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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Escolhas metodológicas em investigação científica: aplicação da abordagem de Saunders no estudo da influência da cultura na competitividade de clusters]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to present, based on Saunders etal., the methodological choices that are adopted in a scientific research about the influence of local culture on organizational culture and competitiveness, in a study on the malacoculture cluster of Florianópolis, in southern Brazil. Saunders believes that the successive choices of the researcher in relation to philosophies, approach, strategies, methods of collection and analysis of data, time horizon and techniques and procedures for collecting and analyzing data are what characterize the scientific research. The paper aims to demonstrate that showing the methodological choices is a form of reflection which enables to significantly increase the consistency of the research model.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p><b>Escolhas metodol&oacute;gicas em investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: aplica&ccedil;&atilde;o da abordagem de Saunders no estudo da influ&ecirc;ncia da cultura na competitividade de <i>clusters </i></b></p>     <p><b><b>Methodological choices in scientific research: use of the Saunders approach on the study of the culture influence on clusters competitivity</b></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>F&aacute;tima Regina Teixeira<sup>1</sup>, Luiz Roberto Mayr<sup>2</sup>, Ant&oacute;nio Viera Paisana<sup>3</sup>, Filipa Dion&iacute;sio Vieira<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Programa Doutoral em Engenharia Industrial e Sistemas, Universidade do Minho, 4804 – 533, Guimar&atilde;es, Portugal Email <a href="mailto:fatima@ifsc.edu.br">fatima@ifsc.edu.br</a></p>     <p><sup>2</sup> N&uacute;cleo de Gest&atilde;o Ambiental, Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, Av. N. S. das Gra&ccedil;as 50, pr&eacute;dio 24, 25250-020, Duque de Caxias, Brasil Email <a href="mailto:lrmayr@inmetro.gov.br">lrmayr@inmetro.gov.br</a>, <a href="mailto:filipadv@dps.uminho.pt">filipadv@dps.uminho.pt</a></p>     <p><sup>3</sup> Departamento de Produ&ccedil;&atilde;o e Sistemas, Universidade do Minho, 4804 – 533, Guimar&atilde;es, Portugal Email <a href="mailto:apaisana@dps.uminho.pt">apaisana@dps.uminho.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo tem por objetivo apresentar, com base em Saunders <i>et al.</i>, as escolhas metodol&oacute;gicas que s&atilde;o adotadas na investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica acerca da influ&ecirc;ncia da cultura local sobre a cultura organizacional e a competitividade, no estudo do <i>cluster</i> da malacocultura da regi&atilde;o da Grande Florian&oacute;polis, situado no sul do Brasil. Saunders considera que s&atilde;o as sucessivas escolhas do investigador em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s filosofias, &agrave; abordagem, &agrave;s estrat&eacute;gias, aos m&eacute;todos de coleta e an&aacute;lise de dados, ao horizonte de tempo e &agrave;s t&eacute;cnicas e procedimentos de coleta e an&aacute;lise de dados, que caracterizam a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. O trabalho busca demonstrar que evidenciar as escolhas metodol&oacute;gicas &eacute; uma forma de reflex&atilde;o que possibilita aumentar significativamente a consist&ecirc;ncia do modelo da investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: escolhas metodol&oacute;gicas; modelo de investiga&ccedil;&atilde;o; cluster.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article aims to present, based on Saunders <i>et</i><i>al</i><i>.,</i> the methodological choices that are adopted in a scientific research about the influence of local culture on organizational culture and competitiveness, in a study on the malacoculture cluster of Florian&oacute;polis, in southern Brazil. Saunders believes that the successive choices of the researcher in relation to philosophies, approach, strategies, methods of collection and analysis of data, time horizon and techniques and procedures for collecting and analyzing data are what characterize the scientific research. The paper aims to demonstrate that showing the methodological choices is a form of reflection which enables to significantly increase the consistency of the research model.</p>     <p><b>Keywords</b>: qualitative methods; case study; cluster.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.    Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>No Departamento de Produ&ccedil;&atilde;o e Sistemas, da Escola de Engenharia da Universidade do Minho est&aacute; em curso um trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o sobre o <i>cluster </i>da malacoculutra da regi&atilde;o da Grande Florian&oacute;polis, no Sul do Brasil. Este <i>cluster</i>, voltado ao cultivo de moluscos bivalves marinhos, compartilha condi&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas bastante favor&aacute;veis pela qualidade da &aacute;gua de ba&iacute;a, e conta com apoio institucional de organiza&ccedil;&otilde;es como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Empresa de Pesquisas Agropecu&aacute;rias e Extens&atilde;o Rural de Santa Catarina (EPAGRI), entre outras. O <i>cluster</i> apresenta como resultado a gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda na regi&atilde;o, a preserva&ccedil;&atilde;o da cultura local e o cuidado com o meio ambiente.</p>     <p>Para Porter (1998), <i>cluster</i> &eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica de empresas interconectadas, fornecedores especializados, provedores de servi&ccedil;os, empresas em setores correlatos e institui&ccedil;&otilde;es associadas em campos espec&iacute;ficos, que tanto competem como cooperam entre si. Os <i>clusters</i> podem ser um meio para o alcance de competitividade pelo compartilhamento de conhecimentos entre os envolvidos e pelo est&iacute;mulo &agrave; inova&ccedil;&atilde;o. A dualidade entre competi&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o &eacute; uma necessidade de sobreviv&ecirc;ncia das empresas diante de quest&otilde;es comuns no mercado, e requer uma cultura organizacional favor&aacute;vel. No entanto, as especificidades da cultura local podem favorecer ou dificultar a forma&ccedil;&atilde;o de um ambiente prop&iacute;cio a esta simultaneidade de competi&ccedil;&atilde;o com coopera&ccedil;&atilde;o entre empresas, afetando a sua competitividade. A competitividade nesse caso pode ser compreendida como a capacidade de uma organiza&ccedil;&atilde;o ou na&ccedil;&atilde;o de ser bem sucedida em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; concorr&ecirc;ncia (Mariotto, 1991). Investigar como os <i>clusters</i> se organizam &eacute; uma forma de contribuir para a consolida&ccedil;&atilde;o deste instrumento de competitividade e desenvolvimento regional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora contando com apoio institucional, com condi&ccedil;&otilde;es ambientais favor&aacute;veis e com ambiente econ&ocirc;mico prop&iacute;cio, o <i>cluster</i> da malacocultura da regi&atilde;o da Grande Florian&oacute;polis apresenta problemas. Minuzzi (2011) observou que alguns dos fatores que dificultam o pleno desenvolvimento do <i>cluster</i> est&atilde;o relacionados ao comportamento dos indiv&iacute;duos, &agrave; sua maneira de ser e agir, que &eacute; condicionada por sua cultura.  