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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mecanismos socioecológicos e práticas tradicionais de pesca na comunidade caiçara da Ilha Diana (Santos, Brasil) e suas transformações]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Aspects of resilience and sustainability in social-ecological systems to adapt to moments of crisis have been widely discussed in the scientific community. We chose to analyze the case of traditional caiçara community of Ilha Diana (Santos municipality, Brazil) that has been isolated of the commercial world until nowadays and now it passes through a considerable transformation due to the estuarine pollution, to the decline of artisanal fishery and to the expansion of the Santos’ industrial-port complex in this territory. In this paper we discuss which elements configure adaptability and resilience at Ilha Diana caiçara community, in order to promote sustainability in this social-ecological system. We focused this study in the identification of the aspects of caiçara culture, social mechanisms and the traditional practices of fishery resources management and their transformations. Through an ethnoecological approach, 20 inhabitants were interviewed (9% of the resident population), with ages between 18 and 90 years old and respecting the gender equity. One female expert answered an open interview about the history of the community, the history of the local fishing and about traditional fishery management practices. The others interviewees answered to a semi-structured questionnaire. Five of this interviewees, that declared itself currently fishermen (42% of the currently fishermen in Ilha Diana), also answered a questionnaire of traditional fishery management practices. Genuine aspects of caiçara culture were identified, mainly its social organization linked to fishery and the self-recognition of this culture, which endorse the traditional feature of this community as indicated by authors as Diegues (1983) ans Begossi et al. (1998). We also identified seven management practices based on the local ecological knowledge and four social mechanisms connected to those practices as proposed by Folke et al. (1998). Furthermore we identified three fishery innovations related to the geographical knowledge transmission and the loss of a sustainable fishery practice due to the imposition of vertical-descendent public policies. The changes in ecosystem induced by the economical development in Ilha Diana territory, as port expansion are making the inhabitants to abandon fishery and search new forms to obtain income, leading to the intergenerational loss of ecological knowledge and the loss of the social mechanisms linked to it - factor that can decrease resilience in this social-ecological system. However, the maintenance of come social mechanisms that can still be found, as their identity as caiçara, reciprocity, family relationship, religious tradition and the ability of re-organization before moments of crisis, can counterbalance to the negative aspects of changes and crisis, promoting the re-organization of the system. The ability of Ilha Diana inhabitants to interact with the commercial society and the flexibility of its interactions are elements that can increase the resilience in this social-ecological system.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p><b>Mecanismos socioecol&oacute;gicos e pr&aacute;ticas tradicionais de pesca na comunidade <i>cai&ccedil;ara</i> da Ilha Diana (Santos, Brasil) e suas transforma&ccedil;&otilde;es <a href="#0">*</a></b><a name="top0"></a></p> 	    <p><b>Socio-ecological mechanisms and traditional fishery practices at the Ilha Diana <i>cai&ccedil;ara</i> community (Santos, Brazil) and their transformations</b></p> 	    <p><b>Fernanda Terra Stori</b> <sup>@, 1</sup>,  <b>Nivaldo Nordi</b> <sup>1</sup>, <b>Denis Moledo de Souza Abessa</b> <sup>2</sup></p> 		    <p>@ - Corresponding author</p> 		    <p>1 - Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, S&atilde;o Carlos. Rodovia Washington Luiz, Km 235, Monjolinho, Caixa Postal 676, CEP 13.565-905, S&atilde;o Carlos-SP, Brasil. e-mails: Stori - <a href="mailto:feterra@terra.com.br">feterra@terra.com.br</a>; Nordi - <a href="mailto:nivaldo@ufscar.br">nivaldo@ufscar.br</a>.</p> 		    <p>2 - Universidade Estadual Paulista “J&uacute;lio de Mesquita Filho”. Campus Experimental do Litoral Paulista. Pra&ccedil;a Infante Dom Henrique, s/n. Parque Bitaru, S&atilde;o Vicente, SP, Brasil. e-mail: <a href="mailto:dmabessa@clp.unesp.br">dmabessa@clp.unesp.br</a></p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>RESUMO</b></p> 		    <p>Aspectos de resili&ecirc;ncia e sustentabilidade nos sistemas socioecol&oacute;gicos para adapta&ccedil;&atilde;o aos momentos de crise v&ecirc;m sendo amplamente discutidos na comunidade cient&iacute;fica. Escolhemos analisar o caso da comunidade <i>cai&ccedil;ara</i> da Ilha Diana (munic&iacute;pio de Santos, Brasil), que se manteve relativamente isolada do mundo comercial at&eacute; aos dias de hoje e agora passa por grandes transforma&ccedil;&otilde;es devido &agrave; polui&ccedil;&atilde;o estuarina, ao decl&iacute;nio da pesca artesanal e &agrave; expans&atilde;o do complexo industrial-portu&aacute;rio sobre seu territ&oacute;rio. Discutimos neste artigo quais os elementos que configuram adaptatividade e resili&ecirc;ncia na comunidade da Ilha Diana para que ela possa promover sustentabilidade neste sistema socioecol&oacute;gico. Concentramos este estudo na identifica&ccedil;&atilde;o qualitativa dos aspectos da cultura <i>cai&ccedil;ara</i>, mecanismos sociais e pr&aacute;ticas tradicionais de manejo dos recursos pesqueiros e suas transforma&ccedil;&otilde;es. Atrav&eacute;s de uma abordagem etnoecol&oacute;gica foram entrevistadas 20 pessoas (9% da popula&ccedil;&atilde;o residente), com idades variando de 18 a 90 anos, respeitando-se a equidade entre g&ecirc;neros. Uma entrevistada experiente respondeu a uma entrevista aberta sobre a hist&oacute;ria da comunidade, hist&oacute;ria da pesca e pr&aacute;ticas tradicionais de manejo pesqueiro. Os demais entrevistados responderam a question&aacute;rios semi-estruturados. Cinco entrevistados que se declararam pescadores ativos (42% dos pescadores ativos na Ilha Diana) tamb&eacute;m responderam a um question&aacute;rio sobre pr&aacute;ticas tradicionais de manejo pesqueiro. Foram identificados aspectos genu&iacute;nos da cultura <i>cai&ccedil;ara</i> no territ&oacute;rio da Ilha Diana, o principal deles &eacute; sua organiza&ccedil;&atilde;o social interligada &agrave; pesca e o auto-reconhecimento desta cultura, o que refor&ccedil;a o car&aacute;ter tradicional desta comunidade, conforme relatam autores como Diegues (1983) e Begossi <i>et al.</i> (1998). Identificamos sete pr&aacute;ticas de manejo baseadas no conhecimento ecol&oacute;gico local e quatro mecanismos sociais atrelados &agrave;s pr&aacute;ticas conforme preconizado por Folke <i>et al.</i> (1998). Ainda, foram identificadas tr&ecirc;s inova&ccedil;&otilde;es pesqueiras relacionadas &agrave; transfer&ecirc;ncia geogr&aacute;fica de conhecimento e a perda de uma pr&aacute;tica sustent&aacute;vel de pesca (cerco fixo) devido &agrave; imposi&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas vertical-descendentes. As transforma&ccedil;&otilde;es decorrentes do desenvolvimento econ&ocirc;mico no territ&oacute;rio da Ilha Diana, como a expans&atilde;o portu&aacute;ria, t&ecirc;m feito com que os habitantes da Ilha Diana abandonem a pesca e procurem novas formas de obter renda, ocasionando a perda intergeracional de conhecimento ecol&oacute;gico e dos mecanismos sociais atrelados – fato que poder&aacute; diminuir a resili&ecirc;ncia neste sistema socioecol&oacute;gico. Entretanto, mecanismos sociais ainda existentes como a identidade enquanto <i>cai&ccedil;aras</i>, reciprocidade, rela&ccedil;&otilde;es familiares, tradi&ccedil;&otilde;es religiosas e a habilidade na reorganiza&ccedil;&atilde;o diante de momentos de crise, poder&atilde;o contrabalan&ccedil;ar aspectos negativos do processo de mudan&ccedil;a e crise, promovendo a reorganiza&ccedil;&atilde;o do sistema. A habilidade dos habitantes da Ilha Diana em interagir com a da sociedade comercial e a flexibilidade de tais intera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o fatores que podem elevar a resili&ecirc;ncia deste sistema socioecol&oacute;gico.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> Ecologia Humana; Cultura, Expans&atilde;o Portu&aacute;ria, Resili&ecirc;ncia Socioecol&oacute;gica.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>ABSTRACT</b></p> 		    <p>Aspects of resilience and sustainability in social-ecological systems to adapt to moments of crisis have been widely discussed in the scientific community. We chose to analyze the case of traditional <i>cai&ccedil;ara</i> community of Ilha Diana (Santos municipality, Brazil) that has been isolated of the commercial world until nowadays and now it passes through a considerable transformation due to the estuarine pollution, to the decline of artisanal fishery and to the expansion of the Santos’ industrial-port complex in this territory. In this paper we discuss which elements configure adaptability and resilience at Ilha Diana <i>cai&ccedil;ara</i> community, in order to promote sustainability in this social-ecological system. We focused this study in the identification of the aspects of <i>cai&ccedil;ara</i> culture, social mechanisms and the traditional practices of fishery resources management and their transformations. Through an ethnoecological approach, 20 inhabitants were interviewed (9% of the resident population), with ages between 18 and 90 years old and respecting the gender equity. One female expert answered an open interview about the history of the community, the history of the local fishing and about traditional fishery management practices. The others interviewees answered to a semi-structured questionnaire. Five of this interviewees, that declared itself currently fishermen (42% of the currently fishermen in Ilha Diana), also answered a questionnaire of traditional fishery management practices. Genuine aspects of <i>cai&ccedil;ara</i> culture were identified, mainly its social organization linked to fishery and the self-recognition of this culture, which endorse the traditional feature of this community as indicated by authors as Diegues (1983) ans Begossi <i>et al.</i> (1998). We also identified seven management practices based on the local ecological knowledge and four social mechanisms connected to those practices as proposed by Folke <i>et al.</i> (1998). Furthermore we identified three fishery innovations related to the geographical knowledge transmission and the loss of a sustainable fishery practice due to the imposition of vertical-descendent public policies. The changes in ecosystem induced by the economical development in Ilha Diana territory, as port expansion are making the inhabitants to abandon fishery and search new forms to obtain income, leading to the intergenerational loss of ecological knowledge and the loss of the social mechanisms linked to it - factor that can decrease resilience in this social-ecological system. However, the maintenance of come social mechanisms that can still be found, as their identity as <i>cai&ccedil;ara</i>, reciprocity, family relationship, religious tradition and the ability of re-organization before moments of crisis, can counterbalance to the negative aspects of changes and crisis, promoting the re-organization of the system. The ability of Ilha Diana inhabitants to interact with the commercial society and the flexibility of its interactions are elements that can increase the resilience in this social-ecological system.</p> 	    <p><b>Keywords: </b>Human Ecology; Culture; Port expansion; Social-ecological Resilience.