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<article-id>S1646-88722014000300005</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5894/rgci497</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perceção das populações locais face à sustentabilidade dos serviços das zonas costeiras: o caso da Lagoa de Santo André, Portugal]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Perception of the local population in the face of sustainability of coastal areas services: the case of Lagoon of Santo André, Portugal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In Portugal, the recognition of the strategic importance of the coastal zones lead to the necessity to proceed to its integrated protection and management. Santiago do Cacém coast line is characterized by a shallow plane area on the northwest of the district, giving the possibility of formation of lagoons, due to the existence of sand dunes and sand beaches, as it is the case of the Lagoon of Santo André. This lagoon has in recent decades been confronted with a conflict of interests between strategies of wildlife conservation authorities and the use by local communities that depend on this ecosystem for their survival. Taking in account the ideas of sustainable growth, citizenship, ambient participation and education, and having gathered data through the combination of enquiry, direct observation, and documental search and analysis, this work pretends to contribute for the knowledge of the perception of the people and local officials in face of the sustainability of the ecosystems services used by the population. This case study of the Lagoa de Santo André has given special consideration to the activities of the traditional fishing methods in the lagoon, having been concluded, among other issues, the existence of problems and controversy about the management of the ICNF (Institute of Nature Conservation and Forests) due to lack of dialogue and failure in the communication between the main actors of the process, the lack of a strategy or an environmental, economic, seaside management plan that would foment the quality at all levels of this zone of the country of recognized potential. The study urges to restore conducts that avoid the environmental degradation of this lagoon ecosystem and the development of a broader consensus about the regulations in place, so that standard decisions may be taken in order to establish the participation and cooperation of all agents and actors in the decision process. These and other aspects were deeply treated on the final discussion of this study, having been proposed, among others, the promotion of an understanding between the key&#8209;actors, at various levels, and the participation of outside entity to moderate and facilitate the dialogue among the stake&#8209;holders, according to the problems encountered and according to the solutions discussed and to be concerted in a final workshop.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[gestão de áreas costeiras]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO / </b>ARTICLE</p>       <p><b>Perce&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es locais face &agrave;     sustentabilidade dos servi&ccedil;os das zonas costeiras: o caso da Lagoa de Santo     Andr&eacute;, Portugal<a href="#0">*</a><a name="top0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Perception     of the local population in the face of sustainability of coastal areas     services: the case of Lagoon of Santo Andr&eacute;, Portugal</b></p>       <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Armando Jos&eacute; Santinhos<sup>@, 1</sup>; Ana Paula Martinho<sup>1, 2</sup>;     Sandra&nbsp;Caeiro<sup>1, 3</sup></b></p> 	    <p><sup>@</sup>Corresponding author: &lt;<a href="mailto:santinhosarmando9@gmail.com">santinhosarmando9@gmail.com</a>&gt;</p> 	    <p><sup>1</sup>Universidade Aberta, R. da Escola Polit&eacute;cnica, 147, Lisboa, Portugal    <br> 	<sup>2</sup>LEAD &ndash; Laborat&oacute;rio de Ensino a Dist&acirc;ncia e e-learning Universidade Aberta, Portugal    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> 	<sup>3</sup>CENSE - Center for Environmental and Sustainability Research, FCT-UNL, Monte da Caparica, Portugal</p> 	    <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>       <p><b>RESUMO</b></p>       <p>Em Portugal, o reconhecimento da     import&acirc;ncia estrat&eacute;gica da zona costeira, criou a necessidade de proceder &agrave; sua     prote&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o integrada. O litoral de Santiago do Cac&eacute;m caracteriza&#8209;se     por uma zona aplanada e baixa, que, devido &agrave; exist&ecirc;ncia de um cord&atilde;o de dunas e     areias de praia na parte noroeste do concelho, isola do mar a sua bacia     hidrogr&aacute;fica e linhas de &aacute;gua, dando lugar &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de lagoas, como &eacute; o caso     da Lagoa de Santo Andr&eacute;. Nesta Lagoa tem nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas existido um conflito     de interesses entre estrat&eacute;gias de conserva&ccedil;&atilde;o dos valores naturais pelas     autoridades e o uso pelas comunidades locais, que encontram neste ecossistema a     realiza&ccedil;&atilde;o de proveitos relevantes para a sua sobreviv&ecirc;ncia.    <br>   Tendo presente os conceitos de     desenvolvimento sustent&aacute;vel, cidadania, participa&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o ambiental, este     trabalho, atrav&eacute;s da conjuga&ccedil;&atilde;o de recolha de dados por inqu&eacute;rito, observa&ccedil;&atilde;o     direta, pesquisa e an&aacute;lise documental, pretendeu contribuir para a perce&ccedil;&atilde;o dos     atores-chave envolvidos no processo, relativa &agrave; sustentabilidade dos     ecossistemas da zona em estudo, tendo presente as v&aacute;rias realidades, interesses     e sensibilidades grupais, e propor solu&ccedil;&otilde;es para a melhor gest&atilde;o da lagoa de     Santo Andr&eacute;.    <br>   Foi aprofundado o estudo de caso     da Lagoa de Santo Andr&eacute;, com particular destaque para a atividade de pesca     artesanal na lagoa, tendo&#8209;se conclu&iacute;do, entre outros, a exist&ecirc;ncia de     problem&aacute;tica e contesta&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave; gest&atilde;o do ICNF (Instituto de     Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza e Florestas), motivada por falta de di&aacute;logo e falha na     comunica&ccedil;&atilde;o entre os atores&#8209;chave do processo, bem como a falta de     realiza&ccedil;&atilde;o urgente do desenvolvimento de uma estrat&eacute;gia e de uma plataforma de     entendimento que, ao n&iacute;vel dos decisores, promovam o desenvolvimento e a     qualidade a todos os n&iacute;veis desta zona do pa&iacute;s de reconhecido potencial e que,     simultaneamente, permitam com isso, a sua correta gest&atilde;o.    <br>   Estes e outros aspetos foram     tratados aprofundadamente na discuss&atilde;o de resultados deste estudo, tendo&#8209;se     proposto, entre outros, o entendimento entre os atores&#8209;chave, a variados     n&iacute;veis, e a participa&ccedil;&atilde;o de entidade exterior que modere e facilite o di&aacute;logo     entre os atores&#8209;chave, de acordo com os problemas encontrados e de acordo     com as solu&ccedil;&otilde;es discutidas e concertadas num <i>workshop</i> final.</p>       <p><b>Palavras-chave</b>:</b> gest&atilde;o de &aacute;reas costeiras, participa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es, gest&atilde;o de conflitos,     utiliza&ccedil;&atilde;o de nassas.</p> <hr size="1" noshade>         <p><b>ABSTRACT </b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>In Portugal, the recognition of the strategic     importance of the coastal zones lead to the necessity to proceed to its     integrated protection and management. Santiago do Cac&eacute;m coast line is     characterized by a shallow plane area on the northwest of the district, giving     the possibility of formation of lagoons, due to the existence of sand dunes and     sand beaches, as it is the case of  the Lagoon of Santo Andr&eacute;. This lagoon has in recent decades been confronted with a conflict     of interests between strategies of wildlife conservation authorities and the use by local communities that depend on this ecosystem for their survival.    <br>   Taking in account the ideas of sustainable growth,     citizenship, ambient participation and education, and having gathered data     through the combination of enquiry, direct observation, and documental search     and analysis, this work pretends to contribute for the knowledge of the     perception of the people and local officials in face of the sustainability of     the ecosystems services used by the population.    <br>   This case study of the Lagoa de Santo Andr&eacute; has given     special consideration to the activities of the traditional fishing methods in     the lagoon, having been concluded, among other issues, the existence of     problems and controversy about the management of the ICNF (Institute of Nature     Conservation and Forests) due to lack of     dialogue and failure in the communication between the main actors of the     process, the lack of a strategy or an environmental, economic, seaside     management plan that would foment the quality at all levels of this zone of the     country of recognized potential. The study urges to restore conducts that avoid     the environmental degradation of this lagoon ecosystem and the development of a     broader consensus about the regulations in place, so that standard decisions     may be taken in order to establish the participation and cooperation of all     agents and actors in the decision process.    <br>   These and other aspects were deeply treated on the     final discussion of this study, having been proposed, among others, the promotion     of an understanding between the key&#8209;actors, at various levels, and the     participation of outside entity to moderate and facilitate the dialogue among     the stake&#8209;holders, according to the problems encountered and according to     the solutions discussed and to be concerted in a final workshop.</p>       <p><b>Key-words</b>: management of coastal areas,     participation of populations, conflict management, use of fish traps.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>       <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>A humaniza&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e a necessidade de uma correta gest&atilde;o das zonas costeiras como     forma de, presumivelmente melhorar o n&iacute;vel de explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais.     Todavia, a Natureza gere-se a si pr&oacute;pria com extrema efic&aacute;cia, garantindo     verdadeira sustentabilidade para o futuro a curto, m&eacute;dio, longo e muito longo     prazos. Ao longo dos cerca de 4,5 mil milh&otilde;es de anos de vida na Terra os     ecossistemas foram&#8209;se sucedendo, tornando&#8209;se progressivamente mais     complexos (Dias <i>et al</i>., 2012).