A autora afirma que entre os principais pontos fracos do <i>cluster</i> na percep&ccedil;&atilde;o dos membros da governan&ccedil;a end&oacute;gena est&atilde;o, entre outros, a rivalidade entre os produtores, a diversidade de interesses entre os membros, a falta de entendimento do conceito de <i>cluster</i>, a aus&ecirc;ncia de esp&iacute;rito de uni&atilde;o, coopera&ccedil;&atilde;o e associativismo entre os produtores, e a dificuldade de comunica&ccedil;&atilde;o entre os agentes.</p>     <p>A falta de coopera&ccedil;&atilde;o, de uni&atilde;o e de esp&iacute;rito associativo identificados por Minuzzi (2011) no <i>cluster</i> da malacocultura da regi&atilde;o da Grande Florian&oacute;polis pode ser entendida como uma manifesta&ccedil;&atilde;o de individualismo, talvez um tra&ccedil;o da heran&ccedil;a cultural a&ccedil;oriana dos colonizadores dessa regi&atilde;o, quem sabe uma caracter&iacute;stica comum desenvolvida pelos indiv&iacute;duos da localidade ao longo de suas vidas na atividade pr&eacute;via da pesca artesanal extrativa, que &eacute; muitas vezes realizada de forma individual, isolada.</p>     <p>Dentre os problemas, ou entraves ao desenvolvimento do <i>cluster</i> da malacocultura da Grande Florian&oacute;polis apresentados por Minuzzi (2011) percebe-se que a maior parte est&aacute; relacionada ao comportamento dos indiv&iacute;duos, ou seja, &agrave; sua maneira de ser e agir, que, por sua vez, est&aacute; condicionada pela sua cultura. Assim, por exemplo, a falta de coopera&ccedil;&atilde;o, de uni&atilde;o e de esp&iacute;rito associativo entre os produtores poderia ser entendida como uma manifesta&ccedil;&atilde;o de individualismo, quem sabe um tra&ccedil;o da heran&ccedil;a a&ccedil;oriana que colonizou a regi&atilde;o, quem sabe uma caracter&iacute;stica comum aos produtores, desenvolvida ao longo de suas vidas como pescadores, j&aacute; que muitos s&atilde;o origin&aacute;rios da pesca artesanal, atividade extrativa e, muitas vezes, de car&aacute;ter individual.</p>     <p>No &acirc;mbito dos estudos sobre organiza&ccedil;&otilde;es, in&uacute;meros trabalhos abordam a rela&ccedil;&atilde;o entre cultura local e cultura organizacional. Neles, os autores reconhecem a influ&ecirc;ncia da cultura local sobre a organizacional, assim como os seus reflexos no desempenho das organiza&ccedil;&otilde;es. Alguns, por exemplo, buscam compreender a rela&ccedil;&atilde;o entre cultura organizacional e cultura nacional (Hofstede, 1980, 1990; Lenartowicz, 2001; Mcsweeney, 2009), outros est&atilde;o mais interessados no estudo da lideran&ccedil;a, numa complexa rela&ccedil;&atilde;o entre cultura nacional, cultura organizacional e efic&aacute;cia de pr&aacute;ticas de lideran&ccedil;a (Dickson et al., 2000; House <i>et al</i>., 2010). </p>     <p>A cultura organizacional tem sido citada por v&aacute;rios autores como um dos aspectos da maior relev&acirc;ncia no que se refere &agrave; competitividade das empresas. Diversos estudos reconhecem a import&acirc;ncia da cultura no desempenho organizacional, como os de Barney (1986), de Baird <i>et al.</i> (2007), e de Martins e Terblanche (2003). Para Fairbanks e Lindsay (2000), &eacute; a cultura que formata o que os indiv&iacute;duos pensam sobre riscos, recompensas, oportunidades e, consequentemente, sobre progresso. Feldman (2010), por sua vez, mostra que os fatores culturais influenciam a gest&atilde;o das empresas e, consequentemente, afetam o seu desempenho, destacando a necessidade de se ter consci&ecirc;ncia de que n&atilde;o adianta lutar contra estes fatores, mas aprender a tirar proveito deles. No entanto, percebe-se que existem aspectos relativos &agrave;s especificidades caracter&iacute;sticas da regi&atilde;o, que s&atilde;o ligados &agrave; cultura local e, ao mesmo tempo, pass&iacute;veis de afetar a competitividade de clusters, que n&atilde;o s&atilde;o abordados nestes estudos, mas que caberia investig&aacute;-los.</p>     <p>Analisar os efeitos da cultura local na cultura organizacional, no desempenho das empresas e na competitividade de um cluster envolve lidar com aspectos subjetivos, n&atilde;o quantific&aacute;veis, em uma investiga&ccedil;&atilde;o que combina conhecimentos sobre clusters, competitividade e cultura organizacional, baseados em Porter (1998, 2008), Hofstede (1980) e Schein (1984, 1985). O desafio inicial de uma investiga&ccedil;&atilde;o dessa natureza &eacute; estabelecer o m&eacute;todo e os procedimentos adequados para a coleta e an&aacute;lise de dados. Para Saunders <i>et al.</i> (2012), o investigador deve ser capaz de refletir sobre as suas escolhas e justific&aacute;-las em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s alternativas que poderia ter adotado; s&atilde;o as suas escolhas que ir&atilde;o caracterizar a investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Este artigo tem por objetivo apresentar, com base na abordagem de Saunders <i>et al.</i> (2012), as escolhas metodol&oacute;gicas que s&atilde;o adotadas na investiga&ccedil;&atilde;o acerca dos efeitos da cultura local sobre a cultura organizacional e competitividade de <i>clusters</i>. Organizado em cinco sec&ccedil;&otilde;es este trabalho apresenta na sua primeira sec&ccedil;&atilde;o a contextualiza&ccedil;&atilde;o do problema; na se&ccedil;&atilde;o 2, a fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica em torno dos aspectos metodol&oacute;gicos; na se&ccedil;&atilde;o 3, a proposi&ccedil;&atilde;o da abordagem metodol&oacute;gica a ser utilizada; na se&ccedil;&atilde;o 4, um esbo&ccedil;o do modelo de coleta e an&aacute;lise de dados a ser adotado; e, finalmente, na sua &uacute;ltima sec&ccedil;&atilde;o, apresenta uma avalia&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via da adequa&ccedil;&atilde;o do modelo aos objetivos da investiga&ccedil;&atilde;o. Espera-se com este artigo contribuir para a discuss&atilde;o sobre a aplica&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos qualitativos em investiga&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea da Engenharia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.   Fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica</b></p>     <p>Saunders <i>et al.</i> (2012) afirmam que em investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica a metodologia constitui-se no conjunto de procedimentos intelectuais e t&eacute;cnicos utilizados pelo investigador para alcan&ccedil;ar os seus objetivos. A metodologia adotada para uma investiga&ccedil;&atilde;o deixa transparecer a vis&atilde;o de mundo do investigador por meio dos pressupostos filos&oacute;ficos e paradigm&aacute;ticos que ele elege e que estar&atilde;o na base do novo conhecimento constru&iacute;do.  Os autores consideram que mais importante do que declarar a filosofia ou o paradigma que norteiam a sua investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; o investigador ser capaz de refletir sobre as suas escolhas. Assim, apresentam um modelo para estruturar a investiga&ccedil;&atilde;o a partir de alternativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s filosofias, &agrave; abordagem, &agrave;s estrat&eacute;gias, aos m&eacute;todos de coleta e an&aacute;lise de dados, ao horizonte de tempo e &agrave;s t&eacute;cnicas e procedimentos de coleta e an&aacute;lise de dados. Segundo eles, s&atilde;o as sucessivas escolhas do investigador em rela&ccedil;&atilde;o a cada um destes aspectos que ir&atilde;o caracterizar a investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Filosofia</i></p>     <p>Segundo Saunders <i>et al.