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<journal-title><![CDATA[Revista de Gestão Costeira Integrada]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.5894/rgci394</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Experiência de recuperação de um sistema dunar e proposta de instrumentos complementares de proteção, atração e valorização ambiental]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Recovery experience of a dune system and complementary instruments proposal of protection, attraction, and environmental enhancement]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra IMAR - Centro do Mar e Ambiente ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The serious problems in most countries with extensive coastal zones are in some way, directly or indirectly linked to the progressive urban occupation of these areas, resulting in a strong degradation of many natural protection structures that exist. Simultaneously, it is also clear that activities and interventions of anthropogenic origin (such as the construction of dams, holding of inerts in rivers and dredging operations in ports) have contributed to strongly disturb these systems, notably through a significant reduction of sediment supply. Accordingly, these actions threaten the ability of the coastal areas to adapt to the increasing frequency and intensity of storm events, as a result of global climate change and the expected increase in the average sea level, which will inevitably lead to a pronounced erosion and to the consequent retreat of the shorelines. Knowing that banning the uses of coastal zones is not a solution to the serious constraints that exist, it is then necessary to recover them with the necessary infrastructures in order to guarantee that their intensive uses are not necessarily synonymous of degradation. The Leirosa sand dune system, located at south of Figueira da Foz, has been the scene of three major dune rehabilitation interventions in the past twelve years. The first involved the reconstruction of the sand dunes followed by revegetation using native marram grass. The effectiveness of this rehabilitation technique could not be confirmed, since the ocean side of the dune system was destroyed at the end of the winter of 2000-2001. In the other two interventions, two different applications of geotextiles were used. The first technique consisted in constructing several layers of sand enclosed in geotextiles, a so-called wrap-around technique, which stabilizes the sand and is quickly installed. The second technique was employed to protect the toe of the constructed barrier, which entailed the use of geotextile tube technology. The lessons learned with the methodology used for the rehabilitation and protection of the Leirosa sand dunes allowed to address new protection concepts, incorporating multi-functionality and environmental enhancing. It is in this context that we propose the implementation of multifunctional artificial reefs as alternative or complementary technique to traditional heavy protections. Examples of success are known, but there are not yet sufficiently detailed and systematic studies so that this kind of constructions could be generalized along the coastal zones, particularly with the dual aim of protecting them and improving the characteristics of many of their bathing spaces. Therefore, the main focus of this paper is to present a short description of the works carried out in Leirosa, and to propose a complementary protection using the same material, but in submerged conditions and with a suitable geometry, in order to take advantage of the changes occurring in a wave when propagating from deep water conditions to shallow waters.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Sistema dunar da Leirosa]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Recifes artificiais multifuncionais]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Environmental enhancement]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO / </b>ARTICLE</p> 	    <p><b>Experi&ecirc;ncia de recupera&ccedil;&atilde;o de um sistema dunar e proposta de instrumentos complementares de prote&ccedil;&atilde;o, atra&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o ambiental</b><a href="#0">*</a><a name="top0"></a></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Recovery experience of a dune system and complementary instruments proposal of protection, attraction, and environmental enhancement</b></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Jos&eacute; Sim&atilde;o Antunes do Carmo<sup>I</sup></b></p> 	    <p>@ - Corresponding author: <a href="mailto:jsacarmo@dec.uc.pt">jsacarmo@dec.uc.pt</a></p> 	    <p><sup>I</sup>IMAR &ndash; Instituto do Mar &ndash; Universidade de Coimbra, Departamento de Engenharia Civil, P&oacute;lo II da Universidade, 3030-788 Coimbra, PORTUGAL</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade> 	    <p><b>RESUMO</b></p> 	    <p>Os problemas existentes na generalidade dos pa&iacute;ses com extensas zonas costeiras est&atilde;o, de alguma forma, direta ou indiretamente ligados &agrave; progressiva ocupa&ccedil;&atilde;o urbana destas zonas, tendo como consequ&ecirc;ncia uma forte degrada&ccedil;&atilde;o de muitas das estruturas naturais de prote&ccedil;&atilde;o existentes.    <br> 	Simultaneamente, &eacute; tamb&eacute;m claro que diversas atividades e interven&ccedil;&otilde;es de origem antr&oacute;pica (como a constru&ccedil;&atilde;o de barragens, a explora&ccedil;&atilde;o de inertes fluviais, as a&ccedil;&otilde;es de dragagem portu&aacute;rias, etc.) t&ecirc;m vindo a perturbar fortemente as zonas balneares, nomeadamente atrav&eacute;s de uma significativa redu&ccedil;&atilde;o do abastecimento sedimentar das praias.    <br> 	Concomitantemente, estas a&ccedil;&otilde;es amea&ccedil;am a capacidade que as zonas costeiras tiveram outrora de se adaptarem ao aumento da frequ&ecirc;ncia e intensidade dos eventos de tempestades, em consequ&ecirc;ncia das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas globais, bem como &agrave; previs&iacute;vel subida do n&iacute;vel m&eacute;dio das &aacute;guas do mar, que conduzir&aacute; inevitavelmente a uma acentuada eros&atilde;o costeira e ao consequente recuo das linhas de costa.    <br> 	Sendo certo que proibir o usufruto das zonas costeiras n&atilde;o &eacute; solu&ccedil;&atilde;o para os graves constrangimentos existentes, importa ent&atilde;o valoriz&aacute;-las com as infraestruturas indispens&aacute;veis para que os seus usos intensivos n&atilde;o sejam necessariamente sin&oacute;nimo de degrada&ccedil;&atilde;o.    <br> 	Os ensinamentos colhidos com uma metodologia de reabilita&ccedil;&atilde;o e defesa frontal do cord&atilde;o dunar da Leirosa, a sul da Figueira da Foz, permitiram abordar novos conceitos de prote&ccedil;&atilde;o, incorporando m&uacute;ltiplas fun&ccedil;&otilde;es e valoriza&ccedil;&atilde;o ambiental.    <br> 	É neste contexto que se propõe neste artigo a implementação de recifes artificiais multifuncionais como alternativas às tradicionais obras ‘pesadas’ ou complementares das proteções naturais. São conhecidos alguns exemplos de sucesso, mas não existem ainda hoje estudos sistemáticos e suficientemente aprofundados que permitam generalizar este tipo de construções com multiobjetivos, nomeadamente para efeitos de proteção de praias e sistemas dunares, criação de condições para a prática de desportos náuticos, melhoria das características balneares e valorização ambiental das áreas de implantação.</p> 	    <p><b>Palavras-chave:</b> Sistema dunar da Leirosa, Recifes artificiais multifuncionais, <i>Surf</i>, Mergulho, Pesca desportiva, Valoriza&ccedil;&atilde;o ambiental</p> <hr size="1" noshade>	    <p><b>ABSTRACT</b></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The serious problems in most countries with extensive coastal zones are in some way, directly or indirectly linked to the progressive urban occupation of these areas, resulting in a strong degradation of many natural protection structures that exist.    <br> 	Simultaneously, it is also clear that activities and interventions of anthropogenic origin (such as the construction of dams, holding of inerts in rivers and dredging operations in ports) have contributed to strongly disturb these systems, notably through a significant reduction of sediment supply. Accordingly, these actions threaten the ability of the coastal areas to adapt to the increasing frequency and intensity of storm events, as a result of global climate change and the expected increase in the average sea level, which will inevitably lead to a pronounced erosion and to the consequent retreat of the shorelines.    <br> 	Knowing that banning the uses of coastal zones is not a solution to the serious constraints that exist, it is then necessary to recover them with the necessary infrastructures in order to guarantee that their intensive uses are not necessarily synonymous of degradation.    <br> 	The Leirosa sand dune system, located at south of Figueira da Foz, has been the scene of three major dune rehabilitation interventions in the past twelve years. The first involved the reconstruction of the sand dunes followed by revegetation using native marram grass. The effectiveness of this rehabilitation technique could not be confirmed, since the ocean side of the dune system was destroyed at the end of the winter of 2000-2001. In the other two interventions, two different applications of geotextiles were used. The first technique consisted in constructing several layers of sand enclosed in geotextiles, a so-called wrap-around technique, which stabilizes the sand and is quickly installed. The second technique was employed to protect the toe of the constructed barrier, which entailed the use of geotextile tube technology.    <br> 	The lessons learned with the methodology used for the rehabilitation and protection of the Leirosa sand dunes allowed to address new protection concepts, incorporating multi-functionality and environmental enhancing.    <br> 	It is in this context that we propose the implementation of multifunctional artificial reefs as alternative or complementary technique to traditional heavy protections. Examples of success are known, but there are not yet sufficiently detailed and systematic studies so that this kind of constructions could be generalized along the coastal zones, particularly with the dual aim of protecting them and improving the characteristics of many of their bathing spaces.    <br> 	Therefore, the main focus of this paper is to present a short description of the works carried out in Leirosa, and to propose a complementary protection using the same material, but in submerged conditions and with a suitable geometry, in order to take advantage of the changes occurring in a wave when propagating from deep water conditions to shallow waters.</p> 	    <p><b>Keywords:</b> Dune system of Leirosa, Multifunctional artificial reefs, Surfing, Diving, Fishing, Environmental enhancement</p> <hr size="1" noshade> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p> 			    <p>Profundas transforma&ccedil;&otilde;es no uso do solo e do mar ocorrem hoje em dia na generalidade dos pa&iacute;ses com extensas zonas costeiras, ao longo das mais diversas escalas de tempo e espa&ccedil;o. Tais transforma&ccedil;&otilde;es acarretam a diminui&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida das popula&ccedil;&otilde;es locais, bem como altera&ccedil;&otilde;es na produtividade e diminui&ccedil;&atilde;o da biodiversidade dos ecossistemas, sendo fundamental a revers&atilde;o deste processo.</p> 	    <p>S&atilde;o muitos os agentes que t&ecirc;m contribu&iacute;do para os desequil&iacute;brios que atualmente se verificam. S&atilde;o bem conhecidas as atividades antr&oacute;picas com car&aacute;cter mais ou menos localizado e que, direta ou indiretamente, s&atilde;o respons&aacute;veis por fragilidades muito significativas de longas extens&otilde;es das linhas de costa. Para essas fragilidades contribuem, fundamentalmente, o enfraquecimento irrevers&iacute;vel das principais fontes aluvionares exteriores &agrave;s zonas costeiras, em consequ&ecirc;ncia de regulariza&ccedil;&otilde;es fluviais, de altera&ccedil;&otilde;es no aproveitamento dos solos e da atividade de extra&ccedil;&atilde;o de areias para a constru&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m os efeitos cumulativos das altera&ccedil;&otilde;es pontuais dos padr&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o local e dos tr&acirc;nsitos sedimentares t&ecirc;m reflexos profundos e irrevers&iacute;veis, sendo, na atualidade, porventura os principais fatores respons&aacute;veis por parte do recuo generalizado e continuado das linhas de costa.</p> 	    <p>A estas a&ccedil;&otilde;es de natureza essencialmente local dever-se-&atilde;o juntar outras de car&aacute;cter mais global, em particular os efeitos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, conduzindo a situa&ccedil;&otilde;es de tempestades sucessivamente mais frequentes e mais devastadoras. Acresce o efeito da expans&atilde;o t&eacute;rmica, conduzindo a um aumento global da temperatura e, em consequ&ecirc;ncia, a um aumento da subida do n&iacute;vel m&eacute;dio das &aacute;guas do mar, agravado ainda com os efeitos adicionais de degelo das calotes polares e de altera&ccedil;&otilde;es nos padr&otilde;es globais da circula&ccedil;&atilde;o oce&acirc;nica.</p> 			    <p>Em particular, a regi&atilde;o centro da zona costeira portuguesa tem vindo a ser progressivamente amea&ccedil;ada por uma eros&atilde;o maci&ccedil;a, com transposi&ccedil;&otilde;es marinhas generalizadas e persistentes, importantes perdas de territ&oacute;rio e preju&iacute;zos para os <i>habitats</i> naturais e a atividade humana, colocando frequentemente em risco importantes aglomerados urbanos costeiros (Lopes, 2003).</p> 			    <p>Este panorama &eacute; o resultado de uma persistente falta de planeamento e de uma gest&atilde;o pouco respons&aacute;vel ao longo de d&eacute;cadas e em v&aacute;rios trechos da zona costeira portuguesa (Antunes-do-Carmo &amp; Marques, 2003). A permissividade reinante conduziu a v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es de grande vulnerabilidade. Diversos casos, em particular alguns centros urbanos, exigir&atilde;o a curto prazo a ado&ccedil;&atilde;o de medidas adicionais com um exclusivo objetivo de seguran&ccedil;a. Nestes casos, duas op&ccedil;&otilde;es dever&atilde;o ser equacionadas: ou se adotam medidas de manuten&ccedil;&atilde;o, que no essencial passam pela constru&ccedil;&atilde;o de obras r&iacute;gidas de prote&ccedil;&atilde;o, tendo sido esta a op&ccedil;&atilde;o preferencial at&eacute; &agrave; data (casos de Espinho, Esmoriz-Cortega&ccedil;a, Furadouro e Vagueira, em Portugal), eventualmente semi-r&iacute;gidas e/ou din&acirc;micas, com poss&iacute;vel uso de geossint&eacute;ticos (campo de golf da Estela e cord&atilde;o dunar da Leiriosa, Portugal), ou por uma relocaliza&ccedil;&atilde;o adequada, consistindo na retirada do patrim&oacute;nio mais importante para lugar seguro, com a consequente adapta&ccedil;&atilde;o de usos e atividades &agrave; nova realidade (S&atilde;o Bartolomeu do Mar, Portugal).</p> 	    <p>O sistema dunar da Leirosa, situado a sul da Figueira da Foz, tem sido particularmente fragilizado devido &agrave; a&ccedil;&atilde;o de diversos fatores, de que se destacam: (<i>i</i>) grande exposi&ccedil;&atilde;o a condi&ccedil;&otilde;es hidrodin&acirc;micas adversas; (<i>ii</i>) deficiente alimenta&ccedil;&atilde;o natural de areias; (<i>iii</i>) constru&ccedil;&atilde;o de um espor&atilde;o a montante do sistema dunar para defesa da localidade existente e manuten&ccedil;&atilde;o da praia e, (<i>iv</i>) constru&ccedil;&atilde;o de um emiss&aacute;rio submarino, numa zona interm&eacute;dia do cord&atilde;o dunar, para descarga das &aacute;guas residuais da Leirosa e de uma f&aacute;brica de pasta de papel (Reis &amp; Freitas, 2002; Reis et al., 2005).</p> 	    <p>O presente artigo tem como objetivo apresentar uma breve descri&ccedil;&atilde;o das principais interven&ccedil;&otilde;es realizadas em parte do cord&atilde;o dunar da Leirosa nos &uacute;ltimos anos, desde 2005, e, tendo por base os ensinamentos colhidos, apresentar solu&ccedil;&otilde;es complementares, ou alternativas, para prote&ccedil;&atilde;o de praias e sistemas dunares.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>2. T&Eacute;CNICAS DE REFOR&Ccedil;O DE PROTE&Ccedil;&Otilde;ES NATURAIS</b></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2.1.Geocontentores</p> 	    <p>Uma interven&ccedil;&atilde;o humana particularmente gravosa para a manuten&ccedil;&atilde;o do j&aacute; de si prec&aacute;rio equil&iacute;brio natural ocorreu em 1995 no cord&atilde;o dunar da Leirosa (a sul da Figueira da Foz, Portugal, <a href="#f1">Figura 1</a>), tendo sido quebrada a continuidade deste sistema dunar pela implanta&ccedil;&atilde;o de um emiss&aacute;rio submarino.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="f1"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f1.jpg"/> 	    
