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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Percepção das Populações Costeiras sobre os Efeitos dos Eventos Adversos no Extremo Sul de Santa Catarina - Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study addresses the extreme natural events occurring on the coast of Santa Catarina. These events affect rural and urban areas therefore the purpose of this research is to analyse the residents and social actors perception about the events. It also investigates how the municipal management is organized to warn the population of weather adversities. The target areas are the cities of Balneário Gaivota, Passo de Torres, Santa Rosa do Sul, São João do Sul and Sombrio. The method included unstructured interviews with residents and municipal administration of the cities affected by natural events. Besides, it incorporated bibliographic and documentary investigation. The main findings comprise people’s statement about strong winds with rain and hail, floods and inundation in the study area. The hugest impacts were identified in the rural areas with losses of banana, rice and tobacco crops. Furthermore, several damages occurred in housing and agricultural buildings. The results showed the necessity of local government preventative schemes and the development of different action to rural and urban areas as they have distinct realities.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <html> <head> <meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"></head>     <p align="right"><b>ARTIGO / </b>ARTICLE</p>     <p><b>Percep&ccedil;&atilde;o das Popula&ccedil;&otilde;es Costeiras sobre os Efeitos dos Eventos Adversos no Extremo Sul de Santa Catarina - Brasil</b> <a name="top0"></a><a href="#0">*</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Perception of Coastal Populations on the Effects Adverse Events in the    Extreme South of Santa Catarina - Brazil</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Neres de Lourdes da Rosa Bitencourt <sup>@, I</sup>, Isa de Oliveira Rocha <sup>I</sup></b></p>     <p><sup>@</sup>Corresponding author</p>     <p><sup>I</sup>Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental – MPPT, Av. Madre Benvenuta, 2007, Itacorubi, CEP: 88035-001, Florian&oacute;polis, SC, Brasil. E-mail: Bitencourt <a href="mailto:nb.gestaoambiental@gmail.com">nb.gestaoambiental@gmail.com</a>, Rocha <a href="mailto:isa@udesc.br">isa@udesc.br</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este trabalho aborda os eventos naturais extremos ocorrentes no litoral de Santa Catarina e tem como objetivo apresentar e analisar a percep&ccedil;&atilde;o dos atores sociais por meio dos relatos orais de moradores de &aacute;reas atingidas por esses eventos, que ocorreram tanto no meio rural quanto no meio urbano. Investiga tamb&eacute;m como est&aacute; organizada a administra&ccedil;&atilde;o municipal no sentido de alertar a popula&ccedil;&atilde;o sobre a ocorr&ecirc;ncia desses eventos adversos. A pesquisa foi realizada nos munic&iacute;pios de Balne&aacute;rio Gaivota, Passo de Torres, Santa Rosa do Sul, S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul e Sombrio. A metodologia adotada consistiu em entrevistas abertas com pessoas que vivem nesses locais e que foram atingidas por esses eventos e com a administra&ccedil;&atilde;o dos municipios da &aacute;rea de estudo. Inclui ainda levantamento bibliogr&aacute;fico e documental. Entre os resultados, destacam-se depoimentos sobre ventos fortes com chuva e granizo e enchentes com inunda&ccedil;&otilde;es que atingiram a &aacute;rea de estudo. Os maiores impactos foram observados na &aacute;rea rural, e as &aacute;reas mais atingidas foram as lavouras de banana, arroz e fumo. Houve tamb&eacute;m preju&iacute;zos com danos em resid&ecirc;ncias e instala&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas. Os resultados mostraram a necessidade de as administra&ccedil;&otilde;es municipais estarem preparadas e desenvolverem a&ccedil;&otilde;es diferenciadas para atuarem tanto no meio rural quanto no urbano.</p>     <p><b>Palavras-Chave: </b>Litoral de Santa Catarina, Atores Sociais, Desastres Naturais. </p> <hr size="1" noshade>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This study addresses the extreme natural events occurring on the coast of Santa Catarina. These events affect rural and urban areas therefore the purpose of this research is to analyse the residents and social actors perception about the events. It also investigates how the municipal management is organized to warn the population of weather adversities.&#160;The target areas are the cities of Balne&aacute;rio Gaivota, Passo de Torres, Santa Rosa do Sul, S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul and Sombrio.&#160;The method included unstructured interviews with residents and municipal administration of the cities affected by natural events. Besides, it incorporated bibliographic and documentary investigation. The main findings comprise people’s statement about strong winds with rain and hail, floods and inundation in the study area. The hugest impacts were identified in the rural areas with losses of banana, rice and tobacco crops. Furthermore, several damages occurred in housing and agricultural buildings. The results showed the necessity of local government preventative schemes and the development of different action to rural and urban areas as they have distinct realities.</p>     <p><b>Keywords:</b> Coast of Santa Catarina, Social Actors, Natural Disasters.</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, tem aumentado de forma significativa a frequ&ecirc;ncia de ocorr&ecirc;ncia de desastres naturais em v&aacute;rias partes do planeta.  Entre os fatores que podem estar contribuindo para explicar o aumento de registro de tais eventos, pode-se citar a expans&atilde;o da ocupa&ccedil;&atilde;o humana em &aacute;reas de risco. Os impactos das adversidades atmosf&eacute;ricas podem ser intensificados quando h&aacute; interfer&ecirc;ncia das a&ccedil;&otilde;es antr&oacute;picas nas condi&ccedil;&otilde;es naturais do meio ambiente. Constituem exemplos dessas altera&ccedil;&otilde;es aquelas provocadas pelo desmatamento, pela agricultura e pecu&aacute;ria, e pelos assentamentos humanos, tanto nas encostas do relevo como nas margens dos cursos d’&aacute;gua e plan&iacute;cies litor&acirc;neas. </p>     <p>Em escala planet&aacute;ria, as inunda&ccedil;&otilde;es, vendavais, furac&otilde;es, terremotos e&#160;<i>tsunamis</i>&#160;s&atilde;o alguns dos eventos naturais que trouxeram grandes preju&iacute;zos em diversas &aacute;reas, afetando um n&uacute;mero cada vez mais crescente de pessoas. Tais eventos apresentam intensidades diferentes e geram efeitos distintos, resultando, na maioria das ocorr&ecirc;ncias, em mortes e destrui&ccedil;&atilde;o generalizada.&#160;Esses eventos naturais&#160;podem causar s&eacute;rios impactos negativos, tais como inunda&ccedil;&otilde;es bruscas provocadas por chuvas torrenciais, efeitos destrutivos causados por vendavais, rajadas de vento de alta intensidade, precipita&ccedil;&otilde;es de granizo, tornados e furac&otilde;es, os quais t&ecirc;m causado enormes destrui&ccedil;&otilde;es em regi&otilde;es litor&acirc;neas, devastando cidades inteiras, como t&ecirc;m ocorrido em diversas outras partes do mundo e&#160;frequentemente divulgados&#160;pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Desastre natural tem sido caracterizado como um fen&ocirc;meno de origem natural&#160;que causa&#160;dist&uacute;rbio, podendo resultar em uma situa&ccedil;&atilde;o de perigo. Nesse sentido, o perigo que resulta do evento natural &eacute; o potencial de desencadear um desastre, sendo considerado desastre natural quando h&aacute; perdas&#160;humanas, econ&ocirc;micas e ambientais que v&atilde;o al&eacute;m da capacidade das pessoas atingidas de enfrentarem este perigo, resultando em preju&iacute;zos diversos para as sociedades afetadas (UNDP, 2004). Os desastres naturais s&atilde;o eventos relacionados com a geodin&acirc;mica terrestre externa ou interna. Os de causa externa s&atilde;o os fen&ocirc;menos atmosf&eacute;ricos, meteorol&oacute;gicos e/ou hidrol&oacute;gicos que ocorrem na atmosfera terrestre, como os de causa e&oacute;lica, que s&atilde;o os vendavais, ciclones tropicais, furac&otilde;es e tornados. Ocorrem devido a temperaturas extremas, que s&atilde;o as ondas de frio intenso, nevascas, granizos e ondas de calor; precipita&ccedil;&otilde;es pluviais e inunda&ccedil;&otilde;es, enchentes e inunda&ccedil;&otilde;es litor&acirc;neas; e redu&ccedil;&atilde;o de precipita&ccedil;&atilde;o de chuva, provocando estiagens. Os relacionados com geodin&acirc;mica terrestre interna s&atilde;o as for&ccedil;as atuantes nas camadas superficiais e profundas da litosfera, como os terremotos, abalos s&iacute;smicos, maremotos e <i>tsunamis</i>; as erup&ccedil;&otilde;es vulc&acirc;nicas; e o intemperismo, incluindo eros&atilde;o e acomoda&ccedil;&atilde;o do solo, que s&atilde;o os deslizamentos, quedas e tombamentos de terras (Castro <i>et al.