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<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise das lógicas de ação de atores sociais em torno do licenciamento ambiental de um terminal portuário no estuário de Santos (Brasil)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The increasing of industrial and port activities in the estuary of Santos (São Paulo State - Brazil) is threatening marine-estuarine ecosystems, including their environmental goods and services. This article focuses on the analysis of the controversy of an environmental licensing of a modern port terminal in this estuary and in the analysis of the worldviews of eleven stakeholders. We investigated the dominant worldviews (logiques d’action) in the agreements that allowed the installation of the project. We selected the stakeholders to be interviewed from various environments participation about development and environment in this region. Thirteen stakeholders were selected for interviews, eleven accepted and two did not respond to the contact attempts. We formulated semi-structured interviews with closed questions directed to state the socioeconomic characteristics and open questions, common to all respondents, as: the purpose of the institution, the world view about the future of mangroves and fishing in the estuary and, their involvement in the controversy between the port expansion projects and the conservation of remaining mangroves over estuary of Santos. They were asked about the positive or negative impacts of the project, on the relationship of their institution with the fishing community of Diana Island, and about the possibility of compatibility with the port expansion with the maintaining of caiçara way of life in the estuary Santos. We also included questions specific to each respondent, seeking to understand the activity of each institution in the study area. Furthermore, based on our prior knowledge about contradictory attitudes of some respondents, in opposition to the institutional placement, we formulated questions to search conflicts among their speeches and their actions. We asked to the interviewed selected to represent the mission of their institutions, however, sometimes the individual opinion prevailed on the institutional mission. Eighteen hours of speeches were transcribed and classified according to the predominant characteristics of the six common principles of listed by the bibliographic referential. The phrases were chosen to represent the worldviews of the stakeholders interviewed and they show how was the emergence of the controversy and the decision to install the port terminal even contradicting the provisions of the legal instruments that assure the conservation of mangrove areas, legal instruments about coastal management and legal instruments that assure the provision of public areas for public purposes. We found that the commercial and industrial worldviews were the dominants in the study area. The civic, domestic, of opinion and inspiration worldview, have exercised the counterpoint to prevailing views, once the stakeholders negotiated adjustments to the project initially presented, which incorporated 32 environmental mitigation conditions to the installation of the project. There was not a real conciliation procedure of the environmental licensing process analyzed, but only a process of negotiation of conditions, which resulted in mistrusts and conflicts. The development projects in the Santos estuary should be discussed with broad popular participation, and should take into account the value of environmental goods and services offered by ecosystems in their analysis of economic viability.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Gestão Costeira]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO / </b>ARTICLE</p> 	    <p><b>An&aacute;lise das l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o de atores sociais em torno do licenciamento ambiental de um terminal portu&aacute;rio no estu&aacute;rio de Santos (Brasil)</b><a href="#0">*</a><a name="top0"></a></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Analysis of the logic of action of stakeholders surrounding the environmental licensing of a port terminal in Santos estuary (Brazil)</b></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Fernanda Terra Stori<sup>@, I</sup>; Denis Moledo de Souza Abessa<sup>II</sup>; Nivaldo Nordi<sup>I</sup></b></p>         <p><sup>@</sup>Corresponding author</p> 	    <p><sup>I</sup>Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, Rodovia Washington Luiz, Km 235, Monjolinho, Caixa Postal 676, CEP 13.565-905, S&atilde;o Carlos-SP, Brasil. e-mails: Stori - <a href="mailto:feterra@terra.com.br">feterra@terra.com.br</a>; Nordi - <a href="mailto:nivaldo@ufscar.br">nivaldo@ufscar.br</a>    <br>     <sup>II</sup>Universidade Estadual Paulista &ldquo;J&uacute;lio de Mesquita Filho&rdquo;, Campus Experimental do Litoral Paulista. Pra&ccedil;a Infante Dom Henrique, s/n. Parque Bitaru, S&atilde;o Vicente, SP. CEP: 11330-900. e-mail: <a href="mailto:dmabessa@clp.unesp.br">dmabessa@clp.unesp.br</a></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade> 	    <p><b>RESUMO</b></p> 			    <p>A franca expans&atilde;o industrial-portu&aacute;ria no estu&aacute;rio de Santos (Estado de S&atilde;o Paulo - Brasil) vem amea&ccedil;ando os ecossistemas marinho-estuarinos, incluindo seus bens e servi&ccedil;os ambientais. Este artigo concentra-se na an&aacute;lise da controv&eacute;rsia do licenciamento ambiental de um moderno terminal portu&aacute;rio neste estu&aacute;rio e das l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o de onze atores sociais envolvidos, ou seja, das vis&otilde;es de mundo que foram dominantes para os acordos que promoveram a instala&ccedil;&atilde;o do empreendimento, com base nos referenciais das Economias de Grandeza e da Sociologia da Tradu&ccedil;&atilde;o. Os atores foram mapeados em diversos ambientes de participa&ccedil;&atilde;o sobre desenvolvimento e meio ambiente na Baixada Santista. Foram selecionados treze atores a serem entrevistados, sendo que onze deles aceitaram realizar a entrevista e dois n&atilde;o responderam &agrave;s tentativas de contato. Foram formuladas para as entrevistas semiestruturadas quest&otilde;es fechadas para caracteriza&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica e quest&otilde;es abertas comuns para todos os entrevistados, sobre: o objetivo da institui&ccedil;&atilde;o que representa; a vis&atilde;o de mundo a respeito do futuro dos manguezais e da pesca no estu&aacute;rio Santista; e, seu envolvimento na controv&eacute;rsia entre projetos de expans&atilde;o portu&aacute;ria e a conserva&ccedil;&atilde;o dos manguezais remanescentes no estu&aacute;rio santista. Ainda foram questionados quanto aos aspectos positivos e/ou negativos do empreendimento, sobre a rela&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o junto &agrave; comunidade pesqueira da Ilha Diana, e ainda, sobre a possibilidade de compatibilizar a expans&atilde;o portu&aacute;ria com a manuten&ccedil;&atilde;o do modo de vida <i>cai&ccedil;ara</i> no estu&aacute;rio Santista. Tamb&eacute;m foram elaboradas quest&otilde;es espec&iacute;ficas para cada entrevistado, buscando entender qual &eacute; a atividade de cada institui&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio estudado. Ainda, com base no conhecimento pr&eacute;vio de atitudes contradit&oacute;rias de alguns entrevistados frente ao posicionamento institucional, foram formuladas quest&otilde;es buscando averiguar a&ccedil;&otilde;es conflitantes com o discurso. Solicitamos aos atores selecionados que representassem a postura de suas institui&ccedil;&otilde;es e/ou inst&acirc;ncias, contudo, por vezes o opini&atilde;o individual preponderou sobre a miss&atilde;o institucional. Dezoito horas de falas foram transcritas e classificadas de acordo com as caracter&iacute;sticas predominantes dos seis Princ&iacute;pios Superiores Comuns das Economias de Grandeza, e foram escolhidas as frases mais significativas para representar as vis&otilde;es de mundo dos atores entrevistados e que melhor esclarecessem como se deu a emerg&ecirc;ncia da controv&eacute;rsia estudada e como se decidiu pela instala&ccedil;&atilde;o empreendimento portu&aacute;rio mesmo contrariando o disposto nos instrumentos legais que disp&otilde;em sobre a conserva&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas manguezal, que disp&otilde;em sobre o gerenciamento costeiro e da concess&atilde;o de &aacute;reas federais para fins privativos. Identificamos que as l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o comerciais e industriais foram as vis&otilde;es de mundo dominantes no territ&oacute;rio estudado. As vis&otilde;es de mundo amparadas por l&oacute;gicas c&iacute;vica, dom&eacute;stica, opini&atilde;o e inspira&ccedil;&atilde;o apenas exerceram o contraponto &agrave;s vis&otilde;es dominantes, uma vez que os atores que as possu&iacute;am, participaram da negocia&ccedil;&atilde;o para que o projeto de empreendimento apresentado inicialmente sofresse ajustes e incorporasse 32 condicionantes socioambientais. N&atilde;o foi observado um real processo de concerta&ccedil;&atilde;o no licenciamento analisado, apenas um processo de negocia&ccedil;&atilde;o de condicionantes, que resultou em desconfian&ccedil;as e conflitos. Projetos de desenvolvimento no estu&aacute;rio de Santos deveriam ser debatidos com ampla participa&ccedil;&atilde;o popular e, deveriam levar em conta em sua an&aacute;lise de viabilidade econ&ocirc;mica, o valor dos bens e servi&ccedil;os ambientais ofertados pelos ecossistemas.