<p>&nbsp;</p> 	    <p>Tr&ecirc;s anos ap&oacute;s esta ocorr&ecirc;ncia foi decidido proceder a uma reabilita&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea afetada, a qual teve in&iacute;cio em mar&ccedil;o de 2000, atrav&eacute;s de enchimento com areia proveniente de um local pr&oacute;ximo, seguida de revegeta&ccedil;&atilde;o utilizando como m&eacute;todo de estabiliza&ccedil;&atilde;o uma planta normalmente usada com esta finalidade em dunas costeiras. Contudo, um forte temporal ocorrido no inverno de 2000-2001 destruiu grande parte da frente deste sistema dunar, debilitando fortemente a zona intervencionada.</p> 	    <p>Foi neste contexto que em 2004 se equacionou a viabilidade de uma solu&ccedil;&atilde;o menos <i>soft</i>, consistindo na aplica&ccedil;&atilde;o de mantas de material geossint&eacute;tico envolvendo consider&aacute;veis volumes de areia (geocontentores) numa extens&atilde;o de 120 <i>m</i> e com uma altura de 8.0 <i>m</i>, a partir da cota +2.0 ZH. Para efeitos de prote&ccedil;&atilde;o contra a eros&atilde;o por infraescava&ccedil;&atilde;o do p&eacute; da camada inferior, foram instaladas longitudinalmente e a cerca de 0.5 m abaixo da base desta camada (por conseguinte, &agrave; cota +1.5 ZH) tr&ecirc;s fiadas de sacos de material geot&ecirc;xtil com cerca de 1.5 m<sup>3</sup> de areia cada (Reis et al., 2005 e 2008).</p> 	    <p>Solu&ccedil;&otilde;es que envolvem a aplica&ccedil;&atilde;o deste material tinham j&aacute; sido adotadas (e com reconhecido &ecirc;xito) na constru&ccedil;&atilde;o de dunas artificiais, na constru&ccedil;&atilde;o de molhes e espor&otilde;es, e na estabiliza&ccedil;&atilde;o de praias em diferentes regi&otilde;es do Mundo (Oh &amp; Shin, 2006; Koffler et al., 2008).</p> 	    <p>No essencial, esta metodologia, conhecida por &ldquo;<i>wrap around technique</i>&rdquo; (Recio-Molina &amp; Yasuhara, 2005), consiste no refor&ccedil;o da duna atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o de uma barreira frontal de prote&ccedil;&atilde;o integralmente preparada e montada <i>in situ</i> usando mantas de material geossint&eacute;tico, como mostra a <a href="#f2">Figura 2 a</a>). Esta barreira de prote&ccedil;&atilde;o, uma vez constru&iacute;da, &eacute; coberta por uma camada de areia com cerca de 1.0 <i>m</i> de altura, procedendo-se em seguida a uma replanta&ccedil;&atilde;o adequada, <a href="#f2">Figura 2 b</a>).</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f2"></a></p> 		<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f2.jpg"/> 		    
<p>&nbsp;</p> 			    <p>As dimens&otilde;es das mantas de material geot&ecirc;xtil, que constituem os geocontentores, foram neste caso obtidas recorrendo a formula&ccedil;&otilde;es semiemp&iacute;ricas deduzidas com base em estudos experimentais realizados no Grande Canal de Ondas do Centro de Pesquisa da Costa Alem&atilde; em Hannover, e considerando os estudos estat&iacute;sticos que conduziram &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es representativas (per&iacute;odo e altura significativa da onda), apresentados em Antunes-do-Carmo (2003), Reis et al. (2005) e Reis et al. (2008), utilizando ainda o modelo matem&aacute;tico descrito em Antunes-do-Carmo (2004). Outras formula&ccedil;&otilde;es para a determina&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es dos geocontentores, incluindo os efeitos de deforma&ccedil;&atilde;o e recomenda&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas de aplica&ccedil;&atilde;o, podem ser encontradas em Recio &#38; Oumeraci (2009).</p> 	    <p>Os estudos realizados permitiram constatar que a barra longitudinal caracter&iacute;stica da zona de rebenta&ccedil;&atilde;o das ondas se situa a cerca de 60 m da base do sistema dunar existente, sendo a altura m&aacute;xima e o per&iacute;odo caracter&iacute;sticos das ondas junto &agrave; duna de 2.5 m e 16 s, respetivamente (Antunes-do-Carmo, 2003; Reis et al., 2008).</p> 	    <p>Por ser uma t&eacute;cnica integralmente montada/desenvolvida in situ, a aplica&ccedil;&atilde;o de geossint&eacute;ticos na forma de mantas que envolvem grandes volumes de areia est&aacute; sujeita a condi&ccedil;&otilde;es climat&eacute;ricas pouco favor&aacute;veis, sobretudo devido &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do vento, que arrasta, em geral, grandes quantidades de areia, e devido tamb&eacute;m aos elevados teores de humidade. Por conseguinte, as mantas de material geossint&eacute;tico dever&atilde;o ser ligadas por costura, utilizando uma m&aacute;quina apropriada, em vez do processo por colagem a quente que foi adotado na Leirosa (Antunes-do-Carmo et al., 2010).</p> 	    <p>Devido &agrave; deficiente liga&ccedil;&atilde;o por colagem das mantas de geot&ecirc;xtil e &agrave; reduzida dimens&atilde;o dos sacos que protegiam o sop&eacute; da barreira de prote&ccedil;&atilde;o (primeira camada), os temporais que atingiram o cord&atilde;o dunar no inverno de 2005-2006 conduziram &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o de grande parte destes sacos e a v&aacute;rios rombos (aberturas) nas tr&ecirc;s primeiras camadas, tendo-se escapado volumes consider&aacute;veis da areia contida nos geocontentores, como mostra a fotografia apresentada na <a href="#f3">Figura 3 a</a>). Outras camadas de areia situadas acima das tr&ecirc;s primeiras ficaram bastante expostas e deslocadas da sua posi&ccedil;&atilde;o inicial. Contudo, a nova configura&ccedil;&atilde;o da barreira de prote&ccedil;&atilde;o manteve-se est&aacute;vel no inverno seguinte, como se mostra na fotografia da <a href="#f3">Figura 3 b</a>), n&atilde;o se revelando necess&aacute;rias novas interven&ccedil;&otilde;es de fundo.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="f3"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f3.jpg"/> 	    
<p>&nbsp;</p> 	    <p>Importa sublinhar que em mar&ccedil;o-abril de 2006, com condi&ccedil;&otilde;es de agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima favor&aacute;veis, houve uma acumula&ccedil;&atilde;o natural da praia com areia vinda do mar, recobrindo os sacos de areia e as duas camadas inferiores inicialmente expostas, como se mostra na fotografia da <a href="#f3">Figura 3 a</a>). Este mesmo efeito de acumula&ccedil;&atilde;o de areia foi ainda mais evidente em fevereiro de 2007, <a href="#f3">Figura 3 b</a>). A <a href="#f3">Figura 3 a</a>) mostra o estado da barreira de prote&ccedil;&atilde;o a partir da 3&ordf; camada e a <a href="#f3">Figura 3 b</a>) a partir da 4&ordf; camada, ambas contadas a partir da base.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2.2.Geotubos</b></p> 	    <p>Outra t&eacute;cnica de aplica&ccedil;&atilde;o do material geossint&eacute;tico consiste no fabrico de tubos em ambientes devidamente controlados, que s&atilde;o depois transportados para o local e cheios com uma mistura de &aacute;gua e areia atrav&eacute;s de bombeamento. O comprimento destes tubos varia, em geral, entre cerca de 30.0 m e mais de 60.0 m, com di&acirc;metros que podem variar entre cerca de 2.0 m e mais de 4.0 m, dependendo dos objetivos da aplica&ccedil;&atilde;o, dos equipamentos dispon&iacute;veis e das caracter&iacute;sticas batim&eacute;tricas e hidrodin&acirc;micas locais.</p> 	    <p>Esta mesma t&eacute;cnica foi aplicada em 2008, a t&iacute;tulo experimental, para refor&ccedil;o das camadas inferiores da barreira frontal de prote&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da em 2005 com geocontentores, parcialmente destru&iacute;da em fevereiro-mar&ccedil;o de 2006 (Antunes-do-Carmo et al., 2010).</p> 			    <p>Nesta aplica&ccedil;&atilde;o foram utilizados tubos de material geot&ecirc;xtil &ldquo;<i>Secutex R1006</i>&rdquo; pr&eacute;-fabricados em geot&ecirc;xtil de filtragem, com 1000 g/m<sup>2</sup> e elevada resist&ecirc;ncia. Para minimizar a degrada&ccedil;&atilde;o do material e alguma perda de resist&ecirc;ncia por contato durante as opera&ccedil;&otilde;es de enchimento, foram colocadas entre os tubos mantas de material geot&ecirc;xtil de prote&ccedil;&atilde;o, com 642 g/m<sup>2</sup> e elevada resist&ecirc;ncia mec&acirc;nica. Na Leirosa foram instaladas cinco fiadas de tubos com 20.0 m de comprimento por 1.60 m de di&acirc;metro. Documenta-se na <a href="#f4">Figura 4 a</a>) o processo de instala&ccedil;&atilde;o e enchimento dos tubos, por bombeamento da mistura de &aacute;gua com sedimentos, e na <a href="#f4">Figura 4 b</a>) as tr&ecirc;s primeiras fiadas (apenas vis&iacute;veis a 2&ordf; e a 3&ordf;) de tubos j&aacute; devidamente instalados a partir da cota +1.5 ZH.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="f4"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f4.jpg"/> 	    
