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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A cozinha e a mesa em Loulé medieval nos seus utensílios de uso comum: o testemunho dos Inventários de Órfãos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The kitchen and the table in medieval Loulé through its common utensils: the testimony of the orphanological inventories]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The documents of the so-called Fund of the judge of the orphans of Loulé, from the Historical Archive of this city, are rare pieces in the Portuguese medieval context, with enormous interest for the study of medieval orphanage. Although produced to safeguard the interest of the orphans, and to follow the way the respective guardians administered their property or held accounts of these tutelages, they equally reveal many other facets of medieval living. Ten of them, drafted over seventy years, between 1408 and 1479, are used here to recover the utensils used in the kitchen and at the medieval table, associated with the storage, cooking and consumption of food. Not forgetting the nature and limits of the written records, but combining their reports with archaeological and ethnographical data, a fairly coherent picture was obtained, with observations on the social significance of the shortage of equipments in certain households, or on the distinction denounced by the quality and rarity of some other kitchenware.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>DESTAQUE</b></font></p>     <p><font size="4"><b>A cozinha e a mesa em Loul&eacute; medieval nos seus utens&iacute;lios    de uso comum: o testemunho dos Invent&aacute;rios de &Oacute;rf&atilde;os</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The kitchen and the table in medieval Loul&eacute; through    its common utensils: the testimony of the orphanological inventories</b></font></p>     <p><b>Iria Gon&ccedil;alves<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup> Instituto de Estudos Medievais, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais    e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 1069-061, Lisboa, Portugal.<a href="mailto:iem.geral@fcsh.unl.pt">iem.geral@fcsh.unl.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Os documentos do chamado <i>Fundo do juiz dos &oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>,    do Arquivo Hist&oacute;rico desta cidade, s&atilde;o pe&ccedil;as raras no contexto    medieval portugu&ecirc;s, com enorme interesse para o estudo da orfandade medieval.    Apesar de produzidos para salvaguardar o interesse dos &oacute;rf&atilde;os    e para acompanhar a maneira como os tutores respectivos administravam os seus    bens, ou prestavam contas dessas tutelas, eles revelam de modo igual imensas    outras facetas do viver medieval. Dez deles, redigidos ao longo de setenta anos,    entre 1408 e 1479, s&atilde;o aqui utilizados para recuperar os utens&iacute;lios    de uso comum na cozinha e na mesa medieval, associados &agrave; armazenagem,    &agrave; confec&ccedil;&atilde;o e ao consumo dos alimentos. N&atilde;o esquecendo    a natureza e os limites dos registos escritos, mas conjugando os informes destes    com os dados da Arqueologia e da Etnografia, obteve-se um panorama bastante    coerente, a que n&atilde;o faltam observa&ccedil;&otilde;es sobre o significado    social da escassez de alfaias em certos agregados familiares, ou sobre a distin&ccedil;&atilde;o    denunciada pela qualidade e pela raridade de alguns outros utens&iacute;lios.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Alfaias dom&eacute;sticas, Arte do Fogo, Alimenta&ccedil;&atilde;o,    Arqueologia, Etnografia.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The documents of the so-called <i>Fund of the judge of the orphans of Loul&eacute;</i>,    from the Historical Archive of this city, are rare pieces in the Portuguese    medieval context, with enormous interest for the study of medieval orphanage.    Although produced to safeguard the interest of the orphans, and to follow the    way the respective guardians administered their property or held accounts of    these tutelages, they equally reveal many other facets of medieval living. Ten    of them, drafted over seventy years, between 1408 and 1479, are used here to    recover the utensils used in the kitchen and at the medieval table, associated    with the storage, cooking and consumption of food. Not forgetting the nature    and limits of the written records, but combining their reports with archaeological    and ethnographical data, a fairly coherent picture was obtained, with observations    on the social significance of the shortage of equipments in certain households,    or on the distinction denounced by the quality and rarity of some other kitchenware.</p>     <p><b>Keywords:</b> Household appliances, Art of Fire, Food, kitchenware, Archeology,    Ethnography.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>I &ndash; Documenta&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel e suas dificuldades</b></p>     <p>N&atilde;o obstante a sua fragmenta&ccedil;&atilde;o e o facto de se encontrarem    em algumas das suas partes em muito mau estado, tornando assim a sua leitura    bem dif&iacute;cil ou at&eacute; imposs&iacute;vel, os documentos contidos no    chamado <i>Fundo do juiz dos &oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>, que integra    o acervo documental do Arquivo Hist&oacute;rico desta cidade<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">[1]</a>,    s&atilde;o de um enorme interesse para o estudo da orfandade medieval e do cuidado    que os poderes p&uacute;blicos colocavam na salvaguarda dos interesses dos menores    que haviam perdido os seus naturais cuidadores, mas tamb&eacute;m para o de    muitos outros assuntos, os mais variados, e n&atilde;o s&oacute; para a hist&oacute;ria    local. Sobretudo dentro do panorama da documenta&ccedil;&atilde;o medieval portuguesa,    onde pe&ccedil;as deste tipo constituem aut&ecirc;nticas raridades.</p>     <p>&Eacute; certo que o interesse primeiro que presidiu &agrave; feitura destes    textos foi o de presta&ccedil;&atilde;o de contas, por parte dos respectivos    tutores, da maneira como administravam os bens dos tutelados sob a sua responsabilidade,    mas os diversos passos dessa administra&ccedil;&atilde;o e dessa presta&ccedil;&atilde;o    de contas, a par da listagem dos bens, m&oacute;veis como im&oacute;veis, podem    ajudar a revelar aspectos muito interessantes, capazes de ilustrarem imensas    facetas do viver medieval.</p>     <p>Neste ensaio apenas utilizarei a enumera&ccedil;&atilde;o de alguns bens m&oacute;veis    que ficaram &agrave; morte dos pais dos &oacute;rf&atilde;os: aqueles relacionados    com a armazenagem, confec&ccedil;&atilde;o e consumo dos alimentos.</p>     <p>N&atilde;o se trata de uma grande colheita. S&atilde;o apenas dez os documentos    que fornecem informa&ccedil;&otilde;es sobre esta mat&eacute;ria, abrangendo    um per&iacute;odo de mais de setenta anos do s&eacute;culo XV, datado o primeiro    de 1408<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">[2]</a> e o &uacute;ltimo que    aqui interessa de 1479<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">[3]</a>. Para    mais, alguns desses invent&aacute;rios que nos restam encontram-se bastante    danificados, impossibilitando a leitura de v&aacute;rios dos seus itens, o que,    naturalmente, nos sonega parte da informa&ccedil;&atilde;o que anteriormente    existia. E empobrece os resultados de qualquer an&aacute;lise. Al&eacute;m disso,    s&oacute; foi poss&iacute;vel situar socialmente dois dos indiv&iacute;duos    a quem haviam pertencido os bens que aqui v&atilde;o estar em causa: um Jo&atilde;o    Gon&ccedil;alves, que &eacute; dito carpinteiro<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title="">[4]</a>    e assim o sabemos integrado no grupo em regra numeroso e diversificado dos mesteirais,    sempre que nos encontramos em ambientes urbanos, e um cavaleiro, Rui Louren&ccedil;o    o Velho<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title="">[5]</a>, com algumas presen&ccedil;as    registadas nas actas das reuni&otilde;es camar&aacute;rias<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title="">[6]</a>,    na sua qualidade de membro destacado dentro da sociedade louletana. Tamb&eacute;m    apenas em rela&ccedil;&atilde;o a uma das fam&iacute;lias inventariadas h&aacute;    a certeza de que n&atilde;o se integrava em ambiente urbano: a de Pedro Afonso    Carapeto, que morava em Castro Verde, termo da vila<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title="">[7]</a>.    Haveria, talvez, alguns mais.</p>     <p>Com uma t&atilde;o fraca colheita de elementos nestas vertentes, que, todavia,    seria muito interessante explorar, nada do que pudesse ser dito resultaria s&oacute;lido    e at&eacute; pertinente. Preferi, por isso, tratar toda a informa&ccedil;&atilde;o    como um todo, real&ccedil;ando alguns aspectos particulares sempre que me pareceu    necess&aacute;rio ou adequado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o obstante, os pr&oacute;prios invent&aacute;rios podem dar-nos umas    quantas achegas, todavia nunca, ou raramente, de todo seguras, acerca das respectivas    fam&iacute;lias e do seu posicionamento dentro da sociedade louletana da &eacute;poca.    O mais ou menos volumoso patrim&oacute;nio im&oacute;vel era, naturalmente,    o mais importante, mas tamb&eacute;m o m&oacute;vel, n&atilde;o s&oacute; pelo    n&uacute;mero de utens&iacute;lios referenciados &ndash; todavia este nem sempre    poss&iacute;vel de conhecer devido, como atr&aacute;s referi, ao mau estado    de conserva&ccedil;&atilde;o em que alguns dos documentos se encontravam &ndash;    mas tamb&eacute;m pela raridade, qualidade e eventual requinte de alguns dos    objectos arrolados.</p>     <p>Por tudo isto &eacute; poss&iacute;vel apercebermo-nos de que todos os estratos    da sociedade se encontram aqui presentes neste pequeno grupo de &oacute;rf&atilde;os,    talvez com excep&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias mais proeminentes da vila<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title="">[8]</a>,    daquelas que mais assiduamente participavam na governa&ccedil;&atilde;o local.    Mas restou informa&ccedil;&atilde;o bastante diferenciada, desde a proveniente    de fam&iacute;lias gradas da sociedade, como o j&aacute; referido cavaleiro    Rui Louren&ccedil;o o Velho, pertencente a uma nobreza de segundo plano, porque    designado, algumas vezes, como fidalgo<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title="">[9]</a>    e cujo irm&atilde;o fora alcaide do castelo da vila<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title="">[10]</a>    e cujos bens im&oacute;veis, que apenas sumariamente se encontram arrolados,    mas que eram bastante numerosos e possu&iacute;a algumas interessantes pe&ccedil;as    de prata al&eacute;m de v&aacute;rios outros objectos de algum requinte e &uacute;nicos    nesta s&eacute;rie documental<a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title="">[11]</a>,    at&eacute; &agrave;s fam&iacute;lias mais desmunidas. Com efeito, alguns destes    &oacute;rf&atilde;os precisavam trabalhar para angariar o seu sustento<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title="">[12]</a>,    o que, se n&atilde;o era caso raro na &eacute;poca, mas antes bastante frequente,    era, no entanto, indiciador de fam&iacute;lias de reduzidos proventos. Mas o    caso de pobreza que se me afigura mais gritante &eacute; o daqueles irm&atilde;os    que ao dividirem os pouqu&iacute;ssimos e aparentemente pequen&iacute;ssimos    bens de raiz, o escriv&atilde;o deixou expresso que &ldquo;movell nom ho avia    salluo hua almadraqueja velha&rdquo;<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title="">[13]</a>.    Isto &eacute;, uma pequena enxerga j&aacute; velha era todo o m&oacute;vel daquela    casa que o escriv&atilde;o encontrou<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title="">[14]</a>.    Considerando embora que alguns artefactos pudessem ter sido desviados para se    eximirem &agrave; partilha, estes nunca poderiam ter deixado a casa t&atilde;o    desguarnecida se, &agrave; partida, tivessem tido os m&iacute;nimos indispens&aacute;veis    ao desenrolar de um quotidiano familiar normal, nem sequer para os escal&otilde;es    mais baixos da sociedade, de acordo com os padr&otilde;es da &eacute;poca. A    vizinhan&ccedil;a l&aacute; estaria, conhecedora, como todos eram, das condi&ccedil;&otilde;es    de vida de todos, pronta a querer saber, e sobretudo a comentar. O que, no caso,    poderia ter algumas consequ&ecirc;ncias pouco agrad&aacute;veis. Dispersos,    assim, estes invent&aacute;rios, pelos variados estratos socioecon&oacute;micos    urbanos e, possivelmente, campesinos, eles n&atilde;o passam de uma amostragem    exemplificativa.</p>     <p>Assim sendo, n&atilde;o vale a pena tentar analisar sectorialmente, porque    nada do que pudesse ser dito resultaria com um m&iacute;nimo de solidez. Preferi,    por isso, e como indiquei, tratar toda a informa&ccedil;&atilde;o como um todo,    real&ccedil;ando alguns aspectos particulares mais significativos, sempre que    se me afigurou pertinente.</p>     <p align="center">*</p>     <p>Para l&aacute; das dificuldades que esta s&eacute;rie em especial apresenta,    outras ainda se perfilam, mais latas, comuns a toda a documenta&ccedil;&atilde;o    deste tipo e generalizadamente encontradas pelos investigadores interessados,    em diversos lugares da Europa: a falta de utens&iacute;lios em princ&iacute;pio    indispens&aacute;veis em qualquer habita&ccedil;&atilde;o, por muito pobre que    ela fosse<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title="">[15]</a>. Porque, em verdade,    s&atilde;o em regra objectos pequenos, de pouco ou nenhum valor monet&aacute;rio,    perec&iacute;veis com muita facilidade, os que se encontram, com mais frequ&ecirc;ncia,    ausentes dos invent&aacute;rios. Como um dos exemplos mais gritantes poderei    citar as colheres de pau, indispens&aacute;veis em qualquer cozinha para mexer    os alimentos que servem ao lume e que em regra, como nesta s&eacute;rie que    me proponho analisar, se encontram omissas<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title="">[16]</a>.    Mas que, no entanto, at&eacute;, eventualmente, algum membro da fam&iacute;lia    poderia moldar, a partir de qualquer desprezado tronco de &aacute;rvore sem    despender valor algum, monet&aacute;rio ou outro<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title="">[17]</a>.    Ali&aacute;s, nesta mesma s&eacute;rie em que me proponho apoiar, no maior dos    invent&aacute;rios em presen&ccedil;a &ndash; no do cavaleiro atr&aacute;s referido    &ndash; diz-se, a determinada altura da enumera&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Jtem    bacias e caldeiras e outras pessas de casa meudas&rdquo;<a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title="">[18]</a>.    O que claramente mostra que existe a&iacute; &ndash; e muito possivelmente em    outros casos, talvez em todos &ndash; a omiss&atilde;o de um n&uacute;mero mais    ou menos alargado de objectos, omiss&atilde;o assumida pelo escriv&atilde;o    e, sem d&uacute;vida, pelos demais presentes ao acto.</p>     <p>A falta de utens&iacute;lios de insignificante valor monet&aacute;rio mesmo    para a &eacute;poca e ainda de outros facilmente deterior&aacute;veis, como    &eacute; o caso dos objectos de cer&acirc;mica, &eacute; compreens&iacute;vel,    sobretudo quando se trata, como aqui, de invent&aacute;rios orfanol&oacute;gicos.    Por eles devia o tutor, anos mais tarde, por vezes bastantes anos mais tarde,    prestar contas da sua tutoria<a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title="">[19]</a>.    &Eacute; certo que em determinados casos, os bens pertencentes aos &oacute;rf&atilde;os    eram vendidos em hasta p&uacute;blica<a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title="">[20]</a>,    mas nem sempre isso acontecia, at&eacute; porque, ocasionalmente, o facto talvez    inviabilizasse a continua&ccedil;&atilde;o do normal funcionamento da habita&ccedil;&atilde;o.    Assim era melhor que eles, esses utens&iacute;lios, ficassem esquecidos. Isto    quando, feitos que eram alguns invent&aacute;rios muito tempo ap&oacute;s a    morte daquele que dera lugar &agrave; sua feitura<a href="#_ftn21" name="_ftnref21" title="">[21]</a>,    o que, no entanto, a lei desaprovava<a href="#_ftn22" name="_ftnref22" title="">[22]</a>,    v&aacute;rios objectos poderiam j&aacute; ter sido alienados, sonegados, completamente    deteriorados ou de algum outro modo desaparecidos. E a lei era muito clara nesse    sentido.</p>     <p>&Eacute; certo que as disposi&ccedil;&otilde;es legais eram muitas vezes esquecidas    ou ignoradas, sobretudo em locais, como Loul&eacute;, distanciados dos caminhos    costumeiros da itiner&acirc;ncia r&eacute;gia. Mas havia sempre a possibilidade    de que essa lei se viesse a tornar operante, com consequ&ecirc;ncias desagrad&aacute;veis<a href="#_ftn23" name="_ftnref23" title="">[23]</a>.    Era melhor prevenir, fazendo desaparecer, ao menos da escrita, os artefactos    mais fr&aacute;geis. Por isso qualquer an&aacute;lise que dos invent&aacute;rios    resulte, ficar&aacute; sempre empobrecida.</p>     <p>Neste ensaio, para de algum modo compensar aquelas perdas, tentarei apelar    para outras &aacute;reas do conhecimento, de que a arqueologia ser&aacute; uma    das mais importantes, mas tamb&eacute;m a etnologia. No entanto, &eacute; sabido    que a arqueologia tamb&eacute;m enfrenta dificuldades v&aacute;rias.</p>     <p>&Eacute; certo que os arque&oacute;logos t&ecirc;m exumado bili&otilde;es de    fragmentos cer&acirc;micos, entre outros restos para aqui menos interessantes,    mas faltam-lhes objectos de madeira e de metal. Os primeiros porque em regra    se degradam e desaparecem nos contextos em que foram sepultados. Quando, por&eacute;m,    esses contextos s&atilde;o bastante h&uacute;midos e, portanto, prop&iacute;cios    &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o da madeira, tais objectos podem contar-se    por muitas dezenas<a href="#_ftn24" name="_ftnref24" title="">[24]</a>, o que    enriquece a informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel. Todavia, e tanto quanto    sei, n&atilde;o para Loul&eacute;. Na verdade, s&atilde;o muito poucas as jazidas    arqueol&oacute;gicas a apresentarem aquelas condi&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Mais ausentes ainda est&atilde;o os segundos, os objectos met&aacute;licos.    Todo o metal era reutilizado porque sempre tinha valor<a href="#_ftn25" name="_ftnref25" title="">[25]</a>.    Os metais nobres, para a presente an&aacute;lise pouco significativos, tinham    o seu valor intr&iacute;nseco, como afinal pelos s&eacute;culos fora, at&eacute;    hoje; os outros, desmembrados, fragmentados, havia sempre um ferreiro ou outro    profissional afim capaz de lhes dar uma vida nova na forma de um outro utens&iacute;lio.    Desaparecem das jazidas arqueol&oacute;gicas mas, em regra, marcam presen&ccedil;a    nos invent&aacute;rios. Neste sentido, as informa&ccedil;&otilde;es provenientes    de ambas as vertentes de certo modo se complementam. Neste como noutros temas    de estudo podem ser preciosos os elementos que a arqueologia coloca ao nosso    dispor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado a etnologia e at&eacute; a antropologia, embora de forma mais    subtil, podem tamb&eacute;m prestar ajudas de enorme valia. Costumes arreigados    que passam nas fam&iacute;lias de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o    podem, ao menos em aldeias mais ou menos rec&ocirc;nditas, chegar muito pr&oacute;ximo    dos nossos dias e ter sido observadas at&eacute; por alguns de n&oacute;s mas    sobretudo pelos nossos pais e av&oacute;s. De uma maneira geral a transmiss&atilde;o    ao longo das gera&ccedil;&otilde;es afigura-se fiel<a href="#_ftn26" name="_ftnref26" title="">[26]</a>.</p>     <p>O dom&iacute;nio da alimenta&ccedil;&atilde;o, no caso vertente da alimenta&ccedil;&atilde;o    medieval, &eacute; talvez um dos que mais podem lucrar com os conhecimentos    provenientes daquelas &aacute;reas do saber. Tentarei cham&aacute;-las em meu    aux&iacute;lio sempre que me pare&ccedil;a pertinente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>II &ndash; A COZINHA</b></p>     <p><b>1. Antes de cozinhar: o armazenamento</b></p>     <p>Sobretudo no campo, mas tamb&eacute;m no mundo urbano, os v&iacute;veres, com    a sazonalidade que muitos deles conhecem, de uma forma muito acentuada os de    origem vegetal, tinham a sua &eacute;poca espec&iacute;fica para o abastecimento    das fam&iacute;lias. Quer esses v&iacute;veres fossem de produ&ccedil;&atilde;o    pr&oacute;pria e nesse caso chegada a altura da matura&ccedil;&atilde;o tinham    que se apanhados e recolhidos; quer fossem de produ&ccedil;&atilde;o alheia    porque, sobretudo para as fam&iacute;lias abastadas e que dispunham da liquidez    necess&aacute;ria, era mais conveniente abastecerem-se por altura das colheitas,    quando os produtos eram mais abundantes e os pre&ccedil;os mais convidativos,    as compras faziam-se por grosso, o que podia ser apenas uma vez por ano. Facto    que se tornava muito significativo no caso dos cereais<a href="#_ftn27" name="_ftnref27" title="">[27]</a>,    mas tamb&eacute;m do azeite. N&atilde;o assim do vinho que, na Idade M&eacute;dia,    se deteriorava com muita facilidade e rapidez. Mas tamb&eacute;m ele se conservava    em casa durante meses, enquanto ia sendo consumido.</p>     <p>Outros produtos conheciam tamb&eacute;m abastecimentos assaz volumosos, que    era preciso gerir ao longo de v&aacute;rios meses ou durante todo o ano. Era    necess&aacute;rio existirem em casa contentores de v&aacute;rios tipos e tamanhos,    capazes de armazenar os alimentos, conservando-os durante o tempo necess&aacute;rio    em boas condi&ccedil;&otilde;es de consumo.