</p> 			    <p><b>Palavras-chave:</b> Gest&atilde;o Costeira, Gest&atilde;o de Conflitos, Sociologia da Tradu&ccedil;&atilde;o, Expans&atilde;o Portu&aacute;ria, Bens e Servi&ccedil;os Ambientais.</p>             <hr size="1" noshade> 			    <p><b>ABSTRACT</b></i></p> 			    <p>The increasing of industrial and port activities in the estuary of Santos (S&atilde;o Paulo State - Brazil) is threatening marine-estuarine ecosystems, including their environmental goods and services. This article focuses on the analysis of the controversy of an environmental licensing of a modern port terminal in this estuary and in the analysis of the worldviews of eleven stakeholders. We investigated the dominant worldviews (logiques d&rsquo;action) in the agreements that allowed the installation of the project. We selected the stakeholders to be interviewed from various environments participation about development and environment in this region. Thirteen stakeholders were selected for interviews, eleven accepted and two did not respond to the contact attempts. We formulated semi-structured interviews with closed questions directed to state the socioeconomic characteristics and open questions, common to all respondents, as: the purpose of the institution, the world view about the future of mangroves and fishing in the estuary and, their involvement in the controversy between the port expansion projects and the conservation of remaining mangroves over estuary of Santos. They were asked about the positive or negative impacts of the project, on the relationship of their institution with the fishing community of Diana Island, and about the possibility of compatibility with the port expansion with the maintaining of <i>cai&ccedil;ara</i> way of life in the estuary Santos. We also included questions specific to each respondent, seeking to understand the activity of each institution in the study area. Furthermore, based on our prior knowledge about contradictory attitudes of some respondents, in opposition to the institutional placement, we formulated questions to search conflicts among their speeches and their actions. We asked to the interviewed selected to represent the mission of their institutions, however, sometimes the individual opinion prevailed on the institutional mission. Eighteen hours of speeches were transcribed and classified according to the predominant characteristics of the six common principles of listed by the bibliographic referential. The phrases were chosen to represent the worldviews of the stakeholders interviewed and they show how was the emergence of the controversy and  the decision to install the port terminal even contradicting the provisions of the legal instruments that assure the conservation of mangrove areas, legal instruments about coastal management and legal instruments that  assure the provision of public areas for public purposes. We found that the commercial and industrial worldviews were the dominants in the study area. The civic, domestic, of opinion and inspiration worldview, have exercised the counterpoint to prevailing views, once the stakeholders negotiated adjustments to the project initially presented, which incorporated 32 environmental mitigation conditions to the installation of the project. There was not a real conciliation procedure of the environmental licensing process analyzed, but only a process of negotiation of conditions, which resulted in mistrusts and conflicts. The development projects in the Santos estuary should be discussed with broad popular participation, and should take into account the value of environmental goods and services offered by ecosystems in their analysis of economic viability.</p> 			    <p><b>Keywords:</b> Coastal Management, Conflicts Management, Sociology of Translation, Port Expansion, Ecosystems&rsquo; Goods and Services.</p> <hr size="1" noshade> 	    <p>&nbsp;</p>        		    <p>&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>O estu&aacute;rio de Santos (SP &ndash; Brasil) &eacute; um ambiente peculiar onde convivem o mangue, o povo e o porto. A Baixada Santista abrange um dos maiores remanescentes de manguezais do litoral sudeste brasileiro com uma &aacute;rea cont&iacute;nua de 90 km<sup>2</sup>, sendo 30,9 km<sup>2</sup> somente no munic&iacute;pio de Santos (Lamparelli, 1999). Ainda, o estu&aacute;rio apresenta um rico patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico-cultural e conta com exist&ecirc;ncia de comunidades chamadas tradicionalmente de <i>cai&ccedil;aras</i>, com forte tradi&ccedil;&atilde;o pesqueira que utilizam o estu&aacute;rio para sua reprodu&ccedil;&atilde;o social (reprodu&ccedil;&atilde;o de costumes e tradi&ccedil;&otilde;es, bem como do meio de vida das popula&ccedil;&otilde;es) e produ&ccedil;&atilde;o de bens e riquezas, de cunho material e imaterial (Stori, 2010).</p> 	    <p>O termo <i>cai&ccedil;ara</i> tem origem no voc&aacute;bulo ind&iacute;gena tupi-guarani<i> ca&aacute;-i&ccedil;ara</i>, o homem do litoral (Sampaio, 1987 citado em Adams, 2000). Para estes povos, o termo era utilizado para denominar as estacas colocadas &agrave; volta das tabas ou aldeias e o curral feito de galhos de &aacute;rvores para cercar os peixes. Com o passar do tempo, passou a ser o nome dado &agrave;s palho&ccedil;as constru&iacute;das nas praias para abrigar as canoas e os petrechos de pesca. Mais tarde passou a ser utilizado para identificar os indiv&iacute;duos de comunidades do litoral Sudeste do Brasil, nos estados do Paran&aacute;, S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro (Adams, 2000). As comunidades <i>cai&ccedil;aras</i> s&atilde;o formadas pela miscigena&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas, colonizadores portugueses e, em menor escala, de escravos africanos (Diegues, 1983).</p> 	    <p>Os manguezais s&atilde;o ecossistemas de alta sensibilidade ecol&oacute;gica que exercem a fun&ccedil;&atilde;o de nos prover bens e servi&ccedil;os. De acordo com o relat&oacute;rio Avalia&ccedil;&atilde;o Ecossist&ecirc;mica do Mil&ecirc;nio - <i>Milennium Assessment</i> os bens e servi&ccedil;os dos ecossistemas respons&aacute;veis pelo suporte da vida na Terra podem ser classificados em quatro tipologias: provis&atilde;o, regula&ccedil;&atilde;o, culturais e sustenta&ccedil;&atilde;o. Segundo a &ldquo;Conserva&ccedil;&atilde;o Internacional&rdquo;, estima-se que as florestas de mangues sejam respons&aacute;veis por prover at&eacute; 1,6 bilh&otilde;es de d&oacute;lares por ano em servi&ccedil;os do ecossistema em todo o mundo, como o controle de eros&atilde;o e tempestades, e como ber&ccedil;&aacute;rio para peixes e outras esp&eacute;cies que garantem a subsist&ecirc;ncia das popula&ccedil;&otilde;es costeiras Segundo not&iacute;cia assinada por Emilio Godoy e publicada na revista Envolverde em Julho de 2008, estimado que um hectare de <i>Rhizophora mangle</i> no Golfo da Calif&oacute;rnia apresente uma produtividade pesqueira anual de quase US$ 37 mil e que em 30 anos este valor superaria US$ 700 mil, 600 vezes a mais do que o fixado pelo governo mexicano para o valor destes terrenos. Tamb&eacute;m segundo a revista Envolverde, em not&iacute;cia de Marwaan Macan-Markar publicada em setembro de 2008, a supress&atilde;o de 82% dos manguezais do Deltado Rio Irrawaddy (Birm&acirc;nia) deixou as comunidades litor&acirc;neas vulner&aacute;veis diante da eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar com a passagem de um ciclone o mar adentrou at&eacute; 40 quil&ocirc;metros deixando cerca de 300 mil mortos e 5,5 milh&otilde;es de prejudicados.