</i> (2012), as quatro correntes filos&oacute;ficas em investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, o positivismo, o realismo, o interpretativismo e o pragmatismo distinguem-se em suas perspectivas ontol&oacute;gicas, epistemol&oacute;gicas e axiol&oacute;gicas.</p>     <p>Ontologicamente, isto &eacute;, do ponto de vista do investigador quanto &agrave; natureza da realidade ou do ser, tanto o positivismo como o realismo consideram que a realidade &eacute; objetiva e que &eacute; independente dos atores sociais.  J&aacute; o interpretativismo considera que a realidade &eacute; subjetiva, uma constru&ccedil;&atilde;o social que pode mudar. A corrente pragm&aacute;tica, por sua vez, considera que o ponto de vista do investigador deve ser escolhido de forma a melhor responder &agrave; pergunta de investiga&ccedil;&atilde;o (Saunders <i>et al.</i>, 2012).</p>     <p>Epistemologicamente, isto &eacute;, quanto ao tipo de conhecimento que &eacute; aceit&aacute;vel, tanto o positivismo como o realismo consideram que apenas os fen&ocirc;menos observ&aacute;veis podem prover dados confi&aacute;veis para a investiga&ccedil;&atilde;o, sendo que o primeiro enfoca na casualidade e em generaliza&ccedil;&otilde;es, e o segundo na explica&ccedil;&atilde;o dentro de um determinado contexto. J&aacute; o interpretativismo considera os significados subjetivos e o fen&ocirc;meno social com foco nos detalhes da situa&ccedil;&atilde;o, a realidade por tr&aacute;s desses detalhes e os significados subjetivos que motivam os atores sociais. A corrente pragm&aacute;tica considera que ambos, fen&ocirc;menos observ&aacute;veis e significados subjetivos, podem prover conhecimentos aceit&aacute;veis, dependendo da quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o (Saunders <i>et al.</i>, 2012).</p>     <p>Axiologicamente, isto &eacute;, quanto ao papel dos valores em investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, no positivismo a investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; livre dos valores do investigador que, independentemente dos dados, mant&eacute;m uma postura objetiva. No realismo, a investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; carregada dos valores do investigador, suas vis&otilde;es, culturas e experi&ecirc;ncias, que ter&atilde;o impacto na investiga&ccedil;&atilde;o. No interpretativismo, a investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; de valor vinculado, e o investigador &eacute; parte do que est&aacute; sendo investigado. Finalmente, na corrente pragm&aacute;tica, os valores desempenham um grande papel na interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados, sendo que neste caso o investigador pode adotar pontos de vista tanto objetivos quanto subjetivos (Saunders <i>et al.</i>, 2012).</p>     <p><i>Abordagem</i></p>     <p>Segundo Saunders <i>et al.</i> (2012), existem duas formas poss&iacute;veis de abordagens em investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: a indutiva e a dedutiva. Na dedutiva, o investigador formula uma teoria e hip&oacute;teses e estabelece uma estrat&eacute;gia de investiga&ccedil;&atilde;o para testar e validar essas hip&oacute;teses, levando &agrave; possibilidade de generaliza&ccedil;&atilde;o; &eacute; a abordagem dominante no campo das ci&ecirc;ncias naturais. Na indutiva, o investigador coleta dados e formula a teoria como resultante da an&aacute;lise de dados, isto &eacute;, o estabelecimento da regra ou a formula&ccedil;&atilde;o da teoria decorre do fen&ocirc;meno ou efeito observado; &eacute; a abordagem dominante no campo das ci&ecirc;ncias sociais. Para os autores, se o interesse do investigador &eacute; maior no sentido de compreender por que alguma coisa est&aacute; acontecendo do que em descrever o que acontece, deve usar a abordagem indutiva de investiga&ccedil;&atilde;o. Consideram que a abordagem indutiva tende a se preocupar com o contexto em que os eventos ocorrem. Por isso, o estudo de pequenas amostras do objeto pode ser mais apropriado do que de grandes amostras, como ocorre na abordagem dedutiva.</p>     <p><i>Estrat&eacute;gia</i></p>     <p>Saunders <i>et al.</i> (2012) consideram que para definir a estrat&eacute;gia a ser adotada em investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; necess&aacute;rio que antes se defina a finalidade da investiga&ccedil;&atilde;o. Segundo os autores, a investiga&ccedil;&atilde;o pode ter a finalidade explorat&oacute;ria, descritiva e explanat&oacute;ria. A investiga&ccedil;&atilde;o explorat&oacute;ria &eacute; um meio para descobrir o que est&aacute; acontecendo, fazer perguntas e avaliar a situa&ccedil;&atilde;o sob uma nova perspectiva. A investiga&ccedil;&atilde;o descritiva serve para tra&ccedil;ar o perfil de pessoas, eventos ou situa&ccedil;&otilde;es. J&aacute; a explanat&oacute;ria ou explicativa &eacute; a que busca estabelecer rela&ccedil;&otilde;es causais entre vari&aacute;veis.</p>     <p>Diversas s&atilde;o as estrat&eacute;gias que podem ser adotadas em processos de investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: o experimento, o inqu&eacute;rito, o estudo de caso, a investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o, a teoria fundamentada, a etnografia e a investiga&ccedil;&atilde;o em arquivos (Saunders <i>et al.</i>, 2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O experimento, como estrat&eacute;gia, serve a estudos que envolvam liga&ccedil;&otilde;es causais; costuma ser usado em investiga&ccedil;&otilde;es explanat&oacute;rias e explorat&oacute;rias. O inqu&eacute;rito &eacute; uma estrat&eacute;gia popular, pois permite grande coleta de dados de modo econ&ocirc;mico e costuma ser usado em investiga&ccedil;&otilde;es explorat&oacute;rias e descritivas. O estudo de caso permite uma rica compreens&atilde;o do contexto de uma investiga&ccedil;&atilde;o e dos processos encenados, e costuma ser usado em investiga&ccedil;&otilde;es explanat&oacute;rias e explorat&oacute;rias. A investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o combina coleta de dados e facilita&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a. A teoria fundamentada &eacute; particularmente &uacute;til em investiga&ccedil;&otilde;es de previs&atilde;o e explica&ccedil;&atilde;o de comportamento para a cria&ccedil;&atilde;o de uma teoria. A etnografia, por sua vez, busca descrever e explicar o mundo social que os sujeitos da investiga&ccedil;&atilde;o vivenciam, da maneira como eles pr&oacute;prios o descrevem e explicam. Finalmente, a investiga&ccedil;&atilde;o em arquivos &eacute; a estrat&eacute;gia que usa documentos e registros administrativos como principal fonte de dados e permite que quest&otilde;es com foco sobre o passado e mudan&ccedil;as ao longo do tempo possam ser respondidas (Saunders <i>et al.</i>, 2012).</p>     <p><i>Coleta e an&aacute;lise de dados</i></p>     <p>De acordo com Saunders <i>et al.