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<journal-title><![CDATA[RISTI - Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação]]></journal-title>
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<article-id pub-id-type="doi">10.17013/risti.e2.115-127</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perspectivas individuais sobre a necessidade de mudança: estudo de caso na Indústria Têxtil e do Vestuário Portuguesa]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Individual perspectives on the need for change: a case study in the Portuguese Textile and Clothing Industry]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this research is to study individual understandings regarding the need for change and its causes in a Textile and Clothing Industry (TCI) case study. To achieve this objective, semi-structured interviews with managers of medium/high hierarchical company’s level were conducted. The results reveal how workers intend to intervene in the change and their attitudes on that change. Topics as characterization of the working population; awareness of the need for change and its causes; strategies used to participate on the change; why and how to make the change; expected outcomes/results, were also addressed. The findings of this study reveal an awareness of workers to the need for change and factors such as motivation, involvement, information, and adaptation were identified as important to the change. Instability and risk were identified as the most negative factors. This need to change it is essential to successfully implement a Lean Production strategy in a company.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p><b>Perspectivas individuais sobre a necessidade de mudan&ccedil;a: estudo de caso na Ind&uacute;stria T&ecirc;xtil e do Vestu&aacute;rio Portuguesa</b></p>     <p><b><b>Individual perspectives on the need for change: a case study in the Portuguese Textile and Clothing Industry</b></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Laura Costa Maia <sup>1</sup>, Anabela Alves <sup>1</sup>, Celina Pinto Le&atilde;o <sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Centro de Gest&atilde;o Industrial e da Tecnologia (CGIT), Escola de Engenharia da Universidade do Minho, Departamento de Produ&ccedil;&atilde;o e Sistemas, Campus de Azur&eacute;m, 4804 – 533 Guimar&atilde;es, Portugal E-mail: <a href="mailto:id1932@alunos.uminho.pt">id1932@alunos.uminho.pt</a>, <a href="mailto:anabela@dps.uminho.pt">anabela@dps.uminho.pt</a></p>     <p><sup>2</sup> Centro Algoritmi, Escola de Engenharia da Universidade do Minho, Departamento de Produ&ccedil;&atilde;o e Sistemas, Campus de Azur&eacute;m, 4804 – 533 Guimar&atilde;es, Portugal E-mail: <a href="mailto:celina.p.leao@algoritmi.uminho.pt">celina.p.leao@algoritmi.uminho.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O objectivo deste trabalho &eacute; perceber de uma forma individual a necessidade de mudan&ccedil;a e as suas causas, num estudo de caso na Ind&uacute;stria T&ecirc;xtil e do Vestu&aacute;rio. Para atingir este objetivo, foram realizadas v&aacute;rias entrevistas semiestruturadas a chefias de n&iacute;vel hier&aacute;rquico m&eacute;dio/alto da empresa. Foi poss&iacute;vel perceber como os trabalhadores pretendem intervir na mudan&ccedil;a bem como as suas atitudes nessa mudan&ccedil;a. Para al&eacute;m destes t&oacute;picos, as estrat&eacute;gias usadas para participar na mudan&ccedil;a, o porqu&ecirc; e como fazer essa mudan&ccedil;a, alternativas e ganhos previstos foram tamb&eacute;m discutidos. Os resultados deste trabalho revelam uma consciencializa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores &agrave; necessidade da mudan&ccedil;a e fatores como motiva&ccedil;&atilde;o, envolvimento, informa&ccedil;&atilde;o adapta&ccedil;&atilde;o, foram identificados como importantes para a mudan&ccedil;a. Risco e instabilidade foram fatores identificados como os mais negativos. &Eacute; esta necessidade de mudan&ccedil;a indispens&aacute;vel para a implementa&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia <i>Lean Production</i> bem-sucedida na empresa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: An&aacute;lise Qualitativa; Entrevistas semiestruturadas; Ind&uacute;stria T&ecirc;xtil e do Vestu&aacute;rio; <i>Lean Production</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The objective of this research is to study individual understandings regarding the need for change and its causes in a Textile and Clothing Industry (TCI) case study. To achieve this objective, semi-structured interviews with managers of medium/high hierarchical company’s level were conducted. The results reveal how workers intend to intervene in the change and their attitudes on that change. Topics as characterization of the working population; awareness of the need for change and its causes; strategies used to participate on the change; why and how to make the change; expected outcomes/results, were also addressed. The findings of this study reveal an awareness of workers to the need for change and factors such as motivation, involvement, information, and adaptation were identified as important to the change. Instability and risk were identified as the most negative factors. This need to change it is essential to successfully implement a Lean Production strategy in a company.