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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Metodologia de Ensino de Educação Ambiental em Escola Situada na Área Costeira da Baía de Guanabara]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A Teaching Methodology for Environmental Education at a School on the Shoreline of the Bay of Guanabara]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[With the aim of contributing to the debate on how important it is to make sense of the environmental education which is delivered in coastal areas, this article examines the activities conducted at a public school in the city of São Gonçalo, in the Rio de Janeiro Metropolitan Region. The methodology for teaching social-environmental education is presented such as applied by a research project entitled ‘Action Cartography and São Gonçalo Youth’, which, methodologically related to action cartography, puts two scientific disciplines (Geography and Sociology) in interaction with pedagogical practice (as favoured by the advancements that Paulo Freire’s notable contributions have led to). Environmental education needs to be problematised by bringing this debate into the analysis of social aspects of the issues which the discipline approaches, that is, into the analysis of the forms of social exclusion in the relationships between society and nature. There is also a need to discuss the causers of pollution, as well as endeavouring to help to build perceptions and sensitivities as to how new generations should be educated, the different forms that pollution assumes and the territorial consequences that it has on the everyday lives of residents, especially in metropolitan areas undergoing high land-use pressures. The teaching methodology which was applied to primary school sought to change habits, build perceptions, and encourage collective work. One of the results of the pedagogic activities was that they brought about an interaction between such types of knowledge as pupils, science and fishers bear, and that this helped to reveal problems, agents and solutions. Another result was the fact that the exercises in socio-environmental education reinforced the self-steam of pupils, especially of the many who, being related to artisanal fishers, saw how important the work of those relatives of theirs is not only for the maintenance of families but also for local cultural identity. Lastly, the pedagogic work proved fruitful also in activities, proposed to pupils, of making researches, interviews and texts about the space that they live in, all this causing them to produce representations in which they brought out and exercised their cultural identity and the social links that they have with their lived and conceived space: the city of São Gonçalo and the Bay of Guanabara.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Educação]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  	    <p><b>Metodologia de Ensino de Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental em Escola Situada na      &Aacute;rea Costeira da Ba&iacute;a de Guanabara <a href="#0">*</a></b><a name="top0"></a></p> 	     <p><b>A Teaching Methodology for Environmental Education at a School on the Shoreline    of the Bay of Guanabara</b></p>     <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>Catia Antonia da Silva </b><sup>@, 1</sup>, <b>Felippe Andrade Rainha </b><sup>2</sup></p> 		    <p>@ - Corresponding author</p> 		    <p>1 - Universidade do Estado do Rio Janeiro - Faculdade de Forma&ccedil;&atilde;o de Professores, Departamento de Geografia. Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia. Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria Social. N&uacute;cleo de Pesquisa Urbano, Territ&oacute;rio e Mudan&ccedil;as Contempor&acirc;neas. Rua Dr. Francisco Portela, 1470 – Patronato, CEP 24435-005, S&atilde;o Gon&ccedil;alo, Rio de Janeiro, Brasil. e-mail: <a href="mailto:catia.antonia@gmail.com">catia.antonia@gmail.com</a></p> 		    <p>2 - Universidade do Estado do Rio Janeiro - Faculdade de Forma&ccedil;&atilde;o de Professores, Departamento de Geografia. Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia. N&uacute;cleo de Pesquisa Urbano, Territ&oacute;rio e Mudan&ccedil;as Contempor&acirc;neas. Rua Dr. Francisco Portela, 1470 – Patronato, CEP 24435-005, S&atilde;o Gon&ccedil;alo, Rio de Janeiro, Brasil. e-mail: <a href="mailto:felippe.rainha@gmail.com">felippe.rainha@gmail.com</a></p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>RESUMO</b></p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo visa contribuir para o debate acerca do papel da educa&ccedil;&atilde;o ambiental ministrada em ambientes costeiros, e para tanto analisa as atividades pedag&oacute;gicas realizadas numa escola p&uacute;blica do munic&iacute;pio de S&atilde;o Gon&ccedil;alo, Regi&atilde;o Metropolitana do Rio de Janeiro. Apresenta-se a metodologia que se aplicou ao ensino de educa&ccedil;&atilde;o socioambiental no projeto Cartografia da A&ccedil;&atilde;o e a Juventude em S&atilde;o Gon&ccedil;alo, projeto esse que, metodologicamente atrelado &agrave; cartografia da a&ccedil;&atilde;o, p&ocirc;s dois campos cient&iacute;ficos (a Geografia e a Sociologia) a interagirem com o fazer pedag&oacute;gico (beneficiado pelos avan&ccedil;os a que o encaminharam as not&aacute;veis contribui&ccedil;&otilde;es de Paulo Freire). &Eacute; necess&aacute;rio problematizar a educa&ccedil;&atilde;o ambiental, inserindo este debate na an&aacute;lise dos aspectos sociais das quest&otilde;es de que ela trata, ou seja, na an&aacute;lise das formas de exclus&atilde;o social presentes nas rela&ccedil;&otilde;es entre a sociedade e a natureza. Cumpre tamb&eacute;m que se discutam os causadores da polui&ccedil;&atilde;o, e se envidem esfor&ccedil;os para construir percep&ccedil;&otilde;es e sensibilidades n&atilde;o somente quanto &agrave; educa&ccedil;&atilde;o das novas gera&ccedil;&otilde;es, mas ainda quanto &agrave;s formas que a polui&ccedil;&atilde;o assume e aos efeitos territoriais que exerce sobre o cotidiano dos moradores, especialmente nas &aacute;reas metropolitanas com acirrada competi&ccedil;&atilde;o pelo uso do solo. Buscou-se, com esta metodologia de ensino, aplicada &agrave; escola b&aacute;sica, alterar h&aacute;bitos, construir percep&ccedil;&otilde;es e estimular o trabalho coletivo. Um dos resultados do trabalho pedag&oacute;gico foi que este promoveu a intera&ccedil;&atilde;o entre os saberes dos alunos, os da ci&ecirc;ncia e os dos pescadores artesanais, concorrendo para revelar problemas, atores e solu&ccedil;&otilde;es. Outro resultado consistiu em os exerc&iacute;cios de educa&ccedil;&atilde;o socioambiental refor&ccedil;arem a autoestima dos alunos, notadamente dos muitos que, aparentados com pescadores, viram quanto o trabalho desses parentes seus releva n&atilde;o s&oacute; para o sustento de fam&iacute;lias, como ainda para a identidade cultural do lugar. Por fim, as atividades pedag&oacute;gicas tamb&eacute;m frutificaram pelo trabalho, sugerido aos alunos, de pesquisar, entrevistar e escrever acerca do espa&ccedil;o onde vivem, movendo-os tudo isto a gerar representa&ccedil;&otilde;es em que traziam &agrave; tona e exercitavam a sua identidade cultural e os v&iacute;nculos sociais que eles t&ecirc;m com o seu espa&ccedil;o vivido e concebido: a cidade de S&atilde;o Gon&ccedil;alo e a Ba&iacute;a de Guanabara.