<p>&nbsp;</p> 	    <p>Uma vez instaladas as cinco fiadas de tubos ao longo de 120 m, as quais foram prolongadas mais cerca de 20 m para cada lado (tubos vis&iacute;veis na fotografia da <a href="#f4">Figura 4 b</a>), para completo envolvimento da zona intervencionada), procedeu-se &agrave; cobertura de toda esta zona com uma camada de areia de 1.0 <i>m</i> de altura, seguindo-se um processo de revegeta&ccedil;&atilde;o com esp&eacute;cies aut&oacute;ctones, principalmente <i>Ammophila arenaria</i>, como se documenta na <a href="#f5">Figura 5</a>.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="f5"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f5.jpg"/> 	    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 			    <p>Atualmente verifica-se que, no essencial, a estrutura da frente intervencionada se mant&eacute;m, ao longo de um comprimento de cerca de 120 m, observando-se lateralmente uma eros&atilde;o significativa da duna, com recuos de algumas dezenas de metros relativamente ao alinhamento inicial, de 2007, como se pode ver  			na <a href="#f6">Figura 6</a>, obtida no passado m&ecirc;s de fevereiro de 2013 a partir da zona intervencionada. Apesar dos contratempos relatados, tal significa que a interven&ccedil;&atilde;o realizada cumpriu os objetivos pretendidos (fixou a frente da duna) e demonstra que o procedimento adotado &eacute; adequado, podendo e devendo ser utilizado ao longo de todo o comprimento do sistema dunar, com cerca de 1800 m.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="f6"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f6.jpg"/> 	    
<p>&nbsp;</p> 			    <p><b>3. ENSINAMENTOS COLHIDOS E PROPOSTA DE ESTRUTURA COMPLEMENTAR DE PROTE&Ccedil;&Atilde;O</b></p> 			    <p>A prote&ccedil;&atilde;o costeira &eacute; um grande objetivo que n&atilde;o poder&aacute; ser minorado, mas os custos que envolve s&atilde;o extremamente onerosos para o er&aacute;rio p&uacute;blico.</p> 			    <p>A generalidade das obras de prote&ccedil;&atilde;o costeira existentes ao longo da costa portuguesa resultaram em consequ&ecirc;ncia de uma manifesta e prolongada falta de planeamento. S&oacute; assim foi poss&iacute;vel permitir constru&ccedil;&otilde;es em &aacute;reas sens&iacute;veis, nomeadamente zonas de expans&atilde;o urbana at&eacute; &aacute;reas de alto risco, a curtas dist&acirc;ncias da linha de costa em evolu&ccedil;&atilde;o, muitas vezes sobre arribas, e ainda a ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas outrora pertencentes ao mar. V&aacute;rias destas constru&ccedil;&otilde;es foram &lsquo;engolidas&rsquo; pelo mar, ou mant&ecirc;m-se ainda hoje &agrave; custa de obras &lsquo;pesadas&rsquo; de Engenharia que t&ecirc;m vindo a ser sucessivamente refor&ccedil;adas (Dias, 1994; CNADS, 2001). Essas obras de prote&ccedil;&atilde;o s&atilde;o, assim, e com frequ&ecirc;ncia, o resultado de interven&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias e muitas vezes urgentes, n&atilde;o planeadas e muito menos com preocupa&ccedil;&otilde;es de atratividade, valoriza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento. Na realidade, no que concerne &agrave; gest&atilde;o da zona costeira portuguesa, onde se destacam diversas &aacute;reas de grande vulnerabilidade, n&atilde;o tem existido da parte das entidades p&uacute;blicas uma verdadeira atitude pr&oacute;-ativa de antecipa&ccedil;&atilde;o dos problemas.</p> 			    <p>A experi&ecirc;ncia adquirida nas diversas fases de reabilita&ccedil;&atilde;o do sistema dunar da Leirosa, utilizando diferentes t&eacute;cnicas de aplica&ccedil;&atilde;o de geossint&eacute;ticos e tendo em conta a resist&ecirc;ncia e durabilidade deste material, sugere-nos a sua utiliza&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o de estruturas ou plataformas submersas com o duplo objetivo de prote&ccedil;&atilde;o complementar de sistemas naturais e gera&ccedil;&atilde;o de ondas para a pr&aacute;tica de <i>surf</i>. Estas estruturas submersas (recifes artificiais) poder&atilde;o ser constru&iacute;das por sobreposi&ccedil;&otilde;es de camadas devidamente orientadas, sendo cada camada composta por &lsquo;tubos&rsquo; de material geossint&eacute;tico (geotubos) adequadamente posicionados.</p> 			    <p>A constru&ccedil;&atilde;o de recifes artificiais dever&aacute; ser equacionada, tendo como principal objetivo aliviar as grandes fragilidades de muitos dos atuais sistemas naturais de prote&ccedil;&atilde;o existentes ao longo das zonas costeiras, em particular da zona costeira portuguesa. Por conjuga&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios fen&oacute;menos que ocorrem em condi&ccedil;&otilde;es de &aacute;guas pouco profundas, estas estruturas poder&atilde;o ser concebidas de modo a promoverem a rota&ccedil;&atilde;o das ondas, o seu empolamento e a consequente rebenta&ccedil;&atilde;o das mesmas sobre as plataformas submersas, por conseguinte na massa de &aacute;gua, reduzindo, em consequ&ecirc;ncia, o seu efeito erosivo sobre as praias e/ou sobre as prote&ccedil;&otilde;es naturais existentes (Mendon&ccedil;a et al., 2012a e 2012b).</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Complementarmente, e tendo como objetivos o envolvimento das popula&ccedil;&otilde;es locais, a promo&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica da regi&atilde;o e uma reparti&ccedil;&atilde;o de custos por eventuais concess&otilde;es a privados, ou dos benef&iacute;cios resultantes das multifuncionalidades inerentes ao empreendimento, estas estruturas poder&atilde;o ser concebidas com dimens&otilde;es, formas e declives adequados para que as ondas geradas tenham caracter&iacute;sticas para a pr&aacute;tica de <i>surf</i> e permitam promover outras pr&aacute;ticas desportivas como mergulho e pesca.</p> 			    <p>É com este conjunto de multiobjetivos que se propõem soluções viáveis e suficientemente atrativas, em particular: (1) estruturas de defesa complementares de sistemas naturais de proteção; (2) alternativas à alimentação artificial de praias com finalidades de retenção ou acumulação de areias e, (3) possíveis alternativas a obras ‘pesadas’ de engenharia, as quais têm sido encaradas fundamentalmente como medidas de recurso, satisfazendo necessidades imediatas de proteção, mas sem claros benefícios a médio prazo.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 			    <p><b>4. RECIFES ARTIFICAIS COM MULTIFUNCIONALIDADES</b></p> 			    <p class="Normal ParaOverride-2" xml:lang="pt-BR"><b>4.1.Enquadramento</b></p> 			    <p>Procurar solu&ccedil;&otilde;es para muitos dos problemas existentes, ou que potencialmente venham a ocorrer, &eacute; um objetivo que a todos deve envolver. Aliando interesses e perspetivas complementares, caber&aacute; ao poder p&uacute;blico a cria&ccedil;&atilde;o de incentivos &agrave; iniciativa privada para resolver um grave problema de base e, simultaneamente, dotar a zona costeira de equipamentos atrativos sob os pontos de vista tur&iacute;stico, econ&oacute;mico e ambiental. Naturalmente que a implanta&ccedil;&atilde;o de uma obra deste tipo dever&aacute; ser sempre precedida de um estudo de impacto ambiental, nomeadamente para avaliar as poss&iacute;veis interfer&ecirc;ncias na biodiversidade local, e de um estudo econ&oacute;mico para avaliar o retorno do investimento efetuado.</p> 			    <p>É neste contexto que parecem ser apropriadas formas de intervenção adequadamente planeadas e implementadas com multifuncionalidades: de proteção, lazer e mais-valias turística e ambiental, tendo naturalmente em conta as condicionantes do estudo de impacto ambiental.</p> 			    <p>Tais interven&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o consistir na constru&ccedil;&atilde;o de estruturas ou plataformas submersas com geometrias e dimens&otilde;es apropriadas para provocar a rota&ccedil;&atilde;o da onda, seguida de empolamento e rebenta&ccedil;&atilde;o mergulhante (em forma de tubo), adequada para a pr&aacute;tica de <i>surf</i>. Ao ser provocada a rebenta&ccedil;&atilde;o da onda sobre a massa de &aacute;gua, deixar&aacute; de se fazer sentir o seu impacto mais agressivo (descarga de energia com elevado poder erosivo) sobre a praia e/ou na base do sistema dunar.</p> 			    <p>Naturalmente, os efeitos pretendidos, de prote&ccedil;&atilde;o e de gera&ccedil;&atilde;o de ondas com as caracter&iacute;sticas desejadas, ser&atilde;o conseguidos para um determinado n&iacute;vel m&eacute;dio do mar e uma altura de onda significativa (de dimensionamento), a definir em fun&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica e das caracter&iacute;sticas locais.</p> 			    <p>A experi&ecirc;ncia adquirida a n&iacute;vel mundial com estruturas deste tipo (recifes artificiais) &eacute; ainda muito limitada. Com efeito, encontram-se documentados na bibliografia apenas seis recifes constru&iacute;dos na &uacute;ltima d&eacute;cada, os quais se identificam em seguida.