</i>, 2003). </p>     <p>Estudos relacionados aos desastres naturais apontam que, at&eacute; a d&eacute;cada de 1970, estes foram considerados sin&ocirc;nimos de eventos naturais, como os terremotos e as erup&ccedil;&otilde;es vulc&acirc;nicas. At&eacute; ent&atilde;o, as pesquisas eram focadas nas resist&ecirc;ncias das estruturas f&iacute;sicas para suportarem esses tipos de desastres. A partir dos anos 1980, com a atua&ccedil;&atilde;o de pesquisadores das ci&ecirc;ncias sociais e humanas, iniciou-se outra abordagem sobre o assunto, observando-se a capacidade das pessoas de sofrerem o impacto e de se recuperarem de sua perda ou dano sofrido. Atualmente o foco das pesquisas relacionadas a eventos extremos t&ecirc;m sido tamb&eacute;m no desenvolvimento social e econ&ocirc;mico (UNDP, 2004). O foco no desenvolvimento social e econ&ocirc;mico, relacionados aos eventos extremos, desencadeou a &ecirc;nfase na preven&ccedil;&atilde;o, a qual contribui de forma intensa para minimizar os impactos que podem ser causados pelos desastres naturais. </p>     <p>Atrav&eacute;s de medidas preventivas, &eacute; poss&iacute;vel evitar danos decorrentes desses fen&ocirc;menos ou, pelo menos, minimiz&aacute;-los, com planejamento, pesquisas, estudos pr&eacute;vios e avalia&ccedil;&atilde;o de riscos. A preven&ccedil;&atilde;o torna poss&iacute;vel a redu&ccedil;&atilde;o dos preju&iacute;zos que os desastres naturais poder&atilde;o vir a causar; todavia, para prevenir-se de um desastre, &eacute; preciso conhecer-lhe as causas e consequ&ecirc;ncias para definir quais s&atilde;o as medidas mais apropriadas a serem adotadas quando ocorrerem. Nesse caso, a preven&ccedil;&atilde;o passa a ser feita atrav&eacute;s da compreens&atilde;o dos fatores e processos que desencadeiam os fen&ocirc;menos naturais. Da mesma forma, a preven&ccedil;&atilde;o pode dar condi&ccedil;&otilde;es para a resili&ecirc;ncia da sociedade quanto a tais eventos (Marcelino, 2008). </p>     <p>Este estudo aborda a percep&ccedil;&atilde;o dos atores sociais residentes na plan&iacute;cie costeira do Extremo Sul de Santa Catarina (munic&iacute;pios de Balne&aacute;rio Gaivota, Passo de Torres, Santa Rosa do Sul, S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul e Sombrio) onde ocorreram eventos adversos que causaram desastres tanto no meio rural quanto no meio urbano do litoral. Investiga tamb&eacute;m como est&aacute; organizada a administra&ccedil;&atilde;o municipal no sentido de alertar a popula&ccedil;&atilde;o sobre a ocorr&ecirc;ncia de poss&iacute;veis eventos adversos. </p>     <p>Entre os eventos meteorol&oacute;gicos extremos recorrentes na &aacute;rea de estudo, destacam-se: tempestades de granizo, vendavais, furac&otilde;es, ciclones tropicais, enchentes, alagamentos e inunda&ccedil;&otilde;es. Ao longo de d&eacute;cadas, esses eventos provocaram grandes estragos e preju&iacute;zos para a popula&ccedil;&atilde;o residente nesses munic&iacute;pios costeiros. Em 2004, na regi&atilde;o Sul de Santa Catarina, ocorreu, inclusive, um evento extremo denominado por especialistas de “furac&atilde;o”. Esse evento de grande intensidade gerou enormes danos materiais e, segundo moradores da regi&atilde;o, provocou p&acirc;nico e ficou marcado na mem&oacute;ria coletiva (Herrmann, 2007). </p>     <p>De acordo com os depoimentos, entre os danos provocados nessa regi&atilde;o pelos eventos adversos, destacam-se, no meio rural, a destrui&ccedil;&atilde;o das lavouras tradicionais de banana, arroz e fumo, al&eacute;m de instala&ccedil;&otilde;es rurais, incluindo galp&otilde;es e estufas para secagem das folhas de fumo.</p>     <p>Esta pesquisa apresenta, atrav&eacute;s de relatos e depoimentos orais de pessoas que viveram eventos extremos nos munic&iacute;pios citados, a percep&ccedil;&atilde;o dessas pessoas sobre esses eventos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. DESASTRES NATURAIS EM SANTA CATARINA</b></p>     <p>No Brasil h&aacute; altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas que s&atilde;o consideradas fen&ocirc;menos naturais. S&atilde;o ocorr&ecirc;ncias, denominadas <i>El Ni&ntilde;o</i> e <i>La Ni&ntilde;a</i>, que provocam oscila&ccedil;&otilde;es das temperaturas da superf&iacute;cie do mar. Esses acontecimentos provocam altera&ccedil;&otilde;es no clima da terra e s&atilde;o consideradas normais, pois estudos conclu&iacute;ram que j&aacute; existem h&aacute; milhares de anos. No Brasil, tais acontecimentos provocam precipita&ccedil;&otilde;es em algumas regi&otilde;es e aus&ecirc;ncia de chuvas em outras (Marengo, 2006).</p>     <p>Quanto ao fato de as atividades humanas provocarem ou n&atilde;o altera&ccedil;&otilde;es nos eventos clim&aacute;ticos, Marengo (2006: 137) escreve: “Proje&ccedil;&otilde;es dos modelos clim&aacute;ticos permitem a gera&ccedil;&atilde;o de cen&aacute;rios de clima no futuro, mas ainda n&atilde;o distinguem ou separam os efeitos da variabilidade natural do clima da variabilidade induzida pelo homem”.</p>     <p>Ainda, de acordo com o <i>Intergovernmental Panel on Climate Change</i> (IPCC) (2012), as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas podem ser o resultado de altera&ccedil;&atilde;o no clima, podendo ser devidas a processos internos naturais ou, ainda, por for&ccedil;as externas e at&eacute; por altera&ccedil;&otilde;es humanas.</p>     <p>No Brasil, h&aacute; evid&ecirc;ncias de que n&atilde;o s&atilde;o somente os fen&ocirc;menos naturais que causam as altera&ccedil;&otilde;es ocorrentes em diversas regi&otilde;es. As mudan&ccedil;as resultantes do uso e ocupa&ccedil;&atilde;o do solo com a substitui&ccedil;&atilde;o das florestas por culturas anuais, pastagens e agricultura tamb&eacute;m t&ecirc;m provocado mudan&ccedil;as nas vaz&otilde;es de importantes bacias hidrogr&aacute;ficas, como &eacute; o caso da regi&atilde;o Sul do Brasil (Marengo, 2006). </p>     <p>No estado de Santa Catarina, localizado na regi&atilde;o Sul do Brasil, o relevo do litoral e a din&acirc;mica atmosf&eacute;rica influenciam as varia&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas locais, tornando essas &aacute;reas mais suscept&iacute;veis a desencadearem desastres naturais. As adversidades atmosf&eacute;ricas que ocorrem com mais frequ&ecirc;ncia no litoral de Santa Catarina s&atilde;o caracterizadas por vendavais, chuvas com granizos, tornados, mar&eacute;s de tempestades, inunda&ccedil;&otilde;es bruscas e graduais (Monteiro &amp; Mendon&ccedil;a, 2007). Tais eventos naturais s&atilde;o assim caracterizados: (a) vendavais ou tempestades - perturba&ccedil;&otilde;es que ocorrem de forma acentuada, alterando o estado normal da atmosfera. “Deslocamento violento de uma massa de ar, de uma &aacute;rea de alta press&atilde;o para outra de baixa press&atilde;o” (Castro <i>et al.</i>, 2003:18-21). S&atilde;o ventos fortes, cujas velocidades variam entre “88,0 a 102,0 km/h”, com chuvas e, &agrave;s vezes, com granizo; b) ciclones extratropicais - ventos com velocidades entre “102,0 a 120,0 km/h”. Tamb&eacute;m s&atilde;o acompanhados com chuvas fortes e geralmente causam imensas ondas no mar; (c) vendavais extremamente intensos, furac&otilde;es, ciclones tropicais - ventos t&atilde;o fortes que atingem velocidades superiores a “120,0 km/h” (Castro <i>et al.</i>, 2003:18-21). Dessa forma, quando os ventos atingem uma velocidade muito al&eacute;m do normal, o evento que ocorre &eacute; um furac&atilde;o. Este &eacute; caracterizado como “um sistema de baixa press&atilde;o (ciclone) intenso que geralmente se forma sobre os oceanos nas regi&otilde;es tropicais” (Kobiyama <i>et al.</i>, 2006:72). </p>     <p>Os vendavais podem levar a violentas tempestades, sendo caracterizados tamb&eacute;m por desastre natural. Como podem vir acompanhados n&atilde;o s&oacute; por chuvas intensas, mas tamb&eacute;m por queda de granizo, os vendavais acabam provocando inunda&ccedil;&otilde;es, alagamentos, destelhamentos e destrui&ccedil;&atilde;o de planta&ccedil;&otilde;es, podendo tamb&eacute;m provocar mortes de pessoas (Herrmann, 2007). </p>     <p>Outra adversidade atmosf&eacute;rica ocorrente no litoral de Santa Catarina &eacute; o granizo, definido como precipita&ccedil;&atilde;o em forma de esfera, que “&#91;...&#93; s&atilde;o os peda&ccedil;os irregulares de gelo”. As tempestades de granizo, ou chuvas de pedra, tamb&eacute;m podem causar desastres. Ocorrem devido ao estado do tempo que, quando est&aacute; muito quente e &uacute;mido, carrega para cima massas de ar saturadas de vapor que, ao se resfriarem em altitude, acabam gerando enormes nuvens de tempestade. A chuva gerada cai em forma de pedras de gelo. A chuva de granizo pode destruir planta&ccedil;&otilde;es inteiras e, nas &aacute;reas urbanas, danificar os telhados das habita&ccedil;&otilde;es (Herrmann, 2007:105).</p>     <p>De Acordo com Monteiro (2001: 77), em Santa Catarina “&#91;...&#93; tanto os epis&oacute;dios de muitas chuvas, como os de pequenas estiagens, podem ser intensificados em fun&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos El-Ni&ntilde;o e La-Ni&ntilde;a, respectivamente”.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Santa Catarina, a agricultura &eacute; muito afetada pela ocorr&ecirc;ncia de granizo. Ocorrem tamb&eacute;m desastres relacionados com o aumento das precipita&ccedil;&otilde;es pluviais, como inunda&ccedil;&otilde;es, enchentes e alagamentos, eventos que ser&atilde;o a seguir caracterizados (Herrmann, 2007).</p>     <p>Inunda&ccedil;&otilde;es s&atilde;o transbordamentos de &aacute;gua de rios, lagos e a&ccedil;udes. Ocorre o extravasamento quando a vaz&atilde;o &eacute; maior do que a capacidade de descarga do corpo d’&aacute;gua. As inunda&ccedil;&otilde;es podem ser graduais, bruscas e litor&acirc;neas. As graduais ocorrem quando a &aacute;gua se eleva de forma lenta e previs&iacute;vel, escoando gradualmente; as bruscas, quando h&aacute; fortes chuvas, intensas e concentradas, provocando a eleva&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas de forma s&uacute;bita. As bruscas atingem uma &aacute;rea de impacto bem menor do que as inunda&ccedil;&otilde;es graduais, pois, embora estas sejam mais lentas, geralmente abrangem maiores extens&otilde;es. As inunda&ccedil;&otilde;es litor&acirc;neas, por sua vez, s&atilde;o geradas atrav&eacute;s da invas&atilde;o do mar em &aacute;reas interiores, tamb&eacute;m chamadas de mar&eacute;s de tempestade (Castro <i>et al.</i>, 2003; Kobiyama <i>et al.</i>, 2006; Herrmann, 2007).</p>     <p>Enchentes, ou cheias, s&atilde;o definidas como a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel da &aacute;gua no canal de drenagem devido ao aumento da vaz&atilde;o. Nesse caso, o n&iacute;vel d’&aacute;gua atinge a cota m&aacute;xima do canal, por&eacute;m, sem extravasar (Carvalho <i>et al.</i>, 2007). Quando n&atilde;o houver transbordamento, mesmo o rio ficando com n&iacute;vel d&acute;&aacute;gua elevado, o que ocorre &eacute; uma enchente, e n&atilde;o uma inunda&ccedil;&atilde;o (Kobiyama <i>et al.</i>, 2006). </p>     <p>Alagamentos s&atilde;o &aacute;guas acumuladas pelas fortes chuvas nas estradas e ruas de cidades que t&ecirc;m sistemas de drenagem deficientes. A redu&ccedil;&atilde;o da infiltra&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua nos solos urbanos pode ser provocada por “&#91;...