</p> 	    <p>Atualmente os projetos de expans&atilde;o industrial-portu&aacute;ria est&atilde;o no cerne da quest&atilde;o sobre a sustentabilidade do estu&aacute;rio santista, uma vez que ao suprimir a vegeta&ccedil;&atilde;o dos manguezais e aterr&aacute;-los, s&atilde;o promovidas altera&ccedil;&otilde;es no padr&atilde;o hidrol&oacute;gico, eleva-se a taxa de assoreamento, aumenta a demanda por dragagens e aumenta polui&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica - fatores que promovem o decl&iacute;nio da atividade pesqueira e a perda de resili&ecirc;ncia neste sistema socioecol&oacute;gico (Stori, 2010). Para Gunderson e Holling (2000) resili&ecirc;ncia seria a capacidade de absorver os dist&uacute;rbios do ecossistema e ainda assim manter o sistema socioecol&oacute;gico &iacute;ntegro. No caso dos sistemas sociais, a resili&ecirc;ncia diz respeito &agrave; sua capacidade adaptativa, isto &eacute;, a capacidade que um sistema socioecol&oacute;gico possui de aprender, organizar-se e adaptar-se frente a dist&uacute;rbios, sem perder sua estrutura e fun&ccedil;&atilde;o (Holling, 2001 <i>apud</i> Seixas &amp; Berkes, 2005).</p> 	    <p>De acordo com o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente (2002): <i>“Programas de expansão portuária são por si só, ações de grande impacto ambiental para a região costeira. Essas obras têm como função dotar os estados de infraestrutura necessária para a instalação de parques industriais, cujas atividades beneficiam a economia dos estados em uma escala macro. Porém, os impactos econômicos, ecológicos e sociais desses empreendimentos numa escala que inclui as populações tradicionais pesqueiras que habitam a zona costeira, deveriam ser tratados com muito mais interesse e importância ao considerar essas ações por um prisma do desenvolvimento sustentável”</i>.</p> 	    <p>A comunidade da Ilha Diana &eacute; uma dessas comunidades, reconhecida no munic&iacute;pio de Santos pela atividade pesqueira artesanal e manuten&ccedil;&atilde;o do modo de vida <i>cai&ccedil;ara</i>, por&eacute;m at&eacute; hoje sem o reconhecimento legal de seu territ&oacute;rio situado sobre &aacute;rea de manguezal, cuja ocupa&ccedil;&atilde;o remonta &agrave; d&eacute;cada de 1930 (Stori, 2012). Seus habitantes est&atilde;o presenciando um novo desafio &agrave; sua tradi&ccedil;&atilde;o. No ano de 2006 um terminal portu&aacute;rio privado recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis (IBAMA) a Licen&ccedil;a de Instala&ccedil;&atilde;o (LI) para desmatar, aterrar e construir sobre uma &aacute;rea de manguezal e restinga de 803 mil metros quadrados, territ&oacute;rio de pesca da comunidade tradicional. O Licenciamento Ambiental &eacute; o procedimento administrativo pelo qual o &oacute;rg&atilde;o ambiental autoriza a localiza&ccedil;&atilde;o, instala&ccedil;&atilde;o, amplia&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o de empreendimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidores ou que possam causar degrada&ccedil;&atilde;o ambiental (CONAMA, 1997).</p> 	    <p>A Ilha Diana foi considerada &aacute;rea diretamente afetada (ADA) pelo empreendimento. Desta forma, observa-se a emerg&ecirc;ncia de uma controv&eacute;rsia entre a necessidade econ&ocirc;mica da expans&atilde;o portu&aacute;ria e a sustentabilidade dos bens e servi&ccedil;os ofertados pelo ecossistema estuarino, com consequ&ecirc;ncias diretas para as comunidades costeiras.</p> 	    <p>Latour (2000) afirma que as controv&eacute;rsias precedem um enunciado cient&iacute;fico ou uma inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Ao se estudar as controv&eacute;rsias, compreendemos a constru&ccedil;&atilde;o dos fatos, da mudan&ccedil;a ou inova&ccedil;&atilde;o. Afirma tamb&eacute;m que a constru&ccedil;&atilde;o de fatos de mudan&ccedil;as sociot&eacute;cnicas &eacute; um processo coletivo em que se busca a compreens&atilde;o das l&oacute;gicas da a&ccedil;&atilde;o dos atores, seus pap&eacute;is, do processo de tradu&ccedil;&atilde;o e das intera&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre entidades individuais ou coletivas.</p> 	    <p>A trajet&oacute;ria da controv&eacute;rsia da instala&ccedil;&atilde;o de um terminal portu&aacute;rio em um territ&oacute;rio de pesca bem delimitado, no qual at&eacute; o momento apresenta elementos da cultura <i>cai&ccedil;ara</i> em meio a um espa&ccedil;o industrial-portu&aacute;rio-urbano, mostra-se um tema que desperta a curiosidade cient&iacute;fica e propicia a aplica&ccedil;&atilde;o dos referenciais te&oacute;ricos escolhidos para an&aacute;lise.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com base nos referenciais das Economias de Grandeza e da Sociologia da Tradu&ccedil;&atilde;o (Boltanski e Th&eacute;venot, 1991; Callon 1981; Callon, 1986; Amblard <i>et al.</i>, 1996; Silva, 2005; Beuret, 2006; Beuret <i>et al.</i>, 2006), apresentamos neste manuscrito uma an&aacute;lise da trajet&oacute;ria da controv&eacute;rsia em torno do licenciamento ambiental de um terminal portu&aacute;rio no estu&aacute;rio santista, bem como a an&aacute;lise das l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o dos atores sociais envolvidos nesta controv&eacute;rsia e como estas vis&otilde;es de mundo regem as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de gest&atilde;o territorial e determinam o futuro dos ecossistemas e das comunidades no estu&aacute;rio de Santos (Brasil).</p>         <p>&nbsp;</p>         <p><b>2. M&Eacute;TODO</b></p> 	    <p><b>2.1. &Aacute;rea de estudo</b></p> 	    <p>O munic&iacute;pio de Santos, localizado na costa Sudeste do Brasil, possui 281 km<sup>2</sup> de &aacute;rea (<a href="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a09f1.jpg" target="_blank">Fig.1</a>). De acordo com o censo de 2010, o munic&iacute;pio possui cerca de 419.400 habitantes (IBGE, 2010).</p> 	    
<p>O munic&iacute;pio se desenvolveu economicamente atrelado ao setor portu&aacute;rio. De acordo com o resumo das movimenta&ccedil;&otilde;es de cargas no Porto de Santos (dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.portodesantos.com.br/" target="_blank">http://www.portodesantos.com.br/</a>) o Porto de Santos movimentou mais de 104,5 milh&otilde;es de toneladas no ano de 2012 e por ele passam 55% do PIB e 49% da produ&ccedil;&atilde;o nacional entre produtos agr&iacute;colas e industriais, como: &aacute;lcool, a&ccedil;&uacute;car, soja, fertilizantes, &oacute;leo diesel, sucos c&iacute;tricos, trigo, carne, caf&eacute;, sal e GLP (g&aacute;s liquefeito de petr&oacute;leo). De acordo com o ranking mundial de movimenta&ccedil;&atilde;o de cont&ecirc;ineres elaborado pela revista brit&acirc;nica Conteinerisation Internacional, o Porto de Santos ocupou o 30&ordm; lugar em 2011 com a movimenta&ccedil;&atilde;o de 2.985.922 Teus (unidade de medida equivalente a um cont&ecirc;iner de 20 p&eacute;s)&rdquo;.</p> 	    <p>O crescimento da regi&atilde;o trouxe riquezas, mas gerou tamb&eacute;m diversos passivos ambientais dentre eles <br />destacam-se a polui&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas estuarinas, sedimentos e organismos aqu&aacute;ticos, provocada pela combina&ccedil;&atilde;o de fontes m&uacute;ltiplas, como o porto, as ind&uacute;strias, os lix&otilde;es e aterros industriais, esgotos, entre outros (Lamparelli <i>et al.</i>, 2001; Abessa <i>et al.</i>, 2008). Para Afonso (1999), a Baixada Santista de fato se destaca como a &aacute;rea mais comprometida de toda a zona costeira paulista, com suas &aacute;guas, solo, ar e matas, contaminados pelas atividades industriais, portu&aacute;rias e pelo lan&ccedil;amento de efluente dom&eacute;stico n&atilde;o tratado. Outro problema hist&oacute;rico &eacute; a aus&ecirc;ncia de planejamento do uso do solo, que provocou a supress&atilde;o de extensas &aacute;reas de florestas de manguezais e restingas e permitiu a instala&ccedil;&atilde;o de empreendimentos portu&aacute;rios, aterros, desvios e assoreamento de canais estuarinos, al&eacute;m da invas&atilde;o de ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares (Lamparelli <i>et al.</i>, 2001; Tommasi, 1979; Afonso, 1999).</p> 	    <p>O terminal portu&aacute;rio objeto deste estudo, localiza-se na &aacute;rea continental do munic&iacute;pio de Santos, entre as coordenadas geogr&aacute;ficas Lat. 23&deg;55&rsquo; S e Long. 46&deg;19&rsquo; W (<a href="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a09f1.jpg" target="_blank">Fig. 1</a>), sobre uma &aacute;rea de 803 mil metros quadrados de manguezal e restinga, classificada no Plano Diretor Municipal como Zona Portu&aacute;ria. Espera-se que quando conclu&iacute;do, o terminal com 1100m de extens&atilde;o, receba simultaneamente at&eacute; 8 navios e tenha capacidade para movimenta&ccedil;&atilde;o anual de 1,2 milh&atilde;o de cont&ecirc;ineres, 200 mil ve&iacute;culos, 2 milh&otilde;es de toneladas de gran&eacute;is s&oacute;lidos vegetais e at&eacute; 5 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos de gran&eacute;is l&iacute;quidos, principalmente &aacute;lcool. Estima-se a gera&ccedil;&atilde;o de cerca de mil empregos diretos e outros 1,1 mil indiretos (EMBRAPORT, 2003).</p> 	    