</p> 		    <p><b>Palavras chave:</b> Educa&ccedil;&atilde;o; Cartografia da A&ccedil;&atilde;o; Moderniza&ccedil;&atilde;o; Polui&ccedil;&atilde;o; Pesca Artesanal.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>ABSTRACT</b></p> 		    <p>With the aim of contributing to the debate on how important it is to make sense of the environmental education which is delivered in coastal areas, this article examines the activities conducted at a public school in the city of S&atilde;o Gon&ccedil;alo, in the Rio de Janeiro Metropolitan Region. The methodology for teaching social-environmental education is presented such as applied by a research project entitled ‘Action Cartography and S&atilde;o Gon&ccedil;alo Youth’, which, methodologically related to action cartography, puts two scientific disciplines (Geography and Sociology) in interaction with pedagogical practice (as favoured by the advancements that Paulo Freire’s notable contributions have led to). Environmental education needs to be problematised by bringing this debate into the analysis of social aspects of the issues which the discipline approaches, that is, into the analysis of the forms of social exclusion in the relationships between society and nature. There is also a need to discuss the causers of pollution, as well as endeavouring to help to build perceptions and sensitivities as to how new generations should be educated, the different forms that pollution assumes and the territorial consequences that it has on the everyday lives of residents, especially in metropolitan areas undergoing high land-use pressures. The teaching methodology which was applied to primary school sought to change habits, build perceptions, and encourage collective work. One of the results of the pedagogic activities was that they brought about an interaction between such types of knowledge as pupils, science and fishers bear, and that this helped to reveal problems, agents and solutions. Another result was the fact that the exercises in socio-environmental education reinforced the self-steam of pupils, especially of the many who, being related to artisanal fishers, saw how important the work of those relatives of theirs is not only for the maintenance of families but also for local cultural identity. Lastly, the pedagogic work proved fruitful also in activities, proposed to pupils, of making researches, interviews and texts about the space that they live in, all this causing them to produce representations in which they brought out and exercised their cultural identity and the social links that they have with their lived and conceived space: the city of S&atilde;o Gon&ccedil;alo and the Bay of Guanabara.</p> 		    <p><b>Keywords:</b> Education; Action Cartography; Modernization; Pollution; Artisanal Fisheries.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p> 		    <p>A categoria anal&iacute;tica a orientar o presente artigo &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o socioambiental, a cujo respeito nele se reflexiona com base nas experi&ecirc;ncias dum trabalho de extens&atilde;o universit&aacute;ria que, em S&atilde;o Gon&ccedil;alo, o N&uacute;cleo de Pesquisa Urbano, Territ&oacute;rio e Mudan&ccedil;as Contempor&acirc;neas (NUTEMC), sediado na Faculdade de Forma&ccedil;&atilde;o de Professores (FFP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), efetuou numa escola de ensino b&aacute;sico da rede p&uacute;blica, a Escola Estadual Carlos Maia.</p> 		    <p>Essa extens&atilde;o universit&aacute;ria beneficiou-se imenso da parceria que o NUTEMC firmara com outra institui&ccedil;&atilde;o de ensino e pesquisa, o Laborat&oacute;rio da Conjuntura Social: Tecnologia e Territ&oacute;rio (LASTRO), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Conjugadas, a extens&atilde;o e a parceria n&atilde;o apenas ensejaram um rico debate te&oacute;rico-metodol&oacute;gico sobre a educa&ccedil;&atilde;o ambiental, sen&atilde;o tamb&eacute;m, e &eacute; o mais importante, contribu&iacute;ram a suscitar nos alunos da escola b&aacute;sica o pensamento cr&iacute;tico acerca do mundo que os rodeia. Ver-se-&aacute; abaixo como se deu este processo de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento.</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Divide-se o artigo em tr&ecirc;s se&ccedil;&otilde;es. A primeira d&aacute; sucintamente o debate te&oacute;rico sobre a categoria educa&ccedil;&atilde;o ambiental, e esclarece os motivos por que o NUTEMC escolheu nortear por ela a programa&ccedil;&atilde;o das atividades educacionais e a an&aacute;lise dos resultados da pesquisa. A segunda se&ccedil;&atilde;o discorre as metodologias por que se pautaram as a&ccedil;&otilde;es na escola. A se&ccedil;&atilde;o final apresenta alguns dos resultados que a pesquisa obteve.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>2. Material e m&eacute;todos</b></p> 		    <p><b>2.1. O moldar das ideias: in&iacute;cio de uma discuss&atilde;o te&oacute;rico-metodol&oacute;gica</b></p> 		    <p>A programa&ccedil;&atilde;o das atividades que se realizariam na Escola Estadual Carlos Maia baseou-se em duas escolhas metodol&oacute;gicas: uma, discutir a import&acirc;ncia de submeter o conceito de educa&ccedil;&atilde;o ambiental a um exame cr&iacute;tico; a outra, tentar compreender, por uma an&aacute;lise escalar e de totalidade, a vis&atilde;o de mundo dos alunos, que s&atilde;o crian&ccedil;as imersas numa realidade costeira e de periferia urbano-metropolitana.</p> 		    <p>Duas raz&otilde;es tornam sumamente relevante elucidar de que modo se constr&oacute;i o conceito de educa&ccedil;&atilde;o ambiental: o fato de a educa&ccedil;&atilde;o ser caminho para a consci&ecirc;ncia e para a liberdade (Freire, 1979) e o debate cr&iacute;tico sobre o modelo de desenvolvimento e de industrializa&ccedil;&atilde;o que no Brasil se afirmou no correr do s&eacute;culo XX (Porto-Gon&ccedil;alves, 2006). Objetivou a pesquisa descobrir como a escola influi sobre a vis&atilde;o de mundo dos alunos, de que forma lhes modela a percep&ccedil;&atilde;o do contexto socioambiental em que vivem.</p> 		    <p>A Escola Estadual Carlos Maia situa-se no munic&iacute;pio fluminense de S&atilde;o Gon&ccedil;alo, no Bairro do Porto Velho, tendo vizinhan&ccedil;a com uma comunidade pesqueira que se conhece localmente pelo nome de <i>Comunidade da Esso</i>, e que &eacute; lugar tanto de morada como de embarque e desembarque de grande n&uacute;mero de pescadores artesanais (<a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f1.jpg" target="_blank">Figura 1</a>). &Agrave; semelhan&ccedil;a do munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, S&atilde;o Gon&ccedil;alo abriga um dos maiores contingentes de pescadores artesanais da regi&atilde;o metropolitana.