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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gestão Ambiental Portuária: fragilidades, desafios e potencialidades no porto do Rio Grande, RS, Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Lately established when compared to the international scenario, the port environmental management in Brazil is mainly based on the processes of environmental licensing. The conditions of these license processes reflect how management is not related to environmental planning, but instead in mitigating existing impacts. In addition, environmental management occurs in a fragmented way and not in phase with port development, arising the need of national policies that allow connections between port processes with environmental sustainability. This article describes the results of a detailed diagnosis of the processes of environmental planning and management of the Port of Rio Grande, RS - Brazil, as a representative of the Brazilian port subsector, whose model of environmental management is still fragmented and barely implemented. The work also reflects the experience of the first author who acted for some time under the Division of Environment, Health and Safety in the Port of Rio Grande (DMASS). It was developed based on a qualitative research methodology applied to document analyses and semi-structured interviews with key actors involved in the actions of port planning and management environmental at national and local levels. The institutional experiences at DMASS was shown as a positive methodological tool for conducting the qualitative assessment of the critical processes related to port environmental management. The interviews, in turn, permitted a better basis on issues of public policy and environmental governance within the port environment, becoming a key part to corroborate the information gathered during the research. Finally, based on this analysis, the paper describes the weaknesses, challenges and potential of port environmental management at the Port of Rio Grande, which can allow support to decision-making at the local level and, at the same time, to contribute to the improvements of environmental management processes in other Brazilian ports.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[costeiro]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[análise qualitativa]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b> / ARTICLE</p>     <p><b>Gest&atilde;o Ambiental Portu&aacute;ria: fragilidades, desafios e potencialidades no porto do Rio Grande, RS, Brasil<a href="#0">*</a><a name="top0"></a></b></p>     <p><b>Port Environmental Management: weaknesses, challenges and opportunities in the Port of Rio Grande, RS, Brazil</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Andr&eacute;ia Vigolo Louren&ccedil;o<sup>@,1</sup>; Milton Lafourcade Asmus<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>@</sup>Corresponding author to whom correspondence should be addressed.</p>     <p><sup>1</sup>Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Instituto de Oceanografia, Laborat&oacute;rio de Gerenciamento Costeiro, Av. It&aacute;lia, km 8 S/N. Campus Carreiros. Rio Grande, RS, CEP 96201-900, Brasil. e-mails: Louren&ccedil;o ; Asmus &lt;<a href="mailto:andreia.vigolo@gmail.com">andreia.vigolo@gmail.com</a>&gt;; &lt;<a href="mailto:docasmus@furg.br">docasmus@furg.br</a>&gt;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade />     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Estabelecida tardiamente em compara&ccedil;&atilde;o ao cen&aacute;rio internacional, a gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria no Brasil ocorre principalmente com base nos processos de licenciamento ambiental. As condicionantes destes processos licenciat&oacute;rios refletem o quanto a gest&atilde;o n&atilde;o est&aacute; embasada no planejamento ambiental, mas na mitiga&ccedil;&atilde;o de impactos j&aacute; existentes. Al&eacute;m disso, a gest&atilde;o ambiental ocorre de forma fragmentada e descompassada com o desenvolvimento portu&aacute;rio, sendo necess&aacute;rias pol&iacute;ticas nacionais que permitam articular os processos produtivos portu&aacute;rios com sustentabilidade ambiental. Este artigo descreve os resultados de um diagn&oacute;stico detalhado dos processos de gest&atilde;o e planejamento ambiental do Porto do Rio Grande, RS - Brasil, enquanto elemento representativo do subsetor portu&aacute;rio brasileiro, cujo modelo de gest&atilde;o ambiental ainda &eacute; fragmentado e de implementa&ccedil;&atilde;o incipiente. Este trabalho reflete a experi&ecirc;ncia da primeira autora no &acirc;mbito da Divis&atilde;o de Meio Ambiente, Sa&uacute;de e Seguran&ccedil;a do Trabalho no Porto do Rio Grande (DMASS). Ele foi desenvolvido com base em uma metodologia de pesquisa qualitativa que se utilizou de sistematiza&ccedil;&atilde;o documental e entrevistas estruturadas com os principais atores envolvidos nas a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o e planejamento ambiental portu&aacute;rio em &acirc;mbito nacional e local. Como ferramentas metodol&oacute;gicas, as viv&ecirc;ncias institucionais na DMASS demonstraram-se positivas para a realiza&ccedil;&atilde;o de uma avalia&ccedil;&atilde;o qualitativa cr&iacute;tica dos processos de gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria. As entrevistas, por sua vez, permitiram um maior embasamento sobre temas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ambientais e governan&ccedil;a dentro da conjuntura portu&aacute;ria, tornando-se pe&ccedil;a chave para corroborar com as informa&ccedil;&otilde;es levantadas ao longo da pesquisa. Por fim, com base nesta an&aacute;lise, o trabalho relata as fragilidades, desafios e potencialidades da gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria no Porto do Rio Grande, que permitem dar suporte &agrave;s tomadas de decis&atilde;o em n&iacute;vel local e, concomitantemente, contribuir para melhorias dos processos de gest&atilde;o ambiental nos demais portos brasileiros.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> costeiro, an&aacute;lise qualitativa, manejo ambiental, zona costeira, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas</p> <hr size="1" noshade />     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Lately established when compared to the international scenario, the port environmental management in Brazil is mainly based on the processes of environmental licensing. The conditions of these license processes reflect how management is not related to environmental planning, but instead in mitigating existing impacts. In addition, environmental management occurs in a fragmented way and not in phase with port development, arising the need of national policies that allow connections between port processes with environmental sustainability. This article describes the results of a detailed diagnosis of the processes of environmental planning and management of the Port of Rio Grande, RS - Brazil, as a representative of the Brazilian port subsector, whose model of environmental management is still fragmented and barely implemented. The work also reflects the experience of the first author who acted for some time under the Division of Environment, Health and Safety in the Port of Rio Grande (DMASS). It was developed based on a qualitative research methodology applied to document analyses and semi-structured interviews with key actors involved in the actions of port planning and management environmental at national and local levels. The institutional experiences at DMASS was shown as a positive methodological tool for conducting the qualitative assessment of the critical processes related to port environmental management. The interviews, in turn, permitted a better basis on issues of public policy and environmental governance within the port environment, becoming a key part to corroborate the information gathered during the research. Finally, based on this analysis, the paper describes the weaknesses, challenges and potential of port environmental management at the Port of Rio Grande, which can allow support to decision-making at the local level and, at the same time, to contribute to the improvements of environmental management processes in other Brazilian ports.</p>     <p><b>Keywords:</b> coastal management, qualitative analysis, environmental management, coastal zone policies</p> <hr size="1" noshade />     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As opera&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias, mesmo sendo consideradas atividades de car&aacute;ter estrat&eacute;gico e indispens&aacute;vel para o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social, n&atilde;o est&atilde;o isentas de implica&ccedil;&otilde;es ambientais. Nesse caso, a exist&ecirc;ncia dos portos est&aacute; necessariamente atrelada &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es do ambiente no qual est&atilde;o inseridos. Tal atividade envolve tanto estruturas quanto processos complexos e, ao mesmo tempo em que os portos foram e t&ecirc;m sido consequ&ecirc;ncia do desenvolvimento e globaliza&ccedil;&atilde;o, funcionando como promotores do mesmo, as dimens&otilde;es ambientais, naturais e urbanas no cotidiano das atividades portu&aacute;rias tamb&eacute;m devem ser priorizadas. Dessa forma, o desenvolvimento ambientalmente adequado dos portos tem se tornado imperativo em todos os graus. Sociedade, atores e clientes enxergam esse desenvolvimento como uma necessidade para a aceita&ccedil;&atilde;o dos portos em escala econ&ocirc;mica. Nesse sentido, cada vez mais a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental vem exigindo dos gestores portu&aacute;rios agir em um caminho ambientalmente mais adequado, pois a pr&aacute;tica tem mostrado que essa postura pode tamb&eacute;m se tornar uma importante raz&atilde;o comercial (ESPO, 2003).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma an&aacute;lise detalhada dos sistemas portu&aacute;rios indica que suas atividades n&atilde;o se resumem apenas aos aspectos de manuseio de carga, que acontecem na beira do cais e em suas adjac&ecirc;ncias. Seus processos tamb&eacute;m envolvem consequ&ecirc;ncias ambientais, sendo que, muitas vezes, essas consequ&ecirc;ncias v&atilde;o al&eacute;m dos limites legais desses portos (AAPA, 1998; Porto, 2011). Projetos de expans&atilde;o de instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias ocasionam altera&ccedil;&otilde;es na din&acirc;mica costeira, podendo induzir altera&ccedil;&otilde;es na linha de costa, supress&atilde;o de ecossistemas marinhos ou costeiros, altera&ccedil;&otilde;es na paisagem, al&eacute;m do comprometimento dos recursos ambientais para outros usos como turismo, pesca e transporte local (Cunha, 2008).</p>     <p>Comumente atrelada &agrave;s atividades portu&aacute;rias est&aacute; a ind&uacute;stria petrol&iacute;fera, a qual, por meio da instala&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o de plataformas e dutos, interfere diretamente na qualidade ambiental da zona costeira, influenciando o crescimento de cidades e interferindo nas atividades socioecon&ocirc;micas das popula&ccedil;&otilde;es locais (AAPA, 1998). As dragagens para manuten&ccedil;&atilde;o do calado de navega&ccedil;&atilde;o e manobras de atraca&ccedil;&atilde;o/desatraca&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m figuram como outras atividades do setor portu&aacute;rio que resultam em impactos ambientais, causando modifica&ccedil;&otilde;es na hidrodin&acirc;mica e no equil&iacute;brio sedimentar do ambiente.