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<article-id>S1646-88722014000100004</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5894/rgci446</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estudo das perceções da comunidade da Palmeira (Ilha do Sal, Cabo Verde) sobre a Sustentabilidade das Pescas]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Palmeira community residents’ perceptions (Ilha do Sal island, Cape Verde) on environmentally Sustainable Fishing]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Fishery has always been of great social economic importance for the coastal communities of Cape Verde, offering means of subsistence and employment opportunities due to their maritime vocation. Fish is an important food component for the population. Since fishery is a source of low-cost animal protein, its exploration must be sustainable in order to be permanently available for the community. This paper presents a study on the perception of fishermen on the sustainable exploitation of fishery resources in a symbiosis with the dominant artesanal fishing practiced on the island. Fishing is one of the main economic activities of the coastal zone of Sal island, besides being an important subsistence activity for the three fishing communities of the island. Aiming to discuss ways for sustainable activity, we will reflect on the sustainability of the traditional fishing in the community of Palmeira, Sal Island, Cape Verde. In a community like Palmeira, where fishing is typically artesanal, we find many elements that ensure the sustainability of the activity, such as the predominant use of renewable natural resources and the diversity of species caught. In Sal Inland knowing and developing new mechanisms to educate, create sustainable policies for the activity and resource management are important to the environment. Education and organization of fishermen, as well as decentralization and participatory management of fishery resources, are fundamental to the sustainability of fisheries. This work tries to answer the scarcity of studies on fishing communities in order to promote environmental knowledge that will enhance the creation of key strategies for sustainability, the analysis of projects created to date and the respective implementation, allowing the identification of the causes of the total or partial failure, as well as the identification of the causes for the poor involvement of the fishing community in the implementation of projects.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[pesca artesanal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[sustentabilidade]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[diagnóstico socio-ambiental]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[socio-environmental diagnosis]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  	    <p align="right"><b>ARTIGO / </b>ARTICLE</p> 			    <p><b>Estudo das perce&ccedil;&otilde;es da comunidade da Palmeira (Ilha do Sal, Cabo Verde) sobre a Sustentabilidade das Pescas<a name="top0"></a><a href="#0">*</a></b></p>     <p>&nbsp;</p> 			    <p><b>Palmeira community residents&rsquo; perceptions (Ilha do Sal island, Cape Verde) on environmentally Sustainable Fishing</b></p> 			    <p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p>     <p><b>Al&eacute;cia Br&iacute;gida Pires Fidalga<sup>@, I</sup>, S&oacute;nia Seixas<sup>II</sup>, Ulisses M Azeiteiro<sup>III</sup></b></p> 			    <p><sup>@</sup>Corresponding author</p> 			    <p><sup>I</sup>Escola Secund&aacute;ria Olavo Moniz, Bairro Novo, Ilha do Sal, Cabo Verde / Universidade Aberta. Departamento de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia. Mestrado em Cidadania Ambiental e Participa&ccedil;&atilde;o. E-mail: <a href="mailto:brigidafidalga@hotmail.com">brigidafidalga@hotmail.com</a>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 			<sup>II</sup>Universidade Aberta. Departamento de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia. Pal&aacute;cio Ceia. Rua da Escola Polit&eacute;cnica, 141 &ndash; 147. 1269-001 Lisboa, Portugal e IMAR, CMA, University of Coimbra,Rua da Matem&aacute;tica, n&#176; 49, 3004-517 Coimbra,Portugal. E-mail:<a href="mailto:sonia.seixas@uab.pt">sonia.seixas@uab.pt</a>    <br> 			<sup>III</sup>Universidade Aberta. Departamento de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia. Pal&aacute;cio Ceia. Rua da Escola Polit&eacute;cnica, 141 &ndash; 147. 1269-001 Lisboa, Portugal / Centro de Ecologia Funcional, Universidade de Coimbra. e-mail: <a href="mailto:ulisses@uab.pt">ulisses@uab.pt</a></p>         <p>&nbsp;</p>         <p>&nbsp;</p> 	<hr size="1" noshade> 	    <p><b>RESUMO</b></p> 			    <p>A pesca teve sempre grande import&acirc;ncia socioecon&oacute;mica para as comunidades costeiras de Cabo Verde, oferecendo meios de subsist&ecirc;ncia e, devido &agrave; voca&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima do povo Cabo-verdiano, possibilidades de emprego. O peixe aparece como componente importante na alimenta&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o e, por ser fonte de prote&iacute;na e um animal de baixo custo para a popula&ccedil;&atilde;o, requer que a sua explora&ccedil;&atilde;o seja feita em moldes sustent&aacute;veis, perpetuando no tempo a disponibilidade desse recurso para toda a sociedade.    <br> 			Este trabalho apresenta o estudo das perce&ccedil;&otilde;es dos pescadores sobre a sustentabilidade da explora&ccedil;&atilde;o dos recursos hali&ecirc;uticos pesqueiros e a pesca artesanal dominante na ilha. A pesca &eacute; uma das principais atividades econ&oacute;micas da zona costeira da Ilha do Sal, al&eacute;m de ser uma importante atividade de subsist&ecirc;ncia para as tr&ecirc;s comunidades hali&ecirc;uticas da ilha.    <br> 			Com o objetivo de discutir caminhos sustent&aacute;veis para a atividade, reflete-se sobre a sustentabilidade da pesca artesanal na comunidade da Palmeira, Ilha do Sal, Cabo Verde. Numa comunidade como a Palmeira, onde a pesca &eacute; tipicamente artesanal, encontramos diversos elementos que garantem a sustentabilidade da atividade.    <br> 			Conhecer e desenvolver novos mecanismos que visam educar e criar pol&iacute;ticas sustent&aacute;veis para a atividade e gest&atilde;o dos recursos &eacute; importante para a nova conjuntura em que se vive. A educa&ccedil;&atilde;o e a organiza&ccedil;&atilde;o dos pescadores, bem como a descentraliza&ccedil;&atilde;o e a gest&atilde;o participativa dos recursos pesqueiros, s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es fundamentais para a sustentabilidade da pesca.    <br> 	Este trabalho tenta responder &agrave; escassez de estudos sobre as comunidades piscat&oacute;rias em Cabo Verde de modo a favorecer o conhecimento ambiental que potenciar&aacute; a cria&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias-chave para a sustentabilidade, a an&aacute;lise dos projetos criados at&eacute; &agrave; data e a respetiva implementa&ccedil;&atilde;o, permitindo a identifica&ccedil;&atilde;o das causas do insucesso total ou parcial, bem como a identifica&ccedil;&atilde;o das causas para o fraco envolvimento da comunidade piscat&oacute;ria na implementa&ccedil;&atilde;o dos projetos.