<p><b>2.2. Considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas sobre a abordagem utilizada</b></p> 	    <p>Redes de gest&atilde;o v&ecirc;m se difundido nos territ&oacute;rios mais diversos, por&eacute;m nem sempre estas obt&ecirc;m sucesso em participa&ccedil;&atilde;o, legitimidade, continuidade e efetividade. De acordo com Silva (2005), com vistas a investigar os pontos de sucesso ou insucesso da gest&atilde;o participativa, Michel Callon e Bruno Latour, (Callon, 1986; Callon, 1999; Latour, 2000), desenvolveram a teoria da Sociologia da Inova&ccedil;&atilde;o, Sociologia da Tradu&ccedil;&atilde;o ou Sociologia das Redes Sociot&eacute;cnicas.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para os autores da Sociologia da Tradu&ccedil;&atilde;o, as inova&ccedil;&otilde;es ou acordos s&atilde;o viabilizados por redes sociot&eacute;cnicas, que seriam organiza&ccedil;&otilde;es complexas (ou meta organiza&ccedil;&otilde;es), integradas por entidades humanas ou n&atilde;o humanas (atores ou atuantes); individuais ou coletivas; definidas por seus pap&eacute;is, suas identidades e programas, colocadas em intermedia&ccedil;&atilde;o umas com as outras (Silva, 2005).</p> 	    <p>Uma inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica n&atilde;o se imp&otilde;e apenas por suas qualidades, mas sim pela rede sociot&eacute;cnica que a viabiliza (Callon, 1986). A din&acirc;mica das rela&ccedil;&otilde;es &eacute; plena de controv&eacute;rsias, negocia&ccedil;&otilde;es, ajustes de posi&ccedil;&otilde;es e interesses que, quando migram para um ponto convergente, chamado de &ldquo;Ponto de Passagem Obrigat&oacute;rio&rdquo;, forma o n&uacute;cleo da rede que sustenta a inova&ccedil;&atilde;o (Callon, 1986).</p> 	    <p>Traduzir &eacute; tornar intelig&iacute;vel para um determinado ator, o enunciado produzido por outro ator que adota uma l&oacute;gica de a&ccedil;&atilde;o diversa (Callon, 1986; Callon,1999). O tradutor deve ser um ator social com legitimidade suficiente para estabelecer um elo de inteligibilidade entre os outros atores, favorecendo a recomposi&ccedil;&atilde;o de uma mensagem, de um fato ou uma informa&ccedil;&atilde;o e estimulando a coopera&ccedil;&atilde;o. &Eacute; prov&aacute;vel que no in&iacute;cio do processo de tradu&ccedil;&atilde;o as posi&ccedil;&otilde;es entre os atores envolvidos sejam divergentes, por&eacute;m &eacute; fun&ccedil;&atilde;o do tradutor unific&aacute;-las e coloc&aacute;-las em rela&ccedil;&atilde;o de forma intelig&iacute;vel possibilitando compreender as vozes falando em un&iacute;ssono, se compreendendo mutuamente e convergindo em interesses (Silva, 2005).</p> 	    <p>Beuret (2006) prop&otilde;e que a tradu&ccedil;&atilde;o se d&ecirc; de forma c&iacute;clica e compreende tr&ecirc;s n&iacute;veis: tradu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, cruzada e institucional. Para o autor, quanto maior o n&uacute;mero de vezes de ocorr&ecirc;ncia do ciclo da tradu&ccedil;&atilde;o, maior &eacute; a sustentabilidade de uma atividade. A tradu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; normalmente conduzida por um pesquisador, que traduz o resultado de suas pesquisas para os demais atores sociais. A tradu&ccedil;&atilde;o cruzada pode ser realizada por um extensionista, produtor ou pesquisador, que transfere as informa&ccedil;&otilde;es de modo intelig&iacute;vel entre dois ou mais atores distintos. Por fim, a tradu&ccedil;&atilde;o operacional e institucional permite a assimila&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias e acordos realizados pelos diversos atores em forma de regras e projetos de desenvolvimento.</p> 	    <p>Silva (2005) acredita que a identifica&ccedil;&atilde;o das l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o pode auxiliar na elabora&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias pelo poder p&uacute;blico para a melhoria das coordena&ccedil;&otilde;es entre os diferentes segmentos que integram uma atividade. O autor se baseou na teoria das Economias de Grandeza, desenvolvida por Luc Boltanski e Laurent Th&eacute;venot, para identificar as justificativas e princ&iacute;pios que nortearam as coordena&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre atores para a constru&ccedil;&atilde;o das redes sociot&eacute;cnicas da piscicultura em territ&oacute;rios distintos.</p> 	    <p>As Economias de Grandeza buscam entender como os acordos estabelecidos s&atilde;o justificados pelos membros da sociedade. Amblard <i>et al.</i> (1996) afirmam que a grandeza &eacute; uma caracteriza&ccedil;&atilde;o do que &eacute; grande ou pequeno aos olhos daqueles que integram um mundo espec&iacute;fico e que as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas podem ter refer&ecirc;ncias em uma ou mais grandezas. De acordo com o mundo em que os atores est&atilde;o inseridos, as atitudes ser&atilde;o percebidas de forma diferente. Boltanski e Th&eacute;venot (1991) definiram seis Princ&iacute;pios Superiores Comuns, que s&atilde;o grandezas nas quais os indiv&iacute;duos estabelecem acordos ou lit&iacute;gios: Dom&eacute;stica, C&iacute;vica, Industrial, Comercial, de Inspira&ccedil;&atilde;o e Opini&atilde;o.</p> 	    <p>A grandeza dom&eacute;stica compreende ao mesmo tempo tr&ecirc;s ordens imbricadas: uma &eacute; temporal, devido &agrave; fidelidade das pessoas aos costumes; outra &eacute; espacial, de familiaridade; e uma terceira &eacute; hier&aacute;rquica, de autoridade. A confian&ccedil;a &eacute; uma caracter&iacute;stica dessa grandeza. As figuras de refer&ecirc;ncia s&atilde;o as da fam&iacute;lia, da tradi&ccedil;&atilde;o, dos ancestrais. As rela&ccedil;&otilde;es motivadas por fatores socioculturais em um determinado territ&oacute;rio est&atilde;o inseridas nessa grandeza (Amblard <i>et al.</i>,1996).</p> 	    <p>A grandeza comercial &eacute; fundamentada sobre o princ&iacute;pio da concorr&ecirc;ncia, e os pre&ccedil;os s&atilde;o a refer&ecirc;ncia do valor dos objetos. &Eacute; o mundo dos interesses particulares e as pessoas est&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o por ocasi&atilde;o dos neg&oacute;cios. Essas rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas s&atilde;o caracterizadas pelo oportunismo. A liga&ccedil;&atilde;o social &eacute; fundamentada somente pelas trocas, que s&atilde;o feitas supostamente em benef&iacute;cio de todos, para contribuir para o bem comum. Esse mundo &eacute; caracterizado pelo concorrencial, pela capta&ccedil;&atilde;o de clientela, obten&ccedil;&atilde;o dos melhores pre&ccedil;os e do m&aacute;ximo proveito das transa&ccedil;&otilde;es. Para essa grandeza, o mundo dom&eacute;stico n&atilde;o &eacute; suficiente, pelo fato das rela&ccedil;&otilde;es dom&eacute;sticas impedirem a obten&ccedil;&atilde;o de sucesso com o aproveitamento de todas as oportunidades comerciais (Amblard <i>et al.</i>, 1996).</p> 	    <p>A grandeza industrial n&atilde;o pode ser confundida com as caracter&iacute;sticas da grandeza comercial, apesar de ambas constitu&iacute;rem coordena&ccedil;&otilde;es de ordem econ&ocirc;mica. No mundo industrial, o desempenho t&eacute;cnico e a ci&ecirc;ncia s&atilde;o o fundamento de efic&aacute;cia. Investir em tecnologia, maquin&aacute;rios, na capacita&ccedil;&atilde;o de operadores e monitorar a produtividade do sistema, s&atilde;o caracter&iacute;sticas t&iacute;picas do mundo industrial (Amblard <i>et al.</i>, 1996). Para esses autores, uma empresa fortemente equipada, moderna na sua forma de produzir, com profissionais que dominam integralmente a tecnologia, constituem essa grandeza.</p> 	    <p>Para a grandeza c&iacute;vica o interesse coletivo est&aacute; acima do interesse particular. As pessoas se mobilizam em torno de no&ccedil;&otilde;es como equidade, liberdade e solidariedade. O cooperativismo &eacute; uma forma de organiza&ccedil;&atilde;o que se enquadra nesse tipo de grandeza, com &ecirc;nfase no coletivo e na solidariedade. O interesse coletivo n&atilde;o significa uma soma dos interesses individuais, mas um interesse superior comum (Amblard <i>et al.</i>, 1996).</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para a grandeza opini&atilde;o, somente a consagra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica importa. N&atilde;o importa o esp&iacute;rito criador do mundo de inspira&ccedil;&atilde;o, ou os respeito &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es do mundo dom&eacute;stico. No primeiro caso, h&aacute; o risco de provocar a incompreens&atilde;o p&uacute;blica e o isolamento. No segundo caso, a limita&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o a regras, impediria alcan&ccedil;ar a celebridade.