</p>     <p>Para os l&iacute;quidos &ndash; sobretudo vinho e azeite &ndash; talhas<a href="#_ftn28" name="_ftnref28" title="">[28]</a>,    potes<a href="#_ftn29" name="_ftnref29" title="">[29]</a>, em boa parte dos    casos com a especifica&ccedil;&atilde;o, para umas e outros, de que se destinavam    a conter vinho<a href="#_ftn30" name="_ftnref30" title="">[30]</a> ou azeite<a href="#_ftn31" name="_ftnref31" title="">[31]</a>,    estavam presentes na maioria dos recheios dom&eacute;sticos. Mas n&atilde;o    em todos ou, pelo menos, n&atilde;o em todos em n&uacute;mero suficiente, pois    algumas fam&iacute;lias precisavam de alugar, tanto potes como talhas, o que    a fonte em an&aacute;lise documenta<a href="#_ftn32" name="_ftnref32" title="">[32]</a>.</p>     <p>As pipas seriam menos comuns, presentes, nesta fonte, em uma &uacute;nica morada    e representadas, a&iacute;, por um &uacute;nico exemplar, no caso contendo vinagre<a href="#_ftn33" name="_ftnref33" title="">[33]</a>.    Por sua vez, os c&acirc;ntaros, que aparentemente deviam ser artefactos comuns<a href="#_ftn34" name="_ftnref34" title="">[34]</a>,    n&atilde;o deixaram qualquer registo nos invent&aacute;rios em an&aacute;lise.</p>     <p>Tamb&eacute;m n&atilde;o muito comuns eram as jarras, destinadas, como as talhas,    a conter vinho<a href="#_ftn35" name="_ftnref35" title="">[35]</a> e azeite<a href="#_ftn36" name="_ftnref36" title="">[36]</a>.    Mas estas talvez fossem contentores pequenos, pr&oacute;prios n&atilde;o para    armazenar, mas para conter a por&ccedil;&atilde;o de l&iacute;quido que na altura    se encontrava a ser usada, mas n&atilde;o em servi&ccedil;o: de mesa, como seria    o caso do vinho, ou no tempero dos alimentos j&aacute; cozinhados para o caso    do azeite. No entanto, a forma como a documenta&ccedil;&atilde;o no-las apresenta    &ndash; jarra de ter vinho/azeite &ndash;, &eacute; a mesma que se encontra    consagrada para os contentores. Seriam, talvez, vasilhas interm&eacute;dias    entre aquelas que se destinavam a conter a colheita pr&oacute;pria ou os grandes    aprovisionamentos, que se guardariam em adegas ou celeiros, e as de uso quotidiano    na cozinha e &agrave; mesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o pude encontrar resposta para esta quest&atilde;o, resposta que talvez    possa ser dada pela arqueologia, por meio do confronto entre capacidades de    recipientes e an&aacute;lises qu&iacute;micas sobre os produtos que contiveram.</p>     <p>Como outros investigadores, tamb&eacute;m n&atilde;o encontrei vasilhas destinadas    ao armazenamento de &aacute;gua<a href="#_ftn37" name="_ftnref37" title="">[37]</a>,    sempre indispens&aacute;vel em qualquer casa para os mais diversos fins. O abastecimento    poderia ser feito aquando da sua utiliza&ccedil;&atilde;o e o transporte para    casa em qualquer contentor destinado a l&iacute;quidos, como aventam alguns    investigadores<a href="#_ftn38" name="_ftnref38" title="">[38]</a>. S&oacute;    que &eacute; um pouco dif&iacute;cil de compreender, sobretudo quando se tratava    de fam&iacute;lias mais abastadas e mais exigentes<a href="#_ftn39" name="_ftnref39" title="">[39]</a>.</p>     <p>Os v&iacute;veres s&oacute;lidos eram mais f&aacute;ceis de armazenar, sobretudo    quando n&atilde;o em grandes quantidades, mas precisavam de um contentor, embora    pudessem ser menos selectivos que os l&iacute;quidos. Assim lhes serviam as    mesmas talhas<a href="#_ftn40" name="_ftnref40" title="">[40]</a>, potes<a href="#_ftn41" name="_ftnref41" title="">[41]</a>,    jarras, mas tamb&eacute;m arcas<a href="#_ftn42" name="_ftnref42" title="">[42]</a>,    sacos<a href="#_ftn43" name="_ftnref43" title="">[43]</a>, seir&otilde;es<a href="#_ftn44" name="_ftnref44" title="">[44]</a>.</p>     <p>Alguns potes com asas m&uacute;ltiplas &ndash; quatro, seis &ndash; sugerem    mesmo a sua utiliza&ccedil;&atilde;o como contentores de carne ou outros alimentos    do g&eacute;nero, quer crus, quer branqueados e envoltos em banha, azeite ou    mel, conforme os casos, quer, at&eacute;, j&aacute; cozinhados. Podiam com facilidade    suspender-se dos barrotes do tecto, de modo a coloc&aacute;-los fora do alcance    de quaisquer roedores<a href="#_ftn45" name="_ftnref45" title="">[45]</a>.</p>     <p><b>2. A prepara&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;veres para a cozedura</b></p>     <p>&Eacute; claro que antes de se passar &agrave; confec&ccedil;&atilde;o propriamente    dita, os v&iacute;veres tinham de ser preparados, opera&ccedil;&atilde;o mais    ou menos longa, mais ou menos f&aacute;cil e r&aacute;pida, de acordo com o    produto a cozinhar e com a receita que iria ser executada.</p>     <p>A opera&ccedil;&atilde;o mais demorada e exigente, a necessitar de v&aacute;rios    passos desenrolados em sequ&ecirc;ncia bem definida, cada um deles a necessitar    de apetrechos diferentes, era o p&atilde;o. &Eacute; certo que em todas as cidades    e vilas funcionava um corpo de padeiras rigidamente controladas, no desempenho    da profiss&atilde;o pelos almotac&eacute;s, que se comprometia a colocar diariamente    &agrave; venda o p&atilde;o necess&aacute;rio aos naturais e forasteiros que    quisessem adquiri-lo. E para l&aacute; desse corpo, em Loul&eacute;, ao menos    na primeira metade do s&eacute;culo XIV, laborava uma padeira franqueada, isto    &eacute;, n&atilde;o sujeita ao apertado controlo dos almotac&eacute;s e ao    pagamento de multas resultante de eventuais falhas no fabrico do p&atilde;o    e no respectivo peso, mas cuja obriga&ccedil;&atilde;o era a de confeccionar    &ldquo;boo pam branco stremado e bem fecto&rdquo;, destinado, de um modo especial    &ldquo;as gentes stranheiras e homens onrados&rdquo;<a href="#_ftn46" name="_ftnref46" title="">[46]</a>.    Isto &eacute;, &agrave;queles que o podiam pagar. Deste modo a vila encontrava-se    bem abastecida em p&atilde;o e para todas as bolsas.</p>     <p>N&atilde;o obstante, a maior parte das fam&iacute;lias preparava o seu p&atilde;o    em casa, levando-o depois a cozer num forno p&uacute;blico. Para isso havia    que, em primeiro lugar, peneirar a farinha vinda do moinho, peneira&ccedil;&atilde;o    que podia ser feita uma &uacute;nica vez, por peneira de malha mais larga &ndash;    peneira de rara ou de rala &ndash; ou por mais de uma vez, agora usando uma    peneira mais fina &ndash; peneira de ante-m&atilde;o &ndash; ou mais apertada    ainda &ndash; peneira de alva &ndash; de modo a obter um p&oacute; leve e fino,    propiciador de uma massa mais branca e fofa<a href="#_ftn47" name="_ftnref47" title="">[47]</a>.</p>     <p>Devia ser esta &uacute;ltima a massa do p&atilde;o resultante do trabalho executado    por aquela padeira franqueada a que acima fiz refer&ecirc;ncia, mas n&atilde;o    o que se confeccionava na generalidade das habita&ccedil;&otilde;es louletanas    ou o que era diariamente posto &agrave; venda e destinado ao comum da popula&ccedil;&atilde;o.    No entanto, pelo menos uma peneira era sempre indispens&aacute;vel para o trabalho.    Por&eacute;m, nem todos os invent&aacute;rios mencionam este artefacto<a href="#_ftn48" name="_ftnref48" title="">[48]</a>    e s&oacute; em um deles ficaram registadas duas peneiras, ali&aacute;s, &agrave;    &eacute;poca, j&aacute; velhas<a href="#_ftn49" name="_ftnref49" title="">[49]</a>.</p>     <p>Expurgada a farinha na medida em que se pretendia, passava-se &agrave; amassadura.    Em princ&iacute;pio esta devia ser feita numa masseira, objecto que diversos    investigadores t&ecirc;m encontrado de forma muito generalizada<a href="#_ftn50" name="_ftnref50" title="">[50]</a>,    mas que em Loul&eacute;, aparentemente, devia ser raro, na medida em que nenhum    destes invent&aacute;rios o menciona. O p&atilde;o devia amassar-se num alguidar    talvez usado tamb&eacute;m para outros fins<a href="#_ftn51" name="_ftnref51" title="">[51]</a>,    uma vez que esta alfaia, suscept&iacute;vel de tal utiliza&ccedil;&atilde;o,    se encontrava em quase todas as casas e por vezes representada por diversos    exemplares<a href="#_ftn52" name="_ftnref52" title="">[52]</a>, eventualmente    usados para diversas fun&ccedil;&otilde;es, de acordo com o seu tamanho, com    o material em que haviam sido confeccionados, com a maior ou menor preocupa&ccedil;&atilde;o    relativa aos acabamentos &ndash; cer&acirc;micas vidradas ou n&atilde;o, por    exemplo<a href="#_ftn53" name="_ftnref53" title="">[53]</a> &ndash; ou com quaisquer    outras caracter&iacute;sticas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; natural que tamb&eacute;m se utilizasse para o mesmo fim uma gamela    &ndash; que podia at&eacute; ser dita gamela de p&atilde;o<a href="#_ftn54" name="_ftnref54" title="">[54]</a>    &ndash;, artefacto que, al&eacute;m do mais, era um dos que constavam no chamado    foral novo da vila, entre os objectos de madeira que n&atilde;o pagavam portagem<a href="#_ftn55" name="_ftnref55" title="">[55]</a>.</p>     <p>Em uma ou outra daquelas alfaias se amassava o p&atilde;o, na cozinha, quando    esta se apresentava como uma divis&atilde;o aut&oacute;noma dentro do espa&ccedil;o    habitacional, ou ao canto da lareira quando se tratava de uma moradia unicelular,    porque esse era o lugar mais abrigado e quente dentro da habita&ccedil;&atilde;o    e a&iacute; a massa levedava melhor.</p>     <p>Durante o trabalho a massa ia-se colando &agrave;s paredes do alguidar ou gamela    onde o processo decorria e era preciso despeg&aacute;-la porque tudo havia de    ficar bem amalgamado e nenhum peda&ccedil;o se podia perder. Para isso havia    em algumas habita&ccedil;&otilde;es um rapadouro, ou rapadeira<a href="#_ftn56" name="_ftnref56" title="">[56]</a>.</p>     <p>Levedada a massa era agora necess&aacute;rio tend&ecirc;-la em por&ccedil;&otilde;es    equivalentes ao tamanho dos p&atilde;es que se pretendiam obter, quase sempre    grandes, na Idade M&eacute;dia. Essa opera&ccedil;&atilde;o era executada sobre    uma simples t&aacute;bua<a href="#_ftn57" name="_ftnref57" title="">[57]</a>,    ou num tabuleiro especificamente usado para o efeito<a href="#_ftn58" name="_ftnref58" title="">[58]</a>,    utens&iacute;lios nos quais se transportava o p&atilde;o para o forno e neles    voltava para casa, j&aacute; cozido<a href="#_ftn59" name="_ftnref59" title="">[59]</a>.    Em moradas de maior requinte podia haver toalhas de qualidade &ndash; de len&ccedil;o,    um tecido fino e caro &ndash; para o tapar<a href="#_ftn60" name="_ftnref60" title="">[60]</a>    e assim evitar que ele fosse conspurcado com qualquer sujidade<a href="#_ftn61" name="_ftnref61" title="">[61]</a>.    Foram estes os apetrechos que se revelaram mais comuns nas casas louletanas,    a mostrar, tamb&eacute;m por esta via, a enorme import&acirc;ncia do p&atilde;o    no regime alimentar medieval. Todos os outros v&iacute;veres eram menos exigentes    no que se refere &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o para a cozedura.</p>     <p>A lavagem era indispens&aacute;vel a todos ou, pelo menos, a quase todos, opera&ccedil;&atilde;o    que se realizava em bacios ou bacias de cer&acirc;mica ou de lat&atilde;o, mas    que em poucos recheios dom&eacute;sticos se encontram mencionados, embora em    alguns pudessem existir representados por mais do que um exemplar<a href="#_ftn62" name="_ftnref62" title="">[62]</a>.    Mas claro que se utilizavam para o efeito os alguidares acima mencionados, sobretudo    os de cer&acirc;mica vidrada e, por isso, estanques.</p>     <p>Um outro utens&iacute;lio utilizado na prepara&ccedil;&atilde;o dos alimentos    e indispens&aacute;vel para muitos deles &ndash; a faca de cozinha &ndash; encontra-se    de todo ausente e tem-se revelado rara em outros contextos<a href="#_ftn63" name="_ftnref63" title="">[63]</a>.    Utilizar-se-ia para o efeito qualquer instrumento cortante, inclusive uma navalha    ou mesmo uma arma tipo punhal, objectos que, por serem de uso pessoal, n&atilde;o    integrariam um invent&aacute;rio como estes em que me estou a apoiar, a n&atilde;o    ser, para o caso das armas, de invent&aacute;rios no feminino.</p>     <p>Utens&iacute;lios para cortar peda&ccedil;os de carne com os respectivos ossos,    suscept&iacute;veis de poderem ser introduzidos nos recipientes onde seriam    cozinhados, est&atilde;o tamb&eacute;m ausentes destes textos. Usar-se-ia, de    igual modo, qualquer instrumento cortante que, neste caso, at&eacute; poderia    ser uma ferramenta artesanal, como um pequeno machado de utiliza&ccedil;&atilde;o    variada. Numa Idade M&eacute;dia onde os bens materiais de toda a sorte n&atilde;o    abundavam era preciso usar os existentes de todas as formas poss&iacute;veis.</p>     <p><b>3. Os v&iacute;veres sobre o fogo</b></p>     <p><b>O fogo</b></p>     <p>Antes de come&ccedil;ar a cozedura de qualquer alimento era preciso acender    o lume. Tarefa nada f&aacute;cil na &eacute;poca aqui tratada e que continuou    a n&atilde;o o ser ao longo de v&aacute;rios s&eacute;culos e at&eacute; &eacute;poca    bastante pr&oacute;xima de n&oacute;s<a href="#_ftn64" name="_ftnref64" title="">[64]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Normalmente obtinha-se o fogo pela fric&ccedil;&atilde;o de um fuzil confeccionado    a partir de um metal rico em carbono, com uma pedra de s&iacute;lex, ac&ccedil;&atilde;o    da qual resultavam fa&uacute;lhas que se projectavam sobre uma mat&eacute;ria    inflam&aacute;vel, preparada para o efeito<a href="#_ftn65" name="_ftnref65" title="">[65]</a>.</p>     <p>Mais uma vez, em nenhuma destas moradias se encontrava, de que tivesse ficado    mem&oacute;ria, qualquer objecto destinado ao fogo, quer &agrave; sua produ&ccedil;&atilde;o    &ndash; fuzil ou pederneira &ndash; quer &agrave; sua manipula&ccedil;&atilde;o    &ndash; tenaz ou p&aacute; de fogo. Se estas &uacute;ltimas ainda podiam dispensar-se,    substitu&iacute;das pelos pr&oacute;prios troncos que ardiam ou iriam arder,    n&atilde;o assim os primeiros. Mais uma vez podia pedir-se lume numa casa vizinha,    o que aconteceu com frequ&ecirc;ncia at&eacute; &agrave; generaliza&ccedil;&atilde;o    dos f&oacute;sforos seguros, mas teria de haver sempre algu&eacute;m a possuir    os instrumentos necess&aacute;rios &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do fogo.</p>     <p>Este acendia-se no ch&atilde;o e sobre ele, ou ao lado, colocavam-se os utens&iacute;lios    necess&aacute;rios &agrave; cozedura. Em nenhum dos invent&aacute;rios ficou    assinalada a exist&ecirc;ncia de trempe ou cremalheira<a href="#_ftn66" name="_ftnref66" title="">[66]</a>,    pelo que se tornava imposs&iacute;vel a coloca&ccedil;&atilde;o de qualquer    pe&ccedil;a de barro ou metal sobre os troncos de madeira em combust&atilde;o.    Se assim era &ndash; ou onde assim era &ndash; tornar-se-ia necess&aacute;rio    acomodar a vasilha ao lado do fogo at&eacute; se produzirem brasas em volume    suficiente para sobre elas se poder colocar, em posi&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio,    a pe&ccedil;a de loi&ccedil;a que continha os alimentos a cozinhar. Para que    esse equil&iacute;brio resultasse mais f&aacute;cil, algumas das alfaias tinham    o fundo levemente convexo<a href="#_ftn67" name="_ftnref67" title="">[67]</a>.</p>     <p><b>Os cozidos</b></p>     <p>J&aacute; diversos investigadores interessados em assuntos relativos &agrave;    alimenta&ccedil;&atilde;o medieval t&ecirc;m verificado que a t&eacute;cnica    culin&aacute;ria mais utilizada na &eacute;poca era a que se processava dentro    de um l&iacute;quido levado &agrave; ebuli&ccedil;&atilde;o, l&iacute;quido    esse que era quase sempre a &aacute;gua. Nas casas pouco abonadas, essa opera&ccedil;&atilde;o    usava-se com bastante insist&ecirc;ncia<a href="#_ftn68" name="_ftnref68" title="">[68]</a>    para a confec&ccedil;&atilde;o de caldos, onde podia entrar uma enorme multiplicidade    de ingredientes. Eram, em primeiro lugar, hortali&ccedil;as e legumes, verdes    ou secos, que todos contavam j&aacute;, &agrave; &eacute;poca, um n&uacute;mero    muit&iacute;ssimo elevado de esp&eacute;cies cultivares, mas eram tamb&eacute;m    cereais, em gr&atilde;o ou farinados; eram alguns frutos, sobretudo a castanha    e a bolota, esta, especialmente a de azinheira<a href="#_ftn69" name="_ftnref69" title="">[69]</a>;    eram ainda carnes, frescas ou salgadas. Estas, ali&aacute;s, tamb&eacute;m nas    grandes casas se serviam, na maior parte das vezes, apenas cozidas, sobretudo    as que provinham dos animais do rebanho<a href="#_ftn70" name="_ftnref70" title="">[70]</a>.    As carnes que tamb&eacute;m a&iacute; muitas vezes se levavam &agrave; mesa,    nomeadamente as de bovino, eram j&aacute; de animais n&atilde;o muito jovens,    quando n&atilde;o j&aacute; mesmo velhos<a href="#_ftn71" name="_ftnref71" title="">[71]</a>,    e por isso a cozedura em &aacute;gua ou num caldo era a t&eacute;cnica culin&aacute;ria    que melhor se lhes adequava. Nem que fosse apenas para um branqueamento pr&eacute;vio    &agrave; continua&ccedil;&atilde;o da receita que se pretendia executar.</p>     <p>Eram precisas panelas ou quaisquer outros recipientes que as pudessem substituir,    alfaias essas que deviam ter, na maior parte das casas, utiliza&ccedil;&atilde;o    muito frequente. &Eacute; certo que alguns investigadores apontam diversos utens&iacute;lios    para a confec&ccedil;&atilde;o desses caldos, como potes, caldeiras, caldeir&otilde;es,    eventualmente com cobertura<a href="#_ftn72" name="_ftnref72" title="">[72]</a>,    mas sem d&uacute;vida que as panelas eram e continuaram a ser, pelos tempos    fora, os mais comuns. Todavia s&oacute; em um dos recheios dom&eacute;sticos    ficou registada a exist&ecirc;ncia de panelas, em n&uacute;mero de tr&ecirc;s,    com a indica&ccedil;&atilde;o de serem de barro<a href="#_ftn73" name="_ftnref73" title="">[73]</a>.</p>     <p>Panelas de barro, as mais comuns e baratas, muito mais que as de metal. E que    n&atilde;o faltavam em Loul&eacute;. A vila era auto-suficiente em loi&ccedil;a    de barro<a href="#_ftn74" name="_ftnref74" title="">[74]</a>, como, ali&aacute;s,    o deviam ser todas as cidades e vilas do Sul de Portugal, todas elas albergando    comunidades mais ou menos importantes e numerosas de mud&eacute;jares, tantos    deles dedicados &agrave; olaria<a href="#_ftn75" name="_ftnref75" title="">[75]</a>.    Mas se algu&eacute;m preferisse uma panela de outras proveni&ecirc;ncias tamb&eacute;m    n&atilde;o teria dificuldade em encontr&aacute;-la. Elas deviam ser comuns,    essas pe&ccedil;as, taxadas como estavam pela c&acirc;mara municipal<a href="#_ftn76" name="_ftnref76" title="">[76]</a>.</p>     <p>Mas o que sobretudo se torna significativo neste caso &eacute; o elevado n&uacute;mero    de fragmentos de panelas exumados pelos arque&oacute;logos em diversos pontos    do Algarve, Loul&eacute; inclu&iacute;do<a href="#_ftn77" name="_ftnref77" title="">[77]</a>.    A sub-representa&ccedil;&atilde;o dessas pe&ccedil;as n&atilde;o estava ligada    &agrave; sua inexist&ecirc;ncia ou raridade na maior parte das habita&ccedil;&otilde;es,    mas sim ao seu baixo custo e, talvez sobretudo, &agrave; sua fragilidade, que    as devia tornar dispens&aacute;veis de registo escrito, por parte de muitos    dos escriv&atilde;es que tinham a tarefa a seu cargo. O que tamb&eacute;m acontecia    em outros lugares<a href="#_ftn78" name="_ftnref78" title="">[78]</a>.</p>     <p>Diversificados ou n&atilde;o, aos utens&iacute;lios usados para neles se processar    a cozedura dos alimentos, ao menos para estes serem distribu&iacute;dos pelos    comensais, era necess&aacute;rio um qualquer artefacto com o qual se fizesse    a distribui&ccedil;&atilde;o, sobretudo quando se tratava de caldos ou papas.    Ora, tamb&eacute;m eles se mostraram raros, nesta documenta&ccedil;&atilde;o    louletana. Uns gadanhos &ndash; ou gadanha, concha para servir a sopa &ndash;    foi tudo quanto ela nos mostrou<a href="#_ftn79" name="_ftnref79" title="">[79]</a>.    E isto admitindo que n&atilde;o se tratava da alfaia agr&iacute;cola que recebia    o mesmo nome.</p>     <p>Naturalmente tamb&eacute;m o peixe se consumia cozido e por certo assim era    na maior parte das vezes<a href="#_ftn80" name="_ftnref80" title="">[80]</a>.    Em todo o Algarve, tamb&eacute;m em Loul&eacute;, nessas terras de pescadores    e, portanto, com acesso f&aacute;cil ao pescado, este devia fazer parte do card&aacute;pio    de numerosas fam&iacute;lias com alguma frequ&ecirc;ncia e n&atilde;o deixaria,    muitas vezes, de servir-se cozido. Ali&aacute;s, na tabela elaborada pela c&acirc;mara    louletana a que j&aacute; atr&aacute;s me referi, constam, entre as pe&ccedil;as    de olaria, as tigelas grandes para cozer pescado<a href="#_ftn81" name="_ftnref81" title="">[81]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos invent&aacute;rios em presen&ccedil;a as tigelas n&atilde;o se encontram    muitas vezes mencionadas e quando isso acontece elas s&atilde;o ditas de M&aacute;laga<a href="#_ftn82" name="_ftnref82" title="">[82]</a>,    portanto uma loi&ccedil;a de qualidade, mais pr&oacute;pria para ir &agrave;    mesa e assim dificilmente usada para se expor directamente ao fogo. &Eacute;    mais prov&aacute;vel que a cozedura se processasse em alguns daqueles bacios    a que atr&aacute;s me referi, por certo especialmente reservados para o efeito    e outros semelhantes. Ali&aacute;s a arqueologia tem disponibilizado, em terras    algarvias, quantidade de fragmentos cer&acirc;micos pertencentes a alfaias &ndash;    chamam-se tigelas, bacios, malgas, que todas elas apresentam formas semelhantes    &ndash;, alguns deles com evidentes sinais de exposi&ccedil;&atilde;o ao fogo,    podendo corresponder a alguma coisa de parecido com aquelas tigelas da listagem    louletana<a href="#_ftn83" name="_ftnref83" title="">[83]</a>. Naturalmente    outros v&iacute;veres a&iacute; podiam ser cozidos, como, por exemplo, ovos,    comuns na &eacute;poca e servidos com essa prepara&ccedil;&atilde;o na generalidade    das casas.</p>     <p><b>Os fritos e os assados</b></p>     <p>Alguns investigadores, &eacute; certo que fora de Portugal, t&ecirc;m verificado    que a frigideira &ndash; a sert&atilde; &ndash; era um utens&iacute;lio de cozinha    muito usual, com presen&ccedil;a na maioria das casas, por vezes representada    por v&aacute;rios exemplares e at&eacute; acompanhada com uma esp&aacute;tula    destinada a virar o alimento que cozia na gordura<a href="#_ftn84" name="_ftnref84" title="">[84]</a>.    P&ocirc;de mesmo ser qualificada como uma das rainhas da cozinha<a href="#_ftn85" name="_ftnref85" title="">[85]</a>.    