</i> (2012), h&aacute; duas escolhas poss&iacute;veis quanto aos m&eacute;todos para a coleta e an&aacute;lise de dados em investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: o mono-m&eacute;todo e o m&eacute;todo m&uacute;ltiplo. O mono-m&eacute;todo, como o pr&oacute;prio termo indica, &eacute; a op&ccedil;&atilde;o por uma &uacute;nica t&eacute;cnica para a coleta e an&aacute;lise de dados. J&aacute; o m&eacute;todo m&uacute;ltiplo &eacute; a op&ccedil;&atilde;o pelo uso de mais de uma t&eacute;cnica para a coleta e an&aacute;lise de dados. Nesse caso, a escolha pode ser por multi-m&eacute;todo, que consiste na op&ccedil;&atilde;o pelo uso combinado de diferentes t&eacute;cnicas qualitativas ou no uso combinado de diferentes t&eacute;cnicas quantitativas de coleta e an&aacute;lise de dados ou a escolha pode ser pelo uso do m&eacute;todo misto, que consiste na combina&ccedil;&atilde;o de diferentes t&eacute;cnicas quantitativas e qualitativas de coleta e an&aacute;lise de dados.</p>     <p><i>Horizonte de tempo</i></p>     <p>Segundo Saunders <i>et al.</i> (2012), o horizonte de tempo em investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica pode ser tanto longitudinal quanto transversal, e depende da quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o. O estudo longitudinal &eacute; o que permite estudar mudan&ccedil;a e desenvolvimento ao longo de um per&iacute;odo de tempo.  J&aacute; o estudo transversal &eacute; o que permite o estudo de um determinado fen&ocirc;meno, em um determinado momento.</p>     <p><i>T&eacute;cnicas e Procedimentos</i></p>     <p>De acordo com Saunders <i>et al.</i> (2012), as t&eacute;cnicas de amostragem em investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dividem-se em dois tipos: as probabil&iacute;sticas, ou representativas e as n&atilde;o probabil&iacute;sticas, ou de julgamento. Nas t&eacute;cnicas de amostragem do tipo probabil&iacute;sticas a amostra &eacute; escolhida estatisticamente e de forma aleat&oacute;ria; nelas &eacute; poss&iacute;vel especificar a probabilidade de que qualquer das alternativas existentes seja inclu&iacute;da na amostra. As t&eacute;cnicas de amostragem probabil&iacute;sticas resumem-se em aleat&oacute;ria simples, aleat&oacute;ria sistem&aacute;tica, aleat&oacute;ria estratificada, grupo e multi est&aacute;gio, cada qual possuindo uma f&oacute;rmula matem&aacute;tica espec&iacute;fica para a sele&ccedil;&atilde;o. J&aacute; na amostragem do tipo n&atilde;o probabil&iacute;stica h&aacute; uma variedade de t&eacute;cnicas que podem ser utilizadas na sele&ccedil;&atilde;o da amostra, que &eacute; feita com base em julgamento subjetivo e, portanto, n&atilde;o probabil&iacute;stico. As t&eacute;cnicas de amostragem n&atilde;o probabil&iacute;sticas resumem-se em: cota, intencional caso extremo, intencional heterog&ecirc;nea, intencional homog&ecirc;nea, intencional caso cr&iacute;tico, intencional caso t&iacute;pico, intencional te&oacute;rica, volunt&aacute;ria bola de neve, volunt&aacute;ria auto sele&ccedil;&atilde;o e acidental por conveni&ecirc;ncia.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos procedimentos a serem utilizados para a coleta e an&aacute;lise de dados prim&aacute;rios, Saunders <i>et al.</i> (2012) citam a observa&ccedil;&atilde;o, a entrevista semiestruturada e o question&aacute;rio como instrumentos de coleta. Para a an&aacute;lise dos dados os autores apresentam duas formas poss&iacute;veis de an&aacute;lise: a qualitativa e a quantitativa.</p>     <p>No que concerne especificamente aos procedimentos de coleta, a observa&ccedil;&atilde;o pode ser participante ou estruturada e envolve praticamente a observa&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica, a grava&ccedil;&atilde;o, a an&aacute;lise, a descri&ccedil;&atilde;o e a interpreta&ccedil;&atilde;o do comportamento das pessoas. A observa&ccedil;&atilde;o participante &eacute; qualitativa e busca descobrir os significados que as pessoas atribuem &agrave;s suas a&ccedil;&otilde;es. A observa&ccedil;&atilde;o estruturada, por sua vez, &eacute; quantitativa e est&aacute; relacionada &agrave; frequ&ecirc;ncia com que algo ocorre. A entrevista semiestruturada, &eacute; utilizada em investiga&ccedil;&otilde;es qualitativas em que o investigador ter&aacute; uma lista de quest&otilde;es e temas a serem cobertas, que podem variar de entrevistado para entrevistado. Finalmente, o question&aacute;rio, &eacute; o que corresponde para os autores e no contexto de seu livro, a todas as t&eacute;cnicas de coleta de dados em que pessoas s&atilde;o solicitadas a responder a um mesmo conjunto de quest&otilde;es, em uma mesma sequ&ecirc;ncia predeterminada, incluindo a entrevista estruturada (Saunders <i>et al.</i>, 2012).</p>     <p>No que concerne especificamente &agrave; an&aacute;lise de dados, a quantitativa envolve a interpreta&ccedil;&atilde;o de dados num&eacute;ricos padronizados, com base em diagramas e c&aacute;lculos estat&iacute;sticos, que permitem examinar a rela&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis. A quest&atilde;o cr&iacute;tica neste tipo de an&aacute;lise &eacute; o tratamento dos dados para permitir o seu correto processamento e interpreta&ccedil;&atilde;o de resultados. J&aacute; a an&aacute;lise qualitativa &eacute; baseada em dados que s&atilde;o expressos atrav&eacute;s de palavras; informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o padronizadas que demandam classifica&ccedil;&atilde;o em categorias. Nesse tipo de an&aacute;lise o desafio &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o dos conceitos que permitem a an&aacute;lise dos dados. A an&aacute;lise qualitativa pode ser dedutiva ou indutiva.  A dedutiva &eacute; realizada com base em teoria pr&eacute;-existente. J&aacute; na indutiva, a discuss&atilde;o te&oacute;rica emerge do processo de coleta e an&aacute;lise de dados (Saunders <i>et al.</i>, 2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Proposi&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Com base no modelo de Saunders <i>et al.</i> (2012), a presente investiga&ccedil;&atilde;o insere-se na corrente filos&oacute;fica do interpretativismo, que leva em considera&ccedil;&atilde;o os significados subjetivos que motivam a a&ccedil;&atilde;o individual e os fen&ocirc;menos sociais. O conhecimento da realidade se dar&aacute; pela intera&ccedil;&atilde;o entre a investigadora e os atores sociais que integram o objeto de an&aacute;lise, durante o processo de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A abordagem usada para a investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; a indutiva, prevalecendo a preocupa&ccedil;&atilde;o com o contexto dos acontecimentos.  Consiste em estudo explanat&oacute;rio, em que se busca estabelecer rela&ccedil;&otilde;es causais entre vari&aacute;veis. A explana&ccedil;&atilde;o acerca do fen&ocirc;meno estudado decorrer&aacute;, portanto, dos dados coletados e da sua an&aacute;lise.</p>     <p>A estrat&eacute;gia adotada &eacute; o estudo de caso, tomando-se como objeto de an&aacute;lise o <i>cluster</i> da malacocultura da regi&atilde;o da Grande Florian&oacute;polis. Yin (2009) considera que a aplica&ccedil;&atilde;o mais importante do estudo de caso como estrat&eacute;gia investigativa &eacute; para explicar liga&ccedil;&otilde;es causais presumidas em interven&ccedil;&otilde;es da vida real que s&atilde;o muito complexas para estrat&eacute;gias como o inqu&eacute;rito ou o experimento. Os estudos de caso, assim como os experimentos, s&atilde;o generaliz&aacute;veis para proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e n&atilde;o para universos e popula&ccedil;&otilde;es. Eles n&atilde;o representam uma amostra. A decis&atilde;o de utilizar o estudo de caso como estrat&eacute;gia de investiga&ccedil;&atilde;o deve ocorrer quando o investigador quer entender um fen&ocirc;meno da vida real em profundidade, mas tal compreens&atilde;o engloba condi&ccedil;&otilde;es contextuais altamente pertinentes ao fen&ocirc;meno estudado.