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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise comparativa entre medições in situ e estimativas numéricas na Praia da Cornélia, Costa da Caparica, Portugal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents a comparative analysis between field data collected on Cornélia beach (Costa da Caparica, Portugal), between the 12th and the 15th of May of 2010 and numerical results obtained with the non-linear 2D COULWAVE model. The ultimate aim of this work is to evaluate the capacity and ability of the model to simulate both the measured wave climate conditions and the horizontal velocity. The COULWAVE numerical model is based on Boussinesq-type equations, obtained from depth-integration of the continuity and momentum equations, assuming a multi-layer concept, and simulates the propagation of strongly non-linear and dispersive waves, across variable-depth zones. Boundary conditions were constrained based on free-surface elevation time series measured at a 7.6 m depth (Chart datum). Free-surface elevation and cross-shore velocity time series obtained for specific points of the domain were simulated by the model using 30min-long runs, while simulations for the whole domain were only carried on for 300s, due to limited computational capacity. The numerical results are compared with free-surface elevation time series obtained with pressure sensors and horizontal velocity time series acquired with a current meter positioned near the shoreline. It is also performed a sensibility analysis of the parameter that defines the initial free surface threshold that must be exceeded for a breaking event to initiate: first, it was considered the default value for constant slope beach profiles, 0.65, and then another value, 0.35, advocated by previous authors for bar-through beach profiles. The primary focuses of the data analysis are time-domain analysis and combined statistics (BIAS, RMSE, IC) of significant wave height and period and maximum, minimum, mean and root-mean-square cross-shore horizontal velocities, aiming the validation of the numerical data. It is further presented, for an example-case, the wave energy spectra using two distinct spectral methods (Fourier and Wavelet). Overall, the model seems to be fairly capable of simulating the wave characteristics across the shoaling zone as well as the cross-shore velocity along the coast. In general, it has a greater capacity to reproduce the heights of the waves than the periods. It should be noted that there are sometimes large differences between the measured values and the values estimated by the numerical model, especially after the wave breaking. For the cross-shore velocity, the model simulates quite well the right order of magnitude of the measured values, but it has limitations in describing their behaviour, and, in general, there is an overestimation of this cross-sectional component. In the spectral domain, the model is able to represent quite well the presence of the measured higher-energy frequencies recorded, but presents difficulties representing the spectrum shape and the distribution of energy for periods over time, especially after the break. This approach aims evaluating the performance of the model on simulating the specific conditions of this particular field place, but also, in a more general way, it intends to enhance the confidence on further applications of COULWAVE to wider and longer spatial and temporal scales, which is fundamental for coastal management purposes.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p><b>An&aacute;lise comparativa entre medi&ccedil;&otilde;es in situ e estimativas num&eacute;ricas na Praia da Corn&eacute;lia, Costa da Caparica, Portugal</b><a href="#0">*</a><a name="top0"></a></b></p> 	    <p><b>Comparative analysis between in situ measurements and numerical estimations on Corn&eacute;lia Beach, Costa da Caparica, Portugal</b></p> 	    <p>&nbsp;</p>         <p><b>M. V. L. Rocha<sup>@, I</sup>, T. Moura<sup>II</sup>, C. J. E. M. Fortes<sup>II</sup>, R. Capit&atilde;o<sup>II</sup>, M. M. Bezerra<sup>II</sup>, F. E. Sancho<sup>II</sup></b></p>         <p><sup>@</sup>Corresponding author: <a href="mailto:m.rocha@ua.pt">m.rocha@ua.pt</a></p>         <p>I - LNEC, Av. do Brasil, 101, 1700-066 Lisboa, Portugal; CESAM, Departamento de F&iacute;sica, Universidade de Aveiro, Campus de Santiago, 3810-193 Aveiro, Portugal    <br>II - LNEC, Av. do Brasil, 101, 1700-066 Lisboa, Portugal, e-mails: <a href="mailto:theogrm@gmail.com">theogrm@gmail.com</a>, <a href="mailto:jfortes@lnec.pt">jfortes@lnec.pt</a>, <a href="mailto:rcapitao@lnec.pt">rcapitao@lnec.pt</a>, <a href="mailto:mbezerra@ualg.pt">mbezerra@ualg.pt</a>, <a href="mailto:fsancho@lnec.pt">fsancho@lnec.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>RESUMO</b></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo aborda a an&aacute;lise comparativa entre as medi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima efectuadas na Praia da Corn&eacute;lia (Costa da Caparica, Portugal), durante os dias 12 a 14 de Maio de 2010, e os resultados num&eacute;ricos da aplica&ccedil;&atilde;o do modelo n&atilde;o-linear do tipo Boussinesq, COULWAVE. Esta an&aacute;lise tem como principal objectivo a avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho deste modelo num&eacute;rico na simula&ccedil;&atilde;o da propaga&ccedil;&atilde;o de ondas em condi&ccedil;&otilde;es reais, pretendendo evidenciar, deste modo, as suas potencialidades e limita&ccedil;&otilde;es.    <br>As condi&ccedil;&otilde;es de fronteira do modelo foram geradas com base em s&eacute;ries temporais de eleva&ccedil;&atilde;o medidas a uma profundidade aproximada de 7.6 m (relativa ao zero hidrogr&aacute;fico &#8211; ZH). Os valores num&eacute;ricos (eleva&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie livre e a componente transversal da velocidade horizontal) foram obtidos em todo o dom&iacute;nio de c&aacute;lculo, e em particular, nas posi&ccedil;&otilde;es dos sensores de press&atilde;o e de um corrent&oacute;metro electromagn&eacute;tico colocado junto &agrave; linha de costa. Nas posi&ccedil;&otilde;es dos instrumentos s&atilde;o apresentadas an&aacute;lises comparativas no dom&iacute;nio do tempo e estat&iacute;sticas de conjunto, que servem para a valida&ccedil;&atilde;o das simula&ccedil;&otilde;es e a quantifica&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as observadas entre os resultados num&eacute;ricos e as medi&ccedil;&otilde;es efectuadas. Analisou-se tamb&eacute;m a influ&ecirc;ncia nos resultados da escolha de diferentes valores do par&acirc;metro de in&iacute;cio da rebenta&ccedil;&atilde;o. Finalmente, apresentam-se tamb&eacute;m resultados da an&aacute;lise espectral, usando dois m&eacute;todos espectrais distintos (Fourier e Wavelet), para avaliar a capacidade do modelo COULWAVE na simula&ccedil;&atilde;o de efeitos n&atilde;o-lineares.    <br>Verificou-se que o modelo simula razoavelmente bem a evolu&ccedil;&atilde;o da onda desde a posi&ccedil;&atilde;o mais ao largo at&eacute; &agrave; praia, antes da ocorr&ecirc;ncia de rebenta&ccedil;&atilde;o, bem como a velocidade transversal junto &agrave; costa. Em geral, tem uma maior capacidade para reproduzir as alturas do que os per&iacute;odos de onda. &Eacute; de notar a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as por vezes significativas entre os valores medidos e os valores estimados pelo modelo num&eacute;rico, principalmente nas zonas menos profundas, ap&oacute;s a rebenta&ccedil;&atilde;o. No caso da velocidade transversal verifica-se que o modelo simula bastante bem a ordem de magnitude dos valores medidos, mas tem limita&ccedil;&otilde;es em descrever o seu andamento, verificando-se, em geral, a sobrestima&ccedil;&atilde;o da componente transversal. Ao n&iacute;vel espectral, o modelo &eacute; capaz de representar bastante bem a presen&ccedil;a das frequ&ecirc;ncias de maior energia registadas, mas tem dificuldades em representar a forma do espectro e a distribui&ccedil;&atilde;o de energia por per&iacute;odos ao longo do tempo, principalmente ap&oacute;s a rebenta&ccedil;&atilde;o.    <br>Com esta abordagem pretende-se ter uma maior confian&ccedil;a na utiliza&ccedil;&atilde;o generalizada do modelo num&eacute;rico para caracteriza&ccedil;&atilde;o da agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima em zonas costeiras e em escalas temporais e espaciais maiores, necess&aacute;rias numa perspectiva de gest&atilde;o costeira operacional.</p> 	    <p><b>Palavras-chave: </b>Propaga&ccedil;&atilde;o das onda, Rebenta&ccedil;&atilde;o, Modela&ccedil;&atilde;o Num&eacute;rica, Praia da Corn&eacute;lia.</p> 	<hr size="1" noshade>         <p><b>ABSTRACT</b></p> 	    <p>This paper presents a comparative analysis between field data collected on Corn&eacute;lia beach (Costa da Caparica, Portugal), between the 12th and the 15th of May of 2010 and numerical results obtained with the non-linear 2D COULWAVE model. The ultimate aim of this work is to evaluate the capacity and ability of the model to simulate both the measured wave climate conditions and the horizontal velocity.    <br>The COULWAVE numerical model is based on Boussinesq-type equations, obtained from depth-integration of the continuity and momentum equations, assuming a multi-layer concept, and simulates the propagation of strongly non-linear and dispersive waves, across variable-depth zones. Boundary conditions were constrained based on free-surface elevation time series measured at a 7.6 m depth (Chart datum). Free-surface elevation and cross-shore velocity time series obtained for specific points of the domain were simulated by the model using 30min-long runs, while simulations for the whole domain were only carried on for 300s, due to limited computational capacity.    <br>The numerical results are compared with free-surface elevation time series obtained with pressure sensors and horizontal velocity time series acquired with a current meter positioned near the shoreline. It is also performed a sensibility analysis of the parameter that defines the initial free surface threshold that must be exceeded for a breaking event to initiate: first, it was considered the default value for constant slope beach profiles, 0.65, and then another value, 0.35, advocated by previous authors for bar-through beach profiles.    <br>The primary focuses of the data analysis are time-domain analysis and combined statistics (BIAS, RMSE, IC) of significant wave height and period and maximum, minimum, mean and root-mean-square cross-shore horizontal velocities, aiming the validation of the numerical data. It is further presented, for an example-case, the wave energy spectra using two distinct spectral methods (Fourier and Wavelet).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>Overall, the model seems to be fairly capable of simulating the wave characteristics across the shoaling zone as well as the cross-shore velocity along the coast. In general, it has a greater capacity to reproduce the heights of the waves than the periods. It should be noted that there are sometimes large differences between the measured values and the values estimated by the numerical model, especially after the wave breaking.    <br>For the cross-shore velocity, the model simulates quite well the right order of magnitude of the measured values, but it has limitations in describing their behaviour, and, in general, there is an overestimation of this cross-sectional component. In the spectral domain, the model is able to represent quite well the presence of the measured higher-energy frequencies recorded, but presents difficulties representing the spectrum shape and the distribution of energy for periods over time, especially after the break.    <br>This approach aims evaluating the performance of the model on simulating the specific conditions of this particular field place, but also, in a more general way, it intends to enhance the confidence on further applications of COULWAVE to wider and longer spatial and temporal scales, which is fundamental for coastal management purposes.</p> 	    <p><b>Keywords: </b>Wave propagation, Wave breaking, Nearshore currents, Numerical modeling, Corn&eacute;lia beach.</p>         <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>         <p>A zona costeira &eacute; uma regi&atilde;o de din&acirc;mica complexa, fruto da interac&ccedil;&atilde;o de diversos agentes naturais, entre os quais o vento, a mar&eacute; e as ondas grav&iacute;ticas, particularmente em praias mesotidais.</p>         <p>As ondas geradas pelo vento s&atilde;o consideradas o agente for&ccedil;ador dominante na hidro e morfodin&acirc;mica costeira. Com efeito, na sua propaga&ccedil;&atilde;o em zonas costeiras, as ondas podem sofrer os efeitos de diversos fen&oacute;menos f&iacute;sicos complexos (como por exemplo, os associados &agrave; varia&ccedil;&atilde;o da profundidade, &agrave; difrac&ccedil;&atilde;o, &agrave; ocorr&ecirc;ncia de rebenta&ccedil;&atilde;o, &agrave; dissipa&ccedil;&atilde;o de energia por atrito de fundo, &agrave; sua reflex&atilde;o total ou parcial em obst&aacute;culos) que assumem uma import&acirc;ncia fundamental em toda a morfodin&acirc;mica da zona costeira, bem como no comportamento de estruturas mar&iacute;timas a&iacute; implantadas. Com efeito, as altera&ccedil;&otilde;es da fisiografia costeira, as modifica&ccedil;&otilde;es dos balan&ccedil;os sedimentares, problemas como a eros&atilde;o costeira e consequente recuo da linha de costa, o assoreamento de estu&aacute;rios, lagunas ou zonas portu&aacute;rias e a destrui&ccedil;&atilde;o de estruturas mar&iacute;timas s&atilde;o consequ&ecirc;ncia directa ou indirecta do clima de ondas que se verifica na zona costeira. Como tal, a capacidade de descrever, simular e prever a transforma&ccedil;&atilde;o das ondas, e deste modo, caracterizar o clima de ondas, torna-se essencial para a compreens&atilde;o dos processos costeiros e para um correcto planeamento e gest&atilde;o de interven&ccedil;&otilde;es costeiras, o que contribui, sem d&uacute;vida, para uma gest&atilde;o da zona costeira de forma integrada e sustent&aacute;vel.</p> 	    <p>Assim, para um maior conhecimento da agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima, a aquisi&ccedil;&atilde;o de dados de campo para monitoriza&ccedil;&atilde;o ambiental in situ e o recurso &agrave; modela&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica t&ecirc;m sido amplamente usados. Com efeito, a monitoriza&ccedil;&atilde;o in situ &eacute;, sem d&uacute;vida, a melhor t&eacute;cnica para a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos par&acirc;metros de ondas numa dada regi&atilde;o costeira, pois os dados obtidos s&atilde;o o resultado dos v&aacute;rios fen&oacute;menos que afetam a propaga&ccedil;&atilde;o de ondas que atingem a referida zona costeira.</p>         <p>No entanto, este monitoramento de ondas &eacute; feito de forma pontual no espa&ccedil;o e no tempo e requer recursos econ&oacute;micos elevados associados ao investimento inicial dos equipamentos a utilizar e ao custos da sua manuten&ccedil;&atilde;o, pelo que usualmente n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel para a maioria das zonas de estudo, com base em medi&ccedil;&otilde;es, definir um regime de agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima nem avaliar os efeitos a m&eacute;dio e longo-prazo da agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima na morfologia e din&acirc;mica sedimentar nessa zona.