</p> 	    <p>A grandeza de inspira&ccedil;&atilde;o estabelece uma liga&ccedil;&atilde;o imediata entre as pessoas e uma totalidade. Para Amblard <i>et al.</i> (1996) &ldquo;o homem criativo e sua equipe em uma ag&ecirc;ncia de publicidade, o pesquisador e seus colegas de laborat&oacute;rio, assim como o arquiteto e seus assistentes, s&atilde;o pessoas fortemente submetidas ao mundo da inspira&ccedil;&atilde;o&rdquo;.</p> 	    <p><b>2.3. Procedimentos de coleta e an&aacute;lise de dados</b></p> 	    <p>Este estudo foi desenvolvido de julho de 2006 a novembro de 2010. Inicialmente, para realizar a sele&ccedil;&atilde;o dos entrevistados a pesquisadora frequentou, no per&iacute;odo entre 2006 e 2009, diversos f&oacute;runs de discuss&atilde;o sobre desenvolvimento e meio ambiente na Baixada Santista, tais como: reuni&otilde;es do Grupo Setorial de Gerenciamento Costeiro da Baixada Santista; Agenda Ambiental Portu&aacute;ria; Rede de Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental da Baixada Santista, Audi&ecirc;ncias P&uacute;blicas e semin&aacute;rios acad&ecirc;mico-cient&iacute;ficos. Para contatar os representantes institucionais escolhidos foram enviadas cartas-convite (com aviso de recebimento). Representantes de duas institui&ccedil;&otilde;es selecionadas n&atilde;o responderam ao convite enviado: Secretaria Especial de Portos vinculada &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e Secretaria de Assuntos Portu&aacute;rios vinculada &agrave; Prefeitura de Santos. A entrevista com o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Melhoramentos da comunidade da Ilha Diana foi realizada em julho de 2008 e entre Junho e Agosto de 2009, foram entrevistados outros dez atores sociais envolvidos na controv&eacute;rsia do licenciamento ambiental do terminal portu&aacute;rio, totalizando onze entrevistados. Para a realiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas semiestruturadas (Viertler, 2002) foram formuladas quest&otilde;es fechadas para caracteriza&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica e quest&otilde;es abertas comuns para todos os entrevistados, sobre: o objetivo da institui&ccedil;&atilde;o que representa; a opini&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o a respeito do futuro dos manguezais remanescentes e da pesca no estu&aacute;rio Santista; a opini&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o aos projetos de expans&atilde;o portu&aacute;ria; a opini&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o sobre a controv&eacute;rsia entre a conserva&ccedil;&atilde;o dos manguezais remanescentes no estu&aacute;rio santista e a expans&atilde;o portu&aacute;ria; os impactos positivos e negativos que o terminal portu&aacute;rio ir&aacute; causar; o posicionamento da institui&ccedil;&atilde;o na controv&eacute;rsia entre a instala&ccedil;&atilde;o do terminal portu&aacute;rio e a comunidade pesqueira da Ilha Diana, e ainda, sobre o que seria necess&aacute;rio para compatibilizar a expans&atilde;o portu&aacute;ria com a manuten&ccedil;&atilde;o do modo de vida <i>cai&ccedil;ara</i> no estu&aacute;rio Santista. Tamb&eacute;m foram elaboradas quest&otilde;es espec&iacute;ficas para cada entrevistado, buscando entender qual &eacute; a atividade de cada institui&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio estudado. Ainda, com base no conhecimento pr&eacute;vio de atitudes contradit&oacute;rias de alguns entrevistados frente ao posicionamento institucional que deveriam ter, foram formuladas quest&otilde;es buscando averiguar tais posturas conflitantes. Solicitamos aos atores selecionados que representassem a postura de suas institui&ccedil;&otilde;es e/ou inst&acirc;ncias, contudo, por vezes o opini&atilde;o individual preponderou sobre a miss&atilde;o institucional. A <a href="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a09t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a> apresenta a listagem das institui&ccedil;&otilde;es ou inst&acirc;ncias pol&iacute;ticas entrevistadas.</p> 	    
<p>Dezoito horas de falas foram transcritas e posteriormente, identificadas as que melhor esclarecessem como se deu a emerg&ecirc;ncia da controv&eacute;rsia estudada e como se decidiu pela instala&ccedil;&atilde;o empreendimento portu&aacute;rio.</p> 	    <p>Em seguida, procedeu-se a an&aacute;lise da trajet&oacute;ria da controv&eacute;rsia do licenciamento ambiental do terminal portu&aacute;rio e das l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o que regeram a negocia&ccedil;&atilde;o da controv&eacute;rsia no territ&oacute;rio estudado, com base nos referenciais das Economias de Grandeza propostas por Boltanski e Th&eacute;venot (1991) e da Sociologia da Tradu&ccedil;&atilde;o (Callon 1981,1986; Amblard <i>et al.</i>, 1996; Silva, 2005; Beuret, 2006; Beuret <i>et al.</i>, 2006). As falas transcritas foram classificadas de acordo com as caracter&iacute;sticas predominantes dos seis Princ&iacute;pios Superiores Comuns das Economias de Grandeza, e foram escolhidas as frases mais significativas para representar as vis&otilde;es de mundo dos atores entrevistados.</p>         <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>3. RESULTADOS</b></p> 	    <p><b>3.1. Trajet&oacute;ria da controv&eacute;rsia do licenciamento ambiental do terminal portu&aacute;rio</b></p> 	    <p>No ano de 1998 o grupo respons&aacute;vel pela constru&ccedil;&atilde;o do terminal portu&aacute;rio privativo comprou o terreno em estudo, cuja escritura remonta ao in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX e que havia sido incorporado aos ativos da Companhia Docas de Santos em 1927 e vendido a um banco nos anos 1980. A partir de ent&atilde;o, a empresa iniciou as tratativas para construir o porto.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2000 a empresa apresentou o Relat&oacute;rio Ambiental Pr&eacute;vio (RAP) ao Departamento de Avalia&ccedil;&atilde;o de Impactos Ambientais da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de S&atilde;o Paulo (DAIA).  O DAIA forneceu um parecer negativo ao empreendimento, pelo fato deste incidir sobre manguezal, portanto &Aacute;rea de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente de acordo com o C&oacute;digo Florestal Brasileiro vigente &agrave; &eacute;poca (Lei N&deg; 4.771/65- Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil, 1965). De acordo com a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental, a supress&atilde;o de tal vegeta&ccedil;&atilde;o s&oacute; poderia ser autorizada em casos de utilidade p&uacute;blica ou de interesse social e quando n&atilde;o existisse outra alternativa t&eacute;cnica e locacional. A Prefeitura de Santos ent&atilde;o emitiu um decreto declarando a utilidade p&uacute;blica ao terminal portu&aacute;rio, embasados na justificativa de que servi&ccedil;os de transporte s&atilde;o de utilidade p&uacute;blica, independente do direito de propriedade do servi&ccedil;o ofertado.</p> 	    <p>Na sequ&ecirc;ncia, a empresa reapresentou ao DAIA os estudos de impacto ambiental e a primeira audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, que estava prevista para Janeiro de 2002 foi cancelada por liminar (i.e. ordem judicial provis&oacute;ria) do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF), contestando a compet&ecirc;ncia do Estado de S&atilde;o Paulo para conduzir o licenciamento, pois considerava que este, por estar dentro de &aacute;rea portu&aacute;ria, deveria ocorrer em &acirc;mbito federal. O processo foi direcionado ao &oacute;rg&atilde;o federal competente, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis (IBAMA), que convocou uma nova audi&ecirc;ncia p&uacute;blica para Janeiro de 2005. A partir de ent&atilde;o, o IBAMA conduziu o processo, emitindo a Licen&ccedil;a Pr&eacute;via (LP) em Junho de 2005 e a Licen&ccedil;a de Instala&ccedil;&atilde;o (LI) em Agosto de 2006. A LI imp&ocirc;s 32 condicionantes socioambientais, relativas a todos os programas que a empresa deveria cumprir.</p> 	    <p>Como medidas mitigadoras e compensat&oacute;rias o IBAMA estabeleceu 24 programas e subprogramas, somando 32 atividades que condicionariam o licenciamento. Estas condicionantes est&atilde;o relacionadas &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o e apoio &agrave;s Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o, melhorias da qualidade ambiental da obra, comunica&ccedil;&atilde;o com as popula&ccedil;&otilde;es afetadas, elabora&ccedil;&atilde;o de um programa de apoio &agrave; pesca, condu&ccedil;&atilde;o de um programa de resgate arqueol&oacute;gico nas &aacute;reas de ocorr&ecirc;ncia de sambaquis (dep&oacute;sitos de conchas de bivalves, res&iacute;duos da alimenta&ccedil;&atilde;o de antigos povos ind&iacute;genas), dentre outros (EMBRAPORT, 2003).