</p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p><a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f1.jpg" target="_blank">Figura 1</a></p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escola e os seus alunos pertencem a uma realidade urbano-costeira com ambiente muito degradado, no qual n&atilde;o s&oacute; se acumulam res&iacute;duos s&oacute;lidos e qu&iacute;micos despejados pelas &aacute;guas do mar, assaz polu&iacute;das no correspondente trecho da Ba&iacute;a de Guanabara, mas ainda se acumulam outros tantos res&iacute;duos cuja abund&acirc;ncia, como a daqueles, resulta de longo descaso do poder p&uacute;blico no atinente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o que esses problemas ambientais atingem com maior intensidade: falta saneamento b&aacute;sico, servi&ccedil;o regular de recolhimento de lixo, pavimenta&ccedil;&atilde;o de vias p&uacute;blicas e, entre mais coisas, a despolui&ccedil;&atilde;o da ba&iacute;a.</p> 		    <p>N&atilde;o tardaram os professores da Carlos Maia em colaborar com o projeto do NUTEMC de extens&atilde;o universit&aacute;ria, intitulado Educa&ccedil;&atilde;o Socioambiental na Escola, com o qual tamb&eacute;m se uniu desde o come&ccedil;o o projeto, do LASTRO, Cartografia da A&ccedil;&atilde;o e a Juventude em S&atilde;o Gon&ccedil;alo, executado sob a orienta&ccedil;&atilde;o da soci&oacute;loga Ana Clara Torres Ribeiro e em parceria com o NUTEMC, onde o coordenavam a ge&oacute;grafa Catia Antonia da Silva e outros professores da FFP.</p> 		    <p>O munic&iacute;pio de S&atilde;o Gon&ccedil;alo, em cujo perif&eacute;rico Bairro do Porto Velho se situa a escola e residem quase todos os alunos que nela estudam, faz parte da Regi&atilde;o Metropolitana do Rio de Janeiro (<a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f2.jpg" target="_blank">Figura 2</a>) e, segundo o &uacute;ltimo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), conta perto de 1 milh&atilde;o de habitantes (<a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>) e um produto interno bruto (PIB) pouco superior a 10 bilh&otilde;es de reais. S&atilde;o Gon&ccedil;alo tem de comum com milhares de outros munic&iacute;pios brasileiros esta contradi&ccedil;&atilde;o capitalista: a coexist&ecirc;ncia entre o desenvolvimento industrial, pequeno ou grande, e uma infraestrutura urbana insatisfat&oacute;ria, cujas instala&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e servi&ccedil;os b&aacute;sicos geralmente s&atilde;o, quando existem e onde existem, de aguda precariedade.</p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p><a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f2.jpg" target="_blank">Figura 2</a></p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p><a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a></p>         
<p>&nbsp;</p> 		    <p>Ao examinarem-se as quest&otilde;es socioambientais da localidade tratadas na escola, tomaram-se por refer&ecirc;ncia sobretudo os problemas que os pescadores artesanais vivem nesse contexto de degrada&ccedil;&atilde;o do ambiente e reestrutura&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do espa&ccedil;o, reconhecendo-se que o socioespacial e o ambiental s&atilde;o insepar&aacute;veis entre si, e que o modelo econ&ocirc;mico industrial e modernizador amplia a destrui&ccedil;&atilde;o do ambiente e acelera a segrega&ccedil;&atilde;o social no espa&ccedil;o geogr&aacute;fico.</p> 		    <p>Al&eacute;m de possuir uma ind&uacute;stria naval consolidada, a economia do munic&iacute;pio toma parte na reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva da ind&uacute;stria fluminense, pr&oacute;ximo que est&aacute; ele ao Complexo de ind&uacute;stria naval e do Terminal Aquavi&aacute;rio da Petrobras (local de grande presen&ccedil;a de navios e de dutos de g&aacute;s e petr&oacute;leo), cujas atividades econ&ocirc;micas influem deleteriamente na vida dos pescadores artesanais: elas tanto lhes avan&ccedil;am sobre antigas e valiosas &aacute;reas de pesca, havendo-os at&eacute; hoje privado de muitas, quanto pela polui&ccedil;&atilde;o lhes degradam j&aacute; direta j&aacute; indiretamente as &aacute;reas que sobram para eles, ou para onde os vai impelindo essa desigual porfia (Figuras <a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f3.jpg" target="_blank">3</a>, <a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f4.jpg" target="_blank">4</a> e <a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f5.jpg" target="_blank">5</a>). Este o conv&iacute;vio entre os pescadores artesanais e os empreendimentos do grande capital na regi&atilde;o; estas as consequ&ecirc;ncias que o mesmo capital vai surtindo no ambiente.</p> 	    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p><a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f3.jpg" target="_blank">Figura 3</a></p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p><a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f4.jpg" target="_blank">Figura 4</a></p>         
<p>&nbsp;</p> 	        <p><a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f5.jpg" target="_blank">Figura 5</a></p>         
<p>&nbsp;</p> 		    <p>Assim entra em cena a educa&ccedil;&atilde;o ambiental, para elucidar os nexos entre a a&ccedil;&atilde;o humana e o meio, e infundir quanto &agrave;s quest&otilde;es ambientais uma consci&ecirc;ncia social mais profunda, que ajude a minorar, a longo prazo, os efeitos danosos surtidos no espa&ccedil;o pela moderniza&ccedil;&atilde;o. Compreender a a&ccedil;&atilde;o humana &eacute;, neste sentido, desvendar os agentes produtores de tal modelo modernizante com que se tem acerbado a j&aacute; forte segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial das periferias, onde &agrave;s dificuldades socioecon&ocirc;micas decorrentes dos sal&aacute;rios baixos se aliam os males que v&ecirc;m com a polui&ccedil;&atilde;o, com a precariedade dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, e com a falta de instala&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas adequadas e de equipamentos culturais.</p> 		    <p>Isto posto, n&atilde;o tem cabida idealizar abstrata e romanticamente a educa&ccedil;&atilde;o ambiental, mas sim conceb&ecirc;-la pr&oacute;pria a desvendar ao educando os elos da cadeia de poder nas quest&otilde;es ambientais e a din&acirc;mica da rela&ccedil;&atilde;o entre a sociedade, o Estado, a economia e o meio. Impende compreender os modelos de moderniza&ccedil;&atilde;o e de industrializa&ccedil;&atilde;o que impuseram como paradigma o uso dos recursos naturais, qual se estes fossem inesgot&aacute;veis e talhados sobretudo para um modelo de produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias em larga escala animado pela constru&ccedil;&atilde;o social de necessidades, ou seja, o modelo de produ&ccedil;&atilde;o duma sociedade de consumo de massa (Porto-Gon&ccedil;alves, 2006).