</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, o recurso &agrave; modela&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica para caracterizar os principais processos de propaga&ccedil;&atilde;o de ondas em zonas costeiras &eacute; muito vantajoso, pois permite a caracteriza&ccedil;&atilde;o espacial da zona a estudar e principalmente uma an&aacute;lise a curto, m&eacute;dio e longo prazo, constituindo, por isso, uma importante ferramenta de gest&atilde;o costeira.</p>     <p>Neste &acirc;mbito, os modelos baseados nas equa&ccedil;&otilde;es estendidas de Boussinesq permitem uma descri&ccedil;&atilde;o adequada da evolu&ccedil;&atilde;o das ondas mar&iacute;timas em zonas de profundidade vari&aacute;vel, tendo em conta os efeitos da refrac&ccedil;&atilde;o, difrac&ccedil;&atilde;o, rebenta&ccedil;&atilde;o e de efeitos n&atilde;o lineares. Um exemplo deste tipo de modelos &eacute; o modelo COULWAVE (Lynett & Liu, 2002), que se baseia nas equa&ccedil;&otilde;es do tipo Boussinesq deduzidas por Wei <i>et al.</i> (1995a, b). Lynett e Liu deduziram as equa&ccedil;&otilde;es a partir da integra&ccedil;&atilde;o em profundidade das equa&ccedil;&otilde;es de continuidade e movimento, utilizando o conceito de camadas m&uacute;ltiplas (multi-layer) em que a coluna de &aacute;gua &eacute; dividida em v&aacute;rias camadas, admitindo-se um determinado perfil de velocidades para cada uma. A precis&atilde;o do modelo assim desenvolvido depende do n&uacute;mero de camadas que se considera permitindo a sua utiliza&ccedil;&atilde;o em &aacute;guas profundas.</p> 	    <p>Apesar das in&uacute;meras vantagens do modelo, e tal como qualquer modelo num&eacute;rico, este tem algumas limita&ccedil;&otilde;es decorrentes das suas equa&ccedil;&otilde;es-base e da formula&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica adoptada. Assim, como em cada camada se admite uma determinada aproxima&ccedil;&atilde;o polinomial e com tal se integra as equa&ccedil;&otilde;es na vertical, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel obter com o modelo a estrutura vertical correcta da velocidade das part&iacute;culas. Este aspecto &eacute; particularmente importante quando se tem interesse no transporte de sedimentos e, consequentemente, na morfodin&acirc;mica e din&acirc;mica costeira. Por outro lado, fen&oacute;menos como a rebenta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o inclu&iacute;dos no modelo atrav&eacute;s da adi&ccedil;&atilde;o de termos &agrave; equa&ccedil;&atilde;o original, que dependem de um conjunto de par&acirc;metros que devem ser calibrados para cada caso de estudo, recorrendo, por exemplo, a dados adquiridos in situ. Torna-se assim importante avaliar quais as implica&ccedil;&otilde;es que tais limita&ccedil;&otilde;es podem ter no desempenho do modelo COULWAVE, principalmente quando este &eacute; aplicado a situa&ccedil;&otilde;es reais.</p>         <p>&Eacute; ent&atilde;o neste &acirc;mbito, que se insere o presente trabalho. Assim, a exist&ecirc;ncia de um conjunto muito vasto e variado de medi&ccedil;&otilde;es in situ realizadas na Praia da Corn&eacute;lia (Costa da Caparica, Portugal) de 12 a 14 de Maio de 2010 no &acirc;mbito de um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o, o projecto BRISA, e a vontade de avaliar o desempenho deste modelo num&eacute;rico na caracteriza&ccedil;&atilde;o da agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima numa situa&ccedil;&atilde;o real, e, assim, refor&ccedil;ar a confian&ccedil;a na sua utiliza&ccedil;&atilde;o generalizada em estudos de morfodin&acirc;mica e din&acirc;mica costeira a m&eacute;dio e longo prazo, justificaram o presente trabalho, que consistiu na an&aacute;lise comparativa entre as medi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima locais e as estimativas produzidas por esse modelo.</p>         <p>Deste modo, identificando as potencialidades e limita&ccedil;&otilde;es da utiliza&ccedil;&atilde;o do modelo COULWAVE, i.e. o seu desempenho em situa&ccedil;&otilde;es reais, este pode constituir uma ferramenta da gest&atilde;o costeira integrada.</p> 	    <p>Neste artigo, descreve-se sucintamente a zona de estudo, a Praia da Corn&eacute;lia e campanha de recolha de dados realizada. Segue-se a aplica&ccedil;&atilde;o do modelo COULWAVE, incluindo uma breve descri&ccedil;&atilde;o das suas caracter&iacute;sticas e condi&ccedil;&otilde;es de c&aacute;lculo. Apresentam-se as an&aacute;lises comparativas entre resultados num&eacute;ricos e as medi&ccedil;&otilde;es efectuadas. O artigo termina com as conclus&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>2. A praia da Corn&eacute;lia, Costa da Caparica</b></p>     <p>A praia da Corn&eacute;lia situa-se na Costa da Caparica, na costa Oeste de Portugal, <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f1.jpg">Figura 1</a>. Trata-se de uma praia exposta, arenosa, com comportamento morfodin&acirc;mico interm&eacute;dio a dissipativo, com relativa protec&ccedil;&atilde;o &agrave;s ondas dominantes de NW, dada a ac&ccedil;&atilde;o, a Norte, do Cabo da Roca. Esta protec&ccedil;&atilde;o confere-lhe um regime de agita&ccedil;&atilde;o, na rebenta&ccedil;&atilde;o, com energia dominante moderada, podendo ser elevada durante tempestades, sobretudo de Oeste e SW.</p>          
<p>Esta praia foi seleccionada para o estudo em causa por ser representativa de    praias expostas com comportamento morfodin&acirc;mico interm&eacute;dio em regime    mesotidal, o que corresponde largamente &agrave;s praias dominantes em Portugal    e a n&iacute;vel mundial. O modelo ficar&aacute; assim validado para condi&ccedil;&otilde;es    de agita&ccedil;&atilde;o moderada, em regime de mar&eacute; e comportamento    morfodin&acirc;mico que abrangem uma vasta gama de praias a n&iacute;vel mundial.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No &acirc;mbito do projecto de investiga&ccedil;&atilde;o BRISA ("BReaking waves and Induced SAnd transport"), foi realizada uma campanha de medi&ccedil;&otilde;es entre os dias 12 e 14 de Maio de 2010 que teve como objectivos a aquisi&ccedil;&atilde;o de dados hidrodin&acirc;micos e morfol&oacute;gicos para: i) testar e validar modelos num&eacute;ricos e ii) melhorar o conhecimento da din&acirc;mica na rebenta&ccedil;&atilde;o e a sua influ&ecirc;ncia no transporte de sedimentos e na morfodin&acirc;mica da praia em estudo. Dispunha-se assim de um vasto e variado conjunto de medi&ccedil;&otilde;es adequado a ser utilizado na valida&ccedil;&atilde;o de modelos num&eacute;ricos.</p> 	    <p>Durante a campanha, foram efectuadas medi&ccedil;&otilde;es da eleva&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie livre com transdutores de press&atilde;o (Pressure Transducers, PT), da velocidade da corrente, com corrent&oacute;metros (Electromagnetic Current Meters, ECM) e com um medidor ac&uacute;stico de velocidades por efeito de Doppler (Acoustic Doppler Velocimeters, ADV), da turbidez e da concentra&ccedil;&atilde;o de part&iacute;culas em suspens&atilde;o, com sensores &oacute;pticos (Optical Backscatter Sensors, OBS). Todos os equipamentos foram colocados ao longo de um perfil de praia em estruturas H identificadas de 1 a 5, (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f2.jpg">Figura 2a e 2b)</a> que foram geo-referenciados com um sistema RTK-DGPS sincronizado com o Observat&oacute;rio Astron&oacute;mico de Lisboa.</p> 	     
