vol. 10 (1449-1451);    Vol. 11 (1451-1454). Coimbra: Comiss&atilde;o Executiva das Comemora&ccedil;&otilde;es    do V Centen&aacute;rio da Morte do Infante D. Henrique, 1968-1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1495585&pid=S1646-740X201800020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>NOGUEIRA, Pedro &Aacute;lvares &ndash; <i>Livro das Vidas dos Bispos da S&eacute;    de Coimbra</i>. Coord. Manuel Augusto Rodrigues. Transc. Maria Teresa Nobre    Veloso. Coimbra: Arquivo da Universidade de Coimbra, 2003.</p>     <p>PINA, Rui de &ndash; <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina. </i>Introd. e rev.    de M. Lopes de Almeida. Porto: Lello &amp; Irm&atilde;o, 1977.</p>     <!-- ref --><p><i>Princesas de Portugal: contratos matrimoniais dos s&eacute;culos XV e XVI</i>.    Trad. Aires A. Nascimento. Lisboa: Cosmos, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1495589&pid=S1646-740X201800020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SANTAR&Eacute;M, Visconde de &ndash; <i>Quadro elementar das rela&ccedil;&otilde;es    pol&iacute;ticas e diplom&aacute;ticas de Portugal com as diversas pot&ecirc;ncias    do Mundo desde o princ&iacute;pio da Monarchia Portugueza at&eacute; aos nossos    dias ordenado e composto pelo Visconde de Santar&eacute;m</i>. Vol. 1. Pariz:    J. P. Aillaud, 1842.</p>     <!-- ref --><p><i>Trellado do liuro vermelho de tempo Dell Rey Dom afo[n]so o quinto</i>.    [1471]. Fonte manuscrita dispon&iacute;vel em: <a href="https://bdigital.sib.uc.pt/bg1/UCBG-Cofre-21/UCBG-Cofre-21_item1/index.html" target="_blank">https://bdigital.sib.uc.pt/bg1/UCBG-Cofre-21/UCBG-Cofre-21_item1/index.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1495592&pid=S1646-740X201800020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>VALCKENSTEIN, Nicolau Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz    da Alemanha: Di&aacute;rio de viagem do embaixador Nicolau Lanckman de Valckenstein.    </i>Trad. Aires A. Nascimento. Lisboa: Cosmos, 1992.</p>     <p><b>Estudos</b></p>     <p>ARA&Uacute;JO, Julieta &ndash; <i>Portugal e Castela na Idade M&eacute;dia</i>.    Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 2009.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ALMEIDA, Adriana R. de &ndash; <i>The marriage of Leonor of Portugal and Emperor    Frederick III: a case-study of politics and affection in the mid-fifteenth century</i>.    Londres: Royal Holloway, 2007. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado (n&atilde;o    publicada).<b></b></p>     <p>&ndash; &ldquo;Perspectiva sobre a hist&oacute;ria das emo&ccedil;&otilde;es.    O casamento de D. Leonor de Portugal com o imperador Frederico III&rdquo;. in    RODRIGUES, Ana Maria; SILVA, Manuela Santos; Faria, Ana Leal de (Coords.) &ndash;    <i>Casamentos da Fam&iacute;lia Real Portuguesa: diplomacia e cerimonial</i>.    Vol. 1. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2017, pp. 253-287.</p>     <p>ASKINS, Arthur L-F.; SCHAFFER, Martha E.; SHARRER, Harvey L. &ndash; &ldquo;A    New Set of <i>Cartas de It&aacute;lia</i> to Afonso V of Portugal from Lopo    de Almeida and Lu&iacute;s Goncalves Malafaia&rdquo;. <i>Romance Philology</i>    57 (2003), pp. 71-88.</p>     <p>BARRADAS, Alexandra Leal &ndash; &ldquo;D. Afonso, 4.&ordm; Conde de Our&eacute;m:    viagens, cultura visual e forma&ccedil;&atilde;o de um gosto&rdquo;. <i>Medievalista    on line</i> 2 (2006).</p>     <p>BASKINS, Cristelle &ndash; &ldquo;The Triumph of Marriage: Frederick III and    Leonora of Portugal, 1452&rdquo;. in <i>The Triumph of Marriage: Painted Casonni    of the Renaissance.</i> Boston: Isabella Stewart Gardner Museum, 2009, pp. 47-65.</p>     <p>COELHO, Maria Helena da Cruz &ndash; &ldquo;A pol&iacute;tica matrimonial da    dinastia de Avis: Leonor e Frederico III da Alemanha&rdquo;. <i>Revista Portuguesa    de Hist&oacute;ria</i> 36 (1) (2002-2003), pp. 41-70.</p>     <p>&ndash; <i>D. Jo&atilde;o I, o que re-colheu</i> <i>Boa Mem&oacute;ria</i>.    Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2005.</p>     <p>&ndash; <i>D. Leonor de Portugal: a imperatriz, 1434-1467</i>. Vila do Conde:    QuidNovi, 2011.</p>     <p>CORDEIRO, Luciano &ndash; <i>Portugueses fora de Portugal. Uma sobrinha do    Infante, Imperatriz da Allemanha e Rainha da Hungria</i>. Lisboa: Imprensa Nacional    - Casa da Moeda, 1894.</p>     <p>COSTA, Ant&oacute;nio Martins &ndash; <i>A Batalha de Toro e as rela&ccedil;&otilde;es    entre Portugal e Castela: dimens&otilde;es pol&iacute;ticas e militares</i>.    Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2011. Disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><i>Dicion&aacute;rio de Hist&oacute;ria de Portugal. </i>Dir. Joel Serr&atilde;o.    9 vols. Lisboa: Livraria Figueirinhas, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1495606&pid=S1646-740X201800020000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>DUARTE, Lu&iacute;s Miguel &ndash; <i>D. Duarte: requiem por um rei triste</i>.    Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2005.</p>     <p>FREITAS, Judite Antonieta Gon&ccedil;alves de &ndash; <i>&ldquo;Teemos por    bem e mandamos&rdquo;: a burocracia r&eacute;gia e os seus oficiais em meados    de Quatrocentos (1439-1460)</i>. 2 vol. Cascais: Patrimonia, 2001.</p>     <p>GOMES, Saul Ant&oacute;nio &ndash; <i>D. Afonso V, o Africano</i>. Lisboa:    C&iacute;rculo de Leitores, 2006.</p>     <p>HANREICH, Antonia &ndash; &ldquo;D. Leonor de Portugal, esposa do imperador    Frederico III (1436-1467)&rdquo;. in SCHEIDL, Ludwig; CAETANA, Jos&eacute; A.    Palma (Dirs.) &ndash; <i>Rela&ccedil;&otilde;es entre a &Aacute;ustria e Portugal.    Testemunhos hist&oacute;ricos e culturais</i>. Coimbra: Livraria Almedina, 1985,    pp. 3-27.