Por outro lado, sabe-se que, pelo menos o peixe, era muitas vezes frito em azeite,    ap&oacute;s previamente envolvido em farinha e talvez temperado, para l&aacute;    do sal, com salsa e um acidulante que poderia ser o vinagre ou o sumo da laranja    azeda. Pela sua simplicidade e custo moderado, a receita era acess&iacute;vel    a todos, o que n&atilde;o a impedia de ser servida nas grandes casas, sem exclus&atilde;o    da corte r&eacute;gia<a href="#_ftn86" name="_ftnref86" title="">[86]</a>. Por    outro lado, n&atilde;o s&oacute; os esp&oacute;lios arqueol&oacute;gicos algarvios    t&ecirc;m revelado a exist&ecirc;ncia de sert&atilde;s de cer&acirc;mica<a href="#_ftn87" name="_ftnref87" title="">[87]</a>,    como tamb&eacute;m estes artefactos foram contemplados na lista louletana de    pe&ccedil;as de olaria, a que j&aacute; por diversas vezes me referi<a href="#_ftn88" name="_ftnref88" title="">[88]</a>.</p>     <p>Existiriam sert&atilde;s, ao menos de cer&acirc;mica, em diversas moradias    louletanas e nas mais abastadas poderiam ser, inclusive, de metal. Ora, em nenhum    dos invent&aacute;rios que nos ficaram se declarou esse utens&iacute;lio de    cozinha. Possivelmente em nenhuma daquelas habita&ccedil;&otilde;es existiria    uma sert&atilde; met&aacute;lica, de cobre ou, sequer, de ferro, mas existiria,    em algumas delas, uma frigideira de barro, vidrada, esquecida pelo escriv&atilde;o.    Penso que &eacute; oportuno lembrar aqui, mais uma vez, as omiss&otilde;es explicitamente    assumidas por aquele oficial concelhio, ao redigir o invent&aacute;rio realizado    ap&oacute;s a morte do cavaleiro Rui Louren&ccedil;o o Velho, j&aacute; atr&aacute;s    referida<a href="#_ftn89" name="_ftnref89" title="">[89]</a>. Explicitadas aqui,    tais omiss&otilde;es tiveram lugar, sem d&uacute;vida, em v&aacute;rios outros    casos em que n&atilde;o se julgou oportuno deix&aacute;-las registadas.</p>     <p>Todavia, em rela&ccedil;&atilde;o a esta alfaia em concreto, talvez os h&aacute;bitos    culin&aacute;rios da regi&atilde;o n&atilde;o privilegiassem os fritos, o que    de certo modo ajudaria a compreender a falta deste artefacto, em outras regi&otilde;es    t&atilde;o presente, como atr&aacute;s ficou lembrado. Ao contr&aacute;rio da    fritura, o assado revelou-se como bastante frequente entre os louletanos.</p>     <p>Pelo que at&eacute; agora se tem apurado no respeitante &agrave; cozedura por    exposi&ccedil;&atilde;o directa ao fogo, sobretudo tratando-se da carne, as    condi&ccedil;&otilde;es e os h&aacute;bitos deviam ser bastante diferentes de    umas regi&otilde;es para outras. &Eacute; certo que um assado s&oacute; resulta    bem quando praticado sobre carnes tenras. Ao menos segundo os conceitos e os    gostos actuais. Por isso, diversos investigadores se t&ecirc;m pronunciado no    sentido de que estes pratos estavam, por assim dizer, reservados &agrave;s grandes    casas, &agrave;s fam&iacute;lias possidentes que com frequ&ecirc;ncia consumiam    animais juvenis, o que &eacute; apoiado pela raridade de espetos, mas sobretudo    de grelhas, na documenta&ccedil;&atilde;o medieval. Em determinados contextos    geogr&aacute;ficos<a href="#_ftn90" name="_ftnref90" title="">[90]</a>, que    n&atilde;o em todos<a href="#_ftn91" name="_ftnref91" title="">[91]</a>.</p>     <p>Em Loul&eacute;, as grelhas deviam ser raras e nenhuma ficou registada na documenta&ccedil;&atilde;o    que tem servido de apoio a estas p&aacute;ginas, mas os espetos eram muito comuns,    ausentes apenas em duas das moradias inventariadas &ndash; n&atilde;o das mais    pobres &ndash; e sempre mais do que um exemplar. Espetos grandes e espetos pequenos,    por certo todos de ferro, embora s&oacute; em um dos invent&aacute;rios com    essa caracteriza&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn92" name="_ftnref92" title="">[92]</a>.    Com frequ&ecirc;ncia existiam em n&uacute;mero de quatro e cinco. O que s&oacute;    pode significar uma utiliza&ccedil;&atilde;o muito frequente desses utens&iacute;lios.</p>     <p>Todavia, a distin&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita entre grandes e pequenos    &ndash; em menor n&uacute;mero os primeiros, em maior os segundos &ndash; talvez    mere&ccedil;a alguma reflex&atilde;o. Que espetos seriam estes? Poder&iacute;amos    pensar que os maiores se destinariam a assar grandes pe&ccedil;as de carne e    os outros pequenos animais ou peda&ccedil;os de carne. Ali&aacute;s, tem-se    considerado que eles se destinavam sobretudo a cozinhar aves e pe&ccedil;as    de ca&ccedil;a que, &eacute; sabido, se consumiam muitas vezes cozinhadas dessa    forma<a href="#_ftn93" name="_ftnref93" title="">[93]</a>. Por&eacute;m aqui,    em Loul&eacute;, a distin&ccedil;&atilde;o entre espetos maiores e menores talvez    fosse um pouco diferente.</p>     <p>Estes recheios dom&eacute;sticos inventariados pertenciam a casas de gente    comum, tanto quanto &eacute; poss&iacute;vel perceber habitadas por fam&iacute;lias    nucleares e portanto abrigando e servindo um pequeno grupo de pessoas. N&atilde;o    haveria ocasi&atilde;o, ou rar&iacute;ssimas vezes haveria, para a utiliza&ccedil;&atilde;o    de um grande espeto, capaz de proporcionar o assado de um animal, sequer de    m&eacute;dio porte. Penso que os maiores espetos dos louletanos seriam utilizados    para assar uma galinha, uma ou duas perdizes, um pato, um coelho, uma lebre,    isto &eacute;, aves e ca&ccedil;a mi&uacute;da sobretudo. Mas por certo um espeto    de rodar, o que tornava a prepara&ccedil;&atilde;o mais f&aacute;cil e perfeita.    Os pequenos seriam talvez uma simples varinha de ferro, pontiaguda, onde se    enfiavam peixe ou peda&ccedil;os de carne<a href="#_ftn94" name="_ftnref94" title="">[94]</a>.    Ali&aacute;s, deviam encontrar-se com facilidade por todo o lado, dada a frequ&ecirc;ncia    com que a documenta&ccedil;&atilde;o medieval, at&eacute; a menos vocacionada    para isso, refere os assados. Como exemplo, pode citar-se Fern&atilde;o Lopes.    Conta-nos o cronista que quando os castelhanos cercavam Lisboa, em 1384, sabendo    de uma investida preparada pelos portugueses a partir da cidade, com tanta pressa    abandonaram as aldeias dos arredores que tinham ocupado, que os de Lisboa as    acharam &ldquo;desamparadas delles, e as panellas ao fogo, e os espetos com    carne, que nom ouver&otilde; vagar de comer com trigan&ccedil;a de sua partida&rdquo;<a href="#_ftn95" name="_ftnref95" title="">[95]</a>.    Podem citar-se tamb&eacute;m refei&ccedil;&otilde;es vulgares onde o assado    estava presente. Em jantares colectivos organizados por algumas confrarias faziam-se    espetadas e assaduras<a href="#_ftn96" name="_ftnref96" title="">[96]</a>; em    determinadas refei&ccedil;&otilde;es obrigatoriamente servidas aos mordomos    r&eacute;gios de Entre-Douro-e-Minho, quando se deslocavam em servi&ccedil;o,    um dos pratos teria de ser de carneiro assado<a href="#_ftn97" name="_ftnref97" title="">[97]</a>.    Era, assim, uma t&eacute;cnica culin&aacute;ria aparentemente poss&iacute;vel    em todas as cozinhas. Com certeza praticada com frequ&ecirc;ncia na generalidade    das moradas louletanas.</p>     <p><b>Alguns requintes culin&aacute;rios?</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir da documenta&ccedil;&atilde;o a que tenho estado a recorrer, pouco    mais se pode dizer sobre outras t&eacute;cnicas usadas na cozinha, nomeadamente    os estufados que, sem d&uacute;vida, tamb&eacute;m se praticavam em Loul&eacute;,    ao menos nas casas mais exigentes.</p>     <p>Todavia, alguma coisa poder&aacute; deduzir-se sobre o que seria feito para    melhorar e diferenciar o sabor dos alimentos previamente cozidos ou assados.    O que n&atilde;o podia deixar de acontecer numa vila como Loul&eacute; de finais    da Idade M&eacute;dia.</p>     <p>Inscrita que estava, como &eacute; sabido, nos grandes circuitos internacionais    de com&eacute;rcio por meio da exporta&ccedil;&atilde;o dos seus frutos secos    e pela necessidade de importar cereais; situada num n&oacute; de tr&acirc;nsito    entre o Barlavento e o Sotavento algarvios, ligando toda a regi&atilde;o ao    resto do Pa&iacute;s e ao exterior<a href="#_ftn98" name="_ftnref98" title="">[98]</a>,    Loul&eacute; chamava a si gentes de proveni&ecirc;ncia v&aacute;ria, gentes,    muitas delas, habituadas ao melhor que a &eacute;poca podia oferecer &ndash;    alguns mercadores de grosso trato que vinham negociar os frutos secos, por exemplo.    Por outro lado, uma elite de &ldquo;not&aacute;veis&rdquo; bastante significativa<a href="#_ftn99" name="_ftnref99" title="">[99]</a>    &ndash; entre os quais se contava uma nobreza de segundo plano &ndash; ligados,    muitos dos seus membros, &agrave;quela faixa de com&eacute;rcio internacional    como produtores e talvez como intermedi&aacute;rios, com terras mais ou menos    dilatadas, mas usufruindo de rendimentos n&atilde;o despiciendos, todos eles    contribu&iacute;am para introduzir na sociedade alguns gostos mais requintados.</p>     <p>No dizer de Lu&iacute;s Miguel Duarte, nesta &eacute;poca, em Loul&eacute;,    &ldquo;sente-se uma terra animada, quase rica, com uma produ&ccedil;&atilde;o    agr&iacute;cola virada para a exporta&ccedil;&atilde;o e um crescimento demogr&aacute;fico    interessante&rdquo;<a href="#_ftn100" name="_ftnref100" title="">[100]</a>.</p>     <p>Tudo isso contribu&iacute;a para apurar gostos, trazer exig&ecirc;ncias novas,    aumentar a procura da qualidade e da diversidade. Tamb&eacute;m, como &eacute;    &oacute;bvio, no campo alimentar. Fen&oacute;meno que, come&ccedil;ando sempre    pelas elites, se vai desenrolando depois, em cascata, a toda a sociedade. E    em cada lugar v&atilde;o-se seguindo as modas vigentes de acordo com as condi&ccedil;&otilde;es    que se possuem e introduzindo as modifica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias.    Aqui em Loul&eacute;, como, ali&aacute;s, em toda a parte neste final da Idade    M&eacute;dia, os requintes da gente comum, em termos de culin&aacute;ria e a    avaliar pelas alfaias documentadas, pouco ultrapassariam os temperos, nomeadamente    os molhos.</p>     <p>Claro que n&atilde;o sabemos como as donas de casa temperavam os seus pratos    &ndash; para l&aacute; dos consabidos sal e uma gordura &ndash; nem que molhos    preparavam. Mas sabemos que o faziam e como podiam faz&ecirc;-lo. Porque o utens&iacute;lio    b&aacute;sico para a prepara&ccedil;&atilde;o dos molhos, esse era comum e existia,    se n&atilde;o em todas as casas, em muitas delas: o almofariz.</p>     <p>Na verdade o almofariz &ndash; o gral, na terminologia mais usada na &eacute;poca    &ndash;, como um pouco por todo o lado<a href="#_ftn101" name="_ftnref101" title="">[101]</a>,    era um utens&iacute;lio comum nas moradas louletanas, por vezes representado    por mais do que uma unidade, confeccionado em pedra ou numa madeira dura<a href="#_ftn102" name="_ftnref102" title="">[102]</a>.</p>     <p>&Eacute; sabido como a sua utiliza&ccedil;&atilde;o era indispens&aacute;vel    para a prepara&ccedil;&atilde;o de medicamentos e que muitos deles se faziam    em casa e assim acontecia tamb&eacute;m em Loul&eacute;, sem d&uacute;vida.    Mas era-o do mesmo modo para a confec&ccedil;&atilde;o de molhos. &Eacute; certo,    como acima disse, que n&atilde;o possu&iacute;mos receitas dessas prepara&ccedil;&otilde;es,    mas, em termos gerais, sabemos como eram confeccionadas.</p>     <p>Se nas grandes casas eles eram feitos &agrave; base de especiarias, tamb&eacute;m    se lhes juntavam ervas arom&aacute;ticas utilizando um largu&iacute;ssimo espectro<a href="#_ftn103" name="_ftnref103" title="">[103]</a>,    se regavam com um l&iacute;quido que podia ser leite de am&ecirc;ndoa, mas tamb&eacute;m    um caldo ou um acidulante e se espessavam com miolo de p&atilde;o. Muitas receitas    inclu&iacute;das nos variados livros de cozinha que a Baixa Idade M&eacute;dia    produziu e chegaram at&eacute; n&oacute;s apontam, em todo o lado, para estes    ingredientes. Ora bem, aqui, em Loul&eacute;, essas receitas tinham que sofrer    algumas adapta&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>As fam&iacute;lias mais possidentes tinham acesso &agrave;quilo que na cidade    e vilas de alguma import&acirc;ncia se transaccionava como especiarias: os chamados    &ldquo;p&oacute;s&rdquo;, uma mistura de plantas diversas, mo&iacute;das, talvez    com alguma percentagem daquelas que vinham do Oriente, mas n&atilde;o especiarias    puras. &Eacute; poss&iacute;vel que tamb&eacute;m algumas destas se encontrassem    &agrave; venda em Loul&eacute;, mas s&oacute; eram acess&iacute;veis &agrave;s    fam&iacute;lias mais ricas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com algumas especiarias ou sem elas, com aqueles &ldquo;p&oacute;s&rdquo; ou    sem eles, n&atilde;o havia dificuldade em encontrar, tanto na flora cultivada    como na silvestre, uma enorme variedade de plantas desde tempos imemoriais usadas    como condimento<a href="#_ftn104" name="_ftnref104" title="">[104]</a>. Mas    o pr&oacute;prio foral louletano de Quinhentos contempla tamb&eacute;m, como    o de Silves e os demais dados ao Algarve<a href="#_ftn105" name="_ftnref105" title="">[105]</a>,    a entrada na vila de erva-doce, coentro seco, &aacute;gua rosada, &aacute;gua    de flor de laranja<a href="#_ftn106" name="_ftnref106" title="">[106]</a>. Tudo    temperos f&aacute;ceis de encontrar em Loul&eacute;. E ainda, pelo menos a partir    de 1403, habitava na pr&oacute;pria vila um homem que confeccionava molho de    mostarda e, naturalmente, o comercializava<a href="#_ftn107" name="_ftnref107" title="">[107]</a>.</p>     <p>Bastava, pois, reunir o grupo de condimentos requeridos ou poss&iacute;veis    no momento, esmagar e moer tudo no almofariz at&eacute; obter uma consist&ecirc;ncia    fina e homog&eacute;nea, regar com um caldo ou um acidulante &ndash; vinagre    ou agra&ccedil;o, ambos f&aacute;ceis de obter porque derivados do sumo da uva    &ndash; e espessar com miolo de p&atilde;o. Poucas fam&iacute;lias, em Loul&eacute;,    estariam arredadas deste tipo de consumo.</p>     <p>Ali&aacute;s, sabemos como o almofariz era alfaia insistentemente usada, n&atilde;o    s&oacute; pela sua presen&ccedil;a na generalidade das casas, mas tamb&eacute;m    pelo acentuado desgaste que alguns deles, recuperados pela arqueologia, t&ecirc;m    mostrado<a href="#_ftn108" name="_ftnref108" title="">[108]</a>.</p>     <p>Estas confec&ccedil;&otilde;es eram a forma de melhorar e diversificar os sabores    de uma alimenta&ccedil;&atilde;o mon&oacute;tona, porque feita &agrave; base    de cozidos e assados. N&atilde;o podiam deixar de ser praticados.</p>     <p>Como &uacute;ltima nota de algum poss&iacute;vel requinte na cozinha, apenas    poderei citar a exist&ecirc;ncia, em uma das moradias, de um atanor de barro<a href="#_ftn109" name="_ftnref109" title="">[109]</a>,    um fogareiro<a href="#_ftn110" name="_ftnref110" title="">[110]</a>, onde os    assados na brasa estariam facilitados e resultariam mais perfeitos; onde seria    mais f&aacute;cil equilibrar todos os recipientes e onde at&eacute; a velha    tradi&ccedil;&atilde;o sa&iacute;da dos mosteiros de, no Inverno, aquecer o    vinho que se bebia<a href="#_ftn111" name="_ftnref111" title="">[111]</a>, era    mais f&aacute;cil. E n&atilde;o seria aquele o &uacute;nico exemplar existente    em Loul&eacute;.</p>     <p><b>Cozinhar sem o uso de alfaias</b></p>     <p>A par de todas estas confec&ccedil;&otilde;es, sem d&uacute;vida as mais numerosas,    que n&atilde;o dispensavam o uso de qualquer utens&iacute;lio no decorrer da    sua prepara&ccedil;&atilde;o, outras havia que podiam prescindir de tudo, excepto,    como &eacute; &oacute;bvio, do pr&oacute;prio alimento.</p>     <p>Estavam neste caso, em primeiro lugar, as refei&ccedil;&otilde;es frias, que    eram praticadas pelos camponeses quando trabalhavam em agros longe da sua casa,    mas tamb&eacute;m pelos citadinos mais desmunidos trabalhando igualmente distante    de casa, ou, para estes &uacute;ltimos, quando a lenha escasseava para iluminar    a lareira e aquecer tudo &agrave; sua volta. Porque em qualquer aglomera&ccedil;&atilde;o    urbana a lenha era cara e na maior parte dos casos apanh&aacute;-la gratuitamente    j&aacute; n&atilde;o era poss&iacute;vel, ou tornara-se muito dif&iacute;cil.</p>     <p>Acontecia o mesmo em todo o pa&iacute;s &ndash; em toda a parte &ndash; e,    na circunst&acirc;ncia, cada regi&atilde;o valorizava ao m&aacute;ximo os seus    principais recursos. Claro que na &eacute;poca, em qualquer lugar, o p&atilde;o    se encontrava na primeira linha. Uma fatia de p&atilde;o com uma talhada de    queijo, umas azeitonas curtidas ou, na sua falta, um vegetal, mesmo em cru &ndash;    e nesta vertente as cebolas eram as preferidas &ndash; podia resultar, para    os mais pobres, uma refei&ccedil;&atilde;o aceit&aacute;vel. Como, na verdade,    continuou a acontecer pelos tempos fora, at&eacute; bem pr&oacute;ximo de n&oacute;s<a href="#_ftn112" name="_ftnref112" title="">[112]</a>.</p>     <p>Em Loul&eacute;, um recurso end&oacute;geno e rico era, no caso, da maior import&acirc;ncia:    os seus figos, frescos, mas sobretudo secos, at&eacute; porque podiam ser consumidos    pelo ano adiante. O sentido de muitas das preocupa&ccedil;&otilde;es dos homens-bons    da terra, daqueles que na localidade exerciam o poder, &eacute; bastante significativo.    Porque n&atilde;o era por mero acaso que a verea&ccedil;&atilde;o da vila fixava    as suas f&eacute;rias camar&aacute;rias durante o per&iacute;odo em que se colhiam    os figos e se colocavam a secar<a href="#_ftn113" name="_ftnref113" title="">[113]</a>;    n&atilde;o era por mero acaso que os maiores cuidados desses homens, no que    se refere aos campos cultivados, se dirigiam aos figueirais e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    de figos<a href="#_ftn114" name="_ftnref114" title="">[114]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Claro que as preocupa&ccedil;&otilde;es destes homens eram motivadas pelos    importantes neg&oacute;cios que eles pr&oacute;prios, e de uma maneira geral    a vila, tinham oportunidade de realizar, mas at&eacute; mesmo os mais pobres,    quando a fortuna anda pr&oacute;xima, podem lucrar. E muitos jantares se fariam,    entre estas fam&iacute;lias mais pobres, exclusiva ou prevalentemente baseados    nos figos. Frescos ou secos.</p>     <p>Outras refei&ccedil;&otilde;es, mesmo quentes, n&atilde;o exigiam utens&iacute;lios    de cozinha. Peixes pequenos &ndash; a sardinha em primeiro lugar porque muito    abundante &ndash; podiam ser assados directamente sobre as brasas, assim como    algum peda&ccedil;o de carne, nomeadamente de porco, por altura da matan&ccedil;a    e at&eacute; uns ovos, bem posicionados sob as cinzas da lareira e com o calor    controlado podiam proporcionar uma boa refei&ccedil;&atilde;o quente. Tudo isto    acompanhado, &agrave; boa maneira medieval, com p&atilde;o.</p>     <p>Talvez n&atilde;o sejam de todo descabidas estas considera&ccedil;&otilde;es,    se nos lembrarmos daquela fam&iacute;lia j&aacute; atr&aacute;s referida, em    cuja habita&ccedil;&atilde;o ficou dito que, como m&oacute;vel, existia apenas    uma almadraqueja velha<a href="#_ftn115" name="_ftnref115" title="">[115]</a>.    Tamb&eacute;m havia em Loul&eacute;, como havia em todo o lado, a extrema pobreza.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>III &ndash; A MESA</b></p>     <p><b>1. A mesa e o seu lugar em casa</b></p>     <p>Falar em mesa neste final da Idade M&eacute;dia, a n&atilde;o ser quando se    trata de fam&iacute;lias abastadas, reduz-se, na maior parte das vezes, a simples    figura de ret&oacute;rica. Porque mesa n&atilde;o existia<a href="#_ftn116" name="_ftnref116" title="">[116]</a>.    Por&eacute;m, quando este m&oacute;vel fazia parte do recheio dom&eacute;stico    ele era, quase sempre, de armar<a href="#_ftn117" name="_ftnref117" title="">[117]</a>,    o que em regra se encontra expresso de forma a n&atilde;o consentir d&uacute;vidas,    uma vez que nos &eacute; apresentado na forma de uma mesa com os seus p&eacute;s.</p>     <p>Foram estas, e descritas desta maneira, as poucas mesas que os invent&aacute;rios    louletanos nos mostraram<a href="#_ftn118" name="_ftnref118" title="">[118]</a>,    com excep&ccedil;&atilde;o da casa do cavaleiro Rui Louren&ccedil;o, onde se    encontrava uma mesa de gonzos<a href="#_ftn119" name="_ftnref119" title="">[119]</a>,    m&oacute;vel que, &agrave; &eacute;poca, era bastante raro<a href="#_ftn120" name="_ftnref120" title="">[120]</a>.    Tratava-se assim, de um modo geral, de m&oacute;veis que ocupavam pouco espa&ccedil;o    &ndash; o qual, nas casas da gente comum, raramente abundava &ndash;, uma vez    que, n&atilde;o estando em servi&ccedil;o, a t&aacute;bua &ndash; a mesa propriamente    dita &ndash; se conservava encostada a uma parede e os cavaletes em que assentava    quando armada &ndash; os p&eacute;s &ndash; podiam igualmente arrumar-se junto    dela. O mesmo acontecia com aquela mesa de gonzos que, presa &agrave; parede,    s&oacute; ocupava espa&ccedil;o quando em servi&ccedil;o. Em casa desse mesmo    cavaleiro havia, no entanto, uma outra, uma arca-mesa, m&oacute;vel que, como    tantos outros, na &eacute;poca, desempenhava mais do que uma fun&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Nas habita&ccedil;&otilde;es das fam&iacute;lias abastadas, chegada a hora    da refei&ccedil;&atilde;o, armada a mesa &ndash; <i>posta a mesa</i> no local    onde se iria comer, em qualquer lugar onde se quisesse &ndash; podia colocar-se    sobre ela um mantel de tecido grosso para maior conforto dos comensais<a href="#_ftn121" name="_ftnref121" title="">[121]</a>    e sobre ele estendia-se uma toalha &ndash; branca &ndash; que nessas casas abastadas,    e sobretudo em ocasi&otilde;es especiais, podia ser bordada ou trabalhada no    tear<a href="#_ftn122" name="_ftnref122" title="">[122]</a>. Ali&aacute;s, a    pr&oacute;pria fonte j&aacute; aqui tantas vezes citada nos informa acerca de    uma toalha &ldquo;lavrada&rdquo;, isto &eacute;, trabalhada no tear, propriedade    de um cavaleiro louletano &ndash; Vasco Louren&ccedil;o &ndash; que durante    algum tempo se encontrou depositada na arca dos &oacute;rf&atilde;os, como penhor    de uma quantia em dinheiro que ele a&iacute; pedira<a href="#_ftn123" name="_ftnref123" title="">[123]</a>,    a exemplo de que acontecia em diversas ocasi&otilde;es e lugares.