</p>       <p>Assim, ao tentar assumir-se como entidade reguladora dos processos dos quais depende,     mas que conhece ainda mal e que, efetivamente, n&atilde;o controla, o Homem entrou em     conflito consigo mesmo. E esses conflitos s&atilde;o evidentes na explora&ccedil;&atilde;o dos     recursos marinhos, nunca sendo demais relembrar que o litoral &eacute; o principal     recurso marinho explorado na atualidade (Dias <i>et al</i>., 2012).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&atilde;o in&uacute;meros os estudos em todo o mundo onde se observa a insustentabilidade das     zonas costeiras devido &agrave; elevada press&atilde;o urbana e m&aacute; gest&atilde;o dos servi&ccedil;os dos     ecossistemas costeiros.</p>       <p>Wakashima &amp; Capellari (2010) efetuaram um estudo sobre globaliza&ccedil;&atilde;o e deslocaliza&ccedil;&atilde;o,     numa an&aacute;lise sobre o crescimento do turismo residencial no Mediterr&acirc;neo     espanhol e no litoral do Nordeste brasileiro e os seus efeitos socioambientais,     os impactos do turismo residencial, bem como a sua evolu&ccedil;&atilde;o, analisando as     caracter&iacute;sticas desta atividade, tanto na perspetiva do Brasil como em rela&ccedil;&atilde;o     &agrave; Espanha. Segundo os autores, de entre as diversas segmenta&ccedil;&otilde;es do turismo no     Brasil, est&aacute; em ascens&atilde;o, principalmente no Nordeste, o denominado <i>turismo</i> <i>residencial</i>. Esta 		    atividade caracteriza&#8209;se pela utiliza&ccedil;&atilde;o de     segunda resid&ecirc;ncia localizada em praias e centros urbanos, para fins de lazer.     O Litoral Mediterr&acirc;neo Espanhol &eacute; um dos destinos onde o turismo residencial     est&aacute; mais fortemente consolidado; por&eacute;m, sofre com a satura&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os e o     comprometimento da qualidade ambiental, tornando insustent&aacute;vel a economia     local. A especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria fez em ambos os casos, com que fam&iacute;lias     optassem por morar em regi&otilde;es perif&eacute;ricas, muitas vezes em condi&ccedil;&otilde;es de     insalubridade. A chegada de mega-investimentos, principalmente os estrangeiros,     ocasionou a descaracteriza&ccedil;&atilde;o de cultura local, na qual se inclui naturalmente     a atividade piscat&oacute;ria. A estrutura disposta por estes empreendimentos consome     muito mais recursos naturais, se comparados a simples hot&eacute;is e pousadas, al&eacute;m de     descaraterizar a paisagem, comprometendo assim o principal atrativo tur&iacute;stico     da regi&atilde;o (Wakashima &amp; Capellari, 2010).</p>       <p>A altera&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica, causada pelos processos migrat&oacute;rios de     trabalhadores e turistas; o desaparecimento das atividades tradicionais e da     cultura local; e a transforma&ccedil;&atilde;o da paisagem; s&atilde;o estes alguns impactos     presenciados pelas comunidades localizadas no Mediterr&acirc;neo, bem como no     Nordeste brasileiro, que acabam ocasionando a decad&ecirc;ncia de suas atra&ccedil;&otilde;es     tur&iacute;sticas, estimulando assim a busca por lugares menos saturados, prestando     com isto um contributo de valoriza&ccedil;&atilde;o para o conhecimento e com isso para o     estado da arte sobre estas mat&eacute;rias (Wakashima &amp; Capellari, 2010).</p>       <p>Leal     (2012), na sua disserta&ccedil;&atilde;o sobre as experi&ecirc;ncias vivenciadas por duas     comunidades, Canoa Quebrada e Vila do Estev&atilde;o, numa an&aacute;lise sobre a perce&ccedil;&atilde;o     dos diferentes atores sociais sobre o processo de moderniza&ccedil;&atilde;o vivido por essas     popula&ccedil;&otilde;es, contextualizou a formula&ccedil;&atilde;o de uma an&aacute;lise sociol&oacute;gica, acerca da     civiliza&ccedil;&atilde;o e do capital, em tempos contempor&acirc;neos, estabelecendo uma rela&ccedil;&atilde;o     entre moderniza&ccedil;&atilde;o e o modo de vida das comunidades tradicionais da zona     costeira cearense. A autora refere que o seu estudo se pautou por uma     metodologia qualitativa, tendo as investiga&ccedil;&otilde;es seguido as vias da observa&ccedil;&atilde;o e     realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas tem&aacute;ticas, identificando os impactos provocados pela     tens&atilde;o social imposta atrav&eacute;s do modelo de desenvolvimento vigente, com os seus     padr&otilde;es impositivos, muitas vezes em ant&iacute;tese com aspetos relativos ao     comportamento dos povos e das suas tradi&ccedil;&otilde;es.</p>       <p>A     autora refere ainda que a problem&aacute;tica em estudo tem v&aacute;rios pontos de contacto     com outros debates atualmente em curso nas ci&ecirc;ncias sociais e humanas, e que,     por isso, se disp&otilde;e de um dispositivo te&oacute;rico amplo, que abarca a pluralidade     de conce&ccedil;&otilde;es e perce&ccedil;&otilde;es sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre trabalho, tempo e &oacute;cio, os     paradigmas da tradi&ccedil;&atilde;o e da modernidade e as estrat&eacute;gias de enfrentamento das     organiza&ccedil;&otilde;es coletivas pela coexist&ecirc;ncia com essa realidade. Nesse contexto, a     autora utiliza como suporte te&oacute;rico, a sociologia das aus&ecirc;ncias e a sociologia     das emerg&ecirc;ncias, as conce&ccedil;&otilde;es de tempo social assim como os conceitos sobre a     crise estrutural do capital e sua estrutura fundante (Leal, 2012).</p>       <p>A autora considera que a modernidade &eacute; a base racional, cient&iacute;fica, que surge     como verdade absoluta para o conhecimento, bem como para a explica&ccedil;&atilde;o dos     fen&oacute;menos da natureza. Para os povos que a enfrentam, &eacute; um momento de transi&ccedil;&atilde;o     em que o divino deixa de compor a base explicativa desses fen&oacute;menos, enquanto a     raz&atilde;o pura passa a fazer parte desse cen&aacute;rio, buscando&#8209;se a raz&atilde;o e     explica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;ficas e negando&#8209;se as cren&ccedil;as desprovidas de     comprova&ccedil;&otilde;es (Leal, 2012).</p>       <p>Portugal possui cerca de 1450 km de costa e mais de metade da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa vive     em concelhos do litoral. Assim, a correta gest&atilde;o das Zonas Costeiras &eacute;     decisiva para o desenvolvimento do pa&iacute;s.</p>       <p>Segundo a Estrat&eacute;gia Nacional     para a Gest&atilde;o Integrada da Zona Costeira de Portugal aprovada pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm;     82/2009, as zonas costeiras assumem uma import&acirc;ncia estrat&eacute;gica em     termos ambientais, econ&oacute;micos, sociais, culturais e recreativos, pelo que o     aproveitamento das suas potencialidades e a resolu&ccedil;&atilde;o dos seus problemas exigem     uma pol&iacute;tica de desenvolvimento sustent&aacute;vel apoiada numa gest&atilde;o integrada e     coordenada dessas &aacute;reas.</p>       <p>Tendo     presente que, de acordo com Gerhardt &amp; Almeida (2005), os problemas     biof&iacute;sicos e de sustentabilidade, no &acirc;mbito costeiro, passam por uma inspira&ccedil;&atilde;o     de &ldquo;movimento ambientalista&rdquo;, e sendo o ambiente tamb&eacute;m uma problem&aacute;tica     social, ser&aacute; relevante incluir esta quest&atilde;o dentro de um processo din&acirc;mico de     reestrutura&ccedil;&atilde;o sociocultural, estando em jogo (em disputa) no contexto da     pr&oacute;pria modifica&ccedil;&atilde;o, a forma como a sociedade se organiza, pensa e elabora seus     valores, bem como as suas prioridades e desejos.</p>       <p>A     Lagoa de Santo Andr&eacute; (<a href="#f1">Fig. 1</a>) &eacute; exemplo onde a gest&atilde;o das zonas costeiras n&atilde;o &eacute;     uma tarefa f&aacute;cil, onde as press&otilde;es das atividades piscat&oacute;rias da popula&ccedil;&atilde;o     local t&ecirc;m de se conciliar e equilibrar com os valores naturais e de     biodiversidade. Esta zona costeira integra a Reserva Natural da Lagoa de Santo     Andr&eacute; e da Sancha, atrav&eacute;s de Decreto-Regulamentar n.&ordm; 10/2000 de 22 de agosto,     onde &eacute; referido que foi finalmente reconhecida a import&acirc;ncia deste santu&aacute;rio     natural.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05f1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Este     trabalho tem como objetivo geral contribuir para caraterizar a perce&ccedil;&atilde;o da     popula&ccedil;&atilde;o local face &agrave; sustentabilidade dos ecossistemas da zona costeira em     estudo, utilizados por essa popula&ccedil;&atilde;o, bem como, num processo de cidadania     participativa, envolver todos os atores na constru&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es e de     consensos, tendo presente as fragilidades encontradas, as v&aacute;rias realidades, interesses   e as sensibilidades grupais aduzidas no decorrer deste estudo explorat&oacute;rio.</p>     <p>Como     objetivos espec&iacute;ficos, pretendeu-se:</p>       <p>i)     Identificar e caraterizar o estado das atividades piscat&oacute;rias na Lagoa de Santo     Andr&eacute;, incluindo a sua evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica em termos das altera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas do     ecossistema, de ordenamento, das artes de pesca, cultura, tradi&ccedil;&atilde;o, registo do     volume e principais esp&eacute;cies capturadas.</p>       <p>ii)     Avaliar a perce&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o local e dos decisores em rela&ccedil;&atilde;o aos fatores     que de alguma forma contribu&iacute;ram para um processo de mudan&ccedil;a no &acirc;mbito das suas     val&ecirc;ncias socioecon&oacute;micas e de tradi&ccedil;&atilde;o, com enfoque especial para a atividade     da pesca na lagoa.</p>       <p>iii)     avaliar a perce&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o sobre os mecanismos utilizados para a resolu&ccedil;&atilde;o     dos fatores mencionados, nomeadamente no que se refere &agrave; necessidade de     ordenamento da orla costeira ou &agrave; sustentabilidade do ecossistema da Lagoa de     Santo Andr&eacute;, entre outros.</p>       <p>iv) Propor solu&ccedil;&otilde;es, medidas e recomenda&ccedil;&otilde;es para     garantir o equil&iacute;brio entre a atividade econ&oacute;mica local da pesca, a     sustentabilidade e a harmonia do ecossistema em estudo.