</p>     <p>HERBERS, Klaus &ndash; &ldquo;El viaje a Portugal de los embajadores de Federico    III en el relato de Lanckmann y de otros cronistas&rdquo;. <i>Anuario de Estudios    Medievales</i> 32 (1) (2002), pp. 183-198.</p>     <p>HERNANDO, M&aacute;ximo Diago &ndash; <i>El Imperio en la Europa Medieval</i>.    Madrid: Arco Libro, 1996.</p>     <p>LE GOFF, Jacques &ndash; <i>A civiliza&ccedil;&atilde;o do ocidente medieval.    </i>Vol 1. Lisboa: Estampa, 1994.</p>     <p>LIMA, Henrique de Campos Ferreira &ndash; <i>D. Leonor de Portugal, filha d&rsquo;el    rei D. Duarte, imperatriz da Alemanha: notas iconogr&aacute;ficas</i>. Porto:    s. n, 1921.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LOPES, Mar&iacute;lia dos Santos &ndash; &ldquo;Rela&ccedil;&otilde;es de Portugal    com a Alemanha&rdquo;. in ALBUQUERQUE, Lu&iacute;s (Dir.) &ndash; <i>Dicion&aacute;rio    de Hist&oacute;ria dos Descobrimentos Portugueses. </i>Vol. 1. Lisboa: Caminho,    1994, pp. 44-48.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Ao servi&ccedil;o do Imp&eacute;rio: a nobilita&ccedil;&atilde;o    de estrangeiros na corte joanina e manuelina&rdquo;. in <i>Pequena Nobreza nos    Imp&eacute;rios Ib&eacute;ricos de Antigo Regime. </i>Lisboa: Instituto de Investiga&ccedil;&atilde;o    Cient&iacute;fica Tropical, 2012, pp. 1-8.</p>     <p>MACEDO, Jorge Borges de &ndash; <i>Hist&oacute;ria Diplom&aacute;tica Portuguesa:    constantes e linhas de for&ccedil;a. </i>Vol. 1. Lisboa: Tribuna da Hist&oacute;ria,    2006.</p>     <p>MARQUES, Ant&oacute;nio Henrique de Oliveira &ndash; <i>Hansa e Portugal na    Idade M&eacute;dia</i>. Lisboa: Presen&ccedil;a, 1993.</p>     <p>&ndash; ; SERR&Atilde;O, Joel (Dirs.) &ndash; <i>Nova Hist&oacute;ria de Portugal.    </i>Vol. 4. Lisboa: Presen&ccedil;a, 1987.</p>     <p>MENDON&Ccedil;A, Manuela &ndash; <i>As rela&ccedil;&otilde;es externas de Portugal    nos finais da Idade M&eacute;dia</i>. Lisboa: Colibri, 1994.</p>     <p>MONTEIRO, Nuno; RAMOS, Rui; SOUSA, Bernardo Vasconcelos e &ndash; <i>Hist&oacute;ria    de Portugal</i>. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2010.</p>     <p>MORENO, Humberto Baquero &ndash; <i>A Batalha e Alfarrobeira: antecedentes    e significado hist&oacute;rico</i>. Vol. 1. Coimbra: Universidade de Coimbra,    1979.</p>     <p>&ndash; &ldquo;O papel da diplomacia portuguesa no Tratado de Tordesilhas&rdquo;<i>.</i>    <i>Hist&oacute;ria - Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto</i>    12 (1995), pp. 135-150.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Portugal: do Mediterr&acirc;neo ao Atl&acirc;ntico, no s&eacute;culo    XV&rdquo;. <i>Hist&oacute;ria - Revista da Faculdade de Letras da Universidade    do Porto</i> 13 (1996), pp. 187-203.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>OLIVEIRA, Ant&oacute;nio Resende de &ndash; &ldquo;&rsquo;Mais de pedras que    de livros&rsquo;: D. Afonso, 4.&ordm; Conde de Our&eacute;m, e a cultura nobili&aacute;rquica    do seu tempo&rdquo;. in ANDR&Eacute;, Carlos Ascenso (Coord.) &ndash; <i>D.    Afonso, 4.&ordm; Conde de Our&eacute;m e a sua &eacute;poca</i>. Our&eacute;m:    C&acirc;mara Municipal de Our&eacute;m, 2004, pp. 293-310.</p>     <p>PAVIOT, Jacques &ndash; <i>Portugal et Bourgogne au XVe si&egrave;cle</i> (1384-1482)<i>.    </i>Lisboa: Comiss&atilde;o Nacional para as Comemora&ccedil;&otilde;es dos    Descobrimentos Portugueses; Paris; Centre Culturel Calouste Gulbenkian, 1995.</p>     <p>P&Eacute;QUIGNOT, Stephane &ndash; &ldquo;Les diplomaties occidentales, XIIIe-XVe    si&egrave;cles&rdquo;. <i>Les relations diplomatiques au Moyen &Acirc;ge. Formes    et enjeux.</i> <i>Actes du XLIe Congr&egrave;s de la SHMESP (Lyon, 3-6 juin    2010).</i> Paris: Publications de la Sorbonne (Histoire ancienne et m&eacute;di&eacute;vale),    2011, pp. 47-66.</p>     <p>&ndash; ; <i>et al.</i> &ndash; <i>Negociar en la Edad Media / N&eacute;gocier    au Moyen Age</i>. Barcelone: CSIC (Anejos del Anuario de Estudios Medievales,    61), 2005.</p>     <p>RAMOS, Manuel &ndash; &ldquo;Os membros da Gera&ccedil;&atilde;o de Avis: amizades,    inimizades e falta de exemplaridade&rdquo;. in <i>Symbolon I: Amor e Amizade</i>.    Porto: Universidade do Porto, 2009, pp. 91-114.</p>     <p>RAU, Virg&iacute;nia &ndash; &ldquo;Rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas    de Portugal durante o reinado de D. Afonso V&rdquo;. in <i>Estudos de Hist&oacute;ria    Medieval</i>. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a, 1986, pp. 66-80.</p>     <p>RODRIGUES, Ana Maria S. A. &ndash; &ldquo;For the honor of her lineage and    body: The dowers and dowries of some late medieval queens of Portugal&rdquo;.    <i>E-Journal of Portuguese History</i> 1 (5) (2007), pp. 1-13.</p>     <p>&ndash; <i>As tristes rainhas. Leonor de Arag&atilde;o. Isabel de Coimbra</i>.    Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2012.</p>     <p>RODRIGUES, Paula &ndash; &ldquo;A teia de Avis. Estrat&eacute;gias matrimoniais    para a legitima&ccedil;&atilde;o de uma dinastia. As primeiras gera&ccedil;&otilde;es    (1387-1430)&rdquo;. in RODRIGUES, Ana Maria S. A.; SILVA, Manuela Santos; FARIA,    Ana Leal de (Coords.) &ndash; <i>Casamentos da Fam&iacute;lia Real Portuguesa</i>.    Vol. 1. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2017, pp. 35-56.</p>     <p>SILVA, Manuela Santos &ndash; &ldquo;O casamento de D. Beatriz (filha natural    de D. Jo&atilde;o I) com Thomas Fitzalan (Conde de Arundel): paradigma documental    da negocia&ccedil;&atilde;o de uma alian&ccedil;a&rdquo;. in FARIA, Ana Leal    de; BRAGA, Isabel Drumond (Coords.) &ndash; <i>Problematizar a Hist&oacute;ria:    estudos de Hist&oacute;ria Moderna em homenagem a Maria do Ros&aacute;rio Themudo    Barata</i>. Casal de Cambra: Caleidosc&oacute;pio, 2007, pp. 77-92.