</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> pesca artesanal; sustentabilidade; recursos hali&ecirc;uticos; diagn&oacute;stico socio-ambiental.</p>             <hr size="1" noshade> 			    <p><b>ABSTRACT</b></p> 			    <p>Fishery has always been of great social economic importance for the coastal communities of Cape Verde, offering means of subsistence and employment opportunities due to their maritime vocation. Fish is an important food component for the population. Since fishery is a source of low-cost animal protein, its exploration must be sustainable in order to be permanently available for the community.    <br> 			This paper presents a study on the perception of fishermen on the sustainable exploitation of fishery resources in a symbiosis with the dominant artesanal fishing practiced on the island.    <br> 			Fishing is one of the main economic activities of the coastal zone of Sal island, besides being an important subsistence activity for the three fishing communities of the island. Aiming to discuss ways for sustainable activity, we will reflect on the sustainability of the traditional fishing in the community of Palmeira, Sal Island, Cape Verde. In a community like Palmeira, where fishing is typically artesanal, we find many elements that ensure the sustainability of the activity, such as the predominant use of renewable natural resources and the diversity of species caught.    <br> 			In Sal Inland knowing and developing new mechanisms to educate, create sustainable policies for the activity and resource management are important to the environment. Education and organization of fishermen, as well as decentralization and participatory management of fishery resources, are fundamental to the sustainability of fisheries.    <br> 	This work tries to answer the scarcity of studies on fishing communities in order to promote environmental knowledge that will enhance the creation of key strategies for sustainability, the analysis of projects created to date and the respective implementation, allowing the identification of the causes of the total or partial failure, as well as the identification of the causes for the poor involvement of the fishing community in the implementation of projects.</p> 			    <p><b>Keywords:</b> handmade fishing; sustainability; stocks; socio-environmental diagnosis.</p>             <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Cabo Verde &eacute; um arquip&eacute;lago, situado no oceano Atl&acirc;ntico, separado por cerca de 500 Km do continente africano. Formado por dez ilhas e alguns ilh&eacute;us, o arquip&eacute;lago de 4.033 km<sup>2</sup> situa-se entre a latitude 14&#176; 23&rsquo; N e 17&#176; 12&rsquo; N e a longitude 22&#176; 40&rsquo; O e 25&#176; 22&rsquo; O.</p> 			    <p>Sendo um pa&iacute;s insular, Cabo Verde pertence &agrave; regi&atilde;o da Macaron&eacute;sia juntamente com os arquip&eacute;lagos dos A&ccedil;ores, Can&aacute;rias e Madeira, onde a pesca desempenha um papel fundamental, j&aacute; que contribui para diminuir a depend&ecirc;ncia da importa&ccedil;&atilde;o de alimentos, garante o retorno de divisas, que alavancam outros setores, promovendo o desenvolvimento econ&oacute;mico. A pesca &eacute; ainda a principal fonte de prote&iacute;na animal consumida no arquip&eacute;lago e atividade geradora de emprego.</p> 			    <p>A atividade pesqueira constitui, hoje, um dos principais desafios ao processo de desenvolvimento regional, sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; necessidade de conciliar a conserva&ccedil;&atilde;o dos sistemas naturais e a utiliza&ccedil;&atilde;o racional dos recursos provenientes destes, favorecendo a ado&ccedil;&atilde;o de um modelo de desenvolvimento que associe os aspetos sociais, ecol&oacute;gicos e econ&oacute;micos.</p> 			    <p>Cabo Verde &eacute; um pa&iacute;s muito rico em diversidade de peixes, conseguindo reunir esp&eacute;cies caracter&iacute;sticas das zonas temperadas da &Aacute;frica e das Cara&iacute;bas, que dificilmente se encontram noutros locais sendo, no entanto, a sua abund&acirc;ncia relativamente baixa (ver Almeida <i>et al.</i>, 2004).</p> 			    <p>O arquip&eacute;lago possui uma extensa zona econ&oacute;mica exclusiva (ZEE), de aproximadamente 750.000 km<sup>2</sup>, com uma produ&ccedil;&atilde;o pesqueira pr&oacute;xima de 10.000 toneladas anuais. Cabo Verde &eacute; um arquip&eacute;lago onde se vive basicamente da agricultura, pesca, pecu&aacute;ria, atividades industriais e o turismo.</p> 			    <p>A pesca contribui para a cria&ccedil;&atilde;o de emprego, redu&ccedil;&atilde;o do &ecirc;xodo rural, equil&iacute;brio da balan&ccedil;a de pagamentos e seguran&ccedil;a alimentar. Para al&eacute;m disto, os recursos marinhos t&ecirc;m grandes possibilidades de gerar riqueza atrav&eacute;s da sua revaloriza&ccedil;&atilde;o, designadamente com a promo&ccedil;&atilde;o do ecoturismo.</p> 			    <p>Como afirma Morin (2011), a cultura enquanto conhecimento e o conhecimento enquanto cultura s&atilde;o a dial&eacute;tica que movimenta, interage e d&aacute; sentido &agrave; vida e &agrave;s pr&aacute;ticas de pesca que, por sua vez, se refletem em saberes que permitem aos pescadores se relacionarem com o meio onde est&atilde;o inseridos de maneira &iacute;ntima, proporcionando a criatividade e a sabedoria.</p> 			    <p>O conhecimento da varia&ccedil;&atilde;o dos ciclos ambientais e da bioecologia dos recursos &eacute; imprescind&iacute;vel para o pescador e para a pescaria. Segundo Diegues (1999), permite que desenvolvam pr&aacute;ticas apropriadas de manejo, a fim de assegurar os seus meios de subsist&ecirc;ncia. &Eacute; nesta vis&atilde;o que este trabalho pretende explorar o conceito de sustentabilidade junto dos pescadores da comunidade da Palmeira.</p> 			    <p>Na comunidade, mais de 126 pescadores vivem exclusivamente da pesca, sendo 52 botes para a pesca artesanal e 2 embarca&ccedil;&otilde;es de pesca industrial e semi&ndash;industrial. 32% da comunidade vive da pesca e 25% da pesca artesanal, que &eacute; uma atividade limitada quando comparada com a pesca industrial, mas preponderante para a alimenta&ccedil;&atilde;o e renda das fam&iacute;lias (INDP, 2012).</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desta forma, o presente trabalho teve como objetivo principal a an&aacute;lise dos aspetos socioecon&oacute;micos, a atividade pesqueira e a forma de comercializa&ccedil;&atilde;o do pescado, a vida dos pescadores e a perce&ccedil;&atilde;o ambiental sobre a sustentabilidade da pesca artesanal com a finalidade de reunir subs&iacute;dios que permitam que a explora&ccedil;&atilde;o pesqueira seja feita em moldes sustent&aacute;veis, perpetuando a disponibilidade desse recurso para toda a sociedade.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>2. MATERIAL E M&Eacute;TODOS</b></p> 			    <p><b>2.1.&Aacute;rea de estudo</b></p> 			    <p>O porto de pesca de Palmeira e a sua comunidade piscat&oacute;ria ficam localizados a uma dist&acirc;ncia de 3 km (quil&oacute;metros) do centro, a oeste dos Espargos. A comunidade conta com uma popula&ccedil;&atilde;o residente estimada de 1420 indiv&iacute;duos (INDP, 2010). Est&atilde;o registados na capitania mar&iacute;tima da ilha 1.090 (mil e noventa) pescadores e 789 (setecentas e oitenta e nove) embarca&ccedil;&otilde;es, das quais 422 (quatrocentas e vinte e duas) com motor (INDP, 2010). A comunidade piscat&oacute;ria em estudo vive da faina da pesca e de outras atividades complementares. A localiza&ccedil;&atilde;o ilha do Sal &eacute; evidenciada na <a href="#f1">figura 1</a>.