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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A importância dos conhecimentos e dos modos de vida locais no desenvolvimento sustentável: estudo exploratório sobre o impacto da Reserva Natural das Ilhas Berlengas (Portugal) na comunidade piscatória]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The role of knowledge and the way of life of local inhabitants in sustainable development: an exploratory study on the impact of the Natural Reserve of the Berlengas Islands (Portugal) on the life of its local fishing community]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper describes an exploratory study done by a multi-disciplinary group of researchers on the impact of the Natural Reserve of the Berlengas Islands on the way of life of its local inhabitants, more specifically on its local fishing community, as evidenced by its conceptions and representations. The study aims to analyse the cultural, social and economic interactions between the reserve and the local population, being a fundamental element of the biodiversity conservation and sustainable management strategy. Using a qualitative methodology based on exploratory interviews with privileged informants within the fishing community and technicians involved in the implementation and management processes of the reserve, we set out to find the meanings constructed in interaction with the implementation of the reserve status and their environmental, social and cultural impact. In developing the interview scripts, we focused on a comparative analysis between the state immediately before and after the attribution of reserve status. Despite being based on a small sample, the collected data on the NRB revealed differences in perspective and thought between the local population and the technicians. Current and former fishermen identified the creation of the reserve as a further complication to the fishing industry in Peniche, especially in the area demarcated by the NRB. Another view, however, is held by the interviewed technicians, who consider the NRB to be an important, albeit environmentally vulnerable, factor to the present and future development of the region. While there have been many studies pertaining to the ecological benefits of reserves on the preservation of biodiversity and sustainability management of their natural resources, this study has as its focus the less researched area of the welfare challenges and gains of reserves on the local population.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p><b>A import&acirc;ncia dos conhecimentos e dos modos de vida locais no desenvolvimento sustent&aacute;vel: estudo explorat&oacute;rio sobre o impacto da Reserva Natural das Ilhas Berlengas (Portugal) na comunidade piscat&oacute;ria</b> <a href="#0">*</a><a name="top0"></a></p> 	    <p><b>The role of knowledge and the way of life of local inhabitants in sustainable development: an exploratory study on the impact of the Natural Reserve of the Berlengas Islands (Portugal) on the life of its local fishing community</b></p> 		    <p><b>Ant&oacute;nio Jo&atilde;o Farinha Ribeiro dos Santos</b> <sup>1</sup>, <b>Ulisses Miranda Azeiteiro</b> <sup>1, 2</sup>, <b> F&aacute;tima de Sousa</b> <sup>@, 1</sup>, <b>F&aacute;tima Alves</b> <sup>1, 2</sup></p> 		    <p>@ - Corresponding author: F&aacute;tima de Sousa &lt;<a href="mailto:fmtsousa@gmail.com">fmtsousa@gmail.com</a>&gt;</p> 		    <p>1 - Universidade Aberta, delega&ccedil;&atilde;o do Porto, Porto, Portugal.</p> 		    <p>2 - Centro de Ecologia Funcional, Universidade de Coimbra, Portugal.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>RESUMO</b></p> 		    <p>Neste trabalho apresenta-se um estudo explorat&oacute;rio sobre o impacto da Reserva Natural das Ilhas Berlengas (RNB) nos modos de vida locais, em particular na comunidade piscat&oacute;ria, evidenciando as suas racionalidades leigas (percep&ccedil;&otilde;es, pr&aacute;ticas e representa&ccedil;&otilde;es). Procuramos conhecer as dimens&otilde;es das intera&ccedil;&otilde;es culturais, sociais e econ&oacute;micas das popula&ccedil;&otilde;es locais com a reserva, parte fundamental da estrat&eacute;gia de conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e do desenvolvimento sustent&aacute;vel. Partindo de uma metodologia qualitativa, assente em entrevistas explorat&oacute;rias em profundidade a informantes privilegiados da comunidade piscat&oacute;ria e a t&eacute;cnicos que tenham estado no processo de implementa&ccedil;&atilde;o e de gest&atilde;o da reserva, procuramos os sentidos e os significados constru&iacute;dos na intera&ccedil;&atilde;o com a implementa&ccedil;&atilde;o do estatuto de reserva e a percep&ccedil;&atilde;o dos seus impactos ambientais, sociais e culturais, com vista a construir e validar instrumentos que nos permitam amplificar este estudo inicial. Na constru&ccedil;&atilde;o dos gui&otilde;es das entrevistas, previu-se uma an&aacute;lise comparativa entre o estado imediatamente anterior &agrave; consagra&ccedil;&atilde;o do estatuto da reserva e a situa&ccedil;&atilde;o presente. Embora partindo de uma amostra reduzida dos atores sociais em presen&ccedil;a, os testemunhos recolhidos sobre a RNB nas suas diversas facetas e impactos, demonstraram formas de ver e pensar diferenciadas entre a popula&ccedil;&atilde;o local e os t&eacute;cnicos.  Os atuais ou antigos pescadores, identificaram a constitui&ccedil;&atilde;o da reserva como uma dificuldade suplementar para o exerc&iacute;cio da atividade piscat&oacute;ria em Peniche e principalmente na &aacute;rea demarcada pela RNB, em compara&ccedil;&atilde;o com a situa&ccedil;&atilde;o na &eacute;poca imediatamente anterior &agrave; sua forma&ccedil;&atilde;o. Por seu lado, todos os t&eacute;cnicos entrevistados consideraram a RNB um valor ambientalmente vulner&aacute;vel mas de grande import&acirc;ncia para o presente e para o futuro da regi&atilde;o e do pa&iacute;s. Este trabalho tenta responder &agrave; escassez de estudos sobre os desafios e ganhos em bem-estar para as popula&ccedil;&otilde;es locais comparativamente a uma longa investiga&ccedil;&atilde;o existente sobre os benef&iacute;cios ecol&oacute;gicos das Reservas na preserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e na gest&atilde;o sustent&aacute;vel dos seus recursos naturais.</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> desenvolvimento sustent&aacute;vel, reserva natural, comunidade piscat&oacute;ria, percep&ccedil;&otilde;es.