&#93; impermeabiliza&ccedil;&atilde;o do solo, pavimenta&ccedil;&atilde;o de ruas e constru&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;adas”, entre outros (Castro <i>et al.</i>, 2003:51).</p>     <p>A ocorr&ecirc;ncia de enchentes e inunda&ccedil;&otilde;es est&aacute; associada &agrave;s chuvas intensas, embora existam raz&otilde;es que acentuam os efeitos adversos dos eventos atmosf&eacute;ricos. Em uma plan&iacute;cie litor&acirc;nea submetida a &iacute;ndices pluviom&eacute;tricos intensos, a tend&ecirc;ncia &eacute; desencadear inunda&ccedil;&atilde;o, mas muitas vezes a causa pode estar associada ao processo de expans&atilde;o urbana em &aacute;reas ribeirinhas. A vegeta&ccedil;&atilde;o natural ao longo dos corpos de &aacute;gua tem sido substitu&iacute;da por edifica&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o permitindo que a &aacute;gua pluvial seja infiltrada, gerando, assim, o ac&uacute;mulo de &aacute;gua e o aumento do escoamento superficial. Os leitos dos rios nas &aacute;reas urbanizadas geralmente cont&ecirc;m entulhos, dificultando a vaz&atilde;o da &aacute;gua, o que propicia o transbordamento das margens. As ocupa&ccedil;&otilde;es do solo das &aacute;reas urbanas, contrariando a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental, tamb&eacute;m contribuem para a ocorr&ecirc;ncia de inunda&ccedil;&otilde;es quando s&atilde;o instaladas nas plan&iacute;cies aluviais sujeitas a inunda&ccedil;&otilde;es (Herrmann, 2007). </p>     <p>As adversidades atmosf&eacute;ricas geralmente causam impactos negativos nos locais onde ocorrem. As principais consequ&ecirc;ncias negativas s&atilde;o: resid&ecirc;ncias danificadas ou totalmente destru&iacute;das; habitantes desabrigados, feridos e mortos; sistemas vi&aacute;rios destru&iacute;dos ou danificados. Em &aacute;reas rurais, h&aacute; destrui&ccedil;&atilde;o de lavouras e tamb&eacute;m de edifica&ccedil;&otilde;es. Em Santa Catarina, in&uacute;meros desastres s&atilde;o causados pela ocorr&ecirc;ncia de granizo. Al&eacute;m disso, os munic&iacute;pios litor&acirc;neos desse estado sofrem preju&iacute;zos devido &agrave;s mar&eacute;s de tempestades (Herrmann, 2007).</p>     <p>Em mar&ccedil;o de 2004, a popula&ccedil;&atilde;o que vive no litoral sul de Santa Catarina foi surpreendida pelo furac&atilde;o Catarina, que causou danos severos em diversos munic&iacute;pios do estado. O evento iniciou com ventos constantes, de aproximadamente 50 km/h, alcan&ccedil;ando at&eacute; 120 km/h, acompanhados de forte precipita&ccedil;&atilde;o. O mar avan&ccedil;ou mais de 70 metros na faixa litor&acirc;nea, ultrapassando as dunas frontais, e atingiu casas situadas na orla.  Os danos mais comuns est&atilde;o relacionados &agrave;s edifica&ccedil;&otilde;es, infraestruturas urbanas, agricultura, flora e fauna, al&eacute;m de afetar dezenas de milhares de pessoas. Na &aacute;rea rural, os maiores preju&iacute;zos ocorreram nas culturas de milho, arroz, banana e em hortifruticulturas comumente cultivadas na regi&atilde;o atingida. De forma geral, as &aacute;reas mais intensamente afetadas pelo Catarina foram as resid&ecirc;ncias de pessoas de baixa renda familiar, principalmente as casas de madeira. (Marcelino <i>et al.</i>, 2005:20).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. &Aacute;REA DE ESTUDO </b></p>     <p>A &aacute;rea de estudo est&aacute; constitu&iacute;da pelos munic&iacute;pios localizados no entorno da lagoa de Sombrio: Balne&aacute;rio Gaivota, Passo de Torres, Santa Rosa do Sul, S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul e Sombrio, no Extremo Sul de Santa Catarina/Brasil (<a href="#f1">Figura 1</a>). Essa &aacute;rea apresenta 720 km&sup2; de &aacute;rea e abriga 56.557 habitantes (IBGE, 2010).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n1/14n1a02f1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Essa regi&atilde;o &eacute; constitu&iacute;da por uma plan&iacute;cie costeira, inserida no bioma de mata atl&acirc;ntica, localizado entre o Extremo Sul da Serra Geral e o Oceano Atl&acirc;ntico, com predomin&acirc;ncia de ecossistemas pertencentes &agrave;s plan&iacute;cies quatern&aacute;rias, formadas por dep&oacute;sitos arenosos. Na &aacute;rea predominam restingas, lagoas costeiras e banhados. H&aacute; tamb&eacute;m floretas quatern&aacute;rias formando pequenos cap&otilde;es. A plan&iacute;cie est&aacute; em crescente expans&atilde;o pelo uso e ocupa&ccedil;&atilde;o da terra por edifica&ccedil;&otilde;es e agricultura. S&atilde;o realizadas principalmente as lavouras de fumo, arroz e milho, al&eacute;m da silvicultura, com planta&ccedil;&otilde;es de eucaliptos e pinus, e lavouras de banana s&atilde;o realizadas nos morros (Bitencourt <i>et al.</i>, 2011b; Bitencourt &amp; Marimon, 2010). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. METODOLOGIA</b></p>     <p>Foram realizadas entrevistas com atores sociais dos munic&iacute;pios da &aacute;rea de estudo: Balne&aacute;rio Gaivota, Passo de Torres, Santa Rosa do Sul, S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul e Sombrio. As entrevistas ocorreram em duas etapas. Na primeira, foram entrevistadas fam&iacute;lias (98 entrevistados) que residem em &aacute;reas que j&aacute; foram afetadas por desastres ambientais nos munic&iacute;pios. Para esta amostra foi aplicado um question&aacute;rio com quest&otilde;es abertas. No momento da entrevista, todos os presentes na resid&ecirc;ncia foram convidados a participar. Nas &aacute;reas rurais, a m&eacute;dia de participantes entrevistados em uma resid&ecirc;ncia foi de cinco pessoas, enquanto na &aacute;rea urbana a m&eacute;dia foi de duas pessoas por fam&iacute;lia. Quando foram questionadas sobre eventos no passado, os idosos das fam&iacute;lias entrevistadas foram os mais participantes, relatando amplamente suas hist&oacute;rias. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s propriedades das &aacute;reas rurais, como apresentam tamanho de at&eacute; 15 hectares, estas podem ser consideradas como pequenas propriedades familiares.</p>     <p>Na segunda etapa, ap&oacute;s entrevistarmos as fam&iacute;lias que sofreram danos, v&aacute;rios responderam que n&atilde;o sabiam o que fazer na hora do evento (para onde correr, para quem pedir socorro, etc.). Tamb&eacute;m foram entrevistadas 12 pessoas respons&aacute;veis pela administra&ccedil;&atilde;o dos diversos munic&iacute;pios, visando conhecer os procedimentos adotados para atender a popula&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a esses eventos. </p>     <p>As entrevistas visaram compilar e organizar a informa&ccedil;&atilde;o acerca da percep&ccedil;&atilde;o sobre o impacto dos eventos naturais nas comunidades locais e obter informa&ccedil;&atilde;o sobre as a&ccedil;&otilde;es das administra&ccedil;&otilde;es municipais relacionadas ao per&iacute;odo anterior, durante e depois da ocorr&ecirc;ncia dos eventos adversos. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>5. RESULTADOS </b></p>     <p>Nesta se&ccedil;&atilde;o s&atilde;o expostos os resultados das entrevistas referentes &agrave; percep&ccedil;&atilde;o dos atores sociais sobre os efeitos dos eventos adversos que causaram desastres naturais na regi&atilde;o. As repostas referentes ao termo enchente, na verdade, relatavam as inunda&ccedil;&otilde;es ocorrentes na regi&atilde;o. Nesta mesma se&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o apresentados os resultado das entrevistas realizadas na administra&ccedil;&atilde;o municipal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.1. Eventos extremos que causaram desastres naturais: percep&ccedil;&atilde;o do tempo </b></p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos eventos que s&atilde;o presenciados no munic&iacute;pio, os entrevistados citam os ventos fortes com chuva e granizo como sendo o evento mais desastroso e o que mais tem ocorrido na regi&atilde;o. Al&eacute;m disso, citam tamb&eacute;m o mar revolto. Um entrevistado de Passo de Torres comentou: “<i>O que mais me vem na mem&oacute;ria &eacute; o Catarina. Foi o que mais durou, teve um tempo maior de destrui&ccedil;&atilde;o aqui</i>”.</p>     <p>Os relatos mais citados apontam para perdas materiais: “<i>Perdi minha casa no Catarina</i>”; “<i>Perdi o telhado da casa</i>”; “<i>O vendaval derrubou todo o nosso bananal</i>”. Outro entrevistado citou que o Catarina estragou os galp&otilde;es e estufas; a safra n&atilde;o, porque n&atilde;o era &eacute;poca do fumo. “<i>Em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, um vendaval forte provocou danos na fia&ccedil;&atilde;o de ilumina&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica, o Catarina deixou o munic&iacute;pio uma semana sem energia para toda a popula&ccedil;&atilde;o</i>”, conforme relatado por funcion&aacute;rios da Cooperativa de Eletricidade (CEPRAG) que atua no munic&iacute;pio.</p>     <p>J&aacute; no munic&iacute;pio de Sombrio, percorrido pelo rio da Lage, e em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, cortado pelos rios do Sert&atilde;o e Mampituba, as respostas salientam, al&eacute;m das tempestades de ventos com chuva e granizo, a ocorr&ecirc;ncia de inunda&ccedil;&otilde;es pelos transbordamentos dos rios. </p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o a esses eventos, uma fam&iacute;lia entrevistada na &aacute;rea rural do munic&iacute;pio de S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul respondeu: “<i>Sempre plantamos arroz na beira do rio e sempre sofremos com as enchentes, pois destroem toda a planta&ccedil;&atilde;o</i>”. Outro entrevistado respondeu: “<i>Perco uma parte, quando n&atilde;o, toda a planta&ccedil;&atilde;o de arroz por causa das enchentes</i>”. </p>     <p>Em Sombrio, uma fam&iacute;lia que reside nas proximidades do rio relatou ter perdido todos os m&oacute;veis com a inunda&ccedil;&atilde;o que ocorreu.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao tempo que vem ocorrendo os eventos, quase todos os entrevistados tinham alguma hist&oacute;ria para contar. Uma fam&iacute;lia de entrevistados em Sanga D’Areia comentou: “<i>H&aacute; mais ou menos uns 30 anos presenciamos um vendaval muito forte aqui, que derrubou at&eacute; algumas estufas de fumo</i>”. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, uma fam&iacute;lia respondeu: “<i>As tempestades de vento com granizo sempre teve, mas n&oacute;s nunca vimos t&atilde;o forte quanto o Catarina aqui</i>”. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s inunda&ccedil;&otilde;es, uma fam&iacute;lia que reside no bairro Glorinha, que faz margem com o Rio Mampituba, disse: “<i>Em 1974 teve uma enchente que causou a morte de muitas pessoas aqui e em Praia Grande. Em 1982 a enchente derrubou quase todas as estufas de fumo daqui da regi&atilde;o e de Praia Grande. A enchente de 2007 tamb&eacute;m destruiu planta&ccedil;&otilde;es e algumas casas aqui</i>”.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.2. Frequ&ecirc;ncia dos eventos ao longo do ano e principais danos </b></p>     <p>A maioria dos entrevistados citou que os vendavais ocorrem mais no come&ccedil;o do inverno e no in&iacute;cio do ver&atilde;o, ou seja, quando h&aacute; mudan&ccedil;a de esta&ccedil;&atilde;o. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s inunda&ccedil;&otilde;es, disseram que n&atilde;o h&aacute; uma &eacute;poca definida para ocorrerem. Os entrevistados de S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul relataram que n&atilde;o h&aacute; &eacute;poca espec&iacute;fica para a ocorr&ecirc;ncia das inunda&ccedil;&otilde;es, pois &eacute; algo imprevis&iacute;vel, ocorre com bastante frequ&ecirc;ncia. </p>     <p>Os eventos que t&ecirc;m causado mais danos na regi&atilde;o, segundo a maioria das pessoas, s&atilde;o os vendavais com granizo. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s inunda&ccedil;&otilde;es, uma entrevistada de Sombrio disse: “<i>A enchente vem devagarzinho, d&aacute; para vigiar e tirar as coisas do lugar, tirar os animais. O vento n&atilde;o d&aacute;, pois n&atilde;o avisa, vem e leva at&eacute; as telhas da casa</i>”. </p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos preju&iacute;zos ocorridos na &aacute;rea rural, a destrui&ccedil;&atilde;o das lavouras de arroz, banana e fumo foi a mais citada pelas fam&iacute;lias de agricultores entrevistados, como pode ser observada em alguns relatos: “<i>Tive muito preju&iacute;zo, a perda de safra de arroz. Com a enchente, tudo fica escuro, e a &aacute;gua, turva, e deixa somente um p&acirc;ntano. Toda a planta&ccedil;&atilde;o fica perdida</i>”, comentou um entrevistado de S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul. Na &aacute;rea rural desse munic&iacute;pio, os principais danos foram nas lavouras de arroz pelas inunda&ccedil;&otilde;es, que s&atilde;o recorrentes. Tamb&eacute;m na regi&atilde;o os vendavais j&aacute; destelharam muitas casas e galp&otilde;es.</p>     <p>Em Sombrio, as inunda&ccedil;&otilde;es nas margens do Rio da Lage, no Bairro S&atilde;o Jos&eacute;, j&aacute; destru&iacute;ram os m&oacute;veis de duas das casas da rua Vereador Prot&aacute;sio Cunha. Uma entrevistada comentou: “<i>Quando ocorrem as enchentes, n&oacute;s ficamos ilhados e temos que erguer tudo dentro de casa</i>”.</p>     <p>Em Santa Rosa do Sul, uma fam&iacute;lia do bairro Pont&atilde;o afirmou que seu bananal foi destru&iacute;do duas vezes pelo vento forte, antes do Catarina, al&eacute;m de este ter prejudicado bastante a planta&ccedil;&atilde;o. O Catarina destruiu muitas lavouras na redondeza, enquanto na &aacute;rea urbana da cidade o que mais ocorreu foi o destelhamento das casas. </p>     <p>No mesmo munic&iacute;pio, no local chamado Barro Preto, o agricultor entrevistado comentou a respeito da lavoura de fumo: “<i>J&aacute; tive tr&ecirc;s vezes minha lavoura destru&iacute;da por vento com granizo. O telhado da estufa de fumo j&aacute; foi arrancado pelos ventos</i>”.</p>     <p>Em Passo de Torres, um grupo de pescadores entrevistados respondeu: “<i>A pesca tem muito preju&iacute;zo por causa dos ventos. Com o mar revolto, temos que ficar esperando e a&iacute; n&atilde;o podemos trazer o peixe</i>”. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre os principais preju&iacute;zos que foram relatados em Balne&aacute;rio Gaivota, um entrevistado respondeu: “<i>Na minha casa voou todo o telhado e a antena parab&oacute;lica, mas teve um vizinho meu que ficou somente com o terreno sem a casa que estava em cima.</i>” </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.3. Rea&ccedil;&atilde;o das pessoas aos eventos e preven&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A pergunta sobre qual &eacute; a rea&ccedil;&atilde;o quando enfrenta um evento e se conhece algum meio para se prevenir teve sempre como primeira resposta: sensa&ccedil;&atilde;o de medo, muito p&acirc;nico e espanto. </p>     <p>O que causa mais inseguran&ccedil;a e medo &eacute; o vento. “<i>O vento vem e leva tudo que tem pela frente</i>”, disse uma fam&iacute;lia moradora do centro da cidade de Balne&aacute;rio Gaivota. “<i>Me sinto impotente, em p&acirc;nico, com muito medo das tormentas de vento</i>”. “<i>Depois daquela coisa muito feia que foi o Catarina, agora, quando vem uma tempestade de vento e chuva, d&aacute; muito medo em todos l&aacute; em casa</i>”, relataram outros dois entrevistados.</p>     <p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o ao evento Catarina, uma fam&iacute;lia de agricultores que trabalha na lavoura de fumo em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul disse: “<i>Quando veio o Catarina, tivemos uma noite muito atormentada, mas, nas planta&ccedil;&otilde;es de fumo, o que mais causa preju&iacute;zo s&atilde;o as chuvas com granizo, que destroem as folhas do p&eacute; de fumo</i>”. </p>     <p>Em Passo de Torres, uma fam&iacute;lia de pescadores entrevistada respondeu: “<i>Quando veio o Catarina, tivemos muito medo, pois foi a pior coisa do mundo que aconteceu aqui. Foi apavoramento, a gente n&atilde;o sabia o que fazer</i>”.</p>     <p>Em Santa Rosa do Sul, um dos depoimentos de uma fam&iacute;lia entrevistada respondeu: “<i>Pe&ccedil;o a Deus, pois n&atilde;o h&aacute; o que fazer, e ap&oacute;s a trag&eacute;dia &eacute; muito trabalho depois para recome&ccedil;ar tudo</i>”. Uma agricultora falou: “<i>N&atilde;o tem o que fazer, tem que esperar a tormenta de vento passar e trabalhar depois para recuperar tudo</i>”. Um entrevistado residente no centro da cidade disse: “<i>O vendaval com chuva de pedra de gelo que deu, n&atilde;o sei se em 2009 ou 2010, mas foi bem depois do Catarina, n&oacute;s aqui em casa ficamos acordados &agrave; noite, cobrimos os m&oacute;veis com pl&aacute;sticos, pois arrancou as telhas, e choveu na casa toda. Ficamos todos em p&eacute; a noite toda, esperando amanhecer</i>”.</p>     <p>J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s inunda&ccedil;&otilde;es, em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, disse um agricultor: “<i>Quando come&ccedil;a a chover, fico com muito medo, ent&atilde;o n&atilde;o durmo e fico vigiando o rio, tenho medo de perder as lavouras, a gente planta uma vez por ano, e, se tem enchente, tudo fica perdido. Agora, quanto &eacute; tempestade de vento, &eacute; pior ainda, d&aacute; muito medo, ele aparece do nada, n&atilde;o d&aacute; tempo de vigiar</i>”.</p>     <p>Mesmo nos locais em que ocorrem inunda&ccedil;&otilde;es, as pessoas dizem que t&ecirc;m mais medo do vento. Segundo um agricultor, em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, “<i>os ventos s&atilde;o bem piores, porque v&ecirc;m de surpresa, e o rio, a gente pode ficar vigiando quando ele vai subindo</i>”. Uma entrevistada que reside na &aacute;rea urbana comentou: “<i>Antes do Catarina eu tinha medo das enchentes, mas agora tenho medo dos ventos fortes</i>”.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todos afirmam que n&atilde;o h&aacute; o que se fazer, mesmo porque n&atilde;o existe informa&ccedil;&atilde;o meteorol&oacute;gica confi&aacute;vel localmente. Os relatos apontam que: “<i>N&atilde;o h&aacute; avisos em lugar nenhum</i>”; “<i>Cada um por si, Deus por todos</i>”; “<i>Os avisos v&ecirc;m da meteorologia, pela televis&atilde;o, nada espec&iacute;fico do munic&iacute;pio</i>”. </p>     <p>Um entrevistado de Passo de Torres comentou: “<i>Aqui em casa a gente corre pra onde tem laje, que &eacute; no teto do banheiro</i>”.</p>     <p>Em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, uma fam&iacute;lia de agricultores disse: “<b>Nas enchentes, tiramos os m&oacute;veis de casa e os animais</b>”. J&aacute; em Sombrio, uma entrevistada que reside nas margens do rio falou: “<i>Fico olhando, e, se o rio vai subir, n&oacute;s erguemos as coisas dentro de casa</i>”.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.4. Tipos de assist&ecirc;ncia prestada e conhecimento sobre quem procurar</b></p>     <p>A pergunta sobre o oferecimento de algum tipo de ajuda, por parte do governo, do munic&iacute;pio ou de outro, quando ocorreu algum evento, e se sabem a quem pedir ajuda indicou o seguinte quadro.</p>     <p>Alguns dos entrevistados disseram que n&atilde;o receberam nada, mas outros disseram que j&aacute; ganharam telhas. Em Santa Rosa do Sul, um plantador de fumo disse: “<i>O munic&iacute;pio n&atilde;o ajuda para a lavoura quando tem uma destrui&ccedil;&atilde;o pelos vendavais. S&oacute; se fizer seguro particular, mas &eacute; muito caro, e n&atilde;o existe seguro para o vento, s&oacute; para as chuvas de pedras de gelo</i>”. Outra agricultora de S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul relatou: “<i>Nunca recebi ajuda. Quando a gente perde a planta&ccedil;&atilde;o, &eacute; cada um por si. As pessoas se viram por conta pr&oacute;pria</i>”. Um entrevistado de Passo de Torres afirmou: “<i>Eu tive o meu fundo de garantia liberado e recebi doa&ccedil;&atilde;o de telhas para recobrir a casa toda</i>”. Por fim, em Sombrio, uma fam&iacute;lia que mora &agrave;s margens do Rio da Lage disse: “<i>Ainda n&atilde;o tivemos ajuda. Aqui &eacute; s&oacute; promessas</i>”.