</p>                 <p>&nbsp;</p> 			    <p><a name="f1"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v14n1/14n1a04f1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> 			    <p><b>2.2.Metodologia</b></p> 			    <p>Al&eacute;m do levantamento bibliogr&aacute;fico, para a coleta das informa&ccedil;&otilde;es foram elaboradas entrevistas semiestruturadas e inqu&eacute;ritos, contendo perguntas fechadas relacionadas &agrave;s caracter&iacute;sticas socioecon&oacute;micas, perfil dos pescadores, din&acirc;mica da atividade pesqueira, registro de campo, al&eacute;m do registro in loco de informa&ccedil;&otilde;es pertinentes &agrave;s caracter&iacute;sticas ambientais.</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O tipo de pesquisa classifica-se como descritiva e anal&iacute;tica, ou seja, a pesquisa realizada, atrav&eacute;s de entrevistas, coleta de dados em campo e observa&ccedil;&atilde;o. Segundo Deslandes (2004), a metodologia n&atilde;o apenas contempla o momento explorat&oacute;rio de campo (escolha do espa&ccedil;o da pesquisa, escolha do grupo de pesquisa, estabelecimento dos crit&eacute;rios de amostragem e constru&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias para entrada em campo), como tamb&eacute;m determina os instrumentos e procedimentos a serem utilizados na an&aacute;lise dos dados.</p> 			    <p>Dos 468 pescadores das comunidades piscat&oacute;rias da ilha do Sal, 126 pertencem &agrave; comunidade do Porto da Palmeira. Para este estudo, teve-se o cuidado de inquirir um pescador por cada embarca&ccedil;&atilde;o, num total de 27 pescadores. Os dados secund&aacute;rios foram obtidos junto das autoridades/entidades reguladoras da atividade pesqueira da Palmeira. A localiza&ccedil;&atilde;o da localidade em estudo est&aacute; evidenciada na <a href="#f2">figura 2</a>.</p>                 <p>&nbsp;</p> 			    <p><a name="f2"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v14n1/14n1a04f2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> 			    <p>O trabalho que aqui se apresenta baseia-se nos fundamentos da pesquisa-a&ccedil;&atilde;o com metodologia de pesquisa, onde se visou estabelecer uma estrutura coletiva, participativa ativa para a capta&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es (Thiollent, 1992).</p> 			    <p>As entrevistas foram realizadas de forma fragmentada e aleat&oacute;ria ao longo do per&iacute;odo de amostragem: alguns pescadores foram entrevistados no momento em que retornavam da atividade pesqueira, quando indicavam outros pescadores para futuras entrevistas (m&eacute;todo da bola-de-neve) (Goodman, 1961). Outras entrevistas foram realizadas nos locais de desembarque, nas embarca&ccedil;&otilde;es e at&eacute; mesmo nas resid&ecirc;ncias dos pescadores. Nos question&aacute;rios, procurou-se obter informa&ccedil;&otilde;es referentes &agrave;s caracter&iacute;sticas das embarca&ccedil;&otilde;es utilizadas, n&uacute;mero de tripulantes, instrumentos de navega&ccedil;&atilde;o e material de seguran&ccedil;a, assim como os tipos de artes de pesca, as esp&eacute;cies capturadas por arte de pesca, as &aacute;reas de pesca e a conserva&ccedil;&atilde;o do pescado a bordo.</p> 			    <p>Os dados obtidos foram analisados e organizados em Excel, utilizando o programa SPSS (IBM SPSS, vers&atilde;o 15) para an&aacute;lise e apresenta&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica. A an&aacute;lise de dados foi feita atrav&eacute;s das informa&ccedil;&otilde;es relativas &agrave;s tem&aacute;ticas abordadas nos question&aacute;rios e, de acordo com as respostas, foi poss&iacute;vel apresentar resultados especificando os respetivos percentuais, utilizando estat&iacute;stica descritiva.</p> 	    <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.RESULTADOS</b></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No inqu&eacute;rito aplicado, procurou-se caracterizar o perfil dos entrevistados. 100% dos inquiridos na amostra s&atilde;o do sexo masculino. Destes, a maioria, 19 indiv&iacute;duos, tem mais de 40 anos de idade, representando 70% dos inquiridos (<a href="#f3">Figura 3</a>). Ao cruzar a vari&aacute;vel idade e anos de atividade constatamos que 18 indiv&iacute;duos (66,6%) t&ecirc;m mais de 20 anos a dedicar-se &agrave; pesca.</p>                 <p>&nbsp;</p> 			    <p><a name="f3"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v14n1/14n1a04f3.jpg"/> 			    
<p>&nbsp;</p> 			    <p>Quanto &agrave; escolaridade observou-se que cerca de 74% s&atilde;o analfabetos. Ao fazer o cruzamento das vari&aacute;veis idade e n&iacute;vel de escolaridade verificou-se que o pescador inquirido acima dos 40 anos de idade n&atilde;o tem o 1&#176; grau completo (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>                 <p>&nbsp;</p> 			    <p><a name="f4"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v14n1/14n1a04f4.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> 			    <p>Em termos demogr&aacute;ficos, grande parte dos pescadores inquiridos t&ecirc;m entre 3 a 6 filhos, enquanto 22% n&atilde;o t&ecirc;m filhos. Ao cruzarmos a vari&aacute;vel idade com o n&uacute;mero de filhos, na faixa et&aacute;ria dos 41 &ndash; 50 anos 44,4% da prole &eacute; maior, seguidos dos 20 &ndash; 30 anos e 51 &ndash; 60 anos, ambos com 18,5%. Quanto ao n&iacute;vel de ensino dos filhos, evidenciou uma rutura com a realidade dos pais/pescadores, uma vez que cerca de 63% dos filhos destes j&aacute; se encontram a estudar. Destes, cerca de 33% encontram-se a frequentar o ensino secund&aacute;rio e os restantes est&atilde;o no ensino de n&iacute;vel superior.</p> 			    <p>A maior parte dos pescadores entrevistados, 54,5%, nasceu noutras ilhas, particularmente em Santo Ant&atilde;o, 44,5%, e 11% em S&atilde;o Vicente, enquanto o restante &eacute; natural da Ilha do Sal (<a href="#f5">figura 5</a>). Tal deve-se ao facto de, nos &uacute;ltimos anos, a Ilha do Sal ter atra&iacute;do milhares de migrantes de outras ilhas devido &agrave; sua din&acirc;mica econ&oacute;mica, principalmente na oferta de novas oportunidades de trabalho geradas pelo turismo.</p>                 ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 			    <p><a name="f5"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v14n1/14n1a04f5.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> 			    <p>Quanto &agrave; origem das embarca&ccedil;&otilde;es, 63% s&atilde;o da Ilha do Sal, 25,9% de Santo Ant&atilde;o e 7,4% da Brava. Tamb&eacute;m de modo a permitir uma an&aacute;lise mais concisa do ano de constru&ccedil;&atilde;o foi adotada uma escala, sendo que 22,2% dos barcos foram constru&iacute;dos entre 1990 &ndash; 1996, 29,6% entre 2000 &ndash; 2006 e 37% de 2007 a 2012, por&eacute;m 3,7% dos inquiridos n&atilde;o souberam responder sobre a origem das embarca&ccedil;&otilde;es. Quanto &agrave; forma de aquisi&ccedil;&atilde;o das embarca&ccedil;&otilde;es, 40,7% dos pescadores mandou construir a embarca&ccedil;&atilde;o, 37% comprou com dinheiros pr&oacute;prios a embarca&ccedil;&atilde;o j&aacute; constru&iacute;da, 18,5% adquiriu embarca&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de projetos subsidiados e 3,7% n&atilde;o responderam.