</p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. M</b></a><b>aterial e m&eacute;todos</b></p>       <p><b>2.1. Enquadramento Metodol&oacute;gico</b></a></p>       <p>Neste     trabalho foi utilizada uma metodologia de estudo de caso, maioritariamente     qualitativa, com base na pesquisa e an&aacute;lise de documentos escritos e orais, bem     como na recolha de informa&ccedil;&atilde;o por inqu&eacute;rito e por question&aacute;rio aos pescadores     locais, numa amostra o mais abrangente poss&iacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o; foram, ainda,     realizadas entrevistas a agentes e decisores; a esta fase, seguiu-se, ap&oacute;s     estudo e interpreta&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o recolhida, a organiza&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;workshop&rdquo;     com os principais atores-chave da regi&atilde;o, nomeadamente, os pescadores e sua     associa&ccedil;&atilde;o, os empres&aacute;rios da restaura&ccedil;&atilde;o local, edilidades, autoridades e     organismos de prote&ccedil;&atilde;o da natureza. O objectivo deste encontro centrou&#8209;se     na discuss&atilde;o e vota&ccedil;&atilde;o de um conjunto de problemas no &acirc;mbito da pesquisa     efetuada pelo autor, no sentido de se encontrarem solu&ccedil;&otilde;es, obtidas por vota&ccedil;&atilde;o     dos atores-chave presentes.</p>       <p>Este     estudo de caso assenta numa premissa com uma dupla vertente: por um lado, &eacute; uma     modalidade de investiga&ccedil;&atilde;o apropriada para estudos explorat&oacute;rios e abrangentes     e que, sobretudo, tem como objetivo a descri&ccedil;&atilde;o de uma situa&ccedil;&atilde;o, a explica&ccedil;&atilde;o     de resultados a partir de uma teoria, a identifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre causas     e efeitos ou a valida&ccedil;&atilde;o de teorias (Serrano, 2004). Por outro lado, permite     ilustrar e analisar uma dada situa&ccedil;&atilde;o real e fomentar a discuss&atilde;o e a tomada de     decis&otilde;es, julgadas convenientes para a mudar ou melhorar.</p>       <p>Para     melhorar a compreens&atilde;o dessas realidades complexas, contrap&otilde;e&#8209;se a uma     perspetiva quantitativa uma abordagem qualitativa de pesquisa que tem como     objetivo a compreens&atilde;o dos significados atribu&iacute;dos pelos sujeitos &agrave;s suas a&ccedil;&otilde;es     num dado contexto. Nesta abordagem, pretendeu&#8209;se interpretar em vez de     medir, procurando&#8209;se caraterizar a realidade experienciada pelos sujeitos     ou grupos a partir do que estes pensam e da forma como agem (seus valores,     representa&ccedil;&otilde;es, cren&ccedil;as, opini&otilde;es, atitudes e h&aacute;bitos).</p>       <p>As     investiga&ccedil;&otilde;es qualitativas privilegiam, essencialmente, a compreens&atilde;o dos     problemas a partir da perspetiva dos sujeitos da investiga&ccedil;&atilde;o. Neste contexto,     Bogdan &amp; Biklen (1994), consideram que esta abordagem permite descrever um     fen&oacute;meno em profundidade atrav&eacute;s da apreens&atilde;o de significados e dos estados     subjetivos, pois, nestes estudos, h&aacute; sempre a tentativa de capturar e     compreender, com pormenor, as perspetivas e os pontos de vista dos indiv&iacute;duos sobre     determinado assunto. Pode-se dizer que o principal interesse destes estudos n&atilde;o     &eacute; efetuar generaliza&ccedil;&otilde;es mas antes particularizar e compreender os sujeitos e     os fen&oacute;menos na sua complexidade e singularidade. Assim, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s     afirma&ccedil;&otilde;es universais e &agrave; explica&ccedil;&atilde;o dos fen&oacute;menos numa causalidade linear,     preferiu&#8209;se, neste projeto, a descri&ccedil;&atilde;o concreta das experi&ecirc;ncias e das     representa&ccedil;&otilde;es dos sujeitos que conduzem a uma compreens&atilde;o dos fen&oacute;menos.</p>       <p>De acordo com os objetivos enumerados anteriormente,     o trabalho foi dividido em tr&ecirc;s tarefas: 1) Caracte-riza&ccedil;&atilde;o das atividades     piscat&oacute;rias; 2) Perce&ccedil;&atilde;o dos Pescadores; 3) Propostas de solu&ccedil;&otilde;es e     recomenda&ccedil;&otilde;es.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>2.2. Tarefas Desenvolvidas</b></a></p>       <p>2.2.1. Carateriza&ccedil;&atilde;o da Atividade Piscat&oacute;ria</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A     metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o centrou&#8209;se numa primeira abordagem na recolha     de informa&ccedil;&atilde;o, derivada da pesquisa de documenta&ccedil;&atilde;o e literatura existente, bem     como pesquisa por documento n&atilde;o escrito, de modo a ser poss&iacute;vel caraterizar o     estudo de caso e em particular o estado da atividade piscat&oacute;ria na Lagoa de     Santo Andr&eacute;, incluindo a sua evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica em termos de artes de pesca,     cultura e tradi&ccedil;&atilde;o, evolu&ccedil;&atilde;o do ecossistema litoral, quais as principais     esp&eacute;cies capturadas e a import&acirc;ncia de estrat&eacute;gias de investimento para a     economia local.</p>       <p>Para     o efeito foram efetuadas entrevistas a um conjunto reduzido de atores-chave     locais, que subsistem no terreno e fazem parte da atual povoa&ccedil;&atilde;o (Anexo I), bem     como aos organismos tutelares da zona costeira e da conserva&ccedil;&atilde;o da natureza     (Anexo II), para que estes nos evidenciassem processos e/ou projetos, ainda que     em &aacute;rea de planeamento, com vista ao desenvolvimento sustent&aacute;vel da regi&atilde;o.</p>       <p>2.2.2. Perce&ccedil;&atilde;o dos Pescadores</p>       <p>Numa     segunda fase do trabalho procedeu&#8209;se ao inqu&eacute;rito por question&aacute;rio &agrave;     popula&ccedil;&atilde;o piscat&oacute;ria (Anexo III), para an&aacute;lise dos dados recolhidos e trabalhados     em gabinete.</p>       <p>O     objetivo deste inqu&eacute;rito foi avaliar a perce&ccedil;&atilde;o desta popula&ccedil;&atilde;o quanto &agrave;     continuidade e sustentabilidade da pesca no ecossistema da Lagoa de Santo     Andr&eacute;, bem como apurar a sua sensibilidade, no &acirc;mbito s&oacute;cio-econ&oacute;mico e     ambiental, &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es trazidas pelo ordenamento.</p>       <p>De     acordo com Quivy &amp; Capenhoudt (1998), o inqu&eacute;rito por question&aacute;rio consiste     em colocar a uma amostra de indiv&iacute;duos de uma determinada popula&ccedil;&atilde;o, que os     mesmos representam, uma s&eacute;rie de perguntas, relativas &agrave; sua situa&ccedil;&atilde;o social,     acad&eacute;mica, profissional ou familiar, &agrave;s suas opini&otilde;es, &agrave; sua atitude em rela&ccedil;&atilde;o     a variad&iacute;ssimas quest&otilde;es humanas e sociais, &agrave;s suas expectativas perante um     determinado acontecimento, ao seu n&iacute;vel de conhecimento ou de consci&ecirc;ncia     relativos a um problema, ou, ainda, sobre assuntos que possam interessar ao     processo de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>       <p>O     preenchimento destes question&aacute;rios foi confidencial. Pretendeu-se, de igual     modo, perceber o papel do cidad&atilde;o, do pescador, enquanto parte interessada, no     sentido da perce&ccedil;&atilde;o da sua capacidade para se organizar grupalmente e em que     medida consegue nessa participa&ccedil;&atilde;o a tradu&ccedil;&atilde;o da sua for&ccedil;a representativa e da     sua vontade coletiva.</p>       <p>2.2.3. Proposta de Solu&ccedil;&otilde;es e Recomenda&ccedil;&otilde;es</a></p>       <p>Numa terceira fase organizou-se um &ldquo;workshop&rdquo; com os     atores-chave, onde se apresentou os resultados obtidos nas tarefas anteriores,     com vista &agrave; discuss&atilde;o em conjunto das solu&ccedil;&otilde;es, das medidas e das recomenda&ccedil;&otilde;es     que garantissem modelarmente a atividade econ&oacute;mica local da pesca <i>versus</i> a sustentabilidade e o equil&iacute;brio     do ecossistema.</p>       <p>No &acirc;mbito de um quadro de refer&ecirc;ncia (<i>framework</i>) relativo a t&eacute;cnicas de     participa&ccedil;&atilde;o com v&aacute;rios graus de envolvimento das partes, consider&aacute;mos que, de     entre as v&aacute;rias t&eacute;cnicas que congregam Consulta, Colabora&ccedil;&atilde;o, Decis&atilde;o     Partilhada e Responsabiliza&ccedil;&atilde;o, entre as quais destacamos &ldquo;Consensus     Conference&rdquo;, &ldquo;Scenario Analysis&rdquo;, &ldquo;Citizen Jury&rdquo;, a t&eacute;cnica que mais se adequa   &agrave; gest&atilde;o de conflitos &eacute;, sem d&uacute;vida, a realiza&ccedil;&atilde;o     de um <i>workshop</i>. Para tal, e de acordo     com os autores Luyet <i>et al</i>. (2012),     adot&aacute;mos a proposta que abaixo explicitamos (<a href="#f2">Fig. 2</a>), no sentido de uma melhor     compreens&atilde;o do processo da participa&ccedil;&atilde;o dos atores-chave e como, por maioria de   raz&atilde;o, se ajustam a este trabalho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="f2"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05f2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na identifica&ccedil;&atilde;o dos atores, tivemos em conta     os v&aacute;rios pap&eacute;is designados t&eacute;cnicos e que envolvem crit&eacute;rios tais como a     proximidade, a economia, os valores sociais e ambientais.</p>       <p>No &acirc;mbito da sua caracteriza&ccedil;&atilde;o, sustenta&#8209;se     a possibilidade de existirem m&uacute;ltiplas e variadas atitudes perante o projeto,     em particular as que resultam do ponto de vista da Reserva Natural, e as dos     demais atores, que, estando em contexto de diferentes sensibilidades, poder&atilde;o     potenciar conflitos.</p>       <p>Este <i>workshop</i> sobre a Lagoa de Santo Andr&eacute; assentou num exerc&iacute;cio de cidadania participativa,     cuja metodologia encontra sustenta&ccedil;&atilde;o de acordo com o m&eacute;todo anteriormente     descrito, sobre o quadro de atores-chave.</p>       <p>O universo de outros trabalhos na &aacute;rea do     ordenamento costeiro, nos quais a participa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es foi determinante     para a obten&ccedil;&atilde;o de consensos e cuja problem&aacute;tica exigia interven&ccedil;&atilde;o e     consensualiza&ccedil;&atilde;o de procedimentos, serviu de complemento neste processo, sendo     a metodologia utilizada para a elabora&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o do <i>workshop</i> baseada nos crit&eacute;rios de Vasconcelos (2006) e Vasconcelos     &amp; Caser (2011).</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>3.     Caso de Estudo &ndash; Lagoa de Santo Andr&eacute;</b></p>       <p><b>3.1.     Contexto Hist&oacute;rico &ndash; Pesca</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Madeira (1993), por volta     de 1855, pescadores de &Iacute;lhavo e respetivas fam&iacute;lias chegaram &agrave; Costa de Santo     Andr&eacute;, tendo a&iacute; constru&iacute;do as suas cabanas e armaz&eacute;ns de colmo e cani&ccedil;o (<a href="#f3">Fig.     3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f3"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05f3.