</p>     <p>Os moradores dizem n&atilde;o saber a quem pedir ajuda, ap&oacute;s a ocorr&ecirc;ncia dos eventos. De acordo com uma fam&iacute;lia de agricultores: “<i>Para aqueles que t&ecirc;m as lavouras seguradas, t&ecirc;m a quem buscar apoio financeiro, por&eacute;m s&atilde;o poucos, pois &eacute; muito caro fazer seguro das lavouras, al&eacute;m do incentivo das lavouras de fumo estar diminuindo muito</i>”. </p>     <p>Os entrevistados comentaram que algumas pessoas foram ajudadas por prefeituras, com aquisi&ccedil;&atilde;o de telhas para cobrir suas casas, destelhadas pelos vendavais. </p>     <p>A maioria respondeu que n&atilde;o sabe a quem pedir ajuda. Alguns citaram os Bombeiros. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>5.5. Comunica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via sobre os eventos</b></p>     <p>A indaga&ccedil;&atilde;o sobre se h&aacute; avisos, atrav&eacute;s de r&aacute;dio, igreja, escola, etc., antes de ocorrer algum evento extremo, e se existem informa&ccedil;&otilde;es sobre como proceder com seguran&ccedil;a nessas situa&ccedil;&otilde;es apresentou o que segue: “<i>Fomos pegos de surpresa pelos ventos fortes e chuvas com pedras grandes que quebrou o telhado de muitas casas</i>”. “<i>N&atilde;o avisam quando tem alguma coisa assim, mas n&oacute;s olhamos a previs&atilde;o do tempo na TV</i>”, disseram os entrevistados. Tal situa&ccedil;&atilde;o mostra que n&atilde;o h&aacute; informa&ccedil;&atilde;o para prevenir a popula&ccedil;&atilde;o local sobre os eventos que podem ocorrer na regi&atilde;o. </p>     <p>Em Passo de Torres, S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, Santa Rosa do Sul e Sombrio, os entrevistados disseram que foram avisados pelo r&aacute;dio: “<i>Avisar &eacute; dif&iacute;cil por aqui, mas sobre o Catarina avisaram pelo r&aacute;dio, mas ningu&eacute;m acreditou no aviso</i>”, disse uma fam&iacute;lia de agricultores. </p>     <p>Em Balne&aacute;rio Gaivota, um entrevistado falou: “<i>Acho que depois do Catarina a defesa civil ficou mais alerta</i>”.</p>     <p>Em Passo de Torres, o presidente da Col&ocirc;nia dos Pescadores exp&ocirc;s: “<i>Pela guarda costeira, os barcos t&ecirc;m mar&ocirc;metro, chega no porto e a gente j&aacute; sabe se vem tempestade. Agora tem a base da pesca que avisa os pescadores, e eles avisam os outros quanto tem um temporal, mas isso &eacute; mais quando o mar pode ficar revolto, perigoso para os pescadores. O Catarina foi avisado pela TV e pelo r&aacute;dio</i>”.</p>     <p>As respostas foram un&acirc;nimes de que n&atilde;o h&aacute; informa&ccedil;&atilde;o nos munic&iacute;pios sobre como proceder com seguran&ccedil;a em uma adversidade atmosf&eacute;rica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.6. &Aacute;reas do munic&iacute;pio mais afetadas pelos eventos</b></p>     <p>Em Santa Rosa do Sul, os eventos ocorrem em todo o territ&oacute;rio municipal, conforme os entrevistados. De acordo com o presidente do Conselho do Desenvolvimento da Agricultura Municipal, desde o evento Catarina, as chuvas com ventos fortes e granizo t&ecirc;m ocorrido com maior frequ&ecirc;ncia. Ele relata que, com o evento Catarina e os outros que ocorreram depois, houve perda de aproximadamente 70% da produ&ccedil;&atilde;o de fumo e arroz, e a destrui&ccedil;&atilde;o de cerca de 400 galp&otilde;es na regi&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s inunda&ccedil;&otilde;es que acontecem em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, de acordo com os entrevistados, os locais mais afetados, s&atilde;o os bairros Passo Negro, Timbopeba, Glorinha, Quer&ecirc;ncia e Sanga Danta. Um depoimento de um morador de S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul aponta: “<i>De 2007 pra c&aacute;, tivemos mais de cinco enchentes aqui na Timbopeba</i>”. Em Sombrio ocorrem inunda&ccedil;&otilde;es no Bairro Vila S&atilde;o Jos&eacute;, mas apenas nas margens do rio. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.7. Fatores que causam os desastres naturais</b></p>     <p>De acordo com os entrevistados, as causas da ocorr&ecirc;ncia dos desastres naturais foram as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, sendo o aquecimento global o mais citado.  Outros disseram que &eacute; por causa do desmatamento: “<i>O homem que est&aacute; mudando tudo, eu acho que &eacute; o desmatamento e excesso de veneno em tudo que &eacute; plantado</i>”, argumentou um agricultor.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.8. Administra&ccedil;&atilde;o municipal na Defesa Civil</b></p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; administra&ccedil;&atilde;o municipal, quando foi questionada sobre quem era o respons&aacute;vel pela Defesa Civil no munic&iacute;pio e quais eram as a&ccedil;&otilde;es que estavam sendo desenvolvidas em cada munic&iacute;pio para informar a popula&ccedil;&atilde;o sobre os eventos, a resposta foi que ainda estavam sendo formadas as respectivas equipes, os coordenadores para a Defesa Civil, bem como os locais onde iriam trabalhar.</p>     <p>Na administra&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios da regi&atilde;o, ap&oacute;s o evento Catarina houve a inten&ccedil;&atilde;o de serem criadas as Coordenadorias Municipais de Defesa Civil (COMDEC). Por&eacute;m, nas prefeituras, as estruturas dessas coordenadorias contavam apenas com um &uacute;nico funcion&aacute;rio, que seria deslocado de outra secretaria para atuar tamb&eacute;m na Defesa Civil. Um exemplo &eacute; o munic&iacute;pio de S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul: a pessoa que estava na coordena&ccedil;&atilde;o da Defesa Civil era o secret&aacute;rio do Planejamento. Em Santa Rosa do Sul, o coordenador da Defesa Civil era o secret&aacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. Este &uacute;ltimo informou que em Cap&atilde;o da Canoa, munic&iacute;pio pr&oacute;ximo, h&aacute; uma esta&ccedil;&atilde;o meteorol&oacute;gica que se comunica com o munic&iacute;pio de Santa Rosa do Sul, alertando sobre os eventos; no entanto, o secret&aacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o informou que &eacute; muito complicado avisar a popula&ccedil;&atilde;o que pode ocorrer um evento, pois pode causar p&acirc;nico. Ele relatou que “<i>Houve uma vez que a popula&ccedil;&atilde;o foi avisada, atrav&eacute;s do r&aacute;dio comunit&aacute;rio, de que ocorreria uma tempestade com ventos fortes, mas nada ocorreu e o povo mostrou revolta</i>”. </p>     <p>Com as novas administra&ccedil;&otilde;es das prefeituras, que iniciaram em 2013, est&atilde;o sendo selecionadas as pessoas que ir&atilde;o trabalhar na Defesa Civil. No momento atual, ainda est&atilde;o sendo treinadas as pessoas/equipes que assumir&atilde;o as coordenadorias e outras fun&ccedil;&otilde;es. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>6. DISCUSS&Atilde;O E CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Os eventos que causaram desastres naturais mais recorrentes nos diversos munic&iacute;pios da regi&atilde;o t&ecirc;m sido os ventos fortes acompanhados por chuva e granizo. Entre estes eventos, mereceu destaque o “furac&atilde;o Catarina”. Os ventos com grande velocidade e o mar atingindo picos muito altos de onda provocaram ressaca em boa parte do litoral Sul catarinense. O “Catarina” constituiu um evento extremo com dimens&atilde;o nunca antes vivenciada pela popula&ccedil;&atilde;o (Hermann, 2007). Embora agricultores tenham relatado que antes do Catarina j&aacute; havia acontecido um vendaval t&atilde;o forte que derrubou planta&ccedil;&otilde;es de bananas e estufas de fumo.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &eacute;poca de ocorr&ecirc;ncia dos eventos, embora a maioria tenha citado que os vendavais ocorrem em mudan&ccedil;a de esta&ccedil;&atilde;o, de acordo com uma an&aacute;lise dos eventos extremos, realizada no per&iacute;odo de 1980 a 2003 por Marcelino <i>et al.</i> (2007), em Santa Catarina, houve anos em que foram registrados desastres naturais em todos os per&iacute;odos sazonais.</p>     <p>Considerando o tempo que esses eventos v&ecirc;m ocorrendo, j&aacute; deveria existir mais informa&ccedil;&atilde;o para as pessoas que vivem em regi&otilde;es afetadas. Conhecendo os eventos adversos, torna-se melhor lidar com os problemas relacionados (Marcelino, 2008). Muitas &aacute;reas do munic&iacute;pio de S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul ficaram embaixo d’&aacute;gua com a inunda&ccedil;&atilde;o gradual que ocorreu no ano de 1974. Esse evento traumatizou diversos moradores da regi&atilde;o devido aos preju&iacute;zos causados e ao medo que sentiram n&atilde;o apenas por esse evento, mas tamb&eacute;m por outros de menor propor&ccedil;&atilde;o bastante recorrentes. Tal situa&ccedil;&atilde;o constitui-se numa das grandes afli&ccedil;&otilde;es dos que moram pr&oacute;ximo ao Rio Mampituba, embora os que ali moram continuem trabalhando em suas planta&ccedil;&otilde;es at&eacute; nas margens do rio. Os ventos e as fortes chuvas sobre a regi&atilde;o que est&aacute; pr&oacute;xima &agrave; Serra Geral geram correnteza forte, o que facilita a ocorr&ecirc;ncia das inunda&ccedil;&otilde;es. As &aacute;guas tornam-se violentas e com muito barro, atingindo as terras dos moradores, destruindo casas, levando animais, devastando as planta&ccedil;&otilde;es, arrastando tudo por onde passam (Bauer, 2009). </p>     <p>De acordo com a percep&ccedil;&atilde;o dos entrevistados, o principal dano causado pelos eventos extremos nas &aacute;reas urbanas &eacute; o destelhamento de casas, e, nas &aacute;reas rurais, os principais impactos est&atilde;o relacionados &agrave;s lavouras e as estruturas das constru&ccedil;&otilde;es rurais, principalmente as estufas e os galp&otilde;es. Os preju&iacute;zos causados pelo furac&atilde;o Catarina foram t&atilde;o intensos que, segundo informa&ccedil;&otilde;es da Defesa Civil do estado, quase 30 mil pessoas foram atingidas. Muitos ficaram desalojados, desabrigados, deslocados, al&eacute;m disso, pessoas ficaram feridas e at&eacute; ocorreram mortes. No meio rural, houve diversos preju&iacute;zos nas constru&ccedil;&otilde;es - estufas, galp&otilde;es, silos, engenhos e avi&aacute;rios - e nas planta&ccedil;&otilde;es, principalmente de arroz, milho, banana, fumo e reflorestamento. Isso aponta para o desenvolvimento de estrat&eacute;gias diferenciadas tamb&eacute;m nesse sentido por parte da Defesa Civil e das administra&ccedil;&otilde;es