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SOUSA, Armindo de &ndash; <i>As Cortes medievais portuguesas (1385-1490). </i>Vol.    1. Porto: Instituto Nacional de Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica,    1990.</p>     <p>SOUSA, Bernardo Vasconcelos e; PIZARRO, Jos&eacute; Augusto de Sotto Mayor    &ndash; &ldquo;O casamento&rdquo;. in MATTOSO, Jos&eacute; (Dir), SOUSA, Bernardo    Vasconcelos e (Coord.) &ndash; <i>Hist&oacute;ria da Vida Privada em Portugal.    A Idade M&eacute;dia</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores e Temas e Debates,    2010.</p>     <p>STRASEN, E. A.; G&Acirc;NDARA, Alfredo &ndash; &ldquo;Uma portuguesa imperatriz    da Alemanha&rdquo;. in <i>Oito s&eacute;culos de hist&oacute;ria luso-alem&atilde;.    </i>Lisboa: Instituto Ibero-Americano de Berlim, 1944, pp. 69-90.</p>     <p>VITERBO, Sousa &ndash; <i>D. Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: notas    documentadas para o estudo biografico d&rsquo;esta princesa e para a historia    das rela&ccedil;&otilde;es da Corte de Portugal com a Casa da Austria. </i>Lisboa:    Of. Tip. Cal&ccedil;ada do Cabra 7, 1910.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>COSTA, Ant&oacute;nio Martins &ndash; &ldquo;O casamento de Leonor e Frederico    III (1451-1452) e as rela&ccedil;&otilde;es entre Portugal e o Sacro Imp&eacute;rio    nos finais da Idade M&eacute;dia&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm;    24 (Julho &ndash; Dezembro 2018). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel    em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA24/costa2405.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA24/costa2405.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 23 de mar&ccedil;o de 2017</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Data aceita&ccedil;&atilde;o do artigo: 17 de maio de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a> SOUSA, Bernardo Vasconcelos    e; PIZARRO, Jos&eacute; Augusto de Sotto Mayor &ndash; &ldquo;O casamento&rdquo;.    in MATTOSO, Jos&eacute; (Dir.), SOUSA, Bernardo Vasconcelos e (Coord.) &ndash;    <i>Hist&oacute;ria da Vida Privada em Portugal. A Idade M&eacute;dia</i>. Lisboa:    C&iacute;rculo de Leitores e Temas e Debates, 2010, p. 127.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a> SANTAR&Eacute;M, Visconde    de &ndash; <i>Quadro elementar das rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e    diplom&aacute;ticas de Portugal com as diversas pot&ecirc;ncias do Mundo desde    o princ&iacute;pio da Monarchia Portugueza at&eacute; aos nossos dias ordenado    e composto pelo Visconde de Santar&eacute;m</i>. Vol. 1. Pariz: J. P. Aillaud,    1842.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a> VITERBO, Sousa &ndash; <i>D.    Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: notas documentadas para o estudo    biografico d&rsquo;esta princesa e para a historia das rela&ccedil;&otilde;es    da Corte de Portugal com a Casa da Austria. </i>Lisboa: Of. Tip. Cal&ccedil;ada    do Cabra 7, 1910.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a> STRASEN, E. A.; G&Acirc;NDARA,    Alfredo &ndash; &ldquo;Uma portuguesa imperatriz da Alemanha&rdquo;. in <i>Oito    s&eacute;culos de hist&oacute;ria luso-alem&atilde;. </i>Lisboa: Instituto Ibero-Americano    de Berlim, 1944, pp. 69-90.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a> HANREICH, Antonia &ndash;    &ldquo;D. Leonor de Portugal, esposa do imperador Frederico III (1436-1467)&rdquo;.    in SCHEIDL, Ludwig; CAETANA, Jos&eacute; A. Palma (Dirs.) &ndash; <i>Rela&ccedil;&otilde;es    entre a &Aacute;ustria e Portugal. Testemunhos hist&oacute;ricos e culturais</i>.    Coimbra: Livraria Almedina, 1985, pp. 3-27.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a> COELHO, Maria Helena da Cruz    &ndash; &ldquo;A pol&iacute;tica matrimonial da dinastia de Avis: Leonor e Frederico    III da Alemanha&rdquo;. <i>Revista Portuguesa de Hist&oacute;ria</i> 36 (1)    (2002-2003), pp. 41-70.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a> ALMEIDA, Adriana R. de &ndash;    <i>The marriage of Leonor of Portugal and Emperor Frederick III: a case-study    of politics and affection in the mid-fifteenth century</i>. Londres: Royal Holloway,    2007. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado (n&atilde;o publicada). Mais recentemente,    da mesma autora, foi publicado o cap&iacute;tulo: &ldquo;Perspectiva sobre a    hist&oacute;ria das emo&ccedil;&otilde;es. O casamento de D. Leonor de Portugal    com o imperador Frederico III&rdquo;. in RODRIGUES, Ana Maria; SILVA, Manuela    Santos; FARIA, Ana Leal de (Coords.) &ndash; <i>Casamentos da Fam&iacute;lia    Real Portuguesa: diplomacia e cerimonial</i>. Vol. 1. Lisboa: C&iacute;rculo    de Leitores, 2017, pp. 253-287.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a> BRANCO, Maria Jo&atilde;o,    FARELO, M&aacute;rio &ndash; &ldquo;Diplomatic Relations: Portugal and the Others&rdquo;.    in MATTOSO, Jos&eacute; (Dir.); ROSA, Maria de Lurdes; SOUSA, Bernardo Vasconcelos    e; BRANCO, Maria Jo&atilde;o (Coord.) &ndash; <i>The historiography of medieval    Portugal, c. 1950-2010. </i>Lisboa: Instituto de Estudos Medievais, 2011, pp.    251-259.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a> MACEDO, Jorge Borges de &ndash;    <i>Hist&oacute;ria Diplom&aacute;tica Portuguesa: constantes e linhas de for&ccedil;a.    </i>Vol. 1. Lisboa: Tribuna da Hist&oacute;ria, 2006, pp. 67-72.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">[10]</a> LE GOFF, Jacques &ndash;    <i>A Civiliza&ccedil;&atilde;o do Ocidente Medieval</i>. Vol. 1. Lisboa: Editorial    Estampa, 1983, pp. 141-145.