</p>     <p><b>Keywords</b>: Interviews; Lean Production; Qualitative analysis; Textile and Clothing Industry.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.    Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A Ind&uacute;stria T&ecirc;xtil e do Vestu&aacute;rio (ITV) tem um papel importante na economia nacional Portuguesa sendo uma das poucas ind&uacute;strias que contribui positivamente para a balan&ccedil;a comercial, com impacto significativo sobre o volume de emprego e redu&ccedil;&atilde;o das margens de comercializa&ccedil;&atilde;o. Esta ind&uacute;stria representa 9% das exporta&ccedil;&otilde;es nacionais (na d&eacute;cada de 90, esse valor era de 30%) (aicep, 2014). Est&aacute; espalhada em todo o territ&oacute;rio nacional, embora concentrada em duas regi&otilde;es principais: a regi&atilde;o do Norte de Portugal, onde est&atilde;o localizadas as empresas algodoeiras e, na regi&atilde;o da Beira Interior, onde est&atilde;o localizadas as empresas de lanif&iacute;cios. A ITV &eacute; composta por dois grandes sectores: (1) o sector t&ecirc;xtil - que inclui a produ&ccedil;&atilde;o de fibras, fia&ccedil;&atilde;o, tecelagem, malharia e acabamentos (tinturaria, estamparia e acabamentos) e (2) o sector do vestu&aacute;rio - que inclui confec&ccedil;&atilde;o de vestu&aacute;rio e acess&oacute;rios. A ITV &eacute; constitu&iacute;da principalmente por Pequenas e M&eacute;dias Empresas (PME), com uma forte estrutura familiar tradicional (aicep, 2014).</p>     <p>Devido &agrave; sua natureza de processamento, a ITV &eacute; fortemente dependente de recursos naturais (&aacute;gua, fibras naturais, corantes, entre outros). Por exemplo, os processos de tingimento e acabamento consomem elevadas quantidades de &aacute;gua e energia. Com a diminui&ccedil;&atilde;o destes recursos naturais, esta ind&uacute;stria poder&aacute; enfrentar grandes dificuldades e desafios. Este sector da ITV &eacute; tamb&eacute;m fortemente influenciado pelas esta&ccedil;&otilde;es do ano, tend&ecirc;ncias e moda. &Agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, pode-se ainda acrescentar alguns novos desafios: a exig&ecirc;ncia, por parte dos clientes, de uma forma significativa e em curto espa&ccedil;o de tempo. Al&eacute;m disso, a experi&ecirc;ncia dos autores mostrou que muitos desperd&iacute;cios podem ser encontrados nesta ind&uacute;stria, nomeadamente, elevada taxa de defeitos; desorganiza&ccedil;&atilde;o; elevados tempos de espera e tempos de prepara&ccedil;&atilde;o; elevados transportes e manuseamento dos materiais e das pessoas; produ&ccedil;&atilde;o em excesso, elevados<i> stocks</i>, elevada taxa de retrabalho e dificuldades em entender a import&acirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o numa empresa. A Figura 1 ilustra duas situa&ccedil;&otilde;es, a primeira um espec&iacute;fico sector da ITV sem desperd&iacute;cios e a segunda com desperd&iacute;cios.</p>     <p>Outro tipo de desperd&iacute;cios que deve ser tamb&eacute;m considerado, s&atilde;o os desperd&iacute;cios ambientais. Este tipo de desperd&iacute;cios &eacute; definido como o uso desnecess&aacute;rio ou o excesso de recursos utilizados ou subst&acirc;ncias libertadas para o ar, a &aacute;gua ou a terra que possa prejudicar a sa&uacute;de humana ou o ambiente. Desperd&iacute;cios ambientais podem ocorrer quando as empresas utilizam recursos para fornecer produtos ou servi&ccedil;os aos clientes e/ou quando os clientes usam e descartam os produtos (U.S.-EPA, 2007).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Adicionalmente, mesmo em situa&ccedil;&otilde;es de crise, &eacute; poss&iacute;vel encontrar empresas onde os colaboradores est&atilde;o acomodados a um ambiente de trabalho stressante e desagrad&aacute;vel, em que o &uacute;nico objetivo, num dia normal de trabalho e de ansiedade, &eacute; ouvir a campainha anunciando o fim do dia de trabalho. Assim, &eacute; necess&aacute;rio o uso de t&eacute;cnicas, metodologias e/ou ferramentas que permitam reduzir o desperd&iacute;cio, mudar mentalidades e ajudar os colaboradores a encontrar algum conforto e entusiasmo no seu trabalho adotando melhores pr&aacute;ticas de trabalho e promovendo o pensamento criativo atrav&eacute;s do envolvimento das pessoas na melhoria dos seus postos de trabalho sendo visto como uma forma de motiva&ccedil;&atilde;o (Alves, Carvalho &amp; Sousa, 2012). Este potencial da capacidade humana n&atilde;o &eacute; normalmente explorado e consistem num outro tipo de desperd&iacute;cio (Liker, 2004).</p>     <p>Para reduzir estes desperd&iacute;cios, aumentar a produtividade e melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos operadores (Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2012a), o <i>Lean Production</i> tem sido adotado por muitas empresas em todo o mundo como uma metodologia que oferece &agrave;s empresas <i>leanness</i> e agilidade, e as conduz ao desenvolvimento sustent&aacute;vel (WCED, 1987), reduzindo o consumo de recursos naturais.