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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A melhoria organizacional como alavanca para melhores condições de trabalho]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Escola de Engenharia Departamento de Produção e Sistemas]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Good working conditions are essential for a well functioning company. These can be promoted in the context of implementation of Lean Production through organizational improvement searching for continuous improvement and questioning how the work is done. This article presents the results of a case study carried out in a Portuguese clothing company on the working conditions satisfaction for organizational improvement in a Lean Production implementation context. Different instruments were used for data and information collection: 1) questionnaire to assess employee's workstation; 2) questionnaire to assess the level of employee satisfaction with the company and working conditions, and 3) checklist to assess ergonomic and environmental conditions of the company. Through the analysis and interpretation of observation results, in general, employees were satisfied with the company and their working conditions, although they felt that certain aspects could be improved. This identification oriented the researcher in applying Lean Production tools more appropriate.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Análise Qualitativa e Quantitativa]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A melhoria organizacional como alavanca para melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho</b></p>     <p><b>The organizational improvement as trigger for better working conditions</b></p>     <div>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Laura C. Maia<sup>1</sup>, R&uacute;ben Eira<sup>1</sup>, Anabela C. Alves<sup>1</sup>, Celina P. Le&atilde;o<sup>1</sup></b></p>       <p><sup>1</sup> Centro ALGORITMI, Escola de Engenharia da Universidade do Minho, Departamento de Produ&ccedil;&atilde;o e Sistemas, Campus de Azur&eacute;m, 4804 &ndash; 533 Guimar&atilde;es, Portugal E-mail: <a href="mailto:id2932@alunos.uminho.pt">id2932@alunos.uminho.pt</a>, <a href="mailto:eira.ruben@gmail.com">eira.ruben@gmail.com</a>, <a href="mailto:anabela@dps.uminho.pt">anabela@dps.uminho.pt</a>, <a href="mailto:cpl@dps.uminho.pt">cpl@dps.uminho.pt</a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>RESUMO</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Boas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho s&atilde;o essenciais para o bom funcionamento de uma empresa. Estas podem ser promovidas num contexto de implementa&ccedil;&atilde;o de <i>Lean Production</i> (melhoria organizacional) por obrigar &agrave; procura constante de melhoria cont&iacute;nua, questionando a forma como o trabalho &eacute; realizado. Este artigo apresenta os resultados sobre a satisfa&ccedil;&atilde;o com as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e a empresa atrav&eacute;s de um estudo realizado numa empresa de vestu&aacute;rio onde se pretendia implementar <i>Lean Production</i>. Para este estudo, recorreu-se a diferentes instrumentos: 1) question&aacute;rio para avaliar os postos de trabalho dos colaboradores; 2) question&aacute;rio para avaliar o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores com a empresa e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e 3) <i>checklist</i> para avaliar as condi&ccedil;&otilde;es ergon&oacute;micas e ambientais da empresa. Da an&aacute;lise dos resultados verificou-se que, em geral, os colaboradores encontravam-se satisfeitos com a empresa e as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, embora sentissem que determinados pontos poderiam ser melhorados. Esta identifica&ccedil;&atilde;o orientou o investigador na aplica&ccedil;&atilde;o das ferramentas <i>Lean Production </i>mais adequadas.</p>       <p><b>Palavras-chave: </b>An&aacute;lise Qualitativa e Quantitativa; Ind&uacute;stria T&ecirc;xtil e do Vestu&aacute;rio; <i>Lean Production</i>; Question&aacute;rio; <i>Checklist</i>.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p>Good working conditions are essential for a well functioning company. These can be promoted in the context of implementation of <i>Lean Production</i> through organizational improvement searching for continuous improvement and questioning how the work is done. This article presents the results of a case study carried out in a Portuguese clothing company on the working conditions satisfaction for organizational improvement in a Lean Production implementation context. Different instruments were used for data and information collection: 1) questionnaire to assess employee&rsquo;s workstation; 2) questionnaire to assess the level of employee satisfaction with the company and working conditions, and 3) checklist to assess ergonomic and environmental conditions of the company. Through the analysis and interpretation of observation results, in general, employees were satisfied with the company and their working conditions, although they felt that certain aspects could be improved. This identification oriented the researcher in applying Lean Production tools more appropriate.</p>       <p><b>Keywords</b>: Lean Production; Qualitative and Quantitative Analysis; Textile and Clothing Industry; Survey; Checklist.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>1.&nbsp; Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>Atualmente e apesar da crise que Portugal ainda atravessa, est&aacute; previsto que o sector da Industria T&ecirc;xtil e do Vestu&aacute;rio (ITV) atinja os 4800 milh&otilde;es de euros nas exporta&ccedil;&otilde;es (tendo Espanha como principal mercado e verificando-se uma subida na ordem dos 33% para o mercado dos USA). Trata-se de um valor representativo de 10% do total das exporta&ccedil;&otilde;es portuguesas, 20% do emprego da Ind&uacute;stria transformadora (empregando mais de 130 mil pessoa) e 3% do PIB portugu&ecirc;s (Jornal Vida Econ&oacute;mica, 2015). Em 2014 o valor de exporta&ccedil;&otilde;es era de 4.623 milh&otilde;es/&euro; e outros valores de refer&ecirc;ncia como o volume de neg&oacute;cios, produ&ccedil;&atilde;o e balan&ccedil;a comercial subiram o que leva a Associa&ccedil;&atilde;o T&ecirc;xtil e Vestu&aacute;rio de Portugal (ATP) numa entrevista dada ao Jornal Vida Econ&oacute;mica a afirmar que este &eacute; um sector em franca recupera&ccedil;&atilde;o (Jornal Vida Econ&oacute;mica, 2015).