</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dois primeiros recifes artificiais foram constru&iacute;dos na Austr&aacute;lia, o primeiro em 1999 em Cable Station (pr&oacute;ximo de Perth) e o segundo em 2000 na praia de Narrowneck (Gold Coast). O primeiro recife artificial a ser constru&iacute;do no Hemisf&eacute;rio Norte data de 2001 e situa-se na praia de Dockweiler, em El Segundo, Calif&oacute;rnia (Estados Unidos), sendo conhecido como Pratte&rsquo;s Reef; contudo, este recife foi removido em outubro de 2008 por n&atilde;o ter atingido os objetivos esperados. Mais tarde foi constru&iacute;do na Nova Zel&acirc;ndia o recife de Mount Maunganui, cuja constru&ccedil;&atilde;o teve in&iacute;cio em novembro de 2005 e terminou em junho de 2008, ap&oacute;s substitui&ccedil;&atilde;o e ancoragem ao fundo de dois grandes geocontentores que sofreram roturas no final de 2006. Este recife, instalado a cerca de 250 m da costa, n&atilde;o produziu as ondas com a qualidade &lsquo;esperada&rsquo; para a pr&aacute;tica de <i>surf</i>. Segundo os promotores, o menor desempenho do recife dever-se-&aacute; &ldquo;<i>ao n&atilde;o cumprimento da especifica&ccedil;&atilde;o relativa ao volume de areia necess&aacute;rio, contendo os geotubos instalados no fundo menos de metade dos 6500 m<sup>3</sup> de areia previstos</i>&rdquo; <a href="#1">1</a><a name="top1"></a>.</p> 			    <p>Integrado num projeto de revitaliza&ccedil;&atilde;o da orla de Boscombe, na costa sul de Inglaterra, teve in&iacute;cio em julho de 2008 a constru&ccedil;&atilde;o de um recife com objetivos de aumentar o n&uacute;mero de visitantes, alargar a temporada tur&iacute;stica e promover o crescimento econ&oacute;mico. Ap&oacute;s uma s&eacute;rie de atrasos e contratempos, a constru&ccedil;&atilde;o deste recife terminou em novembro de 2009. Foi previsto com um custo de 1.5 milh&otilde;es de &euro; mas acabou por ficar em cerca de 3.5 milh&otilde;es. Entretanto, o recife sofreu danos significativos nos dois anos seguintes &agrave; constru&ccedil;&atilde;o, tendo dois geotubos sido muito afetados. Em termos de altura de onda, observa&ccedil;&otilde;es e resultados de simula&ccedil;&otilde;es apresentados em Rendle e Davidson (2012) mostram que o campo de ondas melhorou a sotavento do recife, indo ao encontro ao objetivo de criar uma zona protegida para nadadores e banhistas. Nesta data n&atilde;o se reconhecem efeitos de prote&ccedil;&atilde;o significativos, nomeadamente em termos de acumula&ccedil;&atilde;o de areias.</p> 			    <p>Em 2006 teve in&iacute;cio a constru&ccedil;&atilde;o de um recife em Opunake na Nova Zel&acirc;ndia, concebido para a produ&ccedil;&atilde;o de ondas r&aacute;pidas e cavadas, especialmente favor&aacute;veis &agrave; pr&aacute;tica de <i>surf</i> e <i>bodyboard</i>. O or&ccedil;amento inicial deste recife importava em US $ 1.1 milh&otilde;es; no entanto, a constru&ccedil;&atilde;o foi interrompida devido a condi&ccedil;&otilde;es climat&eacute;ricas adversas e indisponibilidade de equipamento, tendo o custo ascendido a mais do dobro. Segundo relatos da imprensa local, o recife ter&aacute; sido aberto no in&iacute;cio de 2011, mas rapidamente se verificou que reproduzia um &ldquo;<i>tipo errado de ondas</i>&rdquo;, tornando-se inacess&iacute;vel para muitos potenciais utilizadores. Posteriormente foi decidido proceder &agrave; repara&ccedil;&atilde;o do recife, mas este foi atingido por um barco que lhe causou danos estruturais o que for&ccedil;ou o seu encerramento definitivo em meados de 2011.</p> 			    <p>Estas estruturas ou plataformas submersas (recifes artificiais) t&ecirc;m em geral a forma de V, ou aproximada, dependendo das caracter&iacute;sticas locais, com bra&ccedil;os iguais ou desiguais e/ou ainda com abertura no v&eacute;rtice, separando os dois bra&ccedil;os, para permitir circula&ccedil;&atilde;o no interior do recife. Poder&atilde;o ser constru&iacute;das por sobreposi&ccedil;&otilde;es de camadas devidamente orientadas, sendo cada camada constitu&iacute;da por &lsquo;tubos&rsquo; de material geossint&eacute;tico, envolvendo volumes consider&aacute;veis de areia (geotubos), com algumas dezenas de metros de comprimento, tipicamente da ordem de 30 m a 60 m, ou mesmo mais, por cerca de 2 m a 4 m de di&acirc;metro.</p> 			    <p>Estes tubos poder&atilde;o ser pr&eacute;-fabricados e transportados para o local, sendo cheios com uma mistura de &aacute;gua e areia, atrav&eacute;s de bombeamento, nas proximidades do local onde &eacute; constru&iacute;do o recife; por conseguinte, com a areia existente no local, ou nas proximidades, sem intrus&atilde;o de material estranho e com um significativo ganho em termos de custo e transporte do material.</p> 			    <p>Para enchimento dos tubos poder-se-&aacute; recorrer a barcos com dimens&otilde;es e caracter&iacute;sticas de fundos adequadas. Em termos construtivos, o barco &eacute; devidamente posicionado e orientado sobre a plataforma em constru&ccedil;&atilde;o, sendo o tubo descarregado por efeito grav&iacute;tico, indo ocupar naturalmente a sua posi&ccedil;&atilde;o previamente definida na estrutura do recife.</p> 			    <p>Deste modo, tubo a tubo, vai-se formando a estrutura do recife. Os tubos s&atilde;o colocados por camada, sendo instalados tantos tubos e sobrepostas tantas camadas quanto as necess&aacute;rias, at&eacute; se atingirem a forma e as dimens&otilde;es previstas.</p> 			    <p>Quando necess&aacute;rio, passados alguns anos (possivelmente uma ou mais d&eacute;cadas) ap&oacute;s a instala&ccedil;&atilde;o da estrutura inicial, por efeito de um poss&iacute;vel assentamento dos tubos instalados ou para acompanhar a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel m&eacute;dio do mar bastar&aacute; acrescentar mais uma camada, sem p&ocirc;r minimamente em causa a estrutura e o investimento iniciais.</p> 			    <p>Apresenta-se na <a href="#f7">Figura 7</a> um poss&iacute;vel esquema (em planta) de uma estrutura deste tipo, com incorpora&ccedil;&atilde;o de multifuncionalidades e um efeito positivo (acumula&ccedil;&atilde;o de areias) sobre a linha de costa.</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f7"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f7.jpg"/> 	    
<p>&nbsp;</p> 			    <p>A utiliza&ccedil;&atilde;o de material geossint&eacute;tico envolvendo grandes volumes de areia, com formas normalmente cil&iacute;ndricas (tubos), na constru&ccedil;&atilde;o de estruturas submersas deste tipo (com multifuncionalidades) apresenta diversas vantagens, sendo justo salientar que:</p>     <ol> 			    <li>O <u>material geossint&eacute;tico</u>: <i>i</i>) &eacute; de custo acess&iacute;vel; <i>ii</i>) &eacute; fabricado em ambiente controlado e, <i>iii</i>) tem elevada dura&ccedil;&atilde;o, mesmo em ambientes agressivos.</li> 			    <li>Os <u>geocontentores</u>: <i>i</i>) permitem grande flexibilidade em tamanho e formas; <i>ii</i>) na forma tubular (geotubos) s&atilde;o, em geral, preparados e constru&iacute;dos (cosidos e/ou colados) em ambientes controlados e, <i>iii</i>) garantem um elevado n&iacute;vel de seguran&ccedil;a para os utilizadores, em particular para os praticantes de <i>surf</i>, comparativamente com outros materiais de constru&ccedil;&atilde;o.</li> 			    <li> As <u>estruturas submersas</u>: <i>i</i>) t&ecirc;m um reduzido impacto ambiental tanto em fase de constru&ccedil;&atilde;o, supostamente utilizando adequados processos construtivos, como de explora&ccedil;&atilde;o; <i>ii</i>) em condi&ccedil;&otilde;es e ambientes apropriados promovem a cria&ccedil;&atilde;o e realce de ecossistemas marinhos de grande valor e, <i>iii</i>) permitem constru&ccedil;&otilde;es com dimens&otilde;es e alturas controladas, acompanhando eventuais assentamentos e a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel m&eacute;dio do mar.</li>         </ol> 			    <p><b>4.2. Orienta&ccedil;&otilde;es gerais</b></p> 			    <p>O material geossint&eacute;tico, envolvendo grandes volumes de areia, particularmente com formas tubulares, parece ser o mais econ&oacute;mico e mais adequado para a constru&ccedil;&atilde;o de recifes artificiais com multifuncionalidades. De fato, estes contentores de areia pr&eacute;-fabricados com material geossint&eacute;tico e cheios <i>in situ</i> parecem constituir n&atilde;o s&oacute; um excelente substrato para a flora marinha e para o desenvolvimento de ecossistemas diversificados (Jackson et al., 2004), como aumentam tamb&eacute;m a seguran&ccedil;a no recife, ao formarem uma estrutura relativamente suave, sem arestas cortantes, e, por conseguinte, diminuindo os riscos de ferimentos de surfistas, mergulhadores, pescadores, etc., caso estes entrem em contato com a superf&iacute;cie do recife.</p> 			    <p>Orienta&ccedil;&otilde;es preliminares para a conce&ccedil;&atilde;o de recifes artificiais multifuncionais s&atilde;o apresentadas em Antunes-do-Carmo et al. (2010). Em particular, o di&acirc;metro D requerido para os tubos &eacute; calculado por (Pilarczyk, 2009):</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="e1"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05e1.jpg"/> 		    