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 		    <p>O termo <i>cai&ccedil;ara</i> tem origem no voc&aacute;bulo tupi-guarani <i>ca&aacute;-i&ccedil;ara</i>, o homem do litoral (Sampaio, 1987 citado em Adams, 2000). Para estes povos, o termo era utilizado para denominar as estacas colocadas &agrave; volta das tabas ou aldeias e o curral feito de galhos de &aacute;rvores para cercar os peixes. Com o passar do tempo, passou a ser o nome dado &agrave;s palho&ccedil;as constru&iacute;das nas praias para abrigar as canoas e os petrechos de pesca. Mais tarde passou a ser utilizado para identificar o morador de Canan&eacute;ia e da&iacute; para todos os indiv&iacute;duos e comunidades do litoral dos estados do Paran&aacute;, S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro (Adams, 2000). As comunidades <i>cai&ccedil;aras</i> s&atilde;o formadas pela miscigena&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas, colonizadores portugueses e, em menor escala, de escravos africanos (Diegues, 1983).</p> 	    <p>A comunidade da Ilha Diana &eacute; uma dessas comunidades, reconhecida no munic&iacute;pio de Santos pela atividade pesqueira artesanal e manuten&ccedil;&atilde;o do modo de vida <i>cai&ccedil;ara</i>, por&eacute;m ainda sem o reconhecimento legal de seu territ&oacute;rio (Stori, 2010). Hoje, seus moradores est&atilde;o presenciando um novo desafio &agrave; sua tradi&ccedil;&atilde;o. Em 2006 um empreendimento portu&aacute;rio privado recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis - IBAMA - a Licen&ccedil;a de Instala&ccedil;&atilde;o para aterrar e construir em uma &aacute;rea de 803.000 m2 sobre o manguezal, territ&oacute;rio de pesca da comunidade da Ilha Diana. A implanta&ccedil;&atilde;o deste empreendimento portu&aacute;rio pode desestabilizar o patamar de sustentabilidade no sistema socioecol&oacute;gico desta comunidade <i>cai&ccedil;ara</i>. </p> 	    <p>Conforme publicado no documento Agenda 21 brasileira (Minist&eacute;rio do Meio Ambiente, 2002) programas de expans&atilde;o portu&aacute;ria s&atilde;o por si s&oacute;, a&ccedil;&otilde;es de grande impacto ambiental para a regi&atilde;o costeira. Essas obras t&ecirc;m como fun&ccedil;&atilde;o dotar os estados de infraestrutura necess&aacute;ria para a instala&ccedil;&atilde;o ou incremento de parques industriais, cujas atividades beneficiam a economia dos estados em uma escala macro. Por&eacute;m, os impactos econ&ocirc;micos, ecol&oacute;gicos e sociais desses empreendimentos na escala micro, ou seja, numa escala que inclui as popula&ccedil;&otilde;es tradicionais pesqueiras que habitam a zona costeira, deveriam ser tratados com muito mais interesse e import&acirc;ncia, ao considerar essas a&ccedil;&otilde;es por um prisma do desenvolvimento sustent&aacute;vel. </p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Considerando que a expans&atilde;o portu&aacute;ria, a polui&ccedil;&atilde;o do estu&aacute;rio e a supress&atilde;o dos manguezais, possam gerar grandes transforma&ccedil;&otilde;es nos territ&oacute;rios tradicionais de pesca, perguntamo-nos: quais elementos configuram adaptatividade e resili&ecirc;ncia na comunidade da Ilha Diana para que ela possa se adaptar &agrave;s iminentes transforma&ccedil;&otilde;es e promover sustentabilidade neste sistema socioecol&oacute;gico?</p> 		    <p>De modo a responder &agrave; quest&atilde;o postulada, este estudo objetivou: (1) A identifica&ccedil;&atilde;o dos aspectos da cultura <i>cai&ccedil;ara</i> que se fazem presentes na comunidade da Ilha Diana - aspectos relacionados &agrave; religi&atilde;o, ancestralidade, auto-reconhecimento como <i>cai&ccedil;aras</i>, rela&ccedil;&otilde;es familiares, organiza&ccedil;&atilde;o social; (2) A identifica&ccedil;&atilde;o de suas pr&aacute;ticas tradicionais de manejo baseadas no conhecimento tradicional sobre a pesca, e mecanismos sociais atrelados; e (3) A an&aacute;lise das transforma&ccedil;&otilde;es e adapta&ccedil;&otilde;es deste modo de vida e territ&oacute;rio ao longo do tempo. </p> 	    <p>Justificamos a import&acirc;ncia de proceder &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o dos aspectos socioecol&oacute;gicos e das pr&aacute;ticas tradicionais de manejo dos recursos naturais em comunidades tradicionais, a fim de fornecer subs&iacute;dios para discuss&otilde;es em resili&ecirc;ncia e sustentabilidade em sistemas socioecol&oacute;gicos. </p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>2. M&eacute;todo</b></p> 		    <p><b>2.1. &Aacute;rea de Estudo</b></p> 		    <p>A Ilha Diana localiza-se na outra margem do rio que a separa do terminal portu&aacute;rio em constru&ccedil;&atilde;o, entre as coordenadas geogr&aacute;ficas 23&deg;54’56.84’’ S. e 46&deg;18’30.13’’ O. Apesar do nome a tal ilha situada em &aacute;rea de manguezal se forma esporadicamente de acordo com a varia&ccedil;&atilde;o da mar&eacute; e est&aacute; delimitada pelo canal de Bertioga e o rio Diana estando o rio Sandi mais a oeste, rios sistema estuarino e de &aacute;reas alagadas da Baixada Santista. </p> 		    <p>A Ilha Diana possui cerca de 240 residentes e, de acordo com informa&ccedil;&otilde;es obtidas na comunidade, aproximadamente metade s&atilde;o crian&ccedil;as. As resid&ecirc;ncias localizam-se &agrave; beira do Rio Diana, um bra&ccedil;o do sistema estuarino e de &aacute;reas alagadas da Baixada Santista, onde predominam manguezais e florestas altas de restinga, ecossistemas inseridos no bioma Mata Atl&acirc;ntica. N&atilde;o h&aacute; estradas que levem &agrave; Ilha Diana, sendo que a vila isola-se do continente esporadicamente, conforme a amplitude das mar&eacute;s.</p> 		    <p>De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), que realiza o censo populacional no Brasil e disponibiliza as informa&ccedil;&otilde;es de cada cidade em seu portal electr&oacute;nico (IBGE Cidades@), o munic&iacute;pio de Santos possui aproximadamente 410 mil habitantes (IBGE, 2010), e se desenvolveu historicamente atrelado ao setor portu&aacute;rio.  De acordo com o resumo das movimenta&ccedil;&otilde;es de cargas no Porto de Santos [<a href="#3">3</a>]<a name="top3"></a> o Porto de Santos movimentou mais de 97 milh&otilde;es de toneladas no ano de 2011 e por ele passam 55% do PIB e 49% da produ&ccedil;&atilde;o nacional entre produtos agr&iacute;colas e industriais, como: &aacute;lcool, a&ccedil;&uacute;car, soja, fertilizantes, &oacute;leo diesel, sucos c&iacute;tricos, trigo, carne, caf&eacute;, sal e GLP (g&aacute;s liquefeito de petr&oacute;leo). De acordo com o ranking mundial de movimenta&ccedil;&atilde;o de cont&ecirc;ineres elaborado pela revista brit&acirc;nica <i>Conteinerisation Internacional</i>, o Porto de Santos ocupou o 30&ordm; lugar em 2011 com a movimenta&ccedil;&atilde;o de 2.985.922 Teus (unidade de medida equivalente a um cont&ecirc;iner de 20 p&eacute;s).</p> 	    <p>O crescimento da regi&atilde;o trouxe riquezas, mas gerou tamb&eacute;m diversos passivos ambientais, entre eles, destaca-se a polui&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas estuarinas, sedimentos e organismos aqu&aacute;ticos, provocada pela combina&ccedil;&atilde;o de fontes m&uacute;ltiplas, como o porto, as ind&uacute;strias, os lix&otilde;es e aterros industriais, esgotos, entre outros (Lamparelli <i>et al.</i>, 2001; Abessa    <i>et al.</i>, 2008). Para Afonso (1999), a Baixada Santista de fato se destaca como a &aacute;rea mais comprometida de toda a zona costeira paulista, com suas &aacute;guas, solo, ar e matas, contaminados pelas atividades industriais, portu&aacute;rias e pelo lan&ccedil;amento de efluente dom&eacute;stico n&atilde;o tratado. Outro problema hist&oacute;rico &eacute; a aus&ecirc;ncia de planejamento do uso do solo, que provocou a supress&atilde;o de extensas &aacute;reas de florestas de manguezais e restingas e permitiu a instala&ccedil;&atilde;o de empreendimentos portu&aacute;rios, aterros, desvios e assoreamento de canais estuarinos, al&eacute;m da invas&atilde;o de ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares (Lamparelli <i>et al.</i>, 2001; Tommasi, 1979; Afonso, 1999). </p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O terminal portu&aacute;rio em discuss&atilde;o est&aacute; sendo instalado sobre uma &aacute;rea de 803 mil metros quadrados de manguezal e restinga, classificada no Plano Diretor Municipal como Zona Portu&aacute;ria (Prefeitura Municipal de Santos, 1998). Espera-se que quando conclu&iacute;do, o terminal com 1100 m de extens&atilde;o, receba simultaneamente at&eacute; 8 navios e tenha capacidade para movimenta&ccedil;&atilde;o anual de 1,2 milh&atilde;o de contentores (ou cont&ecirc;ineres), 200 mil ve&iacute;culos, 2 milh&otilde;es de toneladas de gran&eacute;is s&oacute;lidos vegetais e at&eacute; 5 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos de gran&eacute;is l&iacute;quidos, principalmente &aacute;lcool. Estima-se a gera&ccedil;&atilde;o de cerca de mil empregos diretos e outros 1,1 mil indiretos (EMBRAPORT, 2003).</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a href="/img/revistas/rgci/v12n4/12n4a11f1.jpg" target="_blank">Figura 1</a></p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p><b>2.2. Considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas sobre a abordagem utilizada</b></p> 		    <p>De acordo com Diegues (1983) o modo de vida <i>cai&ccedil;ara</i> baseia-se nas estreitas rela&ccedil;&otilde;es familiares, tendo como base econ&ocirc;mica as atividades de pesca e o desenvolvimento de uma agricultura itinerante, al&eacute;m de atividades de extrativismo vegetal. Isolados dos grandes centros urbanos, os <i>cai&ccedil;aras</i> mantiveram suas tradi&ccedil;&otilde;es e costumes que incorporam um grande conhecimento dos recursos naturais locais. A partir da d&eacute;cada de 50, com a constru&ccedil;&atilde;o das primeiras rodovias interligando litoral e planalto, essas comunidades come&ccedil;aram a enfrentar as dificuldades para manuten&ccedil;&atilde;o de sua forma tradicional de vida (Diegues, 1983). De acordo com este autor, a economia <i>cai&ccedil;ara</i>, apesar de baseada na pequena produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias, possui caracter&iacute;sticas capitalistas.</p> 	    <p>A agricultura exerceu um papel importante entre os <i>cai&ccedil;aras</i> at&eacute; aproximadamente 1950, quando come&ccedil;ou a ser superada, enquanto fonte de renda pela pesca. O baixo pre&ccedil;o pago pela mandioca em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pesca explica essa mudan&ccedil;a econ&ocirc;mica (Diegues, 1983; Begossi <i>et al.</i>, 1998), sendo esta &uacute;ltima a principal fonte de renda de muitas comunidades <i>cai&ccedil;aras</i> do litoral. A mudan&ccedil;a de produtividade da agricultura para a pesca entre os <i>cai&ccedil;aras</i>, como resposta a press&otilde;es de mercado ocorridas na d&eacute;cada de 1950, aumentou suas chances de sobreviv&ecirc;ncia. Os indiv&iacute;duos que se envolveram em atividades pesqueiras, na maior parte artesanal, apresentaram um desempenho econ&ocirc;mico melhor e foram seguidos por outros membros da comunidade. </p> 	    <p>Para Begossi (1998), tanto os <i>cai&ccedil;aras</i> quanto os caboclos, est&atilde;o inseridos em sociedades neotradicionais ou sistemas neotradicionais de manejo de recursos. A autora define esse sistema como os que apresentam tanto elementos de sistemas tradicionais, como de sistemas recentes e emergentes e possuem diferentes graus de intera&ccedil;&atilde;o com a sociedade. Nesse contexto as popula&ccedil;&otilde;es neotradicionais s&atilde;o as que possuem tanto conhecimentos tradicionais quanto uma bagagem de novos conhecimentos provenientes de fora.