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>ABSTRACT</b></p> 		    <p>This paper describes an exploratory study done by a multi-disciplinary group of researchers on the impact of the Natural Reserve of the Berlengas Islands on the way of life of its local inhabitants, more specifically on its local fishing community, as evidenced by its conceptions and representations. The study aims to analyse the cultural, social and economic interactions between the reserve and the local population, being a fundamental element of the biodiversity conservation and sustainable management strategy. Using a qualitative methodology based on exploratory interviews with privileged informants within the fishing community and technicians involved in the implementation and management processes of the reserve, we set out to find the meanings constructed in interaction with the implementation of the reserve status and their environmental, social and cultural impact. In developing the interview scripts, we focused on a comparative analysis between the state immediately before and after the attribution of reserve status. Despite being based on a small sample, the collected data on the NRB revealed differences in perspective and thought between the local population and the technicians. Current and former fishermen identified the creation of the reserve as a further complication to the fishing industry in Peniche, especially in the area demarcated by the NRB. Another view, however, is held by the interviewed technicians, who consider the NRB to be an important, albeit environmentally vulnerable, factor to the present and future development of the region. While there have been many studies pertaining to the ecological benefits of reserves on the preservation of biodiversity and sustainability management of their natural resources, this study has as its focus the less researched area of the welfare challenges and gains of reserves on the local population. </p> 		    <p><b>Keywords: </b>sustainability development, natural reserve, fishing community, perceptions and beliefs.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 		    <p>A prote&ccedil;&atilde;o da biodiversidade desafia os cientistas, pol&iacute;ticos, ONGs, movimentos sociais e as popula&ccedil;&otilde;es locais; h&aacute; necessidade de coordena&ccedil;&atilde;o de conhecimentos e compet&ecirc;ncias, recursos, interesses e necessidades, numa perspectiva que revela e n&atilde;o nega as diversas culturas envolvidas, as suas percep&ccedil;&otilde;es, concep&ccedil;&otilde;es, interesses e expectativas.</p> 		    <p>O sistema global das &aacute;reas protegidas cresce rapidamente, especialmente nos pa&iacute;ses em desenvolvimento (Naughton-Treves <i>et al.</i>, 2005). No entanto, a sua cria&ccedil;&atilde;o segue muitas vezes objetivos pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos e n&atilde;o inclui as popula&ccedil;&otilde;es locais como parceiros, priorizando os imperativos de ordem econ&oacute;mica (Santos <i>et al.</i>, 2004). O potencial de desenvolvimento local n&atilde;o est&aacute; exclusivamente ligado a aspectos econ&oacute;micos e conservacionistas. Trata-se de um processo din&acirc;mico e multidimensional que envolve a hist&oacute;ria da comunidade, as suas institui&ccedil;&otilde;es, as suas intera&ccedil;&otilde;es e a capacidade de construir o seu pr&oacute;prio destino, usando o capital social para alcan&ccedil;ar as metas comuns. O capital social est&aacute; relacionado com a ajuda m&uacute;tua entre os membros da comunidade, devido a fatores sociais, culturais e econ&oacute;micos. Fukuyama (1996), qualifica o capital social como confian&ccedil;a e coopera&ccedil;&atilde;o entre os grupos. Nesse sentido, deve haver a capacidade da sociedade civil de trabalhar em conjunto, subordinando, de alguma forma, os interesses individuais ou de determinados grupos aos interesses coletivos. Putnam et al (1994) considera que os baixos n&iacute;veis de capital social nas a&ccedil;&otilde;es de uma comunidade significam baixos n&iacute;veis de desenvolvimento social. Esses n&iacute;veis est&atilde;o relacionados com as caracter&iacute;sticas da organiza&ccedil;&atilde;o social como sejam a confian&ccedil;a, reciprocidade, o dever c&iacute;vico e bem-estar coletivo, normas e sistemas que contribuem para aumentar a efici&ecirc;ncia da sociedade com base em iniciativas coordenadas entre organiza&ccedil;&otilde;es locais, legisladores e governos, especialistas e cidad&atilde;os.</p> 		    <p>Esta vis&atilde;o s&oacute;cio-ecol&oacute;gica, simultaneamente pol&iacute;tica, cient&iacute;fica e cultural, &eacute; a chave para a inclus&atilde;o das perspectivas plurais existentes, democratizando o conhecimento (cient&iacute;fico e local) e dando destaque &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es locais, tanto na produ&ccedil;&atilde;o de seu pr&oacute;prio conhecimento, na concep&ccedil;&atilde;o, como na gest&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias que visam proteger a biodiversidade. &Eacute; nesta vis&atilde;o s&oacute;cio-ecol&oacute;gica que se situa este trabalho. &Eacute; neste contexto que procuramos explorar, visto que se trata de um estudo explorat&oacute;rio, os sentidos e os significados constru&iacute;dos na intera&ccedil;&atilde;o da comunidade com a implementa&ccedil;&atilde;o do estatuto de Reserva Natural e seus impactos ambientais, sociais e culturais. Procuramos dessa forma evidenciar a dimens&atilde;o cultural e social das l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es locais, em particular a voz dos pescadores, suas expectativas, necessidades, conhecimentos, evidenciando o seu papel na promo&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e desenvolvimento sustent&aacute;vel. Neste contexto procuramos as racionalidades leigas com as suas l&oacute;gicas de produ&ccedil;&atilde;o de sentidos e a&ccedil;&atilde;o. As racionalidades leigas s&atilde;o uma categoria que aqui aplicamos a formas de pensar e agir, circunscrevendo-a a campos do viver humano no plano da cultura envolvendo l&oacute;gicas, pr&aacute;ticas e representa&ccedil;&otilde;es (Alves, 2011). Por desenvolvimento sustent&aacute;vel entendemos a procura da harmoniza&ccedil;&atilde;o da conserva&ccedil;&atilde;o ambiental e da utiliza&ccedil;&atilde;o racional dos recursos naturais com o crescimento econ&oacute;mico, a justi&ccedil;a, o bem-estar e equidade social. Assume-se, deste modo, como um processo din&acirc;mico, multidimensional, simultaneamente pol&iacute;tico, cient&iacute;fico, ambiental e cultural. </p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p><b>2. Defini&ccedil;&atilde;o do estudo – objetivos</b></p> 		    <p>Tendo em conta estudos anteriores (Moreira, 1987; Calado, 1991; Souto, 1991), este trabalho distingue-se pelo seu objetivo em estudar os desafios e ganhos em bem-estar para as popula&ccedil;&otilde;es locais da Reserva Natural das Ilhas Berlengas (RNB). </p> 		    <p>A comunidade piscat&oacute;ria de Peniche, a exemplo das restantes comunidades piscat&oacute;rias do pa&iacute;s (Moreira, 1987), tem sofrido, ao longo do tempo, dif&iacute;ceis altera&ccedil;&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es no seu modo de trabalhar e nas suas artes de capturar o peixe. Nesse contexto, esta pesquisa parte da necessidade de perceber o impacto da RNB na vida local dos habitantes da cidade de Peniche e, principalmente, da sua comunidade piscat&oacute;ria, sendo o principal alvo das suas implica&ccedil;&otilde;es e consequ&ecirc;ncias. Para isso, pretenderam-se construir instrumentos de recolha de informa&ccedil;&atilde;o que permitam perceber o impacte da Reserva Natural das ilhas Berlengas na vida da comunidade piscat&oacute;ria local. </p> 		    <p>A rela&ccedil;&atilde;o das Reservas e dos seus sistemas, bem como a gest&atilde;o dos seus recursos s&oacute; podem ser entendidas se forem compreendidas as dimens&otilde;es das intera&ccedil;&otilde;es culturais, sociais e econ&oacute;micas das popula&ccedil;&otilde;es locais com a reserva, como parte integrante da estrat&eacute;gia de conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e do desenvolvimento sustent&aacute;vel. A tradicional depend&ecirc;ncia do mar e da pesca, e de outras atividades delas subsidi&aacute;rias, tornam a comunidade penichense particularmente vulner&aacute;vel a todas as altera&ccedil;&otilde;es a&iacute; introduzidas.