</p>       <p>Na publica&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o T&ecirc;xtil e de Vestu&aacute;rio de Portugal &ldquo;Plano estrat&eacute;gico t&ecirc;xtil 2020 &ndash; Projetar o desenvolvimento da Fileira T&ecirc;xtil e Vestu&aacute;rio at&eacute; 2020&rdquo;, &eacute; proposta uma estrat&eacute;gia coletiva de especializa&ccedil;&atilde;o inteligente para o cluster t&ecirc;xtil assente em sete eixos estrat&eacute;gicos: 1) capitaliza&ccedil;&atilde;o das empresas, 2) gest&atilde;o (&ldquo;governance&rdquo;) das organiza&ccedil;&otilde;es, 3) competitividade, 4) inova&ccedil;&atilde;o e criatividade, 5) valoriza&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos, 6) visibilidade e imagem, e 7) empreendedorismo (ATP, 2014). Dos sete eixos &eacute; importante real&ccedil;ar a valoriza&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos, uma preocupa&ccedil;&atilde;o que est&aacute; no alinhamento da cultura <i>Lean</i> onde se procura, entre outros objetivos, fomentar a colabora&ccedil;&atilde;o e envolvimento das pessoas e reduzir o esfor&ccedil;o f&iacute;sico dos trabalhadores melhorando as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sector de atividade da ITV, existem ainda muitas empresas em que os trabalhadores est&atilde;o sujeitos a um ambiente de trabalho com muito stress, condi&ccedil;&otilde;es de trabalho desconfort&aacute;veis e sem preocupa&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel ergon&oacute;mico. Assim, &eacute; necess&aacute;rio tornar o local de trabalho mais confort&aacute;vel e atrativo, adotando-se melhores pr&aacute;ticas de trabalho e promovendo a criatividade atrav&eacute;s do envolvimento de todos os colaboradores na melhoria dos seus postos de trabalho (Alves, Carvalho &amp; Sousa, 2012).</p>       <p>Estas melhores pr&aacute;ticas podem ser promovidas com uma metodologia de melhoria organizacional adequada e <i>Lean</i> <i>Production</i> (LP) tem sido uma dessas metodologias que tem vindo a ser adotada por muitas empresas em todo o mundo e em diferentes sectores de atividade (Alves, Kahlen, Flumerfelt &amp; Siriban-Manalang, 2014; Donofrio &amp; Whitefoot, 2015).</p>       <p>No entanto, implementar <i>Lean Production</i> n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil e cada sector de atividade tem carater&iacute;sticas que o tornam &uacute;nico (Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2014b). Dessa forma, torna-se relevante ter uma metodologia que ajude as empresas a implementar <i>Lean</i> de forma correta. Assim, num contexto de um doutoramento em Engenharia Industrial e de Sistemas prop&otilde;e-se uma metodologia para implementar <i>Lean</i> na ITV Portuguesa (Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2012). Esta metodologia est&aacute; dividida em tr&ecirc;s fases: 1&ordf;) avalia&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es atuais da empresa relativamente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, condi&ccedil;&otilde;es ambientais e o desempenho operacional para preparar as pessoas e o ambiente de trabalho para a implementa&ccedil;&atilde;o de <i>Lean</i>; 2&ordf;) implementa&ccedil;&atilde;o do LP com as ferramentas mais adequadas para o sector em an&aacute;lise e 3&ordf;) avalia&ccedil;&atilde;o, normaliza&ccedil;&atilde;o e sustenta&ccedil;&atilde;o da implementa&ccedil;&atilde;o de <i>Lean</i>.</p>       <p>Atualmente, esta metodologia encontra-se na fase de valida&ccedil;&atilde;o e para isso recorreu-se a uma empresa de vestu&aacute;rio situada no Norte de Portugal que acolheu um investigador para a&iacute; fazer a sua disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado (Eira, 2014), aplicando a metodologia desenvolvida no doutoramento. Neste artigo s&atilde;o apresentados os resultados obtidos referentes &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o da primeira fase da metodologia LP neste estudo de caso, mostrando que a melhoria organizacional &eacute; uma alavanca para melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho por promover a melhoria continua.</p>       <p>Este artigo divide-se em cinco cap&iacute;tulos. A seguir &agrave; Introdu&ccedil;&atilde;o no cap&iacute;tulo 1, &eacute; apresentada uma breve revis&atilde;o de literatura no cap&iacute;tulo 2. No cap&iacute;tulo 3 apresenta-se a metodologia e m&eacute;todos usados no estudo. No cap&iacute;tulo 4, os resultados dos question&aacute;rios e avalia&ccedil;&atilde;o dos postos de trabalho s&atilde;o apresentados e discutidos. As considera&ccedil;&otilde;es finais s&atilde;o apresentadas no cap&iacute;tulo 5.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>2. Breve revis&atilde;o de literatura</b></p>       <p><i>Lean</i> <i>Production</i> (LP) (Womack, Jones &amp; Roos, 1990) &eacute; uma metodologia de melhoria organizacional que procura a redu&ccedil;&atilde;o de custos e aumento da produtividade atrav&eacute;s de uma redu&ccedil;&atilde;o de desperd&iacute;cios (<i>muda</i>, em Japon&ecirc;s). LP pode ser definida resumidamente como um conjunto de ferramentas e t&eacute;cnicas para a gest&atilde;o de processos numa organiza&ccedil;&atilde;o que facilita a elimina&ccedil;&atilde;o das atividades que n&atilde;o acrescentam valor e dos desperd&iacute;cios provenientes dos processos com o objetivo da melhoria cont&iacute;nua e inova&ccedil;&atilde;o.</p>       <p>Poss&iacute;veis desperd&iacute;cios a considerar: elimina&ccedil;&atilde;o ou redu&ccedil;&atilde;o de atividades que um cliente final n&atilde;o paga: defeitos, retrabalho, inspe&ccedil;&atilde;o, invent&aacute;rio, filas ou tempo de espera, transporte de materiais ou produtos, movimento excessivos e outras etapas do processo sem valor acrescentado (NIST, 2010). Al&eacute;m destes desperd&iacute;cios, o n&atilde;o aproveitamento da capacidade humana &eacute; tamb&eacute;m considerado um tipo de desperd&iacute;cio (Liker, 2004).</p>       <p>Normalmente, numa empresa existem sintomas de desperd&iacute;cio designados de <i>mura</i> e <i>muri</i> (termos em Japon&ecirc;s) que significam irregularidade ou varia&ccedil;&atilde;o e sobrecarga, respetivamente. Exemplos s&atilde;o: n&atilde;o existir um procedimento &uacute;nico e normalizado para todos realizarem atividades repetidas, n&atilde;o guardar ferramentas em locais identificados e reconhecidos por todos colaboradores, ter colaboradores com carga excessiva e outros sem nada para fazer. Tais sintomas indicam a presen&ccedil;a de desperd&iacute;cio, do <i>muda</i>. &Eacute; comum encontrar-se a sigla 3M associada a estas tr&ecirc;s palavras Japonesas assim como &eacute; comum encontrar-se tamb&eacute;m muitas palavras Japonesas associadas a <i>Lean</i> como <i>kaizen</i> para designar melhoria cont&iacute;nua. Isto deve-se ao facto de <i>Lean</i> ter as suas origens no sistema da empresa Toyota, designado de <i>Toyota Production System</i> (TPS) (Monden, 1983).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Implementar <i>Lean</i> n&atilde;o &eacute; um processo f&aacute;cil pois implica uma mudan&ccedil;a de mentalidade, responsabilidade e compet&ecirc;ncia de todos os envolvidos (Dahlgaard &amp; Dahlgaard-Park, 2006). Esta mentalidade e a aprendizagem organizacional s&atilde;o fundamentais para a melhoria cont&iacute;nua dos processos (Yamamoto &amp; Bellgran, 2010; Flinchbaugh, 2011). Para o sucesso da implementa&ccedil;&atilde;o do LP, &eacute; importante inici&aacute;-la com o apoio da gest&atilde;o de topo, envolvendo e motivando todos os colaboradores para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas e melhoria cont&iacute;nua. Para isso &eacute; necess&aacute;rio forma&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o para mudar a cultura da empresa.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>3. Metodologia e m&eacute;todos de investiga&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>Para o desenvolvimento deste trabalho recorreu-se a um estudo de caso utilizando metodologias qualitativas e quantitativas no sentido de avaliar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho numa perspetiva dos colaboradores que &eacute; depois confrontada com a avalia&ccedil;&atilde;o do investigador.