</p>     <p>Esse cen&aacute;rio pode ser agravado devido ao uso inadequado do solo ao longo da bacia de drenagem que des&aacute;gua nos canais de navega&ccedil;&atilde;o dos portos. Consequentemente, isso pode implicar no aumento da demanda por dragagens de manuten&ccedil;&atilde;o (GLMRI, 2009; ANTAQ, 2014). A presen&ccedil;a de instala&ccedil;&otilde;es subutilizadas, por outro lado, significa tamb&eacute;m um consumo desnecess&aacute;rio do meio ambiente, implicando no desperd&iacute;cio de recursos naturais e financeiros (Porto &amp; Teixeira, 2002).</p>     <p>Portanto, de maneira geral os impactos ambientais devem ser sistematizados com base em todos os seus aspectos, levando em considera&ccedil;&atilde;o os componentes ambientais e sociais existentes no contexto local. A identifica&ccedil;&atilde;o e compila&ccedil;&atilde;o desses fatores consiste no primeiro passo para a tomada de decis&otilde;es, na busca de um controle ambiental eficiente e efetivo e tal embasamento pode apoiar a implementa&ccedil;&atilde;o de instrumentos t&eacute;cnicos na adequa&ccedil;&atilde;o ambiental dos sistemas portu&aacute;rios. Na posse de informa&ccedil;&otilde;es adequadas, os gestores podem ent&atilde;o definir medidas que objetivem a corre&ccedil;&atilde;o de eventuais falhas operacionais e estruturais que possam convergir para impactos ambientais em seus s&iacute;tios. A gest&atilde;o deixa de focar unicamente nos aspectos operacionais dos servi&ccedil;os portu&aacute;rios oferecidos e passa a levar em considera&ccedil;&atilde;o seu desempenho ambiental. Aliado a isso, a regulariza&ccedil;&atilde;o da atividade portu&aacute;ria junto a &oacute;rg&atilde;os ambientais competentes pode encaminhar a preven&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o dos impactos, bem como a recupera&ccedil;&atilde;o dos ambientes degradados (Chircop &amp; Linden, 2006; Louren&ccedil;o, 2012).</p>     <p>Conciliar a atividade de transporte com um efetivo controle de emerg&ecirc;ncias em sa&uacute;de p&uacute;blica nos fluxos de passageiros e cargas &eacute; outro dos grandes desafios a serem enfrentados atualmente pelo setor portu&aacute;rio em &acirc;mbito global. Mas, de maneira geral, perante o desafio de promover o desenvolvimento da atividade portu&aacute;ria em harmonia com meio ambiente, ela deve ser possu&iacute;da de uma l&oacute;gica de planejamento e implementa&ccedil;&atilde;o de suas estruturas que contenham, de modo efetivo e eficaz, par&acirc;metros de ajustes aos aspectos naturais locais, com prote&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o ambiental (ANTAQ, 2011; Porto, 2011). Nesse sentido, diversas t&ecirc;m sido as a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas globalmente com o intuito de compatibilizar a log&iacute;stica portu&aacute;ria com a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, cujas proposi&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido contempladas em diversos &acirc;mbitos. Algumas dessas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o destacadas a seguir.</p>     <p><b>1.1.	O contexto internacional: a&ccedil;&otilde;es voltadas para o planejamento ambiental dos portos</b></p>     <p>Em 2005, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) instituiu o Regulamento Sanit&aacute;rio Internacional (RSI),uma base para ser adequada especificamente em cada pa&iacute;s e constitu&iacute;da por diversas determina&ccedil;&otilde;es para as capacidades b&aacute;sicas dos portos (al&eacute;m de aeroportos e passagens de fronteiras terrestres). A implementa&ccedil;&atilde;o desse regulamento visa n&atilde;o apenas ajudar os pa&iacute;ses a gerenciar a propaga&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as, como os diversos tipos de pandemias, monitorando os diferentes meios de transporte; mas tamb&eacute;m, por meio de acordos entre os pa&iacute;ses, especificar os direitos e deveres de cada Estado quanto &agrave; propaga&ccedil;&atilde;o das mesmas. Outra grande preocupa&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o da descarga oleosa junto &agrave; &aacute;gua de lastro dos navios. Essa quest&atilde;o &eacute; bem reconhecida internacionalmente e, para atend&ecirc;-la, tem sido buscados meios portu&aacute;rios adequados de recep&ccedil;&atilde;o desses componentes, requeridos atrav&eacute;s da MARPOL 73/78 (WBG, 2001). Indo al&eacute;m da &aacute;gua de lastro, a MARPOL estabelece regras para a preven&ccedil;&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o marinha provocada pelos navios de forma geral (&oacute;leo e outras formas de polui&ccedil;&atilde;o). Em adi&ccedil;&atilde;o a essa preocupa&ccedil;&atilde;o, a Conven&ccedil;&atilde;o Internacional sobre Mobiliza&ccedil;&atilde;o de Recursos, Resposta e Coopera&ccedil;&atilde;o contra Polui&ccedil;&atilde;o por &Oacute;leo (OPRC/1990) busca estabelecer coopera&ccedil;&otilde;es visando sistemas de resposta imediata de acidentes, atrav&eacute;s de instrumentos como Planos de Emerg&ecirc;ncia e regramentos para preven&ccedil;&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o causada por diversos tipos de subst&acirc;ncias (ANTAQ, 2011).</p>     <p>No &acirc;mbito dos Sistemas de Gest&atilde;o Ambiental Portu&aacute;ria, algumas institui&ccedil;&otilde;es possuem maior destaque na sua atua&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, representadas pela IMO (International Maritime Organization), ECOPORTS (ECOPORTS Foundation), ESPO (European Sea Ports Organization), e FEPORT (Federation of European Private Port Operators). Por outro lado, no cen&aacute;rio internacional portu&aacute;rio, Kitzmann &amp; Asmus (2006) alertam que, apesar de os indicadores demonstrarem grandes avan&ccedil;os na log&iacute;stica dos portos com base no pre&ccedil;o dos servi&ccedil;os, no tempo de espera de navios e valores investidos, eles n&atilde;o evidenciam a realidade portu&aacute;ria como um todo. Exemplo disso s&atilde;o v&aacute;rias quest&otilde;es trabalhistas (j&aacute; que a mecaniza&ccedil;&atilde;o se faz com a dispensa de m&atilde;o-de-obra portu&aacute;ria), a qualifica&ccedil;&atilde;o profissional (ainda aqu&eacute;m das necessidades dos tomadores de servi&ccedil;o) e a pr&oacute;pria gest&atilde;o ambiental. Porto (2011) corrobora com essa assertiva ao afirmar que, globalmente, as atitudes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; prote&ccedil;&atilde;o ambiental n&atilde;o foram iguais em tempo e nem em intensidade, raz&atilde;o pela qual hoje se busca uma uniformiza&ccedil;&atilde;o dessas a&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Pensando nessa uniformiza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es, a Organiza&ccedil;&atilde;o dos Portos Mar&iacute;timos da Europa tem identificado, desde o ano de 1996, as dez prioridades ambientais para os portos europeus, tendo como crit&eacute;rio de an&aacute;lise a geografia e a dimens&atilde;o portu&aacute;ria. Dessa forma, foram identificadas para o &uacute;ltimo quadri&ecirc;nio, por ordem de prioridade: 1 - qualidade do ar; 2 - res&iacute;duos portu&aacute;rios; 3 - consumo de energia; 4 - ru&iacute;dos; 5 - res&iacute;duos navais; 6 - rela&ccedil;&otilde;es com a comunidade local; 7 - opera&ccedil;&otilde;es de dragagem; 8 - contamina&ccedil;&atilde;o do ar; 9 - desenvolvimento do porto em terra; 10 - qualidade da &aacute;gua. Essa ferramenta tem permitido enxergar de que maneira essas duas caracter&iacute;sticas condicionam quali e quantitativamente diferentes desafios ambientais; e, como base nisso, respaldam a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de gest&atilde;o com base em cada caracter&iacute;stica. A partir disso, tem sido poss&iacute;vel evidenciar, por exemplo, que portos localizados em estu&aacute;rios tendem a enfrentar mudan&ccedil;as relacionadas a dragagens, tanto com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es quanto ao descarte de sedimentos. Por outro lado, esses tipos de portos enfrentam menos problemas relacionados &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o do ar, qualidade da &aacute;gua e rela&ccedil;&otilde;es com a comunidade local (ESPO, 2013). Dessa forma, a metodologia de identifica&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise desses elementos, com potencial para ser aplicado em qualquer contexto portu&aacute;rio, permite estabelecer pr&aacute;ticas de gest&atilde;o com um embasamento profundo e sist&ecirc;mico de acordo com cada contexto; uma ferramenta integradora, mas que parte da premissa de individualidade de cada sistema portu&aacute;rio.</p>     <p><b>1.2.	O Cen&aacute;rio Nacional: potencialidades e fragilidades da gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Brasil, muitas das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para a &aacute;rea ambiental dos portos brasileiros refletem a internaliza&ccedil;&atilde;o desses acordos internacionais, voltados principalmente para quest&otilde;es de seguran&ccedil;a portu&aacute;ria. Por outro lado, a inadequa&ccedil;&atilde;o de algumas pol&iacute;ticas nacionais se expressa pelo fato de que a dimens&atilde;o ambiental n&atilde;o foi contemplada de forma decisiva na implementa&ccedil;&atilde;o das recentes reformas do setor portu&aacute;rio brasileiro (Kitzmann &amp; Asmus, 2006). Essa quest&atilde;o torna-se imprescind&iacute;vel para a gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria, pois, segundo Porto (2011), o sistema produtivo somente incorpora novos padr&otilde;es se eles estiverem em regulamentos compuls&oacute;rios, como as leis, ou quando esses dispositivos adicionais trazem vantagens competitivas. Em adi&ccedil;&atilde;o a isso, tal fato &eacute; corroborado pela aus&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas e detalhadas de gest&atilde;o ambiental contida na Lei dos Portos (Lei n&ordm; 8.630, de 25 de fevereiro de 1993), mas sim apenas leves nuances de obriga&ccedil;&otilde;es de se zelar pelo meio ambiente, uma exig&ecirc;ncia muito vaga ao tentar se pensar no &acirc;mbito da preven&ccedil;&atilde;o, planejamento e mitiga&ccedil;&atilde;o dos impactos ambientais das atividades portu&aacute;rias.</p>     <p>A partir do ano de 2013, com a nova Lei dos Portos (Lei n&ordm; 12.815, de 5 de junho de 2013), foram contemplados alguns elementos ambientais, mas ainda de forma restrita e sint&eacute;tica: 1&ndash; emiss&atilde;o, pelo &oacute;rg&atilde;o licenciador, do termo de refer&ecirc;ncia para os estudos ambientais com vistas ao licenciamento como requisito para a instala&ccedil;&atilde;o portu&aacute;ria; 2 &ndash; monitoramento ambiental como uma das atividades do Programa Nacional de Dragagem; 3 &ndash; compet&ecirc;ncia da administra&ccedil;&atilde;o portu&aacute;ria em zelar pela realiza&ccedil;&atilde;o das atividades com respeito ao meio ambiente. Apesar de se ter avan&ccedil;ado no &acirc;mbito das dragagens (com a inclus&atilde;o do monitoramento ambiental no Plano Nacional de Dragagem), esse ponto ainda representa apenas um n&oacute; inserido na imensa rede de elementos ambientais que deveriam ser considerados pelas administra&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias; al&eacute;m disso, &eacute; poss&iacute;vel observar que estes tr&ecirc;s elementos n&atilde;o d&atilde;o respaldo para a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas, mas apenas conceitos gerais voltados para a gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria.</p>     <p>Conforme previsto pela legisla&ccedil;&atilde;o, toda atividade econ&ocirc;mica que cause significativo impacto no meio ambiente deve ser submetida ao licenciamento ambiental independente de outras autoriza&ccedil;&otilde;es exigidas por lei. No caso dos portos, o licenciamento ambiental &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o legal, pr&eacute;via &agrave; instala&ccedil;&atilde;o de qualquer empreendimento no qual h&aacute; planejamento de infraestrutura portu&aacute;ria. A compet&ecirc;ncia para autorizar e monitorar essa obriga&ccedil;&atilde;o &eacute; compartilhada pelos &oacute;rg&atilde;os integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA: &oacute;rg&atilde;os estaduais de meio ambiente e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis &ndash; IBAMA. Ainda assim, o cumprimento desses marcos regulat&oacute;rios permanece problem&aacute;tico em raz&atilde;o da falta de conscientiza&ccedil;&atilde;o, aus&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es de infra-estrutura, recursos financeiros, tecnologias e pessoal capacitado, tanto por parte dos regulados quanto dos reguladores (Kitzmann &amp; Asmus, 2006).</p>     <p>Dessa forma, o licenciamento ambiental apresenta-se ainda muito incipiente no contexto portu&aacute;rio, j&aacute; que a maioria dos portos n&atilde;o est&aacute; adequadamente regulamentada. No cen&aacute;rio atual brasileiro, dos 44 portos existentes, apenas 23 possuem Licen&ccedil;a de Opera&ccedil;&atilde;o (LO) v&aacute;lida ou em processo de renova&ccedil;&atilde;o junto ao &oacute;rg&atilde;o ambiental competente, e oito est&atilde;o completamente irregulares em seu processo de regulariza&ccedil;&atilde;o ambiental (ANTAQ, 2013a). Ainda neste contexto, seis portos n&atilde;o possuem LO, mas est&atilde;o contemplados no Programa Federal de Apoio &agrave; Regulariza&ccedil;&atilde;o e Gest&atilde;o Ambiental Portu&aacute;ria (PRGAP)<a href="#1">1</a><a name="top1"></a>. Esse Programa foi criado com a finalidade de promover e apoiar, de forma continuada, a regulariza&ccedil;&atilde;o ambiental dos portos e terminais portu&aacute;rios, no intuito de compatibilizar a necessidade de sua opera&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o &agrave;s normas ambientais vigentes. Entretanto, ao se considerar pontualmente o licenciamento ambiental portu&aacute;rio, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o direta equivalente entre a regulariza&ccedil;&atilde;o ambiental e a manuten&ccedil;&atilde;o da qualidade ambiental dos portos atrav&eacute;s de uma gest&atilde;o eficiente. Essa rela&ccedil;&atilde;o vai muito al&eacute;m dos car&aacute;teres formais.</p>     <p>De maneira geral, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que os portos considerados em melhor situa&ccedil;&atilde;o no quesito gest&atilde;o ambiental s&atilde;o os instalados mais recentemente, uma vez que foram idealizados e implementados j&aacute; na conjuntura das pol&iacute;ticas ambientais nacionais. Em contrapartida, os portos instalados anteriormente a estas pol&iacute;ticas ambientais - destacadamente a Lei do &Oacute;leo (Lei n&deg; 9966, de 28 de Abril de 2000) e a primeira Lei dos Portos (Lei n&deg; 8.630, de 25 de fevereiro de 1993), apresentam problemas tais como estruturas abandonadas, &aacute;reas inadequadas para as atividades de log&iacute;sticas (Louren&ccedil;o, 2012) ou pol&iacute;ticas que levam a conflitos de compet&ecirc;ncias de gest&atilde;o. Kitzmann &amp; Asmus (2006) abordam essa problem&aacute;tica, ao afirmarem que as pol&iacute;ticas ambientais portu&aacute;rias representam um reflexo dos desafios trazidos pela implementa&ccedil;&atilde;o das reformas portu&aacute;rias a partir da Lei de Moderniza&ccedil;&atilde;o Portu&aacute;ria.</p>     <p>Assim, considerando as pol&iacute;ticas portu&aacute;rias nacionais ainda incipientes no que concerne &agrave; dimens&atilde;o ambiental, o caso de estudo deste trabalho est&aacute; contextualizado nesse cen&aacute;rio (ainda que com a primeira Licen&ccedil;a de Ambiental emitida por &oacute;rg&atilde;o ambiental para um Porto Organizado no Brasil), na pr&aacute;tica sua gest&atilde;o ambiental ainda encontra-se aqu&eacute;m do ideal em termos ambientais (IBAMA, 2014, Louren&ccedil;o, 2012). Por fim, considerando tais aspectos, o objetivo central deste estudo &eacute; de avaliar elementos de gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria, estruturados a partir de um diagn&oacute;stico qualitativo de um porto brasileiro relevante e, com base nisso, propor novas estrat&eacute;gias que servir&atilde;o de base para processos de governan&ccedil;a em &acirc;mbito nacional.</p>     <p>Portanto, como foi poss&iacute;vel evidenciar, ainda h&aacute; quest&otilde;es n&atilde;o resolvidas e em desacordo ao novo modelo portu&aacute;rio. Tais indicadores permanecem pouco considerados no cen&aacute;rio brasileiro, dificultando o padr&atilde;o desejado e necess&aacute;rio para o estabelecimento de uma gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria s&oacute;lida e eficaz, capaz de garantir a sustentabilidade e qualidade do setor (Kitzmann &amp; Asmus, 2006). A delimita&ccedil;&atilde;o desse problema leva a uma an&aacute;lise que objetiva &agrave; metodologia descrita a seguir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Metodologia</b></p>     <p>A determina&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio geral deste trabalho foi constru&iacute;do com base em instrumentos metodol&oacute;gicos de bibliogr&aacute;fica e documental sobre gest&atilde;o e pol&iacute;ticas ambientais portu&aacute;rias foram constru&iacute;dos os cen&aacute;rios nacional e internacional no qual o Porto do Rio Grande est&aacute; inserido, tanto com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua import&acirc;ncia estrat&eacute;gica de movimenta&ccedil;&atilde;o de cargas quanto pela sua import&acirc;ncia ambiental. Portanto, tendo como base os principais marcos internacionais e todos os dispositivos legais no contexto ambiental portu&aacute;rio no Brasil, foi poss&iacute;vel realizar um diagn&oacute;stico detalhado da situa&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria nesses dois &acirc;mbitos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Objetivando realizar uma an&aacute;lise intensiva e aprofundada da gest&atilde;o ambiental no Porto do Rio Grande, utilizou-se a metodologia do <i>estudo de caso</i>, definido por Godoy (1995). Para embas&aacute;-lo foi realizada uma coleta de dados orientada para a caracteriza&ccedil;&atilde;o do sistema portu&aacute;rio-industrial de Rio Grande (Estado do Rio Grande do Sul), enfatizando as a&ccedil;&otilde;es relacionadas ao licenciamento ambiental do Porto Organizado, permitindo analisar a sua situa&ccedil;&atilde;o institucional, bem como a integra&ccedil;&atilde;o desse sistema &agrave;s demais atividades e seus principais impactos. Somado a isso, essas informa&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas foram combinadas &agrave; experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica adquirida na rotina do Porto do Rio Grande (bem como viv&ecirc;ncias <i>in loco</i>) entre os anos de 2011 a 2013, atrav&eacute;s de atividades realizadas na Divis&atilde;o de Meio Ambiente, Sa&uacute;de e Seguran&ccedil;a (DMASS) em quest&otilde;es relacionadas &agrave; Gest&atilde;o Ambiental Portu&aacute;ria.</p>     <p>Tamb&eacute;m foram realizadas <i>entrevistas estruturadas</i> (Gil, 2008) com os principais atores e representantes de institui&ccedil;&otilde;es inseridas no contexto analisado. Foram realizadas, no total, 10 entrevistas com representantes de institui&ccedil;&otilde;es chave no planejamento, administra&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o portu&aacute;ria no Brasil, sendo elas: Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov&aacute;veis (IBAMA), Ag&ecirc;ncia Nacional de Transportes Aquavi&aacute;rios (ANTAQ), Minist&eacute;rio do Meio Ambiente (MMA), Comiss&atilde;o Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) e Secretaria Especial de Portos (SEP). Dessa forma, a an&aacute;lise documental e o referencial te&oacute;rico foram respaldados pelas respostas obtidas nas entrevistas, o que exigiu uma escolha cuidadosa de atores representativos. Todas as entrevistas ocorreram em Bras&iacute;lia, DF, em agosto de 2011, na sede das institui&ccedil;&otilde;es, com t&eacute;cnicos, coordenadores e gestores relacionados &agrave;s a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas no &acirc;mbito da gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria, vinculadas ao licenciamento ambiental ou planejamento e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o setor. Os dados coletados a partir das entrevistas foram organizados atrav&eacute;s de, basicamente, duas etapas: 1) transcri&ccedil;&atilde;o total das entrevistas; 2) organiza&ccedil;&atilde;o dos dados e informa&ccedil;&otilde;es coletadas e an&aacute;lise sistem&aacute;tica de semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as de discurso (Gil, 2008).</p>     <p>Como ferramentas metodol&oacute;gicas, as viv&ecirc;ncias institucionais na DMASS demonstraram-se positivas para a realiza&ccedil;&atilde;o de uma avalia&ccedil;&atilde;o qualitativa cr&iacute;tica (Ramires e Pess&ocirc;a, 2009) dos processos de gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria. As entrevistas, por sua vez, permitiram um maior embasamento sobre temas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ambientais e governan&ccedil;a dentro da conjuntura portu&aacute;ria, tornando-se pe&ccedil;as chaves para corroborar com as informa&ccedil;&otilde;es levantadas ao longo da pesquisa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Descri&ccedil;&atilde;o da &Aacute;rea de Estudo &ndash; O Porto Organizado  do Rio Grande<a href="#2">2</a><a name="top2"></a></b></p>     <p>O Porto do Rio Grande, porto em an&aacute;lise neste trabalho, est&aacute; localizado no sul do Brasil, inserido na Plan&iacute;cie Costeira do Estado do Rio Grande do Sul (RS), junto ao munic&iacute;pio de Rio Grande, situado no baixo estu&aacute;rio da Lagoa dos Patos (32&deg; 07&rsquo; 20&rdquo; S e 52&deg; 05&rsquo; 32&rdquo; W) O munic&iacute;pio de Rio Grande limita-se ao Norte pelo munic&iacute;pio de Pelotas e a Lagoa dos Patos; ao Sul pelo munic&iacute;pio de Santa Vit&oacute;ria do Palmar; &agrave; Leste pelo Oceano Atl&acirc;ntico; e a Oeste com os munic&iacute;pios de Pelotas e Arroio Grande atrav&eacute;s da Lagoa Mirim e Canal de S&atilde;o Gon&ccedil;alo (Koehler &amp; Asmus, 2010). A &aacute;rea de influ&ecirc;ncia do Porto do Rio Grande compreende os Estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, o Uruguai, o norte da Argentina e o sul do Paraguai (<a href="/img/revistas/rgci/v15n2/15n2a07f1.jpg" target="_blank">Figura 1</a>).</p>     