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>3. Caracteriza&ccedil;&atilde;o</b></p> 		    <p><b>3.1. A comunidade piscat&oacute;ria de Peniche</b></p> 		    <p>Peniche (<a href="#f1">Figura 1</a>) &eacute; o principal porto de pesca de toda a zona centro (Moreira, 1987), pelos seus movimentos de entradas e sa&iacute;das de embarca&ccedil;&otilde;es de pesca, volume de pescado transacionado em lota e import&acirc;ncia econ&oacute;mica da pesca polivalente costeira (INE, 2010a). A comunidade piscat&oacute;ria de Peniche &eacute; uma das mais antigas do pa&iacute;s, dispondo de uma das mais vastas frentes mar&iacute;timas e, na zona centro, &eacute; a que conta com o maior n&uacute;mero de pescadores no ativo (INE, 2010b). &Eacute; em torno da pesca que se constitui, direta ou indiretamente, a grande maioria da atividade econ&oacute;mica e social a&iacute; existente (Moreira, 1987). O munic&iacute;pio de Peniche conta com uma popula&ccedil;&atilde;o residente estimada de 27 753 indiv&iacute;duos (Censos, 2011), tendo registados na sua capitania mar&iacute;tima 1.090 pescadores e 789 embarca&ccedil;&otilde;es das quais 422 com motor (INE, 2010b). Atualmente, a comunidade piscat&oacute;ria e o respectivo porto de pesca de Peniche continuam ainda a ter um papel importante e, principalmente bastante emblem&aacute;tico, na vida deste munic&iacute;pio, embora sem a centralidade de outros tempos. V&aacute;rios p&oacute;los de desenvolvimento local concorrem com a atividade piscat&oacute;ria. Os desportos n&aacute;uticos de deslize e o turismo gastron&oacute;mico t&ecirc;m sido uma nova aposta de desenvolvimento local e regional, apoiada pelos dirigentes pol&iacute;ticos de Peniche. A hotelaria tem promovido os produtos tradicionais resultantes da atividade piscat&oacute;ria local, como a famosa sardinha de Peniche. </p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f1"></a> </p> 		    <p><img src="/img/revistas/rgci/v12n4/12n4a03f1.jpg" /> </p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p>A pesquisa e promo&ccedil;&atilde;o no concelho de Peniche tem vindo a ser impulsionada pelos centros universit&aacute;rios e de investiga&ccedil;&atilde;o (Instituto Polit&eacute;cnico de Leiria com a Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche). As &aacute;guas de Peniche destacam-se pela abund&acirc;ncia dos seus recursos vivos marinhos, particularmente a sardinha, o atum e similares, o robalo e o linguado. A arte do arrasto costeiro e do cerco coloca igualmente a lota do porto de Peniche como primeira em volume de vendas (INE, 2010a). Da&iacute; a lota do porto de Peniche continuar a ser muito procurada pelos pescadores, negociantes, almocreves, carregadores, indiferenciados. As pessoas deslocaram-se tempor&aacute;ria ou definitivamente, de diversas regi&otilde;es do pa&iacute;s para Peniche, o que contribuiu para formar uma popula&ccedil;&atilde;o heterog&eacute;nea e diversificada (Souto, 2007). </p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>3.2. A reserva natural das ilhas de Berlengas</b></p> 		    <p>O arquip&eacute;lago das ilhas Berlengas fica situado na regi&atilde;o administrativa do concelho de Peniche, a 5,7 milhas do Cabo Carvoeiro, junto da cidade de Peniche. A maior ilha do arquip&eacute;lago &eacute; a Berlenga, um rochedo gran&iacute;tico que atinge os oitenta e oito metros de altura, com um comprimento m&aacute;ximo de mil e quinhentos metros e uma &aacute;rea total de setenta e oito hectares. O arquip&eacute;lago &eacute; constitu&iacute;do ainda por ilhas de menores dimens&otilde;es, como as Estelas e os Farilh&otilde;es - Forcadas e outros rochedos (<a href="#f1">Figura 1</a>), sem popula&ccedil;&atilde;o residente.</p> 		    <p>A generalidade das &aacute;reas da reserva incluem um vasto manancial de recursos pisc&iacute;colas com grande valor comercial e tur&iacute;stico. O I inqu&eacute;rito nacional “Os Portugueses e o Ambiente” (Almeida, 2000) sobre a opini&atilde;o p&uacute;blica quanto &agrave; influ&ecirc;ncia no ambiente da constitui&ccedil;&atilde;o de Reservas Naturais, permitiu concluir que as perspectivas s&atilde;o positivas. Em contrapartida as respostas s&atilde;o negativas em rela&ccedil;&atilde;o ao estado do ambiente em Portugal, embora se considere importante os impactos positivos alcan&ccedil;ados com a constitui&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de Parques e Reservas Naturais. </p> 		    <p>O arquip&eacute;lago tem grande riqueza e variedade de recursos pisc&iacute;colas, estando referenciadas setenta e seis esp&eacute;cies de peixes na &aacute;rea da RNB (Rodrigues <i>et al.</i>, 2008). Tem sido, desde h&aacute; muito, procurado por milhares de pescadores (principalmente de tipo comercial) e mergulhadores, mas tamb&eacute;m de turistas nacionais e estrangeiros (essencialmente no ver&atilde;o) e ainda alvo de interesse para as pol&iacute;ticas de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza e biodiversidade. </p> 		    <p>Em Setembro de 1981, o Decreto-Lei n.&ordm; 264/81 atribui-lhe o estatuto de Reserva Natural. Em 1998, no &acirc;mbito das comemora&ccedil;&otilde;es do Ano Internacional dos Oceanos, o Decreto Regulamentar n&ordm; 30/98, de 23 de Dezembro, ampliou os limites da Reserva, alargando-a a todo o arquip&eacute;lago, pelo que passou a designar-se por Reserva Natural das Berlengas (RNB), e instituiu uma &Aacute;rea Mar&iacute;tima Protegida (AMP), inserida na Rede Nacional de &Aacute;reas Protegidas. Foi tamb&eacute;m reconhecido o seu elevado valor biol&oacute;gico e de conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade a n&iacute;vel europeu, o que lhe valeu a acredita&ccedil;&atilde;o de reserva Biogen&eacute;tica do Conselho da Europa e Zona de Prote&ccedil;&atilde;o Especial para Aves Selvagens. </p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="f2"></a> </p> 		    <p><img src="/img/revistas/rgci/v12n4/12n4a03f2.jpg" /> </p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p>Em 1997, a import&acirc;ncia da sua conserva&ccedil;&atilde;o foi formalmente reconhecida pela Uni&atilde;o Europeia, ao ser classificada como S&iacute;tio da Rede Natura 2000, rede ecol&oacute;gica para o espa&ccedil;o Comunit&aacute;rio da Uni&atilde;o Europeia ao abrigo da Diretiva Habitats, com o objetivo de contribuir para assegurar a biodiversidade atrav&eacute;s da conserva&ccedil;&atilde;o dos habitats naturais, da fauna e da flora selvagens no territ&oacute;rio europeu dos Estados-membros. As zonas tamp&atilde;o nas &aacute;reas marinhas est&atilde;o igualmente classificadas como Zonas de Prote&ccedil;&atilde;o Especial das Berlengas e como Reserva Natural. </p> 		    <p>Em 28 de Junho de 2011, o Concelho de Coordena&ccedil;&atilde;o Internacional da UNESCO, atrav&eacute;s do seu programa Man and the Biosphere (MAB), decidiu a favor da RNB. Em conjunto com outras 17 &aacute;reas em todo o mundo, as ilhas Berlengas fazem agora parte de um grupo de 580 locais considerados Reserva Mundial da Biosfera, World Network of Biosphere Reserves (WNBR), distribu&iacute;dos por 114 pa&iacute;ses. </p> 		    <p>A Uni&atilde;o Europeia, em 2001, apresentou um conjunto de cinco princ&iacute;pios para a Governan&ccedil;a Europeia (Comiss&atilde;o Europeia, 2001), onde se prop&otilde;em uma maior abertura e participa&ccedil;&atilde;o com a respectiva co-responsabiliza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es e dos cidad&atilde;os europeus. A Comiss&atilde;o Europeia, desde o ano de 2002, estatuiu a pol&iacute;tica Europeia de explora&ccedil;&atilde;o dos recursos hali&ecirc;uticos em condi&ccedil;&otilde;es de sustentabilidade na sua ZEE, apostando no envolvimento das comunidades piscat&oacute;rias nestes objetivos.