</p>     <p>A coleta de dados ser&aacute; realizada por meio do m&eacute;todo m&uacute;ltiplo, do tipo multim&eacute;todo qualitativo, em que se combinam diferentes t&eacute;cnicas qualitativas de coleta, tendo-se em vista que a pesquisa busca compreender os diversos aspectos subjetivos que afetam o objeto do estudo, de modo a tornar poss&iacute;vel, pela an&aacute;lise qualitativa, explanar acerca da situa&ccedil;&atilde;o existente e inferir a seu respeito. A op&ccedil;&atilde;o pelo uso de mais de uma t&eacute;cnica qualitativa para a coleta de dados permite que a investigadora possa, por esse tipo de an&aacute;lise, explanar acerca da realidade encontrada e inferir a seu respeito, j&aacute; que o interesse est&aacute; em compreender os aspectos subjetivos que afetam o objeto de estudo.</p>     <p>Quanto ao horizonte de tempo, a investiga&ccedil;&atilde;o em curso caracteriza-se como um estudo transversal, j&aacute; que o fen&ocirc;meno &eacute; estudado durante um tempo determinado.</p>     <p>No que concerne &agrave; t&eacute;cnica de amostragem, ser&aacute; adotada a t&eacute;cnica n&atilde;o probabil&iacute;stica de amostragem, que &eacute; a indicada no &acirc;mbito das investiga&ccedil;&otilde;es de neg&oacute;cios, tais como investiga&ccedil;&otilde;es de mercado e estudos de caso. Dentre as t&eacute;cnicas de amostragem n&atilde;o probabil&iacute;sticas existentes, a op&ccedil;&atilde;o ser&aacute; pelo uso da n&atilde;o probabil&iacute;stica intencional heterog&ecirc;nea, em que se utiliza do julgamento para se proceder &agrave; escolha dos indiv&iacute;duos a serem entrevistados. Relativamente aos procedimentos para coleta de dados prim&aacute;rios, ser&atilde;o adotadas a observa&ccedil;&atilde;o participante e a entrevista semiestruturada. Quanto &agrave; an&aacute;lise, ser&aacute; realizada a an&aacute;lise qualitativa indutiva tendo-se em vista que os procedimentos de coleta adotados originam dados expressos em palavras.</p>     <p>Modelos s&atilde;o representa&ccedil;&otilde;es simplificadas da realidade; podem ser constru&iacute;dos como artefatos intelectuais (Mayr, 2007). Como simplifica&ccedil;&atilde;o da realidade, um modelo pode ser usado como ferramenta na tentativa de descrever, explicar e simular o funcionamento de um sistema. Seja por redu&ccedil;&atilde;o da complexidade, procurando a sua ess&ecirc;ncia, seja por altera&ccedil;&atilde;o na escala para mais ou para menos, o modelo desconsidera aspectos que n&atilde;o s&atilde;o relevantes para o objetivo da an&aacute;lise (Blanchard &amp; Fabrycky, 1981).</p>     <p>O modelo de an&aacute;lise proposto para a investiga&ccedil;&atilde;o em curso combina elementos presentes em quatro modelos te&oacute;ricos cl&aacute;ssicos das &aacute;reas de estrat&eacute;gia empresarial e do comportamento organizacional: os modelos de Porter (1998, 2008) para a competitividade e para o cluster respectivamente; o modelo de Hosfstede (1980) para a an&aacute;lise organizacional com base na cultura organizacional; e o modelo de Shein (1984, 1985) para estudo da cultura organizacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O modelo da competitividade desenvolvido por Porter (2008) leva em conta que a disputa entre empresas no mercado n&atilde;o ocorre apenas entre as que fazem parte de um mesmo segmento da ind&uacute;stria, mas vai al&eacute;m, para abranger tamb&eacute;m os clientes, os fornecedores, os entrantes potenciais e os produtos substitutos. A baixa concorr&ecirc;ncia, a possibilidade de se contrapor &agrave; press&atilde;o de clientes e fornecedores, as dificuldades para que novas empresas ingressem no mercado e a falta de substitutos vi&aacute;veis podem favorecer as empresas concorrentes de um segmento industrial. Por outro lado, a rentabilidade das empresas pode ser corro&iacute;da pelo acirramento da concorr&ecirc;ncia, pelo poder de negocia&ccedil;&atilde;o de clientes e de fornecedores, pela facilidade para que novas empresas entrem no mercado e pelas vantagens oferecidas por produtos substitutos. Assim, para o autor, a rivalidade que existe em meio a essas cinco for&ccedil;as &eacute; que ir&aacute; definir a estrutura da ind&uacute;stria e modelar a natureza das intera&ccedil;&otilde;es competitivas no setor.</p>     <p>O modelo de cluster tamb&eacute;m desenvolvido por Porter (1998) leva em conta que os clusters abrangem n&atilde;o apenas as empresas concorrentes, mas frequentemente, os fornecedores especializados, alguns canais de distribui&ccedil;&atilde;o, ag&ecirc;ncias governamentais, institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa e associa&ccedil;&otilde;es comerciais; considera que eles afetam a competitividade de tr&ecirc;s formas: aumentando a produtividade das empresas da regi&atilde;o, direcionando e dando ritmo &agrave; inova&ccedil;&atilde;o e estimulando a forma&ccedil;&atilde;o de novos neg&oacute;cios que fortalecem o pr&oacute;prio cluster.</p>     <p>O modelo para an&aacute;lise organizacional desenvolvido por Hofstede (1980, 2010) considera que seis dimens&otilde;es de cultura organizacional diferenciariam os agrupamentos humanos: 1) dist&acirc;ncia do poder – relaciona-se ao grau em que as pessoas menos poderosas de uma sociedade aceitam que o poder &eacute; distribu&iacute;do desigualmente; 2) individualismo versus coletivismo – retrata o quanto as sociedades s&atilde;o mais coletivas que individuais; 3) evita&ccedil;&atilde;o &agrave; incerteza – distingue a sociedade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; percep&ccedil;&atilde;o da incerteza como uma amea&ccedil;a por parte dos seus indiv&iacute;duos; 4) masculinidade versus feminilidade – analisa a propens&atilde;o de uma sociedade a ter mais caracter&iacute;sticas atribu&iacute;das ao g&ecirc;nero masculino ou ao g&ecirc;nero feminino; 5) orienta&ccedil;&atilde;o de longo prazo versus orienta&ccedil;&atilde;o normativa de curto prazo – analisa a propens&atilde;o de uma sociedade de manter ou n&atilde;o liga&ccedil;&atilde;o com o passado ao lidar com os desafios do presente e do futuro; e, 6) pragm&aacute;tica versus normativa – analisa a tend&ecirc;ncia de uma sociedade de permitir gratificar, de forma relativamente livre os interesses humanos b&aacute;sicos, ou de suprimir a sua satisfa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O modelo de cultura organizacional de Shein (1984) leva em conta os elementos integrantes da cultura organizacional e como essa funciona; prop&otilde;e que a an&aacute;lise seja feita em tr&ecirc;s n&iacute;veis: 1) ao n&iacute;vel dos artefatos vis&iacute;veis; 2) ao n&iacute;vel dos valores que governam o comportamento dos indiv&iacute;duos; e 3) ao n&iacute;vel dos pressupostos b&aacute;sicos. Ao n&iacute;vel dos artefatos vis&iacute;veis &eacute; poss&iacute;vel descrever como um grupo constr&oacute;i o seu ambiente e quais os padr&otilde;es de comportamento que diferecenciam os seus membros. Ao n&iacute;vel dos valores que s&atilde;o manifestados ou defendidos pelos indiv&iacute;duos &eacute; poss&iacute;vel identificar a express&atilde;o da raz&atilde;o, ou o porqu&ecirc; dos indiv&iacute;duos se comportarem de determinado modo. Ao n&iacute;vel dos pressupostos b&aacute;sicos &eacute; poss&iacute;vel determinar como os membros de um grupo percebem, pensam e sentem.