</p> 	    <p>Para atender a estes requisitos, o terminal portu&aacute;rio subcontratou empresas de consultorias para fazer o di&aacute;logo com a comunidade da Ilha Diana (ADA). Entretanto foi verificada uma grande falta de informa&ccedil;&atilde;o por parte dos moradores da Ilha Diana sobre o que de fato seria o empreendimento, muitos desconhecendo que haveria tambores para armazenamento de etanol, o que traz s&eacute;rios riscos ambientais ao entorno (Stori, 2010). Verificou-se que n&atilde;o houve neste processo a figura de um tradutor que colocasse em contato os diferentes atores, esclarecendo a realidade do empreendimento que estava sendo concebido, muito menos um tradutor que coordenasse um planejamento comum para o futuro do territ&oacute;rio estudado &ndash; ou seja, n&atilde;o houve um processo de concerta&ccedil;&atilde;o.</p> 	    <p><b>3.2. L&oacute;gicas de A&ccedil;&atilde;o que conduziram aos acordos para a instala&ccedil;&atilde;o do terminal portu&aacute;rio</b></p> 	    <p>Procedemos a an&aacute;lise dos relatos obtidos com base nos referencias te&oacute;ricos previamente mencionados (Boltanski e Th&eacute;venot, 1991; Callon 1981; Callon, 1986; Amblard <i>et al.</i>, 1996; Silva, 2005; Beuret, 2006; Beuret <i>et al.</i>, 2006), sendo identificados valores e vis&otilde;es de mundo que regeram as l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o dos atores em torno da negocia&ccedil;&atilde;o da controv&eacute;rsia no territ&oacute;rio estudado.</p> 	    <p>Constatamos que grandeza comercial &eacute; predominante nas l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s representantes entrevistados: da Companhia Docas do Estado de S&atilde;o Paulo (Ator 1), do Terminal Portu&aacute;rio (Ator 2) e da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Santos (Ator 7). Apresentaram grandeza industrial em suas falas os representantes de tr&ecirc;s institui&ccedil;&otilde;es: da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Santos (Ator 7), do Instituto de Pesca (Ator 8) e da Federa&ccedil;&atilde;o Paulista de Pescadores (Ator 9). A grandeza c&iacute;vica predominou no discurso de quatro representantes: do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (Ator 3), do IBAMA (Ator 4), da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de S&atilde;o Paulo (Ator 5) e da Organiza&ccedil;&atilde;o N&atilde;o Governamental (Ator 10). A grandeza de opini&atilde;o foi predominante nas falas de dois representantes: Poder Legislativo do Munic&iacute;pio de Santos (Ator 6) e Instituto de Pesca (Ator 8). A grandeza de inspira&ccedil;&atilde;o foi observada na fala do representante da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de S&atilde;o Paulo (Ator 5). Apenas o representante da comunidade da Ilha Diana (Ator 11) apresentou predominantemente a grandeza dom&eacute;stica.</p> 	    <p>As justificativas dadas por esses atores para a viabilidade da instala&ccedil;&atilde;o do empreendimento constituem-se em suas l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o, as quais s&atilde;o identificadas pelas vis&otilde;es de mundo destes atores, regidos por grandezas diversas. As falas mais expressivas das grandezas identificadas est&atilde;o destacadas na <a href="/img/revistas/rgci/v13n3/13n3a09t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a>.</p>         
<p>&nbsp;</p> 	    <p><b>4. DISCUSS&Atilde;O</b></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Verificamos que as l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o comerciais e industriais s&atilde;o as vis&otilde;es de mundo dominantes no territ&oacute;rio estudado e definem a estrat&eacute;gia da expans&atilde;o portu&aacute;ria no estu&aacute;rio santista. As l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, familiar, opini&atilde;o e de inspira&ccedil;&atilde;o, apenas exerceram o contraponto &agrave;s vis&otilde;es dominantes na forma de condicionantes socioambientais ao licenciamento do terminal portu&aacute;rio instalado. Ou seja, na &aacute;rea estudada a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &eacute; dominada pela l&oacute;gica desenvolvimentista predominante nas l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o comerciais e industriais. Esses atores formam uma rede de gest&atilde;o s&oacute;lida, aliada aos interesses econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos dominantes no sistema capitalista. Ambientalistas, cientistas, comunidades tradicionais, dentre outros atores neste sistema, n&atilde;o conseguiram viabilizar a conserva&ccedil;&atilde;o ambiental no estu&aacute;rio santista, desta forma, atuam apenas aportando subs&iacute;dios t&eacute;cnicos-cient&iacute;ficos para que tais projetos n&atilde;o sejam implantados sem a observ&acirc;ncia rigorosa &agrave;s lei ambientais, trazendo o aporte de tecnologias sustent&aacute;veis e mitigando efeitos negativos &agrave;s comunidades que sobrevivem da pesca no estu&aacute;rio.</p> 	    <p>Constatamos, portanto, que a decis&atilde;o a favor da instala&ccedil;&atilde;o do empreendimento foi imposta com base no discurso da necessidade da expans&atilde;o do Porto de Santos de modo a sustentar o desenvolvimento de todo um pa&iacute;s. As justificativas para a concentra&ccedil;&atilde;o de uma vasta gama de empreendimentos portu&aacute;rios no estu&aacute;rio de Santos se deram pelo fato da regi&atilde;o estar pr&oacute;xima do maior centro consumidor do Brasil e onde j&aacute; h&aacute; ampla infraestrutura implantada. Ainda, o hist&oacute;rico de degrada&ccedil;&atilde;o e contamina&ccedil;&atilde;o ambiental, lhe atribuiu o status de melhor alternativa locacional quando comparado a outros estu&aacute;rios ainda ecologicamente &iacute;ntegros.</p> 	    <p>Uma vez que o terminal portu&aacute;rio obteve sua licen&ccedil;a de instala&ccedil;&atilde;o, tal fato foi viabilizado porque houve uma rede que o viabilizou. Os representantes institucionais entrevistados lideraram a negocia&ccedil;&atilde;o para que o empreendimento se viabilizasse atrav&eacute;s da obten&ccedil;&atilde;o da licen&ccedil;a ambiental que se constitui, portanto, no Ponto de Passagem Obrigat&oacute;rio, ou seja, o Licenciamento Ambiental &eacute; o pr&oacute;prio n&uacute;cleo da rede desenvolvimentista que sustenta a inova&ccedil;&atilde;o, que &eacute; a instala&ccedil;&atilde;o do terminal portu&aacute;rio. Percebemos, no entanto, que n&atilde;o exaurimos o universo de representantes envolvidos na controv&eacute;rsia entre a expans&atilde;o portu&aacute;ria e a necessidade de conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade dos ecossistemas costeiros, devido &agrave; complexidade deste universo, o que &eacute; uma limita&ccedil;&atilde;o ao estudo. Contudo os referenciais te&oacute;ricos aplicados de fato possibilitaram o entendimento de como o acordo foi estabelecido.</p> 	    <p>Por outro lado, a conserva&ccedil;&atilde;o dos manguezais do estu&aacute;rio por meio da cria&ccedil;&atilde;o de Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; fato viabilizado, pois n&atilde;o possui rede t&atilde;o bem consolidada quanto &agrave; rede desenvolvimentista. Em momentos de embate entre essas redes, em f&oacute;runs de discuss&atilde;o p.ex., verificamos grandes assimetrias de poder, ou seja, diferenciais de poder pol&iacute;tico ou de poder econ&ocirc;mico entre os envolvidos, uma vez que os grupos que representam o poder econ&ocirc;mico dominante unem-se ao poder governamental, em oposi&ccedil;&atilde;o aos grupos que defendem a conserva&ccedil;&atilde;o ambiental e a seguran&ccedil;a das comunidades tradicionais.</p> 	    <p>Uma vez que essas entidades investigadas apresentaram diferentes vis&otilde;es de mundo e l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o diversas, seria necess&aacute;ria a atua&ccedil;&atilde;o de um tradutor no processo que porta a inova&ccedil;&atilde;o desejada &ndash; neste caso, a instala&ccedil;&atilde;o do terminal portu&aacute;rio. Apesar de ter sido formada uma rede sociot&eacute;cnica para debater a controv&eacute;rsia em torno do licenciamento ambiental do porto analisado, a qual teria sua formalidade institu&iacute;da atrav&eacute;s das Audi&ecirc;ncias P&uacute;blicas, constatamos que n&atilde;o houve um real processo de tradu&ccedil;&atilde;o que promovesse um ambiente de concerta&ccedil;&atilde;o tal qual os autores da Sociologia da Tradu&ccedil;&atilde;o preconizam. Para esses autores, enquanto a negocia&ccedil;&atilde;o tem por objetivo a obten&ccedil;&atilde;o de um acordo ou decis&atilde;o, a concerta&ccedil;&atilde;o trabalha na constru&ccedil;&atilde;o coletiva de objetivos comuns e propostas de a&ccedil;&atilde;o, estabelecendo uma vis&atilde;o comum de problemas que de in&iacute;cio eram vistos por &acirc;ngulos diferentes (Beuret, 2006; e Beuret et. al., 2006).