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>3.3. A gest&atilde;o sustent&aacute;vel da RNB</b></p> 		    <p>O interesse para a gest&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas mar&iacute;timas e principalmente das reservas naturais terrestres em v&aacute;rias partes do globo foi formalmente marcado, (em Junho de 1972, na primeira Cimeira da Terra) sob a &eacute;gide das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em resultado de uma confer&ecirc;ncia internacional sobre o meio ambiente e o desenvolvimento humano, na Su&eacute;cia, com a aprova&ccedil;&atilde;o da Declara&ccedil;&atilde;o de Estocolmo. </p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em termos cient&iacute;ficos, assistimos a um crescente interesse e reflex&atilde;o sobre os principais impactos das reservas mar&iacute;timas naturais nos seus ecossistemas, com particular interesse para as amea&ccedil;as centrais ao meio ambiente em geral e, principalmente, ao seu meio mar&iacute;timo e seu equil&iacute;brio ambiental. Os documentos formais dos planos integram e apelam ao envolvimento e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es diretamente afetadas, para n&atilde;o s&oacute; conseguir a sua ades&atilde;o aos programas definidos, mas tamb&eacute;m para recolher informa&ccedil;&atilde;o e ao mesmo tempo conhecer os seus saberes enquanto condi&ccedil;&atilde;o imprescind&iacute;vel para a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento sustent&aacute;vel que produz mais e melhor bem-estar junto das popula&ccedil;&otilde;es locais (Costanza <i>et al.</i>, 1998), contribuindo dessa forma para o sucesso desses tipos de governa&ccedil;&atilde;o (Samonte <i>et al.</i>, 2010). No entanto, s&atilde;o pouco conhecidos e debatidos os estudos que analisam a forma como se tem utilizado efetivamente a participa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es, os processos e estrat&eacute;gias utilizados para a implementar, bem como a avalia&ccedil;&atilde;o dos seus impactos na promo&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade. </p> 		    <p>Numerosos cientistas de diversas universidades e centros de investiga&ccedil;&atilde;o por todo o mundo, t&ecirc;m estudado e produzido conhecimento sobre os principais impactes das reservas mar&iacute;timas naturais nos seus ecossistemas (<i>e.g.</i>, Vasconcelos <i>et al.</i>, 2011). Nelas t&ecirc;m a possibilidade de apurar com maior rigor quais as amea&ccedil;as centrais ao ambiente em geral e, principalmente, ao seu meio mar&iacute;timo, tendo particular aten&ccedil;&atilde;o ao seu equil&iacute;brio ambiental (Pedrini <i>et al.</i>, 2007). </p> 		    <p>No arquip&eacute;lago das Berlengas, foram concretizadas algumas iniciativas nos &uacute;ltimos anos, com o intuito de manter ou mesmo refor&ccedil;ar os contactos entre os respons&aacute;veis pela gest&atilde;o da RNB e a popula&ccedil;&atilde;o interessada. Muitas dessas a&ccedil;&otilde;es, levadas a cabo por diversas institui&ccedil;&otilde;es, em parceria, solicitam o envolvimento ou at&eacute; a constitui&ccedil;&atilde;o de grupos organizados de utilizadores locais, como por exemplo a Associa&ccedil;&atilde;o Amigos da Berlenga, de modo a definir ou implementar algumas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas institu&iacute;das para a gest&atilde;o de forma sustent&aacute;vel da reserva. </p> 		    <p>O munic&iacute;pio de Peniche em colabora&ccedil;&atilde;o com o ICNB tem organizado, anualmente, iniciativas no &acirc;mbito das comemora&ccedil;&otilde;es do Dia da Reserva Natural, com vistas &agrave; sensibiliza&ccedil;&atilde;o ambiental. Em 2010, este evento foi tamb&eacute;m inclu&iacute;do no &acirc;mbito das comemora&ccedil;&otilde;es do Ano Internacional da Biodiversidade. Considera-se que o refor&ccedil;o do envolvimento da popula&ccedil;&atilde;o local e dos turistas para a quest&atilde;o da conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos pisc&iacute;colas e a biodiversidade da RNB contribuir&aacute; para o &ecirc;xito da gest&atilde;o sustent&aacute;vel da mesma. Considera-se que os principais benefici&aacute;rios do sucesso da RNB s&atilde;o os pescadores, os donos dos barcos da pesca de lazer e outros utilizadores da reserva em atividades recreativas e balneares. Por isso se promovem a sua consciencializa&ccedil;&atilde;o e sensibiliza&ccedil;&atilde;o sobre a import&acirc;ncia da biodiversidade marinha e da sua preserva&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o na implementa&ccedil;&atilde;o de medidas de gest&atilde;o efetivas de forma a conseguir, no menor prazo poss&iacute;vel, a sua sustentabilidade ecol&oacute;gica. </p> 		    <p>Neste contexto, e atendendo a esses objetivos, &eacute; necess&aacute;rio criar projetos e planos que tenham em conta a popula&ccedil;&atilde;o interessada, incluindo-os ao n&iacute;vel da decis&atilde;o para que qualquer pol&iacute;tica ou organismo tenha sucesso na considera&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno da biodiversidade enquanto um fen&oacute;meno n&atilde;o apenas biol&oacute;gico e f&iacute;sico, mas sobretudo contextual, social e cultural.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>4. Metodologia</b></p> 		    <p>Apesar de existir muita investiga&ccedil;&atilde;o sobre os benef&iacute;cios ecol&oacute;gicos das Reservas na preserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e na gest&atilde;o sustent&aacute;vel dos seus recursos naturais, comparativamente, os estudos sobre os desafios e ganhos em bem-estar para as popula&ccedil;&otilde;es locais s&atilde;o escassos (Hanazaki, 2002; Vasques, Couto, 2011) . </p> 		    <p>Na falta de estudos recentes sobre estas comunidades em geral, e sobre a implementa&ccedil;&atilde;o de uma reserva natural, em particular tendo em conta as especificidades e caracter&iacute;sticas da RNB, decidiu-se construir e aplicar dois gui&otilde;es de entrevistas semi-diretivas a dois tipos de informantes privilegiados, com distintas caracter&iacute;sticas: os profissionais da pesca que simultaneamente presenciaram o aparecimento e a consolida&ccedil;&atilde;o da RNB nas suas vertentes, sociais, econ&oacute;micas e ambientais; e por outro lado, os t&eacute;cnicos que contribuem ou contribu&iacute;ram para o aparecimento e consubstancia&ccedil;&atilde;o da reserva natural. Ambos partilham ou partilharam quase diariamente, a mesma realidade social, embora com objetivos e prop&oacute;sitos diferentes.