</p>       <p>O estudo de caso corresponde a uma empresa de vestu&aacute;rio localizada no Norte de Portugal, do tipo familiar, que produz essencialmente vestu&aacute;rio para homem, mulher, crian&ccedil;a e beb&eacute; (Maia, Eira, Alves &amp; Le&atilde;o, 2015). Esta empresa conta com uma for&ccedil;a de trabalho de cerca de 65 colaboradores diretos e internos, e mais de 200 indiretos e externos, por via da subcontrata&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e outros servi&ccedil;os fundamentais como o transporte log&iacute;stico.</p>       <p>Com um claro posicionamento e orienta&ccedil;&atilde;o para o mercado externo, exporta a quase totalidade da sua produ&ccedil;&atilde;o, inclusive, para marcas de grande notoriedade no mercado internacional. A escolha desta empresa baseou-se, por um lado, na boa rela&ccedil;&atilde;o estabelecida com o investigador e, por outro, pelo seu grau de abertura &agrave; mudan&ccedil;a e a novas abordagens de gest&atilde;o para melhorar o seu desempenho operacional. Apesar desta abertura, esta empresa ainda n&atilde;o tinha considerado nem implementado LP.</p>       <p>O facto da empresa ainda n&atilde;o ter implementado LP n&atilde;o constitui novidade para os autores pois, de acordo com um question&aacute;rio aplicado em 2011 e repetido em 2014, verificou-se que apenas duas (3,9%) das respondentes em 2011 reconheciam ter implementado LP e em 2014 apenas tr&ecirc;s (11,1%) considerava ter implementado LP (Maia, &nbsp;Alves &amp; Le&atilde;o, &nbsp;2014a).</p>       <p>Atendendo a que este trabalho teve como objetivo avaliar e caracterizar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos colaboradores nos seus postos de trabalho (PT) e a satisfa&ccedil;&atilde;o destes com a empresa, os m&eacute;todos usados foram direcionados aos colaboradores que trabalham no <i>shop-floor</i>, distribu&iacute;dos pelas tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es funcionais da empresa: 1) armaz&eacute;m de mat&eacute;rias-primas; 2) corte; 3) acabamentos e expedi&ccedil;&atilde;o que inclui a costura.</p>       <p>Para o desenvolvimento do estudo foram elaborados e aplicados: 1) um question&aacute;rio para medir a satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores em rela&ccedil;&atilde;o aos seus postos de trabalho; 2) um question&aacute;rio para avaliar o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; empresa e &agrave;s suas pol&iacute;ticas de gest&atilde;o e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e, 3) uma <i>checklist</i> para avaliar as condi&ccedil;&otilde;es ergon&oacute;micas, de higiene, seguran&ccedil;a e ambientais da empresa. Os question&aacute;rios foram respondidos pelos colaboradores e a <i>checklist</i> preenchida pelo investigador. Pela sua natureza, as duas primeiras metodologias permitem uma avalia&ccedil;&atilde;o quantitativa enquanto que a &uacute;ltima permite tamb&eacute;m uma avalia&ccedil;&atilde;o qualitativa. Estes m&eacute;todos requerem uma an&aacute;lise independente, codifica&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o, sempre confrontando os resultados obtidos por diferentes fontes, no sentido de encontrar pontos comuns e/ou divergentes, enriquecendo desta forma o estudo (Morgan, 2014). Os instrumentos utilizados na recolha dos dados ser&atilde;o descritos a seguir.</p>       <p><b>3.1 Question&aacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o dos PT dos colaboradores</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este question&aacute;rio teve como objetivo avaliar a satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores relativamente ao ambiente de trabalho na empresa (em geral e em particular), de acordo com as fun&ccedil;&otilde;es que desempenham e do seu posto de trabalho (PT). De seguida est&atilde;o descritos a estrutura, o procedimento e o tratamento de dados deste question&aacute;rio.</p>       <p><i>Estrutura </i></p>       <p>O question&aacute;rio &eacute; constitu&iacute;do por 33 quest&otilde;es dirigidas aos colaboradores de tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es fabris da empresa. Este possui quest&otilde;es fechadas (respostas do tipo Sim/N&atilde;o), em escala de satisfa&ccedil;&atilde;o e uma quest&atilde;o de resposta aberta, onde &eacute; dada a liberdade aos colaboradores para deixarem sugest&otilde;es de melhoria para o seu PT divididas pelas cinco categorias ou grupos que se seguem.</p>       <p>Grupo I: Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos colaboradores, quanto ao seu g&eacute;nero, altura, idade, tempo de trabalho na empresa e no atual PT. Composto por 5 quest&otilde;es.</p>       <p>Grupo II: Avalia&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos colaboradores, ao n&iacute;vel do ru&iacute;do, ilumina&ccedil;&atilde;o e das temperaturas ambientais tanto no ver&atilde;o como no inverno. Composto por 7 quest&otilde;es.</p>       <p>Grupo III: Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos PT para perceber a forma como os colaboradores executam o seu trabalho (de p&eacute;, sentado ou ambos), que bra&ccedil;o utilizam frequentemente para trabalhar e se t&ecirc;m espa&ccedil;o suficiente para realizar livremente as suas fun&ccedil;&otilde;es no seu posto. Tamb&eacute;m serve para verificar se os colaboradores tinham as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para executarem o seu trabalho confortavelmente, em p&eacute; ou sentado, sem desconforto ou stress anormal. Composto por 8 quest&otilde;es.</p>       <p>Grupo IV: Avalia&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o f&iacute;sico exigido na realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas, isto &eacute;, se &eacute; habitual para os colaboradores sentirem dores ou cansa&ccedil;o provocado pela realiza&ccedil;&atilde;o do seu trabalho. Foi pedido aos colaboradores que indicassem as zonas do corpo onde essa dor/cansa&ccedil;o se costumava manifestar. Composto por 9 quest&otilde;es.</p>       <p>Grupo V: Identifica&ccedil;&atilde;o de oportunidades de implementa&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. Os colaboradores foram questionados sobre o seu interesse em alterar procedimentos de trabalho atuais quanto &agrave; forma de realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas, e se manifestavam vontade em mudar de posto para a realiza&ccedil;&atilde;o de outras fun&ccedil;&otilde;es. Composto por 4 quest&otilde;es.</p>       <p>Na elabora&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio procurou-se que este fosse conciso, simples e de f&aacute;cil preenchimento (abrangendo um maior n&uacute;mero de respostas) e facilmente interpretado pelos colaboradores. Inicialmente foi desenvolvido eletronicamente e depois impresso para ser preenchido, visto uma grande parte dos colaboradores terem uma certa idade e n&atilde;o serem adeptos da utiliza&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias. Assim excluiu-se a hip&oacute;tese de preenchimento do question&aacute;rio via on-line, embora seja uma forma mais pr&aacute;tica de recolher e tratar dados. Antes da distribui&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio, este foi impresso e testado verificando o tempo necess&aacute;rio para o seu preenchimento (menos de 5 minutos). Foi tamb&eacute;m validado (na forma da constru&ccedil;&atilde;o das frases e seu entendimento) por dois colaboradores escolhidos aleatoriamente para esse efeito.