</p>     <p>A <i>Lean Production</i> (LP) pode ser definida resumidamente como <i>"... uma s&eacute;rie de ferramentas e t&eacute;cnicas para a gest&atilde;o de processos de uma organiza&ccedil;&atilde;o. Particularmente, LP foca-se na elimina&ccedil;&atilde;o de todas as atividades que n&atilde;o acrescentam valor e desperd&iacute;cios provenientes dos processos. Embora as ferramentas Lean variem de implementa&ccedil;&atilde;o para implementa&ccedil;&atilde;0, o objetivo &eacute; sempre a melhoria cont&iacute;nua e inova&ccedil;&atilde;o. Os projetos Lean concentram-se na elimina&ccedil;&atilde;o ou redu&ccedil;&atilde;o de atividades que um cliente final n&atilde;o paga: refugo, retrabalho, inspe&ccedil;&atilde;o, invent&aacute;rio, filas ou tempo de espera, transporte de materiais ou produtos, movimento excessivos e outras etapas do processo sem valor acrescentado. " (</i>NIST, 2010).</p>     <p>Implementar <i>Lean</i> n&atilde;o &eacute; um processo f&aacute;cil pois implica uma mudan&ccedil;a de  mentalidades, responsabilidade e compet&ecirc;ncia de todos os envolvidos, sendo vital que exista um sentimento de necessidade de mudan&ccedil;a em cada melhoria (Dahlgaard &amp; Dahlgaard-Park, 2006). Esta mentalidade e aprendizagem organizacional &eacute; fundamental para a melhoria cont&iacute;nua dos processos (Yamamoto &amp; Bellgran, 2010; Flinchbaugh, 2011). Para a implementa&ccedil;&atilde;o e sucesso de LP, &eacute; importante inici&aacute;-la com o apoio da gest&atilde;o de topo; caso contr&aacute;rio, a probabilidade de sucesso &eacute; menor. No entanto, todas as pessoas/colaboradores devem estar cientes da implementa&ccedil;&atilde;o do LP. Assim, um plano de forma&ccedil;&atilde;o profissional e comunica&ccedil;&atilde;o ser&aacute; de grande import&acirc;ncia. N&atilde;o se pode esperar que a cultura da empresa de repente mude. Logo, promovendo uma comunica&ccedil;&atilde;o aberta permitir&aacute; cativar a aten&ccedil;&atilde;o das pessoas. Uma cultura de mudan&ccedil;a &eacute; necess&aacute;ria antes de iniciar qualquer mudan&ccedil;a, envolvendo todas as pessoas desde os gestores de topo at&eacute; aos operadores do <i>shop floor</i>. </p>     <p>Com base num estudo explorat&oacute;rio desenvolvido pelos autores, de forma a providenciar maior conhecimento sobre como o LP est&aacute; a ser implementado, ou n&atilde;o, na ITV Portuguesa, conclui-se que a maioria das empresas nacionais deste sector industrial desconhece a metodologia <i>Lean.</i> Apenas duas empresas reconhecem ter implementado LP tendo para isso recorrido a uma empresa de consultoria. Estas tamb&eacute;m afirmaram terem encontrado algumas dificuldades durante o processo de implementa&ccedil;&atilde;o do <i>Lean</i>, principalmente, no entendimento das ferramentas <i>Lean</i>, na quantifica&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios e a ultrapassar atitude de resist&ecirc;ncia por parte dos colaboradores (Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2014).</p>     <p>Este trabalho pretende obter resposta a tr&ecirc;s perguntas de investiga&ccedil;&atilde;o (P.I. 1, P.I. 2 e P.I. 3) atrav&eacute;s da an&aacute;lise qualitativa de entrevistas realizadas com chefias de n&iacute;vel hier&aacute;rquico m&eacute;dio/alto de uma empresa da ITV, num total de 6. Devido a restri&ccedil;&otilde;es de disponibilidade de tempo, n&atilde;o foi poss&iacute;vel incluir funcion&aacute;rios. Adicionalmente aos dados obtidos das entrevistas, dados recolhidos de fontes secund&aacute;rias (estat&iacute;sticas da empresa, entre outras) foram utilizados. Nesta fase, torna-se importante discutir e interpretar a informa&ccedil;&atilde;o recolhida nas entrevistas individuais de forma a desenvolver um conhecimento mais profundo sobre o fen&oacute;meno em estudo, elucidando linhas de investiga&ccedil;&atilde;o que eventualmente ajudem a reconhecer alguns comportamentos e que levem tamb&eacute;m a desenvolver uma estrat&eacute;gia <i>Lean Production</i> bem-sucedida na empresa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.   Metodologia e M&eacute;todos</b></p>     <p>Para realizar um estudo mais aprofundado, foi selecionada uma empresa da ITV situada no norte de Portugal. Esta escolha baseou-se no bom relacionamento com a empresa e na sua disponibilidade para participar no estudo, assim como a receptividade e apoio na recolha de dados. A empresa selecionada ainda n&atilde;o implementou a metodologia LP. Este facto, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; relevante para o estudo j&aacute; que alguns dos seus colaboradores t&ecirc;m algum conhecimento sobre este conceito. Note-se que, a n&iacute;vel nacional, apenas cerca de 22% das empresas da ITV revelou ter algum conhecimento da metodologia e das ferramentas LP de acordo com o estudo acima referido (Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2014).</p>     <p>Num primeiro contato com a empresa foi agendada uma reuni&atilde;o com o diretor da produ&ccedil;&atilde;o/planeamento. Nessa reuni&atilde;o pretendeu-se explicar em detalhe o objetivo do projeto, identificando o que  era  necess&aacute;rio para o desenvolvimento do trabalho e o que era esperado por da parte da empresa. Depois de uma discuss&atilde;o informal, o diretor de produ&ccedil;&atilde;o reconheceu o interesse e a import&acirc;ncia do projeto sendo de seguida, agendadas novas reuni&otilde;es. A receptividade e interesse de todos os participantes foi boa. Nas visitas seguintes, diferentes procedimentos de campo foram tamb&eacute;m elaborados: reuni&otilde;es, entrevistas e question&aacute;rios (Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2013).