</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">[11]</a> RODRIGUES, Ana Maria S.    A. &ndash; &ldquo;For the honor of her lineage and body: The dowers and dowries    of some late medieval queens of Portugal&rdquo;. <i>E-Journal of Portuguese    History</i> 1 (5) (2007), pp. 1-2.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">[12]</a> O esfor&ccedil;o de legitima&ccedil;&atilde;o    da dinastia de Avis, institu&iacute;da ao arrepio da leg&iacute;tima sucess&atilde;o    de D. Fernando I, passou nas suas primeiras d&eacute;cadas, concomitantemente    aos projectos matrimoniais, por uma pol&iacute;tica de propaganda r&eacute;gia    patente na arquitectura, na escultura, na cron&iacute;stica e na literatura,    que decorria sob um centralismo governativo da Coroa, de cuja afirma&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o se pode separar ainda o acontecimento guerreiro da tomada da isl&acirc;mica    Ceuta, em &Aacute;frica, no ano de 1415. Veja-se COELHO, Maria Helena da Cruz    &ndash; <i>D. Jo&atilde;o I, o que re-colheu</i> <i>Boa Mem&oacute;ria</i>.    Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2005.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">[13]</a> Vi&uacute;va de Sir Thomas    Fitzalen em 1415, D. Brites viria a contrair um segundo matrim&oacute;nio em    Inglaterra, em 1432, ao desposar John Holland, conde de Huntingdon. Veja-se    SILVA, Manuela Santos &ndash; &ldquo;O casamento de D. Beatriz (filha natural    de D. Jo&atilde;o I) com Thomas Fitzalan (Conde de Arundel): paradigma documental    da negocia&ccedil;&atilde;o de uma alian&ccedil;a&rdquo;. in FARIA, Ana Leal    de; BRAGA, Isabel Drumond (Coords.) &ndash; <i>Problematizar a Hist&oacute;ria:    estudos de Hist&oacute;ria Moderna em homenagem a Maria do Ros&aacute;rio Themudo    Barata</i>. Casal de Cambra: Caleidosc&oacute;pio, 2007, pp. 77-92.</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">[14]</a> COSTA, Ant&oacute;nio    Martins &ndash; <i>A Batalha de Toro e as rela&ccedil;&otilde;es entre Portugal    e Castela: dimens&otilde;es pol&iacute;ticas e militares</i>. Lisboa: Faculdade    de Letras da Universidade de Lisboa, 2011. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado,    pp. 39-40; MARQUES, A. H. de Oliveira; SERR&Atilde;O, Joel (Dirs.) &ndash; <i>Nova    Hist&oacute;ria de Portugal. </i>Vol. 4. Lisboa: Presen&ccedil;a, 1987, pp.    530-548; RODRIGUES, Paula &ndash; &ldquo;A teia de Avis. Estrat&eacute;gias    matrimoniais para a legitima&ccedil;&atilde;o de uma dinastia. As primeiras    gera&ccedil;&otilde;es (1387-1430)&rdquo;. in RODRIGUES, Ana Maria S. A.; SILVA,    Manuela Santos; FARIA, Ana Leal de (Coords.) &ndash; <i>Casamentos da Fam&iacute;lia    Real Portuguesa</i>. Vol. 1. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2017, pp. 35-56.</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">[15]</a> DUARTE, Lu&iacute;s Miguel    &ndash; <i>D. Duarte: requiem por um rei triste</i>. Lisboa: C&iacute;rculo    de Leitores, 2005, pp. 253-256.</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">[16]</a> ARA&Uacute;JO, Julieta    &ndash; <i>Portugal e Castela na Idade M&eacute;dia</i>.Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es    Colibri, 2009, pp. 153-195; MORENO, Humberto Baquero &ndash; <i>A Batalha e    Alfarrobeira: antecedentes e significado hist&oacute;rico</i>. Coimbra: Universidade    de Coimbra, 1979, pp. 191-239.</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">[17]</a> CORDEIRO, Luciano &ndash;    <i>Portugueses fora de Portugal. Uma sobrinha do Infante, Imperatriz da Allemanha    e Rainha da Hungria</i>. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1894, p.    38.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">[18]</a> Note-se que D. Pedro gozaria    de uma certa proximidade junto dos descendentes de Segismundo III, uma vez que,    ap&oacute;s a conquista de Ceuta, servira o imperador na luta contra os turcos    otomanos. Fora justamente nesse contexto que Segismundo o fizera senhor da marca    de Treviso em 1418. Veja-se MARQUES, A. H. de Oliveira; SERR&Atilde;O, Joel    (Dirs.) &ndash; <i>Nova Hist&oacute;ria de Portugal. </i>Lisboa: Presen&ccedil;a,    1987,vol. 4, p. 546.</p>     <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">[19]</a> MORENO, Humberto Baquero    &ndash; <i>A Batalha de Alfarrobeira</i>, vol. 1, p. 323.</p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">[20]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;Cr&oacute;nica    de D. Afonso V&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina. </i>Introd. e rev.    de M. Lopes de Almeida. Porto: Lello &amp; Irm&atilde;o, 1977, cap. LXXVIII-CXXII,    pp. 698-749.</p>     <p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title="">[21]</a> <i>Monumenta Henricina</i>.    Dir, org. e anota&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de Ant&oacute;nio Joaquim    Dias Dinis. Vol. 9 (1445-1448). Coimbra: Comiss&atilde;o Executiva das Comemora&ccedil;&otilde;es    do V Centen&aacute;rio da Morte do Infante D. Henrique, 1968, docs. 203-206.</p>     <p><a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title="">[22]</a> MARQUES, A. H. de Oliveira;    SERR&Atilde;O, Joel (Dirs.) &ndash; <i>Nova Hist&oacute;ria de Portugal. </i>Lisboa:    Presen&ccedil;a, 1987,vol. 4, pp. 330-332.</p>     <p><a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title="">[23]</a> DIAGO HARNANDO, M&aacute;ximo    &ndash; <i>El Imperio de la Europa Medieval. </i>Madrid: Arco Libros, 1996,    p. 57.