</p> 		    <p>Trata-se de um estudo qualitativo, explorat&oacute;rio, onde se destaca o papel ativo do sujeito na constru&ccedil;&atilde;o das suas viv&ecirc;ncias em torno do objeto. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, em profundidade, com o objetivo de compreender os sentidos e os significados, as representa&ccedil;&otilde;es e as viv&ecirc;ncias que os diversos atores sociais em presen&ccedil;a, t&ecirc;m ou manifestam, quando inquiridos sobre ela. Procuramos os conhecimentos das popula&ccedil;&otilde;es locais, que designamos por racionalidades leigas, e os dos t&eacute;cnicos, sobre a RNB. Qual a apropria&ccedil;&atilde;o que os aut&oacute;ctones fazem da reserva, como lidam com o seu enquadramento e com a consequente regula&ccedil;&atilde;o das atividades, principalmente de &iacute;ndole profissional e econ&oacute;mica? Qual o seu impacto social e cultural?</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A constitui&ccedil;&atilde;o da amostra inquirida (por conveni&ecirc;ncia), sem qualquer pretens&atilde;o de ser representativa do ponto de vista estat&iacute;stico, foi contudo rodeada de cuidados, no sentido de aceder a informantes de primeira linha, ou seja, que proporcionassem relatos de fatos relevantes relacionados com a RNB e a sua constitui&ccedil;&atilde;o, e por si experienciados. Foram realizadas cinco entrevistas explorat&oacute;rias para validar as dimens&otilde;es dos gui&otilde;es em estudo: duas a pescadores do porto de Peniche e uma a um antigo pescador da ilha Berlenga e atualmente a trabalhar nas atividades mar&iacute;timo-tur&iacute;sticas da reserva; duas entrevistas a bi&oacute;logos, ambos t&eacute;cnicos superiores da institui&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel pela gest&atilde;o ambiental da reserva, e com responsabilidades na sua gest&atilde;o ou monitoriza&ccedil;&atilde;o. Todas as entrevistas foram realizadas nas horas e nos locais escolhidos pelos interpelados (em geral, nos seus postos de trabalho).</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>5. Resultados e Discuss&atilde;o</b></p> 		    <p>De um modo geral, os testemunhos recolhidos junto aos atuais ou antigos pescadores, permitem identificar a constitui&ccedil;&atilde;o da reserva e suas regras como uma dificuldade suplementar para o exerc&iacute;cio da atividade piscat&oacute;ria em Peniche e, principalmente, na &aacute;rea demarcada pela RNB, em confronto com a situa&ccedil;&atilde;o na &eacute;poca imediatamente anterior &agrave; sua forma&ccedil;&atilde;o.</p> 		    <blockquote> 		      <p>“<i>…dantes pescava-se mais, via-se mais dinheiro… a reserva n&atilde;o fez nada pela pesca ... como acontecia dantes, pesc&aacute;vamos em paz, havia peixe para todos e n&atilde;o era preciso isto tudo</i> ” (Entrevistado n&ordm;2, pescador de Peniche, dono de uma embarca&ccedil;&atilde;o de pesca)</p>     </blockquote> 		    <p>Contrastando com a situa&ccedil;&atilde;o imediatamente anterior &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o da RNB, identifica-se um discurso de frustra&ccedil;&atilde;o e desencanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o atual. Antes da exist&ecirc;ncia da RNB, existiria um aparente ciclo de prosperidade que foi interrompido de forma irrevers&iacute;vel pelos respons&aacute;veis da RNB. </p> 		    <blockquote> 		      <p>“<i>Dantes pescava-se mais, rendia mais, agora j&aacute; s&oacute; h&aacute; 3 ou 4 pescadores a viverem na ilha. ... Antigamente era muito mais, oh antigamente era &agrave;s 40 e 50 lanchas l&aacute; no s&iacute;tio (Berlenga). Agora est&atilde;o l&aacute; meia d&uacute;zia deles.</i>” (Entrevistado n&ordm;1, antigo pescador de Peniche e marinheiro nas atividades Mar&iacute;timo-Tur&iacute;sticas)</p>     </blockquote> 		    <p>Mesmo os representantes da pesca industrial do arrasto (a mais condicionada dentro do per&iacute;metro da RNB), que por natureza disp&otilde;em de mais meios para contornar os obst&aacute;culos criados &agrave; sua atividade nas zonas agora protegidas, referem que n&atilde;o ser&aacute; vi&aacute;vel a continua&ccedil;&atilde;o da imposi&ccedil;&atilde;o de forma crescente de limita&ccedil;&otilde;es aos diversos tipos de pesca.</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 		      <p>“<i>A pesca com rede de emalhar &eacute; que n&atilde;o pode, dentro do ret&acirc;ngulo de prote&ccedil;&atilde;o do arquip&eacute;lago. E o arrasto tamb&eacute;m n&atilde;o pode operar dentro da reserva. (...) Apenas trouxe dificuldades &agrave; pesca com arrasto e de emalhar, porque todo o resto n&atilde;o... N&oacute;s n&atilde;o vamos permitir mais restri&ccedil;&otilde;es aos v&aacute;rios tipos de pesca na zona da reserva!</i>” (Entrevistado n&ordm;3, pescador, armador e dirigente associativo)</p>     </blockquote> 		    <p>Tem sido observada uma diminui&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra formada e vocacionada para a faina mar&iacute;tima da comunidade piscat&oacute;ria de Peniche, a exemplo de outras comunidades pesqueiras. Uma parte importante dos pescadores encontra-se perto da idade da reforma, ou s&atilde;o aprendizes que v&atilde;o embarcando enquanto procuram um trabalho em terra. Os velhos pescadores da ilha Berlenga v&ecirc;em o seu n&uacute;mero reduzir-se de ano para ano e culpam principalmente a RNB e a sua gest&atilde;o por anteciparem o seu pr&oacute;prio processo de extin&ccedil;&atilde;o, devido &agrave;s dificuldades que lhes causa nas suas fainas tradicionais, ou &agrave; impossibilidade de renova&ccedil;&atilde;o humana que lhes imp&otilde;em, ao n&atilde;o permitir a fixa&ccedil;&atilde;o de novos contingentes de pescadores na ilha. A renova&ccedil;&atilde;o pela via da descend&ecirc;ncia tamb&eacute;m &eacute; normalmente rejeitada com o argumento da dureza e da pouca recompensa econ&oacute;mica e social que a vida no mar proporciona. </p> 		    <blockquote> 		      <p>“<i>…por isso &eacute; que ningu&eacute;m quer ir para a pesca. O meu filho foi para Fran&ccedil;a que est&aacute; l&aacute; melhor. E os de outros tamb&eacute;m. (...) &Eacute; o trabalhador mais explorado, &eacute; o pescador! … nos que vivem na ilha agora &eacute; quase s&oacute; velhos, e os filhos n&atilde;o querem ir para l&aacute;. T&ecirc;m morrido muitos (pescadores)</i>”. (Entrevistado n&ordm;1, antigo pescador de Peniche e marinheiro nas atividades Mar&iacute;timo-Tur&iacute;sticas)</p>     </blockquote> 		    <p>Os bi&oacute;logos entrevistados, t&eacute;cnicos superiores do ICNB, insistem sobre a necessidade de controlar a presen&ccedil;a humana e limitar o exerc&iacute;cio da pesca e da apanha na RNB, substituindo-as por outras atividades. Por outro lado, os pescadores entrevistados desvalorizam o impacto da atividade humana na RNB, real&ccedil;ando a vulgaridade que para si representa o acervo natural em presen&ccedil;a na regi&atilde;o das Berlengas. </p> 		    <blockquote> 		      <p>“<i>Aconteceu uma coisa que afetou, em parte, mas n&atilde;o propriamente os residentes que foi deixar de se poder acampar na ilha toda. (…) Neste momento a principal preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; a de conter a carga humana presente na ilha de Ver&atilde;o. … Existe alguma press&atilde;o ambiental dos pescadores e dos mariscadores, mas isso est&aacute; a ser tratado e resolvido pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; dram&aacute;tica a press&atilde;o ambiental exercida tanto quanto sabemos, mas tem de ser monitorizada e restringida ao que foi legalmente fixado.