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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RECENSÃO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Recensão: MART&Iacute;N VISO, I&ntilde;aki &ndash; <i>Asentamientos    y paisajes rurales en el Occidente medieval</i>. Madrid: S&iacute;ntesis, 2016    (241 pp.)</b></font></p>     <p><b>Gonzalo J. Escudero Manzano<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Universidade Complutense de Madrid, Faculdade de Geografia e Hist&oacute;ria,    Departamento de Hist&oacute;ria Medieval, 28040, Madrid, Espa&ntilde;a.<a href="mailto:gonzaesc@ucm.es">gonzaesc@ucm.es</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>O livro que apresento aborda a evolu&ccedil;&atilde;o do mundo rural no Ocidente    europeu desde o s&eacute;culo V a XV. Nele, o professor Mart&iacute;n Viso cria    um quadro comum aplic&aacute;vel ao Ocidente medieval &ndash; isto &eacute;,    a It&aacute;lia, a Fran&ccedil;a, as Ilhas Brit&acirc;nicas e a Pen&iacute;nsula    Ib&eacute;rica &ndash;, que inavitavelmente nos lembra por estilo, metodologia    e conte&uacute;do, Chris Wickham e o seu c&eacute;lebre <i>Framing the Early    Medieval Ages</i>, embora recorte o marco geogr&aacute;fico &agrave; <i>pars    occidentalis</i> e amplie o temporal at&eacute; o final da Idade M&eacute;dia.    Esta cronologia t&atilde;o extensa desenrola-se ao longo de cinco cap&iacute;tulos:    os dois primeiros est&atilde;o dedicados ao per&iacute;odo altomedieval (s&eacute;culos    V a X), continua com outro para a Idade M&eacute;dia Central (s&eacute;culos    XI a XIII) e uma &uacute;ltima sec&ccedil;&atilde;o que aborda os s&eacute;culos    XIV e XV.</p>     <p>Finalmente, como complemento ao conte&uacute;do principal, encontra-se um ap&ecirc;ndice    de dezassete textos comentados pelo autor usados como exemplo para aspetos tratados    ao longo da obra. O livro oferece tamb&eacute;m uma s&eacute;rie de imagens    e planimetrias estratigr&aacute;ficas para ilustrar o assunto da leitura. Fecha    a monografia uma pequena sele&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica com as principais    refer&ecirc;ncias citadas.</p>     <p>O in&iacute;cio de cada cap&iacute;tulo repete o mesmo padr&atilde;o: come&ccedil;a    com uma alus&atilde;o a uma unidade populacional concreta (El Pel&iacute;cano,    em Arroyomolinos &ndash; Espa&ntilde;a; Flixborough, em Lincolnshire &ndash;    Reino Unido; Wharram Percy, em Yorkshire &ndash; Reino Unido; Ch&acirc;tellerault,    em Poitou-Charentes &ndash; Fran&ccedil;a; e Gazzo, em Vercelli &ndash; It&aacute;lia),    que contextualiza e cuja evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica comenta brevemente    para assim entroncar num marco mais global similar ao caso de partida; pode-se    comprovar como cada um dos exemplos pertence &agrave;s distintas regi&otilde;es    do Ocidente europeu que se analisam ao longo do texto.</p>     <p>Como j&aacute; indicado, o livro come&ccedil;a nos in&iacute;cios do medievo.    O primeiro cap&iacute;tulo, &ldquo;Poblados y espacios agroganaderos en la Alta    Edad Media&rdquo; (pp. 15-53), situa no s&eacute;culo V a forma&ccedil;&atilde;o    dos assentamentos campesinos e as suas primeiras modifica&ccedil;&otilde;es    desde o s&eacute;culo VII at&eacute; ao s&eacute;culo IX. Trata-se dum cap&iacute;tulo    que anuncia a metodologia a seguir durante toda a monografia: modelos comuns    na Europa ocidental (mediterr&acirc;nica e atl&acirc;ntica), utilizando fundamentalmente    fontes materiais e arqueol&oacute;gicas, embora n&atilde;o descure o registro    documental.</p>     <p>Seguidamente, em &ldquo;Dominio social y territorio en la Alta Edad Media&rdquo;    (pp. 55-94), aborda a hierarquiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural atrav&eacute;s    de lugares centrais, isto &eacute;, assentamentos fortificados geridos por elites    locais campesinas surgidas a partir da desintegra&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio    Romano de Ocidente. Neste contexto podemos distinguir duas zonas diferenciadas:    por um lado, as localiza&ccedil;&otilde;es mediterr&acirc;nicas herdeiras da    territorialidade romana e, por outro, os modelos pr&oacute;prios do Noroeste    europeu. Aqui, produziu-se uma rutura mais brusca, que implicou uma concentra&ccedil;&atilde;o    do poder em torno de um l&iacute;der militar com atribui&ccedil;&otilde;es judiciais,    e que assumiu contornos pol&iacute;ticos estatais, gra&ccedil;as ao apoio aristocr&aacute;tico.    