<p>A cerca de -7.6 m (ZH) de profundidade foi colocada uma poita com um transdutor    de press&atilde;o, aproximadamente alinhado com o perfil de praia onde foram    colocados os equipamentos na face de praia.</p> 	    <p>No presente trabalho foram apenas analisados os dados de eleva&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie livre e de velocidades de escoamento referentes &agrave;s s&eacute;ries temporais de eleva&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie livre obtidas pelos transdutores de press&atilde;o ao largo (PT00) e nas estruturas H1 e H5 (PT01 e PT02) e da velocidade transversal (cross-shore) &agrave; costa, obtida com o sensor ECM (estrutura H1), cujo posicionamento &eacute; dado na <a href="#t1">Tabela 1</a>.</p> 	    <p>&nbsp;</p>         <p><a name="t1"></a></p> 	    <p><img src="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03t1.jpg"></p>         
<p>&nbsp;</p> 	    <p><b>3. Aplica&ccedil;&atilde;o do modelo COULWAVE</b></p>         <p><b>3.1. O modelo COULWAVE</b></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O modelo COULWAVE, Lynett & Liu (2002), &eacute; um modelo 2D de diferen&ccedil;as finitas para a simula&ccedil;&atilde;o da propaga&ccedil;&atilde;o de ondas fortemente n&atilde;o-lineares (em que a raz&atilde;o entre a amplitude da onda e a profundidade pode ser de ordem at&eacute; 1) e dispersivas, em zonas de profundidade vari&aacute;vel. As equa&ccedil;&otilde;es do modelo, do tipo Boussinesq, s&atilde;o deduzidas a partir da integra&ccedil;&atilde;o em profundidade das equa&ccedil;&otilde;es de continuidade e movimento, utilizando o conceito de camadas m&uacute;ltiplas (multi-layer). Em cada camada admite-se um dado perfil de velocidades, atrav&eacute;s do uso de fun&ccedil;&otilde;es quadr&aacute;ticas com valores iguais na interface que divide a coluna de &aacute;gua. Esta aproxima&ccedil;&atilde;o conduz a um sistema de equa&ccedil;&otilde;es sem as derivadas espaciais de ordem elevada resultantes do uso de fun&ccedil;&otilde;es polinomiais de ordem superior, que &eacute; normalmente utilizado na dedu&ccedil;&atilde;o das equa&ccedil;&otilde;es de Boussinesq. Com estes perfis de velocidade, que coincidem na fronteira entre camadas, &eacute; deduzido um conjunto de equa&ccedil;&otilde;es que permite estender a aplicabilidade do modelo a &aacute;guas muito profundas e apresentar caracter&iacute;sticas lineares at&eacute; kh~8 e um comportamento n&atilde;o-linear de 2&ordf; ordem at&eacute; kh~6 (sendo k o n&uacute;mero de onda e h a profundidade). Contudo, como admite aproxima&ccedil;&otilde;es para a distribui&ccedil;&atilde;o vertical da velocidade em cada uma das camadas em que &eacute; dividida a coluna de &aacute;gua, varia&ccedil;&otilde;es significativas do fundo podem n&atilde;o ser correctamente simuladas pelo modelo.</p>         <p>Seguindo o procedimento de Kennedy <i>et al.</i> (2000), s&atilde;o introduzidos termos adicionais nas equa&ccedil;&otilde;es, de modo a serem tidos em conta o atrito de fundo, a rebenta&ccedil;&atilde;o de ondas e a gera&ccedil;&atilde;o de ondas no interior do dom&iacute;nio. Al&eacute;m disso, s&atilde;o inclu&iacute;dos termos de profundidade dependentes do tempo para serem consideradas varia&ccedil;&otilde;es do perfil de fundo no tempo, devidas &agrave; ocorr&ecirc;ncia de um deslizamento ou de um sismo.</p>         <p>A resolu&ccedil;&atilde;o das equa&ccedil;&otilde;es referidas &eacute; semelhante &agrave; formula&ccedil;&atilde;o apresentada por Wei et al. (1995) utilizando um esquema previsor-corrector de Adams-Bashforth. O esquema de diferen&ccedil;as finitas consiste num esquema expl&iacute;cito de Adams-Bashforth de 3&ordf; ordem no tempo para o passo previsor e impl&iacute;cito de 4&ordf; ordem no tempo para o passo corrector. Para as derivadas espaciais, s&atilde;o utilizadas diferen&ccedil;as finitas centrais com uma precis&atilde;o de 4&ordf; ordem. As derivadas espaciais e temporais de ordem superior s&atilde;o calculadas com uma precis&atilde;o de 2&ordf; ordem. O modelo &eacute; formalmente preciso at&eacute; ?t<sup>4</sup> no tempo e ?x<sup>4</sup> no espa&ccedil;o. A diferen&ccedil;a relativamente a Wei & Kirby (1995) refere-se a alguns termos n&atilde;o-lineares dispersivos e &agrave; exist&ecirc;ncia de termos adicionais, devidos &agrave; depend&ecirc;ncia temporal da profundidade.</p> 	    <p>Para as fronteiras exteriores, s&atilde;o aplicados dois tipos de condi&ccedil;&otilde;es: reflex&atilde;o total e radia&ccedil;&atilde;o. No primeiro caso utiliza-se a metodologia de Wei & Kirby (1995), enquanto para a radia&ccedil;&atilde;o ou condi&ccedil;&atilde;o de fronteira aberta, usa-se um esquema de fronteira absorvente (sponge layer), de acordo com Kennedy <i>et al.</i> (2000).</p> 	    <p>Os dados de entrada do modelo COULWAVE encontram-se descritos em Lynett & Liu (2002). Os resultados fornecidos pelo modelo consistem em s&eacute;ries temporais e espaciais da eleva&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie livre e velocidades horizontais nos pontos do dom&iacute;nio definidos pelo utilizador.</p>     <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>3.2. Condi&ccedil;&otilde;es de aplica&ccedil;&atilde;o do modelo COULWAVE</b></p>     <p>As condi&ccedil;&otilde;es de onda incidentes introduzidas no modelo COULWAVE corresponderam a ondas regulares com as caracter&iacute;sticas dos valores registados no sensor PT00 durante os dias de medi&ccedil;&atilde;o, de 12 a 14 de Maio. Nestes c&aacute;lculos, a direc&ccedil;&atilde;o da onda foi considerada perpendicular ao dom&iacute;nio computacional, uma vez que, apesar de esta op&ccedil;&atilde;o constituir uma consider&aacute;vel simplifica&ccedil;&atilde;o, por impossibilidade do equipamento n&atilde;o foram registadas as direc&ccedil;&otilde;es de onda na sua posi&ccedil;&atilde;o.</p> 	    <p>Simularam-se 127 per&iacute;odos caracterizados por diferentes condi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima, cujas caracter&iacute;sticas das ondas (Hs e Ts) foram definidas com base na an&aacute;lise temporal dos valores registados pelos instrumentos em cada per&iacute;odo de 30 minutos. O n&iacute;vel de mar&eacute; foi imposto de acordo com a estimativa do n&iacute;vel de mar&eacute; do Instituto Hidrogr&aacute;fico para o per&iacute;odo da campanha.</p> 	    <p>Em termos de c&aacute;lculos num&eacute;ricos, essas caracter&iacute;sticas foram simuladas pelo modelo durante 30 minutos para obten&ccedil;&atilde;o de resultados num&eacute;ricos (eleva&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie livre e velocidade horizontal) em pontos espec&iacute;ficos do dom&iacute;nio, nomeadamente na posi&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de medi&ccedil;&atilde;o. Em todos os casos, os resultados foram obtidos pelo modelo num&eacute;rico com um intervalo de tempo de cerca de 0.1 s.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A zona de estudo foi descrita por uma malha regular de espa&ccedil;amento aproximadamente constante ?x=?y&#732;2.0 m, com dimens&atilde;o de 900 m na direc&ccedil;&atilde;o OX (perpendicular &agrave; costa), e 858 m na direc&ccedil;&atilde;o OY (paralela &agrave; costa) (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f3.jpg">Figura 3</a>). Esta malha &eacute; gerada pelo modelo com base num n&uacute;mero m&iacute;nimo de pontos por comprimento de onda, 30 (nestas simula&ccedil;&otilde;es), definido consoante o per&iacute;odo de onda. A batimetria considerada pela malha correspondeu a uma aproxima&ccedil;&atilde;o da batimetria real.</p>          