</p> 			    <p>A maior parte das embarca&ccedil;&otilde;es utilizadas na comunidade &eacute; de madeira e fibra (55,6%), 25,9% exclusivamente de madeira, 14,8% de fibra de vidro e 3,7% de chapa.</p> 			    <p>A frota analisada durante o estudo, na comunidade da Palmeira, apresenta 2 tipos b&aacute;sicos de embarca&ccedil;&otilde;es, sendo a esmagadora maioria constitu&iacute;da por botes, sendo o mais pequeno com 4,5 metros de comprimento e 1,90 metros de largura, com capacidade para 700 quilos. O maior barco de pesca tem 37 metros de comprimento, 12 metros de largura, e tem capacidade para 40 toneladas (<a href="#f6">Figura 6</a>).</p>                 <p>&nbsp;</p> 			    <p><a name="f6"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v14n1/14n1a04f6.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> 			    <p>Das embarca&ccedil;&otilde;es observadas, 74,1% utilizam motor de popa e 22,2% motor de rabeta. O combust&iacute;vel utilizado maioritariamente &eacute; a gasolina (92,6% dos pescadores inquiridos) e 7,4% utiliza o gas&oacute;leo.</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Referente ao n&uacute;mero de tripulantes das embarca&ccedil;&otilde;es verifica-se que este varia. Constata-se que as embarca&ccedil;&otilde;es com redes de emalhar possuem entre 13 e 14 pessoas; as com rede de arrasto 3 a 9 pessoas; as de linha de m&atilde;o 2 a 9 pessoas; e, por &uacute;ltimo, a embarca&ccedil;&atilde;o com rede de cerco com 9 tripulantes.</p> 			    <p>Das vinte e sete embarca&ccedil;&otilde;es analisadas na comunidade da Palmeira 78% n&atilde;o possuem qualquer tipo de instrumento de navega&ccedil;&atilde;o; em 22% embarca&ccedil;&otilde;es constata-se a presen&ccedil;a de um ou outro instrumento, nomeadamente a b&uacute;ssola &ndash; uma vez que esta &eacute; considerada pelos pescadores o principal instrumento de navega&ccedil;&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o na pesca.</p> 			    <p>Relativamente aos equipamentos de seguran&ccedil;a observou-se que 59% das embarca&ccedil;&otilde;es n&atilde;o possuem tais equipamentos contra 41% que afirmam possuir alguns, tais como coletes de seguran&ccedil;a, extintor, boia, bote salva-vida, etc. &Agrave; semelhan&ccedil;a de outras comunidades piscat&oacute;rias estudadas pelo INDP (v&aacute;rios n&uacute;meros), na Palmeira os barcos de pesca n&atilde;o possuem infraestruturas, nem instrumentos que auxiliam a navega&ccedil;&atilde;o (<a href="#f7">Figura 7</a>).</p>                 <p>&nbsp;</p> 			    <p><a name="f7"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v14n1/14n1a04f7.jpg"/> 			    
<p>&nbsp;</p> 			    <p>Os dados da pesquisa revelaram que a arte de pesca mais utilizada na localidade da Palmeira &eacute; a linha de m&atilde;o, de acordo com 77,8% dos pescadores inquiridos, seguido da rede de arrasto, rede de emalhar e rede de cerco, este &uacute;ltimo com apenas 3,7% (<a href="#f8">Figura 8</a>). Estes tipos de redes possuem caracter&iacute;sticas id&ecirc;nticas, no entanto apresentam varia&ccedil;&otilde;es de tamanho, malha, procedimento e esp&eacute;cie-alvo de captura.</p>                 <p>&nbsp;</p> 			    <p><a name="f8"></a></p> 	<img src="/img/revistas/rgci/v14n1/14n1a04f8.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na comunidade da Palmeira, cerca de 44 % dos pescadores inquiridos afirmam que pescam no alto mar, 33% disseram que concentram suas pescarias a quil&oacute;metros da costa e apenas 19% atuam noutras ilhas, sendo que 4% n&atilde;o responderam. J&aacute; questionados sobre o tempo de pesca, 74,1% dos inquiridos indicam a dura&ccedil;&atilde;o de apenas algumas horas, 18,5% duram menos de 5 dias e 7,4% n&atilde;o responderam.</p> 			    <p>A capacidade de armazenamento de gelo para as embarca&ccedil;&otilde;es inquiridas varia entre 30 quilos a 30 toneladas. Destas, a capacidade de pescado para tal quantidade de gelo &eacute; de 60 quilos por 40 toneladas de pescado. Tal se deve ao facto de as embarca&ccedil;&otilde;es variarem de comprimento, largura e capacidade. A frota pesqueira local, na sua maioria, n&atilde;o utiliza qualquer sistema de conserva&ccedil;&atilde;o do pescado, sendo que 59% dos pescadores inquiridos afirmam ainda que, embora as embarca&ccedil;&otilde;es tenham capacidade para colocar gelo, estes deixam o peixe sem o gelo, justificando que o tempo de pesca (em horas) n&atilde;o deteriora o produto. 33% dos inquiridos utiliza a caixa de &ldquo;is&oacute;por&rdquo; (esferovite) com gelo e apenas 7,4% t&ecirc;m urnas com gelo para fazer a conserva&ccedil;&atilde;o.</p> 			    <p>O financiamento da pescaria &eacute; feito muitas das vezes pelo pr&oacute;prio propriet&aacute;rio, como afirmam 85% dos inquiridos e apenas 15% pelo armador. A partilha da pescaria em 48% dos botes &eacute; distribu&iacute;da em partes iguais (propriet&aacute;rio, barco, motor e pescadores). Outras vezes faz-se a distribui&ccedil;&atilde;o a meias, sendo que apenas 3,7% dos pescadores inquiridos s&atilde;o assalariados.</p> 			    <p>Quanto ao desembarque do pescado, &eacute; feito no Porto da Palmeira (100% dos pescadores), o que influencia diretamente a distribui&ccedil;&atilde;o e compra do produto, sendo 96% destinado ao consumo local e apenas 4% enviado para a cidade da Praia &ndash; capital do pa&iacute;s.</p> 			    <p>Dos inquiridos, a maioria, 66,7% pertencem &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o de Pescadores da Palmeira - a &uacute;nica associa&ccedil;&atilde;o desta natureza na comunidade - enquanto 33,3% n&atilde;o pertencem a nenhuma associa&ccedil;&atilde;o ou cooperativa.</p> 			    <p>Quanto ao rendimento do pescado obtido ao longo de uma semana verificou-se que se apresenta de forma variada por cada pescador, em virtude do m&eacute;todo usado para pesca e tamb&eacute;m pelo tempo despendido na atividade. O rendimento mensal dos pescadores locais que dependem exclusivamente da pesca como atividade profissional ronda os 30 a 400 Euros.</p> 			    <p>A atividade piscat&oacute;ria &eacute; tida como uma atividade dura, com rendimentos reduzidos. Assim, questionados sobre o modo de vida na pesca, 67% acha que &eacute; razo&aacute;vel enquanto 33% diz que &eacute; uma vida satisfat&oacute;ria.</p> 			    <p>Outro aspeto abordado durante as entrevistas est&aacute; na perce&ccedil;&atilde;o dos pescadores quanto &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies capturadas nos &uacute;ltimos tempos, em que 78% dos entrevistados responderam que pescavam as mesmas esp&eacute;cies que atualmente, como, por exemplo, a cavala (<i>Decapterus macarellus</i>). Este peixe foi identificado como o peixe preferido pelos pescadores e consumidores. As estat&iacute;sticas de pesca mostram oscila&ccedil;&otilde;es das capturas, com uma tend&ecirc;ncia crescente de 2004 a 2006, demonstrando com isso uma sobre-explora&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie (Tariche <i>et al.</i> 2012).