<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1646-740X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Medievalista]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Medievalista]]></abbrev-journal-title>
<issn>1646-740X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Estudos Medievais, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1646-740X2020000200018</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Recensão / Book review: DONNELLY, Andrew - Cooking pots, and cultural transformation in Imperial and Late Antique Italy. PhD thesis. Loyola University Chicago, 2016 (298 pp.)]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Quaresma]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Carlos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Instituto de Estudos Medievais]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<numero>28</numero>
<fpage>397</fpage>
<lpage>403</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-740X2020000200018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-740X2020000200018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-740X2020000200018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RECENSÃO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Recensão / Book review:</b> <b>DONNELLY, Andrew - Cooking pots, and cultural transformation in Imperial and Late Antique Italy. PhD thesis. Loyola University Chicago, 2016 (298 pp.)</b></font></p>     <p><b>José Carlos Quaresma<sup>1</sup></b>    <br>  <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0003-3139-1975">https://orcid.org/0000-0003-3139-1975</a></p>     
<p><sup>1</sup> Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas,  Instituto de Estudos Medievais.1070-312 Lisboa, Portugal. <a href="mailto:josecarlosquaresma@gmail.com">josecarlosquaresma@gmail.com</a> </p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Já com três   anos de vida, a tese que apresentamos nesta recensão é de uma importância maior   para Historiadores e Arqueólogos da Antiguidade Tardia, que se debrucem sobre a   evolução da dieta humana e dos utensílios para a sua confecção e degustação -   no caso vertente, a evolução das cerâmicas de uso culinário, sob o ponto de vista funcional das morfologias. </p>        <p>Desde a   formulação do conceito de Antiguidade Tardia, por Peter Brown, em 1971<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>   - à época, um sucedâneo ao marcante estudo sobre o <i>Later Roman Empire</i> de   A. H. M. Jones, editado em 1964<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>   -, que se marcou no tempo, em definitivo, uma nova etapa de estudo conjugando   séculos de profunda transformação entre o sistema tardo-romano e o novo mundo   alto-medieval. A definição conceptual de um mundo tardo-antigo permitia   abandonar a dicotomia simplista entre um mundo <i>civilizado</i>, romano, de   tradição clássica, e um mundo <i>bárbaro</i>, multifacetado étnica e   geo-politicamente e que, embora parcialmente herdeiro de mundividências   romanas, era tradicionalmente visto pela Historiografia e pela Arqueologia como o fim de um tempo áureo. </p>        <p>Essa ideia, mormente a acumulação neste meio-século de estudos que apontam para tantos vectores de continuidade, ainda tem defensores mais ou menos acérrimos, que vêem na queda de Roma, no ano de 476, o fim definitivo de um mundo ocidental europeu. Esta tese fez sucesso editorial, ainda recentemente, nos anos 2000, através do livro redigido por Brian Ward-Perkins, académico de Oxford, com o inequívoco título de <i>A queda de Roma e o fim da civilização</i><a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a>.</p>     <p>Por norma, este tipo de estudos baseia-se muito mais em dados de cariz eminentemente historiográfico, i.e., fontes escritas, do que eminentemente arqueológico, i.e., cultura material. Esse pecado original, embora justificável pelas dinâmicas ainda pouco conseguidas e constantes entre estes dois saberes do passado humano, torna-se menos justificável em face dos profundos avanços que a Arqueologia fez do ponto de vista da metodologia estratigráfica, tão crucial (como em qualquer período&#8230;) para a identificação dos fenómenos tardo-antigos na cultura material.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na verdade, fontes históricas como a <i>Crónica</i> do Bispo Idácio de Chaves<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a>, escrita por volta do ano de 470, marcaram ambos os campos científicos, com a sua imagem <i>negativa</i> da turbulência política do período em que viveram homens como o sacerdote flaviense. A sua mundividência, então suevo-visigótica, estava eivada de pessimismo, um sentimento que marcava muitas das elites cristãs desde o século IV, pelo menos. Por outro lado, até há bem poucas décadas atrás, a falta de dados arqueológicos para o século V em diante era o resultado da persistência de escavações com pouca ou nenhuma base metodológica, que assim destruíram, sem registo, os <i>ruídos</i>, por vezes toscos e heterogéneos, que se sobrepunham estratigraficamente às estruturas arquitectónicas, rurais ou urbanas, de época romana. A isto se podia ainda juntar a tentativa de conjugar dados historiográficos com dados arqueológicos, que originaram, por exemplo, a identificação de níveis de destruição em cidades como <i>Conimbriga</i>, com as descrições de abandono urbano descritas pelo bispo flaviense, para os anos de 465-468. Hoje sabe-se que esta cidade, como outras amiúde, mantiveram-se vivas, ainda com aparente configuração urbana nalguns casos; noutros, com ocupações pontuais, como provas o estudo de López Quiroga, em 2013<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>.