<p>O Sistema Portu&aacute;rio em quest&atilde;o representa um importante marco hist&oacute;rico nacional nas adequa&ccedil;&otilde;es ambientais portu&aacute;rias, uma vez que foi o primeiro porto organizado a obter uma licen&ccedil;a ambiental junto ao &oacute;rg&atilde;o federal de meio ambiente (IBAMA, 2005; IBAMA, 2014). Tal fato torna-se significativo, uma vez que Rio Grande enquadra-se entre os dez portos que concentraram cerca de 90% da movimenta&ccedil;&atilde;o dos portos organizados brasileiros no &uacute;ltimo trimestre de 2013 e por ter apresentado nesse per&iacute;odo um incremento de 1,2 milh&atilde;o de toneladas em termos de crescimento de toneladas movimentadas (ANTAQ, 2013b), justificando a relev&acirc;ncia estrat&eacute;gica do seu estudo.</p>     <p>No ano de 2013, o Porto do Rio Grande movimentou 20,5 milh&otilde;es de toneladas em carga, apresentando um crescimento excepcional de 20,3% em rela&ccedil;&atilde;o a 2012, sendo respons&aacute;vel por 2,2% de toda movimenta&ccedil;&atilde;o observada nas instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias brasileiras em 2013 (ANTAQ, 2013b). Atualmente, encontra-se entre os 23 portos com a licen&ccedil;a em vigor no Brasil (ANTAQ, 2013a). Entretanto, isso n&atilde;o exime a necessidade de analis&aacute;-lo sob o ponto de vista da gest&atilde;o ambiental, principalmente ao se considerar a complexidade log&iacute;stica de seus terminais (Koehler &amp; Asmus, 2009).</p>     <p>No porto s&atilde;o descarregados diariamente desde gran&eacute;is l&iacute;quidos e s&oacute;lidos, carga geral, cont&ecirc;ineres, pescados e ve&iacute;culos; al&eacute;m de uma grande maioria dos terminais contar tamb&eacute;m com atividades industriais (constru&ccedil;&atilde;o naval, industrial petroqu&iacute;mica, fertilizantes e alimentos) associadas em sua retro&aacute;rea. Em 2013, as principais mercadorias movimentadas em Rio Grande foram representadas pela soja, fertilizantes e adubos, combust&iacute;veis e &oacute;leos minerais, arroz, bem como a movimenta&ccedil;&atilde;o de cont&ecirc;ineres, cujas principais mercadorias foram arroz, pl&aacute;sticos e suas obras, carnes de aves congeladas e fumo e derivados (ANTAQ, 2013b).</p>     <p>Portanto, como &eacute; poss&iacute;vel evidenciar, o Porto do Rio Grande possui uma intensa industrializa&ccedil;&atilde;o de suas &aacute;reas, principalmente em fun&ccedil;&atilde;o da tipologia de cargas movimentadas e do Distrito Industrial adjacente, associado ao Porto Organizado. Por isso, o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os demanda o tratamento ambiental de suas &aacute;reas, a come&ccedil;ar pela incorpora&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es ambientais em todas as suas atividades.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>4.	A Gest&atilde;o Ambiental do Porto do Rio Grande</b></p>     <p>As &aacute;reas ocupadas pelo Porto Organizado do Rio Grande s&atilde;o dividas da seguinte forma: (1) Porto Velho; (2) Porto Novo, ambos adjacentes &agrave; &aacute;rea urbana do munic&iacute;pio de Rio Grande; (3) Superporto, que se encontra junto ao Distrito Industrial do Rio Grande (DIRG), pr&oacute;ximo aos Molhes da Barra, e (4) S&atilde;o Jos&eacute; do Norte, ainda n&atilde;o ocupada e considerada como &aacute;rea de expans&atilde;o. A distribui&ccedil;&atilde;o espacial das atividades na &Aacute;rea de Porto Organizado segue um agrupamento por tipologia de cargas conforme o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento Portu&aacute;rio (PDZPO), um instrumento b&aacute;sico de planejamento estrat&eacute;gico aprovado pelas entidades administrativas do Porto do Rio Grande (SUPRG, 2012).</p>     <p>As instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias do Porto Velho concentram atividades pesqueiras e comunit&aacute;rias, incluindo transporte de passageiros, lazer e pesquisa cient&iacute;fica. Essa zona concentra dois estaleiros, instala&ccedil;&otilde;es da Marinha do Brasil, al&eacute;m de um posto de abastecimento de embarca&ccedil;&otilde;es. Na regi&atilde;o do Porto Novo, caracterizado como cais p&uacute;blico com onze ber&ccedil;os de atraca&ccedil;&atilde;o, se concentram atividades de movimenta&ccedil;&atilde;o com carga geral. As instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias do Porto Velho concentram atividades pesqueiras e comunit&aacute;rias, incluindo transporte de passageiros, lazer e pesquisa cient&iacute;fica. Essa zona concentra dois estaleiros, instala&ccedil;&otilde;es da Marinha, desembarque de autom&oacute;veis, fertilizantes e outros tipos de gran&eacute;is s&oacute;lidos, l&iacute;quidos, al&eacute;m da movimenta&ccedil;&atilde;o de cont&ecirc;ineres e montagem de estruturas navais. O setor conhecido como Superporto concentra terminais privativos especializados, arrendados pela Autoridade Portu&aacute;ria, assim como uma s&eacute;rie de ind&uacute;strias localizadas no Distrito Industrial, adjacentes &agrave; &aacute;rea do Porto Organizado. No total existem 1.500 m de cais acost&aacute;veis de diferentes estruturas, destinados a terminais de fertilizantes, gran&eacute;is l&iacute;quidos, gran&eacute;is s&oacute;lidos e cont&ecirc;ineres (Koehler &amp; Asmus, 2010).</p>     <p>Fazendo parte da autarquia que administra o Porto Organizado, a Divis&atilde;o de Meio Ambiente, Sa&uacute;de e Seguran&ccedil;a (DMASS) &eacute; o setor respons&aacute;vel pela garantia da qualidade ambiental no Porto do Rio Grande. Inserida na Superintend&ecirc;ncia do Porto do Rio Grande (SUPRG), a DMASS &eacute; respons&aacute;vel pela coordena&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o ambiental em toda a &aacute;rea do porto organizado (<a href="/img/revistas/rgci/v15n2/15n2a07f2.jpg" target="_blank">Figura 2</a>). As a&ccedil;&otilde;es dizem respeito principalmente ao cumprimento das condicionantes da Licen&ccedil;a de Opera&ccedil;&atilde;o n&deg; 003/97, emitida pelo &Oacute;rg&atilde;o Ambiental competente, referente &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias para toda a &aacute;rea do Porto Organizado e vencida em 21 de outubro de 2013 (IBAMA, 2005; IBAMA, 2014)<a href="#3">3</a><a name="top3"></a>.</p>     
<p>Atualmente o Porto do Rio Grande encontra-se em processo de renova&ccedil;&atilde;o de sua licen&ccedil;a, aguardando a emiss&atilde;o do documento de renova&ccedil;&atilde;o pelo &Oacute;rg&atilde;o Ambiental. De acordo com o &uacute;ltimo Parecer T&eacute;cnico do IBAMA (PAR. 007077/2013 COPAH/IBAMA), referente ao Atendimento &agrave;s Condicionantes Espec&iacute;ficas da Licen&ccedil;a de Opera&ccedil;&atilde;o n&deg; 03/1997 (Renova&ccedil;&atilde;o), das 16 condicionantes estabelecidas, nenhuma foi totalmente atendida, estando 4 avaliadas como N&atilde;o Atendidas; 2 consideradas Em Atendimento e 6 (dos 7 itens referentes ao Monitoramento Ambiental) tamb&eacute;m avaliados como Em Atendimento; 5 Parcialmente Atendidas e 4 a serem avaliadas posteriormente (IBAMA, 2014).</p>     <p>A partir das viv&ecirc;ncias institucionais no Porto do Rio Grande, atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o de trabalhos t&eacute;cnicos na DMASS durante 48 meses, foi poss&iacute;vel analisar a rotina de trabalho com rela&ccedil;&atilde;o aos processos burocr&aacute;ticos, administrativos, log&iacute;sticos e, at&eacute; mesmo, pol&iacute;ticos dentro de um setor administrativo do Porto do Rio Grande. Isso levou, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a um contato direto com a&ccedil;&otilde;es de cunho ambiental e um aprofundamento no entendimento do gerenciamento processual dos aspectos voltados &agrave; gest&atilde;o ambiental. O entendimento pr&aacute;tico das a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o foi muito al&eacute;m do esperado, uma vez que trouxe uma oportunidade de gerenciar a&ccedil;&otilde;es buscando o cumprimento de todas as condicionantes do licenciamento ambiental, e ter um contato direto com os atores envolvidos no processo, dentre eles gestores de terminais privados, trabalhadores portu&aacute;rios, terceirizados portu&aacute;rios.</p>     <p>Dessa forma, a partir disso foi poss&iacute;vel apontar algumas fragilidades observadas ao longo do trabalho na Divis&atilde;o de Meio Ambiente, as quais comprometem n&atilde;o s&oacute; a gest&atilde;o ambiental integrada, mas em seu sentido mais amplo, toda a qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o nas proximidades do porto, a pr&oacute;pria gest&atilde;o ambiental do munic&iacute;pio e, consequentemente todo o processo de gerenciamento costeiro na regi&atilde;o. Tanto do ponto de vista institucional quanto sob um enfoque operacional, foram vivenciadas algumas fragilidades na Gest&atilde;o Ambiental do Porto do Rio Grande. As principais s&atilde;o listadas a seguir:</p> <ul>       <li>A rela&ccedil;&atilde;o da Administra&ccedil;&atilde;o Portu&aacute;ria (Superintend&ecirc;ncia) com os &oacute;rg&atilde;os ambientais ainda &eacute; fragmentada e desestruturada;</li>       <li>A exist&ecirc;ncia de problemas burocr&aacute;ticos, principalmente com rela&ccedil;&atilde;o a Relat&oacute;rios, Planos e Programas, comprometendo a fluidez e agilidade nas tomadas de decis&otilde;es; </li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>H&aacute; pouca articula&ccedil;&atilde;o entre as Licen&ccedil;as das Instala&ccedil;&otilde;es Portu&aacute;rias dos Terminais Alfandegados e a Licen&ccedil;a do Porto Organizado. A Autoridade Portu&aacute;ria (SUPRG) n&atilde;o disp&otilde;e da informa&ccedil;&atilde;o completa sobre o que &eacute; solicitado pelo &oacute;rg&atilde;o de controle ambiental do Estado (Funda&ccedil;&atilde;o Estadual de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental &ndash; FEPAM) aos terminais e vice-versa;</li>       <li>H&aacute; falta de uma melhor percep&ccedil;&atilde;o por parte de alguns funcion&aacute;rios no que concerne &agrave;s quest&otilde;es ambientais, resqu&iacute;cio de um contexto anterior &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o ambiental vigente;</li>       <li>H&aacute; pend&ecirc;ncias burocr&aacute;ticas e institucionais n&atilde;o resolvidas entre os per&iacute;odos de gest&otilde;es sucessivas, dificultando o andamento das a&ccedil;&otilde;es. A transi&ccedil;&atilde;o de gest&otilde;es seguidamente significa a descontinuidade do quadro funcional da DMASS, gerando lacunas gerenciais e, principalmente, de informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias &agrave; gest&atilde;o com a necess&aacute;ria qualidade e agilidade;</li>       <li>A utiliza&ccedil;&atilde;o inadequada ou subutiliza&ccedil;&atilde;o de algumas condicionantes da Licen&ccedil;a Ambiental, como &eacute; o caso dos Programas de Monitoramento Ambiental. Embora concebido como um instrumento de respaldo &agrave; tomada de decis&otilde;es inseridas em uma Gest&atilde;o Ambiental Portu&aacute;ria Integrada, o monitoramento n&atilde;o tem sido utilizado desta forma, pois as informa&ccedil;&otilde;es geradas n&atilde;o. Os programas de monitoramento, de forma geral, n&atilde;o aportam informa&ccedil;&otilde;es que tenha contribu&iacute;do para ajustes e adapta&ccedil;&otilde;es no modo e da gest&atilde;o conduzida, caracterizando-se, ami&uacute;de, como uma obrigatoriedade da Licen&ccedil;a de Opera&ccedil;&atilde;o.</li>     </ul>     <p>Considerado um importante instrumento de gest&atilde;o, o Conselho de Gest&atilde;o Ambiental do Porto do Rio Grande (CGAPRG) foi criado com o intuito de integrar e articular as a&ccedil;&otilde;es de manejo no Porto Organizado. O CGAPRG &eacute; composto por representantes de empresas e institui&ccedil;&otilde;es tanto da &aacute;rea portu&aacute;ria quanto retroportu&aacute;ria que, de maneira cooperativa, buscam contribuir para a integra&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da gest&atilde;o ambiental na sua &aacute;rea de influ&ecirc;ncia (SUPRG, 2012). De car&aacute;ter apenas consultivo e de assessoramento ambiental, o CGAPRG re&uacute;ne-se mensalmente na sede da DMASS para discutir e encaminhar a&ccedil;&otilde;es de planejamento ambiental para o porto.