</p>     <p><a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title="">[24]</a> Segundo Antonia Hanreich,    em 1448 Frederico III somava j&aacute; tr&ecirc;s tentativas matrimoniais abortadas,    uma delas visando uma princesa francesa, outra a filha do anti-papa F&eacute;lix    V e, por fim, a vi&uacute;va do antigo imperador Alberto II, Isabel, m&atilde;e    do jovem Ladislau do Luxemburgo, com quem D. Isabel da Borgonha e o infante    D. Pedro tinham procurado casar a infanta D. Joana. Veja-se HANREICH, Antonia    &ndash; &ldquo;D. Leonor de Portugal&rdquo;, p. 5.</p>     <p><a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title="">[25]</a> ALMEIDA, Adriana R. de    &ndash; &ldquo;Perspectiva sobre a hist&oacute;ria das emo&ccedil;&otilde;es&rdquo;,    p. 261; STRASEN, E. A., G&Acirc;NDARA, Alfredo &ndash; &ldquo;Uma portuguesa    imperatriz da Alemanha&rdquo;, p. 69.</p>     <p><a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title="">[26]</a> SOUSA, Bernardo Vasconcelos    e &ndash; &ldquo;O in&iacute;cio da expans&atilde;o ultramarina&rdquo;. in MONTEIRO,    Nuno; RAMOS, Rui; SOUSA, Bernardo Vasconcelos e &ndash; <i>Hist&oacute;ria de    Portugal</i>. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2010, pp. 183-196.</p>     <p><a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title="">[27]</a> A carta do rei de Arag&atilde;o    e N&aacute;poles a que nos referimos, destinada &agrave; infanta D. Leonor,    data de 18 de Janeiro de 1451, j&aacute; numa fase mais adiantada do seu processo    matrimonial. Veja-se <i>Monumenta Henricina</i>. Vol. 11 (1451-1454), doc. 1.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title="">[28]</a> Pouco se conhece do percurso    infantil e juvenil de D. Leonor. &Oacute;rf&atilde; de pai aos quatro anos e    separada da m&atilde;e aos seis, aquando da sua partida para o ex&iacute;lio    em Castela, sabe-se que foi entregue pelo regente D. Pedro a D. Guiomar de Castro,    mulher de D. &Aacute;lvaro Gon&ccedil;alves de Ata&iacute;de, que serviu a infanta    como aia. Quando atingiu a maioridade dos catorze anos, D. Leonor disp&ocirc;s    de casa pr&oacute;pria, com donzelas, oficiais e criados, embora tenha continuado    a residir com as irm&atilde;s D. Catarina e D. Joana no pa&ccedil;o de S. Bartolomeu,    em Lisboa. Veja-se COELHO, Maria Helena da Cruz &ndash; <i>D. Leonor de Portugal:    a imperatriz, 1434-1467</i>. Vila do Conde: QuidNovi, 2011, pp. 16-22.</p>     <p><a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title="">[29]</a> A respeito do nascimento    das duas filhas mais novas de D. Duarte e D. Leonor da Arag&atilde;o, sabemos    que D. Catarina foi dada a luz a 25 de Novembro de 1436 e D. Joana a 20 de Mar&ccedil;o    de 1439. Veja-se RODRIGUES, Ana Maria S. A. &ndash; <i>As tristes rainhas. Leonor    de Arag&atilde;o. Isabel de Coimbra</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores,    2012, pp. 105-107.</p>     <p><a href="#_ftnref30" name="_ftn30" title="">[30]</a> MORENO, Humberto Baquero    &ndash; <i>A Batalha e Alfarrobeira</i>, vol 1, pp. 403-428.</p>     <p><a href="#_ftnref31" name="_ftn31" title="">[31]</a> PAVIOT, Jacques &ndash;    <i>Portugal et Bourgogne au XVe si&egrave;cle</i> (1384-1482)<i>. </i>Lisboa:    Comiss&atilde;o Nacional para as Comemora&ccedil;&otilde;es dos Descobrimentos    Portugueses; Paris: Centre Culturel Calouste Gulbenkian, 1995, pp. 44-45.</p>     <p><a href="#_ftnref32" name="_ftn32" title="">[32]</a> MARQUES, Ant&oacute;nio    Henrique de Oliveira; SERR&Atilde;O, Joel (Dirs.) &ndash; <i>Nova Hist&oacute;ria    de Portugal. </i>Vol. 4, p. 326.</p>     <p><a href="#_ftnref33" name="_ftn33" title="">[33]</a> MARQUES, A. H. de Oliveira    &ndash; <i>Hansa e Portugal na Idade M&eacute;dia</i>. Lisboa: [s. n.], 1959,    pp. 34-61.</p>     <p><a href="#_ftnref34" name="_ftn34" title="">[34]</a> No contexto da complexifica&ccedil;&atilde;o    da pr&aacute;tica da diplomacia nos finais da Idade M&eacute;dia, conseguimos    observar atrav&eacute;s do <i>Livro Vermelho</i>, que data de 1471, como ao    sacro imperador era reconhecida preced&ecirc;ncia sobre todos os monarcas, doges    e senhores ao n&iacute;vel do tratamento epistolar e da recep&ccedil;&atilde;o    de embaixadas. Veja-se <i>Trellado do liuro vermelho de tempo Dell Rey Dom afo[n]so    o quinto</i>. [1471]., fl. 24 v. Fonte manuscrita dispon&iacute;vel em: <a href="https://bdigital.sib.uc.pt/bg1/UCBG-Cofre-21/UCBG-Cofre-21_item1/index.html" target="_blank">https://bdigital.sib.uc.pt/bg1/UCBG-Cofre-21/UCBG-Cofre-21_item1/index.html</a></p>     <p><a href="#_ftnref35" name="_ftn35" title="">[35]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cr&oacute;nica    de D. Afonso V&rdquo;</i>. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXI,    p. 759.</p>     <p><a href="#_ftnref36" name="_ftn36" title="">[36]</a> Segundo E. A. Strasen    e Alfredo G&acirc;ndara, mais que a descri&ccedil;&atilde;o das virtudes psicol&oacute;gicas    de D. Leonor, ter&aacute; sido o retrato da infanta executado pelo pintor que    acompanhou a embaixada imperial na viragem de 1448 para 1449 a impressionar    Frederico III, rendido &agrave; beleza meridional da princesa. Veja-se STRASEN,    E. A.; G&Acirc;NDARA, Alfredo<i> &ndash; </i>&ldquo;Uma portuguesa imperatriz    da Alemanha&rdquo;, p. 69.</p>     <p><a href="#_ftnref37" name="_ftn37" title="">[37]</a> PINA, Rui de &ndash; <i>&ldquo;Cr&oacute;nica    de D. Afonso V&rdquo;. </i>in<i> Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXI,    p. 759.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref38" name="_ftn38" title="">[38]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; <i>D. Leonor de Portugal, a imperatriz (1434-1467)</i>, p. 27.</p>     <p><a href="#_ftnref39" name="_ftn39" title="">[39]</a> <i>Princesas de Portugal:    contratos matrimoniais dos s&eacute;culos XV e XVI</i>. Trad. Aires A. Nascimento.    