</p> 	    <p>Os <i>cai&ccedil;aras</i> receberam especial aten&ccedil;&atilde;o quando da promulga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Nacional de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel dos Povos e Comunidades Tradicionais -PNPCT-, em fevereiro de 2007 (Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil, 2007), a qual tem por objetivo “promover o desenvolvimento sustent&aacute;vel dos Povos e Comunidades Tradicionais, com &ecirc;nfase no reconhecimento, fortalecimento e garantia dos seus direitos territoriais, sociais, ambientais, econ&ocirc;micos e culturais, com respeito e valoriza&ccedil;&atilde;o &agrave; sua identidade, suas formas de organiza&ccedil;&atilde;o e suas institui&ccedil;&otilde;es”.</p> 	    <p>De acordo com o Art. 3, Inciso I da PNPCT (Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil, 2007), “Povos e Comunidades Tradicionais” s&atilde;o “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas pr&oacute;prias de organiza&ccedil;&atilde;o social, que ocupam e usam territ&oacute;rios e recursos naturais como condi&ccedil;&atilde;o para sua reprodu&ccedil;&atilde;o cultural, social, religiosa, ancestral e econ&ocirc;mica, utilizando conhecimentos, inova&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas gerados e transmitidos pela tradi&ccedil;&atilde;o”.</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta Pol&iacute;tica define ainda que “Territ&oacute;rios Tradicionais” s&atilde;o “espa&ccedil;os necess&aacute;rios &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o cultural, social e econ&ocirc;mica dos povos e comunidades tradicionais, sejam eles utilizados de forma permanente ou tempor&aacute;ria”. Salientamos a import&acirc;ncia de assegurar o direito ao territ&oacute;rio &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es tradicionais como meio fundamental de conservar a cultura e citamos Rappaport (1982, <i>apud</i> Marques, 2001), que afirma que a cultura &eacute; o meio pelo qual as popula&ccedil;&otilde;es se mant&ecirc;m nos ecossistemas.</p> 	    <p>Begossi (1998) acredita que comportamentos culturais podem influenciar a resili&ecirc;ncia ecol&oacute;gica. H&aacute; o comportamento humano flex&iacute;vel, como o da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, e o comportamento conservador e refrat&aacute;rio, como em algumas comunidades tradicionais, fen&ocirc;meno denominado in&eacute;rcia cultural (Boyd &amp; Richerson, 1985 citado em Begossi, 1998). A in&eacute;rcia cultural pode deixar de ser &uacute;til ao ecossistema ou, ao contr&aacute;rio, contribuir para elevar a resili&ecirc;ncia do sistema socioecol&oacute;gico ao prevenir a sobrexplora&ccedil;&atilde;o de sistemas ou auxiliar na sua recupera&ccedil;&atilde;o (Begossi, 1998).</p> 		    <p>De acordo com Begossi (1998), a cultura <i>cai&ccedil;ara</i> se mostra menos adapt&aacute;vel &agrave;s novas situa&ccedil;&otilde;es quando comparada com a cultura dos caboclos amaz&ocirc;nicos (devido &agrave; grande diversidade de ecossistemas produtivos na floresta amaz&ocirc;nica). Begossi verificou em seu estudo que os <i>cai&ccedil;aras</i> sempre estiveram ligados ao sistema econ&ocirc;mico da regi&atilde;o e continuamente vem modificando suas estrat&eacute;gias adaptativas e comportamentos econ&ocirc;micos para sua sobreviv&ecirc;ncia, ao mesmo tempo que pequenas mudan&ccedil;as podem ser observadas no dia-a-dia. A autora acredita que a fronteira flex&iacute;vel dessas comunidades pode diminuir sua in&eacute;rcia cultural e torn&aacute;-las mais acess&iacute;veis a novos valores culturais, o que pode levar a adapta&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas culturais que auxiliem no incremento da resili&ecirc;ncia ecol&oacute;gica.</p> 	    <p>O termo resili&ecirc;ncia possui significados amplamente diferentes na literatura ecol&oacute;gica, por vezes relacionada ao conceito de estabilidade (Putman &amp; Wraten, 1984 &amp; Toft, 1986 <i>apud</i> Begossi, 1998). Para Gunderson e Holling (2000) resili&ecirc;ncia seria a capacidade de absorver os dist&uacute;rbios do ecossistema e ainda assim manter o sistema socioecol&oacute;gico &iacute;ntegro, um processo que compreende as fases de explora&ccedil;&atilde;o, conserva&ccedil;&atilde;o, libera&ccedil;&atilde;o (destrui&ccedil;&atilde;o criativa) e reorganiza&ccedil;&atilde;o (renova&ccedil;&atilde;o), acompanhado de adapta&ccedil;&otilde;es sociais nas comunidades envolvidas.</p> 	    <p>Debates em Ecologia Humana prop&otilde;em que a diversidade de pr&aacute;ticas de manejo dos recursos naturais baseadas no conhecimento ecol&oacute;gico local, e os mecanismos sociais por tr&aacute;s das pr&aacute;ticas, identificadas e organizadas, venham a auxiliar na constru&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia e sustentabilidade nos sistemas socioecol&oacute;gicos - gest&atilde;o conhecida como Manejo Adaptativo (Folke <i>et al.</i>, 1998; Berkes &amp; Folke, 1998; Gunderson &amp; Holling, 2000).</p> 		    <p>Folke <i>et al.</i> (1998) delinearam 13 pr&aacute;ticas de manejo baseadas no conhecimento ecol&oacute;gico local: (1) Monitoramento de mudan&ccedil;as no ecossistema e na abund&acirc;ncia de recursos; (2) Prote&ccedil;&atilde;o total de certas esp&eacute;cies; (3) Prote&ccedil;&atilde;o de est&aacute;gios vulner&aacute;veis na hist&oacute;ria de vida das esp&eacute;cies; (4) Prote&ccedil;&atilde;o de habitats espec&iacute;ficos; (5) Restri&ccedil;&otilde;es temporais de captura; (6) Manejo integrado de m&uacute;ltiplas esp&eacute;cies; (7) Rota&ccedil;&atilde;o de recursos; (8) Manejo sucessional; (9) Manejo de manchas de paisagem; (10) Manejo de Bacias; (11) Gest&atilde;o de processos ecol&oacute;gicos em escalas m&uacute;ltiplas; (12) Responder e manejar pulsos e surpresas; e (13) Nutrir fontes de renova&ccedil;&atilde;o. </p> 		    <p>Ainda, Folke <i>et al.</i> (1998) destacam quatro mecanismos sociais que devem existir detr&aacute;s das pr&aacute;ticas de manejo, para constru&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia. S&atilde;o eles: </p> 		    <p>(a) Gera&ccedil;&atilde;o, acumula&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o do conhecimento ecol&oacute;gico: Re-interpretar sinais de aprendizado; Reviver o conhecimento local; Transmissores de conhecimento/folclore; Integra&ccedil;&atilde;o de conhecimento; Transmiss&atilde;o de conhecimento intergeracional; Transfer&ecirc;ncias geogr&aacute;ficas de conhecimento; </p> 		    <p>(b) Estrutura e din&acirc;mica das institui&ccedil;&otilde;es: Diversidade de expertise/especialistas; Avalia&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria; Institui&ccedil;&otilde;es transescalares; Tabus e regula&ccedil;&otilde;es; San&ccedil;&otilde;es culturais e sociais; Mecanismos copiadores/ resposta em curto prazo &agrave;s surpresas; Habilidade de reorganizar sob circunst&acirc;ncias de mudan&ccedil;a; Institui&ccedil;&otilde;es incipientes; </p> 		    <p>(c) Mecanismos de internaliza&ccedil;&atilde;o cultural: Rituais, cerim&ocirc;nias e outras tradi&ccedil;&otilde;es; Codificar ou redigir como um anteprojeto;</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(d) Vis&atilde;o de mundo e valores culturais: Compartilhamento, generosidade, reciprocidade, redistribui&ccedil;&atilde;o, respeito, paci&ecirc;ncia, humildade.</p> 		    <p>Folke <i>et al.</i> (1998) ainda pensaram em sete princ&iacute;pios para que adaptatividade e resili&ecirc;ncia sejam constru&iacute;das em um sistema socioecol&oacute;gico:</p> 		<ul>               <li>Usar pr&aacute;ticas de manejo baseadas no conhecimento ecol&oacute;gico local;</li> 		      <li>Desenhar sistemas de manejo que “fluam com a natureza”;</li> 		      <li>Desenvolver conhecimento ecol&oacute;gico local para entender ciclos naturais e eventos imprevis&iacute;veis;</li> 		      <li>Aumentar mecanismos sociais para se construir resili&ecirc;ncia;</li> 		      <li>Promover condi&ccedil;&otilde;es para auto-organiza&ccedil;&atilde;o e aprendizado institucional;</li> 		      <li>Redescobrir o manejo adaptativo;</li> 		      <li>Desenvolver valores consistentes compat&iacute;veis sistemas socioecol&oacute;gicos resilientes e sustent&aacute;veis.</li>         </ul> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p><b>2.3. Procedimentos de coleta e an&aacute;lise de dados</b></p> 		    <p>Para a execu&ccedil;&atilde;o deste trabalho foram realizadas cerca de 70 visitas &agrave; &aacute;rea de estudo, entre 2006 e 2010. Ap&oacute;s um per&iacute;odo de aproxima&ccedil;&atilde;o com a comunidade e aceita&ccedil;&atilde;o da pesquisa por eles, foram aplicadas entrevistas semiestruturadas (Viertler, 2002) com 20 residentes jovens e adultos, entre os meses de agosto e outubro de 2008 (aproximadamente 9% da popula&ccedil;&atilde;o total, 17% da popula&ccedil;&atilde;o adulta da Ilha Diana), com base na informa&ccedil;&atilde;o de 240 residentes. S&oacute; n&atilde;o foi poss&iacute;vel majorar este n&uacute;mero devido &agrave; resist&ecirc;ncia de muitos residentes em contribuir com esta pesquisa ou &agrave; dificuldade de se encontrar alguns moradores durante o hor&aacute;rio comercial. Verificamos, entretanto, a constante repeti&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es nos resultados obtidos, o que nos leva a crer que o universo amostral foi satisfat&oacute;rio com a inten&ccedil;&atilde;o desta pesquisa em se realizar uma an&aacute;lise prioritariamente qualitativa. Quest&otilde;es fechadas foram, de maneira geral, utilizadas para o levantamento dos dados socioecon&ocirc;micos e quest&otilde;es abertas, principalmente, para analisar de forma qualitativa os aspectos socioecol&oacute;gicos da cultura <i>cai&ccedil;ara</i>, pr&aacute;ticas tradicionais de manejo dos recursos pesqueiros e as transforma&ccedil;&otilde;es neste territ&oacute;rio. </p> 		    <p>Para iniciar a investiga&ccedil;&atilde;o estabelecemos um quadro amostral pr&eacute;vio que foi dividido equitativamente entre g&ecirc;neros: 10 homens e 10 mulheres distribu&iacute;dos em tr&ecirc;s faixas et&aacute;rias pr&eacute;-estabelecidas: Classe I (entre 16 e 35 anos), Classe II (36 a 55 anos) e Classe III (mais de 56 anos) - conforme esquematizado na <a href="/img/revistas/rgci/v12n4/12n4a11t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>. Optou-se por entrevistar os indiv&iacute;duos a partir dos 16 anos, pois a partir desta idade j&aacute; &eacute; poss&iacute;vel ingressar no mercado de trabalho formal e, portanto, a partir desta idade os entrevistados j&aacute; poderiam opinar a respeito de seu futuro profissional. No entanto, a idade do entrevistado mais jovem foi de 18 anos. </p> 	     