<p>Foi tamb&eacute;m adicionada ao dom&iacute;nio, para o largo, uma zona de profundidade    constante na qual se efectuou a gera&ccedil;&atilde;o da onda atrav&eacute;s    do m&eacute;todo da fun&ccedil;&atilde;o-fonte, Wei<i> et al.</i> (1995). Foram    usadas nas extremidades laterais (barlamar e sotamar) do dom&iacute;nio de c&aacute;lculo,    condi&ccedil;&otilde;es fronteira de absor&ccedil;&atilde;o (camadas de L/2=gT<sup>2</sup>/4p,    sendo L o comprimento de onda e T o per&iacute;odo) com o objectivo de absorver    a energia das ondas que atingem estas regi&otilde;es. Nas restantes fronteiras,    por simplicidade, foram consideradas condi&ccedil;&otilde;es de reflex&atilde;o    total.</p> 	    <p>Em todas as simula&ccedil;&otilde;es foi considerada apenas uma camada e utilizadas equa&ccedil;&otilde;es completamente n&atilde;o-lineares (com termos dispersivos n&atilde;o-lineares) com atrito de fundo (coeficiente de atrito=1.0x10<sup>-2</sup>). O n&uacute;mero de Courant admitido foi de 0.4 e a fun&ccedil;&atilde;o-fonte foi colocada na posi&ccedil;&atilde;o x=100 m. As 127 simula&ccedil;&otilde;es foram realizadas assumindo dois valores diferentes para o par&acirc;metro de in&iacute;cio da rebenta&ccedil;&atilde;o, A,</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><a name="e0"></a></p> 	    <p><img src="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03e0.jpg"></p> 	    
<p>&nbsp;</p>         <p>tendo sido, primeiramente, adoptado o valor de A=0.65, sugerido no manual do modelo, para praias de perfil com inclina&ccedil;&atilde;o constante, o qual foi posteriormente alterado para A=0.35, valor sugerido por Chen <i>et al.</i> (2000) para praias de perfil barra-fossa (caso da praia considerada). Para os restantes par&acirc;metros do modelo, consideraram-se os valores sugeridos pelo manual (Lynett & Liu, 2002).</p> 	    <p>Os resultados num&eacute;ricos foram obtidos para as posi&ccedil;&otilde;es correspondentes aos instrumentos PT00 (x=100 m, y=400 m, z=-7.6 m), PT01 (x=790 m, y=430 m, z=1.706 m) e PT02 (x=868 m, y=400 m, z=3.231&nbsp;m). As profundidades encontram-se referidas ao Zero Hidrogr&aacute;fico.</p> 	    <p>&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. Resultados - an&aacute;lise do desempenho do modelo</b></p> 	    <p>Nas posi&ccedil;&otilde;es PT01 e PT02 foram comparados: (i) os valores num&eacute;ricos e medidos de alturas e per&iacute;odos de onda significativos, para o per&iacute;odo compreendido entre os dias 12 a 14 de Maio de 2010; (ii) os par&acirc;metros estat&iacute;sticos, nomeadamente o desvio (BIAS), erro quadr&aacute;tico m&eacute;dio (RMSE) e &iacute;ndice de concord&acirc;ncia (IC), para as alturas e os per&iacute;odos de onda significativos, para o per&iacute;odo em estudo e (iii) os espectros de energia obtidos para um &uacute;nico per&iacute;odo de 30 minutos, com in&iacute;cio &agrave;s 3:00h do dia 13-05, utilizando os m&eacute;todos de an&aacute;lise espectral de Fourier e de Wavelet.</p> 	    <p>Com base nos valores de velocidade horizontal, foram comparados na posi&ccedil;&atilde;o do ECM, os valores num&eacute;ricos e medidos de: (i) velocidades m&aacute;ximas, m&iacute;nimas, m&eacute;dias e m&eacute;dias quadr&aacute;ticas no per&iacute;odo de 12 a 14 de Maio de 2010, para a componente transversal e (ii) par&acirc;metros estat&iacute;sticos, novamente o desvio, erro quadr&aacute;tico m&eacute;dio e &iacute;ndice de concord&acirc;ncia, para as velocidades m&aacute;ximas, m&iacute;nimas, m&eacute;dias e m&eacute;dias quadr&aacute;ticas, para o per&iacute;odo em estudo. Apenas a componente transversal da velocidade &eacute; considerada, uma vez que a direc&ccedil;&atilde;o das ondas impostas no modelo &eacute; perpendicular &agrave; costa, sendo portanto esta a componente da velocidade mais relevante de se analisar.</p> 	    <p>Nestes c&aacute;lculos, os primeiros 200 s de simula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foram considerados. Al&eacute;m disso, com excep&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise espectral, em todas as an&aacute;lises s&atilde;o apresentados resultados considerando valores do par&acirc;metro de in&iacute;cio da rebenta&ccedil;&atilde;o de A=0.35 e A=0.65.</p>         <p><b>4.1 Eleva&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie livre</b></p>         <p><b>4.1.1 An&aacute;lise temporal e estat&iacute;stica de conjunto</b></p>          <p>A <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f4.jpg">Figura 4</a> apresenta    a compara&ccedil;&atilde;o entre as varia&ccedil;&otilde;es de Hs e Ts ao longo    do per&iacute;odo registado pelos transdutores, PT01 (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f4.jpg">Figura    4c e Figura 4d</a>) e PT02 (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f4.jpg">Figura    4e e Figura 4f</a>) e os resultados simulados pelo modelo, para valores de A=0.35    e A= 0.65. Indica-se, tamb&eacute;m, nesta figura os valores observados no sensor    PT00 (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f4.jpg">Figura 4a e Figura    4b</a>) e os valores num&eacute;ricos a&iacute; obtidos (com A=0.35, pois s&atilde;o    id&ecirc;nticos a A=0.65) com os quais foi for&ccedil;ado o modelo num&eacute;rico.</p> 	     
<p>A <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03t2.jpg">Tabela 2</a> e a <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03t3.jpg">Tabela    3</a> apresentam os valores dos par&acirc;metros estat&iacute;sticos calculados    entre os resultados num&eacute;ricos e medidos nos dois sensores PT01 e PT02.    Os par&acirc;metros considerados foram (i) o desvio (BIAS), (ii) o erro m&eacute;dio    quadr&aacute;tico (RMSE) e (iii) o &iacute;ndice de concord&acirc;ncia (IC):</p> 	    
<p>&nbsp;</p> 	    <p><a name="e1"></a></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03e1.jpg"></p>         
<p>&nbsp;</p> 	    <p><a name="e2"></a></p> 	    <p><img src="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03e2.jpg"></p>         
<p>&nbsp;</p>         <p><a name="e3"></a></p> 	    <p><img src="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03e3.jpg"></p>         
<p>&nbsp;</p>     	    <p>onde X<sub>i</sub>  s&atilde;o os valores experimentais (refer&ecirc;ncia), Y<sub>i</sub> s&atilde;o os valores obtidos pelo modelo,</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="e4"></a></p> 	    <p><img src="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03e4.jpg"></p>         
<p>&nbsp;</p> 	    <p> &eacute; a m&eacute;dia do valor experimental e   &eacute; o n&uacute;mero de pontos. O &iacute;ndice de concord&acirc;ncia, IC, varia de zero a um, correspondendo o &uacute;ltimo a uma maior concord&acirc;ncia dos valores num&eacute;ricos com os valores experimentais.</p> 	     <p>Nesta an&aacute;lise estat&iacute;stica foram exclu&iacute;dos os per&iacute;odos    de 30 minutos que apresentavam valores irrealistas (excessivamente elevados    quando comparados com os valores registados em situa&ccedil;&atilde;o de preia-mar)    de Hs e Ts nos valores medidos e/ou num&eacute;ricos, incluindo os valores referentes    aos per&iacute;odos de mar&eacute; baixa.</p> 	    <p>Numa an&aacute;lise pr&eacute;via &agrave;s medi&ccedil;&otilde;es efectuadas, verifica-se que no in&iacute;cio do per&iacute;odo analisado as condi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima foram pouco energ&eacute;ticas (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f4.jpg">Figuras 4a e 4b</a>), tornando-se um pouco mais severas no dia 14 de Maio de 2010, sendo esta agita&ccedil;&atilde;o maioritariamente o resultado da actua&ccedil;&atilde;o do vento local.  	    