municipais. Embora as pessoas que residem em &aacute;reas rurais tenham uma rela&ccedil;&atilde;o diferenciada com o meio ambiente, pois t&ecirc;m um olhar diferente sobre o que ocorre com o clima, deveria haver meios eficazes de informar o que &eacute; poss&iacute;vel fazer para que n&atilde;o percam toda a safra em uma adversidade. Uma estrat&eacute;gia poderia ser, por exemplo, instruir para n&atilde;o investir somente em uma cultura anual. </p>     <p>Em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, j&aacute; houve muitos preju&iacute;zos provocados pelas inunda&ccedil;&otilde;es, afetando principalmente as lavouras da popula&ccedil;&atilde;o que vive na proximidade dos rios. De acordo com Bauer (2009), moradores relatam que o rio j&aacute; foi motivo de temor e preju&iacute;zos. As terras que o margeiam possuem &aacute;reas mais f&eacute;rteis pelo fato de o rio depositar mat&eacute;ria org&acirc;nica quando h&aacute; alagamentos, deixando o solo rico em nutrientes e propiciando o cultivo de lavouras com menor emprego de fertilizantes. Da&iacute; o motivo das perdas, pois as lavouras tamb&eacute;m est&atilde;o situadas nas margens do rio. Conforme Herrmann (2007), as inunda&ccedil;&otilde;es causam grandes preju&iacute;zos materiais e emocionais, desabrigando moradores, devastando planta&ccedil;&otilde;es, inclusive levando &agrave; morte de pessoas por afogamento. Em sua an&aacute;lise dos eventos extremos ocorridos durante o per&iacute;odo 1980 ao in&iacute;cio de 2004, a autora relatou que foram as inunda&ccedil;&otilde;es as respons&aacute;veis pelo maior n&uacute;mero de desabrigados e mortos em Santa Catarina.</p>     <p>Embora, em todos os munic&iacute;pios deste estudo, o evento apontado como causador de grandes danos foram os vendavais, al&eacute;m destes, os que t&ecirc;m causado mais perdas para os agricultores s&atilde;o os associados a chuva e granizo.</p>     <p>&Aacute;ngel (2007) salienta que deveria haver mais aten&ccedil;&atilde;o voltada para as &aacute;reas vulner&aacute;veis &agrave; ocorr&ecirc;ncia de desastres naturais, e n&atilde;o somente para os eventos de grande magnitude. As an&aacute;lises de vulnerabilidade deveriam ir al&eacute;m das condi&ccedil;&otilde;es sociais, abordando os aspectos ambientais que existem em cada local. Entretanto, de acordo com Prieto (2007: 12), prevenir para que as pessoas n&atilde;o fiquem expostas a amea&ccedil;as de origem natural n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples, pois resultam em atividades dispendiosas e dif&iacute;ceis de serem realizadas, como por exemplo, quando &eacute; necess&aacute;ria a remo&ccedil;&atilde;o de comunidades de uma &aacute;rea que oferece risco de inunda&ccedil;&atilde;o. Quando &eacute; poss&iacute;vel planejar a cidade para que uma &aacute;rea que possa oferecer risco seja substitu&iacute;da por outra, a preven&ccedil;&atilde;o &eacute; vi&aacute;vel e poss&iacute;vel. No caso das planta&ccedil;&otilde;es em margens de rios em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, a preven&ccedil;&atilde;o seria vi&aacute;vel e poss&iacute;vel.</p>     <p>&Eacute; importante observar que a estrutura da Defesa Civil, que est&aacute; sendo montada nos munic&iacute;pios, deveria levar em conta as peculiaridades de cada local. Sobre essa quest&atilde;o, em curso realizado pela Empresa de Pesquisa Agropecu&aacute;ria e Extens&atilde;o Rural de Santa Catarina (EPAGRI) nas cooperativas da agricultura familiar no sul de Santa Catarina, munic&iacute;pio de Crici&uacute;ma, o coordenador regional da Defesa Civil destacou, em mar&ccedil;o de 2013, a import&acirc;ncia da capacita&ccedil;&atilde;o dos agricultores na preven&ccedil;&atilde;o aos desastres naturais.</p>     <p>Sobre a rea&ccedil;&atilde;o dos que foram afetados pelos desastres naturais, o resultado das entrevistas mostrou que, mesmo sendo eventos que ocorreram h&aacute; muito tempo, as pessoas que tiveram algum tipo de sofrimento t&ecirc;m a lembran&ccedil;a muito viva da ocorr&ecirc;ncia e demonstram em suas falas muito medo de que voltem a acontecer. Em rela&ccedil;&atilde;o ao extravasamento dos rios que provocam as inunda&ccedil;&otilde;es em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, conforme Bauer (2009), os moradores dessa localidade relatam situa&ccedil;&otilde;es traum&aacute;ticas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; inunda&ccedil;&atilde;o ocorrida na regi&atilde;o do Rio Mampituba. O medo pode estar associado n&atilde;o somente &agrave; ocorr&ecirc;ncia do evento, mas &agrave; falta de conhecimento sobre ele, por n&atilde;o existirem informa&ccedil;&otilde;es sobre o que deve ser feito para lidar com essa situa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora seja muito importante a ajuda quando ocorre um desastre natural, mais importante ainda &eacute; a informa&ccedil;&atilde;o para prevenir os efeitos do evento. No momento atual, em que existem disponibilidades de informa&ccedil;&otilde;es por diversos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; imposs&iacute;vel conceber que ainda existem pessoas que carecem de informa&ccedil;&otilde;es nos munic&iacute;pios afetados pelos eventos adversos que geram desastres naturais. Avisos e informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o fundamentais para essas situa&ccedil;&otilde;es. Poderia existir informa&ccedil;&atilde;o para as popula&ccedil;&otilde;es sobre as &aacute;reas mais vulner&aacute;veis e o porque de serem vulner&aacute;veis, bem como  sobre as alternativas que podem ser dadas para que tais &aacute;reas sejam evitadas. Se a administra&ccedil;&atilde;o municipal n&atilde;o d&aacute; suporte para avisar a popula&ccedil;&atilde;o antes de acontecer um evento extremo, a pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o deveria ser instru&iacute;da para procurar se informar sobre esses acontecimentos a fim de mobilizar-se a tempo. </p>     <p>&Eacute; importante tamb&eacute;m que as pessoas sejam informadas acerca dos fatores que causam os desastres naturais, como desmatamento de encostas e de margens de rios e assoreamento de cursos de &aacute;gua. Kobiyama <i>et al.</i> (2006:38) destacam a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o da sociedade na minimiza&ccedil;&atilde;o dos impactos causados pelos eventos adversos. Para esses autores, a participa&ccedil;&atilde;o e a informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o fundamentais para a minimiza&ccedil;&atilde;o das causas surgidas com os eventos extremos. Eles destacam a import&acirc;ncia do Gerenciamento de Desastres Naturais incluindo duas metas: “(1) entender os mecanismos dos fen&ocirc;menos naturais e (2) aumentar a resist&ecirc;ncia da sociedade contra esses fen&ocirc;menos”.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos fatores que causam os desastres naturais, os entrevistados percebem que h&aacute; influ&ecirc;ncia antr&oacute;pica no meio. Isso pode mostrar que as pessoas est&atilde;o refletindo e percebendo que s&atilde;o agentes modificadores, podendo ter certa influ&ecirc;ncia nas altera&ccedil;&otilde;es locais atrav&eacute;s de seus atos. </p>     <p>Acerca da a&ccedil;&atilde;o da Defesa Civil nos munic&iacute;pios, conforme os entrevistados na administra&ccedil;&atilde;o de Balne&aacute;rio Gaivota, Passo de Torres, Santa Rosa do Sul, S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul e Sombrio, com a mudan&ccedil;a da administra&ccedil;&atilde;o, decorrente das elei&ccedil;&otilde;es municipais em 2012, as coordena&ccedil;&otilde;es para a Defesa Civil ainda est&atilde;o em fase de estrutura&ccedil;&atilde;o em todas as cidades citadas. Ainda est&aacute; sendo providenciada a estrutura f&iacute;sica (salas) para as coordena&ccedil;&otilde;es de cada munic&iacute;pio. Al&eacute;m disso, as pessoas que estavam na gest&atilde;o anterior n&atilde;o s&atilde;o as mesmas que est&atilde;o assumindo a coordena&ccedil;&atilde;o da Defesa Civil nas novas administra&ccedil;&otilde;es municipais.</p>     <p>Sobre esta quest&atilde;o, o coordenador regional da Defesa Civil da regi&atilde;o Sul destacou que, nas prefeituras, muitos dos que est&atilde;o coordenando a Defesa Civil est&atilde;o em cargos comissionados, ou seja, est&atilde;o no cargo de coordena&ccedil;&atilde;o enquanto o prefeito eleito estiver no cargo. Dessa forma, enquanto n&atilde;o existir um quadro permanente nas prefeituras para a Defesa Civil, a cada quatro anos (tempo de mandato de um prefeito) entram novas equipes n&atilde;o capacitadas para realizar a prote&ccedil;&atilde;o civil. Relativo a essa quest&atilde;o, mesmo tendo acontecido diversos desastres naturais na regi&atilde;o, ainda n&atilde;o h&aacute; plano de a&ccedil;&otilde;es ou planos de conting&ecirc;ncia nesses munic&iacute;pios. Conforme relatos dos entrevistados, &eacute; urgente que as pessoas saibam a quem comunicar quando ocorrerem eventos extremos, bem como saibam obter informa&ccedil;&otilde;es de como proceder com seguran&ccedil;a em tais situa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Com base na lei 12.608/2012, a Coordenadoria Municipal de Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa Civil (COMPDEC) &eacute; o &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel pelas atividades de prote&ccedil;&atilde;o e defesa civil no &acirc;mbito municipal. Essa coordenadoria deve dispor de estruturas pr&oacute;prias para exercer a fun&ccedil;&atilde;o que lhe compete. As compet&ecirc;ncias municipais, definidas por essa legisla&ccedil;&atilde;o federal, s&atilde;o: coordenar as a&ccedil;&otilde;es do Sistema Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa Civil (SINPDEC), incorporar as a&ccedil;&otilde;es de prote&ccedil;&atilde;o e defesa civil no planejamento municipal e identificar e mapear as &aacute;reas de risco de desastres, n&atilde;o permitindo novas ocupa&ccedil;&otilde;es nessas &aacute;reas. A COMPDEC deve, ainda, informar &agrave; popula&ccedil;&atilde;o sobre &aacute;reas de risco e ocorr&ecirc;ncia de eventos extremos e sobre as a&ccedil;&otilde;es emergenciais quando ocorrem desastres, al&eacute;m de outras a&ccedil;&otilde;es importantes, no sentido de melhorar a situa&ccedil;&atilde;o daqueles que ocupam &aacute;reas sujeitas a eventos extremos. Ainda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cria&ccedil;&atilde;o dessa coordena&ccedil;&atilde;o, a Portaria n. 912-A, de 29 de maio de 2008, do Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional, condiciona o recebimento de recursos financeiros mediante a comprova&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia e funcionamento do &Oacute;rg&atilde;o Municipal de Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa Civil como uma forma de pressionar a administra&ccedil;&atilde;o municipal para estruturar-se frente a essas ocorr&ecirc;ncias. Al&eacute;m disso, &eacute; importante destacar que n&atilde;o somente em concord&acirc;ncia com a lei citada, &eacute; necess&aacute;rio, e de extrema import&acirc;ncia, que a Defesa Civil esteja em funcionamento em cada munic&iacute;pio, para amparar a popula&ccedil;&atilde;o, ajudando-a no enfrentamento dos desastres naturais. </p>     <p>A gest&atilde;o de risco de desastres naturais deve ser parte integrante do planejamento e implementa&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento local, a qual, por sua vez, deve ser integrada em planos nacionais de desenvolvimento. Ainda, as experi&ecirc;ncias da popula&ccedil;&atilde;o local no enfrentamento de um desastre natural s&atilde;o muito importantes, pois fornecem informa&ccedil;&otilde;es para os planos de gest&atilde;o de riscos locais (IPCC, 2012).