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Devido &agrave; abund&acirc;ncia de sardinha no mar (no     Ver&atilde;o) e outro peixe na lagoa (no Inverno), ter&atilde;o estabelecido duas companhas     com lavradores da regi&atilde;o, praticando a arte x&aacute;vega (<a href="#f4">Fig. 4</a>). <i>Na praia da freguezia de Santo Andre&#769; se acham estabelecidas ha seis annos duas companhas de pescadores de Aveiro, que     tamb&eacute;m carregam anualmente de sardinha bom numero de embarca&ccedil;&otilde;es costeiras com     destino para diversos portos do reino</i>(Silva, 1869:   104).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f4"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05f4.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Segundo     Madeira (1993), conv&eacute;m distinguir entre a     pesca na lagoa e a pesca no mar, atrav&eacute;s dos seus barcos     saveiros, preparados para a arte de x&aacute;vega, que foi introduzida pelos oriundos     do Centro Norte (&Iacute;lhavo, Aveiro e Murtosa) por volta de 1855 e que perdurou at&eacute;     cerca dos anos cinquenta e princ&iacute;pio de sessenta do s&eacute;culo XX.</p>       <p>Quanto &agrave; pesca no mar, com     bastante express&atilde;o, em que subsistiam duas campanhas para os lan&ccedil;os de mar,     conclui&#8209;se um relativo desenvolvimento desta faina ao verificar&#8209;se     que em 1875, no recenseamento eleitoral, de base censit&aacute;ria, constavam quatro pescadores     coletados, com movimentos financeiros entre 1000 e 6333 r&eacute;is de d&eacute;cima, valores     para rendimento bruto bastante consider&aacute;veis &agrave; &eacute;poca (Madeira, 1993).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A     pesca na lagoa torna&#8209;se a alternativa para a subsist&ecirc;ncia das fam&iacute;lias de     pescadores em per&iacute;odo invernoso e, simultaneamente, &agrave; medida que se d&aacute; o     decl&iacute;nio da arte de x&aacute;vega, ganha maior express&atilde;o e acentua a sua import&acirc;ncia   (<a href="#f5">Fig. 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f5"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05f5.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A     apanha de enguias &eacute; a arte de maior relev&acirc;ncia na pesca da lagoa, tendo&#8209;se     tornado progressivamente a sua captura principal. A restante pesca, relativa a outras esp&eacute;cies e pouco relevante em termos de     dados objetivos e estat&iacute;sticos, era complementar &agrave; pesca da enguia, sendo     muitas vezes destinada ao consumo pr&oacute;prio de pescadores e suas fam&iacute;lias. Para     termos em conta um valor aproximado das capturas, o rendimento m&eacute;dio anual, at&eacute;     meados do s&eacute;culo XX, era de 150 kg/hectare/ano, ou seja, um total de pescado de     mais de 20 toneladas ano (Fonseca <i>et al</i>., 1993).</p>       <p><b>3.2. Enquadramento</b></p>     <p>A     Lagoa de Santo Andr&eacute; localiza&#8209;se no sudoeste de Portugal, no Distrito de     Set&uacute;bal, regi&atilde;o do Alentejo e sub-regi&atilde;o do Alentejo Litoral, ocupando parte da     costa do munic&iacute;pio de Santiago do Cac&eacute;m.</p>       <p>Em     meados do s&eacute;culo XVII, a duna de areia que separa a lagoa do mar j&aacute; se havia     formado, adiantando que as ribeiras de que fala Frei Bernardo Falc&atilde;o     continuavam a descer aserra, sem     desaguarem no mar, retendo&#8209;se nesse grande espa&ccedil;o de &aacute;guas paradas, onde     a grande enseada se tornava lagoa (Madeira, 1993).</p>       <p>Em     termos gerais, segundo o estudo inicial para o Plano de Ordenamento da Reserva     Natural das Lagoas de Santo Andr&eacute; e Sancha  (ERENA, 2005), a lagoa &eacute; constitu&iacute;da essencialmente por um     conjunto de ecossistemas litorais e sublitorais, detendo como elemento     principal o sistema lagunar.</p>       <p>Neste contexto, o corpo lagunar     de Santo Andr&eacute; &eacute; particularmente bem desenvolvido e ocupa uma superf&iacute;cie     alagada de 150&#8209;250 ha, a qual pode duplicar durante o per&iacute;odo invernal,     devido &agrave; entrada de &aacute;gua proveniente das chuvas, da agita&ccedil;&atilde;o e da ondula&ccedil;&atilde;o do     mar em &eacute;poca de tempestades. A lagoa dista escassas dezenas de metros do mar,     sendo separada por um cord&atilde;o dunar de largura e desenvolvimento vari&aacute;veis     (ERENA, 2005).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando, por imperativo das cheias     de Inverno, o seu volume h&iacute;drico aumenta exponencialmente, &eacute; feita uma liga&ccedil;&atilde;o     ao mar, estabelecida artificialmente, quase sempre no m&ecirc;s de mar&ccedil;o, atrav&eacute;s de     um canal que permanece aberto durante cerca de um ou mais meses, enquanto as     condi&ccedil;&otilde;es de mar o permitirem (ERENA, 2005).</p>       <p>O     car&aacute;ter salobro das suas &aacute;guas prov&eacute;m do maior ou menor tempo de contacto com o     mar aquando do per&iacute;odo da sua abertura, o que lhe confere um estatuto especial     qualitativo, tendo em vista a aprecia&ccedil;&atilde;o do seu pescado e a qualidade das suas     &aacute;guas de teor salino e de apet&ecirc;ncia balnear, cujo valor de salinidade, em m&eacute;dia     representa &ndash; 10 a 20 &permil; (Fonseca <i>et al</i>.,     1993).</p>       <p><b>3.3. A Pesca na Atualidade</b></p>       <p>Na     determina&ccedil;&atilde;o de uma     zona de pesca profissional na Lagoa de Santo Andr&eacute;, foi tido em conta o facto     de esta atividade pesqueira ser uma realidade socioecon&oacute;mica de import&acirc;ncia     consider&aacute;vel para a popula&ccedil;&atilde;o e, tamb&eacute;m, a necessidade de regula&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o     ambiental dada a intensidade dessa atividade profissional, tendo em vista o     ordenamento e a conserva&ccedil;&atilde;o dos seus valores naturais (Portaria n&ordm; 86/2004 de 8     janeiro). A &aacute;rea de pesca autorizada consta de numa linha poligonal,     referenciada, de acordo com a planta, e que une os pontos coordenados de 1 a 15     (<a href="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05f6.jpg" target="_blank">Fig. 6</a>). Ou     seja, com a cria&ccedil;&atilde;o da Reserva Natural, inicia-se um processo, em que, para     atividades espec&iacute;ficas como a pesca, o diploma atr&aacute;s referido estabelece a     possibilidade de se publicarem portarias conjuntas com outros minist&eacute;rios, por     forma a determinar condicionamentos ou interdi&ccedil;&otilde;es a esta atividade, iniciando     com isso o processo de regula&ccedil;&atilde;o da pesca na lagoa, o qual desencadeou a     contesta&ccedil;&atilde;o dos pescadores.</p>       
<p>Foi real&ccedil;ada a interpreta&ccedil;&atilde;o dos     dados relativos ao volume do pescado declarado (<a href="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05f7.jpg" target="_blank">Fig. 7</a>), por compara&ccedil;&atilde;o com os     elementos hist&oacute;ricos, nos quais se encontrou uma proporcionalidade digna de     registo, ou seja, os totais atuais situam-se 36% dos totais anteriores (8 t,     para 22 t/ano), levando a questionar, embora isentando os aspectos conclusivos     tratados posteriormente, a rela&ccedil;&atilde;o entre pescadores e pesca <i>versus</i> sustentabilidade e legisla&ccedil;&atilde;o. Segundo     o ICNF, o n&uacute;mero de pescadores com licen&ccedil;as atribu&iacute;das, desde 2004 n&atilde;o tem     sofrido altera&ccedil;&atilde;o digna de nota, centrando&#8209;se este valor em cerca de     trinta e cinco a quarenta atribui&ccedil;&otilde;es anualmente.</p>       
<p>&nbsp;</p>       <p><b>4. Resultados e discuss&atilde;o</b></p>       <p><b>4.1.     Entrevista &agrave; Popula&ccedil;&atilde;o Local</b></p>       <p>No     &acirc;mbito da entrevista semiestruturada &agrave; popula&ccedil;&atilde;o da Lagoa de S. Andr&eacute; &ndash; leia&#8209;se     popula&ccedil;&atilde;o piscat&oacute;ria e n&atilde;o outra &ndash; e uma vez que restam nesta localidade umas     seis fam&iacute;lias de pescadores, houve que credibilizar os seus relatos, atrav&eacute;s de     dois deles, os mais esclarecidos, dos pescadores mais antigos e mais aptos nos     seus relatos, que a mem&oacute;ria aflora de forma brilhante, sobre a pr&aacute;tica da     pesca da arte <i>x&aacute;vega</i> no mar e o seu     t&eacute;rminus. Depois, foi preciso perceber o transporte desta arte para a pesca na     lagoa, considerando a altera&ccedil;&atilde;o das suas dimens&otilde;es, para um     formato muit&iacute;ssimo menor, com uma malhagem tamb&eacute;m mais reduzida (malhagem de     traineira), mas mantendo o cerco e o saco na proporcionalidade dos alares, o     denominado <i>chinchorro</i>, ou <i>chincha</i>e a inclus&atilde;o de novos aparelhos, as <i>nassas</i>. Foi tamb&eacute;m abordada a quest&atilde;o do     abandono da atividade pelos pescadores e a falta de expectativas geradas pela     aus&ecirc;ncia de planos de investimento e de desenvolvimento sustent&aacute;veis, que estes     reclamaram de forma vincada no seu testemunho.</p>       <p>Uma particularidade interessante do relato de um dos     pescadores entrevistados &eacute; que, de facto, &ldquo;o fim da arte de x&aacute;vega no mar     acontece por volta dos anos sessenta do s&eacute;culo XX&rdquo;. Ele pr&oacute;prio relata ainda     ter insistido, em 1974, na compra de uma arte semelhante, &ldquo;de menor porte&rdquo;,     utilizando agora um <i>“saveiro”</i>mais     curto, e teria assim tentado relan&ccedil;ar esta tradi&ccedil;&atilde;o milenar; mas, por     imperativo da sua proibi&ccedil;&atilde;o, uma meia d&uacute;zia de anos depois seria ele o &uacute;ltimo     mestre, que encerraria definitivamente a campanha de pesca no mar na Costa de     Santo Andr&eacute; (Cani&ccedil;o, <i>com. pess.</i>).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com o fim desta arte, que se tinha verificado     anos antes desta sua aventura de reinventar a <i>x&aacute;vega</i>, &ldquo;j&aacute; parte dos pescadores profissionais demandavam a pesca     de mar em Sines, ficando os restantes a pescar na lagoa por conta de rendeiros,     cuja explora&ccedil;&atilde;o por concess&atilde;o finda com a queda do Estado Novo, ou seja na     revolu&ccedil;&atilde;o de abril de 1974&rdquo;. O que se constata das declara&ccedil;&otilde;es de     Cani&ccedil;o &eacute; que, mesmo tendo em conta o decr&eacute;scimo gradual de pescadores na zona,     cujo &ecirc;xodo &eacute; sentido na d&eacute;cada de sessenta do s&eacute;culo XX, dado o volume de     pescado extraordinariamente abundante na lagoa, mesmo     sem a <i>x&aacute;vega</i> no mar, &ldquo;os pescadores, em alternativa, utilizam nos seus lances a arte de     pesca de cerco, atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de chinchorros curtos na lagoa&rdquo; (Cani&ccedil;o, <i>com. pess.</i>).</p>       <p>A aus&ecirc;ncia de alternativas &agrave; atividade da     pesca &eacute; clara no seguinte coment&aacute;rio: &ldquo;temos muita pena que n&atilde;o haja projetos     para desenvolver aquilo&hellip;, n&atilde;o fazem nada, nem para os banhistas, nem para os     homens dos restaurantes, nem acessos, nada, poderia at&eacute; ajudar o pescador, n&atilde;o     &eacute; verdade? Agora vejam o estado a que chegou a zona da antiga povoa&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma     vergonha. N&atilde;o pensam no desenvolvimento, &eacute; s&oacute; promessas e andamos nisto h&aacute; anos     e anos; como &eacute; que uma pessoa resolve a vida sem ser na pesca? N&atilde;o h&aacute;     alternativas&rdquo;(Cani&ccedil;o, <i>com. pess.