</i>” (Entrevistada n&ordm; 4, t&eacute;cnica)</p>               <p>“<i>…penso que continua a ser uma das prioridades para aquela ilha, a necessidade de disciplinar a atividade tur&iacute;stica, quer ao n&iacute;vel dos turistas em si quer ao n&iacute;vel dos operadores tur&iacute;sticos. Direcionando esses servi&ccedil;os sempre para uma perspectiva de qualidade e n&atilde;o de quantidade. (...) N&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria mais legisla&ccedil;&atilde;o mas sim proceder-se &agrave; efetiva implementa&ccedil;&atilde;o do que j&aacute; foi legislado….</i>” (Entrevistado n&ordm;5, t&eacute;cnico)</p> 	</blockquote> 		    <p>A atual press&atilde;o econ&oacute;mica tamb&eacute;m transparece em alguns dos testemunhos recolhidos, aumentando concomitantemente a press&atilde;o na componente social e ambiental das medidas tomadas sobre a reserva. Os ganhos alcan&ccedil;ados com o produto resultante da atividade piscat&oacute;ria para o pescador s&atilde;o postos em causa, tendo em conta o custo de vida e os pre&ccedil;os inflacionados que o peixe atinge junto do consumidor final.</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 		      <p>“<i>Para se sair ao mar, o gas&oacute;leo &eacute; car&iacute;ssimo, volta-se e o peixe n&atilde;o tem valor que valha. Mais vale ficar sentado! … Agora… cinco, dez, at&eacute; cinquenta euros…n&atilde;o valem nada! Vend&iacute;amos o peixe na lota, na rua em todo o lado onde se vendesse, agora isto est&aacute; feito para s&oacute; alguns ganharem! O peixe para o pescador vale pouco, no mercado vale muito! Isto hoje est&aacute; cada vez mais pobre e pior!</i>” (Entrevistado n&ordm;2, pescador de Peniche, dono de uma embarca&ccedil;&atilde;o de pesca)</p>     </blockquote> 		    <p>Por parte dos t&eacute;cnicos respons&aacute;veis pela implementa&ccedil;&atilde;o das regras imprescind&iacute;veis &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da RNB, uma situa&ccedil;&atilde;o de constrangimento econ&oacute;mico pode colocar em perigo todo o investimento feito at&eacute; agora, levando inclusive ao seu retrocesso. A capacidade de manter na RNB as verbas geradas na regi&atilde;o e a necessidade de atrair mais investimentos para a &aacute;rea ambiental pode ser fulcral para o futuro do desenvolvimento ambiental da reserva. </p> 		    <blockquote> 		      <p>“<i>Por vezes a fiscaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o atua porque n&atilde;o h&aacute; gente, nem meios. Em perman&ecirc;ncias s&oacute; existem dois vigilantes … Houve uma altura em que houve seis…seis &eacute; o m&iacute;nimo necess&aacute;rio para aquilo funcionar. Eles t&ecirc;m que fazer cumprir a legisla&ccedil;&atilde;o sobre o ambiente…porque h&aacute; mais legisla&ccedil;&otilde;es. Tamb&eacute;m fiscalizam as licen&ccedil;as das pessoas… H&aacute; um desinvestimento no ambiente no ICNB, …as receitas t&ecirc;m vindo a diminuir. (...) De momento com os constrangimentos financeiros que atravessamos, e a m&eacute;dio prazo, n&atilde;o vejo grandes possibilidades de altera&ccedil;&otilde;es na gest&atilde;o dos recursos ambientais ou de outros.</i>” (Entrevistada n&ordm; 4, t&eacute;cnica)</p>               <p>“<i>Os recursos, mesmo os recursos econ&oacute;micos, est&atilde;o sobre grande press&atilde;o! E se falarmos dos recursos ambientais, ainda mais… diria que atualmente, e anteriormente tamb&eacute;m, os principais problemas que poder&atilde;o ser suscitados na Berlenga s&atilde;o de natureza social e econ&oacute;mica</i>” (Entrevistado n&ordm;5, t&eacute;cnico)</p> 	</blockquote> 		    <p>Os testemunhos recolhidos sobre a RNB nas suas diversas facetas e impactos, indiciam formas de ver e pensar opostas entre a popula&ccedil;&atilde;o local com ocupa&ccedil;&otilde;es ligadas, direta ou indiretamente, &agrave; reserva, e o ponto de vista de quem desempenha profiss&otilde;es t&eacute;cnicas na &aacute;rea ambiental. </p> 		    <p>Foram un&acirc;nimes os t&eacute;cnicos entrevistados em considerar a RNB um valor ambientalmente vulner&aacute;vel mas de grande import&acirc;ncia para o presente e para o futuro da regi&atilde;o e do pa&iacute;s. Por outro lado, os pescadores e habitantes da ilha Berlenga tamb&eacute;m se mostraram intransigentes quanto &agrave; aus&ecirc;ncia de valor acrescido trazida pela RNB &agrave; ilha, desvalorizando muitas vezes a import&acirc;ncia a ela atribu&iacute;da.</p> 		    <blockquote> 		      <p>“<i>Estas coisas nunca s&atilde;o de um dia para o outro, ou de um ano para o outro sequer, s&atilde;o processos relativamente lentos que v&atilde;o evoluindo ou regredindo. A minha convic&ccedil;&atilde;o &eacute; que se tem caminhado, de uma forma geral, na dire&ccedil;&atilde;o certa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; biodiversidade em presen&ccedil;a na ilha e em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua sustentabilidade.</i>” (Entrevistado n&ordm;5, t&eacute;cnico)</p>               ]]></body>
<body><![CDATA[<p>“<i>Se a reserva acabasse, para j&aacute; as pessoas iam come&ccedil;ar a acampar por todo o lado … penso que estamos com uma das melhores gest&otilde;es que alguma vez tivemos at&eacute; hoje…</i>” (Entrevistada n&ordm; 4, t&eacute;cnica)</p> 	          <p>“<i> … beleza daquilo (ilha Berlenga)! … N&atilde;o vejo nenhuma! Em termos de visita cada um d&aacute; o valor que quiser; eu dava zero valor, n&atilde;o vejo l&aacute; nada que valha! (...) &Eacute; certo que aquilo tem estas ou aquelas condi&ccedil;&otilde;es, mas…depois l&aacute; nas rochas existe isto ou aquilo que n&atilde;o existe em mais lado nenhum, mas isso n&atilde;o &eacute; significativo. Se tem l&aacute; o marisco agarrado &agrave; pedra, ele est&aacute; l&aacute; para qu&ecirc;? Ou serve para a nossa alimenta&ccedil;&atilde;o, ou fica l&aacute; e morre! …</i>” (Entrevistado n&ordm;3, pescador, armador e dirigente associativo)</p> 	          <p>“<i>…vou j&aacute; dizer-lhe quem &eacute; que enganou a gente todos! (...) ele disse: [nomeia uma pessoa], vamos fazer uma reserva para n&atilde;o se apanhar nem um ouri&ccedil;o nem um percebe, nem uma lapa…n&atilde;o apanhar nada! Para ser uma reserva, para ser uma reserva natural. Meteu-se-lhe na cabe&ccedil;a que aquilo estava a desaparecer, mas n&atilde;o desaparecia, voc&ecirc; quanto mais percebe arrancar, mais nasce! Quanto mais lapas arrancar, mais nasce! Quanto mais ouri&ccedil;o apanhar mais nasce! … N&atilde;o serve para nada, nem para os animais nem para o turismo … Se dependesse de mim acabava com a reserva, tudo. Eu fui parvo em ter assinado isso da reserva.