<p>Relativamente aos dados num&eacute;ricos, &eacute; poss&iacute;vel verificar-se que a escolha do par&acirc;metro A n&atilde;o revela particular influ&ecirc;ncia nos valores de Hs e Ts simulados pontualmente, para cada instrumento, uma vez que os resultados obtidos para A=0.65 e A=0.35 s&atilde;o praticamente coincidentes ao longo do registo. No entanto, houve situa&ccedil;&otilde;es que corresponderam aos per&iacute;odos compreendidos entre as 12h30 e as 18h00 e entre as 18h30 e as 19h30 do dia 14 de Maio em que considerando A=0.65, o modelo foi incapaz de simular os valores medidos em PT02 e PT01, respectivamente. Tamb&eacute;m para A=0.35 o modelo apresentou dificuldades em simular a rebenta&ccedil;&atilde;o, devido &agrave; reduzida altura significativa, registada no sensor mais ao largo durante o per&iacute;odo da campanha, que foi imposta ao modelo.</p> 	    <p>Numa primeira an&aacute;lise, para os sensores PT01 e PT02, &eacute; poss&iacute;vel observar-se que o modelo &eacute; capaz de simular o andamento e a ordem de grandeza dos valores medidos, al&eacute;m de representar a descontinuidade dos registos concomitante com os per&iacute;odos de mar&eacute; mais baixa, presente tanto nos registos de altura de onda como nos de per&iacute;odo, o que justifica de certa forma os valores de IC pr&oacute;ximos de 1, tanto para Hs como para Ts. No entanto, &eacute; necess&aacute;rio cuidado na an&aacute;lise destes par&acirc;metros estat&iacute;sticos, porque para a constru&ccedil;&atilde;o das amostras se optou por excluir os valores irrealistas de Hs e Ts (num&eacute;ricos e medidos) e todos os valores registados durante os per&iacute;odos de mar&eacute; mais baixa. Tal reduz o tamanho da amostra, e "melhora" os valores dos par&acirc;metros, facto que adquire uma relev&acirc;ncia particular no caso do PT02, que se encontrou emerso durante uma parte significativa do per&iacute;odo total.</p> 	    <p>Uma an&aacute;lise mais detalhada aos valores obtidos para o PT01 mostra que o andamento dos valores num&eacute;ricos de Hs &eacute; muito semelhante ao das medi&ccedil;&otilde;es, sendo no entanto not&oacute;ria uma tend&ecirc;ncia geral de sobrestima&ccedil;&atilde;o das medi&ccedil;&otilde;es efectuadas. Em rela&ccedil;&atilde;o aos valores de Ts, as diferen&ccedil;as s&atilde;o mais acentuadas e o modelo n&atilde;o acompanha t&atilde;o bem o andamento dos valores medidos. Al&eacute;m disso, apresenta uma varia&ccedil;&atilde;o de valores de Ts entre per&iacute;odos consecutivos, particularmente durante os per&iacute;odos de preia-mar, que n&atilde;o &eacute; t&atilde;o vis&iacute;vel nos resultados num&eacute;ricos. As conclus&otilde;es anteriores podem, de certo modo, ser confirmadas na an&aacute;lise dos par&acirc;metros BIAS, RMSE e IC. Em rela&ccedil;&atilde;o ao par&acirc;metro BIAS, com valores quase sempre positivos, confirma-se a tend&ecirc;ncia percept&iacute;vel de sobrestima&ccedil;&atilde;o (mais &oacute;bvia, no caso de Ts) dos dados medidos, por parte do modelo. Os valores de RMSE e IC correspondentes a Ts apresentam valores menos pr&oacute;ximos dos &oacute;ptimos que os calculados para Hs, o que denota as maiores dificuldades do modelo num&eacute;rico em simular esta vari&aacute;vel.</p> 	    <p>Para locais mais acima do perfil da praia, como em PT02, onde as ondas j&aacute; rebentaram, verifica-se que o modelo revela uma maior dificuldade em simular os dados reais, principalmente para o caso Ts. Note-se que as medi&ccedil;&otilde;es efectuadas com este sensor s&atilde;o caracterizadas por grandes per&iacute;odos de descontinuidade, correspondentes &agrave; emers&atilde;o do instrumento durante os per&iacute;odos de mar&eacute; mais baixa. Assim, existem poucos valores para compara&ccedil;&atilde;o, sendo a an&aacute;lise condicionada por tal. Em geral, em PT02, a tend&ecirc;ncia &eacute; de os valores de Hs num&eacute;ricos subestimarem os medidos, e os per&iacute;odos simulados sobrestimam os medidos. &Eacute; tamb&eacute;m evidente a maior dificuldade do modelo em simular os valores de Hs para o &uacute;ltimo ciclo de mar&eacute; do per&iacute;odo em an&aacute;lise.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De um modo geral, as diferen&ccedil;as observadas entre valores num&eacute;ricos e medidos podem estar relacionadas com (i) a direc&ccedil;&atilde;o das ondas imposta ser normal &agrave; batimetria (o que agrava as condi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o nos sensores junto &agrave; linha de costa), n&atilde;o correspondendo &agrave; direc&ccedil;&atilde;o das ondas que efectivamente chegaram &agrave; Praia da Corn&eacute;lia no per&iacute;odo da campanha; (ii) limita&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio modelo num&eacute;rico: &eacute; de notar que a aplica&ccedil;&atilde;o do modelo em inclina&ccedil;&otilde;es de fundo da ordem de 1/6 se torna muito exigente, pois as equa&ccedil;&otilde;es-base s&atilde;o integradas no pressuposto de que os fundos s&atilde;o de inclina&ccedil;&atilde;o suave. Al&eacute;m disso, fen&oacute;menos como a rebenta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o inclu&iacute;dos no modelo atrav&eacute;s da adi&ccedil;&atilde;o de um termo de viscosidade turbulenta &agrave; equa&ccedil;&atilde;o original, que depende de um conjunto de par&acirc;metros relacionados com o in&iacute;cio, fim e dura&ccedil;&atilde;o da rebenta&ccedil;&atilde;o. Estes par&acirc;metros t&ecirc;m de ser calibrados para cada caso de estudo e condi&ccedil;&atilde;o de agita&ccedil;&atilde;o, sendo assim uma limita&ccedil;&atilde;o do modelo num&eacute;rico. No presente trabalho os par&acirc;metros de rebenta&ccedil;&atilde;o foram considerados constantes para todas as condi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o incidente, que na realidade variam ao longo do per&iacute;odo total, e para as quais cada par&acirc;metro deveria ser calibrado individualmente. </p> 	    <p><b>4.1.2 An&aacute;lise espectral</b></p>     <p>A <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f5.jpg">Figura 5</a> representa a an&aacute;lise espectral efectuada atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o de dois m&eacute;todos espectrais (Fourier e Wavelet) aos dados medidos e resultados simulados, para o per&iacute;odo de 30 min com in&iacute;cio &agrave;s 3:00 do dia 13 de Maio, nas diferentes posi&ccedil;&otilde;es dos instrumentos. Esta figura permite analisar a capacidade do modelo simular as caracter&iacute;sticas n&atilde;o-lineares das ondas, mostrando tanto as frequ&ecirc;ncias de maior energia associada (Fourier) como a distribui&ccedil;&atilde;o dessa energia pelas frequ&ecirc;ncias ao longo do per&iacute;odo analisado (Wavelet).</p> 	     