</p>     <p>Entre agosto de 2011 e abril de 2013 foram acompanhadas 21 reuni&otilde;es do CGAPRG, ocorridas mensalmente, as quais contam com a participa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria dos representantes de todos os empreendimentos do Porto Organizado. As pautas das reuni&otilde;es, de car&aacute;ter p&uacute;blico, dizem respeito &agrave;s demandas que surgem ao longo do m&ecirc;s ou sugest&otilde;es dos pr&oacute;prios integrantes do Conselho, tais como aquelas relacionadas aos Planos de Emerg&ecirc;ncia Individuais, &agrave;s reuni&otilde;es com os &oacute;rg&atilde;os ambientais, a acidentes ocorridos, emiss&atilde;o de Ordens de Servi&ccedil;o, licenciamento, entre outros assuntos pertinentes (SUPRG, 2014). O Conselho, por seu car&aacute;ter apenas consultivo, depende da articula&ccedil;&atilde;o entre a DMASS e os demais empreendimentos, terminais e setores do Porto para que se efetivem a&ccedil;&atilde;o integradas de gest&atilde;o ambiental.</p>     <p>O Conselho &eacute; importante como instrumento participativo de Gest&atilde;o Ambiental dentro do Porto. Se bem organizado e estruturado, pode representar um enorme avan&ccedil;o com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; integra&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o em toda a &aacute;rea do Porto Organizado. Entretanto, com base na an&aacute;lise e participa&ccedil;&atilde;o nas reuni&otilde;es, foram constatadas as seguintes fragilidades:</p> <ul>       <li>H&aacute; discord&acirc;ncias sobre os objetivos do Conselho;</li>       <li>As poucas a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o s&atilde;o predominantemente desarticuladas quanto aos seus objetivos;</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>O Regimento Interno carece de uma estrutura&ccedil;&atilde;o mais robusta no que se refere &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es das a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o ambiental e do envolvimento do Conselho nos processos;</li>       <li>H&aacute; descontinuidade na composi&ccedil;&atilde;o dos participantes, o que compromete o repasse de informa&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave;s demandas e avan&ccedil;os da gest&atilde;o;</li>       <li>H&aacute; um consider&aacute;vel desn&iacute;vel de percep&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o dos temas ambientais tratados entre os participantes, o que dificulta a busca por consenso para a realiza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es integradas.</li>       <li>O car&aacute;ter consultivo do Conselho n&atilde;o lhe permite o necess&aacute;rio empoderamento para as decis&otilde;es necess&aacute;rias relativas aos temas ambientais no &acirc;mbito da Autoridade Portu&aacute;ria (SUPRG).</li>     </ul>     <p>As fragilidades observadas com rela&ccedil;&atilde;o ao Conselho referem-se, principalmente, &agrave; falta de continuidade das a&ccedil;&otilde;es e representatividade dos atores portu&aacute;rios envolvidos. Al&eacute;m disso, como a participa&ccedil;&atilde;o no Conselho n&atilde;o &eacute; obrigat&oacute;ria, existe uma prerrogativa de conscientiza&ccedil;&atilde;o por parte dos operadores portu&aacute;rios/terminais alfandegados no que diz respeito &agrave; participa&ccedil;&atilde;o ativa e efetiva nas reuni&otilde;es. Esse instrumento, que d&aacute; respaldo para a tomada de decis&otilde;es pela Autoridade Portu&aacute;ria, tem um enorme potencial de gest&atilde;o, mas infelizmente, tem sido subutilizado. O Conselho pode ser empregado para definir a&ccedil;&otilde;es em comum, bem como para manter a DMASS informada sobre as a&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito do Porto Organizado, a partir da contribui&ccedil;&atilde;o de todos os Operadores Portu&aacute;rios. Da mesma forma, mesmo que atrav&eacute;s de seu car&aacute;ter consultivo, o Conselho pode respaldar tecnicamente as tomadas de decis&otilde;es por parte da Autoridade Portu&aacute;ria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Os desafios da gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria no Porto do Rio Grande</b></p>     <p>A partir das viv&ecirc;ncias descritas anteriormente foi poss&iacute;vel evidenciar que t&ecirc;m sido realizadas diversas a&ccedil;&otilde;es, no &acirc;mbito da DMASS, com o objetivo principal de efetivar a gest&atilde;o ambiental integrada no Porto do Rio Grande. Dessa forma, com base na an&aacute;lise dessas a&ccedil;&otilde;es e nas fragilidades observadas, cabe aqui alguns apontamentos e sugest&otilde;es objetivando melhorias nesses processos de gest&atilde;o:</p> <ul>       <li>Rela&ccedil;&atilde;o Porto e &Oacute;rg&atilde;os Ambientais Governamentais</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p>Ainda existe uma defasagem de tempo de resposta do &oacute;rg&atilde;o ambiental portu&aacute;rio frente aos problemas ambientais detectados. Ela &eacute; justificada, parcialmente, pela falta de recursos humanos. A DMASS n&atilde;o possui nenhum cargo especialista de carreira e nem cumpre com o requisito m&iacute;nimo de &aacute;reas t&eacute;cnicas necess&aacute;rias para a forma&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo ambiental estabelecido pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Transportes Aquavi&aacute;rios (ANTAQ, 2006)<a href="#4">4</a><a name="top4"></a></p>     <p>Dessa forma a car&ecirc;ncia de recursos humanos, al&eacute;m de prejudicar as a&ccedil;&otilde;es internas, atrapalha as rela&ccedil;&otilde;es interinstitucionais, uma vez que a falta de pessoal impede respostas mais r&aacute;pidas e a&ccedil;&otilde;es mais eficientes. Na DMASS n&atilde;o foram observadas significativas articula&ccedil;&otilde;es com os &oacute;rg&atilde;os ambientais governamentais, embora a rela&ccedil;&atilde;o com os &oacute;rg&atilde;os ambientais venha sendo aperfei&ccedil;oada paulatinamente. Al&eacute;m disso, as a&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio P&uacute;blico t&ecirc;m respaldado discuss&otilde;es construtivas entre as institui&ccedil;&otilde;es. Uma consequ&ecirc;ncia disso &eacute; a proposta elaborada pela DMASS para a unifica&ccedil;&atilde;o das licen&ccedil;as ambientais entre os n&iacute;veis de governo nacional, estadual e local. A ideia nesta a&ccedil;&atilde;o &eacute; que as licen&ccedil;as do Porto Organizado e das instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias sejam articuladas a fim de que as condicionantes funcionem melhor e sejam buscadas por todos, facilitando a tomada de decis&otilde;es. Essa postura, caso venha a ser efetivada pela Superintend&ecirc;ncia do Porto do Rio Grande, representar&aacute; um enorme avan&ccedil;o do ponto de vista da gest&atilde;o institucional.</p> <ul>       <li>Problemas burocr&aacute;ticos</li>     </ul>     <p>At&eacute; novembro de 2011 a DMASS estava vinculada &agrave; Diretoria T&eacute;cnica do porto, ocasi&atilde;o na qual passou a ser diretamente subordinada &agrave; Diretoria da Autoridade Portu&aacute;ria. Esta situa&ccedil;&atilde;o carece de uma an&aacute;lise mais aprofundada, a fim de diagnosticar uma melhoria nos processos administrativos. Entretanto, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que, apesar do &ldquo;caminho burocr&aacute;tico&rdquo; ter se tornado mais curto, o n&uacute;cleo ambiental n&atilde;o tem o necess&aacute;rio poder de decis&atilde;o perante os outros setores portu&aacute;rios, gerando gargalos no andamento das a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o ambiental.</p> <ul>       <li>Licen&ccedil;as Ambientais</li>     </ul>     <p>A pouca articula&ccedil;&atilde;o entre as Licen&ccedil;as das Instala&ccedil;&otilde;es Portu&aacute;rias/Operadores Portu&aacute;rios e a Licen&ccedil;a do Porto Organizado (sob responsabilidade da Autoridade Portu&aacute;ria) tem sido lentamente trabalhada dentro das reuni&otilde;es do CGAPRG. Entretanto, ainda h&aacute; falta de entrosamento. Enquanto, por um lado, os operadores portu&aacute;rios n&atilde;o t&ecirc;m detalhes das a&ccedil;&otilde;es realizadas no porto como um todo, nem das cobran&ccedil;as feitas pelos &oacute;rg&atilde;os ambientais do governo e das condicionantes estabelecidas para o porto, por outro lado, a DMASS tem pouco retorno das a&ccedil;&otilde;es gestoras realizadas pelos operadores, e de suas necessidades e problemas cotidianos. O caminho mais promissor talvez seja o melhor aproveitamento do CGAPRG, retroalimentado atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es, necessidades e encaminhamentos comuns.</p> <ul>       <li>Transi&ccedil;&atilde;o entre gest&otilde;es</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p>Com a mudan&ccedil;a de gest&atilde;o entre governos sucessivos e com a eventual entrada de novos funcion&aacute;rios, a cada troca na Administra&ccedil;&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rios cerca de seis meses para retomar os trabalhos e a&ccedil;&otilde;es cotidianas da DMASS. Em grande parte, o atraso ocorre devido aos problemas de repasse das informa&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; situa&ccedil;&atilde;o legal, ambiental e administrativa da Divis&atilde;o. Da mesma forma, no processo de transi&ccedil;&atilde;o podem surgir problemas a respeito da adequada capacita&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos envolvidos. Tal fragilidade pode ser prontamente resolvida com a cria&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de um banco de dados integrado entre os setores e entre gest&otilde;es, facilitando a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es dentro do porto. N&atilde;o existe, no entanto, um banco de informa&ccedil;&otilde;es com tais caracter&iacute;sticas &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos sucessivos gestores do setor.</p> <ul>       <li>Atendimento &agrave;s condicionantes da Licen&ccedil;a Ambiental</li>     </ul>     <p>Um ponto positivo quanto ao atendimento das condicionantes da licen&ccedil;a ambiental do Porto do Rio Grande est&aacute; representado pela restrutura&ccedil;&atilde;o de seu Programa de Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental. A recente reestrutura&ccedil;&atilde;o do Programa ocorreu visando uma melhor articula&ccedil;&atilde;o com a comunidade de entorno, al&eacute;m da qualifica&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o ambiental com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; conscientiza&ccedil;&atilde;o tanto dos trabalhadores quanto da comunidade vizinha ao Porto (linhas de a&ccedil;&atilde;o: intraportu&aacute;ria e comunidade de entorno). Outro aspecto a ser destacado diz respeito ao Programa de Monitoramento Ambiental Continuado. As avalia&ccedil;&otilde;es realizadas atrav&eacute;s do Monitoramento Ambiental t&ecirc;m um enorme potencial de serem usadas como indicadores de gest&atilde;o, indicadores de processos e indicadores de qualidade ambiental. Al&eacute;m disso, elas tamb&eacute;m podem direcionar a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas com base nos resultados, o que infelizmente n&atilde;o tem sido realizado na totalidade.</p>     <p>As considera&ccedil;&otilde;es listadas anteriormente apontam para o fato de que t&ecirc;m sido realizados alguns esfor&ccedil;os na defini&ccedil;&atilde;o de novos programas (e na manuten&ccedil;&atilde;o de outros j&aacute; existentes) por parte da Divis&atilde;o de Meio Ambiente. Entretanto, todas estas a&ccedil;&otilde;es est&atilde;o ainda aqu&eacute;m do ideal de Gest&atilde;o Ambiental Portu&aacute;ria, tendo em vista o n&atilde;o cumprimento da maioria das condicionantes estabelecidas pelo &oacute;rg&atilde;o ambiental competente<a href="#5">5</a><a name="top5"></a>.