</p> 		    <p>Na escola muitos exerc&iacute;cios guiaram-se pelo conceito de Tavares (2011: 50) de <i>educa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;: “[...] ao relacionar inf&acirc;ncia, alfabetiza&ccedil;&atilde;o e cidade, visando &agrave; complexifica&ccedil;&atilde;o do que seja alfabetiza&ccedil;&atilde;o na contemporaneidade, estamos defendendo que a cidade &eacute; como um livro de espa&ccedil;os, onde os diferentes textos, imagens, mensagens, corpos, fluxos se hibridizam, configurando uma poderosa m&iacute;dia, cujos significados atravessam o sujeito citadino, exigindo outras formas de percep&ccedil;&atilde;o, leitura, alfabetiza&ccedil;&atilde;o.</i>”</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Adverte Tavares (2011) em que, para entender a educa&ccedil;&atilde;o popular, &eacute; necess&aacute;rio construir o conhecimento baseando-se no modo de ver dos alunos, nas suas trajet&oacute;rias de vida, nas suas percep&ccedil;&otilde;es da realidade, nas suas vis&otilde;es de mundo e nas suas vozes; &eacute; preciso interagir com o lugar vivido e com a cidade desigual.</p> 		    <p>Em 2010, no in&iacute;cio da execu&ccedil;&atilde;o do projeto na Escola Estadual Carlos Maia, realizou-se entre os alunos um censo com o fim de saber quantos tinham liga&ccedil;&atilde;o com a pesca. Das 226 crian&ccedil;as matriculadas, 112 responderam ao question&aacute;rio, e apurou-se que: cerca de 35% delas eram parentes de algum pescador (pai, tio, av&oacute;, entre outros), 40% haviam-se j&aacute; servido de um barco como transporte ou para pescarem, e 25% conheciam bem a linguagem e os petrechos espec&iacute;ficos da pesca (entre estes os tipos de embarca&ccedil;&atilde;o, de rede, de traineira, etc.). Assim, trabalhou-se a constru&ccedil;&atilde;o do conceito de educa&ccedil;&atilde;o socioambiental com as turmas do 4&ordm; e 5&ordm; anos do ensino b&aacute;sico, no que se tomaram por refer&ecirc;ncia as discuss&otilde;es da equipe executora do projeto. Tamb&eacute;m muito relevou a participa&ccedil;&atilde;o dos pescadores artesanais, a palestrarem com os alunos, num interc&acirc;mbio de perguntas e respostas que promoveu a intera&ccedil;&atilde;o dos saberes (cient&iacute;ficos, populares e vividos) e facultou compreender mais a fundo os problemas da moderniza&ccedil;&atilde;o industrial e as consequ&ecirc;ncias da polui&ccedil;&atilde;o para a vida dos pescadores.</p> 		    <p>Em tal di&aacute;logo entre os saberes, discerniram-se dois fatores que influem para a degrada&ccedil;&atilde;o da Ba&iacute;a de Guanabara: um, a inc&uacute;ria do Estado, a qual deixa grassar os problemas de que se in&ccedil;am a precariedade do saneamento b&aacute;sico e a m&iacute;ngua de fiscaliza&ccedil;&atilde;o das atividades potencialmente poluidoras; o outro fator, o grande capital, cujos empreendimentos na regi&atilde;o, de ordin&aacute;rio voltados para a ind&uacute;stria petrol&iacute;fera, envolvem atividades que de maneira direta concorrem para degradar ainda mais o ambiente. Al&eacute;m disso, apresentaram-se as formas como se organizam, como reivindicam, protestam e lutam socialmente os habitantes e pescadores que vivem todos os dias os problemas citados.</p> 		    <p>O trabalho pedag&oacute;gico utilizou o conceito de cartografia da a&ccedil;&atilde;o, formulado por Ribeiro <i>et al.</i> (2001). Fundou-se metodologicamente nesse conceito o exerc&iacute;cio de as crian&ccedil;as fazerem mapas, nos quais elas reconheciam as a&ccedil;&otilde;es, representando por s&iacute;mbolos os pontos em que se localizavam os pescadores, os problemas ambientais, as &aacute;reas de protestos, o poder p&uacute;blico e as barqueatas. Mormente em certas atividades pr&aacute;ticas, o uso da <i>cartografia da a&ccedil;&atilde;o</i> facultou uma aprendizagem mais aut&ocirc;noma, assim como livre de discursos preestabelecidos e dos existentes nos textos did&aacute;ticos (Silva, 2011).</p> 	    <p>Segundo Ribeiro <i>et al.</i> (2001), a cartografia da a&ccedil;&atilde;o social &eacute; aquela que pode compreender e representar o movimento da sociedade, das lutas e dos novos desejos, das a&ccedil;&otilde;es e desejos das bases populares. &Eacute; a cartografia da a&ccedil;&atilde;o que representa tamb&eacute;m o cotidiano da vida coletiva: “<i>A cartografia aqui sugerida &eacute; a da den&uacute;ncia e tamb&eacute;m aquela que orienta a a&ccedil;&atilde;o social, desvendando contextos e antecipando atos (Almeida, 1994). Significa, portanto, tanto a contextualiza&ccedil;&atilde;o veloz da a&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica, cada vez mais estrategicamente localista, quanto a valoriza&ccedil;&atilde;o imaginativa dos lugares vividos, onde a vida escorre ou ganha for&ccedil;a reflexiva e transformadora. Como carta, o mapa n&atilde;o aparece como instrumento isolado ou como bela ilustra&ccedil;&atilde;o de textos, exacerbando crit&eacute;rios est&eacute;ticos, mas sim como ferramenta anal&iacute;tica e como sustento da mem&oacute;ria dos outros. Neste sentido, prop&otilde;e-se uma cartografia incompleta que se faz, fazendo. Uma cartografia praticada, que n&atilde;o seja apenas dos usos do espa&ccedil;o, mas tamb&eacute;m utiliz&aacute;vel, de forma que ocorra a sincronia espa&ccedil;o-temporal, o que apoiaria, inclusive, o trabalho interdisciplinar.</i>” (Ribeiro <i>et al.</i>, 2001, p.43)</p> 	    <p>Portanto, a cartografia da a&ccedil;&atilde;o &eacute; a n&atilde;o oficial, que se ocupa com as trajet&oacute;rias das bases populares, com os itiner&aacute;rios de lutas e de protestos, com as rotas de trabalho no cotidiano, com as manifesta&ccedil;&otilde;es da cultura, com as normas ocultas n&atilde;o estatais da sociedade. Pode-se com esta orienta&ccedil;&atilde;o desvendar um novo mundo, desvelar o invis&iacute;vel, deparar beleza no an&ocirc;nimo e potencial no inconsiderado, surpreender riquezas naquilo e naqueles que s&atilde;o reputados como pobres de tudo. Esta concep&ccedil;&atilde;o afina-se com a de Santos (1996) sobre os homens lentos, com a de Freire (1979) acerca do compromisso humano, o compromisso de reflex&atilde;o e de consci&ecirc;ncia em face das contradi&ccedil;&otilde;es e anelos que fragmentam o espa&ccedil;o e lhe infundem a segrega&ccedil;&atilde;o.</p> 		    <p>&Agrave; luz deste humanismo concreto, a cartografia da a&ccedil;&atilde;o social pode ser considerada uma categoria a um tempo anal&iacute;tica e metodol&oacute;gica, j&aacute; que permite experimentar a constru&ccedil;&atilde;o de novos mapeamentos e s&iacute;mbolos, origin&aacute;rios do contexto de um espa&ccedil;o vivido e concebido, portadores de novas formas de representa&ccedil;&atilde;o e de novos projetos, de novos sentidos de a&ccedil;&atilde;o de sujeitos a quem se julga por comuns, banais. Cumpre manter o esp&iacute;rito aberto para ver as novas possibilidades de redesenhar o mundo, de cada um reescrever a sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, de reescrever-se a hist&oacute;ria das bases populares (Santos, 1996; Santos <i>et al.</i>, 2000).