<p>&nbsp;</p> 			    <p>em que <i>D<sub>cr</sub></i> &eacute; o di&acirc;metro m&iacute;nimo dos tubos; <i>H<sub>s</sub></i> &eacute; a altura significativa da onda; <i>F</i> &eacute; uma constante, que se situar&aacute; no intervalo &#91;2.0, 3.0&#93;; &#916;=1 para tubos/sacos de areia, e &#958;<sub>op</sub> &eacute; o par&acirc;metro de Iribarren, dado por:</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="e2"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05e2.jpg"/> 	    
<p>&nbsp;</p> 			    <p>em que &#945; &eacute; o &acirc;ngulo de declive do fundo;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="e2b"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05e2b.jpg"/> 	    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 			    <p><i>T<sub>p</sub></i> é o período de pico. Para assegurar a estabilidade ao deslizamento dos tubos, estes deverão ser preenchidos até cerca de 75%-85% da sua capacidade, e o comprimento <i>L</i> deverá ser tal que <i>L</i> &#8712; &#91;<i>10D, 20D</i>&#93;, assegurando assim que a força de impulsão (ascensional) não é suficiente para movimentar um único tubo de areia.</p> 			    <p>Tamb&eacute;m a estabilidade vertical ficar&aacute; assegurada, impedindo assentamentos diferenciais, assentando a primeira camada ao n&iacute;vel do zero hidrogr&aacute;fico (aproximadamente 2.0 m abaixo do n&iacute;vel m&eacute;dio do mar). Em camadas consecutivas, tanto horizontal como verticalmente, os tubos dever&atilde;o ser colocados alternadamente, isto &eacute;, as extremidades dos tubos de uma fiada n&atilde;o dever&atilde;o coincidir com as extremidades dos tubos das fiadas vizinhas.</p> 			    <p>Complementarmente, determina-se o n&uacute;mero de tubos a instalar segundo a dire&ccedil;&atilde;o transversal ao comprimento, isto &eacute;, a largura do recife na base, seja <i>b</i>, dever&aacute; ser tal que</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><a name="e2c"></a></p> 		<img src="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05e2c.jpg"/> 		    
<p>&nbsp;</p> 	    <p>Tendo por base estudos te&oacute;ricos, foram definidas as principais caracter&iacute;sticas geom&eacute;tricas de um poss&iacute;vel recife a implantar na Leirosa. Uma condi&ccedil;&atilde;o a satisfazer para que a estrutura do recife funcione adequadamente &eacute; que o declive do fundo do mar (batimetria do local de implanta&ccedil;&atilde;o do recife) seja igual a 1:50 ou inferior. Nesta conformidade, referem-se em seguida as principais orienta&ccedil;&otilde;es de projeto apresentadas em Antunes-do-Carmo et al. (2010).</p> 	    <p>A estrutura a construir tem como principais objetivos: (1) prote&ccedil;&atilde;o complementar do cord&atilde;o dunar existente; (2) gera&ccedil;&atilde;o de ondas adequadas para a pr&aacute;tica de <i>surf</i> e, (3) valoriza&ccedil;&atilde;o ambiental; consiste numa subestrutura em delta (recife) e numa plataforma (<a href="#f7">Figuras 7</a> e <a href="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f8.jpg" target="_blank">8</a>).</p> 			<ol> 				    
<li>A subestrutura em delta (recife):<ol>    ]]></body>
<body><![CDATA[<li>É composta por dois braços/ramos dispostos em V, como mostrado na <a href="#f7">Figura 7</a> (vista da praia) e na <a href="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f8.jpg" target="_blank">Figura 8</a> (vista do mar);</li>                     
<li>Tem um &acirc;ngulo constante da ordem de 45 graus, ou pouco superior, mas inferior a 66 graus (&acirc;ngulo da dire&ccedil;&atilde;o da onda com a normal ao bra&ccedil;o do recife);</li>                     <li>Tem os ramos do V iguais, com comprimentos n&atilde;o inferiores a meio comprimento de onda local e declives da ordem de 1:10.</li>                     </ol> 				    <li>A plataforma:<ol>                     <li>Tem uma forma tal que mesmo pequenas ondas que incidam obliquamente sejam ainda surf&aacute;veis sobre o delta e n&atilde;o refratem nos declives laterais;</li>                     <li>Tem inclina&ccedil;&otilde;es frontal e laterais t&atilde;o elevadas quanto poss&iacute;vel (para redu&ccedil;&atilde;o de custos);</li>                     <li>Tem um comprimento longitudinal (ao longo da costa) suficientemente grande para proteger o local de eros&atilde;o costeira (<a href="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f8.jpg" target="_blank">Figura 8</a>, planta);</li>                     
<li>É prolongada para o interior do delta, devendo ser criteriosamente estudada até que distância se fará esse prolongamento (<a href="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f8.jpg" target="_blank">Figura 8</a>, corte).</li>    
</ol> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[</ol> 	    <p>A dist&acirc;ncia do v&eacute;rtice do recife at&eacute; &agrave; linha de costa n&atilde;o perturbada deve ser superior a 1.5 vezes a largura da zona natural de <i>surf</i>.</p> 	    <p>Com base em an&aacute;lises num&eacute;ricas, utilizando um modelo num&eacute;rico do tipo Boussinesq COULWAVE (Lynett, 2002), adequado para simular a evolu&ccedil;&atilde;o de ondas n&atilde;o-lineares sobre batimetrias irregulares em condi&ccedil;&otilde;es de &aacute;guas interm&eacute;dias e pouco profundas, foram determinadas primeiras estimativas para os valores dos v&aacute;rios par&acirc;metros do poss&iacute;vel recife a construir na Leirosa, a saber: altura do recife igual a 3.20 m, declive das paredes igual a 1:10 e submers&atilde;o da crista igual &agrave; altura da onda de projeto (1.50 m). Para detalhes sobre o regime de agita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima na zona da Leirosa e as condi&ccedil;&otilde;es para que foi definido o projeto de recife indicado, consulte-se Mendon&ccedil;a et al. (2012a) e Mendon&ccedil;a et al. (2012b).</p> 	    <p>Como demonstrado em Jackson et al. (2005), para o recife de Narrowneck, Austr&aacute;lia, cinco anos ap&oacute;s a sua constru&ccedil;&atilde;o: &ldquo;<i>O recife Narrowneck &eacute; um sucesso como recife multifuncional e alcan&ccedil;ou os objetivos espec&iacute;ficos do projeto, bem como os benef&iacute;cios ambientais&hellip;. O n&uacute;mero de surfistas em Narrowneck aumentou e a qualidade do surf &ldquo;melhorou&rdquo;&hellip;. Os recifes para surf s&atilde;o vi&aacute;veis e podem ser constru&iacute;dos a custos razo&aacute;veis, com projeto e t&eacute;cnicas de constru&ccedil;&atilde;o simples</i>&rdquo;.</p> 			    <p>Conforme mostrado na <a href="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a05f8.jpg" target="_blank">Figura 8</a> (planta), o fato de a plataforma n&atilde;o poder ser alargada a toda a base do recife significa que este tem dimens&otilde;es &uacute;teis limitadas em ambas as dire&ccedil;&otilde;es. Isto &eacute;, ser&aacute; devastador para a <i>surfabilidade</i> das ondas se estas tiverem que passar por um buraco situado atr&aacute;s da plataforma (as &aacute;reas sombreadas nesta figura) durante o processo de rebenta&ccedil;&atilde;o das mesmas sobre o delta da estrutura (recife). Por conseguinte, naquelas condi&ccedil;&otilde;es, s&oacute; as ondas que chegam &agrave; plataforma na zona X ser&atilde;o <i>surf&aacute;veis</i> sobre o delta (Voorde et al., 2009; Antunes-do-Carmo et al., 2010).</p> 			    