</p>     <p>A informa&ccedil;&atilde;o aliada a treinamentos, que aqui n&atilde;o ocorre, mas j&aacute; &eacute; regular em outros pa&iacute;ses, &eacute; de grande import&acirc;ncia para a minimiza&ccedil;&atilde;o dos impactos de eventos extremos, pois pode dar condi&ccedil;&otilde;es para que haja preven&ccedil;&atilde;o de acidentes envolvendo vidas humanas e de animais. Para reduzir os desastres naturais, s&atilde;o fundamentais a capacita&ccedil;&atilde;o das pessoas e a informa&ccedil;&atilde;o, via meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, sendo estes de extrema import&acirc;ncia para o enfrentamento dos eventos extremos (Carvalho <i>et al.</i>, 2007).</p>     <p>No Brasil, t&ecirc;m aumentado as a&ccedil;&otilde;es em prol da preven&ccedil;&atilde;o de desastres naturais, como a integra&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de governo com as pol&iacute;ticas setoriais, no sentido de refor&ccedil;ar as a&ccedil;&otilde;es de prote&ccedil;&atilde;o e defesa civil para melhorar a gest&atilde;o de risco e de desastres no pa&iacute;s, incluindo as pol&iacute;ticas relacionadas ao “ordenamento territorial, desenvolvimento urbano, sa&uacute;de, meio ambiente, mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, gest&atilde;o de recursos h&iacute;dricos, geologia, infraestrutura, educa&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncia e tecnologia” (Furtado <i>et al.</i>, 2012:31). Com isso, pode-se concluir que j&aacute; existem alguns avan&ccedil;os legais, mas ainda h&aacute; muito a ser feito a fim de que a popula&ccedil;&atilde;o se sinta protegida e segura frente &agrave; ocorr&ecirc;ncia de eventos adversos. </p>     <p>Em Santa Catarina, embora existam as Coordenadorias Regionais de Defesa Civil que est&atilde;o localizadas em quatorze regi&otilde;es do estado, como a da regi&atilde;o Sul que est&aacute; sediada em Crici&uacute;ma, ainda urge a necessidade de estas levarem informa&ccedil;&otilde;es para as popula&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o afetadas regularmente por eventos extremos, como mostra esta pesquisa. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>7. CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p>     <p>De acordo com os resultados obtidos pelas entrevistas realizadas no litoral do Extremo Sul de Santa Catarina, t&ecirc;m ocorrido v&aacute;rios desastres naturais na regi&atilde;o, causando preju&iacute;zos de diversas magnitudes. </p>     <p>As ocorr&ecirc;ncias de desastres naturais, principalmente de inunda&ccedil;&otilde;es, est&atilde;o vivas na mem&oacute;ria das pessoas desde &eacute;pocas remotas. Embora esses eventos adversos estejam sendo registrados e divulgados com mais frequ&ecirc;ncia na atualidade, o evento natural mais observado foi o excesso de chuvas, inclusive com granizo e ventos fortes, o que j&aacute; era visto no passado. No meio rural, o dano mais relatado foi a destrui&ccedil;&atilde;o das lavouras, como hoje acontece. </p>     <p>Quanto aos efeitos dos eventos extremos, foi percebida uma diferen&ccedil;a entre as percep&ccedil;&otilde;es das pessoas que residem e trabalham no meio rural e as das que residem e trabalham no meio urbano. As que vivem em meio rural t&ecirc;m sua preocupa&ccedil;&atilde;o totalmente voltada para o seu meio de vida, seu sustento atrav&eacute;s do cultivo da lavoura, ent&atilde;o qualquer destrui&ccedil;&atilde;o de parte de sua planta&ccedil;&atilde;o vai afetar a parte financeira. Fam&iacute;lias do meio rural relataram que haviam perdido toda a safra de fumo devido a uma ocorr&ecirc;ncia de uma chuva com granizo. Foi vis&iacute;vel que o destelhamento de casas n&atilde;o os afeta como qualquer altera&ccedil;&atilde;o em suas lavouras. J&aacute; no meio urbano, as pessoas relataram a perda de parte de sua resid&ecirc;ncia, principalmente o destelhamento das casas, mas t&ecirc;m seus trabalhos, sua renda mensal, que n&atilde;o &eacute; prejudicada, como acontece com as pessoas que sobrevivem da agricultura. </p>     <p>Ao falarem do medo que sentiam, tanto as pessoas do meio rural quanto as do meio urbano mostraram ter medo e sensa&ccedil;&atilde;o de estarem desprotegidas em situa&ccedil;&otilde;es de eventos extremos. </p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s estrat&eacute;gias de mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade frente aos eventos extremos, tanto no meio rural como no meio urbano, n&atilde;o se verifica diferen&ccedil;a, pois n&atilde;o h&aacute; nenhuma estrat&eacute;gia de preven&ccedil;&atilde;o por parte das fam&iacute;lias entrevistadas.</p>     <p>Ainda, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o aos eventos, percebe-se que as fam&iacute;lias que sofrem com as inunda&ccedil;&otilde;es est&atilde;o acostumadas e demonstraram n&atilde;o sentirem tanto medo como sentem quando ocorrem os vendavais. </p>     <p>Os relatos de moradores de &aacute;reas atingidas por eventos extremos, no caso dos munic&iacute;pios citados, mostra que a popula&ccedil;&atilde;o desses locais n&atilde;o tem recebido dos &oacute;rg&atilde;os respons&aacute;veis pela administra&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios informa&ccedil;&otilde;es sobre os eventos extremos que ocorreram ou possam vir a ocorrer na regi&atilde;o. Provavelmente, se a previs&atilde;o j&aacute; existisse, danos maiores teriam sido evitados. Em rela&ccedil;&atilde;o a algum tipo de apoio por parte dos &oacute;rg&atilde;os competentes, como o fornecimento de telhas ou de lonas para as resid&ecirc;ncias destelhadas, esse tipo de ajuda ocorre tanto no meio rural quando no meio urbano.</p>     <p>Vale lembrar a import&acirc;ncia do desenvolvimento de m&eacute;todos mais participativos para a gest&atilde;o e planejamento municipais, principalmente os que envolvem a preven&ccedil;&atilde;o de desastres naturais, que seriam t&atilde;o importante para as popula&ccedil;&otilde;es que vivem em &aacute;reas sujeitas a eventos extremos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A cria&ccedil;&atilde;o e o funcionamento da coordena&ccedil;&atilde;o para a Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa Civil dos munic&iacute;pios, conforme determina a legisla&ccedil;&atilde;o, ainda est&aacute; em estrutura&ccedil;&atilde;o. Embora existam mecanismos institucionalizados de prote&ccedil;&atilde;o civil no estado, faltando apenas demandar responsabilidades efetivas aos munic&iacute;pios estudados.</p>     <p>Ainda merece destaque a quest&atilde;o de os respons&aacute;veis pela defesa civil de cada munic&iacute;pio estudado n&atilde;o serem funcion&aacute;rios permanentes, e sim pessoas de cargos tempor&aacute;rios. Estas, embora recebam treinamentos para atuarem na defesa civil do munic&iacute;pio, por serem seus cargos tempor&aacute;rios, n&atilde;o poder&atilde;o permanecer neles quando houver novas elei&ccedil;&otilde;es. Frente a essa quest&atilde;o, percebe-se a necessidade de cria&ccedil;&atilde;o de cargos permanentes e treinamento das pessoas que ir&atilde;o atuar na Defesa Civil desses munic&iacute;pios de forma mais efetiva.</p>     <p>Al&eacute;m disso, mesmo que j&aacute; tenham ocorridos diversos eventos extremos no Extremo Sul de Santa Catarina, ainda n&atilde;o existe uma cultura de informa&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o desses eventos na regi&atilde;o, nem por parte das pessoas que l&aacute; vivem nem por parte de &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AGRADECIMENTOS</b></p>     <p>&Agrave; Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (CAPES) pelo apoio financeiro, &agrave;s fam&iacute;lias entrevistadas e &agrave;s administra&ccedil;&otilde;es municipais da &aacute;rea de estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>&Aacute;ngel, M.F.O. (2007) – Articulaci&oacute;n de la Gesti&oacute;n Ambiental y la Gesti&oacute;n del Riesgo. <i>In</i>: <i>Tiempo para entregar el relevo: reducci&oacute;n del riesgo de desastres desde la perspectiva de la gesti&oacute;n ambiental, ordenamiento territorial, finanzas  e inversi&oacute;n p&uacute;blica</i>. 276 p., San Jos&eacute;, C. R.: 1&ordf; ed. Grupo Internacional Recursos Del Sur, IRG. ISBN 978-9968-500-00-5&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S1646-8872201400010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bauer, V.S. (2009) – <i>Preserva&ccedil;&atilde;o de matas ciliares e educa&ccedil;&atilde;o ambiental: um estudo de caso na bacia hidrogr&aacute;fica do Rio Mampituba em S&atilde;o Jo&atilde;o do Sul, Santa Catarina. Crici&uacute;ma</i>, SC. 185p., Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade do Extremo Sul Catarinense, Crici&uacute;ma, SC, Brasil. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1646-8872201400010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bitencourt, N.L.R.; Centenaro, K.S.; Marimon, M.P.C. (2011a) – A percep&ccedil;&atilde;o ambiental como instrumento de an&aacute;lise da qualidade ambiental: estudo de caso no litoral sul de Santa Catarina, Brail. Costa Rica, <i>Revista Geogr&aacute;fica de Am&eacute;rica Central</i>, N&uacute;mero Especial EGAL, pp. 1-15. 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Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.revistas.una.ac.cr/index.php/geografica/article/view/2531" target="_blank">http://www.revistas.una.ac.cr/index.php/geografica/article/view/2531</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S1646-8872201400010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bitencourt, N.L.R.; Marimon, M.P.C. (2010) – A Problem&aacute;tica do Uso e Ocupa&ccedil;&atilde;o da Zona Costeira do Sul de Santa Catarina, Brasil. <i>IV Congresso Brasileiro de Oceanografia</i> - CBO 2010, FURG, Rio Grande. AOCEANO 1: 674-677.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1646-8872201400010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castro, A.L.C.de; Calheiros, L.B.; Cunha, M.I.R.; Bringel, M.L.N.daC. (2003) – <i>Manual de Desastres Naturais</i>. 174p., Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional, Bras&iacute;lia. 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Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSNPU/" target="_blank">http://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSNPU/</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1646-8872201400010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Furtado, J.; Oliveira, M.de; Dantas, M.C.; Souza, P.P.; Panceri, R. (2012) – <i>Capacita&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica em Defesa Civil</i>. 122p., Centro Universit&aacute;rio de Pesquisa e Estudos sobre Desastres CAD/UFSC, Florian&oacute;polis, Santa Catarina. ISBN 978-85-64695-31-3 Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.defesacivil.mg.gov.br/conteudo/arquivos/manuais/Livro_Defesa_Civil_Completo.pdf" target="_blank">http://www.defesacivil.mg.gov.br/conteudo/arquivos/manuais/Livro_Defesa_Civil_Completo.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1646-8872201400010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Herrmann, M.L.P. (org.). (2007) – <i>Atlas de Desastres Naturais do Estado de Santa Catarina</i>. 146p., IOESC, Florian&oacute;polis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1646-8872201400010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica. (2010) – <i>Cidades@</i>. Censo 2010. IBGE, Dispon&iacute;vel em: <br />   <a href="http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm</a>? </p>     <!-- ref --><p>IPCC (2012) - Managing the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation. A Special Report of Working Groups I and II of the <i>Intergovernmental Panel on Climate Change</i>. Cambridge University Press, Cambridge, UK, and New York, NY, USA, 582 pp. ISBN 978-1-107-02506-6 Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ipcc-wg2.gov/SREX/images/uploads/SREX-All_FINAL.pdf" target="_blank">http://ipcc-wg2.gov/SREX/images/uploads/SREX- All_FINAL.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S1646-8872201400010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Lei n. 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Pol&iacute;tica Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa Civil - PNPDEC; disp&otilde;e sobre o Sistema Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa Civil - SINPDEC e o Conselho Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a cria&ccedil;&atilde;o de sistema de informa&ccedil;&otilde;es e monitoramento de desastres (EM IT&Aacute;LICO). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12608.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12608.htm</a> </p>     <!-- ref --><p>Kobiyama, M.; Mendon&ccedil;a, M.; Moreno, D.A.; Marcelino, I.P.V.de O.; Marcelino, E. V.; Gon&ccedil;alves, E.F.; Brazetti, L.L.P.; Goerl, R.F.; Molleri, G.S.F.; Rudorff, F. de M. (2006) – <i>Preven&ccedil;&atilde;o de desastres naturais: conceitos b&aacute;sicos</i>. Organic Trading, Curitiba: Ed. Organic Trading, 124p. Dispon&iacute;vel em: Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.labhidro.ufsc.br/Artigos/Livro(Prevencao de Desastres Naturais).pdf" target="_blank">http://www.labhidro.ufsc.br/Artigos/Livro%20(Prevencao%20de%20Desastres%20Naturais).pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S1646-8872201400010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marengo, J.A. (2006) – <i>Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais e seus efeitos sobre a biodiversidade: caracteriza&ccedil;&atilde;o do clima atual e defini&ccedil;&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas para o territ&oacute;rio brasileiro ao longo do s&eacute;culo XXI</i>. Bras&iacute;lia: MMA, 212 p. ISBN 85-7738-038-6 Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.mma.gov.br/estruturas/imprensa/_arquivos/livrocompleto.pdf" target="_blank">http://www.mma.gov.br/estruturas/imprensa/_arquivos/livro%20completo.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S1646-8872201400010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marcelino, E.V.; Rudorff, F.M.; Marcelino, I.P.V.O.; Goerl, R.F.; Kobyama, M. (2005) - Impacto do Furac&atilde;o Catarina sobre a regi&atilde;o sul catarinense: monitoramento e avalia&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-desastre. <i>Revista Geografia</i>, 30 (3): 559-582.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S1646-8872201400010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marcelino, I.P.V.de O.;  Molleri, G.S.F.;  Goerl,  R.F.;  Marcelino, E.V.; Moreno,  D. A.;  Rudorff, F.M. (2007) – Adversidades Atmosf&eacute;ricas no Estado de Santa Catarina no per&iacute;odo de 1980 a 2003. In: Herrmann, Maria L. P. (org.), <i>Atlas de Desastres Naturais do Estado de Santa Catarina</i>, 146p., IOESC, Florian&oacute;polis, SC, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S1646-8872201400010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Marcelino, E.V. (2008) – <i>Desastres naturais e geotecnologias: conceitos b&aacute;sicos</i>. 40p., INPE, Santa Maria, Brasil. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://mtc-m18.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m18@80/2008/07.02.16.22/doc/publicacao.pdf" target="_blank">http://mtc-m18.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m18@80/2008/07.02.16.22/doc/publicacao.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S1646-8872201400010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Monteiro, M.A; Mendon&ccedil;a, M. (2007) – Din&acirc;mica Atmosf&eacute;rica no Estado de Santa Catarina. In: Herrmann, Maria L. de P. (org.). <i>Atlas de Desastres Naturais do Estado de Santa Catarina</i>, IOESC, Florian&oacute;polis, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S1646-8872201400010000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Monteiro, M.A. (2001) – Caracteriza&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica do estado de Santa Catarina: uma abordagem dos principais sistemas atmosf&eacute;ricos que atuam durante o ano. GEOSUL, Florian&oacute;polis: Editora da UFSC, 31(16): 69-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S1646-8872201400010000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Portaria n. 912-A, de 29 de maio de 2008. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.defesacivil.pr.gov.br/arquivos/File/publicacoes/PORTARIAN912ACOMDEC.doc" target="_blank">http://www.defesacivil.pr.gov.br/arquivos/File/publicacoes/PORTARIAN912ACOMDEC.doc</a> </p>     <!-- ref --><p>Prieto, J.P.S. (2007) – El desaf&iacute;o de la Gesti&oacute;n de Riesgo como estrategia de intervenci&oacute;n multisectorial y participativa al servicio del desarrollo. <i>In</i>: <i>Tiempo para entregar el relevo: reducci&oacute;n del riesgo de desastres desde la perspectiva de la gesti&oacute;n ambiental, ordenamiento territorial, finanzas  e inversi&oacute;n p&uacute;blica</i>. San Jos&eacute;, C. R.: 1&ordf; ed. Grupo Internacional Recursos Del Sur, IRG. ISBN 978-9968-500-00-5. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.redulac.net/redulac/images_documentosypublicaciones/tiempo_para_entregar/CAPITULO I EL DESAFIO DE LA GESTION DE RIESGOS.pdf" target="_blank">http://www.redulac.net/redulac/images_documentosypublicaciones/tiempo_para_entregar/CAPITULO%20I%20EL%20DESAFIO%20DE%20LA%20GESTION%20DE%20RIESGOS.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S1646-8872201400010000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Severo, D. L. (1994) – <i>Estudo de casos de chuvas intensas no Estado de Santa Catarina</i>. S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos: INPE, 118p. INPE-5682-TDI/568. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://mtc-m17.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/MTC-13@80/2005/08.26.17.51/doc/INPE-5682-TDI-568pdf.pdf" target="_blank">http://mtc-m17.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/MTC-13@80/2005/08.26.17.51/doc/INPE-5682-TDI-568pdf.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S1646-8872201400010000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>United Nations Development Programme (2004) – <i>A Global Report: Reducing Disaster Risk a Challenge for Development</i>. 146p., Printed by John S. Swift Co., New York, USA. ISBN 92-1-126160-0 Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.undp.org/content/dam/undp/library/crisis prevention/disaster/asia_pacific/Reducing Disaster risk a Challenge for development.pdf" target="_blank">http://www.undp.org/content/dam/undp/library/crisis%20prevention/disaster/asia_pacific/Reducing%20Disaster%20risk%20a%20Challenge%20for%20development.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S1646-8872201400010000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="0"></a><a href="#top0">*</a> Submission: 9 April 2013; Evaluation: 30 April 2013; Reception of revised manuscript: 24 July 2013; Accepted: 31 July 2013; Available on-line: 14 August 2013</p>     </body> </html>      ]]></body><back>
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