</p>     <p>O modelo de an&aacute;lise proposto para esta investiga&ccedil;&atilde;o leva em conta os elementos que integram os quatro modelos anteriormente citados e inclui o fator cultura local como elemento focal &agrave; an&aacute;lise. O processo de coleta e an&aacute;lise de dados no estudo de cluster, &agrave; luz da cultura local, prev&ecirc; o seguinte:</p> <ul>     <li>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da cultura predominante entre os indiv&iacute;duos da localidade na qual o cluster est&aacute; inserido;</li>     <li>Utiliza&ccedil;&atilde;o do modelo de Porter (2008) para competitividade, para situar a ind&uacute;stria na qual o cluster se insere e verificar como ela se comporta em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s for&ccedil;as competitivas que o mesmo sugere;</li>     <li>Utiliza&ccedil;&atilde;o do modelo de Porter (1998) para clusters, com vistas a identificar os diferentes elementos que constituem o cluster a ser analisado;</li>     <li>Utiliza&ccedil;&atilde;o do modelo de Hofstede (1980, 2010) para an&aacute;lise organizacional com base na cultura organizacional, de modo a identificar os aspectos que caracterizam a cultura organizacional no cluster a ser analisado;</li>     <li>Utiliza&ccedil;&atilde;o do modelo de Schein (1984) para an&aacute;lise da cultura organizacional de modo a coletar dados e decifrar o paradigma cultural do cluster a ser analisado.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Aplica&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Segundo o SEBRAE (2013) no sul do Brasil, no estado de Santa Catarina, na regi&atilde;o da Grande Florian&oacute;polis encontra-se um <i>cluster</i> formado por empresas de micro e pequeno porte ligadas &agrave; maricultura, que desenvolvem a atividade produtiva da malacocultura, ou cultivo de moluscos marinhos bivalves como ostras mexilh&otilde;es e vieiras. A atividade produtiva desenvolvida nesse <i>cluster </i>existe a partir de aspectos ligados &agrave; origem a&ccedil;oriana e &agrave; pesca artesanal, e apresenta como resultado a gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda na regi&atilde;o, a preserva&ccedil;&atilde;o da cultura local e o cuidado com o meio ambiente. Dentre os munic&iacute;pios que o integram, destaca-se o de Florian&oacute;polis, que isoladamente responde por cerca de 80% da produ&ccedil;&atilde;o brasileira da malacocultura.</p>     <p>Apesar da produ&ccedil;&atilde;o expressiva, do forte apoio institucional que recebe e das condi&ccedil;&otilde;es ambientais favor&aacute;veis, o <i>cluster</i> da malacocultura da Grande Florian&oacute;polis apresenta problemas. Em seu estudo, Minuzzi (2011) apresenta os principais pontos fracos do <i>cluster</i> na percep&ccedil;&atilde;o dos seus membros de governan&ccedil;a end&oacute;gena, como a grande rivalidade que existe entre os produtores; a grande diversidade de interesses entre os membros; a falta de entendimento do conceito de <i>cluster</i>; a aus&ecirc;ncia de esp&iacute;rito de uni&atilde;o, coopera&ccedil;&atilde;o e associativismo entre os produtores; a dificuldade de comunica&ccedil;&atilde;o entre os agentes; e a falta de m&eacute;todo de trabalho para a condu&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es, entre outros.</p>     <p>Dentre os pontos fracos, ou entraves ao desenvolvimento do <i>cluster</i> da malacocultura da regi&atilde;o da Grande Florian&oacute;polis apresentados por Minuzzi (2011), percebe-se que a maior parte est&aacute; relacionada ao comportamento dos indiv&iacute;duos, ou seja, &agrave; sua maneira de ser e agir, que, por sua vez, est&aacute; condicionada pela sua cultura. Assim, por exemplo, a falta de coopera&ccedil;&atilde;o, de uni&atilde;o e de esp&iacute;rito associativo entre os produtores poderia ser entendida como uma manifesta&ccedil;&atilde;o de individualismo, quem sabe um tra&ccedil;o da heran&ccedil;a a&ccedil;oriana que colonizou a regi&atilde;o, quem sabe uma caracter&iacute;stica comum aos produtores, desenvolvida ao longo de suas vidas como pescadores, j&aacute; que muitos s&atilde;o origin&aacute;rios da pesca artesanal, atividade extrativa e, muitas vezes, de car&aacute;ter individual. Estas especificidades culturais locais podem afetar a competitividade das empresas no <i>cluster</i>, pela influ&ecirc;ncia na cultura das organiza&ccedil;&otilde;es, ou pelo choque com a cultura empresarial, dificultando a gest&atilde;o de neg&oacute;cios da produ&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o entre a quest&atilde;o geogr&aacute;fica e de localiza&ccedil;&atilde;o e o sucesso das empresas foi estudada por Porter (1998). Ele observou que, em pleno processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, que reduz a import&acirc;ncia relativa da localiza&ccedil;&atilde;o, pela maior facilidade de trocas entre fornecedores e clientes de diferentes partes do mundo, ocorrem aglomera&ccedil;&otilde;es de empresas de um mesmo setor em determinadas regi&otilde;es, na forma de<i> clusters</i> industriais. Estas empresas tanto cooperam como competem entre si e, de acordo com o seu modelo de an&aacute;lise, al&eacute;m de condi&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas comuns, compartilham fornecedores e clientes e o apoio de ag&ecirc;ncias governamentais e de institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa e desenvolvimento. Com base no modelo de Porter, pode-se identificar que os principais fatores competitivos do <i>cluster </i>da malacocultura de Florian&oacute;polis s&atilde;o as &aacute;guas de ba&iacute;a, favor&aacute;veis ao cultivo de ostras e mexilh&otilde;es, e a proximidade de institui&ccedil;&otilde;es como a Universidade Federal de Santa Catarina e a Empresa de Pesquisas Agropecu&aacute;rias e Extens&atilde;o Rural de Santa Catarina, que, respectivamente, fornecem as sementes, que s&atilde;o o principal insumo de produ&ccedil;&atilde;o, e proporcionam assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica. As empresas organizadas em <i>cluster</i>s tendem a ter uma melhor vis&atilde;o do mercado em conjunto do que quando isoladas e, podem n&atilde;o somente observar melhor as oportunidades de inova&ccedil;&atilde;o, como t&ecirc;m a capacidade e a flexibilidade para agir mais rapidamente. As interconex&otilde;es e a complementaridade no <i>cluster</i> resultam num todo maior que a soma das partes.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; competitividade das organiza&ccedil;&otilde;es, pode-se reconhecer que a competi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ocorre apenas entre empresas concorrentes em um mesmo segmento da ind&uacute;stria. Porter (2008) observou que ela abrange tamb&eacute;m os clientes, os fornecedores, os entrantes potenciais e os produtos substitutos. Os clientes disputam por pre&ccedil;os mais baixos e produtos de melhor qualidade; os fornecedores por pre&ccedil;os mais altos e por limita&ccedil;&otilde;es na qualidade e nos servi&ccedil;os; os entrantes, concorrentes potenciais, pela possibilidade de conquistar uma fatia do mercado, e; os produtos substitutos, solu&ccedil;&otilde;es alternativas para a mesma fun&ccedil;&atilde;o, pela oportunidade de conquistar um novo mercado. A rivalidade que existe em meio a estas cinco for&ccedil;as &eacute; que ir&aacute; definir a estrutura da ind&uacute;stria e modelar a natureza das intera&ccedil;&otilde;es competitivas no setor. Ao abordar, com base neste modelo de an&aacute;lise, as for&ccedil;as competitivas que atuam sobre as empresas do <i>cluster</i> da malacocultura da Grande Florian&oacute;polis, o estudo permite identificar fraquezas e oportunidades no posicionamento das empresas diante do mercado e compreender aspectos que envolvem o ambiente externo &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Hofstede (1980) define cultura organizacional como uma programa&ccedil;&atilde;o coletiva da mente humana, que diferencia os membros de um grupo ou categoria social, dos membros de outros grupos ou categorias sociais.  