</p> 			    <p>Embora sem informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica suficiente, &eacute; prov&aacute;vel que tamb&eacute;m outras esp&eacute;cies como ochicharro (<i>Selar crumenophthalmus</i>) e a cavalabranca (<i>Decapterus punstatus</i>) estejam sob as mesmas condi&ccedil;&otilde;es de explora&ccedil;&atilde;o intensiva, ocasionando a sua diminui&ccedil;&atilde;o.</p> 			    <p>Segundo os pescadores, atualmente pescam-se algumas esp&eacute;cies, entre as quais a bicuda (<i>Sphyraena</i>), a fa&ccedil;ola (<i>Priacant&iacute;deos</i>), o sargo (<i>Sparidae</i>), o espadim azul (blue marlin) (<i>Istiophoridae</i>) e o barbo (<i>Galeoides decadactylus</i>), que n&atilde;o se pescavam antigamente.</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando questionados sobre o per&iacute;odo de defeso da cavala preta (<i>Decapturus macarellus</i>), do grupo das lagostas costeiras (lagosta verde) (<i>Panulirus regius</i>), lagosta castanha (<i>Panulirus echinatus</i>) e lagosta de pedra (<i>Scyllarides latus</i>), bem como do da lagosta rosa(<i>Palinurus charlestoni</i>), a opini&atilde;o dos pescadores &eacute; favor&aacute;vel: 44,4% dos inquiridos acha o per&iacute;odo muito bom, 44,4% acha que &eacute; bom.</p> 			    <p>O per&iacute;odo de defeso da cavala preta, da lagosta costeira e da lagosta rosa fazem parte das medidas de desenvolvimento e de gest&atilde;o para diferentes pescarias e diferentes horizontes temporais, visando a sustentabilidade racional dos recursos hali&ecirc;uticos e o desenvolvimento do sector das pescas do Plano de Gest&atilde;o dos Recursos da Pescas 2004-2014, elaborado no quadro do Plano de Ac&ccedil;&atilde;o Nacional para o Ambiente (ver Almeida <i>et al.</i>, 2004).</p> 			    <p>Entre as principais medidas do plano constam as relativas &agrave;s zonas reservadas, &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas nocivas de pesca, ao estabelecimento do tamanho m&iacute;nimo de esp&eacute;cies captur&aacute;veis e &agrave; fixa&ccedil;&atilde;o de per&iacute;odos de defeso de esp&eacute;cies amea&ccedil;adas.</p> 			    <p>Em 2008, foi aprovado um conjunto de per&iacute;odos de defeso para as lagostas de profundidade (01 de Julho a 30 de Novembro), para as lagostas costeiras (01 de Maio a 31 de Outubro) e para a cavala preta (01 de Agosto a 30 de Setembro). Foram ainda estabelecidos tamanhos m&iacute;nimos de captura para a dobrada (17 cm de comprimento medidos da ponta do rosto &agrave; barbatana caudal), lagosta rosa (11 cm de carapa&ccedil;a), lagostas costeiras (9 cm de carapa&ccedil;a) e cavala preta (18 cm de comprimento medidos da ponta do rosto &agrave; barbatana caudal).</p> 			    <p>Questionados sobre a necessidade de se adotarem per&iacute;odos de defeso para outras esp&eacute;cies, al&eacute;m da cavala e da lagosta, as opini&otilde;es divergem, uma vez que, 48% dos inquiridos acha que o defeso deveria abranger outras esp&eacute;cies, entre as quais, o ch&iacute;charo (<i>Selar crumenophthalmus</i>), a garoupa (<i>Cephalopholis taeniops</i>), o atum (<i>Thunnus sp.</i>) e o espadarte (<i>Istiophoridae sp.</i>). J&aacute; 44% respondem que n&atilde;o h&aacute; necessidade de aplicar tais leis e 8% n&atilde;o tem opini&atilde;o formada sobre o assunto.</p> 			    <p>Relativamente aos problemas que o sector da pesca artesanal enfrenta em Cabo Verde atualmente, 78% dos pescadores da comunidade da Palmeira considera que este se centra nos poucos recursos para execu&ccedil;&atilde;o da sua atividade e os restantes 22% referem a m&aacute; gest&atilde;o dos recursos, sendo apontados tamb&eacute;m a falta de c&acirc;mara frigor&iacute;fica e a fraca interven&ccedil;&atilde;o das autoridades no controlo da atividade piscat&oacute;ria. Por outro lado, apontam a polui&ccedil;&atilde;o, os acordos de pesca entre Cabo Verde e a Uni&atilde;o Europeia e os elementos externos (instabilidade do clima), como fatores que afetam a pesca no Porto da Palmeira.</p> 			    <p>A quest&atilde;o dos problemas ambientais aparece como um dos aspetos que mais precisa de ser trabalhado neste grupo, pois mais de metade dos 56% dos inquiridos n&atilde;o t&ecirc;m conhecimentos sobre o assunto. Alguns relatam as vari&aacute;veis ambientais como fatores que interferem na pesca, como, por exemplo, o estado do mar (as mar&eacute;s) e o clima (condi&ccedil;&otilde;es do vento, bruma seca e chuva), impeditivas &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o da atividade ou, at&eacute; mesmo, colocando em risco a vida e a sa&uacute;de do pescador. O clima e a polui&ccedil;&atilde;o do mar tamb&eacute;m foram apontados como fatores comprometedores da sua qualidade de vida e do pescado por provocarem dificuldades financeiras, principalmente quando impedem a atividade ou quando geram preju&iacute;zos para os ecossistemas marinhos, principalmente desequil&iacute;brio ecol&oacute;gico.</p> 			    <p>No desempenho da sua atividade profissional, 93% dos inquiridos preocupa-se com a satisfa&ccedil;&atilde;o das gera&ccedil;&otilde;es futuras e 7% diz que n&atilde;o. Usando a defini&ccedil;&atilde;o tradicionalmente adotada, o desenvolvimento sustent&aacute;vel &eacute; um desenvolvimento que deve responder &agrave;s necessidades do presente sem p&ocirc;r em risco as gera&ccedil;&otilde;es vindouras.</p> 			    <p>A sustentabilidade ambiental da Terra est&aacute; ligada diretamente a uma atitude de mudan&ccedil;a de comportamento do ser humano no que diz respeito ao trato com a natureza. Nesse sentido, a din&acirc;mica de explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais por parte das sociedades humanas requer cuidados no qual prevale&ccedil;a a manuten&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies vivas da natureza. 82% dos inquiridos considera que estaria disposto a alterar alguns comportamentos, no desempenho da sua atividade, para que o recurso natural fosse preservado, enquanto que 11% refere que n&atilde;o e os restantes 7% n&atilde;o opinaram sobre tal atitude.</p> 	    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. DISCUSS&Atilde;O</b></p> 			    <p>Os dados neste estudo indicam que a atividade da pesca &eacute; desenvolvida, na sua maioria, por homens com idade acima dos 35 anos, similar &agrave; encontrada nas outras ilhas. A m&eacute;dia de idade dos pescadores a n&iacute;vel nacional &eacute; de 40 anos. No entanto, entre as ilhas, este valor varia entre os 37 e 43 anos. Em S&atilde;o Vicente recenseou-se o pescador mais velho de Cabo Verde (87) anos, e na ilha de Santiago o pescador mas novo com apenas 12 anos, enquanto as ilhas de Boavista e Maio s&atilde;o as que t&ecirc;m a m&eacute;dia mais alta, 43 e 42 anos respetivamente (INDP, 2011).</p> 			    <p>Estes dados refletem o fato de os pescadores em atividade n&atilde;o serem jovens. Por&eacute;m, pelo fato de a maioria deles pescar h&aacute; mais de 20 anos, deduz-se que entraram jovens para a atividade de pesca. Portanto, a situa&ccedil;&atilde;o parece estar mudando atualmente, uma vez que poucos jovens est&atilde;o se iniciando na pesca, o que pode ser um ind&iacute;cio do decl&iacute;nio da atividade. Por outro lado, uma vez que a escolaridade &eacute; obrigat&oacute;ria at&eacute; ao sexto ano, isso pode indicar ainda que a escola impede que os jovens comecem a atividade t&atilde;o cedo.