</p> 		    <p>Neste mundo impregnado de segrega&ccedil;&atilde;o, observa-se que os mais afligidos pelos grandes danos ambientais s&atilde;o as classes populares. Por isso revela-se demasiado simples o conceito de educa&ccedil;&atilde;o ambiental. E isto, em primeiro lugar porque, em grande parte, quem inflige ao meio s&eacute;rios danos com res&iacute;duos t&oacute;xicos (l&iacute;quidos, s&oacute;lidos, org&acirc;nicos, inorg&acirc;nicos, etc.) n&atilde;o &eacute; o homem ou a mulher que vivem na pobreza, mas o vigente modelo de industrializa&ccedil;&atilde;o, o modelo de desenvolvimento que se serve da natureza vendo-a como recurso. N&atilde;o basta s&oacute; dizer aos alunos que “<i>n&atilde;o joguem o copinho de pl&aacute;stico no Imboassu [rio de S&atilde;o Gon&ccedil;alo], porque vai para a Ba&iacute;a de Guanabara</i>”, pois limitar-se a essa recomenda&ccedil;&atilde;o significa reproduzir um discurso superficial, falto de teor cr&iacute;tico. A ideia do exerc&iacute;cio pedag&oacute;gico realizado &eacute; esclarecer aos alunos que o copinho pl&aacute;stico descart&aacute;vel pertence a um modelo hegem&ocirc;nico de industrializa&ccedil;&atilde;o, modelo esse que pouco se importa com o paradeiro final do copinho, por muito que se saiba que este levar&aacute; cerca de 100 anos para decompor-se na Ba&iacute;a de Guanabara. Deve-se mostrar aos alunos o fato de os principais agentes poluidores da ba&iacute;a (que s&atilde;o o Estado e o grande capital) impingirem aos consumidores, que totalizam milh&otilde;es na Regi&atilde;o Metropolitana do Rio de Janeiro, a responsabilidade pelo destino final dessa mercadoria, agora chamada lixo.</p> 	    <p>O conceito da categoria anal&iacute;tica <i>educa&ccedil;&atilde;o socioambiental </i>utilizado nas atividades pedag&oacute;gicas, os pesquisadores constru&iacute;ram-no baseando-se principalmente nos trabalhos de campo que realizaram junto aos pescadores artesanais da Ba&iacute;a de Guanabara, esta territ&oacute;rio de m&uacute;ltiplos agentes a operarem em m&uacute;ltiplas escalas (do mundo, do pa&iacute;s e do munic&iacute;pio) e a gerarem conflitos sem conta. Esses trabalhos de campo deram a conhecer que os pescadores usavam como vias de passagem diversos rios que, no decurso do processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, se haviam transformado em esgotos (por exemplo, o Rio Imboassu, em S&atilde;o Gon&ccedil;alo, e o Canal de Mag&eacute;, no munic&iacute;pio de Mag&eacute;). Tamb&eacute;m se descobriu que, a par da Comunidade da Esso, havia outros pontos gon&ccedil;alenses de embarque e desembarque da pesca artesanal: o Gradim, a Praia das Pedrinhas, Itaoca e a Praia da Luz.</p> 	    <p>Depois de entrevistarem pescadores artesanais, passaram os alunos e os professores a compreender-lhes as dificuldades, persuadindo-se do muito que descabe cultivar uma vis&atilde;o rom&acirc;ntica da educa&ccedil;&atilde;o ambiental e crer seja suficiente “plantar uma &aacute;rvore”. Para esses pescadores, a natureza &eacute; a sua morada, o seu trabalho e a sua vida. A polui&ccedil;&atilde;o vinda com o grande capital e as restri&ccedil;&otilde;es impostas pelas leis mar&iacute;timas e ambientais fazem-lhes conduzir as suas pequenas embarca&ccedil;&otilde;es para &aacute;reas cada vez mais distantes daquelas onde originalmente pescavam, para al&eacute;m da Ponte Rio-Niter&oacute;i os impulsam, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; desembocadura da Ba&iacute;a de Guanabara, premidos pela necessidade de obter pescados melhores e em maior n&uacute;mero que os que essas circunst&acirc;ncias mais e mais desfavor&aacute;veis deixam restar-lhes. Mas todo esse esfor&ccedil;o dos pescadores artesanais para compensarem as suas perdas os penaliza vivamente, expondo-os por muito mais horas aos rigores do sol, &agrave; extenua&ccedil;&atilde;o do trabalho e &agrave;s amea&ccedil;as naturais que lhes rondam a vida na atividade em mar alto.</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A educa&ccedil;&atilde;o ambiental &eacute;, pois, uma categoria anal&iacute;tica que permite compreender o espa&ccedil;o, tanto o rural como o urbano, onde a destrui&ccedil;&atilde;o do ambiente implica a destrui&ccedil;&atilde;o das camadas sociais menos favorecidas. Por isso n&atilde;o se pode analisar a quest&atilde;o ambiental isoladamente, sob pena de tornar essa categoria ideologizante ao inv&eacute;s de esclarecedora nestes espa&ccedil;os-tempos de globaliza&ccedil;&atilde;o e de sociedade de consumo.</p> 		    <p>A seguir, discorre-se a metodologia empregada na atividade que se levou a efeito na escola.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>2.2. A pr&aacute;tica metodol&oacute;gica e resultados preliminares</b></p> 		    <p>As atividades na Escola Estadual Carlos Maia ocorreram nos anos letivos de 2010 e 2011, englobando quatro turmas do primeiro ciclo do ensino fundamental: duas da terceira s&eacute;rie (quarto ano) e duas da quarta s&eacute;rie (quinto ano), constitu&iacute;das de crian&ccedil;as de nove a doze anos de idade. Realizaram-se dezesseis oficinas, seis no primeiro e dez no segundo ano do projeto. O objetivo metodol&oacute;gico do ensino era integrar os saberes cient&iacute;ficos dos pesquisadores universit&aacute;rios, os saberes emp&iacute;ricos dos pescadores artesanais, os saberes transmitidos por not&iacute;cias jornal&iacute;sticas e os que as crian&ccedil;as obtinham pela sua experi&ecirc;ncia com a cidade e com a ba&iacute;a.</p> 		    <p>As not&iacute;cias jornal&iacute;sticas provieram de recortes dos jornais de maior circula&ccedil;&atilde;o no munic&iacute;pio, e versavam sobre casos de polui&ccedil;&atilde;o comuns ocorridos nele e na Ba&iacute;a de Guanabara, destacando-se os relativos a: enchentes; derramamento de &oacute;leo; ac&uacute;mulo de res&iacute;duos s&oacute;lidos; falta de saneamento b&aacute;sico; e reivindica&ccedil;&otilde;es e lutas dos pescadores artesanais diante dos processos de moderniza&ccedil;&atilde;o que reduzem as &aacute;reas de pesca.</p> 		    <p>Com base nos recortes de jornal e nos problemas referidos pelos alunos, criou-se um gloss&aacute;rio, que traz conceitos fundamentais e um quadro elucidativo dos problemas, dos sujeitos da a&ccedil;&atilde;o social, das formas de reivindica&ccedil;&atilde;o e da busca de solu&ccedil;&otilde;es. Assim tamb&eacute;m, organizou-se um banco de dados com este material e com aquilo que se apurou no levantamento de dados nacionais e internacionais sobre a polui&ccedil;&atilde;o de ambientes costeiros, as consequ&ecirc;ncias dessa polui&ccedil;&atilde;o e os conflitos sociais decorrentes dela. &Eacute; necess&aacute;rio que se analise a quest&atilde;o ambiental, correlacionando-se as diversas escalas em que se d&aacute; ela: a da globaliza&ccedil;&atilde;o, a nacional, a metropolitana e a do lugar (a escala do espa&ccedil;o vivido e concebido: a cidade, o bairro, a rela&ccedil;&atilde;o entre o mar e a terra).</p> 		    <p>Al&eacute;m disso, uma vez que os alunos manifestaram o desejo de entrevistar os pescadores artesanais que vivem no munic&iacute;pio de S&atilde;o Gon&ccedil;alo e pescam na Ba&iacute;a de Guanabara, o grupo de pesquisa orientou-os na prepara&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de perguntas que elas fariam a um desses pescadores. Eis o question&aacute;rio:</p> 		    <p> <i>Lista das perguntas ao pescador artesanal, preparada pelos alunos no &acirc;mbito da aula na Escola Estadual Carlos Maia em S&atilde;o Gon&ccedil;alo/RJ:</i></p> 		<ol>               <li><i>H&aacute; quanto tempo voc&ecirc; pesca? Aprendeu com quem?</i></li> 		      ]]></body>