Em sua defini&ccedil;&atilde;o o autor busca mostrar que o comportamento individual &eacute; previs&iacute;vel, j&aacute; que para ele cada indiv&iacute;duo recebe um programa mental, ou seja, uma cultura, que conduz o seu comportamento nas diversas situa&ccedil;&otilde;es da vida. Ao utilizar de forma combinada &agrave;s seis abordagens que o autor prop&otilde;e em seu modelo de an&aacute;lise organizacional com base na cultura organizacional, o estudo permite compreender aspectos da organiza&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i> da malacocultura da Grande Florian&oacute;polis condicionados pela cultura organizacional. </p>     <p>Ao investigar a cultura organizacional, deve-se inicialmente admitir que ela encontra-se na mente de todos os membros da organiza&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o apenas na de seus dirigentes. Para Schein (1984, 1985), a cultura organizacional &eacute; um padr&atilde;o de pressupostos b&aacute;sicos que um dado grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender a lidar com os problemas de adapta&ccedil;&atilde;o externa e de integra&ccedil;&atilde;o interna. Esse padr&atilde;o teria funcionado bem o suficiente para ser considerado v&aacute;lido e ensinado a novos membros como a maneira correta de perceber, pensar e sentir em rela&ccedil;&atilde;o aos problemas de adapta&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m n&atilde;o basta entender a cultura como um conjunto de significados compartilhados, mas &eacute; preciso saber como a cultura surge, como se torna o que &eacute;, e como mud&aacute;-la caso a sobreviv&ecirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o disso dependa. Para a tarefa de decifrar a cultura organizacional, o autor prop&otilde;e que a an&aacute;lise seja feita em diferentes n&iacute;veis: ao n&iacute;vel dos artefatos vis&iacute;veis; ao n&iacute;vel dos valores que governam o comportamento dos indiv&iacute;duos; e, ao n&iacute;vel dos pressupostos b&aacute;sicos. Como os valores s&atilde;o dif&iacute;ceis de ser observados diretamente, &eacute; necess&aacute;rio inferi-los por meio de entrevistas aos membros-chaves da organiza&ccedil;&atilde;o, ou pela an&aacute;lise do conte&uacute;do de artefatos, tais como documentos e cartas. Assim, ao utilizar o modelo de an&aacute;lise da cultura organizacional levando em cota as quatro abordagens poss&iacute;veis segundo o autor, o estudo permite identificar aspectos da cultura organizacional e decifrar o paradigma cultural do <i>cluster</i> da malacocultura da regi&atilde;o da Grande Florian&oacute;polis. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A amostra da investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; composta por representantes dos diversos atores e segmentos que integram o <i>cluster</i> da malacocultura da Grande Florian&oacute;polis: empres&aacute;rios que exploram a atividade produtiva; empregados de empresas que exploram a atividade produtiva; produtores aut&ocirc;nomos; institui&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; atividade produtiva da malacocultura como UFSC e EPAGRI; Servi&ccedil;o Brasileiro de Apoio &agrave;s Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE); Secretaria Municipal da Pesca de Florian&oacute;polis e Instituto de Gera&ccedil;&atilde;o de Oportunidade de Florian&oacute;polis (IGEOF); fornecedores de insumos; empresas do seguimento de meios de hospedagem; clientes tais como propriet&aacute;rios de restaurantes da regi&atilde;o e comerciantes do Mercado P&uacute;blico Municipal de Florian&oacute;polis.</p>     <p>A justificativa para ado&ccedil;&atilde;o do <i>cluster</i> da malacocultura da regi&atilde;o Grande Florian&oacute;polis como objeto de estudo da investiga&ccedil;&atilde;o que est&aacute; em curso e de que trata este artigo consiste no fato do mesmo abranger cinco dos treze munic&iacute;pios que integram regi&atilde;o da Grande Florian&oacute;polis, nos quais h&aacute; predom&iacute;nio de coloniza&ccedil;&atilde;o a&ccedil;oriana. Al&eacute;m disso, nesses mesmos munic&iacute;pios onde a malacocultura se desenvolve, a origem dessa atividade produtiva foi determinada pelo mesmo fator em todos eles, isto &eacute;, o seu surgimento foi uma alternativa &agrave; pesca artesanal que se encontrava em fase de decad&ecirc;ncia na regi&atilde;o.</p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o tem como objetivo identificar as manifesta&ccedil;&otilde;es da cultura ou express&otilde;es da cultura, presentes na maneira de ser, pensar e sentir dos indiv&iacute;duos que tenham implica&ccedil;&otilde;es na cultura organizacional das empresas que integram o <i>cluster </i>e que se reflitam no seu desempenho. &Eacute; preciso analisar aspectos relativos &agrave; percep&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos quanto ao seu papel e sua influ&ecirc;ncia nos resultados da atividade produtiva (individual e coletivo daquilo que fazem e da an&aacute;lise do que &eacute; feito) e os sentimentos em rela&ccedil;&atilde;o a isso.</p>     <p>O processo de coleta de dados ser&aacute; por meio de observa&ccedil;&atilde;o participante e de entrevistas semiestruturadas a serem realizadas com representantes dos diversos agentes que participam do <i>cluster</i>, como empres&aacute;rios, produtores aut&ocirc;nomos, empregados na atividade da malacocultua, representantes de institui&ccedil;&otilde;es participantes do cluster, representantes de empresas correlatas e, tamb&eacute;m, fornecedores e clientes do cluster.</p>     <p>Os dados ser&atilde;o ordenados de acordo com os modelos de an&aacute;lise de Porter (1998, 2008), Hofstede (1980) e Schein (1984, 1985).  A an&aacute;lise dos dados ir&aacute; destacar, nas diversas manifesta&ccedil;&otilde;es, os aspectos ligados &agrave;s especificidades da cultura local, em contraste com os conte&uacute;dos ligados &agrave; cultura empresarial, para identificar as converg&ecirc;ncias e discrep&acirc;ncias, os padr&otilde;es e as singularidades nestas manifesta&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Conclus&otilde;es</b></p>     <p>A ado&ccedil;&atilde;o de Saunders <i>et al.</i> (2012) como base para a abordagem metodol&oacute;gica da investiga&ccedil;&atilde;o de que se trata neste trabalho, possibilita estruturar a coleta e an&aacute;lise de dados.  Evidenciar as escolhas metodol&oacute;gicas &eacute; uma forma de reflex&atilde;o que possibilita aumentar significativamente a consist&ecirc;ncia do modelo da investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A apresenta&ccedil;&atilde;o sistematizada da racionaliza&ccedil;&atilde;o para as decis&otilde;es assumidas no processo de defini&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica contribui para justificar uma poss&iacute;vel op&ccedil;&atilde;o por coletar e analisar dados de forma qualitativa, bem como para refor&ccedil;ar a validade cient&iacute;fica de tal escolha.