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para o inicio do trabalho foram preparadas entrevistas individuais para administra&ccedil;&atilde;o/l&iacute;deres e chefias interm&eacute;dias, para falar sobre a atual realidade, o que sentem sobre a empresa e as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. As entrevistas semiestruturadas foram realizadas com um grupo de profissionais da empresa de diferentes sectores e com diferentes experi&ecirc;ncias. Sendo as entrevistas semiestruturadas os entrevistados tiveram liberdade de express&atilde;o e facultando o seu testemunho pessoal, sobre o mesmo assunto.</p>     <p><b>2.1. Perguntas de Investiga&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O objetivo deste estudo qualitativo foi compreender e obter resposta &agrave;s tr&ecirc;s principais perguntas de investiga&ccedil;&atilde;o:</p>     <p>P.I. 1.    Qual a necessidade de mudan&ccedil;a?</p>     <p>P.I. 2.    Como tenciona participar nessa mudan&ccedil;a?</p>     <p>P.I. 3.    Como ser&aacute; o comportamento/receptividade a essa mudan&ccedil;a?</p>     <p>Este conjunto de perguntas de investiga&ccedil;&atilde;o conduz a um novo conjunto de perguntas complementares, tais como: <i>"&Eacute; a primeira vez que participa ou est&aacute; envolvido no processo de mudan&ccedil;a?"</i>; <i>"Qual a experi&ecirc;ncia de altera&ccedil;&otilde;es anteriores?"</i>.</p>     <p><b>2.2. Elabora&ccedil;&atilde;o do gui&atilde;o da entrevista</b></p>     <p>As entrevistas semiestruturadas foram realizadas com base num gui&atilde;o, incluindo os seguintes t&oacute;picos:</p> <ol>     <li>descri&ccedil;&atilde;o geral do projeto (para fins de contextualiza&ccedil;&atilde;o);</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>caracteriza&ccedil;&atilde;o do entrevistado (nome, idade, sexo, cargo, anos de servi&ccedil;o no cargo atual, descri&ccedil;&atilde;o do percurso profissional, entre outros);</li>     <li>identifica&ccedil;&atilde;o dos objetivos da empresa (t&oacute;pico para o administrador da empresa);</li>     <li>caracteriza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o ativa do sector e percep&ccedil;&atilde;o da consciencializa&ccedil;&atilde;o da necessidade de mudan&ccedil;a e suas causas;</li>     <li>forma que os gestores pretendem participar na mudan&ccedil;a (estrat&eacute;gias usadas);</li>     <li>porqu&ecirc; a mudan&ccedil;a e como fazer essa mudan&ccedil;a;</li>     <li>quais s&atilde;o os resultados esperados/resultados obtidos; e</li>     <li>sugest&otilde;es.</li>     </ol>     <p>Uma vez elaborado o gui&atilde;o da entrevista e selecionadas os participantes a serem entrevistados, foi obtida a permiss&atilde;o para fazer as entrevistas. A dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de cada entrevista individual foi de aproximadamente 30 minutos cada. Todas as entrevistas, num total de seis, foram gravadas em &aacute;udio ap&oacute;s autoriza&ccedil;&atilde;o dos participantes e confidencialidade assegurada. Embora &agrave; partida este n&uacute;mero possa parecer pequeno, ele corresponde praticamente ao n&uacute;mero de sectores que a empresa est&aacute; dividida e consequentemente ao n&uacute;mero de chefias interm&eacute;dias e da administra&ccedil;&atilde;o. Conforme referido por Miles &amp; Huberman (1994), na an&aacute;lise qualitativa, o tamanho da amostra &eacute; escolhida de acordo com o objetivo do estudo.</p>     <p><b>2.3. Carateriza&ccedil;&atilde;o dos participantes</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conforme j&aacute; mencionado, as seis entrevistas realizadas, compreenderam as chefias interm&eacute;dias dos sectores da empresa e a administra&ccedil;&atilde;o, a saber: o respons&aacute;vel pelo gabinete t&eacute;cnico (RGT), a respons&aacute;vel da qualidade (RQ), o respons&aacute;vel da tricotagem (RT), a respons&aacute;vel da remalhagem (RR), a respons&aacute;vel dos recursos humanos (RRH) e o respons&aacute;vel do planeamento da produ&ccedil;&atilde;o (PPR). Um dos entrevistados acumula dois cargos: de gest&atilde;o/lideran&ccedil;a e planeamento da produ&ccedil;&atilde;o (PPR). As principais caracter&iacute;sticas dos participantes deste estudo est&atilde;o descritas na Tabela 1.</p>     <p>As primeiras percep&ccedil;&otilde;es extra&iacute;das das entrevistas e relacionadas e que permitem responder &agrave;s tr&ecirc;s perguntas de investiga&ccedil;&atilde;o (P.I. 1, P.I. 2 e P.I. 3): a consci&ecirc;ncia da necessidade de mudan&ccedil;a, prepara&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a e resultados esperados, s&atilde;o descritas a seguir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3.   