</i>” (Entrevistado n&ordm;1, antigo pescador de Peniche e marinheiro nas actividades Mar&iacute;timo-Tur&iacute;sticas)</p> 	          <p>“<i>A reserva nasceu para fazer lugares… para “tachos”… percebe? D&aacute; empregos &agrave; malta que n&atilde;o sabe fazer nada, nada de nada. E depois ainda chateiam quem quer trabalhar, quem anda a pescar. Eu n&atilde;o quero saber da reserva para nada … A reserva n&atilde;o fez nada pela pesca. … Voltava tudo ao in&iacute;cio, sem c&aacute; gajos do ambiente ou da reserva e tudo isso (...) n&atilde;o &eacute; preciso virem pessoas, doutores, e eu sei l&aacute; o qu&ecirc;! Agora estas pessoas que n&atilde;o percebem nada da ilha ou dos pescadores e s&oacute; querem ganhar dinheiro. Voltem todas de onde vieram e deixem a gente em paz</i>”. (Entrevistado n&ordm;2, pescador de Peniche, dono de uma embarca&ccedil;&atilde;o de pesca)</p> 	</blockquote> 		    <p>Embora partindo de uma pequena amostra, consegue-se afirmar que os protagonistas entrevistados, ligados de forma direta ou indireta &agrave; atividade piscat&oacute;ria na RNB, indiciam graves sinais de incompreens&atilde;o, por parte da popula&ccedil;&atilde;o beneficiada em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; RNB, em oposi&ccedil;&atilde;o flagrante &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es e cuidados exigidas pela regulamenta&ccedil;&atilde;o que os t&eacute;cnicos tentam implementar. Os protagonistas da pesca contactados dividem-se entre a revolta e o des&acirc;nimo contra a RNB, por um lado, a incompreens&atilde;o pelo seu estatuto, por outro. A insatisfa&ccedil;&atilde;o e incompreens&atilde;o generalizada que espontaneamente foram transmitidas pelos pescadores e mar&iacute;timos contatados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; RNB op&otilde;em-se &agrave; convic&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos do ICNB, de que o atual estado da reserva &eacute; o mais prop&iacute;cio para o ambiente e tamb&eacute;m para as gentes de Peniche e as suas atividades econ&oacute;micas. </p> 		    <p>A necessidade de compatibilizar as atividades piscat&oacute;rias e da apanha, mais tradicionais e populares, com outras atividades mar&iacute;timas e tur&iacute;sticas, mais modernas e tecnologicamente mais complexas (como as atividades ligadas ao mergulho), representam um desafio para o estatuto da RNB e principalmente para comunidade que a circunda.</p> 		    <p>A utiliza&ccedil;&atilde;o, por parte dos peritos, de met&aacute;foras de cariz espiritual com refer&ecirc;ncias ao car&aacute;ter &uacute;nico desta costa (Rodrigues <i>et al.</i>, 2008), apela ao sentimento religioso e ao orgulho da popula&ccedil;&atilde;o local pela sua regi&atilde;o costeira e mar&iacute;tima. Mas esse orgulho n&atilde;o &eacute; suficiente para ignorar algum mal-estar que se sente e se reflete num discurso mais truculento, quando &eacute; abordada a tem&aacute;tica da RNB. </p> 		    <p>Foi not&oacute;rio na an&aacute;lise dos discursos um enorme fosso entre quem vive do mar e na ilha e quem no continente a estuda e a aprecia ao longe. </p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>6. Conclus&atilde;o</b></p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este trabalho tenta responder &agrave; escassez de estudos sobre os desafios e ganhos em bem-estar para as popula&ccedil;&otilde;es locais comparativamente a uma longa investiga&ccedil;&atilde;o existente sobre os benef&iacute;cios ecol&oacute;gicos das Reservas na preserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e na gest&atilde;o sustent&aacute;vel dos seus recursos naturais (Samonte <i>et al.</i>,  2010).</p> 		    <p>Afirmamos que a efici&ecirc;ncia dos resultados obtidos na RNB pode derivar do empenhamento e participa&ccedil;&atilde;o de todos os atores sociais interessados, e que, o seu envolvimento e compromisso das institui&ccedil;&otilde;es e habitantes da regi&atilde;o, ou frequentadores da reserva, contribuir&atilde;o para o &ecirc;xito da mesma. Tamb&eacute;m a Uni&atilde;o Europeia (Comiss&atilde;o Europeia, 2001) enunciou um princ&iacute;pio da participa&ccedil;&atilde;o, onde &eacute; poss&iacute;vel concluir que a qualidade, pertin&ecirc;ncia e efic&aacute;cia das pol&iacute;ticas implementadas numa reserva natural dependem de uma ampla participa&ccedil;&atilde;o de toda a popula&ccedil;&atilde;o interessada na reserva, desde a sua concep&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; sua plena execu&ccedil;&atilde;o, referindo-se ainda, &agrave; import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o popular para criar uma maior confian&ccedil;a no resultado final e nas institui&ccedil;&otilde;es que a tutelam.</p> 		    <p>Evidencia-se que &eacute; imprescind&iacute;vel aprofundar este estudo explorat&oacute;rio de modo que se possa efetivamente demonstrar a import&acirc;ncia da abordagem s&oacute;cio-ecol&oacute;gica da reserva, que exige uma valoriza&ccedil;&atilde;o dos saberes plurais em presen&ccedil;a para a constru&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias participadas por todos os intervenientes no processo tendo em vista a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e o desenvolvimento sustent&aacute;vel. </p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>Bibliografia</b></p> 		    <!-- ref --><p>Almeida, J. Ferreira (org.) (2000) - <i>Os Portugueses e o Ambiente. I Inqu&eacute;rito Nacional &agrave;s Representa&ccedil;&otilde;es e Pr&aacute;ticas dos Portugueses sobre Ambiente</i>. 241p., Editora Celta / Observa, Oeiras, Portugal. ISBN: 9789727740758&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1646-8872201200040000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Alves, F. (2011) - <i>A Doen&ccedil;a Mental nem sempre &eacute; Doen&ccedil;a: Racionalidades Leigas sobre Sa&uacute;de e Doen&ccedil;a Mental</i>. 224p., Editora Afrontamento, Porto, Portugal. ISBN: 9789723611335.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S1646-8872201200040000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 		    <!-- ref --><p>Calado, M. (1991) - <i>Peniche na hist&oacute;ria e na lenda</i>. 4&ordf; ed., 478 p., Editora Silvas, Lisboa, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1646-8872201200040000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Comiss&atilde;o Europeia (2001) - <i>AMBIENTE 2010: o nosso futuro, a nossa escolha</i>. 11p., 6&ordm; Programa de Ac&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;rio em mat&eacute;ria do Ambiente, Servi&ccedil;o das Publica&ccedil;&otilde;es Oficiais das Comunidades Europeias, Bruxelas, B&eacute;lgica. ISBN: 92-894-0265-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1646-8872201200040000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    <!-- ref --><p>Costanza, R.; Andrade, F. (1998) - <i>A Economia Ecol&oacute;gica e a Governa&ccedil;&atilde;o Sustent&aacute;vel dos Oceanos</i>. 294p., Editora Silvas, Lisboa, Portugal. ISBN: 9729724652.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1646-8872201200040000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    <!-- ref --><p>Fukuyama, F. (1996) - <i>Confian&ccedil;a: valores sociais e cria&ccedil;&atilde;o de prosperidade</i>. 