</p>     <p>Para a &aacute;rea da Engenharia, um trabalho desta natureza pode servir para chamar a aten&ccedil;&atilde;o de que at&eacute; mesmo trabalhos que abordam temas subjetivos ou aspectos em que medi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o poss&iacute;veis, ou s&atilde;o desnecess&aacute;rias, t&ecirc;m como se submeter ao rigor metodol&oacute;gico para que se alcance consist&ecirc;ncia em seus resultados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Baird, K., Harrison G. &amp; Reeve, R. (2007). The culture of Australian organizations and its relations with strategy.<i> International Journal of Business Studies</i>, vol. 15, pp. 15-41. Jun.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S1646-9895201400030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barney, J. B. (1986). Strategic factor markets: expectations, luck and business strategy. <i>Management Science</i>, vol. 32, pp. 1231-1241, Oct.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S1646-9895201400030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Blanchard, B. &amp; Fabrycky, W. (1981). <i>Systems engineering and analysis</i>. New Jersey, PrenticeHall.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S1646-9895201400030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dickson, M. W., Adityia, R. N. &amp; Chhokar, J. S. (2000). <i>Definition and interpretation in cross-cultural organizational culture research</i> in Ashkanasy, N. M., Wilderom, C. P. M. &amp; Peterson,  M. F. (eds), Handbook of organizational culture and climate. Thousand Oaks, Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S1646-9895201400030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Fairbanks, M. &amp; Lindsay, S. (2000).  <i>Arando o mar: fortalecendo as fontes ocultas de crescimento em pa&iacute;ses em desenvolvimento</i>. Rio de Janeiro: Qualitymark.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S1646-9895201400030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Feldmann, P. R. (2010). A influ&ecirc;ncia da cultura na gest&atilde;o das empresas latino-americanas. <i>Estudos Avan&ccedil;ados</i><i> USP</i>, vol. 24, pp. 321-334, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S1646-9895201400030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hofstede, G. (1980)<i> Culture’s consequences: international differences in work-related values. </i>Beverly Hills: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1646-9895201400030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hofstede, G. &amp; Minkov, M. (2010). <i>Cultures and </i>Organizations: <i>Software of the Mind.</i>3rd Edition, USA McGraw-Hill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S1646-9895201400030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>House, R. J., Quigley, N. R. &amp; deLuque, M.S. (2010). Insight from Project GLOBE: Extending global advertising research through a contemporany framework. <i>International Journal of Advertising</i>, 29 (1), 111-139.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1646-9895201400030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Lenartowicz, T. &amp; Roth, K.(2001). Does subculture within a country matter? A cross-cultural study of motivational domains and business performance in Brazil. <i>Journal of International Business Studies</i>, Washington, 32(2), 305-325.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1646-9895201400030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mariotto, F. L. (1991). O conceito de competitividade da empresa: uma an&aacute;lise cr&iacute;tica. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas</i>. S&atilde;o Paulo, 31 (2) 37-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1646-9895201400030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Martins, E. C. &amp; Terblanche, F. (2003). Building organisational culture that stimulates creativity and innovation. <i>European Journal of Innovation Management,</i> vol. 6, pp. 64 – 74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1646-9895201400030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mayr, L. R. (2007). <i>Modelo da participa&ccedil;&atilde;o do cliente na produ&ccedil;&atilde;o por encomenda</i>. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o. Florian&oacute;polis, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1646-9895201400030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>McSweeney, B. (2009). Dynamic diversity: variety and variation within countries. <i>Organization Studies</i>. Berlin, 30 (9), 933-957.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1646-9895201400030000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Minuzzi, J. (2011). <i>Desenvolvimento de metodologia para identificar compet&ecirc;ncias da governan&ccedil;a end&oacute;gena de arranjos produtivos locais</i>. Tese (doutorado). Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Engenharia de Produ&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal de Santa Catarina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1646-9895201400030000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Porter, M. E.(1998). Clusters and the new economics of competition. <i>Harvard Business Review</i>, vol. 76, pp. 77-90, Nov.1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1646-9895201400030000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Porter, M .E. (2008). The five competitive forces that shape strategy. <i>Harvard Business Review</i>, vol 76, pp. 79-93, Jan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1646-9895201400030000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Saunders, M., Lewis, P. &amp; Thornhill, A. (2012). <i>Research Methods for Business Students</i>. 6th  ed., Harlow: Pearson Education Limited.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1646-9895201400030000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Schein, E. H. (1984). Coming to a new awareness of organizational culture. <i>Sloan Management Review</i>, vol. 25, pp. 3-16, Jan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1646-9895201400030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Schein, E. H. (1985). <i>Organizational culture and leadership</i>. San Francisco: Jossey-Bass.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1646-9895201400030000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SEBRAE (2013). <i>Malacocultura.</i> [Online]. Available: &lt;<a href="http://www.sebrae-sc.com.br/leis/default.asp?vcdtexto=5865&amp;%5e%5e" target="blank">http://www.sebrae-sc.com.br/leis/default.asp?vcdtexto=5865&amp;&#094;&#094;</a>&gt; Access: 02/10/2013.</p>     <!-- ref --><p>Yin, R.K. (2009). <i>Case study research</i>: <i>design and methods</i>. 4th ed. USA: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1646-9895201400030000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido / Recibido: 11/3/2014</p>     <p>Aceita&ccedil;&atilde;o / Aceptaci&oacute;n: 16/8/2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os autores gostariam de agradecer o apoio do centro de investiga&ccedil;&atilde;o CGIT da Universidade do Minho. Este trabalho &eacute; apoiado por fundos FEDER atrav&eacute;s do Programa COMPETE e por fundos nacionais da FCT no &acirc;mbito do projeto Pest-E/EME/UI0252/2012.</p>      ]]></body><back>
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