Reflex&otilde;es</b></p>     <p>Atualmente a Ind&uacute;stria T&ecirc;xtil Portuguesa tem uma popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora de igual n&uacute;mero de homens e mulheres em oposi&ccedil;&atilde;o com a Ind&uacute;stria do Vestu&aacute;rio em que ainda se mant&eacute;m com uma popula&ccedil;&atilde;o ativa predominante feminina. A Empresa da ITV deste estudo &eacute; um exemplo disso, 80% da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora &eacute; feminina. No que diz respeito &agrave; forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica, esta depende do sector. Por exemplo, no sector t&eacute;cnico, pela especificidade do sector e necessidade de conhecimento de l&iacute;nguas estrangeiras e de conhecimentos de inform&aacute;tica, que s&atilde;o considerados obrigat&oacute;rios, a maioria dos colaboradores tem o 11&ordm;/12&ordm; ano de escolaridade. J&aacute; no sector de remalhagem como as atividades executadas s&atilde;o menos exigentes relativamente a conhecimentos ou forma&ccedil;&atilde;o escolar, mas requerem destreza, habilidade e pr&aacute;tica adquirida ao longo do tempo, apresentam menor n&iacute;vel de forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica (6&ordm;/9&ordm; anos de escolaridade). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; idade da popula&ccedil;&atilde;o ativa, esta est&aacute; compreendida entre os 30 a 50 anos de idade, apresentando as gera&ccedil;&otilde;es mais jovens, maior grau de escolaridade, facto importante para favorecer a sustentabilidade das empresas.</p>     <p><b>3.1. Consciencializa&ccedil;&atilde;o da necessidade de mudan&ccedil;a (P.I. 1)</b></p>     <p>Conforme o trabalho de Ford, Ford &amp; D'Amelio (2008), os colaboradores de uma empresa devem identificar e sentir a necessidade de mudan&ccedil;a, para promover uma boa implementa&ccedil;&atilde;o da mudan&ccedil;a.</p>     <p>No presente estudo, todos os participantes mostraram ter consci&ecirc;ncia da necessidade de mudan&ccedil;a, real&ccedil;ando a import&acirc;ncia dessa mudan&ccedil;a.</p>     <p>A melhoria de desempenho da empresa foi identificado como um modo de enfrentar a concorr&ecirc;ncia e a situa&ccedil;&atilde;o real do pa&iacute;s. Como mencionado pela respons&aacute;vel dos RRH:</p>     <p><i>"A mudan&ccedil;a &eacute; sempre positiva, quando bem justificada e bem implementada."</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O RQ, reconhecendo a necessidade de mudan&ccedil;a, vai mais al&eacute;m referindo que para tudo existe risco associado &agrave;s incertezas:</p>     <p><i>"... a gente sempre pode aprender. (...) para o bem ou para o mal &eacute; sempre um risco, uma vez que a mudan&ccedil;a &eacute; um risco. " </i></p>     <p>Os participantes sentem que a mudan&ccedil;a &eacute; necess&aacute;ria sendo a sua preocupa&ccedil;&atilde;o a mudan&ccedil;a organizacional, como mencionado por RGT:</p>     <p><i>"Em primeiro lugar a empresa deve-se adequar ao mercado." </i></p>     <p>Uma das raz&otilde;es para esta opini&atilde;o poder&aacute; ser a sensa&ccedil;&atilde;o de que a mudan&ccedil;a, que a empresa tem vinda a passar, foi for&ccedil;ada pela redu&ccedil;&atilde;o de efetivos e <i>offshore</i> da empresa, como referido por RRH:</p>     <p><i>"... Antes do processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o, (os trabalhadores) eram muito mais, (...) permanecendo aqueles que colaboram mais e com um maior conhecimento da tarefa atribu&iacute;da." </i></p>     <p><b>3.2. Prepara&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a (P.I. 2)</b></p>     <p>No que diz respeito &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a, os resultados mostram que, e segundo as percep&ccedil;&otilde;es dos participantes no estudo, os colaboradores s&atilde;o sens&iacute;veis e esperam ser envolvidos no processo de mudan&ccedil;a. Esta atitude est&aacute; de acordo com estudos antecedentes, onde o di&aacute;logo e a garantia de que todas as pessoas intervenientes quando envolvidas, ajuda a diminuir a resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a (Ford, Ford &amp; D'Amelio, 2008). Conforme opini&atilde;o mencionada pelo RR:</p>     <p><i>" Eu envolvo todos."</i></p>     <p><i>"(...) todos juntos podemos melhorar." </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora a resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a seja algo natural e at&eacute; de certa forma inevit&aacute;vel, todos os participantes foram un&acirc;nimes em afirmar que suas equipas s&atilde;o boas e est&atilde;o preparadas para a mudan&ccedil;a.</p>     <p>No entanto, e de acordo com as especificidades de cada sector, pequenas diferen&ccedil;as foram referenciadas. De acordo com o RGT embora a equipa que lidera seja competente e bem preparada, &eacute; necess&aacute;rio uma constante aten&ccedil;&atilde;o e de ser continuamente motivada e valorizar o di&aacute;logo:</p>     <p><i>"Mudar tudo (...) mudar a mentalidade (...) Primeiro, temos que dizer &agrave;s pessoas para n&atilde;o ter medo, de falar e de expressar seus pontos de vista."</i></p>     <p>A forma&ccedil;&atilde;o profissional tamb&eacute;m foi mencionada como uma quest&atilde;o importante a ter em considera&ccedil;&atilde;o para uma mudan&ccedil;a com sucesso, como referido por RRH:</p>     <p><i>"Deve haver forma&ccedil;&atilde;o (...) tem que haver uma abertura para coisas novas." </i></p>     <p>No entanto, a mudan&ccedil;a tamb&eacute;m poder&aacute; produzir alguma instabilidade conforme mencionado por RQ:</p>     <p><i>"(...) psicologicamente cria uma instabilidade.” </i></p>     <p>Conforme acima mencionado, alguns dos participantes possuem algum conhecimento sobre o conceito <i>Lean</i>. Este conhecimento permitiu ao RT referir que <i>Lean</i> poderia ajudar no processo de mudan&ccedil;a.