</p>     <p>Poucos em Loul&eacute;, e de acordo com a documenta&ccedil;&atilde;o em presen&ccedil;a,    usufruiriam destes requintes. Nos finais da Idade M&eacute;dia, a roupa era    ainda um luxo dispendioso e n&atilde;o muitos podiam ir al&eacute;m do absolutamente    indispens&aacute;vel. &Agrave; luz dos invent&aacute;rios que chegaram at&eacute;    n&oacute;s, s&oacute; em casa de Rui Louren&ccedil;o, como devia acontecer na    dos outros &ldquo;not&aacute;veis&rdquo; da vila, a roupa de mesa abundava.    Ficou registada a exist&ecirc;ncia de, para l&aacute; de quatro mant&eacute;is    &ndash; que nem sempre eram usados na mesa, mas tinham, vulgarmente, outras    utiliza&ccedil;&otilde;es, talvez como roupa de cama &ndash;, um alquic&eacute;    de mesa fino<a href="#_ftn124" name="_ftnref124" title="">[124]</a>, oito toalhas    de mesa, duas das quais de linho, sem contar com as duas toalhas de len&ccedil;o,    de cobrir p&atilde;o, a que j&aacute; atr&aacute;s foi feita refer&ecirc;ncia<a href="#_ftn125" name="_ftnref125" title="">[125]</a>.    De resto, s&oacute; uma outra fam&iacute;lia tinha umas toalhas, por&eacute;m,    ao tempo, j&aacute; velhas e rotas<a href="#_ftn126" name="_ftnref126" title="">[126]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. O servi&ccedil;o de mesa</b></p>     <p>Com mesa ou sem ela, os alimentos precisavam ser servidos. Em muitas casas,    as mais das vezes, n&atilde;o seriam necess&aacute;rios quaisquer utens&iacute;lios    para o efeito e bastavam aqueles onde haviam sido cozinhados. Mas na maior parte    das moradas havia alfaias pr&oacute;prias para coloc&aacute;-los e lev&aacute;-los    para a mesa, quando esse m&oacute;vel existia, ou, caso contr&aacute;rio, em    qualquer outro lugar acess&iacute;vel a todos os comensais.</p>     <p>Para os alimentos s&oacute;lidos usavam-se prat&eacute;is e talhadores grandes,    isto &eacute;, o equivalente &agrave;s nossas travessas<a href="#_ftn127" name="_ftnref127" title="">[127]</a>.    Em Loul&eacute; tanto uns como outros se encontravam em bastantes moradias,    por vezes em n&uacute;mero consider&aacute;vel que, no respeitante aos prat&eacute;is    podia chegar a vinte e um, embora a maioria n&atilde;o tivesse a fun&ccedil;&atilde;o    de travessa, uma vez que foi feita a distin&ccedil;&atilde;o entre grandes e    pequenos<a href="#_ftn128" name="_ftnref128" title="">[128]</a>.</p>     <p>Quando os materiais de confec&ccedil;&atilde;o se encontram referidos eles    divergem. No referente aos prat&eacute;is esse material foi sempre indicado    como sendo o estanho<a href="#_ftn129" name="_ftnref129" title="">[129]</a>,    mas os talhadores podiam ser de madeira<a href="#_ftn130" name="_ftnref130" title="">[130]</a>,    de barro<a href="#_ftn131" name="_ftnref131" title="">[131]</a>, de barro vidrado<a href="#_ftn132" name="_ftnref132" title="">[132]</a>,    de M&aacute;laga<a href="#_ftn133" name="_ftnref133" title="">[133]</a>. Quer    dizer: de madeira ou de barro, embora este pudesse ser preparado de maneiras    diferentes. A indiciar, talvez, que nos prat&eacute;is confeccionados com materiais    mais ricos e suscept&iacute;veis de se riscar e deteriorar quando sobre eles    se exercesse press&atilde;o com um objecto cortante, se serviria a carne ou    outros alimentos j&aacute; trinchados em pequenos peda&ccedil;os e nos talhadores,    mais robustos sob este aspecto, podiam servir-se pe&ccedil;as inteiras. S&oacute;    que, com os de M&aacute;laga, talvez houvesse que ter algum cuidado.</p>     <p>Esta &uacute;ltima loi&ccedil;a &ndash; de M&aacute;laga &ndash; merece um    pouco de aten&ccedil;&atilde;o, at&eacute; porque v&aacute;rias foram as pe&ccedil;as    de cer&acirc;mica que receberam aquele qualificativo. Ali&aacute;s, no foral    manuelino de Loul&eacute;<a href="#_ftn134" name="_ftnref134" title="">[134]</a>,    como no do Silves e nos restantes algarvios que seguem este &uacute;ltimo<a href="#_ftn135" name="_ftnref135" title="">[135]</a>,    parece usar-se o qualificativo &ldquo;de M&aacute;laga&rdquo; para designar    toda a loi&ccedil;a de barro, vidrado, proveniente de importa&ccedil;&atilde;o,    mais onerada pelo tributo do que a mesma loi&ccedil;a, vidrada ou n&atilde;o,    fabricada no reino.</p>     <p>Era este um tipo de baixela que pelo prest&iacute;gio adquirido se podia encontrar    em qualquer lado<a href="#_ftn136" name="_ftnref136" title="">[136]</a>, inclusive    nos grandes enxovais como o da Infanta D. Beatriz, inventariado em 1507 e onde    ficaram declarados treze prat&eacute;is de &ldquo;malegua de Valen&ccedil;a&rdquo;<a href="#_ftn137" name="_ftnref137" title="">[137]</a>.    Mas aqui, em Loul&eacute;, tal loi&ccedil;a parece ter sido recorrente, uma    vez que ficou registada em diversas habita&ccedil;&otilde;es e representada    por v&aacute;rios utens&iacute;lios, como adiante voltarei a referir.</p>     <p>Documenta-se, assim, um fluxo comercial de alguma import&acirc;ncia, por certo    a privilegiar as rotas que ligavam o Sul peninsular. Tratava-se de uma loi&ccedil;a    vidrada, dourada, profusamente decorada, proveniente dos chamados barros de    Sevilha e M&aacute;laga e em que se tinham por assim dizer especializado as    olarias sevilhanas e valencianas. Era conhecida como labor e obra de M&aacute;laga<a href="#_ftn138" name="_ftnref138" title="">[138]</a>.</p>     <p>Fabricados com materiais mais ou menos ricos, de acordo com as posses de quem    os adquiria e tamb&eacute;m com o uso a que se destinavam, com formas mais ou    menos requintadas<a href="#_ftn139" name="_ftnref139" title="">[139]</a>, prat&eacute;is    e talhadores existiam em muitas casas louletanas.</p>     <p>Outros alimentos, sobretudo semi-l&iacute;quidos, vinham &agrave; mesa em bacias<a href="#_ftn140" name="_ftnref140" title="">[140]</a>    de cer&acirc;mica ou de metal<a href="#_ftn141" name="_ftnref141" title="">[141]</a>,    em tigelas grandes<a href="#_ftn142" name="_ftnref142" title="">[142]</a>, em    altamias, tamb&eacute;m uma esp&eacute;cie de ta&ccedil;as<a href="#_ftn143" name="_ftnref143" title="">[143]</a>.    Talvez menos f&aacute;ceis de encontrar em outras regi&otilde;es, estas &uacute;ltimas<a href="#_ftn144" name="_ftnref144" title="">[144]</a>,    eram aqui, em Loul&eacute;, uma alfaia, se n&atilde;o recorrente tamb&eacute;m    n&atilde;o escassa, uma vez que existia em diversas moradas e presente, sempre,    por interm&eacute;dio de v&aacute;rias unidades, que podiam ser at&eacute; cinco<a href="#_ftn145" name="_ftnref145" title="">[145]</a>,    neste caso todas de M&aacute;laga<a href="#_ftn146" name="_ftnref146" title="">[146]</a>,    como, ali&aacute;s, tamb&eacute;m as tigelas. A bebida servia-se em pich&eacute;is,    uma esp&eacute;cie de jarras, que tamb&eacute;m podiam ser de M&aacute;laga<a href="#_ftn147" name="_ftnref147" title="">[147]</a>.</p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel que algumas das jarras mencionadas nos invent&aacute;rios    e a que atr&aacute;s foi feita refer&ecirc;ncia, tamb&eacute;m servissem &agrave;    mesa<a href="#_ftn148" name="_ftnref148" title="">[148]</a> e talvez fosse essa    igualmente a fun&ccedil;&atilde;o da &uacute;nica albarrada &ndash; tamb&eacute;m    uma esp&eacute;cie de jarra &ndash; constante nos esp&oacute;lios aqui em an&aacute;lise<a href="#_ftn149" name="_ftnref149" title="">[149]</a>,    at&eacute; porque esta alfaia podia, em alguns casos, receber uma tampa<a href="#_ftn150" name="_ftnref150" title="">[150]</a>,    a fim de resguardar de impurezas o seu conte&uacute;do.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outros artefactos de servi&ccedil;o &agrave; mesa eram aqui muito raros: apenas    dois saleiros, ambos de estanho<a href="#_ftn151" name="_ftnref151" title="">[151]</a>    &ndash; &eacute; sabido que, na Idade M&eacute;dia, vinham &agrave; mesa para    cada comensal salgar os alimentos como preferia &ndash;, uma salsinha, isto    &eacute;, uma molheira, igualmente de estanho<a href="#_ftn152" name="_ftnref152" title="">[152]</a>    e, como requinte m&aacute;ximo, um pratel grande, de &aacute;gua &agrave;s m&atilde;os<a href="#_ftn153" name="_ftnref153" title="">[153]</a>.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, como utens&iacute;lios de uso colectivo, mas que, penso,    poderiam ser utilizados em diversas outras circunst&acirc;ncias e em diversas    outras fun&ccedil;&otilde;es, alguns prateiros<a href="#_ftn154" name="_ftnref154" title="">[154]</a>    e um char&atilde;o, qualificado, este, de &Eacute;vora<a href="#_ftn155" name="_ftnref155" title="">[155]</a>,    pe&ccedil;as, umas e outra, de significado n&atilde;o perfeitamente claro, mas    que podiam ser tabuleiros<a href="#_ftn156" name="_ftnref156" title="">[156]</a>.</p>     <p><b>3. Que loi&ccedil;a individual?</b></p>     <p>Loi&ccedil;a individual era muito pouca. Em primeiro lugar as escudelas<a href="#_ftn157" name="_ftnref157" title="">[157]</a>    ou cuncas<a href="#_ftn158" name="_ftnref158" title="">[158]</a>, a que actualmente    chamar&iacute;amos tigelas ou malgas e que os convivas usavam para os alimentos    l&iacute;quidos e semi-l&iacute;quidos. De uma maneira geral, eram confeccionados    em madeira &ndash; e &eacute; nessa qualidade que o foral manuelino de Loul&eacute;    no-las apresenta<a href="#_ftn159" name="_ftnref159" title="">[159]</a> &ndash;,    se bem que existiam algumas em cer&acirc;mica. Foram, por&eacute;m, declaradas    em poucas casas, talvez mais pelo seu diminuto valor comercial, ao menos as    de pau, do que pela sua inexist&ecirc;ncia, o que igualmente tem sido considerado    em outros locais. O facto de, em Loul&eacute;, elas n&atilde;o se encontrarem    declaradas nas casas mais ricas &eacute; bastante sintom&aacute;tico.</p>     <p>Onde nos foram dadas a conhecer, as escudelas podiam ser grandes ou pequenas,    o que sugere, para as maiores, um uso partilhado ou at&eacute; colectivo, conforme    o tamanho; as cuncas, apenas inventariadas, com este nome, em um dos esp&oacute;lios,    foram ditas pequenas, em n&uacute;mero de tr&ecirc;s, mas acrescentaram-se outras    tr&ecirc;s, designadas por cunquinhas, o que nos remete para um tamanho ainda    mais pequeno, a sugerir a sua utiliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o para os habituais    caldos ou papas, alimentos a que normalmente serviam, mas para a bebida. A ser    assim, a escudela &ndash; ou cunca &ndash; individual, a que diversos investigadores    se t&ecirc;m referido, seria na &eacute;poca, em Loul&eacute;, muito pouco comum.</p>     <p>Partilhado era tamb&eacute;m o talhador pequeno, que servia, em regra, para    dois comensais sentados lado a lado<a href="#_ftn160" name="_ftnref160" title="">[160]</a>,    mas que podia servir a quatro, se sentados a uma mesa muito estreita.</p>     <p>Copos e p&uacute;caros eram muito raros. &Eacute; certo que os p&uacute;caros,    ditos para beber &aacute;gua, constavam entre as pe&ccedil;as de olaria na tabela    estabelecida pela c&acirc;mara municipal e j&aacute; atr&aacute;s por diversas    vezes referida<a href="#_ftn161" name="_ftnref161" title="">[161]</a>, mas nenhum    ficou declarado nos invent&aacute;rios que chegaram at&eacute; n&oacute;s; quanto    aos copos, apenas um nos foi dado a conhecer<a href="#_ftn162" name="_ftnref162" title="">[162]</a>,    talvez porque confeccionado em estanho, um material caro e portanto de certo    prest&iacute;gio.</p>     <p>Talheres pode dizer-se que n&atilde;o havia, na Idade M&eacute;dia. Colheres    eram raras e mais raramente ainda constavam dos invent&aacute;rios, e de uma    maneira geral eram de pau, o que impede ou, pelo menos, muito dificulta a sua    recupera&ccedil;&atilde;o pelos arque&oacute;logos. Quando a documenta&ccedil;&atilde;o    escrita as refere s&atilde;o, as mais das vezes, de cozinha. Todavia, em determinados    lugares e em condi&ccedil;&otilde;es especiais de humidade do solo, elas puderam    ser encontradas, como j&aacute; atr&aacute;s ficou lembrado. Nesses casos, as    colheres mais pequenas do que as de cozinha apresentam-se com cabos curtos,    correspondentes &agrave; largura da palma da m&atilde;o a indicar uma manuten&ccedil;&atilde;o    s&oacute;lida do utens&iacute;lio, firmemente sustido pela m&atilde;o fechada    sobre o cabo<a href="#_ftn163" name="_ftnref163" title="">[163]</a>.</p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel que existissem colheres destas em Loul&eacute;, embora    negligenciadas pelos escriv&atilde;es dos invent&aacute;rios, mas na maioria    dos casos elas eram dispens&aacute;veis. Existiam, isso sim, algumas colheres    de prata, nas casas mais abastadas, mas essas eram, al&eacute;m de raras, de    uso muito espor&aacute;dico e ciosamente guardadas, como quaisquer outros objectos    de prata, pelo valor intr&iacute;nseco que possu&iacute;am e dos quais os seus    donos se serviam, em caso de necessidade e falta de liquidez. Haja em vista    o caso do j&aacute; tantas vezes citado Rui Louren&ccedil;o, que &agrave; sua    morte possu&iacute;a alguns objectos de prata &ndash; entre os quais quatro    colheres &ndash;, todos empenhados a troco de quantias v&aacute;rias<a href="#_ftn164" name="_ftnref164" title="">[164]</a>.</p>     <p>Garfos como os que conhecemos e utilizamos hoje em dia n&atilde;o existiam.    &Eacute; certo que em It&aacute;lia se pode ter conhecido precocemente o garfo    pequeno, de mesa. Mas esse era um objecto muito raro e munido apenas de dois    dentes muito separados entre si<a href="#_ftn165" name="_ftnref165" title="">[165]</a>,    o que significa serem destinados apenas a espetar os alimentos s&oacute;lidos    e a deposit&aacute;-los no talhador. Fun&ccedil;&atilde;o que era, de prefer&ecirc;ncia,    desempenhada pela faca, at&eacute; porque esta tamb&eacute;m cortava os alimentos    quando eles n&atilde;o haviam sido previamente trinchados e continuava a fazer    o mesmo trabalho no talhador que o comensal tinha &agrave; sua frente, ou sobre    a fatia de p&atilde;o em que ele o depositara.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por sua vez, as facas de mesa eram tamb&eacute;m muito raras e, como a generalidade    dos investigadores tem comprovado, eram todas de l&acirc;mina pontiaguda, destinadas    a espetar<a href="#_ftn166" name="_ftnref166" title="">[166]</a>. N&atilde;o    obstante a sua raridade &ndash; n&atilde;o s&oacute; nos invent&aacute;rios    como tamb&eacute;m na arqueologia e na iconografia, onde uma ou duas facas parecem    suficientes para toda uma mesa &ndash;, elas tinham que ser muito importantes    no decorrer de qualquer refei&ccedil;&atilde;o para cortar todos os alimentos    s&oacute;lidos e desde logo para o p&atilde;o que, como mais uma vez a iconografia    mostra, vinha inteiro para a mesa. E eram para ele, sobretudo, que essas poucas    facas a&iacute; se encontravam. No entanto cada comensal precisava utilizar    com insist&ecirc;ncia um instrumento cortante ao logo de toda a refei&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A faca era, assim, um utens&iacute;lio individual que cada conviva trazia consigo    <a href="#_ftn167" name="_ftnref167" title="">[167]</a> e podia ser tamb&eacute;m    qualquer outro instrumento cortante e de ponta afiada. De resto, era a m&atilde;o    que se usava &agrave; mesa para quase tudo. Num h&aacute;bito transversal a    toda a sociedade e que se prolongou ainda para c&aacute; da Idade M&eacute;dia.</p>     <p><b>4. O consumo da refei&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Com uma t&atilde;o diminuta baixela de servi&ccedil;o &agrave; mesa, as formas    de comportamento dos comensais tinham que ser muito rudimentares e tanto mais    que, em casa, essa baixela escasseava.</p>     <p>Entre as fam&iacute;lias mais desmunidas, com poucas alfaias e sem mesa para    apoiar as existentes, a refei&ccedil;&atilde;o s&oacute; podia decorrer de um    modo muito simples<a href="#_ftn168" name="_ftnref168" title="">[168]</a>. Se    o jantar, a refei&ccedil;&atilde;o de antes do meio-dia e a mais importante,    nem sempre podia ser tomada em casa porque o trabalho decorria longe, pelo menos,    a ceia, a refei&ccedil;&atilde;o da noite, era tomada ao canto da lareira, &agrave;    volta do lume, muitas vezes a &uacute;nica fonte de claridade e, no Inverno,    o lugar mais quente e aconchegado da casa. Os alimentos l&iacute;quidos e semil&iacute;quidos    eram servidos em escudelas ou cuncas, individuais ou, possivelmente as mais    das vezes, partilhadas, que se levavam directamente &agrave; boca. Para facilitar    o acto algumas delas tinham asas ou orelhas<a href="#_ftn169" name="_ftnref169" title="">[169]</a>.    Os alimentos s&oacute;lidos que restavam na escudela ou que, por vezes, eram    cozinhados &agrave; parte, colhiam-se com os dedos para uma fatia de p&atilde;o    e assim eram consumidos.</p>     <p>A bebida, entre n&oacute;s como em toda a regi&atilde;o mediterr&acirc;nica    e para todas as idades, o vinho, tomava-se directamente do pichel ou da jarra    que circulava entre todos os comensais e do qual cada um bebia, &agrave; sua    vez<a href="#_ftn170" name="_ftnref170" title="">[170]</a>.</p>     <p>Entre as fam&iacute;lias um pouco mais acomodadas, com mesa ou sem ela, a refei&ccedil;&atilde;o    continuava, as mais das vezes, a ser servida no local da confec&ccedil;&atilde;o,    isto &eacute;, &agrave; volta da lareira. Se em casa havia uma mesa sobre ela    se colocava o p&atilde;o e talvez um talhador com alimentos s&oacute;lidos.    Um e outros eram cortados com uma faca e transferidos para talhadores pequenos,    cada um dos quais seria partilhado por dois ou mais membros da fam&iacute;lia.    Ou simplesmente colocados sobre as fatias de p&atilde;o. A bebida podia continuar    a ser tomada directamente do pichel, ou haver em casa um copo, ou um p&uacute;caro<a href="#_ftn171" name="_ftnref171" title="">[171]</a>,    que circulava entre todos.</p>     <p>Compreende-se assim que as boas maneiras &agrave; mesa recomendassem que, antes    de beber, se limpasse a boca, e quando a bebida se servia em copo cada um bebesse    todo o conte&uacute;do que lhe era apresentado, sem deixar restos para quem,    em seguida, se servisse<a href="#_ftn172" name="_ftnref172" title="">[172]</a>.</p>     <p>&Agrave; medida que se subia na escala social e econ&oacute;mica o servi&ccedil;o    de mesa ia-se complexificando. O pr&oacute;prio lugar da refei&ccedil;&atilde;o    podia deixar de ser a cozinha.</p>     <p>Foi visto atr&aacute;s que algumas fam&iacute;lias louletanas declararam possuir    uma mesa de armar, que se deslocava para qualquer lugar da casa, a mudar o lugar    do repasto sempre que se queria. S&oacute; na morada do cavaleiro Rui Louren&ccedil;o    &ndash; e por certo nas de outros da sua igualha &ndash; haveria um lugar fixo    para o efeito, porque a sua mesa de gonzos, embora tamb&eacute;m de armar, estava    presa &agrave; parede. Mas ele tinha alem disso, como atr&aacute;s ficou dito,    uma arca-mesa<a href="#_ftn173" name="_ftnref173" title="">[173]</a>, o que    de qualquer modo lhe permitia mudar o lugar da refei&ccedil;&atilde;o, embora    talvez com um pouco mais de dificuldade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sobre a mesa podia colocar-se um mantel e sobre ele uma toalha. J&aacute; foi    visto que as toalhas, embora raras em Loul&eacute;, existiam nas moradias mais    ricas. Sobre a toalha colocavam-se, para al&eacute;m dos j&aacute; mencionados    pich&eacute;is, jarras, talhadores, ta&ccedil;as, tamb&eacute;m saleiros e salsinhas,    ou salseirinhas &ndash; molheiras, como hoje dir&iacute;amos. Nas casas de maior    proemin&ecirc;ncia uns e outras representados por diversos exemplares, porque    cada comensal podia salgar a comida a seu gosto e escolher o molho que preferisse,    no caso, claro, de haver mais do que um s&oacute;.</p>     <p>Estando o p&atilde;o inteiro na mesa e havendo poucas facas de servi&ccedil;o,    como j&aacute; foi sublinhado, os convivas podiam servir-se cortando uma fatia    com a sua faca de uso pessoal. Mas com ela tamb&eacute;m cortavam a carne e    o peixe. Por isso os tratados medievais de boas maneiras &agrave; mesa recomendavam    que a faca estivesse sempre bem limpa<a href="#_ftn174" name="_ftnref174" title="">[174]</a>.</p>     <p>Se os peda&ccedil;os cortados da travessa e retirados com a m&atilde;o eram    imergidos nos molhos e colocados no talhador onde podia estar j&aacute; uma    fatia de p&atilde;o que o molho tornava mais saborosa<a href="#_ftn175" name="_ftnref175" title="">[175]</a>,    tamb&eacute;m a m&atilde;o do comensal ficava mais suja, e cada vez mais, porque    sempre em contacto estreito com a comida. Por isso, tanto a faca como as m&atilde;os    precisavam limpar-se v&aacute;rias vezes. Para o efeito havia nestas casas mais    ricas &ndash; apenas em casa de Rui Louren&ccedil;o, neste acervo documental    em que me apoio<a href="#_ftn176" name="_ftnref176" title="">[176]</a> &ndash;    tiras de pano que se prendiam &agrave; toalha, as chamadas longeiras ou napeiras,    uma esp&eacute;cie de guardanapos colectivos, onde se iam limpando facas e m&atilde;os.</p>     <p>Por&eacute;m, logo no in&iacute;cio da refei&ccedil;&atilde;o era preciso que    todos verificassem que essas m&atilde;os que iriam manter um t&atilde;o estreito    contacto com a comida a ingerir por todos estavam limpas. Deviam, pois, lavar-se    antes e depois de comer, opera&ccedil;&atilde;o que devia ser ostensivamente    p&uacute;blica para poder ser comprovada por todos. Assim, nas casas de mais    aparato a ac&ccedil;&atilde;o processava-se j&aacute; &agrave; mesa, com todos    presentes. Da&iacute; a express&atilde;o &ldquo;&aacute;gua &agrave;s m&atilde;os&rdquo;    com que se qualificavam algumas das alfaias de servi&ccedil;o que em regra eram    duas: um pichel ou um gomil, dois tipos de jarra que para o efeito parecem equivaler-se<a href="#_ftn177" name="_ftnref177" title="">[177]</a>    e uma bacia ou pratel, por certo mais fundo que os de servi&ccedil;o &agrave;    mesa. A &aacute;gua era lan&ccedil;ada do pichel ou gomil, por um servidor,    sobre as m&atilde;os dos convivas, caindo no bacio ou pratel, sustido por outro    servidor<a href="#_ftn178" name="_ftnref178" title="">[178]</a>.</p>     <p>Em Loul&eacute; este aparato devia ser raro. Como j&aacute; ficou dito, s&oacute;    na casa de maior riqueza que os invent&aacute;rios nos mostraram foi arrolada    uma alfaia de &ldquo;&aacute;gua &agrave;s m&atilde;os&rdquo;, no caso um pratel<a href="#_ftn179" name="_ftnref179" title="">[179]</a>.    