<body><![CDATA[<li><i>Voc&ecirc; gosta deste trabalho? Por qu&ecirc;?</i></li> 		      <li><i>Voc&ecirc; mora perto da Ba&iacute;a de Guanabara?</i></li> 		      <li><i>O que voc&ecirc; acha da pesca na Ba&iacute;a de Guanabara?</i></li> 		      <li><i>Como foi o derramamento de &oacute;leo?</i></li> 		      <li><i>Por que os navios despejam muito &oacute;leo?</i></li> 		      <li><i>H&aacute; quanto tempo voc&ecirc; pesca na Ba&iacute;a de Guanabara?</i></li> 		      <li><i>Por que os peixes est&atilde;o morrendo na Ba&iacute;a de Guanabara?</i></li> 		      <li><i>Quais s&atilde;o os problemas de polui&ccedil;&atilde;o na Baia de Guanabara?</i></li>         </ol>     <p>No dia da entrevista, a qual se efetuou em sala de aula, as crian&ccedil;as prepararam o material e fizeram as perguntas. Tomou-se a provid&ecirc;ncia, metodologicamente recomend&aacute;vel, de registrar tudo, usando-se gravadores, c&acirc;meras fotogr&aacute;ficas e filmadoras, para produzir destarte um material que, ap&oacute;s ser devidamente organizado, ficaria &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de todos os envolvidos no trabalho (alunos, professores e pesquisadores), para que ulteriormente o pudessem analisar e depois <br /> 		  divulg&aacute;-lo.</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A entrevista e a exposi&ccedil;&atilde;o dos dados serviram de base para encontros posteriores, em que, por exemplo, se elaborou um quadro de problemas ambientais segundo os percebiam os alunos, e criaram-se mapas coletivos (mapas que eles elaboraram trabalhando em conjunto e com a aten&ccedil;&atilde;o voltada para temas-problema). A refer&ecirc;ncia foi o novo quadro tem&aacute;tico (<a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a>), em que se reuniram as problem&aacute;ticas aventadas durante a execu&ccedil;&atilde;o do projeto, tais como as consequ&ecirc;ncias da polui&ccedil;&atilde;o da Ba&iacute;a de Guanabara e o papel das barqueatas na luta em defesa do ambiente.</p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p><a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a></p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p>Concebeu-se esta atividade como prepara&ccedil;&atilde;o para a &uacute;ltima, com o que se objetivou ajudar os alunos a perceber as formas que a a&ccedil;&atilde;o social pode assumir e as maneiras como os agentes se servem do territ&oacute;rio. Ao mesmo tempo, tencionou-se estimular a consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica e propositora dos alunos, elemento central para a forma&ccedil;&atilde;o de um pensamento gestor apto a perceber as condi&ccedil;&otilde;es do presente e a necessidade de mudan&ccedil;as futuras, e assim os alunos formularam poss&iacute;veis a&ccedil;&otilde;es que contribuiriam a prevenir a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental da Ba&iacute;a de Guanabara. Conclu&iacute;do o trabalho da oficina, perguntou-se-lhes: “<i>Agora que voc&ecirc;s sabem que t&ecirc;m o poder de reivindicar o que quiserem, o que fariam para mudar a atual situa&ccedil;&atilde;o da Ba&iacute;a de Guanabara? Citem pelo menos tr&ecirc;s a&ccedil;&otilde;es que voc&ecirc; fariam.</i>” Dessa reflex&atilde;o resultou a <a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a>.</p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p><b>3. Resultados e discuss&atilde;o</b></p> 		    <p>Aqui, exp&otilde;em-se brevemente os resultados que as atividades produziram.</p> 		    <p>Quanto &agrave;s entrevistas, perceberam os alunos, os professores e os pesquisadores a relev&acirc;ncia da oralidade do pescador, o qual, trabalhador das &aacute;guas, conhece de perto aquilo que os moradores urbanos, estranhos a elas, n&atilde;o veem. Nas &aacute;guas da Ba&iacute;a de Guanabara, os pescadores observam grande quantidade de lixo flutuante e lixo imerso, o que robora conclus&otilde;es a que anteriormente chegou a an&aacute;lise de Ferreira <i>et al.</i> (2011). Os pescadores tamb&eacute;m relataram, por um lado, que essa alta quantidade de lixo lhes destr&oacute;i as redes de pesca e, por outro lado, que desde o derramamento petrol&iacute;fero ocorrido no ano 2000 h&aacute; no fundo da ba&iacute;a um enorme ac&uacute;mulo de &oacute;leo. Eles igualmente comentaram a abund&acirc;ncia de navios de grande porte que circulam pela ba&iacute;a: navios indo ou vindo do Porto do Rio de Janeiro, ou dos terminais aquavi&aacute;rios da Ilha Redonda e da Ilha Comprida.</p> 		    <p>Contaram como receberam, por tradi&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia, a cultura da pesca, um saber que em geral se transmite oralmente de pais a filhos, e referiram as suas mem&oacute;rias sobre os espa&ccedil;os em que hoje convivem com s&eacute;rios problemas ambientais: eram espa&ccedil;os pouco ocupados, onde rareavam embarca&ccedil;&otilde;es e inexistiam aterros. Os pescadores falaram sobre o seu percurso cotidiano de casa para o trabalho e do trabalho para casa, e expuseram o seu saber emp&iacute;rico acerca do tempo e do clima, revelando-se grandes conhecedores dos ventos, do mar e de outros dom&iacute;nios da natureza. Os alunos entusiasmaram-se, sentiram-se sujeitos dos debates e aprenderam muito com o que disserem os pescadores.</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essas entrevistas deram elementos para o exerc&iacute;cio, nas oficinas seguintes, de reconhecer os principais problemas e de cogitar solu&ccedil;&otilde;es (<a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a>).</p> 	    
<p>No concernente &agrave; pr&aacute;tica da cartografia da a&ccedil;&atilde;o social, o objetivo maior foi o exerc&iacute;cio pedag&oacute;gico da confec&ccedil;&atilde;o coletiva do mapa: cada turma, depois de elaborar a <a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a>, eleger o tema do mapa e criar a legenda, passou para a etapa de produzir o mapa. Tamb&eacute;m se atribuiu aos alunos a fun&ccedil;&atilde;o de organizar esta etapa do trabalho. Aos mapas produzidos chamou-se de <i>mapas das a&ccedil;&otilde;es</i>.</p> 	    