</p> 	    <p>Verificamos neste estudo que os poss&iacute;veis tradutores neste nosso universo amostral n&atilde;o se posicionaram de modo a traduzir de forma clara e transparente os reais impactos advindos do porto em instala&ccedil;&atilde;o, mas sim, de modo a interceder com apelos de melhoria financeira, e de modo pontual, seduzindo as comunidades em favor do empreendimento.</p> 	    <p>A tradu&ccedil;&atilde;o, liderada pela empresa portu&aacute;ria atrav&eacute;s das consultorias contratadas para dialogar com as comunidades e fazer cumprir as condicionantes do IBAMA, n&atilde;o foram transparentes ao ponto de repassar informa&ccedil;&otilde;es qualificadas e se limitaram a oferecer alguns m&iacute;seros benef&iacute;cios aos envolvidos - muitos dos quais seriam de inteira responsabilidade do poder p&uacute;blico. Verificamos que o dinheiro foi o principal intermedi&aacute;rio que cimenta esta rede, em detrimento da informa&ccedil;&atilde;o.</p> 	    <p>Neste caso, a gest&atilde;o efetiva deste processo foi conduzida pelo empreendedor seguindo, portanto, suas l&oacute;gicas e interesses, atrav&eacute;s de um processo de negocia&ccedil;&atilde;o de condicionantes ambientais e sociais, que resultou em desconfian&ccedil;as e conflitos e demonstra que a rede em quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; ampla, fortalecida, vigilante e transparente. Um meio de estabelecer uma rede que pensasse no planejamento integrado do territ&oacute;rio, seria fortalecer os processos participativos de gest&atilde;o, disponibilizando informa&ccedil;&otilde;es aos cidad&atilde;os e empoderando-os para as tomadas de decis&otilde;es.</p> 	    <p>Em um cen&aacute;rio real de concerta&ccedil;&atilde;o haveria a necessidade de distribuir o poder decis&oacute;rio igualmente entre os atores sociais envolvidos. No entanto, &eacute; question&aacute;vel se aqueles que det&ecirc;m o poder estariam dispostos a abrir m&atilde;o deste em prol de um bem comum, e ainda, se haveria real interesse em traduzir as informa&ccedil;&otilde;es. Desta forma, a tend&ecirc;ncia &eacute; que os atores com mais poder imponham como gest&atilde;o efetiva do territ&oacute;rio a sua gest&atilde;o intencional e, portanto, suas l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o. Da mesma forma, os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos cuja fun&ccedil;&atilde;o &eacute; exercer a fiscaliza&ccedil;&atilde;o e o controle ambiental tem seu poder reduzido por influ&ecirc;ncia dos poderes econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos dominantes. Em consequ&ecirc;ncia, os bens e servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos e elementos culturais s&atilde;o expropriados, em detrimento dos interesses coletivos ou de estrat&eacute;gias mais sustent&aacute;veis para a ocupa&ccedil;&atilde;o e uso dos recursos dos territ&oacute;rios.</p> 	    <p>Para Santos (2008) o Estado deve se inserir na rede social do territ&oacute;rio e buscar fortalecer as redes atrav&eacute;s do incentivo &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es horizontais baseadas nos valores da grandeza c&iacute;vica como a transpar&ecirc;ncia, a confian&ccedil;a e a honestidade. Entretanto, caso a inser&ccedil;&atilde;o do Estado seja apenas para legitimar as l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o dominantes, este processo ser&aacute; in&oacute;cuo. Seria necess&aacute;rio fortalecer o pr&oacute;prio poder do Estado como regulamentador e como respons&aacute;vel em preservar o ambiente e promover a equidade social, conforme preconiza a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 em seu artigo 225 (Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil, 1988).</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sentido, recomenda-se a institui&ccedil;&atilde;o de um sistema de concerta&ccedil;&atilde;o para a gest&atilde;o costeira, no qual as propostas e projetos para o futuro de um territ&oacute;rio sejam traduzidos, debatidos e planejados entre todos os setores interessados no sistema estuarino de Santos.</p> 	    <p>Recomendamos ainda, que sejam efetivamente valorados no licenciamento ambiental os custos dos efeitos dos projetos no presente e para as gera&ccedil;&otilde;es futuras. Externalidades, quando n&atilde;o devidamente valoradas e gerenciadas, geram preju&iacute;zos econ&ocirc;micos, sociais e ecol&oacute;gicos (Stori, 2010). Somente uma an&aacute;lise fiel do valor dos bens e servi&ccedil;os ambientais ofertados pelo sistema estuarino de Santos poderia avaliar a viabilidade real da instala&ccedil;&atilde;o dos empreendimentos, considerando, al&eacute;m dos benef&iacute;cios econ&ocirc;micos os custos sociais, culturais e das perdas das fun&ccedil;&otilde;es ecossist&ecirc;micas. Um empreendimento de significativo impacto ambiental, ao ter seus impactos valorados adequadamente, poderia at&eacute; ser considerado invi&aacute;vel por acarretar em preju&iacute;zos econ&ocirc;micos para toda a sociedade.</p> 	    <p>Poder&iacute;amos at&eacute; valorar os bens e servi&ccedil;os dos manguezais a partir do valor de uso direto de produ&ccedil;&atilde;o e consumo de produtos da pesca, a partir do valor de uso indireto atrav&eacute;s dos danos &agrave;s estruturas p&uacute;blicas e privadas causados por eventos naturais extremos ou pelo valor de uso indireto relacionado ao ecoturismo, educa&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncia e medicina. Tais f&oacute;rmulas, contudo, sempre cont&eacute;m uma poss&iacute;vel subestima&ccedil;&atilde;o do real valor dessas fun&ccedil;&otilde;es e de sua import&acirc;ncia para a sociedade, uma vez que o c&aacute;lculo &eacute; complexo e subjetivo. O valor dos bens e servi&ccedil;os dos manguezais e do estu&aacute;rio santista n&atilde;o est&aacute; necessariamente vinculado a um valor monet&aacute;rio, mas principalmente &agrave; import&acirc;ncia destes para a manuten&ccedil;&atilde;o de sistemas resilientes e sustent&aacute;veis.</p>         <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>5. CONCLUS&Otilde;ES</b></p> 	    <p>Verificamos que as l&oacute;gicas de a&ccedil;&atilde;o comerciais e industriais foram vis&otilde;es de mundo dominantes no territ&oacute;rio. As l&oacute;gicas c&iacute;vica, dom&eacute;stica, de opini&atilde;o e de inspira&ccedil;&atilde;o apenas exerceram o contraponto &agrave;s vis&otilde;es dominantes, na forma de condicionantes socioambientais ao processo de licenciamento do empreendimento portu&aacute;rio analisado.</p> 	    <p>A domin&acirc;ncia de uma vis&atilde;o de mundo se deu pelo fato viabilizado, n&atilde;o representando necessariamente a assimetria entre o n&uacute;mero de atores entrevistados, mas sim pela assimetria de poder que h&aacute; entre eles.</p> 	    <p>Esta assimetria de poder &eacute; regida pelas for&ccedil;as econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas existentes no sistema estudado. Alguns atores apresentaram incoer&ecirc;ncias entre seu discurso e as postura institucional que deveriam possuir. Agem conforme seus interesses individuais em detrimento do posicionamento institucional e do interesse coletivo.</p> 	    <p>Destacamos ainda, a fragilidade dos instrumentos de planejamento e gest&atilde;o ambiental, em especial o licenciamento ambiental e o zoneamento ecol&oacute;gico econ&ocirc;mico da Zona Costeira, frente &agrave;s for&ccedil;as econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas que orientam a gest&atilde;o efetiva no sistema socioecol&oacute;gico estudado.</p> 	    <p>Recomendamos que os futuros projetos de desenvolvimento no estu&aacute;rio santistas sejam discutidos de forma concertada, incluindo os mais diversos atores, de forma igualit&aacute;ria e que leve em conta o valor dos bens e servi&ccedil;os dos ecossistemas estuarinos, incluindo toda a diversidade de usos neste territ&oacute;rio.</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> 			    <!-- ref --><p>Abessa, D.M.S.; Carr, R.S.; Sousa, E.C.P.M.; Rachid, B.R.F.; Zaroni, L.P.; Pinto, Y.A.; Gasparro, M.R.; B&iacute;cego, M.C.; Hortellani, M.A.; Sarkis, J.E.S.; Muniz, P. (2008) - Integrative Ecotoxicological Assessment of a Complex Tropical Estuarine System. In: T.N. Hoffer, (ed.),<i> Marine Pollution: New Research</i>, pp.125-159, Nova Science Publishers, New York, NY, USA. ISBN 1604562420&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S1646-8872201300030000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Adams, C. (2000) - <i>Cai&ccedil;aras na Mata Atl&acirc;ntica: pesquisa cient&iacute;fica versus planejamento e gest&atilde;o ambiental</i>. 