A ser assim, o processo seguido tinha, por for&ccedil;a, que ser diferente do    usado nas moradias de maior aparato e cada um dos comensais lavaria as m&atilde;os    na &aacute;gua contida no pratel. A n&atilde;o ser que a outra alfaia da dupla    &ndash; o gomil ou o pichel &ndash; tivesse ficado esquecido ou escamoteado    ou fosse substitu&iacute;do por qualquer jarra usada tamb&eacute;m para outras    fun&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Mais algumas fam&iacute;lias havia, sem d&uacute;vida, em Loul&eacute;, entre    as elites da vila, onde o aparato de mesa passava por requintes semelhantes    ou at&eacute; mais elaborados &ndash; &aacute;guas perfumadas, por exemplo<a href="#_ftn180" name="_ftnref180" title="">[180]</a>    &ndash; se n&atilde;o sempre, ao menos em ocasi&otilde;es especiais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>IV &ndash; PALAVRAS FINAIS</b></p>     <p>Embora uma documenta&ccedil;&atilde;o pouco abundante, ela coloca-nos em presen&ccedil;a    de fam&iacute;lias pertencentes, como atr&aacute;s ficou dito, aos v&aacute;rios    escal&otilde;es sociais e econ&oacute;micos que existiam em todas as sociedades    da &eacute;poca, a abranger toda ou quase toda a popula&ccedil;&atilde;o louletana    de Quatrocentos.</p>     <p>Em regra, eram fam&iacute;lias possuidoras de uma baixela pobre e pouco abundante,    ainda mesmo sabendo, como tamb&eacute;m atr&aacute;s ficou lembrado, que nem    todos os artefactos existentes em casa ficaram registados. Mesmo considerando    esse aspecto percebem-se muitas faltas de objectos b&aacute;sicos, indispens&aacute;veis    ao normal funcionamento do trabalho dom&eacute;stico respeitante &agrave; confec&ccedil;&atilde;o    e consumo das refei&ccedil;&otilde;es, ainda que muito simples. Todavia, tem-se    verificado, um pouco por todo o lado, que raras habita&ccedil;&otilde;es na    &eacute;poca eram aut&oacute;nomas nesta como em outras vertentes do viver quotidiano    e sabe-se que as faltas eram, as mais das vezes, colmatadas por pedidos de empr&eacute;stimo    entre vizinhas<a href="#_ftn181" name="_ftnref181" title="">[181]</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o admira que assim acontecesse em Loul&eacute;, ainda mesmo que a    documenta&ccedil;&atilde;o nos cale, como tantas outras, esta faceta do quotidiano    de antanho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p><b>Fontes impressas</b></p>     <p><i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o de Loul&eacute;</i>. <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>,    supl. de <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i>, n.&ordm; 7. Loul&eacute;: Arquivo Hist&oacute;rico    Municipal de Loul&eacute; - C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;, 1999-2000.</p>     <p><i>Forais manuelinos do reino de Portugal e do Algarve conforme o exemplar    do Arquivo Nacional da Torre do Tombo de Lisboa</i>. Ed. Luiz Fernando de Carvalho    Dias. Vol. 3 - <i>Entre Tejo e Odiana</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&atilde;o do Autor,    1965.</p>     <p><i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;. S&eacute;culos XV e XVI</i>.    Ed. Maria de F&aacute;tima Machado. Loul&eacute;: C&acirc;mara Municipal de    Loul&eacute; &ndash; Arquivo Municipal, 2016.</p>     <p><i>O &ldquo;Livro de Cozinha&rdquo; da infanta D. Maria de Portugal</i>. Ed.    Salvador Dias Arnaut e Giacinto Manuppella. Coimbra: Universidade de Coimbra,    1967.</p>     <p>LOPES, Fern&atilde;o &ndash; <i>Cr&oacute;nica de D. Jo&atilde;o I</i>. Prefaciada    por Ant&oacute;nio S&eacute;rgio e preparada por M. Lopes de Almeida e A. de    Magalh&atilde;es Basto, vol. I e II. Porto: Livraria Civiliza&ccedil;&atilde;o,    1945-1949.</p>     <p><i>Ordena&ccedil;&otilde;es Afonsinas. </i>Nota de apresenta&ccedil;&atilde;o    por M&aacute;rio J&uacute;lio de Almeida Costa, nota textol&oacute;gica por    Eduardo Borges Nunes, livro IV. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian,    1984.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;&ldquo;Transcri&ccedil;&atilde;o do foral de Loul&eacute;&rdquo;, por    Lu&iacute;s Filipe Oliveira, Maria de F&aacute;tima Bot&atilde;o e Teresa Rebelo    da Silva. In SERRA, Manuel Pedro (Coord.) &ndash; <i>O foral de Loul&eacute;    1504 &ndash; D. Manuel</i>. Loul&eacute;: C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;,    2004, pp. 65-117.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Estudos</b></p>     <p>ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ, Juan &ndash; <i>El ajuar de las viviendas jerezanas    en &eacute;poca de Isabel I de Castilla (1474-1504)</i>. Cadiz: Servicio de    Publicaciones de la Universidad de Cadiz, 2011.</p>     <p>&ndash;<i> El ajuar de las viviendas murcianas a fines de la Edad Media (cultura    material a traves de los textos)</i>. M&uacute;rcia: Real Academoa Alfonso X    El Sabio, 2009.</p>     <p>ALEXANDRE-BIDON, Dani&egrave;le &ndash; &ldquo;Dans les cuisines du Moyen &Acirc;ge&rdquo;.    <i>Dans les cuisines du Moyen &Acirc;ge: mani&egrave;res de faire</i>, <i>Histoire    m&eacute;di&eacute;vale</i>, hors serie, n.&ordm; 8, Nov. 2004-Jan. 2005, pp.    42-47.</p>     <p>&ndash; ; BECK BOSSARD, Corinne &ndash; &ldquo;La pr&eacute;paration des repas    et leur consommation en Forez au XVe si&egrave;cle d&rsquo;apr&egrave;s les    sources arch&eacute;ologiques&rdquo;. in <i>Manger et boire au Moyen &Acirc;ge</i>.    <i>Actes du Colloque de Nice (15-17 octobre 1982)</i>. Tome 2 &ndash; <i>Cuisine,    mani&egrave;res de table, r&eacute;gimes alimentaires</i>. Nice: Centre d&rsquo;&Eacute;tudes    medievales de Nice, 1984, pp. 58-71.</p>     <p>ARNAUT, Salvador Dias &ndash; &ldquo;A arte de comer em Portugal na Idade M&eacute;dia&rdquo;,    Introdu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica a <i>O &ldquo;Livro de Cozinha&rdquo;    da infanta D. Maria de Portugal</i>. Ed. Salvador Dias Arnaut e Giacinto Manuppella.    Coimbra: Universidade de Coimbra, 1967, pp. XXIII-CXXX.</p>     <p>ARRIV&Eacute;, Nad&egrave;ge &ndash; &ldquo;Le vin en France au XVIe si&egrave;cle.    Aspects du vin: productions, usages et pratiques culinaires&rdquo;. in Viallon-Schoneveld,    Marie (Ed.) &ndash;<i> Le boire et le manger au XVIe si&egrave;cle</i>. <i>Actes    du XIe colloque du Puy-en-Valay</i>. Saint-&Eacute;tienne: Publications de l&rsquo;Universit&eacute;    de Saint-&Eacute;tienne, 2004, pp. 173-194.</p>     <p>BARROS, Maria Filomena Lopes de &ndash; <i>Tempos e espa&ccedil;os de mouros:    a minoria mu&ccedil;ulmana no reino portugu&ecirc;s (s&eacute;culos XII a XV)</i>.    Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian - FCT, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BEIRANTE, Maria &Acirc;ngela &ndash; &ldquo;Ritos alimentares em algumas confrarias    portuguesas medievais&rdquo;. in <i>Territ&oacute;rios do sagrado: cren&ccedil;as    e comportamentos na Idade M&eacute;dia em Portugal</i>. Lisboa: Colibri, 2011,    pp. 185-197.</p>     <p>BECK-BOSSARD, Corinne, v. ALEXANDRE-BIDON, Dani&egrave;le.</p>     <p>BOT&Atilde;O, Maria de F&aacute;tima &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o    de uma identidade urbana no Algarve medieval: o caso de Loul&eacute;</i>. Casal    de Cambra: Caleidosc&oacute;pio, 2009.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Os eixos estruturantes de uma hist&oacute;ria&rdquo;. in SERRA,    Manuel Pedro (Coord.) &ndash; <i>O foral de Loul&eacute; 1504 &ndash; D. Manuel</i>.    Loul&eacute;: C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;, 2004, pp. 15-34.</p>     <p>&ndash;<i> Silves, a capital de um reino medievo</i>. Silves: C&acirc;mara    Municipal de Silves, 1992.</p>     <p>BRESC, Henri, v. BRESC-BAUTIER, Genevi&eacute;ve.</p>     <p>BRESC-BAUTIER, Genevi&egrave;ve; BRESC, Henri; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement    de la cuisine et la table en Provence et en Sicile (XIVe-XVe si&egrave;cles).    &Eacute;tude compar&eacute;e&rdquo;. in <i>Manger et boire au Moyen &Acirc;ge</i>.    <i>Actes du Colloque de Nice (15-17 octobre 1982)</i>. Tome 2 &ndash; <i>Cuisine,    mani&egrave;res de table, r&eacute;gimes alimentaires</i>. Nice: Centre d&rsquo;&Eacute;tudes    medievales de Nice, 1984, pp. 45-58.</p>     <p>CARDOSO, Jo&atilde;o Lu&iacute;s; FERNANDES, Isabel Cristina F. &ndash; &ldquo;A    economia alimentar de Mu&ccedil;ulmanos e Crist&atilde;os do castelo de Palmela:    um contributo&rdquo;. <i>Arqueologia medieval</i> 12 (2012), pp. 211-233.</p>     <p>&ndash; v. FERNANDES, Isabel Cristina.</p>     <p>&ndash; v. GOMES, M&aacute;rio Varela.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CARVALHO, A. Rafael, v. FERNANDES, Isabel Cristina.</p>     <p>CATARINO, Helena - <i>O Algarve oriental durante a ocupa&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica:    povoamento rural e recintos fortificados</i>. <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i> 6,    vols. I e II (1997-1998).</p>     <p>&ndash; &ldquo;O castelo de Salir: resultados da explora&ccedil;&atilde;o dos    silos&rdquo;. <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i> 4 (1995), pp. 9-30.</p>     <p>&ndash;<i> Cer&acirc;micas isl&acirc;micas do castelo de Salir</i>. Loul&eacute;:    Museu Municipal de Arqueologia, 1992.</p>     <p>CATARINO, Maria Manuela &ndash;<i> Na margem direita do Baixo Tejo. Paisagem    rural e recursos alimentares (s&eacute;cs. </i><i>XIV-XV)</i>. Cascais: Patrimonia,    2000.</p>     <p>CAVACO, Sandra, v. COVANEIRO, Jaquelina.</p>     <p>CICLAIRE, Philippe &ndash;<i> Les cuissons alimentaires au Moyen &Acirc;ge</i>.    Paris: L&rsquo;Harmattan, 2017.</p>     <p>COELHO, Maria Helena da Cruz &ndash; &ldquo;Apontamentos sobre a comida e a    bebida do campesinato coimbr&atilde;o em tempos medievais&rdquo;. in <i>Homens,    espa&ccedil;os e poderes (s&eacute;culos XI-XVI)</i>. Vol. I - <i>Notas do viver    </i><i>social</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1990, pp. 9-22.</p>     <p>&ndash; &ldquo;O senhorio cr&uacute;zio de Alvorge na cent&uacute;ria de Trezentos&rdquo;.    in <i>Homens, espa&ccedil;os e poderes (s&eacute;culos XI-XVI)</i>. Vol. II    - <i>Dom&iacute;nio senhorial</i>. Lisboa&nbsp;: Livros Horizonte, 1990, pp.    31-92.</p>     <p>COLLINA-GIRARD, Jacques &ndash; <i>Le feu avant les allumettes. Exp&eacute;rimentation    et mythes t&eacute;chniques</i>. Paris&nbsp;: &Eacute;ditions de la Maison des    sciences de l&rsquo;homme, 1998.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CONTAMINE, Philippe &ndash; <i>La vie quotidienne pendant la guerre de Cent    Ans. France et Angleterre (XIVe si&egrave;cle)</i>. [Paris]: Hachette, 1976.</p>     <p>CORRIENTE, Federico &ndash; <i>Diccionario de arabismos y voces afines en iberoromance</i>.    Madrid: Gredos, 1999.</p>     <p>COULET, No&euml;l &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la cuisine &agrave;    Aix-en-Provence au XVe si&egrave;cle&rdquo;.&nbsp; <i>Annales du Midi</i> 103    (Jan. 1991), pp. 5-17.</p>     <p>&ndash;&nbsp;&ldquo;Pour une histoire du jardin. Vergers et potagers &agrave;    Aix-en-Provence: 1350-1450&rdquo;. <i>Le Moyen &Acirc;ge</i> 73 (1967), pp.    239-270.</p>     <p>COVANEIRO, Jaquelina; CAVACO, Sandra; LOPES, Gon&ccedil;alo &ndash; &ldquo;Importa&ccedil;&otilde;es    cer&acirc;micas de Tavira na Baixa Idade M&eacute;dia&rdquo;. <i>Arqueologia    Medieval</i> 11 (2010), pp. 113-120.</p>     <p>DETRY, Cleia, v. FERNANDES, Isabel Cristina.</p>     <p>DIETRICH, Anne &ndash; &ldquo;Les petits m&eacute;tiers du bois et les arts    de la table &agrave; la fin du Moyen &Acirc;ge&rdquo;. in DIETRICH, Anne; RAVOIRE,    Fabienne (Ed.) &ndash; <i>La cuisine et la table dans la France de la fin du    Moyen &Acirc;ge: contenus et contenants du XIVe au XVIe si&egrave;cle</i>. Turnhout:    Brepols, 2009, pp. 157-165.</p>     <p>DUARTE, Lu&iacute;s Miguel &ndash; &ldquo;Elei&ccedil;&otilde;es municipais    no Algarve no in&iacute;cio do s&eacute;culo XV&rdquo;. in <i>Actas das I Jornadas    de hist&oacute;ria medieval do </i><i>Algarve e Andaluzia</i>. Loul&eacute;:    C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;, 1987, pp. 297-304.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Quinhentos anos depois&rdquo;. in SERRA, Manuel Pedro (Coord.)    &ndash; <i>O foral de Loul&eacute; 1504 &ndash; D. Manuel</i>. Loul&eacute;:    C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;, 2004, pp. 9-11.</p>     <p>FERNANDES, Isabel Cristina Ferreira; CARDOSO, Jo&atilde;o Lu&iacute;s; DETRY,    Cleia &ndash; &ldquo;Cozinhar e comer no castelo medieval de Palmela&rdquo;.    in G&Oacute;MEZ MART&Iacute;NEZ, Susana (Ed.) &ndash; <i>Mem&oacute;ria dos    sabores do Mediterr&acirc;neo</i>. M&eacute;rtola: Campo Arqueol&oacute;gico    / Centro de Estudos Arqueol&oacute;gicos das Universidades de Coimbra e Porto,    2012, pp. 113-127.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ndash; ; CARVALHO, A. Rafael &ndash; &ldquo;Abordagem arqueol&oacute;gica    da Palmela medieval crist&atilde;&rdquo;. <i>Arqueologia medieval</i> 5 (1997),    pp. 225-241.</p>     <p>FERREIRA, Maria Elvira; SARAIVA, Isabel &ndash; &ldquo;Plantas da flora local    com valor alimentar e arom&aacute;tico&rdquo;. in VALAG&Atilde;O, Maria Manuel    (Org.) &ndash; <i>Tradi&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o alimentar:    dos recursos silvestres aos itiner&aacute;rios tur&iacute;sticos</i>. Lisboa:    Colibri - INIAP, 2006, pp. 21-43.</p>     <p>FERREIRA, Maria Valentina Garcia &ndash; &ldquo;A fruta de Loul&eacute; na    Europa medieval: an&aacute;lise de um manuscrito do s&eacute;culo XV&rdquo;.    <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i> 9 (2003), pp. 215-239.</p>     <p>FRAMOND, Martin de &ndash; &ldquo;&Agrave; la table d&rsquo;un marchand bourgeois    du Puy&rdquo;. in Viallon-Schoneveld, Marie (Ed.) &ndash;<i> Le boire et le    manger au XVIe si&egrave;cle</i>. <i>Actes du XIe colloque du Puy-en-Valay</i>.    Saint-&Eacute;tienne: Publications de l&rsquo;Universit&eacute; de Saint-&Eacute;tienne,    2004, pp. 103-150.</p>     <p>G&Aacute;ZQUEZ ORTIZ, Antonio &ndash; <i>La</i> <i>cocina en tiempos del arcipreste    de Hita</i>. Madrid: Alianza Editorial, 2002.</p>     <p>GOMES, M&aacute;rio Varela; GOMES, Rosa Varela; CARDOSO, Jo&atilde;o Lu&iacute;s    &ndash; &ldquo;Aspectos do quotidiano numa casa de Silves durante o s&eacute;culo    XV&rdquo;. <i>Silves nos Descobrimentos. Xelb: revista de arqueologia, etnologia    e hist&oacute;ria</i> 3 (1996), pp. 33-78.</p>     <p>GOMES, Rosa Varela, v. GOMES, M&aacute;rio Varela.</p>     <p>GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;. In    MATTOSO, Jos&eacute; (dir.) &ndash; <i>Hist&oacute;ria da vida privada em Portugal</i>.    Vol. I - <i>A Idade M&eacute;dia</i>. Coord. Bernardo Vasconcelos e Sousa. Lisboa:    Temas e Debates, 2010, pp. 226-259.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Alimenta&ccedil;&atilde;o medieval: conceitos, recursos, pr&aacute;ticas&rdquo;.    in <i>Actas dos VI Cursos internacionais de Ver&atilde;o de Cascais</i> <i>(5    a 10 de Julho de 1999)</i>. Vol. 2, <i>A alimenta&ccedil;&atilde;o</i>. Cascais:    C&acirc;mara Municipal de Cascais, 2000, pp. 29-48.</p>     <p>&ndash;&ldquo;A colheita r&eacute;gia medieval, padr&atilde;o alimentar de    qualidade (um contributo beir&atilde;o)&rdquo;. <i>Revista da Faculdade de Ci&ecirc;ncias    Sociais e Humanas</i> 6 (1992-1993), pp. 175-189.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ndash; &ldquo;<i>Dant vitam maiordomo de quali habuerint</i>. Apontamentos    sobre um direito senhorial &agrave; luz dos inqu&eacute;ritos afonsinos&rdquo;.    in <i>Por terras de Entre-Douro-e-Minho com as inquiri&ccedil;&otilde;es de    Afonso III</i>. Porto: CITCEM &ndash; Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento, 2012,    pp. 149-177.</p>     <p>&ndash;<i> &Agrave; mesa nas terras de Alcoba&ccedil;a em finais da Idade M&eacute;dia</i>.    Alcoba&ccedil;a: DGPC/Mosteiro de Alcoba&ccedil;a, 2017.</p>     <p>&ndash; &ldquo;A prop&oacute;sito do p&atilde;o da cidade na Baixa Idade M&eacute;dia    portuguesa&rdquo;. in SILVA, Carlos Guardado da (Ed.) &ndash; <i>Turres Veteras    IX. Hist&oacute;ria da Alimenta&ccedil;&atilde;o.</i> Torres Vedras: C&acirc;mara    Municipal de Torres Vedras &ndash; Ed. Colibri, 2007, pp. 49-72.</p>     <p>HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;Les utensiles de cuisine en Provence m&eacute;di&eacute;vale    (XIIIe-XVe si&egrave;cle)&rdquo;. <i>M&eacute;di&eacute;vales</i> 5 (1983),    pp. 89-94.</p>     <p>&ndash; v. BRESC-BAUTIER, Genevi&eacute;ve.</p>     <p>LATREMOLI&Eacute;RE, &Eacute;lisabeth &ndash; &ldquo;Cuisines et tables royales:    les objects t&eacute;moignent&rdquo;. in COCULA, Annie; COMBET, Michel (Ed.)    - <i>Chateaux, cuisines et d&eacute;pendances</i>. Bord&eacute;us: Ausonius,    2014, pp. 219-232.</p>     <p>LAURIOUX, Bruno &ndash; <i>A Idade M&eacute;dia &agrave; mesa</i>. Mem Martins:    Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica, 1992.</p>     <p>LE ROY LADURIE, Emmanuel &ndash;<i> Montaillou, village occitan de 1294 a 1324</i>.    Paris: Gallimard, 1975.</p>     <p>LOPES, Gon&ccedil;alo, v. COVANEIRO, Jaquelina.</p>     <p>LUZIA, Isabel &ndash; &ldquo;O esp&oacute;lio cer&acirc;mico da cerca do convento&rdquo;.    <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i> 5 (1996), pp. 51-73.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MACHADO, Maria de F&aacute;tima &ndash; &ldquo;Os &oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;&rdquo;.    in <i>Fundo dos &oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;. S&eacute;culos XV e XVI</i>.    Ed. Maria de F&aacute;tima Machado. Loul&eacute;: C&acirc;mara Municipal de    Loul&eacute; &ndash; Arquivo Municipal, 2016, pp. 5-15.</p>     <p>&ndash; &ldquo;Os &oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute; e a gest&atilde;o do    seu patrim&oacute;nio nos s&eacute;culos XV e XVI&rdquo;. <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i>    18 (2017), pp. 42-65.</p>     <p>MACIAS, Santiago &ndash; <i>M&eacute;rtola isl&acirc;mica. Estudo hist&oacute;rico-arqueol&oacute;gico    do bairro da Alc&aacute;&ccedil;ova (s&eacute;culos XII-XIII)</i>. M&eacute;rtola:    Campo Arqueol&oacute;gico de M&eacute;rtola, 1996.</p>     <p>&ndash;<i> M&eacute;rtola, o &uacute;ltimo porto do Mediterr&acirc;neo</i>.    Vol. I. M&eacute;rtola: Campo Arqueol&oacute;gico de M&eacute;rtola, 2005.</p>     <p>&ndash; v. TORRES, Cl&aacute;udio.</p>     <p>MALTEZ, Maria Teresa Nesbitt Rebelo da Silva &ndash; <i>Os recursos alimentares    no Algarve oriental (s&eacute;culo XIV)</i>. Lisboa: Faculdade de Ci&ecirc;ncias    Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 1993. Disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado.</p>     <p>MARQUES, A. H. de Oliveira &ndash; &ldquo;Para a hist&oacute;ria do concelho    de Loul&eacute; na Idade M&eacute;dia&rdquo;. in <i>Actas das III Jornadas de    hist&oacute;ria medieval do Algarve e Andaluzia</i>. Loul&eacute;: C&acirc;mara    Municipal de Loul&eacute;, 1989, pp. 17-23.</p>     <p>&ndash;<i> Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; hist&oacute;ria da agricultura    em Portugal. A quest&atilde;o cereal&iacute;fera durante a Idade M&eacute;dia.    </i>3.&ordf; ed., Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 1978.</p>     <p>&ndash;<i> A sociedade medieval portuguesa. Aspectos de vida quotidiana</i>.    6.&ordf; ed., Lisboa: Esfera dos Livros, 2010.</p>     <p>MARTINS, Lu&iacute;sa Fernanda Guerreiro &ndash;<i> Contributos para a hist&oacute;ria    da alimenta&ccedil;&atilde;o algarvia a partir das actas de verea&ccedil;&atilde;o    do concelho de Loul&eacute; (1384-1488)</i>. Faro: Dire&ccedil;&atilde;o Regional    de Cultura do Algarve, 2016.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MAZZI Maria Serena; RAVEGGI, Sergio &ndash;<i> Gli uomini e le cose nelle campagne    </i><i>fiorentine del Quattrocento</i>. Floren&ccedil;a: Casa Editrice Leo S.    Olschki, 1983.</p>     <p>NADA PATRONE, Anna Maria &ndash; <i>Il cibo del ricco ed el cibo del povero.    Contributo alla storia qualitativa dell&rsquo; alimentazione. L&rsquo;Arga Pedemontana    negli ultimi secoli del Medio Evo</i>. Turim: Centro Studi Piemontesi, 1989.</p>     <p>PALMA, Manuel Passinhas da, v. TORRES, Cl&aacute;udio.</p>     <p>PIPONNIER, Fran&ccedil;oise &ndash; &ldquo;Do lume &agrave; mesa: arqueologia    do equipamento alimentar no fim da Idade M&eacute;dia&rdquo;. in &nbsp;FLANDRIN,    Jean-Louis; MONTANARI, Massimo (dir.) &ndash; <i>Hist&oacute;ria da alimenta&ccedil;&atilde;o</i>.    Vol. 2, <i>Da Idade M&eacute;dia aos tempos actuais</i>. Lisboa: Terramar, 2001,    pp. 123-132.</p>     <p>RAVEGGI, Sergio, v. MAZZI, Maria Serena.</p>     <p>REDON, Odile &ndash; &ldquo;Espace, objects et gestes de la cuisine dans la    Toscane siennoise et Florentine des XIVe-XVe si&egrave;cles&rdquo;. <i>M&eacute;di&eacute;vales</i>    12 (1987), pp. 101-110.</p>     <p>REGO, Miguel, v. TORRES, Cl&aacute;udio.</p>     <p>ROSSELL&Oacute; BORDOY, Guillermo &ndash;<i> El ajuar de las casas andalus&iacute;es</i>.    M&aacute;laga: Editorial Sarri&aacute;, 2002.</p>     <p>SANTOS, Maria Jos&eacute; Azevedo &ndash;<i> Jantar e cear na corte de D. Jo&atilde;o    III</i>. <i>Leitura, transcri&ccedil;&atilde;o e estudo de dois livros &nbsp;    de cozinha do rei (1524-1542)</i>. Vila do Conde &ndash; Coimbra: C&acirc;mara    Municipal de Vila do Conde/ Centro de Hist&oacute;ria da Sociedade e da Cultura,    2002.</p>     <p>&ndash; &ldquo;O peixe e a fruta na alimenta&ccedil;&atilde;o da corte de D.    Afonso V: Breves notas&rdquo;. in<i> A alimenta&ccedil;&atilde;o em Portugal    na Idade M&eacute;dia. Fontes, Cultura, Sociedade</i>. Coimbra: Inatel, 1997,    pp. 1-33.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SARAIVA, Isabel, v. FERREIRA, Maria Elvira.</p>     <p>SILVA, Joana Gomes da, v. VALAG&Atilde;O, Maria Manuel.</p>     <p>STOUFF, Louis &ndash; <i>Ravitaillement et alimentation en Provence aux XIVe    et XVe si&egrave;cles</i>. Paris - La Haye: De Gruyter Mouton, 1970.</p>     <p>&ndash; <i>La table proven&ccedil;ale. Boire et manger en Provence &agrave;    la fin du Moyen &Acirc;ge</i>. Avinh&atilde;o: Editions A. Barthe&#769;lemy,    1996.</p>     <p>TORRES, Cl&aacute;udio; PALMA, Manuel Passinhas da; REGO, Miguel; MACIAS, Santiago    &ndash; &ldquo;T&eacute;cnicas e utens&iacute;lios de conserva&ccedil;&atilde;o    dos alimentos na M&eacute;rtola isl&acirc;mica&rdquo;. <i>Arqueologia Medieval</i>    4 (1996), pp. 203-217.