Estas elites locais projetaram a sua for&ccedil;a mediante a funda&ccedil;&atilde;o    de igrejas para perpetuar a sua mem&oacute;ria, e n&atilde;o com a inten&ccedil;&atilde;o    de cristianizar o territ&oacute;rio &ndash; como comummente se tinha pensado.    Nos finais do s&eacute;culo X, &eacute; j&aacute; vis&iacute;vel a capacidade    das elites locais para transformar a paisagem e o territ&oacute;rio, t&oacute;nica    que se repetir&aacute; no futuro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em torno de 1300 v&atilde;o surgindo as aldeias, com uma clara diferencia&ccedil;&atilde;o    regional, embora com carater&iacute;sticas comuns a todo o territ&oacute;rio    analisado. Partindo deste paradigma, em &ldquo;Aldeas y campos durante la expansi&oacute;n    agraria medieval&rdquo; (pp. 95-137), exp&otilde;e-se como, por toda a Europa,    os poderes senhorais v&atilde;o controlando as comunidades campesinas, inserindo-as    no seu aparato fiscal e social. Tal produz uma s&eacute;rie de transforma&ccedil;&otilde;es    no funcionamento das igrejas, que v&atilde;o perdendo a sua influ&ecirc;ncia,    na hora de articular o povoamento alde&atilde;o a favor das infraestruturas    laicas &ndash; fundamentalmente os castelos. De todas as formas, apesar de perder    as suas fun&ccedil;&otilde;es de articula&ccedil;&atilde;o territorial, os templos    salvaguardaram a identidade local. As estruturas rurais que existiam desde os    s&eacute;culos altomedievais definiram-se e limitaram-se atrav&eacute;s dos    senhorios laicos e da rede paroquial, ou seja, plasmou-se sobre o papel algo    que j&aacute; existia. Assim, a comunidade alde&atilde; foi definida por uma    s&eacute;rie de rela&ccedil;&otilde;es internas expressadas na realiza&ccedil;&atilde;o    de atividades colectivas num territ&oacute;rio pr&oacute;prio.</p>     <p>Em &ldquo;Paisajes del poder feudal&rdquo; (pp. 139-180), Mart&iacute;n Viso    analisa a forma&ccedil;&atilde;o das primeiras estruturas feudais. Estas produziram-se    a partir de infraestruturas criadas <i>ex profeso</i> &ndash; como os castelos    de mota &ndash; por parte da aristocracia pol&iacute;tica, como modo de plasmar    fisicamente o poder senhorial. Estas elites, n&atilde;o obstante terem origem    em fam&iacute;lias do s&eacute;culo X com poder, seguiram padr&otilde;es distintos    dos das &eacute;pocas precedentes. Relativamente ao contexto de constru&ccedil;&atilde;o    premeditada de edif&iacute;cios dominiais, assinala-se a vis&atilde;o que o    autor oferece dos castelos, que &ndash; superando um dos t&oacute;picos mais    difundidos &ndash; relaciona com o controlo sociopol&iacute;tico, em lugar de    os propor como estruturas vinculadas &agrave; atividade militar. Nesta proposta,    afasta-se claramente dos j&aacute; superados esquemas do <i>incastellamento</i>    de Pierre Toubert. Contudo, a cria&ccedil;&atilde;o &ldquo;desde cima&rdquo;    dos n&uacute;cleos campesinos nem sempre foi bem sucedida, sobretudo quando    se mostrou incapaz de atrair suficiente popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No &uacute;ltimo cap&iacute;tulo, &ldquo;Asentamientos y paisajes en movimiento    (siglos XIV-XV)&rdquo; (pp. 181-208), o autor apresenta as transforma&ccedil;&otilde;es    que se produziram na Idade M&eacute;dia tardia, n&atilde;o como acontecimentos    catastr&oacute;ficos, mas como resposta a uma nova conjuntura pol&iacute;tica,    social e econ&oacute;mica, cuja consequ&ecirc;ncia imediata foi o despovoamento    do mundo rural, a modifica&ccedil;&atilde;o das resid&ecirc;ncias senhoriais    &ndash; com o surgimento das casas fortes &ndash; e o avan&ccedil;o da explora&ccedil;&atilde;o    ganadeira. Este despovoamento deve ser entendido como parte de um largo processo    que se iniciou no s&eacute;culo XIII, e n&atilde;o como consequ&ecirc;ncia de    crises pontuais &ndash; como a Peste Negra ou as guerras. Foi a rea&ccedil;&atilde;o    ao