336p., Annablume, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 85-74191019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1646-8872201300030000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Afonso, C.M. (1999) - <i>Uso e Ocupa&ccedil;&atilde;o do Solo na Zona Costeira do Estado de S&atilde;o Paulo: Uma An&aacute;lise Ambiental.</i> 186 p., Annablume / FAPESP, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 85-74190950&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1646-8872201300030000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Amblard, H.; Bernoux, P.; Herreros, G.; Livian, Y. (1996) - <i>Les nouvelles approches sociologiques des organisations.</i> 244p., &Eacute;ditions du Seuil, Paris,  Fran&ccedil;a. ISBN: 2020261863.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S1646-8872201300030000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <p>Beuret, J.E. (2006) - <i>La conduite de la concertation, pour la gestion de l&rsquo;environnement et le partage des ressources.</i> 340p., L&rsquo;Harmattan, Paris. ISBN: 978-2296002593.</p> 			    <p>Beuret, J.E.; Dufourmantelle, N.; Beltrando, V. (2006) - <i>L&rsquo;evaluation des processus de concertation: RELIEF, une demarche, des outils.</i> 148p., ed. La Documentation Fran&ccedil;aise, Paris, Fran&ccedil;a. ISBN: 978-2110060525.</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Boltanski, L.; Th&eacute;venot, L. (1991) - <i>De la justification: les &eacute;conomies de la grandeur.</i> 483p., Gallimard, Paris, Fran&ccedil;a. ISBN: 978-2070722549.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S1646-8872201300030000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <p>Callon, M. (1986) - El&eacute;ments pour une sociologie de la traduction: la domestication des coquilles Saint- Jacques et des marins-p&ecirc;cheurs dans la baie de Saint-Brieuc. <i>L&rsquo;Ann&eacute;e Sociologique</i> (ISSN: 0066-2399), 36:169-208, Paris, Fran&ccedil;a. </p> 			    <p>CONAMA (1997) - Resolu&ccedil;&atilde;o N&ordm; 237/97 de 19 de dezembro de 1997. Disp&otilde;e sobre procedimentos e crit&eacute;rios utilizados no licenciamento ambiental. CONAMA &ndash; Conselho Nacional do Meio Ambiente, Publicado no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o de 22 de dezembro de 1997. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res97/res23797.html" target="_blank">http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res97/res23797.html</a></p> 			    <!-- ref --><p>Diegues, A.C.S. (1983) - <i>Pescadores, camponeses a trabalhadores do mar.</i> 287p., &Aacute;tica, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. Dispon&iacute;vel em <a href="http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/color/prof%204.pdf" target="_blank">http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/color/prof%204.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1646-8872201300030000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>EMBRAPORT (2003) - <i>Terminal Portu&aacute;rio Embraport - Relat&oacute;rio de Impacto Ambiental.</i> Empresa Brasileira de Terminais Portu&aacute;rios (EMBRAPORT) / MKR Tecnologia, Servi&ccedil;os, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1646-8872201300030000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Gunderson, L.H.; Holling, C.S. (2000) - <i>Panarchy: Understanding Transformations in Human and Natural Systems.</i> 508p., Island Press, Washington, D.C., U.S.A. ISBN: 1559638575.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1646-8872201300030000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <p>IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica. (2010) &ndash; <i>Censo Populacional 2010: Cidades@ - Informa&ccedil;&otilde;es sobre os Munic&iacute;pios Brasileiros. S&atilde;o Paulo: Santos.</i> Portal internet do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. <a href="http://www.ibge.gov.br/cidadesat/xtras/perfil.php?codmun=354850&search=S%C3%A3o Paulo%7CSantos" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/cidadesat/xtras/perfil.php?codmun=354850&amp;search=S%C3%A3o Paulo%7CSantos</a></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Lamparelli, C.C. (1999) - <i>Mapeamento dos Ecossistemas Costeiros de S&atilde;o Paulo.</i> 106p., Governo do Estado de S&atilde;o Paulo, Secretaria de Estado do Meio Ambiente, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 978-8585662103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1646-8872201300030000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Lamparelli, M.L.; Costa, M.P.; Pr&oacute;speri, V.A.; Bevil&aacute;cqua, J.E.; Ara&uacute;jo, R.P.A.; Eysink, G.G.L.; Pomp&eacute;ia, S. (2001) -<i> Sistema Estuarino de Santos e S&atilde;o Vicente.</i> 178p., Relat&oacute;rio T&eacute;cnico CETESB, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/relatorios/rel_sist_estuarino/relatorio.zip" target="_blank">http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/relatorios/rel_sist_estuarino/relatorio.zip</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1646-8872201300030000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Minist&eacute;rio do Meio Ambiente (2002) - <i>Agenda 21 Brasileira: Gest&atilde;o dos Recursos Naturais.</i> 187 p. Bras&iacute;lia, DF, Brasil. ISBN: 8587166417.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1646-8872201300030000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <p>Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil (1965) - <i>Lei N&deg; 4.771 de 15 de setembro de 1965. Institui o C&oacute;digo Florestal Brasileiro e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias.</i> Publicado no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o de 16 de setembro de 1965. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4771.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4771.htm</a></p> 			    <p>Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Brasil (1988) - <i>Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil. Publicado no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o de 05 de outubro de 1988.</i> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</a></p> 			    <p>Santos, M.M. (2008) - <i>Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Gest&atilde;o: o Caso dos Bairros Rurais de Peru&iacute;be Localizados no Parque Estadual da Serra do Mar.</i> 104f., Trabalho de Conclus&atilde;o de Curso, UNESP &ndash; Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. <i>N&atilde;o publicado</i>.</p> 			    <!-- ref --><p>Seixas, C.S.; Berkes, F. (2005) - Mudan&ccedil;as Socioecol&oacute;gicas na Pesca da Lagoa de Ibiraquera, Brasil. In: Paulo Freire Vieira, Fikret Berkes e Cristiana S. Seixas (eds.), <i>Gest&atilde;o Integrada e Participativa dos Recursos Naturais: conceitos, m&eacute;todos e experi&ecirc;ncias,</i> p.113-145, editora Secco, Florian&oacute;polis, SC, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1646-8872201300030000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p> 			    <p>Silva, N.J.R. (2005) - <i>Din&acirc;micas de Desenvolvimento da Piscicultura e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas no Vale do Ribeira/SP e Alto Vale do Itaja&iacute;/SC &ndash; Brasil.</i> 544p., Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista / &Eacute;cole Nationale Sup&eacute;rieure Agronomique de Rennes, Jaboticabal, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. 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(1979) - <i>Considera&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas sobre o Sistema Estuarino de Santos, S&atilde;o Paulo.</i> Tese de Livre Doc&ecirc;ncia, 489p., 2 volumes, Universidade de S&atilde;o Paulo, Instituto Oceanogr&aacute;fico, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1646-8872201300030000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Viertler, R.V. (2002) - M&eacute;todos antropol&oacute;gicos como ferramenta para estudos em Etnobiologia e Etnoecologia. In: Maria Christina de Mello Amorozo, Lin C. Ming, Sandra P. da Silva (org.), <i>M&eacute;todos de Coleta e An&aacute;lise de Dados em Etnobiologia, Etnoecologia e Disciplinas Correlatas,</i> pp.12-29, UNESP/CNPq, Rio Claro, SP, Brasil. ISBN: 978-8590243212.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1646-8872201300030000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 			    <p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a>Submission: 2 September 2012; Evaluation: 6 October 2012; Reception of revised manuscript: 18 June 2013; Accepted: 30 June 2013; Available on-line: 4 July 2013</p>           ]]></body><back>
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