<p>&nbsp;</p> 			    <p><b>5. CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p> 			    <p>Passados oito anos ap&oacute;s o in&iacute;cio da primeira interven&ccedil;&atilde;o na Leirosa utilizando material geot&ecirc;xtil, verifica-se que foi poss&iacute;vel fixar a frente da duna na zona intervencionada. Foram usadas duas t&eacute;cnicas complementares para a constru&ccedil;&atilde;o da defesa frontal de prote&ccedil;&atilde;o do sistema dunar: (1) conten&ccedil;&atilde;o da areia em mantas dobradas pela face do mar e ligadas lateralmente (coladas e/ou cosidas) &agrave;s mantas vizinhas; e (2) tubos pr&eacute;-fabricados em ambiente controlado e cheios localmente com uma emuls&atilde;o de &aacute;gua e areia.</p> 			    <p>O fato de as ondas continuarem a rebentar na base da duna ou sobre a estrutura de defesa criada prejudica o seu bom desempenho, pois existem sempre descontinuidades que fragilizam a estrutura, como por exemplo os apoios dos geocontentores/geotubos e as liga&ccedil;&otilde;es entre mantas e/ou geotubos. A forma de reduzir os impactos mais agressivos, resultantes da dissipa&ccedil;&atilde;o de energia por efeito da rebenta&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; provocar a rebenta&ccedil;&atilde;o da onda na massa de &aacute;gua, numa zona suficientemente afastada da linha de costa (em geral, entre 200 a 250 m, dependendo do declive do fundo, da amplitude da mar&eacute; e da altura significativa de onda). &Eacute; neste contexto, e tamb&eacute;m com este objetivo, que se prop&otilde;e a instala&ccedil;&atilde;o de recifes artificiais multifuncionais.</p> 			    <p>Os recifes artificiais s&atilde;o estruturas que fornecem uma prote&ccedil;&atilde;o indireta atrav&eacute;s da redu&ccedil;&atilde;o das cargas hidrodin&acirc;micas para n&iacute;veis adequados &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o do equil&iacute;brio din&acirc;mico da costa. Para atingir este objetivo, os recifes artificiais multifuncionais s&atilde;o concebidos de forma a permitirem a transmiss&atilde;o de uma determinada quantidade de energia por rebenta&ccedil;&atilde;o das ondas no delta da estrutura, e a dissipa&ccedil;&atilde;o de energia sobre a crista, em condi&ccedil;&otilde;es de &aacute;gua pouco profunda. Com uma adequada conce&ccedil;&atilde;o do recife, este ser&aacute; capaz de: (1) reduzir a descarga energ&eacute;tica sobre a costa atrav&eacute;s de uma s&eacute;rie de processos e transforma&ccedil;&otilde;es das ondas que ocorrem sobre a estrutura; (2) criar c&eacute;lulas de circula&ccedil;&atilde;o de correntes por tr&aacute;s do delta da estrutura (recife), podendo causar sedimenta&ccedil;&atilde;o na orla costeira; (3) regular a a&ccedil;&atilde;o das ondas por efeitos combinados de refra&ccedil;&atilde;o e difra&ccedil;&atilde;o; (4) gerar ondas com boas caracter&iacute;sticas para a pr&aacute;tica de <i>surf</i>; (5) criar uma zona protegida com boas caracter&iacute;sticas balneares e, (6) fixar plantas e atrair peixes, promovendo outras pr&aacute;ticas desportivas.</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Naturalmente, para a implementa&ccedil;&atilde;o de estruturas deste tipo &eacute; essencial planear e gerir de forma integrada a zona costeira. Um programa de investimentos na zona costeira dever&aacute; contemplar necessariamente aspetos relativos &agrave; prote&ccedil;&atilde;o, como objetivo central, mas numa perspetiva integradora de valoriza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento, ou seja, n&atilde;o contemplando simples &lsquo;remendos&rsquo;, ou obras isoladas, mas antes promovendo a atratividade atrav&eacute;s da instala&ccedil;&atilde;o generalizada de adequados equipamentos com multifuncionalidades.</p> 			    <p>A implementa&ccedil;&atilde;o da tecnologia proposta poder&aacute; justificar-se como medida isolada quando se pretende tirar partido das diversas funcionalidades, mas justifica-se claramente como medida complementar de outras estruturas naturais de prote&ccedil;&atilde;o costeira, nomeadamente dos v&aacute;rios sistemas dunares existentes e com elevadas fragilidades ao longo da costa Oeste de Portugal. Esta tecnologia &eacute; igualmente adequada para efeitos de prote&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas mais degradadas, como medida eficaz de reten&ccedil;&atilde;o e acumula&ccedil;&atilde;o de areias, ou ainda como equipamentos complementares de divers&atilde;o, lazer e mais-valias tur&iacute;stica e ambiental. Em princ&iacute;pio, ser&aacute; igualmente uma boa aposta a instala&ccedil;&atilde;o desta tecnologia em &aacute;reas onde se justifica uma alimenta&ccedil;&atilde;o artificial com finalidades de reten&ccedil;&atilde;o ou acumula&ccedil;&atilde;o de areias.</p> 			    <p>O principal investimento a efetuar para a aplica&ccedil;&atilde;o desta tecnologia em larga escala prende-se com a aquisi&ccedil;&atilde;o ou adapta&ccedil;&atilde;o de um ou mais barcos com caracter&iacute;sticas e dimens&otilde;es adequadas e devidamente equipados, nomeadamente com gruas, sistemas de bombeamento e outros equipamentos de menor custo. Um segundo n&iacute;vel de investimento prende-se com o fabrico ou aquisi&ccedil;&atilde;o do material geossint&eacute;tico, incluindo a prepara&ccedil;&atilde;o dos tubos por empresas especializadas.</p> 			    <p>Uma vez efetuados os investimentos iniciais, a constru&ccedil;&atilde;o de qualquer recife artificial com multifuncionalidades (prote&ccedil;&atilde;o de praias e sistemas dunares com reduzido impacto ambiental, gera&ccedil;&atilde;o de ondas com caracter&iacute;sticas para a pr&aacute;tica de <i>surf</i> e importante enriquecimento ambiental da zona costeira) importar&aacute; em custos globais bastante mais reduzidos que os de qualquer estrutura tradicional exclusivamente com fun&ccedil;&otilde;es equivalentes de prote&ccedil;&atilde;o.</p> 			    <p>A experi&ecirc;ncia adquirida e os poucos dados de monitoriza&ccedil;&atilde;o existentes com os recifes artificiais j&aacute; constru&iacute;dos ou em constru&ccedil;&atilde;o, nomeadamente sobre: <i>i</i>) desempenho em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; prote&ccedil;&atilde;o costeira; <i>ii</i>) qualidade das ondas para a pr&aacute;tica de <i>surf</i>; <i>iii</i>) contribui&ccedil;&atilde;o para o aumento da biodiversidade e, iv) revitaliza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica atrav&eacute;s do turismo, n&atilde;o nos permitem ser muito objetivos em rela&ccedil;&atilde;o a qualquer das perspetivas de an&aacute;lise. Contudo, existem dados importantes no que respeita a dimens&otilde;es, volumes e custos de constru&ccedil;&atilde;o que podem ser correlacionados com os correspondentes desempenhos. Em primeira aproxima&ccedil;&atilde;o, poder-se-&aacute; inferir que os recifes artificiais com multifuncionalidades resultar&atilde;o mais simples, mais baratos e mais funcionais que as estruturas convencionais constru&iacute;das exclusivamente para efeitos de prote&ccedil;&atilde;o; complementarmente dever&atilde;o ainda garantir os seguintes benef&iacute;cios:</p> 			    <p class="script ParaOverride-22">-Prote&ccedil;&atilde;o de sistemas naturais com reduzido impacto visual;</p> 			    <p class="script ParaOverride-22">- Aumento da largura da praia adjacente ao recife;</p> 			    <p class="script ParaOverride-22">-Gera&ccedil;&atilde;o de ondas com caracter&iacute;sticas para a pr&aacute;tica de <i>surf</i>;</p> 			    <p class="script ParaOverride-22">-Importante enriquecimento ambiental da zona costeira; </p> 			    <p class="script ParaOverride-22">-Cria&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas com interessantes caracter&iacute;sticas para divers&atilde;o e pr&aacute;ticas de mergulho e pesca;</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p class="script ParaOverride-23">-Benef&iacute;cios econ&oacute;micos resultantes do aumento de fluxos tur&iacute;sticos.</p> 			    <p class="_6--1st-paragraph ParaOverride-10" xml:lang="en-US">Para finalizar, importa salientar que jamais ser&atilde;o satisfeitas as condi&ccedil;&otilde;es ideais para a instala&ccedil;&atilde;o de um recife multifuncional. Nesta conformidade, para cada local, a op&ccedil;&atilde;o final ser&aacute; sempre fun&ccedil;&atilde;o do balan&ccedil;o que resultar de uma an&aacute;lise ponderada entre o investimento a efetuar e o potencial retorno. Sendo muitas as vari&aacute;veis em jogo, nem todos os locais permitem atingir as mesmas funcionalidades e nem sempre se pretendem os mesmos objetivos. Por conseguinte, importa ter presente que os bons ou maus desempenhos de um recife artificial, relativamente &agrave;s prioridades tra&ccedil;adas, ser&atilde;o sempre fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas locais (f&iacute;sicas, sociais e ambientais), da qualidade do projeto (localiza&ccedil;&atilde;o, material, geometria e dimens&otilde;es) e dos aspetos construtivos (meios e equipamentos, controlo e m&atilde;o-de-obra).</p> 	    <p class="_6--1st-paragraph ParaOverride-10" xml:lang="en-US">&nbsp;</p> 			    <p><b>AGRADECIMENTOS</b></p> 			    <p>Este trabalho foi fundamentalmente desenvolvido no &acirc;mbito do projeto de investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;Novos conceitos de prote&ccedil;&atilde;o para a costa portuguesa&rdquo; (PTDC/ECM/66516/2006), integralmente financiado pela FCT &ndash; Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia. Um agradecimento especial &eacute; devido &agrave;s empresas Celbi e Soporcel pelo financiamento concedido no &acirc;mbito do projeto de &ldquo;Recupera&ccedil;&atilde;o do sistema dunar da Leirosa &ndash; 4&ordf; e 5&ordf; fases&rdquo;.