<p>Na etapa de elabor&aacute;-los, incumbiu-se a um aluno a tarefa de escrever a legenda e demais elementos, a outros alunos a de criar os s&iacute;mbolos da legenda escolhidos pela turma, e a outros ainda a organiza&ccedil;&atilde;o da atividade de descobrir os pontos onde colar as figurinhas (s&iacute;mbolos da legenda).</p> 		    <p>Quanto ao debate sobre a quest&atilde;o ambiental e ao exerc&iacute;cio de representar espacialmente os fen&ocirc;menos sociais e do ambiente, cabe observar que, mais do que para entender a g&ecirc;nese dos problemas ambientais da Ba&iacute;a de Guanabara e represent&aacute;-los num mapa, o trabalho foi importante para se construiu com os alunos, coletivamente, uma consci&ecirc;ncia ambiental alicer&ccedil;ada na a&ccedil;&atilde;o, uma a&ccedil;&atilde;o cuja ideia de <i>movimento</i> dos sujeitos no espa&ccedil;o e de atribui&ccedil;&otilde;es e intuitos desses sujeitos (no caso a prefeitura, as empresas e os pescadores) &eacute; indispens&aacute;vel para que se desvendem as rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e de poder que regem o territ&oacute;rio, se rompa com o cotidiano (tantas vezes alienado) e se concretize a mudan&ccedil;a. Os alunos consideraram que, para se resolverem os problemas do munic&iacute;pio, cumpre que se executem, com prioridade, estas a&ccedil;&otilde;es: prover o recolhimento regular do lixo nas vias p&uacute;blicas e na ba&iacute;a, demandar em ju&iacute;zo as empresas poluidoras, apoiar ativamente os protestos em defesa da Ba&iacute;a de Guanabara, e os pr&oacute;prios alunos absterem-se de deitar lixo &agrave;s vias p&uacute;blicas. O papel da educa&ccedil;&atilde;o socioambiental &eacute; contribuir para a consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica do indiv&iacute;duo e seu grupo, neste caso a conscientiza&ccedil;&atilde;o dos alunos acerca, por exemplo, das condi&ccedil;&otilde;es de vida prec&aacute;rias dos pescadores relacionadas com a polui&ccedil;&atilde;o crescente da Ba&iacute;a de Guanabara e com a resultante m&iacute;ngua do pescado.</p> 	    <p>Noutra oficina, intitulada <i>Natureza e Pesca Artesanal: uma parceria de sucesso</i>, foram not&aacute;veis as reivindica&ccedil;&otilde;es que os alunos sugeriram dirigir &agrave; prefeitura de S&atilde;o Gon&ccedil;alo, no tocante aos problemas urbano-ambientais do munic&iacute;pio, evidenciados em fotografia e manchetes de jornais. Os alunos sensibilizaram-se bastante com certa fotografia que se exibiu no decorrer da oficina, e mostrava uma ave toda coberta com o negror do &oacute;leo vazado de um oleoduto que estende sob as &aacute;guas da Ba&iacute;a de Guanabara. Mas todos os materiais apresentados nesta oficina contribu&iacute;ram por estimular a reflex&atilde;o dos problemas causados pelos diversos tipos de polui&ccedil;&atilde;o que assolam o territ&oacute;rio da ba&iacute;a, assim como dos agentes respons&aacute;veis seja pela causa, seja pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o do problema.</p> 	    <p>A &uacute;ltima oficina realizou-se no dia 14 de outubro de 2011, no audit&oacute;rio da Faculdade de Forma&ccedil;&atilde;o de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ/FFP), quando 125 crian&ccedil;as participaram, com seus professores e familiares, numa atividade especial, que foi a exposi&ccedil;&atilde;o de todo o que durante a execu&ccedil;&atilde;o do projeto os alunos haviam produzido. Este evento contou igualmente com a participa&ccedil;&atilde;o de pescadores artesanais, pesquisadores da UERJ e estudantes de diversos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o da FFP.</p> 		    <p>Grandes protagonistas desde o in&iacute;cio do projeto, os alunos entraram no campus erguendo alto uma faixa em que pediam a aten&ccedil;&atilde;o de todos para os problemas vivenciados cotidianamente na Ba&iacute;a de Guanabara. E os mesmos alunos, depois de apresentarem os seus <i>mapas das a&ccedil;&otilde;es</i>, encenaram uma breve representa&ccedil;&atilde;o teatral em que denunciavam os problemas da ba&iacute;a (<a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f6.jpg" target="_blank">Figura 6</a>).</p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    <p><a href="/img/revistas/rgci/v13n2/13n2a06f6.jpg" target="_blank">Figura 6</a></p> 	    
<p>&nbsp;</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tudo isto foi um exerc&iacute;cio dial&oacute;gico que deu vida e sentido &agrave; educa&ccedil;&atilde;o ambiental, mostrando o nexo entre o homem e a natureza, entre a desigualdade social e as afli&ccedil;&otilde;es causadas pela destrui&ccedil;&atilde;o do ambiente, a qual &eacute; sobre as classes pobres que as mais das vezes lan&ccedil;a o amargor dos seus efeitos. E n&atilde;o s&atilde;o apenas os desastres ambientais, &eacute; mais ainda a experi&ecirc;ncia di&aacute;ria, o cotidiano vivido sob a opress&atilde;o do mau cheiro, da contamina&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica e bacteriana, da baixa autoestima a que a diuturnidade destas circunst&acirc;ncias penosas costuma arrastar o esp&iacute;rito, enquanto ajuda, com os largos tra&ccedil;os da precariedade, a desenhar as fronteiras reais e imagin&aacute;rias que delimitam os espa&ccedil;os subjetivos do territ&oacute;rio.</p> 		    <p>A participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as n&atilde;o s&oacute; lhes estimulou a express&atilde;o verbal e a capacidade de exprimirem as suas ang&uacute;stias, mas tamb&eacute;m ensejou que elas se exercitassem como sujeitos pensadores, capazes de formular as suas quest&otilde;es e de exprimir a sua perplexidade. As crian&ccedil;as romperam barreiras simb&oacute;licas, transpuseram fronteiras sociais, entre estas a representada pelo fato de nunca antes haverem entrado no campus S&atilde;o Gon&ccedil;alo, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Os pais, tomados de emo&ccedil;&atilde;o, fotografavam a faculdade e, pondo-a no plano de fundo, fotografavam-se a si mesmos.</p> 		    <p>A educa&ccedil;&atilde;o socioambiental tem de ser humanista, precisa formar novas gera&ccedil;&otilde;es de pensadores e gestores cr&iacute;ticos, novas gera&ccedil;&otilde;es de pessoas que lutem pela dignidade humana, pela prote&ccedil;&atilde;o da natureza e pela possibilidade de conceber um desenvolvimento que n&atilde;o gere a infrene destrui&ccedil;&atilde;o das faunas e floras, n&atilde;o exproprie os territ&oacute;rios e n&atilde;o instaure a crise na sociedade (crise de valores, de &eacute;tica, das institui&ccedil;&otilde;es sociais, do sentido de estar no mundo).</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>4. Conclus&otilde;es</b></p> 		    <p>Para avaliar devidamente o papel que h&aacute; de ter a educa&ccedil;&atilde;o ambiental, cumpre persuadir-se da indissociabilidade entre o homem e o meio. Ao destruir-se a natureza em nome do desenvolvimento, destroem-se tamb&eacute;m os grupos sociais pobres, como o dos pescadores artesanais; destr&oacute;i-se a cultura e identidade desses grupos; destr&oacute;i-se-lhes o sentido de estar no mundo.</p> 		    <p>Embora concorram para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e gera&ccedil;&atilde;o de empregos nas in&uacute;meras cidades em que residem e atuam, os pescadores artesanais s&atilde;o trabalhadores invis&iacute;veis para essas mesmas cidades, que os ignoram solenemente, como os ignoram os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, onde eles muito raro t&ecirc;m voz. Da&iacute; serem de fundamental import&acirc;ncia o trabalho de campo nas localidades pesqueiras e as entrevistas com pescadores. A metodologia da educa&ccedil;&atilde;o socioambiental relaciona saberes locais e cient&iacute;ficos com as informa&ccedil;&otilde;es que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o difundem quanto &agrave;s a&ccedil;&otilde;es do Estado e das empresas. O objetivo &eacute; compreender os processos e as suas consequ&ecirc;ncias socioespaciais, bem como analisar os des&iacute;gnios e os discursos dos v&aacute;rios agentes. </p> 		    <p>Refletir acerca da gest&atilde;o costeira, julgando-a como instrumento para intervir sobre a realidade, deve-se entender que &eacute; uma forma de a&ccedil;&atilde;o social, uma a&ccedil;&atilde;o em que o trabalho pedag&oacute;gico com as novas gera&ccedil;&otilde;es se apresenta como uma das etapas necess&aacute;rias. Valorizar os saberes locais e os dos pescadores contribui para a visibilidade social de pontos da Ba&iacute;a de Guanabara dos quais a popula&ccedil;&atilde;o e at&eacute; mesmo as pesquisas n&atilde;o tomavam conhecimento.