<p>Os espectros de Fourier revelam que as frequ&ecirc;ncias de maior energia observadas    nos dados medidos s&atilde;o tamb&eacute;m representadas pelo modelo, em consist&ecirc;ncia    com o for&ccedil;amento deste, efectuado com uma onda monocrom&aacute;tica.    Mais ainda, em consequ&ecirc;ncia das transfer&ecirc;ncias de energia n&atilde;o-lineares    entre ondas de diferentes frequ&ecirc;ncias, para os dois sensores mais costeiros,    PT01 (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f5.jpg">Figura 5a)</a> e    PT02 (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f5.jpg">Figura 5d</a>),    o modelo simula convenientemente os dois picos principais de energia presentes.    Em PT01, mant&eacute;m-se a presen&ccedil;a do pico de maior energia correspondente    ao per&iacute;odo de 10 s, e aparece um novo pico, de menor energia e per&iacute;odo,    correspondente &agrave; segunda harm&oacute;nica da componente principal. A    forma do espectro num&eacute;rico &eacute;, em geral, bastante semelhante ao    do das medi&ccedil;&otilde;es. No caso do PT02, os espectros s&atilde;o completamente    diferentes dos observados nos outros sensores. Existe ainda energia associada    ao per&iacute;odo de 10 s, mas h&aacute; claramente uma transfer&ecirc;ncia    de energia para per&iacute;odos maiores, que assinala a ocorr&ecirc;ncia de    fen&oacute;menos n&atilde;o-lineares mais significativos. Neste caso, &eacute;    clara a dificuldade do modelo num&eacute;rico em simular a forma do espectro    observado nestas circunst&acirc;ncias, o que &eacute; resultado de se estar    na zona ap&oacute;s a rebenta&ccedil;&atilde;o onde os efeitos n&atilde;o lineares    s&atilde;o importantes e o modelo apresenta claras limita&ccedil;&otilde;es    nestas condi&ccedil;&otilde;es quer devido &agrave; sua formula&ccedil;&atilde;o    base (integra&ccedil;&atilde;o na vertical) quer devido &agrave; forma parametrizada    como foi inclu&iacute;da a rebenta&ccedil;&atilde;o.</p> 	    
<p>Os espectros de Wavelet permitem uma an&aacute;lise mais minuciosa da distribui&ccedil;&atilde;o da energia pelas principais frequ&ecirc;ncias, i.e., tornam poss&iacute;vel a an&aacute;lise da import&acirc;ncia de cada frequ&ecirc;ncia ao longo do per&iacute;odo de tempo analisado. Para os sensores PT01 (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f5.jpg">Figura 5b)</a> e <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f5.jpg">Figura 5c</a> e PT02 (<a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f5.jpg">Figura 5e</a> e <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f5.jpg">Figura 5f</a>) o modelo identifica a principal gama de per&iacute;odos, a rondar os 10 s e representa relativamente bem a presen&ccedil;a de uma gama de frequ&ecirc;ncias mais altas (0.2 Hz) em PT01 e mais baixas (0.05 Hz) em PT02, com menor energia associada. No entanto, os espectros de Wavelet evidenciam uma menor banda de frequ&ecirc;ncias para os resultados do modelo que para os dados, o que &eacute; o resultado de ter-se for&ccedil;ado o modelo com ondas regulares (para al&eacute;m das limita&ccedil;&otilde;es inerentes ao modelo atr&aacute;s referidas). Este comportamento &eacute; ainda mais not&oacute;rio no caso do PT02.</p>         
<p><b>4.2 Componente transversal da velocidade da corrente</b></p>         <p>A <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f6.jpg">Figura 6</a> apresenta uma compara&ccedil;&atilde;o entre os valores medidos de velocidade m&aacute;xima, m&iacute;nima, m&eacute;dia e m&eacute;dia quadr&aacute;tica, no ponto PT01, pelo corrent&oacute;metro ECM e os valores simulados pelo modelo para esse mesmo ponto, para a componente transversal da velocidade. Note-se que n&atilde;o faz sentido analisar a componente longitudinal da velocidade horizontal porque &eacute; normalmente resultado da obliquidade da onda, e esta obliquidade n&atilde;o foi modelada neste trabalho. Al&eacute;m disso, as fronteiras reflectivas admitidas no modelo v&atilde;o induzir circula&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias fechadas o que n&atilde;o &eacute; realista.</p> 	     
<p>Tal como para as alturas e per&iacute;odos, tamb&eacute;m para a velocidade    se calcularam os valores de BIAS, RMSE e IC, presentes na <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03t4.jpg">Tabela    4</a>.</p> 	     
<p>A partir da observa&ccedil;&atilde;o da <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03f6.jpg">Figura    6</a> e da <a href="/img/revistas/rgci/v12n2/12n2a03t4.jpg">Tabela 4</a>    e, em termos de comportamento geral, verifica-se uma grande semelhan&ccedil;a    entre valores num&eacute;ricos e medidos da componente transversal medida pelo    ECM. Para ambos, a componente transversal atinge valores, em m&oacute;dulo,    superiores no sentido da propaga&ccedil;&atilde;o das ondas (positivo), sendo    tal representativo de uma onda n&atilde;o linear, de forma tipo cnoidal ou de    Stokes de 2&ordf; ordem, com cristas mais elevadas e curtas e cavas mais achatadas    e longas. A velocidade m&eacute;dia &eacute; maioritariamente da ordem de 2    a 3 cm/s, negativa, correspondendo a uma fraca corrente de fundo (undertow).    Nos per&iacute;odos imediatamente antes ou ap&oacute;s &agrave;queles exclu&iacute;dos    dos gr&aacute;ficos (em que os sensores estavam emersos), a velocidade m&eacute;dia    &eacute; pr&oacute;ximo do zero ou positivo, isto &eacute;, com resultante na    direc&ccedil;&atilde;o da onda, em virtude de durante essa medi&ccedil;&atilde;o    o sensor se encontrar relativamente pr&oacute;ximo da superf&iacute;cie livre,    devido &agrave; baixa profundidade da &aacute;gua, e portanto medir n&atilde;o    a corrente de fundo, mas sim uma corrente pr&oacute;xima da correspondente &agrave;    deriva de Stokes.</p>         
<p>Embora os resultados num&eacute;ricos sejam capazes de representar bastante bem a ordem de magnitude dos valores medidos, demonstram uma maior dificuldade em descrever o seu andamento, exibindo os resultados num&eacute;ricos maiores e mais frequentes oscila&ccedil;&otilde;es entre intervalos de 30 minutos consecutivos.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verifica-se que para os valores de velocidade, o modelo consegue fornecer melhores estimativas dos valores m&eacute;dios (Um e Urms) do que dos valores extremos. Tal &eacute; confirmado pelos valores estat&iacute;sticos: obt&ecirc;m-se valores pequenos de BIAS e RMSE e &iacute;ndices de concord&acirc;ncia superiores a 0.7, associados aos valores m&eacute;dios de velocidade m&eacute;dia e de velocidade m&eacute;dia quadr&aacute;tica, e valores bastante elevados de BIAS e RMSE e &iacute;ndices de concord&acirc;ncia baixos para os valores extremos dessas vari&aacute;veis (Umax e Umin).</p> 	    <p>Verifica-se tamb&eacute;m, em geral, a sobrestima&ccedil;&atilde;o dos valores medidos de U, que est&aacute; provavelmente relacionada com a direc&ccedil;&atilde;o de propaga&ccedil;&atilde;o das ondas: o modelo foi for&ccedil;ado com ondas perpendiculares &agrave; costa, o que resulta em maiores valores de U, contrariamente &agrave; direc&ccedil;&atilde;o real de propaga&ccedil;&atilde;o das ondas na praia, onde a sua obliquidade tender&aacute; a resultar numa componente U mais fraca.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>5. Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Neste trabalho, descreveu-se e analisou-se a aplica&ccedil;&atilde;o do modelo COULWAVE &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o registadas num sensor de press&atilde;o posicionado &agrave; profundidade de 7.6 m (ZH) durante o per&iacute;odo de 12 a 14 de Maio de 2010, na praia da Corn&eacute;lia (Costa da Caparica). Foram efectuadas compara&ccedil;&otilde;es entre resultados num&eacute;ricos com medi&ccedil;&otilde;es efectuadas por sensores de press&atilde;o e de velocidade, localizados ao longo do perfil de praia na zona de rebenta&ccedil;&atilde;o.