</p>     <p>Serve este longo introito para enquadrar a falta de estudos tipológicos no âmbito da ceramologia tardo-antiga, já que - num mundo em que muitas das linhas comerciais estavam enfraquecidas ou extintas, e muitos sítios residenciais, urbanos ou rurais, para além de centros produtores, haviam sido abandonados -, identificar, no caso peninsular, estratigrafias posteriores à primeira metade do século V, constitui tarefa árdua. Na verdade, com a escassez ou mesmo inexistência de materiais finos de importação, em circulação, identificar essas realidades pós-romanas exige o estudo aprofundado das cerâmicas comuns, um fenómeno de matriz profundamente local e regional, longe das grandes tipologias de cerâmicas finas de grande circulação. Mas, o que os estudos vão indicando, pouco a pouco, é também que, apesar da evidente atomização do mundo tardo-antigo, algumas linhas de contacto de longa-distância permanecem, por exemplo, entre o extremo Mediterrâneo Oriental e o Atlântico, de que são exemplo primeiro a chegada de <i>Late Roman Amphorae</i> e de <i>Terra Sigillata</i> Foceense Tardia à fachada atlântica peninsular e à <i>Britannia</i>, particularmente até meados do século VI, mas com extensões posteriores; ou o envio de um grande carregamento de cereais por parte do Bispo de Alexandria, João, o Esmoler, para o território britânico, em carestia, já no século VII<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a>.</p>     <p>A tese de doutoramento de Andrew Donnelly, defendida em 2016 na Loyola University Chicago, versa o estudo comparativo entre fontes históricas, relativas à gastronomia tardo-antiga, e as cerâmicas culinárias encontradas nas estratigrafias do espaço itálico, entre os séculos IV/V e VII d.C.. Do ponto de vista estratigráfico, esta tese propõe-se assim analisar criticamente as morfologias funcionais de cozinha, e subjacentes hábitos alimentares, ao longo de depósitos que atravessam o período tardo-romano, ostrogodo (em parte sob a influência comercial do reino vândalo, instalado no Norte de África entre 439 e 533 d.C.), bizantino e lombardo. </p>     <p>Do ponto de vista historiográfico, analisa três grandes fontes: Vinidário, que representa a tradição romano-gótica, no século V ou VI; Anthimo, que terá trabalhado nas cortes do rei franco Teodorico e do rei ostrogodo homónimo, no século VI, e finalmente o bispo de Sevilha, Isidoro, já do século VII.</p>     <p>A tese divide-se em quatro grandes capítulos:</p>     <p>- um primeiro, dedicado às cerâmicas de cozinha: vocabulário, contexto e uso do ponto de vista arqueológico;</p>     <p>- dois outros capítulos, consagrados às cerâmicas de cozinha e suas referências nas fontes escritas;</p>     <p>- um último, votado à análise das estratigrafias urbanas e rurais, no espaço itálico, que possuem cerâmicas culinárias: evolução cronológica e espacial dos tipos e morfologias e das funcionalidades decorrentes.</p>     <p>Este estudo, tal como muitos dos que vão saindo amiúde, e que procuram fazer uma análise antropológica dos espólios arqueológicos, aplica um método quase que diríamos estruturalista, identificando dois polos básicos: uma gastronomia de matriz clássica-romana que se conjuga com uma gastronomia de cariz <i>bárbaro</i>, multifacetada geopolítica e etnicamente. Tal é-nos revelado por dois grandes conjuntos cerâmicos funcionais: o tacho como grande representante dos guisados e da preferência pelos ovi-caprinos, aos quais se pode juntar, em muito menor grau, a sobrevivência do prato covo/frigideira, para frituras com azeite; a panela como grande representante da confecção de cozidos e da preferência pelo gado <i>vacum</i>. Os tachos (e pratos covos/frigideiras) representam a manutenção do gosto clássico; as panelas crescem em número com a consolidação progressiva do mundo pós-romano.</p>     <p>Esta dicotomia é já abordada em outros autores<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a> e muito deve, não só às novas realidades políticas e étnicas que marcam o mundo ocidental europeu, mas também à consolidação do novo período climático denominado como <i>Dark Ages Cold Period</i>, ou seja, do período glaciar vivido entre os séculos IV e VIII, sucedâneo do período interglaciar puro, denominado por <i>Roman Warm Period</i>, que havia durado entre os séculos II a.C. e o século III/IV d.C.. Este novo contexto ambiental influi cumulativamente nas novas realidades políticas que vão separando lentamente o Continente do Mediterrâneo e este último do Atlântico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No espaço itálico, para além da consolidação progressiva da panela, vemos, porém, até meados do século VI, um papel ainda marcante do tacho, por vezes, e sobretudo em Roma, acompanhado pelo prato covo/frigideira. Para o autor, na Itália ostrogoda dos séculos V e VI, ocorre um aumento significativo do consumo de carne, atestado pelas fontes escritas e no registo arqueológico dos sítios rurais (em clara oposição aos dados referentes ao período médio-imperial), que agora estão menos constrangidos pelas regras fundiárias romanas. A verdadeira ruptura deste mundo tardo-antigo, do ponto de vista alimentar, dar-se-á por volta de meados do século VI e deverá relacionar-se com a crise demográfica, nos espaços mais ligados ao poder bizantino, entretanto reconquistador do Norte de África, de parte de Itália e do Sul hispânico. A <i>Renovatio Imperii</i> de Justiniano é marcada não só por guerras esgotantes a Ocidente, mas também por uma praga de consequências devastadoras e contornos geográficos ainda por determinar com precisão no Mediterrâneo ocidental (e no Atlântico?).