Lisboa: Cosmos, 1992, pp. 65-66.</p>     <p><a href="#_ftnref40" name="_ftn40" title="">[40]</a> Filho do desembargador    e chanceler-mor de D. Jo&atilde;o I, doutor Fernando Afonso Silveira, Jo&atilde;o    Fernandes da Silveira seguiu as pegadas do pai com uma not&aacute;vel carreira    na burocracia r&eacute;gia. Formado em leis, foi desembargador, vice-chanceler,    chanceler-mor, chanceler da Casa do C&iacute;vel e regedor da Casa da Suplica&ccedil;&atilde;o    no reinado de D. Afonso V. Pela sua reconhecida compet&ecirc;ncia, arg&uacute;cia    e lealdade, o monarca confiou-lhe por cerca de dez vezes a miss&atilde;o de    o representar em cortes estrangeiras. Veja-se RAU, Virg&iacute;nia &ndash; &ldquo;Rela&ccedil;&otilde;es    diplom&aacute;ticas de Portugal durante o reinado de D. Afonso V&rdquo;. in    <i>Estudos de Hist&oacute;ria Medieval</i>. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a,    1986, p. 71. Veja-se ainda, para um conhecimento mais profundo do oficialato    r&eacute;gio em meados de Quatrocentos: FREITAS, Judite Antonieta Gon&ccedil;alves    de &ndash; <i>&ldquo;Teemos por bem e mandamos&rdquo;: a burocracia r&eacute;gia    e os seus oficiais em meados de Quatrocentos (1439-1460)</i>. 2 vol. Cascais:    Patrimonia, 2001.</p>     <p><a href="#_ftnref41" name="_ftn41" title="">[41]</a> <i>Princesas de Portugal:    contratos matrimoniais dos s&eacute;culos XV e XVI</i>, p. 65.</p>     <p><a href="#_ftnref42" name="_ftn42" title="">[42]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; &ldquo;A pol&iacute;tica matrimonial da dinastia de Avis&rdquo;,    p. 48.</p>     <p><a href="#_ftnref43" name="_ftn43" title="">[43]</a> <i>Princesas de Portugal:    contratos matrimoniais dos s&eacute;culos XV e XVI</i>, pp. 63-67.</p>     <p><a href="#_ftnref44" name="_ftn44" title="">[44]</a> HANREICH, Antonia &ndash;    &ldquo;D. Leonor de Portugal&rdquo;, p. 14.</p>     <p><a href="#_ftnref45" name="_ftn45" title="">[45]</a> <i>Princesas de Portugal:    contratos matrimoniais dos s&eacute;culos XV e XVI</i>, p. 67.</p>     <p><a href="#_ftnref46" name="_ftn46" title="">[46]</a> <i>Princesas de Portugal:    contratos matrimoniais dos s&eacute;culos XV e XVI</i>, pp. 67-69.</p>     <p><a href="#_ftnref47" name="_ftn47" title="">[47]</a> O cumprimento do dote,    ao contr&aacute;rio do estabelecido, arrastar-se-ia ao longo de d&eacute;cadas,    acabando de ser totalmente pago quando passavam mais de trinta anos sobre o    casamento, em 1487, com a entrega de 28.000 ducados de ouro, adiantados pelo    mercador Duarte Brand&atilde;o a D. Jo&atilde;o II, junto de Maximiliano, ainda    herdeiro do Sacro Imp&eacute;rio. Veja-se VITERBO, Sousa &ndash; <i>D. Leonor    de Portugal, imperatriz da Alemanha</i>, pp. 36-41.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref48" name="_ftn48" title="">[48]</a> <i>Princesas de Portugal:    contratos matrimoniais dos s&eacute;culos XV e XVI</i>, pp. 89-93.</p>     <p><a href="#_ftnref49" name="_ftn49" title="">[49]</a> <i>Princesas de Portugal:    contratos matrimoniais dos s&eacute;culos XV e XVI</i>, pp. 63-86.</p>     <p><a href="#_ftnref50" name="_ftn50" title="">[50]</a> SOUSA, Armindo de &ndash;    <i>As Cortes medievais portuguesas (1385-1490). </i>Vol. 1. Porto: Instituto    Nacional de Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, 1990, p. 372.</p>     <p><a href="#_ftnref51" name="_ftn51" title="">[51]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cr&oacute;nica    de D. Afonso V&rdquo;. in Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXI, p.    759.</p>     <p><a href="#_ftnref52" name="_ftn52" title="">[52]</a> MORENO, Humberto Baquero    &ndash; <i>A Batalha e Alfarrobeira,</i> vol. 2, p. 229.</p>     <p><a href="#_ftnref53" name="_ftn53" title="">[53]</a> SOUSA, Armindo de &ndash;    <i>As Cortes medievais portuguesas (1385-1490)</i>, pp. 372-373.</p>     <p><a href="#_ftnref54" name="_ftn54" title="">[54]</a> <i>Princesas de Portugal:    contratos matrimoniais dos s&eacute;culos XV e XVI</i>, pp. 85-87.</p>     <p><a href="#_ftnref55" name="_ftn55" title="">[55]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio    de viagem do embaixador Nicolau Lanckmen de Valckenstein. </i>Trad. Aires A.    Nascimento. Lisboa: Cosmos, 1992, p. 18.</p>     <p><a href="#_ftnref56" name="_ftn56" title="">[56]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; <i>D. Leonor de Portugal, a imperatriz (1434-1467)</i>,p. 32.</p>     <p><a href="#_ftnref57" name="_ftn57" title="">[57]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cr&oacute;nica    de D. Afonso V</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXI,    p. 759.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref58" name="_ftn58" title="">[58]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio</i>,    pp. 19-25.</p>     <p><a href="#_ftnref59" name="_ftn59" title="">[59]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cr&oacute;nica    de D. Afonso V</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXI,    p. 760.</p>     <p><a href="#_ftnref60" name="_ftn60" title="">[60]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio</i>,    pp. 28-29.</p>     <p><a href="#_ftnref61" name="_ftn61" title="">[61]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cr&oacute;nica    de D. Afonso V</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXI,    p. 760.</p>     <p><a href="#_ftnref62" name="_ftn62" title="">[62]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio</i>,    p. 29.</p>     <p><a href="#_ftnref63" name="_ftn63" title="">[63]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio</i>,    p. 31.