</p> 	    <p>De um modo geral, concluiu-se que o modelo simula bem a evolu&ccedil;&atilde;o da onda, desde a posi&ccedil;&atilde;o mais ao largo at&eacute; &agrave; praia antes da ocorr&ecirc;ncia de rebenta&ccedil;&atilde;o, bem como a velocidade transversal, junto &agrave; costa. Ap&oacute;s a rebenta&ccedil;&atilde;o, &eacute; de notar a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as por vezes significativas entre os valores medidos e os valores estimados pelo modelo num&eacute;rico que est&atilde;o relacionadas principalmente com as condi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o impostas (agita&ccedil;&atilde;o regular, direc&ccedil;&atilde;o normal &agrave;s batim&eacute;tricas, par&acirc;metros de rebenta&ccedil;&atilde;o constantes ao longo do per&iacute;odo de tempo analisado) e com as limita&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio modelo (modelo integrado em profundidade).</p>     <p>Ao n&iacute;vel espectral, o modelo &eacute; capaz de representar bastante bem a presen&ccedil;a das frequ&ecirc;ncias de maior energia registadas, mas &eacute; clara a dificuldade do modelo num&eacute;rico em simular a forma do espectro e a distribui&ccedil;&atilde;o de energia ao longo do per&iacute;odo de an&aacute;lise, principalmente ap&oacute;s a ocorr&ecirc;ncia da rebenta&ccedil;&atilde;o onde os efeitos n&atilde;o-lineares s&atilde;o muito importantes.</p>     <p>De um modo geral, a escolha dos dois valores para o par&acirc;metro de in&iacute;cio da rebenta&ccedil;&atilde;o, A=0.65 e A=0.35, n&atilde;o levou a diferen&ccedil;as significativas entre resultados do modelo num&eacute;rico. No entanto, principalmente para A= 0.65, houve situa&ccedil;&otilde;es em que o modelo foi incapaz de simular a rebenta&ccedil;&atilde;o e teve dificuldades em simular convenientemente os valores de altura e per&iacute;odo significativos da onda e velocidade horizontal correspondentes ao &uacute;ltimo ciclo de mar&eacute; do per&iacute;odo analisado.</p> 	    <p>O trabalho aqui apresentado permitiu obter um modelo de agita&ccedil;&atilde;o validado e com aplicabilidade elevada, numa vasta gama de praias como as do tipo da praia da Corn&eacute;lia (praias expostas com comportamento morfodin&acirc;mico interm&eacute;dio em regime mesotidal) que permitir&aacute; o seu uso corrente na caracteriza&ccedil;&atilde;o da agita&ccedil;&atilde;o na rebenta&ccedil;&atilde;o, o que se traduz numa mais valia importante para a adequada aplica&ccedil;&atilde;o de modelos de agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima em gest&atilde;o costeira.</p> 	    <p>A imposi&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;ximas da realidade, bem como uma an&aacute;lise mais extensa de sensibilidade aos par&acirc;metros de rebenta&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nsecos do modelo, ser&aacute; objecto de trabalho futuro, o que permitir&aacute; certamente melhorar os resultados num&eacute;ricos. Al&eacute;m disso, ser&aacute; tamb&eacute;m importante a realiza&ccedil;&atilde;o de testes de sensibilidade &agrave; direc&ccedil;&atilde;o de incid&ecirc;ncia das ondas impostas, para melhor avaliar a capacidade do modelo em simular as caracter&iacute;sticas de agita&ccedil;&atilde;o e velocidade horizontal resultantes da obliquidade da propaga&ccedil;&atilde;o das ondas para costa. Por outro lado, ser&aacute; tamb&eacute;m importante avaliar o desempenho do modelo, particularmente a n&iacute;vel espectral, para condi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o impostas correspondentes a um espectro irregular de frequ&ecirc;ncias, e n&atilde;o a ondas monocrom&aacute;ticas.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Agradecimentos</b></p> 	    <p>Este trabalho foi desenvolvido no &acirc;mbito do projecto de investiga&ccedil;&atilde;o "BRISA - Interac&ccedil;&atilde;o entre a rebenta&ccedil;&atilde;o das ondas e o transporte de areias", PTDC/ECM/67411/2006, e dos projectos PTDC/AMB/67450/2006 e PTDC/ECM/73145/2006, financiados pela FCT - Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia, Portugal.</p>         <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Bibliografia</b></p>         <!-- ref --><p>Chen, Q., Kirby, J. T., Darlymple, R. A., Kennedy, B. A. & Chawla, A. (2000) - Boussinesq modeling of wave transformation, breaking, and runup. II: 2D. <i>Journal of Waterways, Port, Coastal and Ocean Engineering</i>, 126(1):48&#8211;56. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1061/(ASCE)0733-950X(2000)126:1(48)" target="_blank">10.1061/(ASCE)0733-950X(2000)126:1(48)</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1646-8872201200020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>         <!-- ref --><p>Kennedy, B.A., Chen, Q., Kirby, J.T. & Dalrymple, R.A. (2000) - Boussinesq Modeling of Wave Transformation, Breaking and Runup I: 1D. <i>Journal of of Waterway, Port, Coastal and Ocean Engineering</i>, ASCE, 126(1):39-47.DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1061/(ASCE)0733-950X(2000)126:1(39)" target="_blank">10.1061/(ASCE)0733-950X(2000)126:1(39)</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1646-8872201200020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>         <!-- ref --><p>Lynett, P. & Liu P-L.F. (2002) - <i>Modelling wave generation, evolution and interaction with Depth-Integrated, Dispersive Wave equations. COULWAVE Code Manual</i>. 176p., Long Intermediate Wave Modelling Package, Cornell University, Ithaca, NY, U.S.A.. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1646-8872201200020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>         <!-- ref --><p>Wei, G. & Kirby, J.T. (1995) - A time-dependent numerical code for extended Boussinesq equations. <i>Journal of Waterway, Port, Coastal and Ocean Engineering</i>, 121(5):251-261. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1061/(ASCE)0733-950X(1995)121:5(251)" target="_blank">10.1061/(ASCE)0733-950X(1995)121:5(251)</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1646-8872201200020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>         <!-- ref --><p>Wei, G., Kirby. J. T., Grilli, S.T., Subramanya, R., (1995b). A time-dependent numerical code for extended Boussinesq equations. <i>Journal of Waterway, Port, Coastal and Ocean Engineering</i>, 121(5):251-261. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1061/(ASCE)0733-950X(1995)121:5(251)" target="_blank">10.1061/(ASCE)0733-950X(1995)121:5(251)</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1646-8872201200020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>         <!-- ref --><p>Wei, G., Kirby, J. T., Grilli, S. T., & Subramanya, R. (1995a) - A fully nonlinear Boussinesq model for surface waves. Part I. Highly nonlinear unsteady waves. <i>Journal of Fluid Mechanics</i>, 294:71-92. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1017/S0022112095002813" target="_blank">10.1017/S0022112095002813</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1646-8872201200020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota</b></p>         <p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a>Submiss&atilde;o: 10 Setembro 2011; Avalia&ccedil;&atilde;o: 4 Outubro 2011; Recep&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o revista: 7 Janeiro 2012; Aceita&ccedil;&atilde;o: 27 Maio 2012; Disponibiliza&ccedil;&atilde;o on-line: 22 Junho 2012</p>     ]]></body>
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