desenvolvimento da cria&ccedil;&atilde;o de gado em detrimento da agricultura,    fen&oacute;meno que provocou o aumento da press&atilde;o fiscal em zonas cereal&iacute;feras    e a diminui&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o para autoconsumo. No    entanto, a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o desapareceu biologicamente, antes    emigrou, fundamentalmente para os centros urbanos. Os espa&ccedil;os tamb&eacute;m    n&atilde;o foram completamente abandonados, mas abriram-se a novos tipos de    explora&ccedil;&atilde;o &ndash; granjas ou pastagens &ndash; ligados ao avan&ccedil;o    da ganadaria. O &uacute;ltimo cap&iacute;tulo fecha, assim, o c&iacute;rculo    acerca do mundo rural no Ocidente medieval: desde a origem do povoamento nos    s&eacute;culos altomedievais at&eacute; &agrave; sua transforma&ccedil;&atilde;o    nos alvores duma nova etapa: a Modernidade.</p>     <p>Dentro destes cinco temas, seria aconselh&aacute;vel haver um maior aprofundamento    quanto ao mundo mu&ccedil;ulmano &ndash; sobretudo andaluz. N&atilde;o obstante,    o autor justifica-o na introdu&ccedil;&atilde;o (p. 13): trata-se de um tipo    de estudo muito diferente do prosseguido durante a obra, que entende n&atilde;o    ser poss&iacute;vel homogeneizar e articular, uma vez que o universo isl&acirc;mico    e o crist&atilde;o s&atilde;o dois sistemas &ndash; pol&iacute;ticos, culturais    e religiosos &ndash; completamente distintos. Contudo, n&atilde;o &eacute; inteiramente    esquecido na obra, pois no terceiro cap&iacute;tulo &eacute; abordado o espa&ccedil;o    fronteiri&ccedil;o com o Isl&atilde;o, como caso paradigm&aacute;tico da articula&ccedil;&atilde;o    territorial, j&aacute; que o avan&ccedil;o crist&atilde;o produziu um desmantelamento    das estruturas pr&eacute;vias, cuja consequ&ecirc;ncia foi a cria&ccedil;&atilde;o    de uma territorialidade <i>ex novo</i>, de acordo com as necessidades do sistema    de explora&ccedil;&atilde;o feudal; por outro lado, no quarto par&aacute;grafo,    &eacute; mencionada a proje&ccedil;&atilde;o do modelo de cria&ccedil;&atilde;o    de infraestruturas dominiais nas zonas conquistadas do M&eacute;dio Oriente    e no Al-Andalus.</p>     <p>Como balan&ccedil;o geral, qualifica-se a obra como manual de estudo para qualquer    aluno que esteja a cursar ensinos relacionados com a Hist&oacute;ria Medieval    ou com o mundo rural europeu. Tamb&eacute;m &eacute; uma publica&ccedil;&atilde;o    adequada para uma divulga&ccedil;&atilde;o dirigida a um p&uacute;blico interessado,    mesmo se n&atilde;o especializado na mat&eacute;ria. As explica&ccedil;&otilde;es,    as ilustra&ccedil;&otilde;es, as planimetrias e, sobretudo, o ap&ecirc;ndice    de textos parecem perseguir tal fim. Estes &uacute;ltimos s&atilde;o especialmente    proveitosos para o sector j&aacute; citado: podem servir para pr&aacute;ticas    e trabalhos em aula. J&aacute; um leitor n&atilde;o versado no assunto pode    usufruir das fontes prim&aacute;rias, gra&ccedil;as aos coment&aacute;rios de    um especialista. Ainda sobre o pontencial de divulga&ccedil;&atilde;o da obra,    deve notar-se o rigor das cita&ccedil;&otilde;es, notas e refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas, pois n&atilde;o se perde o car&aacute;ter cient&iacute;fico    da monografia e o leitor interessado &ndash; quer seja estudante, quer alheio    ao &acirc;mbito acad&eacute;mico &ndash; pode aceder a mais informa&ccedil;&atilde;o    relacionada com o tema.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>ESCUDERO MANZANO, Gonzalo &ndash; &ldquo;Recens&atilde;o: MART&Iacute;N VISO,    I&ntilde;aki &ndash; <i>Asentamientos y paisajes rurales en el Occidente medieval</i>.    Madrid: S&iacute;ntesis, 2016 (241 pp.)&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha].    N&ordm; 24 (Julho &ndash; Dezembro 2018). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel    em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA24/manzano2407.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA24/manzano2407.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 22 de setembro de 2017</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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