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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Recensão: LOPES, Fernão - Crónica de Dom João I. Primeira Parte. Edição crítica e notas de Teresa Amado, com a colaboração de Ariadne Nunes, Carlota Pimenta e Mário Costa, Introdução de Cristina Sobral. Lisboa: Imprensa Nacional e Centro de Estudos Comparatistas, 2017 (390 pp)]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RECENSÃO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Recensão: LOPES, Fern&atilde;o &ndash; Cr&oacute;nica de    Dom Jo&atilde;o I. Primeira Parte. Edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e notas    de Teresa Amado, com a colabora&ccedil;&atilde;o de Ariadne Nunes, Carlota Pimenta    e M&aacute;rio Costa, Introdu&ccedil;&atilde;o de Cristina Sobral. Lisboa: Imprensa    Nacional e Centro de Estudos Comparatistas, 2017 (390 pp)</b></font></p>     <p><b>Isabel Barros Dias<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Universidade Abera, Departamento de Humanidades / Universidade    Nova de Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, Instituto de    Estudos de Literatura e Tradi&ccedil;&atilde;o; Instituto de Estudos Medievais,    1269-001, Lisboa, Portugal.<a href="mailto:isabel.dias@uab.pt">isabel.dias@uab.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Constitui um acontecimento maior para os estudos de Hist&oacute;ria Medieval    e de Literatura Medieval a h&aacute; muito esperada edi&ccedil;&atilde;o da    I Parte da <i>Cr&oacute;nica de D. Jo&atilde;o I</i>. A fortuna editorial mais    recente deste texto contrasta com o sucesso que teve no passado. Tal como referido    na Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; presente edi&ccedil;&atilde;o, &ldquo;os    aut&oacute;grafos n&atilde;o sobreviveram. T&atilde;o pouco foram preservados    os ap&oacute;grafos contempor&acirc;neos do autor. Os manuscritos mais antigos    s&atilde;o manuelinos&rdquo; (Intr., p. 7), por&eacute;m, o grupo respons&aacute;vel    pela nova edi&ccedil;&atilde;o identificou quarenta e tr&ecirc;s testemunhos    da I Parte da <i>Cr&oacute;nica de D. Jo&atilde;o I</i>, &ldquo;dos quais vinte    e quatro s&atilde;o dat&aacute;veis desde o final do s&eacute;culo XV at&eacute;    ao final do s&eacute;culo XVI&rdquo; (<i>ibidem</i>, p. 8). Em flagrante oposi&ccedil;&atilde;o,    antes da presente edi&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m de algumas publica&ccedil;&otilde;es    de excertos e de vers&otilde;es parciais, Anselmo Braamcamp Freire levou a cabo    a transcri&ccedil;&atilde;o de um manuscrito, em 1915. Esta edi&ccedil;&atilde;o    foi, posteriormente, objeto de uma edi&ccedil;&atilde;o fac-similada da IN-CM,    prefaciada por Lindley Cintra (em 1973), e reimpressa pela ed. Civiliza&ccedil;&atilde;o    em 1945, 1990, 1991 e 1994, livros desde h&aacute; muito esgotados e, mesmo    em alfarrabistas, de dif&iacute;cil acesso. Dado este panorama, h&aacute; muito    que se sentia a falta de uma nova edi&ccedil;&atilde;o da obra de Fern&atilde;o    Lopes, baseada em crit&eacute;rios atualizados e fi&aacute;veis, que colocasse    &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico a obra daquele que &eacute;    considerado como um dos mais inspirados e originais historiadores europeus medievais.</p>     <p>O manuscrito escolhido para texto-base da presente edi&ccedil;&atilde;o foi    o mesmo que Braamcamp Freire editara, o exemplar da Torre do Tombo, Casa Forte,    Cr&oacute;nicas 8 (<i>olim</i> cod. 352). Trata-se de um c&oacute;dice de boa    qualidade, elaborado no quadro da chamada &ldquo;Leitura Nova&rdquo; manuelina    e que, como explicado na introdu&ccedil;&atilde;o, &ldquo;confrontado com outros    manuscritos quinhentistas, raramente revelou defeitos que o desqualificassem.