412p., Gradiva, Lisboa, Portugal. ISBN: 9726624746&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1646-8872201200040000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hanazaki, N. (2003) - Comunidades, conserva&ccedil;&atilde;o e manejo: o papel do conhecimento ecol&oacute;gico local. <i>Biotemas</i> (ISSN: 0103-1643), 16(1):23-47, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florian&oacute;polis, SC, Brasil. <a href="http://www.biotemas.ufsc.br/volumes/pdf/volume161/161(2).pdf" target="_blank">http://www.biotemas.ufsc.br/volumes/pdf/volume161/161(2).pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1646-8872201200040000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>I.N.E. (2010a) - <i>Estat&iacute;sticas de Pesca 2009</i>. 101p., I.N.E - Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, Lisboa, Portugal. ISBN: 9789892500577.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1646-8872201200040000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    <!-- ref --><p>I.N.E. (2010b) - <i>Anu&aacute;rio Estat&iacute;stico da Regi&atilde;o Centro 2009</i>. 512p., I.N.E - Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, Lisboa, Portugal. ISBN: 9789892500515.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1646-8872201200040000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>I.N.E. (2011) - <i>Censos 2011 - Resultados Provis&oacute;rios</i>. 145p., I.N.E - Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, Lisboa, Portugal. ISBN 9789892501482.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1646-8872201200040000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    <!-- ref --><p>Moreira, C.D. (1987) - <i>Popula&ccedil;&otilde;es Mar&iacute;timas em Portugal: incerteza, competi&ccedil;&atilde;o e flexibilidade na organiza&ccedil;&atilde;o social e nas estrat&eacute;gias adaptativas das popula&ccedil;&otilde;es de pescadores da orla mar&iacute;tima continental portuguesa</i>. 558p., Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento, ISCSP - Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Sociais e Pol&iacute;ticas, Lisboa, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1646-8872201200040000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    <!-- ref --><p>Naughton-Treves, L.; Holland, M.B.; Brandon, K. (2005) - The Role of Protected Areas in Conserving Biodiversity and Sustaining Local Livehoods. <i>Annual Review of Energy and the Environment</i>, 30:219–252. DOI: 10.1146/annurev.energy.30.050504.164507.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1646-8872201200040000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    <!-- ref --><p>Pedrini, A.G.; Maneschy, F.A.; Costa C.; Almeida, E.R.; Costa E.A. (2007) - Gest&atilde;o Ambiental em areas protegidas x estat&iacute;sticas de mergulho na Resex Marinha de Arraial do Cabo, RJ. <i>OLAM Ci&ecirc;ncia &amp; Tecnologia</i> (ISSN:      1519-8693), 7(2):269-294, Rio Claro, SP, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1646-8872201200040000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    <!-- ref --><p>Putnam, R.D.; Leonardi, E.; Nanetti R. (1994) - <i>Making Democracy Work: Civic Traditions in Modern Italy</i>. 280p., Princeton University Press, New Jersey, USA. ISBN: 9780691037387.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1646-8872201200040000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rodrigues, N.V.; Maranh&atilde;o P.; Oliveira, P.; Alberto J. (2008) - <i>Guia de esp&eacute;cies submarinas, Portugal – Berlengas</i>. 231p., Instituto Polit&eacute;cnico de Leiria, Leiria, Portugal. ISBN: 9789728793258.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1646-8872201200040000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 		    <!-- ref --><p>Samonte, G.; Karrer, L.; Orbach, M. (2010) - <i>People and Oceans: managing marine areas for human well-being</i>. 20p., Science and Knowledge Division, Conservation International, Arlington, Virginia, USA. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.conservation.org/Documents/CI_MMAS_Science-to-Action_People_and_Oceans.pdf" target="_blank">http://www.conservation.org/Documents/CI_MMAS_Science-to-Action_People_and_Oceans.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1646-8872201200040000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Santos, B.S.; Meneses, M.P.G.; Nunes, J.A. (2004) - Introdu&ccedil;&atilde;o: para ampliar o c&acirc;none da ci&ecirc;ncia: a diversidade epistemol&oacute;gica do mundo. In: B.S. Santos (Org.), <i>Semear Outras Solu&ccedil;&otilde;es – Os caminhos da Biodiversidade e dos Conhecimentos Rivais</i>, pp.19-101, Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento, Porto, Portugal. ISBN: 9788520006863.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1646-8872201200040000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 		    <!-- ref --><p>Souto, H. (1991) - <i>A pesca em Portugal no novo contexto comunit&aacute;rio: O caso de Peniche</i>. 213p., Trabalho de capacidade cient&Iacute;fica e pedag&oacute;gica, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1646-8872201200040000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 		    <!-- ref --><p>Souto, H. (2007) - Peniche: A epopeia de um porto de sardinha atrav&eacute;s da hist&oacute;ria de uma fam&iacute;lia. <i>Semin&aacute;rio Gest&atilde;o e Ordenamento das Actividades Litor&acirc;neas</i>, pp.147-159, Academia de Marinha, Lisboa, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1646-8872201200040000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 		    <!-- ref --><p>Vasconcelos, L.; Caser, U.; S&aacute;, R.; Coelho, M.; Silva, F.; Ferreira, J.C.; Pereira, M.J.R.; Gon&ccedil;alves, G.; Painho, M.; Oliveira, T.H.; Calbet, &Oacute;.V.; Costa, M.H.; Ramos, T.; Caeiro, S.; Marques, A.S.; Videira, N.; Cabral, P.; Bastos, M. (2011) - <i>Projecto MarGov: Govern&acirc;ncia colaborativa de &aacute;reas marinhas protegidas &amp; Cientistas Como Cidad&atilde;os e Cidad&atilde;os Como Cientistas. Relat&oacute;rio Final, Parte A</i>. 133p., IMAR - Instituto do Mar / DCEA / FCT / UNL, Caparica, Portugal. Dispon&iacute;vel em <a href="http://margov.isegi.unl.pt/filesFTP/docMARGov00679_PARTEA_Rel_MARGov_TOTAL_10_Jun_12.pdf" target="_blank">http://margov.isegi.unl.pt/filesFTP/docMARGov00679_PARTEA_Rel_MARGov_TOTAL_10_Jun_12.pdf</a>,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1646-8872201200040000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 	    <!-- ref --><p>Vasques R. O’R.; Couto E.C.G. (2011) - Percep&ccedil;&atilde;o dos Pescadores quanto ao estabelecimento do Per&iacute;odo de Defeso da Pesca de Arrasto para a Regi&atilde;o de Ilh&eacute;us (Bahia, Brasil). <i>Revista da Gest&atilde;o Costeira Integrada</i>, 11(4):479-485. DOI: 10.5894/rgci291.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1646-8872201200040000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a href="#top0">*</a> <a name="0"></a>Submission: February 15, 2011; Evaluation: March 20, 2011; Reception of revised manuscript: July 3, 2011; Accepted: July 10, 2011; Available on-line: July 23, 2012</p>      ]]></body><back>
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