</p>     <p>Uma poss&iacute;vel forma de garantir uma adequada articula&ccedil;&atilde;o interna diz respeito ao CGAPRG, que deveria ser integrado por todas as instala&ccedil;&otilde;es do Porto. Dessa forma, a tomada de decis&otilde;es contaria com a participa&ccedil;&atilde;o de todos os envolvidos, o que possibilitaria um processo de gest&atilde;o ambiental integrada muito mais efetivo, onde todos exp&otilde;em os seus problemas, mas ao mesmo tempo tamb&eacute;m t&ecirc;m a oportunidade de participar das decis&otilde;es envolvendo o Porto Organizado. De qualquer forma, n&atilde;o h&aacute; nenhuma possibilidade de efetivar esta gest&atilde;o sem a participa&ccedil;&atilde;o de todos os &oacute;rg&atilde;os envolvidos: uma vez que os processos e procedimentos necessitam de a&ccedil;&otilde;es coletivas, principalmente no que diz respeito &agrave; preven&ccedil;&atilde;o de impactos ambientais. O planejamento ambiental tamb&eacute;m pode ser uma constante discuss&atilde;o dentro desse colegiado, pois a gest&atilde;o ambiental sempre deve envolver antecipa&ccedil;&atilde;o propositiva das a&ccedil;&otilde;es. A partir desse entrosamento interno, pode-se partir para uma colabora&ccedil;&atilde;o interinstitucional, a qual, idealmente, contaria com a realiza&ccedil;&atilde;o de reuni&otilde;es entre DMASS/IBAMA/FEPAM a fim de avan&ccedil;ar no processo de &ldquo;licenciamento &uacute;nico&rdquo; (integrado). Podem ser solicitadas, por exemplo, condicionantes-padr&atilde;o para todos os empreendimentos, que estariam adequadamente em paralelo com a Licen&ccedil;a de Opera&ccedil;&atilde;o (LO 003/97) do Porto Organizado. Essa cadeia de a&ccedil;&otilde;es s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com a participa&ccedil;&atilde;o efetiva de todas as instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias e empreendimentos em uma base comum, hoje representada pelo CGAPRG. A exist&ecirc;ncia de condicionantes em comum (ou seja, condicionantes estabelecidas em todas as licen&ccedil;as das instala&ccedil;&otilde;es do Porto Organizado) permite e facilita que as a&ccedil;&otilde;es sejam articuladas e a gest&atilde;o ambiental do Porto Organizado lance m&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es congruentes entre si (Louren&ccedil;o, 2012).</p>     <p>&Eacute; importante salientar que, embora um instrumento extremamente importante para a gest&atilde;o ambiental do porto, a Licen&ccedil;a de Opera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser entendida como meramente cartorial. Ou seja, n&atilde;o se deve garantir apenas o cumprimento burocr&aacute;tico das condicionantes, mas sim a real efetiva&ccedil;&atilde;o dos processos de gest&atilde;o: a implementa&ccedil;&atilde;o das mesmas. Existem dois tipos de gest&atilde;o ambiental no contexto portu&aacute;rio: a privada e a p&uacute;blica. A gest&atilde;o ambiental privada diz respeito principalmente a processos envolvendo certifica&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais, tais como a NBR ISO 14.001. Essas certifica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o n&atilde;o obrigat&oacute;rias, mas representam uma postura pr&oacute;-ativa por parte das institui&ccedil;&otilde;es e, consequentemente, um diferencial dentro do setor comercial internacional. A DMASS n&atilde;o trabalha no &acirc;mbito da gest&atilde;o privada, apenas da p&uacute;blica. Este fato n&atilde;o chega a representar uma fragilidade, por outro lado, as certifica&ccedil;&otilde;es ISO dariam um car&aacute;ter mais t&eacute;cnico &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o, caso fossem aplicadas no Porto do Rio Grande.</p>     <p>Ainda com base na an&aacute;lise das Licen&ccedil;as do Porto do Rio Grande, observa-se que as condicionantes estabelecidas pelo &oacute;rg&atilde;o de controle ambiental estadual (FEPAM)<a href="#6">6</a><a name="top6"></a>, t&ecirc;m um car&aacute;ter dominantemente gen&eacute;rico do ponto de vista gerencial. O detalhamento &eacute; feito geralmente sob uma &oacute;tica operacional, mas necessita de uma maior articula&ccedil;&atilde;o entre as a&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; infraestrutura e &agrave;s a&ccedil;&otilde;es gerenciais. A cobran&ccedil;a integral de todas as instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias com rela&ccedil;&atilde;o a estes aspectos &eacute; crucial para garantir a gest&atilde;o ambiental integrada do porto. N&atilde;o existe gest&atilde;o integrada com ades&atilde;o parcial de seus integrantes (Louren&ccedil;o, 2012). Um aspecto importante que deve ser considerado refere-se &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de um banco de dados referentes aos documentos t&eacute;cnicos, tais como relat&oacute;rios de monitoramento, planos e programas, a&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, Licen&ccedil;as de Opera&ccedil;&atilde;o e outras autoriza&ccedil;&otilde;es. A manuten&ccedil;&atilde;o dos processos fisicamente (ou em formato digital) &eacute; imprescind&iacute;vel para a sustentabilidade das a&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Do ponto de vista do planejamento territorial, &eacute; importante o papel do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do porto do Rio Grande (PDZ). O PDZ constitui-se como o instrumento b&aacute;sico do planejamento estrat&eacute;gico de qualquer porto e deve incorporar em seu escopo a vertente ambiental. Devem ser considerados no PDZ fatores como &aacute;reas de risco, &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o e de conserva&ccedil;&atilde;o, &aacute;reas de maior vulnerabilidade ambiental e inclusive &aacute;reas de vulnerabilidade social. Nesse contexto, s&atilde;o igualmente importantes as Cartas de Sensibilidade ao &Oacute;leo (SAO), as quais devem estar em conson&acirc;ncia com o PDZ (ANTAQ, 2011). Dessa forma, todo o planejamento do s&iacute;tio portu&aacute;rio estar&aacute; adequado, em caso de acidentes, a maiores sensibilidades ambientais, tornando as a&ccedil;&otilde;es mais pr&oacute;-ativas (Louren&ccedil;o,2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por fim, a constru&ccedil;&atilde;o de qualquer processo de gest&atilde;o ambiental deve sempre basear-se na realidade local, bem como na sua inser&ccedil;&atilde;o no contexto regional. Um porto jamais estar&aacute; inserido num sistema porto-cidade sem relacionar-se com outros setores e outros territ&oacute;rios adjacentes. Portanto, as propostas de manejo devem ser extremamente flex&iacute;veis ao contexto local e &agrave;s pr&oacute;prias mudan&ccedil;as que podem ocorrer ao longo do processo. Para alcan&ccedil;ar resultados efetivos, &eacute; fundamental que esse processo seja coletivo e articulado, envolvendo todos os setores da Autoridade Portu&aacute;ria, Instala&ccedil;&otilde;es e Terminais Portu&aacute;rios, bem como contar com o apoio dos &oacute;rg&atilde;os ambientais em todas as esferas governamentais. A manuten&ccedil;&atilde;o e fortalecimento dos arranjos intra e interinstitucionais e agendas comuns poder&atilde;o garantir, em &uacute;ltima an&aacute;lise, um processo de gerenciamento costeiro integrado (Louren&ccedil;o, 2012).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>As atividades portu&aacute;rias, devido ao seu papel indutor de transforma&ccedil;&otilde;es territoriais em larga escala, t&ecirc;m dado origem a in&uacute;meros conflitos ambientais (Cunha <i>et al.</i>, 2006). Em um contexto global, os grandes acidentes ao longo da hist&oacute;ria dos portos e de suas atividades associadas t&ecirc;m mostrado na pr&aacute;tica essa rela&ccedil;&atilde;o estreita entre porto e ambiente. Desde o seu surgimento, os portos passaram por in&uacute;meros processos evolutivos, seja com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; administra&ccedil;&atilde;o, tipologia de cargas, sua infraestrutura ou at&eacute; mesmo na rela&ccedil;&atilde;o com as cidades e regi&otilde;es que os abrigam. O mesmo pode ser observado com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; gest&atilde;o dos procedimentos, que culminou, recentemente, em algumas a&ccedil;&otilde;es voltadas para os impactos ambientais por eles causados. Dessa forma, os sistemas portu&aacute;rios devem incorporar uma nova premissa, a da harmonia com a natureza, atrav&eacute;s da internaliza&ccedil;&atilde;o dessas vari&aacute;veis nas a&ccedil;&otilde;es e processos cotidianos. Por outro lado, os processos de gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria no Brasil ainda s&atilde;o fragmentados e, em grande parte, n&atilde;o consolidados, uma situa&ccedil;&atilde;o bem aqu&eacute;m do ideal em termos globais (Porto e Teixeira, 2002; Louren&ccedil;o, 2012). Portanto, &eacute; poss&iacute;vel evidenciar que a quest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria possui in&uacute;meras facetas, envolvendo impactos negativos sociais e ambientais, mas ao mesmo tempo possui potencialidades calcadas principalmente nos processos de licenciamento ambiental.</p>     <p>Promover a atividade portu&aacute;ria em harmonia com o ambiente (Kitzmann &amp; Asmus, 2006) no qual ela se insere representa um enorme desafio. A mudan&ccedil;a da cultura portu&aacute;ria deve se fazer presente e, conforme proposto por Porto (2011), ela deve ser constitu&iacute;da a partir de uma l&oacute;gica de planejamento, implanta&ccedil;&atilde;o de suas estruturas e opera&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias que absorvam de modo eficiente par&acirc;metros de ajustes aos aspectos naturais locais, com prote&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o ambiental. A tarefa n&atilde;o &eacute; nada f&aacute;cil. Mesmo com pol&iacute;ticas ambientais fortes, existem lacunas legais principalmente com rela&ccedil;&atilde;o a Termos de Refer&ecirc;ncia, que d&atilde;o respaldo t&eacute;cnico para a elabora&ccedil;&atilde;o de Planos adequados de gest&atilde;o. Da mesma forma, a aus&ecirc;ncia de recursos humanos, tanto no lado do empreendedor quanto do &oacute;rg&atilde;o licenciador barra maiores avan&ccedil;os nos processos de gest&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p>A pr&aacute;tica tem mostrado que o setor portu&aacute;rio necessita, urgentemente, de t&eacute;cnicos especializados, formando equipes multi e interdisciplinares, o que permitem abarcar todos os aspectos espec&iacute;ficos inerentes de setores da &aacute;rea ambiental. Nesse sentido, a gest&atilde;o ambiental estabelece as boas pr&aacute;ticas ambientais na opera&ccedil;&atilde;o portu&aacute;ria, bem como para a Administra&ccedil;&atilde;o do Porto. Essa &uacute;ltima, principalmente, deve se constituir numa organiza&ccedil;&atilde;o em que a quest&atilde;o ambiental tenha o tratamento adequado, uma preocupa&ccedil;&atilde;o constante e uma vis&atilde;o proativa (ANTAQ, 2011; Louren&ccedil;o, 2012). Al&eacute;m disso, &eacute; importante tamb&eacute;m considerar que o sucesso da implementa&ccedil;&atilde;o de qualquer a&ccedil;&atilde;o num porto organizado depende, fundamentalmente, da determina&ccedil;&atilde;o firme da Autoridade Portu&aacute;ria, bem como do envolvimento e articula&ccedil;&atilde;o dessa com toda a Comunidade Portu&aacute;ria. Essas a&ccedil;&otilde;es devem vir acompanhadas de um ajuste interinstitucional no sistema de regula&ccedil;&atilde;o do setor portu&aacute;rio e da ado&ccedil;&atilde;o de tecnologias de suporte &agrave; tomada de decis&atilde;o, voltadas ao entendimento da realidade portu&aacute;ria em toda a sua complexidade interna e das suas interfaces com o ambiente (Kitzmann &amp; Asmus, 2006).