</p>       <p><i>Procedimento </i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A divulga&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio, em formato de papel, foi feita presencialmente e individualmente, a todos os colaboradores, compreendendo uma amostra de 34 colaboradores (correspondendo a 100% dos colaboradores do <i>shop-floor</i>). Para efeitos de an&aacute;lise foram validados e considerados todos os question&aacute;rios, o correspondente a 100% do total de respostas obtidas com a implementa&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio nas tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es da empresa.</p>       <p><i>Tratamento dos dados </i></p>       <p>Para analisar as respostas dos participantes, estas foram copiadas para um ficheiro Excel e importadas para a an&aacute;lise estat&iacute;stica atrav&eacute;s do programa SPSS&reg;. No caso das perguntas de resposta aberta, foi feita uma an&aacute;lise de conte&uacute;do identificando a situa&ccedil;&atilde;o mais vezes referida.</p>       <p><b>3.2 Question&aacute;rio para avaliar o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores com a empresa e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho </b></p>       <p>Este question&aacute;rio &eacute; mais global, pois al&eacute;m de avaliar o PT tamb&eacute;m avalia o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; empresa e suas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, sendo ambos direcionados aos colaboradores. A estrutura, procedimento e tratamento de dados deste question&aacute;rio est&atilde;o descritos a seguir.</p>       <p><i>Estrutura</i></p>       <p>Este question&aacute;rio apresenta 45 itens, divididos em seis partes que se seguem:</p>       <p>Parte 1: Satisfa&ccedil;&atilde;o global dos colaboradores com a empresa (para medir o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; empresa: 9 itens);</p>       <p>Parte 2: Satisfa&ccedil;&atilde;o com a gest&atilde;o e os sistemas de gest&atilde;o (para medir o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores com as chefias e as medidas de gest&atilde;o: 9 itens);</p>       <p>Parte 3: Satisfa&ccedil;&atilde;o com as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho (para medir o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores em rela&ccedil;&atilde;o ao posto de trabalho e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho: 10 itens);</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Parte 4: Satisfa&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento da carreira (para medir a satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; progress&atilde;o da sua carreira: 5 itens);</p>       <p>Parte 5: Satisfa&ccedil;&atilde;o com as condi&ccedil;&otilde;es de higiene, seguran&ccedil;a, equipamentos e servi&ccedil;os (para avaliar n&iacute;vel da satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; higiene e seguran&ccedil;a do posto de trabalho, equipamentos dispon&iacute;veis para o bom desenvolvimento do seu trabalho e zonas sociais e de lazer: 7 itens);</p>       <p>Parte 6: N&iacute;veis de motiva&ccedil;&atilde;o, para medir o n&iacute;vel de motiva&ccedil;&atilde;o dos colaboradores em rela&ccedil;&atilde;o a novos m&eacute;todos de trabalho e envolvimento em projetos da empresa (5 itens).</p>       <p>Cada parte do question&aacute;rio est&aacute; dividida por itens, sendo cada um dele avaliado recorrendo a uma escala de <i>Likert</i> de 5 pontos, para medir o N&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores, em que 1 corresponde a estar &ldquo;Completamente Insatisfeito&rdquo; e 5 corresponde a estar &ldquo;Completamente Satisfeito&rdquo;.</p>       <p><i>Procedimento</i></p>       <p>Assim como o anterior, este question&aacute;rio foi desenvolvido para que fosse de r&aacute;pido preenchimento e de f&aacute;cil compreens&atilde;o e foi impresso em papel para ser distribu&iacute;do pelos colaboradores e devidamente preenchido.</p>       <p>Este question&aacute;rio foi entregue a 29 colaboradores, divididos pelas tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es da empresa. Note-se que face ao question&aacute;rio anterior, o tamanho da amostra &eacute; de menos cinco participantes, correspondendo estes a colaboradores que no momento se encontravam com baixa m&eacute;dica (dois por gravidez, dois por motivo de doen&ccedil;a e um por acidente de trabalho). De seguida, procedeu-se &agrave; recolha, an&aacute;lise e avalia&ccedil;&atilde;o, considerando todos os question&aacute;rios v&aacute;lidos.</p>       <p><i>Tratamento dos dados </i></p>       <p>Para analisar as respostas obtidas, em formato de papel, os resultados foram copiados para um ficheiro Excel e devidamente codificados, para ent&atilde;o se proceder ao tratamento estat&iacute;stico dos dados.</p>       <p><b>3.3 <i>Checklist</i></b><b> para avaliar as condi&ccedil;&otilde;es ergon&oacute;micas e ambientais da empresa</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e do PT a n&iacute;vel ergon&oacute;mico, de higiene e seguran&ccedil;a e ambiental, foram avaliadas com recurso a uma <i>checklist.</i> A estrutura, procedimento e tratamento de dados da <i>checklist</i> s&atilde;o descritos a seguir.</p>       <p><i>Estrutura</i></p>       <p>A <i>checklist</i> foi dividida em duas partes, a primeira parte para avaliar os aspetos relacionados com as condi&ccedil;&otilde;es ergon&oacute;micas e de higiene e seguran&ccedil;a no posto de trabalho (subdividida em nove itens) e a segunda parte para avaliar as preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais existentes na empresa (subdividida em cinco itens).</p>       <p>Na primeira parte foram avaliados 132 aspetos relacionados com as condi&ccedil;&otilde;es ergon&oacute;micas de higiene e seguran&ccedil;a no local de trabalho: armazenamento do material e manuseamento; ferramentas manuais; seguran&ccedil;a das m&aacute;quinas; projeto do posto de trabalho; ilumina&ccedil;&atilde;o; instala&ccedil;&otilde;es, agentes e subst&acirc;ncias perigosas; instala&ccedil;&otilde;es de apoio e organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho.</p>       <p>Na segunda parte foram avaliados 26 aspetos, relacionados com as preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais existentes na empresa: sistema de gest&atilde;o ambiental; reciclagem; consumos de &aacute;gua; consumo de energia e outros recursos naturais; polui&ccedil;&atilde;o e rotulagem ecol&oacute;gica.</p>       <p>Cada uma das partes, &eacute; constitu&iacute;da por um conjunto de afirma&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; situa&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise cuja resposta &eacute; do tipo Sim/N&atilde;o/N&atilde;o aplic&aacute;vel. Quando &eacute; verificada uma situa&ccedil;&atilde;o de resposta &ldquo;N&atilde;o&rdquo; o investigador pode sugerir medidas a implementar.</p>       <p><i>Procedimento </i></p>       <p>A <i>checklist</i> foi constru&iacute;da com base numa publica&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (ILO, 2010). Esta foi preenchida pelo investigador nas tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es da empresa, durante as suas visitas ao <i>shop-floor</i>. Durante o preenchimento, o investigador foi conversando informalmente com os colaboradores que no momento se encontravam no seu PT. Esta conversa informal serviu para complementar a avalia&ccedil;&atilde;o subjetiva dos PT. Assim, o investigador conseguiu avaliar, analisar, tirar conclus&otilde;es e propor melhorias.