&rdquo;    (<i>ibidem</i>, p. 11). Apesar de valorizar o mesmo exemplar, a edi&ccedil;&atilde;o    agora dada &agrave; estampa apresenta-se, n&atilde;o como uma transcri&ccedil;&atilde;o    do melhor exemplar, como a anterior edi&ccedil;&atilde;o, de &iacute;ndole b&eacute;dierista,    mas tendencialmente neolachmaniana. Tendo a equipa editorial transcrito e colacionado    dezanove manuscritos quinhentistas, surpreende o reduzido n&uacute;mero de notas    existente na presente edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da I Parte da <i>Cr&oacute;nica    de D. Jo&atilde;o I</i>, o que indica que a transmiss&atilde;o desta obra, que    ter&aacute; sido redigida entre 1441 e 1450, foi de uma enorme estabilidade.    N&atilde;o sendo muito comum, este facto demonstra o cuidado com que ter&atilde;o    sido realizadas as c&oacute;pias e o respeito que, desde cedo, ter&aacute; havido    pela figura autoral de Fern&atilde;o Lopes, n&atilde;o s&oacute; enquanto narrador    do passado, mas tamb&eacute;m como um dos primeiros grandes mestres da narrativa    liter&aacute;ria portuguesa.</p>     <p>A introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica, da    autoria de Cristina Sobral, para al&eacute;m de contextualizar o trabalho realizado,    refere ainda e justifica as op&ccedil;&otilde;es tomadas pela equipa editorial    e recorda as vicissitudes deste processo de edi&ccedil;&atilde;o, sem esquecer    a literatura cr&iacute;tica existente. Com efeito, o estudo da obra de Fern&atilde;o    Lopes foi realizado, sobretudo, por Teresa Amado, que tamb&eacute;m estabeleceu    as bases para a presente edi&ccedil;&atilde;o, nomeadamente, normas de transcri&ccedil;&atilde;o    e crit&eacute;rios de edi&ccedil;&atilde;o. O resultado consiste num texto que,    sem perder a cor epocal, nem transigir na fiabilidade, permite a vulgariza&ccedil;&atilde;o    da <i>Cr&oacute;nica</i>, uma vez que, para al&eacute;m de modernizar algumas    grafias e de conter pouca sinal&eacute;tica editorial, apresenta uma mancha    gr&aacute;fica atraente, cuja leitura &eacute; facilmente acess&iacute;vel a    um p&uacute;blico heterog&eacute;neo, desde que com suficiente flexibilidade    para apreciar uma prosa que, apesar de relativamente distante da atual, n&atilde;o    pode ser considerada opaca.</p>     <p>O falecimento da grande impulsionadora dos projetos de edi&ccedil;&atilde;o    e de tradu&ccedil;&atilde;o para o ingl&ecirc;s da <i>Cr&oacute;nica de D. Jo&atilde;o    I</i>, Teresa Amado, em 2013, poderia ter feito so&ccedil;obrar as empresas.    Por&eacute;m, felizmente, as equipas destes dois projetos t&ecirc;m levado por    diante o trabalho anteriormente encetado, estando por isso de parab&eacute;ns.    Mas, &agrave; imagem da historiografia que, enquanto o tempo fluir, n&atilde;o    pode dar por encerrada a sua miss&atilde;o, tamb&eacute;m a tarefa encetada    por esta edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica n&atilde;o est&aacute; terminada.    A import&acirc;ncia que a obra de Fern&atilde;o Lopes tem para a Hist&oacute;ria    e para a Literatura portuguesas deve constituir um incentivo para que a equipa    editorial prossiga com o seu trabalho por forma a que, em breve, a II Parte    da <i>Cr&oacute;nica de D. Jo&atilde;o I</i> se torne t&atilde;o acess&iacute;vel    ao p&uacute;blico como neste momento est&aacute; a sua I Parte.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>DIAS, Isabel Barros &ndash; &ldquo;LOPES, Fern&atilde;o &ndash; <i>Cr&oacute;nica    de Dom Jo&atilde;o I. Primeira Parte.</i> Edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica    e notas de Teresa Amado, com a colabora&ccedil;&atilde;o de Ariadne Nunes, Carlota    Pimenta e M&aacute;rio Costa, Introdu&ccedil;&atilde;o de Cristina Sobral. Lisboa:    Imprensa Nacional e Centro de Estudos Comparatistas, 2017 (390 pp)&rdquo;. <i>Medievalista</i>    [Em linha]. N&ordm; 24 (Julho &ndash; Dezembro 2018). [Consultado dd.mm.aaaa].    Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA24/dias2408.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA24/dias2408.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 30 de abril de 2018</p>      ]]></body>
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