</p>     <p>Do ponto de vista internacional, de acordo com pesquisas juntos aos portos da Uni&atilde;o Europeia, a maioria (83,7%) ainda experimenta dificuldades na implementa&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o ambiental. Os principais desafios identificados est&atilde;o relacionados com os custos envolvidos; o fato de a prote&ccedil;&atilde;o ambiental n&atilde;o ser considerada prioridade; a multiplicidade de ag&ecirc;ncias respons&aacute;veis pela prote&ccedil;&atilde;o ambiental e a falta de informa&ccedil;&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o sobre legisla&ccedil;&atilde;o ambiental e treinamento. Al&eacute;m disso, foi identificado que somente 21% dos portos possuem sistema de gest&atilde;o ambiental e que 31% publica um Relat&oacute;rio Ambiental Anual (ESPO, 2013). Kitzmann &amp; Asmus (2006) consideram que essa realidade &eacute; consequ&ecirc;ncia da relativa novidade que &eacute; a gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria nos portos europeus e norte-americanos, haja vista que o C&oacute;digo de Pr&aacute;ticas Ambientais da ESPO &eacute; de 1994. Portanto, fica claro que o cen&aacute;rio nacional n&atilde;o difere muito do europeu, pois as dificuldades enfrentadas na gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria s&atilde;o as mesmas.</p>     <p>Dessa forma, no Brasil as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ambientais brasileiras foram estabelecidas, principalmente nos n&iacute;veis federal e estadual, muito em resposta a acordos internacionais dos quais o pa&iacute;s &eacute; signat&aacute;rio. Portanto, os par&acirc;metros de planejamento j&aacute; est&atilde;o dispon&iacute;veis a quem pretenda conceber e implantar um porto com atributos de efici&ecirc;ncia e efic&aacute;cia na sua atividade produtiva, e, consequentemente, de desenvolvimento (Porto, 2011). Entretanto, como os portos brasileiros s&atilde;o objetos tardios das pol&iacute;ticas ambientais nacionais (Cunha, 2008), o cumprimento desses marcos regulat&oacute;rios recentes ainda &eacute; problem&aacute;tico devido &agrave; falta de conscientiza&ccedil;&atilde;o, aus&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es de infraestrutura, recursos financeiros, tecnologias e pessoal capacitado, tanto por parte dos regulados - o setor portu&aacute;rio - quanto por parte dos reguladores - &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos (Kitzmann &amp; Asmus, 2006).    No caso estudado foi poss&iacute;vel enumerar as fragilidades, desafios e potencialidades da gest&atilde;o ambiental no Porto do Rio Grande. As fragilidades de gest&atilde;o ambiental est&atilde;o relacionadas, principalmente, a quest&otilde;es institucionais locais, onde a Autoridade Portu&aacute;ria poderia garantir uma maior articula&ccedil;&atilde;o entre o CGAPRG e demais colegiados administrativos do porto, tais como o Conselho de Autoridade Portu&aacute;ria (CAP)<a href="#7">7</a><a name="top7"></a>. Infelizmente, um dos problemas identificados durante o caso estudado foi, justamente, uma &ldquo;indefini&ccedil;&atilde;o de papel&rdquo; por parte da Autoridade Portu&aacute;ria nas quest&otilde;es ambientais. Nesse caso, a implementa&ccedil;&atilde;o de muitas a&ccedil;&otilde;es acaba n&atilde;o acontecendo em fun&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o assumir na totalidade o seu papel como Autoridade Portu&aacute;ria (nesse caso com rela&ccedil;&atilde;o ao planejamento ou coordena&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o ambiental). Tal fato representa uma fragilidade do porto na viabiliza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria nas condi&ccedil;&otilde;es institucionais e regulat&oacute;rias dos portos brasileiros, o que aumenta a sua depend&ecirc;ncia de arranjos eficientes entre as institui&ccedil;&otilde;es envolvidas (Koehler &amp; Asmus 2010; Louren&ccedil;o, 2012).</p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es institucionais entre Autoridade Portu&aacute;ria e demais instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias ainda aparecem como subaproveitadas, o que acaba enfraquecendo o sistema de gest&atilde;o integrada. As articula&ccedil;&otilde;es na interface porto-&oacute;rg&atilde;os ambientais governamentais devem ser intensificadas para que esses possam cobrar, em suas licen&ccedil;as, que as informa&ccedil;&otilde;es e processos sejam compartilhados entre todos os empreendimentos e a Autoridade Portu&aacute;ria, num processo de intera&ccedil;&atilde;o transparente. O foco dessa a&ccedil;&atilde;o estaria no estabelecimento de metas para todos os empreendimentos, atrav&eacute;s de uma agenda comum. No Porto do Rio Grande essas metas podem ser compartilhadas durante as reuni&otilde;es do CGAPRG e viabilizadas atrav&eacute;s do Conselho de Autoridade Portu&aacute;ria. O interc&acirc;mbio n&atilde;o deve ser s&oacute; de informa&ccedil;&otilde;es, mas de processos. Como principal consequ&ecirc;ncia dessa desarticula&ccedil;&atilde;o institucional, as licen&ccedil;as ambientais n&atilde;o &ldquo;interagem&rdquo; entre si; ou seja, n&atilde;o est&atilde;o devidamente integradas. Um ponto cr&iacute;tico &eacute; representado pela n&atilde;o obrigatoriedade de participa&ccedil;&atilde;o dos representantes da comunidade portu&aacute;ria no CGAPRG, o que dificulta substancialmente a articula&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o. Os representantes dos terminais, mesmo que interessados, mas n&atilde;o est&atilde;o, por exemplo, constantemente a par das a&ccedil;&otilde;es da DMASS nos processos de gest&atilde;o. Idealmente, essas discuss&otilde;es devem expandir para al&eacute;m das discuss&otilde;es t&eacute;cnicas (entres os setores de ambiente), tamb&eacute;m envolvendo os n&iacute;veis mais elevados da administra&ccedil;&atilde;o, a fim de que os poss&iacute;veis acordos sejam efetivamente colocados em pr&aacute;tica. Por exemplo, os contratos de arrendamento celebrados entre a Autoridade Portu&aacute;ria, Operadores e Instala&ccedil;&otilde;es Portu&aacute;rias, poderiam prever a participa&ccedil;&atilde;o direta dos arrendat&aacute;rios no Conselho de Gest&atilde;o Ambiental.</p>     <p>A pr&aacute;tica vivenciada no Porto do Rio Grande demonstra que a&ccedil;&otilde;es direcionadas para processos participativos, tais como o CGAPRG, quando adequadamente estruturadas e articuladas dentro da organiza&ccedil;&atilde;o institucional, facilitam tanto as tomadas de decis&otilde;es quanto a implementa&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o. Por outro lado, se esse Conselho ou outro colegiado que considere as quest&otilde;es ambientais n&atilde;o t&ecirc;m poder, o planejamento ambiental sofre em termos da sua efici&ecirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portanto, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que as potencialidades do Porto do Rio Grande est&atilde;o inertes nos processos de gest&atilde;o. H&aacute; uma estrutura estabelecida, o porto possui licen&ccedil;a ambiental em sua quarta renova&ccedil;&atilde;o e demonstra uma crescente articula&ccedil;&atilde;o com o &oacute;rg&atilde;o ambiental. As condicionantes est&atilde;o estabelecidas e em fase de cumprimento, mas &eacute; necess&aacute;rio um maior planejamento de a&ccedil;&otilde;es. Por outro lado, n&atilde;o h&aacute; como negar que os impactos ambientais s&atilde;o inerentes &agrave;s atividades portu&aacute;rias, sejam eles de movimenta&ccedil;&atilde;o de mercadorias, de transporte de produtos, de abastecimento de navios ou de armazenamento de cargas. A gest&atilde;o ambiental deve envolver todos estes processos; mas, al&eacute;m disso, ela deve envolver pessoas e institui&ccedil;&otilde;es. De pouco adianta a melhoria de infraestruturas e a sustentabilidade das opera&ccedil;&otilde;es, se a manuten&ccedil;&atilde;o de todos estes processos depende de recursos humanos. Depende dos gestores, trabalhadores, planejadores, depende da intera&ccedil;&atilde;o com a comunidade costeira. &Eacute;, portanto, preciso considerar a responsabilidade coletiva, a conscientiza&ccedil;&atilde;o e principalmente, as a&ccedil;&otilde;es compartilhadas e articuladas.</p>     <p>Mesmo sem a pretens&atilde;o de apresentar uma situa&ccedil;&atilde;o representativa da gest&atilde;o ambiental dos portos nacionais, o caso do Porto de Rio Grande pode desvelar elementos poss&iacute;veis de estarem presentes nos demais portos brasileiros. Ele sugere que a gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria depende da conscientiza&ccedil;&atilde;o comum e do envolvimento coletivo. Nesse contexto, as palavras chave para o aprimoramento as a&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o seriam: conscientiza&ccedil;&atilde;o, capacita&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o. Com o cumprimento de tais a&ccedil;&otilde;es, estar&iacute;amos mais perto da t&atilde;o desejada adequa&ccedil;&atilde;o ambiental para as atividades inerentes ao setor.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Kahuam Gianuca colaborou na elabora&ccedil;&atilde;o das figuras. Andr&eacute;ia Vigolo Louren&ccedil;o foi parcialmente financiada como bolsista da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes, Brasil).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>AAPA (1998) &ndash; <i>Environmental Management Handbook</i>. 68p., American Association of Port Authorities (AAPA), Alexandria, VA, U.S.A. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.aapa-ports.org/Issues/content.cfm?ItemNumber=989" target="_blank">http://www.aapa-ports.org/Issues/content.cfm?ItemNumber=989</a></p>     <!-- ref --><p>ANTAQ (2006) - <i>Manual de Licenciamento Ambiental de Portos</i> [vers&atilde;o 2006]. 40p., Ag&ecirc;ncia Nacional de Transportes Aquavi&aacute;rios (ANTAQ), Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.antaq.gov.br/portal/pdf/meioambiente/manuallicenciamentoambientalportos.pdf" target="_blank">http://www.antaq.gov.br/portal/pdf/meioambiente/manuallicenciamentoambientalportos.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1646-8872201500020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>ANTAQ (2011) - <i>O porto verde: modelo ambiental portu&aacute;rio</i>. 116 p., Ag&ecirc;ncia Nacional de Transportes Aquavi&aacute;rios (ANTAQ), Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.antaq.gov.br/portal/pdf/portoverde.pdf" target="_blank">http://www.antaq.gov.br/portal/pdf/portoverde.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1646-8872201500020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>ANTAQ (2013) &ndash; <i>Boletim Informativo Portu&aacute;rio</i>. 31013(3&deg; trimestre), 16p., Ag&ecirc;ncia Nacional de Transportes Aquavi&aacute;rios (ANTAQ), Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.antaq.gov.br/portal/pdf/boletimportuario/boletimportuarioterceirotrimestre2013.pdf" target="_blank">http://www.antaq.gov.br/portal/pdf/boletimportuario/boletimportuarioterceirotrimestre2013.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>ANTAQ (2013) - <i>Tabela da situa&ccedil;&atilde;o do licenciamento ambiental dos portos brasileiros</i>. 