</p>       <p><i>Tratamento dos dados</i></p>       <p>Depois de preenchida a <i>checklist</i>, em formato de papel, os resultados da avalia&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s se&ccedil;&otilde;es foram copiados para um ficheiro Excel e tratados. De acordo com os valores obtidos determinou-se o grau de adequa&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es funcionais relativamente a cada um dos par&acirc;metros analisados.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>4. Resultados e discuss&atilde;o</b></p>       <p>Neste capitulo s&atilde;o apresentados os resultados dos dois question&aacute;rios respondidos pelos colaboradores e da <i>checklist </i>aplicada pelo investigador.</p>       <p><b>4.1 Question&aacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o dos PT dos colaboradores </b></p>       <p>A an&aacute;lise dos resultados do question&aacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o dos PT preenchidos permitiu recolher informa&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica: os colaboradores da empresa s&atilde;o maioritariamente do sexo feminino (77%), com idades compreendidas entre os 41 anos e 50 anos (32%) e de estatura m&eacute;dia de 1,64 m (min. 1,50 m e max. 1,79 m). Quase 50% dos colaboradores trabalham na empresa h&aacute; 10 anos ou mais e 52% afirmam estar h&aacute; mais de 5 anos afetos ao mesmo PT, o que poder&aacute; indicar um baixo n&iacute;vel de rotatividade nas tarefas e um fraco n&iacute;vel de polival&ecirc;ncia.</p>       <p>Ao analisar as opini&otilde;es dos colaboradores quanto ao n&iacute;vel de ru&iacute;do e de ilumina&ccedil;&atilde;o a que est&atilde;o sujeitos, verifica-se que 29,4% dos colaboradores considera o n&iacute;vel de ru&iacute;do elevado e 5,9% uma ilumina&ccedil;&atilde;o baixa. Para o cen&aacute;rio considerado ideal, um n&iacute;vel de ru&iacute;do baixo e uma boa ilumina&ccedil;&atilde;o, as percentagens s&atilde;o de 2,9% e 35,2%, respetivamente.</p>       <p>No que respeita &agrave; temperatura ambiente de inverno e ver&atilde;o e de acordo com os valores da <a href="#t1">Tabela 1</a> &eacute; poss&iacute;vel verificar que 6,2% dos colaboradores consideram muito frio no inverno e 15,6% muito quente no ver&atilde;o e ainda uma percentagem de 9,4% considera quente durante o inverno. Para o cen&aacute;rio considerado ideal de temperatura razo&aacute;vel no inverno e ver&atilde;o, os valores obtidos s&atilde;o de 75,0% e 53,1%, respetivamente. Isto indica que mais de 50% dos colaboradores consideram razo&aacute;vel a temperatura ambiental tanto no inverno como no ver&atilde;o.</p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/rist/spe4/spe4a05t1.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Este comportamento n&atilde;o &eacute; de estranhar atendendo que existe subjetividade na sua avalia&ccedil;&atilde;o conforme demonstrado pelo estudo de Akimoto Tanabe, Yanai &amp; Sasaki (2010) onde verificaram que os trabalhadores expostos ao mesmo ambiente t&eacute;rmico apresentam comportamentos significativamente diferentes.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com a fun&ccedil;&atilde;o que executam, 35,3% dos colaboradores afirmaram n&atilde;o estarem satisfeitos. Ainda assim, 81,2% dos colaboradores consideram razo&aacute;vel o grau de dificuldade das opera&ccedil;&otilde;es que executam diariamente e 79,0% consideram normal o ritmo de trabalho a que est&atilde;o sujeitos.</p>       <p>Real&ccedil;a-se que 81,8% das tarefas s&atilde;o executadas de p&eacute; e com ambos os bra&ccedil;os e 64,7% dos colaboradores consideram confort&aacute;vel esta posi&ccedil;&atilde;o. No entanto, 43% (correspondente a 12 colaboradores), afirmaram que gostavam de poder alternar a realiza&ccedil;&atilde;o de tarefas entre sentado e de p&eacute;. Trata-se de um aspeto bastante importante considerando que grande parte dos colaboradores (61,0%) permanece de p&eacute; durante as 8 horas de trabalho na realiza&ccedil;&atilde;o das suas fun&ccedil;&otilde;es.</p>       <p>A maioria dos colaboradores considera que, em geral, o PT est&aacute; ajustado, e a altura da mesa de trabalho adequada para a realiza&ccedil;&atilde;o das suas fun&ccedil;&otilde;es (87,5%), sendo que apenas um referiu que a mesa de trabalho devia ser mais alta. Alguns colaboradores sugeriram que a mesa fosse mais alta ou mais inclinada para facilitar a realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas e um colaborador alertou que n&atilde;o dispunha de mesa de trabalho para desempenhar as suas tarefas.</p>       <p>Os colaboradores que executam, total ou parcialmente, o seu trabalho sentados consideram a altura da cadeira adequada &agrave; sua altura (91,7%) e todos afirmaram ajustarem-na quando necess&aacute;rio. Todos os colaboradores que desempenham fun&ccedil;&otilde;es nas m&aacute;quinas de costura tamb&eacute;m consideram a dist&acirc;ncia do p&eacute; ao pedal da m&aacute;quina adequada.</p>       <p>A maior parte dos colaboradores n&atilde;o sente necessidade de levantar e transportar cargas no desempenho das suas fun&ccedil;&otilde;es, e aqueles que o fazem n&atilde;o consideram o esfor&ccedil;o f&iacute;sico demasiado exigente e que estejam sujeitos a uma for&ccedil;a excessiva (5 e 10 kg). Pontualmente, o levantamento e transporte de cargas &eacute; realizado manualmente (s&oacute; com o corpo), n&atilde;o considerando o esfor&ccedil;o f&iacute;sico no levantamento de cargas muito exigente.</p>       <p>Apesar disso, os colaboradores afirmaram que nos &uacute;ltimos 12 meses, sentiram inc&oacute;modo, dor, cansa&ccedil;o no corpo, provocados pelo desempenho das suas fun&ccedil;&otilde;es, principalmente na coluna cervical, ombros, pernas/joelhos, p&eacute;s/tornozelos e coluna lombar (<a href="#t2">Tabela 2</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/rist/spe4/spe4a05t2.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Relativamente &agrave; quest&atilde;o de mudan&ccedil;a de PT, as respostas foram muito diversas, tendo seis colaboradores (21%) manifestado vontade em mudar de PT e 11 (38%) admitido que n&atilde;o sabiam se gostariam de mudar. Esta indecis&atilde;o poder&aacute; ser um ind&iacute;cio que n&atilde;o est&atilde;o completamente satisfeitos com as condi&ccedil;&otilde;es atuais de trabalho. Os motivos para desejarem mudar de posto foram apontados por quatro participantes e est&atilde;o relacionados com a inadapta&ccedil;&atilde;o, desmotiva&ccedil;&atilde;o ou pelo pr&oacute;prio risco de les&otilde;es inerentes &agrave;s atuais fun&ccedil;&otilde;es que desempenham. Apresentam-se algumas cita&ccedil;&otilde;es dos colaboradores:</p>   <ul>         <li>&quot;N&atilde;o me sinto t&atilde;o &agrave; vontade em realizar as fun&ccedil;&otilde;es que este posto exige como no anterior&quot;</li>         ]]></body>