</p>     <p>VALAG&Atilde;O, Maria Manuel &ndash; &ldquo;Cozinha mediterr&acirc;nica no    Alentejo &ndash; intemporalidade das pr&aacute;ticas&rdquo;. in G&Oacute;MEZ    MART&Iacute;NEZ, Susana (Ed.) &ndash; <i>Mem&oacute;ria dos sabores do Mediterr&acirc;neo</i>.    M&eacute;rtola: Campo Arqueol&oacute;gico / Centro de Estudos Arqueol&oacute;gicos    das Universidades de Coimbra e Porto, 2012, pp. 225-234.</p>     <p>&ndash; ; SILVA, Joana Gomes da &ndash; &ldquo;As tradi&ccedil;&otilde;es alimentares&rdquo;.    in VALAG&Atilde;O, Maria Manuel (Org.) &ndash; <i>Tradi&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o    alimentar: dos recursos silvestres aos itiner&aacute;rios tur&iacute;sticos</i>.    Lisboa: Colibri - INIAP, 2006, pp. 81-152.</p>     <p>VARELA SIEIRO, Xaime &ndash; <i>L&eacute;xico coti&aacute;n na Alta Idade Media    de Galicia: o enxoval</i>. A Coru&ntilde;a: Edici&oacute;s do Castro, 2003.</p>     <p>VITERBO, Joaquim de Santa Rosa de &ndash; <i>Elucid&aacute;rio das palavras,    termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente    se ignoram</i>. Ed. cr&iacute;tica de M&aacute;rio Fi&uacute;za, 2 vols. Porto:    Civiliza&ccedil;&atilde;o, 1966.</p>     <p>WOLFF, Philippe &ndash; &ldquo;Inventaires villageois du Toulousain (XIVe-XVe    si&egrave;cle)&rdquo;. <i>Bulletin Philologique et Historique</i> 2 (1968),    pp. 481-544.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>COMO CITAR ESTE ARTIGO</b></p>     <p><b>Refer&ecirc;ncia electr&oacute;nica:</b></p>     <p>GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &ldquo;A cozinha e a mesa em Loul&eacute; medieval    nos seus utens&iacute;lios de uso comum: o testemunho dos Invent&aacute;rios    de &Oacute;rf&atilde;os&rdquo;. <i>Medievalista</i> [Em linha]. N&ordm; 25 (Janeiro    &ndash; Junho 2019). [Consultado dd.mm.aaaa]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA25/goncalves2502.html" target="_blank">http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA25/goncalves2502.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo: 5 de dezembro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a> Essa documenta&ccedil;&atilde;o    foi recentemente publicada sob o t&iacute;tulo <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;. S&eacute;culos XV e XVI</i>. Ed. Maria de F&aacute;tima Machado.    Loul&eacute;: C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute; / Arquivo Municipal, 2016.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 19-26.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-110.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 100.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 106.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a> <i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o    de Loul&eacute;</i>. <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>, sep. de <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i>,    n.&ordm; 7. Loul&eacute;: Arquivo Hist&oacute;rico Municipal de Loul&eacute;    &ndash; C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;, 1998-2000, pp. 202, 203, 251.    A p. 203 &eacute; dito fidalgo.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 91.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a> Vejam-se MARQUES, A. H. de    Oliveira &ndash; &ldquo;Para a hist&oacute;ria do concelho de Loul&eacute; na    Idade M&eacute;dia&rdquo;. in <i>Actas das III Jornadas de hist&oacute;ria medieval    do Algarve e Andaluzia</i>. Loul&eacute;: C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;,    1998, pp. 17-23; BOT&Atilde;O, Maria de F&aacute;tima &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o    de uma identidade urbana no Algarve medieval: o caso de Loul&eacute;</i>. Casal    de Cambra: Caleidosc&oacute;pio, 2009, pp. 202-207.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a> Veja-se acima a nota 6.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">[10]</a> MACHADO, Maria de F&aacute;tima    &ndash; &ldquo;Os &oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute; e a gest&atilde;o do    seu patrim&oacute;nio nos s&eacute;culos XV e XVI&rdquo;. <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i>    18 (2017), p. 53.</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">[11]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-110. Adiante irei referindo algumas das pe&ccedil;as    &uacute;nicas ou raras neste acervo documental, que haviam pertencido &agrave;    casa daquele cavaleiro.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">[12]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 30, 35, 45, 53, 112.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">[13]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 112.</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">[14]</a> Maria Serena MAZZI e Sergio    RAVEGGI (<i>Gli uomini e le cose nelle campagne fiorentine del Quattrocento</i>.    Floren&ccedil;a: Casa Editrice Leo S. Olschki, 1983, p. 216) encontraram tamb&eacute;m    alguns daqueles que, ao menos aparentemente, n&atilde;o tinham qualquer utens&iacute;lio    e haviam de comer na mais absoluta pobreza. Fam&iacute;lias que tinham que renunciar    at&eacute; ao mais essencial, tal como acontece, lembram os autores, com S.    Francisco de Assis, de acordo com o seu bi&oacute;grafo.</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">[15]</a> Podem ver-se, por exemplo:    WOLFF, Philippe &ndash; &ldquo;Inventaires villageois du Toulousain (XIVe-XVe    si&egrave;cle)&rdquo;. <i>Bulletin Philologique et Historique</i> 2 (1968),    p. 481; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;Les utensiles de cuisine en Provence    m&eacute;di&eacute;vale (XIIIe-XVe si&egrave;cle)&rdquo;. <i>M&eacute;di&eacute;vales</i>    5 (1983), p. 91; BRESC-BAUTIER Genevi&egrave;ve&nbsp;; BRESC, Henri&nbsp;; HERBETH    Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la cuisine et la table en    Provence et en Sicile (XIVe-XVe si&egrave;cles). &Eacute;tude compar&eacute;e&rdquo;.    in <i>Manger et boire au Moyen &Acirc;ge</i>. <i>Actes du Colloque de Nice (15-17    octobre 1982)</i>. Tome 2 &ndash; <i>Cuisine, mani&egrave;res de table, r&eacute;gimes    alimentaires</i>. Nice: Centre d&rsquo;&Eacute;tudes medievales de Nice, 1984,    pp. 52, 55; FRAMOND Martin de &ndash; &ldquo;&Agrave; la table d&rsquo;un marchand    bourgeois du Puy&rdquo;. in Viallon-Schoneveld, Marie (Ed.) &ndash;<i> Le boire    et le manger au XVIe si&egrave;cle</i>. <i>Actes du XIe colloque du Puy-en-Valay</i>.    Saint-&Eacute;tienne: Publications de l&rsquo;Universit&eacute; de Saint-&Eacute;tienne,    2004, p. 111; ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ, Juan &ndash; <i>El ajuar de las viviendas    murcianas a fines de la Edad Media (cultura material &agrave; traves de los    textos)</i>. M&uacute;rcia: Real Academia Alfonso X El Sabio, 2009, pp. 62-63;    ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ, Juan &ndash; <i>El ajuar de las viviendas jerezanas    en &eacute;poca de Isabel I de Castilla (1474-1504)</i>. Cadiz: Servicio de    Publicaciones de la Universidad de Cadiz, 2011, p. 70.</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">[16]</a> Tamb&eacute;m nestas listas    que me proponho trabalhar, as colheres primam pela sua aus&ecirc;ncia, com excep&ccedil;&atilde;o    daquelas que faziam parte do recheio dom&eacute;stico de Rui Louren&ccedil;o    o Velho, a que acima me referi, mas essas, de prata, desempenhavam outras fun&ccedil;&otilde;es    que n&atilde;o as de mexer os alimentos durante a cozedura ou, sequer, de servirem    &agrave; mesa: eram um valor a utilizar quando necess&aacute;rio. A falta de    inventaria&ccedil;&atilde;o de pequenos objectos j&aacute; foi notada por v&aacute;rios    outros investigadores como, por exemplo, ALEXANDRE-BIDON, Dani&egrave;le; BECK    BOSSARD, Corinne &ndash; &ldquo;La pr&eacute;paration des repas et leur consommation    en Forez au XVe si&egrave;cle d&rsquo;apr&egrave;s les sources arch&eacute;ologiques&rdquo;.    in <i>Manger et boire au Moyen &Acirc;ge</i>. <i>Actes du Colloque de Nice (15-17    octobre 1982)</i>. Tome 2 &ndash; <i>Cuisine, mani&egrave;res de table, r&eacute;gimes    alimentaires</i>. Nice: Centre d&rsquo;&Eacute;tudes medievales de Nice, 1984,    p. 63; FRAMOND, Martin de &ndash; &ldquo;&Agrave; la table d&rsquo;un marchand    bourgeois du Puy&rdquo;, p. 111; BRESC-BAUTIER, Genevi&egrave;ve; BRESC, Henri;    HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la cuisine&rdquo;,    p. 49. V&aacute;rios dos utens&iacute;lios ausentes, talvez porque facilmente    deterior&aacute;veis, eram os confeccionados em barro, por sua vez mais facilmente    recuper&aacute;veis pelos arque&oacute;logos, o que provoca uma grande discord&acirc;ncia    entre estes esp&oacute;lios e o que consta dos invent&aacute;rios escritos.    Veja-se, por exemplo, o que diz STOUFF, Louis &ndash; <i>La table proven&ccedil;ale.    </i><i>Boire et manger en Provence &agrave; la fin du Moyen &Acirc;ge</i>. Avinh&atilde;o:    Editions A. Barth&eacute;lemy, 1996, p. 206.</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">[17]</a> As grandes colheres de    cozinha, &ldquo;um pouco frustes&rdquo;, de que fala Anne DIETRICH (&ldquo;Les    petits m&eacute;tiers du bois et les arts de la table &agrave; la fin du Moyen    &Acirc;ge&rdquo;. in DIETRICH, Anne&nbsp;; RAVOIRE, Fabienne (Ed.) &ndash; <i>La    cuisine et la table dans la France de la fin du Moyen &Acirc;ge: contenus et    contenants du XIVe au XVIe si&egrave;cle</i>. Turnhout: Brepols, 2009, p. 159)    sugerem precisamente um fabrico n&atilde;o profissional, mas antes obra de qualquer    &ldquo;habilidoso&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">[18]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 108.</p>     <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">[19]</a> <i>Ordena&ccedil;&otilde;es    Afonsinas. </i>Nota de apresenta&ccedil;&atilde;o por M&aacute;rio J&uacute;lio    de Almeida Costa, nota textol&oacute;gica por Eduardo Borges Nunes, livro IV.    Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1984, t&iacute;t. LXXXVII,    &sect; 1, pp. 325-326. Veja-se a refer&ecirc;ncia ao caso destes &oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute; em MACHADO, Maria de F&aacute;tima &ndash; &ldquo;Os &oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;&rdquo;. in <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>,    p. 13.</p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">[20]</a> Registaram-se algumas    destas vendas entre a documenta&ccedil;&atilde;o agora em an&aacute;lise: <i>Fundo    dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>, pp. 40-41, 74-75, por exemplo.</p>     <p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title="">[21]</a> Vejam-se os invent&aacute;rios    desta s&eacute;rie, <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>, pp.    27-28, 74-75.</p>     <p><a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title="">[22]</a> <i>Ordena&ccedil;&otilde;es    Afonsinas</i>, liv. IV, t&iacute;t. LXXXVII, &sect; 2, pp. 326-327. A&iacute;    se determinava que todo o tutor, logo que declarado e confirmado pelo juiz dos    &oacute;rf&atilde;os, no prazo de dois dias come&ccedil;asse, &ldquo;peremptoriamente&rdquo;,    a fazer o invent&aacute;rio e n&atilde;o interrompesse o trabalho at&eacute;    que tudo estivesse pronto, sob pena de pris&atilde;o e de restitui&ccedil;&atilde;o    ao &oacute;rf&atilde;o de toda a perda que dai lhe pudesse advir. Mas a lei    nem sempre era cumprida e era at&eacute;, muitas vezes localmente ignorada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title="">[23]</a> Assim acontecera na vila,    a prop&oacute;sito de um outro assunto, o das elei&ccedil;&otilde;es municipais    que os louletanos teimavam em continuar a realizar pelo m&eacute;todo at&eacute;    a&iacute; costumeiro, mesmo ap&oacute;s o rei, no caso D. Jo&atilde;o I, ter    determinado para todo o reino a obrigatoriedade de se fazerem por pelouros.    Pode ver-se, sobre este assunto, o trabalho de DUARTE, Lu&iacute;s Miguel &ndash;    &ldquo;Elei&ccedil;&otilde;es municipais no Algarve no in&iacute;cio do s&eacute;culo    XV&rdquo;. in <i>Actas das I Jornadas de hist&oacute;ria medieval do Algarve    e Andaluzia</i>. Loul&eacute;: C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;, 1987,    pp. 297-304.</p>     <p><a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title="">[24]</a> PIPONNIER Fran&ccedil;oise    &ndash; &ldquo;Do lume &agrave; mesa: arqueologia do equipamento alimentar no    fim da Idade M&eacute;dia&rdquo;. in FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo    (dir.) &ndash; <i>Hist&oacute;ria da alimenta&ccedil;&atilde;o</i>. Vol. 2,    <i>Da Idade M&eacute;dia aos tempos actuais</i>. Lisboa: Terramar, 2001, p.    130; ALEXANDRE-BIDON, Dani&egrave;le &ndash; &ldquo;Dans les cuisines du Moyen    &Acirc;ge&rdquo;. <i>Dans les cuisines du Moyen &Acirc;ge: mani&egrave;res de    faire</i>, <i>Histoire m&eacute;di&eacute;vale</i>, hors serie, n.&ordm; 8,    Nov. 2004-Jan. 2005, p. 45; DIETRICH, Anne &ndash; &ldquo;Les petits m&eacute;tiers    du bois&rdquo;, p. 158.</p>     <p><a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title="">[25]</a> ALEXANDRE-BIDON, Dani&egrave;le    &ndash; &ldquo;Dans les cuisines du Moyen &Acirc;ge&rdquo;, p. 45; ALEXANDRE-BIDON,    Dani&egrave;le; BECK BOSSARD, Corinne &ndash; &ldquo;La pr&eacute;paration des    repas&rdquo;, p. 63; LATREMOLI&Eacute;RE, &Eacute;lisabeth &ndash; &ldquo;Cuisines    et tables royales: les objects t&eacute;moignent&rdquo;. in COCULA, Annie; COMBET,    Michel (Ed.) - <i>Chateaux, cuisines et d&eacute;pendances</i>. Bord&eacute;us:    Ausonius, 2014, p. 220.</p>     <p><a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title="">[26]</a> Sob este aspecto resulta    interessante o trabalho de VALAG&Atilde;O, Maria Manuel &ndash; &ldquo;Cozinha    mediterr&acirc;nica no Alentejo &ndash; intemporalidade das pr&aacute;ticas&rdquo;.    in G&Oacute;MEZ MART&Iacute;NEZ, Susana (Ed.) &ndash; <i>Mem&oacute;ria dos    sabores do Mediterr&acirc;neo</i>. M&eacute;rtola: Campo Arqueol&oacute;gico    / Centro de Estudos Arqueol&oacute;gicos das Universidades de Coimbra e Porto,    2012, pp. 225-234.</p>     <p><a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title="">[27]</a> Abordei este assunto,    relativamente aos cereais em GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &ldquo;A prop&oacute;sito    do p&atilde;o da cidade na Baixa Idade M&eacute;dia portuguesa&rdquo;. in SILVA,    Carlos Guardado da (Ed.) &ndash; <i>Turres Veteras IX. Hist&oacute;ria da Alimenta&ccedil;&atilde;o.</i>    Torres Vedras: C&acirc;mara Municipal de Torres Vedras &ndash; Ed. Colibri,    2007, pp. 49-72.</p>     <p><a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title="">[28]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 21, 42, 57, 62, 74. Estas talhas, de cer&acirc;mica    muitas delas, podiam ser de produ&ccedil;&atilde;o local (<i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o    de Loul&eacute;</i>. <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>, p. 232), ou de importa&ccedil;&atilde;o,    como em outras localidades algarvias (COVANEIRO, Jaquelina; CAVACO, Sandra;    LOPES, Gon&ccedil;alo &ndash; &ldquo;Importa&ccedil;&otilde;es cer&acirc;micas    de Tavira na Baixa Idade M&eacute;dia&rdquo;. <i>Arqueologia Medieval</i> 11    (2010), p. 116).</p>     <p><a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title="">[29]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 21, 22, 74-75, 87, 106-108. Como outros investigadores    verificaram, tamb&eacute;m os potes se revelaram em Loul&eacute; como sendo    dos utens&iacute;lios mais usados na fun&ccedil;&atilde;o de armazenamento (TORRES,    Cl&aacute;udio; PALMA, Manuel Passinhas da; REGO, Miguel; MACIAS, Santiago &ndash;    &ldquo;T&eacute;cnicas e utens&iacute;lios de conserva&ccedil;&atilde;o dos    alimentos na M&eacute;rtola isl&acirc;mica&rdquo;. <i>Arqueologia Medieval</i>    4 (1996), p. 208). Vejam-se, a t&iacute;tulo de exemplo, algumas vasilhas para    armazenamento de v&iacute;veres em MACIAS, Santiago &ndash; <i>M&eacute;rtola    isl&acirc;mica. Estudo hist&oacute;rico-arqueologico do bairro da Alc&aacute;&ccedil;ova    (s&eacute;culos XII-XIII)</i>. M&eacute;rtola: Campo Arqueol&oacute;gico de    M&eacute;rtola, 1996, p. 110. Embora de &eacute;poca isl&acirc;mica, as formas    mantiveram-se.</p>     <p><a href="#_ftnref30" name="_ftn30" title="">[30]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 28, 74-75, 86-90, 106-108. Talvez curiosamente, investigadores    que estudaram a Proven&ccedil;a, uma regi&atilde;o mediterr&acirc;nica e, assim,    quase por defini&ccedil;&atilde;o, vinhateira, conclu&iacute;ram pela raridade    das reservas desta bebida: BRESC-BAUTIER, Genevi&egrave;ve; BRESC, Henri; HERBETH,    Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la cuisine&rdquo;, p. 47.    Pelo contr&aacute;rio, em outros lugares podia ser encontrada uma grande diversidade    de contentores destinados ao vinho: G&Aacute;ZQUEZ ORTIZ, Antonio &ndash; <i>La</i>    <i>cocina en tiempos del arcipreste de Hita</i>. Madrid: Alianza Editorial,    2002, p. 33.</p>     <p><a href="#_ftnref31" name="_ftn31" title="">[31]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 74-75, 86-90, 100-102.</p>     <p><a href="#_ftnref32" name="_ftn32" title="">[32]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 21, 42, 57.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref33" name="_ftn33" title="">[33]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 74-75.</p>     <p><a href="#_ftnref34" name="_ftn34" title="">[34]</a> Haja em vista os contentores    que os arque&oacute;logos assim classificam, cujos fragmentos s&atilde;o por    eles exumados com frequ&ecirc;ncia.</p>     <p><a href="#_ftnref35" name="_ftn35" title="">[35]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 86-90, 92-95, 100-102, 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref36" name="_ftn36" title="">[36]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 27-28, 86-90.</p>     <p><a href="#_ftnref37" name="_ftn37" title="">[37]</a> BRESC-BAUTIER, Genevi&egrave;ve;    BRESC, Henri; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la    cuisine&rdquo;, p. 47.</p>     <p><a href="#_ftnref38" name="_ftn38" title="">[38]</a> Vejam-se os autores citados    na nota anterior.</p>     <p><a href="#_ftnref39" name="_ftn39" title="">[39]</a> Cl&aacute;udio TORRES,    Manuel Passinhas da PALMA, Miguel REGO e Santiago MACIAS (&ldquo;T&eacute;cnicas    e utens&iacute;lios de conserva&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 207) pensam que    as talhas seriam usadas sobretudo como contentores de &aacute;gua. Em documenta&ccedil;&atilde;o    louletana de outro tipo que n&atilde;o os invent&aacute;rios referem-se c&acirc;ntaros,    vasilhas usadas para o efeito at&eacute; &eacute;pocas muito pr&oacute;ximas    de n&oacute;s e em p&uacute;caros para beber &aacute;gua (<i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o    de Loul&eacute;</i>. <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>, pp. 127-128), o que pressup&otilde;e    existirem em casa reservas desse l&iacute;quido.</p>     <p><a href="#_ftnref40" name="_ftn40" title="">[40]</a> Fala-se em Loul&eacute;    de talhas grandes de p&atilde;o/cereais (<i>Actas</i> citadas na nota anterior,    p. 232).</p>     <p><a href="#_ftnref41" name="_ftn41" title="">[41]</a> TORRES, Cl&aacute;udio;    PALMA, Manuel Passinhas da; REGO, Miguel; MACIAS, Santiago &ndash; &ldquo;T&eacute;cnicas    e utens&iacute;lios de conserva&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 208.</p>     <p><a href="#_ftnref42" name="_ftn42" title="">[42]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 22, 25-26, 74-75, 92-95, 106-108. Nas arcas podia guardar-se    de tudo, por vezes numa grande mistura de objectos. Quanto a v&iacute;veres,    eram sobretudo os cereais e o p&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref43" name="_ftn43" title="">[43]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 74-75 (contendo alguma farinha).</p>     <p><a href="#_ftnref44" name="_ftn44" title="">[44]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 75 (com trigo).</p>     <p><a href="#_ftnref45" name="_ftn45" title="">[45]</a> TORRES, Cl&aacute;udio;    PALMA, Manuel Passinhas da; REGO, Miguel; MACIAS, Santiago &ndash; &ldquo;T&eacute;cnicas    e utens&iacute;lios de conserva&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 208; CATARINO, Helena    &ndash; &ldquo;O castelo de Salir: resultados de explora&ccedil;&atilde;o dos    silos&rdquo;. <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i> 4 (1995), p. 21; MACIAS, Santiago &ndash;    <i>M&eacute;rtola isl&acirc;mica</i>, p. 113.</p>     <p><a href="#_ftnref46" name="_ftn46" title="">[46]</a> <i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o    de Loul&eacute;</i>. <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>, pp. 192-193; MALTEZ, Maria    Teresa Nesbitt Rebelo da Silva &ndash; <i>Os recursos alimentares no Algarve    oriental (s&eacute;culo XIV)</i>. Lisboa: Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais    e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 1993. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado,    pp. 45-46.</p>     <p><a href="#_ftnref47" name="_ftn47" title="">[47]</a> Vejam-se MARQUES, A. H.    de Oliveira &ndash; <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; hist&oacute;ria da    agricultura em Portugal. A quest&atilde;o cereal&iacute;fera durante a Idade    M&eacute;dia</i>. 3&ordf; ed., Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 1978, p.    199; COELHO, Maria Helena da Cruz &ndash; &ldquo;Apontamentos sobre a comida    e a bebida do campesinato coimbr&atilde;o em tempos medievos&rdquo;. in <i>Homens,    espa&ccedil;os e poderes (s&eacute;culos XI-XVI)</i>. Vol. I - <i>Notas do viver    </i><i>social</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1990, p. 10; GON&Ccedil;ALVES,    Iria &ndash; <i>&Agrave; mesa nas terras de Alcoba&ccedil;a em finais da Idade    M&eacute;dia</i>. Alcoba&ccedil;a: DGPC / Mosteiro de Alcoba&ccedil;a, 2017,    p. 134.</p>     <p><a href="#_ftnref48" name="_ftn48" title="">[48]</a> Mencionam-se peneiras    em: <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>, pp. 24, 40-41, 74-75,    86-90, 92-95.