</i>).</p>       <p>Em s&iacute;ntese, poderemos inferir que, com o fim da arte     antiga de pesca de cerco no mar da Costa de Santo Andr&eacute;, ou arte <i>x&aacute;vega</i>, cujas <i>companhas</i> envolviam os pescadores locais em n&uacute;mero bastante     consider&aacute;vel, e, naturalmente, por falta de recursos e de est&iacute;mulo para     continuar, parte desta gente procura formas alternativas de pesca noutros     lugares. Os que ficam passam a dedicar&#8209;se &agrave; pesca na lagoa, agora n&atilde;o     apenas como alternativa nos Invernos tempestuosos, mas como recurso poss&iacute;vel,     por conta dos rendeiros locais, no per&iacute;odo permitido por lei. A arte utilizada,     mais n&atilde;o era do que a <i>chincha</i>,     igualmente uma pesca de cerco, agora reduzida nas suas dimens&otilde;es, sem a     exig&ecirc;ncia de contingentes ou companhas como as que eram necess&aacute;rias para a     faina no mar, bastando uma meia d&uacute;zia de homens por arte para os lances na     lagoa.</p>       <p><b>4.2. Entrevista a     Decisores Locais</b><b><u></u></b></p>       <p>Inquirida     a chefia de Divis&atilde;o da Gest&atilde;o Urban&iacute;stica da CMSC (C&acirc;mara Municipal de Santiago     do Cac&eacute;m), esta respondeu ter conhecimento de um plano de pormenor &ldquo;<b>aprovado ir&aacute; para mais dez anos</b>, com     uma vis&atilde;o voltada para o turismo mas que, dadas as condicionantes     socioecon&oacute;micas anteriores e vigentes, n&atilde;o foi poss&iacute;vel avan&ccedil;ar no terreno,     dadas as onerosas infraestruturas necess&aacute;rias e incomport&aacute;veis para o munic&iacute;pio     em termos financeiros e pela inexist&ecirc;ncia de parcerias com entidades privadas&rdquo;     (Grade, <i>com. pess.</i>).</p>       <p>Em     contrapartida, o ICNF, na pessoa de um dos seus t&eacute;cnicos superiores, sobre o     mesmo assunto, referiu &ldquo;desconhecer qualquer plano de reabilita&ccedil;&atilde;o ou de     promo&ccedil;&atilde;o da economia local, adiantando estar em curso para breve, a cria&ccedil;&atilde;o de     uma carta de desporto na natureza, reguladora de atividades de anima&ccedil;&atilde;o     ambiental, tur&iacute;stica e desportiva&rdquo;(Nogueira, <i>com. pess</i>.).</p>       <p>Tais     declara&ccedil;&otilde;es s&atilde;o reveladoras da aus&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia coerente para o     desenvolvimento econ&oacute;mico da regi&atilde;o, em particular nas artes de pesca     sustent&aacute;vel.</p>       <p><b>4.3.     Question&aacute;rio aos Pescadores</b></p>       <p>Tendo presente a metodologia da     investiga&ccedil;&atilde;o adotada neste estudo, salientamos neste cap&iacute;tulo os principais     problemas identificados pelos pescadores na pesca na Lagoa de Santo Andr&eacute; e     tamb&eacute;m a not&oacute;ria perda de qualidade ambiental a que a lagoa est&aacute; sujeita.</p>       <p>Aduzem os pescadores de forma     s&iacute;ncrona que as &aacute;reas marcadas para o exerc&iacute;cio da pesca s&atilde;o calculadas em     fun&ccedil;&atilde;o do afastamento exagerado das margens da lagoa, e que a posi&ccedil;&atilde;o dos     marcos delimitadores leva, por vezes, a que surjam erros de posi&ccedil;&atilde;o na     coloca&ccedil;&atilde;o dos seus aparelhos de pesca, sujeitando-os a pesadas multas.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tamb&eacute;m referem os mesmos     pescadores, que tais coordenadas os colocam em zonas de pouco pescado e fundos     exagerados, e que deveria haver uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o a terra, em fun&ccedil;&atilde;o da     volumetria da lagoa, que &eacute; vari&aacute;vel ao longo do ano; &ldquo;andam com uns aparelhos     de medir, os tais GPS e uma pessoa quando sabe, ou n&atilde;o sabe, t&aacute; a levar com     eles&rdquo; (Inquirido n&ordm; 2).</p>       <p>Explicando, referem, a &aacute;rea em     que lhes &eacute; permitido pescar, det&eacute;m grande profundidade e tendo os alares das     nassas a altura de 1 pano (2m aprox.), o peixe n&atilde;o &eacute; canalizado eficazmente     para o saco da captura; &ldquo;querem &eacute; acabar com os pescadores e que a gente morra     ali. Quem &eacute; que consegue espetar uma cana numa fundura daquelas? N&atilde;o percebem     nada de nada e n&atilde;o ouvem a gente&rdquo; (Inquirido n&ordm; 22). &ldquo;Tal seria ultrapassado,     deixando pescar mais junto &agrave;s margens, orientando o pescador as dimens&otilde;es     destes aparelhos, em fun&ccedil;&atilde;o da necessidade da pesca e n&atilde;o por imposi&ccedil;&atilde;o avulsa     e prejudicial, o pescador &eacute; que sabe e escolhia a rede segundo e conforme a     posi&ccedil;&atilde;o junto &agrave; terra&rdquo; (Inquirido n&ordm; 19).</p>       <p>Uma     opini&atilde;o comum dos pescadores, &eacute; de que a lagoa necessita ser desassoreada de     forma cir&uacute;rgica, sob pena de daqui a poucos anos, a termos apenas na mem&oacute;ria,     transformando&#8209;se num charco infecto, se n&atilde;o forem tomadas medidas     urgentes.</p>       <p>Apontam     entre outras raz&otilde;es, a falta de limpeza dos cursos de &aacute;gua que nela desaguam,     n&atilde;o permitindo o seu enchimento em plenitude, a falta de fiscaliza&ccedil;&atilde;o relativa     a descargas de efluentes nas suas ribeiras, com a consequente deposi&ccedil;&atilde;o de     mat&eacute;ria lodosa no seu fundo. A isto acrescentam a abertura ao mar em condi&ccedil;&otilde;es     pouco estudadas, em que o fecho da lagoa permite a deposi&ccedil;&atilde;o de toneladas de     areia vinda do mar, fruto de maresias lentas e mar&eacute;s pouco prop&iacute;cias,     encurtando a &aacute;rea de banhos e diminuindo drasticamente a profundidade na zona     leste, ou lameira. Um deles clarifica: &ldquo;aquilo tem mesmo precis&atilde;o de ser visto,     a <i>alagoa</i>est&aacute; cada vez mais baixa,     qualquer dia &eacute; um rolo de mato molhado, aquilo bastava tirar a areia onde a     &aacute;gua corre para o mar, ali nos<i> urinos&rdquo;</i>(Inquirido     n&ordm; 14).</p>       <p>***</p>       <p>Os resultados obtidos nos inqu&eacute;ritos e na     recolha documental confirmam a exist&ecirc;ncia de problemas relacionados com as     condi&ccedil;&otilde;es ambientais da Lagoa e com as condi&ccedil;&otilde;es da pesca, apresentadas na     <a href="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>. Esta listagem foi apresentada aos diferentes atores-chave durante o <i>workshop</i> para que eles realizassem a sua     prioriza&ccedil;&atilde;o, num     processo de vota&ccedil;&atilde;o, a fim de se encontrarem os tr&ecirc;s itens mais votados e que,     considerados os mais relevantes, fossem sujeitos a discuss&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o de     propostas de solu&ccedil;&atilde;o igualmente por sufr&aacute;gio.</p>       
<p><b>4.4.     O <i>Workshop</i> e seus resultados</b></p>       <p>Vinte e um atores-chave estiveram presentes no <i>workshop</i>. Inclu&iacute;am pescadores     da lagoa (16), AAPACSACV -     Associa&ccedil;&atilde;o de Armadores da Pesca Artesanal e do Cerco do Sudoeste Alentejano e     Costa Vicentina (2), APA - Ag&ecirc;ncia Portuguesa do Ambiente (1), ICNF     (0), Quercus (1), JFSA - Junta de Freguesia de Santo Andr&eacute; (1), CMSC (0),     Agentes econ&oacute;micos locais (2).</p>       <p>No in&iacute;cio foi apresentado um enquadramento da     lagoa e os principais problemas a que esta estava sujeita, que tinham resultado     dos trabalhos anteriormente desenvolvidos. Posteriormente, os participantes     organizados em grupos de trabalho mais pequenos     tiveram oportunidade de analisar a listagem dos problemas principais (<a href="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>). Da&iacute; deviam selecionar os tr&ecirc;s problemas mais votados, com vista ao     apuramento das respectivas solu&ccedil;&otilde;es. O passo seguinte consistiu na discuss&atilde;o por     cada grupo de trabalho, para que apresentassem solu&ccedil;&otilde;es at&eacute; um n&uacute;mero de cinco     para cada um dos problemas mais votados, solu&ccedil;&otilde;es que mereceram posteriormente o voto individual dos atores     conforme o apresentado na <a href="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a05t2.jpg" target="_blank">tabela 2</a>.</p>     
<p>N&atilde;o obstante a aus&ecirc;ncia do ICNF no workshop,     os resultados foram-lhe transmitidos em tempo devido, para conhecimento e     aprecia&ccedil;&atilde;o.</p>  <b>4.5. Propostas de Solu&ccedil;&atilde;o e Recomenda&ccedil;&otilde;es</b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este tipo de trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o, com     envolvimento e participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o local, espelha, pela natureza da sua     tem&aacute;tica, n&atilde;o s&oacute; a import&acirc;ncia dos processos de divulga&ccedil;&atilde;o e da sensibiliza&ccedil;&atilde;o     &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o local nas decis&otilde;es para a gest&atilde;o ambiental das     zonas costeiras, como traduz a resultante dessa mesma envolv&ecirc;ncia, com     ineg&aacute;veis proveitos para todos.</p>       <p>De um modo geral, as grandes transforma&ccedil;&otilde;es     operadas no seio das comunidades s&atilde;o fruto de tend&ecirc;ncias e de uma vis&atilde;o cada     vez mais voltadas para a globaliza&ccedil;&atilde;o, em que os Estados, por for&ccedil;a de     estrat&eacute;gias e planos de pendor empresarial e econ&oacute;mico, equacionam, muitas     vezes, a requalifica&ccedil;&atilde;o de zonas de excel&ecirc;ncia ambiental e social, em &aacute;reas de grande     potencial produtivo e/ou tur&iacute;stico.</p>     <p>Essas &aacute;reas, que se revestem de uma     ancestralidade enriquecida pelos saberes tradicionais, ficam, por maioria de     raz&atilde;o, em nome do progresso e do ordenamento territorial, irremediavelmente     descaraterizadas, fruto do d&eacute;fice cultural, social, econ&oacute;mico e da perda de     riqueza etnogr&aacute;fica, muitas vezes irrecuper&aacute;veis, a que essas altera&ccedil;&otilde;es     estruturantes muitas vezes conduzem.</p>       <p>Num estudo desenvolvido por Vivacqua <i>et al</i>. (2009), estes autores referem     serem in&uacute;meros os desafios e obst&aacute;culos que t&ecirc;m sido observados nestes     processos de gest&atilde;o, em que &eacute; requerida a participa&ccedil;&atilde;o dos atores-chave no     processo de decis&atilde;o, dada a aus&ecirc;ncia de compromisso     e pouca participa&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, bem como a fraca participa&ccedil;&atilde;o da     popula&ccedil;&atilde;o local, que muitas vezes se ausenta dos trabalhos, contrariando o princ&iacute;pio     da cidadania ativa e participativa, que estabelece que todos os planos de     gest&atilde;o elaborados pelos Estados devem ser desenvolvidos com a participa&ccedil;&atilde;o     efetiva dos atores sociais envolvidos no processo.