<body><![CDATA[<li>&quot;Porque tenho h&eacute;rnias na lombar&rdquo;</li>         <li>&quot;Nem sempre a p&eacute; nem sempre sentada, por causa da coluna&quot;</li>         <li>&quot;Porque estou cheia de fazer o que fa&ccedil;o&quot;</li>       </ul>       <p>Como sugest&otilde;es de melhoria um colaborador referiu: &quot;J&aacute; sugeri ao superior a necessidade de algumas melhorias, mas nada foi feito&quot; e um colaborador referiu &quot;Sobre isso n&atilde;o vou comentar, para a minha idade j&aacute; n&atilde;o vale a pena&quot;.</p>       <p>A aplica&ccedil;&atilde;o deste question&aacute;rio aos colaboradores alertou para a necessidade de se proceder a uma an&aacute;lise mais aprofundada para averiguar a possibilidade de ocorr&ecirc;ncia de Les&otilde;es M&uacute;sculo-Esquel&eacute;ticas Relacionadas com o Trabalho (LMERT) com as posturas assumidas nos PT. Essa an&aacute;lise foi realizada e os resultados foram apresentados em Eira, Maia, Alves &amp; Le&atilde;o (2015a).</p>       <p><b>4.2 Question&aacute;rio sobre o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores com a empresa e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho</b></p>       <p>Pelos par&acirc;metros avaliados na satisfa&ccedil;&atilde;o global dos colaboradores (Parte 1), verifica-se que, em geral, os colaboradores est&atilde;o satisfeitos (82,8%) com a &ldquo;imagem da empresa&rdquo; e o seu &ldquo;desempenho global&rdquo; (<a href="#f1">figura 1</a>). Quanto ao grau de insatisfa&ccedil;&atilde;o, o &ldquo;Envolvimento dos colaboradores no processo de tomada de decis&atilde;o&rdquo; foi o par&acirc;metro que revelou o maior grau de insatisfa&ccedil;&atilde;o (6,9%), podendo indiciar a falta de envolvimento dos colaboradores nas decis&otilde;es da empresa.</p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/rist/spe4/spe4a05f1.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que concerne a gest&atilde;o e sistemas de gest&atilde;o (Parte 2), constata-se que mais de metade dos colaboradores (65,5%) mostrou-se satisfeita com os par&acirc;metros avaliados. O maior grau de satisfa&ccedil;&atilde;o obtido &eacute; com a gest&atilde;o de topo, tanto na &ldquo;Capacidade de lideran&ccedil;a&rdquo; (89,6%) como na &ldquo;Capacidade para comunicar&rdquo; (86,2%). O n&iacute;vel de insatisfa&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave; gest&atilde;o de topo &eacute; nulo enquanto que para a gest&atilde;o interm&eacute;dia &eacute; de 6,9% para os dois par&acirc;metros avaliados. Tamb&eacute;m para a &ldquo;Forma como os objetivos individuais e partilhados s&atilde;o fixados&rdquo; e &ldquo;Forma de recompensar os esfor&ccedil;os individuais&rdquo;, registou-se um grau de insatisfa&ccedil;&atilde;o de 6,9%&rdquo;, podendo evidenciar falta de mecanismos de comunica&ccedil;&atilde;o e de um sistema de incentivos adequado.</p>       <p>Ao avaliar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho (Parte 3), verificou-se que os colaboradores, mostraram-se satisfeitos sobretudo com o hor&aacute;rio de trabalho e com a adapta&ccedil;&atilde;o ao posto de trabalho (79,3%). A situa&ccedil;&atilde;o mais cr&iacute;tica refere-se ao grau de insatisfa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores relativamente &agrave; &ldquo;Possibilidade de conciliar o trabalho com a vida familiar e assuntos pessoais&rdquo; com um grau de 13,4%.O maior grau de indiferen&ccedil;a dos colaboradores recaiu sobre a &ldquo;Igualdade de oportunidades nos processos de promo&ccedil;&atilde;o&rdquo; (34,5%).</p>       <p>Quanto aos par&acirc;metros avaliados na satisfa&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento da carreira (Parte 4), os resultados obtidos (<a href="#f2">figura 2</a>) s&atilde;o tamb&eacute;m satisfat&oacute;rios, na medida em que mais de metade dos inquiridos, entre os 58,6% e os 72,4% se mostraram satisfeitos com todos os par&acirc;metros avaliados. Para os restantes par&acirc;metros, o grau de insatisfa&ccedil;&atilde;o variou entre os 3,4% e 6,9%. Note-se que o grau de indiferen&ccedil;a obtido para todos os par&acirc;metros rondou entre os 27,6% e 37,9%. Estes valores poder&atilde;o ser um reflexo de uma realidade bastante presente nas empresas, em que os trabalhadores mostram-se resistentes a aumentar o seu grau de polival&ecirc;ncia e descuram o aumento do peso de responsabilidades que recaem sobre eles, a par das oportunidades de progress&atilde;o que possam surgir.</p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/rist/spe4/spe4a05f2.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Relativamente aos par&acirc;metros relacionados com as condi&ccedil;&otilde;es de higiene, seguran&ccedil;a, equipamentos e servi&ccedil;os (parte 5), os n&iacute;veis mais altos de satisfa&ccedil;&atilde;o registaram-se para as &ldquo;condi&ccedil;&otilde;es de higiene&rdquo; (89,7%) e com as &ldquo; condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a&rdquo; (86,2%), <a href="#f2">figura 2</a>, acima. O valor mais alto de insatisfa&ccedil;&atilde;o (10%) recaiu sobre os &ldquo;servi&ccedil;os de refeit&oacute;rio&rdquo; disponibilizados aos colaboradores. Perante os &ldquo;equipamentos inform&aacute;ticos dispon&iacute;veis&rdquo; e o &ldquo;software dispon&iacute;vel, os colaboradores mostraram uma atitude de indiferen&ccedil;a, com valores de 62,1% e 58,6%, respetivamente. Isto pode ser explicado pelo facto de a maioria dos postos de trabalho do <i>shop-floor</i> n&atilde;o utilizarem computador ou qualquer outro meio inform&aacute;tico.</p>       <p>Na &uacute;ltima parte (Parte 6) do question&aacute;rio, procurou-se avaliar, o grau de motiva&ccedil;&atilde;o dos colaboradores relativamente &agrave; sua predisposi&ccedil;&atilde;o para aprender novas formas de realizar o trabalho e para estarem envolvidos nos projetos da empresa. Os resultados obtidos evidenciam um grau de motiva&ccedil;&atilde;o para &ldquo;desenvolver trabalho em equipa&rdquo; de 86,2% e &ldquo;aprender novos m&eacute;todos de trabalho&rdquo; de 82,7% Comparativamente, a taxa de desmotiva&ccedil;&atilde;o foi reduzida, apontando-se apenas um valor de 3,4% em &ldquo;aprender novos m&eacute;todos de trabalho&rdquo; e em &ldquo;desenvolver trabalho em equipa&rdquo;. J&aacute; os n&iacute;veis de indiferen&ccedil;a atingiram valores de 41,4% para participar em &ldquo;projetos de mudan&ccedil;a&rdquo; e de 31% para &ldquo;participar em a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o&rdquo; e em &ldquo;sugerir melhorias&rdquo;. Esta atitude de indiferen&ccedil;a pode ser um alerta para a necessidade de estimular o interesse dos colaboradores e em procurar o seu envolvimento nos projetos de mudan&ccedil;a e melhoria da empresa.</p>       <p><b>4.3 <i>Checklist</i></b><b> para avaliar as condi&ccedil;&otilde;es ergon&oacute;micas e ambientais</b></p>       <p>A <i>checklist</i> foi analisada atendendo ao n&iacute;vel de adequa&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es ergon&oacute;micas, de higiene e de segura&ccedil;&atilde;o e &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; primeira parte (Ergonomia, Higiene e Seguran&ccedil;a), &eacute; poss&iacute;vel verificar que a sec&ccedil;&atilde;o 1, armaz&eacute;m de mat&eacute;rias-primas, apresenta o valor mais preocupante nas &ldquo;instala&ccedil;&otilde;es de apoio&rdquo; (22,3%). O investigador observou que este &eacute; um armaz&eacute;m completamente lotado, com pouco ou nenhum espa&ccedil;o livre e de dif&iacute;cil circula&ccedil;&atilde;o (<a href="#f3">figura 3</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/rist/spe4/spe4a05f3.jpg">       