</p> 			    <p>Constatou-se que o valor recebido na atividade pesqueira n&atilde;o &eacute; suficiente para o sustento da fam&iacute;lia, sendo que os pescadores, na sua maioria, e respetivas mulheres se dedicam a outras atividades remuner&aacute;veis, nomeadamente vendedeiras ou empregadas de limpeza para complementar o rendimento da pesca. Al&eacute;m disso, constatou-se ainda que a falta de infraestruturas para armazenamento e transporte do pescado obriga muitos pescadores a venderem, o quanto antes, o seu produto.</p> 			    <p>Os pescadores procedentes de outras localidades passaram a residir na ilha principalmente porque constitu&iacute;ram fam&iacute;lia ou porque procuravam novas oportunidades de trabalho geradas pelo turismo, pela pesca e pela sua op&ccedil;&atilde;o profissional. Segundo Almeida <i>et al.</i> (2004), a n&iacute;vel do sector operam pescadores em dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva ou a tempo parcial. A pesca &eacute; uma alternativa durante os maus anos agr&iacute;colas.</p> 			    <p>Na atividade pesqueira cristaliza-se a divis&atilde;o de g&eacute;nero do trabalho. &Agrave; semelhan&ccedil;a de muitas outras comunidades piscat&oacute;rias, espalhadas pelos cinco continentes, a maioria dos pescadores &eacute; constitu&iacute;da por homens que come&ccedil;aram a pescar com seus pais ou parentes, seguindo a tradi&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, aprendendo a pescar sozinho ou observando outros pescadores.</p> 			    <p>No tocante ao grau de escolaridade observado, um dos maiores problemas sociais que envolvem os pescadores artesanais do munic&iacute;pio poder&aacute; ser o alto &iacute;ndice de analfabetismo existente entre os integrantes desta profiss&atilde;o. Al&eacute;m do problema causado pela falta da educa&ccedil;&atilde;o escolar, a maior parte dos entrevistados possui apenas o ensino b&aacute;sico incompleto.</p> 			    <p>Apesar de muitos percal&ccedil;os na hist&oacute;ria de Cabo Verde, a instru&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o foi desde muito cedo reconhecida como uma das vias de ascens&atilde;o econ&oacute;mica e social e o analfabetismo, corretamente visto como um dos fatores fundamentais e determinantes da pobreza (INDP, 2001). Nesta &oacute;tica, o processo de instru&ccedil;&atilde;o teve como estrat&eacute;gia abranger um cada vez maior n&uacute;mero de pessoas nas idades pr&eacute;-escolares e escolares, assim como, tamb&eacute;m, os adultos, atrav&eacute;s de programas espec&iacute;ficos de alfabetiza&ccedil;&atilde;o. Cabo Verde tem uma elevada cobertura escolar com uma taxa bruta de escolariza&ccedil;&atilde;o de 67% para mulheres e 82% para homens, em 2000 (INDP, 2001).</p> 			    <p>A maior parte das embarca&ccedil;&otilde;es, 40,7%, foi encomendada, enquanto 37% foi comprada e 3,7% n&atilde;o souberam responder qual a forma de aquisi&ccedil;&atilde;o. Esses dados n&atilde;o diferem dos dados apresentados pelo INDP, que constatou que a maioria das embarca&ccedil;&otilde;es das ilhas de Cabo Verde era de propriedade dos pescadores.</p> 			    <p>Depois de 1992, alguns projetos foram implementadosem Cabo Verde e executados pelo INDP, com diferentes fontes de financiamento, sendo uma parte com recursos internos e outra com recursos dacoopera&ccedil;&atilde;o bilateral oumultilateral, tentando ambos a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida das comunidades piscat&oacute;rias.</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>É predominante a arte de pesca com anzol e linha na localidade em estudo. Apesar de se utilizar as redes, espinhel e garrafas, a pesca com anzol e linha é um dos principais meios de subsistência em muitas comunidades piscatórias do país, confirmada por Almeida <i>et al.</i> (2004) como sendo a arte de pesca mais antiga praticada em Cabo Verde, e &eacute; comum em todas as comunidades piscat&oacute;rias do arquip&eacute;lago, representando 63% da captura artesanal e 93% do esfor&ccedil;o da pesca artesanal.</p> 			    <p>De acordo com Medina (1995), as embarca&ccedil;&otilde;es mais utilizadas na pesca artesanal s&atilde;o constitu&iacute;das por pequenas embarca&ccedil;&otilde;es em madeira, de boca aberta e com reduzida autonomia no mar, nomeadamente para atuar em pesqueiros distantes. &Eacute; uma atividade essencialmente costeira (INDP, 2010).</p> 			    <p>Com a pouca autonomia no mar conferida pelas embarca&ccedil;&otilde;es, 44 % dos entrevistados afirmam que pescam no alto mar, 33% disseram que concentram suas pescarias a quil&oacute;metros da costa e 19% apenas atuam noutras ilhas.</p> 			    <p>Os pescadores dizem que n&atilde;o capturam peixe sempre nos mesmos pesqueiros. O que os norteia na escolha do local adequado para a pesca &eacute; a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia, alegando que se tivessem aparelhos como GPS e sondas, seria uma ajuda, sabendo de antem&atilde;o onde estavam os bancos de peixe.</p> 			    <p>Para Carvalho e Caramelo (1996), as esp&eacute;cies&ndash;alvo s&atilde;o os pequenos pel&aacute;gicos como o charro-olho-largo (Decapterus macarellus), mel&atilde;o ou chicharro (<i>Selar crumenophthalmus</i>), podendo ainda aparecer nas capturas pequenos tun&iacute;deos. Corroborando tal teoria, os pescadores inquiridos afirmam que pescam outras esp&eacute;cies entre os quais, pequenos pel&aacute;gicos como o charro-olho-largo, mel&atilde;o ou chicharro, gaiado (<i>Katsuwonus pelamis</i>), cachorrinha ou judeu (<i>Auxis thazard</i>), atum (<i>Thunnus albacares</i>) e outros tun&iacute;deos (albacora e serra).Tamb&eacute;m predominam nas capturas, os peixes demersais (garoupa, moreias, salmonete, charuteiro, sargos e chicharro), usando a cavala, a cachorrinha, o chicharro, e o olho-largo para a captura das esp&eacute;cies acima identificadas, mas afirmam que a produ&ccedil;&atilde;o obtida por pescaria varia, de acordo com o tipo de pescaria e o tempo da faina. Quando questionados relativamente &agrave; perce&ccedil;&atilde;o sobre se se pescava mais ou menos do que antigamente, 78% refere que se pescava mais, 11% diz que era menos, 7% igual e 4% n&atilde;o souberam responder.</p> 			    <p>De acordo com Plano de Gest&atilde;o de Recursos de Pesca (ver Almeida <i>et al.</i>, 2004), a pesca artesanal &eacute; uma atividade de grande tradi&ccedil;&atilde;o em todo o arquip&eacute;lago, representando uma fonte importante de emprego e, para algumas ilhas, uma das bases produtivas fundamentais e eixo de desenvolvimento. A n&iacute;vel do sector, operam pescadores exclusivos e em tempo parcial, em que estes &uacute;ltimos prov&ecirc;m de outros ramos de atividade, os quais constituem, por vezes, uma alternativa durante os maus anos agr&iacute;colas.</p> 			    <p>É neste contexto que um dos objetivos últimos deste instrumento de pesquisa visa analisar a vida dos pescadores da localidade de Palmeira de modo a caracterizar a sua relação com a pesca enquanto fonte de emprego. A atividade piscatória é conhecida como uma vida dura, com rendimentos reduzidos. Assim, questionados sobre o modo de vida na pesca, 67% acha que é razoável enquanto 33% diz que é uma vida satisfatória.