</p>     <p><a href="#_ftnref64" name="_ftn64" title="">[64]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio</i>,    p. 31.</p>     <p><a href="#_ftnref65" name="_ftn65" title="">[65]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cr&oacute;nica    de D. Afonso V</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXI,    p. 760.</p>     <p><a href="#_ftnref66" name="_ftn66" title="">[66]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cr&oacute;nica    de D. Afonso V</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXI,    p. 760.</p>     <p><a href="#_ftnref67" name="_ftn67" title="">[67]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio</i>,p.    31.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref68" name="_ftn68" title="">[68]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;Cr&oacute;nica    de D. Afonso V&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXI,    p. 761.</p>     <p><a href="#_ftnref69" name="_ftn69" title="">[69]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio</i>,    p. 33.</p>     <p><a href="#_ftnref70" name="_ftn70" title="">[70]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; <i>D. Leonor de Portugal, a imperatriz (1434-1467)</i>, p. 38.</p>     <p><a href="#_ftnref71" name="_ftn71" title="">[71]</a> RAMOS, Manuel &ndash;    &ldquo;Os membros da Gera&ccedil;&atilde;o de Avis: amizades, inimizades e falta    de exemplaridade&rdquo;. in <i>Symbolon I: Amor e Amizade</i>. Porto: Universidade    do Porto, 2009, pp. 102-106</p>     <p><a href="#_ftnref72" name="_ftn72" title="">[72]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; <i>D. Leonor de Portugal, a imperatriz (1434-1467)</i>, pp. 40-41.</p>     <p><a href="#_ftnref73" name="_ftn73" title="">[73]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio</i>,    p. 33.</p>     <p><a href="#_ftnref74" name="_ftn74" title="">[74]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; <i>D. Leonor de Portugal, a imperatriz (1434-1467)</i>, p. 47.</p>     <p><a href="#_ftnref75" name="_ftn75" title="">[75]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; &ldquo;A pol&iacute;tica matrimonial da dinastia de Avis&rdquo;,    pp. 54-56.</p>     <p><a href="#_ftnref76" name="_ftn76" title="">[76]</a> O documento que identifica    a carraca que transportou D. Leonor, constante da chancelaria de D. Jo&atilde;o    II, encontra-se transcrito em: VITERBO, Sousa &ndash; <i>D. Leonor de Portugal,    imperatriz da Alemanha</i>, p. 8.</p>     <p><a href="#_ftnref77" name="_ftn77" title="">[77]</a> A escolha de D. Afonso    para chefiar a comitiva portuguesa poderia estar relacionada, em parte, com    o facto de j&aacute; ter liderado uma importante embaixada na Pen&iacute;nsula    It&aacute;lica, aquando do Conc&iacute;lio de Basileia. Veja-se OLIVEIRA, Ant&oacute;nio    Resende de &ndash; &ldquo;&rsquo;Mais de pedras que de livros&rsquo;: D. Afonso,    4.&ordm; Conde de Our&eacute;m, e a cultura nobili&aacute;rquica do seu tempo&rdquo;.    in ANDR&Eacute;, Carlos Ascenso (Coord.) &ndash; <i>D. Afonso, 4.&ordm; Conde    de Our&eacute;m e a sua &eacute;poca</i>. Our&eacute;m: C&acirc;mara Municipal    de Our&eacute;m, 2004, pp. 293-310.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref78" name="_ftn78" title="">[78]</a> <a name="_Hlk514108465">COELHO,    Maria Helena da Cruz &ndash; &ldquo;A pol&iacute;tica matrimonial da dinastia    de Avis&rdquo;, p. </a>57.</p>     <p><a href="#_ftnref79" name="_ftn79" title="">[79]</a> PINA, Rui de &ndash; <i>&ldquo;Cr&oacute;nica    de D. Afonso V&rdquo;. </i>in<i> Cr&oacute;nicas de Rui de Pina,</i> cap. CXXXII,    p. 762; VALCKENSTEIN, Nicolau Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz    da Alemanha: Di&aacute;rio,</i> pp. 51-69.</p>     <p><a href="#_ftnref80" name="_ftn80" title="">[80]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio,    </i>p. 69.</p>     <p><a href="#_ftnref81" name="_ftn81" title="">[81]</a> Elaborada no quadro de    um aut&ecirc;ntico &ldquo;servi&ccedil;o de informa&ccedil;&otilde;es&rdquo;    da diplomacia portuguesa, a carta em que D. Lopo de Almeida descreve o encontro    entre D. Leonor e Frederico III para D. Afonso V, data de 28 de Fevereiro de    1452. Veja-se ALMEIDA, Lopo de &ndash; <i>Cartas de It&aacute;lia. </i>Ed. lit.    Rodrigues Lapa. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1935, pp. 1-5. Mais    recentemente, vieram a ser descobertas mais cinco cartas enviadas desta viagem    para o rei portugu&ecirc;s de D. Lopo de Almeida (tr&ecirc;s das quais repetidas;    duas verdadeiramente novas) e uma outra de Lu&iacute;s Gon&ccedil;alves Malafaia.    Veja-se &ndash; ASKINS, Arthur L-F.; SCHAFFER, Martha E.; SHARRER, Harvey L.    &ndash; &ldquo;A New Set of <i>Cartas de It&aacute;lia</i> to Afonso V of Portugal    from Lopo de Almeida and Lu&iacute;s Goncalves Malafaia&rdquo;. <i>Romance Philology</i>    57 (2003), pp. 71-88.</p>     <p><a href="#_ftnref82" name="_ftn82" title="">[82]</a> Para observar a obra do    pintor Bernardino di Betti (1454-1513), mais conhecido por Pinturicchio, veja-se    a <a href="#f3">Figura 3</a> deste trabalho. Note-se que, depois desta pintura, foram produzidos    em It&aacute;lia outros trabalhos iconogr&aacute;ficos alusivos a este matrim&oacute;nio,    designadamente: um painel conservado em Bath (destru&iacute;do durante a Segunda    Guerra Mundial), em Inglaterra, de que s&oacute; resta uma fotografia a preto    e branco, representando a chegada de Leonor por navio no ent&atilde;o porto    de Pisa; e uma outra pintura, hoje no Museu de Arte de Worcester, em Massachusetts,    apresentando um painel frontal e dois pain&eacute;is laterais que representam    cenas da &eacute;poca do casamento e da coroa&ccedil;&atilde;o em Roma. Veja-se    BASKINS, Cristelle &ndash; &ldquo;The Triumph of Marriage: Frederick III and    Leonora of Portugal, 1452&rdquo;. in <i>The Triumph of Marriage: Painted Casonni    of the Renaissance.