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>Ainda na sec&ccedil;&atilde;o 1, o n&iacute;vel de adequa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;agentes e subst&acirc;ncias perigosas&rdquo; e &ldquo;ferramentas manuais&rdquo; est&atilde;o abaixo de 50%. Na sec&ccedil;&atilde;o 2, de corte, o n&iacute;vel de adequa&ccedil;&atilde;o destes itens foi baixo (50,0% e 42,9%, respetivamente). Preocupante nesta sec&ccedil;&atilde;o e na sec&ccedil;&atilde;o 3, de acabamento, foi o &ldquo;projeto dos postos de trabalho&rdquo; com 27,0% de adequa&ccedil;&atilde;o (<a href ="/img/revistas/rist/spe4/spe4a05f4.jpg">Figura 4</a>). Esta preocupa&ccedil;&atilde;o deve-se a que os PT n&atilde;o est&atilde;o ajustados &agrave;s necessidades dos colaboradores em termos de altura e sua organiza&ccedil;&atilde;o. Estes resultados v&atilde;o de encontro a alguns dos resultados obtidos atrav&eacute;s do question&aacute;rio 1.</p>       
<p>De notar tamb&eacute;m que na sec&ccedil;&atilde;o 3 na &ldquo;seguran&ccedil;a das m&aacute;quinas&rdquo; foi encontrado um valor baixo de adequa&ccedil;&atilde;o (52,9%). Este valor pode estar relacionada com o facto dos sinais de aviso n&atilde;o serem de f&aacute;cil entendimento e os controlos de emerg&ecirc;ncia n&atilde;o serem facilmente vis&iacute;veis e acess&iacute;veis.</p>       <p>J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; segunda parte, verifica-se que as tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m a mesma percentagem de adequa&ccedil;&atilde;o no item &ldquo;Sistema de gest&atilde;o ambiental&rdquo; (16,7%), no item &ldquo;reciclagem&rdquo; (33,3%) e no item &ldquo;consumo de &aacute;gua, energia e outros recursos naturais (55,6%). Para o item &ldquo;polui&ccedil;&atilde;o&rdquo; a sec&ccedil;&atilde;o 1 e 2 t&ecirc;m percentagens de adequa&ccedil;&atilde;o nulas e a sec&ccedil;&atilde;o 3 25,0% e para o item &ldquo;rotulagem ecol&oacute;gica&rdquo; as tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m a mesma percentagem de adequa&ccedil;&atilde;o (0%), como ilustra a <a href ="/img/revistas/rist/spe4/spe4a05f5.jpg">Figura 5</a>.</p>       
<p>Nesta parte as percentagens dos n&iacute;veis de adequa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o baixas e em muitos casos nulas (&ldquo;Polui&ccedil;&atilde;o&rdquo; e &ldquo;Rotulagem Ecol&oacute;gica&rdquo;), o que pode indicar ou que a empresa n&atilde;o se preocupa com estas situa&ccedil;&otilde;es ou que os colaboradores n&atilde;o t&ecirc;m conhecimento disso e n&atilde;o transmitem. N&atilde;o &eacute; estranho uma vez que a Rotulagem Ecol&oacute;gica &eacute; um assunto muito especifico.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>4. Discuss&atilde;o final</b></p>       <p>Da an&aacute;lise dos resultados verificou-se que apesar dos colaboradores, no geral, se mostrarem satisfeitos com as condi&ccedil;&otilde;es ergon&oacute;micas nos seus PT e com a empresa, gostariam que algumas situa&ccedil;&otilde;es fossem melhoradas. Relativamente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es ergon&oacute;micas algumas situa&ccedil;&otilde;es foram identificadas como apresentando risco de LMERT e para as quais o investigador apresentou propostas (Eira, Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2015a e 2015b).</p>       <p>Tamb&eacute;m foi poss&iacute;vel verificar que, no geral, os colaboradores se mostraram satisfeitos com a empresa e com a capacidade de gest&atilde;o da Gest&atilde;o de topo. No entanto, sentem alguma necessidade de serem envolvidos nas tomadas de decis&atilde;o e participarem nos projetos de mudan&ccedil;a da empresa, dando muita import&acirc;ncia &agrave; oportunidade de progress&atilde;o na carreira. Verificou-se que as condi&ccedil;&otilde;es de ergonomia, higiene, seguran&ccedil;a e ambientais n&atilde;o eram as mais adequadas sendo uma oportunidade de melhoria para obter um ambiente mais saud&aacute;vel e sustent&aacute;vel atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o do <i>Lean</i> (Maia, Alves &amp; Le&atilde;o, 2013). Adicionalmente, e embora alguns autores considerem que implementar LP pode conduzir a situa&ccedil;&otilde;es desconfort&aacute;veis, a maioria considera que LP permite criar um melhor ambiente de trabalho, mais confort&aacute;vel, diminuindo o stress e o esfor&ccedil;o dos colaboradores (Arezes, Dinis-Carvalho &amp; Alves, 2015).</p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>5. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>       <p>Para o desenvolvimento deste estudo foram usados dois question&aacute;rios e uma <i>checklist </i>para recolher dados, analisar, avaliar e identificar problemas relacionados com as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e ambientais numa empresa de vestu&aacute;rio. Os inquiridos foram os colaboradores do <i>shop-floor, </i>distribu&iacute;dos pelas tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es da empresa (armaz&eacute;m de mat&eacute;rias-primas, corte e acabamentos) e estas sec&ccedil;&otilde;es as &aacute;reas estudadas. Pretendeu-se com esta avalia&ccedil;&atilde;o detetar oportunidades de melhoria que fossem indicadas pelos pr&oacute;prios colaboradores, para depois serem confrontadas com os resultados da <i>checklist</i> aplicada pelo investigador.</p>       <p>Atrav&eacute;s desta confronta&ccedil;&atilde;o verificou-se que, por vezes, havia resultados contradit&oacute;rios, i.e., situa&ccedil;&otilde;es de desconforto que n&atilde;o foram denunciadas quando perguntadas nos dois question&aacute;rios mas que foram identificadas na aplica&ccedil;&atilde;o da <i>checklist</i>. O facto deste estudo ter sido realizado numa empresa do tipo familiar pode contribuir para esta situa&ccedil;&atilde;o porque, normalmente, existe um &ldquo;aceitar&rdquo; de uma situa&ccedil;&atilde;o que, embora, muitas vezes, seja inc&oacute;moda e insatisfat&oacute;ria, mant&eacute;m-se por v&aacute;rias raz&otilde;es: por agradecimento ao &ldquo;patr&atilde;o&rdquo; por ter receio do desemprego, por desconhecimento de melhores condi&ccedil;&otilde;es, porque sempre trabalharam desta forma, entre outras.</p>       <p>Implementar <i>Lean Production</i> contribui para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho sem por em causa quer o desempenho operacional dos colaboradores quer o desempenho financeiro da empresa. Antes, pelo contr&aacute;rio, conduz ao aumento da produtividade e redu&ccedil;&atilde;o de custos se forem usadas ferramentas <i>Lean</i> apropriadas, tendo o investigador mostrado esses resultados em Eira, Maia, Alves &amp; Le&atilde;o (2015a e 2015b).</p>       <p>       <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>       <p></p>       <!-- ref --><p>Akimoto, T., Tanabe, S.-I., Yanai, T. &amp; Sasaki, M. (2010). Thermal comfort and productivity - Evaluation of workplace environment in a task conditioned office. Building and Environment, 45 (1), pp. 45-50. doi:10.1016/j.buildenv.2009.06.022.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977232&pid=S1646-9895201500030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Alves, A. C., Carvalho, D. &amp; Sousa, R. (2012). Lean Production as promoter of thinkers to achieve companies&rsquo; agility. The Learning Organization: an International Journal, 19(3), pp. 219&ndash;237.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alves, A. C., Kahlen, F.-J., Flumerfelt, S. &amp; Siriban-Manalang, A. B. (2014). The Lean Production multidisciplinary: from operations to education. Proceedings of International Conference of Production Research Americas (ICPRAmericas), pp. 421-427. 