</p> 			    <p>No tocante &agrave;s dificuldades vividas durante os anos de trabalho, 78% refere que pescam as mesmas esp&eacute;cies que antigamente contra 22% que acha que n&atilde;o. Cruzando os dados com Batista <i>et al.</i> (2009), em que os seus entrevistados dizem que a quantidade de peixes na comunidade tem diminu&iacute;do de forma consider&aacute;vel e quanto ao tamanho dos peixes, os resultados indicam que 65% dos pescadores s&atilde;o da opini&atilde;o que o tamanho das esp&eacute;cies tem diminu&iacute;do.</p> 			    <p>No estudo de Batista <i>et al.</i> (2009) foi solicitada a opini&atilde;o dos pescadores quanto ao desaparecimento de algumas esp&eacute;cies. Os resultados indicaram que 96% dos pescadores opinaram que algumas esp&eacute;cies desapareceram na comunidade. Do relato dos pescadores da Palmeira depreende-se que houve esp&eacute;cies que desapareceram enquanto se pescam algumas esp&eacute;cies que n&atilde;o abundavam anteriormente, entre os quais a bicuda, a fa&ccedil;ola (<i>Heteropriacantus cruentatus</i>), o sargo, o espadarte e o barbo (<i>Galeoides decadactylus</i>).</p> 			    <p>A a&ccedil;&atilde;o do homem sobre o meio, a fim de saciar as suas necessidades, principalmente alimentares, &eacute; uma das grandes causas da modifica&ccedil;&atilde;o do ambiente. Rapidamente os recursos naturais foram desparecendo e por consequ&ecirc;ncia, a qualidade de vida humana foi afetada.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>5. CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p> 			    <p>A pr&aacute;tica pesqueira artesanal &eacute; uma das mais antigas atividades humanas desenvolvidas em &aacute;reas litorais.</p> 			    <p> Como se pode observar pelos resultados deste estudo, a exist&ecirc;ncia da pesca artesanal na comunidade estudada assume um papel crucial na vida desses pescadores.</p> 			    <p>Os resultados apontados neste estudo demonstraram a fragilidade da pesca tradicional, bem como dos pescadores, dada a baixa expectativa dos pais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua continuidade e &agrave; desmotiva&ccedil;&atilde;o dos mais jovens em aderir a uma profiss&atilde;o cujos resultados financeiros e sociais n&atilde;o se apresentam como muitos atrativos.</p> 			    <p>Ao longo do estudo foi poss&iacute;vel ainda perceber que, apesar de os pescadores sa&iacute;rem t&atilde;o cedo para o mar e da vida &aacute;rdua que levam, das incertezas do dia-a-dia, da escassez de pescado, muitos, por n&atilde;o terem conhecimento, ou porque acreditam que as causas dessa diminui&ccedil;&atilde;o se devem apenas a outrem, n&atilde;o s&atilde;o capazes de melhorar os apetrechos, de ter alguma sensibilidade ambiental e acima de tudo de partilhar experi&ecirc;ncias, dificuldades e propor novos cen&aacute;rios.</p> 			    <p>Nesse sentido, e na posse dos dados analisados, podemos aferir que a rela&ccedil;&atilde;o existente entre os pescadores da comunidade da Palmeira, Ilha do Sal e o seu ambiente de trabalho se desenvolve baseado em saberes quotidianos, que lhes permitem ter um certo cuidado quanto ao uso e manejo dos recursos naturais marinhos. Desse modo a conce&ccedil;&atilde;o deles acerca do cuidar do ambiente &eacute; permeada de saberes n&atilde;o-cient&iacute;ficos e, por conta disso, muitos dizem &ldquo;n&atilde;o ter qualquer conhecimento sobre os problemas ambientais&rdquo;.</p> 			    <p>Conv&eacute;m ressaltar que a vis&iacute;vel preocupa&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos pesqueiros, ao uso de materiais de pesca inadequados e &agrave; captura de esp&eacute;cies em per&iacute;odo de defeso revela um conhecimento particular dos pescadores, levando-os a uma inquieta&ccedil;&atilde;o sobre a forma errada de pescar, comprometendo, sem d&uacute;vida, o futuro daqueles que dependem dos recursos naturais marinhos e tamb&eacute;m a continuidade da atividade.</p> 			    <p>No geral, este estudo e a revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica preparat&oacute;ria do mesmo indicou que existem evid&ecirc;ncias de que a pesca em Cabo Verde e, principalmente, na Comunidade da Palmeira n&atilde;o tem ocorrido em moldes sustent&aacute;veis. Depois de identificadas as principais esp&eacute;cies piscat&oacute;rias capturadas e de conhecer a din&acirc;mica da vida dos pescadores, urge propor cen&aacute;rios de sustentabilidade para as pescas em Cabo Verde. &Eacute; evidente que a implementa&ccedil;&atilde;o da redu&ccedil;&atilde;o da capacidade de pesca em Cabo Verde, quando o excesso da capacidade &eacute; um dos principais problemas que afligem os gestores de recursos pesqueiros, &eacute; uma pol&iacute;tica inaceit&aacute;vel, quando se verificam altas taxas de desemprego, tradi&ccedil;&atilde;o na atividade pesqueira e falta de alternativas sustent&aacute;veis nesta comunidade.</p> 			    <p>O governo de Cabo Verde tem poucas alternativas de estabelecer direitos de prioridade e redu&ccedil;&atilde;o de capacidade, devendo adotar medidas que visem a educa&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;ticas de cr&eacute;dito e uso de novas tecnologias. A educa&ccedil;&atilde;o precisa ser o elemento emergente no processo de transforma&ccedil;&atilde;o para uma organiza&ccedil;&atilde;o social entre esses pescadores, pois a sua aus&ecirc;ncia na atual conjuntura pol&iacute;tica e econ&oacute;mica faz-se sentir na avalia&ccedil;&atilde;o dos custos de produ&ccedil;&atilde;o e nos n&iacute;veis de qualidade de vida dessas comunidades. A educa&ccedil;&atilde;o e a organiza&ccedil;&atilde;o dos pescadores, bem como a descentraliza&ccedil;&atilde;o e a gest&atilde;o participativa dos recursos pesqueiros s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es fundamentais para a sustentabilidade da pesca.</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A recomenda&ccedil;&atilde;o deste estudo &eacute; no sentido de que os &oacute;rg&atilde;os governamentais estudem as comunidades piscat&oacute;rias das nove ilhas habitadas, de modo a que ampliem as pol&iacute;ticas voltadas para o incentivo &agrave; pesca artesanal, com financiamentos a juros baixos, que possibilitem a esse grupo um melhor equipamento para o armazenamento do pescado, a implementa&ccedil;&atilde;o de tecnologias de cultivo de peixes em cativeiro, e cria&ccedil;&atilde;o de um amplo programa de educa&ccedil;&atilde;o ambiental, que oriente as popula&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o dos seus recursos naturais, com vista &agrave; sua sustentabilidade.</p> 	    <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p> 			    <!-- ref --><p>Almeida, J.T.; Correia, M.A.; Pastor, O.T.; Barros, T.P. (2004) - <i>Segundo Plano de Ac&ccedil;&atilde;o Nacional para o Ambiente. Documento S&iacute;ntese</i>. 34p., Minist&eacute;rio do Ambiente, Agricultura e Pescas. Praia, Cabo Verde. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.governo.cv/documents/PANAII-sintese-final.pdf" target="_blank">http://www.governo.cv/documents/PANAII-sintese-final.