<p>Do total de entrevistados, cinco pertenciam &agrave; Classe I, oito pertenciam    &agrave; Classe II e sete pertenciam &agrave; Classe III. A idade das mulheres    entrevistadas variou entre 18 a 90 anos e a dos homens variou entre 30 a 73    anos. </p> 		    <p>O entrevistado mais idoso foi a primeira moradora da Ilha Diana, com 90 anos, e com ela foi realizada uma entrevista aberta (Viertler, 2002) sobre as transforma&ccedil;&otilde;es da Ilha e quest&otilde;es da pesca. Esta entrevista foi registrada em gravador digital e teve a dura&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s horas.</p> 		    <p>Dos 20 entrevistados, apenas duas mulheres e tr&ecirc;s homens ainda exerciam atividade de pesca (25% dos entrevistados e 42% dos pescadores ativos na Ilha Diana). A estes foi aplicado um question&aacute;rio espec&iacute;fico que buscou informa&ccedil;&otilde;es qualitativas e quantitativas relacionadas &agrave; pesca a fim de investigar pr&aacute;ticas locais de manejo. </p> 		    <p>As entrevistas semiestruturadas n&atilde;o foram gravadas em &aacute;udio a pedido da comunidade, portanto foram registradas manualmente. As entrevistas duraram de uma a tr&ecirc;s horas. Para preservar o anonimato dos entrevistados, estes receberam apenas a primeira letra do nome, g&ecirc;nero e foi citada sua idade na &eacute;poca das entrevistas em 2008.</p> 		    <p>As transcri&ccedil;&otilde;es ao longo do texto foram selecionados de modo que pudessem melhor identificar os elementos investigados. N&atilde;o foi objetivo deste trabalho realizar uma an&aacute;lise quantitativa das pr&aacute;ticas e mecanismos identificados, pois considerando a complexidade do tema, uma an&aacute;lise desta natureza poderia subestimar resultados cuja singular ocorr&ecirc;ncia j&aacute; torna-se significativa em termos socioecol&oacute;gicos. </p> 		    <p>Deste modo, os aspectos da cultura <i>cai&ccedil;ara</i> relacionados &agrave; ancestralidade, auto-reconhecimento, rela&ccedil;&otilde;es familiares, religi&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o social, foram identificados de acordo com Diegues (1983), Begossi (1998) e Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil (2007). Pr&aacute;ticas de manejo pesqueiro baseadas no conhecimento ecol&oacute;gico tradicional (itens enumerados) e os mecanismos sociais atrelados a elas (identificados por letras) foram sistematizados de acordo com Folke <i>et al.</i> (1998), conforme item 2.2. As transforma&ccedil;&otilde;es na pesca foram identificadas e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias foram discutidas com base nos princ&iacute;pios de adaptatividade e resili&ecirc;ncia em sistemas socioecol&oacute;gicos propostos por Folke <i>et al.</i> (1998).</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p><b>3. Resultados</b></p> 		    <p>A comunidade da Ilha Diana foi formada a partir de quatro n&uacute;cleos familiares que na d&eacute;cada de 30 foram remanejados do Saco da Embira, na antiga Vila do Itapema e atual Base A&eacute;rea de Santos (Distrito de Vicente de Carvalho, Guaruj&aacute; - SP), para o local atual devido aos bons aspectos da pesca do estu&aacute;rio santista neste per&iacute;odo. Destaca-se a fala da moradora mais antiga da Ilha Diana, D, mulher, 90 anos, que nasceu no Saco da Embira e declarou habitar na Ilha Diana h&aacute; 60 anos, aonde chegou com seu marido, sua m&atilde;e e seu padrasto: “<i>Depois que vieram os moradores para c&aacute;... eu sou a primeira moradora da Ilha Diana. Uns j&aacute; nasceram na Ilha, outros velhos j&aacute; morreram. Eu tinha uma casa que foi da minha m&atilde;e, que a Base pagou... indenizou todas as pessoas da Ilha, mesmo com a casa caindo em cima das pessoas...</i>”. </p> 		    <p>M, homem, 73 anos, conta por que a pesca foi o motivo que o levou a morar na Ilha Diana: “<i>Tenho 73 anos de Rio Diana, me criei na outra margem do rio com meu tio e minha av&oacute;</i> (local ocupado hoje pela empresa portu&aacute;ria). <i>Na Ilha mesmo, moro h&aacute; uns 40 anos ... Pro meu ramo de trabalho, aqui &eacute; bom, porque pode deixar a embarca&ccedil;&atilde;o a&iacute;. Em outro lugar n&atilde;o, n&atilde;o pode deixar a rede porque pegam... a&iacute; &eacute; mais tranquilo. &Eacute; calmo, n&atilde;o h&aacute; desconfian&ccedil;a um do outro, tudo &eacute; fam&iacute;lia, parente, e os que entraram tamb&eacute;m fizeram amizade</i>”. Destaca-se nesta transcri&ccedil;&atilde;o a organiza&ccedil;&atilde;o social da pesca, as rela&ccedil;&otilde;es de parentesco, respeito e reciprocidade, fatores tidos como importantes mecanismos sociais de vis&atilde;o de mundo e valores culturais (Mecanismo <i>d</i> do item 2.2) e tidos como caracter&iacute;sticos das comunidades <i>cai&ccedil;aras</i>. </p> 	    <p>Na Ilha Diana, o seu relativo isolamento geogr&aacute;fico perdurou at&eacute; a d&eacute;cada de 1980, quando foi iniciado o servi&ccedil;o de balsas que facilitou o acesso ao centro de Santos e Vicente de Carvalho (com tempo de travessia em 20 e 10 minutos respetivamente). Os habitantes, de maneira geral, movimentam-se diariamente a estes dois centros urbanos para executar tarefas rotineiras, como ir ao trabalho, bancos, compras, m&eacute;dicos e farm&aacute;cias. </p> 		    <p>Dos 20 entrevistados, apenas quatro n&atilde;o eram nativos da Ilha Diana (uma mulher e tr&ecirc;s homens), sendo que dois deles eram de outras cidades costeiras do litoral de S&atilde;o Paulo e os demais de outros estados brasileiros. Os quatro permaneceram residindo na Ilha Diana por estarem casados com moradores nativos. De acordo com Diegues (1983), muitas regras e pr&aacute;ticas da cultura <i>cai&ccedil;ara</i> s&atilde;o baseadas em rela&ccedil;&otilde;es de parentesco. A aceita&ccedil;&atilde;o de pessoas n&atilde;o nativas apenas mediante o casamento com um nativo, como verificado com os resultados obtidos, &eacute; um forte mecanismo de exclus&atilde;o de agentes externos, fator tido como um importante subs&iacute;dio &agrave; resili&ecirc;ncia socioecol&oacute;gica. Segundo Folke <i>et al.</i> (1998) a exclus&atilde;o de demais usu&aacute;rios &eacute; uma mecanismo que versa sobre as san&ccedil;&otilde;es culturais e sociais inerentes &agrave; estrutura e din&acirc;mica das institui&ccedil;&otilde;es (Mecanismo <i>b</i> do item 2.2) e que favorece a resili&ecirc;ncia.</p> 	    <p>Dez entrevistados declararam que o pai trabalhara como pescador e oito declararam que a m&atilde;e fora pescadora. Dentre estes, sete possu&iacute;am ambos, pai e m&atilde;e, pescadores. Relataram ter aprendido a pesca com os pais, tios e av&oacute;s, o que refor&ccedil;a a proximidade entre as rela&ccedil;&otilde;es familiares e a pesca nesta comunidade. Verifica-se a ocorr&ecirc;ncia do mecanismo social de gera&ccedil;&atilde;o, acumula&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o do conhecimento ecol&oacute;gico (Mecanismo <i>a</i> do item 2.2) relativo &agrave; pesca, atrav&eacute;s das gera&ccedil;&otilde;es.</p> 		    <p>Quando questionados sobre sua ancestralidade, oito entrevistados declararam de forma espont&acirc;nea ser descendentes de <i>cai&ccedil;aras</i>. Tamb&eacute;m foi mencionada a ascend&ecirc;ncia italiana (7 cita&ccedil;&otilde;es), portuguesa (4 cita&ccedil;&otilde;es), ind&iacute;gena (3 cita&ccedil;&otilde;es), entre outras. Ao fazer a mesma quest&atilde;o de forma induzida, 18 entrevistados responderam que se consideravam <i>cai&ccedil;aras</i>. A comunidade toma um passo importante para o reconhecimento de seu territ&oacute;rio quando se autodeclara <i>cai&ccedil;ara</i>. Este auto-reconhecimento atende aos pressupostos da PNPCT (Decreto Federal N&ordm; 6.040), o que refor&ccedil;a a car&aacute;ter tradicional desta comunidade e a necessidade da garantia deste territ&oacute;rio como condi&ccedil;&atilde;o para manuten&ccedil;&atilde;o desta cultura no sistema. </p> 	    <p>Como caracter&iacute;sticas da cultura <i>cai&ccedil;ara</i>, os entrevistados consideram que: o povo <i>cai&ccedil;ara</i> &eacute; aquele que vive no mar e do mar, dependem da pesca, h&aacute; forte uni&atilde;o familiar, possuem costumes, tradi&ccedil;&otilde;es e modos de vida pr&oacute;prios: “<i>A vida cai&ccedil;ara &eacute; seguir o ritmo dos parentes, aquele modo de vida, os mesmos costumes, a rela&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; dividir a comida</i>” (E, mulher, 30 anos). Tal afirma&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;a as rela&ccedil;&otilde;es de parentesco, respeito e reciprocidade (Mecanismo <i>d</i> do item 2.2) da cultura <i>cai&ccedil;ara</i>. </p> 	    <p>Ainda com rela&ccedil;&atilde;o ao Mecanismo <i>d</i> do item 2.2, novamente destaca-se a vis&atilde;o de mundo e os valores culturais presentes na fala de A., homem, 63 anos, natural de Iguape-SP, um dos entrevistados cujos pais possu&iacute;am forte liga&ccedil;&atilde;o com a agricultura, atividade tipicamente <i>cai&ccedil;ara</i> de acordo com Diegues (1983), por&eacute;m invi&aacute;vel na Ilha Diana, devido &agrave; sua localiza&ccedil;&atilde;o sobre o manguezal: “<i>Me considero cai&ccedil;ara porque nasci em Iguape. Cai&ccedil;ara l&aacute; e aqui. Porque t&aacute; na beira de mar, todo mundo que nasce na beira do mar &eacute; cai&ccedil;ara... em S&atilde;o Sebasti&atilde;o... &Eacute; p&atilde;o, com banana, com farinha... Cai&ccedil;ara &eacute; o seguinte, porque mora na beira do mar, gosta de pescaria, de comer peixe, em fim de est&oacute;ria, &eacute; tudo, &eacute; a coisa melhor da vida &eacute; ser cai&ccedil;ara. Se voc&ecirc; estica a rede pega peixe, tarrafa pega camar&atilde;o, pega tamb&eacute;m tainha, qualquer tipo de peixe. Pesquei, criei meus filhos &agrave; custa de pescaria, tudo &agrave; custa de crust&aacute;ceo, camar&atilde;o, ostra, caranguejo, marisco. Parei de pescar porque a pescaria n&atilde;o d&aacute; mundo. Pesquei um ano em parelha com arrast&atilde;o em barco de pesca, ficava duas semanas, peguei trovoada, tudo... &Eacute; uma vida triste, uma vida muito sofrida a do pescador ... Comecei a pescar em Iguape, tainha de rede, na &aacute;gua doce pescava tra&iacute;ra, pitu, cascudo, manjuba. Comecei a pescar porque precisava... n&atilde;o tive inf&acirc;ncia, eu tenho minha intelig&ecirc;ncia que Deus me deu...</i>” Percebe-se sentimentos antag&ocirc;nicos na fala do entrevistado, onde a vida <i>cai&ccedil;ara</i> &eacute; tanto percebida de modo positivo, quanto com aspectos de adversidades inerentes &agrave; atividade pesqueira - incerta, arriscada, imprevis&iacute;vel - dicotomia amplamente descrita por Maldonado (1986).</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De Iguape veio a tradi&ccedil;&atilde;o de cultuar o Bom Jesus e h&aacute; na comunidade uma capela em homenagem ao Santo, que h&aacute; oito anos teve seu nome adaptado para “Bom Jesus da Ilha Diana”. Seu dia &eacute; comemorado em 6 de agosto com uma grande festa existente h&aacute; 54 anos. Atualmente a organiza&ccedil;&atilde;o da festa est&aacute; a cargo da Associa&ccedil;&atilde;o de Melhoramentos da Ilha Diana (&uacute;nica organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental comunit&aacute;ria existente), que recebe apoio da Prefeitura de Santos e do novo empreendimento portu&aacute;rio.</p> 		    <p>Ao question&aacute;-los sobre o significado das comemora&ccedil;&otilde;es do dia do Bom Jesus, os entrevistados explicam que este dia representa f&eacute;, tradi&ccedil;&atilde;o, agradecimento pela pescaria e um momento de uni&atilde;o da comunidade. Tamb&eacute;m foi mencionado que a festa traz aumento do n&uacute;mero de visitantes, renda extra e uma mudan&ccedil;a na pacata rotina. Alguns entrevistados demonstraram-se preocupados com a mudan&ccedil;a de foco nesta tradi&ccedil;&atilde;o – lamentam que a f&eacute; existente na missa e na prociss&atilde;o de barco vem sendo substitu&iacute;da pelo foco comercial da festa e que h&aacute; dois anos n&atilde;o ocorre a prociss&atilde;o de barco: “<i>A festa era para ser comemorada no dia do Bom Jesus, que &eacute; dia 6 de agosto, sem ter que ter rendimento. Tinha que ser no dia, sem pensar no rendimento. A gente pede muita ajuda para Ele, que os cai&ccedil;aras pede, representa fartura. Pra gente que vive da pescaria, porque a gente pede ajuda para pescaria, para tudo!</i>” (N, homem, 43 anos). Mecanismos de internaliza&ccedil;&atilde;o cultural como rituais, cerim&ocirc;nias e outras tradi&ccedil;&otilde;es (Mecanismo <i>c</i> do item 2.2) s&atilde;o mecanismos sociais que auxiliam na constru&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia, por&eacute;m verifica-se que a perpetua&ccedil;&atilde;o deste mecanismo na Ilha Diana vem sofrendo influ&ecirc;ncia do mundo comercial e afetando a transmiss&atilde;o intergeracional do mesmo (Mecanismo <i>a</i> do item 2.2).</p> 	    <p>H&aacute; tamb&eacute;m um grupo de mulheres esp&iacute;ritas que se envolvem intimamente na organiza&ccedil;&atilde;o da Ilha Diana, nas reivindica&ccedil;&otilde;es junto ao porto privado, na gest&atilde;o da escola e na organiza&ccedil;&atilde;o das festas locais, inclusive na festa cat&oacute;lica do Bom Jesus do Iguape. Verifica-se, portanto, uma rela&ccedil;&atilde;o harmoniosa entre religi&otilde;es, fator de adaptatividade que possibilita a continuidade da tradi&ccedil;&atilde;o <i>cai&ccedil;ara</i>, oposto do que Begossi (1998) encontrou para a influ&ecirc;ncia da religi&atilde;o evang&eacute;lica na religi&atilde;o cat&oacute;lica dos <i>cai&ccedil;aras</i>.