</p>     <p>RPP concorda que a empresa ter uma equipa muito boa n&atilde;o &eacute; suficiente acreditando que &eacute; necess&aacute;rio uma "cabe&ccedil;a" no comando. Esta opini&atilde;o vai de encontro com alguns estudos que identificam a lideran&ccedil;a como um factor critico e determinante no sucesso da implementa&ccedil;&atilde;o do conceito de LP nas empresas (Achanga, Shehab, Roy &amp; Nelder, 2006).</p>     <p><b>3.3. Receptividade e espectativas (P.I. 3)</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; poss&iacute;vel perceber que os acontecimentos recentes (<i>downsizing</i>, crise econ&oacute;mica nos pa&iacute;ses da Europa Ocidental, ...) afetam todos e ambos, empresa e funcion&aacute;rios, s&atilde;o cautelosos e cuidadosos. A implementa&ccedil;&atilde;o de <i>Lean</i> para aumentar a produtividade &eacute; vista como uma boa pr&aacute;tica, no entanto, &eacute; necess&aacute;rio algum cuidado para evitar implementa&ccedil;&otilde;es mal sucedidas. Em particular, a empresa sofre com a recente <i>offshore</i> onde a produ&ccedil;&atilde;o de alguns produtos est&aacute; a ser desviada para pa&iacute;ses com m&atilde;o-de-obra mais barata. Esta situa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser o motivo para a abertura &agrave; mudan&ccedil;a. Em tempos n&atilde;o muito long&iacute;nquos, a empresa teve um <i>shop floor</i> com uma dimens&atilde;o extraordin&aacute;ria, com uma produ&ccedil;&atilde;o anual de 1.000.000 unidades e empregava mais de 500 funcion&aacute;rios. Ano ap&oacute;s ano, e com a recente <i>offshore</i>, algumas m&aacute;quinas de grande porte e de produ&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m sido transportadas para o exterior. Nos dias de hoje, a empresa mantem as mesmas infraestruturas mas com maior espa&ccedil;o vazio, ocupando apenas um quarto do espa&ccedil;o e com uma produ&ccedil;&atilde;o de menos de 600.000 unidades por ano e empregando 162 funcion&aacute;rios. Nas atuais infraestruturas, &eacute; produzido os produtos de gama alta, mantendo os processos mais complexos em ambientes fechados, tais como o processo de remalhagem (Figura 2). Este processo exige operadores qualificados e bem treinados, sendo os operadores portugueses os &uacute;nicos de que det&ecirc;m tais caracter&iacute;sticas.</p>     <p>Ainda que, com uma menor produ&ccedil;&atilde;o, a empresa precisa mais do que nunca, de uma melhor organiza&ccedil;&atilde;o de forma a agilizar os processos e a reduzir desperd&iacute;cios. Estes desperd&iacute;cios s&atilde;o devidos aos “longos” corredores e &agrave; grande infraestrutura da empresa que n&atilde;o sofreu qualquer altera&ccedil;&atilde;o pois n&atilde;o acompanhou a redu&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o necess&aacute;rio para a produ&ccedil;&atilde;o atual. Assim, a empresa mant&eacute;m um vasto espa&ccedil;o f&iacute;sico e &aacute;reas vazias &agrave; espera de melhores dias, onde o principal desafio ser&aacute; atrair novos clientes/projetos ou cativar o gestor de topo a programas de internaliza&ccedil;&atilde;o. Para fazer isso, &eacute; necess&aacute;rio uma mudan&ccedil;a de mentalidade e de<i> leanness </i>para se tornar numa empresa &aacute;gil (Kidd, 1994; Gunasekaran, 2001).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Identifica&ccedil;&atilde;o dos fatores que influenciam a mudan&ccedil;a</b></p>     <p>Dificuldade em quantificar os benef&iacute;cios, dificuldade e/ou falta de conhecimentos de princ&iacute;pios <i>Lean</i> e atitudes de resist&ecirc;ncia dos colaboradores de produ&ccedil;&atilde;o, foram referidos como as dificuldades relativas &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de LP (Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2014).</p>     <p>Face &agrave;s dificuldades identificadas, torna-se importante a identifica&ccedil;&atilde;o dos fatores com maior import&acirc;ncia na mudan&ccedil;a e perceber suas interliga&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Utilizando as reflex&otilde;es obtidas atrav&eacute;s das entrevistas conduzidas, &eacute; poss&iacute;vel identificar os fatores que influenciam a mudan&ccedil;a positivamente como aqueles que, embora n&atilde;o sendo considerados como tendo uma influ&ecirc;ncia negativa, podem originar alguma resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a. Figura 3 ilustra esquematicamente as poss&iacute;veis interliga&ccedil;&otilde;es entre os fatores identificados.</p>     <p>Os fatores identificados como importantes para a mudan&ccedil;a foram os seguintes:</p> <ul>     <li>adaptar – n&atilde;o s&oacute; &agrave;s necessidades dos clientes como tamb&eacute;m do mercado,</li>     <li>informar – a informa&ccedil;&atilde;o deve ser difundida a todos,</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>envolver – todos os colaboradores devem ser considerados na tomada de decis&atilde;o,</li>     <li>aceitar – pr&eacute;-disposi&ccedil;&atilde;o para aceitar sugest&otilde;es e altera&ccedil;&otilde;es,</li>     <li>formar e qualificar – todos os colaboradores para a compet&ecirc;ncia,</li>     <li>motivar – todos os colaboradores, e</li>     <li>mudar mentalidades.