3p., Ag&ecirc;ncia Nacional de Transportes Aquavi&aacute;rios (ANTAQ), Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.antaq.gov.br/Portal/pdf/MeioAmbiente/Lista_de_Portos_com_LO_2013.pdf" target="_blank">http://www.antaq.gov.br/Portal/pdf/MeioAmbiente/Lista_de_Portos_com_LO_2013.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1646-8872201500020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>ANTAQ (2014) - <i>Boletim anual de movimenta&ccedil;&atilde;o de cargas 2013. An&aacute;lise da movimenta&ccedil;&atilde;o de cargas nos portos organizados e terminais de uso privado</i>. 34p. Ag&ecirc;ncia Nacional de Transportes Aquavi&aacute;rios (ANTAQ), Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.antaq.gov.br/Portal/Anuarios/Anuario2013/Tabelas/AnaliseMovimentacaoPortuaria.pdf" target="_blank">http://www.antaq.gov.br/Portal/Anuarios/Anuario2013/Tabelas/AnaliseMovimentacaoPortuaria.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1646-8872201500020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Chircop, A.E.; Linden, O. (2006) &ndash; <i>Places of Refuge for Ships: Emerging Environmental Concerns of a Maritime Custom</i>. 557p., Martinus Nijhoff, Leiden, Netherlands / Boston, MA, U.S.A. ISBN: 978-9004149526</p>     <p>Cunha, I. A. (2006) &ndash; Fronteiras da gest&atilde;o: os conflitos ambientais das atividades portu&aacute;rias. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</i>, 40(6):1019-1049. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0034-76122006000600005" target="_blank">10.1590/S0034-76122006000600005</a>.</p>     <p>Cunha, I.A. (2008) &ndash; <i>Pol&iacute;tica ambiental, negocia&ccedil;&atilde;o de conflitos e sustentabilidade</i>. 297p, Leopoldianum, Santos, SP, Brasil. Dispon&iacute;vel online em <a href="http://www.unisantos.br/edul/public/pdf/politicaambiental.pdf" target="_blank">http://www.unisantos.br/edul/public/pdf/politicaambiental.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>Cunha, I.A.; Fredo, A.C.; Aquiar, M.A.F (2006) - Gest&atilde;o ambiental e competitividade dos portos: negociando uma agenda. <i>Anais do XIII SIMPEP (Simp&oacute;sio de Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o)</i>, n/p (11p.), Bauru, SP, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/239.pdf" target="_blank">http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/239.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1646-8872201500020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>ESPO (2003) &ndash; <i>Environmental Code of Practice</i>. 36p. European Sea Ports Organisation (ESPO), Brussels, Belgium. Dispon&iacute;vel on line em <a href="http://ec.europa.eu/ourcoast/download.cfm?fileID=860" target="_blank">http://ec.europa.eu/ourcoast/download.cfm?fileID=860</a></p>     <p>ESPO (2013) &ndash; <i>Top environmental priorities of European Ports for 2013. An analysis taking port size and geography into consideration</i>. 5p. European Sea Ports Organisation, Belgium. Dispon&iacute;vel on line em <a href="http://www.ecoports.com/templates/frontend/blue/images/pdf/Analysis_of_top_environmental_priorities_2013.pdf" target="_blank">http://www.ecoports.com/templates/frontend/blue/images/pdf/Analysis_of_top_environmental_priorities_2013.pdf</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Gil, A.C. (2008) - <i>M&eacute;todos e t&eacute;cnicas de pesquisa social</i>. 220p. Atlas, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 978-85-224-5142-5. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="https://ayanrafael.files.wordpress.com/2011/08/gil-a-c-mc3a9todos-e-tc3a9cnicas-de-pesquisa-social.pdf" target="_blank">https://ayanrafael.files.wordpress.com/2011/08/gil-a-c-mc3a9todos-e-tc3a9cnicas-de-pesquisa-social.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1646-8872201500020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>GLMRI (2009) &ndash; <i>Manual of Best Management Practices for Port Operations and Model Environmental Management System</i>. 155p., Great Lakes Maritime Research Institute (GLRMI), Duluth, MN, USA. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.glmri.org/downloads/resources/manualBestManagementPorts.pdf" target="_blank">http://www.glmri.org/downloads/resources/manualBestManagementPorts.pdf</a></p>     <p>Godoy, A.S. (1995) &ndash; Pesquisa qualitativa: tipos fundamentais. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas</i>, 35(3):20-29. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75901995000300004" target="_blank">10.1590/S0034-75901995000300004</a></p>     <!-- ref --><p>IBAMA (2005) - <i>Renova&ccedil;&atilde;o da Licen&ccedil;a de Opera&ccedil;&atilde;o n&deg; 003/97</i>. 5p., Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis (IBAMA), Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.ibama.gov.br/licenciamento/index.php" target="_blank">http://www.ibama.gov.br/licenciamento/index.php</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1646-8872201500020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>IBAMA (2014) - <i>Parecer 02001.003255/2014-53 COPAH/IBAMA</i>. 5p., Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis (IBAMA), Bras&iacute;lia, DF, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.ibama.gov.br/licenciamento/index.php" target="_blank">http://www.ibama.gov.br/licenciamento/index.php</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1646-8872201500020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Kitzmann, D.I.S.; Asmus. M.L. (2006) &ndash; Gest&atilde;o ambiental portu&aacute;ria: Desafios e possibilidades. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</i>, 40(6):1041-1060. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0034-76122006000600006" target="_blank">10.1590/S0034-76122006000600006</a></p>     <p>Koehler, P.H.W.; Asmus, M. L. (2010) &ndash; Gest&atilde;o ambiental integrada em portos organizados: uma an&aacute;lise baseada no caso do porto de Rio Grande, RS &ndash; Brasil. <i>Revista da Gest&atilde;o Costeira Integrada</i> 10(2):53-67. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.5894/rgci171" target="_blank">10.5894/rgci171</a>.</p>     <!-- ref --><p>Louren&ccedil;o, A.V. (2012) - <i>Diretrizes para um Plano de Gest&atilde;o Ambiental Portu&aacute;rio contextualizado nos est&aacute;gios do Ciclo do GCI. Estudo de caso no Porto do Rio Grande</i>. 181p., FURG, Rio Grande, RS, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://repositorio.furg.br:8080/handle/1/4019" target="_blank">http://repositorio.furg.br:8080/handle/1/4019</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1646-8872201500020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Porto, M.M. (2011) &ndash; <i>Portos e o desenvolvimento</i>. 208p., Aduaneiras, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 8587364588</p>     <p>Porto, M.M.; Teixeira, S.G. (2002) &ndash; <i>Portos e Meio Ambiente</i>. 227p., Aduaneiras, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 8571293031.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ramires, J.C.L.; Pess&ocirc;a, V.L.S. (2009) &ndash; <i>Geografia e Pesquisa Qualitativa: nas trilhas da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</i>. 543p., Assis Editora, Uberl&acirc;ndia, MG, Brasil. ISBN: 978-8562192104.</p>     <!-- ref --><p>SUPRG (2012) - <i>Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Rio Grande</i>. 11p., Superintend&ecirc;ncia do Porto do Rio Grande(SUPRG), Rio Grande, RS, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.portoriogrande.com.br/site/estrutura_zoneamento_do_porto.php" target="_blank">http://www.portoriogrande.com.br/site/estrutura_zoneamento_do_porto.php</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1646-8872201500020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>SUPRG (2014) &ndash; <i>Regimento Interno do Conselho de Gest&atilde;o Ambiental do Porot do Rio Grande</i>. 5p., Conselho de Gest&atilde;o Ambiental do Porto do Rio Grande, Superintend&ecirc;ncia do Porto do Rio Grande (SUPRG), Rio Grande, RS, Brasil. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://cgaprg.files.wordpress.com/2012/08/regimento-interno-do-conselho-de-gestc3a3o-ambiental.pdf" target="_blank">http://cgaprg.files.wordpress.com/2012/08/regimento-interno-do-conselho-de-gestc3a3o-ambiental.pdf</a></p>     <p>WBG (2001) &ndash; Port Reform Toolkit. 375p., World Bank Group, Washington, DC, USA. Dispon&iacute;vel online em <a href="http://www.ppiaf.org/sites/ppiaf.org/files/documents/toolkits/Portoolkit/Toolkit/index.html" target="_blank">http://www.ppiaf.org/sites/ppiaf.org/files/documents/toolkits/Portoolkit/Toolkit/index.html</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a>Submission: 8 MAR 2014; Peer review: 10 MAY 2014; Revised: 27 AUG 2014; Accepted: 21 OCT 2014; Available on-line: 24 OCT 2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas:</b></p>     <p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> Portaria interministerial MMA/SEP/PR n&deg; 425, de 26 de outubro de 2011</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2">2</a><a name="2"></a> De acordo com a Lei n&deg; 12.815/2003, Porto Organizado &eacute; considerado como o bem p&uacute;blico constru&iacute;do e aparelhado para atender a necessidades de navega&ccedil;&atilde;o, de movimenta&ccedil;&atilde;o de passageiros ou de movimenta&ccedil;&atilde;o e armazenagem de mercadorias, e cujo tr&aacute;fego e opera&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias estejam sob jurisdi&ccedil;&atilde;o de autoridade portu&aacute;ria.</p>     <p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a> A Licen&ccedil;a de Opera&ccedil;&atilde;o est&aacute; em processo de renova&ccedil;&atilde;o junto ao Ibama desde 19 de junho de 2013.</p>     <p><a href="#top4">4</a><a name="4"></a> De acordo com a ANTAQ (2006), a capacita&ccedil;&atilde;o ambiental das organiza&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias constituiu um dos principais instrumentos da gest&atilde;o ambiental, e exige, no m&iacute;nimo, os seguintes profissionais dentro do quadro t&eacute;cnico dos portos: engenharia civil, engenharia ambiental, biologia, ecologia, geologia, geoqu&iacute;mica, oceanografia, qu&iacute;mica, direito, arquitetura, geografia, economia.</p>     <p><a href="#top5">5</a><a name="5"></a> Situa&ccedil;&atilde;o ocorrida, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, at&eacute; a renova&ccedil;&atilde;o da Licen&ccedil;a de Opera&ccedil;&atilde;o, com base em Parecer T&eacute;cnico emitido pelo IBAMA (Ibama, 2013).</p>     <p><a href="#top6">6</a><a name="6"></a> Licen&ccedil;as emitidas para os terminais alfandegados do Porto do Rio Grande.</p>     <p><a href="#top7">7</a><a name="7"></a>Conselho de Autoridade Portu&aacute;ria (CAP) era o conselho deliberativo de m&aacute;xima hierarquia administrativa no Porto Organizado, definido pela Lei n&deg; 8.630/1993. Entretanto, com a Nova Lei dos Portos (Lei n&deg; 2.815/2013) o CAP perdeu seu papel deliberativo e passou a ser apenas consultivo.</p>      ]]></body><back>
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<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>AAPA</collab>
<source><![CDATA[Environmental Management Handbook]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Alexandria^eVA VA]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[American Association of Port Authorities (AAPA)]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>ANTAQ</collab>
<source><![CDATA[Manual de Licenciamento Ambiental de Portos]]></source>
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