</p> 	    <p>Apesar de existir a Associa&ccedil;&atilde;o de Melhoramentos da Ilha Diana, esta se encontra desestruturada e desorganizada, fato que poder&aacute; enfraquecer os mecanismos de resili&ecirc;ncia. Em estudo quantitativo realizado com 59 residentes, Stori <i>et al.</i> (2007) verificaram que 44% dos entrevistados participavam da Associa&ccedil;&atilde;o de Melhoramentos, e 78% disseram ter interesse em discutir assuntos importantes para a Ilha Diana. De acordo com Begossi (1998), os <i>cai&ccedil;aras</i> aparentemente n&atilde;o s&atilde;o politicamente organizados, ou apresentam organiza&ccedil;&otilde;es recentemente desenvolvidas, diferentemente dos caboclos que s&atilde;o extremamente bem organizados e tem o desejo de defender seu modo de vida atrav&eacute;s da implanta&ccedil;&atilde;o de reservas extrativistas, o que seria mais sustent&aacute;vel: “Os <i>cai&ccedil;aras</i>, devido &agrave; aus&ecirc;ncia de organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas genu&iacute;nas, e os cablocos, com suas celebradas organiza&ccedil;&otilde;es de seringueiros, mostram dois padr&otilde;es muito distintos de respostas a amea&ccedil;as aos seus recursos naturais”. Begossi (1998) defende o fortalecimento institucional dos <i>cai&ccedil;aras</i> relativo ao manejo de recursos naturais para aumentar resili&ecirc;ncia no sistema socioecol&oacute;gico e acredita que a participa&ccedil;&atilde;o em institui&ccedil;&otilde;es pode incluir mecanismos voltados &agrave; efici&ecirc;ncia, estabilidade, resili&ecirc;ncia e equidade. </p> 	    <p>&Eacute; fato que a conviv&ecirc;ncia neste pequeno territ&oacute;rio nem sempre &eacute; harmoniosa. A entrada do porto privado na vida desta comunidade tamb&eacute;m trouxe conflitos e desconfian&ccedil;a entre os residentes e vem causando um forte sentimento de inseguran&ccedil;a aos habitantes da Ilha Diana: <i>“... agora t&aacute; levantado, pescador nenhum pode pescar! Agora essa “Empresa Portu&aacute;ria” quer fazer aqui na frente da nossa Ilha uns tanques. Querem fazer a&iacute;, n&oacute;s n&atilde;o vamos deixar, vai ter uma grande reuni&atilde;o dia 22, por isso que eu estou tratando da Ilha, porque eu sou a primeira que tem que estar l&aacute; no centro comunit&aacute;rio</i> (reuni&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o)<i>, porque sen&atilde;o a “Empresa Portu&aacute;ria” vai tomar nossa Ilha</i>” (D, mulher, 90 anos). Os debates comunit&aacute;rios sobre a implanta&ccedil;&atilde;o do terminal portu&aacute;rio v&ecirc;m promovendo uma habilidade da comunidade da Ilha Diana em se reorganizar sob esta circunst&acirc;ncia de crise e pode promover o fortalecimento da institui&ccedil;&atilde;o incipiente existente - a Associa&ccedil;&atilde;o de Melhoramentos da Ilha Diana - (Mecanismo <i>b</i> do item 2.2), este mecanismo social auxilia na constru&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia.</p> 	    <p>A pesca na Ilha Diana &eacute; desempenhada de forma artesanal, com pequenos barcos de madeira ou alum&iacute;nio e utilizam motor de popa. Foram obtidos relatos descrevendo a manufatura das redes, as artes de pesca, a prepara&ccedil;&atilde;o da isca, as esp&eacute;cies mais capturadas, seus h&aacute;bitos alimentares e comportamentais. </p> 		    <p>A pesca &eacute; realizada em diversos afluentes do sistema estuarino de Santos, bem como no canal principal do porto. Fato preocupante &eacute; que muitos desses locais onde ocorre a pesca s&atilde;o &aacute;reas historicamente contaminadas como o Porto da Alemoa, o Canal da Cosipa e a regi&atilde;o do terminal portu&aacute;rio de Barnab&eacute;-Bagres (Lamparelli <i>et al.</i>, 2001; Abessa, 2008). Para Lamparelli et.al. (2001) o sedimento &eacute; uma das principais formas de exposi&ccedil;&atilde;o da biota aqu&aacute;tica aos poluentes provocando efeitos t&oacute;xicos e/ou bioacumula&ccedil;&atilde;o. De acordo com este relat&oacute;rio, alguns compostos encontrados nos sedimentos da regi&atilde;o da Baixada Santista est&atilde;o, muitas vezes, acima das concentra&ccedil;&otilde;es que podem causar efeitos t&oacute;xicos aos organismos aqu&aacute;ticos, (c&aacute;dmio, chumbo, cobre, merc&uacute;rio, n&iacute;quel, zinco), e alguns compostos se encontram acima do limite que provoca efeitos severos, como os hidrocarbonetos poliarom&aacute;ticos (PAH) e diversas formas de hexaclorobenzeno (BHC), em especial, alfa, delta e gama-BHC. O relat&oacute;rio ainda apontou para uma redu&ccedil;&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o nos organismos avaliados (peixes, crust&aacute;ceos e moluscos), em rela&ccedil;&atilde;o aos resultados de estudos anteriores para alguns metais (c&aacute;dmio, chumbo, merc&uacute;rio), e alguns compostos org&acirc;nicos. Alguns grupos de contaminantes, como bifenilas policloradas (PCB), PAHs, dioxinas e furanos, que ainda n&atilde;o haviam sido estudados pela Companhia Ambiental do Estado de S&atilde;o Paulo (CETESB) em organismos aqu&aacute;ticos da regi&atilde;o, apresentaram bioacumula&ccedil;&atilde;o na biota analisada.</p> 		    <p>Destaca-se a capacidade de monitoramento de mudan&ccedil;as no ecossistema por outro entrevistado (pr&aacute;tica de manejo n&uacute;mero 1 do item 2.2), que percebe que a polui&ccedil;&atilde;o no estu&aacute;rio santista diminuiu devido &agrave;s novas t&eacute;cnicas de resposta a acidentes ambientais: “<i>Antigamente ca&iacute;a muito &oacute;leo no mar, hoje a CETESB t&aacute; muito em cima, p&otilde;e a barreira de prote&ccedil;&atilde;o de &oacute;leo quando d&aacute; vazamento. Hoje t&aacute; cheio de marisco onde nunca criou marisco</i>” (W, homem, 63 anos). De acordo com Lamparelli <i>et al.</i>(2001) de fato houve uma redu&ccedil;&atilde;o na emiss&atilde;o de poluentes industriais de Cubat&atilde;o no sistema h&iacute;drico adjacente entre ao anos de 1984 e 1994 em 93% para a carga org&acirc;nica (de 22.678 para 1.547 ton/ano), em 97% para metais pesados (de 1.467 para 44 ton/ano), em 92% para fluoretos (de 1.276 para 100 ton/ano), em 78% para fen&oacute;is (de 27 para 6 ton/ano) e em 90% para res&iacute;duos sediment&aacute;veis (de 216 para 22 ton/ano), devido ao “Programa de Recupera&ccedil;&atilde;o da Qualidade Ambiental de Cubat&atilde;o” levado a cabo pela CETESB.</p> 	    <p>As principais esp&eacute;cies pescadas na Ilha Diana s&atilde;o robalo (<i>Centropomus undecimalis</i> e <i>Centropomus parallelus</i>), tainha (<i>Mugil liza</i>), parati (<i>Mugil curema</i>), carapeba (<i>Diapterus rhombeus</i>), bagre (<i>Genidens genidens</i>), camar&atilde;o branco (<i>Litopenaeus schmitti</i>), caranguejo (<i>Ucides cordata</i>), siri (<i>Callinectes danae</i>), marisco (<i>Mytella guyanensis</i> e <i>Mytella falcata</i>) e ostra do mangue (importante fonte de renda para as mulheres) – tal fato demonstra que &eacute; pr&aacute;tica neste territ&oacute;rio o manejo integrado de m&uacute;ltiplas esp&eacute;cies (Pr&aacute;tica de manejo n&uacute;mero 6 do item 2.2). De acordo com Stori <i>et al.</i> (2007), 42% dos 59 entrevistados declararam a pesca como fonte de renda principal ou secund&aacute;ria.</p> 	    <p>Com rela&ccedil;&atilde;o aos produtos da pesca os entrevistados contam que os destinam para a venda e alimenta&ccedil;&atilde;o de sua fam&iacute;lia: “<i>Como e vendo para Santos, Perequ&ecirc;</i> (Guaruj&aacute;)<i>... Meu filho j&aacute; pescou robalo </i>(3 unidades de 50 kg) <i>debaixo do p&iacute;er da Alemoa... Quando d&aacute; muito robalo, a gente liga pra l&aacute;, 500 kg eles ficam, para levar para S&atilde;o Paulo para fazer sashimi</i>” (W, homem, 63 anos). Em estudo pr&eacute;vio realizado com 59 residentes, Stori <i>et al.</i> (2007b) encontraram que 95% dos entrevistados relataram consumir peixes do estu&aacute;rio, sendo que 10% deles comem todo dia e 48% comem pescados entre um e cinco dias na semana.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com rela&ccedil;&atilde;o ao monitoramento de mudan&ccedil;as no ecossistema e na abund&acirc;ncia de recursos (Pr&aacute;tica 1 do item 2.2), registamos transcri&ccedil;&otilde;es que demonstram:</p> 		    <blockquote> 		      <p>- Monitoramento com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s melhores condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas para a pesca e o comportamento dos peixes: “<i>A diferen&ccedil;azinha que quando a &aacute;gua fica escura, &aacute;gua de chuva, &eacute; mais f&aacute;cil, porque ele n&atilde;o enxerga muito a rede, &aacute;gua clara dificulta mais porque o peixe enxerga mais a rede. O peixe tem vis&atilde;o, na &aacute;gua de chuva &eacute; mais certeza de pegar mais peixe do que com &aacute;gua clara. Quem j&aacute; est&aacute; calejado de pescar, j&aacute; sabe um pouquinho, n&eacute;?</i>” (M, homem, 73 anos).</p> 		      <p>- Monitoramento referente &agrave; biologia reprodutiva dos pescados, como exemplificado por este relato sobre o camar&atilde;o, associado &agrave; &eacute;poca do ano e &agrave; cor da &aacute;gua: “<i>&Eacute; peixe que vai criando aqui mesmo, camar&atilde;o, tainhota, camar&atilde;o branco que pega a&iacute; fora, &eacute; tudo daqui. N&atilde;o tem press&atilde;o de &aacute;gua (profundidade) pra eles se criar, crescer. De 15 de dezembro em diante a &aacute;gua fica amarela, j&aacute; muda de cor, come&ccedil;a a aparecer camar&atilde;ozinho com 15 a 20 dias, com 1 m&ecirc;s ele j&aacute; fica bom, j&aacute; n&atilde;o t&aacute; t&atilde;o profundo, at&eacute; pegar a boca da barra e ir embora</i>” (W, homem, 63 anos).</p> 		      <p>- Conhecimento sobre a arte de pesca a ser utilizada, a qual &eacute; escolhida de acordo com a hora do dia e da mar&eacute;. Nota-se tamb&eacute;m monitoramento sobre o h&aacute;bito alimentar da esp&eacute;cie relatada: “<i>O camar&atilde;o de engodo &eacute; &agrave; noite e o geriv&aacute; e o de tarrafa &eacute; de dia. Porque de dia ele fica mais no fund&atilde;o, porque &eacute; mais escuro e de noite ele vai procurar comida na costeira</i>” (M, homem, 73 anos). </p>     </blockquote> 	    <p>A cita&ccedil;&atilde;o seguinte retrata o monitoramento da mudan&ccedil;a nos estoques de camar&atilde;o pela entrevistada (Pr&aacute;tica 1), faz refer&ecirc;ncia &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de est&aacute;gios vulner&aacute;veis na hist&oacute;ria de vida das esp&eacute;cies (Pr&aacute;tica 3) e &agrave; restri&ccedil;&otilde;es temporais de captura (Pr&aacute;tica 5): “<i>Enfraqueceu depois que apareceu o geriv&aacute; e as tarrafa mi&uacute;da, faz mais de 3 anos que apareceu. Vem tudo ali! Depois disso, pra c&aacute;... eu que n&atilde;o quero que essas crian&ccedil;as vai pescar. Se continuar assim, no futuro acaba tudo. Principalmente para quem pega camar&atilde;o vivo. A n&atilde;o ser que eles comecem a proibir a pesca... aqui n&atilde;o tem proibi&ccedil;&atilde;o ... Devia proibir a pesca do camar&atilde;o para os bichinho crescer pelo menos uns 3 meses. Eles que sabem mais (os homens), a gente n&atilde;o sabe o tempo da cria. S&oacute; sei que um ano d&aacute; e s&oacute; vai dar o ano que vem. Cada ano d&aacute; menos</i>”. (A, mulher, 56 anos).</p> 	    <p>Para o caranguejo outro entrevistado tamb&eacute;m demonstrou conhecimento acerca dos ciclos reprodutivos, do monitoramento da abund&acirc;ncia deste recurso e se mostrou favor&aacute;vel &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de determinado est&aacute;gio de vida desta esp&eacute;cie (Pr&aacute;ticas 1 e 5): “<i>Um dia depois da Lua Nova &eacute; quando eles come&ccedil;am a sair, a&iacute; anda dois, tr&ecirc;s dias, depois s&oacute; na outra Lua. Andam duas, tr&ecirc;s luas a&iacute; s&oacute; depois noutro ano. A&iacute; s&oacute; no bra&ccedil;o... A&iacute; isso n&atilde;o &eacute; vida pra mim... Tem bastante, andou sumindo, mas depois veio o defeso e apareceu muito mais. Faz 8 a 10 anos que tem o defeso... Concordo com o defeso, n&atilde;o atrapalha em nada, vendo bastante no Natal e Ano Novo</i>” (W, homem, 63 anos).