</li>     </ul>     <p>De certa forma estes factores t&ecirc;m uma influ&ecirc;ncia positiva visto que proporcionam ou facilitam a mudan&ccedil;a. O risco e instabilidade, por outro lado, podem ser considerados como obst&aacute;culo, criando resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a.</p>     <p>Todos estes fatores identificados est&atilde;o tamb&eacute;m ligados entre si. Nomeadamente informar, envolver, aceitar e formar e qualificar. Um colaborador que se sinta como fazendo parte/envolvido  na tomada de decis&atilde;o, que se mantenha informado, que apresente sugest&otilde;es e aceite altera&ccedil;&otilde;es, de certa forma est&aacute; acess&iacute;vel para a mudan&ccedil;a n&atilde;o s&oacute; de mentalidade como tamb&eacute;m de atitude para a mudan&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5.   Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste trabalho foram analisadas entrevistas individuais conduzidas a um grupo de colaboradores de uma empresa da ITV Portuguesa sobre a necessidade de mudan&ccedil;a e como mudar. Para melhor compreender, tr&ecirc;s principais perguntas de investiga&ccedil;&atilde;o foram definidas: <i>"Qual a necessidade de mudan&ccedil;a?"</i>; <i>"Como tenciona participar nesta mudan&ccedil;a?"</i>; e <i>"Como ser&aacute; o comportamento/receptividade a esta mudan&ccedil;a?"</i>.</p>     <p>Os participantes corresponderam &agrave;s chefias de n&iacute;vel hier&aacute;rquico m&eacute;dio/alto diferentes sectores de uma empresa da ITV nacional, num total de 6. Independentemente do sector, todos os participantes concordaram que a mudan&ccedil;a &eacute; necess&aacute;ria, n&atilde;o s&oacute; como forma de satisfazer as necessidades do mercado mas tamb&eacute;m para fazer frente &agrave; concorr&ecirc;ncia.</p>     <p>Os resultados, mostraram que os colaboradores t&ecirc;m um comportamento diferente no que diz respeito &agrave; resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a. Quanto mais se sentirem envolvidos nos projetos da empresa, menor a resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a. Deve ser por isso, estimulada a participa&ccedil;&atilde;o de todos nas decis&otilde;es da empresa, tornando-os mais satisfeitos. Deste estudo de caso percebe-se que, mesmo considerando que a mudan&ccedil;a pode criar alguma instabilidade, &eacute; sempre positiva, e deve ser bem justificada e explicada para uma boa implementa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Os autores acreditam que &eacute; importante criar um bom ambiente para  implementar <i>Lean Production</i>. Com LP &eacute; poss&iacute;vel reduzir desperd&iacute;cios e produzir mais com menos. Um dos desperd&iacute;cios que a implementa&ccedil;&atilde;o LP reduz &eacute; o desperd&iacute;cio do esfor&ccedil;o humano. Para isso, &eacute; necess&aacute;rio mudar a forma como as pessoas trabalham, por exemplo, aumentando a sua responsabilidade, motiva&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;&atilde;o (Womack, 1990; Arezes, Dinis-Carvalho &amp; Alves, 2010; Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2012b).</p>     <p>Como trabalho futuro, destaca-se testar as diversas interliga&ccedil;&otilde;es identificadas entre os fatores com influ&ecirc;ncia na mudan&ccedil;a e motiva&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Achanga, P., Shehab, E., Roy, R. &amp; Nelder, G. (2006). Critical success factors for lean implementation within SMEs, <i>Journal of Manufacturing Technology Management</i>, 17(4), 460-471. doi: 10.1108/17410380610662889&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1646-9895201400030000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>aicep Portugal Global (2014). <i>Portugal - Ficha Pa&iacute;s</i>. Acedido setembro 5, 2014 em <a href="http://www.portugalglobal.pt/pt/biblioteca/livrariadigital/portugalfichapais.pdf" target="_blank">http://www.portugalglobal.pt/pt/biblioteca/livrariadigital/portugalfichapais.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p>Alves, A. C., Carvalho, D. &amp; Sousa, R. (2012). Lean Production as promoter of thinkers to achieve companies’ agility. <i>The Learning Organization: an International Journal</i>, 19(3), 219–237. doi:10.1108/09696471211219930.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1646-9895201400030000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Arezes, P. M., Dinis-Carvalho, J. &amp; Alves, A. C. (2010). Threats and Opportunities for Workplace Ergonomics in Lean Environments. In <i>Proceedings of 17th International Annual EurOMA Conference - Managing Operations in Service Economics</i>. Sousa, R., Portela, C., Pinto, S. S. &amp; Correia, H. (Eds.), Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, 6-9 June, 2010, Porto, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1646-9895201400030000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dahlgaard, J. J. &amp; Dahlgaard-Park, S. M. (2006). Lean production, six sigma quality, TQM and company culture. <i>The TQM Magazine</i>, 18(3), 263–281. doi:10.1108/09544780610659998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1646-9895201400030000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Flinchbaugh, J. (2004). Beyond Lean: Building Sustainable Business and People Success through New Ways of Thinking. <i>Lean Learning Center</i>. Acedido a 5 setembro, 2014 em <a href="http://www.leanlearningcenter.com/knowledge_center/articles.cfm" target="_blank">http://www.leanlearningcenter.com/knowledge_center/articles.cfm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1646-9895201400030000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ford, J. D., Ford, L. W. &amp; D’Amelio, A. (2008). Resistance to change: The rest of the Story. <i>Academy of Management Review</i>, 33(2), 362-377.