</p>     <p>O     estudo em aprecia&ccedil;&atilde;o versa o debate acad&eacute;mico sobre a viabilidade de     implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias alternativas relativas ao desenvolvimento em zonas     costeiras protegidas, no cen&aacute;rio da globaliza&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica, que caracteriza     as sociedades modernas,  em particular a zona do Estado de     S. Catarina no Brasil. A linha de argumenta&ccedil;&atilde;o alude primeiramente a     perspectiva de aplica&ccedil;&atilde;o do conceito de desenvolvimento territorial sustent&aacute;vel     ao processo em curso de cria&ccedil;&atilde;o de um sistema de gest&atilde;o integrada e     participativa do litoral. Numa outra abordagem, apresenta uma vis&atilde;o panor&acirc;mica     do processo de normatiza&ccedil;&atilde;o dos instrumentos utilizados no Sistema de Gest&atilde;o de     Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o no Brasil, oferecendo uma s&iacute;ntese do processo de     constru&ccedil;&atilde;o do projeto de Gest&atilde;o Integrada das Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o Marinho-Costeiras     do Estado de Santa Catarina. Em seguida, houve que estudar o potencial contido     na abordagem territorial do desenvolvimento para a consolida&ccedil;&atilde;o do processo de     integra&ccedil;&atilde;o no Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, tendo presente as     diversas abordagens requeridas, entre as quais a participa&ccedil;&atilde;o de agentes e     atores numa representa&ccedil;&atilde;o interessante do ponto de vista da amplia&ccedil;&atilde;o da     participa&ccedil;&atilde;o das comunidades locais na gest&atilde;o do patrim&oacute;nio natural e cultural     costeiro.</p>       <p>Segundo     Santos (2011), no seu trabalho sobre a sustentabilidade relativa ao impacto da     cria&ccedil;&atilde;o da Reserva Natural das Ilhas Berlengas (RNB), no seio da comunidade     piscat&oacute;ria da cidade de Peniche, houve que modelar procedimentos e organizar     uma estrutura de trabalho assente em entrevistas explorat&oacute;rias feitas a     pescadores, bem como a t&eacute;cnicos do ICNB (atualmente, ICNF), que permitiram em     fase posterior caracterizar a realidade social encontrada no terreno, com vista     ao encontro de solu&ccedil;&otilde;es e conclus&otilde;es para a gest&atilde;o de eventuais conflitos. Relativamente     a este estudo, no qual encontr&aacute;mos similitude entre as duas realidades, a desta     popula&ccedil;&atilde;o e a da Lagoa de Santo Andr&eacute;, tivemos em conta a sua abordagem &agrave;     gest&atilde;o dos recursos e sua sustentabilidade, face a um organismo tutelar, bem     como seu contributo para o Estado da Arte.</p>       <p>Um     outro projeto num contexto semelhante: o MARgov do Instituto do Mar (IMAR),     visou capacitar agentes para a mudan&ccedil;a, ao n&iacute;vel da governa&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel dos     oceanos, pelo refor&ccedil;o do di&aacute;logo entre os atores, assim como real&ccedil;ar a dimens&atilde;o     humana e social na gest&atilde;o das &aacute;reas marinhas protegidas (AMP). Tendo como     enfoque a resolu&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica relativa &agrave; governan&ccedil;a e &agrave; fraca &nbsp;participa&ccedil;&atilde;o dos atores locais na gest&atilde;o do     Parque Marinho     Professor Luiz Saldanha do Parque Natural da Arr&aacute;bida, o projeto regista outro     exemplo desenvolvido em Portugal sobre esta tem&aacute;tica, tendo obtido resultados     assinal&aacute;veis ao n&iacute;vel da capacita&ccedil;&atilde;o de agentes para a governa&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel     dos oceanos, refor&ccedil;ando o di&aacute;logo ecossocial na resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos,     vincando as compet&ecirc;ncias e a corresponsabiliza&ccedil;&atilde;o de todos os atores na     cogest&atilde;o participada, modulando saberes e conhecimento, num processo de     articula&ccedil;&atilde;o entre os diversos tipos de conhecimento (tradicional, cultural,     t&eacute;cnico&#8209;cient&iacute;fico), bem como criando sinergias para fomentar a troca de     saberes, experi&ecirc;ncias e boas pr&aacute;ticas entre os diferentes atores, visando a     constru&ccedil;&atilde;o de novo conhecimento para obten&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es colaborativas     (Vasconcelos <i>et al</i>., 2012).</p>     <p>No caso da Lagoa de Santo Andr&eacute;, assistimos a     um processo quase natural, de grande necessidade de ordenamento costeiro, tendo     sido desenvolvido nos anos oitenta do s&eacute;culo XX, um plano Diretor Municipal de     ordenamento urbano que, em rigor, a CMSC, de parceria com o Minist&eacute;rio do     Ambiente, executou de forma brilhante, segundo Jos&eacute; Eduardo     Evangelista Franco Cheis, vereador da edilidade &agrave; &eacute;poca, mas aqu&eacute;m das     expectativas do desenvolvimento esperado pela popula&ccedil;&atilde;o, a quem tinha sido     prometida a execu&ccedil;&atilde;o de um plano de desenvolvimento sustent&aacute;vel, ambicioso e     que traria mais&#8209;valias sociais, econ&oacute;micas e ambientais &agrave; regi&atilde;o (Cheis, <i> com. pess</i> .).</p>       <p>Esta povoa&ccedil;&atilde;o tem a     particularidade de ter no seu dom&iacute;nio territorial um espa&ccedil;o lagunar inserido na     Reserva Natural das Lagoas de Santo Andr&eacute; e Sancha, tendo sido neste     enquadramento, espa&ccedil;o lagunar e povoa&ccedil;&atilde;o do mesmo nome, que centr&aacute;mos este     estudo, tendo como matriz a perce&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es face &agrave; sustentabilidade das     zonas costeiras.</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>5.     Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>       <p><b>5.1.     Refletindo Sobre os Resultados</b></p>       <p>A     antiga povoa&ccedil;&atilde;o oferece agora um ar desolador e n&atilde;o se vislumbra no imediato     que se altere este estado de coisas, carecendo esta zona de um projeto de     recupera&ccedil;&atilde;o que vise a sustentabilidade e o pendor ambiental e econ&oacute;mico que     dignifique a zona costeira e que com isso promova a equidade social.</p>       <p>No     mesmo contexto de ordenamento, &eacute; criada a RNLSAS (Reserva Natural da Lagoa de     Santo Andr&eacute; e Sancha) e, posteriormente, o ICNF, entidade/autoridade que passa     a determinar os novos procedimentos, no que &agrave; &aacute;rea protegida concerne. A pesca     passa a ser regrada sob a chancela legislativa cujas determina&ccedil;&otilde;es s&atilde;o     veiculadas em editais de pesca todos os anos.</p>       <p>A pesca na lagoa continuou e continua, da     forma que agora se apresenta. Foi criada a Zona de Pesca Profissional, os     pescadores organizaram&#8209;se, associaram-se e, acima de tudo, interessaram&#8209;se     n&atilde;o s&oacute; pelos seus recursos, enquanto esta atividade lhes pode trazer algum     proveito, como pela preserva&ccedil;&atilde;o da lagoa e das esp&eacute;cies que nela habitam.</p>       <p>Este     estudo n&atilde;o encontra uma problem&aacute;tica derivada do conceito inicial, que apontava     a deslocaliza&ccedil;&atilde;o da povoa&ccedil;&atilde;o como fator determinante para que se perdesse, com     isso, a tradi&ccedil;&atilde;o, os saberes e o legado da tradi&ccedil;&atilde;o oral, aliados &agrave; perda da     identidade que caracterizava esta gente. A profunda altera&ccedil;&atilde;o de paradigma, na     qual se inclui a deslocaliza&ccedil;&atilde;o desta povoa&ccedil;&atilde;o, &eacute; que foi determinante para que     fosse esquecida a mem&oacute;ria e a tradi&ccedil;&atilde;o, que agora se procura recuperar e     preservar.</p>       <p>Na     realidade, no &acirc;mbito do prop&oacute;sito da referida perce&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es face &agrave;     sustentabilidade, encontr&aacute;mos neste estudo explorat&oacute;rio, mat&eacute;ria digna de nota     no que &agrave; pesca da lagoa refere, mas tamb&eacute;m iniciativas aut&aacute;rquicas louv&aacute;veis,     para a preserva&ccedil;&atilde;o da identidade, dos saberes e tradi&ccedil;&atilde;o do povo antigo da     lagoa.</p>       <p>Os     pescadores s&atilde;o agora uma popula&ccedil;&atilde;o envelhecida, vindos na sua maioria da &aacute;rea     circundante, em detrimento de uma meia d&uacute;zia origin&aacute;ria da Lagoa de Santo     Andr&eacute;, que lutam obstinadamente para que a pesca     continue, para que seja poss&iacute;vel trazer gente nova a esta faina antiga e para     que a lagoa n&atilde;o morra, asfixiada em processos de ordenamento e conserva&ccedil;&atilde;o da     natureza que, embora fundamentais para garantir a continuidade dos servi&ccedil;os dos     ecossistemas, geram conflito com as popula&ccedil;&otilde;es locais devido a uma aus&ecirc;ncia de     di&aacute;logo aberto entre as partes interessadas.</p>       <p>Os resultado dos inqu&eacute;ritos aos pescadores     mostram a necessidade de maior discuss&atilde;o e maior envolvimento dos mesmos,     desencantados com o estado a que se chegou, mormente pela falta de di&aacute;logo     existente entre o ICNF e a sua representante, a AAPACSACV, conscientes de que,     unidos e sendo ouvidos, pode muita coisa mudar e melhorar a bem do interesse     geral, disponibilizando&#8209;se para estarem presentes sempre e quando     instados a faz&ecirc;&#8209;lo, para que alguns dos seus anseios pudessem ser ouvidos     ou pudessem ser esclarecidos para um entendimento cabal das limita&ccedil;&otilde;es impostas     pelo ICNF, atrav&eacute;s dos seus Editais.</p>       <p>Algo na realidade mudou de forma inequ&iacute;voca.     Veja&#8209;se que, ao manterem&#8209;se cerca de trinta a trinta e cinco     pescadores no ativo, pese embora o registo discut&iacute;vel das suas capturas,     podemos concluir que o valor m&eacute;dio do total pescado por ano, se nos centrarmos     apenas nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos (os melhores), rondar&aacute; as 13 toneladas/ano.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se considerarmos um valor m&eacute;dio de 10 &euro;, o     pre&ccedil;o/kg do pescado no seu todo, chegamos ao seguinte racioc&iacute;nio: 1300/35 x     10/12 = 309 &euro;, o que &eacute; o rendimento mensal, sujeito a carga fiscal. Por&eacute;m,     frequentemente, tal n&atilde;o sucede, dado que grande parte do pescado entra     diretamente na alimenta&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias. Ou seja, o investimento em embarca&ccedil;&otilde;es     e aprestos, licenciamentos e outros custos tamb&eacute;m financiam generosamente esta     arte antiga, n&atilde;o deixando morrer a tradi&ccedil;&atilde;o, sendo pouco compensat&oacute;ria em     termos de proveitos, s&oacute; sendo poss&iacute;vel, porque, na sua maioria, os pescadores     det&ecirc;m outras fontes de rendimento para a sua subsist&ecirc;ncia.