</p> 	    <p>Tamb&eacute;m foram constatadas pr&aacute;ticas de rota&ccedil;&atilde;o de recursos e de manejo sucessional (Pr&aacute;ticas de manejo 7 e 8 do item 2.2), exemplificada pela transcri&ccedil;&atilde;o seguinte, na qual o pescador utiliza seus conhecimentos para a escolha do local e estabelece medidas de manejo que possibilitem a recupera&ccedil;&atilde;o do estoque. “<i>O programa j&aacute; faz 1 dia antes. Voc&ecirc; pesca um dia num lugar, noutro dia vai noutro lugar para descansar o lugar que voc&ecirc; pescou antes</i>” (M, homem, 73 anos). </p> 	    <p>Os pescadores declararam que n&atilde;o h&aacute; regras entre eles e que a pesca no estu&aacute;rio &eacute; de livre acesso: “<i>Regra n&atilde;o tem, mas quem vai primeiro leva vantagem. Porque pega o camar&atilde;o sossegadinho e quem vem atr&aacute;s pega menos, &eacute; que nem na feira</i>” (N, homem, 43 anos). Neste sentido, regras locais para a exclus&atilde;o de agentes externos aos locais de pesca e sistemas de gest&atilde;o compartilhada com os demais usu&aacute;rios do estu&aacute;rio n&atilde;o foram observados. Apenas foi constatada a competi&ccedil;&atilde;o para encontrar o recurso antes que qualquer outro pescador do estu&aacute;rio. A falta deste mecanismo social na pesca (Mecanismo <i>b</i> do item 2.2) que versa sobre as san&ccedil;&otilde;es culturais e sociais inerentes &agrave; estrutura e din&acirc;mica das institui&ccedil;&otilde;es enfraquece a resili&ecirc;ncia.</p> 	    <p>Ainda com rela&ccedil;&atilde;o ao mecanismo social a proposto por Folke et. al. (1998), foram encontradas na Ilha Diana tr&ecirc;s inova&ccedil;&otilde;es relacionadas a transfer&ecirc;ncias geogr&aacute;ficas de conhecimento. A primeira inova&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o da “tarrafa italiana”, a segunda relacionada &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o do petrecho “gancho” e a terceira com a introdu&ccedil;&atilde;o do petrecho “gerival”.</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>D., mulher, 90 anos, conta que al&eacute;m da tarrafa tradicional, ela tamb&eacute;m manufaturava a tarrafa tipo italiana: “<i>Eu era a fazedeira da rede. Eu que fazia a rede para despescar! Aquilo quando jogava cobria tudo... era uma coisa linda. Agora tudo &eacute; feito de f&aacute;brica, n&eacute;? Eu fazia cada tarrafa linda, &agrave; moda italiana, assim &oacute;...</i>”. Em comunica&ccedil;&atilde;o pessoal com o professor Diegues, ele disse desconhecer este tipo de tarrafa, fato que refor&ccedil;a a peculiaridade na coloniza&ccedil;&atilde;o da Ilha Diana e a influ&ecirc;ncia destes imigrantes nesta cultura.</p> 	    <p>Destacamos a seguinte transcri&ccedil;&atilde;o para exemplificar a segunda inova&ccedil;&atilde;o, relacionada &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o do “gancho” para a coleta de marisco no mangue, na d&eacute;cada de 90: “<i>Marisco tem dois jeitos, com o dedo e com o ganchinho tamb&eacute;m, a&iacute; n&atilde;o machuca o dedo. Pra te falar a verdade, quem trouxe o ganchinho pra c&aacute; foi o nordestino, h&aacute; mais de 20 anos, a&iacute; tiravam bastante... um colega era bam bam bam (muito bom) no gancho</i>” (M., homem, 73 anos). </p> 	    <p>A terceira inova&ccedil;&atilde;o se deu h&aacute; cerca de 15 anos com a introdu&ccedil;&atilde;o da arte de pesca gerival por pescadores migrantes do Estado de Santa Catarina. Este petrecho revolucionou a pesca artesanal de camar&atilde;o e se tornou uma alternativa &agrave; tarrafa, uma adapta&ccedil;&atilde;o que fez esta pescaria mais acess&iacute;vel a diversas categorias de idade e g&ecirc;nero: “<i>Era tarrafa, faz 8 anos que passei para o geriv&aacute;. Eu era contra o geriv&aacute;. Porque quando a mar&eacute; grande corre muito, o geriv&aacute; funciona mais e com a tarrafa &eacute; o contr&aacute;rio. Ficou f&aacute;cil, todo mundo pesca</i>” (N, homem, 43 anos).</p> 	    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>4. Discuss&atilde;o</b></p> 		    <p>Forman (1970, citado em Begossi, 1998) considera que uma inova&ccedil;&atilde;o pode ser racionalmente recusada devido a caracter&iacute;sticas locais impr&oacute;prias ao seu uso, muitas inova&ccedil;&otilde;es adequadas a condi&ccedil;&otilde;es ambientais e ben&eacute;ficas &agrave; comunidade tendem a ser absorvidas pela mesma. De acordo com Begossi (1998), muitos comportamentos aprendidos de sociedades externas n&atilde;o s&atilde;o ecologicamente adaptativos e nem todos podem ser considerados como ecologicamente sustent&aacute;veis: os pontos chave s&atilde;o as possibilidades de se adquirirem novas variedades, da manuten&ccedil;&atilde;o da variabilidade, para a adapta&ccedil;&atilde;o a mudan&ccedil;as. </p> 		    <p>Para Begossi (1998), a perda de inova&ccedil;&otilde;es e conhecimentos pode ter efeito negativo sobre a resili&ecirc;ncia ecol&oacute;gica. Neste caso, a extin&ccedil;&atilde;o da arte de pesca “cerco fixo” no estu&aacute;rio de Santos, em virtude da proibi&ccedil;&atilde;o do corte do mangue pelo C&oacute;digo Florestal - Lei Federal N&deg; 4.771 (Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil, 1965) e pelas normas de seguran&ccedil;a de navega&ccedil;&atilde;o no Porto de Santos, ocasionou perda de conhecimento intergeracional desta arte na cultura <i>cai&ccedil;ara</i> (Mecanismo social <i>a</i> do item 2.2). O cerco fixo se constituiu na arte de pesca mais seletiva j&aacute; exercida, pois apenas permitia capturar esp&eacute;cies acima da idade reprodutiva. A extin&ccedil;&atilde;o de artes de pesca baseadas no conhecimento ecol&oacute;gico tradicional, pela imposi&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas vertical-descendentes, somente colabora para a desestrutura&ccedil;&atilde;o do sistema e enfraquecimento da resili&ecirc;ncia: “<i>Voc&ecirc; sabe por que eu gosto do mar? Tem que amar as &aacute;guas que eu trago no sangue! Eu tirei minha carteira da capitania com 16 anos, eu nunca fiz trabalho pra ningu&eacute;m. Eu s&oacute; tenho pena e sinto falta do petrecho que eu tinha mais gosto na minha vida, o cerco. S&oacute; que n&atilde;o posso cortar as varas, o bambu. Enquanto deu pra cortar as varas de mangue, o melhor &eacute; o cerco. Se chove, se d&aacute; um vento forte, voc&ecirc; fica em casa, depois vai l&aacute; e t&aacute; com o dinheiro na m&atilde;o. Da idade de 12 anos pra c&aacute; trabalhei com o cerco. Faz uns 3 anos que eu n&atilde;o trabalho com cerco ...</i> (j&aacute; foi preso pela Pol&iacute;cia Ambiental por cortar taquara de mangue). <i>Na m&eacute;dia, o peixe a&iacute; acabou. Quando eu tinha 17, 18 anos, tinha muito cerco. Tinha desde o Ferry Boat da Bertioga at&eacute; a ponte do Mar Pequeno </i>(S&atilde;o Vicente)<i>, esse manguezal todo tinha cerco, uns 12. Voc&ecirc; corta s&oacute; varas de mangue, n&atilde;o vai cortar Siri&uacute;ba porque vai estragar. Eu at&eacute; fui ver o meu sistema de trabalhar, machadinho corta s&oacute; escolhendo o que te serve, n&atilde;o pode ser muito grosso, nem muito fino, n&atilde;o pode ser torto... Porque eles confundem com a derrubada l&aacute; do Amazonas, mas aqui &eacute; diferente, n&atilde;o faz clareira, vai escolhendo... N&oacute;s chegamos a tirar aqui no cerco pescaria de uma tonelada em 1962, em dois dias pegamos duas toneladas, tainha adoidado que eu cansava de pegar tainha na m&atilde;o, beleza pura!</i>” (M, homem, 73 anos). </p> 	    <p>Os entrevistados atribuem o decl&iacute;nio dos estoques pesqueiros tanto &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o, como &agrave; extin&ccedil;&atilde;o de artes de pesca tradicionais, e tamb&eacute;m &agrave; polui&ccedil;&atilde;o do estu&aacute;rio, &agrave;s dragagens do porto, ao assoreamento das gamboas, altera&ccedil;&atilde;o do curso dos canais do estu&aacute;rio, aumento no tr&aacute;fego de embarca&ccedil;&otilde;es, concorr&ecirc;ncia do produto artesanal com grandes mercados varejistas e ao aterro do novo porto privado: “<i>A diferen&ccedil;a da produ&ccedil;&atilde;o &eacute; essa, &eacute; cortar rios, essa diferen&ccedil;a nas mar&eacute;s, porque onde era fundo, passa a ser baixo ... Eu acho que o que devia parar, a “Empresa Portu&aacute;ria” est&aacute; aterrando ali no Guarap&aacute;. Quantos metros c&uacute;bicos de &aacute;gua v&atilde;o aterrar ali? Modifica. Ent&atilde;o o peixe n&atilde;o cria mais com o barulho. O futuro vai acabar mesmo. Daqui mais uns 10 anos o pescador artesanal n&atilde;o deve existir mais, porque voc&ecirc; v&ecirc;, j&aacute; tem bem pouco, pescador antigo j&aacute; foi embora, morreram quase todos, tem bem pouquinho e o jovem n&atilde;o quer saber de pescar. A juventude agora &eacute; bem dif&iacute;cil. Antigamente n&oacute;s se dedicava mais &agrave; luta, agora n&atilde;o, procuram as coisas mais f&aacute;cil</i>” (M, homem, 73 anos). Verifica-se atrav&eacute;s da fala do entrevistado que, junto com o decl&iacute;nio da pesca, tamb&eacute;m &eacute; perdida a diversidade de expertise (Mecanismo <i>b</i> do item 2.2) devido ao falecimento de detentores do conhecimento ecol&oacute;gico e ao desinteresse dos jovens em dar continuidade a esta profiss&atilde;o de caracter&iacute;sticas t&atilde;o adversas, sempre muito imprevis&iacute;vel, arriscada e que, sobretudo, exige grande desempenho f&iacute;sico. A perda de conhecimento intergeracional (Mecanismo <i>a</i> do item 2.2) diminui a variabilidade cultural, o que pode tornar a comunidade menos preparada para enfrentar mudan&ccedil;as, enfraquecendo a resili&ecirc;ncia do sistema local.</p> 		    <p>Na transcri&ccedil;&atilde;o de outra entrevista verifica-se que a pesca j&aacute; n&atilde;o constitui mais a base econ&ocirc;mica desta sociedade, que prefere incentivar seus jovens a seguir um caminho mais seguro para obter recursos financeiros: “<i>Mudou o modo de vida das pessoas, de pensar, antigamente vivia mais da pesca, hoje o pessoal quer mais trabalhar fora, a pesca t&aacute; acabando, n&atilde;o por si s&oacute;, mas as empresas que t&atilde;o acabando com a pesca, construindo cais, marina, porto. A pesca t&aacute; acabando mais por causa das empresas, dragagem daqui, dragagem de l&aacute;, n&atilde;o h&aacute; peixe que suporte. A pesca t&aacute; bem fraca. H&aacute; 15 anos atr&aacute;s era bastante fartura. E o mercado de venda t&aacute; bem fraco. H&aacute; 15 anos tinha para quem vender. T&aacute; mudando a mente das pessoas para ter renda fixa. Porque a pesca n&atilde;o tem. N&atilde;o tem para quem vender. Antigamente tinha gente no mercado, hoje em dia n&atilde;o tem mais. Para comprar camar&atilde;o, nada. Acredito que seja mais por causa desse neg&oacute;cio de importa&ccedil;&atilde;o. O pessoal do mercado de Santos busca no CEASA</i> (Centrais de Abastecimento S/A) para revender. N&atilde;o compra mais daqui” (V, homem, 37 anos). Acreditamos que a polui&ccedil;&atilde;o do estu&aacute;rio exerceu forte impacto na comercializa&ccedil;&atilde;o do pescado capturado na Ilha Diana, pois fez com que o produto explorado pelos <i>cai&ccedil;aras</i> perdesse valor. Tendo em vista os projetos de expans&atilde;o do complexo industrial-portu&aacute;rio de Santos, fica dif&iacute;cil vislumbrar o retorno &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de pesca de outrora. Hoje os pescadores apenas pescam quando est&atilde;o desempregados, demonstrando que o mundo comercial passa a predominar na Ilha Diana. </p> 	    <p>Quando questionados sobre o que poderia ser feito para melhorar a pesca no estu&aacute;rio, as declara&ccedil;&otilde;es foram bastante pessimistas em virtude das futuras proje&ccedil;&otilde;es, tanto pela implanta&ccedil;&atilde;o do empreendimento portu&aacute;rio vizinho &agrave; comunidade, quanto de outros projetos de expans&atilde;o portu&aacute;ria, do futuro aeroporto do Guaruj&aacute; e da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo: “<i>Nos meus conhecimentos n&atilde;o vai ter mais recupera&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o acredito mais porque &eacute; muito dif&iacute;cil, porque daqui uns dias esses manguezais a&iacute; v&atilde;o ser todos derrubados, j&aacute; tem as empresas todas de olho, j&aacute; tem o projeto a&iacute;, tem Ilha Barnab&eacute; e Ilha dos Bagres. Vai acabar... j&aacute; pensou aquilo ali com aterro em tudo aquilo ali? N&atilde;o tem mais como ser antigamente. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; s&oacute; aqui em S&atilde;o Paulo, &eacute; todo lugar! Vai evoluir. A evolu&ccedil;&atilde;o para uns, &eacute; o preju&iacute;zo para outros</i>” (M, homem, 73 anos).</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os entrevistados demonstraram estar conscientes de que o modo de vida da Ilha Diana ser&aacute; fortemente impactado pelos novos projetos de desenvolvimento do Porto de Santos e buscam uma forma de adaptar seu modo de vida nesse novo paradigma: “<i>Acho que vai ser tumultuado. Acho que daqui 3 ou 4 anos vai tirar o sossego daqui. Em rela&ccedil;&atilde;o de com&eacute;rcio vai ser bom, mas em rela&ccedil;&atilde;o de sossego, tranquilidade, a comunidade tem que estar disposta a perder isso. Tem que estar se preparando para isso. E por ser uma comunidade cai&ccedil;ara, tinha que ter mais preserva&ccedil;&atilde;o sobre meio ambiente, sossego, porque vai mudar tudo</i>” (E, mulher, 30 anos). Verifica-se no depoimento da entrevistada uma consci&ecirc;ncia de que a cultura <i>cai&ccedil;ara</i> e o ambiente devem ser valorizados, configurando novamente em uma habilidade de reorganiza&ccedil;&atilde;o sob circunst&acirc;ncias de mudan&ccedil;a (Mecanismo <i>b</i> do item 2.2), fator que confere adaptatividade e auxilia na constru&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia.</p> 	    <p>De acordo com Begossi (1998), uma maior flexibilidade econ&ocirc;mica pode representar maior probabilidade de “sobreviv&ecirc;ncia cultural” e, aparentemente, as comunidades neotradicionais beneficiam-se dessa flexibilidade. O aspecto importante &eacute; que tal flexibilidade cultural &eacute; normalmente relacionada a comportamentos culturais que podem elevar a resili&ecirc;ncia ecol&oacute;gica, como as t&eacute;cnicas (tradicionais e neotradicionais) de manejo dos recursos e a habilidade de manejar uma mistura de culturas, na qual as tradi&ccedil;&otilde;es culturais sobrevivem juntamente com inova&ccedil;&otilde;es. </p> 		    <p>Berkes e Folke (1994, citado em Folke <i>et al.</i> 1998) j&aacute; propunham que haveria consider&aacute;vel evid&ecirc;ncia do capital cultural relativo &agrave; sustentabilidade do uso do recurso e &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas resilientes. De acordo com Begossi (1998), pode ser argumentado que grupos que apresentam contribui&ccedil;&otilde;es de duas ou mais tradi&ccedil;&otilde;es culturais, como s&atilde;o os casos dos <i>cai&ccedil;aras</i> e dos caboclos, t&ecirc;m um capital cultural mais rico e uma gama mais ampla de op&ccedil;&otilde;es adaptativas. Assim, tais grupos podem possuir maior flexibilidade cultural do que as sociedades das quais se originaram. A cultura &eacute; adaptativa porque, entre outros aspectos &eacute; vari&aacute;vel e flex&iacute;vel. A variabilidade ou a diversidade (de genes, esp&eacute;cies ou cultura) &eacute; base para a sobreviv&ecirc;ncia e permite &agrave;s comunidades se adaptarem a mudan&ccedil;as ambientais. </p> 	    <p>A comunidade da Ilha Diana habita neste local h&aacute; mais de oito d&eacute;cadas e teve seus primeiros habitantes originados de outra localidade deste mesmo territ&oacute;rio de pesca no estu&aacute;rio de Santos-SP. Na atualidade, a defici&ecirc;ncia da pesca em quantidade e qualidade, e a aus&ecirc;ncia da agricultura como fonte alternativa de renda, restringem a capacidade adaptativa neste territ&oacute;rio. Com o decl&iacute;nio da qualidade ambiental no estu&aacute;rio e com a demanda pela implanta&ccedil;&atilde;o de projetos de expans&atilde;o portu&aacute;ria e apoio &agrave; ind&uacute;stria de petr&oacute;leo, os habitantes da Ilha Diana buscam se inserir no mundo comercial.</p> 		    <p>Pudemos verificar que os entrevistados possuem organiza&ccedil;&atilde;o social historicamente ligada &agrave; pesca e que ocuparam este territ&oacute;rio e utilizaram de seus recursos naturais como condi&ccedil;&atilde;o para a reprodu&ccedil;&atilde;o da cultura <i>cai&ccedil;ara</i>: seus aspectos sociais, religiosos, ancestrais e econ&ocirc;micos. Os entrevistados demonstraram utilizar conhecimentos, inova&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas gerados e transmitidos pela tradi&ccedil;&atilde;o, indo ao encontro do que preconiza a PNPCT - Decreto Federal N&ordm; 6.040 (Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil, 2007). O auto-reconhecimento como <i>cai&ccedil;aras</i> pelos entrevistados afirma a presen&ccedil;a desta cultura neste territ&oacute;rio.</p> 	    <p>Os entrevistados demonstraram possuir de fato conhecimento ecol&oacute;gico a respeito dos recursos pesqueiros, de modo que foi poss&iacute;vel identificar sete pr&aacute;ticas de manejo elencadas por Folke et. al. (1998) no sistema socioecol&oacute;gico da Ilha Diana: Monitoramento de mudan&ccedil;as no ecossistema e na abund&acirc;ncia de recursos; Prote&ccedil;&atilde;o de est&aacute;gios vulner&aacute;veis na hist&oacute;ria de vida das esp&eacute;cies; Prote&ccedil;&atilde;o de habitats espec&iacute;ficos; Restri&ccedil;&otilde;es temporais de captura; Manejo de m&uacute;ltiplas esp&eacute;cies e integrado; Rota&ccedil;&atilde;o de recursos e Manejo sucessional. </p> 		    <p>Ainda, foi poss&iacute;vel identificar elementos dos quatro mecanismos sociais propostos por Folke et. al. (1998) que podem fortalecer resili&ecirc;ncia. Tais como: </p> 		    <blockquote> 		      <p>- Gera&ccedil;&atilde;o, acumula&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o do conhecimento ecol&oacute;gico, principalmente observado nas gera&ccedil;&otilde;es adultas que ainda exercem a atividade pesqueira, e tamb&eacute;m as transfer&ecirc;ncias geogr&aacute;ficas de conhecimento de artes de pesca (Mecanismo social <i>a</i>); </p> 		      <p>- San&ccedil;&otilde;es culturais e sociais exemplificada pela exclus&atilde;o de moradores que n&atilde;o apresentam rela&ccedil;&otilde;es de parentesco, a exist&ecirc;ncia de uma institui&ccedil;&atilde;o incipiente (Associa&ccedil;&atilde;o de Melhoramentos da Ilha Diana) e a habilidade de reorganiza&ccedil;&atilde;o sob circunst&acirc;ncias de mudan&ccedil;a, como nas tratativas com o empreendimento portu&aacute;rio para conquistar direitos fundamentais n&atilde;o providos pelo poder p&uacute;blico (Mecanismo social <i>b</i>);</p> 		      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- Rituais e cerim&ocirc;nias, representados principalmente pelo culto ao Bom Jesus da Ilha Diana (Mecanismo social <i>c</i>); </p> 		      <p>- Respeito e reciprocidade, fatores tidos como importantes mecanismos sociais de vis&atilde;o de mundo e valores culturais, inerentes &agrave; cultura <i>cai&ccedil;ara</i> (Mecanismo <br /> 		    social <i>d</i>).</p>     </blockquote> 	    <p>Ainda, com rela&ccedil;&atilde;o ao mecanismo social a, foram encontradas na Ilha Diana tr&ecirc;s inova&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; transfer&ecirc;ncias geogr&aacute;ficas de conhecimento (tarrafa italiana, gancho e gerival), entretanto, observamos a perda de uma pr&aacute;tica tradicional de pesca (cerco fixo) devido &agrave; imposi&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas vertical-descendentes. A comunidade da Ilha Diana mostrou flexibilidade em aceitar inova&ccedil;&otilde;es que permitam diversificar sua atividade econ&ocirc;mica, no entanto &eacute; contest&aacute;vel se estas adapta&ccedil;&otilde;es favoreceram a resili&ecirc;ncia do sistema. Acreditamos que a extin&ccedil;&atilde;o de artes de pesca sustent&aacute;veis baseadas no conhecimento ecol&oacute;gico tradicional, pode enfraquecer a resili&ecirc;ncia.</p> 		    <p>Ainda, constamos a perda de mecanismos sociais que poder&atilde;o enfraquecer a resili&ecirc;ncia do sistema local: Perda de conhecimento nas jovens gera&ccedil;&otilde;es e a perda de expertise em decorr&ecirc;ncia do falecimento dos antigos moradores, levando &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da variabilidade cultural (Mecanismo social <i>a</i>); Forte competi&ccedil;&atilde;o para obter o recurso pesqueiro e a falta de san&ccedil;&otilde;es culturais e sociais para a exclus&atilde;o de demais usu&aacute;rios pescadores (Mecanismo social <i>b</i>); Deslocamento no foco da festa em comemora&ccedil;&atilde;o ao dia do Bom Jesus da Ilha Diana (Mecanismo social <i>c</i>), que apesar de ainda ser uma forte tradi&ccedil;&atilde;o, atualmente visa, sobretudo, obter benef&iacute;cios econ&ocirc;micos.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>5. Conclus&otilde;es</b></p> 		    <p>Constatamos que os residentes na Ilha Diana possuem organiza&ccedil;&atilde;o social hist&oacute;rica ligada &agrave; pesca e que, ocuparam este territ&oacute;rio e utilizaram de seus recursos naturais como condi&ccedil;&atilde;o para a reprodu&ccedil;&atilde;o da sua cultura: seus aspectos sociais, religiosos, ancestrais e econ&ocirc;micos – aspectos t&iacute;picos da cultura <i>cai&ccedil;ara</i>. Os entrevistados demonstraram utilizar conhecimentos, inova&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas gerados e transmitidos pela tradi&ccedil;&atilde;o. O auto-reconhecimento como <i>cai&ccedil;aras</i>, reafirma a presen&ccedil;a desta cultura neste territ&oacute;rio.</p> 	    <p>Identificamos sete pr&aacute;ticas de manejo baseadas no conhecimento ecol&oacute;gico local e quatro mecanismos sociais que configuram adaptatividade e favorecem a constru&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia neste sistema socioecol&oacute;gico. No entanto, o abandono da pesca e a conseq&uuml;ente perda de conhecimento ecol&oacute;gico intergeracional poder&aacute; diminuir a resili&ecirc;ncia neste sistema socioecol&oacute;gico. </p> 		    <p>O sistema socioecol&oacute;gico em quest&atilde;o pode buscar construir resili&ecirc;ncia, seja pela in&eacute;rcia cultural de pr&aacute;ticas tradicionais de manejo que busquem promover a recupera&ccedil;&atilde;o dos estoques pesqueiros, ou pela flexibilidade em absorver os impactos que est&atilde;o ocorrendo e se adaptar ao novo modo de vida. A promo&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia no sistema socioecol&oacute;gico estudado depender&aacute; da capacidade adaptativa a partir de pr&aacute;ticas sustent&aacute;veis da comunidade <i>cai&ccedil;ara</i>. </p> 	    <p>Uma vez que o meio material da cultura <i>cai&ccedil;ara</i> encontra-se em processo de expropria&ccedil;&atilde;o pelos projetos de desenvolvimento econ&ocirc;micos no estu&aacute;rio de Santos, para que a cultura <i>cai&ccedil;ara</i> co-evolua com esse novo paradigma, indica-se a promo&ccedil;&atilde;o dos valores de seus bens imateriais, como como a identidade enquanto <i>cai&ccedil;aras</i>, rela&ccedil;&otilde;es familiares harm&ocirc;nicas, respeito, reciprocidade, f&eacute;, dentre outras manifesta&ccedil;&otilde;es da cultura <i>cai&ccedil;ara</i>. A inser&ccedil;&atilde;o em projetos de turismo sustent&aacute;vel e valoriza&ccedil;&atilde;o dos costumes tradicionais, parecem despontar como op&ccedil;&otilde;es de produtos sustent&aacute;veis para a inser&ccedil;&atilde;o da Ilha Diana