</p>     <p>A pertinência do estudo de Andrew Donnelly é hoje evidente, em face do avanço dos estudos crono-estratigráficos e crono-tipológicos, um pouco por todos os espaços da Antiguidade Tardia, mas assume uma importância maior quando comparado com os dados, por exemplo, que a investigação arqueológica está a obter em regiões tão distantes como Lisboa, importante porto da fachada atlântica peninsular, onde sectores como o das Escadinhas de São Crispim, com fases de 500-525 e 525-550 d.C., apontam para um equilíbrio entre tachos e panelas, dando-se a ruptura definitiva em 550-575 d.C., segundo os dados de um sector próximo, o do Palácio dos Condes de Penafiel<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a>.</p>     <p>Do ponto de vista comercial, a investigação arqueológica já havia começado a intuir uma quebra ao longo do século V, seguida de retoma pontual tardo-vândala, no Mediterrâneo ocidental, com extensão em menor grau ao Atlântico. E que o segundo quartel/meados do século VI representavam um novo decréscimo acentuado das importações, que no caso do território lusitano se tornam mesmo efémeras a partir desse ponto temporal<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a>. O que a investigação da cerâmica comum em estratigrafia começa a anunciar é um paralelismo transregional (que urge ainda estudar em quantidade, estando longe de especificado!) ao nível dos hábitos culinários, que sofrem uma atomização clara, não só a partir das convulsões do século V, mas novamente, e em maior grau, a partir de meados do século VI.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Como   citar este artigo </b><b>| How to quote this article:</b></p>     <p>QUARESMA, José Carlos - &#8220;DONNELLY, Andrew - <i>Cooking pots, and cultural transformation in Imperial and Late Antique Italy</i>. PhD thesis. Loyola University Chicago, 2016 (298 pp.)&#8221;. <i>Medievalista</i> 28 (Julho - Dezembro 2020), pp. 397-403. Disponível em <a href="https://medievalista.iem.fcsh.unl.pt" target="_blank">https://medievalista.iem.fcsh.unl.pt</a><a href="https://medievalista.iem.fcsh.unl.pt"></a> . </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data recep&ccedil;&atilde;o do artigo / Received for publication: 12 de Setembro de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> BROWN, Peter - <i>O fim do mundo clássico. De Marco Aurélio a Maomé.</i> Lisboa: Verbo, 1971.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a> JONES, Arnold Hugh Martin - <i>The later Roman Empire. 284-602. A social economic and administrative survey</i>. Oxford: Basil Blackwell, 1964-1973.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a> WARD-PERKINS, Bryan - <i>A queda de Roma e o fim da civilização</i>. Lisboa: Aletheia, 2005.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a> TRANOY, Alain - <i>Hydace. Chronique</i>. 2 vols. Paris: Les Éditions de Cerf, 1974.</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a> LÓPEZ QUIROGA, Jorge (ed.) - <i>Conimbriga tardo-romana y medieval. Excavaciones arqueológicas en la Domus Tancinus (2004-2008) (Condeixa-a-Velha, Portugal)</i>. Archaeopress. (<i>Bar International Series</i> 2466), 2013.</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a> QUARESMA, José Carlos - <i>Economia antiga a partir de um centro de consumo lusitano. Terra sigillata e cerâmica africana de cozinha em Chãos Salgados</i> (<i>Mirobriga</i>?). Lisboa: UNIARQ (<i>Estudos e Memórias</i>, 4), 2012. </p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a> Por exemplo, ARTHUR, Paul - &#8220;Pots and boundaries. On cultural and economic areas between Late Antiquity and the Early Middle Ages&#8221;. in BONIFAY, M., TRÉGLIA, J.-M. (eds.) - <i>LRCW 2. Late Roman Coarse Wares, Cooking Wares and Amphorae in the Mediterranean. Archaeology and Archaeometry</i>. BAR-IS 1662 (I), 2007, pp. 15-27.</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a> QUARESMA, José Carlos - &#8220;Late contexts from Olisipo (Lisbon, Portugal): Escadinhas de São Crispim&#8221;. in DUGGAN, M.; TURNER, S.; JACKSON, M. -<i> </i><i>Ceramics and Atlantic Connections: Late Roman and early medieval imported pottery on the Atlantic Seaboard. International symposium. </i><i>New Castle University, March 26-27<sup>th</sup> 2014</i>. Oxford: Archaeopress (<i>Roman and Late Antique Mediterranean Pottery</i>; 15), 2020, pp. 94-107.</p>     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a> QUARESMA, José Carlos - <i>Economia antiga a partir de um centro de consumo lusitano&#8230;</i>; REYNOLDS, Paul - <i>Hispania and the Roman Mediterranean. </i><i>AD 100-700. Ceramics and trade</i>. London: Duckworth, 2010.</p>      ]]></body>
</article>