</p>     <p><a href="#_ftnref49" name="_ftn49" title="">[49]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 40-41.</p>     <p><a href="#_ftnref50" name="_ftn50" title="">[50]</a> MAZZI, Maria Serena; RAVEGGI,    Sergio &ndash; <i>Gli uomini e le cose</i>, p. 225; BRESC-BAUTIER, Genevi&egrave;ve;    BRESC, Henri; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la    cuisine&rdquo;, p. 46. Em casas abonadas, como na do rendeiro de Alvorge, nos    campos de Coimbra, podia, inclusive, haver mais do que uma: COELHO, Maria Helena    da Cruz &ndash; &ldquo;O senhorio cr&uacute;zio de Alvorge na cent&uacute;ria    de Trezentos&rdquo;. in <i>Homens, espa&ccedil;os e </i><i>poderes (s&eacute;culos    XI-XVI)</i>. Vol. II - <i>Dom&iacute;nio senhorial</i>. Lisboa: Livros Horizonte,    1990, p. 58.</p>     <p><a href="#_ftnref51" name="_ftn51" title="">[51]</a> CATARINO, Helena &ndash;    <i>O Algarve oriental durante a ocupa&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica: povoamento    rural e recintos fortificados</i>. <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i> 6, vol. II (1997),    p. 743; GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;.    in MATTOSO, Jos&eacute; (dir.) &ndash; <i>Hist&oacute;ria da vida privada em    Portugal</i>. Vol. I - <i>A Idade M&eacute;dia</i>. Coord. Bernardo Vasconcelos    e Sousa. Lisboa: Temas e Debates, 2010, p. 240.</p>     <p><a href="#_ftnref52" name="_ftn52" title="">[52]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 22-24, 40-41, 74-75, 86-90, 92-95, 100-102.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref53" name="_ftn53" title="">[53]</a> LUZIA, Isabel &ndash;    &ldquo;O esp&oacute;lio cer&acirc;mico da cerca do convento&rdquo;. <i>Al&rsquo;-Uly&#257;    </i>5 (1996), pp. 62-64. No esp&oacute;lio algarvio estudado por esta investigadora,    ela encontrou quinze alguidares, oito dos quais vidrados.</p>     <p><a href="#_ftnref54" name="_ftn54" title="">[54]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 74-75.</p>     <p><a href="#_ftnref55" name="_ftn55" title="">[55]</a> &ldquo;Transcri&ccedil;&atilde;o    do foral de Loul&eacute;&rdquo;, por Lu&iacute;s Filipe Oliveira, Maria de F&aacute;tima    Bot&atilde;o e Teresa Rebelo da Silva. in SERRA, Manuel Pedro (Coord.) &ndash;    <i>O foral de Loul&eacute; 1504 &ndash; D. Manuel</i>. Loul&eacute;: C&acirc;mara    Municipal de Loul&eacute;, 2004, p. 90.</p>     <p><a href="#_ftnref56" name="_ftn56" title="">[56]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 22, 74-75.</p>     <p><a href="#_ftnref57" name="_ftn57" title="">[57]</a> Encontradas em diversas    casas louletanas: <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>, pp.    74-75, 86-90, 92-95, 100-102. Veja-se tamb&eacute;m ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ,    Juan &ndash; <i>El ajuar de las viviendas jerezanas</i>, p. 48.</p>     <p><a href="#_ftnref58" name="_ftn58" title="">[58]</a> Na documenta&ccedil;&atilde;o    em an&aacute;lise este tabuleiro &eacute; muito comum, embora com designa&ccedil;&otilde;es    diferentes: tabuleiro de tender (<i>Fundo dos &oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>,    pp. 27-28, 74-75, 86-90, 92-95, 100-102), tabuleiro de p&atilde;o ao forno ou    de levar p&atilde;o ao forno (<i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>,    pp. 27-28, 40-41, 74-75, 86-90, 92-95, 102) ou simplesmente tabuleiro de p&ocirc;r    p&atilde;o (<i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>, p. 86-90).    Veja-se tamb&eacute;m, como exemplo exterior a n&oacute;s, STOUFF, Louis &ndash;    <i>La table proven&ccedil;ale</i>, p. 13.</p>     <p><a href="#_ftnref59" name="_ftn59" title="">[59]</a> Alguns deles tabuleiros    seriam efectivamente diferentes e adaptados a cada fun&ccedil;&atilde;o, pois    se encontram no recheio de algumas casas, concomitantemente, dois tabuleiros    ou um tabuleiro e uma t&aacute;bua designados para fun&ccedil;&otilde;es diferentes:    <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>, pp. 27-28, 74-75, 86-90,    92-95, 100-102.</p>     <p><a href="#_ftnref60" name="_ftn60" title="">[60]</a> &Eacute; s&oacute; em    casa de Rui Louren&ccedil;o o Velho que se encontram estas toalhas (<i>Fundo    dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>, pp. 106-108). Por outro lado se    a&iacute; foram arrolados utens&iacute;lios mais requintados, faltam alguns    dos mais vulgares, mas indispens&aacute;veis em qualquer habita&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o demasiado pobre. Inclu&iacute;dos aqueles necess&aacute;rios para    confeccionar o p&atilde;o.</p>     <p><a href="#_ftnref61" name="_ftn61" title="">[61]</a> Sobre este assunto relacionado    com o fabrico de p&atilde;o caseiro pode ver-se GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash;    &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 240; GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash;    <i>&Agrave; mesa nas terras de Alcoba&ccedil;a</i>, pp. 149-150.</p>     <p><a href="#_ftnref62" name="_ftn62" title="">[62]</a> Encontram-se em quatro    dos invent&aacute;rios: <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>,    pp. 40-41, 74-75, 86-90, 106-108. O mesmo panorama foi encontrado em outros    lugares, por outros investigadores: HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;Les utensiles    de cuisine en Provence m&eacute;di&eacute;vale&rdquo;, p. 89; BRESC-BAUTIER,    Genevi&egrave;ve; BRESC, Henri; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement    de la cuisine&rdquo;, p. 50; REDON, Odile &ndash; &ldquo;Espace, objects et    gestes de la cuisine dans la Toscane siennoise el florentine des XIVe-XVe si&egrave;cles&rdquo;.    <i>M&eacute;di&eacute;vales</i> 12 (1987), p. 107.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref63" name="_ftn63" title="">[63]</a> BRESC-BAUTIER, Genevi&egrave;ve;    BRESC, Henri; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la    cuisine&rdquo;, pp. 50, 51; COULET, No&euml;l &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement    de la cuisine &agrave; Aix-en-Provence au XVe si&egrave;cle&rdquo;. <i>Annales    du Midi </i>103 (Jan. 1991), p. 9; STOUFF, Louis &ndash; <i>La table proven&ccedil;ale</i>,    p. 220.</p>     <p><a href="#_ftnref64" name="_ftn64" title="">[64]</a> Sobre os aspectos relacionados    com o fogo na &eacute;poca aqui tratada veja-se, por todos, COLLINA-GIRARD,    Jacques &ndash; <i>Le feu avant les allumettes. </i><i>Exp&eacute;rimentation    et mythes t&eacute;chniques</i>. Paris: &Eacute;ditions de la Maison des sciences    de l&rsquo;homme, 1998, pp. 12-29.</p>     <p><a href="#_ftnref65" name="_ftn65" title="">[65]</a> Essa mat&eacute;ria costumava    ser, entre n&oacute;s, uma planta denominada tord&iacute;lio, comum em toda    a zona mediterr&acirc;nica (MACIAS, Santiago &ndash; <i>M&eacute;rtola, o &uacute;ltimo    porto do Mediterr&acirc;neo</i>. Vol. I. M&eacute;rtola: Campo Arqueol&oacute;gico    de M&eacute;rtola, 2005, pp. 404-405).</p>     <p><a href="#_ftnref66" name="_ftn66" title="">[66]</a> Outros investigadores    interessados por estes assuntos t&ecirc;m encontrado poucas cremalheiras mas    abund&acirc;ncia de trempes. Vejam-se, entre outros: PIPONNIER, Fran&ccedil;oise    &ndash; &ldquo;Do lume &agrave; mesa&rdquo;, p. 125; COULET, No&euml;l &ndash;    &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la cuisine&rdquo;, p. 10; STOUFF, Louis    &ndash; <i>La table proven&ccedil;ale</i>, pp. 203-204.</p>     <p><a href="#_ftnref67" name="_ftn67" title="">[67]</a> CATARINO, Helena &ndash;    <i>O Algarve oriental</i>, vol. I, p. 359; TORRES, Cl&aacute;udio; PALMA, Manuel    Passinhas da; REGO, Miguel; MACIAS, Santiago &ndash; &ldquo;T&eacute;cnicas    e utens&iacute;lios de conserva&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 207. De qualquer    modo devia ser comum a coloca&ccedil;&atilde;o da panela directamente sobre    as brasas. Veja-se tamb&eacute;m LATREMOLI&Eacute;RE, &Eacute;lisabeth &ndash;    &ldquo;Cuisines et tables royales&rdquo;, p. 222.</p>     <p><a href="#_ftnref68" name="_ftn68" title="">[68]</a> E n&atilde;o s&oacute;    nessas habita&ccedil;&otilde;es mas do mesmo modo em outras bem mais abastadas.    Para avaliar a import&acirc;ncia deste tipo de cozedura na Idade M&eacute;dia    veja-se CICLAIRE, Philippe &ndash; <i>Les cuissons alimentaires au Moyen &Acirc;ge</i>.    Paris: L&rsquo;Hartmattan, 2017, sobretudo os gr&aacute;ficos das pp. 92-93.</p>     <p><a href="#_ftnref69" name="_ftn69" title="">[69]</a> CONTAMINE, Philippe &ndash;    <i>La vie quotidienne pendant la guerre de Cent Ans. </i><i>France et Angleterre    (XIVe si&egrave;cle)</i>. [Paris]: Hachette, 1976, p. 219; NADA PATRONE,Anna    Maria &ndash; <i>Il cibo del ricco ed el cibo del povero. Contributo alla storia    qualitativa dell&rsquo; alimentazione. </i><i>L&rsquo;Arga Pedemontana negli    ultimi secoli del Medio Evo</i>. Turim&nbsp;: Centro Studi Piemontesi, 1989,    pp. 123, 129, 158; COULET, No&euml;l &ndash; &ldquo;Pour une histoire du jardin.    Vergers et potagers &agrave; Aix-en-Provence: 1350-1450&rdquo;. <i>Le Moyen    &Acirc;ge</i> 73 (1967), p. 244; GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &ldquo;Alimenta&ccedil;&atilde;o    medieval: conceitos, recursos, pr&aacute;ticas&rdquo;. <i>Actas dos VI Cursos    internacionais de Ver&atilde;o de Cascais</i> <i>(5 a 10 de Julho de 1999)</i>.    Vol. 2, <i>A alimenta&ccedil;&atilde;o</i>. Cascais: C&acirc;mara Municipal    de Cascais, 2000, p. 39; GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;,    p. 244; GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; <i>&Agrave; mesa nas terras de Alcoba&ccedil;a</i>,    p. 469.</p>     <p><a href="#_ftnref70" name="_ftn70" title="">[70]</a> No mosteiro de Alcoba&ccedil;a,    um dos senhorios eclesi&aacute;sticos mais ricos de Portugal era assim que se    serviam as carnes de vaca e de carneiro (GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; <i>&Agrave;    mesa nas terras de Alcoba&ccedil;a</i>, pp. 444-445), mas at&eacute; na corte    de D. Jo&atilde;o III era assim que se consumia a carne de vaca, na maioria    das vezes (SANTOS, Maria Jos&eacute; Azevedo &ndash; <i>Jantar e cear na corte    de D. Jo&atilde;o III. Leitura, transcri&ccedil;&atilde;o e estudo dos livros    de cozinha do rei (1524-1542)</i>. Vila do Conde - Coimbra: C&acirc;mara Municipal    de Vila do Conde - Centro de Hist&oacute;ria da Sociedade e da Cultura, 2002,    p. 32).</p>     <p><a href="#_ftnref71" name="_ftn71" title="">[71]</a> Pelo menos os bovinos    utilizados na agricultura e nos transportes s&oacute; deixavam de trabalhar    quando o seu rendimento diminu&iacute;a e eram ent&atilde;o levados ao talho.    Para citar um exemplo algarvio, lembrarei aquele assunto, t&atilde;o importante,    pelo menos, para ser levado por Silves at&eacute; ao rei, nas cortes de 1469,    onde ficou expresso que os moradores da cidade compravam bois para lavrarem    as suas terras e depois &ldquo;por seerem uelhos e nom boons os cortam pera    comprarem outros&rdquo; (BOT&Atilde;O, Maria de F&aacute;tima &ndash; <i>Silves,    a capital de um reino medievo</i>. Silves: C&acirc;mara Municipal de Silves,    1992, pp. 71 e 140). Outros autores o t&ecirc;m verificado como, por exemplo,    CARDOSO, Jo&atilde;o Lu&iacute;s; FERNANDES, Isabel Cristina &ndash; &ldquo;Economia    alimentar dos mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os no castelo de Palmela: um    contributo&rdquo;. <i>Arqueologia medieval</i> 12 (2012), p. 224; GON&Ccedil;ALVES,    Iria &ndash; <i>&Agrave; mesa nas terras de Alcoba&ccedil;a</i>, pp. 225-227;    GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &ldquo;A colheita r&eacute;gia medieval, padr&atilde;o    alimentar de qualidade (um contributo beir&atilde;o)&rdquo;. <i>Revista da Faculdade    de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas</i> 6 (1992-1993), p. 181; CATARINO, Maria    Manuela &ndash; <i>Na margem direita do Baixo Tejo. Paisagem rural e recursos    alimentares (s&eacute;cs. XIV-XV)</i>. Cascais: Patrimonia, 2000, p. 111; STOUFF,    Louis &ndash; <i>Ravitaillement et alimentation en Provence au XIVe et XVe si&egrave;cles</i>.    Paris - La Haye: De Gruyter Mouton, 1970, pp. 187-188; FERNANDES, Isabel Cristina    Ferreira; CARDOSO, Jo&atilde;o Lu&iacute;s; DETRY, Cleia &ndash; &ldquo;Cozinhar    e comer no castelo medieval de Palmela&rdquo;. in G&Oacute;MEZ MART&Iacute;NEZ,    Susana (Ed.) &ndash; <i>Mem&oacute;ria dos sabores do Mediterr&acirc;neo</i>.    M&eacute;rtola: Campo Arqueol&oacute;gico / Centro de Estudos Arqueol&oacute;gicos    das Universidades de Coimbra e Porto, 2012, p. 121.</p>     <p><a href="#_ftnref72" name="_ftn72" title="">[72]</a> ALEXANDRE-BIDON, Dani&egrave;le;    BECK BOSSARD, Corinne &ndash; &ldquo;La pr&eacute;paration des repas&rdquo;,    p. 64; ARNAUT, Salvador Dias &ndash; &ldquo;A arte de comer em Portugal na Idade    M&eacute;dia&rdquo;, Introdu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica a <i>O &ldquo;Livro    de Cozinha&rdquo; da infanta D. Maria de Portugal</i>. Ed. Salvador Dias Arnaut    e Giacinto Manuppella. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1967, p. LXI; BEIRANTE,    Maria &Acirc;ngela &ndash; &ldquo;Ritos alimentares em algumas confrarias portuguesas    medievais&rdquo;. in <i>Territ&oacute;rios do sagrado: cren&ccedil;as e comportamentos    na Idade M&eacute;dia em Portugal</i>. Lisboa: Colibri, 2011, p. 192.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref73" name="_ftn73" title="">[73]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 88-90.</p>     <p><a href="#_ftnref74" name="_ftn74" title="">[74]</a> No dizer de BOT&Atilde;O,    Maria de F&aacute;tima &ndash; &ldquo;Os eixos estruturantes de uma hist&oacute;ria&rdquo;.    in SERRA, Manuel Pedro (Coord.) &ndash; <i>O foral de Loul&eacute; 1504 &ndash;    D. Manuel</i>. Loul&eacute;: C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;, 2004, p.    48.</p>     <p><a href="#_ftnref75" name="_ftn75" title="">[75]</a> BARROS, Maria Filomena    Lopes de &ndash; <i>Tempos e espa&ccedil;os de mouros: a minoria mu&ccedil;ulmana    no reino portugu&ecirc;s (s&eacute;culos XII a XV)</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o    Calouste Gulbenkian - FCT, 2007, p. 514.</p>     <p><a href="#_ftnref76" name="_ftn76" title="">[76]</a> <i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o    de Loul&eacute;</i>. <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>, pp. 127-128.</p>     <p><a href="#_ftnref77" name="_ftn77" title="">[77]</a> A t&iacute;tulo de exemplo    poder-se-&atilde;o citar os trabalhos de: LUZIA, Isabel &ndash; &ldquo;O esp&oacute;lio    cer&acirc;mico da cerca do convento&rdquo;, pp. 60-62; CATARINO, Helena &ndash;    <i>O Algarve oriental</i>, vol. I, p. 359; CATARINO, Helena &ndash; <i>Cer&acirc;micas    isl&acirc;micas do castelo de Salir</i>. Loul&eacute;: Museu Municipal de Arqueologia,    1992, pp. 7-12; GOMES, M&aacute;rio Varela; GOMES, Rosa Varela; CARDOSO, Jo&atilde;o    Lu&iacute;s &ndash; &ldquo;Aspectos do quotidiano numa casa de Silves durante    o s&eacute;culo XV&rdquo;. <i>Silves nos Descobrimentos. Xelb: revista de arqueologia,    etnologia e hist&oacute;ria</i> 3 (1996), pp. 43-49.</p>     <p><a href="#_ftnref78" name="_ftn78" title="">[78]</a> PIPONNIER, Fran&ccedil;oise    &ndash; &ldquo;Do lume &agrave; mesa&rdquo;, p. 125; HERBETH, Pascal &ndash;    &ldquo;Les utensiles de cuisine en Provence m&eacute;di&eacute;vale&rdquo;,    p. 91; BRESC-BAUTIER, Genevi&egrave;ve; BRESC, Henri; HERBETH, Pascal &ndash;    &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la cuisine&rdquo;, p. 51.</p>     <p><a href="#_ftnref79" name="_ftn79" title="">[79]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 74-75.</p>     <p><a href="#_ftnref80" name="_ftn80" title="">[80]</a> Assim acontecia, por exemplo,    &agrave; mesa dos monges de Alcoba&ccedil;a: GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash;    <i>&Agrave; mesa nas terras de Alcoba&ccedil;a</i>, p. 448.</p>     <p><a href="#_ftnref81" name="_ftn81" title="">[81]</a> <i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o    de Loul&eacute;</i>. <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>, pp. 127-128.</p>     <p><a href="#_ftnref82" name="_ftn82" title="">[82]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 74-75, 86-90. Adiante voltarei a referir-me a esta    loi&ccedil;a.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref83" name="_ftn83" title="">[83]</a> Vejam-se, por exemplo,    LUZIA, Isabel &ndash; &ldquo;O esp&oacute;lio cer&acirc;mico da cerca do convento&rdquo;,    p. 67; CATARINO, Helena &ndash; &ldquo;O castelo de Salir&rdquo;, pp. 18-23.</p>     <p><a href="#_ftnref84" name="_ftn84" title="">[84]</a> Vejam-se, por exemplo:    STOUFF, Louis &ndash; <i>La table proven&ccedil;ale</i>, p. 206; HERBETH, Pascal    &ndash; &ldquo;Les utensiles de cuisine en Provence m&eacute;di&eacute;vale&rdquo;,    p. 91; COULET, No&euml;l &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la cuisine&rdquo;,    p. 12; LAURIOUX, Bruno &ndash; <i>A Idade M&eacute;dia &agrave; mesa</i>. Mem    Martins&nbsp;: Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica, 1992, pp. 79-80.</p>     <p><a href="#_ftnref85" name="_ftn85" title="">[85]</a> STOUFF, Louis &ndash;    <i>La table proven&ccedil;ale</i>, p. 206; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;Les    utensiles de cuisine en Provence m&eacute;di&eacute;vale&rdquo;, p. 91.</p>     <p><a href="#_ftnref86" name="_ftn86" title="">[86]</a> Melhorado o seu sabor    com os temperos que deixei citados, o peixe podia servir-se apenas frito em    azeite, mesmo na corte de D. Afonso V. Veja-se SANTOS, Maria Jos&eacute; Azevedo    &ndash; &ldquo;O peixe e a fruta na alimenta&ccedil;&atilde;o da corte de D.    Afonso V: Breves notas&rdquo;. in<i> A alimenta&ccedil;&atilde;o em Portugal    na Idade M&eacute;dia. Fontes, Cultura, Sociedade</i>. Coimbra: Inatel, 1997,    pp. 7-8.</p>     <p><a href="#_ftnref87" name="_ftn87" title="">[87]</a> LUZIA, Isabel &ndash;    &ldquo;O esp&oacute;lio cer&acirc;mico da cerca do convento&rdquo;, pp. 62,    64; CATARINO, Helena &ndash; &ldquo;O castelo de Salir&rdquo;, p. 18; FERNANDES,    Isabel Cristina F.; CARVALHO, A. Rafael &ndash; &ldquo;Abordagem arqueol&oacute;gica    da Palmela medieval crist&atilde;&rdquo;. <i>Arqueologia medieval</i> 5 (1997),    pp. 228-232.</p>     <p><a href="#_ftnref88" name="_ftn88" title="">[88]</a> <i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o    de Loul&eacute;</i>. <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>, pp. 127-128.</p>     <p><a href="#_ftnref89" name="_ftn89" title="">[89]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref90" name="_ftn90" title="">[90]</a> Vejam-se, por exemplo:    LAURIOUX, Bruno &ndash; <i>A Idade M&eacute;dia &agrave; mesa</i>, pp. 79-80;    HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;Les utensiles de cuisine en Provence m&eacute;di&eacute;vale&rdquo;,    p. 91; BRESC-BAUTIER, Genevi&egrave;ve; BRESC, Henri; HERBETH, Pascal &ndash;    &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la cuisine&rdquo;, p. 51; PIPONNIER, Fran&ccedil;oise    &ndash; &ldquo;Do lume &agrave; mesa&rdquo;, p. 126; MAZZI, Maria Serena; RAVEGGI,    Sergio &ndash; <i>Gli uomini e le cose</i>, p. 214.</p>     <p><a href="#_ftnref91" name="_ftn91" title="">[91]</a> Podem ver-se, a t&iacute;tulo    de exemplo: COULET, No&euml;l &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la    cuisine&rdquo;, pp. 11-12; ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ, Juan &ndash; <i>El ajuar    de las viviendas jerezanas</i>, p. 39.</p>     <p><a href="#_ftnref92" name="_ftn92" title="">[92]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 92-95.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref93" name="_ftn93" title="">[93]</a> COULET, No&euml;l &ndash;    &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la cuisine&rdquo;, p. 12; GON&Ccedil;ALVES,    Iria &ndash; <i>&Agrave; mesa nas terras de Alcoba&ccedil;a</i>, p. 446; BRESC-BAUTIER,    Genevi&egrave;ve; BRESC, Henri; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement    de la cuisine&rdquo;, p. 51.</p>     <p><a href="#_ftnref94" name="_ftn94" title="">[94]</a> Foram tamb&eacute;m estes    aspectos que Juan ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ (<i>El ajuar de las viviendas    jerezanas</i>, p. 39) encontrou em profus&atilde;o e que Guillermo ROSSELL&Oacute;    BORDOY (<i>El ajuar de las casas andalus&iacute;es</i>. M&aacute;laga: Editorial    Sarri&aacute;, 2002, p. 26) refere para as casas mu&ccedil;ulmanas da Andaluzia.</p>     <p><a href="#_ftnref95" name="_ftn95" title="">[95]</a> LOPES, Fern&atilde;o &ndash;    <i>Cr&oacute;nica de D. Jo&atilde;o I</i>. Ed. prefaciada por Ant&oacute;nio    S&eacute;rgio e preparada por M. Lopes de Almeida e A. de Magalh&atilde;es Basto,    vol. I. Porto: Livraria Civiliza&ccedil;&atilde;o, 1945, cap. LXXV, pp. 146-147.</p>     <p><a href="#_ftnref96" name="_ftn96" title="">[96]</a> BEIRANTE, Maria &Acirc;ngela    &ndash; &ldquo;Ritos alimentares&rdquo;, p. 190.</p>     <p><a href="#_ftnref97" name="_ftn97" title="">[97]</a> GON&Ccedil;ALVES, Iria    &ndash; &ldquo;<i>Dant vitam maiordomo de quali habuerint</i>. Apontamentos    sobre um direito senhorial &agrave; luz dos inqu&eacute;ritos afonsinos&rdquo;.    in <i>Por terras de Entre-Douro-e-Minho com as Inquiri&ccedil;&otilde;es de    Afonso III</i>. Porto: CITCEM &ndash; Edi&ccedil;&otilde;es Afontamento, 2012,    p. 170.</p>     <p><a href="#_ftnref98" name="_ftn98" title="">[98]</a> BOT&Atilde;O, Maria de    F&aacute;tima &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade urbana</i>,    p. 187.</p>     <p><a href="#_ftnref99" name="_ftn99" title="">[99]</a> BOT&Atilde;O, Maria de    F&aacute;tima &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade urbana</i>,    pp. 202-207.</p>     <p><a href="#_ftnref100" name="_ftn100" title="">[100]</a> DUARTE, Lu&iacute;s    Miguel &ndash; &ldquo;Quinhentos anos depois&rdquo;. in SERRA, Manuel Pedro    (Coord.) &ndash; <i>O foral de Loul&eacute; 1504 &ndash; D. Manuel</i>. Loul&eacute;:    C&acirc;mara Municipal de Loul&eacute;, 2004, p. 11.