</p> 		    <p>Com este artigo pretende-se oferecer aos professores de outras escolas um m&eacute;todo pedag&oacute;gico em que eles se possam basear, a adaptarem-no, &eacute; claro, ao contexto e hist&oacute;ria delas. O m&eacute;todo salienta a import&acirc;ncia de determinados procedimentos em que o projeto exercitou os alunos:</p> 		<ol>               <li>Relacionar as quest&otilde;es sociais com as do ambiente, aclarando os aspectos pol&iacute;ticos de ambos os grupos de quest&otilde;es e os projetos em favor dos quais se porfia no territ&oacute;rio.</li> 		      ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Examinar criticamente os contextos sociais, econ&ocirc;micos e culturais em que os projetos de moderniza&ccedil;&atilde;o e de desenvolvimento geram cada vez maior segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial.</li> 		      <li>Mediante exerc&iacute;cios de reda&ccedil;&atilde;o e de desenho, atividades l&uacute;dicas e de confec&ccedil;&atilde;o de mapas, e at&eacute; palestras, como as dos pescadores artesanais, perceber como a escola se insere no contexto do bairro e da cidade, percep&ccedil;&atilde;o que &eacute; fundamental para formar sujeitos de direitos (sujeitos capazes de agir em busca de cidadania).</li> 		      <li>Mapear as suas pr&oacute;prias trajet&oacute;rias, localizando no mapa os pontos de polui&ccedil;&atilde;o, as a&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico e os direitos e deveres dos cidad&atilde;os.</li> 		      <li>Conhecer as leis ambientais, os direitos sociais, as fun&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico, os movimentos sociais e as lideran&ccedil;as e reivindica&ccedil;&otilde;es desses movimentos.</li> 		      <li>Realizar atividades l&uacute;dicas (desenhos, pinturas, pe&ccedil;as de teatro), representando no espa&ccedil;o c&ecirc;nico as quest&otilde;es sociais e ambientais.</li> 		      <li>Correlacionar v&aacute;rias disciplinas e conte&uacute;dos program&aacute;ticos (a Geografia, a Sociologia, a Hist&oacute;ria, a Biologia, a Arte), trabalhando os temas vividos e propostos pelas turmas em conson&acirc;ncia com o projeto coletivo elaborado pelos professores ou pela escola durante o ano letivo. </li>         </ol> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p> 		    <!-- ref --><p>Ferreira, J. de A.; Silva, C.A. da; Resende, A.T. (2011) – Projeto Ba&iacute;a Limpa: Monitora&ccedil;&atilde;o de Ambientes Marinhos Degredados por Res&iacute;duos S&oacute;lidos na Ba&iacute;a de Guanabara, Rio de Janeiro, Brasil. <i>Revista da Gest&atilde;o Costeira Integrada</i>, 11(1):103-113. DOI: 10.5894/rgci202&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1646-8872201300020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Freire, P. (1979) – <i>Educa&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a</i>. 78p., Editora Paz e Terra, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 857753170-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1646-8872201300020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <!-- ref --><p>IBGE (2011) - <i>Sinopse do Censo Demogr&aacute;fico</i> 2010. s/.p., Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ISBN: 978-8524041877. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/sinopse.pdf" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/sinopse.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1646-8872201300020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Porto-Gon&ccedil;alves. C.W. (2006) – <i>A globaliza&ccedil;&atilde;o da natureza e a natureza da globaliza&ccedil;&atilde;o</i>. 461p., Editora Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ISBN: 852000683-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1646-8872201300020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <!-- ref --><p>Ribeiro, A.C.T.; Barreto, A.R.S.; Louren&ccedil;o, A.; Costa, L.M. de C.; Amaral, L.C.P. do (2001) – Por uma cartografia da a&ccedil;&atilde;o: pequeno ensaio de m&eacute;todo. <i>Cadernos</i> IPPUR (ISSN: 0103-1988), ano XV(2) / Ano XVI(1): 33-52, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Dispon&iacute;vel em <a href="https://docs.google.com/file/d/0By1DYFPclamKTWtaR0ZKdmNTQ0E/edit" target="_blank">https://docs.google.com/file/d/0By1DYFPclamKTWtaR0ZKdmNTQ0E/edit</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1646-8872201300020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Santos, M.; Bernardes, A.; Zerbini, A.; Gomes, C.; Bicudo, E.; Almeida E.; Contel, F. B.; Grimm, F.; Nobre, G.; Antongiovanni L.; Pinheiro, M.B.; Xavier, M.; Silveira, M. L.; Montenegro, M.; Rocha, M.F. da; Arroyo, M.; Borin, P.; Ramos, S.; Belo, V. de L. (2000) – O papel ativo da Geografia: um manifesto. 18p. <i>XII Encontro Nacional de Ge&oacute;grafos</i>, Florian&oacute;polis, SC, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1646-8872201300020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 	    <!-- ref --><p>Santos, M. (1996) – <i>A natureza do Espa&ccedil;o: t&eacute;cnica e tempo, raz&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o</i>. 308p., Editora HUCITEC, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 853140713-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1646-8872201300020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Silva, C.A. (org.). (2011) – <i>Educa&ccedil;&atilde;o Socioambiental na escola: algumas experi&ecirc;ncias do cotidiano &agrave; luz da metodologia de ensino da Cartografia da A&ccedil;&atilde;o Social</i>. 80p., Editora Consequ&ecirc;ncia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ISBN: 9788564433021.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1646-8872201300020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <!-- ref --><p>Tavares, M.T.G. (2011) – Os pequenos e a cidade: a cidade de S&atilde;o Gon&ccedil;alo como livro de espa&ccedil;os. <i>In:</i> C.A. da Silva, A.C.T. Ribeiro &amp; A. Campos (org.), <i>Cartografia da A&ccedil;&atilde;o e movimentos da sociedade: desafios de m&eacute;todo e experi&ecirc;ncias urbanas</i>, pp. 83-97, Editora Lamparina, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ISBN: 9788598271897.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1646-8872201300020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <p>&nbsp;</p>             <p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a> Submission: 5 March 2013; Evaluation: 13 April 2013; Reception of revised manuscript: 31 May 2013; Accepted: 17 June 2013; Available on-line: 20 June 2013</p>      ]]></body><back>
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