31 July to 1 August 2014, Lima, Peru.</p>       <!-- ref --><p>Arezes, P. M., Dinis-Carvalho, J. &amp; Alves, A. C. (2015) Workplace ergonomics in Lean Production environments: a literature review. WORK: A Journal of Prevention, Assessment, and Rehabilitation. Aug 19; 52(1), pp. 57-70, DOI:&nbsp;10.3233/WORK -141941.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977236&pid=S1646-9895201500030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Associa&ccedil;&atilde;o T&ecirc;xtil e Vestu&aacute;rio de Portugal 50 anos. (26 Setembro de 2015). Jornal Vida Econ&oacute;mica (Suplemento), 4-5.</p>       <p>ATP, Associa&ccedil;&atilde;o T&ecirc;xtil e Vestu&aacute;rio de Portugal (2014). Plano Estrat&eacute;gico T&ecirc;xtil 2020. Acedido em 17 mar&ccedil;o de 2015: <a href="http://www.atp.pt" target="_blank">http://www.atp.pt</a></p>       <p>Dahlgaard, J. J. &amp; Dahlgaard-Park, S. M. (2006). Lean production, six sigma quality, TQM and company culture. The TQM Magazine, 18(3), pp. 263&ndash;281.</p>       <!-- ref --><p>Donofrio, N. M. &amp; Whitefoot, K. S. (2015). Making Value for America: Embracing the Future of Manufacturing, Technology, and Work. Foundational Best Practices for Making Value for America, National Academy of Engineering.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977241&pid=S1646-9895201500030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Eira, R. A. P. (2014). Aplica&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas e ferramentas Lean Production numa empresa do Setor T&ecirc;xtil e do Vestu&aacute;rio. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Engenharia Industrial, Universidade do Minho, Portugal.</p>       <!-- ref --><p>Eira, R., Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2015a). Ergonomic intervention in a Portuguese Textile Company to achieve Lean principles. In Arezes, P. et al. (Eds.), International Symposium on Occupational Safety and Hygiene (SHO2015), pp. 100-102. 12-13 February, Guimar&atilde;es, Portugal. ISBN: 978-989-98203-3-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977244&pid=S1646-9895201500030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Eira, R., Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2015b). An initiation of a Lean journey in a clothing company. , In Silva Gomes, J. et al. (Eds.). Recent Advances in Mechanics and Materials. Proceedings of the 6th Conference on Mechanics and Materials in Design (M2D), pp. 1349-1358. 26-30 July 2015, Ponta Delgada, Portugal. ISBN: 978-989-98832-2-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977246&pid=S1646-9895201500030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Flinchbaugh, J. (2011). Beyond Lean: Building Sustainable Business and People Success through New Ways of Thinking. Lean Learning Center. Acedido em 5 setembro, 2014: <a href="http://www.leanlearningcenter.com/knowledge_center/articles.cfm" target="_blank">http://www.leanlearningcenter.com/knowledge_center/articles.cfm</a>.</p>       <p>ILO &ndash; International Labour Office (2010). Ergonomic checkpoints: Practical and easy-to-implement solutions for improving safety, health and working conditions. International Labour Organization.</p>       <!-- ref --><p>Liker, J. K. (2004). The Toyota Way: 14 Management Principles from the work&#39;s greatest manufacture, McGraw-Hill, NY.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977250&pid=S1646-9895201500030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2012). Design of a Lean Methodology for an ergonomic and sustainable work environment in Textile and Garment Industry. ASME 2012 International Mechanical Engineering Congress &amp; Exposition (IMECE2012), Volume 3: Design, Materials and Manufacturing, Parts A, B and C, pp. 1843-1852, November 9-15, 2012, Houston, Texas, USA.</p>       <!-- ref --><p>Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2013). Sustainable Work Environment with Lean Production in Textile and Garment Industry. International Journal of Industrial Engineering and Management, 4(3), pp. 183-190,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977253&pid=S1646-9895201500030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ISSN 2217-2661</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2014a). How Portuguese textile and Garment Industry sees the Lean Production?. Relat&oacute;rio interno n&atilde;o publicado.</p>       <!-- ref --><p>Maia, L. C., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2014b). Perspetivas individuais sobre a necessidade de mudan&ccedil;a: estudo de caso na Ind&uacute;stria T&ecirc;xtil e do Vestu&aacute;rio Portuguesa (<i>Individual perspectives on the need for change: a case study in the Portuguese Textile and Clothing Industry</i>). RISTI - Revista Ib&eacute;rica de Sistemas e Tecnologias de Informa&ccedil;&atilde;o, E2 (9/2014), pp. 115-127. doi: 10.17013/risti.e2.115-127.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977256&pid=S1646-9895201500030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Maia, L. C., Eira, R., Alves, A. C. &amp; Le&atilde;o, C. P. (2015). Perceptions and Understandings on the Need of Change: Viewpoints across Management Levels. In Rocha A. et al. (Eds.). New Contributions in Information Systems and Technologies, Advances in Intelligent Systems and Computing 354, pp. 245-254. Springer International Publishing Switzerland. doi: 10.1007/978-3-319-16528-8_23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977258&pid=S1646-9895201500030000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Monden, Y. (1983). Toyota Production System &ndash; An Integrated approach to Just-In-Time. First Edition, Institute Industrial Engineers.</p>       <!-- ref --><p>Morgan, D. L. (2014). Integrating Qualitative and Quantitative Method: A Pragmatic Approach. SAGE Publications, Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977261&pid=S1646-9895201500030000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>NIST- The National Institute of Standards and Technology (2010). Lean, ISO, Six Sigma. Acedido em 5 setembro, 2014: <a href="http://www.nist.gov/baldrige/lean_iso_sixsigma.cfm" target="_blank">http://www.nist.gov/baldrige/lean_iso_sixsigma.cfm</a>.</p>       <!-- ref --><p>Womack, J. P., Jones, D. &amp; Roos, D. (1990). The machine that changed the world. New York, NY: Rawson Associates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977264&pid=S1646-9895201500030000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Yamamoto, Y. &amp; Bellgran, M. (2010). Fundamental mindset that drives improvements towards lean production. Assembly Automation, 30(2), pp. 124-130.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=977266&pid=S1646-9895201500030000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>Recebido / Recibido: 27/03/2015</p>       <p>Aceitação /Aceptación: 18/09/2015</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Agradecimentos </b></p>       <p>Os autores deste trabalho gostariam de expressar os seus agradecimentos &agrave; empresa da ITV e seus colaboradores. Os autores tamb&eacute;m agradecem &agrave; FCT com o Plano Estrat&eacute;gico PEst2015-2020, referencia UID/CEC/00319/2013.</p> </div>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Akimoto]]></surname>
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