</p>     <p><a href="#_ftnref101" name="_ftn101" title="">[101]</a> Vejam-se, entre outros    trabalhos: ALEXANDRE-BIDON, Dani&egrave;le &ndash; &ldquo;Dans les cuisines    du Moyen &Acirc;ge&rdquo;, p. 45; COULET, No&euml;l &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement    de la cuisine&rdquo;, pp. 8-9; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;Les utensiles    de cuisine en Provence m&eacute;di&eacute;vale&rdquo;, p. 90; REDON, Odile &ndash;    &ldquo;Espace, objects et gestes de la cuisine&rdquo;, p. 107; STOUFF, Louis    &ndash; <i>La table proven&ccedil;ale</i>, p. 202.</p>     <p><a href="#_ftnref102" name="_ftn102" title="">[102]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 22, 25-26, 74-75, 86-90, 106-108.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref103" name="_ftn103" title="">[103]</a> Dado que as plantas    condimentares s&atilde;o todas aquelas cujas folhas, caules, bolbos, flores,    sementes se utilizam na culin&aacute;ria para melhorar o sabor dos alimentos    (VALAG&Atilde;O, Maria Manuel; SILVA, Joana Gomes da &ndash; &ldquo;As tradi&ccedil;&otilde;es    alimentares&rdquo;. in VALAG&Atilde;O, Maria Manuel (Org.) &ndash; <i>Tradi&ccedil;&atilde;o    e inova&ccedil;&atilde;o alimentar: dos recursos silvestres aos itiner&aacute;rios    tur&iacute;sticos</i>. Lisboa: Colibri - INIAP, 2006, p. 95), a sua variedade    &eacute; enorme, com algumas pequenas diferen&ccedil;as de regi&atilde;o para    regi&atilde;o, mas muitas delas, sobretudo na forma de cult&iacute;vares, podendo    ser encontradas em todo o lado.</p>     <p><a href="#_ftnref104" name="_ftn104" title="">[104]</a> FERREIRA, Maria Elvira;    SARAIVA, Isabel &ndash; &ldquo;Plantas da flora local com valor alimentar e    arom&aacute;tico&rdquo;. in VALAG&Atilde;O, Maria Manuel (Org.) &ndash; <i>Tradi&ccedil;&atilde;o    e inova&ccedil;&atilde;o alimentar: dos recursos silvestres aos itiner&aacute;rios    tur&iacute;sticos</i>. Lisboa: Colibri - INIAP, 2006, pp. 29-38, d&atilde;o-nos    uma longa lista dessas plantas.</p>     <p><a href="#_ftnref105" name="_ftn105" title="">[105]</a> <i>Forais manuelinos    do reino de Portugal e do Algarve conforme o exemplar do Arquivo Nacional da    Torre do Tombo de Lisboa</i>. Ed. Luiz Fernando de Carvalho Dias. Vol. 3 - <i>Entre    Tejo e Odiana</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&atilde;o do Autor, 1965, p. 3.</p>     <p><a href="#_ftnref106" name="_ftn106" title="">[106]</a> &ldquo;Transcri&ccedil;&atilde;o    do foral de Loul&eacute;&rdquo;, p. 87.</p>     <p><a href="#_ftnref107" name="_ftn107" title="">[107]</a> Na sess&atilde;o camar&aacute;ria    de 11 de Agosto de 1403 foi acordado que o concelho emprestasse duzentos reais    a Tur&iacute;bio Eanes, homem pobre mas considerado capaz de fazer o que se    propunha, para ele comprar semente de mostarda e &ldquo;fazer e dar a dicta    mostarda ao Concelho&rdquo; (<i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o de Loul&eacute;</i>.    <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>, p. 139).</p>     <p><a href="#_ftnref108" name="_ftn108" title="">[108]</a> Como um exemplo que    me parece ser muito significativo, veja-se o almofariz, talhado em m&aacute;rmore,    de paredes e fundo espessos mas cuja parte central do fundo desapareceu com    o uso, almofariz recuperado em Silves por GOMES, M&aacute;rio Varela; GOMES,    Rosa Varela; CARDOSO, Jo&atilde;o Lu&iacute;s &ndash; &ldquo;Aspectos do quotidiano    numa casa de Silves&rdquo;, p. 59.</p>     <p><a href="#_ftnref109" name="_ftn109" title="">[109]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 86-90.</p>     <p><a href="#_ftnref110" name="_ftn110" title="">[110]</a> CORRIENTE, Federico    &ndash; <i>Diccionario de arabismos y voces afines en iberoromance</i>. Madrid:    Gredos, 1999, p. 238. Seria talvez semelhante &agrave;queles de que fala Guillermo    ROSSELL&Oacute; BORDOY (<i>El ajuar de las casas andalus&iacute;es</i>, pp.    25-26) como sendo imprescind&iacute;veis nas habita&ccedil;&otilde;es mu&ccedil;ulmanas    da Andaluzia. A mesma palavra pela qual ele &eacute; designado no invent&aacute;rio    mostra bem as suas origens orientais. Tamb&eacute;m Santiago MACIAS (<i>M&eacute;rtola    isl&acirc;mica</i>, p. 109) nos mostra imagens de alguns desses fogareiros.</p>     <p><a href="#_ftnref111" name="_ftn111" title="">[111]</a> ARRIV&Eacute;, Nad&egrave;ge    &ndash; &ldquo;Le vin en France au XVIe si&egrave;cle. Aspects du vin: productions,    usages et pratiques culinaires&rdquo;. in Viallon-Schoneveld, Marie (Ed.) &ndash;<i>    Le boire et le manger au XVIe si&egrave;cle</i>. <i>Actes du XIe colloque du    Puy-en-Valay</i>. Saint-&Eacute;tienne: Publications de l&rsquo;Universit&eacute;    de Saint-&Eacute;tienne, 2004, p. 184.</p>     <p><a href="#_ftnref112" name="_ftn112" title="">[112]</a> J&aacute; em outra    ocasi&atilde;o me referi ao assunto: GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; <i>&Agrave;    mesa nas terras de Alcoba&ccedil;a</i>, p. 467. Veja-se tamb&eacute;m a bibliografia    a&iacute; citada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref113" name="_ftn113" title="">[113]</a> BOT&Atilde;O, Maria    de F&aacute;tima &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade urbana</i>,    pp. 222-223.</p>     <p><a href="#_ftnref114" name="_ftn114" title="">[114]</a> MARTINS, Lu&iacute;sa    Fernanda Guerreiro &ndash; <i>Contributos para a hist&oacute;ria da alimenta&ccedil;&atilde;o    algarvia a partir das actas de verea&ccedil;&atilde;o do concelho de Loul&eacute;    (1384-1488)</i>. Faro: Dire&ccedil;&atilde;o Regional de Cultura do Algarve,    2016, p. 70. Veja-se tamb&eacute;m FERREIRA, Maria Valentina Garcia &ndash;    &ldquo;A fruta de Loul&eacute; na Europa medieval: an&aacute;lise de um manuscrito    do s&eacute;culo XV&rdquo;. <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i> 9 (2003), pp. 215-239.</p>     <p><a href="#_ftnref115" name="_ftn115" title="">[115]</a> Veja-se o que atr&aacute;s    ficou dito.</p>     <p><a href="#_ftnref116" name="_ftn116" title="">[116]</a> O que era uma situa&ccedil;&atilde;o    muito comum, tamb&eacute;m fora de Portugal. Podem ver-se entre muitos outros    trabalhos: FRAMOND, Martin de &ndash; &ldquo;&Agrave; la table d&rsquo;un marchand    bourgeois&rdquo;, p. 107; PIPONNIER, Fran&ccedil;oise &ndash; &ldquo;Do lume    &agrave; mesa&rdquo;, p. 129; MAZZI, Maria Serena; RAVEGGI, Sergio &ndash; <i>Gli    uomini e le cose</i>, p. 216.</p>     <p><a href="#_ftnref117" name="_ftn117" title="">[117]</a> GON&Ccedil;ALVES, Iria    &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 252; STOUFF, Louis &ndash;    <i>La table proven&ccedil;ale</i>, p. 215; FRAMOND, Martin de &ndash; &ldquo;&Agrave;    la table d&rsquo;un marchand bourgeois&rdquo;, p. 108.</p>     <p><a href="#_ftnref118" name="_ftn118" title="">[118]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 40-41, 86-90, 100-102.</p>     <p><a href="#_ftnref119" name="_ftn119" title="">[119]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref120" name="_ftn120" title="">[120]</a> GON&Ccedil;ALVES, Iria    &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 252.</p>     <p><a href="#_ftnref121" name="_ftn121" title="">[121]</a> MARQUES, A. H. de Oliveira    &ndash; <i>A sociedade medieval portuguesa. Aspectos de vida quotidiana</i>,    6.&ordf; ed., Lisboa: Esfera dos Livros, 2010, p. 38; ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ,    Juan &ndash; <i>El ajuar de las viviendas jerezanas</i>, p. 59.</p>     <p><a href="#_ftnref122" name="_ftn122" title="">[122]</a> GON&Ccedil;ALVES, Iria    &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, pp. 252-253.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref123" name="_ftn123" title="">[123]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 37.</p>     <p><a href="#_ftnref124" name="_ftn124" title="">[124]</a> Federico CORRIENTE    (<i>Diccionario de arabismos</i>, p. 208) apresenta para este voc&aacute;bulo    o significado de capa mourisca. Todavia, neste caso, uma vez que expressamente    ficou indicado tratar-se de uma pe&ccedil;a a usar na mesa, s&oacute; pode ser    uma esp&eacute;cie de mantel. O autor regista para a l&iacute;ngua portuguesa    as formas alquic&eacute; e alquicer.</p>     <p><a href="#_ftnref125" name="_ftn125" title="">[125]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref126" name="_ftn126" title="">[126]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 88-90.</p>     <p><a href="#_ftnref127" name="_ftn127" title="">[127]</a> A distin&ccedil;&atilde;o    entre pratel e o talhador grande n&atilde;o &eacute; muito clara. Penso que    este &uacute;ltimo se destinava, de prefer&ecirc;ncia, a que sobre ele se &ldquo;talhassem&rdquo;,    se trinchassem as carnes de que cada um dos comensais se servia e os prat&eacute;is    a receberem os alimentos cortados em peda&ccedil;os e, eventualmente, envoltos    no molho que resultara da prepara&ccedil;&atilde;o culin&aacute;ria utilizada.    Muitos deles eram confeccionados em estanho &ndash; e assim acontecia em Loul&eacute;    &ndash;, material caro que n&atilde;o se compadecia com golpes que o trinchar    alimentos neles depositados lhes poderiam proporcionar. Nas casas de grande    proemin&ecirc;ncia podiam mesmo existir prat&eacute;is apenas para sobre eles    se colocarem as jarras de servi&ccedil;o (veja-se ARNAUT, Salvador Dias &ndash;    &ldquo;A arte de comer em Portugal na Idade M&eacute;dia&rdquo;, p. LXXVII).</p>     <p><a href="#_ftnref128" name="_ftn128" title="">[128]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref129" name="_ftn129" title="">[129]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 86-90, 92-95, 100-102, 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref130" name="_ftn130" title="">[130]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 40-41, 92-95.</p>     <p><a href="#_ftnref131" name="_ftn131" title="">[131]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 86-90.</p>     <p><a href="#_ftnref132" name="_ftn132" title="">[132]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 74-75.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref133" name="_ftn133" title="">[133]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 22, 74-75, 86-90.</p>     <p><a href="#_ftnref134" name="_ftn134" title="">[134]</a> &ldquo;Transcri&ccedil;&atilde;o    do foral de Loul&eacute;&rdquo;, p. 97.</p>     <p><a href="#_ftnref135" name="_ftn135" title="">[135]</a> <i>Forais manuelinos    do reino de Portugal e do Algarve</i>, <i>Entre Tejo e Odiana</i>, pp. 3-4.</p>     <p><a href="#_ftnref136" name="_ftn136" title="">[136]</a> Como exemplo poderei    citar um pichel de M&aacute;laga constante do recheio da casa do rendeiro da    granja de Alvorge, pertencente ao mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, j&aacute;    atr&aacute;s referido (COELHO, Maria Helena da Cruz &ndash; &ldquo;O senhorio    cr&uacute;zio de Alvorge&rdquo;, p. 58).</p>     <p><a href="#_ftnref137" name="_ftn137" title="">[137]</a> ARNAUT, Salvador Dias    &ndash; &ldquo;A arte de comer em Portugal na Idade M&eacute;dia&rdquo;, p.    LXXXI.</p>     <p><a href="#_ftnref138" name="_ftn138" title="">[138]</a> ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ,    Juan &ndash; <i>El ajuar de las viviendas jerezanas</i>, pp. 59-60, 63, 66;    COVANEIRO, Jaquelina; CAVACO, Sandra; LOPES, Gon&ccedil;alo &ndash; &ldquo;Importa&ccedil;&otilde;es    cer&acirc;micas de Tavira&rdquo;, p. 115, referem pe&ccedil;as dessa proveni&ecirc;ncia    por elas recuperadas em Tavira.</p>     <p><a href="#_ftnref139" name="_ftn139" title="">[139]</a> Pelo menos para os    talhadores sabe-se que podiam ser redondos ou quadrangulares &ndash; o que tamb&eacute;m    a iconografia documenta &ndash; e at&eacute;, eventualmente, terem um p&eacute;    (veja-se, para estes &uacute;ltimos, ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ, Juan &ndash;    <i>El ajuar de las viviendas murcianas</i>, p. 37).</p>     <p><a href="#_ftnref140" name="_ftn140" title="">[140]</a> Quando nestes como    em outros textos semelhantes se referem bacios ou bacias sem mais explicita&ccedil;&otilde;es,    &eacute; imposs&iacute;vel saber se o seu uso se restringia &agrave; cozinha,    e mesmo a&iacute; que uso se lhes dava, ou se se alargava &agrave; mesa. Penso    que algumas destas alfaias seriam multifuncionais, ao menos nas habita&ccedil;&otilde;es    mais pobres. Todavia, quando confeccionadas em materiais mais ricos, &eacute;    sabido que serviam &agrave; mesa.</p>     <p><a href="#_ftnref141" name="_ftn141" title="">[141]</a> GON&Ccedil;ALVES, Iria    &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 253.</p>     <p><a href="#_ftnref142" name="_ftn142" title="">[142]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 74-75, 86-90.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref143" name="_ftn143" title="">[143]</a> VITERBO, Joaquim de    Santa Rosa de &ndash; <i>Elucid&aacute;rio das palavras, termos e frases que    em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram</i>. Ed.    cr&iacute;tica de M&aacute;rio Fi&uacute;za, vol. I. Porto: Civiliza&ccedil;&atilde;o,    1965, p. 436.</p>     <p><a href="#_ftnref144" name="_ftn144" title="">[144]</a> ABELL&Aacute;N P&Eacute;REZ,    Juan &ndash; <i>El ajuar de las viviendas jerezanas</i>, p. 67.</p>     <p><a href="#_ftnref145" name="_ftn145" title="">[145]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 25-26, 27-28, 74-75.</p>     <p><a href="#_ftnref146" name="_ftn146" title="">[146]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 27-28.</p>     <p><a href="#_ftnref147" name="_ftn147" title="">[147]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 40-41, 74-75, 86-90, 92-95, 100-102, 106-108. Para    esta como para outras alfaias de cozinha e mesa pode ver-se MACHADO, Maria de    F&aacute;tima &ndash; &ldquo;Os &oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute; e a gest&atilde;o    do seu patrim&oacute;nio nos s&eacute;culos XV e XVI&rdquo;. <i>Al&rsquo;-Uly&#257;</i>    18 (2017), quadro da p. 57.</p>     <p><a href="#_ftnref148" name="_ftn148" title="">[148]</a> Talvez aquelas que    n&atilde;o receberam do escriv&atilde;o qualquer qualificativo: <i>Fundo dos    &Oacute;rf&atilde;os de Loul&eacute;</i>, pp. 86-90, 92-95.</p>     <p><a href="#_ftnref149" name="_ftn149" title="">[149]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-108. Considerei a albarrada um artefacto de servir    &agrave; mesa, na medida em que Rafael Bluteau a define como infusa ou pichel    (cit. em <i>O &ldquo;Livro de Cozinha&rdquo; da infanta D. Maria de Portugal</i>.Ed.    por Salvador Dias Arnaut e Giacinto Manuppella. Coimbra: Universidade de Coimbra,    p. 170). Serviria tamb&eacute;m na cozinha e &eacute; a&iacute; que o receitu&aacute;rio    da infanta a d&aacute; a conhecer, num prato feito &agrave; base de ovos, polvilhados    no final com a&ccedil;&uacute;car e canela (<i>O &ldquo;Livro de Cozinha&rdquo;</i>,p.    60).</p>     <p><a href="#_ftnref150" name="_ftn150" title="">[150]</a> ARNAUT, Salvador Dias    &ndash; &ldquo;A arte de comer em Portugal na Idade M&eacute;dia&rdquo;, p.    LXXVIII.</p>     <p><a href="#_ftnref151" name="_ftn151" title="">[151]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 86-90, 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref152" name="_ftn152" title="">[152]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 101.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref153" name="_ftn153" title="">[153]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-107. Adiante voltarei a referir-me a este utens&iacute;lio.</p>     <p><a href="#_ftnref154" name="_ftn154" title="">[154]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 25-26, 86-90, 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref155" name="_ftn155" title="">[155]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 40-41.</p>     <p><a href="#_ftnref156" name="_ftn156" title="">[156]</a> Aos primeiros, com    algumas d&uacute;vidas, foi-lhes atribu&iacute;do o sentido de tabuleiros (ver    ARNAUT, Salvador Dias &ndash; &ldquo;A arte de comer em Portugal na Idade M&eacute;dia&rdquo;,    p. LXXVII); char&atilde;o significava, &eacute; certo que em &eacute;poca muito    posterior, tanto quanto sei, um tabuleiro de metal, em regra decorado com pinturas.</p>     <p><a href="#_ftnref157" name="_ftn157" title="">[157]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 74-75, 92-95.</p>     <p><a href="#_ftnref158" name="_ftn158" title="">[158]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 25-26. Sobre a palavra cunca veja-se VARELA SIEIRO,    Xaime &ndash; <i>L&eacute;xico coti&aacute;n na Alta Idade Media de Galicia:    o enxoval</i>. A Coru&ntilde;a: Edici&iacute;s do Castro, 2003, pp. 216-217.</p>     <p><a href="#_ftnref159" name="_ftn159" title="">[159]</a> &ldquo;Transcri&ccedil;&atilde;o    do foral de Loul&eacute;&rdquo;, p. 90.</p>     <p><a href="#_ftnref160" name="_ftn160" title="">[160]</a> MARQUES, A. H. de Oliveira    &ndash; <i>A sociedade medieval portuguesa</i>, p. 40; GON&Ccedil;ALVES, Iria    &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 252; BRESC-BAUTIER, Genevi&egrave;ve;    BRESC, Henri; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;L&rsquo;&eacute;quipement de la    cuisine&rdquo;, p. 54; HERBETH, Pascal &ndash; &ldquo;Les utensiles de cuisine    en Provence m&eacute;di&eacute;vale&rdquo;, p. 92.</p>     <p><a href="#_ftnref161" name="_ftn161" title="">[161]</a> <i>Actas de verea&ccedil;&atilde;o    de Loul&eacute;</i>. <i>S&eacute;culos XIV-XV</i>, pp. 127-128. Talvez semelhantes    aos apresentados por Helena CATARINO (<i>Cer&acirc;micas isl&acirc;micas do    castelo de Salir</i>, pp. 13-14), pequenos p&uacute;caros com uma s&oacute;    asa, fabricados em cer&acirc;mica.</p>     <p><a href="#_ftnref162" name="_ftn162" title="">[162]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 86-90.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref163" name="_ftn163" title="">[163]</a> DIETRICH, Anne &ndash;    &ldquo;Les petits m&eacute;tiers du bois&rdquo;, p. 159 e tamb&eacute;m PIPONNIER,    Fran&ccedil;oise &ndash; &ldquo;Do lume &agrave; mesa&rdquo;, p. 130.</p>     <p><a href="#_ftnref164" name="_ftn164" title="">[164]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 109.</p>     <p><a href="#_ftnref165" name="_ftn165" title="">[165]</a> LATREMOLI&Eacute;RE,    &Eacute;lisabeth &ndash; &ldquo;Cuisines et tables royales&rdquo;, p. 220.</p>     <p><a href="#_ftnref166" name="_ftn166" title="">[166]</a> DIETRICH, Anne &ndash;    &ldquo;Les petits m&eacute;tiers du bois&rdquo;, nota 163, p. 160; MARQUES,    A. H. de Oliveira &ndash; <i>A sociedade medieval portuguesa</i>, p. 40, como    exemplos.</p>     <p><a href="#_ftnref167" name="_ftn167" title="">[167]</a> MARQUES, A. H. de Oliveira    &ndash; <i>A sociedade medieval portuguesa</i>, p. 40; STOUFF, Louis &ndash;    <i>La table proven&ccedil;ale</i>, p. 220; LAURIOUX, Bruno &ndash; <i>A Idade    M&eacute;dia &agrave; mesa</i>, p. 96.</p>     <p><a href="#_ftnref168" name="_ftn168" title="">[168]</a> Veja-se o que dizem    para It&aacute;lia MAZZI, Maria Serena; RAVEGGI, Sergio &ndash; <i>Gli uomini    e le cose</i>, p. 216.</p>     <p><a href="#_ftnref169" name="_ftn169" title="">[169]</a> STOUFF, Louis &ndash;    <i>La table proven&ccedil;ale</i>, p. 220.</p>     <p><a href="#_ftnref170" name="_ftn170" title="">[170]</a> GON&Ccedil;ALVES, Iria    &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, p. 252; G&Aacute;ZQUEZ ORTIZ,    Antonio &ndash; <i>La</i> <i>cocina en tiempos del arcipreste de Hita</i>, p.    38.</p>     <p><a href="#_ftnref171" name="_ftn171" title="">[171]</a> Pode lembrar-se aquela    casa louletana em que ficou declarado um copo. A ser esta, na verdade, toda    a alfaia do g&eacute;nero, os diferentes membros da fam&iacute;lia tinham que    servir-se com o mesmo utens&iacute;lio e, eventualmente, tamb&eacute;m qualquer    outro conviva que com ela partilhasse a refei&ccedil;&atilde;o. A n&atilde;o    ser que o copo estivesse reservado para o chefe de fam&iacute;lia ou fosse oferecido    a um convidado de prest&iacute;gio, enquanto todos os outros continuavam a servir-se    directamente do pichel.</p>     <p><a href="#_ftnref172" name="_ftn172" title="">[172]</a> Veja-se LAURIOUX, Bruno    &ndash; <i>A Idade M&eacute;dia &agrave; mesa</i>, p. 96.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref173" name="_ftn173" title="">[173]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref174" name="_ftn174" title="">[174]</a> LAURIOUX, Bruno &ndash;    <i>A Idade M&eacute;dia &agrave; mesa</i>, p. 96.</p>     <p><a href="#_ftnref175" name="_ftn175" title="">[175]</a> LAURIOUX, Bruno &ndash;    <i>A Idade M&eacute;dia &agrave; mesa</i>, p. 96.</p>     <p><a href="#_ftnref176" name="_ftn176" title="">[176]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, p. 107.</p>     <p><a href="#_ftnref177" name="_ftn177" title="">[177]</a> Veja-se, entre os exemplos    apontados por Salvador Dias ARNAUT (&ldquo;A arte de comer em Portugal na Idade    M&eacute;dia&rdquo;, p. LXXVIII), a exist&ecirc;ncia de gomis e pich&eacute;is    de &ldquo;&aacute;gua &agrave;s m&atilde;os&rdquo;.</p>     <p><a href="#_ftnref178" name="_ftn178" title="">[178]</a> MARQUES, A. H. de Oliveira    &ndash; <i>A sociedade medieval portuguesa</i>, p. 39. Veja-se este assunto    mais desenvolvidamente em GON&Ccedil;ALVES, Iria &ndash; &ldquo;A alimenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;,    pp. 257-259.</p>     <p><a href="#_ftnref179" name="_ftn179" title="">[179]</a> <i>Fundo dos &Oacute;rf&atilde;os    de Loul&eacute;</i>, pp. 106-108.</p>     <p><a href="#_ftnref180" name="_ftn180" title="">[180]</a> O foral quinhentista    de Loul&eacute; refere-se concretamente a &aacute;gua rosada e &aacute;gua de    flor de laranja, como j&aacute; atr&aacute;s ficou lembrado. Eram usadas na    condimenta&ccedil;&atilde;o dos pratos, nos cuidados de beleza e at&eacute;    nos medicamentos, mas podiam tamb&eacute;m ser usadas &agrave; mesa, em ocasi&otilde;es    especiais, entre as fam&iacute;lias mais proeminentes.</p>     <p><a href="#_ftnref181" name="_ftn181" title="">[181]</a> Foi essa uma forma    de suprir faltas que chegou bem perto dos nossos dias. Verificada, por exemplo,    para os s&eacute;culos XIII e XIV por LE ROY LADURIE, Emmanuel &ndash; <i>Montaillou,    village occitan de 1294 a 1324</i>. Paris: Gallimard, 1975, p. 69.</p>      ]]></body><back>
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