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 			    <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> 			    <p>Antunes-do-Carmo, J.S. (2003) - Din&acirc;mica litoral e protec&ccedil;&atilde;o costeira. Um caso de estudo. <i>VI SILUSBA &ndash; Simp&oacute;sio de Hidr&aacute;ulica e Recursos H&iacute;dricos dos Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Oficial Portuguesa</i>, &#91;Publicado em CD&#93;, Praia, Cabo Verde.</p> 			    <!-- ref --><p>Antunes-do-Carmo, J.S. (2004) - Modela&ccedil;&atilde;o hidrodin&acirc;mica em condi&ccedil;&otilde;es de &aacute;gua pouco profunda. Aplica&ccedil;&otilde;es. <i>Revista Recursos H&iacute;dricos</i> (ISSN: 0870-1741), 25(2):43-56, Lisboa, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1646-8872201300030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Antunes-do-Carmo, J.S.; Marques, J.C. (2003) - Proposta de princ&iacute;pios orientadores para o desenvolvimento sustent&aacute;vel da zona costeira portuguesa. <i>II Congresso sobre Planeamento e Gest&atilde;o das Zonas Costeiras dos Pa&iacute;ses de Express&atilde;o Portuguesa; IX Congresso da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Estudos do Quatern&aacute;rio e II Congresso do Quatern&aacute;rio dos Pa&iacute;ses de L&iacute;nguas Ib&eacute;ricas</i> &#91;CD-ROM&#93;, 6p., Recife, PE, Brasil. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.abequa.org.br/trabalhos/dinamica_costeira_336.pdf" target="_blank">http://www.abequa.org.br/trabalhos/dinamica_costeira_336.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S1646-8872201300030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Antunes-do-Carmo, J.S.; Schreck Reis, C.; Freitas, H. (2010) - Working with nature by protecting sand dunes: Lessons learned. <i>Journal of Coastal Research</i>, 26(6):1068-1078. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.2112/JCOASTRES-D-10-00022.1" target="_blank">10.2112/JCOASTRES-D-10-00022.1</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S1646-8872201300030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <p>CNADS (2001) &ndash; <i>Projecto de reflex&atilde;o sobre o desenvolvimento sustent&aacute;vel da zona costeira</i>. 46 p., CNADS - Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, Lisboa, Portugal. Dispon&iacute;vel em <a href="http://w3.ualg.pt/~jdias/GESTLIT/Documents/ReflexZonasCost_Projecto.pdf" target="_blank">http://w3.ualg.pt/~jdias/GESTLIT/Documents/ReflexZonasCost_Projecto.pdf</a>.</p> 			    <!-- ref --><p>Dias, J.M.A.; Ferreira, &Oacute;.M.F.C.; Pereira, A.P.R.R. (1994) - <i>Estudo sint&eacute;tico de diagnostico da geomorfologia e da din&acirc;mica sedimentar dos tro&ccedil;os costeiros entre Espinho e Nazar&eacute;</i>. Universidade do Algarve, Faro, Portugal, 261p., ESAMIN / Instituto de Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza, Lisboa, Portugal. Dispon&iacute;vel em <a href="http://w3.ualg.pt/~jdias/JAD/eb_EspinhoNazare.html" target="_blank">http://w3.ualg.pt/~jdias/JAD/eb_EspinhoNazare.html</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S1646-8872201300030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <p>Jackson, L.A.; Reichelt, R.E.; Restall, S.; Corbett, B.; Tomlinson, R.; McGrath, J. (2004) - Marine ecosystem enhancement on a geotextile coastal protection reef &ndash; Narrowneck reef case study. <i>Proceedings of the 29th International Conference on Coastal Engineering</i>, pp.3940-3952, Lisboa, Portugal. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1142/9789812701916_0318" target="_blank">10.1142/9789812701916_0318</a>.</p> 			    <p>Jackson, L.A.; Tomlinson, R.; Turner, I.; Corbett, B.; D&rsquo;Agata, M.; McGrath, J. (2005) - Narrowneck artificial reef results of 4 yrs of monitoring and modifications. <i>Proceedings of the 4th International Surfing Reef Symposium</i>, 11p., Manhattan Beach, CA, USA. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.docstoc.com/docs/37353041/NARROWNECK-ARTIFICIAL-REEF-RESULTS-OF-4-YRS-OF-MONITORING-AND" target="_blank">http://www.docstoc.com/docs/37353041/NARROWNECK-ARTIFICIAL-REEF-RESULTS-OF-4-YRS-OF-MONITORING-AND</a>.</p> 			    <!-- ref --><p>Koffler, A.; Choura, M.; Bendriss, A.; Zengerink, E. (2008) - Geosynthetics in protection against erosion for river and coastal banks and marine and hydraulic construction. <i>Journal of Coastal Conservation</i>, 12(1):11-17. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1007/s11852-008-0023-x" target="_blank">10.1007/s11852-008-0023-x</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S1646-8872201300030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <p>Lopes, M.A. (2003) - O litoral da Regi&atilde;o Centro de Portugal &ndash; um caso preocupante de risco e perda de territ&oacute;rio. 38p., DRAOT-Centro; Minist&eacute;rio das Cidades, Ordenamento do Territ&oacute;rio e Ambiente, Relat&oacute;rio, Coimbra, Portugal. <i>N&atilde;o publicado</i>.</p> 			    <!-- ref --><p>Lynett, P.J. (2002) - A multi-layer approach to modeling of generation, propagation and interaction of water waves. 220p., Tese de doutoramento, Cornell University, Ithaca, NY, USA. Dispon&iacute;vel em <a href="http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.91.8402&amp;rep=rep1&amp;type=pdf" target="_blank">http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.91.8402&amp;rep=rep1&amp;type=pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S1646-8872201300030000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Mendon&ccedil;a, A.; Fortes, C.J.; Capit&atilde;o, R.; Neves, M.G.; Antunes-do-Carmo, J.S.; Moura, T. (2012a) - Hydrodynamics around an artificial surfing reef at Leirosa, Portugal. <i>Journal of Waterway, Port, Coastal, and Ocean Engineering</i>, 138(3):226-235. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1061/(ASCE)WW.1943-5460.0000128" target="_blank">10.1061/(ASCE)WW.1943-5460.0000128</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S1646-8872201300030000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Mendon&ccedil;a, A.; Fortes, C.J.; Capit&atilde;o, R.; Neves, M.G.; Moura, T.; Antunes-do-Carmo, J.S. (2012b) - Wave hydrodynamics around a multi-functional artificial reef at Leirosa. <i>Journal of Coastal Conservation</i>, 16(4):543-553. 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<body><![CDATA[<p>Pilarczyk, K. (2009) - <i>Geosynthetics and geosystems in coastal engineering - a review. In: 3&ordm; Semin&aacute;rio Portugu&ecirc;s sobre Geossint&eacute;ticos</i>, pp.43-60, Sociedade Portuguesa de Geotecnia e Comiss&atilde;o Portuguesa de Geossint&eacute;ticos, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal. ISBN: 978-9899646612.</p> 			    <!-- ref --><p>Recio-Molina, J.; Yasuhara, K. (2005) - Stability of modified geotextile wrap-around revetments (GWR) for coastal protection. Geosynthetics International, 12(5):260-268. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1680/gein.2005.12.5.260" target="_blank">10.1680/gein.2005.12.5.260</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S1646-8872201300030000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Recio, J.; Oumeraci, H. (2009) - Process based stability formulae for coastal structures made of geotextile sand containers. <i>Coastal Engineering</i>, 56(5-6):632-658. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.coastaleng.2009.01.011" target="_blank">10.1016/j.coastaleng.2009.01.011</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S1646-8872201300030000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Reis, C. Schreck; Freitas, H. (2002) - Rehabilitation of the Leirosa sand dunes. Littoral 2002, The Changing Coast, pp.381-384. EUROCOAST/EUCC, Porto, Portugal. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2008.io-warnemuende.de/homepages/schernewski/Littoral2000/docs/vol3/Littoral2002_71.pdf" target="_blank">http://www2008.io-warnemuende.de/homepages/schernewski/Littoral2000/docs/vol3/Littoral2002_71.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S1646-8872201300030000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <p>Reis, C. Schreck; Freitas, H.; Antunes-do-Carmo, J.S. (2005) - Leirosa sand dunes: A case study on coastal protection, Lisboa, Portugal. In: IMAM 2005 &ndash; <i>Maritime Transportation and Exploitation of Ocean and Coastal Resources</i>, pp.1469-1474, Taylor &amp; Francis / Balkema. ISBN: 0415393744.</p> 			    <!-- ref --><p>Reis, C. Schreck; Antunes-do-Carmo, J.S.; Freitas, H. (2008) - Learning with Nature: A Sand Dune System Case Study (Portugal). Journal of Coastal Research, 24(6):1506-1515. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.2112/07-0858.1" target="_blank">http://dx.doi.org/10.2112/07-0858.1</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S1646-8872201300030000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    ]]></body>
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