no mundo comercial, de forma que a resili&ecirc;ncia seja fortalecida. A crescente popularidade da Festa do Bom Jesus da Ilha Diana &eacute; a demonstra&ccedil;&atilde;o desta capacidade adaptativa, na qual a valoriza&ccedil;&atilde;o das tradi&ccedil;&otilde;es &eacute; um produto que possibilita sua inser&ccedil;&atilde;o no mundo comercial juntamente com a valoriza&ccedil;&atilde;o da cultura. A comunidade da Ilha Diana demonstrou flexibilidade em diversificar sua atividade econ&ocirc;mica, no entanto, apenas um acompanhamento a longo prazo poder&aacute; responder se estas adapta&ccedil;&otilde;es favorecer&atilde;o a constru&ccedil;&atilde;o de resili&ecirc;ncia. </p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desta maneira, a habilidade dos habitantes da Ilha Diana em interagir com o restante da sociedade, como observado, e a flexibilidade de tais intera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o fatores que podem elevar a capacidade para enfrentar mudan&ccedil;as. Esta habilidade na reorganiza&ccedil;&atilde;o diante de circunst&acirc;ncias de mudan&ccedil;a poder&aacute; contrabalancear os aspectos negativos do processo de transforma&ccedil;&atilde;o e crise, promovendo uma nova fase do ciclo do manejo adaptativo: a reorganiza&ccedil;&atilde;o do sistema e o encontro de um novo patamar em sustentabilidade. </p> 		    <p>Para tal, recomenda-se que sejam fortalecidos os mecanismos sociais e que sejam valorizadas as pr&aacute;ticas de manejo baseadas no conhecimento ecol&oacute;gico local para responder aos eventos imprevis&iacute;veis, tais como os impactos dos futuros projetos de desenvolvimento planejados para o territ&oacute;rio. Ainda, recomendamos que os residentes promovam condi&ccedil;&otilde;es para auto-organiza&ccedil;&atilde;o pressionados pelas iminentes mudan&ccedil;as e que ocorra o fortalecimento da institui&ccedil;&atilde;o existente (Associa&ccedil;&atilde;o de Melhoramentos), o redescobrimento do manejo adaptativo e o desenvolvimento de valores compat&iacute;veis com sistemas socioecol&oacute;gicos resilientes e sustent&aacute;veis.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>Bibliografia</b></p> 		    <!-- ref --><p>Abessa, D.M.S.; Carr, R.S.; Sousa, E.C.P.M.; Rachid, B.R.F.; Zaroni, L.P.; Pinto, Y.A.; Gasparro, M.R.; B&iacute;cego, M.C.; Hortellani, M.A.; Sarkis, J.E.S; Muniz, P. (2008) - Integrative Ecotoxicological Assessment of a Complex Tropical Estuarine System. <i>In:</i> Hoffer (ed.), <i>Marine Pollution: New Research</i>, pp.125-159, Nova Science T.N. Publishers Inc., New York, U.S.A. ISBN 1604562420&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1646-8872201200040001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Adams, C. (2000) - <i>Cai&ccedil;aras na Mata Atl&acirc;ntica: pesquisa cient&iacute;fica versus planejamento e gest&atilde;o ambiental</i>. 336p., Annablume, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 85-74191019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1646-8872201200040001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 	    <!-- ref --><p>Afonso, C. M. (1999) - <i>Uso e Ocupa&ccedil;&atilde;o do Solo na Zona Costeira do Estado de S&atilde;o Paulo: Uma An&aacute;lise Ambiental</i>. 186p., Annablume, FAPESP, 1&ordf; Ed., S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 85-74190950&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1646-8872201200040001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Begossi, A. (1998) - Resilience and neo-traditional populations: the cai&ccedil;aras (Atlantic Forest) and cablocos (Amazon, Brazil). <i>In:</i> F. Berkes &amp; C. Folke (eds.), <i>Linking Social and Ecological Systems: Management Practices and Social Mechanisms for Building Resilience</i>, pp.129-157, Cambridge University Press, Cambridge, U.K. ISBN: 9780521785624.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1646-8872201200040001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Berkes, F.; Folke, C. (1998) - <i>Linking Social and Ecological Systems: Management Practices and Social Mechanisms for Building Resilience</i>. 414p., Cambridge University Press, Cambridge, U.K. ISBN 9780521785624.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1646-8872201200040001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <!-- ref --><p>EMBRAPORT (Empresa Brasileira de Terminais Portu&aacute;rios), (2003) - <i>Terminal Portu&aacute;rio Embraport - Relat&oacute;rio de Impacto Ambiental</i>. MKR Tecnologia, Servi&ccedil;os, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio Ltda. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1646-8872201200040001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <!-- ref --><p>Diegues, A.C.S. (1983) - <i>Pescadores, camponeses a trabalhadores do mar.</i> 287p.,  &Aacute;tica, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 858732&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1646-8872201200040001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Folke, C.; Berkes, F.; Colding, J. (1998) - Ecological Practices and Social Mechanisms for Building Resilience and Sustainability. <i>In:</i> Fikret Berkes &amp; Carl Folke (org.), <i>Linking Social and Ecological Systems: Management Practices and Social Mechanisms for Building Resilience</i>, 414p., Cambridge University Press, Cambridge, U.K. ISBN: 9780521785624&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1646-8872201200040001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gunderson, L.H.; Holling, C.S. (2000) - <i>Panarchy: Understanding Transformations in Human and Natural Systems</i>. 508p., Island Press, Washington, D.C., U.S.A. ISBN: 1559638575&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S1646-8872201200040001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>IBGE (2010) – <i>Censo Populacional 2010: Cidades@ - Informa&ccedil;&otilde;es sobre os Munic&iacute;pios Brasileiros</i>. IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica., Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ibge.gov.br/cidadesat" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1646-8872201200040001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lamparelli, M.L.; Costa, M.P.; Pr&oacute;speri, V.A.; Bevil&aacute;cqua, J.E.; Ara&uacute;jo, R.P.A.; Eysink, G.G.L.; Pomp&eacute;ia, S. (2001) - <i>Sistema Estuarino de Santos e S&atilde;o Vicente</i>. 178p., Relat&oacute;rio T&eacute;cnico CETESB, S&atilde;o Paulo, Brasil. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/relatorios/rel_sist_estuarino/relatorio.zip" target="_blank">http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/relatorios/rel_sist_estuarino/relatorio.zip</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S1646-8872201200040001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Maldonado, S. (1986) - <i>Pescadores do Mar</i>. 80p., Editora &Aacute;tica. S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 8508011628&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S1646-8872201200040001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marques, J.G.W. (2001) - <i>Pescando Pescadores: Ci&ecirc;ncia e Etnoci&ecirc;ncia em uma Perspectiva Ecol&oacute;gica</i>. 258 p., 2&ordf;. Ed., N&uacute;cleo de Apoio &agrave; Pesquisa sobre Popula&ccedil;&otilde;es Humanas e &Aacute;reas &Uacute;midas Brasileiras,USP, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 85-87304054.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1646-8872201200040001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <!-- ref --><p>Minist&eacute;rio do Meio Ambiente (2002) - <i>Agenda 21 Brasileira: Gest&atilde;o dos Recursos Naturais</i>. 187p., Bras&iacute;lia, DF, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1646-8872201200040001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <p>Prefeitura Municipal de Santos (1998) - <i>Lei Complementar N&ordm; 311 de 24 de novembro de 1998. Institui o Plano Diretor de Desenvolvimento e Expans&atilde;o Urbana do Munic&iacute;pio de Santos e d&aacute; Outras Provid&ecirc;ncias</i>.</p> 	    <p>Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil (1965) - <i>Lei N&deg; 4.771 de 15 de setembro de 1965 - Institui o C&oacute;digo Florestal Brasileiro e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias</i>. Publicado no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o de 16 de setembro de 1965. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4771.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4771.htm</a></p> 	    <p>Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil (2007) - <i>Decreto N&ordm; 6.040 de 7 de fevereiro de 2007 - Institui a Pol&iacute;tica Nacional de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel dos Povos e Comunidades Tradicionais</i>. Publicado no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o de 8 de fevereiro de 2007, Se&ccedil;&atilde;o 1, p&aacute;ginas 316 e 317. Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm</a></p> 	    <!-- ref --><p>Stori, F.T. (2010) - <i>Adaptatividade e Resili&ecirc;ncia no Sistema Socioecol&oacute;gico da Comunidade Cai&ccedil;ara da Ilha Diana, Munic&iacute;pio de Santos-SP</i>. 239p., Tese de Doutorado, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ecologia e Recursos Naturais, Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, S&atilde;o Carlos, SP, Brasil. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://200.136.241.56/htdocs/tedeSimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4855" target="_blank">http://200.136.241.56/htdocs/tedeSimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4855</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S1646-8872201200040001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Stori, F.T.; Souza, F.A.Z.; Gon&ccedil;alves, P.S.F.; Hoffmann, P.P.; Maranho, L. A.; Davanso, M. B.; Marques, L.A.M; Souza, M.P.R.; Silva, L.G.; Lau, M.C.; Rojas, C.; Martinez, M.; Pinhata, J.M.W.; Tairum, C.A.; Mello, K. (2007) - Contributions to the study of the involvement of the <i>cai&ccedil;ara</i> community of Ilha Diana (Santos-SP) with the environmental licensing process of the privative port ‘EMBRAPORT’. <i>XVth International Conference of the Society for Human Ecology - Book of Abstracts</i>, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1646-8872201200040001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <!-- ref --><p>Tommasi, L.R. (1979) - <i>Considera&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas sobre o Sistema Estuarino de Santos, S&atilde;o Paulo</i>. Tese de Livre Doc&ecirc;ncia, 489p., 2 volumes, Universidade de S&atilde;o Paulo, Instituto Oceanogr&aacute;fico, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1646-8872201200040001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 		    <!-- ref --><p>Viertler, R.V. (2002) - M&eacute;todos antropol&oacute;gicos como ferramenta para estudos em Etnobiologia e Etnoecologia. <i>In:</i> M.C.M. Amorozo, L.C. Ming, &amp; S.P. Silva (Orgs.), <i>M&eacute;todos de Coleta e An&aacute;lise de Dados em Etnobiologia, Etnoecologia e Disciplinas Correlatas</i>. 204p., Anais do Semin&aacute;rio de Etnobiologia e Etnoecologia do Sudeste. Org: Rio Claro: UNESP/CNPq. ISBN: 85-902432-1-4. 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1646-8872201200040001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><a href="#top0">*</a><a name="0" id="0"></a> Submission: September 2, 2012; Evaluation: October 2, 2012; Reception of revised manuscript: November 21, 2012; Accepted: December 6, 2012; Available on-line: December 18, 2012</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Notas</b></p> 		    <p>[<a href="#top3">3</a><a name="3"></a>] - Dispon&iacute;veis no portal internet do porto de Santos (<a href="http://www.portodesantos.com.br/" target="_blank">http://www.portodesantos.com.br/</a>)</p> 		    ]]></body>
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