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S1646-8872201400010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baptista, A.J.; Gominho, V.C.; Varela, A.S.; Tavares, V.H.; Lopes, H.G. (2009) - Percep&ccedil;&atilde;o dos pescadores sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do estoque de recursos pesqueiros da ilha de Santiago. <i>47o. Congresso da SOBER</i>, Sociedade Brasileira de Economia, Administra&ccedil;&atilde;o e Sociologia Rural, Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.sober.org.br/palestra/13/861.pdf" target="_blank">http://www.sober.org.br/palestra/13/861.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1646-8872201400010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carvalho, M.E.; Caramelo, A.M. (1996) - Avalia&ccedil;&atilde;o do estado da pescaria da cavala preta e do chicharro. <i>Investiga&ccedil;&atilde;o e Gest&atilde;o hali&ecirc;uticas de Cabo Verde</i>, pp.144-154, INDP - Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas, Mindelo, S&atilde;o Vicente, Cabo Verde.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1646-8872201400010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Deslandes, S.F. (2004) - La construcci&oacute;n del proyecto de investigaci&oacute;n. In: Maria Cec&iacute;lia de Souza Minayo (Org.), <i>Investigaci&oacute;n social. Teor&iacute;a, m&eacute;todo y creatividad</i>, 1&ordf; ed., pp.25-39, Lugar Editorial, Buenos Aires, Argentina. ISBN: 9789508921710&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1646-8872201400010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Diegues, A.C. (1999) - A s&oacute;cio-antropologia das comunidades de pescadores mar&iacute;timos no Brasil: A pesca e os pescadores no Brasil, <i>Etnogr&aacute;fica</i> (2182-2891), III (2):361-37, Centro em Rede de Investiga&ccedil;&atilde;o em Antropologia, Lisboa / Braga, Portugal. Dispon&iacute;vel em <a href="http://ceas.iscte.pt/etnografica/docs/vol_03/N2/Vol_iii_N2_361-376.pdf" target="_blank">http://ceas.iscte.pt/etnografica/docs/vol_03/N2/Vol_iii_N2_361-376.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S1646-8872201400010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gonz&aacute;lez, J.A.; Tariche, O. (eds.) (2009) - <i>Um olhar sobre a biodiversidade marinha e bases para a sua gest&atilde;o sustent&aacute;vel. Potenciais recursos pesqueiros de profundidade de Cabo Verde</i> / Una mirada sobre la biodiversidad marina y bases para su gesti&oacute;n sostenible. Recursos pesqueros potenciales de profundidad de Cabo Verde. 176p., Fundaci&oacute;n Universitaria de Las Palmas, Las Palmas de Gran Canaria, Espanha. ISBN: 978-8469241936. Dispon&iacute;vel em <a href="http://issuu.com/oceanografica/docs/bioverde_por" target="_blank">http://issuu.com/oceanografica/docs/bioverde_por</a> / <a href="http://issuu.com/oceanografica/docs/bioverde_esp2" target="_blank">http://issuu.com/oceanografica/docs/bioverde_esp2</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S1646-8872201400010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Goodman, L.A. (1961) - Snowball Sampling. <i>The Annals of Mathematical Statistics</i> (ISSN: 0003-4851), 32(1):148-170, Institute of Mathematical Statistics, Beachwood, OH, U.S.A. Article Stable URL: <a href="http://www.jstor.org/stable/2237615" target="_blank">http://www.jstor.org/stable/2237615</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S1646-8872201400010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>INDP (1999) - <i>Boletim Estat&iacute;stico. Dados sobre a Pesca Artesanal, Pesca Industrial, Conservas e Exporta&ccedil;&atilde;o</i>. 89p., INDP - Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas, Mindelo, S&atilde;o Vicente, Cabo Verde. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1646-8872201400010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>INDP (2008) - <i>Censo da Frota da pesca Artesanal 2005</i>. 75p., INDP - Instituto Nacional Desenvolvimento das Pescas, Divis&atilde;o de Estat&iacute;stica, Mindelo, S&atilde;o Vicente, Cabo Verde. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1646-8872201400010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>INDP (2010) - <i>Estat&iacute;stica das Pescas, 2008. Dados sobre a Pesca artesanal. Pesca Industrial. Conservas e Exporta&ccedil;&atilde;o</i>. 75p., INDP - Instituto Nacional Desenvolvimento das Pescas, Divis&atilde;o de Estat&iacute;stica, Mindelo, S&atilde;o Vicente, Cabo Verde. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1646-8872201400010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>INDP (2011) - <i>Estat&iacute;stica das Pescas 2009. Dados sobre a Pesca artesanal. Pesca Industrial</i>. 75p., INDP - Instituto Nacional Desenvolvimento das Pescas, Mindelo, S&atilde;o Vicente, Cabo Verde. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1646-8872201400010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>INDP (2012) - <i>Relat&oacute;rio de principais resultados do censo geral da frota de pesca artesanal, industrial/semi-industrial de ano 2011</i>. 16p., INDP - Instituto Nacional Desenvolvimento das Pescas, Divis&atilde;o de Estat&iacute;stica, Mindelo, S&atilde;o Vicente, Cabo Verde. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1646-8872201400010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <p>Medina, A. (1995) - <i>Le syst&egrave;me statistique des p&ecirc;ches artisanales dans l&rsquo;Archipel du Cap-Vert: Typologie des Ports et estimations des d&eacute;barquements quotidiens</i>. 180p., Th&egrave;se de ma&icirc;trise, Universit&eacute; du Qu&eacute;bec &agrave; Rimouski (UQAR), (Rimouski, QC, Canad&aacute;. <i>N&atilde;o publicado</i>.</p> 			    <!-- ref --><p>Merino, S. (2005) - O papel do INDP na Gest&atilde;o Sustent&aacute;vel da Biodiversidade Marinha. VII Reuni&atilde;o Ordin&aacute;ria do Concelho Cient&iacute;fico, pp.221-229, Mindelo, S&atilde;o Vicente, Cabo Verde. <i>N&atilde;o publicado</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S1646-8872201400010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Morin, E. (2011) - <i>O m&eacute;todo 3: conhecimento do conhecimento</i>. 4&ordf; ed., 286p., &#91;Tradu&ccedil;&atilde;o para portugu&ecirc;s do original franc&ecirc;s, de 1986, por Juremir Machado da Silva&#93; Editora Sulina, Porto Alegre, RS, Brasil. ISBN: 978-8520502204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S1646-8872201400010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Thiollent, M.J.M. (1988) - <i>Metodologia da pesquisa-a&ccedil;&atilde;o</i>. 4. ed., 108p., Editora Cortez, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S1646-8872201400010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 			    <!-- ref --><p>Tariche, O.; Correia, M.A.; Cruz, E.; Fonseca, A. (2012) - <i>O defeso da cavala preta: Causas, impactos e alternativas</i>. 18p., INDP - Instituto Nacional Desenvolvimento das Pescas, Mindelo, S&atilde;o Vicente, Cabo Verde. Dispon&iacute;vel em <a href="http://portaldoconhecimento.gov.cv/bitstream/10961/1525/1/A_Cavala%C2%B4s paper.pdf" target="_blank">http://portaldoconhecimento.gov.cv/bitstream/10961/1525/1/A_Cavala%C2%B4s%20paper.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1646-8872201400010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p><a name="0"></a><a href="#top0">*</a>Submission: 15 October 2013; Evaluation: 9 November 2013; Reception of revised manuscript: 16 February 2014; Accepted: 14 March 2014; Available on-line: 26 March 2014</p> 	     ]]></body><back>
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