</i> Boston: Isabella Stewart Gardner Museum, 2009, pp. 47-65.</p>     <p><a href="#_ftnref83" name="_ftn83" title="">[83]</a> ALMEIDA, Lopo de &ndash;    <i>Cartas de It&aacute;lia</i>, p. 3.</p>     <p><a href="#_ftnref84" name="_ftn84" title="">[84]</a> ALMEIDA, Lopo de &ndash;    <i>Cartas de It&aacute;lia</i>, p. 5.</p>     <p><a href="#_ftnref85" name="_ftn85" title="">[85]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; &ldquo;A pol&iacute;tica matrimonial da dinastia de Avis&rdquo;,    p. 62.</p>     <p><a href="#_ftnref86" name="_ftn86" title="">[86]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cr&oacute;nica    de D. Afonso V</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina,</i> cap. CXXXII,    p. 762.</p>     <p><a href="#_ftnref87" name="_ftn87" title="">[87]</a> ALMEIDA, Lopo de &ndash;    <i>Cartas de It&aacute;lia</i>, pp. 6-20</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref88" name="_ftn88" title="">[88]</a> ALMEIDA, Lopo de &ndash;    <i>Cartas de It&aacute;lia</i>,p. 12.</p>     <p><a href="#_ftnref89" name="_ftn89" title="">[89]</a> PINA, Rui de &ndash; &ldquo;<i>Cr&oacute;nica    de D. Afonso V</i>&rdquo;. in <i>Cr&oacute;nicas de Rui de Pina</i>, cap. CXXXIII,    p. 764.</p>     <p><a href="#_ftnref90" name="_ftn90" title="">[90]</a> VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio,</i>    p. 77.</p>     <p><a href="#_ftnref91" name="_ftn91" title="">[91]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; &ldquo;A pol&iacute;tica matrimonial da dinastia de Avis&rdquo;,    pp. 64-65.</p>     <p><a href="#_ftnref92" name="_ftn92" title="">[92]</a> Nicolau Lanckman, a respeito    da consuma&ccedil;&atilde;o do matrim&oacute;nio, limita-se a referir que, ornamentado    o quarto nupcial, os esposos ficaram a s&oacute;s. Veja-se VALCKENSTEIN, Nicolau    Lanckman de &ndash; <i>Leonor de Portugal, imperatriz da Alemanha: Di&aacute;rio</i>,    p. 81.</p>     <p><a href="#_ftnref93" name="_ftn93" title="">[93]</a> A carta de D. Lopo de    Almeida ao rei relatando a consuma&ccedil;&atilde;o do matrim&oacute;nio data    de dois dias depois do acto, 18 de Abril de 1452, assim atestando a sua import&acirc;ncia.    Veja-se ALMEIDA, Lopo de &ndash; <i>Cartas de It&aacute;lia</i>, p. 28.</p>     <p><a href="#_ftnref94" name="_ftn94" title="">[94]</a> ALMEIDA, Lopo de &ndash;    <i>Cartas de It&aacute;lia</i>, pp. 21-31.</p>     <p><a href="#_ftnref95" name="_ftn95" title="">[95]</a> Adriana Almeida, que estudou    a vida de D. Leonor no Imp&eacute;rio, refere que a irm&atilde; de D. Afonso    V tinha um espirito jovial, comunicativo e impulsivo, por oposi&ccedil;&atilde;o    a um marido que se revelava circunspecto, ponderado e calculista. Segundo a    mesma autora, embora a imperatriz n&atilde;o deva ter sido v&iacute;tima de    maus tratos f&iacute;sicos, parece evidente que sofreu de falta de apoio e conforto    de gente familiar, a avaliar pelas suas cartas para o rei portugu&ecirc;s. Veja-se    ALMEIDA, Adriana R. de &ndash; &ldquo;Perspectiva sobre a hist&oacute;ria das    emo&ccedil;&otilde;es&rdquo;, pp. 268-275.</p>     <p><a href="#_ftnref96" name="_ftn96" title="">[96]</a> COELHO, Maria Helena da    Cruz &ndash; <i>D. Leonor de Portugal, a imperatriz (1434-1467)</i>, pp. 79-88.</p>     <p><a href="#_ftnref97" name="_ftn97" title="">[97]</a> Lopo de Almeida refere    o trato do sal em carta de 18 de Abril de 1452. ALMEIDA, Lopo de &ndash; <i>Cartas    de It&aacute;lia</i>, p. 26.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref98" name="_ftn98" title="">[98]</a> Portugal passou a exportar    regularmente vinho e frutas e o Sacro Imp&eacute;rio, em sentido contr&aacute;rio,    cereais, ferro e manufacturas. Veja-se MARQUES, A. H. de Oliveira &ndash; <i>Hansa    e Portugal na Idade M&eacute;dia</i>, pp. 60-65.</p>     <p><a href="#_ftnref99" name="_ftn99" title="">[99]</a> LOPES, Mar&iacute;lia    dos Santos &ndash; &ldquo;Rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com a Alemanha&rdquo;.    in ALBUQUERQUE, Lu&iacute;s (Dir.) &ndash; <i>Dicion&aacute;rio de Hist&oacute;ria    dos Descobrimentos Portugueses. </i>Vol. 1. Lisboa: Caminho, 1994, pp. 44-48.</p>     <p><a href="#_ftnref100" name="_ftn100" title="">[100]</a> MENDON&Ccedil;A, Manuela    &ndash; <i>As rela&ccedil;&otilde;es externas de Portugal nos finais da Idade    M&eacute;dia. </i>Lisboa: Colibri, 1994, pp. 93-118.</p>     <p><a href="#_ftnref101" name="_ftn101" title="">[101]</a> Esta representa&ccedil;&atilde;o    imortaliza o encontro do casal imperial, em 1452, &agrave;s portas de Siena.    Ao centro destacam-se Frederico III e D. Leonor, que envergam vestes com as    cores imperiais (dourado e p&uacute;rpura) e cingem &agrave; cabe&ccedil;a,    respectivamente, uma coroa e uma tiara. &Agrave; sua volta, numa l&oacute;gica    hier&aacute;rquica, &eacute; representado em primeiro plano o arcebispo da cidade,    que os aben&ccedil;oa, ao qual se segue um s&eacute;quito de senhores, figurando    por sua vez ao fundo uma hoste de cavaleiros e pe&otilde;es. No eixo do quadro,    o artista pintou cuidadosamente uma coluna encimada, &agrave; esquerda, pelas    armas do Sacro Imp&eacute;rio (a &aacute;guia de duas cabe&ccedil;as) e, &agrave;    direita, pelas de Portugal (o escudo das quinas, com a orla de castelos).</p>     <p><a href="#_ftnref102" name="_ftn102" title="">[102]</a> GOMES, Saul Ant&oacute;nio    &ndash; <i>D. Afonso V, o Africano</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores,    2006, p. 116.</p>      ]]></body><back>
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