</p>       <p>Os pescadores pretendem que se criem condi&ccedil;&otilde;es     para a acomoda&ccedil;&atilde;o das suas redes e aparelhos e que sejam estudadas altera&ccedil;&otilde;es     ao regulamento da pesca, nomeadamente no que se refere &agrave;s dimens&otilde;es e n&uacute;mero de     aparelhos autorizados, &agrave; altera&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo de defeso, ao per&iacute;metro     delimitado de pesca; pretendem tamb&eacute;m que se olhe para as condi&ccedil;&otilde;es de     equil&iacute;brio do ecossistema, permitindo a interven&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel do homem para o     seu restabelecimento; e pretendem ainda que, acima de tudo, o saber cient&iacute;fico     n&atilde;o descure a sabedoria popular e saibam comunicar sem complexos, para que se     n&atilde;o perca esta joia lagunar, ber&ccedil;o milenar de tradi&ccedil;&otilde;es, de um equil&iacute;brio     extraordin&aacute;rio e fonte de rendimento para os homens e mulheres que souberam, em     tempos idos, dignificar a arte da pesca na lagoa, levando o seu pescado ao     reconhecimento da sua superior qualidade, apreciado aqu&eacute;m e al&eacute;m&#8209;fronteiras.</p>       <p>Em     s&iacute;ntese, existe na comunidade piscat&oacute;ria a consci&ecirc;ncia e uma preocupa&ccedil;&atilde;o     ambiental no que ao equil&iacute;brio e manuten&ccedil;&atilde;o do ecossistema lagunar diz     respeito, a par de uma preocupa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica que visa a recupera&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o     envolvente e uma outra, porventura mais premente tendo em conta a sua     atividade, que aponta a regulamenta&ccedil;&atilde;o da pesca, que consideram lesiva dos seus     interesses, acentuando a manifesta falta de di&aacute;logo entre a sua associa&ccedil;&atilde;o e o     ICNF.</p>       <p>O     problema ligado &agrave; pesca surge de forma abrangente, multidisciplinar, ou seja:     ele centra&#8209;se em tr&ecirc;s eixos, nomeadamente, a pesca, o ambiente e o desenvolvimento     econ&oacute;mico, que os atores-chave do referido workshop elegeram como priorit&aacute;rios.</p>       <p>O ICNF refuta parte das propostas colocadas pelos     pescadores, considerando algumas dignas de nota, mas diz&#8209;se desencantado     pela incapacidade criada no processo de comunica&ccedil;&atilde;o entre os atores.</p>       <p><b>5.2. Sugest&otilde;es de Propostas     Futuras</b></p>       <p>Para     que fossem aclaradas as discuss&otilde;es sobre este relato, entendemos apresentar um     conjunto de medidas a serem implementadas, de forma a melhorar a gest&atilde;o     integrada desta zona costeira:</p>   <ul>       <li>O desenvolvimento de uma estrat&eacute;gia ou um plano integrador de cariz ambiental,     social e econ&oacute;mico, que promova a qualidade e sustentabilidade a todos os     n&iacute;veis desta zona do pa&iacute;s de reconhecido potencial;</li>       <li>A     requalifica&ccedil;&atilde;o da bacia hidrogr&aacute;fica, ao n&iacute;vel da recupera&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea     volum&eacute;trica da lagoa, bem como o restabelecimento de procedimentos que evitem a     degrada&ccedil;&atilde;o das suas &aacute;guas em processos de eutrofiza&ccedil;&atilde;o, promovendo regras e     fiscaliza&ccedil;&atilde;o a montante.</li>       <li>Prop&otilde;e-se ainda que, no terreno, o ICNF possa     articular a melhor solu&ccedil;&atilde;o e procedimentos que promovam, respetivamente:</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>A fiscaliza&ccedil;&atilde;o e controlo de efluentes lan&ccedil;ados nas linhas de &aacute;gua que desaguam na lagoa;</li>       <li>A execu&ccedil;&atilde;o     de boas pr&aacute;ticas agr&iacute;colas, bem como a interven&ccedil;&atilde;o e acompanhamento dos     trabalhos ao n&iacute;vel da limpeza de margens de cursos de &aacute;gua ou outros que,     potencialmente, possam provocar o transporte de mat&eacute;ria residual para a lagoa;</li>       <li>O     di&aacute;logo e participa&ccedil;&atilde;o efetiva de todos os atores-chave na elabora&ccedil;&atilde;o de     regulamentos de pesca profissional;</li>       <li>A     avalia&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es de cariz popular, sustentadas em saberes ancestrais, quer     sobre a pesca, quer sobre o ambiente;</li>       <li>O     esclarecimento oportuno dos pescadores sobre a determina&ccedil;&atilde;o de atitudes     legislativas e outras a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o que possam, na aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o,     poder gerar conflitos;</li>       <li>A     comunica&ccedil;&atilde;o, na vertente relativa &agrave; efici&ecirc;ncia e efic&aacute;cia, para que se n&atilde;o     perca o di&aacute;logo;</li>       <li>Pugnar     pelos leg&iacute;timos interesses do ambiente e pela preserva&ccedil;&atilde;o e melhoria da     qualidade do espelho de &aacute;gua lagunar;</li>       <li>A     resolu&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica pesca e pescadores, consensualizando solu&ccedil;&otilde;es que     satisfa&ccedil;am as partes, propondo, pela justeza argumentativa, altera&ccedil;&otilde;es ao     quadro legislativo, sempre que o momento o justifique, tornando os modelos     harmonizados, n&atilde;o est&aacute;ticos e n&atilde;o redutores;</li>       <li>A     participa&ccedil;&atilde;o de entidade exterior que modere a discuss&atilde;o dos problemas ou que     facilite a comunica&ccedil;&atilde;o entre os atores-chave, no sentido da resolu&ccedil;&atilde;o de     diferendos resultantes de falha na comunica&ccedil;&atilde;o entre as partes.</li>     </ul>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As     regras, normas e a consciencializa&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o ambiental, carecem de um     sentir institu&iacute;do por pr&aacute;ticas did&aacute;cticas e pedag&oacute;gicas com alcance global, que     envolva todos os atores, numa &eacute;tica ambiental e de responsabilidade social,     acrescida da participa&ccedil;&atilde;o dos Estados em termos de legisla&ccedil;&atilde;o, que conduza aos     princ&iacute;pios da preven&ccedil;&atilde;o, do desenvolvimento sustent&aacute;vel, e     da defesa dos recursos naturais.&nbsp;</p>       <p>“A Constituição portuguesa estabelece um conjunto de     princípios fundamentais em matéria de ambiente – como seja o da prevenção, o do     desenvolvimento sustentável, o do aproveitamento racional dos recursos, um     processo forçosamente lento de consciencialização social e de integração efetiva     no ordenamento jurídico de novas ideias” (Silva, 2002).</p>       <p><b>5. 3.     Conclus&otilde;es</b></p>       <p>A     perce&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es locais face &agrave; sustentabilidade das zonas costeiras, no     caso da Lagoa de Santo Andr&eacute;, foi o tema escolhido para a elabora&ccedil;&atilde;o deste     estudo explorat&oacute;rio. <u></u></p>       <p>A     conclus&atilde;o final deste projeto demonstra inequivocamente que a perce&ccedil;&atilde;o das     popula&ccedil;&otilde;es face &agrave; sustentabilidade da zona costeira em estudo, n&atilde;o det&eacute;m a     esperada correspond&ecirc;ncia e situa-se num n&iacute;vel de enorme contesta&ccedil;&atilde;o,     relativamente &agrave; gest&atilde;o do ICNF, o que, no entender do explorador, deriva de uma     m&aacute; estrat&eacute;gia ao n&iacute;vel da comunica&ccedil;&atilde;o entre os atores-chave do processo.</p>       <p>Ou     seja, por esse motivo, instalou&#8209;se o descr&eacute;dito na popula&ccedil;&atilde;o     relativamente a projectos em geral e aos que visem a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental no     que ao espelho de &aacute;gua se refere, assim como &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de iniciativas que     potenciem o desenvolvimento econ&oacute;mico desta regi&atilde;o ou que promovam a informa&ccedil;&atilde;o     sobre a atividade de seu interesse, a pesca na lagoa.</p>       <p>Podemos     concluir estar em presen&ccedil;a de um caleidosc&oacute;pio de problemas que s&atilde;o sentidos     por todas as partes envolvidas no processo da sustentabilidade desta zona     costeira e que s&atilde;o aguardadas, com prem&ecirc;ncia, decis&otilde;es e projetos emanados da     gest&atilde;o p&uacute;blica e organismos ao mais alto n&iacute;vel, tendo sido apresentadas neste     estudo explorat&oacute;rio, poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es que podem levar a uma melhor gest&atilde;o     desta zona da orla mar&iacute;tima no quadro da &aacute;rea lagunar.</p>     <p>Real&ccedil;amos     a import&acirc;ncia de ser equacionada a participa&ccedil;&atilde;o de uma entidade facilitadora,     que modere a discuss&atilde;o dos problemas ou que facilite a gest&atilde;o de conflitos     entre os atores-chave, concluindo&#8209;se ser a falha na comunica&ccedil;&atilde;o entre     atores, o principal problema encontrado pelo explorador neste projeto.</p>       <p>No     quadro de desenvolvimentos futuros, &eacute; reconhecida a prem&ecirc;ncia de estudos     continuados que avaliem e monitorizem a efetiva&ccedil;&atilde;o de editais e o grau de     satisfa&ccedil;&atilde;o das partes envolvidas no processo, com enfoque para a comunidade   piscat&oacute;ria da Lagoa de Santo Andr&eacute;.</p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b>     <b>     </h1>   </b></p>       <!-- ref --><p>Bogdan, R.; Biklen, S. (1994) -     Caracter&iacute;sticas da Investiga&ccedil;&atilde;o Qualitativa. <i>In:</i> <i>Investiga&ccedil;&atilde;o Qualitativa     em Educa&ccedil;&atilde;o:</i> <i>Uma Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Teoria     e aos M&eacute;todos</i>, pp.47-51, Porto Editora, Porto, Portugal. ISBN:     978-9720341129. (dispon&iacute;vel em <a href="http://www.sepq.org.br/IIsipeq/anais/pdf/poster1/05.pdf" target="_blank">http://www.sepq.org.br/IIsipeq/     anais/pdf/poster1/05.pdf</a> ).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S1646-8872201400030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Dias, J.A.; Mahiques, M.M.; Cearreta, A. (2012) &#8209;     Gest&atilde;o Costeira: Resultado de uma Rela&ccedil;&atilde;o D&uacute;bia entre o Homem e a Natureza. <i>Revista     da Gest&atilde;o Costeira Integrada,</i> 12(1):3&#8209;6.     DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.5894/rgci331" target="_blank">10.5894/rgci331</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S1646-8872201400030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>ERENA (2005) &#8209; <i>Plano de Ordenamento da Reserva     Natural das Lagoas de Santo Andr&eacute; e da Sancha</i>. <i>1&ordf; fase</i> <i>&#8209; Caracteriza&ccedil;&atilde;o. Parte 1: Estudos de base.</i>130&nbsp;p.,  ERENA &ndash; Ordenamento e Gest&atilde;o de Recursos Naturais, Lisboa, Portugal.  <i>N&atilde;o     Publicado</i>.</p>       <p>Escoval, A.; Silva,     C.T. da; Freitas, C.; Pereira, F.M.; Bernardo, J.M.; Matias, J.; Fonseca, L.C.     (2003) &ndash; <i>O Homem,&nbsp; a&nbsp; Terra&nbsp; e&nbsp; a Lagoa</i>. 40&nbsp; p.,     Cadernos do Patrim&oacute;nio, C&acirc;mara Municipal de Santiago do Cac&eacute;m, Santiago do     Cac&eacute;m, Portugal.</p>       <p>Presid&ecirc;ncia     do Conselho de Ministros (2009) - Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm;     82/2009 [Estrat&eacute;gia Nacional para a Gest&atilde;o Integrada da Zona Costeira].<i> Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica</i>[8 de Setembro], 1.&ordf; s&eacute;rie, 174:6056&#8209;6088, Lisboa, Portugal. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://dre.pt/pdf1sdip/2009/09/17400/0605606088.pdf" target="_blank">http://dre.pt/pdf1sdip/2009/09/17400/060560 6088.pdf</a>.</p>       <!-- ref --><p>Fonseca, L. Cancela     da.; Bernardo, J.M.; Costa, A.M.; Cruz, T. (1993) &#8209; Lagoa de Santo Andr&eacute;:     Sistema Litoral Produtivo mas Fr&aacute;gil. <i>Actas     do Encontro sobre a Lagoa de Santo Andr&eacute;</i>, pp.&nbsp; 29&#8209;42,     Associa&ccedil;&atilde;o Cultural de Santiago do Cac&eacute;m, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S1646-8872201400030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Gerhardt, C.H.; Almeida, J. (2005) - A dial&eacute;tica     dos campos sociais na interpreta&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica ambiental: uma an&aacute;lise     cr&iacute;tica a partir de diferentes leituras sobre os problemas ambientais. <i>Ambiente &amp;     Sociedade</i>,     8(2):53-84, Campinas, SP, Brasil. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S1414-753X2005000200004" target="_blank">10.1590/S1414&#8209;753X2005000200004</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S1646-8872201400030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Minist&eacute;rio da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do     Territ&oacute;rio (2012) <i>&#8209; Decreto&#8209;Lei     n.&ordm; 135/2012</i> [Org&acirc;nica,     Estatutos e Organograma do ICNF]. <i>Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica</i>>[<i>29     de</i><i> junho de 2012</i>], 1.&ordf; s&eacute;rie,125:3326&#8209;3330, Lisboa, Portugal.     Dispon&iacute;vel em <a href="http://dre.pt/pdf1sdip/2012/06/12500/0332603330.pdf" target="_blank">http://dre.pt/pdf1sdip/2012/06/12500/03326     03330.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p>Leal, C.R.B. (2012) - <i>Comunidades     tradicionais da zona costeira cearense</i>. <i>Uma     An&aacute;lise da Percep&ccedil;&atilde;o dos Diferentes Atores Sociais de Canoa Quebrada e Vila do     Estev&atilde;o Sobre o Processo de Moderniza&ccedil;&atilde;o Vivenciado por Essas Popula&ccedil;&otilde;es</i>.     151p., Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade Federal do Cear&aacute;, Fortaleza, CE,     Brasil. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/4022" target="_blank">http://www.repositorio. ufc.br/handle/riufc/4022</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S1646-8872201400030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Luyet, V.:     Schlaepfer, R.; Parlange, M.B.; Buttler, A. (2012) &#8209; A framework to     implement Stakeholder participation in environmental projects ,<i> Journal of Environmental Management,</i> 111:213&#8209;219. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.jenvman.2012.06.026" target="_blank">10.1016/j.jenvman.2012.06.026</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S1646-8872201400030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Madeira, J. (1993) &#8209; Santo Andr&eacute; no     s&eacute;culo XIX: O Homem e a Lagoa. <i>Actas do     Encontro sobre a Lagoa de Santo Andr&eacute;</i>, pp. &nbsp;45&#8209;64, Associa&ccedil;&atilde;o     Cultural de Santiago do Cac&eacute;m, Santiago do Cac&eacute;m, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S1646-8872201400030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Minist&eacute;rio da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas     (2004) &ndash; <i>Portaria n&ordm; 86/2004</i>[Zona de     Pesca Profissional na Lagoa de Santo Andr&eacute;]. Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica [<i>8 de Janeiro de 2004</i>], 2&ordf; S&eacute;rie,     6:227&#8209;229, Lisboa, Portugal. Dispon&iacute;vel em <a href="http://dre.pt/pdf2sdip/2004/01/006000000/0022700229.pdf" target="_blank">http://dre.pt/pdf2sdip/2004/01/006000000/0022700229.pdf</a>.</p>       <p>Minist&eacute;rio do Ambiente e do Ordenamento do Territ&oacute;rio     (2000) &#8209; <i>Decreto Regulamentar n&ordm;     10/2000</i>[Reserva Natural das Lagoas de Santo Andr&eacute; e Sancha]. Di&aacute;rio da     Rep&uacute;blica [<i>22 de Agosto de 2000]</i>, 1&ordf; S&eacute;rie&#8209;B,     193:4240&#8209;4245, Lisboa, Portugal. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.dre.pt/pdfgratis/2000/08/193B00.PDF" target="_blank"> http://www.dre.pt/pdfgratis/2000/08/193B00.PDF</a>.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Quivy, R.; Campenhoudt, L.V. (1998). &#8209; <i>Manual de Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Sociais</i>. [tradu&ccedil;&atilde;o do original     franc&ecirc;s Manuel de recherche en sciences sociales, Dunod, Paris,  1995]. 284&nbsp;p., Gradiva, Lisboa, Portugal. ISBN: 978-9726622758&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S1646-8872201400030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Santos, A. (2011) <i>&#8209; O Papel dos Conhecimentos e dos Modos de Vida Local no     Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, Estudo Explorat&oacute;rio Sobre o Impacto da Reserva     Natural das Ilhas Berlengas na Comunidade Piscat&oacute;ria.</i>135&nbsp;p.,     Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Cidadania Ambiental e Participa&ccedil;&atilde;o, Universidade     Aberta, Lisboa, Portugal. Dispon&iacute;vel em <a href="https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/1938" target="_blank">https://repositorio     aberto.uab.pt/handle/10400.2/1938</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S1646-8872201400030000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Serrano, G.P. (2004) &#8209; <i>Investigaci&oacute;n Cualitativa I: Retos e     Interrogantes &ndash; M&eacute;todos</i>. 232&nbsp;p., La Muralla, Madrid, Espanha. ISBN:     978&#8209;8471336286.</p>       <!-- ref --><p>Silva, A.M. (1869) &#8209; <i>Annaes do Munic&iacute;pio de Sant&acute;iago de Cacem</i>.   280&nbsp;p., Imprensa Nacional, Lisboa. Portugal. Dispon&iacute;vel em <a href="https://archive.org/details/annaesdomunicipi00silv" target="_blank">https://archive.org/details/annaesdomunicipi00silv</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S1646-8872201400030000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Silva, V.P. (2002) &#8209; <i>Verde Cor de Direito.</i> <i>Li&ccedil;&otilde;es de Direito do Ambiente.</i>294&nbsp;p.,     Livraria Almedina, Coimbra, Portugal. ISBN: 9724016528.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S1646-8872201400030000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Vasconcelos, L.; Caser, U.; Pereira. M.J.; Gon&ccedil;alves, G.;     S&aacute;, R. (2012) &#8209; MARGOV Building Social Sustainability. <i>Journal     of Coastal Conservation</i>,   16(4):16:523&#8209;530, DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1007/s11852-012-0189-0" target="_blank">10.1007/s11852-012-0189-0.</a></p>       <p>Vasconcelos, L.T. (2006) &#8209; O Exerc&iacute;cio     da Cidadania pela Participa&ccedil;&atilde;o Popular. <i>In:     Um Outro Mundo &eacute; Poss&iacute;vel&hellip;mas N&atilde;o Ser&aacute; F&aacute;cil!,</i> pp.21-27, Edi&ccedil;&otilde;es Colibri,     Lisboa, Portugal. ISBN: 9727726631.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Vasconcelos, L.T., Caser, U. (2011) &#8209;     Participa&ccedil;&atilde;o e M&eacute;todos Interativos na Decis&atilde;o Ambiental &#8209; <i>Teoria e Pr&aacute;tica</i>. UAB, maio 2011,     16&nbsp;p., Lisboa, Portugal. <i>N&atilde;o     publicado</i>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S1646-8872201400030000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vivacqua, M.; Santos R.; Vieira, P.F. (2009) &#8209; Governan&ccedil;a     territorial em zonas costeiras protegidas: uma avalia&ccedil;&atilde;o explorat&oacute;ria da     experi&ecirc;ncia catarinense<i>>.</i> <i>Desenvolvimento e     Meio Ambiente</i> (ISSN: 1518&#8209;952X), 19:159&#8209;171, Editora UFPR, Curitiba, PR, Brasil.     Dispon&iacute;vel em <a href="http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/made/article/viewFile/13759/10891" target="_blank">http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/made/article/viewFile/13759/10891 </a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S1646-8872201400030000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wakashima, M.A.;     Capellari, B. (2010) &#8209;     Globaliza&ccedil;&atilde;o e Deslocaliza&ccedil;&atilde;o, Uma An&aacute;lise do Crescimento do Turismo     Residencial do Mediterr&acirc;neo Espanhol e no Litoral Nordestino e Seus Impactos     Socioambientais, 11&nbsp;p., <i>Revista Inicia&ccedil;&atilde;o</i> (ISSN: 2179&#8209;474X),   1(1):33&#8209;43, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistainiciacao/wp-content/uploads/2013/07/9.pdf" target="_blank">http://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistainiciacao/wp&#8209;content/uploads/2013/07/9.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S1646-8872201400030000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a>Submission: 16 FEB 2014; Peer review: 13 MAR 2014; Revised: 28 APR 2014; Accepted: 2 JUN 2014; Available on-line: 16 SET 2014</p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b>Anexos:</b></p>       <p>Os Anexos do artigo "Perce&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es locais face &agrave; sustentabilidade dos servi&ccedil;os das zonas costeiras: o caso da Lagoa de Santo Andr&eacute;, Portugal", de Santinhos <i>et al.</i> (2014), est&atilde;o dispon&iacute;veis como Informa&ccedil;&atilde;o Suplementar em <a href="http://www.aprh.pt/rgci/rgci472-Santinhos_SuplMat.pdf" target="_blank">http://www.aprh.pt/rgci/rgci472-Santinhos_SuplMat.pdf</a></p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Bogdan]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Características da Investigação Qualitativa]]></article-title>
<source><![CDATA[Investigação Qualitativa em Educação: Uma Introdução à Teoria e aos Métodos]]></source>
<year>1994</year>
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<publisher-name><![CDATA[Porto Editora]]></publisher-name>
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<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gestão Costeira: Resultado de uma Relação Dúbia entre o Homem e a Natureza]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista da Gestão Costeira Integrada]]></source>
<year>2012</year>
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