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1646-9895201400030000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gunasekaran, A. (2001). <i>Agile Manufacturing: the 21st century competitive strategy</i>. Elsevier Science.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1646-9895201400030000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Liker, J.K. (2004). <i>The Toyota Way: 14 Management Principles from the work's greatest manufacture</i>, McGrowHill, NY.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1646-9895201400030000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kidd, P. T. (1994). <i>Agile Manufacturing forging new frontiers</i>. Addison Wesley Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1646-9895201400030000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2012a). Design of a Lean Methodology for an ergonomic and sustainable work environment in Textile and Garment Industry. <i>ASME International Mechanical Engineering Congress and Exposition (IMECE)</i>, Volume 3, Issue PARTS A, B, and C, 1843-1852. Houston, TX, United States, 9-15 November 2012. doi:10.1115/IMECE2012-89048.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1646-9895201400030000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2012b). Do Lean Methodologies include ergonomic tools?. In Arezes, P., Baptista, J. S., Barroso, M. P., et al. (Eds.), <i>Proceedings of International Symposium on Occupational Safety and Hygiene (SHO2012)</i>, 350-356. 9-10 fevereiro 2012, Guimar&atilde;es, Portugal. ISBN: 978-972-99504-9-0. WOS: 000320994300059.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1646-9895201400030000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2013). Definition of a protocol for implementing Lean Production Methodology in Textile and Clothing case studies. <i>ASME 2013 International Mechanical Engineering Congress and Exposition</i>, Volume 2B: Advanced Manufacturing, Paper No. IMECE2013-64739, pp. V02BT02A027; 7 pages. San Diego, California, USA, November 15–21, 2013. doi:10.1115/IMECE2013-64739.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1646-9895201400030000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2014). How Portuguese textile and Garment Industry sees the Lean Production?. Relat&oacute;rio interno n&atilde;o publicado.</p>     <!-- ref --><p>Miles, M. B. &amp; Huberman, A. M. (1994). <i>Qualitative Data Analysis: An Expanded Sourcebook</i>. SAGE Publications, 2&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o. ISBN-10: 0803955405&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1646-9895201400030000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>NIST, The National Institute of Standards and Technology (2010). Lean, ISO, Six Sigma. Acedido setembro 5, 2014 em  <a href="http://www.nist.gov/baldrige/lean_iso_sixsigma.cfm" target="_blank">http://www.nist.gov/baldrige/lean_iso_sixsigma.cfm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1646-9895201400030000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>U.S.-EPA (2017). The Lean and Environment Toolkit. United States Environmental Protection Agency. Acedido setembro 5, 2014 em  <a href="http://www.epa.gov/lean/environment/toolkits/environment/resources/LeanEviroToolkit.pdf" target="_blank">http://www.epa.gov/lean/environment/toolkits/environment/resources/LeanEviroToolkit.pdf</a>.</p>     <p>WCED (1987). Report of the World Commission on Environment and Development: Our Common Future. United Nations. Acedido setembro 5, 2014 em <a href="http://www.un-documents.net/our-common-future.pdf" target="_blank">http://www.un-documents.net/our-common-future.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p>Womack, J. P., Jones, D. &amp; Roos, D. (1990). <i>The machine that changed the world</i>. New York, NY: Rawson Associates. ISBN: 0892563508&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1646-9895201400030000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Yamamoto, Y. &amp; Bellgran, M. (2010). Fundamental mindset that drives improvements towards lean production. <i>Assembly Automation</i>, 30(2), 124–130. doi:10.1108/01445151011029754.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1646-9895201400030000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Recebido / Recibido: 24/3/2014</p>     <p>Aceita&ccedil;&atilde;o / Aceptaci&oacute;n: 16/8/2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Os autores deste trabalho gostariam de expressar os seus agradecimentos &agrave; empresa da ITV e aos participantes que aceitaram o desafio de colaborar neste estudo. Os autores tamb&eacute;m agradecem aos fundos FEDER atrav&eacute;s do COMPETE e fundos nacionais da Funda&ccedil;&atilde;o Portuguesa para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (FCT) de refer&ecirc;ncia do projeto: Pest-OE/EEI/UI0319/2014 e ao Projeto Estrat&eacute;gico de PEst-OE/EME/UI0252/2011.</p>      ]]></body><back>
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